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Dez anos depois da Eco 92, há pouco para comemorar.

A poluição e o uso predatório dos recursos naturais aceleraram o efeito estufa e a


destruição das florestas. Mas existem formas de corrigir esses erros.

Uma nuvem de poluentes do tamanho de três BRASIS e com 3 quilômetros de espessura


cobre uma parte da Ásia, onde vive um quinto da humanidade.

A TERRA PEDE SOCORRO

O perigo da degradação ambiental causada pelo homem costuma ser representado nas
campanhas ambientalistas por animais ameaçados de extinção. O simpático e desajeitado urso panda,
que está desaparecendo junto com seu habitat nas montanhas da China, é um dos símbolos mais
utilizados pelos ecologistas. Neste momento, há um símbolo muito mais tenebroso no ar. Trata-se da
formidável nuvem de poluentes que se estende do Japão ao Afeganistão, no sentido leste – oeste, e
da China à Indonésia, no sentido norte – sul, abrangendo uma região da Ásia em que vive um quinto
da humanidade. De tonalidade marrom e tamanho equivalente a três Brasis, essa nuvem de venenos
tem 3 quilômetros de espessura e representa 1,5% da atmosfera da região. Nuvens parecidas flutuam
ocasionalmente sobre os Estados Unidos e a Europa, mas nenhuma teve igual tamanho e
durabilidade. A mancha foi percebida pelos satélites em órbita sete anos atrás e desde então vem
sendo estudada por uma equipe de especialistas convocada pela Organização das Nações Unidas
(ONU). Na semana passada, anunciou-se a primeira conclusão: trata-se da mais densa e ampla
concentração de poluentes já detectada.
Na lista das grandes catástrofes ecológicas preparada pela Associação Americana para o Avanço
da Ciência, a nuvem asiática é comparada ao buraco de ozônio, o pesadelo que dominou o debate
ambientalista na década passada. “O perigo é global, já que uma nuvem desse tamanho pode cruzar
meio mundo em apenas uma semana”, adverte o alemão Klaus Topfer, diretor executivo do Programa
de Meio Ambiente da ONU. O coquetel de partículas de carbono, sulfatos e cinzas orgânicas é
resultado das emissões de gases de fábricas, usinas termelétricas e escapamentos dos automóveis.
Essa é, digamos, a contribuição industrial para o fenômeno.
As emissões de carbono, o grande responsável pelas mudanças climáticas e pelo aquecimento
global, cresceram 10%. Nos Estados Unidos, que abandonaram o Protocolo de Kioto, o tratado
assinado por 178 países para controlar as emissões desse gás, o salto foi de 18%.
O efeito mais terrificante por suas implicações no cotidiano das pessoas talvez seja o aquecimento
global. A década de 90 foi a mais quente desde que se fizeram as primeiras medições, no fim do
século XIX. Uma conseqüência notável foram o derretimento de geleiras nos pólos e o aumento de 10
centímetros no nível do mar em um século. A Terra sempre passou por ciclos naturais de aquecimento
e resfriamento, da mesma forma que períodos de intensa atividade geológica lançaram à superfície
quantidades colossais de gases que formavam de tempos em tempos uma espécie de bolha gasosa
sobre o planeta, criando um efeito estufa natural.
Cerca de três quartos das emissões de carbono provocadas pelo homem nos últimos vinte anos
vêm da queima de combustíveis fósseis, como a gasolina. O restante provém da queimada de
florestas. "Não há mais dúvida de que as mudanças ambientais são causadas pelo homem. Já não são
só os ambientalistas que pensam assim”, diz Lester Brown, fundador do Instituto Worldwatch e diretor
do Earth Police (polícia da Terra, em inglês), baseados nos Estados Unidos. De acordo com
especialistas, se o efeito estufa continuar no mesmo ritmo, a temperatura da Terra pode aumentar 5,8
graus centígrados até 2100. Algumas alterações na paisagem são atribuídas claramente ao
aquecimento provocado pelo homem. Na África, a montanha das neves eternas, o Kilimanjaro, perdeu
82% da cobertura de gelo desde 1912. Em vinte anos, nesse ritmo, não restará nada exceto rocha
nua. Em algumas partes da África e da Ásia as secas estão ocorrendo com maior freqüência e
intensidade dobrada. A quantidade de chuvas tem aumentado no Hemisfério Norte, principalmente na
forma de grandes tempestades. Os meteorologistas estão divididos sobre o assunto, mas muitos
acham que as piores enchentes em 100 anos, que na semana passada invadiram as ruas de muitas
cidades na Alemanha e na República Checa, se encaixam perfeitamente no contexto das mudanças
climáticas no continente. “Não tenho dúvida de que o efeito estufa fez aumentar as chances de maior
precipitação em áreas que não estavam acostumadas a chuvas pesadas”, diz o americano Gerald
Meehl, cientista-chefe do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas, nos Estados Unidos.
Uma pressão desabusada é exercida sobre os ecossistemas de água doce, que tem sido
destruídos pela poluição e pelo uso descontrolado. Sete de cada 10 litros de água, utilizados pelo
homem são destinados à agricultura, e mais da metade dela é perdida em sistemas de irrigação
ineficientes. Cerca de metade desses ecossistemas já foi arruinada, e pelo menos 2O% das 10000
espécies conhecidas de organismos aquáticos já foram ou estão sob ameaça de extinção. Estima-se
que 30% das maiores bacias hidrográficas perderam mais da metade de sua cobertura vegetal,
reduzindo a qualidade da água e aumentando os riscos de enchente. Cerca de 40% da população do
planeta vivem em regiões com escassez de água potável, o que limita o desenvolvimento econômico,
a agricultura e os cuidados sanitários. "Até agora nossa prodigiosa habilidade para expandir a
população e aumenta( o nível de consumo material ultrapassou de longe nessa habilidade para
entender e responder aos problemas que estamos criando para nos mesmos”, disse a VEJA
Christopher Flavin, presidente do Instituto Worldwatch.
Há dez anos, embalada pela Rio 92, a Unesco, o braço cultural da ONU, publicou o que pretendia
ser o corolário do futuro: "Cada geração deve deixar os recursos da água, do solo e do ar tão puros e
despolidos como quando apareceram na Terra. Cada geração deve a seus descendentes a mesma
quantidade de espécies de animais que encontrou”. A realidade virou tudo isso pelo avesso. O que se
viu nos anos 90 foi um avanço descontrolado sobre ecossistemas frágeis, que não suportam a
exploração agrícola intensiva, como as áreas de cerrados, savanas e de vegetação semi-árida. Essas
regiões correspondem a quase 40% da superfície total do planeta, ou cerca de 190 milhões de
quilômetros quadrados, e respondem por 22% da produção mundial de alimentos. A superexploração
leva o esgotamento do solo a seu limite, um processo conhecido como desertificação. A FAO, o órgão
da ONU para a agricultura, estima que 250 milhões de pessoas em mais de 100 países são afetadas
pelo esgotamento do solo. "Esse problema esta criando um novo tipo de migrantes, pessoas que não
têm mais nada a perder e estão dispostas a embarcar em navios de traficantes de pessoas e até
mesmo nadar oceano afora, no desespero ele achar um lugar melhor para viver”, disse a VEJA o
argelino Raajeb Boulharouf, diretor de relações eternas do Secretariado das Nações Unidas da
Convenção para o Combate a Desertificacão (UNCCD).
A pesca comercial, realizada com barcos-usinas equipados com redes grandes o bastante para
envolver um trem do metrô, já esgotou ou está a caminho de esgotar 75% dos pesqueiros do Atlântico
Norte e do Mar Báltico. Estima-se que cerca de 14,5 milhões de quilômetros quadrados do fundo dos
oceanos sejam varridos por redes que chegam a profundidades de 150O metros. Apesar dessa
sucessão de tragédias ambientais, não é hora de ficar apenas nas queixas. Assim como degrada o
meio ambiente, o homem é perfeitamente capaz de consertá-la. Na última década, os avanços foram
localizados, mas significativos. A emissão de poluentes na atmosfera caiu 30% no Leste Europeu
simplesmente por ter sido desmantelado o arcaico parque industrial do antigo bloco soviético. Com
incentivo governamental, as florestas européias cresceram 9 milhões de hectares, área equivalente a
da Áustria. Mais de 10% das florestas no mundo estão atualmente sob algum tipo de proteção legal.
No Brasil, pais que durante séculos devastou florestas despreocupadamente, ocorreu uma espécie de
despertar ambientalista. De acordo com pesquisas, quase a totalidade dos brasileiros é favorável a
manutenção intacta da Floresta Amazônica. Neste mês, o governo deve anunciar o projeto de criar 18
milhões de hectares de reservas de preservação e extrativismo sustentado. Com isso, o tamanho das
áreas protegidas saltará de 3,8% para 10% do total da floresta. Levando em conta que outros 20% da
região amazônica são reservas indígenas, um terço da Floresta Amazônica estará protegido da
devastação – pelo menos no papel. "Pela primeira vez estamos tomando como base a riqueza e a
potencialidade da floresta para escolher as áreas a ser preservadas", diz Mary Alegretti, secretaria
nacional de conservação da Amazônia. "Nossa idéia é garantir a preservação sem fechar as portas
para o desenvolvimento da região”. A idéia é carreta. Afinal, temos um só planeta. É o que deixaremos
para nossos filhos e netos.
Com reportagem de Natasha Madov, Alessandro Greco, Flávio Sampaio e Leonardo Coutinho, de Belém.

VEJA – 21 agosto, 2002.

A reportagem “A Terra pede Socorro” aborda problemas relacionados ao meio ambiente que foram
temas discutidos nas nossas aulas de Ciências.
Esse texto apresenta dados matemáticos cujo conhecimento é necessário entender e avaliar as
conseqüências da degradação ambiental causada pelo homem.
Com base nas informações do texto e em seus conhecimentos, resolva as questões propostas a
seguir.

1. “Uma nuvem de poluentes do tamanho de três Brasis e com três quilômetros de


espessura cobre uma parte da Ásia, onde vive um quinto da humanidade.”
a) Transforme, em metros, a medida correspondente à espessura da nuvem de poluentes.
Resposta: 3000 metros
b) Escreva no quadro abaixo, no lugar indicado, a fração correspondente à quantidade de
pessoas que vivem na Ásia e faça o que se pede a seguir:

EM FORMA DE FRAÇÃO EM FORMA DE PORCENTAGEM


Dado correspondente às
1
pessoas que vivem na Resposta: 5 Resposta: 20 %
Ásia
Dados correspondentes
4
às pessoas que vivem Resposta: 5 Resposta: 80 %
nos outros continentes
- Determine e escreva a fração correspondente à quantidade de pessoas que vivem nos
outros continentes.
- Aplique seus conhecimentos de equivalência e registre o dado de porcentagem equivalente
a cada fração.
2. “...a nuvem asiática é comparada ao buraco de ozônio, o pesadelo que dominou o
debate na década de 90.”
a) Quais os anos que compõem a década de 90?
Resposta: 1990 a 1999.

3. “O efeito mais terrificante por suas implicações no cotidiano das pessoas talvez seja o
aquecimento global. A década de 90 foi a mais quente desde que se fizeram as primeiras
medições no fim do século XIX. Uma conseqüências notável forma o derretimento de
geleiras e o aumento de s 10 centímetros no nível do mar.”
a) Quanto anos correspondem a um século?
Resposta: 10 anos
b) Usando os algarismos do sistema de numeração decimal, escreva o numeral romano
sublinhado no texto.
Resposta: 19
c) Represente a medida correspondente ao aumento do nível do mar:
Resposta: em milímetros: 100 / em metros: 0,10
d) Escreva mais três conseqüências do efeito estufa.
Resposta: Secas com maior freqüência e intensidade dobrada. / Aumento da quantidade de
chuvas no hemisfério Norte / Enchentes na Alemanha e República Checa.

4. “Cerca de três quartos das emissões de carbono provocadas pelo homem nos últimos
vinte anos...”
Escreva três frações que poderiam substituir a fração três quartos, mantendo o mesmo valor.
3 6 9 12
Resposta:   
4 8 12 16
entre outras respostas.

5. “Uma pressão desabusada é exercida sobre os sistemas de água doce, que têm sido
destruídos pela poluição e pelo uso descontrolado.”
a) ... pelo menos 20 % das 10.000 espécies conhecidas de organismos aquáticos já foram ou
estão sob ameaça de extinção.
Registre o(s) calculo(s) e determine a quantidade de espécies que ainda estão preservadas.
Resposta: 8000 espécies ainda estão preservadas.
b) “Estima-se que 30 % das maiores bacias hidrográficas perderam mais da metade...”
“Cerca de 40 % da população do planeta vive com escassez de água potável,...”
- É correto afirmar que os dados apresentados acima são aproximados?
Resposta: Sim. As expressões “cerca de”, “estima-se” indicam que o valor é aproximado.
- Escreva, nos lugares indicados, a fração decimal correspondente a cada um desses dados e
faça o que se pede a seguir. (Simplifique cada fração que você registrou acima, tornando-a
irredutível.)
Resposta:
30 15 3
, ,
100 50 10
40 20 10 2
, , ,
100 50 25 5
6.
a) “Estima-se que 250 milhões de pessoas em mais de 10 países são afetados pelo esgotamento
do solo.”
Escreva, registrando todos os algarismos, o numeral acima.
Resposta: 250.000.000
b) “Estima-se que cerca de 14,5 milhões de quilômetros quadrados do fundo dos oceanos sejam
varridos por redes que chegam a uma profundidade de 1500m.”
- Complete o quadro com as abreviaturas das medidas de superfície e represente a medida
correspondente à extensão do fundo dos oceanos.
Resposta:
Km2 hm2 dam2 m2 dm2 cm2 mm2
1 4 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

- Decomponha, em produtos de fatores primos, a medida correspondente à profundidade


alcançadas pelas redes.
Resposta: 1500 =22 x 3 x 53