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O ENSINO DE HISTÓRI A E CULTURA AFRICANA E AFRO-BR ASILEIRA NO ENSINO FUNDAMENTAL Janaina

O ENSINO DE HISTÓRI A E CULTURA AFRICANA E AFRO-BR ASILEIRA NO ENSINO FUNDAMENTAL

Janaina de Fatima C astro CANEGUIM 1 Susilaine B arbosa SANTANA 2

RESUMO

a cultura africana e

afro-brasileira até o início de sse século, sendo que a Lei nº 10.639 de ja neiro de 2003 veio para mudar esse cenário e inc luiu no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Africana e Afro-brasileira”. Diante dessa re alidade, o objetivo

deste trabalho foi identificar

de história e cultura

africana e afro-brasileira, bem

há 13 anos tem-se a obriga toriedade do ensino das mesmas. Realizo u-se uma pesquisa

bibliográfica, com a análise d e livros, artigos, legislações e normativas da educação brasileira.

Apresentou-se aqui alguns

além de fatores que

devem ser objeto de reflexã o para que essas práticas possam ser efe tivadas, como por

exemplo, o papel da escola e

sentido de dar suporte ao trab alho dos professores; discussões sobre a nece ssidade de recursos

No ensino de história na edu cação formal brasileira pouco se abordou

e descrever o que a legislação brasileira e es tudiosos da área de

ensino dizem a respeito das p ráticas pedagógicas voltadas para o ensino

como as diretrizes para o ensino dessa tem ática, uma vez que

fatores importantes sobre as práticas ped agógicas a serem

empregadas para o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira,

dos órgãos estatais responsáveis pela edu cação brasileira, no

materiais adequados; conteúd os sobre essas temáticas que devem fazer escolar, como grandes nomes de africanos e afro-brasileiros nas ciências; formação de professores para o ensino da referida temática.

parte do currículo e a importância da

Palavras-chaves:

Ensino.

História

a fricana

e

afro-brasileira.

Cultura

africana

e

afro-brasileira.

THE TEACHIN OF HISTORY AFRICAN AND AFRO-BRAZ ILIAN IN ELEMENTARY SCHOOL

ABSTRACT

In the teaching of history in f ormal Brazilian education, African and Afro -Brazilian were not approached until the beginni ng of this century, and law 10,639 of Jan uary 2003 came to

and Culture” in the

official curriculum of the Tea ching Network as mandatory theme. Face w ith this reality, the aim of this work was to ident ify and to describe what Brazilian laws and scholars in the area say about pedagogical practic es aimed at the teaching of African and Afr o-Brazilian History and Culture, as well as the gu idelines for the teaching of this subject, sinc e 13 years ago it is compulsory to teach these s ubjects. A bibliographical research was pe rformed, including

change this scenario and incl uded “African and Afro-Brazilian History

Mestre em Educação Escolar pela UNESP/Ara raquara. Doutora em

Psicologia pela UFSCAR. Do cente da Faculdade Aldete Maria Alves/FA MA - Iturama/MG. janafzc@gmail.com

Graduanda do curso

2 Bacharel em Direito pela Facu ldade Aldete Maria Alves/FAMA - Iturama/MG.

1 Psicóloga pela UNESP/Bauru.

de Psicologia da Faculdade Alde te Maria Alves/FAMA - Iturama/MG. susisantan a@hotmail.com.br

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analysis of books, articles, legislations and norms of Brazilian education. The present work shows some important factors on the pedagogical practices to be used for the teaching of African and Afro-Brazilian history and culture, as well as factors that must be the object of reflection for that these practices can be carried out, such as the role of the school and the state organs which are responsible by Brazilian education, in order to support the work of teachers; discussions about the necessity for adequate material resources; content of this theme which should be part f the scholar curriculum, as great names of Africans and Afro- Brazilians in the science field; and the importance of the teacher training for the teaching of this subject.

Keywords:

African

and

Afro-Brazilian

History.

African

and

Afro-Brazilian

Culture.

Teaching.

1 INTRODUÇÃO

Durante anos, as aulas de história presentes na educação básica brasileira partiam de

uma visão eurocêntrica sobre os acontecimentos (FERNANDES, 2005), o que dificultava que

os alunos tivessem uma visão da diversidade cultural desta sociedade.

O estudo da história do Brasil foi contado durante anos a partir da chegada dos

portugueses, deixando de lado a população indígena que já habitava o Brasil antes da chegada

dos mesmos, além de não relatar o genocídio e etnocídio que aconteceu contra essa

população. Também a história dos povos africanos foi deixada de lado nesse contexto

(FERNANDES, 2005).

Assim, o ensino formal sobre história do Brasil se dava de forma “enviesada”, uma

vez que a história da África, bem como da cultura afro-brasileira e indígena estiveram pouco

presentes ou foram deturpadas até o início desse século (FERNANDES, 2005; MUNANGA;

GOMES, 2006).

Olhando especificamente para as contribuições dos africanos e afro-brasileiros para a

construção do Brasil, nota-se que historiadores antigos ignoram a participação africana na

formação brasileira (BITIOLI; TONIOSSO, 2013) e por isso diversas ações, como a criação

de legislações específicas voltadas para mudar essa realidade foram realizadas no início deste

século, como por exemplo, a Lei nº 10.639 de 2003, apontando para a obrigatoriedade do

ensino de história e cultura afro-brasileira e africana na educação básica brasileira.

Mesmo após anos da elaboração dessa legislação, autores, como Ferreira (2008),

apontam que, no Brasil, as temáticas que versam sobre grupos minoritários, principalmente os

negros, acabam não fazendo parte do dia a dia das salas de aula, sobretudo nas instituições de

ensino da Educação Básica.

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Sabe-se que as escolas têm o dever de garantir os direitos dos alunos negros, que o Estado deve observar e supervisionar as ações realizadas nesse âmbito e que toda a comunidade escolar (professores, gestores, alunos, família, população da região onde a escola está situada, etc.) deve estar envolvida nesse processo (BRASIL, 2013), porém, em última instância, entende-se que quem implementa ações em sala de aula, quem deve desenvolver estratégias para o ensino dos referidos conteúdos, é o professor, e por isso este tem um papel

central para que o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira ocorra. Portanto, faz- se necessário refletir sobre como deve ser esse fazer docente voltado para esse ensino. Para tal, é preciso entender o que a legislação brasileira diz a respeito das práticas pedagógicas/educativas voltadas para o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira, no Ensino Fundamental, quais são as diretrizes para esse ensino, além é claro, de entender o que estudiosos da área de ensino afirmam ser importante no que diz respeito à implementação dessas práticas. Desta forma, o presente trabalho objetiva: 1. Descrever o que a legislação brasileira diz a respeito das práticas pedagógicas voltadas para o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira, no Ensino Fundamental. 2. Descrever diretrizes da legislação brasileira no que diz respeito às práticas pedagógicas voltadas para o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira, no Ensino Fundamental. 3. Descrever fatores necessários, de acordo com os estudiosos da área de ensino, para a implementação de práticas pedagógicas voltadas para o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira.

Na busca desses objetivos realizou-se uma pesquisa bibliográfica, analisando-se livros,

artigos, legislações e normativas da educação brasileira desde 2003, ano em que o ensino de

história e cultura africana e afro-brasileira tornou-se obrigatório.

2 A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA E AS DIRETRIZES PROPOSTAS PARA O ENSINO DE HISTÓRIA E CULTURA AFRICANA E AFRO-BRASILEIRA

A Lei nº 10.639 de janeiro de 2003 incluiu no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade do ensino da temática “História e Cultura Africana e Afro-brasileira”, sendo que o artigo 26, no parágrafo primeiro, dispõe que “a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional” devem ser ensinados ao longo de todo o currículo escolar (BRASIL, 2003, on-line).

A necessidade da comunidade afro-brasileira de reconhecimento, valorização e

afirmação de direitos, no que diz respeito à educação, passou a ser apoiada com a

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promulgação da referida lei, que está destinada a todas as escolas, educadores, estudantes e também a família dos estudantes, tornando-se uma política curricular que tem como meta combater o racismo e a discriminação (BRASIL, 2004). Com esses objetivos a lei propõe a divulgação e produção de conhecimentos, a formação de atitudes, posturas e valores que contribuam para educar a população com relação a seu pertencimento étnico-racial, sendo que os descendentes de africanos, povos indígenas, descendentes europeus e asiáticos, devem ter igualmente seus direitos garantidos e sua identidade valorizada (BRASIL, 2004). Entendendo que o papel do Estado, por meio da educação, é promover e incentivar essas políticas de reparações, as escolas devem possuir instalações e equipamentos adequados, atualizados, com professores que sejam competentes para trabalhar o respeito e corrigir atitudes no que se refere ao desrespeito e discriminação aos negros e sua cultura, visando uma sociedade com equidade e mais justa (BRASIL, 2004). Assim, para trabalhar história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas é necessário estabelecer conteúdos de ensino específicos, projetos e programas que abranjam os diferentes componentes curriculares, através de materiais bibliográficos e outros materiais didáticos, sendo que um acompanhamento desse trabalho também deve ser realizado, ou seja, as instituições de ensino, além de implantar o conteúdo a ser estudado e valorizado, também devem observar e intervir caso os alunos negros e/ou de outras etnias sofram atos de racismo (BRASIL, 2004). Com o intuito de que a Lei nº 10.639, de janeiro de 2003, fosse implementada, parâmetros foram estabelecidos para conduzir as ações voltadas para o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira (princípios com bases filosóficas e pedagógicas), a saber:

Consciência política e histórica da diversidade; Princípio do fortalecimento de identidade e direitos; Ações educativas de combate ao racismo e as discriminações (BRASIL, 2004). Deve-se utilizar de diferentes meios para esse ensino, atividades curriculares ou não, buscando formas de compreender e explicar a cultura africana e afro-brasileira, sendo que esse trabalho deve estar presente em todas as fases do ensino, especialmente nas disciplinas Educação Artística, Literatura e História do Brasil, em atividades realizadas na sala de aula ou em outros ambientes da escola e com a organização de projetos com esse tema. Deve-se também estudar a história dos quilombos, assim como datas significativas para cada região. É importante frisar que a abordagem da história da África deverá ter um olhar não só para o lado negativo de miséria, mas também para todo conteúdo que envolve a África na história do Brasil. Dessa forma, precisam ser considerados e abordados o jeito de ser, viver e

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pensar de afrodescendentes e africanos, divulgando-se a participação destes na história, na construção econômica, social e cultural do Brasil (BRASIL, 2004). O apoio sistemático aos professores para elaboração de planos e projetos, no que diz respeito à cultura africana e afro-brasileira e educação étnico-racial, faz-se necessário, assim como o mapeamento e divulgação de experiências pedagógicas, articulação entre todos os sistemas de ensino e também instalação de grupos de trabalho para discutir e coordenar o planejamento e a execução de formação de professores (BRASIL, 2004). Também é indispensável a inclusão de bibliografias específicas para o estudo do tema, de documentos normativos e de planejamento dos estabelecimentos de ensino, sendo estatutos, regimentos, planos pedagógicos, entre outros. A organização de lugares adequados como biblioteca, museus, etc., onde se retratam os valores da cultura afrodescendentes, também é algo esperado (BRASIL, 2004). O ensino de história e cultura africana e afro-brasileira tem como meta um país mais democrático, valorizando a cultura, e buscando ajudar através da educação a acabar com o preconceito contra a população afro-brasileira. Cabe enfatizar que a responsabilidade por todo esse processo não é apenas do professor, mas sim de todos os envolvidos com a educação, de toda a comunidade escolar (BRASIL, 2004). Fernandes (2005) afirma que o Ministério da Educação elaborou um documento para o Ensino Fundamental com Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), no qual a proposta é que sejam abordados/trabalhados temas transversais em diferentes disciplinas, como Português, Matemática, História, Geografia, Ciências, Artes, sendo esses temas de convívio social e ética, onde a pluralidade cultural foi vista como necessidade com relação a educação multicultural. Esse documento foi elaborado em 1997, portanto anos antes da vigência da Lei nº 10.639, de janeiro de 2003. Os PCNs visavam contribuir para o respeito e conhecimento da história e cultura africana e afro-brasileira, de modo a valorizar características étnicas e culturais de diferentes grupos, e também cabendo aos alunos e professores posicionarem-se contra qualquer forma de discriminação em relação a diferenças culturais (FERNANDES, 2005). Em 2006, já depois da obrigatoriedade do ensino de história e cultura africana e afro- brasileira, o MEC lançou um documento que tinha como objetivo orientar os professores e discorrer sobre ações voltadas para a educação das relações étnico-raciais, além de trazer sugestões para se construir um referencial para um currículo escolar onde estivesse presente a visão africana sobre os fenômenos, sobre a ancestralidade do povo brasileiro, etc. Esse documento buscava também contribuir para uma pedagogia antirracista, com propósito de

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ensinar o respeito às diferenças e à valorização da diversidade, tratando a história e a cultura negra com a dignidade que a mesma merece. Aponta-se, então, que é fundamental tratar as questões raciais como conteúdo inter e multidisciplinar durante todo o ano letivo, estabelecendo um diálogo entre as temáticas étnico-raciais e os demais conteúdos trabalhados na escola (BRASIL, 2006). Nesse sentido, o trabalho docente seria dar visibilidade a esta proposta educativa, ajudando a escolher, selecionar e organizar os temas que podem integrar um planejamento curricular, juntamente com toda a comunidade escolar (BRASIL, 2006). Também de acordo com esse documento, nos currículos escolares ainda faltam muitos conteúdos sobre cultura africana e afro-brasileira, fazendo-se necessário melhorar essa situação e mostrar a importância desta população na construção da identidade brasileira, não apenas no registro folclórico ou de datas comemorativas, mas principalmente buscando uma revolução de mentalidades para a compreensão do respeito às diferenças (BRASIL, 2006). Da mesma forma no que diz respeito ao racismo, é necessário mostrar à comunidade escolar que muitos paradigmas precisam ser repensados, em especial os eurocêntricos, a partir do qual gerações têm sido ensinadas, enfatizando que os sujeitos não nascem racistas, mas tornam-se racistas devido a um histórico processo de negação da identidade dos povos africanos (BRASIL, 2006). Com frequência, fala-se dos africanos que vieram para o Brasil como sinônimo de sujeitos escravizados, como se não houvesse nenhuma outra contribuição desse povo para a construção social, econômica e cultural do Brasil. Contudo, não se pode esquecer que, apesar das condições adversas, as expressões culturais africanas se fizeram e se fazem presente na formação da identidade cultural brasileira. Dessa forma, esse documento também aponta que

a história, a geografia, as artes e a literatura africanas e afro-brasileira devem ser incluídas e valorizadas, juntamente com a participação de outros grupos raciais, étnicos e culturais, adaptando os conteúdos aos ciclos e às séries do Ensino Fundamental (BRASIL, 2006). O Plano de ação para os professores convida-os a assumir sua posição não apenas de executores, mas também de produtores de conhecimento, levando-se em consideração uma reflexão/ação acumulada que já existe em relação ao racismo no Brasil. O papel do professor

é ser sujeito do processo educacional, sendo ao mesmo tempo aprendiz da temática história e

cultura afro-brasileira e africana e mediador entre o aluno e os conteúdos a serem estudados.

Para operacionalizar as propostas das ações pedagógicas, o pensar, o planejar e o fazer precisam estar em sintonia. A educação escolar deve contribuir e favorecer a formação

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sistemática da comunidade sobre a diversidade étnico-racial, partindo da própria comunidade e considerando as contribuições que esta pode dar ao currículo escolar (BRASIL, 2006). A escola tem que reconhecer que o racismo e as desigualdades sociais contribuíram para a exclusão de grande parcela da população afrodescendente. Para ser democrática, a escola precisa ter como uma de suas metas a aquisição de recursos adequados para lidar com as questões étnico-raciais, por exemplo, um acervo na biblioteca sobre a temática; videoteca com filmes que abordem a temática; e brinquedoteca com bonecos negros, jogos que valorizem a cultura negra e decoração multiétnica (BRASIL, 2006). Faz-se necessário que os educadores leiam os matérias didáticos existentes de forma crítica e reflexiva, tirando desses materiais imagens estereotipadas do negro, buscando a desconstrução de atitudes preconceituosas e discriminatórias, visando construir coletivamente alternativas pedagógicas, usando e produzindo recursos didáticos pertinentes para a escola trabalhar de forma adequada, buscando bons resultados (BRASIL, 2006). Por meio das Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica (DCNs), o MEC também orienta sobre o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira, apontando que administradores dos sistemas de ensino, mantenedoras de estabelecimentos de ensino, estabelecimentos de ensino, professores e a todos os envolvidos na elaboração, execução, avaliação de programas de interesse educacional, de planos institucionais, pedagógicos de ensino, alunos e famílias são responsáveis por esse processo (BRASIL, 2013). Embora não comece nas escolas, as desigualdades e discriminações passam pelo ambiente escolar. Dessa forma, as DCNs também discutem que o ensino tem um papel fundamental de educar os indivíduos sobre essas situações e desconstruir ideias equivocadas e muitas vezes preconceituosas sobre parcelas da população brasileira, por exemplo, a população afrodescendente. Para isso apontam para a necessidade de formação dos professores e para que os currículos foquem na diversidade cultural do país (BRASIL, 2013). O Movimento Negro, bem como os estudiosos do assunto, podem colaborar com as instituições de ensino, sendo necessário também envolver toda a comunidade nessa jornada. Além disso, os professores devem ser apoiados pela administração dos sistemas de ensino, sendo fundamental que se tenha um mapeamento e compartilhamento das experiências pedagógicas nas escolas, de modo a identificar dificuldades e buscar soluções para as mesmas. Também é papel dos sistemas de ensino criar condições financeiras para o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira (BRASIL, 2013). Do mesmo modo, de acordo com as DCNs, devem ser organizados centros de documentação, bibliotecas, midiotecas, museus, exposições, nos quais sejam divulgadas a

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cultura e história dos diferentes grupos étnico-raciais brasileiros, entre eles dos afrodescendentes. Os resultados obtidos com as atividades desenvolvidas pelas instituições de ensino devem ser comunicados ao Ministério da Educação, à Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, ao Conselho Nacional de Educação e aos respectivos Conselhos Estaduais e Municipais de Educação, para que ações sejam realizadas diante das necessidades observadas (BRASIL, 2013). Apesar se não ser o foco desse estudo, vale lembrar que a Lei nº 11.645, de 10 março de 2008, modifica a Lei nº 10.639, de janeiro de 2003, incluindo também a obrigatoriedade do ensino de história e cultura dos povos indígenas (BRASIL, 2008).

3 PRÁTICAS PEDAGÓGICAS/EDUCATIVAS VOLTADAS PARA O ENSINO DE HISTÓRIA E CULTURA AFRICANA E AFRO-BRASILEIRA, DE ACORDO COM ESTUDIOSOS DA ÁREA

Desde a criação da Lei nº 10639/2003 há a preocupação com a forma de aplicação em sala de aula dos conteúdos referentes à história e cultura africana e afro-brasileira, assim como com o que os professores sabem sobre o assunto para poderem trabalhar com seus alunos (LAUREANO, 2008). As representações das diferentes culturas mostradas nas escolas podem interferir no mundo de cada um, tendo em vista que existe toda uma construção psíquica a ser formada nos alunos, que podem atrapalhar ou ajudar a formação de identidade de cada um. Assim, a escola serve como instrumento de incentivo para que os valores afro-brasileiros possam ser compartilhados entre os alunos e chegar também a toda sociedade, contribuindo para um processo de “recontextualização com base na diversidade” e buscando a valorização da identidade do negro (BITIOLI; TONIOSSO, 2013). O Ensino Fundamental tem como objetivos gerais que os estudantes sejam capazes de conhecer e valorizar as várias formas de patrimônio sociocultural existentes no nosso país e também de outros povos e nações, posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais. Dessa forma, tem como um dos pontos principais que o ensino de história africana nas escolas estabeleça relações entre identidades individuais, sociais e coletivas (SANTOS; TONIOSSO, 2015). Laureano (2008) acompanhou alguns professores, e seu estudo apontou que os mesmos não têm conhecimento suficiente para trabalhar com esse tema, e que em muitos casos, esses docentes não trabalham com essa temática não por falta de vontade, mas por falta

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de conhecimento. Diante disso, ainda são necessárias muitas ações com o envolvimento dos professores em todos os níveis de ensino, para que estes possam aprender mais sobre a cultura dos negros. Ressalta-se que para se trabalhar com o ensino de história e cultura africana e afro- brasileira, os professores não devem tirar a história da Europa da sua grade de conteúdos, mas sim integrar a história da África nos currículos escolares, estabelecendo relações entre eles, com o cuidado de não deixar nenhum no centro, unindo as diferentes informações buscando a valorização da diversidade cultural (LAUREANO, 2008). Sobre as práticas pedagógicas a serem aplicadas, Laureano (2008) afirma que as mesmas devem levar os estudantes a olharem as muitas culturas das quais fazemos parte e recebemos influências, buscando a formação de cidadãos críticos e que tenham informações para pensar e falar sobre essa diversidade cultural. O resgate da história pré-colonial é essencial nesse sentido, deixando claro que há pessoas que tiveram suas histórias negadas, sendo que os professores devem ajudar a combater os problemas de racismo, discriminação e exclusão social que permeiam nossa sociedade. Laureano (2008) cita ainda exemplos de situações vivenciadas durante a sua pesquisa, considerando algumas adequadas e outras inadequadas. Entre elas, cita uma representação sobre a cultura africana apresentada em uma escola, através de um teatro natalino sobre o nascimento de Jesus, no qual as personagens eram negras. Tal situação retratada não tem a ver com a história e cultura africana, e por isso pouco contribui para valorizar a cultura e a herança dos negros. Um outro exemplo foi um projeto no qual uma professora mostrava obras artísticas de africanos, valorizando a presença da arte africana na nossa sociedade, situação que de fato valorizava a cultura desse povo. No trabalho feito por Siman (2005) analisou-se as representações sociais de crianças entre 9 e 11 anos e que cursavam o Ensino Fundamental, a respeito dos negros na sua história no Brasil. As crianças foram solicitadas a fazer um desenho que abordasse a temática dos negros na formação de nossa história, além de uma escrita explicando o significado do seu desenho. Em seus primeiros desenhos, os alunos retrataram os negros e seu modo de vida durante a escravidão no Brasil, mostrando, entre outras coisas, os castigos sofridos por essa população. Ao todo foram 36 alunos, dos quais a maioria representou em seus desenhos o trabalho escravo, sendo que muitos também representaram o castigo físico. Portanto, a maioria das crianças viam a população negra como escravos e sofrendo violência física. Foi realizada uma intervenção na qual trabalhou-se sistematicamente sobre a história da população africana e afro-brasileira. Após essa intervenção foi solicitada novamente a

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atividade de desenho e escrita, sendo que nessa segunda etapa 29 crianças participaram. A maioria dos alunos mudou suas representações da população negra na atividade, no entanto 13 crianças ainda mantiveram suas representações com o mesmo foco encontrado anteriormente (SIMAN, 2005).

Segundo Ferreira (2008), a inclusão da história e cultura africana e afro-brasileira no currículo é um desafio, sendo necessária a análise constante de como as fronteiras raciais e étnicas são produzidas e estão presentes nos nossos currículos e práticas pedagógicas.

Já Fernandes (2005) discute que os livros didáticos (fontes de materiais para

trabalhar informações sobre a cultura africana), muitas vezes trazem textos e ilustrações de índios e negros de uma forma muito pejorativa e ainda preconceituosa, além de ficarem

frequentemente esquecidos em seus conteúdos. Assim, é ocultada a participação dos africanos na construção da história e da cultura brasileira, sendo que eles foram os que mais trabalharam na produção de riqueza nacional e ainda foram vistos como escravos. Essa omissão acaba fazendo com que crianças pobres, que na sua maioria é afrodescendente, não se interessem em continuar estudando e acabam desistindo no Ensino Fundamental, tendo em vista que notam os padrões eurocêntricos predominantes nas escolas.

A história e cultura afro-brasileira têm aparecido de maneira folclórica e

estereotipada nos conteúdos didáticos, bem como as contribuições dos povos indígenas. Os desafios são muitos para a superação dessas dificuldades, sendo que é papel das universidades e escolas dar subsídios para assumir uma ética na produção de conhecimentos sobre esse tema (FERREIRA, 2008). Entretanto, encontram-se atualmente materiais didáticos que abordam tal temática e a pesquisa de Santos e Toniosso (2015) revela um exemplo disso. Foram pesquisados os materiais didáticos que são utilizados no Ensino Fundamental com o tema Ensino de História Africana e Afro-brasileira da cidade de Azul Paulista no estado de São Paulo, ou seja, apostilas usadas durante todo o ano na disciplina de História (livros didáticos do Sistema de Ensino Aprende Brasil, publicados pela Editora Positivo de Curitiba, PR). Os materiais abordavam assuntos como a história da África, o continente africano no século XVI, a diversidade de povos, hábitos e costumes e também sobre a captura dos africanos e como eram trazidos para serem escravizados no Brasil. Também se observou a discussão de temas como o trabalho escravo, sobre o porquê existiam as fugas dessas pessoas escravizadas, levando em consideração a resistência de algumas pessoas negras em não aceitarem a escravidão e mostrando a formação dos quilombos, a abolição dos escravos,

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falando das leis criadas para que fosse possível o fim desse regime escravocrata (SANTOS; TONIOSSO, 2015). Ocorre, contudo, que muitas vezes esses assuntos foram abordados de forma simples, sem aprofundamento. As apostilas eram como diretrizes para os assuntos a serem trabalhados, cabendo ao professor ter conhecimento sobre os mesmos e assim ensinar de forma mais detalhada cada um desses assuntos (SANTOS; TONIOSSO, 2015). Na tentativa de buscar subsídios para a discussão sobre o que deve ser ensinado sobre História e Cultura Afro-brasileira, Rodrigues (2007) investigou com profissionais de diferentes áreas o que deveria ser ensinado sobre essa temática. Segundo essa pesquisa entende-se como estudos afro-brasileiros tudo que envolve descendência africana, sendo que essa temática abrange as diferentes áreas do conhecimento, como ciências exatas e humanas, estando relacionada a tudo que envolve algum traço dessa cultura. Sabe-se que a história e a cultura afro-brasileira têm muitos nomes importantes, que contribuíram para essa sociedade, que estão ocultos na cultura brasileira (BITIOLI; TONIOSSO, 2013), e Rodrigues (2007) discutiu que uma forma de ensinar esse conteúdo seria trazer ao conhecimento dos alunos esses grandes nomes de pessoas negras que fizeram parte da história brasileira em diferentes áreas de conhecimento, por exemplo, nas áreas de exatas, mostrar pesquisadores negros que contribuíram para a construção desse conhecimento. Isso ajudaria os discentes a verem que não são apenas brancos europeus ou japoneses que se destacam no estudo desses conteúdos. As tecnologias desenvolvidas por povos africanos e por pessoas afro-brasileiras também é outro assunto a ser abordado. Esses conhecimentos poderiam ajudar a pessoa negra a se sentir importante, além de mostrar que os africanos e afrodescendentes não são inferiores em relação a outros povos e etnias. É preciso que se faça pesquisas relacionadas à origem dos descendentes de africanos que se encontram no Brasil, além de pessoas afro-brasileiras importantes nas diferentes áreas de conhecimento, já que o conhecimento sistematizado sobre o assunto ainda precisa ser mais explorado. Também se faz necessária a realização de programas que realmente foquem em promover a cultura africana de forma eficaz, abordando temas como “de onde vieram os negros”, “historicamente como contribuíram para as mudanças do país”, podendo utilizar recursos como filmes, documentários, músicas, entre outros, sendo que o uso desses recursos pode tornar o processo de ensino-aprendizagem mais atrativo para os alunos. Além disso, o trabalho desse conteúdo através da arte se faz importante, uma vez que os negros contribuíram

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muito para o folclore, música, dança e outras expressões artísticas que se tem no país hoje (RODRIGUES, 2007). Também projetos interdisciplinares devem ser propostos na tentativa de engajar as diferentes áreas do conhecimento com uma educação comprometida com o combate ao racismo e a discriminação étnico-racial, sendo esperado o diálogo entre os professores e com toda a comunidade escolar (SANTOS; COELHO, 2012). Um ponto importante sobre a construção de saberes sobre essa temática são os estudos dos Movimentos Negros ocorridos no Brasil nos dois últimos séculos, sendo possível identificar a conquista de diversos direitos, inclusive no campo educacional, buscando a igualdade entre todos os cidadãos brasileiros (BITIOLI; TONIOSSO, 2016). É válido refletir também que, assim como hoje quase não se ensina sobre a história da África e dos africanos e afrodescendentes brasileiros, nos anos em que os atuais professores da educação básica foram alunos tão pouco ensinava-se sobre esses conteúdos. Dessa forma, esses professores não aprenderam esses conteúdos quando estudantes e isso dificulta o seu conhecimento sobre os assunto (LAUREANO, 2008). Segundo Ferreira (2008) e Dias e Cecatto (2015), o fato de muitos professores da educação básica não terem tido em sua formação estudos sobre a história da África e a cultura dos afrodescendentes, seria um dos aspectos principais para as dificuldades para a implementação das leis que tornaram obrigatório e deram diretrizes para o estudo desses conteúdos na educação brasileira. Lima (2015) afirma que, mesmo após muitos anos decorridos da obrigatoriedade do ensino de história e cultura africana e afro-brasileira, identifica-se uma grande ausência de formação continuada (hoje também chamada de permanente) dos professores para trabalhar com esse tema proposto pela lei, sendo que quando ocorrem os cursos de formação eles não atingem toda a demanda, além de não haver continuidade. Diante disso, além de incluir essa temática nas escolas, é preciso que as secretarias de educação se preocupem com a formação dos professores, promovendo eventos de formação para auxiliar esses profissionais, uma vez que os professores trabalharão esse conteúdo de forma mais adequada quanto mais adequada for a formação que tiveram (LAUREANO, 2008). No que diz respeito a esses cursos de formação, é imprescindível que as atividades tenham base na concepção de formação de professores que busque o desenvolvimento de habilidades prático reflexivas do docente. Portanto, devem buscar que o professor repense e reconstrua seus saberes, usando a competência acadêmica em conjunto com a competência

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pedagógica, culminando em atividades e situações didáticas que atendam às demandas das salas de aula (FERREIRA, 2008). Entende-se que a Lei nº 10.639/03 ainda não foi incluída de forma plena no currículo pedagógicos das escolas e instituições de ensino, havendo muitas vezes desconhecimento e em outras falta de interesse por parte das escolas (LIMA, 2015).

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo do presente estudo foi identificar e descrever o que a legislação brasileira e estudiosos da área de ensino dizem a respeito das práticas pedagógicas voltadas para o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira, bem como as diretrizes para o ensino dessa temática.

Sabe-se que as escolas tem um papel indispensável na transmissão do conhecimento sobre a cultura africana e afro-brasileira, sendo que essa transmissão, quando feita de maneira correta, irá ajudar a população negra a ser valorizada, evitando os preconceitos e as discriminações que ocorrem desde o início da história brasileira (FERNANDES, 2005).

O ensino de história e cultura africana e afro-brasileira é uma forma de reparação

histórica e de combate ao preconceito e discriminação e para isso todas as escolas, professores

e comunidade devem estar envolvidos (BRASIL, 2004). Dados como os encontrados na pesquisa de Siman (2005) demonstram a importância da educação na mudança da percepção

das pessoas sobre a cultura dos negros e sua história, uma vez que a maioria dos participantes dessa pesquisa apresentou uma mudança na sua representação sobre a população negra após uma intervenção com caráter educacional.

A partir dos trabalhos e documentos oficiais visitados foi possível observar alguns

pontos importantes sobre as práticas pedagógicas a serem adotadas para o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira, bem como fatores que são importantes de serem objeto de reflexão para que essas práticas possam ser efetivadas, como por exemplo, o papel da escola, questões relacionadas aos livros didáticos e recursos materiais, conteúdos a serem ensinados, o papel da escola e dos órgãos estatais responsáveis pela educação brasileira e a necessidade de formação de professores para o ensino da referida temática. Sobre isso, Dias e Cecatto (2015) discutem que há falta de materiais direcionados para esse trabalho. Faz-se necessário que as práticas pedagógicas levem os estudantes a olharem as muitas culturas das quais fazem parte e recebem influências (LAUREANO, 2008). Nesse sentido, lançar mão de projetos interdisciplinares pode ser uma boa alternativa para engajar as

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diferentes áreas do conhecimento com uma educação comprometida com o combate ao racismo e a discriminação étnico-racial (SANTOS; COELHO, 2012), além da necessidade desses conteúdos serem trabalhados nas diferentes disciplinas de forma transversal, em especial as disciplinas de artes, literatura e história. O uso de recursos diversificados, e a inclusão de música e filmes parece ser algo adequado quando se fala em ensino de história e cultura africana e afro-brasileira (RODRIGUES, 2007). Porém, estudos como os de Dias e Cecatto (2015) mostram que ainda não se trabalha de forma diversificada, uma vez que os autores observaram em sua pesquisa que os docentes participantes não apresentaram atividades diversificadas para o trabalho com essa temática. Infelizmente nota-se que as escolas ainda não aprenderam a lidar com a diversidade cultural. Os trabalhos aqui descritos também apontam que muitos docentes não têm conhecimentos suficientes sobre história e cultura africana e afro-brasileira e também sobre o ensino dessa temática (LAUREANO, 2008; FERREIRA, 2008). Aponta-se então a necessidade de formação sobre o assunto e a busca pelo desenvolvimento de habilidades prático reflexivas do docente (BRASIL, 2013; FERREIRA, 2008), sendo que órgãos estatais, como as secretarias de educação, devem se preocupar com essa formação (LAUREANO, 2008) e movimentos sociais, como é o caso do Movimento Negro, podem ajudar nesse processo de formação. Mesmo estando previsto em documentos oficiais que as escolas tenham recursos materiais adequados para trabalharem (BRASIL, 2004, 2016), ao observar-se os materiais didáticos que têm sido utilizados, nota-se que muitos livros trazem textos e ilustrações de índios e negros de uma forma muito pejorativa e preconceituosa ou não abordam a temática (FERNANDES, 2005). Algumas pesquisas também mostram que alguns materiais didáticos trazem temas relacionados à história e cultura africana e afro-brasileiras de forma superficial (SANTOS; TONIOSSO, 2015). É importante também que pessoas africanas e afro-brasileiras que foram importantes para a formação da sociedade brasileira, que deram contribuições significativas para as diferentes áreas do conhecimento, sejam retratadas e estudadas na educação formal brasileira (BITIOLI; TONIOSSO, 2013; RODRIGUES, 2007). Além disso, conteúdos artísticos e de cultura também tem destaque no que apontam os pesquisadores e a legislação sobre o que deve ser ensinado sobre a temática aqui discutida (BRASIL, 2003; RODRIGUES, 2007). Todos que trabalham com a educação, os órgãos estatais responsáveis pela educação brasileira, bem como a comunidade escolar devem se envolver no ensino de história e cultura

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africana e afro-brasileira, sendo que docentes, o Movimento Negro e de estudiosos da área

têm papel essencial para a efetivação desse ensino (BRASIL, 2013; BITIOLI; TONIOSSO,

2013).

Destaca-se que as práticas didático-pedagógico que estão sendo aplicadas em sala de

aula ainda precisam ser trabalhadas de forma mais eficaz, buscando a desconstrução e a

reconstrução de novos conhecimentos sobre a cultura africana. É importante ressaltar também

que a lei ainda está em construção no contexto educacional e existe ainda resistência quanto a

sua efetivação, mas devido à importância do tema, é necessário que se tenha muitas ações de

conscientizações para que a mesma aconteça da melhor maneira possível (LAUREANO,

2008).

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Recebido em: 24 de abril de 2017 Aceito em: 16 de outubro de 2017

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