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MICROECONOMIA COMPLETO

Teoria e Questões Comentadas


Profa. Amanda Aires – Aula 02

Aula 03: Teoria do Consumidor

Sumário Página
1. Preferências do Consumidor 6
Utilidade 17
Restrição Orçamentária 19
Escolha 24
Exercícios 29

Olá Alunos do Estratégia Concursos,

Tudo bem?

Continuamos hoje nossa luta falando mais detidamente sobre as


escolhas do consumidor. Vamos entender como os consumidores criam
as suas curvas de demanda dependendo das suas preferências e da
sua renda!

Infelizmente, na aula de hoje, não teremos muitos exercícios. Mas


prometo, na aula que vem, teremos muitos, muitos mesmo!

Ao trabalho???

Mas antes, se liga aí que é hora do resumão!

>> OFERTA E DEMANDA


BREVE REVISÃO:

1. A Lei da Demanda afirma que as curvas de demanda


normalmente se inclinam para baixo, isto é, um preço mais alto
(P2) reduz a quantidade demandada (Q1).

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2. Quando os economistas falam de aumento ou diminuição na


demanda, eles estão se referindo a deslocamentos da curva
de demanda. Um aumento na demanda é um deslocamento
para a direita: a quantidade demandada aumenta para qualquer
preço dado. Uma redução na demanda é um deslocamento para
a esquerda: a quantidade demandada cai para qualquer preço
dado. Uma mudança no preço resulta em um movimento ao
longo da curva de demanda e em uma mudança na quantidade
demandada.

3. Os quatro principais fatores que podem deslocar a curva de


demanda são (1) mudança no preço de um bem relacionado,
(2) renda, (3) gostos e (4) expectativas.

4. Curvas de oferta normalmente têm inclinação para cima: a


um preço mais alto as pessoas estão dispostas a oferecer maior
quantidade de um bem.

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5. Uma mudança no preço tem como consequência um


movimento ao longo da curva de oferta e uma mudança na
quantidade ofertada.

6. Como a demanda, quando os economistas falam em aumento ou


redução da oferta eles se referem a deslocamentos da curva
de oferta e não a mudanças na quantidade ofertada. Um
aumento na oferta é um deslocamento para a direita: a
quantidade ofertada aumenta para qualquer preço dado. Uma
redução na oferta é um deslocamento para a esquerda: a
quantidade ofertada cai para todos os preços dados.

7. Os três principais fatores que podem deslocar a curva de oferta


são: (1) mudanças nos preços de insumos, (2) tecnologia e (3)
expectativas.
8. O preço em um mercado competitivo se move para o preço de
equilíbrio, ou preço que ajusta o mercado, pelo qual a

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quantidade ofertada é igual à quantidade demandada. Esta é a


quantidade de equilíbrio.

9. Todas as vendas e compras em um mercado ocorrem ao mesmo


preço. Se o preço está acima do nível de equilíbrio, há um
excedente que pressiona o preço para baixo. Se o preço está
abaixo do nível de equilíbrio, há escassez, o que pressiona o
preço para cima.

10. Mudanças no preço e na quantidade de equilíbrio em


um mercado resultam de deslocamentos na curva de oferta, na
curva de demanda ou em ambas.
11. Um aumento na demanda, ou seja, o deslocamento da
curva de demanda para a direita, aumenta tanto o preço de
equilíbrio quanto a quantidade de equilíbrio. Uma queda na
demanda, ou seja, o deslocamento da curva de demanda para a
esquerda, pressiona para baixo tanto o preço de equilíbrio
quanto a quantidade de equilíbrio.

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12. Um aumento na oferta pressiona para baixo o preço de


equilíbrio, mas aumenta a quantidade de equilíbrio. Uma
queda na oferta aumenta o preço de equilíbrio, mas reduz a
quantidade de equilíbrio.

13. Muitas vezes, as flutuações em mercados envolvem um


deslocamento simultâneo da curva de oferta e da curva de
demanda. Quando se deslocam na mesma direção, a
mudança na quantidade é previsível, mas a mudança no
preço não o é. Quando elas se movem em direções opostas, a
mudança no preço é previsível, mas a mudança na quantidade

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não é. Quando ocorre o deslocamento simultâneo da curva de


demanda e da curva de oferta, a curva que se desloca uma
distância maior tem efeito mais forte sobre a mudança no preço
e na quantidade.

(caso o ponto 13 não tenha ficado 100% claro, não se preocupe, na


aula de exercícios (última aula do curso) faremos uma lista ENORME
de questões que abordarão esse assunto!)

Então vamos à luta!

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1. A teoria do Consumidor
1.1. Preferências do Consumidor
Considerando que existe uma imensa variedade de bens e serviços
disponíveis no mercado e havendo uma grande diversidade de gostos
pessoais, como é possível descrever as preferências do consumidor de
uma forma coerente? Por exemplo, o que faz você ler em uma tarde
de domingo chuvoso ao invés de assistir ao jogo de futebol e o que me
faz dormir nessas circunstâncias ao invés de escutar música? Ou
ainda, o que faz você demandar ingressos para o show do Jack
Johnson e o que me faz demandar ingressos para o show do U2?

Ao analisar o comportamento do consumidor, estamos falando de


gente tentando conseguir o que quer, isto é, de sentimentos
subjetivos. Mas não existe uma maneira simples de medir esses
sentimentos. Você pode considerar que esses sentimentos sejam
originados das noções sociológicas, das origens familiares, dos anseios
pessoais, etc.

Uma boa maneira de enfrentar o problema é pensar as preferências do


consumidor, ou em como o consumidor faz escolhas sem considerar a
sua renda, em termos de comparações de cestas de mercado (ou
de mercadorias)i. Essas cestas são combinações de uma ou mais
mercadorias. Nos exemplos acima, para você, uma cesta poderia ser
composta por ler à tarde, outra por assistir ao futebol. Enquanto que,
para mim, uma cesta é composta por dormir à tarde e outra por
escutar música.

Para poder explicar o que nos faz optar por determinadas cestas, no
seu caso, ler, no meu, dormir, precisamos compreender a existência
de algumas premissas básicas que explicam o comportamento do
consumidor. Além disso, essas premissas são importantes porque
acredita-se que elas são válidas para a maioria das pessoas na maior
parte das situações. Vamos estudá-las?

Premissas Básicas do Consumidor

 Preferências são Completas (também conhecido


como axioma da completude ou completeza): o
consumidor é capaz de comparar e ordenar todas as

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cestas de mercado. Ou seja, de acordo com suas


preferências, o consumidor poderá dizer se prefere a
cesta A a B, se prefere B a A ou se é indiferente às
duas. Observe ainda que, nesse caso, não se leva em
consideração o fator preço. Ou seja, uma pessoa
poderia preferir assistir ao U2 na Irlanda a assistir em
São Paulo, porém compraria o segundo por ser mais
barato1;

 Preferências são Transitivas: existe consistência na


ordenação das preferências. Exemplo: se você prefere
ler a assistir ao jogo de futebol e prefere assistir ao
jogo de futebol a dormir, pela hipótese de
transitividade, então você deverá preferir ler a dormir;

 Preferências são Monotônicas: mais de um bem é


melhor que menos. Nesse caso, considera-se que
todas as mercadorias são “boas”. Esta premissa é
adotada por motivos didáticos: ela simplifica a análise
gráfica. Certamente, algumas mercadorias poderão
ser indesejáveis, como, por exemplo, aquelas que
provocam poluição do ar, de tal forma que os
consumidores preferirão menos delas.2

Essas três premissas constituem a base da teoria do consumidor. Elas


não explicam as preferências do consumidor, mas lhes conferem o
atributo da racionalidade. Para ver um exemplo de comportamento
não racional, vejamos o vídeo abaixo!

1 Para o caso da premissa da completude, Dante Alighieri afirma que <<Um homem livre, colocado no
meio de dois alimentos eqüidistantes e igualmente apetitosos, morrerá de fome antes que crave os
dentes num>>. Nesse caso, note que, em se tratando de consumidor, a noção de bens indiferentes e a
ausência de forças que atuem sobre esse homem (lembre que o homem é livre) faz com que ele não
seja capaz de escolher. Fica aí uma lição de economia nas citações históricas.
2 Esses bens não serão alvo da nossa análise.

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http://www.youtube.com/watch?v=InPruQzxaG4&feature=player_emb
edded

Como é possível observar no vídeo, apesar de muito bonitinho, o


menino desse vídeo não pode ser analisado à luz da economia por não
deter um comportamento dito racional. Além desse comportamento,
não pode ser analisado em economia qualquer comportamento que
fuja às premissas básica acima apresentadas, como obsevador no caso
dos consumidores de drogas.

Baseando-se nessas premissas ou hipóteses, passaremos, então, a


analisar o comportamento do consumidor. Começaremos observando
como representar graficamente as preferências do consumidor, ou
seja, como os consumidores ordenam as cestas. Essa representação
pode ser vista através das curvas de indiferença.

Curvas de Indiferença

Dentro do que analisamos, é sempre bom lembrar que, quando


falamos de preferências do consumidor, estamos falando da
possibilidade de fazermos comparações entre cestas de mercadorias
(ou cestas/pacotes de mercado). Até agora, fizemos apenas
representações verbais. Contudo, também é possível representar as
preferências graficamente por meio do uso das curvas de

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indiferençaii. Assim, por definição, uma curva de indiferença


representa todas as combinações de cestas de mercado que
fornecem o mesmo nível de satisfação a uma pessoa. A figura
abaixo mostra um exemplo de curva de indiferença em que o
consumidor compara dois bens.3

Figura 1: Curva de indiferença


A curva de indiferença representa as cestas de mercado que trazem o mesmo grau
de satisfação para o consumidor. Ou seja, todos os pontos que estão sobre a curva
de indiferença de um consumidor são classificadas como indiferentes para esse
consumidor. No gráfico, você pode ser indiferente entre três horas de leitura no
domingo ou duas horas de futebol.

Agora que você já observou o formato de uma curva de indiferença,


vamos analisar detidamente as informações trazidas por esse gráfico.
Inicialmente, analisemos as áreas abaixo e acima da curva. Como os
consumidores preferem sempre maiores quantidades de um bem a
menores, poderemos dizer que as cestas que estão acima da curva de

3 Note que não é possível comparar, graficamente, todos os bens simultaneamente. Assim, para que
seja possível uma representação gráfica das preferências de um consumidor, só é possível comparar
dois bens de cada vez. Uma única forma de representar mais de dois bens em uma curva de
indiferença bidimensional é considerando um desses como um bem composto, ou seja, todos os
demais bens juntos. Por exemplo, eu posso fazer uma comparação entre horas de leitura e tudo o
mais que eu poderia fazer se não estivesse lendo.

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indiferença são preferidas às cestas que estão abaixo da curva. Por


exemplo, a cesta A, que contém cinco horas de leitura e quatro horas
de futebol é preferida a cesta C, que possui três horas de leitura e
duas horas de futebol. Por sua vez, a cesta B, que possui 2 horas de
leitura e 1 hora de futebol não é melhor que a cesta C, pois possui
menos dois dois bens. No caso da cesta A e de todas as demais que
estão acima da curva de indiferença em análise, poderemos dizer, com
certeza, que essas cestas não são piores que as cestas que estão
sobre a U1. No caso da cesta B e de todas as que estão abaixo de U1,
essas serão classificadas como não melhores que as que estão sobre
U1.

Mas o que dizer sobre as cestas D e E? Observe que, no caso dessas


duas cestas, enquanto a cesta D possui mais horas de futebol, a cesta
E possui mais horas de leitura. Nesse caso, nada se pode afirmar
sobre as duas cestas: como elas não possuem bens em quantidades
estritamente maiores, não podemos dizer, com certeza, se elas são
melhores ou não. Nesse caso, diremos que o consumidor será
indiferente entre as cestas C, D e E, por isso, justamente por o
consumidor ser indiferente entre as cestas que elas estão sobre a
curva de indiferença! Nesse caso, todas as cestas que formam a curva
são indiferentes para o consumidor: ele estará igualmente satisfeito se
ler três horas e assistir duas de futebol ou assistir quatro horas de
futebol e ler apenas uma!

Note que essa curva apresenta inclinação negativa, da esquerda para


a direita. Para que se possa compreender por que isso ocorre,
suponhamos alternativamente que a curva de indiferença apresentasse
inclinação ascendente de B para A. Isso violaria a premissa de que
uma quantidade maior de qualquer mercadoria é sempre melhor que
uma quantidade menor, ou seja, isso fere a premissa da
monotonicidade. Uma vez que a cesta de mercado A possui mais horas
para a leitura e para o futebol, ela deverá ser preferida a B.

Para descrever as preferências de um consumidor em relação a todas


as combinações de leitura e futebol, podemos traçar um conjunto de
curvas de indiferença, o qual se denomina mapa de indiferençaiii.
Cada curva de indiferença apresenta as cestas básicas em relação às
quais a pessoa se mostra indiferente. A figura 2 mostra três curvas de
indiferença que fazem parte de um mapa de indiferença. A curva U3
oferece o mais alto grau de satisfação, pois possui cestas com maiores

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quantidades de ambos os bens, sendo seguida pelas curvas U1 e U2,


que possui menores quantidades dos dois bens em análise.

Figura 2: Mapa de indiferença


Um mapa de indiferença é um conjunto de curvas de indiferença que descrevem as
preferências de um consumidor. Qualquer cesta de mercado sobre a curva U2 (por
exemplo, a cesta A) é preferível em relação a qualquer cesta de mercado sobre U1
(por exemplo, a cesta C), que, por sua vez, é preferível a qualquer cesta sobre a
curva U3 (por exemplo, a cesta B).

Para que nós possamos finalizar a análise detida das curvas de


indiferença, note que essas não podem se interceptar! Para que
possamos entender a razão, suponhamos que pudesse acontecer o
contrário, como mostrado na figura 3.

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Figura 3: Curvas de indiferença nãp podem se interceptar


Se as curvas de indiferença U1 e U2 se interceptassem, uma das premissas da teoria
do consumidor seria violada. De acordo com a figura, o consumidor seria indiferente
à cesta C, D ou E. Entretanto, E é preferível a D, pois E contém quantidades maiores
de ambas as mercadorias.

Para comprovar que as curvas não podem se cruzar, basta nos


movermos do ponto C, na curva de indiferença U1 para o ponto D na
mesma curva. De acordo com a curva U2, por sua vez, as cestas C e E
são equivalentes; então, pela premissa da transitividade, se C é
indiferente a D e C também é indiferente a E, então, D também seria
indiferente a E, o que não é verdade, já que D e E estão em curvas
diferentes. Essa conclusão ilógica é decorrente de as curvas de
cruzarem.

Vale aqui, antes de exercitarmos qualquer coisa sobre curvas de


indiferença, vale aqui analisar dois tipos específicos de curvas que
sempre aparecem nas provas: a curva de indiferença para bens
substitutosiv e para bens complementaresv, mostradas na figura 4.

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Figura 4: Bens substitutos e bens complementares


Na figura da direita, o consumidor considera adoçante e açúcar como
bens substitutos, ou seja, ele é sempre indiferente entre o consumo de
um ou de outro. Na figura da esquerda, o consumidor considera açúcar
e adoçante como bens complementares. Um aumento na quantidade
de açúcar não propicia aumento na satisfação, a menos que ele
obtenha uma xícara de café correspondente.

Antes de continuar, vamos dar uma exercitada? Primeiro exercício da


aula de hoje!

Exercício 1
1. (CESGRANRIO, MPE/RO, Economista 2005) Uma curva de
indiferença é o lugar geométrico dos pontos nos quais o
consumidor:

(A) vai sempre preferir as cestas de bens localizadas mais


à direita na curva.
(B) vai sempre preferir as cestas de bens localizadas mais
à esquerda na curva.
(C) é indiferente entre as cestas de bens.
(D) é incapaz de calcular sua utilidade total.
(E) é incapaz de calcular sua utilidade parcial.

Para responder a essa questão, basta lembrar que estamos nos


referindo a curvas de indiferença! Logo, a curva de indiferença, por
definição (vale a pena olhar o glossário aqui) é uma linha de contorno
que mostra todas as cestas de consumo que geram a mesma
satisfação total para um indivíduo. Logo, a resposta correta é a letra

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C! As letras (A) e (B) não estão corretas porque a única coisa que se
pode dizer sobre preferências é que o consumidor preferirá cestas
mais acima da sua curva de indiferença e não preferirá cestas que
estejam mais abaixo da sua curva de indiferença! As justificativas para
as letras (D) e (E) serão vistas mais em breve!

Logo, gabarito, letra (C)

GABARITO: C

Agora que já compreendemos as principais características das curvas


de indiferença, precisamos entender como o consumidor troca uma
cesta pela outra, quando essas proporcionam o mesmo nível de
satisfação. Essa medida é muito importante porque nos explicará como
as pessoas se defrontam com permutas entre duas, três ou mais
mercadorias. A essa taxa de “troca”, denominamos de Taxa Marginal
de Substituiçãovi. A figura 5 ilustra esse fato.

Figura 5: Taxa Marginal de Substituição


A inclinação negativa de uma curva de indiferença de um consumidor é a
medida de sua taxa marginal de substituição (TMS) entre dois bens. Na
figura, a taxa marginal de substituição de horas de leitura e horas para o
futebol – ∆F/∆L, cai de 3 (entre E e C), para 1 (entre C e D). A TMS diminui
ao longo da curva quando ela é convexa.

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Analisando o gráfico acima, saindo do ponto E para o ponto C, o


consumidor está disposto a trocar três horas de futebol por mais uma
hora de leitura (esse movimento pode ser visto pelo -3 que se refere
às horas de futebol perdidas e o 1 que se refere à hora adicional de
leitura). Entretanto, movimentando-se de C para D, ele se dispõe a
desistir de apenas uma hora de futebol para obter mais uma hora de
leitura. Nesse sentido, quanto mais horas de futebol e menos horas de
leitura o consumidor adquirir, maior será a quantidade de horas de
futebol que ele estará disposto a desistir para poder obter mais horas
de leitura. Da mesma forma, quanto maior a quantidade de horas para
a leitura, menor será a quantidade de horas para o futebol que o
consumidor estará disposto a desistir para obter mais horas de leitura.

Para medir a quantidade de uma determinada mercadoria da qual o


consumidor estaria disposto a desistir para obter maior número de
outra, fazemos uso de uma medição denominada Taxa marginal de
substituição (TMS). A TMS de horas para o futebol corresponde à
máxima quantidade de unidades de horas para o futebol das quais
uma pessoa estaria disposta a desistir para obter uma hora a mais
para a leitura.

Assim, como o sacrifício em termos de horas de futebol perdidas é


cada vez maior, para ter mais de horas de leitura, o consumidor
dispõe-se cada vez menos a ceder horas de futebol. Essa redução da
TMS é compatível com a convexidadevii da curva.

Será que é sensato afirmar que as curvas de indiferença sçao


convexas? SIM, pois à medida que maiores quantidades de uma
mercadoria são consumidas, esperamos que o consumidor prfira abrir
mão de cada vez menos unidades de uma segunda mercadoria para
obter unidades adicionais da primeira mercadoria.

Apenas lembrando, para fins de simplificação na hora da prova,


normalmente, a mercadoria que está no eixo vertical é a que estamos
abrindo mão para que seja obtida uma unidade adicional da
mercadoria representada no eixo horizontal. Assim, no caso da figura
5, estamos abrindo mão de horas para o futebol para ganharmos
horas de leitura.

Agora que compreendemos como os consumidores escolhem entre

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duas cestas de bens, precisamos entender o que faz você ir ao show


do jack Johnson e o que me faz ir ao show do U2. Essa definição é
bastante importante na economia e se denomina utilidade.

1.2. Utilidade

Voltando a nossa pergunta, quanta satisfação eu tenho em ir ao


primeiro show do U2? É mais ou menos que a sua? Tem sentido essa
pergunta? Felizmente, não precisamos fazer comparações entre os
meus sentimentos e os seus. Tudo o que é necessário para analisar o
comportamento do consumidor é que nós estamos sempre escolhendo
aquilo que nos faz mais feliz ou mais safisfeitos. Estamos procurando
aqui, o que nos traz maior utilidadeviii!

A utilidade é o nível de satisfação que uma pessoa obtém ao consumir


um bem ou exercer uma atividade. A utilidade, assim definida, possui
um importante componente psicológico, pois as pessoas obtêm níveis
maiores de satisfação adquirindo coisas que lhes dão prazer e evitando
as que lhes causem desconforto. Na análise econômica, a utilidade é
mais frequentemente usada com a finalidade de resumir a ordem das
preferências de cestas de mercado. Se a aquisição do ingresso do
show de Jack Johnson torna você mais feliz do que a aquisição do
ingresso do U2, então dizemos que o show do Jack Johnson
proporciona maior utilidade a você que o show do U2.

Para analisar o nível de utilidade através das curvas de indiferença do


consumidor, analisemos a figura 6, semelhante a figura 2:

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Figura 7: Funções Utilidade e curvas de indiferença


Uma função utilidade pode ser representada por um conjunto de curvas de
indiferença, cada qual com um indicador numérico. As curvas de indiferença
U3, U1 e U1 poderiam ser representadas com a associação de números, por
exemplo: 1, 2 e 3, respectivamente. Essa representação poderia ser feita
com quaisquer valores, desde que a ordem não fosse alterada.

Para associar às curvas de indiferença ao nível de utilidade, é preciso


falar da função utilidadeix. Essa função pode ser obtida de maneira
bastante simplificada. Para isso, basta apenas associar um valor
numérico para cada cesta de mercado de tal forma que se a cesta A
for preferida a C, o número de A será mais alto que o de C. Por
exemplo, a cesta de mercado A, situada na curva de indiferença mais
elevada U2, poderia fornecer nível de utilidade 100 enquanto C,
situada sobre a curva U1, poderia fornecer nível de utilidade 80. Dessa
forma, a função utilidade oferece a mesma informação sobre as
preferências que o mapa de indiferença. Tanto as funções utilidade
como os mapas de indiferença ordenam as escolhas do consumidor em
termos de nível de satisfação. Nesse caso, muitas vezes as bancas
denominam as curvas de indiferença como curvas de isoutilidade!

Antes de continuarmos para falar em restrição orçamentária,


penúltimo assunto da aula de hoje, aliás, como você pode observar, a
nossa aula hoje será bastante reduzida quando comparada à aula da

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semana passada, vamos clarear alguns aspectos que ficaram


pendentes da questão anterior.

Note que os itens (D) e (E) mencionam a capacidade de calcular a


utilidade. No caso da letra (D), a banca considera a utilidade total e,
no caso da letra (E), a utilidade parcial. Vale notar que a utilidade total
é o mesmo que grau total de satisfação adquirido quando se consome
determinada quantidade de um bem. A letra (E), por seu turno, versa
sobre utilidade parcial. Esse conceito não existe em economia! A
utilidade que existe e pode ser considerada muitas vezes é a definição
de utilidade marginal. Nesse caso, a utilidade marginal diz respeito à
variação na utilidade quando há o aumento no consumo de
determinado bem.

De toda forma, as duas alternativas estão incorretas pois o


consumidor é sim capaz de calcular a sua utilidade total quando se
encontra em determinada curva de indiferença. De fato, ele não sabe
numericamente qual o valor da sua curva de utilidade (até porque o
valor da curva não importa em termos absolutos), mas ele pode
comparar a sua utilidade total saindo de uma curva para a outra. Ou
seja, ele sabe o quanto ganha ou perde saindo em termos de utilidade
ou satisfação indo para outra dferente.

Quaisquer dúvidas ate aqui: Mail-me!

Veja que, até agora, nós apenas conversamos sobre os nossos


desejos, sem falar muito nas nossas condições para satisfazer esses
desejos. Assim, as preferências e a função utilidade nos dizem o que
desejamos, mas é a restrição orçamentáriax que nos mostra o que
podemos ter!

1.3. Restrição Orçamentária

A restrição orçamentária é a barreira que o consumidor enfrenta por


ter a sua renda limitada. A linha orçamentária indica todas as
combinações de bens em questão para qual o total de dinheiro gasto
seja exatamente o dinheiro disponível. Se o consumidor dispõe da
renda R para ser gasta em Alimento ou Cinema que tem os respectivos
preços PA e PC, então a linha orçamentária deste consumidor é dada
por:

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𝑃𝐴 ∗ 𝐴 + 𝑃𝑐 ∗ 𝐶 ≤ 𝑅 (1)

Em que A indica a quantidade de Alimento e C a quantidade de Cinema


consumido. Graficamente, a restrição orçamentária do consumidor é
representada como na figura 8:

Figura 8: Linha do orçamento


A linha do orçamento do consumidor descreve as combinações de
quantidades de dois bens que podem ser adquiridas de acordo com a renda
do consumidor e os preços dos dois bens. Essa linha está associada a um
valor específico da renda, por exemplo, R$ 80,00.

No caso do gráfico acima, note que existem duas definições


importantes sobre a restrição orçamentária do consumidor:
primeiramente, toda a região que está abaixo da linha de orçamento,
o conjunto orçamentário, diz respeito a todas as combinações dos dois
bens que podem ser adquiridas com o uso da renda do consumidor.
Nesse caso, não necessariamente o consumidor dispenderá toda a sua
renda. Quando o consumidor exaure toda a sua renda, ele estará
sobre a linha do orçamento. Nesse caso, a linha do orçamento une as
séries de combinações de quantidades dos bens alimento e cinema
que podem ser adquiridos pelo consumidor.

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Existe uma forma simples de explicar graficamente a linha


orçamentária do consumidor: (i) supondo que o consumidor gaste toda
𝑅
sua renda em Alimentos teremos marcado no eixo horizontal 𝐴 = 𝑃
𝐴
(matematicamente é substituir C=0 e passar PA para o lado direito da
equação dividindo); (ii) agora, supondo que o consumidor gaste toda
𝑅
sua renda em Cinema, teremos marcado no eixo vertical 𝐶 = 𝑃
𝐶
(matematicamente é substituir A=0 e passar PC para o lado direito da
equação dividindo). Para construir a linha do orçamento basta (iii) ligar
os dois pontos marcados com uma linha reta.

Vamos fazer um exemplo numérico?


Considere que determinado consumidor possui uma renda de R$
1.000,00 que poderá ser gasta entre dois bens, o bem x e o bem y,
que possuem preços R$ 1,00 e R$ 2,00, respectivamente. Como
determinar a quantidade máxima consumida do bem x ou do bem y?
Como representar graficamente a restrição orçamentária desse
consumidor?

Para responder a primeira pergunta, vamos substituir na equação da


restrição orçamentária (1) todos os valores enunciados na questão:

A restrição orçamentária fica representada no seguinte formato:

1 ∗ 𝑋 + 2 ∗ 𝑌 ≤ 1000

Para calcular a quantidade máxima que pode ser consumida do bem X,


basta tornar o sinal de desigualdada em um sinal de igualdade e levar
a quantidade de Y para 0.
Nesse caso, a equação pode ser reescrita da seguinte forma:

1 ∗ 𝑋 = 1000

Logo, podemos observar que a quantidade máxima de X que pode ser


adquirida pelo consumidor é de 1.000. De forma semelhante,
encontramos que a quantidade máxima de Y é de 500. O gráfico da
restrição orçamentária do consumidor é mostrado logo abaixo.

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Restrição orçamentária imaginária

Compreendido?

Acredito que você deve estar se perguntando como mostrar uma


restrição orçamentária quando você pensa em horas para ler ou horas
para ver o futebol. Nesse caso, embora não estejamos falando de
restrição com dinheiro, temos outra restrição: a restrição de tempo!
Logo, a nossa renda presente na restrição orçamentária será
substituída pela quantidade de horas disponíveis para essas duas
atividades. Apenas lembrando aqui, não é preciso que você coloque na
sua restrição de tempo 24 horas como sendo o total de horas do seu
dia. Você pode colocar, por exemplo, 6 horas na restrição, como sendo
o total de horas que você tem disponível para alocar entre leitura e
futebol!

Ainda sobre a restrição orçamentária, precisamos compreender


quando ela muda? Aliás, será que ela muda?
Para verificar isso, vamos voltar a nossa equação da restrição
orçamentária:

𝑃𝐴 ∗ 𝐴 + 𝑃𝑐 ∗ 𝐶 ≤ 𝑅

Vamos analisar, matematicamente, o que acontece. Imagine que a sua


renda aumente. Nesse caso, o que poderemos dizer sobre a
possibilidade de compras do consumidor? Como, nessa situação, os
preços não foram alterados, você poderá consumir mais de todos os
bens! Graficamente, um aumento da renda é representado como um

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deslocamento para cima e para a direita da linha do orçamento, como


mostrado na figura 9.

Figura 9: Efeitos da modificação na renda sobre a linha do orçamento


Uma mudança na renda (mantidos os preços inalterados) causa um
deslocamento paralelo na linha do orçamento original (verde). Quando a
renda aumenta, a linha do orçamento passa a ser a avermelhada.

A figura 9 mostra que, com a nova renda, há um deslocamento da


curva de restrição orçamentária, que sai da linha verdinha para a
avermelhada. Assim, o conjunto de consumo do consumidor aumenta.
Vale notar ainda que esse deslocamento é paralelo, ou seja, a
inclinação da curva de restrição orçamentária não muda. Da mesma
forma, caso a renda fosse reduzida, haveria um deslocamento paralelo
da linha de orçamento, no sentido de redução do conjunto
orçamentário.

E quando a curva muda de inclinação? Esse movimento ocorre se o


preço de uma das mercadorias for modificado. Nessa situação, caso
um dos bens tenha o seu preço alterado e o outro não, haverá uma
rotação da linha de orçamento em torno do intercepto do bem que não

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teve o seu preço alterado. Para verificar isso, basta analisar a figura
10.

Figura 10: Efeitos da modificação em um preço sobre a linha do


orçamento.
Uma mudança no preço de um dos bens (com a renda mantida constante)
provoca uma rotação na linha de orçamento em torno do intercepto. Quando
o preço do alimento aumenta, a linha gira, saindo da posição verde para a
posição alaranjada. Porém, se o preço aumenta, veremos o movimento
contrário.

Agora que nós já compreendemos como os consumidores comparam


as cestas, ou seja, as preferências do consumidor, e o que permite
que o consumidor adquira mais ou menos bens, precisamos
compreender como esse consumidor faz as suas escolhas. Esse é o
último tópico da nossa aula de hoje: A escolha do consumidor.

1.4. Escolha

A pergunta que podemos fazer é: como o consumidor faz escolhas?


Como você faz as suas escolhas?

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Antes de qualquer análise econômica, queria que você raciocinasse


comigo: lembra da primeira definição de economia da aula passada?
Os desejos são ilimitados, mas os recursos para fazer esses desejos
realidade são escassos. Nesse sentido, temos que fazer aquilo que é
melhor dentro do que é possível, certo?

E nós fazemos isso o tempo inteiro! Quando eu acho melhor não sair
pela cidade e pegar trânsito para ficar trabalhando em casa, estou
alocando o meu tempo, um recurso escasso da melhor forma possível.
Considerando esse raciocínio, os economistas buscaram explicar,
graficamente como as pessoas fazem as suas escolhas.

Dessa forma, dadas as preferências e as restrições orçamentárias,


podemos então determinar como os consumidores individualmente
escolhem quanto comprar de cada mercadoria. Estamos supondo que
os consumidores façam essas escolhas de forma racional; com isso,
estou querendo dizer que eles decidem as quantidades de cada um
dos bens visando a maximizar o grau de satisfação que poderão obter,
considerando os orçamentos limitados que dipõem.

Graficamente, estamos falando da união de dois assuntos abordados


até agora: as curvas de indiferença (que representam as preferências
do consumidor) e a restrição orçamentária. Assim, a cesta
maximizadora de utilidade (maximizadora de satisfação) deverá estar
sobre a linha do orçamento!

Vamos analisar isso graficamente?

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Figura 11: Maximizando a satisfação do consumidor


Os consumidores maximizam suas satisfações (ou utilidade) escolhendo a
cesta de mercado C. Nesse ponto, a linha do orçamento e a curva de
indiferença U1 são tangentes, e nenhum nível mais elevado de satisfação
(por exemplo o propriciado pela cesta A) pode ser obtido.

O que temos na figura 11? Nada além da união dos gráficos das curvas
de utilidade e da restrição orçamentária. Na verdade, é isso que
temos, subjetivamente nas nossas mentes: estamos sendo buscando o
melhor, dentro do que é possível. E como representar isso no gráfico?
Vamos analisar alguns pontos.

Primeiro, o que eu gostaria de ter? Com a busca do melhor, eu


desejaria consumir a cesta A. Mas eu posso fazer isso? Não!
Infelizmente, a minha renda não me deixa consumir A, que me traria
um nível bem maior de satisfação. Então, no meu processo de escolha,
eu preciso, analisar o que eu posso ter. Nesse caso, observemos a
restrição orçamentária. Quais das minhas curvas de indiferença são
possíveis? Como você pode observar, apenas as curvas U3 e U2 são
possíveis de obter dentro das minhas condições. E aí, o que escolher?
O consumidor, eu, você e todo mundo que agir de forma racional,
buscará a curva de indiferença mais alta que ainda esteja em contato

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com a linha do orçamento, pois essa curva é a que traz maior nível de
satisfação! Dessa forma, o consumidor escolherá a cesta C, pois ela
proporciona o máximo de satisfação dentro do que é possível para o
consumidor!

De forma resumida, temos algumas condições importantes sobre o


processo de escolha do consumidor:
i. A cesta escolhida deverá estar sobre a linha do orçamento.
Para visualizar a razão disso, observe que qualquer cesta,
situada à esquerda e abaixo da linha do orçamento, deixaria de
estar alocando uma parte da renda que, caso viesse a ser
despendida, poderia aumentar o grau de satisfação do
consumidor. Certamente, os consumidores poderão – e algumas
vezes o fazem – economizar parte de susas rendas para o
consumo futuro. No entanto, isso significa que sua escolha não é
apenas entre alimento e cinema, mas entre consumir esses dois
bens agora ou no futuro.
ii. A cesta de mercado maximizadora da satisfação deverá dar ao
consumidor sua combinação preferida de bens e serviços.
Essas duas condições podem ser simplificadas em uma: o
problema de maximização da satisfação do consumidor passa a
depender, então, de um único fator de definição: o da escolha de
um ponto apropriado sobre a linha do orçamento.

Considerando essas duas condições, podemos dizer que o processo de


escolha do consumidor pode ser simplificado como uma condição de
tangência! Ou seja, o consumidor escolherá a cesta de bens que esteja
em uma curva de indiferença tangente à restrição orçamentária! Nesse
caso, o consumidor obterá satisfação máxima dentro do que é
possível. Logicamente, vale ressaltar que a escolha do consumidor
sobre qual cesta será escolhida na curva de indiferença dependerá do
formato da curva, ou seja, isso vai de acordo com as preferências de
cada consumidor!

***

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Pessoal,

Terminamos aqui a nossa terceira aula, em que procuramos


compreender o comportamento do consumidor. Diferentemente do que
aconteceu na aula passada, essa aula não terá muitos exercícios
resolvidos, mas prometo que teremos mais na aula que vem.

Dúvidas, já sabem, não é? Mail-me!

Até a próxima segunda.

Abração

Amanda

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EXERCÍCIOS
1. (CESGRANRIO, MPE/RO, Economista 2005) Uma curva de
indiferença é o lugar geométrico dos pontos nos quais o
consumidor:

(A) vai sempre preferir as cestas de bens localizadas mais à


direita na curva.
(B) vai sempre preferir as cestas de bens localizadas mais à
esquerda na curva.
(C) é indiferente entre as cestas de bens.
(D) é incapaz de calcular sua utilidade total.
(E) é incapaz de calcular sua utilidade parcial.

2. (CESGRANRIO, EPE, Analista Economia de Energia, 2007) Um


consumidor tem renda de R$100,00 /mês e gasta 50% da
mesma comprando remédios. Se o preço dos remédios
aumentar 10% e os demais preços permanecerem os mesmos,
para comprar a mesma cesta de bens, ou seja, manter sua
renda real, o consumidor teria que auferir a renda monetária,
em reais, de:

(A) 115,00
(B) 110,00
(C) 105,00
(D) 100,00
(E) 95,00

3. (CESGRANRIO, INEA, Economista, 2007) Um consumidor tem


uma renda monetária de R$ 100,00/mês, gasta 30% da renda
pagando aluguel e 20% com alimentação. Se o aluguel
aumentar 10% e os alimentos diminuírem de preço 15%, os
demais preços não sofrendo alteração, pode-se afirmar que o
consumidor

(A) sofreu um aumento de renda real de 5%.


(B) precisa receber uma renda monetária adicional de R$
5,00/mês para manter seu padrão de vida (sua renda real).

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(C) poderá alcançar um nível de bem estar maior, isto é, uma


curva de indiferença mais alta quando reotimizar suas escolhas.
(D) vai, certamente, diminuir o consumo de alimentos para
pagar o aluguel.
(E) vai, certamente, tentar trabalhar mais para pagar o aluguel.

GABARITO:

1. C
2. C
3. C

GLOSSÁRIO

i A Cesta de mercado é um conjunto de uma ou mais mercadorias.


iiA curva de indiferença é uma linha de contorno que mostra todas as
cestas de consumo que geram a mesma satisfação total para um
indivíduo.

Um mapa de indiferença representa uma coleção de curvas de


iii

indiferença para um dado indivíduo que representa a função utilidade


total do indivíduo

Bens substitutos são pares de bens para os quais uma queda de preço
iv

de um deles resulta em uma menor demanda pelo outro.

vBens complementares são pares de bens para os quais uma queda de


preço de um deles resulta em uma maior demanda pelo outro.
viA Taxa Marginal de Subsituição mede o quanto o consumidor está
disposto a abrir mão de um bem para obter mais do outro.

A curva de indiferença é dita convexa quando a TMS diminui ao longo


vii

da mesma curva. O termo convexo significa que a inclinação da curva


de indiferença aumenta (isto é, torna-se mais negativa) à medida que
nos movimentamos para baixo ao longo da curva.

A utilidade de um consumidor é uma medida de satisfação que um


viii

indivíduo alcança ao consumir bens e serviços.

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A função utilidade de um indivíduo mede a relação entre o pacote de


ix

consumo de um indivíduo e a quantidade total de utilidade que ele


gera.
xA restrição orçamentária do consumidor diz que o custo de um pacote
de consumo do consumidor não pode exceder a renda total desse
consumidor

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