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CONTRIBUIÇÕES PARA O DIAGNÓSTICO DE TRANSTORNOS DE ANSIEDADE EM

PACIENTES COM OU SEM DOENÇA ARTERIAL CORONARIANA

Graziele Zwielewski Gomes1


Theo Fernando Bub²

Resumo:
Com o aumento da incidência de pacientes nas emergências cardiológicas apresentando
sintomas semelhantes aos de um transtorno de ansiedade e também sintomas de doença
arterial coronariana como o infarto, buscou-se compreender a atuação dos cardiologistas
em uma emergência cardiológica, para compreender quais os elementos além do DSMIV
que são usados pelos cardiologistas para diagnosticar TA com ou sem DAC. Foi constatado
que devido a gravidade dos casos de DAC, muitas vezes não eram investigados possíveis
sinais de TA, que por não serem tratados trazem consequências negativas para o paciente
e para o tratamento do mesmo.

Introdução
Tem se tornado cada vez mais comum a incidência de pacientes que procuram a
emergência cardiológica apresentando sintomas como: dor torácica, aperto e opressão no
peito, náusea, vômito, sudorese, sensação de morte eminente e palidez. Sintomas que fazem
parte de um quadro de ansiedade, mas que são muito semelhantes aos sintomas de doença
arterial coronariana, como o infarto. Essa similaridade dos sintomas deixam os pacientes
desconfiados do seu diagnóstico de transtorno de ansiedade e acabam procurando outro
médico, na tentativa de encontrar um problema além do emocional já que os sintomas são
vivenciados de forma tão real.
Tão comum quanto a incidência desses pacientes, tem sido também comum encontrar
pacientes com doenças arteriais coronarianas acompanhados de um alto índice de transtorno
de ansiedade, o que trás complicações para o quadro clínico do paciente uma vez que a falta
de respiração adequada, agitação, sensação da dor e dos sintomas aumentados, atrapalha a
conduta emergencial. Muitos desses pacientes, graves, são atendidos pela emergência
seguindo o protocolo médico, que em função da emergência da situação de saúde, acaba
ignorando a possibilidade de o paciente apresentar transtornos de ansiedade associados, e
apenas medicam para aliviar os sintomas de ansiedade momentâneos, não sendo comum o
acompanhamento do quadro emocional.
Este artigo foi escrito a partir da experiência vivenciada na Emergência de Cardiologia em
um hospital especializado, localizado na capital catarinense, onde se constatou que dos
pacientes que adentraram na emergência nos dias observados, 30% deles apresentaram
diagnóstico de transtorno de ansiedade (TA), os outros 70% apresentavam doenças arteriais
coronarianas (DAC). Observou-se que dos pacientes diagnosticados na emergência com DAC,
25% apresentaram crises de ansiedade. Esses números são confirmados por estudos realizados

1
Psicóloga especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, Coordenadora do Projeto Pacientes
Ansiosos e Mestranda pela UFSC.
² Médico Cardiologista, Diretor técnico do Hospital SOS Cardio

ZWIELEWSKI, G.; BUB, T. e MAIA, M.M. (2012). RELATO DE EXPERIÊNCIA E CONTRIBUIÇÕES PARA O DIAGNÓSTICO DE TRANSTORNOS DE ANSIEDADE EM
PACIENTES COM OU SEM DOENÇA ARTERIAL CORONARIANA 1
em emergências com pacientes que apresentavam sintomas de dor torácica e eram
submetidos a testes ergométricos ou arteriografia coronariana, com resultados esclarecedores
de que 74% dos pacientes que adentravam na emergência apresentavam crises de pânico
juntamente ou não com problemas coronários. (Lynch e Galbraith, 2003).
Hoje o diagnóstico emergencial de Transtorno de Ansiedade (TA) se dá por exclusão já que
estudos mostram que 6 dos 13 sintomas dos critérios diagnósticos do transtorno de pânico são
encontrados em doenças coronarianas, o que dificulta o diagnóstico inicial de uma crise de
pânico sendo necessário passar por avaliação clínicas de um cardiologista e por exames da
mesma área para que, primeiro seja excluída a possibilidade de problemas coronários e depois
se possa chegar ao diagnóstico de transtorno de pânico (TP). Pela semelhança com os
sintomas de problemas cardíacos, os pacientes na sua maioria que já possuem históricos na
família de problemas coronários, ficam assustados e estão nas emergências cardiológicas
cientes de que estão tendo um “infarto” ou algum outro problema cardíaco. A confirmação ou
não deste diagnóstico, deixa a maior parte dos pacientes em estado de alerta constante e
passam a interpretar os sintomas de forma ainda mais intensa, aumentando o nível da
ansiedade e dos sintomas.
Mesmo em pacientes com diagnósticos confirmados de problemas coronários, a crise de
pânico aparece nos casos observados nos estudos de Basha et al. (1989), onde é possível
encontrar relatos de que 53% dos pacientes que apresentavam doença arterial coronariana
(DAC), também preenchiam os critérios para TP. Logo, percebe-se que além dos pacientes que
não apresentam problemas físicos, os pacientes com problemas fisiológicos na coronária
também podem apresentar sintomas de ansiedade e precisam ser tratados, já que o pânico
não tratado pode levar a cronificação dos sintomas, limitação das atividades e redução da
qualidade de vida do paciente, além do uso excessivo e inadequado dos recursos médicos
(Soares Filho, G.L.F et al., 2007).
Quando a crise de ansiedade é percebida nos pacientes com ou sem DAC, o procedimento
atual é de medicar com Clonazepan como pôde ser constatado nos prontuários observados.
Essa medicação auxilia na redução da ansiedade momentaneamente, mas em alguns dias, caso
a ansiedade seja um padrão de funcionamento do paciente, ela voltará e o paciente procurará
provavelmente outro profissional ou hospital, na tentativa de descobrir o que ele acredita ser
uma doença grave. A medicação na emergência é importante, mas prestar atenção ao
comportamento do paciente ansioso se faz mais necessário para que possa identificar se é
apenas uma crise momentânea ou se existe a generalização da ansiedade em outros
comportamentos do paciente e para que o encaminhamento para um profissional adequado
seja feito de forma eficiente e eficaz.
Atualmente, os encaminhamentos são feitos após a medicação, quando o paciente já não
está mais em contato com os sintomas na ansiedade. A forma como é explicado para o
paciente sobre a ansiedade geralmente os faz entender que “não possuem nada” (e de fato
não possuem nada físico), o que dificulta que o paciente procure ajuda adequada para se
tratar, pois historicamente a procura por um psicólogo era feita por pessoas que estavam
ficando “loucas” e “perdendo a cabeça” e, além disso, na emergência eles foram medicados e
com o uso da medicação percebem que conseguiram o equilíbrio dos sintomas.
Diante da semelhança dos sintomas, diante da forma como o diagnóstico de TP é feito hoje
nas emergências (por exclusão) e diante dos riscos do não tratamento adequado, pergunta-se:

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Além dos critérios diagnósticos do DSMIV, quais outros elementos podem ser usados
para diagnosticar TP associados com a dor torácica em casos com ou sem DAC?

Como o Psicólogo pode contribuir com pacientes ansiosos nas emergências dos
Hospitais?

Para responder a estas perguntas, este artigo trás contribuições para o diagnóstico de TP
associado a dor torácica nas emergências cardiológicas dos hospitais, já que se percebe a
importância dos cardiologistas estarem cada vez mais atentos à complexa relação entre as
crises de pânico e os sintomas de dor torácica. Pode-se dizer que essas contribuições são
relevantes uma vez que os pacientes diagnosticados receberão encaminhamento e tratamento
adequados para seus problemas emocionais e cientificamente essas contribuições estarão
preenchendo lacunas apontadas por autores como: Basha (1989), que apresenta a
necessidade de entender a reação de pacientes que apresentam DAC e / ou TP, através da
medicação e psicoterapia. Soares Filho, G.L.F et al (2007), apresenta a necessidade de que
sejam criados critérios e métodos diagnósticos específicos para o TP associado a dor torácica.
Lynch e Galbraith, (2003), mencionam a importância de serem desenvolvidos novos estudos
nessa área, pois ao melhorar o reconhecimento das crises de pânico e TP nas salas de
emergências, existe um grande potencial para redução de custos médicos em geral.
Para fundamentar este artigo, utilizou-se a base cognitivista através da teoria e modelos
criados por Aaron Becker (1976) que trás a ideia de que as emoções são experimentadas como
resultado do que interpretamos a respeito dos eventos e situações que vivenciamos, ou seja,
as emoções são fruto das nossas interpretações a repeito do que vivemos. Uma mesma
situação pode provocar diferentes emoções em diferentes pessoas, e até emoções diferentes
na mesma pessoa, em momentos diferentes. A ideia da psicologia cognitiva de Becker trás a
ideia fundamental de que podem existir diversas formas de encarar uma mesma situação,
porém pessoas que sofrem de problemas emocionais só conseguem ver a sua forma de
interpretá-las. (SALKOVSKIS, 2004).
Será apresentado neste artigo a diferença entre um ataque (crise) de pânico e o transtorno
do pânico conforme critérios do DSM IV, além dos sintomas de enfarto conforme CID10. Em
seguida faz-se uma tentativa de explicar de forma breve a ansiedade através da teoria
cognitivista, já que neste primeiro momento o objetivo não é sugerir tratamento, contribuir
com novos elementos para o diagnóstico de TP associado à dor torácica.

Transtorno de Pânico, Ataque de Pânico ou Infarto?


O transtorno do pânico (TP) pertence ao grupo dos transtornos de ansiedade, reconhecido
pelo CID 10 como F40.0 e pelo DSM IV como 300.01, os critérios podem ser melhor
visualizados pela Tabela 1 abaixo.

Tabela 1 – Critérios Diagnósticos do TP (DSM IV).


F40.0 – 300.01 TRANSTORNO DE PÂNICO SEM AGORAFOBIA

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A. (1) ou (2):
(1) Ataques de Pânico recorrentes e inesperados
(2) Pelo menos um dos ataques foi seguido por 1 mês (ou mais) de uma (ou mais) das seguintes características:

(a) preocupação persistente acerca de ter ataques adicionais


(b) preocupação acerca das implicações do ataque ou suas conseqüências (por ex., perder o controle, ter um
ataque cardíaco, "ficar louco")
(c) uma alteração comportamental significativa relacionada aos ataques

B. Ausência de Agorafobia

C. Os Ataques de Pânico não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de
abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral (por ex., hipertiroidismo).

D. Os Ataques de Pânico não são melhor explicados por outro transtorno mental, como
Fobia Social (por ex., ocorrendo quando da exposição a situações sociais temidas),
Fobia Específica (por ex., ocorrendo quando da exposição a uma situação fóbica específica),
Transtorno Obsessivo-Compulsivo (por ex., quando da exposição à sujeira, em alguém com uma obsessão de
contaminação),Transtorno de Estresse Pós-Traumático (por ex., em resposta a estímulos associados a um
estressor severo) ou Transtorno de Ansiedade de Separação (por ex., em resposta a estar afastado do lar ou de
parentes queridos).
 Fonte: adaptado do DSM IV (2000)

TP trata-se de um transtorno caracterizado por períodos súbitos e recorrentes de pavor


com sensações inexplicáveis de desgraça junto com outros sintomas físicos de alta ansiedade e
com sintomas cognitivos: taquicardia, sensação de que o ambiente está alterado, suor
excessivo, tremores, medo de morrer, falta de ar, sensação de sufocamento, dor no peito,
náuseas e calafrios. Esses sintomas são descritos pelo DSM IV como sintomas de um ataque de
pânico, conforme tabela 2 abaixo:

Tabela 2 – Critérios para Ataque de Pânico


Nota: Um Ataque de Pânico não é um transtorno codificável. Codificar o diagnóstico específico no qual o
Ataque de Pânico ocorre (por ex., F40.01 - 300.21 Transtorno de Pânico com Agorafobia).
Um período distinto de intenso temor ou desconforto, no qual quatro (ou mais) dos seguintes sintomas
desenvolveram-se abruptamente e alcançaram um pico em 10 minutos:
(1) palpitações ou ritmo cardíaco acelerado
(2) sudorese
(3) tremores ou abalos
(4) sensações de falta de ar ou sufocamento
(5) sensações de asfixia
(6) dor ou desconforto torácico
(7) náusea ou desconforto abdominal
(8) sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio
(9) desrealização (sensações de irrealidade) ou despersonalização (estar distanciado de si mesmo)
(10) medo de perder o controle ou enlouquecer
(11) medo de morrer
(12) parestesias (anestesia ou sensações de formigamento)
(13) calafrios ou ondas de calor
 Fonte: adaptado do DSM IV (2000)

Não se pode afirmar que todos os pacientes que tiveram ataques de pânico conforme
critérios apresentados na tabela 2, possuem o transtorno de pânico apresentado na tabela 1,
isso porque o ataque somente é considerado como um transtorno, quando está presente na
vida do paciente há mais de um mês de forma recorrente como mostra a tabela 1. Esses
ataques podem ser de três tipos: inesperados: quando o paciente conta que os sintomas
vieram “do nada”; podem estar associados a uma situação: como em pacientes que possuem

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fobias específicas; e podem ainda ser desencadeado por situação: quando o paciente enfrenta
uma situação que lhe deixa ansioso, (DSM IV, 2000). TP pode ainda, ser facilmente confundido
com outros Transtornos de Ansiedade como a Fobia Social, o Transtorno Obsessivo
Compulsivo, Transtorno de Ansiedade Generalizada, e o Transtorno de Estresse Pós
Traumático e isso acontece porque a crise de pânico pode realmente estar presente em todos
os casos citados acima, porém isso não incluiria o diagnóstico de um TP, e sim de um
transtorno de ansiedade especifico com presença de crises ou ataques de pânico.
Conforme relatado na introdução deste artigo, os transtornos de ansiedade possuem
sintomas que se assemelham com sintomas de DAC, como pode ser visto na Tabela 3, que
apresenta os sintomas de infarto agudo do miocárdio (IAM) classificado pelo CID10 como I21.

Tabela 3 – Sintomas de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM)


1. Dor no Peito e desconforto torácico;
2. Sensação de desconforto nos ombros, braços, costas, pescoço, mandíbula e / ou estômago;
3. Sensação de incomodo na língua ou no queixo;
4. Palidez na pele, suor frio, inquietação, palpitação, respiração curta;
5. Podem acontecer vômitos, náuseas, tonturas, confusão mental e desmaios.
 Fonte: adaptado pela autora

Pacientes que chegam às salas de emergência com sintomas de doenças arteriais


coronarianas (DAC), mas que também preenchem os requisitos para diagnóstico de ataque de
pânico, podem estar apresentando junto com o problema coronário, uma crise de ansiedade e
se não forem corretamente diagnosticados, os sintomas dos ataques de pânico podem
atrapalhar os procedimentos médicos e com o tempo se tornar crônicos. A identificação de
diferenças entre os quadros é fundamental para que se possa fazer o correto atendimento.

Aspectos Cognitivos da Ansiedade


A ansiedade é uma das emoções mais pertubadoras que as pessoas podem sentir. É muitas
vezes chamada de “nervosismo”, “medo” e descreve inúmeros problemas incluindo as fobias
(medo de coisas ou situações), ataques de pânico, transtorno de estresse pós traumático,
transtorno obsessivo compulsivo e transtorno de ansiedade generalizada. Os acontecimentos
importantes de nossa vida (ambiente) podem contribuir para a ansiedade como importantes
traumas, doenças ou mortes, coisas que nos foram ensinadas, coisas que observamos e as
experiências que nos parecem impossíveis de serem manejadas. (Greenberger & Padesky,
1999).
O modelo cognitivo da ansiedade apresentado por Becker (1976), trás a origem da
ansiedade como multifatorial e dentre esses fatores encontra-se a distorção cognitiva que
acontece através da interpretação disfuncional de situações vivenciadas pelo paciente.
Pessoas que experimentam a ansiedade acreditam que estão sendo ameaçadas por um dano
físico ou social. Essas interpretações acontecem porque os ansiosos possuem pensamentos
automáticos negativos (PANs) de forma catastrófica, ou seja, diante de qualquer evento que
possa minimamente lhes trazer sinais de perigo, acreditam estar diante de uma ameaça
eminente. Os PANs surgem rapidamente e desencadeiam a ansiedade, já que estão vinculados
com a própria saúde ou com outros problemas reais que a pessoa esteja vivenciando. Mas é
sabido que a forma como os eventos são interpretados é que desencadeiam as nossas
emoções, e não o contrário como geralmente imaginamos. Prova disso é que uma mesma

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situação pode provocar emoções e reações diferentes em pessoas diferentes. (SALKOVSKIS,
2004).
A ansiedade é inevitavelmente acompanhada da percepção de que estamos em perigo, ou
que estamos sendo ameaçados e de alguma forma vulneráveis. Essa ameaça pode ser física
(ter um ataque cardíaco, morrer sufocado), ameaça social (quando acredita-se que pode ser
rejeitado, envergonhado,etc) ou ameaça mental (quando preocupa-se de que se está ficando
louco ou perdendo a cabeça). O pânico é o medo ou a ansiedade extrema que consiste de uma
combinação inconfundível de emoções e sintomas físicos. Para Greenberger & Padesky (1999),
este ataque é caracterizado por uma alteração nas sensações corporais ou mentais tais como o
batimento cardíaco acelerado, transpiração, dificuldade de respirar, sensação de sufocamento
ou asfixia, tremores, tonteira, dor no peito, náusea, calores, calafrios ou desorientação.
Os pensamentos dos indivíduos que apresentam crises de pânico, são geralmente
interpretações distorcidas de sensações corporais e mentais. Em pessoas com o transtorno de
pânico, um círculo vicioso ocorre, no qual os sintomas físicos, emoções e pensamentos
interagem entre si e se intensificam rapidamente.

Contribuições para o Diagnóstico de TA com ou sem DAC


É desnecessário acentuar a necessidade criteriosa de pesquisar a causa orgânica dos
sintomas apresentados pelos pacientes que adentram as emergências, portanto não se
questiona em nenhum momento a necessidade de seguir os protocolos médicos já sugeridos
anteriormente em outras pesquisas. O que se pretende neste artigo é auxiliar o médico
cardiologista ou clínicos plantonistas nas emergências, a identificarem sinais de ansiedade no
paciente com ou sem DAC, para que possam fazer os devidos encaminhamentos para
tratamento, sem que o paciente com TP saia desmoralizado da sala de emergência, achando
que “não tem nada” ou que está tendo um “pitchi”.
Lynch e Galbraith, (2003), afirmam que dos pacientes que entram na sala de
emergência com Transtorno de Pânico, 98% saem acreditando que “não tem nada” além de
meros problemas emocionais, mas o diagnóstico muitas vezes não convence o paciente que
vivencia os sintomas de forma muito real e acha quase impossível aqueles sintomas serem
causados apenas por fatores emocionais. A falta de explicação adequada para o paciente, faz
com que o mesmo volte a procurar ajuda médica em um curto período de tempo, buscando
fatores fisiológicos para seus sintomas, aumentando assim os custos financeiros e emocionais
com saúde sem falar no aumento da sensação de vulnerabilidade sentida pelo paciente que
imagina que ninguém conseguirá descobrir a sua doença, que ele percebe como rara. Muitas
das vezes, os pacientes acabam desmoralizados diante da família, que acham que o mesmo
quer chamar a atenção.
Para auxiliar na identificação de ansiedade associada à dor torácica, sendo ou não uma
doenças arteriais coronarianas, apresenta-se novos elementos para o diagnóstico nas
emergências cardiológicas para que os profissionais da área médica possam avaliar a
ansiedade de forma mais direta e fazer os devidos encaminhamentos de forma mais eficaz.

Pensamentos Catastróficos: Sabemos que em determinadas ocasiões a mente parece


escorregar automaticamente para o pessimismo, em vez de para o otimismo. A pessoa é
levada a acreditar no pior, em um desastre eminente, imaginando que consequências
insuportáveis acontecerão. A pessoa fica excessivamente preocupada, aterrorizada, pois está
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convencida não só de estar diante do desastre, mas também de que não há nada que se possa
fazer a respeito; o que provoca o estado chamado de “perder a cabeça” e o paciente sente que
a única coisa que pode fazer é correr aos berros de um lado para o outro, ou de um hospital
para o outro, (Freeman & Dewolf,2006).
Isso acontece porque as pessoas ansiosas geralmente interpretam uma situação ou um
estímulo como mais perigoso do que realmente é, consequentemente, sua emoção e seu
comportamento respondem a essa ameaça. Conforme Becker (1976), esta é uma reação
provocada devido a pressuposições e crenças particulares que as pessoas aprenderam durante
um período inicial de suas vidas. Crenças essas que foram úteis naquele período, mas que se
tornam disfuncionais diante de novas situações em momentos diferentes. Vamos a um
exemplo: Uma pessoa que interpreta os seus batimentos acelerados do coração como um
ataque cardíaco, e lembra-se de algum conhecido que morreu de “infarto”, possivelmente
ficará mais ansioso porque acionará seus PAN´s: “essas sensações são sintomas de infarto”,
“estou me sentindo como o meu amigo que morreu no último mês com problema cardíaco”.
Isso acontece porque os estímulos foram interpretados como ameaçadores e nosso sistema
nervoso entra em alerta para tentar combater o perigo, ou melhor, as pessoas ansiosas
superestimam a ameaça e acabam minimizando suas capacidades de enfrentamento,
(SALKOVSKIS, 2004). O autor retrata isso de uma forma objetiva e visual, através da Fórmula da
Ansiedade que pode ser compreendida abaixo:

* Fonte: Adaptado de SALKOVSKIS (2004)

Percebe-se que em pacientes ansiosos o medo de que o “pior” aconteça é muito presente,
o que acaba aumentando a percepção de que este evento temido venha acontecer. Junto com
essa sensação de estarem em perigo, os pacientes não se sentem fortes o suficiente para
encararem o que temem, já que na interpretação deles, se trata de um grande e catastrófico
problema. Pensamentos do tipo: “senti uma fisgada no peito, estou enfartando”; “senti uma
tontura, vou ter um colapso”; “senti uma falta de ar, vou ter uma parada respiratória e posso
morrer”, são pensamentos comuns em pacientes ansiosos com ou sem diagnósticos de DAC.
Isso porque a ansiedade está vinculada com medo, ideia de perigo, ameaça pessoal, que pode
ser provocado justamente pela interpretação e percepção dos sintomas da DAC de forma
aumentada ou também por uma interpretação disfuncional, de ordem catastrófica a respeito
das sensações corpóreas normais.
Alguns dos pensamentos catastróficos apresentados por pacientes durante o período
observado na emergência do hospital de cardiologia, podem ser visualizados na Tabela 4
abaixo:

“Terei que desocupar a casa onde estou hoje provisoriamente e não terei pra onde ir, ficarei sem ter onde morar” (I.B.S.R)

“Tenho sensações estranhas. Vou enfartar, morrer e deixar minhas filhas desamparadas” (P.C.S.F)

“Se eu não receber um aumento não darei conta de pagar as dívidas que fiz para me casar” (R.V.R)

“Meu filho está desempregado e dependerá de mim. Meu esposo fez cirurgia, está com infecção e pode perder as vistas”

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(M.M.S.S.)

“Não estou tendo bom desempenho na nova função, logo serei demitido” (J.T.C.)

“Estamos brigando muito em família e estou me sentindo muito sozinha para lidar com os problemas. Não vou dar conta” (M. C.
C)

“Estou concluindo um curso e se eu não conseguir terminar o artigo final, não receberei o diploma” (A.L.N)

“Estou com dores no peito. Minha avó e minha mãe morreram de problemas no coração e eu posso estar enfartando” (R.A.)

“Sinto dores no peito e gases, tenho certeza que vou morrer, sinto medo” (M.G.R.M.)

Tabela 4: Pensamentos Catastróficos apresentados pelos pacientes atendidos

As pessoas que experimentaram da ansiedade e foram atendidas, acreditavam que


estavam sendo ameaçadas por um dano físico ou social e interpretavam a situação que
vivenciavam, como um sinal de ameaça pessoal. Para Beck (1976), quando as pessoas
interpretam as situações como mais perigosas do que realmente são, devido a pressuposições
ou crenças particulares, acabam desenvolvendo os transtornos de ansiedade. Um segundo
fator envolvido na produção da ansiedade refere-se a superestimação do perigo e minimização
da capacidade de enfrentamento, ou seja, o problema passa a ser um “elefante” enquanto o
paciente se sente apenas uma “formiga” incapaz de enfrentar o “elefante”. De acordo com a
teoria cognitiva, o paciente que está ansioso, tem maior probabilidade de fazer distorções
cognitivas e isso colabora para que ele veja o problema maior do que realmente é e deixe de
enxergar possibilidades ou ferramentas para lidar com esse problema, reduzindo assim sua
capacidade de enfrentamento. (GREENBERGER & PADESKY, 1999); (SALKOVSKIS,2004);
(FREEMAN & DEWOLF, 2006).
Portanto, um elemento que se sugere para ser utilizado no diagnóstico de TP com ou
sem DAC é a identificação de pensamentos automáticos negativos de origem catastrófica.
Identificando alguns desses PAN´s catastróficos o profissional poderá ter evidências concretas
de que o paciente sofre de ansiedade, mesmo apresentando dor torácica proveniente de DAC.

Hipervigilância: As reações fisiológicas da ansiedade percebidas durante um ataque de


pânico, dizem respeito a uma resposta “tudo ou nada” desencadeada pela ativação do sistema
nervoso simpático (SNAS). Quando o cérebro acredita que está em perigo, algumas estruturas
cerebrais detectam esse perigo (córtex pré frontal, amígdala, núcleo mediano da rafe, etc) e
acionam o SNAS que prepara o corpo para se defender contra o pior. Por outro lado, a
percepção de que tudo está bem, ativa o sistema nervoso parassimpático que restaura e
regenera o organismo, regularizando a fisiologia, (Rangé & Borba, 2008).
Nota-se no paciente ansioso uma percepção aumentada da probabilidade do perigo e além
disso, a persistência de interpretações excessivamente negativas de estímulos, eventos ou
situações. As pessoas que acreditam estar em perigo tendem a se tornar sensíveis a percepção
dos estímulos consistentes com o perigo percebido, como por exemplo acontece com os
pacientes que procuram as emergências cardiológicas e possuem TP com ou sem DAC. Focam
sua atenção em sensações semelhantes a sintomas de doenças graves, prestam atenção na
aceleração do batimento do coração e interpretam como ataque cardíaco, fisgadas no braço
como sinal de enfarto, sensação de falta de ar é interpretada como sufocamento, etc. Eles
percebem os sinais do corpo como se tivessem se tornado perigosos e maiores, o que aumenta
a preocupação do paciente e reforça ainda mais a interpretação de ameaça, já que o corpo

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naturalmente liberará adrenalina em situações de perigo, (Salkoviskis, 2004). Essa
interpretação catastrófica pode acionar o sistema nervoso simpático que faz a liberação de
adrenalina e noradrenalina enquanto o corpo começa a dar sinais de se preparar para encarar
ou fugir do perigo.
É natural que diante de um perigo o ser humano queira se proteger, portanto, diante de
situações interpretadas como catastróficas para pacientes ansiosos, é natural percebermos a
hipervigilância aos estímulos do ambiente e o auto monitoramento das reações fisiológicas. O
paciente que fica com atenção excessiva a todo e qualquer sinal interno e externo a seu corpo,
capta qualquer pequeno sinal que venha confirmar suas crenças de que está diante de um
perigo. Um simples arrepio de frio no momento de uma crise pode ser interpretado como um
calafrio, queda de pressão arterial e / ou sensação de desmaio.
Pensamentos do tipo: “vou morrer”, “tenho uma doença grave e ninguém consegue
achar”, “o pior vai acontecer e não há nada que eu possa fazer”, são pensamentos comuns em
paciente com alta ansiedade e que podem ajudar os cardiologistas no momento do
diagnóstico adequado da DAC associada ou não a um quadro ansioso, além do diagnóstico
exclusivo de TA. Não se objetiva com este artigo, incluir os TAs, ou o TP como um dos
diagnósticos médicos pertencentes a classe cardiológica, mas alerta-se para que os
cardiologistas estejam atentos aos sintomas e a possibilidade de um diagnostico de ataques de
pânico independente dos problemas físicos, para que se possa dar os devidos
encaminhamentos para estes pacientes.

Considerações Finais
A não identificação dos sintomas de ansiedade, a não conscientização sobre o TP e o não
encaminhamento para tratamento adequado de pacientes com ou sem DAC pode trazer
consequências negativas para o paciente que procura a emergência cardiológica. Além da
cronificação dos sintomas e possíveis complicações, o paciente que sofre de TP sai da
emergência do hospital de cardiologia achando que “não tem nada” e que tudo é “apenas”
emocional. Isso acontece principalmente com os pacientes que são acusados pelas famílias de
estarem querendo chamar a atenção, de estarem perdendo a cabeça, perdendo o controle ou
até acabam acusados de estarem ficando loucos. Se formos considerar a teoria de
Greenberger & Padesky (1999), apresentadas neste artigo, pode-se concluir que além da
ameaça física (sintomas), nessa situação a ameaça mental (acusações) passa a ser real, o que
deixa o paciente ainda mais vulnerável e consequentemente aumentam os seus sintomas.
Acredita-se que os protocolos atuais precisam ser seguidos desde que somados aos dois
elementos apresentados como contribuições para o diagnóstico de ataque de pânico
associado à dor torácica (pensamentos catastróficos e hipervigilância), assim pode-se melhor
identificar a ansiedade do paciente e separar do quadro de DAC, quando existir. Após a
identificação da ansiedade elevada, o encaminhamento para o psicólogo torna-se essencial
para que o mesmo explique o diagnóstico para o paciente dentro de um modelo cognitivo,
através de ferramentas que ajudam o paciente a compreender que não se trata de um
problema coronariano, mas que se trata de uma doença emocional que precisa ser tratada
com tamanha seriedade e cuidado para que não se torne crônica. Geralmente os pacientes
ansiosos, apresentam falta de habilidade em resolver problemas nas várias áreas da sua vida:
familiar, social, profissional, espiritual, saúde, financeira e baixa qualidade de vida; por isso

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PACIENTES COM OU SEM DOENÇA ARTERIAL CORONARIANA 9
sugere-se que os médicos, vistos como exemplos a serem seguidos, se preocupem também
com a “cabeça” dos seus pacientes enquanto cuidam do coração.
Identificou-se durante este estudo a ausência e a demanda da criação de protocolos de
atendimento psicológicos para pacientes com crises de pânico que adentram a emergência dos
hospitais, a fim de reduzir a ansiedade momentânea através de técnicas cognitivo
comportamentais e para melhor compreensão sobre a doença por parte do paciente, já que a
distorção a respeito do que vem a ser TP pode levar o paciente a não se tratar e ainda ter o
sentimento de vulnerabilidade aumentado. A escolha de psicólogos cognitivo
comportamentais para atuação nas emergências se faz necessária já que a Terapia Cognitiva
Comportamental é consideradas hoje como o tratamento mais eficaz e com índice de recaída
de 0-10% conforme Greenberger & Padesky (1999), ao contrário do tratamento
medicamentoso onde 71-95% das pessoas que foram tratadas por esse método,
reexperimentaram a crise 90 dias após a descontinuação da medicação.

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