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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE EDUCAÇÃO
DEPARTAMENTO DE PRÁTICAS EDUCACIONAIS E CURRÍCULOS
GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS - LICENCIATURA

RELATÓRIO DE ESTÁGIO

NATAL/RN.
Outubro - 2018.2
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
CENTRO DE EDUCAÇÃO
DEPARTAMENTO DE PRÁTICAS EDUCACIONAIS E CURRÍCULOS
GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS - LICENCIATURA

RELATÓRIO DE ESTÁGIO

Discentes: Larissa Nunes Paiva


Maria Izabel Cavalcanti

Docente: Msc. Mikelly Gomes

Graduação em Ciências Sociais –


Licenciatura.

NATAL/RN
2018.2
Introdução

A disciplina Estágio Supervisionado de Formação de Professores II, cursada


neste semestre, como requisito obrigatório no Curso de Licenciatura em Ciências Sociais
da UFRN, tem, resumidamente, por objetivo, inserir o graduando no contexto escolar e
bem mais que isso, proporcionar o estudante a possibilidade de colocar parte dos
conteúdos que aprendeu na teoria e utilizá-los na realidade prática da escola.
O estágio na escola permite ao estudante o aprofundamento de inúmeras
vivências que somente podem serem experimentadas quando inseridos numa sala de aula,
especialmente, no curso, a Sociologia volta-se para os alunos do ensino médio, é neste
grau de ensino, onde os estudantes se preparam para serem os futuros professores, travam
as primeiras batalhas, ultrapassam os desafios e conhecem/sentem na pele o que é a escola
pública no Brasil.
Como já foi descrito no projeto de intervenção, atividade entregue na primeira
unidade da disciplina, o local escolhido para a realização do Estágio Supervisionado de
Formação de Professores foi a Escola Estadual Ferreira Itajubá, situada na Rua Roraima,
Neópolis, Natal/RN.
Após a realização do primeiro contato com a professora responsável pela
disciplina de Sociologia, Elaine Mayara Cordeiro e, também, com a supervisora
pedagógica da escola, a professora Mayne Cruz, verificou-se a existência de muitos
problemas na escola.
Apresenta-se, a seguir, a caracterização dos aspectos: físicos, estruturais e,
sobretudo, quais são os grupos de pessoas que formam à escola. O relato foi realizado
após as visitas de campo e apresentará as experiências vivenciadas após a observação
participante na referida escola.
Diferentemente da estrutura que existia anos atrás, onde, a escola abrangia várias
turmas e funcionava nos três turnos e já ter ofertado aulas para a educação de jovens e
adultos, atualmente, não existe a disponibilidade de aulas desta natureza, segundo relatos
da coordenação pedagógica, não havia procura suficiente e em razão disso, a secretaria
não abriu vagas ou iniciou turma da EJA.
A escola foi construída na década de 70 e permanece em atividade até os dias
atuais, já funcionou nos três turnos, até o ano passado havia expediente no período da
tarde e da manhã e, este ano funciona somente o turno da manhã, com turmas do 9º ano
ao 3º ano do Ensino Médio, com uma média de 35 alunos por sala de aula.
Segundo informações recentes, especialmente do último dia 29 de novembro de
2018, a escola funcionará em tempo integral no próximo ano, após a reunião entre
professores e coordenadores do Estado, será mais uma escola a se adequar a sistemática
do tempo integral a partir do ano de 2019.
Os alunos que estudam no local são dos bairros do Planalto, Satélite, Jequi e
Pirangi, além dos que moram em Neópolis, existem também os que residem em Nova
Parnamirim e em Parnamirim, em menor número.
No primeiro contato observa-se que os alunos são da mesma faixa etária,
contudo, após informações da coordenação pedagógica, existe um número até
significativo de alunos que não estão na série correspondente a sua idade, a maioria deles
foram transferidos de outras escolas, logo, para a coordenadora não é uma realidade da
escola a reprovação dos alunos.
Apresentou-se o seguinte projeto de intervenção “O DEBATE CIDADÃO: a
voz e o lugar de fala dos estudantes dos 3º anos do Ensino Médio da Escola Estadual
Ferreira Itajubá”, que teve como público os alunos dos 3º anos, cujo objetivo central
foi o de através de uma intervenção no contexto escolar, aguçar nos estudantes a vontade
de participar politicamente das escolhas escolares e sociais que são feitas ao longo da
trajetória enquanto estudantes e, indissociavelmente, cidadãos.
A proposta buscou estimular a visão crítica dos estudantes quanto ao papel da
democracia nos dias atuais, por meio de questionamentos que impliquem na necessidade
de defender os seus posicionamentos com fatos sólidos e verdadeiros. Aliou-se o projeto
de intervenção acima descrito ao período eleitoral vivenciado no país, para que os
estudantes pudessem ter a oportunidade de aliar os conhecimentos adquiridos em sala de
aula, com o cenário político nacional, que efetivamente afetará a vida de todos eles a
partir do próximo ano, coincidentemente, período que eles estarão fora desse contexto
escolar.
Como objetivos específicos, dentre inúmeros que poderíamos desenvolver, o
estímulo a participação, ao trabalho em grupo e sensibilização de que eles, os alunos
possam se reconhecer como sujeitos políticos e, sobretudo, como cidadãos com direitos
e deveres assegurados. Buscou-se ampliar o debate político em sala de aula, fornecendo
subsídios e explicando melhor categorias sociológicas que já foram ensinadas no ensino
médio, para que o debate saia do censo comum e tenha embasamentos com argumentos
mais defensáveis, ou seja, qualificando o discurso dos alunos.
A metodologia do projeto de intervenção consistiu na apresentação de m
documentário, posteriormente a divisão dos alunos em grupos e na explicação da
atividade a ser desempenhada. Por fim, o ponto principal da atividade consistia na
realização do debate em sala e entre todos os alunos, onde conjuntamente apresentaram
o material produzido e quais foram as principais impressões da atividade que
participaram.
Após a realização do projeto de intervenção e do acompanhamento mais próximo
na sala de aula, percebeu-se que existe um bom número de alunos que não estão na faixa
etária correta da série que estão cursando, contudo, observou-se também, que existem os
que estão na série e idade compatíveis, mas que apresentam, numa avaliação mais
genérica e até mesmo superficial dificuldades de aprendizado, ou seja, certamente foram
aprovados nas séries anteriores sem terem apreendido os conteúdos necessários. Ao
mesmo tempo vemos duas realidades graves e que precisam ser urgentemente trabalhadas
para que no final dos estudos no ensino médio os alunos possam demonstrar que
aprenderam o mínimo de conteúdos exigidos e planejados na matriz escolar.
As características da escola, no início do semestre, quando começamos a fazer a
observação de campo, são: 6 salas de aulas (todas com ar condicionado), uma média de
175 alunos matriculados no nível médio, uma cozinha, uma biblioteca; uma sala para a
secretaria, uma para a diretoria, uma para a coordenação pedagógica, uma para o
almoxarifado; banheiros para homens e outro para mulheres, uma sala de informática,
uma sala de vídeo, uma sala destinada para o grêmio estudantil e um local nomeado de
auditório.
No primeiro contato, pensou-se que a escola era organizada e limpa. Muito
embora seja situada numa área central da zona sul da cidade, possui seus problemas e
limitações como muitas escolas públicas da capital, como a falta de alguns professores, a
falta de um refeitório, de uma quadra, de espaços mais agradáveis de sociabilidade.
Percebe-se também que, uma parcela significativa dos professores e dos profissionais que
trabalham na escola é comprometida e acredita na educação.
Após a realização da observação participante, especialmente realizadas no turno
da manhã, às quartas-feiras, nas turmas dos 3º anos A e B, escolheu-se as referidas turmas
para a realização do projeto de intervenção. A escolha ocorreu devido ao dia
disponibilizado pelas alunas para estarem na escola, nesse dia, as aulas de Sociologia são
para as turmas concluintes do Ensino Médio, além do dia da aula de Sociologia, percebeu-
se também que esta será a última oportunidade de os alunos concluintes participarem do
projeto de intervenção, já que, a grande maioria, no próximo ano não estará mais na
escola. Sobretudo, acredita-se que o projeto de intervenção colaborará para que os alunos
possam se tornar sujeitos mais reflexivos e participativos.
O público alvo será os alunos dos 3º anos A e B, que estão na faixa etária de 15
a 19 anos e que estudam na Escola Estadual Ferreira Itajubá.
Como foi acima descrito, após a observação participante e o acompanhamento
de algumas aulas de Sociologia na mencionada escola, as alunas que estão realizando o
Estágio Supervisionado de Formação de Professores, após conversarem, pensarem e
pedirem uma orientação a professora da disciplina, Elaine Mayara, decidiram em comum
acordo realizarem um debate entre os alunos como uma atividade de intervenção.
Foram vários os fatores que motivaram à escolha, pode-se destacar alguns, o
primordial foi a realidade do contexto escolar, sem esse elemento fundamental qualquer
intervenção não seria condizente com as características da escola e tão pouco com a
comunidade escolar que forma e faz a instituição escolar. Como foi dito, a escola apesar
de ser bem localizada, possui poucos alunos, é relativamente uma escola organizada,
possui profissionais compromissados, no entanto, como a maioria das escolas possui suas
singularidades e seus problemas.
Longe de pensar que poderemos resolver os problemas da escola ou de
transformar os alunos, a proposta de intervenção, que será a realização de um debate entre
os alunos dos 3º anos, buscará ser um momento reflexivo e de formação sociopolítica
para todos os participantes.
Após assistirmos algumas aulas, verificou-se que os alunos gostam muito de
falar sobre política e sempre pedem para ter debate, especialmente nesse período do ano,
que antecede as eleições de 2018, um momento político tão importante para o país não
passou despercebido pelos anos concluintes do ensino médio.
O projeto de intervenção consistiu no planejamento, organização e realização de
um debate em sala de aula com a participação dos alunos do 3º ano.
A realização do projeto de intervenção ocorreu no período de 12 de setembro a
14 de novembro de 2018, inicialmente dedicou-se os primeiros encontros para a
realização da observação participante, para assistir aulas da disciplina de Sociologia e
para o planejamento da atividade. No mês de outubro o documentário: Acabou a paz! Isso
aqui vai virar o Chile, do Carlos Pronzato, foi exibido em duas aulas, tendo em vista a
duração das aulas e do vídeo.
A atividade de intervenção ocorreu em três momentos, o primeiro, destinou-se
duas aulas para a exibição do documentário; o segundo, dividiu-se a turma em grupos e
entregamos os materiais (cola, tinta, pilotos, canetas, cartolina, pincel, tesoura, entre
outros, para cada grupo) e explicou-se no que constitua a dinâmica daquela atividade;
terceiro, os alunos produziram em grupo o material, anotaram e confeccionaram a
atividade na cartolina e após isso apresentaram para a turma qual o resultado do trabalho
em grupo.
Continuamos frequentando e observando às aulas.
A seguir, serão detalhadamente apresentados os desafios e os resultados do

projeto de intervenção.

2. Sobre a intervenção

Tendo em vista os assuntos já trabalhados pela professora Elaine, em sala de aula,


além do momento político que vivenciamos durante as eleições presidenciais de 2018,
notamos a necessidade de pensar em um projeto capaz de colocar em prática os
conhecimentos já adquiridos pelos alunos nas aulas anteriores e de estimular o senso
crítico. Nesse sentido, a intervenção contemplaria temas relacionados à participação
política: democracia, transformação da realidade, direitos e deveres, engajamento.
Inicialmente, na etapa de observação, foi possível perceber que havia, entre os
alunos, interesse por temas relacionados à política e, ao mesmo tempo, alguns grupos
demonstravam apatia e distanciamento. As aulas de Sociologia, por já terem um viés
participativo, instigavam nos alunos o interesse pelas pautas atuais, relacionadas às
eleições e aos projetos defendidos pelos candidatos. Em contrapartida, a falta de interesse
também marcava as suas falas. Alguns, embasados em argumentos do senso comum, até
citavam a ausência de mudanças efetivas ao discutir esses temas e a relação entre roubo
e política, que, segundo eles, desestimula a participação de grande parte da sociedade.
Primeiro, foi exibido o documentário “Acabou a paz, isto aqui vai virar o Chile”
– Escolas ocupadas em São Paulo, que prevemos inicialmente, a exibição do
documentário em apenas um horário de aula, no entanto, os alunos demonstraram
interesse e pediram para que a exibição fosse concluída na outra aula, visto que, a
disciplina de Sociologia só tem uma aula por semana na escola.
Segundo, os alunos foram reunidos em grupos e foi explicado o sentido da
atividade e qual o objetivo eles deveriam cumprir, todo o material necessário foi entregue
a cada um dos grupos. Em grupo, não todos os participantes, já que, existia uma pequena
parcela que apenas estava frequentando à aula e nada fazia, os demais debateram entre si
duas perguntas que fizemos: O que a minha escola tem? E o que eu gostaria que tivesse
na minha escola? Problemas do contexto escolar foram os principais assuntos debatidos,
já as soluções ou possíveis maneiras de intervenções foram mais dificilmente citadas e
descritas nos cartazes.
Terceiro, após a confecção dos cartazes, na aula seguinte, os alunos foram
convidados para participarem de um debate na sala de aula e a conjuntamente
apresentarem os cartazes, descrevendo quais foram os principais pontos e
questionamentos do seu respectivo grupo.
A escolha do documentário deu-se pelo fato do mesmo retratar a realidade de
muitas escolas públicas em todo o Brasil, em que pese ter sido filmada as escolas e os
alunos de São Paulo, muitos problemas, anseios, dilemas e lutas são exemplos vivos que
os alunos, professores e pais que participam direta ou indiretamente das escolas públicas
presenciam, então, a voz dos participantes do documentário também representa o grito de
milhares de alunos espalhados em todo o país.
Cabe destacar, que à época da apresentação do projeto de intervenção, os alunos
dos 3º anos, estão estudando o tema: “Poder e Cidadania” durante o bimestre, que envolve
os subtemas: Estado, os contratualistas, regimes políticos e partidos políticos, democracia
e o problema da corrupção no Brasil, de acordo com o livro didático selecionado pela
escola, Sociologia Hoje - Volume Único no Ensino Médio. A professora durante o
semestre apresentou aos alunos os capítulos 11 e 12 do livro didático, desenvolvendo a
temática do Poder e da Cidadania.
Assim, o assunto trabalhado no debate dialoga com os assuntos ministrados em
sala de aula pela professora, será um momento de colocar em prática o uso dos conceitos
apreendidos nas aulas anteriores e, sobretudo, permitirá que os alunos reflitam sobre os
problemas que estão presentes no ambiente escolar e o que eles podem fazer como
sujeitos políticos para intervirem.
Essa foi a motivação para a realização do debate, reconhecendo que existem
outros problemas na escola, mas, na atual conjuntura política do país e por serem alunos
concluintes do ensino médio, o debate permitirá aos alunos o uso da sua voz para
participarem e falarem a respeito de propostas e projetos pertinentes no contexto escolar
que estão e que outros alunos vão continuar participando.
O documentário a ser exposto é “Acabou a paz, isto aqui vai virar o Chile!”, do
argentino Carlos Pronzato, que retrata a ocupação das escolas em São Paulo, onde
estudantes buscam melhores condições de ensino e lutaram contra o fechamento de 94
escolas estaduais, o documentário tem cerca de uma hora de duração, foi lançado em 26
de fevereiro de 2015.
Sendo assim, o projeto de intervenção foi planejado em duas etapas, havendo
mudanças ao longo da execução. A ideia inicial era exibir o documentário “Acabou a paz!
Isso aqui vai virar o Chile”, produzido por Carlos Pronzato, o qual retrata as ocupações
ocorridas em diversas escolas de São Paulo, no ano de 2015, após a proposta de
reorganização do ensino, feita pelo governo de Geraldo Alckmin. A ação, visivelmente,
fazia parte de um projeto de sucateamento da educação pública, sendo altamente
rechaçada pelos estudantes secundaristas, que ocuparam mais de 200 escolas em pouco
tempo. Logo após, seria proposto um debate entre os estudantes, divididos em grupos,
para discutir os temas presentes no vídeo. Porém, a ideia do debate não vigorou à medida
que pensamos em algo que seria mais “palpável” pelos alunos, ou seja, mais aplicável às
suas vivências na escola.
A partir disso, a segunda parte do planejamento foi feita com base na ideia de
produção de materiais pelos estudantes. Permanecia, então, a exibição do documentário,
o qual serviria de base para a reflexão dos estudantes sobre o papel que ocupam no
Ferreira Itajubá. Dessa forma, planejamos a produção de dois cartazes por grupo: em um,
estariam os problemas que eles enxergam na escola e, em outro, as suas possíveis
soluções. Sendo, para isso, necessário o uso de papeis madeira, tintas, lápis e materiais
para colorir.
Consideramos que dessa forma, quando comparado ao debate, os estudantes se
sentiriam mais estimulados a participar da ação, já que se tratava da realidade vivenciada
por eles na escola, dia após dia. Refletir sobre as lacunas da escola permite um olhar mais
amplo e crítico sobre o que, muitas vezes, passa despercebido pela força do que é comum,
assim como propor soluções é um exercício de participação e transformação da realidade,
até por aqueles que se sentem desestimulados e apáticos com relação a esses temas.
No geral, a execução da intervenção se deu como planejado. Pela maioria dos
alunos, o documentário foi bem aceito, principalmente, por ter uma linguagem e trilha
sonora acessível aos jovens. A produção dos cartazes teve resultados diferentes nas duas
turmas: na 3º série “B”, por ter um número maior de estudantes, a execução ficou um
tanto dispersa, os grupos eram maiores e as conversas muitas vezes fugiam do que foi
proposto, tendo como resultado nos cartazes mais “frases de efeito”, do que problemas e
soluções aplicáveis à escola; na 3º série “A”, também por ser uma classe menor, os
cartazes foram produzidos em menos tempo e com notável reflexão sobre a realidade da
escola, atendendo ao que foi proposto no projeto.
Após a produção dos materiais, cada grupo apresentou o seu cartaz. Nessa parte,
até mesmo os grupos que estavam dispersos, se envolveram na apresentação, defendendo
as ideias pensadas por cada um. Os problemas mais citados pelos estudantes eram
relacionados à merenda escolar, à limpeza e estrutura das salas e ao descaso com o
preparo para o Enem. Depois, o material foi levado à sala dos professores, sendo discutido
com os professores presentes e com a coordenadora pedagógica. E, logo após, afixados
em um dos corredores principais do colégio.

3. Reflexão, Análise e Avaliação

O projeto de intervenção foi pensado e planejado para cumprir poucos objetivos,


pois levou-se em conta o tempo para a execução do projeto e o período letivo que estavam
cursando os alunos, especialmente a turma do terceiro ano, que é a concluinte e com
inúmeros anseios, típicos da faixa etária deles.
Assim, o projeto cumpriu as etapas planejadas, contamos até mesmo com a sorte
de ter o horário posterior ao da aula de Sociologia “livre”, o que proporcionou um tempo
maior para a elaboração dos cartazes e da socialização de ideias entre os alunos.
No planejamento do projeto pensamos cuidadosamente o que seria executado e,
no que se refere as etapas, a exibição do documentário e a disponibilidade do material
para a confecção dos cartazes, tudo foi conforme o planejamento.
Logo nas primeiras visitas a escola e especialmente a sala de aula, na disciplina
de Sociologia, percebeu-se que os alunos demonstravam bastante interesse em debates a
respeito a política, contudo, notou-se que as falas estavam, na maioria das vezes, baseadas
em achismo e no senso comum, os alunos precisavam de uma atividade que possibilitasse
a reflexão a respeito das categorias fornecidas pela Sociologia e que possibilitam a
qualificação do discurso, a organização de ideias, a formulação de proposições e de ideias
viáveis no plano prático. Então, este foi talvez o maior problema do público alvo do
projeto, a falta de diálogo com os conteúdos apreendidos na disciplina com a realidade
prática vivenciada por eles, faltava aos estudantes o estabelecimento dessa relação, de
que o conteúdo da disciplina é de fundamental importância para a reflexão e para o
desenvolvimento do pensamento crítico dos alunos, na formação de sujeitos pensantes.
O projeto não teve como objetivo solucionar o “problema” diagnosticado, teve
sim, como intuito fornecer elementos práticos, como também estimular o debate dos
alunos e a qualificação do discurso dos mesmos. Nesse sentido, não atingimos todos os
alunos, um pequeno grupo decidiu ficar com o celular, com o fone de ouvido, um até
dormiu na sala, a outra maioria da sala de forma satisfatória participou da atividade e
produziu um bom material, este ficou disponível no corredor da escola, para estimular a
reflexão e a participação de outros alunos da escola. Assim, a intervenção não foi apenas
na sala de aula, abrangeu também os demais alunos da escola, que de forma indireta
também foram estimulados a pensar a respeito da realidade política do país e das
consequências do processo eleitoral na realidade da escola pública.
Existem dois problemas bem evidentes na escola, o primeiro é a falta de
estímulo, de interesse e de vontade de alguns alunos participarem efetivamente das
atividades. Essa característica pode ser explicada por diversos fatores, um deles é a
origem social e o ambiente familiar extremamente desestimulante para esses alunos se
desenvolverem como sujeitos pensantes. O segundo, é a realização da reforma que ocorre
na escola nos últimos meses, as fotos que seguem anexas, atestam claramente a situação
preocupante da escola, que se tornou um verdadeiro canteiro de obras, com muitos
trabalhadores, barulho, materiais, ferramentas e todas as demais características inerentes
a uma reforma.
Talvez, esse tenha sido o principal problema, o barulho, a poeira, a falta de
silêncio.
No livro “Impasses da Democracia no Brasil”, escrito pelo cientista político
Leonardo Avritzer, compreende que o impasse é “... uma crise de crescimento e de
evolução da cultura democrática no país.” (2005, p. 9). Na concepção do autor, o Brasil
apresenta indicadores positivos na sua prática democrática, contudo, existe na sociedade
um permanente incômodo em relação à democracia, que se deve a cinco elementos: os
limites do presidencialismo de coalizão; os limites da participação popular na política; os
paradoxos do combate à corrupção; as consequências da perda de status das camadas
médias; e, por último, o novo papel do Poder Judiciário na política.
Esses impasses da democracia se tornaram ainda mais evidentes nas eleições
presidenciais de 2018, onde, percebeu-se claramente a divisão dos eleitores, de um lado
os que supostamente defendem o patriotismo, os bons costumes, a lei, a ordem e a família;
de outro lado, os que são classificados como petistas, os da esquerda, os petralhas, a quem
diga que são esses que defendem realmente a democracia.
O processo eleitoral de uma clara disputa binária entre Bolsonaro e Lula/Haddad,
influenciou as falas, as ações e os debates, toda essa conjuntura eleitoral e política chegou
até a sala de aula, onde, os alunos, especialmente nas aulas de Sociologia buscavam
“colocar para fora” as suas impressões, as suas falas a respeito de tudo isso.
Foi assim que se percebeu, embora houvesse o interesse em debater, em falar
sobre política, o que em tese seria muito propício na disciplina, os discursos eram, em sua
maioria, vazios, repetitivos, sem argumentos sólidos, muito baseado no senso comum e
em impressões pessoais. Assim, surgiu a ideia de realizar um projeto de intervenção que
minimamente possibilitasse aos alunos a conecção de ideias, a relação entre categorias da
Sociologia e o diálogo entre os conteúdos apreendidos na sala de aula com o que ocorria
na vida prática dos alunos fora do contexto escolar, ou seja, aliar teoria e prática.
Posteriormente, fomos apresentadas aos textos: “Educação para a cidadania:
questão colocada pelos movimentos sociais”, da Marlene Ribeiro; e, “Democracia,
cidadania e gênero na escola: políticas e práticas”, escrito por Tânia Suely Antonelli
Marcelino Brabo. Após a leitura dos mesmos e da apresentação em sala de aula, somente
confirmaram as nossas impressões a respeito da necessidade de se pensar a importância
da participação e do debate mais qualificado dos alunos da disciplina de Sociologia.
Os textos em suma, relatam e despertam a reflexão a respeito da democracia e
da sua íntima ligação com a cidadania e a educação, elementos que são por si só
indispensáveis, que devem serem trabalhados nas aulas de Sociologia, já que, na maioria
das vezes, é durante esta aula que o aluno tem a possibilidade, dentro do contexto escolar
de apreender categorias sociológicas importantes e que certamente possibilitarão o
amadurecimento das ideias e a fundamentação de ideias a serem debatidas.
A educação pública que falha muitas vezes na formação dos profissionais, no
oferecimento de condições mínimas e dignas para o ensino, que falha no projeto de
construção da cidadania ativa, poderia dialogar melhor com os movimentos sociais, com
vários grupos que estão dentro e fora do contexto escolar. O diálogo com práticas exitosas
que estão além do contexto escolar precisa ser recuperado, repensado e posto em prática,
somente com a readequação e a retirada de antigas práticas poderemos pensar numa
educação mais libertadora, transformadora e questionadora, só assim veremos escolas
mais acolhedoras e com uma concepção de educação ampliada possível de ser
concretizada.
O processo de ampliação da cidadania precisa ser abraçado pela escola, é
necessário investir, formar, qualificar, produzir novas formas de se educar. Com essas
reflexões e essas leituras, percebemos como determinados temas, como por exemplo, o
debate sobre gênero, ainda precisa ser mais trabalhado na escola, pois, ainda existem
barreiras e preconceitos estruturais que estão longe de serem superados.
Com a prática do estágio foi possível relacionar os conteúdos apreendidos na
disciplina, as leituras, os debates e levar toda essa bagagem teórica para a sala de aula,
um contexto que pode até parecer conhecido, que de fato guarda boas e tristes surpresas.

Considerações finais

Ao final do estágio, com a vivência na escola e execução do projeto, é possível


notar a tamanha importância para a nossa formação profissional. Durante as observações
no campo escolar, vimos os aspectos que tornam a educação tão desestimulante para os
jovens, principalmente, na precarização do espaço e nas condições oferecidas ao
professor. Além disso, lidar com situações reais nos faz repensar o nosso papel enquanto
futuras professoras e agentes de transformação do ensino. O estágio, então, nos permite
pensar na educação como responsabilidade nossa, tendo em vista que os conhecimentos
adquiridos na universidade pública devem ser repassados e servir inteiramente à
sociedade.
A única reflexão crítica que fazemos é quanto a organização da escola, que
permitiu a realização de uma reforma de grandes proporções em pleno período de aulas,
o que atrapalhou significativamente o desempenho dos alunos, ampliou a falta de
concentração e até mesmo causou doenças, como as reiteradas alergias, as fotos anexadas
demonstram que em todas as partes da escola existiam materiais, trabalhadores, máquinas
e muita poeira. O que fica claro, faltou planejamento por parte da diretoria da escola e de
outras instâncias quanto ao período de realização das obras, a reforma atrapalhou a
realização do projeto de intervenção, pela ausência de um ambiente tranquilo de estudo
e, sobretudo, atrapalhou muito o aprendizado dos alunos em todas as disciplinas, pela
falta de um ambiente digno e condizente com uma escola.
Referência

AVRITZER, Leonardo. Impasses da democracia no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro:


Civilização Brasileira, 2016.

BRABO, Suely Antonelli Marcelino. Democracia, cidadania e gênero na escola:


políticas e práticas. 2016. 13 p.

RIBEIRO, Marlene. Educação para a cidadania: questão colocada pelos movimentos


sociais. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.28, n.2, p. 113-128, jul./dez. 2002. 16 p.
ANEXOS