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Leitura global do evangelho 1

LEITURA GLOBAL DO EVANGELHO DE MATEUS

O esquema aqui adotado é tomado de J. RADERMAKERS, Au fil de l'évangile


selon saint Matthieu, vol. 2., Lecture continue, Heverlee-Louvain, Institut d'Études
Théologiques, 1972. Ao longo das doze etapas, vai sendo construído o edifício teológico
mateano com uma lógica rigorosa. O evangelista tem objetivos catequéticos, missionários,
eclesiais, teológicos, apologéticos... bem precisos. Estes vários objetivos vão se
entrecruzando e perpassando o texto evangélico.

Prelúdio e primeira etapa (Mt 1-2)

Mt 1-2 é uma espécie de "carteira de identidade" de Jesus. Aí estão


indicados sua origem (genealogia), o lugar e a época de seu nascimento, o nome de seus
pais, suas características (1,21 – salvador do mundo; 1,23 – Emanuel; 2,6 – pastor do povo;
2,15 -Filho de Deus).

A genealogia insere Jesus no tronco ancestral do povo judeu e o nascimento em


Belém dá-lhe uma conotação messiânica.

Estamos diante de um midrash haggadá (reinterpretação das tradições


narrativas da tradição bíblica), onde a experiência de Jesus é lida à luz da figura de Moisés.
Como Moisés, Jesus está para criar o verdadeiro Israel, contando com o reconhecimento
não dos judeus, mas dos pagãos, representados pelos magos. Mateus faz uma leitura
teológica da história descobrindo em Jesus Cristo o cumprimento das esperanças vétero-
testamentárias.

Segunda etapa (Mt 3-4)

Mt 3-4 mostra Jesus sendo investido na sua função messiânica, num contexto
de confronto de modelos messiânicos: o de Jesus, o do Batista e os modelos de
messianismos terrenos presentes nas tentações. Só Jesus é o Messias verdadeiro, investido
pelo Pai (3,17).

Estamos diante de outro midrash haggadá, baseado nas histórias do Êxodo.


Para construir o verdadeiro Israel, Jesus deve refazer as etapas da caminhada do antigo
Israel.

Mt 4,23-25 apresenta duas dimensões fundamentais da figura messiânica de


Jesus – o Messias por palavras e o Messias por obras – que serão desenvolvidas ao longo
do Evangelho.

Terceira etapa (Mt 5-7)

O Sermão da Montanha (SM) apresenta Jesus como o Messias por Palavras


que lança as bases do Reino dos Céus antes anunciado (Mt 4,17). Jesus propõe a verdadeira
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justiça da nova Lei. Não se trata de um código de moral, mas uma determinação do
"espírito" da nova Lei pela qual os discípulos deverão pautar sua conduta.

O SM é uma composição literária do evangelista Mateus. Estudando as várias


perícopes ou versículos, é importante conferir os textos paralelos de Mc e Lc, para verificar
em que outros contextos eles são usados e como Mt trabalha as tradições em função de sua
teologia.

Quarta etapa (Mt 8-9)

Mt 8-9 é uma secção narrativa, denominada "secção dos milagres". O Jesus que
ensina (5-7) é o Jesus que age poderosamente (8-9). Ele é o Messias por palavras e por
obras (4,23; 9,35). As obras dão credibilidade às palavras. No cap. 10, a autoridade
messiânica de Jesus será transmitida aos apóstolos, escolhidos e enviados (cf. vv. 7-8). Em
11,2-6, o duplo aspecto da messianidade de Jesus será evidenciado pela pergunta dos
discípulos de João.

Quinta etapa (Mt 10)

Mateus 10 é cognominado "discurso missionário". Ele brota da "compaixão" de


Jesus em relação ao povo que se encontra como "ovelhas sem pastor" (9,36). Jesus
comunica aos discípulos as duas dimensões do seu messianismo: "pregai as palavras..." (v.
7) e "curai os enfermos..."(v. 8). O ideal do discípulo é ser como o mestre (v. 25).

Sexta etapa (Mt 11-12)

Nesta etapa, são apresentadas várias reações diante do Messias Jesus, descrito
anteriormente como Messias por palavras (5-7) e Messias por obras (8-9).

Jesus havia confiado a seus discípulos a tarefa de levar adiante sua missão (cap.
10), alertando-os para as perseguições que os aguardavam (Mt 10,17ss). Agora, sua pessoa
é posta em questão e torna-se objeto de controvérsia. Até então não havia acontecido algo
de semelhante.

O evangelho, doravante, tornar-se-á a história da contínua rejeição de Jesus e de


sua mensagem. Os fariseus tomam a decisão de matá-lo (12,14). Por conseguinte, a trama
do Evangelho, daqui para frente, encaminhar-se-á nesta direção e vai ter seu desfecho na
morte de Jesus. Mt 11-12 constitui, pois, uma espécie de reviravolta no desenrolar do
evangelho mateano.

Sétima etapa (Mt 13)

Mt 13 é conhecido como o "discurso parabólico". "Estruturalmente este é o


centro e o ponto mais alto de todo o Evangelho" (T. B. Viviano). O evangelista reuniu neste
capítulo sete parábolas centradas no conhecimento "dos mistérios do Reino dos Céus" (v.
11). Trata-se de uma chave de interpretação da ação de Jesus e dos destinos do Reino, de
modo que os discípulos possam compreender o que se passará daqui em diante.
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Nesta altura do evangelho, já temos, pelo menos, três posições tomadas em


relação a Jesus: os escribas e fariseus já se posicionaram contra ele (Mt 12,14; cf. 9,34); os
discípulos são depositários de sua autoridade e de seu poder (Mt 10); as multidões ainda
são incapazes de compreender os mistérios do Reino.

Oitava etapa (Mt 14-17)

No cap. 13, Jesus, através das parábolas, havia revelado aos discípulos a
dinâmica do Reino. Nesta etapa, veremos como a comunidade eclesial, primícias do Reino,
vai se formando progressivamente. Isto se dá no nível do aprofundamento da fé, pela
superação da fé pequena, através do seguimento de Jesus, nos seus contínuos
deslocamentos. Finalmente, os discípulos começam a compreender algo (16,12; 17,13).
Trata-se de discernir, nestes capítulos, um caminho de (a) Fé e (b) Compreensão dos
discípulos e da Igreja.

(a) pessoa de pouca fé – 14,31;16,8 (cf.tb 6,30; 8,26)


fé pequena – 17,20
falta de fé – 13,58
incrédulo – 17,17
grande fé – 15,28
confissões de fé – 14,33; 15,22.25.31; 16,16; 17,5.

(b) As 9 vezes que Mateus usa o verbo compreender aparecem em Mt 13-17:


13,14.15.19.23.51; 15,10; 16,12; 17,13.

Nona etapa (Mt 18)

Ao longo do evangelho de Mateus, as pessoas são levadas a se posicionar diante


de Jesus, acolhendo-o (= tornando-se discípulo) ou recusando-o. É uma decisão diante do
próprio Reino de Deus que irrompeu na história, na pessoa de Jesus de Nazaré. Pouco a
pouco, Jesus vai se tornando o "catalisador da comunidade humana". A partir do chamado
dos primeiros discípulos (4,18-22; 9,9), passando pela escolha e envio dos doze (10,1-5), o
evangelho vai concentrando sua atenção, especialmente nos caps. 13-17, na comunidade
dos discípulos, onde a justiça do Reino deveria tornar-se realidade na história. O cap. 18,
cognominado "discurso eclesial" ou "discurso comunitário", falará desta comunidade
concreta, onde alguns problemas causam mal-estar e o projeto do Reino não é vivido com
autenticidade. O ponto de partida é uma pergunta: "Quem será o maior no Reino dos céus?"
(v.1).

Décima etapa (Mt 19-23)

Encerrada a fase de seu ministério na Galiléia (19,1), Jesus e seus discípulos


iniciam a subida para Jerusalém (20,17-18), onde o Reino vai passar pelo crivo do juízo dos
homens. Eis o itinerário de Jesus nesta etapa: Transjordânia (19,1), Jericó (20,29), Betfagé
(21,1), Jerusalém (21,10), Templo (21,12), Betânia (21,17), volta a Jerusalém (21,18),
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ingresso no Templo (21,23), saída do Templo (24,1), Monte das Oliveiras (24,3). Estamos
às portas de acontecimentos decisivos quando, diante da cruz, a fé dos discípulos será posta
em xeque. Então, uma escolha definitiva deverá ser feita: aceitação ou recusa do Messias
Jesus.

São importantes nestes capítulos:


* o título Filho de Davi, repetido 7 vezes (20,30.31; 21,9.15; 22,42.43.45);
* a tríplice referência ao Sl 118 (117) (21,9.42; 23,39).

Undécima etapa (Mt 24-25)

Mt 24-25, cognominado "discurso escatológico", é o último dos grandes


discursos mateanos. Trata-se de uma instrução de Jesus a seus discípulos, "estando a sós
com eles" (24,3), a respeito da consumação da história e do destino dos homens. É um
convite à plenitude da comunhão com o Pai e com os irmãos, dirigido aos contemporâneos
de Jesus e do evangelista, mas também aos leitores atuais do Evangelho.

O discurso escatológico, insistindo no que cronologicamente é eschaton (fim),


visa o "aqui e agora " da comunidade. É na história que o juízo escatológico vai sendo
gestado. O escatológico será a confirmação definitiva do histórico. No evento final e
definitivo de Jesus Cristo, a humanidade será cindida em duas partes (cf. Mt 13,30.49-50;
25,31-46). O critério de seleção será a acolhida ou a rejeição do Reino de Deus e sua
justiça (Mt 6,33), na pessoa de Jesus Cristo, historicizada na pessoa do "irmão mais
pequenino" (cf. Mt 25,40.45). Como a escatologia versará sobre a história de cada um, é
preciso esforçar-se para por em prática os ensinamentos de Jesus Cristo, procurando fazer-
se semelhante a Ele – "aprendei de mim" (Mt 11,29).

Duodécima etapa (26-28) e conclusão (28,16-20)

No discurso escatológico (24-25), Mt descreveu o fim da história e da vida dos


homens como um apresentar-se diante de Jesus para submeter-se ao seu julgamento. Este
fato define o sentido da vida e da história confrontadas com o Mistério do Reino.

Todavia, a Parusia (advento, chegada) de Jesus, no final dos tempos, passa pelo
mistério de sua paixão, morte e ressurreição. Diante da morte e ressurreição do Filho de
Deus "por nós" (26,28-29), o ser humano deve decidir-se. Nele, o Reino definitivo já
irrompe na história. O Ressuscitado antecipa e prepara a Parusia do final dos tempos.

As seguintes perícopes são próprias de Mt: 26,52-54; 27,3-10.19.24-25.52-


54.62-66; 28,2-4.9.11-15.16-20).

Mt 28,16-20 contém uma afirmação fundamental (= chave de leitura) para


entender todo o Evangelho – "Eu estarei convosco todos os dias, até a consumação dos
séculos" (28,20), que faz inclusão com 1,23, onde se fala do "Emmanuel" – Deus Conosco.
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A vida missionária e eucarística da Igreja articula-se em torno do KYRIOS, Senhor da


comunidade. Diante dele, cada dia, a comunidade deve renovar seu compromisso com o
Reino.

Deste modo, Mateus conclui sua grande catequese sobre a vida da Igreja e dos
cristãos.

*** *** *** *** ***

"Atrás do evangelho de Mateus encontra-se uma Igreja local, cuja 'doutrina'


pode ser discernida com precisão. As suas características principais são: a discussão
histórico-salvífica com o judaísmo farisaico-rabínico, o desenvolvimento da auto-
compreensão como o 'verdadeiro Israel, uma cristologia geralmente sinótica, mas com
traços próprios, e, finalmente, uma didaché sobre o verdadeiro discípulos, de acordo com as
exigências de Jesus, com fundamento no 'cumprimento da lei', que deve superar com as
obras o juízo ameaçador" [J. SCHREINER – G. DAUTZENBERG, Forma e exigências do
Novo Testamento, São Paulo, Paulinas, 1977, p. 294].

Três grandes linhas teológicas do evangelho de Mateus:

(1) CRISTOLÓGICA. Jesus é o Emmanuel (1,23), presente nos caminhos da


história, na pessoa dos missionários (28,20). Este Emmanuel é referido 8 vezes com o título
de Filho de Davi. A pessoa de Jesus Cristo é lida à luz das Escrituras Hebraicas para
mostrar como, nele, a antiga aliança atinge sua plena realização.

(2) ECLESIOLÓGICA. A Igreja é o novo qahal Yahweh (comunidade do povo


de Deus), o novo Israel, herdeira legítima do Israel no deserto. Mas, o Reino não se esgota
na Igreja. Mateus mostra particular interesse por Pedro e pelos Doze, conservando uma
postura crítica diante da comunidade e seus líderes.

(3) ESCATOLÓGICA. Mateus chama a atenção para o mistério da salvação


acontecendo na história da humanidade (parábolas) e recomenda atenção em relação à
consumação da história, quando se processará o juízo escatológico de Deus. O evangelista
oferece uma espécie de criteriologia a respeito da salvação e da condenação. Os novos
critérios rompem os padrões vigentes de pensamento e possibilitam entrar no Reino
definitivo até mesmo quem não esperava, sendo rejeitados os que se julgavam detentores
seguros de um lugar no Reino, porém, sem estarem revestidos com a justiça do Reino.