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Educação Clássica Cristã

1. Histórico

- Texto de Karis Anglada Davis. Publicado originalmente no blog “Maçãs de Ouro” - Revisão e adaptação por Héber Paz de Lima

Parece crescente o número de pais e educadores que têm se mostrado curiosos sobre a educação clássica, fenômeno educacional moderno que tem se difundido no meio educacional, com o surgi- mento de muitas escolas dessa persuasão, e com um crescente número de adeptos na educação domi- ciliar.

Seus aderentes têm exaltado o seu currículo diferenciado, o sucesso de seus métodos de ensino e os

excelentes resultados acadêmicos dos seus alunos, tanto no contexto do homeschooling, como nas escolas e cooperativas clássicas que têm se multiplicado, especialmente em países de língua inglesa,

a exemplo dos Estados Unidos.

Nesse pequeno artigo, gostaria de fornecer aos leitores um breve histórico e caracterização deste mo- delo educacional e de sua prática; em seguida, me proponho a apresentar algumas observações sobre

o método clássico de uma perspectiva cristã.

E, finalmente, busquei indicar algumas leituras adicionais para quem deseja estudar mais o tema ou conhecer materiais didáticos e instituições adeptas dessa tendência.

I – Histórico

Origem da Educação Clássica

A educação clássica no sentido mais estrito e histórico do termo se refere ao modelo educacional desenvolvido pelos gregos antigos, especialmente creditado a Aristóteles, para o desenvolvimento da razão humana segundo as perspectivas e necessidades do seu contexto sócio-político. Interessados como eram os filósofos gregos na arte da lógica e da aquisição de conhecimento, seja com base no método platônico de buscar esse conhecimento no mundo abstrato das ideias, ou no método aristoté- lico que valorizava mais o conhecimento do mundo físico, eles formularam um ideal educacional que visava formar pensadores altamente racionais; cidadãos virtuosos e úteis à sociedade, e excelentes oradores com habilidade para expor, discutir e propagar os ideais da civilização greco-romana por meio da política, da filosofia e de uma educação liberal, própria aos cidadãos livres, que, ao apren- derem a pensar, seriam “libertos” da ignorância e elevados a uma categoria mais humana, mais exce- lente. Para isso, os pequenos cidadãos dessa sociedade “iluminada” deveriam ser formados nas Artes Liberais, ou seja, num conjunto de sete disciplinas que buscavam exatamente a formação intelectual

e acadêmica de cidadãos pensadores e livres. Essas sete disciplinas eram divididas em duas etapas,

que seriam apropriadas aos diferentes estágios de desenvolvimento da pessoa: o trivium consistia no ensino de disciplinas básicas e instrumentais através da gramática, da lógica e da retórica, e compre-

endia todo o ensino fundamental e médio. Já mais a nível universitário, os alunos poderiam se apro- fundar no quadrivium, que compreendia a música, a aritmética, a astronomia e a geometria.

O Método Clássico: O Trivium e o Quadrivium

Trivium significa literalmente “três vias”, e aponta para um método de ensino que propõe três cami- nhos para o aprendizado: a gramática (primeira etapa do conhecimento baseada na memorização dos fatos e leis básicas das disciplinas), a dialética (que busca o conhecimento através do raciocínio lógico através do questionamento crítico) e a retórica (que busca a expressão do aprendizado por meio de uma comunicação efetiva).

A primeira etapa do trivium era mais apropriada àquela fase inicial em que as crianças menores (da

infância até os oito ou dez anos), ávidas por absorver uma grande quantidade de informação, e com grande facilidade de memorização, embora ainda não capazes de desenvolver o pensamento formal, eram ensinadas, por meio da repetição e memorização, as leis e os fatos principais da “gramática” das línguas, da matemática e dos diversos assuntos, os quais elas iriam, no momento, absorver pela me- morização para serem desenvolvidos e aplicados no futuro. Essa fase do desenvolvimento do pensa-

mento ficou conhecida como a “fase gramatical”, e as escolas especializadas nesse nível da instrução vieram a ser chamadas de escolas de gramática, pois buscavam ensinar às crianças as leis e princípios fundamentais das disciplinas instrumentais. Nessa fase as crianças aprendiam a ler e a escrever, por vezes mais de uma língua, a realizar operações básicas matemáticas, (“a gramática da matemática”),

e eram apresentadas pela primeira vez a muitos fatos simples envolvendo perguntas como “O que?

Quem? Quando? Onde? além de virtudes e habilidades considerados importantes para as fases sub- sequentes.

Numa fase posterior (grossamente dos 8 aos 12 anos; outros defendem que vai dos 10 aos 14 anos)

as crianças, já bem estabelecidas na sua capacidade de ler bem, e supridas dos conhecimentos e ha-

bilidades necessárias para dar prosseguimento à sua formação liberal, agora na fase lógica ou dialé- tica, iriam aprender a desenvolver a sua mente racional. Por meio dos princípios da lógica e da arte da dialética, o professor fazia uso de perguntas elaboradas com vistas a acessar o conhecimento dos

fatos que a criança já possuía para guiar as suas pupilas a um conhecimento mais profundo dos fatos,

ao conhecimento de novos fatos, e à percepção da interligação entre eles, das noções de causa e efeito, sempre por meio de um método lógico e racional. A criança aprendia a fazer perguntas que a levassem

a um nível mais elevado de conhecimento, que agora incluíam o “Por quê, o Para quê e o Como” de

assuntos apropriados à sua idade e fase de desenvolvimento. Esta é considerada a fase mais difícil, em que os alunos precisam lutar para adquirir o conhecimento e aprenderem a pensar criticamente por si próprias. Até aqui a criança está aprendendo por meio da memorização e está treinando a razão

a fazer perguntas que a levem ao conhecimento do mundo, mas ela ainda não é considerada capaz de expressar-se de maneira original e criativa sobre o mundo.

A partir dos doze ou quatorze anos, agora capacitados com as habilidades instrumentais necessárias

para buscar o conhecimento por si próprios; já bem treinados a aprofundarem-se no conhecimento do mundo por meio de perguntas lógicas e metódicas; e com a mente suprida de muitos e variados fatos

e conexões de fatos, os jovens seriam estimulados, na fase retórica, a aperfeiçoarem a sua capacidade

de expressão pessoal criativa e estética sobre assuntos mais analíticos e controversos. Por meio da

retórica, dos debates e da arte da argumentação persuasiva, os jovens aprendiam a ser membros ativos da sociedade livre a que pertenciam, participando da política, das artes, e contribuindo para os avan- ços científicos da época.

Somente aqui eles iriam desenvolver o seu intelecto ao mais alto grau, focalizando agora na expressão de opiniões próprias bem firmadas em fatos e argumentos lógicos, e na beleza artística e habilidades de persuasão da linguagem falada e escrita.

Após dominado o trivium, o estudante, no que agora corresponde ao grau universitário, estudaria o quadrivium – música, aritmética, astronomia e geometria – que podem ser vistas em linhas gerais como espécies de verdade:

A música incluiria verdades estéticas, a percepção da harmonia ordenada da beleza, que era vista não

como mero prazer subjetivo, mas como um absoluto. A Aritmética incluiria os absolutos matemáticos

intrínsecos ao universo e à pura idealização. A astronomia compreenderia todas as ciências empíricas,

as verdades percebidas pelos sentidos e pelas provas externas. A geometria incluiria a arquitetura e o

desenho, as relações espaciais implícitas tanto na engenharia como nas artes visuais. (VEITH, 1999,

p. 87)

Desenvolvimento Histórico da Educação Clássica

Não há dúvidas de que esse tipo de educação formou excelentes pensadores, matemáticos, políticos

e oradores. Tendo um insight verdadeiro sobre as características e estágios de desenvolvimento da

mente humana, os gregos supriram a educação com um modelo de desenvolvimento acadêmico que sobreviveu incontestável por muitos séculos, tendo até hoje adeptos. O apóstolo Paulo e os pais da igreja, os mestres escolásticos medievais dos séculos XII ao XV que fundaram as primeiras universi- dades do mundo, os grandes pensadores do renascimento, os reformadores, e os puritanos do século XVII, que fundaram as grandes universidades na Inglaterra e na América do Norte, todos foram for- mados segundo as linhas gerais do modelo clássico. A herança deste formato e método predominou no mundo ocidental até o século passado, e até hoje suas ênfases têm sido identificadas com uma educação tradicional ou essencialista.

Do seu surgimento até os nossos dias, o método clássico tem tido seus adeptos seculares e cristãos, prestando um serviço a educadores de origem e propósitos muito diversificados. Seus métodos são como ferramentas, recentemente redescobertos como as “ferramentas perdidas da aprendizagem”, que como martelos, serras, e pás, podem servir tanto para a construção da cidade dos homens ou do reino de Deus.

Declínio da Educação Clássica

Somente nos últimos séculos, que se seguiram às grandes revoluções, a educação clássica passou a ser vista por um número de educadores europeus e norte-americanos (e.g. Rousseau, Dewey, Piaget, Freire, entre outros, de países na vanguarda do liberalismo moderno e do pós-modernismo) como inadequada aos novos ideais sociais, e foi progressivamente desgastada e denunciada ora como elitista demais para a classe proletária, ora como idealista e teórica para a era pragmática e industrializada,

ora como uma ameaça aos interesses dos governos tiranos, ditatoriais e comunistas, ora como ultra- passada diante das novas pedagogias progressistas e relativistas.

Contudo, países e sistemas educacionais mais tradicionais, que não foram afetados pelas mudanças e pelos pensadores pedagógicos da época moderna, têm usado o método clássico -sem usar este nome

como sendo o modelo de educação normal e efetiva que vem sendo praticado através dos séculos,

e

têm usado aquelas “ferramentas perdidas da aprendizagem” como sendo as únicas que eles conhe-

cem para alfabetizar, para transmitir o conhecimento às gerações posteriores, para formar a próxima geração. Estamos aqui nos referindo àquela educação que propõe que a transmissão de conhecimento precede o aprendizado verdadeiro, que a memorização precede a compreensão. A educadora clássica Cheryl Reynolds 1 chega a afirmar que “Tudo o que você aprendeu a fazer bem, você aprendeu clas- sicamente”. Ela quer dizer que, num certo sentido, todo conhecimento intelectual verdadeiro continua sendo estritamente adquirido pelo método clássico, quer você esteja aprendendo a ler, a fazer uma

receita de bolo, a construir um avião, ou a tocar piano: primeiro entramos em contato com um conhe- cimento que precisamos memorizar ou reter. Depois nós trabalhamos esse conhecimento em nossa mente por meio de perguntas e etapas lógicas até compreendermos suas relações. E finalmente nós expressamos esse conhecimento aplicando-o às situações da vida. Isso acontece porque a gramática,

a dialética e a retórica correspondem às leis da aquisição acadêmica do conhecimento; são as fases principais do aprendizado intelectual.

Qualquer educação que subverte essa ordem, ou ignora uma dessas etapas está fadada a desmoronar,

razão porque os métodos pedagógicos progressistas atuais estão levando a um buraco que muitos pais

e educadores estão tentando remediar, perguntando-se: Qual é o problema com a educação atual?

Porque as crianças modernas da era tecnológica e do mundo da globalização da informação estão academicamente defasadas academicamente em comparação com as gerações anteriores?

O Ressurgimento da Educação Clássica

A excitação das sociedades contemporâneas que abandonaram os métodos tradicionais em busca de uma educação mais moderna e progressista não durou muito. As propostas construtivistas de Dewey

e de outros progressistas e cientificistas foram rapidamente colocadas em prática especialmente nos

Estados Unidos, que começou a usar a educação como propulsora da corrida tecnológica e das novas ideologias do governo capitalista. A ironia é que países de tendências socialistas e comunistas – como

o Brasil – se enamoraram das mesmas técnicas pedagógicas para inculcar em seus alunos um ideal

de oposição ao pensamento liberal ocidental e de defesa do marxismo. A afinidade entre esses grupos contra a educação clássica provém do fato de que verdades absolutas, pensadores independentes e pessoas com uma formação integral constituem uma ameaça para ambos os sistemas.

Os métodos progressistas foram testados nos Estados Unidos especialmente no século passado. A partir das décadas de 60 e 70 algumas vozes já apontavam para a defasagem intelectual dos alunos formados nesse novo sistema. Em 1947, a classicista Dorothy Sayers escreveu o artigo “As Ferra- mentas Perdidas da Aprendizagem”. Livros como “As Sete Leis do Ensino”, de John Milton Gregory

1 Reynolds, Cheryl. Classical Christian Education: the Grammar Stage. 2013 ENOCH of N. J. Convention. CD-ROM.

foram republicados. Pais começaram a tirar os seus filhos da escola e ensiná-los em casa pelos méto- dos que tinham aprendido com seus pais e avós. Um renascimento educacional estava às portas, e o movimento pela educação clássica surgia nos Estados Unidos em resposta e denúncia ao fracasso acadêmico das escolas modernistas. Com o respaldo do governo, as escolas públicas progressistas continuaram indo de mal a pior, e escolas privadas tradicionais, além do movimento de homeschoo- ling, deram impulso ao movimento atual pela educação clássica, mais individual, e mais acadêmica. Pais começaram a pesquisar por si sós o que havia de melhor para seus filhos e muitos encontraram

a solução de seus problemas nos métodos e materiais clássicos. E esses alunos começaram a se des-

tacar acadêmica e até moralmente em comparação com os provenientes das escolas públicas e parti-

culares atuais.

Como acontece em outros países de terceiro mundo, o Brasil está bem atrasado na implementação dessas mudanças. Os nossos cursos de pedagogia agora que estão defendendo e buscando implemen- tar aquela educação progressista e construtivista que tem se demonstrado um verdadeiro fracasso acadêmico nos Estados Unidos e em outros países de vanguarda. Mas isso realmente não incomoda

o nosso governo, a não ser quando o Brasil é apontado entre os últimos países nas listas mundiais no

quesito acadêmico. Nossas autoridades políticas, pedagógicas e sociais parecem ter como seu ideal crianças e jovens iletradas, impensantes, sem poder, desinformadas, acríticas, seguidoras dos ditames da moda, da mídia, e de estadistas com viés ditatoriais e corruptos, a julgar pela falta de bons livros nas escolas, pelos ridículos programas “culturais” da mídia, e pelas ênfases ideológicas dos parâme- tros curriculares nacionais.

Contudo, também em nosso país, alguns pais conscienciosos têm se incomodado com esta situação. Eu gostaria de poder dizer que estes pais que tem se levantado contra esse problema são em sua maioria cristãos, mas, assim como nos EUA, não tem sido sempre assim. Muitos destes pais são simplesmente pessoas de bom senso, profissionais bem sucedidos, em geral de classe média, católicos ou pessoas de pensamento mais tradicional, que têm buscado para seus filhos uma educação melhor do que a que têm sido oferecida nas escolas atuais, uma educação mais parecida com a que estes pais tiveram e que lhe capacitaram com as habilidades básicas para serem proficientes em suas profissões. Em geral, os pais que estão buscando uma educação mais clássica e tradicional estão visando sim- plesmente um melhor futuro acadêmico e profissional para seus filhos, mas devido a carência de material, têm pouquíssimas alternativas em nosso país, a não ser mandar seus filhos para estudar no exterior, ou retirar os seus filhos da escola e ensiná-los em casa por si mesmos ou com o auxílio de tutores. Prova disso é o crescimento da ANED- Associação Nacional de Ensino Domiciliar – e a

realização de alguns congressos por parte de instituições protestantes e católicas que têm introduzido

a educação clássica para um público cada vez mais interessado. Acredito que, assim como aconteceu

nos Estados Unidos, esses pais descobrirão na educação clássica um renascimento acadêmico, e es- peramos que os pais cristãos despertados por esse renascimento intelectual das letras e do pensamento

encontrem na educação cristã um reavivamento espiritual que venha a impactar e mudar para sempre

a vida de nossas famílias, igrejas e sociedade.

2. Sob o Crivo da Palavra

II. A Educação Clássica da Perspectiva Cristã

Temos examinado o surgimento, a adoção, o declínio e o ressurgimento atual da educação clássica a fim de dar ao leitor uma visão histórica desta, de introduzi-lo aos seus principais distintivos, e de buscar explicar o sucesso atual desse modelo. Passemos, agora, a uma breve avaliação da Educação Clássica sob os critérios cristãos. Buscaremos responder as seguintes perguntas: 1) A educação clás- sica é “a educação” ideal? 2) A educação clássica é cristã? 3) A educação cristã pode ser clássica? E finalmente, a questão que considero mais crucial: 4) A educação cristã precisa ser clássica?

Este post tratará das duas primeiras perguntas, que apontam, negativamente, para os problemas e perigos que a educação clássica pode representar para aqueles educadores e alunos cristãos que ado- tam a educação clássica sem discernir suas bases e ênfases anticristãs. O próximo post tratará das possibilidades, da necessidade ou não e dos termos em que o modelo clássico poderia ser usado nas escolas e lares cristãos.

A Educação Clássica é Ideal?

Os gregos de fato buscaram conhecimento e desenvolveram ferramentas capazes de moldar, estimu- lar, afiar e desenvolver o intelecto humano. Mas antes que os elevemos além do crédito que lhes é devido, e antes que adotemos indiscriminadamente seus métodos e práticas educacionais, precisamos lembrar que seu sistema educacional ficava aquém dos ideais cristãos em pelo menos três áreas prin- cipais:

1 - Eles não tinham uma base sólida, uma fundação para sustentar o seu conhecimento, pois não

possuíam aquele “temor do Senhor” que é o princípio do saber. Eles não possuíam um arcabouço apropriado para encaixar os conhecimentos que adquiram, nem um padrão para julgar o que é bom ou mal, e o que é verdadeiro ou falso. Desconhecendo as Escrituras Sagradas, faltava-lhes luz para o seu caminho; e como os demais povos gentílicos do Antigo Testamento, eles tropeçavam sem nem saber em quê. Faltava-lhes o esquema bíblico da Criação-Queda-Redenção que lhes fornecesse uma cosmovisão apropriada, onde eles poderiam encaixar e compreender a razão de ser e os propósitos dos fatos, o sentido da sua existência, e a interligação de toda a verdade, que só encontra unidade em

Cristo e no seu propósito para o mundo. Por não crerem, por exemplo, na criação do homem à imagem de Deus, eles, apesar de verem a importância da razão e da educação das crianças, não hesitavam em abandonar a céu aberto os recém-nascidos que pareciam fracos ou doentes. Por não entenderem que o ser humano é caído, eles achavam que o homem era essencialmente bom, e que as virtudes que pregavam poderiam ser alcançadas se apenas a juventude as conhecesse e praticasse. Por não verem a necessidade de Redenção, eles não entendiam a necessidade de um novo nascimento, de um Salva- dor divino-humano, e sabemos que pereceram espiritualmente, longe da Verdade que poderia lhes libertar.

2 - Eles confiaram num instrumento falido. Eles elevaram indevidamente a razão humana a uma

posição altíssima, de salvadora e de redentora pessoal e social, por não possuírem a revelação sobre

a queda do homem e sobre os efeitos distorcidos do pecado também sobre essa instância do ser hu-

mano; nós sabemos que a razão e a lógica humana também se tornaram depravadas com a queda, tendentes à falsidade, à mentira, à inversão da virtude pela injustiça, sendo tendentes ao ato mais ilógico e irracional, que é a adoração da criatura ao invés do Criador.

3 - Eles não alcançaram o alvo do aprendizado. Eles jamais obtiveram a verdadeira sabedoria, que começa com o temor do Senhor, e que Deus dá a todos que, em humildade, pedem por ela; tampouco conheceram a sua fonte, o Senhor Jesus Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhe- cimento estão ocultos. Eles consideraram “loucura” a sabedoria de Deus, ignorando que a “loucura”

de Deus é mais sábia do que os homens. Assim, eles ficaram muito aquém do alvo de todo conheci-

mento, que é o conhecimento de Deus e do seu Filho Jesus Cristo; eles não ofereceram o seu conhe- cimento a Deus como culto racional pela renovação da sua mente, e não deram a Deus a glória devida ao seu nome; não atingiram o propósito do conhecimento.

Assim, sem uma base apropriada, sem um padrão confiável, e sem um alvo digno para a sua constru- ção filosófica, o edifício filosófico-pedagógico dos gregos, por mais duradouros que tenham sido seus efeitos na história ocidental, não resistiu, com respeito às suas bases e alvos, ao teste da filosofia e da pedagogia cristã, como o apóstolo Paulo buscou demonstrar no seu discurso em Atenas, e como ficou evidente na proliferação e no impacto social e religioso das igrejas cristãs nas cidades gregas de Éfeso, Corinto e Tessalônica, por exemplo. Os tratados clássicos não são cânons autoritativos. A Palavra de Deus, sim. O pensamento clássico nunca salvou a humanidade. Nosso Senhor Jesus Cristo, sim. Os melhores insights dos seus filósofos talvez tenham dado à Sócrates uma causa forte o suficiente para viver e até morrer, mas não lhe deram o caminho nem a esperança para a vida após a morte. Somente

a verdade de Deus nos guia nessa vida com poder e nos conduz à cidade celeste. Assim, o que pode-

mos aproveitar dos escombros da construção filosófica grega são apenas algumas ideias que se apro- ximam da verdade, algumas ferramentas úteis e alguns materiais que podem ser usados em outras construções intelectuais. Uma de suas ideias corretas seria a valorização da razão humana (desde que vista da maneira correta, como importante, mas apenas uma das constituições da pessoa humana, que não é em última instância definida pela mente, mas pelo coração). Algumas de suas ferramentas se- riam os métodos de ensino da gramática, da dialética e da retórica. Os materiais que aproveitamos são os tijolos das artes liberais.

Assim, longe de ser “a educação ideal” para os cristãos, é possível, que, entendidas as ressalvas acima,

a educação nos moldes clássicos ainda seja uma das opções mais sólidas dentre os demais mode-

los vigentes, a que teria a possibilidade de ser aproveitada em algumas de suas ênfases, práticas e matérias pela educação cristã, desde que saibamos julgar todas as coisas, reter o que é bom, e nos abster de toda forma de mal.

A Educação Clássica é Cristã?

A educação clássica é cristã? O histórico que apresentamos sobre a sua origem e desenvolvimento

deixa claro que a origem, os métodos, as ênfases e os seguidores da educação clássica não são prima-

riamente cristãos, mas pagãos e seculares, embora muitos cristãos façam uso de certos métodos ou ênfases clássicas que parecem concordar com a Bíblia. Mas, estritamente falando, ela é uma invenção

dos antigos gregos, que eram pagãos, idólatras e orgulhosos, e a educação estritamente clássica car- rega consigo a visão de mundo de seus criadores, que por sua vez é repassada aos seus professores e alunos, e que representa um real perigo para educadores cristãos que inadvertidamente valorizem seus métodos e materiais acima dos princípios cristãos. Dentre estes perigos principais, ressaltamos:

1 - O Perigo do Paganismo. Nem sempre as obras consideradas mais excelentes, escritas pelos au-

tores clássicos, refletem os valores e a visão de mundo cristã. Muitas das leituras indicadas pelos currículos clássicos como indispensáveis para determinadas séries, as quais embasarão todo o currí- culo, são inapropriadas para certas faixas-etárias e para cristãos de determinada persuasão. Por exem-

plo, há pais cristãos que não querem expor suas crianças pequenas às histórias e tramas de guerras,

assassinatos e traições comumente apresentadas nas obras clássicas; outros pais consideram a lingua- gem e as mensagens desses textos inapropriadas para seus filhos; ainda outros ressentem, com razão,

a ênfase no estudo dos deuses da mitologia clássica e dos contos e fábulas pagãos no lugar da ênfase

na história bíblica, dos grandes feitos de Deus, e da sabedoria cristã.

2 - O Perigo da Idolatria. Referimo-nos aqui nem tanto ao risco das crianças virem a adorar os

deuses da mitologia pagã, mas àquela idolatria sutil de se valorizar ideais diferentes dos cristãos; de

se curvar antes aos ensinos dos filósofos do que aos dos profetas e apóstolos, de adorar a razão ao

invés da sabedoria bíblica, e de se buscar a virtude do mundo sem a base da piedade e do temor do Senhor. A Educação Clássica focaliza e idolatra a razão como redentora da humanidade, e é possível que o refinamento da razão e o desenvolvimento da mente venha a se tornar um ídolo real para os

nossos filhos.

A educação cristã, por sua vez, considera Deus e a sua Palavra como centrais, e ela segue o ensino

bíblico de que o homem não é primariamente um ser intelectual, mas um ser espiritual, regido pelo seu coração. Além disso, considera que a queda afetou todas as instâncias do ser humano, inclusive

a sua mente. Por isso, a educação cristã não é focalizada na razão, mas na alma, composta, por assim

dizer, do coração, da mente e da consciência. A mente, por sua vez, que também tem um aspecto espiritual, é guiada pela fonte espiritual do coração, e jamais deve ser elevada acima deste, mas deve ser vista como boa ou má, como íntegra ou distorcida conforme for a situação espiritual do coração e

da consciência. Por isso os cristãos devem ter cuidado para não confundirem a educação da mente

com a totalidade da educação cristã, que por ser espiritual, deve alcançar e formar todas as instâncias

da vida humana, em todos os seus aspectos, espirituais, intelectuais, morais, emocionais, físicos, es-

téticos, sociais, relacionais, etc. Além disso, os educadores cristãos devem compreender que o parâ-

metro bíblico para a razão é a verdade, e a razão em si pode estar corrompida pelo desconhecimento

da verdade, pelo ódio à verdade, e pelo compromisso com mentira. Desenvolver a mente da criança

sem submetê-la ao temor de Deus, ao crivo da verdade bíblica, e à busca humilde pela sabedoria que

é dom de Deus, pode formar inteligentes, argumentativos e sagazes inimigos de Cristo, ao invés de crentes piedosos e compromissados com o Reino de Deus e com a Sua verdade.

3 - O Perigo do Orgulho Intelectual. Vimos que a educação clássica foi inigualável quanto ao de-

senvolvimento estritamente intelectual. Contudo, este mesmo fato tem representado um problema para os professores e alunos cristãos que adotam os métodos clássicos e sabem que eles estão acima da maioria no critério intelectual por conhecerem, por exemplo, as leis da lógica, por terem grande habilidade de persuasão nos debates, e por acabarem se destacando no meio acadêmico. Esses correm

o risco de serem expostos àquele que é um dos maiores pecados, capaz de levar à sua destruição

espiritual: o orgulho e auto exaltação. O educador cristão Kevin Swanson comentou numa palestra sobre a educação clássica que ele nunca conheceu jovens tão pernósticos, indiscretos, cheios de si, argumentadores e desprezadores de outros do que os grupos de jovens (muitos deles de formação cristã) que ele encontra nos corredores dos eventos de competições estaduais e nacionais de debates

entre os alunos de escolas clássicas. Que desserviço eles prestam para a igreja e para o mundo por usarem os conhecimentos e habilidades que adquiriram para glorificarem a si mesmos ao invés de usá-las para a glória de Deus e para a defesa humilde e amorosa do Evangelho!

4 - O Perigo da Distorção Pessoal. O ser humano foi criado por Deus uma pessoa integral e harmo-

niosa em suas diversas instâncias. Segundo a antropologia reformada, ele é corpo e alma, e esta alma

é formada, ou composta – se assim podemos dividi-la para fins didáticos – em mente, consciência e

coração. A comparação destas instâncias com os poderes executivo (mente) legislativo (coração) e judiciário (consciência) talvez ajude o leitor a entender que a alma humana é comandada e dirigida pela lei da vida ou do pecado que reina em seu coração, que é aquela fonte, o verdadeiro “eu” da pessoa. A consciência, por sua vez, julga, avalia, acata ou não as intenções do coração; e a mente corresponderia àquele órgão executivo que recebe as ordens do coração, e os vereditos da consciência,

e os traduzem em ideias, pensamentos e ações a serem realizadas por intermédio do corpo. Explico o

acima para deixar claro que, no nosso entendimento da doutrina bíblica, a mente ou a razão humana não é o centro ou a parte mais importante do seu ser, e sim o seu coração espiritual, de onde procedem as fontes da vida. O homem é um ser integral. Ele não possui apenas uma mente racional, mas também

uma consciência moral, um coração espiritual, sentimentos, desejos, e um corpo físico, que também precisam ser trabalhados em sua educação. Ora, sabemos que, apesar do sucesso técnico da educação clássica para o ensino da mente, o seu foco e campo de atuação em geral é estreito e distorcido por focalizar principalmente a mente e a razão em detrimento das demais instâncias do ser humano. Por isso, os pais e escolas que adotam o modelo clássico precisam sempre estar atentos para as demais necessidades dos seus alunos além da acadêmica, e buscar remediar e equilibrar o ensino acadêmico clássico com uma educação espiritual, moral, sentimental, prática, e mesmo física, para que nossas crianças não cresçam distorcidas, com um cérebro grande, mas com um coração pequeno, uma moral

e sentimentos desajustados, e um corpo enfraquecido.

3. A Educação Cristã Pode e Precisa Ser Clássica?

Já examinamos, na primeira parte desse artigo, no Histórico, o surgimento, a adoção, o declínio e o ressurgimento atual da educação clássica a fim de dar ao leitor uma visão histórica desta, de introduzi- lo aos seus principais distintivos, e de buscar explicar o sucesso atual desse modelo. Estamos, agora, buscando oferecer uma breve avaliação da Educação Clássica sob os critérios cristãos. Na postagem anterior, buscamos responder as seguintes perguntas, que apontam, negativamente, para os problemas

e perigos que a educação clássica pode representar para aqueles educadores e alunos cristãos que

adotam a educação clássica sem discernir suas bases e ênfases anticristãs: 1) A educação clássica é “a educação” ideal? 2) A educação clássica é cristã?

Trataremos, mais positivamente, das possibilidades, da necessidade (ou não) e dos termos em que o modelo clássico poderia ser usado nas escolas e lares cristãos, a partir das seguintes perguntas: 3) A educação cristã pode ser clássica? E finalmente: 4) A educação cristã precisa ser clássica?

A Educação Cristã pode ser Clássica?

Temos visto o sucesso intelectual da educação clássica. Vimos também que ela fica aquém em vários quesitos cristãos básicos e que ela apresenta perigos reais aos educadores e alunos cristãos. Isso leva naturalmente à pergunta: Os cristãos podem fazer uso dos métodos clássicos? Vimos, no histórico apresentado, que os cristãos historicamente têm usado com proveito muitos dos métodos clássicos. A base para eles fazerem isso é o entendimento de que toda verdade procede de Deus, e o reconheci- mento de que os gregos antigos descobriram e organizaram muitas verdades relacionadas ao desen- volvimento intelectual, mais do que outros antes e depois deles, razão porque sua visão das disciplinas

e das artes liberais se tornaram um padrão para as escolas clássicas desde o renascimento.

De modo geral, os reformadores, e seus seguidores até hoje do ramo mais conservador, entenderam que o modelo curricular que mais se aproximava do ideal bíblico seria o currículo das artes liberais ou o currículo clássico. Baseados no fato de que a educação cristã está fundamentada na existência de verdades absolutas, que o seu objetivo é o conhecimento das verdades divinas e que a verdade é algo a ser conhecido intelectualmente, os defensores dessa corrente passaram a entender que as artes liberais eram as que mais se aproximavam ao estudo sistemático e organizado das verdades de Deus.

Os defensores da educação clássica dão grande valor à razão humana, e consideram esta uma parte essencial da imagem de Deus no homem. Gene Edward Veith, embora reconhecendo que “a crença cristã nunca seja meramente a função de um argumento lógico, já que depende da revelação do Espí- rito Santo” , insiste em que “crer compreende alguns processos intelectuais e um conteúdo objetivo”, em oposição direta àqueles educadores progressistas que valorizam processos acima de conheci- mento, sentimentos acima de fatos e socialização acima de verdade e assinala que, mesmo em meio

a um contexto de um mundo pluralista e relativista, os cristãos precisam reaprender a pensar em

termos de verdade e de doutrina e não em termos de experiência ou vontade ou interesses particulares.

Ele lembra, então, que sempre que o relativismo foi mais forte na história humana, a resposta da Igreja reformada foi o desenvolvimento do que seria chamado de uma educação de artes liberais. Foi o que aconteceu quando filosofias ateístas e relativistas típicas da diversidade cultural do fim do Império

Romano se refletiram na observação de Pilatos em João 18:38: “Que é a verdade?”, e a Igreja formu- lou uma educação liberal, sendo o termo “liberal” entendido como se segue:

O termo ‘liberal’ deriva da palavra latina ‘liberdade’. Para os gregos e romanos, uma educação ‘libe-

ral’ era a que convinha a cidadãos livres; o mero treinamento ocupacional era para escravos. Aqueles

que eram livres, em contraste, precisavam saber pensar. A igreja primitiva tomou o melhor do conhe- cimento clássico e combinou-o com uma visão de mundo cristã.

O

resultado desse esforço foi exatamente a valorização cristã do ideal das Artes Liberais. Prossegue

o

autor do artigo, demonstrando o resultado desse tipo de educação clássica:

O

Renascimento foi essencialmente um reavivamento da educação clássica 2 . A Reforma começou

numa universidade de artes liberais em Wittenberg e foi divulgada por eruditos clássicos tais como Melanchton, Zuínglio e Calvino. Uma vez iniciada a Reforma, a educação tornou-se uma das princi- pais prioridades religiosas. Foram abertas escolas para ensinar aos leigos como ler a Palavra de Deus. Ministros mantiveram aulas de catecismo e pregavam sermões para explicar as verdades do pecado e da graça, e os novos ensinamentos começaram a ser refletidos em toda a cultura, na arte, música,

literatura e vida social. Mais uma vez, a Igreja assumiu a tarefa de ensinar seus membros a pensar biblicamente. (VEITH, 1999, p. 84)

Assim, para o desenvolvimento acadêmico intelectual dos alunos, o modelo clássico tem sido provado pelo tempo como um dos métodos mais lógicos, ordenados, sistemáticos e eficazes para o treinamento da mente, e, apesar das ressalvas que fizemos na seção anterior e dos cuidados que precisamos ter, em geral os cristãos o tem considerado compatível com os princípios cristãos que também dão à mente um papel elevado na descoberta das verdades de Deus, na formação da pessoa, e no próprio crescimento espiritual. Desde que submissa à revelação, e dependente da iluminação do Espírito de Deus, a mente do crente pode ser muito beneficiada pelo estudo rígido da lógica e por meio de disci- plinas bem estruturadas, mais do que pelos métodos relaxados, assistemáticos e relativistas da peda- gogia moderna.

Na atualidade, pedagogos cristãos têm também defendido o modelo clássico propondo que os três caminhos do trivium (a gramática, a lógica e a retórica) correspondem aos três termos frequentemente utilizados no livro de Provérbios e em várias porções da Bíblia para designar as etapas de um apren- dizado verdadeiro: o conhecimento, (o contato com os ensinamentos de Deus), o entendimento (a compreensão mental e os inter-relacionamentos das verdades aprendidas entre si e com o Criador), e

a sabedoria (que seria a expressão prática e a aplicação do que foi conhecido e compreendido nas

circunstâncias reais e complexas da vida humana. Também a defesa clássica de que se é possível conhecer antes de se compreender parece concordar com a visão bíblica de que podemos conhecer e crer nas verdades de Deus e mesmo ensiná-las às nossas pequenas crianças que ainda não podem compreendê-las, a fim de que elas possam ser futuramente compreendidas e aplicadas à vida. Outra afinidade que educadores cristãos encontram na educação clássica atual é a importância das letras e

2 Nota do editor: esse pedaço é controverso, para não dizer errado. O Renascimento trouxe alguns elementos do classi- cismo sem tocar na Educação Clássica propriamente dita. Além do mais, a educação clássica se manteve presente na Europa Medieval, mesmo na alta idade média (séc. V ao X) florescendo com mais força e beleza na baixa idade média (sec. XI ao XV) com o escolasticismo e o surgimento das universidades.

da Palavra (consequentemente de métodos tradicionais como a memorização, a repetição, a palestra,

a leitura, a escrita, a fala, e a retórica) para a aquisição do conhecimento e da sabedoria, que parece ressonar em textos como Êxodo 24:3,4; Dt. 18:15-22; Salmo 119:130; Provérbios 2:6. Atualmente, é principalmente a ênfase na palavra e na leitura e na ordem das três etapas do trivium que têm carac- terizado a educação clássica cristã.

Exposta esta defesa cristã de alguns métodos clássicos, é importante ressaltar que a educação cristã não pode ser estritamente clássica no sentido de trabalhar apenas o aspecto intelectual e de se perder em “loquacidade frívola” (1 Tm 1: 5), deixando-se levar pelas faltas e devaneios acadêmicos de seus fundadores idólatras. A educação cristã pode usar alguns dos métodos clássicos para alcançar o seu ideal de formar o cidadão integral do reino de Deus, mas não o ideal do cidadão romano; ela pode usar seus métodos para desenvolver a mente, mas ela vê a mente como um componente da alma juntamente com o coração e com a consciência, aspectos ignorados pelos fundadores gregos. Por isso

é que o apóstolo Paulo nos adverte a não nos deixarmos levar por doutrinas falsas, pelas filosofias e

vãs sutilezas, pelas discussões inúteis, pelas questões e contendas de palavras de homens cuja mente

é pervertida e privada da verdade (I Tm. 6:3-5), contrapondo estes erros típicos do intelectualismo pagão com o ensino segundo a piedade, que é segundo a verdade de Cristo e que concorda com uma

fé sincera em Cristo, com o amor que procede de coração puro e com a boa consciência que é moldada

pela santa lei de Deus. E em II Tm. 3:14-17, o apóstolo deixa claro que a verdadeira educação cristã

é fundamentada nas Escrituras, que são a fonte mais útil para a educação na justiça e para preparar o

crente para ser perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. A Bíblia, não as disciplinas

acadêmicas clássicas, são a marca distintiva e indispensável da educação cristã integral. E por mais ênfase que encontremos na Bíblia sobre as “palavras da verdade”, o Sábio de Eclesiastes nos adverte

da vaidade das palavras, visto que “não há limites para fazer livros e que o muito estudar é enfado da

carne” (Ecl.12:10-12), e que a educação mais importante é aquela que coloca o aluno face a face com Deus, para o temer e o obedecer.

A educação cristã, por ser integral, também precisa equilibrar o academicismo e a ênfase teórica

típicos da educação clássica com a prática e a expressão do conhecimento adquirido através do serviço útil à sociedade e à igreja, e com a integração social e emocional saudável da criança na sua comuni-

dade e especialmente na comunidade do pacto, sem mencionar a necessidade do treinamento físico e atlético do corpo. Contudo, a educação clássica secular normalmente se abstém dessas áreas, e por isso ela não pode ser vista como o todo da educação que precisamos dar às nossas crianças. Por isso,

é comum vermos algumas correntes educacionais cristãs buscando integrar o ensino literário clássico com a inserção do aluno em uma atmosfera social e natural saudáveis, como ocorre com a proposta

de Charlotte Mason, e de outros educadores cristãos que continuam defendendo, contra o academi-

cismo clássico, a necessidade de uma educação mais prática e vocacional, voltada para o empreende- dorismo, para a formação de líderes ativos ou para o serviço caridoso e útil à comunidade.

A Educação Cristã Precisa ser Clássica?

Acho que essa é a questão mais delicada e talvez a mais importante colocada diante de nós, e tentarei respondê-la com cautela. Já vimos que a educação clássica não é necessariamente cristã, pelo contrá- rio, é de origem pagã. Mas vimos que ela faz um trabalho excelente em desenvolver as capacidades

da mente e em usar ferramentas úteis para repassar conhecimentos aos alunos, e esse é um dos obje-

tivos primordiais da educação cristã: preparar a mente da criança para receber, assimilar e organizar

o conhecimento de verdades. Por essa razão é que vemos no decorrer da história muitos teólogos e

grupos de cristãos utilizando-se dos métodos clássicos na educação das crianças e sendo muito bem sucedidos na sua formação intelectual, e a exemplo dos puritanos, os quais se tornaram exemplares

também na piedade e no compromisso com a verdade de Deus, o que nos mostra que a excelência acadêmica clássica e o ensino no temor do Senhor podem andar juntos.

Contudo, a frustração dos pais cristãos com os métodos pedagógicos vigentes, centrados na criança,

e o sucesso atual da educação clássica, centrada no conhecimento, têm levado muitos pais cristãos a

valorizar mais o ideal clássico e a buscar métodos, currículos e disciplinas clássicas para ensinar seus alunos, tanto no contexto escolar, como no ensino doméstico. Estes alunos têm, por sua vez, se des- tacado no meio acadêmico, com notas acima da média das escolas públicas e privadas nos testes

nacionais, passando com louvor nos critérios de admissão nas universidades, e destacando-se ainda como excelentes alunos nos cursos universitários. Diante disso, muitos pais e educadores cristãos se veem diante de um dilema: “será que, para dar uma boa formação acadêmica aos meus alunos, eu preciso matriculá-los em instituições clássicas e adotar currículos clássicos, mesmo que estas escolas, materiais e leituras não sejam cristãos?”

Felizmente existem muitas escolas clássicas cristãs hoje nos Estados Unidos e se espalhando pelo mundo, além de casas publicadoras que buscam unir esses dois ideais educacionais, além de profes-

sores e autores que têm buscado oferecer materiais didáticos cristãos nas mais diversas disciplinas, que se utilizam de métodos clássicos para ensiná-las às várias faixas etárias. Mas em países como o nosso, em que há muito pouco material educativo cristão, e em que a educação clássica é praticamente desconhecida ou depreciada pela filosofia educacional moderna como atrasada, elitista ou conteu- dista, esses pais e educadores despertados para essa situação têm se perguntado também: Será que os meus filhos podem ter uma boa formação cristã total sem utilizarmos dos métodos e materiais clássi-

cos?

Com base em II Timóteo 3:14-17 eu diria que esses pais e educadores não precisam se preocupar demasiadamente com a falta de conhecimento dos métodos e materiais clássicos se eles derem a de- vida atenção e souberem fazer bom uso de um livro só: o clássico dos clássicos, a Escritura Sagrada. Essas letras sagradas podem tornar as pessoas que forem instruídas nelas desde a infância pessoas perfeitas ou maduras em todos os sentidos, sábias para a salvação pela fé em Cristo Jesus, sábias para viver uma vida moralmente íntegra, justa e bem-estruturada; e sábias e perfeitamente habilitadas para

a

realização de toda boa obra. Que mais você poderia desejar para a educação de seus amados filhos

e

alunos?

A

educadora cristã Robin Sampson, conhecida por publicações sobre currículo e sobre como preparar

as crianças para os testes acadêmicos, faz um estudo muito interessante no seu livro “Quando o seu Filho Precisa Saber o Quê?”, e propõe como solução para os cristãos que estão preocupados com o sucesso acadêmico o que ela chama de uma “abordagem do coração sábio”. Denunciando as bases anticristãs da educação estatal no decorrer da história, ela diz que havia uma educação excelente antes mesmo dos gregos surgirem com seus famosos ideais acadêmicos: era a educação do povo de Deus

no Antigo Testamento. Idealizada e ordenada por Deus desde o jardim do Éden, baseada nos ensina- mentos da lei de Moisés, centrada não no conhecimento, mas na glória de Deus e na formação espi- ritual da pessoa toda, a educação judaica é apresentada a nós como um exemplo ou modelo melhor que a clássica. Suas disciplinas curriculares são para nós mais relevantes do que as artes liberais (a Bíblia, a Ciência da Criação, a História da Igreja, e a Maturidade do Caráter). Seus estágios antece- deram a proposta grega da gramática, lógica e retórica com os estágios do conhecimento, entendi- mento e sabedoria. A variada literatura divinamente inspirada é seu livro-texto ao invés dos autores clássicos, a qual dá às crianças o conhecimento de Deus e instila no seu coração o apreço pelos heróis

e ideais bíblicos ao invés dos filósofos, aventureiros e oradores da antiguidade grega. O foco da edu- cação dos hebreus era na Palavra de Deus, na fé e na sabedoria que provém do temor do Senhor, em contraste com o foco grego na literatura, na lógica e no conhecimento que provém da filosofia hu- mana.

Essa autora compreende que pais preocupados com os tristes resultados da educação tecno-científica, behaviorista ou romântica atual queiram voltar ao método clássico literário, que sem dúvida era mais elevado, mais humano e mais moral, e que funcionava no sentido de ensinar o aluno a buscar o co- nhecimento por si só, e fazia dele um homem de letras, um erudito, um pensador, um líder. Muitos pais cristãos preferem esse ideal de homem clássico e buscam combinar a educação clássica com a Bíblia, mas ela diz que há uma solução ainda melhor: voltar ou redescobrir o modelo distintamente bíblico.

O que os gregos tiveram de melhor a oferecer à educação foram alguns princípios lógicos e ênfases literárias que os hebreus já possuíam nos Oráculos de Deus. E eles tinham muito mais. Eles tinham o temor do Senhor que é a fonte da sabedoria – aquele conhecimento verdadeiro, santo e útil que sempre destacou seus alunos muito acima de toda erudição pagã. Pensem em José no Egito, em Daniel na Babilônia, em Mardoqueu e Esdras na Pérsia, na autoridade do ensino de Jesus em comparação com todos os seus contemporâneos judeus, gregos e romanos; no poder da pregação apostólica entre os gentios. A educação ordenada por Deus para o seu povo era e é muito mais apropriada aos filhos da aliança do que uma educação nos moldes pagãos.

Talvez possamos afirmar que não há nada de realmente importante na educação clássica que crentes estudiosos e piedosos não tenham encontrado na Palavra de Deus. Mesmo quando os ímpios em geral agem com sabedoria isso acontece porque “o seu Deus assim o instrui devidamente e o ensina… Também isto procede do Senhor dos Exércitos; ele é maravilhoso em conselho e grande em sabedo- ria.” (Is. 23-29). Que a educação da nova geração acontece pela transmissão dos conhecimentos ad- quiridos pelas gerações anteriores, isso a Bíblia nos ensina desde Êxodo e Deuteronômio, e reitera no Salmo 78. Que o estágio inicial da mente infantil prioriza a memorização: qualquer pai ou professor que já leu os primeiros capítulos de Deuteronômio e que conhece um pouco da natureza infantil sabe que é pela repetição e memorização que as leis de Deus devem ser primeiramente repassadas às cri-

anças pequenas. Que a mente deve ser informada com ordem segundo seus estágios próprios, isso Deus tem feito para ensinar o seu povo no decorrer da história revelada, indo do concreto ao abstrato;

e lidando com o seu povo inicialmente pelos métodos visuais do tabernáculo e do culto para posteri-

ormente revelá-los verdades mais espirituais no Novo Testamento. Que o raciocínio é importante para

o conhecimento e que a pessoa é estimulada a pensar em níveis mais profundos por meio de perguntas apropriadas (dialética), Deus há muito tempo nos chama a fazer isso, como por exemplo, quando

argumenta com o seu povo, por exemplo, em Isaías 1:18: “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor…” ou em Isaías 40:13,14,21,26:

“Quem guiou o Espírito do Senhor, ou, como seu conselheiro, o ensinou? Com quem tomou ele con- selho, para que lhe desse compreensão? Quem o instruiu na vereda do juízo, e lhe ensinou sabedoria, e lhe mostrou o caminho de entendimento? … Acaso, não sabeis? Porventura, não ouvis? Não vos tem sido anunciado desde o princípio? Ou não atentaste para os fundamentos da terra? … A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual? Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas?”

Amigos, nós não somos proibidos de ler e usar os métodos e autores clássicos. Por outro lado, nós não precisamos dos clássicos gregos ou modernos para educar os nossos filhos quando temos em nossas mãos o clássico dos clássicos, a fonte de todo saber, a Palavra de Deus. Um eminente professor secular de literatura recentemente afirmou que o livro mais importante para a formação total do aluno é a Bíblia. Suas histórias, poemas, provérbios e sua própria cosmovisão são indispensáveis ao forne- cer ao aluno uma estrutura inicial para conhecer o seu mundo. Em outras palavras, ele estava dizendo que a Bíblia é o clássico mais importante que deveria ser explorado na educação, mesmo da perspec- tiva não-cristã. Outros educadores têm relacionado o declínio do ensino da Bíblia nas escolas Norte- Americanas com o seu declínio acadêmico. E é importante aqui lembrar que muitos defensores da educação clássica não priorizam a leitura da Bíblia e dos Bons Livros da Tradição Cristã, o que de- veria ser prioridade para nós.

Não, a educação cristã não precisa ser clássica. Ela sempre foi superior. Ela pode ter vingado no século XVI através dos moldes clássicos, mas ela floresceu e deu frutos por ter sido, primeiramente, bíblica. Basta que ela seja bíblica, e ela será academicamente melhor do que a clássica e infinitamente superior em todos os demais aspectos. A educação cristã excelente é integral, e ela incluirá o desen- volvimento intelectual, ela ensinará a criança a buscar o conhecimento por si mesma, nas melhores fontes, a compreender as verdades de Deus em seu relacionamento uma com as outras e com Deus, ela lhe fará um mestre de letras, um hermeneuta da Palavra de Deus e de outras literaturas de quali- dade, e muito mais do que isso. Esse conhecimento virá de um coração vivo e santo, e culminará numa vida piedosa e útil.

A educação cristã não precisa ser clássica. Ela pode ser melhor ainda. Você pode não ter, querido pai

ou professor, muito conhecimento dos métodos gregos. Não se preocupe. Estude os métodos de en-

sino bíblicos, usados pelos profetas, pelos sacerdotes; os métodos usados por Cristo e por seus discí- pulos. Você pode não ter conhecimento ou acesso aos grandes clássicos da mitologia grega, às famo- sas histórias de Homero, aos diálogos de Platão, às Fábulas de Esopo ou às palestras de Cícero; não

se preocupe. Conte às suas crianças a história da redenção, da criação ao apocalipse; descreva seus

heróis e a obra de Deus em suas vidas; conte seus romances; memorize os provérbios de Salomão e recite ou cante os grandes poemas dos Salmos. Munido da Palavra de Deus, seu aluno estará lendo a melhor, mais pura e útil literatura de História, Ciências, Cartas, Simbolismo, Poesia e Sabedoria. Não há literatura mais excelente e mais ideal para o ensino na justiça do que esse livro completo, divino, santo, perfeito, verdadeiro e útil para dar sabedoria e para tornar o homem perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.

Em uma palestra educacional, Kevin Swanson apresentou uma boa solução para os educadores cris- tãos clássicos: Priorizem a leitura dos mais diversos textos bíblicos. Tendo feito isso, busquem os clássicos cristãos, ou seja, os melhores livros deixados pela tradição cristã: os escritos dos pais da igreja; O Livros dos Mártires, de Fox; as obras de Agostinho; as Institutas de Calvino e as obras dos reformadores; os escritos dos puritanos, como “O Peregrino”, de John Bunyan; dos grandes cientistas

e filósofos cristãos da era moderna; as grandes biografias da História da Igreja, Horace Bonar, che-

gando aos clássicos mais modernos, como as obras ficcionais ou não de C.S. Lewis, de Abraham Kuyper, de Machen, de Francis Shaeffer, até a melhor literatura infantil cristã produzida no século XIX, como os livros de Richard Newton, J. C. Ryle, Thomas Gallaudet, Francis Havergal, John Todd, John Abbot, entre outros, e, na atualidade, livros de autores reformados em geral, muitos dos quais têm escrito obras infantis, como Joel Beeke, Miriam Schoolmaster, Diana Kleyn, Carine Mac- kenzie, Susan Hunt, R. C. Sproul, etc, algumas das quais já estão disponíveis em nossa língua. Tendo feito isto, utilize então as melhores obras clássicas, que os especialistas calculam serem poucas, talvez menos de cem. Destas, muitas você já terá utilizado por serem cristãs; e muitas outras poderão ser descartadas pelos temas não apropriados às nossas crianças e jovens. No fim, você terá um punhado de boas obras clássicas que poderão ser lidas com proveito pelos seus filhos ou alunos. Mas não busque esse terceiro grupo de livros sem ter antes trabalhado exaustivamente os dois primeiros. Nosso

tempo com nossas crianças é pouco; devemos buscar primeiro as melhores obras concernentes ao reino de Deus e a sua justiça; e todas as demais coisas nos serão acrescentadas. Porque cremos na promessa: “todos os vossos filhos serão ensinados do Senhor; e grande será a paz de teus filhos”. (Isaías 53:13)

Não tenho dito estas coisas para desestimular ninguém a conhecer os métodos e programas acadê- micos clássicos, nem para impedir que usem esse termo para descrever bons materiais didáticos

cristãos ou não. Nem ainda para contrastar o termo com a educação cristã. Na realidade, hoje em dia

o termo educação clássica tem sido usado não tanto para descrever o sistema exato da educação

grega antiga, mas mais como um sinônimo de um currículo mais acadêmico, tradicional, sistemá- tico, tutorial, mais centrado no ensino do conteúdo do que na vontade e divertimento da criança, mais histórico e literário do que tecno-científico, que respeita as fases do desenvolvimento da mente infantil atribuindo tarefas e conteúdos apropriados a cada faixa etária, dos mais objetivos e memori- záveis para as séries menores aos mais racionais e expressivos à medida que a criança amadurece. É nesse sentido que muitas vezes uso e que continuarei a usar o termo “educação clássica”, especial- mente na seção seguinte em que farei uma caracterização e relacionarei uma série de materiais teó- ricos, tutoriais e didáticos para os meus leitores que desejarem se aprofundar e conhecer melhor o

ensino clássico, como sendo um método de ensino academicamente mais excelente do que o pro- posto pela pedagogia atual e cujos princípios e práticas se coadunam com muitas das leis do conhe- cimento e do desenvolvimento que Deus colocou na criança como uma alma pensante e um desco- bridor de verdades.

4. Como é Praticado o Ensino Cristão Clássico Hoje?

Caracterização do Ensino Clássico Cristão Atual

Iniciamos este artigo com um histórico do ensino clássico, de suas raízes na antiguidade greco-romana

à incorporação de muitos de seus métodos pelos cristãos de várias épocas, e chegando ao sucesso

atual deste movimento. Em seguida, fizemos uma análise da educação clássica pela perspectiva cristã, primeiro advertindo quanto aos perigos e cuidados que devemos ter como cristãos para com algumas de suas ênfases e práticas, e então analisando a legitimidade e possibilidade de seu uso por nós, cris- tãos, especialmente devidos à semelhança e coincidência de suas ênfases com os princípios cristãos encontrados na Bíblia.

Nesta terceira seção, queremos dar aos leitores uma ideia geral (mas nem tão geral, através de infor- mações concretas e específicas) de como a educação clássica tem sido praticada atualmente por es- colas, instituições e famílias cristãs, especialmente no que diz respeito ao currículo, disciplinas, ma- teriais e práticas de ensino. E finalizaremos com uma lista de recursos – clássicos, cristãos e outros materiais úteis – que podem auxiliar pais, professores e escolas que estejam buscando montar o seu próprio currículo clássico.

Ficarei devendo a meus leitores algo que gostaria muito de ajuntar, traduzir, organizar, adaptar ao português e disponibilizar, que seria uma espécie de manual de montagem de um currículo cristão, nos moldes clássicos ou não, que incluísse conteúdos básicos por série, lista de leituras, e organo- grama, com planos de curso e de aula, etc. Mas acho que para isso vou precisar da ajuda de vocês com sugestões de materiais e leituras específicas por faixa etária. Mas espero que estas listas já sejam de alguma ajuda e incentivem tal iniciativa.

Filosofia Educacional e Adeptos da Educação Clássica Cristã

A posição adepta do currículo das artes liberais é também defendida por cristãos como Gordon Clark,

R. C. Sproul, David Engelsma e tem influenciado grande parte da educação cristã atualmente dispo- nível. A Associação de Escolas Clássicas e Cristãs nos Estados Unidos reúne estudiosos como Tom Spencer, Douglas Wilson e Ron Lee e tem se empenhado em divulgar o ideal de uma educação clás- sica para as escolas cristãs, através da produção de livros, revistas, boletins informativos e organiza- ção de palestras e conferências sobre o tema. Classical Conversations e Veritas Press são entidades fornecedoras de currículo e materiais didáticos da perspectiva clássica e cristã.

Gene E. Veith dá uma ideia de como o currículo clássico tem sido praticado nas principais escolas cristãs dessa tendência:

As escolas clássicas atuais se utilizam do trivium e do quadrivium como modelos conceituais sobre os quais estruturam todo seu currículo, mesmo que se estude as matérias mais convencionais. As escolas clássicas tipicamente ensinam a ler, escrever, calcular, e ensinam educação cívica, história, biologia, etc., mas fazem isso de maneira diferente da observada nas escolas públicas, usando o tri- vium para estudá-las de maneira mais completa e sistematizada. As escolas tipicamente clássicas

ensinam também o Latim, e dão destaque a doses maciças de grande literatura. A Associação Acadê- mica Clássica e Cristã também ensina Religião: a Bíblia e a Teologia sendo estudadas com rigor sistemático semelhante e integradas no currículo todo. (1999, p. 87)

Douglas Wilson explica que a alma da educação clássica é a conversação com as grandes mentes do passado, mas tomando-se o cuidado de não se venerar o passado nem a filosofia anticristã. Participar dessa “grande conversação” com os nossos mestres do passado é o que permite que cresçamos e sejamos enriquecidos pela educação, ou cada geração terá de reinventar a roda e seremos sempre bebês e pigmeus intelectuais. Não que teremos que concordar com tudo o que os antigos mestres nos deixaram, mas estar a par das grandes controvérsias da humanidade, não apenas saber mencionar o nome de alguns filósofos, é um dos alvos do ensino clássico. George Roche, fundador da Universi- dade de Hillsdale, escreve que “educação é precisamente a preservação, o refinamento e a transmissão de valores de uma geração para a outra. Suas ferramentas incluem a razão, a tradição, a preocupação moral e a introspecção…”. Essa definição concorda com a definição do Antigo Testamento de que educar é transmitir verdades às gerações futuras. Esse autor só esqueceu de incluir a fé na revelação e a iluminação do Espírito Santo como as ferramentas principais do aprendizado. Já Russel Kirk defende a educação clássica pelos seus resultados na vida dos alunos: “E, sendo assim educados, eles saberão que eles não sabem de tudo; e que existem objetivos na vida além de poder e dinheiro e gratificação sensual; eles terão visão ampliada e alvos maiores; eles olharão para trás, para os seus ancestrais e para frente, para a sua posteridade. Para eles, a sua educação não terminará no dia da formatura.” 3

Gordon Clark, por exemplo, escreveu, sobre o currículo, que este deveria se basear em alguns prin- cípios: “o princípio mais distintivo que deve governar o currículo é o destaque de assuntos que se provarão úteis ao aluno não importa qual vier a ser a sua profissão” (2000, p. 108). A este segue algo que é indispensável a todos: a habilidade para ler, seguida da escrita e da matemática. Ele acrescenta ainda as línguas estrangeiras, como Francês, Grego, Latim, Alemão, (no caso do contexto brasileiro e globalizado atual, destacamos a importância da língua inglesa). A importância de se conhecer essas línguas é que elas são ferramentas para o estudo das verdades de Deus de modo acurado, pelo conhe- cimento da língua neo-testamentária, e porque, como os crentes devem ser os mais dedicados em suas profissões, eles precisarão se aprofundar a tal ponto que jamais serão os melhores advogados se não souberem ler os escritos em italiano, por exemplo. Só poderão chegar ao topo como cientistas se souberem ler francês e alemão, e só serão excelentes pedagogos se puderem ter acesso a matérias na língua inglesa e francesa que ainda não estão disponíveis para o público brasileiro.

Assim, a conclusão de Gordon Clark é que “os princípios cristãos prescrevem, portanto, um currículo fortemente determinado pelas artes liberais” (2000, p. 111), em contraste com o currículo voltado para o treinamento vocacional. A posição de G. Clark está em oposição aberta à tendência das escolas públicas americanas, marcada pelo abandono do clássico e pela valorização do pragmático e do vo- cacional. Clark empenha-se em demonstrar que essa educação pública está formando cidadãos cujo nível acadêmico tem caído grandemente, o que se evidencia, segundo ele, na negligência quanto ao estudo das línguas, na constatação de que os jovens do ensino secundário têm problemas em ler lite- ratura mais elaborada e no resultado insuficiente de testes simples de matemática, por exemplo, a que

3 Nota do Editor: Russel Kirk apud Wilson, Recovering the Lost Tools of Learning, p. 85.

esses alunos foram submetidos (2000, p. 109-110).

Ele não repudia o treinamento vocacional como inútil, entendendo que tem o seu lugar e que os cris- tãos devem se destacar também nessas profissões. O aspecto mais radical de sua posição é que ele não considera o treinamento como educação, visto que para ele a educação é algo essencialmente intelectual – de conhecimento das verdades – enquanto o treinamento é algo que não estimula o pen- samento, mas transforma os homens em máquinas (2000, p. 112). “O currículo das artes liberais tem

o alvo oposto. Ao invés de tornar o homem uma máquina, ele deseja evitar que se torne uma máquina.

(…). Os dedos não são treinados, mas a mente é desenvolvida. O aluno não aprende a fazer, ele aprende a entender. (…). Como Spinoza, ele pode ter que triturar lentes para se sustentar – ele pode treinar seus dedos em um curto espaço de tempo – mas ele passará suas tardes pensando e escrevendo livros que influenciarão a humanidade por séculos (CLARK, 2000, p. 112).

Ênfases e Práticas Curriculares Clássicas

Para resumir algumas marcas ou ênfases que tenho observado entre as escolas, materiais didáticos e currículos clássicos e outros mais tradicionais, destaco esses diferenciais nas seguintes áreas princi- pais:

Livros Clássicos

– Educadores clássicos defendem um currículo fortemente baseado na leitura e estudo dirigido de

livros clássicos, de livros “vivos”, de obras originais – ao invés de um currículo baseado em livros didáticos, onde as informações são resumidas, rasas, e muitas vezes, distorcidas. Eles dizem que, em sua maioria, os livros didáticos – ou livros texto – não são libertadores, mas limitadores do conheci- mento e do pensamento, visto que eles dizem à criança e ao professor o que eles devem saber, em que

devem pensar, e limitam o nível de profundidade com que a criança deverá trabalhar um tema. Mor- timer Adler, por exemplo, sustenta que leituras informativas em geral, como a de notícias, e de livros de baixa qualidade, não conduzem a um aprendizado verdadeiro, porque não são capazes de agir, mudar, e dar crescimento às pessoas; eles apenas as mantém ocupadas e, quando enchem sua mente de fatos, estes dão à pessoa a impressão de serem cheias de conhecimento. Mas se esse conhecimento não as faz amadurecer, nem se traduz em sabedoria no viver, esses materiais podem ser úteis apenas como divertimento, mas não fazem o que os clássicos podem fazer.

Já os clássicos seriam aqueles poucos livros que tem a capacidade de tirar o leitor de seu mundo estreito e lhe abrir as portas para uma visão mais ampla da profundidade e complexidade do conhe- cimento e da vida humana. Eles são capazes de fortalecer a mente, de fazer a pessoa identificar as meias verdades e superficialidade do seu tempo e contexto social, e de fazê-la sustentar a verdade e ter um bom julgamento. Eles formam alunos pensantes, livres das opiniões dos ditadores sociais, e tem a tendência de formar bons líderes para o amanhã.

– Como identificar uma obra clássica? Em geral, um clássico é uma obra que você pode ler (ou ver,

no caso de pinturas e esculturas; ou ouvir, no caso de músicas) muitas vezes e sempre extrair e apren- der mais com ela a cada releitura, visto terem sido escritos cuidadosa e estilosamente por grandes

mentes. Além de exibirem estilo distinto, a mais refinada arte e um intelecto claro e profundo, pode- mos reconhecer um clássico, segundo Os Guiness, em seu livro “Convite aos Clássicos”, pelas se- guintes características: 1) São capazes de criar mundos de imaginação e de pensamento; 2) Mostram

a complexidade e as várias facetas, positivas e negativas, da vida e do caráter humano; 3) tem efeito

transformador na auto compreensão do leitor; 4) Convidam e sobrevivem leituras frequentes; 4) Se adaptam a várias épocas e lugares e dão aos leitores um senso da vida comum da humanidade; 5) São considerados clássicos por um número suficientemente grande de pessoas, tanto de pessoas comuns, como de autoridades literárias; 6) Seu apelo continua por várias eras históricas e para todas as pessoas, por terem sido escritos para todos.

Leitura e Literatura

– Uma das mais características ênfases do ensino clássico é que crianças de todas as idades devem

ser expostas a uma quantidade extensa de literatura de boa qualidade, a livros clássicos, escritos cui- dadosamente pelos melhores autores, tanto de obras que estão no nível da criança, como de obras mais ricas e difíceis, cujo objetivo é “esticar” a mente da criança e lhe dar um modelo mais elevado.

– Desde a mais tenra infância, os pais devem fazer uma boa seleção dos melhores livros, poemas,

rimas, versículos bíblicos e provérbios, não necessariamente livretos infantis, e ler para as crianças em voz alta, diariamente. Inicialmente, a criança deverá ser incentivada a memorizar poemas e textos que são excelentes literariamente, e que serão importantes para a sua vida futura, ao invés de rimas

infantis de baixa qualidade. Posteriormente, o professor deve fazer perguntas orais sobre o texto, modelando para a criança como fazer boas perguntas para a interpretação do texto.

– Há programas pré-escolares clássicos que substituem completamente qualquer livro didático pela

leitura dos melhores clássicos e obras originais infantis. No ensino fundamental, os programas utili-

zam a leitura dos clássicos infantis como fornecedores de temas geradores para serem trabalhados nas mais diversas disciplinas, através do sistema de unidades de estudo. Na fase retórica, a ênfase na interpretação e a reprodução do estilo das obras clássicas é incentivado interdisciplinarmente.

– Incentivo do uso do dicionário para melhorar o vocabulário sempre que a criança (ou o professor) se deparar com palavras desconhecidas.

– Incentivo da leitura fonética o mais cedo possível, de preferência fora do ambiente institucional e da rigidez de horários e do ensino formal.

Bíblia e Doutrinas

– Classicistas Cristãos enfatizam o estudo da Bíblia como o clássico maior.

– As Histórias da Bíblia são ensinadas cronologicamente, com auxílio de cartão ou linha do tempo para memorização de fatos, datas e personagens principais.

– O ensino das histórias bíblicas é ensinado paralelamente ao ensino da história mundial do período, para que a criança tenha o contexto do mundo e de outros povos da época.

– As crianças são incentivadas a conhecer o contexto histórico, cultural, geográfico, etc. das histórias bíblicas e de seus detalhes.

– Forte ênfase no ensino de doutrinas, as eternas verdades da Bíblia. Uso de diversos catecismos

ensinados sequencialmente, dos mais simples aos mais complexos, adequados à idade e capacidade

das crianças.

– Memorização do Catecismo e de Passagens Bíblicas importantes são imprescindíveis. Musicaliza- ção de Versículos e do Catecismo ajudam a memorização.

Forte Ênfase na Gramática e na Matemática

– Essas disciplinas instrumentais ocupam a maior parte da carga horária, especialmente nas séries

iniciais, e usam diversos artifício como rimas, músicas, repetição e recitações para memorização de fatos, das definições e regras da gramática, das tabelas das quatro operações matemáticas, etc.

– Ensino sistemático, repetitivo e progressivo da gramática, e ensino fonético de línguas, incluindo

muitas vezes línguas clássicas, como o latim e o grego, por sua capacidade de melhorar o vocabulário e a expressão linguística.

– A Matemática enfatiza tanto a memorização de tabuadas e regras, como o desenvolvimento da

mente para a compreensão de problemas e sua aplicação às situações da vida, por meio de identifica- ção de sequências, medidas, tempo, valores, sempre que possível em conexão com outras disciplinas.

Ensino Diferenciado da Escrita e Redação

– Na frase gramatical, ênfase no domínio da escrita cursiva, na exposição a textos excelentes dos

melhores autores, na cópia de trechos bem-escritos e no ditado de frases exemplares, a fim de que a criança se familiarize e tenha como seu exemplo e alvo a melhor literatura disponível, antes de ser encorajada a se expressar.

– Na fase dialética, os alunos aprenderão as técnicas da boa escrita, da ordem e da composição de

frases e parágrafos, da revisão e editoração de textos, e começarão a produzir textos originais peque- nos seguindo um modelo e imitando textos exemplares.

– Somente na fase retórica a criança será mais incentivada a produzir textos totalmente originais, com ideias próprias e com beleza e criatividade de expressão.

Valorização e Ensino Integrado das Artes

– Bastante valorizadas, a arte, o desenho, as técnicas de pintura, e a música erudita são normalmente

integradas às demais disciplinas, e servem para reforçá-las. Por exemplo, a criança aprenderá as téc- nicas para desenhar uma arca, um zigurate, um soldado romano como complemento às aulas de his- tória; ela aprenderá a esboçar o traçado de animais, a colorir frutas, e a pintar paisagens como parte das aulas de ciências; ela ouvirá músicas típicas e aprenderá a cozinhar comidas típicas, e imitará a

arte e o artesanato dos lugares do mundo que estiver estudando nas aulas de geografia; a música clássica pode acompanhar a cópia de parágrafos que tratam dos diferentes compositores, e assim por diante.

– A arte inclui não apenas o conhecimento e classificação dos diferentes compositores e artistas e de

seus estilos, mas a reprodução individual de técnicas e métodos utilizados pelos artistas estudados, e

o desenvolvimento prazeroso do gosto pela arte bela e excelente, com o cuidado de avaliar a arte

segundo os critérios da qualidade e, no caso dos cristãos, da verdade, da beleza e da pureza moral.

Disciplinas Diferenciadas:

– O Ensino das Temáticas das Diversas disciplinas são ensinados com base ou tendo como tema

gerador a Leitura dos Livros Clássicos apropriados para a idade dos alunos. Em alguns programas, as

disciplinas quase que desaparecem, e o estudo e interpretação dos clássicos abrange temas diversos na medida em que aparecem nos livros.

– Ensino da Lógica Formal como disciplina a partir das séries intermediárias.

– Ensino do Latim e outras línguas clássicas desde a fase gramatical, e dos prefixos e sufixos gregos, como método para aquisição de uma boa ortografia e vocabulário.

– O domínio das disciplinas instrumentais – linguagem e gramática, matemática e história – precede

o ensino sistemático do currículo nas disciplinas tradicionais como ciências, geografia, estudos soci- ais, etc.

– Nas fases iniciais, as ciências são marcadas pelo conhecimento natural e factual do mundo e de

Deus, visando a coleta e a organização de dados. Incentiva-se especialmente que a criança colecione objetos e classifique objetos de toda sorte. A geografia tem como alvo a familiaridade com os mapas, com os diferentes relevos e paisagens, e com as pessoas e culturas dos diferentes povos. O ensino dessas ciências na fase gramatical não almeja ser sistemático e exaustivo, mas interessante, para in- centivar a curiosidade e a maravilha com a diversidade natural do mundo de Deus. Somente a partir da fase dialética as crianças focalizarão na compreensão dos fenômenos e no inter-relacionamento entre estes. A geografia social e política será deixada para a fase retórica, e será integrado ao estudo da história.

Repetição e Sequência das Disciplinas:

– O ensino dos temas dentro das disciplinas científicas, da história e da geografia é repetido nas três fases principais, sendo explorado conforme as habilidades da criança em cada fase. Por exemplo: Na fase gramatical a criança vai decorar que Cristóvão Colombo descobriu a América em 1492, por meio de figuras, de rimas ou poemas como “In 1492 Columbus Sailed the Ocean Blue”. Ou irá decorar as terminações gramaticais dos verbos, as listas de artigos, conjunções e pronomes, como se fosse uma cantiga ou trocadilho de palavras no lugar do “Mamãe mandou…”. Na fase dialética, os alunos irão estudar o contexto histórico, os incidentes e a biografia de Colombo, e começar a entender porque e como esse fato aconteceu quando aconteceu e da forma que aconteceu. Semelhantemente, a partir da

terceira série, irão estudar sistematicamente a gramática com suas leis e exceções, com foco na utili- zação correta da língua. Na fase retórica, o mesmo assunto será tratado, mas agora de uma perspectiva analítica e expressiva. O jovem poderá, por exemplo, escrever um ensaio sobre a importância desse fato para o mundo da época, ou expressar-se sobre a relação entre o caráter perseverante de Colombo

e a sua grande realização; ou fazer um debate ou encenação sob o tema: “Se Colombo não tivesse

descoberto a América”, e atividades semelhantes. Ou irá analisar, revisar, editar e produzir textos focalizando tanto o uso correto da gramática, ortografia, e pontuação, como as figuras de linguagem

e de técnicas mais avançadas de expressão.

– Com exceção do ensino da Matemática e da Gramática, muitos dos materiais clássicos nas discipli-

nas mais conteudistas têm a característica de serem flexíveis e adaptáveis a diversas faixas etárias e audiências. O mesmo tema pode ser estudado simultaneamente em classes multisseriadas, por meio de textos ou esboços introdutórios que apresentam desde os fatos básicos até introduzirem questões

mais complexas. A partir daí, é comum haver várias sugestões de atividades que reforçam ou aplicam os conteúdos tratados conforme a fase e capacidade dos alunos; alunos mais novos irão responder perguntas simples, fazer uma atividade manual ou pintar um desenho. Alunos intermediários irão responder perguntas mais complexas ou fazer experimentos que explorem o tema. Alunos mais velhos serão normalmente estimulados a pesquisar e se aprofundar em facetas do tema, e a fazer esboços ou textos ou outras atividades criativas.

Materiais Didáticos Diferenciados:

– As escolas clássicas defendem o uso de “livros de verdade” (real books) e obras clássicas (históricas,

ficções, biografias, etc.) como propulsores ou complementos para o ensino da história, da gramática, da interpretação, da escrita, etc., no lugar de livros-texto ou de materiais didáticos modernos. Há currículos clássicos que são formulados exclusivamente a partir da leitura de bons livros, os quais são

explorados com a ajuda do professor por meio de perguntas de interpretação e se prestam para traba- lhar as mais diversas disciplinas, com exceção, normalmente, da matemática e da gramática estrita que normalmente fazem uso de livros didáticos. Essas obras clássicas são estudadas repetidamente em diversos níveis, em virtude do entendimento de que esses clássicos são profundos, ricos e multi- facetados e seu estudo será enriquecido e diferenciado nas diversas releituras.

– Quando usados, os livros didáticos escolhidos pelas escolas clássicas são conteudistas, lógicos, e autoexplicativos, que ajudem o aluno a se tornar um autodidata ao apresentar uma sequência incre- mentada dos assuntos. Assim, os novos assuntos são introduzidos bem progressivamente, e cuidado- samente construídos sobre conhecimentos anteriores. Todos os assuntos aprendidos serão bastante revisados, e os testes são cumulativos, para garantir um aprendizado duradouro. Na matemática, por exemplo, cada assunto e habilidade será explorado racionalmente e aplicado extensivamente por meio

dos mais diversos problemas, atividades e situações práticas. A história também seguirá uma estrutura cronológica e uma linha do tempo; a geografia será ensinada também de forma lógica e progressiva,

e muitos conhecimentos dentro das várias ciências serão integrados a outras disciplinas. As discipli-

nas instrumentais, como a língua, a leitura, a escrita, a matemática, a partir da fase dialética, serão

trabalhados em conjunto e integrados às demais disciplinas mais específicas.

Práticas de Ensino Diferenciadas

– Valorização da excelência acadêmica e do aprendizado real ao invés da carga horária; da qualidade

sobre a quantidade. Isso é possível devido a atenção mais individualizada dos alunos e ao método tutorial que introduz o tema aos alunos e a partir daí os orienta a se aprofundar nele por iniciativa própria a partir de pesquisas, leituras e atividades.

Estudo mais conteudista e menos “enfeitado”, embora aplicado e manipulativo quando necessário,

e

até mesmo lúdico nas atividades para as crianças menores. Mas, em geral, os livros clássicos apre-

sentam textos e tarefas em preto-e-branco, com poucas ilustrações ou gráficos coloridos, com diagra- mações simples e centradas na apresentação do assunto e nos exercícios do tema ensinado de forma

objetiva e clara.

– Menos tempo em sala de aula e mais tempo em leituras e atividades. Em contraste com as escolas

tradicionais norte-americanas, que têm uma carga horária de seis a sete horas diárias, que incluem tempo para recreação, esportes, etc., as escolas clássicas têm uma carga horária menor, de cerca de quatro horas diárias ou menos, algumas até em dias intercalados, por concentrarem-se no ensino aca- dêmico e deixarem os outros aspectos a critério dos pais.

– Ensino individualizado que não segue a estrutura das séries tradicionais, as quais são obliteradas

pelo nível real de cada aluno em cada disciplina, o qual pode progredir nos diferentes temas ou dis- ciplinas conforme o seu interesse ou conforme a ordem que o professor-tutor os apresenta. Por isso o ensino segue o ritmo de cada criança ao invés de padronizar os horários e conteúdos como na escola

tradicional.

– Incentiva e ensina o aluno a ser autodidata, a buscar o conhecimento verdadeiro nas melhores fontes,

a interpretar textos e tarefas por si mesmo, a e identificar falácias e falsidades, reconhecendo a ver- dade onde ela for encontrada e aprendendo a valorizar os autores e as obras mais excelentes.

– Realização de atividades de estímulo e expressão intelectual e retórica, como debates, participação ativa dos alunos nos meios de comunicação, exposições orais sobre temas, produção de material pró- prio para publicação, etc.

5. Educação Clássica Cristã- Parte Final

Considerações e Propostas Finais

Nesse artigo eu busquei fornecer aos leitores um histórico que os ajudasse a perceber a origem, as ênfases principais que definem a educação clássica histórica, e a compreenderem os motivos do res- surgimento atual dessa corrente. Consideramos, a seguir, como seus princípios e ênfases de origem pagã podem representar um perigo para os seus adeptos cristãos que ingenuamente e impensadamente incorporem todas as suas práticas e sugestões. Vimos também que, como metodologia, as práticas educacionais clássicas têm sido usadas por muitos grupos cristãos no decorrer da história, desde que estas sejam passadas pelo crivo da Palavra de Deus e dos princípios pedagógicos bíblicos. Na reali- dade, vimos que esta atração dos cristãos pela educação clássica deve-se ao fato desta ser baseada numa epistemologia mais verdadeira e em práticas pedagógicas que são, muitas delas, primariamente bíblicas e saudáveis. Por isso, os cristãos nunca deveriam encantar-se com tudo o que é clássico e pagão, mas sim com os verdadeiros clássicos produzidos pelos grandes homens de Deus, e com os imutáveis princípios da pedagogia cristã que são eminentemente bíblicos. Somente depois disso eles devem buscar o que há de verdadeiro, de respeitável, de justo, de boa fama, de virtuoso ou de louvável na educação clássica secular, certificando-se de que sejam conteúdos ou práticas dignas de serem ouvidos, aprendidos ou praticados por quem professa o santo nome de Cristo.

Esperamos também que esta última seção sobre as ênfases e práticas clássicas tenha dado aos leitores uma visão melhor dos principais tenentes do ensino clássico. Você deve ter notado que muitas dessas ênfases são consideradas “tradicionais” e “ultrapassadas” pela pedagogia moderna, como o conteu- dismo, a memorização de fatos e a repetição; outras estão na vanguarda das descobertas pedagógicas, como a importância da leitura e da interpretação, da consideração das características individuais de aprendizado de cada criança, a ênfase nos temas transversais e na interdisciplinaridade, e a necessi- dade da aplicação prática do conhecimento em projetos úteis. Isso acontece porque as ênfases clássi- cas não seguem os modismos e as teorias pedagógicas do momento, mas baseiam-se naqueles méto- dos e práticas testados e aprovados pelo tempo como boas e eficazes práticas educacionais. E essa é uma das principais causas de sua estabilidade e sucesso. Diferentemente das teorias progressistas e construtivistas, que ainda estão sendo “testadas”, as práticas clássicas têm o respaldo de séculos e até milênios de resultados observados. Não que outros métodos não funcionem ou não possam ser até melhores em vários sentidos, mas os educadores clássicos propositadamente preferem os métodos mais tradicionais por terem os seus resultados já bem testados e aprovados.

O propósito deste artigo foi introdutório, ou seja, dar aos educadores brasileiros, pais e professores, uma visão inicial da educação clássica cristã ainda pouco conhecida em nosso país como tem sido praticada em outros lugares, especialmente pelos seus defensores cristãos. Gostaria de observar que a “educação cristã clássica” não deve ser confundida com a “educação genuinamente cristã”; ela é apenas uma de suas modalidades, uma manifestação eficaz e preferida por muitos pais e educadores cristãos, em especial por aqueles que tem praticado a educação domiciliar, que bem se coaduna ao caráter individualizado e ao método tutorial clássico. Lembramos que há outros educadores cristãos que argumentam em prol de uma educação de tendência mais vocacional, tradicional ou eclética. Mas

espero que a partir dessas informações introdutórias, os educadores cristãos brasileiros que se identi- ficarem com essa modalidade possam continuar pesquisando, aplicando e produzindo currículos e materiais didáticos cristãos de qualidade.

Por isso resolvi fornecer aqui no final uma lista de leituras teóricas, de alguns currículos clássicos cristãos e de outros recursos disponíveis em inglês e em português que podem auxiliar os educadores

a formular o seu próprio currículo clássico. Eu gostaria que Deus me desse a graça e a capacitação

para oferecer-lhes algo mais prático, mais pronto, e mais útil, como listas de livros clássicos apropri- ados para as várias faixas-etárias, ou talvez um modelo de um currículo cristão mais completo, com

planos de série, de disciplinas e até de aulas, segundo outros modelos excelentes a que tenho tido acesso na língua inglesa. E quem sabe até recursos didáticos repletos de conteúdos e verdades cristãs integrando todas as disciplinas apropriadas às faixas etárias das crianças.

Mas ainda que isso não se torne uma realidade, quero lhes incentivar a ousarem formular um currículo próprio cristão e clássico para seus filhos e alunos. Uma das principais características do currículo clássico é que ele é individualizado e baseado em livros originais, e isso é uma boa-nova para pais e professores que estão desejando formular um currículo próprio para os seus alunos, sem depender de material didático específico para uma determinada série e disciplina. Essa é uma das principais van- tagens de uma educação clássica no contexto brasileiro cujo mercado de materiais didáticos cristãos

é escasso. Montar um currículo clássico cristão próprio pode dar mais trabalho ao educador cristão,

mas isso é plenamente possível e em geral resultará num ensino de qualidade acadêmica e moral muito superior ao que tem sido oferecido na maioria das escolas públicas e privadas de nosso país, a julgar pelos seus resultados em outros países e nas poucas experiências de educadores brasileiros. Um grande número de obras clássicas adultas e infantis já foi traduzida e está disponível em nossa língua. Os conteúdos de um ensino sólido para a fase gramatical estão disponíveis em gramáticas, enciclopédias, bons livros, atlas, mapas e recursos nas diversas disciplinas, e até mesmo na internet. Basta que o educador faça uma boa pesquisa e um plano simples para começar a ensinar de uma forma relativamente sistemática o ensino dos fatos e fundamentos do conhecimento, e o aluno irá progredir a seu tempo em direção aos estágios mais avançados da lógica e da retórica. Acredito que, com as poucas informações que tenho dado aqui, os pais poderão ser encorajados, guiados e habili- tados a estudar e usar primeiramente o clássico dos clássicos, a Palavra de Deus como um precioso recurso educacional, e também a pesquisar mais recursos teóricos, a selecionar bons livros para seus alunos, e a elaborarem um plano de ação com base nos melhores recursos disponíveis.

À medida que vocês forem aplicando esse material aos seus alunos, não se esqueçam de registrar e compartilhar os seus esforços e resultados com outros pais que ficarão gratos pela sua ajuda. Muitos dos materiais clássicos disponíveis no mercado norte-americano, por exemplo, são simplesmente compilações e registros das ideias, abordagens, práticas e currículos produzidos pelos próprios pais e professores, que ousaram registrar e publicar suas experiências e suor com outros pais sedentos. Uma mãe que buscou e não encontrou um bom livro de histórias bíblicas para crianças resolveu, com o apoio de seu marido teólogo, escrever essas histórias como a sua mãe lhe contara. Ela passou muitos anos de sua vida escrevendo essas histórias, e postumamente elas foram compiladas e hoje o “Livro de Histórias da Bíblia” de Catherine Vos é um dos mais fiéis e úteis recursos educacionais para o ensino da Bíblia para crianças. Outra mãe com formação em história resolveu montar um programa de aulas de história mundial cronológicas e resumidas, que exprimissem a perspectiva cristã e fossem

centradas em Cristo, as quais se tornaram os quatro volumes de “O Mistério da História”, que tem sido aclamada por muitos pais e educadores. Susan Bauer, educada em casa por sua mãe segundo os moldes clássicos, quando veio a ser professora, sentiu a necessidade de materiais de História que fossem contados de maneira interessante para crianças, e ela mesma produziu os quatro volumes de “A História do Mundo” para crianças. E quando ela percebeu a dificuldade que seus alunos de redação

tinham para escrever, ela se propôs a oferecer um método simples e clássico de redação baseado em bons livros e técnicas simples e clássicas que ela tem posto em prática com sucesso entre seus alunos

e leitores.

Outros pais e educadores têm traduzido materiais, escrito ficções cristãs, produzido listas de sugestões de bons livros infantis clássicos, escrito programas de matemática, ciências, geografia, etc., nos mol- des clássicos e cristãos, escrito resenhas de livros e recursos existentes, gravado audiobooks, criado livros de perguntas de interpretação e programas de unidades para acompanhar a leitura de livros clássicos, escrito programas curriculares inteiros da mais alta qualidade, fundado casas publicadoras, criado aplicativos educativos e incentivado os educadores cristãos com blogs, cursos on-line, aulas à distância e de muitas outras formas criativas. Use os seus talentos dados por Deus e ore para que Ele lhe mostre em que você pode contribuir para a educação cristã por meio da sua experiência de ensinar “classicamente e cristãmente” os seus filhos e alunos. Alguns irão criticar suas iniciativas, questionar sua qualificação, rebaixar seus métodos “atrasados”, porque muito do que você fará será diferente do modelo vigente e incomodará os educadores seculares e até outros educadores crentes, formados nos moldes seculares. Mas ousem ser diferentes e fiéis ao seu chamado, ainda que isso signifique suportar com paciência as suspeitas e o ridículo da pedagogia secular moderna, se é que você está comprome- tido com o ensino na verdade e convencido da necessidade de dar aos seus filhos e alunos um melhor fundamento, para que eles sejam habilitados e enriquecidos pelo conhecimento da verdade, através de métodos verdadeiros, para que cresçam e amadureçam com alimentos genuínos, e para que, a seu tempo, venham a produzir frutos de verdade e piedade. É dever de cada pai e professor, com a ajuda de Deus, buscar os melhores meios para que a geração futura seja perfeitamente habilitada para servir ao Senhor, sustentando e promovendo a verdade de Deus num mundo de ignorância, falácias, menti- ras e ventos passageiros de doutrinas e filosofias humanas que se levantam contra o conhecimento de Cristo.

“Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste,

e que desde a infância sabes as sagradas letras que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em

Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a

correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” – II Timóteo 3:12-17

Lista de Materiais Educacionais Clássicos

Longe de ser exaustiva, segue uma lista de materiais Informativos e didáticos clássicos (ou de outras alternativas mais tradicionais) de que tenho tido conhecimento ou experiência e que indico aos meus leitores. A maioria deles está disponível apenas em língua inglesa, mas indicarei com um asterisco (*) o que pode ser encontrado em Português. Todas essas listas estão em construção. É bem vinda a

indicação de materiais pedagógicos, didáticos ou outros recursos que possam ser adicionados a qual- quer uma destas listas.

Materiais Informativos sobre a Educação Clássica

Os seguintes livros e artigos em geral apresentam uma defesa da educação clássica, e propõe um esquema de como ela pode ser implementada na escola ou no homeschooling, alguns apresentando uma espécie de manual da educação clássica, sugerindo métodos de ensino, práticas diárias, e lista de livros de leitura e didáticos, além de listas de habilidades e temas para serem desenvolvidos em cada fase, ano ou etapa.

- Adler, Mortimer J. The Paideia Proposal: An Educational Manifesto

- Adler, Mortimer J. How to Read a Book: The Classic Guide to Intelligent Reading

- Abadie; Camila e Gustavo. Blog Encontrando a Alegria. Curso Homeschooling 1.0

- Bauer, Susan. The Well-Trained Mind: A Guide to Classical Education at Home

- Bauer, Susan. The Well-Educated Mind: A Guide to the Classical Education You Never Had

- Como Educar Sua Mente: O Guia para Ler e Entender os Grandes Autores. É Realizações

- Bluedorn, Harvey. Teaching the Trivium: Christian Homeschooling in a Classical Style

- Ensinando o Trivium. Editora Monergismo. Lançamento 2016

- Bortins, Leigh A. The Core: Teaching Your Child the Foundations of Classical Education

- Ceducpi. I Congresso de Educação Cristã e Clássica em Teresina-PI, 23-25/07/2015 (palestras disponíveis no site ceducpi.com ou no youtube)

- CLARK, Gordon Haddon. A Christian Philosophy of Education.

- Classical Conversations. Classical Christian Education Made Approachable

- Cowan, Louise; Guiness, Os. Invitation to the Classics: A Guide to Books You’ve Always Wanted to Read

- Confraria de Artes Liberais. Web-page, cursos e Conferência de 2014. (www.arteslibe- rais.com.br)

- Davis, Karis B. G. Anglada: Fundamentos Históricos e Filosóficos da Educação Bíblico-Re- formada

- Educação Clássica Cristã? Artigo disponível no site www.macasdeouro.com

- Gregory, John Milton. The Seven Laws of Teaching

- Joseph, Miriam. The Trivium: The Liberal Arts of Logic, Grammar, and Rhetoric

- Layman, Jack. Filosofias Educacionais Modernas. Em: Fundamentos Bíblicos e Filosóficos da Educação.

- Macaulay, Susan Shaeffer. For the Children’s Sake

- Marshall McLuhan. O Trivium Clássico: O Lugar de Thomas Nashe no Ensino de Seu Tempo. Editora É Realizações.

- Sayers, Dorothy L. The Lost Tools of Learning

- As Ferramentas Perdidas da Educação. Tradução de Gabriele Greggersen. (Disponível no site www.cslewis.com.br ou facilmente encontrado na internet)

- Veith, Gene E. Jr. Classical Education: The Movement Sweeping America

- Tempos Pós-Modernos

- Wilson, Douglas. Recovering the Lost Tools of Learning

- Wilson, Douglas. Repairing The Ruins: The Classical and Christian Challenge to Modern Education

- Wilson, Douglas. The Case for Classical Christian Education

- Wilson, Douglas. Classical Education and the Homeschool

Instituições, Currículos, Editoras e Materiais Didáticos Clássicos:

CURRÍCULOS COMPLETOS:

- Classical Conversations - instituição clássica e cristã, indica materiais e leituras de obras clássicas, fornece alguns materiais didáticos próprios e organiza grupos locais semelhante a uma cooperativa, com eventos para formação dos pais e professores, e com aulas práticas para os alunos.

- Veritas Press - Fornece currículo clássico e cristão, reúne e indica materiais e produz aulas e curdos em diversas mídias, além de materiais didáticos próprios.

- Classical Christian Homeschooling - página que oferece sugestão de um currículo clássico e cristão completo, com conteúdos e materiais por séries e disciplinas, inclusive com catálogo online.

- Tapestry of Grace - Currículo Clássico e Cristão interdisciplinar e aprofundado, com base no ensino cronológico da história.

- Rod & Staff Curriculum & Christian Light Publications - Oferecem um currículo completo e exce-

lentes livros didáticos. Não se autodenomina como clássico, mas sua ênfase na memorização, ensino fonético, e riqueza de conteúdo são decididamente clássicas. Produzido pelos menonitas norte-ame- ricanos, é o currículo mais bíblico e genuinamente cristão de que tenho conhecimento. Eles buscam incorporar histórias, versículos apropriados e ensinamentos bíblicos em cada aula de gramática, geo- grafia, etc.

- Christian Liberty Press - Excelentes materiais acadêmicos para complementar qualquer currículo.

- Sonlight Curriculum - um currículo tradicional/clássico, baseado em muitos materiais e propostas clássicas existentes. Suas listas de literatura em inglês para a pré-escola são bastante úteis.

- My Father’s World - currículo baseado em leituras e experimentos (Método Charlotte Mason, que usa certas práticas do clássico, como a leitura de “livros de verdade”)

- Alpha e Omega Publications - oferecem várias propostas de currículos cristãos, mais ou menos integrados. Usam alguns métodos clássicos.

- A Beka Academy - Curso Completo cristão e tradicional (não se diz clássico, mas é excelente, bas-

tante tradicional e incorpora muitas práticas clássicas como a memorização e repetição nas séries inferiores, escrita cursiva, e excelentes textos. Possuem amplo material didático e oferecem todas as aulas do Jardim da Infância ao 12o. Ano em aulas em DVD ou streaming. Para quem quer que os filhos tenham uma educação bilíngue no Brasil, não conheço uma opção melhor, especialmente para

a pré-escola e primeiras séries do ensino fundamental. Eles oferecem o curso para alunos no exterior,

com várias opções de matrículas (só livros/ livros e dvd-independente/livros e dvd-acreditado, com acompanhamento e certificados). O custo é o lado negativo, já que o dólar está caro no momento, mas acredito que ainda sai mais acessível do que a maioria das escolas particulares. Obs. A teologia

nas aulas de Bíblia é arminiana.

- Bob Jones Curriculum - Oferece materiais e currículo cristão tradicional e completo em inglês,

semelhantes aos da A Beka. Não sei se eles oferecem DVDs para todas as séries. Teologia: Funda-

mentalista e Arminiana.

- Editora Mackenzie - Materiais Didáticos para todas as séries do Ensino Fundamental. Em Portu- guês.

- Fundamento Cristão - Materiais Didáticos Cristãos traduzidos e adaptados da renomada A BEKA Academy. Disponível atualmente em português para idades de 2-5 anos, e estão trabalhando no pri- meiro e segundo ano do Ensino Fundamental. Eles oferecem materiais do aluno e materiais de apoio

de estilo tradicional usando o método fônico de alfabetização, além livros de leitura progressiva para

o nível do aluno, e histórias com edificantes lições morais. Observação: a teologia por trás das histó-

rias bíblicas na versão americana é arminiana. Produtos e catálogos disponíveis no site: www.funda- mentocristão.com.br

- Materiais Didáticos SECAB - Sistema de Ensino Cristão Águia Brasil. (Muito bom: cristão, inte-

grado e educativo - não chega a ser clássico, mas é um pouco mais conteudista do que o material pré-

escolar do Mackenzie). www.secab.com.br/ vendas@secab.com.br/acessoriapedagogica@se- cab.com.br. Fone: 41 (3296-7822/32967823/88446991/99614488)

- Materiais didáticos IBEP - Coleção Eu Gosto Mais e outros. São os livros didáticos mais comple-

tos e sistemáticos que conheço na língua portuguesa, com bastante ênfase e exercício na gramática e nos conteúdos básicos das disciplinas, e com menos fundo ideológico, embora eu não tenha analisado todos os seus textos. O Material também tenta integrar, na medida do possível, os conteúdos relacio- náveis em seus diversos livros. Recomendo!

- Nadalim. Carlos. Autor do Blog e Curso “Como Educar seus Filhos em Casa” - Ele dá sugestões

de leituras e atividades para a formação pré-escolar e alfabetização pelo método fonético. (perspectiva católica)

- Abadie, Camila - Blog e curso sobre Ensino Clássico em Casa. Blog Encontrando a Alegria. Curso Homeschooling 1.0 (perspectiva católica)

BÍBLIA E DOUTRINAS:

- A Bíblia Sagrada – Edição Almeida Revista e Corrigida; Edição Almeida Revista e Atualizada; Edição Almeida Revista e Fiel, NVI – Nova Versão Internacional.

- Bíblia Sagrada. Histórias Ilustradas por José Bérez Montero. Sociedade Bíblica do Brasil.

- Kenneth Taylor – A Bíblia Ilustrada para os Pequeninos.

- Minha Primeira Bíblia Ilustrada. Ed. Cultura Cristã.

- A Bíblia do Bebê. SBB

- The Childs Story Bible, de Catherine Vos. Eerdmans. Um dos melhores livros de histórias bíblicas escritas para crianças em idade do ensino fundamental. (ainda em Inglês)

- Hunt, Susan. Samuca e Seu Pastor. Ficção ilustrativa baseada no Salmo 23. Editora Fiel. Excelente! (para ser lido para crianças pequenas; para leitura e interpretação por crianças maiores)

- Coleção Já Sei Ler. Editora Cultura Cristã. (Personagens e histórias bíblicas para quem está apren- dendo a ler).

- Moisés. Pôster com figuras adesivas. Sociedade Bíblica do Brasil (excelente para crianças pequenas- o pôster serve para todas as idades).

- Jesus. Pôster com figuras adesivas. Sociedade Bíblica do Brasil.

- O Detetive da Bíblia. Editado por Peter Martin. Sociedade Bíblica do Brasil (atividade educativa)

- 365 Atividades da Bíblia. (com reservas - figuras). Editora Bicho Esperto

- Clássicos da Bíblia. Vários livretos sobre o antigo e novo testamento. SBN. Bem barato.

- Conduzindo os Pequeninos a Deus. Por Miriam Schoolhouse. Editora Fiel. Histórias Bíblicas acompanham ensino de doutrinas para crianças em idade pré-escolar até as primeiras séries do ensino fundamental. Excelente!

- O ABC de Deus para a Vida. Por Joel Beeke e Diana Klein. Devocionais para crianças a partir de versículos que reforçam o ABC- Para crianças em idade Pré-escolar. Knox Publicações.

- Investigando a Palavra de Deus. (Vol. 1-5) Editora Monergismo. Material estilo Escola Dominical

que investiga a Bíblia livro por livro e cronologicamente, trabalhando em cada ano parte do Antigo e

parte do Novo Testamento.

- Série Edificando sobre a Rocha. Histórias de acontecimentos reais na vida de cristãos de várias épocas, incluindo crianças. Com leitura bíblica e perguntas de aplicação. Knox Publicações.

- Grande Livro de Perguntas e Respostas. Sinclair Ferguson. Ensino das doutrinas e da vida cristã para crianças pequenas. Adaptável a várias idades. Excelente. Editora Cultura Cristã.

- Série Referência Bíblica Essencial. O Mundo da Bíblia; Personagens da Bíblia. Tim Dowley. Edi- tora Cultura Cristã.

- O Pequeno Catecismo para Crianças. Editora PES.

- O Catecismo Menor de Westminster

- O Catecismo Maior e Confissão de Fé de Westminster.

ARTE:

- The Classical Child – Currículo de Música Clássica e estudo dos grandes compositores.

- God and the History of Art.

- History of Art – Creation to Contemporary – abordagem cristã da história da arte em cartões.

- Barry Stebbing - livros de arte do pré ao ensino fundamental.

- Drawing with Children. Mona Brooks.

-

Drawing through History (vol 1-2)

- Hoffman Academy. Curso Completo de Piano Online para crianças.

- Alfabarte. Ed. Cia das Letrinhas.

- Coleção Folha. Música Clássica para Crianças, Grandes Mestres da Pintura, Grandes Museus do Mundo, etc.

HISTÓRIA:

- The Mystery of History – Linda Lacour Hobar. Currículo Completo de História Mundial em 4 Vo- lumes. Clássico, Cristão e Cronológico. Para várias faixas etárias.

- The Story of the World. Susan Wise Bauer. História mundial contada para Crianças em 4 Volumes. Peace Hill Press

- Streams of Civilization. Mary Stanton & Albert Hyma. A História das Civilizações. Em 2 Volumes (cristão e profundo - indico para alunos do Quinto Ano em diante.)

- Biografias de 50 Meninos e 50 meninos que mudaram a história. Irene Howat. Christian Focus. (Aguarda Lançamento em Português pela Knox Publicações)

- History Lives. Crônicas da Igreja. Série de Biografias da História da Igreja em 5 volumes. C.Focus.

- Reformation Heroes. Diana Kleyn e Joel Beeke. Reformation Heritage Books.

- Adams, Simons. Atlas Ilustrados (4 volumes: Mundo Antigo, Explorações e Impérios, Mundo Me- dieval, Mundo Moderno). Editora Zastras.

- Kent, Peter. A Cidade ao Longo dos Tempos. Editora Zastras.

- Grande História Universal. Época Clássica. (e outros volumes). Editora Folio.

- Enciclopédia do Estudante vol16. História do Brasil: Das origens ao século XXI (e outros volu- mes). Editora Moderna.

MATEMÁTICA

- Saxon Math – Um dos mais aclamados cursos de matemática e preferido pela maioria dos currículos

e instituições clássicas. Abordagem Incrementada ao invés das séries tradicionais. Disponível em

todos os níveis (K-12). Em Inglês.

- Singapore Math.

- Math-U-See

- Nós e a Tabuada. Editora Saraiva.

- Coleção Matemática Completa. Giovanni e Bonjorno. Editora FTD.

- Livros de Malba Tahan. O Homem que calculava, etc.

- Escala Cusinaire. (www.escalacusinaire.blogspot.com)

INGLÊS/GRAMÁTICA/ESCRITA

- Rod & Staff English Curriculum - Excelente Currículo Cristão para Ensino da Língua Inglesa.

- Shurley English- abordagem para o ensino da gramática da língua inglesa através de rimas, etc.

- Institute for Excellence in Writing, Spelling, etc. Andrew Pudewa.

- Writing With Ease. Série “The Complete Writer”, de Susan Bauer. Teoria, prática e currículo de leitura e escrita usando métodos e textos clássicos.

- Músicas para ajudar na Memorização de Conteúdo. Grammar Songs, Geography Songs, Addition

Songs, Subtraction Songs, Multiplication Songs, Division Songs, etc. www.audiomemory.com.

- Curso de Inglês como Segunda Língua Fonético da A Beka Academy (ESL). Totalmente Online. Em 3 níveis. Com entrega de certificado.

Sites

de

jogos

ensino

de

inglês

online

- dingbear.com/www.starfall.com/ www.abcmouse.com

e

para

crianças:

PORTUGUÊS / ALFABETIZAÇÃO/LEITURA

- Gramática. Nilson Teixeira de Almeida. Ed. Saraiva

www.abcya.com/www.rea-

- Minimanual de Gramática. Editora Difusão Cultural do Livro.

- Manual Compacto da Gramática da Língua Portuguesa. Ensino Fundamental. Editora Rideel.

- Coleção No Capricho. Vol A-E. (gramática, ortografia e caligrafia integradas). Editora FTD. (ex- celente)

- Branca Alves de Lima Caminho Suave. Caminho Suave Edições. (Cartilha de Alfabetização pela Imagem) (indispensável) 4

4 Nota do Editor: Não aconselho por se tratar do método silábico. Prefiram métodos fonéticos que dão às crianças instru- mentos de suporte de leitura muito mais estáveis e sólidos.

- Fernando Cappovilla - Alfabetização Fonética

- Material Curso Fonético do prof. Carlos Nadalim. Ver Blog: Como educar seus filhos.

- Cartilha de Alfabetização. Editora Bicho Esperto. (Boa)

- Atividades Criativas. Editora Bicho Esperto.

- Treinando a Coordenação Motora. Editora Bicho Esperto.

- Supercartilha de Caligrafia. Bicho Esperto.

- Escolinha Todo Livro (Maternal-1o. Ano). Editora Todo Livro. (preferido das crianças para traba- lhar alfabeto, números, caligrafia, coordenação motora, etc.)

- Escolinha Esperta. Diversão e Aprendizado para Colorir. Ed. Bicho Esperto (trabalha alfabeto e formas geométricas, mais 10 temas de várias disciplinas- excelente!!!)

- 365 Histórias. Uma História por Dia. Ed. Bicho Esperto e Rideel (leituras extras - seculares e bíblicas - que podem ser selecionadas para leitura em voz alta, interpretação de textos, etc.)

Exemplos de Livros Clássicos Infantis: (ver editoras citadas para mais títulos).

- As Crônicas de Nárnia. Ed. Martins Fontes 5

- O Peregrino e a História Completa de A Peregrina. Ed. 100% Cristão 6

- O Peregrino em Quadrinhos. Ed. 100% Cristão

- Livros de Priet Prins: A Fuga, Dissipando a Tirania, Quando o Dia Nasceu, Lutando pela Liber- dade. Ed. Clire

- As Fábulas de Esôpo. Ed. Martins Fontes

- Potter, Beatrix. As Aventuras de Pedro Coelho. Cia das Letras

- Livros do Richard Scarry. Ed. Martins Fontes

- Livros do Dr. Seuss. Cia das Letras.

- Adivinha o Quanto Eu Te Amo. Ed. Martins Fontes

- Babar e Sua Família. Cia das Letras.

5 Nota do Editor: recomendo fortemente 6 Idem. Livro para ser lido pelo menos uma vez por ano.

- Beleza Negra. Cia das Letras.

- O Grufalo/ O Filho do Grufalo. Ed. Brinque Book

- Coleção de Laura Ingals Wilder. Ed. Record

- O Mistério do Vagão e outros livros da coleção de Gertrude Chandler Warner. (leitura de mistério para juniores). Editora Ediouro Paradidáticos

- Heidi

- Pequenas Mulheres

- Hans Brinker

- A Teia de Charllote

- Stuart Little

- Anne dos Green Gables

ACRESCENTADOS PELO EDITOR:

- Mark Twain – As aventuras de Tom e Huckleberry Finn

- Todos os livros do Sítio do Pica-pau Amarelo de Monteiro Lobato

- Livros de Júlio Verne

- Contos dos Irmãos Grimm

CIÊNCIAS/GEOGRAFIA:

- Ciências no Princípio e Ciências no Mundo Antigo. Dr. J. L. Wile. Berean Builders – Dois livros

sequenciais escritos do ponto de vista cristão e usado por educadores clássicos. O primeiro trata das ciências a partir dos dias da criação. O segundo explora a ciência conforme as descobertas científicas eram feitas durante a história.

- Christian Liberty Nature Reader. (Série Livro 1-7?) Christian Liberty Press.

- Serie de Geografia da Rod & Staff – material tradicional para todas as séries.

- A Child’s Geography: Explore His Earth. (e outros volumes). Ann Voskamp. Material profundo, cristão e baseado em métodos clássicos.

- Atlas Infantil. O Clima. Editora Schwager & Steinlein Verlag GmbH.

- Escolinha Esperta. Diversão e Aprendizado para Colorir. Ed. Bicho Esperto (trabalha 8 temas relacionados às ciências). (Indispensável)

- A Livraria Laselva tem uma publicação própria para crianças colorirem-bastante informativa, sobre

vários temas: animais e frutos da Amazônia, viagem pelo mundo, e outros. (Acho os livrinhos um pouco caros para o tamanho (+- 30,00 cada livrinho pequeno, mas excelente para quem gosta de reproduzir para as crianças colorirem./ Não encontrei na internet, verifique na livraria Laselva mais

próxima de você.)

- Editora Cia das Letras: Ao Sul da África / Às margens do Amazonas, etc.

Listas de Livros Clássicos Recomendados:

Infelizmente nossas fontes de boas leituras estão em sua maioria, em língua inglesa. Mas você pode,

a partir dessas listas, fazer uma pesquisa de livros recomendados que já tenham sido traduzidos para

o português. Quem sabe nosso próximo projeto pode ser o de reunir colaboradores para oferecermos em português uma boa lista de obras clássicas e cristãs para crianças e jovens. Recomendações são

bem-vindas!

PARA ADULTOS:

Como conseguir uma educação liberal sem ir a Universidade? Lista de Obras Clássicas divididas em quatro anos de leituras para adultos.

- Lista de Leitura Recomendada no livro de Mortimer Adler: Como Ler um Livro.

- Os Guiness. Invitation to the Classics - guia cristão para leitura de obras clássicas.

PARA CRIANÇAS:

-

Honey for a Child’s Heart by Gladys Hunt- lista de boas leituras para crianças de 0-14 anos

 

-

Honey for a Teen’s Heart – Lista de bons livros para adolescentes.

 

-

Catálogo da Veritas Press para indicações de leituras por séries.

-

1000 Good Books List- lista compilada por um grupo de mães que praticam homeschooling.

 

-

Ambleside Online – é um currículo online de graça baseado no ideal de Charlotte Mason

-

A

Complete Classical

Christian School

Reading

List:

Grades

1-8,

by Justin

Taylor.

in:

www.blogs.thegospelcoalition.org.

Boas Fontes de Literatura Cristã/Reformada (e de nossos clássicos) em Geral:

- Monergismo

- Editora Os Puritanos

- Editora Fiel

- Clire

- Editora Cultura Cristã

- Knox Publicações

- Editora PES

- Sociedade Bíblica do Brasil

- Blog O Tempora, O Mores

- Blog Mulheres Piedosas

- Blog Maçãs de Ouro

- Blog Universo Criacionista

- Reformation Heritage Books

- Solid Ground Christian Books

- Westminster Bookstore

- Ligonier Ministries

Editoras com Material Educativo Infantil em Português (com reservas):

- APEC- Aliança Pró-Evangelização das Crianças. Livraria Online.

- Editora Hagnos (livros infantis)

- Editora 100%Cristão

- Editora Mundo Cristão

- Editora Vida

- Editora Concórdia

- Editora Martins Fontes

- Editora Ediouros Paradidáticos

- Editora Brinque Book

- Editora Record

- Editora Bicho Esperto

- Editora Rideel

- Editora Concórdia

- Editora Moderna

- Editora FTD

- Editora Ática

- Cia das Letrinhas

- Ciranda Cultural

Bibliografia:

- Adler, Mortimer; Van Doren, Charles. How to Read a Book. Touchstone, New York: 1972.

- Anglada, Karis B. G. Correntes do Currículo. Em: Fundamentos Históricos e Filosóficos da Educa- ção Bíblico-Reformada (TCC) Disponível em postagem no blog Maçãs de Ouro.blogspot.com

- Bauer, Susan. The Well-Trained Mind. W. W. Norton & Company: 2009.

- CLARK, Gordon Haddon. A Christian Philosophy of Education. 3.ed. Unicoi, Tennessee: The Tri- nity Foundation, 2000. 196p. (The works of Gordon Haddon Clark, v. 10)

- Layman, Jack. Filosofias Educacionais Modernas. Em: Fundamentos Bíblicos e Filosóficos da Edu-

cação. Série Perspectivas Cristãs da Educação. ACSI- Purposeful Design Publications. São Paulo,

2004.

- Guiness, Os; Cowan, Louise. Invitation to the Classics. Baker Books: Michigan, 1998.

- Sampson, Robin. What your Child Need to Know When. Heart of Wisdom Publishing: 2009.

- Sayers. Dorothy. As Ferramentas Perdidas da Educação.

- Veith, Gene Edward. Tempos Pós-Modernos: uma avaliação cristã do pensamento e da cultura da nossa época. 1.ed. São Paulo: Cultura Cristã:1999.

- Wilson, Douglas. Recovering the Lost Tools of Learning. Crossway Books. Wheaton, 1999.