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27ª aula

Sumário:

Princípios da óptica geométrica e leis da reflexão e da refracção. Espelhos planos.


Espelhos esféricos e aberrações. Espelhos esféricos de grande raio de curvatura.
Imagens dadas por espelhos esféricos

Princípios da óptica geométrica

Quando nas primeiras aulas estudámos fenómenos ondulatórios, obtivemos, com


base em argumentos que tinham directamente a ver com as fases das ondas, as leis da
reflexão e da refracção. Ora, essas leis foram deduzidas sem referência ao tipo de ondas,
pelo que têm validade geral.
Como sabemos, a luz tem uma natureza ondulatória. Espera-se, portanto, que os
fenómenos de reflexão e de refracção da luz sejam regidos por aquelas leis. Por outro
lado, as leis da reflexão e a refracção podem também ser deduzidas numa perspectiva
“corpuscular”. Por outras palavras, aquelas mesmas leis também podem ser deduzidas
se a luz for considera uma “fiada” de partículas. Há certos fenómenos em que a luz
intervém e que só se entendem no quadro da sua natureza ondulatória. Mas há outros
fenómenos que só podem ser entendidos à luz da sua natureza corpuscular. Os
fenómenos de reflexão e de refracção podem ser vistos em qualquer das perspectivas.
Newton desenvolveu uma teoria corpuscular para a luz mas essa teoria acabaria por ser
abandonada em virtude de a teoria ondulatória se adequar melhor à descrição da
realidade experimental.
Os fenómenos de reflexão e a refracção da luz estudam-se na óptica geométrica
sem que haja necessidade de fazer referência à natureza da luz. O modelo do raio
luminoso serve de base à óptica geométrica. Um raio luminoso é uma linha recta que
tem a direcção de propagação da luz. Mas convém deixar claro que a ideia de raio
luminoso é uma abstracção: na realidade o que existem é feixes de luz. E esses feixes
têm sempre dimensão muito superior ao comprimento de onda da luz. Se pretendermos
diminuir a espessura do feixe conferindo-lhe uma dimensão cada vez menor, quando
nos aproximamos de dimensões da ordem do comprimento de onda... resulta
precisamente o oposto do que se pretende: a luz começa a espalhar-se! Este fenómeno,
designado por difracção, tem a ver com o carácter ondulatório da luz. A óptica
geométrica não se pode aplicar nessas circunstâncias o que significa que há certas
condições que têm de estar reunidas para se poder usar o formalismo da óptica
geométrica. Embora, como já dissemos, não haja necessidade de referir a natureza da
luz, do ponto de vista ondulatório, o raio luminoso é perpendicular às frentes de onda;
do ponto de vista corpuscular, tem a direcção do momento linear das partículas de luz.
O modelo do raio luminoso é adequado ao fim último a que a óptica geométrica
se destina, o qual consiste em prever o percurso da luz. No quadro da óptica geométrica
tal reduz-se sempre a um problema mais ou menos elaborado de geometria, o que dá
razão de ser à designação óptica geométrica.
Há alguns pressupostos básicos sobre os quais se constrói a óptica geométrica. O
primeiro destes pressupostos é a propagação rectilínea da luz no vazio ou em meios
isotrópicos e homogéneos. Outros dois pressupostos são a reversibilidade dos raios
luminosos e a sua independência. Quer dizer, se um raio se propaga numa dada direcção
e incide num espelho, origina um raio reflectido. Se esse raio reflectido for revertido

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passando a ser o raio incidente, origina um raio reflectido que é o raio original revertido.
A independência dos raios luminosos significa que podemos analisar o percurso óptico
de cada raio independentemente dos outros raios, mesmo que se cruzem uns sobre os
outros.
A trajectória de um raio luminoso fica determinada pela pelas leis da reflexão e
da refracção que assim se enunciam:

Leis da reflexão (ver Fig. 27.1):


1- O raio incidente (i) numa superfície polida, a normal à superfície no ponto de
incidência (n) e o raio reflectido (r) estão no mesmo plano.
2- O ângulo de incidência, α e o ângulo de reflexão, β são iguais.

i r

α β

Figura 27.1

Leis da refracção (ver Fig. 27.2):


1- o raio incidente (i) numa superfície de separação de dois meios ópticos, a normal à
superfície no ponto de incidência (n) e o raio refractado (R) estão no mesmo plano.
O ângulo de incidência, α e o ângulo de refracção, γ relacionam-se através de

sin α n2
= (27.1)
sin γ n1
sendo n1 e n2 os índices de refracção dos meios.

i r

α
meio 1

meio 2
γ
R

Figura 27.2

2
O índice de refracção de um meio, que vamos considerar sempre isotrópico e
homogéneo, é a razão entre a velocidade da luz no vazio e a velocidade da luz nesse
meio:

c
n= . (27.2)
v

Como a velocidade da luz é máxima no vazio, o índice de refracção é maior do que um


para qualquer meio. Se o meio 2 tiver índice de refracção superior ao do meio 1, o raio
refractado aproxima-se da normal se o raio incidente vier do meio 1 (tal como na Fig.
27.2), e afasta-se da normal se vier do meio 2.

Espelhos planos

A determinação das imagens dadas por um espelho plano faz-se a partir das leis
da reflexão. A Figura 27.3 mostra um espelho plano e P é um ponto (que designamos
por “objecto”) que dista d da superfície do espelho. Onde está a imagem que o espelho
dá desse ponto?

r"
Ν

P i" P'
r i V

i' α
α
α Μ
r'

d d'

Figura 27.3

Essa imagem forma-se do outro lado do espelho e está à mesma distância do espelho a
que está o ponto-objecto: d = d ' .
Este resultado pode ser obtido geometricamente. Na Fig. 27.4 representa-se um
objecto vertical de altura ho (valor que se considera positivo) e à distância xo (que
também se considera positivo).

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P P'
1 N

ho 2 hi
(objecto) α (imagem)
α M

xo xi

Figura 27.4

Para encontrar a imagem do objecto basta encontrar a imagem do ponto P. Fazem-se


sair desse ponto dois raios luminosos. O raio 1 incide normalmente no espelho. O raio 2
incide segundo um ângulo α e emerge, portanto, fazendo um ângulo α com a normal, de
acordo com as leis da reflexão. Os dois raios emergentes não se encontram. Mas o seu
prolongamento encontra-se para lá do espelho, no ponto P’, que é a imagem virtual de
P. Da semelhança dos triângulos PMN e P’MN resulta que o tamanho da imagem é
igual à do objecto: hi = ho . Por outro lado, também PM = P' M . Na Fig. 27.4 indicam-
se as coordenadas xi e xo para a imagem e para o objecto. Nos espelhos, usa-se a
convenção de tomar como positivas as coordenadas do lado do espelho onde se
propagam os raios luminosos e negativas do outro lado, ou seja, do lado de lá do
espelho. No quadro desta convenção podemos escrever a seguinte relação entre
coordenadas do objecto e da sua imagem:

x o + xi = 0 (27.3)

Atendendo a que xi é negativo (e xo positivo), podemos escrever para a relação entre


as alturas dos objectos

hi x
=− i (27.4)
ho xo

A esta razão chama-se, em geral, ampliação e, evidentemente, para o espelho plano vale
um.

Espelhos esféricos e aberrações

Quando um raio luminoso incide numa superfície espelhada é reflectido segundo


um ângulo igual ao ângulo de incidência como afirma a segunda lei da reflexão. No
caso de espelhos esféricos a normal no ponto de incidência é uma direcção radial, ou
seja, uma direcção que passa pelo centro do espelho.
Os espelhos esféricos podem ser côncavos ou convexos, consoante a superfície
espelhada seja a interior da calote esférica ou a exterior.
Ora, quando raios luminosos paralelos centrais incidem num espelho côncavo,
estes são reflectido, convergindo para uma zona relativamente pequena mas que se não
reduz a um só ponto, como se mostra na Fig. 27.5.

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O V

Figura 27.5

Dizemos que um espelho esférico não foca perfeitamente um feixe de raios paralelos,
circunstância que já era do conhecimento dos gregos. Foram, de resto, os gregos que
primeiro descobriram que para a focagem ocorrer num só ponto, o espelho tinha de ser
parabólico e não esférico. Por isso as antenas de TV que captam sinais enviados por
satélites são parabólicas!
A impossibilidade de focagem de um feixe de raios paralelos por um espelho
esférico, pode ser expressa dizendo-se que um espelho assim nunca dá uma imagem
focada de um objecto no infinito. A deformação na imagem por este motivo é chamada
aberração.
Contudo, se o raios luminosos forem paralelos e próximos do eixo do sistema
(OV na Fig. 27.5) a aberração é praticamente inexistente. Ora, ter um feixe de raios
paralelos pouco “espesso” a incidir na região do ponto V do espelho é equivalente a
tomar um espelho com um raio de curvatura muito grande.

Espelhos esféricos de grande raio de curvatura

A Fig. 27.6 (a) mostra um raio luminoso paralelo ao eixo do sistema a incidir no
ponto M. A normal no ponto de incidência tem a direcção radial (linha MC, sendo C o
centro de curvatura do espelho). O ângulo de incidência, α, é o ângulo que o raio
incidente faz com esta linha e o ângulo de reflexão tem de ser igual. O raio reflectido
intercepta o eixo do sistema no ponto F a que chamamos foco. O triângulo CMF é
isósceles e o ângulo no vértice C é também α. Ο ângulo externo no vértice F é
2α. Designemos por R o raio de curvatura do espelho (distância CV ) e por f a distância
FV (distância focal). Como relacionar estas duas distâncias?

i i M
M
α
α
α 2α V α 2α
C F C F V
r r f

(a) (b) R

Figura 27.6

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No lado direito da Fig. 27.7 representamos o trajecto do raio luminoso mas substituímos
o arco MV pela corda que se considera vertical. Esta aproximação é legítima desde que
o ângulo α seja pequeno, ou, o que é o mesmo e já antes se disse, desde que a distância
R seja grande (em comparação com o tamanho do arco). Pode concluir-se da Fig. 27.7
(b) que

FV FV
tan α = e tan 2α = . (27.5)
R f

Por outro lado, como o ângulo é pequeno, tan α ≈ α e tan 2α ≈ 2α e das equações
anteriores obtemos

R
f = . (27.6)
2

Conclui-se desta expressão que o centro de curvatura do espelho está à dupla distância
arco(MV)
focal. Podíamos chegar ao resultado (27.6) a partir de α = (que é uma
R
arco(MV)
expressão exacta porque α é um ângulo ao centro) e de 2α ≈ (que já não é
f
exacta, mas quanto mais próximo de zero for α mais rigorosa se torna).
Assim, num espelho esférico côncavo ideal, um feixe de raio paralelos converge
para um único ponto (foco real); se o espelho for convexo o mesmo feixe diverge, mas
os prolongamentos dos raios reflectidos encontram-se num só ponto (foco virtual).
Representamos estas duas situações na Fig. 27.7. Indicamos para um raio luminoso
incidente, em cada situação, a direcção normal no ponto de incidência.

C F
V
V F C

(a) (b)

Figura 27.7

Pelo princípio da reversibilidade dos raios luminosos, se um raio incidir passando pelo
foco emerge segundo a direcção paralela ao eixo. Por outro lado, um raio incidente que
passe pelo centro de curvatura do espelho (ou, para a lente convexa, cuja direcção passe
por C) é reflectido segundo a mesma direcção (só o sentido muda) pois tal incidência é
normal. As três situações − raio incidente paralelo ao eixo (1), raio incidente que passa

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pelo foco (2) e raio incidente normal ao espelho (3) − estão resumidas na Fig. 27.8,
onde se mostram, os correspondentes raios reflectidos para espelhos côncavo e convexo.
Estes raios principais são muito úteis para a determinação de imagens como veremos na
próxima secção.

1
1
1
2 3
C V 3
F V
F C

2
(a)
(b)

Figura 27.8

Imagens dadas por espelhos esféricos

Na Fig. 27.9 (a), um objecto de altura ho está à distância xo de um espelho


côncavo. Tal como para o espelho plano, bastam dois raios luminosos para determinar a
imagem do objecto. É conveniente escolher dois dos três raios referidos no final da
secção anterior e para os quais os correspondentes raios reflectivos são fáceis de traçar.
No caso concreto da Fig. 27.9 (a) considerámos um raio incidente paralelo (incide no
ponto M) e um raio incidente que passa pelo foco (incide no ponto M). Os raios
reflectidos não se encontram do lado esquerdo do espelho. Mas os seus prolongamentos
encontram-se do outro lado do espelho. A imagem do objecto é, portanto, virtual.

N
N

M hi hi
M
ho V
F ho
xo xi V
F xo xi
f
(a) (b)

Figura 27.9

A coordenada da imagem é xi , cujo valor é intrinsecamente negativo uma vez que está
do lado do espelho onde não há propagação de raios luminosos (convenção já usada
para o espelho plano). Pretendemos agora obter a relação entre as coordenadas do
objecto e da imagem e as características do espelho, designadamente a sua distância
focal. A Fig. 27.9 (b), que é mais esquemática e onde se fez já a substituição do arco

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VMN pela corda (que se considera perpendicular ao eixo1), ajuda na abordagem da
questão.
Do triângulo rectângulo verde (notar que xi < 0 !),

hi f − xi
= (27.7)
ho f

e do amarelo

hi f
= (27.8)
ho f − xo

Nestas duas expressões f > 0 , x o > 0 e xi < 0 . Dividindo uma expressão pela outra
obtemos
f − xi f
= (27.9)
f f − xo

ou ainda f 2 − xi f − xo f + xi x o = f 2 e, finalmente,

1 1 1
+ = . (27.10)
xo xi f

Embora esta expressão tenha sido obtida para o caso da Fig. 27.9, é válida em geral para
qualquer espelho esférico − côncavo ou convexo − desde que se respeite a seguinte
convenção:
- coordenada do objecto (lado esquerdo do espelho com luz a vir da esquerda): xo > 0
- coordenada da imagem: xi > 0 se a imagem estiver do lado esquerdo (imagem real)
ou, seja, do lado do espelho onde se propagam os raios luminosos; xi < 0 se a imagem
estiver do lado direito (imagem virtual), ou seja, do lado de lá do espelho.
- valor de f: f > 0 , para um espelho côncavo (como o da Fig. 27.9); f < 0 , para um
espelho convexo.
A expressão (27.10) é também válida para o espelho plano: fazendo f → ∞
obtém-se xi = − x o que é a expressão (27.3).
Define-se a ampliação como a razão entre os tamanhos da imagem e do objecto:

hi
A= (27.11)
ho

Usando a expressão (27.7) tem-se


xi
A = 1− (27.12)
f

1
Estamos sempre a considerar ângulos pequenos ou espelhos com grandes raios de curvatura.

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xi x
Se utilizarmos agora a expressão = i + 1 , obtida de (27.10), vem
f xo
x
A=− i . (27.13)
xo

No caso da Fig. 27.9 xi é negativo e maior, em módulo do que x o , pelo que A > 1 . O
valor da amplificação pode ser positivo ou negativo. Um valor negativo significa que a
imagem é invertida. No caso do espelho plano, xi = − x o e portanto A = 1 .
Para a construção geométrica das imagens dadas por espelhos esféricos convém
utilizar, como já dissemos, raios como os da Fig. 27.8. Na Fig. 27.10 dá-se mais um
exemplo de construção geométrica da imagem dada por um espelho côncavo de um
objecto colocado a uma distância superior à distância focal. A imagem é real, invertida e
menor do que o objecto ( − 1 < A < 0 ). Notar que xi / x o < 1 .

o
V
C i F

Figura 27.10
Finalmente, na Fig. 27.11, ilustra-se a construção de uma imagem dada por um espelho
convexo

o
i
V F C

Figura 27.11

A imagem é virtual, direita e menor do que o objecto.