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A CONCEPÇÃO DE ESTADO NA COSMOVISÃO CRISTÃ A PARTIR DA TRADIÇÃO

REFORMADA EM ABRAHAM KUYPER E HERMAN DOOYEWEERD


Pedro Guimarães Marchi
Resumo
Este artigo pretende produzir uma síntese analítica de como a Cosmovisão Cristã, a partir da
tradição reformada, concebe a noção de Estado e como essa concepção contrasta com as teorias do
Estado mais populares nas ideologias contemporâneas. Para tanto, será utilizado como referência
teórica o pensamento de dois grandes autores da filosofia política cristã reformada: Abraham
Kuyper (1837 – 1920) primeiro ministro da Holanda no início do século XX e pastor reformado, e
Herman Dooyeweerd (1894 – 1977), filosofo holandês de formação jurídica e influente pensador
neo-calvinista. A partir desses autores, portanto, o artigo se propõe a oferecer uma introdução à
Cosmovisão Cristã e ao pensamento político que se desenvolveu como fruto da Reforma
Protestante, em especial do ramo calvinista (conhecido como ramo reformado), e como essa
cosmovisão enxerga o papel do Estado na sociedade. Além disso, argumenta que tal concepção
oferece uma visão alternativa bastante plausível do espaço que a esfera estatal deve ocupar no
âmbito das relações sociais.
Palavras-chave: Cosmovisão, Filosofia política, Cristianismo, Teoria do Estado, Calvinismo.

Abstract
This article intends to produce an analytical synthesis of how Christian Worldview, by the
Reformed tradition, conceives the State and how this conception contrasts with the most popular
theories of the State on the actual ideologies. To do so, it will be used as theoretical reference the
thought of two great authors of the reformed Christian political philosophy: Abraham Kuyper
(1837-1920), Dutch prime-minister in the early twentieth century and reformed pastor, and Herman
Dooyeweerd (1894-1977), Dutch philosopher, jurist and influential neo-Calvinist intellectual.
Trough these authors, therefore, the article proposes to offer an introduction to the Christian
Worldview and to the political thinking that has developed as a result of the Protestant Reformation,
especially from the Calvinist branch (known as the Reformed branch), and how this worldview sees
the role of the State in the society. In addition, this article argues that such conception offers a very
plausible alternative view of the role that the state sphere must occupy in the realm of social
relations.
Keywords: Worldview, Political Philosophy, Christianity, State Theory, Calvinism.

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“Eu acredito no Cristianismo como acredito que o
sol nasce todo dia. Não apenas porque o vejo, mas
porque através dele eu vejo tudo ao meu redor.”
(C.S. Lewis)
Introdução
A célebre frase do icônico filólogo e escritor C.S Lewis, famoso especialmente por ter
escrito As Crônicas de Nárnia, é que dá o tom inicial dessa obra. Não que a pretensão seja abordar
apologeticamente o cristianismo – atividade pela qual C.S Lewis também é conhecido-, mas, por
outro lado, mostrar que a fé cristã, assim como todas as religiões e também as ideologias – que,
como será desenvolvido mais a frente, são religiões materialistas que elevam a política imanente ao
nível transcendente (KIRK, 2013, p.94-5) -, molda, e ao mesmo tempo se alicerça em uma
Cosmovisão, ou “visão de mundo e de vida”. Ou seja, através das “lentes” do cristianismo, um
cristão “vê tudo ao seu redor”. E isso não é uma mera expressão metafórica. De fato, um genuíno e
comprometido adepto de uma religião ou ideologia enxerga e interpreta o mundo à sua volta, de
forma holística, a partir da ótica da crença que domina sua mente e coração; em outras palavras, a
partir da sua Cosmovisão. Esse todo abrangente, obviamente, inclui o Estado e as relações e esferas
sociais. Esse é, portanto, o objeto de estudo e análise do presente trabalho, cujo objetivo é ser uma
brevíssima introdução à cosmovisão cristã, tendo o ramo reformado como recorte, e como essa
cosmovisão concebe o Estado.
Cosmovisão é um conceito que, apesar de muitas vezes marginalizado nas Ciências
Humanas – principalmente nas ciências sociais-, é de suma importância para se compreender com
razoável profundidade qualquer teoria política, teológica, filosófica, científica e qualquer ideologia
no geral. Por esse motivo, faz-se necessário esclarecer brevemente seu significado e apresentar um
pouco da sua origem e história.
Há um reconhecimento universal de que o conceito “Cosmovisão” (do alemão
“Weltanschauung”) foi cunhado primeiramente por Immanuel Kant em sua obra Crítica do Juízo,
publicada em 1790. No entanto, seu uso por Kant sugere que o termo era utilizado basicamente para
se referir à “percepção do mundo pelos sentidos”, sendo uma cunhagem incidental e secundária na
filosofia de Kant (NAUGLE, 2017, p. 93-4).
O termo foi ganhando força e espaço principalmente no século XIX, ocupando lugar de
destaque no pensamento de grandes filósofos como G.W.F Hegel, Søren Kierkegaard, Wilhem
Dilthey e Friedrich Nietzsche. Nessa evolução, o conceito de Cosmovisão foi adquirindo contornos

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mais definidos e mais profundos, deixando de significar uma mera percepção sensorial para se
tornar um conceito mais amplo e imponente na contemporaneidade. Com efeito, uma das melhores
definições é a do filósofo atual James W. Sire em sua obra Dando Nome ao Elefante (2012, p.179):
“[Cosmovisão é] um compromisso, uma orientação fundamental do coração, que pode ser
expresso em uma história ou em um conjunto de pressuposições (suposições que podem ser
verdadeiras, parcialmente verdadeiras ou totalmente falsas) que sustentamos (consciente ou
subconscientemente, consistente ou inconsistentemente) sobre a constituição básica da
realidade, e que fornece o fundamento no qual vivemos, nos movemos e existimos.”
Essa definição, além de precisa, é muito curiosa, pois coloca a ideia de Cosmovisão não
somente como um mero exercício intelectual, mas um “compromisso, uma orientação fundamental
do coração”, ou seja, uma visão que envolve não apenas a razão, mas a completude da interação
humana com o mundo à sua volta. Ecoando o sensus divinitatis do reformador João Calvino (1509-
1564), o filosofo e jurista holandês Herman Dooyeweerd (1894-1977) - pensador-chave na presente
obra - afirma que na raiz do coração humano há um “motivo-base” religioso que subjaz em todos os
homens – inclusive os que se identificam com o ateísmo-. Sendo esse motivo-base (grondmotief) o
que molda a compreensão da realidade por alguém, Dooyeewerd destaca que a orientação que
dominar o coração determinará a visão de mundo do indivíduo. Tal orientação ser movida pelo
“Espírito Santo” e moldada pela cosmovisão bíblica conforme a narrativa cristã da “criação, queda
e redenção”, ou por motivos básicos “apóstatas”, produzindo nas pessoas cosmovisões não cristãs
(NAUGLE, 2017, p. 57-8). Para Dooyeweerd esses “motivos-base” são o centro de todas as
cosmovisões, que por sua vez, são as raizes de todo pensamento, teoria, filosofia e ideologia. De um
lado, portanto, existem os sistemas de pensamento advindos da cosmovisão cristã e do outro, de
cosmovisões antitéticas ao cristianismo, ou anti-cristãs. (DOOYEWEERD, 2014, p. 42-3).
Afunilando a discussão para a questão da cosmovisão cristã, temos a metanarrativa que está
presente em todas as correntes ortodoxas e históricas da fé cristã: a narrativa bíblica da “Criação,
Queda e Redenção”. Essa metanarrativa, apesar de parecer simples e pouco intuitiva num primeiro
momento, é a infraestrutura básica da religião cristã, permeando toda a narrativa da Bíblia Sagrada.
Um trecho bíblico, considerado por alguns eruditos cristãos como a “acrópole da fé cristã”
(WASHER, 2012, p.14), que ilustra resumidamente essa metanarrativa, é a passagem da epístola do
Apóstolo Paulo aos Romanos, capítulo 3, do verso 21 ao verso 28:
“Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus, independente da Lei, da qual
testemunham a Lei e os Profetas, justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os
que creem. Não há distinção, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus,

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sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo
Jesus. Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue,
demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados
anteriormente cometidos; mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e
justificador daquele que tem fé em Jesus.Onde está, então, o motivo de vanglória? É
excluído. Baseado em que princípio? No da obediência à Lei? Não, mas no princípio da fé.
Pois sustentamos que o homem é justificado pela fé, independente da obediência à Lei.” (A
BÍBLIA, 2018, p.888; grifo meu)
Há muito para ser discutido nesse importante trecho, no entanto, para o propósito desse
trabalho, vale enfatizar alguns pontos centrais que vão esclarecer o pensamento dos autores
tratados. Primeiramente, essa passagem expõe que, de acordo com a fé cristã, “todos pecaram e
estão destituídos da glória de Deus”. Ou seja, a humanidade, em sua completude, se encontra num
estado de distanciamento em relação a Deus - o Criador do universo -, e que todos os males da
sociedade se devem a esse estado de pecado, ou “estado de Queda”. Segundo, o trecho mostra que
um dos atributos essenciais de Deus é a justiça, que Ele é o “justo” do qual emana toda justiça
existente e que julga a humanidade: Dele emana o padrão moral universal. Terceiro, e por fim, que
o único meio de redenção para os seres humanos é sendo “justificados gratuitamente por sua graça,
por meio da redenção que há em Cristo Jesus”, que foi oferecido como “sacrifício para a
propiciação mediante a fé”, pagando a dívida e sofrendo a ira de Deus para imputar justiça naquele
que crê. Ora, mas qual é a relação desse trecho, profundamente teológico, com a questão da
concepção do Estado na perspectiva cristã? Toda. A começar pelo fato de ser uma síntese do
fundamento da cosmovisão cristã. Mas, além disso, esse trecho mostra que a humanidade decaiu da
“graça de Deus” por conta do pecado - que é, em linhas gerais, a rebeldia em relação à autoridade
divina- e que, portanto, toda forma de governo e organização social será afetada por isso. O
polímata holandês Abraham Kuyper (1837 – 1920) – pilar teórico desse trabalho-, diz em seu livro
Calvinismo, que “se o pecado, como força desintegradora, não tivesse dividido a humanidade em
diferentes seções, nada teria estragado ou quebrado a unidade orgânica de nossa raça” e que “nem
tribunal de justiça, nem polícia, nem exército, nem marinha, é concebível num mundo sem pecado”
(KUYPER, 2002, p 97-8). Portanto, os Estados nacionais existem por causa da pecaminosidade
geral da humanidade. Ademais, o trecho da epístola aos Romanos também traz outra ideia
importante que vai balizar a discussão neste artigo: na perspectiva cristã, só há redenção para o ser
humano por meio da fé em Cristo. O resultado disso é que a cosmovisão cristã rejeita qualquer
tentativa de redenção para a humanidade pela via política. Ou seja, não é uma utopia ou sistema

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político que trará paz plena ao homem, mas somente Jesus Cristo na vida porvir. Portanto, a via
política e o Estado estão despidos de uma dimensão escatológica e redentora na visão cristã.
Um possível questionamento que possa surgir é se essa tese não se assemelha a uma defesa
da teocracia. A resposta é negativa. Kuyper afirma categoricamente: “Uma teocracia só foi
encontrada em Israel, porque em Israel Deus intervia imediatamente [...] Mas a confissão calvinista
[reformada] da soberania de Deus”, ele destaca, “vale para todo o mundo, é verdade para todas as
nações, e está forçosamente em toda autoridade que o homem exerce sobre o homem”. (KUYPER,
2002, p.104-5). Além do mais, o próprio Calvino “considerava uma cooperação de muitas pessoas
sob controle mútuo, i.e., uma república, desejável”. (KUYPER, 2002, p. 103).
Outro ponto importante a ser levantado nessa introdução é que, a fim de ter um recorte mais
bem definido, esse trabalho utilizará como referência teórica a tradição cristã reformada, ou
calvinista. Isso se deve ao fato de a discussão baseada no conceito de “Cosmovisão” ser mais
proeminente na tradição reformada do que no catolicismo e na ortodoxia oriental. Apesar disso, as
três grandes tradições cristãs, protestantismo evangélico (reformado), catolicismo e ortodoxia,
compartilham muita coisa em comum no que diz respeito a uma Weltanshauung cristã básica
(NAUGLE, 2017, p.85). No entanto, como a pedra angular deste trabalho é a tradição reformada e
os autores referenciais são pensadores reformados, cabe aqui uma breve introdução ao evento da
Reforma Protestante e como esse evento impactou a cosmovisão cristã.

Tradição reformada e governo civil


A Reforma Protestante, apesar de ter como marco a fixação das 95 teses de Lutero em 31 de
outubro de 1517, não foi um evento pontual, muito menos linear e homogêneo. A Reforma foi, por
outro lado, um movimento complexo e com muitos contribuintes, não o resultado do trabalho de
somente um homem ou de apenas uma agremiação. As 95 teses foram o disparo inicial, a mola
propulsora de um vasto e influente movimento (CHESTER e REEVES, 2017, p. 15). As próprias 95
teses não refletem a teologia mais madura que o reformador alemão veio a desenvolver. Portanto,
assimilar a Reforma a um único evento é demasiado reducionista. Tratar a Reforma como um
evento complexo e multifacetado é a via mais correta.
A partir da Reforma Protestante, surgiram quatro ramos principais do protestantismo
clássico: os luteranos; os anglicanos; os anabatistas e os reformados. Não é o propósito aqui
explanar detalhadamente as diferenças entre esses ramos do protestantismo. Cabe apenas destacar
que tais discrepâncias incluíam não apenas questões eclesiásticas e doutrinais, mas também temas

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como a relação entre a Igreja e o Estado. (FERREIRA, 2013, p.158). Como esse trabalho parte da
tradição reformada, também chamada de calvinista, o foco a partir desse ponto será aprofundar mais
acerca dessa tradição:
“A tradição reformada teve seu início com Ulrico Zuinglio (1484 – 1531), pregador na
cidade de Zurique, na suíça de fala alemã. Os evangélicos alemães e suíços tentaram se unir
no Colóquio de Marburgo (1529), convocado por Filipe I de Hesse (1504 – 1567), mas
Lutero e Zuínglio não entraram em um acordo sobre o sacramento da ceia e, com isso, as
duas tradições se separaram. Logo depois, Zuínglio foi morto na batalha de Kappel, sendo
sucedido por Henrique Bullinger (1504 – 1575), autor da Segunda Confissão Helvética”
(FERREIRA, 2013, p.165)
Zuinglio, portanto, foi o precursor da tradição reformada, que se iniciou na Suíça. Mas, seu
período de atividade foi abreviado pela morte precoce na batalha de Kappel em 1531, fazendo com
que seu legado fosse expandido por João Calvino, que veio a ser o principal tributário da tradição
reformada:
“João Calvino (1509 – 1564) pertenceu à segunda geração da Reforma, quando o movimento
já estava fragmentado e debaixo de intensa pressão do catolicismo. Contudo, em função de
seu serviço à igreja, a fé evangélica se solidificou e se tornou um movimento internacional.
[...] Calvino foi importantíssimo para a Reforma por várias razões: pela ênfase que deu à
autoridade e à primazia das Escrituras (sola Scriptura); e ao método histórico-gramatical de
interpretação bíblica; por sua preocupação com a estrutura da igreja visível, definida pela
pregação das Escrituras e correta administração dos sacramentos; pela transformação que
proporcionou à Genebra, que se tornou modelo de uma república cristã para toda Europa; e,
principalmente, por sua vasta contribuição literária”. (FERREIRA, 2013, p.165; grifo meu)
O legado de Calvino se deu em grande parte pelo seu trabalho em Genebra, onde implantou
um governo baseado nos princípios reformados e na cosmovisão cristã. No entanto, a maior herança
é sua vasta contribuição literária. Sua Magnum Opus, a coletânea conhecida como As Institutas da
Religião Cristã, foi uma obra que causou – e ainda causa – um impacto considerável. ”Em nove
meses se esgotou a edição, que, por estar em latim era acessível a leitores de diversas
nacionalidades” (FERREIRA, 2014, p.216). Nessa importante obra, cuja última edição tinha mais
de 1500 páginas, a teologia e a cosmovisão de Calvino é exaustivamente sistematizada. Os quatro
volumes da coletânea perpassam praticamente todos os pontos centrais da fé cristã, que não inclui
apenas questões eclesiásticas e relacionadas à mística da fé religiosa, mas traz também uma
importante reflexão sobre como, a partir desses princípios doutrinais, o mundo à nossa volta deve
ser entendido e como o cristão deve agir e se portar diante da realidade. O último capítulo das

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Institutas, inclusive, é um capítulo dedicado à questão do poder civil. Essa parte, em especial, serviu
de fundamento para a formulação da filosofia política de Abraham Kuyper e Herman Dooyeweerd:
os dois principais referenciais teóricos desse trabalho. Por esse motivo, obviamente, faz-se mais que
necessário expor, ao menos brevemente, o pensamento de Calvino à respeito do poder civil nas
Institutas. A princípio, pode parecer estranho uma obra fundamentalmente religiosa abordar a
questão do governo civil. Inclusive, no seu último capítulo, intitulado “Do Poder Civil”. Calvino
demonstra reconhecer tal estranheza, mas logo na primeira página já deixa claro seu propósito:
“Uma vez que antes havíamos distinguido duas formas de governo que concernem ao
homem, e já falamos suficientemente da primeira, que consiste no governo da alma, ou do
homem interior, e visa à vida eterna, é preciso agora tratar da segunda forma, que diz
respeito somente à justiça civil e à reforma dos costumes. De fato, ainda que tal explanação
pareça estranha à teologia e à doutrina da fé que tratamos, o andamento da matéria provará
que é oportuno estudá-la; sou compelido a fazê-lo sobretudo porque, por um lado, não faltam
desatinados e bárbaros que tentam arruinar toda a autoridade estabelecida por Deus, e, por
outro lado, os aduladores dos príncipes lhes engrandecem ilimitadamente a autoridade que
não duvidam em compará-la ao senhorio que é do próprio Deus. Por isso, a pureza da fé
ficaria ofuscada caso não refutássemos esses dois erros.” (CALVINO, 2007, p. 875)
Nesse trecho de abertura, fica claro que Calvino se mostra incomodado com duas
perspectivas diametralmente opostas de concepção de Estado e governo civil, mas congruentemente
equivocadas e incompatíveis com sua visão. Por um lado, combate os “desatinados e bárbaros que
tentam arruinar toda a autoridade estabelecida por Deus”, que se assemelham a uma espécie de
“proto-anarquismo”- mantendo as devidas proporções e relevando o aparente anacronismo –. Por
outro lado, os “aduladores dos príncipes” que “lhes engrandecem ilimitadamente a autoridade”
igualando o poder do governante ao do próprio Deus, ou seja, legitimando um autoritarismo
tirânico, também deve ser rejeitado. Portanto, Calvino pressupõe que uma visão cristã acerca do
governo civil não está nem no combate e desrespeito ao magistrado, nem na “divinização” do
governante, concedendo a ele poderes ilimitados e tirânicos.
Calvino vai dizer posteriormente que se trata de “inumana barbárie” não aceitar a
necessidade do governo civil, sendo que o governo “não é menos necessário aos homens que o pão,
a água, e o sal e o ar”, pois seu caráter abrangente é o que possibilita aos homens uma “vida em
comum”. Entendendo o governo civil como necessário à vida humana, Calvino, inspirado em
Cícero, discorre sobre o que ele entende como as três partes constituintes do poder civil: O
magistrado, que é “o guardião e defensor das leis”; a legislação pela qual o magistrado governa; o

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povo que “deve ser governado pelas leis e obedecer ao magistrado”. Dentro dessas três partes
fundamentais do poder civil, Calvino apresenta como cada um deles deve ser constituído numa
perspectiva cristã de governo. (CALVINO, 2007, p. 877-8)
Em relação aos magistrados, Calvino vai dizer que é uma vocação instituída pelo próprio
Deus, portanto um ofício de grande dignidade. Para Calvino, a autoridade dos magistrados emana
do próprio Deus, que aufere legitimidade a esse ofício. Pois, como diz a literatura sapiencial bíblica:
“Por mim reinam os reis, os príncipes mantém sua autoridade e os juízes julgam com retidão”(Pv
8,15 -16). Nesse sentido, “toda autoridade é uma ordenação divina”, não havendo poder algum que
não tenha sido estabelecido por Deus (Rm 13. 1,2), desse modo, “os príncipes são ministros de
Deus para honrar àqueles que fazem o bem, e para castigar aos que agem mal (Rm 13.1,4)”. Logo,
para Calvino, o governo civil é legitimado por Deus, que o estabeleceu para ter como função
primordial a administração da justiça baseado numa legislação, que é a segunda parte constituinte
do poder civil. (CALVINO, 2007, p. 878-9)
As leis - “as quais podem ser tidas como verdadeiros nervos, ou, como Cícero as definiu
seguindo Platão, como a alma do Estado” - se associam numa relação de mútua dependência com a
magistratura. Sem elas o magistrado não pode exercer sua função. Por outro lado, as leis são
guardadas e preservadas por ele. “Não se pode recorrer, portanto, a uma expressão mais adequada
que chamar as leis de ‘magistrado mudo’, e de ‘lei vivente’ ao magistrado” (CICERO apud
CALVINO, 2007, p.888). Entretanto, Calvino demonstra certa flexibilidade em relação aos aspectos
mais superficiais da lei. Ele reconhece que aos povos e nações é admitida a “liberdade de fazerem
as leis que lhe pareçam melhores” na superficialidade. No entanto, todas as legislações devem estar
em consonância com os dois princípios basilares da lei moral expressa nas Escrituras, que são:
“honrar sinceramente a Deus com verdadeira fé e piedade sincera” e “amar aos homens com
verdadeira caridade”, sendo que o princípio da caridade mútua deve ser o norte da lei judicial.
Desse modo, as leis das nações serão “distintas apenas na forma”, mas todas tendo “o mesmo fim”.
Todas as leis do mundo devem convergir para uma equidade jural. Tal equidade resulta da “lei
natural e da consciência que o Senhor imprimiu no coração dos homens”, de forma que as
diferentes jurisdições, por exemplo, punem o malfeitor com diferentes penas, mas todas executam
algum tipo de punição. (CALVINO, 2007, p. 888-90)
Por fim, em relação ao povo, Calvino enfatiza que “O primeiro dever dos súditos para com
os superiores consiste em tê-los em alta consideração, reconhecendo que a sua jurisdição lhes foi
confiada por Deus”. Tal subserviência não deve ser pautada no temor ao governo, dado que é

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conferido a ele o uso legítimo da violência – ou, usando a terminologia bíblica, o “poder da espada”
-, mas, principalmente, “por temor a Deus, uma vez que dele procede o poder dos príncipes”. Aqui,
Calvino faz uma importante distinção: a estima ao magistrado reside na sua posição da autoridade,
não na pessoa em si que ocupa a posição. A honra e a estima também não devem ser confinadas a
conceitos abstratos, mas manifestas na prática por meio da obediência, “seja acatando suas ordens e
constituições, seja aceitando algum encargo público destinado à defesa do povo, seja executando
algum mandato” (CALVINO, 2007, p. 894-5). Calvino defende que essa obediência deve ser
seguida mesmo diante de governantes que não exercem corretamente a sua função e nem honram a
sua posição, visto que, por confiar na soberania exaustiva de Deus, Calvino entende que mesmo
príncipes injustos e violentos foram da mesma forma “investidos da majestade que é conferida às
autoridades legítimas” e que esses governos opressivos foram por Deus “suscitados para castigo do
povo” (CALVINO, 2007, p. 897). No entanto, de forma contundente, Calvino afirma que há um
limite na obediência devida aos superiores, ou melhor, “uma regra que deve ser sempre observada:
tal obediência não deve nos afastar da obediência devida a Deus, sob cuja vontade todos os éditos
reais e constituições devem estar contidos, e sob cuja majestade deve se rebaixar e humilhar todo
poder” (CALVINO, 2007, p. 901). Portanto, “Se as autoridades ordenam algo contra o mandamento
de Deus, devemos desconsiderá-la completamente”, sendo que, desse modo, “não se faz qualquer
injúria ao magistrado, por mais elevado que seja, quando o submetemos ao poder de Deus, que é o
único verdadeiro” (CALVINO, 2007, p. 902).
Sem dúvida, há muito mais sobre Calvino que poderia ser considerado. Entretanto, como o
fim de aborda-lo nesse artigo é apresentar o grande tributário e principal teórico da tradição
reformada a partir do qual Abraham Kuyper e Herman Dooyeweerd desenvolveram suas ideias, faz-
se necessário apenas ressaltar que todas as ideias de Calvino aqui apresentadas são de extrema
importância para a compreensão de ambos os autores e da tradição reformada como um todo. O
débito que Kuyper e Dooyeweerd tem para com Calvino é, sem exageros, imensurável.

Abraham Kuyper: Calvinismo e Política


Abraham Kuyper (1837 - 1920) foi um polímata, pastor reformado e primeiro-ministro
holandês, cujo impacto intelectual no meio cristão reformado foi de proporções astronômicas,
especialmente em relação aos temas relacionados à cosmovisão e filosofia política. Mas, para se
compreender com mais precisão suas ideias, é necessário entender um pouco melhor o contexto no
qual Kuyper estava inserido:

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“A Revolução Francesa, ocorrida no final do século XVIII, criou sua própria religião,
chamada a princípio de Culto à Razão e depois de Culto ao Ser Supremo. Seus líderes
achavam que a ciência e a razão inaugurariam uma nova era, e por isso assumiram uma
política de repulsa ao cristianismo. Tudo que era cristão foi abolido. O homem se tornou o
centro, não Deus. Não somente em questões ligadas ao Estado, como também em questões
religiosas. [...] A vizinha Holanda, anteriormente uma fortaleza da fé bíblica, também foi
influenciada por esses acontecimentos. Seu recém-coroado rei, o autoritário William I, lutou
para controlar a Igreja Reformada Neerlandesa (NHK), enfraquecendo sua doutrina, ao
favorecer a teologia liberal, que começava a chegar nas faculdades de teologia – tendo como
principio a negação de tudo que aparentasse ser miraculoso, como a inspiração e a inerrância
bíblica, a divindade de Cristo e sua ressureição.” (FERREIRA, 2014, p. 361)
Kuyper nasceu em 1837 em Maasluis na Holanda, bem no meio dessa agitação. Em 1857, na
Universidade de Leiden, fez seu curso superior, estudando filosofia, teologia e literatura, recebendo
o título de doutor em teologia em 1862. Sendo muito influenciado pelo liberalismo teológico de
seus professores, Kuyper passou boa parte de sua vida tendo pouca intimidade com a fé cristã
ortodoxa da tradição reformada clássica, sendo basicamente um cético em relação às doutrinas
tradicionais. No entanto, enquanto exercia a função de pastor numa igreja em Beesd, Kuyper se
defrontou com fiéis que possuíam considerável conhecimento da Bíblia e da fé reformada. Dentre
esses fiéis, uma jovem camponesa, chamada Pitje Baltus, merece destaque. Ela fazia constantes
objeções às suas pregações, e sua influência mudou completamente o rumo da vida de Kuyper. Ela
apresentou a ele as principais doutrinas da fé reformada, lhe incentivando a estudar as confissões de
fé a ler as Institutas da Religião Cristã de João Calvino (FERREIRA, 2014, p. 362-3). Kuyper
então se converte à fé ortodoxa da tradição reformada e confessa aquilo que viria a ser o baluarte de
toda a sua teoria e pensamento acerca da vida e da sociedade: “Eu descobri que as Santas Escrituras
não somente fazem-nos encontrar a justificação pela fé, mas também mostram o fundamento de
toda vida humana, as santas ordenanças que devem governar toda existência humana na Sociedade
e no Estado”. (KUYPER, 2002, p.13)
Kuyper passou de um teólogo liberal e muito influenciado pelas ideias da Revolução
Francesa para um ferrenho crítico dessas mesmas ideias. Fortemente motivado por resgatar os
princípios da teologia reformada ortodoxa e aplicá-los na vida prática, ele se empenhou
principalmente em 3 frentes de ação: educação, política e literatura. Por reconhecer que a educação
era um dos primeiros e mais importantes passos na tarefa de resgatar os ideais reformados, Kuyper
fundou a Universidade Livre de Amsterdã, que surgiu como uma reação ao domínio gradativo que a

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teologia liberal estava alcançando na Holanda, sobretudo quando o Estado passou a indicar os
professores de teologia nas universidades (FERREIRA, 2014, p. 365). Preocupado com as questões
políticas e sociais na Holanda, Kuyper se lança na vida política. Primeiramente eleito como membro
do Parlamento pelo recente Partido Anti-Revolucionário em 1874, e posteriormente, em 1901, é
convocado pela rainha Wilhelmina para ser o primeiro-ministro da Holanda, posto no qual
permanece até 1905. Defendendo os trabalhadores e o direito dos cristãos de terem autonomia sobre
suas próprias escolas, Kuyper deixou um legado considerável tanto na esfera educacional, quanto na
esfera política (FERREIRA, 2014, p. 367). No entanto, seu maior legado ficou por conta de sua
produção literária, que perpetuou suas ideias de forma tal que elas reverberam até os dias de hoje.
Dentre suas produções literárias, a mais influente é seu livro chamado “Calvinismo”, que é uma
coleção de palestras ministradas por ele na Universidade e Seminário de Princeton, em 1898.
Nessas palestras, Kuyper abordou como o Calvinismo permeia as mais diversas áreas da vida, como
a arte; a ciência; a religião; e, para a finalidade desse trabalho, a relação mais importante:
Calvinismo e Política,
Nas palestras que deram origem ao livro “Calvinismo”, Kuyper está comprometido a
combater o Modernismo instaurado pela Revolução Francesa e salvar a “herança cristã”. Para
Kuyper, “dois sistemas de vida estão em combate mortal”. De um lado o Modernismo
antropocêntrico e naturalista, do outro, “todos aqueles que reverentemente humilham-se diante de
Cristo e o adoram como Filho do Deus vivo”. Diante desse embate de concepções de mundo, ou
cosmovisões, Kuyper afirma categoricamente que “se o combate deve ser tratado com honra e com
esperança de vitória, então, princípio deve ser ordenado contra princípio”. Nesse sentido, é
entendido que o Modernismo é um sistema todo abrangente e que, se a cosmovisão cristã quiser
fazer frente a ele, é necessário que ela também se apresente como um sistema todo abrangente.
Kuyper, então, reconhece que “este poderoso sistema de vida não deve ser inventado nem
formulado”, mas, por outro lado, “deve ser tomado como se apresenta na História”. Da história,
portanto, Kuyper resgata o Calvinismo como “a única, decisiva, lícita e consistente defesa das
nações protestantes contra o usurpador e esmagador Modernismo”. (KUYPER, 2002, p. 17-8)
Do Calvinismo, há muito que pode ser dito. Entretanto, cabe aqui apenas destacar alguns
princípios básicos do sistema calvinista para fomentar melhor compreensão do pensamento de
Kuyper. Primeiro ponto e mais fundamental do calvinismo é que ele é absolutamente teocêntrico:
toda a existência está voltada para Deus, que é totalmente soberano em todas as esferas da
realidade. A célebre frase de Kuyper ilustra bem esse princípio: “Não há um único centímetro

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quadrado em todos os domínios da existência humana sobre o qual Cristo, que é soberano sobre
tudo, não clame: é meu!”. A partir desse ponto fundamental, o Calvinismo se desenrola de tal forma
que a metanarrativa da cosmovisão cristã, a saber, “Criação – Queda – Redenção”, é entendida sob
a ótica da soberania exaustiva de Deus. Esta é uma perspectiva que não se resume à esfera religiosa,
mas afeta toda uma concepção de mundo. A compreensão de que há um Deus, que não apenas criou
tudo que existe, mas que governa soberanamente e intimamente sua criação, faz com que aquele
que concebe o mundo dessa forma perceba a si mesmo – e toda a humanidade – como
completamente dependente desse divino Senhor. Além do mais, na perspectiva calvinista, o
universo foi gerado com um fim doxológico, ou seja, de glorificação e exaltação ao Criador. Assim,
é inconcebível que a filosofia política calvinista não seja entendida em termos teocêntricos.
A terceira palestra de Kuyper, registrada sob o título “Calvinismo e Político”, abre com a
seguinte afirmação: “passaremos sumariamente e em princípio a combater a sugestão não histórica
de que o Calvinismo representa um movimento exclusivamente eclesiástico e dogmático”. Além
disso, Kuyper observa que “nenhum esquema político jamais se tornou dominante a menos que
tenha sido fundado numa concepção religiosa específica ou numa concepção anti-religiosa”. Dessa
forma, Kuyper se esquiva de possíveis acusações de que seu sistema deve ser relegado à esfera
privada, abrindo espaço para discorrer sobre o Calvinismo como uma concepção de mundo e
filosofia política sólida e plausível, dado que o Calvinismo “não apenas podou os ramos e limpou o
tronco, mas alcançou a própria raiz de nossa vida humana” (KUYPER, 2002 p. 95).
Explanando o “princípio radical” (radical no sentido de “raiz”) do Calvinismo na esfera da
teoria política, Kuyper retoma a questão fundamental da Soberania de Deus:
“Este princípio [radical] dominante não era, soteriologicamente, a justificação pela fé, mas,
no sentido cosmologicamente mais rude, a Soberania do Deus Triuno sobre todo o Cosmos,
em todas as suas esferas e reinos, visíveis e invisíveis. Uma soberania primordial que irradia-
se na humanidade numa tríplice supremacia derivada, a saber, A Soberania no Estado; A
Soberania na Sociedade; e A Soberania na Igreja (KUYPER, 2002, p. 97)
Discorrendo acerca da Soberania do Estado, Kuyper, à semelhança de filósofos
jusnaturalistas, parte da concepção do homem e da constituição das relações humanas: “O homem é
criado do homem, e em virtude de seu nascimento, ele está organicamente unido a toda raça”, no
entanto, a concepção de Estados não se harmoniza com esta ideia, sendo que “a unidade orgânica de
nossa raça somente seria realizada politicamente se um Estado pudesse abraçar todo o mundo, e se
toda a humanidade estivesse associada em um império”. Para Kuyper, esse rompimento com a
organicidade das relações humanas tem uma causa fundamental e característica do calvinismo: O

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Pecado. Kuyper, portanto, enfatiza que o pecado, ou seja, a rebelião arrogante do homem contra seu
Criador é a força desintegradora que rompe com a unidade orgânica da raça humana (KUYPER,
2002, p. 98). Com efeito,
“toda verdadeira concepção sobre a natureza do Estado e sobre a adoção da autoridade pelo
magistrado, e por outro lado, toda verdadeira concepção sobre o direito e o dever do povo de
defender a liberdade, depende do que o Calvinismo tem colocado aqui no primeiro plano
como a verdade primordial – que Deus tem instituído os magistrados por causa do pecado.”
(KUYPER, 2002, p.99; grifo meu).
Kuyper entende que, por conta do pecado, o magistrado é uma benesse e necessário à vida
humana em comum, pois é necessário uma intervenção externa e por vezes compulsória para refrear
a potencialidade desintegradora e autodestruidora do pecado nos homens. No entanto, o pecado é
algo compartilhado por toda a humanidade, colocando todos os seres humanos sob a mesma
condição. (KUYPER, 2002, p. 100-1). Então, de onde vem a legitimidade da autoridade que o
magistrado exerce sobre os demais? Kuyper é muito claro nessa questão:
“A autoridade sobre os homens não pode originar-se de homens. Nem mesmo de uma
maioria em oposição a uma minoria, pois a História mostra, quase em todas as páginas, que
muitas vezes a minoria estava certa. E assim, a primeira tese calvinista de que somente o
pecado tornou indispensável a instituição de governos, esta segunda e não menos momentosa
tese é adicionada que: toda autoridade de governo sobre a terra origina-se somente da
Soberania de Deus” (KUYPER, 2002, p. 101-2).
Em vista disso, “o magistrado é um instrumento da ‘graça comum’, para frustrar toda
desordem e violência e para proteger o bem contra o mal”. Todavia, a questão da forma de governo
ainda não parece muito clara. Mas há um motivo para tanto: a Autoridade e sua legitimidade não
dependem da forma na qual ela se revela. Kuyper apela pra Calvino para responder a essa questão:
“Nenhum monoteísta negará que o governo direto do próprio Deus é absolutamente
monárquico. Mas Calvino considerava uma cooperação de muitas pessoas sob controle
mútuo, i.e., uma república, desejável, agora que é necessária uma instituição mecânica de
governo por causa do pecado. [...] Ele considera uma monarquia e uma aristocracia, bem
como uma democracia, todas formas possíveis e praticáveis de governo; contanto que seja
imutavelmente mantido que ninguém sobre a terra pode reivindicar autoridade sobre seus
semelhantes, exceto aquela colocada sobre ele ‘pela graça de Deus’; e portanto, o dever
último de obediência é imposto sobre nós não pelo homem, mas pelo próprio Deus.”
(KUYPER, 2002, p. 102-3)

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Kuyper, fiel à concepção calvinista de mundo, coloca a Soberania de Deus no centro de toda
a sua teoria. A soberania do Estado é dependente da soberania concedida por Deus para que o
magistrado seja o executor da justiça e da lei para preservação da ordem. E nisso entra um ponto
importante, a saber, que a esfera estatal está subordinada a Deus da mesma maneira que a esfera da
família, dos negócios, da ciência, da arte etc., e que essas “são esferas sociais que não devem sua
existência ao Estado, e que não derivam a lei de sua vida da superioridade do Estado, mas
obedecem uma autoridade dentro de seu próprio seio; uma autoridade que governa pela graça de
Deus, do mesmo modo como faz a soberania do Estado”. Consequentemente, o Estado não é um
todo abrangente, mas uma esfera da existência que se relaciona horizontalmente com as demais
esferas, não podendo usurpar o direito delas e almejar atribuir para si a função que cada uma delas
desempenha, ferindo, desse modo, a liberdade civil (KUYPER, 2002, p. 111). Logo, é possível
resumir a teoria social e política de Abraham Kuyper da seguinte maneira:
“Sua teoria social e política da soberania de Deus sobre todas as esferas da vida humana é
uma tentativa de limitar o poder de um Estado totalitário. Em seu pensamento, cada esfera da
vida humana – família, igreja, Estado, trabalho, economia – tem sua própria área de
responsabilidade, que é derivada diretamente de Deus. [...] Ele entendia, então, que a função
do Estado era preservar na sociedade a justiça de Deus, como revelada em sua Palavra.”
(FERREIRA, 2014, p. 368).

Estado e Soberania em Herman Dooyeweerd


Herman Dooyeweerd foi, muito provavelmente, o mais criativo e proeminente filósofo neo-
calvinista do século XX. Holandês, nasceu em Amsterdã em 1894, iniciando, em 1912, seus estudos
em Direito na Universidade Livre de Amsterdã (aquela fundada por Abraham Kuyper) e
posteriormente, de 1926 a 1965, atou como professor de jurisprudência nessa mesma universidade.
“Originalmente mantendo que a reforma da cultura e da erudição deveria se dar com base na
cosmovisão calvinista, ele continuou e ampliou a tradição kuyperiana de forma exaustiva como
autor de mais de 200 livros e artigos nas áreas do direito, da teoria política e da filosofia”.
(NAUGLE, 2017, p. 54)
Dooyeweerd representou uma continuação e uma expansão do pensamento de Kuyper, ou,
do “kuyperianismo”. A partir da noção da soberania das esferas, Dooyeweerd desenvolveu um
sistema filosófico denominado de “filosofia da ideia cosmonômica”, que, em linhas gerais,
desenvolve a ideia de que “o conhecimento científico surge de uma tentativa de abstrair-se de uma
dimensão da realidade a fim de torná-la lógica ou cientificamente cognoscível”. Dessa forma, ao

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mesmo tempo que “o pensamento teórico ajuda no melhor entendimento de algumas facetas da
realidade”, ele incorre no risco de, ao privilegiar certos aspectos da realidade, acabar por se tornar
uma abordagem reducionista e ser incapaz de compreender a totalidade da realidade. Desse
reducionismo teórico surgem os “ismos” da filosofia como, por exemplo, o materialismo, o
logicismo, o vitalismo e assim por diante. Essas filosofias são reducionistas, pois privilegiam
apenas um ou dois aspectos da realidade, ou “aspecto modal”, sendo incapazes de fornecer uma
visão integral da realidade. Para Dooyeweerd, diferentemente do que pressupõem as filosofias
reducionistas, os aspectos modais da realidade não são autoexistentes e autônomos, mas
mutuamente dependentes e “conjuntamente apontam para uma dependência ainda maior em relação
ao Criador”. (RAMOS e FREIRE in DOOYEWEERD, 2014, p. 22-5). A fim de ilustrar com mais
clareza o conceito de aspecto modal da realidade e de reducionismo filosófico, Dooyeweerd cita a
ciência humanista como paradigma:
“O erro primário da ciência humanista (Wissenschaft) era a crença de que o princípio
estrutural das coisas poderia ser resolvido nas leis de uma única esfera de lei [aspecto
modal]. Assim, pensava-se que uma árvore viva poderia ser analiticamente
construída, em sua completude, como um complexo de movimentos mecânicos e
materiais. A coisa individual era teoricamente resolvida dentro de um de seus aspecto
(nesse caso, no movimento mecânico), e o princípio estrutural real não era levado em
consideração.” (DOOYEWEERD, 2014, p. 83)
A filosofia de Dooyeweerd está profundamente enraizada na noção de que a realidade é
fundada numa miríade de aspectos modais individualmente irredutíveis. Para ele, “os vínculos
sociais, tais como família, igreja, escola, Estado” também são dotados de uma estrutura interna
individual, não podendo “ser reduzidos a – ou determinados por – um único aspecto da realidade,
como, por exemplo, os aspectos econômico ou jurídico”. Cada um desses vínculos sociais “são
radicalmente distintos um dos outros em seu princípio estrutural interno, pois este é que determina a
função típica final de um vínculo social”. A função qualificante desses vínculos sociais é que dá o
direcionamento e as características próprias dessas esferas. (DOOYEWEERD, 2014, p.84). Então,
“uma unidade industrial é tipicamente qualificada como econômica, isto é, possui um
princípio estrutural interno pelo qual os vários aspectos dessa realidade são agrupados de tal
forma que o aspecto econômico tipicamente conduz e direciona todas as funções anteriores.
[...] Da mesma forma ocorre com a família: na força de seu princípio estrutural divino, ela é
qualificada como uma comunidade tipicamente ética de amor entre pais e filhos. E,
finalmente, O Estado é, de acordo como princípio estrutural interno, uma relação social na

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qual o papel da função qualificante é desempenhado pela comunidade tipicamente jurídica
de governantes e sujeitos”. (DOOYEWEERD, 2014, p. 84)
Consequentemente, o princípio estrutural do Estado não é igual o da família, cujos laços são
orgânicos, mas é tipicamente jurídico, fundado “no aspecto histórico da realidade – em uma
formação histórica do poder, a organização monopolística do poder da espada sobre um dado
território”. (DOOYEWEERD, 2014, p 85-6). Dessa forma, Dooyeweerd, seguindo a mesma linha
de Calvino e Kuyper, entende que a autoridade do Estado é divinamente legítima, mas sua atuação
deve sempre respeitar o limite de função fundante, que é exercer a justiça e fazer cumprir a lei, não
ultrapassando e usurpando a soberania das demais esferas como a família, a escola e os negócios. A
função do Estado é essencialmente judicial e moral, sendo o detentor da “espada” para punir os
malfeitores e louvar os benfeitores, mantendo a consistência da vida comunal.
Em suma, a filosofia de Dooyweerd é fundamentalmente antireducionista. Dooyeweerd
entende que o cosmos não é produto do acaso, mas sim uma criação ordenada de Deus que está
sujeitas a leis e normas advindas da graça divina. A realidade é constituída por diversos aspectos
irredutíveis – os aspectos modais -, e qualquer interpretação da realidade que partir de um número
restrito desses aspectos será incapaz de fornecer uma visão de mundo abrangente e verossímil. Em
sua obra mais madura, Dooyeweerd propôs 15 aspectos modais: aritimético, espacial, cinemático,
físico, biótico, psíquico, lógico, histórico, linguístico, social, econômico, estético, jural, ético e
pístico. Os sistemas de pensamentos não genuinamente cristãos costumam adotar um ou dois
aspectos modais – não muito mais do que isso – para tentar compreender o mundo a sua volta, se
tornando sistemas rígidos e reducionistas. Nesse sentido, o pensamento de Dooyeweerd é essencial
para se compreender a essência da filosofia política cristã reformada e como esta contrasta com as
ideologias contemporâneas. (KOYZIS, 2014)

Debate com as Ideologias Contemporâneas


Na contemporaneidade não é raro presenciarmos debates políticos acalorados. Em meio a
expressivos antagonismos e hostilidades nas discussões políticas, não é difícil acreditar que a
questão político-ideológica não seja um mero debate de ideias baseadas em argumentos puramente
racionais em que a posição que se mostra mais resistente à crítica prevalece. Muito pelo contrário,
os embates políticos se parecem muito mais com cruzadas religiosas imbuídos de paixão e ódio.
Talvez – e muito provavelmente -, a arena política seja de fato uma espécie de cruzada religiosa em
que ideólogos e partidários se digladiam ferozmente, ainda que sem espadas e armas. Esta é,

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portanto, a afirmação fundamental da cosmovisão cristã reformada: As ideologias políticas são
profundamente religiosas, mesmo que algumas se declarem abertamente ateístas.
Dooyeweerd afirma que a condição religiosa é o fator determinante de toda atividade teórica
e empreendimento cultural e que, portanto, a mentalidade e ação humana são moldados pelos
compromissos espirituais e religiosos intrínsecos ao coração humano (NAUGLE, 2017, p. 54-5).
Russel Kirk em seu livro “A Política da Prudência” ,citando Eric Voegelin e e Gerhart Niemeyer,
diz que os ideólogos “’imanentizam os símbolos da transcendência’ – isto é, corrompem a visão de
salvação pela graça após a morte, com falsas promessas de completa felicidade nesse terreno.”, ou
seja, a ideologia é “uma fórmula política que promete um paraíso terreno à humanidade” (KIRK,
2013, p.94-5). Não existe neutralidade religiosa nem na política nem em qualquer empreendimento
teórico ou cultural humano e, por esta razão, a filosofia política cristã não antagoniza com
ideologias religiosamente neutras, mas formas de “idolatria”, ou seja, sistemas de pensamentos, cuja
é raiz fundamentalmente religiosa, colocando qualquer outra coisa que não seja Deus como a pedra
angular da sua cosmovisão. Sendo monoteísta e dando primazia a soberania de Deus, a cosmovisão
cristã reformada vai tratar qualquer sistema de pensamento que coloque qualquer outra coisa ou ser
no lugar de Deus como idolatria. Nesse sentido, o debate contemporâneo começa com essa
distinção: calvinismo versus idolatrias políticas, vulgo, ideologias.
Em que sentido, portanto, as ideologias políticas são idólatras? Ecoando a metanarrativa
cristã da “criação – queda – redenção”, podemos dizer que a ideologia é uma falsa revelação dessa
metanarrativa: “O cristianismo vê Jesus Cristo como fonte de toda salvação. As ideologias dizem
que a salvação vem a nós através, por exemplo, da maximização da liberdade individual, da
propriedade comum, da libertação do domínio estrangeiro, da submissão dos indivíduos à vontade
geral etc.” (KOYZIS, 2014, p.35) Para resumir, entretanto, é possível analisar o caráter idólatra das
ideologias em fundamentalmente dois sentidos: primeiro, as ideologias políticas são
antropocêntricas ou, pelo menos, colocam outra coisa que não seja Deus no centro; segundo, e em
parte decorrente do primeiro ponto, as ideologias são reducionistas, ou seja, interpretam a realidade
a partir de um aspecto reduzido da realidade. De forma geral, todas as ideologias são
fundamentadas no que chamamos de humanismo, ou secularismo, que são perspectivas
essencialmente religiosas e expressivamente antropocêntricas (KOYZIS, 2014). Consequentemente,
cabe aqui a tarefa de mostrar como as ideologias se encaixam no rótulo de idólatras na perspectiva
cristã reformada. Para tanto, serão examinadas duas das mais proeminentes ideologias – ou
correntes ideológicas - da contemporaneidade: o liberalismo e o socialismo. A cosmovisão cristã

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contrasta igualmente com o conservadorismo e o nacionalismo, como a outras ideologias. No
entanto, por questão de propósito e espaço, a análise mais profunda será restrita ao liberalismo e ao
socialismo. Tal escolha se deve ao fato de que, nos dias atuais, essas duas correntes se mostram
mais proeminentes tanto na quantidade de adeptos como na intensidade dos embates e
antagonismos entre elas. Além de terem concepções de Estado diametralmente opostas.
A começar pelo liberalismo, podemos dizer que, de forma geral e reconhecendo as diversas
correntes do liberalismo, esse sistema de pensamento valoriza o que se pode chamar de soberania
do indivíduo. O liberalismo parte, assim como praticamente todas as ideologias, de “uma crença
fundamental na autonomia humana, que vai muito além de um simples apreço pela liberdade
pessoal. Ser autônomo é dirigir a si mesmo, governar a si mesmo segundo a lei que se escolheu para
si” (KOYZIS, 2014, p.56). Nesse sentido, o liberalismo é uma espécie de rebeldia à soberania
divina, desrespeitando os propósitos cosmonômicos de Deus. Nem todo liberal leva a sua crença na
autonomia individual às últimas consequências, entretanto, a crença fundamental, a radix do
pensamento liberal, é intolerante à autoridade heterônoma, rejeitando qualquer autoridade que não
provenha da vontade do indivíduo. O indivíduo é redimido à medida que a autoridade externa
diminui e a autonomia individual aumenta. Dessa forma, o liberalismo sustenta uma soteriologia
rival à soteriologia cristã, oferecendo uma perspectiva de redenção terrena que, segundo a
cosmovisão cristã, jamais irá se concretizar. Dessa forma, o liberalismo escancara sua identidade
religiosa e idolátra. Seguindo o raciocínio de Dooyeweerd, o liberalismo é reducionista no sentido
de resumir a interpretação da realidade ao aspecto modal lógico, sendo, desse modo, incapaz de
abranger o caráter integral da realidade e da experiência humana, caindo no risco de gerar graves
distorções e consideráveis impactos negativos na sociedade. (KOYZIS, 2014)
O socialismo, como contrapartida ao liberalismo, não é mais feliz em sua ambição
soteriológica. Reconhecendo a diversidade das formas de socialismo, é possível afirmar que todas
compartilham, em grande medida, uma espécie de esperança de salvação por meio da propriedade
comum. Mais do que boa parte das demais ideologias existentes, o socialismo “afirma incorporar
uma crítica social radical, prometendo mudanças fundamentais e, com elas, a salvação para a
sociedade como um todo” (KOYZIS, 2014, p.189). O socialista não se contenta com meras
reformas na comunidade política. Os mais ambiciosos fomentam um programa que visa uma
mudança abrangente e estrutural que ultrapassa o âmbito político. Dessa forma, o caráter idólatra do
socialismo, principalmente o de orientação mais marxista clássica, se encontra em sua substância
revolucionária e escatológica, contrastando com a visão cristã de mundo: “assim como a Escritura

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nos dá a certeza da vitória final da Jesus Cristo sobre seus inimigos e de que os justos brilharão
como o Sol sobre a nova terra no reino de Deus, assim também o marxismo promete uma
consumação escatológica da história humana” (KOYZIS, 2014, p. 208). Logo, o marxismo é
idólatra no sentido de oferecer um programa político que visa alcançar a salvação terrena mediante
a superação das desigualdades e do fim das classes sociais, resultando numa sociedade baseada na
propriedade comum, o que, parafraseando Cecil Palmer, só funciona no céu, onde ninguém precisa
desse sistema. Além da soteriologia inverossímil e da escatologia utópica em seus moldes mais
radicais, o socialismo é, assim como o liberalismo analisado acima, reducionista: O socialismo,
principalmente na vertente marxista clássica enxerga a realidade de forma profundamente
economicista, em que a oikos se torna o logos. Desse modo, a cosmovisão socialista é, assim como
o liberalismo, incapaz de enxergar a beleza da integralidade modal da realidade, gerando do mesmo
modo efeitos danosos na sociedade. (KOYZIS, 2014).
A cosmovisão política da tradição cristã reformada se distancia das ideologias por
reconhecer a diversidade modal da realidade. A realidade é real no sentido de esbanjar a realeza da
majestade divina do Deus Trino Criador dos céus e da terra. Ao reconhecer que dos atributos e da
natureza Deus emana toda justiça, toda beleza, toda lógica, toda ciência e toda a vida que existe,
Calvino, Kuyper e Dooyeweerd oferecem uma visão de mundo e vida que reconhece a diversidade
existencial do cosmos. Tal visão entende que cada instituição divinamente estabelecida tem seu
papel definido. A Igreja, a Escola, a Família e o Estado, detém cada um a sua esfera e
responsabilidade modal, sendo que entre elas deve haver um respeito mútuo, de modo que nenhuma
dessas esferas usurpe e aparelhe a outra, o que certamente causaria danos e distorções – o que
infelizmente já ocorreu e continua ocorrendo, especialmente por conta do poder das ideologias.
Dessa forma, a filosofia política cristã reformada é, em linhas gerais, um sólido e equilibrado
sistema de pensamento que combate tanto o totalitarismo como a desordem, entendendo que o ser
humano é incapaz de salvar si mesmo, seja pela via liberal, seja pela via socialista, ou qualquer via
ideológica, filosófica ou política. A política não existe como esfera pística da realidade. A redenção
só pode ser encontrada fora do homem e dos sistemas criados por suas mãos. Portanto, o Estado não
é, e jamais poderá ser, um instrumento para a salvação da humanidade.

Considerações Finais
Por fim, convêm algumas breves considerações finais. Mas, antes das considerações em
relação ao tema específico, cabe destacar a importância que o estudo dos conceitos de cosmovisão e

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do desenvolvimento das visões de mundo têm para as ciências humanas e sociais. Sem uma análise
das cosmovisões, é impossível compreender a fundo qualquer sistema de pensamento e muito fácil
incorrer no risco de ser incoerente com o próprio sistema de pensamento adotado.
Em relação à análise da concepção de Estado na cosmovisão cristã a partir da tradição
reformada, destacam-se algumas conclusões. Primeiro: a tradição reformada preserva uma
cosmovisão política abrangente, com estruturas internas sólidas de plausibilidade. Segundo, o
conhecimento da cosmovisão cristã, com destaque à tradição reformada, contribui para a
compreensão de muitos dos axiomas da mentalidade da nossa época, além de nos levar a
compreender uma rica e importante tradição. Por fim, a concepção de Estado na corrente reformada
do cristianismo oferece uma visão coesa e consistente contra o totalitarismo e a desordem.

Bibliografia
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