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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA

FACULDADE DE DIREITO “PROFESSOR JACY DE ASSIS”

EMBARGOS DE TERCEIRO

UBERLÂNDIA

2017
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GUILHERME DHIUNIOR PEREIRA DE SOUSA – 11511DIR213

ISABELLA BRÍGIDA CARVALHO – 11511DIR244

KAROLINE SUCADOLNIK DE PAULA – 11621DIR201

PEDRO HENRIQUE NEIVA BALDEZ – 11511DIR249

EMBARGOS DE TERCEIRO

Trabalho desenvolvido sob orientação do professor


Lincoln Rodrigues de Faria com a finalidade de compor mecanismo
avaliativo da disciplina “Direito Processual Civil III”, do 6º período
do curso de direito da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

UBERLÂNDIA

2017
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SUMÁRIO

RESUMO 04

1. EMBARGOS DE TERCEIRO 05
1.1 Introdução 05
1.2 Finalidade 06
1.3 Responsabilidade Patrimonial 07
1.4 Legitimidade 08
1.5 Competência 10
1.6 Procedimento 11
1.7 Recursos 12
2. CONSIDERAÇÕES FINAIS 12
3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 13
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RESUMO

O presente trabalho tem por desígnio a investigação das principais facetas do instituto
Embargos de Terceiro, um mecanismo jurídico cuja função reside na proteção à posse de um
indivíduo frente aos reflexos de um processo do qual o referido indivíduo não participa. Em
um primeiro momento, uma introdução cuidará de apresentar os aspectos gerais dos
Embargos de Terceiro. Superado este ponto, passar-se-á ao destrinchamento de seis tópicos
balizadores do entendimento acerca dos Embargos de Terceiro, quais sejam: Finalidade,
responsabilidade patrimonial, legitimidade, competência, procedimento e recursos.

Palavras-chave: Embargos de Terceiro; Responsabilidade Patrimonial; Fixação de


Competência; Legitimidade Ativa e Passiva.
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1. EMBARGOS DE TERCEIROS

1.1 Introdução

Os Embargos de terceiro são um procedimento especial do processo civil, normatizado


entre os artigos 674 e 681 do Código Processual Civil (CPC), onde um terceiro visa
resguardar ou recuperar sua posse sobre um bem, defronte à restrição do direito de possuidor.
Tal restrição deve ser ocasionada por determinação que se origina em outro processo, do qual
o Embargante não é parte.

O artigo 506 do CPC apregoa que a coisa julgada decorrente da sentença alcança
somente as partes daquele processo, não tendo efeito vinculante perante terceiros. Sendo
assim, há de se depreender que, na hipótese dos embargos de terceiro, ao terceiro é concedida
a legitimidade de se imiscuir em um processo do qual não é parte, a fim de resguardar seu
direito que foi ou está em iminente risco de ser cerceado por decisão tomada neste processo –
Esta decisão não deve ser ilegal.

Cabe suscitar a distinção entre os embargos de terceiro e as ações possessórias:


Naquele, um terceiro, que não integra a relação processual originária, visa proteger seu direito
sobre um bem, uma vez que este direito foi ou está prestes a ser tolhido por uma decisão
judicial proferida. Nestas, por sua vez, o terceiro vai a juízo para proteger ou recuperar sua
posse de atos – e não decisão judicial – que a restrinjam arbitrariamente. As ações
possessórias são três: O interdito proibitório, para combater a ameaça, a reintegração de
posse, visando rechaçar o esbulho e, por último, a manutenção da posse, quando a situação é
de turbação.

Os embargos de terceiro são, à luz dos ensinamentos de Humberto Theodoro Júnior


(2016, p. 318-319), “uma ação de conhecimento ajuizada com o intuito de evitar ou de
desfazer uma constrição judicial indevida, não se confundindo com as ações próprias para a
defesa do domínio”.

Existem, por outro lado pensamentos diversos no que concerne ao instituto, há autores
que o colocam como “o ato com que um sujeito, sem ser parte no processo em que se exerceu
ou ameaçou o exercício de um ato de constrição sobre bens, postula a liberação deste pelo
fundamento de ser dono ou possuidor.” (DINARMARCO, 2004, p. 732).
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A impetração dos embargos de terceiro pressupõe a existência de um processo anterior


que a eles dê ensejo. Em virtude disso, o procedimento dos embargos deve ser vislumbrado
como acessório, ainda que se desenrole por ação autônoma com aptidão para acertamento
definitivo e exauriente da lide nele debatida. Posto isto, o embargo de terceiro, em processo
de conhecimento com viés mandamental, caso seja acatado, fará expedir ordem judicial
determinando a cessação da arbitrária ingerência sobre o exercício do direito ao bem em
questão.

Nos embargos de terceiro, não se ataca o direito do autor, nem o do réu, que poderão
continuar normalmente com o processo mesmo após o sucesso dos embargos de terceiro.
Além disto, estes embargos comportam-se como mera faculdade processual, uma vez que a
sua não utilização não prejudica o direito material existente, que poderá vir a ser discutido em
ação ordinária própria, conforme julgado da Suprema Corte (STJ – 3º Turma Al 88561-
AgRg, Min Waldemar Zveiter, j. 26369, DJU 17696).

1.2 Finalidade

O terceiro que não fizer parte de determinado processo, não possuindo qualquer
responsabilidade pelo cumprimento da obrigação e totalmente estranho a esse, pode vir a ser
afetado pela constrição judicial de bem ou ser responsabilizado pelo cumprimento de seu
ônus. Nessa circunstância, o terceiro poderá valer-se do remédio constitucional de Embargos
de Terceiro, visando impedir a concretização da ameaça ou então, para liberar o bem já
constrito.

A ação também é válida em relação de terceiro que, tenha direito incompatível com o
ato constritivo, mesmo não sendo possuidor ou proprietário do bem, fazendo-se exemplo o
hipotecário que procura a liberação da penhora do imóvel objeto de garantia real. Vale
denotar que a posse ofendida por particular não configura o supracitado remédio
constitucional, restando ao prejudicado ação possessória por esbulho ou turbação.

Isso posto, os Embargos de Terceiro têm finalidade preventiva ou liberatória, visando


impedir a ameaça de constrição judicial sobre determinado bem ou, em situação já
concretizada, liberá-lo do ato constritivo. Essa busca por tutela jurisdicional não se limita ao
processo civil, cabendo também em decorrência de processo penal ou trabalhista, quando
existir a possibilidade de ocorrência de constrição judicial.
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Antônio Carlos Marcato assinala que são possíveis variadas situações válidas a
debates sobre a admissibilidade dos embargos de terceiro, sobre isso, pontua:

Recaindo a constrição judicial sobre bem compromissado à venda, sem que o


respectivo compromisso tenha sido levado a registro, é possível a oposição de embargos pelo
promitente-comprador, conforme enunciado da Súmula 84 1 do STJ, que afastou a incidência da
precedente Súmula 6212 do STF. Ainda há divergências sobre a admissibilidade de oposição
dos embargos pelo terceiro que adquire bem penhorado, mas já se consolidou em sede
jurisprudencial o entendimento de que eles não se prestam à anulação de ato jurídico por fraude
contra credores. (MARCATO, 2017, P. xxx)

Não obstante a opinião doutrinária sustentando a desnecessidade de registro da


penhora para a caracterização da fraude à execução, prevalece a orientação enunciada na
Súmula 375 do STJ: “O reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora
do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente.”

1.3 Responsabilidade Patrimonial

O artigo 391 do Código Civil dispõe que todos os bens do devedor respondem pelo
inadimplemento de suas obrigações, porém, são vedados os bens indispensáveis a própria
subsistência ou de sua família. Neste prisma, o artigo 789 do CPC, determina que esse direito
seja acertado com a responsabilidade do executado que responde, para o cumprimento de suas
obrigações, com todos os seus bens, presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em
lei, pertinentes aos bens impenhoráveis, como são os indicados em seus artigos 832 e 833 e,
ainda, o bem de família (Lei nº 8.009/1990).

Os bens do devedor representam a garantia do cumprimento de sua obrigação, além


das garantias fidejussórias e reais, quando houver. Dessa forma, o credor pode reaver o bem
da vida que tem direito ou o cumprimento da obrigação de forma pecuniária através da
atividade executiva do Estado (CPC, arts. 523 e 824 e ss.). Visando a consecução desta
finalidade, o Estado-juiz pode se valer de mecanismos como a penhora, o arresto, o sequestro
e a expropriação.

1 Súmula 84 do Superior Tribunal de Justiça: “É admissível a oposição de embargos de terceiro fundados em


alegação de posse advinda do compromisso de compra e venda de imóvel, ainda que desprovido do registro.”
2 Súmula 621 do Supremo Tribunal Federal: “Não enseja embargos de terceiro à penhora a promessa de compra
e venda não inscrita no Registro de Imóveis.”.
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Quando o devedor cria obstáculos, ocultando bens, não cumprindo com a obrigação de
forma injustificada ou descumprindo determinações judiciais, outros bens poderão passar por
constrição judicial, inclusive aqueles que não pertencem ao devedor ou que estejam em posse
de terceiro, “mas que a ela fiquem sujeitos”, vide artigo 674, § 2º, inc. II e III e, artigo 790,
ambos do CPC.
Todavia, o terceiro que não fizer parte do processo e sobre o qual não deva recair a
responsabilização pelo inadimplemento obrigacional, caso tenha seus bens ou direitos
afetados pela constrição judicial, pode recorrer ao remédio processual dos embargos de
terceiro, vide artigo 674 do CPC.

1.4 Legitimidade

O polo ativo dos embargos será ocupado por quem não é parte no processo – por
nunca ter sido ou porque dele foi excluído. – e se encontre prejudicado pela ação em curso,
podendo ser proprietário, fiduciário ou possuidor. Como exposto no artigo 674, caput, do
CPC, é considerado ativamente legitimado a opor os embargos de terceiro todo aquele que,
não sendo parte no processo, sofrer constrição ou ameaça de constrição sobre bens que possua
ou sobre os quais tenha direito incompatível com o ato constritivo.

Quem não for parte, embora devesse ter essa qualidade, pode opor embargos de
terceiro. Assim, ao analisarmos aqueles que são considerados terceiros para o ajuizamento dos
embargos, é possível inferir que o rol do parágrafo 2º, artigo 674 do CPC, não é exaustivo.
Outras pessoas que se adequem à previsão do caput também poderão opor embargos de
terceiro.

Antônio Carlos Marcato exemplifica alguns sujeitos legitimados a figurar no polo


ativo dos embargos de terceiro, ele ensina que:

Nessa condição estão incluídos, por exemplo, o promitente-comprador do imóvel,


ainda que o instrumento do compromisso esteja desprovido de registro, a sociedade de
responsabilidade limitada, na defesa de quotas penhoradas em processo de execução em que
sócio figura como executado. O credor de bem dado em garantia, com posse indireta, pela
tradição ficta, os ocupantes de imóvel penhorado em execução envolvendo quotas
condominiais devidas exclusivamente pelo anterior condômino, o donatário, beneficiado com
doação verbal antes do ajuizamento da execução contra o doador, o ex-cônjuge, na defesa de
bem objeto de partilha judicial anterior à penhora. (MARCATO, 2017, p. XXX)
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No que tange à legitimação do cônjuge para a propositura dos embargos de terceiro,


dispõe a Súmula 134 do STJ que “Embora intimado da penhora em imóvel do casal, o
cônjuge do executado pode opor embargos de terceiro para a defesa de sua meação”. Deste
modo, ao analisarmos a prática forense atual, é mister depreender que ao cônjuge do
executado, uma vez intimado da penhora sobre imóvel, assiste dupla legitimidade: para
ajuizar embargos de execução, visando a discussão sobre a dívida, e embargos de terceiro,
objetivando evitar que sua meação responda pelo débito em questão no processo de execução.
Importa frisar que o cônjuge, judicialmente separado, pode fazer uso dos embargos de terceiro
para defesa de sua meação, em imóvel não partilhado.

No âmbito da fraude à execução, se o adquirente quiser negar a fraude e, com isso,


afastar a constrição, deverá valer-se de embargos de terceiro, já que ele não é parte na
execução. Assim, apenas a matéria relativa à existência ou não de fraude à execução pode ser
discutida no Âmbito dos embargos de terceiro, sendo afastada a hipótese de fraude contra
credores. Se o adquirente quiser negar a fraude e, com isso, afastar a constrição, deverá se
valer de embargos de terceiro, já que ele não é parte na execução.

Em se tratando de bens de sócios sendo constritos para saldar débito societário, é fato
que caso o juiz defira o incidente da desconsideração da personalidade jurídica no processo, o
sócio não poderá utilizar dos embargos de terceiro para sua defesa, uma vez que foi inserido
no processo conforme as regularidades formais.

Desta forma, só poderá utilizar desde instituto jurídico caso o juiz estenda a
responsabilidade patrimonial ao sócio e determine a constrição de bens dele, sem o prévio
incidente de desconsideração da personalidade jurídica. Vale também o inverso, quanto aos
bens da empresa, na execução promovida contra o sócio, tendo em vista a Súmula 1953 do
STJ.

Só se facultam embargos de terceiro ao credor hipotecário quando não tenha sido


intimado da execução, e isso porque se o credor hipotecário fora notificado dos termos da
execução, e deixou o processo corre sem manifestar seu interesse, opera-se a extinção da
hipoteca.

3 Súmula 195 do Superior Tribunal de Justiça: “Em embargos de terceiro não se anula ato jurídico, por

fraude contra credores.”


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Os sujeitos passivos dessa ação são todos aqueles que, no processo originário, têm
interesse nos efeitos da medida impugnada. O CPC fez a opção pelo credor como legitimado
passivo, pois é ele quem se beneficia do ato constritório, não o devedor. Também positivou
que será legitimado passivo o adversário do credor no processo principal, quando for daquele
(adversário) a indicação do bem para a constrição judicial.
Sugere Humberto Theodoro Júnior (2016, p. 338) que “Em cada caso, portanto, haverá
de pesquisar-se a quem interessa a medida atacada, para fixar-se o polo passivo dos embargos,
não sendo raro o caso de litisconsórcio passivo entre todos os sujeitos do processo primitivo”.

1.5 Competência

Como há um vinculo de acessoriedade entre os embargos e o feito onde ocorreu o esbulho


judicial sobre bens do estranho ao processo, é competente para autuação dos embargos o juízo
que ordenou a constrição e apreensão em apartado, ou seja, aquele que ordenou a expedição
do mandado de penhora ou apreensão. Tal regra pode ser extraída da cognição do artigo 676
do CPC. Salienta Antônio Carlos Marcato que:

Opostos os embargos pela União ou qualquer de suas autarquias ou


fundações, desloca-se para a Justiça Federal a competência para seu
processamento e julgamento, ainda que o processo em que se deu o ato de
constrição tenha sido instaurado perante a Justiça estadual (CF, art. 109). Mas
se o ato de constrição é ordenado por juiz estadual no exercício de
competência federal, os embargos deverão ser opostos perante o respectivo
juízo, não no juízo federal. (MARCATO, 2017, p. xxx)

No que concerne aos atos de constrição ordenados por carta precatória, deve ser observado o
parágrafo único4 do artigo 676 do CPC. Há certa dificuldade na aplicação fática deste
parágrafo. Se a ordem deprecada através da carta for genérica, os embargos deverão ser
dirimidos pelo juiz deprecado, pois o ato de apreensão partiu dele. No entanto, se a carta

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Parágrafo único, artigo 676, CPC: “Nos casos de ato de constrição realizado por carta, os embargos
serão oferecidos no juízo deprecado, salvo se indicado pelo juízo deprecante o bem constrito ou se já devolvida a
carta.”.
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precatória já é expedida pelo deprecante com a especificação do bem a ser apreendido, os


embargos devem ser dirimidos pelo juiz de origem.

1.6 Procedimento

Os Embargos de Terceiro são ação autônoma, decorrente do processo incidente àquele


no qual se realizou ou ameaçou o ato de constrição judicial. A petição segue requisitos do
procedimento comum, e em autos apartados, devendo o embargante, nela, fazer prova sumária
de sua posse ou domínio de sua qualidade de terceiro, oferecendo documentos e apresentando,
quando for o caso, o rol de testemunhas, como exposto no artigo 677 do CPC.

Quando não possuir documentos de sua qualidade de possuidor, será permitida a prova
por meio de testemunhas, (§ 1º do artigo 677 do CPC); caso não seja proprietário do bem, mas
somente seu possuidor direto, alegará como sua posse, o domínio alheio (CC, artigo 1.197, §
2º). O valor da causa será o dos bens cuja posse ou domínio disputa o embargante. É uma
ação acessória, mas de conteúdo próprio, pelo que correrão os embargos em autos apartados
da ação originária (artigo 1.049, CC).

Admite-se medida liminar na ação de embargos de terceiro, de manutenção ou


reintegração de posse em favor do embargante, que, no entanto, se submete à prestação de
caução, para assegurar a devolução dos bens com os respectivos rendimentos, na hipótese de
final improcedência do pedido do terceiro (art. 1.051, CC). Na falta desta garantia, os bens
permanecerão sob a medida judicial constritiva até a sentença, porém não serão realizados
atos de alienação ou de execução que importem transferência definitiva de domínio ou de
outro direito real sobre eles.

Cabe ressaltar que a prova na inicial não necessita ser robusta, pois se trata de previsão
legal que apenas confere-lhe caráter sumário, desde que fique demonstrada a posse ou
propriedade do embargante e a sua qualidade de terceiro para que o juiz defira ou não a
liminar em questão .

Nos casos em que o embargado contar com procurador constituído nos autos da ação
principal, a citação e a intimação para a resposta aos embargos serão feitas na pessoa de seu
advogado, mediante simples publicação na imprensa oficial, segundo práxis jurídica para
citação ao procurador da parte. Segundo Negrão (XXXX), a celeridade processual só e
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admitida nesses ditames. No entanto, Pedro Lenza (2016) dispõe que não bastará a mera
intimação do advogado pela imprensa, sendo necessária a citação.

O prazo de contestação é de quinze dias (CPC, art. 679) e, todavia, será dobrado
quando houver litisconsortes com advogados diferentes, de escritórios distintos, e não sendo o
processo digital, o prazo dobra. Não se admite reconvenção pela natureza dos embargos de
terceiro, pelo fato de seu objeto jurídico ser delimitado e restrito. O procedimento que se
segue a partir de então é o sumário das ações cautelares. Em virtude desta sumariedade, os
embargos não admitem reconvenção e nem ação declaratória incidental, uma vez que seu
objeto jurídico é delimitado e restrito.

1.7 Recursos
A sentença que abarca os embargos é de eficácia executiva imediata. Se houver
medida liminar, se torna definitiva, liberando-se a caução em favor do autor. Se não houver,
expedir-se-á a ordem para imediata cassação da medida constritiva e liberação dos bens
indevidamente apreendidos. Sob o domínio disputado pelo embargante não se faz coisa
julgada. Assim, em ação ordinária é possível que se abra discussão mais ampla a respeito da
questão.

O recurso cabível contra decisão que julga os embargos de terceiro é a apelação, não
sendo possível conhecer o agravo de instrumento interposto nessas circunstâncias. No entanto,
ao se analisar o caput do art. 678 do CPC, é possível inferir que em relação àquela decisão,
cabe agravo de instrumento, por se tratar de uma tutela provisória conforme o art. 1015, I,
CPC.

2. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O fito deste trabalho foi elucidar os aspectos mais importantes dos embargos de
terceiro, aplicando, para tanto, o método exploratório e bibliográfico, através de análises de
leis, coletas jurisprudenciais e investigações doutrinárias. Dentro deste espectro, foram
fixados tópicos que possibilitaram a compreensão do instituto em uma perspectiva macro,
sem, contudo, deixar de observar especificidades importantes.
Os embargos foram compreendidos como um eficaz mecanismo de defesa do direito
patrimonial, por quem não integra a relação processual na qual se deu a decisão judicial que
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autorizou a constrição deste direito. Tal eficácia se deve, em grande parte, à possibilidade da
concessão de liminar no procedimento.
Para além disso, foram pinceladas as diferenças que comportam o instituto dos
embargos de terceiros e as ações possessórias. Restando nítido que os embargos são um forte
mecanismo para que um terceiro prejudicado se coloque defronte ao poder estatal visando a
tutela do seu direito.

3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Código Civil. Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Disponível em:


<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 15 ago. 2017.

______. Código de Processo Civil. Lei n º 13.105, de 16 de março de 2015. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm>. Acesso em: 14
ago. 2017.

______. Superior Tribunal de Justiça. Súmula n° 84. 1993. Disponível em:


<http://www.coad.com.br/busca/detalhe_16/798/Sumulas_e_enunciados>. Acesso em: 13
ago. 2017

______. Superior Tribunal de Justiça. Súmula n° 195. 1997. Disponível em:


<http://www.coad.com.br/busca/detalhe_16/2041/Sumulas_e_enunciados>. Acesso em: 13
ago. 2017

______. Supremo Tribunal Federal. Súmula n° 621. 1984. Disponível em:


<https://www.legjur.com/sumula/busca?tri=stf&num=621>. Acesso em: 13 ago. 2017

Cfr. Figueiredo Teixeira, Código de Processo Civil anotado, notas ao art. 1.046.

Cfr. Cintra Pereira, Dos embargos de terceiro, p. 29. V., ainda, Lamy, Breves comentários
ao Novo Código de Processo Civil, nº 5, § 4º, p. 1.580.

DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de Direito Processual Civil. São Paulo:


Malheiros, 2004.
LENZA, Pedro. (Organizador). Direito Processual Civil Esquematizado. 6ª edição. São
Paulo: Saraiva, 2016.
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MARCATO, Antônio Carlos. Procedimentos Especiais. 17 ª edição. São Paulo: Atlas, 2017.

THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil: procedimentos


especiais – vol. II. 50ª edição. Rio de Janeiro: Forense, 2016.