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(1946-1951) GOVERNO DUTRA

Contexto Internacional

(1947) Doutrina Truman.

(1947) Doutrina da Contenção.

(1947) (jun.) Plano Marshall é aprovado.


(1948) (mai.) Proclamação do Estado de Israel/Primeira guerra árabe-

israelense.

(1949) Criação da OTAN.

(1945-1953) Governo Truman nos EUA.

Sinopse fatos importantes Internos

1946 (fev.) Dutra toma posse na Presidência da República.

 Início da Guerra Fria.

(1946) Constituição de 1946.

1947 (set.) Assinatura do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca


(TIAR).
1947 (out.) Rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e URSS.
1947 (out.) Assinatura do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT).
1948 (abr.) Criação da Organização dos Estados Americanos (OEA).
(1948)(mai.) Plano Salte.
1948 (ago.) Comissão Abink-Bulhões com a finalidade de analisar a
economia brasileira e fazer recomendações para a promoção do
desenvolvimento brasileiro.
1948 (out.) Criação da Comissão Econômica para América Latina (CEPAL)
1948 (dez.) Convenção para Prevenção e Repressão do Crime de
Genocídio.
1949 (mai.) Dutra faz visita oficial aos EUA em uma tentativa de estreitar
os laços econômicos, sem sucesso ("alinhamento sem recompensa?").
1949 (ago.) Fundação da Escola Superior de Guerra (ESG).
1949 (out.) Proclamação da República Popular da China; Brasil lamenta o
fato e não reconhece o governo chinês.
1950 (jan.) "Memorando de frustração" é enviado pelo Chanceler Raul
Fernandes ao Embaixador dos EUA no Rio, Herschel Johnson.
(1950-1953) Guerra da Coréia.
1950 (nov.) Dutra proclama a soberania do Brasil sobre sua plataforma
submarina em meio às campanhas da Standart Oil para obter direitos de
exploração do petróleo brasileiro.
1950 (dez.) Negociação da criação da Comissão Mista Brasil-EUA para o
Desenvolvimento Econômico (JBUSEDC).
1951 (jan.) Fim do governo Dutra.

POLÍTICA INTERNA

 (1946) Constituição de 1946.

A CF 1946 conservou os Direitos Sociais implementados nos Governos

Vargas e conferiu os direitos políticos e civis, a semelhança da CF de 1932 e

que haviam sido suprimidos pela CF de 1937. Assim, reiterou o voto dos

homens e mulheres maiores de 18 anos, excluindo os analfabetos (que

representavam um largo contingente da população).

Atenção! A Constituição de 1946 não estendia o voto aos analfabetos e a

universalização do acesso ao ensino primário se deu no final dos anos 1960.

POLÍTICA EXTERNA DE DUTRA

(Alinhamento sem Recompensa)

A PEB é fortemente influenciada pelo contexto internacional da época:

1. Doutrina Truman (1947): função do EUA na proteção da democracia


liberal capitalista aonde quer que ela se visse acossada pela União Soviética e
a ideologia comunista.
2. Início da Guerra Fria: que começa oficialmente em 1947, com lançamento
da Doutrina de Contenção do Comunismo1 (primeiro sinal de uma guerra
fria oficialmente lançada).

 Desdobramentos da Doutrina da Contenção:

o Apoio as ambições imperialistas dos Aliados:

Em nome do sucesso da Doutrina da Contenção, Truman apoiou as ambições


imperialistas de seus aliados.

a) É o caso, por exemplo do Imperialismo Francês na Indochina, no qual


os Estados Unidos, não desempenhou papel ativo no processo de
descolonização.
Na verdade, os Estados Unidos viam nessas ocupações um reforço a
não propagação do comunismo.
Importante! É exatamente com a descolonização da Indochina, após a
derrota da França, pelos Vietnamitas, apoiados pela URSS e China, na
1ª Guerra da Indochina (1946-1954), que dá início a Guerra do Vietnam
(ou 2ª Guerra da Indochina). Nesta os Estados Unidos apoiaram
diretamente o Vietnam do Sul, contra do Vietnam do Norte, apoiado
pela URSS e China.

3. (1947) Plano Marshall: ajuda financeira dos países capitalistas da Europa.

4. OTAN (1949): assinatura do tratado de Washington para criação da


organização do Tratado Do Atlântico Norte.

 Posição de alinhamento com os EUA, alinhamento automático do


governo Dutra e da chancelaria:

1
Proposta pelo diplomata George Frost Kennan, especialista em assuntos soviéticos
 (1947) o Brasil adere ao TIAR - tratado interamericano de assistência
recíproca, visando a defesa coletiva a qualquer agressão perpetrada
contra membros do tratado.

Esse tratado teve o Brasil como um dos articuladores.

O TIAR foi assinado em Petrópolis (palácio Quitandinha). Chanceler Raul


Fernandes como um dos relatores do tratado.

O TIAR fica desmoralizado com a guerra das Malvinas, em que os EUA


apoiam à Inglaterra em detrimento da Argentina.

Importante! O presidente Dutra foi o primeiro presidente do Brasil a visitar


os EUA.

 (1948-1951) UNSCOB- MISSÃO PIONEIRA DE MANUTENÇÃO DE


PAZ DA ONU, DURANTE A GUERRA CIVIL NA GRÉCIA.

O Brasil participou da UNSCOB (1948-1951), missão pioneira de


manutenção de paz da ONU, durante a Guerra Civil na Grécia. A Marinha
foi representada pelo Capitão-Tenente John Anderson Munro, que atuou
como Observador. Coube aos Observadores das Nações Unidas
acompanharem as operações do Exército Nacional Grego, nas fronteiras da
Grécia com a Albânia, Iugoslávia e Bulgária, países que eram acusados de
apoiar ativamente o Exército Democrático da Grécia, de ideologia
comunista, que tentava derrubar o governo eleito e constitucionalmente
instituído no país. Esses Observadores passaram por situações difíceis e
arriscadas e presenciaram episódios de barbárie, típicos de uma guerra
civil de motivação ideológica.

CESPE: Sob a justificativa de que o caso grego seria um reflexo da guerra


política desenvolvida pelo comunismo internacional nos diversos países,
com o objetivo de dominar o mundo, o Brasil apoiou a intervenção de
potências ocidentais na guerra civil grega.

 (1947) Rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e URSS:


Apesar das relações com Rússia terem sido retomadas apenas em 1945, após

o rompimento em 1917, após a Revolução Russa, o Brasil, já em 1947 opera

nova ruptura, inclusive Dutra põe o PCB na ilegalidade.

Isso pela aproximação de Dutra com os EUA e a determinação do comunismo

como um inimigo nacional.

Atenção! Esse rompimento não se deu pelo de alinhamento político-


ideológico com os EUA. Inclusive provocou surpresa nos EUA, que censura a
decisão brasileira.

 Por que ocorreu?

Por questões de política interna. Presidente Dutra bane o Partido Comunista


Brasileiro, perseguindo os políticos eleitos da legenda, entre eles Jorge
Amado. Em reação, Jornal soviético critica a ação do governo e a pessoa do
presidente Dutra, o qual exige retratação do governo da URSS. Diante da
recusa da URSS de não se retratar, o Brasil rompe relações coma URSS. Essa
ruptura irá perdurar até novembro de 1961, já no governo de João Goulart.

 (1948) Criação da Comissão Econômica para América Latina e o

Caribe (CEPAL):

Foi criada em 1948 pelo Conselho Econômico e Social das Nações Unidas e é

uma das 05 comissões econômicas regionais da ONU.

Sua criação teve grande apoio brasileiro, tendo inclusive participação de

destaque com a indicação do brasileiro Celso Furtado.


 (1949) Não reconhecimento, por parte do governo Brasil, da República
Popular da China (Revolução Maoísta por Mao Zedong, também em
outra tradução Mao Tsé-Tung).

Brasil passa a ter relações com a República da China, governo do


Kuomintang, em Taiwan (até 1974, início do governo Geisel), para onde
migra o governo de Chian Kai-shek.

 Apesar do profundo alinhamento político do governo Dutra, no plano


econômico e comercial, o Brasil se permite algumas diferenças em
relação ao EUA2.

a) Em 1947, na Conferência de Havana de Lançamento do GATT, a


delegação brasileira apoia o livre comércio, mas solicita tratamento especial aos
países em desenvolvimento, facultando a estes, alguma margem de protecionismo
visando favorecer à indústria nacional nascente.

b) Em 1948, na Conferência Interamericana De Bogotá da qual resultou na


criação da organização interamericana - OEA. O Brasil demanda
pragmaticamente um plano de ajuda econômica, nos moldes do plano
Marshall, para os países da América Latina.

c) Em 1950, Dutra proclama a soberania do Brasil sobre sua plataforma

submarina:

A exemplo do que fizeram outros países latino-americanos o Presidente

Dutra proclama por Decreto a soberania do Brasil sobre a plataforma

continental submarina. (Ou seja, não foi o 1º).

2 Quem defende esse argumento é Paulo Roberto de Almeida (Diplomatizando) no livro 60 anos de
Política Externa.
d) No plano de política econômica interna: o Governo Dutra embora favoreça
a entrada de capital internacional, condiciona o investimento deste capital a setores
que estimulassem o desenvolvimento nacional.

DUTRA – ALINHAMENTO SEM RECOMPENSA:

Não obstaste o alinhamento político-ideológico profundo com os EUA, o Brasil


saiu de mãos vazias no período, sem vantagens, benefícios ou concessões.

O professor Gerson Moura caracteriza o governo Dutra como um governo


alinhado sem recompensas. Como exemplo, o Brasil não consegue implantar
o Plano Marshall para América Latina, não é atendido nos financiamentos
solicitados no âmbito multilateral.

 Governo dos Estados Unidos não se preocupa com a América Latina,


pois a considera uma área sob controle, assim, direciona sua atenção e
recursos para a Europa e a Ásia, através dos Planos Marshal e
Colombo.

Nesse momento, Truman e o seu sucessor, Eisenhouwer, não estão


preocupados com a América Latina, que é vista pelos EUA como uma área
sobre controle, estando naturalmente sobre a órbita de influência americana.

A atenção do governo americano está voltada para Europa e, em seguida,


para a Ásia, devido a guerra da Coreia. A Ásia recebe o Plano Colombo, aos
moldes do plano Marshall.

 A atenção norte americana só retorna a América Latina após a


Revolução Cubana de 1959.

EUA só volta para a América Latina após a ameaça do socialismo de Cuba,


com a revolução cubana em 1959. Isso cria um sentimento de frustração no
governo brasileiro.
Foram muito poucas as iniciativas americanas que alcançaram o Brasil.
Exemplo disso, temos:

(1948) Missão Abbink:

Como resultado da Missão Abink, chefiada por Jonh Abink, a comissão


técnica mista Brasil-EUA. Inaugurada em 1948, substituída em 1950 por outra
comissão, era presidida pelos economistas John Abink e Otávio Gouveia de
Bulhões, e encarregada de elaborar relatórios e estudos econômicos. Frusta o
governo brasileiro, mais interessado em ajuda financeira efetiva. Nesse
momento a CEPAL pelo lado da ONU também irá iniciar a elaboração de
estudos.

(1949) Ponto IV de Truman - Plano Norte-Americano de Assistência

Técnica para a América Latina.

Em 1949, o presidente dos EUA, Henry Truman, lança o chamado Ponto-


Quatro. Em que os EUA reconhecem o deve de prover assistência técnica
para ajudar o mundo periférico.

O Plano Norte-Americano de Assistência Técnica para a América Latina

conhecido como Ponto IV3, tornado público em janeiro de 1949 pelo

presidente americano Truman, quando se formou no Brasil uma comissão

composta por Eugênio Gudin, Otávio Gouveia de Bulhões e Valder Lima

Sarmanho encarregada de estudar as prioridades para um programa de

desenvolvimento do país.

Especificamente para o Brasil, temos como resultado deste Ponto IV de

3
Presidente Truman anuncia o programa do Ponto IV, de assistência aos países das áreas
periféricas não envolvidas em conflagrações, o Brasil será incluído como beneficiário do
programa.
Truman a criação da Comissão Brasil-EUA para o Desenvolvimento

Econômico (JBUSEDC) para o desenvolvimento econômico, substituindo a

comissão anterior.

 (1950) Negociação da criação da Comissão Mista Brasil-EUA para o

Desenvolvimento Econômico (JBUSEDC):

Formada no âmbito do Ministério da Fazenda, e integrada por técnicos

brasileiros e norte-americanos, a Comissão Mista Brasil-Estados Unidos para

o Desenvolvimento Econômico foi resultado das negociações entre Brasil e

Estados Unidos iniciadas em 1950, durante o governo Dutra, visando ao

financiamento de um programa de reaparelhamento dos setores de

infraestrutura da economia brasileira. A Comissão foi criada oficialmente em

19 de julho de 1951 e encerrou seus trabalhos em 31 de julho de 1953 (durante

o governo Eisenhower).

Atenção: observe que essa comissão foi negociada no Gov. Dutra, porém só

foi criada no Gov. Vargas já em 1951.

 Fim da Comissão Mista Brasil-EUA para o Desenvolvimento

Econômico (JBUSEDC):

Essa comissão será descontinuada unilateralmente quando o governo

Eisenhower, após sua posse, redireciona a Política Externa Norte-Americana.

Eisenhower Eisenhower deixa claro que o Governo dos Estados Unidos não

vai, por si, emprestar dinheiro a juros subsidiados ao Brasil, e os empréstimos

devem vir pelo interesse privado de investir no país, assim a comissão é

desfeita.
• (1950) Memorando da Frustração (Chanceler Raul Fernandes).

No final do governo Dutra, Chanceler Raul Fernandes entrega ao embaixador


do EUA no Rio de Janeiro, Heryson Jonson, um relatório das relações
bilaterais Brasil-EUA no governo Dutra, que entra para a história como
memorando da frustração.

(1950-1953) Guerra da Coréia.

Em 25 de junho de 1950, a Coreia do Norte invade a Coreia do Sul, dando


início à Guerra da Coreia. Por sua parte, a União Soviética e a China
decidiram apoiar a Coreia do Norte, enviando efetivos militares e provisões
para as tropas norte-coreanas. A guerra acabaria com baixas maciças de civis
norte e sul-coreanos.

Em 25 de junho de 1950, o Conselho de Segurança das Nações Unidas


aprovou, por unanimidade, a Resolução 82, condenando a invasão da Coreia
do Norte contra seu vizinho do sul. Dois dias depois, foi aprovado a
Resolução 83 que autorizava uma intervenção militar para por fim no
conflito.

Atenção! O Brasil votou com os EUA na votação da resolução da ONU que,


em 1950, declarou ser a República Popular da China culpada pela agressão da
Coreia do Norte à Coreia do Sul.
Importante lembrar que no período supracitado o Brasil adotou uma política
externa de alinhamento, adotando as perspectivas dos EUA nas instâncias
multilaterais, como na OEA e na ONU - os votos do Brasil na ONU (Conselho
e Assembleia) eram praticamente idênticos aos dos EUA.
URSS e China apoiaram a Coreia do Norte, enquanto, EUA e ONU apoiaram a
Coreia do Sul. Como o Brasil estava empenhado em alinhar suas decisões às
estadunidenses, acabou acompanhando os votos norte-americanos sobre esse
tema.

(1948)(mai.) Plano Salte.
Antecedentes
As primeiras experiências brasileiras de planejamento se configuraram, ainda
durante a Segunda Guerra Mundial, em dois planos: o Plano Especial de
Obras Públicas e Aparelhamento da Defesa Nacional, instituído pelo Decreto-
Lei nº 1.058, de 19 de janeiro de 1937, e o Plano de Obras e Equipamentos,
instituído pelo Decreto-Lei nº 6.144, de 29 de dezembro de 1943.
Nesse período foi também realizada a primeira tentativa de diagnóstico
global da realidade socioeconômica brasileira através da cooperação
internacional com os EUA, concretizada nos estudos realizados pela Missão
Cooke em 1942.
Logo após a posse do presidente Eurico Gaspar Dutra, entretanto, em 31 de
janeiro de 1946, o Decreto-Lei nº 9.025, de 27 de fevereiro, extinguiu o Plano
de Obras e Equipamentos, até então em vigor.
Demonstrando assim sua intenção de não dar continuidade aos esquemas de
planejamento anteriores, o presidente da República deu início aos estudos
necessários à elaboração de um novo plano, que se tornaria conhecido como
Plano Salte.
Destinado a ser em princípio um programa do governo, o Plano Salte só seria
aprovado, contudo, ao final da gestão Dutra.

O anteprojeto
Sob a coordenação do Departamento Administrativo do Serviço Público
(DASP), os estudos para o Plano Salte se intensificaram ao longo do ano de
1947.
Da equipe responsável pelos trabalhos participavam Mário Bittencourt
Sampaio, diretor-geral do DASP, Joel Rutênio de Paiva, Júlio César Covelo,
José Pedro Escobar, Carlos Berenhauser Júnior, Mílton de Lima Araújo e
Richard Lewinsohn, além de um grupo de técnicos do governo federal e do
estado de São Paulo.
Foi igualmente constituída uma comissão interpartidária, integrada por
representantes credenciados dos maiores partidos nacionais, encarregados de
fornecer assistência técnica e de supervisionar a elaboração do plano. Essa
comissão, formada pelos deputados Artur de Sousa Costa, do Partido Social
Democrático (PSD), Odilon Braga, da União Democrática Nacional (UDN), e
Mário Brant, do Partido Republicano (PR), funcionou no prédio do Ministério
da Fazenda, em dependência cedida pelo DASP. Seus trabalhos se iniciaram a
17 de fevereiro de 1948 e se encerraram, após 14 sessões, a 4 de maio do
mesmo ano, com a apresentação de um relatório.
Ao submeter o Plano Salte ao estudo e à crítica da comissão interpartidária, o
presidente Dutra buscava sua aprovação pelos partidos, e,
conseqüentemente, pelo Congresso Nacional. De fato, dentro da experiência
brasileira de planejamento federal de âmbito plurissetorial, o Plano Salte foi o
único que recebeu exame e aprovação prévia do Congresso Nacional.
Segundo Jorge Gustavo da Costa, esta foi “a primeira e final tentativa, pelo
menos até 1966, de se articularem os poderes Executivo e Legislativo para
elaboração e aprovação de planos federais”.
Contando, portanto, com a garantia prévia de sua aprovação, o presidente
Dutra remeteu o anteprojeto do Plano Salte ao Congresso, acompanhado da
Mensagem Presidencial nº 196, de 10 de maio de 1948. A mensagem continha
informações sobre a importância do plano, sobre os objetivos visados em
cada um dos seus quatro setores, sobre sua fórmula de financiamento e
exeqüibilidade, e sobre sua autonomia administrativa e contábil, acentuando
o “rigor técnico” com que fora elaborado.
O Plano Salte consubstanciava o programa a ser executado no período de
1949 a 1953, com o objetivo de proporcionar melhores condições de saúde, de
alimentação, de transporte e de energia. Cada um desses setores mereceu
minuciosa análise, sendo propostos programas específicos para cada um dos
principais problemas diagnosticados. Era enfatizada, por outro lado, a
necessidade de se resolver os problemas de cada setor em conjunto com as
medidas tomadas nos demais setores abrangidos pelo plano.
Assim, o setor saúde acusava, segundo as análises, graves problemas: fome
crônica, elevado índice de mortalidade infantil e de probabilidade de morte
dos adultos de mais de 30 anos de idade, e precariedade de recursos
disponíveis em pessoal médico e paramédico, assim como de leitos
hospitalares. A partir desses e de outros problemas, o Plano Salte,
abrangendo a Campanha Nacional de Saúde, pretendia elevar o nível
sanitário da população, sobretudo a rural, combatendo fundamentalmente as
endemias e moléstias.
Quanto à alimentação, o plano considerava importante conceder facilidade
de recursos para o consumo e para o comércio. Propunha um programa
amplo, em que se articulava uma série de medidas ligadas ao processo de
produção de alimentos, como, por exemplo, a assistência social e profissional
aos trabalhadores, a concessão de crédito aos produtores etc. Encarecia ainda
a necessidade não só de atender aos problemas internos, como de ajustar a
produção às demandas externas, a fim de melhorar o balanço de pagamentos.
Os estudos realizados durante a elaboração do Plano Salte levaram à
constatação de uma deficiência crônica dos meios de transporte — estradas
de ferro e de rodagem, transportes fluviais e marítimos. Nesse setor, era
proposto, portanto, o estabelecimento de um programa incluindo a
construção de ferrovias de acordo com o Plano Nacional de Viação, e
abrangendo também as rodovias do Departamento Nacional de Estradas de
Rodagem e do Plano Rodoviário. Eram sugeridos ainda o reaparelhamento
dos portos, a melhoria das condições de navegabilidade dos rios, o
aparelhamento da frota marítima e a construção de oleodutos.
Finalmente, eram propostas para o setor energia diversas providências.
Na área da energia elétrica, as principais sugestões eram: lavras e
industrialização do petróleo e do gás natural; investigação das reservas de
linhita, turfa, xistos pirobetuminosos e areias betuminosas; intensificação e
barateamento da produção do carvão-de-pedra nacional; racionalização e
redução progressiva do consumo de lenha e seu derivado, o carvão vegetal;
reflorestamento e estímulo à silvicultura; exploração intensiva dos recursos
hidráulicos; aplicação da eletricidade, sempre que possível, no aquecimento,
bem como na tração ferroviária e urbana, e criação de instituições técnicas
experimentais, incumbidas de estudar a melhor utilização das fontes
energéticas nacionais.
A maior parte das iniciativas relacionadas com a exploração da energia
elétrica seria financiada pelo capital privado, inclusive estrangeiro,
reservando-se o governo uma posição reflexa de amparo e de estímulo às
empresas concessionárias, “na medida da conveniência do interesse público”.
Para a execução do Plano Nacional de Eletrificação, o Plano Salte adotou as
conclusões e recomendações gerais formuladas a respeito da matéria pela
comissão especial instituída em 1944 e reunida no Conselho Federal do
Comércio Exterior. Defendeu também a eletrificação rural, que, entre outras
vantagens, viria a atenuar o êxodo do campo. A implantação da indústria de
material elétrico foi também estudada pela Comissão da Indústria de
Material Elétrico, que realizou entendimentos preliminares nos Estados
Unidos em 1945 e 1946.
Em relação ao petróleo, as atividades programadas eram as seguintes:
pesquisa intensiva de algumas áreas das diferentes bacias sedimentárias que
atingissem trezentos milhões de hectares; aquisição de todo o material
especializado necessário à perfuração de poços e execução de trabalhos
complementares; aquisição e montagem de refinarias para a produção diária
de 45 mil barris e ampliação da produção de Mataripe (BA), de 2.500 para seis
mil barris diários, e aquisição de 15 petroleiros de 15 mil toneladas cada um,
ou tonelagem total equivalente, com o objetivo de atender às necessidades
nacionais totais da época.
Como observa Jesus Soares Pereira, recursos substanciais do Plano Salte —
cerca de dois bilhões e meio de cruzeiros — eram destinados a assuntos de
petróleo, como pesquisa, exploração de campo e montagem de refinarias. No
entanto, segundo a mesma fonte, o presidente Dutra enviou o Plano Salte ao
Congresso sem levar em conta os resultados dos trabalhos da comissão
encarregada da elaboração do Estatuto do Petróleo. Mesmo antes da
aprovação do plano, Dutra pediu também ao Congresso a aprovação de um
crédito especial para apressar o programa de petróleo contido naquele
documento. A votação desse crédito contou na Câmara com o apoio unânime
das bancadas. O único voto contrário foi o de Pedro Pomar, representante
comunista, que justificou sua posição pela falta de confiança no governo.
Defendendo as medidas referentes ao problema do petróleo sugeridas pelo
Plano Salte, Horácio Lafer, então líder da maioria na Câmara dos Deputados,
e posteriormente, no segundo governo Vargas, ministro da Fazenda, declarou
mais tarde: “Nunca foi suficientemente explicado que dos 109 milhões de
dólares que enviamos em 1948 para a importação do petróleo, 46 milhões se
destinaram a fretes ou, mais ou menos 39% do total enviado. Outros 13
milhões, ou mais ou menos 12%, economizaríamos, se tivéssemos refinarias,
somente importando óleo cru. Logo, se comprarmos navios petroleiros e
instalarmos refinarias, economizaremos cerca de 60% em divisas. Só em 1948
teríamos poupado 65 milhões de dólares.”

Repercussão
As críticas ao anteprojeto do governo figuram sobretudo nos Anais do
Congresso Nacional. Mesmo fora do Parlamento, todos os setores de relevo
da vida nacional se manifestaram sobre o plano.
De modo geral, a despeito do estímulo prometido à iniciativa privada —
através da concessão por parte do Estado de privilégios e facilidades —, a
resposta do setor privado aos apelos do Plano Salte foi praticamente nula.
Isso era explicado pelo fato de os projetos apresentados possuírem um caráter
social, e não comercialmente vantajoso, para uma empresa particular.
O conselho econômico da Confederação Nacional da Indústria, por exemplo,
declarou que “depois de estudar e debater amplamente o Plano Salte, chegara
à conclusão de que esse trabalho, embora inspirado nos melhores propósitos,
não apresentava condições de exeqüibilidade, pelo menos nos termos em que
[fora] proposto”. Contestando a viabilidade financeira do plano, concluía a
declaração: “Entende o conselho econômico que o Plano Salte não pode ser
posto em execução, a menos que sofra transformações radicais.”
Assim, com algumas alterações no anteprojeto, o Plano Salte só foi instituído
pela Lei nº 1.102, em 18 de maio de 1950.

Esquema financeiro e estrutura administrativa


A Lei nº 1.102 basicamente determinou a inclusão no orçamento da União,
nos exercícios de 1950 a 1954, de dotações orçamentárias para a execução do
Plano Salte no total de 11 bilhões e 650 milhões de cruzeiros antigos. Essa
soma seria reforçada através de parcelas no total de um bilhão e 350 milhões
de cruzeiros antigos a serem destacados dos fundos criados pela Constituição
de 1946 para a valorização econômica da Amazônia, a defesa contra as secas
do Nordeste e o aproveitamento total das possibilidades econômicas do rio
São Francisco e seus afluentes.
As despesas previstas para o atendimento dos objetivos específicos do Plano
Salte totalizavam, aproximadamente, 21 bilhões e trezentos milhões de
cruzeiros antigos, importância superior ao orçamento da receita federal para
o exercício de 1950. A receita constante do orçamento geral da União para o
exercício desse ano era de, aproximadamente, 18 bilhões e oitocentos milhões
de cruzeiros antigos.
Os investimentos e serviços governamentais previstos no Plano Salte seriam
financiados pelo produto da receita ordinária da União, por um empréstimo
de divisas contraído pelo Banco do Brasil, por uma operação de crédito
interno sob a forma de emissão de obrigações do Tesouro e, finalmente, por
parte da receita do Fundo Rodoviário Nacional e da Contribuição de
Melhoria (quota pertencente à União).
A função de administrador-geral do Plano Salte só foi instituída com o
Decreto nº 28.225, de 12 de junho de 1950. Por esse decreto, o presidente
Dutra transferia ao administrador-geral a coordenação dos diversos
programas de trabalho e o estabelecimento da ordem de prioridades.
A 19 de junho, novamente por decreto presidencial, Mário Bittencourt
Sampaio foi designado primeiro administrador-geral do Plano Salte, o que
correspondia, na prática, à transferência da coordenação do plano para o
DASP.
No dia 26 de julho de 1950, o recém-nomeado administrador-geral designou
seu primeiro grupo de assessores. Eram eles o tenente-coronel Carlos
Berenhauser Júnior, diretor da Companhia Hidrelétrica do São Francisco, Joel
Rutênio Carvalho de Paiva, Júlio César Covelo, diretor do Serviço de
Economia Rural do Ministério da Agricultura, Lucílio Briggs de Brito, chefe
de gabinete do ministro da Viação e Obras Públicas, Pascoal Ranieri Mazzilli,
chefe de gabinete do Ministério da Fazenda, e Plínio Reis de Cantanhede
Almeida.
Mário Bittencourt Sampaio exerceu a função de administrador-geral até 7 de
dezembro de 1950, quando foi substituído por Lucílio Briggs de Brito.

O segundo governo Vargas


Empossado a 31 de janeiro de 1951, o presidente Getúlio Vargas não alterou o
comando do Plano Salte até 22 de agosto do mesmo ano, quando foi
designado o terceiro admistrador-geral do plano, Arísio Viana.
Nessa fase, em parte devido à precariedade de sua estrutura administrativa e
à dificuldade de operação de seu administrador-geral, o Plano Salte
converteu-se em simples fonte de complementação de verbas, contrariando o
que dispunha o parágrafo único da Lei nº 1.102, segundo o qual os recursos
financeiros do plano não deveriam ser utilizados como simples reforço ou
suplementação das dotações relativas às atividades ordinárias dos diversos
órgãos da administração pública. Diante do déficit do orçamento de 1950, de
três bilhões e meio de cruzeiros antigos, o esquema financeiro inicialmente
previsto não funcionou. Aliado a outras dificuldades, esse fator acarretou o
colapso do plano em sua globalidade.
O presidente Getúlio Vargas considerou a situação de tal forma precária que,
na mensagem de 14 de maio de 1951, junto à qual enviou ao Congresso a
proposta orçamentária para o exercício financeiro de 1952, solicitou uma
alteração na lei institucional do Plano Salte. Conforme ressaltava Vargas, o
governo que o antecedera não havia conseguido executar integralmente nem
a primeira quinta parte do plano, prevista para 1950.
Assim, em 1951, elevava-se a quase seis bilhões de cruzeiros o encargo
imposto pelo Plano Salte ao país.
A proposta de alteração do sistema e orientação do Plano Salte foi aceita pelo
Congresso Nacional e consubstanciada na Lei nº 1504, de 15 de dezembro de
1951. Na realidade, a Lei nº 1.504 descaracterizou mais ainda o sentido do
plano, corroborando o caráter complementar das dotações destinadas a seus
empreendimentos. Por essa lei foram também excluídas do plano as
“dotações com destinação constitucional”.
Ao mesmo tempo em que se tornava evidente a incapacidade do Plano Salte
de cumprir seus objetivos, os estudos em curso realizados por economistas
nacionais e por missões norte-americanas de assistência técnica indicavam a
necessidade urgente de se resolverem pontos críticos da economia brasileira e
de se pôr em prática um programa de industrialização do país.
Com o firme propósito de impulsionar essa industrialização, Vargas passou a
adotar medidas condizentes com os objetivos de sua política econômica e
financeira. Numa primeira fase, o novo governo estaria primordialmente
preocupado com os reajustes financeiros, eliminando gastos considerados
desnecessários. A segunda fase seria de construção e produção, com
prioridade para o setor de transportes e para a produção de energia elétrica.
Pela Lei nº 1.474, de 26 de novembro de 1951, foi criado um fundo especial,
formado pelo adicional do imposto de renda, destinado especificamente ao
Plano Nacional de Reaparelhamento Econômico, previsto pela mesma lei e
conhecido como Plano Lafer.
Apesar da instituição do Plano Lafer, porém, incluindo a maior parte dos
projetos do Plano Salte, este último seguiu seu curso até o final de seu prazo
de vigência, tendo mesmo o presidente Vargas solicitado sua prorrogação na
Mensagem nº 531, de 30 de novembro de 1953. Segundo Vargas, o Plano Salte
havia-se revelado “mais maleável e simples que o regime orçamentário
comum, pela rapidez na liberação dos créditos e facilidade de sua passagem
de um exercício para outro”.
Embora tivesse sido aprovado pelo Congresso, o pedido de prorrogação do
Plano Salte foi vetado pelo presidente Café Filho, que, cinco anos antes, como
deputado, já se havia manifestado contra sua instituição.

O liquidante do Plano Salte


Mesmo encerrada sua vigência, o Plano Salte se projetou por mais quatro
anos, com a continuação de algumas obras, a prestação de contas de
responsáveis por dinheiros, e a sistemática menção nos balanços gerais da
República.
Para atender à sua extinção, foi necessária a instituição do “liqüidante do
Plano Salte”, função para a qual foi designado o diretor da Divisão de
Orçamento e Organização do DASP. Suas atribuições mais importantes eram
controlar os créditos existentes em contas bancárias sob a responsabilidade
dos diversos gestores; proceder ao exame minucioso do emprego das
dotações entregues a técnicos, inclusive através da inspeção direta das obras
ou serviços custeados pelas mesmas, e promover a apresentação de contas de
responsáveis, assim como a elaboração de um relatório final contendo uma
apreciação de conjunto das operações do plano.
Inúmeras foram as dificuldades operacionais do liqüidante. Nunca se
conseguiu saber, exatamente, que parcela do Plano Salte foi executada. O que
é certo é que o plano como um todo não foi implementado devido à sua
inexeqüibilidade financeira e à inviabilidade técnica de muitos de seus
projetos.