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Tecnologia no Ensino (Ei! Ensino Inovativo, volume especial 2015)

Technical Report · January 2015


DOI: 10.13140/RG.2.1.3245.1921

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1 author:

Francisco José Espósito Aranha Filho


Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas
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VOLUME ESPECIAL • 2015 ISSN 2359-3873

UM NOVO
METODOLOGIAS
CENÁRIO
INOVADORAS
EDUCACIONAL

FERRAMENTAS
ESTRATÉGIAS QUE ESTIMULAM
DIDÁTICAS O APRENDIZADO

TECNOLOGIA
NO ENSINO
Primeira revista acadêmica
do Brasil especializada na
publicação de casos de ensino.

GVcasos é um periódico eletrônico da FGV/EAESP,


lançada por meio de parceria entre a RAE-publicações
e o CEDEA - Centro de Desenvolvimento do Ensino e
da Aprendizagem.

A missão da GVcasos é fomentar a produção e o uso de


casos de ensino em Administração, contribuindo para
a disseminação do uso de casos como metodologia de
ensino e aprendizagem em nível de graduação,
pós-graduação, especialização e educação continuada.

Desde seu lançamento em 2010, a GVcasos publicou


mais de sessenta casos em diferentes áreas de
Administração: estratégia, marketing, recursos
humanos, responsabilidade social e contabilidade.
Professores distribuídos em mais de duzentas e
cinquenta instituições de ensino localizadas no Brasil
e no exterior.

O conteúdo da GVcasos é composto de duas partes:

Revista Brasileira de Casos a) Conteúdo gratuito com acesso livre: casos de ensino
de Ensino em Administração nas diversas áreas da Administração, disponíveis para o
público em geral.

b) Conteúdo gratuito e restrito a professores: formado


pelas notas de ensino dos casos publicados.

A submissão de casos de ensino, acompanhados das


respectivas notas de ensino, é aberta a colaboradores
de modo geral e deve ser feita pelo sistema online da
GVcasos.

Acesse para ler e submeter casos de ensino:


FGV.BR/GVCASOS

Central de Relacionamento
Contatos: + 55(11) 3799-7999 ou 3799-7778
Fax: + 55(11) 3799-7871
gvcasos@fgv.br
EDITORIAL

“MUDAM-SE OS TEMPOS,
MUDAM-SE AS VONTADES”
om essa reflexão iniciamos um de- contou com os professores Alexandre Pignanelli,
bate sobre as modificações com as Marcus Vinícius Gomes e Francisco Aranha.
quais nos deparamos no ambiente Esta edição mostra como o bom uso dos novos
de sala de aula. Hoje, o principal de- recursos tecnológicos pode favorecer o aprendiza-
safio imposto no processo de ensi- do, explora os benefícios de metodologias inovado-
no-aprendizagem é a utilização de ras e identifica diversas ferramentas tecnológicas
tecnologia para auxiliar a implementação do ensi- úteis para o ensino, apresentando reflexões sobre
no participativo. Não se trata de trazer uma nova suas vantagens e desafios em diferentes contextos.
roupa para o rei, mas de incorporar os ritmos e as Além disso, há sugestões de situações pedagógicas
possibilidades de interação que essas ferramen- em que as tecnologias podem ser utilizadas, ofere-
tas propiciam. cendo possibilidades e insumos para alimentar a
É inegável que a sala de aula se amplia com a criatividade do professor.
adoção de recursos tecnológicos. Porém, esse alar- A análise dos desafios e potenciais usos das no-
gamento não basta. É essencial combiná-lo a um vas tecnologias partem da perspectiva do ensi-
novo paradigma – o aluno como protagonista. no das Ciências Sociais Aplicadas, especialmente
Essa perspectiva deve desdobrar-se em uma refor- Administração, Direito e Economia. Todavia, es-
mulação do papel de cada um dos atores do ambien- sas estratégias e ferramentas também podem ser
te escolar. Cabe ao professor perguntar-se: “Quem é úteis, com adaptações, em outras áreas.
meu aluno?”, “Onde estou?”, “Qual o objetivo do A presente edição especial é, assim, um convite
meu curso?”. Cabe ao aluno indagar-se: “Qual o para redesenhar as formas de significar a sala de
meu propósito?”, “Qual o meu papel na minha for- aula e suas funções no processo de formação do alu-
mação?”. Essas são algumas das questões-chave no, a partir da familiarização com novas práticas.
que guiaram a elaboração desta edição especial da
Ei! Ensino Inovativo, baseada em um trabalho de Desejamos uma boa e proveitosa leitura.
pesquisa desenvolvido em parceria entre a FGV/
EAESP e a FGV/Direito SP. Pelo lado da Escola Francisco Aranha
de Direito, participaram desse esforço os profes- Coordenador do FGV/EAESP-CEDEA
sores Ana Elvira Gebara, José Garcez Ghirardi e e editor chefe
Marina Feferbaum, além dos pesquisadores Franco
Matteelli, Luiza Andrade Correa, Ramon Alberto Marina Feferbaum
dos Santos, Maria Claudia Girotto do Couto e Coordenadora de Metodologia de Ensino da
Luciana Gonçalves. Pelo lado da EAESP, o projeto FGV/Direito SP e editora convidada

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶1


| FICHA TÉCNICA

Entidade de caráter técnico-científico, educativo e filantrópico, DIRETORIA DIRETORIA


instituída em 20 de dezembro de 1944 como pessoa jurídica Diretor: Luiz Artur Ledur Brito Diretor: Oscar Vilhena Vieira
de direito privado, visando ao estudo dos problemas da Vice-diretor: Tales Andreassi Vice-diretor: Paulo Clarindo Goldschmidt
organização racional do trabalho, especialmente nos seus CONGREGAÇÃO COORDENADORIAS
aspectos administrativos e sociais, e à conformidade de seus Institucional: Adriana Ancona de Faria
Presidente: Luiz Artur Ledur Brito
métodos às condições do meio brasileiro. Graduação: Roberto Dias
CONSELHO DE GESTÃO ACADÊMICA GVlaw (Pós-Graduação Lato Sensu): Emerson Ribeiro Fabiani
Primeiro presidente e fundador: Luiz Simões Lopes Presidente: Luiz Artur Ledur Brito Mestrado Acadêmico: Mario Gomes Schapiro
Presidente: Carlos Ivan Simonsen Leal Mestrado Profissional: Mario Engler Pinto Jr.
DEPARTAMENTOS DE ENSINO E PESQUISA
Prática Jurídica d Atividades Complementares: Cassia M.
Vice-presidentes: Francisco Oswaldo Neves Dornelles, Administração da Produção e de Operações: Susana
Nakano Hirai
Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque, Sergio Franklin Carla Farias Pereira; Administração Geral e Recursos Relações Internacionais: Maria Lúcia Labate Mantovanini
Quintella Humanos: Maria Ester de Freitas; Contabilidade, Finanças Pádua Lima
e Controle: Jean Jacques Salim; Fundamentos Sociais e Metodologia de Ensino: Marina Feferbaum
CONSELHO DIRETOR
Jurídicos da Administração: Isleide Arruda Fontenelle; Publicações: Catarina Helena Cortada Barbieri
Presidente: Carlos Ivan Simonsen Leal
Informática e Métodos Quantitativos Aplicados à Centro de Pesquisa Jurídica Aplicada: Luciana Gross Cunha
Vice-presidentes: Francisco Oswaldo Neves Dornelles,
Administração: André Luiz Silva Samartini; Mercadologia:
Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque, Sergio Franklin
Inês Pereira; Planejamento e Análise Econômica Aplicados
Quintella à Administração: Arthur Barrionuevo Filho; Gestão Pública:
Vogais: Armando Klabin, Carlos Alberto Pires de Carvalho e Henrique Fingermann
Albuquerque, Cristiano Buarque Franco Neto, Ernane Galvêas,
José Luiz Miranda, Lindolpho de Carvalho Dias, Marcílio CURSOS, PROGRAMAS E SERVIÇOS
Marques Moreira, Roberto Paulo Cezar de Andrade
Suplentes: Aldo Floris, Antonio Monteiro de Castro Filho,
Curso de Graduação em Administração: Nelson Lerner Barth;
Curso de Graduação em Administração Pública: Fernando Ensinoinovativo
Luiz Abrucio; Curso de Especialização em Administração
Ary Oswaldo Mattos Filho, Eduardo Baptista Vianna, Gilberto
(pós-graduação lato sensu): Renato Guimarães Ferreira;
Duarte Prado, Jacob Palis Júnior, José Ermírio de Moraes
Mestrado e Doutorado em Administração de Empresas: Ely
Volume Especial - 2015
Neto, Marcelo José Basílio de Souza Marinho, Maurício
Laureano Paiva; Mestrado e Doutorado em Administração Centro de Desenvolvimento do Ensino e da Aprendizagem
Matos Peixoto Pública e Governo: Mário Aquino Alves; Mestrado (CEDEA)
CONSELHO CURADOR Profissional em Administração de Empresas (MPA): Marina
Presidente: Carlos Alberto Lenz César Protásio de Camargo Heck; Mestrado Profissional em Gestão e Editor chefe: Francisco Aranha
Vice-presidente: João Alfredo Dias Lins (Klabin Irmãos & Cia) Políticas Públicas: Regina Silvia Viotto Monteiro Pacheco;
Editora convidada: Marina Feferbaum
Vogais: Alexandre Koch Torres de Assis, Antonio Alberto Mestrado Profissional em Gestão Internacional: Edgard
Gouvêa Vieira, Andrea Martini (Souza Cruz S/A.), Eduardo Elie Roger Barki; OneMBA: Marina de Camargo Heck; Coordenadores de conteúdo: Ana Elvira Gebara, José Garcez
M. Krieger, Estado da Bahia, Estado do Rio Grande do Sul, Coordenação Acadêmica Para Educação Executiva Da Ghirardi, Marina Feferbaum, Alexandre Pignanelli, Marcus
Heitor Chagas de Oliveira, José Carlos Cardoso (IRB-Brasil EAESP Com o IDE: João Carlos Douat; Núcleo de Pesquisas: Vinícius Gomes e Francisco Aranha
Resseguros S.A.), Luiz Chor, Marcelo Serfaty, Marcio João Thomaz Wood Júnior; RAE-publicações: Eduardo Henrique
Pesquisadores: Franco Matteelli, Luiza Andrade Correa,
de Andrade Fortes, Marcus Antonio de Souza Faver, Murilo Diniz; Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios:
Ramon Alberto dos Santos, Maria Claudia Girotto do Couto e
Tales Andreassi; Centro de Estudos de Administração
Portugal Filho (Federação Brasileira de Bancos), Pedro Luciana Gonçalves
Pública e Governo: Fernando Burgos Pimentel dos Santos;
Henrique Mariani Bittencourt (Banco BBM S.A.), Orlando
Centro de Estudos de Política e Economia do Setor REDAÇÃO
dos Santos Marques (Publicis Brasil Comunicação Ltda.),
Público: George Avelino Filho; Centro de Estudos em Jornalista e coordenadora editorial: Aline Lilian dos Santos
Raul Calfat (Votorantim Participações S.A.), Ronaldo Vilela
Planejamento e Gestão de Saúde: Ana Maria Malik; Centro
(Sindicato das Empresas de Seguros Privados, de Previdência ADMINISTRAÇÃO
de Estudos em Sustentabilidade: Mário Prestes Monzoni
Complementar e de Capitalização nos Estados do Rio de Equipe: Ellen Freitas e Daiana Mendes
Neto; Centro de Excelência em Logística e Supply Chain:
Janeiro e do Espírito Santo), Sandoval Carneiro Junior, Willy Priscila Laczynski de Souza Miguel; Centro de Excelência PROJETO GRÁFICO E DIREÇÃO DE ARTE
Otto Jordan Neto em Varejo: Jacob Jacques Gelman; Centro de Tecnologia Zeppelini Editorial – www.zeppelini.com.br
Suplentes: Cesar Camacho, Clóvis Torres (VALE S.A.), José de Informação Aplicada: Alberto Luiz Albertin; Instituto Imagens ilustrativas: www.istock.com
Carlos Schmidt Murta Ribeiro, Luiz Ildefonso Simões Lopes de Finanças: João Carlos Douat; Centro de Estudos de Periodicidade: anual
(Brookfield Brasil Ltda.), Luiz Roberto Nascimento Silva, Microfinanças e inclusão financeira: Lauro Emilio
Manoel Fernando Thompson Motta Filho, Nilson Teixeira Gonzalez Farias; Centro de Estudos em Finanças: William CENTRAL DE RELACIONAMENTO
(Banco de Investimentos Crédit Suisse S.A.), Olavo Monteiro Tel.: (11) 3799-7725
Eid Jr.; Centro de Estudos em Private Equity: Cláudio
cedea@fgv.br
de Carvalho (Monteiro Aranha Participações S.A.), Patrick Vilar Furtado; Centro de Estudos em Competitividade
Av. 9 de Julho, 2029
de Larragoiti Lucas (Sul América Companhia Nacional de Internacional: Maria Tereza Leme Fleury; Fórum de 01313-902 – São Paulo-SP
Seguros), Rui Barreto, Sergio Lins Andrade, Victório Carlos Inovação: Marcos Augusto de Vasconcellos; Núcleo de
de Marchi Comunicação, Marketing e Redes Sociais Digitais: Izidoro
Blikstein; Núcleo de Estudos em Organizações e Pessoas:
Maria José Tonelli
UNIDADES DA FGV-SP
Escola de Administração de Empresas de São Paulo APOIO
Diretor: Luiz Artur Ledur Brito Centro de Desenvolvimento do Ensino e da Aprendizagem:
Escola de Economia de São Paulo Francisco Aranha; Coordenadoria de Avaliação
Diretor: Yoshiaki Nakano Institucional: Heloisa Mônaco dos Santos; Coordenadoria
de Estágios e Colocação Profissional: Beatriz Maria Braga;
Escola de Direito de São Paulo
Diretor: Oscar Vilhena Vieira Coordenadoria de Extensão Cultural: Daniel Pereira
Andrade; Coordenadoria de Relações Internacionais:
FGV Projetos
Julia Alice Sophia von Maltzan Pacheco; Serviço de Apoio
Diretor Executivo: Cesar Cunha Campos
e Atendimento Psicológico e Psiquiátrico aos Alunos
Diretor Técnico: Ricardo Simonsen
do Curso de Graduação em Administração: Tiago Luis
Diretor de Controle: Antonio Carlos Kfouri Aidar
Corbisier Matheus; Alumni GV: Francisco Ilson Saraiva Junior
Vice-diretor de Projetos: Francisco Eduardo Torres de Sá
Vice-diretor de Estratégia e Mercado: Sidnei Gonzalez ASSOCIAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS DA FGV/EAESP
Ei! Ensino Inovativo foi impressa com papel proveniente de
Diretoria da FGV para assuntos da FGV-SP Presidente: Vagner Neres da Silva
madeira certificada FSC e de outras fontes controladas. A
Diretor: Francisco S. Mazzucca DIRETÓRIO ACADÊMICO GETULIO VARGAS certificação FSC garante o respeito ao meio ambiente e aos
Diretoria de Operações da FGV-SP: Mario Rocha Souza Presidente: João Vitor Bonilha trabalhadores florestais.

2 ▶ EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015


SUMÁRIO
EI! ENSINO INOVATIVO • VOLUME ESPECIAL • 2015

Tecnologia e um novo cenário educacional


4

Estratégias de ensino 9

Ensino Sala de aula Aprendizagem por Design


híbrido invertida meio de problemas thinking
10 14 18 22

Ferramentas tecnológicas 27

Mapas mentais Quadrinhos Vídeos Redes Sociais Storytelling


28 29 30 31 32

Dinâmicas e Gerenciadores Bancos Jogos


debates remotos de atividades e projetos de dados digitais
33 34 35 36

NUVENS
PALAVRAS
DE

Livros digitais Cadernos digitais Nuvens de palavras Linhas do tempo


37 38 39 40

Encurtadores Infográficos Ferramentas de avaliação Mapas


de links formativa e análise de aprendizado
40 41 42 43

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶3


TECNOLOGIA E UM NOVO CENÁRIO EDUCACIONAL

TECNOLOGIA

E UM NOVO
CENÁRIO EDUCACIONAL
4 ▶ EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015
TECNOLOGIA NO ENSINO

O ensino tradicional tem perdido cada vez mais espaço


para um modelo que conta com grande influência das
ferramentas tecnológicas e enxerga o aluno como
protagonista de seu próprio aprendizado.

EDUCAÇÃO TRADICIONAL EM CRISE posteriormente nas avaliações. Tal método tem


As novas tecnologias de informação e comunica- como principal foco a assimilação do conteúdo, por
ção afetam decisivamente a forma como vivemos não considerar o desenvolvimento de habilidades e
no espaço privado e público, e como investimen- competências em seu escopo.
to, produção, trabalho e consumo se estruturam. Em oposição a isso, a tecnologia possibilita que
Atualmente, elas representam componentes neces- o aluno obtenha informações sem a intermedia-
sários e de grande influência na sociedade, sendo ção do professor, que se vê na posição de deten-
que, no ambiente escolar e universitário, seu uso tor primário do conhecimento. Talvez essa seja
alcança o âmbito do ensino. uma das razões pelas quais muitos docentes en-
O modelo tradicional de educação pressupõe xerguem com desconfiança, receio e até resistên-
que o professor transmita o conteúdo ao aluno de cia a inserção de novas ferramentas tecnológicas
modo organizado e sistemático. Este, até então lei- no processo de ensino-aprendizagem, pois temem
go no assunto, deve memorizá-lo e reproduzi-lo que esses recursos causem transtornos no método

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶5


TECNOLOGIA E UM NOVO CENÁRIO EDUCACIONAL

A
SALA DE AULA PRECISA ENCONTRAR NOVOS
SIGNIFICADOS, DE MANEIRA QUE SUA OCUPAÇÃO SEJA
REFORMULADA E OS ALUNOS POSSAM ASSUMIR UMA
POSIÇÃO ATIVA NA PRÓPRIA FORMAÇÃO.

tradicional (o que provavelmente é verdadeiro) e Nesse contexto, a resistência não se refere ao


piorem a qualidade do ensino (o que provavel- uso da tecnologia em si, mas de novas tecnolo-
mente é falso). gias – o professor parece ignorar que estas har-
A desconfiança e a rejeição do docente em rela- monizam muito melhor com a atuação profissio-
ção ao uso dessas ferramentas geralmente estão nal de hoje e com as atuais formas de organizar
ligadas à tecnologia em si: “Não estou muito con- e produzir o conhecimento, de modo que tais as-
vencido. Para mim, parece modismo”. Assim, os pectos se dão em rede, e não linearmente; em
novos recursos que poderiam abalar a legitimida- concomitância, e não em sequência, refutando a
de da figura do professor são exilados da sala de ideia de formação unidirecional.
aula e adotados em atividades que não coloquem É provável que parte dessa oposição esteja rela-
a sua posição em xeque. A maioria dos docentes cionada ao fato de que muitos docentes não têm
parece aceitá-los, sobretudo, como ferramentas de tanta familiaridade com os novos recursos quanto
comunicação de comandos (agendar tarefas, en- seus alunos, o que pode colocá-los em uma situa-
viar textos, entre outros), cobrindo com nova rou- ção de desvantagem e ameaçar seu controle sobre
pagem suas práticas já consolidadas. o processo de ensino-aprendizagem. Além disso,
Nessa perspectiva, lousa, giz, caderno, fileiras de professores que não veem giz e lousa como parte da
carteiras e exposição oral não são vistos como par- tecnologia, costumam adotar uma estratégia que
te da tecnologia, mas apenas como o ambiente e a prioriza: a centralidade do docente; a transmissão
maneira natural de lecionar. No entanto, esse mode- de informação como principal atividade da aula; a
lo de ensino, do qual nos servimos ainda hoje, tem atenção exclusiva ao professor-expositor – visto
suas raízes na sociedade industrial e está em linha como fonte privilegiada de informação; a separa-
com os objetivos de educação daquela época: enten- ção clara entre teoria e prática, e entre o saber de-
dia-se que era necessário oferecer a matéria-prima senvolvido em sala de aula e a realidade do mun-
(informação) e submetê-la a um trabalho metódi- do externo.
co (ensino), moldando e disciplinando o discente de Entretanto, hoje essa estratégia dificilmente é
acordo com a lógica dos diferentes campos do saber, aceita sem resistência pelos alunos, os quais são de-
para, ao fim desse processo, gerar um produto (alu- safiados a ocupar novas posições fora do ambiente
no preparado para atuar profissionalmente). A tec- escolar ou universitário. Isso pode resultar no de-
nologia de ensino da época era vista como neutra sinteresse ou na indisciplina dos estudantes, sendo
e tinha seu caráter, papel e implicações ocultados, que, muitas vezes, tais comportamentos são consi-
porque faziam parte de uma ideologia dominante derados falta de respeito ao modelo tradicional e são
desde o início da modernidade industrial, validada enfrentados com a reafirmação das estratégias cen-
pela colonização de todas as áreas da vida. tradas no conteúdo e na figura do professor.

6 ▶ EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015


TECNOLOGIA NO ENSINO

O
S RECURSOS TECNOLÓGICOS AMPLIAM AS FORMAS DE
ENTENDER O ENSINO QUANDO ARTICULADOS COM:
A CENTRALIDADE DO ALUNO; O DEBATE E A ANÁLISE
COMO ATIVIDADES CENTRAIS DA AULA; A ATENÇÃO
PARTILHADA E CONCOMITANTE ENTRE OS ATORES EM
SALA; E O DIÁLOGO ENTRE TEORIA E PRÁTICA.

QUEBRANDO PARADIGMAS da aula; a atenção partilhada e concomitante en-


Numa tentativa de superar essas questões no tre os atores em sala; o diálogo constante entre
processo de ensino-aprendizagem, uma prática teoria e prática, além da abertura para a realida-
que está se tornando comum é o uso de novas fer- de do mundo exterior.
ramentas tecnológicas para atrair e “disputar” a Para que essa subversão de lógicas ocorra, é
atenção do aluno com celulares, notebooks e ou- preciso que o professor repense seu papel e que
tros aparatos que possam distraí-lo durante a aula. o ensino seja mais do que a sistematização de in-
No  entanto, adotar estratégias relacionadas a re- formações. A sala de aula precisa encontrar novos
cursos tecnológicos sem que haja um objetivo pe- significados, de maneira que sua ocupação seja re-
dagógico claro não remove os conflitos gerados formulada e os alunos possam assumir uma po-
pela manutenção do modelo anterior. O desinte- sição ativa na própria formação. As novas tecno-
resse e a indisciplina irão persistir, podendo até logias articuladas com as atuais concepções de
ser agravados: o estudante não só continuará desa- ensino, em que o aluno é protagonista, ocupam
tento como também irá desvalorizar a experiência. lugar central no redesenho desses papéis.
Para ser promissora, a adoção de novas tec- Assim, tais tecnologias não devem ser en-
nologias deve alavancar uma concepção que tendidas como um meio neutro ou mais atualiza-
problematize os modelos tradicionais. Essas fer- do de veicular antigas concepções. Elas repre-
ramentas possibilitam ampliar as formas de sentam um novo entendimento global do que
entender o processo de ensino-aprendizagem significa o ensino e reforçam a sua importân-
quando articuladas com: a centralidade do alu- cia como ferramentas eficientes no processo
no; o debate e a análise como atividades centrais de aprendizagem.

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶7


TECNOLOGIA E UM NOVO CENÁRIO EDUCACIONAL

DESENHO DO CURSO E ESCOLHA DA FERRAMENTA


Apesar do discurso sobre o uso da Muito antes de escolher qual ferramen-
tecnologia em sala de aula e o compre- ta utilizará, o professor deve realizar uma
ensível entusiasmo com as múltiplas série de decisões complexas. Para dese-
possibilidades que ela propicia, não nhar um curso proveitoso a todos os par-
podemos esquecer do caráter instru- ticipantes, ele precisa definir os objeti-
mental desses meios no planejamen- vos e o objeto (“O que desejo ensinar?”),
to do ensino, de modo que sua esco- considerando o contexto em que este se
lha (filmes, slides, redes sociais, entre dará (“Quem é o meu público?”) e a leitu-
outros) seja secundária em relação aos ra mais ampla daquela prática (“Por que
objetivos da atividade, aula ou cur- desejo ensinar isso para este grupo?”).
so. A tecnologia é o meio e não o fim. Somente após essas decisões prelimina-
Não é capaz, por si própria, de respon- res a respeito da estrutura e do sentido do
der às questões centrais que o docen- curso é possível definir o uso ou não de
te precisa endereçar quando prepara novas tecnologias, bem como qual moda-
seu trabalho. lidade e dinâmica são mais apropriadas.

TECNOLOGIA NO ENSINO: É PRECISO SABER UTILIZAR


Hoje em dia, é comum que professo- que preparar aulas, a personagem deci-
res invertam o processo e falem de suas de que seu curso será baseado somente
metodologias de ensino a partir dos re- na exibição de filmes. Claro, sua inten-
cursos tecnológicos e das dinâmicas ção não é promover a qualificação dos
que empregam. Quando interpelados estudantes, mas preencher o tempo em
sobre a proposta do curso e os objeti- sala. Absolutamente inepta como pro-
vos de aula, muitas vezes fazem refe- fessora, a personagem poderia, ainda
rência a alguma mídia: “Costumo usar assim, dizer que utiliza uma tecnolo-
filmes, os estudantes adoram!”; “Meus gia (relativamente) nova de ensino em
alunos quase sempre realizam pesqui- seu curso. Recursos tecnológicos não
sas na internet”; “Peço para fazerem pe- suprem a falta de reflexão pedagógica
quenos vídeos explicando os principais nem qualificam, por si só, o processo de
conceitos”; “Utilizo muitos slides e no- ensino-aprendizagem.
tícias de jornal”. Embora revelem prá- A tecnologia não é um componente
ticas interessantes e potencialmente neutro e exerce importante influência
eficazes, tais respostas não esclarecem sobre a reflexão das práticas docentes.
os objetivos pedagógicos pretendidos, Por exemplo, ao organizar uma dinâ-
tampouco a perspectiva de aprendiza- mica com sua turma, baseando-se em
gem da adoção dessas ferramentas. um ou mais recursos, o professor tem
Um exemplo dessa inversão é o filme que lidar com possibilidades e limita-
Professora Sem Classe (Bad Class), uma ções inerentes a eles. Essas configura-
comédia recente na qual Cameron Diaz ções poderão contribuir para a abor-
interpreta uma moça que, limitada em dagem dos objetivos de ensino e se
suas perspectivas profissionais, resolve tornar base para um aprimoramento
seguir a carreira de docente – embora das decisões metodológicas que pre-
odeie profunda­mente os alunos, os co- cedem a escolha do recurso tecnoló-
legas e o ambiente escolar. Para não ter gico a ser utilizado.

8 ▶ EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015


ESTRATÉGIAS DE ENSINO

ESTRATÉGIAS
DE ENSINO
Antes de definir qual estratégia irá aplicar em sua disciplina, o pro-
fessor precisa considerar algumas questões importantes: “Quem é o
meu aluno?”, “Qual a posição da minha disciplina no quadro geral
do curso?”, “Como ela dialoga com as matérias `vizinhas´ de área, de
semestre e de ano?”, “O que é indispensável para a sua eficiência?”,
“Quais habilidades precisam ser desenvolvidas?”, “O que há no pro-
grama de ensino herdado de anos anteriores?”, “Quais são os meus
objetivos diante dessas condições?”, “Quais recursos tenho à dispo-
sição?”, entre outras.

Por essas e outras perguntas que os docentes fazem no momento de


planejamento da disciplina, percebe-se que não há um modelo úni-
co, uma receita que se encaixe em qualquer ambiente ou grupo. Por
isso, depois de estruturada e inserida em perspectiva no curso, a ma-
téria poderá ganhar diversas estratégias de abordagem e formas de
compor as ações do professor em sala de aula, sendo possível dese-
nhar um caminho em que as metodologias de ensino tenham o pa-
pel significativo de auxiliar o docente a atingir as metas delineadas
e atender às necessidades dos alunos.

9 ▶ EI!EI!ENSINO INOVATIVO▶◀VOLUME
ENSINOINOVATIVO ESPECIAL▶ ◀
VOLUMEESPECIAL 9
2015
ENSINO HÍBRIDO

ENSINO HÍBRIDO
10 ▶ EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015
ESTRATÉGIAS DE ENSINO

E NSINO HÍBRIDO É
UMA ESTRATÉGIA
QUE ENVOLVE TANTO
O APRENDIZADO
PRESENCIAL – EM SALA DE AULA –
QUANTO O REMOTO – POR MEIO DE
FERRAMENTAS DIGITAIS.

O QUE É?
Derivado do E-learning, por meio do qual o
aprendizado se dá fundamentalmente à dis-
tância, o ensino híbrido, ou blended learning,
é uma estratégia que envolve tanto o apren-
dizado presencial quanto o remoto, combi-
nando duas modalidades diferentes: o ensino
tradicional – em sala de aula – e o on-line –
por meio de aparatos eletrônicos e ferramen-
tas digitais. Tal metodologia é utilizada com o
objetivo de se obter o melhor aproveitamento
de cada estilo e proporcionar um aprendizado
mais amplo e profundo.
Esse formato híbrido também visa propiciar
ao aluno momentos de estudo individual, esti-
mulando-o a buscar novas fontes de informa-
ção e a ter períodos de troca e interação com
outros alunos e professores, permitindo a per-
sonalização do aprendizado.
Essa fase não está necessariamente vin-
ADOTANDO A ESTRATÉGIA culada ao uso de algum tipo de tecnologia.
A etapa presencial do ensino híbrido pode Entretanto, o docente é livre para aplicar
se concretizar por meio de aulas tradicionais qualquer ferramenta que, nesse contexto, tra-
ou dinâmicas em grupo sob a supervisão do ga benefícios ou contribua para o aprendizado
docente. Uma de suas principais propostas é a em sala de aula.
valorização da interação, tanto entre estudan- Em sua etapa remota, o ensino híbrido se
tes e professor como dos alunos entre si. O de- dá por meio de recursos digitais, com o au-
senvolvimento de atividades colaborativas que xílio de dispositivos eletrônicos. Nesse mo-
permitam uma relação interpessoal mais in- mento, o aluno tem maior controle sobre o
tensa entre os participantes, por exemplo, pode conteúdo a ser estudado, bem como o méto-
estimular a integração da turma. do, o local e o tempo destinado a essa tarefa.

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶ 11


ENSINO HÍBRIDO

O desenvolvimento de uma plataforma on-li- muitas vezes, promovem o professor a prin-


ne para cada disciplina pode ser uma alter- cipal ator da disciplina, bem como detentor
nativa interessante para fins de organização e e único transmissor do conhecimento, o que
direcionamento do conteúdo trabalhado pelo pode inibir os estudantes de interagir, buscar
professor em sala de aula. novas fontes de informação e exercer um pa-
pel mais relevante sobre seu aprendizado.
BENEFÍCIOS Além disso, a questão de o aluno elaborar
Pode-se considerar que o benefício mais seu próprio cronograma de estudos é mui-
marcante dessa metodologia é extrair o me- to interessante, pois confere a ele mais au-
lhor dos dois estilos (sala de aula e a distân- tonomia, independência e responsabilidade.
cia) e aplicar no processo de ensino. Assim, Entretanto, essa prática pode se revelar proble-
em sua fase presencial, o método pode utili- mática caso o estudante não desenvolva o pla-
zar a prática de dinâmicas em grupo, deba- nejamento da maneira adequada, isto é, o que
tes e laboratórios de atividades para suscitar deveria ser uma ferramenta para auxiliá-lo em
a colaboração dos estudantes em classe. Já a sua organização, acaba atrapalhando e preju-
fase do estudo remoto tem o potencial de des- dicando seu processo de aprendizagem.
pertar no discente maior senso de responsabi- Por fim, a necessidade de dispositivos ele-
lidade sobre o seu próprio processo de apren- trônicos e digitais com acesso à internet para
dizagem, fazendo com que ele crie e organize a concretização do estudo remoto, por vezes
seu cronograma de estudos da maneira com a não permite que todos os públicos façam ple-
qual mais se identifica. Assim, o modelo mos- no uso dessa estratégia de ensino.
tra-se bastante eficiente ao aluno.
A intenção é que haja mútua complementa-
ção entre esses estilos de ensino: aproveitar
os recursos do método presencial para enga-
jar os estudantes, obtendo melhores resulta-
dos de aprendizagem, e, ao mesmo tempo, ir Saiba mais
além da mera transmissão de informações em
sala de aula, possibilitando ao aluno expandir
Designing a blended course. Repositório da
seu conhecimento com o auxílio dos meios Universidade de Illinois sobre ensino híbrido.
digitais e eletrônicos. Disponível em:
uis.edu/colrs/learning/pedagogy/blendeddesign

DESAFIOS Technologies overview. Repositório da Universi-


Apesar dos amplos benefícios demonstra- dade de Illinois sobre ensino híbrido.
Disponível em:
dos pelo ensino híbrido, há alguns obstácu- uis.edu/colrs/learning/technologies
los a serem considerados para a implemen-
Pedagogy. Flexible Learning Institute.
tação dessa metodologia. O fato de ela ainda
Disponível em:
ser pouco utilizada como estratégia de apren- blendedandflexiblelearning.wikispaces.com/Pedagogy
dizagem faz com que subsista uma superva-
lorização dos métodos presenciais, os quais,

12 ▶ EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015


PRÊMIO BOAS PRÁTICAS DE
BOAS PRÁTICAS DE APRENDIZAGEM

ENSINO E APRENDIZAGEM 2015

Professor da
FGV-EAESP:
Inscreva sua ideia até o dia
4/12/2015 e ajude a disseminar
iniciativas inovadoras de ensino.
Para maiores informações:
REVISTA ENSINO INOVATIVO ◀ VOLUME 1 ◀ 13
cedea@fgv.br
SALA DE AULA INVERTIDA

SALA DE AULA
INVERTIDA
O QUE É? abordagem, em linhas gerais, é que o aluno te-
Sala de aula invertida, ou flipped classroom, é nha prévio acesso ao material do curso – impres-
uma estratégia que visa mudar os paradigmas so ou on-line − e possa discutir o conteúdo com
do ensino presencial, alterando sua lógica de or- o professor e os demais colegas. Nessa perspec-
ganização tradicional. O principal objetivo dessa tiva, a sala de aula se transforma em um espaço

14 ▶ EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015


ESTRATÉGIAS DE ENSINO

O
dinâmico e interativo, permitindo a realização de CORRE UMA INVERSÃO NO
atividades em grupo, estimulando debates e dis- MODELO TRADICIONAL:
cussões, e enriquecendo o aprendizado do estu- AS TAREFAS QUE ERAM
DESTINADAS À LIÇÃO DE CASA
dante a partir de diversos pontos de vista. PASSAM A SER REALIZADAS EM
Assim, para a melhor fixação das informações SALA DE AULA, APLICANDO-
e conceitos apresentados na disciplina, é neces- SE O QUE FOI ESTUDADO
ANTERIORMENTE POR MEIO DO MATERIAL
sário que o aluno reserve um tempo para estu- DISPONIBILIZADO PELO PROFESSOR.
dar o conteúdo antes da aula.

ADOTANDO A ESTRATÉGIA administra a sua agenda de estudos, é possível


Para a aplicação dessa abordagem, é neces- conferir a ele mais autonomia e ajudá-lo a desen-
sário que o docente prepare o material e o dis- volver um maior senso de responsabilidade so-
ponibilize aos alunos por meio de alguma pla- bre seu próprio processo de aprendizagem. Isso
taforma on-line (vídeos, áudios, games, textos e possibilita que ele tenha um papel ativo nessa
afins) ou física (textos impressos) antes da aula, trajetória e se envolva mais profundamente com
de modo a tornar o debate presencial mais qua- o assunto explorado.
lificado devido à prévia reflexão dos estudantes Essa estratégia também permite que as la-
a respeito do tema que será abordado. Ocorre, cunas na compreensão do conteúdo se tornem
portanto, uma inversão no modelo tradicional: mais visíveis, tanto por parte dos professores
as tarefas que costumavam ser destinadas à como dos alunos, devido à constante interação
lição de casa passam a ser realizadas em sala e orientação na aplicação do conhecimento.
de aula, aplicando-se o que foi estudado ante- Outro benefício, talvez um dos mais impor-
riormente por meio do material disponibiliza- tantes dessa metodologia, é a possibilidade de
do pelo professor. Nesse contexto, a sala se tor- promover debates mais avançados em sala, uma
na um ambiente rico em conhecimento, com vez que o conteúdo foi previamente estudado
a adoção de exercícios, atividades em grupo pelo aluno, proporcionando um nível de dis-
e discussões. cussão mais elevado e um conhecimento mais
Além disso, a relação verticalizada − professor abrangente a todos os envolvidos.
transmite as informações e alunos absorvem −
dá lugar à troca de visões, em que o docente as- DESAFIOS
sume o papel de condutor do ensino, tirando Como a atual metodologia de ensino ainda
dúvidas, aprofundando o tema e estimulando se vincula muito intimamente com o apren-
o debate, de forma a proporcionar ao estudante dizado por meio de aulas expositivas, alguns
um aprendizado mais amplo e completo. alunos podem se sentir perdidos, desmotiva-
dos, ou até achar que o professor não está cum-
BENEFÍCIOS prindo o seu papel, uma vez que “não há aula”
Como mencionamos, a abordagem demanda em seu sentido tradicional. Por isso, é pos-
que o aluno estude o conteúdo em seu tempo sível que esses estudantes tenham que passar
fora da classe, preferencialmente antes da aula por uma adaptação até se sentirem confortá-
presencial, para que possa acompanhar as dis- veis com a sala de aula invertida. Os confli-
cussões e obter um melhor aproveitamento das tos e anseios por vezes gerados pela aplicação
informações. Assim, considerando que o discente dessa estratégia podem trazer consequências

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶ 15


SALA DE AULA INVERTIDA

INSTITUIÇÃO DE ENSINO CASA


MÉTODO TRADICIONAL
• Exercícios
Professor
Detentor do
• Transmissão • Projetos
conhecimento
de informação
• Trabalhos
e conhecimento
• Soluçãode
problemas

SALA DE AULA INVERTIDA


• Exercícios
Professor
Condutor • Leituras
• Projetos
e facilitador
• Vídeos
• Trabalhos
• Pesquisas
• Soluçãode
problemas

FERRAMENTAS PARA INVERTER A SALA DE AULA


Beginning to flip/enhance your classroom with screencasting: goo.gl/WDaOZy

para o aprendizado, bem como pressões e an- porque o professor também precisa aprender a
gústias que nem professor nem aluno enfren- lidar com essas expectativas. Do ponto de vis-
tavam quando o modelo tradicional imperava ta do docente, pode-se encontrar barreiras espe-
na atividade docente. cialmente no que diz respeito à perda de parte
A busca pela mudança de mentalidade em re- de sua autoridade em sala, na medida em que
lação ao que esperar de uma “aula” é um dos ele não é mais o único a ditar o ritmo das inte-
principais desafios a serem enfrentados no pro- rações e a deter o poder do conhecimento. Isto
cesso de inovação no ensino. E engana-se quem é, ao se adotar essa estratégia, a interação entre
pensa que ele recai apenas sobre o estudante, professor e aluno é bem diferente das relações

16 ▶ EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015


ESTRATÉGIAS DE ENSINO

que se estabeleciam quando da utilização do as demais que compõem o curso, como foi des-
método tradicional. tacado no primeiro artigo.
Além disso, essa metodologia exige uma A interação dentro e fora de sala deve ser
brusca mudança de comportamento do discen- muito bem elaborada e implementada, evitan-
te, tanto dentro quanto fora da sala de aula, já do o pensamento de que o conteúdo já foi pas-
que ele passa a ter maior autonomia, uma par- sado ao aluno e o encontro presencial é apenas
ticipação mais ativa e desenvolve novas ha- um adendo. O material on-line e a interação
bilidades. Para isso, a atuação do professor é em classe devem ser complementares. Desse
extremamente importante, porque, dentre di- modo, percebe-se que a sala de aula invertida
versas ações, ele precisa refletir melhor sobre também pode ser entendida como uma forma
suas condutas caso os alunos não realizem o de ensino híbrido, estratégia apresentada na
estudo prévio necessário e encontrem dificul- matéria anterior.
dades de acompanhar a interação em classe,
o que pode gerar desmotivação e desinteres- DICA
se pelo conteúdo, interferindo negativamente
É interessante incluir conteúdo
no aprendizado.
sobre problemas da atualidade no
Diante do exposto, fica claro que essa estraté- material disponibilizado aos alu-
gia não diminui o trabalho ou a relevância do nos. Vídeos de plataformas como
professor, tampouco significa “não lecionar”. TED, YouTube e Open Culture
Ao contrário, inverter a sala de aula requer gran- funcionam muito bem.
de esforço do docente. Não é à toa que o maior
desafio dessa abordagem é o tempo necessário
para a preparação de sua implementação, tanto
em relação à elaboração do conteúdo a ser dis-
ponibilizado aos alunos, quanto à reflexão sobre
as dinâmicas e exercícios a serem utilizados em
classe. É necessário um bom planejamento dos
Saiba mais
objetivos de ensino e uma programação detalha- Sala de aula invertida: por que não reagem os peda-
gogos brasileiros ao neocolonialismo pedagógico? José
da do que será lecionado, o que irá subsidiar a Pacheco. Revista Educação. Disponível em:
http://revistaeducacao.com.br/textos/205/sala-de-
escolha dos conteúdos a serem estudados pre- aula-invertidapor-que-nao-reagem-os-pedagogos-
viamente e das atividades mais adequadas para brasileiros-311344-1.asp
Flipped classroom: invertendo a maneira de ensinar.
aplicação em sala de aula. Revista TecEduc. Seção “Na frente”. Disponível em:
Outro ponto desafiador é o aumento da carga positivoteceduc.com.br/na-frente/flipped-classroom-
invertendo-a-maneira-de-ensinar
de trabalho, não só do professor, mas também Flipped learning network. Disponível em:
do estudante. Preparar-se ou se acostumar a re- flippedlearning.org
Repositório flipped classroom. Disponível em:
alizar trabalhos antes da aula não é tarefa co- flippedclassroom.org
mum para muitos alunos, uma vez que prova- What we´re watching: what a flipped classroom looks like.
EducationNext. Disponível em: educationnext.org/what-
velmente não cursam apenas uma, mas várias were-watching-what-a-flipped-classroom-looks-like
disciplinas ao mesmo tempo, sendo necessário Behind the headline: flipped classrooms give every stu-
dent a chance to succeed. EducationNext. Disponível
administrar bem o tempo e dividir suas horas em: educationnext.org/behind-the-headline-flipped-
de estudo entre elas. Assim, é preciso que o do- classrooms-give-every-student-a-chance-to-succeed

cente reflita sobre a relação de sua matéria com

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶ 17


APRENDIZAGEM POR MEIO DE PROBLEMAS

APRENDIZAGEM
POR MEIO DE
PROBLEMAS
18 ▶ EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015
ESTRATÉGIAS DE ENSINO

A
O QUE É?
A aprendizagem por meio de problemas, O TRABALHAR NA SOLUÇÃO
mais conhecida como Problem Based Learning DE PROBLEMAS, O ALUNO
DESENVOLVE HABILIDADES
(PBL), surgiu no Canadá entre as décadas de ESTRATÉGICAS, SENSO
1950 e 1960 com o objetivo de solucionar ca- CRÍTICO, ABSORVE O
sos relacionados ao ensino da medicina. Mas, CONTEÚDO DE FORMA MAIS
desde então, ela também vem sendo aplicada EFICIENTE E APRENDE A FAZER O USO
ADEQUADO DAS INFORMAÇÕES.
em diversas outras áreas do conhecimento.
É uma estratégia na qual o aluno é estimula-
do a aplicar os conceitos aprendidos duran- da sala, no segundo os alunos desenvolvem
te a disciplina na resolução de um problema a habilidade de trabalhar em equipe. No en-
real ou hipotético. tanto, é importante que os grupos sejam pe-
É interessante ressaltar que esse método quenos para facilitar a interação e instigar a
se diferencia da problematização, na medida participação de todos.
em que, enquanto esta última diz respeito ao Na aplicação dessa metodologia, o docente
questionamento e ao debate motivados pela deve apresentar o problema – delimitado por
resposta de um aluno ou professor, aquele um contexto – e uma pergunta central para
busca um planejamento e uma solução es- que os alunos respondam  –  assim como fa-
tratégica para um problema, a partir da utili- ria um cliente com o profissional no mercado
zação instrumental do conteúdo apresentado de trabalho. Neste ponto, é importante que o
na disciplina. professor tenha clareza do objetivo de sua ati-
Da mesma forma, o PBL é diferente da apren- vidade, para que possa passar as instruções
dizagem por projeto (Project Based Learning), a aos estudantes, os quais deverão identificar os
qual também se baseia no ensino por meio de limites do problema, descobrir a melhor so-
problemas, mas é mais abrangente, pois se tra- lução e construir uma estratégia viável, utili-
ta de um projeto de longo prazo elaborado pelo zando o conteúdo estudado na disciplina.
professor e com diversas etapas a serem cum- Com relação à entrega dos resultados, ge-
pridas pelos alunos. O produto final desse tra- ralmente o discente apresenta a resolução
balho deve ser composto pela resposta a diver- do problema no formato de um documento
sas questões propostas ao longo do projeto. formal, tal qual um relatório, uma opinião
Do ponto de vista da tecnologia, não é ne- legal ou um parecer, permitindo-o desen-
cessário o uso de qualquer aplicativo ou sof- volver a habilidade da expressão escrita.
tware para a aplicação da aprendizagem por Além disso, é possível pedir que o aluno
meio de problemas, porém tais recursos po- faça uma apresentação dos resultados, as-
dem tornar a atividade mais dinâmica e esti- sim como faria para um cliente em uma si-
mular a participação dos estudantes. tuação real, desenvolvendo também a com-
petência da comunicação oral.
ADOTANDO A ESTRATÉGIA Essa ferramenta pode ser utilizada em qual-
O PBL pode ser aplicado individualmente quer disciplina, a qualquer momento. Todavia,
ou em grupo. Enquanto no primeiro forma- é de extrema importância dosar a complexida-
to o professor garante a participação integral de do problema apresentado, a fim de que este

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶ 19


APRENDIZAGEM POR MEIO DE PROBLEMAS

DICA

O PBL também pode ser


É interessante que o
utilizado com um Role
professor pense em problemas
Play, ou seja, o professor
complexos, relacionados à
solicita que os alunos
prática profissional e que
sugiram uma solução ao
suas soluções dependam de
problema a partir do ponto
conteúdos essenciais para
de vista de um dos atores
a disciplina.
envolvidos na questão.

esteja alinhado com o conteúdo e seja com- Para criar um programa de ensino baseado
patível com o momento do curso. Durante as em problemas, o professor precisa selecionar
primeiras aulas, em que os alunos ainda es- os temas de estudo e, então, elaborar situa-
tão se ambientando e iniciando seu aprendi- ções adversas para os alunos resolverem, re-
zado, o professor pode transformar o proble- sultando no aprendizado baseado na integra-
ma em diversas questões que direcionam as ção entre teoria e prática.
etapas até a sua resolução, permitindo que os
estudantes compreendam as diferentes for- BENEFÍCIOS
mas de raciocínio necessárias para encontrar Dentre os diversos pontos positivos des-
a melhor solução à situação proposta. À medi- sa estratégia, pode-se citar que ela aproxi-
da que a matéria vai avançando, os problemas ma o aluno da experiência prática, permitin-
se tornam mais complexos e o docente pode do-o criar maior interesse pelo conteúdo.
conferir mais autonomia aos alunos. Diferentemente de outros métodos, seu foco

20 ▶ EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015


ESTRATÉGIAS DE ENSINO

não está na memorização da matéria, mas no baseia em transmitir ao aluno primeiro as in-
desenvolvimento de competências para so- formações mais simples e depois as mais com-
lucionar problemas. Ao trabalhar na resolu- plexas. Isso porque o aprendizado por meio de
ção de uma determinada questão proposta perguntas articula o conteúdo com a resolução
pelo professor, o estudante desenvolve habi- de problemas complexos, de modo a priorizar
lidades estratégicas, senso crítico, absorve o as habilidades do estudante. Em um contexto
conteúdo de maneira mais eficiente – já que que exija provas – em especial de múltipla es-
a compreensão deste se dá de forma prática – colha, que pressupõe a memorização do con-
e aprende a fazer o uso apropriado das infor- teúdo –, a aplicação dessa estratégia pode ser
mações adquiridas. um desafio.
Assim, essa metodologia confere maior res- Outro aspecto que merece atenção é o mé-
ponsabilidade ao discente e o coloca no centro todo de avaliação. Em geral, o professor anali-
da disciplina, como protagonista de seu pró- sa a qualidade do produto entregue pelos alu-
prio aprendizado, de modo que o estimula a nos, seja este escrito ou oral. Assim, ele não
buscar o conhecimento necessário não apenas precisa pedir uma resposta definitiva e limi-
no material indicado ou disponibilizado pelo tada (certo ou errado) aos estudantes no fim
professor, mas também em diferentes fontes da atividade, mas sim avaliar a eficiência da
de pesquisa. pesquisa realizada, a viabilidade da estraté-
Além disso, o PBL parte do princípio de gia proposta e a articulação do conteúdo da
que o ensino deve estar ligado a situações disciplina com sua aplicação prática. Dessa
concretas e que sejam condizentes com as forma, é essencial que o professor dê um
experiências dos alunos. Ele também permi- feedback aos discentes, apontando as fra-
te a interdisciplinaridade, de forma que um quezas e pontos fortes das soluções suge-
mesmo caso possa ser trabalhado a partir ridas, quais realmente poderiam ser utili-
de vários pontos de vista, priorizando dife- zadas em uma situação real, quais seriam
rentes problemas relacionados às mais di- as outras opções de resposta e se alguma
versas disciplinas e áreas do conhecimento. informação não encontrada ou inserida pe-
Por fim, pode-se dizer que essa metodolo- los alunos poderia ser útil para a resolução
gia também possibilita ao aluno exercitar da questão.
sua criatividade e o prepara para circuns-
tâncias que poderá enfrentar posteriormente
em sua vida profissional, já que lhe permite
associar as informações adquiridas no curso
com situações práticas.
Saiba mais
Effects of problem-based learning: a meta-analysis
DESAFIOS from the angle of assessment. David Gijbels, Filip
Dochy, Piet Van Den Bossche e Mien Segers. Review
Apesar da ampla viabilidade desse método of Educational Research, vol. 75, n. 1 (Spring, 2005),
pág. 27-61. Disponível em: jstor.org/stable/3516079
no processo de aprendizagem, ele não pare-
ce ser apropriado para uma lógica de ensino
que envolva o acúmulo de conteúdo, a qual se

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶ 21


DESIGN THINKING

DESIGN THINKING
CONTEXTO processos de ensino no aluno, fomentando sua
O design thinking tem feito enorme sucesso criatividade e habilidade de resolver problemas.
no mundo dos negócios, principalmente na Mas, afinal, como funciona essa estratégia que
indústria de tecnologia, devido à sua orien- traz tantos benefícios, especialmente ao seg-
tação para atender às expectativas e desejos mento da aprendizagem?
dos clientes. Sua influência também se ex- Definir design thinking não é uma tarefa fácil,
pandiu para ONGs e projetos que têm o obje- visto que é um conceito vago e até mesmo con-
tivo de sanar problemas sociais de países em traditório. Entretanto, esboçando uma resposta
desenvolvimento. Uma rápida busca na in- inicial para essa pergunta, considera-se que a
ternet é suficiente para encontrar inúmeras metodologia consiste em uma forma de estru-
histórias de sucesso envolvendo essa técnica. turar o pensamento, por meio de um conjunto
Com o mesmo entusiasmo, o design thinking de princípios que podem ser aplicados em di-
chegou à área da educação e muitas universida- ferentes contextos, com o objetivo de resolver
des têm adotado o método visando centrar seus problemas. Pode-se complementar, afirmando

22 ▶ EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015


ESTRATÉGIAS DE ENSINO

que é uma estratégia baseada em co-cria- com seu público-alvo, de modo a buscarem a
ção, isto é, uma criação elaborada em conjun- melhor solução a partir da perspectiva do clien-
to, por uma equipe, e organizada em torno de te ou do cidadão.
um projeto. Assim, o design thinking estabelece três mo-
É importante ressaltar que, apesar de ser uma mentos para a resolução do problema:
maneira de pensar sobre o problema e buscar • Inspiração: definição e experimentação do
uma solução, essa abordagem não segue um problema que precisa ser solucionado;
raciocínio linear. Pelo contrário, é interativa, • Ideação: geração de ideias, maturação e testes;
irregular e, de certa forma, até indisciplina- • Implementação: momento de colocar o pro-
da, já que consiste fundamentalmente em um jeto em prática. Dependendo da agenda do
processo exploratório, como diria Tim Brown, curso ou do perfil da disciplina, este espaço
evangelizador do método e CEO da IDEO, em- nem sempre é aproveitado.
presa de design no Vale do Silício idealizadora
do design thinking for educators. Mas quais as etapas necessárias para que es-
Dessa forma, muitos devem estar se pergun- ses momentos sejam concretizados da melhor
tando: “Então, qual é a diferença entre essa es- maneira possível?
tratégia e a aprendizagem por meio de proble-
mas?”. Recorrendo novamente a Tim Brown, ADOTANDO A ESTRATÉGIA
pode-se dizer que o design thinking é centrado As etapas exigidas por esse método podem ser
no ser humano, uma vez que procura definir o distribuídas ao longo da disciplina. Por exem-
problema e interagir com ele a partir da reali- plo, o professor escolhe uma delas ou realiza
dade dos atores envolvidos (sejam eles consu- uma imersão em cada aula. Essa decisão depen-
midores ou cidadãos). Ou seja, o desafio não é de do planejamento e dos objetivos de aprendi-
apenas resolver a adversidade de maneira viá- zagem que o docente estabelece para a ativida-
vel, mas, principalmente, buscar alto valor per- de e para o curso.
cebido por parte do público-alvo. Além disso, A primeira etapa é a empatia: para compreen-
a metodologia apresenta uma abordagem por der o problema é necessário que o aluno se co-
projeto e não por problema. Portanto, ela se loque no lugar do outro, pois é a melhor forma
desenvolve a partir de uma lógica de começo, de entender o contexto em questão e criar raí-
meio e fim, sendo justamente essas etapas que zes para a solução. Nesta etapa, os estudantes
a aderem melhor à realidade e ao contexto da devem observar, mergulhar na experiência e se
questão proposta, permitindo o estabelecimen- imaginar no lugar do público-alvo.
to de objetivos claros, metas e prazo. A segunda é a definição, na qual os alunos de-
Considerando que essa estratégia foca priori- vem interpretar a situação a partir das análi-
tariamente pessoas, é possível deduzir que, no ses realizadas na fase da empatia, definir seus
contexto do ensino, ela precisa ser centrada nos objetivos e expressar qual problema preten-
alunos, os quais devem possuir autonomia para dem atacar. Segundo a explicação de Holly
conduzir seu trabalho e administrar suas expec- Morris e Greg Warman no artigo Using design
tativas. Obviamente, pela mesma razão, duran- thinking in higher education, publicado pela re-
te o desenvolvimento do projeto, os estudantes vista EDUCAUSE review, três perguntas devem
também devem entrar em contato e interagir ser respondidas nesta fase:

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶ 23


DESIGN THINKING

EMPATIA IDEAÇÃO

EXPERI-
DEFINIÇÃO
MENTAÇÃO

EVOLUÇÃO

(i) Quem é o seu público-alvo e o como ele se testar a funcionalidade das ideias dos estudan-
beneficiará com seu projeto? – o que ajuda a tes, mas aprofundar o conhecimento e propor-
inserir o público-alvo no cerne do problema; cionar a eles um aprendizado mais amplo do
(ii) Por que o discente quer trabalhar com esse processo, explorando outras alternativas e ser-
problema? – avaliando-se a possibilidade de vindo de inspiração para buscarem novas solu-
aumentar o escopo do problema, caso ele ções para o problema.
esteja muito restrito; Por fim, a aplicação da última etapa depen-
(iii) O que impede que o problema seja resol- de dos objetivos que o professor atribui à ati-
vido? – focando nas ações e oferecendo um vidade e à disciplina. A evolução é o momento
ponto de partida para a próxima fase. de refletir sobre o caminho percorrido: o que
poderia ter sido feito de forma diferente, o que
A terceira etapa é a ideação, ou seja, o brains- os grupos aprenderam durante o processo, en-
torming, quando as ideias devem “voar soltas”, tre outros pontos. A intenção é encontrar uma
o momento de pensar nas mais diversas solu- opção viável e apropriada para a resolução da
ções, as quais serão o banco de dados para a questão. Este também é o momento de testar,
próxima etapa. Não há problemas se surgirem divulgar, “vender” a ideia e, se necessário, ini-
muitas ideias, pois o objetivo dessa fase é ex- ciar um novo ciclo de ajustes, especialmente
plorar o universo de resoluções. Por isso, é im- se os alunos quiserem implementar a solução.
portante que o grupo seja bem orientado sobre Percebe-se que esta é uma metodologia ma-
o momento em que deve gerar novas ideias e o joritariamente presencial, em que a interação e
momento em que deve avaliá-las. a vivência em grupo são fundamentais para o
Após a seleção das sugestões mais coerentes bom desempenho da atividade.
e aplicáveis no contexto proposto, vem a etapa
de experimentação, que é o momento de expe- BENEFÍCIOS
renciá-las, tirá-las dos post-its coloridos e trans- Partindo da perspectiva de ensino centrado
formá-las em algo real, concreto e que tenha no aluno, o design thinking se destaca, pois o
forma física, podendo-se utilizar os mais diver- discente dispõe de mais autonomia para ade-
sos tipos de materiais e até mesmo realizar uma quar o problema à luz de sua interpretação,
encenação. Seu objetivo não é necessariamente bem como desenhar uma possível solução à

24 ▶ EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015


ESTRATÉGIAS DE ENSINO

questão apresentada. O estudante vira protago- estudantes tenham espaço para criar e interpre-
nista da disciplina na medida em que interage tar a situação. Caso seja muito restrito, o tema
com o público-alvo e que sua imersão em um de- não permitirá o desenvolvimento adequado da
terminado contexto do problema pode lhe pro- atividade e, consequentemente, não será possí-
porcionar aprendizados que não estavam previs- vel atingir o objetivo de ensino esperado.
tos no formato do curso. O terceiro e mais importante desafio refere-se à
Nesse método, o professor não é mais deten- avaliação. A metodologia exige grande reflexão
tor único do conhecimento. Seu papel é dire- e planejamento para identificar o que e de que
cionar a disciplina e conduzir o aprendizado do forma deve ser avaliado. Além disso, o aprendi-
aluno – de forma que este absorva o conteú- zado não reside apenas em qual grupo propôs a
do da maneira mais prática e eficaz possível, “melhor” solução, mas principalmente no pro-
conferindo-lhe independência e o estimulando cesso, no caminho percorrido pelos alunos até
a buscar respostas para os dilemas encontra- a escolha da ideia mais apropriada para sanar o
dos. O docente deve, portanto, facilitar e orien- problema, o que também deve ser considerado
tar essa descoberta. na avaliação. Daí a importância da etapa da evo-
Apesar da relevância dos benefícios citados, lução, a qual pode ser uma aliada, visto que cria
algumas pessoas apontam que a principal con- espaço para os próprios estudantes refletirem a
tribuição do design thinking para o processo de respeito de seu aprendizado. Obviamente, a de-
aprendizagem é proporcionar aos discentes a cisão sobre o que avaliar varia conforme os ob-
oportunidade de estarem em contato com uma jetivos da disciplina, determinados pelo profes-
situação que lhes permita escutar, dialogar e sor no início do curso.
aprender com o raciocínio dos demais mem-
bros de sua equipe, o que possibilita a co-cria-
ção, essencial nessa abordagem. Além disso, a
imersão vivida na etapa da empatia pode propi-
ciar uma experiência prática ampla e profunda,
que vai além da transmissão do conhecimento.
Saiba mais
Change by design: how design thinking transforms or-
ganization and inspires innovation. Tim Brown. New
DESAFIOS York: HarperCollins. 2009.

Essa estratégia também traz desafios que re- Design thinking for educators. IDEO. 2012.
Disponível em:
querem atenção especial para a sua aplicação. designthinkingforeducators.com/DTtoolkit_
v1_062711.pdf
O primeiro é o planejamento. Apesar de as ati-
Design thinking in the classroom: free inspiration
vidades muitas vezes adquirirem um caráter lú- from the ad award winners. Ashley Nahornick. Eduto-
pia. 2013. Disponível em: edutopia.org/blog/design-
dico, isso não significa que basta formar grupos thinking-free-inspiration-ashley-nahornick

e jogar um problema para os alunos resolverem. Design thinking para educadores. Instituto Educadigi-
tal. IDEO. 2013. Disponível em:
Ao contrário, é necessário que o professor dese- dtparaeducadores.org.br/site/?page_id=14

nhe cuidadosamente como esse procedimento se How to apply design thinking in class, step by step.
MindShift. 2013. Disponível em:
relaciona com o conteúdo do curso e prepare as kqed.org/mindshift/2013/06/26/how-to-use-design-
thinking-in-class-step-by-step/
atividades com antecedência para que o design
Using design thinking in higher education.
thinking seja um método eficaz na aprendizagem. Holly Morris e Greg Warman. 2015. Disponível em:
educause.edu/ero/article/using-design-thinking-
O segundo está ligado à definição do problema, higher-education

o qual precisa ser amplo o suficiente para que os

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶ 25


fgv.br/dcm
CEAG, O NOmE pArA COlOCAr AO lAdO dO sEu.
O CEAG é ideal para quem deseja realizar um curso de excelência e ter uma visão mais abrangente
de Administração. Destinado a profissionais com no mínimo 3 anos de experiência, o CEAG é
um dos mais tradicionais cursos da GV e que busca, além do desenvolvimento de competências
interpessoais, preparar os alunos que almejam ocupar cargos de liderança.

A qualidade do ensino da FGV/EAESP é acreditada por


três entidades internacionais especializadas no assunto.
Inscreva-se: fgv.br/ceag
FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS

FERRAMENTAS
TECNOLÓGICAS
Serão apresentadas a seguir algumas ferramentas tecno-
lógicas que podem ser aplicadas tanto dentro quanto fora
da sala de aula, possibilitando ao professor otimizar e agre-
gar valor ao processo de ensino-aprendizagem do aluno.

Este catálogo pretende demonstrar como é possível con-


ferir uma nova roupagem à atividade docente e apontar
técnicas capazes de ampliar a reflexão sobre as diferentes
formas de apresentar o conteúdo ao estudante, aperfeiço-
ando seu aprendizado.

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶ 27


FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS

MAPAS MENTAIS

O QUE SÃO? DESAFIOS


Consistem em diagramas que organizam o conte- É desejável que o mapa mental tenha um design di-
údo com o objetivo de promover o encadeamento de nâmico, atraente e fluido, o que faz com que essa ferra-
um raciocínio. São métodos gráficos de registro de menta não seja compatível com textos muito longos,
informações que favorecem sua hierarquização, sín- detalhados e explicativos.
tese e memorização. Para tanto, é comum o uso de Outro ponto de atenção é que, para um aluno com
frases ou palavras dentro de formas geométricas in- pouca familiaridade ou prática com a construção de
terconectadas de acordo com o raciocínio que se visa conteúdos digitais, o uso de programas para elabora-
documentar. Algumas ferramentas também permi- ção de mapas mentais pode ser complexo, dada a sua
tem incluir imagens e, eventualmente, vídeos e sons imensa gama de recursos. Além disso, esses aplicati-
em sua estrutura. vos, em geral, requerem acesso à internet e boa conec-
tividade para operarem.
COMO UTILIZAR?
Mapas mentais podem ser utilizados para apresen- DICAS PARA O PROFESSOR
tar relações lógicas, como causa e efeito, contradição, Mapas mentais são recomendados para que o aluno
instanciação, pertencimento, entre outras, conectando e possa estabelecer conexões e desenvolver relações lógi-
hierarquizando ideias e informações. cas dentro do campo estudado. Eles também podem ser
Alguns programas permitem que o usuário aplique bons instrumentos para a realização de apresentações
diversos estilos, cores e fontes nos diagramas, além de didáticas e interativas, uma vez que, por comportarem
viabilizarem a inclusão de imagens ilustrativas e até a conteúdo audiovisual, despertam a atenção dos estu-
elaboração de uma apresentação sequencial de vários dantes e estimulam sua participação. Assim, os pro-
mapas. Esses softwares também geram arquivos que fessores podem elaborar mapas mentais para conduzir
podem ser baixados para uso off-line ou permanecer ar- uma aula, um debate ou outras atividades.
mazenados em nuvem, permitindo o acesso de forma Além disso, os docentes podem solicitar que os alu-
remota pelos alunos. nos façam uso da ferramenta para criar um seminário
ou a apresentação de um trabalho final, por exemplo. Os
POTENCIALIDADES estudantes, por sua vez, também podem utilizá-la como
O uso dessa ferramenta confere maior dinamicidade instrumento de estudo.
ao conteúdo apresentado e discutido em sala de aula, Flowchart
facilitando sua compreensão. Por serem esteticamente XMind flowchart.com Wisemapping
atrativos, os mapas mentais tendem a potencializar a fi- xmind.net wisemapping.com
xação das informações, uma vez que têm a capacidade
de acionar a memória visual do aluno. FERRAMENTAS PARA A Prezi
Uma vantagem específica dessa técnica atende ao CRIAÇÃO DE MAPAS MENTAIS prezi.com
campo do Direito, pois possibilita que o estudante
Mind42 MindMeister
esquematize argumentos a favor ou contra determi-
mind42.com mindmeister.com/pt
nada tese jurídica, permitindo a estruturação lógica FreeMind
da argumentação. freemind.sourceforge.net

28 ▶ EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015


FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS

QUADRINHOS Além disso, o fato de os quadrinhos geralmente se-


rem compostos por uma linguagem direta, que se as-
semelha à oralidade, aproxima a temática estudada
aos acontecimentos cotidianos, tornando o conteúdo
O QUE SÃO? mais familiar e acessível aos alunos.
Manifestações artísticas compostas por informações Finalmente, o humor, recurso comum em quadrinhos
visuais e narrativas textuais que resultam em uma his- de periódicos, pode ser interessante para desenvolver o
tória ou conteúdo sequencial. Por meio do uso de ima- senso crítico dos estudantes.
gens, essa ferramenta permite uma comunicação plural,
sendo possível inserir personagens – que podem apre- DESAFIOS
sentar diferentes expressões faciais, linguagens particu- É preciso atenção especial ao fato de que, tendo os
lares e características marcantes – e uma determinada quadrinhos importante papel na composição do imagi-
ambientação – que pode ou não influenciar o enredo. nário de boa parte das pessoas ainda quando crianças,
Essa técnica comporta grande diversidade de forma- há a possibilidade de essa ferramenta ganhar roupagem
tos, possibilitando que o usuário escolha desde o estilo infantil, caso não seja adequadamente empregada.
do desenho até a paleta de cores que pretende utilizar, Essa ferramenta também pode ter alcance limitado
passando por opções como a presença ou não de texto para o público de graduação, visto que a exigência de
e pela sua extensão – podendo se resumir a uma tira de apreensão do conteúdo tende a ser maior do que as pos-
três quadros (formato adotado por muitos jornais) ou se sibilidades oferecidas por esse estilo de comunicação.
prolongar por encadernações inteiras. Por fim, devido à proposta dos quadrinhos ser compa-
tível com uma linguagem fácil e direta, é desejável que
COMO UTILIZAR? contenham uma narrativa textual breve. Conteúdos lon-
Seu uso é recomendado em contextos que permitam gos e complexos não são adequados para essa ferramenta.
uma linguagem prática e direta para apresentar deter-
minada ideia. Sua composição geralmente se dá pelo DICAS PARA O PROFESSOR
diálogo entre um conteúdo verbal e um não verbal: o Uma vez que a natureza dos quadrinhos demanda
primeiro se concentra em balões ou legendas − que cos- uma comunicação de fácil compreensão, sua utiliza-
tumam ser breves −, e o segundo é composto por dese- ção se encaixa mais adequadamente como método de
nhos − que são pano de fundo dos quadrinhos. memorização ou forma de expressar o senso crítico a
Assim, a transmissão do conhecimento por meio respeito de um fato, podendo servir de material para a
dessa ferramenta depende da adaptação do conteúdo preparação da aula ou uso em sala.
a essas duas linguagens, sendo que as imagens po- Solicitar a elaboração de desenhos por parte do aluno
dem ser desenhadas à mão, elaboradas no computa- suscita sua criatividade e lhe proporciona a oportunidade
dor ou estar em carimbos. de expandir seu repertório de habilidades. Caso não seja
possível desenhar, outra alternativa é utilizar carimbos,
POTENCIALIDADES desenhos prontos, ou ainda aplicativos que facilitem a
O formato das histórias em quadrinhos contribui elaboração dos quadrinhos.
para o encadeamento de um raciocínio lógico e, conse-
quentemente, para a melhor compreensão e fixação do
conteúdo. Dessa forma, os quadrinhos podem ser um
FERRAMENTAS PARA
poderoso instrumento para a expressão de ideias apre- A CRIAÇÃO DE QUADRINHOS
sentadas de maneira sequencial. • Strip Generator (stripgenerator.com)
Outra questão interessante é que o uso da linguagem • Pixton (pixton.com/br)
artística, por meio das imagens, faz com que o aluno • Comic Life (comiclife.com)
entre em contato com um universo diferenciado, oxige- • Toondoo (toondoo.com)
nando sua vivência acadêmica e permitindo que se ex- • Exemplo de história em quadrinhos
presse de forma inovadora. Já a adoção de diálogos ou aplicada ao ensino: goo.gl/TOsM0d
textos breves na composição das histórias permite que o
estudante trabalhe seu potencial de objetividade.

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶ 29


FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS

VÍDE S
Camtasia, já que este permite a filmagem direto da tela do
computador e seus comandos ficam expostos onde as ima-
gens são transmitidas. Os recursos disponibilizados pelo pro-
grama simplificam a edição, possibilitando, ainda, a inclusão
O QUE SÃO? de arquivos de áudio, como narração ou música. Como ele
A criação de vídeos consiste em uma técnica que permite pode ser integrado ao PowerPoint, é possível preparar uma
uma abordagem prática e dinâmica do conteúdo estudado, apresentação de slides e utilizar o software para converter o
possibilitando a transmissão de grande quantidade de infor- documento em vídeo.
mações em um curto espaço de tempo.
Compostos pelo diálogo entre imagens em movimento e áu- DESAFIOS
dio, os vídeos podem ter caráter documental, ficcional ou estar A criação de filmes pode demandar grande investimento de
vinculados à apresentação de materiais como slides, linhas do tempo, caso o usuário não esteja familiarizado com os pro-
tempo e mapas mentais. Também comportam narrações, tri- cessos de edição. Além disso, a elaboração de um roteiro que
lhas sonoras e técnicas de animação, conferindo-lhes uma lin- atinja o objetivo de ensino planejado pode ser complexa, vis-
guagem mais ativa e com grande potencial de captar a aten- to que exige uma linguagem com a qual não se costuma in-
ção do receptor. teragir em sala de aula. Nesse caso, é aconselhável que o
professor acompanhe a produção do vídeo, o que facilita a
COMO UTILIZAR? avaliação da atividade posteriormente.
Inicialmente é preciso elaborar um roteiro, o qual atua como Quanto ao Camtasia: trata-se de um software pago, que exige
fio condutor e traz em si um modo específico de organizar as in- um computador com recursos e bom desempenho para que ope-
formações visuais, sonoras e, eventualmente, textuais. re de forma eficiente.
Posteriormente, é possível criar vídeos de diversas formas:
tradicionalmente, por meio de câmeras digitais ou filmadoras; DICAS PARA O PROFESSOR
alternativamente, utilizando smartphones ou o próprio note- O professor pode elaborar um filme visando alcançar um
book/desktop com webcam e algum programa que realize a objetivo pedagógico, criando um tutorial, por exemplo. Além
captação de imagem e áudio. disso, pode utilizar esse recurso para incluir referências cul-
Por fim, softwares especializados em edição de conteúdo ou turais na disciplina, como filmes, documentários e músicas −
criação de animações se encarregam de compilar, dar forma e o que geralmente tem boa aceitação pelos alunos, pois apro-
apresentar as informações da maneira desejada pelo usuário. xima a temática estudada à cultura popular e gera empatia.
Essa técnica pode ser adotada especialmente quando o do- Além de apresentar filmes em sala − ou pedir que os alunos
cente precisa transmitir conteúdos complexos. Com o auxí- os assistam em suas casas −, o professor também pode solici-
lio de recursos audiovisuais, eles se tornam mais facilmente tar que os próprios estudantes produzam vídeos, estimulando
compreendidos e geram maior engajamento dos alunos. sua participação e aprendizado por meio da prática.

POTENCIALIDADES
O fato de o vídeo conseguir transmitir
grande quantidade de informações em um
curto espaço de tempo, de maneira tangí-
vel e com uma linguagem bastante acessí- FERRAMENTAS PARA A CRIAÇÃO DE VÍDEOS
vel, torna-o uma ferramenta de alto poten- • Criação de animações: Go! Animate (goanimate.com)

cial didático, especialmente porque ativa • Gravação (e edição) de vídeos diretamente da tela ou câmera
do notebook: Camtasia (camtasia.com),
a memória visual e sonora. Essa combi- My Screen Recorder (deskshare.com/screen-recorder.aspx)
nação torna o entendimento mais rápido • Edição de vídeos pelo computador: Windows Movie Maker
e fácil, gerando maior interesse e se mos- (windows.microsoft.com/pt-br/windows-live/movie-maker), LightWorks
(lwks.com), Avidemux (avidemux.com), Sony Vegas (sonyvegas.com.br),
trando mais atraente, já que a linguagem Adobe Premiere (adobe.com/products/premiere.html),
televisiva reflete uma prática comum em Final Cut (apple.com/br/final-cut-pro)
momentos de entretenimento e exerce • Edição de vídeos on-line: WeVideo (wevideo.com), Magisto (magisto.com)
forte apelo sobre os alunos. • Edição de vídeos pelo smartphone: Magisto e Viddy (aplicativos para
Android e iOS)
Cabe também destacar a facilidade
de captação de imagens pelo software

30 ▶ EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015


FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS

REDES
SOCIAIS
O QUE SÃO? DESAFIOS
Redes sociais digitais são estruturas por meio das quais O fato de algumas redes sociais voltadas ao entreteni-
as pessoas podem se conectar virtualmente. Devido à evo- mento estarem fortemente presentes na rotina dos alunos
lução da tecnologia, essa ferramenta se popularizou ampla- pode interferir no caráter acadêmico do grupo de discus-
mente nos últimos anos, tomando proporções gigantescas. são, desvirtuando sua proposta principal.
Muitas redes comportam o armazenamento de arqui- Outro ponto é que a capacidade de armazenamento
vos e possibilitam a criação de fóruns temáticos e de dessas plataformas não costuma ser muito alta, além
grupos particulares, públicos, abertos ou fechados, agre- de estas não oferecerem alternativas eficientes para a
gando usuários que possuem afinidade pessoal ou inte- organização de documentos. Também trata-se de uma
resses específicos em comum. ferramenta que opera somente no ambiente on-line.
Por fim, faz-se necessário uma reflexão por parte do
COMO UTILIZAR? professor sobre quando e como aplicar essa técnica
Para interagir em uma rede social, primeiramente é no lugar de uma plataforma de Sistema de Gestão de
necessário que o usuário crie um perfil, o qual irá con- Aprendizagem (como o Blackboard ou o D2L), eventu-
ter informações sobre ele e onde poderá (ou não) expor almente disponibilizada pela instituição de ensino.
seus interesses sociais, culturais, políticos, entre outros.
A formação de grupos de discussão, recurso útil espe- DICAS PARA O PROFESSOR
cialmente para fins pedagógicos, permite o compartilha- O uso de mídias sociais é interessante para fins peda-
mento de arquivos e informações, incluindo desde ma- gógicos, visto que o docente pode acompanhar instan-
terial acadêmico até notícias de periódicos e divulgação taneamente o andamento das atividades. Publicações
de eventos. semanais ou na periodicidade em que a disciplina é
O conteúdo pode ser disponibilizado pelo professor e ministrada deixam a experiência em sala de aula mais
acessado pelo aluno na própria plataforma. rica, dinâmica e interativa, considerando que o espa-
ço e os pontos a serem discutidos entre aluno e pro-
POTENCIALIDADES fessor são ampliados. Compartilhar notícias, divulgar
A comunicação por redes sociais com os estudantes é eventos e conteúdos culturais relacionados à matéria
bastante fluida, visto que se utiliza uma linguagem com a também se mostram alternativas eficazes para expan-
qual eles geralmente já estão familiarizados. dir o aprendizado.
Além disso, como foi citado, um dos principais be-
nefícios é que boa parte dessas ferramentas permite a
SUGESTÕES DE REDES SOCIAIS
composição de grupos sobre as temáticas trabalhadas
na disciplina, estimulando a troca de informações, a in-
teração e o diálogo entre os participantes em fóruns de
discussão, os quais podem comportar tópicos fixos ou
criados pelos próprios membros. (facebook.com) (twitter.com) (plus.google.com)

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶ 31


FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS

Storytelling
O QUE É?
Storytelling é a técnica de transmitir o conhecimento por meio de histórias. Com o auxílio de ima-
gens, vídeos, áudios ou desenhos, no âmbito do ensino, consiste na habilidade de apresentar uma nar-
rativa fácil, interessante e atraente sobre determinado conteúdo da disciplina.

COMO UTILIZAR?
Em geral, emprega-se o diálogo entre narrativas e recursos audiovisuais. O desenvolvimento e a
aplicação do storytelling devem estar atrelados ao olhar de como provocar emoções, criar empatia e
conduzir o interlocutor para determinado sentimento e conclusão.

POTENCIALIDADES
Essa ferramenta demanda o desenvolvimento de novas habilidades por parte de quem a aplica (seja
aluno ou professor), já que seu uso envolve não apenas o ato de contar histórias, mas formas estratégi-
cas e diferenciadas de narrações, capazes de focar ou ampliar a perspectiva dos relatos. A integração de
variadas mídias expande o universo do storyteller, o que enriquece e diversifica sua maneira de pensar
sobre o conteúdo ensinado ou estudado.

DESAFIOS
O storytelling exige grande capacidade criativa de quem o realiza, o que representa um desafio para
muitos docentes e alunos. Além disso, essa ferramenta pode demandar recursos de difícil acesso, espe-
cialmente no caso do storytelling digital, que requer a utilização de um software e dedicação significa-
tiva de quem não possui intimidade com o programa.

DICAS PARA O PROFESSOR


Essa prática pode ser utilizada em sala de aula, tanto para o docente aprimorar a transmissão
do conhecimento quanto como forma de avaliar seus alunos, pedindo que produzam uma história.
Neste caso, pode-se analisar a estratégia adotada pelos discentes, avaliando sua capacidade de apresen-
tar o conteúdo de forma clara e dinâmica, sua habilidade de promover a sintonia entre diversas mídias
e sua competência de focar no aspecto que se visa comunicar, enfatizando eventos-chave e realizando
uma produção gráfica coerente com os objetivos da atividade.

FERRAMENTAS PARA
A CRIAÇÃO DE STORYTELLING
• ZooBurst (zooburst.com)
• UTellStory (utellstory.com)
• Meograph (meograph.com)
• Xtranormal (xtranormal.com)

32 ▶ EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015


FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS

DINÂMICAS E DEBATES REMOTOS


O QUE SÃO? DESAFIOS
Atividades de interação e discussões viabilizadas Ainda que a relativização das fronteiras seja uma inegá-
por aparatos tecnológicos que possibilitam a comu- vel vantagem das novas tecnologias, é importante consi-
nicação entre pessoas ou grupos situados em ambien- derar que o contato humano proporciona uma experiência
tes distintos. mais viva e dinâmica no processo de aprendizagem.
As discussões remotas podem ser aplicadas tanto Além disso, para estabelecer transmissões de quali-
para colocar alunos de diferentes turmas e institui- dade, garantindo que a discussão não sofra interrup-
ções em contato, quanto para a realização de aulas, ções ou seja prejudicada por problemas técnicos, é pre-
conferências e seminários sem que os participantes ciso utilizar dispositivos eficientes, que possuam boa
precisem compartilhar o mesmo espaço físico. conectividade com a internet e uma velocidade adequa-
da, visto que grandes quantidades de dados são trans-
COMO UTILIZAR? mitidas nesse intercâmbio.
Para operacionalizar esse processo, é necessário insta-
lar câmeras de transmissão, eficientes captadores de áu- DICAS PARA O PROFESSOR
dio e uma tela de visualização nos ambientes onde o con- O professor pode organizar painéis de debate entre alunos
tato se estabelece. de diversas turmas, e colocá-los em contato com conferen-
Há inúmeros aplicativos cuja finalidade é a transmissão cistas e especialistas nas temáticas exploradas na disciplina.
audiovisual instantânea. Alguns têm como funcionalida-
de a emissão não só das imagens captadas pela câmera,
mas também das informações exibidas na tela dos dispo- FERRAMENTAS PARA A REALIZAÇÃO
sitivos conectados. DE DISCUSSÕES REMOTAS
• Skype (skype.com)
POTENCIALIDADES • TeamViewer (teamviewer.com)
Discussões entre grupos aprofundam o conhecimento • Google Hangout (hangouts.google.com)
das temáticas abordadas em classe. Por isso, a possibili- • BigBlueButton (bigbluebutton.org)
dade de realizar debates remotamente representa ir além • Adobe Connect
das fronteiras da sala de aula, viabilizando a interação (adobe.com/br/products/adobeconnect.html)
entre alunos e professores de diferentes turmas, cursos, • WebEx (webex.com.br)
cidades e até países. • UberConference (uberconference.com)
Essa técnica também facilita o contato com personali- • Zoho Meeting (zoho.com/meeting)
dades influentes no campo de conhecimento explorado − • Tinychat (tinychat.com)
como palestrantes, professores e públicos de áreas afins −, • GoToMeeting (gotomeeting.com/online)
visto que não há necessidade de deslocamento físico.

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶ 33


FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS

GERENCIADORES
DE ATIVIDADES
E PROJETOS

O QUE SÃO? completos para a realização de tarefas e projetos com


São aplicativos que viabilizam a organização de tare- os alunos.
fas por meio da criação de listas de atividades a serem Outro ponto positivo é que a técnica viabiliza a veri-
desenvolvidas pelo professor ou pelo aluno, possibili- ficação do status de cada atividade, informando ao usu-
tando a edição de calendários, a definição de prazos e a ário o que ainda precisa ser feito. O professor também
vinculação de encarregados. consegue acompanhar o envolvimento de cada estu-
De modo geral, esses gerenciadores permitem que as dante com o conteúdo e com a disciplina.
tarefas sejam divididas por períodos e classificadas em
atividades não iniciadas, em andamento ou concluídas. DESAFIOS
As melhores e mais práticas ferramentas dessa cate-
COMO UTILIZAR? goria somente operam em ambiente on-line, sendo in-
O Trello, um dos gerenciadores mais intuitivos, repre- dispensável boa conectividade com a internet.
senta muito bem essa técnica. É possível acessá-lo por
meio de navegadores e não requer instalação. As tare- DICAS PARA O PROFESSOR
fas geralmente são organizadas a partir de “cartões”, Geralmente, utiliza-se o Trello com o objetivo de
que podem ser classificados por assunto e comportam distribuir as tarefas entre os alunos e verificar o anda-
comentários, links, anexos, imagens, checklists e fixa- mento dos projetos. O aplicativo ainda permite que o
ção de prazos, além de serem categorizados de acordo docente inclua links e anexos para guiar o desenvolvi-
com o status de cada atividade. mento dos trabalhos.
Como há uma caixa de comentários em cada cartão
POTENCIALIDADES de atividade, os estudantes também podem solicitar
O fato de auxiliarem na sistematização de tarefas e ajuda do professor nesse espaço.
projetos, permitindo a inclusão e a atuação de diver-
sos usuários simultaneamente, faz com que esses apli-
cativos representem mais do que agendas modernas, FERRAMENTAS PARA
transformando-se em elementos de integração e fo- GERENCIAR ATIVIDADES E PROJETOS
mento à cooperação no âmbito educacional.
A possibilidade de inserção de várias mídias nos sis- • Trello (trello.com)
temas de gerenciamento, bem como sua fácil integração • Bitrix24 (bitrix24.com)
com outros serviços (como Outlook, Dropbox, Google, • Slack (slack.com)
etc.), permitem que esses recursos sejam instrumentos

34 ▶ EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015


FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS

BANCOS DE DADOS
O QUE SÃO? proporciona um significado amplo e consistente, auxiliando
São espaços que comportam coleções de dados abstratos, or- na percepção do todo e na tomada de decisão.
ganizados e estruturados, permitindo que estes se relacionem Existem aplicativos, bem como serviços on-line, para análi-
e gerem informações agregadas. ses qualitativas e quantitativas, que possibilitam gerar gráfi-
Para armazenar informações em bancos de dados, pode-se cos e modelos temporais a partir das informações obtidas nos
utilizar desde o papel (em que os dados são dispostos em for- bancos de dados. Tais análises podem ser feitas pelo profes-
ma de listas) até sistemas computacionais (por meio de pro- sor e disponibilizadas aos alunos, ou realizadas pelos próprios
gramas ou planilhas eletrônicas, como o Excel ou o Access). estudantes.

COMO UTILIZAR? POTENCIALIDADES


Considerando que o método atua na estruturação e organi-
Há múltiplas maneiras de criar bancos de dados, sendo as
zação do conteúdo, um de seus principais benefícios é facilitar
que utilizam algum Sistema de Gestão de Bases de Dados
o acesso, a visualização e a análise de dados agregados, pro-
(SGBD) as mais indicadas, pois permitem vários tipos de vi-
piciando ao usuário uma visão ampla e completa da situação.
sualização, correlação e acesso às informações. A forma mais
Isso, obviamente, torna o estudo e o ensino mais eficientes.
simples é fazer uso de planilhas, com o fim de organizar dados
Conhecer e aprender a trabalhar com bancos de dados é es-
previamente coletados ou criados quando da realização de al-
sencial diante da grande quantidade de informações produzi-
guma pesquisa.
das e armazenadas em meios eletrônicos atualmente. Saber
Diferentemente dos bancos criados em planilhas eletrôni-
utilizar ferramentas de criação e analisar dados é requisito bá-
cas, programas mais completos e sofisticados possibilitam o
sico para profissionais de diversas áreas.
desenvolvimento de bases mais flexíveis e integráveis com
outros aplicativos. No entanto, sua utilização exige um grau DESAFIOS
de conhecimento técnico mais elevado. A adoção desses recursos pode exigir um esforço significati-
Já a criação de bancos de arquivos eletrônicos pode ser fei- vo tanto por parte do professor quanto dos alunos. A principal
ta por meio de serviços de armazenamento, como o Dropbox dificuldade encontra-se na análise do banco de dados, cujas fer-
e o Google Drive, sendo possível estruturar o conteúdo de ramentas, além de geralmente serem pagas, exigem um apren-
modo fácil e rápido, com amplos recursos de compartilha- dizado específico e que pode ser complexo.
mento e acesso.
Uma das principais funções dessa técnica é reconhecer e in- DICAS PARA O PROFESSOR
terpretar conjuntos de dados que não seriam compreendidos O docente pode elaborar um repositório de arquivos sobre o
corretamente e não transmitiriam a informação adequada se tema estudado e disponibilizar aos alunos, além de armazenar
fossem analisados isoladamente. Quando o programa agrega produções dos estudantes, fazendo com que a disciplina tenha
os dados e permite que o usuário os visualize conjuntamente, um caráter mais colaborativo.

FERRAMENTAS PARA CRIAR BANCOS DE DADOS


Access (Microsoft) • Excel (Microsoft) • Amcharts (amcharts.com) • StatSilk (statsilk.com) • Atlas TI (atlasti.com)
• Data-Driven Documents (d3js.org) • NVivo (qsrinternational.com/products_nvivo.aspx) • SSPS (ibm.com/software/br/analytics/spss)
• Stata (stata.com) • Silk.co (silk.co) • Wolfram Alpha (wolframalpha.com) • Infoactive (infoactive.co) • Mendeley (mendeley.com) • MySQL (mysql.com)

FERRAMENTAS PARA REPOSITÓRIOS DE ARQUIVOS DIGITAIS


• Dropbox (dropbox.com) • Google drive (google.com/intl/pt-BR/drive) • Mega (mega.nz) • Omeka (omeka.org)

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶ 35


FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS

JOGOS DIGITAIS
O QUE SÃO? Assim como os convencionais, os jogos digitais potencia-
São atividades de caráter lúdico e educacional, geralmen- lizam habilidades como a capacidade de trabalhar em equi-
te desenvolvidas em um ambiente competitivo, com a par- pe, o potencial de solucionar problemas, a criatividade e o
ticipação de duas ou mais pessoas e regras predefinidas. pensamento estratégico, além de auxiliar na memorização
Com a evolução da tecnologia e dos sistemas computacio- do conteúdo.
nais, eles ganharam novos formatos e recursos, como per- Quanto à acessibilidade, são desenvolvidos em forma
mitir ao usuário engajar-se individualmente na atividade, de aplicativos, permitindo seu uso em várias plataformas
jogando contra o computador. (smartphones, computadores, etc.) e não exigindo alta ca-
pacidade de processamento e armazenamento do disposi-
COMO UTILIZAR? tivo escolhido para hospedar o jogo.
Composto por interfaces gráficas que possibilitam a co- Outro benefício significativo, ainda pouco utilizado no
municação do jogador com o próprio software e com outro meio pedagógico, refere-se ao potencial dessa ferramen-
usuário, os jogos digitais podem ser instalados em platafor- ta no ensino da lógica (ligada à programação de sistemas
mas como computadores e smartphones, a fim de propiciar computacionais) e de novas tecnologias.
ao indivíduo diversas experiências de interação e simula-
ção. Além disso, é possível que a atividade seja desenvolvi- DESAFIOS
da on-line ou off-line. A maior dificuldade está relacionada à criação de jogos com-
Interfaces mais simples, como jogos de perguntas e res- plexos, pois exige um conhecimento mais profundo no cam-
postas, também podem ser recriadas em ambiente digital, po da programação. Contudo, existem aplicativos simples e
facilitando a comunicação e a integração de vários jogado- fáceis de ser utilizados, que não demandam técnicas muito
res simultaneamente. avançadas. Exemplo disso é a facilidade de se elaborar jogos
digitais de perguntas e respostas.
POTENCIALIDADES
Com a proposta de diferentes cenários e realidades si-
muladas, essa ferramenta costuma ser utilizada para pro-
mover a imersão dos alunos em contextos específicos, exi-
gindo-lhes raciocínio, planejamento e tomada de decisão.
Situações que envolvem o gerenciamento de uma empresa
(como no jogo “Desafio Sebrae”) ou a administração de uma
cidade (a exemplo do “Sim City”) são as mais aplicadas no
ambiente educacional.

FERRAMENTAS JOGOS PARA SER APLICADOS


PARA A CRIAÇÃO PELOS PROFESSORES
DE JOGOS • SimCity e SimCity EDU (simcity.com)
• Class Craft • Democracy (democracygame.com)
(classcraft.com) • Desafio Sebrae (desafio.sebrae.com.br)
• PurposeGames • FolhaInvest (folhainvest.folha.com.br)
(purposegames.com)
• Uol Invest (uolinvest.economia.uol.com.br)
• ICivics (icivics.org)

36 ▶ EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015


FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS

LIVROS DIGITAIS
O QUE SÃO? plataforma. É nesse ambiente que os livros digitais têm gran-
São livros elaborados em formato digital, como PDF, EPUB, de potencial de serem adotados.
ou mesmo para serem lidos em websites. Por fim, essa técnica amplia o acesso às publicações, que são
adquiridas e disseminadas com facilidade e baixo custo.
COMO UTILIZAR?
A criação de livros digitais pode ser realizada por meio DESAFIOS
de um editor de texto padrão ou ferramentas específicas de Um dos desafios mais aparentes reside no fato de que livros
editoração. digitais em formatos tradicionais (como PDF e EPUB), sal-
Além dos tradicionais arquivos de texto, plataformas volta- vo exceções, podem não ser bem aceitos, principalmente pelo
das à elaboração de websites interativos possibilitam o fácil público mais velho − que não tem tanta facilidade com a lei-
desenvolvimento de livros digitais on-line, podendo-se mes- tura de materiais digitais − e pelo público mais jovem – que
clar conteúdo escrito e audiovisual na mesma publicação. muitas vezes não se interessa por formatos de texto estáticos
Algumas ferramentas também permitem a produção de sites e pouco dinâmicos.
que valorizam o formato do storytelling. Por sua vez, a elaboração de livros digitais interativos, que
Uma dica interessante para incentivar a utilização desse permitem a junção entre conteúdo textual, imagens e recur-
material é a inclusão da licença de uso Creative Commons sos audiovisuais, exige criatividade, dedicação e uma quan-
(creativecommons.org). tidade de tempo considerável para a obtenção de resultados
educacionais positivos. Logicamente, aplicar essa ferramenta
POTENCIALIDADES levando em consideração o público a quem ela se destina é
Muitas vezes, é interessante elaborar o próprio material di- um fator de suma importância nessa abordagem.
dático, de forma que o conteúdo possa ser desenhado para de-
terminado contexto e aperfeiçoado ao longo do tempo. Esse DICAS PARA O PROFESSOR
processo era bastante custoso até pouco tempo atrás, exigin- Essa técnica pode complementar e até substituir a biblio-
do investimento tanto na editoração quanto na impressão de grafia impressa, disponibilizando variados formatos de leitu-
livros. Contudo, devido à propagação de aparatos tecnológi- ra e ampliando as fontes de informação dos alunos.
cos como tablets, computadores pessoais e smartphones, o Outra forma de utilizar essa ferramenta é solicitar que os
uso de materiais digitais aumentou significativamente nos estudantes contribuam para a construção de um ou mais li-
últimos anos. Do ponto de vista do ensino, além de expan- vros digitais durante o curso. Isso irá estimular sua criativi-
dir o acesso ao conhecimento – já que os estudantes podem dade e aprendizado, além de incentivar seu contato com uma
consultar outras fontes de informação –, tal inovação repre- nova tecnologia.
senta um benefício relevante para o professor, que pode re- O site Canva (canva.com) possibilita a fácil criação de ilus-
alizar a editoração do material de forma digital, sem custo e trações, podendo ser utilizadas como elementos para incre-
permitindo que os alunos acessem o conteúdo pela mesma mentar os livros digitais.

FERRAMENTAS PARA A CRIAÇÃO DE LIVROS DIGITAIS


• Lulu (lulu.com/create/ebooks) • Myebook (myebook.com) • Atavist (atavist.com) • Papyrus (papyruseditor.com/pt)
• Storybird (storybird.com) • ePubBud (epubbud.com/new.php) • PathBrite (pathbrite.com) • Omeka (omeka.org)
• Calibre (calibre-ebook.com) • ibooks Author (apple.com/ibooks-author)

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶ 37


FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS

Cadernos digitais
O QUE SÃO? e eficiente; e auxiliando no posterior estudo das
Cadernos digitais representam uma mídia alter- informações adquiridas em sala de aula. Trata-se
nativa para registro de informações transmitidas de uma linguagem com a qual os estudantes ge-
em sala de aula. Esses registros podem ter forma- ralmente se identificam e interagem facilmente.
to textual, ilustrativo (por meio de imagens, dese- Outro benefício é que além do compartilha-
nhos, diagramas, gráficos e mapas) e/ou interativo mento de arquivos, os cadernos digitais permi-
(utilizando sons e vídeos), sendo que são realiza- tem construir documentos de forma conjunta,
dos em aplicativos que possuem recursos como possibilitando a criação de um material denso e
teclado, captador de imagem e som, mesa digitali- rico em conhecimento, com diversas percepções
zadora para escrita à mão, entre outros. e pontos de vista, já que pode ser composto por
Os softwares que operacionalizam essa ferra- dois ou mais participantes.
menta geralmente são instalados em meios como Além disso, a hospedagem do arquivo se dá em
computadores, tablets e smartphones. Além dis- um drive específico ou na nuvem, sendo possível
so, os arquivos editados podem ser salvos na acessá-lo a partir de qualquer plataforma digital.
nuvem do aplicativo e acessados a partir de
qualquer dispositivo compatível, já que as infor- DESAFIOS
mações ficam registradas no cadastro do usuário. A adoção dessa técnica é desejável somente se
o estudante tiver familiaridade ou se adaptar fa-
COMO UTILIZAR? cilmente ao aplicativo e ao dispositivo selecio-
Seu uso está condicionado unicamente a um nados para esse fim. Caso contrário, há o risco
dispositivo eletrônico que comporte um aplicati- de ele se envolver excessivamente com a busca
vo de caderno virtual. pela operacionalização da ferramenta e desviar
No que se refere aos documentos, podem ser elabo- sua atenção da aula ou da atividade, prejudican-
rados tanto de forma individual como colaborativa. do seu aprendizado.
Também trata-se de uma ferramenta flexível,
permitindo o acesso tanto no modo on-line (ati- DICAS PARA O PROFESSOR
vando a funcionalidade de produção colaborativa A utilização dos cadernos digitais pode auxiliar
e possibilitando que o aluno salve os arquivos na o professor no acompanhamento da disciplina e
nuvem) quanto off-line (salvando os documentos melhorar sua percepção de como os alunos estão
no próprio dispositivo). se apropriando do conteúdo ministrado, permi-
tindo ao docente ajustar e aprimorar suas estra-
POTENCIALIDADES tégias didáticas ao longo do curso.
Essa ferramenta oferece recursos amplos e mo-
dernos para que os estudantes registrem as in-
formações de maneira completa e interativa, con- Ferramentas para a criação de
centrando e promovendo o diálogo entre diversos cadernos digitais
tipos de mídia − texto, imagem, vídeo e som − • Simplenote (simplenote.com)
em um único documento; tornando a captação e • Evernote (evernote.com)
a compilação de conteúdo mais prática, dinâmica • Onenote (onenote.com)

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FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS

leitura
principal lição
visibilidade código construção
palavras

NUVENS

que
organizar
ferramenta
PALAVRAS
DE
uso
frequência disposição

texto
pensamento método desenho

O QUE SÃO?
Consistem em palavras de diversos formatos, tamanhos e cores que lembram nuvens
quando colocadas em conjunto. Sua principal função é dar visibilidade aos termos que
aparecem com mais frequência em um texto.

COMO UTILIZAR?
Essa técnica tem como objetivo principal auxiliar os alunos a visualizarem de manei-
ra simples e rápida as principais ideias ou temas trabalhados na disciplina, permitindo
uma revisão ou antecipação do conteúdo abordado em aula.
A ferramenta pode ser utilizada como recurso didático no desenvolvimento das aulas
– por meio da criação de nuvens a partir de ideais e argumentos presentes em questio-
nários e debates em classe –, ou mesmo como instrumento de visualização e memori-
zação das informações lecionadas.

POTENCIALIDADES
As nuvens de palavras podem auxiliar na construção e visualização de materiais di-
gitais, servindo ainda para a divulgação de conteúdo e comunicação com os alunos no
ambiente on-line.

DESAFIOS
A técnica é indicada para os estudantes verem as ideias e os temas mais debatidos em
sala, e não tanto para a exposição de trechos de textos, o que pode dificultar o entendi-
mento do conteúdo.

• Wordle • Tagxedo
(wordle.net) (tagxedo.com)

FERRAMENTAS PARA A CRIAÇÃO DE NUVENS DE PALAVRAS


• Imagechef • ABCya Word Cloud
(imagechef.com/ic/word_mosaic) (abcya.com/word_clouds.htm)

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶ 39


FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS

LINHAS DO TEMPO
O QUE SÃO? POTENCIALIDADES
São formas de exibição de eventos em A chave dessa técnica se encontra na visualização temporal, que
ordem cronológica, visando facilitar a geralmente é constituída por uma interface gráfica de movimenta-
compreensão de fatos relacionados ao ção horizontal crescente, com barras indicando os anos ou meses,
tema estudado. e itens (como textos e figuras) nos marcos relevantes.

COMO UTILIZAR? DESAFIOS


Qualquer aula em que haja a necessidade de Pela sua estrutura, a linha do tempo
apresentar eventos em ordem cronológica pode pode passar a impressão de que as rela-
ser beneficiada com o recurso da linha do tem- ções são exclusivamente lineares, sem
po. A utilização da ferramenta se dá por meio hierarquizar ou indicar a rede de impli-
de aplicativos ou sites especializados, que cos- cações e concomitâncias que ocorrem
tumam ser de fácil manuseio. entre os fatos.

FERRAMENTAS PARA A CRIAÇÃO DE LINHAS DO TEMPO


Tiki-Toki Timeline JS Beedocs Dipity TimeStream
(tiki-toki.com) (timeline.knightlab.com) (beedocs.com/timeline3D/mac) (dipity.com) (ntrepidcorp.com/timestream)

ENCURTADORES DE LINKS
O QUE SÃO?
Consistem em ferramentas que transformam links grandes em
pequenos, redirecionando o usuário para uma determinada página
on-line.
FERRAMENTAS PARA
COMO UTILIZAR? ENCURTAR LINKS
A criação de links encurtados é simples e intuitiva. Basta inserir
o endereço da página na ferramenta que realiza essa função (geral-
• Google Url Shortener (goo.gl)
mente um website) e um link menor será gerado, o qual irá redire-
• Tiny Url (tinyurl.com )
cionar os alunos para a página desejada. • Migre.me (migre.me)
• Bitly (bitly.com)
POTENCIALIDADES
Os encurtadores ajudam o professor a compartilhar páginas da in-
ternet de maneira rápida e prática em sala de aula, sem a necessida-
de de o aluno digitar o link completo do site mencionado.

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FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS

INFOGRÁFICOS

O QUE SÃO? para apresentar novas informações quanto para re-


Representações gráficas de informações ou dados lembrar tópicos estudados anteriormente, sendo um
− geralmente complexos −, apresentados de forma bom recurso para a revisão de conteúdo.
didática, com um design agradável e mesclando pe-
quenos textos com elementos visuais, como ilustra- DESAFIOS
ções e diagramas. O primeiro desafio está ligado à falta de bons info-
gráficos, especialmente para fins pedagógicos, o que
COMO UTILIZAR? exige do professor mais trabalho na coleta, sistema-
Os infográficos podem ser aplicados tanto para tização, organização e disposição das informações.
apresentar o conteúdo em classe quanto para os es- Contudo, a facilidade que as ferramentas de criação
tudantes consultarem previamente ou posterior- oferecem ao usuário ajudam a superar esse desafio.
mente à aula. Por concentrarem grande quantidade Um segundo ponto é a possível simplificação de te-
de dados e informações, geralmente são muito úteis
mas complexos, o que pode prejudicar o processo de
para auxiliar o professor no fluxo de ensino, espe-
aprendizagem. Deve-se ter cautela para não sair da
cialmente em sala de aula, já que podem ser a base
sistematização e visualização de informações e cair
visual a partir da qual o docente conduz o aprendi-
na falsa representação da realidade.
zado do aluno.

POTENCIALIDADES DICAS PARA O PROFESSOR


Por serem chamativos, organizados e de fácil Dependendo do conteúdo, ao invés de extensas
compreensão, os infográficos − quando bem ela- atividades escritas, o professor pode solicitar aos
borados − transmitem as informações de forma alunos a criação de infográficos. Essa tarefa exigirá
clara e sucinta, favorecendo o entendimento de um trabalho de raciocínio, síntese e construção por
fatos e situações expostas pelo docente, ou mes- parte do estudante, com potenciais benefícios para
mo pelos próprios colegas de classe. a memorização de informações, revisão da matéria
O potencial educativo dessa ferramenta vem da e desenvolvimento de habilidades, como a sistema-
sua simplicidade e de seu design atrativo; serve tanto tização de dados.

EXEMPLOS DE INFOGRÁFICOS
• Data4Good (data4good.com.br)
• The history of education
(blog.boundless.com/2013/02/the-history-of-education-infographic)

FERRAMENTAS PARA A CRIAÇÃO DE INFOGRÁFICOS


• PiktoChart (piktochart.com)
• Infogr.am (infogr.am)
• Infoactive (infoactive.co)
• Easelly (easel.ly)
• Venngage (venngage.com)

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶ 41


FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS

FERRAMENTAS DE
AVALIAÇÃO FORMATIVA
E ANÁLISE DE APRENDIZADO
O QUE SÃO? fácil interpretação, elas podem servir como
São atividades interativas em que o professor e instrumento de identificação dos interesses e
os próprios alunos recebem o resultado instantane- preferências da turma, ajudando-o no desenho
amente em forma de gráficos e estatísticas. das aulas.
Por fim, a plataforma tecnológica (site ou apli-
COMO UTILIZAR? cativo) que viabiliza o uso dessas ferramentas
É necessário o uso de uma plataforma on-line − costuma ser bastante intuitiva, facilitando a es-
podendo ser um website ou um aplicativo para ta- truturação de perguntas ou questionários para
blet ou smartphone –, por meio da qual é possível os alunos responderem.
aplicar perguntas simples ou questionários.
DESAFIOS
POTENCIALIDADES A necessidade de os alunos disporem de com-
Além de possibilitar que o professor acompa- putadores, smartphones ou tablets, bem como
nhe o desempenho da classe, a ferramenta auxilia de a instituição possuir uma rede de internet
na formação dos alunos, visto que permite o aces- sem fio, pode representar um problema. Além
so aos resultados das atividades instantaneamen- disso, a disponibilidade de um projetor ga-
te e de diversas formas, como por meio de gráficos nha relevância para que os estudantes possam
e planilhas que trazem o desempenho individual acompanhar simultaneamente a atividade e os
ou de toda a turma. Ela também pode ser utilizada resultados, especialmente se o professor deci-
tanto em sala de aula − tornando mais interativos dir utilizar esses dados para discussão em sala.
os debates e a aprendizagem − quanto como meio Caso a instituição tenha rede de internet sem
de avaliação e análise fora da classe. fio e alguns alunos possuam computadores ou
Do ponto de vista do docente, como essas dispositivos móveis, um caminho possível é a
técnicas geram bancos de dados práticos e de elaboração de atividades em grupo.

FERRAMENTAS
• Socrative (socrative.com)
• Mentimeter (mentimeter.com)
• Poll Everywhere (polleverywhere.com)
• Kahoot! (getkahoot.com)
• ResponseWare (responseware.turningtechnologies.com)
• Formulários do Google (google.com/forms)
• Survey Monkey (pt.surveymonkey.com)

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FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS

MAPAS
O QUE SÃO?
Elementos que possibilitam a criação de layouts
informativos, com base em mapas preexistentes, de
modo a utilizar a geolocalização para retratar ou indi-
car fatos relevantes.

COMO UTILIZAR?
Mesmo no primeiro contato, os aplicativos para a
criação de mapas são fáceis de manusear, permitindo
a inclusão de marcadores simples ou com informações
anexadas, linhas de rota, definição de alcance (esferas),
referenciamento por cores, ícones, dentre outras fun-
cionalidades gráficas que podem tornar o mapa mais
atrativo e didático.

POTENCIALIDADES
Como já mencionado em outras ferramentas, explo-
rar diferentes formas de apresentar o conteúdo é uma
ótima alternativa para atrair a atenção e a participa-
ção dos alunos, bem como para otimizar o processo de
aprendizagem. Assim, os mapas possuem uma aborda-
gem espacial, proporcionando uma visualização geo-
gráfica das informações e uma noção mais próxima da
realidade estudada.
Tal estratégia pode ser tanto uma atividade aplicada
pelo professor quanto atribuída aos alunos, de modo
que realizem uma pesquisa e desenvolvam o mapa.
Esta última abordagem se mostra importante, não ape-
nas pelo aprendizado em relação às ferramentas digi-
tais, mas principalmente pelos resultados positivos
FERRAMENTAS PARA
A CONSTRUÇÃO DE MAPAS que o trabalho com mapas pode gerar.
Por fim, informações sobre criminalidade, políticas
• Tableau Public (public.tableau.com/s)
públicas, questões urbanísticas e ambientais são ape-
• Animaps (animaps.com)
nas alguns temas que podem se beneficiar de uma aná-
• MapTiler (maptiler.com)
lise cartográfica, já que esta propicia uma abordagem
• Umapper (umapper.com)
• CartoDB (cartodb.com)
didática, visual, objetiva e de fácil entendimento para
• Scribble Maps (scribblemaps.com)
o aluno.
• Map box (mapbox.com)
• ZeeMaps (zeemaps.com)

EI! ENSINO INOVATIVO ▶ VOLUME ESPECIAL ▶ 2015 ▶ 43


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Ensinoinovativo

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2359-38
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2015
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