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ECONOMIA I

2º ANO TÉCNICO – ADMINISTRAÇÃO / CONTABILIDADE

Professora: Cleide Comparcida

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 1


Sumário
Objetivos Pedagógicos ............................................................................................................................. 4
A origem da Economia ............................................................................................................................. 5
DEFINIÇÃO E OBJETO ......................................................................................................................6
PRATICANDO: ...................................................................................................................................7
As Necessidades, os Bens Econômicos e os Serviços ................................................................................8
NECESSIDADE HUMANA: ...............................................................................................................8
NECESSIDADES INDIVIDUAIS: .......................................................................................................8
NECESSIDADES DA SOCIEDADE: ..................................................................................................9
BENS: ................................................................................................................................................ 10
SERVIÇOS: ....................................................................................................................................... 11
RECURSOS OU FATORES DE PRODUÇÃO ...................................................................................... 12
AGENTES ECONÔMICOS: .............................................................................................................. 14
PRATICANDO: ................................................................................................................................. 14
TEORIA ELEMENTAR DA PRODUÇÃO ............................................................................................ 15
ASPECTOS DEMOGRÁFICOS DO BRASIL ................................................................................... 15
OS PROBLEMAS DE NATUREZA ECONÔMICA .......................................................................... 16
A ESCASSEZ ................................................................................................................................. 16
AS QUATRO PERGUNTAS FUNDAMENTAIS DA ECONOMIA .............................................. 17
PRATICANDO: ................................................................................................................................. 18
O SISTEMA ECONÔMICO .................................................................................................................. 19
COMPOSIÇÃO DO SISTEMA ECONÔMICO: ............................................................................ 20
OS FLUXOS DO SISTEMA ECONÔMICO: ................................................................................. 21
A CIRCULAÇÃO NO SISTEMA ECONÔMICO .......................................................................... 22
ESTRUTURA DE MERCADO ........................................................................................................ 23
CONCENTRAÇÃO ECONÔMICA NO BRASIL .............................................................................. 24
FORMAS DE CONCENTRAÇÃO ECONÔMICA ............................................................................ 25
PRATICANDO: ................................................................................................................................. 27
MICRO E MACROECONOMIA ........................................................................................................... 29
RENDA E PRODUTO ....................................................................................................................... 32
............................................................................................................................................................... 33
A DISTRIBUIÇÃO DE RENDA ........................................................................................................ 33
Ela é um indicador de quanto caberia a cada pessoa do total da renda gerada pelo sistema
econômico num período de tempo. ................................................................................................... 34
A CONTABILIDADE NACIONAL ................................................................................................... 34
PRATICANDO: ................................................................................................................................. 35
O SISTEMA MONETÁRIO ................................................................................................................... 36
ORIGEM: ........................................................................................................................................... 36
TIPOS DE MOEDA ........................................................................................................................... 37
AS FUNÇÕES DA MOEDA .............................................................................................................. 37
POLÍTICA MONETÁRIA ................................................................................................................. 38

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PRATICANDO: ................................................................................................................................. 39
O SISTEMA FINANCEIRO ...................................................................................................................... 40
COMPOSIÇÃO DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL .......................................................... 40
AS AUTORIDADES MONETÁRIAS: ............................................................................................. 42
AUTORIDADES DE APOIO: .......................................................................................................... 42
INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS: .................................................................................................... 42
O CRÉDITO E O SISTEMA FINANCEIRO ................................................................................... 45
MODALIDADES DE CRÉDITO ................................................................................................... 46
PRATICANDO: ................................................................................................................................. 48
ECONOMIA INTERNACIONAL .............................................................................................................. 50
AS FINANÇAS E O ESTADO............................................................................................................... 51
INFLAÇÃO........................................................................................................................................ 54
PRINCIPAIS ÍNDICES DE INFLAÇÃO ........................................................................................... 55
OS PLANOS DE ESTABILIZAÇÃO ................................................................................................. 57
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ............................................................................................... 58

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Objetivos Pedagógicos

A disciplina de Economia I tem como objetivo geral capacitar o aluno para compreender como
funciona o Sistema Econômico e Financeiro de uma sociedade, sendo capaz de analisar as
inúmeras questões econômicas do cotidiano e aquelas informadas pela mídia impressa,
eletrônica ou televisiva.

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A origem da Economia

A Economia surgiu como ciência a partir de 1.776, com a publicação da obra de Adam Smith, A
Riqueza das Nações. Antes disso, a Economia não passava de um pequeno ramo da Filosofia
Social e do Direito. Com o Mercantilismo e a Fisiocracia, as ideias econômicas começam a ter
um pequeno desenvolvimento.

Adam Smith (1.723-1.790)

Com a publicação da Riqueza das Nações, em 1.776, tendo como experiência a Revolução
Industrial Inglesa (1.760-1.830), Adam Smith estabeleceu as bases científicas da Economia
Moderna. Ao contrário dos mercantilistas e fisiocratas, que consideravam os metais preciosos e
a terra, respectivamente, como os geradores de riqueza nacional, para ele o elemento
essencial da riqueza é o trabalho produtivo. Assim o valor pode ser gerado fora da agricultura.

Adam Smith ensinou que a Economia Política tem como objetivo gerar riqueza para o indivíduo
e o Estado, para o provimento de suas necessidades básicas.
A riqueza aumenta pelo trabalho produtivo, fecundado pelo capital. "O trabalho anual de cada
nação constitui o fundo que originalmente lhe fornece todos os bens necessários e os confortos
materiais de que consome anualmente. O mencionado fundo consiste sempre na produção
imediata do referido trabalho ou naquilo que com essa produção é comprado de outras
nações." O valor vem do trabalho, desse modo ele pode ser gerado fora da agricultura, desde

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que o preço de mercado supere o preço natural (ou custo de produção).

A geração de riqueza de uma nação depende, portanto, da proporção entre o trabalho


produtivo (que gera um excedente de valor sobre o seu custo de reprodução) e o trabalho
improdutivo (como o dos criados). O emprego de trabalho produtivo depende da divisão do
trabalho, e esta da extensão dos mercados. A ampliação das trocas comerciais entre os países
proporciona maior divisão do trabalho e especialização dos trabalhadores, aumentando a
produtividade e o produto global.

À medida que a economia consegue expandir seus mercados, ela obtém rendimentos
crescentes à escala, podendo distribuir sem conflitos um produto social maior entre capitalistas,
trabalhadores e Governo, na forma de lucros, salários e impostos.

DEFINIÇÃO E OBJETO

A palavra economia deriva do grego “oikosnomos” (de oikos, casa, nomos, lei) e pode ser
definida como sendo a ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem
empregar recursos produtivos escassos na produção de bens e serviços, de modo a distribuí-
los entre várias pessoas e grupos sociais, a fim de satisfazer as necessidades humanas.
Necessidades que são de certa forma ilimitadas e podem ser classificadas em:
 Primárias (vestir, comer);
 Secundárias (supérfluos) ;
 Coletivas (segurança, transporte).

De posse dos elementos citados acima, podemos afirmar que ECONOMIA é o processo que
combina fatores de produção para criar bens e serviços.

Ela estuda os processos de produção, distribuição, comercialização e consumo de bens e


serviços, e também a maneira como se administram os recursos escassos, com o objetivo de
produzir bens e serviços e distribuí-los para seu consumo entre os membros da sociedade.

São diferentes tipos de sistemas econômicos que administram os limitados recursos com a
finalidade de produzir bens e serviços objetivando satisfazer as necessidades da população.

Por outro lado, os economistas não se preocupam em atender todas as necessidades


humanas, devido algumas delas se situar além de suas habilidades, do ramo de seu
conhecimento.

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Porém, não lhe negam importância, apenas eles são colocados além da economia; exemplo
disto é o amor, a sabedoria que são de extrema importância, mas que não fazem parte do
campo de preocupação dos economistas, pois ninguém é capaz de produzi-los capaz de
satisfazê-los.

A economia pode ser representada pelo fato de termos que utilizar algo até o seu desgaste
total e só depois substituí-los quando realmente, necessário, ou seja, evitando desperdício e
lucrando com a diminuição dos gastos. Podemos também citar o exemplo da dona de casa no
supermercado: comprando o produto de igual necessidade mas de valor mais acessível, ela
estará economizando no seu salário sem retirar o produto de seu consumo.

Então, representada de várias maneiras em diversos exemplos, fica fácil distinguir e relatar a
Economia de acordo com o ponto de vista de cada um.

A Economia não se aplica apenas ao setor doméstico e pessoal; mas também ao setor
nacional e internacional quando se refere a investimentos (ações da bolsa de valores;
aplicações em fundos de investimentos...), moedas (compra e venda de dólar), títulos etc.

PRATICANDO:

1- Responda as questões abaixo em seu caderno:


a) Quando a Economia foi reconhecida como ciência?
b) Qual obra estabeleceu as bases científicas da Economia Moderna?
c) No que se resume a obra Riqueza das Nações de Adam Smith?
d) Qual a definição de Economia?
e) Qual o principal objetivo da Economia?

2- Você já ouviu falar da crise de 1.929? Elabore uma pesquisa para apresenta-la em sala
de aula.

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As Necessidades, os Bens
Econômicos e os Serviços
NECESSIDADE HUMANA:

É a sensação de carência de algo unida ao desejo de satisfazê-la.


Necessidade humana é um estado em que percebe alguma privação. Podem ser: físicas
básicas; sociais; individuais etc... Segundo a pirâmide de Maslow, as necessidades obedecem
a uma hierarquia.

Podemos dividir as necessidades humanas em:


 Primárias, naturais ou vitais – São aquelas imperiosas, isto é, que devem ser satisfeitas
para garantir a subsistência do homem.
Exemplo: alimentação, habitação, vestuário, medicamentos, etc.

 Secundárias, sociais ou artificiais – São aquelas criadas pela civilização do homem. O


não atendimento implica apenas num sofrimento não fatal. O homem pode viver sem
saciar as necessidades secundárias.
Exemplo: cinema, rádio, gravata, etc.

As necessidades podem ainda ser:


 Individuais e
 Sociais

NECESSIDADES INDIVIDUAIS:

Das múltiplas classificações disponíveis na literatura sobre as necessidades individuais, a


Teoria de Maslow ou Teoria das Necessidades Humanas é conhecida como uma das mais
importantes teorias de motivação, sendo referência para diversos autores nas áreas da
Psicologia, do Direito, da Administração e da própria Economia.

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NECESSIDADES DA SOCIEDADE:
 Coletivas: (partem do indivíduo e passam a ser da sociedade): transporte
 Públicas: (surgem da mesma sociedade)
Exemplo: ordem pública, polícia, justiça, educação, etc.

Para satisfazer tais necessidades, as pessoas precisam consumir


determinados bens, como pão, roupas, casas etc. Entretanto, essa satisfação não se dá
apenas através de objetos materiais, mas também de serviços, como educação, segurança,
atendimento médico, transportes etc.

Por isso, pode-se dizer que as necessidades são ilimitadas ou, de forma, que sempre
existirão necessidades que os indivíduos não poderão satisfazer, ainda que seja somente pelo
fato de os desejos tornarem-se “refinados”.

Em resumo, a satisfação das necessidades individuais e coletivas é feita com o consumo de


bens e serviços. Esses bens e serviços compõem junta, a produção econômica, que é obtida
com a combinação de recursos naturais, equipamentos e trabalho.

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Tais elementos pelo fato de serem necessários à produção recebem o nome de fatores de
produção e agrupam-se, tradicionalmente em três itens:

TERRA + CAPITAL + TRABALHO = BENS E SERVIÇOS

BENS:

É tudo aquilo que satisfaz direta ou indiretamente os desejos e necessidades dos seres
humanos. Inicialmente, os bens são classificados e materiais e imateriais. Vários são os
critérios adotados para as classificações dos bens. Os principais são:

 Quanto à raridade:
- Livres: são ilimitados em quantidade ou muito abundantes
e não são apropriáveis.

- Econômicos: é escassa em quantidade, dada sua


procura, e apropriáveis. É o objeto de estuda da economia.
 Quanto ao destino:
- De Capital: não atendem diretamente as necessidades.

- De consumo: destinam-se à satisfação direta das


necessidades.

- Duradouros: permitem o uso prolongado.

- Não-duradouros: acabam-se com o tempo.

 Segundo sua função:


- Intermediários: devem sofrer novas transformações antes
de se converterem em bens de consumo ou de capital.

- Finais: já sofreram as transformações necessárias para


seu uso ou consumo.

Além de econômicos e livres, os bens classificam-se em bens de consumo, quando de


destinam a satisfação direta das necessidades humanas, e em bens de capital quando
destinados a produção de Bens e Serviços, pois permitem produzir outros bens.

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Dentro de bens de consumo, pode-se falar em bens de consumo duráveis, que permitem um
uso prolongado, como por exemplo, um eletrodoméstico, e bens de consumo não duráveis ou
perecíveis, com os alimentos.

Por outro lado, os bens podem ser intermediários (o cimento é um exemplo), pois sofrem novas
transformações antes de se converterem em bens de consumo ou de capital; ou bens finais,
isto é, os que já sofrera m essas transformações. A soma total de bens e serviços finais
gerados em um período denomina-se produto total.

Os bens podem ainda ser classificados em Privados e Públicos:

 Bens privados: são os produzidos e possuídos privadamente;


 Bens públicos ou coletivos: são aqueles cujo consumo é feito simultaneamente por vários
sujeitos, por exemplo, um parque público.

SERVIÇOS:

Serviços são aquelas atividades que, sem criar objetos materiais se destinam direta ou
indiretamente a satisfazer necessidades humanas. Pode-se dizer que os serviços são
atividades intermediárias que concorrem para a produção, distribuição e consumo de bens.
Desse modo representam os serviços: as atividades administrativas; publicitárias; transportador
ou agente de vendas: distribuição de produtos; artistas de cinema e teatro, escritor ou cantor:
necessidades culturais; outros serviços: bancos, seguros, corretores, etc.

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RECURSOS OU FATORES DE
PRODUÇÃO

Pode-se dizer que os recursos produtivos apresentam como características básicas o fato de
serem limitados ou escassos, ou seja, não existe em quantidade suficiente para produção de
todos os bens necessários.

Os Recursos Produtivos são também denominados fatores de produção, eles são elementos
utilizados no processo de fabricação dos mais variados tipos de mercadorias as quais serão
utilizadas para satisfazer necessidades.

São eles:

 Terra ou Recursos Naturais: Utilizada para a agricultura, urbanização e retirada de


recursos minerais, hídricos etc.

 Trabalho: Força desenvolvida pelo ser humano. São as faculdades físicas, mentais e
intelectuais dos seres humanos que intervém no processo produtivo.
É trabalho constituído como economia os serviços prestados por um médico, o
trabalho de um operário empregado na construção civil etc. Sendo esta o fator básico
da produção.

 Capital ou Bens de Capital: Equipamentos de utilização e Dinheiro. O capital inclui


todos os edifícios, todos os equipamentos e todos os estoques de materiais dos
produtores. São os bens e serviços, como máquinas e equipamentos, edifícios e
construções, ferramentas, meios elaborados e demais meios utilizados no processo
produtivo.

Os bens de consumo se orientam para a satisfação direta das necessidades humanas, os


bens de capital ou bens de investimento, não estão concebidos para satisfazer diretamente
as necessidades humanas, mas para serem utilizadas na produção de outros bens.

Se dedicarmos certa quantidade de recursos para produzir bens de capital, eles nos satisfarão
necessidades no futuro, quando forem utilizados na produção de bens de consumo.

O capital empregado na produção pode dividir-se em:

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 Capital fixo consiste em instrumentos de toda a espécie, incluindo os edifícios,
maquinaria e equipamento.

 Capital circulante consiste nos bens em processo de preparação para o consumo,


basicamente matérias-primas e estoques de armazém.

 Capital Humano: em resumo, corresponde à educação, formação profissional e


experiência, em geral, tudo que eleva a capacidade produtiva dos seres humanos.

 Capital Financeiro: fundos disponíveis para a compra de capital físico, ou ativos


financeiros.

A satisfação de necessidades materiais (alimentos, roupas ou habitação) e não materiais


(educação, lazer etc.) de uma sociedade obriga seus membros a se ocuparem de
determinadas atividades produtivas. Por intermédio dessas atividades, produzem os bens e
serviços de que necessitam, e que posteriormente se distribuem para seu consumo entre os
membros da sociedade.

Nesse processo de produção e consumo, surgem e são solucionados muitos problemas de


caráter econômico: problemas nos quais se utilizam diversos meios para se conseguir uma
série de fins ou objetivos.

Na Produção, por exemplo, a empresa tem de decidir que bem vai produzir e que meios
utilizará para produzi-los.

Em relação ao Consumo, as famílias têm de decidir como vão gastar a renda familiar entre os
diferentes bens e serviços ofertados para satisfazer suas necessidades. Assim, uma família
qualquer, na hora de decidir entre um televisor ou uma máquina de lavar, levará em conta suas
necessidades, os preços de ambos os bens e suas próprias preferências, de forma que o
resultado da escolha seja o mais apropriado.

Remuneração dos Proprietários de recursos

Terra Aluguel
Trabalho Salário
Capital Juros
Capacidade Empresarial Lucro

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AGENTES ECONÔMICOS:

Os agentes econômicos são pessoas de natureza física ou jurídica que, através de suas ações,
contribuem para o funcionamento do sistema econômico.
 EMPRESAS – agentes encarregados de produzir e comercializar bens e serviços;
 FAMÍLIAS – são os agentes responsáveis pelo consumo dos bens e serviços;
 GOVERNO – organizações que atuam sob o controle do Estado.

Uma boa parte dos bens e serviços é consumida, mas há outra parte que não é,
permanecendo muito tempo entre as pessoas, algumas vezes por gerações e, mesmo, por
séculos. Como exemplos desses bens, temos as instalações industriais, as linha telefônicas, as
estradas, as pontes, as obras de arte, os edifícios históricos etc.

Tais bens são produzidos através da combinação de fatores de produção, mas permanecem
por longo tempo entre as pessoas, formando um acervo, um estoque de bens que podem ser
usufruídos por muitos anos. Essas observações são importantes para que se possa introduzir
um novo conceito, o de riqueza.

A riqueza de um país, num determinado momento, é formada pelos fatores de produção


disponíveis, pelos bens que estão sendo produzidos e pelos que já o foram, mas ainda não
desapareceram.

A riqueza compõe-se, ainda, de elementos como a população do país (seu fator trabalho), os
recursos naturais (a terra agricultável, as reservas minerais e de petróleo e os mananciais de
água), os equipamentos (máquinas e instalações das empresas), as redes de energia, a
distribuição de água, as estradas, as pontes, os edifícios públicos, as habitações, os
monumentos históricos, as obras de arte, as bibliotecas e outros, além dos bens correntemente
produzidos, como alimentos, roupas etc.

PRATICANDO:

1- O que é e como é dividida as necessidades humanas?


2- Qual a diferença entre necessidades individuais e coletivas?
3- Diferencie bens livres, econômicos e de consumo.
4- Defina e exemplifique Serviços.
5- Quais são os agentes econômicos?
6- Do que é composto os fatores de produção e para que eles servem?
7- Porque dizemos que os fatores de produção são limitados perante as necessidades
humanas?
8- Como é formada a riqueza de um país?

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TEORIA ELEMENTAR DA PRODUÇÃO

A teoria da produção preocupa-se com o lado da oferta do mercado, ou seja, com os


produtores, que vão oferecer aos consumidores os bens e serviços por eles produzidos.
Entretanto, para melhor entender essa teoria é necessário estabelecer, antes, alguns
conceitos.

O primeiro conceito é o de firma ou empresa. Na teoria da produção, não há interesse em


definir a empresa do ponto de vista jurídico ou contábil. Portanto, para nós, a empresa será
apenas uma unidade técnica de produção.

O segundo conceito é referente aos fatores de produção, pois são importantíssimos no


processo, por isso, é necessário conhecê-los e identificá-los.

ASPECTOS DEMOGRÁFICOS DO BRASIL

Vimos que a produção econômica é obtida com a combinação dos fatores de produção
representada pelo trabalho, pelo capital, e pelos recursos naturais

Desses três fatores, o trabalho, o trabalho receberá um destaque especial por duas razões
básicas. Primeiro, porque são as pessoas que organizam e executam a produção econômica e
segundo porque a produção de bens e de serviços reverte para as pessoas, a fim de que
possam satisfazer suas necessidades.

Para estudar as populações, de onde provém o trabalho, existe a demografia. Inicialmente,


demografia estudava o estado, o movimento e o desenvolvimento das populações.

Atualmente, preocupa-se também com as causas e consequências dos fenômenos


demográficos.

Detalhando melhor, a demografia preocupa-se em estudar:

 O estado da população, ou seja, seu número, sua distribuição por sexo, idade e estado
civil, número e composição das famílias, grau de escolaridade etc.;
 Os fenômenos demográficos, com os nascimentos, os casamentos, os óbitos etc.;
 Os movimentos das populações, sua tendência para o crescimento, os movimentos
migratórios e suas consequências etc.;

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 As causas e as consequências dos fenômenos demográficos, através da pesquisa do
processo histórico dos fatos populacionais.

A demografia também se preocupa com a população como elemento fundamental no


fenômeno da produção, dividindo a população em duas partes: a população dependente e a
população ativa.

 População dependente é aquela que não tem condições de oferecer força de trabalho,
seja porque ainda não tem idade para isso, seja porque já perdeu as condições

Obs: apenas para que se tivesse um critério para formular essas comparações, estabeleceu-se
que as “crianças” entre 0 e 14 anos e os “velhos” com mais de 65 anos fariam parte da
população dependente.

 População ativa ou população produtiva é aquela que representa o potencial de mão-


de-obra do fator de produção trabalho de uma economia. Ela engloba a população
economicamente ativa e as pessoas que exercem atividades não remuneradas como as
donas de casas, os estudantes etc.

A população economicamente ativa, também conhecida como “P.E.A.” é aquela que está
efetivamente integrada no mercado de trabalho, sendo formada pela população ocupada e
pelos desempregados.

OS PROBLEMAS DE NATUREZA ECONÔMICA

A ESCASSEZ

O problema econômico por excelência é a escassez. Surge porque as necessidades humanas


são virtualmente ilimitadas e os recursos econômicos, limitados, incluindo também os bens.
Esse não é um problema tecnológico, e sim de disparidade entre os desejos humanos e os
meios disponíveis para satisfazê-los.

A escassez é um conceito relativo, pois existe o desejo de adquirir uma quantidade de bens e
serviços maior que a disponibilidade.

Existem países em que a população possui níveis de vida mais elevados do que em outros.
Nesses países, há alimentos e bens materiais abundantes. Enquanto em alguns países
atrasados existem milhões de pessoas vivendo na mais absoluta pobreza, onde muitos
chegam a morrer de fome.

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Então podemos afirmar que o problema fundamental da economia é impossibilidade de se
produzir bens e serviços em quantidades ilimitadas para satisfazer as necessidades humanas
permanentemente ampliadas, pois os fatores de produção existem Em quantidades limitadas.
Este fato é conhecido também como a Lei da escassez.

* Resumindo:

A Escassez é a preocupação básica da Ciência Econômica. Sendo o maior problema


econômico de qualquer sociedade, se não houvesse a escassez não haveria necessidade da
existência da economia.

Devido às necessidades do ser humano serem ilimitadas, através dos consumos dos mais
diversos bens (moradia, vestuário, alimentação) e de serviços (transportes, assistência
médica...) no mesmo instante em que os recursos produtivos, através das máquinas, fábricas,
terras e matérias primas estão a disposição da sociedade e são insuficientes para produção de
bens necessários para satisfação das necessidades humanas.

Por isso temos que utilizar a escolha, ou seja, não se pode produzir tudo o que todos desejam
e por isso criam-se mecanismos que ajudem a sociedade a decidir quais bens serão
produzidos e necessidades atendidas. Em relação as escassez de recursos, temos sempre que
nos preocuparmos em utilizá-los de maneira racional e eficientes quanto possível.

AS QUATRO PERGUNTAS FUNDAMENTAIS DA ECONOMIA

Diante da impossibilidade do atendimento pleno das necessidades humanas em virtude da


escassez de recursos, quatro questões são levantadas, sendo que suas respostas envolvem o
problema fundamental da economia, isto é, o problema da escassez.
 O que produzir? – indica que é necessário identificar a natureza das necessidades
humanas, para saber quais bens e serviços a produzir.

 Quanto produzir? – reconhece a limitação existente nas disponibilidades dos fatores de


produção.

 Como produzir? – é uma questão técnica, que indica que há várias maneiras de se
combinarem os fatores de produção para se obterem bens e serviços.

 Para quem produzir? – envolve uma questão da distribuição dos bens e dos serviços
produzidos entre os elementos a sociedade.

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PRATICANDO:

1- Qual a principal preocupação da Teoria Elementar da Produção?


2- Quais os principais conceitos da T.E.P.?
3- Quais os aspectos estudados pela demografia? Explique-os.
4- Na região de Osasco qual o tipo de atividade prevalece e como os aspectos
demográficos contribuem para isso?
5- Diferencie população dependente de população ativa.
6- Defina P.E.A.
7- Quais são os problemas de natureza econômica?
8- Como o problema da escassez pode ser controlado?

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O SISTEMA ECONÔMICO

É a forma como a sociedade está organizada para desenvolver as atividades econômicas de


produção, circulação, distribuição e consumo de bens e serviços.

Podemos dizer que todas as leis, regulamentos, costumes e práticas tomadas em conjunto, e
suas relações com os componentes de uma economia, incluem-se as empresas com o
fornecimento de bens e produtos diversificados, as famílias que são geradoras de consumo e
prestação de serviços e o governo com a arrecadação de impostos constituindo-se assim um
Sistema Econômico.

Um sistema econômico pode ser definido como a reunião dos diversos elementos
participantes da produção de bens e serviços que satisfazem as necessidades da sociedade,
organizados não apenas do ponto de vista econômico, mas também social, jurídico,
institucional etc.

Em toda comunidade organizada, mesclam-se, em maior ou menor medida, os mercados e a


atividade dos governos. O grau de concorrência dos mercados é variado, indo do monopólio,
em que apenas uma empresa opera à economia de livre mercado, que apresenta uma
verdadeira concorrência, com várias empresas operando.

O mesmo ocorre quanto à intervenção pública, que engloba desde uma intervenção mínima em
impostos, crédito, contratos e subsídios até o controle dos salários e os preços dos sistemas de
economia centralizada que imperam nos países comunistas.

Entretanto, em ambos os sistemas ocorrem divergências: no primeiro, existem somente


monopólios estatais, sobretudo nas linhas aéreas e na malha ferroviária; no segundo, somente
concessões à empresa privada.

As principais diferenças entre a organização econômica centralizada e a capitalista residem em


quem é o proprietário das fábricas, fazendas e outras empresas, assim como os diferentes
pontos de vista sobre a distribuição da renda ou a forma de estabelecer os preços.

Em quase todos os países capitalistas, uma parte importante do produto nacional bruto (PNB)
é produzida pelas empresas privadas, pelos agricultores e pelas instituições não
governamentais, como universidades e hospitais particulares, cooperativas e fundações.

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Os problemas mais importantes enfrentados pelo capitalismo são o desemprego, a inflação e
as injustas desigualdades econômicas. Os problemas mais graves das economias
centralizadas são o subemprego, o maciço emprego informal, o racionamento, a burocracia e a
escassez de bens de consumo.

Em uma situação intermediária entre a economia centralizada e a economia de livre mercado,


encontram-se os países socialdemocratas ou liberal-socialistas. A atividade econômica recai,
em sua maior parte, sobre o setor privado, mas o setor público regula essa atividade, intervindo
para proteger os trabalhadores e redistribuir a renda. É a chamada economia mista.

A empresa e os fatores de produção

Ofertas Mercado de Bens


da de Serviços Demanda
Empresa do
Consumidor

Preços dos Bens e Serviços


(trigo, automóveis, viagens etc.)

Empresas Famílias

Mercado de Fatores

Demanda
Oferta de
Derivada Preços dos Fatores Fatores
salário, preço da terra,
tipo de interesses

COMPOSIÇÃO DO SISTEMA ECONÔMICO :

No sistema econômico de uma nação, encontramos um grande diversificado número de


unidades produtoras, cada qual organizando os fatores de produção para a obtenção de um
determinado produto ou para a prestação de um serviço. Entretanto, apesar da diversidade de
objetivos das inúmeras unidades produtoras, podemos classificá-las de acordo com as
características fundamentais de sua produção.

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Utilizando esse critério, veremos que as unidades produtoras podem ser agrupadas em três
setores básicos, que compõe o sistema econômico:

 Setor primário: constituído pelas unidades produtoras que utilizam intensamente os


recursos naturais e não introduzem transformações substanciais em seus produtos.

 Setor secundário: constituído pelas unidades produtoras dedicadas às atividades


industriais, através das quais os bens são transformados. Caracteriza-se pela intensa
utilização do fator de produção capital, sob a forma de máquinas e equipamentos.

 Setor terciário: esse setor se diferencia dos outros pelo fato de seu produto não ser
tangível, concreto, embora seja de grande importância no sistema econômico.

Poderemos ter ideia do grau de desenvolvimento de um país se observarmos a importância


relativa dos três setores em seu sistema econômico. Uma economia em que o setor primário
tem maior peso revela quase sempre, um nível de desenvolvimento não satisfatório, enquanto
aquelas em que o setor secundário é preponderante apresentam maior grau de
desenvolvimento.

OS FLUXOS DO SIST EMA ECONÔMICO :

Durante o processo de produção, em que são obtidos bens e serviços, as unidades produtoras
remuneram os fatores de produção por elas empregados: pagam salários aos seus
trabalhadores, aluguel pelas instalações que ocupam, juros pelos financiamentos obtidos e
distribuem lucros aos seus proprietários. Essa remuneração é recebida pelos proprietários dos
fatores de produção e permite-lhes adquirir os bens e os serviços de que necessitam.

Este é o aspecto fundamental do sistema econômico, e que garante sua eficiência: as unidades
produtoras, ao mesmo tempo em que produzem bens e serviços, remuneram os fatores de
produção por elas empregados, permitindo que as pessoas adquiram bens e serviços
produzidos por todas as outras unidades produtoras.

Uma pessoa que trabalha numa fábrica de roupas, por exemplo, não vai adquirir apenas o
produto de seu trabalho (as roupas) com o salário que recebe. Precisa também, comprar
alimentos, alugar ou comprar uma casa, tomar condução etc.

É através da remuneração de sua força trabalho (fator de produção que concorreu para a
produção das roupas) que ela poderá adquirir as coisas de que necessita para viver.

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 21


Pode-se dizer, portanto, que num sistema econômico existem dois fluxos. O fluxo Real e o
Nominal.

 O fluxo real é formado pelos bens e serviços produzidos no sistema econômico, que
também recebe o nome de produto.

 O fluxo nominal ou monetário é formado pelo pagamento que os fatores de produção


recebem durante o processo produtivo, também denominado renda

Esses dois fluxos dois fluxos tem um significado muito importante para a teoria econômica. O
fluxo real, formado pelos bens e serviços produzidos, constitui a oferta da economia, ou seja,
tudo aquilo que foi produzido e está à disposição dos consumidores.

O fluxo monetário, formado pelo total da remuneração dos fatores produtivos, é a demanda
ou a procura da economia, ou seja, aquilo que as pessoas procuram para satisfazer suas
necessidades e desejos.

A oferta e a procura são as duas funções mais importantes de um sistema econômico. Essas
duas funções formam o mercado onde as pessoas que querem vender se encontram com as
pessoas que querem comprar.

É importante observar que o termo Mercado, na Teoria Econômica, não significa apenas o
lugar físico onde as pessoas estão localizadas, como uma feira livre, por exemplo. Seu
significado é muito mais amplo.

O termo mercado se refere a todas as compras e vendas realizadas no sistema econômico,


tanto de bens de consumo, intermediários e de capital como de serviços.

Em suma, sintetiza a essência do sistema econômico, em que as necessidades são satisfeitas


através da venda e da compra de mercadorias e serviços.

A CIRCULAÇÃO NO SISTEMA ECONÔMICO

É importante observar que, na realidade, os fluxos monetário e real estão, ao mesmo tempo,
tanto com as famílias e empresários como no mercado, não sendo necessário haver uma volta
completa para que os mesmo se reiniciem.

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 22


Portanto, cumpre destacar o caráter dinâmico do sistema econômico, em que todos os agentes
econômicos exercem seu papel ininterruptamente.

Essa movimentação dos fluxos é o processo de circulação do sistema econômico, que é


importantíssimo para que o sistema econômico cumpra o seu papel, produzindo bens e
serviços e fazendo-os chegar às pessoas para satisfazer suas necessidades.

ESTRUTURA DE MERCADO

Na estrutura de mercado clássica, podemos distinguir dois casos extremos: O monopólio e a


concorrência-perfeita. A seguir vamos analisar estas duas e mais outras que são de grande
importância para o mercado. No quadro abaixo temos uma síntese das estruturas de mercado.

NÚMERO DE NÚMERO DE COMPRADORES


VENDEDORES
Um Pequeno Grande
Produto homogêneo Produto diferenciado
Um Monopólio Quase Monopólio ------------------------
Bilateral monopólio
Pequeno Quase Oligopólio Oligopólio Puro Oligopólio Diferenciado
Monopsônio Bilateral
Grande Monopsônio Oligopsônio Concorrência Perfeita Concorrência
Monopolística

 Concorrência Perfeita: É uma situação de mercado na qual o número de compradores


e vendedores é tão grande que nenhum deles, agindo individualmente, consegue
afetar os preços. Além disso, os produtos de todas as empresas no mercado são
homogêneos; ex.: Alguns produtos agrícolas.

 Monopólio:
É uma situação de mercado em que uma única firma vende um produto que não tenha
substitutos próximos; ex.: Serviços Telefônicos e Petróleo no Brasil.

 Concorrência Monopolística:
É uma situação de mercado na qual existem muitas empresas vendendo produtos
diferenciados que sejam substitutos próximos entre si; ex.: Fabricantes de cigarros;
sabonetes, creme dental, etc.

 Oligopólio: É uma situação de mercado em que um pequeno número de empresas


domina o mercado, controlando a oferta de um produto que pode ser homogêneo ou

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 23


diferenciado; ex.: homogêneo: indústrias de cimento, alumínio, aço, produtos químicos,
fertilizantes, etc.; diferenciado: indústrias de automóveis, eletrodomésticos, bebidas,
computadores, etc.

 Monopsônio: É o regime ou estrutura de mercado em que um único comprador


concentra em suas mãos a totalidade de compra dos fatores de produção, não
obstante ele se defronte com grande número de vendedores ou ofertantes de tais
fatores, ou seja, é o mercado onde há somente um comprador para os meios de
produção.

 Oligopsônio: Em economia, oligopsônio é uma forma de mercado com poucos


compradores, chamados de oligopsonistas, e inúmeros vendedores. É um tipo
de competição imperfeita, inverso ao caso do oligopólio, onde existem apenas alguns
vendedores e vários compradores.

 Monopólio bilateral: Um monopólio bilateral é um mercado em onde coabitam um


monopólio de oferta e um de demanda, e em onde tanto o vendedor como o comprador
podem influir nos preços. Isto é, existe ao mesmo tempo por parte dos vendedores
um monopólio ou oligopolio e por parte dos compradores
um monopsonio ou oligopsonio. São bastantes frequentes pois representam o
intercâmbio de bens não comuns, como por exemplo a indústria de peças
especializadas.

CONCENTRAÇÃO ECONÔMICA NO BRASIL

O que é concentração econômica? O conceito de consolidação empresarial teve início no


Ocidente, no início do séc. XVII, na época da dominação colonial do império britânico. A coroa
inglesa incentivou a formação de um empreendimento que consolidasse fatores financeiros,
habilidade mercantil, transporte marítimo e transformação industrial das riquezas naturais das
colônias.

Surgiu então a primeira empresa holding do Ocidente, a “East India Trade Company”, em 1604,
que operou até o começo do século XIX, dominando o comércio entre as ilhas britânicas e
parte do continente asiático.

Desde o fim do século XIX, a disputa entre as empresa tomou a forma de guerra entre Estados.
Cada governo passou a aplicar barreiras tarifárias para proteger “suas empresas” contra as
estrangeiras. Dentro de cada país eram promovidos acordos de cartéis, pelos quais várias
empresas fixavam preços e dividiam mercados, com a cumplicidade do próprio governo.

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 24


Cada país passou a cobiçar colônias, para dar às “suas empresas” acesso privilegiado a
matérias-primas e a um mercado consumidor maior.

Em 1937, foi introduzido no Congresso norte-americano um anteprojeto de lei para controlar a


formação de trustes e conglomerados monopolísticos, que com seu poder econômico poderiam
eventualmente estrangular o livre desenvolvimento de empresas da iniciativa privada nos
Estados Unidos. Hoje ainda existe um controle minucioso das fusões de empresas.

Em alguns setores, já se permite que as companhias engulam concorrentes até se tornarem


gigantescas. Nesses setores, como o das telecomunicações e o do entretenimento, chegou-se
à conclusão de que companhias enormes podem trabalhar com mais eficiência. Em outros
setores, como o das autopeças, a lei é mais conservadora. A Federal Trade Comission (FTC) é
a instituição que zela pelo bom comportamento das companhias no mercado americano.

A grande empresa americana cresceu em regime de competição total, quase selvagem, e


pouca ou nenhuma proteção do Estado. Nos EUA, a extensão territorial levou ao
desenvolvimento de uma nova estrutura gerencial, que permite vencer grandes distâncias, sem
prejuízo da flexibilidade tática regional.

A empresa surgida a partir daí, com comando estratégico centralizado e uma estrutura
multidivisional, conferindo liberdade tática a cada divisão, - as subsidiárias espalhadas pelo
mundo como extensão natural do mercado norte-americano - era a multinacional típica do inicio
do século até o final dos anos 60. Atualmente, oportunidades e pressões para o crescimento de
empreendimentos, combinadas com o alto custo de capital de terceiros, substituem a política
de controle absoluto ou de estabelecimento de subsidiárias ou filiais pelas técnicas de fusão,
participação acionária e joint ventures.

FORMAS DE CONCENTRAÇÃO ECONÔMICA

Além das citadas anteriormente possuímos também:

TRUSTES: É uma das formas mais agressivas de controle oligopolísticos de mercado.


Consiste num acordo entre diversas empresas que passam a ser administradas por uma nova
empresa ou grupo financeiro diferente de qualquer uma delas. Esta nova empresa passa a ter
controle absoluto sobre as empresas anteriores, que perdem sua independência e parte de sua
autonomia administrativa.

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Dessa forma, o truste passa a ser o único produtor e vendedor de um determinado bem no
mercado, eliminando progressivamente os demais concorrentes, absorvendo-os ou
incorporando-os e, assim, controlando totalmente o preço do bem ou bens que produz.

CARTEL: É uma forma de associação monopolista. Ao contrário do truste, que representa uma
forma de concentração vertical, o Cartel é uma concentração horizontal. Nele as diversas
empresas produtoras de um mesmo ramo fazem um acordo, sem perderem sua autonomia de
operação e administração.

Cada uma das empresas continua fabricando o produto, mas passa a seguir uma única
orientação no que diz respeito a política de preços, características e qualidades do produto,
bem como do seu volume de produção.

As empresas reunidas no cartel, não fazem concorrência entre si, pois lançam produtos com as
mesmas características, com os mesmos preços e idênticas taxas de lucros, concorrendo,
assim, com grande vantagem com as empresas fora do cartel, chegando mesmo a impedir a
entrada de novos produtores no mercado.

HOLDING COMPANY: É uma forma de domínio de mercado que se dá através da posse de


ações, portanto nas sociedades anônimas. Ocorre quando uma empresa adquire a maioria das
ações de diversas empresas produtoras de uma mesma área de produção, ou mesmo de
outras áreas, obtendo o controle acionário sobre cada uma dessas empresas.

Embora a empresa que funciona como Holding não se identifique com nenhuma daquelas
que de que detém as ações, as empresas controladas não podem assumir qualquer atitude
industrial ou comercial que vá contra os interesses da Holding que as controla.

A holding pode ser definida como uma empresa que opera em vários setores da economia.
Um exemplo de holding são os zaibatsu japoneses. O zaibatsu do conde Mitsui Bussam
Kaisha, por exemplo, controlava um império econômico: finanças, seguros , atacado e varejo,
construção civil, indústrias de mineração, alimentícia, têxtil, química, de papel, de vidro,
automobilística, ótica e negócios imobiliários.

Como se pode ver, tal gênero de agrupamento não passa de uma forma de Truste, uma vez
que se trata de uma empresa que controla outras diretamente.

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DUMPING: É um sistema econômico no qual os preços dos produtos são mais altos no
mercado do país produtor que nos mercados externos, onde são vendidos pelo custo ou com
prejuízo.

É uma política adotada pelos grandes trustes internacionais, para conquista de mercados
estrangeiros, vendendo seus produtos, muitas vezes abaixo do custo, compensando tal perda,
nos preços do mercado interno.

JOINT VENTURE: Pode ser definida como uma fusão de interesses entre uma empresa com
um grupo econômico, pessoas jurídicas ou pessoas físicas que desejam expandir sua base
econômica com estratégias de expansão e diversificação, com propósito explícito de lucros ou
benefícios, com duração permanente ou a prazos determinados.

Um modelo típico de joint venture seria a transação entre o proprietário de um terreno de


excelente localização e uma empresa de construção civil, interessada em levantar um prédio
sobre o local. Ou ainda, um inventor de um novo processo, produto ou tecnologia associado a
um capitalista para formar infra-estrutura adequada para a fabricação ou realização da
tecnologia por meio de joint venture.

Outro exemplo de joint venture seria um fabricante de conservas de alimentos que oferecesse
uma fusão de interesses para um fazendeiro, que controlasse a matéria-prima em quantidade e
qualidade adequadas para transformação em alimentos conservados.

Existe ainda uma certa inibição entre executivos perante a fusão empresarial por joint venture,
em caso de transferência de tecnologia ou qualquer outro ativo intangível que não possui
proteção legal, patentes e marcas registradas, que poderiam ficar no domínio público, uma vez
utilizado como aporte de capital para uma transação de joint venture.

PRATICANDO:

1- Defina Sistema Econômico.


2- Qual a diferença entre organização econômica centralizada e organização econômica
capitalista?
3- Quais os problemas mais importantes enfrentados pelo Capitalismo?
4- Como é composto o Sistema Econômico? Explique-os.
5- Quais são os fluxos do Sistema Econômico?
6- Explique a lei da oferta e da procura.
7- Defina mercado.
8- Qual a diferença entre Monopólio e Oligopólio?
9- Concorrência Perfeita é?

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10- Qual a diferença entre Monopsônio e Oligopsônio?
11- Quais são as formas de concentração econômica? Cite exemplos de cada forma e os
apresente em sala de aula.

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MICRO E MACROECONOMIA

A Microeconomia é um ramo da Economia que estuda o comportamento dos agentes


econômicos (consumidores, empresários, trabalhadores e governo) e se preocupa em
desvendar como tais agentes tomam suas decisões e quais as repercussões dessas decisões
entre eles e no restante da sociedade. A Microeconomia, por exemplo, esclarece como os
consumidores fazem suas escolhas de compra, ou como as empresas decidem produzir, e de
que forma as decisões influenciam na formação dos preços no mercado.

O mercado é, quase sempre, o objeto de estudo da Microeconomia, principalmente, no que diz


respeito à forma como os agentes econômicos interagem formando alianças ou como os
preços se formam. A Microeconomia nos ajuda a entender as diferenças entre os diversos
mercados existentes, suas características e como os concorrentes interferem nas estratégias e
decisões um dos outros.

A Macroeconomia estuda os chamados agregados da economia. Tais variáveis, objeto das


principais questões relacionadas a esse campo da Ciência Econômica, são frequentemente
encontrados na mídia, seja em jornais, revistas e telejornais, através das matérias realizadas
por jornalistas e comentaristas econômicos.

As análises e notícias que aparecem na mídia, pela sua frequência e importância, fazem parte
de nosso cotidiano. Assim, as pessoas e as empresas, que sabem que são afetadas pelas
variáveis, se interessam e realizam suas próprias avaliações sobre os cenários
macroeconômicos e suas realidades podem ser influenciadas pelas variáveis.

A Macroeconomia é o ramo da economia especializado na análise das variáveis agregadas:


produção nacional total, renda, desemprego, balança de pagamentos e taxa de inflação. A
diferença principal com a microeconomia é que esta estuda a composição da produção e os
determinantes da oferta e da procura de bens e serviços, como se inter-relacionam nos
mercados e como são determinados seus preços relativos.

O Produto nacional bruto (PNB) mede em termos monetários o que se produz em um país, a
produção final, que corresponde, por definição, à demanda final. O PNB potencial, em
determinado momento, depende da quantidade de fatores da produção disponível — trabalho e
capital — e da tecnologia. Esses três elementos mudam com o tempo, e a teoria do
crescimento analisa sua modificação em longo prazo.

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A teoria macroeconômica estuda as causas e as consequências do desemprego.

Também ressalta a importância das variações do nível de produção e emprego, como


movimentos equilibradores que permitiriam igualar o investimento e a reserva, determinando-se
assim o nível de equilíbrio da renda nacional total e da produção nacional.

Realiza a análise dos determinantes de elementos chave da demanda final, ao desenvolver a


teoria da demanda agregada de consumo e suas relações com os níveis da receita, assim
como sua dependência dos tipos de interesses existentes.

Portanto, a teoria monetária é uma parte essencial da teoria macroeconômica, uma variável
monetária cuja função principal, em um mundo de incertezas, limita-se a equilibrar a oferta e a
demanda de dinheiro, e não a equilibrar o investimento e a poupança planejados.

A teoria monetária também está relacionada com outro elemento chave da macroeconomia: a
inflação.

Para completar o estudo dos principais componentes da demanda agregada, devem ser
considerados os fatores de equilíbrio externo, ou seja, o saldo entre exportações e importações
e os seus determinantes, sobretudo os tipos de câmbio.

Os principais agregados econômicos são, a saber:

 Valor Bruto de Produção (VBP): Expressão monetária da soma de todos os bens e


serviços produzidos em determinado território econômico, num dado período de tempo.
Incorre no chamado erro de "dupla contagem", pois soma os produtos finais com os
insumos usados em sua elaboração.

 Valor Agregado Bruto (VAB): É o valor da "produção sem duplicações". Obtém-se


descontando do VBP o valor dos insumos utilizados no processo de produtivo.

 Produto Bruto (PB): Produção de bens e serviços finais realizados pela economia,
durante um período de tempo.

 Renda Bruta (RB): Somatório das remunerações brutas dos fatores de produção
empregados na economia, durante um período de tempo.

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 Produto Interno Bruto (PIB): Expressão monetária dos bens e serviços finais produzidos
dentro dos limites territoriais econômicos, independentemente da origem dos fatores de
produção.

 Produto Nacional Bruto (PNB): Expressão monetária dos bens e serviços produzidos por
fatores de produção nacionais, independentemente do território econômico.

 Renda Nacional (RN): É a renda líquida gerada no período, e que se dirige aos
proprietários nacionais de fatores de produção.

PIB ou PNB?

Uma das confusões em torno do PIB é a que mistura taxas trimestrais de crescimento,
divulgadas periodicamente pelo IBGE com taxas anuais. A taxa trimestral mede o crescimento
do PIB num trimestre em relação ao trimestre anterior e se constitui na medida mais
aproximada de velocidade corrente de crescimento do PIB. Essa taxa é anualizada, ou seja,
indica o quanto o PIB cresceria no ano todo se sua velocidade de expansão continuasse a
mesma.

Para se evitar confusões no tratamento das variações do PIB deve-se sempre tomar a base
inicial da medida como 100, e aplicar sobre ela os índices de crescimento divulgados. Isso
permite visualizar corretamente o fenômeno em curso.

Outras confusões se dão entre os conceitos de Produto Interno Bruto -PIB e Produto Nacional
Bruto- PNB. Nos Estados Unidos, o conceito preferido é o de PNB, e por isso ele aparece nos
principais livros de macroeconomia. Na Grã Bretanha e no Brasil, é mais usado o PIB.

Qual a diferença entre os dois conceitos? O PIB é o valor de toda a produção de bens e
serviços ocorrida dentro das fronteiras do país, sem considerar a nacionalidade dos que se
apropriaram dessas rendas, sem descontar rendas eventualmente enviadas ao exterior e sem
considerar as recebidas do exterior, daí o qualificativo de "interno."

O PNB considera as rendas recebidas do exterior por nacionais do país e desconta as que
foram apropriadas por nacionais de outros países, daí o qualificativo "nacional."

No caso do Brasil, o PNB é menor do que o PIB porque uma parcela da ordem de 3 por cento
do PIB brasileiro não é usufruída por brasileiros e sim enviada ao exterior na forma de lucros,
dividendos e juros do capital estrangeiro. Assim, a renda interna bruta é de fato menor do que
PIB.

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Nos Estados Unidos, ao contrário, o PNB é maior do que PIB porque as rendas obtidas pelas
empresas americanas no exterior e enviadas aos Estados Unidos na forma de remessa de
lucros e dividendos, são consideradas parte do PNB americano.

Portanto: O PIB, descontado dessa renda enviada ao exterior, ou somado à renda recebida do
exterior é chamado PNB. O conceito de PNB, por esse motivo, está mais próximo ao conceito
de Renda Nacional. O Produto Nacional Bruto, descontadas as perdas por depreciação, é
exatamente igual à Renda Nacional Líquida. Assim:

PIB - Renda enviada ao exterior + Renda recebida do exterior = PNB - Depreciação

= Produto Nacional Líquido = Renda Nacional Liquida.

Renda Nacional Líquida/População = renda per capita.

RENDA E PRODUTO

A atividade econômica pode ser medida através de dois parâmetros: a renda e o produto.

A renda de uma economia é a soma da remuneração paga aos fatores de produção durante o
processo produtivo. Assim para se obter a renda de um país num determinado período soma-
se os salários, aluguéis, juros e lucros, que são os pagamentos feitos aos fatores produtivos
durante o período considerado.

O produto de uma economia é a soma dos valores monetários dos bens e dos serviços
voltados para o consumo final e produzidos em um determinado período de tempo.

Assim ao se medir a atividade econômica a partir da ótica do produto, considera-se o preço e a


quantidade produzida dos bens e dos serviços. mas apenas daqueles voltados para o consumo
final.

Num automóvel, por exemplo, são empregados inúmeros bens e serviços, como chapas de
aço, pneus, serviços de pintura etc. entretanto, eles não são computados no cálculo do produto
da economia, pois são bens e serviços intermediários. Apenas o número de automóveis
produzidos multiplicado pelo seu preço é que vai entrar nesse cálculo, para evitar o problema
da dupla contagem, pois o preço dos bens e serviços intermediários já está incluído no preço
final do automóvel.

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Com esse exemplo simples, podemos demonstrar que o produto de uma economia – o valor
monetário dos bens e serviços produzidos – é igual à remuneração dos fatores de produção,
ou seja, a renda.

PRODUTO RENDA
Alimentos Salário
Vestuário Aluguéis
Habitação Juros
Educação Lucros
Transportes

10 bilhões 10 bilhões

Portanto, daqui por diante, podemos empregar os dois termos (produto ou renda) para
designar o resultado de uma atividade econômica de uma sociedade.

A DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

O sistema econômico, como foi visto, produz os bens e os serviços que irão satisfazer as
necessidades das pessoas. Para que isso ocorra, essas pessoas precisam ter acesso ao
produto ou à renda, que é a mesma coisa.

Portanto, a renda precisa ser distribuída entre as pessoas, e o processo pelo qual isso é feito é
chamado de distribuição de renda. Entretanto a distribuição de renda envolve muitos
problemas, como veremos a seguir.

Os fatores de produção que compõem o sistema econômico de um país estão dispersos pela
sua superfície geográfica, e essa dispersão não se dá necessariamente de forma homogênea.
Com isso, queremos dizer que os fatores de produção podem estar mais concentrados em uma
ou mais regiões de um país, enquanto em outras regiões há escassez desses fatores.

Essa observação se aplica a todos os fatores de produção. Os recursos naturais, como terra
em boas condições de ser cultivada, por exemplo, não são encontrados com a mesma

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facilidade em todos os recantos de um país. O mesmo pode ser dito a respeito do trabalho e do
capital. A população não está distribuída de maneira uniforme pelo território de um país. Assim
há regiões mais densamente povoadas e outras que carecem de habitantes.

Como a renda é a remuneração dos fatores de produção e esses fatores estão concentrados
em algumas regiões, a renda também estará concentrada nessas regiões.

Aspectos de distribuição de renda

 Distribuição de inter-regional renda: Esse é o primeiro aspecto a ser considerado


quando se trata da distribuição da renda, pois ela não está distribuída igualmente entre as
regiões do país, mas se concentra naquelas onde se situa a maior parte dos fatores de
produção.

 Distribuição funcional de renda: Esse aspecto verifica como a renda é distribuída entre
os fatores de produção capital e trabalho. O fator de produção recursos naturais é
excluída, dadas as dificuldades em se estabelecer sua remuneração.

 A renda per capita: É o padrão de distribuição da renda entre as pessoas, que é o


resultado da divisão da renda nacional do país, num determinado ano, pelo número de
habitantes do país, naquele mesmo ano.

Ela é um indicador de quanto caberia a cada pessoa do total da renda gerada pelo sistema
econômico num período de tempo.

Como a renda é igual ao produto, a renda per capita significa a quantidade de bens e de
serviços produzidos num período de tempo que caberia a cada pessoa, se essa renda fosse
distribuída igualmente entre os habitantes do país.

A CONTABILIDADE NACIONAL

Contabilidade nacional é a técnica que tem como objetivo principal representar e quantificar a
atividade econômica de um país, durante determinado período de tempo. Ela se insere na
moderna macroeconomia, que nos fornece os meios para a análise do conjunto da economia
de uma sociedade.

A contabilidade Nacional mede a atividade econômica a partir de sua expressão mais genérica
– o produto da economia –, para, em seguida, e a partir dele, introduzir novos conceitos e
assim se observar a atividade econômica.

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Esses conceitos são chamados de agregados e recebem essa denominação pelo fato de não
serem simplesmente uma soma de parcelas que se expressam da mesma forma e na mesma
unidade de medida, mas sim uma soma de coisas diferentes (bens e serviços) cujo volume
físico é expresso nas mais diferentes unidades de medida.

No entanto esses bens e serviços podem ser adicionados quando são traduzidos numa mesma
unidade comum de medida, ou seja, a moeda.

PRATICANDO:

1- Defina Microeconomia.
2- Defina Macroeconomia.
3- Quais os principais agregados econômicos?
4- Qual a diferença entre PIB e PNB? Por que no Brasil usa-se o PIB e não o PNB como
nos Estados Unidos?
5- Defina renda.
6- Defina produto.
7- Qual o conceito de distribuição de renda?
8- O que se entende por renda per capita?
9- Para que serve a Contabilidade Nacional?
10- Faça uma análise sobre como é a distribuição de renda em sua região.

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O SISTEMA MONETÁRIO

Conjunto de regras estabelecidas pelos países ricos e acatadas pelos demais para controlar
as atividades financeiras em nível internacional. Organizado a partir da Conferência de Bretton
Woods, EUA (1944), indica o dólar, moeda dos EUA, e a libra esterlina, do Reino Unido, como
padrões de conversão e moedas de reserva.

O valor delas é vinculado ao do estoque de ouro daqueles países e é convertido em taxas


fixadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Na prática, o dólar transforma-se na única
moeda internacional.

Alguns países, como a França, entendem que o dólar não é forte o suficiente para ser moeda
de reserva e defende a criação de uma moeda internacional, ideia sustentada pelo economista
John Maynard Keynes.

A MOEDA

Unidade de valor padrão utilizada como instrumento de troca por uma comunidade. É o meio
pelo qual os preços são expressos, as dívidas liquidadas, as mercadorias e serviços pagos e a
poupança efetuada. A moeda corrente é o dinheiro oficial de um país para todos os tipos de
transações. Como o controle da moeda é vital não apenas para o equilíbrio da economia de um
país, mas também para as relações comerciais entre nações, é criado um sistema monetário
internacional.

ORIGEM:

Na Antiguidade, as mercadorias produzidas numa comunidade serviam como meio de


pagamento para suas transações comerciais. Destacava-se sempre uma entre as demais.
Como moedas já circularam: peles, fumo, óleo de oliva, sal, mandíbulas de porco, conchas,
gado e até crânios humanos. O ouro e a prata ganham rapidamente preferência devido à
beleza, durabilidade, raridade e imunidade à corrosão.

Os primeiros registros do uso de moedas metálicas datam do século VII a. C., quando eram
cunhadas na Lídia, reino da Ásia Menor e também na região do Peloponeso, ao sul da Grécia.
O papel-moeda (as notas) surge no século IX na China. A Suécia é o primeiro país europeu a
adotá-lo, no século XVII.

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Fácil de transportar e de manusear, o seu uso difunde-se com rapidez. Até então, a quantidade
de moedas correspondia ao volume de ouro ou prata disponível para cunhagem. O papel-
moeda, por não ser feito de metal, permite o aumento arbitrário da quantidade de dinheiro.

Para combater o desvio, institui-se o padrão ouro, em que o volume de dinheiro em circulação
deve ser igual ao valor das reservas de ouro de um país depositado nos bancos. Mesmo
assim, tornou-se comum a emissão de notas em quantidades desproporcionais às reservas e
que não tinham, em consequência, o valor declarado.

Tal prática leva à desvalorização da moeda, cuja credibilidade depende da estabilidade da


economia nacional e da confiança junto aos órgãos internacionais. Hoje, as moedas são feitas
de níquel e alumínio e o seu valor nominal é maior que o de fato.

TIPOS DE MOEDA

 Moeda metálica: Moeda cunhada em metal precioso que trazia impresso o seu peso.
Atualmente, são cunhadas em metal não precioso, trazendo impresso o seu valor.
 Papel-moeda: Surgiu com a emissão de recibos pelos cunhadores, e assegurava ao seu
portador certa quantidade de ouro expressa no documento. Atualmente, é a moeda emitida
pelos bancos centrais de cada país.
 Moeda escritural: Criada pelo sistema bancário, ao emprestar ou aplicar uma quantidade
de moeda superior à que era originalmente introduzida no sistema bancário como depósito
em um dos bancos componentes do sistema.
 Moeda fiduciária: Emitida pelos bancos centrais de cada país, tendo curso obrigatório por
lei.

AS FUNÇÕES DA MOEDA

A fim de cumprir de forma conveniente o seu papel no sistema econômico, a moeda deve
desempenhar algumas funções, decorrentes de sua própria necessidade numa economia, que
estão abaixo citadas:

 Meio de instrumento de troca: Serve para facilitar as trocas de bens e serviços numa
economia.
 Reserva de valor: Um indivíduo ao possuir certa quantia em dinheiro, e não quer trocá-la
imediatamente por mercadorias precisa estar seguro de que esse dinheiro, ao ser gasto no
futuro, terá o mesmo valor em termos da possibilidade de aquisição de bens e serviços.
 Unidade de conta: Refere-se a necessidade das pessoas e das empresas de registrarem
suas operações e transações econômicas em uma medida de que seja comum a todos os
bens e serviços.

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 Padrão para pagamentos diferidos: Está relacionada com fatos que se realizarão no
futuro, pois está associado à segurança de se receber um valor em moeda e esta não ter
perdido o seu valor.

POLÍTICA MONETÁRIA

A Política Monetária representa a atuação das autoridades monetárias, por meio de


instrumentos de efeito direto ou induzido, com o propósito de se controlar a liquidez global do
sistema econômico.

a) Política Monetária Restritiva: engloba um conjunto de medidas que tendem a reduzir o


crescimento da quantidade de moeda, e a encarecer os empréstimos.

Instrumentos:

 Recolhimento compulsório: consiste na custódia, pelo Banco Central, de parcela dos


depósitos recebidos do público pelos bancos comerciais. Esse instrumento é ativo, pois atua
diretamente sobre o nível de reservas bancárias, reduzindo o efeito multiplicador e,
consequentemente, a liquidez da economia.

 Assistência Financeira de liquidez: o Banco Central empresta dinheiro aos bancos


comerciais, sob determinado prazo e taxa de pagamento. Quando esse prazo é reduzido e a
taxa de juros do empréstimo é aumentada, a taxa de juros da própria economia aumenta,
causando uma diminuição na liquidez.

 Venda de Títulos públicos: quando o Banco Central vende títulos públicos ele retira
moeda da economia, que é trocada pelos títulos. Desta forma há uma contração dos meios de
pagamento e da liquidez da economia.

b) Política Monetária Expansiva: é formada por medidas que tendem a acelerar a


quantidade de moeda e a baratear os empréstimos (baixar as taxas de juros). Incidirá
positivamente sobre a demanda agregada.

Instrumentos:

 Diminuição do recolhimento compulsório: o Banco Central diminui os valores que toma


em custódia dos bancos comerciais, possibilitando um aumento do efeito multiplicador, e da
liquidez da economia como um todo.

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 38


 Assistência Financeira de Liquidez: o Banco Central, ao emprestar dinheiro aos bancos
comerciais, aumenta o prazo do pagamento e diminui a taxa de juros. Essas medidas ajudam a
diminuir a taxa de juros da economia, e a aumentar a liquidez.

 Compra de títulos públicos: quando o Banco Central compra títulos públicos há uma
expansão dos meios de pagamento, que é a moeda dada em troca dos títulos. Com isso,
ocorre uma redução na taxa de juros e um aumento da liquidez.

Moedas de valor estável no mercado internacional de câmbio são consideradas fortes e


traduzem a posição comercial de um país.

A mais forte do mundo é o dólar norte-americano, adotado como unidade monetária dos EUA
em 1785. Também são fortes: o marco alemão, criado em 1500; a libra esterlina, em 1489; o
franco francês, em 1360; e o iene japonês, adotado em 1871.

Moedas fracas possuem, ao contrário, valor de troca instável e espelham economias


desequilibradas. O Brasil acumula oito alterações monetárias no período republicano: réis,
cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado, cruzado novo, cruzeiro e cruzeiro real tiveram seu valor
arrasado pela inflação.

O real, criado em 1994, apresenta, em 1995, atributos de moeda forte, pela sua pequena
variação, mantendo o poder de compra estável. Mas a avaliação do comportamento de uma
moeda só é válido quando feito por longos períodos.

PRATICANDO:
1- Defina Sistema Monetário.
2- Qual o conceito de moeda.
3- Qual o conceito de moeda corrente?
4- Quais eram os tipos de moeda na antiguidade?
5- Quando surgiu e porque o papel moeda foi tão facilmente aderido?
6- O que significa padrão ouro?
7- Quais são os tipos de moeda existentes atualmente?
8- Quais são as funções da moeda?
9- Como é dividida a política monetária?
10- Qual é a moeda mais forte do mundo?
11- Quais foram as alterações monetárias sofridas pelo Brasil e qual foi o motivo de tais
alterações?
12- Elabore uma pesquisa com as principais moedas do mundo e discuta em sala de aula
a posição dos Estados Unidos na economia ultimamente.

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 39


O SISTEMA FINANCEIRO

É o responsável pela intermediação da moeda entre os agentes econômicos, pois facilita a


circulação da moeda pelo sistema econômico.

O Sistema Financeiro é o conjunto de instituições privadas e públicas que transferem recursos


dos agentes superavitários para os deficitários.

Ele é formado pelos bancos comerciais, pelos bancos de investimento, pelas sociedades de
crédito, financiamento e investimento e pelas bolsas de valores.

Essas entidades captam recursos junto aos agentes superavitários, como o caso dos depósitos
à vista nos bancos comerciais, e os repassam aos agentes deficitários sob a forma de
empréstimos, por exemplo.

A remuneração do sistema financeiro corresponde à diferença entre a taxa de juros paga aos
poupadores e a taxa de juros cobrada dos tomadores de empréstimos. Essa diferença é
denominada pelo termo inglês spread.

Naturalmente, o spread é positivo, pois a taxa de juros cobrada é sempre maior do que a paga
pelo sistema financeiro.

COMPOSIÇÃO DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

A composição do Sistema Financeiro Nacional está demonstrada no quadro abaixo conforme


informações obtidas junto ao Banco Central do Brasil.

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 40


Órgãos Entidades Operadores
Normativos Superviso-
ras
Instituições Bancos Comerciais
Financeiras
Captadoras Bancos Múltiplos
de Caixa Econômica Federal
Depósitos a Cooperativas de Créditos
Vista
Demais Agências de Fomento
Instituições Associações de Poupança e Empréstimo
Financeiras Bancos de Câmbio
Banco Central do Brasil – BACEN
SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL - SFN

Bancos de Desenvolvimento
Bancos de Investimento
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES)
Companhias Hipotecárias
Cooperativas Centrais de Crédito
Sociedades Crédito, Financiamento e Investimento
Sociedades de Crédito Imobiliário
Sociedades de Crédito ao Micro‐ empreendedor
Bancos de Câmbio
Outros Administradoras de Consórcio
Intermediá- Sociedades de arrendamento mercantil
rios Sociedades corretoras de câmbio
Conselho Monetário Nacional – CMN

Financeiros Sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários


Sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários
Sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários
Bolsas de Mercadorias e de Futuros
Valores Mobiliários -

Bolsas de Valores
Comissão de

Outros Sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários


CVM

Intermediá- Sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários


rios
Financeiros
Conselho Superinten- Resseguradores
Nacional de dência Sociedades Seguradoras
SNSP

Seguros Pri de Seguros Sociedades de Capitalização


vados Privados Entidades Abertas de Previdência Complementar
(CNSP) (SUSEP)
Conselho Superinten- Entidades Fechadas de previdência Complementar / Fundos de Pensão
Nacional de dência Na-
Previdência cional
SNPC

comple- de Previdên
mentar cia Comple
(CNPC) mentar
(PREVIC)

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 41


AS AUTORIDADES MONETÁRIAS:

 O Conselho Monetário Nacional: o CMN acaba sendo o conselho de política econômica


do país, visto que o mesmo é responsável pela fixação das diretrizes da política monetária,
creditícia e cambial. Atualmente, seu presidente é o próprio Ministro da Fazenda.

 O Banco Central do Brasil: o BACEN é o órgão responsável pela execução das normas
que regulam o SFN. São suas atribuições agir como: banco dos bancos, gestor do SFN,
executor da política monetária, banco emissor e banqueiro do governo.

É muito discutida a elevação do grau de independência do BACEN. Diversas discussões


apresentam pontos positivos e negativos de tal alteração

AUTORIDADES DE APOIO:

 A Comissão de Valores Mobiliários: a CVM é um órgão normativo voltado ao mercado


de ações e debêntures. Ela é vinculada ao Governo Federal e seus objetivos podem
sintetizados em apenas um: o fortalecimento do mercado acionário.

 O Banco do Brasil: até janeiro de 1986 o BB assemelhava-se a uma autoridade monetária


mediante ajustamentos da conta movimento do BACEN e do Tesouro Nacional. Hoje, é um
banco comercial comum, embora responsável pela Câmara de Confederação.

 O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social: contando com recursos de


programas e fundos de fomento, o BNDES é responsável pela política de investimentos de LP
do Governo e, a partir do Plano Collor, também pela gestão do processo de privatização. É a
principal instituição financeira de fomento do Brasil por impulsionar o desenvolvimento
econômico, atenuar desequilíbrios regionais, promover o crescimento das exportações, dentre
outras funções.

 A Caixa Econômica Federal: a CEF caracteriza-se por estar voltada ao financiamento


habitacional e ao saneamento básico. É um instrumento governamental de financiamento
social.

INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS:

 Os Bancos Comerciais: os BC são intermediários financeiros que transferem recursos


dos agentes superavitários para os deficitários, mecanismo esse que acaba por criar moeda
através do efeito multiplicador. Os BC's podem descontar títulos, realizar operações de
abertura de crédito simples ou em conta corrente, realizar operações especiais de crédito rural,

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 42


de câmbio e comércio internacional, captar depósitos à vista e a prazo fixo, obter recursos junto
às instituições oficiais para repasse aos clientes, etc.

 Os Bancos de Desenvolvimento: o já citado BNDES é o principal agente de


financiamento do governo federal. Destacam-se outros bancos regionais de desenvolvimento
como, por exemplo, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), o Banco da Amazônia, dentre
outros.

 As Cooperativas de Crédito: Equiparando-se às instituições financeiras, as cooperativas


normalmente atuam em setores primários da economia ou são formadas entre os funcionários
das empresas. No setor primário, permitem uma melhor comercialização dos produtos rurais e
criam facilidades para o escoamento das safras agrícolas para os consumidores. No interior
das empresas em geral, as cooperativas oferecem possibilidades de crédito aos funcionários,
os quais contribuem mensalmente para a sobrevivência e crescimento da mesma. Todas as
operações facultadas às cooperativas são exclusivas aos cooperados.

 Os Bancos de Investimentos: os BI captam recursos através de emissão de CDB e RDB,


de capitação e repasse de recursos e de venda de cotas de fundos de investimentos. Esses
recursos são direcionados a empréstimos e financiamentos específicos à aquisição de bens de
capital pelas empresas ou subscrição de ações e debêntures. Os BI não podem destinar
recursos a empreendimentos mobiliários e têm limites para investimentos no setor estatal.

 Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimentos: as "financeiras" captam


recursos através de letras de câmbio e sua função é financiar bens de consumo duráveis aos
consumidores finais (crediário). Tratando-se de uma atividade de alto risco, seu passivo é
limitado a 12 vezes seu capital mais reservas.

 Sociedade Corretoras: essas sociedades operam com títulos e valores mobiliários por
conta de terceiros. São instituições que dependem do BACEN para constituírem-se e da CVM
para o exercício de suas atividades. As "corretoras" podem efetuar lançamentos de ações,
administrar carteiras e fundos de investimentos, intermediar operações de câmbio, dentre
outras funções.

 Sociedades Distribuidoras: tais instituições não têm acesso às bolsas como as


Sociedades Corretoras. Suas principais funções são a subscrição de emissão de títulos e
ações, intermediação e operações no mercado aberto. Elas estão sujeitas a aprovação pelo
BACEN.

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 43


 Sociedade de Arrendamento Mercantil: operam com operações de "leasing" que tratam-
se de locação de bens de forma que, no final do contrato, o locatário pode renovar o contrato,
adquirir o bem por um valor residencial ou devolver o bem locado à sociedade. Atualmente,
tem sido comum operações de leasing em que o valor residual é pago de forma diluída ao
longo do período contratual ou de forma antecipada, no início do período. As Sociedades de
Arrendamento Mercantil captam recursos através da emissão de debêntures, com
características de longo prazo.

 Associações de Poupança e Empréstimo: são sociedades civis onde os associados têm


direito à participação nos resultados. A captação de recursos ocorre através de caderneta de
poupança e seu objetivo é principalmente financiamento imobiliário.

 Sociedades de Crédito Imobiliário: ao contrário das Caixas Econômicas, essas


sociedades são voltadas ao público de maior renda. A captação ocorre através de Letras
Imobiliárias depósitos de poupança e repasses de CEF. Esses recursos são destinados,
principalmente, ao financiamento imobiliário, diretos ou indiretos.

 Investidores Institucionais: os principais investidores institucionais são:

Fundos Mútuos de Investimentos: são condomínios abertos que aplicam seus


recursos em títulos e valores mobiliários objetivando oferecer aos condomínios maiores
retornos e menores riscos.
Entidades Fechadas de Previdência Privada: são instituições mantidas por
contribuições de um grupo de trabalhadores e da mantenedora. Por determinação legal, parte
de seus recursos devem ser destinados ao mercado acionário.
Seguradoras: são enquadradas côo instituições financeiras segundo determinação
legal. O BACEN orienta o percentual limite a ser destinado aos mercados de renda fixar e
variável.

 Companhias Hipotecárias: dependendo de autorização do BACEN para funcionarem, tem


objetivos de financiamento imobiliário, administração de crédito hipotecário e de fundos de
investimento imobiliário, dentre outros.

 Agências de Fomento: sob supervisão do BACEN, as agências de fomento captam


recursos através dos Orçamentos públicos e de linhas de créditos de LP de bancos de
desenvolvimento, destinando-os a financiamentos privados de capital fixo e de giro.

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 44


 Bancos Múltiplos: como o próprio nome diz, tais bancos possuem pelo menos duas das
seguintes carteiras: comercial, de investimento, de crédito imobiliário, de aceite, de
desenvolvimento e de leasing. A vantagem é o ganho de escala que tais bancos alcançam.

 Bancos Cooperativos: são verdadeiros bancos comerciais surgidos a partir de


cooperativas de crédito. Sua principal restrição é limitar suas operações em apenas uma UF, o
que garante a permanência dos recursos onde são gerados, impulsionando o desenvolvimento
local.

O CRÉDITO E O SISTEMA FINANCEIRO

Para que se tenha uma ideia correta do funcionamento do sistema financeiro, é necessário
falar alguma coisa sobre crédito. O crédito pode ser definido, de maneira geral, como a troca
de um bem disponível no momento pela promessa de um pagamento futuro.

A operação de crédito envolve, no mínimo, dois elementos: o credor e o devedor.

 Credor é a pessoa que na operação de crédito, empresta uma quantia a outra.


 Devedor é a pessoa que recebe e promete devolvê-la no futuro.

De acordo com o seu uso, o crédito pode ser classificado em:

 Crédito de produção: É concedido às empresas para que possam fazer frente às


despesas decorrentes do processo produtivo. Essas despesas podem ser de:
a) Investimento, caso a empresa esteja aumentando sua capacidade produtiva através
da compra de máquinas e equipamentos,
b) Giro, quando a empresa usa o dinheiro obtido na operação de crédito para aquisição
de matérias-primas, por exemplo.

 Crédito de consumo: É concedido às pessoas para que possam adquirir bens de


consumo. Em geral, as pessoas se utilizam do crédito para adquirir bens de consumo
duráveis, que em geral têm um preço elevado, como geladeiras, automóveis etc.

 Crédito para o Estado: É o crédito direcionado para o governo, que tanto pode ser
utilizado para a produção (construção de pontes e estradas) como para o consumo
(compra de material de escritório para as repartições públicas, por exemplo).

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 45


MODALIDADES DE CRÉDITO

1. EMPRÉSTIMOS

Definição: Ato de emprestar. Confiar a alguém (certa soma de dinheiro, ou certa coisa),
gratuitamente ou não, para que se faça uso delas durante certo tempo, restituindo-as depois ao
dono; ceder. Dar a juros (dinheiro).

Trata-se da troca de dinheiro por uma promessa de pagamento, quando o devedor pode dispor
dele a qualquer momento. Nessa transação participam duas pessoas de suma importância: o
credor e o devedor.

2. FINANCIAMENTOS

Ato de financiar, prover despesas de, custear. Dessa operação participam 3 pessoas: o
credor, o devedor e a pessoa que financia.
 Credor: que é o dono do bem a ser arrematado.
 Devedor: que é o interessado em obter o bem.
 A pessoa que financia: a pessoa que obtém o bem do credor lhe pagando à vista e vende
à prazo para o devedor.

No caso, se uma pessoa deseja adquirir um bem, mas não dispõe da quantia pedida ela
mantém um acordo com a pessoa que financia sendo que essa pessoa adquire o bem à vista
(do credor) e passa a ser o dono desse bem, e a pessoa que quer o bem assume uma dívida à
prazo com a pessoa que financia.

3. FACTORING

É a prestação contínua de serviços de apoio mercadológico, ou creditício, ou de seleção de


riscos, ou de gestão de crédito, ou de acompanhamento de contas a receber ou de outros
serviços, conjugada com a aquisição "pro soluto" de créditos de empresas resultantes de suas
vendas mercantis ou de prestação de serviços, realizadas a prazo.

A Operação de Factoring é Complexa. O ciclo operacional do FACTORING inicia-se com a


prestação de serviços, os mais variados e abrangentes, e se completa com a compra os
créditos (dos direitos) gerados pelas vendas mercantis que são efetuadas por suas empresas-
clientes.

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 46


Ou seja: a empresa de FACTORING fornece os recursos necessários ao giro dos negócios das
suas empresas-clientes, através da compra à vista dos créditos, por elas aprovados,
resultantes das vendas a prazo realizadas por suas empresas-clientes.

É tipicamente uma venda mercantil prevista no Artigo 191 do Código Comercial.

4. LEASING - ( Arrendamento Mercantil )

Conceitos Iniciais

O Leasing - ou arrendamento mercantil - é um contrato pelo qual uma empresa cede a outra,
por determinado período, o direito de usar e obter rendimentos com bens de sua propriedade.
Bens, neste caso, devem ser entendidos em seu sentido mais amplo: imóveis, automóveis.
máquinas, equipamentos, enfim, qualquer bem cuja utilização seja capaz de gerar rendas e
seja para uso próprio do arrendatário.

Leasing é uma palavra de origem inglesa, derivada do verbo "to lease", que significa aluguel. A
ideia do Leasing é fundamentada na concepção econômica de que o fato propulsor de
rendimentos para uma empresa é a utilização e não a propriedade de um bem. Portanto,
genericamente, o Leasing pode ser explicado como um contrato cuja finalidade é a cessão do
uso de bens de capital.

A legislação brasileira, através da Lei no. 6.099, de 12/09/74, alterada pela Lei no. 7.132, de
26/10/83, define o arrendamento mercantil da seguinte forma:

"Considera-se arrendamento mercantil, para os efeitos desta Lei, o negócio jurídico realizado
entre pessoa jurídica, na qualidade de arrendadora, e pessoa física ou jurídica, na qualidade de
arrendatária , e que tenha por objetivo o arrendamento de bens adquiridos pela arrendadora,
segundo especificações da arrendatária e para uso desta."

Arrendamento Mercantil é a cessão do uso de um bem, por um determinado prazo, mediante


contrato e demais condições pactuadas.

Como no aluguel, a propriedade do bem arrendado continua a ser do proprietário inicial até o
final do contrato. As operações de leasing prevêem um fluxo de pagamento periódico de
contraprestações (amortização do valor do bem, os encargos e a remuneração da arrendadora)
e impostos. Os intervenientes envolvidos na operação são assim denominados:

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 47


 Arrendadora aplica recursos na aquisição de bens escolhidos pela
Arrendatária e que serão objetos do contrato de arrendamento;
 Arrendatária escolhe o bem junto ao Fornecedor, que será pago pela Arrendadora. Passa
a fazer uso do bem, mediante o pagamento de contraprestações por um período determinado
em contrato;
 Fornecedor entrega o bem à Arrendatária e o fatura à Arrendadora.

OBS:

1º - O leasing se distingue do aluguel por que:

O valor do bem arrendado vai sendo gradativamente amortizado durante o pagamento das
contraprestações; No final do contrato, a arrendatária tem a opção de adquirir definitivamente o
bem arrendado.

2º - O leasing se distingue do financiamento por que:

O cliente não recebe recursos para a aquisição e sim o bem pretendido. Durante toda a
vigência do contrato, o bem continua sendo propriedade da empresa arrendadora. Este é o
sentido natural e internacionalmente utilizado para o termo leasing.

5. DESCONTOS

Voltado para a Pessoa Jurídica (Empresas), tratando-se de duplicatas. A empresa permite que
seus clientes comprem parcelado (3x,4x, etc.)tendo em mãos um documento que garante o
pagamento dessa dívida, este documento, uma duplicata. Com isso o cliente assume a
responsabilidade e a empresa pode recorrer judicialmente se o pagamento da dívida não
ocorrer.

Essas empresas também procuram as Instituições Financeiras (bancos) para antecipação de


crédito.

PRATICANDO:

1- Qual a função do Sistema Financeiro?


2- Defina SF.
3- Conceitue Spread.
4- A CVM é uma entidade supervisora dos Bancos Comerciais. Essa afirmação está
correta? Justifique.

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 48


5- Qual a diferença entre Bancos Múltiplos e Bancos de Investimento.
6- Defina crédito.
7- Como o crédito pode ser classificado?
8- Quais as modalidades de crédito mais praticadas?
9- João foi a uma concessionária da Ford e adquiriu um veículo dando uma entrada de R$
5.000,00 e parcelando o restante em 72 meses com taxa de juros praticada pelo
mercado. No ato da contratação o veículo ficou alienado ao Banco. Qual a modalidade
de crédito que João efetuou?
10- Qual a diferença entre empréstimo e Leasing? Dê um exemplo para cada modalidade.

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ECONOMIA INTERNACIONAL

Taxa de câmbio é a relação entre o valor de duas unidades monetárias, indicando o preço em
termos monetários nacionais da divisa estrangeira correspondente.

Balança de Pagamentos é o registro contábil de todas as transações econômicas - financeiras


de um país com outros do mundo. Compreende duas contas principais: a conta corrente
(movimento de mercadorias e serviços) e o movimento de capitais ( deslocamento de moeda,
créditos e títulos representativos de investimentos ).

É feita pelo Banco Central, uma vez que este é o órgão responsável por gerir as reservas do
país, sendo apresentada anualmente.

O saldo da Balança de Pagamentos em transações correntes indica se o país exporta ou se ele


importa capitais. O saldo positivo indica exportação, o negativo indica importação.

O Balanço de Pagamentos pode ser superavitário, deficitário ou equilibrado:

 Quando superavitário a quantidade de divisas que entraram durante o ano foram


superiores à quantidade que saiu, aumentando as reservas do país.

 Quando deficitário ocorre o inverso,

 Quando equilibrado a quantidade de divisas que saíram é igual as que entraram,


mantendo o nível de reservas do país estável.

O ajuste do Balanço de Pagamentos se dá por desvalorizações reais da taxa de câmbio;


redução do nível de atividade econômica (ajuste antieconômico); restrições tarifárias às
importações; subsídios às exportações; aumento da taxa interna de juros e controle da saída
de capitais e rendimentos para o exterior.

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 50


AS FINANÇAS E O ESTADO

Os bancos nasceram como financiadores de grandes projetos e só mais tarde foram criados
instituições bancárias voltadas à "classe média". Com a expansão da produção industrial na
América do Norte, a partir de 1870, surgiram as multinacionais e as grandes organizações
empresariais nacionais e internacionais. O sistema financeiro foi obrigado a modernizar-se e
acompanhar tal evolução a nível mundial. Surgiram, as bolsas de valores e todo o mercado
acionário, além de grandes processos de fusões e incorporações mercantis. Nesse contexto,
diferenciaram-se os bancos varejistas dos bancos atacadistas.

Em algumas nações, o fomento industrial veio através do investimento direto em ações, em


outras através da intermediação de grades bancos de investimento, e em outros casos, como o
Brasil, o desenvolvimento teve que ser impulsionado por bancos estatais. Com o crescimento
do trabalho assalariado e a criação do sistema previdenciário acabou-se por gerar grandes
"estoques" de poupança forçada. Os recursos tendem a ser administrados de forma
centralizada devido ao ganho de escala das instituições, principalmente quanto ao custo de
avaliação de riscos.

Na economia inglesa surgiu a "primeira" revolução industrial graças, principalmente, ao


avançado estágio da economia de mercado naquele país. Com o crescimento do mercado
financeiro o Banco da Inglaterra foi destacando-se cada vez mais, até que pôde ser
considerado como a "autoridade monetária". Com o passar do tempo, as atividades similares a
de uma autoridade monetária e as atividades de um banco comercial mostraram-se
conflitantes, dentro do Banco da Inglaterra, que acabou assumindo a função de autoridade
monetária exclusivamente. Com as guerras contra Napoleão as notas desse banco tornaram-
se inconversíveis. A partir de então, ele ficou responsável pelas reservas internacionais a fim
de proteger a moeda. Daí em diante, diversas nações vêm copiando o modelo inglês de
autoridade monetária.

A moeda atualmente não corresponde a uma reserva em ouro ou prata em valor


correspondente, ou seja, é moeda fiduciária. Seu valor é dado pelo seu poder de compra. A
desvalorização dessa moeda indica aumento no custo de vida. Essa desvalorização é medida
por índices de preços.

As causas da inflação são diversas e quem gerencia situações como esta é a própria
autoridade monetária, administrando a oferta de moeda, melhor dizendo, empregando a

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 51


política monetária. Na verdade, a autoridade monetária possui outras atribuições como a
fiscalização do sistema financeiro, administração das contas públicas, etc.

O sistema financeiro nada mais é do que um mercado como os demais e, por esse motivo,
deve ser independente do governo.
Além de fiduciária, a moeda é um ativo financeiro, ou seja, corresponde a um empréstimo. Ela
se apresenta sob a forma de moeda legal, moeda escritural, títulos negociáveis, etc. Todo
pagamento de dívidas acaba sendo feito através de outras dívidas.

Através de um exemplo, temos que se o agente "D" deve um valor ao agente "C", o pagamento
ao credor "C" através de cheques é uma redução da dívida do banco frente ao devedor "D" e
uma elevação da dívida de outro ou o mesmo banco frente ao credor "C". O que se reduz,
nessa situação, é o capital a juros na economia.

Ao observarmos a história da economia mundial, notamos que as formas de pagamento


evoluíram desde a moeda-mercadoria, a moeda-papel e, por fim, o papel moeda e moeda de
crédito. Através dessa evolução, a forma da implementação de política monetária foi sendo
alterada. Lembramos que existe uma diferença entre moeda legal, que tem sua circulação
forçada e obrigatoriedade de aceite pelos agentes da economia, e a moeda escritural, que
pode ser normalmente rejeitada para efetivação das transações.

Os principais objetivos da política monetária são o crescimento econômico, o pleno emprego, o


superávit comercial e a estabilidade monetária. O crescimento é enfocado através de políticas
monetárias expansionistas como, por exemplo, o aumento da oferta de crédito. Os reflexos na
balança de pagamentos estará condicionado à política cambial, onde pode adotar-se regimes
de bandas cambiais, câmbio flutuante ou câmbio fixo. A grande relação entre política cambial e
monetária está no fato de que um balanço de pagamentos superavitários aumenta o volume de
moeda na economia e vice versa.

Quanto à estabilidade dos preços empregam-se políticas monetárias restritivas para inibir a
inflação e expansionistas para incentivar o crescimento. Vale ressaltar que políticas monetárias
restritivas não têm sido capazes de anular inflações inerciais. Os três instrumentos de política
monetária são a alteração no percentual do empréstimo compulsório, operações de venda e
compra de títulos no mercado aberto e a operação de redesconto dos bancos comerciais. É de
se notar que baixos níveis de inflação acabam elevando o nível do desemprego.

Com a globalização, torna-se cada vez mais necessária a coexistência de sistemas de


pagamentos mais homogêneos e previsíveis. O "padrão ouro" foi o primeiro sistema de
pagamentos moderno, através do qual estabeleceu-se que toda moeda deveria ser

ECONOMIA - 2º ANO – ENSINO MÉDIO TÉCNICO - 2016 Página 52


automaticamente conversível em ouro. Com a crise da década de 30 o "padrão ouro" tornou-se
inviável. Diversos momentos de superprodução ou de crise de demanda reduziram a oferta de
crédito, gerando situações constrangedoras, principalmente nas economias centrais.

O sistema de pagamentos sucessor do "padrão ouro" foi definido na conferência de Bretton


Woods realizada em 1944. Conhecido como "padrão dólar-ouro", ele estabelecia que somente
o dólar devesse ser conversível em ouro, sendo que as demais moedas guardariam sua
conversibilidade ao dólar.

O Fundo Monetário Internacional – FMI foi criado na conferência de 1944 com objetivos de
fomentar o processo de globalização e dar apoio financeiro às economias em dificuldades. De
imediato, o FMI passou a agir conforme seus objetivos. Em um segundo momento, observou-
se que a grande maioria das crises nas economias periféricas era proveniente de más
condições estruturais. Diante dessa situação, o Fundo implementou o que ficou conhecido
como stand-by. Na nova dinâmica, os empréstimos são autorizados mediante fixação de metas
de ajustes estruturais na economia. A liberação de recursos é gradativa e condicionada ao
cumprimento das referidas metas.

Nota-se que, ao observarmos as ações do FMI nos últimos anos, as metas de ajustes giram em
torno de restrição monetária e desvalorização da moeda nacional. O resultado imediato da
busca pelas metas fixadas é sempre a recessão acompanhada por consequências imediatas
como, por exemplo, a elevação no nível de desemprego. Passada essa primeira fase, muitas
economias conseguem alcançar um novo processo de crescimento.

Outro fato importante relacionado ao sistema financeiro é que na década de 70 os EUA foram
obrigados a abandonar a conversibilidade de sua moeda ao ouro devido a consecutivos déficits
no balanço de pagamentos. É como se deixasse de existir um sistema internacional de
pagamentos, pois as desvalorizações de moeda passam a ser totalmente arbitrárias. Alguns
países abdicam da possibilidade de fazer política monetária criando um sistema de paridade
com suas reservas internacionais. Muitos pensadores liberais defendem um regime cambial
totalmente livre.

Atualmente, nem mesmo nações desenvolvidas como a Grã-Bretanha consideram-se


totalmente preparadas para enfrentar um ataque especulativo à sua moeda. Acredita-se que
somente os EUA, através de seu Federal Reserve System, esteja totalmente imune a esses
ataques. Os capitais globalizados são geralmente oriundos de bancos transnacionais, fundos
de pensão, fundos de investimentos, etc. A aplicação desses recursos é influenciada pelas
taxas de juros e pelo grau de risco. A maioria desses capitais são formados nas economias
centrais onde o grau de risco é bem menor forçando a permanência dos recursos ali mesmo.

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O fato de que o grau de risco das nações emergentes são superestimadas leva-as à prática de
taxas de juros muito elevadas para que se consiga atrair investidores "aventureiros". Na
realidade, acontece aqui a expectativa em cadeia também chamada reflexividade: Quando a
maioria dos analistas resolve elevar o grau de risco de uma economia haverá uma fuga de
capitais o que poderá enfraquecê-la e confirmar a elevação do grau de risco anteriormente
"prevista". O inverso ocorreria em no momento em que grande parte dos analistas de mercado
resolvessem reduzir o risco da nação, o que provocaria uma maior entrada de capitais e
conseqüente redução no risco.

INFLAÇÃO

Inflação é o contínuo, persistente e generalizado aumento de preços. Outro fator que


caracteriza a inflação é o fato de o aumento de preços se estenderem a todos os bens e
serviços produzidos pela economia. Consideramos quatro tipos principais:

A) Inflação de demanda: refere-se ao excesso de demanda agregada em relação à produção


disponível de bens e serviços na economia. É causada pelo crescimento dos meios de
pagamento, que não é acompanhado pelo crescimento da produção. Ocorre apenas quando a
economia está próxima do pleno-emprego, ou seja, não pode aumentar substancialmente a
oferta de bens e serviços em curto prazo.

B) Inflação de custos: tem suas causas nas condições de oferta de bens e serviços na
economia. O nível da demanda permanece o mesmo, mas os custos de certos fatores
importantes aumentam, levando à retração da oferta e provocando um aumento dos preços de
mercado.

C) Inflação inercial: é a aquela em que a inflação presente é uma função da inflação passada.
Se deve à inércia inflacionária, que é a resistência que os preços de uma economia oferecem
às políticas de estabilização que atacam as causa primárias da inflação. Seu grande vilão é a
"indexação", que é o reajuste do valor das parcelas de contratos pela inflação do período
passado.

D) Inflação estrutural: a corrente estruturalista supunha que a inflação em países em vias de


desenvolvimento é essencialmente causada por pressões de custos, derivados de questões
estruturais como a agrícola e a de comércio internacional.

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As Conseqüências da inflação

 Sobre a distribuição de renda: os trabalhadores saem perdendo, pois seus salários são
reajustados periodicamente, ao passo que os preços de bens e serviços sobem quase que
diariamente.

 Sobre a balança comercial: com a inflação, os preços dos bens e serviços produzidos
internamente tendem a ficar mais caros que os importados, fazendo com que as pessoas
aumentem suas compras de mercadorias importadas, o que causa um déficit na balança
comercial.

 Sobre as expectativas: num processo inflacionário, as incertezas dos empresários a


respeito de suas taxas de lucros futuras fazem com que diminuam os investimentos,
reduzindo a capacidade produtiva do sistema econômico.

Em decorrência da inflação, o governo estabelece alguns meios para poder reduzir a inflação.
Esses meios são chamados de políticas:

 Política monetária: que são medidas adotadas pelo governo que visam reduzir a
quantidade de moeda em circulação na economia.
 Política fiscal: que são medidas do governo que visam reduzir a demanda através da
carga tributária.

PRINCIPAIS ÍNDICES DE INFLAÇÃO

A inflação é medida através de números-índices, que são fórmulas matemáticas que dizem
qual a porcentagem de aumento nos preços dos bens e serviços num determinado período de
tempo. No Brasil, são usados mais comumente os seguintes números-índices.

 Índice Geral de Preços do IBGE (IGP)


Começou a ser calculado em 1947, comparando preços do mês anterior com os do mês
corrente, coletados em 18 capitais. Há três grupos de preços: os de produtos no atacado,
baseado numa amostragem de cerca de 500 mercadorias, com 60 por cento de peso no índice
final; os de preços ao consumidor, com base nas compras de famílias com renda de 1 a 33
salários mínimos, entra com 30 por cento; preços da construção civil, com 10 por cento de
peso, baseado em planilhas de custo de empresas de engenharia. Um dos menos precisos
índices, justamente pela sua abrangência, num quadro muito dispersivo de inflação. É
divulgado em duas versões uma contendo apenas os preços do que é produzido
internamente,(disponibilidade interna)e outra incluindo preços de importações.

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 Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) da FGV
Criado a pedido da Federação dos Bancos com uma cláusula que impede sua modificação
pelo governo e tinha como função, servir de corretor de contratos bancários aplicável já no dia
30 do mês em curso. É o primeiro a ser divulgado e tem como base os mesmos preços e a
mesma ponderação do IGP, mas do dia 20 do mês anterior ao 20 do mês em questão.

 Índice Quadrissemanal de Preços ao Consumidor da FIPE


Típico de uma economia hiperinflacionária, é publicado toda semana, com a variação dos
preços das quatro semanas anteriores. Restringe-se ao município de São Paulo e afere o custo
de vida de famílias com rendas de 2 a 6 salários mínimos. Calcula os preços médios durante
quatro semanas e divide pela mesma média de quatro semanas anteriores. Trata-se portanto
de uma medida rápida das tendências de base dos preços. No índice FIPE a comida pesa 37
por cento do custo de vida das pessoas e a habitação 18 por cento.

 Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do IBGE.


Para rendas de 1-8 salários mínimos, foi o índice oficial de inflação de 1979 a 1986.

 Índice de Preços ao Consumidor (IPC)


Sucedeu ao INPC como índice oficial, até 1990 e difere apenas no período de coleta dos
preços.

 Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) IBGE


Para rendas até quarenta salários mínimos.

 Índices de Custo de Vida do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e


Estudos Socioeconômicos)
Para três classes de renda, 1-3 salários mínimos, 1-5 e 1-30. Esse índice se distingue dos
demais por incluir como itens essenciais do custo de vida, despesas com recreação,
comunicação, cultura e lazer.

 Índice da Cesta Básica (PROCON/DIEESE)


Pesquisado em 70 supermercados em São Paulo, englobando 31 produtos essenciais para
famílias com renda até 10,3 salários mínimos; mede a variação ponta a ponta.

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OS PLANOS DE ESTABILIZAÇÃO

A partir do início dos anos 80 a inflação evoluiu a taxas elevadíssimas e crescentes, motivo
pelo qual foram elaborados com o objetivo de eliminar a inflação vigente. Abaixo teremos os
planos de estabilização também chamados de planos econômicos, adotados a partir de 1986.

 Plano Cruzado:
- Data: fevereiro de 1986
- Principais medidas: congelamento de preços e salários e reforma monetária que
transformou CR$ 1.000,00 em Cz$ 1,00.

 Plano Bresser:
- Data: junho de 1987
- Principais medidas: congelamento de preços e salários por um período de
aproximadamente três meses.

 Plano Verão:
- Data: janeiro de 1989
- Principais medidas: congelamento de preços e salários e reforma monetária que
transformou CZ$ 1.000,00 em NCz$ 1,00.

 Plano Collor I:
- Data: março de 1990
- Principais medidas: retenção dos saldos superiores a NCz$50.000,00 das contas
correntes, poupanças e outras aplicações financeiras, e reforma monetária que
transformou NCz$ 1,00 em Cr$ 1,00.

 Plano Collor II:


- Data: fevereiro de 1991
- Principais medidas: congelamento de preços e salários.

 Plano FHC ou Plano Real:


- Data: 1º de julho de 1994
- Principais medidas: equilíbrio das contas públicas e reforma monetária que criou o real
com a seguinte paridade: R$ 1,00 = CR$ 2.750,00.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Série Perguntas mais Freqüentes. Disponível em:
http//WWW.bcb.gov.br.
BATISTA JUNIOR, Paulo Nogueira. Brasil e a Economia Internacional. Rio de Janeiro: Campus, 2005.
CARVALHO, Fernando; et al. Economia Monetária e Financeira: teoria e pratica. Rio de Janeiro
Campos, 2000.
DORNBUSH, R.; FISCHER, S. Macroeconomia. 4. ed. São Paulo: McGraw-Hill,2000.
LOPES, L. M.; VASCONCELLOS, M. A. S. (Orgs). Manual de Macroeconomia:Básico e Intermediário
– Equipe dos Professores da FEA-USP. 2. ed. São Paulo:Atlas, 2000.
SANDRONI, Paulo. Dicionário de Economia. 40 ed. São Paolo: Best-Seller, 1994.
VASCONCELOS, Marco Antonio Sandoval. Fundamentos de Economia. São Paulo:Saraiva, 2004.
http://www.fea.usp.br/econoteen/o-que-e-economia.php
http://www.fapanpr.edu.br/site/docente/arquivos/ECONOMIA_1.pdf

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