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A FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO

Qualquer indivíduo, sem distinção de classe, padrão econômico, grau de


instrução, contrata. O mundo moderno é o mundo do contrato.

O contrato, além de ter óbvia função econômica, possui função


educativa/civilizadora, pois aproxima os homens e abate as diferenças.

Dois indivíduos que contratam devem se respeitar e, enquanto as cláusulas


são guardadas, convivem em harmonia.

Num outro sentido vinga a função social do contrato: na afirmação da maior


individualidade humana. Como fonte criadora de obrigações e direitos, o
contrato assemelha-se à lei, embora de âmbito mais restrito, os que contratam
assumem, por momento, toda a força jurígena social.

O artigo 421 do Código Civil dispõe que “a liberdade de contratar será exercida
em razão e nos limites da função social do contrato”.

Deve ser interpretado levando-se em consideração o fato de que a liberdade de


contratar é exercida em razão da autonomia da vontade que a lei outorga às
pessoas.

A função social do contrato serve para limitar a autonomia da vontade, quando


tal autonomia da vontade, quando tal autonomia esteja em confronto com o
interesse social e este deva prevalecer, ainda que essa limitação possa atingir
a própria liberdade de não contratar, como ocorre nas hipóteses de contrato
obrigatório.

Dentro da concepção de função social do contrato, o Código consagra a


rescisão do contrato lesivo, anula o celebrado em estado de perigo, combate o
enriquecimento sem causa, admite a resolução por onerosidade excessiva,
disciplina a redução da cláusula penal excessiva.

Contrato é visto como um dos fatores de alteração da realidade social.

A função social do contrato desafia a concepção clássica de que os


contratantes tudo podem fazer, porque estão no exercício da autonomia da
vontade.

Ementa

ADMINISTRATIVO. SISTEMA FINANCEIRO DA HABITAÇÃO. FCVS. CESSÃO


DE OBRIGAÇÕES E DIREITOS.
"CONTRATO DE GAVETA". TRANSFERÊNCIA DE FINANCIAMENTO.
NECESSIDADE DE CONCORDÂNCIA DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA
MUTUANTE. LEI Nº 10.150, DE 2000 (ART. 20).
1. A cessão de mútuo hipotecário carece da anuência da instituição financeira
mutuante, mediante comprovação de que o cessionário atende aos requisitos
estabelecidos pelo Sistema Financeiro de Habitação- SFH. Precedente da
Corte Especial: REsp 783389/RO, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, CORTE
ESPECIAL, julgado em 21/05/2008, DJ de 30/10/2008.
2. Consectariamente, o cessionário de mútuo habitacional, cuja transferência
se deu sem a intervenção do agente financeiro, não possui legitimidade ad
causam para demandar em juízo questões pertinentes às obrigações
assumidas no contrato ab origine.
3. Ressalva do ponto de vista do Relator no sentido de que, a despeito de a
jurisprudência da Corte Especial entender pela necessidade de anuência da
instituição financeira mutuante, como condição para a substituição do mutuário,
a hipótese sub judice envolve aspectos sociais que devem ser considerados.
4. A Lei n.º 8.004/90 estabelece como requisito para a alienação a
interveniência do credor hipotecário e a assunção, pelo novo adquirente, do
saldo devedor existente na data da venda.
5. A Lei n.º 10.150/2000, por seu turno, prevê a possibilidade de regularização
das transferências efetuadas sem a anuência da instituição financeira até
25/10/96, à exceção daquelas que envolvam contratos enquadrados nos
planos de reajustamento definidos pela Lei n.º 8.692/93, o que revela a
intenção do legislador de possibilitar a regularização dos cognominados
“contratos de gaveta”, originários da celeridade do comércio imobiliário e da
negativa do agente financeiro em aceitar transferências de titularidade do
mútuo sem renegociar o saldo devedor.
6. Deveras, consoante cediço, o princípio pacta sunt servanda, a força
obrigatória dos contratos, porquanto sustentáculo do postulado da segurança
jurídica, é princípio mitigado, posto sua aplicação prática estar condicionada a
outros fatores, como, por v.g., a função social, as regras que beneficiam o
aderente nos contratos de adesão e a onerosidade excessiva.
7. O Código Civil de 1916, de feição individualista, privilegiava a autonomia da
vontade e o princípio da força obrigatória dos vínculos. Por seu turno, o Código
Civil de 2002 inverteu os valores e sobrepõe o social em face do individual.
Dessa sorte, por força do Código de 1916, prevalecia o elemento subjetivo, o
que obrigava o juiz a identificar a intenção das partes para interpretar o
contrato. Hodiernamente, prevalece na interpretação o elemento objetivo, vale
dizer, o contrato deve ser interpretado segundo os padrões socialmente
reconhecíveis para aquela modalidade de negócio.
8. Sob esse enfoque, o art. 1.475 do diploma civil vigente considera nula a
cláusula que veda a alienação do imóvel hipotecado, admitindo, entretanto, que
a referida transmissão importe no vencimento antecipado da dívida. Dispensa-
se, assim, a anuência do credor para alienação do imóvel hipotecado em
enunciação explícita de um princípio fundamental dos direitos reais.
9. Deveras, jamais houve vedação de alienação do imóvel hipotecado, ou
gravado com qualquer outra garantia real, porquanto função da seqüela. O
titular do direito real tem o direito de seguir o imóvel em poder de quem quer
que o detenha, podendo excuti-lo mesmo que tenha sido transferido para o
patrimônio de outrem distinto da pessoa do devedor.
10. Dessarte, referida regra não alcança as hipotecas vinculadas ao Sistema
Financeiro da Habitação – SFH, posto que para esse fim há lei especial – Lei
n° 8.004/90 –, a qual não veda a alienação, mas apenas estabelece como
requisito a interveniência do credor hipotecário e a assunção, pelo novo
adquirente, do saldo devedor existente na data da venda, em sintonia com a
regra do art. 303, do Código Civil de 2002.
11. Com efeito, associada à questão da dispensa de anuência do credor
hipotecário está a notificação dirigida ao credor, relativamente à alienação do
imóvel hipotecado e à assunção da respectiva dívida pelo novo titular do
imóvel. A matéria está regulada nos arts. 299 a 303 do Novel Código Civil – da
assunção de dívida –, dispondo o art. 303 que "o adquirente do imóvel
hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido; se o
credor, notificado, não impugnar em 30 (trinta) dias a transferência do débito,
entender-se-á dado o assentimento."
12. Ad argumentandum tantum, a Lei n.º 10.150/2000 permite a regularização
da transferência do imóvel, além de a aceitação dos pagamentos por parte da
Caixa Econômica Federal revelar verdadeira aceitação tácita. Precedentes do
STJ: EDcl no Resp 573.059 /RS e REsp 189.350 - SP, DJ de 14.10.2002.
13. Agravo Regimental desprovido. (STJ, AgRg no REsp 838127/DF, Min. LUIZ
FUX, 1.ª T, v.u.,j.17.02.2009, DJ. 30.03.2009)

Ementa
CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. SEGURO SAÚDE ANTERIOR À LEI 9.656/98.
SUBMISSÃO DO SEGURADO À CIRURGIA QUE SE DESDOBROU EM
EVENTOS ALEGADAMENTE NÃO COBERTOS PELA APÓLICE.
NECESSIDADE DE ADAPTAÇÃO A NOVA COBERTURA, COM VALORES
MAIORES. SEGURADO E FAMILIARES QUE SÃO LEVADOS A ASSINAR
ADITIVO CONTRATUAL DURANTE O ATO CIRÚRGICO. ESTADO DE
PERIGO.
CONFIGURAÇÃO. É EXCESSIVAMENTE ONEROSA O NEGÓCIO QUE
EXIGE DO ADERENTE MAIOR VALOR POR AQUILO QUE JÁ LHE É DEVIDO
DE DIREITO. DANO MORAL CONFIGURADO.
- O estado de perigo é tratado pelo Código Civil de 2002 como defeito do
negócio jurídico, um verdadeiro vício do consentimento, que tem como
pressupostos: (i) a “necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família”; (ii)
o dolo de proveitamento da outra parte (“grave dano conhecido pela outra
parte”); e (iii) assunção de “obrigação excessivamente onerosa”.
- Deve-se aceitar a aplicação do estado de perigo para contratos aleatórios,
como o seguro, e até mesmo para negócios jurídicos unilaterais.
- O segurado e seus familiares que são levados a assinar aditivo contratual
durante procedimento cirúrgico para que possam gozar de cobertura securitária
ampliada precisam demonstrar a ocorrência de onerosidade excessiva para
que possam anular o negócio jurídico.
- A onerosidade configura-se se o segurado foi levado a pagar valor
xcessivamente superior ao preço de mercado para apólice equivalente, se o
prêmio é demasiado face às suas possibilidade econômicas, ou se sua apólice
anterior já o assegurava contra o risco e a assinatura de novo contrato era
desnecessária.
- É considerada abusiva, mesmo para contratos celebrados anteriormente à Lei
9.656/98, a recusa em conferir cobertura securitária, para indenizar o valor de
próteses necessárias ao restabelecimento da saúde.
- Impõe-se condições negociais excessivamente onerosas quando o aderente é
levado a pagar maior valor por cobertura securitária da qual já gozava,
revelando-se desnecessária a assinatura de aditivo contratual.
- O direito subjetivo assegurado em contrato não pode ser exercido de forma a
subtrair do negócio sua finalidade precípua. Assim, se determinado
procedimento cirúrgico está incluído na cobertura securitária, não é legítimo
exigir que o segurado se submeta a ele, mas não instale as próteses
necessárias para a plena recuperação de sua saúde.
- É abusiva a cláusula contratual que exclui de cobertura a colocação de
“stent”, quando este é necessário ao bom êxito do procedimento cirúrgico
coberto pelo plano de saúde. Precedentes.
- Conquanto geralmente nos contratos o mero inadimplemento não seja causa
para ocorrência de danos morais, a jurisprudência desta Corte vem
reconhecendo o direito ao ressarcimento dos danos morais advindos da injusta
recusa de cobertura de seguro saúde, pois tal fato agrava a situação de aflição
psicológica e de angústia no espírito do segurado, uma vez que, ao pedir a
autorização da seguradora, já se encontra em condição de dor, de abalo
psicológico e com a saúde debilitada.
Recurso Especial provido. (STJ, REsp 918392/RN, Min. NANCY ANDRIGHI, 3.ª
T, v.u., j. 11.03.2008, DJ 01.04.2008)

Ementa
DIREITO CIVIL E AGRÁRIO. COMPRA E VENDA DE SAFRA FUTURA A
PREÇO CERTO. ALTERAÇÃO DO VALOR DO PRODUTO NO MERCADO.
CIRCUNSTÂNCIA PREVISÍVEL. ONEROSIDADE EXCESSIVA.
INEXISTÊNCIA.
VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO, BOA-FÉ
OBJETIVA E PROBIDADE. INEXISTÊNCIA.
- A compra e venda de safra futura, a preço certo, obriga as partes se o fato
que alterou o valor do produto agrícola não era imprevisível.
- Na hipótese afigura-se impossível admitir onerosidade excessiva, inclusive
porque a alta do dólar em virtude das eleições presidenciais e da iminência de
guerra no Oriente Médio – motivos alegados pelo recorrido para sustentar a
ocorrência de acontecimento extraordinário – porque são circunstâncias
previsíveis, que podem ser levadas em consideração quando se contrata a
venda para entrega futura com preço certo.
- O fato do comprador obter maior margem de lucro na revenda, decorrente da
majoração do preço do produto no mercado após a celebração do negócio, não
indica a existência de má-fé, improbidade ou tentativa de desvio da função
social do contrato.
- A função social infligida ao contrato não pode desconsiderar seu papel
primário e natural, que é o econômico.
Ao assegurar a venda de sua colheita futura, é de se esperar que o produtor
inclua nos seus cálculos todos os custos em que poderá incorrer, tanto os
decorrentes dos próprios termos do contrato, como aqueles derivados das
condições da lavoura.
- A boa-fé objetiva se apresenta como uma exigência de lealdade, modelo
objetivo de conduta, arquétipo social pelo qual impõe o poder-dever de que
cada pessoa ajuste a própria conduta a esse modelo, agindo como agiria uma
pessoa honesta, escorreita e leal. Não tendo o comprador agido de forma
contrária a tais princípios, não há como inquinar seu comportamento de
violador da boa-fé objetiva.
Recurso especial conhecido e provido. (STJ, REsp 803481 / GO, Min. NANCY
ANDRIGHI, 3.ª T, v.u., j.28.06.2007, 01.08.2007)