Sei sulla pagina 1di 14

EQUOTERAPIA NO AUXÍLIO DO APRENDIZADO MOTOR PÓS-ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL (AVC)

Luciana Vasconcelos dos Santos Lucianavasconcelos06@hotmail.com 1 Dayana Priscila Maia Mejia

RESUMO

Este estudo tem como objetivo precípuo verificar a utilização da equoterapia no auxílio do aprendizado motor pós-acidente vascular cerebral (AVC). Os diversos movimentos do cavalo, o ritmo, a regularidade tem sida uma importante ferramenta usada para a conquista do equilíbrio, da coordenação, da adequação do tônus muscular e do aprendizado motor das pessoas acometidas por AVC. Metodologia:

para a construção do conhecimento sobre o emprego da equoterapia no aprendizado motor das pessoas com AVC foi realizada uma pesquisa bibliográfica que forneceu os subsídios teóricos para análises, interpretações e inferências a respeito do assunto em tela. Resultado: ficou evidente, com base nas concepções dos autores investigados que a equoterapia tem apresentado bons resultados em pacientes com comprometimento motor pós AVC. Conclusão: a equoterapia tem sido utilizada como tratamento auxiliar de diversas síndromes e doenças, particularmente o AVC, com resultados significativos.

Palavras-chave: Equoterapia. Acidente Vascular Cerebral. Paciente.

INTRODUÇÃO

Muitas pesquisas vêm sendo realizadas com a finalidade de comprovar os

benefícios da Equoterapia na reeducação de pessoas com comprometimento motor

resultantes de síndromes e doenças, principalmente em indivíduos acometidos por

AVC.

Nesse sentido, nas últimas décadas, avanços significativos têm sido feitos

para melhorar as consequências da disfunção motora e da qualidade de vida dos

pacientes com AVC, sendo tais avanços, em parte, consequências da abordagem

multidisciplinar sobre a doença. (BEINOTTI, 2010).

A equoterapia é o processo de reabilitação de indivíduos com diversos

problemas de adaptação ao meio, em virtude de algumas doenças ou síndromes,

que utiliza o cavalo como meio terapêutico. Na equoterapia, o cavalo atua como

1 Pós-graduanda em neurofuncional pela Faculdade Ávila Orientadora fisioterapeuta especialista em metodologia do ensino superior Dayana Priscila Maia Mejia

2

agente cinesioterapêutico, facilitador do processo de adaptação ou do aprendizado motor de pessoas com sequelas, visando à recuperação, a inserção ou reinserção social.

Segundo Liporoni (2003 a 2005), durante a terapia é exigida a participação do corpo inteiro do paciente, contribuindo, desse modo, para seu desenvolvimento global. Assim, quando o cavalo se desloca ao passo, acontece o movimento tridimensional de seu dorso, ocorrendo deslocamentos segundo os três eixos de movimento. Esses movimentos são transmitidos ao indivíduo pelo contato de seu corpo com o do animal, gerando movimentos mais complexos de rotação e translação. Ainda de acordo Liporoni (2003 a 2005), as consequentes informações proprioceptivas, ativadas no corpo da pessoa, são interpretadas por seus órgãos sensoriais de equilíbrio e postura, exigindo novos ajustes posturais, para a sua permanência sobre o cavalo. Sendo assim, os pacientes com sequelas neurológicas se beneficiam com os exercícios da equoterapia.

1 ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL (AVC)

Acidente vascular encefálico mais conhecido como acidente vascular cerebral (AVC) é uma doença incapacitante, mesmo quando não são mortais, essas doenças levam com freqüência a deficiências parcial ou total do indivíduo, com graves repercussões para ele, sua família e a sociedade. Informa Wathier (2010) que o Acidente vascular cerebral (AVC) é a segunda causa de morte e a principal causa de invalidez no mundo. Corroborando com esse cenário preocupante tem-se a posição de Novak et al. (2003, p. 772):

Espera-se um aumento global dos casos de doenças cerebrovasculares nas próximas décadas, devido às alterações demográficas (envelhecimento populacional e aumento da expectativa de vida), associadas ao controle inadequado dos fatores de risco. Cerca de dois terços dos AVCs acontecem em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, onde a média de idade dos pacientes com AVC é aproximadamente 15 anos mais precoce do que nos países desenvolvidos. A despeito do crescente impacto social das doenças cerebrovasculares, especialmente em faixas etárias economicamente produtivas, este problema ainda tem recebido pouca atenção das autoridades de saúde pública no Brasil.

3

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma doença caracterizada pelo início agudo de um déficit neurológico (diminuição da função) que persiste por aproximadamente 24 horas e afeta o sistema nervoso ocasionando distúrbio na circulação cerebral (EUROPEAN, 2003 apud HONORI; CARVALHO, 2007), sendo assim classificado:

a) AVC isquêmico (também conhecido como infarto cerebral) e b) AVC hemorrágico (ou de hemorragia cerebral). Dentre os fatores de risco do AVC, destacam-se diabetes, hipertensão arterial, idade avançada, raça, tabagismo, etilismo e sedentarismo (HONORI; CARVALHO, 2007). É oportuno frisar a importância das considerações abaixo:

Os sintomas são variáveis e incluem fraqueza nos braços, pernas ou face; perdas visuais, sensação de “sombra” ou “cortina”, cegueira transitória ou visão dupla; dormências ou perda sensitiva; desorientação espacial, apercepção; alterações de linguagem ou fala, convulsões ou coma decorrente de hematoma cerebral crescente. Outros sintomas incluem dificuldade no raciocínio lógico matemático, na leitura e aquisição de novos conhecimentos, agitação, irritabilidade, falta de iniciativa, apatia, agressividade, desinibição, dificuldade na ingestão de alimentos (EUSI, 2003 apud ROWLAND; MERRIT, 2007, p. 214).

Segundo Honori e Carvalho (2007), muitas vezes, o AVC limita o desempenho funcional do indivíduo, afetando sua parte motora, bem como suas relações pessoais e sociais, sendo necessário estar atento aos fatores fisiológicos e psicológicos que poderão envolver o quadro da pessoa com AVC. No aspecto conceitual, destacam-se as posições dos autores abaixo referenciados:

Acidente vascular encefálico (AVE), mais conhecido como Acidente vascular

cerebral (AVC), é o desenvolvimento súbito de sinais clínicos comprometendo a função cerebral caracterizado pela instalação de um déficit neurológico focal, repentino, secundário a um mecanismo vascular (LUCARELI; KLOTZ, 2005 apud

SULZBACHER, 2005);

A expressão Acidente Vascular Cerebral (AVC) refere-se a um conjunto de

sintomas de deficiência neurológica, resultantes de lesões cerebrais provocadas por

alteração da irrigação sanguínea (LIMA, 2009);

O acidente vascular cerebral pode ser definido como um déficit

neurológico, de início súbito, que se prolonga por 24 horas. (PHIPPS; SANDS et al,

2003);

4

O AVC é uma perturbação em que há perda súbita de consciência, ou

perda da função motora ou sensorial, em conseqüência da ruptura ou oclusão de uma artéria cerebral (SORENSEN; LUCKMAN, 1998);

O AVC é uma manifestação, muitas vezes súbita, de insuficiência vascular

do cérebro de origem arterial: espasmo, isquemia, hemorragia, trombose. (MANUILA et al, 2003);

A Organização Mundial de Saúde, OMS, refere-se ao AVC como o

desenvolvimento rápido de sinais clínicos de distúrbios focais (ou globais) da função

cerebral, com sintomas que perduram por um período superior a 24 horas ou conduzem à morte, sem outra causa aparente que a de origem vascular (NUNES; PEREIRA. 2005);

O AVC corresponde a lesão cerebral resultante da interrupção aguda do

fluxo sanguíneo arterial que pode surgir por uma obstrução do vaso provocada por um êmbolo/trombo (coágulo), pela pressão de perfusão cerebral insuficiente ou pela ruptura da parede da artéria (SILVA, 2007);

Em se tratando de AVC, a localização e a extensão exatas da lesão,

determinam o quadro neurológico apresentado por cada doente. Estas lesões podem variar entre leves a graves (O’SULIVAN, 1993). Com o aumento da população de idosos no mundo, principalmente no Brasil, o AVC apresenta uma alta prevalência, sendo uma das principais causas de incapacidade. Embora não exista um levantamento atualizado dos casos de AVC no

País evidências apontam que a sua incidência é alta, mormente na população de idosos.

1.1 Acidente Vascular Cerebral (AVC) no Contexto Brasileiro

Faz saber Moreira (2011) que o AVC é a doença que mais mata no Brasil e a principal causa de incapacitação no mundo, por conta das seqüelas que pode deixar. Conforme relata Moreira (2011, p. 10):

A cada cinco minutos um brasileiro morre em decorrência do Acidente Vascular Cerebral (AVC), que mata 100 mil indivíduos por ano no País. O AVC, popularmente chamado de derrame, é a maior causa de morte no Brasil, e pode ser desencadeado por um problema no ritmo do coração - fato ainda desconhecido pela maioria dos indivíduos.

5

Segundo Silva (2007), para além da morte (12% a 15% no primeiro mês após a incapacidade e a dependência condicionam as vítimas de um AVC), trinta por cento ficam gravemente incapacitadas após um acidente agudo e muitas incapazes de retomar a vida ativa. É importante ressalta-se a citação abaixo:

O Acidente Vascular Cerebral é uma das principais causas de morte e

È uma doença mais incapacitante que fatal, sabendo-se

que cerca de 20% morre no 1º ano, os que sobrevivem ficam incapacitados

e com déficits motores e neurológicos que os tornam dependentes de

outros. A prevalência é maior em homens que em mulheres e maior em negros que em brancos. (OLIVEIRA et al., 2003, p. 102).

incapacidade [

].

Conforme Silva (2007) dentre as doenças do aparelho circulatório, o acidente vascular cerebral representa a maior fatia, se considerada isoladamente, é a maior causa de morte, correspondendo quase ao dobro das mortes por enfarte agudo do miocárdio.

1.2 Tratamento

Recomenda Lima (2009) que qualquer tipo de tratamento deve ser implementado obsevando-se os seguintes critérios:

a) A fase de desenvolvimento da doença;

b) O tipo de AVC;

c) O grau de extensão da lesão bem como o tipo de doente.

No que diz respeito à terapêutica deve-se atuar conforme as necessidades do doente, evitando e prevenindo riscos e complicações. Segundo Martins (2002), ao nível farmacológico, de uma forma geral são utilizados antihipertensores (o controle não deve ser brusco, devendo lentamente normalizar os valores de pressão arterial), antiagregantes plaquetários (usados na prevenção de acidentes tromboembólicos secundários), anticoagulantes (no tratamento de AVC’simbólicos de origem cardíaca e AVC’s em evolução, sendo contra-indicados nos hemorrágicos) e terapêutica para redução de edema cerebral. Em paralelo ao tratamento farmacológico, pode-se usar a equoterapia para a reabilitação de pessoas acometidas por AVC. Na equoterapia, o cavalo atua como agente cinesioterapêutico, auxiliando no processo do aprendizado ou reaprendizado motor pós-acidente vascular cerebral.

6

2 EQUOTERAPIA: CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O uso do exercício eqüestre com a finalidade de reeducação psicomotora das pessoas com deficiência remonta a data de 400 A.C. quando Hipócrates utilizou o cavalo para "regenerar a saúde" de seus pacientes. Em diversos momentos da história são feitas referências ao uso do cavalo no tratamento de diversos problemas, como insônia, paralisia, entre outros. Na França a reeducação equestre nasceu em 1965. Na Itália a reeducação equestre adota quatro momentos fundamentais no uso do cavalo, sendo estes denominados de:

Hipoterapia (cavalo como instrumento cinesioterapêutico); reeducação equestre (cavalo como instrumento pedagógico); pré-esporte (cavalo como promotor da realidade social); esporte (cavalo como promotor da inserção social) (HORNE; CIRILLO In: MATERIAL APOSTILADO DO CURSO DE EQUOTERAPIA, s.d.). Contudo, houve um período de indiferença e pouca referência a equoterapia, mas foi após a I Guerra Mundial que o cavalo voltou a ser lembrado. Os primeiros a utilizá-los foram os escandinavos e os resultados obtidos estimularam o nascimento de outros centros na Alemanha, França e Inglaterra (FRAZÃO, 2001 apud LIPORONI, 2003 a 2005). Segundo Horne e Cirillo (2005) citado por SILVA( 2006), o Canadá, em 1988, promoveu o 7º Congresso Internacional, no qual foram discutidos temas relativos ao uso do cavalo com fins terapêuticos, sendo organizada uma Federação Internacional. Os mesmos autores informam que na Alemanha, Suécia e Suíça a prática de reeducação pela equitação é conhecida como modalidade de tratamento, financiada pelo governo. Inclusive, na Alemanha tem centros de Formação em Equoterapia em quatro universidades. Ainda Horne e Cirillo (2005 ) citado por SILVA (2006) informam que, no Brasil, em 1989, foi criada a Associação Nacional de Equoterapia (ANDE-Brasil). Em 1991, foi realizado o 1º Encontro Nacional de Equoterapia e o 1º Curso de Extensão de Equoterapia.

2.1 Equoterapia: Conceito

7

A palavra Equoterapia foi criada pela ANDE-Brasil, em 1989, para denominar todas as práticas que utilizam o cavalo com técnicas de equitação e atividades equestres, objetivando a reabilitação e/ou educação de pessoas portadoras de deficiência ou de necessidades especiais (ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE EQUOTERAPIA, 2005 apud SILVA, 2006). Contudo, existem vários conceitos para definir equoterapia. Citam-se alguns, na sequência. Para Cirillo (1992, p. 1) citado por SILVA (2006), a equoterapia é um tratamento de reeducação e reabilitação motora e mental, através da prática de atividades eqüestres e técnicas de equitação”. Segundo registra a cartilha APAE (2008) a equoterapia é um método terapêutico e educacional que usa o movimento e encantamentos do cavalo para conseguir habilitar ou reabilitar indivíduos com comprometimentos físicos e/ou mentais, ou com necessidades especiais, visando ao desenvolvimento global deste. Constitui-se em um tratamento complementar de reabilitação física e mental que utiliza o cavalo como instrumento de trabalho em uma abordagem multi e interdisciplinar nas áreas de saúde e educação buscando o desenvolvimento biopsicosocial do indivíduo. Neste contexto, de acordo com o que registra a referida cartilha, o cavalo é usado com fins terapêuticos, devido sua força, porte, docilidade por se deixar montar, estabelecendo, desse modo, um vínculo com o praticante, desenvolvendo novas formas de socialização, autoestima, e autoconfiança. Ademais, durante a montaria, o cavalo transmite ao praticante um movimento rítmico, preciso e tridimensional, que ao caminhar se desloca para frente/trás, para os lados e para cima/baixo, podendo ser comparado com a ação da pelve humana no andar, proporcionando durante a prática entradas sensoriais em forma de propriocepção profunda, estimulações vestibular, olfativa, visual e auditiva. De acordo com Marquizeli (2000), Delisa (2002), Kandel (2003), Pierobon e Galetti (2008), o praticante quando montado passa a ter um posicionamento que inibe alguns padrões patológicos, assim sendo, com o cavalo ao passo recebe vários estímulos que chegam ao Sistema Nervoso Central através de ativações de receptores do sistema proprioceptivo, cuja ação contribui para o amadurecimento sensório-motor, proporcionando aquisições como equilíbrio, ajustes posturais, coordenação de movimentos e movimentos de precisão, entre outros.

8

2.2 Equoterapia: Objetivo

A equoterapia em quanto técnica tem como objetivo proporcionar aos

praticantes o desenvolvimento de suas potencialidades, respeitando seus limites e visando sua integração na sociedade, tendo como base a prática de atividades equestres e técnicas de equitação, é um tratamento complementar na recuperação e reeducação motora e mental. A prática equestre tende a favorecer uma sadia sociabilidade, que integra o praticante, o cavalo e os profissionais envolvidos nesse processo (CARTILHA APAE, 2008). Ainda de acordo com a referida cartilha, a equoterapia é uma atividade com vasta possibilidades e extremamente dinâmica, que inclui desde o contato e o vínculo afetivo com o animal, até o ato de montá-lo, sendo assim, destinada não

apenas às pessoas especiais, mas também no apoio às dificuldades escolares, casos de dependência física, stress, terceira idade, além de possibilitar melhoria na qualidade de vida e um melhor equilíbrio tanto físico como mental.

A pratica da equoterapia buscar oferecer benefícios biopsicosociais às

pessoas com deficiências físicas ou mentais com necessidades especiais, como lesões neurológicas de origem encefálica ou medular; patologias ortopédicas congênitas ou adquiridas por acidentes diversos; disfunções sensório-motoras; necessidades educativas especiais; distúrbios (evolutivos, comportamentais, de aprendizagem e emocionais) (In: MATERIAL APOSTILADO DO CURSO DE EQUOTERAPIA, s.d.).

2.3 Áreas de Aplicação da Equoterapia

O campo de atuação da Equoterapia é bastante abrangente e destina-se às pessoas que possuem, diversas patologias, tais como: patologias ortopédicas:

problemas posturais, doenças do crescimento, má formação da coluna, entre outros; patologias neuromusculares (neuropatias): epilepsia controlada, poliomielite, encefalopatia Crônica da Infância, doença de Parkinson; acidente vascular cerebral (AVC); patologias cardiovasculares e respiratórias: cardiopatias; doentes respiratórios (que desejam principalmente se reabilitar voltando realizar esforço e prática de exercícios físicos). Além de outras patologias: distúrbios mentais, demência em geral, Síndrome de Down, dentre outras (CARTILHA APAE, 2008).

9

A Equoterapia, segundo a Associação Nacional de Equoterapia (2005)citado por SILVA(2006), pode ser aplicada nas áreas de saúde, educação e social. A equipe deve traça um plano de tratamento conforme as necessidades e potencialidades de cada paciente, sendo assim o tratamento equoterápico terá maior

ênfase em uma dessas áreas. O paciente deve ser avaliado por um médico responsável (da equipe ou por seu próprio médico), que indicará ou contra-indicará o tratamento e dará também respaldo à equipe, tanto nos aspectos clínicos como na alta do paciente. De acordo com Lermontov (2004) citado por Silva (2006), a equipe de equoterapia pode ser formada por:

a) profissionais da área da saúde: fisioterapeuta, fonoaudióloga, psicóloga,

terapeuta ocupacional, psicomotricista e médico;

b) Profissionais da área da educação: pedagogo, psicopedagogo e educador

físico;

c) Profissionais da área da equitação e do trato animal: instrutor de equitação, auxiliar-guia, tratador, veterinário e zootecnista. Segundo Napier, Useo e Antonio (1999b) citado por SILVA (2006), além dos profissionais acima mencionados, destacam especialmente o cavalo como sendo o primeiro membro da equipe, e ressaltam a importância de conhecer o caráter do cavalo, suas andaduras e as reações manifestadas com cada paciente. O cavalo deve ser selecionado levando em consideração o paciente, o seu tamanho e a dificuldade que apresenta.

2.5 Os Benefícios da Equoterapia

No tocante aos benefícios, Naschert (2006) SILVA (2006), faz saber que uso da Equoterapia nas áreas neuromotora, sensoriomotora, sociomotora, psicomotora e no funcionamento do organismo humano é de fundamental importância para a recuperação do paciente. Consoante Buchene e Savini (1996), Freire (1999) citados por Silva (2006), são inúmeros os benefícios que a equoterapia proporciona aos seus pacientes, tais como: ganhos que vão do físico ao mental; melhora o equilíbrio e a postura; favorece a consciência corporal; aumenta a capacidade de decisão; desenvolve a coordenação motora fina; trabalha a coordenação motora global; estimula o

10

aprendizado; encorajando a leitura e a fala. Além de desenvolver a coordenação óculo-manual (mãos e olhos); favorece a organização das sequências de ações (planejamento motor); estimula os cincos sentidos, através das atividades e do meio; ajuda a superar fobias, como a da água, de altura e de animais; aumenta a autoconfiança e a autoestima, facilitando a integração social; melhora aspectos cognitivos (memória, concentração, raciocínio lógico), bem como desenvolve a linguagem e a comunicação; ensina a importância de regras, como segurança e disciplina; ensina o paciente a encarar situações de risco controlado (como dirigir) e favorece a sensação do bem-estar. Em conformidade com Lima e Motti (2000) citado por SILVA (2006), a primeira reação da pessoa ao deparar com a equoterapia é a de encanto, de descoberta, de perceber a sua importância no processo de reabilitação, na melhoria e particularmente na aquisição do domínio motor, tão importante para a sua individualidade e desempenho das atividades de vida diária. Conforme Rolandelli e Dunst (2003) citado por SILVA (2006), as sessões de equoterapia devem ter duração entre 20 e 60 minutos e podem ocorrer dentro de um picadeiro fechado ou ao ar livre, mas a média destas é de 30 minutos. Segundo Uzun (2005) citado por SILVA (2006) esse tempo deve ser respeitado em função da enorme quantidade de estímulos recebidos durante as sessões. De acordo com Silva (2006) esse recurso desenvolve a sensibilidade física e psíquica, na medida em que exige a constante percepção e reação frente a diversos estímulos. Sendo assim, todas essas contribuições aliadas à experiência de sentimentos de independência, liberdade e prazer resultam em uma maior harmonia, equilíbrio físico e psíquico do praticante.

3 A EQUOTERAPIA NO TRATAMENTO DO ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL (AVC)

A equoterapia tem se mostrado eficaz na recuperação de pacientes adultos que foram vítimas de acidente vascular cerebral (AVC). Segundo Beinotti (2010), em seus estudos, os pacientes submetidos à equoterapia apresentaram melhora na qualidade de vida e nos aspectos motores dos membros inferiores, e isto demonstra que a terapia com cavalos pode estimular o paciente e ainda ser muito gratificante para o mesmo.

11

Segundo dados da pesquisa de Beinotti (2010), publicada no Jornal da Unicamp (2010), por 16 semanas, Beinotti, realizou tratamento convencional aliado à hipoterapia, assim denominada, devido ao fato dos pacientes terem comprometimento motores e por não conseguirem guiar e manter-se sozinhos em cima do cavalo, os 10 voluntários acompanhados no Ambulatório de Fisioterapia do Hospital das Clínicas (HC) da Unicamp, ao realizarem a hipoterapia apresentaram parecer médico favorável para a prática. Beinotti selecionou pacientes, cuja enfermidade havia acontecido há mais de um ano, apenas uma vez e que já conseguiam andar, sendo necessário que o comprometimento fosse maior nas pernas e que não possuíssem nenhuma outra comorbidade, como hipertensão ou diabetes não-controlados. Neste período, foram realizadas duas avaliações, uma no início e outra no final da terapia, e, como forma de comparar os dados, outro grupo de 10 pessoas se submeteu, apenas, ao tratamento convencional e também passaram por ambas as avaliações. O período

de tratamento aconteceu no Centro de Equoterapia Harmonia, em Campinas (SP), e

envolveu exercícios de equilíbrio, coordenação de membros superiores e inferiores e

postura (JORNAL DA UNICAMP, 2010). Segundo Beinotti a aplicação da hipoterapia varia de acordo com o paciente e com a resposta que se tem a cada exercício realizado, pois não há um programa específico a ser seguido. Porém em sua pesquisa, ela buscou padronizar a terapêutica visando observar melhor o desempenho de cada um. Foram avaliados o

comprometimento motor, o equilíbrio, o tônus muscular, a independência na marcha,

a cadência dos passos e a qualidade de vida dos pacientes (JORNAL DA

UNICAMP, 2010). Informa Beinotti que no cruzamento estatístico dos dados as diferenças entre os grupos não aparecem de forma incisiva, citando, por exemplo, o equilíbrio e a independência na marcha que apresentaram melhora estatística, porém sem diferença entre os grupos, mostrando que ambos melhoraram. “Se compararmos de uma forma geral, os pacientes do grupo controle se mantiveram no mesmo estágio. Alguns resultados apresentaram melhora e outros até pioraram” (In: JORNAL DA UNICAMP, 2010). Segundo ela, o grupo submetido à equoterapia associada à fisioterapia apresentou uma melhora geral. Sendo assim, em vários aspectos foi possível notar os resultados positivos e estatísticos, como foi o caso do comprometimento motor

12

dos membros inferiores, do tônus dos flexores plantares, do equilíbrio e da qualidade de vida (JORNAL DA UNICAMP, 2010). Ressalta que o grupo que realizou a hipoterapia apresentou uma melhora significativa no padrão de marcha, aproximando-se da marcha normal. Observou também que a cadência diminuiu e a velocidade do andar aumentou, o que é considerado normal tendo, pois quanto mais rápido andar uma pessoa sem déficit neurológico, menos passos ela dará. Isso não foi encontrado no grupo controle, visto que eles aumentaram a cadência e a velocidade. No tocante ao aspecto afetivo que os pacientes mantêm com o animal foi outro ponto, embora não mensurável, observado nos resultados finais pelos relatos dos indivíduos. Segundo Beinotti, dois voluntários residiam em zona rural e depois da doença não acreditavam que pudessem novamente montar em um cavalo. Outro paciente nunca havia montado e ficou emocionado ao fazê-lo pela primeira vez. Ressalta que são pacientes que sofreram muito com a doença e estão em um período de recuperação dos movimentos, além do trabalho na parte emocional que exige um cuidado ainda maior. Assim sendo, o exercício com cavalos pode levá-los à superação de antigos e novos desafios (JORNAL DA UNICAMP, 2010). Beinotti (2010), com base na interpretação dos dados obtidos, na sua pesquisa, concluiu que a hipoterapia associada à fisioterapia convencional mostrou ser um bom recurso para promover a melhora da marcha e a qualidade de vida para pacientes hemiparéticos pós-acidente vascular cerebral (AVC) em relação ao grupo controle. Além de promover alterações específicas como no tônus muscular, no equilíbrio, no comprometimento motor e no padrão da marcha dos pacientes. Ela concluiu também que a Hipoterapia é uma técnica positiva no auxilio da reabilitação, pois em todas as avaliações houve melhora significativa ou uma tendência a melhora significante no grupo que a utilizou. Os dados de sua pesquisa contribuem para os processos de desenvolvimento humano, visto que ajudam na manutenção das funções.

CONCLUSÃO

Ficou evidente que a equoterapia é um método terapêutico que tem apresentado resultados surpreendente, que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar, nas áreas de Saúde, Educação e Equitação, visando o

13

desenvolvimento biopsicossocial de pessoas portadoras de deficiências e/ou com

necessidades especiais.

Ficou comprovado que a equoterapia é um excelente método terapêutico

alternativo, que auxilia na aquisição de padrões essenciais do desenvolvimento

humano, possibilitando ao indivíduo com comprometimento motor uma reeducação

motora adequada a sua condição, que proporcione sua socialização, e contribua

para ampliar sua habilidades motora em uma perspectiva mais global. É inconteste

que a equoterapia é um processo terapêutico de grande utilidade no aprendizado

motor dos pacientes acometidos por AVC.

REFERÊNCIAS

BEINOTTI, Fernanda. Influência da Hipoterapia no Treino de Marcha e na Qualidade de Vida em Indivíduos Hemiparéticos Pós-acidente Vascular Cerebral. Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Campinas, 2010.

CARTILHA DA APAE. Equoterapia. APAE-PASSOS, MG, 2008.

HONORI, Fabíola Amaral; CARVALHO, Pedro Henrique Berbert de. Dança de

Dança de Salão: instrumento

para a qualidade de vida através do conhecimento da auto-imagem e da auto-

Salão, AVC e Imagem corporal.

estima. Faculdade Metodista Granbery, Juiz de Fora, Minas Gerais: 2007.

JORNAL DA UNICAMP. Equoterapia tem bons resultados em pacientes vitimados por AVC, p. 8. Jornal da Unicamp. Campinas, 4 a 17 de out. 2010. Disponível em:

. Acesso em: 26 nov. 2011.

LIMA, Maria Susana Dias da Silva Melro. Acidente Vascular Cerebral:

conhecimento dos alunos do 3º ano do curso de Licenciatura em Enfermagem, da Universidade Fernando Pessoa. Universidade Fernando Pessoa. Escola Superior de Saúde. Porto, Pt: 2009.

LIPORONI, Gabriela Faleiros. Equoterapia como Tratamento Alternativo para Pacientes com Sequelas Neurológicas. Investigação - Revista Científica da Universidade de Franca, Franca, SP v. 5 n. 1/6, jan. 2003 / dez. 2005.

MARTINS, M. Uma Crise Acidental na Família O Doente com AVC. Coimbra, Pt:

2002.

14

MATERIAL APOSTILADO DO CURSO DE EQUOTERAPIA do Curso de Pós- graduação. [S.l.: s.n.], (s.d.).

NÓVAK, E. M., et al. Conhecimento Leigo Sobre Doença Vascular Encefálica. Arquivos de Neuropsiquiatria, v. 61, p. 772-776, 2003.

NUNES, S.; PEREIRA, C. Evolução Funcional dos utentes após AVC nos Primeiros Seis Meses após a Lesão. 2005. Disponível em

<http://www.ess.ips.pt/EssFisiOnline/volume11n3/pdfs/Evoluçao%20funcional%20de

%20utentes%20apos%20avc.pdf.>. Acesso em: 20 nov. 2011.

O’SULIVAN, S. B. Fisioterapia: avaliação e tratamento, 2. ed. São Paulo: Manole,

1993.

PHIPPS, W. SANDS, J. et al. Enfermagem Médico Cirúrgica Conceitos e Prática Clínica. 6. ed. Loures, Porto, Pt: Lusociência. 2003.

PIEROBON, Juliana C. Marchizeli; GALETTI, Fernanda Cristina. Estímulos Sensório- motores Proporcionados ao Praticante de Equoterapia pelo Cavalo ao Passo Durante a Montaria. Ensaios e Ciência: Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde, v. 12, n. 2, ano 2008.

ROWLAND, Lewis P. MERRITT. Tratado de Neurologia. 11. ed. Rio de Janeiro, RJ:

Guanabara Koogan, 2007.

SILVA, Melissa Cristina. A Percepção das Mães de Crianças Atendidas em Equoterapia. (Monografia). Universidade Católica Dom Bosco (UCDB): Campo Grande-MS, 2006.

SILVA, A. AVC O essencial da Saúde, v. 10, Porto, Pt: Quidnovi, 2007.

SORENSEN; LUCKMAN. Enfermagem Fundamental: abordagem Psicofisiológica. Lisboa, Pt: Lusodidacta, 1998.

SULZBACHER, Marta Elisa. A Avaliação do Tape na Marcha de Pacientes com Doença Vascular Encefálica. Centro Universitário Feevale, Novo Hamburgo, 2005.

WATHIER, Magna Cecília Garcia. Conceito Leigo Sobre Acidente Vascular Cerebral em Natal. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Hospital Universitário Onofre Lopes. Departamento de Fisioterapia. Natal, RN: 2010.