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EA – Emocionais Anônimos
Uma nova maneira de viver!

OS DOZE PASSOS SUGERIDOS

ORAÇÃO DA SERENIDADE
“Concedei-me, SENHOR, a serenidade necessária para aceitar as coisas
que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e
sabedoria para distinguir umas das outras.

ATENÇÃO
Após a reunião. favor
devolver ao coordenador

GRUPO EMOCIONAIS ANONIMOS DO TATUAPÉ


Rua Cel Joaquim Antonio Dias, 300 cj.03.

NÓS AGRADECEMOS A ALCÓOLICOS ANÔNIMOS POR SUA PERMISSÃO PARA USARMOS


ESTE PROGRAMA DE DOZE PASSOS, DOZE TRADIÇÕES, COMO GUIA PARA NOSSAS
REUNIÕES E PARA VIVER UM DIA DE CADA VEZ.

Esta tradução não é oficializada devendo, portanto, ser usada somente em caráter de estudo.
Para o bom andamento do grupo foi necessário
estipular algumas pequenas regras:

1. Durante o depoimento, não se deve falar SOBRE crença ou religião, seja de


maneira positiva ou negativa. A causa dessa regra seria a de que acabaríamos nos
desviando de nosso principal objetivo, que é o de se recuperar emocionalmente,
entretanto, nada nos impede de dizer como nos SENTIMOS em relação a ela.

2. Durante o depoimento, também não podemos COMENTAR, ELOGIAR e/ou CITAR


sobre o depoimento de outros. O lado mais puro e mais saudável do grupo é o de
ser o único lugar onde podemos abrir o coração de maneira verdadeira. Nosso
depoimento deve ser sempre dito na primeira pessoa, nunca se fala em "nós" ou a
"gente", ou seja, não devemos fazer "indiretas" a depoimentos de outros ou de
companheiros presentes na sala.

3. Cada um terá o seu tempo para falar, não se deve fazer comentários entre um
depoimento e outro.

4. Não é permitido a leitura de nenhuma literatura que não faça parte do programa,
seja livros de auto-ajuda ou de qualquer espécie.

5. Pedimos muita cautela com relacionamentos de natureza íntima e/ou pessoal com
outros membros do grupo. A coordenação se isenta de qualquer responsabilidade
sobre eventuais problemas que pessoas de má índole venham a causar aos
companheiros de sala.

A quebra das regras 1 a 4 implica no toque da campainha; a insistência na falha


resulta no convite para que pare o depoimento.
SUMÁRIO

Lemas Que Usamos.................................................................................................................... 3

Só Por Hoje — Tenho Uma Escolha...........................................................................................4

Os Doze Passos Sugeridos De Emocionais Anônimos...............................................................5

As Doze Tradições De Emocionais Anônimos.............................................................................6

Conceitos Úteis Do Programa De Emocionais Anônimos............................................................7

As Doze Promessas De Emocionais Anônimos®........................................................................9

Oração Da Serenidade.............................................................................................................. 10

Como Funciona O Programa.....................................................................................................11

Primeiro Passo.......................................................................................................................... 13

Segundo Passo......................................................................................................................... 18

Terceiro Passo........................................................................................................................... 23

Quarto Passo............................................................................................................................. 28

Quinto Passo............................................................................................................................. 33

Sexto Passo.............................................................................................................................. 37

Sétimo Passo............................................................................................................................ 40

Oitavo Passo............................................................................................................................. 43

Nono Passo............................................................................................................................... 47

Décimo Passo........................................................................................................................... 51

Décimo Primeiro Passo............................................................................................................. 54

Décimo Segundo Passo............................................................................................................ 59

As Doze Tradições De Emocionais Anônimos...........................................................................65

Primeira Tradição...................................................................................................................... 66

Segunda Tradição..................................................................................................................... 68

Terceira Tradição....................................................................................................................... 71

Quarta Tradição......................................................................................................................... 73

Quinta Tradição......................................................................................................................... 76
Sexta Tradição........................................................................................................................... 79

Sétima Tradição......................................................................................................................... 81

Oitava Tradição......................................................................................................................... 83

Nona Tradição........................................................................................................................... 85

Décima Tradição........................................................................................................................ 88

Décima Primeira Tradição.........................................................................................................90

Décima Segunda Tradição........................................................................................................ 93

Amor.......................................................................................................................................... 97

Ansiedade................................................................................................................................ 100

Auto-Estima............................................................................................................................. 102

Depressão............................................................................................................................... 104

Indecisão................................................................................................................................. 109

Medo........................................................................................................................................ 112

Paciência................................................................................................................................. 114

Perfeccionismo........................................................................................................................ 117

Pesar....................................................................................................................................... 120

Raiva....................................................................................................................................... 124

Ressentimentos....................................................................................................................... 126

Serenidade.............................................................................................................................. 128

Vergonha................................................................................................................................. 132
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LEMAS QUE USAMOS

1. Renda-se – entregue-se a Deus.


2. Você não esta só.
3. Vá com calma.
4. Um dia de cada vez.
5. Viva e deixe viver.
6. Primeiro as coisas primeiras.
7. Procure ver o lado bom.
8. Só pela graça de Deus.
9. Conheça-se a si mesmo – seja honesto.
10. Isto também passará.
11. Eu preciso das pessoas.
12. Simplifique – não complique.
13. Quatro A's" importantes:
- Aceitação
- Auto-percepção
- Ação
- Atitude
14. Tenho uma escolha.
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SÓ POR HOJE — TENHO UMA ESCOLHA

1. SÓ POR HOJE, procurarei viver este dia apenas, sem tentar resolver imediatamente
todos os problemas de minha vida. Por doze horas, serei capaz de fazer coisas que
me fariam desanimar se achasse ter que fazê-Ias pelo resto de minha vida.
2. SÓ POR HOJE, tentarei ser feliz, descobrindo que minha felicidade não depende do
que outras pessoas façam ou digam ou do que acontece ao meu redor. A felicidade
resulta de estar em paz comigo mesmo.
3. SÓ POR HOJE, tentarei me adaptar à realidade, sem procurar fazer com que tudo se
ajuste aos meus desejos. Aceitarei minha família, meus amigos, meu trabalho, enfim, o
que as circunstâncias me reservarem.
4. SÓ POR HOJE, cuidarei da minha saúde física; exercitarei a minha mente; lerei algo
espiritual.
5. SÓ POR HOJE, ajudarei alguém sem que ninguém fique sabendo, senão não valerá.
Farei pelo menos uma coisa que não queira fazer e praticarei um pequeno ato de
amor por meu próximo.
6. SÓ POR HOJE, tentarei não poupar esforços para ser gentil com alguém que eu
encontre; serei agradável; tentarei manter a melhor aparência possível, vestindo-me
cuidadosamente, falando com suavidade, sendo cortês, sem criticar nem achar defeito
em nada e sem tentar melhorar ou corrigir ninguém a não ser a mim mesmo.
7. SÓ POR HOJE, terei um programa de ação. Talvez não siga exatamente mas mesmo
assim o terei. Procurarei me livrar de dois grandes males: a pressa e a indecisão.
8. SÓ POR HOJE, deixarei de dizer “se tivesse tempo". Não "encontrarei" o tempo para
nada. Se quiser "ter tempo" devo me decidir a usá-lo.
9. SÓ POR HOJE, terei um momento de calma e de meditação durante o qual pensarei
em Deus, como eu O entendo, em mim mesmo, e no meu próximo. Relaxarei e
tentarei encontrar a verdade.
10. SÓ POR HOJE, não terei medo. Sobretudo, não terei medo de ser feliz, de usufruir o
que é bom, o que é belo e encantador na vida.
11. SÓ POR HOJE, não me compararei com qualquer outra pessoa. Vou me aceitar como
sou e tentar viver a vida da melhor forma possível.
12. SÓ POR HOJE, resolvi acreditar que poderei viver este dia apenas.
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OS DOZE PASSOS SUGERIDOS DE EMOCIONAIS ANÔNIMOS

1. Admitimos que éramos impotentes perante nossas emoções – que tínhamos perdido o
domínio sobre nossas vidas.

2. Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos a


sanidade.

3. Tomamos a decisão de submetermos a nossa vida e a nossa vontade a Deus, como O


entendíamos.

4. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.

5. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante um outro ser humano, a
natureza exata de nossas falhas.

6. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de


caráter.

7. Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.

8. Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos


dispusemos a reparar os danos a elas causados.

9. Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que
possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem.

10. Continuamos fazendo o inventário pessoal, e quando estávamos errados nós o


admitíamos prontamente.

11. Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente


com Deus, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e
forças para realizar esta vontade.

12. Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes passos, procuramos


transmitir esta mensagem e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.
6

AS DOZE TRADIÇÕES DE EMOCIONAIS ANÔNIMOS

1. Nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar: a recuperação individual


depende da unidade de Emocionais Anônimos.

2. Somente uma autoridade preside, em última análise ao nosso propósito comum – um


Deus amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos líderes
são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar.

3. Para ser membro de Emocionais Anônimos o único requisito e nutrir o desejo de se


recuperar emocionalmente.

4. Cada grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros
grupos ou a Emocionais Anônimos como um todo.

5. Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua


mensagem àqueles que ainda sofrem com problemas emocionais.

6. Nenhum grupo de Emocionais Anônimos deverá jamais endossar, financiar ou


emprestar o nome de Emocionais Anônimos a qualquer sociedade parecida ou
empreendimento alheio à Irmandade, a fim de que problemas de dinheiro, propriedade
e prestígio não nos afastem do nosso objetivo primordial.

7. Todos os grupos de Emocionais Anônimos deverão ser absolutamente auto-


suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora.

8. EMOCIONAIS ANÔNIMOS deverá manter-se sempre não profissional, embora nossos


centros de serviços possam contratar funcionários especializados.

9. EMOCIONAIS ANÔNIMOS deverá organizar-se como tal; podemos, porém, criar


juntas ou comitês de serviço diretamente responsáveis perante aqueles a quem
prestam serviços.

10. EMOCIONAIS ANÔNIMOS não opina sobre questões alheias à Irmandade; portanto o
nome de Emocionais Anônimos jamais deverá aparecer em controvérsias públicas.

11. Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez de promoção; cabe-
nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, no rádio e em filmes.

12. O anonimato é o alicerce espiritual das nossas tradições, lembrando sempre da


necessidade de colocar os princípios acima das personalidades.
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CONCEITOS ÚTEIS DO PROGRAMA DE EMOCIONAIS ANÔNIMOS

1. Viemos a Emocionais Anônimos para aprender a viver uma nova maneira de vida
através do Programa de Doze Passos de Emocionais Anônimos, o qual consiste em:
Doze Passos, Doze tradições, Conceitos, Oração da Serenidade, Lemas, os Só por
Hoje, Literatura dos Emocionais Anônimos, reuniões semanais, contatos telefônicos e
pessoais, e prática do Programa um dia de cada vez. Não viemos por outra pessoa.
Viemos para ajudar a nós mesmos e para compartilhar nossas experiências, força e
esperança com outras pessoas.

2. Só falamos com conhecimento de causa sobre nossas próprias histórias, como


tentamos viver o Programa, como o Programa funciona para nós, e o que o
Emocionais Anônimos tem feito por nós. Nenhum de nós fala em nome da Irmandade
de Emocionais Anônimos.

3. Respeitamos o anonimato – não fazemos perguntas. Procuramos manter uma


atmosfera de amor e aceitação. Não importa quem você seja ou o que tenha feito.
Você é bem vindo.

4. Não julgamos, não criticamos, não mantemos discussões. Não damos conselhos
pessoais ou familiares.

5. Emocionais Anônimos não é um muro de lamentações onde continuamente repisamos


nossas infelicidades. Emocionais Anônimos é um meio de aprendermos a nos livrar
dessas infelicidades. Parte da nossa serenidade decorre de nos tornarmos capazes de
viver em paz com problemas não resolvidos.

6. Jamais discutimos religião, política, assuntos nacionais ou internacionais, ou outras


crenças ou sistemas quaisquer. Emocionais Anônimos não dá opinião sobre assuntos
alheios a Irmandade.

7. EMOCIONAIS ANÔNIMOS (EMOTIONS ANONYMOUS®) é um programa espiritual,


não um programa religioso. Não patrocinamos nenhum sistema especifico de crenças.

8. Os Passos sugerem a crença num Poder Superior a nós mesmos, "Deus como nós o
entendemos". Ele pode ser o amor humano, uma força para o bem, o próprio grupo, a
natureza, o universo, o Deus tradicional (a Divindade), ou qualquer entidade que um
membro escolha como seu Poder Superior.
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9. Usamos o Programa – não o analisamos. A compreensão vem com a experiência: A


cada dia aplicamos alguma parte do programa a nossas vidas pessoais.

10. Descobrimos não ser proveitoso usarmos rótulo, de qualquer grau, para a doença ou
para a saúde. Nossos sintomas podem ser diferentes, porém nossas emoções básicas
são iguais ou semelhantes. Descobrimos que nossas dificuldades e/ou doenças não
são raras.

11. Cada pessoa tem direito a sua própria opinião, podendo expressá-la nas nossas
reuniões, respeitando os preceitos de Emocionais Anônimos. Somos todos iguais,
nenhum é mais importante do que o outro.

12. Uma das coisas que torna atraente e belo o Programa de Emocionais Anônimos é que
tudo o que for dito ou ouvido em nossas reuniões, nelas permanece. Tudo que
ouvimos nas reuniões, nos telefonemas ou de outro membro, é confidencial e não
deve ser repetido a ninguém – sejam membros dos Emocionais Anônimos, cônjuges,
familiares, parentes ou amigos.
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AS DOZE PROMESSAS DE EMOCIONAIS ANÔNIMOS®

1. Descobrimos uma nova liberdade e uma nova felicidade.

2. Não nos arrependemos do passado nem desejamos fechar a porta sobre ele.

3. Viemos a compreender a palavra "serenidade" e encontramos a paz de espírito.

4. Não importa o quanto tenhamos regredido na vida; ainda assim podemos ver como a
nossa experiência pode ajudar outras pessoas.

5. Nossos sentimentos de inutilidade e de autopiedade diminuem.

6. A preocupação conosco mesmos diminui enquanto cresce nosso interesse pelos


outros.

7. Deixamos de agir apenas em interesse próprio.

8. As nossas atitudes e o nosso modo de enfrentar a vida se modificam completamente.

9. Nossa relação com as outras pessoas melhora.

10. Aprendemos a lidar intuitivamente com situações que antes nos deixavam sem saber
como agir.

11. Adquirimos um sentimento de segurança interior.

12. Compreendemos que "Deus" está fazendo por nós aquilo que não podemos fazer por
nossa conta própria.

Estas promessas podem parecer exageradas, porém não o são. Elas estão sendo
cumpridas entre nós, algumas vezes rapidamente, outras lentamente.
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ORAÇÃO DA SERENIDADE

“Concedei-me, SENHOR, a serenidade necessária para aceitar as coisas


que não posso modificar, coragem para modificar aquelas
que posso e sabedoria para distinguir umas das outras.

Esta oração tem-nos proporcionado uma nova vida. Examinemos as suas partes principais:

1. ACEITAR AS COISAS QUE NÃO POSSO MODIFICAR - São muitas as coisas que
não posso modificar: o passado, o futuro e nem as outras pessoas. Preciso aceitar o
fato de que posso ser atencioso e bondoso com meus familiares, porém não mais
tempo do que se lhes está reservado estar aqui na Terra.
A perda de amigos deve ser aceita como se eles tivessem se mudado para muitos
quilômetros de distancia.
Eu não posso modificar as pessoas, elas continuarão fazendo as coisas a sua
maneira, apesar de que eu tente dizer-lhes, muitas vezes, qual é a melhor forma ... ( A
MINHA!)
A quem eu posso mudar? – A MIM MESMO!

2. CORAGEM PARA MUDAR AQUELAS QUE POSSO – Isto é, mudar minha maneira de ser!

"Ó Senhor! permita que eu mude os meus sentimentos em relação aos outros! Ao
invés de criticá-los, devo aceitá-los como eles são; estar interessado em seus
problemas, ao invés de ignorá-los; devo ser afetuoso com os outros, ao invés de
mostrar-me frio e insensível! Permita-me, Senhor que eu mude minhas emoções,
colocando esperança, amor, coragem, paz e alegria em minha vida, no lugar de
amargura, temor, desgosto, ódio e ressentimentos. Todas estas coisas eu posso
modificar, se for suficientemente inteligente para reconhecer a necessidade de fazê-lo".

3. SABEDORIA PARA DISTINGUIR UMAS DAS OUTRAS – Se vejo coisas das quais
não gosto, é hora de examinar a MIM MESMO: minhas atitudes, minhas reações, e
reconhecer se necessito mudar algumas delas. Examinemos uma vez, outra e mais
outras, antes de criticar os outros. Compreendo que minha vida está intimamente
ligada a outras vidas, mas estou tendo sabedoria suficiente para entender que não
posso mudar os outros, mas posso mudar minha maneira de pensar, atuar e reagir.
Então, a resposta a minha Oração é:

DEVO E POSSO MUDAR SOMENTE A MIM MESMO!


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COMO FUNCIONA O PROGRAMA

“UM DIA DE CADA VEZ”

Não se sabe de ninguém que tenha seguido nossa trajetória e tenha falhado. “Os
que não se recuperaram são pessoas que não conseguiram ou não se entregaram
completamente a este programa.” 1 Se você está sofrendo e quer mudar, você pode. A
recuperação depende de ser honesto, aberto a novas idéias, e querer tomar as atitudes
certas.
Estes são os Doze Passos seguidos em nosso Programa de Recuperação:

1. Admitimos que éramos impotentes perante nossas emoções – que tínhamos


perdido o domínio sobre nossas vidas.

2. Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos a


sanidade.

3. Tomamos a decisão de submetermos a nossa vida e a nossa vontade a Deus,


como O entendíamos.

4. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.

5. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante um outro ser humano, a
natureza exata de nossas falhas.

6. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos


de caráter.

7. Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.

8. Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos


dispusemos a reparar os danos a elas causados.

9. Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que
possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem.

10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e quando estávamos errados nós o


admitíamos prontamente.

1
Alcoólicos Anônimos (New York: Serviço Mundial de Alcoólicos Anônimos, LTDA, 1976), P. 58.
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11. Procuramos através da prece e da meditação melhorar nossos contatos


conscientes com Deus, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação
a nós e forças para realizar esta vontade.

12. Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes passos, procuramos


transmitir esta mensagem e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.

(Permissão para usar os Doze Passos de Alcoólicos Anônimos para adaptação,


concedida pelo Serviço Mundial de AA, Ltda)

Logo no início, recomendamos que você seja destemido e se entregue ao


seguimento destes Passos. Mesmo se alguns deles parecerem difíceis demais,
desnecessários ou incompreensíveis, você terá muito a ganhar experimentando-os.
Alguns de nós tentamos nos segurar à velha maneira de pensar e agir, mas descobrimos
que não cresceremos no programa até que nos entreguemos completamente e
comecemos a trabalhar estes passos.

Descobrimos através deste programa um poder maior que nos ajudou a


compreender e iniciar o trabalho destes passos em nossas vidas diárias. Aprendemos que
não temos que entender ou trabalhar o programa perfeitamente; nós só tínhamos que
fazer o nosso melhor. Através da prática diária destes passos, crescemos emocional e
espiritualmente. Descobrimos quem realmente somos. Encontramos a recuperação. Você
também consegue.
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PRIMEIRO PASSO

Admitimos que éramos impotentes perante nossas emoções — que tínhamos


perdido o domínio sobre nossas vidas

IMPOTENTES

Quando fomos pela primeira vez aos Emocionais Anônimos e ouvimos as pessoas
dizerem que eram impotentes, muitos de nós nos rebelamos; certamente não éramos
impotentes. Podemos ter nos recusado a dizer “impotentes” porque não gostávamos
muito da ideia de impotência. Talvez tenhamos nos sentidos amedrontados ou
ameaçados por esta ideia.

Talvez você também não tenha certeza se é realmente impotente perante suas
emoções. Observe algumas das descrições de como a impotência afetou muitos de nós e
veja se algumas delas se aplicam a você.
 Éramos incapazes de sentir ou parar de sentir algumas emoções
 Nos sentíamos desamparados e, talvez, desesperados.
 Não nos sentíamos bem conosco mesmos por mais que tentássemos
 Tentamos a análise, mas não funcionou
 Não fomos capazes de mudar usando somente nossa força de vontade
 Não éramos auto suficientes por mais que quiséssemos; precisávamos de outras
pessoas.
 Éramos impotentes perante nossos sentimentos, positivos e negativos.

— Você já teve raiva de alguém e tentou se livrar dessa raiva usando a lógica e a
razão?
— Você já sentiu culpa a respeito de algo e tentou livrar-se dela justificando-a?
— Você já se sentiu sozinho mesmo com muitas pessoas em sua vida?
— Você já sentiu medo quando a razão dizia que não havia nada a temer?
— Você sempre diz ou pensa, “Por que tudo acontece comigo?”
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Se a resposta for sim, acreditamos que você seja impotente perante suas
emoções.
Aceitarmos que somos impotentes não significa que somos ruins ou irresponsáveis
em outras áreas de nossas vidas. Significa que nossas emoções estão fazendo com que
nosso comportamento seja diferente daquele que gostaríamos. Quando compreendemos
que somos impotentes, somos então capazes de procurar por um novo caminho e
começamos a mudar. Somos capazes de enxergar nossas limitações e conhecer a
realidade de nossas vidas.

INCONTROLÁVEL

Nossas vidas são mesmo incontroláveis? Pergunte a si mesmo se qualquer uma


das circunstâncias abaixo se aplica a você.
 Quanto mais tentamos controlar nosso comportamento, mais descontrolados nos
tornamos.
 Achamos que as pessoas que nos cercam, são responsáveis pelo descontrole de
nossas vidas, mas quanto mais tentamos modificar os outros mais incontroláveis
nossas vidas se tornam. Somos impotentes perante outras pessoas e não podemos
modificá-las.
 Somos hipersensíveis e melindrosos sobre o que os outros dizem. Por causa de
nosso egocentrismo, levamos de forma exageradamente pessoal e importante os
acontecimentos corriqueiros ou as atitudes de outras pessoas.
 Não falamos com os outros porque temos certeza de que eles não gostariam de
falar conosco.
 Não somos capazes de realizar tarefas corriqueiras.
 Temos tantos problemas em nossas vidas que não sabemos por onde começar.
 Nos sentimos diferentes e sozinhos.

Nossas vidas se tornaram incontroláveis por vários motivos. Solidão, vergonha,


insegurança, timidez ou baixa auto-estima estão freqüentemente entre eles. Outros
fatores também podem estar inclusos como: medo de rejeição, medo de errar, medo de
não nos enquadrarmos, medo de sermos diferentes, sentimentos de inadequação, auto-
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rejeição, egocentrismo, auto negação, ou medo de envolvimento. Podemos apresentar


hostilidade e ressentimentos por traumas passados.

Muitos sintomas podem indicar que nossas vidas são incontroláveis. Alguns deles
freqüentemente apresentam-se como doenças físicas e psicossomáticas tais como:
úlceras, dores de estômago, dor de cabeça, hipertensão, doenças de pele, irregularidades
cardíacas e circulatórias, enfermidade urinária e intestinal; ou reclamações de dores nas
costas, nos músculos e juntas. Obviamente, todos os sintomas devem ser avaliados por
um médico, mas se não houver causas orgânicas que as justifiquem, devemos suspeitar
de causas emocionais e começar a procurar as respostas.

O perfeccionismo compulsivo pode ser um outro sintoma. Se não conseguimos


fazer algo perfeitamente, nos consideramos uns fracassados. Podemos reagir nos
tornando passivos; simplesmente relaxamos e aceitamos tudo o que os outros fazem ou
dizem. Não podemos ser felizes agindo desta maneira, então provavelmente se inicia uma
tempestade dentro de nós, mas não somos capazes ou temos medo de nos impor em
várias situações. Isto pode nos levar a agir agressivamente em áreas onde sentimos ter
maior controle. Por exemplo, se tivermos dificuldades com colegas de trabalho ou nosso
chefe, podemos chegar em casa e descarregar nossas frustrações em nossos familiares.

Uma outra forma de reação ao nosso perfeccionismo é rejeitar qualquer coisa que
os outros façam. Não aceitamos nada que os outros façam ou digam. Criticamos tudo e,
como conseqüência, o relacionamento com as pessoas a nossa volta se transforma em
revolta emocional.

Podemos ser nervosos, sujeitos a pânicos freqüentes, ou sofrer por depressão ou


ansiedade. Podemos ser propensos ao acaso. Fantasiar como a vida será melhor quando
as coisas mudarem. Podemos nos preocupar em demasia, tendo problemas para dormir,
nos afastar de outras pessoas, ficar irritados e até mesmo maltratar as pessoas a quem
amamos. Podemos achar que os outros estão falando a nosso respeito, observando todos
os nossos movimentos ou que querem nos pegar. A raiva anormal e explosões
temperamentais são sintomas que nos levam a perceber que algo está muito errado.
Podemos nos tornar destrutivos, violentos ou homicidas. Podemos ter tendência suicida e
até mesmo tentar suicídio. Para muitos nos Emocionais Anônimos, o exagero destas
emoções fez com que compreendêssemos que nossas vidas estavam fora de controle.
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Alguns de nós não temos problemas psicológicos definidos, mas vivemos de uma
maneira que não nos traz alegria. Estamos sempre apáticos. Nós adiamos as coisas e
agimos de maneira falsa. Estamos freqüentemente julgando e criticando os outros porque
isso parece fazer com que nos sintamos melhor a respeito de nós mesmos, porém
podemos também permitir que nos espezinhem. Raramente dizemos não quando
solicitados e freqüentemente assumimos tarefas demais. Podemos estar repletos de auto
piedade, ressentimento, raiva, ciúme, inveja, ganância, intolerância, egocentrismo, ou de
muitos outros sentimentos que são característicos de vidas fora de controle.

Alguns de nós tentam livrar-se de seus sentimentos racionalizando-os. Podemos


também tentar várias formas de fugir de nossos sentimentos. Alguns usam como fuga as
pílulas, o álcool, a comida, atividade sexual doentia, jogos de azar, compras ou o trabalho.
Podemos nos focar na necessidade de resolver os problemas de outras pessoas. Até
mesmo o falar o silenciar, ler, fazer exercícios, viajar ou estudar podem ser escapismos
quando realizados em excesso. Podemos ser viciados em televisão ou filmes o que nos
faz esquecer do resto do mundo. Qualquer coisa usada em excesso pode interferir no
equilíbrio de nossa vida e nos impedir de enfrentar e lidar com nossa dor.

Quando nossa fuga particular não funciona, procuramos em outros lugares pela
ajuda que tão desesperadamente precisamos. Adotando o Emocionais Anônimos e os
Doze Passos como uma resposta alternativa, estamos admitindo ter chegado ao nosso
fundo do poço emocional. Isto pode acontecer de formas diferentes para cada pessoa.
Alguns parecem não estar satisfeitos com a vida e procuram uma maneira de ser feliz.
Alguns chegam ao desespero profundo e podem precisar de tratamento através de um
profissional de saúde mental, medicamento e hospitalização. Outros ainda vem aos
Emocionais Anônimos com a intenção de ajudar a alguém, mas quando estão lá,
descobrem que também precisam ser ajudadas. Uma das coisas que todos temos em
comum é que ao chegarmos ao fundo do poço emocional decidimos que queremos fazer
alguma coisa hoje para mudar nossas vidas. Estamos doentes e cansados de nosso
antigo modo de viver; estamos cansados de ser do jeito que somos. Compreendemos que
nossa vida continuará sendo incontrolável se não fizermos nada para mudar.
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ADMITINDO

Admitir que não somos capazes de controlar nossas vidas não é fácil. Não é fácil
admitir nosso egocentrismo, auto piedade, e ressentimentos. É difícil parar de culpar os
outros pelo que somos e por nossa maneira de agir. Dizemos “Se meu cônjuge fosse
diferente”, ou “Se não fosse pelos meus filhos, meus pais, os parentes de meu cônjuge,
meu chefe, meu emprego, meus vizinhos, minha casa, meu carro, o clima –qualquer coisa
ou qualquer pessoa – eu não seria / estaria assim.”

Através do Primeiro Passo, aprendemos a aceitar nossas emoções como elas são
e a não permitir que elas controlem nossa maneira de agir. À medida que aprendemos a
aceitar nossas emoções, nos tornamos mais aptos a administrar nossas vidas. Podemos
fazer escolhas conscientes atentos em nossas emoções e não simplesmente reagir de
acordo com elas e permitir que elas nos controlem. Começamos a assumir a
responsabilidade por nossas vidas indiferentes a quem ou ao que pode ter nos
influenciado no passado.

Este Primeiro Passo é de honestidade e humildade. Admitir nossas limitações


humanas nos dá a liberdade de não mais esconder nossas imperfeições de nós mesmos
e nem dos outros e conseqüentemente nos permite encarar a realidade da nossa
situação. No início, o Primeiro Passo parece ser o passo do desespero, mas depois
percebemos que é o passo da esperança. Descobrimos que não estamos sós, existe
ajuda disponível. No Segundo Passo encontramos força para restaurar nossa saúde, pois
passamos a contar com uma direção espiritual e nossa esperança cresce.
18

SEGUNDO PASSO

Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos


poderia devolver-nos a sanidade

Este é um passo de esperança. Já que não temos o poder para promover nosso
próprio bem-estar, temos que desenvolver uma crença, e em seguida a fé, num poder
maior que nós mesmos – um Poder Superior.

UM PODER SUPERIOR A NÓS MESMOS

Quando chegamos aos Emocionais Anônimos, alguns de nós não tínhamos


nenhum conceito de um Poder Superior. Outros mostravam-se muito confusos sobre a
natureza de Deus. Alguns consideravam Deus como algo a ser temido ou alguém capaz
de nos punir. Outros acreditavam que tinham um bom relacionamento com seu Poder
Superior, embora ficassem decepcionados por entenderem que isso parecia que não
resolvia seus problemas emocionais. Alguns estavam à procura de alguma coisa para
acreditar. Outros ainda haviam decidido que Deus não existe.

No Segundo Passo é nossa responsabilidade formular nosso próprio sistema de


crença. Não precisamos seguir o caminho de mais ninguém. As pessoas que têm uma fé
religiosa que lhes é confortável utilizam esta crença. Aqueles que não têm uma crença
definida começam somente a explorar as possibilidades. Este passo funcionará, para
cada um de nós até que tenhamos uma ideia completa de nosso sistema de crença.

Desenvolver este relacionamento poderoso nem sempre é fácil e requer que


olhemos honestamente para nossos sentimentos e crenças com relação às questões
espirituais. Não importa como definiremos este grandioso poder; o que temos que fazer é
simplesmente desenvolver um conceito de um Poder Superior que funcione. Não importa
no que ou em quem acreditaremos. O que importa é que realmente acreditemos que
existe algo ou alguém com um poder maior que o nosso e que usaremos esse poder para
ajudar-nos a nos recuperar.
19

Pode ser um Deus como o concebemos, o grupo de Emocionais Anônimos (o


poder de muitas pessoas trabalhando juntas pela recuperação é um poder maior do que o
de uma pessoa), a natureza (certamente uma força maior que a nossa), a ideia de
princípios universais ou qualquer coisa que possamos aceitar como sendo maior do que
nós mesmos.

Não mais capazes de controlar nossas vidas, de viver em paz conosco e com os
outros fomos forçados a recorrer, em desespero, a um Poder Superior. Tudo – nosso
crescimento em Emocionais Anônimos, a serenidade, felicidade e bem-estar —
dependem de nossa fé em um poder maior do que nossos próprios recursos limitados. A
fé e a confiança é a crença num poder maior que nós mesmos. Não temos que fazer
mudanças drásticas para alcançar a ajuda de nosso Poder Superior. Este poder está
disponível para nós exatamente aonde estivermos. Se tivermos dificuldade em
desenvolver este relacionamento, podemos começar acreditando em outro ser humano,
talvez um padrinho, uma madrinha ou qualquer outra pessoa de nosso grupo de
Emocionais Anônimos.

O Segundo Passo requer que admitamos a existência de um poder maior que nós
mesmos. Uma vez que entendamos que não somos os todo-poderosos, conseguiremos
parar de tentar ser Deus e permitir que Deus seja Deus.

Muitos de nós descobrimos através dos Doze Passos que o nosso conceito de
Poder Superior se desenvolve num profundo relacionamento pessoal com um ser
espiritual, um relacionamento que não era possível antes de praticar o programa. Um
paradoxo do programa é que sendo impotentes, encontramos um poder para nos ajudar.

VIEMOS A ACREDITAR

Primeiro viemos a uma reunião onde vimos pessoas em recuperação. Começamos


a acreditar que havia ajuda disponível. Alguns de nós tomamos consciência de nossa
baixa auto-valorização. Não nos achávamos dignos de ajuda de um grupo nem de um
Poder Superior. Depois viemos a entender que éramos todos iguais e tão importantes e
valiosos quanto qualquer outra pessoa. Sim, nós também éramos merecedores de ajuda.
No início, éramos muito céticos com relação a este passo, mas compreendendo que
tínhamos pouco a perder, corremos o risco de acreditar. Com o tempo, viemos a acreditar
20

que um Poder Superior poderia nos restaurar a sanidade, de acordo com nossa boa
vontade e colaboração.

À medida que examinávamos nossa vida espiritual, muitos de nós percebemos


como estávamos desafiando Deus; talvez porque Ele não nos tivesse dado o que
pedimos em nossas orações no passado, talvez por termos passado por um sofrimento
ou desapontamento pensáramos que Deus tivesse nos abandonado. Podemos ter ficado
doentes e pedido a Deus que nos curasse, mas achamos que nada aconteceu.

Alguns de nós sofremos abusos de nossos pais ou de outras figuras autoritárias, e


por isso temos dificuldade de ver Deus como um pai amoroso. Podemos desafiar as
questões espirituais por termos medo de abandonar o nosso controle.

Nos Emocionais Anônimos encontramos um Poder Superior que ajuda e socorre.


Aprendemos a abandonar nossas velhas crenças destrutivas e buscar nosso próprio
entendimento das questões espirituais. Descobrimos que assistindo às reuniões e
trabalhando o programa poderíamos aceitar novos princípios e descartar os falsos ou
prejudiciais para nós.

Quando entramos para o programa, alguns de nós pensávamos que estávamos


cheios de fé. Nós orávamos, freqüentávamos a igreja regularmente e fazíamos o que
achávamos ser correto. Estávamos convencidos de que desde que tentássemos ser bons
membros de nossa religião em particular, nossas vidas não seriam tão atribuladas.
Descobrimos que o que realmente importa é a qualidade e não a quantidade de nossa fé.
Aprendemos que a crença não se transforma automaticamente em fé. Podemos acreditar
em Deus, embora não acreditemos que Ele nos ajudará. Reconhecemos que a prática da
nossa fé precisava ser mais vital. Abrimos nossas mentes para um relacionamento novo e
mais relevante com nosso Poder Superior. Outros de nós olhávamos com inveja para os
que já acreditavam. Achávamos que eram pessoas de sorte. Talvez freqüentando às
reuniões iríamos acreditar também. Mas aprendemos que a crença não acontece ao
acaso, temos que trabalhar para isso. Temos que desejar investir tempo e abrir nossas
mentes investigando como desenvolver o conceito de um Poder Superior que dê
resultado para nós. Com a crença vem a fé e o desejo de confiar em algo anteriormente
desconhecido, de confiar em um Poder Superior para nos restaurar àquela sanidade que
tão desesperadamente desejamos.
21

Acreditar num poder maior que nós mesmos é diferente de ter fé num Poder
Superior. Não adianta simplesmente desejarmos ter mais fé. Para desenvolvê-la temos
que usá-la. Demonstramos ter pouca fé se continuarmos agarrados aos nossos medos e
ansiedades. Quando reconhecemos que isso está tornando nossas vidas incontroláveis e
que somos impotentes, entregamos ao Poder Superior. Acreditamos que nosso Poder
Superior cuidará de nós. A fé vem quando vemos os milagres de nosso Poder Superior
trabalharem em nossas vidas e na vida de outras pessoas. Milagres não são apenas os
grandes e maravilhosos eventos. Adquirimos fé quando olhamos o que está acontecendo
em nossa volta e começamos a ver cada presente ou intervenção simples que é um
milagre produzido por nosso Poder Superior. À medida que começamos a reconhecer
isso, e dar crédito ao nosso Poder Superior, nosso entendimento, confiança e fé, crescem.
Nossas vidas podem melhorar sem a crença num Poder Superior, mas não
conseguiremos alcançar a suprema serenidade sem crer verdadeiramente em poder
maior que nós mesmos.

RESTAURAÇÃO DA SANIDADE

Restaurar significa trazer de volta a saúde e a força. Que maravilhoso! Alguns de


nós se recordam de ter tido um bem-estar emocional. Alguns não conseguem se lembrar
da época em que não se sentiram em vantagem na vida. Nos sentimos bem ao lembrar
que, em algum momento do passado, nos sentimos sãos e que isso pode acontecer
novamente. Nosso senso perdido de bem-estar pode nos ser devolvido. Este é o sentido
da esperança oferecida no Segundo Passo.

O sentido da palavra sanidade no Segundo Passo é difícil de ser aceita por alguns
de nós. Sanidade é o pensamento são, é o senso comum. O dicionário descreve sanidade
como um comportamento razoável. Precisamos olhar para nosso comportamento no
passado – explosões temperamentais, raiva descontrolada, comportamentos
compulsivos, silencio, sono excessivo ou qualquer outro excesso – para saber que nosso
comportamento certamente não era são e nem racional.

Ouvimos os outros se referirem a insanidade não como demência ou completa


loucura, mas como a repetição das mesmas ações ou comportamentos várias e várias
22

vezes esperando por resultados diferentes. Depois de pensarmos um pouco sobre o


assunto, tivemos que admitir que a palavra sanidade era apropriada.
Quanto mais plenamente admitirmos que precisamos ter nossa sanidade
restaurada, mais buscaremos ajuda de nosso Poder Superior como solução para os
nossos problemas e dificuldades. Quanto mais plenamente acreditarmos que nosso Poder
Superior pode nos restaurar a sanidade, mais buscaremos essa ajuda, e mais
desejaremos tomar a decisão, em nosso Terceiro Passo, de submeter nossas vontades e
nossas vidas ao nosso Poder Superior.
23

TERCEIRO PASSO

Tomamos a decisão de submetermos nossas vontades e nossas vidas


aos cuidados de Deus como O entendíamos

O Terceiro Passo solicita que demonstremos nossa fé. Nós não só aceitamos a
ideia de um Poder Superior que pode nos ajudar, mas também permitimos que este poder
espiritual dirija nossas vidas. Paramos de lutar e resistir. Nos rendemos e nos entregamos
a Deus.

Agora temos a oportunidade de construir uma nova vida. Enfrentamos nosso


dilema e entendemos que quanto mais negamos ou lutamos com nossos sentimentos,
mais somos encurralados pela depressão, ansiedades e medos. Tínhamos que parar de
tentar ser auto-suficiente se quiséssemos melhorar. Olhando para nossas vidas
percebemos que não tínhamos realizado esse grande trabalho por conta própria. Uma vez
que as emoções não são coisas palpáveis, devemos admitir que não podemos nos
modificar, usando apenas nossa força de vontade.

Os três primeiros passos são essenciais. A aceitação de nós mesmos, dos outros e
de nossa situação, são à base destes três passos. É através deles que estabelecemos o
alicerce para trabalhar o resto do programa. Portanto, voltamos a eles de tempos em
tempos.

Aceitação não é apatia. Aceitação é dizermos: “Este sou eu; isto é o melhor que eu
posso fazer hoje. Pare de lutar”. Entretanto, aceitação não significa que nos conformamos
com um destino cruel. Significa simplesmente que podemos viver hoje sem lutar com as
coisas que não podemos modificar. A Apatia diz, “Eu desisto. Não vale a pena. Eu não me
importo; eu não quero tentar”. A apatia demonstra a pouca consideração que temos com
nós mesmos. Ela nos dá a visão distorcida de que não existe esperança para nós. A
aceitação nos deixa livres para mudarmos. A apatia nos mantém presos em nossa doença
emocional e espiritual.

Precisamos começar a praticar este Passo em momentos de indecisão ou aflição


emocional, fazendo a prece da serenidade:
24

“Senhor conceda-me a serenidade necessária para aceitar as coisas


que eu não posso modificar, coragem para modificar as coisas que eu posso,
e sabedoria para reconhecer a diferença.”

TOMAMOS UMA DECISÃO

Apesar de toda a esperança que sentimos por nossa possível recuperação, muitos
consideram difícil, esta decisão do Terceiro Passo. Alguns de nós queremos fortes
garantias antes de decidir fazermos nossa entrega ao nosso Poder Superior, outros têm
medo de assumir tal compromisso. Não temos a certeza de conseguirmos corresponder
as expectativas deste compromisso.

E se assumirmos este compromisso e as coisas não saírem da maneira que


queremos? Depois de estarmos no programa há algum tempo, compreendemos que, se
quisermos progredir, teremos que tomar esta decisão. Assistimos o quanto a vida de
outros tornam-se melhores quando eles acolhem este Passo. Nós também podemos
decidir acolhê-lo.

Quando tomamos a decisão de submeter nossas vidas a um Poder Superior, nos


sentimos bem com isso.

Podemos porém ficar preocupados ou temerosos de não sermos aceitos por nosso
Poder Superior. Entretanto logo aprendemos que, quando nos rendemos totalmente
exatamente como estamos – com sintomas, sentimentos, imperfeições – o caminho se
abre para que nosso Poder Superior nos supra com aquilo que precisamos.

SUBMETEMOS NOSSA VONTADE E NOSSAS VIDAS

Descobrimos que não podíamos viver por nós mesmos; muitos de nós haviam
tentado e falhado. A força de vontade nunca obtém o sucesso que esperamos. Afinal, as
outras pessoas também têm força de vontade e nós sempre nos encontramos em conflito
com elas quando opomos nossa vontade à delas. Em nossa tentativa de controlar
situações podemos mostrar generosidade, auto-sacrifício, consideração ou gentileza, mas
25

frequentemente somos guiados pelo medo, ressentimento, autopiedade ou auto-desilusão


e acabamos espezinhando os outros. Eles podem revidar e nos ferir.

Percebemos que nossas palavras e ações sempre nos colocam numa posição que
permite sermos magoados. Temos que admitir que, em certos casos, nossos problemas
são basicamente criados por nós mesmos. Eles originam-se da má orientação de nossa
vontade própria embora freqüentemente não reconheçamos isso. Na verdade, ao reagir a
nossas emoções cegamente, nossa vontade própria ocorre de maneira exagerada,
causando-nos um comportamento adoentado. É essencial que nos livremos deste
egocentrismo, mas somos incapazes de fazê-lo somente desejando que ele vá embora ou
através de nossa força de vontade. Precisamos ter a ajuda do nosso Poder Superior.

Antes que possamos submeter a nossa vontade ao Poder Superior, temos que
desistir da ideia de que devemos ser auto-suficientes. Tomar esta decisão demonstra um
compromisso com o uso do programa. Estamos querendo tentar algo novo. Entretanto,
não podemos cruzar os braços e dizer, “Deus, faça tudo”. À medida que Deus nos
fortalece, somos nós que temos que agir e fazer as mudanças necessárias para
conquistar uma vida mais saudável.

Não adianta analisar o desejo de Deus. Nem sempre sabemos qual é a vontade de
Deus para conosco, e mesmo que saibamos, não importa. À medida que desenvolvemos
uma parceria com nosso Poder Superior e começamos a nos conhecer, começamos a
reconhecer a direção que parece espiritualmente correta para nós.

A chave para trabalhar este passo é desejar submeter nossa vontade e nossas
vidas aos cuidados de Deus, como nós O entendemos. Podemos relutar em fazer isto até
atingirmos um grau de confiança de que nosso Poder Superior cuidará verdadeiramente
de nós.

Desenvolver relacionamentos de atenção e confiança com outras pessoas, abre o


caminho para, muitos de nós, confiarmos em nosso Poder Superior. Inicialmente,
precisamos decidir renunciar àquelas partes de nossas vidas que estão causando maior
dor. A partir daí podemos construir nossa confiança conforme vemos mudanças positivas
acontecerem em nossas vidas.
26

DEUS COMO O CONCEBEMOS

Para aqueles de nós que tem sentimentos negativos sobre religião e Deus, este
Passo é um bloqueio em potencial. Podemos aceitar muitas das idéias do Segundo
Passo, mas alguns de nós sentimos que esta definição específica de um Poder Superior,
está distante demais. Se nos sentirmos ofendidos ou incapazes de usar as palavras
“Deus” ou “Ele”, podemos escolher outras palavras que funcionem melhor para
descrevermos nosso Poder Superior. Precisamos lembrar que somos livres para definir
nosso Poder Superior da maneira que desejarmos.

Muitos de nós temos acreditado desde a infância, em um Deus de medo e punição.


Achamos que para Deus nos aceitar, devemos ser obedientes e batalharmos pela
perfeição. Uma vez que Deus está nos observando e sabe de nossos erros, certamente
nunca estaremos à altura quando o juízo final chegar. Nos sentimos julgados. Com este
conceito de Deus, pode ser muito difícil olhar para este passo e pensar em submetermos
nossa vontade e nossas vidas à Deus. Precisamos de uma imagem de um Poder Superior
cuidadoso que possa nos restaurar a sanidade e nos dar força para mudar. Se não
tivermos o conceito de um Deus amoroso, pedimos ao nosso Poder Superior para nos
ajudar a desenvolver um. Começamos a ter o desejo de examinar nossas crenças
espirituais e aprender a confiar num Poder maior que nós mesmos.

AOS CUIDADOS DE DEUS

Quando nos rendemos, muitas coisas extraordinárias acontecem. Sendo cuidadoso


e todo poderoso, Deus providencia o que precisamos assim que nos rendemos.
Encontramos coragem onde antes não tínhamos nenhuma.

À medida que nos tornamos mais seguros nesse relacionamento poderoso,


perdemos nosso egocentrismo e nos tornamos menos focados em questões mesquinhas.
Somos libertos da agonia de tentar sermos Deus. Nós liberamos a Deus a
responsabilidade de dirigir nossas vidas e as vidas das pessoas que nos rodeiam. Nos
sentimos menos ressentidos e defensivos. Nos tornamos interessados em contribuir com
a vida ao nosso redor.
27

Assim que experimentamos este novo poder em nossas vidas, começamos a


desfrutar de paz de espírito. Quando descobrimos que podemos encarar a vida mais
facilmente, nos tornamos mais conscientes de nosso Poder Superior trabalhando em
nossas vidas. Começamos a perder o medo do passado e do futuro. Começamos viver
um dia de cada vez.

Podemos nos colocar agora sob os cuidados de Deus fazendo este humilde
pedido:

“Deus, eu me ofereço ao Senhor, para fazer de mim e comigo o que desejar. Me


ajude a abandonar meu egocentrismo, assim reconhecerei melhor a Sua vontade
para comigo. Ajude-me a superar minhas dificuldades para que os outros possam
ver como seu amor, sabedoria e força me permitem mudar. Obrigado por estar
comigo. Possa eu fazer sempre a sua vontade” 2.

Descobrimos um Deus amoroso. Finalmente podemos nos abandonar inteiramente


e nos colocar aos cuidados de nosso Poder Superior. Agora, estamos prontos para a ação
enérgica do Quarto Passo.

2
Adaptado a partir de Alcoholics Anounymous (New York; Alcoólicos Anônimos Serviços Mundiais, Inc.
1976), p.63.
28

QUARTO PASSO

“Fizemos um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos “

Nossa fé num Poder Superior, juntamente com nossa decisão de permitir que este
Poder Superior nos guie, oferece a coragem necessária para fazermos um inventário
pessoal. Este inventário é um olhar honesto para nós mesmos, talvez, pela primeira vez.
É um olhar muito necessário. Tentamos ser o mais objetivos possível pois precisamos
desta informação para nossa recuperação.

Podemos querer definir direções sobre como fazer o inventário, entretanto, há


muitas maneiras de proceder. Conversar com pessoas que fizeram os delas ou ver os
manuais que estão à disposição, podem nos dar ideias. Cada um faz seu inventário
pessoal da maneira que lhe parecer melhor. Entretanto, não devemos permitir que o
perfeccionismo entre neste passo. Não existe uma maneira perfeita de fazermos nosso
inventário; às vezes adicionamos mais coisas a ele conforme nossa honestidade, sobre
nós mesmos e isto cresce ao longo da recuperação. O importante é começar.

Um inventário completo e saudável, geralmente inclui um equilíbrio entre


qualidades e defeitos. Ao fazer nosso inventário pessoal escrevemos nossos traços
característicos, tanto positivos quanto negativos. É necessário termos uma imagem real
de nós mesmos, desta forma procuraremos nossas forças e também nossas fraquezas.

É importante escrever este inventário para que consigamos uma avaliação


honesta. Será menos provável que racionalizemos ou esqueçamos do que está escrito, e,
portanto, podemos lidar com os problemas mais objetivamente.

EXAME MINUCIOSO

Tentamos abranger honesta e completamente todos os aspectos de nossas vidas.


Listamos experiências e comportamentos do passado que nos incomodam. Não
excluímos nada, conscientemente. Embora às vezes pareça que os sentimentos que
listamos são defeitos de caráter, eles não são. Os sentimentos não são bons nem maus.
29

Descobrimos que a maneira que temos reagido às nossas emoções tem modelado nosso
caráter e nosso comportamento no mundo. Precisamos olhar honestamente para as
crenças e atitudes nas quais nosso caráter está baseado. Descobrimos as razões que nos
fazem sentir que temos falhado.

A honestidade traz auto-aceitação e uma compreensão realista de onde e como


podemos mudar. Não temos defeitos exclusivamente nossos; somos todos humanos.
Qualquer coisa que admitamos, sobre nós, conscientemente pode ser mudada. É
necessário que olhemos para nosso interior.

DESTEMIDO

Coragem é o que precisamos para seguir em frente e fazer nosso inventário. Ser
destemido significa aceitar o desafio de ser franco e honesto ao olhar para nosso interior,
indiferente a nossa relutância ou compreensão. Nosso Poder Superior nos dá a coragem
para fazer isto.

Às vezes, à medida que prosseguimos com nosso inventário, surgem alguns


sentimentos desagradáveis e embaraçosos. Olhar para nós e para nosso passado pode
trazer sentimentos encobertos à superfície. Isto nos ajuda a lembrar que nossa fonte de
apoio e direção, para concluir este inventário, é nosso Poder Superior. Podemos precisar
parar por um tempo, falar com alguém, ou voltar ao Terceiro Passo.

Quanto mais irreal for a imagem que fazemos de nós mesmos, mais difícil será
expor nossos defeitos. Todo processo de cura é doloroso, e o único caminho para nos
libertarmos da dor é irmos até o fim. À medida que crescemos e encaramos nossa dor no
Quarto Passo, abre-se o caminho para a serenidade.

INVENTÁRIO MORAL

Moralidade é nosso senso de certo e errado. É uma reflexão exterior de nosso


próprio interior. Nossos preconceitos, intolerâncias, críticas, medos e culpas, são todos
parte de nossa moralidade bem como egocentrismo, egoísmo e ressentimento. A
moralidade vem de crenças e atitudes que se iniciam em nossa infância, e nós aceitamos
como verdades. Algumas destas crenças podem ser errôneas.
30

Nossas atitudes podem ser fantasiosas ou baseadas em condições que não


existem mais em nossas vidas. Podemos estar vivendo mais de acordo com a moralidade
de alguém do que com a nossa. Assim que descobrimos no que realmente acreditamos,
estamos mais aptos a agir de acordo com essas crenças. O propósito deste inventário é
descobrir esses comportamentos ineficientes que desenvolvemos, e ver de que maneira
temos sido controlados por eles.

Entre as coisas importantes com as quais lidamos em nosso inventário, estão os


ressentimentos. Estes sentimentos ruins para com as outras pessoas ou instituições,
destroem a nossa paz de espírito. Quando nos ressentimos com alguém ou algo, nós
inconscientemente permitimos que aquela pessoa ou coisa nos controle. Isso nos
machuca, embora possa não ferir a pessoa pela qual estamos ressentidos. Eles,
provavelmente, nem estão a par disto.

Nutrir profundos ressentimentos só nos levam a uma vida de frustração e


infelicidade. Por causa disto, listamos em nosso inventário os ressentimentos que temos
com relação a outras pessoas, instituições ou princípios. Perguntamos a nós mesmos por
que ainda estamos irados com relação a elas. Depois, descrevemos como estes
ressentimentos tem afetado nossa maneira de pensar, sentir ou agir. É nosso orgulho,
nosso amor próprio, ambição, relacionamentos pessoais ou segurança financeira que está
ferindo ou ameaçando? Se pudermos identificar a emoção que origina isto, nós a
escrevemos.

Alguns exemplos:

 Estou ressentido com meu chefe porque ele nunca me dá uma resposta positiva; é
crítico, promove qualquer outra pessoa menos eu. Isto afeta minha segurança
financeira, meu amor próprio, meu orgulho e meu relacionamento com os colegas de
trabalho. Eu me sinto um fracassado em meu trabalho; tenho medo do fracasso.

 Estou ressentido com meus pais porque eles me tratam como uma criança, não
respeitam minhas habilidades queixam-se de que eu nunca escrevo nem telefono.
Isto afeta meu orgulho, relacionamentos familiares, amor próprio, afeição por eles.
Sinto que não sou aceita como sou e que devo ser quem eles querem que eu seja;
medo de rejeição.
31

 Estou ressentido com meu carro porque ele é muito chato, está sempre quebrando.
Eu não tenho condições de comprar um novo. Isto afeta meu orgulho, meu senso de
segurança e independência... Sinto que fui um idiota em comprá-lo e que pareço um
idiota para os outros; medo de tomar decisões.

Olhando os exemplos acima, vemos a palavra medo em todos eles.

Em muitos casos, o medo é a primeira emoção a tomar posse. O medo é o


resultado das ameaças ao nosso amor próprio, orgulho e bem-estar. Quando olhamos
para nossos ressentimentos, descobrimos que eles são geralmente uma reação ao medo.
Não gostamos de sentir medo então nós o encobrimos com ressentimentos, o que nos dá
a falsa sensação de estarmos no controle.

Em nosso inventário listamos nossos medos; revisamos nossa conduta passada


para ver qual destes medos tem influenciado nosso pensamento, controlado nosso
comportamento e afetado nosso relacionamento com outras pessoas.

— O medo nos faz ser egoístas, desonestos ou imprudentes? O que tem nos
ferido? Nos sentimos culpados? Sentimos ciúme, desconfiança ou rancor injustificavelmente?
Escrevemos tudo isto.

Ao crescermos podemos ter adquirido culpa, vergonha ou timidez por nossos


pensamentos, sentimentos e experiências sexuais. Fazer nosso inventário nos ajuda a
trazer estes fantasmas atormentadores à tona e a ser honesto sobre nossas experiências
sexuais. Teremos que parar de julgar os outros e a nós mesmos. Esconder esta culpa e
vergonha só nos impede de ficar bem. Continuaremos a rejeitar a nós e aos outros até
aceitarmos nossas limitações humanas.

Continuando nosso inventário, listamos todos os outros aspectos pessoais que


precisamos observar. Se guardamos profundos segredos, também os escrevemos.
Qualquer coisa, quando consciente, pode ser trabalhada por completo. Estas atitudes ou
comportamentos negativos são defeitos de caráter e são as forças motrizes por trás dos
erros que temos cometido. Por exemplo, negar nosso sentimento de autopiedade
encoraja nossa atitude do tipo “pobre de mim, a vida está tão dura.” Ao compreendermos
isto nos conscientizamos de que nos sentimos deste modo porque somos humanos e não
32

porque somos maus. Conseguimos aceitar que esta característica é parte de nós no
presente.

Um defeito de caráter se tornará menos do que um problema assim que estivermos


dispostos a trabalhar os Quinto, Sexto e Sétimo Passos.

NOSSO PRÓPRIO INVENTÁRIO

Enquanto escrevemos nosso inventário, nos concentramos somente em nós


mesmos. Este é nosso inventário e não o de outra pessoa. Consideramos somente nosso
envolvimento nas situações mesmo quando alguma coisa possa não ter sido inteiramente
falha nossa. Fazendo isto ficamos atentos em como somos egocêntricos e como nosso
ego nos mantém neste egocentrismo. Vemos onde temos contribuído para nossas
dificuldades sendo egoístas, desonestos, interesseiros e medrosos.

Se formos completos em nosso inventário pessoal, escreveremos muito. Lidamos


com nossos ressentimentos e medos e começamos a ver quanto eles são terrivelmente
destrutivos. Conforme registramos coisas no papel, nos tornamos mais capazes de
enxergar nossas falhas e admitir nossos erros. Registramos as pessoas a quem temos
ferido com nosso comportamento e usamos esta lista mais tarde em nosso Oitavo Passo.
Começamos a aprender a tolerância e paciência com relação a nós e aos outros.

Através deste honesto inventário pessoal, ficamos mais cientes de nossa


humanidade. Começamos a ver os defeitos de caráter que nos constrangem, que nos
causam dificuldades para conosco e para com os outros. Também procuramos nossas
qualidades porque nosso objetivo é construir uma imagem saudável e realista de quem
somos. Listamos nossas boas qualidades, apesar das dificuldades que possam ser
admitidas logo no início, e ficamos surpresos em ver quantas existem!

Com esta evidência tangível de nossa disposição de olhar para nós mesmos
honestamente, estamos prontos para seguirmos para o Quinto Passo.
33

QUINTO PASSO

Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano
a natureza exata de nossas falhas.

Todos os Doze Passos de Emocionais Anônimos nos pedem para irmos contra
nossas inclinações normais. Todos eles esvaziam nossos egos, e este passo talvez seja o
maior de todos eles neste sentido. Aqui estamos nós sendo solicitados a admitir
exatamente o que temos feito de errado, não só para nós e para Deus, mas também para
uma outra pessoa. Não foi suficiente escrever nosso inventário no Quarto Passo. Temos
que falar sobre estas coisas – oralmente e pessoalmente. Por mais perturbador que
pareça, este processo provará ser um grande benefício em nossa recuperação. O Quinto
Passo é absolutamente necessário como suporte para a serenidade e paz de espírito.
Ficar pensando sobre este Passo não trará beneficio algum; temos que reunir coragem
mais uma vez e partir para a ação.

ADMITINDO

Já admitimos nossos erros escrevendo nosso inventário, mas uma auto-avaliação


solitária não é suficiente. Por exemplo, excesso de culpa pode nos fazer exagerar em
nossas falhas, e ansiedade ou orgulho pode fazer com que minimizemos nossos defeitos.
Às vezes nosso egocentrismo e comportamento, nos fazem pensar que as outras
pessoas estão erradas, ou sentimos um medo e uma tensão constante que nos fazem
querer fugir da realidade. Admitir quem realmente somos, para uma outra pessoa, é a
única maneira de termos um retrato fiel de nós mesmos.

Se formos honestos ao escrever nosso inventário, podemos ter incluído algumas


lembranças perturbadoras e humilhantes que esperamos ser mantidas em segredo pois
temos certeza que ninguém jamais nos entenderia ou aceitaria se soubessem o que
fizemos ou o que nos aconteceu, por isso nos preocupamos em compartilhar nosso
inventário como nos é pedido neste passo. Podemos nos sentir solitários ou isolados, o
que é mais uma razão do porquê que precisamos admitir estas coisas para uma outra
pessoa.
34

Admitir a verdade para nós mesmos nos permite entrar em novos relacionamentos
conosco e com nosso mundo. Admitir significa tomar conhecimento das áreas que
precisamos mudar.

A NATUREZA EXATA DE NOSSAS FALHAS

É necessário compartilhar os exemplos específicos que escrevemos no Quarto


Passo, não para dizer simplesmente que nos sentimos ressentidos, temerosos e
culpados. Nós temos que lidar com a natureza exata de nossas falhas revelando-as para
uma outra pessoa. A maneira mais fácil e certeira de ser específico é ler em voz alta para
uma outra pessoa o que escrevemos. Desta maneira não deixaremos que nada nos
escape.

Quando fizermos nosso Quinto Passo, nós superaremos tudo o que estiver em
nosso inventário. É necessário compartilhá-lo completamente, pois, se omitirmos algo
conscientemente, prolongaremos nosso sofrimento. Se estivermos determinados a
melhorar, seremos honestos. Não ocultando nada, estaremos a caminho da recuperação.

PERANTE DEUS,PERANTE NÓS MESMOS E PERANTE UMA OUTRA PESSOA

É importante admitirmos nosso inventário perante Deus, perante nós mesmos e


perante uma outra pessoa. Se excluirmos um destes três, nosso quinto passo não
propiciará a fundação sólida de que precisamos para o restante do programa. Da mesma
forma que uma cadeira ou uma mesa não podem manter-se em pé sem uma de suas
pernas, também nossa recuperação não poderá se manter se não tivermos revelado
nosso inventário para uma outra pessoa, para nosso Poder Superior e para nós mesmos.

Por termos desenvolvido uma parceria com nosso Poder Superior, nos Segundo e
Terceiro Passos, nos parece menos embaraçoso compartilhar nossos segredos e traços
negativos de nosso caráter com Ele do que com uma outra pessoa. Afinal, Deus sabe
tudo o que fizemos e mesmo assim Ele ainda nos ama e nos aceita. Muitas pessoas, ao
fazer o Quinto Passo, iniciam com uma oração — pode ser a Oração da Serenidade —
como uma forma de convidar nosso Poder Superior a tomar parte neste Passo.
35

Contando para outra pessoa e, consequentemente ouvindo a nós mesmos, é que


começamos a tomar ciência de quem verdadeiramente somos. Aqui, nós não tentamos
manter aquela aparência pública que não se ajusta com o nosso verdadeiro eu. Sendo
honestos com outra pessoa, confirmamos estarmos sendo honestos conosco mesmos e
com Deus.

O Quinto Passo é melhor trabalhado com uma pessoa que tenha um certo
conhecimento em programas Doze Passos porque é muito importante que esta pessoa
entenda o que estamos tentando realizar. Não queremos que esta pessoa arranje
desculpas para nosso comportamento ou tente nos consertar, mas simplesmente que seja
testemunha de nosso honesto inventário.

A pessoa do nosso Quinto Passo pode ser um membro de um programa doze


passos ou um conselheiro, clero, médico, ou similar. Embora esta pessoa possa dar
discernimento, encorajamento ou sugestões, ela será, antes de mais nada, uma ouvinte.
Para que esta experiência seja positiva e tenha sucesso, é importante que esta pessoa
seja digna de confiança e compreensiva; alguém que não trairá nossa confiança e com
quem nos sintamos á vontade. Esta pessoa também deve ser do tipo que aceita e não
que julga.

Nós ganhamos muito quanto completamos o Quinto Passo. Nos livramos de nós
mesmos, de nosso isolamento e solidão. Adquirimos um sentimento de sermos parte de
algo, um senso de afinidade com outras pessoas e uma proximidade com nosso Poder
Superior.

Alguns experimentam a experiência imediata de um sentimento de alívio uma vez


que nosso medo e dor diminuem, e uma tranqüilidade curadora toma conta de nós.
Outros se sentem radiantes e vivos, como se “estivessem nas nuvens”. Por termos sidos
conduzidos por uma pessoa compreensiva e de boa aceitação no Quinto Passo, nós
compreendemos que Deus realmente nos ama. Muitas das pessoas que cumprem este
passo, na verdade, sentem a presença de um Poder Superior pela primeira vez. Até
mesmo aqueles que já tem fé ganham uma consciência de Deus que não tinham antes.

Em outros casos o alívio chega mais gradualmente e não com um sentimento de


alívio repentino. Geralmente nos dias que se seguem, percebemos que as coisas não nos
36

aborrecem tanto e nos sentimos melhor com relação a nós mesmos. O terrível peso da
vergonha foi retirado e um senso de paz nos invade.

Conforme experimentamos apoio e compaixão vindos da pessoa com a qual


partilhamos nosso inventário, nos sentimos perdoados. Ao mesmo tempo, compartilhando
honestamente o que descobrimos sobre nós mesmos nos ajuda a nos perdoar e perdoar
os outros.

Imediatamente após o Quinto Passo, muitos de nós busca um lugar quieto para
rever cuidadosamente tudo o que dissemos. Agradecemos a nosso Poder Superior pela
força e coragem que Ele nos deu. Sentimos gratidão pelo grau de confiança alcançado
em nosso relacionamento com nosso Poder Superior como o entendemos.

Agora que adquirimos mais autoconsciência e dividimos esta consciência, estamos


prontos para os Passos que se seguem no programa.
37

SEXTO PASSO

“Nos prontificamos inteiramente a que Deus removesse


todos estes defeitos de caráter”

Fazendo nosso inventário no Quarto Passo e compartilhando-o no Quinto Passo,


aprendemos muito sobre nós mesmos. Por trás de nossos ressentimentos, medos e
falhas, descobrimos alguns defeitos de caráter. Estes defeitos de caráter são nossos
hábitos negativos de pensar e agir, nossas reações automáticas com relação a vida,
nossas atitudes ineficientes. Agora, no Sexto Passo, nós nos empenhamos em identificar
estes defeitos de caráter e querer removê-los.

ESTÁVAMOS INTEIRAMENTE PRONTOS

Isto parece muito simples, pois todos nós estamos prontos para nos livrar das
características que tornam nossas vidas incontroláveis, não é? Claro que estamos
prontos. Entretanto, a natureza de nossa doença faz com que isso não seja tão fácil
quanto esperamos. Presumimos que seja fácil mudar — agora que realmente nos
compreendemos —, mas freqüentemente ficamos surpresos ao descobrir o quanto é
difícil, na verdade, mudar nossos padrões de pensamentos, atitudes e ações.
Estamos tão acostumados com nossos defeitos que não queremos nem pensar em
nos livrar deles. Eles têm feito parte de nossas vidas há tanto tempo que dependemos
deles. Dependemos de alguns defeitos para nosso senso de identidade ou para manter a
ilusão que temos o controle de nossas vidas. Algumas vezes racionalizamos que alguns
deles são insignificantes e que não causam verdadeiramente tanta dificuldade. Entretanto,
o Sexto Passo é muito claro; devemos estar prontos para que todos os nossos defeitos de
caráter sejam removidos.

Não podemos nos agarrar a nenhum deles e achar que nunca o abandonaremos.
Para que continuemos progredindo em nosso crescimento espiritual e emocional, temos
que nos preparar para deixar nossas atitudes ineficientes e permitir que Deus nos ajude a
mudar.
38

Assim que nos concentrarmos no Sexto Passo, nos conscientizaremos do quanto


nossos defeitos de caráter estão profundamente enraizados. O processo de fazer nosso
inventário nos revelou quantos de nossos defeitos de caráter foram desenvolvidos como
forma de defesa por motivo de alguma injustiça ou trauma que tenhamos sofrido no
passado.

Pela profundidade das raízes de nossos defeitos, fica claro entender que neste
estágio não estamos aptos a encarar todos os nossos defeitos de uma só vez. Contudo,
temos que nos esforçar com o objetivo de nos preparar totalmente para que eles sejam
removidos; geralmente fazemos isso aos poucos, removendo um de cada vez. Para isto,
precisamos de paciência e persistência, já que esta transformação de caráter é um
processo para a vida toda.

Também temos que aceitar que provavelmente nunca chegaremos à perfeição por
praticar este Passo. Aceitar isto é o início da preparação para deixarmos um de nossos
maiores defeitos de caráter, a necessidade de sermos perfeitos.

Às vezes parece que por mais que nos esforcemos, os comportamentos, as


atitudes e os pensamentos negativos continuam a nos aborrecer. Para superá-los, não
podemos só desejar, mas sim realmente querer viver de uma maneira diferente. A chave
para nós é disposição; enquanto estivermos tentando nos preparar para que nossos
defeitos sejam removidos, não há uma maneira deles desaparecerem por conta própria.
Para isto, oramos pedindo disposição, para que eles sejam removidos.

DEUS REMOVE TODOS OS DEFEITOS DE CARÁTER

Iniciamos pelo defeito que nos causa maior dor. Reduzir nossa dependência dele
nós deliberadamente o substituiremos, o quanto for possível, pelo caráter de qualidade
oposta. Por exemplo, se o problema for protelação tentaremos fazer as coisas em tempo
adequado. Agimos como se este defeito de caráter já tivesse sido removido. Nos
conscientizando de nossas escolhas saudáveis em nossos pensamentos e ações,
demonstramos ao nosso Poder Superior e a nós mesmos que, de fato, estamos prontos e
desejamos que nossos defeitos sejam removidos. Aqui, temos outra oportunidade de
abandonar nosso desejo próprio. Se nos apegarmos aos nossos defeitos de caráter,
faremos o que desejamos; se os deixarmos ir faremos o que Deus quer.
39

A maioria de nós quer a melhora para ontem. Entretanto, não ficamos doentes do
dia para noite, assim não podemos esperar que fiquemos bons em pouco tempo.
Enquanto seres humanos somos limitados no poder que possuímos; por este motivo
devemos seguir até o Sétimo Passo e rogar humildemente a Deus, como O entendemos,
para que nos ajude na remoção de nossas ações e atitudes que estão profundamente
enraizadas.
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SÉTIMO PASSO

“Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições”

No Sexto Passo nos preparamos para que nossos defeitos de caráter fossem
removidos por Deus, como O entendemos. Fizemos isto nos tornando conscientes de
nossos defeitos e desenvolvendo a disposição para deixá-los. Tentamos alinhar nossos
desejos pessoais com os de nosso Poder Superior. No Sétimo Passo continuamos este
processo rogando a Deus que remova nossas falhas. As falhas são as ações causadas
por nossos defeitos. Estes comportamentos demonstram aonde temos falhado para que
alcancemos nosso potencial. Precisamos nos livrar de nossos defeitos para corrigir nosso
comportamento e vivermos nossas vidas felizes, serenas e sob controle. Assim que os
defeitos são removidos, as qualidades ocupam seu lugar. Tudo isso será feito por nosso
Poder Superior assim que demonstrarmos que estamos prontos e pedir a Ele que o faça.
Os esforços serão nossos, mas os resultados virão de Deus.

ROGAMOS HUMILDEMENTE

A humildade é a chave para trabalharmos o Sétimo Passo. Logo que iniciamos o


programa, muitos de nós não compreendiam bem o significado de humildade. Alguns
pensam que humildade é sentir-se inferior a outras pessoas. Outros haviam aprendido
que não deveriam agir de maneira muito autoconfiante, ou falar sobre suas qualidades
porque pareceria presunção e, portanto, a pessoa não estaria sendo humilde. Alguns
confundiam humildade com humilhação. Erroneamente pensamos que temos que servir
de capachos para os outros, que temos que ser submissos e não nos impormos. Nossos
defeitos de caráter nos fazem sentir sem esperança, desvalorizados, depressivos e
ansiosos – em outras palavras, humilhados, mas isto não é humildade.

À medida que vamos progredindo no programa, aprendemos o que é humildade. A


palavra humildade vem de húmus que significa solo, chão. Humildade é ter nossos pés
plantados firmemente no chão, ter bons valores básicos e estar firmado neles. É ter uma
visão clara da realidade, enxergando a verdade sobre nós mesmos. É um senso realista
da posição de alguém em relação a Deus e às outras pessoas. Isso envolve a
41

compreensão de que não somos melhores nem piores que ninguém. Quando somos
humildes, não nos comparamos aos outros porque a comparação só nos faz sentir
superiores ou inferiores. Isto pode fazer com que foquemos os outros e evitemos de olhar
para nossos próprios defeitos de caráter.

Ser humilde é querer aprender estar aberto para uma nova maneira de viver. A
decisão de pedir ajuda e utilizar o programa de Doze Passos para transformar nossas
vidas são passos rumo à humildade. A humildade é composta por qualidades como
honestidade, aceitação, a busca pelo bem e confiança.

Nosso trabalho nos primeiros Seis Passos nos trouxeram humildade, e a ciência de
nossa dependência de Deus, como O entendemos. Tentamos deixar de lado nossos
próprios desejos e buscar o desejo de Deus para nossas vidas. Também nos
conscientizamos de que podemos ter uma dependência doentia sobre uma ou mais
pessoas. Sentimos como se não pudéssemos viver sem elas, que precisávamos delas
para nos sentir completos ou seguros. É claro que precisamos das pessoas, mas não de
maneira dependente e doentia. Compreendemos que grande parte de nosso crescimento
dependia de compartilhamento com os outros e da construção de relacionamentos
significativos e interdependentes.

O que ganhamos sendo humildes?

A humildade nos ajuda a transformar as falhas e infelicidades em sucesso e


felicidade. Humildade nos permite a liberdade para compartilhar os detalhes de nossa
estória pessoal para ajudarmos pessoas que estão sofrendo com problemas emocionais.

REMOVA NOSSAS FALHAS

Tivemos que nos esquivar da resistência do orgulho e pedir a um poder maior que
nós mesmos para que removesse nossas falhas.

“Poder Superior, quero me entregar totalmente ao Senhor, com meus defeitos e


qualidades. Rogo que o Senhor remova de mim cada um de meus defeitos de
caráter que me privam de ser útil ao Senhor e ao próximo. Dá-me forças, para que
eu realize o que o Senhor deseja.” 3

3
Adaptado de Alcoólicos Anônimos (Serviço Mundial de Alcoólicos Anônimos, Reg.: New York, 1976), p. 76.
42

Se estivermos inteiramente prontos para termos nossas falhas removidas e


acreditar que nosso Poder Superior irá removê-los, as qualidades de caráter que
precisamos irão substituí-los.

Nem sempre as mudanças ocorrem de acordo com nosso tempo ou exatamente


como planejamos. Se algo não for imediatamente removido, devemos compreender que
temos que ser pacientes, e que, provavelmente, teremos que trabalhar um pouco mais
para isso. Talvez não estejamos inteiramente prontos para nos livrar deste defeito de
caráter em particular. Podemos ainda precisar deste defeito para aprendermos alguma
coisa através dele. Podemos ter feito exigências ao nosso Poder Superior ao invés de Lhe
pedirmos ajuda humildemente.

Conforme crescemos em humildade, adquirimos um novo entendimento de nosso


relacionamento com Deus. Agora, nos Oitavo e Nono Passos, trabalharemos para
melhorar nosso relacionamento com as outras pessoas.
43

OITAVO PASSO

“Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado


e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados”

Os primeiros Sete Passos tem trazido um processo de mudança nas atitudes e


ações egocêntricas fazendo-nos olhar para nós mesmos. Agora está na hora de reparar
os danos cometidos no passado fazendo as reparações necessárias.

O Oitavo Passo nos ajuda a restaurar relacionamentos pessoais e nos tira de


nosso isolamento. Com isto, podemos aceitar a responsabilidade por nosso passado para
que possamos deixar a velha dor ir embora. Libertar o passado nos traz cura e nos
permite viver em harmonia conosco mesmos e com os outros.

FIZEMOS UMA RELAÇÃO DE PESSOAS AS QUAIS PREJUDICAMOS

Quando trabalhamos os Quarto e Quinto Passos, revelamos algumas injustiças que


havíamos cometido com outras pessoas. No Oitavo Passo, examinamos o inventário que
fizemos no Quarto Passo para ver onde precisamos melhorar as relações com as
pessoas em nossas vidas.

A partir de nosso inventário começamos a listar as pessoas as quais havíamos


prejudicado. Olhando para trás, vemos onde falhamos. Revemos nossas vidas até onde
for possível lembrarmos, focando quem prejudicamos e de que maneira fizemos isso.
Fazemos isso por escrito para mostrar que estamos cumprindo este Passo seriamente.
Nossa lista deve incluir membros da família, parentes, amigos, vizinhos, contatos
públicos, e pessoas associadas ao trabalho. Também podemos listar locais de trabalho,
lojas, negócios ou outras instituições onde furtamos ou causamos danos.

O medo e o orgulho freqüentemente nos fazem resistir a este passo e nos impede
de fazermos uma lista completa. Se este for o caso, nós trabalhamos estes defeitos de
caráter através do Sexto e Sétimo Passos. Fazemos o nosso melhor agora,
44

compreendendo que conforme nossa conscientização e honestidade crescem, seremos


capazes de colocar, em nossa lista, outros nomes que ainda não nos ocorreram.

Se nossa lista inclui quase todas as pessoas que conhecemos, temos que dar uma
outra olhada nela. Alguns de nós podemos, na verdade, ter sido dominadores, agressivos,
sarcásticos e, portanto, podemos ter magoado muitas pessoas. Por outro lado, nosso
egocentrismo e tendência em achar que o mundo gira em torno de nós, nos faz incluir
nomes desnecessários pois exageramos a importância de nosso pequenino mundo e
realidade.

Na verdade, algumas das pessoas que listamos, provavelmente nem mesmo


saberão do que estamos falando se tentarmos nos desculpar com elas. Entretanto, não
usamos isto como desculpa para deixar qualquer nome fora da lista. Quando ficarmos na
dúvida se escrevemos os nomes de todas as pessoas que achamos ter prejudicado,
reavaliamos nossa lista com ajuda de uma pessoa objetiva quando chegar o momento de
fazer as reparações.

Muitos de nós sabemos que a pessoa mais ferida fomos nós mesmos, e temos que
incluir nosso nome nesta lista. Podemos ter nos magoado mentindo para nós mesmos por
coisa que estavam além de nosso controle ou por nos julgarmos com muita crueldade.
Devemos nos aceitar e perdoar já que estamos prestes a aceitar e perdoar os outros.

PASSAMOS A DESEJAR

Muitos de nós reagimos com descrença, ira ou medo, assim que nos
conscientizamos de que devemos reparações aos outros pelo que fizemos. O medo nos
faz não querer reabrir velhas feridas e relembrar aos outros as nossas transgressões já
que existe a chance deles terem se esquecido disto. Nossos egos podem insistir que
somos inocentes. Racionalizamos que se ferimos alguém, a culpa é da pessoa. Evitamos
este tipo de pensamento para não ter que voltar a este Passo.

O Oitavo Passo é sobre quem magoamos e não sobre quem nos magoou. Se ao
invés de olharmos para os nossos erros do passado ficarmos obcecados com a ideia de
quem nos magoou, não nos recuperaremos. Nós não culpamos os outros mas, ao invés
disto, assumimos a responsabilidade por nossas próprias vidas e ações. Do mesmo
45

modo, não racionalizamos que nossos erros do passado deveriam ser desculpados
porque éramos doentes. Somente assumindo a responsabilidade e fazendo reparações
seremos capazes de deixar o passado para trás.

Através da calma, da cuidadosa reflexão sobre todos os nossos relacionamentos


pessoais, obteremos discernimento sobre nós mesmos e nos conscientizaremos de
nossos defeitos de caráter. Veremos então o quanto precisamos mudar.

À medida que nosso entendimento cresce, vemos o quanto o processo de fazer


reparações não é tanto por causa deles mas sim por nós. Não conseguiremos modificar
efetivamente nosso comportamento até que olhemos para nosso passado e
consideremos o fato de fazer restituições onde for necessário. Se for para transformar
nossa vida e ficarmos curados, temos que ter o desejo de limpar tantos escombros do
passado quanto pudermos. Se quisermos amor, relacionamentos saudáveis, então temos
que começar a praticar as habilidades que nos trarão isso.

Uma vez que já temos nossa lista, damos uma olhada para ver se queremos fazer
reparação a alguém que conste ali. Normalmente, não queremos. Se houverem pessoas
na lista com as quais sentimos que conseguiremos fazer reparações sinceras, não nos
recusaremos e seguiremos para o Nono Passo.

Com relação àquelas pessoas que ainda não estamos prontos para enfrentar,
continuamos nos esforçando para obter este desejo pedindo ajuda ao Poder Superior,
conversando sobre nossos sentimentos a respeito desta situação com os outros e
continuando a trabalhar o programa.

Para que tenhamos sucesso neste Passo, temos que querer modificar nosso
comportamento. As verdadeiras emendas são feitas pela mudança de comportamento
com relação aos outros. Se não aceitarmos e nem perdoarmos os outros, como eles são,
não faremos reparações com dignidade, respeito próprio e humildade.

No Nono Passo vamos até as pessoas para nos retratar; portanto, neste Passo
precisamos em primeiro lugar perdoá-los. Nosso desejo aumenta conforme
compreendemos que ninguém precisa concordar com nossos pontos de vista. Assim que
nos tornamos mais tolerantes e receptivos e, portanto, menos rígidos e arbitrários nosso
desejo de fazermos emendas crescerá.
46

Neste processo de pensar a respeito das reparações poderemos reabrir feridas


emocionais. Isto é bom, pois se estes sentimentos permanecerem profundamente
encobertos em nossas mentes, irão inibir nossa recuperação. É importante que
abandonemos estas memórias dolorosas e as circunstancias que as cercam. Assumindo
a responsabilidade, não continuaremos a culpar e punir os outros. Fazendo as
reparações, recuperaremos nossa integridade e valor próprio.

No Oitavo Passo, enfrentamos a verdade sobre o nosso comportamento. O desejo


de corrigir nossos erros aumenta e nos convencemos de que nosso crescimento e
serenidade dependem de perdoarmos os outros e da liberação das velhas dores.
Podemos agora, passar para o Nono Passo e começar fazer as reparações.
47

NONO PASSO

“Fizemos reparações a tais pessoas, sempre que possível,


salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem.”

No Nono Passo, continuamos a assumir a responsabilidade por nossas ações do


passado. Devemos ir até as pessoas que magoamos e tentar corrigir nossos erros. Existe
uma boa razão para este passo não vir antes, na seqüência do programa. Uma vez que
nosso propósito é não mais causar dor, e melhorar nossos relacionamentos, devemos ter
mudado suficientemente para fazermos reparações com sucesso. Este passo não sugere
que nos humilhemos, mas é necessário que nos livremos da culpa. Através disto, nós
também nos perdoaremos por nosso passado para que possamos viver uma vida melhor
hoje.

FAZENDO REPARAÇÔES

Fazer reparações significa mudar ou melhorar algo ou corrigir um erro. Fazer


reparações não é simplesmente pedir perdão, embora isso faça parte do processo.
Fazemos reparações mudando nosso comportamento. Começamos a agir de maneira
diferenciada daqueles em nossas vidas. Ao fazer reparações, tentamos ser humildes,
educados, discretos e sensíveis; deste modo não nos tornaremos num capacho. Às
vezes, para fazermos as reparações, precisamos de tempo ou dinheiro, não somente
palavras.

Se nosso próprio nome estiver na lista do oitavo passo, teremos que nos reparar
conosco mesmos antes de seguir em frente. Já demos um grande passo vindo para o
programa, mas temos que fazer reparações conosco escolhendo um modelo de vida
saudável.

Conforme trabalhamos os passos, crescemos em auto-respeito e auto-estima.


Começamos a nos aceitar e a desenvolver a atitude correta para fazer reparações com os
outros. Não adiamos nossas reparações. Quando já tivermos trabalhado do Primeiro ao
Oitavo Passo sabemos que estamos prontos e por isso, é hora de agir. Se houver
48

quaisquer dúvidas em nossas mentes, por exemplo, se fizermos a reparação com aquela
pessoa, pode causar dor ou coisa assim; devemos consultar uma pessoa que nos dê uma
opinião objetiva, talvez um padrinho ou madrinha ou a pessoa com a qual tenhamos feito
o Quinto Passo. Não adiaremos nossa tarefa a menos que haja uma razão válida para isto.

Não devemos fazer reparações pelo que achamos ou sentimos com relação a
outras pessoas. Isto não fere a ninguém, só a nós mesmos, a menos que tenhamos agido
de acordo com que o pensamos e sentimos; neste caso devemos desculpas por isso. Por
outro lado, não hesitaremos em fazer reparações por coisas que achamos não ter
importância para as pessoas. Se sentirmos a necessidade de fazer reparações e
estivermos certos de que isto não magoará a ninguém, deveremos fazê-las para nossa
própria paz de espírito.

Este passo não deve ser feito às pressas. Ele merece reflexão e planejamento
apropriados. Não importa por onde começaremos. Poderemos fazer as mais difíceis ou as
mais fáceis primeiro. Precisamos planejar onde e quando isto acontecerá para evitar
interrupções e o que diremos para não culpá-las. O melhor é fazermos uma reparação
simples, evitando excessos de explicações que vão além de declararmos o que fizemos
que as magoou e como pretendemos reparar isto. É sempre muito bom separar um tempo
para uma oração e meditação antes de executar essa tarefa, para assegurar o resultado
correto para cada um.

Fazemos reparações sem esperar recebermos o mesmo em troca por parte da


outra pessoa. Temos que correr o risco de que nossas reparações possam não ser
aceitas. Mas mesmo quando isso acontecer, sentiremos o benefício de nossa tentativa.
Sabemos que fizemos o que podíamos e não há mais necessidade de sentirmos culpa.
Entendemos que este processo de reparação serve mais para fazer com que nos
perdoemos do que com que os outros nos perdoem. Na maioria dos casos, entretanto,
nossas reparações são aceitas e os relacionamentos são reforçados pois a pessoa vê a
consistência de nosso novo comportamento.

Não nos desculpamos por termos feito fofoca sobre a pessoa, se houver uma
chance de que ela não saiba disto. Isto só traria mais mágoa. O que podemos fazer, é nos
reparar com a pessoa com quem fizemos a fofoca admitindo nosso erro por termos agido
daquela maneira. Isto constitui em estarmos fazendo reparação indiretamente com a
49

pessoa sobre quem fizemos a fofoca e reparação direta conosco mesmos pois estaremos
praticando a honestidade e a humildade.

Existem alguns erros pelos quais talvez nunca consigamos ser completamente
capazes de fazer reparações. Se soubermos, honestamente, que os corrigiríamos se
pudéssemos, então podemos considerar como se o tivéssemos feito. Às vezes não
podemos entrar em contato com a pessoa pessoalmente porque ela mora longe demais.
Neste caso, fazemos nossa reparação escrevendo uma carta sendo honestos e pedindo
desculpas. Podemos ainda fazer isto através de um telefonema. Se alguém de sua lista
não estiver mais vivo ou se contatá-lo pode causar mais danos do que já causou, pode-se
fazê-lo através da pessoa com que fez o Quinto Passo. Podemos ir ao túmulo da pessoa
e fazer nossas reparações lá ou escrever uma carta como se a pessoa estivesse viva.
Podemos tratar, alternadamente, outras pessoas da maneira que a teríamos tratado se
tivéssemos tido a oportunidade de fazer a reparação.

Uma vez que tenhamos trabalhado o programa completa e honestamente até o


Nono Passo, começamos a perceber novas atitudes e sentimentos em nós.

1- Percebemos uma nova liberdade e felicidade

2- Não nos arrependemos do passado nem desejamos fechar a porta sobre ele.

3- Compreendemos o sentido da palavra serenidade, e conhecemos a paz de espírito.

4- Não importa o quanto havíamos regredido na vida, nós vemos o quanto nossa
experiência pode ser benéfica para outros.

5- Os sentimentos de inutilidade e de autopiedade diminuem.

6- Nos preocupamos menos conosco e nos interessamos mais pelos outros.

7- O egoísmo vai embora naturalmente.

8- Modificamos completamente nossas atitudes e a nossa maneira de ver a vida.

9- Nosso relacionamento com as outras pessoas melhora.

10- Sabemos lidar com situações que antes nos deixavam perplexos.

11- Adquirimos um sentimento de segurança interior.

12- Compreendemos que Deus está fazendo por nós o que não pudemos fazer por conta
própria.4

4
Adaptação de Alcoólicos Anônimos (New York; Serviços Mundiais de Alcoólicos Anônimos,1976) p. 83-84
50

Estas declarações formam as Doze Promessas de Emocionais Anônimos. Elas


podem parecer simbólicas, exageradas ou extravagantes a princípio, mas são realmente
possíveis. As vemos transformarem-se em realidade nas pessoas que nos cercam em
nossas reuniões. Algumas delas são realizadas rapidamente, outras mais vagarosamente,
mas todas desenvolvem-se naturalmente como resultado de trabalhar o programa de
Emocionais Anônimos honestamente.

Quando percebemos os benefícios de praticar este programa, queremos manter


nosso crescimento. Por isso seguimos para o Décimo, Décimo Primeiro e Décimo
Segundo Passos.
51

DÉCIMO PASSO

Continuamos fazendo nosso inventário pessoal, e


quando estávamos errados, o admitíamos prontamente.

Nossa vida vai sendo transformada à medida que nossa autoconsciência cresce. A
prática diária dos passos restantes nos ajudará a reforçar esta nova maneira de viver.
Embora já tenhamos crescido em vários aspectos até aqui, nosso progresso rumo a
maturidade e serenidade duradouras requer que pratiquemos os princípios dos Doze
Passos. Pode ser que nunca cumpramos completamente os Passos de Um a Nove, e
retornemos a eles tantas vezes quantas forem necessárias para continuar aplicá-los em
nossas vidas diárias. Descobrimos que o crescimento emocional e espiritual é um
processo para a vida toda.

Fazendo o inventário no Quarto Passo, lidamos honestamente com nosso passado


para que pudéssemos nos libertar dele. Este inventário do Décimo Passo nos ajuda a
lidar com o presente conforme lidamos com a vida diária. Agora que estamos conscientes
de nossas imperfeições humanas, compreendemos que podemos facilmente voltar a cair
em nossas velhas maneiras de pensar e agir. Com este inventário, revemos nosso dia,
corrigimos nossos erros, aceitamos a nós mesmos e aos outros e planejamos maneiras
de fazer com que o amanhã seja melhor. Precisamos ser pacientes e persistentes ao
fazer isto porque nosso objetivo é o progresso, não a perfeição.

Cada um de nós decide a melhor maneira de fazer nosso inventário. Alguns fazem
sua revisão do dia anterior pela manhã; outros fazem a revisão do dia logo pela noite.
Alguns checam seu inventário durante o dia quando seus sentimentos dizem que é
necessário fazê-lo. Se estivermos magoados, precisamos determinar o que está
causando nossa dor. Quando vemos algum conflito em nossas vidas, procuramos o
defeito de caráter que está causando o problema. Depois teremos que escolher entre
suspender aquele defeito de caráter e sentimento de mágoa ou substituí-lo pelo caráter
oposto para resolver o conflito.
52

Ao fazermos nosso inventário prestamos atenção para avaliar se estamos traçando


objetivos realísticos para nós mesmos.

— Estamos reconhecendo nossas habilidades e nossa limitação humana?

— Estamos satisfeitos sobre onde estamos, o que somos ou o que temos?

— Permitimos que os outros sejam seres humanos também?

— Estamos esperando demais das outras pessoas?

— Continuamos racionalizando nossos pensamentos e sentimentos como


desculpa para não aceitar a realidade?

— Estamos utilizando o que aprendemos no programa?

— Aprendemos fazer planos sem planejar os resultados?

— Estamos insistindo em estar no controle?

Ao revisarmos nosso dia, procuramos pelas coisas positivas que fizemos e o


sucesso que alcançamos. Fazemos um balanço do que o Poder Superior tem nos dado e
aproveitamos a oportunidade para agradecer por isso. Nos aceitamos a cada dia, quer
tenhamos ido muito bem ou escorregado em nossos velhos hábitos. Tentamos não ficar
desencorajados se ficamos aquém de nossos ideais. Estas disciplinas fazem parte de
nosso novo estilo de vida, e não podemos esperar cumpri-las perfeitamente todas as
vezes. Através da prática contínua é que ganharemos confiança em nossa nova maneira
de viver.

Continuamos a observar nosso egocentrismo e egoísmo que causam nossos


defeitos de caráter. Quando este é evidente, pedimos ao nosso Poder Superior para nos
ajudar a ter o desejo de que sejam removidos. Evitamos nos apegar em sentimentos
negativos. Não podemos propiciar ira, ressentimento ou auto-piedade. Evitamos ficar mau
humorados ou muito tempo em silêncio, o que pode ser originado por orgulho ou
vingança. Qualquer um destes comportamentos pode nos tirar do equilíbrio e induzir-nos
a deslizes emocionais. Descobrimos que não faz sentido ficarmos irados ou ressentidos
com pessoas que também estão sofrendo as dores inerentes à humanidade. Nos
53

sentimos mais felizes quando assumimos a responsabilidade diária por nossas ações e
não caímos nos velhos hábitos de culpar os outros.

Quando sentimos ter falhado, admitimos isto prontamente para nós mesmos, e se
necessário, para os outros. Nos perdoamos, e perdoamos aos outros. Se tentarmos e
falharmos, ao menos teremos tentado. É através de nossas falhas que aprendemos mais
sobre nós mesmos. Aprendemos a não nos levar tão a sério. Somos beneficiados com um
senso de humor. Descobrimos que podemos rir de nós mesmos.

Às vezes achamos necessário fazer um inventário mais detalhado uma ou duas


vezes ao ano. Considerando que um longo período de tempo nos permite ver a ocorrência
periódica de situações que precisam de nossa atenção e para perceber nosso progresso
ao identificar as mudanças positivas que temos feito. Podemos também fazer um
inventário sobre uma pessoa específica ou uma área de nossas vidas que esteja
causando dificuldades. Pode ser um membro da família, nosso trabalho, ou nossa
situação financeira. Nos focando somente em uma área, podemos freqüentemente ver as
mudanças que precisam ser feitas, quais as reparações necessárias e um novo curso de
ação que trará melhores resultados para todos os envolvidos.

Enquanto fazemos nosso inventário, pode ser necessário discutir algumas coisas
com alguém a fim de obter maior esclarecimento e compreensão da situação. Se
sentirmos necessidade, faremos isto tão logo seja possível. Quando reconhecemos
velhos hábitos e pensamentos, tentamos parar e pedir ao nosso Poder Superior para que
os remova. Se sentirmos que magoamos alguém, fazemos reparações rápida e
honestamente. Adiar qualquer aspecto de nosso inventário pode causar um deslize
emocional.

Através deste processo de continua auto avaliação, mantemos nossa honestidade


e humildade, nos focamos em viver um dia de cada vez, e continuamos a progredir em
nossa recuperação. Compreendemos que a serenidade que chega até nós vem pela
graça do Poder Superior. No Décimo Primeiro Passo desenvolveremos nossa confiança
em nosso Poder Superior.
54

DÉCIMO PRIMEIRO PASSO

Procuramos através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente


com Deus, na forma em que O concebíamos rogando apenas o conhecimento de
Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar esta vontade.

Os Doze Passos nos ajudam a desenvolver uma parceria com Deus, como nós O
entendemos, não importa qual imagem ou conceito escolhemos. Nos passos iniciais nós
exploramos nosso lado espiritual e estabelecemos contato com um poder maior que nós
mesmos. Desenvolvemos uma compreensão pessoal deste poder à medida que
desistimos de nossa vontade própria e nos permitimos ser guiados e fortalecidos por
nosso Poder Superior. O Décimo Primeiro Passo direciona nossa necessidade para que
mantenhamos e aprofundemos este relacionamento através da oração e da meditação.

ORAÇÃO

Alguns de nós nos sentimos amparados com a ideia da oração, enquanto outros
não. Alguns de nós oramos mecanicamente por causa do medo, em momentos de
emergência ou por obrigação. Enquanto alguns de nós duvida que Deus esteja muito
interessado em nos ajudar, outros ficam irados com Ele e O culpam por nossas doenças e
pelo caos em nossas vidas. Às vezes tentamos barganhar com Deus. Usamos a oração
com o objetivo de conseguir algo que desejamos que Ele faça. Às vezes nossa oração é
repleta de rancor e aflição como se, com isso, pudéssemos atrair a pena e o favor
Divinos.

O Décimo Primeiro Passo sugere que mudemos nossa maneira de orar e oremos
por direção Divina e pela capacidade de segui-la. Orar é conversar com nosso Poder
Superior. É ser honesto com relação a como nos sentimos verdadeiramente e pedir ajuda.
Conversamos com nosso Poder Superior como se estivéssemos conversando com um
amigo, desta forma encontraremos amor e aceitação. Conforme estabelecemos o hábito
de orar diariamente, compreendemos que o beneficio da oração é entrar mais em contato
conosco e também com nosso Poder Superior. Melhor do que modificarmos Deus, é
sermos modificados pela oração. Ela nos abre para a humildade, paciência e coragem
para enfrentar a vida mesmo quando a vida é incerta e dolorosa.
55

Muitos preferem pedir direção ao seu Poder Superior no início de cada dia e
expressar sua gratidão pela ajuda recebida no final do dia. Deste modo fica claro para nós
quem é o encarregado de nossas vidas e o que precisamos para continuar. Se buscarmos
sinceramente à vontade de nosso Poder Superior para nossas vidas e tentarmos realizá-
las com o melhor de nossas habilidades, estaremos na trilha certa. Se nos sentirmos
incapazes de realizá-las, o Deus de nossa compreensão é uma fonte viva de apoio e
direção sempre que precisar. Tudo o que temos a fazer é pedir.

MEDITAÇÃO

Inicialmente, muitos de nós não tínhamos a mínima ideia do que é meditação. De


muitas formas, nossas experiências passadas em focar a dor e a negatividade eram
semelhantes a uma meditação. Muitos de nós passávamos dias ou semanas concentrados
intensamente em tudo o que havia de errado conosco, em situações que diziam respeito a
nós ou com outras pessoas. Tudo o que temos a fazer agora é focar nossa atenção
fervorosamente somente nos aspectos positivos de nossas vidas.

Alguns de nós conhecemos meditação, mas nunca a praticamos. Alguns não têm
ideia como realizá-la. As livrarias e bibliotecas têm muitos livros, sobre isso, que podem
ser de grande utilidade. Algumas pessoas fazem aulas de técnicas de meditação ou vão
até um padre ou pastor, um rabino ou outro conselheiro espiritual para aprender sobre as
tradições da meditação em alguma religião em particular. Nas reuniões podemos
aprender com os outros, compartilhar seus métodos e experiências de meditação.

A meditação pode ser tão simples quanto deixar nossas mentes passearem por um
lugar agradável. Pode ser pela natureza, respirando ar fresco e sentindo uma sensação
de bem-estar. É deixar de pensar em nossos problemas e coisas negativas e ficar em paz
conosco mesmos.

A meditação aquieta nossos pensamentos agitados e nos permite compreender a


orientação que precisamos. Ela é focada na concentração. Ela pode ser praticada de
diversas maneiras. Ela pode ser um processo para clarear nossas mentes de todas as
distrações assim podemos contemplar verdades espirituais como o amor, a beleza da
natureza, gratidão, a unidade do universo, Deus ou qualquer coisa positiva. Muitos usam
frases ou afirmações positivas como foco de meditação.
56

Os Lemas e os Só Por Hoje encontrados na 1ª parte deste livro, também podem


servir a este propósito. Alguns de nós usamos a imaginação de forma positiva
incorporando imagens especificas de cura na meditação, o que ajuda no alívio da dor e na
visão de novas formas de viver no mundo hoje. Alguns usam a meditação como uma
forma de relaxamento da tensão em seus corpos o que consequentemente reduz o
estresse mental e emocional. Ficamos renovados mental e fisicamente. Qualquer método
que usemos, o resultado será a melhora da saúde física, emocional e espiritual que nos
permite enfrentar melhor as nossas responsabilidades diárias.

Podemos combinar meditação e oração em um só exercício. Em um lugar tranqüilo


começamos a relaxar como se estivéssemos contemplando um poema ou oração
significativa como foco de nossa meditação. Alguns de nós usamos orações de nossa
religião tradicional ou outra forma literária espiritual e as acham muito efetivas para
meditar. Muitos usam a Oração da Serenidade que resume de forma simples o alvo do
programa Doze Passos.

“Deus, concedei-me a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar,
coragem para mudar aquelas que eu posso, e sabedoria para distinguir uma das outras”.

Conforme praticamos o Décimo Primeiro Passo, nossa habilidade em meditar e


orar cresce. À medida que reservamos um tempo para orar e meditar todos os dias,
alcançamos um contato mais próximo com nosso Poder Superior. As recompensas da
oração e da meditação são equilíbrio emocional e a consciência de ser parte de algo.

O DESEJO DE DEUS

Alguns de nós temem que Deus (como nós o entendemos) irá nos conduzir a um
lugar aonde não queremos ir. Hesitamos em entregar nosso destino para Alguém ou Algo
que não vemos. Tememos poder perder tudo que nos é valioso se desistirmos do
controle. Descobrimos, entretanto, que o desejo de Deus para nós não significa
necessariamente uma mudança radical em nossas vidas. O desejo Dele normalmente
envolve cuidados com nossas responsabilidades cotidianas que fazem parte de nossa vida
diária, para que possamos sentir um bem-estar. Ainda teremos nosso livre arbítrio e
poderemos escolher nosso curso de ação. Experiências mostram que temos mais
57

serenidade se fizermos o nosso melhor para alinharmos nosso desejo ao de nosso Poder
Superior.

Assim que pedimos direção ao nosso Poder Superior, começamos a fazer


melhores escolhas. Se suspeitarmos que estamos racionalizando ou interpretando o que
nossos pensamentos desejam como direção divina, devemos consultar alguém com mais
experiência e entendimento nestes assuntos. Adquirimos confiança em nossas decisões
porque recebemos um apoio adicional do programa que estamos trabalhando e dos
membros de Emocionais Anônimos.

Descobrimos que somente por orar ou meditar sobre o que não podemos controlar
nos traz calma e nos abre novas maneiras de observar um problema. Uma vez que
vemos alguma coisa que nos parece ser certa e o desejo de Deus (como nós O
entendemos) para nós, devemos agir. Se não nos parecer ser uma ação produtiva, nós a
aceitamos, entregamos a situação aos cuidados de nosso Poder Superior, e aguardamos
pacientemente um retorno.

Podemos experimentar contrariedades, crises e dúvidas sobre o desejo de Deus


para nós. Às vezes é difícil orar ou meditar, mesmo que estejamos habituados a fazê-lo.
Percebemos que perdemos nossa conexão espiritual porque nos afastamos de nosso
Poder Superior. Podemos escorregar para a nossa auto-suficiência, orgulho e ego
novamente lutando pelo controle. Durante esses momentos de dificuldade, podemos
conseguir conforto e esperança pedindo a um amigo para orar conosco ou por nós. Se
persistirmos na prática regular da oração e meditação e nos aceitar como somos, com o
tempo a habilidade para orar e meditar retornarão.

FORÇA PARA A REALIZAÇÃO

À medida que melhoramos nosso contato consciente com Deus (como O


entendemos), conseguimos enxergar melhor o desejo de Deus para nós e nos é dada a
força necessária para realizá-lo. Descobrimos que a oração e a meditação nos auxiliam a
lidar mais facilmente com situações difíceis. Permitimos que nossos desejos sejam
redirecionados e, ao fazer isto, experimentamos a coragem e a força de agir de acordo
com esta nova direção, que é o desejo de Deus.
58

Nossa parceria com Deus (como O entendemos) torna-se um alicerce sólido que
dá apoio às nossas vidas diárias. A prática espiritual que desenvolvemos neste Passo nos
direciona em nossa nova maneira de viver. Com o conhecimento e as ferramentas
adquiridas em nosso crescimento espiritual, estamos prontos para agir de uma forma
mais positiva e começar a ajudar as pessoas no Décimo Segundo Passo.
59

DÉCIMO SEGUNDO PASSO

“Tendo experimentado um resultado espiritual como resultado destes passos,


procuramos transmitir esta mensagem e praticar seus princípios
em todas as nossas atividades”

Se tivermos aplicado todos os Passos anteriores, estaremos experimentando


profundas mudanças. Através deste programa nos tornamos pessoas novas e melhores.
Por desejar o risco de nos auto-examinarmos, estarmos abertos e sermos honestos com
os outros, e nos rendermos ao nosso Poder Superior, crescemos pessoalmente e
alcançamos o nível da recuperação. Não nos sentimos mais sozinhos. Estamos
conectados a uma fonte espiritual de força e serenidade. Através deste despertar
espiritual nossa sanidade está sendo restaurada.

DESPERTAR ESPIRITUAL

Após trabalharmos os primeiros onze Passos recebemos o dom do despertar


espiritual. Isto acontece à medida que tomamos consciência de nossa natureza espiritual
e a desenvolvemos. Cada um de nós experimenta isto de diferentes formas, pois as
jornadas pelos Passos são diferentes de um para outro. Algumas pessoas experimentam
um repentino e dramático despertar espiritual. Eles são profundamente inspirados com a
certeza de que Deus (como O entendemos) existe, e sentem profunda gratidão pela nova
fé encontrada.

Para a maioria, o esclarecimento pessoal é um processo mais sutil que realiza as


mudanças conforme os Passos são aplicados. Um despertar espiritual pode ser a
conscientização, a aceitação do quanto nosso poder é realmente pequeno, enquanto que
ao mesmo tempo podemos perceber o sentimento de bem-estar, respeito próprio, e auto-
estima. Esta pode ser a compreensão de que não importa o quanto tenhamos nos
comportado mediocremente no passado, nós somos pessoas valorosas. Pode ser o
reconhecimento de que as pessoas estão aí, não para nos ameaçar, mas para nos apoiar.
Pode ser a renovação da confiança de que temos um Poder Superior que nos ajuda. Isto
pode incluir um sentimento de estar conectado com a vida, de ser o todo ao invés de estar
60

separado e alienado. Pode ser a observação de que as promessas do programa estão se


tornando realidade ou um sentimento de gratidão por tudo que recebemos.

Seja qual for a maneira, nosso despertar contém uma mudança de atitude
característica. Nos tornamos menos obcecados pelos nossos problemas e chateações e
mais aberto às outras pessoas. Se um dia tivemos comportamento adicto ou compulsivo,
eles diminuíram muito ou desapareceram completamente. Temos o desejo de participar
da vida e queremos contribuir com nossos talentos onde quer que possamos fazer o bem.
Ficamos felizes em compartilhar com os outros, aquilo que aprendemos.

LEVANDO A MENSAGEM

Aprendemos que compartilhar nosso progresso e encorajar outras pessoas nos


traz mais compreensão e crescimento. Um paradoxo do programa é que para manter o
que aprendemos guardados em nós, precisamos passar o aprendizado a diante. Tendo
alcançado algum grau de recuperação devido aos passos trabalhados, podemos alcançar
outras pessoas e partilhar o que aprendemos. Partilhamos nossas estórias — como
costumávamos ser, o que aconteceu ao trabalharmos os passos, e como mudamos.

Este compartilhamento nos permite enxergar nossas experiências sob um novo


prisma, e, consequentemente, aprendemos mais sobre nós mesmos. Através do
compartilhamento podemos ver mais claramente todas as mudanças que fizemos e
percebemos outras maneiras de aplicar estes princípios em nossas vidas. Isto reforça
nosso compromisso de usar o programa. Partilhamos nossa experiência, força, e
esperança com as pessoas para dar a elas a oportunidade de mudar suas vidas através
deste meio de recuperação.

Alguns de nós, em nosso entusiasmo e animação por nossa recuperação,


tentamos levar todos os que conhecemos para o Emocionais Anônimos. Conhecemos
muitas pessoas em nossas vidas que achamos que necessitam mudar e deveriam
experimentar este programa. Estes geralmente resistem em se juntar a nós ou ficam
ressentidos com a sugestão. Então, nos sentimos feridos e mal compreendidos.

As pessoas geralmente não são receptivas quando tentamos pregar o programa, e,


conforme ganhamos experiência em passar a mensagem de Emocionais Anônimos,
61

compreendemos o quanto arrogante é dizermos às pessoas que elas precisam do


programa. É milhões de vezes melhor para nós, partilharmos o Programa com os que o
desejam do que com aqueles que nós achamos que precisam dele.

Levamos a mensagem, não para salvar outra pessoa mas sim porque isto faz parte
de nossa recuperação. Nós levamos somente nossas experiências e tentamos não
controlar os resultados. Com isto em mente, sentimo-nos menos desapontados quando
outros não aceitam nossa mensagem. Precisamos lembrar que os esforços são nossos,
mas os resultados vem de Deus (como O entendemos).

Descobrimos muitas maneiras de trabalhar o Décimo Segundo Passo. Uma forma


muito importante é através do exemplo. Demonstramos que este Programa funciona
através de nossa maneira de viver. As pessoas vêem como estamos recuperados e
querem saber o que estamos fazendo. Alguns membros investem tempo e energia em
atividades de serviço que beneficiam seus grupos e o Emocionais Anônimos como um
todo. Alguns têm talento para falar sobre o Programa ou partilhar estórias. Outros são
menos visíveis em seus esforços, mais muito valiosos para o funcionamento de seu
grupo. Todos têm uma maneira de contribuir. Qualquer pessoa pode começar a trabalhar
esta parte do Décimo Segundo Passo, aos poucos, bem no início do programa e então,
experimentar a recompensa de ser envolvido pela comunidade de Emocionais Anônimos.

Algumas maneiras de levarmos a mensagem:

1. Assistindo às reuniões e compartilhando com as pessoas.

2. Ajudando os recém-chegados a se sentirem bem-vindos antes e após as reuniões.

3. Arrumando a sala para a reunião e limpando-a depois.

4. Usando um tempo para ouvir a outra pessoa por telefone.

5. Assumindo a responsabilidade da coleta dos donativos do grupo, pedir a literatura ou


pagar as contas do grupo.

6. Ajudar os outros a descobrirem uma melhor forma de entender e trabalhar os Doze


Passos.

7. Fazendo contribuições pessoais para assegurar que o grupo, o intergrupo e o Centro


de Serviço Internacional continuem a disponibilizar os serviços necessários.
62

8. Iniciando e dando apoio a novos grupos que estejam com dificuldades.

9. Escrevendo artigos para a Revista New Message.

10. Promovendo reuniões de informação publica, enviando correspondências, ou


distribuindo panfletos para que outras pessoas saibam da existência do Emocionais
Anônimos.

11. Falando sobre o Programa Doze Passos.

12. Auxiliando os comitês, a intergrupal ou o Serviço Internacional do Conselho de


Curadores.

PRATIQUE ESTES PRINCIPIOS

Trabalhando estes Passos, estamos integrando muitos novos princípios em nossas


vidas. Alguns deles são aceitação, honestidade, receptividade, voluntariedade, paciência,
humildade, compaixão, coragem, abnegação, e espiritualidade. Na verdade, nenhum de
nós pode dominar estes princípios perfeitamente, mas eles nos dão ideias para
continuarmos nos empenhando. Após estarmos no Programa por algum tempo, estes
princípios tornam-se bem naturais para nós.

Cada um de nós cria seu próprio plano diário para a prática dos Doze Passos.
Precisamos continuar usando todo o programa, e não só escolher os Passos mais fáceis.
Se evitarmos a parte espiritual do Programa, ou se pularmos passos que nos pareçam
temerosos ou difíceis demais, não estaremos trabalhando todo o Programa. Quando este
for o caso, o Programa não funcionará e provavelmente não continuaremos nossa
recuperação. Este Programa Doze Passos só funciona quando decidimos cumpri-lo.

Se formos complacentes com o uso do Programa, descobriremos que nossos


velhos pensamentos atitudes e comportamentos retornarão. Parece que nossa doença,
como o alcoolismo, só foi suspensa e não curada. Se não fizermos uso do que
aprendemos, perceberemos deslizes emocionais.

Temos que usar os Princípios do Programa diligentemente enquanto quisermos a


recuperação. Quando passamos por um deslize — e muitos de nós passa por isso —,
devemos agir trazendo nosso programa em foco novamente. Procuramos qual parte do
programa temos deixado de executar ou que não estejamos executando muito bem.
63

Usamos as Ferramentas do Programa: reuniões, telefonemas, lemas, os Só Por Hoje, a


literatura de Emocionais Anônimos, os passos, inventários, oração e meditação, para
retornar à Prática dos Princípios. Mais uma vez presenciamos nossa recuperação. Nossa
aptidão emocional e espiritual nos permite encontrar os desafios da vida de maneira
apropriada. Somos capazes de transformar desafios em oportunidades quando
demonstramos nossa fé; fé em nosso Poder Superior e fé neste Programa Doze Passos.

EM TODAS AS NOSSAS ATIVIDADES

Este é um Programa que apresenta uma nova maneira de viver. Nós não
simplesmente falamos sobre ele numa reunião semanal. Este é um Programa para se
viver bem vinte e quatro horas por dia aonde quer que estejamos. Por estarmos nos
modificando como um resultado destes Doze Passos, nos percebemos utilizando os
princípios deste Programa em todos os aspectos de nossas vidas. Somos mais
cuidadosos, honestos e temos mais aceitação com as outras pessoas em nossas vidas,
não somente com as pessoas dos Emocionais Anônimos.

À medida que recuperamos nossa saúde emocional e nossa sanidade é


restaurada, os problemas em nossas casas e com nossas famílias são freqüentemente
reduzidos. Aplicamos nossos novos princípios em nossas vidas sociais e melhoramos
muito nossos relacionamentos. Descobrimos que agir com base no programa Doze
Passos nos negócios ou em nossas vidas profissionais nos tornamos melhores
empreendedores ou melhores empregados. Somos mais equilibrados nas questões
financeiras, nem aflitos nem descuidados.

Os princípios de Emocionais Anônimos tornam-se um guia para nossos


pensamentos, desta forma nossa saúde mental melhora. Somos mais cuidadosos com
nossas necessidades físicas e emocionais. Nós agora nos sentimos seguros em saber
que temos à nossa disposição uma fonte espiritual pessoal que é nosso Poder Superior, e
temos um conceito de Deus (como O entendemos) que funciona para nós.

Muitos de nós escolhe continuar assistindo às reuniões, embora tenhamos uma


vida muito melhor do que a que tínhamos antes. A irmandade, a longo prazo, nos ajuda a
manter o que aprendemos e nos ajuda a continuar nosso crescimento. Lembramos onde
estávamos e o que éramos antes do Programa. Recebemos um grande presente de
64

Deus. Continuamos a servir aos outros no Emocionais Anônimos como uma expressão de
nossa gratidão pelo que recebemos. Lembramos que alguém esteve lá para nos dar apoio
quando chegamos aos Emocionais Anônimos, e queremos nos assegurar de que o
programa estará à disposição a qualquer pessoa que precise dele.
65

AS DOZE TRADIÇÕES DE EMOCIONAIS ANÔNIMOS

1. Nosso bem-estar deve estar em primeiro lugar: a recuperação individual depende da


unidade de Emocionais Anônimos

2. Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum – um


Deus amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos líderes
são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar.

3. Para ser membro de Emocionais Anônimos, o único requisito é nutrir o desejo de se


recuperar emocionalmente.

4. Cada grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros
grupos ou a Emocionais Anônimos em seu conjunto.

5. Cada grupo é animado de um único propósito primordial: o de transmitir uma


mensagem àqueles que ainda sofrem com problemas emocionais.

6. Nenhum grupo de Emocionais Anônimos jamais deverá endossar, financiar ou


emprestar o nome de Emocionais Anônimos a qualquer sociedade parecida ou a
empreendimento alheio à Irmandade, a fim de que problemas de dinheiro, propriedade
e prestígio não nos afastem do nosso objetivo primordial.

7. Todos os grupos de Emocionais Anônimos deverão ser absolutamente auto-


suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora.

8. Emocionais Anônimos deverá se manter sempre não-profissional, embora nossos


Centros de Serviço possam contratar funcionários especializados.

9. Emocionais Anônimos jamais deverá se organizar como tal (profissional). Podemos,


porém, criar juntas ou comitês de serviço diretamente responsáveis perante àqueles a
quem prestam serviços.

10. Emocionais Anônimos não opina sobre questões alheias à Irmandade. Portanto, o
nome de Emocionais Anônimos jamais deverá aparecer em controvérsias públicas.

11. Nossas relações com o público se baseiam na atração em vez de promoção. Cabe-
nos, sempre, preservar o anonimato pessoal na imprensa, no rádio, na televisão e em filmes.

12. O anonimato é o alicerce espiritual das nossas tradições, lembrando-nos sempre da


necessidade de colocar os princípios acima das personalidades.
66

PRIMEIRA TRADIÇÃO

"Nosso bem-estar deve vir em primeiro lugar.


A recuperação individual depende da unidade de Emocionais Anônimos”.

— Qual a importância de Emocionais Anônimos para você?

— Você já achou alguma coisa mais que lhe fizesse tanto bem?

— Você pode praticar esse Programa inteiramente sozinho?

A maioria de nós descobriu que precisamos ouvir e compartilhar com outras


pessoas que estão trabalhando com esse mesmo objetivo, para que cresçamos dentro do
Programa. Precisamos, para nossa recuperação, das reuniões e das pessoas que a elas
assistem. Por esse motivo, é extremamente importante que os grupos de Emocionais
Anônimos continuem a existir e permaneçam fortes.

A recuperação individual depende do trabalho de todos os membros, em harmonia


uns com os outros. Considerando a grande diversidade de nossos membros — várias
idades, raças, nacionalidades, religiões, educação e graus de poder aquisitivo, ideais
políticos, valores etc. — progredir pode às vezes ser difícil. Trabalhar em conjunto requer
vontade de ouvir as ideias de outras pessoas com a mente aberta. Embora sejamos livres
para compartilhar nossos próprios pontos de vista, não devemos insistir para que eles
sejam sempre aceitos. Devemos acatar as decisões da maioria do grupo.

Isso nos dá uma oportunidade de praticar a aceitação e a humildade. Podemos


aprender a abrir mão do nosso autocentrismo e da nossa teimosia. Podemos usar o
Conceito Nº 4: "Não julgamos, não criticamos, não argumentamos, não damos conselho
sobre assuntos pessoais ou familiares".

Em cada decisão tomada pelos grupos, devemos nos perguntar "se o nosso grupo
faz isso e em que isso poderá prejudicar o Emocionais Anônimos como um todo". Quando
dizemos "Emocionais Anônimos como um todo", estamos nos referindo a todos os grupos
de Emocionais Anônimos em nossa área local e em todo o mundo.
67

Para os membros que se mudam para uma nova área ou que estejam meramente
de visita, é importante que encontrem mais consistência e esperança em suas novas
reuniões do que divisão e luta de poder.

Emocionais Anônimos como um todo é o Programa de Doze Passos intitulado


Emocionais Anônimos, resumido no Conceito Nº 1 que “consiste dos Doze Passos, Doze
Tradições, Conceitos, Oração da Serenidade, os Lemas, os Só Por Hoje, a Literatura de
Emocionais Anônimos e as Reuniões Semanais".

Isso não quer dizer que o indivíduo não seja importante dentro do Programa de
Emocionais Anônimos. O indivíduo é o centro da organização. Contudo, um grupo é
composto de muitos indivíduos. As idéias e sugestões de cada pessoa precisam ser
consideradas; porém, as decisões devem ser baseadas no que é melhor para a totalidade
— o melhor para o bem-estar comum do Emocionais Anônimos —, o que nos manterá
unificados.

O Conceito Nº 3 nos lembra de "visar uma atmosfera de amor e aceitação”.

A Primeira Tradição diz que o objetivo de nossas Tradições é manter a unidade de


Emocionais Anônimos. As outras Tradições nos dão orientação adicional sobre a melhor
maneira de preservar essa unidade.
68

SEGUNDA TRADIÇÃO

"Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum:


um Deus amantíssimo que pode se manifestar em nossa consciência coletiva.
Nossos líderes são apenas servidores de confiança, não têm poderes para governar”.

Os recém-chegados se surpreendem, com frequência, ao saber que Emocionais


Anônimos não têm uma estrutura de governo amplamente organizada, como outros
clubes e organizações. Nos Emocionais Anônimos ninguém tem o poder de dizer aos
outros o que fazer ou de lhes impor regras. Na verdade não existem regras, apenas
indicadores que estão citados nas Tradições e nos Conceitos do Programa de Emocionais
Anônimos.

— Se ninguém está no comando, como pode ser mantida a unidade mencionada


na Primeira Tradição?

— Como são tomadas as decisões?

— Como qualquer coisa é feita?

Como Emocionais Anônimos é um programa espiritual, cada um dos membros


procura, em suas vidas diárias, a orientação de um Poder maior que eles mesmos. Os
grupos de Emocionais Anônimos também se voltam para um Poder Superior, pedindo
orientação. Esse Poder é "uma autoridade máxima" de Emocionais Anônimos — "Um
Deus amantíssimo", como expressado na consciência de grupo. Portanto, essa Tradição
nos dá a oportunidade de praticar o Terceiro Passo: "Tomamos a decisão de submeter a
nossa vida e a nossa vontade aos cuidados de Deus como O entendíamos"; e o Décimo
Primeiro Passo: "Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato
consciente com Deus, na forma em que O concebíamos”.

Quando decisões de grupo precisam ser tomadas, faz-se uma votação da


"consciência de grupo". Esse é um processo democrático onde todos os membros do
grupo têm voto. Somos todos iguais e cada um tem o direito de expressar sua opinião.
Como nenhuma pessoa fala em nome de Emocionais Anônimos como um todo, todos os
69

membros necessitam pedir orientação ao seu Poder Superior para saber como votar
melhor. Quando feito dessa maneira, o voto da consciência de grupo se torna uma
expressão da vontade do nosso Poder Superior para com o grupo.

Esse processo assegura que a unidade seja mantida e que ninguém dominará o
grupo, seja intencionalmente ou à revelia do mesmo. A totalidade do grupo torna-se
responsável por suas próprias ações.

O Emocionais Anônimos necessita de líderes e a Segunda Tradição define


claramente suas funções — eles são "servidores de confiança; não têm poderes para
governar". Alguns líderes são eleitos, outros são voluntários. A maioria dos nossos líderes
presta serviços dentro de seus grupos, na Intergrupal ou aos Emocionais Anônimos como
um todo, por gratidão pela recuperação que experimentaram através do Programa de
Doze Passos. Alguns prestam serviço porque gostam de trabalhar com outras pessoas e
podem oferecer conhecimentos de ajuda para o funcionamento efetivo da organização.
Outros participam como uma forma de ajudar a si mesmos na recuperação de seus
problemas emocionais.

Para cada um, servir aos Emocionais Anônimos significa colocar o Décimo
Segundo Passo em ação. Contudo, aprendemos que não é uma boa ideia prestar serviço
sob um papel de liderança pela necessidade de controlar os outros ou de realçar nossos
próprios egos egoístas. Precisamos sempre lembrar do Décimo Primeiro Conceito:
"Somos todos iguais — ninguém é mais importante que o outro", estejamos ou não
participando como líderes.

Deve ser fácil submeter-se à vontade de membros mais antigos no grupo ou


daqueles que estejam assumindo papéis de liderança. Porém, esses membros não
exercem, nem devem exercer, autoridade sobre o grupo. Talvez, quando alguém inicia um
novo grupo, possa, em princípio, cuidar da maioria dos detalhes dessa reunião. Porém, o
grupo estará em dificuldade se, mês após mês, toda a responsabilidade pelo seu
funcionamento continuar a ser assumida por aquele mesmo membro ou por um pequeno
grupo de fundadores.

A recuperação emocional de todos os envolvidos estará, assim, em perigo. A


pessoa que toma todas as decisões pode ser vista como a suprema autoridade do grupo,
confundindo-se com o que consideramos ser um Poder Superior. Devemos lembrar que a
70

suprema autoridade do nosso grupo é um Poder Superior. O responsável por tudo pode,
ainda, sofrer uma perigosa inchação do ego, que pode terminar em amargo ressentimento
e colapso total.

Algumas vezes ocorre um grave "porre" emocional e o grupo se desintegra quando,


subitamente, o "líder" renuncia porque o fardo parece pesado demais. Então, ninguém
mais está preparado ou deseja assumir a responsabilidade pelo grupo. Alternativamente,
o "líder" poderia permanecer, porém, com o ressentimento dos outros membros, por ter
tomado todas as decisões. É bem provável que outros membros se recusem a pensar por
si mesmos e estejam procurando o caminho mais fácil, o de depender de alguém, mais
para serem orientados.

É importante para todos os membros a compreensão desses princípios, para a


garantia de grupos saudáveis e do crescimento de Emocionais Anônimos. Todos são
responsáveis pelo sucesso de uma reunião. Cada um precisa ajudar para que a reunião
transcorra tranquilamente, tornando-se um "servidor de confiança". Cada um tem alguma
habilidade ou serviço com o qual pode contribuir com o grupo (por exemplo, coordenando
a reunião, saudando os recém-chegados, servindo como secretário, tesoureiro ou pessoa
de contato, encomendando a literatura, apadrinhando os recém-chegados, se o grupo
adota o apadrinhamento, informando sobre a reunião etc.).

Essas responsabilidades precisam ser continuamente revezadas entre os


membros. Além disso, cada membro precisa lembrar-se de que a suprema autoridade no
Emocionais Anônimos é um Deus amantíssimo que nos deu este Programa de
Recuperação.

Nossos líderes estão apenas atuando como servidores de confiança, para cumprir
o desejo daquele Poder Superior como está expresso em nossa consciência de grupo.
Cada um necessita recorrer ao seu Poder Superior para tomar decisões relativas ao
grupo e "orar apenas pelo conhecimento do Seu desejo para conosco e pelo poder de
cumpri-lo”.
71

TERCEIRA TRADIÇÃO

"Para ser membro de Emocionais Anônimos, o único requisito


é nutrir o desejo de se recuperar emocionalmente".

Novamente, aqui o Emocionais Anônimos é muito diferente da maioria das


organizações. Não desejamos excluir ninguém de fazer parte dos Emocionais Anônimos,
desde que essas pessoas queiram recuperar-se emocionalmente. Não temos nenhuma
outra regra ou requisitos necessários para tornar-se membro. Dessa forma, a unidade de
Emocionais Anônimos é fortalecida, porque não perdemos tempo decidindo quem pode
ou não participar, nem estamos divididos sobre quem queremos ou não que faça parte do
grupo. Todos são bem-vindos!

Então, quem decide, de fato, se existe um desejo de recuperar-se emocionalmente?


Cada um de nós decide por si mesmo. Nenhum nível específico de disfunção emocional é
requerido para alguém qualificar-se como membro, nenhum determinado sintoma ou
diagnóstico é necessário. Os Nono e Décimo Conceitos nos lembram que "não achamos
ser proveitoso usar rótulos de qualquer espécie para a doença ou para a saúde. Podemos
apresentar diferentes sintomas, porém as emoções básicas são as mesmas ou similares.
Descobrimos que não somos únicos em nossas dificuldades e/ou doenças".

Além disso, não é necessário ter as mesmas crenças religiosas ou políticas que os
outros membros, nem a mesma posição social, orientação sexual, situação financeira,
raça ou sexo. Não há nada que importe sobre os recém-chegados, exceto o desejo que
eles tenham de recuperar-se emocionalmente.

Ademais, nem mesmo se requer que os membros estejam praticando o Programa


no momento, fazendo doações, ou compartilhando com o grupo. Se alguém não quiser
fornecer informações pessoais, isso é ótimo. Se não deseja ser agradável ou prestativo,
que assim seja. Algumas dessas coisas podem ser proveitosas em uma reunião de
Emocionais Anônimos, mas não podem ser requisitos para alguém tornar-se membro.

Não podemos obrigar ninguém a pagar qualquer coisa, acreditar em qualquer


coisa, ou estar de acordo com qualquer coisa. Tirar a oportunidade de recuperação de
72

alguém o excluindo de participar de Emocionais Anônimos, não é o caminho do


Emocionais Anônimos. Nosso único propósito é oferecer o Programa a todos que
queiram.

Admitindo todos em nossa organização, temos a oportunidade de praticar a


tolerância e a paciência. Isso pode até mesmo forçar-nos à convivência com pessoas que
não conheceríamos de outra forma. Nesse processo, ficamos com a mente mais aberta e
mais consciente do valor de todas as pessoas. Descobrimos que as diferenças realmente
não importam; o que conta somente é o objetivo comum que temos de nos recuperar
emocionalmente. Nós nos tornamos desejosos de ajudar a outros em seu objetivo porque
isso nos ajuda a alcançar o nosso. A nossa unidade fica mais fortalecida.

Enquanto alguns grupos de Emocionais Anônimos podem escolher se concentrar


numa associação específica, ninguém é excluído de participar em uma reunião em
particular. Por exemplo, um grupo pode ser designado para pessoas mais velhas, para
proporcionar um ambiente mais confortável onde compartilhar experiências similares.
Porém, ninguém é excluído de assistir a tal reunião. Ademais, grupos de pessoas mais
velhas não podem estabelecer uma exigência de idade, ou pedir uma comprovação de
idade aos presentes. A mesma coisa se aplica a qualquer outro grupo com um objetivo
específico, como aqueles destinados a homens ou mulheres, homossexuais e lésbicas,
prisioneiros, profissionais específicos, crianças etc. Repetindo: só temos um requisito para
ser membro: o desejo de se recuperar emocionalmente.

O desejo de se recuperar emocionalmente é tudo o que esta Tradição requer, e não


o êxito dessa proposta. Essa também é uma decisão individual. Não existe limite de
tempo para a recuperação. Não há um determinado montante de progresso necessário
para permanecer como membro. A segurança de ser bem-vindo (a) às reuniões, dá a
cada um(a) a oportunidade para a recuperação. Emocionais Anônimos inclui, não exclui!

Todos aqueles que acreditam que Emocionais Anônimos pode lhes ajudar com
seus problemas emocionais, são considerados membros pelo simples ato de afirmar isso.
73

QUARTA TRADIÇÃO

"Cada grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que afetem outros grupos
ou a Emocionais Anônimos em seu conjunto”.

"Cada grupo deve ser autônomo", mas o que isso significa?


De acordo com o dicionário, "autônomo" significa independente, ou que se
autogoverna. Dessa forma, a cada grupo de Emocionais Anônimos é permitido que faça
suas próprias regras e resolva seus próprios assuntos. Um grupo é livre para tomar suas
próprias decisões e solucionar seus próprios problemas. É verdadeiramente livre para
dirigir as reuniões como desejar, para decidir como usar o dinheiro arrecadado e como se
relacionar com os outros grupos de Emocionais Anônimos na mesma área. Cada grupo é
livre para cometer seus próprios erros e, esperamos, aprender com eles. Isso faz com que
cada grupo seja responsável por seus próprios sucessos e fracassos.

— Porém, não seria melhor que alguma autoridade, alguma junta governativa,
estabelecesse regras que todos seguissem, para assegurar que todos os grupos de
Emocionais Anônimos fossem exatamente iguais?

— Não deveriam as Intergrupais ter autoridade sobre os grupos, em suas áreas,


para dizer-lhes o que poderiam ou não fazer?

— Não é um precedente perigoso deixar que cada grupo faça o que queira?

Certamente teremos rebeldes que não seguirão normas.

A resposta a todas essas questões é um definitivo não. Primeiro, você gosta de ter
alguém lhe dizendo o que fazer e como fazer? Muitos de nós nos rebelaríamos se alguém
nos dissesse o que fazer e não permaneceríamos em uma reunião o tempo suficiente
para qualquer recuperação. Para alguns, dizer-lhes o que fazer seria o caminho mais fácil.
Não teriam que pensar por si mesmos. Os problemas do grupo seriam sempre resolvidos
por outra pessoa. Se as coisas não funcionassem, seria falha delas, não nossa.
Estaríamos evitando nossa responsabilidade para com o grupo. Poderíamos ficar
ressentidos com aqueles que estabeleceriam as regras, e esses ressentimentos poderiam
impedir a nossa recuperação.
74

Um grupo de Emocionais Anônimos é feito de uma variedade de indivíduos que se


reúnem para compartilhar o Programa dos Doze Passos. Aquele grupo de indivíduos é
que decide o que vai funcionar melhor para eles.

O objetivo das Intergrupais, Junta Internacional de Custódios e o Centro de Serviço


Internacional é prestar serviços – ajudar grupos e indivíduos na recuperação emocional,
fornecendo informação e ajuda com relação ao Programa de Emocionais Anônimos. O
objetivo deles não é controlar ou regular os grupos de Emocionais Anônimos. Contudo, os
grupos de Emocionais Anônimos, Intergrupais, a Junta de Custódios e o Centro de
Serviço Internacional têm a responsabilidade de chamar a atenção de alguns grupos que
estejam afetando negativamente outros grupos ou o Emocionais Anônimos como um todo.

No Centro de Serviço Internacional existe literatura de Emocionais Anônimos e


informações disponíveis que podem ajudar os grupos na decisão de como lidar com seus
assuntos. Existe um formulário de como fazer uma reunião, um guia para formação de
grupos, outro para realização de reuniões de informação ao público ou informação de
uma Intergrupal, ou exposições de saúde.

Existem sugestões para grupos em dificuldades, uma folha de inventário de grupo


e um folheto sobre como lidar com grupos em desintegração. Para perguntas específicas
ou que digam respeito aos grupos, um telefonema ou carta ao Centro de Serviço
Internacional ou ao seu Custódio, pode fornecer assistência. Porém, todas essas coisas
significam apenas idéias e sugestões. Em última análise, são os membros individuais do
grupo, participando em decisões da consciência de grupo, que determinam o que é
melhor para o seu próprio grupo.

Cada grupo de Emocionais Anônimos é livre para lidar com seus assuntos
exatamente como o grupo deseja, "exceto em assuntos que afetem outros grupos ou o
Emocionais Anônimos como um todo". Essa exceção é muito importante e se reporta à
Primeira Tradição. Sem a unidade de todo o Emocionais Anônimos, não teríamos a
oportunidade de uma recuperação pessoal que este programa proporciona.

Dessa forma, é vital que a ação de cada grupo não afete negativamente outros
grupos ou toda a organização do Emocionais Anônimos. A unidade do Emocionais
Anônimos é fortalecida quando grupos individuais respeitam os grupos vizinhos e agem
como bons representantes de tudo o que é o Emocionais Anônimos.
75

— Que espécie de coisas afetaria negativamente o Emocionais Anônimos como


um todo? Simplificando, qualquer ação de grupo que desse ao Emocionais Anônimos má
reputação, e qualquer coisa que afastasse os indivíduos das reuniões do Emocionais
Anônimos.

A compreensão e transmissão dos Conceitos do Programa do Emocionais


Anônimos nas reuniões, ajudam a evitar qualquer efeito negativo na organização do
Emocionais Anônimos. Os Doze Passos também devem ser nosso ponto de convergência
para a recuperação. Discussões sobre terapias, medicações, religião ou o uso de outros
livros e literatura que não seja dos Emocionais Anônimos etc., nos desviariam de nosso
único objetivo. Se nosso grupo estiver envolvido em outras coisas, não mais seremos
Emocionais Anônimos.

No Emocionais Anônimos, o indivíduo recebe os Doze Passos como um caminho


para a recuperação emocional, porém cabe a cada um decidir como pode melhor aplicar
esses Passos em sua vida. Semelhantemente, cada grupo recebe Doze Tradições como
um guia para o sucesso dessa recuperação. Cabe a cada grupo decidir como melhor
aplicar essas Tradições a sua situação individual.
76

QUINTA TRADIÇÃO

"Cada grupo tem como propósito primordial o de transmitir a mensagem

àqueles que ainda sofrem com problemas emocionais”.

A Quinta Tradição diz claramente qual é a única razão fundamental para a


existência de um grupo de Emocionais Anônimos. O objetivo é levar àqueles que ainda
sofrem com problemas emocionais uma mensagem de esperança de recuperação,
através dos Doze Passos sugeridos de Emocionais Anônimos. Nós, como membros de
Emocionais Anônimos, temos uma obrigação de compartilhar esta mensagem com
aqueles que ainda não sabem que existe um caminho de recuperação. Os recém-
chegados podem ouvir aqueles que tiveram Problemas similares aos seus, porque
querem saber quais as nossas soluções.

Compartilhando, através das reuniões do grupo, nossas experiências, forças e


esperanças, somos excepcionalmente capazes de ajudar a outros. Não partilhamos
outras filosofias, terapias, religiões etc., nas reuniões. Se fizéssemos isso, nos
afastaríamos da mensagem de Emocionais Anônimos. É claro que existem outros
caminhos que se pode seguir para obter a saúde emocional.

Os membros de Emocionais Anônimos são livres para utilizar a terapia profissional,


aconselhamento pastoral ou outras fontes de ajuda, se assim o quiserem; porém a
discussão ou debate sobre outros recursos não são apropriados durante uma reunião de
Emocionais Anônimos. Fora das reuniões os membros são livres para trocar informações
sobre quaisquer outros assuntos que queiram.

Os membros de Emocionais Anônimos assistem às reuniões para compartilhar sua


compreensão e experiências com o Programa dos Doze Passos, aplicado as suas
próprias vidas. Os recém-chegados a uma reunião de Emocionais Anônimos estão ali
para entender se esse Programa de Doze Passos poderá ajudá-los.

Uma reunião de Emocionais Anônimos é um dos momentos mais apropriados para


seus membros praticarem o Décimo Segundo Passo: "Tendo experimentado um despertar
77

espiritual, graças a estes passos, procuramos transmitir esta mensagem e praticar estes
princípios em todas as nossas atividades".

Aqui encontramos um paradoxo do Programa: não podemos manter a recuperação


que alcançamos, a menos que a transmitamos para outras pessoas. Nosso grupo existe,
e assim podemos compartilhar como os Doze Passos nos ajudam.

Talvez o meio mais proveitoso de levarmos a mensagem seja pelas mudanças


positivas que os outros algumas vezes observam em nós, mesmo antes de nos
conscientizarmos de que estamos mudando. Nosso próprio exemplo mostra aos outros
que a recuperação é possível através do Emocionais Anônimos. A discussão do Décimo
Segundo Passo no livro "Emocionais Anônimos" enumera várias outras maneiras pelas
quais os indivíduos podem levar nossa mensagem de esperança.

Cada grupo tem a responsabilidade de levar a mensagem e de se esforçar para


que a sua comunidade saiba da existência de Emocionais Anônimos. Isso pode ser
conseguido utilizando-se cartas-padrão de divulgação que podem ser copiadas e
enviadas a igrejas, firmas e provedores de serviços profissionais de saúde. Também
podemos fazer reuniões de informação ao público e distribuir panfletos fazendo a
publicidade de nossas reuniões. Um grupo pode providenciar oradores para participar de
mesas redondas sobre publicações relativas à saúde mental e de eventos sobre saúde
realizados em shoppings ou centros comunitários. O Centro de Serviço Internacional pode
fornecer aos nossos grupos folhetos e informações úteis sobre como realizar qualquer
dessas reuniões.

Uma outra boa maneira de um grupo poder levar a mensagem é ajudando na


instalação de novos grupos. Essa ajuda pode ser dada através de doações em dinheiro
ou literatura, assistindo às reuniões enquanto o novo grupo está começando e ainda está
muito pequeno, e partilhando informações sobre os novos grupos, em nossa própria
reunião de Emocionais Anônimos. Cada pessoa em um grupo de Emocionais Anônimos
tem a obrigação de espalhar a notícia. Isso significa que precisamos quebrar nosso
anonimato? Certamente que não!

Podemos deixar os folhetos de Emocionais Anônimos em bibliotecas, salas de


espera de hospitais e centros de saúde. Podemos comprar um livro de Emocionais
Anônimos ou a revista "A Mensagem de Emocionais Anônimos" e doá-los a uma
78

biblioteca local, centro de saúde ou hospital psiquiátrico. Podemos informar aos jornais
locais o dia, a hora e o local de nossas reuniões, para que essa informação possa ser
publicada em suas colunas de grupos de ajuda ou em páginas de informação à
comunidade. Podemos informar sobre o Emocionais Anônimos em estações de rádio e
televisão para que sejam feitos anúncios de utilidade pública.

Franqueza de objetivo é o tema da Quinta Tradição. Emocionais Anônimos faz uma


coisa, e somente uma coisa: compartilhamos o Programa de Doze Passos com outros
que ainda sofrem de problemas emocionais. Qualquer outra coisa que tentemos fazer, ou
aleguemos fazer, vai apenas ignorar o nosso objetivo e diluir a nossa mensagem. Temos
um programa muito simples, porém dinâmico, que funciona. Perseverando em nosso
objetivo primordial, a unidade de Emocionais Anônimos fica fortalecida e nossa
mensagem de recuperação é preservada.
79

SEXTA TRADIÇÃO

"Nenhum grupo de Emocionais Anônimos deverá jamais endossar,


financiar ou emprestar o nome de Emocionais Anônimos a qualquer entidade afim
ou empreendimento alheio à Irmandade, a fim de que problemas de dinheiro,
propriedade e prestígio não nos afastem de nosso objetivo primordial.”

Esta Tradição nos lembra de "manter claro" o compromisso de manter-nos fiéis ao


nosso objetivo primordial de compartilhar o programa de Emocionais Anônimos com
outros. Nosso objetivo não é advogar, fundar ou manter de alguma forma outros
empreendimentos, mesmo que pensemos estar fazendo isso para ajudar o Emocionais
Anônimos. Esta Tradição nos adverte sobre o que não fazer, porque o envolvimento com
essas outras coisas nos acarretaria problemas com dinheiro, propriedade e prestígio. O
ter que lidar com tais problemas desviaria o nosso tempo e energia daquilo que
deveríamos fazer. Nossa unidade estaria ameaçada e nossa mensagem comprometida. É
muito tentador pensar que poderíamos ajudar a mais pessoas em sua recuperação
emocional e aumentar substancialmente os recursos de Emocionais Anônimos para uso
em nossa causa meritória, administrando clínicas, endossando livros de auto-ajuda ou
patrocinando outros projetos sobre saúde mental.

A experiência inicial do Alcoólicos Anônimos demonstrou que isso não funciona. O


Alcoólicos Anônimos pensou que poderia iniciar atividades e trabalhar pela mudança
social, para mais adiante ajudar alcoólicos a se recuperar. Porém, os grupos de Alcoólicos
Anônimos sofreram uma grande perturbação quando alguns membros disputaram posição
e prestígio na direção de hospitais, como na maneira de disseminar seu programa de
Doze Passos. Desenvolveu-se muita controvérsia entre os membros sobre quais centros
de tratamento ou métodos deveriam ser endossados. Eles trabalharam por reformas
legais, porém se envolveram em dificuldades políticas. A recuperação de muitos membros
foi prejudicada por causa dos conflitos e confusão. O Alcoólicos Anônimos finalmente
decidiu que era melhor para eles se manterem com o que haviam feito de melhor e deixar
o resto para outros. Aprenderam que estariam melhor desistindo do dinheiro que
poderiam ganhar, da propriedade que poderiam adquirir e controlar e do prestígio que
poderiam ter. Sua contínua sobriedade e a sobriedade potencial de outros alcoólicos era
muito mais importante do que todas aquelas outras coisas.
80

Aplicando esta Tradição a membros e grupos individuais, vemos que também


precisamos evitar trazer às reuniões itens para serem vendidos com a finalidade de
levantar fundos. A venda de biscoitos para os escoteiros e doces para as equipes
esportivas é excelente, mas não nas reuniões de Emocionais Anônimos. A finalidade de
nossas reuniões não é financiar outros empreendimentos. Fazer anúncios sobre um
orador especial em nossa igreja ou um seminário com um autor famoso, também vai
contra esta Tradição.

Não endossamos outros empreendimentos em nossas reuniões, não importa o


quanto eles sejam dignos de mérito. Distribuir cupons para descontos na compra de livros
de auto-ajuda em uma livraria local não é a nossa finalidade. Vender literatura e livros que
não sejam aqueles aprovados pelos Emocionais Anônimos também não é apropriado em
nossas reuniões. Todas essas atividades podem confundir os membros quanto àquilo que
é apoiado por Emocionais Anônimos, afastando, dessa maneira, as pessoas de nosso
Programa de Recuperação.

A recuperação de Emocionais Anônimos e a libertação de interferências de fora


estão protegidas por esta Tradição. Se o nome de Emocionais Anônimos for usado com
algum objetivo externo, não importa o quanto bem intencionado ele seja, isso poderia ser
aplicado a muitos outros objetivos, talvez até mesmo sem a nossa permissão. Nosso
propósito poderá ser mal interpretado e o Emocionais Anônimos desacreditado.

O Emocionais Anônimos evita todos esses potenciais conflitos de interesses ao


recusar aliar-se a qualquer coisa fora do nosso programa. Ao não endossar qualquer
técnica psiquiátrica, medicação, serviços médicos, estamos mais bem capacitados a
manter-nos em nosso único objetivo, conservando nossa mensagem de esperança forte,
clara e intacta.

Não nos afiliamos a ninguém ou a qualquer coisa, ainda que cooperemos


livremente com qualquer interessado em aprender sobre nosso programa. Não estando
ligado a ninguém, o Emocionais Anônimos pode ser de utilidade para todos. Controvérsias
sobre quem ou o quê endossar e como administrar propriedade e dinheiro nos
fragmentariam. A Sexta Tradição permite aos Emocionais Anônimos evitar esses
problemas, proteger nossa unidade e nos manter concentrados em nosso objetivo
primordial.
81

SÉTIMA TRADIÇÃO

"Todos os grupos de Emocionais Anônimos deverão ser absolutamente


auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora."

Emocionais Anônimos é uma organização sem fins lucrativos, mantida pelas


contribuições voluntárias de seus membros. Como foi ressaltado na Sexta Tradição,
nosso objetivo não é despender tempo ganhando dinheiro. Contudo, precisamos de
dinheiro para manter o funcionamento de nossas reuniões, pagar as despesas da
Intergrupal e financiar os serviços de apoio proporcionados pelo nosso Centro de Serviço
Internacional.

— Não seria maravilhoso ter alguma empresa comercial, igreja ou doutor que
pagasse nosso aluguel, fornecesse nossa literatura e alguns lanches? Como seria
agradável ter apenas de comparecer às reuniões e deixar o pagamento de contas para
alguém! Contudo, se aceitássemos contribuições de fora, nos arriscaríamos a assumir
obrigações com aquelas outras pessoas ou instituições. Estaríamos colocando nossa
liberdade nas mãos de outros. Nosso grupo se tornaria o grupo deles, e eles poderiam
querer que nós o conduzíssemos de forma contrária aos princípios do Programa de
Emocionais Anônimos. Por exemplo, os contribuintes poderiam esperar ter voz em nossas
reuniões. Eles poderiam querer dominar o grupo ou mudar a maneira como as reuniões
são conduzidas. Poderiam querer estabelecer regras a respeito de quem poderia fazer
parte do grupo, ou insistir em que praticássemos a religião deles, mais do que seguir
nosso caminho espiritual particular.

A recuperação emocional é o objetivo dos Emocionais Anônimos. Por esse motivo


é muito importante para um grupo de Emocionais Anônimos estar livre de influências
alheias, para que os membros possam se concentrar mais na recuperação do que em
agradar a um patrocinador financeiro. Ceder a responsabilidade financeira de nosso grupo
de Emocionais Anônimos a uma fonte externa compromete essa liberdade.

Um sentido de responsabilidade amadurecido é uma coisa desenvolvida pela


prática dos Doze Passos. Se um grupo de Emocionais Anônimos aceitar doações
82

externas ao invés de pagar com seus próprios recursos, isso vai permitir que os membros
continuem a procurar fora de seus grupos alguém que os socorra em suas dificuldades,
em vez de aceitar suas próprias responsabilidades.

— Se as contribuições de fora não são apropriadas aos Emocionais Anônimos,


então de onde vem o dinheiro de que necessitamos? Ele vem das doações daqueles que
frequentam as reuniões de Emocionais Anônimos. Se valorizamos a recuperação que nos
está sendo proporcionada de graça pelo programa de Emocionais Anônimos, é nossa
responsabilidade manter Emocionais Anônimos com nossas doações monetárias.
Ajudamos a levar a mensagem deste programa através da doação de dinheiro ao
Emocionais Anônimos para que as reuniões continuem, e assim os recém-chegados terão
um lugar aonde ir quando precisarem do nosso Programa de Recuperação.

Não há taxas nem mensalidades para se tornar membro de Emocionais Anônimos,


contudo, as doações são solicitadas em nossas reuniões. É importante para nós sermos
responsáveis e contribuirmos com tanto quanto nos seja razoavelmente possível, não
apenas deixando cair na sacola alguns trocados, quando realmente poderíamos contribuir
com uma importância maior.

Nós, na qualidade de membros de Emocionais Anônimos, investimos em nossa


própria recuperação proporcionando ajuda financeira para manter o nosso grupo de
Emocionais Anônimos, nossa lntergrupal (se houver uma) e Emocionais Anônimos como
um todo, através de contribuições ao nosso Centro de Serviço Internacional. Não
acumulamos grandes quantias nas tesourarias dos nossos grupos, mas enviamos ao
Centro de Serviço Internacional o que nos é possível. Podemos decidir por fazer doações
pessoais, além daquelas que fazemos para ajudar o nosso grupo, enviando o dinheiro
diretamente ao Centro de Serviço. Mesmo essas doações pessoais têm um limite de
U$1.000 (um mil dólares) por pessoa, para evitar a possibilidade de grandes doadores
desejarem ter uma influência demasiada nos assuntos de Emocionais Anônimos.

Um grupo de Emocionais Anônimos é completamente auto-suficiente como uma


expressão de gratidão e qualidade da recuperação alcançada pelos seus membros. Para
que continuemos a existir, contudo, precisamos manter nossa própria estabilidade
financeira. Ao rejeitar fundos de fontes externas, não temos vínculo ou compromissos com
ninguém, e nosso objetivo primordial de levar a mensagem de recuperação de
Emocionais Anônimos não fica comprometido. Continuamos a manter nossa unidade.
83

OITAVA TRADIÇÃO

“Emocionais Anônimos deverá manter-se sempre não profissional,


embora nossos centros de serviços possam contratar funcionários especializados”.

Frequentemente, as reuniões de Emocionais Anônimos proporcionam efeitos


terapêuticos, porém não são grupos ou classes de terapia para debates sobre a doença
mental.

Ninguém paga para participar dos Emocionais Anônimos, como poderia ser
requerido em um grupo ou classe de terapia profissional. Nenhum líder profissional auxilia
uma reunião de Emocionais Anônimos. Se um profissional, tal como um assistente social,
pastor ou psicólogo, coordena uma reunião, deve portar-se simplesmente como membro
de Emocionais Anônimos e servir ao grupo na sua vez de coordenador da reunião, nada
mais.

Além disso, levar a mensagem de Emocionais Anônimos, ou fazer o trabalho dos


Doze Passos, como é frequentemente chamado, não requerem profissionais. Emocionais
Anônimos é baseado em uma premissa simples: aqueles que encontraram ajuda para
seus problemas emocionais usando os Doze Passos, estão melhor credenciados para
levar a mensagem de recuperação de Emocionais Anônimos a outros. Profissionais
jamais poderiam substituir a experiência daqueles que praticam o programa.

Os membros voluntários fazem todos os esforços dos Doze Passos livremente;


eles jamais são remunerados por seus serviços. Devem ser membros de Emocionais
Anônimos aqueles que coordenam as reuniões, falam aos outros sobre o programa e
desempenham todas as outras atividades que ajudam a levar a nossa mensagem
àqueles que ainda não estão familiarizados com esse programa. Se fosse exigido
pagamento, os recém-chegados poderiam se perguntar se as pessoas estariam
realmente os ouvindo por compaixão, ou apenas porque estava sendo paga uma taxa
para isso.

Como o Emocionais Anônimos não é profissional, os membros desfrutam de uma


camaradagem tranquilizadora, que resulta de todos liderarem com um interesse comum:
o desejo de se recuperar emocionalmente. Por isso não existem "profissionais de
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Emocionais Anônimos". O Programa de Doze Passos é oferecido de graça a todos que o


queiram. Ele não tem preço e não pode ser comprado ou vendido. Como resultado do
generoso trabalho dos Doze Passos feito por antigos membros, o Emocionais Anônimos
cresceu até tornar-se uma entidade mundial.

Nos primeiros anos, membros voluntários de Emocionais Anônimos atendiam as


indagações telefônicas, providenciavam a disponibilidade de literatura e cuidavam de uma
infinidade de detalhes de trabalho à medida que o Emocionais Anônimos crescia. Havia
muito trabalho sendo exigido por detrás das cortinas para garantir que o Emocionais
Anônimos permanecesse como uma irmandade vital e em crescimento. Muitos
voluntários ainda ajudam generosamente em todas as áreas do serviço estrutural do
Emocionais Anônimos. Contudo, chegou-se a um ponto em que havia trabalho em
demasia para o número de voluntários disponíveis. Precisou-se de trabalhadores
especiais e uma equipe de profissionais auxiliares de escritório teve que ser empregada
para cuidar do trabalho do nosso Centro de Serviço Internacional.

Sendo não profissional, não significa que o Emocionais Anônimos não possa dirigir
uma organização profissional. O Centro de Serviço Internacional é o centro de trabalho de
Emotions Anonymous International, a associação que foi formada para atender as
necessidades de todos os grupos de Emocionais Anônimos. Precisamos ter um sistema
de contabilidade para administrar nossas doações e pagar nossas contas. Precisamos de
literatura e publicações atrativas para que as pessoas tenham vontade de lê-las e adquiri-
las. Necessitamos de alguém para ajudar a coordenar a informação aos grupos e àqueles
interessados em nossa organização. Precisamos de alguém para gerenciar nosso Centro
de Serviço Internacional de uma maneira eficiente! Para tudo isso, pagamos a uma
pessoa por seu trabalho e habilidade profissional. A equipe de trabalho que é
remunerada, e que pode ou não ser composta de membros de Emocionais Anônimos,
executa os programas determinados pela associação ou pela Junta de Custódios,
tornando possível aos membros e aos grupos fazerem melhor o trabalho dos Doze
Passos do Emocionais Anônimos.

O verdadeiro trabalho dos Doze Passos, de levar a mensagem, contudo, é feito


através de uma pessoa dizendo a outra como a prática dos Doze Passos sugeridos a
ajudou a conseguir uma melhor saúde emocional.
85

NONA TRADIÇÃO

"Emocionais Anônimos jamais deverá organizar-se como qualquer outra


organização social; podemos, porém, criar juntas ou comitês
de serviço diretamente responsáveis perante àqueles a quem prestam serviços”.

Emocionais Anônimos, sendo uma irmandade, não deve ser organizada como
outros tipos de governos, associações, grupos ou clubes. Não fazemos exigências para
alguém se tornar membro. Não fornecemos listas de regras e regulamentos. Não damos
ordens a ninguém. O que fazemos é oferecer sugestões.

Todos devem ser responsáveis pela própria recuperação emocional, e todos


também devem ser responsáveis pela saúde e estabilidade de seus grupos e do
Emocionais Anônimos como um todo.

— Como o Emocionais Anônimos pode funcionar quando apenas damos


sugestões e não impomos regras para alguém se tornar membro?

Descobriu-se que seguir os Doze Passos sugeridos, da melhor forma que se


possa, é a melhor maneira de alcançar a recuperação emocional. Não seguimos os
Princípios do Programa de Emocionais Anônimos porque temos de fazê-lo. Nós os
seguimos porque vemos outras pessoas se recuperando e vemos que os Doze Passos é
a maneira pela qual elas estão conseguindo isso. Queremos o que elas têm, assim sendo,
fazemos o que elas estão fazendo. Não é necessário estabelecer regras absolutas.
Meramente sugerir linhas de conduta não aliena ninguém que tenha um desejo sincero
de ser emocionalmente saudável.

A mesma ideia é verdadeira para os grupos de Emocionais Anônimos. Aqueles


grupos que praticam as Doze Tradições, os Doze Passos e os Conceitos Úteis são,
geralmente, bem sucedidos e proporcionam uma reunião com uma maior recuperação
aos seus membros. Os grupos que escolhem não seguir esta orientação, habitualmente
se descobrem lutando com sérios problemas. Frequentemente, eles se deterioram e se
autodestroem porque quase não há recuperação dentro do grupo.
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Se as Tradições forem quebradas, o membro ou o grupo que o fizer deve ser


chamado a atenção por outros membros, ou juntas de serviço. De fato, é nossa
responsabilidade como membros, fazê-lo; contudo, ninguém pode exigir submissão.
Então, somente o grupo envolvido pode decidir, através da consciência de grupo, como
recomendado na Segunda Tradição o curso de ação apropriado à situação. Fora disso, é
melhor seguir a orientação do nosso lema: "Abra mão, seja do que for, e entregue a Deus".

Esta Tradição, contudo, não nos dá permissão para sermos desorganizados. Para
alcançar nosso objetivo de levar a mensagem a outras pessoas, precisamos conduzir
nossos assuntos de uma maneira eficiente e organizada. A segunda parte desta Tradição
nos permite fazer isso criando juntas de serviço ou comitês diretamente responsáveis
perante os grupos de Emocionais Anônimos e seus membros. Esses grupos de serviço
facilitam as atividades do Emocionais Anônimos, e eles próprios necessitam ser
conduzidos de uma maneira ordeira e profissional, se desejam concluir o que precisa ser
feito. Se eles precisam conduzir suas reuniões de acordo com as regras de um
procedimento parlamentar, para assim alcançar um maior proveito em benefício da
irmandade de Emocionais Anônimos, cabe a eles fazê-lo.

Os grupos de serviços, criados pelos membros de Emocionais Anônimos para


ajudar de uma forma eficiente o andamento das atividades da irmandade, são as
Intergrupais e a Junta de Custódios Internacional. As Intergrupais compram a literatura
para tê-la disponível para os grupos locais, podendo adquiri-la, frequentemente, com
desconto. Elas fazem o trabalho do Décimo Segundo Passo e proporcionam um lugar
para discutir assuntos comuns de funcionamento, os quais, de outra forma, tirariam tempo
das discussões do programa nas reuniões habituais de Emocionais Anônimos. A Junta de
Custódios é composta de representantes eleitos pelos membros para formular planos,
sugerir planos de ação e levar novas ideias para aperfeiçoar o Emocionais Anônimos e
seus serviços. Aqueles que ocupam posições de liderança estão ali apenas para servir.
Eles são os "servidores de confiança" e, como tal, respondem diretamente aos membros
e grupos.

Os grupos de serviços do Emocionais Anônimos funcionam melhor com o rodízio


de lideranças, o que permite aos membros partilhar os serviços da irmandade. Não
podemos ser apenas uma organização de seguidores. Precisamos de alguns membros
para exercer liderança, e não para controlar ou dar ordens. Para nos resguardarmos das
87

concentrações de poder, é importante que os papéis de liderança se alternem, para que


ninguém seja visto como, ou assuma o papel do "chefe". Isso é verdade, seja com o líder
de um grupo específico de Emocionais Anônimos ou um diretor de Intergrupal, um
presidente de comitê ou um depositário da Junta de Custódios. As pessoas que ocupam
essas posições devem ser substituídas em benefício de sua prolongada saúde emocional,
e a de seus grupos e do Emocionais Anônimos como um todo.

O Centro de Serviço Internacional também existe para oferecer serviços e apoio.


Ele não funciona como uma entidade autoritária. Os membros que se dirigem ao Centro
de Serviços Internacionais recebem sugestões sobre o que deveriam tentar fazer para
resolver problemas ou assuntos do grupo. O Centro de Serviços Internacionais funciona
como uma fonte de informação e experiência, porém, grupos e membros individuais são
responsáveis em como lidar com seus próprios assuntos. Concentrando-nos mais em
nossa estrutura de serviços do que em ter uma estrutura de governo, problemas de poder
e prestígio podem ser minimizados. O Emocionais Anônimos é organizado no sentido de
eficiência, mas não no sentido da hierarquia. Somos organizados no espírito de serviço e
não em poder e autoridade.
88

DÉCIMA TRADIÇÃO

“Emocionais Anônimos não opina sobre assuntos alheios à irmandade;


portanto o nome de Emocionais Anônimos jamais
deverá aparecer em controvérsias públicas”.

Esta Tradição é reafirmada pelo Conceito Útil Nº 6: "Jamais discutimos religião,


política, assuntos nacionais ou internacionais, outras crenças ou sistemas quaisquer.
Emocionais Anônimos não opina sobre assuntos alheios à irmandade".

Se nos envolvêssemos nas reuniões em comentários políticos ou religiosos,


tomando posições a favor ou contra várias crenças ou dogmas, entraríamos numa
discussão sem fim. Muitos membros deixariam, cada vez mais, de falar pessoalmente
sobre a aplicação dos Passos em suas vidas. Os membros poderiam abandonar a
reunião se continuamente ouvissem críticas à sua religião ou crenças sociopolíticas. A
confiança seria destruída e, fanáticos, às claras ou dissimulados, poderiam dominar
nossas reuniões. "Todos são bem-vindos às nossas reuniões", se tornaria apenas uma
promessa vazia.

O Conceito Útil Nº 7 diz: "Emocionais Anônimos é um programa espiritual, não um


programa religioso". De acordo com a Décima Tradição, não é apropriado discutir crenças
religiosas específicas nas reuniões. O compartilhamento individual pode mencionar essas
coisas, contudo, isso não deve levar à pregação ou discussões de grupo sobre tópicos
religiosos. A leitura de livros religiosos também não é apropriada, igualmente a leitura de
"Nova Era", e literatura alheia de auto-ajuda não tem lugar nos Emocionais Anônimos.
Fazendo uma dessas coisas, estamos obrigando os outros a aceitarem nossas opiniões
sobre tais assuntos. Esse programa permite a todos a liberdade de escolher seu próprio
caminho espiritual. Essa Tradição garante essa liberdade.

Para manter nossas reuniões livres de discussões que causem divisão, Emocionais
Anônimos não toma posições em relação às profissões de psiquiatras, psicólogos ou
assistentes sociais. O Emocionais Anônimos não dá opinião sobre medicamentos ou
terapias e não tomamos nenhuma posição em políticas de governo, mesmo aquelas que
89

possam ter impacto sobre assuntos de saúde mental. Seguindo esta Tradição,
Emocionais Anônimos permanece concentrado em seu único objetivo: Os membros
sabem que podem assistir às reuniões para compartilhar ideias sobre os princípios do
Emocionais Anônimos e não têm que se preocupar se a discussão do Programa vai ser
perturbada por assuntos locais ou novidades do dia. Se gastarmos o tempo da reunião
debatendo assuntos gerais; então não estamos despendendo nosso tempo falando a
respeito de Emocionais Anônimos e conseguindo a recuperação.

A controvérsia não faz parte de nossa organização, em qualquer nível, ela pode
apenas nos dividir. Essa Tradição nos dá a oportunidade de praticar o princípio espiritual
do "Viva e deixe viver". Através dela conservamos a unidade necessária à manutenção do
Emocionais Anônimos. Somos livres para acreditar e trabalhar por qualquer causa que
escolhemos fora dos Emocionais Anônimos. O Emocionais Anônimos tem apenas um
objetivo e, qualquer outro assunto, não importa o seu valor, apenas nos desviaria dele. Os
membros têm suas opiniões, porém não "as expressam publicamente na qualidade de
membros de Emocionais Anônimos, nem como representantes da organização dos
Emocionais Anônimos”.

Permanecemos fora de controvérsias públicas porque Emocionais Anônimos não


faz oposição a ninguém. Seguindo essa orientação, podemos cooperar livremente com
qualquer um, podemos ser úteis a qualquer um e podemos continuar a manter nosso
objetivo principal.
90

DÉCIMA PRIMEIRA TRADIÇÃO

"Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez de promoção. Cabe-nos


sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, na televisão, no rádio e em filmes".

Emocionais Anônimos precisa de relações com o público. Como podemos saber o


quanto nosso Programa de Recuperação é bom se ninguém tiver conhecimento dele?
Para manter nossa recuperação precisamos compartilhá-la. Precisamos trazer outros
membros à nossa irmandade, ou não estaremos seguindo nossa Quinta Tradição de levar
a mensagem àqueles que ainda sofrem com problemas emocionais. A Décima Primeira
Tradição nos diz como dar cumprimento à Quinta Tradição.

As relações dos Emocionais Anônimos com o público devem se dar pela atração, e
não pela promoção. Contudo, a diferença entre atração e promoção é difícil de definir. A
maioria dos membros nada faz para aprender qual é essa diferença.

Nos Emocionais Anônimos, a recuperação de nossos membros é o objetivo


supremo e, como fundamento do nosso Programa, temos o Princípio do Anonimato.
Nosso anonimato nos lembra de colocar os princípios à frente das personalidades e de
preservar a unidade de Emocionais Anônimos, mantendo todos os membros em
igualdade (ver a Décima Segunda Tradição). Pela sua importância, nosso anonimato deve
permanecer intacto quando nos dispomos a levar nossa mensagem. Esse é o significado
da segunda parte da Décima Primeira Tradição.

Quando os políticos fazem campanha por um posto, com frequência, promovem


suas opiniões pessoais em diferentes meios de divulgação. Os fabricantes promovem
seus produtos contratando pessoas famosas como porta-vozes. Em cada caso são os
méritos pessoais do indivíduo, e não a qualidade do que eles estão vendendo, que estão
sendo usados para chamar a atenção do público. Nos Emocionais Anônimos, os
Princípios são colocados à frente das personalidades; a identidade do membro que está
falando a outros sobre Emocionais Anônimos não é importante, comparada às idéias que
estão sendo compartilhadas sobre o Programa. Portanto, Emocionais Anônimos deve
sempre evitar a promoção das personalidades de membros individuais. Ele não deve se
91

promover de nenhuma forma que possa pôr em risco o conceito fundamental do


anonimato pessoal. O Emocionais Anônimos deve também evitar se promover pela
comparação com outros métodos de tratamento. Nós não defendemos o programa de
Emocionais Anônimos como o primeiro e único modo de se alcançar a saúde emocional,
excluindo todos os outros. Tal expressão de vaidade não é atrativa. Depende dos próprios
prováveis membros, escolher entre os diferentes métodos de recuperação.

Em vez disso, o Emocionais Anônimos usa os méritos do nosso programa para


atrair novos membros. A atração envolve muitas coisas diferentes. Ela envolve
proporcionar reuniões que sejam calorosas e atenciosas e, desse modo, acolhedoras
para os novos membros. Ela envolve fornecer informações àqueles que ainda não sabem
como o Programa funciona e como ele pode ajudá-las.

O potencial que o Emocionais Anônimos oferece para a recuperação atrairá novos


membros, porém as pessoas têm que ouvir falar do Programa para se decidir a tentá-lo.
Portanto, a atração pode envolver artigos de jornal e entrevistas no rádio e televisão,
porém apenas enquanto a entrevista focalizar os méritos do programa de Emocionais
Anônimos, e não a personalidade da pessoa entrevistada. Ao atrair pessoas para o
Emocionais Anônimos, os membros devem sempre falar em nome do Emocionais
Anônimos, e não em seu próprio nome. Nosso objetivo é compartilhar nossa recuperação
e experiência no programa de Emocionais Anônimos.

É responsabilidade nossa informar a mídia sobre esta Tradição. Devemos deixar


seu significado bem claro para eles e também insistir para que eles sigam essa Tradição,
pois não podemos presumir que pessoas de fora dos Emocionais Anônimos conheçam
nosso Princípio de Anonimato Pessoal.

Outros caminhos abertos aos Emocionais Anônimos para levar a mensagem são as
reuniões de informação ao público, feiras de saúde, grupos comunitários e anúncios em
serviços públicos. Todos esses são meios excelentes de falar às pessoas diretamente
sobre Emocionais Anônimos. Ao estabelecer relações com o público em qualquer área, é
importante projetar uma imagem positiva e orgulhosa de nosso Programa de
Recuperação.

O Programa de Emocionais Anônimos deve ser divulgado para que o público saiba
que nós existimos. Nossa política de atração nas relações com o público envolve cada
92

membro de Emocionais Anônimos individualmente, fazendo tudo que podem para falar
aos outros sobre o Emocionais Anônimos. Não importa quem você é, o que importa é que
estamos nos recuperando através desse programa. Depois disso, não pressionamos as
pessoas para que se juntem a nós.

A atração é o Programa, e não o membro individualmente falando sobre o


Emocionais Anônimos.
93

DÉCIMA SEGUNDA TRADIÇÃO

"O anonimato é o alicerce espiritual das nossas tradições, lembrando-nos


sempre de colocar os princípios acima das personalidades”.

O anonimato é um conceito de proteção; ele protege Emocionais Anônimos como


um todo, assim como os membros individuais de Emocionais Anônimos. Ele é também um
conceito de cura, que dá margem a um clima ideal para o crescimento espiritual e, por
consequência, para a nossa recuperação.

Em princípio, o anonimato pessoal é uma proteção. É inteiramente de nossa


vontade escolher o que dizer aos outros sobre nós mesmos. Com muita frequência,
chegamos aos Emocionais Anônimos com um grande excesso de bagagem emocional,
sendo a vergonha, quase sempre, uma parte dela. O anonimato nos liberta de qualquer
vergonha que possamos sentir de nossos problemas. Ele nos permite relaxar e nos
concentrar mais no tema da reunião do que na preocupação de como iremos nos explicar
aos outros.

O anonimato impede que os outros saibam de qualquer coisa sobre nós além
daquilo que escolhemos compartilhar com eles, nas reuniões ou em conversas
particulares. Além disso, tudo que dizemos aos membros de Emocionais Anônimos não
deve ser repetido a ninguém, por razão alguma. O segredo assegurado pelo nosso
anonimato nos dá a garantia de que ninguém nunca saberá de nossa condição ou dos
detalhes de nossa vida, a não ser que nós o desejemos.

Esses fatos, por si só, proporcionam muito do conforto de que precisamos para
começar o processo de cura. Quando começamos o Quinto Passo vemos que precisamos
admitir nossos erros perante nós mesmos, perante Deus e perante um outro ser humano.
Essa última parte pode ser a mais difícil, porém o anonimato nos dá certeza de que a
nossa história permanecerá protegida até o dia em que estejamos prontos para
compartilhá-la.

O manto protetor do anonimato nos permite crescer. Pondo de lado nossas


personalidades e egos, deixamos que o programa nos guie, em vez de sermos guiados
94

pelos nossos velhos hábitos e desejos. Excluindo o lado obstinado de nossas


personalidades, estamos melhor capacitados a "abrir mão, seja do que for, e entregar a
Deus". Quanto mais permanecermos obstinados e egocêntricos, não seremos capazes de
adotar essa importante atitude que é necessária para a nossa recuperação.
Permanecendo anônimos, ganhamos humildade; ganhando humildade, permitimos que as
forças curadoras do nosso Poder Superior nos ajudem.

De vez em quando, para alcançar o anonimato e fazer a nossa parte em


proporcionar o mesmo a outros, precisamos lutar contra o hábito de anos. Com muita
frequência, na vida, nos empenhamos em sobressair na multidão. Talvez esse seja nosso
objetivo de carreira, ou o que nos ensinaram nossos pais ou a escola. Não há nada de
inerentemente errado com esse objetivo, porém ele não tem lugar no Emocionais
Anônimos. Nos Emocionais Anônimos, todos são iguais. Nenhuma pessoa, nenhum
grupo, necessita se destacar de todo o resto. Quando colocamos os Princípios de
Emocionais Anônimos à frente das personalidades dos membros de Emocionais
Anônimos, estamos capacitados a eliminar os conflitos pessoais que podem interferir nas
reuniões e na recuperação. Precisamos nos concentrar nas mensagens (Os Princípios) –
não no mensageiro (a personalidade) – para que tenhamos sucesso em achar maneiras
tranquilas de trabalharmos juntos e não nos dispersar de nosso objetivo.

O anonimato não nos diz que nos escondamos dos outros. Na reunião, podemos
escolher revelar nossos nomes completos e dar qualquer outra informação. Essa é uma
escolha pessoal, uma vez que nossos nomes e ocupações não têm influência em como
praticamos nosso Programa de Emocionais Anônimos. Contudo, é mais fácil estar à
disposição daqueles que procuram ajuda, se eles souberem como entrar em contato
conosco. As pessoas de contato de seus grupos precisam ter seus nomes completos e
endereços conhecidos no Centro de Serviço Internacional para facilitar a comunicação.
Aqueles que são custódios concordam em manter essa informação à disposição dos
membros, para que possam ser contatados. Contudo, em todos os casos é o indivíduo, e
ninguém mais, quem decide se essa informação deve estar disponível.

Deve-se notar que nosso princípio de anonimato é um princípio ético – ele não
proporciona qualquer proteção legal. O segredo entre o médico e o paciente, ou o
advogado e o cliente, é protegido por lei. Esse não é o caso nos grupos anônimos.
95

Anonimato significa sem nome, sem identificação. O anonimato sustenta a


humildade. Deixamos de lado nosso desejo de reconhecimento e prestígio em favor da
maior identidade do grupo como um todo. Fazendo isso nos tomamos humildes o
bastante para permitir a cura, tanto a nossa, como a de outros. Deixando de lado nossos
desejos egoístas, enfatizamos a importância e a força desse Programa de Recuperação.
Tornamo-nos uma pequena parte de um valor de um todo muito maior. Dessa forma,
fortalecemos a unidade de Emocionais Anônimos e, fazendo isso, todos nós saímos
ganhando.
96

EIS O QUE UM PADRINHO PODE FAZER POR VOCÊ:

1. Ouvir você;
2. Deixar que você fale;
3. Compartilhar idéias e sentimentos com você;
4. Contar-lhe como foi ajudado pelo Programa dos Emocionais Anônimos;
5. Carinhosamente orientar-lhe em como integrar-se ao Programa e ajudar-lhe a
entender os Doze Passo.

EIS O QUE UM PADRINHO NÃO PODE FAZER:

1. Dar conselhos sobre problemas pessoais ou familiares;


2. Deixar você tornar-se dependente dele;
3. Envolver-se com seus problemas;
4. Emprestar dinheiro, dar hospedagem ou responsabilizar-se por seus assuntos
pessoais;
5. Permitir que você continuamente ficasse remoendo suas infelicidades.

EIS O QUE É UM PADRINHO:

1. É uma pessoa que já está no Programa de Emocionais Anônimos há algum tempo e


que mantém o compromisso de praticar o Programa;
2. É um companheiro que frequenta as reuniões de Emocionais Anônimos regularmente;
3. É um companheiro com quem se pode trocar os números de telefone;
4. É uma pessoa que pode responder a muitas de suas perguntas sobre o Programa de
Emocionais Anônimos;
5. É um ouvinte;
6. É um companheiro de Emocionais Anônimos que pode se tornar um amigo especial.

A EXPERIÊNCIA TEM MOSTRADO SER PREFERÍVEL QUE:

HOMENS SEJAM PADRINHOS DE HOMENS


e
MULHERES SEJAM MADRINHAS DE MULHERES
97

AMOR

O amor tem muitas definições e se pedirmos a outras pessoas para o definirem,


teremos uma grande variedade de respostas. Talvez isso se deva ao fato do amor ser
uma emoção tão individual, que pode ser expressado de várias maneiras. O amor é algo
que todos nós procuramos, de uma forma ou de outra, e mesmo assim, ele parece nos
frustrar constantemente, até que achamos o amor dentro de nós.

Muitas pessoas cometem o erro de desejar o amor, embora não consigam dar
amor. Algumas pessoas estão convencidas de que se receberem amor suficiente, todos
os problemas serão resolvidos e serão felizes. O que estamos fazendo é transferir para
outros a responsabilidade pela nossa infelicidade. Precisamos que nos amem porque não
sabemos amar a nós mesmos. Se não somos felizes, acreditamos que o motivo é o amor
que nos foi negado. Podemos até mesmo ter ressentimento daqueles que pensamos
estarem nos negando amor.

Em nossa frustração, podemos tentar manipular as pessoas, tentando agradá-las,


para que elas nos amem. Podemos tentar fazer com que elas dependam de nós. Estamos
dispostos a fazer qualquer coisa para sermos amados.

O amor não pode ser forçado, comprado ou manipulado. Ele deve ser incondicional.
Às vezes, nossas tentativas para forçar o amor, falham; outras vezes, somos bem
sucedidos. Em ambos os casos o resultado é o mesmo: a felicidade que esperamos sentir
não é encontrada.

Um momento decisivo em nossas vidas pode chegar com Emocionais Anônimos.


Somos recebidos por pessoas que seguem os Conceitos do Programa sem discussões,
críticas ou julgamentos. Nessas reuniões, muitos podem até nos demonstrar amor quando
estamos incapacitados de amar a nós mesmos. Quando não nos sentimos amados por
muitos anos, talvez por nossa vida inteira, receber esse amor incondicional pode nos
parecer muito estranho. No começo, podemos ficar assustados com esse amor e ter
medo de aceitá-lo. À medida que as semanas passam, é comum sentirmos a afinidade, a
amizade e a fraternidade do grupo. Vemos que Emocionais Anônimos é um lugar aonde
não apenas somos bem-vindos, mas também aonde somos aceitos e amados. Nossa
98

autoestima começa a crescer e aprendemos a aceitar dos outros o amor verdadeiro e


expressá-lo a outros.

Quando começamos a praticar os Doze Passos do Programa, entendemos e


aceitamos melhor a nós mesmos. Compreendemos que é aceitável ser “impotente
perante as nossas emoções”. Olhamos para nós honestamente e começamos a mudar
nossos pensamentos e comportamentos. Descobrimos uma maneira de cuidar dos
nossos erros e perdoar a nós mesmos e aos outros por ações passadas. Trabalhar os
Doze Passos nos ajuda a começarmos a amar a nós mesmos. À medida que nos
amamos, com todas as nossas faltas e imperfeições, começamos a amar aos outros de
verdade.

O amor parece ter a qualidade de um bumerangue: quanto mais o damos, mais ele
volta para nós. Descobrimos que, se demonstrarmos amor pelos outros, se procurarmos
no amor tudo que é cordial, generoso e que vale à pena, então esse amor nos será
devolvido. Compreendemos que todos nós precisamos de amor para viver uma vida
satisfatória e feliz.

Quando praticamos os Doze Passos, que nos ajudam a desenvolver nossa


consciência de um Poder Superior, começamos a ver que o Amor Espiritual é sempre
incondicional. Ele não nos é negado nos dias que estamos deprimidos ou irritados, e não
nos é negado por falharmos em uma tarefa. Descobrimos que nosso Poder Superior nos
aceita e nos ama simplesmente como somos.

À medida que a percepção que temos sobre o amor cresce, nossa visão total da
vida muda. Existe um significado maior no "Só Por Hoje", que diz: "a felicidade não
depende do que os outros façam ou digam. A felicidade resulta de estar em paz comigo
mesmo(a)". Viemos a entender que somente nós mesmos somos responsáveis pela
nossa felicidade. Quando aprendemos a amar a nós mesmos e a outros, o verdadeiro
amor que estávamos procurando, chegará naturalmente, um dia de cada vez.
99

AMOR É:

 compartilhar,
 respeitar as outras pessoas,
 importar-se com as necessidades dos outros,
 dar aos outros o espaço para crescer,
 ajudar quando for preciso,
 aceitar as diferenças nos outros,
 sentir a dor dos outros;
 sentir a dor dos outros, assim como a sua alegria,
 desapegar-se,
 procurar o lado bom,
 dar a nós mesmos a oportunidade de crescermos,
 ficar à vontade com os outros sem ter que proteger o nosso ego ou ficar na defensiva,
 tratar a nós mesmos com brandura,
 reconhecer que existe um Poder Superior que pode nos ajudar,
 continuar a praticar o Programa de Emocionais Anônimos.
100

ANSIEDADE

Os sintomas da ansiedade vêm de um vago sentimento de inquietação e tensão na


boca do estômago, um coração batendo acelerado, noites de insônia ou um senso de
opressão por esforço mental que parece quase impossível suportar. É algo próximo da
preocupação e do medo e tem sua raiz neles. Os agentes que podem produzir a
ansiedade incluem preocupação, medo, stress, culpa, fracasso, baixa auto-estima, raiva,
trauma, perfeccionismo, frustração, interações familiares, finanças e incompetência social
(timidez, etc). A ansiedade aparece freqüentemente sem uma razão aparente.

Embora a maioria das pessoas sinta várias vezes algum tipo de ansiedade (um
exemplo seria falar em uma audiência) ela não é tão longa ou forte a ponto de privar esta
pessoa de ter uma vida razoavelmente normal. Entretanto, alguns de nós
experimentamos uma ansiedade severa o suficiente para interferir consideravelmente em
nossa vida diária. Existem situações que não aborrecem algumas pessoas, mas podem
produzir grande ansiedade em outras.

A ansiedade pode se iniciar em qualquer idade, inclusive na infância. Os


sentimentos de ansiedade podem se estender por um longo período ou durar algumas
horas e diminuir ou podem resultar em breves ataques de pânico agudo. A maioria de nós,
com problema de ansiedade perturbadora descobre que só a nossa força de vontade é
insuficiente para lidar construtivamente com nossas ansiedades. Constatamos que admitir
isso para nós mesmos e submetermos o controle de nossas vidas a um Poder Superior é
essencial para iniciarmos um processo de recuperação. “O Emocionais Anônimos é
encorajador de todas as ações positivas que os membros adotam para reconquistar e
manter sua saúde mental e emocional. Nós não desencorajamos consultas psiquiátricas,
uso de medicamentos ou semelhantes”.

Pertencer a um grupo como o de Emocionais Anônimos, pode ser uma parte


importante da recuperação. Os membros de Emocionais Anônimos estão passando ou
passarão por problemas similares e eles nos aceitam como somos sem nos julgar ou
criticar. O apoio emocional, honesto, de nosso grupo de Emocionais Anônimos é uma
grande ajuda. É um alívio saber que “não estamos sós”.
101

Quando as ferramentas de Emocionais Anônimos, para recuperação: Passos,


Tradições, Promessas, Só Por Hoje, Conceitos Úteis e Lemas, nos são apresentadas,
começamos a reconhecer a importância de “trabalhar o programa” usando estas
ferramentas. Lemas como “Renda-se – entregue-se a Deus”, ”Um dia de cada vez” e “Isto
também passará”, podem ser especialmente úteis ao lidarmos com a ansiedade.
Começamos a compreender que não precisamos mais controlar o mundo, os membros de
nossa família e os amigos. A única pessoa que temos que controlar somos nós mesmos,
e só podemos fazer isso com a ajuda de nosso Poder Superior. Viver “Um dia de cada
vez” reduz nossa preocupação que reduz nossa ansiedade. Muitos acham que aumentar
a atividade física, também é benéfico.

Lidar com o stress é uma outra parte importante para a recuperação da ansiedade.
Neste caso, a Oração da Serenidade é um guia comprovado. Ela nos sugere reduzir o
estresse externo quando pudermos e aprender a aceitar e viver com o stress que não
podemos mudar e sermos suficientemente sábios para reconhecer a diferença.

Freqüentemente, pessoas com problemas de ansiedade passam por períodos de


depressão. Embora de alguma forma os sintomas de ansiedade e depressão sejam
diferentes, a raiz deles geralmente é a mesma. Repetidos ataques de pânico podem
resultar em medo de futuros ataques que, por sua vez, pode causar sintomas de
agorafobia tal qual o medo de multidão, tráfego ou novas situações, que com o tempo,
podem levar à depressão. Considerando que a maioria de nós não desenvolve problemas
de ansiedade de um minuto para o outro, devemos lembrar também que a recuperação
destes problemas provavelmente levará algum tempo. Pensamentos negativos nos
mantém prisioneiros, enquanto que, trabalhar o Programa de Emocionais Anônimos nos
ajuda a desenvolver mudanças positivas de atitude. Quando nos recuperamos,
começamos ver as Promessas de Emocionais Anônimos tornarem-se realidade em
nossas vidas.

Trabalhar os Passos e freqüentar as reuniões de Emocionais Anônimos, tem sido a


solução para os que sofrem ou ainda para os que possam sofrer com problemas de
ansiedade.

“Funciona Quando Você Faz Sua Parte”.


102

AUTO-ESTIMA

Quando começamos a frequentar as reuniões de Emocionais Anônimos, uma das


coisas que muitos de nós temos em comum é a baixa autoestima. Talvez não o
percebamos, pois os nossos sintomas (depressão, medo, raiva etc.) mascaram os nossos
sentimentos de inadequação.

Sentimo-nos incapazes de alcançar alguns níveis impossíveis, estabelecidos por


nós mesmos. Somos vítimas dos "deveria". O problema com os "deveria" é que eles se
tornam verdadeiras armas na nossa guerra contra nós mesmos.

"Eu deveria ser capaz de enfrentar qualquer coisa".

"Eu nunca deveria fazer coisas erradas".

"Eu deveria ser sempre o melhor em tudo que tento realizar".

"Eu deveria ter respostas para tudo".

"Eu deveria ser capaz de fazer felizes todos ao meu redor".

"Eu deveria dizer ou fazer sempre a coisa certa".

Quando não conseguimos realizar todas essas expectativas impossíveis, vamos


mais uma vez procurar provar, a nós mesmos, como valemos pouco ou como não
merecemos ser felizes.

Podemos nos esconder atrás de pílulas, comida, álcool, dinheiro, sexo, trabalho,
sono para evitar a dor de olhar para nós mesmos. Podemos usar fachada para que não
descubram a terrível verdade sobre quem realmente somos. Isso nos mantém num
estado de constante tensão, temendo que os outros possam ver através de nós.
Tememos que, descobrindo quem somos, nos desprezem, como nós mesmos nos
desprezamos.

Como defesa contra os nossos sentimentos de inadequação e por não


conseguirmos aceitar nossas próprias imperfeições, podemos procurar imperfeições nos
outros para, de algum modo, podermos nos sentir superiores. Aqueles que nos são
103

próximos podem se sentir como se estivessem sendo constantemente julgados e


considerados em falta. Essa nossa procura por faltas pode nos levar a relacionamentos
desgastantes.

A nossa idéia de autoaceitação foi sempre condicional: quando controlo minhas


emoções, quando ganho mais dinheiro, quando emagreço ou engordo, quando tal pessoa
me ama, então sou aceitável. Porém, mesmo quando temos sucesso em uma
determinada área, sempre descobrimos outras áreas em nossas vidas nas quais nos
sentimos deficientes.

Quando nos descobrimos aceitos e compreendidos pelos companheiros em


Emocionais Anônimos, passamos a nos aceitar e ser honestos conosco mesmos e com
as outras pessoas, possivelmente pela primeira vez em nossas vidas. Deixamos de nos
sentir diferentes ou sozinhos, aprendemos que somos aceitos e amados pelo nosso
Poder Superior e pelas outras pessoas, não apenas quando somos perfeitos, mas, sim,
por sermos quem somos. A chave para melhorarmos a nossa autoestima é nos
aceitarmos como somos HOJE.

É um paradoxo, porém nos tornamos livres para crescermos e nos modificarmos


quando nos aceitamos como somos agora. Se continuarmos a nos considerar sem valor,
teremos uma desculpa para não nos modificarmos. Porém, quando descobrimos que
temos valor do jeito que somos, ficamos livres para procurarmos o que há de bom em nós
e nas outras pessoas e para chegarmos a ser a pessoa que sempre pensamos que
"deveríamos" ser. Podemos assumir a responsabilidade por nós mesmos e aceitar nossos
erros como sendo parte da nossa humanidade. Já não sentimos a necessidade de julgar
os outros com base nos rígidos padrões que nos impúnhamos. Nossos relacionamentos
então, melhoram.

O Programa de Emocionais Anônimos nos diz que temos escolhas sobre os


conceitos que fazemos de nós mesmos. Durante anos, acreditamos em todos os
pensamentos negativos que tínhamos sobre a nossa autoestima. Agora podemos
começar a fazer reparações a nós mesmos, começando por nos conscientizarmos das
nossas boas qualidades.

Perdoamo-nos por nossos próprios erros, fazemos reparações quando necessárias


e nos permitimos ser seres humanos imperfeitos. Com a ajuda do nosso Poder Superior e
do Programa de Doze Passos de EA, aprendemos a tratar a nós mesmos com brandura.
104

DEPRESSÃO

Só de ler ou escutar a palavra depressão, já ficamos ansiosos. Ela pode trazer à


tona memórias temerosas de uma condição do passado que não desejamos repetir. Mas
essa não é uma razão para evitarmos fazer algo sobre a nossa depressão.

O QUE É DEPRESSÃO?

Depressão tem sido definida como um sentimento de pesar por nós mesmos
(autopiedade), raiva congelada, desamparo, ou um mecanismo de defesa para esconder
um conflito. Ela afeta todo o corpo, incluindo o humor, os pensamentos e
comportamentos. A depressão causa uma inabilidade em responder a determinados
estímulos ou a todos eles. Ela afeta o modo como comemos e dormimos, como nos
sentimos à respeito de nós mesmos e o que pensamos sobre as coisas. Ela também afeta
o nosso desempenho no trabalho e como lidamos com as pressões diárias de nossas
vidas.

Podemos nos sentir continuamente tristes, e chorar muitas vezes, porém sem
saber o porquê. A depressão causa a perda de nosso senso de humor e de nosso
interesse sexual. Podemos nos tomar incapazes de nos divertirmos, de tomar decisões,
de nos concentrarmos ou de lembrarmos de coisas. Podemos nos sentir ansiosos,
irritados, apáticos, vazios por dentro, culpados, impotentes, desesperançados e com
nosso senso crítico prejudicado. Podemos tomar-nos muito temerosos e acreditar que
ninguém se importa.

A depressão pode ser branda e durar um período curto, ou pode ser profunda e
parecer irreversível. Achamos que nossa dor ou luta são enormes e que o mundo ficaria
melhor sem nós. Podemos nos voltar para comportamentos destrutivos e pensar sobre
suicídio ou até mesmo tentá-lo. Se você está procurando uma alternativa, continue lendo!

É importante notar que depressão não é um sinal de fraqueza pessoal. Não é uma
condição que possa ser controlada pela vontade e que vai embora quando se deseja.
Embora amigos bem-intencionados, algumas vezes, nos digam para "sair do buraco" e
“manter o astral alto”, a recuperação não é tão simples. Visitas a um médico especialista
105

e/ou o uso de medicamentos pode, às vezes, ser necessário. Os Emocionais Anônimos


podem também ser um meio de recuperação.

POR QUE FICAMOS DEPRIMIDOS?

Não expressar nossos sentimentos, especialmente raiva, oferece razões para


nosso sofrimento. Nós não aceitamos a nós mesmos, nossas situações, nosso passado
ou nossos erros durante a vida. A depressão é o mecanismo de defesa que usamos para
nos esconder quando não queremos lidar com um conflito. A depressão é o nosso modo
de não encarar a realidade.

Algumas pessoas possuem um fator de risco hereditário para depressão. Um


desequilíbrio químico ou alguma outra razão médica também podem nos deixarem
predispostos a essa condição. Outros se tornaram deprimidos quando se sentiram
sobrecarregados por situações em suas vidas. O fato de possuir baixa autoestima e ver a
nós mesmos e a nosso mundo com pessimismo, também causa depressão.

EXPRESSANDO NOSSAS EMOÇÕES

Podemos ter aprendido cedo em nossas vidas que não era certo expressar o que
sentíamos para os outros. Fomos, talvez, severamente criticados por termos tido ataques
de raiva ou expressado raiva em relação a pessoas que nos fizeram sentir assim. "Pare
com essa choradeira", ou "Vou lhe dar algo para chorar de verdade", podem nos ter sido
dito frequentemente quando éramos pequenos. Podem não ter aceitado que
expressássemos nosso medo em certas situações. Talvez tenhamos aprendido a não
exteriorizar esses sentimentos, por ouvirmos frases do tipo: "Seja corajoso! Meninos e
meninas grandes não sentem medo".

Se não nos sentimos seguros ao expressar tais opções, pode ser que as tenhamos
voltado para dentro de nós mesmos. Era mais seguro e fácil evitar o conflito e empurrar
os sentimentos para dentro de nós. Se fizermos ou continuamos fazendo isso
frequentemente, ficamos repletos de emoções não expressadas.

Essa "raiva congelada" nos torna paralisados". Logo, não somos nem capazes de
perceber qual a situação que fez com que nos sentíssemos tristes, com raiva, ódio, medo
106

ou contentes. Podemos, falsamente, acreditar que somos indivíduos essencialmente


felizes porque raramente sentimos raiva ou medo. Na verdade, estamos somente
negando essas emoções. Por outro lado, inocentes comentários ou pequenos eventos
podem nos fazer exagerar uma reação ou sentir muita raiva. A depressão pode aparecer
quando perdemos contato com os nossos sentimentos.

EMOCIONAIS ANÔNIMOS PODEM AJUDAR!

A depressão pode nos colocar em nosso poço emocional. E nesse estado,


podemos começar a frequentar as reuniões de EA. Muitos dos que frequentam as
reuniões já tiveram sintomas de depressão uma ou mais vezes.

Sentimo-nos muito ruins num estado de depressão. Acreditamos que se


despejarmos todos os nossos problemas durante as reuniões, isso ajudará. No entanto,
nós achamos que as reuniões de Emocionais Anônimos não são para revermos
continuamente as nossas misérias, mas o lugar para aprendermos a encontrar maneiras
de lidar com a nossa vida. Quando focalizamos a solução e não o problema,
possivelmente encontraremos a solução. Por outro lado, nas reuniões, a depressão pode
ter um tamanho controle sobre nós, que mal podemos falar.

Frequentemente sentimo-nos envergonhados e culpados por estarmos deprimidos,


como se ficar deprimido fosse uma fraqueza pessoal. Quando aprendemos que membros
do Emocionais Anônimos chegaram à conclusão que “ajuda não colocar rótulos ou
intensidade para a doença ou para a saúde", sentimos alívio e aceitação.

Nós lemos "Só por Hoje eu tomarei conta da minha saúde física...", mas quando
estamos deprimidos, normalmente temos pouca energia e é necessário um grande
esforço para se fazer qualquer coisa. Nós iríamos preferir descansar ou ficar na cama.
Esse "Só por Hoje” nos desperta para uma maneira melhor.

Quando admitimos e acreditamos que somos impotentes em relação a nossa


depressão, que é o Primeiro Passo, estaremos nos permitindo parar de negá-la e
controlá-la. Essa honesta aceitação não é um sinal de derrota, mas de esperança. Ela
permite que os princípios dos Emocionais Anônimos e as pessoas do programa possam
começar a nos ajudar.
107

Logo começamos a acreditar que existe um Poder maior que nós mesmos que
pode restaurar a nossa sanidade. Esse é o Segundo Passo. Seguramente, sabemos que
quando estamos deprimidos não estamos vivendo de um modo saudável e racional.
Durante esses períodos, podemos nos sentir não merecedores de amor ou ajuda das
pessoas. Pedir ajuda ao grupo é um passo na direção certa. Embora seja difícil para nós
pedirmos ajuda a um Poder Superior, chega uma hora em que é necessário que façamos isso.

Muitos membros dos Emocionais Anônimos encontraram alívio de suas


depressões. Eles conseguiram isso trabalhando os Doze Passos e compartilhando os
princípios desse programa com outras pessoas. É através da partilha que tomamos
contato com nossas emoções e saímos de nosso egocentrismo. Um paradoxo desse
programa é que para manter o que nós aprendemos, precisamos compartilhar esse
conhecimento com os outros.

À medida que trabalhamos os passos, lentamente começamos a nos conhecer


melhor. Ao fazermos isso, fica mais fácil nos aceitarmos, aceitar aqueles à nossa volta e
aceitar a nossa situação. Através da aceitação, nós começamos a mudar.

O Programa nos lembra, "Só por Hoje eu me aceitarei e viverei da melhor forma
que puder". Como a depressão é, muitas vezes, um sintoma de raiva voltada para dentro
de nós, pode levar algum tempo para que aprendamos a aceitar a nós mesmos e a nossa
situação. No entanto, é importante que nós nos aceitemos simplesmente como somos se
quisermos começar a nossa recuperação.

Através de Emocionais Anônimos, aprendemos que é necessário expressar raiva e


outras emoções, mas de uma maneira apropriada. Tais expressões podem ser difíceis,
porém a prática é necessária. Quando éramos crianças, andar de bicicleta pela primeira
vez pode ter sido difícil. No entanto, como queríamos andar de bicicleta, continuamos
tentando e praticando. Quando uma situação que nos deixa com raiva aparece, admitimos
estarmos com raiva. Nós fazemos isso, mesmo não sentindo nossa raiva. Pode não ser
apropriado dizer diretamente à(s) pessoa(s) que achamos que nos causa(m) esse
sentimento, então falamos com uma pessoa neutra. Nós descrevemos o incidente,
sentindo o máximo possível essa emoção. Dessa forma, somos capazes de soltar a
nossa raiva e não estocá-la dentro de nós mesmos. Continuamos a praticar cada vez que
for apropriado, e começamos a entrar em contato com os nossos sentimentos. Falar é
108

benéfico para nós, especialmente quando sinais de depressão são evidentes.


Compartilhar pelo telefone ou nas reuniões com uma pessoa compreensiva, nos deixa em
contato com o que estamos sentindo. Nessas horas, não temos muita vontade de
participar de uma reunião de Emocionais Anônimos, mas é nesse momento que mais
precisamos estar lá. Podemos sempre escutar se não estamos dispostos a falar. Ao
participarmos de uma reunião, estamos nos forçando a parar de pensar exclusivamente
em nós mesmos e a focalizar os outros. Podemos descobrir que, afinal, temos algo para
compartilhar. Normalmente saímos da reunião nos sentindo mais esperançosos.

Obtemos a habilidade de voltar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de nosso
Poder Superior (Terceiro Passo) porque concluímos que esse Poder Superior está
fazendo por nós aquilo que não podemos fazer sozinho(a). Começamos a sentir uma
nova liberdade e uma felicidade quando aprendemos que depressão não precisa ser o
nosso destino. Quando nos tornamos conscientes dos nossos sentimentos e os
expressamos mais facilmente, experimentamos uma regressão na depressão. A nossa
autoestima e autoconfiança crescem e temos menos medo de compartilhar nas reuniões.
Com a contínua prática dos Doze Passos, as promessas desse programa se tornam
verdadeiras para nós. Até percebemos que nossas experiências passadas e a
consequente recuperação podem ajudar a outras pessoas.
109

INDECISÃO

Muitos de nós temos grande dificuldade em tomar decisões. Isso tem alguma coisa
a ver com nossa criação, nossa falta de amor próprio ou nossa falta de confiança?
Poderia ser medo de falhar?

Mesmo as simples decisões de cada dia, podem, algumas vezes, nos deixar quase
que imobilizados. Escolhas tais, como: que caminho percorrer até a loja, que compras
fazer, que tarefa executar primeiro, podem ser ameaçadoras. Achamos que se tomarmos
a decisão errada, isso afetará drasticamente o curso de nossas vidas.

As grandes decisões, tais como escolher um colégio ou carreira, comprar um carro


ou uma casa, podem ser difíceis. Elas podem parecer impossíveis para nós e podemos
não nos sentir preparados para enfrentá-las.

Pedir a opinião de outras pessoas pode ajudar. Porém, isso poderá nos deixarem
mais confusos. Podemos nos ressentir quando os conselhos dados por eles não nos
adiantarem. Essa dependência dos outros pode se tornar um hábito e, então, podemos
tomar a decisão que mais convenha a eles e não a nós.

Talvez nossa indecisão seja proveniente de uma aversão por nós mesmos ou falta
de confiança em nossas habilidades. Pode ser proveniente de não querermos a
responsabilidade de aceitar as consequências de nossas decisões. Talvez estejamos
apenas com medo de cometer erros, medo de não sermos perfeitos ou medo de falhar.

Nossas mentes podem estar cheias de "o que aconteceria se..." ou "se pelo
menos...". O que aconteceria se tomássemos a decisão errada? E se alguém discordasse
ou desaprovasse?

Quando tomamos uma decisão podemos continuar a ter dúvidas sobre ela.
Podíamos nos censurar, mudarmos de idéia ou reformular decisões tomadas ontem ou há
muitos meses atrás. Pensamos que se tivéssemos feito alguma outra coisa, escolhido
outro caminho, as coisas teriam se tornado melhores.

Frequentando as reuniões de Emocionais Anônimos, constatamos que outras


110

pessoas tiveram esse mesmo problema. Praticando o Programa dos Doze Passos,
conseguiram ajuda.

Nossa noção de valor pessoal melhora à medida que compartilhamos nossos


sentimentos com outras pessoas e praticamos os Dozes Passos. Começamos a
compreender o erro de projetar os resultados de nossas decisões no futuro ou questionar
o que fizemos no passado. O futuro tem potencial, mas ainda não aconteceu. Muitos de
nós passamos muito tempo repisando o passado. Nada de novo jamais acontece lá e
nada no passado pode ser mudado. Hoje é o único lugar para se estar. Pode ser
assustador e ameaçador, mas é no presente que devemos aprender a tomar decisões.

Não existem decisões perfeitas que vão garantir resultados mágicos. Fazer uma
escolha diferente não tornaria necessariamente as coisas melhores. Tomamos decisões
usando a melhor informação disponível no momento. Temos em mente que somos
humanos e, algumas vezes, podemos cometer erros, mas isso não é razão para não
decidir. Aprendemos que é humano cometer erros. Podemos aprender com nossos erros
e usar esse conhecimento mais tarde. Usamos os lemas "Primeiro as coisas primeiras" e
"Procure ver o lado bom" para nos mantermos centrados.

Algumas vezes constatamos não estarmos emocionalmente capazes de tomar uma


decisão. Se esse for o caso, está certo adiá-la por um breve tempo.

Também está certo adiar uma decisão até termos os fatos necessários para tomá-
la, porém em algum ponto precisamos agir e escolher nossa própria direção. Nós
devemos fazer a escolha. Aprendemos que é certo mudar de idéia, se isso for justificado,
mas não apenas por causa de nosso problema de indecisão.

No Emocionais Anônimos aprendemos que é necessário começar a confiar em um


Poder maior que nós mesmos para ajudar-nos em nossas decisões. Tendo feito a nossa
parte na tomada de decisão, entregamos as coisas ao nosso Poder Superior. Quando a
orientação chega, nós a aceitamos e a seguimos. Se começamos a questionar nossa
escolha, nós a entregamos ao Poder Superior e repetimos tal entrega, se necessário.

A entrega demanda prática porque ela é nova para nós, mas é nesse ponto que o
conceito de orientação vinda do Poder Superior é tão valioso.

À medida que aprendemos a confiar em nosso Poder Superior para nos ajudar em
111

nossas decisões, adquirimos confiança em nós mesmos quando experimentamos


algumas das Promessas do Programa de Emocionais Anônimos “O sentimento de
inutilidade e autopiedade diminuem. As nossas atitudes e o nosso modo de enfrentar a
vida se modificam completamente. Aprendemos a lidar intuitivamente com situações que
antes nos deixavam sem saber como agir”.

Tomar decisões torna-se mais fácil. Começamos a compreender que somente nós,
com a ajuda do nosso Poder Superior, podemos tomar as decisões melhores para nós
mesmos. A vida não é mais toda essa luta.

Às vezes nossos dias estão cheios de decisões a serem tomadas. Quando lutamos
contra uma decisão, aprendemos que isso apenas aumenta sua dificuldade. Aceitamos as
decisões como elas chegam e agradecemos ao nosso Poder Superior pela oportunidade
de praticar a tomada de decisão.

Aceitamos essa responsabilidade, mas através de Emocionais Anônimos sabemos


deixar os resultados por conta do nosso Poder Superior.
112

MEDO

O medo é um instinto natural e valioso. Ele pode nos ajudar a sobreviver em


situações perigosas ou ameaçadoras. Mas, para alguns de nós, o medo pode se tornar
uma força destrutiva em nossas vidas. Por medo, poderemos deixar de assumir riscos
necessários, de conhecer novas pessoas ou de ampliarmos os nossos horizontes.

Talvez alguns de nós tenhamos crescido acreditando que o mundo é um lugar


ameaçador. Por termos tido alguma experiência amedrontadora, podemos ter perdido a
nossa confiança. Não importa de que maneira o medo possa ter se tornado parte de
nossos sentimentos, ele pode vir a ser uma influência negativa e penetrante. Quando o
medo nos impede de tentar algo novo ou quando se torna um sentimento paralisante que
nos impede de levar uma vida normal, ele pode ser uma força irracional e destrutiva para
nós, em nossas vidas. Situações normais nos parecem ameaçadoras e tendemos a evitá-
las. Podemos sentir-nos diferentes ou inferiores porque outros parecem lidar com a vida
sem ter medo.

Tornamos o nosso medo maior ao tentarmos manter uma aparência de força, para
depois nos preocuparmos com a possível descoberta da nossa real situação. Ou, então,
podemos simplesmente desistir de viver e nos refugiarmos em nosso mundo particular.

Podemos ter tentado afastar nossos medos intelectualizando-os, dizendo a nós


mesmos que, na realidade, não há nada a temer. Talvez tenhamos tentado lutar contra o
medo com toda a nossa força de vontade e coragem, porém os nossos maiores esforços
parecem ter sido em vão.

O benefício imediato oferecido por Emocionais Anônimos é conhecermos outras


pessoas que tiveram experiências semelhantes com o medo e que entendem nossos
sentimentos, embora tais sentimentos sempre nos tivessem parecido irracionais. No
Emocionais Anônimos, aprendemos que somos impotentes perante nossas emoções, que
não podemos livrar-nos do medo usando o pensamento ou a força de vontade. Ficamos
sabendo que as emoções não são boas nem más, elas apenas "existem".
113

Podemos ter sido medrosos durante toda a nossa vida. Porém, agora
reconhecemos e admitimos isso. Admitir ou reconhecer o nosso medo é o primeiro passo
para não deixarmos que ele controle o nosso pensamento. Quando paramos de negar ou
de lutar contra o nosso medo, podemos aceitá-lo. A idéia de aceitar nossos medos pode
ser bastante amedrontadora.

Através deste programa, descobrimos a existência de um Poder Superior.

Quando nos dispomos a confiar em nosso Poder Superior, um dia de cada vez, ou
até cinco minutos de cada vez, descobrimos que o medo pode ser substituído pela fé.
Nossa fé começa a crescer à medida que vemos o Poder Superior atuando em nossas
vidas ou nas vidas de outras pessoas. Podemos começar a baixar a nossa guarda e
compreender que o controle que tínhamos era um controle ilusório. Podemos aprender a
abrir mão de nosso medo e, quando assim o fazemos, nosso Poder Superior nos dá a
força necessária para encararmos a situação de frente.

Aprender a confiar em nosso Poder Superior pode se tornar um hábito que nos traz
paz de espírito e nos livra da vã tarefa de tentar controlar nossos medos. O medo sai de
nossas vidas sendo substituído pelo conhecimento de que a força e a serenidade nos são
dadas pelo nosso Poder Superior.
114

PACIÊNCIA

A paciência é típica da filosofia de Emocionais Anônimos para deixar que o tempo


faça seu trabalho. A falta de paciência pode se transformar em pressa, que é o que
queremos evitar. O 7º Só por Hoje diz: ”Procurarei me livrar de dois grandes males: a
pressa e a indecisão”. Isso torna evidente para muitos de nós, no início da recuperação,
que a pressa e a indecisão não nos fazem bem.

Paciência é o poder de esperar calmamente ou resistir à dor ou provocação sem


reclamar. Quando viemos ao programa, descobrimos que éramos impacientes,
interesseiros e egoístas. Não estávamos emocionalmente bem e nossos defeitos de
caráter eram evidenciados por nossa falta de paciência. Conforme trabalhamos o
programa começamos a aprender a ter paciência com nosso Poder Superior, com os
outros e conosco.

Dizemos que leva tempo para conhecer e compreender as muitas ferramentas do


programa para que possamos fazer uso apropriado delas. Frequentemente os recém-
chegados querem resultados rápidos ou até imediatos. Isso raramente acontece. Não
podemos esquecer que nosso desequilíbrio levou anos para chegar onde está.

Isso não pode ser modificado imediatamente e provavelmente a mudança virá com
o tempo. É por esse motivo que aprender a ser paciente é tão necessário. A recuperação
pode ser comparada com um bolo sendo assado. Existem certas instruções para seguir.
Aumentar a temperatura do forno ou alterar o tempo de cozimento não seria produtivo.

Em nossa vida diária, a paciência é frequentemente um pré-requisito para


obtermos algo de alguém. A paciência é boa por muitas razões, incluindo as físicas. Ela
nos ajuda a evitar a raiva, a frustração e o desapontamento. Essas emoções podem
causar o aumento da pressão arterial e outros sérios problemas de saúde. A perda da
serenidade causa grande risco.

Pense sobre seu dia “normal”.

— O que você faz quando fica preso no trânsito?


115

— Como você age quando a garçonete esquece de trazer seu café ou sua água
gelada?

— Quando estamos na fila do correio ou do banco, muitos de nós perdemos a


calma. E você?

Até mesmo em nossas reuniões de grupo, ouvimos as pessoas perguntarem:

— “Por que isso demora tanto?”

— “Quando começarei a ter serenidade?”

Muitos de nós estamos constantemente correndo ou com pressa. Que beneficio há


nisso? Parece que achamos que não temos tempo para nos sentir bem. Não há uma
pílula mágica para nos curar. Temos que trabalhar nosso programa com empenho sincero.

A falta de paciência pode ter efeitos negativos em nossos relacionamentos com os


outros, principalmente se formos do tipo arrogante. É melhor evitar tal comportamento,
não só porque isso chateia os outros, mas também porque isso causa efeitos negativos
em nossa saúde mental e espiritual. A impaciência pode nos tornar arrogantes e fazer
com que não levemos as opiniões alheias em consideração. Quando as pessoas se
deparam com esse tipo de atitude, elas não agem da maneira que desejamos, pois
sentem-se rejeitadas e possivelmente tomam decisões irracionais. Isso poderia
comprometer ou até mesmo interromper nossa recuperação, e tudo por causa da
impaciência.

A necessidade de controlar pode ser um sintoma da impaciência. Não somos


pacientes para permitir que outra pessoa seja líder e tome decisões que podem nos
afetar. Queremos tudo à nossa própria maneira. Achamos que podemos fazer as coisas
melhor e mais rapidamente, então para que deixar outra pessoa encarregar-se?

É tão fácil tentar devolver-nos o controle! Nosso Poder Superior nos dará a força e
a paciência que precisamos para lidar com nossos defeitos de caráter. Rogamos esta
paciência ao nosso Poder Superior ao trabalharmos os Primeiro, Segundo e Terceiro
Passos.
116

As ferramentas de Emocionais Anônimos nos ajudam a ganhar o interesse pelos


outros e melhorar nossos relacionamentos. Aprendemos a lidar com situações que antes
nos causariam uma queda e arruinariam nosso dia. Aceitando que nós, e os outros,
somos humanos, aprendemos a ser pacientes. Também trabalhamos o programa um dia
de cada vez. Isso exige um grande esforço em lidarmos com nós mesmos, mas vale à
pena.

Todas as coisas boas e bonitas levam tempo, seu próprio tempo. — Por que
achamos que tudo tem que obedecer ao nosso desejo e que as coisas têm que acontecer
quando queremos? — Esse é um pensamento que condiz com a realidade? Considere
quanto tempo levamos para construir este armazém de defeitos de caráter.

A recuperação não é como uma corrida. Não há competição. Ela consiste em


trabalhar lentamente pequenos passos – um de cada vez. E algumas vezes teremos que
voltar um passo ou dois. O segredo é continuar trabalhando deliberadamente esses
pequenos passos e aceitar a lentidão sem impaciência.

A paciência é um incentivo à serenidade, nosso objetivo final. Devemos aprender a


sermos pacientes com a vida, e especialmente pacientes conosco mesmos.
117

PERFECCIONISMO

O perfeccionismo é um defeito de caráter difícil de se lidar porque não acreditamos


que seja um defeito. Acreditamos que é bom ser perfeito. Essa é a armadilha do
perfeccionismo.

O perfeccionismo faz demandas contínuas de nosso tempo e energia. Ele nos diz
que não estamos fazendo o bastante, empurra-nos para trabalhar mais duro, empurra-nos
a fazer mais e a fazer tudo perfeito. Muitas vezes, teríamos preferido não fazer nada a
arriscar-nos a falhar. Quando não fazemos as coisas com perfeição, sentimo-nos muito
culpados.

Podemos facilmente ser pegos praticando o perfeccionismo. Elaboramos listas das


coisas por fazer e organizamos nossos instrumentos de trabalho. Sempre nos
preocupamos com o que poderia acontecer se as tarefas não fossem executadas da
maneira certa ou em tempo. Podemos, também, nos preocupar com agradarmos ao
nosso chefe, aos colegas de trabalho, a família, aos amigos ou a nós mesmos.

Raramente alcançamos perfeição porque os altos padrões que estabelecemos são


impossíveis de serem alcançados. É então que a culpa e os sentimentos de inadequação
aparecem. Isso afeta nosso frágil sentimento de valor pessoal porque com essa noção
errada, nosso valor vai depender do nosso desempenho e da nossa eterna necessidade
de sermos perfeitos.

A prática do perfeccionismo nos tranca em um círculo de tormento. Dentro desse


círculo estabelecemos altos padrões e falhamos ao tentar alcançá-los. Então nos punimos
por isso e estabelecemos padrões ainda mais altos para compensar tudo.

Esse círculo tem muitos efeitos colaterais negativos. Ele nos isola dos amigos e da
família. Gastamos tanto tempo em nosso trabalho que não há tempo para relaxar. Quando
não relaxamos e raramente nos divertimos, nosso estresse se acumula.

Frequentemente, os outros não se dão conta da nossa necessidade de sermos


perfeitos. Ela pode não transparecer em nossas ações, mas nos sentimos inadequados
quando constatamos as realizações dos outros.
118

Quando decidimos que já sofremos o bastante, e desejamos verdadeiramente


mudar, recorremos aos Doze Passos de Emocionais Anônimos em busca de ajuda.
Compartilhamos nossos sentimentos e falamos de nossos comportamentos perfeccionistas
com outros membros de Emocionais Anônimos que nos compreendem. Usamos o lema
"Não compare". Começamos a nos valorizar sem ter que competir com os outros.
Admitimos desistir de nossa busca pela perfeição. Reconhecemos a dor que o nosso
perfeccionismo nos causa e àqueles que nos cercam. Vemos o quanto as nossas
expectativas têm sido absurdas.

Para nos livrarmos do nosso perfeccionismo, precisamos primeiro, admitir termos


esse sentimento e que somos impotentes perante ele. Podemos então começar a agir da
seguinte forma:

1. Paramos de nos comparar com os outros e começamos a gostar de nós mesmos pelo
que somos, e não pelo que fazemos.

2. Passamos a ter boa vontade em aceitar novas idéias de outras pessoas, o que amplia
a nossa visão. Já não nos subestimamos por não termos pensado nessas idéias antes
delas.

3. Permitimo-nos errar, reconhecendo que não somos perfeitos, mas, sim, perfeitamente
humanos. Lutamos pelo progresso, não pela perfeição.

4. Começamos a ver que já não precisamos estar sempre com a razão. Valorizamos
ouvir os outros e compartilhar com eles.

5. Permitimos àqueles a nossa volta a liberdade de cometer erros e reconhecermos que


suas vidas são responsabilidade deles.

6. Tentamos viver um dia de cada vez, planejando nossas ações, porém deixando os
resultados por conta do nosso Poder Superior. Lembramos de "soltar as rédeas e
entregar a Deus".

Tivemos esse problema por muitos anos, e compreendemos que vai levar tempo
para mudar. Temos de ter paciência.
119

Quando começamos a nos recuperar de nossa necessidade de sermos perfeitos,


nos tornamos mais carinhosos e aprendemos a gostar da vida. Aceitamo-nos como
somos hoje. Fazemos uma lista criteriosa das coisas por fazer e não nos sentimos mal se
apenas umas poucas forem completadas. Paramos de julgar a nós mesmos e aos outros.
Começamos a entender que somos perfeitos aos olhos do nosso Poder Superior.

À medida que nossa percepção aumenta, vemos mais facilmente o quanto somos
limitados pela prática do perfeccionismo. Agora temos coragem de mudar! Nossas vidas
se tornam mais felizes e mais serenas. Com o nosso perfeccionismo apenas controlado,
pois não será curado, continuamos a praticar os Doze Passos de Emocionais Anônimos.
Encontramos alívio um dia de cada vez.
120

PESAR

O pesar é uma reação emocional a uma perda em nossas vidas. Uma perda em
que somos impotentes para alterar ou desfazer. O Programa dos Doze Passos de
Emocionais Anônimos pode ajudar a lidarmos com sentimentos de pesar, não importando
quais sejam as suas causas.

As situações que provocam esse devastador sentimento de perda podem ser


surpreendentemente variadas. A mais óbvia causa de pesar é a morte de um pai, mãe,
cônjuge, filho, animal de estimação, ou outro ser amado. Entretanto, existem muitas
outras situações que podem desencadear essa emoção e que não estão relacionadas
com a morte. Existe a perda sentida em consequência de infertilidade, divórcio,
desemprego, aposentadoria ou mudança. Há um sentimento de perda quando um filho sai
de casa, ou um pesar profundo pode acompanhar uma doença grave que ameaça a
nossa vida ou a de alguém que gostamos. Também há pesar quando nos apercebemos
de que estamos perdendo alguma parte de nossos sonhos em relação a um ser amado
ou a nós mesmos.

Até mesmo algo positivo, como começar um novo emprego, casar ou passar por
uma transformação pessoal através do crescimento no Programa de Emocionais
Anônimos, pode suscitar sentimentos de pesar.

Embora um novo emprego, um casamento ou outras mudanças positivas sejam,


certamente, bem-vindas, elas são o fim de uma parte em nossas vidas, como a
conhecíamos. Nessas ocasiões, esperamos estar muito felizes, e sentimentos de pesar,
tristeza ou consternação, podem nos deixar um pouco confusos.

Mudanças e perdas são difíceis de serem suportadas porque investimos um grande


significado em alguma outra pessoa ou coisa. Podemos ter feito isso inconscientemente e
ficamos surpresos com a profundidade do nosso pesar. Se colocarmos um grande valor
emocional em alguém, em algum lugar ou em alguma coisa, investimos tempo e energia
nessa relação.
121

Definimos o nosso "eu" em relação àquilo cuja falta sentimos agora. Quando uma
relação é alterada e não somos mais capazes de definir o nosso "eu" através do lugar que
trabalhamos ou vivemos, ou do que possuímos, é como se uma parte do nosso "eu" nos
tivesse sido arrancada. A nossa identidade, a maneira como nos conhecemos e nos
percebemos, sofreu uma ruptura. O pesar ajuda a nos redefinirmos e a recuperarmos o
sentimento de totalidade. Enfim, o pesar tem tudo a ver com o processo de cura, com
voltarmos a ser, de novo, fortes e inteiros.

O pesar pode ser muito doloroso e assustador. De um modo geral, consiste numa
série de fases que vão desde um estado de choque e confusão até a recuperação de
nosso equilíbrio. O processo é frequentemente caótico à medida que, entre recuos e
avanços, vamos percorrendo essas sucessivas fases. Por vezes, parece que sentimos
apenas raiva em relação à pessoa ou à situação que nos causa pesar e sofrimento.
Podemos ficar assustados e envergonhados com a nossa própria raiva. Outras vezes,
nada sentimos a não ser tristeza e desorientação. Porém, nossos sentimentos fazem
parte de um processo em aceitar as nossas perdas e em tirar delas algum sentido.

Em Emocionais Anônimos, aprendemos que somos impotentes perante nossas


emoções. Por mais dolorosa que a perda possa ser, o primeiro e o melhor caminho para
lidarmos com o pesar que ela nos causa é deixar que os nossos sentimentos se
manifestem plenamente. Precisamos aceitar os nossos sentimentos como não sendo nem
bons nem ruins. Sentimentos têm o hábito obstinado de não irem embora só porque os
negamos ou os escondemos. Sentir a dor é uma parte essencial do crescimento para
além do pesar.

Não existe um tempo certo para a superação do pesar. Este durará o tempo que
tiver de durar e a jornada é de natureza bastante individual. Algumas pessoas levam anos
para resolver seus sentimentos ou "dar a volta por cima". Mas não se trata realmente de
"dar a volta por cima". A perda sofrida torna-se parte integrante do que somos para o resto
de nossas vidas, mas não necessariamente de uma forma dominante. Emocionais
Anônimos nos lembra que parte de nossa serenidade resulta do fato de sermos capazes
de viver em paz com problemas não resolvidos.

Não estamos deixando a nossa perda para trás. Ao invés disso, estamos
construindo uma nova identidade, um novo sentido para o nosso próprio eu – nós
122

mesmos mais a perda. Perdemos o futuro que havíamos planejado e agora haverá um
novo futuro. O pesar converte-se, finalmente, em esperança, na medida em que
assumimos uma nova e mais positiva atitude em relação a um futuro imprevisível.

Uma das coisas mais valiosas que aprendemos em Emocionais Anônimos é a


aceitação de nós mesmos, dos outros e de nossa situação. Quando escutamos outros
membros de Emocionais Anônimos que enfrentaram com êxito seu pesar, descobrimos
que, de um modo geral, voltaram-se para o seu Poder Superior em busca de força e
orientação, enquanto elaboravam seus sentimentos. Pedindo ajuda ao Poder Superior
para aceitar esses sentimentos, e trabalhando duro para se abrir sobre eles com outras
pessoas, descobriram e aprenderam a aceitar a vontade desse Poder Superior.

Através do Programa de Doze Passos de Emocionais Anônimos, encontramos um


Poder Superior solícito e amoroso, que está sempre lá para nós, mesmo em nossos
tempos de pesar.

Aprendemos em Emocionais Anônimos, que não estamos sós. Todos nós, mais
cedo ou mais tarde, experimentaremos sentimentos de perda, de luto e de pesar. Isso faz
parte da vida! A alternativa para lidar com nosso pesar é reprimir o que sentimos de uma
forma doentia. Pode ser útil escrever um diário ou fazer um inventário do Quarto Passo
sobre a situação que provoca o nosso pesar ou até mesmo escrever uma carta para os
envolvidos nesse evento significativo, retirando os sentimentos dos confins de nossa
mente e transferindo-os para o papel. Se a carta é endereçada a um ente falecido, não
podemos entregá-la, mas nos beneficiamos com o simples ato de escrever. Sentimo-nos
ajudados ao colocar esses sentimentos tristes em palavras e nossa mente é apaziguada
por escolher essa atividade.

Usando a Oração da Serenidade, a meditação diária, os Doze Passos e a literatura


de Emocionais Anônimos, podemos trabalhar o nosso pesar. Falar com um conselheiro ou
com outros membros de Emocionais Anônimos ou ir a reuniões extras, também são
iniciativas benéficas. Ajudar outros, prestando serviços ao nosso grupo de Emocionais
Anônimos ou à comunidade, pode desviar de nós mesmos o foco da atenção e aliviar,
assim, o fardo que o pesar nos impôs, trazendo algum alívio e recuperação.

Os Só Por Hoje podem ser de grande valor durante esses períodos. São receitas
poderosas para a vida cotidiana que, se seguidas, nos ajudam a superar esses
123

sentimentos dispersos quando não sabemos qual a melhor coisa a fazer. Lê-los a cada
dia e escolher um deles como foco para esse dia, pode ser uma atitude muito benéfica e
salutar no caminho da recuperação.

Emocionais Anônimos nos ensina sobre aceitação e renúncia, qualidades que nos
ajudam a enfrentar esse transe. Ouvir outras companheiras e companheiros contarem
como superaram isso e voltaram a sentir gosto pela vida, nos dá esperança para o nosso
futuro. Finalmente, a sensação de vazio diminui, dando lugar à recuperação. O pesar
declina com o tempo e os princípios de Emocionais Anônimos ajudam para que esse
tempo seja menos assustador e fora de controle. Na medida em que estamos dispostos a
vivenciar nossos sentimentos, que nos esforçamos por perdoar a nós mesmos ou a outras
pessoas, sempre que necessário, e que usamos a ajuda de um Poder que nos é superior,
o nosso pesar pode ser transformado em nova sabedoria e esperança.

Um dia, seremos capazes de ajudar outras pessoas quando se sentirem invadidas


pelo doloroso sentimento de pesar. E o pesar tem a ver com a recuperação – a cura da
perda e a retomada de nossa vida com uma nova profundidade e compreensão do plano
traçado pelo nosso Poder Superior para a nossa vida.
124

RAIVA

A raiva é uma emoção básica que é definida como sentimento de grande


desprazer, de hostilidade, de indignação ou de exasperação para com alguém ou alguma
coisa. Entre os sintomas de raiva estão: cólera, fúria, ira, irritação, ressentimentos e
indignação.

Os sentimentos de raiva podem ser muito difíceis de serem expressados por


alguns de nós. Por outro lado, alguns de nós podem demonstrar raiva a maior parte do
tempo. Depressão, hipertensão arterial, dores de cabeça, úlceras e insônia são alguns
dos sintomas físicos que podem surgir quando não lidamos, de forma apropriada, com
situações que nos provocam raiva.

Nossos relacionamentos com os outros também sofrem consequências. De igual


importância é o efeito que a raiva tem sobre a nossa autoestima. Não nos sentimos bem
conosco mesmos se conservarmos conosco, consciente ou inconscientemente, raiva e
hostilidade não resolvidas.

Alguns de nós raramente se sentem enraivecidos enquanto desenvolvem suas


atividades diárias. É possível que não nos tenha sido permitido demonstrar raiva
enquanto crianças.

Por tentarmos agradar os adultos em nossas vidas, aprendemos cedo a suprimir


nossa raiva e a não expressá-la abertamente, afim de evitar sermos criticados. Algum
tempo depois, talvez não tenhamos sentido conscientemente a raiva que crescia dentro
de nós. Talvez tenhamos aprendido a negar a existência da raiva. Apenas aceitamos
nossas circunstâncias sem cuidarmos de nossos sentimentos de uma maneira que nos
fosse benéfica.

Se não expressarmos nossa raiva abertamente, nós a suprimimos e ela vai crescer
dentro de nós. Os sintomas físicos podem ocorrer. Pode-se também recorrer ao uso
abusivo de drogas, ou ao comer compulsivo, se não lidamos com os sentimentos de raiva
de forma apropriada. A raiva não resolvida pode evoluir ao ponto de nos tornarmos uma
bomba e explodirmos emocionalmente. Se andarmos por aí com raiva uma boa parte do
tempo, nossos relacionamentos pessoais e profissionais sofrerão.
125

Emocionais Anônimos não só pode nos ajudar a entrar em contato com nossos
sentimentos de raiva, como também pode nos ajudar a expressar nossas emoções de
maneira apropriada e saudável. Podemos usar o Primeiro Passo e admitirmos que somos
impotentes perante nossa raiva e nossos ressentimentos.

Ao frequentarmos as reuniões, ouvimos como os outros usam esses princípios


espirituais em suas vidas.

Nós nos tornamos mais ligados ou mais afinados conosco mesmos e com nossos
sentimentos. Aprendemos que, muitas vezes, a raiva advém da frustração com outros ou
com nossa situação.

Com a ajuda de Emocionais Anônimos, aprendemos a aceitar as coisas que não


podemos mudar e apenas tentar mudar aquelas que podemos. Começamos a saber mais
rapidamente, se estamos com raiva ou magoados. Tornamo-nos mais perceptivos dos
nossos verdadeiros sentimentos. Com o crescimento da nossa fé em nosso Poder
Superior, pedimos por Sua orientação, direção e força para lidarmos com essas situações.
Nossa autoestima se eleva e começamos a assumir mais riscos. A Décima Promessa se
torna realidade, pois começamos a poder lidar intuitivamente com situações que antes
nos frustravam.

No Programa de EA, aprendemos que os sentimentos não são bons nem maus,
apenas existem. Os sentimentos nos ajudam a sabermos quando precisamos agir ou
reagir a uma situação para nosso próprio benefício.

Ao ganharmos experiência nessa nova maneira de lidar com a raiva e com


ressentimentos, nos permitimos sentir e até vivenciarmos esses sentimentos por certo
período de tempo. Antes de agirmos é bom se pudermos verbalizar a situação com uma
pessoa neutra. Assumimos responsabilidade por nossos sentimentos, sem negá-los ou
suprimi-los.

Aprendemos que a raiva não é o problema, mas, sim, o que fazemos com essa
emoção. Deixados à vontade, nossa raiva e nossos sentimentos feridos podem nos levar
a um comportamento destrutivo, mas se lidarmos com eles ou os expressarmos de forma
apropriada, eles nos ajudam a nos aceitarmos melhor. Um dos resultados é um melhor
relacionamento com os outros.

A inestimável dádiva da serenidade que vemos nos outros, e lemos a respeito, se


realizara em nós.
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RESSENTIMENTOS

Ressentimentos são sentimentos de raiva, de indignação ou de injustiça – muitas


vezes não expressados – por acontecimentos do passado. Revivemos a mágoa várias
vezes no presente. Mantemos vivas em nossa mente as palavras ou ações dirigidas ou
cometidas contra nós, enquanto a nossa mágoa cresce absurdamente. O que ou quem
originou a mágoa pode não mais existir ou nem saber do mal cometido, porém
continuamos alimentando a mágoa até que ela cresça e se multiplique, consumindo
nossos pensamentos.

Não abrimos mão da mágoa. Sentimos pena de nós mesmos(as). Podemos


desejar mal a determinada pessoa e esperar que ela venha a entender como nos magoou
profundamente e prejudicou nossas vidas. Podemos até ensaiar cenas com detalhes, em
nossa imaginação, de como poderíamos nos vingar delas. Não prestamos a menor
atenção ao mal que fazemos a nós mesmos pensando dessa forma. Gastamos horas de
nossos dias pensando no passado, em vez de tornar o nosso HOJE melhor. Quando
guardamos um ressentimento, ficamos escravizados à pessoa de quem nos ressentimos.
Não queremos ser escravos de ninguém, muito menos da pessoa contra quem
guardamos ressentimentos. Quando começamos a perceber o que estamos fazendo a
nós mesmos e aprendemos com o Programa de Emocionais Anônimos a pedir ajuda e
orientação ao Poder Superior, o ressentimento começa a perder seu poder sobre nós.

Abrir mão dos ressentimentos não é fácil e leva tempo. Podemos não querer
admitir até para nós mesmos, que temos ressentimentos profundamente arraigados em
nós. Por outro lado, pode haver um certo grau de satisfação por estarmos com raiva e
com autopiedade. À medida que aprendemos a ser mais honestos conosco mesmos,
vemos como tais sentimentos destroem a nossa paz de espírito.

A chave para nos livrarmos de ressentimentos é o perdão. — Mas como perdoar


alguém ou alguma coisa que nos magoou tão profundamente? — Como podemos abrir
mão da dor que nos acompanha há tanto tempo, que tanto prejudicou nossas vidas e que
nos foi infligida quando estávamos tão vulneráveis e a nossa autoestima tão baixa?

Podemos começar rezando para termos a capacidade de perdoar a pessoa que


nos fez mal. Ou podemos rezar para nos dispormos a enxergar a nossa participação
127

naquela situação e compreendermos que nós também contribuímos para o problema. Se


pudermos ser honestos conosco mesmos, poderemos admitir que, às vezes, fazemos
coisas que provocam reações negativas nos outros. Mesmo quando, honestamente,
chegamos à conclusão de que não tivemos qualquer participação na criação do problema,
o perdão ainda será necessário, se desejarmos ter paz de espírito. Ser feliz é mais
importante do que estar com a razão!

Em Emocionais Anônimos, aprendemos a perdoar a nós mesmos e aos outros.


Começamos a ver que a nossa felicidade não depende do que os outros fazem ou dizem.
Em Emocionais Anônimos nos sentimos aceitos e amados e ficamos mais dispostos a
aceitar e a amar os outros. Somos capazes de enviar mais pensamentos de amor do que
de raiva. Ficamos livres da escravidão que nos aprisiona quando sentimos ressentimento.

Nossos ressentimentos se tornam coisas do passado e podemos vê-los realisticamente.


128

SERENIDADE

Todos buscamos serenidade, mas o que é serenidade exatamente? Serenidade


pode ser muitas coisas para muitas pessoas; não é fácil defini-la. Para fazê-lo nós
freqüentemente achamos mais fácil usar outras palavras como calma, compostura e
quietude. Olhar ao redor pode nos trazer algumas respostas conforme observamos
pessoas que tem o dom da serenidade. Pode ser alguém que saiba lidar
convenientemente com problemas opressivos ou observações perturbadoras. Pode ser
uma situação onde a pessoa lidou com observações excessivamente criticas, que não
pareceram irritá-la. Não é maravilhoso saber que existem pessoas que podemos usar
como ponto de referência para superarmos reações negativas em caso de situações
extremas?

Na verdade, a serenidade pode ser encontrada em qualquer lugar, se procurarmos


por ela. Por exemplo, imagine que você está em um elevador. Você está ansioso para
descer porque alguém está batendo em você por trás. Você se vira para saber quem é o
causador desta irritação mas o elevador está lotado. Então você fica quieto e não diz
nada. Ao descer do elevador você descobre que a pessoa que estava tocando em você
era cega e a bengala dele batia em suas costas sem que ele soubesse. O fato de você
permanecer calmo e não se alterar é, com certeza, um sinal de serenidade.

Na maioria das vezes, serenidade é uma questão de agir ou reagir sem resultados
negativos. Trabalhar isto nos ajudará a alcançar nosso objetivo principal nos
Emocionais Anônimos — sabermos viver com problemas sem solução. Como o sucesso
raramente vem sem esforço, nosso papel é manter esses esforços. Teremos que tentar
mudar o que for possível e evitar obstáculos contra a serenidade como a raiva,
ressentimento e auto piedade, por exemplo. Usamos a oração da serenidade para nos
ajudar atravessar as situações difíceis.

As partilhas positivas e enriquecedoras que ouvimos em nossas reuniões


mostram freqüentemente o caminho para a serenidade. O trabalho persistente e
determinado nos ajudará a manter uma atitude positiva para enfrentarmos os desafios
da vida. A maioria de nós tenta evitar ciladas como ficar excessivamente temerosos ou
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elevar demais nossas expectativas. Quanto mais altas forem nossas expectativas
menor será nossa serenidade. Se diminuirmos nossas expectativas aumentaremos
nossa serenidade.

Minimizamos o medo e a decepção quando aprendemos a nos conhecer e temos


consciência de como reagimos às más noticias ou acontecimentos. Se mudarmos o que
pudermos e isso não trouxer o resultado desejado, mesmo que tenhamos feito todo o
possível, nos rendemos como sugere o Terceiro Passo, sabendo que tudo ficará bem. Na
verdade se colocarmos a aceitação no topo de nossa lista de prioridades, poderemos
alcançar a serenidade mais rapidamente.

Eu me lembrarei que a única pessoa que posso mudar sou eu. Quando fico
perturbado é sinal de que encontrei alguém, ou algum lugar ou coisa inaceitável para
mim,e não encontrarei a serenidade até aceitá-los exatamente como eles são. Preciso me
concentrar não tanto no que precisa ser mudado no mundo mas sim o que precisa ser
mudado em mim e em minhas atitudes. Não é possível mudar o passado, e quem pode
dizer o que o futuro nos trará?

O trabalho determinado nos ajudará a enfrentar os desafios da vida. Tentar


modificar os outros e os acontecimentos é perda de tempo. Preciso me manter no hoje.
Por que temos que lutar o tempo todo? No passado certamente ouvimos algum de nossos
amigos dizer que selecionássemos nossas batalhas, já que algumas não valiam a pena.
Rever algum dos lemas, passos ou a literatura de Emocionais Anônimos pode nos ajudar
na construção da serenidade. Por exemplo, nosso segundo Só Por Hoje diz que minha
felicidade não depende do que os outros façam ou digam ou do que acontece ao meu redor.

Podemos nos ajudar trabalhando para obtermos fortes qualidades como auto
estima e auto confiança. Um membro mais antigo disse certa vez, “Enquanto fico triste
perdendo sono por ressentimento e vingança, a outra pessoa está dormindo
completamente alheia ao meu tormento.”

Às vezes só temos que visualizar algo para que isto aconteça. Por que não tentar
isto com a serenidade? Podemos visualizar algo como as ondas deslizando gentilmente na
praia. Músicas relaxantes também podem ajudar.

Trabalhar uma parte do programa todos os dias pode nos ajudar a ter constante
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paz de espírito. Muitas outras atitudes podem ser tomadas. Por exemplo, podemos fazer
um estudo que vai mais além de nosso ciclo de recuperação emocional, focando
experiência e trabalho com outras pessoas do programa. O livro It Works if You Work it
(Funciona se Você Fizer Sua Parte), tem muitos discernimentos sobre serenidade. As
páginas 2,124,126 e 188 apresentam muitos esclarecimentos sobre o que deveríamos
fazer em prol de nosso bem-estar. Os muitos outros caminhos seguidos, por outros
membros de Emocionais Anônimos, nos convidam a continuar nossa busca por
serenidade.

Muitos sinais nos permitirão saber que estamos próximos de nosso objetivo.
Quando as coisas que costumavam nos aborrecer não nos afetarem mais, saberemos
que estamos assegurados pela serenidade. Estamos sendo rejeitados? Usaremos a
sugestão “Não leve nada para o lado pessoal.” Estes esforços diários nos ajudarão a viver
em paz com problemas sem solução e nos farão olhar para os outros com benevolência.
Isto permitirá que a serenidade, pouco a pouco, faça seu ninho em nós.
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SINAIS DE SERENIDADE

Aceitação
Calma
Conforto
Compostura
Contentamento
Harmonia
Bom Senso
Paciência Paz
Reconciliação
Consideração
Tranquilidade

Serenidade

ORAÇÃO DA SERENIDADE

Deus, concedei-me a serenidade para aceitar as


coisas que não posso modificar, coragem para
modificar as coisas que eu posso, e sabedoria
para conhecer a diferença.
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VERGONHA

A vergonha é uma emoção dolorosa que pode ser causada pelo sentimento de
culpa. A culpa diz: “Eu cometi um engano”. A vergonha diz: “Eu sou o engano”. (Reflexão
Hoje,1 de Abril). A culpa saudável pode nos ser útil, permitindo-nos saber onde violamos
nosso sistema de crença. A vergonha é devastadora para nós já que alimenta os
sentimentos de que somos desprezíveis ou inadequados.

Afirmações interiores como esta, podem estar muito escondidas em nosso


subconsciente, mas podem ser a base de nossos sentimentos e percepções. Se temos
pensamentos do tipo: “Acho que ninguém gosta de mim”, “Eu sou a pessoa mais doente
do nosso grupo”, “Meu passado é tão horrível que nunca serei perdoado” ou ainda “Eu
não posso fazer o quarto e quinto passos, pois ninguém me aceitaria”, podemos atribuir
esses pensamentos à vergonha. Esses pensamentos de vergonha, não são baseados em
fatos, na verdade são ilusões.

Quando éramos apenas crianças, talvez tenham nos dito: “Você é uma garota má.
Deveria ter vergonha!”, como oposição a uma coisa simples. “Não, não se rasga páginas
de livros,” ou “Você molhou suas calças outra vez. Você é um garotinho muito, muito
malvado!” ao invés de “Vamos colocar uma roupa sequinha”. É claro que começamos a
crer que éramos realmente malvados e vergonhosos. Foi o que nos disseram. A vergonha
também pode ser consequência de palavras depreciadoras vindas de um pai ou de uma
mãe, como “Você é gordo” ou “Você nunca chegará a lugar algum”. A vergonha também
pode ser resultado da indiferença da parte de um dos pais, como não comparecer a uma
formatura ou não fazer um elogio quando havia merecimento. Pode levar um bom tempo
até perdoarmos e deixarmos para trás essas feridas traumáticas, mas é possível. Viver
com ou em vergonha frequentemente significa que nós minimizamos nossas conquistas.
Nossos sentimentos, opiniões e necessidades parecem não ser levados em consideração.
Sentimo-nos como se não tivéssemos valor e não acreditamos ser especiais. Dessa
forma, nunca poderíamos fazer nada especial.

Palavras que subestimam, como “apenas” e “só” fazem parte de nosso vocabulário.
Dizemos coisas como “Obtive só 92 pontos em minha avaliação” ou “Eu tenho uma
casinha e um carrinho velho”. Ou podemos dizer a um amigo: “Você merece o maior
pedaço de torta”. Ao usar palavras e frases como essas, estamos dizendo: “Eu não
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conto”, “Eu não mereço amor, eu não tenho valor”. É tão melhor dizer: “Essa foi uma das
notas mais altas que já obtive em uma avaliação”, “Minha casa é confortável e
aconchegante” ou “Dividiremos a torta igualmente”. Nessas últimas sentenças, a atitude
positiva supera a negatividade.

A vergonha pode nos dar uma falsa segurança. Ela ajuda a construir uma parede
que ninguém consegue atravessar para ver a pessoa “verdadeiramente”. Ela pode se
tornar uma amiga cômoda, do tipo que pode manter os outros fora de nossas vidas. A
vergonha tem raízes muito profundas e é preciso lidar com ela para que aceitemos nossa
humanidade. Isso ajuda a admitir que sentimos vergonha.

Se crescemos numa família deficiente, sentíamos vergonha quando um dos pais


comportava-se de maneira estranha, principalmente na frente de nossos amigos. E
também sentíamos vergonha quando não estávamos vestidos e alimentados como as
outras crianças. Talvez nossos pais fossem pobres e isso nos causou vergonha deles e
de seus comportamentos. Esse poderia ter sido o início de nosso sentimento de
vergonha. Como adultos, talvez nem mesmo entendamos porque nos esquivamos do que
sentimos e fazemos a nós mesmos e aos outros e do possível amor que eles têm para
compartilhar. Escondermos a vergonha, até mesmo de nós, nos impedirá de nos
curarmos. Continuaremos nos rejeitando e aos outros até que lidemos com a nossa
humanidade. Devemos desejar nos aceitar todos os dias e não ficar desencorajados se
nos frustrarmos com nossos ideais. Devemos buscar o positivo e aprender a aceitar que
estamos fazendo nosso melhor.

Mesmo que expressemos a vergonha abertamente (consciente ou inconscientemente)


ela continua a crescer dentro de nós. Manter as amizades pode ser difícil. Quem quer
ficar ao lado de alguém que está sempre negativo? Se gostamos cada vez menos de nós
mesmos, como poderemos gostar de outra pessoa? Queremos ser perfeitos e não somos
capazes de nos aceitar como imperfeitos. Não queremos acreditar que todos cometem
erros.

Em Emocionais Anônimos, aprendemos a confiar em um Poder maior que nós


mesmos. Aprendemos que nosso Poder Superior nos ama e nos aceita, não importa
como sejamos. Aprendemos que não há problemas em cometer erros, e aceitamos que o
passado ficou para trás e não pode ser mudado. O Hoje é o que importa.
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Quando assistimos as reuniões de Emocionais Anônimos, nos tornamos cientes de


que muitas outras pessoas têm esse mesmo problema com relação à vergonha. Ficamos
sabendo como o programa de 12 Passos tem ajudado a aceitarem a si mesmos e a sua
humanidade. O valor próprio dessas pessoas cresceu e elas estão encontrando uma nova
autoconfiança e auto-respeito. Pela primeira vez na vida de muitas delas, elas
aprenderam a se valorizar.

O Emocionais Anônimos nos faz promessas que podem parecer extravagantes,


mas não são. Elas têm sido confirmadas várias vezes por aqueles que lutam por uma vida
melhor. Duas destas promessas são: “Descobrimos uma nova liberdade e uma nova
felicidade” e “Não nos arrependemos do passado nem desejamos fechar a porta sobre
ele”. Só essas duas promessas já deveriam nos encorajar. Mas há outras pelas quais
trabalhar também. Existem muitas outras ferramentas úteis que fazem parte do programa,
tais como os lemas: “Procure ver o lado bom”, “Conhece-te, seja honesto” e “Isto também
passará”. Eles nos ajudam a focar valores importantes. Assistir as reuniões
frequentemente nos mostra que “Não estamos sós”. Ouvir os outros compartilharem suas
histórias de dificuldades emocionais e de como estão agora “na nova forma de viver”, nos
dá uma perspectiva muito diferente da vergonha e de outras emoções. Nos ajuda a
compreender que outras pessoas tiveram os mesmos problemas com a vergonha e não
estão mais indefesos. A dor deles diminuiu. Nem todos os seus problemas foram
solucionados, mas suas vidas melhoraram com a ajuda de um Poder Superior.