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br / ano 1 ‐ edição o3 ‐ 2014

Omolu - Sànpònná Obàlùwaiyé


Exposição : ‘Ervas e seus Orixas’
O que é Jurema? (parte final)
Festas e Tradições
Cultura/Artes
Curiosidades

A Tradição em Festa Fotos: Arquivo

11º Arraial Afro Julino Festa Julina e Inauguração


do Jongo Dito Ribeiro do Novo Espaço Urucungos
padre Zezinho, a revista
Editorial decidiu publicar suas
considerações.

POLÍTICA, RELIGIÃO E COERÊNCIA


Padre Zezinho não se questiona, mas o resto, pedir novas preces por quem
sim! A verdade é que, quem fora dado como curado.
ontem se declarou agnósti- Quando o marketing se

A s pessoas, por serem


imperfeitas, costu-
mam ser incoeren-
tes. Algumas, habitualmen-
te, outras eventualmente.
co, hoje termina seu discur-
so com atos de fé e ação de
graças a Deus; quem ontem
era inimigo figadal durante
a disputa pelo governo, hoje
torna caminho de vitória, de
votos e de adeptos a qualquer
preço, a mentira entra pela
porta da frente e a coerência
vai embora pela dos fun-
Mas é no discurso político é aliado. Quem se dizia co- dos. Poucas pessoas conse-
e religioso que a incoerên- erente, foi lembrado de pelo guem esta coerência. Reveja
cia mais se manifesta. Nada menos três grandes infideli- as campanhas políticas do
mais revelador do que as dades. Quem garantia rigidez passado e as mais recentes;
gravações de um sermão de- fiscal terminou a campanha reveja as pregações das- i
pois do outro e de uma cam- prometendo aumentos e gas- grejas antes e depois. Um
panha política depois da ou- tos que não explicou de que é o discurso de quem quer
tra. Inerência supõe unidade caixa os tiraria. Quem jurou, chegar, e outro o de quem
intrínseca. Aderência supõe no começo da campanha, não chegou. Há os coerentes. E
unidade buscada e assumida. atacar os adversários, termi- há os incoerentes. O pior de
Coerência, significa unida- nou em soleníssimo ataque: tudo é os abertamente incoe -
de de pensamento e de vida. queria os votos do outro. rentes abandonam amigos,
Espera-se o mínimo de aban- Quem era demônio virou partidos, igrejas e amores
dono e de retrocessos. Quan- anjo e quem posava de anjo sob o argumento de que tive-
do o discurso de agora não perdeu as asinhas. Quem dis- ram que fazê-lo por questão
bate com o de ontem e muito se que não julgaria, julgou e de fidelidade a si mesma.
menos com a vida, pregador quem prometeu não manipu- Só quem tem fidelidade a si
e político correm o risco de lar dados, manipulou. Men- mesmo sem fidelidade aos
cair em descrédito. E não tiu e sabia que mentia. outros tem outro nome! Gra-
são poucos os que caem. Um Também nos púlpitos a tidão é virtude que, se faltar,
dia, o discurso se distancia doença que era coisa do de- bagunçará qualquer discurso!
demais da vida e da práxis. mônio, quando atingiu os
Naquele dia, fica difícil para familiares e membros da Espaço do Leitor
o pregador ou para o político comunidade virou provação Desejamos saber sua opinião. Criamos esta
reconstruir sua carreira. de Deus; o que foi anuncia- área para que o leitor possa nos ajudar a criar
Há mudanças, algumas do como cura e milagre, ao uma revista com o perfil da comunidade. Es‐
delas, sinceras. Foro íntimo não acontecer deixou de ser creva ou acesse nosso site. Os comentários
anunciado, nem mesmo para serão bem‐vindos e publicados.
revista
Axé
Site:
Campinas Tiragem: 5.000 exemplares Fotografia: Eric R. D. Freitas
Periodicidade: mensal
www.axecampinas.com.br Arte e Revisão:
Facebook: Diretor Executivo: Dinah Magalhães
facebook.com/axecampinas Eric Ramos Duque de Freitas Fernando Silveira (Okun Olola)

Uma publicação da: Editora Responsável:


Bagan Comunicação Ana Diva Giraldi Corrêa A Revista Axé Campinas não
CNPJ: 20.332.527/0001-20 se responsabiliza por matérias
(19)2511 3341 / 99117 1965 Redação: assinadas, sendo de responsa-
Ana Diva Giraldi Corrêa bilidade dos autores.

2
Artes
LIVROS
André Cozta: seguindo a missão
Reprodução Foto: Reprodução

G aúcho de Porto Alegre, André Cozta,


desde muito cedo, acostumou-se com
os rituais de Umbanda Sagrada realizados
André Cozta:
psicografando
mensagens
pelo seu pai, no terreiro que situava-se aos e obras
fundos da casa onde residia com a família. enviadas
Define-se comoumbandistadepai,mãee por seus
avós, pois, seu pai foi “feito” no terreiro de mestres
seu avô materno, a Casa de Umbanda Pai e guias
Thomé. Ao longo da vida, acostumou-se espirituais
Reprodução com as lidas desta religião, praticando-a
e nutrindo um amor a cada dia maior por Nagô com Devoção
esta doutrina, pelos Sagrados Orixás e guias Ogan Alexandre Tarlei
espirituais manifestadores das qualidades facebook.com/pages/Alexandre-
Tarlei/685727751493883
Divinas destas divindades.
Residindo na cidade do Rio de Janeiro des- Cor da Mata
de 2001, em dado momento,entregou-se de E do Meu Sangue
Nagô com Devoção
vez à sua missão, na prática religiosa, na Ma-
Cor do Mar
gia Divina(é Mago Iniciador da Magia das 7 Dos navegantes
Chamas Sagradas, trazida ao plano material
POESIA

De ancestral tradição
Reprodução pelo Mestre Rubens Saraceni) e psicografan- Porto Rico
do mensagens e obras que são enviadas por Resiste é nação
seus Mestres e Guias. Hoje, atuante como E Reside no meu coração
médium de Umbanda Sagrada, Mago ser- É remada cravada no Pina
vidor de Deus e escritor, usa da sua missão Todo ano tem dendê
para mostrar à quantos irmãos em Oxalá lhe É baque virado que ensina
for possível, o quão pode ser simples e doce Fundamento de terreiro
Império de Ogum...Ogunhê!!!
trilhar os “Caminhos da Evolução”.
Darrun, biancó e melê
facebook.com/andrecozta Viva a Nação Porto Rico
andrecozta@gmail.com Patacorí Ogum Megê!!!

MÚSICA
Reprodução
“Samba de Yayá” acaba de lançar O cd pode ser adquirido na página do
seu primeiro cd de músicas relaciona- facebook.com/sambadeyaya, na sede
das às religiões de matriz africana e ao do grupo, rua Ana Arruda de Camargo
samba de roda. O grupo é o braço cul- 377- JDNilópolis – Campinas e pode
tural do Terreiro de Umbanda ‘Mãe de ser ouvido neste endereço soundcloud.
Deus’ a as composições são de autoria com/samba-de-yay. Contato: samba-
dos próprios integrantes do terreiro. deyaya@gmail.com
Algumas canções de domínio público
que também foram gravadas vieram da Curta a página da Revista
Axé Campinas no facebook
memória dos mais antigos, em um tra-
facebook.com/axecampinas
balho de pesquisa direta, muitas vezes e concorra ao CD Samba de Yayá
ouvindo os pontos no pé da entidade.

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Cultura
Comunidade em Festa na pisada da tradição
Fotos: Nina

A Comunidade Jongo Dito Ri-


beiro consiste em um gru-
po de pessoas e familiares que
reconstituem e vivem a cultura
do jongo através da memória de
Benedito Ribeiro, que foi festei-
ro de São João e devoto de São
Benedito. Nasceu no ano de 1905
em Caldas (MG), e em 1932, já
casado com a campineira Benedi-
ta Neves Baltazar estabeleceu-se
na cidade de Campinas/SP, onde
manteve a tradição recebida de
seus pais, realizando rodas de jon-
go quando reunia os amigos. Em
homenagem a Comunidade foi ba- Todas as tribos se reuniram em mais uma linda festa, cheia de alegria e cores, a tradição e força
da comunidade para comunhão da sociedade.
tizada com seu nome, “Comunida-
de Jongo Dito Ribeiro”, que desde
o ano de 2000, liderada por Ales-
sandra Ribeiro, sua neta, realiza
trabalhos de reconstituição e per-
manência do jongo no município.
Dia 12/07 até o amanhecer do dia
13/07 foi realizado o 11º Arraial
Afro-julino Jongo Dito Ribei- Festa Julina e Inauguração do Novo Espaço Urucungos, Puítas e Quijengues
ro, em parceria com a Secretaria
Municipal de Cultura, público de
aproximadamente 4.000 pessoas,
Do lixo à cultura ativa
é tida como uma das maiores festi- A Comunidade Urucungos, Puítas e ção do Boi de Pernambuco do Grupo
vidades afro-brasileiras da região Quijengues, grupo com 26 anos de his- Urucungos. Além da saborosa culinária,
e já faz parte do calendário oficial tória na Cidade de Campinas, está em várias manifestações culturais e afro-
do estado de São Paulo. Com bar- novo endereço, na casa de força do anti- brasileiras como samba, capoeira, ma-
racas de alimentação, roupas, arte- go VLT no Bairro da Vila Teixeira, Rua racatu, jongo, rap e outras, animaram a
sanatos e programação cultural e Salvador Lombardi Neto s/n, mas não festa, que terminou com um forró pé de
artística diversificada foi diversão pensem que foi fácil, no inicio da ocu- serra com direito a quadrilha. O grupo
garantida. pação encontraram um local destruído e tem como principal missão preservar
Fonte: Pontão de Cultura Jongo Caxambu com toneladas de Lixo, e com a força e divulgar a cultura popular brasileira,
http://www.pontaojongo.uff.br/jongo-dito-ribeiro- e determinação do Coletivo e Amigos, tem o apoio da Secretaria Municipal de
campinas-sp
transformaram em mais um espaço Cul- cultura, foi fundado em 1988 pela Mes-
tural em prol da Comunidade . E neste tra de cultura popular Raquel Trindade
dia 19 de Julho aconteceu uma festa filha do artista popular e folclorista So-
julina diferenciada, com gente alegre e lano Trindade, que batizou o grupo de
ritmos variados foi o cenário da inaugu- Urucungos (Berimbau), Puítas (Cuíca)
ração do novo espaço do grupo Urucun- e Quijengues (Tambor), instrumentos
gos, a festa se iniciou com as benções de musicais africanos, vindos de Angola e
diversos líderes religiosos, em seguida muito conhecidos no Brasil. Campi -
houve a cerimônia de “Levantamento nas está em festa. E desejamos que este
do Mastro”, realizada pelas Caixeiras novo espaço traga grandes frutos.
das Nascentes, seguida pela apresenta- http://urucungospuitasequijengues.blogspot.com.br

4
Cultura Foto: Arquivo

Dia do Capoeirista
N o domingo dia 03 de Agosto
das 9:00 as 12:00 horas acon-
teceu na concha acústica um grande
Com a coordenação do Mestre For-
miga e o comprometimento dos Gra-
duados, Instrutores e Professores,
evento em comemoração ao “Dia nosso grupo vem cada vez mais con-
Nacional do Capoeirista”. Foi uma quistando seu espaço. Destacamos
grande festa com muitos mestre de que a prática da Capoeira não se li-
Campinas e região, com apresenta- mita apenas em uma roda onde duas
ções artísticas de capoeira, danças, pessoas fazem movimentos acrobá-
orquestra de berimbaus e oficinas ticos no meio, existe uma relação de Capoeira
práticas simultâneas dentro da la- harmonia entre o ritmo e o jogo, as Ibeca:
goa do Taquaral. Quem realizou este músicas de Capoeira têm o propósito resgatando
evento foi o Mestre Formiga, que de passar uma mensagem de acordo a identidade
tem trabalho aqui em Campinas, na com as realidades vividas pelos ca- cultural
Alemanha (em várias cidades) onde poeiristas. Na sociedade em que vi-
ele reside, na Holanda e Austrália. O vemos hoje podemos afirmar que a
evento teve apoio direto da Secreta- Capoeira é uma Arte de libertação e Capoeira Ibeca
ria Municipal de Cultura, da Prefei- união das pessoas, uma opção para o Fundado em 27 de Janeiro de 2006 o
tura de Campinas, contou com sor- cidadão se desenvolver harmoniosa- Capoeira IBECA pauta-se na propos-
teios de brindes para os participantes mente e ao mesmo tempo consciente ta de profissionalismo na Capoeira.
e foi aberto à comunidade. e crítico à sua realidade. Acreditamos Isso trouxe sem dúvida um grande
que o processo de conscientização diferencial para o nosso trabalho.
História do nosso povo esteja profundamente Contamos com a presença de profis-
No dia 27 de janeiro de 2006, na ligado à questão do resgate da nossa sionais de diversas áreas de atuação:
cidade de Campinas – SP - Brasil, identidade cultural. Entre outros em Sociologia, Educação Física, Peda-
o Sr. Tiago de Camargo (Mestre Campinas destacamos os Trabalhos gogia, Fisioterapia, Medicina, Psi-
Formiga) e seus alunos fundaram o desenvolvidos pelo Prof. Bombril em cologia, Administração entre outras,
Instituto Brasileiro Esporte, Cultura parceria com a Casa de Cultura Fa- sendo todos capoeiristas do grupo.
e Arte – Capoeira Ibeca. O trabalho zenda Roseira e Prof. Tartaruga na Anualmente realizamos vários even-
deu início com o primeiro Retiro da Estação Furtado. tos no Brasil e no Exterior.
Capoeira, com a presença de grandes Reprodução
personalidades do mundo da capo-
eira, como o conselheiro do grupo
(Mestre Mauricio) e outros Mestres
O Berimbau
como: Mestre Cícero, Mestre Mauro Pai Michaell D’ Xangô
Gomes, Mestre Kito, Mestre Para-
Instrumento de corda constituído por ca chamada
nhos. Também estiveram presentes
uma vara em arco, um fio de aço e uma Capoeira. No sul
outros mestres, professores, alunos e cabaça, de origem angolana, também de Moçambique, tem
amigos do Mestre Formiga. conhecido como Berimbau de peito em o nome de Xitende. No
O Instituto Brasileiro Esporte, Cul- Portugal ou como Hungu em Angola e Brasil, é conhecido por vá-
tura e Arte – Capoeira Ibeca é uma em grande parte do continente africa- rios nomes: urucungo, uru-
dissidência do Grupo Senzala, do no. Em Angola, também é conhecido curgo, orucungo, oricungo,
qual o Mestre Formiga pertenceu por M’bolumbumba e é utilizado entre uricungo, rucungo, ricungo, berimbau
durante 11 anos, com base nos en- os Quimbundos, Ovambos, Nyanekas, metalizado, gobo, marimbau, bucum-
sinamentos dos mestres do Grupo Humbis e Khoisan. Este instrumento bumba, bucumbunga, gunga, macun-
Senzala e outros grandes mestres da foi trazido pelos escravos angolanos go, matungo, mutungo, aricongo, arco
capoeira, o Mestre Formiga resolveu para o Brasil, onde é utilizado para musical e rucumbo.
montar seu próprio grupo. acompanhar uma dança/ luta acrobáti- Fonte: Wikipédia.

5
Foto: Divulgação

Em ação
Mário A. M.
Fotografando olhares Macedo é
fotógrafo e
colabora com
Mário A. M. Macedo que tudo começou, com a permissão
entidades
dela. Fotografava e montava, as vezes, religiosas
A lém da Lavagem da Escadaria e
a Festa de Ogum, faço o regis-
tro das Giras de Esquerda e Direita,
DVDs do registro. Tempos depois, co-
mecei, ao reolhar as fotos e uma me
chamava mais a atenção, a procurar dica de minha parte. As Casas que já
Festas, Casamentos, Saídas de Santo, nelas uma descrição mesmo que lúdica visitei são a de Mãe Ana Maria Cação,
Batizados, Giras na Mata, fotos oficiais do que estava ali, simplesmente retra- Mãe Tatiana Rocha, Mãe Iberecy, Mãe
dos Dirigentes da Casa e, por último, tado... O olhar, principalmente o olhar, Dango, Mãe Kayalodomim, Mãe Jebe-
Acervos da Casa. São mais de trinta dos médiuns incorporados, mais do que lonan, Mãe Nelly [Piracicaba], Pai Do-
mil fotos feitas ao longo de oito anos. sua postura me dizia muito. Nas Casas mingos, Pai Odecilê, Pai Toluan, Pai
Quando registro algo, a Casa tem sua que permitem o registro e a divulgação Oramidaime, Pai Valdecy, Pai José,
cópia em CD e por todo este trabalho é que garimpo as fotos que acabam ga- Pai Bruno e Mãe Adriana [Jundiaí],
que faço nada cobro. Embora não com- nhando um texto, que depois publico. Pai Luis e Mãe Silene [Valinhos], Pai
preenda totalmente o que vejo, do que Umbanda, Jurema e Candomblé que Pedro e Mãe Olga, Mãe Alexandrina e
me permitem registrar, tenho em mim, conheço são como flores. São individu- Pai Zé Carlos, Mãe Emilia de Boiadei-
fortemente, a Fé e o respeito pelo que ais, de beleza única, como as Umbandas ro e Baba Toloji.
fotografo. Fotografo desde os 16. No e Juremas e parecidas, como de famí-
Contatos:
início e por longo tempo, foi só Fa- lias, os Candomblés. E ainda existem,
mília e Natureza. Antes de iniciar-me porque não? os Umbandomblés, como Facebook: Mário A M Macedo
no ‘ofício’ de lambe-lambe nas Casas flores de Primaveras, que por estarem emails:mammacedo@bol.com.br e
de Santo, frequentei a Casa do saudo- próximas, acabam por mesclar suas co- md250031@gmail.com
so Pai Cação, nos idos de 1984. E só res... Uma espécie de Jardim de Oxalá! Telefone: (19) 3365 6352 e
em 2006, na Casa de Mãe Iberecy é (19) 9 9121 5241
Aí está, como exemplo, outra visão lú-

Bem-vindos à aldeia nova


Pai Michaell D’Xangô
que orienta os destinos da aldeia, jun- que se mobilizam para auxiliá-los,
tamente com um conselho represen - como exemplo, o grupo Guerreiros de
1ª parte tativo formado em sua maioria por Oxalá, onde seu presidente, Babalorixá
anciãos. Como a aldeia está locali- Fabio D’Osogyan e seus parceiros, são
A aldeia Tekoa Pyau, está locali- zada dentro de uma grande metrópole, responsáveis por uma festa voltada as
zada próximo ao Pico do Jaraguá no muitos são os problemas relacionados crianças da aldeia, onde são distribuí-
município de São Paulo.Atualmente à interferência branca em seus usos e dos brinquedos, roupas e ainda fazem a
conta 125 famílias, com uma popula- costumes, além da absoluta carência tradicional e esperada tarde do cachor-
ção de aproximadamente 650 índios, de recursos naturais para subsistência ro quente, que também é recheada de
dos quais quase 400 são crianças. Seu da população. Os recursos provêm da muitas brincadeiras.
líder espiritual e social é o Cacique venda de artesanato, da ajuda dos ór-
Fonte: http://tekoapyau.zip.net
e Pajé Guirá-Pepó - José Fernandes, gãos competentes e doações de grupos

6
Em ação
Cepir - Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha Foto: arquivo
o último dia 25/07, A Coordenadoria Saiba mais
N Setorial de Promoção da Igualdade
Racial (CEPIR), vinculada à Secre-
taria Municipal de Cidadania, Assistência e
Lei n.° 10.639 de 09 de janeiro de 2003,
que define a inclusão pelas escolas nos
seus currículos de conteúdos de História
Inclusão Social, realizou, uma Roda de Con- da África e Cultura Afro-Brasileira. Tal
versa voltada para os meios de enfrentamen- proposição pode ser considerada como
uma possibilidade de avanços no âmbito
to ao machismo, racismo, discriminação,
educacional e cultural e, portanto, uma
preconceito e demais desigualdades raciais e possibilidade, também, de mudanças em
sociais para com as mulheres. Contou com a práticas sociais humanas, e reconhecimento
presença de alguns políticos, representantes do que os negros proporcionaram à
da Secretaria de Educação, Fundação Casa, formação do povo brasileiro.
Comunidades Tradicionais de Terreiro, Pas- Grupo discutindo as desigualdades
tores Evangélicos, Artista Plástico, Grupo deve ser considerada como aliada e portanto tra somente neste espaço, pois nossos filhos
Hip-Hop, Educadores e simpatizantes. formadora de uma força maior. devem ser criados para aceitarem as dife-
Houve a colocação sobre a coragem A conversa gerou uma discussão sobre renças raciais, étnicas, religiosas, sexuais e
das mulheres negras que se preocupavam a Lei 10.639, que apesar de seus 13 anos de outras pelo caminho da vida.
em comprar a alforria de seus maridos, aprovação, ainda engatinha nas ações edu- A escola é tida como reprodutora de
mesmo que o preço fosse o aumento de sua cacionais, nas escolas, onde se fala mais em formação, por isso há a necessidade de se
escravidão particular. O movimento das geografia do que praticamente em costumes criar ferramentas para discussões como se-
mulheres negras sempre existiu de forma étnicos. O racismo continua implícito e sutil, xualidade e questões raciais, étnicas mais
organizada, mas necessitando de uma maior onde se vê a escola como local de prática, abrangentes no que se fala de cultura afro-
fidelidade, reconhecendo que cada uma esquecendo-se que o mundo não se concen- brasileira.
Foto: Nina

Campinas ganha
Conselho inovador
Nos dias 15 e 16 de Agosto, Sociedade civil
cerca de cem pessoas da sociedade reunindo-se em
civil organizada, movimentos cul- torno de movimentos
turais e a Secretaria Municipal de culturais
Cultura de Campinas, se reuniram
na Conferência Extraordinária de Principais pontos destacados:
Cultura, realizada na Estação Cultu- 1. O Conselho passa a ter poderes sociedade civil sendo 50% das vagas serão
ra, para a formulação do Projeto de deliberativo, consultivo, formulativo e compostas por mulheres e 1/3 pelo poder
Lei do novo Conselho de Politicas fiscalizador como nunca antes na história público e governo;
Culturais da cidade. Depois de um da cidade; 4. Contaremos agora com Conselho Geral,
extenso processo de debates, ideias, 2. A Presidência do novo Conselho passa a 05 Câmaras Temáticas, 07 Conselhos
trocas e formulações de mais de ser eleita pelo próprio Conselho; Regionais e, obrigatoriamente, uma ampla
seis meses, a Secretaria de Cultura 3. O Conselho passa a ter 42 integrantes, plenária aberta à toda a cidade de prestação
apresentou uma proposta de Projeto sendo que 2/3 é representado pela de contas para a sociedade.
de Lei para a plenária, bem dirigi- Representação por Câmaras Temáticas
da pelo Secretário de Cultura, Ney
Carrasco, que durante onze horas e - Câmara das Artes: 05 vagas para as patrimônio material e museus comunitários.
meia coordenou os trabalhos de for- linguagens artísticas; - Câmara Territoriais: 07 vagas para
ma dinâmica e progressiva, dando - Câmara da Cidadania Cultural: 05 vagas representantes dos conselhos regionais
espaço para que a plenária chegasse para os seguintes movimentos culturais: Conselhos locais por equipamento que
no que acreditamos ser o início de Hip Hop, Funk, Pessoas com deficiências, deverão ser regulamentados por decreto.
um inovador Conselho de Politicas Cultura Digital e Midia Ativismo; Poder Público
Culturais na cidade. - Câmara das Culturas Tradicionais: 05 De maneira inovadora 09 vagas para as
O Projeto de Lei do Novo Con- vagas para cultura de matriz africana, coordenadorias da Secretaria de Cultura,
selho de Politicas Culturais será fi- cultura cigana e culturas tradicionais e 03 vagas para outras secretarias e 03
nalizado pelo jurídico da Prefeitura populares e outras; vagas para funcionários de carreira eleitos
e posteriormente encaminhado a Câ- - Câmara do Patrimônio Cultura e Memória: por seus pares, 01 vaga para secretaria
mara dos Vereadores. 03 vagas para Patrimônio Imaterial, Estadual de Cultura.

7
Destaque

Baba Efun Okun Olola e em Akutagba se vê um templo des- tornavam as pessoas cegas, surdas
tinado a Ajase (Molu feminino); ou mancas. Assim é que ele chegou

E m seu Livro “Orixás – deuses


iorubás na África e no novo
mundo” – Ed. Círculo do Livro,
Mais para Oeste, em Atakpame, no
Togo, também se vê Molu Arawe;
em Gbekon uma aldeia desta mesma
ao território Mahi, norte de Dao-
mé, destruindo a tudo, e a todos. O
povo Mahi consultou um Bàbálawó
Pierre Verger relata: “Existe uma região se vê Aji Aguna, Molu (femi- e aprenderam a acalmar Obàlúwàiyé,
confusão muito grande a respeito de nino); Em Topli, também no Togo, com oferendas de Gúgúrú. Acalmado
Sànpònná Obalúayé, Omolu e Molu, Molu teria saído das águas com uma o valente guerreiro gosta do lugar e
que se misturam em alguns lugares vassoura na mão, e na outra com um manda construir um palácio e nunca
e, em outros, são deuses distintos”. O facão, mas mesmo assim o metal mais volta a sua terra de origem.
que dificulta o problema vem do fato não é utilizado em seus sacrifícios, As origens Nago – Yorùbá do
de que Nàná Bùrùkú é igualmente onde os animais são mortos a golpes Vodun Sapata são confirmadas du-
confundida com eles. Conclui-se de porretes; Em Ketú, ao contrário, rante os rituais de iniciação, onde
que: Assistimos na África um sin- Sànpònná – Obàlùwaiyé –Omolu es- os sapatasi são tratados pelo nome
cretismo entre duas divindades vindo tão separados de Nàná Bùrùkú. de “Ànàgonu ( nagos )” e o idioma
uma do Leste, Sànpònná – Obalúayé Existem numerosos templos na re- usado nas orações é o Yorùbá. O que
(Nàná Bùrùkú), e outra do Leste, dondeza de Ketú, onde são feitas temos de origem Fon, é que Nàná
Omolu – Molu (Nàná Brukung), que iniciações de Obàlùwaiyé, tais como Bùkùú é mãe de todos os Sapatas.
se juntaram e tomaram um caráter Mepere e Igaji. Lá se encontra a afir- Portanto, Obàlúwàiyé, Omulu, Sa-
único no Ketú; Ou, então, tratar- mação que ele teria vindo de Aise, de ponon pode ser considerado uma só
se-ia uma divindade única, trazida Holi ou de Adja Popo. Os cultos des- Divindade, valente guerreiro, Òrìsá
por migrações Leste – Oeste.” In- te Òrìsá conheceram altos e baixos conquistador e desbravador de terri-
dicações colhidas de Leste a Oeste no Ketú. Foram trazidos de Savalu, tórios, portanto cultuado para obten-
sobre este Òrìsá, dizem: Obàlùwaie pelo Rei Agadjá (1708 – 1740), em ção de progresso e prosperidade. O
esteve em Ilè Ifé, mais precisamen- decorrência de uma grande epidemia Título de Jagun justifica a visão de
te em Òkè Itase antes da chegada de de varíola. Durante o reino de Agon- ser Ele jovem guerreiro.
Odùdúwà; Em Òyó encontrava-se glo (1789 – 1797) houve outra grande Uma Iton conta que Saponon nasceu
as mesmas indicações, afirmando-se epidemia e os Sacerdotes Sapatanon em Empé, território Tàpá. Ele era um
que Obàlùwaie carrega uma vassoura assumiram grande importância. O rei valente guerreiro que acompanhado
na mão, ele havia vindo de Daomé e Adandozan (1797 – 1818) desconfia- por suas tropas percorria o Céu e os
recebe o nome de Sànpònná-Boku, do do poder dos Sapatanon os expul- quatro cantos da Terra, massacrando
daí a aproximação de Nàná Buruku; sou de Abomey, acorrentados foram impiedosamente seus inimigos que
Em Ibadan confirmou-se a origem levados para Adame. morriam mutilados ou de pestes va-
de Tapa Sànpònná, e ele ainda é O Rei seguinte, Ghézo (1818 – 1858) riadas. Chegando ao Território Mahi
confundido com Nàná Bùrùkú; Em consultou Ifá e trouxe de volta Sapa- causou pânico aos habitantes locais,
Obeokuta reina a mesma confusão, tanon Favi Mishai, originário de Pin- que consultaram um Bàbálawó que
além do aparecimento de Omulu gini Vedji, perto de Dassa Zume, e o afirmou: “O valente guerreiro che-
macho e outro fêmea vindo de Save instalou em Azali, bairro de Abomey. gou, e se tornará o Senhor deste País,
Opara. Ainda em Obeokuta, outro Em Dassa Zume, Sapana é conhecido fazendo esta terra rica e próspera. Se
templo Obàlùwaiyé está unificado a pelo nome de Sapata, de origem Fon. o povo não o aceitar ele o destruirá. É
Nàná e para ambos não se usa me- Alguns afirmam que Obàlùwaiyé é o necessário que se faça muitas oferen-
tal; Em Abomei, no bairro de Djena, irmão mais velho de Sòngó, com ori- das a Ele, todas que ele goste, como:
acha-se o templo de “Lisa” consagra- gem Tapa, mais especificamente em inhame pilado, feijão e farinha de
do à Molu, e também no Oeste está o Empé, e seu nome é Sànpònná – Airo. milho, azeite de dendê, picadinho de
rio Odò Molu; Em Savalu, se diz que Porém sua origem é incerta. Uma Itòn carne e muita pipoca. Todos devem
Molu vem de Lisa; Em Adja Aguna conta que Obàlúwàiyé era originário respeitá-lo e servi-lo. Quando o povo
encontra-se o templo principal de de Empé (Tàpá) e havia saído em reconhecê-lo como Rei, Saponon
Molu; nos arredores de Sakuite-Tag- guerra aos quatro cantos do Mundo. não mais o destruirá.”
badji se vê Arawe (Molu masculino) As feridas causadas por suas flechas Quando o guerreiro chegou os ha-
8
Destaque

bitantes do local o reverenciaram, existiria ainda. Cita que Odùdúwà, medo do que supostamente estava
colocando suas testas no chão e gri- O conquistador, principal divulgador escondido debaixo do filá. Somente
tando “Atótó!” (silêncio). Assim Sa- da Cultura dos Òrìsá, invadiu Ilé Ifé, Oyá teve coragem de acompanhá-lo.
ponon aceitou os presentes dizendo: que era então domínio de Daomé, e lá Seu turbilhão de ventos levantaram
“Eu os pouparei. Em todas as minhas se radicou. Assim este Obàlúwàiyé – as vestes de Omulu, e todos puderam
viagens sempre encontrei descon- Omolú, já existiria na Cultura Daome- ver o corpo de um homem belíssimo.
fiança e hostilidade, mas aqui foi tana antes da chegada de Odùdúwà. Então Oyá recebeu dele o poder de
diferente. Construam um Palácio e Levando assim a crer que o caráter reinar sobre os mortos, como recom-
aqui será minha moradia doravante.” sombrio designado a Omulu possa pensa e gratidão.
Saponon instalou-se então em Mahi estar ligado ao receio do povo Yorù- Obàlúwàiyé (Rei Senhor da Terra)
tornando o País próspero e rico, e bá, que não possuía em sua Cultura é saudado com a expressão: “Atótó”
nunca mais voltou a Empé. Recebeu um Òrìsá tão violento e causador de que literalmente significa “Silêncio”,
então um novo nome “Sapata”, mas doenças. Desta forma o mito criou a ou ainda com:
também era chamado de “Ainon/ Se- concepção que Omolú foi abandona- — Atótó! Omulu Oluké a Jí Béèrù
nhor da Terra” ou então “Jeholú/Se- do por sua Mãe Daometana (Nàná) e Sápadà!
nhor das pérolas”. Ele tem o controle criado pela Mãe Yorùbá (Olusa). Que se traduz: “Silêncio! O Filho do
das epidemias e doenças contagiosas, Tudo que se relaciona com os Òrìsá, Senhor é o Senhor que grita e nós
usando-as como punição aos que o de um modo geral, são informações acordamos com medo e corremos
ofendem e conduzem-se mal. Tratar orais, e nessa verbalização acaba-se de volta!” Seu elemento é a Terra,
Obàlúwàiyé como jovem e Omulu acrescentando ou subtraindo algo, portanto seu Àsé é Dúdú (preto).
como velho, são configurações dos Jeje, Fon, Ketú, cada cultura conta Em sua dança, Omulu varre a Terra
Cultos Afro-Brasileiros. Como disse sua versão. O que realmente podemos com seu Sàsàra! Este instrumento
o Bàbàlòrìsá T’Ògún: “ As pessoas afirmar é que Òrìsá compõe uma Tra- confeccionado com palitos de den-
vão conhecendo Títulos de um mes- dição e não uma Ciência, e na Tradi- dezeiro contém todos os segredos de
mo Òrìsá e vão criando Divindades ção se crê, se tem fé, só na Ciência há Omulu e representa a coletividade.
diferentes baseados nesses Títulos.” que se provar cientificamente o que Seus componentes secretos, só são
O nosso assunto é Omolú, de ori- se afirma, e este não é o nosso caso. conhecidos pelos Altos Sacerdotes
gem Jeje e posteriormente cultuado Nenhum Òrìsá ou Vodun é mais ve- que sabem manusear este Àsé. Tem
pelos Yorùbá está relacionado com lho ou mais jovem, ou possui maior ele o mesmo simbolismo que o Ibiri
a varíola e doenças infecciosas e epi- ou menor poder ou força. Todos se de Nàná, mostrando o relacionamen-
dêmicas, de um modo geral. Òrìsá encontram em níveis iguais e tem sua to existente entre estes Òrìsá.
misteriosos, como Iroko, Òsùmàré e importância dentro da Natureza. O Ìlèkè de Omolú é preto (dúdú)
Nàná. Os Vodun Daometanos tem ca- Em contradição ao mito de Nàná, e branco (fúnfún) mostrando o rela-
racterísticas básicas que os diferencia existe um bom relacionamento entre cionamento direto que este Òrìsá tem
dos Òrìsá Yorùbá, pois são associados Omolú e Ògún, comprovada na Iton com Íkú (a morte) e a Ayé (vida na
a conceitos de castigos e punições, que conta estarem os Òrìsá em uma terra), mas também utiliza as cores
suas ameaças são mais graves e con- festa onde todos dançavam alegre- preto, branco e vermelho. Os Omo
sequentes, com grande potencial de mente, porém Omolú ficava parado também usam Lagidigba (ìlèkè dúdú
repressão ao ser humano; enquanto timidamente na porta. Ògún então feito de chifres de búfalos).
os Òrìsá Yorùbá são mais extroverti- pergunta a Nàná: “Meu irmão fica lá
dos, mais humanizados e passionais. parado na porta, não vem dançar por Nota do autor
Pierre Verger afirmava que a cultu- que?” E Nàná responde: “Ele tem ‘Este texto foi extraído e formulado
ra Daometana é mais antiga que a vergonha de aparecer em público por através de um apanhado de
Yorùbá. O detalhe de não serem fei- causa de suas pústulas.” Ògún leva documentos de vários autores e
tos sacrifícios a Nàná com metais, Omulu para o mato e rapidamente apostilas repassadas aos iniciados
faz-se deduzir – dizia ele – que sua tece roupas de fibras e o veste. Omulu dos Cultos dos Orixás, além de
origem é de uma época em que não dança alegremente e canta uma can- ensinamentos passados pelos
se conhecia o ferro e seus derivados, tiga agradecendo a Ògún. Ninguém sacerdotes e guias espirituais, não
portanto, subtende-se que Ògún não queria dançar com ele, pois tinham sendo assim de minha única autoria.’

9
Em ação
Povo de axé vive momento histórico Reprodução

E ntre os dias 26 de julho e


01 de agosto, os terreiros
matriciais que deram origem ao
brasileiras como patrimônio
nacional. A proposta de inter-
câmbio foi construída conjun-
candomblé nagô da Bahia, disse tamente pelos terreiros: Ilé Asè
minado em todo o país, tiveram Iyá Nassó Okà (Casa Branca),
a visita de uma comitiva nigeria- Ilé Asé Opo Afonja, Ilé Iyá Omi
na em Salvador liderada por Sua Asé Iyamasé (Terreiro do Gan-
Majestade Imperial, o Alaafin tois), Ilé Maroialaji (Terreiro
Oyo, Obá Ladeyemi III, consi- Alaketu) e Ilé Osùmàré Arakà
derado o descendente direto de Asé Ogodo (Casa de Oxuma-
Odudua, o fundador e primeiro re), com a anuência de S.M.I.
ancestral do povo ioruba. Alaafin Oyo, Adeyemi III.
O rei, que exerce um papel Autoridades religiosas des-
cultural e espiritual proeminen- tas casas acreditam que o inter-
te devido ao fato de ser o deten- Cartaz de divulgação do evento
câmbio cultural entre o Brasil
tor legítimo do poder da coroa e a Nigéria, cumprirá também
de Xangô, participou do I Se- outras que hoje se encontram o papel de evidenciar a impor-
minário Internacional para Pre- espalhadas por todo o Brasil. tância das tradições iorubas de
servação do Patrimônio Cultu- Devido à importância da sua Oyo, de tal forma a alertar o
ral Compartilhado Brasil-Nigé- contribuição para a formação governo nigeriano para a pre-
ria. A cidade de Oyo localiza-se da cultura afro-brasileira e da servação urgente desse patri-
no Estado com o mesmo nome, cultura nacional, estes terreiros mônio internacional, de valor
na região sudoeste da Nigéria. são protegidos e salvaguardados imensurável, também para as
Esta cidade foi capital de um pelo Estado brasileiro, enquanto comunidades brasileiras. Isso
dos maiores império s africa- patrimônio histórico do Brasil. porque apesar de a República
nos, tendo ocupado grande par- S.M.I. Alaafin Oyo é conside- Federativa da Nigéria dispor
te da África Ocidental, desde rado guardião da cultura ioru- de instrumentos internos de
onde hoje é a Nigéria, passan- ba, por isso a sua visita à Bahia proteção do patrimônio cultu-
do pelo Benin e pelo Togo, até representa um reencontro do ral e histórico, tendo inclusive
ao Gana. A autoridade máxima povo de santo com suas origens conquistado os títulos de Patri-
deste império é S.M.I. o Alaa- africanas. O Intercâmbio Bahia mônio Mundial para a Paisa-
fin Oyo. Este rei tradicional é – Oyo já começou. Em junho gem Cultural de Sukur (1999)
considerado o descendente di- de 2013, uma comitiva da Casa e a Floresta Sagrada de Osun-
reto de Odudua, o fundador e de Oxumarê, liderada pelo Ba- Osogbo (2005), até o momento
primeiro ancestral dos iorubas. balorixá Sivanilton Encarnação nada foi feito para preservar a
Com o tráfico transatlântico de da Mata, foi a Oyo, com o obje- antiga cidade de Oyo.
escravos, a herança cultural do tivo de estabelecer contato com Espera-se que este inter-
povo de Oyo e as tradições de S.M.I. Alaafin Oyo e outras au- câmbio possa gerar desdobra-
Xangô instalaram se na Bahia, toridades tradicionais. Durante mentos no sentido de incentivar
dando origem aos candomblés esta missão, o rei tomou conhe- o governo nigeriano a apoiar
de tradição Nagô. Estas antigas cimento de que os terreiros de pesquisas sobre o patrimônio de
casas, muitas delas originadas candomblé da Bahia, responsá- Oyo, classificar a cidade como
no século XIX, preservaram o veis pela preservação da cultura patrimônio nacional e submeter
legado cultural do povo ioruba ioruba no Brasil, são atualmente uma candidatura de patrimônio
e deram origem a milhares de reconhecidos pelas autoridades mundial junto à Unesco.
10
Religião
Orisà é pé no chão
E m minhas andanças e aprendiza-
dos tenho participado de vários
cultos religiosos em várias nações e
depender do empenho, do amor, do dia
a dia, da afinidade e perseverança que
ambos dedicarem ao culto e aos Orisàs.
cabeça e OFO sem vinculação de AXÉ
(a força que realiza). Existem vários sa-
cerdotes acomodados em cima da sua
seguimentos dos cultos aos Orisàs, e Orisà não é pirotecnia como tenho vis- fama colocado cabresto em seus filhos
tenho acompanhado e muito tem me in- to, Orisà é diário, é um ancestral que e inventando o que não existe, somen-
trigado o resultado da globalização nes- convidamos para entrar em nossas vidas te no intuito de explicar os altos custos
ta cultura tão linda. Não posso falar dos e como nossos amigos, devemos estar cobrados. E aí sim não é o Orisà que é
outros, primeiro por questões éticas e sempre atentos a este elo e desprendi- errado e sim o rito. Volto a dizer, quem
segundo porque aprendi com Ifá que só mento para que esta verdadeira amizade é feito em umbanda não é feito em
devemos julgar com vivência de causa se perpetue, e assim atingir o verdadei- candomblé e quem é iniciado em Jeje
e da mesma maneira e intensidade que ro Axé. Outro ponto que tem muito me não é iniciado em Angola e por aí vai,
queremos ser julgados, então vejamos: alertado e não foge deste assunto, é refe- são ritos e cultos diferentes, com rezas
Tenho visto muitas casas onde a prática rente a custos de rituais e feituras de no- diferentes e com Energias diferentes.
do Candomblé e de Umbanda deixou vos iniciados no culto, nem todo adepto Logo, um assentamento de Angola de
de ser um culto religioso e passou a ser necessariamente precisa ser iniciado, Lemba é diferente de Lissa e é por sua
um evento social (não que em uma fa- iniciamos alguém quando este tem vo- vez diferente de Orinsaalá, irão todos
mília não deva haver eventos sociais), cação sacerdotal e ou caminhos no culto ter algumas peculiaridades, mas não
ou seja, o pessoal está mais preocupa- de Orisà, A iniciação não é uma varinha serão iguais. A grande verdade, e vejo
do com a beleza e os comes e bebes do de condão que vai acertar de vez a vida até pelos atendimentos que faço, tenho
que em cultuar os Guias e ou Orisàs. do iniciado, isso vai depender de uma pessoas que passam pelos catiços e não
Rechilieu, bordados, babados, colares e série de fatores, e muitas vezes fatores acreditam na sua força, pois eles fazem
firulas são mais importante que o bater que passam mais pela mudança pessoal seus trabalhos na caridade sem custos e
cabeça no chão. Muitos adeptos pro- do iniciado do que os atos litúrgicos do preferem pagar um jogo comigo e tirar
curam e confundem a beleza das festas Rito (isso já é ponto para um novo tex- um Ebo que terá o mesmo resultado,
e roupas de sacerdotes em vez de firme- to que em breve iremos colocar). Fora só que ai com o custo ele acha que tem
za e axé. Não estou dizendo com isso o pingue pongue que muitos fazem de mais força, besteira, aí vão me questio-
que o Culto tem que ser no chão batido terreiro em terreiro, de culto em culto, nar porque então o Sr. faz o jogo e tira
e que devemos usar farrapos, não, lon- e sempre saem falando que o Pai fu- o ebo? Simples, porque o Ori da pessoa
ge disso, simplesmente estou afirmando lano é marmoteiro e que a Mãe fulana é soberano e só tenho como transmitir
que a força de axé não está em roupas, é louca, e por aí vai, tudo porque eles o axé necessário à pessoa se o seu pró-
colares e enfeites, a força vem do co- não conseguiram fazer os milagres que prio ORI aceitar, só assim terei êxito. E
ração e da cumplicidade exercida entre o Filhinho queria que caísse dos Céus. assim eu digo, seja humilde, pois Orisà
a tríade Sacerdote- Consulente/filho- Será que não é o comportamento, e ou é pé no chão, trate-o com Nobreza, Ele
Orisà, é isso que norteará o bom resul- aceitação do Filho/consulente que estão merece, nós humanos somos reles ins-
tado a real força de Axé. Quando meu errados?? Temos também que levar em trumentos de Axé.
Orisà nasceu ele estava de pé no chão conta o despreparo de algumas pessoas
(descalço), nas várias oportunidades que se dizem sacerdotes, e não o são, Adúpé
que vi meu Sacerdote tomado pelo seu não que não tenham anos de experiên- Quem sou? Eu sou Baba Efun Okun
Orisà, ele sempre está de pé no chão, e cia, mas apesar de estarem na religião Olola, dirigente e Comandante Chefe
ele já é iniciado há mais de 33 anos, e há anos, não sabem fazer o O com o de Terreiro da “Tenda Pai Cipriano”,
sempre que vejo um Orisà em terra ele copo, e inventam ou fazem ritos mira- tendo começado meus estudos em es-
se apresenta com o pé descalço. Então bolantes, visando unicamente o lucro cola salesiana e posteriormente Kar-
podemos entender que se ele, Orisà, não financeiro, e não o resultado e auxílio a decista, iniciei na Umbanda em 1984,
ostenta e não se apega em glamour, por- aquele ser desesperado e desinformado sendo coroado pelos ritos Tradicionais
que eu, como reles mortal tenho a obri- que está aos seus pés. Outra coisa que de Umbanda em 1988, sou iniciado na
gação de me encher de badulaques?? dói é ouvir de um Sacerdote, fulano te Nação Ketú, sendo hoje, Baba Efun da
E agora sim, partindo dessa premissa, fez Orisà errado! Que merd... é essa?? “Egbè Ogun ati Orunmila” (dirigida
onde encontro maior axé, em um terrei- como fez errado?? Orisà não deu Run? pelo Sacerdote Ifaleye/ Baba Cícero
ro que tem 1000 m2 com luzes neon e não deu Orunko? Ou então tava todo Onitadewa) e estudante e seguidor da
com assentamentos Ojubos de 1 metro mundo brincando na iniciação e na Filosofia de Ifá (tradicional religião
de altura, ou no terreiro da mãe Ma - festa ? O que pode acontecer são ritos aborígene africana).
ria, que toca com muita dificuldade no mal feitos, existem sacerdotes despre- Nota de esclarecimento: Não sou o dono da verdade abso-
fundo da casa alugada dela?? Amigo, parados, caminhos de Ebós mal dados, luta e muito menos da grande sabedoria do Universo, cada
a resposta é sempre simples: Não Sei, interpretação de “ODU” mal feitas, Sa- Casa é uma Casa, cada Casa tem seu Axé e ensinamento,
não devemos nem podemos subjugar a ninguém, o Uni-
realmente não é nesta primeira visão de sanhas pela metade, Àdúrà misturadas, verso pertence a Olodumare, a Sabedoria encontramos em
ostentação que posso julgar, tudo vai Igbà sem propósito, Oriki sem pé nem Orunmila e o Juiz é Esù.

11
Religião
O que é o culto da Jurema?
Foto: Arquivo
Mãe Emília de Ayrá pessoas que entram em transe (os mes-
casadeboiadero@gmail.com Mãe tres acostam).
Emília Discípulo Consagrado: É o que pas-
parte final de Ayrá,
dirigente sou pelos rituais de confirmação, consa-

U m Discípulo de Jurema passa


por vários graus de desenvol-
vimento para se tornar um padrinho
do Ylê
Asé Ayrá
Tunji
gração, e cimentação, tanto o Curupiro
(Guardião da Jurema), quanto a Caixa
passam por esses rituais.
mestre, que é o grau que um Juremeiro
pode chegar. Os graus são os seguintes: Mestre: É a pessoa que tem condi-
pode percorrer um dos caminhos dos ções de atender as pessoas através de
1º - Discípulo Apontado. discípulos, que é o do Curupiro (Guar- sua ciência.
2º - Discípulo Consagrado. dião da Jurema – o mesmo que ogã no
3º - Mestre. candomblé, eu prefiro Guardião, segun- Padrinho: É o discípulo que inicia
4º - Padrinho. do Rio Verde, o Guardião da jurema é o novos discípulos no culto de jurema.
5º - Padrinho Mestre. Juremeiro principal dentro de um Caa-
timbó) que é uma pessoa que auxilia os Padrinho mestre: É o discípulo que
Discípulo Apontado: É a pessoa que mais velhos nas seções, entregando os é a raiz de vários grupos de catimbo-
é convidada para fazer parte das seções materiais pedidos pelos espíritos, ou ar- zeiros.
de jurema começando daí seu desen- rumando o ambiente para a sessão, não Obs.: tanto a Caixa quanto o Curupiro
volvimento e seu primeiro contato com entram em transe (não há acostamento), (Guardião da Jurema) podem ter ciência
o mundo invisível. Nesse estágio ela o outro caminho é o da Caixa que são para se tornar um padrinho mestre.

Os espíritos da Jurema
Os Mestres e Mestras: São es- tas situações. Os Mestres e as Mestras Pretos Velhos: antigos rezadores do
píritos dos antepassados, pessoas que vêem em diversas linhas ou chamadas, Brasil, de descendência africana são
quando vivas cultuavam a Jurema e as principais são: homenageados, porém nem sempre
que depois de desencarnarem traba- são Juremeiros, os que são Juremeiros
lham nas sessões de jurema. Caboclos: Espíritos mistos de índios levam o nome de Mestre antes de seus
com brancos e geralmente são todos nomes.
Os Encantados: São espíritos ele- oriundos do norte e nordeste do Brasil. Andam muitos por ai dizendo-se Ju-
mentares ou sendo espíritos ligados à remeiros, mas como em toda religião
natureza que no momento da morte se Boiadeiros: Espíritos sertanejos li- o culto em si não é ruim, algumas pes-
encantaram em animais e plantas. gados ao interior do nordeste, havendo soas que estão na religião é que são
algumas exceções quanto a espíritos ruins, devemos tomar cuidado e buscar
Os Príncipes: São parecidos com que vem de 4 outras regiões do país e orientação através de indicações, pois
os encantados com a diferença de que do mundo, são ligados a vaquejar gado. a melhor propaganda é “boca a boca”.
estão ligados à natureza, mas não se Se um Juremeiro é realmente de fato
encantaram em plantas nem animais. Pajés: Espíritos de antigos indígenas um mestre, ele será indicado por pes-
das terras brasileiras. soas satisfeitas com seu atendimento
Os Reis e Rainhas: Espíritos mile- e trabalho bem feito e claro com sua
nares que por sua antiguidade podem Ciganos: Espíritos errantes que tem honestidade.
atuar nos fenômenos naturais em be- atuação nos trabalhos de magia Euro- Visite uma casa de Jurema, antes de
neficio da humanidade. péia e Oriental são Juremeiros somente julgar e sair falando do que não co-
Os mestres e as mestras são de dois aqueles que foram para o nordeste e ti- nhece, primeiro conheça para poder
tipos: os que trabalham na direita, ou veram contatos com os índios. comentar com conhecimento de causa
seja, executam trabalhos de construir, e ser justo, sendo assim desejo a vocês
e os que trabalham na esquerda, que Curadores: Espíritos de médicos re- muita saúde e paz, e que a Jurema sa-
são os responsáveis por destruir cer- zadeiras e xamãs, raizeiros. grada os abençoe em nome de Deus!
12
Religião
Breve introdução à Umbanda Omolokô
Reprodução
Mário A. da Silva Filho Sacerdote, Dirigente há o culto aos Orixás (se tiver um viés
do Templo Espiritual Ketu), aos Bacuros e Inkices (se tiver

O Babalorixá Ornato José da Sil-


va afirma, em seu livro, “Cul-
to Omolokô: os filhos do Terreiro”,
Pantera Negra.
Especialista e Mestre
em Ciências da
um viés Angola Bantu) ou Voduns (se
tiver um viés FonJêje). Há também o
culto às entidades encontradas em ou-
que a palavra Omolokô é de origem Religião pela PUC/ tras vertentes de Umbanda tais como
SP. Professor do Pretos Velhos, Boiadeiros, Baianos,
Yorùbá e significa: Ọmọ (filho) e Oko Programa de Pós-
(fazenda). A fazenda, para o autor, se- Gradução em
Marinheiros, Crianças, Exus, Pomba
ria a zona rural onde esse culto, por Ciências Policiais Gira (Bombogira) e outras entidades
causa da repressão policial que havia encontradas no Catimbó-Jurema, Toré,
naquela época (início do século XX), africanizada ao lado do Candomblé Babaçuê, Tambor de Mina etc. Várias
era realizado, ou seja, na mata ou em de Caboclo, da Macumba, da Cabula e casas de Umbanda, cujas formas de
lugar de difícil acesso, no interior das do próprio Candomblé. Para o músico culto são consideradas de cunho afri-
fazendas que abrigavam ex-escraviza- e escritor Nei Lopes o Omolokô seria canista, originaram-se do culto Omo-
dos. Talvez, por cau sa disso,segundo um “antigo culto banto cuja expansão lokô, ou das antigas Casas de Macum-
o autor, possamos teorizar que hoje te- se verificou principalmente no Rio de ba que, mais tarde, foram reconhecidas
mos as denominações de “Terreiro” e Janeiro, na primeira metade do Séc. como praticantes do culto Omolokô,
“Roça” para os lugares onde os cultos XX. O nome liga-se provavelmente ao especialmente depois da divulgação
afro-brasileiros e de matriz africana quimbundo muloko, ‘juramento’; ou ao de suas práticas nos livros escritos por
sãorealizados. Pode-se relacionar o suto, moloko, ‘genealogia’, ‘geração’, Tata Tancredo da Silva Pinto. Essas
significado da palavra Omolokô, tam- ‘tribo’. Na Angola précolonial, Ngana- Casas mantiveram uma estrutura de
bém, com o Òrìṣà Oko, Orixá da agri- ia-Muloko era o sacerdote encarregado culto aos Orixás, em harmonia com
cultura ou com o Òrìṣà Irókò, Orixá da proteção contra os raios”. (2004, os guias espirituais. Sobre a Umban-
que habita a árvore de mesmo nome. p. 497). A Umbanda Omolokô foi or- da Omolokô, podemos ver no sítio de
Algumas fontes dão conta de que a ori- ganizada por Tata Tancredo da Silva Internet da Federação de Umbanda
gem do nome Omoloko, também está Pinto, cujo nome iniciático (Sunna) era do Brasil (FUB) a seguinte afirma-
ligada ao povo Loko. A tribo Loko es- Fọ̀ lkétu Olóròfẹ̀ . Para ele, o culto Omo- ção: “Não objetivamos afirmar que a
tava divida em tribos menores ao lon- lokô chegou ao Brasil proveniente do Umbanda Omolokô seja a melhor ou a
go dos Rios Mitombo, Bênue e Níger, sul de Angola, onde era praticado por pior. Em minha concepção a Omolokô
e no litoral de Serra Leoa. Sua cidade uma pequena tribo pertencente ao gru- é a mais ‘original’, no sentido de ma-
principal era Lokoja, que ficava muito po Lunda-Quiôco, que ficava às mar- nifestações, é a que mais se próxima
próximo ao reino Yorùbá. Crê-se que gens do rio Zambeze, que lhes forne- daquilo que as entidades que povoam
alguns escravizados do povo Loko, no cia alimentação no período das cheias. os cultos afro-brasileiros ou afro-ame-
Brasil, vieram a formar o que alguns Tata Tancredo afirmava que “a Umban- ríndios representam. No Omolokô as
chamam de Nação Omolokô. No culto da é (gn) africana, é um patrimônio da entidades não precisam se utilizar dos
Omolokô as divindades possuem no- raça negra” e que achava graça quando comportamentos ‘doutrinados’, em
mes em língua Yorùbá, Fon-Ewe ou ouvia os “líderes da Umbanda Branca que tudo é padrão. As entidades podem
Congo-Angola. Na maioria dos Ter- dizendo que a religião [apenas] so- se manifestar livremente e isso é muito
reiros Omolokô há o culto aos Orixás, fre influência das tradições africanas” desejável. Os Babalorixás e Yálorixás
em semelhança ao Candomblé Ketu, (FREITAS e PINTO, 1957, p. 58). Para não determinam como as entidades de-
por issosão utilizados os Oríkì (poe- ele, a Umbanda é um culto de origem vem se manifestar, apenas determinam
mas laudatórios) para homenageá-los africana e esse viés africanista da Um- como deve ser o comportamento ético
e são assentados de forma semelhante. banda pode ser visto em uma de suas do médium, colaborando com seu
Os Orúkọ (nomes iniciáticos) são da- afirmações: “Terreiro de Umbanda que crescimento espiritual, atraindo para si
dos por meio da consulta ao jogo de não usar tambores e outros instrumen- entidades de Luz.”
búzios. Podemos afirmar que o nome tos rituais, que não cantar pontos em
Referências:
Omolokô define um culto originário linguagem africana, que não oferecer
do Rio de Janeiro com práticas rituais sacrifício de preceito e nem preparar ● FREITAS, Byron Torres de & PINTO, Tancredo da
Silva. Camba de Umbanda. Rio de Janeiro: Editora
e de culto aos Orixás e que aceita cul- comida de santo, pode ser tudo, menos
Souza, 1956.
tos aos Caboclos, aos Pretos-velhos e Terreiro de Umbanda.” Para afirmar a ● LOPES, Nei. Enciclopédia brasileira da diáspora
demais Entidades Espirituais da Um- característica africana da Umbanda e africana. São Paulo: Selo Negro, 2004.
banda. O culto Omolokô é apontado dar uma formação intelectual aos pra- ● OMOLU, Caio de. Umbanda Omolocô: liturgia, rito
por estudiosos do assunto e pratican- ticantes do Omolokô, organiza no Rio e convergência. São Paulo: Ed. Ícone, 2002.
tes como um dos principais influen- de Janeiro o primeiro curso de língua e ● SILVA, Ornato José da. Culto Omoloko: os filhos
ciadores da formação da Umbanda cultura Iorubá. Na Umbanda Omolokô do Terreiro. Rio de Janeiro: Rabaço Editora, s/d.

13
Indicação de Leitura e Revista Axé Campinas incentiva a implantação

Curumim atividade por Dinah D’Iansã


da Lei 10.639, que institui o ensino da cultura
africana e afro brasileira nas escolas.

Koumba e o tambor diambê


Ilustração: Reprodução

O livro fala sobre Koumba,


um pequeno menino, mui-
to alegre e de um imenso sorri-
Pinte o pequeno Koumba e seu diambê
so, que adora tocar diambê, que
adora tocar tambor. E o diambê
toca o coração de Koumba. A
melodia do diambê alegra as ca-
sas, as ruas, toda a cidade e via-
ja longe pelo ar. Koumba ouve
a canção do tambor, canção que
veio da África, canção do povo
negro. O tambor toca a canção
da alegria, o tambor toca a can-
ção da liberdade. Vamos viver
as diferenças e acabar com o
preconceito racial.
Ilustração: Rubem Filho

◄CRUZADINHA
Escritora: Madu Costa ÁFRICA
Ilustração: Rubem Filho
Editora: Mazza
K O U M B A CANÇÃO

I L CORAÇÃO
Ê
DIAMBÊ
à KOUMBA
A
NEGRO
R
RACIAL
O TAMBOR

14
Setembro Agenda
6 e 7 ‐ EXPO AFRO BRASIL Jongo Dito Ribeiro, além de de Setembro – Informa-
2014/ SP – exposição de livros e artigos ções e inscrições: www.
Congresso & Feira da Cultu- religiosos. – Será dia 13 de circuitogitano.com – (11)
ra Afrobrasileira, Indígena e Setembro às 16:30hs – Local: 2307.5001.
Cigana – Artesanato, oficinas Fazenda Roseira – Realiza-
e palestras - Aberta ao públi- ção: Saravaxé. 21 ‐ 7ª. CAMINHADA EM
co e entrada gratuita – Local: DEFESA DA LIBERDADE
Parque do Trote – Vl Gui- 14 ‐ 5º SEMINÁRIO MUXIMA RELIGIOSA / RJ
lherme/ SP – Mais informa- DIA MUHATU/ CAMPINAS – Caminhando a gente
ções: (11) 3453.6175 – O evento propõe um espaço se entende. Eu tenho fé.
de discussão e um olhar das Realização: Comissão de
9 a 11 ‐ KILOMBISMO/ RJ Comunidades Tradicionais Combate à Intolerância
– Identidade, Tradição, Edu- de Terreiro para a prevenção, Religiosa – acontecerá dia
cação – Atividades progra- diversidade e saúde sexual, 21 de setembro às 11:00h
madas Palestras, Seminários, tendo a representatividade – Local: Orla de Copaca-
Rodas de Reflexão, Feira de de Movimentos Sociais, Pro- bana / RJ.
Arte Afro e Indígena - Local: fessores e Doutores e ainda
Pucc Rio – Gávea/ RJ – Mais o poder público trazendo as 21 ‐ 5º FESTIVAL DE
informações: (21) 9.9203- CURIMBA “UM GRITO DE
políticas referentes do muni-
6035 – www.facebook.com/ cípio – Informações: inzomu-LIBERDADE” / SP
panoramaafro samburainha@yahoo.com.br – As incrições já estão
abertas, com vagas limita-
13 ‐ SARAU DO AXÉ – 20 e 21 ‐ CIRCUITO GITANO das. Será dia 21 de Setem-
MUSICAL E CULTURAL / 2014/SP bro – Local: Casa de Show
CAMPINAS – Um evento especialmente Expresso Brasil – Organi-
– O evento que traz como dedicado à dança e a cultu- zação: Aldeia de Caboclos
convidado especial Pai Él- ra cigana. Serão 19 oficinas
cio de Oxalá, diversas atra- de dança, 05 palestras e 01 Mais informações: (11)
ções e atividades culturais, workshop – Dias 20 e 21 2796.4374.

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Luz Castañeda expõe ERVAS E SEUS ORIXAS na FCM- UNICAMP
Foto: Reprodução
rtista autodidata, es

A tudiosa da ciência
apaixonouse pela
genética. Fez PhD na UNI
SAIBA MAIS

▪RuaCasaCássia,
de Pintar
CAMP em Ciências Bio 255
lógicas; foi professora da Campinas – SP –
PUCSP em História da 13085‐140 fone
Ciência. Esses 20 anos nes (19) 98177‐1137
sa área de pesquisa, deixou
como herança uma estética
visual de formas orgânicas e Luz Castañeda: formas
▪luzcastaneda@
Contato:
orgânicas e coloridos
colorido intenso que é iden intensos como tema de
uol.com.br
tificado em sua expressão pesquisa
artística. ▪facebook.com/
Site:
Pinta, borda, cola, pinta paz. Atualmente sob nova
luzia.castaneda1
com tintas diferentes. Tanto coordenação. Adora a Frida
pinta que pintou exposições Kahlo, fez sua cadeira e ga
individuais e coletivas reali nhou o prêmio 2012 Instala
zadas no Brasil e no exterior ção Jardim de Frida. Salão
desde 2006. Empreendedo de Artes Plásticas Wal demar
ra, fundou em 2007 o espa Belizário. Curadora desde (Mais informações e
ço coletivo Céu Aberto. Um 2012 do Espaço Arte. Uma fotos no site
Hub de profissionais orien pop up galeria, idealizada www.axecampinas.
com.br)
tados para arte, terapias in pelo show room do Ateliê
tegrativas e educação para Revestimento, Campinas.