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Mário

Mário ~ e º ~ Organiza ; 0 r ·. Ritual do couro de onça '

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Organiza ; 0 r ·. Ritual do couro de onça

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Agradecimentos

Aos anciãos Bororo pelo desprendimento em permitir o registro de sua cultura oral: Antônio Kanajó (in memoriam),José Carlos Meriri Ekureu e Manoelzinho Venceslau Maru Bororo(in

memoriam); Aos alunos da escola Bororo de Meruri, do ano letivo de 1998, pela participação na pesquisa e pela realização de ilustra- ções e textos; Ao Pe. Gonçalo Ochoa cuja grandeza de espírito e de saber somadas à disponibilidade para o trabalho realizou as traduções e/ou revisou os textos em língua Bororo; À Profa. Ora. Dulcília Silva pela disponibilidade em revisar o texto em língua portuguesa; À Profa. Dra.Aivone de Carvalho pela dedicação com que acompanhou a edição do livro, sugerindo, selecionando imagens, adequando-as ao texto, além do apoio junto ao Museu Comuni- tário Bororo e Centro de Cultura de Meruri "Pe. Rodolfo Lunkenbein" para que este fosse publicado. Ao Ministério da Cultura/Prêmio CulturaViva pelo apoio financeiro que viabilizou a impressão da obra.

Sumário

   

Aprese ntação

 

9

Alfabeto Bororo

12

Fases do Ritual do couro de Onça

13

ADUGO BIRI (texto pri ncipal em Língua Bororo)

15

 

1 - Introdução

18

2 - Adugo bitodu adugo biri inogidodu

20

3 - Moridodu

2 8

C OURO DE ONÇA (texto principal em Lí ng ua

 

Po

r tuguesa)

   

37

 

1 - Introdução

3 7

2 -A matança da onça e furação do cou ro para esticar

 
 

e

secar

 

39

 

3 - Ornamentação do couro e entrega da recompensa para o matador

46

BOE EMORIAE (texto complementar em Língua Bororo)

57

 

2

- Adugo bitodu adugo biri inogidodu

5 8

2.1

- Outros cantos mais extensos que aparecem citados neste ritual

6 9

CANTOS DA FESTA DO COURO DE ONÇA

(texto

 

complementar em Língua Portuguesa)

 

7 1

 

2

- Matança da onça e furação do couro para esticar e secar

72

BOE MORI BAROGO -Variação 1 (Língua Bororo)

83

A

RECOMPENSA - Variação 1 (Língua Portuguesa)

104

BOE MORI - Va r iação li (Língua Bororo)

 

12 1

A RECOMPENSA - Variação li (Língua Portuguesa)

133

ANIMAIS UTILIZADOS COMO MOR.I

146

1 - Adugo coreu

14 7

1 - Onça preta

49

 

2 -Aigo

50

3 - Aipobure (Aikido ou Awogodori)

5 1

4 -Aimeareu

52

5 - lpocereu

53

6 - lerarai

55

7 - Okwa

57

8 - Moribo

58

9

-Aroe eceba

60

1O - Aroe eceba

62

11 - Kuruguga

64

12

- Makao

66

13

- Tagogo

6 7

14

- Kugu

69

66 1 3 - Tagogo 6 7 14 - Kugu 69 9 Apresentação "Adugo Biri, Boe

9

Apresentação

"Adugo Biri, Boe M ori, Boe Mori Barogo, Boe Emoriae"

!-.fio expressões bo roro que se refe rem ao mesmo ritual: aquele Nn que um couro de onça, ou de outra fera, ou de uma ave de r;ipina é ofertado aos parentes de uma pessoa falecida ,·cccntemente.A palavra "mori" é um significante que remete a mu ito s siguinificados, por exemp lo , pagamento, recompensa, vingança, repa ração de danos, indenização, ret ribuição e restabelecimento do equilíbrio entre a comun idade bororo e a

na tu reza, as almas dos finados e os espíritos. Este

pa r ece o significado mais interessante. Este ritual, muito alegre e

fes tivo, é rico de sentidos simbólicos, sociais e educativos.

• Simbolicamente, como em quase todos os rituais bororo, as

almas dos finados e os espíritos estão representados pelos par-

t icipa ntes do ritual.

mas a alma do finado e o couro da onça servirá a esta como abrigo.A onça, as feras e as aves de rapina representam os espí- ritos ruins. Kanajó chama de "Tugomagaia" o espírito que está na onça macho. Matando o espírito ruim que tirou a vida de um Bo roro efetiva-se a vingança. Diz o canto que os bons espíritos agora são os donos do couro da onça. Os bonitos adornos e presentes que o caçador recebe como recompensa agra~:lam o Pai dos espíritos, "Maereboe doge Etuo", que enviará outros animais quando os Bororo precisarem (Conf. Enciclopédia

Bororo v. 1, p. 235). • Quanto ao aspecto social, neste ritual, a reciprocidade entra

e m cena constantemente. Quem mata a onça é um Bororo da

metade oposta à do finado que, em troca será recebido pela

o utra metade com um banquete e muitos presentes . Esta metade,

comida da metade à qual pertence o caça-

dor. Coisas típicas da cultura indígena e de modo espec ial dos Bororo.

último nos

Não é o matador da onça que é enfeitado,

por sua vez, rece be rá

• Do ponto de vista educativo, este texto é fruto de um proces- so de aprendizagem muito bonito que se deu na Escola Indígena de Meruri envolven do toda a comunidade. Teve início com a celebração do ritual, que acontece com uma certa frequência, seguido pela narração dos anciãos bororo, pelo estudo e ilustrações dos alunos orientados por seus professores e, culminando com a sistematização de todo o processo feita por mim com a competente colaboração do Pe. Gonçalo Ochoa e

da

Prof' Drª Aivone Carvalho Brandão. Inclusive foram anexados

os

cantos do r itual, cujos ritmos executados pelo mesmo Kanajó,

informante principal deste texto, vêm gravados em CD, no intuito de subsidiar quem estiver interessado.

Enfim, aqui está mais um texto, dentro da vastíssima bibliografia

sobre a cu ltura bororo, destinado de modo especial à juventu-

Bo r oro

dançam, como é que os Bororo fazem". Assim diz neste texto o meu saudoso padrinhoAntônio Kanajó,que não escondia o medo

10 de um dia os jovens Bororo não se interessarem mais pela prática de sua riquíssima cultura. Tomara que este texto, mesmo na sua pequenez, colabore para que isso não aconteça.

de bororo. É para os jovens saberem "como é que os

Mário Bordignon

Pl íl nta da Aldeia

Moit,-E

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os Mário Bordignon Pl íl nta da Aldeia Moit,-E l &J L, ~~00~ f(f~ fí( &,1

~~00~ f(f~ fí( &,1

CANM,TRA TATU

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Ilustração: A ilton Meri Ekureu

11

Alfabeto Bororo abcdegij kmnoprtuw A - como em amar. Ex.: ari (ári) = lua; B

Alfabeto Bororo

abcdegij kmnoprtuw

A

- como em amar. Ex.: ari (ári) = lua;

B

- como em bom. Ex.: bure (búre) = pé;

C

- como em tchau. Ex.: coreu (tchoréu) = preto;

D

- como em dado. Ex.: apodo (apódo) = tucano;

E

- como em eco. Ex.: meri (méri) = sol;

G - tem sempre um som gutural como em gato Assim: ga, ge, gi, go, gu, pronunciam-se como ga, gue, gui,

go, gu, pronunciam-se como ga, gue, gui, go, gu; Ex.: muga (múga) =mãe; cegi (tchégui) =nós; 1- como em ira. Ex.: ime (íme) = homens; J- pronuncía-se como dj. Ex.: joru (djóru) -= fogo;

K - como em capa. Ex.: karo (cáro) = peixe; ruck (rúque)

= moscas;

12 M. N - como em mina Ex.: !mana (imána) = meu irmão mais; O - tem o som fechado, aberto ou normal, dependendo

da palavra;

P

- como em porta. Ex.: Pobo (póbo) = água;

R

- como em ira. sempre igual, no começo ou no meio

da palavra); T - como em tatu. Ex.:Tubore (tubóre) = lambari; U - tem som normal (u), ou central (-), dependendo da pa- lavra. Ex.: Kudu (cúdu) =farinha; imedu (iméd-) =ho- mem; W - tem dois sons:

seguido de uma das vogais a,

a) tende a ser u, quando

o,u. Ex.:Woe (uóe) = aqui.

b) tende a ser v, quando seguida de uma das vogais e, i. Ex.: lwe (ive) = ouriço.

Observações: A língua bororo não possui vogais nasalizadas. Na atual ortografia bororo, não se usam acentos ortográficos, pois todas as palavras de mais de uma sílaba são paroxítonas, não são usadas consoantes duplas, nem grupos consonantais, nem sinais diacrítcos, nem traços de união entre elementos da mesma palavra.

Fases do ritual do couro de onça

O1. Barogo bitodu

02. Bureaguru

03. Biri tawujedu

04. Biri jaidodu

05. Cibae etawado

06. Braedu kukuri

07. Barogo biri kujagudodu

08. Barogo epakujagudodu

09. Mori/Moriae

1O. Adugo ó/Aigo ó

11. Adugo lnegi/Aigo inegi

A matança do bicho

A dança ao redor da onça

morta

O esfolamento

Esticamente do couro

Canto

A representação do branco

barrigudo

A pintura do couro do bicho

A pintura do matador do

bicho

O pagamento/O que é

oferecido

Os dentes da onça pintada/ Os dentes da onça parda

As unhas da onça pintada/ As unhas da onça parda

é oferecido Os dentes da onça pintada/ Os dentes da onça parda As unhas da onça

13

14

12. Boe ereru

A dança

13. Reko baiado

Levar no meio da aldeia

14. Barogo uke/Barege eke

Comida do bicho/Comida dos bichos

15. Toe maku

Entrega do direito sobre os objetos do clã do finado

16. le bio

Apelido, nome de morte

ADUGO BIRI

Pesquisa: M ário Bord ignon

TEX TO PRINCIPAL Antônio Kanajó Adugo Ki rimido

Tra nscriç ão da Língua Bororo pa ra a Lingua Portuguesa: Gonçalo Ochoa

PRINCIPAL Antônio Kanajó Adugo Ki rimido Tra nscriç ão da Língua Bororo pa ra a Lingua

15

r;'d,,,:,,n /'?$ i(~J<f'* e,., =-"' e J\''J'° , Boe eidugodo odugoji (flec han
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e J\''J'°
,

Boe eidugodo odugoji

(flec han do a onça pintada)

Ilustração: Edmar Rodrigues O roar ibo Kajejeu

17

17

18

1- Introdução

Narração em Língua Bororo

Kanajó:

O1.

Boe re adugo bito .

Boere adugo bito Aroia Kurireu marice.

Boe re adugo bito . Boere adugo bito Aroia Kurireu marice. 02. Boe egore:   Cewu

02. Boe egore:

 

Cewu ceraedure roino ji. Cewu Baadojebare roino ji. Aroia Kurireu moricere roino ji. Tadugio moricere roino ji. Jakomea Kurireu moricere roinoji.

03.

U! Kodire boe eragodumode. Boe eragodumode apo.

03. U! Kodire boe eragodumode. Boe eragodumode apo.

-

"Tado tarugadu! Taragodumo de!"

04.

Ukadawu remawure uwadodure, akore:"Tado tarugadu! Tagogududo itabo, t aiagududo itabo! Taragod uwo ikudawu apo, ikuie ad ugo apo, imori ad ugo apo.

OS.

Marenaru nure imi, kiogo barogo nuri imi, kodire inagoino tagabo.

06.

ltamagadure tagabo. Kodire taragodumode ikudawu adugo joki inai.

07.

lcare ikudawu bitodure.Care imori bitodure. Bitodu bokwa modukare ikudawuce, okwadodu bokwamodukare ikudawuce.

08.

Maereboe, bope tuiordu tabore roino, akoino, batarurino.

09.

Ure iwobe etagedudo, ure iedagamage, imanamage, ure ctagedudo.

Ko dire bokwamodukare adugo maku,aigo maku,aipobureu maku, ikudawuce, i morice."

10.

Oinore boe ego r e:

Ca ! U rugadu jao.

adugo maku,aigo maku,aipobureu maku, ikudawuce, i morice." 10. Oinore boe ego r e: Ca ! U
adugo maku,aigo maku,aipobureu maku, ikudawuce, i morice." 10. Oinore boe ego r e: Ca ! U

19

2 -Adugo bitodu adugo biri inogidodu

Kanajó:

 

O1.

Boere adugo bito toro boe tada, itura tada; toro tori tada

 

toooro,

icare boere tudo pui ae.

 

02.

lcare ure bitowu ure bureagurudo ukudawu remawuji, toro boe tada.

03.

U! Ure batarudo toro taci. Ure batarudodu akedudo du keje icare ure ipo maku. Ure ipo maku tu umode ipo to jiwu ai.

04.

Cibae tawadu epa koiare umode ipo to ji, adugoji, adugo imeduji.

20

A! Muga keje:

(Canto)

"Bal<ororoooooo

tawaio owo tagudare

mere

ta

regodure

Tugomagaia

aia

dugo

doge ere

ta

are

godure

regodure

nowu. Mere

" (Bis)

05. Ca! Woere icare akore:

"M! Adugo imedu bukejewu reo:' Adugo imedu, Bakororo tugomagaia.

06.

Ca!

Akore:

"Wooo!

Ure ipo to ji po po po po po!

Ure ipo to ji tu."

Wooo!

07. Ca, du keje icare ure toriga jodo okwa keje. Boeegore:

"Ure oku bowuje:' Oinore boe egore." Ure oku bowuje:' "Cewu okwa, okwa, okwa jire egoino: oku."

21

21

0 11.

U re o

" l ca! Tabu r edo mato, pawo biri ta!"

keagi taci. Ca! lca r e akore:

lca re,

boe icare are akedudo tu je.

09. lc are boe e r e, kodu maku,

kodu maku,

kodu ma k u.

Cibae tawadu epare ukere adugo morora. Ca! Ere morora jodo Cibae Tawad u epa keje tuku!

10.

Ca r e, apo.

boere akedudo du k eje,

icare boe eture,

11.

lca re boe ekudugodure, boe egore:

"Kaaao! Wo! W o! Wo! W o! Wo! W o! Wo!

Ca! lcare boe eture toro

12. lcare areme emearudure

adugo

"

baato. Boe ekodure ji to ro baato.

boe ekuduji.Ar eme egore: " Baaa!

Paob e ek udu aregodo! Paobe ekudu aregodo!"

A!

A re me eregodure toooro!!

Etaregodo etogi tu.

13. Ca! lcare nowu ure bit owu, ure adugo bitow u uce, uwie, koiare ure tud ugu nowu adugo biriji. Ca! Boe ekodure, boe etaregodure baato tu.

14. Ca ! Du keje icare

ure bureagurudo

utuie,

pugeje; ce w u epa ure

bureagurudo pugeje nono, baa t ada pugeje . Ure bureagurudo ukudawu remawuji pugeje tu, ca!

Ca! Ure bat arudo ji. Ca! Ure bat arudodu akedudo, du keje icare otowure tugeragu

nowu adugo biri ji: N o

no

huuu

hu

Huuu!

15.

16.

Ca!

Care ure cedo t oro bato, to r o tum uga kae.

Ca!

O reduje ure kodo baado.

Ca!

Ure adugo biri mugudo tu

-

17. Care nowu ukudawu remawu aregodure mato tuwabo tabo. lcare uragodure joki.

22

remawu aregodure mato tuwabo tabo. lcare uragodure joki. 22 /core uragodure joki (o dono do couro

/core uragodure joki

(o dono do couro canta

para o matador da onça)

Ilustração de Edujebado - 7' série

1li,

Uragodu akedure tu.

 

C

c1 !

N o no ere

bapo

maku

maku pugeje.

Nonore icare boere bapo maku nowu Bakororo ika epa

c1

i t u. Ca!

 

Ou keje icare are Bakororo ika ko.

19.

O u ke je icare bae eregodure nawu u r e aduga bitawu ae tooro:

Waaa!

Waaa!

 

Toro, mugu re toro

tuabe ebo

du kae.

20.

Ba e era bi r i reo, bae ero

pemegareu. Boe

eedui kimo ta b a,

bae enagwa padui kimo du taba.

2 1.

Ere boe era pemegado . Boe era matu r e, boe e r o kororogodure, bae ero motudure.

22.

Oino rema, o inare care boe era akedure, boe er a bakware pugeje.

23.

Ca! Ou keje icare eregadu re ae, ma renaruie keje pugeje:

"Mare

naaa .ru

ie

mare

naaa

ru

ie

 

ei

go

iaa

"

Eregodure toro ae. Egare:

 

"Waaa!

Waaa!

Waaa!

"

24.

Ca!

Ere

reka mat o pugeje.

 

Ca! Ere muguda woe,

nowu adugo biri keje tu.

25.

Ca! Ou keje icare ure biri porodo. Ure biri parado pugeje

to to

to to.

23

la metuiare tugera braredo ji, nowu bi ri pa rado duji, nowu

Bako r oro ika kuda, kidagu r u

paru kuda, marenaruie kuda.

-

24

26. Oinore boe erore.

27. Mare awu inodu jire Kogure akoino. Imago nure tu oino. Paga tu je. Mare awu iwagedu Enawureu makore. Emare okeare, emar e aidure.

28. Aidure paga nure tu je, okea rogu paga nure tu je. Awu boe etore eerduwo, boe etore emearuduwo, mare egowo oino karega.

1,

(Canto)

 
 

Mcr c

Mere

 

porodo

dure

Mcre

Mere

prodo

dure

O

ece

raie

e! O ece

raie

e!

O ece

raie

e!

O ece

raie

e!

:L

Aku

rara

reu

porodo

du

re

 

reu

po

rodo

dure

 

O

ece

raie

e! O ece

ra ie

e!

O

ece

raie

e!

O ece

raie

e!

29. Awuge eerduwa modukare boe ero bogai, eerduwa modukare boe ewadaru bogai, eerduwa modukare roía bogai. Braedu tuwadaru jire eerduware, braedu tumago jire

l6.

Barogo porododu kejewu reo. Awu makaguragare, raicigo.

Mare awu inagocere kaewu, taerduwamodukare ji, eerduware, kode eragodu moduka, ego modukare. tamodukare kagado, tamodukare pemegado.

30.

Oinore ure, oinore akore, oinore gravador akore, oinore meriri akore". lnodu moduka.

31. Awu iwagedure aidure

tu je,

inodu rogu tu je. Tamearudu rumode tu oino awu inodu roguji tu je.

kodire inagore tu oino, awu

32. Awu ia ipare ekare turokagado tu oino nowu uragodu r e

tu jiwuge eegai! Ca! lwagedu Félix makore Cibae

bogai Ire Cibae Tawadu kagado biegai, mare akedukare.

Tawadu

33. Du kodire, imago nure tu oino: boe ereruji, boe eroji, tu rugadu .

34. Ca! Nono boe egore. Care ere biri porodo. Ere biri porododu akedudo tu. Ca! Ca! Nowu biri porododu akedure du keje, care nowu uragodureu akore:

37.

Mare tamearudu rumode tu oino.

3-

Á aa

ria

torowareu

porodo

dure

boro

iori

porodo

dure

ece

O ece

O

raie

raie

e! O ece

raie

e! O ece

raie

e!

e!

4-

Aigo

doge

enogwa

porodo

dure

Aigo

doge

ekera

porodo

dure

O

ece

raie

e! O ece

ra

ie

e!

O

ece

raie

e!

O ece

raie

e!

5-

Aigo doge

ewure

porodo

du

r e

Aigo doge .etowo

porodo

du r e

O

ece

ra ie

 

e!

O ece

raie

e!

O

ece

ra

ie

e!

O ece

rai e

e!

25

du r e O ece ra ie   e! O ece raie e! O ece ra
 

6-

Aigo doge

 

porodo

dure

 

Aigo doge

ewiri

porodo

dure

O

ece

raie

.e! O ece

raie

e!

O

ece

raie

e!

O ece

raie

e!

 

7-

lpio

porodo

dure porodo

dure

 

lpio

enogwa

O

ece

raie

e! O ece

raie

e!

O ece

raie

e!

O ece

raie

e!

 

8-

lpio

ekera

porodo

dure

 

lpio

ewure

porodo

dure

O

ece

raie

e! O ece

raie

e!

O

ece

raie

e!

O ece

raie

e!

26

 

9-

lpio

etowo

porodo

dure

 
 

lpio

ewiri

porodu

dure

O

ece

raie

e!

O ece

raie

e!

O ece

raie

e!

O ece

raie

e!

 

1O-

Bokodori porododure

 

Bokodori

ekera

porodo

dure

O

ece

raie

e! O ece

raie

e!

O

ece

raie

e!

O ece

raie

e!

38. Ca! Awu oto pa reo.Awu akedu. Barogo biri po r ododure

oto pa reo. Bitoduredu, etaregoduredu oto pa reo.

Y,

loor o l<ujagudodu kejere icare,Aaa! Boe erare pugeje.

N

ow u kurire, pemegare toro pugeje.

C

n! Urugadu jao.

10,

/\w u boe e taregodui apodu, bitoduredu, biri poro doduredu oto pa reo.

O inore boe egore, oinore boe erore.

27

3 - M ori dodu

1. lcare jeture. Adugo biri jeture pugeje jii to o ro.

2. N ow u ukudawu remawu maragodu nure tugoji, baigaji, baiga oto jiw uji, kiogoaroji, toroe boeji.Tumode to, ture to nowu

tu gudawu

adugo moriceboe boeji .

3. Otowuge emagareu. Otowugereure uwadodure

--

28

todowuge etae.

4. U! Otowuge ere tugera bararedo ji tugoji, boigaji, ure t o boe

jamedu boeji. Ca! Car·e akedure. Ure tugo iado, re boiga iado, ure jam edu

boe akedudo tu je.

5. Du keje icar e uwadodure pugej e. Uwadodure tumedage

etae ceee

Tuku.

6. Ur e etagedudo tu . C a! Du keje icare ceraedu uwado du re

pugeje, cerae etae pugeje. Boe jamedu

Nowu boe ero pemegare, kodir e boe ewadodure, boe

emagore, tugo makuduwo; tugo makudu nure puibagi. lme enure tudugo maku puibagi.

bo e ae.

7. U! lm e eparadure, oinore iaboere tugo taba pui pu ae,

jiwu tui e kudure jiwu pu tugoji.

taidure

8. Du jire boe ewadodure, boere pu jorduw ado, boer e pu

roiwado.

9. Boe ewadodure areme etae, aremewo toe pemegado, ewo to e to, ewo toe kurido . Ewo toe makado, pu ukej e.

ewo to e to, ewo toe kurido . Ewo toe makado, pu ukej e. 1O. l

1O.

l cnre ere pu enoedo tu ruga du . lcar e m eri r ekodure, du kc jc ica r·e Bako r o r o ika epa uragod ur e p ugeje.

Ca ! Adugo biri padu re woe, care er e Bako roro ika ko1 jii tor o marenar uie kae pugeje.

D u keje icar e er egodur e t o r o nowu epa ae.

Mugo to ro tuobe ebo du kae, t uobe eegorai du kae. Etar egodo mato
Mugo to ro
tuobe ebo du kae, t uobe eegorai
du kae.
Etar egodo
mato apo.
(Canto)
''M aré
na
.ru
i
e
Mare
na
r
u
.ie
Ei
goia
:'

Boe ego r e: "Waaa !

Boere boe pemegado, boe mot udo.

C a! Ere mu gudo woe tu

Wa

wa wa wa wa!"

~

boe mot udo. C a! Ere mu gudo woe tu Wa wa wa wa wa!" ~

r~

"

·\,

\

~

j

1

~-

11.

12.

wa wa wa wa!" ~ r~ " ·\, \ ~ j 1 ~- 1 1 .

13 .

29

14. Ca! C are k id oguru para kod ure. Unur e adugo o porodo.

15. Cace ure pocododu akedudo t u

K idoguru paru ake dur e tu

lcare nowu ucere tu ger a kog udo ier a paru gaj eje, jice ia t ugu dae baa k ae, ko do baa kae . Beto baa kae, jice t uwai

m ugurewo, ur e m ugu do tu

C a! lcar e

beaaa!

C a!

t o ro uo be et ae to r o pugeje

ur e

ure

pobo r eda ao ji

beaaa ! U re pobo r edo joki

tabo,

lca r e

tu ger agu cew u t o adugo bi r iji utu

16.

17.

18.

Bu toro tu

C a!

Padu n ur e tor o ru ga d u .

Nowu metage, uwiemage, umanamage eigo iare ica re er e

30

nabure ikodo, kuido ikodo, keiagu ikodo, kuruguga ikodo, ere bararedo nowu adugo biri okwaji.

ikodo, kuruguga ikodo, ere bararedo nowu adugo biri okwaji. Ere nabure, kuido, kuruguga ikodo bu keje
ikodo, kuruguga ikodo, ere bararedo nowu adugo biri okwaji. Ere nabure, kuido, kuruguga ikodo bu keje

Ere nabure, kuido, kuruguga ikodo bu keje

(colocando penas de asa de arara vermelha, azul, gavião e outras)

Pedro Paulo Atu ruwa Ekureu

19. Ca! Kodire biri motu nure . Nowu inodu bogaire boe ewadodure, boe emagore. Nowu inodu bogaire boe ewadodure, boe emagore.

I U,

'1 1.

l: r c akedudo tu toro, ca! Eregodure nowu adugo epa ae toro pugej e, ere arego mato pugeje. Ca ! Ere mugudo woe pugeje tu. Ca re nonogo tugudumode to. Ca re nonogo tugudod ur e

to

tu

C a! Nonogo tugudui todu ak edure, du k eje icare ure no w u ukadawu remawu r e tugeragu to tugoji, to boigaji.

22. Ure tugeragu to tugoji, to baigaji. Ure nowu toe

bureagurudo ji,

" Gae gae gae gae gae gae gae! Atugo reo, awoiga reo,

akuie powari rena, ako ae rena!

akore:

23

.

U! A k u ie powari reno!: Oinore arore ji, oinore akagore j i, oinore awadarure ji. Nowu pega inodu, mono inodu, arodu inodu, okwarigudu inodu jire aroino, akagoino, awadarure ino.

24.

Are acebado cee boeruce, are acebado cee bubutuce, are acebado cee boiar uruce, boigabece, nowu pega inoduji, mono, arodu, okwarigudu inoduji.

25.

Akagodo,awadarudo ino.Ema reno,atugo reno,awoiga rena, awuge rena, awuge rogu rena, awuge apueceba rena, akuie powari rena! Nowu bu tu awugeje, metudo tu akao cada.

26.

Du tabore are ake karo kodu kowuje, are ake barogo kodu

kowuje: are ake ku iada kuru, ake aroe kuru, ake no kodu,

apeo kodu, apea, noa, are ake motore

ake noidoia

are ake apidoia

are

are kowuje.

27. Mugure tu awugeje, meturetu akaotada, paduretu awugeje! Oinore arore ji, akagore ji. Apogu r u kaba ji, arodugodu kabaji;

3 1

28. U! Makore aiboe bokwa, batarure aiboe bokwa, okire aiboe

bokwa. Marenaru nure imi,

maku akai.

kiogo barogo nure imi, du tabore ire

29. Ca! Atugo reno! Awoiga reno! Akoroe reno!"

Ca uture ceee

utugoji, uwoigaji, nowu ukuie powariji, o aeji,

oroe boeji tu

care otowure tugeragu nowu

30. Ca! Du tabore icare boe eture toro baiado.

32

Ca! Egore:

 

(Canto)

Wacino ko

o

wacino ko

 

Uke

reu, ai

kuri

reu

uwai ga

 

U

ke

buke

reu ai

 

reu

uwai

ga

ewa

ai

ewa

wacino ko

o,

wacino

ko

Uke

juko

jugoreu

ai

kuri

reu. Uwai ga

uwai

ga

Uke jurireu

kuri

reu

uwai ga

 

Ai

ewa

3 1.

Tugodui toro tabo, tuobe enoe tabo toro baiado. Ca! Torowuge eregodure mato enoe kae, ere tugeragu toro

ji. Ere jetu baiedada, ere tuwirido

bororo oia kajeje,

baia oia kajeje.

·

32. Ca! Ceraedu etaregodu mato toe tabo pugeje. Care Tugarege eregodo toro enoe kae pugeje. Ere jetu woje, tuobe etai. Etuobe egore:

Aaa! tu. Akedure tu je.

33. Ca! Du kejere icare ere maku tuobe etai pugeje, jice. Kuiada kuru, aroe kuru, noidoia bere, noidoia kujagu.Awu tuge boe, boe ekee boe, ere maku.

34. Ca! Cerae eke mugure woje tudaria tabo, ere

 

tudugu tudaria ku da, ere tudaria mugudo.

 

Tugarege

erore ino jamedu, ere tudar ia mugudo tu.

 

11,i,

Aremere icare enogwarere tuge boeji, tuiegare tabo, taidu

tabo!

 

O inore care, nowu ture adugo bitowu ure tugeragu,

 

r

ekodu nowu to adugo bitowu ae.

16.

Ca! Aregodo mato tabo, ture tabo, nowu Bakororo ika epa

 

r

akoje re tu ku je du kae.

J7.

lcare ure bureagurudo ji pugeje:

 

Kae kae kae kae! Kae kae! Akore:Emareo,emareo,emareo!

 

Akudawu adugo biri reo,

 

akuie adugo biri reo. Ca! lcare ure batar udo pugeje.

 

33

38.

Boe enogwager e toro, du kej ere nowu badojebare tubo

to adugo bi rij i, aigo

biri ji.

 

39.

Ca!Akore:Hoi! Hoi hoi hoi! Akare Bakororo!Akare Bakoro

 

Kudu! Akare BakoroAkaru! A kare

l pareceba! Akare

Biriga! Akare Uwaeceba! Akare Kaiaceba! A kare Bu r edudu! Akare Uwaboreu!

 

Akarekare imi. Hoi! Hoi! Hoi hoi! O o o!

1-

Bakororo

Bakororo

Orowaribo aiduia atugarege enowo akuie

akudawu ai

hoo!

2-

Orowaribo

Orowaribo

Kugarubo aiduia atugarege enowo akuie

akudawu ai hooo

3- Taboguru Taboguru, Keoguru aiduia atugarege enowo akuie akudawu ai

 

hoooo

4-

Mariguru

Mariguru

marigurubo aiduia atugarege enowo akuie

34

akudawu ai hoooo

5- Omuguio Omuguio atugoio aiduia atugarege enowo akuie akudawu ai

 

hoooo

6-

Okogebo

Okogebo

Ararebo aiduia atugarege enowo akuie akudawu ai

hoooo

7-

Meri rutu

Meri rutu

meri butu aiduia atugarege enowo akuie

akudawu ai hoooo

W aaa!

40. Ca! Akedu nure. Oinore boe egore, oinore boe erore.

41. Ca! Care nowu ure adugo bitowu ure tugeragu now u to adugo biriji pugeje.

Ca!

Akore: Gae gae gae gae! Emareo! Emareo! Emareo,

Care ure maku ukudawu remawu ai.

Emareo!

Akudawu adugo biri reo.

Awu baado tu akuda, awu bu

amugudo.Awu kejere are ake karo kodu, are ake barogo

kodu, ake

kejere awudugugodure, akamogodure. Amugudo tu keje, awu tu keje, anududo tu keje. Akudawu adugo reo, akudawu adugo reo.

tu akuda . Awu kejer e are

l , ake aroe kuru, awu kejere are ko! Awu

42.

Ca! Care ure tugeragu ji pugeje, ure maku cewu ure batarudowu ai pugeje tu.

C a! C are ure tugeragu ooji,

nowu epa ure tugeragu ooji

pugeje.Adugo ooji, to Adugo ooji, kodu tabo tuje ae. Ca! Ure barigu tuje aoto kuri tuku.

43.

Akore: lmuga

akuie adugo o reo! Akuie adugo o reo!

Akuie adugo o reo! Bu tu awugeje! Padui tu awugeje du tabore are akeragu

poboj i. Padui tu awugeje du tabore are akeragu jerigiji. Padui

are akeragu ake roguji, akoe roguji.

tu awugeje du tabore

\
\

Aredu mugure tuguie adugo ó odugo biri keje (mulher com colar de dentes de onça sentada no couro de onça)

Il ustração: Ma r ia Auxil iadora Joa r e-Re ia

35

35
35

. -------

36

44. Padui tu awugeje du tabore ae

akoeji joruto.

kodure tu akariaji, akeji,

1 - Introdução

Narração em Língua Portuguesa

45. Akaba ipo, kamu, kamureu, akaba ukuiedo ema.

Akaba kodorabo

oroedo ema! Akaba jetu pagado, akaba padu pagado! Bu tu awugeJe.

akaba kodobo

akaba micigu

akaba

.

'B

u

OI.

Os Bororo matam a onça pintada. Os Bororo matam a onça pintada para pagamento de Aroia Kurireu (Pano Grande).

tu awugeje!

02. Os Bororo dizem:

46. Marenaru nure imi, kiogo barogo nure imi, iordukare cewu

iedagaji, imanaji du tabo karega

iwudure tori~o, itu'.~to

 

Ou tabo karega

boto jeture ii, iwara jeture 11, ton Jeture

 

ii, jerigi jeture ii!

47.

Ou tabo karega

bubutu, boiaruru, boigabe, padure tu

03 .

iwugeje. Ou tabo karega

makao

kugu

bi

.tugodaga

co1

.

ako

makodu buture tu iwugeje, tori tada,

itura tada.

48. Ou tabo karega ire bito, ire bokwado Akuie reno! Akuie reno!"

akuiece, akuiece!

49. Ca! lcare akedure.

- Foi aquele Ceraedo (da metade do Norte) que fez isso com ela. Foi o Baadojeba que a matou. Para pagamento de Aroia Kurireu, para pagamento de Tadugo, para pagamento

de Jakomea Kurireu.

Sim! Por isso os Bororo vão cantar. Os Bororo vão cantar com ela.

- Preparem-se! Vocês vão cantar.

AtDCi~ 130ROT<O
AtDCi~
130ROT<O

Meruri, Agosto de 1998

Planta Baixa -Aldeia bororo

Ilustração: A ilto n Meri Ekureu

37

. --:-·----

38

04.

05.

06.

07.

08.

09.

1O.

O dono do Couro (o que recebe o couro da onça) anuncia e diz:

- "Fiquem preparados! Tenham dó de mim, ten ham

pena de mim! Para vocês cantarem com o meu tapete, com o meu colar de dente de onça pintada, com o meu

pagamento, a onça pintada:·

Eu so u pobre, eu sou um coitado. Por isso que estou avisando vocês.

Eu me preocupo com vocês. Por isso que vocês vão cantar para mim sobre o meu couro de onça pintada.

Então o animal do couro bonito para mim foi morto, a minha recompensa foi feita. Não podia deixar de ser morto para mim, não podia deixar de morrer para mim.

O espírito ruim com sua esperteza fez isso, falando.

dizendo e

El e acabou com o meu povo, ele acabou com os meus padrinhos e com os meus irmãos mais velhos. Por isso ele não vai deixar de entregar a onça pintada, a onça parda, a jaguatirica, para ser o -meu couro, como recompensa."

É ass im que os Bororo falam.

Eis, basta por agora.

É ass im que os Bororo falam. Eis, basta por agora. • A matança da onça

A matança da onça e furação do couro para esticar e secar

O1,

()}.,

03 .

Q uando os Bororo matam a onça pintada lá no mato na

eles se reúnem no rumo dela.

fl o resta,

lá na serra, então

Então aquele que a matou corre ao redor do dono do

co uro, lá no mato.

Sim! Ele faz a proclamação e, quando termina, pau para aquele que vai bater na onça morta.

entrega o

04. É o cantor de Cibae Etawado quem vai bater com o pau nela, na onça pintada, na onça pintada macho. Depois canta:

"O Espírito Tugomagaia, tu devias correr com as onças pintadas na chegada dos Mere Mere".

05 .

Eis aqui, então, ele diz: "M! Este é o canto sobre a onça·· pintada macho".

A Onça pintada macho,

t

;~

Espírito Tugomagaia.

06.

Aí ele diz:

~J-~-·

- Wo!

Wo!

Wo!

/~ \

Ele bate com o pau nela pó pó pó pó pó! Ele bate-~om 0 pau nela.

07.

Aí então ele passa a faca no focinho dela. Os Bororo falam oku no lugar de okwa (boca). Eles dizem: "Ele abriu o focinho dela".

08.

Ele risca a barriga dela e diz:"Pronto, venham, vamos tirar 0

couro dela." Então os Bororo tiram o couro dela.Aí

terminam.

,.:nI

,.

~f)

,

39

venham, vamos tirar 0 couro dela." Então os Bororo tiram o couro dela.Aí terminam. ,.:n I

09. Depois eles vão repartindo a carne. O cantor de Cibae Etawado é quem recebe o lombo da onça. Então eles entregam o lombo para o cantor de

Cibae Etawado.

10. Quando os Bororo terminam, vão embora com ela, com a onça pintada.

1 1.

Então os Bororo gritam dizendo:

Kaaao! Wo! Wo! Wo!

Wo! W o! Wo! Wo!

Então os Bororo vão embo ra para

a aldeia. Eles se encaminham para a aldeia.

12. Quando as mulheres escutam o grito dos Bororo, dizem:

Ba! Está chegando o grito dos nossos parentes! Está chegando o grito dos nossos parentes! Ah! As mulheres correm para lá ao encontro deles.

. .,

··.

13 .

Então a mãe, ou a irmã mais velha ou a irmã mais nova

40 daquele que matou a onça pintada, carrega o couro. Aí vão e chegam na aldeia.

14.

Aí então ele dança novamente.Aquele que matou a onça dança de novo aí na aldeia. Ele dança ao redor do dono do couro de novo.

*

15. Aí ele fala por ela: "Pronto!" Depois que acaba de falar por ela, o cunhado dele pega o couro da onça pintada, agradecendo

(No

no hu

hu

. Hu!

)

* É obrigação do Aroe Maiwu, "Alma Nova", aquele que representa o finado durante o funeral , logicamente da metade oposta do fi n a do , m at a r a onça ou outro animal nobre, carnívoro e oferecer o couro a um parente do finado, homem. O colar com os dentes da onça vai para a mãe ou out ra parenta próxima do finado. Os parentes tem, pois, a obrigação de ofe recer um banquete e alguns arcos e adornos ao matador da onça.

AI o lc 6 le va do lá para a casa, pa r a o lugar dele .

li

111.

A mulhe r este nde a

rl,1 onça pintada.

esteira e coloca em cima o couro

t\f o dono do couro chega com o seu chocalho e aí canta •,obre ele.

Q ua ndo termi na o canto eles entregam de novo o

chocalho.Aí eles entregam o chocalho para o cantor de

IY,

Bako roro lka. Aí eles cantam o canto Bakororo da fla uta de Bakororo).

lka (ca nto

De pois os Bororo vão lá correndo buscar o que matou a o nça.

"W a!

Wa!

"

Lá, o nde ele fica com os seus parentes.

JO.

l i.

l'J.

Es te é o ritual bem feito com o cou ro da onça. Quando os

Bororo ainda existiam,

na época que tinha muita gente.

',

Ele s faziam

era bonito, era perfeito, era bem solene.

as coisas bem feitas . O costume dos Bororo

Mas agora, agora

costume Bororo não existe mais.

o costume dos Boro ro já acabou. O

23. Aí então eles correm no rumo de le, na hora do canto de Marenaruie (os pobres, os órfãos).

Mare

na

ru

ie

mare

na

(por causa dos órfãos)

Eles cor rem lá buscá-lo, gritando:

ia

ru

"Wa!

ie

ei

Wa!

go

Wa!

"

24. Aí eles o trazem para de novo. Depo is e les o fazem sentar no couro da o nça pintada.

41

----

-

42

25. Depois ele fura o couro, ele fura o couro de novo, to to to. Um dos companheiros dele o ajuda a furar o couro. Durante os cantos de Bakororo /ka (flauta de Bakororo), Kidoguru Para (unção da resina) e Morenaruie (os órfãos).

26. Assim que os Bororo fazem.

27. Mas é isto que Kogure (Formigão) está falando (Formigão tem sua versão deste ritual). (Apelido de José Carlos Meriri Ekureu) Eu estou falando só por falar. Mas este meu afilhado Enowureu pediu. Ele que interessa, ele que gosta.*

Enowureu pediu. Ele que interessa, ele que gosta.* Secagem do couro de onça Ilustração: Salvador Rodrigues

Secagem do couro de onça

Ilustração: Salvador Rodrigues Tugo Jeba

* Enawureu é o nome bororo do organizador deste texto.

I li

l.lc inte ressa só por interessar, ele gosta só por gosta r.

 

Pnra

as c r ianças verem,

para as crianças

escu ta r e m, mas

pr1

r r1

e las falarem não é assim.

IY,

Es t es não vão a prender os rituais, não vão aprender a

 

língua bororo,

não vão aprender a cantar em bo roro.

Eles só ap rendem a língua dos brancos, só sabem a fa la dos brancos, então eles não vão cantar, não vão falar (em

bororo).

 

1O.

Ah! Assim que é, assim que ele falou, assim que o gravador

 

fa

lo u, assim que o aparelho falou. Isso não vai ter.

11.

Só este meu afilhado que quis, po r isso eu falei só esta

co isinha.

E vocês vão escutar só essa coisinha.

l2.

Nenhum destes rapazes experimentou na frente dos que

cantam.Vejam! O meu afilhado Fé lix pedia (para aprende r)

43

o

canto Ciboe Etowodo. Eu ensinei para ele o Ciboe Etowado

mas ele não terminou. Ele não quis bem, ele não acabou. Assim não vai dar certo. Eles não vão aprender.

,l3.

Por isso que estou falando assim: como é que os Bororo dançam, como é que os Bororo fazem, só isso.

34.

Eis! Assim que

os

Bo roro falam .

 

Então eles furam o couro. Eles terminam de furar o cou- ro. Aí depois que acabaram de fu ra r o couro, o cantor canta assim:

 

35.

(Canto)

 

1- O couro foi furado O couro foi furado Ó gente! Ó gente!

Ó gente! Ó gente!

2- O parecido com peixe pacu foi furado

O parecido com a lua foi furado

Ó gente! Ó gente!

Ó gente! Ó gente!

36.

Este é o canto para a furação do couro do bicho. Este é muito comprido. Mas isto que eu falo vocês não vão aprender, vocês não vão poder executar, vocês não vão poder fazer. Mas vocês só vão escutar agora.

37.

Eis! (Canto)

3- Ária torowareu" (Panela parecida com o morro do gavião torowa) foi furado Boroiori (cinto) foi furado

-.:--

·-

44

Ó gente! Ó gente!

Ó

gente ! Ó gente!

4- A boca das onças pardas foi furada A mão das onças pardas foi furada

Ó gente! Ó gente!

Ó gente! Ó gente!

5- O pé das onças pardas foi furado O rabo das onças pardas foi furado

Ó gente! Ó gente!

Ó gente! Ó gente!

6- O couro das onças pardas foi furado O couro das onças pardas foi furado

Ó gente! Ó gente!

Ó gente! Ó Gente!

7- (O couro) da ariranha foi furado A boca da ariranha foi furada Ó gente! Ó gente!

li

<) Hl 1 11tc! Ó gente!

A 111,io da ariranha foi furada

<) p' da ariranha foi furado

Ó

11c nt e ! Ó

ge nt e !

()

gente ! Ó

gente!

'I O rabo da ari ra nha foi furado

A pe le da ari ranha foi furada

Ó gente! Ó gente!

Ô gente! Ó gente!

1ONO tatu -canastra foi furado

A un ha de tatu-canastra foi fu rada

Ó gente! Ó gente!

Ó gente! Ó gente!

tU.

Eis! Este é o final. Aqui acaba. Esse é o fi na l do canto da

fu ração do couro do bicho. Quando Quando eles chegam, este é o final.

(o bicho) é morto.

19.

Lá (ma is tarde) quand o (o couro) é pin tado, a í os Bororo

cantam de novo . Esse Eis! Chega por agora.

é grande, lá é bom de novo.

40.

Quando chegam com ele, quando matam (o bicho), quando furam o couro de le, este é o final.

é bom de novo. 40. Quando chegam com ele, quando matam (o bicho), quando furam o

45

3 - Ornamentação do couro e entrega da recompensa para o matador

1.

2.

Depois ele fica. O couro da onça fica muito tempo secan- do no pátio da aldeia.

O dono do couro trabalha fazendo flecha, arco, enfeite

da

pendurar

ponta do arco, "kiogoaro" (enfeite de penas para

. na cabeça), todas as suas coisas. O que ele vai

fazer ele faz para pagamento do seu couro de onça pintada.

-_,

3.

4.

Aquele que tem muitos cunhados.

deve avisá-los.

O que tem cunhados

Sim! Os cunhados dele o ajudam a fazer flecha, arco e tudo o que ele faz.

46 Aí acaba.Acaba de fazer flecha, acaba de fazer arco, acaba

de fazer tudo.

s. Depois disso ele aviso.Avisa para todos os seus companheiros.

6.

7.

8.

Quando termina de avisar todos, aí u~ Ceraedo avisa de novo para os Ecerae. Para todos os Boror~.

. Os Bororo fizeram bonito, por isso eles dao aviso, eles falam para oferecer flechas; faz-se troca de flechas. Os homens fazem oferta de flechas entre si.

Sim! Os homens vão para cá e para lá com as flechas,

procurando as flechas de

que eles mais gostam

Isso que eles comunicam, os Bororo ensinam uns aos

outros.

9,

Os Bororo comunicam para as mul he res, para que pre pa rem sua comida, para que façam suas coisas, para que façam bastante. Para que façam muita comida para uns e outros.

1O.

Aí e las preparam a comida uns dos outros. E quando está de tardinha o encarregado do canto Bakororo lka canta de novo.

11.

Eis ! O cou r o da onça está aqui, e eles cantam Bakororo

/ka, até o Marenaruie.

12. Depois eles correm à procura dele que está lá com os seus parentes, na frente da casa de seus parentes. (O matador da onça). Eles chegam com ele (na hora do canto de Marenaruie)

"Os órfãos Os órfãos Por causa deles

:•

13. Os Bororo gritam: "Wa!

Wa wa wa wa wa!"

Os Bororo fazem bem, fazem bonito. Aí eles o fazem sentar aqui.

14. Eis! Agora eles cantam o Kidoguru Paru

(unção com a

resina) Ele está furando o dente da onça pintada.

15. Quando termina de furar e termina o canto de Kidoguru

Poru.

A mãe dele pega-o pela "munheca" da mão e o leva lá numa esteira estend ida na frente de sua casa e o faz sentar a í.

47

., ,

48

16. Aí ela derrama água na cabeça dele, derrama água sobre ele (lhe dá banho). Aí ele pega o couro da onça; a mãe, ou a irmã mais velha pega dele o couro e vão com ele, com o couro da onça pintada, lá para a casa dos parentes dele.

17. C o locam-no lá. E lá mesmo ele fica.

18. Os companheiros, os irmãos mais novos e os irmãos mais velhos, são eles que penduram na beira do couro da onça pintada as penas de asa de arara vermelha, as penas de asa de arara amarela, as penas de asa de gavião fumaça, as penas de asa de gavião-caracaraí.

19. Eis! Por isso o couro fica bonito. Épara isso qu e os Bo roro convidam, falam .

20. Quando te rminam, eles buscam o matador de novo e o trazem para cá, no pátio. (Canto)

Maré

na

ru

ie. Wo!

Aí eles o fazem sentar aqui de novo. Aí é passado o urucum nele. O urucum é passado nele.

21. Quando terminam de pintá-lo com urucum, então o dono do couro pega seu arco e sua flecha.

f

 

.

 

.

.

,.>~".

'

l

'l ' ~

 

.

'

~

' l • 'l ' ~   . ' ~ Nowu kidogurare ere kujagudo (Passar a

Nowu kidogurare ere kujagudo

(Passar a resina e o urucum no matador da o nça)

22 .

Ilustração : César Rondo n Aroe Etugo

Ele pega s uas fle ch a s e seu arco e dá uma vo lta com seus o bjetos ao redor dele dizendo:

"gae gae gae, gae gae gae ga!"

Aqui e stão su as fl echas, aqui está seu ar c o,

co la r de cabacinha, aqui está seu co r d ão de cabelo s.

a qui está seu

23 .

Sim! Aqui

está sua ca bacinha.Ass im que você faz

com

ela, assim que você fala com ela, assim qu e você fa la de la. Foi você que matou esse (b icho) mau, r ui m, malfeitor, ban dido.

24 .

Você o persegu iu no me io do calor, da chuva, d o s trovões,

dos

raios, esse bicho ruim, mau, malfe itor, band ido.

25 .

Fale,

diga assim

Está aí, aí estão suas flechas, aí seu arco, aí sua rede, aí

4 9

·~----

50

26.

sua rede pequena, aí sua rede de pegar paca, aí sua cabacinha. Pon ha-a sobre você, coloque-a na sua cabeça.

Se ntado com e la você va i comer seu peixe, vai comer sua

carne de bicho, você vai comer sua canjica de milho, sua canjica de arroz, sua polpa de coco de babaçu, sua polpa de coco d e palmito de acuri e de ba baç u .*

27. Fica em você, está na sua cabeça,

fica sobre você! Tra bal he

com e le , fale com e la. Não tenha vergonha d ela, não a profane.

28.

Sim! Ningué m vai falar com

você, ninguém vai criticar

você. Eu sou um pobre, sou um coitado, mesmo ass im eu

entrego

para você.

 

29.

Eis! Sua flecha está aí, seu arco es tá a í, s uas coi sas estão aí.

eles vão embora; então o cu nhado dele pega as flechas,

o

arco, a cabacinha-colar, o cordão de cabelo, as coisas

 

dele.

30.

os Boro ro vão lá para o centro do pátio.

El es cantam:

W

acino ko

oh

waci no ko

O

arco

do jaguar

comedor

de

a nta,

O

a rco

do jaguar comedor de tamanduá.

O

arco

do jaguar

co medo r

de macaco e de porco.

O

arco do jaguar comedor de catete.

3 1.

Cantando com as coisas dos parentes lá para o me io do pátio.

Aí os de lá correm para cá para receber as coisas deles;

e les correm; eles as recebem e as colocam no meio da

aldeia, eles fazem file ira no meio da alde ia.

* Esta era a comida tradicional dos bororo.

11 Aí os Cerae por sua vez chegam para cá com as suas co midas e os Tugarege correm ao encontro das com idas deles. Eles as colocam aí para seus pa ren tes. E os parentes deles dizem:

1J.

"A! a a!" Quando terminam.

Aí e les dão para seus parentes de novo a li: Chicha de m il ho, chicha d e a rroz, palm ito cozido de babaçu, palmito vermelho de babaçu; eles oferecem todas essas comidas esses alimentos deles.

eles oferecem todas essas comidas esses alimentos deles. Areme ere barogo uke towuje (as mulheres preparam

Areme ere barogo uke towuje

(as mulheres preparam o banquete da festa do couro da onça)

Ilust ração:

Maria Trindade Tuboreguiri

51

.

· -

-

-~

.

52

,

"

34.

Eis! As comidas dos Cerae estão aí na panela deles, e les

carregam suas panelas, e as colocam aí.

, Os Tugarege fazem assim também, eles colocam a1suas

panelas.

35.

Agora são as mulheres que comem suas comidas, alegremente, gostando. Agora aquele que matou a onça pintada corre para pegar o couro da onça que ele matou.

36. Aí ele chega com (o couro) para cá correndo para o luga r onde está de pé o encarregado do canto Bakororo lka.

37. Aí dá volta ao redor dele de novo dizendo: " Kae kae kae kae! Kae kae! Eis aqui! Eis aqui! Eis aqui! Aqui está 0 seu tapete de couro de onça pintada, aqui está o seu enfeite de couro de onça pintada." Aí ele o faz falar de novo.

38. Enquanto aos Bororo estão lá comendo, o Badojeba bate 0 joelho no couro da onça pintada, no couro da onça

parda.

39. Ele diz: "Oi! Oi! Oi! Oi! Seu pai Bakororo! Seu dono o Espírito! Seu dono o Grito do Chefe! Seu dono Proclamação do Grande Chefe! Seu dono o Mestre dos Iniciados! Seu dono o Benfeitor dos Bororo! Seu dono o Matador de Jacaré! Seu dono o Fabricante de Tambor _ ritual! Seu dono O Que tem Coração Bom! Seu dono nao sou eu. Oi! Oi! Oi! Oi! O o o!

1- Espírito

, Espírito, o desejo da aldeia Agua dos Dourados e que seu

grupo tenha enfeite do couro de onça.

~ ll10 dos dourados:

ll 10 d os dourados, o desejo do ri o das praias é qu e seu

w upo te nha couro de onça.

Hu ri tiza l:

Huritizal, o desejo do Caetezal é que seu grupo tenha

c:o urn de onça.

• Bu riti za l:

~

13ur iti za l, o desejo couro de onça.

, • O muguio:

do rio dos buri t is é que seu grupo tenha

O muguio, o desejo do que está pintado é que seu grupo

tenha couro de onça.

li Rio dos dourados:

Rio dos dourados, o desejo do rio das piraputangas é que seu grupo tenha couro de onça

I - Sol nascente:

Sol nascente, o desejo do sol poente é que seu grupo

te nha couro de onça.

40. Eis! Está acabando.Assim que os Bororo falam, assim que os Bororo fazem.

jf. HU I . . T
jf.
HU I
.
.
T

53

--_· ----

--,

54

41.

Eis! Então o matador da onça pega de novo seu couro de onça e o entrega para o dono do couro dizendo:

'16,

Eu s ou ó r fão , eu sou nho , nem meu irmão

desamparado. Eu não vi meu padri- mais velho. Mesmo assim eu fui nos

 

"Gae gae gae gae! Está aqui! Está aqui! Está aqui! Aqui está seu tapete de couro de onça pintada. Estenda este debaixo de você, ponha-o debaixo de você. Neste você senta. Sobre ele você come seu peixe, sobre ele você come sua carne de caça, sobre ele você come seu arroz! Sobre ele você sossega e descansa.

n-10 1Tos,

entrei nas matas; mesmo assim os espinhos me

 

feriram, as varas, as ped ras os paus secos me feriram.

47.

Me smo assim, a chuva, o trovão, o raio, caíram sobre mim. Mesmo ass im o macauã e as várias coru jas cantaram tristes por cima de mim. Eis aí seu colar! Eis aí seu colar!"

Senta nele, deita nele, dorme nele. Este é seu tapete de onça pintada, este seu tapete de onça pintada."

49.

Eis! Agora acabou.

42.

Aí então ele

o pega de novo e o entrega para aque le

que o faz falar. Depois ele pega o dente dela, o matador pega o dente dela de novo. O dente da onça pintada, o dente de sua onça

 

pintada, vai com ele até sua mãe. Aí ele coloca na cabeça

 

55

 

de sua mãe.

43. Ele diz: "Minha mãe, aqui está o seu colar de dente de onça pintada! Aqui o seu colar de dente de onça pintada! Aqui o seu colar de dente de onça pintada! Use-o. Usan- do-o a senhora pega água, usando-o,a senhora pega lenha. Com ele no pescoço a senhora pega suas comidinhas, suas coisas.

 

44. Usando-o a senhora mexe na panela aquecendo seu ros- to, na sua comida, nas suas coisas dentro do fogo.

 
44. Usando-o a senhora mexe na panela aquecendo seu ros- to, na sua comida, nas suas
 
44. Usando-o a senhora mexe na panela aquecendo seu ros- to, na sua comida, nas suas

45.

Não faça dele enfeite de algum pau, da assadeira, ou da cama. Não faça dele enfeite de cestos ou sâ:cola. Não o deixe à toa, não o coloque por aí à toa, use-o, ponha-o em você.

 
 

Meruri, agosto de 1998

··-~·,

-_

BOE EMORIAE

TEXTO COMPLEMENTAR EM LÍNGUA BORORO

l 11 , qui sa: Gonçalo Ochoa

h1h11 mantes:Antonio Kanajó Kirimidu José Car los Meriri Eku r eu Manoelzinho Wenceslau Maro Bororo

Frederico Kogeri

h1h11 mantes:Antonio Kanajó Kirimidu José Car los Meriri Eku r eu Manoelzinho Wenceslau Maro Bororo Frederico

57

2 -Adugo bitodu adugo biri inogidodu 1. Ai rece J, 3. Awu Bokodori Eceraedu ukudawu
2 -Adugo bitodu adugo biri inogidodu 1. Ai rece J, 3. Awu Bokodori Eceraedu ukudawu
2 -Adugo bitodu adugo biri inogidodu 1. Ai rece J, 3. Awu Bokodori Eceraedu ukudawu

2 -Adugo bitodu adugo biri inogidodu

1. Ai rece

J, 3.

Awu Bokodori Eceraedu ukudawu jiboe egore:

(2x )

lwororo lwororo Kuruguga Bororo aiduia itugarege enowo ikudawu ai. O!

O! lwororo lwororo Kaiwo Bororo aiduia itugarege enowo ikudawu ai O!

Ai o!

.Ai o

.Wa!

lwororo

lwororo Meriribo Bororo aiduia itugarege enowo ikudawu

ai. O!

Cantado no lugar da caçada, sobre o bicho abatido. Letra de Kanajó, Cf.Variação li de Manoelzinho Wenceslau CD: BOE EMORIAE (FAIXA O1).

Ai rece akaru butuiare Bakororo iaio buko

Ecera ai akarudo

Ecera ai akarudo Ho! Ho!

Ecera ai akarudo

Ecera aiguio akarudo

Ai rece

(2x)

. Ai rece akaru butuiare Bakororo 0IaI0 1eko

.

.

Bakororo oiaio ieko. M! M!

2.

4.

Bakoro Ecer aedu uk udawu jiboe Boe ego r e:

Batarudo 1

 

(Falando) Oi! Oi! Oi! Oi! Oi! Oi!

Executado por quem recebe o couro quando este _lhe é

mortc1.

lwororo

lworo ro

 

entregue pela primeira vez, no lugar onde a onça foi

lwororo Urugudu Bororo! lwororo Urugudu Bororo!

Texto de Wenceslau, Cf.Variação li, 5-13·

 
 

(Cantando):

 

Du icare ure batarudo:

 

lworor o

 

Oi!Oi!Oi!

lw ororo Urugudu

Bororo aiduia itugarege

Ho o!

Ho o!

enowo i kudawu ai. O!

 

Ai o!

Ai

o!

Ai

o!

Bakorokudu ukudawu jiboe Boe egore:

 

Ho o

Bakororo

2.

5.

Paiwoe egore:

 

Bakororo

o

Oi!Oi!Oi!Oi!

,,-

2a.

58

2.1.

2.2. Cewu Kie ukudawu jiboe Boe egore:

Oi! Oi! Bakororo

Bakororo aiduia ikudawu ai .

Bakororo

* Manoelzinho Wenceslau. na variação 11. Nº 3, apresenta este canto com

própria.

* Cf. Text o de Kanajó li, 3.

sua ve rsão

O!

lwororo

lworo ro aiduia itugarege enowo ikudawu ai.

O!

lwororo lwororo Arigao Bororo aiduia itugarege

enowo ikudawu ai. O!

A i

O!

Ai o!

59

2. 6.

Apiborege egore:

0!

lwororo lwororo Apibo Bororo aiduia itugarege

enowo ikudawu ai.

0!

lwororo lwororo Apibo Bororo aiduia itugarege enowo ikudawu ai.

Ai

Wo!.

2.7. lwagududoge egore:

O!

O!

lwororo

lwororo Arigao

Bororo aiduia itugarege

enowo ikudawu ai.

60 lwororo lwororo Arigao Bororo aiduia itugarege

enowo ikudawu ai. O!

Ai o!

Wo!.

2.8. Aroroe egore:

O! lwororo lwororo Arua Bororo aiduia itugarege

enowo ikudawu ai.

lwororo lwororo Batugubo Bororo aiduia itugarege

enowo ikudawu ai.

Ai o!

Oino Boe egore. Nowu barege ewadaru reo.

O!

Ai o!

Wo!

ih.

Batarudo 1

Letra de José Carlos Meriri Ekureu, Variação 1, 22.

1. du keje icare ure batarudo:

Akore: (Cantando):

Hoi! Ho hooooo, Ho hooooo

Aroe Bakororooooo, A roe Bakororooo! Ho hooooo Ho hoooooooo!

Aroe Aroia Bakororo Aroe Buture Bakororo

Ho Hooooo! Ho hooooo! Aroe Jakomea Bakororooo, Aroe Jakomea Ba kororooo! Ho hooooo, Ho hoooo! Aroe Marido Bakororooo, Aroe Marido Bakororoooo! Aroia Ku r ireu ae tawuje matoooo!*

Aroe Aroia Bakororoooo! Aroe Buture Bakororoooo!

3. Marenaruie 1

Dlirante a pintura do couro da onça Cf. Texto de 'Nenceslau: alusão a este canto. \Nacinoko (Cantado no centro da aldeia, antes

da comida da onça: Cf. Texto Kanajó 98)

"Wacino ko

o wacino ko

U

ke

k i

reu , ai

 

re u

uwai ga

 

U

ke

buke

reu

kuri. reu

 

uwai

ga

A

i

ewa

ai

ewa<