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(P-491)

TRANSMISSOR
PARA TAKERA

Autor
H. G EWERS

Tradução
AYRES CARLOS DE SOUZA

Revisão
ARLINDO_SAN
(De acordo, dentro do possível, com o Acordo Ortográfico válido desde 01/01/2009)
Na Terra e nos outros mundos do Império Solar os
calendários registram fins de maio do ano 3.438. Deste modo,
Perry Rhodan e seus 8.000 companheiros da Marco Polo
encontram-se há exatamente dez meses na NGC 4594, ou
Gruelfin, a galáxia natal dos cappins.
Durante este tempo os participantes da expedição às
estrelas venceram uma série de situações perigosas. Eles
tiveram que suportar pesados reveses — mas também
conquistaram importantes vitórias.
Presentemente a situação modifica-se constantemente em
favor dos terranos e dos ganjásicos chefiados por Ovaron, seus
aliados, enquanto os takerers, sob a chefia do seu Tachkar
Ginkorash, cada vez mais perdem terreno.
Mas mesmo agora, depois da reconquista do precioso
aparelho Comudaque que por Gucky e após lutas no cosmo, das
quais os ganjásicos saíram vencedores, nada ainda está
decidido.
Mas Perry Rhodan procura a decisão. Ele e seus terranos
planejam o contragolpe. Eles atravessam o “Sistema das mil
armadilhas” e chegam a Mayntoho, o mundo secreto dos
vesaquenos. AH, no segundo planeta do sistema dos três sóis,
tem início uma nova missão para Perry Rhodan e outras 28
pessoas.
Pois é ali que se encontra o Transmissor Para Takera...

======= Personagens Principais: = = = = = = =


Perry Rhodan — O Administrador-Geral passa através do
transmissor para Takera.
Roi Danton e Paladino — O rei dos livre-mercadores e os
Thunderbolts são aprisionados.
Alaska Saedelaere — O lesado por transmissor coloca bombas.
Patulli Lokoshan, Josef Babuschkin, Alexander Strelinsky e
Lorde Zwiebus — Acompanhantes de Alaska Saedelaere.
Schymartko — Chefe do Comando de Vigilância Motah.
Ginkorash — Tachkar dos takerers.
1

O Schamasch celeste ouviu as orações de


Gilgamesch e grandes ventos levantam-se contra
Chumbaba: Vento Grande, Vento do Norte, Vento
Tufão, Vento da Areia, Vento da Tempestade, Vento
Gelado, Vento Temporal, Vento de Fogo! Oito ventos
ergueram-se contra ele. Chumbaba tem os olhos batidos
por eles novamente. Caminhar para a frente lhe é
negado, recuar também lhe é negado, e então
Chumbaba desistiu.
Da Epopéia Gilgamesch, Terra, quinta Tábua, IV,
12-20.

Relatório Robot Recording System Main Archives 321 Marco Polo (Poresma-321
MP):
Os dois cappins ainda vivem. Eles se agarram em alguns fixadores de montagem do
meu invólucro externo e se entreolham, através dos seus capacetes transparentes.
Se o seu sistema nervoso central, depois de todas as provações físicas e psíquicas da
luta, ainda possuírem a capacidade de pensar logicamente, na realidade eles deveriam
chegar à conclusão de que a sua espécie possui apenas uma pseudo-inteligência. Mas
possivelmente seres viventes como eles não têm a capacidade de se auto-avaliar
corretamente.
RMYX!
Impulso-convite entendido. Vou fazer a comutação.
Tempo terrano: 31 de maio 3.438. Posição: Entre a galáxia NGC 4594 e a galáxia
satélite (ainda não registrada no NGC) de nome Morschaztas. Coordenadas...
Às 13:04:39 horas começou a segunda batalha entre a Frota Principal comandada
pessoalmente pelo Ganjo Ovaron e a nova Frota Principal takerer, recentemente
completada, sob o comando do Tachkar.
Durante a primeira fase os takerers conseguiram alguma vantagem, porque
utilizaram uma unidade de elite, num ataque de surpresa contra a retaguarda dos
ganjásicos. Resultado da fase: Takerers 237 pontos, Ganjásicos 162.
Na segunda fase da batalha, as unidades ganjásicas formaram-se novamente para o
ataque da nave esférica-oca contra a unidade de elite takerer avançada. Os takerers...
Aí está novamente esta coisinha esquisita!
Um dos cappins tinha os olhos fechados, mas eu reconheço que ele ainda respira.
Talvez ele esteja procurando se encapsular contra a realidade. O outro cappin amarrou-se
com um curto cabo nos meus fixadores de montagem e trabalha com as duas mãos no
aparelho parecido com um minicomunicador, que se encontra afivelado no seu antebraço.
Eu gostaria de poder fazer alguma coisa pelos dois seres viventes. Eles são vítimas
de um envolvimento coletivo de ambos os seus povos, apesar de há hora e meia atrás
ainda terem tentado matar-se mutuamente. Mas eu disponho apenas de um
goniometrador-transmissor e não posso irradiar outra notícia que não seja de sinais de
goniometria.
O cappin ganjásico pertence a uma nave da retaguarda ganjásica. A mesma foi
destruída nos primeiros minutos do ataque de surpresa takerer. O ganjásico conseguiu
salvar-se com uma pequena nave.
O cappin takerer pertencia a uma nave da formação de elite takerer, que executou o
ataque contra a retaguarda ganjásica. A sua nave foi abalroada tão violentamente por uma
nave ganjásica, sofrendo avarias tão fortes, que a tripulação teve de desembarcar. Quase
todos eles morreram, quando dois caças espaciais se meteram num combate bem entre
eles. Dois takerers sobraram. Eles atiraram contra a nave de salvamento ganjásica, que ou
queria trazer-lhes salvamento ou então pretendia derrubá-los a tiros. A nave acabou
incendiando-se, de modo que o piloto teve que desembarcar. Antes, entretanto, destruiu
com sua arma de raios energéticos um dos dois náufragos takerers.
Só então os dois cappins pareceram entender que seria desnecessário matarem-se
mutuamente, pois isso faria um adversário superior a eles em muito — a natureza. Eles
me descobriram e aparentemente me tomaram como algo como uma filha de salvamento
na Imensidão, pois voaram na minha direção e se agarraram em mim. RMYX!
Impulso-convite entendido. Faço a comutação. ...soltaram-se do adversário e
salvaram-se na sua maior parte, através da rápida mudança para o semi-espaço.
Entrementes a força de combate principal dos takerers avançou, e parecia que ela poderia
lutar por uma superioridade, que fosse suficientemente grande para decidir toda a batalha
a seu favor.
Nesta situação a nova arma de destruição ganjásica demonstrou ser um fator que
trouxe a superioridade aos ganjásicos, apesar da péssima posição de saída. Esta arma é o
puntador-inicial. Assim ele foi chamado em algumas mensagens de rádio captadas. Em
outras mensagens de rádio, esta arma é designada por canhão-Farrusch. Minhas medições
demonstraram que o puntador-inicial deve ser um aperfeiçoamento do canhão inicial-
Doppler. As forças liberadas agem exatamente da mesma maneira, só que elas levam à
explosão todas as máquinas nucleares de uma espaçonave atingida, e fazem isto com um
campo de força de excitação.
Às 15:22:50 horas, tempo-standard, o quadro da batalha tinha se modificado
definitivamente a favor dos ganjásicos. Naturalmente os takerers ofereceram uma forte
resistência, mas... Essa coisa parece um pequeno robô, é inexplicável como ele pode
entrar dentro de mim.
Um dos cappins, trata-se do ganjásico, evidentemente está sofrendo com falta de
oxigênio. O takerer solta-se da sua fixação e balança na direção do seu adversário.
Provavelmente está querendo regalar-se com a agonia de morte do ganjásico.
Não, ele desafivela o pacote de aparelhos às suas costas e troca o aparelho gasto de
oxigênio do ganjásico por seu aparelho de oxigênio de reserva. Nisto ele abraça o seu ex-
adversário. O comportamento destas criaturas vivas realmente sempre coloca novos
enigmas para qualquer inteligência real. O ganjásico recupera-se a olhos vistos.
RMYX!
Impulso-convite entendido. Faça a comutação. ...a sua formação foi
sistematicamente destruída pelos ganjásicos. As perdas de naves dos takerers cresceram
rapidamente e às 16:17:01 horas alcançaram um tamanho que, do ponto de vista takerer,
devia ser insuportável. Mas às 16:24:35 horas, tempo-standard, uma formação de
trezentos e sessenta naves gigantes dos takerers saíram do semi-espaço e atacaram o
centro da frota ganjásica em massa. O ataque ganjásico foi paralisado, uma formação
ganjásica foi quase inteiramente destruída.
Mas então mostrou-se que a frota ganjásica era dirigida bem melhor que a takerer.
O ataque de descarrego takerer pode ser bloqueado, a frota ganjásica formou-se
novamente e então atacou em avanços concentrados. Por volta de 16:55:43 horas, tempo-
standard, a frota atacante takerer tinha sido quase aniquilada, e as formações takerer
restantes tiveram que se retirar. Às 17:46:19 horas, tempo-standard, a retirada takerer, até
então ordenada, transformou-se numa fuga precipitada. Os ganjásicos imediatamente
entraram em sua perseguição e aumentaram as perdas do adversário de 23.472 unidades
dentro de 27 minutos para 24.182 unidades. A batalha terminou por volta de 18:13:22
horas, tempo-standard, quando as últimas espaçonaves takerer se refugiaram no semi-
espaço. Neste momento os ganjásicos tinham perdido 11.254 unidades.
Já durante a batalha, o Ganjo Ovaron tinha mandado registrar diversas situações de
combate, mandando transmiti-las por dakkar-comunicadores. Tratava-se evidentemente
de uma medida psicológica, pois as mensagens ilustradas mostravam exclusivamente
situações nas quais a frota ganjásica documentava a sua superioridade. Em parte, as cenas
eram tão horríveis, que minha comutação de escolha automática apagou alguns registros.
Parece seguro que este tipo de guerra psicológica não verá falhado o seu efeito
sobre os habitantes da galáxia NGC 4594. Os cidadãos do Reino Takerer... Novamente
essa coisinha está manipulando minhas comutações!
O takerer e o ganjásico falam entre si, juntando as paredes dos seus capacetes
globulares para um contato. Em parte posso seguir a conversa através da avaliação dos
movimentos labiais. O resultado confirma minha conclusão lógica de que cappins, do
mesmo modo que terranos, são criaturas viventes dirigidas emocionalmente. Estes dois
cappins, que antes tinham se combatido furiosamente, agora se dizem palavras de consolo
mutuamente.
Depois do término da batalha, o meu transmissor-goniometrador ativou-se
automaticamente. Dentro das próximas horas eu serei apanhado por um veículo-correio,
que levará a mim e aos meus relatórios para a Marco Polo. Como não sou um robô de
combate, estou sujeito às leis básicas de Asimov da robótica, e com isto à obrigação de
tudo fazer para salvar as duas pessoas parecidas com criaturas humanas, que se agarram a
mim. Para isto, entretanto, faltam-me os meios técnicos exigidos. Chamo expressamente
a atenção para o fato de que não estou em situação de ajudar estas duas criaturas
humanas, e consequentemente não estou violando minhas leis básicas, ao ficar passivo.
O takerer acabou de comunicar ao ganjásico que ainda tinha apenas um minuto de
vida. O ganjásico retruca que lhe resta ainda um minuto e meio de vida. Eles se
despedem, como se tivessem a possibilidade de encontrar-se em algum lugar depois da
morte.
O takerer morre nos braços do ganjásico. O ganjásico abraça o cadáver, fecha os
olhos e espera pela própria morte, que ocorre no momento dado. Pouco antes ele dá um
empurrão com o pé, soltando-se do meu casco exterior.
Os dois mortos ficam boiando no espaço, fortemente abraçados, derivando para
longe de mim, na direção de Morschaztas...
***
Por volta do meio-dia do dia 1o de junho de 3.438 — tempo terrano — a CMP-34
com o Robot Recording System Main Archives 321 voltou para Mayntoho.
Perry Rhodan avaliou estas mensagens, juntamente com o Estado-Maior do
comando da Expedição Gruelfin. A alegria pelo segundo êxito retumbante dos ganjásicos
foi embaçado pelo relato sobre a morte do ganjásico e do takerer, que repercutiu tão
fortemente justamente devido à sua sobriedade robótica. Naturalmente havia uma grande
diferença, ouvir-se somente relatos de perdas de naves colocadas em números, ou em
tornar-se testemunha indireta de um drama, no qual eram descritas as mortes de pessoas
individuais.
— No fundo é o drama de dois povos cappins, que se manifesta na morte destes
dois homens — disse o Lorde-Almirante Atlan, em voz baixa. — Toda esta guerra
galáctica, com todas as suas crueldades, teria sido desnecessária, se os Tachkars takerer
tivessem desistido de sua brutal política expansionista, nestes duzentos mil anos
passados.
Gucky suspirou.
— Eu gostaria de encontrar um caminho, para terminar rapidamente com esta
guerra, sem mais perdas e baixas.
— Bem... — declarou o Administrador-Geral — ...existe uma possibilidade de pelo
menos encurtá-la, e reduzir as perdas de vidas humanas, com isto: é a ação planejada
contra o Valosar.
— Que também acaba em destruição de vida inteligente — ponderou Alaska
Saedelaere. O lesado por transmissor tinha que continuar usando a sua máscara, para que
ninguém perdesse o juízo, ao contemplar o fragmento cappin no seu rosto.
Atlan cruzou os braços sobre o peito.
— Há uma diferença, Alaska, se planejamos a destruição de cappins inocentes, ou a
destruição daqueles, que contribuíram em larga escala para serem culpados nesta guerra.
Ele fez um gesto defensivo, quando Ras Tschubai ofereceu-lhe uma xícara de café.
— Com o Valosar vamos eliminar uma grande parte das camadas dirigentes takerer
e com isto — eu espero — salvaremos milhões de takerers que de outro modo acabariam
morrendo no decorrer das batalhas.
— E não é só isso — interveio Perry. — Esta ação também deverá manter mínimos
os prejuízos e as perdas de nossos amigos ganjásicos — e deve evitar que os takerers
levem a guerra até a galáxia da Humanidade.
— Eu sei — disse Alaska, quase inaudivelmente. — Mesmo assim me aflige não
termos encontrado um caminho melhor.
— Espero que pelo menos nossos cálculos e teorias sobre as possibilidades de fuga
da população civil do planeta Takera demonstrem ser corretos — interveio o Professor
Waringer. — Logo que tivermos dado ignição nas bombas Árcon, nada mais poderá ter
volta. Então Takera desaparecerá, se seus habitantes conseguirem se salvar ou não. — Ele
colocou na boca a ponta apagada do seu charuto, quis pegar o seu isqueiro, mas num
repentino impulso, jogou a ponta no destruidor de lixo mais próximo.
— Você mesmo sabe que ao fazermos os cálculos correspondentes, agimos com
grande escrúpulo, Geoffry — disse Rhodan, irritado. — O planeta central Takera
seguramente tem suficientes naves gigantes, transmissores e instalações de transferências,
para evacuar em tempo os oito a dez milhões de civis. Além disso, não foi sem motivo
que escolhemos um acerto cujo efeito somente relativamente tarde leva à morte de um
planeta.
Pensativo, ele recostou-se na sua poltrona.
A decisão de destruir um planeta inteiro, naturalmente não fora-lhe fácil tomar. Ele
sempre fora de opinião que a destruição ou mesmo a desertificação de mundos portando
vidas, era um crime. Takera era uma certa exceção, pois ele era a fonte de todo Mal, e
com sua destruição provavelmente centenas de planetas habitados escapariam deste
destino, mesmo assim ele refletia sempre por uma saída.
O zunido do intercomunicador arrancou-o de suas cismas desagradáveis. Ele ativou
o aparelho e olhou interrogativamente na direção da tela de vídeo na qual podia ver-se o
Professor Dr. Thunar Eysbert.
O cosmopsicólogo parecia chateado.
— Sir... — disse ele, empertigado -- ...eu fiquei sabendo, ainda há pouco, que na
ação contra o Valosar o Major Lokoshan também deverá participar.
— O que é que o senhor tem a objetar contra isso? — perguntou Perry.
— Bem, Sir, já é tido como comprovado, que em todos os lugares onde permanece
o Major Lokoshan com o seu deus doméstico, acontecem incidentes inexplicáveis. Tendo
em vista a importância da missão...
O Administrador-Geral interrompeu-o.
— O comando de ação foi reunido pelo biocomputador positrônico, e examinado
pela chefia da missão, Professor — disse ele, cortante. — A reunião corresponde,
segundo se pode provar, às exigências especiais da ação. Além disso, Lullog está
desaparecido, e eu não entendo por que o senhor mesmo mencionou o deus doméstico.
O rosto de Eysbert ficou muito vermelho.
— Porque em toda parte da nave surgem essas cópias em miniatura de Lullog, Sir.
Só há poucos minutos atrás, dois mini-Lullogs perturbaram o tratamento de um paciente.
Eu peço urgentemente que o Major Lokoshan seja entregue aos cuidados do
Departamento Psiquiátrico.
— Sobre isso conversaremos depois do término da missão, Professor — retrucou
Rhodan. — Até lá devo pedir-lhe urgentemente que não me perturbe mais com esse tipo
de bagatelas. Há coisas mais importantes para serem examinadas. Desligo.
Ele desligou. Depois olhou para Waringer.
— Você encerrou o seu último experimento, Geoffry...?
O hiperfísico anuiu.
— Naturalmente, dad. Eu suponho que o aparecimento de outros mini-Lullogs
repousa em legitimidades próprias que escapam à nossa influência.
Gucky deu uma risada divertida.
— Eu não entendo toda essa agitação por causa desses robôs-anões — declarou ele.
— Até agora eles não fizeram nenhum dano, ou fizeram?
— Pelo menos nenhum dano material — retrucou Perry, sorrindo.
Ele olhou para o mostrador de tempo.
— Então ficamos nisso, nós nos encontraremos dentro de hora e meia, diante da
eclusa do solo principal. A questão do equipamento está arranjada, e se ninguém tiver
mais perguntas, eu gostaria de encerrar a reunião.
Não havia mais perguntas para serem apresentadas. A sala de conferências
esvaziou-se rapidamente, pois todos ainda tinham alguma coisa para fazer nos
preparativos para a “Missão Vespeiro”.
Perry Rhodan virou-se para Atlan, o único que permanecera no recinto.
— Você sabe o que deve fazer, caso eu não voltar desta missão?
O arcônida anuiu.
— Eu entrarei em contato com Ovaron, farei diversos acordos, e em seguida
regressarei para a galáxia da Humanidade, com a Marco Polo. Acho que não vale a pena,
pedir mais uma vez a você que não participe pessoalmente desta missão?
Perry Rhodan levantou-se e colocou uma mão no ombro do amigo.
— Não. Esta missão é tão importante para toda a Humanidade que eu mesmo terei
que chefiá-la, Atlan. Além disso, você conhece o resultado do cálculo de probabilidades,
que nosso computador biopositrônico elaborou.
— Certamente. Com uma probabilidade de setenta e quatro por cento a ação será
terminada com êxito. De qualquer modo a probabilidade também indica que o comando
de ação sofrerá perdas e baixas, e isto em oitenta e nove por cento. Além disso o
computador biopositrônico, por indicação sua, não levou em consideração a possibilidade
de que a Attec poderia ter sua função modificada pelos takerers para uma armadilha.
— Que sentido teria isso? — retrucou Perry. — Temos que partir do pressuposto de
que a Attec não é uma armadilha, caso contrário nem poderíamos dar início à missão de
comando.
Ele anuiu para o amigo.
— Ainda nos veremos mais tarde, Atlan.
***
O Major Patulli Lokoshan desligou o automático de testes do seu traje de combate e
abriu o capacete globular. Ele observou o Tenente Babuschkin e o Tenente Strelinski, que
como ele faziam parte do Comando de ação de Saedelaere.
Josef Babuschkin era um rapaz atarracado e jovem, com uma estrutura física
ossuda, e com um rosto bem largo. Filho de fazendeiros venusianos, da região dos
Pântanos de Sagadka, ele era um dos melhores homens-rãs da Marco Polo.
Alexander Strelinsky, com seus mais de 1,80 metros e seu porte desengonçado,
crânio pequeno e os olhos faiscantes, representava exatamente o oposto de Babuschkin.
Como homem-rã, entretanto, ele era quase tão bom quanto o venusiano.
Os dois tenentes também terminaram os seus testes. Logo em seguida Alaska
Saedelaere entrou na sala preparatória. O lesado por transmissor dirigia o grupo de
comando especial que levava o seu nome.
— Tudo em ordem? — perguntou ele. Josef Babuschkin cuspiu no chão.
— Tudo em ordem, chefe. Diga-me uma coisa, esse sujeito caolho... — ele apontou
para Strelinsky — ... precisa mesmo participar disso?
Ele ficou ofegante quando o cotovelo de Strelinsky acertou-o na boca do estômago,
depois os dois sorriram, divertidos. Naturalmente um traje de combate aguentava mesmo
o mais forte soco, sem que o seu portador sentisse a menor dor.
— Parem com essa brincadeira! — gritou Alaska aos tenentes. Ele olhou
Babuschkin mais atentamente. — E o senhor desiste de demonstrações de força,
enquanto estiver no meu comando, ou o diabo pessoalmente virá buscá-lo!
— O diabo que me... — disse Babuschkin, em voz alta, limpou a garganta e
acrescentou: — ...procure, não vai me encontrar!
— Onde se meteu o Zwiebie, portanto tempo? — perguntou Patulli, para terminar a
disputa que não levava a nada. — Ele ainda faz parte de nosso grupo, ou estou enganado?
Alaska Saedelaere olhou para o seu cronógrafo de pulso.
— Temos que partir, gente. Lorde Zwiebus está controlando a ajustagem das
bombas de Árcon que temos que levar conosco.
Ele virou-se e deixou a sala. Lokoshan e os dois tenentes o seguiram. Eles discutiam
sobre as probabilidades de uma previsão científica. Pelo que o kamashita pôde entender,
tratava-se de um problema de cibernética.
Quando alcançaram a câmara de armamentos, o neandertalense estava justamente
recebendo os recipientes de transporte com as bombas Árcon. Ele bateu com os nós dos
dedos contra um recipiente, e as bombas dentro do mesmo tiniram nas suas fixações.
— Ajustadas em números de ordem de um até noventa e dois, Alaska — avisou ele.
— Nossos equipamentos de fundo de mar eu já mandei levar por robôs até o transmissor.
— Que ele manipule cuidadosamente esses sapos explosivos, Milorde! —
admoestou o Roi Danton, com afetação. — Seria-nos penoso, se em vez de Takera
fritássemos Mayntoho.
Ele quis sair bailaricando, mas não viu a perna de Babuschkin que rapidamente se
colocou no seu caminho. Roi foi ao chão, ao comprido. Sua peruca, branca e empoada,
soltou-se com a queda e obedeceu à lei da inércia da massa, saltando a dez metros acima
do chão, justamente por baixo do pé levantado do robô Paladino. Pela fração de um
segundo o pé do Paladino ficou dependurado por cima da peruca por alguns milímetros
apenas, depois atirou-se para o lado. Um dos braços de ação da imitação do halutense
levantou a peruca e atirou-a para o neandertalense que a enfiou na sua cabeça.
As pessoas presentes riram às gargalhadas. Com exceção do Roi Danton, que
apertava um lenço no seu nariz sangrando e se levantava lentamente.
— Monstros! — gritou ele, furioso. — Plebe! Seres humanos!
Lorde Zwiebus tirou a peruca, entregou-a a Roi, depois voltou-se novamente ao seu
trabalho.
Meia hora mais tarde, todo o comando de ação tinha se reunido diante do
transmissor dos vesaquenos, um total de vinte e nove pessoas, sendo que o robô Paladino,
com sua tripulação de seis cabeças de siganeses, contava como uma só pessoa.
O Capitão Jaraf Styl, chefe do comando de robôs da Marco Polo, esperava à frente
de um grupo de dezoito cabeças de robôs de combate cônicos. Este grupo deveria passar
em primeiro lugar pelo transmissor, para o caso dos takerers terem transformado a Attec
numa armadilha, destruir os respectivos sistemas armados ou lutar contra outros
soldados. O Major Lokoshan estava encostado num recipiente de bomba Árcon, fumando
um charuto. Atentamente ele seguia a atividade dos técnicos ganjásicos e terranos, que
pela última vez examinavam todo o sistema do transmissor. As vozes desses homens,
bem como das pessoas do comando de ação, pareciam estranhamente baixas diante do
fundo de ruídos proporcionados por fortes reatores.
— O que acha, Major? — perguntou o Tenente Strelinsky ao kamashita. — Os
Uhus são uma garantia de que vamos poder viver mais?
Patulli fixou os “Uhus”, como os robôs de combate do tipo Tara III uh, eram
chamados usualmente. Estas formações de 2,50 metros de altura, cônicas, feitas de aço-
YT, pairavam no ar e apesar dos seus muitos braços móveis pareciam pesados, até
mesmo primitivos. Mesmo assim eles não eram nem pesadões nem primitivos, mas sim
máquinas de combate altamente modernas, capazes de enfrentar todos os exércitos
terranos do Século XX. Porém como tudo, também isso era relativo. Os takerers
possuíam, conforme já se sabia por experiência, sistemas de armas correspondentes.
— Não — respondeu Lokoshan, sincero. — Uma garantia eles não são. De qualquer
modo eles podem chamar sobre si os primeiros golpes de destruição, de modo que as
baixas de seres humanos poderão ser mantidas as mais insignificantes possíveis.
— Em caso de necessidade... — declarou Perry Rhodan, que se aproximara sem ser
visto — ...eles nos darão cobertura para uma retirada.
O seu aparelho de pulso zuniu. Ele encolheu o braço, e ligou o telecomunicador.
— Rhodan.
— Aqui fala o técnico de transmissores, Rinaldi — ouviu ele do micro-alto-falante.
— Sir, o transmissor está pronto para irradiar.
— Obrigado, Rinaldi — retrucou Rhodan. — Mantenha-se pronto.
Ele viu que o Capitão Styl olhou-o interrogativamente e deu-lhe o sinal
convencionado.
Na onda do comando-robô entraram as ordens de Jaraf Styl. Os dezoito Uhus
elevaram-se mais alguns milímetros e se movimentaram, com um zunido baixo, sobre
colchões de pressão, na direção da zona de desmaterialização do transmissor. Logo que
todos se encontravam dentro do círculo de advertência, Rhodan deu o sinal decisivo ao
técnico de transmissores, Rinaldi.
As pernas energéticas do transmissor ergueram-se, formando um portal crepitante,
brilhando em azul-vermelho, por baixo do qual formou-se de golpe o Nada indescritível,
engolindo os robôs e seu chefe.
Segundos depois, as pernas energéticas se apagaram. O chão dentro do círculo de
advertência estava vazio. Diante da linha vermelha, brilhando, colocaram-se Icho Tolot e
o robô Paladino. Gucky também estava sentado sobre o capacete globular de Tolot,
envolto num traje de combate de alta eficiência.
Merkosh, o Vítreo, estava entronizado sobre o ombro esquerdo do Paladino.
Lorde Zwiebus ativou o transmissor de código, no braço esquerdo do seu traje de
combate, e apertou diversas teclas. Em seguida robôs de trabalho empurraram os
recipientes de bombas e de equipamentos, que se encontravam sobre placas
antigravitacionais, para o limite do círculo de advertência.
Lokoshan ativou o seu alto-falante de capacete, quando viu que Perry Rhodan
falava ao seu telecomunicador.
— Tolotos... — dizia o terrano neste momento — ...todos vocês estão devidamente
informados. Caso vocês toparem com uma posição que não possa ser mantida, devem dar
ignição em todas as bombas, voltando aqui imediatamente, através do transmissor. Caso
vocês não consigam chegar às comutações, para poder inverter a polarização do
transmissor, não devem dar ignição às bombas, mas submeter-se a Gucky, que deverá
transportá-los para o labirinto de cavernas do Valosar, por teleportação. O ilt conhece
aquilo lá bastante bem, e nós depois encontraremos uma possibilidade de retirá-los de lá.
— Tudo em ordem, Rhodanos — respondeu o halutense. — Pelo que vejo, só nos
restam ainda vinte e cinco segundos. Até a vista!
— Até a vista! — gritou Perry. — E boa sorte para todos!
Tolot e o Paladino entraram para dentro da zona de desmaterialização. Os robôs de
serviço empurraram as plataformas de transporte atrás deles, e depois se retiraram. Logo
em seguida repetiu-se a sequência de processos, que sempre são iguais, num transporte
por transmissor de matéria. Quando as pernas energéticas se apagaram, a zona de
desmaterialização estava vazia.
No pavilhão reinava uma calma muito tensa. O resto do comando de ação esperaria
pelos dez minutos planejados antes de também deixar-se transmitir. Com isto, os takerers
deviam ser iludidos, e seriam levados a pensar que os seus adversários estavam,
completos, dentro da armadilha.
Em espaços de tempo regulares, Rinaldi avisava que nada apontava para uma
modificação da situação energética, na estação contrária. Mas isso era apenas um indício
limitado de que os takerers não tinham feito uma armadilha da Attec. Se os takerers
tivessem descoberto a nave-transmissora, certamente teriam providenciado para que
todos os eventuais adversários não suspeitassem de nada antes de se encontrarem na
armadilha com seus grupos de comando.
Um minuto antes do transcorrer do prazo de espera, Patulli apagou o seu charuto e
fechou o seu capacete globular. Ele engatilhou a sua arma de impulsos energéticos,
depois entrou, junto com Babuschkin e Strelinsky, na zona de desmaterialização.
Pelo canto dos olhos ele viu como Takvorian, no seu estranho traje de combate,
trotou por cima da linha vermelha, seguido do Roi Danton e de Rhodan. Ras Tschubai e
Fellmer Lloyd pairaram para dentro sobre uma pesada plataforma, que carregava um
forte projetor de campo paratrônico.
As indicações de tempo dadas pelos técnicos de transmissor, soavam altas demais,
dentro dos alto-falantes de capacete.
— ...quatro... três... dois... um... zero!
Ao zero, Patulli Lokoshan percebeu um cintilar pouco natural, mas ele não
conseguiu ver do reluzir forte das pernas energéticas, pois o campo de desmaterialização
o arrastou, numa onda de dores infernais, para o Irreal.
***
A primeira coisa que o kamashita percebeu foram gritos estridentes de dor, em meio
a uma voz profunda.
Patulli abriu as pernas, para não perder o equilíbrio, e respirou pausadamente. A dor
na sua nuca diminuiu, os olhos conseguiram reconhecer os primeiros movimentos
fantasmagóricos.
— É apenas a dor muito forte de desagregação e decomposição, que sempre ocorre
neste tipo de transmissão — declarou a voz profunda. — Aqui fala o Capitão Styl. Até
agora nada indica uma armadilha.
Lentamente saíram daqueles movimentos fantasmagóricos contornos definidos.
Patulli descobriu dois robôs cônicos, junto deles uma plataforma de transporte contendo
um recipiente cilíndrico de bombas. Ele viu que se encontrava num pavilhão
relativamente pequeno, do qual duas escotilhas abertas levavam para fora.
E então Perry Rhodan entrou no seu campo de visão. O Administrador-Chefe
movimentava-se, cambaleando ligeiramente, na direção de uma outra figura em traje de
combate, que o kamashita, pouco depois, reconheceu como o Capitão Jaraf Styl.
— Seis robôs se distribuíram dentro da Attec, Sir — comunicou Styl, pragmático.
— Dez robôs estão investigando os arredores da nave. De conformidade com suas
últimas mensagens, a Attec está a oito mil metros abaixo do nível do mar e a um mínimo
de dezoito quilômetros de distância dos flancos do monte da cratera Motah. Ela se enfiou
tão profundamente na lama que somente a cúpula da proa sobressai um pouco.
Patulli Lokoshan respirou, aliviado.
Talvez os takerers realmente não tivessem descoberto a nave-transmissora durante
os últimos 200.000 anos. Naturalmente existia o perigo de que as suas estações de
rastreamento tivessem goniometrado os abalos estruturais característicos de transmissões
de matéria.
No momento seguinte ele se corrigiu. As três atividades de transmissores, com os
quais o grupo de comando tinha sido transportado de Mayntoho para a Attec, não
poderiam ter sido rastreados assim, sem mais nem menos. É que se tratava, não de um
processo “normal” de transmissões, conforme ele agora se lembrava, mas sim de um
processo ganjásico especial, que utilizava as forças da zona-dakkar. Deste modo os
abalos estruturais ficavam descaracterizados, e além disso o emprego de energia
mantinha-se muito abaixo do limite de transmissões que se utilizavam do meio de
transporte do hiperespaço.
Por isso mesmo as fortes dores de desmaterialização e da rematerialização! —
constatou o kamashita. Ele também lembrou-se das declarações do vesaqueno Nurezco,
que dissera há dias atrás que a utilização da zona-dakkar, como meio de transporte, teria
sido o motivo, que somente Ovaron pudera ativar os sistemas do transmissor. Mais do
que isso ele não revelara, mas Patulli podia imaginar, que este sistema de transporte-
dakkar era um segredo que por enquanto somente o Ganjo podia possuir.
— Onde está Gucky? — perguntou o Roi Danton, com um gemido na voz. Parecia
que ele ainda não era senhor absoluto de suas cordas vocais.
— Ele está examinando, junto com o time dos Thunderbolts, a central de
comutações do transmissor-dakkar — respondeu o Capitão Styl.
— Ele teleportou? — perguntou Roi.
— Não, o Paladino o carregou. Gucky achou que as energias psiônicas liberadas em
saltos teleportadores poderiam ser eventualmente rastreadas por especialistas dos
takerers.
O filho de Rhodan respirou audivelmente fundo.
— Eu tive os mesmos pensamentos — disse ele. — É bom que o ilt tenha pensado
nisso. Vamos empregar teleportações somente em casos de necessidade extremos. O que
você acha disso, dad? — voltou-se ele para o seu pai.
— Eu concordo com você, Mike — respondeu Rhodan.
Entrementes as dores de Lokoshan tinham desaparecido quase totalmente. O
kamashita agora conseguia ver detalhes novamente, em vez de apenas contornos das
coisas. Ele jogou para trás o seu capacete globular e respirou a atmosfera de bordo da
Attec.
— O que está fazendo? — veio logo em seguida a voz de Rhodan. — Como pode
abrir o seu capacete, sem antes conhecer o resultado das análises de ar, major?
Patulli sorriu, condescendente.
— O meu nariz é o melhor analisador de gases do Universo, Sir. O senhor
realmente devia conhecer de perto as condições em Kamash.
— A análise de gases já foi terminada — disse o Capitão Styl. — Quando eu e os
meus robôs materializamos aqui, as instalações de renovação de ar e de exaustores da
Attec se ligaram automaticamente. Nós podemos respirar tranquilamente a atmosfera de
bordo.
Roi Danton deu uma risada.
— Um a zero para o nariz de Patulli. — Mas ele ficou sério logo outra vez. — Eu
sugiro revistarmos a nave.
O Administrador-Geral concordou com o seu filho. Pelo telecomunicador de
capacete ele deu as respectivas ordens. O Grupo Saedelaere recebeu a tarefa de procurar
pelos despejos da tripulação ganjásica. O Major Lokoshan devia ser auxiliado pelo
Tenente Babuschkin.
No labirinto de corredores da Attec reinava um silêncio opressivo, quando os dois
homens se colocaram sobre as esteiras de transporte paradas, caminhando na direção do
setor da nave que lhes havia sido atribuído para iniciarem as suas buscas.
De repente ecoou um ruído, parecendo uma corda de violino tocada. Josef
Babuschkin parou e empalideceu.
— O que é isso? — perguntou ele, abalado.
Patulli sorriu.
— Provavelmente os espíritos dos falecidos, tenente. Não se preocupe, eu sei lidar
com fantasmas.
— Por todos os lagartos enverrugados dos pântanos! — gritou Babuschkin. — O
senhor não devia brincar com essas coisas, Major. A natureza está cheia de forças que
nós não conhecemos, e muito menos dominamos.
O kamashita olhou o tenente, examinando-o de alto a baixo.
— Eu reconheço uma alma-irmã — disse ele, então. — Babuschkin, o senhor tem
razão. Mas não precisa ter medo, pelo menos não na minha companhia.
Novamente ecoou aquele som estranho, desta vez a sua fonte parecia estar mais
perto que da primeira vez, apesar de Lokoshan e Babuschkin não se terem mexido do
lugar.
Patulli fez um sinal ao seu acompanhante, depois esgueirou-se pela primeira curva
do corredor. No instante seguinte, respirou fundo.
Diante dele estava um trecho de corredor com algumas escotilhas fechadas e duas
abertas. Por uma das escotilhas abertas, neste momento, Merkosh estava saindo para o
corredor. O vítreo acenou, foi até a escotilha seguinte, transformou a sua boca num funil
— e produziu aquele som sinistro, que tanto tinha assustado o venusiano antes. Alguma
coisa dentro da escotilha crepitou, depois lentamente deslizou para o teto.
— Então é este o “fantasma” — disse Patulli Lokoshan. Merkosh endireitou os seus
lábios, olhou para o kamashita e disse:
— Do que está falando, Major?
— Estava falando de você — disse o kamashita. — Antes que o Tenente
Babuschkin e eu o tínhamos visto, achávamos que os ruídos que provocava viessem de
espíritos.
— Espíritos são forças desconhecidas ou não compreendidas da natureza — disse o
Vítreo. — Ruídos, entretanto, são impulsos de movimentos propagados e
individualmente percebidos de modo diferente nos seus efeitos, que entendemos sob o
nome geral de Som. Eu espero que tenha me contundido.
— Me “entendido” — corrigiu-o o kamashita.
— Então está tudo bem — retrucou Merkosh, dirigindo-se à escotilha seguinte. —
Os senhores agora me inculpem, terranos. Agora tenho de solucionar seguranças de
impulsos.
Josef Babuschkin gemeu.
— Por que esse maluco de vidro se expressa de modo tão exato e depois tão maluco
ao mesmo tempo?
Patulli Lokoshan não deu atenção a essa observação, mas aproximou-se da escotilha
que Merkosh acabara de abrir. Ele olhou para uma câmara escura, mas quando pôs os pés
dentro dela, a iluminação acendeu-se automaticamente.
O kamashita escutou como Babuschkin, atrás dele, respirou fundo. Ele mesmo não
se surpreendeu ao ver, em cima de uma retangular, o cadáver mumificado de um cappin,
envolto num traje espacial. A múmia tinha sido cuidadosamente afivelada sobre a mesa,
para que não pudesse rolar para baixo, quando da modificação de posição da Attec.
Patulli aproximou-se mais e olhou através do capacete globular transparente.
— As melhores saudações do seu Ganjo, meu valente amigo — disse ele, baixinho.
2

Perry Rhodan apertou uma placa de comutação e com isso acordou Júnior para a
completa atividade biopositrônica. Júnior pairava num campo de força invisível e
insensível, a um metro de altura acima do chão, e parecia a metade inferior de um disco,
com um diâmetro horizontal de sessenta centímetros. O seu interior consistia
preponderantemente de um complexo cerebral biopositrônico altamente comprimido,
tendo sido construído pelos melhores microtécnicos do planeta Siga.
— Eu estou pronto, Sir — disse Júnior, com uma voz bem modulada.
— Você me reconhece, Júnior? — perguntou Perry.
— Os seus impulsos cerebrais e a aura celular o legitimam como Perry Rhodan, o
Administrador-Geral do Império Solar e meu senhor.
— Excelente, Júnior. Eu tenho o seguinte problema... — Ele relatou a Júnior a
situação encontrada a bordo da Attec, e concluiu: — Nós encontramos os cadáveres
mumificados de todos os membros do Comando Especial Farro, inclusive o cadáver do
chefe do comando, Coronel Lyphont. Infelizmente não conseguimos encontrar, em parte
alguma, nada que nos pudesse informar sobre o que os especialistas ganjásicos tinham
conseguido até a sua morte. Entretanto precisamos urgentemente de indícios para
podermos proceder de modo sistemático, e para podermos excluir possíveis perigos. Eu
gostaria de saber o seguinte de você: Você acredita que o Coronel Lyphont tenha deixado
estas informações — e onde poderemos encontrar estas afirmações, em sua opinião — ou
seja, onde elas podem estar escondidas? Júnior, que estava informado sobre a história
anterior e o motivo da “Ação Ninho de Marimbondo”, de maneira tão abrangente quanto
Perry Rhodan, respondeu sem demora.
— Correção. Eu não posso “acreditar”, mas apenas posso efetuar cálculos e apurar
probabilidades. O Coronel Lyphont deixou para trás informações exatas, com uma
probabilidade quase precisa. Como ele provavelmente era de uma inteligência acima da
média em relação a outros indivíduos com sistemas orgânico-humanóides, mas ao mesmo
tempo possuía uma certa medida de intuição, deve ter tomado providências para que estas
informações somente fossem acessíveis a um confidente do Ganjo Ovaron ou ao próprio
Ganjo Ovaron.
— Você reconhece a arrogância excessiva dessa caixa-de-pensar, dad? —
perguntou o Roi Danton ao seu pai. — Júnior provavelmente coloca nossos sistemas
orgânico-humanóides bem abaixo do seu próprio nível.
Júnior não respondeu, uma vez que Roi Danton não lhe fizera uma pergunta
diretamente. Possivelmente por isso ele não ficou conhecendo a sensação de sua própria
inferioridade.
— Do seu ponto de vista, ele tem razão — Perry fez ver ao seu filho. — Mas
também só do seu ponto de vista. Júnior, como é que o esconderijo dessas informações
poderia estar arranjado concretamente e onde ele poderia se encontrar?
— Considerando o processo mental do Coronel Lyphont... — respondeu Júnior
— ...e ainda levando em consideração o equipamento especial do Comando Especial
Farro, eu chego à conclusão de que as informações em questão deverão estar escondidas
no campo globular isolado da zona-dakkar. A pergunta quanto ao “onde”, por esta razão
é levada ad obsurdum.
— Entendido — disse Rhodan. — Neste caso responda-me à pergunta de como eu
posso chegar a essas informações!
— Eu vou tentar tornar-lhe compreensível a possibilidade provável, Sir — retrucou
Júnior. — Em algum lugar a bordo da Attec deve haver uma possibilidade de efetuar
sondagens profundas, hiperenergéticas, em cérebros de criaturas viventes, cujos
organismos materiais existam na base de composições de hidrogênio-carbono.
Roi estava próximo do desespero.
— Ele quer dizer uma sonda mental hiperenergético, dad. Mas ele se expressa como
se quisesse explicar a teoria da relatividade einsteiniana a um crocodilo!
Perry sorriu, compreensivo. Ele lembrou-se dos tempos em que também ele muitas
vezes tinha sido impaciente com aparelhos de pensar artificiais, até que tinha reconhecido
que sistemas tão complicados também costumavam expressar-se de maneira complicada.
— A criatura vivente... — declarou Júnior — ...que por mim foi identificada como
Michael Reginald Rhodan, apelidado de Roi Danton, emitiu o conceito global geral
daquilo que eu queria atingir.
— Neste caso é suficiente o conceito global geral, Júnior — disse Rhodan. — Quer
dizer que você pensa que eu tenha que me colocar sob o poder dessa aparelhagem,
deixando sondar a minha memória até o seu ponto mais profundo?
— O senhor se expressa de uma maneira um pouco estranha e confusa, Sir, mas
reconheço que percebeu intuitivamente o que é preciso fazer. Só existe, com grande
probabilidade, uma sondagem profunda hiperenergética. De outro modo a sua
identificação — para utilizar o seu modo de falar simplificado — como amigo e delegado
do Ganjo Ovaron não seria possível. Uma identificação destas, por outro lado, é exigível,
para conseguir obter as informações desejadas, do seu campo globular, segregado na
zona-dakkar...
— Está bem — Rhodan cortou-lhe a palavra. — Eu entendi perfeitamente Júnior,
você vai acompanhar a mim e a Mike até a sonda mental!
Dentro de Júnior ouviram-se cliques e um matraquear repetido, como se a
biopositrônica quisesse protestar contra a maneira imprecisa de se expressar do seu
senhor orgânico-humanóide. Porém, como o Administrador-Geral não lhe fizera
nenhuma pergunta, mas lhe dera uma ordem, e como a execução dessa ordem não podia
ferir nem Rhodan nem qualquer outra criatura humana, a motivação não era suficiente
para a articulação de um protesto.
Consequentemente Júnior pairou obedientemente atrás do seu senhor e do filho
deste.
Perry Rhodan conhecia o destino exatamente. Depois da revista da Attec ele
recebera um comunicado de que fora encontrado um aparelho que se assemelhava, em
muitas coisas, a um psicocoletor terrânico, e ele já fora vê-lo. O que ele ainda não sabia
era se toda a capacidade desse aparelho poderia ser usada, sem prejudicar
irreparavelmente o espírito humano. Somente Júnior poderia constatar isto, sem os
exames, que normalmente consumiam muito tempo — era isso, pelo menos, que ele
esperava.
Dentro de alguns minutos eles estavam dentro de um recinto intermediário entre
laboratório e central de medições. Perry Rhodan apontou para uma esfera oca, de metal,
com três metros de diâmetro que, segura por um campo de compensação, pairava poucos
milímetros por cima de uma base abaulada para dentro.
— Júnior, você vai examinar este aparelho, e em seguida me comunica se o
conteúdo psíquico de um ser humano poder ser sondado com ele, sem que o seu espírito
sofra danos por isso.
Júnior pairou na direção da abertura de um metro de diâmetro da esfera, mais ou
menos, e permaneceu ali por quase um minuto. Os seus sensores e aparelhos de
telemetria durante este tempo trabalhavam a toda a sua capacidade. Depois ele pairou de
volta.
— Eu peço que o aparelho seja ativado, Sir — pediu ele.
Rhodan colocou-se diante de um console perto do aparelho e ativou diversas teclas.
Lentamente a esfera de metal acordou para uma vida que parecia fantasmagórica.
Novamente trabalharam os sensores e telêmetros de Júnior. Depois Júnior desligou
seus sistemas de investigação e disse:
— Trata-se, no sistema instalado dentro da esfera, de um complexo para sondagem
profunda do espírito de criaturas viventes orgânico-humanóides. Somente deverão recear-
se danos se o espírito a ser sondado resiste à sondagem.
No seu interior ouviram-se alguns cliques, depois Júnior continuou:
— Sir, eu lhe peço encarecidamente para examinar se está em condições de
influenciar o seu inconsciente de tal modo, que o mesmo não ofereça qualquer
resistência. Caso houver, sobre isto, a menor dúvida, eu desaconselho a utilização deste
aparelho.
— Talvez eu devesse... — começou Roi.
— O senhor não deve corresponder as exigências — interrompeu-o Júnior. — Mas
eu devo dizer-lhe que avalio de modo absolutamente positivo o seu espírito de sacrifício.
Perry Rhodan piscou um olho, e olhou, sorrindo maroto, para o seu filho. Roi sorriu
de volta, ainda que fracamente apenas. Era evidente que ele estava preocupado com o seu
pai.
— Eu vou arriscar-me à experiência! — decidiu Rhodan. Ele passou as pontas dos
dedos por cima da tessitura sedosa de Whisper. O seu simbionte khusálico soltou a
ligação íntima com seus nervos da nuca, pairou por alguns segundos livremente no ar e
depois enrolou-se numa bola, enquanto se mantinha seguro nos dedos de Rhodan.
Quando ele se “reduzira” para uma figura do tamanho de uma bola de tênis, o
Administrador-Geral entregou-o ao seu filho.
Depois Perry Rhodan subiu silenciosamente para a esfera oca, tendo antes desligado
o aparelho. Ele deitou-se no leito anatômico e disse:
— Mike, liga esse negócio!
Depois de alguns segundos de hesitação, Roi Danton obedeceu. Ele meteu Whisper
no bolso externo do seu traje de combate e depois dirigiu-se ao console comutador.
Grossas pérolas de suor molharam-lhe a testa, enquanto ele apertava tecla após tecla.
Dentro da esfera controles se iluminaram, e um ruído cantante encheu o recinto. No lugar
do interior da parede do globo, que se encontrava por cima da cabeça de Rhodan,
sobressaiu uma rede, brilhando em violeta.
Perry relaxou, entregando o seu espírito de boa vontade aos impulsos que o
inundavam...
As mãos de Danton ficaram dependuradas perto do console comutador, os dedos
tremiam, o suor correu-lhe da testa para os olhos, ao longo do nariz e do começo dos
cabelos, pelas têmporas e para as faces.
O tempo parecia ter parado.
Quando um forte clique quebrou o silêncio, Roi Danton estremeceu violentamente.
— Não desligue, Mike! — admoestou Júnior.
Roi recuou um passo para longe do console comutador, colocou as mãos às costas e
ficou olhando, enquanto o comutador se movimentava autonomamente. Lentamente os
indicadores luminosos apagaram.
De repente houve um ruído nos alto-falantes da aparelhagem de rádio. Uma voz de
homem, desconhecida, disse:
— Bem-vindo a bordo da Attec, Delegado do Ganjo! A voz que lhe fala é a do
Coronel Lyphont, que no momento presente já está morto. Por favor, dirija-se à minha
cabine. Ali receberá informações abrangentes. Amigos, eu os saúdo! Desligo.
Roi atirou-se ao encontro da esfera quando o seu pai se mexeu insistentemente.
Perry tinha-se erguido do leito anatômico, e massageava as suas têmporas com as
pontas dos dedos. Ele sorriu ligeiramente ao ver o rosto preocupado de Roi.
— Comigo está tudo em ordem, Mike — murmurou ele.
Depois caiu, desmaiado.
***
Nas mãos enluvadas do cadáver mumificado do Coronel Lyphont brilhou um cubo
de armazenamento de dados que antes não estivera ali. Até a identificação de Rhodan,
como delegado do Ganjo, ele devia ter estado escondido num segmento da zona-dakkar.
Era assim que Júnior o explicava, e ninguém duvidou das palavras da biopositrônica.
Perry se recuperara de novo rapidamente. Para isso certamente contribuíra em muito
o seu ativador celular. Além disso, ele fora tratado com drogas de regeneração.
Além dos robôs de combate e do Capitão Jaraf Styl, todos os participantes da “Ação
Ninho de Marimbondo” se encontravam na cabine de Lyphont, os siganeses, pelo pouco
espaço, naturalmente sem o seu robô Paladino. Mesmo assim estavam bem apertados ali,
e Icho Tolot estava deitado no chão, para dar oportunidade de sentarem-se a Gucky,
Lokoshan e Ras.
Roi Danton tirou o cubo de armazenamento de dados cuidadosamente das mãos do
Coronel Lyphont, e empurrou-o para dentro do aparelho de reprodução que estava na
parede traseira do recinto. Quando ele apertou a tecla para ativá-lo, o cubo de trivídeo se
iluminou.
Em três dimensões e a cores, apareceu dentro do cubo de trivídeo a imagem de um
homem em traje de combate. O homem se encontrava de pé na central de comando de
uma nave espacial.
Uma voz ecoou, mas não era a voz do Coronel Lyphont, e o homem no trivídeo
também não mexia os lábios.
— Aqui fala o técnico-dakkar Moraskan — disse a voz.
Ela soava trêmula, como de um homem velho.
No canto esquerdo superior do cubo de trivídeo apareceu um recorte circular. Ali
apareceu o rosto de um homem velho com as faces encovadas, testa alta saliente e olhos
brilhando febris. Os lábios azulados se movimentavam.
— Não me resta mais muito tempo, por isso quero completar o relatório do Coronel
Lyphont, na medida do possível. O Coronel Lyphont morreu, há cerca de... — ele
mencionou um espaço de tempo que correspondia mais ou menos quatro e meio anos
terranos — ...depois que antes já tinham morrido sessenta e seis membros do Comando
Especial Farra
— O engenheiro de campo Japposh, e eu, somos os únicos que restaram. Japposh
morreu há... — ele mencionou um espaço de tempo que correspondia a exatamente dois
anos terranos. — Deste modo só eu sobrei, para esperar pela reativação da ligação do
transmissor com Mayntoho. Hoje eu sei que não vou mais presenciar este momento.
Moraskan parou de falar. Ele estava visivelmente exausto. O seu rosto se cobrira
com um filme de suor, e a sua respiração estava ofegante.
Depois de algum tempo ele começou a falar outra vez.
— Estou chegando ao fim mais depressa do que esperava. Depois deste comunicado
eu vou desligar todos os sistemas ainda ativos da Attec, para que as reservas de energia
não sejam gastas. Os takerers até agora não nos descobriram, e eu desejo a todos que
vierem até aqui depois de nós muita sorte e êxito.
A sua voz ficara cada vez mais baixa, e no fim praticamente já estava inaudível.
Agora desapareceu o recorte circular.
Poucos segundos mais tarde a imagem armazenada do Coronel Lyphont começou a
falar.
— Vocês, que finalmente chegaram, certamente saberão porque nós não pudemos
regressar para Mayntoho. Eu só posso me explicar isto, achando que a estação contrária
em Mayntoho tenha sido destruída por um ataque da Frota Takerer. Entrementes, se
passaram... — ele mencionou um espaço de tempo que correspondia a cerca de sessenta
anos terranos — ...e nossa tarefa há muito tempo já foi terminada, mas a ligação continua
interrompida.
— Também não houve outra oportunidade de abandonar o planeta Takera por um
outro caminho que não o do transmissor. Nós fizemos sondagens cautelosas, mas
topamos com medidas de segurança tão extremadas dos takerers, que parecia inútil
ousarmos uma evasão. Com isto nós teríamos arriscado uma descoberta posterior da
Attec, mesmo se conseguíssemos abandonar o planeta Takera.
O cubo de trivídeo escureceu. Quando se iluminou novamente mostrou outra cena.
O Coronel Lyphont vestia somente um uniforme leve de bordo e estava sentado numa
poltrona, que aparentemente se encontrava na sua própria cabine. Como a iluminação era
ruim, muitos detalhes ficaram escondidos, mas era possível reconhecer-se que Lyphont
envelhecera muito, depois de seu último comunicado.
— Este, presumivelmente, é o meu último relatório — disse o ganjásico em voz
baixa. — Desde nossa chegada a Takera passaram-se... — ele mencionou um espaço de
tempo que correspondia a cerca de cem anos terranos — ...De meus homens somente
ainda vivem o engenheiro de campo Japposch e o técnico-dakkar Moraskan, todos os
outros faleceram por motivo de velhice, com exceção do técnico de perfurações Trassoq,
que sofreu um acidente quando de um reconhecimento dentro do Monte Motah.
— Eu não sei o que aconteceu no Sistema Bythalon, mas tenho certeza de que
algum dia o trecho do transmissor novamente vai funcionar, trazendo uma missão de
comando ganjásico para a Attec. É para este comando que estou dando estas informações.
— No passado nós abrimos um túnel sob o fundo do mar, partindo da eclusa de solo
da Attec, usando um sistema de perfuração especial com desintegradores. O túnel
desemboca no flanco mais próximo do monte vulcânico Motah, dali ele sobe novamente
e termina numa caverna rochosa natural, que por sua vez tem ligação com outras
cavernas rochosas. Deste sistema de cavernas nós abrimos galerias estreitas em todas as
direções, e com elas topamos com velhíssimas cidades submarinas abandonadas.
— Com os explosivos que temos a bordo da Attec teria sido possível destruir o
Monte Motah junto com a sua colônia. Nós entretanto desistimos disto porque, ao nosso
tempo, este tipo de ação teria um valor estratégico relativamente pequeno. Mas durante
este tempo verificamos atentamente que o Monte Motah lentamente está sendo ampliado
para tornar-se uma central de comando do Reino Takerer. Se vocês, que vierem depois de
nós, encontrarem completadas as instalações que já estavam começadas, poderão fazer
uso de nossos preparativos, sem dó nem piedade, para restituir ao povo ganjásico a
liberdade e a sua pátria.
“Meu relatório está no fim, e conforme já disse, é quase certo que será o meu
último. O último de nossos sobreviventes deverá desligar todos os sistemas da Attec, para
que as reservas de energia fiquem mantidas.
“No final deste relatório lhes mostraremos os dados técnicos e registros sobre os
túneis e galerias construídas por nós, bem como o resultado dos reconhecimentos que
efetuamos. Muita sorte para o Ganjo e para todos os ganjásicos.”
O cubo de trivídeo escureceu, mas todas as pessoas presentes ficaram sentadas,
como que fascinadas pelo que dissera a voz de um homem falecido há quase duzentos mil
anos atrás. Depois de um curto espaço de tempo o cubo acendeu-se novamente. Desta vez
apareceram dados e desenhos. Uma impressora de símbolos foi ligada, registrando tudo
que aparecia no cubo de trivídeo, numa lâmina perfurada.
Quando a impressora de símbolos emudeceu, Perry Rhodan arrancou a lâmina
plástica, alimentando-a na fenda de recepção de Júnior.
— Eu quero... — disse ele — ...que você avalie os dados e os desenhos, e que você
projete um programa de ação otimizado, Júnior.
Depois de um minuto, Júnior falou:
— Eu sugiro que primeiramente o sistema de túneis seja investigado. Em
consequência do tempo transcorrido entrementes, eu conto com que o túnel principal
esteja intransitável em parte...
— Neste caso simplesmente vamos teleportar! — interveio Gucky, estridentemente.
Júnior deu um zunido fraco de si, depois retrucou num tom nitidamente repreensivo:
— Oficial Especial Gucky, o senhor reage de modo impulsivo demais. Eu
desaconselho firmemente as teleportações, uma vez que os takerers, com grande
probabilidade, certamente rastrearão as energias psiônicas liberadas com isso, e talvez até
consigam goniometrá-las.
— Para que, então, trouxeram Ras e a mim? — gritou o rato-castor, chateado.
— Esta pergunta demonstra uma tão grande ingenuidade — retrucou Júnior — que
não responderei à mesma.
— Eu gostaria mesmo é de fazer essa panqueca bolorenta girar até que o seu interior
pule para fora! — gritou Gucky, furioso.
— Gucky, você agora fica em silêncio! — disse o Administrador-Geral, indignado.
— Todos nós sabemos apreciar as suas capacidades, mas agora peço-lhe para
urgentemente usar de sua autodisciplina.
O ilt revirou os olhos e enfiou um polegar na boca, o que fez com que aqui e ali, se
fizessem ouvir algumas risadas baixas.
— Peço-lhe que termine suas sugestões, Júnior! — admoestou Perry.
— Por isso é absolutamente necessário levar-se aparelhos de perfuração
desintegradores — continuou Júnior. — Logo que as cavernas rochosas, mencionadas
pelo Coronel Lyphont, tenham sido alcançadas, as cargas Thermoton previstas para o
Monte Motah deverão ser instaladas e em seguida colocadas em ignição. Entrementes o
Grupo de Comando Saedelaere poderá avançar, o mais rapidamente possível, para o
fundo do mar, para distribuir as suas bombas Árcon no mesmo.
— Outras sugestões, sobretudo quanto a hora da ignição, somente poderão ser dadas
depois do término, com êxito, das ações antes mencionadas. Eu gostaria mais uma vez de
desaconselhar que os mutantes teleportadores sejam usados, a não ser por um motivo
urgente. Como motivo urgente eu mencionaria uma descoberta pelos takerers. Num caso
destes os mutantes teleportadores poderiam acelerar a distribuição das cargas de
destruição e levar as pessoas restantes em segurança.
— Obrigado, Júnior — disse Perry.
Ele olhou para os seus companheiros, um depois do outro.
— Nós vamos proceder exatamente conforme Júnior determinou. A não ser que
alguém dos senhores tenha sugestões melhores.
Ele esperou, mas ninguém pediu a palavra.
— Ótimo — concluiu ele, sorrindo. — Vamos começar dentro de uma hora. O
Grupo Saedelaere prepara-se para o avanço ao fundo do mar, e levará consigo um
recipiente de transporte contendo bombas Árcon. Fellmer e Ras ficam para trás, a bordo
da Attec, e o Capitão Styl naturalmente também, pois ao Capitão compete a segurança da
nave e seus arredores, utilizando os Uhus.
— Todas as outras pessoas avançarão, sob meu comando, na galeria principal. Os
Thunderbolts, com o Paladino, assumirão a ponta, a sequência posterior eu comunicarei
quando chegarmos à saída. Mike, você, com cinco especialistas, assume a vistoria dos
aparelhos de perfuração desintegradores ganjásicos e coloca-os prontos diante da eclusa
de solo. Não vamos levar os aparelhos imediatamente, mas apenas os buscaremos quando
toparmos com obstáculos que não possamos vencer sem eles.
Ele levantou-se.
— Isso é tudo que eu tinha para dizer. Júnior, você vai me acompanhar!
— Sim, Sir! — respondeu Júnior.
Perry foi o primeiro a abandonar a cabine. Atrás dele saiu pairando silenciosamente
a biopositrônica...
***
Uma hora mais tarde todas as vinte e nove pessoas da missão de comando tinham-se
reunido diante da eclusa de solo. O Capitão Jaraf Styl comunicou que os seus robôs
cônicos tinham examinado as redondezas da Attec em até um raio de trezentos
quilômetros, sem nada encontrar de suspeito.
Perry Rhodan agradeceu-lhe o seu relatório. Depois virou-se para Alaska Saedelaere
e os seus homens.
— Todos os sistemas em ordem para o avanço ao fundo do mar?
— Tudo em ordem, Sir — respondeu Alaska.
— Neste caso desejo ao senhor e aos seus homens muita sorte e sucesso.
Alaska Saedelaere fez uma continência silenciosa e dirigiu-se para o elevador
antigravitacional, seguido por Lorde Zwiebus, o Major Lokoshan e os tenentes
Babuschkin e Strelinsky.
O Administrador-Geral determinou a sequência dos vinte e dois homens, que
deviam avançar com ele no túnel, sendo que o time Thunderbolt no Paladino era contado
como uma só pessoa. Depois disso fecharam os seus capacetes globulares e se dirigiram à
eclusa de solo. Jaraf Styl ficou olhando atrás deles, até que a escotilha interna se fechou,
depois voltou-se, dirigindo-se para a central de comando da Attec, onde ele organizara o
seu console de comando dos robôs.
Quando a escotilha externa da grande eclusa de solo abriu-se, Perry olhou para
dentro de uma cabine de elevador. Pelas informações de Lyphont ele sabia que o poço do
elevador se dirigia verticalmente oitocentos metros para baixo.
— Não parece muito digno de confiança, Sir — disse o General Harl Dephin, pelo
rádio de capacete e com amplificação do som. Tanto no poço do elevador como na
galeria havia uma atmosfera, porém a mesma estava choca e gasta, de modo que Rhodan
achara melhor confiar apenas nos sistemas de renovação de ar dos trajes de combate.
A cabine do elevador realmente não parecia suficientemente estável para poder
suportar o robô Paladino.
— O senhor terá que baixar o peso do Paladino com ajuda dos aparelhos
antigravitacionais, General — decidiu o Administrador-Geral. — O mesmo vale para
Tolotos.
Ele perguntou a Júnior, que pairava bem perto dele, na altura dos seus olhos:
— Você tem dúvidas sobre a radiação difusa?
— Nenhuma dúvida, Sir — respondeu a biopositrônica. — Se os takerers até agora
nunca conseguiram rastrear os aparelhos energéticos ligados da Attec, eles também não
poderão goniometrar a relativamente fraca radiação difusa dos aparelhos
antigravitacionais.
Perry acenou para o Paladino.
O monstro pôs-se em movimento com passos leves como uma pluma, meteu-se na
cabine do elevador e apertou um botão de ativação na parede interior.
Em algum lugar um eletromotor deu partida, zunindo. Rangendo e aos trancos a
cabine afundou nas profundezas. Uma eternidade parecia ter passado, até que ela surgiu
novamente na eclusa de solo.
— É um pouco úmido aqui embaixo... — avisou Harl Dephin — ...fora disso
nenhuma reclamação, Sir.
Gucky riu, divertido. Ele cavalgou em cima do crânio de Tolot para dentro da
cabine do elevador. Rhodan também se esgueirou para dentro, junto com eles. Depois de
exatamente oito e meio minutos eles chegaram no fundo. O Paladino ligara os seus
holofotes, e iluminava o túnel, numa extensão de cerca de trezentos metros.
Perry mandou a cabine novamente para cima, depois examinou as paredes do túnel.
Elas eram cobertas de um material plástico, que no decorrer do tempo tornara-se friável.
Aqui e ali via-se a rocha viva por detrás. De fendas escorria água, que se juntava em
grandes poças, escorrendo através de inúmeras aberturas estreitas no chão, logo que
alcançava determinada altura.
O Comando Especial Farro realmente fizera um trabalho excelente, levando-se em
conta que os seus membros não podiam imaginar que a próxima Missão de Comando só
chegaria aqui cerca de duzentos mil anos mais tarde.
O túnel tinha mais ou menos cinco metros de largura e quatro metros de altura.
Havia inclusive um primitivo sistema de iluminação, cujos cabos infelizmente estavam
apodrecidos.
Os seguintes a chegar com o elevador foram Merkosh, Roi Danton e três
especialistas do corpo de desembarque espacial da Marco Polo. Perry Rhodan ordenou ao
seu filho que esperasse pelo restante dos homens junto ao elevador, para depois segui-lo.
A um aceno seu, o robô gigante pôs-se em movimento, pateando pelas poças de
água, e mandando os cones de luz dos seus holofotes na frente. Ele era seguido de Icho
Tolot. Gucky continuou sentado em cima do crânio do halutense, afirmando que não
queria molhar os pés. Em vista dos trajes de combate absolutamente impermeáveis, essa
era uma desculpa barata, mas Perry não se importou. Dezoito quilômetros de marcha
eram mais do que as pernas do rato-castor aguentariam.
Silenciosamente o Administrador-Geral marchou ao lado de Merkosh e dos
soldados espaciais, através do túnel. Para ele parecia quase um milagre que até agora tudo
tinha transcorrido de acordo com os planos. A ligação do transmissor funcionara sem
problemas, eles tinham chegado à Attec sem sofrer danos e tinham recebido informações
preciosas.
E eles se encontravam muito perto do centro nervoso do Reino Takerer!
Chegaria o tempo em que essa maré de sorte teria um fim, imaginou Perry. Ele
também sabia que as suas chances de sobrevivência eram muito diminutas, caso os
takerers os descobrissem. Naturalmente quando da organização da Missão de Comando
tinha-se pensado em tudo. Eles envergavam os trajes de combate mais eficientes da Frota
Solar, tinham à sua disposição os mutantes, um arsenal de armas das mais diversas, mas
tudo isso não poderia medir-se com a força de combate dos exércitos de elite dos
takerers.
Naturalmente também se pensara num caso extremo. Cada participante trazia no seu
corpo, escondido sob a roupa debaixo, um microequipamento especial, como
normalmente somente os especialistas da USO ou os agentes especiais da Contra-
Espionagem Solar usavam. Caso alguém fosse aprisionado, mesmo assim — e sem que o
inimigo o desconfiasse — ele continuaria sendo um adversário muito perigoso.
Uma hora e meia eles marcharam adiante sem qualquer incidente. Mas então o
General Dephin anunciou, mais à frente, um teto ruído.
Quando eles examinaram o desabamento, verificou-se que ele fora ocasionado por
uma fratura tectônica. A rocha marinha maciça no outro lado da fratura rebaixara-se tão
profundamente, que o Grupo de Comando se viu diante de uma parede compacta.
Com ajuda de um ressonador de cavernas o robô Paladino verificou que havia uma
profundidade de abaixamento de duzentos e trinta metros.
— Isso significa — explicou o especialista de rastreamentos Drof Retekin — que
também o prosseguimento do túnel fica a duzentos e trinta metros abaixo da sola do túnel
até aqui. Além disso, ele está rompido em cento e quatorze metros de comprimento.
Estou tentando verificar como as coisas estão, atrás disso.
— Talvez agora nós deveríamos mesmo teleportar — interveio Gucky.
— Não, decidiu Perry. — Vamos preferir o perfurador-desintegrador ganjásico.
Logo que pudermos ter certeza de que, depois de determinado trecho, poderemos
encontrar novamente o túnel conservado, nós perfuramos a rocha.
— O resultado já está comigo — avisou Retekin. — Depois do desabamento de
cento e quatorze metros, o túnel corre novamente normal, só que naturalmente trinta e
dois metros mais fundo. Eu sugiro que façamos uma perfuração num ângulo de cerca de
vinte metros.
— Entendido — declarou Rhodan. — Mas eu preciso de valores angulares exatos.
Júnior, que até então se mantivera em silêncio, indicou os valores angulares exatos.
Logo em seguida Roi Danton apareceu com a sua equipagem e o perfurador-
desintegrador. Os trabalhos começaram imediatamente.
As perfurações se faziam relativamente devagar. Como não havia um sistema de
exaustores para as grandes quantidades de gases moleculares, os reintegradores dos
aparelhos tinham que sugar o gás, deixando-o para trás, transformado em blocos de
matéria altamente compactados. Mesmo assim no correr do tempo a nova galeria encheu-
se de fumaças e gases que ofuscavam a luz dos holofotes em muito.
Somente depois de duas horas a ligação com o túnel intato tinha sido feita
novamente. A Missão de Comando podia prosseguir em sua marcha.
Mas o alívio por isso não durou muito tempo. O Paladino e Icho Tolot
repentinamente foram rodeados pela luz muito clara de descargas energéticas, quentes
como um sol: Gucky teleportou em pânico do seu assento ameaçado, e Rhodan recuou
com as pessoas que vinham atrás.
Entrementes os escudos energéticos do Paladino e de Tolot tinham sido erguidos.
Evidentemente eles tinham sido ativados ainda antes que os raios energéticos os tivessem
atingido, pois Perry Rhodan não pôde reconhecer danos nem na estrutura do Paladino
nem no traje de combate de Tolot.
— Maldição! — murmurou Roi Danton. — O desenvolvimento energético é
suficientemente elevado para que os takerers pudessem rastreá-lo.
— Você não acha que sejam takerers, os que nos atacam? — perguntou o ilt.
— Os tiros partem de sistemas automáticos! — avisou Drof Retekin, pelo rádio de
capacete. — Provavelmente defesas robóticas do Comando Especial Farra. Eu gostaria de
saber por que não nos informaram sobre isso.
— Responder o fogo! — ordenou o Administrador-Geral calmamente. — Desligar
elementos de defesa!
As armas do Paladino e do halutense entraram em ação. Lentamente os sistemas de
defesa emudeceram.
— Evidentemente os sistemas apenas tinham a tarefa de destruir invasores takerers
— declarou Júnior pelo telecomunicador.
— Como, por assim dizer, nós penetramos de fora no túnel, deve ter havido uma
avaliação errada.
Tolot e o robô Paladino interromperam o seu tiroteio, quando os sistemas de defesa
emudeceram. Diante deles borbulhava lava ardente liquefeita.
— Espero que não tenham goniometrado a minha teleportação. — A voz de Gucky
demonstrava a sua contrição.
— Tratou-se de uma teleportação curta, num trecho de dezenove metros — disse
Júnior, sem ser perguntado. — A emissão de energia psiônica foi mínima, tratando-se de
um teleportador tão perfeito como o Oficial Especial Guck. Uma goniometria dessa
energia parece improvável.
O ilt mostrou o seu dente roedor e olhou amistosamente para a biopositrônica.
— Muito obrigado, Júnior. Por que, afinal, você não me chama de Gucky? Isso soa
muito melhor do que “Oficial Especial Guck”, ou não?
— Nenhuma objeção pragmática — anunciou Júnior. — Uma vez que assim deseja,
Oficial Especial Guck, de futuro vou chamá-lo de Gucky.
— Obrigado, respondeu o ilt. — Mas por que você se expressa só desse jeito
empolado?
— Eu não o entendi, Gucky. O que é que o senhor quer expressar com o adjetivo
“empolado”?
— Que você usa cem palavras, quando três seriam bastantes, Júnior. E já que você
me chama de Gucky, também pode me chamar de “você”.
— Entendido, Gucky. O seu exemplo certamente foi apenas hipotético, pois quando
da resposta em questão, eu não utilizei cem mas sim quatorze palavras.
— Meu caro...! — começou Gucky.
Perry Rhodan o interrompeu, bruscamente.
— Agora não temos tempo para brincadeira, Gucky. — General Dephin e Tolotos,
vamos em frente!
O Paladino e Icho Tolot puseram-se novamente em movimento. Eles pairavam por
cima das poças de lava liquefeita com ajuda dos seus aparelhos antigravitacionais e
deixaram os seus escudos energéticos ativados. O restante da Missão de Comando
também foi obrigado a utilizar os seus aparelhos antigravitacionais para voarem por cima
das poças de lava ardente liquefeita.
Três horas mais tarde eles alcançaram a embocadura para a primeira câmara
rochosa, sem que tivesse havido mais outro incidente.
3

O Major Patulli Lokoshan viu os braços de um gigantesco polvo vir na sua direção,
e afastou-se rapidamente para a direita. Atrás dele os tentáculos bateram no vazio.
Josef Babuschkin, que se encontrava por cima do kamashita, ativou a sua arma de
agulha submarina especial. O polvo estremeceu violentamente, chicoteou a água e cuspiu
enormes nuvens de um líquido parecendo tinta.
— Nunca deixe um animal desse tamanho vivo atrás de si, Major! — gritou
Babuschkin pelo rádio de capacete. — Ele poderia nadar atrás do senhor para atirar-se
sobre sua pessoa quando já não conta mais com ele.
— Eu teria me cuidado — retrucou Patulli, furioso.
— Isso meu irmãozinho menor também sempre dizia, quando meu pai lhe esclarecia
alguma coisa. Mesmo assim entrementes ele já está casado e tem três filhos.
Lorde Zwiebus riu bufando.
Patulli tentou reconhecer aquele homem ancestral. Ele devia encontrar-se a cerca de
cento e cinquenta metros de distância dele, à esquerda. E então ele viu a faixa de vapor
d'água esbranquiçada que ele puxava atrás de si. Os homens do Grupo Saedelaere
utilizavam os projetores de pulsação normais para locomoção em baixo da água. Nos
mesmos a água era sugada, transformada em vapor de alta pressão através de
aquecimento atômico e depois expelida através das turbinas na direção contrária do rumo
tomado. Apesar da alta densidade, a cerca de oito mil metros de profundidade, com isto
se alcançava velocidades de até duzentos e cinquenta quilômetros por hora. Contra a forte
pressão da água, protegiam os escudos de campos de contorno dos trajes de combate.
Desde a partida da Attec, eles estavam a hora e meia a caminho, e até agora haviam
tido nove incidentes com grandes feras do fundo do mar. Fora disso, entretanto, a viagem
transcorrera tão pacificamente como uma excursão no fundo do mar terrano. Uma sombra
caiu de cima sobre Lokoshan, seguida de faixas de vapor d'água.
— Rendição, Major! — disse Saedelaere. — Assuma os recipientes de transporte
para a próxima hora e meia!
Através da regulagem exata de seus propulsores de pulsação os dois homens
manobraram um para junto do outro. Alaska bateu levemente no ombro do kamashita e
lançou-se para fora do assento do recipiente.
Patulli segurou os agarradores e puxou-se para o assento que na realidade consistia
apenas de um rebaixamento parecido com uma sela. Ele desligou o seu propulsor de
pulsações e enfiou as mãos enluvadas para dentro das conchas de contato, quase
invisíveis. O escudo de contornos do seu traje de combate não precisou ser desligado para
isso. Lentamente as suas mãos deslizaram para dentro desta calafetagem elástica —
também envolta por um escudo de campo de contorno — e acabaram repousando sobre
as teclas da comutação. Agora ele podia comandar o recipiente e transporte com o seu
próprio propulsor de pulsações, simplesmente apertando os botões.
Alexandre Strelinsky aproximou-se da esquerda e acenou-lhe.
— Como é que a gente se sente, cavalgando uma carga de bombas Árcon, Major?
Patulli fez uma careta.
— Como alguém cujo estômago contém um litro de nitro-glicerina e que sente
aproximar-se um arroto. Preste atenção, rapaz, diante do senhor há alguma coisa!
O seu grito de alerta chegou tarde demais. Uma coisa que parecia uma flor
gigantesca subiu do fundo do mar, envolveu o tenente e depois baixou novamente sobre
si mesma para o fundo.
Patulli Lokoshan freou o recipiente de transporte, retirou as mãos das conchas de
comutação e arrancou a sua arma de agulhas submarina do cinturão. De três lados
aproximaram-se as faixas de vapor dos companheiros.
— O que aconteceu, Major? — perguntou Saedelaere.
— Alguma coisa engoliu Strelinsky — respondeu o kamashita e ficou olhando
pensativamente a mancha viscosa de cerca de cem metros de diâmetro no fundo do mar.
Babuschkin deu uma série de maldições de si, depois gritou:
— O que podemos fazer, com todos os diabos? Nós não podemos atirar, sem pôr
Alex em perigo.
Ele começou a nadar na direção da mancha viscosa, porém uma ordem cortante de
Saedelaere o reteve.
— Major Lokoshan... — disse ele, depois — ...o senhor pode descrever mais ou
menos em que lugar o monstro de Strelinsky desapareceu?
— No centro do abaulamento superior — respondeu Patulli.
— Muito bem, permaneçam passivos! — ordenou Alaska. — Eu vou tentar atingir
as bordas do monstro com o desintegrador.
Ele mergulhou para o fundo. Logo depois, na borda da mancha viscosa subiu uma
nuvem brilhando esverdeada, prosseguiu pelas bordas e cresceu cada vez mais. Logo ela
envolveu o lesado por transmissor.
De repente aquela coisa parecendo uma flor abaulou-se cerca de cem metros para o
alto, perdeu a sua coloração estonteante e tornou-se praticamente transparente. No terço
superior Patulli Lokoshan descobriu uma figura escura.
O kamashita trocou a arma de agulha pelo desintegrador e dirigiu o raio dissolvente
sobre a substância corpórea abaixo do envolvido. Mais uma vez subiram nuvens que
brilhavam esverdeadas, depois a criatura sucumbiu numa coisa sem cor e viscosa,
cobrindo o fundo do mar como um tapete tremulante.
Babuschkin e Zwiebus aproximaram-se rapidamente da figura que cambaleava pela
água.
Porém antes que eles alcançassem o Tenente Strelinsky ele comunicou-se pelo
radiocapacete e disse:
— Obrigado, está tudo em ordem. Muito obrigado pela sua ajuda. Eu me senti como
se tivesse sido tragado por um pântano. Contra o meu escudo de contornos, naturalmente
o animal era impotente.
Alaska Saedelaere mergulhou para o alto através das montanhas de nuvens
esverdeadas, rodeou Alexander Strelinsky e disse:
— Evidentemente o senhor teve muita sorte, Tenente. No futuro terá que tomar
mais cuidado. Isso é válido para todos nós. E agora vamos em frente!
Patulli Lokoshan enfiou as mãos nas conchas de contato, olhou mais uma vez para a
massa mucosa que lentamente congelava e ligou os propulsores de pulsação do recipiente
de transporte para velocidade alta.
Por meia hora a viagem transcorreu sem incidentes. O fundo do mar era
ligeiramente abaulado e recoberto de lama e criaturas mortas. Depois dessa meia hora,
Alaska Saedelaere avistou uma serra de montanhas que se erguia diante dos cinco
homens como uma barreira de mil metros de altura.
Os homens ativaram os seus aparelhos sensores de pulso, e observaram os seus
mostradores, protegidos por forte troplon blindado. Depois de poucos minutos eles
tinham descoberto um desfiladeiro estreito, e o lesado por transmissor decidiu que iriam
usá-lo.
Lentamente eles viajaram por entre as paredes rochosas escuras alcantiladas. Os
cones de luz dos holofotes cortavam a escuridão e passavam por cima de plantas
estranhamente estropiadas, tocando cardumes de peixes cintilantes e os tentáculos de
feras que, escondidas entre as brechas da rocha, estavam à espreita de suas vítimas.
Patulli suspirou.
— O que tem, irmãozinho? — perguntou Babuschkin, zombeteiro.
— Isto aqui é praticamente como no fundo do mar de Kamash — respondeu o
major. — Um mundo destes não se destrói com o coração leve.
— Nisto tem razão — disse Josef Babuschkin, tristemente. — É uma vergonha que
devemos destruir este mundo, um mundo como
este, pujante de vida.
— Não podíamos simplesmente deixar os
receptores de impulsos das bombas inativados?
— perguntou Alexander Strelinsky.
— Certamente que poderíamos fazer isso —
respondeu Alaska Saedelaere. — Ninguém o
notaria, e se isso fosse notado, de há muito já
estaríamos novamente em Mayntoho. O que nos
importa se com isso nos tornamos culpados da
destruição de muitos outros planetas e da morte
de milhões de ganjásicos e takerers inocentes!
— Portanto não temos outra escolha, a não
ser prosseguirmos exatamente conforme o plano?
— perguntou Patulli.
— Infelizmente não temos outra escolha,
anão! — disse Lorde Zwiebus. — A guerra é
sempre um negócio sujo, não importa de que lado
nos encontramos.
Por alguns minutos ninguém disse uma só
palavra, até que o desfiladeiro estreito se alargou
num vale bastante largo. Regatos de lama
desciam pelas paredes de rochas. Gases subiam
como colares de pérolas, em muitos milhares de cordões, para o alto, verticalmente.
Lentamente os cinco homens pairaram para dentro do vale.
— Nestes paredões vamos colocar a primeira série de bombas — disse Saedelaere.
— Todos, com exceção do Major Lokoshan, procuram por fendas ou grutas. Logo que
um de vocês encontrou alguma coisa, avisa ao major e coloca com ele sempre uma
bomba em cada esconderijo.
— Um momento! — gritou Lorde Zwiebus, agitado. — O meu sensor está
indicando uma forte concentração de metal-plástico. No centro do fundo do vale!
As medições foram confirmadas por Alaska e pelos dois tenentes. Patulli não podia
ligar o seu sensor, pois suas mãos ainda se encontravam enfiadas nas conchas de contato
dos recipientes de transporte.
— Vamos dar uma olhada melhor nisso — decidiu Alaska. — Major Lokoshan,
ancore o seu recipiente no fundo e venha conosco!
O kamashita não precisou que lhe dissessem isso uma segunda vez. Por natureza ele
era curioso, e uma coleção de metal-plástico no fundo do mar prometia, sem dúvida, uma
descoberta interessante.
Cautelosamente os cinco homens deslizaram na direção do fundo do vale. Depois de
algum tempo eles descobriram um abaulamento de cerca de dez metros de altura e trinta
metros de diâmetro da borda inferior. Os; sensores indicaram uma grossa camada de lama
— e, por baixo, metal-plástico.
Saedelaere e Zwiebus transformaram em gases uma parte da crosta, usando seus
desintegradores. Depois que os gases cintilantes verdes tinham-se desfeito um pouco, os
homens avistaram metal-plástico cinza-claro, fortemente corroído.
— Deve ser bastante velho — achou o neandertalense. — Metal-plástico não corrói
tão facilmente.
— Pelo menos meio milhão de anos — disse Saedelaere. — Ou ainda mais antigo.
Na realidade não deveríamos gastar tempo com uma investigação, mas quando me
lembro que este testemunho do distante passado em poucos dias não mais existirá...
Lokoshan não esperou mais tempo. Ele apontou para o metal-plástico e o raio do
desintegrador mandou novas nuvens de gases moleculares para o alto.
Saedelaere respirou fundo, depois disse:
— Está bem! Procurar por uma entrada naturalmente não faria sentido.
Cinco raios de desintegradores se reuniram e queimaram, em poucos minutos, um
buraco de três metros de circunferência no metal-plástico corroído. Por baixo apareceram
elementos de construção em formato de favos. A água atirou-se para dentro da abertura, e
tentou forçar os elementos, mas não conseguiu quebrá-los. Diferentemente do casco
externo, eles não apresentavam quaisquer sinais de corrosão.
— Isto aqui ou é uma estação de fundo do mar muito antiga ou então uma nave
espacial caída — achou o Tenente Strelinsky. — Não poderíamos procurar por uma
eclusa, que nos permita a entrada, sem que tudo seja inundado?
— Vamos tentá-lo! — decidiu Alaska. — Para trás!
Ele ativou o seu propulsor de pulsações e lentamente deslizou através da abertura.
Por algum tempo os outros quatro homens apenas ouviram dele monólogos a meia-voz,
depois ele avisou que tinha encontrado uma eclusa capaz de funcionar.
Bem perto, atrás de Zwiebus, Patulli deslizou através da abertura. O seu holofote
desvendou estruturas faviformes meio destruídas e uma superfície de metal-plástico lisa,
na qual Alaska Saedelaere estava trabalhando com uma engrenagem manual.
— Estou ficando maluco! — deixou escapar o kamashita.
— Muita coisa não se consegue com isso — disse Alaska, zombeteiro. Ele gemeu:
— Por que, afinal?
— Essa engrenagem, essa roda manual! — gritou Patulli. — Não está vendo? Ela
tem oito raios como as rodas de engrenagens manuais nas astronaves terranas. Nas naves
dos cappins, entretanto, só existem manivelas com rodas manuais de seis raios!
O lesado por transmissor gemeu. A manivela de repente deu de si, e a escotilha
deslizou pela metade para dentro da parede da direita.
— Muito bem! — retrucou Saedelaere. — Com oito raios, não é! Neste caso um dos
antepassados de Zwiebus deveria ter voado certa vez para Gruelfin.
— Piadista! — disse o neandertalense. — No meu tempo eu era a construção mais
moderna. Há trezentos mil anos antes do meu nascimento havia apenas homens-símios
grunhentos na face da Terra. Mas talvez um deles tenha cavalgado numa vassoura para
Gruelfin.
— Como eu odeio uma conversa elevada! — gritou Alaska. — Por favor, façam um
esforço para entrarem na eclusa, para que Lorde Zwiebus possa fechar a porta atrás de
nós.
Os homens obedeceram. Lorde Zwiebus girou a manivela afixada na parede
interior, e as suas forças conseguiram manejar facilmente o antigo mecanismo. A
escotilha externa fechou-se.
Alaska apontou para a manivela dentro da escotilha interna.
— Por favor, Mylord! — disse ele, sarcástico. — Estas manivelas evidentemente
foram construídas para homens pré-históricos.
Zwiebus sorriu divertido e nadou na direção da escotilha interna. Também aqui as
suas forças tiveram êxito. A escotilha abriu-se pela metade, e a água que se encontrava na
câmara da eclusa atirou-se através da abertura. E caiu como se consistisse de metal
líquido.
Patulli Lokoshan olhou para o seu analisador.
— A cápsula não tem ar — verificou ele. — Portanto muito provavelmente não
encontraremos nenhum descendente dos antepassados de Zwiebus no seu interior.
— Essa não foi uma previsão original — retrucou Alaska Saedelaere. — Mas, para
falar francamente, eu estou temeroso pelo que vamos encontrar.
O Major Lokoshan sentiu um frio na espinha. Mesmo assim ele ligou sua
aparelhagem antigravitacional, e saiu pairando atrás de Saedelaere para dentro daquele
poço sem ar.
***
Os microfones externos dos trajes de combate reproduziam o eco dos passos. Cones
de luz dos holofotes atravessavam a escuridão e jogavam sombras grotescamente
contorcidas nas paredes.
— Quase não dá para acreditar! — disse Roi Danton.
— O que é que você quer dizer? — perguntou Gucky.
— Quero dizer que quase não dá para acreditar que estamos tão perto, abaixo da
central de comando de um reino estelar inimigo, sem sermos incomodados.
Um trovejar baixo ecoou, aumentando para um barulho muito forte para depois
diminuir novamente. O chão tremeu e balançou, de uma fenda no teto da caverna
escorreu poeira.
— Uma pequena saudação do Monte Motah! — gritou Gucky.
Perry olhou pensativo para a fenda no teto que lentamente aumentou, rangendo
muito.
— Esse sujeito quer mostrar mais uma vez, nos seus dias de velho, do que é capaz
— achou ele. — Júnior, por favor verifique um momento exato para a ignição de nossas
cargas de thermothon. Elas terão que descarregar-se todas juntas, num milionésimo de
segundo, para que desenvolvam o efeito planejado.
— Sim, Sir — respondeu Júnior. — Mas diga-me, por favor, por que, para uma
tarefa tão simples, é necessário uma bio-positrônica altamente complicada.
— Essa coisa está ficando renitente...! — gritou o Roi, surpreso.
Perry quis massagear o seu queixo, distraidamente, e estremeceu quando a sua mão
bateu contra o capacete globular.
— Não, não, Mike... — informou ele. — Júnior é uma criatura que pensa
conscientemente, portanto ele também pensa criticamente. Eu provavelmente me
expressei mal. Júnior, naturalmente eu também poderia determinar um momento
conjunto com um despertador, sim, até mesmo sem relógio, pois apenas é importante que
ajustemos o mesmo fator de retardação com todas as cargas. O que eu preciso é de um
ponto de tempo que nos deixe margem suficiente para ainda darmos uma olhada por aqui,
antes de regressarmos através do transmissor.
— Entendido, Sir. Eu sugiro escolhermos o tempo de demora de vinte horas e...
— Um momento! — interrompeu Roi. — A instalação das cargas demora no
máximo uma hora. Se em seguida nós recuarmos através do túnel usando nossas
aparelhagens de voo, poderíamos — contando de agora — passar pelo transmissor no
máximo dentro de três horas. Por que, portanto, uma demora de vinte horas?
— Se eu fosse uma criatura humana — retrucou Júnior — eu agora estaria com um
sorriso irônico. O senhor naturalmente não usou em seus cálculos um fator altamente
importante, ou seja a curiosidade acima da média do Administrador-Geral. Eu suponho
que o Administrador-Geral gostaria de dar uma olhada mais metódica dentro do Monte
Motah.
Alguns astronautas riram. Perry sorriu, satisfeito.
— Júnior tem razão, Mike. Concordo com o tempo de demora de vinte horas, o que
seria mais ou menos às dezoito horas do dia três de junho. Por favor, Júnior, calcule os
valores de tempo exatos, e entregue-os ao nosso especialista de explosivos, Capitão
Jammasch.
— Será feito, Sir — declarou Júnior.
O Administrador-Geral anuiu.
— Depois que isso foi feito — disse ele — acho melhor que os especialistas
comecem logo com as perfurações para as cargas. Júnior, você fica aqui, à disposição do
Capitão Jammasch; Tolot, com o time dos Thunderbolts. Mike e eu vamos examinar as
galerias que bifurcam aqui. Gucky e Merkosh nos acompanharão.
Ele dividiu a tropa de reconhecimento em dois grupos: Gucky e Merkosh deviam
investigar sozinhos uma galeria, Mike e ele uma outra e os dois gigantes uma cada.
O time dos Thunderbolts foi o primeiro a partir. O Paladino entrou trovejando na
entrada da galeria mais próxima, meteu-se barulhentamente na abertura e parou.
— Especialista Retekin — murmurou Dephin — desta vez não com a voz
amplificada nos receptores de capacete — qual é a regra básica para os técnicos de
rastreamento em sistemas móveis?
— Quando o seu comandante está prestes a guiar o sistema móvel por entre
obstáculos, eles comparam a altura e a largura medida, geralmente as duas coisas, com as
medições externas máximas, e comunicam isso ao seu comandante. — Ratekin gemeu.
— Peço perdão, Sir, mas eu tinha justamente ido ao toalete e não consegui voltar
suficientemente rápido para meus aparelhos de rastreamento.
— Posso acrescentar alguma coisa, Sir? — perguntou a voz de Amos Rigeler.
— Sim, por favor! — respondeu o comandante do robô Paladino, de má vontade.
— O mecanismo de alavancas do ombro esquerdo está travada, Sir. Peço
autorização para poder ativar a instalação automática de reparos.
— Ative-a! — ordenou Dephin.
Perry Rhodan gemeu.
— General Dephin!
— Sim, Sir! — respondeu o chefe do time dos Thunderbolts, desta vez com
amplificador ligado. — Sinto muito, Sir. Normalmente tenho um golpe de vista bastante
bom, mas com esta iluminação ruim...
— Volte, General! — ordenou o Administrador-Geral.
— Sim, Sir.
Harl Dephin desligou novamente o amplificador, mas mesmo assim as outras
pessoas escutaram o seu praguejar nos seus receptores de telecomunicação. Depois de
algum tempo a rocha rangeu e estalou, e o Paladino marchou para trás, liberando-se,
numa nuvem de poeira.
— Você precisa tomar um arranco maior, Harly — piou o rato-castor. — Se, depois
disso, você ainda ligar o seu escudo energético, certamente vai avançar um bom pedaço.
Rhodan começou a falar impaciente.
— Deixe dessas piadas tolas, Gucky! — admoestou ele. — General Dephin, o
senhor e Tolotos devem procurar por galerias mais largas nas cavernas vizinhas. Em
algum lugar certamente encontrarão alguma coisa apropriada. Nós outros entrementes
vamos partir.
Ele acenou para o seu filho.
— Venha, Mike!
— Venha, bonequinha de vidro! — disse Gucky para Merkosh e saiu bamboleando
na frente do Vítreo.
Merkosh disse alguma coisa incompreensível e caminhou atrás do ilt, levemente
curvado para a frente. Os homens do Comando de Perfurações fizeram uso dos
desintegradores especiais, para cortar na rocha canos para as cargas thermoton.
— Eu estou admirado... — disse Roi Danton, depois de algum tempo — ...que o
General Dephin não tenha visto imediatamente que a galeria era estreita demais para o
Paladino. Afinal, na galeria nem mesmo dois terranos poderiam marchar um ao lado do
outro.
— Ninguém o notou — retrucou o seu pai. — É a tensão nervosa, que leva ao
cometimento de falhas como esta. Ninguém de nós pode planejar, em sã consciência, a
destruição desta montanha habitada por muitos milhares de inteligências, mesmo se todos
sabemos que não existe uma alternativa humana.
Depois disso os dois homens silenciaram. A galeria subia lentamente, depois
transformou-se numa escada-caracol, que levava mais ou menos cinquenta metros para o
alto. Ela terminou numa câmara rochosa retangular.
— Ao que parece, isso não vai mais longe — disse Roi.
Perry ligou o aparelho quadrado que carregava ao peito. Tratava-se de um
ressonador de cavernas de fabricação siganesa.
Roi colocou-se ao lado do seu pai, e ficou observando o disco iluminado do
indicador eletrônico. Enquanto Rhodan ajustava a distância sem escalas, a
micropositrônica instalada no aparelho chato avaliava os impulsos de ressonância,
incompreensíveis para os homens, e mostrava uma imagem exata, das cavernas existentes
na distância ajustada. Para isso era necessário que se mirasse na direção desejada com
todo o corpo.
Primeiramente surgiu uma imagem de um corredor que subia fortemente, e que
começava atrás da parede dos fundos da câmara, desembocando num pavilhão largo,
depois de quatro quilômetros. Na imagem do pavilhão destacavam-se os contornos
escuros de edificações.
— O pavilhão fica a exatos dois mil metros acima de nós — constatou Rhodan. —
O que é que você acha, Mike, devemos dar uma olhada nela?
Michael Rhodan sorriu, divertido.
— Pelo que conheço de meu pai, ele vai dar uma olhada nela, não importa se eu
concordo com ele ou não.
Perry devolveu o sorriso divertido e desligou o ressonador.
— Você conhece bastante bem o seu pai. Muito bem, vamos procurar pelo
mecanismo, que nos arranjará uma entrada para o corredor.
Com ajuda do seu Indicador Múltiplo ele logo descobriu o mecanismo. Segundos
mais tarde um pedaço da parede afundou no chão, liberando a passagem para o corredor
que subia fortemente. Ele era mais largo que a galeria, pela qual tinham vindo até a
câmara rochosa.
Os dois homens ligaram suas aparelhagens de voo e pairaram, com uma velocidade
de vinte quilômetros horários, corredor acima. Os cones de luz dos holofotes
desvendavam paredes rochosas alisadas termicamente.
Quando, à luz dos holofotes, eles descobriram a entrada para o pavilhão, Perry
Rhodan e Roi desligaram as suas lâmpadas. No primeiro momento seguinte, ficou
completamente escuro, depois os olhos se acostumaram e reconheceram o fraco brilho de
culturas de bactérias luminosas, contornos sombreados nas paredes.
Na embocadura do pavilhão os homens desligaram sua aparelhagem de voo e
pairaram para o chão.
Diante deles reinava o silêncio. Também o pavilhão era iluminado parcamente por
culturas de bactérias, que cobriam, em pequenas ou grandes manchas, o teto do pavilhão.
Antigamente eles deviam ter recoberto todo o teto, mas culturas de bactérias parasitas
tinham “comido” as mesmas em sua maior parte, depois que ninguém mais se ocupara em
manter num mínimo as daninhas.
Perry viu os contornos de ruínas. Ele avaliou o número dos edifícios ruídos ou
destruídos em dez mil. Devia ter sido uma pequena cidade, que fora construída aqui.
Ele perguntou-se se foram os takerers, que construíram esta cidade, e por que a
tinham deixado desmoronar.
Um forte trovejar fez o chão tremer. Com um ruído surdo uma ruína desmoronou
sobre si mesma.
O Administrador-Geral espichou o ouvido quando ouviu o murmúrio de vozes no
seu receptor de capacete. Ele aumentou a recepção e de repente ouviu a voz
inconfundível de Gucky.
— O velho Motah está se mexendo outra vez! — gritou o ilt, estridente. — Eu
gostaria de saber por que estamos nos esgueirando por aqui.
— Porque ainda gostaríamos de descobrir alguns dos segredos dos antigos takerers,
baixinho — declarou Perry.
Seguiu-se um ruído de respiração profunda, depois o rato-castor falou:
— Você acaba de me dar um susto, chefe! Onde é que você está metido?
Perry Rhodan tentou descrever a sua posição o melhor possível para o ilt.
De repente Roi disse:
— Eles estão do lado de lá, dad. Acabei de ver um reflexo luminoso. — Ele
apontou para um edifício com cúpula, a cerca de trezentos metros de distância da
embocadura, depois ligou seu holofote por um momento.
— Vistos! — gritou Gucky. — Devemos ir até aí, ou vocês vêm para cá?
— Nós vamos até aí — decidiu Perry. — Você pode constatar impulsos de
pensamentos estranhos, Gucky?
— Muitos, mas não aqui, e sim a alguns quilômetros acima de nós. Ali deve
encontrar-se uma central da Marsav. Eu capto inúmeros impulsos de pensamentos que se
ocupam com ações de agentes da Marsav. Um momento! Acabei de captar um impulso
curto, que avisa que o Tachkar logo pousará em Takera.
— Ótimo — disse Roi. — Neste caso ele terá uma recepção calorosa, quando as
cargas de thermoton irão pelos ares.
Perry Rhodan anuiu, enquanto ligava sua aparelhagem de voo, para voar ao lugar
onde se encontravam Gucky e Merkosh. Ele esperava que o próprio Tachkar pudesse
escapar da destruição. Não porque ele quisesse poupá-lo, mas porque seria melhor que a
maior autoridade do reino ficasse mantida, para organizar a evacuação da população civil
de Takera.
Ele pousou a um metro de Gucky. Merkosh acenou, o vítreo encontrava-se junto de
uma esfera metálica que brilhava prateada, com cerca de cinco metros de diâmetro.
— O meu detector está medindo elementos positrônicos — explicou ele. — Devo
destruir a esfera?
— De modo algum! — retrucou o Administrador-Geral, cortante. — Nós vamos
examiná-la muito bem. Existe alguma abertura?
Merkosh correu as mãos por cima da cobertura externa. De repente mostrou-se uma
abertura oval. Ela tinha cerca de um metro de largura e por trás dela uma luz esverdeada
caía sobre um grande número de instrumentos.
— Nisso, vamos dar uma olhada melhor — disse Perry.
— Espero que não seja uma armadilha — disse Roi, desconfiado.
Perry dirigiu-se para a abertura. Dentro de poucas horas tudo isso aqui não mais
existirá. Naturalmente as cargas de thermoton não reagiam do mesmo modo como
bombas de fusão. Elas não explodiriam o Monte Motah, mandando-o pelos ares de um só
golpe, mas o calor liberado de cinquenta milhões de graus centígrados formava uma
espécie de sol artificial em expansão, o que forçosamente deveria levar ao derretimento
do sistema de corredores, a inundações de águas e finalmente à ativação do vulcão e à
destruição do Valosar.
Era importante que antes disso se investigassem o maior número possível dos
segredos do Monte Motah...
***
O Administrador-Geral segurou-se com as mãos nas bordas da abertura, e curvou-se
para a frente. Os instrumentos que, de longe, tinham parecido mais ou menos familiares,
de perto eram tão estranhos que Perry, apesar de toda a sua experiência com tecnologias
exóticas, não entendeu os seus fins.
E quanto mais ele os olhava, mais exótico tudo aquilo lhe parecia.
Havia algumas saliências cor-de-carne, sensores estrelados, ou algo que tinha ligeira
semelhança com teclas de comutação, superfícies circulares verdes com bordas negras e
figuras ovais vítreas com inúmeros pontos luminosos microscópicos dentro delas.
Perry puxou-se para cima e esgueirou-se pela abertura.
— Perry...? — disse o ilt.
— O que há? — perguntou Rhodan, meio chateado.
Ele agora não queria ser distraído. A total exoticidade das instalações o fascinara,
sobretudo porque ele sabia que na realidade não deveria haver um exotismo absoluto.
— Talvez isso seja uma armadilha — disse Gucky. — Eu tenho uma sensação
muito estranha.
Perry Rhodan não respondeu. Seus pés afundaram numa espécie de massa de
acolchoamento verde-clara. Para testá-la, ele puxou o pé direito para cima, e verificou
que conservara sua total liberdade de movimentos. Colocou as mãos sobre dois lugares
que lhe pareceram estáveis, e deixou o corpo baixar ainda mais. A massa acolchoada
fechou-se em volta dele como uma poltrona anatômica, sem roubar-lhe a liberdade de
movimentos. Ele respirou aliviado e sorriu.
Construções semelhantes ele nunca vira nem com os ganjásicos, nem com os
takerers ou outros povos da Galáxia do Sombrero. Ou a esfera era uma construção secreta
de algum Tachkar de há muito morto — ou então uma raça ainda desconhecida a tinha
deixado para trás aqui, há muito tempo atrás.
Ele ergueu os olhos quando Merkosh também se esgueirou para o interior da bola.
O Vítreo examinou a instalação com uma atenção muito tensa, e suspirou quando a
estranha poltrona anatômica também se amoldou ao seu corpo.
— Não se preocupe, Merkosh — disse Rhodan. — Não é uma armadilha.
O Vítreo repuxou a cara, mexeu-se desajeitadamente e bateu com o cotovelo direito
contra uma das saliências cor-de-carne.
Com um ruído chapinhante a esfera fechou-se.
Assustado, Merkosh tateou em volta de si — e acertou um dos pseudocorpos em
forma de estrela.
Num instante a esfera estava cheia de uma vida técnica fantasmagórica. Luzes
piscaram, os diminutos pontos luminosos nas figuras vítreas giravam num turbilhão louco
entre si, máquinas invisíveis zuniram.
Perry viu como o Vítreo, cheio de pânico, ergueu os lábios para formar um cone.
Com a mão espalmada ele bateu-lhe contra o capacete.
— Acalme-se, Merkosh! — gritou ele pelo rádio de capacete. Ele esperava que
Merkosh não começasse a transmitir em hipersom — isso poderia conduzir a uma
catástrofe.
O Vítreo reenrolou os lábios outra vez.
— Cometemos tolice — disse ele, baixinho. — Administrador-Geral e o próprio
estamos metidos em armadilha.
— Talvez, mas talvez também não — retrucou Perry, com calma forçada. — Antes
de mais nada vamos ter que raciocinar no que devemos fazer em seguida — e por
enquanto não devemos tocar em mais nenhum objeto.
De repente chamou-lhe a atenção de que nem de Mike nem de Gucky ainda viera-
lhe qualquer comentário, apesar dos dois estarem parados muito perto da esfera.
— Mike, Gucky! — gritou ele. — Vocês podem me ouvir? Nenhuma resposta.
— Nós estão prisioneiro — lamentou Merkosh. — Tirar-se capacete e soprar buraco
na bola, sim?
— Momento, momento! — disse Perry Rhodan. — A esfera não deixa passar
telecomunicações. Eu vou me concentrar. Talvez consiga uma ligação telepática com
Gucky. — Ele amaldiçoou o fato de ter deixado Whisper com Lloyd.
Depois de ter tentado, por quase cinco minutos, efetuar uma ligação telepática com
o rato-castor, ele desistiu. Com a diminuta distância entre ele e Gucky, ele deveria ter
conseguido um contato parapsíquico de pensamentos mesmo sem o apoio de Whisper.
Ou o material da bola também era impenetrável mesmo a isso, ou...
Por um momento ele sentiu-se tentado a brigar com Merkosh, mas abafou este
impulso.
— Acho que não nos resta outra coisa, que não experimentar — declarou ele. —
Merkosh, por favor, aponte os lugares que tocou, sem entretanto fazê-lo novamente.
O Vítreo apontou silenciosamente para a pseudotecla em forma de estrela, depois
para uma saliência cor-de-carne. Perry anuiu.
— Muito bem, e agora aperte, em rápida sequência, primeiramente a estrela e
depois a saliência.
Merkosh hesitou um momento, depois seguiu as instruções de Rhodan. O turbilhão
de pontos luminosos acabou, com um som chapinhante a escotilha abriu-se. Merkosh
olhou pela abertura — e caiu de volta, dando um grito gargarejante.
Perry Rhodan teve que reunir todas as suas forças, para não tremer. Com rosto
pálido ele estava olhando fixamente para si mesmo.
O Rhodan que estava de pé do lado de fora olhando para dentro evidentemente não
via nem a ele nem ao Vítreo. Seu interesse era dedicado exclusivamente ao arranjo
interno da esfera.
O Rhodan dentro da esfera quase duvidou do seu juízo. Ele perguntou-se quem ele
era na realidade e reconheceu ainda no mesmo instante a falta de senso desta pergunta.
Uma outra imagem surgiu diante do seu espírito: Ovaron, que na lua de Saturno
observava o seu próprio pouso em Titã.
Quando o Rhodan de fora se esgueirou pela abertura, o Rhodan de dentro quis
gritar, porém nenhum som saiu-lhe da garganta. Uma dor violenta passou-lhe pelo crânio.
Durante segundos ficou preto diante dos seus olhos. Como vindo de uma grande distância
ele sentiu um gemido abafado, depois o clique de um comutador.
Quando pôde ver novamente o outro Rhodan desaparecera, e também Merkosh não
se encontrava mais dentro da esfera.
Rhodan empurrou-se mais profundamente para o recinto interior da esfera; ele
sentiu como seus pés afundavam dentro de uma massa acolchoada verde-clara.
E de repente ele sabia que jamais existiria duplamente, porque em algum tempo ele
fizera anular a transposição do tempo e agora trataria de que este processo não mais se
repetisse.
Puxou os pés para fora da massa de acolchoamento, virou-se no mesmo lugar e viu
que Merkosh estava em vias de esgueirar-se para o espaço interno.
— Fique do lado de fora! — disse ele, cortante. — Isto é uma armadilha!
O Vítreo guinchou assustado e deixou-se cair, de costas, para fora. Rhodan
esgueirou-se atrás dele, e respirou aliviado quando avistou Gucky e Mike. Ele pulou para
fora, sentiu seus joelhos fraquejarem e encostou-se contra a bola.
Danton pegou-o pelo braço.
— O que é que você tem, dad? — perguntou ele, preocupado. — Você está branco
como uma folha de papel.
Perry engoliu em seco, depois sorriu, num esgar.
— Não falemos mais disso. Eu meti uma vez mais o meu nariz em algo que não
entendia.
— Auto-reconhecimento é o melhor caminho para melhorarmos — sentenciou
Gucky. — Mas neste caso eu realmente não entendo nada, chefe. Mal você estava dentro
do globo, quando gritou com Merkosh, e voltou como um raio muito bem engraxado. Por
quê? Será que você viu o seu próprio espírito?
Perry sentiu um calafrio.
— Acredite ou não, Gucky, mas foi exatamente isso — confirmou ele, atordoado.
— Eu sugiro voltarmos e colocarmos todas as cargas. Às vezes devemos saber
desistir de alguns segredos.
Perry Rhodan hesitou. Ele recuperou-se visivelmente do choque que a visão do seu
próprio rosto lhe causara, e o impulso de investigar o mais possível os mistérios do
Monte Motah preparava-lhe uma dor quase que física.
Mas finalmente venceu a razão.
— Vamos voar de volta! — disse ele.
Roi Danton respirou aliviado.
As quatro pessoas ativaram suas aparelhagens de voo. Gucky conduziu os seus
companheiros para a embocadura da galeria através da qual ele e Merkosh tinham
chegado ao pavilhão. Depois não demorou muito até que eles se encontrassem novamente
no seu ponto de partida comum, a câmara rochosa.
Ali os especialistas entrementes tinham colocado a metade das cargas de thermoton,
em profundos furos, regulando a ignição automática no tempo calculado por Júnior. Em
seguida os buracos foram fechados novamente, de modo que não se destacavam dos
rochedos circundantes.
Enquanto o chefe do Comando de Explosivos terminou o seu relatório, o Paladino
entrou pesadamente na câmara. Ele esperou até que o Capitão Jammasch estivesse
pronto, depois o General Dephin disse:
— Sir, nós encontramos bem nas proximidades da terceira câmara rochosa fortes
focos vulcânicos. Em nossa opinião coletiva, aquele terreno é especialmente adequado
para a colocação de cargas de destruição.
— Hum! — fez Perry. — O senhor sabe de alguma coisa sobre Tolot, general?
Antes que Harl Dephin pudesse responder, o halutense comunicou-se pelo rádio de
capacete.
— Não, Rhodanos, mas agora você mesmo está me ouvindo. — Segundos mais
tarde, Tolot saltou de dentro da passagem para a segunda câmara. — Eu me meti dentro
de um beco sem saída — informou ele. — Mas meus aparelhos de medição mostraram
uma forte concentração de focos de perturbação vulcânica, nas seguintes coordenadas...
Os siganeses no Paladino riram, quando ele disse as coordenadas.
— É de lá justamente que estamos vindo — explicou Harl Dephin ao halutense
desaparecido.
— E é para lá que iremos todos juntos novamente — decidiu Perry Rhodan.
Ele deu algumas instruções ao Capitão Jammasch, depois os participantes do grupo
se reuniram e partiram para o terreno encontrado pelo time dos Thunderbolts.
— Mais duas horas, talvez — murmurou Perry, enquanto pairava ao lado do seu
filho através de uma galeria larga. — E então vamos poder voltar para a Attec.
— Repita isso dentro de duas horas, dad — respondeu Roi, com um sorriso irônico.
— Então eu até vou acreditar em você.
Estações Cósmicas Terranas
Estação de Retransmissão de Hiper-Rádio
Dados Técnicos:

Elas formam um sistema fechado dentro da


galáxia e completam cruzadores de vigilância e de
correio da Frota Solar e são utilizados especialmente
pela USO. A estação tem um diâmetro de 200 m e tem
80 m de altura. Para uma rápida movimentação de
pessoas dentro da estação, a mesma possui 5
elevadores antigravitacionais e uma esteira rolante para
pessoas. A tripulação consiste de 10 homens e é
trocada a cada 6 meses.

1. Transmissor de hiper-rádio e instalação de receptores 17. Eclusa de carga com câmara de conexão extensível de
com um alcance de 10.000 anos-luz. 100 m de comprimento.
2. Antena transmissora principal do aparelho de hiper-rádio. 18. Depósito para peças de reposição e projetores
3. Antena de transmissão e recepção para o rádio normal. antigravitacionais.
4. Antenas de frequência-portadora (6 unidades) para a 19. Central de comando com monitores de rastreamento e
irradiação simultânea de diversas notícias em hiper- computadores positrônicos de navegação.
radio. 20. Duto central de elevador antigravitacional com eclusas
5. Torre de rastreamento com antenas de goniometria e para pessoas superiores e inferiores.
rastreamento e sensores de massa altamente 21. Conversores-Waringer (2 unidades) para voo linear
sensíveis. ultra-luz.
6. Transmissores de matéria com instalações energéticas. 22. Hangar com uma nave de reconhecimento de 35 m de
7. Geradores para escudos de proteção de alta-energia. diâmetro da classe “Space-Jet”.
8. Alojamentos da tripulação com cantina e enfermaria. 23. Suportes telescópicos hidráulicos para aterrissagem
9. Aparelhagem transmissora de hiper-rádio direcional e (total de 8).
amplificador. 24. Gerador para erguimento de um escudo protetor
10. Antena direcional de hiper-rádio. paratrônico.
11. Antena receptora de hiper-rádio. 25. Propulsores de antigravidade.
12. Hangares com naves salva-vidas de 2 unidades. 26. Um canhão transformador com alimentação energética
13. Propulsores de regulação móveis com contato autônoma. Capacidade de irradiação: 1.000
energético no motopropulsor principal. gigatoneladas.
14. Motopropulsores principais (4 unidades). 27. Antena circular de goniometria.
15. Pavilhão Usina geradora principal com reatores de fusão 28! Instalação de renovação de ar.
de alto rendimento, transformadores de energia e 29. Transmissor de hiper-vídeo.
bancos acumuladores. 30. Esteira rolante para pessoas. Ao lado depósito com
16. Central de rádio circular com consoles de distribuição de robôs para reparos.
hiper-rádio, e hiper-vídeo, acumulador de notícias e 31. Instalação de decodificação.
outros aparelhos. 32. Sondas robóticas não-tripuladas e programação de voo.
4

— Atenção! — gritou Alaska Saedelaere, pelo rádio de capacete. — Plataforma dez


metros abaixo de mim. Nós interrompemos nossa viagem ali.
Lorde Zwiebus arrotou feito um trovão.
— Saúde! — disse Josef Babuschkin.
— Esse kamashita está novamente com um comportamento hoje... — disse
Zwiebus, caluniador.
Patulli Lokoshan ergueu os punhos, ameaçador, mas não retrucou. Ele guiou um
pouco para a esquerda, para não colidir com o lesado por transmissor. Alaska estava
justamente pousando em cima de uma plataforma saliente.
Patulli pousou ao lado dele e apontou os seus holofotes para a escotilha fechada, na
parede do tubo. A mancha de luz passeou por cima de metal-plástico verde-acinzentado e
parou acima de uma figura lenticular, que brilhava como vidro e que se encontrava logo
acima da escotilha.
Uma fração de segundo mais tarde uma máquina acordou, ruidosamente. A
escotilha deslizou para os lados — e um forte pé-de-vento pegou Alaska e o kamashita e
varreu os dois homens de cima da plataforma.
Eles bateram na parede contrária do tubo, ligaram suas aparelhagens de voo e
pairaram de volta.
— A câmara da eclusa estava cheia de ar — observou Patulli.
— Não me diga! — retrucou Alaska.
Eles tiveram que acelerar mais fortemente, para desviar-se dos três outros homens
do seu grupo. Chegados à câmara da eclusa, eles frearam e deixaram-se pairar para o
chão.
— É mesmo possível que uma nave tão antiga ainda funcione em parte? —
perguntou o Tenente Strelinsky.
Zwiebus riu.
— É que antigamente ainda se construía de modo estável, Tenente, e não de
maneira que as astronaves caiam aos pedaços depois de dez anos de serviço.
O Major Lokoshan sorriu desse exagero. Ele olhou para seu relógio e verificou que
eles não podiam mais permanecer por muito tempo dentro deste objeto estranho, caso
quisessem manter-se dentro do plano horário.
Depois que Zwiebus e os outros dois tenentes também se encontravam dentro da
câmara da eclusa, a escotilha externa fechou-se novamente. Sibilando, entrou o ar.
Alaska Saedelaere ergueu o campo de leitura do seu analisador à altura dos olhos e
disse:
— Praticamente a mesma atmosfera que na Terra. Cinco por cento menos oxigênio,
em contrapartida seis e meio por cento de dióxido de carbono a mais e quase nada de
gases nobres. A temperatura está em vinte e oito graus centígrados.
O sibilar emudeceu, a escotilha interna abriu-se automaticamente. Os olhares dos
cinco homens dirigiram-se ao corredor que lhes ficava por trás. À luz dos holofotes eles
viram que ele era de corte transversal retangular e no chão havia um rego em forma de
calha de cerca de quinze centímetros de profundidade, na qual viam-se colados os restos
ressecados de uma substância não mais definível. Nas duas paredes laterais, em distâncias
regulares, havia ganchos metálicos, e juntas paralelas mostravam que as tiras de parede
que tinham os ganchos eram móveis.
— Parece ter sido algo assim como um sistema de esteiras de transporte — disse
Alaska Saedelaere.
Lokoshan esfregou o pé no chão, por baixo de um gancho.
— Imóvel — verificou ele. — Por isso os habitantes devem ter se enforcado nos
ganchos, se não quisessem andar a pé. Se é que eles realmente tinham pés.
Alexander Strelinsky mandou o cone de luz do seu holofote para a calha no chão e
disse pensativo:
— Talvez fossem anfíbios, que com uma parte do corpo se agarravam nos ganchos
e com outra parte do corpo deixavam se arrastar pelo rego. Posso imaginar que a calha
continha um líquido do qual eles precisavam muito.
Alaska sentiu um calafrio.
— Vamos continuar nossa busca! — disse ele.
Enquanto eles marchavam pelo corredor ao lado da calha, Patulli Lokoshan olhou o
teto. Em distâncias regulares havia ovais transparentes colocados. Provavelmente um
sistema de identificação de iluminação que já não funciona, tal como a do sistema de
ganchos e esteiras. Isso parecia estar em contradição com o bom funcionamento da eclusa
e da renovação de ar, porém essa contradição deixava de existir, quando se pensava que
eclusas e aparelhagens de renovação de ar eram significativamente mais importantes para
a tripulação de uma astronave do que a iluminação e esteiras de transporte. Portanto elas
tinham que ser construídas de tal modo que também sobreviveriam a catástrofes.
Alaska parou e ergueu o braço. O corredor terminou numa espécie de câmara de
distribuição, do qual ramificavam três outros corredores. Mas no quarto lado da câmara
havia uma escotilha.
Por cima da mesma Patulli descobriu a mesma figura lenticular que ele já vira uma
vez antes. Também aqui ele dirigiu o cone de luz do seu holofote para a mesma, e ativou
deste modo o mecanismo de abertura.
Desta vez, entretanto, não havia por trás da escotilha uma câmara de eclusa, mas um
grande recinto octogonal, com inúmeros controles e telas de vídeo nas paredes. Por baixo
corria, como no corredor, uma calha. Em nenhum lugar viam-se comutadores.
— Eu não sei se faz sentido continuarmos procurando — declarou Lorde Zwiebus.
Ele tirou uma microcâmera de um bolso do seu traje de combate e tirou algumas fotos da
câmara de distribuição e daquilo que parecia uma central de comando.
— Vamos dar uma olhada lá dentro — disse Alaska Saedelaere. — Talvez
encontremos um computador positrônico, e assim obteremos alguns dados.
Ele passou pela escotilha aberta. Os homens restantes o seguiram em silêncio.
Mas eles se encontravam todos dentro da central de comando, a escotilha fechou-se
novamente. Ao mesmo tempo ecoou um uivar surdo.
— Alerta! — verificou Alaska, secamente. — Ainda bem que ninguém mais possa
reagir ao mesmo!
Ele correu para uma parede levemente abaulada para dentro e examinou os
pequenos furos existentes na mesma. A parede parecia uma grande peneira.
O Tenente Babuschkin enfiou o cano de seu desintegrador num dos furos. Ouviu-se
um zunido, depois abriu-se um basculante alongado e cuspiu para fora um cilindro
brilhante prateado, de mais ou menos vinte centímetros de comprimento e cinco
centímetros de diâmetro.
Strelinsky aparou o cilindro. No seu rosto via-se muita surpresa.
— Isso não pesa absolutamente nada — disse ele, atônito.
— Você está maluco, Alex — declarou Babuschkin. Strelinsky sorriu, zombeteiro e
soltou o cilindro. Ele pairou, imóvel, no ar, como se não houvesse gravidade.
O lesado por transmissor pegou o cilindro, depois repetiu a tentativa de Babuschkin
em diversos outros furos, mas não teve êxito.
De repente ecoou um buzinar áspero e repetiu-se em curtos intervalos. Algumas
lâmpadas de controles começaram a piscar.
— Vamos sumir daqui — disse Alaska. — Estes sinais não estão sendo dados sem
razão. Vamos, destruam a escotilha com os desintegradores!
Ninguém o contradisse. Cada um dos cinco homens sentiu o perigo e se apressou.
Sob os raios destruidores dos cinco desintegradores a escotilha logo transformou-se em
nuvens esverdeadas de gases moleculares.
Os homens correram através do pavilhão distribuidor, de volta para o corredor pelo
qual tinham vindo. Em algum lugar abaixo e acima deles trovejaram máquinas pesadas
fazendo o chão vibrar.
A escotilha também estava fechada e não se deixou abrir, de modo que os homens
mais uma vez tiveram que fazer uso dos seus desintegradores. Eles o fizeram com uma
sensação de lástima, porque terminavam com isto o isolamento até agora da parte intacta.
Ainda enquanto logo depois eles pairavam o poço vertical para cima, as paredes se
transformaram. Elas ficaram porosas e quebradiças.
— Mais depressa! — comandou Alaska Saedelaere.
Patulli ligou o seu aparelho de ricochete para maior rendimento. Ele sabia que era
uma questão de segundos. Aparentemente o alerta tinha dado partida a um mecanismo de
segurança, que ativava a destruição da nave. Se eles não pudessem abandoná-la com
rapidez, a formidável pressão da água a comprimiria, enterrando-os vivos sob os
destroços.
Alaska e Lorde Zwiebus alcançaram a manivela da escotilha externa como
primeiros, e a giraram com a força que o desespero é capaz de proporcionar a uma
criatura vivente, enquanto os dois tenentes se preocupavam com a escotilha interna.
Através da escotilha externa, aberta só uma fenda de um palmo de tamanho, um
esguicho de água já penetrava ali, quando Babuschkin e Strelinsky finalmente
conseguiram fechar a escotilha interna.
E então a água entrou jorrando na câmara da eclusa, rodopiando os homens entre si
e finalmente se aquietando novamente quando a câmara estava cheia.
Os homens ligaram os seus propulsores de pulsações e nadaram através do buraco
no casco externo. Chegados do lado de fora, eles se afastaram rapidamente, bem pouco
acima do fundo do mar.
De repente uma mão imaginária agarrou-os, puxando-os para trás. Patulli dirigiu os
reatores de pulsação ao contrário de empuxo, mediu a distância modificada para com as
paredes do vale, com ajuda do seu pequeno sensor de rastreamento, e depois de algum
tempo anuiu, satisfeito. O empuxo não era suficientemente forte para puxar a ele e aos
seus companheiros para o centro do gigante redemoinho que se formara por cima da
astronave estranha que ruíra sobre si mesma.
Seus cálculos demonstraram ser corretos. Ele foi girado uma vez pelo centro do
redemoinho, depois conseguiu soltar-se daquele círculo novamente.
Depois que os homens do Grupo Saedelaere novamente se tinham reunido, com
ajuda do rádio de capacete, eles procuraram pelo recipiente de transporte. O redemoinho
entrementes cessara. Eles encontraram o recipiente com as bombas Árcon somente a
cinquenta metros do lugar onde Lokoshan o ancorara.
Depois de curta conferência eles descarregaram as bombas e as colocaram em
diversas cavernas naturais nas paredes do vale. Depois voltaram para a Attec e foram
buscar o segundo carregamento de bombas.
Desta vez eles seguiram o percurso de um rego no fundo do mar. Por diversas vezes
foram atacados por monstruosas criaturas marinhas, porém eles estavam mais atentos,
que quando da primeira excursão, e fizeram uso de suas armas sem maiores
compromissos.
Quando tinham alcançado o ponto mais profundo do canal rochoso, de quase quatro
quilômetros de largura, Alaska Saedelaere deu ordens para que parassem.
— Vamos colocar as bombas nesta redondeza — explicou ele à sua gente.
Através de seu capacete globular transparente, ele olhou pensativo para o
kamashita.
— Eu ainda estou preocupado com uma pergunta — por que o alarme tocou quando
colocamos os pés dentro da central da nave estranha?
Patulli sorriu.
— A resposta, na realidade, é muito simples, Sir...
— Bem, eu não sei. Afinal a instalação de alarme não pode tocar cada vez que
alguém põe os pés dentro da central. Quem, afinal, iria querer fugir para dentro de uma
nave dessas?
— Fale logo, anão! — exigiu Lorde Zwiebus.
— Nada de ofensas, homem-macaco! — chateou-se Patulli. — Na realidade o
senhor devia andar por aí com um rabo de macaco, pensando bem.
O neandertalense riu.
— Este favor eu não vou lhe fazer, aborto de cabelos verdes.
Eu gostaria que Lullog estivesse comigo, pois então eu realmente penduraria um
rabo nesse sujeito — pensou Patulli, com raiva.
— Muito bem... — disse Alaska, impaciente — ...porque a instalação de alarme
tocou exatamente quando nós pusemos os pés na central, Major?
Lokoshan olhou para o lesado por transmissor:
— Porque nós somos humanóides, Sir...
Para sua surpresa Saedelaere respirou audivelmente fundo. Depois ele riu e disse,
liberado:
— O senhor me tirou uma pedra do peito, Major. E sabe por que? Porque por todo
este tempo eu temia que a nave poderia ter vindo mesmo de algum ancestral inteligente
de nosso homem-macaco.
Os homens riram. Depois procuraram os lugares adequados para a colocação das
suas bombas Árcon, deixando nos mesmos aquela carga mortal. Eles tinham praticamente
terminado o seu trabalho, quando Zwiebus deu mostras de inquietação.
O neandertalense de repente trabalhou sem concentração e deixou cair uma das
bombas Árcon que ia colocar num buraco na rocha.
— O que há com o senhor? — perguntou Saedelaere, surpreso.
— Eu não sei direito — declarou Zwiebus. — Eu tenho uma sensação esquisita.
Ele respirou fundo, deixou cair a bomba Árcon mais uma vez e disse:
— Perry Rhodan está em perigo. Eu o sinto. Alaska, vamos voltar imediatamente!
Patulli Lokoshan observou o neandertalense, pensativo. Ele conhecia o forte instinto
de Zwiebus, que naturalmente era mesmo um sexto sentido destacado, uma virtude
especial desse homem pré-histórico. Ele tinha certeza de que o pressentimento do
neandertalense não era simples elucubrações mentais.
Alaska Saedelaere parecia pensar também deste modo, pois depois de algum tempo
de reflexão ele disse:
— Não vamos esconder as últimas bombas, mas apenas ligamos ainda suas
ignições. Depois voltaremos o mais rapidamente possível para a Attec.
Apressadamente eles terminaram o seu trabalho, depois ligaram para cima seus
propulsores de pulsações e pairaram velozmente por cima do valão do fundo do mar na
direção do seu ponto de partida.
Patulli sentiu que também ele foi acometido de pressentimentos sombrios, quanto
mais ele se aproximava da base. Um círculo de aço parecia apertar-lhe o peito.
— Espero não chegarmos tarde demais... — disse ele, pessimista.
***
A caverna parecia o fruto diabólico de um pesadelo. Sob nuvens amareladas de
vapores sulforosos estendia-se uma paisagem que lembrava os quadros, pintados em
tempos medievais, muito antigos, de um local fictício chamado inferno.
Lagoas de magma borbulhante, rios de metal líquido e geisers vomitando vapores
de mercúrio, alternavam-se com fendas fumegantes e cones de cinza marrom-
acinzentado. Um constante trovejar, rumorejar, sibilar e crepitar enchia o ar.
Os homens, que tinham empurrado a placa antigravitacional com as últimas cargas
de bombas de thermoton, fincaram as pernas no chão e olharam, com os rostos pálidos,
para dentro desse inferno.
— Aí não vamos conseguir passar, Sir — declarou o Capitão Jammasch.
— General Dephin — disse Perry Rhodan — pegue algumas cargas e procure
alguns lugares, onde elas não poderão logo ser submergidas pela lava. Pelo menos, aqui
ninguém vai procurar por elas, caso nosso empreendimento for descoberto.
O Paladino, parecido com um halutense, aproximou-se da placa antigravitacional,
pegou seis das cargas para si, e saiu andando pesadamente por entre um mar de lava e um
geiser de mercúrio. Icho Tolot não se deixou deter, e também entrou naquela paisagem
horrenda, levando algumas cargas consigo.
Perry via os dois gigantes, de vez em quando, surgirem por entre o vapor e a
fumaça. As pessoas restantes do seu grupo ficaram olhando em silêncio aquela imagem
horrível. De vez em quando o chão era percorrido por curtos abalos, e então se formavam
novas rachaduras enquanto as bordas de algumas fendas eram comprimidas.
O Administrador-Geral respirou aliviado quando finalmente as últimas cargas de
thermoton tinham sido devidamente colocadas. Entrementes novas medições tinham sido
terminadas com os ressonadores de cavernas portáteis. Elas demonstraram que à direita
da gruta existia uma outra grande caverna, que por sua vez tinha ligação com um sistema
de galerias labiríntico.
— Vamos fazer uma pequena volta por este sistema de galerias — declarou ele. —
Ao que parece, se ficarmos sempre à direita, vamos voltar para o nosso ponto de partida,
num grande círculo.
Os especialistas se entreolharam, significativamente.
— Para que fazer esta volta toda, se podemos voltar pelo caminho mais curto, dad?
— perguntou Roi, furioso. — Nós fizemos o que devia ser feito, agora deixe as coisas
ficarem como estão.
Perry colocou uma mão no ombro do seu filho.
— Ao que parece não consigo evitar uma explicação. Bem, naturalmente estou
curioso, mas minha curiosidade serve a uma meta determinada. Estou interessado em
saber se o Tachkar — pelo menos alguma vez antigamente — tinha a capacidade de
influenciar a Proto-Mãe ou os Coletores, com ajuda das instalações técnicas, em sua
maior parte misteriosas, dentro do Monte Motah.
— Isso não me interessa, absolutamente — retrucou Roi Danton. — E para que,
afinal? O que passou, passou.
O Administrador-Geral sorriu.
— Por que nos ocupamos com a História de civilizações intergalácticas, Mike?
Queremos analisar o que houve no passado, dissecá-lo, e ganhar com todas estas
experiências, para mais tarde, em situações parecidas, podermos reagir tão
oportunamente quanto possível.
Ele elevou a voz um pouco.
— Tanto a Proto-Mãe como também os Coletores, no passado, cometeram ações
que, com o que sabemos, não se deixam explicar logicamente. Poderia ser valioso
sabermos se eles foram influenciados de alguma maneira a partir daqui.
— Você naturalmente não me convenceu, mas é evidente que não vai desistir do seu
intento — respondeu Roi, resignado. — Portanto faça o que não consegue deixar de
fazer.
Perry Rhodan estava visivelmente enraivecido. Ele deu as ordens necessárias para
transformar sua intenção em realidade.
Com o Paladino e Icho Tolot na ponta, a coluna movimentou-se pelas bordas
daquela caverna, até toparem com uma rampa fundida em metal-plástico. A rampa levava
a uma passagem que ficava oito metros acima do solo da caverna.
O Administrador-Geral ergueu as sobrancelhas, surpreendido, quando penetrou na
gruta que lhe ficava por trás. Ou ela fora criada artificialmente, ou então tinha sido
reconstruída com grande dispêndio. Diversas colunas em arco davam suporte ao teto, as
paredes eram recobertas de placas de metal-plástico, e no chão havia aparelhos exóticos e
redomas transparentes.
— Parece um laboratório, Sir — disse um dos soldados astronautas. — Talvez a
caverna vizinha também tenha sido um laboratório, tendo sido transformada na situação
atual por um acidente.
— Em que espécie de laboratório está pensando? — perguntou Rhodan.
— Num laboratório para a realização de testes com anti-matéria — respondeu o
soldado. Ele apontou para um aparelho grande e que parecia complicado. — Este, por
exemplo, se parece com um arranjo, com o qual na Terra se tenta produzir anti-prótons.
Perry olhou aquele soldado, espantado.
— Como sabe disso? O homem sorriu.
— Eu estudei física de anti-partículas por seis semestres, Sir. Depois do meu tempo
de serviço eu espero poder terminar os meus estudos. Em seguida eu gostaria de trabalhar
para o Comando Experimental Solar.
— Para isso eu lhe desejo muita sorte — disse Perry. — Fico satisfeito que...
— Perigo! — gritou Gucky, com sua voz estridente, cortando-lhe a palavra. —
Fomos descobertos! Estou captando impulsos de pensamentos que se ocupam com
“invasores” e sua destruição!
Perry Rhodan empalideceu.
— Eu não compreendo isso — murmurou ele. — Afinal, nós sabemos que nenhum
Tachkar jamais ousou estacionar soldados nestas instalações, estritamente secretas.
Nenhum ditador takerer poderia se permitir revelar os seus segredos a outras pessoas.
O rato-castor não respondeu imediatamente, porém ficou “escutando” com os olhos
fechados, no plano-psi.
— São membros da Marsav — murmurou ele, depois de algum tempo. — O seu
comandante chama-se Schymartko. Eles têm projetores de escudos de proteção móveis e
canhões energéticos e evidentemente sabem muito bem onde nós nos encontramos, j
— Vamos recuar! — ordenou Rhodan. — O Paladino vai na ponta, Tolotos faz a
retaguarda. Gucky, por favor, entre em ligação com Fellmer, peça-lhe que ele nos envie
Ras.
O ilt confirmou, tremendo no corpo todo. Evidentemente os impulsos dos
pensamentos da gente da Marsav eram cheios de ódio.
Perry ligou o seu aparelho de voo, ergueu-se meio metro acima do solo, e voou atrás
do robô Paladino. Ele ainda não conseguia entender que o Tachkar Ginkorash,
diferentemente dos seus antecedentes, não usava exclusivamente robôs na vigilância das
instalações subplanetárias. Afinal de contas o interior do Monte Motah escondia os
segredos mais secretos do reino takerer.
Ele voltou-se para Júnior, que se mantinha bem perto dele, e perguntou pelo rádio
de capacete:
— Júnior, você tem uma explicação, por que Ginkorasch se comporta
diferentemente dos seus antecessores, no que diz respeito às instalações secretas?
Como o banco de dados de Júnior continha todas as informações que também Perry
Rhodan e seus colaboradores possuíam a respeito de fatos e acontecimentos do Monte
Motah, ele estava capacitado a procurar por uma resposta. E esta veio mais depressa do
que o esperado.
— Existe uma explicação, Sir — informou Júnior pelo tele-comunicador. — O
antecessor do Tachkar governante foi morto dentro de suas instalações secretas, por um
invasor estranho, ou seja, pelo senhor. Com isto uma grande parte dos setores das
instalações tornaram-se inservíveis devido a tremores e invasões de águas. Ginkorash
evidentemente queria prevenir uma repetição de um acontecimento semelhante, e por isto
estacionou um comando de vigilância.
— Um grupo de homens da Marsav, bem perto, diante de nós! — avisou o ilt. No
mesmo instante Ras Tschubai materializou perto dele.
— Todos no chão! — ordenou Rhodan. — Ativar escudos de proteção! Gucky e
Ras, vocês saltam para a retaguarda dos homens da Marsav e os atacam por trás, logo que
ouvirem barulho de combate!
Ele deixou-se cair ao chão, ajoelhou-se e puxou sua arma de impulsos. As pessoas
restantes seguiram o seu exemplo. Somente o robô Paladino ainda marchou alguns
metros à frente, e depois parou. O ilt pegou Tschubai pela mão e teleportou com ele.
Uma série de explosões abalou o chão. No corredor diante do Paladino subiu uma
nuvem de poeira. Perry Rhodan regulou a ótica do seu capacete para visão infravermelha
e viu que no teto do corredor tinham surgido inúmeros buracos.
No instante seguinte, homens em uniformes de combate negros caíram através
desses buracos. O Paladino imediatamente abriu fogo com todas as suas armas, que podia
usar dentro daquele corredor relativamente estreito sem oferecer perigo para seus
companheiros e para si mesmo.
A metade dos homens da Marsav morreu antes mesmo de poderem disparar um só
tiro. O restante, entretanto, construiu uma parede diversas vezes escalonada, de escudos
de alta-energia, com seus projetores móveis, entre eles e o robô gigante. Com isso
tiveram tempo para colocar em posição alguns canhões energéticos.
Perry Rhodan acenou para que os seus homens voltassem, e ele mesmo saiu
correndo de dentro da zona de perigo imediato. Ele sabia o que os atacantes planejavam,
e não precisou esperar muito mais tempo pela sua execução.
Os combatentes da Marsav ligaram os seus projetores energéticos em abertura
intervalada e coordenaram seus tempos de abertura com os intervalos de fogo dos seus
canhões. Cada vez que o escudo de alta-energia ruía pela fração de um segundo, eram
disparadas as descargas térmicas, quentes como um sol, através do corredor.
Naturalmente o escudo de proteção do Paladino resistiu ao ataque energético, mas em
toda a volta do robô gigante borbulhava e rugia uma ardente lava em fusão. Não podia
demorar muito tempo até que o Paladino afundasse num mar de lava.
Foi quando viu-se um raio refulgir por trás dos combatentes da Marsav. Perry
fechou os olhos, ofuscado. Quando os abriu novamente só três dos atacantes ainda
estavam vivos. Os outros tinham queimado — e com eles todos os projetores de escudos
de proteção móveis.
O Paladino ainda disparou uma salva, e então a luta terminara. Bem no fundo do
corredor surgiram Gucky e Ras, acenando. O robô Paladino saltou por cima daquela
massa ardente fundida e continuou correndo. Perry Rhodan ligou seu aparelho de voo e
pairou por cima daquele lugar perigoso.
— Isso ainda deu certo, por esta vez — disse ele para os dois mutantes, que lhe
teleportaram um pedaço ao encontro.
Gucky mostrou o seu dente roedor, depois o seu rosto apresentou uma expressão de
susto. Ele abriu muito a boca, como se quisesse dizer alguma coisa, mas o trovão de uma
violenta explosão cortou-lhe a palavra.
Ali, onde Gucky e Tschubai ainda tinham estado há poucos segundos, o teto do
corredor veio abaixo. Os destroços queimavam e fundiram-se numa massa compacta.
— Isso foram lançadores de foguetes — disse o ilt, depois que o ruído do trovejar
amainou.
Perry sorriu, mas não havia nenhum traço de hilaridade neste sorriso. — Quer dizer
que vamos mesmo ter que tomar o caminho que eu previra originalmente.
— No fim você sempre consegue fazer valer a sua vontade, dad — observou Roi
Danton. — Mesmo contra a sua vontade!
Ninguém riu disso. Todos sabiam que eles precisavam de uma boa fatia de sorte se
quisesse alcançar o transmissor da Attec.
***
Por quase dez minutos o grupo de Perry Rhodan ficara sem ser atacado. Durante
este tempo eles tinham deixado para trás cerca de doze quilômetros de galerias e
corredores, com ajuda dos seus aparelhos de voo. Depois tinham voado para dentro de
um pavilhão bem comprido.
Perry examinou os aparelhos estranhos encostados junto às paredes do pavilhão.
Eles lembravam os primeiros cérebros eletrônicos primitivos da era pré-cósmica terrana,
mas com toda certeza não eram primitivos.
— Os takerers estão planejando alguma coisa — murmurou o ilt pelo radiocapacete.
Gucky mantinha-se do lado de Perry. — Infelizmente não consigo descobrir o que é que
eles planejam.
Duas curtas explosões subsequentes mandaram suas ondas de choque através do
pavilhão. Ali, onde tinha havido as duas entradas, ou saídas, somente ainda se
encontravam destroços meio derretidos. Rhodan deixou-se cair para o chão, e os
membros do seu grupo seguiram o seu exemplo.
— Uma maravilhosa armadilha — observou Roi Danton. — Só é uma pena que
somos nós os que caímos nela.
— Não caímos, estamos de pé — precisou Ras.
— Não mais por muito tempo — declarou o rato-castor. — Perry, agora seria
oportuno que eu e Ras teleportemos vocês todos diretamente para a Attec. Eu só gostaria
de ver as caras de bobo dos takerers quando eles encontrarem uma armadilha vazia.
O Administrador-Geral olhou para Gucky, pensativamente. Ele tinha as suas
próprias ideias, no que dizia respeito ao mencionado caminho de fuga. Já muitas vezes
tinha sido demonstrado que os membros da polícia secreta takerer, a Marsav, não eram
adversários que podiam ser subestimados — e aqui eles tinham a ver com a elite da
Marsav. Estes homens sabiam o bastante sobre os terranos e seus mutantes, para não
contarem com uma teleportação de fuga. De qualquer modo, provavelmente eles ainda
não conheciam o caminho pelo qual o grupo de comando terrano tinha chegado às
instalações secretas.
— Tente-o junto com Tolot, baixinho — disse ele.
Gucky olhou-o muito surpreso, depois evidentemente entendeu, porque teleportou
silenciosamente para o halutense, falou rapidamente com ele e depois pegou sua mão.
As duas pessoas desmaterializaram. Rhodan segurou a respiração. Os segundos
transcorreram dolorosamente lentos, sem que o ilt e Tolot voltassem.
Perry Rhodan já queria respirar fundo, quando cintilou diante dele no ar, e os
contornos de Gucky se destacaram claramente. O rato-castor encontrava-se um metro
acima do chão e Perry agarrou-o, deste modo impedindo a sua queda.
Os olhos de Gucky estavam abertos, mas enevoados. O ilt evidentemente estava
sentindo fortes dores.
— O que aconteceu, baixinho? — perguntou Rhodan. — Onde está Tolot?
— Um campo de rejeição — murmurou Gucky, quase inaudível. — Num outro
lugar... de volta. Não tinha força... — ele gemeu — ...para Tolot. Sozinho... — Ele
perdeu os sentidos.
— O que aconteceu, Sir? — perguntou Harl Dephin.
— Gucky e Tolot caíram num campo de rejeição — declarou o Administrador-
Geral. — Aparentemente eles saíram em algum lugar deste labirinto de corredores, e
Gucky estava tão enfraquecido que não conseguiu trazer Tolot de volta para cá consigo.
Talvez os takerers mediram os abalos estruturais do salto de Tschubai, e armaram campos
anti-psi. O senhor tem que transportar o ilt, general.
— Isso é fatal — observou Roi Danton.
— Mais do que isso — disse o Capitão Jammasch. — Eu só estou admirado que até
agora ainda não nos mandaram pelos ares com uma explosão.
— Responda à observação, Júnior! — ordenou Rhodan à biopositrônica.
— Vai ser uma resposta dupla, Sir — retrucou Júnior. — Em primeiro lugar, os
soldados da Marsav estacionados aqui não desejarão destruir as instalações técnicas aqui;
e em segundo lugar, eles tencionam, com grande probabilidade, fazer prisioneiros alguns
membros de nosso grupo, para ficarem sabendo com que fim nós penetramos aqui.
— Era isso que ainda nos faltava — disse um dos soldados astronautas.
— Eu sugiro que queimemos um caminho através dos destroços — disse Ras
Tschubai. — Nosso tempo está ficando curto, o tempo das ignições está correndo...
— General Dephin... — ordenou Perry — ...coloque Gucky em cima da placa
antigravitacional, afaste os destroços à nossa frente a tiros, e tente surpreender os takerers
que estão esperando por trás deles com um ataque relâmpago!
O robô Paladino encaminhou-se para a plataforma, que dois soldados empurravam
diante de si. Ele colocou o ilt em cima, depois correu para o terço do pavilhão que ficava
do outro lado. Ali ele parou e disparou sobre os destroços.
Ele não esperou até que o obstáculo tivesse sido diluído totalmente, mas deixou-se
cair sobre seus braços de correr e saiu ventando com a velocidade de uma granada através
dos restos incandescentes. Dois soldados-astronautas transformaram os restos do
obstáculo em gases com os seus desintegradores.
Perry ativou sua aparelhagem de voo e pairou na direção da abertura. As bordas
ainda ardiam, e gotas de rochas derretidas desfaziam-se nos escudos energéticos de
Rhodan e dos seus companheiros. Mais para a frente estavam caídos os restos de três
canhões energéticos móveis, um quarto estava justamente sendo destruído a patadas pelo
Paladino. Mais para trás dois combatentes da Marsav estavam tentando colocar um
projetor de escudo energético em posição. Um tiro do pesado canhão de impulsos do
Paladino fez com que eles evaporassem junto com seu aparelho.
O impulso do ataque levou o grupo mais um quilômetro adiante, e para dentro de
um grande pavilhão de distribuição. Daqui saíam galerias e corredores de tamanhos
diferenciados para todos os lados. Num dos corredores corria até uma esteira
transportadora, mas a mesma levava mais profundamente para dentro do Monte Motah, e
não era apropriada como possibilidade de fuga.
Diante da curva de um corredor largo repentinamente surgiu um veículo voador
blindado. Dois pesados canhões de impulsos e um canhão desintegrador mandaram os
seus raios destruidores para dentro do pavilhão distribuidor, obrigando Perry Rhodan e
seus companheiros a buscarem cobertura.
O Administrador-Geral virou a cabeça e procurou por Takvorian. Já era tempo que
o centauro interviesse, para diminuir a velocidade dos adversários e a passagem de tempo
de suas armas de raios, usando de seus dons especiais parapsíquicos. Takvorian era capaz
de retardar o transcorrer do tempo em até um fator cinquenta, como também podia
acelerá-los, quando conseguia apanhar os objetos em questão oticamente.
Mas essa era a dificuldade agora. Perry descobriu o centauro quando ele galopava
na direção dos feixes de raios de impulsos, incandescentes como raios de um sol, mas
bem perto deles recuou. O escudo energético naturalmente protegeria o centauro por um
determinado tempo, mas o cérebro da parte humanóide do corpo conseguia vencer
dificilmente os instintos elementares de autopreservação do corpo animal.
Na terceira corrida finalmente Takvorian conseguiu o seu intento. Por segundos ele
estava envolto por uma aura muito clara, depois as chamas se apagaram até alguns raios
avermelhados, que eram lentos demais para capturar o centauro.
Merkosh jogou o seu capacete globular para trás, formou os lábios para um funil e
correu berrando através daqueles raios avermelhados. De golpe o fogo inimigo
emudeceu. Todo o corredor, do qual os soldados da Marsav tinham atacado, tinha ruído
sobre si mesmo, como assalto das frentes de ondas de hipersom de Merkosh.
O Vítreo balançou e levou as mãos para o rosto. Roi e Perry correram até ele e
arrancaram-lhe as mãos para baixo. O rosto de Merkosh aparentemente tinha sido
chamuscado, quando de capacete aberto e escudo protetor desligado ele unha ousado
penetrar por entre os feixes de raios.
— O senhor precisa aguentar a dor, Merkosh — disse Rhodan. — Não toque nos
ferimentos. — Ele fechou o capacete globular do Vítreo. — Muito obrigado pela sua
ajuda.
Merkosh soltou-se das mãos dos dois homens, e endireitou a parte superior do
corpo.
— Muito bom, não foi? Não é muito ruim assim. Mas Takvorian também um bom
cavalo.
— Precisamos continuar! — admoestou Roi Danton.
Ele e Perry se viraram quando Gucky levantou-se com um grito estridente. O ilt
estava sentado sobre a placa antigravitacional, os seus olhos fixados no vazio — e no
instante seguinte ele tinha desaparecido. Mas também Ras Tschubai se desmaterializara.
— Ele teleportou atrás dele — disse Takvorian.
Rhodan anuiu. Ele imaginou porque Gucky teleportara e esperava que Tschubai
tinha conseguido captar as coordenadas de salto do ilt corretamente.
— Nós esperamos aqui! — decidiu ele.
Eles não precisaram esperar por muito tempo, pois dentro de um minuto os dois
teleportadores materializaram junto com Icho Tolot, que eles seguravam pelas mãos.
O halutense girou os dois mutantes em volta e gritou:
— Eles não são umas doçuras esses sujeitinhos maravilhosos! — Ele riu, de modo
trovejante. — Eles estavam com medo do que poderia me acontecer, e na realidade eu
estava justamente em vias de destruir um grupo de combatentes takerer.
— Impulsos de pensamentos, muito perto daqui! — avisou Gucky. — Estamos
sendo cercados!
Um raio energético da grossura de um braço bateu contra o escudo energético de
Tolot e produziu uma descarga muito clara. Um momento mais tarde raios de impulsos e
campos de desintegradores foram lançados de pelo menos uma dúzia de galerias e
corredores, obrigando Perry Rhodan e seus companheiros a mais uma vez buscarem
cobertura.
Enquanto o grupo dividia-se de tal modo que podia defender-se de todos os ataques,
Ras e Gucky saltaram, com microbombas atômicas, para a retaguarda dos grupos
atacantes da Marsav. Onde eles surgiam, espalhavam morte e destruição. Merkosh e
Takvorian também fizeram uso de seus dons extraordinários, cansando pesadas baixas
entre o inimigo. Mas o inimigo era superior em número e além do mais lutava com uma
bravura que não ficava nada atrás da dos soldados de elite terranos.
Foi um inferno.
Mal se tinha destruído um grupo atacante ou então o bloqueado através de
demolições dos túneis, logo apareciam dois outros para substituí-los. O pavilhão
distribuidor encheu-se de uma tempestade de raios.
Perry Rhodan rolou para o lado quando do teto do pavilhão soltou-se um rochedo
incandescente. A pedra caiu bem perto dele. Júnior desviou-se de um raio desintegrador e
correu em busca de cobertura para trás da rocha.
Perry atirou num combatente da Marsav que entrara com seu aparelho de voo, vindo
de uma das galerias, com uma bomba manual na sua mão erguida.
O takerer foi atingido em cheio e jogado para trás pela força do raio de impulsos. A
bomba explodiu na sua mão, destroçando-o e provocando o desabamento de uma parte da
parede do pavilhão.
O Administrador-Geral procurou orientar-se. Depois de pouco tempo ele desistiu.
Neste caos uma criatura humana não conseguia determinar para onde devia se voltar para
alcançar novamente o seu ponto de partida.
— Júnior... — disse ele — ...precisamos voltar o mais rapidamente possível para a
Attec. Você pode mostrar-nos o caminho?
— Sim, Sir — respondeu Júnior. — Eu posso guiá-los.
— Ótimo. Logo que eu lhe disser, você sai voando na frente. Ele elevou a potência
de transmissão do seu telecomunicador de capacete e disse:
— Perry Rhodan a todos! Nós vamos recuar. Júnior nos mostrará o caminho.
Sigam-no! — Vamos, Júnior!
A biopositrônica abandonou a sua cobertura e saiu correndo em ziguezague através
dos inúmeros raios, na direção de um túnel do qual saía o raio forte de um canhão
desintegrador, brilhando esverdeado. Naturalmente Júnior se envolvera num escudo
energético de alta proteção, mas mesmo assim o seu efeito era relativamente fraco. Sem a
sua velocidade de reação sobre-humana ele já teria sido destruído há muito tempo.
Icho Tolot reconheceu que Júnior, seguindo a obrigação da segunda lei robótica,
desta vez enfrentava um perigo que poderia ser a sua destruição: o halutense correu atrás
dele, aos berros, ultrapassou-o e entrou sobre o canhão desintegrador takerer como uma
bomba.
Perry Rhodan esperou até que alguns soldados astronautas tivessem seguido a
biopositrônica e o halutense, depois ativou sua aparelhagem de voo e pairou atrás deles.
Quando, atrás dele, os berros e o trovejar das descargas energéticas repentinamente
cresceram, ele freou bruscamente e olhou para trás. E viu como o Paladino e alguns
soldados astronautas repeliam em contra-ataque um grupo de homens da Marsav que
insistiam na perseguição.
Ele ficou preocupado.
Eles não notavam que os grupos de ataque restantes ameaçavam isolá-las através de
um tiroteio maciço do pavilhão?
Perry abriu a boca para chamar o Paladino e os outros de volta, porém não chegou
mais a isso.
Entre ele e o pavilhão de distribuição o teto do túnel ruiu. Grossos blocos de rochas,
parecendo incandescentes e vermelhas, encheram o túnel. Rhodan teve que recuar mais
ainda, caso contrário teria sido abatido.
— Gucky! Ras! — gritou ele. — O Paladino e mais alguns homens estão encerrados
no pavilhão de distribuição. Tirem-nos de lá! — Ele não vira mais os mutantes nestes
últimos minutos. Aparentemente eles ainda estavam operando às costas dos atacantes.
— Imediatamente, chefe! — veio o impulso mental de Gucky. — Vamos levá-los
para as câmaras rochosas mais abaixo.
O Administrador-Geral respirou, aliviado. Gucky e Ras certamente o conseguiriam.
Se eles não fossem impedidos por campos de rejeição, levando as tropas isoladas para as
câmaras rochosas mais abaixo, então seria possível executar dali um avanço de dispersão.
Consequentemente agora era necessário avançar o mais depressa possível para as
câmaras rochosas mais abaixo, para que os comandos da Marsav não conseguisse tempo
para construir uma posição de ferrolho entre os dois grupos.
Ele deu as ordens correspondentes, depois colocou-se na ponta do grupo restante.
Eles toparam apenas com uma resistência mínima. Evidentemente o comandado da tropa
Marsav não sabia de onde os invasores tinham vindo. Isso naturalmente aumentava as
chances do comando da missão.
Perry e Icho Tolot justamente tinham destruído uma posição de artilharia inimiga,
quando Gucky materializou entre eles, em pleno ar.
Com ajuda do seu aparelho de voo o ilt pairou para mais perto de Rhodan e
murmurou:
— Somente conseguimos salvar seis soldados astronautas da armadilha, Perry,
depois os takerers bloquearam o pavilhão distribuidor com fortes campos energéticos.
Ras e eu fomos catapultados para trás. Devem ser escudos energéticos que se assemelham
aos nossos escudos de alta-energia. — A sua voz revelava um profundo abatimento.
— Quem ficou para trás? — perguntou Perry.
— O Paladino e Mike — respondeu Gucky, quase inaudivelmente. — Eles queriam
ser os últimos a serem retirados, e agora... — A sua voz falhou.
Perry Rhodan ficou parado, no mesmo lugar, como paralisado.
Mike!
Por alguns segundos ele ficou incapacitado de pensar. Depois virou-se, decidido,
para voar de volta para o pavilhão. Porém a sua mão, que já se colocara sobre a alavanca
do aparelho de voo, caiu pesadamente, como sem força.
Não havia nenhum caminho para o pavilhão distribuidor.
Do fundo do túnel, Takvorian e Merkosh vinham pairando.
— Saiam daí, depressa! — gritou o Vítreo. — Takerers vêm com escudos, nós nada
podemos fazer. — Ele freou, quando viu o Administrador-Geral pairando imóvel no ar.
— Aconteceu alguma coisa, Sir?
Perry sacudiu a cabeça.
— Não, Merkosh. — Ele virou-se mais uma vez. — Vamos, temos que nos juntar a
Tolot.
5

Alaska Saedelaere e seus homens esperaram impacientes, até que a câmara da


eclusa fosse esvaziada pelas bombas, depois desligaram seus escudos protetores e
jogaram os seus capacetes para trás.
Diante deles ergueu-se a escotilha interna. Os cinco homens abandonaram a câmara
da eclusa e seguiram rapidamente para a central de comando da Attec. Quando puseram
os pés no recinto, ficaram parados, abruptamente.
Somente dois homens encontravam-se na central de comando da velha astronave:
Fellmer Lloyd e o Capitão Jaraf Styl. O mutante estava sentado, todo encurvado, numa
poltrona anatômica, tinha os olhos fechados e mexia os lábios, sem que se ouvisse
qualquer som. O Capitão Styl estava sentado diante do aparelho de comando robô,
escutando os comunicados de vozes robóticas não-moduladas e de vez em quando dava
uma ordem.
Lorde Zwiebus, impacientemente, se apoiava num pé, depois em outro. Quando os
comunicados dos robôs emudeceram por um momento, ele aproximou-se de Styl, girou-o
para si junto com sua poltrona anatômica e perguntou:
— O que há com Perry Rhodan?
Jaraf Styl silenciou, distraído. Era nitidamente visível que o seu espírito ainda se
encontrava com seus robôs de combate.
No seu lugar, Fellmer Lloyd respondeu. O mutante de repente levantou-se e disse
com uma voz bem clara:
— Perry Rhodan e seu grupo estão em dificuldades. Eles foram atacados por
comandos da Marsav e lutaram desesperadamente, recuando sempre. O filho de Rhodan e
o robô Paladino estão presos numa armadilha.
Zwiebus girou rapidamente e gritou para o mutante, furioso:
— Numa armadilha? Por que, com todos os diabos, o senhor não faz nada?
Ele girou mais uma vez rapidamente e sacudiu o chefe do comando-robô.
— Por que não usa os seus robôs para libertar Mike e o Paladino?
Somente agora o espírito de Styl voltou à realidade da central de comando. De
qualquer modo ele entendera a pergunta do homem ancestral.
— Solte-me, Zwiebus! — gritou ele para o neandertalense.
Ele passou a mão nos seus cabelos molhados de suor e disse, quase inaudivelmente:
— Eu tive que mandar todos os robôs para o fundo do mar, entre a ilha de Valosar e
a terra firme, para evitar uma descoberta da Attec. Pouco depois que o grupo de Rhodan
foi atacado pelos comandos da Marsav, centenas de cruzadores de mergulho dos takerers
rodeavam a ilha Valosar. Evidentemente eles estavam procurando pela base de partida de
nossa operação e teriam encontrado a Attec, antes de Rhodan poder estar aqui com sua
gente. Consequentemente tive que fazer uso de um ardil.
Ele ergueu a mão, quando uma voz de robô se anunciou na parte receptiva do
aparelho de comando, deu uma ordem rápida e voltou-se novamente para Zwiebus.
— Eu mandei os Uhus para o outro lado da ilha Valosar, e providenciei para que
eles fossem descobertos pelos cruzadores submarinos. Os robôs defenderam uma cratera
submarina extinta, e deste modo simularam a defesa de nossa base de apoio. Isso levou os
takerers a reunirem suas naves submarinas ali. Espero que meus robôs sejam capazes de
resistir até que Perry Rhodan esteja em segurança. Vai ser apertado, Zwiebus.
O neandertalense sentou-se numa poltrona vazia e ficou olhando à sua frente,
absorto.
Alaska Saedelaere, que até então estivera parado, imóvel, na entrada da central de
comando, aproximou-se de Lloyd.
— Sir... — perguntou ele — ...o que pode fazer para ajudar o filho de Rhodan e aos
Thunderbolts?
— Nada — respondeu o mutante. — Pelo que Gucky me comunicou
telepaticamente, Mike e o Paladino não estão encerrados apenas por galerias ruídas, mas
estão adicionalmente sendo envolvidos por escudos energéticos, semelhantes aos nossos
de alta-energia, criados por projetores móveis. Nem mesmo teleportadores conseguem
passar.
— Neste caso devíamos, pelo menos, ajudar o Administrador-Geral — interveio
Patulli Lokoshan.
Fellmer Lloyd anuiu e levantou-se.
— Vou levá-los à eclusa de solo. Dali podem ir ao encontro do grupo de Rhodan.
Ele vai precisar de apoio, creio eu.
— Um momento, Sir! — gritou o Tenente Strelinsky. — Por que Gucky e Tschubai
não trazem o grupo de Rhodan diretamente de volta para a Attec, por teleportação?
— Eles já experimentaram essa teleportação há muito tempo — respondeu Fellmer,
calmo. — Com isto Gucky e Tolot entraram num campo de rejeição. O caminho para cá,
portanto, está fechado para eles, e mais tentativas somente levariam a que eles também
deixariam de poder executar teleportações curtas, necessárias taticamente.
Josef Babuschkin disse:
— O que ainda estamos esperando? Eu não gostaria de perder a luta, de maneira
alguma. Por todos os venusianos nascidos com rabo! Os takerers ainda me conhecerão
melhor!
— Ou você aos takerers — disse Strelinsky. — Somente idiotas completos têm
pressa em morrer.
Babuschkin levantou os braços e deixou-os cair novamente.
— Ó, irmãozinho Alex, você desconhece minha alma sensível! — disse ele,
patético.
Fellmer Lloyd passou por eles, dirigindo-se para a saída da central.
— Venham, suas almazinhas, gastem o pouco de força que têm aqui mesmo!
Patulli sorriu, irônico, e saiu rapidamente atrás do mutante. Lorde Zwiebus acordou
de sua apatia. Ele levantou-se, de cara amarrada, pegou os dois tenentes pelos ombros e
empurrou-os diante de si na direção do corredor.
Jaraf Styl sacudiu a cabeça. Depois voltou-se novamente para o seu aparelho de
comando. O combate entre os seus robôs e os cruzadores submarinos takerers tinha
alcançado o seu ponto máximo.
O Grupo Saedelaere utilizou desde o princípio os seus aparelhos voadores, e por
isso alcançou as câmaras rochosas profundas já meia hora depois de sua partida da Attec.
Até então os homens tinham ligado seus rádios de capacete em alcance mínimo,
para que a vigilância de rádio takerer não pudesse goniometrá-los e desse modo
conseguir indícios sobre a verdadeira base de partida.
Agora eles aumentaram o alcance. Logo em seguida Alaska Saedelaere conseguiu
ligação com Perry Rhodan. O Administrador-Geral comunicou-lhe que estava
combatendo rapidamente de volta e que já se reunira com a segunda parte do grupo. Ele
ordenou ao lesado por transmissor que esperasse com seus homens na câmara principal.
— Esperar, inativos! — disse Babuschkin, chateado. — Foi para isso que viemos
até aqui?!
— Cale a boca! -— gritou-lhe Saedelaere, asperamente. — Eu não consigo gostar
de gente que faz questão de bancar o herói!
— Ora! — gritou-lhe o venusiano de volta. — O senhor pode me...
Ele emudeceu, quando repentinamente ouviram-se ruídos de batidas fortes,
arrastadas. Os ruídos vinham da direção da câmara externa esquerda e aumentavam em
volume.
— Robôs! — murmurou Alaska. — Procurem cobertura! — Ele indicou com
movimentos das mãos, as posições que seus homens deviam tomar. — Temos que nos
segurar aqui em qualquer circunstância!
Patulli Lokoshan recuou de costas para dentro da galeria estreita que lhe havia sido
indicada. Ele ficara pálido. Enfrentar robôs de combate sem armas pesadas raiava ao
suicídio. Robôs de combate reagiam bem mais rapidamente que seres humanos e tinham
os mais fortes sistemas de armas.
O kamashita alisou o cano em espiral de sua arma de impulsos, que ele tinha trazido
da Attec.
— Vamos fazer o que for possível — murmurou ele. — Pelo menos os nossos
despojos serão enterrados juntos com o Monte Motah numa explosão grandiosa.
Ele ficou escutando o monótono murmúrio de uma outra voz. O Tenente Alexander
Strelinsky estava rezando.
Os ruídos de batidas fortes se aproximaram, emudeceram e começaram outra vez.
Quando o primeiro robô de combate takerer, vindo de um corredor rochoso, entrou na
câmara, os raios energéticos fortemente enfeixados de cinco armas de impulsos o
golpearam.
A máquina estava sem escudo protetor e se desfez numa terrível explosão. Do teto
da câmara rochosa soltaram-se algumas pedras e a embocadura de um dos túneis ruiu,
incandescente. No chão queimava uma poça de lava.
— O seguinte, por favor! — gritou Babuschkin. — Saiam daí, seus pobres homens
de lata!
Os destroços da boca do túnel transformaram-se em gases que brilhavam
esverdeados, depois três robôs de combate precipitaram-se para dentro da câmara
rochosa. Suas coroas giratórias com armas energéticas montadas cuspiam uma torrente
mortífera de raios.
O Major Lokoshan fechou os olhos quando o seu escudo energético foi acertado. A
força do impacto jogou-o meio metro para trás. Apertando os dentes ele adiantou-se
novamente e apontou um raio de sua arma de impulsos sobre um dos robôs.
Se agora uma carga de thermoton ficar desentulhada e for acertada por acaso, todos
nós vamos queimar aqui mesmo! — pensou ele.
Novamente o seu escudo de proteção foi acertado. No receptor do capacete ouviam-
se respirações ofegantes e no meio de tudo um violento praguejar.
Patulli disparava sem interrupção. Ele dirigiu o raio de sua arma de impulsos para o
robô, sobre o qual já incidiam dois raios energéticos. Logo em seguida todos os cinco
raios energéticos reuniram-se em cima dessa máquina. O seu escudo de proteção
tremulou e ruiu. A explosão catapultou os dois outros robôs para longe, dos dois lados.
Porém as máquinas não interrompiam o seu tiroteio e logo em seguida mais dois robôs de
combate entravam no pavilhão rochoso.
Dois raios energéticos reuniram-se sobre o escudo de proteção de Lokoshan. O
major gritou quando o seu escudo ruiu. Alguma coisa quente o envolveu, depois tudo
ficou escuro.
Levou alguns segundos até que o kamashita deu-se conta de que ainda vivia.
Lentamente ele também percebeu uma coisa vermelha, meio opaca, queimando diante de
si. Ele apertou o botão do seu holofote frontal e respirou aliviado quando tudo clareou.
Patulli viu que diante dele o teto da galeria havia ruído. Aparentemente ele fora
jogado para trás, pela força dos dois raios energéticos, pouco antes do teto desmoronar.
As duas coisas juntas então salvaram a sua vida. Porém para além da barreira protetora a
luta continuava sem cessar, como revelavam os sons captados pelos seus microfones
externos.
Por um ligeiro instante ele brincou com a ideia de se fazer de morto, para desse
modo sobreviver eventualmente. Mas logo em seguida ele envergonhou-se dessa ideia.
Lokoshan puxou o seu desintegrador e transformou em gases o obstáculo que o
separava de uma morte certa. Depois arrastou-se até a boca da galeria e apontou a sua
arma de impulsos para um dos robôs, disparando.
No último instante ele reconheceu as figuras que rematerializaram atrás das
máquinas de combate: Gucky e Tschubai. O seu dedo indicador retirou-se do disparador.
Os robôs também goniometraram os mutantes. Porém antes que eles pudessem-
reagir correspondentemente, foram rodopiados pelos ares pelas forças telecinéticas de
Gucky, bateram fortemente umas nas outras e, entrelaçadas, ficaram voando
violentamente entre o teto e o chão até que os seus escudos energéticos desmoronaram,
numa descarga ofuscante. Mais cinco vezes elas bateram violentamente entre o teto e o
chão, e então só eram ainda um bolo de metal sem qualquer valor.
Patulli Lokoshan esgueirou-se de dentro da galeria e aproximou-se cambaleante dos
mutantes. Seus companheiros também deixaram suas posições. Strelinsky c Saedelaere
carregavam o ferido Babuschkin entre eles.
O venusiano estava sorrindo, com o rosto contorcido.
— Por todos os sapos do pântano e todos os vermes do lodaçal, isso foi uma boa
luta! — disse ele, suspirou e perdeu a consciência.
De repente Lorde Zwiebus deu um grito de alegria e saiu correndo na direção da
boca de um túnel. Patulli olhou atrás dele e viu que Icho Tolot, Perry Rhodan e alguns
soldados astronautas vinham correndo para dentro do pavilhão rochoso. Entre eles
pairava a biopositrônica, Júnior.
O Administrador-Geral respirava com dificuldade, o seu rosto estava cinzento e
parecia encovado.
— Gucky, Ras! — disse ele, sem ar. — Peguem suas últimas microbombas e
causem confusão entre os homens da Marsav que estão nos seguindo. Depois sigam-nos.
Nós vamos voltar para a Attec.
Ele avistou Lokoshan e perguntou:
— O que ainda está fazendo aqui, major? Não sabe que o seu rosto está quase todo
queimado? O senhor precisa de tratamento médico.
Patulli olhou-o, confuso. Segundos mais tarde ele sentiu a dor. Ela não se limitava
apenas ao rosto, mas também era transmitida ao seu cérebro pelo seu couro cabeludo e
pela pele das mãos. Evidentemente os dois tiros certos não tinham podido destruir o seu
traje de proteção, mas tinham provocado uma represagem de calor momentânea dentro
daquele sistema fechado.
— Isso tem tempo, Sir — retrucou ele. — Realmente não há nenhuma possibilidade
de ajudar ao seu filho e aos siganeses?
O olhar de Rhodan nublou-se por um instante.
— Não, major — respondeu ele, quase inaudivelmente. — Não podemos fazer mais
nada por eles.
Ele virou-se abruptamente, ativou sua aparelhagem de voo e seguiu os dois soldados
que empurravam diante deles uma plataforma antigravitacional, sobre a qual estava
deitado o desmaiado Babuschkin.
Patulli suspirou, ligou também a sua aparelhagem de voo, e seguiu o
Administrador-Geral.
***

Roi Danton pulou para o lado quando algumas rochas incandescentes caíram do
teto. Elas caíram ao chão, bem perto dele, mas o ruído da queda acabou submerso no
trovejar das armas de raios. De largas fendas no teto do Pavilhão saía uma fumaça
amarelo-sulfurosa. Provavelmente havia lá por cima um forno de inquietação vulcânica.
Roi viu um movimento na outra extremidade do pavilhão de distribuição. Ele
levantou sua arma de impulsos e atirou, mas o soldado da Marsav escapou na cobertura
de um monte de destroços.
De um túnel largo à direita vinha o barulho de violentas descargas. Ali o Paladino
tentava aproximar-se de um projetor de escudos de proteção takerer, para quebrar uma
lacuna na casca de campos de sobrecarga de alta-energia, que os mantinha prisioneiros
dentro do pavilhão.
O filho de Rhodan não contava com um êxito do Paladino. Mesmo a força do fogo
do robô gigante tinha os seus limites, que em parte lhe eram impostos pela força e
firmeza dos escudos de proteção inimigos e em parte até pelas condições locais reinantes.
Uma parte da cobertura do Roi desfez-se em chamas, quando um único homem da
Marsav atirou na mesma com sua arma de impulsos. Roi abaixou-se, saltou para trás de
uma rocha enegrecida de fumaça e atirou na cobertura do adversário. Ele não tencionava
matar o takerer, sempre que o comportamento deste não o obrigasse a isso. O homem
fora encerrado junto com ele e o Paladino, quando os escudos parecidos como os de alta-
energia terranos, tinham se fechado em volta do pavilhão. Disso resultaram determinadas
solidariedades que um homem como Roi Danton nunca deixava de levar em conta.
Ele suspendeu o fogo e olhou para cima, quando um estalar e crepitar suspeito o
alarmou. O teto do pavilhão afundou cerca de dois metros. Uma chuva de pó e pequenas
pedras choveu do alto, depois ele parou novamente. Segundos mais tarde ele caiu em
mais um metro.
Roi apertou os lábios.
A situação era sem perspectivas. Mas mesmo se ele e o Paladino ainda se
mantivessem durante um tempo mais longo, não poderiam mais salvar-se. Ou os takerers
ou as explosões das cargas de thermoton os matariam.
No túnel à direita novamente ouviram-se fortes descargas. Uma luz muito brilhante
saiu da embocadura, depois o Paladino cambaleou de costas para dentro do pavilhão,
onde imediatamente foi recebido a tiros pelo único combatente da Marsav. Naturalmente
o desenvolvimento energético de uma única arma de impulsos nada podia contra o
escudo de alta-energia do pseudo-robô.
— Deixe-o viver, mon general! — gritou Roi pelo telecomunicador, quando viu que
as armas do Paladino se ajustavam para a cobertura do takerer.
— Por que, Sir? — perguntou Harl Dephin. — Ele está atirando em nós.
— Chamem-me de majestade — disse Roi. — Convirá morrermos por assim dizer
regiamente, caso o destino assim o determinar.
As paredes do pavilhão balançaram, algumas toneladas de rochas e pedregulho
caíram ruidosamente. Escombros incandescentes despencaram de uma fenda no teto. O
combatente da Marsav fugiu dessa chuva mortífera. Roi poderia tê-lo matado com um
tiro, sem problemas, mas ele preferiu não fazê-lo. O takerer enfiou-se dentro de uma
fenda larga na parede do pavilhão, mas segundos mais tarde foi expulso dali pelo campo
esférico de alta-energia, que lentamente se contraía. Indefeso, ele tropeçou por cima de
destroços e pedaços de pedra.
O filho de Rhodan suspirou, resignado. Gucky e Ras não tinham qualquer chance de
tirar a ele e ao Paladino dali. O detector de pulseira mostrou a Roi que o campo esférico
também era impenetrável para teleportadores.
— Vamos acabar com isso, meu amigo halutense! — determinou ele, colocando a
ênfase em “amigo halutense”, para deixar claro aos siganeses que papel ele pensara para
eles. Caso eles conseguissem fazer os takerers acreditarem que o Paladino era um único
ser vivente, eles ainda tinham uma diminuta chance. Roi Danton levantou-se, desligou
seu escudo energético e jogou para longe a sua arma de impulsos. O Paladino fez a
mesma coisa com as armas que carregava visivelmente — em especial para camuflagem.
Segundos mais tarde, onze soldados da Marsav invadiram o pavilhão, vindos de
uma galeria. Dois ocuparam-se com o seu camarada totalmente confuso, os nove
restantes indicaram a Danton e ao Paladino que despissem seus trajes de combate.
— Vocês podem tranquilamente falar comigo, amigos, — disse o Roi, enquanto
esforçava-se para sair de dentro de seu traje de combate.
— Como estão vendo, eu falo sem problemas o novo gruelfin.
Os combatentes da Marsav não deram resposta.
Ele tirou definitivamente o traje de combate e deixou que o empurrassem na direção
da galeria de onde os onze homens tinham saído. Nisto ele pensou no seu
microequipamento especial que mantinha escondido dentro do seu uniforme e das roupas
de baixo. Estas coisas não seriam descobertas muito facilmente, e enquanto ele ainda as
possuía, não precisava perder todas as esperanças.
No final da galeria, Danton viu-se diante de uma saliência do escudo da alta-
energia. Ela se fechou atrás dele logo que ele pisou nela. Olhou para trás e viu que
acontecera a mesma coisa com o Paladino. Portanto eles não podiam mais ter esperanças
de que os teleportadores ainda os libertariam.
Metidos cada um entre dois projetores móveis e no campo esférico criado por eles,
o filho de Rhodan e o Paladino foram levados para uma galeria, onde já esperava por eles
uma plataforma antigravitacional. Depois subiram alguns milhares de metros. Quando a
plataforma parou, Roi avaliou que eles ainda se encontravam cerca de quinhentos metros
abaixo do nível do mar.
Rapidamente ele olhou para o relógio reserva que usava por baixo do traje de
combate.
Ainda nove horas de tempo até a ignição das cargas de thermoton!
Roi esperava que o seu pai não se decidira a neutralizar as cargas por sua causa. A
destruição do Valosar era mais importante que a vida do filho de Rhodan. Mais difícil
para o Roi, naturalmente, foi incluir nisto, de consciência tranquila, os seis especialistas
siganeses. Ele chegou à conclusão que, quanto a isso, a decisão devia ficar com o time
dos Thunderbolts.
Seus guardas o conduziram para dentro de uma eclusa energética. Ali o campo
esférico foi desligado. Logo em seguida o Paladino entrou pesadamente na câmara
energética.
— Não, meu amigo terrano — trovejou a voz possante do halutense — dedique as
próximas oito horas e meia à arte de palavra, e então verifique se a sorte pode ser
mudada!
Ele riu de modo, retumbante, quando os três guardas bateram com os canos de suas
armas energéticas nas suas coxas, exigindo que se calasse.
— Ótimo! Ótimo! — retrucou Roi. — Suas palavras são as dos velhos sabidos!
— Silêncio! — berrou o chefe dos guardas. — Adiante! — Ele apontou para a
abertura da eclusa energética.
Roi Danton obedeceu sorrindo. Ele entendera o que Harl Dephin queria dizer, e
achou bom o plano. Com certeza por aqui havia transmissores. Se conseguisse segurar os
takerers pelo menos por oito horas e meia, em seguida ele poderia revelar-lhes que o
Monte Motah fora todo minado. Então seria tarde demais para medidas contrárias ou para
uma evacuação do Valosar.
Os soldados da Marsav os conduziram através de uma eclusa blindada e por mais
uma outra eclusa energética para dentro de um recinto enorme, que além de um console
de comando grande e semicircular não continha mais nenhum outro tipo de mobiliário.
Um takerer esguio, com traços de arrogância no rosto, estava sentado atrás do
console de comando e examinou os dois prisioneiros detidamente, por trás das pálpebras
semicerradas. Ele usava o mesmo uniforme de combate dos guardas, mas além do mesmo
usava uma capa branca bordada com símbolos azuis-prateados. Uma madeixa prateada
atravessava todos o seu cabelo longo e preto.
— Vaidoso e arrogante! — constatou o Roi. — Certamente também ambicioso.
Esse tipo de gente geralmente também é covarde. Uma mistura perigosa, quando nos
encontramos em seu poder.
— Parem onde estão! — ordenou o chefe dos homens da guarda.
Roi Danton parou, mas o Paladino continuou andando na direção do console de
comando e do oficial. O oficial de repente empalideceu, sua mão lançou-se para a frente e
apertou um botão. Imediatamente entre ele e o Paladino criou-se uma cintilante parede
energética.
O robô gigante parou.
— De futuro eu punirei severamente esse tipo de desobediência! — declarou o
oficial da Marsav. Na sua voz podia ouvir-se ainda traços do pânico sofrido.
Roi riu para si mesmo. A sua suposição de que o oficial era covarde se confirmara.
Com isso já se ganhara muito, antes mesmo do jogo ter começado.
— O meu nome é Schymartko... — disse o homem atrás do console de comando
— ...e eu sou o chefe do Comando de Vigilância Motah. Quem são os senhores, que
postos ocupam dentro da frota terrana, e o que estão fazendo dentro das instalações
secretas do Tachkar?
O filho de Rhodan colocou-se ao lado do Paladino.
— Eu me chamo Roi Danton e sou o rei de um reino estelar aliado dos terranos. Sou
tratado por “Majestade”. E este aqui... — ele apontou para o Paladino — ...é meu amigo
halutense Paladinos, um eminente cientista do seu povo.
Ele ajeitou a sua peruca.
— Quero protestar oficialmente contra o tratamento indigno que nos foi dado,
Schymartko. Chegaram até a atirar em nós! Quando nossa missão era absolutamente de
natureza pacífica. Nós acompanhávamos um grupo de arqueólogos terranos, que se
interessavam nas cidades antigas abandonadas, dentro desta montanha.
Pela primeira vez Schymartko levantou completamente as pálpebras. Ele olhou Roi
com desprezo.
— Espero que saiba que temos meios de extrair a verdade de vocês, Danton...! —
disse ele, ameaçador.
— Majestade!
— Como?
— Chamam-me de majestade, Schymartko!
— O seu título não me interessa — retrucou o takerer, aborrecido.
— Mas deveria interessá-lo. Se der valor a uma conversa proveitosa comigo, terá
que ajustar-se às regras de boas maneiras intergalácticas.
Pela segunda vez Schymartko ficou pálido, desta vez de raiva. Ele curvou-se para a
frente e gritou:
— Não vou deixar que me faça de idiota, Danton! O senhor está fugindo do assunto.
— Que seria o que? — perguntou Roi, cortesmente.
O rosto de Schymartko ficou muito vermelho, e ele evidentemente só se dominava
porque alguns dos seus subordinados estavam presentes.
— Levem os prisioneiros para o interrogatório especial! — ordenou ele aos guardas.
— Segundo grau de gravidade!
Roi e o Paladino deixaram-se levar sem resistência. Interrogar psicoeletronicamente
ao robô gigante, no mínimo era impossível e o filho de Rhodan há muito tempo já fora
imunizado contra este tipo de interrogatórios e influenciamentos psíquicos, através de
uma operação.
Quando, depois de hora e meia, eles foram conduzidos mais uma vez à presença do
chefe do Comando de Vigilância Motah, dezoito robôs de combate tinham sido postados
no recinto de comando.
Schymartko pediu que os soldados saíssem, com um gesto de mão, depois fixou Roi
atentamente e disse:
— Majestade, eu estou pronto a fazer um tratado com o senhor. O que vale a sua
liberdade?
— Muita coisa — respondeu Roi Danton, com uma expressão impenetrável. —
Infelizmente o seu pessoal tirou-me todo o dinheiro que eu trazia.
— Não estou falando de dinheiro, majestade — disse Schymartko, suave. —
Entretanto o senhor poderá comprar a sua liberdade, dizendo-me verdadeiramente o que
os seus amigos terranos procuravam no Monte Motah.
— Procuravam...? — perguntou Roi, lentamente. — Eles agora não estão mais
procurando? O senhor não os assustou, por acaso, assustou?
Ele sentiu que Schymartko fervia interiormente, e resolveu dizer:
— Bem... — ele suspirou fundamente — ...eu reconheço que não é possível enganá-
lo, Schymartko. A verdade é que nós e os terranos estávamos procurando por uma
máquina do tempo que o Tachkar esconde num dos recintos secretos do Monte Motah.
Ele parecia muito resignado.
— Infelizmente nós não a encontramos.
— Uma máquina do tempo? — perguntou Schymartko com um interesse
repentinamente desperto.
— Assim disseram nossos informantes. E na realidade eles deviam saber do que
estavam falando, pois tinham suas informações da Proto-Mãe.
— Aliás, como foi que o senhor chegou aqui em Takera, majestade?
Roi sorriu, gentilmente.
— Nós fomos deixados aqui por teleportadores. Naturalmente o senhor sabe,
entrementes, que os terranos dispõem de teleportadores.
Schymartko encostou-se no cadeirão e sorriu com maldade.
— Está mentindo, Danton. Takera está envolvida por um campo anti-psi. Nenhum
teleportador, nem mesmo um terrano, é capaz de atravessar o mesmo. Eu quero adverti-
lo. Naturalmente tivemos que verificar que os senhores são imunes contra um
interrogatório psicoeletrônico, mas afinal de contas ainda temos a possibilidade de
fazermos uso de força bruta física.
— Com isso o senhor estaria violando a dignidade de minha posição — retrucou
Roi num tom ofendido. — Faça-me o favor, Schymartko!
— O senhor está se desviando de minha pergunta! — gritou Schymartko, furioso.
Mas logo se acalmou rapidamente. — Muito bem, por enquanto eu pretendo respeitar a
dignidade de sua posição. Em contrapartida vamos apresentar-lhe, com o Paladino, as
nossas possibilidades.
Ele sorriu cinicamente, apertou uma tecla e disse:
— Que venha o Grupo da Verdade!
— Pode berrar, Paladino! — disse Roi, secamente.
Ele novamente ganhara um tempo precioso, pois certamente levaria algum tempo
até que os takerers notassem que do “Paladino” não saberiam uma só palavra, apesar das
torturas mais violentas.
Até lá certamente ele se lembraria de um outro método com o qual poderia entreter
Schymartko por mais um bom espaço de tempo.
Novamente ele olhou para o relógio.
Ainda faltavam seis horas e meia até a ignição das bombas. Entrementes o seu pai
certamente se encontrava novamente em segurança, em Mayntoho...
***
Perry Rhodan e seus companheiros já se encontravam há meia hora a bordo da
Attec. O túnel de ligação, de dezoito quilômetros de comprimento, entre a nave e o pé do
Monte Motah, tinha sido dinamitado depois da retirada, para que os comandos da Marsav
não pudessem segui-los.
— O transmissor está ajustado, sem problemas, para o regresso a Mayntoho, Sir —
anunciou Alaska Saedelaere.
Rhodan anuiu.
Ele se encontrava com Fellmer Lloyd, Jaraf Styl e os mutantes Tschubai e Gucky,
na central de comando da antiga nave ganjásica. Todos os outros membros da missão de
comando esperavam diante do transmissor.
O rato-castor sentiu que o Administrador-Geral o olhava, interrogativamente. Ele
anunciou, muito abatido:
— Nenhum impulso mental, Perry. Nem de Mike nem dos seis siganeses.
Aparentemente os estão mantendo constantemente sob um escudo de alta-energia.
— Ou então eles não vivem mais — disse Perry Rhodan, surdamente.
Parecia-lhe que uma parte de si mesmo morrera. Ele recusava a ideia de que o seu
filho estava perdido — e desta vez definitivamente. Já uma vez — há muito tempo atrás
— ele o perdera, ele o julgara perdido, até que finalmente ele apareceu à sua frente na
central de comando de Ovaron, na lua de Saturno, Titã.
Perry olhou o seu relógio.
— Ainda faltam exatamente seis horas e meia para a ignição das cargas de
thermoton. Duas horas mais tarde as bombas Árcon iniciarão um incêndio atômico, que
forçosamente terminará com a completa destruição de Takera.
Ele gemeu, num repente de desespero.
— O que devo fazer?
Ninguém respondeu. Para ele, esta era uma resposta clara. Para Mike e para os
Thunderbolts nada mais podia ser feito. Ou eles já estavam mortos agora ou morreriam
dentro de seis horas e meia.
— Vamos esperar mais uma hora! — decidiu ele.
— Não temos mais tanto tempo, Sir — retrucou Jaraf Styl. — Os cruzadores
submarinos takerer acabaram de destruir os últimos dos meus robôs de combate. Logo
que eles notarem o engodo, certamente também continuarão a busca deste lado da Ilha
Valosar.
— Receio que os takerer não precisarão de tanto tempo, Capitão Styl, — disse
Alaska Saedelaere. O lesado por transmissor ativara os aparelhos de rastreamento da
Attec, e olhava para um monitor de vídeo. — Mais ou menos cem robôs de combate
inimigos se aproximam de nossa posição. Eles andam bem junto do fundo do mar, e com
isto seguem mais ou menos o decorrer do antigo túnel de ligação.
Perry Rhodan aproximou-se rapidamente de Alaska e curvou-se para a frente para
poder ver melhor os reflexos do rastreamento e os dados de posicionamento. Depois ele
ergueu-se novamente.
— Vamos abandonar Takera! — disse ele. Somente um ligeiro vibrar na sua voz
revelava o quanto lhe era difícil tomar esta decisão. — Capitão Styl, ative a aparelhagem
de autodestruição da nave!
Jaraf Styl ficou sentado por um momento, como que paralisado, depois sua mão
baixou sobre uma placa comutadora que brilhava como vidro negro. A mesma, como
também a aparelhagem de autodestruição, fazia parte das instalações originais da Attec e
disparava um processo irreversível, que dentro de uma hora levava à total destruição da
nave.
Perry Rhodan fez um gesto negativo, quando Gucky ofereceu-se para teleportá-lo
para o transmissor. Lentamente, com os ombros caídos, ele abandonou a central e pairou
pelo elevador antigravitacional para a proa da nave ganjásica.
Quando entrou no pavilhão do transmissor, os seus companheiros ergueram os
olhos para ele. Icho Tolot aproximou-se dele e acariciou-lhe, cautelosamente, o ombro.
— Pobre Rhodanos... — disse ele.
Perry Rhodan sacudiu a cabeça.
— Quem tem, ou teve, um filho como Mike, não é pobre, Tolotos.
Ele virou-se para Saedelaere.
— Ativar o transmissor!
***
Roi Danton levantou-se do seu banco, quando um soldado da Marsav apareceu
diante do escudo energético de sua cela, com dois robôs de combate. Ele já estava
ficando inquieto, pois desde que Schymartko mandara a ele e o Paladino de volta à sua
cela, já tinham se passado cinco horas.
Mais meia hora até a ignição das descargas thermoton!
Por uma hora e meia o “halutense” fora torturado, naturalmente sem êxito, pois os
siganeses dentro do robô gigante não eram afetados por estes métodos. Então Schymartko
recebera um comunicado e saíra rapidamente.
Quando os dois prisioneiros, desta vez, entraram na sala de comando de
Schymartko, o takerer estava de pé, tremendo de raiva, diante do seu console de
comando. Ele mandou os soldados saírem e imediatamente dirigiu-se a Roi.
— O senhor me mentiu, Danton! Os terranos e o senhor vieram com uma
espaçonave. Os meus robôs a atacaram há algum tempo e foram destruídos quando a
nave se autodestruiu. O que tem a dizer a isso, antes que eu mande executar os dois?
— Não muita coisa — respondeu Roi Danton. — Só que todo o Monte Motah irá
pelos ares dentro de um quarto de hora de tempo-estandard terrano. As bombas estão tão
bem escondidas que os seus homens não poderão encontrá-las em tão curto espaço de
tempo, muito menos torná-las inofensivas. Fico satisfeito em ter podido segurá-lo por
tanto tempo.
Schymartko ficou muito pálido, e chegou a vacilar. Ele olhou para o filho de
Rhodan com uma mistura de raiva impotente e claro desespero.
Poucos segundos depois o takerer conseguira controlar se novamente. Ele gritou
algumas ordens aos robôs de combate. Três das máquinas de combate escoltaram os
prisioneiros e os impeliram atrás do chefe do Comando de Vigilância, que com uma
ignição na sua pulseira de comando ativara um mecanismo secreto. Uma parte da parede
traseira da sala formou uma abertura. Roi Danton caminhou mais depressa, quando
Schymartko começou a correr. O takerer conduziu-os através de um curto túnel metálico
para um escorrega de emergência, que levava para baixo, como um tubo em espiral. Os
três homens e os robôs deixaram-se escorregar para baixo e chegaram a uma pequena sala
redonda, cerca de trinta metros abaixo, cuja parede traseira era formada por uma eclusa
blindada. Schymartko a abriu com ajuda do seu aparelho de comando de pulso.
Roi Danton respirou profundamente, quando viu que por trás da escotilha se
encontrava uma microcâmera cilíndrica de um transmissor, cujos polos projetores
estavam embutidos nas paredes. Eles cabiam exatamente na câmara.
Schymartko manipulou mais uma vez o seu aparelho de comando de pulso. Uma
claridade violenta inundou a câmara — e num espaço de tempo não mensurável mais
tarde, os homens e os robôs se encontravam numa câmara parecida, mas um pouco maior.
— Nós estamos em Tachkanor, a capital do planeta — anunciou Schymartko, de
cara fechada. — Nós agora seremos transportados para o telhado deste edifício de onde
veremos se suas afirmações correspondem à verdade ou não, Danton.
Também a escotilha blindada desta câmara de transmissor somente se deixava abrir
com a ajuda da pulseira de comando de Schymartko. Roi teve o pressentimento de que
esta ligação de transmissor representava o caminho de fuga muito especial e secreto de
Schymartko. O fato de que ele nem tentara salvar pelo menos alguns dos seus homens,
confirmava mais uma vez, que no fundo do seu ser, ele não passava de um miserável
covarde.
Poucos minutos mais tarde eles se encontravam no telhado protegido por uma
cúpula transparente de um edifício em forma de torre. Os três robôs de combate
apontavam suas armas claramente para Roi e o Paladino, de modo que seria sem sentido
tentar uma fuga.
Os três homens olharam para o sul. Ali ficava a Ilha Valosar, separada do
continente e da cidade costeira de Tachkanor, por um braço de mar de cinquenta e um
quilômetros de largura. O pico do vulcânico Monte Motah daqui somente podia ser visto
indistintamente, como uma mancha escura.
— Mais trinta segundos — disse Roi.
Ele olhou para o seu relógio. Os trinta segundos transcorreram sem que acontecesse
alguma coisa. Mais dez segundos se passaram e então a torre do edifício tremeu sob uma
onda de abalos. Pouco depois o pico do Motah envolveu-se numa nuvem branco-
acinzentada, que se expandiu rapidamente. Mais alguns segundos depois um raio
vermelho como sangue ziguezagueou dentro daquela nuvem. Houve um ribombar surdo
— e então no lugar onde ainda há pouco havia o pico do Motah, ergueu-se uma bola de
energia nuclear, brilhante, azul-
esbranquiçada.
Schymartko gemeu e escondeu o rosto
nas mãos. Ele caiu de joelhos quando mais
uma onda de abalos, muito mais violenta, fez
a torre oscilar. Uma onda de choque trovejou
por cima de Tachkanor.
De repente dois robôs de metal negro
brilhante estavam parados perto da abertura
do elevador antigravitacional. O símbolo
dourado do Tachkar brilhava nos seus peitos.
Schymartko virou-se rapidamente sobre
si mesmo, olhou para eles e empalideceu.
Lentamente ele se levantou e colocou-se de
costas para a parede transparente da cúpula.
— O que... o que é... que vocês querem? — murmurou ele, quase inaudivelmente.
— Comandante Schymartko... — disse um dos robôs — ...nós temos ordens de
levar o senhor e seus prisioneiros à presença do Tachkar.
— Não! — gritou Schymartko. — Meus robôs de combate...
Dos crânios dos robôs negros partiram raios luminosos cor-de-laranja, na direção
dos três robôs de combate do takerer. Houve um breve crepitar, depois as células oculares
das máquinas se apagaram.
Schymartko abandonou a sua resistência. Com o rosto cinza, ele deixou-se conduzir
para fora, por um dos dois robôs negros. O segundo robô colocou-se atrás de Roi e do
Paladino e ordenou-lhes que seguissem Schymartko e o primeiro robô.
***
Três horas mais tarde, Roi Danton e o Paladino foram levados para a nave-capitânia
do Tachkar. A caminho eles puderam certificar-se de que a evacuação da população civil
estava em rápido andamento. As primeiras naves de transporte já estavam de partida.
O Tachkar recebeu os prisioneiros na cúpula panorâmica na proa de sua nave oval.
O seu rosto estava impenetrável. Roi olhou para o sul e viu, diante de uma parede gigante
e branca de vapor de água, a coluna de fogo e de lava do vulcão Motah, novamente
ativado. Do Valosar certamente nada mais restava, e o vapor d'água confirmava que as
bombas Árcon tinham tido uma ignição conforme fora planejado.
O filho de Rhodan perguntou-se o que se passava na cabeça do ancião, que perdera
a central de comando do seu reino e em cujo mundo principal desencadeara-se um furioso
e inextinguível fogo atômico.
Ginkorash ergueu a mão.
Uma escotilha abriu-se. Dois robôs negros brilhantes conduziram Schymartko para
dentro da central. O comandante da Marsav tremia no corpo todo.
Sem esperar pelas perguntas do Tachkar, ele foi logo dizendo:
— Eu não devia dar alarme ou prevenir uma parte dos meus homens, Tachkar, pois
estava com a responsabilidade dos dois prisioneiros. Eles eram tão importantes que eu
não podia me arriscar a criar pânico que pudesse pôr os prisioneiros em perigo.
O Tachkar olhou-o com desprezo.
Schymartko caiu de joelhos e ergueu as mãos, num gesto de súplica.
— Acredite em mim, Tachkar! Um deles, Roi Danton, é o rei de um reino estelar, e
o gigante é um eminente cientista do seu povo, um gênio, cujo saber nos...
— Basta! — ordenou Ginkorash, friamente. — O senhor é um covarde,
Schymartko, e para covardes eu tenho apenas uma aplicação.
Ele puxou lentamente a sua arma de raios de impulsos, enquanto Schymartko o
fixava como hipnotizado, depois ele matou o ex-comandante da Marsav.
Ele colocou a arma de volta no seu cinturão, olhou por um instante para o sul e
depois virou-se para os prisioneiros.
— Mas eu tenho aplicação para prisioneiros importantes — declarou ele
cinicamente. — Vocês dois colaborarão comigo.
— Como poderemos fazer isso? — perguntou Roi Danton.
O Tachkar riu friamente, ordenou aos dois robôs para vigiarem os prisioneiros, e
abandonou a cúpula panorâmica.
Roi virou-se novamente para o sul. Nuvens amarelas, cor de enxofre, corriam
através do mar, por cima da cidade de Tachkanor. Os microfones externos transmitiam
um constante trovejar. Lufadas de ventos fortes levantavam poeira e destroços. Uma
torrente contínua de veículos despejou-se na área gigante do espaçoporto: inúmeras
esteiras rolantes de transporte traziam milhares e milhares de homens, mulheres e
crianças para as naves de evacuação, prontas para partirem.
O filho de Rhodan respirou aliviado. Pelo menos, com a destruição do planeta
Takera, a sua população civil não era destruída também. Os evacuados poderiam imigrar
para outros planetas, onde construiriam uma existência pacífica e segura.
— Para onde nos levarão? — perguntou o Paladino.
Roi Danton hesitou.
Era cedo demais para fazer especulações sobre isso. De qualquer modo parecia que
o Tachkar não tinha intenções de querer executá-los — pelo menos não imediatamente.
— Vamos ver... — disse Roi, perdido em seus pensamentos.

***
**
*
Os terranos destruíram a central de comando do
Tachkar, e deste modo infligiram um pesado golpe ao
adversário. Mas por este sucesso tiveram que pagar um
alto preço.
O Paladino e Michael Rhodan, apelidado de Roi
Danton, acabaram prisioneiros dos takerers. Uma sorte
cruel os espera. Vascalo, o novo chefe da Marsav,
manda colocá-los na Prisão de Aço...
A Prisão de Aço — é o título do próximo número
da série Perry Rhodan.

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