Sei sulla pagina 1di 6

pt .pro t o pia.at http://pt.pro to pia.

at/wiki/Casamento _e_Amo r

Casamento e Amor
Anarquismo e Outros Ensaios
Emma Goldman
De Amor e Anarquia

(Original em Inglês)

A noção popular em torno do casamento e do amor é a de que eles são sinônimos, que eles af loram dos
mesmos motivos e cobrem as mesmas necessidades humanas. Como tantas outras noções populares,
também esta não repousa em f atos concretos, mas sob superstições.

Casamento e amor não possuem nada em comum; estão tão apartados como pólos; e são, de f ato,
antagônicos entre si. Sem dúvidas, certos casamentos são resultado do amor. Entretanto, não é porque o
amor só se af irma em casamento; é antes porque poucas pessoas conseguem superar completamente uma
convenção. Para um grande número de homens e mulheres hoje em dia, o casamento nada é senão uma f arsa,
mas a ele se submetem por amor à opinião pública. Em todo caso, enquanto é verdade que certos casamentos
baseiam-se no amor e enquanto é igualmente verdade que certas vezes o amor continua durante a vida
conjugal, eu sustento que isso se dá independentemente do casamento e não devido a ele.

Por outro lado, é completamente f also que do casamento resulte amor. Um caso milagroso se f az ouvir, em
raras ocasiões, de cônjuges que caem em amor depois de casados, mas em exame amiúde aí se encontrará
um mero ajuste ao inevitável. Certamente a habituação ao outro está distante da espontaneidade, da
intensidade, e da beatitude do amor, sem o que a intimidade do casamento deve revelar-se degradante para
ambos homem e mulher.

O casamento, primeiramente, é um arranjo econômico, um pacto de seguro. Só dif ere do contrato comum de
seguro de vida naquilo que tem de mais obrigatório, de mais exigente. Os retornos são insignif icantemente
pequenos quando comparados aos investimentos. Ao se contratar uma apólice de seguro se paga em dólares
e centavos, mas nos resta sempre a liberdade de descontinuar os pagamentos. Entretanto, se o marido é o
prêmio do seguro, ela paga por isso com seu nome, sua privacidade, sua auto-estima, com sua própria vida
“até que a morte os separe”. Além do que, o contrato do casamento a condena a uma dependência vitalícia, ao
parasitismo, a completa inutilidade individual bem como social. O homem paga a sua parte também, mas como
sua esf era é maior, o casamento não o limita tanto como à mulher. Ele sente suas correntes pesarem mais
num sentido econômico.

E assim o mote do Inf erno de Dante se aplica ao casamento com a mesma f orça. “Deixai toda esperança, ó
vós que entrais!”.

Somente um estúpido completo nega que o casamento é um f racasso. Basta relancear a vista sobre as
estatísticas do divórcio para compreender como é verdadeiramente amargo um casamento f racassado.
Tampouco o argumento f ilisteu estereotipado, o da lassidão das leis do divórcio e o da crescente f rouxidão
da mulher, dará conta do f ato de que: em primeiro, cada décimo segundo casamento termina em divórcio;
segundo, que desde 1870 divórcios cresceram de 28 para 73 a cada população de cem mil; terceiro, que o
adultério, desde 1867, como causa de divórcio cresceu 280.7 por cento; quarto, que a deserção aumentou em
369.8 por cento.
Somado a estes números surpreendentes, há ainda um vasto material dramático e literário melhor elucidando
o assunto. Robert Herrick, em Together; Pinero, em Mid-Channel; Eugene Walter, em Paid in Full, e dezenas de
outros escritores estão discutindo a aridez, a monotonia, a sordidez, e a inadequação do casamento como
f ator pela harmonia e pelo entendimento.

O estudioso social sério não se contentará com a popular desculpa superf icial para este f enômeno. Ele terá
de escavar a vida mesma dos sexos prof undamente adentro para conhecer o porque de o casamento revelar-
se tão desastroso.

Edward Carpenter diz que, por detrás de todo casamento, persiste uma ambiência vitalícia dos dois sexos;
ambiências tão dif erentes entre si que homem e mulher devem permanecer estranhos. Separados por uma
muralha intransponível de superstição, costume, e hábito, o casamento não tem a potencialidade de
desenvolver o conhecimento e o respeito mútuo, sem o que toda união está destinada ao f racasso.

Henrik Ibsen1, o inimigo de toda f arsa social, f oi provavelmente o primeiro a conceber esta grande verdade.
Nora abandonou o marido, não porque – como queria a crítica estúpida – estaria cansada de suas
responsabilidades ou sentia que precisava dos direitos da mulher, mas porque veio saber que, durante oito
anos convivera com um estranho e agora pariu uma criança sua. Pode haver qualquer coisa de mais
humilhante, de mais degradante do que a proximidade vitalícia entre dois estranhos? Não é preciso que a
mulher conheça nada do homem, salvo sua renda. Com relação ao conhecimento da mulher – o que há para se
conhecer sobre ela exceto se possui uma boa aparência? Não superamos ainda o mito teológico em que a
mulher não tem alma, em que é meramente um apêndice do homem, f eita da costela do cavalheiro só para sua
conveniência, esse que de tão f orte f icara com medo da própria sombra.

Porventura da má qualidade do material, donde a mulher tornou-se responsável por sua própria inf erioridade.
Em todo caso, mulher não tem alma – o que há para se conhecer sobre ela? Além do que, quanto menos alma
tem uma mulher, maior seu tino para esposa, o mais prontamente irá absorver-se ao marido. É essa servil
aquiescência à superioridade do homem que manteve a instituição do casamento aparentemente intacta por
um tempo tão longo. Mas agora que a mulher está vindo a si, agora que ela está crescentemente consciente
de si como um ser exterior à graça do mestre, a sagrada instituição do casamento está gradualmente sendo
minada, e nenhum tanto de lamentação sentimental poderá evitar.

Quase desde a inf ância, é dito à garota comum que o casamento é seu objetivo f inal; portanto seu treino e
educação têm de ser direcionados para esse f im. Feito a besta muda na engorda, ela é preparada para o
abate. Mas para ela, estranho dizer, é permitido conhecer muito menos sobre sua f unção como esposa e mãe
do que para o artesão comum sobre seu of ício. Para uma garota respeitável, é indecente e imundo conhecer
qualquer coisa da relação marital. Oh, pela incoerência da respeitabilidade, requerer votos de casamento para
tornar algo imundo no mais puro e sagrado arranjo que ninguém ousa questionar ou criticar. Mas esta é
exatamente a atitude do entusiasta comum do casamento. A f utura esposa e mãe é mantida na mais completa
ignorância em torno de sua única inclinação no campo competitivo — o sexo. E assim ela adentra com um
homem numa relação vitalícia só para encontrar-se chocada, repelida e ultrajada além da medida pelo mais
natural e saudável instinto, o sexo. É seguro dizer que uma grande percentagem da inf elicidade, miséria,
af lição e sof rimento f ísico do matrimônio se devem à ignorância criminosa em matéria de sexo que é exortada
como uma grande virtude. Tampouco é de todo um exagero quando digo que devido a este f ato deplorável,
mais de um lar f oi desf eito.
Se, entretanto, a mulher f or livre e grande o bastante para aprender o mistério do sexo sem a sanção do
Estado ou da Igreja, permanecerá condenada como completamente imprópria para ser esposa de um “bom”
homem, sua bondade consistindo de um cérebro vazio e um bolso cheio de dinheiro. Pode haver qualquer
coisa mais ultrajante do que a idéia de uma mulher saudável, em plena idade, cheia de paixão e vida, ter de
negar a demanda da natureza, ter de reprimir seu desejo mais intenso, minar a sua saúde e quebrantar seu
espírito, ter de aturdir sua visão e abster-se da prof undidade e da glória da experiência do sexo, até que um
homem “bom” chegue para tomá-la como esposa? Isto é precisamente o que o casamento signif ica. Como
poderia tal arranjo terminar exceto em f racasso? Esse é um f ator, embora não menos importante, que
dif erencia o casamento do amor.

A nossa era é prática. O tempo em que Romeu e Julieta arriscaram-se à f úria dos pais por amor, em que
Gretchen expõs-se ao f alatório dos vizinhos por amor, já era. Se, em raras ocasiões, pessoas jovens se
permitem à luxúria do romance, em seguida os mais velhos cuidam para que, após pregados e martelados, se
tornem “sensatos”.

A lição moral instilada na garota não é a de se o homem arrebatou o seu amor, mas: o “Quanto?”. O único
Deus importante da vida prática americana: o homem consegue ganhar a vida? Consegue sustentar uma
esposa? Esta é a única coisa que justif ica o casamento. Gradualmente isto de todo satura o pensamento da
garota; seus sonhos já não são de luares e beijos, risos e lágrimas; agora sonha em ir às compras e às boas
pechinchas. Tal sordidez e pobreza da alma são elementos inerentes à instituição do casamento. O Estado e a
Igreja aprovam esse ideal e não outro, simplesmente porque esse é o ideal que necessita que o Estado e a
Igreja controle homens e mulheres.

Indubitavelmente há as pessoas que continuam considerando o amor superior a dólares e centavos. E isto é
particularmente verdade para a classe daqueles cuja necessidade econômica f orçou a que se auto-
sustentassem. A tremenda mudança na posição da mulher operada por este poderoso f ator é, de f ato,
f enomenal quando ref letimos que há só um curto período desde o ingresso da mulher na arena industrial. Seis
milhões de mulheres trabalhadoras assalariadas; seis milhões de mulheres com direitos iguais aos homens de
serem exploradas, roubadas, ir à greve; ai, mesmo até de passar f ome. Algo mais, my lord? Sim, seis milhões
de trabalhadoras em todas as ocupações, desde o mais elevado trabalho intelectual até as minas e f errovias,
mesmo até detetives e policiais. Com certeza a emancipação está completa.

Apesar disso tudo, só um número muito pequeno do vasto exército das mulheres trabalhadoras enxerga o seu
trabalho como situação permanente, na mesma luz que um homem o f az. Não importa quão decrépito seja
este último, ele f oi ensinado a ser independente, a se auto-sustentar. Oh, eu sei que ninguém é
verdadeiramente independente em nossa moenda econômica; e ainda o espécime mais miserável de homem
odeia ser um parasita; ou, em todo caso, pelo menos ser conhecido como tal.

A mulher considera transitória sua posição como trabalhadora, a ser deixada de lado pelo primeiro
pretendente. É este o porque de ser inf initamente mais dif ícil organizar mulheres do que homens. “Porque
devo me f iliar a um sindicato? Vou me casar, ter um lar”. Ela desde a inf ância não f oi ensinada a enxergar isso
como sua convocação última? Ela aprende cedo o bastante que, apesar de não tão grande como a prisão de
uma f ábrica, o lar tem portões e grades ainda mais sólidas. Possui um guardião tão f iel que nada lhe pode
escapar. A parte mais trágica, entretanto, é que o lar não a liberta da escravidão assalariada; apenas aumenta
seus af azeres.
De acordo com as mais recentes estatísticas submetidas diante de um Comitê “em torno do trabalho, salários
e congestão da população”, apenas em Nova York, dez por cento das trabalhadoras assalariadas são
casadas, ainda que continuem no trabalho mais mal pago do mundo. Some a esta visão horrível o peso do
serviço doméstico e o que resta da proteção e glória do lar? Como matéria de f ato, até a garota classe-média
não pode f alar sobre um lar seu no casamento, desde que é o homem que cria sua esf era. Não é importante
se o marido é um bruto ou um doce. O que desejo provar é que o casamento só garante um lar à mulher pela
graça do marido. Ela gira em torno do lar dele, ano após ano, até que sua visão de vida e de relações humanas
se torne tão rasa, estreita, e tediosa, como seu entorno. Pouco admira se ela vir a ser resmungona, trivial,
arengueira, f aladeira, insuportável, e expulsando assim o homem da casa. Se ela quisesse, não poderia ir; não
há lugar para onde ir. Além do que, um curto período de vida conjugal, de completa rendição de todas as
f aculdades, incapacita absolutamente a mulher comum para o mundo exterior. Ela se torna indif erente à
aparência, desajeitada em seus movimentos, dependente em suas decisões, covarde em seu julgamento, um
f ardo e um aborrecimento, cuja maioria dos homens cresce para odiar e desprezar. Atmosf era
maravilhosamente inspiradora para o desenrolar da vida, não?

Mas e a criança, como será protegida, senão pelo casamento? Depois de tudo, não é esta a consideração
mais importante a se f azer? A f arsa, a hipocrisia! Casamento protegendo a criança, mas centenas de crianças
abandonadas e sem lar. Casamento protegendo a criança, mas orf anatos e ref ormatórios lotados, a
Sociedade pela Prevenção de Crueldade a Criança se mantendo ocupada resgatando as pequenas vítimas
daqueles pais “amorosos”, para colocá-las sob cuidados mais amorosos ainda, da Gerry Society2. Oh, mas
que pilhéria!

O casamento poderá levar o cavalo até a água, mas já pôde obrigá-lo a beber? A lei colocará o pai na
detenção, irá vesti-lo em unif orme de presidiário; mas alguma vez já matou a f ome das crianças? Se o pai não
tem emprego, ou se esconde sua identidade, que f az então o casamento? Invoca a lei para levar o homem à
“justiça”, colocá-lo em segurança atrás de portões f echados; seu trabalho, entretanto, não vai para criança,
mas para o Estado. A criança só recebe uma memória enf errujada das listras do pai.

Com relação à proteção da mulher — aí reside a maldição do casamento. Ele não as protege verdadeiramente,
e a idéia mesma é tão revoltante como um ultraje e um insulto à vida, tão degradante à dignidade humana, que
condena para sempre esta instituição parasitária.

Feito aquele outro arranjo paternal — o capitalismo. Rouba do homem seus direitos, aturde o seu
crescimento, envenena o seu corpo, o mantém na ignorância, na pobreza, na dependência, daí institui
caridades que medram sobre os últimos vestígios do auto-respeito humano.

A instituição do casamento f az da mulher uma parasita, uma dependente absoluta. Incapacita-a para a luta da
vida, aniquila sua consciência social, paralisa sua imaginação, daí impõe sua graciosa proteção que na
realidade é um ardil, travestido a caráter humano.

Se a maternidade é a mais elevada realização da natureza da mulher, que outra proteção poderia requerer,
salvo amor e liberdade? Casamento só contamina, ultraja, e corrompe essa realização. Não diz à mulher: darás
à luz vida somente se me seguires? Não a degrada e a envergonha quando ela se recusa a vender seu direito
à maternidade vendendo a si mesma? O casamento não é somente uma sanção para a maternidade, mesmo
quando concebida no ódio, na compulsão? Mas quando a maternidade é de livre escolha, do amor, do êxtase,
da paixão desaf iante, ele não coloca uma coroa de espinhos numa cabeça inocente e crava em letras de
sangue o hediondo epíteto de Bastardo? Contivesse o casamento todas as virtudes alegadas, seus crimes
contra a maternidade bastariam para excluí-lo para sempre do reino do amor.
Amor, o mais f orte e mais prof undo elemento de toda a vida, o anunciador da esperança, da alegria, do
êxtase; amor, o desaf iador de todas as leis, de todas as convenções; amor, o libérrimo, poderosíssimo
modelador do destino humano; como pode uma f orça que a tudo compele ser sinônimo daquela pobre erva
daninha gerada pelo Estado e a Igreja, o casamento?

Amor livre? Como se o amor f osse outra coisa que não livre! O homem comprou cérebros, mas todos os
milhões no mundo f alharam em comprar o amor. O homem subjugou os corpos, mas todo o poder na terra f oi
incapaz de subjugar o amor. O homem conquistou nações inteiras, mas todos os seus exércitos não puderam
conquistar o amor. O homem acorrentou e agrilhoou o espírito, mas tem sido absolutamente indef eso diante
do amor. Do alto de um trono, com todo esplendor e pompa que o ouro pode comandar, os homens são ainda
pobres e desolados se o amor os perpassa. Mas quando f ica, o casebre mais pobre irradia calor, cor e vida. E
assim, o amor possui o poder mágico para f azer de um mendigo um rei. Sim, o amor é livre; não pode habitar
outra atmosf era. Em liberdade se dá sem reservas, abundantemente, completamente. Todas as leis nos
estatutos, todos os tribunais do universo, não podem arrancá-lo do solo, uma vez que o amor tenha f incado
raízes. Entretanto, se o solo é estéril, como o casamento poderia f azê-lo f ruir? É f eito a última luta
desesperada da vida breve contra a morte.

O amor não precisa de proteção; já é sua própria proteção. T ão logo vidas sejam geradas pelo amor, nenhuma
criança é desertada, passa f ome ou vontade de af eição. Que isto é verdade, eu o sei. Conheço mulheres que
se tornaram mães em liberdade dos homens que amaram. Poucas crianças na relação aproveitam o cuidado, a
proteção, a devoção que a maternidade livre é capaz de conf erir.

Os def ensores da autoridade temem o advento de uma maternidade livre, receando que ela irá roubar-lhe as
vítimas. Quem combateria nas guerras? Quem geraria riqueza? Quem f aria o policial, o carcereiro, se a mulher
se recusasse à reprodução indiscriminada de crianças? A raça, a raça! – grita o rei, o presidente, o capitalista,
o padre. A raça deve ser preservada, embora a mulher degradada à mera máquina — a instituição do
casamento é nossa única válvula de segurança contra o pernicioso despertar sexual da mulher. Mas em vão,
estes f renéticos esf orços para manter um estado de sujeição. Em vão, também os éditos da Igreja, o louco
ataque dos governantes, em vão, até mesmo o braço da lei. A mulher já não quer mais tomar parte na
produção de uma raça de seres humanos doentios, débeis, decrépitos, miseráveis, que não possuem nem a
f orça nem a coragem moral para se libertar do jugo da pobreza e da escravidão. Ao invés, deseja poucas
crianças, mas superiores, geradas e criadas em amor e através da livre escolha; não por compulsão, como
impõe o casamento. Nossos f also-moralistas têm ainda de aprender o prof undo senso de responsabilidade
pela criança que o amor em liberdade despertou no seio da mulher. Melhor seria renunciar para sempre a glória
da maternidade do que dar à luz uma vida numa atmosf era onde só se respira destruição e morte. E se ela
vem a ser mãe, é para dar à criança o mais prof undo e melhor que seu ser pode of erecer. Crescer com a
criança é seu mote; e ela sabe que somente dessa maneira é que pode ajudar a construir a verdadeira
masculinidade e f eminilidade.

Ibsen deve ter vislumbrado uma mãe livre, quando, num golpe de mestre, retratou Ms. Alving3. Ela f oi uma mãe
ideal por superar o casamento e todos os seus horrores, por quebrar suas correntes, e libertar o espírito para
voar, até que uma personalidade, regenerada e f orte, lhe retornasse. Ai! Foi demasiado tarde para recuperar
sua alegria de viver, seu Oswald; mas não demasiado tarde para compreender que o amor em liberdade é a
única condição para uma vida bela. Aquelas que, f eito Ms. Alving, que pagaram com sangue e lágrimas por seu
despertar espiritual, repudiam o casamento como uma imposição, uma pilhéria baixa e sem graça. Elas sabem
que só o amor é, quer dure um breve espaço de tempo ou pela eternidade, a única base criativa, inspiradora e
elevada para uma nova raça e para um novo mundo.
Em nosso presente estado pigmeu, para a maioria das pessoas, o amor é, de f ato, um estranho.
Incompreendido e evitado, raramente f inca raízes, e se o f az, tão logo seca e morre. Suas f ibras delicadas
não aturam o stress e a tensão do cotidiano maçante. Sua alma é complexa demais para ajustar-se à trama
viscosa de nosso tecido social. Ele chora e geme e sof re com aqueles que precisam dele, mas f altam da
capacidade de elevar-se ao cume do amor.

Algum dia, algum dia homens e mulheres se elevarão, alcançarão o pico da montanha, se encontrarão grandes
e f ortes e livres, prontos para receber, partilhar, e ref estelar-se nos raios dourados do amor. Que f antasia,
que imaginação, que gênio poético pode, mesmo que aproximadamente antever as potencialidades de tal f orça
na vida de homens e mulheres. Se o mundo alguma vez dará à luz ao verdadeiro companheirismo e união, não
será o casamento, mas o amor a concebê-lo.

Notas do Tradutor:

1. Henrik Ibsen (1828-1906), literato escandinavo conhecido por sua tendência anarquista-individualista. A
autora f az uma análise mais demorada da obra de Ibsen em seu livro “T he Social Signicance of the Modern
Drama”. N. do T.

2. Ref erência a New York Society f or the Prevention of Cruelty to Children, reconhecida como a primeira
instituição devotada à “proteção do menor” nos E.U.A., em atividade desde 1874. Gerry Society é um outro
modo de ref erir-se à mesma instituição. N. do T.

3. Ms. Alving é personagem de Ibsen na obra “Ghost”, uma análise desta obra e desta personagem encontra-
se em livro já mencionado. N. do T.

Texto original: GOLDMAN, Emma. “Marriage and love” in: Anarchism and Other Essays. New York: Dover
Publications, 1969. p. 227.

Tradução: José Paulo Maldonado de Souza

jxpxster@gmail.com

Categoria: Anarquismo e Outros Ensaios