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FICHAMENTO DE TEXTOS DA DISCIPLINA

Isabella Tritone
Josilene dos Santos
Marcela Sena
Matheus Amorim
Priscila Lima

SOCIOLOGIA E POLÍTICA
3º SEMESTRE MATUTINO

Disciplina de Metodologia das Ciências Sociais


Professora Stella C. Schrijnemaekers

FESPSP
MARÇO DE 2019
Fichamento de Textos da Disciplina

FICHAMENTO 1: GIL, Antonio Carlos. Como Formular um Problema de Pesquisa? e Como


Construir Hipóteses?. In Como Elaborar Projetos de Pesquisa. São Paulo: Atlas, 2002. p. 23-39.

Antonio Carlos Gil é graduado em ciências sociais e pedagogia. Atualmente é professor dos
programas de mestrado e doutorado da USCS. Suas áreas de estudo são relacionadas com a elaboração
de projetos de pesquisa, sociologia e gestão de pessoas. Gil tem passagem pela FESPSP, foi mestrando
e doutorando da Escola. Escreveu o texto em questão, Como Elaborar Projetos de Pesquisa, em 1996.
Os dois capítulos fichados abaixo (de números 2 e 3) foram material de leitura para a aula sobre a
construção do problema de pesquisa e hipóteses, e tratam justamente disso.
O segundo capítulo recebe o título de “Como Formular um Problema de Pesquisa?” e é
iniciado pelo autor mostrando as diversas definições de dicionário da palavra “problema”. Gil escolhe
focar em uma específica, “questão não solvida e que é objeto de discussão, em qualquer domínio do
conhecimento”, comentando que apesar das múltiplas concepções diante do significado da palavra,
precisamos utilizar este conceito específico quando estamos falando de um problema científico.
Diante disso, explica que nem todo problema se enquadra na categoria de problema científico
e apresenta maneiras de verificarmos essa relação. Para isso, Gil cita Kerlinger, um respeitado autor
de metodologia no campo das ciências sociais, que defende que para identificarmos o que é um
problema científico primeiramente precisamos configurar o que não é. Segundo Kerlinger, questões
como “O que pode ser feito para melhorar a distribuição de renda?” seriam problemas de
“engenharia”, porque estariam diretamente relacionadas com a maneira de aplicar eficiência em
alguma atividade, enquanto um problema científico quer indagar uma concepção, suas causas e
consequências .
Por outro lado, problemas de valor também não podem se enquadrar dentro do questionamento
científico, como por exemplo, “Os pais devem educar seus filhos com palmadas?”, porque indagam
se algo deveria ou deve ser feito, trabalhando com opiniões pessoais. Gil conclui essas observações
evidenciando que um problema científico lida com processos que possam ser verificados
empiricamente para serem registrados. Este seria o cerne do problema de pesquisa: as variáveis
precisam ser testáveis.
Na sequência, o autor começa a listar categorias de problemas que podem ser trabalhadas e o
interesse por trás da formulação dessas questões. É comentado que os problemas são de ordem prática
ou intelectual, e, sendo assim, essas razões constituem os motivos.
A criação de um problema pode vir de um interesse prático; da busca por uma resposta que
subsidiaria uma ação; para a avaliação de determinado programa ou atividade; para a busca de
consequências diante de um determinado ato; do planejamento de uma ação determinada a cerca de
um acontecimento histórico ou atual; para que seja testada uma teoria; para explorar um detalhe de
uma pesquisa anterior; para descrever um determinado fenômeno, enfim. Gil faz uma grande lista e
exemplifica toda essa longa série de motivos que levam à criação de um problema científico.
Por fim, a última ideia trabalhada no capítulo é de como é feita a formulação de um problema
de pesquisa. O autor reconhece que esta é uma questão complexa e que requer prática e certa imersão
e domínio do objeto a ser trabalhado; com isso, o processo de formular problemas científicos se torna
mais fácil.
Diante dessa prática, foram criadas regras práticas que geralmente são aplicadas à formulação
de perguntas de pesquisa: 1) o problema deve ser formulado como pergunta; 2) o problema deve ser
claro e preciso; 3) o problema deve ser empírico; 4) o problema deve ser suscetível de solução; e 5)
o problema deve ser delimitado a uma dimensão viável.
Não são todas as perguntas, necessariamente, que seguem o padrão dessas regras, mas é
importante que elas sirvam sempre como estrela-guia durante a montagem de um projeto de pesquisa.
As regras fazem referência ao desenvolvimento prático desse problema científico, são as maneiras
padronizadas e mais simplificadas de se desenrolar este processo e servem tanto de medida
organizacional quanto de margem para auxiliar os que não sabem por onde começar.
Ao final do capítulo dois, Gil comenta cada uma das regras de forma particular e exemplifica
tipos de perguntas que se enquadram na explicação, além de citar de que forma se constroem algumas
exceções.
É neste ponto que se inicia o capítulo 3, “Como Construir Hipóteses?”. O autor começa
anunciando a relação entre o problema e a hipótese: se a pergunta precisa ter relação com uma questão
solucionável, a hipótese deve ser a proposição de uma solução para essa pergunta: é uma solução
“teste” para o problema.
No texto, o exemplo trabalhado para justificar essa relação é o do problema científico “Quem
se interessa por parapsicologia?”, sendo a hipótese “pessoas que se preocupam com a vida no além-
túmulo”. Conforme a pesquisa for realizada, o autor pode encontrar dados que confirmam essa
hipótese, solucionando, assim, o problema. Da mesma forma, os dados podem ser insuficientes e
incapazes de determinar a veracidade da constatação. Neste caso, o problema não terá sido
solucionado.
Na sequência, o capítulo se desenvolve de modo a explicar as classificações das hipóteses:
algumas são causísticas (são as que afirmam que um objeto, um fato ou pessoa tem determinada
características e são mais usuais nas pesquisas históricas), outras se referem à frequência de certos
acontecimentos (comuns na pesquisa social. Antecipam que determinada característica é muito
comum em um determinado grupo), outras hipóteses ainda estabelecem relações de associação entre
variáveis (responsável por conferir maior precisão aos enunciados científicos. O conceito de variável
é o que faz referência entre determinados marcadores sociais, como por exemplo idade, curso, classe
social, raça, sexualidade, etc.) e por último, existem também as hipóteses que estabelecem relações
de dependência entre duas ou mais dessas variáveis (quando uma variável se relaciona à outra ou por
vínculo de associação ou por vínculo de causalidade).
Em seguida, Gil indaga quais são as formas mais pertinentes de chegar às hipóteses. Ele
explica que muitas vezes, pelo processo de elaboração da hipótese ser associado com uma natureza
criativa, muitos acreditam que deve existir uma genialidade por trás dessa habilidade, mas muitas
vezes o que conta é a experiência do autor na área. Sendo assim, seria impossível determinar regras
de como se elaborar uma hipótese, mas cabe citar as diferentes fontes a partir das quais elas surgem.
Por conta disso, o texto segue citando pequenos procedimentos que nos permitem chegar às
nossas hipóteses: a observação, a análise do resultado de outras pesquisas, a leitura de outras teorias
com o mesmo assunto e o uso da intuição. Uma resposta poderia partir de qualquer um desses âmbitos,
mas muitas vezes o ato de cruzar essas diferentes fontes ajuda a consolidar uma hipótese melhor
fundamentada.
Em relação ao processo de criação das hipóteses, o autor deixa claro que existem
características que constituem uma hipótese aplicável. É necessário que ela siga certo formato para
que seja considerada logicamente aceitável. Para isso, são citados no texto outros autores (Goode e
Hatt (1969) e McGuigan (1976), especialmente) que constituíram parecer sobre a testabilidade das
hipóteses.
O apanhado feito por Gil conceitua que uma hipótese aplicável precisa ser permeada por seis
itens principais: deve ser conceitualmente clara, ser específica, deve ter referências empíricas,
ser parcimoniosa, estar relacionada com as técnicas disponíveis e estar relacionada com uma
teoria.
Por fim, o autor propõe um último questionamento diante da obrigatoriedade das hipóteses
nas pesquisas científicas e já elabora sua resposta de imediato. Diz que, rigorosamente, todo
procedimento de coleta de dados depende de uma hipótese, mas o que acontece é que algumas ficam
explícitas e outras não, mas obrigatoriamente todas estão automaticamente embebidas no âmago da
ideologia do pesquisador.
Ao longo desses dois capítulos Antonio Carlos Gil trabalha de forma prática e objetiva.
Enuncia perguntas como subcapítulos e explica cada ponto subordinado linearmente de modo que
conclui a própria elaboração inicial do capítulo, sem deixar brechas. O livro serve como um manual
justo que auxilia a construção de projetos de pesquisa de maneira eficiente e legítima.