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MARTIN-BARBERO, Jesus; REY, German.

Os exercícios do ver: hegemonia audiovisual e ficção


televisiva. São paulo: Editora SENAC, 2001.

Pg 19 – A visualidade eletrônica passou a fazer parte constitutiva da visibilidade cultural, a qual [...], é ao
mesmo tempo entorno tecnológico e novo imaginário capaz de falar culturalmente: de abrir novos
espaços e tempos para uma nova era do visível.

Pg 29 – os desconcertos e os pesadelos do fim de século radicalizam nosso latino-americano mal-estar


na modernidade, que não é pensado nem do ponto de vista da inconclusão do projeto moderno sobre o
qual refletiu Habermas – pois aí a herança ilustrada se restringe ao que tem de emancipadora, deixando
fora suas cumplicidades com a racionalidade de domínio, que legitima sua expansão –, nem da
perspectiva do reconhecimento que, a partir da periferia e das margens, faz um discurso pós-moderno,
para o qual toda diferença se esgota na fragmentação. A profunda crise, tanto dos modelos de
desenvolvimento como dos estilos de modernização, está abrindo rachaduras numa ordem que, ao se
identificar com a razão universal, nos impedia de perceber a profundidade do des-ordenamento cultural
pelo qual passava a modernidade. Daí se faz perceptível a não contemporaneidade do simultâneo, isto
é, a existência de assincronismos na modernidade, que não são puro anacronismo, mas resíduos não
integrados de uma outra economia e uma outra cultura, as quais, ao transtornar a ordem sequencial do
progresso, libera nossa relação com o passado, com nossos diferentes passados, permitindo-nos
recombinar memórias e nos reapropriar criativamente de uma des-centrada modernidade.

Pg 33- A televisão é a mídia que mais radicalmente irá desordenar a ideia e os limites do campo da
cultura: suas cortantes separações entre realidade e ficção, entre vanguarda e kitsch, entre espaço de
ócio e de trabalho. Porque, mais do que buscar seu nicho na ideia ilustrada de cultura, a experiência
audiovisual a repõe radicalmente: desde os próprios modos de relação com a realidade, istoé, desde as
transformações de nossa percepção do espaço e do tempo. Do espaço, aprifundando o desancoramento
que a modernidade produz com relação ao lugar, desterritorialização dos modos de presença e relação,
das formas de perceber o próximo e o longínquo, que tornam mais perto o vivido “a distãncia” daquilo
que cruza nosso espaço físico cotidianamente. E, pradoxalmente, essa nova espacialidade não emerge
do itinerário que me tira do meu pequeno mundo, senão, ao contrário, da experiência doméstica
convertida pela televisão e pelo computador nesse território visual ao qual, como expressivamente disse
Virilio, “todos chegam sem que tenham de partir”.

Pg 35 – As mídias audiovisuais (cinema á maneira de Hollywood, televisão e boa parte do vídeo)


constituem, ao mesmo tempo, o discurso por autonomásia da bricolagem dos tempo – que nos
familiariza sem esforço, extraindo-o das complexidades e ambiguidades de sua época, com qualquer
acontecimento do passado – e o discurso que melhor expressa a compreensão do presente, a
transformação do tempo extensivo da história no intensivo do instantâneo. Intensidade de um tempo
que alcança sua plenitude na simultaneidade que a tomada direta instaura entre o acontecimento e sua
imagem.
Pg 40 – [...] do México até o Brasil ou Argentina, a televisão convoca as pessoas como nenhuma outra
mídia, mas o rosto que aparece na televisão de nossos países não só é um rosto contrafeito e
deformado pela trama dos interesses econômicos e políticos, que sustentam e amoldam essa mídia,
como é também paradoxalmente o rosto de nossos pesadelos, de nossos medos.

Pg 41 – [...] a televisão se constitui em ator decisivo das mudanças políticas, em protagonista das novas
maneiras de fazer política, ao mesmo tempo que é nela que o permanente simulacro das sondagens
suplanta a participação cidadã e onde o espetáculo trapaceia até dissolver o debate político. porém,
espaço de poder estratégico, em todo caso: pela democratização desta “esfera pública eletrônica”, que
é a televisão, passa em boa medida a democratização dos costumes e da cultura política. E também
esteticamente atelevisão se tornou crucial na América latina, pois etá convocando – em que pesem os
antolhos dos negociantes e os preconceitos de muitos dos p´roprios criadores – boa parte do talento
nacional, desde diretores e artistas de teatro e cinema até grupos de criação popular e as novas
gerações de criadores de vídeo. Nas brechas da televisão comercial, e nas possibilidades abertas pelos
canais culturais, regionais, locais ou comunitários, a televisão aparece como um espaço de cruzamentos
estratégicos com certas tradições culturais de cada país: orias, gestuais, escritas, teatrais,
cinematográficas, novelescas etc.

Na América Latina, é nas imagens da televisão que a representação da modernidade se faz


cotidianamente acessível às grandes maiorias.

Pg 43 – Deslocada – não desapercebida – do espaço nacional, a diferença na América Latina deixou de


significar a busca daquela autenticidade, na qual se conserva uma forma de ser em sua pureza original,
para se converter na indagação do modo desviado e descentrado de nossa inclusão na, e nossa
apropriação da, modernidade: o de uma diferença que não pode ser digerida, nem expulsa, alteridade
que resiste de dentro ao próprio projeto de universalidade, encerrado na modernidade.