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Anotações da Aula

Unidade 1
Cristianismo Primitivo

1) A História de Jesus de Nazaré

A história de Jesus – seu nascimento, vida, morte e ressurreição – é narrada por


quatro de seus discípulos: Marcos, Mateus, Lucas e João, através dos Evangelhos
escritos por eles.

Estes textos, escritos a partir da segunda metade do primeiro século, são a principal
fonte disponível para que a vida de Jesus seja conhecida.

Messias: conceito judaico que compreendia que um descendente do rei Davi libertaria
Israel dos seus opressores. Segundo Jesus, era um sinal de que o reinado de Deus
havia chegado, mas que implicaria em seu sofrimento, sua morte e ressurreição.

2) Nascimento e Infância

Em Belém, pequeno lugarejo situado na província da Judeia, nasceu o filho


primogênito de José e Maria, entre os anos de 6 a.C. a 4 a.C., possivelmente no mês
de abril, recebendo o nome de Jesus.

Maria, quando deu à luz, tinha, provavelmente, entre 16 e 18 anos.

José, pelo contrário, devia ser um pouco mais velho, com idade entre 25 e 30 anos.
Era carpinteiro. Naquela época, alguém que trabalhava com artefatos de madeira, mas
também na construção civil. Sua esposa era dona de casa.

Aproximadamente, depois de dois anos, ocorreu uma visita especial de sábios


provenientes da Pérsia, que, anteriormente e equivocadamente, visitaram o ditador
Herodes cumprimentando-o pelo nascimento de seu descendente.

As informações particulares acerca da infância de Jesus, em Nazaré, cidade da


Galileia, com cerca de 1.500 habitantes, provavelmente foram repassadas ao
evangelista Lucas, cerca de 60 anos após esta fase, por Maria, sua mãe, e talvez por
alguns de seus irmãos.

Certamente José, seu pai, faleceu muito cedo, visto que ele aparece pela última vez
neste evangelho quando da atribulada peregrinação da família a Jerusalém para a
festa da Páscoa, quando o menino tinha doze anos.

3) Batismo e Tentação no Deserto


Se atentarmos para a distância aproximada entre Nazaré e o deserto onde João
habitava – cerca de 130 Km –, podemos presumir que Jesus e outras pessoas
permaneciam ouvindo os diversos ensinamentos proferidos por João por diversos
dias, talvez semanas. Neste acontecimento ocorreu a declaração da filiação de Jesus,
vinda de uma voz celestial: “Tu és o meu Filho”.

Na verdade, foi uma tentação de caráter triplo.

Em primeiro lugar, ela se revestiu de um apelo à satisfação das legítimas


necessidades do ser humano.

Em segundo lugar, a tentação se deu através da sedução e das benesses


proporcionadas pelo poder, pelo domínio e pelo exercício da força e da violência,

Em terceiro lugar, a tentação ocorreu pela via do sobrenatural, do fantástico, do


sobre-humano.

Isto aponta, imediatamente, para o caráter da sua missão, que não passaria pelo
espetacular, pelo show, pelo poder e pelo sucesso. Decididamente, este não seria o
caminho escolhido por Jesus.

4) Missão e Reino de Deus

Após o batismo e a tentação, Jesus deu início a sua missão nas pequenas cidades da
Galileia, retomando a mensagem de João Batista: “O tempo é chegado”.

O tema do Reino de Deus pode ser considerado o eixo estruturante da pedagogia de


Jesus. Ou seja, tudo aquilo que Jesus ensinou ou proclamou ou fez tem a ver com o
Reino de Deus. Esta expressão e sua correlata “Reino do céus” aparecem cerca de
140 vezes no Novo Testamento, estando presente em discursos, em parábolas, em
orações, e em discussões com opositores.

O Reino de Deus foi uma proposta de Jesus para uma nova humanidade, ou seja, um
novo sistema social, econômico, político, religioso, ético e relacional. Um reino aberto
a todos, judeus e gregos, samaritanos e romanos, homens, mulheres e crianças,
escravos e senhores.

Teudas e Judas foram líderes de rebeliões que culminaram com morte deles e de seus
seguidores. O próprio Jesus, durante sua infância em Nazaré, deve ter presenciado
uma destas rebeliões ocorridas na cidade de Séforis, centro administrativo onde
habitava Herodes, o Grande, situada a apenas 7 km de Nazaré, e incendiada pelos
romanos como punição pela revolta.
A vocação de Jesus, portanto, estaria ligada à proclamação das boas notícias do
Reino, a perdoar, a curar, a libertar e a doar a graça de Deus.

A) Jesus recusava a violência como maneira de estabelecer seu reino.


B) Jesus demonstrou a qualificação daqueles que fariam parte do Reino de Deus.
C) o relacionamento entre as pessoas no Reino de Deus deve ser caracterizado pelo
serviço aos outros e não pelo domínio dos outros.

5) Jesus e o Templo

Herodes, o Grande, rei de Israel entre 37 a.C. e 4 a.C., adotou uma política massiva
de reforma urbana de Jerusalém. Ele foi um governante do estilo “rouba, mas faz”:
construiu teatros, mercados, palácios, aquedutos, piscinas, poços e, principalmente, a
“joia” do seu reinado: o Templo de Jerusalém ou o Segundo Templo.

O Templo tinha função tripla:


A) era o local de culto da sociedade hebreia.
B) era o centro bancário da economia de Israel.
C) Possuía uma função judiciária

Verdadeiramente Jesus estava se apresentando como uma alternativa ao Templo. Se


a função do templo era oferecer o perdão dos pecados através dos sacrifícios, ele
mesmo perdoava pecados sem necessidade de nenhum sacrifício.

6) Jesus: Morte e Ressurreição

Na Palestina do primeiro século, a história se repetiu. Mais um candidato a Messias


fora morto pelos romanos, com aprovação do alto escalão religioso ligado ao Templo
de Jerusalém. César novamente venceu.

Os discípulos de Jesus, dispersos e amedrontados, voltaram para seus afazeres


anteriores. Passados três dias da morte, três mulheres – Maria Madalena, Maria, mãe
de Tiago, e Salomé, foram visitar o túmulo do morto.

Para os padrões do mundo antigo, as mulheres não eram consideradas as


testemunhas mais confiáveis. Uma oração matutina recitada pelos judeus antigos
dizia: “Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do Universo, que não me fizeste
mulher.” Paradoxalmente, a ressurreição corporal de Jesus foi revelada,
primeiramente, às suas discípulas e não aos homens, seus doze apóstolos.

6) Comunidades Cristãs do Primeiro Século

O documento básico para se conhecer a história das primeiras comunidades cristãs é


o segundo livro de Lucas, denominado Atos dos Apóstolos, escrito, possivelmente, em
meados dos anos 60 d.C.
A narrativa inicia-se com Jesus ressurreto explicando aos seus discípulos acerca do
Reino de Deus, ou seja, dando continuidade àquilo que denominamos anteriormente
de eixo ou centro estruturante do seu ensinamento.

Após o derramamento do Espírito sobre os discípulos galileus e a zombaria dos


peregrinos de que eles estariam embriagados, Pedro tornou-se o protagonista de três
discursos dirigidos aos seus compatriotas que estavam em Jerusalém por ocasião da
festa de Pentecostes:
A) Pedro enfatizou Jesus como cumprimento das profecias do Antigo Testamento
acerca do descendente de Davi:
B) Pedro sublinhou Jesus com sendo um profeta à semelhança de Moisés:
C) Pedro contou a história da crucificação e ressurreição e da vitória sobre o poder da
morte:
D) Pedro deu ênfase ao seu papel de pedra rejeitada que se torna pedra angular
E) Pedro apontou para sua exaltação (At. 2:33), que proporcionou o cumprimento da
promessa do Espírito Santos e sua pregação teve uma regularidade que se repetiu em
outros episódios posteriores:

7) Os “Seguidores do Caminho” em Jerusalém

A) é enfatizado o ensino dos apóstolos. Tratava-se de instrução (didaquê), mas


também de exortações.

B) Os apóstolos participavam ativamente da comunhão fraterna, ou seja, claramente


uma comunhão de bens para socorro aos necessitados.

C) A vida comunitária é descrita através da partilha do pão. No mundo antigo, as


refeições eram muito mais comunitárias do que nos dias atuais. As casas eram
abertas aos outros, diferentemente de hoje, quando reina a insegurança e a
desconfiança com estranhos.

D) as orações que eram realizadas tanto no ambiente do Templo, como também nas
casas e em outros espaços coletivos da cidade.

Quem eram os judeus contemporâneos de Jesus e da comunidade em


Jerusalém?

A) Sacerdotes e Saduceus: No ano 30 d.C., o chefe da família dos sacerdotes era


Anás e o sumo-sacerdote em exercício era Caifás. Eram ligados aos romanos. Os
saduceus, por seu lado, constituíam um partido político e religioso agarrado ao ideal
sacerdotal e tendo o Templo de Jerusalém como centro religioso.

B) Fariseus: Partido político e religioso cujo centro religioso era a sinagoga.


C) Essênios: são conhecidos por meio de Josefo e de Filo e, mais recentemente
(1947), pela descoberta dos manuscritos do Mar Morto (Qumran). Os essênios viviam
uma vida monástica, reunindo-se em comunidades agrícolas, pautando-se por regras
morais e religiosas bastante rígidas.
D) Zelotes: partido que liderou uma revolta contra o domínio romano em 6 d.C., e que
foi brutalmente reprimido. Opunham-se ao pagamento de impostos aos romanos,
considerando que todos os colaboradores dos impuros eram traidores de Deus, o
verdadeiro Rei de Israel.

8) Os discípulos hebreus e helenistas

Segundo Lucas (At. 4:4), a comunidade dos “seguidores do Caminho”, nos primeiros
anos após a ressurreição de Jesus, era de aproximadamente cinco mil homens,
excluindo mulheres e criança.

O primeiro desafio interno estava relacionado a uma desavença entre dois grupos de
judeus: hebreus e helenistas.

Tal problema refletia uma divisão cultural entre duas classes de judeus: alguns que
haviam nascido na Palestina e falavam o aramaico, e outros que haviam nascido nas
cidades helenizadas do Império, que não falavam o aramaico, porém somente o
grego. Certamente era um problema étnico e racial, comum à sociedade judaica de
Jerusalém, e que havia migrado para os discípulos de Jesus.

9) A Missão Cristã para Além de Jerusalém

A evangelização da Samaria ocorreu a partir da expulsão dos discípulos helenistas de


Jerusalém. As cidades litorâneas da Palestina, por exemplo, Cesareia e Jope, foram
alcançadas por Filipe, outro dos sete helenistas, na mesma época.

A primeira grande comunidade cristã, que se formou fora de Jerusalém, foi em


Antioquia da Síria. Após sua fundação pelos discípulos helenistas, tornou-se o
epicentro da narrativa de Atos que, a partir dela, concentrou o posterior
desenvolvimento da missão evangelizadora.

A partir da noção de Estevão e dos outros helenistas, do próprio Pedro, de Barnabé e


de Paulo, de que o “Evangelho do Reino” devia se destinar a todas as pessoas, judeus
e gentios, e do alcance de comunidades samaritanas e das cidades romanas fora da
Palestina, consolidaram-se duas formas diferentes de se compreender o propósito e o
“ethos” de Jesus: a primeira, ligada a Jerusalém, foi representada pelos seguidores do
Caminho; a segunda, ligada a Antioquia, era representada pelos cristãos.
10) Conflitos acerca do seguimento de Jesus
Dois modos diferentes de se compreender a mensagem de Jesus entraram em
conflito. Convocou-se uma reunião dos principais líderes das comunidades, que
ocorreu em Jerusalém. Este “concílio” objetivou discutir a controvérsia gerada pela
ação de determinados discípulos provenientes de Jerusalém, denominados
judaizantes, que ensinavam aos convertidos gentios a necessidade de serem
circuncidados segundo a lei de Moisés.

Unidade 2
Cristianismo Antigo I
Cristianismo Antigo é o período da história do cristianismo que se estende desde o
fim da era apostólica, aproximadamente em 70 d.C., até a deposição do último
imperador romano, em 476 d.C.

No primeiro século da era cristã, dois importantes acontecimentos políticos


ligados ao Império Romano, ocorridos na década de 60, encaixam-se nesta
interação. O primeiro deles é o incêndio de Roma pelo Imperador Nero e o segundo
são as primeiras guerras judaicas.

Durante a infância de Jesus e até os anos 70 d.C., ocorreram diversas sublevações


tanto na Judeia quanto na Galileia. A Palestina, nessa época, era atravessada por
movimentos revolucionários judeus que pregavam a expulsão dos dominadores
romanos e o reestabelecimento do poder judaico sobre seu território. A forma de
vencer os usurpadores era através das armas.

Nas primeiras batalhas contra o mais poderoso exército conhecido até então, houve a
vitória dos rebeldes. Os romanos foram derrotados e isto inflamou ainda mais os
revoltosos. Porém, o imperador Nero enviou dois dos seus mais importantes generais
para a região, Vespasiano e Tito, que queimaram diversas aldeias na Galileia, Samaria
e Judeia e efetuaram longo cerco a Jerusalém, privando a cidade de alimentos e de
água, e, finalmente, a tomaram violentamente. Grande parte dos habitantes da cidade
foi morta ou feita escrava.

Antes do longo cerco à cidade, Tiago, irmão de Jesus, o mais importante líder da igreja
em Jerusalém, foi morto por ordem do sumo sacerdote. Antes da derrocada final da
cidade, os cristãos fugiram. Qual o impacto destes acontecimentos para o
Cristianismo?

Em primeiro lugar, eles determinaram o enfraquecimento da mais importante matriz


do Cristianismo primitivo: a “igreja-mãe” de Jerusalém.

Em segundo lugar, eles aprofundaram a ruptura entre o Judaísmo e o Cristianismo.


Em terceiro lugar, por outro lado, como o judeu-cristianismo palestino havia, até
então, mantido uma boa relação com o sistema cúltico do Templo, fora de Jerusalém
ele necessitará também se reinventar.

Em quarto lugar, a liderança do Cristianismo primitivo, anteriormente centrada nos


apóstolos de Jesus, será passada para seus sucessores, bispos, epíscopos e
presbíteros que haviam acompanhado os ensinamentos dos primeiros discípulos de
Jesus.

2) Paganismo

Paganismo é uma diversidade de religiosidades existentes entre os romanos,


composta de múltiplos deuses, ritos públicos e privados, compreendida entre a
fundação de Roma, em meados do século VIII a.C., e a derrocada do Império Romano
Ocidental, no século V d.C.

A primeira característica do paganismo é a sua multiforme religiosidade. A


multiplicidade dos deuses era considerada um valor positivo. Ou seja, o excesso dos
deuses não era um problema, mas uma virtude. Tanto mais deuses, mais proteção
deles.

A segunda característica do paganismo é a sua ênfase na coletividade cúltica e no


localismo religioso.

Como terceira característica, pode-se apontar para o caráter oficial da religiosidade de


Roma.

A quarta característica do paganismo, porém, era a mais complexa de todas tanto para
judeus quanto para cristãos: o culto ao Imperador.

Enquanto os judeus eram monoteístas, todos os outros povos que os dominaram,


desde os babilônicos, eram politeístas.

O centro do problema é que os judeus monoteístas afirmavam que o seu deus era o
único Deus. Ou seja, se o único deus verdadeiro é o Deus de Israel, quer dizer que os
deuses dos outros povos não eram deuses, mas simulacros, deuses falsos, pura
ilusão.

3) Gnosticismo e Cristianismo

Gnosticismo: amplo movimento religioso e filosófico existente no mundo antigo, que


penetrou no cristianismo, absorvendo e transformando diversas compreensões e
cosmovisões deste, e propunha também a salvação do homem através do
conhecimento e da experiência progressiva.
O gnosticismo é fruto dos processos de sincretismo que se deram no Oriente,
principalmente nos contatos entre a Pérsia e o mundo grego, e como fruto deste
contato maior entre povos do antigo Oriente e o mundo helenista.

O sincretismo envolve uma mescla de diferentes cosmovisões, crenças e práticas


religiosas, às vezes, até contraditórias entre si, que influencia religiões, filosofias e
culturas.

O dualismo tem a ver com uma visão do mundo que separa, claramente, duas forças
antagônicas, de igual intensidade, que lutam uma contra a outra eternamente,
procurando prevalecer: o Bem versus o Mal. Além disso, defende uma separação
entre o mundo material e o mundo espiritual, considerando a matéria má e a alma (ou
espírito) como boa.

Quais eram as características destes cristãos gnósticos que os diferenciavam dos


outros cristãos? Em primeiro lugar, eles diziam que o conhecimento (gnoses) somente
era acessível aos iniciados, pois não era destinado a todos. Havia uma ideia de
evolução no conhecimento, de graus de conhecimento, começando do mais elementar
e chegando até o mais elevado.

A salvação, portanto, era compreendida não como um ato unilateral de Deus


libertando todas as pessoas do pecado e do poder da morte, mas como a libertação
da alma do cárcere do corpo e dos poderes demoníacos, para que esta fosse unida
com a plenitude (pleroma).

Em segundo lugar, eles tinham uma teologia dual, ou seja, distinguiam dois deuses:
um deus mau que havia criado o mundo material, reconhecido como o Yahweh do
Judaísmo, e um Deus bom que se revelou em Jesus. Uma divindade má (o demiurgo)
criou a matéria e o corpo, enquanto que uma divindade boa criou o espírito (a alma).

Desta teologia derivaram sua antropologia, pois dividiam os homens em três


categorias: os espirituais (pneumatikoi), os que são guiados pela alma (psychikoi) e os
dominados pela carne (sarkikoi). Eles próprios seriam os espirituais, aqueles que não
se preocupavam com as coisas materiais, enquanto que os outros seguidores de
Jesus encaixar-se-iam nas duas categorias menores.

Segundo os gnósticos, a crença na ressurreição de Jesus é um absurdo, pois Deus


não traria algo ruim novamente à vida, pois a morte havia libertado, finalmente, a alma
de sua prisão temporária pelo corpo. Não há espaço para a crucificação nem para a
ressurreição de Jesus.
O cristianismo gnóstico representou um sério desafio para o cristianismo antigo e
apostólico, que formulou três respostas: o Credo Apostólico, o cânon do Novo
Testamento e o episcopado monárquico.

4) O Episcopado Monárquico

Nas primeiras comunidades cristãs, por exemplo, Jerusalém e Antioquia da Síria, a


forma de governo utilizada era plural, denominada, posteriormente, de colegial ou
colegiado. Os doze apóstolos, os sete helenistas.

Apesar dos escritos apostólicos, que atualmente estão reunidos sob o termo Novo
Testamento, não possuírem uma norma clara sobre a obrigatoriedade de este modelo
ser replicado em todas as comunidades cristãs, inicialmente esta forma de governo
coletivo se tornou dominante nos primeiros anos.

Um segundo ponto importante a ser apontado é a ideia da sucessão apostólica. Os


próprios apóstolos de Jesus formavam novos líderes que recebiam a incumbência
clara de ensinar e praticar todo o ensinamento de Jesus que fora repassado às suas
testemunhas oculares, os apóstolos originais.

5) O Credo Apostólico

O Credo Apostólico, lido, recitado e orado por diversas confissões contemporâneas –


católico-romanas, coptas, ortodoxas, protestantes, anglicanas, evangélicas,
pentecostais –, não é um documento exclusivo do catolicismo romano, como, às
vezes, determinados evangélicos brasileiros compreendem.

Seu título, também, não quer dizer que ele foi escrito pelos apóstolos, mas que
simplesmente seu ensino remonta às testemunhas oculares que acompanharam
Jesus, e daí provém sua autenticidade e valor.

6) Da Oralidade à Formação do Novo Testamento

A morte e ressurreição de Jesus ocorreram, provavelmente, entre finais dos anos 20 e


início dos anos 30 do primeiro século. Os primeiros escritos cristãos são as cartas do
apóstolo Paulo, iniciadas pela Primeira Epístola aos Tessalonicenses, datada de 52
d.C.

Os documentos do cristianismo primitivo, como as cartas paulinas, os quatro


evangelhos, os Atos dos Apóstolos e outros textos, provenientes do círculo apostólico,
tiveram objetivos específicos ao serem escritos.

Por que, portanto, houve a necessidade de se compor um cânon, um conjunto de


livros cristãos reunidos sob uma nomenclatura comum: o Novo Testamento?
Os livros que compõem, atualmente, o Novo Testamento, foram reunidos para se
contraporem a outro cânon proposto por um cristão gnóstico chamado Marcião, que
rejeitava as Escrituras Hebraicas (Antigo Testamento) e aceitava somente o Evangelho
de Lucas e a maior parte dos escritos paulinos, utilizando, como critério de validade, o
fato dos textos não possuírem nenhuma herança judaica.

Uma segunda razão para que fosse composto o Novo Testamento é o excesso de
textos que existiam em meados do segundo século, tratando da vida, morte e
ressurreição de Jesus.

A Igreja reconheceu que ela sozinha não podia mais controlar as tradições que
pululavam, e então submeteu toda tradição a uma norma superior, a tradição
apostólica, fixada em escritos determinados que, só esses, teriam valor canônico.