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INSTITUTO SUPERIOR DE TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES Uso de solos finos na construção de estradas terraplenadas

INSTITUTO SUPERIOR DE TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES

Uso de solos finos na construção de estradas terraplenadas de baixo volume de tráfegoCaso de Estudo: Solos de Magoanine

Cândido Filipe Vilanculo

Projecto Final do Curso

Licenciatura em Engenharia Civil e de Transportes

Supervisor:

Eng. Carlos Rodrigues Cumbane

Departamento das Tecnologias das Construções

Junho de 2016

INSTITUTO SUPERIOR DE TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES Uso de solos finos na construção de estradas terraplenadas

INSTITUTO SUPERIOR DE TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES

Uso de solos finos na construção de estradas terraplenadas de baixo volume de tráfegoCaso de Estudo: Solos de Magoanine

Cândido Filipe Vilanculo

Projecto Final do Curso

Licenciatura em Engenharia Civil e de Transportes

Supervisor:

Eng. Carlos Rodrigues Cumbane

Departamento das Tecnologias das Construções

Junho de 2016

de solos finos na construção deUso estradas terraplenadas de baixo volume de tráfego – Caso
de solos finos na construção deUso
estradas terraplenadas de baixo
volume de tráfego – Caso de estudo: Solos de Magoanine
Cândido Filipe Vilanculo

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

ÍNDICE

AGRADECIMENTOS

 

I

DEDICATÓRIA

II

DECLARAÇÃO DE HONRA

III

ÍNDICE DE FIGURAS

IV

ÍNDICE

DE

GRÁFICOS

V

ÍNDICE DE QUADROS

 

VI

LISTA DE ABREVIATURAS

VII

RESUMO

 

VIII

CAPÍTULO 1 -INTRODUÇÃO

1

1.1. Justificação do Tema

 

1

1.2. Desenho Teórico

1

1.2.1. Problemática

1

1.2.2. Problema de investigação

2

1.2.3. Objecto de investigação

2

1.2.4. Objectivo geral de investigação

2

1.2.5. Objectivos específicos de investigação

2

1.2.6. Perguntas da investigação

2

1.3.

Desenho Metodológico

3

1.3.1. Abordagem

da investigação

3

1.3.2. Desenho da

investigação

3

1.3.3. Questões ou ideia a defender

3

1.3.4. Variáveis de investigação

3

1.3.5. Métodos de investigação

4

1.3.6. Resultados esperados de investigação

4

CAPÍTULO 2 -MARCO TEÓRICO-CONCEITUAL DA INVESTIGAÇÃO

5

2.1. Generalidades

 

5

2.2. Principais conceitos

5

2.2.1.

Solo

5

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

2.2.3. A importância do solo para obras

6

2.2.4. Composição do Solo

7

2.2.5. Tipos de solos

8

2.2.6. Classificação dos solos

9

2.2.7. Estradas

11

CAPÍTULO 3 -MARCO CONTEXTUAL DA INVESTIGAÇÃO

20

3.1. Rede rodoviária nacional

20

3.2. Estado actual do objecto da investigação

20

3.2.1.

Generalidades

20

3.3. Estradas em análise e solos usados na construção

21

3.4. Ensaios efectuados

27

3.4.1. Análise Granulométrica

27

3.4.2. Ensaio de Compactação

30

3.4.3. Ensaio do índice de suporte Califórnia (CBR)

30

3.4.4. Limites de consistência ou limites de Atterberg

32

3.4.5. DCP Dynamic Cone Penetrometer

34

CAPÍTULO 4 -METODOLOGIA DE RESOLUÇÃO DO PROBLEMA E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS

39

4.1. Metodologia de resolução do problema

39

4.2. Resultados

39

4.3. Análise dos Resultados

43

CAPÍTULO 5 -CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

47

5.1. Conclusões

47

5.2. Recomendações

48

5.3. Sugestões para trabalhos futuros

48

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

49

ANEXOS

52

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

AGRADECIMENTOS

Agradeço em primeiro lugar aos meus Pais pelo apoio e esforço que desprenderam, não só para criar condições para que eu tivesse uma boa formação académica, mas também para que eu me tornasse na pessoa que sou hoje;

Aos meus irmãos, Elcio e Flugêncio, pela paciência e carinho que partilharam comigo ao longo destes anos;

Aos meus tios Moisés e Julieta pelo apoio integral durante os anos do curso, nunca deixaram faltar nada desde o primeiro momento que me acolheram.

Ao meu tio Flatiel por ter me endereçado o ISUTC como instituição de qualidade no curso de Engenharia Civil, por nunca hesitar uma ajuda a mim, além de todo o incentivo ao estudo no período de engenharia.

Ao meu grande amigo Gerson Almeida pelo companheirismo e apoio incondicional tanto dentro como fora da vida académica;

Ao

necessário.

meu

amigo

Abel

Vilanculo

pela

ajuda

sempre

disponível

ensaios

quando

Ao Engenheiro Carlos Cumbane, supervisor do projecto, pela disponibilidade e oportunidade que me deu de trabalhar consigo neste projecto, pelas valiosas orientações e prontidão no esclarecimento e discussão dos conteúdos;

Ao LEM (Laboratório de Engenharia de Moçambique) pela atenção que me dispensaram e assistência na realização dos ensaios;

A todos os docentes, funcionários, colegas e amigos do ISUTC e não só, que comigo

conviveram durante os anos da minha formação, vai um abraço de imensa gratidão, com especial atenção a Danilo, Abdel, Evaristo, Belzénia, Raquel.

A todos os meus amigos, tanto os novos quanto aos de longa data.

A todos os envolvidos, meu muito obrigado

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

DEDICATÓRIA

Aos meus pais, Filipe (in memoriam) que tive como pilar espiritual nos momentos mais complicados deste percurso e fonte de perspicácia e Irene, e aos meus irmãos Elcio e Flugêncio, dedico este trabalho com muito carinho pelo permanente apoio e incentivo no alcance dos meus objectivos.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

DECLARAÇÃO DE HONRA

Eu, Cândido Filipe Vilanculo declaro por minha honra que o presente Projecto Final do Curso é exclusivamente de minha autoria, não constituindo cópia de nenhum trabalho realizado anteriormente e as fontes usadas para a realização do trabalho encontram-se referidas na bibliografia.

Assinatura:

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 2.1: Distribuição dos Solos em Moçambique

9

Figura 2.2: Distribuição de cargas nos pavimentos rígido e flexível

13

Figura 2.3: Exemplo de Perfil Transversal Tipo para estradas de Baixo Volume de

15

Tráfego

Figura 2.4: Relação entre Produto de Retracção, Coeficiente Granulométrica e desempenho da base e camada de desgaste de estradas terraplanadas

17

(Recomendação TRH20)

Figura 3.1:Espessura das camadas de base e de desgaste medido nas estradas 1 e 2,

respetivamente

 

23

Figura 3.2:Estrada 1 em análise, localização

24

Figura

3.3:Estrada

1

em

análise

24

Figura 3.4:Estrada 2 em análise, localização

25

Figura 3.5:Estrada 2 em análise. Falta de abaulamento e corrugaçóes compactas

25

Figura 3.6:Zona da estrada com problema de drenagem, ocasionado por tubagem de

26

Figura 3.7:Estrada 1 corre ao mesmo nível do terreno natural. Falta de órgãos de

drenagem

26

Figura 3.8:Dimensões e métodos de análise granulométrica de diferentes materiais

27

Figura 3.9:Curva granulométrica de um solo pelo método da peneiração e série de

peneiros

 

28

Figura 3.10:Ensaio de granulometria, peneiros usados

29

Figura 3.11:Ensaio de granulometria, agitador mecânico

29

Figura

3.12:Ensaio

de Compactação

30

Figura 3.13:Ensaio CBR, compactando o solo

31

Figura 3.14: Ensaio de CBR, retirada da amostra após imersão

32

Figura

3.15:Equipamento de ensaio DCP

35

Figura

3.16:Ensaio DCP

36

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

ÍNDICE DE GRÁFICOS

Gráfico 3.1:Resistência das câmadas para várias classes de tráfego

38

Gráfico 4.1: Análise granulométrica dos solos de Magoanine

40

Gráfico 4.2: DN (mm/pancada) posição 1

41

Gráfico 4.3: DN (mm/pancada) posição 2

42

Gráfico 4.4: DN (mm/pancada) posição 3

43

Gráfico 4.5: Comparação dos valores do DN característicos com os do campo

45

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

ÍNDICE DE QUADROS

Quadro 2.1: Classificação de solos segundo AASHTO

11

Quadro 2.2:Especificacões sobre material recomendado para estradas terraplanadas 16

Quadro 3.1:Estradas construidas usando solos finos

22

Quadro 3.2: Catalogo de índice de penetração (DCP number) para diferentes classes

de

tráfego

37

Quadro 4.1:Análise granulométrica dos solos

40

Quadro 4.2:Resumo dos ensaios realizados

44

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

LISTA DE ABREVIATURAS

AASHTO-American Association of State Highway and Transportation Officials

ANE-Administração Nacional de Estradas

ASTM-American Society for Testing and Materials

CBR-Califórnia Bearing Ratio

DCP- Dynamic Cone Penetrometer

GM-Módulo granulométrico (Grading modulus)

IP-Índice de plasticidade

LEM-Laboratório de Engenharia de Moçambique

LL-Limite de liquidez

LR-Limite de retracção

Pi-Percentagem de material que passa num determinado peneiro

SATCC-Southern African Transport and Communications Commission

SUCS- Sistema Unificado de Classificação dos Solos

TMH-Technical Methods for Highway

TRH 20-Recomendações Técnicas para Estradas (Technical Recomedation of Highway): Projecto estrutural, construção e manutenção de estradas terraplanadas.

TRH-Recomendações

Highways).

Técnicas

Vpd -Veículos por dia

para

Estradas

(Technical

Recommendations

for

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

RESUMO

Uma das infra-estruturas mais importantes para o desenvolvimento dos Municípios, são as estradas. Estas são responsáveis não só pela mobilidade dos Munícipes, mais também na movimentação de bens e serviços.

A construção das estradas com um pavimento estrutural tradicional (base, sub-base e

camada de desgaste), nem sempre é possível, dada a crescente necessidade de infra-

estruturas (rodoviárias, ferroviárias e até habitacionais, etc.), agravada pelas limitações de recursos financeiros.

Deste modo, para minimizar o impacto negativo resultante da falta das infra-estruturas sobretudo as rodoviárias, muitas da vezes tem-se recorrido a utilização de solos locais provenientes de câmaras de empréstimo para a execução de aterros e construção de estradas terraplenadas que constitui uma alternativa de baixo custo relativamente as revestidas.

Em Maputo, é notável o crescente volume do tráfego, no entanto esta tendência não tem sido muitas vezes acompanhadas pelo crescimento das infra-estruturas, o que causa grandes congestionamento e consequentemente aumento de tempo de viagem.

O presente projecto final de curso debruçou-se sobre a avaliação da possibilidade do

uso de solos finos provenientes da câmara de empréstimo de Magoanine, bem como a

avaliação do seu desempenho em estradas onde estes foram aplicados.

PALAVRAS CHAVE: Solos finos, construção, estradas terraplanadas

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO

1.1. Justificação do Tema

Mobilidade urbana adequada é obtida por meio de politicas de transporte e circulação que visam a melhoria da acessibilidade e mobilidade de pessoas, bens e serviços no espaço urbano.

Grande parte das estradas da periferia da Cidade de Maputo são terraplanadas e algumas delas não se apresentam com mínimas condições para uma circulação cómoda e segura em todas as estações do ano.

Melhorar as condições das estradas proporciona não só o conforto e segurança, mas também reduz os custos de transporte.

Dada ao custo elevado para a pavimentação de estradas, nos últimos dias tem vindo a optar pela solução de construção de estradas terraplanadas, sendo para o caso concreto do Munícipio do Maputo o uso de solos finos provenientes de câmaras de empréstimo de Magoanine.

Considera-se este tema importante na medida que com os resultados do estudo do comportamento dos solos finos poderá contribuir para alargar o conhecimento na possibilidade do uso dos mesmos na construção das estradas não só do Município de Maputo, mas ao nível nacional.

1.2. Desenho Teórico

1.2.1.

Problemática

Grande parte das estradas da cidade de Maputo são abundantemente terraplanadas. Estas estradas caracterizam-se por localizarem-se maioritariamente nas zonas periféricas da cidade Maputo, onde concentra-se o maior aglomerado populacional.

Ao melhorar-se as condições destas estradas estar-se-ia a contribuir para uma maior comodidade e melhor circulação dos seus utentes nas vias.

Há uma grande necessidade de seleccionar melhor os solos usados. Moçambique apresenta grande diversidade de solos, sendo que alguns deles mostram se finos, menos satisfatórios segundo os critérios do TRH 20 para a sua utilização em estradas terraplanadas.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

Os solos das câmaras de empréstimo de Magoanine são usados na terraplanagem de estradas

na

Cidade de Maputo. Surge a necessidade de avaliar o desempenho dos solos destas câmaras

de

empréstimo em estradas de baixo volume de tráfego.

1.2.2. Problema de investigação

Até que ponto os solos finos das câmaras de Magoanine podem ser considerados material

para construção de estradas terraplanadas de baixo volume de tráfego?

1.2.3. Objecto de investigação

O objecto de investigação a considerar são os solos finos das câmaras de empréstimo

Magoanine.

1.2.4. Objectivo geral de investigação

O objectivo geral desta pesquisa é de analisar o desempenho dos solos finos em estradas

terraplanadas da Cidade de Maputo

1.2.5. Objectivos específicos de investigação

Estudar as características geotécnicas dos solos;

Avaliar o desempenho dos solos finos usados na terraplanagem de estradas da Cidade de Maputo.

Contribuir a partir da difusão de conhecimentos técnicos para o melhoramento da utilização destes solos em estradas terraplanadas.

1.2.6. Perguntas da investigação

Quais são os solos considerados finos?

Será que o material tem um desempenho considerável para estradas de baixo volume de tráfego?

Se este solo não tiver desempenho satisfatório o que ocasionou o mesmo?

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

1.3. Desenho Metodológico

1.3.1. Abordagem da investigação

Quanto ao tipo de investigação, a presente pesquisa trata-se duma investigação experimental complementada com as consultas bibliográficas de modo, a obter suporte teórico que aborda sobre a realidade em análise. O método a ser usado para a recolha e análise de dados, consiste em trabalho de campo, análise experimental e ou laboratorial.

1.3.2. Desenho da investigação

Para a realização deste projecto serão usadas algumas técnicas e procedimentos, dentre os quais, a pesquisa bibliográfica relevante, o trabalho de campo, analise laboratorial e a análise de projectos similares a este.

Na pesquisa bibliográfica será feita uma revisão da literatura relacionada com o tema, visando a obtenção e percepção de conceitos teóricos, de procedimentos técnicos, das normas estabelecidas e vigentes no nosso país.

Em relação ao trabalho de campo, far-se-á uma avaliação das condições das camadas de estradas terraplenadas, para além de colecta de solos para posterior ensaio em laboratório.

Depois far-se-á a análise dos resultados obtidos de acordo com as especificações em vigor no País.

1.3.3. Questões ou ideia a defender

Os solos menos satisfatórios segundo o TRH20 podem ser usados como material para estradas terraplenadas de forma natural.

Os solos satisfatórios segundo o TRH20 podem ser usados como material para estradas terraplenadas misturados com outros solos ou misturados com aditivos.

1.3.4. Variáveis de investigação

Resistência ao tráfego;

Tráfego;

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

Granulometria; e

Solos.

1.3.5. Métodos de investigação

Revisão Bibliográfica e Pesquisa Documental: a pesquisa em estudo pode ser caracterizada como exploratória, uma vez que envolve levantamento bibliográfico e documental, estudos

de casos, obras literárias que abordam sobre o tema em estudo, com vista a fornecer uma base

para fundamentação teórica para o trabalho em estudo.

Descrição da Amostra: Para a selecção de elementos para a composição da amostra, foram usados dois métodos de amostragem não probabilística, nomeadamente: por conveniência ou acessibilidade e por tipicidade ou intencional. Segundo Gil (1999), na amostra por conveniência o pesquisador selecciona os elementos a que tem acesso, admitindo que estes possam, de alguma forma, representar o universo.

Neste caso os solos finos que foram seleccionados para a amostra foram retirados da câmara

de empréstimo do Bairro de Magoanine assumindo que esses fazem parte de um todo dos

solos finos existentes na cidade de Maputo.

1.3.6. Resultados esperados de investigação

Para obter-se resultados sobre a possibilidade de uso de solos satisfatórios usou-se a

recomendação TRH 20 em estradas terraplanadas com baixo volume de tráfego.

A análise da possibilidade de utilização dos solos por meio deste método baseia-se

essencialmente em parâmetros relacionados com a granulometria, plasticidade (através da retracção) e capacidade de suporte.

Com este estudo espera se poder contribuir para melhoramento da transitabilidade nas estradas proporcionando mais qualidade aos utentes da via e baixo custo a partir do uso dos solos finos existentes em abundância.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

CAPÍTULO 2 - MARCO TEÓRICO-CONCEITUAL DA INVESTIGAÇÃO

2.1. Generalidades

Muitas estradas terraplanadas são actualmente concebidas com muito pouca contribuição

científica e são construídas a partir do material disponível mais próximo. Um mínimo de atenção é dirigido no sentido de proporcionar uma formação adequada ou drenagem eficaz,

ou em direcção a seleccionar o material adequado para as condições prevalecentes.

Segundo Faquim (1998), a maior parte das infra-estruturas apoiam-se sobre solos, e usam o próprio solo como matéria-prima, como seja barragens, e em aterros de estradas. Deste modo é pertinente definir o solo.

2.2. Principais conceitos

2.2.1.

Conceito

Solo

O solo é o corpo tridimensional, natural e dinâmico da crosta terrestre, que resulta da acção conjugada do clima e organismos vivos sobre a rocha, sendo esta acção condicionada pelo relevo ou topografia e que é uma função do tempo. Material participado composto em parte por rocha exposta à erosão e por partículas minerais, matéria orgânica, água, ar e organismos vivos, o solo constitui a interface entre a geosfera, a atmosfera e a hidrosfera, alojando a maior parte da biosfera (Botkin e Keller, 2005). A FAO (IUSS, 2006) alargou o conceito e definiu o solo como qualquer material nos primeiros dois metros a partir da superfície terrestre que está em contacto com a atmosfera, com excepção de organismos vivos, áreas de gelo contínuo, não cobertas por outro material, e corpos de água de profundidade superior a dois metros.

O solo é constituído por três fases: fase sólida que se divide em matéria orgânica e,

essencialmente, em matéria mineral, fase líquida (solução do solo) e fase gasosa (atmosfera

do solo). Essencialmente, o solo é um recurso não renovável à escala humana, na medida em

que as taxas de degradação podem ser rápidas e os processos de formação e regeneração são extremamente lentos.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

2.2.2. Funções do Solo

É habitual atribuir 6 funções aos solos, 3 de natureza ecológica (1 a 3), 2 de natureza técnico- industrial (4 e 5) e 1 de natureza sociocultural (6), (Blum, 1998; Hillel, 1998), (Sampaio,

1999):

3 de natureza ecológica, essenciais para o meio ambiente e para a sociedade

3 de natureza socioeconómica, de importância especifica para as sociedades humanas.

Funções de natureza ecológica:

Meio de Suporte para a produção de biomassa

Regulador ambiental

Reserva de biodiversidade

Funções de natureza socioeconómica

Suporte de infra-estruturas

Fonte de matérias-primas: Cascalho

Suporte de património natural e cultural

2.2.3. A importância do solo para obras

As características dos solos são muito importantes seja na agricultura e principalmente na construção civil e estradas, uma vez que o solo tem que sustentar estruturas que podem pesar muitas toneladas (Klug, 1974). O estudo relativo ao solo e sua interacção com as obras civis é chamado de geotecnia. Ela envolve conhecimentos de geologia e física para aplicação nas obras, sejam de construção estradas ou barragens.

Antes de construir qualquer obra, o tipo de substrato deve ser identificado e suas

características têm que ser avaliadas e quantificadas, de modo a dimensionar a capacidade de

o substrato suportar um peso sem se romper ou afundar. Isso influenciará directamente nas fundações sua forma e dimensionamento (Hye, 1991).

A má caracterização ou a falta de caracterização do substrato pode ser catastrófico, como é o

caso de pontes, viadutos, casas e prédios que caem ou apresentam rachaduras, queda de

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

barreiras e mesmo buracos em estradas podem ter origem nisso. Muitas das estradas da região com problemas de irregularidade e buracos têm sua principal origem nas características do substrato, que foi mal caracterizado e a construção da estrada não foi adequada a estas características (Hye, 1991).

2.2.4. Composição do Solo

Um solo maduro, após sofrer meteorização mecânica, meteorização química e incorporação da matéria orgânica, encontra-se dividido em camadas (horizontes). O solo deve apresentar 4 horizontes que se podem dividir em sub-horizontes. Ao conjunto destes horizontes, a sua ordem e constituição dá-se o nome de perfil pedológico.

De acordo com Embrapa (1999) as camadas distinguem-se pelas diferentes características de composição química, textura, cor, porosidade, riqueza em matéria orgânica e/ou mineral, etc. Nestas condições, um solo deve apresentar:

Horizonte 0 é uma camada orgânica constituída por restos de plantas e animais em decomposição a manta morta. Existe apenas em locais onde haja vegetação.

Horizonte A é uma camada superficial rica em detritos orgânicos de partes de plantas e de seres vivos em estado de decomposição estabilizado o húmus, apresentando por isso coloração escura. Está sujeito ao processo de lixiviação no qual os seus constituintes são arrastados pelas águas infiltradas para o horizonte B.

Horizonte B é um horizonte que inclui partículas minerais, substâncias coloidais, materiais argilosos, óxidos, hidróxidos metálicos, carbonatos, etc. provenientes do horizonte A arrastadas pela infiltração da água (lixiviação). Acumulam-se aqui também materiais rochosos provenientes do horizonte C. Por ser pobre em matéria orgânica apresenta cor mais clara que o horizonte A.

Horizonte C é essencialmente constituído pela rocha-mãe pouco alterada, fracamente fragmentada. Aqui verifica-se fraca meteorização, tem por isso características muito próximas da rocha-mãe.

Horizonte R/Rocha-mãe é constituída por massas rochosas praticamente inalteradas. É a partir desta camada que se formam os solos. A sua profundidade pode oscilar entre alguns centímetros e vários metros.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

2.2.5. Tipos de solos

O solo é um material complexo constituído por grãos minerais e matéria orgânica, constituindo uma fase sólida, envolvida por uma fase líquida a água e eventualmente o ar, para preencher parte dos poros não totalmente saturados de água (Santos et al.,1988). Existem diversos tipos de solo:

Solos arenosos, são aqueles cujos tamanhos das suas partículas varia de 2 mm á 0.05 mm, este tipo de solos apresenta uma boa capacidade de infiltração à água.

Solos argilosos, são aqueles que tem tamanho das partículas inferior à 0.002 mm, estes solos são pouco permeáveis, tendo na sua composição uma quantidade considerável de óxidos de ferro e alumínio, apresentam teor de argila superior a 35%.

Solos siltosos, são aqueles solos que situam se entre os solos arenosos e argilosos, pois apresenta o tamanho das partículas que varia de 0.05 mm à 0.002 mm.

Solos húmicos, estes solos apresentam uma quantidade de humos maior em relação ao outro solos (cerca de 10%). Os grãos dos seus tamanhos são variados e diversificados

Solos calcários, este tipo de solos é formado a partir da rocha calcária, com uma percentagem variável de carbonato de cálcio ao longo do perfil sem a sua característica de barro.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO Figura 2.1: Distribuição dos Solos em Moçambique Fonte:

Figura 2.1: Distribuição dos Solos em Moçambique

Fonte: Concepção e construção de estradas de baixo volume de tráfego: aspetos gerais. (LNEC), 2013

2.2.6. Classificação dos solos

Apesar das limitações a que estão sujeitas as diferentes classificações, constituem elas um meio prático para a identificação dos solos.

Os dois principais sistemas de classificação são:

Sistemas de Classificação da AASHTO (American Association of State Highway and Transportation Officials)

Sistema Unificado de Classificação dos Solos

Sistema Unificado de Classificação dos Solos

Em linhas gerais, os solos são classificados, neste sistema, em três grandes grupos:

a) Solos grossos aqueles cujos diâmetros da maioria absoluta dos grãos é maior que 0,074mm (mais que 50% em peso, dos seus grãos, são retidos na peneira no 200).

b) Solos finos aqueles cujos diâmetros da maioria absoluta dos grãos é menor que

0,074mm.

c) Turfas

solos

compressíveis.

altamente

orgânicos,

geralmente

fibrilares

e

extremamente

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

No primeiro grupo acham-se os pedregulhos ou arenosos com pequenas quantidades de material fino (site ou argila). Estes solos são designados da seguinte maneira:

Pedregulhos ou solos pedregulhosos: GW, GC, GP e GM

Areia ou solos arenosos: SW, SC, SP e SM.

As letras representam as iniciais das palavras inglesas: G de gravel (pedregulho)

S de sand (areia)

C de clay (argila)

W de well graded (bem grudado)

P de poorly graded (mal grudado)

M da palavra sueca mo, refere-se ao silte.

Assim por exemplo, SM significa solos arenosos com certa quantidade de finos não plásticos.

No segundo grupo acham-se os solos finos: siltosos, de baixa compressibilidade (LL< 50) ou alta compressibilidade (LL>50). São designados da seguinte forma:

Solos de baixa compressibilidade: ML, CL e OL.

Solos de alta compressibilidade: MH, CH e OH.

As letras, sobre as quais ainda não se referenciaram, significam: O de organic (orgânico) L de low (baixa) H de high (alta)

Assim, CL será um solo argiloso de baixa compressibilidade.

Verifica se, na simbologia adoptada por essa classificação, os prefixos correspondem aos grupos gerais, e os sufixos aos subgrupos.

Os solos do terceiro grupo representam-se pelo símbolo Pt de peat (turfa).

Sistema de Classificação da AASHTO

De acordo com este sistema, o solo é classificado em sete grupos principais: de A-1 a A-7. Os solos classificados sob os grupos A-1, A-2 e A-3 são de materiais granulares dos quais 35 % das partículas, ou menos, passam pelo peneiro numero 200. Os solos com mais de 35 % passando no peneiro numero 200 são classificados sob os grupos A-4, A-5, A-6 e A-7. Esses

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

solos são, na maioria dos casos, silte e materiais do tipo argila. Este sistema tem como base o seguinte critério:

1.

Tamanho dos grãos

a)

Pedregulho: fração que passa no peneiro número 75 mm e fica retido no peneiro número 10

b)

Areia: fração que passa no peneiro número 10 e fica retida no peneiro no 200

c)

Silte e argila: fração que passa no peneiro número 200.

2.

Plasticidade: O termo siltoso é aplicado quando as frações finas do solo tem um índice de plasticidade de 10 ou menos. O termo argiloso é aplicado quando as frações finas tem um índice de plasticidade de 11 ou mais.

Se seixos e pedras (tamanho maior que 75 mm) forem encontrados, eles serão excluídos da parte da amostra do solo a partir da qual a classificação é realizada. Entretanto, a percentagem de tal material é registada.

Entretanto, a percentagem de tal material é registada. Quadro 2.1: Classificação de solos segundo AASHTO 2.2.7.

Quadro 2.1: Classificação de solos segundo AASHTO

2.2.7.

Estradas

Fonte: DAS, 2007

As estradas são as infra-estruturas mais importantes para o desenvolvimento de qualquer país, sendo responsáveis pela interligação entre várias regiões, criando dessa forma, condições para o seu desenvolvimento.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

Estradas revestidas

As estradas revestidas caracterizam-se por apresentar uma estrutura laminar, estratificada com apoio contínuo sobre a fundação denominada pavimento. A principal função dos pavimentos consiste em assegurar a existência de uma superfície de rolamento que permite a circulação dos veículos com comodidade e segurança durante um certo período de tempo, em determinadas condições ambientais sob acção das cargas de tráfego (Novais, 1976).

A superfície de rolamento, portanto, é habitualmente a única parte da estrada que é visível,

esta superfície sobrepõe a estrutura do pavimento feito de várias camadas de diferentes materiais. A estrutura do pavimento é a parte da estrada que tem a capacidade de transferir a carga imposta à superfície pelos veículos para o terreno, o material natural subjacente conhecido como solo de fundação e que é normalmente fraco em termos de capacidade de carga (Novais, 1976 apud Silva, 2010).

Segundo Franchini (1999), as camadas superiores são formadas de materiais mais caros e mais resistentes em consonância com a sucessiva redução das solicitações com a

profundidade e nas camadas inferiores o material é de baixa qualidade. No entanto, consoante

a deformabilidade das camadas dos pavimentos, habitualmente consideram-se duas categorias: os pavimentos rígidos e os flexíveis.

Os pavimentos flexíveis são aqueles que são revestidos com materiais betuminosos. Estes podem ser aplicados como revestimentos da superfície do pavimento, tais como revestimentos superficiais simples, duplos ou triplos utilizados geralmente em estradas de baixo volume de tráfego em relação as camadas revestidas com betão betuminoso em que o tráfego é maior (Franchini, 1999).

O mesmo autor afirma que, os pavimentos rígidos são compostos por um revestimento

constituído por placas de betão produzido com cimento Portland. Tais pavimentos são mais rígidos do que os pavimentos flexíveis, devido ao módulo de elasticidade do betão que é

elevado.

Eventualmente estes pavimentos podem ser reforçados por telas ou barras de aço, que são utilizadas para aumentar o espaçamento entre as juntas ou promover reforço estrutural.

Cada um destes tipos de pavimentos distribui a carga para a fundação de uma forma diferente.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

O pavimento rígido, devido ao elevado módulo de elasticidade do betão, tende a distribuir a

carga sobre uma área relativamente maior da fundação. A própria placa de betão fornece a

maior parte da capacidade estrutural de pavimento rígido.

O pavimento flexível segundo (Klug, 1974 apud Silva, 2010) utiliza um maior número de

camadas e distribui cargas para uma área menor da fundação (ver Figura 2.2).

cargas para uma área menor da fundação (ver Figura 2.2). Figura 2.2: Distribuição de cargas nos

Figura 2.2: Distribuição de cargas nos pavimentos rígido e flexível

Fonte: Klug, apud Paulette Silva, 2010

Quando se usa, para pavimentos flexíveis, em camadas de base (e até de sub-base) materiais tratados com estabilizantes consegue-se aumentar a resistência dessa camada. Estes pavimentos passam a chamar-se de “pavimentos semi-rígidos”.

O solo natural constitui simultaneamente um material complexo e variável de acordo com a

sua localização (Bahia, 1983). Contudo, devido à sua universalidade e baixo custo, apresenta

normalmente uma grande utilidade enquanto material de engenharia.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

Estradas de terras e terraplanadas

Geralmente consistem em picadas separadas por vegetação, formando uma rota de acesso rural. Estes rastos de terra tornam-se intransitável durante ou depois de uma precipitação. Na maioria dos casos há circulação de aproximadamente cinco veículos por dia, nesse acesso. (TRH 20, 1990)

Estradas de terra são assim caracterizadas devido a utilização de material local. Estas estradas normalmente são construídas por uma autoridade de estrada ou instituição regional de desenvolvimento e é importante para o avanço económico ou social da localidade.

As estradas terraplanadas têm uma camada projectada de material importado. O estado físico desta estrada varia consideravelmente com tempo, mas esta variação pode diminuir ou até ser eliminada com actividade de manutenção. (TRH 20, 1990)

Estradas terraplanadas

Segundo o TRH 20 estas estradas devem ter resistência suficiente para suportar as cargas das rodas sem que ocorram deformações excessivas. A capacidade de suporte depende das características do material da superfície e da resistência do solo, à medida que o teor de humidade varia. Deve contar ainda, com um bom sistema de drenagem para evitar que a acção erosiva da água danifique o subleito e a superfície de rolamento. A boa drenagem depende também, da declividade transversal.

Secção transversal

Geralmente o traçado das estradas terraplanadas segue as curvas naturais do terreno, evitando-se declividades acentuadas e outros obstáculos locais. Sua seção transversal varia com o tipo de solo e relevo da região, que podem influenciar na qualidade da estrada. É recomendável adoptar greides com declividades, com a preocupação de assegurar uma boa drenagem. Uma característica importante tanto na seção transversal como no sistema de drenagem é a declividade transversal. O Provision of Low Volume Rural Roads-Manual in Mozambique (2016) recomenda que as estradas terraplanadas devem ter declividade transversal de 4-6% conforme o tipo de solo constituinte do subleito da via. Em estradas com solos argilosos a declividade pode ser maior. Essa declividade é obtida mediante o abaulamento transversal, evitando-se assim o acúmulo de água na estrada.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO Figura 2.3: Exemplo de Perfil Transversal Tipo para

Figura 2.3: Exemplo de Perfil Transversal Tipo para estradas de Baixo Volume de Fonte: Concepção e construção de estradas de baixo volume de tráfego: aspetos gerais. (LNEC), 2013 .

Material da Superfície

O tipo e a qualidade do material da superfície influenciam no desempenho das estradas. Esse

desempenho está relacionado com os defeitos que se agravam à medida em que a estrada é mais solicitada pelo tráfego. A qualidade do revestimento depende do tipo de solo. Segundo o TRH 20, a maioria dos solos proporciona uma superfície adequada apenas quando estão secos ou ligeiramente húmidos. A superfície de rolamento deve ser lisa, firme e com boas condições de rolamento e atrito, evitando-se problemas de derrapagem dos pneus. As condições de rolamento dizem respeito às irregularidades da pista (ravinas, materiais soltos, etc.) que interferem negativamente sobre o conforto e segurança do tráfego.

A espessura da camada de material necessária para proporcionar uma boa superfície varia de

acordo com a qualidade do material e com as cargas do tráfego.

Em Moçambique na execução de estradas terraplanadas usa-se as recomendações TRH20, que descrevem como material para a execução das mesmas uma camada de pedra ou material granular de espessura adequada, este deve conter uma quantidade suficiente de solos aglutinantes de grãos finos, como silte e argila, para ligar o material aquando da compactação da superfície da estrada como pode ver se no Quadro 2.2.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

 

Características

 

Especificações

Rurais

Urbanas

Transporte

Dimensão máxima

37.5 mm

37.5 mm

75 mm

Índice de dimensão máxima (% acim.)

≤ 5%

0%

≤ 10%

Produto de retracção (Sp)¹

100-365²

100-240

100-365

Coeficiente de granulometria (Gc)³

16-65

16-34

16-34

Esmagamento ao impacto Treton

20-65

20-65

20-65

 

CBR⁴

≥15

≥15

≥18

1 Limite de retracção x % que passa no peneiro 0.425 mm

 

2 De preferência um máximo de 240

 

(% que passa no # de 26.5 mm - % que passa no # de 2 mm) x % que passa no # de 4.75 mm/100

3

4

A 95% de compactação AASHTO Modificado e 4 de embebição

Quadro 2.2:Especificacões sobre material recomendado para estradas terraplanadas

Fonte: Adaptado das aulas de Vias de Comunicação, Prof. Leite, 2013

As pedras e areias limpas, sem silte e argila, proporcionam uma boa capacidade de suporte às cargas das rodas quando estão bem compactadas, porém como não têm ligante, são desagregadas pelas rodas com muita facilidade. Quando contêm a proporção adequada de ligante, são estáveis, sem provocar desagregação do material. Quando há muito ligante, os solos, ao humedecer, ficam moles e podem se transformar em barro, deixando a estrada intransitável em épocas de chuvas. Quando estão muito secos, por outro lado, formam torrões muitos duros de escavar e podem produzir também muita poeira. A pressão que uma roda exerce sobre o solo diminui com o aumento da profundidade, de modo que se os piores solos estão nas camadas mais inferiores, estarão sujeitos a menor pressão e haverá menor possibilidade de que se deformem por acção das cargas. Os melhores solos da camada superior são capazes de suportar cargas concentradas maiores sem deformações excessivas.

O comportamento dos solos nas estradas depende da forma como são colocados, ou seja, da sua compactação. A superfície de uma estrada bem compactada é mais durável, menos apta à formação de trilhas de rodas e requer menor custo na manutenção do que uma superfície sem compactar.

O TRH 20 fornece directrizes para o projecto estrutural, construção e manutenção de estradas não pavimentadas. Ele identifica a concepção e técnicas de construção que resultam em estradas de um padrão mais elevado, sem a necessidade de fundos adicionais, faz

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

recomendações para melhorar a gestão da manutenção de estradas não pavimentadas e discute uma série de técnicas de manutenção adequados. Aspectos como o planeamento de redes de estradas não pavimentadas e o desenho geométrico são considerados fora do escopo deste manual e não são discutidos em detalhe. Estas são explicadas em maior detalhe na DRTT (1989).

Estas são explicadas em maior detalhe na DRTT (1989). Figura 2.4: Relação entre Produto de Retracção,

Figura 2.4: Relação entre Produto de Retracção, Coeficiente Granulométrica e desempenho da base e camada de desgaste de estradas terraplanadas (Recomendação TRH20)

Fonte: The structural design, construction and maintenance of unpaved roads, TRH 20, 1990

A Estes materiais têm comportamento satisfatório, mas são de granulometria fina e particularmente susceptíveis à erosão pela água. Devem ser evitados, especialmente em rampas acentuadas e em trechos com perfis transversais e sobreelevações de inclinação acentuada. Muitas estradas construídas com estes materiais têm bom desempenho, mas poderão necessitar periodicamente de manutenção com uso intensivo de mão de obra em trechos curtos e ter grandes perdas de material devido à erosão causada pela água.

B Estes materiais têm geralmente falta de coesão, sendo muito susceptíveis de se desagregarem e provocarem corrugações (ondulações). É necessária manutenção regular se estes materiais forem usados, devendo-se manter o coeficiente de irregularidade dentro de níveis razoáveis.

C

Estes materiais são finos, com granulometria em patamar e falta de coesão, do que resulta

o

material desagregar-se e provocar “solos soltos”.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

D Os materiais com um Produto de Retracção superior a 365 têm a tendência de ser

escorregadios quando húmidos.

E Os materiais desta zona têm em geral bom comportamento, desde que o material com dimensão superior à máxima esteja dentro dos limites recomendados. Os solos da parte superior desta zona poderão ser poeirentos.

Sistema de drenagem

O sistema de drenagem ineficiente é um dos principais factores na formação dos defeitos em

estradas terraplanadas, em épocas de chuvas. Para evitar problemas é necessário que a estrutura de drenagem esteja em condições adequadas para conduzir a água da superfície de rolamento para fora da estrada. Um bom sistema de drenagem deve conter dispositivos apropriados e em condições de uso.

A drenagem pode ser superficial ou subterrânea. A drenagem superficial consiste na colecta e

remoção das águas superficiais possam atingir a estrada. A drenagem subterrânea realiza a interceptação das águas no subsolo do leito da estrada. As águas superficiais que descem a encosta num corte de estrada irão deslizar sobre o talude, erodindo-o e carregando o material de erosão para a pista, podendo dificultar ou impedir o tráfego normal dos veículos. Para evitar esse problema é necessário construir um canal paralelo ao longo da crista do talude do

corte para interceptar essas águas. Quando a água escoa sobre a pista de rolamento, devem ser tomadas medidas que evitem sua infiltração ou acumulação, o que é feito dando-se declividade transversal adequada à superfície.

A declividade transversal facilita o escoamento da água para as valetas laterais, evitando a

formação de poças d'água. Em estradas com rampas acentuadas, deve-se colocar lombas para reduzir a velocidade da água e direccioná-la para as valetas, que devem estar limpas para evitar o acúmulo de água e para escoá-la para as sanjas. As sanjas servem para direccionar a água para fora da estrada, conduzindo-a para as bacias de acumulação.

As estradas terraplanadas são o principal componente da rede de estradas, na maioria dos países em desenvolvimento e compreendem uma parte significativa da rede, mesmo em países altamente desenvolvidos, como os Estados Unidos. É pouco provável que a percentagem total de estradas não pavimentadas diminuirá significativamente no futuro próximo e técnicas para melhorar as redes de estradas terraplanadas estão tornando-se, assim, cada vez mais importantes. Manutenção mínima é a norma na maioria das áreas em

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desenvolvimento. É geralmente reconhecido, no entanto, que o benefício de valor pode ser obtido a partir de um nível adequado de engenharia de entrada (Ferry, 1986).

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

CAPÍTULO 3 - MARCO CONTEXTUAL DA INVESTIGAÇÃO

3.1. Rede rodoviária nacional

O transporte rodoviário para além de possibilitar o acesso aos restantes modos de transporte desempenha um papel indispensável no desenvolvimento económico e social do País e no melhoramento da qualidade de vida das populações, devendo garantir em condições boas a mobilidade de pessoas, bens e serviços.

A rede de estradas classificadas da República de Moçambique, aprovada ao abrigo do

Diploma Ministerial nº103/2005 de 1 de Julho, é de natureza funcional e consiste em, cerca

de 30,000 km de estradas classificadas. Aproximadamente 6,000 km são estradas revestidas o

que representa cerca de 20% e 24,000 km de estradas terraplanadas o que representa cerca de

80%.

A má condição de estradas contribui no aumento do custo de operação de veículos; no

aumento dos custos de transporte e consequentemente no baixo volume de tráfego causando maiores constrangimentos para o escoamento dos produtos das zonas de produção e para o

crescimento da economia no geral.

3.2. Estado actual do objecto da investigação

3.2.1.

Generalidades

As diversas entidades ligadas a área rodoviária tais como projectistas, consultores e empreiteiros, estão cada vez mais cientes das dificuldades em encontrar materiais com qualidade adequada para a sua aplicação nas diversas camadas de estradas terraplanadas.

Sendo o Concelho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM) uma das entidades responsáveis pela rede rodoviária ao nível da Cidade de Maputo, esta não poderá estar alheia a

problemática de qualidade dos materiais nas obras de construção, reabilitação e manutenção

de estradas.

Nota se alguma preocupação em relação a situação das estradas no município visto que grande parte da rede rodoviária municipal constituída de estradas terraplanadas, as que ligam vários pontos que possam impulsionar a mobilidade do município.

Com o presente trabalho pretende-se avaliar a possibilidade de implementação dos solos finos para as camadas de desgaste de estradas terraplanadas.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

Tem se resolvido estes problemas de estradas fazendo se a terraplanagem das mesmas usando

solos finos, visto que são os solos disponíveis em grande parte do território.

3.3. Estradas em análise e solos usados na construção

A investigação consistia na caracterização e identificação das possíveis fontes de materiais

locais para uso como camadas de sub-base, base e de desgaste de estradas terraplanadas. A

investigação também incluiu a avaliação de estradas existentes. Foram colectadas amostras e

foram feitos vários ensaios de laboratório para determinar as propriedades dos materiais a fim

de saber se estes poderiam ser utilizados na construção das estradas.

   

Extensão

 

Solos

Problemas

Estrada

Localização

(Km)

Tráfego

usados

observados

 

Lat.

25°53'6.42"S

       

Long.

32°36'36.13"E

finos,

existência de sistema de drenagemnão

Rua do Progresso

   

1.94

médio

câmara de

Lat.

25°54'7.49"S

Magoanine

 

Long.

32°36'20.69"E

 

Lat.

25°52'52.14"S

     

Rua da Igreja (Estrada 1 em análise)

Long.

32°35'49.81"E

finos,

   

1.14

ligeiro

câmara de

Lat.

25°52'16.17"S

Magoanine

 

Long.

32°35'59.11"E

 

Lat.

25°53'44.82"S

     

corrugações compactas, falta de abaulamento,

Rua do Governo (Estrada 2 em análise)

Long.

32°36'2.85"E

finos,

   

1.74

médio

câmara de

Lat.

25°53'55.94"S

Magoanine

 

Long.

32°37'4.23"E

 

Lat.

25°54'43.34"S

     

Rua David

Long.

32°36'43.79"E

finos,

   

3.21

médio

câmara de

Mazembe

Lat.

25°53'1.83"S

Magoanine

Long.

32°37'9.30"E

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

 

Lat.

25°53'31.98"S

     

corrugações compactas, falta de abaulamento, não existência de sistema de drenagem

Long.

32°37'10.87"E

finos,

Rua da Empasol

   

1.66

ligeiro

câmara de

Lat.

25°53'18.45"S

Magoanine

Long.

32°36'12.74"E

 

Lat.

25°54'51.20"S

     

Long.

32°36'5.86"E

finos,

Rua de Coimbra

   

0.64

ligeiro

câmara de

Lat.

25°54'53.36"S

Magoanine

Long.

32°36'28.74"E

 

Lat.

25°52'45.70"S

     

Long.

32°35'17.46"E

finos,

Rua da Paz

   

2.30

ligeiro

câmara de

Lat.

25°53'56.20"S

Magoanine

Long.

32°34'50.44"E

Quadro 3.1:Estradas construidas usando solos finos

Fonte: Autor, 2016

Solos de Magoanine foram usados como camada de base e de desgaste de varias estradas. Foi analisado o desempenho destes solos em duas estradas designadas de estrada 1 e 2 (Figuras 3.2 e 3.4 respectivamente). As estradas em causa durante o período seco tem um comportamento satisfatório, mas durante o período chuvoso os solos apresentam se lamacentos. Em alguns trechos apresenta ravinas que são indesejáveis quando aborda-se o conceito de uma estrada terraplanada de boa qualidade, pois estas reduzem a velocidade média dos veículos.

Os solos em causa tem uma distribuição granulométrica uniforme, apresentando pequena variação de tamanho de grãos, isto é, estes solos são mal graduados.

É possível notar que a espessura da estrada ronda a metade do recomendado pelo Provision of Low Volume Rural Roads-Manual in Mozambique, esta está em torno dos 12-14 cm (Figura 3.1), devendo ser no mínimo recomendado 35 cm para estradas com baixo volume de tráfego.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

A camada de subleito foi executada usando solos naturais segundo constatado em campo, não sendo possível descrever as camadas abaixo (como foi efectuada a execução, compactação das mesmas), por ausência de dados.

compactação das mesmas), por ausência de dados. Figura 3.1:Espessura das camadas de base e de desgaste

Figura 3.1:Espessura das camadas de base e de desgaste medido nas estradas 1 e 2, respetivamente

Fonte: Autor, 2016

Nos entroncamentos e cruzamentos nota-se um desgaste do material aplicado, isto é, a espessura das camadas de base e de desgaste diminui ainda mais. Este facto acontece por estes pontos serem muito solicitados.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO Figura 3.2:Estrada 1 em análise, localização Fonte:

Figura 3.2:Estrada 1 em análise, localização

Fonte: Google Earth, 2016

A estrada 1 (Figura 3.1) permite ligação à Av. Lurdes Mutola, é uma mais valia aos moradores do bairro Magoanine, visto que outras estradas são intransitáveis para veículos sem tração às 4 rodas. Pelo facto das condições desta estrada serem aceitáveis os automobilistas circulam a velocidades às vezes superior a 50 Km/h, para além de camiões de grande tonelagem circularem na via o que pode degradar o a mesma.

grande tonelagem circularem na via o que pode degradar o a mesma. Figura 3.3:Estrada 1 em

Figura 3.3:Estrada 1 em análise

Fonte: Autor, 2016

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO Figura 3.4:Estrada 2 em análise, localização Fonte:

Figura 3.4:Estrada 2 em análise, localização

Fonte: Google Earth, 2016

A estrada 2 (Figura 3.3) em análise constitui uma alternativa aos automobilistas que desejam chegar a cidade de Maputo, desviando deste modo congestionamento da Av. Julius Nyerere, pelo que esta recebe muitos veículos nas manhãs.

Nyerere, pelo que esta recebe muitos veículos nas manhãs. Figura 3.5:Estrada 2 em análise. Falta de

Figura 3.5:Estrada 2 em análise. Falta de abaulamento e corrugaçóes compactas

Fonte: Autor, 2016

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

É importante ressaltar que estão zonas tem camiões a circularem por vários moradores estarem a construir. A capacidade resistente do solo diminui quando passam por lá cargas excessivas. Outro problema desta estrada é a falta de manutenção, como pode se notar na Figura 3.6 esta secção da estrada em grande parte do tempo apresenta acumulo de água por causa de uma tubagem com fugas que passa neste ponto. Resolvendo este problema poder-se- ia garantir melhor desempenho da estrada.

problema poder-se- ia garantir melhor desempenho da estrada. Figura 3.6:Zona da estrada com problema de drenagem,

Figura 3.6:Zona da estrada com problema de drenagem, ocasionado por tubagem de água.

Fonte: Autor, 2016

ocasionado por tubagem de água. Fonte: Autor, 2016 Figura 3.7:Estrada 1 corre ao mesmo nível do

Figura 3.7:Estrada 1 corre ao mesmo nível do terreno natural. Falta de órgãos de drenagem

Fonte: Autor, 2016

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

As estradas (Figura 3.3 e Figura 3.5) corre que quase ao mesmo nível do terreno natural, notando se ausência de um sistema de drenagem (Figura 3.7), para além de falta de abaulamento o que pode ocasionar o acúmulo de água na camada de desgaste no período de chuvas.

3.4. Ensaios efectuados

3.4.1. Análise Granulométrica

A composição granulométrica do solo pode ser definida como a distribuição, em percentagem ponderal, das partículas de acordo com as suas dimensões.

Assim, segundo a especificação TMH1 METHOD B4 (1970) para a análise granulométrica por peneiração húmida, o ensaio pode ser realizado:

Pelo método da peneiração (para partículas de dimensões superiores a 0,074 mm); ou

Pelo método da sedimentação (para partículas de dimensões inferiores a 0,074 mm).

(para partículas de dimensões inferiores a 0,074 mm). Figura 3.8:Dimensões e métodos de análise granulométrica

Figura 3.8:Dimensões e métodos de análise granulométrica de diferentes materiais

Fonte: Field Description of Soil and Rock NZ Geotechnical Society, 2005 apud Silva (2013)

A análise da Figura 3.8 permite constatar que o método da peneiração serve apenas para determinar a distribuição granulométrica das dimensões compreendidas entre as areias e os

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

seixos. Os siltes e as argilas terão a sua distribuição granulométrica determinada pela sedimentação.

A peneiração consiste em fazer passar o material a ensaiar por uma série de peneiros de

malha normalizada e cada vez mais apertada, representando o material retido em cada

peneiro a fracção de solo com dimensão superior à malha desse peneiro e inferior à malha anterior. Esse material é pesado para se averiguar que percentagem representa do peso total

da amostra.

A sedimentação consiste em misturar o solo com água e observar o processo de sedimentação

das partículas, segundo a Lei de Stokes. É medida a velocidade de queda das partículas, obtida através da medição do peso volúmico da suspensão obtida a diferentes intervalos de tempo.

Os resultados da análise granulométrica são representados em gráficos chamados curvas granulométricas (Figura 3.9). Neste gráfico, as dimensões das partículas estão representadas numa escala logarítmica no eixo das abcissas e as percentagens de material passado no eixo das ordenadas.

e as percentagens de material passado no eixo das ordenadas. Figura 3.9:Curva granulométrica de um solo

Figura 3.9:Curva granulométrica de um solo pelo método da peneiração e série de peneiros ASTM.

Fonte: Controlo da compactação com recurso a gamadensímetro Caso de estudo: ETAR de Castelo Branco, 2013

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

Importância da análise granulométrica de um solo granular ou arenoso

O comportamento dos solos granulares ou arenosos (siltes, areias e cascalho) é altamente dependente da forma e das dimensões das respectivas partículas.

Nos solos bem graduados, isto é, nos solos cujas partículas têm dimensões muito variáveis, em geral a gama de índices de vazios possíveis (emáx emín) é mais ampla e atinge valores muito baixos. Assim, nesses solos as partículas de menores dimensões podem arrumar-se nos espaços entre as maiores podendo ser alcançados arranjos muito compactos.

as maiores podendo ser alcançados arranjos muito compactos. Figura 3.10:Ensaio de granulometria, peneiros usados Fonte:

Figura 3.10:Ensaio de granulometria, peneiros usados

Fonte: Autor, 2016

de granulometria, peneiros usados Fonte: Autor, 2016 Figura 3.11:Ensaio de granulometria, agitador mecânico

Figura 3.11:Ensaio de granulometria, agitador mecânico

Fonte: Autor, 2016

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

3.4.2. Ensaio de Compactação

O ensaio de compactação determina o teor óptimo de humidade de um solo para o qual, com

uma determinada energia de compactação, se consegue melhores resultados na compactação.

Isto é, para uma dada energia de compactação, determina-se o W para o qual se obtém um γd,

máx.

Estes ensaios estão normalizados pela Especificação TMH1 METHOD A7. A operação consiste em compactar uma amostra de solo em várias camadas num molde cilíndrico, em que cada camada é compactada com um determinado número de golpes, com um pilão de peso normalizado que cai de uma altura também normalizada.

peso normalizado que cai de uma altura também normalizada. Figura 3.12:Ensaio de Compactação Fonte: Autor, 2016

Figura 3.12:Ensaio de Compactação

Fonte: Autor, 2016

3.4.3. Ensaio do índice de suporte Califórnia (CBR)

O ensaio CBR (California Bearing Ratio) permite determinar a capacidade de suporte de um

solo.

Segundo a especificação TMH1 METHOD A8 para o ensaio do CBR, este consiste em medir

a força necessária para que um pistão normalizado penetre no solo até uma certa profundidade, com determinada velocidade.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

O CBR traduz a força requerida para o pistão penetrar até essa profundidade, expressa em

percentagem da força necessária para o mesmo pistão penetrar, até à mesma profundidade e

com a mesma velocidade, num provete normalizado.

O

CBR de um solo depende principalmente da sua baridade, do W usado na compactação e

do

W no momento da penetração.

O

Índice de Suporte Califórnia (ISC ou CBR - Califórnia Bearing Ratio) é o ensaio mais

usado actualmente no dimensionamento de pavimentos flexíveis.

Segundo o TMH1 o CBR é uma medida convencional aferidora da capacidade de suporte dum solo que, introduzida em ábacos obtidos experimentalmente, permite determinar a espessura necessária dos pavimentos flexíveis.

O ensaio consiste em medir a força necessária para que um pistão normalizado penetre no

solo até uma certa profundidade, com determinada velocidade. O CBR é a força requerida para o pistão penetrar até essa profundidade, expressa em percentagem da força necessária para o mesmo pistão penetrar, até à mesma profundidade e com a mesma velocidade, num provete normalizado. Em regra usam-se as penetrações de 2,5 mm e 5,0 mm.

Para a realização do ensaio é necessária uma prensa capaz de realizar uma velocidade de penetração de 1 mm/min e de aplicar uma força de 5000 kgf.

Finalizado o ensaio de penetração, é traçada a curva força (kgf) deformação (mm), são executadas as correcções e determinado o valor do CBR.

executadas as correcções e determinado o valor do CBR. Figura 3.13:Ensaio CBR, compactando o solo Fonte:

Figura 3.13:Ensaio CBR, compactando o solo

Fonte: Autor, 2016

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO Figura 3.14: Ensaio de CBR, retirada da amostra

Figura 3.14: Ensaio de CBR, retirada da amostra após imersão

Fonte: Autor, 2016

3.4.4. Limites de consistência ou limites de Atterberg

Os limites de consistência (ou limites de Atterberg) de um solo consistem na determinação do limite de liquidez e limite de plasticidade.

Estes limites estabelecem as fronteiras entre os diferentes estados do solo e são determinados segundo a TMH1 METHOD A3Solos: limites de consistência.

O campo de aplicação deste ensaio é para solos com cerca de 30% ou mais, em peso de

partículas de dimensões inferiores a 0,05 mm. Ficam excluídos os solos predominantemente

arenosos, para os quais o ensaio, mesmo quando possível, perde o seu significado.

A importância deste ensaio reside no facto de ser possível ter uma ideia qualitativa em

relação às características mecânicas, de permeabilidade e de trabalhabilidade de um solo fino.

No caso destes solos finos, constituídos essencialmente por silte e argila, a variação do w pode conduzir a diferentes estados e comportamentos.

Limite de Liquidez (LL) - Entende-se por limite de liquidez de uma amostra de solo o teor em água correspondente a 25 pancadas, obtido por interpolação numa curva que relaciona o teor em água de cada um de 4 provetes da amostra com o número de pancadas para o qual os bordos inferiores de um sulco aberto num provete se unem numa extensão de 1 cm, quando o

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

ensaio é feito na concha de Casagrande. Por outro lado é o teor de humidade que indica a passagem do estado plástico para o estado líquido.

A determinação do limite de liquidez é somente aplicável a solos com cerca de 30 %, ou

mais, em massa, de partículas de dimensões inferiores a 0,05 mm. Ficam, excluídos os solos

predominantemente arenosos, para os quais o ensaio, mesmo quando possível, perde o seu significado.

Limite de Plasticidade (LP) - Entende-se por limite de plasticidade de uma amostra de solo

a média dos teores em água de 4 provetes da amostra a ensaiar, cada um dos quais é o maior

teor em água com que rompe cada provete ao pretender-se transformá-lo num filamento cilíndrico com cerca de 3 mm de diâmetro, por rolagem entre a palma da mão e uma placa de vidro. Por outro lado é o teor de humidade que indica a passagem do estado semi-sólido para

o estado plástico. A determinação do limite de plasticidade é somente aplicável a solos com cerca de 30%, ou mais, em massa, de partículas de dimensões inferiores a 0,05 mm. Ficam, excluídos os solos predominantemente arenosos, para os quais o ensaio, mesmo quando possível, perde o seu significado.

Limite de retracção (LR) - é definido como a fronteira entre os estados de consistência sólido e semi-sólido. Corresponde ao teor de humidade do solo no momento em que este deixa de apresentar redução de volume, quando submetido à secagem (lenta e à sombra).

Entende-se por limite de retracção de uma amostra a média dos teores em água de quatro provetes da amostra a ensaiar, cada um dos quais corresponde à diferença entre a quantidade

de água do provete no início do ensaio e a redução do volume (tomada como perda do teor

em água) sofrida pelo provete durante a secagem. Esta diferença exprime a humidade no instante em que cessa a retracção por secagem. A determinação do limite de retracção é somente aplicável a solos com cerca de 30 %, ou mais, em massa, de partículas de dimensões inferiores a 0,05 mm. Ficam, excluídos os solos predominantemente arenosos, para os quais o ensaio, mesmo quando possível, perde o seu significado.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

Índice de Plasticidade (IP) - É calculado pela diferença entre LL e LP

Mede a plasticidade dos solos e fisicamente representa a quantidade de água necessária para que um solo passe do estado plástico ao líquido e;

Mede a tendência à expansão do solo.

3.4.5. DCP Dynamic Cone Penetrometer

O DCP é um ensaio que mede a resistência à penetração de um dado solo que é regulado pelo

TMH 61.

Tal medida permite estimar, in situ, através de correlações, o índice de suporte de um

material que se alcançaria executando um ensaio CBR in situ. O ensaio pode ser realizado in situ ou em laboratório. Quando executado em campo, não há a necessidade de coleta de solo. Se executado em laboratório, são utilizados corpos de prova compactados, de forma semelhante ao CBR. Segundo o IDOT (2005), o DCP se aplica para aferição da capacidade

de

suporte em camadas de base e sub-bases, tal como em subleitos.

O

ensaio foi criado na Austrália na década de 1950 por Scala e tinha o nome de Scala

Penetrometer. Posteriormente, na África do Sul, Van Vuuren (1969) modificou este ensaio e passou a chamá-lo de Dynamic Cone Penetrometer (DCP), traduzido para Penetrômetro Dinâmico de Cone (DCP).

O DCP utilizado neste trabalho será o que, foi desenvolvido pela Central African Standard e

modificado pela Transvaal Roadment (TRD) em 1973. O equipamento é constituído pelas seguintes peças:

Uma barra de aço de 16 mm de diâmetro;

Uma barra de aço de 25 mm de diâmetro

Uma ponta um cone de aço com 20 mm de diâmetro de base e ângulo de 60º;

Um martelo de aço, com peso de 8 Kg;

Uma barra de aço de 25 mm de diâmetro e;

Uma régua com graduação em milímetros.

A seguir, a Figura 3.15 mostra o equipamento, com seus componentes descritos.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO Figura 3.15:Equipamento de ensaio DCP Fonte: Lima, 2008

Figura 3.15:Equipamento de ensaio DCP

Fonte: Lima, 2008

De acordo com a norma ASTM D6951-09, o procedimento do ensaio é simples.

Primeiramente, posiciona-se o equipamento na vertical e então se aplicam pancadas com o martelo no mesmo, fazendo com que a ponta, juntamente com a barra de 16 mm sejam cravadas no solo. A altura de queda é padronizada, sendo de 575 mm.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO Figura 3.16:Ensaio DCP Fonte: Autor, 2016 Assim, com

Figura 3.16:Ensaio DCP

Fonte: Autor, 2016

Assim, com o auxílio da regra graduada, leituras de penetração são feitas, de forma a verificar quantos milímetros são cravados a cada golpe aplicado. Tal medida resulta no DN (índice de penetração ou penetração por golpe), valor o qual se refere ao resultado do ensaio DCP e é dado em mm/golpe.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

Para estradas de baixo volume de tráfego, o manual de boas práticas Provision of Low

Volume Rural Roads usado em Moçambique indica os índices de penetração de referência

(Quadro 3.2) para diferentes classes de tráfego que é avaliado segundo os eixos padrão dos

veículos que transitam nas estradas.

Classe de Tráfego

LE 0.01

LE 0.03

LE 0.1

LE 0.3

LE 0.7

LE 1.0

< 0.01

0.01-

0.03-0.1

0.1-0.3

0.3-0.7

0.7-1.0

E80 x 10 6

0.03

0-150mm Base

 

DN ≤

 

DN ≤

DN ≤

DN ≤

DN ≤ 8

DN ≤ 4

98% AASHTO

Modo.

5.9

3.2

2.6

2.5

150-300mm sub- base

DN ≤

DN ≤

   

DN ≤

 

95% AASHTO

19

14

DN ≤ 9

DN ≤ 6

4.6

DN ≤ 4

Mod.

300-450mm

           

subleito

DN ≤

DN ≤

DN ≤

DN ≤

DN ≤ 8

DN ≤ 6

95% AASHTO

33

25

19

12

Mod.

   

450-600mm

DN ≤

DN ≤

DN ≤

DN ≤

DN ≤

DN ≤

material in situ

40

33

25

19

14

13

600-800mm

DN ≤

DN ≤

DN ≤

DN ≤

DN ≤

DN ≤

material in situ

50

40

39

25

24

23

DSN 800

≥ 39

≥ 52

≥ 73

≥ 100

≥ 128

≥ 143

Quadro 3.2: Catalogo de índice de penetração (DCP number) para diferentes classes de tráfego

Fonte: Provision of Low Volume Rural Roads-Manual in Mozambique, 2016

Esta é uma relação útil permitindo a análise mecanicista de qualquer estrada, que fornece,

tensões e deformações e é usado no projecto de estradas, estudos de reabilitação e análise

teórica de estradas. Com os valores de resistência calculados in-situ é possível avaliar o

comportamento das camadas da estrada comparando os mesmos no Gráfico 3.1.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

DN( mm/ pancada)

1 10 100 0 LE 0.01 100 LE 0.03 200 LE 0.1 300 400 LE
1
10
100
0
LE 0.01
100
LE 0.03
200
LE 0.1
300
400
LE 0.3
500
L3 0.7
600
LE 1.0
700
800
900
Profundidade ( mm)

Gráfico 3.1: Resistência das camadas para várias classes de tráfego

Fonte: Provision of Low Volume Rural Roads-Manual in Mozambique, 2016

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

CAPÍTULO 4 - METODOLOGIA DE RESOLUÇÃO DO PROBLEMA E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS.

4.1. Metodologia de resolução do problema

Para realização do presente projecto foi realizado trabalho de campo e laboratório:

O trabalho de campo consistiu, em primeiro plano, na realização de uma inspecção visual, por forma a que se pudesse ter o primeiro contacto com a realidade existente nas estradas em análise.

O trabalho de campo permitiu conhecer melhor e a sentir de perto as grandes dificuldades que este enfrentam devido às condições de circulação das estradas em estudo.

Em relação aos materiais que serão parte integrante da camada de desgaste das estradas terraplanadas, recolheram-se amostras de solo da câmara de empréstimo de Magoanine, as quais foram submetidas a vários ensaios laboratoriais, nomeadamente: granulometria, limites de Atterberg e CBR. Para se confirmar a capacidade de carga do solo local e poder-se fazer uma análise comparativa dos resultados obtidos no laboratório, e no campo foram realizados ensaios de DCP.

4.2. Resultados

Para a caracterização geotécnica do solo foram colhidas e amostras de solo, tendo se realizado o ensaio de granulometria. Os solos locais não têm materiais grossos na sua composição, como pode ver se no Quadro 4.1.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

Aberturas

Solo 1

Solo 2

Solo 3

Passado

Passado

Passado

[mm]

(%)

(%)

(%)

75.00

100

100

100

63.00

100

100

100

53.00

100

100

100

37.50

100

100

100

26.50

100

100

100

19.00

100

100

100

13.20

100

100

100

4.75

100

100

100

2.00

100.0

100.0

100

0.425

93.4

90.0

95

0.075

9.2

10.2

11

<0.075

     

Quadro 4.1:Análise granulométrica dos solos

Fonte: Autor, 2016

Com as percentagens passadas foi possível traçar a curva granulométrica com o objectivo a analisar a distribuição dos grãos do solo de Magoanine.

Curva Granulometrica

100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0.08 0.75 7.50 75.00
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
0.08
0.75
7.50
75.00
[% passado]

Aberturas [mm]

Solo 1100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0.08 0.75 7.50 75.00 [%

Solo 2100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0.08 0.75 7.50 75.00 [%

Solo 3100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0.08 0.75 7.50 75.00 [%

Gráfico 4.1: Análise granulométrica dos solos de Magoanine

Fonte: Autor, 2016

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

Estes solos por serem não plásticos segundo o ensaio dos Limites de Atterberg, pelo que o Produto de retracção (Sp) é 0.

O coeficiente de granulometria calculado conjugado com o Produto de retracção permite identificar o grupo e as características do solo em análise O solo de Magoanine apresenta o coeficiente granulométrico 0.

Estes são os dados necessários para caracterizar o solo segundo o TRH 20.

A partir do ensaio de compactação (anexo 2) foi possível determinar o teor óptimo de água a ser usado na compactação 9.1 %. O ensaio de CBR mostra que este solo à compactação 95 % AASHTO modificado é 18 %.

Dos ensaios de DCP realizados em 3 pontos da estrada 2 foi possível traçar gráficos relativos ao DN number (número de DCP), este estimado por mm/pancada critério usado para analisar a capacidade de carga que os solos aplicados podem suportar segundo o manual Provision of Low Volume Rural Roads-Manual in Mozambique que contem as recomendações de boas práticas na execução de estradas de baixo volume de tráfego.

DN( mm/ pancacada)

1 10 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 Profundidade ( mm)
1
10
0
100
200
300
400
500
600
700
800
900
Profundidade ( mm)

Gráfico 4.2: DN (mm/pancada) posição 1

Fonte: Autor, 2016

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

DN( mm/ pancacada)

1 10 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200
1
10
0
100
200
300
400
500
600
700
800
900
1000
1100
1200
Profundidade ( mm)

Gráfico 4.3: DN (mm/pancada) posição 2

Fonte: Autor, 2016

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

DN( mm/ pancacada)

0.1 1 10 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 Profundidade (
0.1
1
10
0
100
200
300
400
500
600
700
800
900
Profundidade ( mm)

Gráfico 4.4: DN (mm/pancada) posição 3

Fonte: Autor, 2016

Vê-se que os dados obtidos a partir do manual de interpretação (DN, espessuras de camada, de material tipos, DCP número estrutural) são os parâmetros básicos utilizados na execução de um projecto.

4.3. Análise dos Resultados

Relativamente à classificação rodoviária, efectuada segundo a norma “American Association of State Highway and Transportation Officials” AASHTO verifica-se que o solo 1 pertence ao grupo A-3 segundo e segundo SUCS é solo mal graduado/solo siltoso (SP-SM) de baixa compressibilidade pois 50% ou mais da fracção grossa passam no peneiro 4.75mm (nº4) ASTM e um Cu inferior a 6. Os solos 2 e 3 pertencem ao grupo A-2 e subgrupo A-2-4 com o índice de grupo igual a zero. Pois, em geral 35% ou menos deste material passa no peneiro 0.074mm (nº 200) ASTM e estes não apresentam plasticidade, ou seja os limites de liquidez e índice de plasticidade são inferiores a 40% e 10% respectivamente e índice de grupo 0

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

conforme os parâmetros estabelecidos na norma. Quanto a Sistema Unificado de

Classificação dos Solos “SUCS” estes solos são classificados como solo mal graduado/solo

siltoso (SP-SM), como o solo 1.

 

%

%

%

       

Tipo de solo

Solo

passa

passa

passa

IP

LL

GM

CBR

TRH

AASHTO

#200

#40

#10

20

 

1 9.2

93.4

100

NP

0

18

B

A-3

 

2 10.2

90

100

NP

0

39

B

A-2-4

 

3 11

95

100

NP

0

31

B

A-2-4

Quadro 4.2:Resumo dos ensaios realizados

Fonte: Autor, 2016

O CBR segundo os ensaios realizados no LEM para 95% de compactação e OMC (Teor

Óptimo de Humidade) (Quadro 4.2) mostra que estes solos quando bem compactados tem um

bom desempenho, sendo que o recomendado é 15, podendo se constatar que os mesmos com

uma óptima compactação tem boa capacidade de suporte.

É necessária manutenção regular se estes materiais forem usados, devendo-se manter o

coeficiente de irregularidade dentro de níveis razoáveis. É possível observar corrugações na

camada de desgaste da estrada, comportamento comum nestes tipos de solo.

Nas estradas em análise a camada de sub-base foi executada com solos naturais bem como a

fundação.

O que verifica se é que as estradas em análise onde foram aplicados estes solos apresentam

um volume de tráfego superior ao previsto para as mesmas, em grande parte por ser

alternativa a Av. Julius Nyerere que vai dar na Praça da Juventude, bem como de veículos

pesados, visto que no Bairro por onde esta estrada passa existem obras de edifícios.

Comparando os valores característicos do DN (índice de penetração) com os do campo pode

verificar se que a camada superior de rolamento de veículos não resiste as tensões submetidas.

É importante ressaltar que os solos devem ser compactados à 98% de AASHTO modificado o

que não pode se verificar no campo, a quanto estes foram compactados.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

DN( mm/ pancacada)

0.1 1 10 100 0 100 200 300 LE 0.1 400 Posicao 2 500 Posicao
0.1
1
10
100
0
100
200
300
LE 0.1
400
Posicao 2
500
Posicao 1
Posicao 3
600
700
800
900
1000
1100
1200
Profundidade ( mm)

Gráfico 4.5: Comparação dos valores do DN característicos com os do campo

Fonte: Autor, 2016

Há necessidade de analisar os métodos construtivos para avaliar com segurança o desempenho destas estradas. Não foi possível ter informações acerca deste assunto na instituição responsável, Conselho Municipal da Cidade de Maputo, pelo que a avaliação baseou na observação visual dos trechos da estrada.

Verifica se a falta de abaulamento na estrada o que ocasiona desconforto em períodos secos. A inclinação recomendável para este tipo de solo é (i=4 a 6%), segundo o manual Provision of Low Volume Rural Roads-Manual in Mozambique .

Nota se também que a estrada corre no mesmo nível do terreno natural, o que em tempos chuvosos faz com que haja arraste destes solos para além acumulo de água na estrada conjugado com a falta de abaulamento.

A estrada mostra um comportamento satisfatório mesmo tendo sido usados solos descartados pelo TRH 20, havendo necessidade de uma investigação mais profunda deste tipo de solo, pois até ao momento da realização deste trabalho foi possível notar que as estradas em que

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

foram usados solos das câmaras de empréstimo são transitáveis e apresentam um tráfego médio. Melhorando os métodos construtivos e colocando órgãos de drenagem básicos é possível estes solos serem uma solução ao problema das vias de acesso em Maputo.

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

CAPÍTULO 5 - CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

5.1. Conclusões

No âmbito da realização deste PFC (pesquisa bibliográfica e experimentação realizada) foi possível tirar diferentes conclusões:

Os solos apresentam desempenho considerável nas estradas analisadas, boa

capacidade de suporte em quase todas a camadas, menos na camada superior o que pode ser provocado em grande parte espessura desta camada bem como dos veículos pesados que

transitam nas estradas.

Os solos estudados quando aplicados são susceptíveis de se desagregarem e

provocarem corrugações (ondulações) (ver Figura 3.5). É necessária manutenção regular se estes materiais forem usados, devendo-se manter o coeficiente de irregularidade dentro de níveis razoáveis.

Segundo as recomendações TRH20 estes materiais, do grupo B, tanto de forma

natural como estabilizados mecanicamente não são recomendáveis para a camada de desgaste/base de estradas terraplanadas pois consoante as características naturais ou adquiridas no processo da estabilização estes são escorregadios, erodíveis ou soltos.

Solo Magoanine
Solo Magoanine

Figura 5.1:Classificação do tipo de solo-Especificação TRH 20

Fonte: Autor, adaptado, 2016

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

Actualmente não existe um sistema de drenagem. As águas das chuvas acumulam-se

nas depressões existentes ao longo da extensão da estrada e escorrem para as zonas de menor cota e inviabilizando a transitabilidade dos utentes.

Em termos gerais, o estado actual da estrada é satisfatório, permitindo circulação à uma velocidade na ordem dos 30 Km/h possibilitando a acessibilidade e mobilidade das populações desses bairros.

5.2. Recomendações

Reforçar a espessura da camada superior de 150 milímetros para 350 milímetros, avaliar o desempenho destes solos nas novas condições;

e

Estudar se o sistema de drenagem, propondo a execução de drenos laterais com

inclinações de 1:3. Áreas onde apresentam problemas específicos (geralmente devido à água ou ao mau estado do subleito) podem ser tratadas isoladamente por substituição localizada do subleito, cascalhamento ou a instalação de outras medidas de drenagem;

comportamento das camadas da estrada.

Fazer

monitoria

no

tempo

seco

e

chuvoso,

avaliando

por

meio

de

DCP

o

Melhorando as disposições construtivas talvez seja possível atingir um melhor desempenho dos solos em estradas terraplanadas o que pode ocasionar o melhoramento de varias vias de acesso nos bairros.

5.3. Sugestões para trabalhos futuros

Construir um troço experimental respeitando as espessuras recomendáveis e

disposições construtivas, o que poderá permitir avaliar-se com precisão o bom desempenho do solos finos em estradas de baixo volume de tráfego.

Estudar se o sistema de drenagem, propondo a execução de drenos laterais com

inclinações de 1:3. Áreas onde apresentam problemas específicos (geralmente devido à água ou ao mau estado do subleito) podem ser tratadas isoladamente por substituição localizada do subleito, cascalhamento ou a instalação de outras medidas de drenagem;

USO DE SOLOS FINOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS TERRAPLENADAS DE BAIXO VOLUME DE TRÁFEGO

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Recursos

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ANEXOS