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3 UNIDADE 1 - Introdução
5 UNIDADE 2 - Organização dos atores sociais
5 2.1 Associações

6 2.2 Cooperativas

8 2.3 Sindicatos

10 UNIDADE 3 - Movimentos sociais – conceitos e definições


15 3.1 Os movimentos sociais rurais

16 3.2 A trajetória dos movimentos sociais rurais

SUMÁRIO
20 3.3 Os movimentos de luta pela terra no Brasil atual

24 UNIDADE 4 - Noções básicas de antropologia


29 UNIDADE 5 - A questão ambiental
29 5.1 Educação Ambiental na escola do campo

39 REFERÊNCIAS
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UNIDADE 1 - Introdução

Os sentimentos e as emoções fazem consideradas importantes para que uma


parte da vida dos seres humanos e a cada pessoa alcance seus objetivos, seja fe-
dia novos estudos veem nos mostrando o liz e alcance sucesso na vida. Dentre elas
quanto eles são importantes, porque não são citadas o controle do temperamento,
dizer, perigosos até! adaptabilidade, persistência, amizade,
respeito, amabilidade e empatia.
Assim como ser inteligente, perspicaz,
inovador, aberto a mudanças, dentre inú- Segundo Miranda (2002), a literatura
mera outras características ou habilida- psicológica sobre a inteligência humana,
des, os sentimentos, os relacionamentos para além de vastíssima nos vários domí-
e as emoções podem fazer a grande dife- nios da própria Psicologia, é extremamen-
rença, seja positiva ou negativamente, no te diversificada: quanto aos pontos de
ambiente de trabalho. partida, aos objetivos, às metodologias,
ao enquadramento.
Se pensarmos na linguagem comum,
encontraremos inteligência se referindo a Tomando como ponto de partida a dé-
uma qualidade dos indivíduos e na lingua- cada de 1980, encontraremos quatro
gem científica, uma qualidade do compor- grandes paradigmas que englobam os
tamento. Dessas premissas já podemos modelos e técnicas que buscam explicar
fazer breves referências à inteligência as teorias da inteligência humana: o bioló-
emocional, conteúdo que não poderíamos gico, o diferencial, o construtivista e o in-
deixar passar em branco em se tratando formacional, sobre os quais falaremos ao
de coaching. longo do módulo.

Para alguns estudiosos, como o psicó- Objetivamente veremos as inteligên-


logo Daniel Goleman, a inteligência emo- cias múltiplas, no entanto, à inteligência
cional é a maior responsável pelo sucesso emocional será dado mais foco, bem como
ou insucesso das pessoas. A maioria das aos seus componentes, como usá-la e
situações de trabalho é envolvida por re- como expandi-la. Buscaremos também fa-
lacionamentos entre as pessoas. Desta zer relações com sua aplicação no mundo
forma, pessoas com qualidades de rela- do trabalho e em grandes projetos.
cionamento humano, como afabilidade,
Ressaltamos em primeiro lugar que em-
compreensão e gentileza têm mais chan-
bora a escrita acadêmica tenha como pre-
ces de obter o sucesso.
missa ser científica, baseada em normas
Goleman (1996) procura demonstrar e padrões da academia, fugiremos um
que não só a razão influencia nos nossos pouco às regras para nos aproximarmos
atos, mas, a emoção também é respon- de vocês e para que os temas abordados
sável por nossas respostas e tem grande cheguem de maneira clara e objetiva, mas
poder sobre as pessoas. não menos científicos. Em segundo lugar,
deixamos claro que este módulo é uma
Algumas habilidades emocionais são
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compilação das ideias de vários autores,


incluindo aqueles que consideramos clás-
sicos, não se tratando, portanto, de uma
redação original e tendo em vista o cará-
ter didático da obra, não serão expressas
opiniões pessoais.

Ao final do módulo, além da lista de


referências básicas, encontram-se ou-
tras que foram ora utilizadas, ora somen-
te consultadas, mas que, de todo modo,
podem servir para sanar lacunas que por
ventura venham a surgir ao longo dos es-
tudos.
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UNIDADE 2 - As inteligências múltiplas


A definição mais simples para inteli- dependente de problemas, e o ní-
gência seria: ‘capacidade mental de racio- vel de desenvolvimento potencial,
cinar e planejar’, mas esse conceito preci- determinado através da solução de
sa ser ampliado e muito, porque abrange problemas sob a orientação de um
não apenas a mente humana como toda a adulto ou em colaboração com com-
estrutura corporal e cognitiva do ser hu- panheiros mais capazes (VYGOTSKY
mano. apud NOVA ESCOLA ONLINE, 2004).

Vamos utilizar rapidamente alguns es- Henri Walon por sua vez diz que é pre-
tudos da psicologia e pedagogia para fa- ciso abordar a pessoa como um todo e que
zermos uma ponte que nos leve aos pen- elementos como afetividade, emoções,
samentos mais modernos. movimento e espaço físico somam-se
para o desenvolvimento pessoal, além da
Para Jean Piaget, inteligência é o meca-
necessidade de se trabalhar priorizando a
nismo de adaptação do organismo a uma
variedade em atividades e objetos.
situação nova e, como tal, implica a cons-
trução contínua de novas estruturas. Esta Os três estudiosos, reverenciados prin-
adaptação refere-se ao mundo exterior, cipalmente pela área da educação e psico-
como toda adaptação biológica. Desta for- logia, estão certos, e podemos chegar a
ma, os indivíduos se desenvolvem intelec- afirmar que cai por terra a teoria da inteli-
tualmente a partir de exercícios e estímu- gência como sendo hereditária e que esta
los oferecidos pelo meio que os cercam. O podia ser medida por testes padronizados
que vale também dizer que a inteligência que levam em consideração as capacida-
humana pode ser exercitada, buscando des verbais e não verbais, incluindo me-
um aperfeiçoamento de potencialidades, mória, vocabulário, compreensão, solução
que evolui “desde o nível mais primitivo da de problemas, raciocínio abstrato, per-
existência, caracterizado por trocas bio- cepção, processamento de informações e
químicas até o nível das trocas simbólicas” habilidades visuais e motoras.
(RAMOZZI-CHIAROTTINO apud CHIABAI,
1990, p. 3).
Aprofundando um pouco nas te-
orias explícitas cabem as seguintes
Segundo Lev Vygotsky (apud NOVA anotações:
ESCOLA ONLINE, 2004), a evolução inte-
lectual é caracterizada por saltos qualita- O paradigma biológico tem suas
tivos de um nível de conhecimento para raízes na Grécia Antiga: Hipócrates (460-
outro. A fim de explicar esse processo, ele 377, a.C.), por exemplo, referiu-se à cabe-
desenvolveu o conceito de zona de desen- ça, ao cérebro, como sede do pensamen-
volvimento proximal, que definiu como a to. Adiante, a teoria frenológica de Franz
Joseph Gall (1758-1828) teve mais impac-
distância entre o nível de desen- to na crença popular do que na ciência,
volvimento real, que se costuma mesmo a do seu tempo que a rejeitou: a
determinar através da solução in-
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configuração do crânio reproduziria a es- evidência das diferenças individuais. Os


trutura do cérebro onde se localizariam as construtos psicológicos concebem as di-
diferentes funções cognitivas; as protu- ferenças observadas em dimensões. No
berâncias cranianas constituiriam, assim, limite, as dimensões descrevem todos os
indicadores do desenvolvimento de “fa- indivíduos e, por consequência, explicam
culdades mentais”. a idiossincrasia. A teoria, a lei, passa pe-
las diferenças. O paradigma diferencial é
A teoria neuropsicológica de D.
eminentemente avaliativo: a avaliação é
Hebb distingue a Inteligência ‘A’ e a Inte-
o ponto de partida (averiguação da varia-
ligência ‘B’: a primeira significa o poten-
bilidade do desempenho), a avaliação é o
cial inato, isto é, a capacidade do sistema
ponto de chegada (indicadores de com-
nervoso central que inclui a do seu pró-
petência(s) e partilha da informação favo-
prio desenvolvimento, não observável
recedora do autoconhecimento). Os dois
nem mensurável; a segunda, observável
grandes motores dos desenvolvimentos
e mensurável, é o resultado da interação
teóricos e práticos foram e são a evolução
da Inteligência ‘A’ com o meio, isto é, o fe-
dos métodos de observação e a evolução
nótipo (Hebb, 1949). Na teoria de Cattell
dos métodos de análise de dados. Destes,
(1987 apud MIRANDA, 2002), a inteligên-
a análise fatorial (redução da multiplicida-
cia fluida é biologicamente organizada,
de das observações a um pequeno núme-
constitucional e significa o funcionamen-
ro de fatores explicativos) ocupa um lugar
to intelectual biologicamente determina-
proeminente na teoria psicológica (mode-
do.
los e técnicas), como na teoria dos testes
Os estudos da atividade cerebral têm (validação das medidas). Mais recente-
examinado a relação entre a estrutura e mente, os modelos estruturais abrem no-
o funcionamento do cérebro e o proces- vas vias à exploração dos dados e, conse-
samento da informação: velocidade da quentemente, a modelização.
condução neuronal, potenciais evocados,
O paradigma construtivista é in-
metabolismo da glucose, especialização
dissociável de J. Piaget. Inteligência é
hemisférica. Algumas consistências com
adaptação: no plano mental se prolonga
o desempenho em testes de inteligência
e conclui o conjunto de processos adapta-
têm sido apontadas (EYSENCK, 1982 apud
tivos, cujo ponto de partida são as trocas
MIRANDA, 2002), e a via é por muitos au-
entre o organismo e o meio que caracte-
tores considerada promissora para a in-
rizam a adaptação biológica. Adaptação
vestigação e para a prática clínica (MATA-
é assimilação (o sujeito age sobre o meio,
RAZZO, 1992; VERNON et al., 2000 apud
no sentido de apreensão e incorporação
MIRANDA, 2002).
das instâncias do meio) e acomodação (o
Na área da neurobiologia, os trabalhos meio age sobre o sujeito, no sentido de
realizados levam a um conceito mundial modificação das estruturas existentes).
básico e simples: não há pensamento sem Assimilação e acomodação são comuns ao
o substrato neurobiológico. orgânico, a ação, e ao pensamento – inva-
riantes, portanto, da vida, e a lei funcional
O paradigma diferencial radica na
da inteligência. O desenvolvimento huma-
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no é uma sucessão de grandes constru- tais simples (como tempos de reação, dis-
ções. No construtivismo psicogenético, criminação sensorial e associação de pa-
o desenvolvimento é uma marcha para o lavras) poderiam constituir importantes
equilíbrio, e cada construção integra e re- preditores do desempenho acadêmico.
organiza, num plano superior, as que a an- Contudo, estudos posteriores demons-
tecedem. traram que escalas baseadas em habili-
dades simples não constituíam preditoras
O paradigma informacional centra-
de sucesso acadêmico, além de não serem
-se nos mecanismos da cognição, isto é,
adequadas para medir a inteligência (CAR-
os “programas” do processamento da in-
ROLL, 1982 apud WOYCIEKOSKI, HUTZ,
formação. No estudo das representações
2009).
e dos processos entram os correlatos, os
componentes e os conteúdos cognitivos Após ter investigado os testes mentais
e o treino cognitivo, nos aspectos da con- elaborados por estes e outros pesquisa-
sistência, da variabilidade e da mudança. dores, Alfred Binet concluiu que escalas
A teoria componencial da inteligência hu- que incluíssem capacidades mais comple-
mana (STERNBERG, 1977 apud MIRANDA, xas e atividades do dia a dia seriam mais
2002) articula, com base no raciocínio adequadas para medir a inteligência. Em
analógico, os processos e as estratégias 1905, ele e Théophile Simon criaram o pri-
com as aptidões. meiro teste satisfatório de inteligência,
por meio de uma solicitação do Ministério
Essa breve exposição de alguns mode-
de Educação Francês que objetivava diag-
los dá o tom das nossas discussões: a in-
nosticar crianças necessitadas de edu-
teligência humana que nos últimos tem-
cação especializada (MATTHEWS et al.,
pos vem evoluindo com a apresentação
2002 apud WOYCIEKOSKI, HUTZ, 2009).
de novas teorias como Daniel Goleman e
A escala Binet-Simon incluía itens que
Howard Gardner que trazem novos tipos
abrangiam a compreensão da linguagem e
de inteligência e afirmam que as mesmas
a habilidade de raciocinar a nível verbal e
podem ser aprendidas.
não verbal.

Este teste constituiu a base de pesqui-


sas futuras e foi utilizado em vários países
2.1 A inteligência humana e línguas. Após alguns anos, iniciaram-
A partir do século XIX, observou-se -se as pesquisas em avaliação mental de
um crescente interesse pela inteligência adultos, especialmente quando em 1939,
humana, especialmente quando Herbert David Wechsler criou a Escala Weehsler de
Spencer e Francis Galton sugeriram uma Inteligência para Adultos (WAIS). Também
capacidade humana geral e superior. Gal- revisada posteriormente.
ton entendia a inteligência como o reflexo
Com relação à definição para inteligên-
de habilidades sensoriais e perceptivas
cia, é possível perceber duas correntes
transmitidas geneticamente. Assim como
teóricas. Há autores que a definiram como
este, Raymond Cattell também acreditava
uma capacidade geral de compreensão e
que testes baseados em habilidades men-
raciocínio, enquanto outros a descreve-
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ram como envolvendo diversas capacida- -sinestésica, intrapessoal e interpessoal


des mentais relativamente independen- que veremos mais adiante, pois na cons-
tes umas das outras. trução desse pensamento precisamos
passar pelos processos mentais.
Em 1904, Charles Spearman sugeriu a
existência de um fator geral de inteligên-
cia (g), o qual permearia o desempenho
em todas as tarefas intelectuais. Segun- 2.2 Processos mentais
do ele, as pessoas seriam mais ou menos
No entendimento de Santos (2011, p.
inteligentes, dependendo da quantida-
7), processos mentais podem ser defini-
de de ‘g’ que possuíam. Spearman estava
dos como a maneira como a mente huma-
especialmente interessado na natureza
na funciona, ou seja, o pensar, planejar,
psicológica e na interpretação do compo-
tirar conclusões, fantasiar e sonhar.
nente mental que tende a produzir cor-
relações positivas entre os vários testes. O comportamento humano, portanto,
Por meio de vários estudos, ele sugeriu não pode ser compreendido sem que se
que o g era um fator central e supremo em compreendam esses processos mentais,
todas as medidas de inteligência, o qual já que eles são a sua base.
representava a capacidade de raciocí-
Como os processos mentais não podem
nio ou a gênese do pensamento abstrato
ser observados, mas apenas entendidos,
(CARROLL, 1982; STERNBERG, 1992 apud
torna-se o comportamento o alvo princi-
WOYCIEKOSKI, HUTZ, 2009).
pal dessa descrição, explicação e previ-
Todavia, em 1938, Thurstone criticou a são. Para tanto, as novas técnicas visu-
inteligência geral de Spearman, e postulou ais da neurociência permitem visualizar o
que a inteligência poderia ser decompos- funcionamento do cérebro, não permitin-
ta em várias capacidades básicas através do a visualização dos processos mentais,
da análise fatorial. Thurstone identificou mas somente de seus correlatos fisiológi-
sete fatores (compreensão verbal, fluên- cos, ou seja, daquilo que acontece no or-
cia verbal, aptidão numérica, visualização ganismo enquanto os processos mentais
espacial, memória, raciocínio e velocidade se desenrolam.
perceptiva) e criou o Teste de Capacidades
Descrever o comportamento de um
Mentais Básicas (BUTCHER, 1968/1974
indivíduo significa, em primeiro lugar, o
apud WOYCIEKOSKI, HUTZ, 2009).
desenvolvimento de métodos de obser-
Similarmente, Guilford (1967 apud vação e análise que sejam o mais possível
WOYCIEKOSKI, HUTZ, 2009) propôs que a objetivos e em seguida a utilização desses
inteligência compreenderia 150 fatores. métodos para o levantamento de dados
Gardner (1995) criou a teoria das Inteli- confiáveis.
gências Múltiplas, independentes entre
A observação e a análise do compor-
si, as quais operariam em blocos sepa-
tamento podem ocorrer em diferentes
rados no cérebro, obedecendo a regras
níveis, desde complexos padrões de com-
próprias: inteligência lógico-matemática,
portamento, como a personalidade, até a
linguística, musical, espacial, corporal-
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simples reação de uma pessoa a um sinal relação dos elementos observáveis estí-
sonoro ou visual. mulo e resposta. No final dos anos 1930
iniciou-se uma movimentação nas áreas
A introspecção é uma forma especial de
da Filosofia e Psicologia a respeito de li-
observação, ou seja, a partir daquilo que
mitações em abordagens que estudam
foi observado, o psicólogo procura expli-
somente o comportamento observável.
car, esclarecer o comportamento. A psico-
Com isso, estudos a respeito da cognição
logia, portanto, parte do princípio de que
humana ganharam espaço nas Ciências
o comportamento se origina de uma série
Cognitivas, envolvendo-se aí a consci-
de fatores distintos: variáveis orgânicas,
ência. Desde meados da década de 1950
como a disposição genética, o metabolis-
a Psicologia Cognitiva, por sua vez, vem
mo, fatores disposicionais como o tem-
ampliando esse estudo considerando
peramento, a inteligência, a motivação, e
também os eventos que não podem ser
situacionais como as influências do meio
diretamente observáveis. Esses eventos
ambiente, da cultura, dos grupos de que a
podem ser denominados processos men-
pessoa faz parte, etc.
tais, os quais podem ser divididos em bá-
As previsões em psicologia procuram sicos e superiores.
expressar, com base nas explicações dis-
Os processos mentais básicos incluem
poníveis, a probabilidade com que um
percepção, atenção, memória, emoção,
determinado tipo de comportamento
motivação e os processos mentais supe-
ocorrerá ou não. Com base na capacidade
riores, por sua vez, envolvem linguagem,
dessas explicações de prever o comporta-
funções executivas e consciência.
mento futuro se determina também a sua
validade. 1) A percepção de um evento está rela-
cionada com a interpretação, ou significa-
Controlar o comportamento significa
do, das sensações derivadas da exposição
aqui a capacidade de influenciá-lo, com
a um fenômeno ou objeto (estímulos). Ori-
base no conhecimento adquirido. Essa é
ginalmente essa tradução é qualitativa,
parte mais prática da psicologia, que se
mas, na medida em que é possível fazer
expressa, entre outras áreas, na psicote-
alguma comparação com outro estímulo,
rapia.
é possível que se torne quantitativa (por
Ainda na seara da Psicologia, Costa et exemplo, fazer comparações entre com-
al. (2013) analisam que ela possui diver- primento, altura e peso de estímulos que
sas linhas teóricas (abordagens) para o se apresentam) (SILVESTRI, 2010 apud
estudo do comportamento humano, as- COSTA et al., 2013). Perceber está relacio-
sim como, por exemplo, um Engenheiro nado com a aquisição de conhecimentos
pode modelar um dispositivo físico de di- através dos sentidos envolvidos na com-
ferentes maneiras. Uma dessas linhas, preensão dos acontecimentos, sem que
o Behaviorismo, direciona seus estudos seja necessária a comunicação verbal ex-
para os comportamentos observáveis. plícita. A percepção envolve vários aspec-
Um dos conceitos chave dessa linha te- tos cognitivos, tais como, a interação em
órica é o condicionamento, que trata da resposta aos estímulos captados pelos
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sentidos como a visão e a audição. Basica- concentrada de acordo com a experiência


mente, podemos dizer que é transformar do sujeito (POSNER; GILBERT, 1999 apud
o estímulo físico em informação psicoló- COSTA et al., 2013). Sendo assim, pode-se
gica. Depende da memória e do pensa- afirmar também que o desempenho da
mento; é influenciada pela sensação, por atenção está sujeito ao treinamento.
características particulares do estímulo e
3) Memória: a Psicologia Cognitiva con-
pelo estado psicológico de quem recebe o
sidera a memória um processo complexo,
estímulo.
temporalmente prolongado e que trans-
2) Atenção é o mecanismo que permi- forma pensamentos ou percepções atu-
te fixar alguns estímulos e organizar in- ais em um registro durável que mais tarde
formações para o processo de tomada de pode ser evocado e usado na tomada de
decisão. A atenção é seletiva, foca alguns decisões. Já a compreensão da dinâmica
estímulos e descarta os demais (geral- da memória e da interdependência entre
mente estímulos constantes são ignora- suas etapas é, ainda hoje, um desafio (DA-
dos, portanto, não participam do proces- VACHI; DOBBINS, 2008 apud COSTA et al.,
so decisório). A atenção é influenciada 2013). Considera-se a existência de sis-
pelas necessidades, motivações, interes- temas de memória no cérebro que sejam
ses, personalidade e cultura. E também pelo menos parcialmente distintos, como
por objetivo prazer e medo. A obtenção por exemplo, (i) a memória de trabalho
e permanência da atenção dependem da que pode ser modelada como um sistema
intensidade, movimento e repetição. A no qual uma central executiva regula o
função primeira da atenção é a de orientar fluxo de informações em duas modalida-
os sentidos referentes aos estímulos re- des subordinadas de sistemas, a fonoló-
cebidos do ambiente, no sentido de cap- gica e a visuo-espacial, que armazenam
tar eventos considerados importantes a temporariamente informações fonológi-
partir do sistema sensorial. Com o desen- cas e visuo-espaciais, respectivamente;
volvimento do cérebro, a atenção passa a (ii) memória de curta duração, evidencia-
administrar de forma seletiva os recursos da como sendo parcialmente indepen-
de processamento, ou seja, concentra-se dente da memória de longa duração. Este
em um estímulo e paralelamente inibe o tipo de memória, com duração de algumas
processamento de outros estímulos exis- horas, parece depender da maior quanti-
tentes, processando informações para dade e atividade de receptores específi-
comportamentos psicológicos específi- cos. A diferença de mecanismo mediador
cos. A atenção pode ser classificada em da memória de curta duração claramente
atenção distribuída, que diz respeito à a separa da memória de trabalho. Por fim,
capacidade de se fazer mais de uma coisa (iii) a memória de longa duração que pode
ao mesmo tempo, e atenção concentrada, durar anos e depende da síntese proteica
que diz respeito a capacidade de manter no hipocampo. A transformação das me-
a atenção sobre eventos críticos por um mórias de curto prazo para de longo pra-
considerável período de tempo. Basica- zo sofrem influências de vários fatores,
mente, os estímulos acionam os proces- como o sono, a atenção, emoção que por
sos de atenção distribuída ou de atenção sua vez está ligado a estruturas como a
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amígdala, e toda uma gama de processos ções estão envolvidas em condutas, es-
bioquímicos. tados corporais de ativação ou desativa-
ção fisiológica e cognições, uma vez que
A existência desses três mecanismos
a combinação desses elementos faz com
diferentes sustenta a noção de que há
que as emoções sejam subjetivas e, como
pelo menos três sistemas de memória no
consequência, diferentes diante de um
que se refere à duração da mesma. Além
mesmo estímulo ou contexto, bem como
disso, as memórias podem ser classifica-
em diferentes indivíduos.
das em relação à facilidade com que são
acessadas pela consciência. Quando um 5) Motivação é uma variável reconhe-
indivíduo se lembra de experiências pas- cida como importante no estudo do com-
sadas, tipicamente evoca uma consciên- portamento humano. Existem abordagens
cia prévia sobre esses eventos (COSTA et que sugerem ser a motivação um compo-
al., 2013). nente interno ao indivíduo que regula e
sustenta as ações. As abordagens sócio-
Porém, alguns aspectos do passado
-cognitivistas têm defendido a existência
podem ser expressos sem consciência de
de duas orientações motivacionais intera-
que seja uma recordação. Esses dois tipos
tivas, a intrínseca e a extrínseca. A moti-
de memória podem ser descritos como
vação intrínseca refere-se à execução de
memória explicita ou declarativa — quan-
atividades, nas quais o prazer é inerente.
do existe consciência na recordação de
O indivíduo empenha-se em uma ativida-
experiências passadas — e memória implí-
de com base no interesse próprio. Ele bus-
cita — quando a experiência passada pode
ca novidades e desafios, naturalmente,
influenciar o comportamento atual ou o
não sendo necessárias pressões externas
desempenho sem que ocorra uma recor-
ou prêmios pelo cumprimento da tarefa,
dação consciente deles. Uma distinção
uma vez que a recompensa é, justamente,
importante entre memória explícita e im-
participar dela. É como uma forte sensa-
plícita é que a primeira depende, para sua
ção de missão que afeta a curiosidade, a
consolidação, de um grupo de estruturas
competência, a eficácia. A motivação ex-
interconectadas do lobo temporal medial,
trínseca apresenta-se como a motivação
enquanto a segunda pode depender, por
para trabalhar em resposta para algo ex-
exemplo, dos núcleos de base, fora do
terno à tarefa ou atividade, como para a
lobo temporal medial (BEAR; CONNORS;
obtenção de recompensas materiais ou
PARADISO, 2008).
sociais, de reconhecimento, visando aten-
4) Emoção: estado de sentimentos so- der aos comandos e pressões de outras
máticos, psíquicos e comportamentais) pessoas para demonstrar competências e
ligados ao afeto e ao humor. Possui como habilidades, ou seja, há o desejo de comu-
componentes básicos: (i) cognitivo – pen- nicar algo aos outros (MARTINELLI; BAR-
samento, crença; (ii) fisiológico – o próprio THOLOMEU, 2007). Por isso, a motivação
organismo; (iii) comportamental – os si- extrínseca está relacionada com a consci-
nais exteriores e como componentes cul- ência, e pode ser afetada por reforço e/ou
turais: a felicidade, a surpresa, a raiva, a punição. O reforço é um fator que tende a
tristeza, o medo e a repugnância. As emo- aumentar a probabilidade de ocorrência
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de uma determinada resposta, enquanto o que relaciona linguagem e pensamen-


a punição tende a diminuir tal probabilida- to. A capacidade de planejar, organizar e
de. Tanto o reforço quanto a punição po- estruturar as próprias ações adquire mo-
dem se apresentar na forma positiva ou bilidade e flexibilidade pela disputa de
negativa. Diz-se positiva quando existe a inúmeros processos discursivos (verbais
introdução (acréscimo) e negativa quando e não-verbais) que caracterizam a ativida-
existe a retirada (decréscimo/privação) de de linguístico-cognitiva (MORATO, 1996).
um determinado estímulo (MOREIRA; ME- Noam Chomsky por sua vez modela a fa-
DEIROS, 2007, pp.70-71). Por exemplo, dar culdade de linguagem em qualquer es-
uma recompensa mediante a exibição de tágio de seu desenvolvimento, incluindo
uma resposta desejada é entendido como um sistema cognitivo e sistemas de de-
reforçamento positivo. Já, o reforçamento sempenho. O sistema cognitivo armaze-
negativo envolve a retirada de um estímu- na informações que são acessadas pelos
lo aversivo, cada vez que é apresentada a sistemas de desempenho e usadas para
resposta desejada. Por exemplo, reduzir a articular, interpretar, expressar o pensa-
carga de trabalho mediante a exibição de mento, fazer perguntas, referir, etc. Am-
uma resposta desejada é um reforçamen- bos os sistemas estão dentro da mente/
to negativo. Em ambos os casos, o refor- cérebro. Além disso, ele também assume
ço aumenta a apresentação da resposta/ que os processos mentais são computa-
comportamento desejada/o (COSTA et al., ções que o cérebro executa e, assim, uma
2013). teoria computacional do cérebro é toda a
ciência da mente ou da língua que possa
6) Linguagem: os processos mentais
existir (LOBATO, 2007).
básicos podem ser simbolizados através
da linguagem, capaz de inter-relacionar os 7) Funções Executivas: essas funções
processos cognitivos através da compre- têm por objetivo controlar e regular o pro-
ensão de uma sentença linguística, da co- cessamento da informação no cérebro.
dificação do som e dos aspectos visuais, São ações necessariamente flexíveis e
do acesso ao significado das palavras e da adaptativas, passíveis de monitoramento
percepção da funcionalidade da sentença em suas etapas de execução, para per-
(MATLIN, 2004). A aquisição da linguagem mitir ao indivíduo interagir no mundo de
depende de um aparato neurobiológico maneira intencional (COSTA et al., 2013).
e social, ou seja, de um bom desenvolvi- As funções executivas também envolvem
mento de todas as estruturas cerebrais e a formulação de um plano de ação que se
da interação social desde tenra idade. Há baseia em experiências prévias e deman-
uma interação entre o biológico e a qua- das do ambiente atual. São responsáveis,
lidade dos estímulos do meio (MOUSINHO nesse caso, pelo planejamento e execu-
et al., 2008). Dois modelos principais acer- ção de tarefas de raciocínio, tomada de
ca da linguagem podem ser encontrados decisões e resolução de problemas (SAN-
na literatura. Lev Vygotsky relaciona a TOS, 2004; SILVA, 2009).
linguagem não apenas com o pensamen-
Durante a resolução de problemas
to, mas com o trabalho e a consciência hu-
existem: (a) um estado inicial, caracteriza-
manos, sendo a atribuição de significados
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do pelo estado de reconhecimento quan- vo difere da resolução de problemas pelo


do um problema é apresentado; (b) um fato de ser utilizado em situações onde o
estado-meta, referente ao objetivo a ser estado inicial é bastante claro, definido e
alcançado; (c) um componente referente limitado. Na resolução de problemas, o es-
às ações ou operações que podem ser uti- tado inicial pode ser vago e existe clareza
lizadas para atingir o estado-meta; e (d) apenas com relação ao estado-meta.
a tarefa ambiental usada, a qual consiste
8) Consciência: a definição de consci-
de aspectos físicos do ambiente que po-
ência é, até hoje, contraditória em Psico-
dem influenciar direta ou indiretamente
logia e, muitas vezes, circular. Podemos
na solução adotada, ou ainda sugerir dife-
inferir que a consciência é assumida como
rentes formas de se resolver o problema
sendo um produto emergente, no qual a
(DUNBAR, 1998 apud COSTA et al., 2013).
presença de uma central executiva e or-
Tomar uma decisão significa selecionar denadora se mostra relevante (TOLEDO,
uma alternativa através da qual é alme- 2006). Na Psicologia Cognitiva, tem-se
jada a produção de resultados favoráveis sugerido transformar a consciência em
na perspectiva de quem está decidindo. uma variável, distinguindo-se, dentre
A tomada de decisão difere da resolução suas capacidades gerais, o que faz parte
de problemas, pois nesta última, não há do seu funcionamento consciente e do
curso de ação claro, enquanto que para a não-consciente. É possível dizer, a par-
tomada de decisão há, pelo menos, dois tir de definições funcionais, que os pro-
diferentes cursos da ação. Cabe ressal- cessos mentais são conscientes se eles
tar que o custo da solução de problemas e podem ser alegados pelas pessoas como
payoff são componentes importantes na sendo conscientes e podem ser relatados
implementação computacional dos pro- e postos em prática com acurácia verificá-
cessos de resolução de problemas e to- vel quando em condições ideais de serem
mada de decisão, entretanto, do ponto de relatados posteriormente. Ao contrário,
vista da Psicologia Cognitiva e Neurociên- é possível dizer que eventos mentais po-
cias, a definição sobre as características dem ser considerados não-conscientes
desses processos não estão focadas na se sua presença pode ser verificada ainda
implementação, mas nas diferenças ope- que não sejam alegados como conscientes
racionais dos mesmos (COSTA et al, 2013). e se eles não podem ser voluntariamente
relatados, evitados ou manipulados, mes-
Raciocínio dedutivo ocorre a partir de
mo sob condições ideais de relato (McGO-
proposições lógicas que podem ser verda-
VERN; BAARS, 2007 apud COSTA et al.,
deiras ou falsas. Os psicólogos cognitivos
2013).
buscam conhecer como as pessoas unem
essas proposições para chegar a conclu- Tomando por base a definição de cons-
sões. Geralmente, o raciocínio ocorre a ciência para a Psicologia Cognitiva, a cons-
partir de proposições do tipo ‘se-então’, ciência é considerada capaz de lidar com as
conhecido como raciocínio condicional, informações novas e de realizar análises.
largamente conhecido na área das Enge- Passa a ser uma propriedade emergente
nharias e Informática O raciocínio deduti- da atividade neuronal, assim como são
14

os demais processos mentais. Ela pode, Howard Gardner (1994) é uma alternati-
então, ser classificada como um processo va para o conceito de inteligência como
mental superior. Porém, enquanto uma uma capacidade inata, geral e única, que
propriedade emergente, ela processa in- permite aos indivíduos uma performan-
formações de maneira mais lenta e pré- ce, maior ou menor, em qualquer área de
-dominantemente serial, com a vantagem atuação. Sua insatisfação com a ideia de
de ser flexível para lidar com as alterações QI e com visões unitárias de inteligência,
do ambiente (COSTA, 2011). que focalizam, sobretudo as habilidades
importantes para o sucesso escolar, le-
vou Gardner a redefinir inteligência à luz
das origens biológicas da habilidade para
2.3 A teoria das inteligên- resolver problemas. Através da avaliação
cias múltiplas das atuações de diferentes profissionais
Já algumas décadas os Neurologistas em diversas culturas, e do repertório de
têm documentado que o sistema nervo- habilidades dos seres humanos na busca
so humano não é um órgão com propósito de soluções, culturalmente apropriadas
único nem tão pouco é infinitamente plás- para os seus problemas, Gardner traba-
tico. Acredita-se, hoje, que o sistema ner- lhou no sentido inverso ao desenvolvi-
voso seja altamente diferenciado e que mento, retroagindo para eventualmente
diferentes centros neurais processem di- chegar às inteligências que deram origem
ferentes tipos de informação (GARDNER, a tais realizações. Na sua pesquisa, Gard-
1995). ner estudou também:

Howard Gardner, psicólogo da Univer- desenvolvimento de diferentes ha-


sidade de Harvard, baseou-se nestas pes- bilidades em crianças normais e crianças
quisas para questionar a tradicional visão superdotadas;
da inteligência, uma visão que enfatiza as adultos com lesões cerebrais e
habilidades linguística e lógico-matemáti- como estes não perdem a intensidade de
ca. Segundo ele, todos os indivíduos nor- sua produção intelectual, mas sim uma ou
mais são capazes de uma atuação em pelo algumas habilidades, sem que outras ha-
menos sete diferentes e, até certo ponto, bilidades sejam sequer atingidas;
independentes áreas intelectuais. Ele su-
gere que não existem habilidades gerais, populações ditas excepcionais, tais
duvida da possibilidade de se medir a inte- como autistas, que apresentam ausências
ligência através de testes de papel e Iápis nas suas habilidades intelectuais;
e dá grande importância a diferentes atu- como se deu o desenvolvimento
ações valorizadas em culturas diversas. cognitivo através dos milênios (GAMA,
Finalmente, ele define inteligência como 1998).
a habilidade para resolver problemas ou
criar produtos que sejam significativos Psicólogo construtivista muito influen-
em um ou mais ambientes culturais. ciado por Piaget, Gardner distingue-se
de seu colega de Genebra na medida em
A Teoria das Inteligências Múltiplas, de que Piaget acreditava que todos os as-
15

pectos da simbolização partem de uma De acordo com estudos de Zylberberg e


mesma função semiótica, enquanto que Nista-Piccolo (2008), o conceito de inteli-
ele acredita que processos psicológicos gência proposto por Gardner, inicialmente,
independentes são empregados quando era a capacidade de resolver problemas ou
o indivíduo lida com símbolos linguísticos, elaborar produtos, importantes em deter-
numéricos gestuais ou outros. minado ambiente ou comunidade cultural.
Duas décadas após a publicação de sua te-
Segundo Gardner, uma criança pode ter
oria, ele reformulou este conceito substi-
um desempenho precoce em uma área (o
tuindo o termo “capacidade” por potencial
que Piaget chamaria de pensamento for-
biopsicológico, querendo distanciar-se da
mal) e estar na média ou mesmo abaixo da
concepção mais biológica e ressaltar que
média em outra (o equivalente, por exem-
as influências culturais e psicológicas de-
plo, ao estágio sensório-motor). Gardner
sempenham um papel determinante.
descreve o desenvolvimento cognitivo
como uma capacidade cada vez maior de A verdade, como diz Marina (1995, p.
entender e expressar significado em vá- 277) é que a “inteligência inventa novos
rios sistemas simbólicos utilizados num problemas e procura resolvê-los”.
contexto cultural, e sugere que não há
A contribuição fundamental da teoria
uma ligação necessária entre a capaci-
das Inteligências Múltiplas, segundo Na-
dade ou estágio de desenvolvimento em
jmanovich (2001), foi a mudança da per-
uma área de desempenho e capacidades
gunta “Quão inteligente você é?” para a
ou estágios em outras áreas ou domínios
indagação “De que modo você é inteligen-
(MALKUS e col., 1988 apud GAMA, 1998).
te?”. Esta alteração desencadeou um giro
Num plano de análise psicológico, afir- crucial que ampliou gradativamente as
ma Gardner (1994), cada área ou domínio discussões mais estéreis e polêmicas que
tem seu sistema simbólico próprio; num marcaram as primeiras pesquisas sobre a
plano sociológico de estudo, cada domí- inteligência humana.
nio se caracteriza pelo desenvolvimento
Indo além do modelo unitário, Gard-
de competências valorizadas em culturas
ner (1994) apresentou inicialmente sete
específicas.
inteligências relativamente autônomas:
Gardner sugere, ainda, que as habilida- linguística, lógico-matemática, espacial,
des humanas não são organizadas de for- corporal, musical, interpessoal e intrapes-
ma horizontal; ele propõe que se pense soal. Acrescentou, anos depois, mais duas
nessas habilidades como organizadas ver- possíveis inteligências: a naturalista, que
ticalmente, e que, ao invés de haver uma foi posteriormente confirmada, e a exis-
faculdade mental geral, como a memória, tencialista, que até o presente momento
talvez existam formas independentes de se encontra em discussão. Na visão des-
percepção, memória e aprendizado, em se autor, outras inteligências podem ser
cada área ou domínio, com possíveis se- identificadas desde que respeitem os
melhanças entre as áreas, mas não ne- mesmos critérios de análise pelos quais
cessariamente uma relação direta (GAMA, todas as oito apontadas já passaram (ZYL-
1998). BERBERG e NISTA-PICCOLO, 2008).
16

rentes funções da linguagem. É a habilida-


de para usar a linguagem para convencer,
2.4 As ‘inteligências’ identifi- agradar, estimular ou transmitir ideias.
cadas por Gardner Gardner indica que é a habilidade exibida
na sua maior intensidade pelos poetas.
Gardner postula que essas competên- Em crianças, esta habilidade se manifesta
cias intelectuais (as inteligências linguís- através da capacidade para contar histó-
tica, lógico-matemática, espacial, musical, rias originais ou para relatar, com preci-
cinestésica, interpessoal e intrapessoal) são, experiências vividas (GAMA, 1998).
são relativamente independentes, têm
sua origem e limites genéticos próprios e Particularmente notável nos poetas e
substratos neuro-anatômicos específicos escritores, e também desenvolvida por
e dispõem de processos cognitivos pró- oradores, jornalistas, publicitários e ven-
prios. Segundo ele, os seres humanos dis- dedores, por exemplo (HIRSCH, 2013).
põem de graus variados de cada uma das
inteligências e maneiras diferentes com
que elas se combinam e organizam e se 2.4.2 Inteligência musical
utilizam dessas capacidades intelectuais Utiliza os símbolos musicais, ritmo,
para resolver problemas e criar produtos. partituras, utilização de instrumentos,
Gardner ressalta que, embora estas inte- canto, composição, percepção de sons,
ligências sejam, até certo ponto, indepen- tons, timbres, sensibilidade emocional à
dentes uma das outras, elas raramente música e organização musical para resol-
funcionam isoladamente. Embora algu- ver e criar problemas e produtos impor-
mas ocupações exemplifiquem uma inteli- tantes em determinado meio cultural.
gência, na maioria dos casos as ocupações
ilustram bem a necessidade de uma com- Esta inteligência se manifesta através
binação de inteligências. Por exemplo, um de uma habilidade para apreciar, compor
cirurgião necessita da acuidade da inteli- ou reproduzir uma peça musical. Inclui dis-
gência espacial combinada com a destre- criminação de sons, habilidade para per-
za da cinestésica (HIRSCH, 2013). ceber temas musicais, sensibilidade para
ritmos, texturas e timbre, e habilidade
para produzir e/ou reproduzir música. A
2.4.1 Inteligência Linguística criança pequena com habilidade musical
especial percebe desde cedo diferentes
Tem como base símbolos linguísticos, sons no seu ambiente e, frequentemente,
letras, palavras, domínio da língua escrita canta para si mesma (GAMA, 1998).
e oral, articulação lógica e criativa das
ideias, oratória e memória declarativa. Segundo Hirsch (2013), as pessoas
dotadas desse tipo de inteligência geral-
Os componentes centrais da inteligên- mente não precisam de aprendizagem
cia linguística são uma sensibilidade para formal para exercê-la.
os sons, ritmos e significados das palavras,
além de uma especial percepção das dife-
17

2.4.3 Inteligência Lógico-matemática 2.4.4 Inteligência Espacial


Potencial biopsicológico de resolver e Vale-se das relações entre tempo e
criar problemas e produtos importantes espaço, localização marítima e terrestre,
em determinado meio cultural, valendo- utilização de mapas, cartografias, bús-
-se de símbolos matemáticos, números, solas, composição de formas, senso de
fórmulas, cálculos, proporções. Utiliza direção, organização do pensamento em
raciocínio abstrato para a organização figuras e diagramas
lógica do pensamento.
Gardner (1994) descreve a inteligência
Os componentes centrais desta inte- espacial como a capacidade para perceber
ligência são descritos por Gardner como o mundo visual e espacial de forma preci-
uma sensibilidade para padrões, ordem e sa. É a habilidade para manipular formas
sistematização. É a habilidade para explo- ou objetos mentalmente e, a partir das
rar relações, categorias e padrões, através percepções iniciais, criar tensão, equilíbrio
da manipulação de objetos ou símbolos, e e composição, numa representação visual
para experimentar de forma controlada; ou espacial. É a inteligência dos artistas
é a habilidade para lidar com séries de ra- plásticos, dos engenheiros e dos arqui-
ciocínios, para reconhecer problemas e tetos. Em crianças pequenas, o potencial
resolvê-los. É a inteligência característica especial nessa inteligência é percebido
de matemáticos e cientistas. Gardner, po- através da habilidade para quebra-cabe-
rém, explica que, embora o talento cientí- ças e outros jogos espaciais e a atenção a
fico e o talento matemático possam estar detalhes visuais (GAMA, 1998).
presentes num mesmo indivíduo, os mo-
tivos que movem as ações dos cientistas
e dos matemáticos não são os mesmos. 2.4.5 Inteligência Cinestésica
Enquanto os matemáticos desejam criar
um mundo abstrato consistente, os cien- Esta inteligência se refere à habilidade
tistas pretendem explicar a natureza. A para resolver problemas ou criar produtos
criança com especial aptidão nesta inte- através do uso de parte ou de todo o cor-
ligência demonstra facilidade para con- po. É a habilidade para usar a coordenação
tar e fazer cálculos matemáticos e para grossa ou fina em esportes, artes cênicas
criar notações práticas de seu raciocínio ou plásticas no controle dos movimentos
(GAMA, 1998). do corpo e na manipulação de objetos com
destreza. A criança especialmente dotada
É a competência mais diretamente as- na inteligência cinestésica se move com
sociada ao pensamento científico, por- graça e expressão a partir de estímulos
tanto, á ideia tradicional de inteligência musicais ou verbais demonstra uma gran-
(HIRSCH, 2013). de habilidade atlética ou uma coordena-
ção fina apurada (GAMA, 1998).
18

2.4.6 Inteligência Interpessoal Esta inteligência é o correlativo inter-


no da inteligência interpessoal, isto é, a
Relacionada à percepção e convivência
habilidade para ter acesso aos próprios
com o outro. Implica conduzir diálogos,
sentimentos, sonhos e ideias, para discri-
perceber como o outro se sente mesmo
miná-los e lançar mão deles na solução de
sem perguntar, características de sociabi-
problemas pessoais. É o reconhecimento
lidade e cooperação.
de habilidades, necessidades, desejos e
Esta inteligência pode ser descrita inteligências próprias, a capacidade para
como uma habilidade pare entender e formular uma imagem precisa de si próprio
responder adequadamente a humores, e a habilidade para usar essa imagem para
temperamentos, motivações e desejos funcionar de forma efetiva. Como esta in-
de outras pessoas. Ela é melhor aprecia- teligência é a mais pessoal de todas, ela
da na observação de psicoterapeutas, só é observável através dos sistemas sim-
professores, políticos e vendedores bem bólicos das outras inteligências, ou seja,
sucedidos. Na sua forma mais primitiva, a através de manifestações linguísticas,
inteligência interpessoal se manifesta em musicais ou cinestésicas (GAMA, 1998).
crianças pequenas como a habilidade para
É a competência de uma pessoa conhe-
distinguir pessoas, e na sua forma mais
cer-se e estar bem consigo mesma, admi-
avançada, como a habilidade para perce-
nistrando seus sentimentos e emoções a
ber intenções e desejos de outras pesso-
favor de seus projetos. Enfim, é a capaci-
as e para reagir apropriadamente a partir
dade de formar um modelo real de si e uti-
dessa percepção. Crianças especialmente
lizá-lo para se conduzir proveitosamente
dotadas demonstram muito cedo uma ha-
na vida (HIRSCH, 2013).
bilidade para liderar outras crianças, uma
vez que são extremamente sensíveis às Segundo Ballestero-Alvarez (2004),
necessidades e sentimentos de outros a inteligência intrapessoal compreende
(GAMA, 1998). nossos pensamentos e sentimentos mais
íntimos. Todas as pessoas, naturalmente,
Esse tipo de inteligência ressalta nos
demonstram grande interesse por suas
indivíduos de fácil relacionamento pesso-
experiências internas e quando é permiti-
al, como líderes de grupos, políticos, tera-
do ou oferecido a elas a oportunidade de
peutas, professores, animadores de es-
participar, elas obtêm grandes benefícios.
petáculos e vendedores (HIRSCH, 2013).
As atividades adequadas a esse objetivo,
de desenvolver a inteligência intrapesso-
al devem enaltecer a aprendizagem inde-
2.4.7 Inteligência Intrapessoal pendente e autodirigida. As oportunida-
Refere-se ao autoconhecimento, saber des de usar a imaginação e a possibilidade
lidar consigo próprio e suas nuanças, con- de dispor de momentos tranquilos e de
trolar de forma equilibrada as emoções, um local especial onde se possa trabalhar
autoestima e autoimagem em harmonia, e refletir também contribuem.
discrição, habilidade intuitiva e automoti- É aconselhável que possamos aprender
vação. a processar os próprios sentimentos, a fi-
19

xar e cumprir metas pessoais e a alcançar der com as experiências interiores;


o autoconhecimento e a autoestima. For-
refletir e extrair conclusões a res-
mular questões a respeito da vida e das
peito da complexidade do ser e da condi-
ambições pessoais e, depois, encontrar as
ção humana;
respostas a tais mistérios outorga grande
satisfação às pessoas. buscar oportunidades de atualiza-
ção;
Quando se tenta descrever as caracte-
rísticas daqueles que possuem uma inte- confiar em seu semelhante (BAL-
ligência intrapessoal bem desenvolvida, é LESTERO-ALVAREZ, 2004).
importante considerar que nem todos os
Além das inteligências acima men-
aspectos se manifestam ao mesmo tem-
cionadas Gardner (1995) menciona uma
po em uma pessoa. Por exemplo, podemos
possível candidata à oitava inteligência: a
ter uma imagem exata a nosso respeito,
inteligência moral ou espiritual. Segundo
mas não um alto nível de autoestima.
Gardner, esta inteligência pode ser con-
Quando trabalhamos a inteligência siderada como uma componente da inte-
intrapessoal, estamos falando em de- ligência pessoal, visto que, o que é moral
senvolver características como: ou espiritual depende imensamente dos
valores culturais ligados ao meio ambien-
ter consciência da força das emo-
te onde o indivíduo está inserido, não
ções;
sendo classificada como uma inteligência
desenvolver formas e meios para à parte. Atualmente, Gardner acrescen-
expressar os sentimentos e opiniões; tou à teoria duas inteligências: a natura-
lista (entender a natureza) e a existencial
desenvolver um modelo exato do (fazer perguntas sobre a vida, morte, uni-
eu; verso) (GARDNER, 2006).
sentir-se motivado para fixar e A inteligência naturalista envolve a re-
atingir objetivos; lação das pessoas com o meio ambiente,
estabelecer e viver de acordo com perceber a integração com a natureza e os
um sistema de valores éticos; animais, enxergar detalhes e variedades
em espécies e ambientes.
ser capaz de trabalhar de forma in-
dependente; A inteligência existencialista relacio-
na-se com a busca do sentido da vida e
ter curiosidade pelos grandes enig- da humanidade, percepção mais ampla do
mas da vida: sentido, propósito, importân- propósito humano e das tarefas desem-
cia; penhadas no cotidiano. Busca da trans-
envolver-se em um constante pro- cendência associada à consciência da
cesso de aprendizagem e crescimento perenidade. Um tipo de inteligência que
pessoal; ainda não se configurou como tal, em face
da enormidade de exigências dos critérios
diferenciar, compreender e apren- estabelecidos para a análise das IM (ZYL-
20

BERBERG; NISTA-PICCOLO, 2008).

Gardner (2006) reafirmou que o núme-


ro de inteligências é menos importante
do que a premissa de que há uma multipli-
cidade delas e que cada ser humano tem
um mix único, ou perfil único de pontos
fortes e pontos fracos nas inteligências.
Segundo Gardner (1994, p. 45), “não há e
jamais haverá uma lista única, irrefutável
e universalmente aceita de inteligências
humanas”, porque em larga medida a inte-
ligência não existe como uma entidade fi-
sicamente verificável, mas é um constru-
to que se manifesta em comportamentos.
21

UNIDADE 3 - A inteligência emocional

3.1 O que é? capacidade proporciona a percepção dos


sentimentos dos outros e nos habilita a
O termo “inteligência emocional” foi sermos competentes em nossos relacio-
utilizado pela primeira vez num artigo namentos interpessoais.
de mesmo nome, no qual é apresentado
como uma subclasse da Inteligência So- Em 1997, Salovey e Mayer citados por
cial, cujas habilidades estariam relaciona- Bueno & Primi (2003) apresentaram uma
das ao monitoramento dos sentimentos revisão ampliada, clarificada e melhor or-
e emoções em si mesmo e nos outros, na ganizada do modelo de 1990, que enfati-
discriminação entre ambos e na utiliza- zava a percepção e controle da emoção,
ção desta informação para guiar o pen- mas omitia o pensamento sobre senti-
samento e as ações (SALOVEY e MAYER, mento. Nas palavras dos autores, a defi-
1990, p. 189). A utilização de processos nição que corrige esses problemas é a se-
relacionados à Inteligência Emocional se guinte:
inicia quando uma informação carregada A Inteligência Emocional envolve a
de afeto entra no sistema perceptual, en- capacidade de perceber acurada-
volvendo os seguintes componentes: mente, de avaliar e de expressar
a) Avaliação e expressão das emoções emoções; a capacidade de perceber
em si e nos outros. e/ou gerar sentimentos quando eles
facilitam o pensamento; a capaci-
b) Regulação da emoção em si e nos ou- dade de compreender a emoção e o
tros. conhecimento emocional; e a capa-
c) Utilização da emoção para adapta- cidade de controlar emoções para
ção. promover o crescimento emocional e
intelectual (MAYER; SALOVEY, 1999,
Esses processos ocorrem tanto para o p. 15 apud BUENO & PRIMI, 2003).
processamento de informações verbais,
quanto não verbais (SALOVEY; MAYER, O processamento de informações emo-
1990). cionais é explicado através de um siste-
ma de quatro níveis, que se organizam de
Segundo Goleman (1996, p. 14), inteli- acordo com a complexidade dos proces-
gência emocional é a capacidade de per- sos psicológicos descritos a seguir:
cepção de nossos próprios sentimentos,
e a partir desta percepção saber lidar com Percepção, avaliação e expressão
eles, dominando-os quando negativos, da emoção abrangem desde a capacidade
desenvolvendo-os quando positivos, de de identificar emoções em si mesmo, em
modo a se conquistar o equilíbrio emocio- outras pessoas e em objetos ou condições
nal. físicas, até a capacidade de expressar
essas emoções e as necessidades a elas
Este equilíbrio nos permite a motiva- relacionadas, e ainda, a capacidade de
ção para uma vida mais harmonizada. Esta avaliar a autenticidade de uma expressão
22

emocional, detectando sua veracidade, genciadas até que surjam problemas, os


falsidade ou tentativa de manipulação. mais variados, desde doenças emocionais
como a depressão, a ansiedade, estresse,
A emoção como facilitadora do pen-
a síndrome do pânico, até outras como o
samento, do ato de pensar, diz respeito à
câncer e outras doenças graves, nas quais
utilização da emoção como um sistema de
a medicina vem comprovando o fator
alerta que dirige a atenção e o pensamen-
emocional em sua gênese.
to para as informações (internas ou ex-
ternas) mais importantes. A capacidade A proposta da inteligência emocional é
de gerar sentimentos em si mesmo pode fazer com que as pessoas aprendam a li-
ajudar uma pessoa a decidir, funcionando dar com as suas emoções antes que elas
como um “ensaio”, no qual as emoções po- gerem problemas, que elas sejam fonte
dem ser geradas, sentidas, manipuladas e de saúde e não de doença.
examinadas antes da tomada de decisão.
É fato que vivemos em uma sociedade
Compreensão e análise de emo- que privilegia o intelecto. Desde crianças
ções; emprego do conhecimento emocio- somos educados ou poderíamos melhor
nal; incluem desde a capacidade de rotu- dizer mal-educados a reprimir as emoções,
lar emoções, englobando a capacidade dando muita ênfase a educação intelec-
de identificar diferenças e nuances entre tual. Os pais se preocupam em oferecer
elas (como gostar e amar), até a compre- uma educação social baseada em regras
ensão da possibilidade de sentimentos de comportamento e conduta, ocupando-
complexos, como amar e odiar uma mes- -se muito pouco com a parte emocional,
ma pessoa, bem como as transições de um em realmente desenvolver a maneira de
sentimento para outro, como a de raiva expressar as emoções e lidar com elas.
para a vergonha, por exemplo. Isso prossegue na escola que dá ênfase a
formação intelectual, colocando-se a for-
Controle reflexivo de emoções para
mação emocional em segundo plano.
promover o crescimento emocional e inte-
lectual: refere-se à capacidade de tolerar Gradualmente, o indivíduo vai apren-
reações emocionais, agradáveis ou desa- dendo que os fatores emocionais devem
gradáveis, compreendê-las sem exagero ficar em segundo plano até que os proble-
ou diminuição de sua importância, con- mas nesta área vão acontecendo; na vida
trolá-las ou descarregá-las no momento profissional, na afetiva, no casamento, na
apropriado. família, enfim, como não se pode despre-
zar as emoções sem pagar um preço para
A Teoria da Inteligência Emocional de-
isso, as dificuldades vão se avolumando
senvolvida pelo psicólogo Daniel Gole-
cada vez mais.
man veio atender a uma necessidade das
pessoas em nossa sociedade que é muito Torna-se, portanto, fundamental de-
rica tecnologicamente e pobre nos aspec- senvolver a inteligência emocional de
tos emocionais do ser. Vivemos hoje num modo a aprendermos a lidar com as nos-
ritmo em que as questões emocionais sas emoções e, em virtude disso, termos
das pessoas são constantemente negli- uma vida mais equilibrada, harmonizada e
23

feliz. conhecer as próprias emoções


– autoconsciência – conhecimento que
Goleman (1994) procura provar que
o ser humano tem de si próprio, de seus
não só a razão (QI) influencia nos nossos
sentimentos ou intuição. Esta compe-
atos, mas a emoção também é responsá-
tência é fundamental para que o homem
vel pelas nossas respostas e tem imenso
tenha confiança em si (autoconfiança) e
poder sobre as pessoas. Ele afirma que o
conheça seus pontos fortes e fracos;
quociente de inteligência e a inteligência
emocional não são capacidades opostas, lidar com os sentimentos – capa-
mas distintas. Todas as pessoas misturam cidade de gerenciar os sentimentos – é
acuidade intelectual e emocional. Gole- importante saber lidar com os sentimen-
man se baseou na Teoria das Múltiplas In- tos. A pessoa que sabe controlar seus pró-
teligências para realizar os seus estudos prios sentimentos se dá bem em qualquer
sobre a Inteligência Emocional. lugar que esteja ou em qualquer ato que
realize;
Deste modo, surge um novo tipo de In-
teligência: a Inteligência Emocional, tão motivar-se – ter vontade de reali-
necessária no mundo em que vivemos. O zar, otimismo – pôr as emoções a serviço
controle das emoções é tão importante de uma meta. A pessoa otimista consegue
quanto o conhecimento que adquirimos. realizar tudo que planeja, pois tem consci-
Segundo Goleman (1994), quando o cére- ência que todos os problemas são contor-
bro tem uma pergunta de emergência, ele náveis e resolvíeis;
precisa dar uma resposta imediata, emo-
reconhecer emoções nos outros –
cional.
empatia – saber se colocar no lugar do ou-
Esta resposta pode ser boa ou má, ade- tro. Perceber o outro. Captar o sentimen-
quada ou inadequada, exagerada ou não, to do outro. A calma é fundamental para
e depende da experiência da pessoa na in- que isso aconteça. Os problemas devem
fância. Outra parte do cérebro julga esta ser resolvidos através de conversas cla-
resposta e gera uma ação, que procura ser ras. As explosões devem ser evitadas para
adequada a situação. Essa parte do cére- que não prejudique o relacionamento com
bro é responsável pelo que se chama “in- os outros;
teligência emocional da pessoa”.
lidar com relacionamentos – ap-
Algumas habilidades emocionais são tidão social – a capacidade que a pessoa
consideradas importantes para que uma deve ter para lidar com emoções do grupo.
pessoa alcance seus objetivos, seja fe- A arte dos relacionamentos deve-se, em
liz e alcance sucesso na vida. Dentre elas grande parte em saber lidar com as emo-
são citadas o controle do temperamento, ções do outro. Saber trabalhar em equipe
adaptabilidade, persistência, amizade, é fundamental no mundo atual.
respeito, amabilidade e empatia.
Um dos problemas mais evidentes re-
Goleman apresenta os seguintes ní- lacionado à inteligência emocional é o
veis de Inteligência Emocional: de sua mensuração. Desde a proposição
da inteligência social (THORNDIKE, 1920
24

apud GARDNER, 1994) que não se conse- cional como um tipo de inteligência, deve-
gue desenvolver um instrumento confiá- -se apresentar um instrumento composto
vel para medi-la. E sem esse recurso não de tarefas cuja resolução dependeria do
é possível conhecer objetivamente suas uso de capacidade (GARDNER, 1994).
características funcionais (e estruturais,
No entanto, a maioria das escalas cons-
mas esse é um outro problema) na mente
truídas para avaliação da inteligência
humana.
emocional tem se baseado em autorre-
A principal discussão se dá em torno lato, como por exemplo, o O BarOn Emo-
dos tipos de instrumentos utilizados para tional Quotient Inventory (BarOn Eq-i)
mensuração dessas formas de inteligên- (Bar-On, 1996, 1997) e a Medida de Inteli-
cia que têm sido propostos ao longo da gência Emocional (SIQUEIRA, BARBOSA &
história. Esses instrumentos têm sido, in- ALVES, 1999), para citar apenas uma es-
variavelmente, baseados em autorrelato, trangeira e uma nacional, respectivamen-
isto é, instrumentos que colhem a opinião te. Ambos os instrumentos apresentam
do sujeito a respeito de si próprio na área rigorosos estudos de construção, assim
que se pretende investigar. Assim, se pre- como boas propriedades psicométricas,
tende-se mensurar o quanto o sujeito é mas são compostos de subescalas tradi-
ansioso, apresentam-lhe frases contendo cionalmente associadas à traços de per-
os sintomas, pensamentos e formas de sonalidade, habilidades sociais e outros
se comportar de pessoas ansiosas para construtos que não a inteligência.
que classifique se e/ou quanto cada item
Weisinger (1997) nos explica de ma-
apresentado se aplica ao seu caso.
neira clara que a inteligência emocional é
Esse tipo de mensuração, que tem sido simplesmente o uso inteligente das emo-
utilizada com sucesso para avaliação de ções – isto é, fazer intencionalmente com
traços de personalidade, é inadequado que suas emoções trabalhem a seu favor,
para mensuração da inteligência. Supõe- usando-as como uma ajuda para ditar seu
-se que, sendo a inteligência uma capa- comportamento e seu raciocínio de ma-
cidade cognitiva, esta deva ser medida neira a aperfeiçoar seus resultados.
através do desempenho do sujeito em
Vamos supor que você tenha que fazer
tarefas nas quais demonstre possuir tal
uma apresentação importante, e sua au-
capacidade (medidas de desempenho).
toconsciência (outra área da inteligência
Não faz sentido mensurar qualquer tipo
emocional) lhe mostre que você está se
de inteligência perguntando-se ao sujeito
sentindo extremamente ansioso; sua in-
o quanto ele se considera inteligente, ou
teligência emocional iria então ditar-lhe
o quanto ele se considera capaz de resol-
uma série de ações: você poderia reprimir
ver problemas deste ou daquele tipo. Esta
todo pensamento destrutivo, usar o re-
seria uma medida de algo como a autoper-
laxamento para diminuir o nervosismo e
cepção da capacidade de resolver proble-
cessar qualquer comportamento contra-
mas, porém não relacionada diretamente
producente — tal como ficar andando de
à real capacidade do sujeito em questão.
um lado para o outro. Agindo assim, você
Portanto, ao se propor a inteligência emo-
reduziria sua ansiedade o bastante para
25

fazer sua apresentação com confiança. a) A capacidade de perceber, avaliar e


expressar corretamente uma emoção.
É quase infinito o número de casos em
que a inteligência emocional pode ser b) A capacidade de gerar ou ter aces-
aplicada no local de trabalho: para resol- so a sentimentos quando eles puderem
ver um problema complicado com um co- facilitar sua compreensão de si mesmo ou
lega, fechar um contrato com um cliente de outrem.
intratável, criticar o chefe, dedicar-se com
c) A capacidade de compreender as
entusiasmo a uma tarefa até completá-
emoções e o conhecimento derivado de-
-la, e muitos outros desafios relacionados
las.
ao seu sucesso. A inteligência emocional
é usada tanto intrapessoalmente — para d) A capacidade de controlar as pró-
ajudar a si mesmo — quanto interpessoal- prias emoções para promover o cresci-
mente — para ajudar outras pessoas. mento emocional e intelectual (WEISIN-
GER, 1997).

3.2 Seus componentes


A inteligência emocional provém de
3.3 Como usar a inteligência
quatro componentes, que agem como os emocional
componentes do DNA; quando alimenta-
A base de qualquer relacionamento é a
dos pela experiência, eles lhe permitem
comunicação que estabelece vínculos, e
desenvolver habilidades e aptidões es-
o vínculo, por sua vez, forja um relaciona-
pecíficas, que vão formar a base da sua
mento. É incalculável o valor da capacida-
inteligência emocional. Ao contrário do
de de comunicar-se eficazmente no local
seu DNA biológico, porém, os componen-
de trabalho – basta pensar em tentar re-
tes da sua inteligência emocional podem
solver um conflito com um colega de tra-
ser desenvolvidos para lhe dar condições
balho, falar com o chefe sobre a incapa-
de expandi-la significativamente. Esses
cidade dele ou escutar as queixas de um
componentes foram identificados pe-
cliente, se você não consegue se comuni-
los psicólogos pioneiros John Mayer, da
car bem. Palavras erradas, gestos incon-
Universidade de New Hampshire, e Pe-
venientes ou significados dúbios podem
ter Salovey, de Yale, que também criou a
levar a desfechos bastante infelizes.
expressão “inteligência emocional” em
1993, como vimos no início da unidade. Existem, para tanto, algumas técnicas
que podem assegurar maiores chances de
Cada um desses quatro componentes
um desfecho positivo nos diálogos com as
representa certas aptidões que, reunidas,
outras pessoas. São elas: a autorrevela-
dão origem à sua inteligência emocional;
ção, a positividade, a escuta dinâmica, a
cada nível subsequente incorpora as ap-
crítica e a comunicação de grupo.
tidões dos níveis anteriores, sendo cons-
truídos, assim, de forma hierárquica. Relacionar-se bem com os outros signi-
fica entrar em contato com eles para per-
Esses quatro componentes são:
26

mutar informações de maneira expressi- 3.4 Expandindo a inteligên-


va e apropriada. Se você calcular o tempo
que dedica a tratar com as outras pesso- cia emocional
as, compreenderá facilmente a razão por Com um grau elevado de autoconsciên-
que “relacionar-se bem com os outros” cia, você consegue monitorar-se, obser-
costuma figurar como qualificação dese- var-se em ação, para que possa influen-
jável em ofertas de emprego. O que lhe ciar seus próprios atos de tal maneira que
permite um bom relacionamento com as eles funcionem em seu benefício. Tendo
outras pessoas é a destreza interpessoal, consciência, por exemplo, de que o seu
ou seja, sua capacidade de analisar um re- tom de voz está ficando mais alto e você
lacionamento para que possa conduzi-lo está ficando cada vez mais irritado com
num caminho produtivo e sua capacidade o cliente que está fazendo mais uma exi-
de comunicar-se em níveis adequados, de gência descabida — e reconhecendo, é cla-
modo que as informações sejam passadas ro, a importância desse cliente para o seu
de maneira eficaz. trabalho —, você pode muito bem baixar o
Uma organização de trabalho é um sis- tom da voz, desarmar a raiva e responder
tema integrado que depende do inter-re- respeitosamente.
lacionamento dos indivíduos que fazem A autoconsciência é o alicerce sobre o
parte dela — por isso é tão importante para qual são construídas todas as outras apti-
o sucesso da empresa que não apenas to- dões da inteligência emocional. Podemos
dos os empregados usem o melhor de sua utilizar toda abundância de informações
capacidade, como também ajudem outras que temos sobre nós mesmos, desde
pessoas a fazer o mesmo. No contexto da pensamentos até sentimentos, como os
inteligência emocional isso significa aju- interpretamos, bem como interpretamos
dar as pessoas a controlar suas emoções, nossas emoções, sensações e intenções.
comunicar-se eficientemente, solucionar
seus problemas, resolver seus conflitos e Diferentemente de reprimir nossas
adquirir motivação. emoções (o que irá nos privar das valiosas
informações que elas podem lhe forne-
Existem maneiras específicas para cer), controlar as emoções significa com-
mantermos a perspectiva emocional, para preendê-las e então usar essa compreen-
ajudarmos acalmar uma pessoa descon- são para lidar com as situações da maneira
trolada, ser um ouvinte solidário e ajudar mais produtiva. Por serem as emoções
a planejar e atingir metas. Essas capacida- produzidas por uma interação de: (1) pen-
des de ajudar outras pessoas vem da des- samentos, (2) alterações fisiológicas e
treza interpessoal e da própria inteligên- (3) atitudes como reação a um aconteci-
cia emocional. Elas podem contribuir para mento externo, nós podemos controlar as
criar uma organização emocionalmente emoções controlando cada um desses três
inteligente (WEISINGER, 1997). componentes. Para resolvermos emoções
negativas até mesmo a resolução de pro-
blemas, é uma forma para sairmos de situ-
ações embaraçadas.
27

Quando estamos motivados, somos


capazes de iniciar uma tarefa, persistir
nela, prosseguir até concluí-la e lidar com
quaisquer obstáculos que possam surgir.
Felizmente existem fontes nas quais po-
demos pode buscar motivação!

Nós mesmos podemos ser fontes de


motivação, o apoio de amigos, parentes
e colegas; um mentor emocional (uma fi-
gura-modelo, real ou fictícia); nosso am-
biente (o ar, a iluminação, os ruídos no
escritório). Incentivando e fortalecendo
a confiança, a tenacidade, a flexibilidade,
o otimismo e o entusiasmo, essas fontes
podem nos ajudar a motivar e permanecer
motivado, e a transformar percalços – o
fim de um emprego ou um relatório difí-
cil de fazer – em sucessos (WEISINGER,
1997).
28
UNIDADE 4 - A inteligência emocional no
trabalho
São vários os autores que constataram estamos falando sobre possíveis confu-
a influência da inteligência emocional na sões, tumultos, ou seja, conflitos, o que
vida profissional, seja ela positiva ou ne- deixa os nervos dos funcionários a flor da
gativa, como por exemplo: pele.

Rodrigues (2008) em um artigo intitu- Exemplificando de uma forma mais cla-


lado “Inteligência Emocional – uma atitu- ra de como podemos utilizar a Inteligência
de de sucesso” justifica que as pessoas Emocional no ambiente de trabalho são as
quando passam a entender seus próprios inúmeras situações diárias com o gerente
sentimentos diante das inúmeras situa- ou “chefe”, que na maioria das vezes é exi-
ções do dia a dia melhoram sua vida pro- gente e impõe inúmeras tarefas ao mes-
fissional, e se destacam entre as demais. mo tempo.

Um exemplo negativo é o fato de que Para que o funcionário as execute da


desde o momento em que você faz uma melhor forma possível, ele deve ter tran-
entrevista para conseguir um empre- quilidade, atenção e, principalmente, tem
go, você já está utilizando sua Inteligên- que saber administrar seu tempo. O de-
cia Emocional. Se você fica tenso diante sespero e a ansiedade não devem fazer
do entrevistador com as mãos trêmulas, parte na execução dessas tarefas.
passa insegurança e demonstra pouco
Em qualquer área da atividade humana,
autocontrole, ou seja, não tem uma In-
pessoas com estrutura emocional sólida,
teligência Emocional bem evoluída, não
conseguem melhor produtividade, e por
sabe como agir diante daquela situação,
isto, destacam-se entre as demais (LIMA,
faz daquele momento uma verdadeira ca-
2010).
tástrofe. Perdendo assim a chance de se
destacar com uma boa primeira impressão Também devemos lembrar das compe-
(SANTOS, CERVI, 2012). tições e fofocas, entre os funcionários no
ambiente de trabalho. Nestes casos, é im-
Profissionais que sabem administrar
portante manter a discrição, paciência e
suas emoções de maneira inteligente e
equilíbrio emocional para não se descon-
ainda conseguem alcançar bons resulta-
trolar diante inúmeras situações (SAN-
dos fazem parte dos talentos “caçados” e
TOS; CERVI, 2012).
ou retidos pelas grandes empresas (RO-
DRIGUES, 2008). Lima (2010) destaca algumas compe-
tências comportamentais como: auto-
O ser humano necessita do trabalho
percepção, autocontrole, automotivação,
para sobreviver, mas principalmente para
empatia e práticas sociais, e isso é o que
sentir-se útil diante da sociedade. Então
podemos chamar, na prática, de Inteligên-
esse local deve ter um clima tranquilo
cia Emocional.
para que as tarefas fluam com facilidade.
Quando falamos em ambiente tranquilo, Quando se trata do chefe, ou o admi-
29

nistrador, a Inteligência Emocional é ainda Críticas e pequenos desentendimentos


mais importante, pois, este deve coman- podem acarretar sérias brigas com agres-
dar a empresa, planejar passo a passo sões verbais e chegando até à agressão
cada área da organização, ter pulso firme, física, e isso ocorre com maior frequência
mas também sensibilidade para motivar do que imaginamos. A qualidade de vida no
e comandar seus funcionários, pois, ele ambiente de trabalho é muito importante,
estará lidando com seres humanos, e ha- perder tempo com esses tipos de atitudes
vendo respeito entre as partes (chefe e não levará ninguém a alcançar os seus ob-
funcionários), estas caminharão juntas e jetivos, resistir a pequenas provocações é
ficarão atentas a todos os acontecimen- uma luta constante, porém é uma atitude
tos da empresa. inteligente (SANTOS; CERVI, 2012).

Dentro de uma organização, o bom hu- O sucesso profissional muitas vezes


mor é outro fator que deve ser exercitado vem acompanhado de muita força de von-
constantemente acompanhado da edu- tade. Enxergar o futuro como uma grande
cação, esta que é sempre bem vinda em oportunidade de crescimento e saber en-
qualquer circunstância. Todos têm direito carar os desafios de cada dia já é uma ati-
de expor suas ideias, ao que chamamos de tude de vencedor.
companheirismo e isso contribuirá para
Se quiser ter sucesso emocional, pro-
bons relacionamentos dentro do ambien-
fissional e social, você precisa ser um em-
te de trabalho. Lembremos ainda da flexi-
preendedor. Como empreendedor, errará
bilidade, que sempre deve estar presente
diversas vezes, mas esse é o preço da con-
nessas situações, principalmente quando
quista e como diz Cury (2009, p. 68): “não
há trabalhos em equipe.
há vitórias sem derrotas, nem pódio sem
Lima (2010) exemplifica que todas as labuta”.
pessoas em suas diferentes profissões
Vale a pena observar se nas atitudes
se beneficiarão ao desenvolver sua inteli-
diárias estamos sendo emocionalmente
gência emocional, pois nunca é tarde para
inteligentes, se estamos cuidando primei-
o crescimento em todas as áreas e fases
ramente de nós mesmos, para depois nos
da vida.
preocupar com tudo a nossa volta.
Assim, é provável que este profissio-
A inteligência emocional também pode
nal se destaque não somente na empre-
ser ampliada ao longo da caminhada pro-
sa, mais também nas amizades com seus
fissional, mesmo porque a capacidade de
companheiros de trabalho.
desenvolvimento do ser humano e de ge-
Goleman (2007) encontrou em uma rir sua carreira somam-se para a consecu-
pesquisa realizada junto a 108 adminis- ção do sucesso de uma organização e de
tradores e funcionários de escritório que nós mesmos enquanto profissionais.
a crítica inepta antecedida a desconfian-
Lima (2010) comenta que para de-
ça, confronto de personalidades, disputas
senvolver sua Inteligência Emocional, é
pelo poder e por salário como motivo de
necessário seguir algumas etapas como
conflitos no trabalho.
identificar os próprios comportamentos,
30

observá-los e avaliá-los (conhecer-se a si quando estamos lidando com a persona-


próprio) para que possa haver melhorias, lidade.
em seguida iniciar um treinamento em
O primeiro passo é despertar para sua
relação aos comportamentos com ações
importância em nossas vidas, seja no âm-
práticas (gerencia-se e trabalhar as com-
bito pessoal como no profissional. Conco-
petências comportamentais), verificar os
mitantemente devemos lembrar que as
resultados até conseguir atingir as metas
empresas têm buscado por profissionais
pretendidas, tanto no ambiente pessoal
que consigam desenvolver inúmeras ha-
quanto profissional.
bilidades: flexibilidade, negociação, orga-
O ser humano não pode sobreviver so- nização, inovação fazem parte desse rol.
zinho, ele precisa de relacionamentos com
Goleman (2007, p.168) lembra que:
o próximo, e isso muitas vezes gera agita-
ção. Essa agitação é uma boa oportunida- o custo-benefício proporcionado
de para desenvolver a Inteligência Emo- pela inteligência emocional é uma
cional (SANTOS; CERVI, 2012). ideia relativamente nova nas empre-
sas, que alguns administradores he-
Lima (2010) diz também que é inte-
sitam em levar em consideração, [...]
ressante que a pessoa faça um acom-
mas uma nova realidade competitiva
panhamento mais preciso em relação às
vem impondo a utilização da inte-
competências que precisa desenvolver e
ligência emocional no ambiente de
aproveitar todas as situações para prati-
trabalho e no mercado.
cá-las, principalmente porque sabemos
que a existência do ser humano com todos Enfim, um bom profissional precisa sa-
os seus conflitos é uma grande oportuni- ber focar nos objetivos, lutar por eles com
dade de crescimento. persistência, se uma de suas metas for
um melhor desenvolvimento de sua Inte-
Depois de saber quais os pontos fortes
ligência Emocional, seria muito interes-
e fracos e as limitações, a pessoa deve ser
sante realizar uma mudança de atitude,
orientada a desenvolver as competências
se preparando melhor para os desafios de
comportamentais que mais estão preju-
sua profissão (LIMA, 2010).
dicando seu desenvolvimento pessoal e
profissional e aqui podemos citar a lide-
rança, o poder de persuasão, a motivação,
comunicação e relacionamento interpes- 4.1 Treinando pessoas
soal, entre outras, como parte do progra-
A Inteligência Emocional no trabalho é
ma de desenvolvimento de sua Inteligên-
o uso inteligente das emoções, ou seja,
cia Emocional (LIMA, 2010).
fazer intencionalmente com que suas
Lembremos sempre que o desenvol- emoções trabalhem a seu favor, usando-
vimento da Inteligência Emocional não -as como uma ajuda para ditar seu com-
acontece de um dia para o outro. Calma, portamento e seu raciocínio de maneira a
paciência, treino, educação, disciplina aperfeiçoar seus resultados (WEISINGER,
fazem parte desse processo que é lento 2001).
31

Na prática, o trabalho em equipe, ca- Qualquer organização seja uma es-


nais de comunicação abertos, coopera- cola, uma empresa ou um clube, por ser
ção, persuasão, persistência, motivação, um organismo vivo, é feita de pessoas. E
liderança, empatia, saber escutar e dizer o pessoas têm crenças, valores, sentimen-
que pensa são a base da Inteligência Emo- tos, inteligência e principalmente dife-
cional como competência profissional. renças. Em qualquer ambiente encontra-
mos pessoas com habilidades diferentes,
O desenvolvimento das aptidões emo-
competências diferentes e aspectos mo-
cionais básicas proporciona estar em
tivadores diferentes. A organização do
sintonia com os sentimentos daqueles
século XXI é formada por equipes e redes
com quem tratamos, saber lidar com dis-
de equipes. As mais modernas e mais pre-
cordâncias para que não cresçam, saber
paradas para esse novo cenário valorizam
mediar conflitos, ter a habilidade de fluir
seus recursos humanos e lhes dão opor-
criativamente quando fazemos nosso tra-
tunidades para que possam desenvol-
balho e liderar convencendo as pessoas a
ver conhecimento sobre sua Inteligência
trabalhar por um objetivo comum.
Emocional (CASTRO, 2009).
Quem demonstra controle emocional,
O conceito de Inteligência Emocio-
autoestima elevada e autoconfiança têm
capacidade para identificar muitas solu-
nal proposto por Goleman descre-
ções para os problemas enfrentados no
ve as competências das pessoas que
dia a dia. É notório, por exemplo, que ad- precisam lidar e se adaptar às extra-
ministrar conflitos é uma das competên- ordinárias mudanças que ocorrerão
cias que mais exige o uso da habilidade ou nas próximas décadas:
capacidade emocional, uma vez que no ato Autoconsciência – observar-se e
de uma negociação a pessoa demonstra reconhecer os próprios sentimentos; for-
ou não equilíbrio entre razão e emoção. mar um vocabulário para os sentimentos;
As duas se complementam, pois técnica, saber a relação entre pensamentos, sen-
experiência e visão são fundamentais, timentos e reações;
porém tudo isso se torna poderoso quan-
do aliados à Inteligência Emocional. tomada de decisão pessoal –
examinar suas ações e conhecer as con-
Baixos níveis de Inteligência Emocional sequências delas; saber se uma decisão
no trabalho acarretam custos como me- está sendo governada pelo pensamento
nor produtividade, aumento das perdas ou sentimento;
de prazo, erros e acidentes, êxodo de fun-
cionários para outras empresas, dentre lidar com sentimentos – monito-
outros. Quando emocionalmente dese- rar a “conversa consigo mesmo” para sur-
quilibradas as pessoas não se lembram, preender mensagens negativas como re-
não têm iniciativa, não se organizam, não preensões internas; compreender o que
acompanham, não aprendem nem tomam está por trás de um sentimento; encontrar
decisões com clareza (WEISINGER, 1997; meios de lidar com medos, ansiedades, ira
GOLEMAN, 1996; SEYMOUR; SHERVING- e tristeza;
TON, 2004). lidar com tensão – aprender o va-
32

lor de exercícios e métodos de relaxamen- lo vencer/vencer para negociar acordos.


to;
A Inteligência Emocional pode ser al-
empatia – compreender os sen- cançada por meio de treino e esforço, mas
timentos e preocupações dos outros e isso requer persistência. É preciso praticar
adotar a perspectiva deles; reconhecer as até tornar estas competências algo natu-
diferenças no modo como as pessoas se ral na vida. Se você tem dificuldade de ne-
sentem em relação a fatos e comporta- gociar e esta capacidade é fundamental
mentos; para o desenvolvimento da sua profissão,
então é necessário exercitar o processo
comunicação – falar efetivamente
até tornar-se competente. Segundo pes-
de sentimentos; tornar-se um bom ouvin-
quisas, o cérebro emocional aprende atra-
te e perguntador; distinguir entre o que
vés de experiências repetidas. Portanto,
alguém faz ou diz e suas próprias reações
depois de identificar seus pontos fracos,
ou julgamento a respeito; falar de si em
é preciso centrar forças neles até desen-
vez de culpar os outros;
volvê-los. É necessário enxergar as opor-
autorrevelação – valorizar a fran- tunidades do dia a dia para praticar suas
queza e construir confiança num relacio- competências em desenvolvimento (GO-
namento; saber quando é seguro arriscar- LEMAN, 1996).
-se a falar de seus sentimentos;
Um programa para desenvolver a
intuição – identificar padrões em Inteligência Emocional de uma pes-
sua vida e reações emocionais; reconhe- soa tem as seguintes etapas:
cer padrões semelhantes nos outros;
1º. Relacionar as principais competên-
autoaceitação – sentir orgulho e cias comportamentais desta pessoa em
ver-se de forma positiva; reconhecer suas relação ao seu contexto, pessoal e profis-
forças e fraquezas; ser capaz de rir de si sional.
mesmo;
2º. Fazer uma avaliação destes com-
responsabilidade pessoal – as- portamentos, comparando o grau atual
sumir responsabilidade; reconhecer as destas competências com o grau desejá-
consequências de suas decisões e ações; vel naquele contexto.
aceitar seus sentimentos e estados de es-
3º. Executar um plano de capacitação
pírito; ir até o fim nos compromissos;
em relação aos comportamentos pouco
assertividade – declarar suas pre- desenvolvidos com ações práticas e com
ocupações e sentimentos sem ira nem sessões de feedback programadas.
passividade;
4º. Realizar avaliações para medir a
dinâmica de grupo – cooperação; evolução e as mudanças efetivas.
saber quando e como conduzir e ser con-
5º. Controlar os resultados até conse-
duzido;
guir atingir as metas pretendidas.
solução de conflitos – saber lutar
Desta forma, depois de saber quais os
limpo com outras pessoas; adotar o mode-
33

pontos fortes e as limitações, a pessoa de informação que comunica às pessoas


será orientada a desenvolver as compe- se o trabalho delas está indo bem ou pre-
tências comportamentais que mais estão cisa ser aprimorado, elevado de nível ou
prejudicando seu desempenho pessoal e inteiramente reorientado. Sem feedback,
profissional. Habilidades como empatia, as pessoas ficam no escuro, não têm ideia
flexibilidade, espírito de liderança, poder de como estão com o chefe, com os cole-
de persuasão, negociação, comunicação gas, ou em termos do que se espera delas,
e relacionamento interpessoal, entre ou- e qualquer problema só piorará com o pas-
tras, devem fazer parte do programa de sar do tempo.
desenvolvimento de Inteligência Emocio-
O feedback é ponto crucial na Avaliação
nal como dito anteriormente. É preciso
de Desempenho. Às vezes, é o principal
que a pessoa faça uma planilha com as
objetivo de todo o processo. Por isso, se
competências que precisa desenvolver e
os gestores o praticassem com frequência
aproveite todas as situações de sua vida
no dia a dia junto às suas equipes talvez a
pessoal e profissional para praticá-las
avaliação formal nem precisasse existir.
(GOLEMAN, 1996).
Na prática, os gestores se revelam um de-
sastre para corrigir comportamentos, ali-
nhar expectativas sobre o que esperam e
4.2 A importância do fee- o que podem dar em troca, ou mesmo dar
dback um simples elogio que encaminhe para um
desempenho superior.
Mas o que é feedback?
Embora o feedback seja uma invenção
Uma das aptidões emocionais básicas americana, não onde impera a cultura da
com efeito direto no trabalho é como ex- impessoalidade (sendo redundante mes-
ternar queixas como críticas construtivas, mo), não combinando com nosso jeito
ou seja, como dar feedback. A crítica é extrovertido, ele é um mecanismo impor-
uma das mais importantes tarefas de um tante para apontar falhas e necessidades
gestor, e é também uma das mais temi- de melhorias.
das e adiadas. A maneira como se fazem
e recebem as críticas afeta diretamente a Realmente temos o costume de enca-
eficiência, satisfação, motivação e produ- rar o feedback como uma agressão, prin-
tividade das pessoas no trabalho. cipalmente se ele é uma crítica negativo, e
avaliar um trabalho não é uma tarefa fácil
Na teoria de sistemas, feedback signi- mesmo, contudo, o feedback é vital para
fica o intercâmbio de dados sobre o fun- a criação de uma equipe altamente ino-
cionamento de uma parte de um sistema, vadora, pois raramente as ideias nascem
com a compreensão de que uma parte afe- perfeitas e acabadas. A crítica construti-
ta todas as outras, a fim de que qualquer va é uma parte essencial para o aprimo-
uma delas saindo do curso, pudesse ser ramento das habilidades e para ajudar as
mudada para melhor (GOLEMAN, 1996). pessoas a não perderem os sensos de va-
Numa empresa, todos fazem parte de lor prático e objetividade.
um sistema, e assim o feedback é a troca
34

Por isso, o modo como você fornece o pacto do que você diz e como diz sobre a
feedback impacta tanto na forma como é pessoa que está recebendo. Um feedba-
recebido o seu julgamento sobre o traba- ck sem empatia é destrutivo e em vez de
lho avaliado, como também suas relações abrir caminho para uma correção, cria um
futuras com a pessoa que recebe o fee- revide emocional de ressentimento, raiva,
dback. Uma abordagem honesta, cortês, defensividade e distanciamento.
leal e objetiva ajuda a construir relações
Esteja presente. O feedback (críti-
saudáveis e a fortalecer um ambiente de
cas e elogios) é mais efetivo pessoalmen-
confiança e cooperação. Uma abordagem
te e em particular. Comunicações impes-
rude, superficial, desrespeitosa e incoe-
soais, como memorando, circular, e-mail,
rente mina a motivação, a confiança e o
etc., impossibilitam a pessoa que o recebe
espírito criativo.
de responder ou esclarecer.
Goleman (1996) lança algumas su-
Ofereça soluções. Todo feedba-
gestões para conduzir o feedback de ck deve indicar uma maneira de resolver
forma construtiva: o problema, caso contrário, deixa quem o
Seja claro e específico. Cuide recebe frustrado, desmoralizado ou des-
para que sua mensagem seja clara e bem motivado. Deve abrir a porta para possi-
compreendida. Evite generalizações, tais bilidades e alternativas que a pessoa não
como sempre, nunca, todo mundo. Evite percebia que existiam, ou simplesmente a
também termos que podem levar a in- sensibiliza para deficiências que exigem
terpretações errôneas e a mal entendi- atenção, mas deve incluir sugestões so-
dos. Sempre separe o comportamento bre como cuidar desses problemas.
da pessoa. Compare: “Você está errado”
Dê a sua opinião e não as opini-
para “Você pode melhorar o seu compor-
ões de outros. Basear seu feedback em
tamento para que isso funcione ainda me-
opiniões alheias mostra falta de preparo
lhor”. A melhor fórmula para um feedback
e desinteresse de sua parte. Se você não
é “XYZ”, ou seja, diga exatamente qual é o
estiver seguro sobre alguns pontos do
problema (X), o que está errado ou como o
trabalho, admita isso na introdução de
faz sentir (Y) e o que pode mudar (Z).
seu feedback.
Seja honesto, mas sem ser rude.
Deixe claro seu papel. Se você não
Não faça rodeios, nem seja indireto nem
é um expert no assunto, você está na con-
evasivo sobre os pontos fracos do traba-
dição de olhar o trabalho sob uma pers-
lho e sobre suas razões para julgá-lo ina-
pectiva diferente. Pode não ser a melhor
dequado. Entretanto, não há necessidade
opinião, mas é diferente. Por exemplo, se
de ser brutalmente honesto, principal-
você é o gerente, você está perfeitamen-
mente porque você continuará a trabalhar
te capacitado para dar um feedback ba-
com essa pessoa e espera que ela conti-
seado no conhecimento dos clientes, do
nue a trazer novas ideias.
mercado, dos tomadores de decisão, etc.
Seja sensível. Este é um apelo por Mas tome o cuidado de deixar bem claro
empatia, para estar sintonizado com o im- em quais parâmetros você está baseando
35

suas opiniões. principalmente quando o objeto do fee-


dback é um comportamento inadequado.
Seja explicito sobre seus crité-
No trato profissional, este tipo de receio,
rios. Seus critérios podem ser subjetivos,
embora compreensível, é inaceitável. É
mas ao menos provêm uma referência
responsabilidade do gestor, prezar para
para seu julgamento. Critérios válidos in-
que nada aquém do melhor seja aceitável.
cluem: seu conhecimento prático, a rea-
Para isso, é preciso aproveitar todas as
ção dos tomadores de decisão, a reação
oportunidades de exaltar as boas realiza-
dos clientes, o mercado, a competição, os
ções e destacar as más no sentido de que
custos, os prazos, etc.
elas não mais ocorram. Tenha em men-
Adote uma postura construtiva. te que para comportamentos ineficazes,
Mesmo que você não aprove o trabalho, não dar feedback implica em concordar
não deixe de encorajar a pessoa. A criati- com uma queda de performance. Ao mes-
vidade envolve riscos e nem sempre con- mo tempo em que, para ações efetivas,
seguimos criar uma obra prima e uma das não reconhecê-las põe em risco a sua con-
atitudes mais valiosas é a de encorajar tinuidade e melhoria.
as pessoas nos momentos de fracassos.
Dar o feedback em momento ina-
Ressalte os pontos positivos da ideia e
dequado. O propósito final do feedback é
das atitudes da outra pessoa. Lembre-se
incrementar a efetividade de sua equipe e
de que, mesmo a ideia não sendo boa, a
não tem razão de ser se a pessoa a quem
outra pessoa teve iniciativa e se esfor-
se destina o feedback não estiver em
çou para superar obstáculos. Destaque os
condições de recebê-lo. Fatores como es-
pontos positivos que ela pode aprimorar e
tresse, raiva, euforia, atraso em entregas
usar nos seus próximos trabalhos.
de resultados, compromissos, etc., po-
Se você tiver de desaprovar um traba- dem roubar o foco de atenção da pessoa.
lho, faça-o, mas sem o ônus de azedar as Quando isto ocorrer, é melhor esperar por
relações e de destruir o espírito criativo uma oportunidade mais adequada para a
de sua equipe. Pelo contrário, use sempre realização do feedback.
o feedback, mesmo o negativo, como uma
Dar o feedback em público. Uti-
excelente oportunidade de aprendizado e
lize o feedback efetivamente. Ele é uma
de estímulo para o fortalecimento da mo-
ferramenta de melhoria de desempenho,
tivação e das habilidades. Primeiro, come-
não um modo de repreender ou home-
ce dizendo o que pode ser melhorado e,
nagear alguém. Via de regra, o feedback
em seguida, diga o que foi bem feito.
deve ser dado em ambiente particular en-
Goleman (1996) também nos lembra tre você e o receptor. Isto não implica em
que existem equívocos frequentes: dizer que só é possível dar feedback a por-
tas fechadas. Apenas assegure-se de não
Fugir à responsabilidade de dar
constranger o receptor elogiando ou re-
feedback. Muitos gestores se eximem de preendendo uma de suas ações. Feedback
dar feedback pelos mais diferentes moti-
é uma ação individual e pontual. Não cole-
vos. Um dos principais é o medo de entrar
tiva e indiscriminadamente abrangente.
em conflito com o receptor do feedback,
36

Permitir que o feedback não fos- almente dizendo e não o que você supõe
se dado. Apesar de ser necessário ob- que ele vai dizer. Procure entender o que
servar o momento adequado para dar o está sendo dito, ao invés de se colocar
feedback, é preciso também estar atento na defensiva e se concentrar na resposta
para dar o feedback em algum momento. que dará. Em dúvida, faça perguntas para
Caso, por exemplo, você tenha tentado re- esclarecer.
petidas vezes realizá-lo e tenha percebido
Mantenha a mente aberta. Isto
que o momento não era adequado, está
significa ser receptivo a novas ideias e di-
na hora de criar o tal momento. Chame a
ferentes opiniões. Frequentemente, há
pessoa. Explique por que você não pode
mais de uma maneira de fazer algo e ou-
se eximir de dar aquele feedback. Deixe
tras pessoas podem ter um ponto de vista
claro as diversas tentativas e, finalmente,
completamente diferente sobre um as-
faça-o.
sunto.
Não apontar um ponto específi-
Identifique os critérios. Desen-
co como objeto do feedback. O objeto
tendimentos surgem devido a diferenças
do feedback deve sempre ser focado em
de critérios. Se não há concordância nos
um único aspecto. Dar feedback abran-
critérios, não pode haver concordância no
gente, abordando diversos aspectos, não
julgamento. Assim, a primeira coisa a fazer
é efetivo. Provavelmente, este tipo de
é identificar os critérios que estão sendo
“feedback” irá confundir mais que incen-
usados para avaliar seu trabalho. São cri-
tivar ou corrigir. Procure ater-se a fatos
térios válidos? Se positivo, os avaliadores
e esquecer especulações, “achismos” ou
estão certos sobre se seu trabalho atende
quaisquer outras fontes ilegítimas de in-
ou não a esses critérios? Se você julga que
formação.
os critérios usados não são válidos, é im-
Algumas pessoas interpretam o fee- prescindível conversar inicialmente com
dback como pura crítica e se recusam a os avaliadores sobre os critérios a serem
ouvir. Outras o veem como um massacre usados e procurar um consenso.
psicológico, a confirmação de suas fra-
Tome nota. Anote pontos impor-
quezas. Outras só querem ouvir elogios,
tantes à medida que o feedback é dado.
mas nada que sugira imperfeições.
Pontos importantes para se tomar nota
Este não é o caso de todos, certamen- incluem:
te. Algumas pessoas aceitam o feedback,
- Comportamento que motivou o fee-
mesmo que seja perturbador, pois acre-
dback: porque alguém se sentiu motivado
ditam que pode ajudá-las a crescer e a
a me abordar e dar o feedback?
desenvolver suas habilidades criativas.
Algumas sugestões para aqueles que pre- - Fato citado durante o processo de fe-
tendem tirar o máximo proveito do fee- edback: que fato, específico, a pessoa que
dback sobre seus trabalhos e ideias: me deu o feedback apontou?

Ouça com atenção. Não interrom- - Resultados do comportamento obje-


pa e ouça o que seu interlocutor está re- to do feedback: como aquele comporta-
37

mento influenciou no meu trabalho, no monstram algum tipo de inquietação com


trabalho da equipe ou nos resultados da determinados tipos de feedback. Alguns
empresa? gestores, por exemplo, ficam embaraça-
dos quando são elogiados. Ter paciência
Reflita e decida o que fazer. Ava-
e humildade para ouvir é fundamental.
lie honesta e objetivamente o valor do fe-
Ouça. Não assuma. Executivos que pre-
edback, as consequências de usá-lo ou ig-
zam pela efetividade não podem errar
norá-lo. A escolha é sua. Se você discorda
com presunções.
do feedback, considere pedir as opiniões
de outras pessoas. Justificar seu comportamento.
Algumas pessoas não admitem recebe-
Faça o follow up. Há muitas ma-
rem feedback negativo e despejam um
neiras de agir após o recebimento de um
mar de justificativas antes mesmo que a
feedback. Algumas vezes, simplesmente
outra pessoa consiga explicar exatamen-
implementar as sugestões recebidas. Em
te em que o comportamento observado
outras situações, você pode querer mar-
influencia. Novamente: Ouça. Domine o
car uma nova reunião para discutir o fee-
ímpeto de justificar seu comportamento.
dback ou submeter uma versão modifica-
Aguarde a pessoa terminar de dar o fee-
da de seu trabalho (GOLEMAN, 1996).
dback. Ouça sinceramente. Posteriormen-
Qualquer que seja o resultado final, e te, se você achar adequado, agradeça e
quer você concorde ou não com o julga- faça suas considerações.
mento, o feedback sempre nos oferece
Não fazer um esforço empático
uma oportunidade de reflexão e aprendi-
para compreender o feedback. Tente
zado sobre o fruto de nosso trabalho, bem
entender a motivação para que aquela
como sobre nossas atitudes e métodos.
pessoa esteja dando o feedback. Ponha-
Mesmo você tendo total convicção sobre
-se no lugar dela e avalie os resultados de
os méritos de seu trabalho, as opiniões
seu comportamento sob o ponto de vista
contrárias de outras pessoas revelam fa-
da pessoa que está lhe dando o feedback.
lhas na comunicação das vantagens, be-
Exercitar a empatia pode incrementar sua
nefícios e viabilidade de suas ideias. Mos-
compreensão do todo da organização.
tram ainda que você pode estar ignorando
aspectos subjetivos e emocionais, bem Não levar em consideração o fee-
como perspectivas e valores distintos dos dback. Ignorar uma oportunidade de me-
seus. lhoria é algo inaceitável. Principalmente
quando o objeto de melhora é você mes-
Aqui também temos equívocos fre-
mo. Dê atenção ao feedback recebido,
quentes:
mesmo que você julgue que não há valor
Preconceber o feedback. Assumir nele. Uma análise posterior pode prová-lo
que você já sabe todas as nuances do fee- que há de fato agregação de valor no fee-
dback que está sendo dado é, no mínimo, dback. Nem que seja apenas para mostrar
imprudente. Não preconceba o feedback. como uma pessoa, grupo ou a organização
Ouça sinceramente e com paciência o fe- observa um comportamento seu específi-
edback por completo. Várias pessoas de- co.
38

Não tomar notas durante o pro- por qualquer outra forma, mostra ao ou-
cesso. Não confie simplesmente em sua tro o significado do que você apreendeu
memória. Tome nota das informações dis- do que ele disse. A habilidade de paráfrase
ponibilizadas durante o feedback. Estas envolve atenção, escuta ativa e empatia.
informações serão úteis no seu processo
Dentre os benefícios da paráfrase te-
de assimilação e consequente melhoria.
mos o aumento de precisão da comunica-
Reserve um período de tempo para anali-
ção e de compreensão mútua ou compar-
sar as notas tomadas durante a recepção
tilhada e esse ato em si transmite o seu
do feedback. Analise o feedback a poste-
interesse no outro, sua preocupação em
riori para evitar qualquer precipitação de
ver como ele vê as coisas.
análise. Tenha atenção especial principal-
mente nos resultados decorrentes do seu Entretanto, quando você usa paráfra-
comportamento. Verifique se há como se, você está mostrando sua compreen-
maximizá-lo, em caso de um comporta- são do momento e assim possibilita ao
mento positivo, ou de minimizar (ideal- interlocutor esclarecer especificamente
mente anular) os efeitos negativos do seu a mensagem em relação à compreensão
comportamento (GOLEMAN, 1996). que você revelou. Antes de concordar ou
discordar com uma afirmação, você deve
Se o tempo nos permitisse ainda tería-
assegurar-se de que está respondendo à
mos muito a comentar sobre o feedback,
mensagem que o outro enviou.
pois ele é uma das chaves que devemos
abrir para desenvolver a inteligência emo- A paráfrase é uma das maneiras de tes-
cional. tar a compreensão da mensagem antes
de reagir a ela.
Para conduzir um feedback de forma
eficaz é necessário a aquisição e o aper- b) Descrição de comportamento –
feiçoamento de certas habilidades de consiste em relatar as ações específicas,
comunicação, facilitando a compreensão observáveis, dos outros, sem fazer julga-
mútua. Estas habilidades precisam ser mentos ou generalizar seus motivos ou
treinadas e praticadas constantemente traços de personalidade.
para maior eficiência de resultados.
É possível informar aos outros a que
Entre as principais habilidades de co- comportamento você está reagindo atra-
municação estão a paráfrase, a descrição vés de descrição bastante clara e especí-
de comportamento, a verificação de per- fica.
cepção e a descrição de sentimentos, as
É importante descrever evidências visí-
quais constituem recursos valiosos para o
veis, ou seja, comportamentos acessíveis
processo de feedback construtivo.
à observação de qualquer pessoa presen-
a) Paráfrase – consiste em dizer, com te.
suas próprias palavras, aquilo que o outro
A habilidade de descrever comporta-
disse. Você enuncia a ideia do outro com
mento exige o relato de ações observá-
seu vocabulário usual, dá um exemplo in-
veis sem colocar-lhes um julgamento de
dicando o que você pensa a respeito ou,
valor como certo ou errado, bom ou mau,
39

devido ou indevido; sem fazer acusações que as mensagens tenham significado to-
ou generalizações sobre os motivos, ati- tal.
tudes ou traços de personalidade da outra
Além disso, a comunicação passa a ser
pessoa.
realmente compartilhada, com a preocu-
Significa, enfim, evitar descrever carac- pação de entender as ideias, informações
terísticas pessoais e intenções, ou inter- e sugestões e, ao mesmo tempo, como
pretar o comportamento, restringindo-se o emissor está se sentindo ao enviar as
a relatar o comportamento observável da mensagens e ao perceber como estão
pessoa. sendo recebidas.

Para desenvolver a habilidade de des- Muitas vezes, o emissor não está cons-
crever comportamento, você terá que ciente dos sinais não verbais que emite e
aprimorar sua capacidade de observação que transmitem mensagens emocionais
do que realmente ocorre. À medida que que podem facilitar, perturbar ou contra-
isto for acontecendo, você também po- dizer a mensagem verbal principal.
derá descobrir que muitas de suas afirma-
O processo de verificar percepções
ções e conclusões são menos baseadas em
passa a ser uma das formas mais úteis de
evidências observáveis do que em seus
feedback e aprendizagem para o emissor.
próprios sentimentos de irritação, afeto,
Esta habilidade constitui um dos melhores
insegurança, ciúme, medo ou alegria.
exercícios para desenvolver a capacidade
É muito importante desenvolver esta de empatia, em que observação acurada,
habilidade se você desejar dar feedback comparação com sentimentos já experi-
útil. Ao mesmo tempo, constitui uma valio- mentados e se colocar no lugar do outro
sa aprendizagem para compreender como se conjugam, levando à compreensão mú-
você responde a mensagens que o outro tua e maior competência para a vida em
não enviou, como você mesmo distorce os comum.
sinais, como você comunica mensagens
d) Descrição de sentimentos – consis-
sem perceber e como os outros veem você
te em identificar ou especificar sentimen-
diferentemente de sua autoimagem.
tos verbalmente, seja por meio do nome
c) Verificação de percepção – consis- do sentimento, de figuras de linguagem
te em dizer sua percepção sobre o que o ou de impulso de ação.
outro está sentindo, a fim de verificar se
Verificação de percepção e discrição de
você está compreendendo também seus
sentimentos são habilidades de comunica-
sentimentos, além do conteúdo das pala-
ção que ajudam os outros a compreendê-
vras.
-lo como pessoa, pois você lhes transmite
Através da habilidade de observar e re- aquilo que fazem em termos do que afeta
latar percepções de sentimentos, pode-se a você, pessoalmente ou como membro
chegar a compreender melhor as outras de um grupo e, principalmente, revela aos
pessoas, pois a comunicação se realiza outros de forma clara e espontânea aquilo
através de vários canais concomitantes que você sente (GOLEMAN, 1996).
cujos sinais precisam ser captados para
40
UNIDADE 5 - Aplicação da inteligência emo-
cional em grandes projetos
Até o momento explicamos a impor- flitos, experimente a proposta de Gar-
tância da inteligência, discorremos sobre dewartz, Chersbosque e Rowe (2012, p.
as inteligências múltiplas e falamos am- 226):
plamente da inteligência emocional. Pois
Em uma formação ou reunião de grupo,
bem, vamos ser mais específicos e ver as
use subgrupos para que os integrantes
possibilidades de aplicação, com foco nas
identifiquem as áreas de conflito que são
equipes e em grandes projetos.
mais destrutivas para a coesão e a pro-
Relembrando: lógica e intuição já são dutividade do grupo. Se você for gerente,
consideradas parceiras no modelo da em- você será o facilitador desse processo. Em
presa deste milênio, portanto, desen- grupos pequenos, você deve proporcionar
volver as aptidões emocionais trazem um certo grau de anonimato às pessoas
mudanças radicais nos ambientes das or- que, por causa de um estilo individual ou
ganizações somando-se às relações inter- influências culturais étnicas, não se sen-
pessoais entre os profissionais que cons- tem à vontade por tratar de determinadas
tituem um fator prioritário à conquista da áreas de conflito.
excelência.
Usando grupos pequenos para falar so-
bre o que os integrantes observam é um
modo mais fácil de as pessoas tratarem de
5.1 Foco na equipe um problema. Usando conflitos anônimos,
ninguém sente necessidade de proteção.
Vimos a cada dia aumentar a tendên-
Você proporciona segurança, aprendizado
cia das organizações em trabalharem em
em grupo, colaboração e uma chance de
equipes, principalmente porque as empre-
formação de habilidades individuais e co-
sas sabem que o desempenho da equipe
letivas. Demonstrando duas rodadas pu-
é melhorado e as relações são fortaleci-
blicamente, os funcionários pegam o jeito
das quando os integrantes aumentam sua
de fazê-lo. Depois, peça para as pessoas
sensibilidade ao impacto de seu compor-
dividirem-se em pares e identifique e use
tamento sobre os outros integrantes do
uma situação que seja real para elas. Enco-
grupo. Por outro lado, sabemos também
raje-as a usar a situação real mais urgente
que as equipes são prejudicadas quando
com que estejam deparando.
assumem uma postura crítica e adversa ao
lidar com outros grupos de trabalho. Para aumentar a confiança e a recepti-
vidade da equipe, você pode sugerir que
Essas são algumas situações em que a
os integrantes deem e recebam um retor-
inteligência emocional fará a diferença,
no, levando o tempo necessário. Você tem
uma vez que um critério básico para uma
as duas opções e pode escolher uma em
equipe eficaz é como ela enfrenta os ine-
um determinado momento. Na reunião da
vitáveis conflitos que surgem.
equipe, peça ao pessoal para dar um retor-
Para ajudar a equipe a lidar com os con- no uns aos outros entre os colegas usando
41

as seguintes afirmações: poral dos membros da equipe, e isso torna


as comunicações e os relacionamentos
1. Um ponto positivo nosso como equi-
mais difíceis.
pe na área da comunicação é...
Mersino (2009) cita como exemplo sua
2. Meu jeito ou estilo dominante de co-
participação em equipe de liderança em
municação é...
dois programas muito grandes, com con-
3. Pretendo que esse estilo seja útil à sideráveis componentes virtuais. No pri-
equipe das seguintes maneiras... meiro caso, estavam implementando uma
solução para toda a empresa em uma cor-
4. Podemos aumentar nossa eficácia se
poração multinacional, usando uma equipe
aprendermos a mudar de estilo fazendo
de mais de 120 pessoas em todo o mundo.
mais de... e fazendo menos de...
Em outro programa, estavam desenvol-
Sugira uma discussão no grupo todo so- vendo e implementando soluções para
bre o que os integrantes da equipe apren- um país no Oriente Médio. Usaram mais de
deram e como irão aplicar esse conheci- cem recursos espalhados em locais des-
mento ao modo como a equipe age. de o Oriente Médio até a Costa Oeste dos
Estados Unidos. No caso de uma equipe
virtual, manter todos no mesmo caminho
pode ser um esforço para o gerenciamen-
5.2 Foco em projetos virtuais to de projetos. Muitas das dicas e técnicas
Cada vez mais, estamos trabalhando em citadas por ele a seguir foram aprendidas
equipes que têm pelo menos algum com- nas experiências com esses programas.
ponente virtual. Em projetos de grande
Aplicar técnicas de Inteligência Emocio-
escala, as equipes virtuais são quase uma
nal no ambiente virtual pode ser mais im-
certeza. Por equipes virtuais, entende-se
portante que em qualquer outro lugar. Eis
que as pessoas estão trabalhando em di-
aqui algumas ideias para fazer as equipes
ferentes locais físicos, e não trabalhando
virtuais funcionarem para você (MERSINO,
lado a lado ou cara a cara. Não é incomum
2009).
os executivos estarem em um local, os
usuários finais em outro e as equipes de a) Reuniões Cara a Cara:
desenvolvimento em um terceiro. Muitas
Para conseguir o máximo das reuniões
vezes, os membros da equipe estão em di-
virtuais, faça questão de ter pelo menos
ferentes fusos horários, o que acrescenta
uma reunião cara a cara com cada membro
ainda mais complexidade.
da equipe no início do projeto. Isso ajudará
Às vezes há diferenças culturais a se- posteriormente nas comunicações, quan-
rem consideradas. do você não puder ver os rostos dos mem-
bros da equipe ou ler sua linguagem cor-
A inteligência emocional é mais impor-
poral. Também é recomendável se reunir
tante para equipes virtuais devido ao uso
pessoalmente ao longo do curso do proje-
do telefone e do e-mail como meios de co-
to, se isso for possível.
municação. Nenhum desses meios permi-
te que se veja o rosto ou a linguagem cor-
42

b)Tecnologia para Alavancar: de intensa atividade, pode ser necessário


coordenar todos os locais de trabalho com
Use a tecnologia para melhorar suas
uma breve reunião de status uma vez por
comunicações com membros de equipe
dia. Ou pode ser adequado cada equipe en-
remotos. Os modos de fazer isso só são
tregar seu trabalho no final do dia, quando
limitados pela sua criatividade. A tecno-
você tem equipes espalhadas em vários
logia inclui o uso de Mensagens Instantâ-
fusos horários.
neas (MI), telefones celulares ou por saté-
lites, mensagens de texto (SMS), boletins Como gerente de projetos, vale a pena
e quadros de discussão, blogs, um site do tomar cuidado com o tempo que você passa
projeto, listas de distribuição de voice- com cada stakeholders e com seus subor-
mail, videoconferência, teleconferência, dinados. Com uma equipe virtual, é muito
e-mails e ferramentas de colaboração. fácil passar um tempo maior e melhor com
aqueles que estão alocados perto de você
O segredo é fazer a tecnologia trabalhar
do que com os que estão longe. Você pode
para você e para a equipe, e não contra vo-
mudar isso investindo mais naqueles que
cês. Por exemplo, alguns gerentes de pro-
estão longe. Se você passa trinta minutos
jeto não conhecem as MI e podem vê-las
por semana com cada subordinado dire-
como uma ferramenta para escapar. Em
to em uma reunião cara a cara, considere
vez de lutar contra elas, ou proibi-las na
passar 45 ou 60 minutos ao telefone com
empresa, adote-as. Use-as para conectar
aqueles que estão longe.
os membros mais conhecedores de tecno-
logia de sua equipe. Tente ser coerente para todos os locais.
Se você tem uma reunião geral em um lo-
É importante também fazer as comuni-
cal, peça que os outros façam uma tele-
cações funcionarem para todos.
conferência ou repita a reunião com aque-
Um bom planejamento de comunica- les que estão longe.
ções e uma boa gestão de relacionamen-
Desenvolva e compartilhe uma lista de
tos com stakeholders devem ajudar a
perguntas frequentes com toda a equipe.
identificar e solucionar as necessidades
Arquive e distribua atas dessas reuniões
de comunicação. No entanto, reconheça
com todos os indivíduos que não puderem
que, no caso de equipes virtuais, é mais
comparecer.
fácil que nunca se desconectar. Os geren-
tes de projetos devem avaliar constante- Usar o humor é outra estratégia que se
mente as comunicações regulares, asse- funciona, ajuda a nos conectarmos uns
gurar que elas são suficientes e que todas com os outros e a vermos os outros de
as necessidades dos stakeholders estão modo mais positivo. Pode dar leveza a si-
sendo atendidas. Em todo projeto existe tuações e aliviar tensões para que as pes-
invariavelmente uma ocasião em que al- soas se sintam mais confortáveis.
gum stakeholder surge e diz “Eu não sabia
O humor também pode funcionar contra
disso” ou “Eu nunca ouvi falar sobre isso”.
nós, especialmente no ambiente virtual,
Não tenha medo de fazer experiências em que as expressões faciais e a lingua-
com suas comunicações. Durante períodos gem corporal não estão disponíveis para
43

indicar que alguém está “só brincando”. Em cionamentos à estrutura de uma reunião
ambientes virtuais, pode não ser possível regular. Use o tempo fora do telefone para
ouvir a risada dos outros ou obter as rea- mostrar sua verdadeira natureza. Seja o
ções das pessoas ao nosso humor. Quando mais informal possível e encoraje-os a fa-
não funciona, o humor pode aumentar as lar e compartilhar suas preocupações, in-
diferenças entre as pessoas e servir para teresses, hobbies e objetivos (MERSINO,
nos alienar (MERSINO, 2009). 2009).

Como regra geral, o humor funciona me-


lhor quando os membros da equipe conhe-
cem uns aos outros. Quando os indivíduos 5.3 Autoconsciência e Auto-
não se conhecem, o humor pode ser facil- gerenciamento
mente mal interpretado ou levado para o
mau sentido. Voltamos ao começo: o primeiro tijolo
da inteligência emocional é a autoconsci-
Injetar humor em nossos relatórios es- ência!
critos pode dar alguma energia ao que
normalmente são documentos muito sem Autoconsciência é nossa capacidade
vida. O uso de humor pode tornar o docu- de reconhecer nossas próprias emoções e
mento mais interessante e mais fácil de seus efeitos sobre nós mesmos e sobre os
ler, e pode fazer com que mais relatórios outros. Ela não lida com o que aconteceu
de status sejam lidos de fato. ou com o que acontecerá. Seu único mo-
mento é o momento presente.
Construir relacionamentos informal-
mente vale a pena porque equipes virtuais Uma ferramenta que pode nos ajudar a
normalmente são caracterizadas por uma ter mais autoconsciência é o conceito de
série aparentemente infinita de telecon- sinais de alerta emocionais, sinais estes
ferências, que tendem a ser formais e não que nos ajudam a identificar problemas
costumam apresentar oportunidades para emocionais básicos, que são triste, irado,
o desenvolvimento de relacionamentos amedrontado, feliz, animado, carinhoso.
interpessoais. Os indivíduos podem ficar Nossas expressões faciais, ritmo car-
perdidos na formalidade e na estrutura díaco, sensação de calor ou frio, tensão
de todas essas teleconferências. Os rela- muscular, nossos olhos, nos dão uma dica
cionamentos com os membros da equipe de como estamos nos sentindo, assim
podem ser superficiais e os membros da como alguns sinais de alerta como humor
equipe podem achar que o gerente não inadequado, uso de sarcasmo, fazer pa-
tem entusiasmo e personalidade. pel de vítima, hostilidade, etc. (MERSINO,
Para melhorar os relacionamentos e 2009, p.42-49).
tornar as teleconferências mais pessoais, Sermos autoconscientes ajudará sobre-
use o tempo fora do telefone para inves- maneira a dominarmos a inteligência emo-
tir e construir relacionamentos com mem- cional e, por conseguinte, nossas compe-
bros de equipe virtuais. tências e habilidades.
Não limite seu investimento em rela-
44

O autogerenciamento, por sua vez, Os filmes são uma excelente fonte para
acontece quando a pessoa começa a usar estudar emoções. Podemos observar as
a consciência dos sentimentos para ge- emoções nas atuações dos atores na tela.
renciar a si mesma. Com base na autocons- Também podemos monitorar nossas emo-
ciência, usamos essas informações para ções que ocorrem em reação ao que ve-
controlar e administrar nossas emoções. mos na tela.
Controlamos as emoções para elas não nos
Existe um número praticamente infini-
controlarem.
to de filmes para ajudá-lo a observar ou
Um processo simples em três eta- viver emoções.
pas para autogerenciamento envolve: 1º
A lista a seguir, elaborada por Mersino
-identificar o sentimento; 2º - determinar
(2009) apresenta alguns filmes específi-
a causa básica; 3º - agir para esclarecer a
cos que podem ser usados para explorar a
situação.
inteligência emocional. Temos o título do
Se os colapsos emocionais são previsí- filme e uma breve descrição das emoções
veis e evoluem de forma lenta, a melhoria que poderá observar ou viver.
da autoconsciência nos ajuda a evitar os
colapsos.

Título do filme Descrição das emoções


Melhor é impossível (As good as it gets) Raiva, tristeza, felicidade e medo.

Férias frustradas de natal (Christmas Vaca- Bons planos e boas intenções são errado.
tion)

Crash (No limite) O filme expõe e enfrenta as tendências e


os preconceitos que temos em relação uns
aos outros. Tristeza e raiva.

Hotel Ruanda (Hotel Rwanda) Tristeza e raiva


Os incríveis (The incredibles) Felicidade, raiva, animação e outras.
Duas vidas (The kids) Feliz, irado, triste
Um estranho no ninho (One glew over the Tristeza, felicidade, animação, carinho,
cuckoo’s) raiva e medo.
Flores de aço (Steel magnolias) Depressão, tristeza.
Doze homens e uma sentença (Twelve Comportamento hostil, falta de autocon-
Angry men) trole da raiva, suavização e fuga.
Nosso querido Bob (What about Bob?) Falta de autocontrole, comportamento
passivo-agressivo, raiva e negação
Mong & Lóide (Tommy boy) Sarcasmo, raiva.
45

Modelo de Check-list de avaliação da inteligência emocional


46

REFERÊNCIAS

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