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MANUAL PRÁTICO DE CAPRINO E OVINOCULTURA
MANUAL PRÁTICO DE CAPRINO E OVINOCULTURA

Prof. Iran Borges Prof. Lúcio Carlos Gonçalves

Escola de Veterinária Departamento de Zootecnia Universidade Federal de Minas Gerais

Gonçalves Escola de Veterinária Departamento de Zootecnia Universidade Federal de Minas Gerais Belo Horizonte 2011

Belo Horizonte

2011

Gonçalves Escola de Veterinária Departamento de Zootecnia Universidade Federal de Minas Gerais Belo Horizonte 2011

2

SUMÁRIO

ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DE ALGUMAS RAÇAS CAPRINAS

4

Principais países produtores de caprinos no mundo

5

1. RAÇAS PRODUTORAS DE LEITE

6

2. RAÇAS PRODUTORAS DE CARNE

10

3. RAÇAS PRODUTORAS DE PELES E CARNE

13

INSTALAÇÕES PARA CAPRINOS

16

EQUIPAMENTOS DIVERSOS 20 AMBIÊNCIA NAS INSTALAÇÕES PARA CAPRINOS E OVINOS PRÁTICAS GERAIS DE MANEJO
EQUIPAMENTOS
DIVERSOS
20
AMBIÊNCIA NAS INSTALAÇÕES PARA CAPRINOS E OVINOS
PRÁTICAS GERAIS DE MANEJO
ESCRITURAÇÃO ZOOTÉCNICA E SUA IMPORTÂNCIA NA CAPRINOCULTURA
MANEJO SANITÁRIO
PRINCIPAIS DOENÇAS PARASITÁRIAS E SUA PREVENÇÃO
SELEÇÃO E MELHORAMENTO GENÉTICO EM CAPRINOS
21
39
40
56
58
65
OBJETIVOS A SEREM SELECIONADOS
PROVAS ZOOTÉCNICAS E SUA IMPORTÂNCIA
68
69
ALTERNATIVAS PARA FORMAÇÃO DE REBANHOS COMERCIAIS
MÉTODOS DE MELHORAMENTO GENÉTICO DE CAPRINOS NOS TRÓPICOS
69
70
REGISTRO
GENALÓGICO
71
REPRODUÇÃO EM CAPRINOS
MANEJO NUTRICIONAL DE CAPRINOS
71
76
ALGUMAS EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS PARA CAPRINOS - NRC (1981)
CÁLCULO DE RAÇÃO PARA CAPRINOS
CALCULANDO POR PEARSON DUPLO
Método algébrico com um alimento fixo
MANEJO DAS PELES
HISTÓRICO DA EXPLORAÇÃO DE OVINOS PELO HOMEM
98
100
102
104
107
110
1. RAÇAS DE OVINOS ESPECIALIZADAS PARA LÃ FINAS
111
2. RAÇAS MISTAS PARA PRODUÇÃO DE LÃ E CARNE
114
3. RAÇAS DE OVINOS ESPECIALIZADAS PARA CORTE
117
4. RAÇAS ESPECIALIZADAS PARA A PRODUÇÃO DE PELES
123
5. RAÇAS
PRODUTORAS DE
LEITE
126
INSTALAÇÕES PARA OVINOS
MANEJO GERAL DOS OVINOS
128
130
NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO DE OVINOS
132
1. INTRODUÇÃO
132
2. ASPECTOS GERAIS DA NUTRIÇÃO DE OVINOS
133
2.1. ESCALA DE CONDIÇÃO CORPORAL (ESCORE CORPORAL)
135
3. ALIMENTAÇÃO DE CORDEIROS E CORDEIRAS
136
4. ALIMENTAÇÃO
DE
BORREGAS
139
5. ALIMENTAÇÃO DAS FÊMEAS DURANTE A ÉPOCA DE REPRODUÇÃO
140
6. ALIMENTAÇÃO DAS OVELHAS GESTANTES
6.1. TOXEMIA DA GESTAÇÃO
141
143
7. ALIMENTAÇÃO DAS OVELHAS EM LACTAÇÃO
144
8. ALIMENTAÇÃO DE OVELHAS SECAS E VAZIAS
145
Mantença
145
Flushing
145

Reprodutores em serviço

146

8. EXIGÊNCIAS MINERAIS PARA OVINOS

146

9. ALIMENTAÇÃO DOS CARNEIROS E FUTUROS REPRODUTORES

147

10.

CONSIDERAÇÕES

148

RAÇÃO PARA OVINOS EM ENGORDA

152

OUTRA FORMA DE FAZER O CÁLCULO

154

Déficit/Superávit

155

Exigências

155

Déficit/Superávit

155

Exigências

156

3

Déficit/Superávit

156

SELEÇÃO E MELHORAMENTO DE OVINOS

157

MANEJO REPRODUTIVO DE OVINOS

160

MANEJO DA OVELHA GESTANTE E SUA IMPORTÂNCIA NA CRIAÇÃO DO CORDEIRO

164

MANEJO SANITÁRIO DE OVINOS

181

1.1. HIGIENE

182

1.2. CONTROLE E PREVENÇÃO DAS ECTOPARASITOSES

183

1.3. CONTROLE E PREVENÇÃO DAS ENDOPARASITOSES

184

1.4. CONTROLE E PREVENÇÃO DAS INFECÇÕES BACTERIANAS

185

1.5. CONTROLE E PREVENÇÃO DAS INFESTAÇÕES A VIRUS:

186

CALENDÁRIO DE MANEJO ZOO-SANITÁRIO DE OVINOS PASTAGENS ESTOLONÍFERAS TÊM PREFERÊNCIA 187 187 PASTAGENS
CALENDÁRIO DE MANEJO ZOO-SANITÁRIO DE OVINOS
PASTAGENS ESTOLONÍFERAS TÊM PREFERÊNCIA
187
187
PASTAGENS CESPITOSAS: INDIACADA MAIS PARA PASTEJO MISTO
PRODUÇÃO DE CARNE OVINA
187
195
1.
ANIMAIS PARA ABATE:
195
2.
CARACTERÍSTICAS DA CARNE OVINA
196
3.
QUALIDADE DA CARNE OVINA E CARACTERÍSTICAS DE CARCAÇA
196
4.
ASPECTOS DA PRODUÇÃO DE CARNE OVINA
197
5.
CLASSIFICAÇÃO DE CARCAÇA:
200
6.
DIVISÃO DE CARCAÇA:
201
MODELO PARA A PRODUÇÃO DE 1000 Kg DE CARCAÇA DE CORDEIROS POR ANO
A LÃ E SUA PRODUÇÃO
CATEGORIAS DE LÃS
CLASSIFICAÇÃO DAS LÃS:
202
205
208
208

4

ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DE ALGUMAS RAÇAS CAPRINAS

Saanen Saanen Branca Alemã Sub-tronco ALPINO Parda Alpina Alpina Parda Alemã TRONCO Chamiseé EUROPEU Alpina
Saanen
Saanen
Branca Alemã
Sub-tronco
ALPINO
Parda Alpina
Alpina
Parda Alemã
TRONCO
Chamiseé
EUROPEU
Alpina Francesa
Toggenburg
Sub-tronco
Murciana
PIRINEU
La Mancha
Grahadiana
TRONCO
Anglo Nubiana
AFRICANO
Jamnapari
Bhuj
Boer
Savanah
TRONCO
Angorá
ASIÁTICO
Cashemere

5

Classificação zoológica dos caprinos:

Classe: Mammalia Ordem: Artiodáctila Sub-ordem: Ruminantia Família: Bovidae Sub-família: Caprinea Gênero: Capra Espécie: Capra hircus

Principais países produtores de caprinos no mundo Ordem País Rebanho (cabeças x 1000) Percentagem 01
Principais países produtores de caprinos no mundo
Ordem
País
Rebanho (cabeças x 1000)
Percentagem
01
China
172.957
22,52
02
Índia
124.500
16,21
03
Paquistão
52.800
6,88
04
Sudão
40.000
5,21
05
Bangladesh
34.500
4,49
06
Nigéria
27.000
3,52
07
Irã
26.000
3,39
08
Indonésia
13.276
1,73
09
Tanzânia
12.556
1,64
10
Mali
11.464
1,49
11
Quênia
11.000
1,43
12
Etiópia
9.623
1,25
13
México
9.500
1,24
14
BRASIL
9.097
1,18
15
Mongólia
8.858
1,15
16
Burkina Fasso
8.800
1,15
17
Iêmen
7.250
0,94
18
Turquia
7.000
0,91
19
Níger
6.900
0,90
20
Uganda
6.852
0,89
21
África do Sul
6.850
0,89
22
Nepal
6.650
0,87
23
Filipinas
6.300
0,82
24
Chade
5.588
0,73
25
Mauritânia
5.500
0,72
26
Marrocos
5.208
0,68
27
Grécia
5.000
0,65
28
Camarões
4.400
0,57
29
Argentina
4.200
0,55
30
Rep. Democ. Congo
4.004
0,52
31
Senegal
3.969
0,52
32
TOTAL MUNDIAL
767.930

Fonte: FAO (2003)

6

PRINCIPAIS RAÇAS DE CAPRINOS

1. RAÇAS PRODUTORAS DE LEITE

São animais que geralmente apresentam bom vigor, feminilidade, ligações harmoniosas do úbere, não têm carne em excesso e possuem formato de cunha, com membros bem aprumados. Podem apresentar produções de leite equivalentes em até 10-12 vezes o seu peso vivo durante uma lactação.

1.1. SAANEN Origem: Vale Saanen na Suíça Características raciais: Pelagem: Animais com pelos curtos, brancos
1.1.
SAANEN
Origem: Vale Saanen na Suíça
Características raciais:
Pelagem: Animais com pelos curtos, brancos a creme, predominantemente lisos e bem
implantados.
Altura: machos: 80-90 cm e fêmeas: 70 a 83 cm
Corpo: animais longilíneos, descarnados e angulosos. Ventre profundo, dorso reto e
lombo bem desenvolvido, com garupa ampla, membros delicados mas fortes.
Cabeça: leve, perfil retilíneo a côncavo, orelhas pequenas a médias e eretas, presença de
brincos.
Características Zootécnicas:
Produção de leite: 520 a 920 Kg/lactação (250 a 302 dias)
Peso: machos: 70-90 Kg e fêmeas: 45-60 Kg

1.2. TOGGENBURG:

7

7 Origem: Vale Toggenburg ao norte da Suíça Características raciais: Pelagem: Castanho claro ou baio claro;

Origem: Vale Toggenburg ao norte da Suíça

Características raciais: Pelagem: Castanho claro ou baio claro; como característica principal apresenta duas bandas
Características raciais:
Pelagem: Castanho claro ou baio claro; como característica principal apresenta duas
bandas que vão desde as orelhas, passando pelos olhos até aos ângulos dos lábios. Pelos
de curtos a compridos: importante na seleção.
Altura: machos: 75-80 cm e fêmeas: 70-80 cm.
Corpo: Dorso e lombo fortes; pescoço destacado, delgado a mediano; ventre amplo e
tórax profundo. Membros delicados e fortes, sendo lavados.
Cabeça: Alongada e forte, porém bem feita; orelhas médias um pouco levantadas e
dirigidas para frange. Machos apresentam chifres.
Características zootécnicas:
Produção de leite: 700 Kg/lactação (276 dias)
Peso: machos: 60-70 Kg e fêmeas: 45-50 Kg
É comum apresentarem dois filhotes/parto; apresentam crescimento precoce.
1.3. ALPINA: Denominada Parda Alpina
Origem:

Região dos Alpes Francês e Suíço. Vieram para o Brasil importadas da Alemanha, Suíça e França. Sendo a alemã mais robusta que as demais. Numericamente a mais importante cabra leiteira na Europa.

Características raciais:

8

Pelagem: do pardo claro até vermelho escuro (queimado) com faixa preta no dorso, membros e cabeça mais escuros (queimados). Pelos curtos e brilhantes. Preto é desclassificante. Pele e mucosas escuras.

Altura: machos: 88-100 cm, fêmeas: 78-93 cm.

Corpo: animais longilíneos (1,20m). Tórax amplo e ventre desenvolvido. Garupa larga e ligeiramente inclinada. Membros finos com unhas delicadas (aprumos e lesões).

Cabeça: Fina com perfil retilíneo; fronte larga e chanfro grosso. Orelhas curtas e bem implantadas,
Cabeça: Fina com perfil retilíneo; fronte larga e chanfro grosso. Orelhas curtas e bem
implantadas, retas, às vezes pesadas projetadas para frente, para cima e para fora.
Características zootécnicas:
550-600 Kg/lactação - atinge média de 2,5 kg/dia (máx. 8 Kg)
Peso: machos: 70-90 Kg, fêmeas: 50-65 Kg
1.4. MURCIANA
Origem: região de Múrcia na Espanha.
Características raciais:
Pelagem: pelos curtíssimos, de cor acaju (castanho avermelhado) a preto, a pele é fina e
no primeiro caso será rósea, enquanto no segundo será preta.
Altura: machos: 77 cm e fêmeas: 70 cm
Corpo: tronco profundo, cernelha ligeiramente descarnada com linha dorso-lombar reta,
ventre amplo e redondo.
Cabeça: pequena, descarnada e fina, formato triangular; perfil retilíneo a sub-côncavo;
chanfro retilíneo e fronte ligeiramente côncava. Machos têm pescoço potente.

Características zootécnicas:

Produção de leite entre 500 e 600 Kg/lactação (300 d). Peso: machos: 70 Kg e fêmeas: 50 Kg.

9

1.5. LA MANCHA AMERICANA

Origem: Desenvolvida nos EUA (cabras espanholas x raças diversas) Características raciais: Pelagem: apresenta grande
Origem: Desenvolvida nos EUA (cabras espanholas x raças diversas)
Características raciais:
Pelagem: apresenta grande variação de cores (origem)
Altura: machos: 85 a 100 cm e fêmeas: 75 cm.
Corpo: região dorso lombar reta e bastante peluda; cernelha seca; peito amplo e
profundo; ventre amplo, profundo e desenvolvido.
Cabeça: pequena a média (delicada); triangular; perfil reto ou ligeiramente sub-côncavo;
orelhas atrofiadas. Pescoço mais compacto no macho.
Características zootécnicas:
Produção leiteira entre 500 e 750 Kg.
Peso: machos: acima de 76 Kg e fêmeas acima de 58 Kg.
1.6. NUBIANA
Origem: Sudão
Características raciais:
Pelagem: do branco ao preto; com pelos curtos e brilhantes
Altura: machos: 80-90 cm, fêmeas: 70-80 cm.

Corpo: delicado e harmonioso. Membros finos porém fortes.

Cabeça: perfil ultra convexo; lábio superior mais curto; orelhas grandes e largas; fêmeas mochas e machos armados.

10

Características zootécnicas:

Produção leiteira de 750 a 980 Kg Peso: machos: 95 Kg e fêmeas: 70 - 72 Kg.

2. RAÇAS PRODUTORAS DE CARNE

2.1. BOER Origem: África do Sul. Características raciais: Pelagem: Pelos vermelhos da cabeça, orelhas e
2.1. BOER
Origem: África do Sul.
Características raciais:
Pelagem: Pelos vermelhos da cabeça, orelhas e pescoço, com o restante do corpo
coberto por pelos brancos. Sua pele é pigmentada em todo corpo.
Altura: acima de 60 cm nas fêmeas e 75 cm nos machos
Corpo:
Deve ser longo, profundo e largo. Apresentando costelas bem arqueadas e
com boa cobertura muscular. Linha dorso lombar é reta e com palhetas bem
arqueadas.
Cabeça: Forte, olhos castanhos e com aparência delicada. Chanfro levemente convexo
e a fronte do tipo romano. Chifres fortes e de comprimento moderado, curvando-se
gradualmente para trás e para os lados. Orelhas largas, comprimento médio e
pendulares.
Características zootécnicas:
Sua principal aptidão é a produção de carne.
Rendimentos de carcaça entre 48 e 60%, para animais jovens e adultos,
respectivamente. Quando adultos é comum ultrapassarem os 100 kg de peso vivo.

2.2. BHUJ

para animais jovens e adultos, respectivamente. Quando adultos é comum ultrapassarem os 100 kg de peso

11

Origem: oeste da Índia (próximo ao Paquistão).

Características raciais:

Pelagem: Castanho escuro com manchas brancas na face, focinho e garganta, podendo chegar ao negro. Pelos médios a longos, por vezes ondulados. Pele solta e predominância da escura. Desclassificantes: pelagem branca; orelhas não chitadas ou mesmo brancas; pele inteiramente clara; perfil reto ou côncavo.

Altura: macho: 70 - 100 cm, fêmeas: 60 - 75 cm. Corpo: Dorso comprido, largo
Altura: macho: 70 - 100 cm, fêmeas: 60 - 75 cm.
Corpo: Dorso comprido, largo e reto; lombo comprido e largo em harmonia com a
garupa; garupa larga e comprida; ancas largas. Membros longos e aprumados.
Cabeça: considerada pequena e de perfil ultra-convexo; orelhas largas, pendentes e
chitadas; chifres curtos e voltados para trás (leve espiral).
Aptidão: Produz carne e pele de boa qualidade.
2.3. ANGLO-NUBIANA
Origem: Raça inglesa surgida do acasalamento entre nubianas da África, Ásia e Índia, em 1875 foi
denominada anglo-nubiana.
Características raciais:
Pelagem: no Brasil aceita-se animais de todas as cores, exceto a branca, sendo os mais
comuns a preta, a vermelha e suas combinações. A pele é predominantemente escura,
solta e de espessura mediana.
Altura: machos: 70-80 cm e fêmeas: 60-70 cm.

Corpo: comprido e profundo. Dorso e lombo amplos e fortes, Tórax profundo apesar de um pouco acoletado. Garupa larga. Membros fortes sem serem pesados, com cascos escuros.

Cabeça: pequena e bem delineada. Orelhas médias a grandes, espalmadas e pendentes. Perfil convexo. Podem ser mochos ou armadas.

12

Característicaszootécnicas:

Produção leiteira: 2 - 4 Kg/dia Peso: machos: 70-95 Kg e fêmeas: 40-60 Kg. Produz pele de boa qualidade.

2.4. JAMNAPARI

Origem: Índia. Chamada de ETAWH, sendo uma da melhores raças de dupla aptidão. Características raciais:
Origem: Índia. Chamada de ETAWH, sendo uma da melhores raças de dupla aptidão.
Características raciais:
Pelagem: de branco a escura, sem uma cor predominante.
Altura: machos: 90-100 cm e fêmeas: 75-85 cm.
Cabeça: perfil ultra-convexo; orelhas grandes, pendulares e dobradas longitudinalmente,
com bordas voltadas para trás.
Característicaszootécnicas:
Produção leiteira: de 1-3 Kg/dia.
Peso: machos: 68-90 Kg e fêmeas: 75-85 Kg.
2.5. MAMBRINA (tipo amambrinado ou tipo mambrino, zebu)

Origem: Síria e Palestina. No Brasil existem poucos exemplares puros.

Características raciais:

Pelagem: negra brilhante com manchas avermelhadas na cabeça, apresentando algumas variações acinzentadas, pardacentas, brancas ou mesmo malhadas. Pelos curtos na parte anterior do corpo e longos no posterior.

13

Altura: machos: 70-90 cm e fêmeas: 60-75 cm.

Cabeça: perfil convexo; orelhas longas, pendentes e espalmadas; chifres longos (quando presentes), forma espiralada.

Características zootécnicas:

Produção leiteira: média de 2 Kg/dia. Peso: machos: 70-90 Kg e fêmeas: 60-85 Kg. Produz carne e pele de boa qualidade.

3. RAÇAS PRODUTORAS DE PELES E CARNE Destacam-se as "raças nativas", que têm na produção
3. RAÇAS PRODUTORAS DE PELES E CARNE
Destacam-se as "raças nativas", que têm na produção de peles a garantia de rentabilidade para o
produtor, principalmente nordestino. Mistas para carne e pele.
3.1. MOXOTÓ
Origem: Vale do Moxotó em PE. Provavelmente originou-se da Charnequeira
variedade Alentejana.
Características raciais:
Pelagem: cor baia e suas tonalidades, até o lavado; linha dorso lombar com faixa preta
(terço médio pescoço à cauda). Pelos pretos na região do ventre, nas faces internas dos
membros, região perineal, úbere e canela. Linhas pretas nas faces laterais da maxila,
presença de óculos, e linhas que saem da inserção dos chifres indo à nuca.
Altura: machos: 71 cm e fêmeas: 62 cm.

Cabeça: perfil reto, chanfro seco e com bordas retilíneas quando visto frontalmente. Presença ou não de brincos. Mocho desclassifica.

Características zootécnicas:

Produção de leite muito baixa (0,3-0,4 Kg/dia) Peso: machos: acima de 36 Kg e fêmeas: 30-34 Kg. Partos duplos em 40% dos casos. Pele preta e fina.

14

3.2. CANINDÉ

Origem: Zona de Canindé nos estados de Piauí e Ceará (Rio Canindé) Características raciais: Pelagem:
Origem: Zona de Canindé nos estados de Piauí e Ceará (Rio Canindé)
Características raciais:
Pelagem: castanho escura a preta por todo o corpo, exceto no ventre; o períneo tem
pelos curtos e finos. Variedade da Canindé vermelha, avermelhada ou castanha.
Altura: machos: 60 cm e fêmeas 50 cm (média).
Características zootécnicas:
A variedade GURGUEIA apresenta certa aptidão leiteira
Pele: excelente qualidade
Peso: machos: acima de 40 e fêmeas: 25-30 Kg.
3.3. MAROTA
Origem: vale do São Francisco entre os sertões da Bahia e Pernambuco.
Características raciais:
Pelagem: pelos curtos e brancos, pele clara e alguma pigmentação na
cauda e face interna das orelhas.

Altura: acima de 50 cm.

Cabeça: ligeiramente grande e vigorosa. Chifres desenvolvidos e divergentes desde a base, para cima, para trás e para fora. Orelhas pequenas e com pontas arredondadas.

15

Características zootécnicas:

Peso: acima de 35 Kg Pele: macia e flexível.

3.4. REPARTIDA

Origem: Bahia e Pernambuco Características raciais: Pelagem: possui duas regiões distintas, sendo preta na parte
Origem: Bahia e Pernambuco
Características raciais:
Pelagem: possui duas regiões distintas, sendo preta na parte anterior e baia na posterior
(delimitação irregular), membros baios com manchas pretas nas extremidades; preto
nas coxas e pernas. Mucosa, pele e anexos são pretos
Cabeça: mediana, com chifre divergentes.
3.5. ANGORÁ (MOHAIR) Raça para pele e pelos.
Origem: Turquia e talvez Sibéria.
Características raciais:
Pelagem: geralmente branca com nuanças amarelo-prateado; pelos longos, finos e
sedosos por todo o corpo.

Porte e cabeça: animal pequeno; cabeça fina, perfil reto e com topete na fronte. Orelhas grandes e delgadas (10 cm).

Característicaszootécnicas:

Peso: machos: 60 Kg e fêmeas: 50 Kg. Produz pele de excelente qualidade, pode ser tosquiada para industrialização dos pelos.

16

INSTALAÇÕES PARA CAPRINOS

INSTALAÇÕES

vs

TIPO DE EXPLORAÇÃO

vs

RAÇA

vs

Instalações devem ser: - Claras (iluminadas)

- Bem ventiladas

AMBIENTE

- Bem drenadas - Facilidade de limpeza - Proteger contra chuvas, ventos, radiação solar, predadores,
- Bem drenadas
- Facilidade de limpeza
- Proteger contra chuvas, ventos, radiação solar, predadores, etc.
CERCAS:
- Tábuas, troncos, telas, arame liso ou farpado, cercas eletrificadas
- Para o arame farpado usa-se cercas com 1,5 m de altura, composta por 8 ou 9 fios
ARAME FARPADO
30
cm
25
cm
25 cm
h =
1,5 m
20
cm
15
cm
15
cm
10
cm
10
cm
ARAME LISO
25
cm
20
cm
20 cm
h =1,5 m
15
cm
15
cm
10
cm
10
cm
10
cm

Quando já existirem cercas para bovinos, basta passar dois fios a mais, entre cada um dos primeiros fios de baixo.

17

Para tábuas com 0,10 a 0,20 m de largura, estas devem atingir até 0,60 - 0,90 m de altura, com espaço entre tábuas de 0,10 m. Podendo ou não possui um ou dois fios de arame na parte superior da cerca. Em condições favoráveis pode-se construí-las de bambu (com ripa cobrindo a parte superior para evitar encher de água).

- Portões, porteiras e colchetes;

- Distância entre mourões de 10 metros, balancins a cada 2 metros;

- Mourões de madeira de lei ou eucalipto tratado (vida útil até 20 anos). PRINCÍPIOS
- Mourões de madeira de lei ou eucalipto tratado (vida útil até 20 anos).
PRINCÍPIOS CONSTRUTIVOS BÁSICOS:
1. LOCALIZAÇÃO / ORIENTAÇÃO:
- Eqüidistante dos piquetes e sede da propriedade;
- Local seco, com boas aguadas ou bebedouros;
- Fácil acesso (época das secas e chovas);
- Possuir boa ventilação (evitar locais naturalmente abafados, meia parede + grades);
- Apresentar ótima capacidade de higienização das futuras instalações (retida do esterco);
- Orientação leste- oeste: Radiação solar sobre a cumeeira da construção;
- Proteção contra ventos frios do sul (predominantes);
2. PIQUETES:
- Facilita rotação e manejo das pastagens;
- Bem drenados, com bebedouros bem distribuídos, manilhões (bóias da UEM);
- Comedouros (podem ser móveis para os pequenos criatórios), fenis, cochos de sal;

- Escolha da forrageira (hábito de pastejo, seletividade, etc);

18

DETALHES CONSTRUTIVOS DAS INSTALAÇÕES:

1. CABRIL (capril ou apriscos)

- Indispensável para caprinocultura leiteira;

- Em criatórios menos tecnificados usa-se os telheiros: animais recolhidos à noite;

- Piso ripado e suspenso a ± 1,5 m : - com ou sem alçapões
- Piso ripado e suspenso a ± 1,5 m : - com ou sem alçapões para limpeza
- 4 a 5 cm de largura na face superior
- 3 cm de largura na face inferior (seção trapezoidal)
- 2 cm de espessura
- 1 cm entre ripas na face superior
- 2 cm entre ripas na face inferior
- Uso de cama ao invés de piso ripado: Usar material poroso recoberto por um absorvente, que
poderá ser trocado ou renovado periodicamente, sempre que as condições da cama assim exigir.
- Bebedouros devem ficar para o lado de fora;
- Pode ter sub-divisões para categorias distintas;
- Recomenda-se área coberta com 1,5 m 2 / animal adulto, 1 m 2 /cabeça (semi-intensivo);
- Necessidade de solário: 3 m 2 /cabeça . TIPO DE PISO
- Fosso sanitário; geralmente derivado do piso suspenso;
- Beirais com 1,5 m em regiões com chuvas de vento abundantes
1.2. CABRIL MATERNIDADE:
- Geralmente localizado no início do Cabril (mais protegido);
- Usar acima de 1,5 m 2 /cabras (ideal 2 m 2 );
- Baias coletivas para 5 a 6 cabras;
- Gaiolas ou outra sub-divisão para os cabritos recém-nascidos (fonte de aquecimento);

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2. CABRIL DE LACTAÇÃO: Para cabras em lactação (baias coletivas ± 15 cabras/baia)

- Isolado ou contíguo ao Cabril Maternidade;

- Geralmente é a maior instalação do criatório;

- Em regime de confinamento total recomenda-se 2 m 2 /cabra + solário;

- Corredores com mínimo de 2 metros de largura; - Pé direito: 2,30 a 2,50
- Corredores com mínimo de 2 metros de largura;
- Pé direito: 2,30 a 2,50 metros.
3. SALA DE ORDENHA OU PLATAFORMA DE ORDENHA:
- Contígua ao cabril de lactação;
- Sala Ordenha: para rebanhos com mais de 40 cabras;
- Tipos de salas:
- Ordenha lateral;
- Ordenha por trás.
- Rebanhos menores usar Plataforma.
4. BODIL:
- Isolado das cabras;
- Confinamento total;
- Baias individuais com 4 m 2 / bode.
5. CABRITEIROS OU GAIOLAS:
- Cabriteiros fechados para regiões mais frias

- Gaiolas: mais econômicas e versáteis (madeira, bambu, etc).

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EQUIPAMENTOS DIVERSOS

1. BEBEDOUROS:

- No lado externo das baias: baldes de plástico removíveis ou vaso comunicantes

- Bebedouros automáticos para leitões;

- Bebedouros no campo: proteger bóias, limpeza periódica 2. COCHOS: - Lado externo e separação
- Bebedouros no campo: proteger bóias, limpeza periódica
2. COCHOS:
- Lado externo e separação para volumoso e concentrados;
- Evitar que os animais subam nos cochos (ripas de proteção);
- Canzis: Inglês, Francês, Livre Acesso, etc
- Área de chegada no cocho: 0,5 m/cabra
- Manjedouras ou fenis: 0,50 m de altura do solo; na divisória das baias;
- Saleiro: - a campo cobertos (1,20 - 1,50 m de pé-direito)
- elevado entre 0,50 a 0,60 m do solo;
- 0,20 x 0,40 (largura x profundidade);
3. MAMADEIRAS:
- Coletivas ou tanques
- Individuais
4. ORDENHADEIRA MECÂNICA:
-

Viável para mais de 80 cabras em lactação

- Até 40 cabras: PLATAFORMA DE ORDENHA

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AMBIÊNCIA NAS INSTALAÇÕES PARA CAPRINOS E OVINOS

Iran Borges 1 André Guimarães Maciel e Silva 2 Maria Izabel Carneiro Ferreira 3 Gilberto de Lima Macedo Júnior 4

1. INTRODUÇÃO Os efeitos das variáveis de meio sobre a produção animal são conhecidos tempos,
1. INTRODUÇÃO
Os efeitos das variáveis de meio sobre a produção animal são conhecidos tempos, em especial
daquelas ligadas aos elementos climáticos, sejam de forma direta ou indiretamente.
Nesse sentido, as repostas produtivas, reprodutivas e comportamentais, que no conjunto influem
na produção e na produtividade animal, devem receber atenção especial por parte de técnicos e
produtores do agronegócio.
A literatura é farta de trabalhos demonstrando os efeitos dos elementos climáticos sobre o
desempenho animal. No entanto, maiores enfoques são dados para animais criados a pasto e no
caso dos sistemas produtivos mais confinados, as espécies enfocadas são geralmente aves,
suínos, bovinos leiteiros e coelhos. Em alguns casos, aparecem trabalhos avaliando as respostas
de ovinos frente ao ambiente, mas muito raros são os trabalhos avaliando condições de caprinos,
talvez pelo fato de que o maior contingente mundial dessa espécie encontra-se no mundo tropical
(30 o N/S), coincidindo, justamente com maior quantidade de países de economia periférica, ou
seja, justamente os países que mais necessitam de pesquisa na área de bioclimatologia são
coincidentemente os que menos investem nessa área.
Isso posto, convém ressaltar que mesmo não se tendo respostas fisiológicas específicas para
caprinos e ovinos, é de se inferir que a grande maioria das mesmas siga o que se observa com
outras espécies homeotérmicas, mudando mais no que se refere à intensidade de respostas frente
aos vários estressores climáticos tropicais. Por exemplo, animais jovens (fase de cria) são menos
resistentes ao estresse pelo frio, devido ao fato de possuírem relação superfície de área
corporal:peso corporal (volume) mais desfavorável, sendo nos primeiros dias de vida muito
dependentes das reservas de gordura marrom para manterem-se com a temperatura corporal
constante, aliado ao fato de que seus mecanismos de manutenção da homeotermia ainda não
estão completamente desenvolvidos. Assim, o enfoque primário desta revisão será sempre os
pequenos ruminantes, muito embora devido à falta de acesso às informações desses, vez por
outra, será tratado o impacto bioclimático em outras espécies homeotérmicas.

Como o estresse pelo calor é o mais constante nos trópicos, o enfoque presente será mais voltado neste sentido, muito embora ressalta-se que crias jovens podem sofrer com temperaturas mais amenas (frias para elas). Assim, variáveis climáticas que favorecerão ou dificultarão a dissipação calórica, serão enfocadas isolada e conjuntamente.

1 Zootecnista - Professor Adjunto da Escola de Veterinária da UFMG - Bolsista PQ CNPq

2 Médico Veterinário - Professor Assistente da UFPA - Doutorando em Zootecnia na Escola de Veterinária-UFMG

3 Médica Veterinária - Doutorando em Zootecnia na Escola de Veterinária - UFMG

4 Zootecnista - Doutorando em Zootecnia na Escola de Veterinária - UFMG

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O presente estudo visa discutir as condições ambientais artificiais que se encontram estabelecidas na maioria dos capris e ovis nacionais, tentando correlacioná-las com aspectos ligados ao desempenho de caprinos e ovinos.

2. RECAPITULANDO A BIOCLIMATOLOGIA

Dentre os elementos climáticos, a temperatura do ar destaca-se como aquele que isoladamente mais pode impor alterações nas respostas fisiológicas, bioquímicas, comportamentais e por fim no desempenho animal, seguida pela umidade relativa do ar (HAFEZ, 1973 e McDOWELL, 1974). Para animais criados a campo, pode ser que em alguns momentos a radiação solar seja aquela que mais estresse impõe aos mesmos, por aquecer-lhes o corpo diretamente, juntamente com a camada de ar que lhe envolve (JOHNSON, 1987). Muito embora, não se pode negar que animais criados em pastagens sempre têm a possibilidade de fuga para áreas sombreadas naquelas horas do dia em que a radiação está mais intensa (é de se esperar que a pastagens tenham árvores o suficiente para abrigar os animais nesses momentos). Curtis (1981) ressaltou que os animais procuram localizar-se em ambientes termoneutros, buscando, muitas das vezes, áreas sombreadas (natural ou artificialmente); já nos momentos de temperaturas que lhes são mais frias, vão para locais onde ainda podem encontrar melhores condições de temperaturas (próximo a instalações ou estruturas que ainda contém calor sol e começam a irradiá-la pelo no cair da noite).

Como a temperatura tem esse importante impacto sobre a produção e a produtividade animal, demonstra-se
Como a temperatura tem esse importante impacto sobre a produção e a produtividade animal,
demonstra-se na figura 1 como se distribuem a zona de conforto térmico, a termoneutra e a de
sobrevivência dos animais.
Figura 1. Temperaturas críticas ambientais (HAFEZ, 1973)

As indicações B e B’ indicam respectivamente as Temperaturas Críticas Inferior (TCI) e Superior (TCS), a partir das quais os animais estarão estressados pelo frio e pelo calor, respectivamente. Compilando dados de diversos autores, Baêta e Souza (1997) propuseram, para ovinos, que para recém nascidos essa faixa seria de 6 (TCI) a 34 o C (TCS), sendo a zona de conforto térmico (ZCT) entre 25 e 30 o C e para os adultos a TCI seria de -20 o C, TCS de 35 o C e a ZCT entre 15 e 30 o C. Para caprinos apontaram a ZCT entre 20 e 30ºC, com TCI de -20 e TCS de 34 o C.Slee (1987) ressaltou que a TCI para animais adultos dependerá grandemente do comprimento da lã e

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do plano nutricional dos ovinos, destacando que com 12 cm de lã e alimentados para mantença o valor é de - 4 o C, já com lã de 20 a 30 cm e alto plano nutricional podem suportar até -20 o C.

A movimentação do ar assume papel importante no arrefecimento animal, uma vez que acelera a

troca calórica entre a superfície de seu corpo (pele e anexos) e o ar que o envolve, pois remove a capa limitante (camada de ar ao redor do corpo) que estará saturada de partículas de água oriundas do vapor da sudorese e/ou respiração animal.

Com isso, evidencia-se a interação da temperatura do ar, com a umidade do ar e a movimentação do ar (temperatura x umidade x ventos). Sendo que, em condições de estresse pelo calor, a combinação da alta temperatura e alta umidade impõe maior desgaste fisiológico aos homeotermos, sendo a recíproca verdadeira em se tratando de baixas temperaturas e alta concentração de umidade no ar. Essa interdependência foi evidenciada de forma tão forte que Wiersma e Stott (1983) desenvolveram o índice denominado Índice de temperatura e umidade (ITU) para animais criados confinados, e posteriormente, o Índice de temperatura e globo negro (ITG), esse último considera mais forte a interação temperatura do ar e radiação solar, e portanto é mais adequado para emprego nas condições de mensuração do estresse de animais em pastejo. Para vacas leiteiras o ITU inicia-se em 72, antes do padrão considerado para animais não estressados. Para estes animais, considera-se que entre 72 e 79 ocorre estresse calórico médio, de 80 a 89 os animais estão estressados e, entre 91 a 96, os animais estão em condições de estresse severo, sendo que acima de 96 é considerado fatal (Armstrong e Welchert, 1994).

Para caprinos e ovinos cujas raças foram selecionadas em regiões com maiores latitudes o fotoperíodo
Para caprinos e ovinos cujas raças foram selecionadas em regiões com maiores latitudes o
fotoperíodo demonstra ação determinante, pois essas espécies tendem a manterem-se fora da
estação reprodutiva nas épocas de dias longos, voltando à reprodução induzidos pelo fotoperíodo
mais curto (outono-inverno) conforme reforçado recentemente por Rosa e Bryant (2003), pois
Yates (1967) já relatava essa dependência em seu livro. Para o hemisfério sul este fotoperíodo
seria compreendido entre os meses de fevereiro a junho. Já aquelas raças que passaram por
longos processos de adaptação às condições nordestinas e portanto são consideradas como raças
nativas do nordeste, tal efeito mostra-se nulo ou praticamente nulo, sendo a sazonalidade
reprodutiva muito mais dependente de condições indiretas do clima (oferta de forragens).
Além desses fatores acima, considerados como elementos que atuam diretamente no desempenho
animal, podem-se destacar outras variáveis ambientais que estão indiretamente relacionadas ao
clima, quais sejam, a oferta de alimentos, a presença de ecto e endoparasitas, a fertilidade, o pH e
a textura do solo, o índice pluviométrico, e ainda características ligadas à topografia ou
distribuição geográfica do local de criação de caprinos e ovinos, além da própria concepção das
instalações, que amenizarão ou intensificarão as intempéries climáticas. Uma forma de sintetizar
isso foi descrito por McDowell (1974) e encontra-se expresso nas figuras 2 e 3.

Com a domesticação de caprinos e ovinos, e a conseqüente intensificação dos sistemas produtivos, o homem buscou cada vez mais criar seus animais em instalações, cujo objetivo central era o de proporcionar-lhes abrigo, protegendo-os das agressões causadas pelo clima, predadores e de “amigos do alheio”. Premissa básica desses abrigos artificiais era a de manter caprinos e ovinos sob condições sempre favoráveis, minimizando ao máximo o efeitos dos estressores climáticos, dentre os quais destacam-se a temperatura e a umidade do ar, a radiação solar, as rajadas de ventos e as chuvas.

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24 Figura 2. Elementos físicos do meio ambiente que direta (setas diretas) ou indiretamente (setas concêntricas)
Figura 2. Elementos físicos do meio ambiente que direta (setas diretas) ou indiretamente (setas concêntricas)
Figura 2. Elementos físicos do meio ambiente que direta (setas diretas) ou indiretamente (setas
concêntricas) por meio e interações influem no desempenho animal ou sobre o regime de manejo
empregado. A largura da setas indica o grau de influência
Figura 3. A provável influência direta ou indireta (efeitos de interação) que uma temperatura de 27 o C
teria dobre os animais em latitudes Norte ou Sul de 30 o (McDowell, 1974)
3. CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS E CONFORTO PARA ANIMAIS

Sempre destaca-se como primeira preocupação do projeto a localização das instalações, sejam os abrigos e demais instalações, sejam os pastos ou piquetes. Busca-se sempre localizar o aprisco de forma eqüidistante dos piquetes, quando se trabalha com animais que irão a pasto, sendo recolhidos em algum momento durante o período diuturnal (ordenha, apartação, manejo de mamada, ou simplesmente recolhimento noturno visando proteção diversa).

Deve-se evitar a construção muito próxima a encostas, morros ou montanhas, pois os mesmos podem, além de oferecer riscos de eventuais desmoronamento ou soterramento, servir como obstáculos para a perfeita circulação de ar (vento ou brisa) no interior dos apriscos, ou ainda como reservatórios de radiação solar ou de água. Explicando: Com o nascer do sol, as

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instalações, e também todo acidente geográfico do local, recebem, absorvem até certo ponto, e armazenam parte da radiação solar incidente durante o dia, além de refletir outra parte dessas

ondas calóricas; com o por do sol, o fluxo de radiação é invertido, uma vez que o cair da noite abranda a temperatura do ar (pela ausência da radiação solar) e nesse momento as massas aquecidas (instalações, rochedos, encostas, etc.) passam a emitir ondas da radiação que armazenaram por todo o dia; tais ondas irão impactar o ambiente no seu entorno, podendo influir nas condições ambientais em que se encontram os caprinos e ovinos. Por isso mesmo é comum durante a estação do outono e inverno verificar que os animais buscam as faces das instalações que estão voltadas para o oeste. Com o passar das horas, tais emissões vão se esgotando e os animais podem buscar novo abrigo - geralmente o fazem para se proteger dos ventos noturnos - ou ainda assumem nova postura como grupos, qual seja, mantêm-se mais agrupados para diminuir a perda calórica coletiva e consequentemente a individual. Outro aspecto ligado às encostas é que, na dependência do grau de inclinação das mesmas, de sua cobertura vegetal e da textura do solo, pode ocorrer o acúmulo de grande volume de água durante as chuvas e com isso, por percolação e lixiviação, a parte mais baixa da encosta ou morro pode alimentar pequenas e sazonais fontes de água, as quais estarão comprometendo o grau de umidade no interior da instalação próxima, tal situação pode ser ainda mais grave dependendo do tipo de piso adotado

na instalação (ripado, cama, chão batido etc.). A orientação do eixo principal das instalações no
na
instalação (ripado, cama, chão batido etc.).
A
orientação do eixo principal das instalações no sentido leste-oeste tem por finalidade proteger
os
animais em seu interior da radiação solar excessiva, fazendo com que a sombra projetada pela
cobertura fique sempre sobre a área em que se encontram os animais. Há muita discussão nesse
sentido, Curtis (1981) preconiza que pode-se trabalhar com esse preceito, mas também que pode-
se fazer pequena rotação nessa orientação (entre 12 e 20 o ), para que desse modo tenha-se um
pouco de aquecimento pela radiação que atinge o interior das instalações nas épocas mais frias do
ano. Por outro lado, quando se trabalha com piso recoberto com cama, pode-se buscar orientação
norte-sul, visando melhor efeito de desidratação contínua do material absorvente e ao mesmo
tempo promovendo a higienização (efeito germicida) da mesma a partir da radiação solar. Nesses
casos, tem-se que dispor de manejo de cortinas para evitar insolação excessiva e presença de
ventos e chuvas, uma vez que se trata de projetos que trabalham com pé-direito maior, tal
estratégia de orientação ganha ainda maior importância nas condições de clima com alta umidade
relativa do ar. Discutindo sobre a questão de orientação dos galpões para caprinos, Ribeiro
(1998) preconizou que para decidir em qual eixo o mesmo será construído, deve-se levar em
conta qual variável climática causaria mais danos no sistema de produção que se está propondo
implantar.

Por fim, ressalta-se que o tipo de material empregado na construção das instalações, do piso ao telhado, pode contribuir de forma positiva ou negativa sobre as condições ideais de ambiência interna (Baêta e Souza, 1997). Instalações pintadas ou que naturalmente apresentem cores mais escuras e suas matizes, tendem a se mostrar mais aquecidas que aqueles com cores mais claras (McDowell, 1974). Tudo isso assume importância relativa ao se considerar altura do pé direito, largura do aprisco, presença ou não de paredes para impedir ou dificultar a circulação de ar no seu interior.

3.1. PISO DOS APRISCOS E DEMAIS INSTALAÇÕES

Pode-se trabalhar com apriscos de terra batida, com ou sem cama, ou ainda com ripado suspenso.

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Seja qual for o caso, o importante é que todos apresentem excelentes condições de drenagem e caso contrário, que recursos sejam empregados para que tal fato ocorra de forma mais intensa e eficaz possível.

No caso da terra batida, a varrição periódica para recolhimento dos dejetos se faz sempre

necessária. Lembrar que nas instalações a céu aberto pode-se ter problemas de acúmulo de água a umidade excessiva nesse local (comum em curraletes de apartação, bretes e outros). Mas mostra-

se uma boa alternativa quando o piso possui declividade e proteção direta contra as chuvas.

Sob um piso de terra batida, devidamente sistematizado com drenos, pode-se lançar mão do emprego
Sob um piso de terra batida, devidamente sistematizado com drenos, pode-se lançar mão do
emprego da cama, que por natureza deve ser de material atóxico, que não estimule sua ingestão, e
o mais importante, que seja bastante absorvente. De tempos em tempos, dependendo do material
empregado, a cama deverá ser removida, mas antes disso, dia a dia ela será acrescida de nova
quantidade de material capaz de mantê-la o mais seca possível. Esse manejo é de fundamental
importância para manter o ambiente com menor umidade relativa do ar, pois caso contrário o
ambiente será propício para aumento de patógenos (biológicos – microrganismos e químicos –
amônia) que afetarão a saúde e o desempenho animal (Vide figura 2), além dos efeitos diretos da
umidade da cama (lama) sobre cascos e como reservatório de doenças e também molhando e
sujando o animal, podendo dificultar em alguns casos a manutenção da temperatura corporal. Os
principais materiais absorventes empregados em camas nos apriscos de caprinos e ovinos são:
maravalha ou serragem, cascas de milho secas mais sabugo triturados grosseiramente, palhadas
de arroz ou trigo, restos de capim seco ou feno, e com menor eficácia a casca de arroz ou café,
sempre depositados sobre um leito de areia, e pedras finas que servem de filtro para os líquidos
presentes.
O emprego de piso ripado suspenso tem a vantagem de manter o ambiente imediatamente em
contato com os animais mais seco. Por outro lado, o problema passa a ser as condições
apresentadas pelo fosso sanitário (local abaixo do ripado), cuja função é receber fezes e urina,
evitando-se o acúmulo de umidade, gases como amônia advindos da urina e rejeitos de
alimentos. Quando bem projetado, tanto quanto as outras opções de piso apresentadas, o piso
ripado é ótima opção, dependendo de avaliações financeiras a de sua adoção em definitivo. Mas
quando o mesmo é mal projetado, alguns problemas têm sido visíveis em vários capris e ovis
nacionais.
Dentre eles destacam-se:
∑ A distância do ripado ao fundo do fosso sanitário (profundidade do fosso) é pequena: Nesse
caso, todos os benefícios que deveriam estar presentes mostram-se frágeis ou inoperantes,
destacando-se como os mais agravantes os elevados teores de amônia e a proximidade entre
substrato contaminado e animais. Além do que, geralmente apresentam dificuldade de
limpeza e manutenção do fosso.

Há também o fato de que em apriscos feitos em encostas ou meia encostas, o vento direcionado pelo fosso sanitário sob o ripado é conduzido para a parte de cima desse último, ocasionando um fluxo de ar nas instalação que em épocas frias e nas divisórias de cabritos (as) ou cordeiros (as) pode acarretar em sérios prejuízos sanitários, notadamente de origem pulmonar e vias aéreas superiores, além de carrear patógenos presentes nas fezes/urina do fosso para o trato respiratório/ocular dos animais.

Para o primeiro caso a solução é projetar fossos mais profundos. Quando o projeto já foi executado e percebe-se o problema deve-se avaliar qual saída é mais técnica e economicamente

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recomendada: aprofundar o fosso ou elevar o ripado, sendo que nesse último caso deve-se atentar para não reduzir em demasia o pé direito da instalação e vir a comprometer sua temperatura e concentração de umidade. No segundo caso pode-se optar por emprego de quebra ventos naturais ou artificiais (cortinas de lona ou outro material, proteções com bambu trançado, folhas de coqueiros trançadas, outras esteiras, etc).

3.2. PAREDES E DEMAIS FORMAS DE FECHAMENTO DAS INSTALAÇÕES

As paredes tem a função básica de funcionar como barreira para os ventos, chuvas, proteção
As paredes tem a função básica de funcionar como barreira para os ventos, chuvas, proteção
contra predadores e contenção dos animais. Assim sendo, assumem formas e alturas diferentes,
visando atingir tais objetivos. No centro sul do país freqüentemente ocorrem oscilações de
temperatura apresentadas durante o ano, juntamente como a umidade, tornando a opção de uma
parede fixa com caraterística positiva numa estação do ano e negativa em outras. Por exemplo,
durante as estações frias pode proteger bem os animais dos ventos frios, em especial no período
de noites e madrugadas para os animais mais jovens. Já nas épocas quentes, pode dificultar a
circulação do ar e promover maior aquecimento interno, levando os animais ao estresse pelo
calor. Como parte da solução desses problemas, pode-se realizar fechamento distinto das áreas
destinadas a animais adultos e jovens; por outro lado, pode-se optar por paredes mais baixas e
manejo de cortinas, que no caso devem ser preferencialmente em cores mais frias (azul,
alaranjadas, verde claro, etc).
Sempre combinar a altura das paredes com as características de circulação do ar que se deseja nas
instalações. Uma visão resumida do que pode ocorrer na movimentação do ar dentro de apriscos
pode ser visualizado nas figuras 4 e 5.
Figura 5. Orientação do aprisco afetando os padrões de movimentação do ar em edificações com a parte
da frente aberta (Curtis,1981)

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Figura 6. Padrão de movimentação de ar em apriscos com aberturas frontais, dispostos frente a
Figura 6. Padrão de movimentação de ar em apriscos com aberturas frontais, dispostos frente a frente
com e sem abertura na parede traseira das instalações (Curtis,1981)
Baeta e Souza (1997) citam que além de cortinas pode-se trabalhar com janelas que serão
convenientemente manejadas no inverno de forma a permitir que pequeno fluxo de ar, com
finalidade de higienizar as instalações, circule bem acima da média dos ocupantes Já no verão
devem ser conjugados extensivamente os dois tipos de ventilação, a higiênica e a térmica. Assim
sendo, o fluxo de ar para o inverno deve ocupar a faixa A da construção (Figura 7) e para o verão
as faixas A e B abundantemente. Pela figura 8 os autores demonstram as tendências das correntes
de ar em instalações vazias, as quais servem como referência para se elevar ou diminuir o grau de
ventilação em determinada parte do aprisco, note-se que o fluxo de ar é direcionado por
obstáculos que exercerão pressão sobre a massa de ar ao entrar e sair da referida parte.
Uma saída para possibilitar tais manejos pode ser a adoção de imensas janelas que se abrem para
cima e para fora, servindo no verão como extensão da projeção dos telhados, em uma espécie de
beiral longo, ou então trabalhar com paredes de alvenaria ou madeira baixa (cerca de 1,00 a 1,20
m) e na parte superior, se necessário evitar entrada de predadores (comuns também próximo aos
centros urbanos - cães sem donos) e mesmo para proteger as cortinas de caprinos que geralmente
mordiscam a lona, pode-se optar por terminar o fechamento superior da parede como tela do tipo
usado em alambrados.

Figura 7. Formas adequadas de ventilação no inverno e verão (Baeta e Souza, 1997)

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Figura 8. Trajetórias de corrente de ar no interior de espaços vazios com aberturas em
Figura 8. Trajetórias de corrente de ar no interior de espaços vazios com aberturas em planos opostos
(Baeta e Souza, 1997)
Alternativa mais fixa, porém que possibilita certa mobilidade, porém mais reduzida que as
cortinas ou janelas, é lançar mão de quebra ventos, sejam naturais ou artificiais. Empregando-se
árvores e arbustos, pode-se na época devida, proceder a poda ou desbaste necessário à melhor
ventilação e arrefecimento interno das instalações. O ponto importante é escolher bem o tipo de
árvores, em função do tipo de crescimento, porte e arquitetura, de sorte a permitir bons efeitos na
ventilação e/ou sombreamento.
Os possíveis movimentos dos ventos podem ser visualizados na figura 9 em função de diferentes
densidades das barreiras oferecidas pelas árvores. No caso A é demonstrado o fluxo em barreiras
de densidade média e no B com densidade maior.
(Baeta e Souza, 1997)
Figura 9. Trajetórias de corrente de ar em quebra ventos com diferentes densidades
Segundo Baêta e Souza (1997) pode-se trabalhar com quebra ventos naturais constituídos de
barreiras multilineares ou unilineares (Figura 10) e nesses casos é possível verificar diferentes
fluxos dos ventos sobre tais barreiras.

Figura 10. Trajetórias do vento acima de barreiras multilineares ou unilineares (Baêta e Souza, 1997)

Os autores salientam ainda que pode-se adotar dispositivos naturais ou artificias para deter ou diminuir a ação dos ventos, sendo empregados de forma isolada ou conjunta (Figura 11), sempre voltados perpendicularmente aos ventos dominantes, cujas funções são diminuir a velocidade do vento e reduzir os danos por ele provocados.

30

30 Figura 11. Desvios das correntes de ar por meio de barreiras de vento (Baêta e
Figura 11. Desvios das correntes de ar por meio de barreiras de vento (Baêta e
Figura 11. Desvios das correntes de ar por meio de barreiras de vento (Baêta e Souza, 1997)
Conhecer a forma como as correntes de ar atuam nas instalações é de suma importância para a
caprino e ovinocultura no sudeste, pois exceção feita a algumas regiões semi-áridas do nordeste,
onde muito pouco se oscila a temperatura no dia e entre o dia e a noite, nas regiões sul, sudeste e
centro-oeste, principalmente nos meses de outono e inverno, pode-se ter oscilações muito
grandes entre os dias e as noites. Quanto a essa variação, Curtis (1981) registrou que
aparentemente cordeiros crescem mais rapidamente na faixa e temperatura do ar entre 5 e 25 o C,
dependendo obviamente da alterações das proporções de volumoso e concentrado que se
emprega nas rações e demais condições ambientais. Quanto aos neonatos, o autor fez referência
quanto à área corporal e o isolamento (não só pele e lã ou pelo, mas também seus tecidos
internos) que tais animais possuem, concluindo que cordeiros e cabritos recém nascidos têm
grande superfície de área por unidade de massa; termina dizendo que a massa corporal aumenta
em 3 unidades enquanto que a superfície corporal cresce à razão de 2 unidades, assim a relação
superfície/massa (ou volume) diminui com o crescimento, e portanto há maior necessidade em se
proteger animais mais novos, em especial os recém nascidos, contra o frio, mesmo porque,
conforme já demonstrado anteriormente, a zona de conforto termoneutra desses animais é
superior à de seus pares mais velhos. Para ter-se idéia da magnitude dessa alteração em função do
crescimento corporal, a tabela 1 mostra a dinâmica térmica no corpo de animais em função da
idade (tamanho).
Tabela 1. Calor estocado e aumento estimado na temperatura produzida pelo corpo para perder
calor (2,5 kcal dm 2 em 6 h) em relação ao peso corporal

Superfície corporal*

Peso (kg)

Capacidade aquecimento corporal (dm 2 kcal -1 o C)

Elevação na temperatura corporal ( o C)

1

12,5

31,4

10

5,8

14,5

100

2,7

6,7

* Estimado como (10*PV 0,66 )/(0,81*PV)

Fonte: Kleiber (1962) citado por Curtis (1981)

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Um aspecto que muito se propaga pelo meio dos criadores é que caprinos e ovinos tidos de raças nordestinas não sofrem estresse, seja pelo frio, seja pelo calor. Muito embora seja sabida a maior resistência desses às temperaturas mais elevadas, quando comparados aos animais de origem temperada, é de bom alvitre lembrar que todo e qualquer animal possui sua zona de conforto termoneutra, fora da qual, seja para o calor seja para o frio, tal raça ou espécie passa a enfrentar os problemas que o estresse térmico produz. Isso é dito muito mais para servir de alerta, principalmente para se projetar e/ou manejar as instalações de animais nas fases de cria ou recria, visto que em muitos casos, no Nordeste Brasileiro, no Norte e Nordeste de Minas Gerais e em algumas regiões do Sudoeste goiano e Sul Matogrossense esse cuidado tem sido negligenciado.

Não foi possível obter informações nacionais quanto às respostas de animais nessa fase. Porém destacam-se
Não foi possível obter informações nacionais quanto às respostas de animais nessa fase. Porém
destacam-se dois trabalhos com ovinos Santa Inês e Morada Nova, um ensaio conduzido no
semi-árido Paraibano e outro no Distrito Federal. No primeiro os autores Santos et al (2006)
avaliaram respostas fisiológicas e gradientes térmicos de ovinos das raças Santa Inês, Morada
Nova e cruzamentos dessas com o Dorper (1/2 sangue) e concluíram que os ovinos das raças
Santa Inês, Morada Nova e seus mestiços com a raça Dorper apresentam alta capacidade
fisiológica para manter a homeotermia em ambiente quente e não reportaram diferenças entre as
raças nacionais. Porém Quesada et al (2001) observaram diferenças na tolerância ao calor de
ovinos Santa Inês e Morada Nova para as condições climáticas de Brasília, sendo que a primeira
apresentou-se mais adaptada às variações climáticas locais. É sabido que há um gradiente
significativo, não só na temperatura do ar, mas também na incidência e velocidade dos ventos, no
planalto central brasileiro. Assim, essas alterações, que são constantes, podem impor a uma ou
outra raça, como foi o caso, diferentes graus de tolerância ao calor ou ao frio. Note-se que na
Paraíba, onde talvez as condições tenham sido muito similares durante o período experimental,
essas raças não se diferiram quanto a esse parâmetro. Concluindo, não existe uma raça ideal para
um país continental, principalmente quando esse país se estende não só entre os paralelos, mas
também entre os meridianos, tendo dessa forma climas e sub-climas muito divergentes e
peculiares, o que exigirá dos técnicos e produtores muito cuidado ao se projetar suas instalações,
ou seja, não existe receita de bolo para sistema de produção, cada caso é particular.
3.3. TELHADOS E DEMAIS FORMAS DE COBERTURA DAS INSTALAÇÕES
O emprego de coberturas, seja nas instalações seja nos piquetes, tem como função proteger os
animais contra radiação solar direta e das chuvas. No primeiro caso, segundo McDowell (1974),
essa única peça das instalações é capaz de reter cerca de 50% da radiação solar incidente que
vem diretamente dessa estrela, pois o restante da radiação que atinge os animais protegido sob o
telhado vem da radiação refletida nas partículas em suspensão na atmosfera próxima, das
instalações e/ou acidentes geográficos (mais próximos), pelo solo (daí a importância de não se ter
solo descoberto ou pavimentado ao redor das instalações (dando-se preferência ao solo cultivado
com gramíneas rasteiras) e por fim, daquela que vem do horizonte.

O beiral, que consiste no prolongamento das águas de um telhado, tem por função diminuir a incidência de radiação solar, mas também é muito importante para proteger o interior das instalações das chuvas, em especial, aquelas que ocorrem juntamente com rajadas de vento.

Na concepção da instalação deve-se considerar a distância entre o telhado (beiral) até o piso, que constitui o pé direito, altura ideal para que ocorra um bom conforto térmico. Essa ação diminuirá a carga térmica no interior das baias ou apriscos pelo fato de que o ar aquecido tende a subir, formando uma camada de ar mais aquecido, a qual se não for mais rapidamente exaurida, aquecerá as camadas mais inferiores e assim sucessivamente, até que possa comprometer a

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temperatura do ar que encontra-se mais próxima aos animais. Caso isso ocorra, haverá uma diminuição entre o gradiente de temperatura da superfície da pele dos animais e dessa camada de ar, tendo como conseqüência menor quantidade e velocidade na transferência calórica para o meio, com isso o animal terá sua temperatura corporal um pouco aumentada podendo entrar em quadro fisiológico do estresse calórico. Portanto, a altura do pé direito em muito contribui para a melhor ambiência em capris e ovis. Via de regra, instalações para pequenos ruminantes têm pé direito de 3,5 a 4,5 metros, sendo que para aquelas instalações dotadas de piso ripado, esse valor continua sendo mensurado entre o piso e o beiral (extremidade das águas do telhado).

Para promover melhor a exaustão dos gases aquecidos no interior das instalações tem-se recomendado o
Para promover melhor a exaustão dos gases aquecidos no interior das instalações tem-se
recomendado o emprego de aberturas nas cumeeiras dos telhados, lanternins ou clarabóias, ou
mesmo exaustores eolicamente propelidos. Seja qual for o tipo de exaustor, o que se busca é
justamente acelerar o fluxo da camada mais aquecida, diminuindo-se assim a carga radiante no
interior das instalações. Exemplos de cumeeiras projetadas para acelerar a ventilação das
camadas mais gasosas próximos aos telhados podem ser vistas na figura 12.
Figura 12. Tipos de aberturas para cumeeiras
Para diminuir o impacto do aquecimento provocado pelos telhados pode-se optar por materiais
que atenham menores condutividades térmicas como material vegetal (sapé), telhas de barro,
madeira conjugada com armação em madeira ou metálica, aplicando-se ainda tintas com cores
mais claras na face externa dos telhados (Hafez, 1973; McDowell , 1974, Baêta e Souza, 1997 e
Curtis, 1981).

Outra forma de diminuir o aquecimento dos telhados é empregar água, que pode ser aspergida, borrifada, ou simplesmente jogada sobre a superfície externa do mesmo. Tal procedimento pode ser feito ligado a termostatos localizado na face interna da cobertura, comandado por timer, ou mesmo ligando-o e desligando-o em horários de maior incidência da radiação solar (10 às 15h), deixando-o operante por um período até próximo ao ocaso. De acordo com Curtis (1981) esse procedimento conduz a melhores resultados que simplesmente pintar a superfície externa do telhado com cores claras, muito embora Hafez (1973) e McDowell (1974) confirmam os benefícios de se diminuir a absorção da carga radiante incidente empregando-se o artifício da pintura.

Avaliando o efeito do tipo de material do telhado sobre o desempenho de ovelhas Santa Inês criadas no semi-árido da Paraíba, Oliveira et al. (2005) compararam telhas de barro versus telhas de fibrocimento, e constataram que os apriscos cobertos com telhas de barro foram mais eficientes na redução da temperatura interna da telha, mas não se mostraram eficientes na melhoria dos índices de conforto térmico, em nível do centro de massa dos ovinos, que foram

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semelhantes nos dois galpões, ocorrendo elevação nesses índices, no período da tarde. Esse tipo

de resposta parece contraditória ao acima exposto. No entanto convém salientar que o pé direito

foi de 2,8 m e a orientação do eixo principal no sentido Leste-Oeste, podendo a primeira característica ter sido fundamental na falta de diferença na redução dos índices de conforto térmico.

3.4. INSTALAÇÕES E LUMINOSIDADE

A localização do sistema de produção pode ter a quantidade de luz incidente influenciada por
A localização do sistema de produção pode ter a quantidade de luz incidente influenciada por
aspectos como latitude, próximo a grandes montanhas, ou no meio de mata muito fechada e
assim apresentar fotoperíodo, mais intenso e contínuo por todo o ano ou menos intenso e
variável.
É sabido que a origem dos caprinos e ovinos de regiões temperadas impõe-lhes maior
dependência na estacionalidade reprodutiva advinda dos efeitos do fotoperíodo. Assim, raças
ovinas inglesas são mais estacionais que os Merinos, enquanto que os deslanados do nordeste
pouca ou nenhuma interferência recebem nesse sentido (Hafez, 1973 e Curtis, 1981). Para as
raças que sofrem influência do fotoperíodo, Curtis (1981) ressalta que a época de nascimento
interfere grandemente no intervalo de partos, ficando difícil, ou mesmo impossível, conseguir
intervalo de 8 meses (três partos em dois anos), o que é de extrema importância para um sistema
de produção de cordeiros para corte. Fato que também é verdadeiro para a caprinocultura e de
extrema importância para a manutenção de uma oferta de leite regular durante o ano todo.
Segundo Ribeiro (1998) existem várias formas de superar essa estacionalidade reprodutiva em
caprinos e ovinos destacando-se:
∑ Protocolos hormonais: alteram aspectos da fisiologia reprodutiva com emprego de hormônios
exógenos.
∑ O emprego de programas de luz: visa simular a variação do comprimento do dia que ocorre
naturalmente durante o ano, com isso o sistema nervoso do animal passa a agir como se o
mesmo estivesse deslocado para outra época do ano, e com isso quebra-se a estacionalidade.
∑ Utilização de melatonina: trata-se de hormônio presente em todos os mamíferos, sendo
sintetizado exclusivamente à noite pela glândula pineal. Assim por sua relação direta com a
percepção que o animal tem do fotoperíodo, o mesmo pode ser empregado em protocolos que
visem quebrar a estacionalidade reprodutiva de caprinos e ovinos.

Muito embora todos sejam cabíveis de se realizar, salienta-se que no primeiro, corre-se o risco de após um primeiro tratamento hormonal os animais tornarem-se refratários e não responderem de forma satisfatória nos próximos procedimentos indizíveis com hormônios. Por outro lado, tratam-se apenas as fêmeas, sendo importante lembrar que os machos também apresentam estacionalidade reprodutiva. Já o emprego da melatonina ainda é muito oneroso e escasso no Brasil, além dos dados presentes na literatura serem contraditórios, de modo que resta o emprego de programas de luz para vencer a estacionalidade reprodutiva em ovinos e caprinos. Pela observação prática, é sem dúvida o método mais usado no país para escalas de produção com pequenos ruminantes.

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Há que se ressaltar porém, que algumas características das instalações, aliadas à intensidade de luz, período de duração do programa, presença ou não de flashes pela madrugada, podem comprometer os bons resultados de um programa assim.

Quanto aos problemas advindos das instalações pode-se destacar:

O interior da mesma, devido ao projeto arquitetônico, não favorece boa percepção da alteração no fotoperíodo.

∑ A localização, tamanho e distribuição das baias a receberem luz não possibilitam perfeita difusão
A
localização, tamanho e distribuição das baias a receberem luz não possibilitam perfeita
difusão luminosa em seu interior.
Pode ocorrer que tratando um lote em uma época, ocorra contaminação de outro espaço com
a luz do presente programa e ao submeter as cabras que estavam em baias “contaminadas”
por esse período de luminosidade que não lhes era destinado, podem, em seu programa de luz
não responderem adequadamente. Esse fato tem grande ocorrência na prática. Solução: evitar
que haja fatores de “contaminação” luminosa entre as baias de animais tratados e não
tratados.
O
projeto de iluminação não foi projetado para receber ponto de luz suficiente para cobrir
toda a área interna que se deseja submeter os animais ao programa de indução ao cio pelo
fotoperíodo artificial. Nesse caso basta rever e corrigir as falhas do projeto.
Por último, salientar que devido às alterações presentes nas diversas latitudes, pode ser que a
intensidade e duração de um programa de luz pode não ser 100% extrapolado de uma latitude
a outra, requerendo ajustes específicos e inerentes à localização e caracterização das
instalações. Cada circunstância exige um projeto específico.
3.5. BEBEDOUROS E AMBIÊNCIA

Além dos fatores já descritos como tipo de piso, altura do pé direito, orientação dos telhados, presença ou não de beirais; há fatores como localização e tipo de bebedouros que são capazes de comprometer o conforto dos animais devido à possibilidade de elevar sobremaneira a umidade interna das baias, em especial daquelas que apresentam piso recoberto com cama. Por isso, recomenda-se que os bebedouros seja localizados na parte externa das instalações. Apesar de tecnicamente correta, essa prática exige supervisão mais constante dos mesmos, fato que na maioria das vezes não ocorre, e cujas conseqüências se agravam em se tratando de sistema vasocomunicantes, pois desvios de ângulo na linha mestra ou em alguns dos bebedouros do sistema pode comprometer o perfeito fornecimento de água aos animais. Nesse sentido, Alamer (2006) ressaltou que privação de água por período de dois a três dias comprometeu drasticamente a ingestão de alimentos de cabras nativas da Arábia Saudita e redução de até 20,6% no peso vivo dos animais. Por outro lado, Olsson et al (1997) ressaltaram a importância da oferta abundante de água fresca para cabras lactantes mantidas sob condições de estresse calórico, ressaltando que a temperatura da água assume papel importante nessas condições. Com isso, o que se recomenda, juntamente com a exteriorização dos bebedouros, é que os mesmos, juntamente com suas caixas de recalque e mesmo a caixa d’ água mestra e suas tubulações de distribuição fiquem abrigadas da intensa radiação solar tropical. Muitas vezes, há sistemas de produção de caprinos e ovinos que pecam exclusivamente nesse quesito, e para aqueles que trabalham com animais leiteiros o

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prejuízo é maior ainda, tendo em vista também as maiores exigências de água pelos animais leiteiros.

É importante salientar que antes de se executar um projeto, seja para caprinos, seja para ovinos, deve-se levantar as potencialidades da propriedade em produzir água em quantidade e com qualidade capaz de atender todas as categorias do criatório.

Via de regra os ovinos necessitam tomar em média dois litros de água para cada quilograma de alimento seco consumido (2 L água/kg de MS consumida). Neste sentido Macedo Junior et al., (2005) verificaram um consumo 1,98 vezes maior que o consumo de matéria seca, trabalhando com diferentes níveis de FDN forrageiro com ovelhas da raça Santa Inês. O termo matéria seca (MS) é empregado na nutrição animal com a finalidade de se comparar vários alimentos em uma mesma base, qual seja, como se os alimentos não contivessem água, daí essa relatividade expressa por Ferrer e Ortigosa (1989).

As ovelhas gestantes ou em lactação são as categorias com maiores necessidades diárias de água
As ovelhas gestantes ou em lactação são as categorias com maiores necessidades diárias de água
para consumo, segundo Ferrer e Ortigosa (1989). Cordeiros em fase de terminação (± 40 kg de
peso vivo) necessitam de três a cinco litros de água por dia (3 a 5 L/dia), já ovelhas com 50 kg de
PV consomem de quatro a cinco litros ao dia (4 a 5 L/dia) durante o terço inicial de prenhês, mas
se as mesmas estiverem prenhes com ventre duplo, e a temperatura do ar for acima de 20 o C,
deverão ter disponível até 20 litros de água por dia no último mês de gestação. Caprinos nativos
dos trópicos úmidos têm necessidade de 0,680 litros de água por dia, sendo que 80% do consumo
é diurno (Devendra, 1982). Para cabras leiteiras Jarrige (1981) recomenda 0,146 L/kg 0,75 para
mantença e 1,430 L de água/litro de leite produzido (respeitadas tais recomendações, cabras com
70 kg de PV e produzindo 3,5 litros de leite ao dia necessitam de 8,54 L de água/dia). Para o
NRC (2007) os caprinos estão menos sujeitos ao estresse calórico que ovinos e requerem menos
água para evaporação destinada à homeotermia que os bovinos, além do que, possuem menores
perdas de água pelas fezes e urina.
Não só em relação ao consumo de água, mas também o consumo de alimentos (MS) sofre efeito
do clima, principalmente das altas temperaturas, que via de regra tende a diminuir o consumo
voluntário dos animais domésticos (Hafez, 1973 e McDowell, 1974), para que os mesmos
mantenham sua temperatura corporal constante, deve-se fazer o perfeito manejo e projeto das
instalações, garantindo dessa forma, um ambiente mais confortável aos animais mais exigentes
quanto a quantidade e qualidade de água e alimentos. Produtores e técnicos muitas vezes
equivocam-se nesse sentido, acreditando que por se tratarem de animais tropicais, os ovinos
deslanados e os caprinos nativos do nordeste estariam totalmente fora desse fenômeno. Ledo
engano, pois de forma similar, estudos têm demonstrado que bovinos zebus também sofrem
efeitos de elevadas temperaturas, não só no consumo de alimentos, como também no que se
refere ao desempenho produtivo e reprodutivo, assim sendo, olho vivo nas condições de
temperaturas muito elevadas.

Fator determinante para a saúde dos animais, que de certa forma também relaciona-se com ambiência e bebedouros é sua higienização, seja no quesito freqüência, seja no esmero como essa importante tarefa é executada. De nada adianta ter boa colheita e tratamento da água, um bom reservatório central em termos de quantidade e qualidade de armazenamento, sistema de distribuição bem protegido do aquecimento pela radiação solar, se ao final do processo a água, essa preciosidade importante nos sistemas produtivos, seja colocada em bebedouros escandalosamente contaminados. Nesse caso as perdas serão enormes. Isso também é ambiência.

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3.6. COMEDOUROS E AMBIÊNCIA

Além de bem dimensionados, considerando a população presente por baia, os comedouros devem estar colocados de forma a não receberem fezes dos animais, evitando-se a contaminação de animais saudáveis e a recontaminação dos convalescentes, por isso, os mesmos são instalados um pouco acima da altura média da linha dorso lombar da categoria alojada na baia ou piquete.

Outro ponto a ser observado na higienização do cocho é a retirada diária das sobras de cocho, visto que as mesmas podem ser meio de cultura para microrganismos patogênicos, tal cuidado deve ser ainda maior se a umidade da dieta for elevada como por exemplo fornecimento de forragem fresca ou silagem e concentrado no mesmo cocho.

Evitar que os mesmos recebam radiação excessiva, chuva ou sereno, pois tais eventos podem comprometer
Evitar que os mesmos recebam radiação excessiva, chuva ou sereno, pois tais eventos podem
comprometer a ingestão voluntária dos animais, fazendo com que haja mais sobras alimentos nos
comedouros.
Por fim, tal como ocorre com a água, monitorar o consumo voluntário do lote dos animais é
poderosa ferramenta, não só para formular ou reformular as dietas, mas para verificar se o lote
goza de perfeita saúde. Este índice também pode ser indicativo que esteja ocorrendo estresse
térmico na instalação, estresse social por diferenças na hierarquia dos novos lotes formados, ou
mesmo de que o projeto original pode não estar atendendo à etologia dos animais em questão.
Esse último fato tem sido mais presente nos sistemas que adotam pista de alimentação conjugada
com pisos dotados de cama, por dois motivos, ou pelo fato de que com a elevação do nível da
cama, a linha de comida fica mais baixa, exigindo que os animais se ajoelhem para comerem -
pode ser resolvido criando um ressalto em alvenaria na parte interna da baia e limítrofe ao
comedouro, com largura de 1,20 a 1,50 m, ou ainda pelo fato de que ao projetar a instalação o
responsável se equivocou na altura do primeiro fio - nesse caso, quando possível basta elevar o
fio que impede a perfeita chegada à linha de cocho, ou ainda, simplesmente afastar esse fio baixo
para o sentido do cocho por cerca da 15 a 20 cm tem dado resultado nessa correções.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os fracos índices produtivos e reprodutivos de caprinos e ovinos criados de forma intensiva ou
semi-intensiva podem dever-se, dentre outros fatores, às falhas na elaboração e execução do
projeto construtivo.
As deficiências no manejo das instalações podem redundar em perdas insensíveis para o sistema
de produção de caprinos e ovinos.

Falhas de execução de projetos arquitetônicos podem, por vezes serem suplantadas por artifícios técnicos, sempre lembrando que pode-se ainda lançar mão de equipamentos para arrefecimento ambiental, que não foi abordado no presente trabalho, mas que é uma realidade. Ressalva-se porém que seu uso pode onerar sobremaneira o sistema. Portanto, para evitar esses aspectos deve-se preocupar com as características construtivas ligada ao bem estar animal no momento da concepção do projeto.

No ambiente interno de capris e ovis é de fundamental importância que se dê prioridade aos aspectos construtivos que mais afetam a temperatura do ar, seguido por aquelas responsáveis pela

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elevação da umidade relativa do ar e as que serão capazes de promover uma excelente movimentação dos ventos pelas partes internas das instalações.

O conhecimento prévio das zonas de conforto de caprinos e ovinos, em suas várias faixas etárias, assim como as temperaturas críticas mínima e máxima para todas as categorias do sistema produtivo garante base sólida para se pensar e executar um projeto com melhores características de ambiência.

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PRÁTICAS GERAIS DE MANEJO

CASTRAÇÃO: 1 - 3 meses de idade: Canivete ou Burdizzo Separação de sexos ± 3 meses de idade Cheiro na carne de animais inteiros

DECORNA: 3 - 10 dias com ferro apropriado (Oco) Depilar área vizinha Substâncias cáusticas: menos
DECORNA:
3 - 10 dias com ferro apropriado (Oco)
Depilar área vizinha
Substâncias cáusticas: menos prático
Adultos: Fio de serra - MAIORES CUIDADOS
DESMAMA: Precoce : 30 a 36 dias
Tardia: 90 dias
Animais superiores pode ser após 4 meses
CASQUEAMENTO: Animais confinados ou semi-confinados
Tendência genéticas em alguns casos
Contenção do animal
Evitar claudicação
ORDENHA: Novas que nunca tiveram mamite
Velhas que nunca tiveram mamite
Cabras que tiveram mamite e se curaram
Cabras com mamite
ALEITAMENTO:
SEPARAÇÃO POR IDADE:

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ESCRITURAÇÃO ZOOTÉCNICA E SUA IMPORTÂNCIA NA CAPRINOCULTURA

Iran Borges, André Guimarães Maciel e Silva, Fernando Henrique M. A. R. de Albuquerque

1. INTRODUÇÃO

Os pesquisadores das ciências humanas e econômicas têm defendido a tese, desde os anos 90,
Os pesquisadores das ciências humanas e econômicas têm defendido a tese, desde os anos 90, de
que no final do século XX e início do XXI aqueles indivíduos ou instituições que dominarem as
comunicações, e por aí deve-se inserir também as informações, terão ampla e talvez imensas
vantagens no mercado competitivo ou mesmo nas relações interpessoais. Fato certo ou errado, já
num passado mais remoto, haviam filósofos e outros pensadores que atribuíam à imprensa o
papel de 4 o poder (junto com o executivo, legislativo e judiciário que dominam nas democracias
modernas), justamente pelo fato de que à imprensa cabe o papel de dominar, no sentido de deter,
conter, buscar, as informações inerentes à sociedade onde se insere, agindo como importante
formadora de opinião pública.
Recentemente, um curso muito reconhecido nas escolas de 1 o , 2 o e 3 o graus, chamava-se
Biblioteconomia, e formava os biblioteconomistas, ou blibiotecários, pessoas altamente
gabaritadas para organizar e gerar e administrar bancos de informações, nesses casos, livros,
revistas, jornais e similares, ocorre que os grande conglomerados nos setores da indústria e
comércio, viram nesses profissionais um perfil capaz de organizarem o fluxo de informações
para suas empresas, com isso o curso mudou de nome em todo o Brasil passando a chamar-se
Ciência da Informação, pois agora o mercado de seus profissionais não mais restringia-se às
entidades como bibliotecas ou arquivos similares, mas a uma gama muito maior de atuação. Isso
vem demonstrar como a informação tem peso para tais setores produtivos. Nesse ponto cabe uma
reflexão: Se a informação, seu domínio e conhecimento, são importantes para os setores
secundário e terciário, porque não seria para o setor primário (agropecuária)?

Nesse sentido é que devem pensar os produtores e os técnicos da zootecnia, pois ter o domínio e conhecimento de todas as ocorrências inerentes ao sistema produtivo no qual estão inseridos, aumentar-se-lhe-ias a possibilidade de sucesso. Sabe-se que muitas das informações fazem parte de uma conjuntura externa (porteira para fora), mas um grande e importante número de eventos ocorrem porteira a dentro, e portanto compete exclusivamente a esses agentes (produtores e técnicos) ter os devidos cuidados para ter-se tais informações. Tanto produtores quanto técnicos ganharão com tal procedimento, pois estarão organizando os dados que no presente servirão para monitorar o que foi planejado, e principalmente no futuro servirão para tomadas de decisões que muito influirão no desempenho da fazenda. Mesmo que um produtor venda a propriedade a outra ou que o técnico que lhe oriente vá embora, os dados sempre auxiliarão o eventual comprador ou o novo técnico. Por isso é bom saber que, quanto melhor a qualidade e quantidade das informações, mais fielmente essas refletirão a realidade, e assim sendo, fornecerão melhores subsídios para que se tome as decisões de manejo e gerenciamento mais adequadas a cada situação que se apresenta dentro do sistema produtivo.

Como os animais não podem comunicar com os homens, cabe a esses últimos gerarem uma linguagem capaz de traduzir o que se passa com os animais em rebanhos, e essa dá-se por meio de números, não que os animais entendam matemática, mas com certeza, os inseridos nesse elo da cadeia produtiva da caprinocultura saberão interpretar tais números, e assim, transformá-los em informações úteis que nortearão as práticas de manejo, as relações de compra e venda de animais, a aquisição de insumos, a construção, as reformas ou ampliações das instalações, dentre

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outras importantes ações, ou tomadas de decisão, que se tem como prática corriqueira em uma caprinocultura.

O objetivo desse trabalho é levantar a importância de ter-se na fazenda, qualquer que seja seu

tamanho, objetivo, localização ou proprietários, no que diz respeito ao manejo e gerenciamento

da mesma.

2. A ESCRITURAÇÃO ZOOTÉCNICA E O MANEJO GERAL DO REBANHO

2.1. IDENTIFICAÇÃO DOS ANIMAIS Já que o ponto principal da escrituração zootécnica é a informação,
2.1. IDENTIFICAÇÃO DOS ANIMAIS
Já que o ponto principal da escrituração zootécnica é a informação, a primeira providência que
deve-se ter é proceder a identificação de todos os animais do rebanho. A forma como tal
identificação será feita não interferirá na qualidade dos dados, desde que a mesma seja segura,
permanente, de fácil colocação e visualização. Assim sendo, com identificação, quer seja por
tatuagem ou por chips eletrônicos, ou qualquer outro método, no frigir dos ovos o que gera-se no
final são as informações. Uns poderão dizer: “Os chips são o pé no futuro”, fato que é verdade
em parte, a enorme contribuição que tal tecnologia reverte é sua incrível agilidade no
processamento dos dados, sem muitas fontes de erros. Portanto, ao produtor de caprinos que
possui um capital maior para investimento pode ter aí uma ótima ferramenta para gerenciar
seu(s) rebanhos(s), muito embora a tatuagem, o uso de brincos, plaquetas, abraçadeiras,
pulseiras, colares etc., não deixam nada a desejar, somente exigem que seja implantado um
“protocolo” de conferência, visando diminuir a possibilidade de erros na identificação dos
animais.
Muito embora, seja prática comum entre os produtores usarem nomes para identificar seus
animais, o emprego de sistema numeral facilita em muito nessa tarefa. Pode-se ter no primeiro
dígito o ano de nascimento do animal, no segundo o mês, no terceiro e quarto o número da mãe,
e nos dois ou três seguintes, a depender do tamanho do rebanho, o número que identificaria o
animal. a escrituração zootécnica, dígitos pode ficar muito grande, aqueles que empregam
tatuagem e não trabalham com animais registrados podem, por exemplo, destinar uma orelha
para as informações gerais e a outra para o número do animal em si. Pode-se optar também por
fazer a identificação mista (tatuagem + brincos, tatuagem + colar, tatuagem + pulseiras, ou
combinações entre essas), de forma a ter-se uma identificação mais abrangente e explicativa
possível, ou também aliar uma identificação segura, que dificilmente será perdida, como é o caso
da tatuagem, com uma de fácil visualização, como os colares. Tal prática, não impede, de
maneira alguma que os animais sejam encaminhados ao serviço de registro genealógico com seus
nomes: Ex: filhas das cabras com nomes de frutas terão também nomes de frutas, sendo que
identifica-se a maternidade a partir da primeira letra (mãe: lima, filhas: laranja1, laranja2, etc.),
nesse caso pode-se empregar um número na placa do colar, pulseira ou brincos para identificar os
pais, sendo que o mais usual para paternidade é usar brincos, colares, pulseiras ou plaquetas de
cor ou formato diferentes.

Seja qual for o método empregado, o importante é que o mesmo facilite a identificação do animal, para que essa seja empregada nas fichas de controle da propriedade (sanitário, reprodutivo, produtivo, nutricional, financeiro e de eventos diversos).

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2.2. CONTROLE REPRODUTIVO

Para aqueles produtores ou técnicos que estão gerenciando um rebanho caprino e o mesmo ainda não possui escrituração zootécnica, o manejo reprodutivo é a primeira oportunidade para que se inicie tal procedimento.

Após todos os animais estarem devidamente identificados, estipula-se a época e duração da(s) estação(ões) de monta, sendo que essa deve ser dimensionada tendo-se por base a relação macho : fêmea do plantel (geralmente opta-se por relações de 1:33 até 1:50), a época que deseja-se produzir leite ou carne, se a raça é poliestral estacional (apresenta cios somente nos períodos em que os dias começam e ficam mais curtos - fevereiro a julho), se durante a estação de nascimento as cabras terão alimentação garantida e na época do desaleitamento seu filhotes terão pastos disponíveis. Faz-se então o esquema de acasalamentos, considerando-se um número de saltos de 4 a 5 por dia, sempre direcionando que bode cobrirá qual cabra, evitando-se que ocorram acasalamentos cuja consangüinidade seja estreita (pai com filhas, irmão com irmãs, avô com netas). Para otimizar a utilização do reprodutor pode-se usar rufiões ou a observação visual do cio por parte dos encarregados pelo capril.

Tais procedimentos acima serão mais complicados no início da implantação dos registros zootécnicos, mas estação
Tais procedimentos acima serão mais complicados no início da implantação dos registros
zootécnicos, mas estação após estação e ano após ano, o processo torna-se mais prático, fácil e
com maior quantidade de informações, as quais irão subsidiar as futuras tomadas de decisão
quanto ao manejo reprodutivo e aos demais manejos interrelacionados.
Uma vez identificada a cabra no cio a mesma é colocada junto ao reprodutor, seguindo-se o
esquema proposto pelo técnico que forneceu a orientação. Após a certeza da cobertura, anota-se
o dia em que a mesma ocorreu e o nome do bode empregado, com isso é só projetar para os
próximos 150 dias (142 a 164 dias) a estação de nascimento, conforme consta no esquema
abaixo:
ESTAÇÃO DE
ESTAÇÃO DE
MONTA
PARIÇÃO
JAN
FEV
MAR ABR
MAI
JUN
JUL
AGO SET
OUT
NOV
DEZ
Com relação aos machos pode-se realizar mensurações de circunferência escrotal, a partir da
puberdade, e também manter-se um histórico de seu desempenho reprodutivo nas estações de
monta, até mesmo com dados de exame andrológico, onde todos esses números serão registrados
para avaliações futuras, talvez até mesmo para servir de suporte para um programa de descarte
(seleção).
Informações que pode-se obter com a escrituração dos eventos reprodutivos:

a) Uma vez que todas as cabras tenham sido cobertas, é possível verificar quais falharam (retornaram ao cio), fato que pode indicar não ter havido a fertilização, que houve a fertilização, mas em algum momento o embrião morreu e foi absorvido, ou ainda que o bode usado poderia ser sub-fértil ou estéril. Como diferenciar esse último evento dos demais? Para isso bastaria conferir as outras cabras que o referido bode cobriu nessa estação, se outras cabras repetiram cios e se isso ocorreu com freqüência alta, pode-se ter fortíssimos indícios de problemas reprodutivos com tal macho. Um exame clínico e andrológico bem feito logo a seguir poderá indicar se o bode deverá ser tratado ou descartado, evitando-se assim novos prejuízos ao plantel.

43

b) Estimar mais precisamente, nas próximas estações de monta qual seria a nova estação de nascimento, tendo em vista que fêmeas primíparas costumam apresentar duração da gestação diferenciada das multíparas.

c) Conhecer o intervalo de partos dentro do sistema em que se trabalha e com isso buscar a (s) melhor (es) alternativa (s) para se implantar a próxima estação de monta. Geralmente para animais leiteiros, deseja-se intervalo de partos variando entre 10 a 12 meses, enquanto que na caprinocultura de corte deseja-se trabalhar com intervalo de parto de 8 meses. Assim demonstra-se que o conhecimento desse intervalo é primordial para planejamento das futuras estações de monta.

d) Pode-se avaliar a eficiência reprodutiva do rebanho determinando-se as taxas de fertilidade e fecundidade,
d) Pode-se avaliar a eficiência reprodutiva do rebanho determinando-se as taxas de fertilidade e
fecundidade, bem como o índice de retorno ao cio.
e) Outra variável reprodutiva que é importante conhecer, e a escrituração zootécnica possibilita
sua obtenção, é a ocorrência do primeiro cio fértil pós-parto, desde que tenha-se identificado
tal cio, e submetido a cabra a nova cobertura. Tal tempo é muito usado na caprinocultura de
corte para avaliar-se qual o grau de eficiência de retorno ao cio, e consequentemente
aumentar o aproveitamento da vida útil das matrizes no rebanho.
A seguir um exemplo de ficha para controle de cobertura e nascimento:
FICHA DE COBERTURA E NASCIMENTO
N o da
cabra
Data da
Estimativa
Data
Aborto (A)
Repetição
de Cio (C)
(data)
N o do
Bode
usado
N o de
crias
Peso
Data cio
Observações
Cobertura
de parto
do
crias
pós-parto
Parto
O número de linhas encontra-se reduzido para caber no texto atual, mas a mesma pode ter toda a
dimensão de um folha ofício ou A4, os dados apresentados não necessariamente serão os únicos
a constar de uma ficha com esse fim, ao seu usuário cumpre ajustá-la de modo que os dados
contidos sirvam-lhe de melhor suporte para o gerenciamento do manejo reprodutivo.
2.3. SELEÇÃO E MELHORAMENTO CAPRINO

De acordo com Pereira (1983) para obter-se sucesso no melhoramento genético animal deve-se, antes de tudo, conhecer os dados de uma dada espécie, juntamente com as variáveis produtivas e reprodutivas da mesma. Isso demonstra que um banco de dados bem feito (escrituração zootécnica) constitui-se no primeiro passo para alcançar sucesso no melhoramento animal.

Para que se defina um programa de melhoramento genético é necessária a definição do objetivo produtivo e econômico da população de animais que está envolvida neste, além dos critérios que serão adotados para se atingir tal objetivo. Os critérios, baseados nas características a serem mensuradas para fazerem parte de um índice de seleção deverão apresentar peso econômico significativo e herdabilidade (transmissão devido aos genes) de moderada a alta.

44

Os dados empregados podem relacionar-se às características produtivas como as de peso (peso ao nascer, peso à desmama, peso ao abate, peso à primeira cobertura, peso adulto, ganho de peso médio diário - do nascimento à desmama ou do nascimento à puberdade), duração da lactação, produção leiteira, teor de gordura e proteína no leite, etc., e também reprodutivas como idade ao primeiro parto, intervalo de partos, número de crias por matriz, taxa de natalidade e mortalidade, etc.

2.4. CONTROLE SANITÁRIO

A adoção de escrituração zootécnica permite não somente programar o momento de adotar-se práticas de
A adoção de escrituração zootécnica permite não somente programar o momento de adotar-se
práticas de manejo sanitário, bem como identificar problemas no seu início, antes que tornem-se
limitantes para o sistema de produção.
Somente com o histórico da propriedade a médio e longo prazo, para parâmetros como taxa de
mortalidade nas diversas categorias, taxa de aborto, incidência e prevalência de doenças
específicas para cada sistema de produção (intensivo, semi-intensivo ou extensivo), contagem de
células somáticas, pode-se localizar falhas no manejo ou determinar metas para melhoria de tais
parâmetros.
Além do aspecto profilático-curativo da escrituração sanitária, um parâmetro importante que
pode ser obtido em tal análise é o impacto econômico de novas técnicas de manejo sanitário no
desempenho do rebanho, bem como a determinação dessa viabilidade sendo capaz de melhorar
parâmetros como a taxa de mortalidade, permitindo verificar até que ponto vale a pena a adoção
de práticas visando a melhoria desses índices no rebanho, ressaltando-se que essa análise deve
considerar não somente os aspectos econômicos, mas também as questões técnicas e éticas.
2.5. CONTROLE PRODUTIVO
Tal prática na anotação zootécnica é de suma importância, não só pelo fato de estar registrando
os dados produtivos, e consequentemente aqueles responsáveis diretos pelas denominadas
“perdas sensíveis” ou “perdas visíveis”. Por vezes os produtores estão atentos somente a esse
tipo de perdas, muito embora, não façam tal controle em banco de dados. Para que fazê-lo então?
Podem rebelar alguns deles. - Por um motivo simples: Trata-se de uma ferramenta muito sensível
para mensurar não o quanto ou o que se está perdendo, mas principalmente onde e porque isso
ocorre. Trabalhando-se tais dados, aliados aos da sanidade, da reprodução e da nutrição torna-se
possível identificar, e até mesmo quantificar, as perdas “insensíveis”, que estão embutidas e são
geralmente decorrentes de falhas construtivas, de manejo ou gerenciamento da criação ou
propriedade como um todo.
Nesse tipo de controle pode-se por exemplo mensurar dados da caprinocultura leiteira como:

produção diária de leite por cabra e/ou por rebanho, e como conseqüência as produções mensais e por lactação, a persistência da lactação, a composição do leite, o rendimento de produtos derivados do leite, dentre outros. Para a exploração de caprinos de corte apontar-se-iam dados como: peso ao nascer, peso à desmama, velocidade de peso nas várias fases (cria, recria e engorda), peso da carcaça, rendimento de carcaça, rendimento do “5 o quarto” (vísceras comestíveis), etc. Para ambos os tipos de exploração também seria possível elaborar uma ficha

de controle da quantidade e qualidade das peles produzidas (verdes, salgadas ou wet blue).

Somente com registros confiáveis dos dados produtivos como peso ao nascer, peso ao desmame, ganho de peso nas diversas categorias, prolificidade, produção leiteira atual e na lactação total, pode-se aferir e dar um “ajuste fino” no sistema. Essa prática permite uma melhor divisão dos animais, em lotes por produção leiteira por exemplo, permitindo a otimização do uso de insumos,

45

como alimentos, que têm grande impacto econômico na criação, adotando práticas de manejo mais onerosas somente nos animais que realmente possam responder às mesmas

O monitoramento dos parâmetros produtivos do rebanho pode ser importante na identificação

precoce de falhas no manejo, permitindo interferir no sistema no momento adequado. Tal prática

pode ser fundamental em categorias animais muito sensíveis a erros no manejo, como é o caso dos animais jovens.

2.6. CONTROLE DO MANEJO ALIMENTAR O controle dos parâmetros nutricionais, apesar de intimamente ligado ao
2.6. CONTROLE DO MANEJO ALIMENTAR
O controle dos parâmetros nutricionais, apesar de intimamente ligado ao acompanhamento
produtivo, merece ser discutido à parte devido à grande influência do manejo nutricional sobre
todos os demais aspectos já abordados.
Um aspecto importante seria a comparação dos desempenhos esperados, como ganho de peso ou
produção leiteira esperada, com as produções realmente observadas após o ciclo produtivo,
permitindo ajustes no sistema. A mensuração do consumo de alimentos pode facilitar a
compreensão de diferenças muito grandes entre desempenho produtivo esperado e observado.
Baseando-se nos dados produtivos (animal lactante ou seco, peso vivo da cabra, produção de
leite, composição do leite) e reprodutivos (animal prenhe ou vazio, ordem de gestação, dias de
gestação, animais na pré estação de monta ou na estação de monta) é possível elaborar dietas que
venham a produzir maior eficiência biológica, melhor retorno financeiro, e fornecer melhores
condições de saúde aos animais, podendo-se empregar uma outra observação muito importante e
que tem grande peso no momento de se avaliar a resposta animal (produtiva e reprodutiva), trata-
se da avaliação da condição corporal (escore corporal).
Monitorar a qualidade do alimento oferecido, tanto bromatológica como sanitária
(contaminação), pode dar maior agilidade nas tomadas de decisão, principalmente quando já se
possui uma divisão adequada do rebanho conforme faixa etária e nível de produção (orientadas
pela escrituração presente no plantel), permitindo alocar os insumos corretos, com o devido
processamento para cada lote de animais, otimizando-se assim o aproveitamento da dieta.
Em algumas vezes podendo-se empregar alimentos alternativos, que são aqueles normalmente
pouco usados na alimentação das cabras, mas que têm valor biológico ou apresentam resposta
econômica capaz de oferecer uma melhor relação custo:benefício.
A
seguir um exemplo de que o controle integrado dos dados supra citados pode minimizar perdas
no
ciclo produtivo de cabras em lactação:

Situação: Capril leiteiro com cabras produzindo média de 2,5 kg/cab/dia (3,5 a 1,5 kg), recebendo uma dieta a base de feno de alfafa e concentrado comercial para cabras leiteiras (30% PB), nas tabelas a seguir será identificada como dieta 1, essa dieta era fornecida a todas as cabras em lactação, variando apenas na quantidade em função da produção de leite (média diária calculada um vez por mês). Procurou-se simular uma outra dieta, com níveis nutricionais similares aos que encontravam-se na referida dieta do criatório, porém empregando outros tipos de alimentos capazes de diminuir os custos com arraçoamento (dieta 2), além disso, foram formuladas dietas com bases em tabelas de exigências para dois níveis de produção, sempre empregando formulações diferentes para tais níveis (dietas 3, 4, 5, e 6 ).

46

QUADRO 1. Composição percentual das dietas experimentais*

Dieta

Feno

Concen.

Caroço

Milho

Cana +

Feno

Silagem de

alfafa

Comercial

algodão

uréia

Coastcross

milho

1

75,43

24,57

-

-

-

-

-

2

40,21

14,88

19,91

25

-

-

-

3

 

- 9,97

-

7,19

34,92

47,92

-

4

 

- 4,43

22,57

-

-

-

73,00

5

30,40

13,45

-

-

56,15

-

-

6

13,48

-

14,00

37,10

-

-

35,42

*Sal mineralizado e água foram fornecidos a vontade para todos os tratamentos estudados Silva et
*Sal mineralizado e água foram fornecidos a vontade para todos os tratamentos estudados
Silva et al. (2004)
QUADRO 2. Composição bromatológica das dietas experimentais
Dieta
MS(%)
PB(%)
FDN(%)
FDA(%)
NDT(%)*
1 86,55
22,30
33,65
24,86
70,66
2 86,54
19,18
29,10
20,88
78,95
3 66,72
14,00
42,94
30,86
69,91
4 51,26
12,00
48,98
29,84
70,02
5 50,87
14,04
48,19
34,64
70,78
6 70,42
12,00
33,93
20,68
72,41
* Dados estimados por tabelas do NRC (1981)
Sal mineralizado e água foram fornecidos a vontade para todos os tratamentos estudados
Silva et al. (2004)
QUADRO 3. Consumo e digestibilidade aparente da matéria seca e produção de leite
diária para as seis dietas fornecidas a cabras leiteiras no terço inicial de lactação
Dieta
CMS
CMS UTM
(g/kg 0,75 )
CMSD
UTM
(g/kg 0,75 )
Dig MS (%)
Prod. leite
Leite/kg
(g/dia)
(kg/cab)
ração
1 2842,49 A
140,73 A
94,74B
67,13 B
3,08A
1,083
2 2999,19 A
148,50 A
103,84A
69,93 AB
2,44AB
0,814
3 2146,89 B
106,30 B
76,28B
71,76 AB
2,91AB
1,355
4 1893,72 B
98,68 B
79,42B
80,48 A
1,43C
0,755
5 1068,45 C
52,90 C
30,43D
57,52 B
1,46C
1,367
6 1992,93 B
93,77 B
65,66C
69,91 AB
2,60B
1,305
Letras iguais em mesma coluna indica semelhança estatística (SNK 5%)
Silva et al. (2004)

Pelos resultados do quadro 3 é possível notar que a dieta 1, usada cotidianamente na propriedade, apresentou maior produção, muito embora não tenha sido estatisticamente significativo, mas alguns poderão dizer, não houve diferença na estatística, mas no balde do produtor estariam entrando o correspondente a 0,64 ou 0,17 litro em relação às dietas 2 e 3, isso para 100 cabras seria 64 e 17 litros, os quais equivaleriam e R$128,00 e R$34,00/dia (litro a R$2,00 na época), ou ainda a R$ 3.840,00 e R$ 1.020,00, isso em valores absolutos; porém tem-se que considerar alguns fatores não presentes nesse quadro e que compunham a realidade da propriedade:

ministrava-se a mesma formulação, apenas mudando a quantidade, para todas as cabras, e fica claro pelo mesmo quadro que para cabras produzindo próximo a 1,5 kg/dia poder-se-ia optar pela dieta 5, já para aquelas com produções por volta dos 2,5 kg de leite/dia, a estratégia de arraçoamento poderia estar baseado nas dietas 2 ou 6. Outro aspecto importante é considerar que a dieta 3 apresentou menor produção leiteira que a 1 (0,17 kg ou 5,52% a menos), mas teve melhor relação kg de leite produzido/kg de ração consumida (0,272 ou 20,07% superior nessa

47

relação), que reflete a eficiência de aproveitamento da ração, isso pode estar demonstrando que uma análise de comparação pontual, como feito acima com valores em R$ pode estar escondendo a melhor relação custo:benefício, como outros fatores relativos ao custo de produção não foram levantados no presente trabalho, fica difícil uma conclusão mais segura nesse sentido, além do mais, devido à dinâmica da variação dos preços de mercado, tanto da matéria prima como do produto final, quer seja leite ou carne, essa avaliação deve ser feita de forma constante, com o intuito de equacionar o aspecto produtivo com o econômico. Muito embora essa situação permanecerá dúbia, há uma outra que fica muito clara, que é o fato de que sem escrituração zootécnica, e o devido acompanhamento desse sistema de produção, ficaria mais difícil detectar tais perdas que estavam ocorrendo, deixando claro também que para viabilizar o sistema produtivo deve-se considerar as exigências nutricionais de cada lote de produção, devidamente divididos dentro da propriedade, e essa divisão só é possível quando se conhece as produções individuais e o estádio de lactação, o que é possível somente com uma anotação zootécnica eficiente e constante supervisão não só do rebanho, como também da coleta desses dados.

Cuidados também devem ser tomados quando almeja-se desafiar os animais nuticionalmente buscando maximização dos
Cuidados também devem ser tomados quando almeja-se desafiar os animais nuticionalmente
buscando maximização dos parâmetros produtivos, como é o caso de animais que estão sendo
preparados para participar de exposições ou torneios leiteiros. Deve-se sempre considerar os
aspectos fisiológicos para não comprometer a vida produtiva do indivíduo, especialmente quando
trabalha-se com os animais de reposição do rebanho, dos quais espera-se uma vida produtiva
longa.
2.7. CONTROLE ECONÔMICO
A avaliação econômica do sistema produtivo depende muito da quantidade e da qualidade dos
dados coletados e geralmente as melhores análises econômicas aproveitam os dados de controle
já discutidos.
Além desses parâmetros, uma descrição física das benfeitorias, da qualidade do terreno, das
pastagens, dos implementos agrícolas, das culturas perenes e anuais também levados em
consideração.
A utilização da mão-de-obra e do maquinário também devem ser mensurados, levando-se em
consideração a sua demanda em cada setor da propriedade, como cria, recria, animais em
lactação, animais de reposição, agricultura, etc., permitindo a identificação de quais setores estão
demandando maiores investimentos, ou quais são os principais centros de custos e se os mesmos
geram lucro ao sistema.
Deve-se logicamente considerar todos os tipos de gastos e também separar todos os
investimentos por setores do sistema produtivo, permitindo a identificação dos pontos de
estrangulamento do sistema, nos quais geralmente os investimentos para melhoria da eficiência
refletirão em redução dos custos de produção.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A consistência e fidedignidade dos bancos de dados em uma exploração animal deve ser meta a

ser cumprida por todos os produtores e técnicos, sendo parte da rotina do criatório.

monitoramento,

gerenciamento e no auxílio nas tomadas de decisão na caprinocultura.

O simples fato de ter-se os dados na mão não assegura necessariamente a obtenção de melhores

resultados, para isso, há a necessidade do acompanhamento de alguém capacitado para

A escrituração

zootécnica

é

um

poderoso

artifício

para o

planejamento,

48

interpretá-los e dar-lhes o devido uso, para tal, a presença e/ou orientações de um técnico torna- se indispensável.

Grandes fazendas (e não fazendas grandes), grandes indústrias e grandes nações somente deram um salto desenvolvimentista quando organizaram seus meios produtivos, que possibilitassem um seguro planejamento estratégico.

FICHAS ZOOTÉCNICAS Fichas individuais - frente Propriedade: Proprietário Município: Estado: Endereço: Ficha
FICHAS ZOOTÉCNICAS
Fichas individuais - frente
Propriedade:
Proprietário
Município:
Estado:
Endereço:
Ficha para anotações de informações diversas
Diversos
Data
Número ou nome do animal
Ocorrência
RIBEIRO (1997)

49

Fichas individuais - frente

FICHAS ZOOTÉCNICAS

Propriedade:

Proprietário

Município:

Estado:

Endereço:

Cadastro e genalogia Nome Número Raça TOE TOD Grau sangue Brincos Nascimento Chifres Pelagem Pontuação
Cadastro e genalogia
Nome
Número
Raça
TOE
TOD
Grau sangue
Brincos
Nascimento
Chifres
Pelagem
Pontuação
Obs:
RIBEIRO (1997)
Controle reprodutivo
Cria
Data
Reprodutor
Data do
Sexo das crias
Peso das crias
RGN das crias
cobertura
parto

RIBEIRO (1997)

50

Fichas individuais - verso

Controle produtivo

Mês 1 o 2 o 3 o 4 o 5 o 6 o 7 o
Mês
1 o
2 o
3 o
4 o
5 o
6 o
7 o
8 o
9 o
10 o
Duração
Total
Média
RIBEIRO (1997)
Controle geral
Data
Idade
Peso
Data
Observação
Data
Observação

RIBEIRO (1997)

Ficha de jovens

51

Propriedade:

Proprietário

Município:

Estado:

Endereço:

Cadastro e genalogia

Nome Número Raça TOE TOD Grau sangue Brincos Nascimento Chifres Pelagem Pontuação Obs: RIBEIRO (1997)
Nome
Número
Raça
TOE
TOD
Grau sangue
Brincos
Nascimento
Chifres
Pelagem
Pontuação
Obs:
RIBEIRO (1997)
Controle geral
Data
Idade
Peso
Data
Observação
Data
Observação
RIBEIRO (1997)

52

Ficha para controle de lactação

Nome

TOE

Número

Controle de lactação

Nome

TOE

Número

Raça

Pai

Mãe

TOD

RGD

a a a a Mês Data 1 2 Total Data 1 2 Total Média Total
a
a
a
a
Mês
Data
1
2
Total
Data
1
2
Total
Média
Total
ordenha
diário
diário
Mensal
mensal
1
2
3
4
5
6
4
8
9
10
RIBEIRO (1997)
Resumo e observações
Lactação
Data
Observação
Data
Observação
Início da lactação
Fim da lactação
Intervalo de partos
Período seco
Produção mínima
Produção máxima
Correção 305 dias
Correção 365 dias
Duração da lactação
Produção total
Média diária
RIBEIRO (1997)

53

Ficha para coleta de informações de coberturas

Coberturas

Data Cabra Bode Observação Número Nome RIBEIRO (1997) Ficha para coleta de informações de nascimentos
Data
Cabra
Bode
Observação
Número
Nome
RIBEIRO (1997)
Ficha para coleta de informações de nascimentos
Nascimentos
Número
Data
N o da cabra
Nome da cabra
Sexo
Chifre
Brinco
Peso
Observaçã
o

RIBEIRO (1997)

54

Fichas para coleta de informações de produção de leite por cabra

Produção de leite por cabra

Número ou nome da cabra Data: / / . Data: / / . Manhã Tarde
Número ou nome da cabra
Data:
/
/
.
Data:
/
/
.
Manhã
Tarde
Total
Manhã
Tarde
Total
RIBEIRO (1997)
Ficha para coleta de informações de pesagens dos animais
PESO
Data:
/
/
.
Número ou nome da cabra
Peso
Observações
RIBEIRO (1997)

55

Ficha para coleta de informações de produção de leite global

Controle Leiteiro global - Mês

Dia Manhã Tarde Ocorrência 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
Dia
Manhã
Tarde
Ocorrência
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
RIBEIRO (1997)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PEREIRA, J. C. C. Melhoramento genético aplicado aos animais domésticos. Belo Horizonte,
1987. 430p.
RIBEIRO, S. D. A. Caprinocultura: criação racional de caprinos. São Paulo, Nobel, 1997.
318 p.
SILVA, A. G. M, et al. Efeito de diferentes fontes de volumosos e relação volumoso:concentrado
no consumo e digestão em cabras leiteiras da raça Saanen. IN: Reunião Anual da Sociedade

Brasileira de Zootecnia, 41. Anais

Campo

Grande – MS, 2004 – CD-ROOM. (No Prelo).

56

MANEJO SANITÁRIO

QUARENTENÁRIO:

EXAMES: Ecto e endo, brucelose, tuberculose, toxoplasmose, leptospirose e micoplasmose

DESINFECÇÃO DAS INSTALAÇÕES: 1. Não lavar o piso ripado 2. Raspar e varrer os dejetos
DESINFECÇÃO DAS INSTALAÇÕES:
1. Não lavar o piso ripado
2. Raspar e varrer os dejetos diariamente
3. Limpar os comedouros
4. Secar e lavar os bebedouros com freqüência (1 vez/semana)
5. Usar lança chamas: engradados e caixote de mercado e exposições
6. Evitar entrada de pessoas que tiveram em outros criatórios suspeitos de surtos
7. Pedilúvio na entrada
CONTROLE DE ECTO PARASITOS:
Inspeções freqüentes
1. Sarna: separação e tratamento
2. Piolhos: Tratar afetados e às vezes todo o rebanho
Ao polvilhar o medicamento evitar contaminar comedouros e bebedouros
3. Bernes:
Controlar moscas no cabril e instalações
Pastos limpos
Vasilhames e plataforma de ordenha sempre limpos
Matar todos os bernes que caírem
Banhar animais com bernicidas se necessário
4. MIIASES: Retirar larvas
Limpa o local
Aplicar repelentes

ASPECTOS ESTRATÉGICOS DE CONTROLE AOS ECTOPARASITOS

1. Separar animais por faixa etária

2. Pastoreio em faixas (rotacionado)

3. Manejo do esterco

57

CONTROLE DOS ENDOPARASITOS:

1. Evitar super lotação

2. Higienizar bebedouros e comedouros (limpar fezes)

3. Não pastejar em locais alagadiços ou úmidos demais

4. Pastejo ou corte do capim nas horas mais quentes da manhã (umidade e radiação)

5. Evitar pastejo muito baixo Evitar pastejo intensivo e super lotação E MAIS: ∑ Exame
5. Evitar pastejo muito baixo
Evitar pastejo intensivo e super lotação
E MAIS:
∑ Exame de fezes mensal (ideal)
∑ Vermifugação quando necessário
PROFILAXIA DE DOENÇAS INFECTO-CONTAGIOSAS
1. Só comprar animais sadios
2. Submetê-los ao quarentenário e exames de rotina
3. Proceder vacinações:
EXAMES A SEREM REALIZADOS:
∑ Brucelose e tuberculose a cada 6 meses
∑ Leptospirose, micoplasmose e toxoplasmose quando apresentarem sintomas
ISOLAR ANIMAIS DOENTES
EVITAR PROMISCUIDADE DE ESPÉCIES
HIGIENE E CUIDADOS NA ORDENHA

Higiene do ordenhador e/ou conjunto de ordenha;

Prevenção da mastite: caneca telada, higiene do úbere e tetas;

Evitar traumatismos no úbere;

Separar animais sintomáticos: ordenhá-las por último;

Seleção: eliminar cabras com tetas duras.

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PRINCIPAIS DOENÇAS PARASITÁRIAS E SUA PREVENÇÃO

1. HELMINTOSES: Basicamente gastrointestinal e pulmonar

Edema submandibular, distensão abdominal, crescimento retardado, diarréia, mucosas pálidas, pelos arrepiados, perda de peso e morte. Nos pulmões podem provocar infecção secundária.

1.2. Manejo do pasto: ∑ Reinfestação: rotação de piquetes ou usar outras espécies animais ∑
1.2. Manejo do pasto:
∑ Reinfestação: rotação de piquetes ou usar outras espécies animais
∑ Taxa de lotação: evitar grandes lotações
∑ Corte do capim nas horas quentes (lavras migram para a base)
1.2. Manejo das instalações: limpas, secas, arejadas e bem ventiladas, sem moscas.
1.3. Manejo dos animais: distribuição por faixa etária (também nas pastagens: mais novos vão na
frente); bom plano nutricional aumenta a resistência dos animais.
1.4. Aplicar anti-helmínticos: no pico da infestação.
Nordeste recomenda-se: no início e fim das secas e no meio da estação chuvosa. Às vezes uma a
mais no meio da estação seca, pois assim evita-se o desenvolvimento larval no ambiente, além do
mais os animais podem estar mais debilitados devido à falta de alimentação adequada
(extensiva).
Sudeste: antes da parição; no desmame; no início das chuvas.
2. EIMERIOSE: Protozoários coccídicos.
Mais freqüente em animais confinados, mantidos em pequenas áreas e com alta densidade.
Animais Jovens (menos de 6 meses) são os responsáveis pelas maiores perdas no rebanho
leiteiro.
Diagnóstico na fazenda é difícil: exame clínico + laboratorial devido à interações com outros
vermes.
Tratamento: Curativo:

Amprólio: oral na dose de 100 mg/Kg + Sulfadimidina: 140 mg/Kg (5 dias) Preventivo: recomenda-se 50% da dose acima por 21 dias.

Profilaxia: Limpeza instalações (vassoura de fogo), separação por idade, densidade adequada, local seco, evitar condições estressantes, etc

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ECTOPARASITOSES

4. SARNA SARCÓPTICA , DEMODÉCICA E PSORÓTICA:

4.1.Sarcóptica: Prurido intenso, formação de pápulas avermelhadas e corrimento seroso (ao secar fica amarelado). Aparece na cabeça, ao redor dos olhos e narinas. Tratamento: banhos e imersão em organofosforados ou piretróides (repetindo no 10º dia).

4.2. Demodécica: Conhecida por Bexiga devido aos nódulos na pele nas regiões cervical, peitoral e
4.2. Demodécica: Conhecida por Bexiga devido aos nódulos na pele nas regiões cervical, peitoral
e torácica.
Tratamento: igual a anterior + ivermectin subcutâneo (0,2 mg/Kg)
4.3. Psorótica: ocorre no conduto auditivo interno e externo. Crostas brancas e quebradiças.
Tratamento: limpar os ouvidos retirando as crostas e usar sarnicidas em solução
oleosa 1:3 (sarnicida : solução oleosa), com intervalos de 2-4 dias entre
aplicações.
5. PEDICULOSE:
Sintomas: Animais irritados. prurido e escarificação de pele, devido a traumas ocasionados aos
esfregarem-se em mourões, tocos, cercas.
Pode ocorrer agravamento das lesões epidermais devido às infeções bateristas ou por
larvas de moscas.
Profilaxia: Inspeção periódica do rebanho;
Evitar introdução de animais infestados;
Separar e tratar os animais infestados.
Tratamento: banhos e imersão em organofosforados ou piretróides (repetindo no 10º dia).
6. MIÍASE:
Larvas de varejeiras que parasitam tecidos vivos ou necrosantes
Profilaxia: Inspeção periódica do rebanho, tratar todo ferimento, após práticas de manejo
traumatizantes (castração, umbigo, brincagem, descorna, etc
fazer a cura com solução de iodo 10%.
)
usar repelentes e/ou

Tratamento: Retirar larvas, desinfetar e usar repelentes + cicatrizantes.

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DOENÇAS BACTERIANAS

7. LINFADENITE CASEOSA

(mal do caroço)

Contagiosa e crônica em caprinos

Sintomas:

Abscessos nos linfonodos superficiais, às vezes nos órgão internos. Estes últimos geralmente são acompanhados por problemas respiratórios e hepáticos.

Diagnóstico: Faz-se necessário isolar a bactéria no pus para diferenciar de outros abscessos. Tratamento:
Diagnóstico: Faz-se necessário isolar a bactéria no pus para diferenciar de outros abscessos.
Tratamento: Quimioterápicos e antibióticos têm pouco efeito e são caros.
Profilaxia: - Inspeção periódica do rebanho;
- Isolar os contaminados e proceder incisão cirúrgica antes que se rompam
naturalmente, com boa tricotomia e desinfecção do local. Abertura ampla para
permitir a retirada completa do conteúdo purulento. Material retirado deve ser
queimado e instrumentos devidamente esterilizados;
- Animais tratados só voltam ao rebanho após a cicatrização;
- Evitar compra de animais clinicamente enfermos (abscessos) ou de rebanhos com
histórico da doença;
- Vacinação (viva, morta ou toxóide): EPABA (viva)
8. TUBERCULOSE
Em caprinos a doença aumenta quando mantidos com bovinos infectados
Profilaxia: Isolando os suspeitos para teste;
Desinfetar cochos e bebedouros;
Teste dos animais a serem adquiridos;
Sacrificar os positivos.
9. MICOPLASMOSE
Apresenta as síndromes: pleuropneumonia contagiosa, da mamite contagiosa, cerato-
conjuntivite, do trato gastro genital e agalaxia contagiosa (articular, mamária e ocular)

Profilaxia: Evitar animais de rebanhos contaminados; Pode necessitar sacrificar os animais; Intervalo sanitário das instalações rigorosamente observado.

Tratamento: no início pode ser eficaz com oxitetraciclina.

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10. PODODERMATITE

(Foot-rot, podridão dos cascos)

Maior freqüência no período chuvoso, em locais úmidos e mal drenados; Animais doentes são fontes de infestação dos demais.

Sintomas: Claudicação é o mais evidente, junto com o forte odor característico.

Tratamento: - Cortar o casco e limpar a parte necrosada, desinfetando-a com solução de sulfato de cobre 10% + formol 10% ou tintura de iodo 10%;

- Casos mais graves: fazer curativos a cada 2 - 3 dias; - Antibiótico intramuscular.
- Casos mais graves: fazer curativos a cada 2 - 3 dias;
- Antibiótico intramuscular.
Profilaxia: - Vacina é eficaz;
- Animais em locais limpos e secos;
- Cortar e limpar os cascos no período seco e passar animais em pedilúvios 2 vezes/dia
a intervalos de acordo com o índice da doença.
- Isolar os doentes e tratá-los.
11. ENTEROTOXEMIA
(Clostridium perfringes tipo C e D)
Doença fatal, atinge animais de três a doze semanas de idade, nas crias desmamadas e adultos.
Está presente nos intestinos (saprófita) e manifesta-se produzindo toxinas hemolíticas e/ou
necrosantes em condições de desequilíbrio alimentar.
Sintomas: - Dores abdominais fortes;
- Cabeça geralmente sobre o costado;
- Cabritos não comem, entristecem e morrem rapidamente;
- Adultos com diarréia escura, odor fétido e perturbações nervosas (convulsões);
- Coma e morte em período curto.
Profilaxia: - Como não há tratamento, o melhor é prevenir-se da doença;
- Vacina e anti-soro previnem bem a doença (99%):
- Cabras: 2 doses com intervalo de 2 semanas e reforço no final da prenhez;
- Cabritos: Primeira dose com 3 - 4 semanas de idade e segunda 2 semanas
após;

- Machos: 2 doses anualmente.

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12. CERATOCONJUNTIVITE (Oftalmia contagiosa)

Compromete partes internas e externas do globo ocular de caprinos em qualquer idade.

Sintomas: - Lacrimejamento, irritação da conjuntiva e fotofobia; - Ulceração da córnea após 2 - 6 dias, seguindo-se da opacidade central ou total.

Tratamento: - Pomadas oftálmicas (neomicina, penicilina, corticosteróides); - Usar Terramicina + Vit. A quando ocorrer ulceração da córnea.

Profilaxia: - Separar doentes; - Evitar animais com fatores predisponentes. DOENÇAS VIRAIS 12. ARTRITE ENCEFALITE
Profilaxia: - Separar doentes;
- Evitar animais com fatores predisponentes.
DOENÇAS VIRAIS
12. ARTRITE ENCEFALITE CAPRINA A VÍRUS (CAEV) - RNA vírus
Afeta os caprinos comprometendo-lhes principalmente as articulações, os sistema nervoso e a
glândula mamária. Está presente em quase todo o rebanho de animais autóctones.
Sintomas: - Forma articular: artrite
não purulenta (carpometacarpiana) ocorrendo em animais
com mais de 12 meses de idade.
- Forma nervosa: em animais com idade entre 2 e 4 anos, apresentando paralisia num
dos membros, evoluindo para os demais, juntamente ou não com sintomas de
encefalite. Fatal na maioria dos casos (morte em 2 a 3 semanas).
Transmissão: Por via urogenital, secreções do sistema respiratório, glândula mamária e pelas
fezes e saliva.
Tratamento:
Não
existe
cura,
sendo
aplicadas
medidas
paliativas
(analgésicos
e
anti-
inflamatórios não esteróides)
Profilaxia: - Eliminação dos doentes é a prática mais segura;
- Rebanhos com alta prevalência:

Realizar provas sorológicas a cada 6 meses; Isolar os sorologicamente positivos;

Cabritos receberem colostro de cabras sadias, de vaca, ou sucedâneos, pode-se pasteurizar o colostro e o leite.

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13. ECTIMA CONTAGIOSO

(boqueira)

Ocorre entre animais jovens e transmite-se pela ruptura das vesículas

Sintomas: Pápula com perfuração do tecido epidermal, vesícula, pústula, úlcera e crostas que se apresentam nos lábios, gengivas, narinas e úbere; por vezes também na vulva, língua, olhos, coroa dos cascos e espaços interdigitais. As vesículas rompem-se e formam-se as crostas.

Tratamento: -Sem tratamento específico: deve-se usar anti-sépticos após a limpeza das lesões e a remoção
Tratamento: -Sem tratamento específico: deve-se usar anti-sépticos após a limpeza das lesões e a
remoção das crostas;
- Iodo a 10% dá bons resultados;
- Uso de violeta genciana associada a oxitetraciclina.
Profilaxia: - Vacinação preventiva;
- Isolar doentes nas propriedades que não se fazia vacinação, e vacinar os demais;
- Cabras prenhes devem ser vacinadas em regiões endêmicas de duas a três semanas
antes do parto (colostro rico em anticorpos neutralizantes);
- Cabritos: vacinados entre 1 e 2 meses de idade, escarificando-lhes a face posterior da
perna e pincelando-lhes a vacina.
- Inspeção periódica do rebanho.
14. AFTOSA
Sintomas: Febre, apático, com manqueira (áreas mais sensibilizadas). Vesículas e úlceras podem
aparecer na junção da pele com o casco, espaço interdigital, língua, gengiva, lábios e
às vezes no úbere.
Profilaxia: Vacinar o rebanho periodicamente e 4 em 4 meses, a partir de 120 dias de idade,
seguindo-se o calendário para bovinos, muito embora essa seja uma recomendação
para Minas Gerais, já que o Ministério da Agricultura não preconiza tal prática.
Em caso de ocorrência da doença, atender às normas de comunicação e procedimentos do
Ministério da Agricultura e Produção Animal.
15. RAIVA

Sintomas:

- arrepiados, sialorréia, deglutição dificultada, morte em 5 a 10 dias. Apesar da forma paralítica ser a mais freqüente, pode-se observar excitação e agressividade.

o comportamento, ansiedade, pupila dilatada, podem estar

Animais

mudam

Tratamento: Não existe tratamento, mas medidas paliativas exclusivamente imunoterápicas como a aplicação de três doses de vacina até 24 horas após a infecção. Mas é difícil, pois

64

deve ser executado antes do aparecimento dos sintomas. Lembrando-se de tratar-se de uma ZOONOSE todo cuidado é pouco!

Profilaxia: - Vacinação periódica (anualmente em todos os animais a partir dos 4 meses de idade) em regiões onde ha diagnóstico da doença e morcegos hemtófagos. - Combater a proliferação dos morcegos;

- Vacinar cães e gatos da propriedade.

da doença e morcegos hemtófagos. - Combater a proliferação dos morcegos; - Vacinar cães e gatos

65

SELEÇÃO E MELHORAMENTO GENÉTICO EM CAPRINOS

1. EXTERIOR:

ASPECTO

x

ESTADO DE SAÚDE

- Pelagem: fina, brilhante e macia. - Pele: flexível e solta, sem marcas de bernes
- Pelagem: fina, brilhante e macia.
- Pele: flexível e solta, sem marcas de bernes ou cicatrizes.
- Movimentos: livres, sem claudicações, com andar firme.
- Postura e comportamento: esperto, com olhar vivo, atento às ocorrências do meio.
- Olhos e mucosas: olhos brilhantes, vivos e limpos;
conjuntiva rosada;
focinho úmido, narinas abertas e sem corrimento.
- Respiração: compassada e sem ruídos.
- Órgãos reprodutores: FÊMEAS: Vulva limpa, sem corrimento;
Úbere: pele flexível, sem rachaduras ou alterações
anatômicas
MACHOS: Bolsa escrotal bem proporcionada;
Testículos presentes, soltos, simétricos;
Sem corrimento na uretra
- Membros e cascos: Normais e com bons aprumos;
Cascos íntegros e sem rachaduras.
- Avaliação da idade: Mudas; Desgaste e Rasamento.

66

1.1. CONSIDERAÇÕES ADICIONAIS:

1.1.1. CARÁTER LEITEIRO:

a) Vigor

b) Feminilidade - animais delicados

c) Ligações harmoniosas - úbere bem implantado e morfologicamente bem feito

d) Forma de cunha, sem carne em excesso

e) Representativa da raça

f)

1.1.2. BELEZA: Deve ser considerada quando caracteriza eficiência. Ex: bons cascos 1.1.3. DEFEITO: Representa uma
1.1.2. BELEZA: Deve ser considerada quando caracteriza eficiência. Ex: bons cascos
1.1.3. DEFEITO: Representa uma inadequação.
1.1.4. VÍCIO: Dificulta ou impede o aproveitamento do animal
- Congênito: chifrar, morder, trepar nas instalações, etc
- Adquirido: varar cercas, mamar em si mesma, etc
CLASSIFICAÇÃO DE DEFEITOS:
Leves: afetam a aparência
Moderados: afetam a aparência
Sérios: afetam a produção e às vezes a aparência
Desclassificantes: impedem boa produção (antieconômicos)
2. GENEALOGIA: Considerar até no máximo 4ª GERAÇÃO
“CUIDADO COM AQUISIÇÃO DE ANIMAIS DE EXPOSIÇÕES”
ESCOLHA DE REPRODUTORES
MACHOS: Deve se ajustar aos objetivos da criação;
Bons cascos e aprumos;
Não ter “nhatismo” ou “gnatismo”;
Ausência de tetas suplementares;
Boa linha dorso lombar;
Ser masculino;
Sem alterações nos órgãos genitais (comprovação andrológica);
Bom estado sanitário;
Evitar mochos o máximo possível;
Boa libido;
Estar dentro do padrão da raça.

FÊMEAS: Aspecto feminino; Tetas normais e bem inseridas; Ter chifres ou ser filha de pais chifrudos; Sem alterações ósseas (ou articulares); Evitar tetas: - extranumerárias - excessivamente grossas Não adquirir cabras com 2 ou 3 anos de idade sem nunca ter parido; Livre de doenças; Bons aprumos, boa linha de dorso, bons cascos; Devidamente enquadrada nos padrões raciais.

Membros bem aprumados

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A MELHOR ESCOLHA DEVE SER BASEADA EM:

- Aparência: aspectos gerais

- Pedigree: genealogia (nome dos ancestrais x registro de produção)

- Genealogia: atestado de pureza do animal (CAPRILEITE)

- Provas de descendência: ganho de peso; produção de leite; persistência de lactação; teor de gordura no leite; teor de proteína no leite; teste de progênie.

HERDABILIDADE DE ALGUMAS CARACTERÍSTICAS EM CAPRINOS CARACTERÍSTICA RAÇA (s) HERDABILIDADE Produção de Leite
HERDABILIDADE DE ALGUMAS CARACTERÍSTICAS EM CAPRINOS
CARACTERÍSTICA
RAÇA (s)
HERDABILIDADE
Produção de Leite
Toggenburg, Nubiana, Saanen
0,67 ± 0,20
Produção Total Gordura
Toggenburg, Nubiana, Saanen
0,22 ± 0,20
Produção Proteína
Alpina
0,47
%
de Gordura
-
0,48
Idade ao 1º Parto
Saanen
0,51
Idade ao 1º Parto
Parda Alpina
0,77
Peso aos 7 meses
-
0,49
Formas de heranças de algumas características:
a) Pelagem: Transmissão de algumass cores; interções gênicas.
Saanen: Branco domina todas as outras cores.
Malhado: Epistático para não malhado.
Castanho: Predominante sobre a cor única da série preto (creme, camurça, chocolate
e preto). Epistático para ruão, pardo e vermelho.
b) Orelhas: Dominância incompleta; pode ter cabra com orelha “quebrada”.
c) Brincos ou mamelas: 1 par de genes
d) Chifres:
Mocho x Armado
⇒ Mocho é dominante
- PP e Pp são MOCHOS
- pp é ARMADO

- FÊMEAS:

com genótipos Pp e pp são normais e férteis

PP são 100% estéreis

- MACHOS: PP em 91% dos casos com problemas no epidídimio (granuloma). 40% em UM só lado 60% em ambos os lados

Pp e pp são normais (férteis)

e) Altura: Dominância incompleta (Anãs x normais)

68

f)Anomalias esqueléticas: Espinha dorsal torta, chanfro torto, “nhatismo” Genes recessivos: para alguns autores, dependem de vários pares de genes.

g) Hipoplasia testitcular: Testículos pequenos e sêmen de baixa qualidade (alta % espermatozóides anormais)

h)

Criptorquidismo: Gene recessivo

ELIMINAÇÃO DE CARACTERES INDESEJÁVEIS: Gene Dominante: fácil de se eliminar pois aparece tanto em homo
ELIMINAÇÃO DE CARACTERES INDESEJÁVEIS:
Gene Dominante: fácil de se eliminar pois aparece tanto em homo como em heterozigoto
Dominância Incompleta ?????
Gene Recessivo: acasalamentos consangüíneos (entre pais e filhos, irmãos ou primos)
OBJETIVOS A SEREM SELECIONADOS
1. CABRA DE CORTE:
1.1. Ganho de peso: desenvolvimento ponderal - idade ao abate ( 25 Kg)
1.2. Adaptação ao ambiente: resistência aos parasitos (rusticidade x produtividade)
1.3. Profilificidade:
1.4. Melhoria da conversão alimentar: Meta CNPC (1:5 para 1:4 em 9 anos)
1.5. Aumentar espessura da pele das cabras nativas em 6 anos (1mm para 1,2 mm aos 12 meses
de idade)
1.6. Aumento do rendimento de carcaça
2. CABRA DE LEITE:
2.1. Aumentar: - Produção total de leite
- Produção total de gordura

- Produção total de proteína (ANTAGONISMO: PRODUÇÃO TOTAL x % GORDURA)

2.2. Persistência da lactação

2.3. Presença de chifres

2.4. Antagonismo entre produção x reprodução

2.5. Rapidez de ordenha

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PROVAS ZOOTÉCNICAS E SUA IMPORTÂNCIA

a) Teste de Progênie (30 - 60 - 90 - 180 - 360 dias)

Importância e Relevância: uso de melhores bodes Testes de vários congelamentos de sêmen Peso mínimo da raça Uso de IA (15 filhas/bode) pelo menos 5 por rebanho

b) Provas de Ganho de Peso: Controle de Desenvolvimento Ponderal (30 - 60 - 90
b) Provas de Ganho de Peso: Controle de Desenvolvimento Ponderal (30 - 60 - 90 - 180 - 360
dias)
Comparar animais de mesma condição
Evitar excesso de consumo de concentrados
Extrapolação de resultados
Necessidade de fiscalização
Avaliar conjuntamente o rendimento de carcaça e exterior (H 2 )
c) Controle Leiteiro: - Produção individual
- Produção média da raça
- Persistência da lactação
TODOS DEVEM SER ORIENTADOS POR ÍNDICES DE SELEÇÃO
ALTERNATIVAS PARA FORMAÇÃO DE REBANHOS COMERCIAIS
1. Adquirir Animais: PON ou POI
2. Melhoramento de cabras nativas (demorado)
3. Cruzamentos absorventes:
SRD até PC (PCOC ou PCOD)
Cuidados com a qualidade do BODE utilizado (PO)
Cuidados com a qualidade da CABRAS utilizadas (SRD): sem defeitos desclassificantes.

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MÉTODOS DE MELHORAMENTO GENÉTICO DE CAPRINOS NOS TRÓPICOS

1. Seleção de caprinos nativos e crioulos:

Há necessidade de grande variabilidade genética da população, e como os caprinos nativos apresentam-se com pequena variabilidade genética, este processo nos trópicos tornas-se demasiadamente lento, mas irá apresentar resultados mais consistentes (duradouros). Possui a enorme vantagem de explorar a capacidade adaptativa dos animais aos trópicos (mais resistentes a doenças e parasitas, rústicos, com boa prolificidade). Dentre as vantagens, aquela que mais se destaca é o fato de preservar-se este tipo de genoma no País.

2. Substituição das raças nativas por raças especializadas: Faz-se a substituição gradual da raça nativa
2. Substituição das raças nativas por raças especializadas:
Faz-se a substituição gradual da raça nativa a partir de cruzamentos absorventes com raças
especializadas, originando animais muito mais produtivos. Demanda alterações, por vezes,
muito profundas no criatório (meio) e no sistema de exploração, podendo onerar muito os
custo de exploração para os pequenos produtores (para áreas mais carentes devemos ter
cuidado ao indicarmos tal processo de melhoramento). As raças mais usadas nestes programas
são a Pardo Alemã, Toggenburg e a Saanen.
3. Cruzamentos entre raças:
Baseia-se na exploração da heterose (para as características de baixa herdabilidade). Portanto
tem como limitação o fato de contribuir muito mais para elevarmos a produtividade do
rebanho do que propriamente para o progresso genético, visto que a heterose perde muito de
seu efeito já na segunda geração (F 2 ). Há uma tendência de produzir-se animais com grau de
sangue entre 50 a 75% de raças especializadas, acima destes podemos obter maiores índices
produtivos por animal, porém com retorno líquido geralmente menor (maiores exigências para
criação).

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REGISTRO GENALÓGICO

SRGC: Serviço de Registro Genealógico de Caprinos Implantado em 1981 (CAPRILEITE)

1) LIVRO FECHADO (LF): POI PON - oriundos do Livro Aberto (LA) com PCOC ou PCOD

2) LIVRO AUXILIAR (LAUX): Pelagem fora do padrão Exige-se que o macho seja LF 3)
2) LIVRO AUXILIAR (LAUX): Pelagem fora do padrão
Exige-se que o macho seja LF
3) LIVRO ABERTO (LA): Fêmeas a partir da 5ª GERAÇÃO e Machos na 6ª- darão origem ao
Puro de Origem Nacional - PON
4) LIVRO DE GRADUADOS: Para formação de rebanhos PC (PCOC)
Fêmea SRD x Macho LF
Macho sempre LF (PO)
Fêmeas com grau de 15/16 ⇒ LA (PCOC)
Machos com grau 31/32 ⇒ LA (PCOC)
Esquema de cruzamento para registro de PCOC e PON
Fêmea
x
Macho
SRD
x
PO
⇒ Fêmeas 1/2. (LAG x)
1/2.
x
PO
⇒ Fêmeas 3/4. (LAG y)
3/4.
x
PO
⇒ Fêmeas 7/8 (LAG z)
7/8
x
PO
⇒ Fêmeas 15/16 (LAG w)
⇒ Fêmeas vão para PCOC
15/16
x
PO
⇒ Fêmeas PON; Machos PCOC
“TATUAGEM E MARCAÇÃO”
- Orelha Direita: ASSOCIAÇÃO
- Orelha Esquerda: PROPRIETÁRIO
Ex: TOD: 1
4
3
3
8
TOE: 9 5
0
0
8

14 - Estado MG 338 - Número controle da CAPRILEITE

95 -

ano 008 - número do animal no ano

TATUADOS NA CAUDA: Raça, Controle Leiteiro, Teste de Progênie, etc A nível de fazenda: usar correntes, coleiras, plaquetas, etc

REPRODUÇÃO EM CAPRINOS

72

1. MATURIDADE SEXUAL:

Fisiologicamente: machos e fêmeas entre 4 e 5 meses (40 a 50% do PV)

Zootecnicamente: com 60 a 65% do PV adulto (PURAS ± 7 a 8 meses, SRD com 1 ano)

Cobrição tardia reduz produção de leite; casos extremos leva à esterilidade.

Cobrição muito cedo: produtos pequenos.

2. CONSIDERAÇÕES FISIOLÓGICAS: 2.1. Poliestria estacional: - cio em função do fotoperíodo (época do ano)
2.
CONSIDERAÇÕES FISIOLÓGICAS:
2.1.
Poliestria estacional: - cio em função do fotoperíodo (época do ano)
- centro-sul de FEVEREIRO A JULHO (dias curtos)
2.2.
Poliestria contínua: - NE brasileiro. Limitação é o status nutricional.
2.3.
Animais exóticos: - Nos trópicos tendem a se adaptarem com o tempo.
- Cruzamentos e PC apresentam-se diferenciados.
“SITUAÇÃO IDEAL É TERMOS 3 PARTOS EM 2 ANOS”
3. CICLO ESTRAL: - Média de 19 a 21 dias (15 a 40 dias).
- Mais curtos nas cabritas (15 a 21 dias).
- ESTRO de 12 a 36 h (aceita macho ± 14 a 36h).
- OVULAÇÃO 12 a 36 h após o cio.
4. COMPORTAMENTO DA CABRA NO CIO:
- Queda no apetite;
- Inquietação;
- Monta e deixa-se montar pelas companheiras;
- Bale constantemente;
- Procura pelo macho;
- Movimentos laterais rápidos da cauda;
- Vulva edemaciada e avermelhada, com muco cristalino ou leitoso;
- Reflexo da micção é mais constante e;
- Passa a aceitar o macho após a ovulação;
0 h
±±±± 14 h
±±±± 26 h
±±±± 36 h
Não aceita monta
Aceita monta

MELHOR MOMENTO PARA COBERTURA (MUCO LEITOSO)

26 h ±±±± 36 h Não aceita monta Aceita monta MELHOR MOMENTO PARA COBERTURA (MUCO LEITOSO)

JÁ NÃO ACEITA MONTA

73

RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS PARA COBERTURA

CIO

COBERTURA

Manhã

Tarde e manhã Manhã e tarde

Tarde

* Ou 12 a 18 h após o rufião ter sido aceito

5. ESTAÇÃO DE MONTA: - Estacionalidade da espécie (macho e fêmeas); - Época de nascimento
5. ESTAÇÃO DE MONTA:
- Estacionalidade da espécie (macho e fêmeas);
- Época de nascimento dos cabritos;
- Alimentação da fêmea durante gestação e lactação.
5.1. PARA CABRAS POI (exóticas):
CABRAS
EXÓTICAS
PARIÇÃO
JAN
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
SET OUT
NOV
DEZ
“CABRAS MESTIÇAS TEM MAIOR INCIDÊNCIA DE CIOS DE NOV. A JUN.”
5.2. OUTRAS RECOMENDAÇÕES:
- 3 a 4 meses antes das águas: melhor pasto para cabras; maior produção de leite; bom
desenvolvimento dos cabritos; suplementar na primeira seca.
- Região NE: nascimento p/ início das chuvas, pois nas secas o cabrito já é ruminante.
“CIO PÓS-PARTO (45 A 60d) FAZ-SE NOVA COBRIÇÃO”
5.3. SINCRONIZAÇÃO E INDUÇÃO DE CIOS FORA DA ESTAÇÃO DE MONTA
do ano):
(época

Hormonal: esponjas vaginais com 45 mg de progeterona/16 a 23 dias; depois injeta-se PMSG (400-600 UI) após 48h da retirada da esponja. CIO aparecerá 12 a 48 h após o processo (40 a 70% parição).

74

Veja esquema a seguir:

0 h

36 h

52 h

Progesterona (16-23d)

Progesterona (16-23d)
Progesterona (16-23d)
74 Veja esquema a seguir: 0 h 36 h 52 h Progesterona (16-23d) PMSG 1 A

PMSG

1 A Cobrição

0 h 36 h 52 h Progesterona (16-23d) PMSG 1 A Cobrição 2 A Cobrição Programa

2 A Cobrição

(16-23d) PMSG 1 A Cobrição 2 A Cobrição Programa de luz: Usualmente 16 h/dia por 2
Programa de luz: Usualmente 16 h/dia por 2 a 4 semanas. Trabalhos com Toggenburg mostrou
Programa de luz:
Usualmente 16 h/dia por 2 a 4 semanas.
Trabalhos com Toggenburg mostrou resultados com 11 a 13 h.
5.4. MANEJO NA ESTAÇÃO DE MONTA:
Monta natural: - 3 ou 4% de bodes no rebanho;
- Consangüinidade sem controle;
- Fadiga dos machos;
- Ausência de controle sobre acasalamentos.
Monta controlada: - Uso de rufiões;
- 3% de bodes;
- Menor desgaste dos reprodutores;
- Controle do número de saltos/dia (3 a 4);
- Descartes são feitos com segurança;
- Direcionamento da seleção.
5.5. INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL: U$ 20,00/dose
- Intra uterina (melhor)
- Intra cervical (mais comum)
-Intra vaginal (primíparas)
5.5.1. Uso de rufiões sem sincronização
5.5.2. Sincronização:
a) Sincronização Normal:

Dia 1

Dia 21

31 h

48 h

Esponja 45 mg FGA Retirada esponja 1 A IA 2 A IA

Esponja 45 mg FGA

Retirada esponja

Esponja 45 mg FGA Retirada esponja 1 A IA 2 A IA

1 A IA

2 A IA

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b) Sincronização Curta:

Dia 1

48 h antes da retirada

Dia 11

31 h após

48 h

   

Esponja 45 mg FGA

PMSG (250-700mg) +

 

1 A IA

2 A IA

Cloprostenol (100-200 g ) = 0,4 a 0,8 ml

Esponja 45 mg FGA PMSG (250-700mg) +   1 A IA 2 A IA Cloprostenol (100-200

76

MANEJO NUTRICIONAL DE CAPRINOS

1. HÁBITO ALIMENTAR E SELETIVIDADE

Os pequenos ruminantes possuem grande capacidade de seleção de seus alimentos, superando os bovinos e bubalinos, sendo que os caprinos destacam-se dos demais com ótima habilidade seletiva. Tal aspecto do hábito alimentar (ou ingestivo) dos caprinos é facilmente verificável em condições de pastoreio como também nos animais mantidos em confinamento. Geralmente encontram-se na literatura farta alusão à forma de seleção demonstrada por esses animais, e na maioria dos trabalhos fica patente que tal fato decorre de aspectos ligados às partes mais tenras da plantas (as folhas ao invés dos caules e hastes), mais palatáveis, em alguns casos relacionando-se até mesmo as características nutritivas das forrageiras, sempre em detrimento daquelas mais fibrosas.

A despeito de alguma controvérsia no que se refere à teoria da eufagia ou sabedoria
A despeito de alguma controvérsia no que se refere à teoria da eufagia ou sabedoria nutricional,
pela qual os animais estariam na prática “balanceando” suas dietas em função da necessidade, dá
um fato inconteste que os caprinos são capazes de promoverem uma excelente separação do tipo
de alimento ingerido, principalmente quando submetidos ao pastoreio.
CONSIDERAÇÕES SOBRE O HÁBITO ALIMENTAR: (BOVINOS vs OVINOS vs
CAPRINOS): Caprinos usam do RAMONEIO como hábito de pastejo.
CONSIDERAÇÕES SOBRE EFICIÊNCIA ALIMENTAR:
SELETIVIDADE: Depende de aspectos como:
∑ Tipo da pastagem
∑ Qualidade das pastagens
INGESTÃO DE MATÉRIA SECA:
∑ Cabras leiteiras de origem temperada: 5 a 6 % do PV;
∑ Cabras leiteiras de origem temperada: 4 a 5 % do PV;
∑ Mantença de cabras leiteiras: 3 % do PV;
∑ Gestação de cabras leiteiras: 2,2 a 2,8 % do PV.

No entanto é importante ressaltar que os aspectos relacionados à produção leiteira, peso do animal, estádio fisiológico, participação percentual do volumoso na dieta, tipo de animal, entre outros aspectos, influenciam na ingestão voluntária de matéria seca (MS). Por isso é conveniente deixar indicada uma fórmula empregada pelo Institut National de la Recherche Agronomique (INRA-1988) da França , que mesmo não sendo tão completa, pelo menos não torna-se tão simplificada como nas indicações acima:

77

INRA: MS (g/dia)= (423,2 * kg leite/dia) + 27,8 kg 0,75 + (440 * kg de gpd) + (6,75* % de volumoso)

Outra fórmula para se estimar e ingestão é a o AFRC (1993):

MSI = 0,062 * PV 0,75 + 0,305*PL

MSI = Gramas de MS ingeridas por dia; PV= Peso vivo; PL= kg de leite
MSI = Gramas de MS ingeridas por dia;
PV= Peso vivo;
PL= kg de leite com 3,5 % de gordura produzido por dia.
ÍNDICE DE SOBRAS vs QUALIDADE DA FORRAGEIRA:
∑ Verde de média qualidade: 30% de sobras;
∑ Verde de pior qualidade: 50% de sobras;
∑ Um bom feno: 10% de sobras;
∑ Um feno de pior qualidade: 15% de sobras;
∑ Silagem de ótima qualidade: 15% de sobras.
Trabalhos franceses recomendam uso de aproximadamente cinco espécies forrageiras, pois
favorecem favorece a seleção de alimentos. Nesse sentido, MERRIL & TAYLOR (1981) citados
por SANTOS (1994) ressaltaram que os caprinos em pastejo naquelas áreas dom composição
botânica heterogênea e desde que não haja competição excessiva decorrente de lotação elevada,
tem seu comportamento determinado pela variedade de plantas forrageiras existentes na área e
pela disponibilidade relativa de cada espécie. Tal comportamento destaca-se pela ingestão de
maiores quantidades de ramas, folhas e ponteiros novos, a qual, comumente, dá-se o nome de
ramoneio. Juntamente com o aspecto nutricional, deve-se destacar que esse hábito pode auxiliar
no controle de OPG, pois mantém o pastoreio mais elevado e com menor possibilidade de
contaminação por larvas de parasitas gastrointestinais; porém, para que isso seja efetivo é
imprescindível que se controle a carga animal no pasto, que seja mantida uma altura padrão do
extrato vegetal pastejado e também que o período de pastoreio seja mantido com o início do
aquecimento das partes mais altas das forrageiras pelos raios solares.
Sob condições de confinamento também é possível verificar a habilidade seletiva, observando-se
o comportamento alimentar que pode ser dividido nas três fases abaixo:

a) Fase de exploração: quando os animais colocam-se em contato com a refeição oferecida. É aquele momento subseqüente ao abastecimento dos comedouros;

b) Fase de consumo intenso: quando irão satisfazer plenamente a fome;

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Pequenos ruminantes vs sementes de invasoras.

ESTUDO DA DIETA DE CAPRINOS OBTIDA POR MEIO DE OBSERVAÇÕES DIRETAS EM PASTAGEM NATIVA (% MS Ingerida)

Tipo da forragem

½ estação chuvosa

Início das secas

Final das secas

Árvores + arbustos Gramíneas Ervas Folhagem no chão 51,4 17,4 10,2 22,1 22,9 44,1 26,5
Árvores + arbustos
Gramíneas
Ervas
Folhagem no chão
51,4
17,4
10,2
22,1
22,9
44,1
26,5
54,2
45,7
-
5,5
-
MESQUITA e OLIVEIRA (1982)
* Observa-se que nas secas eleva-se o número de espécies pastoreadas.
FORNECIMENTO NO COCHO:
∑ Inteiro versus picado;
∑ Feno em fenis;
∑ Concentrado + volumoso : separar na administração.
∑ Cochos devem ser enchidos três vezes por dia (ideal): colocando-se maiores quantidade para
permitir seleção.
1) ALIMENTAÇÃO DE ANIMAIS RECÉM NASCIDOS ATÉ QUATRO MESES
Fase de maior crescimento (3,5 a 4,0 vezes o seu peso ao nascer)
1.1. Colostro:
Primeiras seis horas até as 36 horas de vida;
Fornecido até o 5º dia;
100 a 150 g/kg de PV ou ainda 0,5 a 0,8 kg/dia, sempre entre 3 a 5 refeições
1.1.1. Colostro congelado: de cabra ou vaca.

1.1.2. Substituto: 200 ml soro sangüíneo + 300 ml leite.

1.2. Aleitamento artificial:

Após o colostro: fornecendo em baldes coletivos ou mamadeiras.

Inicia-se com ½ leite de cabra e ½ leite de vaca (nos 4 a 5 primeiros dias).

Somente leite de vaca entre 14 e 28 dias de vida: 1,0 a 1,5 litros/cab/dia.

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Desaleitamento 2 a 3 meses (há casos em que pode-se ir até 4 meses).

concentrado pode ser fornecido após a primeira semana (12 a 18% PB).

Um feno de boa qualidade na segunda ou terceira semana de vida.

“Leite de soja” ou extrato de soja:

NÃO ULTRAPASSAR 30 % DO TOTAL DIÁRIO.

1 kg de fubá de soja para oito litros de água (1 kg / 8 litros água);

Ferver por 20 minutos e então coar com peneira fina;

∑ Adicionar 1 g de sal mineralizado / litro de “leite” produzido; ∑ Adicionar também
Adicionar 1 g de sal mineralizado / litro de “leite” produzido;
Adicionar também 1 g de fosfato solúvel / litro de “leite”;
Sempre que possível colocar 300 UI de vitamina A/litro de “leite”.
2.
ANIMAIS EM CRESCIMENTO (acima de 4 meses)
Um bom volumoso deve ser fornecido: na prática usa-se feno (CU$TO ???);
Concentrados: em média entre 300 e 400g/cab/dia (com 14 a 16% PB);
Mistura mineral sempre disponível (cuidado com os machos: Ca:P).
3.
CABRAS NO FINAL DA GESTAÇÃO
Nos 2 últimos meses há queda do consumo e elevação da exigências;
Volumoso: preferência por feno;
Concentrado: entre 400 e 600g/cab/dia (20 a 24% de PB), no início da gestação usualmente
entre 100 a 150 g/cab/dia, chegando a 200 - 250 g/cab/dia.
4.
CABRAS EM LACTAÇÃO
Usar contenção individual é o ideal, além de cochos separados (V:C);
Lembrar que o consumo pode estar entre 4 e 6% do peso vivo;
Consomem geralmente 200 a 300g de concentrado/kg de leite produzido + 300 g para
mantença (PB = 16 a 18% e NDT = 60 a 70%);
Cálcio e fósforo: fundamental manter a relação 2:1, mas pode chegar a 1,2 : 1,0.

5. REPRODUTORES

Fornecer sempre volumoso de boa qualidade, principalmente na estação de monta

Ca : P deve-se evitar excesso de fósforo (urolitíase);

Concentrado geralmente com 16 a 18% de PB e 55 a 60% de NDT, fornecendo-se 500 a

700g/cab/dia.

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VOLUMOSOS PARA CAPRINOS

Jaraguá, elefante, todos os Panicum e Cynodon, buffel, pangola, rhodes, aveia, centeio, milheto, cana-de-açúcar, soja perene, guandu, leucena, algaroba, cunhã, dentre outros.

Palhadas tratadas ou não, bagaço de cana auto-hidrolisado ou in natura. PASTEJO ROTACIONADO OU CONTÍNUO
Palhadas tratadas ou não, bagaço de cana auto-hidrolisado ou in natura.
PASTEJO ROTACIONADO OU CONTÍNUO
Usa-se: bode = 0,15 UA;
cabra = 0,12 UA;
animais até 3 meses = 0,03 UA;
animais entre 3 e 6 meses = 0,06 UA;
animais entre 6 e 12 meses = 0,09 UA.

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Uso estratégico de volumosos para caprinos leiteiros

Iran Borges 5 Luciana Freitas Guedes 6 Luigi Francis Cavalcanti 7 Nhayandra Christina Dias e Silva 2 Vandenberg Lira Silva 8

1. Introdução Como herbívoros que são, os caprinos tem suas rações baseadas na fração volumosa.
1. Introdução
Como herbívoros que são, os caprinos tem suas rações baseadas na fração volumosa. Essa por
sua vez constitui-se de espécies forrageiras e por alimentos alternativos, cuja composição de sua
porção fibrosa lhes assegura similaridade aos primeiros, o que favorece seu emprego em rações.
Diferentes épocas do ano impõe às forrageiras características nutricionais específicas, assim
como potencial produtivo diferenciado. Tal fato pode ser mais intensamente sentido por alguns
gêneros de vegetais e menos por outros, compreender isso pode ser ferramenta em potencial para
implantação e manejo das pastagens e forrageiras de corte.
Grande parte do custo produtivo em caprinos leiteiros é imposta pela alimentação, e como
principal componente da ração, os alimentos volumosos tornam-se essenciais nesse aspecto. Em
suma, saber como e quando usá-los é segurança nas melhores respostas fisiológicas e produtivas
dos caprinos e melhor retorno econômico.
Objetiva-se aqui, destacar os pontos fortes e principais estratégias de uso do volumosos em
rações de caprinos leiteiros.
2. Considerações quanto as principais fontes de volumosos para caprinos
A caprinocultura leiteira, tipicamente explorada de forma intensiva no sudeste brasileiro, é muito
dependente do fornecimento de forragem no cocho, com poucas ou nenhuma categoria animal
usufruindo diretamente do pasto. Dessa forma é prática comum o uso de forrageiras para corte,
tais quais capineiras de capim elefante, capim guatemala ou cana de açúcar. Essa estratégia
favorece a produção vegetal por área por ser mais simples a manutenção (não possui interação
com animais) e por essas espécies possuírem grande capacidade de produção de biomassa.
Menos utilizada mas, muito interessante como estratégia, as legumineiras, isto é, cultivo de
leguminosas para corte e fornecimento, são alternativas para enriquecer dietas e reduzir custos
com concentrados protéicos nas mesmas. As espécies mais comumente utilizadas para esse fim
são do tipo arbustiva ou arbórea, tendo muitas vezes um múltiplo propósito na propriedade, isto
é, fornecer alimento e/ou prover sombra, quebra de vento, limitar pastos (i.e. cerca viva), lenha,
etc.

O feno é um alimento volumoso preparado mediante o corte e a desidratação de plantas forrageiras, principalmente em períodos de fartura, para ser utilizado em períodos de escassez, e constitui uma estratégia adicional para assegurar uma oferta estável de forragem de qualidade

5 Zootecnista - Professor Associado da Escola de Veterinária - UFMG;

6 Zototecnista - Mestrandas em Zootecnia da Escola de Veterinária - UFMG;

7 Médico Veterinário - Mestrando em Zootecnia da Escola de Veterinária - UFMG;

8 Zootecnista - Doutorando em Zootecnia da Escola de Veterinária - UFMG.

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para os animais, tendo em vista que seu valor nutricional é preservado durante o processo de fenação, quando bem realizado (Costa e Resende, 2006), por tal razão muitos caprinocultores optam pelo seu emprego de forma contínua e sistemática em seus capris leiteiros.

Os cuidados para se obter um feno de boa qualidade começam no campo, com o manejo da

forragem. É importante estar atento ao estádio de crescimento em que a forrageira se encontra na hora do corte, pois é ele que determina seu valor nutritivo. Plantas forrageiras durante o estádio vegetativo apresentam um alto valor nutricional e à medida que avançam para o processo, este decresce. A presença de colmos finos e alta proporção de folhas, por contribuírem para uma secagem mais rápida e uniforme, e feno de melhor qualidade, são características desejáveis nas forrageiras para a produção do feno, além do que folhas apresentam melhor valor nutricional que

os colmos (mais nutrientes e melhor digestibilidade). Dentre os fenos de gramíneas de boa qualidade,
os colmos (mais nutrientes e melhor digestibilidade).
Dentre os fenos de gramíneas de boa qualidade, destacam-se as do gênero Cynodon, que
possuem mais folhas do que colmo, como os cultivares Florarkik, Tifton 85, Coastcross, entre
outros. O corte destas gramíneas, independentemente do cultivar, deve ser efetuado quando a
planta alcançar o ponto de equilíbrio entre o teor de nutrientes e produção de matéria seca por
unidade de área (Peixoto et al, 1998; Pupo, 1995). Quanto ao feno de leguminosas, destacam-se
os fenos de feijão guandu, leucena, alfafa (Sagrilo et al, 2003; Silva 2001). Geralmente, o feno de
leguminosas é armazenado em sacos, tambores, silos e outros, uma vez que pode ocorrer muita
queda das folhas, por outro lado, material arbustivo impossibilita a formação de fardo,
necessitando de ser triturado para o processo de desidratação, que normalmente ocorre em
terreiros ou locais protegidos por lonas.
A ensilagem é um método de conservação de forragem que ocorre por meio de um processo de
fermentação anaeróbica a fim de manter o valor nutritivo da planta evitando a sazonalidade e
garantindo a sustentabilidade do sistema de produção ao longo do ano. O processo tem como
vantagem, em relação à fenação, a redução do tempo de execução, pois dispensa a secagem, e
portanto não corre tantos riscos de perdas no campo. As culturas de milho e sorgo têm sido as
mais utilizadas no processo de ensilagem por sua facilidade de cultivo, altos rendimentos e
especialmente pela qualidade da silagem produzida sem necessidade de aditivo para estimular a
fermentação. O uso de sorgo em substituição ao milho justifica-se pelas suas características
agronômicas, como produção de forragem relativamente igual, maior tolerância à seca e ao calor,
capacidade de explorar maior volume de solo por apresentar um sistema radicular abundante e
profundo, além da possibilidade de se cultivar a rebrota com produção que podem atingir até
60% no primeiro corte, quando submetido a manejo adequado. Além desses grãos, destaca-se a
silagem de capim elefante por sua alta produtividade e grande adaptabilidade aos solos
brasileiros.

Devido ao menor custo, tem aumentado o interesse pelas silagens de outros capins, como mombaça, tanzânia, marandu, principalmente para categorias menos exigentes. A cana de açúcar vem sendo largamente utilizada por criadores como volumoso durante a seca. Entre os principais fatores que têm motivado a utilização da cana para ensilagem são o baixo custo do volumoso para ser utilizado durante todo o ano e o manejo do canavial que passa a ter uma produtividade maior.

A remoção parcial de água da planta, através do seu emurchecimento, também denominada pré-

secagem, tem como finalidade reduzir o teor de umidade e consequentemente a incidência de fermentações secundárias indesejáveis. As forrageiras mais utilizadas para produção de silagem

pré-secada são as gramíneas de clima temperado aveia, azevém, triticale e cevada; mais recentemente gramíneas tropicais como as espécies do gênero Cynodon como o Tifton,

83

Coastcross e até algumas braquiárias. Dentre as leguminosas somente a alfafa é utilizada em quantidade expressiva. Nesse processo de desidratação da forragem, as práticas de viragem e revolvimento são de importância fundamental para evitar a compactação e proporcionar maior circulação de ar. Dos cuidados a serem tomados ao realizar a ensilagem, destaca-se o ponto de colheita da planta (entre 25 e 35% de MS – correspondente ao estádio vegetativo), a vedação e compactação de forma adequada e a retirada de fatia mínima de 20 cm da silagem evitando-se deixar partes descobertas e massa de silagem remexida para o dia seguinte. O uso de aditivos como extratores de umidade podem ser utilizados (aditivos biológicos, fubá de milho, raspa de mandioca, polpa cítrica seca, casca de soja, etc) desde que sejam misturados de forma homogênea na massa ensilada e que o processo não onere a produção. Deve-se atentar para ensilagem de leguminosas devido ao seu poder tamponante, sendo necessário o uso desses aditivos. Uma boa silagem deve ter cheiro agradável, pH abaixo de 4,0 e teor de nitrogênio amoniacal abaixo de 10%.

A implantação seguida de um manejo adequado da pastagem torna-se uma alternativa para o sucesso
A implantação seguida de um manejo adequado da pastagem torna-se uma alternativa para o
sucesso de uma criação de caprinos, constituindo também uma das fontes mais baratas de
fornecimento de nutrientes. A utilização de forrageiras de melhor qualidade nutricional na
exploração de caprinos leiteiros pode favorecer o barateamento dos custos de aquisição de
concentrados comerciais, ricos em grãos, que encarecem a exploração. Desta maneira, torna-se
fundamental conhecer a relação existente entre as características do pasto utilizado na
alimentação e dos animais que irão consumi-lo (Vieira et al., 2005).
A formação de um banco de proteína constitui uma importante possibilidade para suplementar a
dieta dos animais em pastejo. Essa estratégia minimiza os efeitos decorrentes de pastagens
tropicais mal manejadas, que geralmente tem reduzido o seu valor nutricional. Entre as principais
espécies exploradas para compor o banco de proteína ou legumineira estão as arbóreas arbustivas
são Leucena (Leucaena leucocephala), guandu (Cajanus cajan), gliricidia (Gliricidia septium).
As leguminosas de porte baixo também podem ser utilizadas e destacam-se o estilosantes
(Stylosanthes guianensis), soja perene (Neonotonia wightii) e amendoim forrageiro (Arachis
pintoi).
O uso de alternativas alimentares (co-produtos, sub-produtos ou resíduos) nos sistemas de
exploração de caprinos surge como valorosa alternativa para melhoria nos sistemas de
exploração, em virtude destes alimentos contribuírem como parte do aporte nutricional dos
rebanhos, possibilitando a elaboração de dietas a custos mais acessíveis. Destaca-se que a
disponibilidade e a qualidade desses alimentos alternativos são variáveis, principalmente em
função da disponibilidade e forma de processamento e demandam análises mais constantes de
sua composição nutricional. Alguns alimentos alternativos disponíveis podem ser destacados,
como por exemplo, a casca de soja, caroço de algodão, polpa cítrica e resíduo úmido de

cervejaria apresentando como aporte nutricional, fonte de fibra rapidamente digestível no rume, o que traduz-se por energia para a flora ruminal e com potencial para substituir alimentos concentrados em dietas para caprinos em confinamento como fonte de fibra efetiva. Outra forma de aproveitamento está associado à utilização de alimentos resultantes das centrais

de abastecimento (CEASA, CEAGESP, etc) devendo estes passar por boas práticas de manejo,

desde a coleta até o descarte nesses locais, e constituem-se por folhas, tubérculos, frutos,

podendo servir como formas alternativas de formulação de dietas para ruminantes, desde que devidamente avaliados quanto às suas composições, e inseridos corretamente nas rações balanceadas.

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3. Uso estratégico de volumosos em função da época do ano

A região do Brasil central está sujeita a variações climáticas conforme a época do ano. Tais efeitos revelam-se como mudanças de temperatura, pluviosidade e insolação, entre outros. O clima característico desta região pode ser divido em dois distintos cenários ou épocas, comumente nomeadas “águas” e “seca”, nas quais se observam marcadas diferenças na produção vegetal bem como seu reflexo na produção animal. O que interfere significativamente na fisiologia das forrageiras, tornando-se imperativo conhecê-las, bem como compreender seus impactos quando se pensa na produção de cabras leiteiras. Todavia, esses efeitos podem ser amenizados ou mesmo eliminados com o uso estratégico de vários tipos de volumosos, reduzindo-se o efeito sazonal da qualidade do alimento, adequando os mesmos às necessidades dos animais. O centro-sul de Minas Gerais responde por grande parte do efetivo caprino mineiro, sendo em sua maior parte destinado à produção leiteira (Guimarães, 2006) e não diferentemente do resto do estado e da região sudeste, sofre com as oscilações climáticas durante o ano, como pode ser observado na Figura 1, representando médias históricas de Coronel Pacheco, MG.

Figura 1: Normais climáticas de Coronel Pacheco, Minas Gerais, em função dos meses do ano
Figura 1: Normais climáticas de Coronel Pacheco, Minas Gerais,
em função dos meses do ano (Dados climáticos allmetsat.com)
Figura 2: Efeito da temperatura e
intensidade da luz (W/m² na faixa de
400-700 nm) sobre a taxa fotossintética
do capim elefante (Pennisetum
purpureum), adaptado de Berry e
Björkman (1980).
Tal variação climática afeta diretamente três fatores que influenciam o crescimento vegetal:

oferta de água ou pluviosidade, temperatura do ar e fotoperíodo. A restrição hídrica, segundo Araújo et al. (2010), reduz significativamente a taxa fotossintética. Isto ocorre porque nesta situação o vegetal fecha seus estômatos para reduzir perdas evaporativas e consequentemente restringe a difusão de CO 2 no mesófilo foliar e, portanto, a atividade enzimática fica comprometida o que diminui a fotossíntese. Por outro lado, a temperatura influencia o crescimento vegetal, uma vez que forrageiras tropicais têm seu crescimento ótimo, graças aos mecanismos enzimáticos, em torno de 30-35°C, ficando o crescimento retardado ou paralisado em temperatura ambiente abaixo de 15°C, em função da queda da taxa fotossintética (Figura 2).

Intercalando-se a Figura 2 com o cenário exposto na primeira figura é possível concluir que durante o ano, as forrageiras que se encontrarem na região de Coronel Pacheco terão sua produção reduzida durante a época “seca” do ano, em função da restrição hídrica bem como pelas médias de temperatura mínima nessa época. Essa oscilação pode restringir 75% do crescimento anual forrageiro na época das “águas” (Costa et al, 2005). Além da redução na produção de matéria seca, os vegetais frente ao período de estio tendem a mudar sua fisiologia buscando estratégias de sobrevivência, como a emissão de órgãos de reprodução, alterando

85

marcadamente o valor nutricional da planta pela translocação de nutrientes, bem como pela mudança estrutural do vegetal. É, portanto, essencial compreender tais efeitos para se tomar decisões e criar estratégias para maximizar o uso dos volumosos mantendo-se a qualidade do alimento que será fornecido ao rebanho durante todo o ano.

3.1. Estratégias durante a estação chuvosa

Como demonstrado anteriormente, a época das águas na região sudeste define a estação de maior produção vegetal. Dessa forma, qualquer manejo que vise maximizar a produção aproveitando-se da eficiência fisiológica do vegetal natural neste período, torna-se interessante, mesmo que para tanto, seja necessário aumentarem os gastos com insumos no sistema, visto o maior retorno possível e provável melhor benefício/custo. Surgem nesse contexto estratégias que possibilitam maior crescimento vegetal (e.g. adubação, irrigação) e outras que possibilitem melhor aproveitamento da área plantada (e.g. divisão de piquetes, pastejo rotacionado). A caprinocultura leiteira do centro-sul mineiro está em sua maioria alocada em sistemas intensivos (Guimarães, 2006), nos quais os animais passam boa parte da vida em confinamentos, recebendo alimentos (concentrado e volumoso) no cocho, sendo, portanto, muito comum o uso de forrageiras para corte durante as águas. É interessante neste caso, a intensificação da produção vegetal nas capineiras, bem como nas legumineiras, almejando-se o maior número de cortes possível, sendo factível o armazenamento do excedente para a época seca, através de processos de conservação como fenação ou ensilagem. Corrêa e Santos (2006) salientam que manejos como adubação e irrigação são capazes de elevar a produção, principalmente durante a primavera, quando as chuvas irregulares são compensadas pelo sistema de irrigação e não existe limite quanto à temperatura ambiente. A adoção destas técnicas deve ser coerente com o perfil produtivo da propriedade, considerando-se sempre o retorno econômico. Vitor et al. (2009) concordam com os autores supracitados e acrescentaram que embora haja maior produtividade na seca com o uso da irrigação, esta não suplanta a estacionalidade típica da forrageira frente ao estio, em se tratando de forrageiras tropicais. Demonstram porém, que neste período a adubação nitrogenada (100-700 kg de N/ha) eleva o teor protéico da forragem, mas não interfere na digestibilidade da mesma. Lembrando-se que a digestibilidade de forrageiras irrigadas no período seco pode ser reduzida quando comparada às plantas sob déficit hídrico. Isto ocorre devido à aceleração do processo ontogênico vegetal nas primeiras, o qual interfere significativamente no teor de carboidratos estruturais e por consequência na digestibilidade do material. Pode-se concluir que a irrigação aliada à adubação são sem dúvida ferramentas para o incremento na produção vegetal na época das águas, isto é, no período em que, coincidentemente, não existem limitações de luz ou calor. Porém, o uso da mesma na época seca pode adiantar a entrada de animais na pastagem (Cóser et al, 2008) ou aumentar o número de cortes quando tratar-se de uma forragem para este fim.

de cortes quando tratar-se de uma forragem para este fim. É preciso relembrar que na estação

É preciso relembrar que na estação chuvosa faz-se necessário o cultivo de volumosos que irão ser colhidos e conservados para o uso durante a época seca do ano. Destacam-se nesse campo, as culturas de milho e sorgo para ensilagem de planta inteira bem como de forrageiras do gênero Cynodon ou Lolium para a produção de feno e silagens pré-secadas.

Por outro lado uma forma bem interessante de aumentar a eficiência de uso do volumoso produzido na fazenda é adequar a carga animal à produção vegetal. Isto porque quando há um excesso de animais numa área, desenvolve-se um quadro de superpastejo, havendo um desbaste excessivo do dossel forrageiro, interferindo negativamente no crescimento vegetal, reduzindo-se o potencial produtivo das plantas. Pelo contrário, quando existe um desajuste a favor da produção vegetal, isto é, poucos animais para uma determinada oferta de pastagem, instaura-se um quadro de subpastejo, ocorrendo o crescimento da planta até o ponto em que o valor

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nutricional tende reduzir. Surgem nesse contexto estratégias para adequar a oferta de forragem às necessidades nutricionais do rebanho. A divisão dos pastos em piquetes favorece o uso mais eficiente do volumoso, culminando com a divisão em áreas que suportem a ocupação animal por menor tempo viável, de forma a respeitar ao máximo a fisiologia da forrageira e o ecossistema solo-vegetal-animal. Esse manejo representa a filosofia da técnica conhecida como pastejo rotacionado, em que a premissa básica é tornar a oferta de pastagem o mais constante possível através do rebaixamento uniforme do dossel, buscando-se concomitantemente altas produções de matéria verde de qualidade. Uma vez que a produção é visada, e necessita-se da mesma para o bom funcionamento do sistema, a época das águas, como explicada anteriormente, torna-se o melhor período para esse tipo de manejo, sendo interessante o uso de adubação, bem como irrigação para ajuste das necessidades de nutrientes e água para a forrageira e suplantar eventuais veranicos. Mas como interpretar a saúde do dossel forrageiro? Zanine et al. (2005) salientaram que a observação da morfogênese vegetal (taxa de aparição, alongamento e inclinação de folhas, densidade de perfilhos, etc) definirão o índice de área foliar o qual está diretamente ligado à capacidade de interceptação luminosa e consequentemente com a taxa fotossintética. O acompanhamento dessas características, associado a variáveis como altura do dossel (entrada e saída dos animais) e massa forrageira permitirão um bom manejo da pastagem, possibilitando que a mesma responda suficientemente à ação animal, provendo para este um bom alimento e elevando o ganho produtivo da área utilizada.

3.2. Estratégias durante a estação seca A limitação do crescimento vegetal na época seca do
3.2. Estratégias durante a estação seca
A limitação do crescimento vegetal na época seca do ano dá-se pela restrição hídrica e de forma
mais intensa pelas baixas temperaturas e luminosidade, essas mais drásticas quanto maior a
distância da propriedade da linha do equador. Para manutenção da fração volumosa da dieta e
qualidade da mesma é necessário nesse período, portanto, lançar mão de alimentos conservados
produzidos durante a época das águas. São os mais comuns, fenos de gramíneas e silagens de
cereais. Mas tais processos são relativamente trabalhosos e onerosos existindo outras
possibilidades mais simples e viáveis a depender do perfil da propriedade. São estas, o uso de
pastagens reservadas (diferidas) ou capineiras e de cana de açúcar. O diferimento é uma prática
bastante comum no Brasil, simples de ser realizada e com relativo baixo custo, e consiste da
vedação de uma área de pasto com intuito de estocar matéria vegetal para a época de carência
volumosa. Contudo o crescimento vegetal na estação chuvosa sem o correto desbaste e a
permanência dessas plantas no período seco reduz acentuadamente o valor nutritivo do material
pelo processo de senescência (Santos et al, 2004). Técnicas como adubação e a época correta
para o diferimento podem elevar a produção de matéria seca bem como reduzir a queda do valor
nutritivo (Santos et al, 2009).
A cana de açúcar, por outro lado, é uma planta de elevada produção vegetal e que não perde valor

nutricional durante a seca. Possui alto teor de açúcar solúvel (energia), mas, no entanto, tem seu uso limitado pelo baixo teor protéico, de minerais, destacando-se o fósforo, e elevada fração fibrosa indigestível. Seu uso torna-se interessante por ser uma cultura de fácil condução. Embora possua relativo alto custo de implantação, este deve ser diluído pelos anos de uso, normalmente de 4 a 6 anos, e principalmente pela colheita coincidir com o período de menor produção de volumosos na fazenda, isto é, na seca. Os entraves nutricionais da mesma podem ser amenizados com o uso de técnicas como: redução do tamanho da partícula em desintegrador, com o intuito de elevar o consumo através da redução do enchimento ruminal via aumento da taxa de passagem; tratamento com substâncias alcalinas que diminuem a interação dos constituintes da parede celular, aumentando o consumo pela maior degradação ruminal dessa fração (Carvalho et al,

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2010); e também a escolha da variedade da cana bem como da idade ao corte, as quais interferem

na fração fibrosa e energética do alimento (Fernandes et al, 2003).

4. Uso estratégico de volumosos por categoria animal

Para a produção satisfatória de um rebanho leiteiro é necessário formular a dieta dos animais de acordo com a categoria animal e suas demandas nutricionais, tendo em vista que a exigência nutricional é variável de acordo com o estádio fisiológico do animal.

O consumo de alimentos pode ser influenciado por diversos fatores, como, disponibilidade da forragem, forma
O consumo de alimentos pode ser influenciado por diversos fatores, como, disponibilidade da
forragem, forma física do alimento fornecido, idade da forrageira, método de conservação, teor
de matéria seca, quantidade oferecida, tamanho do corte, número de refeições, disponibilidade de
água, entre outros (Silva e Rodrigues, 2003). Por este motivo, a preocupação na escolha do
volumoso e do seu processamento para atender cada categoria animal se faz tão necessário.
Os alimentos volumosos podem ser fornecidos frescos, como capineiras ou outras culturas
forrageiras ou conservados, seja feno ou silagem, e ainda na forma de palhadas ou uso de co-
produtos da agroindústria, oriundos do beneficiamento e/ou processamento de frutos ou grãos,
como por exemplo, a casca de soja, que por sinal, apresenta-se como alternativa promissora à
redução dos custos com alimentação do rebanho leiteiro. Para a utilização desses alimentos, é
indispensável o conhecimento da disponibilidade destes em cada região em que o produtor se
encontra, para que se possa escolher os mais adequados para cada situação, levando-se em
consideração, além da disponibilidade e da região, a qualidade, fertilidade do solo e a estação do
ano (Ribeiro, 1997).
Segundo Santos (1994), o fornecimento de alimento concentrado a caprinos é utilizado em
situações quando a qualidade ou disponibilidade do volumoso é baixa ou quando as exigências
nutricionais são elevadas, como no caso de cabritos em crescimento, cabras em terço final de
gestação ou em lactação e reprodutores em atividade intensa. Assim, a utilização de alimentos
volumosos de qualidade resulta em menor necessidade de fornecimento de concentrado e melhor
desempenho animal. A tabela 1 retrata este cenário de forma simples e clara.
Tabela 1. Efeito da qualidade do volumoso utilizado na dieta sobre a ingestão de energia e
na produção de leite em caprinos
Feno Ruim
Feno bom
Variável
Com restrição de
concentrado
Sem restrição de
concentrado
Com restrição de
concentrado
Ingestão de energia
(Mcal / dia)
Produção de leite
(kg/ dia)
2,18
3,06
3,02
2,17
2,88
3,00

Adaptado de Morand-Fehr e Le Jauen (1977), citado por Borges e Bresslau (2003)

A produção de leite vinculada à produção de volumosos de boa qualidade sempre minimizará a

necessidade de compra e/ou o custo por quilo de alimento concentrado, ferramenta efetiva para diminuir o custo alimentar por litro de leite produzido (Borges e Bresslau, 2003).

4.1. Alimentação das crias após o nascimento

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O primeiro alimento a ser ingerido pelas crias obrigatoriamente é o colostro, pois é essencial ao

animal jovem por ser rico em imunoglobulinas. Vale ressaltar que a absorção dessas moléculas pela parede intestinal é máxima nas primeiras 6 horas de vida, após esse tempo, sua absorção vai decaindo gradativamente, até se tornar nula.

No período do nascimento a desmama, aproximadamente a partir do 6 o dia de idade, é importante que a cria já comece a receber alimentos sólidos, como os alimentos concentrados e volumosos

de boa qualidade, como por exemplo, feno de alfafa ou rami, ou forragem frescas picadas (Silva,

2001; Silva e Rodrigues, 2002). Apesar destes fenos apresentarem custo relativamente alto, o seu

uso é viável, pois possuem uma boa qualidade e o seu consumo pelas cabritas nessa
uso é viável, pois possuem uma boa qualidade e o seu consumo pelas cabritas nessa fase é
mínimo.
O alimento volumoso é fornecido no intuito de proporcionar ao animal uma fonte de fibra
efetiva, a fim de estimular o seu desenvolvimento ruminal.
4.2. Alimentação na fase de recria
A alimentação das cabritas de reposição deve ser considerada como uma etapa importante para
garantir o futuro da criação. O que se pretende nessa fase, que vai do desaleitamento até a entrada
na reprodução, é que os animais alcancem 60 a 70% de seu peso adulto, o que deveria estar
acontecendo entre o sexto e o oitavo mês de vida, sendo o desenvolvimento um critério seguro
para iniciar a vida reprodutiva (Carvalho, 2002).
Numa cabrita, para futura produção de leite, é importante evitar o acúmulo de gordura corporal
durante o crescimento. Nesta fase, a deposição de tecido adiposo na cavidade mamária afetará
negativamente a formação dos alvéolos, comprometendo a produção de leite. Por este motivo, é
necessária atenção na formulação da dieta dos animais nessa categoria, tendo em vista que
exigência nutricional da cabrita nesse estádio fisiológico é alta devido às condições de
crescimento e desenvolvimento corporal. Daí, que o manejo alimentar ser a chave para garantir
taxas de ganho adequado dessa ordem.
Para tanto, deve-se utilizar uma boa pastagem ou bom volumoso à vontade, atendendo-lhes as
exigências e considerando-se o recomendado para sobras permitidas (10 a 20%) e uma
suplementação concentrada. Dentre os volumosos utilizados destacam-se as leguminosas, por
serem bastante palatáveis e possuírem maiores aportes de proteína, as gramíneas, os volumosos
conservados, como silagem de milho, de sorgo, feno de Tifton 85, feno de alfafa, entre outros
(Silva, 2001).
Como recomendação geral, a alimentação deveria considerar bons volumosos e uma
suplementação concentrada de acordo com a exigência do animal, mas muitas vezes, é esse custo
com concentrado que muitos criadores procuram evitar ou atenuar, economizando e retardando a
entrada do animal na reprodução, o que acaba sendo inviável para a produção leiteira.

4.3. Alimentação das cabras gestantes

Nesta fase os animais devem receber alimentos volumosos de boa qualidade e uma porção de concentrado suficiente para atender sua exigência nutricional (Ribeiro, 1997). Nos três primeiros meses da gestação é possível manipular a dieta para que as cabritas ou cabras ganhem ou percam peso, apresentando condição corporal em torno de 2,75 a 3,50 no momento do parto.

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É importante a utilização de um bom alimento volumoso, de preferência feno, permitindo uma

sobra compatível com sua qualidade, juntamente com a suplementação concentrada. Caso se utilize silagens, estas não devem ser o único volumoso, pois a ingestão de matéria seca normalmente não é muito elevada, problema agravado pelo elevado teor de água (Silva e Rodrigues, 2002), assim, é prudente verificar as quantidades de sobras de silagens nesses momentos, observando se aumentaram significativamente.

No final da gestação, acontece uma limitação fisiológica no consumo de alimento por parte das cabritas ou cabras, uma vez que a capacidade ruminal é afetada pelo crescimento fetal, enquanto que no início da lactação, o consumo de alimento pelo animal não é suficiente para suprir as suas exigências nutricionais, que estão aumentadas. Esse período é caracterizado pelo balanço energético negativo e requer o máximo de atenção possível do produtor.

4.4. Alimentação das cabras em lactação A qualidade da forragem afeta significativamente a ingestão, assim
4.4. Alimentação das cabras em lactação
A qualidade da forragem afeta significativamente a ingestão, assim como a produção de leite em
cabras. A dieta básica de cabras é composta de forragens frescas ou conservadas, oferecidas com
restrição ou ad libitum juntamente ao concentrado, sendo que suas proporções variam de acordo
com seu estádio de lactação. Ao longo do ciclo de produção, o nível de ingestão de matéria seca
atinge o valor mínimo próximo ao parto e o valor máximo entre a 12 a e 16 a semana pós-parto,
cerca de um mês após o pico de produção (Sahlu e Goetsch, 1998), assim, o consumo médio de
cabras leiteiras varia de 4 a 6% do seu peso vivo. Cabras com maior capacidade de consumo de
matéria seca apresentam maior produção de leite. Desta forma, a maximização da ingestão é um
dos principais fatores que incide sobre a produção de leite.
Na primeira fase do ciclo, que tem início com o parto, o nível de produção aumenta rapidamente,
atingindo o pico entre a 6 a e 9 a semana (Borges e Bresslau, 2003). Entretanto, o pico de ingestão
de alimentos comumente não ocorre até o terceiro mês de lactação, ou de 12 a 16 semanas pós-
parto, de maneira que a ingestão de nutrientes só irá atender as demandas da cabra quando a
produção de leite estiver reduzida a 60-80% da produção no pico. Nesta fase, as cabras
encontram-se em balanço energético negativo e para suprir este déficit, reservas corporais são
mobilizadas e isso pode ser observado na diminuição do escore de condição corporal. No início
da lactação, a energia proveniente das reservas corporais é utilizada de maneira mais eficiente
para a produção de leite do que a energia proveniente dos alimentos. No primeiro mês de
lactação as cabras podem perder até 0,900 kg de tecido adiposo por semana para sustentar a
produção leiteira. No segundo mês a perda média é ao redor de 0,450 kg. Estas reservas corporais
devem ser restabelecidas principalmente durante as fases pós-pico e início de gestação do ciclo
de produção (Ribeiro, 1997; Sahlu e Goetsch, 1998). Portanto, é necessário aumentar a densidade

energética da ração, já que o volume de alimentos consumidos nessa fase é limitado. Alguns volumosos, entre eles a silagem de milho, preferencialmente com alta quantidade de grãos, são ideais por possuírem teor de amido relativamente alto, por promover maior síntese de glicose a fim de suprir os altos níveis de requisitos deste metabólito no início da lactação. O uso de volumosos de boa qualidade, como o supracitado, confere melhores características de degradação no rume devido à qualidade da fibra e alto teor de energia no rume, possibilitando melhor aproveitamento dos carboidratos estruturais, consequentemente maior fluxo de proteína microbiana para o intestino e maior produção de leite.

É comum a resistência dos produtores ao uso de silagem devido à influência nas características

sensoriais no leite, mas segundo Costa et al (2008), para evitar a aparição desses defeitos no produto o nível de inclusão na dieta não deve ultrapassar 60% da matéria seca total.

90

Na segunda fase a capacidade de ingestão da cabra atinge o nível mais alto e a produção de leite começa a diminuir, permitindo que o animal inicie a recomposição das reservas corporais. No início, seu peso mantém-se estável, aumentando lentamente. A importância desta reconstituição varia com a intensidade da mobilização anterior. Essa fase é de duração mais variável, em função do intervalo de partos (IDP) adotado: quando o IDP é de 12 meses, dura cerca de cinco meses, mas dura apenas um mês quando o IDP é de 8 meses. Esse último caso exige que o animal esteja apto a conceber até o terceiro mês pós-parto, o que requer uma alimentação no terço final de gestação e início de lactação de alto nível de forma que a cabra não oscile com intensidade o seu escore corporal e assim seja apta à concepção, pode ser usado com estratégia de colocar parte do rebanho na entre safra da produção leiteira.

A terceira fase corresponde aos primeiros três meses de gestação, onde o peso da cabra
A terceira fase corresponde aos primeiros três meses de gestação, onde o peso da cabra aumenta
lentamente, acumulando-se reservas corporais devido ao balanço energético positivo. Nessa fase
pode-se lançar mão de alimentos menos nobres, como por exemplo, fenos de gramíneas, com
intuito de manter a gestação e a condição corporal da cabra.
A quarta fase correspondente ao terço final da gestação, quando ocorre o maior crescimento fetal,
cerca de 75%, aumentando acentuadamente a demanda por nutrientes. Ao mesmo tempo, a
capacidade de ingestão da cabra atinge seu valor mínimo, onde o espaço ocupado pelos fetos,
anexos uterinos e pelas reservas de tecido adiposo no abdome limita o espaço disponível o trato
digestivo, afetando a ingestão de alimentos. Fontes de gordura podem ser utilizadas para
aumentar a densidade energética da dieta até um limite de 3 a 4% da matéria seca, uma vez que
níveis mais altos podem reduzir a digestibilidade da fibra e reduzir a absorção de cálcio (Borges
e Bresslau, 2003).
Frente ao exposto, o método de conservação de forragem é, sem dúvidas, uma possibilidade real
de uso, ao se tratar de animais de alta exigência energética que é o caso das cabras leiteiras de
alta produção. Em geral, para atender essa demanda, as dietas devem conter grandes quantidades
de concentrado e forragens de qualidade. Entretanto, é importante salientar que para manter a
função normal do rume e a porcentagem de gordura no leite, grande porção de fibra necessita ser
oriunda de forragens, sendo importante estabelecer relação ideal de volumoso e concentrado para
atender as exigências de mantença e produção das cabras. O concentrado deve suprir as
necessidades energéticas do animal, enquanto o volumoso de boa qualidade deve garantir
efetividade da fibra na estimulação da ruminação para que a secreção de saliva resultante possa
neutralizar eficientemente as fermentações ocorridas no rume.
A Figura 3 demonstra um exemplo de uso estratégico de volumosos durante o ciclo produtivo de
uma cabra leiteira. O modelo simulado leva em conta o consumo de matéria seca, a produção
leiteira bem como a exigência de cada fase.

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Figura 3 – Curvas adimensionais de lactação, consumo e exigências nutricionais de um ciclo produtivo
Figura 3 – Curvas adimensionais de lactação, consumo e exigências nutricionais de um ciclo produtivo de
uma cabra leiteira adulta. Fase I: Final da lactação e três primeiros meses de gestação; Fase II: Dois meses
de duração, da secagem ao parto; Fase III: Primeira parte da lactação, até o pico da curva, em torno de 4 a
6 semanas; Fase IV: Fase de declínio da lactação até nova gestação, cerca de 5 meses. Linha contínua fina:
Consumo; Linha contínua grossa: Curva de lactação; Curva descontínua: Exigência nutricional.

Ele supõe ainda uma situação em que se tem a disposição uma fração concentrada e duas fontes volumosas, sendo uma destas de melhor qualidade. Para comparação de valores, determinou-se que o concentrado custa em torno de 10 vezes o preço ($/kg) do volumoso de pior qualidade, e que este custa a metade do volumoso de melhor qualidade. Baseado nisso, procedeu-se ao escalonamento decrescente de cada variável, por exemplo, a fase com dieta de maior custo, no caso do exemplo a Fase III, possui valor 1, ao passo que a de menor custo, Fase I, recebeu nota 4, procedendo-se o mesmo com cada variável em cada fase. O ciclo é formado por quatro fases. Na primeira, dá-se início a gestação, em que nos três primeiros meses a exigência para o crescimento fetal e tecidos relacionados ao concepto está muito próxima à da mantença, sendo, portanto, o incremento além da mantença decorrente da baixa produção leiteira do final da lactação. Dessa forma nessa fase o menor requisito nutricional associado à baixa receita oriunda da produção leiteira incipiente, justificaria o uso de um volumoso de qualidade inferior e de alta relação volumoso:concentrado, mantendo-se um potencial lucrativo aceitável. A Fase II no entanto, apresenta uma parte delicada do ciclo, pois a cabra está em momento visivelmente não produtivo, uma vez que não produz leite, contudo neste momento a exigência para o desenvolvimento do concepto é muito elevada e deve-se investir na alimentação da mesma. O desajuste nutricional nessa fase é capaz de comprometer a lactação futura além de prejudicar o crescimento fetal bem como o desenvolvimento do lactente. Justifica-se nessa fase portanto, embora não exista rendimento líquido financeiro, o incremento na fração concentrada, buscando-se a melhor condição corporal ao parto e desenvolvimento do concepto e aparelho mamário. A Fase III representa um momento delicado para a matriz, visto que o balanço energético negativo típico dessa fase, espolia as reservas energéticas da mesma sendo premente o emprego de alimentos mais nobres para reversão mais rápida possível do quadro instaurado. Torna-se interessante nesse

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contexto o uso de volumosos como silagens de milho ou sorgo, que embora sejam mais caros, possuem melhor valor nutricional. A última fase é dependente das anteriores, que se bem

manejadas, tornarão esta a etapa de maior potencial lucrativo, visto que há uma diminuição crescente da exigência, redução contínua do consumo e produção de leite decrescente. Desde que

os animais possuam boa persistência de lactação, é possível utilizar volumosos de qualidade

intermediária em quantidade suficiente para se obter o maior rendimento da vida produtiva da

cabra, uma vez que este período pode representar até aproximadamente 42% do ciclo produtivo

de uma matriz com 12 meses de intervalo de partos.

4.5. Alimentação dos reprodutores A alimentação adequada dos reprodutores jovens e adultos é tão importante
4.5. Alimentação dos reprodutores
A alimentação adequada dos reprodutores jovens e adultos é tão importante quanto à alimentação
das fêmeas. Um volumoso de boa qualidade, que atenda a exigência protéica, é suficiente para a
mantença do reprodutor quando não está sendo utilizado (Cunha, 1999). Ressalta-se que os
animais devem ter à sua disposição água e sal mineral à vontade, independente da categoria
animal, lembrando que a dieta dos machos deve ser balanceada para manter a relação Ca:P de
2:1, a fim de evitar o aparecimento de cálculo urinário, o que é muito comum em machos
(Ribeiro, 1997) .
No período próximo às coberturas é necessário fornecimento de uma dieta de melhor qualidade
alguns dias antes do início desse período. São preconizados que esse tenha sessenta dias de
antecedência, para atender a demanda nutricional da espermatogênese, sendo que, durante o
período de coberturas é necessário oferecer um suplemento protéico diário aos reprodutores,
depois de transcorrido esse período à sua alimentação volta ao normal.
5. Manejo e custos de produção de volumosos para caprinos
A exploração de caprinos leiteiros visando o melhor desempenho produtivo necessita de técnicas
de manejo específicas para permitir a consolidação racional da exploração e viabilizar o
desenvolvimento dessa atividade. A nutrição representa o principal gasto econômico envolvendo
animais de produção; e, no caso dos caprinos leiteiros, este gasto deve ser considerado, uma vez
que estes animais apresentam consumo de matéria seca elevados. Assim, deve-se adotar
diferentes formas de manejo visando a melhoria da capacidade produtiva dos sistemas de
criação; destacando-se: a frequência de alimentação, o tamanho de partículas, manejo adequado
de bancos de proteína, a utilização de alimentos alternativos e fornecimento de suplementos
volumosos quando necessário.
A ingestão alimentar adotada por caprinos acontece em diferentes fases: A primeira fase
observada é a exploração do alimento pelo animal, onde este realiza um conhecimento dos
alimentos que são oferecidos. A segunda fase é a de consumo intenso do alimento e a última é
destacada pela capacidade seletiva dos alimentos que serão ingeridos. É importante ressaltar que
o fornecimento de volumoso, independentemente da categoria animal, deve permitir quantidade

de sobras suficiente de sobras para concluir que as três fases etológicas supracitadas foram

resguardadas, especialmente a de seleção da dieta.

O

aumento da frequência de alimentação pelo aumento do número de refeições pode influenciar

o