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RESUMO

HUNT, E. K.; LAUTZENHEISER, Mark. História do Pensamento Econômico: uma


perspectiva crítica. [Tradução de André Arruda Villela]. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. pp.
34-55.

O texto apresenta uma breve análise da obra A Riqueza das Nações de Adam Smith e
sua importância para a formação da Ciência Econômica, assim como alguns dos principais
conceitos e teorias do pensamento econômico de Adam Smith.
Adam Smith (1723-1790) nasceu na Escócia, onde passou quase toda sua vida.
Estudou nas universidades de Oxford e Glasgow, onde foi professor. Entre 1764-66 esteve na
França, onde teve contato com pensadores econômicos como Quesnay e Turgot. Em 1776,
publicou sua obra mais famosa A Riqueza das Nações. Nela, ele apresenta conceitos sobre
riqueza, renda líquida, comércio, circulação de moeda, preços e crescimento econômico.
O contexto histórico vivido por Adam Smith foi o da transformação do feudalismo,
onde o mercantilismo era predominante e o capitalismo estava em sua fase inicial, uma fase de
acumulação primitiva do capital. Foi o período do nascimento das fábricas na Inglaterra, do
crescimento das cidades. Smith testemunhou o nascimento da Revolução Industrial. Nessa
época, Smith teve contato com ideias econômicas como a dos fisiocratas franceses, François
Quesnay e Jacques Turgot.
Adam Smith desenvolveu diversas teorias. Em sua teoria histórica, ele apresenta as
sociedades da caça, do pastoreio, a sociedade agrícola e a sociedade comercial ou pré-
capitalista. Segundo essa teoria, a sociedade mais primitiva era a sociedade da caça, num estágio
um pouco mais avançado estava a sociedade do pastoreio, que conseguira acumular uma riqueza
maior que a primeira sociedade. A sociedade agrícola, segundo ele, fora a existente durante a
Idade Média e que perdurara até o século XVIII. Finalmente, com o nascimento das fábricas
surgira a sociedade capitalista/comercial, a mais avançada dentre as quatro e a que auferia maior
riqueza as nações.
Além da teoria histórica, Smith formulou uma teoria sociológica. Nessa teoria, a
sociedade estava dividida em três classes principais, a saber: os proprietários de terra, os
capitalistas – a nova classe – e os operários ou trabalhadores. Para ele, a propriedade da terra e
do capital eram os fatores que determinavam a relação de propriedade mais significativa na
diferenciação das classes, gerando privilégios e poderes específicos a estes proprietários. Smith
afirmava que o governo civil – Estado – executava o papel de oferecer segurança à propriedade,
e na prática, defender o rico do pobre. Em outros termos, a Justiça – o Estado – defendia os que
tinham propriedades dos que não detinham propriedades.
De acordo com as análises de Adam Smith, os cercamentos das comunas – grandes
extensões de terra comuns aos senhores e servos – e o crescimento das cidades foram fatores
determinantes na consolidação do novo sistema econômico. E como consequência, essa nova
estruturação trouxe como ganhos para a sociedade, a extensão dos direitos, o aumento da
liberdade, a segurança e o fortalecimento ao direito de propriedade. Nesse espaço citadino, os
produtores gozavam de mais liberdade social. Essa maior liberdade e segurança permitiu aflorar
um dos mais poderosos aspectos humanos: o individualismo, o egoísmo ético, a vontade de
acumular riquezas materiais.
Nessa teoria sociológica, ele dispunha a sociedade em três classes: capitalistas –
proprietários dos bens de produção –, proprietários de terra e os operários – assalariados que
trabalhavam nas fábricas. Sendo que cada uma das três classes sociais recebia uma forma
distinta de remuneração monetária – lucros, alugueis e salários, respectivamente.
No campo econômico, Adam Smith formulou as teorias do valor e do bem-estar
econômico. Em sua teoria do valor-trabalho, Smith apresenta que o valor dos produtos está
intimamente ligado a três fatores: salário, alugueis e lucros. Como integrantes dessa teoria
estavam os conceitos de valor de troca, valor natural e valor de mercado. Todos eles giravam
em torno da quantidade de trabalho necessário para produzir tal produto. O preço de mercado
era o preço verdadeiro da mercadoria, em determinado momento e em determinado mercado.
O preço natural era o preço ao qual a receita da venda fosse apenas suficiente para dar – ao
proprietário de terras, ao capitalista e aos trabalhadores – alugueis, lucros e salários suficientes
para manter os níveis habituais dessas classes.
Para Smith, o valor (preço) deveria sempre ser metido em quantidade de trabalho
necessário para produzi-lo, independente da mercadoria em questão. Aqui reside um dos pontos
fracos de sua teoria. A maneira de medir o preço das mercadorias, como sendo a soma aritmética
dos três componentes: salários, alugueis e lucros. No entanto, esses três fatores giram em torno
de valores, o que gera uma circularidade, uma vez que não podem ser determinados em termos
de valores fixos. A outra grande lacuna da teoria do valor-trabalho consistia na supervalorização
dos custos de produção. Assim, a determinação do valor a partir da soma algébrica dos três
fatores já citados, tornava a geração do preço reducionista, pois se acontecesse algo que
modificasse qualquer um dos três componentes do custo da mercadoria, o valor dessa
mercadoria teria invariavelmente de aumentar. Essa flutuação acontecia mais comumente com
os salários.
Além do valor-trabalho defendido por Adam Smith, ele citou, mas para refutar, a
teoria do valor-utilidade, que seria defendida e explicada com mais detalhes por David
Ricardo e Karl Marx. Assim Ricardo e Marx introduziriam o conceito de mais-valia, para
compor a base de cálculo do lucro, essencial para explicar o padrão dos preços relativos.
Além da teoria do valor, Adam Smith apresentou a teoria do bem-estar econômico.
Influenciado pela teoria da ordem natural apresentada pelos fisiocratas, segundo a qual a
economia segue uma ordem naturalmente correta e boa e que, portanto, não deve ser alterada
pela ação humana. Conforme defendeu Smith, a sociedade era governada e guiada por uma
“mão invisível” – uma espécie de ação divina, sobrenatural – que sempre conduzia a sociedade
para o progresso. Assim, apesar dos meandros da vida e dos conflitos existentes entre
capitalistas e operários, a ação desse “agente superior” sempre conduzia a sociedade para um
estado de harmonia e bem-estar.
Segundo ele, essa “mão divina” seria suficiente para governar e conduzir o capitalismo
pelo melhor caminho, não sendo necessária a intervenção do Estado. Toda a estrutura de A
riqueza das Nações leva às conclusões de laissez-faire, laissez-passer – deixai fazer, deixai
passar. Esse liberalismo econômico defendido por Adam Smith, anos mais tarde, viria a ser
questionado por outros teóricos econômicos. Para ele, era a ação dessa mão divina que conduzia
o capitalismo para um estágio de maior divisão social do trabalho que só era possível, graças
ao grande contingente populacional das cidades, ao espirito egoísta – individualista – das
pessoas, que buscavam acumular riquezas materiais.
Assim, para Adam Smith o governo civil, não deveria intervir na economia, quer fosse
com intervenções, regulamentações, concessões de monopólio ou subsídios especiais, pois,
esses atos do governo tendiam a restringir os mercados, reduzindo dessa forma, a taxa de
acumulação de capital e diminuindo a extensão da divisão social do trabalho e, com isso, o nível
de produção social. Logo, deveria ser funções do governo, apenas: proteger a sociedade da
violência externa de outros povos; proteger sua sociedade da injustiça, através de perfeita
administração da Justiça e, finalmente, fazer certas obras públicas e instituições públicas sem
visar o lucro, mas com o fim de gerar um bem-estar a toda a sociedade.
Embora a obra de Smith apresente posições contraditórias, como a teoria do valor-
trabalho e a “mão invisível”, ela serviu de base para as correntes econômicas que viriam a se
firmar nos séculos XIX e XX. De um lado a teoria do valor-trabalho com seu conflito de classes
e por outro lado, a teoria do valor-utilidade com a harmonia social e a “mão invisível”.
Segundo suas conclusões, o valor das mercadorias é determinado pela quantidade de
trabalho necessário para produzi-lo, sendo este o único fator original criador do valor e,
portanto, da riqueza das nações. Além do mais, para Smith, o aumento da riqueza estaria ligado,
além do trabalho, ao aumento do contingente populacional, que, por sua vez, é consequência
do crescimento fabril, que levou a consolidação do capitalismo. Esse novo sistema se
consolidou à medida que a divisão social do trabalho se tornava mais especializada e
retroalimentava o sistema de acumulação de capital dos proprietários, capitalistas e,
consequentemente das nações.