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PROJETO INDIVIDUAL DE LEITURA Revolução e Poesia DISCIPLINA: LITERATURA PORTUGUESA PROFESSORA: FERNANDA FREITAS ALUNA:
PROJETO INDIVIDUAL DE LEITURA Revolução e Poesia DISCIPLINA: LITERATURA PORTUGUESA PROFESSORA: FERNANDA FREITAS ALUNA:

PROJETO INDIVIDUAL DE LEITURA

Revolução e Poesia

PROJETO INDIVIDUAL DE LEITURA Revolução e Poesia DISCIPLINA: LITERATURA PORTUGUESA PROFESSORA: FERNANDA FREITAS ALUNA:
PROJETO INDIVIDUAL DE LEITURA Revolução e Poesia DISCIPLINA: LITERATURA PORTUGUESA PROFESSORA: FERNANDA FREITAS ALUNA:

DISCIPLINA: LITERATURA PORTUGUESA PROFESSORA: FERNANDA FREITAS ALUNA: CLÁUDIA COSTA, Nº4, 11ºLH5

Índice 25 de Abril de 1974 3 Alexandre O´Neill 10 ❖ Obras 14 UM ADEUS

Índice

25 de Abril de 1974

3

Alexandre O´Neill

10

Obras

14

UM ADEUS PORTUGUÊS

15

PERFILADOS DE MEDO

19

Arte

22

História: Vida viva/ Os testemunhos

24

Reflexão

26

15 PERFILADOS DE MEDO 19 Arte 22 História: Vida viva/ Os testemunhos 24 Reflexão 26
25 de Abril de 1974 Após o golpe militar de 1926, foi estabelecida uma ditadura

25 de Abril de 1974

Após o golpe militar de 1926, foi estabelecida uma ditadura em Portugal. Em 1932, António de Oliveira Salazar tornou-se o primeiro-ministro das finanças e ditador. Salazar instaurou então um regime inspirado no fascismo italiano, cujas liberdades de reunião, de organização e de expressão foram suprimidas com a Constituição

de 1933. Este movimento representou para os portugueses: democratização, descolonização e desenvolvimento.

democratização, descolonização e desenvolvimento. Disponível : http://estacaodiariajornal.com/nova-ordem-

Com a chegada deste regime, os portugueses viviam num país cinzento, triste, remendado, onde tudo era censurado e proibido: as professoras primárias e enfermeiras não podiam casar; o biquíni era perseguido nas praias; as senhoras na missa não podiam levar os braços descobertos; para usar um isqueiro era preciso uma licença; os jornais, livros, filmes, peças de teatro, canções e músicas tinham de passar pela censura, eram cortados e proibidos.

Aliás, o regime fascista tinha uma atenção particular e zelo em evitar que a informação e a cultura circulassem, porque sabia serem armas fundamentais, através das quais os portugueses adquiririam conhecimento e consciência que a prazo os levariam a rejeitarem e revoltarem-se contra um regime que assentava na ignorância e obscurantismo.

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Não havia liberdade de expressão, de imprensa, de reunião, de manifestação, à greve, sindical, de partidos políticos e era muito reduzido e controlado o direito de associação. Não existia o direito à saúde, à proteção social, ao ensino ou à habitação e, por isso, um elevado número de portugueses habitava num «casebre», sem água canalizada, eletricidade ou esgotos.

A polícia política (PIDE) vigiava, controlava e registava a vida dos cidadãos. Intercetava correio, telefones,

A polícia política (PIDE) vigiava, controlava e registava a vida dos cidadãos. Intercetava

correio, telefones, vigiava contactos, viagens, participação em atividades de lazer, culturais, desportivas e especialmente sociais e políticas. Perseguia, prendia, torturava, encarcerava e assassinava cidadãos. Desde a chegada dos fascistas ao poder, os que se opuserem e lutaram pela liberdade e a democracia, em particular os comunistas, sofreram a maior repressão e pagaram a sua determinação com assassinatos e muitos anos de prisão no Forte de Peniche, em Caxias, no Aljube, no Campo de Concentração do Tarrafal (Cabo Verde) e na Fortaleza de Angra do Heroísmo.

O aparelho de Estado foi adaptado como instrumento repressivo do regime fascista:

GNR, PSP, tribunais, inspeções e, em circunstâncias especiais, as próprias Forças Armadas foram utilizadas para reprimir o povo e proteger em permanência os interesses dos ricos e dos caciques locais do regime.

A economia era dominada por sete grandes grupos monopolistas e outras tantas

famílias: Grupo CUF, Espírito Santo, Champalimaud, Português do Atlântico, Borges & Irmão, Nacional Ultramarino e Fonsecas & Burnay.

Os indicadores económicos e de nível de vida colocavam Portugal na cauda da Europa, como um país subdesenvolvido, que gastava cerca de 40% do orçamento no esforço de sustentação de Forças Armadas, que guarnecia as frentes da guerra colonial, isto é, enfrentava os movimentos de libertação nas suas colónias: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Disponível: http://www.historiadeportugal.

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No ano de 1968 o ditador sofreu um derrame cerebral, que resultou na sua substituição pelo seu ex-ministro Marcelo Caetano, que deu continuidade à sua política. No entanto, a situação económica e financeira entra em crise nos últimos anos do regime fascista, devido ao seu atraso estrutural, ao forte impacto da chamada crise do petróleo de 1973, a que se junta uma fortíssima luta reivindicativa, em especial dos trabalhadores

industriais e de alguns setores de serviços (banca, seguros e comércio), mais o esforço

imposto pelas necessidades crescentes de financiamento da guerra colonial.

Essa crise e todas as pressões internas e externas fazem surgir as primeiras grandes cisões

Essa crise e todas as pressões internas e externas fazem surgir as primeiras grandes cisões na base de apoio do poder fascista, provocadas por setores desiludidos com o «marcelismo», que não garantia o futuro dos interesses do Capital. O próprio Exército, cansado e desgastado por treze anos de guerra, devido ao arrastar das guerras coloniais, sem fim à vista ou solução militar possível, até então sempre o último suporte do regime, também se começa a dividir e a contestar as opções da política colonial e corporativa do regime.

A emigração clandestina foi o escape, nos anos sessenta, para mais de um milhão de portugueses procurarem o emprego e condições de vida que não tinham em Portugal.

O «salto» e a deserção são o caminho trilhado por muitos milhares de jovens para

fugirem ao serviço militar obrigatório e à mobilização para a guerra.

Milhares de trabalhadores enfrentam a repressão e as prisões, lutam nas empresas pelo aumento dos salários, redução de horários, férias, descanso semanal, liberdade e democracia através de abaixo-assinados, concentrações, idas às administrações e greves, apesar de proibidas e reprimidas.

É nesta conjuntura efervescente que os militares do Movimento das Forças Armadas

(MFA), que se vinham organizando e conspirando desde 1973, concretizam em 25 de Abril de 1974, um golpe militar que derruba o regime, que cai sem oferecer resistência significativa e quase sem tiros e vítimas, exceto as que a PIDE havia de fazer entre os populares concentrados frente à sua sede, na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa.

A senha para o início do movimento foi dada à meia-

noite através de uma emissora de rádio, que era uma música proibida pela censura, “Grândola Vila Morena”, de Zeca Afonso. Os militares revoltosos aconselhavam o povo, através da rádio, a ficar em casa, mas, felizmente, não obedeceram e logo nesse dia os populares saltaram

para a rua a apoiar os militares na concretização do golpe e na prisão dos mandantes e torcionários fascistas, e depois na abertura das prisões e libertação dos presos políticos.

abertura das prisões e libertação dos presos políticos. Disponível: http://www.mysound-

Disponível: http://www.mysound-

vila-morena.html [10 de março de 2019]

Ao fim da tarde, Marcelo Caetano rendeu-se e entregou o poder ao general Spínola. A

Ao fim da tarde, Marcelo Caetano rendeu-se e entregou o poder ao general Spínola. A população saiu às ruas para comemorar o fim da ditadura de 48 anos, e distribuiu cravos, a flor nacional, aos soldados rebeldes, em forma de agradecimento, dando origem ao nome “Revolução dos Cravos”.

Disponível: https://jornaldoalgarve.pt/revolucao-dos-cravos- foi-ha-42-anos/ [10 de março de 2019]
Disponível: https://jornaldoalgarve.pt/revolucao-dos-cravos-
foi-ha-42-anos/ [10 de março de 2019]

Nos dias seguintes são encerradas as instituições fascistas: Mocidade Portuguesa, Movimento Nacional Feminino, Legião Portuguesa, União

Nacional (o partido único autorizado), a PIDE. São controladas a GNR e a PSP (desprestigiadas e muito comprometidas com o regime derrubado), e posto fim à censura e aos tribunais plenários (que julgavam e condenavam os presos políticos), ao mesmo tempo que os fascistas eram expulsos dos vários órgãos e das autarquias locais. Na prática, são exercidas as liberdades fundamentais, de imprensa, de reunião, de manifestação (logo no próprio dia 25 de Abril), à greve, à liberdade política e dos partidos, à liberdade sindical e dos direitos sindicais.

Regressam os dirigentes políticos exilados e inicia-se uma frenética atividade social e política, com a nomeação de comissões de trabalhadores, moradores, de gestão dos sindicatos, exercendo e consolidando a liberdade e a democracia, e as reivindicações e transformações profundas, que vão nos meses seguintes melhorar muito a qualidade de vida e transformar profundamente Portugal.

Os trabalhadores tomam os sindicatos nacionais (que de nacionais só tinham o nome simbólico do fascismo, visto que eram obrigados por lei a terem âmbito distrital e profissional), até aí controlados pelo regime, que imediatamente se juntam aos que, desde 1969, os trabalhadores tinham conseguido retirar ao controlo fascista e que constituíram a

Intersindical (mobiliza os trabalhadores para

apoiar a Liberdade e a Democracia e, naqueles escassos dias, organiza as comemorações do 1.º de Maio Dia Internacional dos

comemorações do 1.º de Maio – Dia Internacional dos Disponível :

haveria-de-estar [10 de março de 2019]

Trabalhadores que, pela primeira vez, seria comemorado em liberdade e como feriado nacional), em 1

Trabalhadores que, pela primeira vez, seria comemorado em liberdade e como feriado nacional), em 1 de Outubro de 1970.

As manifestações do 1.º de Maio assumem a dimensão extraordinária, em centenas de cidades, vilas e aldeias por onde desfilam milhões de trabalhadores, exercendo as liberdades restauradas pelo MFA e reivindicando melhores salários, direitos, redução de horários e condições de trabalho, bem como o fim das guerras coloniais e a independência das colónias.

Nos meses seguintes há uma mobilização e uma participação extraordinária dos trabalhadores e cidadãos, em todas as iniciativas e lutas, transformando o golpe militar, rápida e gradualmente, em revolução democrática e nacional, malgrado as tentativas da direita em fazer retroceder o processo democrático. Naqueles meses de 1974 e 75, os trabalhadores e o Povo, em aliança com o MFA, transformaram profundamente Portugal, concretizando muito daquilo que ficou conhecido como as conquistas da revolução de Abril:

Salário Mínimo Nacional (SMN): aumentou o salário de milhares trabalhadores, medida que foi acompanhada pelo aumento geral dos salários reclamada e conquistada pela luta nas empresas e setores, traduzindo-se numa significativa melhoria dos rendimentos;

Negociação dos contratos coletivos de trabalho (CCT), que asseguraram os direitos fundamentais à generalidade dos trabalhadores portugueses, antes das leis da República, nomeadamente a proibição dos despedimentos sem justa causa, condições de admissão, carreiras profissionais automáticas, férias, feriados, faltas, proteção na maternidade, dos jovens e trabalhadores estudantes, segurança, higiene e saúde, salários, subsídios de férias e décimo terceiro mês;

Controlo operário da produção e das empresas para assegurar a produção, o seu funcionamento e salvar os postos de trabalho, contra a sabotagem dos capitalistas;

Nacionalizações dos bancos, seguradoras, grupos económicos e empresas estratégicas, e a constituição de um setor público da economia, tirando meios e

poder aos conspiradores e à reação, e criando uma base sólida de desenvolvimento e resolução

poder aos conspiradores e à reação, e criando uma base sólida de desenvolvimento e resolução de muitos dos atrasos que afetavam Portugal;

Reforma Agrária avança para fazer cumprir o direito ao trabalho e garantir a produção agrícola e agropecuária, essencial ao abastecimento público;

Serviço Nacional de Saúde (SNS): em finais de 1974, as organizações sindicais que participavam nos órgãos de gestão das administrações regionais de saúde, em cooperação com os serviços do Ministério da Saúde, empreenderam a integração e construção do SNS, para dar resposta às necessidades urgentes de cuidados de saúde dos trabalhadores e das populações. O Serviço Médico à Periferia, instituído em 1975, deu um contributo decisivo ao levar jovens médicos às vilas e aldeias onde muitos portugueses nunca os tinham visto;

A Segurança Social, também gerida com a participação de representantes sindicais, foi integrada e estruturada, foi promovida a inscrição de mais de um milhão de trabalhadores que estavam desprotegidos, e foram aumentados e generalizados os direitos e proteção aos contribuintes e suas famílias. As reformas são aumentadas e generalizado o abono de família;

O Ensino público universal e gratuito foi generalizado e o seu acesso democratizado, construídas escolas e universidades, que passaram a ser, pela primeira vez, acessíveis aos filhos dos trabalhadores;

Habitação passou a ser uma exigência, porque faltavam casas com condições de salubridade, água, saneamento e eletricidade, a preços comportáveis;

Criação de uma rede de transportes públicos que cobria Portugal: CP, Rodoviária Nacional, TAP, Transtejo, Carris, Metro e outros asseguravam com eficácia o serviço público;

Finalização da guerra colonial e reconhecimento de Portugal da independência dos novos países de Língua Portuguesa;

Estabeleceram-se relações com todos os países do mundo e Portugal saiu do isolamento internacional a que estava até então condenado, passando a respeitar os compromissos e os acordos internacionais;

A economia e as finanças ultrapassaram a crise motivada pelo choque petrolífero e o esgotamento da guerra colonial, aguentando a sabotagem dos capitalistas, o impacto da integração de mais 500 mil portugueses retornados

Alexandre O´Neill Assinava O’Neill, o apelido que já seu pai usara, herdado de um antepassado

Alexandre O´Neill

Assinava O’Neill, o apelido que já seu pai usara, herdado de um antepassado irlandês fugido para Lisboa na década de 40 do século XVIII. O nome completo era Alexandre Manuel Vahia de Castro O’Neill de Bulhões. Nasceu em Lisboa, a 19 de dezembro de 1924.

Da infância, conservou Alexandre breves recordações: um menino triste e fechado, a espreitar a Rua da Alegria de um

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2/19/oneill/ [10 de março de

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quarto andar; as visitas breves e marcantes da avó Maria O’Neill, escritora, sufragista, feminista, vegetariana e dedicada à causa espírita. Nas férias, a família mudava-se para Amarante, terra natal da mãe, Maria da Glória, onde o

jovem Alexandre conheceu Teixeira de Pascoaes.

Na adolescência começou a ler: além da avó escritora, a família era tradicionalmente bibliófila. O pai tinha uma vasta biblioteca antes de enveredar pela profissão de bancário, José António O’Neill frequentara o curso de Belas Artes. Ainda estudante do Liceu, Alexandre iniciou-se na escrita. Em 1942, com dezassete anos, publicou os primeiros versos num jornal de Amarante, o Flor do Tâmega. Esta atividade não foi grandemente incentivada pela família. Apesar de ter recebido prémios literários no Colégio Valsassina, no final da adolescência Alexandre falhava nos estudos. Acabou por abandonar o Curso Geral dos Liceus: queria dedicar-se à vida marítima. Fez exames para a Escola Náutica, mas não prosseguiu estudos que, de resto, lhe eram impossibilitados pela miopia. Em 1946, tornou-se escriturário, na Caixa de Previdência dos Profissionais do Comércio. Permaneceu neste emprego até 1952. Na verdade, apesar de nunca ter sido um escritor profissional, viveu sempre da sua escrita ou de trabalhos relacionados com livros viria a

ser copy de publicidade, cronista de jornal,

– viria a ser copy de publicidade, cronista de jornal, Disponível :

2019]

(Em cima, a partir da esquerda) Mário Cesariny, José-Augusto França e Vespeira; (Em Baixo): António Pedro, Alexandre O'Neill e Moniz Pereira

encarregado de uma Biblioteca Itinerante da Gulbenkian, tradutor e assessor literário. Data de 1947 o

encarregado de uma Biblioteca Itinerante da Gulbenkian, tradutor e assessor literário.

Itinerante da Gulbenkian, tradutor e assessor literário. Data de 1947 o seu ardente envolvimento com o

Data de 1947 o seu ardente envolvimento com o Surrealismo. Depois de um verão de ativas experiências e leituras, o Grupo Surrealista de Lisboa nasce de um encontro na pastelaria Mexicana, em outubro. Será constituído por

na pastelaria Mexicana, em outubro. Será constituído por Disponível: http://ensina.rtp.pt/artigo/fernando- azevedo/

Disponível: http://ensina.rtp.pt/artigo/fernando- azevedo/ [10 de março de 2019]

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er [10 de março de 2019]

Vespeira, José-Augusto França, Mário Cesariny, Moniz Pereira e António Pedro.

Alexandre O’Neill, António Domingues, Fernando Azevedo,

Entre a casa deste último e o atelier na Avenida da Liberdade de que o Grupo dispunha decorrerão as atividades e reuniões durante o ano de 1948. As posições anti neorrealistas eram frontais e provocatórias, tal como as atitudes contra o regime: em abril, o Grupo Surrealista de Lisboa retira a sua colaboração da III Exposição Geral de Artes Plásticas, por recusar a censura prévia que a comissão organizadora decidira aceitar. Em janeiro de 1949 realiza-se a Exposição do Grupo Surrealista de Lisboa, do qual, entretanto já se tinham afastado Mário Cesariny e António Domingues. O'Neill expôs O Sr. e a Srª Mills em 1894, Instrução Primária, De Terça a Domingo, Looping-the-loop e A Linguagem. Na mesma altura, sai nos Cadernos Surrealistas o primeiro livro de Alexandre O'Neill, A Ampola Miraculosa, com o

subtítulo “romance”.

A Ampola Miraculosa , com o subtítulo “romance”. Disponível: https://www.fnac.pt/A- Ampola-Miraculosa-

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março de 2019]

Alexandre-O- Neill/a173145 [ 10 de março de 2019] Di spon í ve l : http://www.gabrielagouv

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fantasmas/ [10 de março de 2019]

Acompanhando o seu progressivo afastamento do Grupo Surrealista de Lisboa, o poeta pública em 1951 Tempo de Fantasmas, em cujo prefácio se demarca claramente do Surrealismo. Neste primeiro livro de poesia inclui o poema que o tornou célebre, “Um Adeus Português”, originado num episódio biográfico que o próprio viria a contar, muitos anos mais tarde.

Não foi, de resto, a única vez que Alexandre O’Neill foi confrontado com a po

Não foi, de resto, a única vez que Alexandre O’Neill foi confrontado com a polícia política. Em 1953, esteve preso vinte e um dias no Estabelecimento Prisional de Caxias, por ter ido esperar Maria Lamas, regressada do Congresso Mundial da Paz em Viena. A partir desta data, passou a ser vigiado pela PIDE. No entanto, sendo um oposicionista, não militou em nenhum partido político, nem durante o Estado Novo, nem a seguir ao 25 de Abril conhece-se-lhe uma breve ligação ao MUD juvenil, na altura em que abandona o Grupo Surrealista de Lisboa. A partir desta época, O’Neill foi-se distanciando de grupos ou tertúlias, demasiado irónico e cioso do seu individualismo para se envolver seriamente em qualquer militância partidária. O seu empenho era sobretudo cultural: apreciou o trabalho nas Bibliotecas Itinerantes porque ia “distribuir livros ao povo”; gostava de traduzir poetas nas suas crónicas jornalísticas, para os mostrar ao público em geral. De facto, a partir de 1957, começou a escrever para os jornais, primeiro esporadicamente, depois, nas décadas seguintes, assinando colunas regulares no Diário de Lisboa, n’ A Capital e, nos anos 80, no JL, escrevendo indiferentemente prosa e poesia, que reeditava mais tarde em livro, à maneira dos folhetinistas do século XIX. Fez ainda parte da redação da revista Almanaque (1959-61), publicação arrojada com grafismo de Sebastião Rodrigues onde

colaboravam, entre outros, José Cardoso Pires, Luís de Sttau Monteiro, Augusto Abelaira e João Abel Manta.

Mas foi em 1958, com a edição de No Reino da Dinamarca, que Alexandre O’Neill se viu reconhecido como poeta. Tinha, entretanto, abandonado definitivamente a casa dos pais, casando com Noémia Delgado, de quem teve um filho em 1959, Alexandre. Nesta época, instalou-se no Príncipe Real, bairro lisboeta onde haveria de decorrer grande parte da sua vida, e que levaria para a sua escrita. Neste bairro, encontraria Pamela Ineichen, com quem manteve uma relação amorosa durante a década de 60. Mais tarde, em 1971, casará com Teresa Gouveia, mãe do seu segundo filho, Afonso, nascido em 1976. Na década de 60, provavelmente a mais produtiva literariamente, foi publicando livros de poesia, antologias de outros poetas e traduções. Iniciou-se como copy de publicidade, atividade que se tornaria definitivamente o seu ganha-pão. Ficaram

que se tornaria definitivamente o seu ganha-pão. Ficaram Disponível: https://relogiodagua.pt/pro duto/no-reino-da-

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dinamarca/ [10 de março de

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famosos no meio alguns slogans publicitários da sua autoria, e um houve que se converteu

famosos no meio alguns slogans publicitários da sua autoria, e um houve que se converteu em provérbio: “Há mar e mar, há ir e voltar”. Da sua atração por outros meios de comunicação, que não a palavra escrita, é testemunho a letra do fado Gaivota destinada à voz de Amália, com música de Alain Oulman, tal como a colaboração, nos anos 70, em programas televisivos (fora, aliás, crítico de televisão sob o pseudónimo de A. Jazente), ou em guiões de filmes e em peças

de teatro. Mas a doença começava a atormentá-lo. Em 1976, sofre um ataque cardíaco, que o poeta admitiu dever-se à vida desregrada que sempre tinha sido a sua, e que, apesar de algum esforço em contrário, continuou a ser. No início dos anos 80, já divorciado de Teresa Gouveia, repartia o seu tempo entre a casa da Rua da Escola Politécnica e a vila de Constância, frequentemente com Laurinda Bom, sua companhia mais constante nos últimos anos. Em 1984, sofreu um acidente vascular cerebral, antecipatório daquele que, em abril de 1986, o levaria ao internamento prolongado no hospital. Morreu em Lisboa a 21 de agosto desse ano.

❖ Obras Disponível: 1959 – Maiakovski, O Percevejo , Lisboa, Editorial Gleba. 1960 –

Obras

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1959

Maiakovski, O Percevejo, Lisboa, Editorial Gleba.

1960

Abandono Vigiado, Lisboa, Guimarães.

 

vigiado [10 de março de

2019]

1960

Dostoievski, O Jogador, Lisboa, Guimarães.

1960 – Dostoievski, O Jogador , Lisboa, Guimarães. Disponível: http://www.livrariaferr eira.pt/4764/PERCEVEJ O

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2019]

eira.pt/4764/PERCEVEJ O [ 10 de março de 2019] Disponível: http://naogostodeplagio.b

Disponível:

m-jogador.html [10 de março de 2019]

1969 De Ombro na Ombreira, Lisboa, Dom Quixote.

1970 As Andorinhas não têm Restaurante, Lisboa, Dom Quixote.

As Andorinhas não têm Restaurante , Lisboa, Dom Quixote. Disponível: http://www.livrariaferreira.pt/

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L+%28Alexandre%29 [10 de março de 2019] Disponível: https://frenesilivros.blogspot.co

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tem-restaurante.html [10 de março de 2019]

UM ADEUS PORTUGUÊS Nos teus olhos altamente perigosos vigora ainda o mais rigoroso amor a

UM ADEUS PORTUGUÊS

Nos teus olhos altamente perigosos vigora ainda o mais rigoroso amor

a luz de ombros puros e a sombra de uma angústia já purificada

Não tu não podias ficar presa comigo

à roda em que apodreço

apodrecemos

a esta pata ensanguentada que vacila

quase medita

e avança mugindo pelo túnel de uma velha dor

Não podias ficar nesta cadeira onde passo o dia burocrático

o dia-a-dia da miséria

que sobe aos olhos vem às mãos aos sorrisos ao amor mal soletrado

à estupidez ao desespero sem boca

ao medo perfilado

à alegria sonâmbula à vírgula maníaca

do modo funcionário de viver

Não podias ficar nesta cama comigo em trânsito mortal até ao dia sórdido

canino

policial

até ao dia que não vem da promessa puríssima da madrugada mas da miséria de uma noite gerada

por um dia igual Não podias ficar presa comigo à pequena dor que cada um

por um dia igual

Não podias ficar presa comigo

à pequena dor que cada um de nós traz docemente pela mão

a esta pequena dor à portuguesa tão mansa quase vegetal

Não tu não mereces esta cidade não mereces esta roda de náusea em que giramos até à idiotia esta pequena morte

e o seu minucioso e porco ritual

esta nossa razão absurda de ser

Não tu és da cidade aventureira

da cidade onde o amor encontra as suas ruas

e o cemitério ardente

da sua morte tu és da cidade onde vives por um fio de puro acaso onde morres ou vives não de asfixia mas às mãos de uma aventura de um comércio puro sem a moeda falsa do bem e do mal

*

Nesta curva tão terna e lancinante que vai ser que já é o teu desaparecimento digo-te adeus

e como um adolescente tropeço de ternura por ti.

Alexandre O’Neill, No Reino da Dinamarca, 1958

❖ Tema : Despedida; Impossibilidade. ❖ Assunto : Impossibilidade amorosa e política. ❖ Estrutura Externa

Tema: Despedida; Impossibilidade.

Assunto: Impossibilidade amorosa e política.

Estrutura Externa:

O poema é constituído por cinquenta e cinco versos, distribuídos em oito estrofes, compostas por uma quadra, depois uma sétima, uma décima e uma oitava e, por fim, uma quintilha, uma sextilha, uma nona e, novamente uma sextilha.

Nesta composição poética, verificamos que de acordo com o número de sílabas métricas, o verso diz-se livre, pois surgem versos com medidas diferentes.

Como nesta estrofe, os versos não rimam, estes dizem-se versos soltos ou brancos.

Estrutura Interna:

De um modo geral, este poema é de amor, pois evoca a inevitável despedida de um amor desde o início condenado à impossibilidade (“Não podias ficar…” - vv. 5, 12, 22 e 30), porém esta despedida não coincide com o esgotamento do amor como podemos constatar nos dois primeiros versos: “Nos teus olhos altamente perigosos / vigora ainda o mais rigoroso amor”.

Contudo, a partir da alteração da primeira pessoa do singular (“Não tu não podias ficar presa comigo / à roda em que apodreço / apodrecemos”- vv. 5, 6 e 7) para a primeira pessoa do plural (“Não tu não mereces esta cidade não mereces / esta roda de náusea em que giramos / até à idiotia”- vv. 36, 37 e 38), origina a segunda impossibilidade desta composição poética que é a crítica política, em que o sujeito poético denuncia a sufocante condição a que se encontra reduzido, descrevendo a terrível situação em que Portugal se encontra, isto é, em apodrecimento (“à roda em que apodreço/ apodrecemos” – vv. 6 e 7) e a existência do “…amor mal soletrado” (v.12), o “…desespero sem boca” (v.13), o “…medo perfilado” (v.14) e a “…alegria sonâmbula…” (v.15).

• Neste poema não existe qualquer descrição da amada do sujeito poético, porém a meu

Neste poema não existe qualquer descrição da amada do sujeito poético,

porém a meu ver enquanto leitora e sabedora da vida de Alexandre O´Neill, achei pertinente redigir a minha opinião acerca do tu deste texto. Após diversas pesquisas, diferentes comentadores desta composição apontam a francesa Nora Mitrani como a mulher referida no poema “Um Adeus Português”. De facto, a meu parecer, esta mulher é efetivamente por quem Alexandre O´Neill encontrava-se apaixonado. Porquê? Nora Mitrani estava ligada ao movimento surrealista exatamente como o autor do poema, este, por sua vez, numa entrevista, relatou que estava a sofrer pressões inacreditáveis, por parte de alguém da sua família, para não “ir atrás da francesa”, visto que esta francesa queria que Alexandre O´Neill a fosse visitar. Esta pressão ou, melhor, a perseguição como o poeta caracteriza fez com que

o mesmo fosse interrogado e impedido pela PIDE de visitar, como ele designa

na entrevista, a sua querida e já falecida amiga Nora Mitrani. Este impedimento contribuiu para a concretização da composição poética que, assim como o seu autor determina, “…tem realmente a força do nojo e do desespero combinados com um derrame/contenção sentimental que não mais igualei.” Contudo, nesta entrevista, não ficamos a saber se Nora Mitrani

é a mulher referida no poema, apenas nos diz que “Como insisto, é só comigo

que Nora Mitrani tenha sido ou não a inspiradora de «Um Adeus Português». Pelo menos antes da presente explicação.”. Esta última frase, na minha opinião, vêm reforçar a minha posição face a quem realmente é a inspiração do eu lírico e, mesmo, se Alexandre O´Neill fosse contra a posição defendida por mim, eu diria que este estava mentindo, pois existem poetas como Almeida Garrett que negavam a mulher referida nas suas obras e, no final, eram elas a fonte de toda inspiração. Por fim, acredito fielmente que O´Neill amou, pois através do poema, da sua entrevista e das pesquisas que realizei, realmente vivenciou-se este amor, talvez não propriamente fisicamente, mas sentimentalmente. Posteriormente, perdeu-se, visto que após a partida da francesa, o impedimento da visita do poeta à mesma e o suicídio que Nora Mitrani cometeu, realçando que esta leu o poema “Um Adeus Português” e escreveu ao autor “Li o teu Adeus. Fiquei atrozmente comovida” colaborou

para a impossibilidade deste amor e morreu amando, uma vez que, apesar de ter casado

para a impossibilidade deste amor e morreu amando, uma vez que, apesar de ter casado e, mais tarde divorciado, acredito vivamente que a Nora esteve sempre presente na vida do autor e o mesmo na vida dela, pela maneira como este amor é descrito no poema: repleto de paixão, sentido em todos os pormenores, tropeçado pela ternura, ou seja, vivido “…como adolescente”.

Recursos Estilísticos:

Repetição Anafórica - reforça a impossibilidade envolvente na composição poética.

Palavra chave:

O título deste poema, “Um Adeus Português”, acaba por ser nesta poesia a palavra-chave, uma vez que remete para as impossibilidades presentes neste texto, sendo, por fim, um auxiliar para a compreensão deste poema.

Expressividade do título e a sua relação com o conteúdo do texto:

O título deste poema está adequado ao mesmo, pois este remete para o tema desta poesia, já que a mesma é construída em torno de duas impossibilidades.

Em primeiro lugar, deparamo-nos com a primeira impossibilidade, isto é, a impossibilidade da concretização do amor descrito nesta composição poética, contribuindo para o “…adeus…”.

Posteriormente, encontramos a segunda impossibilidade, que torna este “…Adeus…” um “…Adeus Português”, ou seja, um “…Adeus…” inteiramente político.

PERFILADOS DE MEDO

Perfilados de medo, agradecemos

o medo que nos salva da loucura.

Decisão e coragem valem menos

e a vida sem viver é mais segura.

Aventureiros já sem aventura perfilados de medo combatemos

irónicos fantasmas à procura do que não fomos, do que não seremos. Perfilados de medo,

irónicos fantasmas à procura do que não fomos, do que não seremos.

Perfilados de medo, sem mais voz,

o coração nos dentes oprimido

os loucos, os fantasmas somos nós.

Rebanho pelo medo perseguido

já vivemos tão juntos e tão sós

que da vida perdemos o sentido.

Alexandre O´Neill, Poemas com Endereço, 1962

Tema: O medo.

Assunto: O medo como fonte de revolta.

Estrutura Externa:

O poema é um soneto, constituído por catorze versos decassílabos (“Per/fi/la/dos/ de/ me/do, a/gra/de/ce/mos”) distribuídos em duas quadras

me/do, a/gra/de/ce/mos”) distribuídos em duas quadras e dois tercetos. • esquema rimático é:

e

dois tercetos.

esquema rimático é: ABAB/BABA/CDC/DCD.

O

Quanto ao agrupamento dos versos, a rima é cruzada em todas as estrofes, porque nos sonetos, há uma transformação das rimas do primeiro para o segundo terceto.

Quanto à acentuação, no poema encontramos rima grave, uma vez que é a penúltima sílaba da última palavra que rima.

Quanto à classe gramatical, no texto encontramos rima pobre (“…agradecemos”/“…menos” – vv. 1 e 3) e a rima rica (“…loucura.”/“…segura.” – vv. 2 e 4).

Quanto à terminação vocálica ou consonântica, constatamos que a rima é consoante ou pura, ou seja, rimam consoantes com vogais (“…aventura,”/“…procura”).

❖ Estrutura Interna : • Género: texto lírico. • O sujeito poético caracteriza a sua

Estrutura Interna:

Género: texto lírico.

O sujeito poético caracteriza a sua geração e a si mesmo como “…loucos,…” (v.11) e “…fantasmas…” (vv.7 e 11), pois vivem no “…medo…” (vv.1, 6, 9 e 12) e não têm uma existência marcada pelo positivo, pela completa realização humana.

Contudo, este medo presente acaba por ser um motor de rebelião desta geração, uma vez que “… é o medo que…” (v.2) os “…salva da loucura.” (v.2), mesmo tendo consciência que “Decisão e coragem valem menos/ e a vida sem viver é mais segura.” (vv.3 e 4)

Ao serem dominados por este medo, transformam-se, agora, em “irónicos fantasmas…” (v.7), que procuram o que não são e o que nunca serão (“do que não fomos, do que não seremos.” v.8), assumindo um papel de “…loucos…” (v.11), na qual se assemelham a um “Rebanho…” (v.12) que permanece constantemente vigiado sem qualquer liberdade.

Recursos Estilísticos:

Repetição anafórica - reforça a ideia da oposição ao regime instalado e o medo que vivem em relação a ele.

Metáfora - a geração referida no poema é metaforizada em “Rebanho…” (v.12), dado que, tal como um rebanho vive sem liberdade e vigiado, também a mesma assim vive.

Palavra chave:

O título deste poema, Perfilados de medo, acaba por ser nesta poesia a palavra chave, uma vez que é um auxiliar para a compreensão deste poema.

Expressividade do título e a sua relação com o conteúdo do texto:

O título desta poesia é adequado à mesma pois o nome deste remete implicitamente para a ditadura que abrangia o país e para a importância de organizações e da população perfilarem-se perante o regime estabelecido.

Arte Disponível: http://app.parlamento.pt/comunicar/Artigo.aspx?ID=953 [25 de março de 2019] O cartaz é uma

Arte

Arte Disponível: http://app.parlamento.pt/comunicar/Artigo.aspx?ID=953 [25 de março de 2019] O cartaz é uma

Disponível: http://app.parlamento.pt/comunicar/Artigo.aspx?ID=953 [25 de março de 2019]

O cartaz é uma comemoração da Revolução de 25 de Abril de 1974, com ilustração da autoria de Júlio Pomar. No fundo branco destaca-se o contorno a negro de uma figura feminina jovem a proclamar tal como a elevar os braços e a bater palmas alegremente. É de destaque também os inúmeros cravos vermelhos desenhados sobre os braços e o peito da figura presente que remete para a esperança e liberdade que deu origem à designada Revolução dos Cravos. Os números e letras irregulares desenhados nas margens superior e inferior constituiu a data histórica da instauração do sistema democrático em Portugal.

Disponível: https://www.pinterest.ch/pin/156711262008271766/ [25 de março de 2019]
Disponível: https://www.pinterest.ch/pin/156711262008271766/ [25 de março de 2019]
Disponível: https://www.pinterest.ch/pin/156711262008271766/ [25 de março de
2019]
Disponível:https://www.publico.pt/2012/04/25/p3/fotogaleria/25-de-abril-a-
Disponível:https://www.publico.pt/2012/04/25/p3/fotogaleria/25-de-abril-a-

Quando nos pronunciamos acerca do antes e depois da Revolução de 25 de abril de 1974, associamos a liberdade a esta mudança, visto que esteve sempre em paralelo com os antecedentes e posteriores da Revolução dos Cravos tal como foi um dos fatores que contribuiu para o dia que marcou eternamente Portugal, ou seja, o 25 de abril de 1974. Antes desta data marcante, não era possível demonstrar as nossas opiniões, contradições face a algo, isto é, não havia qualquer tipo de liberdade, contudo com a revolução assistimos a uma mudança notória nesse parâmetro. A questão que se coloca aqui é: o que efetivamente consta a liberdade? De um modo geral, a liberdade é o direito que qualquer cidadão tem de agir sem coerção ou impedimento, segundo a sua vontade, desde que dentro dos limites da lei. Porém, atualmente, ainda assistimos a casos de quererem calar, por exemplo, os jornalistas e vozes incómodas tal como controlar os diversos grupos de comunicação através do dinheiro. Outro fator é a voz da mulher, uma vez que ouve-se cada vez mais alto esta voz, mas ainda é muito frequente, maioritariamente por parte dos homens, de quererem impedir o crescimento da mesma. Em suma, é evidente que houve uma melhoria significativa em relação à liberdade, todavia existem casos como os que foram referidos anteriormente, na qual questiono se realmente há uma noção por parte das pessoas do tamanho da nossa liberdade e o futuro da mesma. Apesar de tudo, a população deve ter em mente que, como aparece

referido no segundo cartaz, luta mesmo que te queiram calar com a liberdade que tens.

referido no segundo cartaz, luta mesmo que te queiram calar com a liberdade que tens.

História: Vida viva/ Os testemunhos

Conhecido de norte a sul do país, marcado pelas suas mudanças bastante significativas

e pintado de liberdade, assim é caracterizado o 25 de abril de 1974, a data que

modificou a nossa história, o nosso Portugal. Testemunhos de dois homens e duas

mulheres, antes adolescentes e agora adultos completos retratam o seu 25 de abril de 1974, numa viagem de regresso ao passado. “Sociedade do medo”, “Ignorantes” assim carateriza, Poças Falcão e Torcato Ribeiro, a população portuguesa antes da Revolução dos Cravos. Estes dois homens, antigos estudantes do Liceu de Guimarães e da Escola Industrial de Guimarães, atualmente Escola Secundária Martins Sarmento e Escola Francisco de Holanda, respetivamente, relatam a separação entre as mulheres e os homens nesse espaço e a sua luta para pôr um ponto final nesta situação. Ambos tinha uma perceção do que acontecia na cidade

e no resto do país e participavam em movimentos, lutas, manifestações, iniciativas

pela liberdade, democracia e para o convívio entre os homens e as mulheres. Estas revoltas deram frutos, como, por exemplo, a existência de apenas uma sala de convívio entre homens e mulheres na fábrica, sendo aos olhos destes uma grande vitória. Para além destes factos, a emigração era bastante presente devido às dificuldades económicas, segundo Ana Maria de Azevedo Pereira que relata que diversos portugueses, como o seu marido Joaquim Martins Ferreira, “iam a monte”, ou seja, passavam o rio de Portugal para a Espanha com um passador, designação atribuída à pessoa que “levava” clandestinamente os portugueses para outro país, como um familiar seu. Também a guerra colonial teve a sua marca violenta, pois era vista como “perigo de morte” deixando traumas em quem participasse na mesma, segundo Poças Falcão e Torcato Ribeiro. Como despedida dos participantes desta guerra e como a

probabilidade de sobrevivência era pouca realizava-se o Desfile de Concertinas como forma de despedida. Todos

probabilidade de sobrevivência era pouca realizava-se o Desfile de Concertinas como forma de despedida. Todos estes fatores contribuíram fortemente para a revolução que deu oportunidade aos portugueses de terem liberdade de expressão, facto que foi mencionado por todos os entrevistados, já que antes do 25 de abril de 1974 caso um indivíduo mostrasse a sua oposição face ao partido ou alguém do regime era-lhe retirado os seus estudos, perdia o emprego ou era preso, sendo que segundo alguns relatos que a entrevistada Ana de Azevedo ouvia na prisão do Tejo, em Lisboa, muitos prisioneiros eram afogados no rio Tejo. Todavia, Maria de Assunção revela que “O 25 de abril foi bom, mas precisamos de outro!”, uma vez que as injustiças, abandonos e as desigualdades socias, a corrupção, a má aplicação dos direitos políticos, a falta de respeito e a violência abrangeu Portugal depois do 25 de abril de 1974 até aos dias de hoje, afirmação que é compartilhada pelos restantes entrevistados.

Reflexão Ao longo do tempo, vim realizando inúmeros trabalhos sobre diversas obras, desde textos narrativos,

Reflexão

Ao longo do tempo, vim realizando inúmeros trabalhos sobre diversas obras, desde textos narrativos, a poemas e, por fim, teatro. Este foi sem dúvida o trabalho mais árduo, porém o mais interessante e com o qual enriqueci mais a nível histórico e literário. Alexandre O´Neill, foi o inesperado, uma vez que não contava deparar-me com a poesia magnífica deste, mergulhada em plena ironia, desespero, nojo e tremendamente humana. Posso afirmar que foi um enorme privilégio estudar os seus poemas e a sua vida e é, sem dúvida, a meu ver, um dos melhores poetas portugueses. Em relação ao conhecimento do passado histórico, revivi, aprendi e modifiquei a minha opinião face ao 25 de abril de 1974, pois refleti sobre os objetivos desta revolução no presente, na qual achei afincadamente que necessitamos de trabalhar muito neste aspeto ou talvez precisemos de uma nova Revolução dos Cravos. Concluindo, foi um trabalho repleto de aprendizagem e de regresso ao passado dos meus antecedentes antepassados e de uma verdadeira reflexão sobre o nosso mundo e o futuro do mesmo. Também foi bastante interessante pelas diferentes ferramentas usadas para a construção do projeto final, desde os poemas, as pesquisas, a interação com as pessoas que presenciaram o antes e depois do 25 de abril de 1974, e, por último, a arte.