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PALAVRA-CHAVE

COMUNHÃO: - [do grego koinonia: ‘tendo em comum’ e do


latim communione: ‘ter algo em comum’] Participação em comum;
Participar das mesmas idéias, crenças e opiniões; Uniformidade (em
idéias, opiniões, etc.); acordo, harmonia.
COMENTÁRIO

I. INTRODUÇÃO

Sem o relato histórico dos ‘Atos do Espírito Santo’ registrado por Lucas, teríamos uma
grande lacuna na Igreja cristã. É através do livro de Atos, bem como de outros trechos do
NT, que tomamos conhecimento das normas ou dos padrões estabelecidos para uma
igreja governada pelo Cabeça Jesus Cristo no modelo primitivo. Antes de qualquer coisa,
temos que entender que a igreja é o ajuntamento de pessoas com suas diferenças em
congregações locais, unidas pelo Espírito Santo, que buscam um relacionamento
pessoal, fiel e leal com Deus e com Jesus Cristo e, por conseguinte, com os irmãos (At
13.2; 16.5; 20.7; Rm 16.3,4). Note que é mediante o poderoso testemunho da igreja que
os pecadores são alcançados e regenerados. Uma igreja que declara basear sua teologia,
prática e missão, no padrão divino revelado no livro de Atos bem como noutros escritos
do NT, deve primar com muita diligência pela comunhão entre seus membros, engajados
uniformemente em idéias, opiniões, doutrina e ação. Nenhum volume de pregação,
ensino, cânticos, música, animação, movimento e emocionalismo manifestarão o poder e
presença genuína no Espírito Santo, sem a comunhão dos santos, mediante a qual os
crentes devem perseverar harmonicamente em oração e súplicas. Boa aula!

(II. DESENVOLVIMENTO)

I. A COMUNHÃO DOS SANTOS

Koinonia (κοινωνία), ‘tendo em comum (koinos), sociedade, companheirismo’. É assim


usado acerca das experiências e interesses comuns dos cristãos (At 2.42; Gl 2.9); da
participação no conhecimento do Filho de Deus (1Co 1.9); do compartilhamento na
realização dos efeitos do sangue (ou seja, da morte) e do corpo de Jesus Cristo,
conforme é exposto pelos emblemas da Ceia do Senhor (1Co 10.16); da participação do
que é derivado do espírito Santo (2Co 13.13; Fp 2.1); da participação dos sofrimentos de
Cristo (Fp 3.10); do compartilhamento na vida e da ressurreição possuída em Cristo e, por
conseguinte, do companheirismo com o Pai e o Filho (1Jo 1.3,6,7); companheirismo com
Deus, realizado pelo Espírito Santo na vida dos crentes em resultado da fé (Fm 6)[1].
Aparece 20 vezes no Novo Testamento: em 12 ocasiões é traduzida por comunhão; em 4
por comunicação; 1 por dons; 1 por cooperação; 1 por dispensação e 1 por coleta.Mostra
o ideal da fé cristã, onde não deve haver um povo com doutrinas divergentes, ideais
divergentes, deuses diferentes... É o ideal de Atos 2.44: ‘Todos os que criam estavam
juntos e tinham tudo em comum’.

1. O que é a comunhão. Compartilhamento, uniformidade, associação próxima, parceria,


participação, uma sociedade, uma comunhão, um companheirismo, ajuda contribuinte,
fraternidade. O termo grego Koinonia é uma uniformidade realizada pelo Espírito

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Santo, somente os regenerados podem vivenciá-la em sua plenitude. Em Koinonia, o
crente compartilha o vínculo comum e íntimo do companheirismo com o resto da
comunidade cristã, é quase que uma união hipostática [*] entre os crentes e o Senhor
Jesus Cristo, bem como nos une uns aos outros.

2. A unidade do Corpo de Cristo. Em João 17.21, Jesus orou em favor da união entre
os crentes, não uma união de igrejas ou organizações, mas uma união espiritual, baseada
na permanência em Cristo, no amor a Cristo, na separação do mundo, em santificação na
verdade, em receber a verdade da Palavra e crer nela; na obediência à Palavra e no
desejo de levar a salvação aos perdidos. Faltando algum desses fatores, não pode haver
a verdadeira Koinonia que Jesus pediu em oração. “Jesus não ora para que seus
seguidores "se tornem um", mas para que "sejam um". Trata-se do subjuntivo presente e
significa "continuamente ser um". União essa que se baseia no relacionamento que todos
eles têm com o Pai e o Filho, e na mesma atitude basilar que têm para com o mundo, a
Palavra e a necessidade de alcançar os perdidos (cf. 1 Jo 1.7)”[2]. Paulo quando escreveu
ao seu filho na fé, o jovem Timóteo, fez uma afirmativa que julgo relevante e muito
contemporâneo, quando pensamos sobre a igreja e a unidade do Corpo de Cristo.
Declara Paulo: ‘Para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do
Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade.’(1Tm. 3.15).

3. A comunhão da Igreja agrada a Deus. Paulo inicia sua carta aos Coríntios exortando-
os quanto à unidade, anunciando sua preocupação primária acerca do que ele tinha
ouvido ‘pelos da casa de Cloe’ concernente às divisões e pendengas daquela igreja (1Co
1.10). O primeiro problema abordado é a competição e rivalidade que resultaram devido
as preferência por líderes religiosos com base em sua presumida sabedoria superior.
Parece um assunto tão contemporâneo que chega a confundir-nos. Será que não
aprendemos nada com as querelas daquela igreja? O que pode ser mais contemporâneo
do que a competição, a rivalidade, as divisões e brigas pelo poder[leia este artigo]? A vida
em Corpo da Igreja, não do crente independente, é a chave para a compreensão do
comportamento divino no NT. Notemos que intentar criar uma união artificial por meio de
reuniões, festividades, conferências ou organização centralizada, pode resultar num
simulacro da própria união em prol da qual Jesus orou em Jo 1.7. Deus trata com a Igreja
como um corpo e com os indivíduos como partes ou membros desse corpo. Precisamos
lançar as preocupações do corpo [da congregação] acima dos nossos próprios. Isso
resultará numa união espiritual de coração, propósito, mente e vontade dos que estão
totalmente dedicados a Cristo, à Palavra e à santidade (Ef 4.3). Certamente Deus requer
que os seus seguidores sejam unidos. Quando Jesus preparando-se para sua própria
morte, uma das primeiras coisas que teve em mente foi a unidade dos seus discípulos:
‘Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por
intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e
eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste’ (Jo
17.20,21). Se realmente somos regenerados, devemos incentivar esta unidade entre os
crentes: ‘Assim, pois, seguimos as cousas da paz e também as da edificação de uns para
com os outros’ (Rm 14.19). Como templo e morada do Espírito Santo, deveremos
trabalhar humildemente para manter a unidade: "[...]completai a minha alegria, de modo
que penseis a mesma cousa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o
mesmo sentimento. Nada façais por partidarismo ou vangloria, mas por humildade,
considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o
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que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros’ (Fp 2.2-4). Paulo,
em sua preocupação com as perigosas querelas e cismas em Corinto, deixou-nos a
fórmula prática para esta paz quando escreveu: ‘Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso
Senhor Jesus Cristo, que faleis a todos a mesma cousa e que não haja entre vós
divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo
parecer’ (1Co 1.10).
[*] Teol.
União hipostática (também conhecida como união mística ou dupla
natureza de Cristo) é a doutrina clássica da cristologia que afirma ter Jesus Cristo duas
naturezas, sendo homem e Deus ao mesmo tempo; União do Verbo com a natureza
divina.

SINÓPSE DO TÓPICO (1)

A comunhão da igreja não é um mero ajuntamento de pessoas, é o relacionamento


espiritual e pessoal dos santos, sob a ação do espírito Santo.

II. A COMUNHÃO CRISTÃ CARACTERIZA-SE PELA UNIDADE

Em princípio, podemos crer que a unidade da congregação seja importante, más praticá-
la é coisa difícil. Mesmo que os métodos humanos possam parecer práticos e eficientes, o
crente verdadeiramente regenerado procurará manter a unidade do modo que ele nos
ensina nas Escrituras. John Stott afirma que a segunda marca de uma igreja viva que
descobrimos na leitura de Atos é o amor e o cuidado mútuo entre os crentes. “A unidade
do Corpo de Cristo permite a união dos desiguais: “Pois todos nós fomos batizados em
um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e
todos temos bebido de um Espírito. Porque também o corpo não é um só membro, mas
muitos. … E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, pois, há
muitos membros, mas um corpo” (1Co 12.13,14 e 19,20). Paulo assim escreve para
demonstrar que cada membro do corpo é diferente um do outro, mas forma uma unidade:
uns são mãos, outros, pés, outros olhos, assim por diante – não somos todos apenas um
membro do corpo, mas vários membros formando um só corpo: “E o olho não pode dizer
à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho
necessidade de vós. Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são
necessários; … Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual
cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros
padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele.”
(vs. 21,22; 25,26)”[3]. Consideremos a base da unidade que agrada a Deus:

1. Unidade doutrinária. O cristianismo é, sobretudo, uma religião baseada na união –


união de gregos e troianos, judeus e gentios, negros e brancos ricos e pobres todos
unidos numa só fé – mas não tolera a conjunção entre o certo e o errado, a verdade e a
mentira, a luz e a escuridão. Assim, a unidade cristã se dá PELA verdade bíblica
universal, a Palavra viva, santa e imutável de Deus. Na sua oração pela unidade, Jesus
disse: “Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam; … Santifica-os
na verdade; a tua palavra é a verdade.” (Jo 17.8,17). Se não for PELA Palavra de Deus
não haverá unidade cristã verdadeira. Portanto, a unidade não deve ser meramente

3
espiritual, mas também bíblico-doutrinária, mediante a uniformidade da fé. Muitos
pastores e líderes buscam a unidade em meio ao erro doutrinário, o que contradiz a
Palavra de Deus. Essa “unidade”, na realidade, agrada muito mais aos homens do que a
Deus. Não falo das pequenas diferenças existentes no meio cristão (pois, como dissemos
cada membro do corpo é desigual), que não comprometem a sã doutrina, mas daquelas
que possam afetar a verdade bíblica. “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem
de acordo?” (Am 3.3) [3]. Na verdade, não estaremos isentos da insurgência de hereges
que ensinam idéias e doutrinas sem base bíblica e que criam divisões nas igrejas e entre
os crentes e é interessante que, para se manter a união faz-se necessário a divisão - se
uma segunda admoestação for ineficaz para corrigir tais pessoas, devem ser evitadas,
isto é, rejeitadas e excluídas da igreja. Aqueles que rejeitam as verdades da Bíblia e
colocam em seu lugar as próprias idéias e opiniões, são pervertidos e pecaminosos e
devem sim serem extirpados para não ‘levedar a massa’(Tt 3.10,11).

2. Unidade na própria comunhão. O Evangelho de Jesus Cristo é constituído sobre


relacionamentos: relacionamento com Deus e relacionamentos com as pessoas que Deus
amou de ‘tal maneira’ que Ele enviou Seu Filho para salvar. Ele ainda deseja fazer isso
hoje em e através de todos nós. A Bíblia coloca a nossa relação com Deus como
prioridade: "Amarás o Senhor teu Deus com todo seu coração, alma, mente e força" (Lc
10.27). Jesus acrescentou o grande segundo mandamento: "Amarás o teu próximo como
a ti mesmo." Estas verdades irão impactar nossa caminhada diária com o outro. Nós os
cristãos estamos unidos não só por nosso compromisso com Jesus Cristo, como também
por nosso compromisso com a igreja de Jesus Cristo. Precisamos ter a mesma
perspectiva da igreja que Jesus tinha, e redescobrir a visão de uma igreja viva, renovada
pelo Espírito Santo, tal como foi nos seus primeiros tempos. O propósito de Deus não é
salvar indivíduos e perpetuar seu isolamento. Deus se propôs edificar a igreja, uma
comunidade nova e redimida. Planejou-a na eternidade passada, a está levando a cabo
no processo histórico do presente, e será aperfeiçoada na eternidade que virá. A igreja
esta no centro do plano de salvação. Cristo morreu não só para nos redimir de toda
iniquidade, mas também para reunir e purificar para si mesmo um povo entusiasmado
pelas boas obras. Assim diz a Palavra: “O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir
de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras.” (Tito
2:14) Na eternidade, Deus nos reunirá aos redimidos por Cristo como um só povo, do qual
o apóstolo João teve uma antecipação extraordinária: “Depois destas coisas olhei, e eis
aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e
línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e
com palmas nas suas mãos; e clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso
Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro.” (Apocalipse 7:9-10) [4].

3. Unidade do partir do pão. A Ceia do Senhor é descrita em quatro trechos bíblicos: Mt


26.26-29; Mc 14.22-25; Lc 22.15-20; 1 Co 11.23-32. Foi dado à Igreja como um memorial
da morte de Cristo no Calvário, para redimir os crentes do pecado e da condenação (1Co
11.24-26; Lc 22.19) e é celebrado como um ato de ação de graças (grego eukharistía,
agradecimento, gratidão, ação de graças) pelas bênçãos e salvação da parte de Deus,
provenientes do sacrifício de Jesus Cristo na cruz por nós (1Co 11.24; Mt 26.27,28; Mc
14.23; Lc 22.19). João Calvino afirma que “Nossas almas podem obter deste sacramento
(Santa Ceia) grande fruto de confiança e doçura, pois temos testemunho de que Jesus
Cristo, de tal maneira é incorporado a nós, e nós a Ele, que tudo quanto é Seu podemos
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chamar de ‘’nosso’’. E tudo quanto é nosso, podemos dizer que é Seu”. Assim, o
sacramento da Santa Ceia constitui-se num ato de comunhão (koinonia) com Cristo e de
participação nos benefícios da sua morte sacrificial e, ao mesmo tempo, comunhão com
os demais membros do corpo de Cristo (1Co 10.16,17). Note que a Ceia do Senhor só
adquire essa importância acima mencionada, só passa a ter significado se chegarmos
diante do Senhor com fé genuína, oração sincera e obediência à Palavra de Deus e à sua
vontade. É notável que o primeiro fruto do Espírito seja o amor. Neste particular, a igreja
primitiva cuidava dos seus pobres, compartilhava com eles suas possessões. Esta atitude
deve ser a característica da igreja em todos os tempos. Essa característica logo foi
deturpada, ‘[...] os coríntios se reuniam para suas refeições de confraternização, antes da
Ceia do Senhor (cf. 2 Pe 2.13; Jd v.12), alguns se -reuniam em grupos pequenos e
tomavam suas refeições à parte (vv. 18,19). Os pobres, que não podiam trazer refeição,
eram desconsiderados e deixados com fome.’(1Co 11.21) [5]. A comunhão, a disposição
de compartilhar, generosa e voluntariamente, é um princípio permanente. A igreja deveria
ser a primeira entidade no mundo na qual se abolisse a pobreza.

4. Unidade nas orações. Os primeiros cristãos não eram só fieis em conservar os


ensinamentos dos apóstolos na comunhão uns com os outros. Também se reuniam uns
com os outros. Também se reuniam e participavam juntos “no partir do pão, e nas
orações” (Atos 2:42). As orações que se mencionam aqui não são as orações privadas
mas sim as reuniões de oração. Paulo faz aos coríntios um apelo comovente (1Co 1.10).
Depois de agradecer a Deus pelo enriquecimento dos coríntios em Cristo, lhes faz um
chamado urgente, por causa do doloroso cisma que há entre eles. Acaba de lhes escrever
sobre sua comunhão e agora tem que os exortar pela sua falta de comunhão. Contudo,
Paulo segue se dirigindo a eles como irmãos e irmãs. Quiçá o faz de propósito, para os
lembrar que pertencem à família de Deus e que com seu comportamento, em alguma
medida estão contradizendo sua identidade. O salmista declara que se abrigarmos o
pecado em nossa vida, o Senhor não atenderá as nossas orações (Sl 66.18; Tg 4.5). Eis
a razão principal por que o Senhor não atendia as orações dos israelitas idólatras e
ímpios (Is 1.15). Mas se o povo de Deus arrepender-se e voltar-se dos seus caminhos
ímpios, o Senhor promete voltar a atendê-lo, perdoar seus pecados e sarar a sua terra
(2Cr 7.14; Lc 18.14). A tendência natural do homem é opor-se a Deus e ao próximo,
porém, essa tendência pode ser alterada pela graça de Deus pois alcança todos aqueles
que humildemente aceitam a salvação em Cristo.

SINÓPSE DO TÓPICO (2)

A unidade doutrinária, a unidade entre os irmãos, a unidade no partir do pão e a unidade


nas orações é o que caracteriza a comunhão da igreja cristã.

III. OS FRUTOS DA COMUNHÃO CRISTÃ

A igreja é apresentada como o povo de Deus (1Co 1.2; 10.32; 1Pe 2.4-10), uma família
formada pelo agrupamento dos crentes redimidos como fruto da morte de Cristo (1Pe
1.18,19). É um povo peregrino que já não pertence a esta terra (Hb 13.12-14), cujo
primeiro dever é viver e cultivar uma comunhão real e pessoal com Deus (1Pe 2.5). A
igreja é o corpo de Cristo (1Co 6.15,16; 10.16,17; 12.12-27). Isto indica que não pode
existir igreja verdadeira sem união vital dos seus membros com Cristo. A essência desta

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família é o relacionamento entre os irmãos. É por isso que o salmista exclama: ‘Oh! Como
é bom e agradável viverem unidos os irmãos’ (Sl 133.1). Viver unido é viver em comunhão
com o Pai e com os irmãos. Charles R. Swindoll afirma que uma família forte possui seis
qualidades principais: é comprometida com a família, gasta tempo junta, tem boa
comunicação familiar, expressa apreciação um ao outro, tem um compromisso espiritual e
é capaz de resolver os problemas nas crises. Estas qualidades podem ser resumidas em
duas palavras: comunhão e reciprocidade (Rm 12.5). Podemos resumir que reciprocidade
é a vida que flui na igreja. Uma igreja que não desenvolve estas qualidades vive uma
crise de comunhão. Quando a igreja vive esta reciprocidade, gera frutos:

1. Temor a Deus. Em Dt 6.1,2 encontramos o mandamento geral de “temer ao Senhor”


(gr. phobos); inclui uma variedade de aspectos do relacionamento entre o crente e Deus.
É fundamental, no temor a Deus, reconhecer a sua santidade, justiça e retidão como
complemento do seu amor e misericórdia, isto é, conhecê-lo e compreender plenamente
quem Ele é (Pv 2.5). Esse temor baseia-se no reconhecimento que Deus é um Deus
santo, cuja natureza inerente o leva a condenar o pecado. Temer ao Senhor é considerá-
lo com santo temor e reverência e honrá-lo como Deus, por causa da sua excelsa glória,
santidade, majestade e poder (Fp 2.12). Paulo vê lugar para "temor e tremor" da nossa
parte na salvação efetuada por Cristo. Todo filho de Deus deve possuir um santo temor
que o faça tremer diante da Palavra de Deus (Is 66.2) e o leve a desviar-se de todo mal
(Pv 3.7; 8.13). Note que o temor do Senhor não é de conformidade com a definição
frequentemente usada, a mera ‘confiança reverente’, mas inclui o santo temor do poder
de Deus, da sua santidade e da sua justa retribuição, e um pavor de pecar contra Ele e
das consequências desse pecado (Ex 3.6; Sl 119.120; Lc 12.4,5). Não é um temor
destrutivo, mas um temor que controla e que redime e que aproxima o crente de Deus, de
suas bênçãos, da pureza moral, da vida e da salvação (Sl 5.7; 85.9; Pv 14.27; 16.6).
Quando Lucas destaca que ‘em cada alma havia temor’(At 2.43), demonstra a unidade do
Espírito levando os crentes a crer e confiar exclusivamente nEle para a salvação. O
salmista, na sua reflexão a respeito do Criador, declara explicitamente: ‘Tema toda a terra
ao SENHOR; temam-no todos os moradores do mundo. Porque falou, e tudo se fez;
mandou, e logo tudo apareceu’ (Sl 33.8,9). Temer a Deus significa reconhecer que Ele é
um Deus que se ira contra o pecado e que tem poder para castigar a quem transgride
suas justas leis, tanto no tempo como na eternidade (Sl 76.7,8). Moisés experimentou
esse aspecto do temor de Deus quando passou quarenta dias e quarenta noites em
oração, intercedendo pelos israelitas transgressores: ‘temi por causa da ira e do furor com
que o SENHOR tanto estava irado contra vós, para vos destruir’ (Dt 9.19).

2. Sinais e maravilhas. O Espírito Santo foi derramado sobre a Igreja no dia de


Pentecostes, cento e vinte almas naquele dia receberam o selo do Espírito Santo, que
mergulhou suas vidas no poder celestial. Depois daquele dia jamais seriam os mesmos.
Jesus cumpriu a sua promessa (At 1.5). Pedro cheio de poder anunciou a Palavra com
muita intrepidez e três mil pessoas se converteram. Era a Igreja que nascia reunindo-se
no templo e de casa em casa. Como podemos ver em At 5.42. É da vontade de Deus que
a pregação do evangelho seja acompanhada de sinais miraculosos para confirmar a
veracidade do evangelho (Mc 16.20). Dessa maneira, o Senhor coopera com sua igreja e
dá testemunho da veracidade da mensagem do evangelho. Esta confirmação da graça de
Deus, com sinais e prodígios, não é menos necessária hoje do que foi no início da igreja,
à medida que enfrentamos os tempos difíceis dos últimos dias (1Tm 4.1; 2Tm 3.1-13).
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3. Assistência Social. “E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum.
E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de
mister.” (Atos 2:44-45) Esta passagem nos perturba. Preferimos saltá-la para evitar o
desafio que ela encerra. Devemos imitar literalmente estes crentes? Quis Jesus que todos
seus seguidores vendessem suas possessões e repartissem o que obtivessem delas?
Sem dúvida, o Senhor chamou a alguns de seus discípulos a uma pobreza voluntária
total. Esse é o chamamento que fez ao jovem rico, por exemplo. A ele, Jesus disse
expressamente que vendesse tudo e o desse aos pobres. Este foi também o chamado do
frade Francisco de Assis, na idade média, e mais recentemente, o chamado de Madre
Tereza, em Calcutá, ambos católicos romanos. Eles nos recordam que a vida não
consiste na abundância dos bens que possuímos. Mas não todos os discípulos de Cristo
são chamados a isso. A proibição da propriedade privada é uma doutrina marxista, não
cristã. Mesmo na igreja em Jerusalém, a decisão de vender as propriedades e dar tudo foi
uma questão voluntária. Quando passamos para o versículo 46, lemos que os crentes se
reuniam “em suas casas”. Quer dizer, continuavam tendo casa e propriedades pessoais.
Pelo visto, não haviam vendido todas as casas, seus móveis e suas propriedades!
Contudo alguns tinham casas, e os crentes se reuniam nelas. Não obstante, não devemos
evadir do desafio destes versículos. Alguns suspiram com alívio porque não sugeri que
devemos vender tudo e repartir-lo. Mas, mesmo que não seja nosso chamado particular,
todos fomos chamados a nos amarmos mutuamente como faziam aqueles cristãos. [6].

4. Crescimento. A igreja cristã nasceu com uma vocação para crescer e se tornar
católica [*]. O rápido crescimento da igreja, nos primeiros séculos, é algo empolgante e
motivador. Sua trajetória foi marcada por um mover de Deus (Atos 2). Seu crescimento
inspira a igreja a buscar e descobrir as estratégias para se alcançar este objetivo. Um
estudo dos primeiros capítulos do livro de Atos mostra que aquela igreja não tinha
nenhum tipo de inovação ou algo semelhante, mas, simplesmente, se colocou à
disposição de Deus para trabalhar dentro do contexto de sua época. E é exatamente isso
que precisamos fazer hoje. A descida do Espírito Santo, em cumprimento às palavras de
Jesus (Lc 24.49), trouxe nova perspectiva de vida a sua igreja. A partir de Atos 2,
percebe-se que ela avançou em sua tarefa de evangelização e que existem alguns
requisitos essenciais para que a igreja hodierna faça Cristo conhecido a todas as nações
(Mc 16.15). E o que se vê no livro de Atos é uma explosão no crescimento da igreja
naqueles dias. Seu início foi com 120 pessoas, aumentando o número dos salvos para
3.000, passando para 5.000 e, em pouco tempo, os lugares mais distantes de Jerusalém
já tinham recebido o evangelho (At 1.8). Com isso, aprendemos que a tarefa da igreja na
terra não acabou, e que o seu crescimento não depende, unicamente, de recursos e
estratégias humanas, mas de Koinonia – do crente com Deus através do Espírito Santo e
entre os irmãos, através do amor que é derramado em nossos corações.

5. Adoração. Existem dois aspectos da vida de adoração da igreja primitiva que são
desejáveis em uma igreja hoje. Aqueles cristãos mostravam equilíbrio nos dois sentidos.
Por um lado a adoração era formal e informal. Isso aprendemos no versículo 46, onde nos
é dito que adoravam nas casas e no templo. É interessante que os primeiros cristãos
continuaram adorando no templo. Não abandonaram de imediato a igreja institucional;
queriam reformá-la de acordo com o evangelho. Seguramente não participavam dos
sacrifícios do templo, porque entendiam que os sacrifícios já haviam sido cumpridos
definitivamente com a morte e ressurreição de Cristo. No entanto, continuaram
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participando das reuniões de oração no templo. Estas reuniões tinham certa formalidade,
mas os cristãos as suplementavam com reuniões mais informais e espontâneas nos lares.
Um segundo aspecto do equilíbrio que guardava a adoração na igreja primitiva era sua
atitude de gozo e ao mesmo tempo reverente. A palavra que traduz “alegria” no versículo
46 descreve gozo exuberante. Deus havia enviado seu Filho ao mundo, agora havia
derramado Seu Espírito em seus corações... Como não iriam estar alegres! O fruto do
Espírito Santo é amor, e também é alegria. Podemos imaginar naqueles crentes um gozo
muito menos inibido do que as tradições costumam nos permitir. Algumas reuniões de
adoração parecem mais funerais. Todos estão vestidos de preto, ninguém sorri ninguém
diz nada, tocam-se hinos com muita lentidão e toda atmosfera é lúgubre. Por quê?
Alegremo-nos no Senhor! Cada reunião deve ser uma celebração alegre. Contudo, a
adoração da igreja primitiva também se caracterizava pela reverência. Seus cultos não
eram irreverentes. Se em algumas reuniões o ambiente é funerário, em outros é
demasiado leviano. Não refletem a presença solene e soberana de Deus. Os primeiros
cristãos não conheciam esse erro. Quando o Espírito Santo renova a igreja, a enche de
alegria e também de reverência ante Deus. [5].

SINÓPSE DO TÓPICO (3)

A verdadeira comunhão cristã gera frutos na vida da Igreja, tornando-a verdadeiramente o


Corpo de Cristo.
[*].(do grego καθολικος: katholikos; com o significado de "geral" ou "universal")

(III. CONCLUSÃO)

Nós os cristãos estamos unidos não só por nosso compromisso com Jesus Cristo, como
também por nosso compromisso com a igreja de Jesus Cristo. Precisamos ter a mesma
perspectiva da igreja que Jesus tinha, e redescobrir a visão de uma igreja viva, renovada
pelo Espírito Santo, tal como foi nos seus primeiros tempos. O propósito de Deus não é
salvar indivíduos e perpetuar seu isolamento. Deus se propôs edificar a igreja, uma
comunidade nova e redimida. Planejou-a na eternidade passada, a está levando a cabo
no processo histórico do presente, e será aperfeiçoada na eternidade que virá. A igreja
esta no centro do plano de salvação. Cristo morreu não só para nos redimir de toda
iniquidade, mas também para reunir e purificar para si mesmo um povo entusiasmado
pelas boas obras. Assim diz a Palavra: “O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir
de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras.” (Tt
2.14)

APLICAÇÃO PESSOAL

A vida cristã é viva no Espírito. Todos os cristãos concordam nisso com alegria. Seria
impossível ser cristão, sem o ministério do gracioso Espírito de Deus. Tudo o que temos e
somos como cristãos devemos a Ele. Assim, cada cristão tem uma experiência com o
Espírito Santo desde os primeiros momentos da sua vida cristã. Para o crente, a vida
começa com um novo nascimento, e o novo nascimento é um nascimento ‘no Espírito’
(Jo 3.3-8). Ele é o ‘Espírito da vida’, e é ele quem dá vida às nossas almas mortas. Mais
que isto, Ele vem pessoalmente morar em nós, de maneira que a presença do Espírito é o

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privilégio que todos os filhos de Deus têm em comum. Paulo descreve com muita
maestria a nova era iniciada por Jesus como ‘o ministério do Espírito’ (2Co 3.8). É
instrutivo observar que a profecia de João Batista [Eu vos tenho batizado com água; ele,
porém, vos batizará com o Espírito Santo (Mc 1.8)], registrada pelos três evangelistas
sinóticos como futuro simples (ele vos batizará), no quarto evangelho toma a forma de
um particípio presente: ‘Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com
água, me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza
com o Espírito Santo’ (Jo 1.33). Este uso do particípio presente tira do verbo os limites do
tempo. Ele não descreve o evento único que foi o Pentecostes, mas o ministério
específico de Jesus: ‘Esse é o que batiza com o Espírito Santo’. Somente o Espírito
Santo pode criar uma verdadeira comunhão entre os crentes através das escolhas e
compromissos que fazemos. Paulo aponta esta nossa responsabilidade: Vocês estão
unidos na paz por meio do Espírito. Esforcem-se, portanto, para continuar unidos desse
modo. Podemos resumir que a igreja é um vínculo de amor a Deus e ao próximo no
cultivo da comunhão verdadeira uns com os outros (amor o próximo). Qual tem sido
minha preocupação com meus irmãos? Como temos demonstrado nosso amor? Apenas
com palavras ou em atitudes práticas? Se não amarmos nossos irmãos, o amor de Deus
não estará em nós (1Jo 4.20).
N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é
dom de Deus” (Ef 2.8),
Francisco A Barbosa

auxilioaomestre@bol.com.br

NOTAS B I B L I O G R ÁF I C A S

- Lições Bíblicas 1º Trim 2011 – Livro do Mestre, CPAD, Atos dos Apóstolos – Até aos confins da terra;
[1]. Dicionário VINE, 1ª Ed., 2002, CPAD; pp. 485;
[2]. Adaptado de STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD; nota textual de Jo 17.21;
[3]. Adaptado de http://www.caminhocristao.com/2006/09/a-unidade-crista/;
[4]. STOTT, John. SINAIS DE UMA IGREJA VIVA, p. 4;
[5]. Adaptado de STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD; nota textual de 1Co11.21;
[6]. Adaptado de STOTT, John. SINAIS DE UMA IGREJA VIVA
- HORTON Stanley M., Teologia Sistemática, 1ª ed. – Rio de Janeiro; CPAD, 1996.
EXERCÍCIOS
1. O que é comunhão?
R. Comunhão é o vínculo de unidade fraternal mantida pelo Espírito Santo e que leva os cristãos a
se sentirem um só corpo em Jesus Cristo.
2. Em que consistia a comunhão da igreja primitiva?
R. Consistia na unidade doutrinária, na unidade na própria comunhão, na unidade do partir do pão e
da unidade nas orações.
3. Cite 3 conseqüências da ausência de comunhão na igreja.
R. Falta de temor a Deus, falta de crescimento e abandono da verdadeira adoração.
4. Existe alguma relação direta entre a comunhão do crente com Cristo e a comunhão do crente com
seu irmão?
R. Sim.
5.O que devemos fazer para que haja comunhão na igreja?
R. Resposta pessoal.