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Universidade de Brasília – UnB

Faculdade UnB Gama – FGA


Engenharia de Energia

Viabilidade na produção de hidrogênio através


da reação entre o alumínio e a água em meio
alcalino

Autor: Larissa Antonia Pereira


Orientador: Prof. Dr. Marcelo Bento da Silva

Brasília, DF
2017
Larissa Antonia Pereira

Viabilidade na produção de hidrogênio através da reação


entre o alumínio e a água em meio alcalino

Monografia submetida ao curso de graduação


em Engenharia de Energia da Universidade
de Brasília, como requisito parcial para ob-
tenção do Título de Bacharel em Engenharia
de Energia.

Universidade de Brasília – UnB


Faculdade UnB Gama – FGA

Orientador: Prof. Dr. Marcelo Bento da Silva

Brasília, DF
2017
Larissa Antonia Pereira
Viabilidade na produção de hidrogênio através da reação entre o alumínio e a
água em meio alcalino/ Larissa Antonia Pereira. – Brasília, DF, 2017-
52 p. : il. (algumas color.) ; 30 cm.

Orientador: Prof. Dr. Marcelo Bento da Silva

Trabalho de Conclusão de Curso – Universidade de Brasília – UnB


Faculdade UnB Gama – FGA , 2017.
1. Hidrogênio. 2. Rota Alcalina. I. Prof. Dr. Marcelo Bento da Silva. II.
Universidade de Brasília. III. Faculdade UnB Gama. IV. Viabilidade na produção
de hidrogênio através da reação entre o alumínio e a água em meio alcalino

CDU 02:141:005.6
Larissa Antonia Pereira

Viabilidade na produção de hidrogênio através da reação


entre o alumínio e a água em meio alcalino

Monografia submetida ao curso de graduação


em Engenharia de Energia da Universidade
de Brasília, como requisito parcial para ob-
tenção do Título de Bacharel em Engenharia
de Energia.

Trabalho aprovado. Brasília, DF, 14 de dezembro de 2017 – Data da aprovação do


trabalho:

Prof. Dr. Marcelo Bento da Silva


Orientador

Pr. Dr. Leandro Xavier Cardoso


Convidado 1

Pr. Dr. Osvaldo Kojiro Iha


Convidado 2

Brasília, DF
2017
Dedico esse trabalho aos meus pais Evando e Nemaura.
Obrigada por tudo que fazem por mim.
Agradecimentos

À Deus pelo dom da vida.


Aos meus pais Nemaura e Evando por todo apoio e paciência não só durante o
período acadêmico, mas em todos os momentos da vida. Obrigada por toda a educação
que me deram e por acreditar em mim em todos os momentos.
Aos meus irmãos, Vinícius e Ian que me aguentaram durante as neuras e estresse
de final de semestre.
Ao Prof. Dr. Marcelo Bento por oferecer todo suporte necessário durante o desen-
volvimento do trabalho e me ajudar perante as dificuldades.
À Pra Dra Pillar e aos alunos Guilherme Félix e Victor Carvalho que disponibili-
zaram o sistema de caracterização elétrica e auxiliaram no desenvolvimento da análise.
Aos parentes de sangue e de alma que estão comigo em todos os momentos, prin-
cipalmente nos mais difíceis.
Aos amigos do ensino médio que apesar do afastamento, proveniente da correria
do dia-a-dia e das escolhas são pessoas que quero levar sempre no meu coração.
À todos os amigos que fiz na UnB que me ampararam nos momentos de deses-
pero relacionados a provas, trabalhos e TCC, sempre com palavras de motivação que me
ajudaram a concluir essa etapa da minha vida.
“O ser humano é falho e hoje mesmo eu falhei
Ninguém nasce sabendo,
Então me deixe tentar.”
(Projota)
Resumo
Existem diversas maneiras de se produzir hidrogênio com finalidades energéticas. Dentre
elas, a mais aplicada é a técnica de eletrólise da água. Entretanto, pesquisas recentes
apontam a produção de hidrogênio através de metais; o alumínio, nesse contexto, merece
destaque por ser encontrado em abundância no planeta e por ter característica reciclável.
A proposta geral desse trabalho foi verificar a produção de hidrogênio (𝐻2 ) através da
reação entre “lascas” de alumínio provenientes do laboratório de usinagem e torneamento
da FGA-UnB, com água em meio alcalino (NaOH) como catalisador e sua aplicabilidade
como vetor energético. Para tal, estudou-se o comportamento dessa reação sobre influên-
cia das variações de temperatura e concentração das soluções alcalinas. Os resultados
sinalizaram a influencia desses parâmetros de maneira acentuada na velocidade da rea-
ção de produção de H2 com limitação tanto física quanto química. Produziu-se também
H2 a partir de alumínio contido em embalagens tetrapak. Os resultados ficaram aquém
do esperado não se apresentando viável quando comparado com a utilização de “lascas”
de alumínio provenientes do processo de usinagem. Como proposta específica realizou-se
análise instrumental qualitativa de caracterização elétrica do 𝐻2 para aplicação direta em
células de nanosensores. Foram estudadas três diferentes células e a suportada em grafeno
e porfirina apresentou melhor resposta de sensibilidade ao gás sinalizando a possibilidade
de aplicabilidade direta. Porém, estudo mais aprofundados são necessários, como a puri-
ficação do gás. Por fim, um estudo de análise do ciclo de vida (ACV) foi conduzido com
intuito de interpretar e quantificar as entradas e saídas energéticas bem como a emissão
de poluentes emitidos para atmosfera.

Palavras-chaves: Hidrogênio. Hidróxido de sódio. Alumínio.


Abstract
There are several ways to produce hydrogen for energy purposes. Among them, the most
applied is the technique of electrolysis of water. However, recent research points to the
production of hydrogen through metals; aluminum, in this context, deserves to be high-
lighted because it is found in abundance on the planet and because it has a recyclable
characteristic. The general proposal of this work was to verify the production of hydrogen
(𝐻2 ) through the reaction between aluminum "chips" from the laboratory of machining
and turning of FGA-UnB, with water in alkaline medium (NaOH) as catalyst and its
applicability as energy vector. For this, the behavior of this reaction on the influence of
temperature and concentration variations of alkaline solutions was studied. The results
indicated the influence of these parameters in a marked way on the reaction rate of H2
production with both physical and chemical limitation. H2 was also produced from alu-
minum contained in tetrapak packages. The results were lower than expected and were
not feasible when compared to the use of aluminum "chips" from the machining process.
As a specific proposal, a qualitative instrumental analysis of the electric characterization
of 𝐻2 was carried out for direct application in nanosensor cells. Three different cells were
studied and the one supported in graphene and porphyrin presented better sensitivity
response to gas signaling the possibility of direct applicability. However, further study are
needed, such as gas purification. Finally, a life cycle analysis (LCA) study was conducted
with the purpose of interpreting and quantifying the energy inputs and outputs as well
as the emission of pollutants emitted into the atmosphere.

Key-words: Hydrogen. Sodium hydroxide. Aluminum.


Lista de ilustrações

Figura 1 – Poder calorífico para diferentes combustíveis versus relação ar/combustível


(A/F) em motores a combustão interna. FONTE: (ESTEVÃO, 2008) . 17
Figura 2 – Funcionamento da célula a combustível. FONTE: (MARQUES, 2010) 18
Figura 3 – Célula tipo MCFC. FONTE: (LOPES, 2009) . . . . . . . . . . . . . . . 19
Figura 4 – Diferentes rotas para produção de hidrogênio ( FONTE: (CGEE, 2010),
adaptado.) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
Figura 5 – Esquema de uma célula eletrolítica (FONTE: (SERQUEIRA; SAN-
TOS, ), adaptado). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
Figura 6 – Sistema construído para a realização da reação. . . . . . . . . . . . . . 35
Figura 7 – Superfícies de contato com espessuras: (a) 0,3 mm ( usinagem de Al
FGA - UnB) (b) 0,1mm ( papel alumínio) e (c) 0,1 mm ( usinagem de
Al FGA - UnB) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
Figura 8 – Material tetra pak . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
Figura 9 – Fluxograma do processo em estudo Fonte: (HIRAKI et al., 2005), adap-
tado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
Figura 10 – Dispositivo Semiconductor device analyzer B1500A . . . . . . . . . . . 40
Figura 11 – Dispositivo para injeção dos gases. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
Figura 12 – Câmara de Ensaio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
Figura 13 – Método estabelecido para retirada do hidrogênio armazenado . . . . . . 42
Figura 14 – Distribuição dos sensores na câmara de ensaio: a) grafeno e nitrato
de cobre; b) NTC parede multipla e Nitrato de Cobre e; c) Grafeno e
porfirina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
Figura 15 – Seringa com sílica gel e sulfato de sódio . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
Figura 16 – Caracterização elétrica do hidrogênio úmido (Resistência x tempo) . . 47
Figura 17 – Caracterização elétrica do hidrogênio filtrado ( Resistência x tempo . . 48
Lista de tabelas

Tabela 1 – Poder calorífico inferior (PCI) de diferentes combustíveis à temperatura


ambiente. FONTE: (SANTOS; SANTOS, 2001) . . . . . . . . . . . . . 16
Tabela 2 – Características das células a combustível que utilizam o hidrogênio
como combustível . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
Tabela 3 – Protótipos desenvolvidos pelas principais montadoras de automóveis.
Fonte: (LOPES, 2009) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
Tabela 4 – Classificação dos impactos ambientais . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
Tabela 5 – Dados referentes a variação da concentração . . . . . . . . . . . . . . . 44
Tabela 6 – Rendimento obtido ao variar a superfície de contato . . . . . . . . . . . 45
Tabela 7 – Entradas e saídas do processo de produção de alumínio . . . . . . . . . 46
Sumário

1 INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
1.1 Objetivos Gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
1.1.1 Objetivos Específicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
1.2 Estrutura do Trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14

2 REFERENCIAL TEÓRICO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
2.1 O Hidrogênio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
2.2 Aplicações do Hidrogênio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
2.2.1 Aplicações estacionárias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
2.2.2 Aplicações Veiculares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
2.3 Segurança do Hidrogênio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2.4 Distribuição de Hidrogênio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
2.5 Armazenamento de Hidrogênio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
2.5.1 Armazenamento no Estado Gasoso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
2.5.2 Armazenamento no Estado Líquido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
2.5.3 Armazenamento em Hidretos Metálicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
2.6 Tecnologias para produção de Hidrogênio . . . . . . . . . . . . . . . . 24
2.7 Descrição dos Métodos Analisados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
2.7.1 Eletrólise . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
2.7.1.1 Termodinâmica aplicada a eletrólise . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
2.7.2 Produção de hidrogênio através do alumínio . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
2.7.2.1 Reação do alumínio com a água em meio alcalino . . . . . . . . . . . . . . . 30

3 ANÁLISE DO CICLO DE VIDA (ACV) APRESENTADA COMO


PROPOSTA PARA PRODUÇÃO DE HIDROGÊNIO COM FINS
ENERGÉTICOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
3.1 Definição do objetivo e Escopo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
3.2 Realização do Inventário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
3.3 Avaliação do Impacto Ambiental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
3.4 Interpretação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33

4 METODOLOGIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
4.1 Sistema Reacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
4.1.1 Variação da concentração de Hidróxido de Sódio . . . . . . . . . . . . . . 35
4.1.2 Modificação da superfície de contato . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
4.1.3 Material Tetra Pak . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
4.1.4 Análise da Reação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
4.2 Análise do Ciclo de Vida (ACV) do processo . . . . . . . . . . . . . . 38
4.3 Detecção do Hidrogênio produzido em nanosensores de gases . . . . 39
4.3.1 Descrição do Sistema Utilizado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
4.3.2 Coleta de Gases . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
4.3.3 Procedimento Experimental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42

5 RESULTADOS E DISCUSSÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
5.1 Concentração de Hidróxido de Sódio . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
5.2 Superfície de Contato . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
5.3 Avaliação da Produção de Hidrogênio a partir de um material Tetra
Pak . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
5.4 Análise do Ciclo de Vida do processo . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
5.5 Caracterização Elétrica do Hidrogênio Produzido . . . . . . . . . . . 46

6 CONCLUSÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50

REFERÊNCIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
13

1 Introdução

A matriz energética mundial encontra-se dependente de fontes provenientes de


combustíveis fosseis. Isso se torna um problema pois são recursos esgotáveis com um alto
valor de compra (ESTEVÃO, 2008) e acarretam consequências ao meio ambiente durante
o processo de extração até o consumo final devido a liberação de gases que causam o efeito
estufa, fator climático que afeta negativamente a vida dos seres vivos, principalmente as
gerações futuras.
O efeito estufa está diretamente ligado a produção de energia, pois é nesse setor
que se encontra as maiores emissões de dióxido de carbono (𝐶𝑂2 ) representando 80 % da
quantidade de emissões à nível mundial (MEDONÇA M. J. C.; GUTIEREZ, 2000). Visto
esse problema, tem-se motivado a utilização de energias renováveis na matriz energética
com a finalidade de promover a sustentabilidade mundial e ao mesmo tempo garantir o
desenvolvimento econômico.
Energia renovável é definida como qualquer recurso que possue a característica de
reabastecer a fonte naturalmente (QUELHAS, 2008). Essa forma de energia tem sido am-
plamente utilizada, pois disponibiliza uma segurança energética e promove a diminuição
de gases de efeito estufa na atmosfera além de impactos sociais e econômicos na huma-
nidade provenientes da utilização dos combustíveis fósseis. (UCZAI; TAVARES; FILHO,
2012)
No ano de 2016, o investimento em energia renovável no mundo chegou a 𝑈 𝑆$ 286
bilhões de dólares, o maior valor já registrado até então, superior a certos combustíveis
fósseis como o gás natural e o carvão (ONU, 2016). O Brasil foi um dos países em desen-
volvimento que mais aplicou seu capital em processos que utilizam fontes renováveis de
energia, correspondendo a um investimento de aproximadamente 73 %. Isso gerou uma
modificação na matriz energética brasileira, já que os combustíveis fósseis que dominavam
os meios de produção passaram a corresponder a 22 % de participação na produção de
energia elétrica (MME, 2016).
Com o aumento da utilização de fontes renováveis de energia, o hidrogênio passou
a ser visto como um combustível que pode substituir os produtos derivados do petróleo no
setor automobilístico. Além do mais, o hidrogênio pode substituir o carvão nas turbinas a
gás utilizadas nas termelétricas e servir como produção de energia secundária nas usinas
solares, eólicas e hidrelétricas (CGEE, 2010).
O Hidrogênio pode ser obtido através de diversas fontes renováveis e não renováveis,
por isso é considerado um vetor energético. Os métodos mais utilizados são a reforma
catalítica do gás natural e a eletrólise. Porém, esses processos possuem certas desvantagens
Capítulo 1. Introdução 14

como liberação de dióxido de carbono na atmosfera e alta demanda de energia necessária


na reação respectivamente.
Pesquisas recentes relatam a viabilidade na produção do hidrogênio através da
utilização de metais em meio aquoso. Dentre os metais reativos, destaca-se o alumínio,
encontrado em abundância na natureza com grande utilização e aplicação nos processos
de transformação e fabricação de diferentes produtos, incluindo embalagens de alimentos.
Portanto, o presente estudo busca estabelecer a viabilidade na produção de hidro-
gênio a partir da reação entre o alumínio e solução aquosa de hidróxido de sódio utilizando
para isso, resíduos sólidos de alumínio proveniente de processos industrias (usinagem de
Al na FGA-UnB) e de reciclagem (caixa tetra pak).

1.1 Objetivos Gerais


Produzir hidrogênio a partir da reação entre o alumínio e o hidróxido de sódio em
meio aquoso a fim de utilizá-lo como combustível renovável.

1.1.1 Objetivos Específicos

∙ Construir um sistema para produção de 𝐻2 via rota alcalina;

∙ Realizar as reações considerando diferentes condições experimentais, como espessura


e superfície de contato do alumínio, concentração da solução de hidróxido de sódio
e temperatura;

∙ Avaliar o processo de produção de hidrogênio através da análise do ciclo de vida


(ACV);

∙ Realizar a caracterização elétrica do hidrogênio produzido;

1.2 Estrutura do Trabalho


O presente trabalho está estruturado em 6 capítulos. O primeiro relata a impor-
tância do tema em estudo juntamente com os objetivos a ser alcançado, assim como a
justificativa para realização desse trabalho de pesquisa.
O segundo aborda a revisão bibliográfica relacionada a utilização do hidrogênio
nos quesitos energéticos ao incluir suas aplicações, vantagens e desvantagens. Além do
mais, apresenta diversos métodos de produção juntamente com o embasamento teórico
referente a produção de hidrogênio através do alumínio.
No terceiro capítulo, detalha a metodologia desenvolvida durante o procedimento
experimental baseada na literatura e na análise dos dados obtidos.
Capítulo 1. Introdução 15

O quarto capítulo representa os resultados e discussões referentes a metodologia


desenvolvida. Este está dividido em: análise da concentração, variação da superfície de
contato e produção de hidrogênio a partir do alumínio reciclado, análise do ciclo de vida
do processo e caracterização elétrica do hidrogênio produzido.
No quinto capítulo apresenta a conclusão baseada nos resultados obtidos neste
estudo.
As referências bibliográficas utilizadas para embasamento teórico e análise dos
resultados acerca do assunto são apresentadas no sexto capítulo.
16

2 Referencial Teórico

2.1 O Hidrogênio
O hidrogênio é o elemento mais simples encontrado no universo. Pode estar contido
em 93 % das moléculas existentes, entre elas, a água e as proteínas que são essenciais para
a sobrevivência dos seres vivos. Em condições ambientais (temperatura a 25 ∘ C e pressão
a 1 atm), é encontrado como um gás inodoro, insípido e incolor. Além do mais, trata-se
de um gás inflamável, insolúvel em água e com alto poder de difusão por possuir uma
densidade menor que o ar (ESTEVÃO, 2008).
Há várias características que apontam o hidrogênio como combustível, dentre elas,
o poder calorífico inferior que está relacionado à quantidade de energia que um combustível
libera durante a queima do combustível. Através da Tab. 1, pode-se verificar o maior poder
calorífico do hidrogênio quando comparado com outros combustíveis que são utilizados
atualmente em grande escala (ESTEVÃO, 2008):

Tabela 1 – Poder calorífico inferior (PCI) de diferentes combustíveis à temperatura am-


biente. FONTE: (SANTOS; SANTOS, 2001)
Combustível PCI ( kJ/g)
Hidrogênio 119,93
Metano 50,02
Propano 45,6
Gasolina 44,50
Gasóleo 42,50
Metanol 18,50

Outras propriedades importantes do hidrogênio são a emissividade e sua difusão.


O hidrogênio possui emissividade baixa, em torno de 17 % a 25 % emitindo uma quan-
tidade de luz menor que outros combustíveis fósseis como: butano, propano e a gasolina,
tornando-o menos perigoso em caso de acidente em relação a pouca radiação transmitida
comparado com os hidrocarbonetos citados. Porém, devido a essa característica, é difícil
perceber sua existência na atmosfera, o que dificulta a identificação de vazamentos caso
ocorram. Além do mais, hidrogênio também pode se dispersar rapidamente no ar e em
outros gases ou materiais com densidade maior, por se tratar de um gás com alto poder
de difusão que está relacionado a sua baixa densidade molecular.
Todas essas peculiaridades citadas apontam a possibilidade de incluir o hidrogênio
como combustível na matriz energética definindo o mesmo como vetor energético por se
tratar de uma fonte que está agregada a outros elementos que armazena energia. Contudo,
este combustível pode se tornar bastante perigoso em relação a sua inflamabilidade e
Capítulo 2. Referencial Teórico 17

poder de difusão apresentando grandes perigos contra o ser humano e o meio ambiente
(ESTEVÃO, 2008).

2.2 Aplicações do Hidrogênio


Desde que o hidrogênio passou a ser visto como uma fonte promissora de energia,
começaram a surgir várias pesquisas voltadas para o uso desse gás como combustível.
Atualmente, existem dois dispositivos que possuem maior destaque para a utilização do
hidrogênio: os motores a combustão interna (MCI) e as células a combustível (CaC).
Os motores a combustão interna são utilizados atualmente na queima dos deriva-
dos do petróleo como o diesel e a gasolina. Para incluir o hidrogênio nesse dispositivo,
é necessário que este seja misturado com os combustíveis citados já que a ideia de uti-
lizar somente o hidrogênio com o ar está descartada por possuir menor poder calorífico
da mistura ar/ combustível quando comparado as outras misturas. (Fig. 1) (ESTEVÃO,
2008). Além do mais, o motor sofrerá algumas modificações que influenciam na eficiência
do motor tornando a queima mais baixa se comparada com os padrões atuais, principal-
mente os motores que operam baseados no ciclo Otto, porém, diminuirá a quantidade de
poluentes emitidos na atmosfera durante a queima(LOPES, 2009).

Figura 1 – Poder calorífico para diferentes combustíveis versus relação ar/combustível


(A/F) em motores a combustão interna. FONTE: (ESTEVÃO, 2008)

Células a combustível são dispositivos eletroquímicos que convertem energia quí-


mica em energia elétrica e calor a partir do fornecimento de um combustível e um oxidante
(SANTOS; SANTOS, 2001). O uso do hidrogênio como combustível está ligado a essa
tecnologia por apresentar bons resultados de caráter ambiental e comercial. Este equipa-
mento opera a partir de uma reação química entre o hidrogênio e o oxigênio gerando uma
corrente elétrica, obtendo água como subproduto ( Fig. 2).
Capítulo 2. Referencial Teórico 18

Figura 2 – Funcionamento da célula a combustível. FONTE: (MARQUES, 2010)

Existem vários tipos de células a combustíveis podendo variar de tamanho, tempe-


ratura, combustíveis utilizados e aplicações. As mais indicadas para utilizar o hidrogênio
produzido são a membrana de troca de prótons (PEMFC) e a alcalina (AFC) pois estas
necessitam do hidrogênio com um alto grau de pureza (RODRIGUES, 2010). Na tabela 2,
serão apresentadas características como temperatura de operação, eficiência e os eletrólitos
utilizados das CaC’s citadas.
Tabela 2 – Características das células a combustível que utilizam o hidrogênio como com-
bustível
Temperatura de Eficiência
Células a Combustível Eletrólito
Operação (∘ 𝐶) Elétrica
PEMFC Polímeros Orgânicos 50-100 35-55%
Solução aquosa de
AFC 90-100 45-65%
hidróxido

A célula a combustível, de acordo Rodrigues (2010), apresenta grande interesse


comercial por apresentar certas vantagens como:
∙ Energia limpa com boa eficiência
∙ diminuição de emissões de gases tóxicos
∙ melhoria da saúde da população
Capítulo 2. Referencial Teórico 19

∙ criação de novos empregos


∙ redução de conflitos relacionados a exploração do petróleo
∙ redução de barulhos provenientes de motores a combustão interna.
Nas próximas subseções, serão apresentadas as principais utilizações das células a
combustível no ramo energético.

2.2.1 Aplicações estacionárias


As células a combustíveis são aplicadas na geração de energia residencial de pe-
queno (até 10kW), médio e grande porte (200kW – 40 MW). Estes dispositivos, além de
não emitir grande quantidade de poluentes na atmosfera, permitem o aproveitamento do
calor disponível para aquecer a água e o ambiente. Pode-se citar como exemplo de apli-
cações estacionarias, a célula a combustível MCFC apresentada na Fig. 3 que é utilizada
para a planta de geração de energia elétrica com potências entre 200 kW e 4 MW (LOPES,
2009).

Figura 3 – Célula tipo MCFC. FONTE: (LOPES, 2009)

A implementação das células a combustíveis na geração estacionaria de energia


pode diminuir a produção centralizada de energia elétrica, reduzindo problemas como
distância entre consumidores e centro de geração. Além do mais, cada consumidor poderia
gerar somente a energia necessária para o próprio sustento (LORENZI; ANDRADE, 2013).

2.2.2 Aplicações Veiculares


Os veículos baseados em células a combustíveis possuem tração elétrica devido ao
fornecimento de energia para o motor elétrico e podem ainda servir como um dispositivo
auxiliar com finalidade de gerar energia elétrica para os sistemas elétricos e eletrônicos do
veículo.
Já existem uma série de protótipos de veículos baseados nessa tecnologia que foram
desenvolvidos pelos principais fabricantes de automóveis do mundo como mostra a Tab.
Capítulo 2. Referencial Teórico 20

5. Também há uma grande frota de ônibus circulando em condições experimentais em


vários países (LOPES, 2009).

Tabela 3 – Protótipos desenvolvidos pelas principais montadoras de automóveis. Fonte:


(LOPES, 2009)
montadoras Protótipos Desenvolvidos
GM 13
Daimler-Chysler 13
Honda 7
Toyota 7
Ford 6
Nissan 4
VW 4
Hyundai 3
Peugeot 3
Fiat 2
Mazda 2
Mitsubishi 2
Suzuki 2
Audi 1
Daihatsu 1
Esoro 1
Kia 1
Renault 1

De acordo com Lopes (2009), quando os veículos movidos a hidrogênio forem in-
seridos no mercado, haverá uma necessidade de fornecimento de hidrogênio em postos
de abastecimentos levando a acreditar que existirá sistemas descentralizados de produção
de hidrogênio presentes em centrais ou em postos de abastecimentos. Para isso, é neces-
sário desenvolver técnicas de armazenamento e distribuição de grandes quantidades de
hidrogênio além de tecnologias para a produção descentralizada desse combustível.

2.3 Segurança do Hidrogênio


De acordo com Silva, Carvalho e Tôrres (2009), para garantir a segurança de
manuseio do hidrogênio, algumas características desse combustível devem ser levadas e
consideração, como:
∙ O hidrogênio é classificado como grupo de risco 2 de produtos e substâncias
perigosas de acordo com a norma NBR-7502.
∙ Possui densidade menor que o ar e tende a se propagar para pontos mais altos
acumulando próximo ao teto em ambientes fechados formando nuvens inflamáveis caso
não tenha um lugar para se dispersar
Capítulo 2. Referencial Teórico 21

∙ Em ambientes fechados ele se espalha rapidamente


∙ É preciso utilizar sensores para identificá-lo no meio de propagação
∙ Não é corrosivo
∙ Não é considerado tóxico podendo ser inalado sem qualquer perigo
∙ Apresenta tendência a vazamentos
∙ Possui uma chama com alta velocidade
∙ Não apresenta perigo de detonação em lugares abertos
∙ É muito inflamável podendo entrar em ignição em uma faixa de 4 % a 75 %
de volume quando há a presença de faíscas, descargas elétricas e chamas proveniente de
qualquer instrumento.
∙ Ainda que seja um gás frio, pode desenvolver queimaduras com a mesma pro-
porção com aquelas formadas em altas temperaturas.
Apesar do hidrogênio possuir uma alta inflamabilidade, ele pode apresentar um
nível de segurança igual ou superior a outros combustíveis derivados do petróleo, devido
seu alto poder de difusão e por tratar-se de um gás não tóxico.
O hidrogênio tem um poder de dispersão doze vezes maior que a gasolina e quatro
vezes maior que o gás natural apresentando certa vantagem em caso de acidentes, como
vazamentos, pois rapidamente ele espalha na atmosfera impedindo uma alta concentração
de combustível o que dificulta sua queima localizada e evita incêndios.
Outra propriedade benéfica do hidrogênio está relacionada a sua toxidade. Esse
gás ao ser liberado na atmosfera não contamina o ar e por consequência não gera riscos à
saúde humana caso se inale em grande quantidade de 𝐻2 (VARGAS et al., 2006).
Apesar do hidrogênio conter uma série de riscos e precauções durante o seu manejo,
considera-se que este apresenta o mesmo grau de perigo que qualquer outro combustível,
podendo futuramente se tornar muito mais seguro com menos riscos públicos no que diz
respeito a e emissão de poluentes tóxicos.

2.4 Distribuição de Hidrogênio


Neste setor, o principal problema está relacionado ao capital de investimento. Sis-
temas de distribuição desse gás já existem e estão baseados em gasodutos instalados na
superfície terrestre. Esses gasodutos, quando comparados aos mesmos utilizados para o
transporte do gás natural, possuem uma capacidade 300 vezes menor com técnicas de ins-
talação e manutenção diferenciadas o que influenciam no aumento das despesas, podendo
variar de US$ 300.000,00 a US$ 1,4 milhão dependendo do comprimento, diâmetro e ou-
Capítulo 2. Referencial Teórico 22

tras funções especificas relacionadas ao meio ambiente e construção. Esse valor é quase
sete vezes maior que o custo para a fabricação de gasodutos de gás natural.
Quando se trata do transporte do hidrogênio liquefeito, o custo também é alto e a
capacidade é limitada. Os tanques de armazenamento podem armazenar até no máximo
3.600 kg de hidrogênio enquanto que os tanques de distribuição dos derivados do petróleo
podem armazenar até 30.000 kg de combustível (VARGAS et al., 2006).

2.5 Armazenamento de Hidrogênio


O desenvolvimento de técnicas de armazenamento leva em consideração aspectos
como densidade energética, custo, segurança e facilidade de produção. Existem algumas
possibilidades para armazenamento de hidrogênio com o intuito de utilizá-lo em veículos,
unidades de produção, postos de abastecimentos e unidades estacionárias de energia.
Dentre estas, pode-se citar as três formas de armazenamento mais importantes:
∙ Armazenamento do hidrogênio na forma de gás comprimido;
∙ Armazenamento de hidrogênio líquido na forma criogênica;
∙ Armazenamento de hidrogênio em hidretos metálicos.
Apesar de existirem estudos e aplicações avançados para essa questão, até o pre-
sente momento, nenhum sistema atende todos os requisitos necessários para serem aceitos
comercialmente. Na subseção seguinte, será feita uma breve descrição dos principais mé-
todos de armazenamento de hidrogênio.

2.5.1 Armazenamento no Estado Gasoso


Esse meio de armazenamento permite que o hidrogênio no estado gasoso seja sub-
metido a grandes pressões (200 -600 bar) de modo que esteja comprimido, obtendo uma
densidade maior do que aquela medida em 25 ∘ C e 1 atm de pressão (temperatura e
pressão em condição ambiente) (SANTOS; SANTOS, 2001).
É uma técnica empregada quando deseja pequenas quantidades de hidrogênio e
onde o espaço não é um fator limitante, como por exemplo, em automóveis que utili-
zam células a combustível ou motores a combustão interna, habitações, estabelecimentos
comerciais e industriais (SANTOS; SANTOS, 2001). Quando deseja uma maior quanti-
dade desse gás, este é armazenado em cavernas, minas ou em encanamentos que já são
utilizados para armazenamento do gás natural (ESTEVÃO, 2008).
É uma técnica que apresenta vantagens pois trata-se de um método de armaze-
namento simples com perdas energéticas de 5 % durante a compressão e inexistência das
mesmas quando o gás já se encontra de maneira comprimida (SANTOS; SANTOS, 2001).
Capítulo 2. Referencial Teórico 23

Entretanto, o custo dessa técnica é alto devido as propriedades do hidrogênio como alto
poder de difusão e baixa densidade o que leva a desenvolver ou aprimorar tecnologias
existentes para seu armazenamento.

2.5.2 Armazenamento no Estado Líquido


O hidrogênio passa por um processo de condensação devido a uma forte diminuição
da temperatura gastando 40 % da energia contida nesse combustível. Isso ocorre, pois,
o hidrogênio tem uma temperatura de ebulição muito baixa, cerca de -253 ∘ C, o que
gera uma desvantagem se comparado a quantidade de energia gasta para armazenar o
hidrogênio na forma de gás comprimido. Em contrapartida, esse método armazena uma
maior quantidade de hidrogênio e apresenta maior viabilidade em relação ao transporte
desse combustível.
O hidrogênio no estado líquido é mais denso e apresenta perigos menores se com-
parado com o comprimido pois se caso existir uma fuga, o hidrogênio na forma liquida
terá que passar por um aquecimento para entrar em processo de evaporação e ser liberado
para atmosfera.
O armazenamento do hidrogênio liquefeito é aplicado em automóveis, aviões e
foguetes pois são sistemas onde não possuem uma disponibilidade de espaço e há uma
necessidade grande de guardar grandes quantidades de energia. Essa forma de arma-
zenamento também está agregada a tecnologia das células a combustíveis (SANTOS;
SANTOS, 2001).

2.5.3 Armazenamento em Hidretos Metálicos


Existem certos tipos de metais ou ligas metálicas como de magnésio - níquel,
magnésio - cobre e ferro - titânio que tem a capacidade de absorver hidrogênio quando
submetidos a uma pressão.
Esse processo ocorre quando o gás hidrogênio entra em contato com a superfície
dos hidretos metálicos sob alta pressão, permitindo a separação da sua molécula com a
finalidade de penetrar nos metais ou ligas metálicas, ocupando os espaços disponíveis em
suas estruturas cristalinas. O hidrogênio é então liberado quando há um fornecimento de
calor decorrente do aquecimento das células a combustíveis quando ambos são utilizados
simultaneamente.
O hidrogênio que será armazenado deve possuir um elevado grau de pureza de
modo que não existam outros compostos como oxigênio, carbono e água pois estes podem
reagir com os metais e danifica-los, diminuindo sua vida útil.
Trata-se de um método eficiente indicado para aplicações em portáteis que usem
células a combustível, porém apresenta uma desvantagem relacionada a variação de tempe-
Capítulo 2. Referencial Teórico 24

ratura que promove a diminuição da vida útil do sistema de armazenamento. Entretanto,


há muitos estudos em desenvolvimento com intuito de melhorar a questão da absorção e
dessorção do hidrogênio com a finalidade de aumentar a eficiência do sistema (SANTOS;
SANTOS, 2001).

2.6 Tecnologias para produção de Hidrogênio


O hidrogênio pode ser produzido por diversas fontes de energia primaria como mos-
tra a figura 4. Todos os processos apresentados devem fornecer energia como eletricidade,
calor e luz para que o hidrogênio seja produzido (SANTOS; SANTOS, 2001).

Figura 4 – Diferentes rotas para produção de hidrogênio ( FONTE: (CGEE, 2010), adap-
tado.)

O método utilizado para produção de hidrogênio em larga escala está baseado


na reforma a vapor do gás natural onde o metano reage com o vapor de água a uma
temperatura de 700 ∘ C - 850 ∘ C produzindo uma mistura de 𝐻2 e monóxido de carbono
(CO). Esta técnica não é viável em relação a produção de hidrogênio por ser utilizada
uma fonte primaria de energia não renovável e por emitir 𝐶𝑂2 na atmosfera durante o
processo (LOPES, 2009).
Como relatado na Figura 4, os processos termoquímicos estão relacionados a ga-
seificação de biomassa e pirólise, reforma a vapor, oxidação parcial, reforma auto térmica
e reforma oxidativa. As matérias primas que podem ser utilizadas são o gás natural, me-
tanol, gasolina e etanol. Dentre elas, a preferível é o etanol pois trata-se de uma energia
renovável apresentando viabilidade termodinâmica para produção de hidrogênio (SILVA;
CARVALHO; TôRRES, 2009)
Capítulo 2. Referencial Teórico 25

O processo mais defendido para produção de hidrogênio é a eletrólise da água, pois


trata-se de um método que não libera poluentes a atmosfera já que os únicos produtos
obtidos são o hidrogênio e o oxigênio. Para realizar esse processo, é necessário fornecer uma
quantidade de energia elétrica que pode ser produzida a partir de diversas outras fontes
de energia como solar, eólica e nuclear ( Fig. 4). Apesar de se tratar de um processo que
não emite poluentes a atmosfera, a eletrólise ainda não é muito utilizada para obtenção
de hidrogênio comparada ao processo de reforma do gás natural pois trata-se de um
processo não espontâneo que demanda grande quantidade de energia e gera maior despesas
(VARGAS et al., 2006).
Atualmente, há várias pesquisas voltadas para a produção de hidrogênio através
de certos metais como o Zinco, o Magnésio e o Alumínio. Dentre esses citados, o alumínio
vem recebendo destaque por se tratar de um metal que pode ser reciclável e por ser um
elemento encontrado em abundância na natureza. Essa técnica apresenta vantagem pois
o hidrogênio obtido encontra-se com alto teor de pureza ( aproximadamente 99 %) e não
há emissão de poluentes durante a produção.
Na seção abaixo, serão relatados os processos de obtenção de hidrogênio através
da eletrolise da água e da reação entre o alumínio e a água visto que o primeiro método
é o mais defendido para obtenção de hidrogênio para ser utilizado como combustível e o
outro é o objeto de estudo do trabalho.

2.7 Descrição dos Métodos Analisados


2.7.1 Eletrólise
A eletrólise é um processo de obtenção de hidrogênio a partir de uma energia
elétrica fornecida a um sistema composto por dois eletrodos que se encontram em um
recipiente com água como o representado na Fig. 5. Essa energia é então transformada em
energia química identificada no processo de dissociação dos elementos constituintes deste
fluido. É uma alternativa totalmente indicada para obtenção de energia em alta escala no
futuro visto que a principal substância química utilizada encontra-se em abundância no
planeta (VARGAS et al., 2006).
Capítulo 2. Referencial Teórico 26

Figura 5 – Esquema de uma célula eletrolítica (FONTE: (SERQUEIRA; SANTOS, ),


adaptado).

Esse sistema é composto por dois eletrodos, : um negativo que recebe o nome de
ânodo e um positivo conhecido como cátodo que são submersos na água pura com a fina-
lidade de quebrar suas moléculas e fornecer hidrogênio e oxigênio (VARGAS et al., 2006).
As equações das reações que ocorrem no ânodo (2.1) e cátodo (2.2) são representadas a
seguir:
Reação no ânodo:

+
2𝐻2 𝑂(𝑙) → 𝑂2(𝑔) + 4𝐻(𝑎𝑞) + 4𝑒− (2.1)

Reação no cátodo:

+
4𝐻(𝑎𝑞) + 4𝑒− → 2𝐻2(𝑔) (2.2)

Reação geral:

1
𝐻2 𝑂(𝑙) → 𝐻2 (𝑔) + 𝑂2(𝑔) (2.3)
2
A carga elétrica da corrente fornecida aos eletrodos promove a dissociação dos
elementos através da ruptura das ligações químicas da água transformando seus elementos
em partículas carregadas denominadas íons positivos (cátions) e negativos (ânions).
O ânodo, denominado como eletrodo positivo, possui uma deficiência de elétrons
que por consequência, atrai os íons carregados negativamente. Quando a água entra em
contato com este eletrodo, ocorre uma reação de oxidação representada na equação 2.1.
Capítulo 2. Referencial Teórico 27

De maneira inversa ocorre no cátodo, eletrodo negativo que apresenta um excesso


de elétrons que ao reagir com a água atrairá íons positivos através de uma reação de
redução apresentada na equação 2.2.
O resultado das duas equações pode ser analisado através da equação 2.3 no qual
é possível observar o hidrogênio e o oxigênio separados como já era de se esperar. Para
que ocorra essa reação, certas propriedades como pressão e temperatura precisam ser
definidas para que se estabeleça o valor da tensão que será aplicada no sistema. Em
condições ambientais (25 ∘ 𝐶 e 1 atm), necessita-se de uma tensão de 1,24 V (VARGAS
et al., 2006).
Durante esse processo, geralmente são adicionados ácidos, bases ou sais com o
intuito de aumentar a eficiência do sistema em relação à produção de hidrogênio e dimi-
nuir a quantidade de energia fornecida para a quebra das ligações químicas presentes nas
moléculas de água (SILVA; CARVALHO; TôRRES, 2009). No entanto, a adição em ex-
cesso desses eletrólitos iônicos pode apresentar problemas devido a ionização dos mesmos
interferindo nos resultados de oxidação e redução (ESTEVÃO, 2008).

2.7.1.1 Termodinâmica aplicada a eletrólise

A primeira lei da termodinâmica aplicada a um sistema aberto foi baseada no


estudo de Neto e Moreira (2007) e pode ser definida como:

𝑄 − 𝑊 = Δ𝐻 (2.4)

Onde Q representa o calor fornecido, W o trabalho e ΔH a variação de entalpia.


No caso da eletrólise, o trabalho líquido realizado se resume a tensão fornecida nos
eletrodos e pode ser representada como:

𝑊 = −𝑛𝐹 𝐸 (2.5)

Onde: n: número de elétrons fornecidos; F: constante de Faraday definida como


23074 cal/volt; E: potencial elétrico
Ao realizar uma substituição entre as equações 2.4 e 2.5, tem-se a seguinte relação
para potencial elétrico:

Δ𝐻 − 𝑄
𝐸= (2.6)
𝑛𝐹
Considerando o processo como isotérmico reversível, o calor gerado será expresso
da seguinte maneira:
Capítulo 2. Referencial Teórico 28

𝑄 = 𝑇 Δ𝑆 (2.7)

onde T é a temperatura e ΔS variação da entropia do sistema.


A partir da substituição de 2.7 em 2.6, chega-se a seguinte relação do potencial
mínimo reversível:

Δ𝐻 − 𝑇 Δ𝑆
𝐸𝑟𝑒𝑣 = (2.8)
𝑛𝐹
O termo do numerador da equação 2.8 é a própria energia livre de Gibbs. Em
temperatura e pressão normais (25 ∘ 𝐶 e 1 atm) a variação da entalpia e da energia livre
de Gibbs apresentam valores de 68320 cal/mol e 56690 cal/mol respectivamente. Nesse
sentido, é possível determinar o potencial reversível do sistema como:

Δ𝐺 56690
𝐸𝑟𝑒𝑣 = = = 1, 23𝑉 𝑜𝑙𝑡𝑠 (2.9)
𝑛𝐹 2 * 23074
Ao considerar as perdas na equação 2.6, o potencial tornará maior que o calculado
para uma situação reversível e Q variará conforme E visto que essas constantes são as
únicas constantes que podem variar pois as outras recebem valores fixos. Para um processo
reversível, Q=0, então, toda energia fornecida será proveniente da tensão aplicada aos
eletrodos caracterizando-a como uma voltagem termoneutra pois não ocorre troca de
calor entre o sistema e o ambiente. Como a variação de entalpia recebe o valor de 68320
cal/mol, a tensão termoneutra necessária será 1,48 Volts(NETO; MOREIRA, 2007):
O potencial aplicado nos eletrodos geralmente é maior que 1,48 volts pois parte
da energia elétrica será transferida para o ambiente em forma de calor, então, a voltagem
real é dada por:

𝐸 = 𝐸𝑟𝑒𝑣 + 𝑃 𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 (2.10)

Onde as perdas são definidas como:

𝑃 𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 = 𝐸𝑎𝑛𝑜𝑑𝑜 + 𝐸𝑐𝑎𝑡𝑜𝑑𝑜 + 𝐸𝑡𝑚 + 𝐼𝑅 (2.11)

Cada incógnita apresentada tem o seguinte significado: 𝐸𝑎𝑛𝑜𝑑𝑜 : sobre tensão de


ativação no anodo; 𝐸𝑐𝑎𝑡𝑜𝑑𝑜 : sobre tensão de ativação no cátodo; 𝐸𝑡𝑚 : sobre tensão de
transferência de calor; IR: sobre tensão Ôhmica;
Assim, é possível analisar a eficiência da célula eletrolítica:

Δ𝐻 𝐸𝑡𝑒𝑟𝑚𝑜
𝜂= = (2.12)
Δ𝐺 + 𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 𝐸
Capítulo 2. Referencial Teórico 29

A eficiência da célula em condições ideais pode chegar a 120 % e 100 % conside-


rando a voltagem termoneutra. Para sistemas com perdas, o rendimento pode variar entre
75 % e 90 % (NETO; MOREIRA, 2007).

2.7.2 Produção de hidrogênio através do alumínio


O alumínio será um dos metais mais propensos a produção de hidrogênio no futuro
devido as seguintes considerações:
∙ É o metal mais abundante na Terra.
∙ É utilizado como matéria prima na fabricação de muitos produtos e de embala-
gens;
∙ A maioria dos produtos são feitos de alumínio como canecas, latinhas e embala-
gens passível de reciclagem;
∙ Está ligado a concepção de produzir energia limpa que promove a conservação
do meio ambiente (MARTÍNEZA et al., 2005) e o desenvolvimento sustentável (WANG
et al., 2009).
A produção de hidrogênio se dá através da corrosão do alumínio na presença de
água e só ocorre quando a fina camada de óxido de alumínio, formada pela oxidação do
mesmo em contato com a atmosfera, presente na superfície do metal é destruída. Essa
camada é o principal obstáculo para produção de hidrogênio, pois o material apresenta
grande resistência a corrosão impedindo a geração continua do hidrogênio.
O alumínio pode reagir diretamente com a água e produzir hidrogênio, porém,
esse processo ocorre de maneira lenta a qual demanda um tempo elevado. Para melhorar
a interação entre o alumínio e a água, é necessário que esses dois reagentes passem por
moagem ou trituração do alumínio aumentando sua superfície de contato para então
produzir um volume considerável de hidrogênio. Ainda passando por esse tratamento,
essa reação apresenta um alto tempo reacional e um rendimento muito baixo, em torno
de 3,7 % (WANG et al., 2009).
Para minimizar esse tempo reacional e aumentar o rendimento da produção de
hidrogênio através da reação alumínio – água, adicionam-se catalisadores básicos ou hi-
dretos químicos onde permitem a reação em condições ambientais. Entretanto, quando
adotam hidretos químicos como catalisadores, surgem certos impedimentos relacionados
ao tratamento dos subprodutos obtidos, controle da taxa de reação e o alto preço dos
regentes dificultando que estes tornem um processo industrial. Além do mais, ao utilizar
esses compostos, é necessário um tratamento alcalino ou ácido para remover a fina camada
de óxido de alumínio (𝐴𝑙2 𝑂3 ) presente no alumínio no que impede a reação tornando um
processo poluidor (WANG et al., 2009).
Capítulo 2. Referencial Teórico 30

Íons alcalinos são catalisadores que apresentam o melhor desempenho para produ-
ção de hidrogênio pois além de ser viável economicamente, apresentam melhores rendimen-
tos quando comparados com os hidretos metálicos. Na subseção seguinte, será analisado
o processo de obtenção de hidrogênio por rota alcalina.

2.7.2.1 Reação do alumínio com a água em meio alcalino

Os íons alcalinos tem a função de penetrar na camada de óxido de alumínio per-


mitindo com que o alumínio e suas ligas entrem em degradação através do processo de
corrosão em temperatura ambiente (WANG et al., 2009). Entre os mais aplicáveis, se
encontra o Hidróxido de sódio por ser um composto iônico de fácil acesso aplicado em
diversos ramos industriais.
A equação 2.13 mostra o processo de produção de hidrogênio utilizando o hidróxido
de sódio como catalisador:

𝐴𝑙(𝑠) + 3𝐻2 𝑂 + 𝑁𝑎 𝑂𝐻(𝑎𝑞) → 𝑁 𝑎𝐴𝑙(𝑂𝐻)4 + 3/2𝐻2 (2.13)

Esse processo está baseado em uma reação exotérmica entre o alumínio e o hi-
dróxido de sódio em meio aquoso no qual a base funciona como um catalisador que tem
a função de permitir que o alumínio seja hidrolisado pela água com uma taxa de rea-
ção maior. Além do mais, esse processo não precisa de um fornecimento de energia pois
trata-se de um processo químico espontâneo (MARTÍNEZA et al., 2005) onde o hidrogê-
nio gerado apresenta um alto grau de pureza ( aproximadamente 99 %), ideal para ser
utilizado em células a combustíveis e eletrônico portáteis (PORCIÚNCULA et al., ).
O papel do hidróxido de sódio é acelerar a reação entre a água e o alumínio. Para
isso, ele faz que com que a energia de ativação da reação diminua obtendo valores na
faixa de 42,5-68,4 kJ/mol. O desempenho da produção de hidrogênio também depende
de outros parâmetros como concentração, temperatura, estrutura e quantidade do metal,
concentrações de íons de aluminato, pré-tratamentos metálicos, condições de agitação dos
reagentes no reator e a pureza do alumínio utilizado (WANG et al., 2009).
Além do NaOH, outros hidróxidos podem ser usados na reação, como por exemplo,
o hidróxido de potássio (KOH). Quando utiliza esse catalisador, é necessário que aumente
a concentração e a temperatura ao mesmo tempo para que melhore o rendimento, dife-
rentemente do NaOH que pode ser aplicado em temperatura ambiente. Além do mais, a
quantidade utilizada de KOH é maior, visto que este reage com o 𝐶𝑂2 presente no ar,
fazendo com que a taxa de reação diminua. Ao comparar ambos os catalisadores, o NaOH
apresenta um consumo mais rápido (WANG et al., 2009).
Durante a reação 2.13 também há a formação de aluminato de sódio. Esse produto
apresenta grande importância no setor industrial. É utilizado em maior parte, no trata-
Capítulo 2. Referencial Teórico 31

mento de águas residuais onde tem a finalidade de remover os fluoretos e fosfatos além
de ser utilizado como clarificador das mesmas (SOLER et al., 2008) . Também pode ser
utilizado no processamentos de tintas, manufatura de detergentes, nas industrias têxtil e
farmacêutica, na produção do papel (WANG et al., 2009) e de tijolos refratários e como
aditivo de concreto em locais de clima frio onde tem a finalidade de acelerar o processo
de secagem. Além de ser aplicado em diversas finalidades, ele pode ser dissociado, permi-
tindo a recuperação do catalisador e a formação do hidróxido de alumínio como mostra a
equação 2.14:

𝑁 𝑎𝐴𝑙(𝑂𝐻)4 → 𝑁 𝑎𝑂𝐻 + 𝐴𝑙(𝑂𝐻)3 (2.14)

O hidróxido de alumínio também é utilizado em alta escala. Pode ser utilizado na


indústria farmacêutica no que se refere a produção de maquiagens, produtos de limpeza
de pele, hidratantes, desodorantes, pasta de dentes, shampoos, condicionadores e loções
para o corpo. Também pode ser empregado como antiácido no tratamento de doenças
estomacais e estimulante imunológico além de ser um produto usado na preparação das
vacinas anti-tétano, hepatite A e hepatite B.
32

3 Análise do Ciclo de Vida (ACV) apresen-


tada como proposta para produção de hi-
drogênio com fins energéticos

Durante o desenvolvimento da pesquisa, uma análise de ciclo de vida do processo


de produção de hidrogênio foi elaborada com o propósito de avaliar os impactos ambientais
que esse método pode provocar ao meio ambiente caso se deseje utiliza-lo como fonte de
produção de energia em gerações futuras.
Durante a elaboração, foi preciso definir o objetivo e o escopo do estudo para então
realizar um inventário e poder avaliar os impactos ambientais causados (ASSIS, 2009).

3.1 Definição do objetivo e Escopo


Nesta etapa, define-se o motivo para a realização da análise do ciclo de vida, seus
limites, sua unidade funcional, a metodologia aplicada e os procedimentos que garantem
a confiabilidade do estudo.
A metodologia aplicada durante a elaboração da ACV consta na norma ISO 14040
onde estabelece todos os parâmetros necessários para a realização do estudo desde o início
até o fim, a incluir os subsistemas e os detalhes necessários de maneira que se atenda os
objetivos definidos (ASSIS, 2009).
Os limites do sistema são estabelecidos como o contorno que delimita os subsiste-
mas a serem estudados, ou seja, o que deve ser incluído ou não no estudo (ASSIS, 2009). Os
limites geralmente são apresentados no fluxograma onde apresenta cada etapa do processo
bem como as entradas de matérias – primas e as saídas dos produtos e emissões.
Uma das fases da ACV é quantificar as entradas e as saídas para se obter informa-
ções mais precisas. Por isso, é preciso estabelecer uma unidade funcional de fácil mensu-
ração que pode ser definida de acordo com Giannetti, Almeida e Ribeiro (2003) como “a
referência à qual são relacionadas as quantidades mencionadas no inventário"sendo uma
unidade de medida da função realizada pelo sistema.

3.2 Realização do Inventário


Após a definição do objetivo e escopo, é realizado o inventário que consiste na
coleta de dados dentro do limite do estudo e no processamento dos cálculos realizando
Capítulo 3. Análise do Ciclo de Vida (ACV) apresentada como proposta para produção de hidrogênio
com fins energéticos 33

um balanço do que entra e do que sai em termos de matéria e energia e determinando as


emissões que ocorrem durante o ciclo de vida do produto, matérias-primas e as fontes de
energia utilizadas (ASSIS, 2009).

3.3 Avaliação do Impacto Ambiental


Esta relacionado a magnitude dos impactos ambientais com base na análise do
inventário depois de identificadas as emissões e os produtos obtidos durante o processo de
produção de hidrogênio com finalidade de determinar a gravidade dos impactos (ASSIS,
2009). Para isso, foram definidas três etapas de acordo com Giannetti, Almeida e Ribeiro
(2003):
∙ Classificação: os dados foram agrupados em algumas categorias de impactos
listados na tabela 4:

Tabela 4 – Classificação dos impactos ambientais


Classificação Conceito
Direto Resultante de uma relação de causa e efeito.
Proveniente do impacto direto onde reflete
Indireto
aos efeitos indiretos causados durante o processo.
Positivo Quando melhora e qualidade do meio ambiente.
Negativo Quando causa danos a qualidade do meio ambiente.
Quando a modificação ambiental surge logo em
De curto prazo
seguida a realização da ação e desaparece.
Quando a modificação ambiental surge após muito
De longo prazo
tempo de realizada a ação ambiental.
Permanente Os efeitos provenientes da ação ambiental não cessam.
A modificação ambiental tem duração temporal após
Temporário
a realização da ação.
Quando o ambiente volta ao seu estado original após
Reversível
a realização da ação impactante.
Quando o ambiente não volta a sua condição inicial após
Irreversível
a realização da ação que gera impactos.

∙ Caracterização: quantificação do impacto de cada categoria selecionada.


∙ Valoração: interpretação, ponderação e ordenação dos dados do inventário para
discutir a importância dos resultados e avaliação dos impactos.

3.4 Interpretação
Consiste em analisar os resultados provenientes do inventário, fazer conclusões e
oferecer as recomendações em relação as questões ambientais mais relevantes do processo
em análise.
34

4 Metodologia

Para analisar a viabilidade na produção de hidrogênio utilizando a rota alcalina,


o presente trabalho foi dividido em quatro condições experimentais:
∙ Construção de um sistema reacional para realizar o processo de produção de
hidrogênio com a variação de certos parâmetros cinéticos como a temperatura e concen-
tração;
∙ Obtenção de hidrogênio através da fina camada de alumínio localizada nas em-
balagens tetra pak;
∙ Desenvolvimento de uma avaliação do ciclo de vida - ACV para o processo de
produção de hidrogênio avaliando seus impactos ambientais;
∙ Caracterização elétrica do hidrogênio produzido utilizando nanosensores.

4.1 Sistema Reacional


Os experimentos foram realizados no LAB - Pró na Universidade de Brasília,
através da adaptação de diferentes vidrarias para a montagem do reator de bancada para
coleta de gás 𝐻2 a partir da reação alcalina de solução aquosa de hidróxido de sódio.
O reator de bancada construído foi estabelecido a partir de um balão de destilação
com saída lateral ligada através de uma borracha de silicone a uma proveta de 1 litro
emborcada a um béquer de 2 litros conforme apresentado na Figura 5 6.
Capítulo 4. Metodologia 35

Figura 6 – Sistema construído para a realização da reação.

A coleta do gás foi feita utilizando a técnica da coluna de água onde o gás produzido
no balão de destilação era armazenado na parte superior da proveta que até então se
encontrava preenchida com água.
Durante a produção de hidrogênio, certos parâmetros cinéticos como a tempera-
tura e a concentração do catalisador foram modificados além da superfície de contato do
alumínio com o intuito de analisar o comportamento da reação.

4.1.1 Variação da concentração de Hidróxido de Sódio


Houve a variação de cinco concentrações de hidróxido de sódio presentes em 300 ml
de água: 1 mol 𝐿−1 ,1,5 mol 𝐿−1 , 2 mol 𝐿−1 , 2,5 mol 𝐿−1 e 3 mol 𝐿−1 . Essas concentrações
eram adicionadas ao balão de destilação reagindo com 0,5 g de papel alumínio que já
se encontravam presentes no sistema. A reação ocorreu a uma temperatura de 25 ∘ C e
pressão 1 atm. O tempo reacional, o rendimento e a quantidade de hidrogênio produzido
até o consumo total do alumínio foram avaliados através de um cronômetro digital, a
Capítulo 4. Metodologia 36

partir do cálculo que será explicado na subseção 3.1.4 e do deslocamento da coluna d’água
respectivamente.

4.1.2 Modificação da superfície de contato


As amostras de alumínio apresentavam espessuras de 0,1 mm e 0,3 mm. As espes-
suras foram mensuradas por meio de um paquímetro analógico. Foram utilizados alumínio
proveniente da usinagem realizada no LAB - Pró da FGA bem como o de uso doméstico
( Fig. 7). A concentração manteve fixa em 3 mol 𝐿−1 . Uma manta de aquecimento foi
agregada ao sistema permitindo aumentar a temperatura até obter bons resultados refe-
rente a produção de hidrogênio quando utilizou-se do alumínio de 0,3 mm de espessura
pois esta demorou reagir com o hidróxido de sódio a temperatura ambiente ( 25 ∘ C).

Figura 7 – Superfícies de contato com espessuras: (a) 0,3 mm ( usinagem de Al FGA -


UnB) (b) 0,1mm ( papel alumínio) e (c) 0,1 mm ( usinagem de Al FGA - UnB)

4.1.3 Material Tetra Pak


Avaliou a possibilidade de produzir hidrogênio através das embalagens tetra pak
visto que estas possuem uma fina camada de alumínio que pode ser reaproveitada ( Fig.
8). Então, foi adicionado 0,5 g desse material no reator para examinar se o mesmo reage
com a solução aquosa contendo uma concentração de 3 mol L−1 de hidróxido de sódio.
O comportamento reacional e a quantidade de hidrogênio produzido foram avaliados.
Também adotou a manta aquecedora para analisar o comportamento da reação com a
variação da temperatura aumentando esse parâmetro cinético até que se obtenha bons
resultados em relação a produção de hidrogênio.
Capítulo 4. Metodologia 37

Figura 8 – Material tetra pak

4.1.4 Análise da Reação


A análise da reação está baseada na equação estequiométrica 4.1 apresentada
abaixo:

𝑁 𝑎𝑂𝐻 + 𝐴𝑙 + 3𝐻2 𝑂 → 𝐴𝑙𝑁 𝑎(𝑂𝐻)4 + 3/2𝐻2 (4.1)

Durante a realização do experimento, houve um decréscimo da concentração molar


do alumínio com intuito de mensurar a quantidade de hidrogênio produzido na proveta.
Então, ao invés de utilizar um mol de alumínio, utilizou-se 0,01851 mols. A partir de
cálculos estequiométricos, constatou-se que a quantidade de alumínio utilizada iria gerar
0,2777 mols de hidrogênio. Com base nesses valores e nas quantidades molares de hidrogê-
nio produzidas experimentalmente, foi possível calcular o rendimento da reação definida
a partir da equação 4.2:

𝑚𝑜𝑙𝑠 𝑓 𝑜𝑟𝑚𝑎𝑑𝑜𝑠 𝑑𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢𝑡𝑜 𝑑𝑒𝑠𝑒𝑗𝑎𝑑𝑜


𝑅𝑒𝑛𝑑 = * 100% (4.2)
𝑚𝑜𝑙𝑠 𝑓 𝑜𝑟𝑚𝑎𝑑𝑜𝑠 𝑒𝑠𝑡𝑒𝑞𝑢𝑖𝑜𝑚𝑒𝑡𝑟𝑖𝑐𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑒

A partir do volume coletado, utilizou a equação dos gases ideais ( equação 4.3)
para calcular a quantidade de mols do gás formado durante a reação:

𝑃 𝑉 = 𝑛𝑅𝑇 (4.3)

Onde a Pressão (P) é definida como 1 atm, V é o volume produzido, n é o número


de mols, T a temperatura definida em 298 K e R a constante dos gases ideais a qual recebe
um valor de 0,82 L.atm/ K.mol.
Capítulo 4. Metodologia 38

4.2 Análise do Ciclo de Vida (ACV) do processo


A realização da análise do ciclo de vida foi feita com o intuito de verificar se a
produção de hidrogênio através do alumínio em larga escala causa impactos ambientais.
O desenvolvimento do trabalho foi baseado no estudo de Hiraki et al. (2005). Para isso,
foram identificadas as matérias-primas necessárias, os produtos obtidos, a quantidade de
energia demandada e as emissões de dióxido de carbono liberadas na atmosfera, bem
como seus impactos ambientais. O fluxograma do processo pode ser analisado na Figura
9 apresentando todas as matérias primas e produtos obtidos.

Figura 9 – Fluxograma do processo em estudo Fonte: (HIRAKI et al., 2005), adaptado

Nesse estudo, a produção de hidrogênio está baseada na utilização de resíduos


de alumínio provenientes do setor industrial, latas de refrigerante ou da camada das
embalagens do material tetra Pak , por isso, não foi considerado o pré- tratamento do
alumínio visto que a obtenção deste a partir das fontes citadas é realizada de formas
diferentes. A etapa de fabricação do hidróxido de sódio também não foi considerada por
possuir várias técnicas de obtenção desse composto iônico. Outros parâmetros também
foram assumidos durante o desenvolvimento do ACV baseado no estudo de Hiraki et al.
(2005):
Capítulo 4. Metodologia 39

∙ Não houve desperdício do alumínio (100 % de conversão do alumínio).


∙ O processo de destilação da água foi incluído na análise.
∙ Não foi considerada a construção do equipamento.
∙ O transporte do alumínio residual foi desprezado por ser proveniente de diversas
fontes.
∙ O processo de dissociação do aluminato de sódio foi apresentado somente para
mostrar que o catalisador pode ser recuperado e o hidróxido de alumínio reutilizado sem
o intuito de quantificar os impactos ambientais.
∙ A eletricidade considerada para a destilação da água é proveniente do carvão ,
petróleo, gás natural, energia nuclear e biomassa.
∙ As unidades funcionais foram definidas como MJ (Megajoule) para energia e kg
(quilograma) para as demais matérias-primas e produtos.

4.3 Detecção do Hidrogênio produzido em nanosensores de gases


A análise foi feita a partir de uma caracterização elétrica realizada no LAB- Pró
da Universidade de Brasília (UnB) com o apoio dos alunos Guilherme Felix e Victor
Carvalho juntamente com a Pra. Dra. Maria del Pillar Hidalgo Falla, responsáveis pelo
equipamento e pelo desenvolvimento dos nanosensores utilizados.
O estudo foi feito com o intuito de verificar se os nanosensores desenvolvidos para
detectar gases apresentavam boas respostas com o hidrogênio produzido.

4.3.1 Descrição do Sistema Utilizado


O sistema utilizado para realizar a caracterização elétrica é composto de um injetor
de gases, uma câmara de ensaio e o dispositivo Semiconductor device analyzer B1500A
(Fig. 10) responsável por armazenar e mostrar os resultados referentes a análise.
Capítulo 4. Metodologia 40

Figura 10 – Dispositivo Semiconductor device analyzer B1500A

O equipamento desenvolvido para injeção de gases ( figura 11) é constituído por


dois tubos de entrada de gases onde foram introduzidos o gás de referência e o inerte,
válvulas de regulagem de fluxo de gás, rotatômetros, LEDs , conexões, tubos de saída e
válvulas solenoides.
Capítulo 4. Metodologia 41

Figura 11 – Dispositivo para injeção dos gases.

A câmara de ensaio ( figura 12 ) é onde os sensores desenvolvidos para análise


são posicionados. Nesse equipamento contém dois canais para entrada e saída dos gases e
cabos conectados com o intuito de transmitir as informações.

Figura 12 – Câmara de Ensaio


Capítulo 4. Metodologia 42

4.3.2 Coleta de Gases


O gás produzido foi armazenado em uma garrafa plástica utilizando a mesma
técnica da condição experimental 3.1 ( figura 13). A retirada do hidrogênio foi feita por
meio de uma seringa de 20 ml que também era conectada ao injetor de gases com o intuito
de introduzir o hidrogênio no sistema de caracterização elétrica.

Figura 13 – Método estabelecido para retirada do hidrogênio armazenado

4.3.3 Procedimento Experimental


Foram avaliados três tipos de sensores com as composições apresentadas na figura
14.

Figura 14 – Distribuição dos sensores na câmara de ensaio: a) grafeno e nitrato de cobre;


b) NTC parede multipla e Nitrato de Cobre e; c) Grafeno e porfirina

O hidrogênio e o gás inerte (N2) foram introduzidos no sistema de injeção de gases.


Houve uma variação de volume do hidrogênio onde as concentrações foram de 20 mL, 15
mL, 10 mL e 5 mL. O gás inerte foi necessário para fazer uma limpeza no interior do
equipamento após cada quantidade de hidrogênio injetada.
Capítulo 4. Metodologia 43

Foram feitas as análises elétricas para o hidrogênio úmido e o hidrogênio filtrado


para verificar se há alguma diferença nos resultados. A filtragem do hidrogênio foi feita
colocando uma camada de sílica gel triturada, sulfato de sódio e filtros no início da seringa
conforme a figura 15 com o intuito de retirar a umidade do hidrogênio armazenado na
garrafa juntamente com a água:

Figura 15 – Seringa com sílica gel e sulfato de sódio


44

5 Resultados e Discussões

5.1 Concentração de Hidróxido de Sódio


O alumínio foi totalmente consumido na reação em todas as concentrações analisa-
das definindo-o como agente limitante. O meio reacional estava com uma alta concentração
de NaOH estabelecendo este catalisador como reagente em excesso.
A reação começava logo quando a solução era adicionada no balão de destilação e
aumentava com maiores concentrações do catalisador. A taxa de reação foi proporcional ao
aumento da concentração. O tempo de reação foi inversamente proporcional ( Tabela 5) .
Esse parâmetro não afetou o volume de hidrogênio produzido. Com relação ao rendimento,
este apresentou valores entre 82,5 % e 85,7 % concordando com a literatura que relata
que essa reação apresenta valores altos podendo chegar até 100 % quando tem amostras
de alumínios muito puras (WANG et al., 2009).

Tabela 5 – Dados referentes a variação da concentração


Concentração Tempo
Volume (mL) Rendimento (%)
(mol.𝐿−1 ) de reação (s)
1,0 580 84,0 311
1,5 480 85,4 235
2,0 450 84,0 104
2,5 470 85,7 52
3,0 440 82,5 18

5.2 Superfície de Contato


O maior rendimento alcançado foi para a espessura de 0,3 mm ( Tabela 6) obtendo
um valor de 95,8 %.Para realizar a condição experimental com essa espessura foi necessário
aumentar a temperatura aleatoriamente pois em temperatura ambiente não produziu
hidrogênio de maneira significativa mesmo mudando a concentração de 3 mol𝐿−1 para
5 mol 𝐿−1 . O hidrogênio começou a ser produzido por volta de 80 ∘ C com maior taxa
de produção entre 100 ∘ C e 120 ∘ C. Depois de 300 s, a reação foi finalizada na ultima
temperatura citada.
A temperatura influenciou significativamente na taxa de reação e no rendimento.
Em relação a taxa de reação, houve uma desvantagem devido a um grande fornecimento de
energia ao sistema que encontrava em um meio altamente concentrado. Já o rendimento,
o valor condiz com a literatura pois era esperado altos valores para o rendimento quando
há variação da temperatura (PORCIÚNCULA et al., ).
Capítulo 5. Resultados e Discussões 45

Tabela 6 – Rendimento obtido ao variar a superfície de contato


Espessura(mm) Volume (ml) Rendimento (%)
0,1 mm (papel) 560 82,5
0,1 mm 390 57,6
0,3 mm 650 95,8

O alumínio de 0,1 mm de espessura apresentou menor resultado para o rendimento


e tempo de reação em condições ambientais. O papel alumínio obteve um rendimento de
82,5 % e um menor tempo de reação em condições ambientais.

5.3 Avaliação da Produção de Hidrogênio a partir de um material


Tetra Pak
Não houve produção de hidrogênio em condição ambiente (temperatura a 25 ∘ C
e pressão a 1 atm) na presença de uma concentração de 3 mol 𝐿−1 de hidróxido de
sódio. Entretanto, quando esse sistema sofreu um aumento de temperatura para 111 ∘ C ,
percebeu-se uma pequena formação de hidrogênio que se prolongou até uma temperatura
de 190 ∘ C devido a um descontrole reacional.
O rendimento dessa reação foi de 39,63 % devido ao fato desse material possuir
camadas de plásticos que impedem o contato entre a solução alcalina e o alumínio que por
consequência afeta a reação. Por isso, é necessário a remoção das camadas de plásticos,para
então, reutilizar o alumínio.
O processo de separação entre o plástico e o alumínio não foi realizado por tratar
de uma tecnologia de difícil acesso. Essa tecnologia é denominada separação térmica onde
o plástico polietileno é transformado em parafina e o alumínio é recuperado com um grau
de pureza de 98,5 % (CUNHA, 2011).
A separação desses dois materiais ocorre através em um reator de plasma térmico
onde o plasma é um gás aquecido em elevadas temperaturas que vai permitir que o alu-
mínio chegue no estado de fusão em torno de 650 ∘ C e 700 ∘ C para então ser conduzido
até um lingoteira onde irá adquirir forma de lingotes para então ser revendido. Simulta-
neamente, o polietileno sofre quebra das ligações carbono-carbono e carbono-hidrogênio
fazendo com que o polímero se degrade formando uma mistura de hidrocarbonetos ga-
sosos que darão origem a parafina a partir da condensação dos mesmos que pode ser
utilizada como matéria-prima na fabricação de cosméticos, lubrificantes e também como
combustível por apresentar alto poder calorífico ou na produção do eteno que é utilizado
na fabricação do próprio polietileno presentes nas embalagens tetra pak (NEVES, 2004).
A quantidade de alumínio obtido durante esse processo de separação depende
da limpeza que ocorrem nas embalagens pois podem haver perdas do alumínio casoo o
Capítulo 5. Resultados e Discussões 46

processo for agressivo e também devido a quantidade de fibra presente na entrada do reator
presente no papel que ainda pode estar agregado a mistura alumínio-polietileno(NEVES,
2004).

5.4 Análise do Ciclo de Vida do processo


Considerando a produção de 1,0 kg de hidrogênio e 26 kg de hidróxido de alumínio
(𝐴𝑙(𝑂𝐻)3 ) de acordo com o estudo de Hiraki et al. (2005), a quantidade de insumos e
produtos necessários são apresentados na tabela 7

Tabela 7 – Entradas e saídas do processo de produção de alumínio


Matéria prima / produtos Quantidade
Hidróxido de Sódio 13,33kg
Energia 8,3MJ
Dióxido de carbono 0,73kg
Hidrogênio 1kg
Aluminato de Sódio 39,33kg
Hidróxido de Alumínio 26kg

O processo mostrou que é necessário uma quantidade pequena de energia necessária


para produzir 1,0 kg hidrogênio. As emissões de dióxido de carbono liberadas são poucas
e está relacionado a produção de energia elétrica necessária para destilar a água utilizada
no processo. Com os dados obtidos através da tabela 7 foi possível perceber que o método
em análise gera um quantidade insignificativa de poluentes e demanda pouca quantidade
de energia.
O aluminato de sódio formado juntamente com o hidrogênio pode sofrer dissociação
para recuperar o catalisador utilizado no processo ou ser aplicado na manufatura de tintas,
detergentes e na produção de papel e tijolos refratários. Caso passe pelo processo de
dissociação , será obtido como subproduto o hidróxido de alumínio que pode ser aplicado
na fabricação de hidratantes, desodorantes, pasta de dentes, shampoos, condicionadores
e loções para o corpo além de se utilizado na fabricação de vacinas que funcionam como
prevenção contra a hepatite A e B e anti-tétano.

5.5 Caracterização Elétrica do Hidrogênio Produzido


A Figura 16 apresenta o comportamento dos três sensores quando expostos ao
hidrogênio úmido. Obteve uma melhor resposta para o nanosensor a base de porfirina
e grafeno (alaranjado) apresentando picos positivos mais acentuados com resposta mais
estável. O nanosensor a base de grafeno e nitrato de cobre (azul) não obteve resposta
em contato com o hidrogênio por não apresentar picos. Já o nanosensor composto por
Capítulo 5. Resultados e Discussões 47

nanotubo de carbono de parede multipla com nitrato de cobre (verde) apresentou picos
negativos não significativos. As respostas para os sensores representados pelas curvas em
azul e verde apresentaram uma grande intensidade de ruídos em suas respostas.

Figura 16 – Caracterização elétrica do hidrogênio úmido (Resistência x tempo)

A Figura 17 representa a caracterização elétrica do hidrogênio filtrado. O nano-


sensor a base de porfirina também apresentou os melhores resultados se comparado com
os outros sensores. Entretanto, o tempo de resposta e sua estabilidade foi inferior se com-
parado com a caracterização elétrica do hidrogênio úmido identificado por possuir um
tempo maior para estabilizar após a injeção do hidrogênio. Isso pode ter ocorrido devido
a influencia do sistema desenvolvido para a realização da filtragem durante a injeção do
gás no sistema.
Capítulo 5. Resultados e Discussões 48

Figura 17 – Caracterização elétrica do hidrogênio filtrado ( Resistência x tempo

As características fundamentais em relação ao desenvolvimento de sensores para


detecção de gases são a seletividade, a sensibilidade desenvolvida em baixas concentrações,
rápida resposta e se estes operam de maneira eficaz em temperatura ambiente com baixo
consumo de energia. Outros fatores como baixo custo, pouca manutenção e portabilidade
também podem ser considerados.O nanosensor a base de porfirina foi o que apresentou
melhor resultado para os parâmetros citados quando exposta ao gás hidrogênio, apresen-
tando resultados compatíveis com o estudo de Itagaki et al. (2003).
A variação da resistência elétrica está relacionada a uma reação oxido- redução que
ocorre na superfície do sensor. Quando se tem uma resistência positiva , há uma reação
de oxidação e quando se tem uma resistência negativa , há uma reação de redução. Essas
reações ocorrem quando há uma adsorção do gás a superfície do nanosensor promovendo
a transferência de elétrons entre a superfície e o gás em análise por meio da dissociação
do gás. Dessa forma, a avaliação do desempenho dos sensores é avaliada pela reação de
óxido- redução.
A porfirina apresentou melhor sensibilidade, tempo de resposta e estabilidade para
o hidrogênio úmido concordando com o estudo desenvolvido por JimÉnez-Cadena et al.
(2007). Já para o hidrogênio filtrado, os resultados não apresentaram uma estabilidade
e nem uma resposta instantânea, isso pode ter ocorrido devido ao sistema de filtração
desenvolvido pois este pode ter contaminado o hidrogênio em análise devido ao vazamento
Capítulo 5. Resultados e Discussões 49

de sílica gel e sulfato de sódio (𝑁 𝑎2 𝑆𝑂4 ) pela extremidade da seringa.


50

6 Conclusão

A proposta do trabalho foi avaliar a produção de hidrogênio utilizando o alumínio


via rota alcalina e analisar se o mesmo apresentou bons resultados para essa finalidade.
Concluiu-se que existe a possibilidade de produzir hidrogênio por meio da corrosão do
alumínio utilizando um catalisador básico de maneira espontânea e em condições ambi-
entais ( 25 ∘ C e 1 atm). Analisando os resultados experimentais, pode-se comprovar que
a taxa de reação é afetada quando varia a concentração do catalisador e a temperatura
do sistema que também influencia no rendimento obtendo valores próximos ao calculado
através da equação estequiométrica.
Essa técnica apresentou vantagem pois além de ser um método simples, pode
utilizar alumínio reciclável garantindo a sustentabilidade na produção de energia. Além
do mais, o catalisador utilizado é encontrado em abundância no mercado com um preço
econômico e grande acessibilidade.
O material tetra pak não possuiu resultados significativos a produção de hidrogê-
nio devido a presença das camadas de plástico. Não foi possível realizar a separação das
camadas devido a falta de acessibilidade a técnica existente.
Tendo em vista os aspectos observados durante a elaboração da análise do ciclo
de vida (ACV), pode-se afirmar que trata de um processo que não há um alto consumo
de energia e liberação de gases poluentes em excesso ao meio ambiente se comparado com
outros métodos convencionais para produção de hidrogênio, sendo uma técnica sustentável
para produção de energia.
O nanosensor a base de grafeno e porfirina é o mais indicado para a detecção do gás
hidrogênio produzido pois apresentou boa sensibilidade e bom tempo de resposta durante
a caracterização elétrica. A umidade do hidrogênio não influenciou na detecção do mesmo
obtendo melhores resultados comparado com o hidrogênio filtrado. Este nanosensor pode
ser utilizado na detecção de vazamentos do gás hidrogênio armazenado com finalidades
energéticas, evitando que o mesmo cause acidentes já que possui a característica de ser
inflamável e de alta dispersão.
Apesar de não ter conseguido analisar o grau de pureza do hidrogênio devido à
falta de acessibilidade a um cromatógrafo gasoso, o hidrogênio obtido, de acordo com
a literatura, possui um alto teor de pureza (cerca de 99%) sendo totalmente viável sua
utilização em células a combustível que exigem essa condição para geração de energia
elétrica e térmica aplicadas no ramo automobilístico e de geração distribuída.
51

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