Sei sulla pagina 1di 5

SAID, Edward. Cultura e Imperialismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

p. 26

IANNI, Octavio. Imperialismo e cultura. Petrópolis: Vozes, 1876, p. 26.

Nas relações imperialistas, a indústria cultural desempenha papéis especiais, além dos que
desempenha no interior da sociedade dominante. A indústria cultural do imperialismo está
constantemente voltada tanto para o proletariado como para a burguesia e a classe média do
país dependente. As forças militares e policiais dos países subordinados são um alvo constante
e prioritário dessa indústria. Esta se volta para a conquista e reconquista, indefinidamente, de
uns e outros, das suas concepções, organizações e lideranças, a fim de que as próprias relações
imperialistas possam continuar a reproduzir-se (Octavio Ianni, 1976, p. 26)

IANNI, Octavio. Enigmas da modernidade-mundo. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização brasileira:


2003.

p. 51

Nesse vasto e complicado cenário histórico que é o século XX, os projetos nacionais não se
formulam nem se põem em prática sem mui- tas negociações, lutas, conflitos, frustrações e
realizações. Defrontam- se com os interesses e as tradições das oligarquias comprometidas
com economias primárias exportadoras, empenhadas em manter o “modelo” agrário-
comercial, as estruturas de poder estabelecidas às vezes desde a independência, os
monopólios político-econômicos nos quais se incluem as agências governamentais. Também
defrontam-se com os interesses do imperialismo europeu, dentre os quais sobressai, para a
América Latina e o Caribe, o inglês; e o imperialismo norte- americano. Todos empenhados em
manter e desenvolver os fluxos das economias primárias exportadoras, sob um discurso
político-econô- mico de estilo liberal

p. 52/53

Em larga medida, os projetos nacionais de cunho socialista emer- gem no mesmo clima
histórico-social, apoiados em jogos de forças sociais nos quais predominam setores populares,
bem como compromissos e práticas políticas mais radicais. Mais radicais em termos de
planejamento econômico-social orientado a partir do poder estatal, redistribuição mais ampla
dos produtos do trabalho coletivo, antiim- perialismo e luta contra os aliados internos do
imperialismo. Em ter- mos diversos, mas nessa direção, é o que se define como castrismo,
allendismo e sandinismo, enquanto projetos socialistas que alcançam o poder nacional. São
também diversos os movimentos socialistas que participam ativamente do debate sobre as
diretrizes nacionais, cola- borando para a fermentação de alternativas, a despeito de não
alcan- çarem o poder nacional.

p. 60.

As longas e famosas tiranias que atravessam a história da América Latina e Caribe com-
provam uma história de dissociações reiteradas e demoradas, oligár- quicas, populistas,
militaristas ou outras; em geral alimentadas, apoiadas ou mesmo criadas pela combinação de
imperialismos com os seus aliados nativos.

p. 61.

autocrítica no interior dos estados unidos.

A despeito da supremacia norte-americana na América Latina e Caribe, por seu imperialismo,


com implicações não só político-econômicas mas também socioculturais, é inegável que
também nos Estados Unidos subsistem e reiteram-se debates e inquietações sobre seu diálo-
go com o Ocidente e o Oriente, o iluminismo e a modernidade, o oci- dentalismo e/ou o
americanismo dos próprios Estados Unidos. Simultaneamente, em alguns setores sociais
norte-americanos, desen- volvem-se reflexões críticas sobre o modo pelo qual os governantes
norte-americanos se relacionam com os outros povos, a começar pelos latino-americanos e
caribenhos. Há questionamentos sobre o “destino manifesto”, a “teoria da fronteira mundial”,
a idéia de “núcleo mais ativo do ocidentalismo”, a proposta de “missão civilizatória e poli­ cial”
dos Estados Unidos no mundo. Alguns chegam à crítica do fun- damentalismo calvinista
mesclado de darwinismo social presente e ati- vo, explícito ou difuso, em manifestações da
indústria cultural e, em alguns casos, do próprio pensamento social norte-americanos.21

A despeito da supremacia norte-americana na América Latina e Caribe, por seu imperialismo,


com implicações não só político-econô- micas mas também socioculturais, é inegável que
também nos Estados Unidos subsistem e reiteram-se debates e inquietações sobre seu diálo-
go com o Ocidente e o Oriente, o iluminismo e a modernidade, o oci- dentalismo e/ou o
americanismo dos próprios Estados Unidos. Simultaneamente, em alguns setores sociais
norte-americanos, desen- volvem-se reflexões críticas sobre o modo pelo qual os governantes
norte-americanos se relacionam com os outros povos, a começar pelos latino-americanos e
caribenhos. Há questionamentos sobre o “destino manifesto”, a “teoria da fronteira mundial”,
a idéia de “núcleo mais ativo do ocidentalismo”, a proposta de “missão civilizatória e poli­ cial”
dos Estados Unidos no mundo. Alguns chegam à crítica do fun- damentalismo calvinista
mesclado de darwinismo social presente e ati- vo, explícito ou difuso, em manifestações da
indústria cultural e, em alguns casos, do próprio pensamento social norte-americanos.21

ocidentalismo - modernismo-modernidade- contemporaneidade p. 63

Há toda uma gama de polarizações e nuanças sobre a originalida- de e a caricatura, a imitação


e a invenção, a mímesis e a representação ou o criador e a criatura. Em todos os casos, há
algum tipo de reco- nhecimento, aceitação, rejeição ou transfiguração do que pode ser a
ocidentalidade ou o ocidentalismo, significando modernismo ou modernidade, sempre na
ilusão da contemporaneidade. Lembrando que a contemporaneidade em geral parece
encontrar-se em outro lugar, algo que pode ser real e imaginário.
imperialismo, p. 70

O imperialismo compreende uma fase já bastante avançada do capitalismo, e em escala


mundial, como modo de produção e processo civilizatório. Tanto é assim que na pas- sagem do
século XIX ao XX o mundo todo está desenhado, cartogra- fado e dividido entre as nações
imperialistas, compreendendo princi- palmente Inglaterra, França, Holanda, Bélgica,
Alemanha, Itália, Por- tugal, Rússia e Japão. São vários e diferentes os sistemas imperialistas
sob os quais são colocados a índia, a Indochina, a China, a Oceania, a África e inclusive os
Estados nacionais da América Latina e do Caribe.

p. 71. .. ocidentalismo e orientalismo

O que sobressai, no entanto, no curso da história, é o ocidentalis- mo impondo-se no Oriente,


como um todo e em suas diferentes nações e nacionalidades. Desde os primeiros contatos de
portugueses, espanhóis, holandeses, ingleses, franceses e outros com os povos, as culturas e
as civilizações da Ásia e Oceania, em geral predomina a arrogância e a prepotência,
juntamente com a conquista, a ocupação e a exploração.1 Essa a realidade: as polarizações,
intolerâncias e aco- modações são elementos importantes e constantes no modo pelo qual se
formam e desenvolvem as configurações geoistóricas que desenham os contornos e os
meandros do Oriente e Ocidente.

TRANSCULTURAÇÃO, P. 77

Na Antiguidade, já era importante o intercâmbio entre povos, culturas e civilizações próximos


e distantes. No Oriente Médio, cruza- ram-se muitas influências não só por intermédio das
guerras e con- quistas, sem esquecer as cruzadas, mas também por meio de carava- nas e
peregrinações. O hinduísmo, o zoroastrismo, o judaísmo, o hele- nismo, o romanismo e
elementos da civilização egípcia ressoam no cristianismo. São vários processos civilizatórios em
intercâmbio, ten- são e acomadação, ou transculturação.7 Em seguida, entra em causa o
islamismo, no qual, outra vez, se mesclam culturas e civilizações envolvendo árabes,
mediterrâneos, europeus, africanos e asiáticos.

TRANSCULTURAÇÃO E A PERSPECTIVA DÉLFICA DOS GREGOS - APEGAR-SE ÀS SUAS


NECESSIDADES, P. 77.

A transculturação não nega a permanência ou a reiteração de singularidades ou identidades.


Ao contrário, muitas situações de interdependência e tensão favorecem a recriação dessas e
outras peculiaridades. Acontece que a transculturação pode propiciar a decantação de
elementos, traços ou potencialidades insuspeitados antes do intercâmbio. O helenismo pode
ilustrar muito bem essa dialética. Os gregos “nunca viveram numa segurança orgulhosa e
inacessível: pelo contrá- rio, a sua cultura foi durante muito tempo um caos de formas e de
concepções estrangeiras: semíticas, babilônicas, lídias, egípcias, e a sua religião serviu de
receptáculo a todas as divindades do Oriente... E, contudo, graças à máxima apolínea, a cultura
helênica não se transformou num conglomerado. Os gregos foram aprendendo a organizar o
caos, entrando em si próprios, de acordo com a doutrina délfica, isto é, refletindo nas suas
verdadeiras necessidades e deixando morrer as suas necessidades factícias. Foi assim que
tomaram nas mãos o seu destino e deixaram de ser os herdeiros e os epígonos instruídos do
Oriente”.

P. 78

TRANSCULTURAÇÃO E O ISLAMISMO.

A transculturção está sempre presente nos desenvolvimentos dos processos civilizatórios


envolvidos no contraponto Oriente e Ocidente. Ao lado das justaposições, imitações, paródias
ou caricaturas, ocorrem tanto acomodações como recriações, estas muitas vezes originais,
surpreendentes. Antes dos inícios da história moderna, o islamismo havia realizado a tradução
e a assimilação de produções fundamentais do helenismo, o que foi uma espécie de ensaio
prelimi- nar de renascimento cultural. Mais tarde, muito depois da Renascen- ça propriamente
dita, ocorre na Europa o que alguns pesquisadores passaram a denominar de Renascença
Oriental. Desde os primeiros contatos dos europeus com os povos da Ásia, havia crescido
continua- mente o interesse e o entusiasmo pelas produções culturais desses povos. As
civilizações hindu, chinesa e japonesa impressionavam mui- tíssimo os artistas, escritores,
filósofos e cientistas europeus. Um in- tercâmbio iniciado em fins do século XV desabrochou
em uma Renascença Oriental nos séculos XVIII e XIX, tal foi a profusão de traduções e criações
que se multiplicaram. Desde Leibniz a Hans Küng têm sido muitos os europeus, norte-
americanos e outros interes- sados em conhecer, assimilar ou recriar contribuições culturais
do Oriente, em combinação com elementos ocidentais.9

NACIONALISMO E TRANSCULTURAÇÃO , P. 78

O próprio nacionalismo, modelo de Estado-Nação levado pelos europeus aos asiáticos e outros
povos, foi e tem sido mobilizado na luta contra o colonialismo e o imperialismo. Também as
idéias liberais e as socialistas, entre outras, entraram e continuam a entrar como elementos
dinâmicos na organi- zação, conscientização e luta desenvolvida por hindus, chineses, japo-
neses, árabes, africanos e outros contra a dominação estrangeira.

TRANSCULTURAÇÃO - ENSAIO - LITERATURA - POÉTICA, P. 102

Essa a poética dos primórdios dos tempos modernos, quando os europeus, ocidentais,
navegantes, conquistadores e missionários avançam pelo mundo afora. Trata-se de um
discurso que não termina nunca, ainda que alterado de quando em quando em algumas das
suas formulações, em conformidade com as exigências do mercantilismo, colonialismo,
imperialismo e globalismo. Uma poética elaborada em prosa e verso, crônica e relato,
monografia e ensaio, linguagens artís- ticas e linguagens científicas. Tem sido monólogo e
diálogo, polifonia e cacofonia, tanto quanto utopia e nostalgia. Uma poética que se expressa
em processos socioculturais, modos de vida e trabalho, vivências e consciências, realidades e
imaginários, envolvendo sempre várias modalidades de transculturação. Essa a poética que irá
reaparecer e desenvolver-se em muitas outras narrativas, literárias e científicas, por todos os
cantos e recantos do mundo. São narrativas nas quais se taquigrafa, desenha ou canta o modo
pelo qual o mundo se torna mundo, vasto mundo; ou pelo qual se forma, movimenta,
transforma e encrenca a máquina do mundo.

CULTURA - TRANSCULTURAÇÃO - LOCALISMO, TRIBALISMO, COLONIALISMO, IMPERIALISMO,


GLOBALISMO - SIGNOS EM ROTAÇÃO, P. 111, 112.

Tanto no nacionalismo e no triba- lismo como no mercantilismo, colonialismo, imperialismo e


globalis- mo, os signos e os significados, as figuras e as figurações da linguagem revelam-se
constitutivas da realidade, das condições e possibilidades socioculturais e político-econômicas
de indivíduos e coletividades. É língua que se constitui como o patamar da história, o sistema
de sig- nos por meio do qual se pronunciam o presente, o passado e o futuro, a história e a
geografia, as tradições e as premonições, os santos e os heróis, as façanhas e as derrotas, os
monumentos e as ruínas. Esse o horizonte a partir do qual se desenham, taquigrafam ou
inventam o Novo Mundo e o Velho Mundo, o Oriente e o Ocidente, o islami- nismo e o
cristianismo, o capitalismo e o comunismo; assim como a Muralha da China e o Taj Mahal, as
pirâmides do Egito e o Parthe- non, a Revolução Industrial inglesa e a Revolução Francesa, a
Pri- meira Grande Guerra Mundial e a Segunda Grande Guerra Mundial, a descolonização na
África e na Ásia e a revolução chinesa, a revo- lução cubana e a guerra do Vietnã, a revolução
soviética e a queda do Muro de Berlim, a aldeia Global e a globalização, o planeta Terra e o fim
da história. São signos, símbolos e emblemas, ou sínteses e taqui- grafias, por meio dos quais
se desenham ou inventam configurações histórico-sociais de vida, trabalho a cultura, bem
como movimentos, harmonias, tensões, fusões e contradições, atravessando a palavra e a
língua, a linguagem e o pensamento, a explicação e a fabulação