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PODER JUDICIÁRIO

JUSTIÇA DO TRABALHO
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 12ª REGIÃO – SANTA CATARINA

Acórdão-3ªT RO 04817-2007-001-12-00-2

REVISTA ÍNTIMA. DANO MORAL


CONFIGURADO. INDENIZAÇÃO DEVIDA. A
prática da revista íntima, em que
submetido o empregado a situação
vexatória, configura dano moral, sendo
devida a indenização compensatória
respectiva.

VISTOS, relatados e discutidos estes


autos de RECURSO ORDINÁRIO, provenientes da 1ª Vara do
Trabalho de Florianópolis, SC, sendo recorrentes 1.
ANDRESSA DANIELLE SILVA e 2. LOJAS RENNER S.A. (RECURSO
ADESIVO) e 3. UNIÃO e recorridos 1. LOJAS RENNER S.A. e 2.
ANDRESSA DANIELLE SILVA.

Da sentença das fls. 153-158, que


acolheu em parte os pedidos formulados na exordial,
recorrem a esta Corte revisora ambos os litigantes e também
a União.

A autora, em suas razões (fls.


160-170), busca acrescer à condenação o pagamento de
indenização correspondente aos gastos com sapatos e meias,
exigidos como componentes do uniforme. Em decorrência da
reforma do Julgado, no particular, pugna também pelo
pagamento da multa convencional respectiva.

Insiste, ainda, que submetida, durante


o contrato, à situação vexatória da revista íntima, razão

6081/2008
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pela qual pugna pela condenação da ré ao pagamento de


indenização por danos morais.

Por fim, pretende que os honorários


assistenciais deferidos incidam sobre o valor total da
execução, e não apenas sobre o líquido.

A ré, em recurso adesivo (fls.


192-205), pretende se desonerar do pagamento das diferenças
de comissões, sustentando que a venda de CDs e perfumaria
era realizada no sistema de franquias e, portanto, não
poderia influenciar na composição das comissões pagas à
autora. Reafirma que as comissões contratadas (0,2 sobre o
total das vendas da loja) sempre foram corretamente
adimplidas.

Pretende excluir da condenação o


pagamento dos minutos despendidos para a troca de
uniformes, sustentando que não havia a proibição de os
empregados virem uniformizados de casa, bem como que o
tempo despendido para a troca de uma única peça do
vestuário (camisa) não excedia de cinco minutos.

No que refere à condenação em horas


extras, afirma que a autora não apontou diferenças, ônus
que lhe competia, e, ainda, que a sentença desconsiderou o
regime de compensação especial adotado entre as partes, por
força convencional (banco de horas).

Por conseqüência da reforma da


sentença que propugna, busca também afastar da condenação

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as multas convencionais deferidas, bem como dos honorários


assistenciais.

A União, a seu turno, pugna, em seu


recurso (fls. 219-231), seja determinada a correção das
contribuições previdenciárias a partir do momento em que
devida a contraprestação salarial, bem como a incidência da
multa de mora legalmente prevista.

Contra-razões são apresentadas.

É o relatório.

V O T O

Conhece-se dos recursos e das contra-


razões, porque atendidos os pressupostos legais de
admissibilidade.

M É R I T O

RECURSO DA AUTORA

1. UNIFORMES. INDENIZAÇÃO. MULTA


CONVENCIONAL

A sentença indeferiu o pedido relativo


ao ressarcimento dos gastos com sapatos e meias,
alegadamente exigidos pela ré como integrante do uniforme,
por considerar que tais peças do vestuário são comuns,
também usados fora do ambiente de trabalho.

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Divirjo desse posicionamento.

Não obstante tente a reclamada fazer


crer que apenas sugeria aos empregados o uso de calçados
fechados pretos e também meias da mesma cor, a prova
testemunhal de referência da autora, fls. 150-151,
confirmou a exigência destas peças do vestuário como
integrantes do uniforme (calça e camiseta pretas), bem como
o uso de maquiagem pelas funcionárias.

Ora, em se tratando de exigência do


empregador o uso de uniforme e determinado modo de
aparência pessoal, cumpre a ele arcar com os respectivos
custos.

Contrariamente ao que procura


sustentar a reclamada, não se trata de mera combinação de
cores, mas efetivo cumprimento de determinada regra que
dele exija apresentação um tanto diversa da que
ordinariamente se pudesse exigir de uma pessoa no seu dia-
a-dia. Com efeito, nem todo mundo gosta (ou pode) maquiar-
se diariamente, ou usar meias e sapatos pretos. Tratando-
se, portanto, de regra da reclamada, deve subsidiar a
funcionária para tanto.

No que refere ao valor a ser arbitrado


a tal título, reputo razoável o indicado na exordial (fl.
11), no importe de R$ 30,00 (trinta reais) mensais com
meias (custo aproximado de 02 pares de meia), e R$ 140,00
(cento e quarenta reais) anuais com sapatos (custo
aproximado com dois pares de sapatos).

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Em razão do reconhecimento do pedido,


e uma vez infringida a cláusula convencional que prevê o
fornecimento gratuito dos uniformes, defere-se o pagamento
de uma multa normativa (20% do salário normativo da
categoria profissional da autora) por instrumento vigente
durante o lapso contratual (CCTs juntadas às fls. 68-74).

Dá-se provimento ao recurso, no


particular.

2. DANOS MORAIS. REVISTA ÍNTIMA

O Juízo indeferiu o pedido de


indenização por danos morais, ao argumento de que as
revistas, incontroversamente acontecidas, não eram íntimas,
apenas das bolsas que portava a autora, o que, a seu ver,
não gera dano moral.

Divirjo, todavia, deste entendimento.

Não obstante as razões pelas quais


imposta a revista pela reclamada, entendo que inadmissível
esse tipo de procedimento, sob quaisquer hipóteses, na
medida em que fere a dignidade da pessoa humana (art. 1º,
III, CF) e macula, indubitavelmente, os princípios da boa-
fé e da confiança mútuos ínsitos a todos os contratos.

O constrangimento experimentado pela


autora decorre do fato em si, ou seja, de ter exposta parte
de sua intimidade frente a terceiros, revelada pelo
conteúdo de sua bolsa, contra sua vontade, sendo, ademais,

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colocada sob suspeita sua probidade, sem que para tanto


tenha dado motivo.

Portanto, ainda que mais grave a


revista íntima, até porque expressamente proibida por lei –
art. 373-A, VI, da CLT, não significa dizer, no meu sentir,
que revista outra não dê ensejo ao dano moral alegado.

Assim, dou provimento ao recurso,


também nessa parte, para acrescer à condenação o pagamento
de indenização por danos morais, no importe de R$ 1.000,00.
O valor é arbitrado considerando-se o período da
contratualidade – menos de três anos, e, ainda, o grau da
ofensa praticada, já que, embora desprezível o
procedimento, impõe-se reconhecer que não havia revista da
trabalhadora propriamente, mas apenas de sua bolsa.

3. HONORÁRIOS ASSISTENCIAIS

A expressão “líquido”, constante do §


1º do artigo 11 da Lei 1.060/50, não se contrapõe a valor
bruto, mas diz respeito ao montante já quantificado ou
liquidado por meio de cálculos. Como os descontos do
imposto de renda e da contribuição previdenciária devida
integram tal valor, salvo expresso comando em sentido
contrário com trânsito em julgado, sobre eles também devem
ser apurados os honorários assistenciais.

Dá-se provimento ao recurso, para


determinar que os honorários assistenciais incidam sobre o
valor total apurado em liquidação de sentença, sem a

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dedução da contribuição previdenciária e do imposto de


renda.

RECURSO DA RECLAMADA

1. DIFERENÇAS DE COMISSÕES

Não procede a alegação da ré, no


sentido de que a base de cálculo das comissões pagas à
autora não contempla a venda de produtos (CDs e perfumaria)
por franquias.

Conforme bem analisou a sentença, o


contrato de trabalho firmado com a autora, fl. 03 do anexo
de documentos, apenas prevê que as comissões incidirão
sobre o total de vendas da loja, não fazendo quaisquer
ressalvas acerca de produtos franqueados ou não.

Outrossim, não logrou a ré demonstrar


que tais produtos não integravam os por ela comercializados
(contrato comercial de franquia ou similar).

Assim, considerando que eram eles


comercializados dentro das dependências da ré, utilizando-
se da mão-de-obra dos seus funcionários, tem-se que sobre
o produto de sua venda devem incidir as comissões pagas à
autora.

Nega-se provimento ao recurso neste


particular.

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2. TROCA DE UNIFORMES. TEMPO


DESPENDIDO

Busca a ré se eximir da condenação ao


pagamento do tempo despendido para a troca de uniformes,
afirmando que havia a possibilidade de a autora já vir
uniformizada, bem como que, no máximo, para a troca de uma
camiseta (já que poderia a autora já vir trajada com a
calça), não demandava mais do que cinco minutos.

Razão não lhe assiste.

A alegação recursal, no sentido de que


a autora poderia vir uniformizada de casa, cai por terra,
diante do depoimento da preposta da ré (fl. 150, verso), de
que “primeiro se coloca o uniforme e depois se bate o ponto
e na saída primeiro se bate o ponto e depois se tira o
uniforme ou sai direto com o uniforme”.

Outrossim, as testemunhas de
referência da autora confirmaram que, à época de vigência
do contrato de trabalho, não era permitido vir de casa ou
sair do trabalho uniformizado, sendo que a troca de
uniformes demandava, em média, 20 minutos no início e 10
minutos ao final da jornada. Assim, razoável o arbitramento
feito pelo Juízo de primeiro grau (20 minutos diários).

Ora, a troca de uniforme e a colocação


de maquiagem pressupõem observância de norma do empregador,
pelo que, a rigor, configuram jornada, donde os minutos
decorrentes de tal tarefa apenas poderiam ser

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desconsiderados se, em primeiro lugar, estivessem anotados


no registro de ponto e, em segundo, correspondessem a
poucos minutos (até o total estabelecido em lei) antes e
depois da jornada oficial.

Não sendo esta a hipótese dos autos,


nega-se provimento ao recurso.

3. HORAS EXTRAS

Inicialmente, importa ressaltar que


equivoca-se a recorrente ao aduzir que a autora não apontou
diferenças, ainda que por amostragem, das horas extras que
entende devidas. No particular, reporta-se a recorrente ao
contido no item 2.5 da manifestação das fls. 148.

No que refere à alegada omissão do


Julgado quanto à existência de previsão normativa de adoção
de acordo de compensação especial (banco de horas), inova a
recorrente.

Com efeito, verifica-se dos termos da


defesa que apenas foi alegado a existência de acordo de
compensação, consistente em ressarcir os domingos laborados
com a concessão de folgas em outro dia da semana. Tal
sistema, não obstante reconhecido pela sentença, foi
refutado, pela verificação de trabalho em mais de sete dias
consecutivos, sem qualquer folga.

A questão do banco de horas,


entretanto, não integrou a contestação e, por isso, não foi

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apreciado pelo Juízo, também não merecendo análise em sede


recursal.

Mantenho a condenação.

4. MULTA CONVENCIONAL

Mantida a condenação nos tópicos


anteriores, mesma sorte segue a multa convencional, posto
que daquela decorrente.

5. HONORÁRIOS ASSISTENCIAIS

Mantida integralmente a condenação,


nada a deferir, no particular.

RECURSO DA UNIÃO

DESCONTOS PREVIDENCIÁRIOS. FATO


GERADOR. MULTA DE MORA

No tocante à aplicação de juros e


multa sobre os créditos previdenciários, assim estabeleceu
a sentença de origem (fl. 157):

e) os juros e a multa previstas na


legislação previdenciária (Lei nº
8.212-91, arts. 34 e 35), incidentes
sobre as contribuições sociais,
somente serão aplicados a partir da
ocorrência do fato gerador destas,

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qual seja, o pagamento ou crédito dos


valores devidos ao trabalhador (que
constituam base de cálculo das
contribuições previdenciárias),
conforme previsto no art. 195, I, “a”,
da CRFB-88.

Pretende a União seja determinada a


correção das contribuições sociais a partir do momento em
que devida a contraprestação salarial, observados os
critérios de atualização monetária previstos na legislação
previdenciária, bem como a incidência da multa da mora
legalmente exigida.

Razão não lhe assiste.

O crédito tributário oriundo de


condenação em ação trabalhista somente passa a existir a
partir do trânsito em julgado da decisão.

A simultânea constituição de créditos


trabalhistas e previdenciários derivados de condenação em
decisão judicial definitiva não permite, portanto, a
incidência precoce de juros, vinculados à efetividade de
mora que ainda não se aperfeiçoou, haja vista a específica
disposição do art. 276, caput1, do Regulamento da
Previdência Social.
Nesse sentido também se posicionou o
TST, no artigo 5º do Provimento n. 02/93 da CGJT:
1
Nas ações trabalhistas de que resultar o pagamento de direitos sujeitos à incidência de
contribuição previdenciária, o recolhimento das importâncias devidas à seguridade social será
feito no dia dois do mês seguinte ao da liquidação da sentença.

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O fato gerador da incidência da


contribuição previdenciária,
constitutiva do débito, é o pagamento
de valores alusivos a parcelas de
natureza remuneratória (salário-de-
contribuição), integral ou parcelado,
resultante de sentença condenatória ou
de conciliação homologada, efetivado
diretamente ao credor ou mediante
depósito da condenação para extinção
do processo ou liberação de depósito
judicial ao credor ou seu
representante legal.

Portanto, correta a sentença neste


particular.

Nega-se provimento.

Pelo que,

ACORDAM os Juízes da 3ª Turma do


Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região, por
unanimidade, CONHECER DOS RECURSOS. No mérito, por maioria,
vencida, parcialmente, a Exma. Juíza Lília Leonor Abreu
(Revisora), DAR PROVIMENTO AO RECURSO DA RECLAMANTE para
acrescer à condenação o pagamento de indenização relativa a
gastos com uniformes, de multa convencional e de
indenização por danos morais no valor de R$ 1.000,00 (mil
reais), nos termos da fundamentação do voto do Exmo. Juiz

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Gerson Paulo Taboada Conrado (Relator), e para determinar


que os honorários assistenciais incidam sobre o valor total
apurado em liquidação de sentença, sem a dedução da
contribuição previdenciária e do imposto de renda; sem
divergência, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DA RECLAMADA; por
maioria, vencida a Exma. Juíza Lília Leonor Abreu, NEGAR
PROVIMENTO AO RECURSO DA UNIÃO. Custas de R$ 240,00
(duzentos e quarenta reais) pela reclamada sobre o valor da
condenação alterado para R$ 12.000,00 (doze mil reais).

Intimem-se.

Participaram do julgamento realizado


na sessão do dia 28 de outubro de 2008, sob a Presidência
do Exmo. Juiz Gerson Paulo Taboada Conrado (Relator), os
Exmos. Juízes Lília Leonor Abreu e Gracio Ricardo Barboza
Petrone (Revisor). Presente a Exma. Dra. Cinara Sales
Graeff, Procuradora do Trabalho.

Florianópolis, 06 de novembro de 2008.

GERSON PAULO TABOADA CONRADO


Relator

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