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PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ

FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE SÃO JOSÉ


CENTRO UNIVERSITÁRIO MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ – USJ
CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

CARLÍRIA AMARANTE MARTINS

VANTAGENS E DESAFIOS ENFRENTADOS PELO MICROEMPREENDEDOR


INDIVIDUAL

São José
2015
PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ
FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE SÃO JOSÉ
CENTRO UNIVERSITÁRIO MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ – USJ
CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

CARLÍRIA AMARANTE MARTINS

VANTAGENS E DESAFIOS ENFRENTADOS PELO MICROEMPREENDEDOR


INDIVIDUAL

Trabalho elaborado para a disciplina de Estágio III do


Curso de Ciências Contábeis do Centro Universitário
Municipal de São José – USJ.
Orientadora: Dr.ª Alissane Lia Tasca da Silveira

São José
2015
AGRADECIMENTOS

A Deus por ter me dado saúde e força para superar as dificuldades e concluir este
trabalho, estando comigo não somente nesses anos como universitária, mas em todos os
momentos em que precisei. Por ter apontado sempre o melhor caminho a trilhar e,
principalmente, por me escutar quando pedi sua ajuda para não desanimar.
Meus agradecimentos à professora Alissane Lia Tasca da Silveira, por sempre mostrar-se
disposta a me ajudar na elaboração deste trabalho, apresentando ideias e soluções. Expresso meu
reconhecimento e admiração por sua competência profissional e pelo tempo que se colocou à
minha disposição.
À minha família, meu eterno amor, que, com muito carinho e apoio, não mediram
esforços para que eu chegasse até esta etapa da minha vida e me deram força nos meses em que
mais precisei. Muito obrigada.
Agradeço às minhas amigas, Edilene Hames da Silva, Janaína Schurhaus e Marcia Helena
pelo apoio, convivência e palavras de compreensão nos momentos de estresse. Em especial, à
minha grande amiga, Morgana Meurer, pelo apoio e confiança na elaboração deste trabalho,
disponibilizando, sempre, tempo, experiências e ideias as quais ampliaram meus conhecimentos.
Enfim, agradeço a todos que direta ou indiretamente fizeram parte da minha formação,
acreditando na minha capacidade, ajudando, assim, a concluir minha graduação.
O sucesso nasce do querer, da determinação e
persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo
não atingindo o alvo, quem busca
e vence obstáculos, no mínimo fará coisas
admiráveis. (JOSÉ DE ALENCAR).
RESUMO

Este trabalho foi desenvolvido com base no estudo e conhecimento da Lei Complementar nº
128/2008, que apresenta a figura do Microempreendedor Individual (MEI), e tem como objetivo
demonstrar as vantagens e os desafios que a legislação traz para o trabalhador informal,
verificando se é vantajoso ou não optar por tal sistemática. A pesquisa consiste em um estudo de
caso realizado com a empresa1 P&F Serviços Automotivos, que hoje atua informalmente, a fim
de demonstrar as possibilidades de formalização do negócio, bem como verificar qual seria a
condição mais benéfica para a empresa: a informalidade ou MEI. Este trabalho caracteriza-se por
sua natureza descritiva, e a abordagem do problema apresentado foi desenvolvida de forma
qualitativa. Para o fisco, o aumento da formalização é uma grande conquista, pois aumenta a
arrecadação de tributos e movimenta a economia do país. O surgimento da Lei Complementar nº
128/2008 é uma excelente oportunidade para legalização de trabalhadores que situam-se no
mercado informal. Para a empresa P&F Serviços Automotivos a formalização é a opção mais
benéfica, pois a arrecadação na parte previdenciária se torna menor, trazendo, também, benefícios
que a informalidade não permite, tais como amparos legais, financeiros e governamentais.

Palavras-chave: Microempreendedor Individual. Informalidade. Lei Complementar nº 128/2008.


Formalização.

1
Empresa: Não personificada
LISTA DE QUADROS
Quadro 1: Características essenciais dos tipos de empresa mais comuns no Brasil................ 22
Quadro 2: Passo a passo para a formalização .......................................................................... 28
Quadro 3: Modelo do Relatório Mensal das Receitas Brutas .................................................. 35
Quadro 4: Atividades que não podem optar pelo MEI ............................................................ 39
Quadro 5: Total Geral dos Microempreendedores Individuais ............................................... 40
Quadro 6: Documentos para consulta de viabilidade .............................................................. 45
Quadro 7: Documentos para solicitação do alvará de funcionamento MEI ............................ 47
Quadro 8: Vantagens e desvantagens do MEI ......................................................................... 54

LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1: Documento de arrecadação do microempreendedor individual ............................... 28
Figura 2: Deferimento consulta de viabilidade ....................................................................... 46
Figura 3: CNAE de enquadramento pela empresa .................................................................. 48

LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Cálculo de custo para contratação de funcionário ................................................... 49
Tabela 2: Despesas trabalhador informal ................................................................................ 51
Tabela 3: Despesas empreendedor individual ......................................................................... 52
Tabela 4: Análise da diferença entre o trabalhador informal e MEI ....................................... 53
LISTA DE SIGLAS

Caged – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados


CLT – Consolidação das Leis do Trabalho
CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas
CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas
Cofins – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social
CPF – Cadastro de Pessoas Físicas
CPP – Contribuição Patronal Previdenciária
CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
CTPS – Carteira de Trabalho e Previdência Social
DARF – Documento de Arrecadação de Receitas Federais
DAS – Declaração Anual do Simples Nacional
DAS-MEI – Documento de Arrecadação Simplificada do Microempreendedor Individual
DASN-Simei – Declaração Anual do Simples Nacional para o Microempreendedor Individual
Eireli – Empresa Individual de Responsabilidade Limitada
EPP – Empresa de Pequeno Porte
FCN – Ficha de Cadastro Nacional
Fenacon – Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de
Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas
FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
G1 – Portal de Notícias da Globo
GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social
GFIP/Sefip – Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações a Previdência Social/Sistema
Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social
GPS – Guia da Previdência Social
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Ibope – Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística
ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
INSS – Instituto Nacional do Seguro Social
IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados
IPTU – Impostos Predial e Territorial Urbano
ISS – Imposto Sobre Serviços
LC – Lei Complementar
LTDA – Limitada
ME – Microempresa
MEI – Microempreendedor Individual
NIRE – Número de Identificação do Registro da Empresa
OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
PGD CNPJ – Programa Gerador de Documentos do CNPJ
PGMEI – Programa Gerador de DAS do Microempreendedor Individual
PIS – Programa de Integração Social
RAIS – Relação Anual de Informações Sociais
SDS – Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável
Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
Sescap/Sescon – Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de
Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas
Simei – Sistema de Recolhimento em Valores Fixos e Mensais dos Tributos abrangidos pelo
Simples Nacional
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 11
1.1 OBJETIVO GERAL ................................................................................................... 12
1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ...................................................................................... 12
1.3 JUSTIFICATIVA ........................................................................................................ 13
1.4 DESCRIÇÃO DOS CAPÍTULOS .............................................................................. 14

2 METODOLOGIA ......................................................................................................... 15
2.1 QUANTO À NATUREZA.......................................................................................... 15
2.2 QUANTO À ABORDAGEM DO PROBLEMA ........................................................ 15
2.3 QUANTO AOS OBJETIVOS..................................................................................... 15
2.4 QUANTO AOS PROCEDIMENTOS TÉCNICOS .................................................... 16
2.5 COLETA DE DADOS ................................................................................................ 16
2.6 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS....................................................... 17
2.7 AMBIENTE DE PESQUISA ...................................................................................... 17

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................... 18


3.1 O MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL NO CONTEXTO DO DIREITO
EMPRESARIAL ......................................................................................................... 18
3.1.1 O empresário e a empresa ........................................................................................ 18
3.1.2 Modalidades e constituição de empresas................................................................. 21
3.1.3 Escrituração ............................................................................................................... 24
3.2 O DIREITO TRIBUTÁRIO NO ÂMBITO DO MICROEMPREENDEDOR
INDIVIDUAL ............................................................................................................. 25
3.2.1 Carga tributária ........................................................................................................ 26
3.2.2 Tributação do microempreendedor individual ...................................................... 27
3.2.3 Formalização do microempreendedor individual .................................................. 28
3.3 REFLEXOS TRABALHISTAS E PREVIDENCIÁRIOS AO
MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL ............................................................... 29
3.3.1 Obrigações trabalhistas e previdenciárias ............................................................... 30
3.3.2 Contratação de empregado ....................................................................................... 30

4 ORIENTAÇÕES AO MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL......................... 32


4.1 VANTAGENS DE SE TORNAR MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL........ 32
4.1.1 Gratuidade na utilização de serviços contábeis ...................................................... 32
4.1.2 Escrituração simplificada ........................................................................................ 34
4.1.2.1 Relatório mensal das receitas brutas .......................................................................... 34
4.1.2.2 Declaração anual do microempreendedor individual (DASN-Simei)........................ 35
4.1.2.3 Benefícios da previdência social ................................................................................ 35
4.1.2.4 Alvará de funcionamento ........................................................................................... 36
4.1.3 Acesso bancário e vendas com cadastro nacional da pessoa jurídica ................. 36
4.1.4 Possibilidade de crescimento ................................................................................... 37
4.1.4.1 Programa Juro Zero .................................................................................................... 37
4.2 DESAFIOS ENFRENTADOS PELOS MICROEMPREENDEDORES
INDIVIDUAIS ............................................................................................................ 38
4.2.1 Atividades permitidas para enquadramento como MEI ...................................... 38
4.2.1.1 Números de microempreendedores nos estados brasileiros ....................................... 40
4.2.2 Contratação de apenas um funcionário ................................................................. 41
4.2.3 Pagamento do documento de arrecadação do simples nacional (DAS) sem
movimento ............................................................................................................................. 41
4.2.4 Faturamento até R$ 60.000,00 ............................................................................... 42
4.2.5 Expansão limitada ................................................................................................... 42
4.2.5.1 Impedimento de ter sócios ........................................................................................ 43
4.2.5.2 Estabelecimento único............................................................................................... 43
4.2.5.3 Impedimento de participações em outras empresas .................................................. 43

5 ESTUDO DE CASO ..................................................................................................... 44


5.1 DESCRIÇÃO DA EMPRESA ....................................................................................... 44
5.2 REGISTRO NOS ÓRGÃOS PÚBLICOS ..................................................................... 45
5.3 ARRECADAÇÃO DOS TRIBUTOS ............................................................................ 47
5.3.1 Arrecadação de tributos na parte previdenciária .................................................... 48
5.4 TRABALHADOR INFORMAL X EMPREENDEDOR INDIVIDUAL..................... 50
5.5 VANTAGENS E DESVANTAGENS DO MEI ........................................................... 53

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................... 55

REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 57
ANEXOS ............................................................................................................................... 65
ANEXO A – Termos de autorização para divulgação de informações de empresas ............. 65
11

1 INTRODUÇÃO

Dentre as dificuldades enfrentadas pelos empresários brasileiros, está a falta de


conhecimento no mercado em que atuam. Para enfrentar a realidade das mudanças no mundo dos
negócios, as empresas precisam conhecer o mercado em que estão inseridas, a fim de enfrentar as
exigibilidades perante o fisco, as quais necessitam ser gerenciadas.
Conforme Matos (2004, p. 2):

Estruturação do negócio e processo de gestão são aspectos que você realmente


precisa se desafiar a conhecer e dominar. Todo esforço que fizer para aprender,
tanto com as empresas que alcançaram sucesso como com os casos de fracasso, será
o seu mais importante investimento, o que realmente sustentará a viabilidade de seu
negócio.

É importante ressaltar que os contadores devem analisar a melhor forma de tributação


para cada empresa. Com as alterações apresentadas no dia a dia, muitas vezes, as empresas
podem estar sendo oneradas tributariamente, por não estarem enquadradas na situação fiscal mais
adequada.
Conforme Fusc (2010 apud TENCONI; PETRI, 2011, p. 1) “[...] no Brasil o que mais
afeta negativamente os negócios é a alta carga tributária, segundo os próprios empresários”. Pela
existência desse grau de burocratização e tributação a que as empresas estão sujeitas, muitos
empresários enxergam a sonegação ou a evasão fiscal como saídas. Tais práticas se resumem no
uso de meios ilícitos para livrar-se da cobrança e no pagamento dos tributos após a ocorrência do
fato gerador.
Com base nas informações do site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE, 2014), o número de empresas na informalidade em 2003 passou de dez milhões. Portanto,
foi preciso criar um dispositivo que diminuísse o número de informalidade das empresas. Com a
publicação da Lei Complementar 128/2008, seguida, recentemente, da Lei Complementar
147/2014, o governo tem a expectativa que grande parte dos profissionais se regularize.
Para isso, o governo apresentou benefícios e vantagens para abertura do seu próprio
negócio. O pequeno custo é um dos principais atrativos para se tornar Microempreendedor
Individual (MEI). Assim, espera-se por muitos interessados no programa.
12

O presente trabalho é desenvolvido para guiar o trabalhador informal a registrar-se


adequadamente, conforme as exigências e alterações da Lei Complementar 128/2008,
apresentando suas vantagens, identificando os desafios e demonstrando os caminhos legais para
melhor controle da empresa.

1.1 OBJETIVO GERAL

Segundo Cervo e Bervian (1983, p. 76):

Os objetivos que se têm em vista definem, muitas vezes, a natureza do trabalho, o tipo de
problema a ser selecionado, o material a coletar e etc.
Quanto à sua natureza, os objetivos podem ser: intrínsecos, quando se referem aos
problemas que ser quer resolver; extrínsecos, tais como dever de aula, solicitação de
interessados, trabalhos finais dos cursos de formação, resolver problemas pessoais,
produzir algo de original.

Assim, o objetivo geral deste trabalho é orientar o trabalhador informal a tornar-se


microempreendedor individual, apresentando as vantagens e desafios enfrentados nesse processo.

1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

• Identificar a importância da formalização para os empresários informais com base


nas constantes alterações legislativas.
• Analisar o contexto da Lei Complementar 128/2008 e suas alterações, a qual
institui a figura jurídica do microempreendedor individual, apresentando os fundamentos na área
empresarial, tributária e previdenciária.
• Demonstrar as condições financeiras para tornar-se microempreendedor
individual, evidenciando se é plausível que a empresa analisada opte pela personificação.
13

1.3 JUSTIFICATIVA

A falta de informação de como regularizar uma empresa, faz com que muitos empresários
optem em trabalhar de forma irregular perante o fisco. O profissional acredita que será
burocrático regularizar e até manter uma empresa.
Conforme Sebrae (2015):

Entre os meses de outubro de 2012 e 2013, o número de Microempreendedores


Individuais (MEIs) aumentou 37% e atingiu 3,5 milhões no Brasil. O avanço foi
acompanhado pela elevação da inadimplência e, segundo a Receita Federal, 52% dos
MEIs estão com tributos em atraso. No estado de São Paulo, são 54%. Entre as
principais causas, está o desconhecimento do sistema por parte do MEI. Mas não há
segredo para regularizar essa situação.

A escolha desse tema visa orientar o trabalhador informal acerca da regularização das
empresas, demonstrando que tal processo traz benefícios significativos tanto para o próprio
trabalhador, no que se refere a benefícios relacionados à estabilidade profissional, como o seguro-
desemprego e a aposentadoria, quanto para a empresa, que por meio do Cadastro Nacional de
Pessoa Jurídica (CNPJ) torna-se mais representativa e competitiva no mercado.
Acredita-se que este estudo irá conceder maior conhecimento sobre a importância da
formalização, ajudando, assim, na coleta de dados para tomada de decisões nas quais a empresa
e/ou o empresário serão beneficiados.
Para a sociedade, a regularização das empresas é importante para que não haja déficit nos
cofres públicos e, assim, possam ser arrecadados mais fundos para investimentos.
De acordo com Cecílio (2014):

A sonegação fiscal é considerada crime contra a ordem tributária por retirar ou reduzir
os direitos do cidadão, inviabilizando a implementação de políticas públicas nas mais
diferentes áreas, como da educação, saúde, segurança e infraestrutura básica. Ela é
danosa aos cofres públicos, pois consiste na adoção de conduta que exime o sonegador
do pagamento total ou parcial do tributo, como por exemplo: inserir elementos inexatos
ou omitir operação em documentos ou livros exigidos pela Legislação Fiscal; falsificar
ou alterar documentos fiscais relativos às operações ou prestações de serviços; prestar
declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas; não emitir a nota fiscal, cupom fiscal
ou não declarar o valor do tributo devido à ocasião em que é apurado pelo Fisco através
do lançamento de ofício.
14

Com este trabalho, pretende-se orientar à importância da formalização para os


empresários informais, analisando as constantes alterações legislativas, comparando as condições
financeiras e trazendo maior aprofundamento nos conhecimentos sobre o tema.
O presente estudo também poderá ser utilizado como fonte de pesquisas acadêmicas, isto
é, servindo como embasamento a trabalhos futuros e auxiliando em demais casos de
regularização de profissional informal.

1.4 DESCRIÇÃO DOS CAPÍTULOS

Esta pesquisa está estruturada em seis capítulos e apresenta um estudo sobre MEIs,
vantagens, desafios e análise da formalização de uma empresa. O primeiro capítulo apresenta a
introdução, o objetivo geral, os específicos, bem como a justificativa para elaboração deste
trabalho.
O segundo capítulo traz a metodologia utilizada para desenvolvimento da pesquisa,
apresentando separadamente cada modalidade. Já o terceiro capítulo, abrange a fundamentação
teórica, demonstrando os principais aspectos do microempreendedor individual no âmbito
empresarial, tributário e previdenciário.
O quarto capítulo apresenta orientações com relação às vantagens e os desafios a enfrentar
no processo de regularização. O quinto capítulo traz o estudo de caso, onde foi analisado se é
vantajoso ou não para uma empresa optar pela sistemática do microempreendedor individual.
Por fim, o sexto capítulo abrange as considerações finais, onde consta a conclusão da
pesquisa, as recomendações para trabalhos futuros, seguidas das referências bibliográficas.
15

2 METODOLOGIA

Verifica-se, a seguir, a metodologia de pesquisa utilizada, ou seja, os métodos e


procedimentos para sua realização.

2.1 QUANTO À NATUREZA

Este trabalho abrange a pesquisa aplicada, pois tem como foco a análise e observação de
um trabalhador informal, feita através de um estudo de caso, propondo soluções e caminhos para
eliminar o problema do objetivo de estudo, por meio da obtenção de informações e aplicação do
método de análise. “A pesquisa aplicada apresenta muitos pontos de contato com a pesquisa pura,
pois depende de suas descobertas e se enriquece com o seu desenvolvimento” (GIL, 1999 apud
SANTOS, 2011, p. 15).
A motivação para a realização de uma pesquisa aplicada é fornecer conhecimento para
aplicação dos resultados, desvendando, assim, o problema que está inserido na realidade.

2.2 QUANTO À ABORDAGEM DO PROBLEMA

Com relação à forma de abordar o problema, utilizou-se o método qualitativo, em que


foram analisadas leis, artigos, documentos, livros, endereços eletrônicos, a fim de realizar uma
investigação com um profissional informal ao se formalizar como MEI. Além dessa análise,
foram efetuados cálculos fiscais e trabalhistas a fim de verificar todos os aspectos que envolvem
a regularização da empresa.

2.3 QUANTO AOS OBJETIVOS

Para análise dos objetivos, foi utilizada a pesquisa descritiva, tendo como objetivo
primordial a descrição das vantagens e desafios enfrentados pelos microempreendedores
individuais. Tem-se como finalidade, orientar, identificar, analisar a formalização de um
16

profissional não formalizado, comparar as condições financeiras e os resultados obtidos. Nesse


caso, a pesquisa “Procura descobrir, com a precisão possível, a frequência com que um fenômeno
ocorre, sua relação e conexão com os outros, sua natureza e características” (CERVO;
BERVIAN, 2002, p. 66).
Cabe destacar que para esse tipo de pesquisa é necessário um conhecimento profundo do
tema estudado, pois o assunto abordado na pesquisa descritiva já deve ser de conhecimento do
pesquisador e apontará uma visão maior sobre a realidade já existente.

2.4 QUANTO AOS PROCEDIMENTOS TÉCNICOS

Tem-se como principal procedimento de pesquisa a pesquisa bibliográfica, pois após a


busca de informações bibliográficas em livros, artigos, acervos virtuais (internet) é feita a análise,
a fim de estudar a melhor condição para determinado trabalhador: informalidade ou MEI.
Segundo Koche (1997 apud SANTOS, 2011, p.15) utilizar teorias publicadas em livros
ou em obras congêneres, analisando-as e avaliando sua contribuição, auxilia na compreensão ou
explicação do problema que é o objeto da investigação.
A pesquisa bibliográfica tem o objetivo de colocar o leitor em contato com fundamentos
já escritos sobre determinado assunto trazendo, assim, mais autenticidade para determinado
assunto.

2.5 COLETA DE DADOS

A coleta de dados designada como fonte primária acontece por meio de livros, leis
específicas, endereços eletrônicos e questionamentos levantados junto ao proprietário e
funcionário da empresa P&F Serviços Automotivos, levando a maior compreensão do assunto
estudado.
De acordo com Gil (2008, p. 60):

Parte considerável do trabalho de pesquisa consiste na utilização de recursos fornecidos


pelas bibliotecas. Isso é verdadeiro não apenas para as pesquisas caracterizadas como
bibliográficas, mas também para os demais delineamentos. Qualquer que seja a pesquisa,
a necessidade de consultar material publicado e imperativo. Primeiramente, há a
necessidade de se consultar material adequado à definição do sistema conceitual da
pesquisa e à sua fundamentação teórica. Também se torna necessária a consulta ao
17

material já publicado tendo em vista identificar o estágio em que se encontram os


conhecimentos acerca do tema que está sendo investigado.

A pesquisa baseia-se na coleta de informações relacionadas diretamente ao assunto


estudado e também é originária de estudos onde são fornecidos dados já existentes.

2.6 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

A análise fundamenta-se na movimentação da empresa, na legislação vigente e suas


alterações, como também nos documentos e relatórios utilizados pela empresa para controle
administrativo. A partir dessa análise é possível, então, que a P&F Serviços Automotivos perceba
se sua empresa poderá cumprir com as exigibilidades do governo sem prejudicar o lucro e sua
produtividade.

2.7 AMBIENTE DE PESQUISA

A empresa P&F Serviços Automotivos, criada em junho de 2013, está localizada na Rua
Princesa Isabel, 272 Ponte do Imaruim – Palhoça/SC. É uma empresa especializada em pequenos
e médios reparos em lataria e pintura e polimento em automóveis na região metropolitana de
Florianópolis.
A prestação de serviços é feita principalmente para pessoas físicas, pois, como a empresa
apresenta-se irregular perante o fisco, não emite notas fiscais, o que dificulta a relação de trabalho
com pessoas jurídicas.
Para este trabalho são considerados os registros legais em órgãos públicos, a carga
tributária, os cálculos trabalhistas, os desafios do trabalho formal, bem como, os benefícios da
regularização e suas vantagens para a empresa P&F Serviços Automotivos.
A seguir, tem-se o início da fundamentação teórica, que consiste no terceiro capítulo deste
trabalho.
18

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Este capítulo apresentará as principais características dos microempreendedores,


evidenciando o contexto do microempreendedor individual no âmbito empresarial, tributário e
previdenciário.

3.1 O MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL NO CONTEXTO DO DIREITO


EMPRESARIAL

O Direito Empresarial, também conhecido como Direito Comercial, tem por objetivo
cuidar dos bens e serviços que atendem ou superem as expectativas dos consumidores.

O Direito Comercial cuida do exercício dessa atividade econômica organizada de


fornecimento de bens e serviços, denominada empresa. Seu objetivo é o estudo dos
meios socialmente estruturados de superação dos conflitos de interesses envolvendo
empresários ou relacionados às empresas que exploram. As leis e a forma pela qual são
interpretadas pela jurisprudência e doutrina, os valores prestigiados pela sociedade, bem
assim o funcionamento dos aparatos estatal e paraestatal, na superação desses conflitos
de interesses, formam o objetivo da disciplina. (COELHO, 2014, p. 24).

Direito Empresarial é uma das subdivisões do chamado Direito Privado. Tal divisão
estabelece uma condução harmônica das atividades de interesse coletivo. O principal documento
do Direito Empresarial no Brasil é o Código Civil, que prevê as disposições importantes para os
empresários e as empresas (SANTIAGO, 2015).

3.1.1 O empresário e a empresa


Conforme Art. 966 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, “[...] considera-se
empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a
circulação de bens ou de serviços”.
Assim, para se caracterizar como empresário é necessário exercer a atividade
profissionalmente, ou seja, executá-la como habitualidade, cumprindo para com a atividade do
objeto empresarial e buscando o bem da empresa de forma organizada para se obter lucro.
19

Para dar início à atividade empresarial é necessário, entre outras providências, fazer o
registro nos órgãos públicos.

Art. 1.150. O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Registro Público de


Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade simples ao Registro
Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá obedecer às normas fixadas para aquele
registro, se a sociedade simples adotar um dos tipos de sociedade empresária. (BRASIL,
2002).

O Sebrae (2015) assevera que, o primeiro passo a ser realizado é a empresa fazer o
registro legal na Junta Comercial do Estado onde a empresa está localizada. Diante disso, a
pessoa jurídica passa a existir oficialmente. Para tanto, é necessária a apresentação de alguns
documentos como o contrato social (com visto do advogado), documentos pessoais dos sócios da
empresa, verificar se não há nenhuma empresa registrada com o nome desejado, requerimento
padrão da Junta Comercial, FCN (Ficha de Cadastro Nacional) e o pagamento das taxas por meio
de DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais).
Conforme Decreto-Lei nº 1.800, de 30 de janeiro de 1996:

Art. 1º O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins será exercido em


todo o território nacional, de forma sistêmica, por órgãos federais e estaduais, com as
seguintes finalidades:

I - dar garantia publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos atos jurídicos das
empresas mercantis, submetidos a registro na forma da lei;

II - cadastrar as empresas mercantis nacionais e estrangeiras em funcionamento no País e


manter atualizadas as informações pertinentes;

III - proceder à matrícula dos agentes auxiliares do comércio, bem como ao seu
cancelamento.

Aprovado o registro da empresa, será entregue ao requerente o NIRE (Número de


Identificação do Registro da Empresa), que descreve um número em anexo ao ato constitutivo.
Após o NIRE, a empresa já pode obter o seu CNPJ, que é feito pelo site da Receita Federal do
Brasil, por meio do Programa Gerador de Documentos do CNPJ (PGD CNPJ) versão web. Os
documentos devem ser apresentados diretamente na Secretaria da Receita Federal do Brasil e,
então, deve-se aguardar o deferimento. Ao fazer esse cadastro é necessário escolher qual a
20

atividade que a empresa irá exercer, para classificação de sua tributação e também para a
fiscalização da atividade prestada pela empresa.
Considerando que “O CNPJ compreende as informações cadastrais das entidades de
interesse das administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios” (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2015), ao concluir a etapa do seu
cadastramento, é indispensável providenciar o alvará de funcionamento da prefeitura ou
administração regional. Esse alvará é a licença que permite o funcionamento da empresa e nele
deve ser apresentado o formulário próprio da prefeitura do município onde a empresa está
inserida, a consulta prévia do endereço aprovada, o CNPJ, o Contrato Social e o laudo dos órgãos
responsáveis, quando necessário.

O Alvará de Funcionamento é o documento hábil para que os estabelecimentos possam


funcionar, respeitadas ainda as normas relativas a horário de funcionamento,
zoneamento, edificação, higiene sanitária, segurança pública e segurança e higiene do
trabalho e meio ambiente. A expedição do alvará é de competência da Prefeitura
Municipal ou da Administração Regional (no caso do Distrito Federal) da circunscrição
onde se localiza a empresa. (PORTAL DO EMPREENDEDOR, 2015).

Mesmo que a empresa não possua funcionário registrado, o cadastro na Previdência


Social é fundamental para concluir o registro da empresa. Caso a entidade queira contratar um
funcionário para ajudar no seu objetivo, é preciso que ela esteja em dia com suas obrigações,
podendo solicitar, assim, o cadastro da empresa e seus sócios. O prazo para o cadastro é de 30
dias após o começo das atividades da empresa.
“Todas as pessoas, físicas ou jurídicas, consideradas e equiparadas a empresas pela
legislação previdenciária estão obrigadas à matrícula, que se caracteriza como ato de
cadastramento para identificação do contribuinte junto ao INSS” (CONTEÚDO TRABALHISTA
2015).
Por fim, a empresa deve preparar seu aparato fiscal, ou seja, de acordo com a atividade
prestada, se for serviço, por exemplo, esta deverá solicitar junto à prefeitura uma autorização para
emissão de notas fiscais e autenticação de livros fiscais. Se for indústria ou comércio, essa
solicitação deverá ser feita junto a Secretaria do Estado da Fazenda.
É de extrema importância certificar-se, sempre, se todos os processos foram efetivados
com sucesso, o que garantirá à empresa seguir seus passos com segurança.
21

3.1.2 Modalidades e constituição de empresas


O Código Civil estabelece que a personalidade jurídica de uma empresa inicie-se com o
registro de seus atos constitutivos. Segundo o Art. 997 da Lei 10.406 de janeiro de 2002 “A
sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público [...]”, ou seja, esse tipo de
sociedade é classificado como sociedades personificadas, que possuem personalidade jurídica.
Existem também as sociedades não personificadas, que, por sua vez, estão discriminadas no
subtítulo I da mesma lei, que se refere aos atos constitutivos não inscritos, isto é, que esse tipo de
sociedade não possui personalidade jurídica, pois não possuem registro.
São várias as modalidades de empresas que os empresários podem optar para o
desenvolvimento de sua entidade, porém, para não fazer a escolha errada e arcar com valores
desnecessários, é necessário observar as classificações de acordo com o setor econômico
(faturamento), os objetivos, a quantia de sócios, a dimensão da empresa, a organização e/ou a
atividade que pretende- se seguir.
“Uma empresa é uma associação de pessoas para a exploração de um negócio que produz
e/ou oferece bens e serviços, com vistas, em geral, à obtenção de lucros. Ela pode ser particular,
governamental ou de economia mista, além de poder ter diferentes formas jurídicas”
(CREPALDI, 2008, p.34).
A escolha da modalidade da empresa é verificada de acordo com a responsabilidade de
cada sócio. No caso do empresário individual, responde pelos atos da pessoa física e jurídica, já
na sociedade limitada, responde pelas quotas dos sócios. Quando há desconstituição da pessoa
jurídica, que acontece quando há o descumprimento da lei para autobenefício, é possível
responder, também, pelos atos da pessoa física.
No caso do Eireli, é o empresário individual, com responsabilidade limitada, quem deverá
cumprir os requisitos específicos, como ter capital social de 100 salários mínimos, por exemplo.
Cabe mencionar que a empresa Eireli também pode ter a desconstituição da pessoa jurídica.
A primeira escolha a ser feita para constituição de uma empresa é o modelo e porte em
que esta pode se enquadrar. A seguir será exibido um quadro adaptado do Portal do Empreendedor
que resume os tipos de empresas mais comum no Brasil.
22

Quadro 1: Características essenciais dos tipos de empresa mais comuns no Brasil


Fonte: elaborado pela autora com dados do Portal do Empreendedor, 2015.

No quadro, o empresário individual é classificado como: Microempreendedor Individual


(MEI), Micro Empreendedor (ME) e/ou como Empresa de Pequeno Porte (EPP). O
microempreendedor individual é constituído apenas com um sócio, que não pode ter nenhuma
participação em outra empresa, e seu faturamento anual é de R$ 60.000,00, não podendo
ultrapassar esse valor. Seu cadastro é feito diretamente pela internet, sendo a inscrição e o
número do CNPJ obtidos imediatamente na Junta Comercial (PORTAL DO EMPREENDEDOR,
2015).
Quando nos referimos ao empresário individual, tratamos de uma pessoa física que
constitui uma empresa, cujo nome empresarial deve ser composto pelo nome civil do
proprietário, completo ou abreviado, podendo contemplar uma atividade do negócio ou um
apelido.
No caso da microempresa, seu faturamento anual deve ser igual ou inferior a R$
360.000,00, e a empresa de pequeno porte pode faturar até 3.600.000,00 anualmente. Para se
formalizar é necessário retirar seu registro e legalização diretamente na Junta Comercial.
A Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (Eireli) é aquela constituída por uma
pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não poderá ser
inferior a 100 vezes o maior salário-mínimo vigente no país (PORTAL DO EMPREENDEDOR,
23

2015). O nome empresarial deverá conter a expressão “Eireli” após denominação social, e seu
registro também deve ser feito diretamente na Junta Comercial.
A sociedade limitada pode conter mais de um sócio para formação da empresa, e a
responsabilidade de cada sócio fica restrita ao valor de suas quotas, porém, todos respondem
solidariamente pela integração do capital social (PORTAL DO EMPREENDEDOR, 2015). Na
constituição do nome da empresa deve constar a expressão limitada “LTDA” e é necessário,
também, o registro na Junta Comercial.
A seguir, será abordado o conceito de microempreendedor individual.

3.1.1.2 Conceito de microempreendedor individual


De acordo com o Art. 18-A § 1º da Lei Complementar nº 123 de 14 de dezembro de 2006,
[...] considera-se MEI o empresário individual a que se refere o art. 966 da Lei nº 10.406
de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), que tenha auferido a receita bruta no ano
calendário anterior, de até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), optante pelo Simples
Nacional e que não esteja impedido de optar pela sistemática prevista nesse artigo.

A lei do Microempreendedor Individual tem o intuito de trazer uma oportunidade para os


trabalhadores informais, que antes não eram reconhecidos como empresários, a serem
formalizados. A proposta do MEI é reduzir o número de trabalhadores informais no País,
que acarretará automaticamente em um maior número de arrecadações para o governo, o
aumento no emprego formal e também como um segundo propósito de reduzir a carga
tributária. (TENCONI; PETRI, 2011, p. 5).

Além de cumprir com o requisito do faturamento anual e ser optante pelo Simples
Nacional, a atividade a ser prestada pela empresa deve estar de acordo com os requisitos descritos
na legislação, possuir apenas um único estabelecimento, o sócio ou administrador não pode ter
participação em outra empresa como titular e poderá contratar apenas um empregado que deve
receber um salário-mínimo ou o piso salarial da categoria profissional.
No caso de início de atividades, o limite será de R$ 5.000,00 multiplicados pelo número
de meses que compreendam o início da atividade e o final do respectivo ano-calendário,
considerado as frações de meses como um mês inteiro (BRASIL, 2006).
A partir dessa reflexão, vale ressaltar que esses valores são proporcionais aos meses de
atividade da empresa, ou seja, se a empresa iniciou suas atividades em 15 de julho de 2014, seu
limite de faturamento, nesse ano calendário, será de R$ 30.000, 00 (trinta mil reais). A empresa
24

pode ultrapassar o limite de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) mensais, porém não pode ultrapassar o
limite anual, que, nesse caso, seria R$ 30.000,00 (trinta mil reais).
A arrecadação dos impostos pelo microempreendedor individual é feita a partir de valores
fixos e mensais, independentemente do faturamento da empresa. Essa é uma das vantagens da
escolha desse regime tributário, pois, com o pequeno custo, mais trabalhadores informais têm a
oportunidade de se tornarem formalizados.

3.1.3 Escrituração
As empresas precisam da escrituração de todos os atos que ocorrem diariamente na vida
da empresa.

Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de


contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em
correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço
patrimonial e o de resultado econômico [...].

§ 2o É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se refere o art.
9702 [...].

Art. 1.182. Sem prejuízo do disposto no art. 1.174, a escrituração ficará sob a
responsabilidade de contabilista legalmente habilitado, salvo se nenhum houver na
localidade.[...]. (BRASIL, 2002).

Os artigos mencionados acima foram retirados da Lei nº 10.406 de 10 de janeiro de 2002


e obrigam os empresários e as sociedades empresárias conservarem a escrituração contábil de
suas empresas sob a responsabilidade de um contabilista legalmente habilitado, excluindo os
pequenos empresários expressamente dispensados dessa exigência pelo § 2º do Art. 1.179.
A Contabilidade é uma ferramenta indispensável para a gestão da entidade e cabe à
empresa registrar todas as movimentações ocorridas em todos os setores. Tais registros trazem
informações relevantes para uma escrituração regular, e qualquer fato que altere, de forma
qualitativa e quantitativa o patrimônio, deve estar discriminado nos registros contábeis da
empresa.
Segundo Franco (2006, p. 57) “[...] a Escrituração é o elemento histórico que compreende
o registro dos fatos na ordem cronológica, o que da a contabilidade caráter de verdadeira história

2
Art. 970. A lei assegurará tratamento favorecido, diferenciado e simplificado ao empresário rural e ao pequeno
empresário, quanto à inscrição e aos efeitos daí decorrentes [...].
25

do patrimônio”. As informações geradas pelos relatórios contábeis são úteis e de interesse tanto
do fisco como dos próprios empreendedores. Os registros contábeis não servem somente para
atender as normas fiscais, e sim para ajudar na tomada de decisões e também para assessorar na
gestão da empresa.
Ainda de acordo com Franco (2006, p. 22) “[...] as informações sobre o patrimônio da
entidade são indispensáveis à orientação administrativa, permitindo maior eficiência na gestão
econômica e financeira e no controle dos bens patrimoniais”.
O objetivo das demonstrações contábeis de pequenas e médias empresas é oferecer
informações sobre a posição financeira (balanço patrimonial), o desempenho (resultado e
resultado abrangente) e os fluxos de caixa da entidade. Mesmo que tais informações sejam
extremamente úteis para a tomada de decisão, muitos usuários não conseguem lidar com as
demonstrações (NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE, 2010, p. 13), e, embora de
um modo mais simplificado, o microempreendedor individual também deve fazer a escrituração
mensal, por meio do relatório mensal de receitas, no qual, mensalmente, deve ser informada a
receita bruta.
Com escrituração completa e correta de todos os fatos ocorridos na empresa, torna-se
possível avaliar o desempenho da entidade, certificando se ela está obtendo lucro. No próximo
tópico será apresentado o direito tributário aplicável ao microempreendedor individual e será
observada a importância da tributação correta para as empresas.

3.2 O DIREITO TRIBUTÁRIO NO ÂMBITO DO MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL

De acordo com Souza (2005), o Direito Tributário ou Fiscal é um conjunto das leis
reguladoras da arrecadação de tributos, bem como é responsável por sua fiscalização. Nesse
sentido, regula as relações jurídicas estabelecidas entre o Estado e o contribuinte no que se refere
à arrecadação de impostos.
O mesmo autor menciona que a vida em sociedade é regulamentada por normas e
princípios estabelecidos pela Constituição Federal, e o descumprimento das obrigações pode
acarretar em penalidades de forma genérica, pois a receita tributária é uma das fontes principais
para manter o Estado.
26

3.2.1 Carga tributária


Tributos são valores arrecadados pelos indivíduos para manutenção e desenvolvimento do
Estado. De acordo com a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1996, “[...] tributo é toda prestação
pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção
de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente
vinculada”.
Diante do exposto, o sistema tributário brasileiro é conhecido como um dos mais custosos
e complexos. Além dos grandes valores com tributos, as informações prestadas pelas empresas
aos órgãos, de forma incompleta ou até mesmo ausente, acarretaram em multas e gastos extras.
Assim, devido à elevada carga tributária e com o pagamento de multas, muitas empresas não
conseguem atingir o lucro pretendido.
Conforme a seção de economia do site de notícias G1 (2014):

O Brasil tem a segunda maior carga tributária entre os países da América Latina, segundo
estudo divulgado nesta segunda-feira (20) pela Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE). No ranking, que compreende 18 países, o país aparece
atrás apenas da Argentina.

Para amenizar essa situação, as empresas costumam optar pelo planejamento tributário,
para que, assim, possa obter menos ônus fiscal sobre os serviços legais prestados. Vale ressaltar
que para ter um planejamento fiscal adequado, as informações contidas deverão ser regulares e
confiáveis.
Oliveira et al (2004, p. 38) conceituam planejamento tributário da seguinte maneira:

Entende-se por planejamento tributário uma forma lícita de reduzir a carga fiscal, o que
exige alta dose de conhecimento técnico e bom-senso dos responsáveis pelas decisões
estratégicas no ambiente corporativo. Trata-se do estudo prévio à concretização dos fatos
administrativos, dos efeitos jurídicos, fiscais e econômicos de determinada decisão
gerencial, com objetivo de encontrar a alternativa legal menos onerosa para o
contribuinte.

É necessário, também, analisar que, além de ter um planejamento adequado, a pessoa


responsável pela execução do planejamento, deve promover sua execução e controle de forma
que identifique os pontos de deficiência da empresa e como evitar as irregularidades.

O contabilista é a pessoa chave nesta gestão, e é preciso apoio, treinamento e


motivação necessários para que este profissional participe efetivamente do
27

planejamento tributário na empresa. [...] Mas, mesmo este, precisará


informações atualizadas e regulares, cuja fonte principal será a contabilidade.
(ZANLUCA, 2015).

Em função disso, os empresários estão cada vez mais próximos de seus contadores, pois o
controle tributário tem que partir, em primeiro lugar, de dentro da empresa, e as informações
contábeis e tributárias devem ser analisadas e centralizadas na contabilidade.

3.2.2 Tributação do microempreendedor individual


Segundo o site do Portal do Empreendedor (2015), assim que enquadrado como MEI, o
microempreendedor ficará isento dos tributos federais (Imposto de Renda, PIS, Cofins, IPI e
CSLL), pagando um valor fixo mensal de R$ 40,40 (comércio ou indústria), R$ 44, 40 (prestação
de serviço) ou R$ 45,40 (comércio e serviço), que será destinado à Previdência Social e ao ICMS
ou ao ISS. Essas quantias serão atualizadas de acordo com o salário-mínimo do ano.
A destinação é feita da seguinte forma:

• R$ 39,40 (trinta e nove reais e quarenta centavos), destinados à


Previdência social (INSS);
• R$ 5,00 (cinco reais), a título de ISS, caso for contribuinte; e
• R$ 1,00 (um real), a título de ICMS, caso for contribuinte desse imposto;
(PORTAL DO EMPREENDEDOR, 2015).

Vale ressaltar que esses valores são destinados ao estado e município onde reside a
empresa. São valores pagos por meio de um boleto emitido no site do Portal do Empreendedor e,
dependendo da prefeitura do município, há a necessidade de pagamento de algumas taxas
administrativas.
Considera-se que seja um valor acessível para a empresa se formalizar e obter benefícios
como emissão de notas fiscais e contratação de um funcionário. A seguir segue o modelo da guia
de arrecadação.
28

Figura 1: Documento de arrecadação do microempreendedor individual


Fonte: Sebrae, 2015.

3.2.3 Formalização do microempreendedor individual


São várias as ferramentas que auxiliam o microempreendedor individual na sua
formalização. Segundo o Sebrae (2015), o processo de formalização é muito fácil e rápido. Segue
um passo a passo para a formalização:

Ler os sites e textos sobre microempreendedor individual no portal do


1º Passo - empreendedor. Se precisar, conferir o que desrespeito a Lei Complementar nº
Informe-se 128/2008 e quais são os critérios exigidos para que o empreendedor se
enquadre como microempreendedor individual.
Preencher suas informações cadastrais no formulário de inscrição, que está
2º Passo - disponível no portal do empreendedor. Em caso de dúvidas, sobre o programa
Registre-se ou o formulário, entrar em contato com o Sebrae (0800-570-0800). No portal
do empreendedor existe uma relação de empresas contábeis que também
auxiliam no processo de formalização gratuitamente.
Após preencher o formulário, imprimir os seguintes documentos: Certificado
3º Passo - da Condição de microempreendedor individual; Carnê para pagamento
Formalização mensal; Relatório Mensal de Receitas Brutas (um para cada mês);
Esses documentos são necessários para manter sua formalização em dia.

4º Passo - Após o cadastramento, o CNPJ e o número de inscrição da Junta Comercial


Finalização do são obtidos imediatamente. Não é necessário encaminhar nenhum documento
Processo à Junta Comercial. Nenhuma cópia de documento precisa ser anexada. Faça a
contribuição mensal (DAS) e a Declaração Anual Simplificada (DASN).
Quadro 2: Passo a passo para a formalização
Fonte: elaborado pela autora com dados do Sebrae, 2015.
29

A seguir são abordados os reflexos trabalhistas e previdenciários incidentes para o


microempreendedor individual.

3.3 REFLEXOS TRABALHISTAS E PREVIDENCIÁRIOS AO MICROEMPREENDEDOR


INDIVIDUAL

O Direito do Trabalho tem como finalidade regular normas que determinam ao


empregador e ao empregado a proteção da relação de trabalho fornecida entre ambos.

O direito do trabalho é o conjunto de princípios e normas que regulam as relações


jurídicas oriundas da prestação de serviço subordinado, e excepcionalmente do
autônomo, além de outros aspectos destes últimos como consequência da situação
econômico-social das pessoas que o exercem. (MORAES FILHO; MORAES, 2003 p.
39).

O microempreendedor individual também possui alguns direitos relacionados aos


aspectos previdenciários. Segundo o site Informativo Tributário Contábil (2015), a opção pelo
Simei (Sistema de recolhimento em valores fixos mensais dos tributos abrangidos pelo Simples
Nacional), implicará no recolhimento simultâneo da contribuição para a Seguridade Social,
relativa à pessoa do empresário na qualidade de contribuinte individual, ou seja, passa a
contribuir 5% (cinco por cento) sobre o valor correspondente ao limite mínimo mensal do salário-
mínimo, que será reajustado na forma prevista em lei.
Pode-se compreender, com base no inciso VI do Art. 13º da Lei Complementar 128 de 19
de dezembro de 2008, que o empresário individual não está sujeito à arrecadação de Contribuição
Previdenciária Patronal.

VI – Contribuição Patronal Previdenciária – CPP para a Seguridade Social, a cargo da


pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no
caso da microempresa e da empresa de pequeno porte que se dediquem às atividades de
prestação de serviços referidas nos §§ 5o-C e 5o-D do art. 18 desta Lei Complementar;

Em concordância com o que foi citado, o microempreendedor individual só não será


isento de CPP quando possuir um funcionário, e o tomador de serviços executado por si próprio
deverá recolher na seguinte situação:
30

Art. 18-B. A empresa contratante de serviços executados por intermédio do MEI


mantém, em relação a esta contratação, a obrigatoriedade de recolhimento da
contribuição a que se refere o inciso III do caput e o § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de
24 de julho de 1991, e o cumprimento das obrigações acessórias relativas à contratação
de contribuinte individual. (BRASIL, 2006).

Caso o microempreendedor realize a prestação de serviço de hidráulica, eletricidade,


pintura, alvenaria, carpintaria e de manutenção ou reparo de veículos, o contratante do serviço
deverá realizar o recolhimento de 20% de contribuição previdenciária, sobre o total das
remunerações pagas no decorrer do mês, prestar as informações em GFIP/Sefip (Guia de
Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social/Sistema Empresa de
Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e cumprir com as demais obrigações
acessórias em relação à contratação do serviço do empresário individual (INFORMATIVO
TRIBUTÁRIO CONTÁBIL, 2015).
A empresa optante pelo Simei tem direito a todos os benefícios previdenciários, exceto o
de aposentadoria por tempo de contribuição. Para ter acesso ao beneficio de aposentadoria por
tempo de contribuição, o empresário deverá complementar a contribuição mensal de no mínimo
20% (5% + 15%) e pagar a diferença entre o salário-mínimo e o valor do seu faturamento mensal.
O pagamento dessa complementação pode ser efetuado através GPS (Guia da Previdência
Social).

3.3.1 Obrigações trabalhistas e previdenciárias


Conforme o Informativo Tributário Contábil (2015) o MEI está dispensado de:

I - de prestar informações na GFIP/SEFIP, quando não tiver empregados;


II - apresentar a Relação Anual de Informações Sociais - RAIS; e
III - declarar ausência de fato gerador para a Caixa Econômica Federal para emissão da
Certidão de Regularidade Fiscal perante o FGTS.

Assim, o microempreendedor individual não terá nenhuma obrigação trabalhista, exceto


quando tenha contratado um funcionário para auxiliar na gestão da empresa.

3.3.2 Contratação de empregado


O microempreendedor individual tem o direito de contratar apenas um funcionário que
receba, exclusivamente, o valor de um salário-mínimo ou o piso salarial da categoria profissional.
31

Na hipótese do MEI contratar um empregado o mesmo terá as seguintes obrigações


perante a legislação previdenciária e trabalhista:
• Deverá reter e recolher a contribuição previdenciária relativa ao segurado a seu
serviço na forma da lei, aplicando a alíquota de 8% (oito por cento), conforme a Tabela
de salário de contribuição, até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao fato gerador;
• Fica obrigado a prestar informações relativas ao segurado a seu serviço em
GFIP/SEFIP, devendo cumprir o disposto no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/1991;
• Está sujeito ao recolhimento da Contribuição Patronal Previdenciária (CPP) para
a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei nº
8.212/1991, calculada à alíquota de 3% (três por cento) sobre o salário de contribuição; e
• Está obrigado a depositar o FGTS, até o dia 7 (sete) de cada mês, em conta
bancária vinculada, correspondente a 8% (oito por cento) da remuneração paga ou
devida, no mês anterior, ao trabalhador. (INFORMATIVO TRIBUTÁRIO CONTÁBIL,
2015).

Entre essas obrigações citadas anteriormente, caberá ao empregador também realizar as


anotações exigidas pela legislação referente ao contrato de trabalho na CTPS (Carteira de
Trabalho e Previdência Social) do trabalhador, registro em livro, ficha ou sistema informatizado,
entrega do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) que se refere ao registro
permanente de admissões e dispensa de funcionários, entre outras obrigações.
Na sequência, serão apresentadas algumas orientações ao microempreendedor individual
no que referem às vantagens e desvantagens dessa sistemática.
32

4 ORIENTAÇÕES AO MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL

O microempreendedor individual foi criado com o objetivo de regularizar a situação do


trabalhador informal. A mídia e os órgãos governamentais procuram divulgar as vantagens dessa
opção, porém acabam não informando os desafios que ela oferece. Neste capítulo serão
evidenciadas as vantagens e os desafios do microempreendedor individual, para que o trabalhador
possa distinguir as informações no momento da escolha dessa forma de tributação.

4.1 VANTAGENS DE SE TORNAR MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL

O Guia de Apoio ao Empresário em parceria com a Fenacon e com o Sebrae, consideram


que microempreendedor individual, além de já ter um tratamento favorecido e diferenciado,
dispõe de diversas vantagens e benefícios para a formalização de seu negócio, isto é, para quem
deseja ter uma firma que funcione dentro da lei e com uma reduzida carga tributária. Seguem, na
sequência, algumas vantagens:

4.1.1 Gratuidade na utilização de serviços contábeis


Os serviços contábeis são essenciais para vida útil da empresa. Além de ser obrigatória
por lei para algumas corporações, a contabilidade viabiliza a organização gerencial da empresa,
conferindo maior segurança a todos que a interessam.
O Portal do Empreendedor (2015) alega que:

A contabilidade formal como livro diário e razão é dispensada. Também não é preciso
ter livro Caixa. Contudo, o empreendedor deve zelar pela sua atividade e manter um
mínimo de controle em relação ao que compra, ao que vende e quanto está ganhando.
Essa organização mínima permite gerenciar melhor o negócio e a própria vida, além de
ser importante para crescer e se desenvolver.

Apesar de não serem obrigatórios os registros contábeis, como ocorre nas empresas
normais, o microempreendedor individual tem a obrigação de fazer o controle de suas receitas e
33

despesas, para informação na declaração anual simplificada e também para ter conhecimento do
quanto está faturando para não ultrapassar o limite permitido.
Conforme Art. 18º § 22-B da Lei Complementar 123/2006:

§ 22-B. Os escritórios de serviços contábeis, individualmente ou por meio de suas


entidades representativas de classe, deverão:

I – promover atendimento gratuito relativo à inscrição, à opção de que trata o art. 18-A
desta Lei Complementar e à primeira declaração anual simplificada
da microempresa individual, podendo, para tanto, por meio de suas entidades
representativas de classe, firmar convênios e acordos com a União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios, por intermédio dos seus órgãos vinculados;

II – fornecer, na forma estabelecida pelo Comitê Gestor, resultados de pesquisas


quantitativas e qualitativas relativas às microempresas e empresas de pequeno porte
optantes pelo Simples Nacional por eles atendidas;

III – promover eventos de orientação fiscal, contábil e tributária para as microempresas e


empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional por eles atendidas.

Esses serviços são prestados gratuitamente apenas no primeiro ano de exercício, após esse
período, a empresa de contabilidade pode cobrar honorários.
O art. 18º § 22-C da Lei Complementar 123/2006 afirma que: “§ 22-C. Na hipótese de
descumprimento das obrigações de que trata o § 22-B deste artigo, o escritório será excluído do
Simples Nacional, com efeitos a partir do mês subsequente ao do descumprimento, na forma
regulamentada pelo Comitê Gestor”.
Cabe ressaltar que o artigo mencionado se enquadra apenas para os escritórios optantes
pelo Simples Nacional. Os demais poderão, voluntariamente, cobrar pelas primeiras orientações
dadas ao empreendedor.
No site da Fenacon, Sistema Sescap/Sescon, é possível realizar consulta por região dos
escritórios de contabilidade que poderão auxiliar nos primeiros passos a serem tomados pelo
microempreendedor individual. O Sebrae também pode ser utilizado como apoio técnico,
assessorando os empreendedores sem custo nenhum, disponibilizando cursos e auxiliando no
planejamentos; tudo isso com o objetivo de desenvolver as aptidões do empresário para o
mercado.
34

4.1.2 Escrituração simplificada


As obrigações do microempreendedor individual são acessíveis simples. O empreendedor
tem a obrigação da entrega do Relatório Mensal das Receitas Brutas, Declaração Anual
Simplificada, obrigações com a Previdência Social (caso tenha um empregado) e Alvará de
Funcionamento, que deve ser consultado junto às normas municipais de cada município.

4.1.2.1 Relatório mensal das receitas brutas

A cada mês, o microempreendedor individual deverá preencher o Relatório Mensal das


Receitas Brutas, o que deve ser feito até o dia 20 do mês subsequente da receita auferida. Esse
relatório pode ser preenchido manualmente, e as notas fiscais de entrada e saída deverão ser
anexadas a ele (PORTAL DO EMPREENDEDOR 2015).
Segue, a seguir, um modelo de Relatório Mensal de Receitas Brutas:

RELATÓRIO MENSAL DAS RECEITAS BRUTAS

CNPJ:
Empreendedor individual:
Período de apuração:
RECEITA BRUTA MENSAL – REVENDA DE MERCADORIAS (COMÉRCIO)
I – Revenda de mercadorias com dispensa de emissão de
R$
documento fiscal
II – Revenda de mercadorias com documento fiscal
R$
emitido
III – Total das receitas com revenda de mercadorias (I +
R$
II)
RECEITA BRUTA MENSAL – VENDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS
(INDÚSTRIA)
IV – Venda de produtos industrializados com dispensa de R$
emissão de documento fiscal
V – Venda de produtos industrializados com documento R$
fiscal emitido
VI – Total das receitas com venda de produtos R$
industrializados (IV + V)

RECEITA BRUTA MENSAL – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS


35

VII – Receita com prestação de serviços com dispensa de R$


emissão de documento fiscal
VIII – Receita com prestação de serviços com documento R$
fiscal emitido
IX – Total das receitas com prestação de serviços (VII + R$
VIII)
X - Total geral das receitas brutas no mês (III + VI +
R$
IX)
LOCAL E DATA: ASSINATURA DO EMPRESÁRIO:
ENCONTRAM-SE ANEXADOS A ESTE RELATÓRIO:
- Os documentos fiscais comprobatórios das entradas de mercadorias e serviços tomados
referentes ao período.
- As notas fiscais relativas às operações ou prestações realizadas eventualmente emitidas.
Quadro 3: Modelo do Relatório Mensal das Receitas Brutas
Fonte: Portal do empreendedor, 2015.

4.1.2.2 Declaração anual do microempreendedor individual (DASN-Simei)


A Declaração Anual do Simples Nacional para o Microempreendedor Individual (DASN-
Simei) é entregue anualmente, até o dia 31 de maio de cada ano. Segundo o Sebrae (2015) “[...] o
microempreendedor deve enviar à Receita Federal a declaração referente ao ano-calendário
anterior. A declaração conterá os valores dos tributos devidos em cada mês, o valor de apuração,
a soma dos valores apurados de cada tributo e o valor pago por ele”.
As receitas brutas anuais devem ser informadas de acordo com as atividades prestadas
pela empresa e caso ocorra à contratação de um funcionário, deverá constar essa informação na
declaração. Para evitar dúvidas na entrega da DASN-Simei, é fundamental deixar o Relatório
Mensal das Receitas Brutas atualizado e anexados às notas fiscais, facilitando o momento de
entrega.

4.1.2.3 Benefícios da previdência social


Caso o microempreendedor individual tenha um funcionário para auxiliar nas atividades
prestadas pela sua empresa, ele deverá cumprir com algumas obrigações. De acordo com o Portal
do Empreendedor (2015):

O Microempreendedor Individual deve preencher a Guia do FGTS e Informação à


Previdência Social (GFIP) que é entregue até o dia 7 de cada mês, através de um sistema
chamado Conectividade Social da Caixa Econômica Federal.
36

Ao preencher e entregar a GFIP, o Microempreendedor Individual deve depositar o


FGTS, calculado à base de 8% sobre o salário do empregado. Além disso, deverá
recolher 3% desse salário para a Previdência Social.

Com esse recolhimento, o Microempreendedor Individual protege-se contra reclamações


trabalhistas e o seu empregado tem direito a todos os benefícios previdenciários como,
por exemplo, aposentadoria, seguro-desemprego, auxílio por acidente de trabalho,
doença ou licença maternidade.

Todas as contas são feitas automaticamente por meio eletrônico (GFIP), um programa que
se encontra para download no site da Receita Federal do Brasil.

4.1.2.4 Alvará de funcionamento


No momento da formalização, é disponibilizado um alvará provisório, assim que o
empresário declara estar ciente da legislação municipal e que cumpre com as obrigações
estabelecidas pelo município. Esse alvará tem validade por 180 dias.

A concessão do Alvará de Localização depende da observância das normas dos Códigos


de Zoneamento Urbano e de Posturas Municipais. Assim, a maioria dos municípios
mantém o serviço de consulta prévia para o empreendedor saber se o local escolhido
para estabelecer a sua empresa está de acordo com essas normas. Além disso, outras
normas devem ser seguidas, como as sanitárias, por exemplo, para quem manuseia
alimentos. Antes de qualquer procedimento, o empreendedor deve consultar as normas
municipais para saber se existe ou não restrição para exercer a sua atividade no local
escolhido, além de outras obrigações básicas a serem cumpridas. (PORTAL DO
EMPREENDEDOR 2015).

Caso o empreendedor esteja com dúvidas, é melhor que não finalize o processo de
registro e, nesse caso, busque informações com os escritórios de contabilidade e os órgãos que
estão à disposição gratuitamente.

4.1.3 Acesso bancário e vendas com cadastro nacional da pessoa jurídica (CNPJ)
Outro fator de incentivo aos empreendedores é a oportunidade de obtenção de créditos
junto aos bancos públicos. O microempreendedor poderá ter acesso a créditos bancários com
mais facilidade, conforme a demanda de pessoas que estão se formalizando para melhor acesso
aos benefícios oferecidos pelas agências bancárias.
Segundo o Portal do Empreendedor (2015) “Com a adesão do CNPJ, os financiamentos
bancários são mais atrativos e facilitados. As condições são melhores com redução das tarifas e
37

taxas de juros”. Para tanto, é essencial a abertura de uma conta corrente, para controle financeiro
da empresa. Assim, o microempreendedor poderá conseguir um prazo maior para pagamento as
instituições financeiras e o recebimento de seus clientes poderá ser antecipado, evitando atraso de
pagamento de suas obrigações.

Em qualquer momento do negócio, o controle da situação financeira gera segurança e


tranquilidade, além de promover o conforto e reduzir riscos de se sentir desorientado e
possivelmente endividado. A falta de controle é o primeiro sinal de alerta de que as
coisas podem não estar indo bem quanto se imagina. (SEBRAE, 2015).

4.1.4 Possibilidade de crescimento


A lei do microempreendedor individual vem trazendo muitas oportunidades aos
trabalhadores com irregularidades, o quais, antes, não eram reconhecidos como empresários.
Além da redução da carga tributária, o empresário individual tem a chance de crescimento, torna-
se capaz de vender para outras empresas e de atingir um faturamento maior, conseguindo, assim,
o enquadramento no Simples Nacional.

Com todo esse apoio e o fato de estarem no mercado de forma legal, as chances de
crescer e prosperar aumentam e o que hoje é apenas um pequeno negócio amanhã poderá
ser uma média e até uma grande empresa. Os grandes empresários não nasceram
grandes, eles começaram pequenos e foram crescendo aos poucos, de modo sustentável.
(PORTAL DO EMPREENDEDOR 2015).

4.1.4.1 Programa Juro Zero


Segundo o portal Juro Zero (2015), a Secretaria do Estado do Desenvolvimento
Econômico Sustentável (SDS) de Santa Catarina, juntamente com alguns parceiros, criou o
programa Juro Zero, que tem como objetivo estimular a formalização dos empreendedores
irregulares e promover o desenvolvimento da economia catarinense. Os participantes terão acesso
a uma linha de crédito no valor de até R$ 3.000,00 (três mil reais). Se todas as parcelas forem
pagas em dia, a ultima parcela será quitada pelo Governo do Estado, por esse motivo, o nome do
programa é Juro Zero.

O empréstimo do Juro Zero será oferecido pelas instituições de microcrédito habilitadas


pelo Badesc para esta finalidade em todas as regiões de Santa Catarina. Os MEIs
formalizados devem procurar uma dessas instituições para fazer o pedido do
microcrédito.
38

Se o pedido for aprovado, os participantes do programa devem pagar as parcelas em dia.


Como reconhecimento, o Governo do Estado pagará a última parcela. (PORTAL JURO
ZERO, 2015).

Esse programa também é uma possibilidade de crescimento e investimento criada pelo


governo para incentivo e auxílio aos empreendedores experientes e também para quem está
iniciando suas atividades.

4.2 DESAFIOS ENFRENTADOS PELOS MICROEMPREENDEDORES INDIVIDUAIS

A Lei Complementar do Microempreendedor Individual trouxe boas condições para o


trabalhador informal se regularizar. Porém, apesar das grandes vantagens oferecidas, verificam-
se, ainda, alguns desafios. A seguir estão descritos alguns deles.

4.2.1 Atividades permitidas para enquadramento como MEI


Para o enquadramento como microempreendedor individual é necessária verificação da
atividade que a empresa está enquadrada, pois há restrições da participação de algumas atividades
classificadas pela legislação.
De acordo com o Art. 18-A 4o § da Lei Complementar 128/2008, não poderá optar pela
sistemática de recolhimento prevista no caput deste artigo o MEI:

I – cuja atividade seja tributada pelos Anexos IV ou V desta Lei Complementar, salvo
autorização relativa a exercício de atividade isolada na forma regulamentada pelo
Comitê Gestor;
II – que possua mais de um estabelecimento;
III – que participe de outra empresa como titular, sócio ou administrador; ou
IV – que contrate mais de um empregado. (BRASIL, 2008).

Segue um quadro que contempla as atividades que não podem optar pelo MEI:

Construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob forma de subempreitada,


execução de projetos e serviços de paisagismo e decoração de interiores;
Serviços de vigilância, limpeza ou conservação;
Administração e locação de imóveis de terceiros;
39

Academias de dança, de capoeira, de ioga e de artes marciais, academias de atividades físicas,


desportivas, de natação e escolas de esportes;
Elaboração de programas de computadores, inclusive jogos eletrônicos;
Licenciamento ou cessão de direito de uso de programas de computação;
Planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas;
Montagem de estandes para feiras;
Produção cultural e artística;
Produção cinematográfica e de artes cênicas
Laboratórios de análises ou de patologia clínicas;
Serviço de tomografia, diagnósticos médicos por imagem, registros gráficos e métodos óticos e
ressonância magnética;
Serviço de prótese em geral;
Serviço de transportes intermunicipal e interestadual de passageiros (exceto serviços municipais);
Ração, transmissão, distribuição ou comercialização de energia elétrica;
Importação ou fabricação de automóveis e motocicletas;
Importação de combustíveis;
Produção ou venda no atacado de: cigarros, cigarrilhas, charutos, filtros para cigarros, armas de
fogo, munições e pólvoras, explosivos e detonantes, bebidas alcoólicas, refrigerantes e água com
sabor e gaseificadas, preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebida
refrigerante e cervejas sem álcool;

Cessão ou locação de mão de obra;

Serviço de consultoria;
Loteamento e incorporação de imóveis;
Locação de imóveis próprios (exceto se incluir a prestação de serviços tributados pelo ISS).
Quadro 4: Atividades que não podem optar pelo MEI
Fonte: elaborado pela autora com dados do J. Value Serviços Contábeis, 2015.

Vale ressaltar que, por mais que essas atividades não sejam permitidas para o
enquadramento como microempreendedor individual, as atividades que são permitidas, superam
essa pequena quantia. Maiores informações podem ser obtidas junto ao site da Receita Federal do
40

Brasil, onde consta a listagem completa das atividades permitidas para enquadramento como
microempreendedor individual.

4.2.1.1 Números de microempreendedores nos estados brasileiros

No site Portal do Empreendedor está disponível uma ferramenta que permite realizar o
levantamento de todos os microempreendedores individuais em cada estado brasileiro. A seguir
que consta essa relação por estado:

UF Quantidade
AC 13.626
AL 58.351
AM 47.860
AP 10.940
BA 316.252
CE 165.557
DF 93.707
ES 129.932
GO 187.132
MA 69.473
MG 540.988
MS 74.088
MT 94.817
PA 126.926
PB 69.155
PE 166.919
PI 43.902
PR 273.151
RJ 590.929
RN 66.979
RO 34.986
RR 9.551
RS 289.172
SC 171.657
SE 31.932
SP 1.246.510
TO 39.910
Totais optantes 4.964.402,00
Quadro 5: Total Geral dos Microempreendedores Individuais
Fonte: elaborado pela autora com dados do Portal do Empreendedor, 2015.
41

“Segundo a mais recente pesquisa do Sebrae sobre o perfil dos microempreendedores


individuais, cerca de 88 mil pessoas em média aderem ao sistema por mês no país.” (LIMA,
2015). Nesse contexto, observa-se que, por mais que existam limitações para o enquadramento, a
expectativa para número de empresas formalizadas por estado é cada vez maior. O estado que
mais cresceu em número de microempreendedores individuais foi São Paulo e o que menos
cresceu foi Roraima, com 9.551 registros.

4.2.2 Contratação de apenas um funcionário


Outro ponto desfavorável para o microempreendedor individual é a contratação limitada
de apenas um empregado. Para a contratação, o empregador deverá assinar a carteira de trabalho
do seu funcionário, o que já resultará em custos extras, como o recolhimento do FGTS. O
funcionário também terá direito a horas-extras, adicional de insalubridade, periculosidade,
trabalho noturno e FGTS, como qualquer funcionário contratado por MEI ou por empresas
normais tem direito (SOCIEDADE DE NEGÓCIOS 2015).
“O MEI passará, ainda, a ser fiscalizado com relação a outros aspectos. Ele não poderá,
por exemplo, fazer o empregado cumprir uma carga horária excessiva, porque a CLT não
permite, diz Dora Ramos, especialista em contabilidade e controladoria.” (SOCIEDADE DE
NEGÓCIOS 2015).
O custo do empregador com o funcionário é calculado da seguinte maneira: o
microempreendedor individual deverá recolher o FGTS, calculado a base de 8% sobre o salário
do empregado e também deverá recolher 3% sobre salário para Previdência Social referente à
CPP. Ou seja, se o funcionário recebe um salário-mínimo, que hoje está em R$ 788,00, o custo
vai ser de 11% sobre o salário, que resulta no valor de R$ 86,68. O INSS não é considerado um
custo ao empregador, pois ele tem o direito de reter o valor a recolher do contratado.
Apesar dos custos, contratar um funcionário apresenta a vantagem de a empresa conseguir
administrar melhor o seu negócio.

4.2.3 Pagamento do documento de arrecadação do simples nacional (DAS) sem


movimento
Em tópicos anteriores observou-se que o pagamento do DAS pelo microempreendedor
individual é bem acessível para qualquer pessoa. No entanto, segundo Lima (2011, p. 16), “[...] se
42

em um determinado mês o empresário não realizou nenhum tipo de transação, mesmo assim,
deverá recolher os impostos regularmente”. Caso ele tivesse optado por outro regime de
tributação, só pagaria impostos se realmente a empresa tivesse faturado no mês.

4.2.4 Faturamento até R$ 60.000,00


O faturamento máximo permitido para enquadramento no MEI é de 60.000,00. Nesse
caso, uma empresa que fature mais de 5.000,00 mensais deve tomar cuidado ao escolher o regime
de tributação da sua empresa.
Segundo o site Portal do Empreendedor (2015), caso a empresa ultrapasse o valor de R$
60.000,00 anuais, pode ocorrer duas situações:
1. Receita bruta auferida no ano-calendário anterior não ultrapassar 20% (vinte
por cento) do limite de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): Nesse caso a empresa passará a
recolher os impostos como Simples Nacional, sendo desenquadrada como microempreendedor
individual. A empresa pagará um percentual que varia de 4% a 17,42%, dependendo da atividade
da empresa e do montante do faturamento. O valor excedido pela empresa deverá ser
acrescentado ao faturamento do mês de janeiro do ano consecutivo e, assim, fazer o recolhimento
juntamente com o DAS referente àquele mês.
2. Receita bruta auferida no ano-calendário anterior ultrapassar 20% (vinte por
cento) do limite de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): Nesse caso, a empresa também passa a
recolher os impostos como Simples Nacional, porém o recolhimento será retroativo conforme
faturamento, ou seja, passa a ser feito no mesmo ano em que ocorreu o excesso da receita,
acarretando com todas as obrigações previstas para os demais optantes pelo Simples Nacional.
Por esse motivo, é indicado que o empreendedor faça o controle mensal do seu
faturamento com cautela, pois caso ele ultrapasse o limite de faturamento, ocorrerá um acréscimo
relevante de desembolso com tributos, assim como a perda do tratamento diferenciado oferecido
aos enquadrados como MEI.

4.2.5 Expansão limitada


Para expansão da empresa como microempreendedor individual há alguns impedimentos,
como não poder ter sócios, não possuir mais de um estabelecimento e nem participação em outras
empresas. A seguir, será especificado cada um desses casos.
43

4.2.5.1 Impedimento de ter sócios


Segundo o Portal do Empreendedor (2015), o microempreendedor individual não possui
contrato social e, assim, também não possui o direito de ter sócios. O contrato social é o
instrumento legal entre pessoas que se juntam para formar uma empresa, que não é o caso do
empresário individual. Caso o empresário opte por uma sociedade, ele poderá solicitar na Junta
Comercial a alteração do seu registro.

4.2.5.2 Estabelecimento único


De acordo com o art. 18-A da Lei Complementar nº 128 de 19 de dezembro de 2008:

§ 4o Não poderá optar pela sistemática de recolhimento prevista no caput deste artigo o
MEI:
I – cuja atividade seja tributada pelos Anexos IV ou V desta Lei Complementar, salvo
autorização relativa a exercício de atividade isolada na forma regulamentada pelo
Comitê Gestor;
II – que possua mais de um estabelecimento;
III – que participe de outra empresa como titular, sócio ou administrador; ou
IV – que contrate empregado.

É vedada, então, a abertura de uma nova empresa pelo enquadramento como


microempreendedor individual. Caso queira abrir uma filial, o empresário deverá solicitar o
desenquadramento ao MEI.

4.2.5.3 Impedimento de participações em outras empresas


Segundo o Guia de Apoio ao Empresário elaborado pela Fenacon juntamente com o
Sebrae (2010), para se beneficiar do regime especial como microempreendedor individual, o
empreendedor não pode participar de outra empresa, seja como titular, sócio ou administrador.

Esse dispositivo visa, principalmente, a evitar que os benefícios instituídos sejam


indevidamente utilizados por pessoas que já estejam à frente de alguma empresa, uma
vez que o foco da lei são empreendedores de baixa renda, sem acesso aos serviços de
legalização e registro empresarial. (FENACON; SEBRAE, 2010, p. 13).

A seguir, será apresentado um estudo de caso realizado com uma empresa informal, a fim
de demonstrar se é vantajoso ou não para essa empresa optar pela formalização como
microempreendedor individual.
44

5 ESTUDO DE CASO

Neste capítulo será apresentada uma análise da empresa P&F Serviços Automotivos, a
fim de verificar se é vantajoso para empresa a regularização como microempreendedor
individual, tal análise contemplará parte dos resultados obtidos com a presente pesquisa.

5.1 DESCRIÇÃO DA EMPRESA

O proprietário da empresa, Claudimir Fagundes, aprendeu muito novo a profissão de


preparador de pinturas automotivas. Iniciou seu trabalho como ajudante, na cidade de
Joinville/SC. Antes de abrir seu próprio negócio, trabalhou em grandes empresas do mesmo ramo
na região da Grande Florianópolis.
Seu filho, Claúdio Rafael Fagundes, também seguiu a mesma profissão, surgindo, assim,
a ideia de abrir seu próprio negócio. Como em todo início de negócio, era necessário
planejamento e capital para que fosse comprado maquinário e materiais, para, assim, realizar a
prestação de serviços com qualidade. Segundo Nazareno (2012) “Planejar é uma atividade
constante. A rotina de planejamento começa logo que você decide ter um negócio”.
A identidade visual da empresa, ou seja, sua marca, ficou conhecida após alguns meses da
abertura do negócio, o que demonstrou que a empresa já estava adquirindo credibilidade. A
escolha do nome estava relacionada à relação familiar, sendo que os nomes pai e filho originaram
a sigla P&F.
A empresa foi constituída no dia 6 de junho de 2013, há dois anos no mercado, fica
localizada na Rua Princesa Isabel, 272, Ponte do Imaruim, Palhoça/SC, sendo, hoje, uma empresa
considerada na situação de informalidade.
Composta apenas por duas pessoas, Claudimir Fagundes, o proprietário, e Claúdio Rafael
Fagundes, funcionário da empresa, a empresa cumpre um dos requisitos iniciais estabelecidos
pelo microempreendedor individual, conforme já mencionado anteriormente.
45

O atendimento é realizado na região da Grande Florianópolis, sendo a maioria dos clientes


pessoas físicas, pois empresas legalmente registradas exigem documento fiscal, o que dificulta a
relação de trabalho estas e a P&F.
A empresa P&F Serviços Automotivos tem como missão a qualidade na mão de obra
prestada, pois busca realizar uma quantidade de serviços que seja suficiente para que o prazo e
qualidade sejam sempre satisfatórios. A visão da empresa é ser reconhecida como principal
referência na prestação de serviços na área de funilaria e pintura em toda Grande Florianópolis.

5.2 REGISTRO NOS ÓRGÃOS PÚBLICOS

Após uma análise inicial e maior conhecimento sobre a empresa, verificamos que ela
possui os requisitos necessários para enquadrar-se no sistema de microempreendedor individual.
Tal processo inicia-se a partir do registro junto aos órgãos públicos.
O primeiro passo foi verificar a viabilidade do exercício da atividade junto à Prefeitura
Municipal de Palhoça, onde a empresa está localizada. A seguinte documentação foi apresentada
para a solicitação da viabilidade:

Documentos - Processo viabilidade


Vias
Consulta viabilidade (formulário) 2
Carteira de identidade (fotocópia e original) 1
CPF (fotocópia e original) 1
Comprovante de residência atualizado (fotocópia e original) 1
Documento do imóvel 1
Carnê IPTU 1
Quadro 6: Documentos para consulta de viabilidade
Fonte: elaborado pela autora, 2015.

No prazo de dois dias úteis, o parecer da Prefeitura Municipal de Palhoça foi deferido.
Conforme a imagem a seguir, a localização escolhida pelo empresário para prestação de serviços
foi considerada aceitável.
46

Figura 2: Deferimento consulta de viabilidade


Fonte: Protocolo Prefeitura Municipal de Palhoça, 2015.

Assim, a próxima etapa seria providenciar o CNPJ, porém, como a empresa ainda está
verificando se é vantajoso ou não optar pela sistemática do MEI, as informações referentes a essa
etapa foram apenas observadas, não prosseguindo à regularização nos Órgãos Públicos.
O processo é feito diretamente no site Portal do Empreendedor e não tem custo nenhum.
No site são preenchidos o CPF (Cadastro de Pessoa Física) do responsável e os demais dados da
empresa, para posterior aprovação pela Receita Federal do Brasil. Feito esse procedimento, a
empresa já possui o Certificado de Microempreendedor Individual e o CNPJ.
O Alvará do Corpo de Bombeiros deve ser providenciado mesmo se a empresa for MEI.
O documento pode ser solicitado tanto com CPF como com CNPJ, porém, como o objetivo dos
proprietários é constituir uma empresa, o indicado é fazer a solicitação quando já possuir o
Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).
Primeiramente, é solicitada a Vistoria de Manutenção, em que é realizada uma inspeção
periódica com o intuito de conferir se os sistemas de segurança permanecem em condições
normais de funcionamento em conformidade com o que regula o Corpo de Bombeiros.
Após esse processo, é necessária a solicitação da Vistoria de Funcionamento e assim que
o empresário obtém a aprovação, o Corpo de Bombeiros emite um documento atestando que o
estabelecimento possui condições de segurança contra-incêndio.
47

Com o Alvará do Corpo de Bombeiros em mãos, a empresa deverá apresentar a seguinte


documentação para solicitação do Alvará de Funcionamento junto à Prefeitura Municipal de
Palhoça:

Documentos para solicitação do alvará de funcionamento - Microempreendedor individual


Vias
Requerimento preenchido e assinado em nome do proprietário 1
Certificado de condição de microempreendedor individual 1
Cartão do CNPJ (cópia atualizada) – Pessoa Jurídica 1
Consulta viabilidade (formulário) – Aprovada 1
Carteira de identidade (fotocópia e original) 1
CPF (fotocópia e original) 1
Comprovante de residência atualizado (fotocópia e original) 1
Alvará do Corpo de Bombeiros 1
Documento do imóvel 1
* Todos os documentos deverão estar acompanhados pelos originais para conferência e
autenticação
Quadro 7: Documentos para solicitação do alvará de funcionamento MEI
Fonte: elaborado pela autora, 2015.

Em seguida, é necessário aguardar pelo deferimento. Cabe ressaltar que o Alvará de


Funcionamento deve ser renovado uma vez ao ano e, caso a empresa necessite do Alvará
Sanitário, a Prefeitura Municipal de Palhoça exigirá na aprovação do Alvará de Funcionamento.
Não existe previsão na legislação de que o microempreendedor individual tenha que
realizar algum cadastro na Previdência Social. Porém, caso possua um empregado, deverá
cumprir com as obrigações trabalhistas exigidas por lei.
Esses são os principais cadastros que a empresa deve adquirir para iniciar suas atividades
com as exigências de uma empresa formal.

5.3 ARRECADAÇÃO DOS TRIBUTOS

Atualmente, a empresa P&F está atuando na informalidade, pagando apenas INSS como
contribuinte individual, conforme será analisado posteriormente. A seguir serão demonstrados os
tributos que a empresa P&F Serviços Automotivos deverá recolher para formalização como MEI,
considerando o seguinte CNAE para o enquadramento:
48

Figura 3: CNAE de enquadramento pela empresa


Fonte: Informativo Tributário Contábil, 2015.

Conforme a figura anterior, a empresa pode se enquadrar como MEI e será tributada pelo
ISS (Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza). O pagamento mensal que a empresa deverá
arrecadar é de R$ 44,40 (quarenta e quatro reais e quarenta centavos). O valor de R$ 39,40 (trinta
e nove reais e quarenta centavos) são destinados ao INSS, acrescido de R$ 5,00 (cinco reais) a
título de ISS. Essa arrecadação é feita através do Documento de Arrecadação Simplificada do
MEI (DAS-MEI), emitida no Programa Gerador de DAS do Microempreendedor Individual
(PGMEI).
A empresa poderá faturar no máximo R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) anualmente e,
independentemente se faturar no mês ou não, a arrecadação deverá ser realizada, o que se torna
uma desvantagem para a empresa.

5.3.1 Arrecadação de tributos na parte previdenciária


A contribuição para a cobertura previdenciária do empreendedor (Claudimir Fagundes) já
está inclusa na mensalidade que deverá ser arrecadada no valor de R$ 44,40, em que R$ 39,40
são destinados ao INSS, conforme mencionado anteriormente. Somente com essa contribuição, o
empreendedor já estará seguro em caso de afastamento por doença, aposentadoria por idade e
invalidez, salário-maternidade (após o número mínimo de contribuição) e sua família terá direito
a pensão por morte e auxílio-reclusão.
49

Para o empregado, o empregador deverá reter 8% (oito por cento) de contribuição


previdenciária, descontados da remuneração recebida no mês. Além disso, também deverá
recolher 3% (três por cento) de Contribuição Previdenciária Patronal (CPP) e Fundo de Garantia
por Tempo de Serviços (FGTS) de 8% (oito por cento) incidentes sobre a remuneração recebida
pelo contratado no mês. O empregado também terá direito a férias e ao 13º salário, garantidos
pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
O custo de contratação de um funcionário para o MEI é de 11% (onze por cento) sobre os
recebimentos devidos ao empregado, férias e 13º salário. Na Tabela 1, a seguir, estão os cálculos
da contratação de um funcionário com base no salário-mínimo vigente para o ano de 2015.

Tabela 1: Cálculo de custo para contratação de funcionário


Custo de contratação de funcionário
Descrição Valor em R$
Salário-mínimo vigente R$ 788,00
Retenção INSS 8% R$ 63,04
Valor líquido a pagar R$ 724,96

Valor do FGTS 8% R$ 63,04


Valor da CPP 3% R$ 23,64
Férias
Descrição Valor em R$
Férias R$ 788,00
1/3 de férias R$ 262,67
Retenção INSS 8% R$ 84,05
Valor líquido a pagar R$ 966,62

Valor do FGTS 8% R$ 84,05


Valor da CPP 3% R$ 31,52
13º Salário
Descrição Valor em R$
13º salário R$ 788,00
Retenção INSS R$ 63,04
Valor líquido a pagar R$ 724,96

Valor do FGTS 8% R$ 63,04


Valor da CPP 3% R$ 23,64
Fonte: elaborada pela autora, 2015.

Conforme podemos observar na tabela anterior, verifica-se que o custo do MEI com a
contratação de um empregado é de R$ 788,00 (setecentos e oitenta e oito reais). Tal custo refere-
50

se ao salário, R$ 23,64 (vinte e três reais e sessenta e quatro centavos) de Contribuição


Previdenciária Patronal e R$ 63,04 (sessenta e três reais e quatro centavos) referentes ao FGTS.
O empregador deverá reter o INSS referente à remuneração paga ou devida e recolher em favor
do empregado.
Além disso, o empregado também tem direito a férias e ao 13º salário, nesse caso, é
necessário considerar esses custos no momento da contratação, os quais, de acordo com a Tabela
1, são de R$ 1.166,24 (mil cento e sessenta e seis reais e vinte e quatro centavos). Esse valor é
referente a férias, R$ 788,00 (setecentos e oitenta e oito reais), ao salário, R$ 262,67 (duzentos e
sessenta e dois reais e sessenta e sete centavos) corresponde a um terço de férias, R$ 84,05
(oitenta e quatro reais e cinco centavos) referente ao FGTS e R$ 31,52 (trinta e um reais e
cinquenta e dois centavos) referente ao recolhimento da Contribuição Patronal Previdenciária.
O valor de R$ 874,68 (oitocentos e setenta e quatro reais e sessenta e oito centavos)
corresponde ao valor do 13º salário, em que R$ 788,00 (setecentos e oitenta e oito reais)
corresponde ao salário, R$ 63,04 referente ao FGTS e R$ 23,64 (vinte e três reais e sessenta e
quatro centavos) à CPP.

5.4 TRABALHADOR INFORMAL X EMPREENDEDOR INDIVIDUAL

A empresa P&F, atualmente, fatura em torno de R$ 49.000,00 (quarenta e nove mil reais)
de receita anual na prestação de serviços de manutenção e reparos de veículos. A empresa não
efetua nenhum pagamento de impostos, pois atua na informalidade, e o proprietário realiza o
pagamento de INSS como contribuinte individual no carnê da Previdência Social.
O funcionário recebe a remuneração correspondente a um salário-mínimo, no valor de R$
788,00 (setecentos e oitenta e oito reais), e o proprietário efetua o pagamento de INSS como
contribuinte individual para o seu funcionário, garantindo seus direitos previdenciários. Da
mesma forma, o proprietário também efetua o pagamento de férias e décimo terceiro ao seu
funcionário. O valor da contribuição de INSS como contribuinte individual é de R$ 86,68 (oitenta
e seis reais e sessenta e oito centavos).
Fazendo uma análise para o ano de 2015, de acordo com a tabela a seguir, ao final do ano-
calendário de 2015, o empreendedor terá um total de despesas no valor de R$ 13.548,35 (treze
mil quinhentos e quarenta e oito reais e trinta e cinco centavos).
51

Tabela 2: Despesas trabalhador informal


INSS
Trabalhador Salário INSS
Mês informal funcionário funcionário Total
Janeiro/2015 R$ 86,68 R$ 788,00 R$ 86,68 R$ 961,36
Fevereiro/2015 R$ 86,68 R$ 788,00 R$ 86,68 R$ 961,36
Março/2015 R$ 86,68 R$ 788,00 R$ 86,68 R$ 961,36
Abril/2015 R$ 86,68 R$ 788,00 R$ 86,68 R$ 961,36
Maio/2015 R$ 86,68 R$ 788,00 R$ 86,68 R$ 961,36
Junho/2015 R$ 86,68 R$ 788,00 R$ 86,68 R$ 961,36
Julho/2015 R$ 86,68 R$ 788,00 R$ 86,68 R$ 961,36
Agosto/2015 R$ 86,68 R$ 788,00 R$ 86,68 R$ 961,36
Setembro/2015 R$ 86,68 R$ 788,00 R$ 86,68 R$ 961,36
Outubro/2015 R$ 86,68 R$ 788,00 R$ 86,68 R$ 961,36
Novembro/2015 R$ 86,68 R$ 788,00 R$ 86,68 R$ 961,36
Dezembro/2015 R$ 86,68 R$ 788,00 R$ 86,68 R$ 961,36
13º salário R$ - R$ 788,00 R$ 86,68 R$ 874,68
Férias (1/3
salário) R$ - R$ 1.050,67 R$ 86,68 R$ 1.137,35
Total R$ 1.040,16 R$ 11.294,67 R$ 1.213,52 R$ 13.548,35
Fonte: elaborada pela autora, 2015.

Para o cálculo das despesas da empresa como trabalhador informal foi considerado que o
proprietário recolhe uma vez por mês o valor de R$ 86,68 (oitenta e seis reais e sessenta e oito
centavos) para sua cobertura previdenciária, totalizando um valor de R$ 1.040,16 (mil e quarenta
reais e dezesseis centavos) anualmente.
Em favor do funcionário, o proprietário efetua o pagamento do salário uma vez ao mês no
valor de R$ 788,00 (setecentos e oitenta e oito reais) pelo serviço prestado, considerando também
o valor do 13º salário que equivale ao valor de um salário do mês e as férias, que corresponde a
um terço do salário (R$ 262,67) totalizando o valor de R$ 1.050,67 (mil e cinquenta reais e
sessenta e sete centavos).
Além disso, durante todo o ano-calendário, no décimo terceiro salário e nas férias, o
proprietário faz o pagamento de INSS como contribuinte individual para o funcionário.
Se desde o começo do ano a empresa optasse pela sistemática do microempreendedor
individual, ela pagaria um total R$ 44,40 (quarenta e quatro reais e quarenta centavos) (ISS e
INSS) mensais.
52

Para o funcionário, pagaria o salário de R$ 788,00 (setecentos e oitenta e oito reais) e teria
o direito de reter 8% de INSS sobre a remuneração recebida no mês, recolhendo esse valor em
favor do contratado para sua cobertura previdenciária. Do mesmo modo, o proprietário recolheria
8% de FGTS e 3% de Contribuição Previdenciária Patronal, também de acordo com a
remuneração recebida no mês (férias e 13º salário estão inclusos).
De acordo com a tabela a seguir, ao final do ano-calendário de 2015, o empreendedor
teria um total de despesas no valor de R$ 13.069,88 (treze mil e sessenta e nove reais e oitenta e
oito centavos).

Tabela 3: Despesas empreendedor individual

INSS
Empreended Salário do
Mês ISS or individual funcionário FGTS CPP Total
Janeiro/2015 R$ 5,00 R$ 39,40 R$ 788,00 R$ 63,04 R$ 23,64 R$ 919,08
Fevereiro/2015 R$ 5,00 R$ 39,40 R$ 788,00 R$ 63,04 R$ 23,64 R$ 919,08
Março/2015 R$ 5,00 R$ 39,40 R$ 788,00 R$ 63,04 R$ 23,64 R$ 919,08
Abril/2015 R$ 5,00 R$ 39,40 R$ 788,00 R$ 63,04 R$ 23,64 R$ 919,08
Maio/2015 R$ 5,00 R$ 39,40 R$ 788,00 R$ 63,04 R$ 23,64 R$ 919,08
Junho/2015 R$ 5,00 R$ 39,40 R$ 788,00 R$ 63,04 R$ 23,64 R$ 919,08
Julho/2015 R$ 5,00 R$ 39,40 R$ 788,00 R$ 63,04 R$ 23,64 R$ 919,08
Agosto/2015 R$ 5,00 R$ 39,40 R$ 788,00 R$ 63,04 R$ 23,64 R$ 919,08
Setembro/2015 R$ 5,00 R$ 39,40 R$ 788,00 R$ 63,04 R$ 23,64 R$ 919,08
Outubro/2015 R$ 5,00 R$ 39,40 R$ 788,00 R$ 63,04 R$ 23,64 R$ 919,08
Novembro/2015 R$ 5,00 R$ 39,40 R$ 788,00 R$ 63,04 R$ 23,64 R$ 919,08
Dezembro/2015 R$ 5,00 R$ 39,40 R$ 788,00 R$ 63,04 R$ 23,64 R$ 919,08
13º salário - - R$ 788,00 R$ 63,04 R$ 23,64 R$ 874,68
Férias (1/3
salário) - - R$ 1.050,67 R$ 84,05 R$ 31,52 R$ 1.166,24
Total R$ 60,00 R$ 472,80 R$ 11.294,67 R$ 903,57 R$ 338,84 R$ 13.069,88
Fonte: elaborada pela autora, 2015.

Fazendo um comparativo dos valores anuais das situações pressupostas anteriormente


temos:
53

Tabela 4: Análise da diferença entre o trabalhador informal e MEI


Trabalhador Microempreendedor
Descrição informal individual Diferença

Salário funcionário R$ 11.294,67 R$ 11.294,67 -


Custo funcionário = INSS/
FGTS (8%) + CPP (3%) R$ 1.213,52 R$ 1.242,41 (28,89)
INSS trabalhador
informal/ Empreendedor
individual R$1.040,16 R$ 472,80 567,36
Tributação MEI - R$ 60,00 (60,00)
Fonte: elaborada pela autora, 2015.

Portanto, analisando as duas situações, a atuação como MEI é mais vantajosa. O resultado
apresentou diferenças significativas no recolhimento de INSS por parte do proprietário, pois este
recolhe, atualmente, o INSS como contribuinte individual, no valor de R$ 86,68 (oitenta e seis
reais e sessenta e oito centavos), o que equivale a 11% sobre o salário-mínimo.
Como MEI, o empresário recolheria apenas 5% sobre o salário-mínimo, o que seria
menos custoso. Assim, a formalização torna-se interessante mesmo não considerando o
pagamento da taxa de tributação do MEI como trabalhador informal.

5.5 VANTAGENS E DESVANTAGENS DO MEI

A seguir, é apresentado um quadro que demonstra, resumidamente, as vantagens aos


trabalhadores informais ao optarem por sua formalização como microempreendedor individual.
54

Microempreendedor Trabalhador
Descrição individual informal
3
Contratação de um empregado regularmente ✓ X4
Emissão de notas fiscais ✓ X
Obtenção do CNPJ ✓ X
Acesso a serviços bancários ✓ ✓
Segurança jurídica ✓ X
Participação em licitações ✓ X
Não incidência de impostos X ✓
Imposto com preço fixo e reduzido ✓ X
Quadro 8: Vantagens e desvantagens do MEI
Fonte: elaborado pela autora, 2015.

A formalização facilita muito a situação dos microempresários individuais. Como


podemos observar no Quadro 8, os benefícios apresentados trazem tranquilidade e crescimento
para o negócio. Mesmo com a incidência de impostos, que conforme observamos anteriormente é
um valor acessível para qualquer empreendedor, as condições de crescimento são praticamente
garantidas.

3
✓- Sim
4
X – Não
55

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho teve como finalidade apresentar a sistemática do MEI como uma condição
viável aos pequenos empresários. Com o surgimento da Lei Complementar 128/2008, esses
trabalhadores têm a possibilidade de garantir benefícios que antes não tinham, além da
possibilidade de crescimento e expansão de seus negócios.
Com a realização deste estudo, pôde-se afirmar que, por meio da pela LC nº 128/08, o
governo instituiu a figura jurídica do microempreendedor individual para amparar as pessoas que
trabalham na informalidade e não conseguiam vislumbrar uma maneira de legalizar seu negócio,
principalmente devido à falta de conhecimento, complexidade, alta carga tributária, entre outros
fatores. Os benefícios trazidos por essa lei chegam aos trabalhadores por atuação legislativa e
buscam melhores condições para a formalização dos negócios.
O objetivo geral desta pesquisa consistiu em orientar o trabalhador informal a se tornar
microempreendedor individual, demonstrando os benefícios dessa sistemática e os desafios a
serem enfrentados.
Os objetivos específicos, atingidos a partir do levantamento bibliográfico da Lei
Complementar nº 128/2008 e de outros documentos e da análise de uma empresa, demonstraram
a importância da formalização como MEI e ilustraram os principais conceitos e informações
relevantes das quais o trabalhador informal precisa ter conhecimento para a formalização. Além
disso, o presente trabalho demonstrou importantes fundamentos na área empresarial, tributária e
previdenciária, apresentando, ainda, os benefícios e as exigências presentes em legislação.
Foi realizada a análise de uma empresa prestadora de serviços automotivos, que tinha
como situação atual a condição de trabalhador informal. Buscou-se, com essa análise, trazer a
condição de MEI como alternativa, evidenciando se a personificação era plausível ou não.
Constatou-se que os gastos na condição de MEI são menores que na informalidade, pois
como trabalhador informal, o proprietário paga o INSS como contribuinte individual para, então,
garantir os direitos previdenciários. Porém tal pagamento é de 11% (onze por cento) sobre o
salário-mínimo, quando, pelo MEI, ele recolheria somente 5% (cinco por cento) sobre o salário-
mínimo, tendo direito, também, à cobertura previdenciária. Sendo assim, seria vantajoso para a
empresa se formalizar.
56

Caso a empresa tenha um faturamento superior a R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), esta
não poderá optar pelo enquadramento como MEI, tendo que enquadrar-se no Simples Nacional.
Como sugestão para trabalhos futuros, recomenda-se o estudo comparativo entre a condição de
MEI e Simples Nacional, observando se é ou não vantajoso para determinada empresa e quanto
custaria para o trabalhador se enquadrar na condição do Simples Nacional.
Diante do exposto, conclui-se que legalizar-se é a melhor opção para a empresa analisada.
O MEI é uma ótima oportunidade para a profissionalização de trabalhadores e progressão nas
atividades e negócios. Para tanto, cabe considerar a importância da orientação aos empresários
informais.
57

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TIPOS E modalidades de empresas. Blog um jovem contador. 2013. Disponível em:


<http://umjovemcontador.blogspot.com.br/2013/07/tipos-e-modalidades-de-empresas.html>.
Acesso em: 20 abr. 2015.

ZANLUCA, J. O contabilista e o planejamento tributário. Portal de Contabilidade. Disponível


em: <http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/planejamentofiscal.htm> Acesso em: 1
maio 2015.
65

ANEXOS

ANEXO A – Termos de autorização para divulgação de informações de empresas


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