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Bruna Pinotti Garcia, Guilherme Cardoso, Ricardo Razaboni, Zenaide Auxiliadora Pachegas Branco

Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro

DPE-RJ
Técnico Médio de Defensoria Pública

DZ058-18
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OBRA
Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro - DPE-RJ

Técnico Médio de Defensoria Pública

Edital Nº 01/2018

AUTORES
Língua Portuguesa - Profª Zenaide Auxiliadora Pachegas Branco
Legislação Institucional - Prof° Ricardo Razaboni
Noções de Direito Constitucional - Prof° Guilherme Cardoso
Noções de Direito Administrativo - Profª Bruna Pinotti Garcia
Noções de Teoria Geral do Processo - Profª Bruna Pinotti Garcia

PRODUÇÃO EDITORIAL/REVISÃO
Elaine Cristina
Leandro Filho

DIAGRAMAÇÃO
Elaine Cristina
Thais Regis

CAPA
Joel Ferreira dos Santos

www.novaconcursos.com.br

sac@novaconcursos.com.br
SUMÁRIO

LÍNGUA PORTUGUESA

Elementos de construção do texto e seu sentido: gênero do texto (literário e não literário, narrativo, descritivo e
argumentativo); interpretação e organização interna................................................................................................................................. 01
Semântica: sentido e emprego dos vocábulos; campos semânticos; emprego de tempos e modos dos verbos em
português...................................................................................................................................................................................................................... 11
Morfologia: reconhecimento, emprego e sentido das classes gramaticais; processos de formação de palavras; mecanismos
de flexão dos nomes e verbos.............................................................................................................................................................................. 14
Sintaxe: frase, oração e período; termos da oração; processos de coordenação e subordinação;........................................... 58
Concordância nominal e verbal;........................................................................................................................................................................... 67
Transitividade e regência de nomes e verbos;................................................................................................................................................ 74
Padrões gerais de colocação pronominal no português;........................................................................................................................... 79
Mecanismos de coesão textual............................................................................................................................................................................ 79
Ortografia...................................................................................................................................................................................................................... 81
Acentuação gráfica.................................................................................................................................................................................................... 85
Emprego do sinal indicativo de crase................................................................................................................................................................ 87
Pontuação..................................................................................................................................................................................................................... 90
Reescrita de frases: substituição, deslocamento, paralelismo; variação linguística: norma culta............................................... 93
Redação Oficial.........................................................................................................................................................................................................110

LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Processo administrativo disciplinar, sindicância e inquérito;.................................................................................................................... 01


Lei Orgânica Nacional da Defensoria Pública, Lei Orgânica da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. ............ 02
Assistência jurídica integral e gratuita: aspectos processuais.................................................................................................................. 05

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

Direitos, garantias e deveres fundamentais; direitos e deveres individuais e coletivos; direitos sociais; garantias
constitucionais individuais e coletivas; ações constitucionais.................................................................................................................. 01
Da organização do Estado: União, Estados, Distrito Federal e Municípios......................................................................................... 30
Poder Judiciário: disposições gerais................................................................................................................................................................... 43
Das funções essenciais à Justiça; do Ministério Público; da Advocacia Pública da União, dos Estados e dos Municípios; da
Advocacia; e da Defensoria Pública.................................................................................................................................................................... 57

NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO

Princípios de Direito Administrativo................................................................................................................................................................... 01


Da Administração Pública: direta e indireta.................................................................................................................................................... 05
Atos administrativos................................................................................................................................................................................................. 07
Poderes Administrativos.......................................................................................................................................................................................... 16
Contratos administrativos....................................................................................................................................................................................... 23
SUMÁRIO

Licitação......................................................................................................................................................................................................................... 23
Processo Administrativo.......................................................................................................................................................................................... 57
Agentes Públicos: classificação, regimes jurídicos, organização funcional, regime constitucional (concurso público,
acessibilidade, acumulação de cargos e funções, estabilidade, regime previdenciário, disponibilidade, mandato eletivo,
sistema constitucional de remuneração, associação sindical e direito de greve)............................................................................ 61
Responsabilidade civil do Estado.......................................................................................................................................................................116
Controle da Administração Pública..................................................................................................................................................................121
Improbidade Administrativa................................................................................................................................................................................130
Decreto-Lei nº 220, de 18/07/75: Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Poder Executivo do Estado do Rio de
Janeiro. Decreto nº 2.479, de 08 de março de 1979: regulamenta o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Poder
Executivo do Estado do Rio de Janeiro...........................................................................................................................................................143

NOÇÕES DE TEORIA GERAL DO PROCESSO

Das normas fundamentais do processo e da aplicação das normas processuais............................................................................ 01


Princípios constitucionais e infraconstitucionais do processo................................................................................................................. 03
Jurisdição. Competência. Critérios de fixação e de modificação. Conexão. Continência. Prevenção....................................... 04
Dos sujeitos do processo. Das partes e dos procuradores. Da capacidade processual. Deveres das partes e dos
procuradores. Das despesas, dos honorários advocatícios e das multas. Da gratuidade de justiça........................................ 12
Ação. Conceito e natureza. Condições para o exercício da ação. Elementos da ação. Cumulação da ação......................... 19
Processo. Conceito e natureza. Espécies Pressupostos processuais...................................................................................................... 21
Da Defensoria Pública no processo civil e no processo penal. ............................................................................................................... 24
Atos processuais. Forma, tempo e lugar. Dos pronunciamentos do órgão jurisdicional. Prazos processuais. Preclusões.
Comunicação dos atos processuais. Atos processuais eletrônicos. Da citação e das intimações. Modalidades e
efeitos. .................................................................................................................................................................................................................25
Partes e terceiros no processo. Conceitos........................................................................................................................................................ 37
Da formação, da suspensão e da extinção do processo............................................................................................................................ 44
Provas, disposições gerais. Ônus da prova. Provas em espécie e sua produção.............................................................................. 45
Sentença. Elementos, conteúdo e efeitos. Vícios das sentenças............................................................................................................. 61
Coisa julgada. Limites subjetivos e objetivos.................................................................................................................................................. 64
Remessa necessária................................................................................................................................................................................................... 66
Recursos. Juízo de admissibilidade. Efeitos. Teoria geral dos recursos................................................................................................. 67
ÍNDICE

LÍNGUA PORTUGUESA

Elementos de construção do texto e seu sentido: gênero do texto (literário e não literário, narrativo, descritivo e
argumentativo); interpretação e organização interna. ............................................................................................................................... 01
Semântica: sentido e emprego dos vocábulos; campos semânticos; emprego de tempos e modos dos verbos em
português. .................................................................................................................................................................................................................... 11
Morfologia: reconhecimento, emprego e sentido das classes gramaticais; processos de formação de palavras; mecanismos
de flexão dos nomes e verbos. ............................................................................................................................................................................ 14
Sintaxe: frase, oração e período; termos da oração; processos de coordenação e subordinação; .......................................... 58
Concordância nominal e verbal; .......................................................................................................................................................................... 67
Transitividade e regência de nomes e verbos;............................................................................................................................................... 74
Padrões gerais de colocação pronominal no português;.......................................................................................................................... 79
Mecanismos de coesão textual. .......................................................................................................................................................................... 79
Ortografia. .................................................................................................................................................................................................................... 81
Acentuação gráfica. .................................................................................................................................................................................................. 85
Emprego do sinal indicativo de crase. .............................................................................................................................................................. 87
Pontuação. ................................................................................................................................................................................................................... 90
Reescrita de frases: substituição, deslocamento, paralelismo; variação linguística: norma culta.............................................. 93
Redação Oficial. .......................................................................................................................................................................................................110
Hora de Praticar .......................................................................................................................................................................................................123
É possível deduzir que...
ELEMENTOS DE CONSTRUÇÃO DO O autor permite concluir que...
TEXTO E SEU SENTIDO: GÊNERO Qual é a intenção do autor ao afirmar que...
DO TEXTO (LITERÁRIO E NÃO Compreender significa
LITERÁRIO, NARRATIVO, DESCRITIVO E Entendimento, atenção ao que realmente está escrito.
ARGUMENTATIVO); INTERPRETAÇÃO E O texto diz que...
ORGANIZAÇÃO INTERNA. É sugerido pelo autor que...
De acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação...
O narrador afirma...
INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
3. Erros de interpretação
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacio-
nadas entre si, formando um todo significativo capaz de  Extrapolação (“viagem”) = ocorre quando se sai
produzir interação comunicativa (capacidade de codificar do contexto, acrescentando ideias que não estão no
e decodificar). texto, quer por conhecimento prévio do tema quer
Contexto – um texto é constituído por diversas frases. pela imaginação.
Em cada uma delas, há uma informação que se liga com  Redução = é o oposto da extrapolação. Dá-se aten-
a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a ção apenas a um aspecto (esquecendo que um texto
estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa interli- é um conjunto de ideias), o que pode ser insuficiente
gação dá-se o nome de contexto. O relacionamento entre para o entendimento do tema desenvolvido.
as frases é tão grande que, se uma frase for retirada de seu  Contradição = às vezes o texto apresenta ideias
contexto original e analisada separadamente, poderá ter contrárias às do candidato, fazendo-o tirar con-
um significado diferente daquele inicial. clusões equivocadas e, consequentemente, errar a
Intertexto - comumente, os textos apresentam referên- questão.
cias diretas ou indiretas a outros autores através de cita-
ções. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto. Observação:
Interpretação de texto - o objetivo da interpretação Muitos pensam que existem a ótica do escritor e a óti-
de um texto é a identificação de sua ideia principal. A par- ca do leitor. Pode ser que existam, mas em uma prova de
tir daí, localizam-se as ideias secundárias (ou fundamen- concurso, o que deve ser levado em consideração é o que
tações), as argumentações (ou explicações), que levam ao o autor diz e nada mais.
esclarecimento das questões apresentadas na prova.
Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que
Normalmente, em uma prova, o candidato deve: relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si.
 Identificar os elementos fundamentais de uma Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um
argumentação, de um processo, de uma época (neste caso, pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um prono-
procuram-se os verbos e os advérbios, os quais definem o me oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se
tempo). vai dizer e o que já foi dito.
 Comparar as relações de semelhança ou de dife-
renças entre as situações do texto. São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre eles,
 Comentar/relacionar o conteúdo apresentado está o mau uso do pronome relativo e do pronome oblí-
com uma realidade. quo átono. Este depende da regência do verbo; aquele, do
 Resumir as ideias centrais e/ou secundárias. seu antecedente. Não se pode esquecer também de que os
 Parafrasear = reescrever o texto com outras pa- pronomes relativos têm, cada um, valor semântico, por isso
lavras. a necessidade de adequação ao antecedente.
Os pronomes relativos são muito importantes na in-
1. Condições básicas para interpretar terpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de
coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que
Fazem-se necessários: conhecimento histórico-literário existe um pronome relativo adequado a cada circunstância,
(escolas e gêneros literários, estrutura do texto), leitura e a saber:
prática; conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente,
texto) e semântico; capacidade de observação e de síntese; mas depende das condições da frase.
LÍNGUA PORTUGUESA

capacidade de raciocínio. qual (neutro) idem ao anterior.


quem (pessoa)
2. Interpretar/Compreender cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois
o objeto possuído.
Interpretar significa: como (modo)
Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir. onde (lugar)
Através do texto, infere-se que... quando (tempo)
quanto (montante)

1
Exemplo:
Falou tudo QUANTO queria (correto)
EXERCÍCIOS COMENTADOS
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria
aparecer o demonstrativo O).
3. Dicas para melhorar a interpretação de textos 1. (PCJ-MT – Delegado Substituto – Superior – Cespe
– 2017)
 Leia todo o texto, procurando ter uma visão geral
do assunto. Se ele for longo, não desista! Há muitos can- Texto CG1A1AAA
didatos na disputa, portanto, quanto mais informação você
absorver com a leitura, mais chances terá de resolver as A valorização do direito à vida digna preserva as duas faces
questões. do homem: a do indivíduo e a do ser político; a do ser em si
 Se encontrar palavras desconhecidas, não inter- e a do ser com o outro. O homem é inteiro em sua dimen-
rompa a leitura. são plural e faz-se único em sua condição social. Igual em
 Leia o texto, pelo menos, duas vezes – ou quantas sua humanidade, o homem desiguala-se, singulariza-se em
forem necessárias. sua individualidade. O direito é o instrumento da fraterni-
 Procure fazer inferências, deduções (chegar a uma zação racional e rigorosa.
conclusão). O direito à vida é a substância em torno da qual todos os
 Volte ao texto quantas vezes precisar. direitos se conjugam, se desdobram, se somam para que o
 Não permita que prevaleçam suas ideias sobre sistema fique mais e mais próximo da ideia concretizável
as do autor. de justiça social.
 Fragmente o texto (parágrafos, partes) para me- Mais valeria que a vida atravessasse as páginas da Lei
lhor compreensão. Maior a se traduzir em palavras que fossem apenas a reve-
 Verifique, com atenção e cuidado, o enunciado lação da justiça. Quando os descaminhos não conduzirem
de cada questão. a isso, competirá ao homem transformar a lei na vida mais
 O autor defende ideias e você deve percebê-las. digna para que a convivência política seja mais fecunda e
 Observe as relações interparágrafos. Um parágra- humana.
fo geralmente mantém com outro uma relação de conti- Cármen Lúcia Antunes Rocha. Comentário ao artigo 3.º.
nuação, conclusão ou falsa oposição. Identifique muito In: 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos
bem essas relações. 1948-1998: conquistas e desafios. Brasília: OAB, Comissão
 Sublinhe, em cada parágrafo, o tópico frasal, ou Nacional de Direitos Humanos, 1998, p. 50-1 (com adap-
seja, a ideia mais importante. tações).
 Nos enunciados, grife palavras como “correto”
ou “incorreto”, evitando, assim, uma confusão na hora Compreende-se do texto CG1A1AAA que o ser humano
da resposta – o que vale não somente para Interpretação de tem direito
Texto, mas para todas as demais questões!
 Se o foco do enunciado for o tema ou a ideia a) de agir de forma autônoma, em nome da lei da sobrevi-
principal, leia com atenção a introdução e/ou a conclusão. vência das espécies.
 Olhe com especial atenção os pronomes relati- b) de ignorar o direito do outro se isso lhe for necessário
vos, pronomes pessoais, pronomes demonstrativos, etc., para defender seus interesses.
chamados vocábulos relatores, porque remetem a outros c) de demandar ao sistema judicial a concretização de seus
vocábulos do texto. direitos.
d) à institucionalização do seu direito em detrimento dos
SITES direitos de outros.
http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/portu- e) a uma vida plena e adequada, direito esse que está na
gues/como-interpretar-textos essência de todos os direitos.
http://portuguesemfoco.com/pf/09-dicas-para-melho-
rar-a-interpretacao-de-textos-em-provas Resposta: Letra E. O ser humano tem direito a uma vida
http://www.portuguesnarede.com/2014/03/dicas-para- digna, adequada, para que consiga gozar de seus direi-
-voce-interpretar-melhor-um.html tos – saúde, educação, segurança – e exercer seus deve-
http://vestibular.uol.com.br/cursinho/questoes/ques- res plenamente, como prescrevem todos os direitos: (...)
tao-117-portugues.htm O direito à vida é a substância em torno da qual todos
LÍNGUA PORTUGUESA

os direitos se conjugam (...).

2
2. (PCJ-MT – Delegado Substituto – Superior – Cespe TIPOLOGIA E GÊNERO TEXTUAL
– 2017)
A todo o momento nos deparamos com vários textos,
Texto CG1A1BBB sejam eles verbais ou não verbais. Em todos há a presença
do discurso, isto é, a ideia intrínseca, a essência daquilo
Segundo o parágrafo único do art. 1.º da Constituição da que está sendo transmitido entre os interlocutores. Estes
República Federativa do Brasil, “Todo o poder emana do interlocutores são as peças principais em um diálogo ou
povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou em um texto escrito.
diretamente, nos termos desta Constituição.” Em virtude É de fundamental importância sabermos classificar os
desse comando, afirma-se que o poder dos juízes emana textos com os quais travamos convivência no nosso dia a
do povo e em seu nome é exercido. A forma de sua inves- dia. Para isso, precisamos saber que existem tipos textuais
tidura é legitimada pela compatibilidade com as regras do e gêneros textuais.
Estado de direito e eles são, assim, autênticos agentes do Comumente relatamos sobre um acontecimento, um
poder popular, que o Estado polariza e exerce. Na Itália, fato presenciado ou ocorrido conosco, expomos nossa
isso é constantemente lembrado, porque toda sentença é opinião sobre determinado assunto, descrevemos algum
dedicada (intestata) ao povo italiano, em nome do qual é lugar que visitamos, fazemos um retrato verbal sobre al-
pronunciada. guém que acabamos de conhecer ou ver. É exatamente
nessas situações corriqueiras que classificamos os nossos
Cândido Rangel Dinamarco. A instrumentalidade do pro- textos naquela tradicional tipologia: Narração, Descrição
cesso. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1987, p. 195 (com e Dissertação.
adaptações).
1. As tipologias textuais se caracterizam pelos as-
Conforme as ideias do texto CG1A1BBB, pectos de ordem linguística

a) o Poder Judiciário brasileiro desempenha seu papel com Os tipos textuais designam uma sequência definida
fundamento no princípio da soberania popular. pela natureza linguística de sua composição. São observa-
b) os magistrados do Brasil deveriam ser escolhidos pelo dos aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações
voto popular, como ocorre com os representantes dos logicas. Os tipos textuais são o narrativo, descritivo, argu-
demais poderes. mentativo/dissertativo, injuntivo e expositivo.
c) os magistrados italianos, ao contrário dos brasileiros,
exercem o poder que lhes é conferido em nome de seus A) Textos narrativos – constituem-se de verbos de
nacionais. ação demarcados no tempo do universo narrado,
d) há incompatibilidade entre o autogoverno da magistra- como também de advérbios, como é o caso de antes,
tura e o sistema democrático. agora, depois, entre outros: Ela entrava em seu carro
e) os magistrados brasileiros exercem o poder constitucio- quando ele apareceu. Depois de muita conversa, re-
nal que lhes é atribuído em nome do governo federal. solveram...
B) Textos descritivos – como o próprio nome indica,
Resposta: Letra A. A questão deve ser respondida se- descrevem características tanto físicas quanto psi-
gundo o texto: (...) “Todo o poder emana do povo, que o cológicas acerca de um determinado indivíduo ou
exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, objeto. Os tempos verbais aparecem demarcados no
nos termos desta Constituição.” Em virtude desse coman- presente ou no pretérito imperfeito: “Tinha os cabe-
do, afirma-se que o poder dos juízes emana do povo e los mais negros como a asa da graúna...”
em seu nome é exercido (...). C) Textos expositivos – Têm por finalidade explicar um
assunto ou uma determinada situação que se almeje
3. (PCJ-MT – DELEGADO SUBSTITUTO – SUPERIOR – desenvolvê-la, enfatizando acerca das razões de ela
CESPE – 2017 – ADAPTADA) No texto CG1A1BBB, o vo- acontecer, como em: O cadastramento irá se prorro-
cábulo ‘emana’ foi empregado com o sentido de gar até o dia 02 de dezembro, portanto, não se esque-
ça de fazê-lo, sob pena de perder o benefício.
a) trata. D) Textos injuntivos (instrucional) – Trata-se de uma
b) provém. modalidade na qual as ações são prescritas de for-
c) manifesta. ma sequencial, utilizando-se de verbos expressos no
LÍNGUA PORTUGUESA

d) pertence. imperativo, infinitivo ou futuro do presente: Misture


e) cabe. todos os ingrediente e bata no liquidificador até criar
uma massa homogênea.
Resposta: Letra B. Dentro do contexto, “emana” tem o E) Textos argumentativos (dissertativo) – Demarcam-
sentido de “provém”. -se pelo predomínio de operadores argumentativos,
revelados por uma carga ideológica constituída de
argumentos e contra-argumentos que justificam a
posição assumida acerca de um determinado assun-

3
to: A mulher do mundo contemporâneo luta cada vez linguagem utilizado para levar o interlocutor a crer naquilo
mais para conquistar seu espaço no mercado de tra- que está sendo dito, a aceitar como verdadeiro o que está
balho, o que significa que os gêneros estão em com- sendo transmitido. A argumentação pertence ao domínio
plementação, não em disputa. da retórica, arte de persuadir as pessoas mediante o uso de
recursos de linguagem.
2. Gêneros Textuais Para compreender claramente o que é um argumento,
São os textos materializados que encontramos em nos- é bom voltar ao que diz Aristóteles, filósofo grego do século
so cotidiano; tais textos apresentam características sócio- lV a.C., numa obra intitulada “Tópicos: os argumentos são
-comunicativas definidas por seu estilo, função, compo- úteis quando se tem de escolher entre duas ou mais coisas”.
sição, conteúdo e canal. Como exemplos, temos: receita Se tivermos de escolher entre uma coisa vantajosa e uma
culinária, e-mail, reportagem, monografia, poema, editorial, desvantajosa, como a saúde e a doença, não precisamos
piada, debate, agenda, inquérito policial, fórum, blog, etc. argumentar. Suponhamos, no entanto, que tenhamos de
A escolha de um determinado gênero discursivo depende, escolher entre duas coisas igualmente vantajosas, a riqueza
em grande parte, da situação de produção, ou seja, a finali- e a saúde. Nesse caso, precisamos argumentar sobre qual
dade do texto a ser produzido, quem são os locutores e os das duas é mais desejável. O argumento pode então ser
interlocutores, o meio disponível para veicular o texto, etc. definido como qualquer recurso que torna uma coisa mais
Os gêneros discursivos geralmente estão ligados a esfe- desejável que outra. Isso significa que ele atua no domínio
ras de circulação. Assim, na esfera jornalística, por exemplo, do preferível. Ele é utilizado para fazer o interlocutor crer
são comuns gêneros como notícias, reportagens, editoriais, que, entre duas teses, uma é mais provável que a outra,
entrevistas e outros; na esfera de divulgação científica são mais possível que a outra, mais desejável que a outra, é
comuns gêneros como verbete de dicionário ou de enci- preferível à outra.
clopédia, artigo ou ensaio científico, seminário, conferência. O objetivo da argumentação não é demonstrar a
verdade de um fato, mas levar o ouvinte a admitir como
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS verdadeiro o que o enunciador está propondo.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- Há uma diferença entre o raciocínio lógico e a
argumentação. O primeiro opera no domínio do necessário,
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
ou seja, pretende demonstrar que uma conclusão deriva
Paulo: Saraiva, 2010.
necessariamente das premissas propostas, que se deduz
Português – Literatura, Produção de Textos & Gra-
obrigatoriamente dos postulados admitidos. No raciocínio
mática – volume único / Samira Yousseff Campedelli, Jé-
lógico, as conclusões não dependem de crenças, de uma
sus Barbosa Souza. – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
maneira de ver o mundo, mas apenas do encadeamento de
premissas e conclusões.
SITE Por exemplo, um raciocínio lógico é o seguinte
http://www.brasilescola.com/redacao/tipologia-textual.htm encadeamento:
Observação: Não foram encontradas questões abran- A é igual a B.
gendo tal conteúdo. A é igual a C.
Então: C é igual a A.
Admitidos os dois postulados, a conclusão é, obrigato-
ARGUMENTAÇÃO. riamente, que C é igual a A.
Outro exemplo:
O ato de comunicação não visa apenas transmitir uma Todo ruminante é um mamífero.
informação a alguém. Quem se comunica pretende criar A vaca é um ruminante.
uma imagem positiva de si mesmo por exemplo, a de um Logo, a vaca é um mamífero.
sujeito educado, ou inteligente, ou culto; quer ser aceito,
deseja que o que diz seja admitido como verdadeiro. Em Admitidas como verdadeiras as duas premissas, a
síntese, tem a intenção de convencer, ou seja, tem o desejo conclusão também será verdadeira.
de que o ouvinte creia no que o texto diz e faça o que ele No domínio da argumentação, as coisas são diferentes.
propõe. Nele, a conclusão não é necessária, não é obrigatória. Por isso,
Se essa é a finalidade última de todo ato de devese mostrar que ela é a mais desejável, a mais provável,
comunicação, todo texto contém um componente a mais plausível. Se o Banco do Brasil fizer uma propaganda
argumentativo. A argumentação é o conjunto de recursos dizendose mais confiável do que os concorrentes porque
LÍNGUA PORTUGUESA

de natureza linguística destinados a persuadir a pessoa a existe desde a chegada da família real portuguesa ao Brasil,
quem a comunicação se destina. Está presente em todo ele estará dizendonos que um banco com quase dois séculos
tipo de texto e visa a promover adesão às teses e aos de existência é sólido e, por isso, confiável. Embora não
pontos de vista defendidos. haja relação necessária entre a solidez de uma instituição
As pessoas costumam pensar que o argumento seja bancária e sua antiguidade, esta tem peso argumentativo
apenas uma prova de verdade ou uma razão indiscutível na afirmação da confiabilidade de um banco. Portanto é
para comprovar a veracidade de um fato. O argumento provável que se creia que um banco mais antigo seja mais
é mais que isso: como se disse acima, é um recurso de confiável do que outro fundado há dois ou três anos.

4
Enumerar todos os tipos de argumentos é uma tarefa 3. Argumento do Consenso
quase impossível, tantas são as formas de que nos valemos
para fazer as pessoas preferirem uma coisa a outra. Por É uma variante do argumento de quantidade.
isso, é importante entender bem como eles funcionam. Fundamentase em afirmações que, numa determinada
Já vimos diversas características dos argumentos. época, são aceitas como verdadeiras e, portanto, dispensam
É preciso acrescentar mais uma: o convencimento do comprovações, a menos que o objetivo do texto seja
interlocutor, o auditório, que pode ser individual ou comprovar alguma delas. Parte da ideia de que o consenso,
coletivo, será tanto mais fácil quanto mais os argumentos mesmo que equivocado, corresponde ao indiscutível,
estiverem de acordo com suas crenças, suas expectativas, ao verdadeiro e, portanto, é melhor do que aquilo que
seus valores. Não se pode convencer um auditório não desfruta dele. Em nossa época, são consensuais, por
pertencente a uma dada cultura enfatizando coisas que ele exemplo, as afirmações de que o meio ambiente precisa
abomina. Será mais fácil convencêlo valorizando coisas que ser protegido e de que as condições de vida são piores nos
ele considera positivas. No Brasil, a publicidade da cerveja países subdesenvolvidos. Ao confiar no consenso, porém,
vem com frequência associada ao futebol, ao gol, à paixão correse o risco de passar dos argumentos válidos para os
nacional. Nos Estados Unidos, essa associação certamente lugarescomuns, os preconceitos e as frases carentes de
não surtiria efeito, porque lá o futebol não é valorizado qualquer base científica.
da mesma forma que no Brasil. O poder persuasivo de
um argumento está vinculado ao que é valorizado ou 4. Argumento de Existência
desvalorizado numa dada cultura.
É aquele que se fundamenta no fato de que é mais fácil
TIPOS DE ARGUMENTO aceitar aquilo que comprovadamente existe do que aquilo
que é apenas provável, que é apenas possível. A sabedoria
Já verificamos que qualquer recurso linguístico popular enuncia o argumento de existência no provérbio
destinado a fazer o interlocutor dar preferência à tese do “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando”.
enunciador é um argumento. Exemplo: Nesse tipo de argumento, incluemse as provas
documentais (fotos, estatísticas, depoimentos, gravações
1. Argumento de Autoridade etc.) ou provas concretas, que tornam mais aceitável uma
afirmação genérica. Durante a invasão do Iraque, por
É a citação, no texto, de afirmações de pessoas exemplo, os jornais diziam que o exército americano era
reconhecidas pelo auditório como autoridades em certo muito mais poderoso do que o iraquiano. Essa afirmação,
domínio do saber, para servir de apoio aquilo que o sem ser acompanhada de provas concretas, poderia
enunciador está propondo. Esse recurso produz dois efeitos ser vista como propagandística. No entanto, quando
distintos: revela o conhecimento do produtor do texto a documentada pela comparação do número de canhões, de
respeito do assunto de que está tratando; dá ao texto a carros de combate, de navios etc., ganhava credibilidade.
garantia do autor citado. É preciso, no entanto, não fazer
do texto um amontoado de citações. A citação precisa ser 5. Argumento quase lógico
pertinente e verdadeira. Exemplo:
“A imaginação é mais importante do que o conhecimento.” É aquele que opera com base nas relações lógicas,
como causa e efeito, analogia, implicação, identidade etc.
Quem disse a frase não fui eu, foi Einstein. Para ele, Esses raciocínios são chamados quase lógicos porque,
uma coisa vem antes da outra: sem imaginação, não há diversamente dos raciocínios lógicos, eles não pretendem
conhecimento. Nunca o inverso. estabelecer relações necessárias entre os elementos,
Alex José Periscinoto. mas sim instituir relações prováveis, possíveis, plausíveis.
In: Folha de S. Paulo. 30 ago.1993, p. 5-2. Por exemplo, quando se diz “A é igual a B”, “B é igual a
C”, “então A é igual a C”, estabelecese uma relação de
A tese defendida nesse texto é que a imaginação é mais identidade lógica. Entretanto, quando se afirma “Amigo de
importante do que o conhecimento. Para levar o auditório amigo meu é meu amigo” não se institui uma identidade
a aderir a ela, o enunciador cita um dos mais célebres lógica, mas uma identidade provável.
cientistas do mundo. Se um físico de renome mundial disse Um texto coerente do ponto de vista lógico é mais
isso, então as pessoas devem acreditar que é verdade. facilmente aceito do que um texto incoerente. Vários são
os defeitos que concorrem para desqualificar o texto do
LÍNGUA PORTUGUESA

2. Argumento de Quantidade ponto de vista lógico: fugir do tema proposto, cair em


contradição, tirar conclusões que não se fundamentam nos
É aquele que valoriza mais o que é apreciado pelo dados apresentados, ilustrar afirmações gerais com fatos
maior número de pessoas, o que existe em maior número, inadequados, narrar um fato e dele extrair generalizações
o que tem maior duração, o que tem maior número de indevidas.
adeptos etc. O fundamento desse tipo de argumento é que
mais melhor. A publicidade faz largo uso do argumento de
quantidade.

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6. Argumento do Atributo como paz, que, paradoxalmente, pode ser usada pelo
agressor e pelo agredido. Essas palavras podem ter
É aquele que considera melhor o que tem propriedades valor positivo (paz, justiça, honestidade, democracia)
típicas daquilo que é mais valorizado socialmente, por ou vir carregadas de valor negativo (autoritarismo,
exemplo, o mais raro é melhor que o comum, o que é mais degradação do meio ambiente, injustiça, corrupção).
refinado é melhor que o que é mais grosseiro etc. ▪ Uso de afirmações tão amplas, que podem ser der-
Por esse motivo, a publicidade usa, com muita rubadas por um único contraexemplo. Quando se diz
frequência, celebridades recomendando prédios “Todos os políticos são ladrões”, basta um único exem-
residenciais, produtos de beleza, alimentos estéticos etc., plo de político honesto para destruir o argumento.
com base no fato de que o consumidor tende a associar o ▪ Emprego de noções científicas sem nenhum rigor,
produto anunciado com atributos da celebridade. fora do contexto adequado, sem o significado apro-
Uma variante do argumento de atributo é o argumento priado, vulgarizandoas e atribuindolhes uma signifi-
da competência linguística. A utilização da variante culta e cação subjetiva e grosseira. É o caso, por exemplo,
formal da língua que o produtor do texto conhece a norma da frase “O imperialismo de certas indústrias não
linguística socialmente mais valorizada e, por conseguinte, permite que outras cresçam”, em que o termo impe-
deve produzir um texto em que se pode confiar. Nesse rialismo é descabido, uma vez que, a rigor, significa
sentido é que se diz que o modo de dizer dá confiabilidade “ação de um Estado visando a reduzir outros à sua
ao que se diz. dependência política e econômica”.
Imaginese que um médico deva falar sobre o estado
de saúde de uma personalidade pública. Ele poderia fazêlo A boa argumentação é aquela que está de acordo
das duas maneiras indicadas abaixo, mas a primeira seria com a situação concreta do texto, que leva em conta os
infinitamente mais adequada para a persuasão do que a componentes envolvidos na discussão (o tipo de pessoa
segunda, pois esta produziria certa estranheza e não criaria a quem se dirige a comunicação, o assunto, por exemplo).
uma imagem de competência do médico: Convém ainda alertar que não se convence ninguém
▪ Para aumentar a confiabilidade do diagnóstico e le- com manifestações de sinceridade do autor (como eu,
vando em conta o caráter invasivo de alguns exames, que não costumo mentir...) ou com declarações de certeza
a equipe médica houve por bem determinar o inter- expressas em fórmulas feitas (como estou certo, creio
namento do governador pelo período de três dias, a firmemente, é claro, é óbvio, é evidente, afirmo com toda a
partir de hoje, 4 de fevereiro de 2001. certeza etc). Em vez de prometer, em seu texto, sinceridade
▪ Para conseguir fazer exames com mais cuidado e e certeza, autenticidade e verdade, o enunciador deve
porque alguns deles são barras-pesadas, a gente bo- construir um texto que revele isso. Em outros termos, essas
tou o governador no hospital por três dias. qualidades não se prometem, manifestam-se na ação.
Como dissemos antes, todo texto tem uma função A argumentação é a exploração de recursos para fazer
argumentativa, porque ninguém fala para não ser levado parecer verdadeiro aquilo que se diz num texto e, com isso,
a sério, para ser ridicularizado, para ser desmentido: em levar a pessoa a que texto é endereçado a crer naquilo que
todo ato de comunicação deseja-se influenciar alguém. Por ele diz.
mais neutro que pretenda ser, um texto tem sempre uma Um texto dissertativo tem um assunto ou tema e expressa
orientação argumentativa. um ponto de vista, acompanhado de certa fundamentação,
A orientação argumentativa é certa direção que o que inclui a argumentação, questionamento, com o
falante traça para seu texto. Por exemplo, um jornalista, ao objetivo de persuadir. Argumentar é o processo pelo qual
falar de um homem público, pode ter a intenção de criticálo,
se estabelecem relações para chegar à conclusão, com base
de ridicularizálo ou, ao contrário, de mostrar sua grandeza.
em premissas. Persuadir é um processo de convencimento,
O enunciador cria a orientação argumentativa de
por meio da argumentação, no qual se procura convencer
seu texto dando destaque a uns fatos e não a outros,
os outros, de modo a influenciar seu pensamento e seu
omitindo certos episódios e revelando outros, escolhendo
comportamento.
determinadas palavras e não outra. Veja:
A persuasão pode ser válida e não válida. Na persuasão
“O clima da festa era tão pacífico que até sogras e noras
trocavam abraços afetuosos.” válida, expõemse com clareza os fundamentos de uma ideia
ou proposição, e o interlocutor pode questionar cada passo
O enunciador aí pretende ressaltar a ideia geral de que do raciocínio empregado na argumentação. A persuasão
noras e sogras não se toleram. Não fosse assim, não teria não válida apoiase em argumentos subjetivos, apelos
escolhido esse fato para ilustrar o clima da festa nem teria subliminares, chantagens sentimentais, com o emprego de
LÍNGUA PORTUGUESA

utilizado o termo até que serve para incluir no argumento “apelações”, como a inflexão de voz, a mímica e até o choro.
alguma coisa inesperada. Alguns autores classificam a dissertação em duas
Além dos defeitos de argumentação mencionados modalidades, expositiva e argumentativa. Esta exige
quando tratamos de alguns tipos de argumentação, vamos argumentação, razões a favor e contra uma ideia, ao passo
citar outros: que a outra é informativa, apresenta dados sem a intenção
▪ Uso sem delimitação adequada de palavra de sen- de convencer. Na verdade, a escolha dos dados levantados,
tido tão amplo, que serve de argumento para um a maneira de expôlos no texto já revelam uma “tomada de
ponto de vista e seu contrário. São noções confusas, posição”, a adoção de um ponto de vista na dissertação,

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ainda que sem a apresentação explícita de argumentos. I – evidência;
Desse ponto de vista, a dissertação pode ser definida II – divisão ou análise;
como discussão, debate, questionamento, o que implica III – ordem ou dedução;
a liberdade de pensamento, a possibilidade de discordar IV – enumeração.
ou concordar parcialmente. A liberdade de questionar
é fundamental, mas não é suficiente para organizar um A enumeração pode apresentar dois tipos de falhas: a
texto dissertativo. É necessária também a exposição dos omissão e a incompreensão. Qualquer erro na enumeração
fundamentos, os motivos, os porquês da defesa de um ponto pode quebrar o encadeamento das ideias, indispensável
de vista. para o processo dedutivo.
Podese dizer que o homem vive em permanente A forma de argumentação mais empregada na redação
atitude argumentativa. A argumentação está presente em acadêmica é o silogismo, raciocínio baseado nas regras
qualquer tipo de discurso, porém, é no texto dissertativo cartesianas, que contém três proposições: duas premissas,
que ela melhor se evidencia. maior e menor, e a conclusão. As três proposições são
Para discutir um tema, para confrontar argumentos e encadeadas de tal forma, que a conclusão é deduzida da
posições, é necessária a capacidade de conhecer outros maior por intermédio da menor. A premissa maior deve
pontos de vista e seus respectivos argumentos. Uma ser universal, emprega todo, nenhum, pois alguns não
discussão impõe, muitas vezes, a análise de argumentos caracteriza a universalidade.
opostos, antagônicos. Como sempre, essa capacidade Há dois métodos fundamentais de raciocínio: a
aprendese com a prática. Um bom exercício para aprender dedução (silogística), que parte do geral para o particular,
a argumentar e contraargumentar consiste em desenvolver e a indução, que vai do particular para o geral. A expressão
as seguintes habilidades: formal do método dedutivo é o silogismo. A dedução é
o caminho das consequências, baseiase em uma conexão
I – argumentação: anotar todos os argumentos a fa- descendente (do geral para o particular) que leva à
vor de uma ideia ou fato; imaginar um interlocutor que conclusão. Segundo esse método, partindose de teorias
adote a posição totalmente contrária; gerais, de verdades universais, podese chegar à previsão
II – contraargumentação: imaginar um diálogodeba- ou determinação de fenômenos particulares. O percurso
te e quais os argumentos que essa pessoa imaginá- do raciocínio vai da causa para o efeito. Exemplo:
ria possivelmente apresentaria contra a argumentação Todo homem é mortal (premissa maior = geral, uni-
proposta; versal)
III – refutação: argumentos e razões contra a argumen- Fulano é homem (premissa menor = particular)
tação oposta. Logo, Fulano é mortal (conclusão)
A indução percorre o caminho inverso ao da dedução,
A argumentação tem a finalidade de persuadir, baseiase em uma conexão ascendente, do particular para o
portanto, argumentar consiste em estabelecer relações geral. Nesse caso, as constatações particulares levam às leis
para tirar conclusões válidas, como se procede no método gerais, ou seja, parte de fatos particulares conhecidos para
dialético. O método dialético não envolve apenas questões os fatos gerais, desconhecidos. O percurso do raciocínio se
ideológicas, geradoras de polêmicas. Tratase de um faz do efeito para a causa. Exemplo:
método de investigação da realidade pelo estudo de sua O calor dilata o ferro (particular);
ação recíproca, da contradição inerente ao fenômeno em O calor dilata o bronze (particular);
questão e da mudança dialética que ocorre na natureza e O calor dilata o cobre (particular);
na sociedade. O ferro, o bronze, o cobre são metais;
Descartes (15961650), filósofo e pensador francês, Logo, o calor dilata metais (geral, universal).
criou o método de raciocínio silogístico, baseado na
dedução, que parte do simples para o complexo. Para ele, Quanto a seus aspectos formais, o silogismo pode
verdade e evidência são a mesma coisa, e pelo raciocínio ser válido e verdadeiro; a conclusão será verdadeira se as
tornase possível chegar a conclusões verdadeiras, desde duas premissas também o forem. Se há erro ou equívoco
que o assunto seja pesquisado em partes, começandose na apreciação dos fatos, pode-se partir de premissas
pelas proposições mais simples até alcançar, por meio verdadeiras para chegar a uma conclusão falsa. Tem-se,
de deduções, a conclusão final. Para a linha de raciocínio desse modo, o sofisma. Uma definição inexata, uma divisão
cartesiana, é fundamental determinar o problema, dividilo incompleta, a ignorância da causa, a falsa analogia são
em partes, ordenar os conceitos, simplificandoos, enumerar algumas causas do sofisma. O sofisma pressupõe má fé,
LÍNGUA PORTUGUESA

todos os seus elementos e determinar o lugar de cada um intenção deliberada de enganar ou levar ao erro; quando
no conjunto da dedução. o sofisma não tem essas intenções propositais, costuma-
A lógica cartesiana, até os nossos dias, é fundamental se chamar esse processo de argumentação de paralogismo.
para a argumentação dos trabalhos acadêmicos. Descartes Encontra-se um exemplo simples de sofisma no seguinte
propôs quatro regras básicas que constituem um conjunto diálogo:
de reflexos vitais, uma série de movimentos sucessivos e Você concorda que possui uma coisa que não perdeu?
contínuos do espírito em busca da verdade: – Lógico, concordo.
Você perdeu um brilhante de 40 quilates?

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– Claro que não! - Análise: penetrar, decompor, separar, dividir.
- Então você possui um brilhante de 40 quilates... - Síntese: integrar, recompor, juntar, reunir.

Exemplos de sofismas: A análise tem importância vital no processo de coleta de


I – Dedução: ideias a respeito do tema proposto, de seu desdobramento
Todo professor tem um diploma (geral, universal); e da criação de abordagens possíveis. A síntese também é
Fulano tem um diploma (particular); importante na escolha dos elementos que farão parte do
Logo, fulano é professor (geral – conclusão falsa); texto.
II – Indução: Segundo Garcia (1973, p.300), a análise pode ser
O Rio de Janeiro tem uma estátua do Cristo Redentor. formal ou informal. A análise formal pode ser científica ou
(particular); experimental; é característica das ciências matemáticas,
Taubaté (SP) tem uma estátua do Cristo Redentor. (par- físico-naturais e experimentais. A análise informal é
ticular); racional ou total, consiste em “discernir” por vários atos
Rio de Janeiro e Taubaté são cidades. distintos da atenção os elementos constitutivos de um
Logo, toda cidade tem uma estátua do Cristo Redentor. todo, os diferentes caracteres de um objeto ou fenômeno.
(geral – conclusão falsa). A análise decompõe o todo em partes, a classificação
estabelece as necessárias relações de dependência e
Notase que as premissas são verdadeiras, mas a hierarquia entre as partes. Análise e classificação ligam-
conclusão pode ser falsa. Nem todas as pessoas que têm se intimamente, a ponto de se confundir uma com a
diploma são professores; nem todas as cidades têm uma outra, contudo são procedimentos diversos: análise é
estátua do Cristo Redentor. Cometese erro quando se decomposição e classificação é hierarquisação.
faz generalizações apressadas ou infundadas. A “simples Nas ciências naturais, classificam-se os seres, fatos
inspeção” é a ausência de análise ou análise superficial dos e fenômenos por suas diferenças e semelhanças; fora
fatos, que leva a pronunciamentos subjetivos, baseados das ciências naturais, a classificação pode-se efetuar por
nos sentimentos não ditados pela razão. meio de um processo mais ou menos arbitrário, em que
Existem, ainda, outros métodos, subsidiários ou não os caracteres comuns e diferenciadores são empregados
fundamentais, que contribuem para a descoberta ou de modo mais ou menos convencional. A classificação, no
comprovação da verdade: análise, síntese, classificação e reino animal, em ramos, classes, ordens, subordens, gêneros
definição. Além desses, existem outros métodos particulares e espécies, é um exemplo de classificação natural, pelas
de algumas ciências, que adaptam os processos de características comuns e diferenciadoras. A classificação
dedução e indução à natureza de uma realidade particular. dos variados itens integrantes de uma lista mais ou menos
Podese afirmar que cada ciência tem seu método próprio caótica é artificial.
demonstrativo, comparativo, histórico etc. A análise, a Exemplo: aquecedor, automóvel, barbeador, batata,
síntese, a classificação e a definição são chamadas métodos caminhão, canário, jipe, leite, ônibus, pão, pardal,
sistemáticos, porque pela organização e ordenação das pintassilgo, queijo, relógio, sabiá, torradeira.
ideias visam sistematizar a pesquisa.
Análise e síntese são dois processos opostos, mas I – Aves, Canário, Pardal, Pintassilgo, Sabiá;
interligados; a análise parte do todo para as partes, a II – Alimentos, Batata, Leite, Pão, Queijo;
síntese, das partes para o todo. A análise precede a III – Mecanismos, Aquecedor, Barbeador, Relógio, Tor-
síntese, porém, de certo modo, uma depende da outra. A radeira;
análise decompõe o todo em partes, enquanto a síntese IV – Veículos, Automóvel, Caminhão, Jipe, Ônibus.
recompõe o todo pela reunião das partes. Sabese, porém,
que o todo não é uma simples justaposição das partes. Os elementos desta lista foram classificados por ordem
Se alguém reunisse todas as peças de um relógio, não alfabética e pelas afinidades comuns entre eles. Estabelecer
significa que reconstruiu o relógio, pois fez apenas um critérios de classificação das ideias e argumentos, pela
amontoado de partes. Só reconstruiria todo se as partes ordem de importância, é uma habilidade indispensável
estivessem organizadas, devidamente combinadas, para elaborar o desenvolvimento de uma redação. Tanto faz
seguida uma ordem de relações necessárias, funcionais, que a ordem seja crescente, do fato mais importante para
então, o relógio estaria reconstruído. o menos importante, ou decrescente, primeiro o menos
Síntese, portanto, é o processo de reconstrução do todo importante e, no final, o impacto do mais importante; é
por meio da integração das partes, reunidas e relacionadas indispensável que haja uma lógica na classificação. A
LÍNGUA PORTUGUESA

num conjunto. Toda síntese, por ser uma reconstrução, elaboração do plano compreende a classificação das partes
pressupõe a análise, que é a decomposição. A análise, no e subdivisões, ou seja, os elementos do plano devem
entanto, exige uma decomposição organizada, é preciso obedecer a uma hierarquização. (Garcia, 1973, p. 302304.)
saber como dividir o todo em partes. As operações que Para a clareza da dissertação, é indispensável que, logo
se realizam na análise e na síntese podem ser assim na introdução, os termos e conceitos sejam definidos, pois,
relacionadas: para expressar um questionamento, devese, de antemão,
expor clara e racionalmente as posições assumidas e os
argumentos que as justificam. É muito importante deixar

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claro o campo da discussão e a posição adotada, isto é, V – deve ser breve (contida num só período). Quando a
esclarecer não só o assunto, mas também os pontos de definição, ou o que se pretenda como tal, é muito longa
vista sobre ele. (séries de períodos ou de parágrafos), chama-se explica-
A definição tem por objetivo a exatidão no emprego da ção, e também definição expandida;
linguagem e consiste na enumeração das qualidades próprias VI – deve ter uma estrutura gramatical rígida: sujeito (o
de uma ideia, palavra ou objeto. Definir é classificar o elemento termo) + cópula (verbo de ligação ser) + predicativo (o
conforme a espécie a que pertence, demonstra: a característica gênero) + adjuntos (as diferenças).
que o diferencia dos outros elementos dessa mesma espécie.
Entre os vários processos de exposição de ideias, a As definições dos dicionários de língua são feitas por
definição é um dos mais importantes, sobretudo no âmbito meio de paráfrases definitórias, ou seja, uma operação
das ciências. A definição científica ou didática é denotativa, metalinguística que consiste em estabelecer uma relação
ou seja, atribui às palavras seu sentido usual ou consensual, de equivalência entre a palavra e seus significados.
enquanto a conotativa ou metafórica emprega palavras de A força do texto dissertativo está em sua fundamentação.
sentido figurado. Segundo a lógica tradicional aristotélica, Sempre é fundamental procurar um porquê, uma razão
a definição consta de três elementos: verdadeira e necessária. A verdade de um ponto de vista
deve ser demonstrada com argumentos válidos. O ponto
I – o termo a ser definido; de vista mais lógico e racional do mundo não tem valor,
II – o gênero ou espécie; se não estiver acompanhado de uma fundamentação
III – a diferença específica. coerente e adequada.
Os métodos fundamentais de raciocínio segundo
O que distingue o termo definido de outros elementos da a lógica clássica, que foram abordados anteriormente,
mesma espécie. Veja a classificação dos termos da frase a seguir: auxiliam o julgamento da validade dos fatos. Às vezes, a
argumentação é clara e pode reconhecerse facilmente seus
elementos e suas relações; outras vezes, as premissas e as
conclusões organizamse de modo livre, misturandose na
estrutura do argumento. Por isso, é preciso aprender a
reconhecer os elementos que constituem um argumento:
premissas/conclusões. Depois de reconhecer, verificar se tais
elementos são verdadeiros ou falsos; em seguida, avaliar se
o argumento está expresso corretamente; se há coerência
e adequação entre seus elementos, ou se há contradição.
Para isso é que se aprendem os processos de raciocínio
por dedução e por indução. Admitindose que raciocinar é
É muito comum formular definições de maneira relacionar, concluise que o argumento é um tipo específico
defeituosa, por exemplo: Análise é quando a gente de relação entre as premissas e a conclusão.
decompõe o todo em partes. Esse tipo de definição
é gramaticalmente incorreto; quando é advérbio de a) Procedimentos Argumentativos
tempo, não representa o gênero, a espécie, a gente é Constituem os procedimentos argumentativos mais
forma coloquial não adequada à redação acadêmica. Tão empregados para comprovar uma afirmação: exem-
importante é saber formular uma definição, que se recorre plificação, explicitação, enumeração, comparação.
a Garcia (1973, p.306), para determinar os “requisitos da b) Exemplificação
definição denotativa”. Para ser exata, a definição deve Procura justificar os pontos de vista por meio de
apresentar os seguintes requisitos: exemplos, hierarquizar afirmações. São expressões
comuns nesse tipo de procedimento: mais importan-
I – o termo deve realmente pertencer ao gênero ou clas- te que, superior a, de maior relevância que. Emprega-
se em que está incluído: “mesa é um móvel” (classe em mse também dados estatísticos, acompanhados de
que ‘mesa’ está realmente incluída) e não “mesa é um expressões: considerando os dados; conforme os da-
instrumento ou ferramenta ou instalação”; dos apresentados. Fazse a exemplificação, ainda, pela
II – o gênero deve ser suficientemente amplo para in- apresentação de causas e consequências, usandose
cluir todos os exemplos específicos da coisa definida, e comumente as expressões: porque, porquanto, pois
suficientemente restritos para que a diferença possa ser que, uma vez que, visto que, por causa de, em virtude
LÍNGUA PORTUGUESA

percebida sem dificuldade; de, em vista de, por motivo de.


III – deve ser obrigatoriamente afirmativa: não há, em c) Explicitação
verdade, definição, quando se diz que o “triângulo não O objetivo desse recurso argumentativo é explicar ou
é um prisma”; esclarecer os pontos de vista apresentados. Podese
IV – deve ser recíproca: “O homem é um ser vivo” não alcançar esse objetivo pela definição, pelo testemu-
constitui definição exata, porque a recíproca, “Todo ser nho e pela interpretação. Na explicitação por defini-
vivo é um homem” não é verdadeira (o gato é ser vivo e ção, empregamse expressões como: quer dizer, de-
não é homem); nominase, chamase, na verdade, isto é, haja vista, ou

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melhor; nos testemunhos são comuns as expressões: Comprovação pela experiência ou observação: A
conforme, segundo, na opinião de, no parecer de, con- verdade de um fato ou afirmação pode ser comprovada
soante as ideias de, no entender de, no pensamento por meio de dados concretos, estatísticos ou documentais.
de. A explicitação se faz também pela interpretação, Comprovação pela fundamentação lógica: A
em que são comuns as seguintes expressões: parece, comprovação se realiza por meio de argumentos racionais,
assim, desse ponto de vista. baseados na lógica: causa/efeito; consequência/causa;
d) Enumeração condição/ocorrência.
Fazse pela apresentação de uma sequência de ele- Fatos não se discutem; discutemse opiniões. As
mentos que comprovam uma opinião, tais como a declarações, julgamento, pronunciamentos, apreciações
enumeração de pormenores, de fatos, em uma se- que expressam opiniões pessoais (não subjetivas) devem
quência de tempo, em que são frequentes as ex- ter sua validade comprovada, e só os fatos provam. Em
pressões: primeiro, segundo, por último, antes, depois, resumo toda afirmação ou juízo que expresse uma opinião
ainda, em seguida, então, presentemente, antigamen- pessoal só terá validade se fundamentada na evidência
te, depois de, antes de, atualmente, hoje, no passado, dos fatos, ou seja, se acompanhada de provas, validade
sucessivamente, respectivamente. Na enumeração de dos argumentos, porém, pode ser contestada por meio da
fatos em uma sequência de espaço, empregamse contraargumentação ou refutação. São vários os processos
as seguintes expressões: cá, lá, acolá, ali, aí, além, de contraargumentação:
adiante, perto de, ao redor de, no Estado tal, na capi- Refutação pelo absurdo: refutase uma afirmação
tal, no interior, nas grandes cidades, no sul, no leste. demonstrando o absurdo da consequência. Exemplo
e) Comparação clássico é a contraargumentação do cordeiro, na conhecida
Analogia e contraste são as duas maneiras de se fábula “O lobo e o cordeiro”;
estabelecer a comparação, com a finalidade de Refutação por exclusão: consiste em propor várias
comprovar uma ideia ou opinião. Na analogia, são hipóteses para eliminá-las, apresentandose, então, aquela
comuns as expressões: da mesma forma, tal como, que se julga verdadeira;
tanto quanto, assim como, igualmente. Para esta- Desqualificação do argumento: atribuise o argumento
belecer contraste, empregamse as expressões: mais à opinião pessoal subjetiva do enunciador, restringindose
que, menos que, melhor que, pior que. a universalidade da afirmação;
Ataque ao argumento pelo testemunho de autoridade:
Entre outros tipos de argumentos empregados para consiste em refutar um argumento empregando os testemunhos
aumentar o poder de persuasão de um texto dissertativo de autoridade que contrariam a afirmação apresentada;
encontram-se: Desqualificar dados concretos apresentados: consiste
em desautorizar dados reais, demonstrando que o
Argumento de autoridade: O saber notório de uma enunciador baseouse em dados corretos, mas tirou
autoridade reconhecida em certa área do conhecimento dá conclusões falsas ou inconsequentes. Por exemplo, se na
apoio a uma afirmação. Dessa maneira, procura-se trazer argumentação afirmouse, por meio de dados estatísticos,
para o enunciado a credibilidade da autoridade citada. que “o controle demográfico produz o desenvolvimento”,
Lembre-se que as citações literais no corpo de um texto afirma-se que a conclusão é inconsequente, pois se baseia
constituem argumentos de autoridade. Ao fazer uma citação, em uma relação de causaefeito difícil de ser comprovada.
o enunciador situa os enunciados nela contidos na linha de Para contraargumentar, propõese uma relação inversa: “o
raciocínio que ele considera mais adequada para explicar desenvolvimento é que gera o controle demográfico”.
ou justificar um fato ou fenômeno. Esse tipo de argumento Apresentam-se aqui sugestões possíveis para
tem mais caráter confirmatório que comprobatório. desenvolver um tema, que podem ser analisadas e adaptadas
Apoio na consensualidade: Certas afirmações ao desenvolvimento de outros temas. Elegese um tema, e,
dispensam explicação ou comprovação, pois seu conteúdo em seguida, sugeremse os procedimentos que devem ser
é aceito como válido por consenso, pelo menos em adotados para a elaboração de um Plano de Redação.
determinado espaço sociocultural. Nesse caso, incluem-se:
O homem e a máquina: necessidade e riscos da evo-
- A declaração que expressa uma verdade universal (o lução tecnológica
homem, mortal, aspira à imortalidade); Questionar o tema, transformálo em interrogação,
- A declaração que é evidente por si mesma (caso dos responder a interrogação (assumir um ponto de vista); dar o
postulados e axiomas); porquê da resposta, justificar, criando um argumento básico;
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- Quando escapam ao domínio intelectual, ou seja, é Imaginar um ponto de vista oposto ao argumento
de natureza subjetiva ou sentimental (o amor tem ra- básico e construir uma contra argumentação; pensar a forma
zões que a própria razão desconhece); implica apre- de refutação que poderia ser feita ao argumento básico e
ciação de ordem estética (gosto não se discute); diz tentar desqualificá-la (rever tipos de argumentação);
respeito à fé religiosa, aos dogmas (creio, ainda que Refletir sobre o contexto, ou seja, fazer uma coleta de
parece absurdo). ideias que estejam direta ou indiretamente ligadas ao tema
(as ideias podem ser listadas livremente ou organizadas
como causa e consequência);

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Analisar as ideias anotadas, sua relação com o tema e SIGNIFICADO DAS PALAVRAS
com o argumento básico;
Fazer uma seleção das ideias pertinentes, escolhendo Semântica é o estudo da significação das palavras e das
as que poderão ser aproveitadas no texto; essas ideias suas mudanças de significação através do tempo ou em
transformam-se em argumentos auxiliares, que explicam e determinada época. A maior importância está em distinguir
corroboram a ideia do argumento básico; sinônimos e antônimos (sinonímia / antonímia) e homôni-
Fazer um esboço do Plano de Redação, organizando mos e parônimos (homonímia / paronímia).
uma sequência na apresentação das ideias selecionadas,
obedecendo às partes principais da estrutura do texto, que 1. Sinônimos
poderia ser mais ou menos a seguinte:
São palavras de sentido igual ou aproximado: alfabeto -
Introdução: abecedário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar - abolir.
Duas palavras são totalmente sinônimas quando são
I – função social da ciência e da tecnologia; substituíveis, uma pela outra, em qualquer contexto (cara
II – definições de ciência e tecnologia; e rosto, por exemplo); são parcialmente sinônimas quando,
III – indivíduo e sociedade perante o avanço tecnológico. ocasionalmente, podem ser substituídas, uma pela outra,
em deteminado enunciado (aguadar e esperar).
Desenvolvimento:
I – apresentação de aspectos positivos e negativos do Observação:
desenvolvimento tecnológico; A contribuição greco-latina é responsável pela exis-
II – como o desenvolvimento científico-tecnológico tência de numerosos pares de sinônimos: adversário e
modificou as condições de vida no mundo atual; antagonista; translúcido e diáfano; semicírculo e hemiciclo;
III – a tecnocracia: oposição entre uma sociedade tec- contraveneno e antídoto; moral e ética; colóquio e diálogo;
nologicamente desenvolvida e a dependência tecnoló- transformação e metamorfose; oposição e antítese.
gica dos países subdesenvolvidos;
IV – enumerar e discutir os fatores de desenvolvimento 2. Antônimos
social;
V – comparar a vida de hoje com os diversos tipos de São palavras que se opõem através de seu significado:
vida do passado; apontar semelhanças e diferenças; ordem - anarquia; soberba - humildade; louvar - censurar;
VI – analisar as condições atuais de vida nos grandes mal - bem.
centros urbanos;
VII – como se poderia usar a ciência e a tecnologia para Observação:
humanizar mais a sociedade. A antonímia pode se originar de um prefixo de sentido
Conclusão: oposto ou negativo: bendizer e maldizer; simpático e an-
VIII – a tecnologia pode libertar ou escravizar: benefí- tipático; progredir e regredir; concórdia e discórdia; ativo e
cios/consequências maléficas; inativo; esperar e desesperar; comunista e anticomunista;
IX – síntese interpretativa dos argumentos e contra- simétrico e assimétrico.
-argumentos apresentados.
3. Homônimos e Parônimos
Naturalmente esse não é o único, nem o melhor plano
de redação: é um dos possíveis.  Homônimos = palavras que possuem a mesma gra-
fia ou a mesma pronúncia, mas significados diferen-
tes. Podem ser
SEMÂNTICA: SENTIDO E EMPREGO DOS
VOCÁBULOS; CAMPOS SEMÂNTICOS; A) Homógrafas: são palavras iguais na escrita e dife-
EMPREGO DE TEMPOS E MODOS DOS rentes na pronúncia:
VERBOS EM PORTUGUÊS. rego (subst.) e rego (verbo); colher (verbo) e colher
(subst.); jogo (subst.) e jogo (verbo); denúncia (subst.) e de-
nuncia (verbo); providência (subst.) e providencia (verbo).

“Prezado Candidato, o tópico: Emprego de tempos B) Homófonas: são palavras iguais na pronúncia e di-
LÍNGUA PORTUGUESA

e modos dos verbos em português, será abordado na ferentes na escrita:


íntegra em: Morfologia” acender (atear) e ascender (subir); concertar (harmoni-
zar) e consertar (reparar); cela (compartimento) e sela (ar-
reio); censo (recenseamento) e senso ( juízo); paço (palácio)
e passo (andar).

11
C) Homógrafas e homófonas simultaneamente (ou DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO
perfeitas): São palavras iguais na escrita e na pronúncia:
caminho (subst.) e caminho (verbo); cedo (verbo) e cedo Exemplos de variação no significado das palavras:
(adv.); livre (adj.) e livre (verbo). Os domadores conseguiram enjaular a fera. (sentido li-
teral)
 Parônimos = palavras com sentidos diferentes, po- Ele ficou uma fera quando soube da notícia. (sentido fi-
rém de formas relativamente próximas. São palavras gurado)
parecidas na escrita e na pronúncia: cesta (recep- Aquela aluna é fera na matemática. (sentido figurado)
táculo de vime; cesta de basquete/esporte) e sesta As variações nos significados das palavras ocasionam
(descanso após o almoço), eminente (ilustre) e imi- o sentido denotativo (denotação) e o sentido conotativo
nente (que está para ocorrer), osso (substantivo) e (conotação) das palavras.
ouço (verbo), sede (substantivo e/ou verbo “ser” no
imperativo) e cede (verbo), comprimento (medida) e A) Denotação
cumprimento (saudação), autuar (processar) e atuar Uma palavra é usada no sentido denotativo quando
(agir), infligir (aplicar pena) e infringir (violar), defe- apresenta seu significado original, independentemente
rir (atender a) e diferir (divergir), suar (transpirar) e do contexto em que aparece. Refere-se ao seu significado
soar (emitir som), aprender (conhecer) e apreender mais objetivo e comum, aquele imediatamente reconheci-
(assimilar; apropriar-se de), tráfico (comércio ilegal) do e muitas vezes associado ao primeiro significado que
e tráfego (relativo a movimento, trânsito), mandato aparece nos dicionários, sendo o significado mais literal da
(procuração) e mandado (ordem), emergir (subir à palavra.
superfície) e imergir (mergulhar, afundar). A denotação tem como finalidade informar o receptor
da mensagem de forma clara e objetiva, assumindo um ca-
4. Hiperonímia e Hiponímia ráter prático. É utilizada em textos informativos, como jor-
nais, regulamentos, manuais de instrução, bulas de medi-
Hipônimos e hiperônimos são palavras que pertencem camentos, textos científicos, entre outros. A palavra “pau”,
a um mesmo campo semântico (de sentido), sendo o hipô- por exemplo, em seu sentido denotativo é apenas um pe-
nimo uma palavra de sentido mais específico; o hiperôni- daço de madeira. Outros exemplos:
mo, mais abrangente. O elefante é um mamífero.
O hiperônimo impõe as suas propriedades ao hipônimo, As estrelas deixam o céu mais bonito!
criando, assim, uma relação de dependência semântica. Por
exemplo: Veículos está numa relação de hiperonímia com B) Conotação
carros, já que veículos é uma palavra de significado ge- Uma palavra é usada no sentido conotativo quando
nérico, incluindo motos, ônibus, caminhões. Veículos é um apresenta diferentes significados, sujeitos a diferentes in-
hiperônimo de carros. terpretações, dependendo do contexto em que esteja inse-
Um hiperônimo pode substituir seus hipônimos em rida, referindo-se a sentidos, associações e ideias que vão
quaisquer contextos, mas o oposto não é possível. A utili- além do sentido original da palavra, ampliando sua signifi-
zação correta dos hiperônimos, ao redigir um texto, evita a cação mediante a circunstância em que a mesma é utiliza-
repetição desnecessária de termos. da, assumindo um sentido figurado e simbólico. Como no
exemplo da palavra “pau”: em seu sentido conotativo ela
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS pode significar castigo (dar-lhe um pau), reprovação (tomei
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- pau no concurso).
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. A conotação tem como finalidade provocar sentimen-
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- tos no receptor da mensagem, através da expressividade e
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São afetividade que transmite. É utilizada principalmente numa
Paulo: Saraiva, 2010. linguagem poética e na literatura, mas também ocorre em
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação conversas cotidianas, em letras de música, em anúncios pu-
/ Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. blicitários, entre outros. Exemplos:
XIMENES, Sérgio. Minidicionário Ediouro da Lìngua Por- Você é o meu sol!
tuguesa – 2.ª ed. reform. – São Paulo: Ediouro, 2000. Minha vida é um mar de tristezas.
Você tem um coração de pedra!
SITE
LÍNGUA PORTUGUESA

http://www.coladaweb.com/portugues/sinonimos,-an-
tonimos,-homonimos-e-paronimos #FicaDica
Procure associar Denotação com Dicionário:
trata-se de definição literal, quando o termo
é utilizado com o sentido que consta no
dicionário.

12
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 2. Polissemia e ambiguidade
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto na
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- interpretação. Na língua portuguesa, um enunciado pode
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São ser ambíguo, ou seja, apresentar mais de uma interpreta-
Paulo: Saraiva, 2010. ção. Esta ambiguidade pode ocorrer devido à colocação
específica de uma palavra (por exemplo, um advérbio) em
SITE uma frase. Vejamos a seguinte frase:
http://www.normaculta.com.br/conotacao-e-denota- Pessoas que têm uma alimentação equilibrada frequen-
cao/ temente são felizes.
Neste caso podem existir duas interpretações diferen-
tes:
POLISSEMIA As pessoas têm alimentação equilibrada porque são feli-
zes ou são felizes porque têm uma alimentação equilibrada.
Polissemia é a propriedade de uma palavra adquirir De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, ela
multiplicidade de sentidos, que só se explicam dentro de pode induzir uma pessoa a fazer mais do que uma inter-
um contexto. Trata-se, realmente, de uma única palavra, pretação. Para fazer a interpretação correta é muito impor-
mas que abarca um grande número de significados dentro tante saber qual o contexto em que a frase é proferida.
de seu próprio campo semântico. Muitas vezes, a disposição das palavras na construção
Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo perce- do enunciado pode gerar ambiguidade ou, até mesmo, co-
bemos que o prefixo “poli” significa multiplicidade de algo. micidade. Repare na figura abaixo:
Possibilidades de várias interpretações levando-se em con-
sideração as situações de aplicabilidade. Há uma infinida-
de de exemplos em que podemos verificar a ocorrência da
polissemia:
O rapaz é um tremendo gato.
O gato do vizinho é peralta.
Precisei fazer um gato para que a energia voltasse.
Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua so-
brevivência
O passarinho foi atingido no bico.

Nas expressões polissêmicas rede de deitar, rede de


computadores e rede elétrica, por exemplo, temos em co-
mum a palavra “rede”, que dá às expressões o sentido de (http://www.humorbabaca.com/fotos/diversas/corto-ca-
“entrelaçamento”. Outro exemplo é a palavra “xadrez”, belo-e-pinto. Acesso em 15/9/2014).
que pode ser utilizada representando “tecido”, “prisão” ou
“jogo” – o sentido comum entre todas as expressões é o Poderíamos corrigir o cartaz de inúmeras maneiras, mas
formato quadriculado que têm. duas seriam:
Corte e coloração capilar
1. Polissemia e homonímia ou
Faço corte e pintura capilar
A confusão entre polissemia e homonímia é bastante
comum. Quando a mesma palavra apresenta vários signifi- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
cados, estamos na presença da polissemia. Por outro lado, Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
quando duas ou mais palavras com origens e significados reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
distintos têm a mesma grafia e fonologia, temos uma ho- Paulo: Saraiva, 2010.
monímia. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
significar uma fruta ou uma parte de uma camisa. Não é
polissemia porque os diferentes significados para a pala- SITE
LÍNGUA PORTUGUESA

vra “manga” têm origens diferentes. “Letra” é uma palavra http://www.brasilescola.com/gramatica/polissemia.htm


polissêmica: pode significar o elemento básico do alfabeto,
o texto de uma canção ou a caligrafia de um determinado
indivíduo. Neste caso, os diferentes significados estão in-
terligados porque remetem para o mesmo conceito, o da
escrita.

13
1. Locução adjetiva
EXERCÍCIO COMENTADO Locução = reunião de palavras. Sempre que são neces-
sárias duas ou mais palavras para falar sobre a mesma coi-
1. (SUSAM-AM – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO – sa, tem-se locução. Às vezes, uma preposição + substanti-
FGV – 2014) “o país teve de recorrer a um programa de vo tem o mesmo valor de um adjetivo: é a Locução Adjetiva
racionamento”. Assinale a opção que apresenta a forma de (expressão que equivale a um adjetivo). Por exemplo: aves
reescrever esse segmento, que altera o seu sentido original. da noite (aves noturnas), paixão sem freio (paixão desen-
freada).
a) O Brasil foi obrigado a recorrer a um programa de Observe outros exemplos:
racionamento.
b) O país teve como recurso recorrer a um programa de
racionamento. de águia aquilino
c) O Brasil foi levado a recorrer a um programa de racio- de aluno discente
namento. de anjo angelical
d) O país obrigou-se a recorrer a um programa de racio-
namento. de ano anual
e) O Brasil optou por um programa de racionamento. de aranha aracnídeo

Resposta: Letra E. “o país teve de recorrer a um progra- de boi bovino


ma de racionamento”. Assinale a opção que apresenta a de cabelo capilar
forma de reescrever esse segmento, QUE ALTERA O de cabra caprino
SEU SENTIDO ORIGINAL.
Em “a”: O Brasil foi obrigado a recorrer a um programa de campo campestre ou rural
de racionamento = mesmo sentido. de chuva pluvial
Em “b”: O país teve como recurso recorrer a um pro-
grama de racionamento = mesmo sentido. de criança pueril
Em “c”: O Brasil foi levado a recorrer a um programa de de dedo digital
racionamento = mesmo sentido. de estômago estomacal ou gástrico
Em “d”: O país obrigou-se a recorrer a um programa de
racionamento = mesmo sentido. de falcão falconídeo
Em “e”: O Brasil optou por um programa de racionamen- de farinha farináceo
to = mudança de sentido (segundo o enunciado, o país
não teve outra opção a não ser recorrer. Na alternativa, de fera ferino
provavelmente havia outras opções, e o país escolheu a de ferro férreo
de “recorrer”).
de fogo ígneo
de garganta gutural

MORFOLOGIA: RECONHECIMENTO, de gelo glacial


EMPREGO E SENTIDO DAS CLASSES de guerra bélico
GRAMATICAIS; PROCESSOS DE FORMAÇÃO de homem viril ou humano
DE PALAVRAS; MECANISMOS DE FLEXÃO
de ilha insular
DOS NOMES E VERBOS.
de inverno hibernal ou invernal
de lago lacustre

ADJETIVO de leão leonino


de lebre l eporino
É a palavra que expressa uma qualidade ou caracterís-
de lua lunar ou selênico
tica do ser e se relaciona com o substantivo, concordando
de madeira lígneo
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com este em gênero e número.


As praias brasileiras estão poluídas. de mestre magistral
Praias = substantivo; brasileiras/poluídas = adjetivos
(plural e feminino, pois concordam com “praias”). de ouro áureo
de paixão passional
de pâncreas pancreático
de porco suíno ou porcino

14
dos quadris ciático
de rio fluvial
de sonho onírico
de velho senil
de vento eólico
de vidro vítreo ou hialino
de virilha inguinal
de visão óptico ou ótico

Observação:
Nem toda locução adjetiva possui um adjetivo correspondente, com o mesmo significado: Vi as alunas da 5ª série. / O
muro de tijolos caiu.

2 Morfossintaxe do Adjetivo (Função Sintática):

O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função dentro de uma oração) relativas aos substantivos, atuando como
adjunto adnominal ou como predicativo (do sujeito ou do objeto).

3 Adjetivo Pátrio (ou gentílico)

Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Observe alguns deles:

Estados e cidades brasileiras:

Alagoas alagoano
Amapá amapaense
Aracaju aracajuano ou aracajuense
Amazonas amazonense ou baré
Belo Horizonte belo-horizontino
Brasília brasiliense
Cabo Frio cabo-friense
Campinas campineiro ou campinense

4 Adjetivo Pátrio Composto

Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, erudita.
Observe alguns exemplos:

África afro- / Cultura afro-americana


Alemanha germano- ou teuto-/Competições teuto-inglesas
América américo- / Companhia américo-africana
Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses
China sino- / Acordos sino-japoneses
LÍNGUA PORTUGUESA

Espanha hispano- / Mercado hispano-português


Europa euro- / Negociações euro-americanas
França franco- ou galo- / Reuniões franco-italianas
Grécia greco- / Filmes greco-romanos
Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas

15
Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros

5 Flexão dos adjetivos

O adjetivo varia em gênero, número e grau.

6. Gênero dos Adjetivos

Os adjetivos concordam com o substantivo a que se referem (masculino e feminino). De forma semelhante aos subs-
tantivos, classificam-se em:
A) Biformes - têm duas formas, sendo uma para o masculino e outra para o feminino: ativo e ativa, mau e má.
Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no feminino somente o último elemento: o moço norte-americano, a
moça norte-americana.
Exceção: surdo-mudo e surda-muda.

B) Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino como para o feminino: homem feliz e mulher feliz.
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no feminino: conflito político-social e desavença político-social.

7 Número dos Adjetivos

A) Plural dos adjetivos simples


Os adjetivos simples se flexionam no plural de acordo com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos substan-
tivos simples: mau e maus, feliz e felizes, ruim e ruins, boa e boas.
Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra que
estiver qualificando um elemento for, originalmente, um substantivo, ela manterá sua forma primitiva. Exemplo: a palavra
cinza é, originalmente, um substantivo; porém, se estiver qualificando um elemento, funcionará como adjetivo. Ficará, en-
tão, invariável. Logo: camisas cinza, ternos cinza.
Motos vinho (mas: motos verdes)
Paredes musgo (mas: paredes brancas).
Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).

B) Adjetivo Composto
É aquele formado por dois ou mais elementos. Normalmente, esses elementos são ligados por hífen. Apenas o último
elemento concorda com o substantivo a que se refere; os demais ficam na forma masculina, singular. Caso um dos ele-
mentos que formam o adjetivo composto seja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo composto ficará invariável. Por
exemplo: a palavra “rosa” é, originalmente, um substantivo, porém, se estiver qualificando um elemento, funcionará como
adjetivo. Caso se ligue a outra palavra por hífen, formará um adjetivo composto; como é um substantivo adjetivado, o ad-
jetivo composto inteiro ficará invariável. Veja:
Camisas rosa-claro.
Ternos rosa-claro.
Olhos verde-claros.
Calças azul-escuras e camisas verde-mar.
Telhados marrom-café e paredes verde-claras.

Observação:
Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer adjetivo composto iniciado por “cor-de-...” são sempre invariáveis:
roupas azul-marinho, tecidos azul-celeste, vestidos cor-de-rosa.
O adjetivo composto surdo-mudo tem os dois elementos flexionados: crianças surdas-mudas.
LÍNGUA PORTUGUESA

8 Grau do Adjetivo

Os adjetivos se flexionam em grau para indicar a intensidade da qualidade do ser. São dois os graus do adjetivo: o
comparativo e o superlativo.

16
A) Comparativo
difícil - dificílimo
Nesse grau, comparam-se a mesma característica atri-
buída a dois ou mais seres ou duas ou mais características doce - dulcíssimo
atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser de igual- fácil - facílimo
dade, de superioridade ou de inferioridade.
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade fiel - fidelíssimo
No comparativo de igualdade, o segundo termo da
comparação é introduzido pelas palavras como, quanto ou B.2 Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade
quão. de um ser é intensificada em relação a um conjunto de se-
res. Essa relação pode ser:
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Supe-  De Superioridade: Essa matéria é a mais fácil de
rioridade todas.
 De Inferioridade: Essa matéria é a menos fácil de
Sílvia é menos alta que Tiago. = Comparativo de Infe- todas.
rioridade
O superlativo absoluto analítico é expresso por meio
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de su- dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente, an-
perioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São eles: tepostos ao adjetivo.
bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/superior, O superlativo absoluto sintético se apresenta sob duas
grande/maior, baixo/inferior. formas: uma erudita - de origem latina – e outra popular
- de origem vernácula. A forma erudita é constituída pelo
Observe que: radical do adjetivo latino + um dos sufixos -íssimo, -imo ou
 As formas menor e pior são comparativos de su- érrimo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo; a popular é cons-
perioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais tituída do radical do adjetivo português + o sufixo -íssimo:
mau, respectivamente. pobríssimo, agilíssimo.
 Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas Os adjetivos terminados em –io fazem o superlativo
(melhor, pior, maior e menor), porém, em compara- com dois “ii”: frio – friíssimo, sério – seriíssimo; os termi-
ções feitas entre duas qualidades de um mesmo ele- nados em –eio, com apenas um “i”: feio - feíssimo, cheio
mento, deve-se usar as formas analíticas mais bom, – cheíssimo.
mais mau,mais grande e mais pequeno. Por exemplo:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois ele- Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
mentos. reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de Paulo: Saraiva, 2010.
duas qualidades de um mesmo elemento. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de Infe- coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
rioridade Português: novas palavras: literatura, gramática, redação
Sou menos passivo (do) que tolerante. / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

B) Superlativo SITE
O superlativo expressa qualidades num grau muito ele- http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf32.
vado ou em grau máximo. Pode ser absoluto ou relativo e php
apresenta as seguintes modalidades:
B.1 Superlativo Absoluto: ocorre quando a qualidade
de um ser é intensificada, sem relação com outros seres. ADVÉRBIO
Apresenta-se nas formas:
 Analítica: a intensificação é feita com o auxílio de Compare estes exemplos:
palavras que dão ideia de intensidade (advérbios). O ônibus chegou.
Por exemplo: O concurseiro é muito esforçado. O ônibus chegou ontem.
 Sintética: nessa, há o acréscimo de sufixos. Por
exemplo: O concurseiro é esforçadíssimo. Advérbio é uma palavra invariável que modifica o sen-
LÍNGUA PORTUGUESA

Observe alguns superlativos sintéticos: tido do verbo (acrescentando-lhe circunstâncias de tempo,


de modo, de lugar, de intensidade), do adjetivo e do próprio
advérbio.
benéfico - beneficentíssimo Estudei bastante. = modificando o verbo estudei
bom - boníssimo ou ótimo Ele canta muito bem! = intensificando outro advérbio
(bem)
comum - comuníssimo
Ela tem os olhos muito claros. = relação com um adje-
cruel - crudelíssimo tivo (claros)

17
Quando modifica um verbo, o advérbio pode acrescen- noite, de manhã, de repente, de vez em quando, de
tar ideia de: quando em quando, a qualquer momento, de tempos
Tempo: Ela chegou tarde. em tempos, em breve, hoje em dia.
Lugar: Ele mora aqui. C) Modo: bem, mal, assim, adrede, melhor, pior, depres-
Modo: Eles agiram mal. sa, acinte, debalde, devagar, às pressas, às claras, às
Negação: Ela não saiu de casa. cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos poucos,
Dúvida: Talvez ele volte. desse jeito, desse modo, dessa maneira, em geral, fren-
te a frente, lado a lado, a pé, de cor, em vão e a maior
1. Flexão do Advérbio parte dos que terminam em “-mente”: calmamente,
tristemente, propositadamente, pacientemente, amo-
Os advérbios são palavras invariáveis, isto é, não apre- rosamente, docemente, escandalosamente, bondosa-
sentam variação em gênero e número. Alguns advérbios, mente, generosamente.
porém, admitem a variação em grau. Observe: D) Afirmação: sim, certamente, realmente, decerto, efe-
tivamente, certo, decididamente, deveras, indubitavel-
A) Grau Comparativo mente.
Forma-se o comparativo do advérbio do mesmo modo E) Negação: não, nem, nunca, jamais, de modo algum,
que o comparativo do adjetivo: de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum.
 de igualdade: tão + advérbio + quanto (como): Re- F) Dúvida: acaso, porventura, possivelmente, provavel-
nato fala tão alto quanto João. mente, quiçá, talvez, casualmente, por certo, quem
 de inferioridade: menos + advérbio + que (do que): sabe.
Renato fala menos alto do que João. G) Intensidade: muito, demais, pouco, tão, em excesso,
 de superioridade: bastante, mais, menos, demasiado, quanto, quão, tan-
A.1 Analítico: mais + advérbio + que (do que): Renato to, assaz, que (equivale a quão), tudo, nada, todo, qua-
fala mais alto do que João. se, de todo, de muito, por completo, extremamente,
A.2 Sintético: melhor ou pior que (do que): Renato fala intensamente, grandemente, bem (quando aplicado a
melhor que João. propriedades graduáveis).
H) Exclusão: apenas, exclusivamente, salvo, senão, so-
B) Grau Superlativo mente, simplesmente, só, unicamente. Por exemplo:
O superlativo pode ser analítico ou sintético: Brando, o vento apenas move a copa das árvores.
B.1 Analítico: acompanhado de outro advérbio: Renato I) Inclusão: ainda, até, mesmo, inclusivamente, também.
fala muito alto. Por exemplo: O indivíduo também amadurece duran-
muito = advérbio de intensidade / alto = advérbio de te a adolescência.
modo J) Ordem: depois, primeiramente, ultimamente. Por
B.2 Sintético: formado com sufixos: Renato fala altís- exemplo: Primeiramente, eu gostaria de agradecer
simo. aos meus amigos por comparecerem à festa.

Observação: Saiba que:


As formas diminutivas (cedinho, pertinho, etc.) são co- Para se exprimir o limite de possibilidade, antepõe-se
muns na língua popular. ao advérbio “o mais” ou “o menos”. Por exemplo: Ficarei
Maria mora pertinho daqui. (muito perto) o mais longe que puder daquele garoto. Voltarei o menos
A criança levantou cedinho. (muito cedo) tarde possível.

2. Classificação dos Advérbios Quando ocorrem dois ou mais advérbios em -mente,


em geral sufixamos apenas o último: O aluno respondeu
De acordo com a circunstância que exprime, o advérbio calma e respeitosamente.
pode ser de:
A) Lugar: aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, 3. Distinção entre Advérbio e Pronome Indefinido
atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto,
aí, abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, defronte, Há palavras como muito, bastante, que podem aparecer
nenhures, adentro, afora, alhures, nenhures, aquém, como advérbio e como pronome indefinido.
embaixo, externamente, à distância, à distância de,
LÍNGUA PORTUGUESA

de longe, de perto, em cima, à direita, à esquerda, ao Advérbio: refere-se a um verbo, adjetivo, ou a outro
lado, em volta. advérbio e não sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muito.
B) Tempo: hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora, Pronome Indefinido: relaciona-se a um substantivo e
amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muitos quilômetros.
antes, doravante, nunca, então, ora, jamais, agora,
sempre, já, enfim, afinal, amiúde, breve, constante-
mente, entrementes, imediatamente, primeiramente,
provisoriamente, sucessivamente, às vezes, à tarde, à

18
Quanto a sua função sintática: o advérbio e a locução
#FicaDica adverbial desempenham na oração a função de adjunto
adverbial, classificando-se de acordo com as circunstân-
Como saber se a palavra bastante é advérbio cias que acrescentam ao verbo, ao adjetivo ou ao advérbio.
(não varia, não se flexiona) ou pronome indefi- Exemplo:
nido (varia, sofre flexão)? Se der, na frase, para Meio cansada, a candidata saiu da sala. = adjunto ad-
substituir o “bastante” por “muito”, estamos verbial de intensidade (ligado ao adjetivo “cansada”)
diante de um advérbio; se der para substituir Trovejou muito ontem. = adjunto adverbial de intensida-
por “muitos” (ou muitas), é um pronome. Veja: de e de tempo, respectivamente.
1. Estudei bastante para o concurso. (estudei
muito, pois “muitos” não dá!) = advérbio REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
2. Estudei bastantes capítulos para o concurso. Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
(estudei muitos capítulos) = pronome indefini- reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
do Paulo: Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação
/ Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
4. Advérbios Interrogativos SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
São as palavras: onde? aonde? donde? quando? como?
por quê? nas interrogações diretas ou indiretas, referentes SITE
às circunstâncias de lugar, tempo, modo e causa. Veja: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf75.
php
Interrogação Direta Interrogação Indireta
Artigo
Como aprendeu? Perguntei como aprendeu.
Onde mora? Indaguei onde morava. O artigo integra as dez classes gramaticais, definindo-
-se como o termo variável que serve para individualizar ou
Por que choras? Não sei por que choras. generalizar o substantivo, indicando, também, o gênero
Aonde vai? Perguntei aonde ia. (masculino/feminino) e o número (singular/plural).
Os artigos se subdividem em definidos (“o” e as va-
Donde vens? Pergunto donde vens.
riações “a”[as] e [os]) e indefinidos (“um” e as variações
Quando voltas? Pergunto quando voltas. “uma”[s] e “uns]).

5. Locução Adverbial A) Artigos definidos – São usados para indicar seres


determinados, expressos de forma individual: O con-
Quando há duas ou mais palavras que exercem função curseiro estuda muito. Os concurseiros estudam mui-
de advérbio, temos a locução adverbial, que pode expres- to.
sar as mesmas noções dos advérbios. Iniciam ordinaria- B) Artigos indefinidos – usados para indicar seres de
mente por uma preposição. Veja: modo vago, impreciso: Uma candidata foi aprovada!
A) lugar: à esquerda, à direita, de longe, de perto, para Umas candidatas foram aprovadas!
dentro, por aqui, etc.
B) afirmação: por certo, sem dúvida, etc. 1. Circunstâncias em que os artigos se manifestam:
C) modo: às pressas, passo a passo, de cor, em vão, em
geral, frente a frente, etc. Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do nu-
D) tempo: de noite, de dia, de vez em quando, à tarde, meral “ambos”: Ambos os concursos cobrarão tal conteúdo.
hoje em dia, nunca mais, etc. Nomes próprios indicativos de lugar (ou topônimos)
A locução adverbial e o advérbio modificam o verbo, o admitem o uso do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de
adjetivo e outro advérbio: Janeiro, Veneza, A Bahia...
Chegou muito cedo. (advérbio) Quando indicado no singular, o artigo definido pode
Joana é muito bela. (adjetivo) indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem.
De repente correram para a rua. (verbo)
LÍNGUA PORTUGUESA

No caso de nomes próprios personativos, denotando a


Usam-se, de preferência, as formas mais bem e mais ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso do
mal antes de adjetivos ou de verbos no particípio: artigo: Marcela é a mais extrovertida das irmãs. / O Pedro é
Essa matéria é mais bem interessante que aquela. o xodó da família.
Nosso aluno foi o mais bem colocado no concurso! No caso de os nomes próprios personativos estarem no
O numeral “primeiro”, ao modificar o verbo, é advérbio: plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias, os
Cheguei primeiro. Incas, Os Astecas...

19
Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a) 1. Morfossintaxe da Conjunção
para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (do
artigo), o pronome assume a noção de “qualquer”. As conjunções, a exemplo das preposições, não exer-
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda) cem propriamente uma função sintática: são conectivos.
Toda classe possui alunos interessados e desinteressados.
(qualquer classe) 2. Classificação da Conjunção

Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é fa- De acordo com o tipo de relação que estabelecem, as
cultativo: Preparei o meu curso. Preparei meu curso. conjunções podem ser classificadas em coordenativas e
A utilização do artigo indefinido pode indicar uma ideia subordinativas. No primeiro caso, os elementos ligados
de aproximação numérica: O máximo que ele deve ter é uns pela conjunção podem ser isolados um do outro. Esse iso-
vinte anos. lamento, no entanto, não acarreta perda da unidade de
O artigo também é usado para substantivar palavras sentido que cada um dos elementos possui. Já no segundo
pertencentes a outras classes gramaticais: Não sei o porquê caso, cada um dos elementos ligados pela conjunção de-
de tudo isso. / O bem vence o mal. pende da existência do outro. Veja:
Estudei muito, mas ainda não compreendi o conteúdo.
2. Há casos em que o artigo definido não pode ser Podemos separá-las por ponto:
usado: Estudei muito. Ainda não compreendi o conteúdo.
Antes de nomes de cidade (topônimo) e de pessoas co-
nhecidas: O professor visitará Roma. Temos acima um exemplo de conjunção (e, consequen-
temente, orações coordenadas) coordenativa – “mas”. Já em:
Mas, se o nome apresentar um caracterizador, a pre- Espero que eu seja aprovada no concurso!
sença do artigo será obrigatória: O professor visitará a bela Não conseguimos separar uma oração da outra, pois
Roma. a segunda “completa” o sentido da primeira (da oração
principal): Espero o quê? Ser aprovada. Nesse período te-
Antes de pronomes de tratamento: Vossa Senhoria sairá mos uma oração subordinada substantiva objetiva direta
agora? (ela exerce a função de objeto direto do verbo da oração
Exceção: O senhor vai à festa? principal).

Após o pronome relativo “cujo” e suas variações: Esse é 3. Conjunções Coordenativas


o concurso cujas provas foram anuladas?/ Este é o candidato
cuja nota foi a mais alta. São aquelas que ligam orações de sentido completo e
independente ou termos da oração que têm a mesma fun-
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ção gramatical. Subdividem-se em:
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- A) Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São ideia de acréscimo ou adição. São elas: e, nem (= e
Paulo: Saraiva, 2010. não), não só... mas também, não só... como também,
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação bem como, não só... mas ainda.
/ Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.SACCONI, A sua pesquisa é clara e objetiva.
Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Não só dança, mas também canta.
Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- B) Adversativas: ligam duas orações ou palavras, ex-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São pressando ideia de contraste ou compensação. São
Paulo: Saraiva, 2010. elas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no en-
tanto, não obstante.
SITE Tentei chegar mais cedo, porém não consegui.
http://www.brasilescola.com/gramatica/artigo.htm

C) Alternativas: ligam orações ou palavras, expressan-


CONJUNÇÃO do ideia de alternância ou escolha, indicando fatos
que se realizam separadamente. São elas: ou, ou... ou,
LÍNGUA PORTUGUESA

Além da preposição, há outra palavra também invariá- ora... ora, já... já, quer... quer, seja... seja, talvez... talvez.
vel que, na frase, é usada como elemento de ligação: a con- Ou escolho agora, ou fico sem presente de aniversário.
junção. Ela serve para ligar duas orações ou duas palavras
de mesma função em uma oração: D) Conclusivas: ligam a oração anterior a uma oração
O concurso será realizado nas cidades de Campinas e que expressa ideia de conclusão ou consequência.
São Paulo. São elas: logo, pois (depois do verbo), portanto, por
A prova não será fácil, por isso estou estudando muito. conseguinte, por isso, assim.

20
Marta estava bem preparada para o teste, portanto não
ficou nervosa. #FicaDica
Você nos ajudou muito; terá, pois, nossa gratidão.
Você deve ter percebido que a conjunção con-
E) Explicativas: ligam a oração anterior a uma oração dicional “se” também é conjunção integrante.
que a explica, que justifica a ideia nela contida. São A diferença é clara ao ler as orações que são
elas: que, porque, pois (antes do verbo), porquanto. introduzidas por ela. Acima, ela nos dá a ideia
Não demore, que o filme já vai começar. da condição para que recebamos um telefo-
Falei muito, pois não gosto do silêncio! nema (se for preciso ajuda). Já na oração: Não
sei se farei o concurso. Não há ideia de
4. Conjunções Subordinativas condição alguma, há? Outra coisa: o verbo da
oração principal (sei) pede complemento (ob-
São aquelas que ligam duas orações, sendo uma delas jeto direto, já que “quem não sabe, não sabe
dependente da outra. A oração dependente, introduzida algo”). Portanto, a oração em destaque exerce
pelas conjunções subordinativas, recebe o nome de ora- a função de objeto direto da oração principal,
ção subordinada. Veja o exemplo: O baile já tinha começado sendo classificada como oração subordinada
quando ela chegou. substantiva objetiva direta.
O baile já tinha começado: oração principal
quando: conjunção subordinativa (adverbial temporal)
ela chegou: oração subordinada D) Conformativas: introduzem uma oração que expri-
me a conformidade de um fato com outro. São elas:
As conjunções subordinativas subdividem-se em inte- conforme, como (= conforme), segundo, consoante,
grantes e adverbiais: etc.
O passeio ocorreu como havíamos planejado.
Integrantes - Indicam que a oração subordinada por
elas introduzida completa ou integra o sentido da princi- E) Finais: introduzem uma oração que expressa a finali-
pal. Introduzem orações que equivalem a substantivos, ou dade ou o objetivo com que se realiza a oração prin-
seja, as orações subordinadas substantivas. São elas: que, cipal. São elas: para que, a fim de que, que, porque (=
se. para que), que, etc.
Quero que você volte. (Quero sua volta) Toque o sinal para que todos entrem no salão.

Adverbiais - Indicam que a oração subordinada exerce F) Proporcionais: introduzem uma oração que expres-
a função de adjunto adverbial da principal. De acordo com sa um fato relacionado proporcionalmente à ocor-
a circunstância que expressam, classificam-se em: rência do expresso na principal. São elas: à medida
que, à proporção que, ao passo que e as combina-
A) Causais: introduzem uma oração que é causa da ções quanto mais... (mais), quanto menos... (menos),
ocorrência da oração principal. São elas: porque, que, quanto menos... (mais), quanto menos... (menos), etc.
como (= porque, no início da frase), pois que, visto O preço fica mais caro à medida que os produtos escas-
que, uma vez que, porquanto, já que, desde que, etc. seiam.
Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios.
Observação:
B) Concessivas: introduzem uma oração que expressa São incorretas as locuções proporcionais à medida em
ideia contrária à da principal, sem, no entanto, impe- que, na medida que e na medida em que.
dir sua realização. São elas: embora, ainda que, ape-
sar de que, se bem que, mesmo que, por mais que, G) Temporais: introduzem uma oração que acrescen-
posto que, conquanto, etc. ta uma circunstância de tempo ao fato expresso na
Embora fosse tarde, fomos visitá-lo. oração principal. São elas: quando, enquanto, antes
que, depois que, logo que, todas as vezes que, desde
C) Condicionais: introduzem uma oração que indica a que, sempre que, assim que, agora que, mal (= assim
hipótese ou a condição para ocorrência da principal. que), etc.
São elas: se, caso, contanto que, salvo se, a não ser A briga começou assim que saímos da festa.
LÍNGUA PORTUGUESA

que, desde que, a menos que, sem que, etc.


Se precisar de minha ajuda, telefone-me. H) Comparativas: introduzem uma oração que ex-
pressa ideia de comparação com referência à oração
principal. São elas: como, assim como, tal como, como
se, (tão)... como, tanto como, tanto quanto, do que,
quanto, tal, qual, tal qual, que nem, que (combinado
com menos ou mais), etc.
O jogo de hoje será mais difícil que o de ontem.

21
I) Consecutivas: introduzem uma oração que expressa Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte!
a consequência da principal. São elas: de sorte que, de puxa: interjeição; tom da fala: decepção
modo que, sem que (= que não), de forma que, de jeito
que, que (tendo como antecedente na oração principal As interjeições cumprem, normalmente, duas funções:
uma palavra como tal, tão, cada, tanto, tamanho), etc. A) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo alegria,
Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do tristeza, dor, etc.: Ah, deve ser muito interessante!
exame. B) Sintetizar uma frase apelativa: Cuidado! Saia da mi-
nha frente.
FIQUE ATENTO!
As interjeições podem ser formadas por:
Muitas conjunções não têm classificação única,  simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô
imutável, devendo, portanto, ser classificadas  palavras: Oba! Olá! Claro!
de acordo com o sentido que apresentam no  grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu Deus!
contexto (destaque da Zê!). Ora bolas!

1. Classificação das Interjeições


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- Comumente, as interjeições expressam sentido de:
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. A) Advertência: Cuidado! Devagar! Calma! Sentido!
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- Atenção! Olha! Alerta!
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São B) Afugentamento: Fora! Passa! Rua!
Paulo: Saraiva, 2010. C) Alegria ou Satisfação: Oh! Ah! Eh! Oba! Viva!
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação D) Alívio: Arre! Uf! Ufa! Ah!
/ Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. E) Animação ou Estímulo: Vamos! Força! Coragem!
Ânimo! Adiante!
SITE F) Aplauso ou Aprovação: Bravo! Bis! Apoiado! Viva!
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf84.php G) Concordância: Claro! Sim! Pois não! Tá!
H) Repulsa ou Desaprovação: Credo! Ih! Francamente!
Essa não! Chega! Basta!
NTERJEIÇÃO I) Desejo ou Intenção: Pudera! Tomara! Oxalá! Queira
Deus!
Interjeição é a palavra invariável que exprime emoções, J) Desculpa: Perdão!
sensações, estados de espírito. É um recurso da linguagem K) Dor ou Tristeza: Ai! Ui! Ai de mim! Que pena!
afetiva, em que não há uma ideia organizada de maneira L) Dúvida ou Incredulidade: Que nada! Qual o quê!
lógica, como são as sentenças da língua, mas sim a ma- M) Espanto ou Admiração: Oh! Ah! Uai! Puxa! Céus!
nifestação de um suspiro, um estado da alma decorrente Quê! Caramba! Opa! Nossa! Hein? Cruz! Putz!
de uma situação particular, um momento ou um contexto N) Impaciência ou Contrariedade: Hum! Raios! Puxa!
específico. Exemplos: Pô! Ora!
Ah, como eu queria voltar a ser criança! O) Pedido de Auxílio: Socorro! Aqui! Piedade!
ah: expressão de um estado emotivo = interjeição P) Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve! Viva!
Hum! Esse pudim estava maravilhoso! Olá! Alô! Tchau! Psiu! Socorro! Valha-me, Deus!
hum: expressão de um pensamento súbito = interjeição Q) Silêncio: Psiu! Silêncio!
R) Terror ou Medo: Credo! Cruzes! Minha nossa!
O significado das interjeições está vinculado à maneira
como elas são proferidas. O tom da fala é que dita o senti- Saiba que:
do que a expressão vai adquirir em cada contexto em que As interjeições são palavras invariáveis, isto é, não so-
for utilizada. Exemplos: frem variação em gênero, número e grau como os nomes,
nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto e voz
Psiu! como os verbos. No entanto, em uso específico, algumas
contexto: alguém pronunciando esta expressão na rua; interjeições sofrem variação em grau. Não se trata de um
significado da interjeição (sugestão): “Estou te chamando! processo natural desta classe de palavra, mas tão só uma
LÍNGUA PORTUGUESA

Ei, espere!” variação que a linguagem afetiva permite. Exemplos: oizi-


Psiu! nho, bravíssimo, até loguinho.
contexto: alguém pronunciando em um hospital; signi-
ficado da interjeição (sugestão): “Por favor, faça silêncio!” 2. Locução Interjetiva

Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio! Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma
puxa: interjeição; tom da fala: euforia expressão com sentido de interjeição: Ora bolas!, Virgem
Maria!, Meu Deus!, Ó de casa!, Ai de mim!, Graças a Deus!

22
Toda frase mais ou menos breve dita em tom exclama- 1. Classificação dos Numerais
tivo torna-se uma locução interjetiva, dispensando análise
dos termos que a compõem: Macacos me mordam!, Valha- A) Cardinais: indicam quantidade exata ou determina-
-me Deus!, Quem me dera! da de seres: um, dois, cem mil, etc. Alguns cardinais
têm sentido coletivo, como por exemplo: século, par,
1. As interjeições são como frases resumidas, sintéticas. dúzia, década, bimestre.
Por exemplo: Ué! (= Eu não esperava por essa!) / B) Ordinais: indicam a ordem, a posição que alguém
Perdão! (= Peço-lhe que me desculpe) ou alguma coisa ocupa numa determinada sequên-
cia: primeiro, segundo, centésimo, etc.
2. Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é
o seu tom exclamativo; por isso, palavras de outras
classes gramaticais podem aparecer como interjei- #FicaDica
ções. Por exemplo: Viva! Basta! (Verbos) / Fora! Fran-
As palavras anterior, posterior, último, antepe-
camente! (Advérbios)
núltimo, final e penúltimo também indicam
posição dos seres, mas são classificadas como
3. A interjeição pode ser considerada uma “palavra-fra-
adjetivos, não ordinais.
se” porque sozinha pode constituir uma mensagem.
Por exemplo: Socorro! Ajudem-me! Silêncio! Fique
quieto!
C) Fracionários: indicam parte de uma quantidade, ou
4. Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imi- seja, uma divisão dos seres: meio, terço, dois quintos,
tativas, que exprimem ruídos e vozes. Por exemplo: etc.
Miau! Bumba! Zás! Plaft! Pof! Catapimba! Tique-ta- D) Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação
que! Quá-quá-quá!, etc. dos seres, indicando quantas vezes a quantidade foi
aumentada: dobro, triplo, quíntuplo, etc.
5. Não se deve confundir a interjeição de apelo “ó” com
a sua homônima “oh!”, que exprime admiração, ale- 2. Flexão dos numerais
gria, tristeza, etc. Faz-se uma pausa depois do “oh!”
exclamativo e não a fazemos depois do “ó” vocativo. Os numerais cardinais que variam em gênero são um/
Por exemplo: “Ó natureza! ó mãe piedosa e pura!” uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/du-
(Olavo Bilac) zentas em diante: trezentos/trezentas, quatrocentos/quatro-
centas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão, variam
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS em número: milhões, bilhões, trilhões. Os demais cardinais
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- são invariáveis.
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Os numerais ordinais variam em gênero e número:
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática
– volume único / Samira Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa primeiro segundo milésimo
Souza. – 3. Ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
primeira segunda milésima
SITE primeiros segundos milésimos
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf89.
php primeiras segundas milésimas

Os numerais multiplicativos são invariáveis quando


NUMERAL atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do esforço
e conseguiram o triplo de produção.
Numeral é a palavra variável que indica quantidade numé- Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais
rica ou ordem; expressa a quantidade exata de pessoas ou coi- flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses tri-
sas ou o lugar que elas ocupam numa determinada sequência. plas do medicamento.
Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e nú-
Os numerais traduzem, em palavras, o que os números mero. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/duas
terças partes.
LÍNGUA PORTUGUESA

indicam em relação aos seres. Assim, quando a expressão


é colocada em números (1, 1.º, 1/3, etc.) não se trata de nu-
merais, mas sim de algarismos. Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem a dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
ideia expressa pelos números, existem mais algumas pala- É comum na linguagem coloquial a indicação de grau
vras consideradas numerais porque denotam quantidade, nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização de
proporção ou ordenação. São alguns exemplos: década, sentido. É o que ocorre em frases como:
dúzia, par, ambos(as), novena. “Me empresta duzentinho...”

23
É artigo de primeiríssima qualidade!
O time está arriscado por ter caído na segundona. (= segunda divisão de futebol)

3. Emprego e Leitura dos Numerais

Os numerais são escritos em conjunto de três algarismos, contados da direita para a esquerda, em forma de cente-
nas, dezenas e unidades, tendo cada conjunto uma separação através de ponto ou espaço correspondente a um ponto:
8.234.456 ou 8 234 456.
Em sentido figurado, usa-se o numeral para indicar exagero intencional, constituindo a figura de linguagem conhecida
como hipérbole: Já li esse texto mil vezes.
No português contemporâneo, não se usa a conjunção “e” após “mil”, seguido de centena: Nasci em mil novecentos e
noventa e dois.
Seu salário será de mil quinhentos e cinquenta reais.

Mas, se a centena começa por “zero” ou termina por dois zeros, usa-se o “e”: Seu salário será de mil e quinhentos reais.
(R$1.500,00)
Gastamos mil e quarenta reais. (R$1.040,00)

Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até décimo
e, a partir daí, os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo;

Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

Se o numeral aparece antes do substantivo, será lido como ordinal: XXX Feira do Bordado. (trigésima)

#FicaDica
Ordinal lembra ordem. Memorize assim, por associação. Ficará mais fácil!

Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)
Ambos/ambas = numeral dual, porque sempre se refere a dois seres. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma e
outra”, “as duas”) e são largamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência. Sua utilização
exige a presença do artigo posposto: Ambos os concursos realizarão suas provas no mesmo dia. O artigo só é dispensado
caso haja um pronome demonstrativo: Ambos esses ministros falarão à imprensa.

Quadro de alguns numerais

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


um primeiro - -
LÍNGUA PORTUGUESA

dois segundo dobro, duplo meio


três terceiro triplo, tríplice terço
quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto

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sete sétimo sétuplo sétimo
oito oitavo óctuplo oitavo
nove nono nônuplo nono
dez décimo décuplo décimo
onze décimo primeiro - onze avos
doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos
catorze décimo quarto - catorze avos
quinze décimo quinto - quinze avos
dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo
quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo
ou noningentésimo - nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LÍNGUA PORTUGUESA

SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf40.php

25
PREPOSIÇÃO Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois
termos e estabelece relação de subordinação entre eles.
Preposição é uma palavra invariável que serve para Irei à festa sozinha.
ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, Entregamos a flor à professora! = o primeiro “a” é artigo;
normalmente há uma subordinação do segundo termo em o segundo, preposição.
relação ao primeiro. As preposições são muito importantes Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o
na estrutura da língua, pois estabelecem a coesão textual lugar e/ou a função de um substantivo: Nós trouxemos a
e possuem valores semânticos indispensáveis para a com- apostila. = Nós a trouxemos.
preensão do texto.
2. Relações semânticas (= de sentido) estabelecidas
1. Tipos de Preposição por meio das preposições:

A) Preposições essenciais: palavras que atuam exclu- Destino = Irei a Salvador.


sivamente como preposições: a, ante, perante, após, Modo = Saiu aos prantos.
até, com, contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, Lugar = Sempre a seu lado.
sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com. Assunto = Falemos sobre futebol.
B) Preposições acidentais: palavras de outras classes Tempo = Chegarei em instantes.
gramaticais que podem atuar como preposições, ou Causa = Chorei de saudade.
seja, formadas por uma derivação imprópria: como, Fim ou finalidade = Vim para ficar.
durante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, Instrumento = Escreveu a lápis.
visto. Posse = Vi as roupas da mamãe.
C) Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valen- Autoria = livro de Machado de Assis
do como uma preposição, sendo que a última pala- Companhia = Estarei com ele amanhã.
vra é uma (preposição): abaixo de, acerca de, acima Matéria = copo de cristal.
de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, em cima Meio = passeio de barco.
de, embaixo de, em frente a, ao redor de, graças a, Origem = Nós somos do Nordeste.
junto a, com, perto de, por causa de, por cima de, por Conteúdo = frascos de perfume.
trás de. Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso.
Preço = Essa roupa sai por cinquenta reais.
A preposição é invariável e, no entanto, pode unir-se a
outras palavras e, assim, estabelecer concordância em gê- Quanto à preposição “trás”: não se usa senão nas locu-
nero ou em número. Exemplo: por + o = pelo / por + a = ções adverbiais (para trás ou por trás) e na locução prepo-
pela. sitiva por trás de.
Essa concordância não é característica da preposição,
mas das palavras às quais ela se une. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Esse processo de junção de uma preposição com outra SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
palavra pode se dar a partir dos processos de: coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
 Combinação: união da preposição “a” com o artigo Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
“o”(s), ou com o advérbio “onde”: ao, aonde, aos. Os reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
vocábulos não sofrem alteração. Paulo: Saraiva, 2010.
 Contração: união de uma preposição com outra pa- Português: novas palavras: literatura, gramática, redação
lavra, ocorrendo perda ou transformação de fonema: / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
de + o = do, em + a = na, per + os = pelos, de +
aquele = daquele, em + isso = nisso. SITE
 Crase: é a fusão de vogais idênticas: à (“a” preposi- http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/
ção + “a” artigo), àquilo (“a” preposição + 1.ª vogal
do pronome “aquilo”).
SUBSTANTIVO

#FicaDica Substantivo é a classe gramatical de palavras variáveis,


as quais denominam todos os seres que existem, sejam
O “a” pode funcionar como preposição, prono-
LÍNGUA PORTUGUESA

reais ou imaginários. Além de objetos, pessoas e fenôme-


me pessoal oblíquo e artigo. Como distingui- nos, os substantivos também nomeiam:
-los? Caso o “a” seja um artigo, virá preceden-  lugares: Alemanha, Portugal
do um substantivo, servindo para determiná-lo  sentimentos: amor, saudade
como um substantivo singular e feminino: A  estados: alegria, tristeza
matéria que estudei é fácil!  qualidades: honestidade, sinceridade
 ações: corrida, pescaria

26
1. Morfossintaxe do substantivo  Substantivos Coletivos

Nas orações, geralmente o substantivo exerce funções Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha, outra
diretamente relacionadas com o verbo: atua como núcleo abelha, mais outra abelha.
do sujeito, dos complementos verbais (objeto direto ou Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas.
indireto) e do agente da passiva, podendo, ainda, funcio- Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame.
nar como núcleo do complemento nominal ou do aposto,
como núcleo do predicativo do sujeito, do objeto ou como Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi ne-
núcleo do vocativo. Também encontramos substantivos cessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha,
como núcleos de adjuntos adnominais e de adjuntos ad- mais outra abelha. No segundo caso, utilizaram-se duas
verbiais - quando essas funções são desempenhadas por palavras no plural. No terceiro, empregou-se um substan-
grupos de palavras. tivo no singular (enxame) para designar um conjunto de
seres da mesma espécie (abelhas).
2. Classificação dos Substantivos O substantivo enxame é um substantivo coletivo.
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que, mes-
A) Substantivos Comuns e Próprios mo estando no singular, designa um conjunto de seres da
Observe a definição: mesma espécie.

Cidade: s.f. 1. Povoação maior que vila, com muitas ca- Substantivo coletivo Conjunto de:
sas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Brasil, toda a
sede de município é cidade). 2. O centro de uma cidade (em assembleia pessoas reunidas
oposição aos bairros). alcateia lobos
Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas
e edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada acervo livros
cidade. Isso significa que a palavra cidade é um substantivo antologia trechos literários selecionados
comum. arquipélago ilhas
Substantivo Comum é aquele que designa os seres de
uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino, banda músicos
homem, mulher, país, cachorro. bando desordeiros ou malfeitores
Estamos voando para Barcelona.
banca examinadores
O substantivo Barcelona designa apenas um ser da es- batalhão soldados
pécie cidade. Barcelona é um substantivo próprio – aquele
cardume peixes
que designa os seres de uma mesma espécie de forma par-
ticular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil. caravana viajantes peregrinos
cacho frutas
B) Substantivos Concretos e Abstratos
B.1 Substantivo Concreto: é aquele que designa o ser cancioneiro canções, poesias líricas
que existe, independentemente de outros seres. colmeia abelhas
concílio bispos
Observação:
Os substantivos concretos designam seres do mundo congresso parlamentares, cientistas
real e do mundo imaginário. elenco atores de uma peça ou filme
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra,
Brasília. esquadra navios de guerra
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantas- enxoval roupas
ma.
falange soldados, anjos
B.2 Substantivo Abstrato: é aquele que designa seres fauna animais de uma região
que dependem de outros para se manifestarem ou existi- feixe lenha, capim
rem. Por exemplo: a beleza não existe por si só, não pode
flora vegetais de uma região
LÍNGUA PORTUGUESA

ser observada. Só podemos observar a beleza numa pessoa


ou coisa que seja bela. A beleza depende de outro ser para frota navios mercantes, ônibus
se manifestar. Portanto, a palavra beleza é um substantivo
girândola fogos de artifício
abstrato.
Os substantivos abstratos designam estados, qualida- horda bandidos, invasores
des, ações e sentimentos dos seres, dos quais podem ser junta médicos, bois, credores, exa-
abstraídos, e sem os quais não podem existir: vida (estado), minadores
rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade (sentimento).

27
júri jurados 4. Flexão dos substantivos

legião soldados, anjos, demônios O substantivo é uma classe variável. A palavra é variá-
leva presos, recrutas vel quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por
exemplo, pode sofrer variações para indicar:
malta malfeitores ou desordeiros Plural: meninos / Feminino: menina / Aumentativo: me-
manada búfalos, bois, elefantes, ninão / Diminutivo: menininho
matilha cães de raça
A) Flexão de Gênero
molho chaves, verduras Gênero é um princípio puramente linguístico, não de-
multidão pessoas em geral vendo ser confundido com “sexo”. O gênero diz respeito
a todos os substantivos de nossa língua, quer se refiram
nuvem insetos (gafanhotos, mosqui- a seres animais providos de sexo, quer designem apenas
tos, etc.) “coisas”: o gato/a gata; o banco, a casa.
penca bananas, chaves Na língua portuguesa, há dois gêneros: masculino e fe-
minino. Pertencem ao gênero masculino os substantivos
pinacoteca pinturas, quadros que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns. Veja
quadrilha ladrões, bandidos estes títulos de filmes:
O velho e o mar
ramalhete flores Um Natal inesquecível
rebanho ovelhas Os reis da praia
repertório peças teatrais, obras musicais
Pertencem ao gênero feminino os substantivos que po-
réstia alhos ou cebolas dem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas:
romanceiro poesias narrativas A história sem fim
Uma cidade sem passado
revoada pássaros As tartarugas ninjas
sínodo párocos
5. Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes
talha lenha
tropa muares, soldados 1. Substantivos Biformes (= duas formas): apresentam
turma estudantes, trabalhadores uma forma para cada gênero: gato – gata, homem –
mulher, poeta – poetisa, prefeito - prefeita
vara porcos 2. Substantivos Uniformes: apresentam uma única
forma, que serve tanto para o masculino quanto para
3. Formação dos Substantivos o feminino. Classificam-se em:
A) Epicenos: referentes a animais. A distinção de sexo
A) Substantivos Simples e Compostos se faz mediante a utilização das palavras “macho” e
Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a “fêmea”: a cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré ma-
terra. cho e o jacaré fêmea.
O substantivo chuva é formado por um único elemento B) Sobrecomuns: substantivos uniformes referentes a
ou radical. É um substantivo simples. pessoas de ambos os sexos: a criança, a testemunha,
A.1 Substantivo Simples: é aquele formado por um a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, o indivíduo.
único elemento. C) Comuns de Dois ou Comum de Dois Gêneros: indi-
Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja cam o sexo das pessoas por meio do artigo: o colega
agora: O substantivo guarda-chuva é formado por dois ele- e a colega, o doente e a doente, o artista e a artista.
mentos (guarda + chuva). Esse substantivo é composto.
A.2 Substantivo Composto: é aquele formado por Substantivos de origem grega terminados em ema ou
dois ou mais elementos. Outros exemplos: beija-flor, pas- oma são masculinos: o fonema, o poema, o sistema, o sin-
satempo. toma, o teorema.

B) Substantivos Primitivos e Derivados  Existem certos substantivos que, variando de gê-


LÍNGUA PORTUGUESA

B.1 Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva de nero, variam em seu significado:
nenhuma outra palavra da própria língua portugue- o águia (vigarista) e a águia (ave; perspicaz); o cabeça
sa. (líder) e a cabeça (parte do corpo); o capital (dinheiro) e a
B.2 Substantivo Derivado: é aquele que se origina de capital (cidade); o coma (sono mórbido) e a coma (cabelei-
outra palavra. O substantivo limoeiro, por exemplo, é ra, juba); o lente (professor) e a lente (vidro de aumento);
derivado, pois se originou a partir da palavra limão. o moral (estado de espírito) e a moral (ética; conclusão); o
praça (soldado raso) e a praça (área pública); o rádio (apa-
relho receptor) e a rádio (estação emissora).

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6. Formação do Feminino dos Substantivos Biformes o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de
Marcela faleceu
Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno -
aluna. 9. Comuns de Dois Gêneros:
 Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a ao Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois.
masculino: freguês - freguesa
 Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher?
de três formas: É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma
1. troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme.
2. troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã A distinção de gênero pode ser feita através da análise
3. troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o substanti-
Exceções: barão – baronesa, ladrão - ladra, sultão - sul- vo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; um jovem
tana - uma jovem; artista famoso - artista famosa; repórter fran-
cês - repórter francesa.
 Substantivos terminados em -or:
acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora A palavra personagem é usada indistintamente nos dois
troca-se -or por -triz: = imperador – imperatriz gêneros. Entre os escritores modernos nota-se acentuada
 Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa: côn- preferência pelo masculino: O menino descobriu nas nuvens
sul - consulesa / abade - abadessa / poeta - poetisa / os personagens dos contos de carochinha.
duque - duquesa / conde - condessa / profeta - pro- Com referência à mulher, deve-se preferir o feminino: O
fetisa problema está nas mulheres de mais idade, que não aceitam
 Substantivos que formam o feminino trocando o -e a personagem.
final por -a: elefante - elefanta
 Substantivos que têm radicais diferentes no masculi- Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo fo-
no e no feminino: bode – cabra / boi - vaca tográfico Ana Belmonte.
 Substantivos que formam o feminino de maneira
especial, isto é, não seguem nenhuma das regras an- Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó )
teriores: czar – czarina, réu - ré pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o ma-
racajá, o clã, o herpes, o pijama, o suéter, o soprano, o pro-
7. Formação do Feminino dos Substantivos Unifor- clama, o pernoite, o púbis.
mes
Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata, a
Epicenos: cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a libido,
Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros. a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).

Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. Isso São geralmente masculinos os substantivos de origem
ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma forma grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilograma, o
para indicar o masculino e o feminino. plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o telefonema,
Alguns nomes de animais apresentam uma só forma o estratagema, o dilema, o teorema, o trema, o eczema, o
para designar os dois sexos. Esses substantivos são cha- edema, o magma, o estigma, o axioma, o tracoma, o hema-
mados de epicenos. No caso dos epicenos, quando houver toma.
a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se palavras Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
macho e fêmea.
A cobra macho picou o marinheiro. Gênero dos Nomes de Cidades - Com raras exceções,
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira. nomes de cidades são femininos: A histórica Ouro Preto. /
A dinâmica São Paulo. / A acolhedora Porto Alegre. / Uma
8. Sobrecomuns: Londres imensa e triste.
Entregue as crianças à natureza. Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.

A palavra crianças se refere tanto a seres do sexo mas- 10. Gênero e Significação
culino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, nem
LÍNGUA PORTUGUESA

o artigo nem um possível adjetivo permitem identificar o Muitos substantivos, como já mencionado anterior-
sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja: mente, têm uma significação no masculino e outra no fe-
A criança chorona chamava-se João. minino. Observe: o baliza (soldado que à frente da tropa,
A criança chorona chamava-se Maria. indica os movimentos que se deve realizar em conjunto; o
que vai à frente de um bloco carnavalesco, manejando um
Outros substantivos sobrecomuns: bastão), a baliza (marco, estaca; sinal que marca um limite
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma boa ou proibição de trânsito), o cabeça (chefe), a cabeça (parte
criatura. do corpo), o cisma (separação religiosa, dissidência), a cisma

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(ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor cinzenta), a cinza (resíduos de combustão), o capital (dinheiro), a capital (cidade),
o coma (perda dos sentidos), a coma (cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro), a coral (cobra venenosa), o
crisma (óleo sagrado, usado na administração da crisma e de outros sacramentos), a crisma (sacramento da confirmação), o
cura (pároco), a cura (ato de curar), o estepe (pneu sobressalente), a estepe (vasta planície de vegetação), o guia (pessoa que
guia outras), a guia (documento, pena grande das asas das aves), o grama (unidade de peso), a grama (relva), o caixa (fun-
cionário da caixa), a caixa (recipiente, setor de pagamentos), o lente (professor), a lente (vidro de aumento), o moral (ânimo),
a moral (honestidade, bons costumes, ética), o nascente (lado onde nasce o Sol), a nascente (a fonte), o maria-fumaça (trem
como locomotiva a vapor), maria-fumaça (locomotiva movida a vapor), o pala (poncho), a pala (parte anterior do boné ou
quepe, anteparo), o rádio (aparelho receptor), a rádio (emissora), o voga (remador), a voga (moda).

B) Flexão de Número do Substantivo

Em português, há dois números gramaticais: o singular, que indica um ser ou um grupo de seres, e o plural, que indica
mais de um ser ou grupo de seres. A característica do plural é o “s” final.

11. Plural dos Substantivos Simples

Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e “n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã – ímãs;
hífen - hifens (sem acento, no plural).
Exceção: cânon - cânones.

Os substantivos terminados em “m” fazem o plural em “ns”: homem - homens.


Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plural pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raízes.

Atenção:
O plural de caráter é caracteres.

Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam-se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais; caracol –
caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e males, cônsul e cônsules.
Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de duas maneiras:
1. Quando oxítonos, em “is”: canil - canis
2. Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis.

Observação:
A palavra réptil pode formar seu plural de duas maneiras: répteis ou reptis (pouco usada).

Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de duas maneiras:


1. Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses
2. Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam invariáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus.

Os substantivos terminados em “ão” fazem o plural de três maneiras.


1. substituindo o -ão por -ões: ação - ações
2. substituindo o -ão por -ães: cão - cães
3. substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos

Observação:
Muitos substantivos terminados em “ão” apresentam dois – e até três – plurais:
aldeão – aldeões/aldeães/aldeãos ancião – anciões/anciães/anciãos
charlatão – charlatões/charlatães corrimão – corrimãos/corrimões
guardião – guardiões/guardiães vilão – vilãos/vilões/vilães
LÍNGUA PORTUGUESA

Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis: o látex - os látex.

12. Plural dos Substantivos Compostos

A formação do plural dos substantivos compostos depende da forma como são grafados, do tipo de palavras que
formam o composto e da relação que estabelecem entre si. Aqueles que são grafados sem hífen comportam-se como os
substantivos simples: aguardente/aguardentes, girassol/girassóis, pontapé/pontapés, malmequer/malmequeres.

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O plural dos substantivos compostos cujos elementos 15. Plural dos Diminutivos
são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas e
discussões. Algumas orientações são dadas a seguir: Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” final
A) Flexionam-se os dois elementos, quando forma- e acrescenta-se o sufixo diminutivo.
dos de:
substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores pãe(s) + zinhos = pãezinhos
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-per-
feitos animai(s) + zinhos = animaizinhos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-homens botõe(s) + zinhos = botõezinhos
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras
chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
B) Flexiona-se somente o segundo elemento, quan- farói(s) + zinhos = faroizinhos
do formados de: tren(s) + zinhos = trenzinhos
verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
palavra invariável + palavra variável = alto-falante e al- colhere(s) + zinhas = colherezinhas
to-falantes flore(s) + zinhas = florezinhas
palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos
mão(s) + zinhas = mãozinhas
C) Flexiona-se somente o primeiro elemento, quan- papéi(s) + zinhos = papeizinhos
do formados de: nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas
substantivo + preposição clara + substantivo = água-
-de-colônia e águas-de-colônia funi(s) + zinhos = funizinhos
substantivo + preposição oculta + substantivo = cava- túnei(s) + zinhos = tuneizinhos
lo-vapor e cavalos-vapor
substantivo + substantivo que funciona como determi- pai(s) + zinhos = paizinhos
nante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o tipo do pé(s) + zinhos = pezinhos
termo anterior: palavra-chave - palavras-chave, bomba-re- pé(s) + zitos = pezitos
lógio - bombas-relógio, homem-rã - homens-rã, peixe-espa-
da - peixes-espada.
16. Plural dos Nomes Próprios Personativos
D) Permanecem invariáveis, quando formados de:
verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas
verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os sa-
sempre que a terminação preste-se à flexão.
ca-rolhas
Os Napoleões também são derrotados.
As Raquéis e Esteres.
13. Casos Especiais
17. Plural dos Substantivos Estrangeiros
o louva-a-deus e os louva-a-deus
o bem-te-vi e os bem-te-vis Substantivos ainda não aportuguesados devem ser es-
critos como na língua original, acrescentando-se “s” (exce-
o bem-me-quer e os bem-me-queres to quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os shorts, os
o joão-ninguém e os joões-ninguém. jazz.
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de acor-
14. Plural das Palavras Substantivadas do com as regras de nossa língua: os clubes, os chopes, os
jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons, os ré-
As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras quiens.
classes gramaticais usadas como substantivo apresentam, Observe o exemplo:
no plural, as flexões próprias dos substantivos. Este jogador faz gols toda vez que joga.
Pese bem os prós e os contras. O plural correto seria gois (ô), mas não se usa.
O aluno errou na prova dos noves.
Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos. 18. Plural com Mudança de Timbre
LÍNGUA PORTUGUESA

Observação: Certos substantivos formam o plural com mudança de


Numerais substantivados terminados em “s” ou “z” não timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um fato
variam no plural: Nas provas mensais consegui muitos seis fonético chamado metafonia (plural metafônico).
e alguns dez.

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Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indi-
Singular Plural
cador de diminuição. Por exemplo: casinha.
corpo (ô) corpos (ó)
esforço esforços REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
fogo fogos coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
forno fornos Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
fosso fossos
Paulo: Saraiva, 2010.
imposto impostos CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
olho olhos Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
osso (ô) ossos (ó) São Paulo: Saraiva, 2002.
ovo ovos
SITE
poço poços
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf12.
porto portos php
posto postos
tijolo tijolos PRONOME
Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bol- Pronome é a palavra variável que substitui ou acom-
sos, esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros, etc. panha um substantivo (nome), qualificando-o de alguma
forma.
Observação: O homem julga que é superior à natureza, por isso o ho-
Distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de mo- mem destrói a natureza...
lho (ó) = feixe (molho de lenha). Utilizando pronomes, teremos: O homem julga que é
superior à natureza, por isso ele a destrói...
Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o Ficou melhor, sem a repetição desnecessária de termos
norte, o leste, o oeste, a fé, etc. (homem e natureza).
Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames, Grande parte dos pronomes não possuem significados
as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes. fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação dentro
Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do sin- de um contexto, o qual nos permite recuperar a referên-
gular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probidade, cia exata daquilo que está sendo colocado por meio dos
bom nome) e honras (homenagem, títulos). pronomes no ato da comunicação. Com exceção dos pro-
Usamos, às vezes, os substantivos no singular, mas com nomes interrogativos e indefinidos, os demais pronomes
sentido de plural: têm por função principal apontar para as pessoas do dis-
Aqui morreu muito negro. curso ou a elas se relacionar, indicando-lhes sua situação
Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas no tempo ou no espaço. Em virtude dessa característica,
improvisadas. os pronomes apresentam uma forma específica para cada
pessoa do discurso.
C) Flexão de Grau do Substantivo Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada.
[minha/eu: pronomes de 1.ª pessoa = aquele que fala]
Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada?
as variações de tamanho dos seres. Classifica-se em: [tua/tu: pronomes de 2.ª pessoa = aquele a quem se
1. Grau Normal - Indica um ser de tamanho considera- fala]
do normal. Por exemplo: casa A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada.
2. Grau Aumentativo - Indica o aumento do tamanho [dela/ela: pronomes de 3.ª pessoa = aquele de quem
do ser. Classifica-se em: se fala]
Analítico = o substantivo é acompanhado de um adje-
LÍNGUA PORTUGUESA

tivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande. Em termos morfológicos, os pronomes são palavras
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indi- variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em núme-
cador de aumento. Por exemplo: casarão. ro (singular ou plural). Assim, espera-se que a referência
através do pronome seja coerente em termos de gênero
3. Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tamanho e número (fenômeno da concordância) com o seu objeto,
do ser. Pode ser: mesmo quando este se apresenta ausente no enunciado.
Analítico = substantivo acompanhado de um adjetivo Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da nos-
que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena. sa escola neste ano.

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[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordância Observação:
adequada] O pronome oblíquo é uma forma variante do pronome
[neste: pronome que determina “ano” = concordância pessoal do caso reto. Essa variação indica a função diversa
adequada] que eles desempenham na oração: pronome reto marca o
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = concor- sujeito da oração; pronome oblíquo marca o complemento
dância inadequada] da oração. Os pronomes oblíquos sofrem variação de acor-
do com a acentuação tônica que possuem, podendo ser
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, átonos ou tônicos.
demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos.
2. Pronome Oblíquo Átono
1. Pronomes Pessoais São chamados átonos os pronomes oblíquos que não
são precedidos de preposição. Possuem acentuação tônica
São aqueles que substituem os substantivos, indicando fraca: Ele me deu um presente.
diretamente as pessoas do discurso. Quem fala ou escreve
assume os pronomes “eu” ou “nós”; usa-se os pronomes Lista dos pronomes oblíquos átonos
“tu”, “vós”, “você” ou “vocês” para designar a quem se di- 1.ª pessoa do singular (eu): me
rige, e “ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer referência à 2.ª pessoa do singular (tu): te
pessoa ou às pessoas de quem se fala. 3.ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
Os pronomes pessoais variam de acordo com as fun- 1.ª pessoa do plural (nós): nos
ções que exercem nas orações, podendo ser do caso reto 2.ª pessoa do plural (vós): vos
ou do caso oblíquo. 3.ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes

A) Pronome Reto
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na senten- FIQUE ATENTO!
ça, exerce a função de sujeito: Nós lhe ofertamos flores. Os pronomes o, os, a, as assumem formas es-
Os pronomes retos apresentam flexão de número, gê- peciais depois de certas terminações verbais:
nero (apenas na 3.ª pessoa) e pessoa, sendo essa última a 1. Quando o verbo termina em -z, -s ou -r, o
principal flexão, uma vez que marca a pessoa do discurso. pronome assume a forma lo, los, la ou las, ao
Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é assim confi- mesmo tempo que a terminação verbal é su-
gurado: primida. Por exemplo:
fiz + o = fi-lo
1.ª pessoa do singular: eu fazeis + o = fazei-lo
2.ª pessoa do singular: tu dizer + a = dizê-la
3.ª pessoa do singular: ele, ela
1.ª pessoa do plural: nós 2. Quando o verbo termina em som nasal, o
2.ª pessoa do plural: vós pronome assume as formas no, nos, na, nas.
3.ª pessoa do plural: eles, elas Por exemplo:
viram + o: viram-no
Esses pronomes não costumam ser usados como com- repõe + os = repõe-nos
plementos verbais na língua-padrão. Frases como “Vi ele retém + a: retém-na
na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram eu até aqui”- tem + as = tem-nas
comuns na língua oral cotidiana - devem ser evitadas na
língua formal escrita ou falada. Na língua formal, devem
ser usados os pronomes oblíquos correspondentes: “Vi-o na B.2 Pronome Oblíquo Tônico
rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram-me até aqui”. Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos
por preposições, em geral as preposições a, para, de e com.
Frequentemente observamos a omissão do pronome Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a função
reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as próprias de objeto indireto da oração. Possuem acentuação tônica
formas verbais marcam, através de suas desinências, as forte.
pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fizemos Lista dos pronomes oblíquos tônicos:
boa viagem. (Nós) 1.ª pessoa do singular (eu): mim, comigo
LÍNGUA PORTUGUESA

2.ª pessoa do singular (tu): ti, contigo


B) Pronome Oblíquo 3.ª pessoa do singular (ele, ela): si, consigo, ele, ela
Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na sen- 1.ª pessoa do plural (nós): nós, conosco
tença, exerce a função de complemento verbal (objeto 2.ª pessoa do plural (vós): vós, convosco
direto ou indireto): Ofertaram-nos flores. (objeto indireto) 3.ª pessoa do plural (eles, elas): si, consigo, eles, elas

33
Observe que as únicas formas próprias do pronome tô- 3.ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo = Guilher-
nico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As me já se preparou.
demais repetem a forma do pronome pessoal do caso reto. Ela deu a si um presente.
Antônio conversou consigo mesmo.
As preposições essenciais introduzem sempre prono-
mes pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso 1.ª pessoa do plural (nós): nos = Lavamo-nos no rio.
reto. Nos contextos interlocutivos que exigem o uso da
língua formal, os pronomes costumam ser usados desta 2.ª pessoa do plural (vós): vos = Vós vos beneficiastes
forma: com esta conquista.
Não há mais nada entre mim e ti.
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela. 3.ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo = Eles se
Não há nenhuma acusação contra mim. conheceram. / Elas deram a si um dia de folga.
Não vá sem mim.
#FicaDica
Há construções em que a preposição, apesar de surgir
anteposta a um pronome, serve para introduzir uma oração O pronome é reflexivo quando se refere à mes-
cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o verbo pode ma pessoa do pronome subjetivo (sujeito): Eu
ter sujeito expresso; se esse sujeito for um pronome, deve- me arrumei e saí.
rá ser do caso reto. É pronome recíproco quando indica recipro-
Trouxeram vários vestidos para eu experimentar. cidade de ação: Nós nos amamos. / Olhamo-
Não vá sem eu mandar. -nos calados.
O “se” pode ser usado como palavra expletiva
A frase: “Foi fácil para mim resolver aquela questão!” ou partícula de realce, sem ser rigorosamente
está correta, já que “para mim” é complemento de “fácil”. necessária e sem função sintática: Os explora-
A ordem direta seria: Resolver aquela questão foi fácil para dores riam-se de suas tentativas. / Será que eles
mim! se foram?

A combinação da preposição “com” e alguns pronomes


originou as formas especiais comigo, contigo, consigo, co-
C) Pronomes de Tratamento
nosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos frequen-
São pronomes utilizados no tratamento formal, cerimo-
temente exercem a função de adjunto adverbial de compa-
nioso. Apesar de indicarem nosso interlocutor (portanto,
nhia: Ele carregava o documento consigo. a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira pessoa.
Alguns exemplos:
A preposição “até” exige as formas oblíquas tônicas: Ela Vossa Alteza (V. A.) = príncipes, duques
veio até mim, mas nada falou. Vossa Eminência (V. E.ma) = cardeais
Mas, se “até” for palavra denotativa (com o sentido de Vossa Reverendíssima (V. Ver.ma) = sacerdotes e religio-
inclusão), usaremos as formas retas: Todos foram bem na sos em geral
prova, até eu! (= inclusive eu) Vossa Excelência (V. Ex.ª) = oficiais de patente superior
à de coronel, senadores, deputados, embaixadores, profes-
As formas “conosco” e “convosco” são substituídas por sores de curso superior, ministros de Estado e de Tribunais,
“com nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais são governadores, secretários de Estado, presidente da Repú-
reforçados por palavras como outros, mesmos, próprios, to- blica (sempre por extenso)
dos, ambos ou algum numeral. Vossa Magnificência (V. Mag.ª) = reitores de universidades
Você terá de viajar com nós todos. Vossa Majestade (V. M.) = reis, rainhas e imperadores
Estávamos com vós outros quando chegaram as más no- Vossa Senhoria (V. S.a) = comerciantes em geral, oficiais
tícias. até a patente de coronel, chefes de seção e funcionários de
Ele disse que iria com nós três. igual categoria
Vossa Meretíssima (sempre por extenso) = para juízes
3. Pronome Reflexivo de direito
São pronomes pessoais oblíquos que, embora funcio- Vossa Santidade (sempre por extenso) = tratamento ce-
nem como objetos direto ou indireto, referem-se ao sujeito rimonioso
LÍNGUA PORTUGUESA

da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe a ação Vossa Onipotência (sempre por extenso) = Deus
expressa pelo verbo. Também são pronomes de tratamento o senhor, a senho-
Lista dos pronomes reflexivos: ra e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são empregados
1.ª pessoa do singular (eu): me, mim = Eu não me lem- no tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”, no tratamento
bro disso. familiar. Você e vocês são largamente empregados no portu-
guês do Brasil; em algumas regiões, a forma tu é de uso fre-
2.ª pessoa do singular (tu): te, ti = Conhece a ti mesmo. quente; em outras, pouco empregada. Já a forma vós tem uso
restrito à linguagem litúrgica, ultraformal ou literária.

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Observações: plural segunda vosso(s), vossa(s)
1. Vossa Excelência X Sua Excelência: os pronomes de
tratamento que possuem “Vossa(s)” são empregados plural terceira seu(s), sua(s)
em relação à pessoa com quem falamos: Espero que
V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro. Note que:
A forma do possessivo depende da pessoa gramatical a
2. Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito que se refere; o gênero e o número concordam com o objeto
da pessoa: Todos os membros da C.P.I. afirmaram possuído: Ele trouxe seu apoio e sua contribuição naquele
que Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, momento difícil.
agiu com propriedade.
3. Os pronomes de tratamento representam uma forma Observações:
indireta de nos dirigirmos aos nossos interlocutores. 1. A forma “seu” não é um possessivo quando resultar
Ao tratarmos um deputado por Vossa Excelência, por da alteração fonética da palavra senhor: Muito obri-
exemplo, estamos nos endereçando à excelência que gado, seu José.
esse deputado supostamente tem para poder ocupar
o cargo que ocupa. 2. Os pronomes possessivos nem sempre indicam pos-
se. Podem ter outros empregos, como:
4. Embora os pronomes de tratamento dirijam-se à 2.ª A) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha.
pessoa, toda a concordância deve ser feita com a B) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40
3.ª pessoa. Assim, os verbos, os pronomes possessi- anos.
vos e os pronomes oblíquos empregados em relação C) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem lá
a eles devem ficar na 3.ª pessoa. seus defeitos, mas eu gosto muito dela.
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promes-
sas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos. 3. Em frases onde se usam pronomes de tratamento, o
pronome possessivo fica na 3.ª pessoa: Vossa Exce-
5. Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos lência trouxe sua mensagem?
ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar,
ao longo do texto, a pessoa do tratamento escolhida 4. Referindo-se a mais de um substantivo, o possessivo
inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos a concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus livros
chamar alguém de “você”, não poderemos usar “te” e anotações.
ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na ter-
ceira pessoa. 5. Em algumas construções, os pronomes pessoais oblí-
quos átonos assumem valor de possessivo: Vou se-
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos guir-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos)
teus cabelos. (errado)
6. O adjetivo “respectivo” equivale a “devido, seu, pró-
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos prio”, por isso não se deve usar “seus” ao utilizá-lo,
seus cabelos. (correto) = terceira pessoa do singular para que não ocorra redundância: Coloque tudo nos
ou respectivos lugares.

Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos 5. Pronomes Demonstrativos


teus cabelos. (correto) = segunda pessoa do singular
São utilizados para explicitar a posição de certa palavra
4. Pronomes Possessivos em relação a outras ou ao contexto. Essa relação pode ser
de espaço, de tempo ou em relação ao discurso.
São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical A) Em relação ao espaço:
(possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo Este(s), esta(s) e isto = indicam o que está perto da pes-
(coisa possuída). soa que fala:
Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1.ª pessoa do Este material é meu.
singular)
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o que está perto da pes-
LÍNGUA PORTUGUESA

soa com quem se fala:


NÚMERO PESSOA PRONOME
Esse material em sua carteira é seu?
singular primeira meu(s), minha(s)
singular segunda teu(s), tua(s) Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam o que está dis-
tante tanto da pessoa que fala como da pessoa com quem
singular terceira seu(s), sua(s) se fala:
plural primeira nosso(s), nossa(s) Aquele material não é nosso.
Vejam aquele prédio!

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B) Em relação ao tempo:  semelhante(s): Não tenha semelhante atitude.
Este(s), esta(s) e isto = indicam o tempo presente em  tal, tais: Tal absurdo eu não cometeria.
relação à pessoa que fala:
Esta manhã farei a prova do concurso! 1. Em frases como: O referido deputado e o Dr. Alcides
eram amigos íntimos; aquele casado, solteiro este. (ou
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o tempo passado, porém então: este solteiro, aquele casado) - este se refere à
relativamente próximo à época em que se situa a pessoa pessoa mencionada em último lugar; aquele, à men-
que fala: cionada em primeiro lugar.
Essa noite dormi mal; só pensava no concurso! 2. O pronome demonstrativo tal pode ter conotação
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam um afastamento irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?
no tempo, referido de modo vago ou como tempo remoto:
Naquele tempo, os professores eram valorizados. 3. Pode ocorrer a contração das preposições a, de, em
com pronome demonstrativo: àquele, àquela, deste,
C) Em relação ao falado ou escrito (ou ao que se fa- desta, disso, nisso, no, etc: Não acreditei no que estava
lará ou escreverá): vendo. (no = naquilo)
Este(s), esta(s) e isto = empregados quando se quer fa-
zer referência a alguma coisa sobre a qual ainda se falará: 6. Pronomes Indefinidos
Serão estes os conteúdos da prova: análise sintática, or-
tografia, concordância. São palavras que se referem à 3.ª pessoa do discurso,
dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando quan-
Esse(s), essa(s) e isso = utilizados quando se pretende tidade indeterminada.
fazer referência a alguma coisa sobre a qual já se falou: Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém-
Sua aprovação no concurso, isso é o que mais desejamos! -plantadas.
Este e aquele são empregados quando se quer fazer
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa
referência a termos já mencionados; aquele se refere ao
de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma
termo referido em primeiro lugar e este para o referido por
imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser hu-
último:
mano que seguramente existe, mas cuja identidade é des-
conhecida ou não se quer revelar. Classificam-se em:
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Paulo;
este está mais bem colocado que aquele. (= este [São Paulo],
A) Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o
aquele [Palmeiras])
lugar do ser ou da quantidade aproximada de seres
ou na frase. São eles: algo, alguém, fulano, sicrano, bel-
trano, nada, ninguém, outrem, quem, tudo.
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Paulo; Algo o incomoda?
aquele está mais bem colocado que este. (= este [São Paulo], Quem avisa amigo é.
aquele [Palmeiras])
B) Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um ser
Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou expresso na frase, conferindo-lhe a noção de quan-
invariáveis, observe: tidade aproximada. São eles: cada, certo(s), certa(s).
Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), aque- Cada povo tem seus costumes.
la(s). Certas pessoas exercem várias profissões.
Invariáveis: isto, isso, aquilo. Note que:
Também aparecem como pronomes demonstrativos: Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora prono-
 o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” mes indefinidos adjetivos:
e puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s), algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos),
aquilo. demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns,
Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.) nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer,
Essa rua não é a que te indiquei. (não é aquela que te quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s),
indiquei.) tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias.
LÍNGUA PORTUGUESA

Menos palavras e mais ações.


 mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s): va- Alguns se contentam pouco.
riam em gênero quando têm caráter reforçativo:
Estas são as mesmas pessoas que o procuraram ontem. Os pronomes indefinidos podem ser divididos em va-
Eu mesma refiz os exercícios. riáveis e invariáveis. Observe:
Elas mesmas fizeram isso.  Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco,
Eles próprios cozinharam. vário, tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda,
Os próprios alunos resolveram o problema. muita, pouca, vária, tanta, outra, quanta, qualquer,

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quaisquer*, alguns, nenhuns, todos, muitos, poucos, vários, tantos, outros, quantos, algumas, nenhumas, todas, muitas,
poucas, várias, tantas, outras, quantas.
 Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada, algo, cada.

*Qualquer é composto de qual + quer (do verbo querer), por isso seu plural é quaisquer (única palavra cujo plural é feito
em seu interior).
Todo e toda no singular e junto de artigo significa inteiro; sem artigo, equivale a qualquer ou a todas as:
Toda a cidade está enfeitada. (= a cidade inteira)
Toda cidade está enfeitada. (= todas as cidades)
Trabalho todo o dia. (= o dia inteiro)
Trabalho todo dia. (= todos os dias)

São locuções pronominais indefinidas: cada qual, cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer (que), seja quem
for, seja qual for, todo aquele (que), tal qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma ou outra, etc.
Cada um escolheu o vinho desejado.

7. Pronomes Relativos

São aqueles que representam nomes já mencionados anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem as ora-
ções subordinadas adjetivas.
O racismo é um sistema que afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros.
(afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros = oração subordinada adjetiva).

O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema” e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra “siste-
ma” é antecedente do pronome relativo que.
O antecedente do pronome relativo pode ser o pronome demonstrativo o, a, os, as.
Não sei o que você está querendo dizer.
Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem expresso.
Quem casa, quer casa.

Observe:
Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas, quantas.
Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.

Note que:
O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego, sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser substituído
por o qual, a qual, os quais, as quais, quando seu antecedente for um substantivo.
O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)
A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a qual)
Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os quais)

As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as quais)

O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente pronomes relativos, por isso são utilizados didaticamente para
verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde” (que podem ter várias classificações) são pronomes relativos. Todos eles
são usados com referência à pessoa ou coisa por motivo de clareza ou depois de determinadas preposições: Regressando
de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, o qual me deixou encantado. O uso de “que”, neste caso, geraria ambiguidade.
Veja: Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, que me deixou encantado (quem me deixou encantado: o sítio
ou minha tia?).
Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas dúvidas? (com preposições de duas ou mais sílabas utiliza-se o qual
/ a qual)
LÍNGUA PORTUGUESA

O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que, e se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas deixou de
ser poeta, que era a sua vocação natural.

O pronome “cujo”: exprime posse; não concorda com o seu antecedente (o ser possuidor), mas com o consequente (o
ser possuído, com o qual concorda em gênero e número); não se usa artigo depois deste pronome; “cujo” equivale a do
qual, da qual, dos quais, das quais.
Existem pessoas cujas ações são nobres.

37
(antecedente) (consequente)

Se o verbo exigir preposição, esta virá antes do pronome: O autor, a cujo livro você se referiu, está aqui! (referiu-se a)

“Quanto” é pronome relativo quando tem por antecedente um pronome indefinido: tanto (ou variações) e tudo:
Emprestei tantos quantos foram necessários.
(antecedente)
Ele fez tudo quanto havia falado.
(antecedente)

O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre precedido de preposição.


É um professor a quem muito devemos.
(preposição)

“Onde”, como pronome relativo, sempre possui antecedente e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A casa onde
morava foi assaltada.

Na indicação de tempo, deve-se empregar quando ou em que: Sinto saudades da época em que (quando) morávamos
no exterior.

Podem ser utilizadas como pronomes relativos as palavras:


 como (= pelo qual) – desde que precedida das palavras modo, maneira ou forma:
Não me parece correto o modo como você agiu semana passada.

 quando (= em que) – desde que tenha como antecedente um nome que dê ideia de tempo:
Bons eram os tempos quando podíamos jogar videogame.

Os pronomes relativos permitem reunir duas orações numa só frase.


O futebol é um esporte. / O povo gosta muito deste esporte.
= O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.

Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de gente que
conversava, (que) ria, observava.

8. Pronomes Interrogativos

São usados na formulação de perguntas, sejam elas diretas ou indiretas. Assim como os pronomes indefinidos, refe-
rem-se à 3.ª pessoa do discurso de modo impreciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual (e variações), quanto (e
variações).
Com quem andas?
Qual seu nome?
Diz-me com quem andas, que te direi quem és.

O pronome pessoal é do caso reto quando tem função de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo quan-
do desempenha função de complemento.
1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia lhe ajudar.

Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele” exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso reto.
Já na segunda oração, o pronome “lhe” exerce função de complemento (objeto), ou seja, caso oblíquo.
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso. O pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para a
LÍNGUA PORTUGUESA

segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se devia ajudar... Ajudar quem? Você (lhe).

Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição, diferen-
temente dos segundos, que são sempre precedidos de preposição.
A) Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que eu estava fazendo.
B) Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim o que eu estava fazendo.

38
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  A próclise é obrigatória quando se utiliza o pronome
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- reto ou sujeito expresso: Eu lhe entregarei o material
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. amanhã. / Tu sabes cantar?
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Mesóclise = É a colocação pronominal no meio do ver-
Paulo: Saraiva, 2010. bo. A mesóclise é usada:
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação
/ Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. Quando o verbo estiver no futuro do presente ou futuro
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, do pretérito, contanto que esses verbos não estejam pre-
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira cedidos de palavras que exijam a próclise. Exemplos: Reali-
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – zar-se-á, na próxima semana, um grande evento em prol da
São Paulo: Saraiva, 2002. paz no mundo.
Repare que o pronome está “no meio” do verbo “reali-
SITE zará”: realizar – SE – á. Se houvesse na oração alguma pa-
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf42. lavra que justificasse o uso da próclise, esta prevaleceria.
php Veja: Não se realizará...
Não fossem os meus compromissos, acompanhar-te-ia
nessa viagem.
9. Colocação Pronominal
(com presença de palavra que justifique o uso de prócli-
Colocação Pronominal trata da correta colocação dos se: Não fossem os meus compromissos, EU te acompanharia
pronomes oblíquos átonos na frase. nessa viagem).

Ênclise = É a colocação pronominal depois do verbo. A


ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não forem
#FicaDica possíveis:
Pronome Oblíquo é aquele que exerce a fun-  Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo:
ção de complemento verbal (objeto). Por isso, Quando eu avisar, silenciem-se todos.
memorize:  Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal: Não
OBlíquo = OBjeto! era minha intenção machucá-la.
 Quando o verbo iniciar a oração. (até porque não se
inicia período com pronome oblíquo).
Vou-me embora agora mesmo.
Embora na linguagem falada a colocação dos prono- Levanto-me às 6h.
mes não seja rigorosamente seguida, algumas normas de-  Quando houver pausa antes do verbo: Se eu passo
vem ser observadas na linguagem escrita. no concurso, mudo-me hoje mesmo!
 Quando o verbo estiver no gerúndio: Recusou a pro-
Próclise = É a colocação pronominal antes do verbo. A posta fazendo-se de desentendida.
próclise é usada:
10. Colocação pronominal nas locuções verbais
 Quando o verbo estiver precedido de palavras
que atraem o pronome para antes do verbo. São elas:  Após verbo no particípio = pronome depois do ver-
A) Palavras de sentido negativo: não, nunca, ninguém, bo auxiliar (e não depois do particípio):
jamais, etc.: Não se desespere! Tenho me deliciado com a leitura!
B) Advérbios: Agora se negam a depor. Eu tenho me deliciado com a leitura!
C) Conjunções subordinativas: Espero que me expliquem Eu me tenho deliciado com a leitura!
tudo!  Não convém usar hífen nos tempos compostos e
D) Pronomes relativos: Venceu o concurseiro que se es- nas locuções verbais:
forçou. Vamos nos unir!
E) Pronomes indefinidos: Poucos te deram a oportuni- Iremos nos manifestar.
dade.  Quando há um fator para próclise nos tempos com-
LÍNGUA PORTUGUESA

F) Pronomes demonstrativos: Isso me magoa muito. postos ou locuções verbais: opção pelo uso do pro-
nome oblíquo “solto” entre os verbos = Não vamos
 Orações iniciadas por palavras interrogativas: Quem nos preocupar (e não: “não nos vamos preocupar”).
lhe disse isso?
 Orações iniciadas por palavras exclamativas: Quanto 11. Emprego de o, a, os, as
se ofendem!
 Orações que exprimem desejo (orações optativas):  Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral, os
Que Deus o ajude. pronomes: o, a, os, as não se alteram.

39
Chame-o agora. 1.ª - Vogal Temática - A - (falar), 2.ª - Vogal Temática - E
Deixei-a mais tranquila. - (vender), 3.ª - Vogal Temática - I - (partir).
 Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoantes C) Desinência modo-temporal: é o elemento que de-
finais alteram-se para lo, la, los, las. Exemplos: signa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo:
(Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho. falávamos (indica o pretérito imperfeito do indicativo) /
(Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa. falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo)
 Em verbos terminados em ditongos nasais (am, em, D) Desinência número-pessoal: é o elemento que de-
ão, õe), os pronomes o, a, os, as alteram-se para no, signa a pessoa do discurso (1.ª, 2.ª ou 3.ª) e o número
na, nos, nas. (singular ou plural):
Chamem-no agora. falamos (indica a 1.ª pessoa do plural.) / falavam (indi-
Põe-na sobre a mesa. ca a 3.ª pessoa do plural.)

FIQUE ATENTO!
#FicaDica O verbo pôr, assim como seus derivados (com-
Dica da Zê! por, repor, depor), pertencem à 2.ª conjugação,
Próclise – pró lembra pré; pré é prefixo que sig- pois a forma arcaica do verbo pôr era poer. A
nifica “antes”! Pronome antes do verbo! vogal “e”, apesar de haver desaparecido do in-
Ênclise – “en” lembra, pelo “som”, /Ənd/ (end, finitivo, revela-se em algumas formas do ver-
em Inglês – que significa “fim, final!). Pronome bo: põe, pões, põem, etc.
depois do verbo!
Mesóclise – pronome oblíquo no Meio do ver-
bo 2. Formas Rizotônicas e Arrizotônicas

Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce-
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acento
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, amo, por
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce- exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico não cai
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São no radical, mas sim na terminação verbal (fora do radical):
Paulo: Saraiva, 2010. opinei, aprenderão, amaríamos.

SITE 3. Classificação dos Verbos


http://www.portugues.com.br/gramatica/colocacao-
-pronominal-.html Classificam-se em:
A) Regulares: são aqueles que apresentam o radi-
Observação: Não foram encontradas questões abran- cal inalterado durante a conjugação e desinências
gendo tal conteúdo. idênticas às de todos os verbos regulares da mesma
conjugação. Por exemplo: comparemos os verbos
“cantar” e “falar”, conjugados no presente do Modo
VERBO Indicativo:

Verbo é a palavra que se flexiona em pessoa, núme- canto falo


ro, tempo e modo. A estes tipos de flexão verbal dá-se o
nome de conjugação (por isso também se diz que verbo cantas falas
é a palavra que pode ser conjugada). Pode indicar, entre canta falas
outros processos: ação (amarrar), estado (sou), fenômeno
(choverá); ocorrência (nascer); desejo (querer). cantamos falamos
cantais falais
1. Estrutura das Formas Verbais cantam falam
LÍNGUA PORTUGUESA

Do ponto de vista estrutural, o verbo pode apresentar


os seguintes elementos:
A) Radical: é a parte invariável, que expressa o signifi-
cado essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-ava;
fal-am. (radical fal-)
B) Tema: é o radical seguido da vogal temática que in-
dica a conjugação a que pertence o verbo. Por exem-
plo: fala-r. São três as conjugações:

40
#FicaDica
Observe que, retirando os radicais, as desinências modo-temporal e número-pessoal mantiveram-se idên-
ticas. Tente fazer com outro verbo e perceberá que se repetirá o fato (desde que o verbo seja da primeira
conjugação e regular!). Faça com o verbo “andar”, por exemplo. Substitua o radical “cant” e coloque o “and”
(radical do verbo andar). Viu? Fácil!

B) Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca alterações no radical ou nas desinências: faço, fiz, farei, fizesse.

Observação:
Alguns verbos sofrem alteração no radical apenas para que seja mantida a sonoridade. É o caso de: corrigir/corrijo, fingir/
finjo, tocar/toquei, por exemplo. Tais alterações não caracterizam irregularidade, porque o fonema permanece inalterado.

C) Defectivos: são aqueles que não apresentam conjugação completa. Os principais são adequar, precaver, computar,
reaver, abolir, falir.
D) Impessoais: são os verbos que não têm sujeito e, normalmente, são usados na terceira pessoa do singular. Os prin-
cipais verbos impessoais são:

1. Haver, quando sinônimo de existir, acontecer, realizar-se ou fazer (em orações temporais).
Havia muitos candidatos no dia da prova. (Havia = Existiam)
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
Haverá debates hoje. (Haverá = Realizar-se-ão)
Viajei a Madri há muitos anos. (há = faz)

2. Fazer, ser e estar (quando indicam tempo)


Faz invernos rigorosos na Europa.
Era primavera quando o conheci.
Estava frio naquele dia.

3. Todos os verbos que indicam fenômenos da natureza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, trovejar, amanhecer,
escurecer, etc. Quando, porém, se constrói, “Amanheci cansado”, usa-se o verbo “amanhecer” em sentido figurado.
Qualquer verbo impessoal, empregado em sentido figurado, deixa de ser impessoal para ser pessoal, ou seja, terá
conjugação completa.
Amanheci cansado. (Sujeito desinencial: eu)
Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)

4. O verbo passar (seguido de preposição), indicando tempo: Já passa das seis.

5. Os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição “de”, indicando suficiência:


Basta de tolices.
Chega de promessas.

6. Os verbos estar e ficar em orações como “Está bem, Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal”, sem referência a
sujeito expresso anteriormente (por exemplo: “ele está mal”). Podemos, nesse caso, classificar o sujeito como hipoté-
tico, tornando-se, tais verbos, pessoais.

7. O verbo dar + para da língua popular, equivalente de “ser possível”. Por exemplo:
Não deu para chegar mais cedo.
LÍNGUA PORTUGUESA

Dá para me arrumar uma apostila?

E) Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do plural. São
unipessoais os verbos constar, convir, ser (= preciso, necessário) e todos os que indicam vozes de animais (cacarejar,
cricrilar, miar, latir, piar).

Os verbos unipessoais podem ser usados como verbos pessoais na linguagem figurada:
Teu irmão amadureceu bastante.

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O que é que aquela garota está cacarejando?

Principais verbos unipessoais:

 Cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preciso, necessário):


Cumpre estudarmos bastante. (Sujeito: estudarmos bastante)
Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover)
É preciso que chova. (Sujeito: que chova)

 Fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da conjunção que.
Faz dez anos que viajei à Europa. (Sujeito: que viajei à Europa)
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não a vejo. (Sujeito: que não a vejo)

F) Abundantes: são aqueles que possuem duas ou mais formas equivalentes, geralmente no particípio, em que, além
das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas (particípio irregular).
O particípio regular (terminado em “–do”) é utilizado na voz ativa, ou seja, com os verbos ter e haver; o irregular é em-
pregado na voz passiva, ou seja, com os verbos ser, ficar e estar. Observe:

Infinitivo Particípio Regular Particípio Irregular


Aceitar Aceitado Aceito
Acender Acendido Aceso
Anexar Anexado Anexo
Benzer Benzido Bento
Corrigir Corrigido Correto
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Inserir Inserido Inserto
Limpar Limpado Limpo
Matar Matado Morto
Misturar Misturado Misto
Morrer Morrido Morto
Murchar Murchado Murcho
Pegar Pegado Pego
Romper Rompido Roto
Soltar Soltado Solto
Suspender Suspendido Suspenso
Tingir Tingido Tinto
Vagar Vagado Vago
LÍNGUA PORTUGUESA

FIQUE ATENTO!
Estes verbos e seus derivados possuem, apenas, o particípio irregular: abrir/aberto, cobrir/coberto, dizer/
dito, escrever/escrito, pôr/posto, ver/visto, vir/vindo.

G) Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Existem apenas dois: ser (sou, sois, fui)
e ir (fui, ia, vades).

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H) Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo principal
(aquele que exprime a ideia fundamental, mais importante), quando acompanhado de verbo auxiliar, é expresso
numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.
Vou espantar todos!
(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora!


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Observação:
Os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

4. Conjugação dos Verbos Auxiliares

4.1. SER - Modo Indicativo

Presente Pret.Perfeito Pret. Imp. Pret.mais-que-perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito


sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

4.2. SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

4.3. SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês
LÍNGUA PORTUGUESA

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4.4. SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

4.5. ESTAR - Modo Indicativo

Presente Pret. perf. Pret. Imp. Pret.mais-q-perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.


estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

4.6. ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

4.7. ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem
LÍNGUA PORTUGUESA

44
4.8. HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

4.9. HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


ja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

4.10. HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
Haverem

4.11. TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Preté.mais-q-perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam
LÍNGUA PORTUGUESA

45
4.12. TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
Tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

I) Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na mes-
ma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já implícita
no próprio sentido do verbo (pronominais essenciais). Veja:
 Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos: abs-
ter-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a reflexibilidade
já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.

A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela mes-
ma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula integrante
do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço da ideia re-
flexiva expressa pelo radical do próprio verbo. Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respectivos pronomes):
Eu me arrependo, Tu te arrependes, Ele se arrepende, Nós nos arrependemos, Vós vos arrependeis, Eles se arrependem.

 Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto repre-
sentado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele mesmo.
Em geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os pronomes
mencionados, formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: A garota se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa: A garota penteou-me.

Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem função sintática.
Há verbos que também são acompanhados de pronomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente prono-
minais - são os verbos reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa idêntica à do
sujeito, exercem funções sintáticas. Por exemplo:
Eu me feri. = Eu (sujeito) – 1.ª pessoa do singular; me (objeto direto) – 1.ª pessoa do singular.

5. Modos Verbais

Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo na expressão de um fato certo, real, verdadeiro. Existem
três modos:
A) Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu estudo para o concurso.
B) Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Talvez eu estude amanhã.
C) Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estude, colega!

6. Formas Nominais

Além desses três modos, o verbo apresenta ainda formas que podem exercer funções de nomes (substantivo, adjetivo,
advérbio), sendo por isso denominadas formas nominais. Observe:
A) Infinitivo
LÍNGUA PORTUGUESA

A.1 Impessoal: exprime a significação do verbo de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de substantivo.
Por exemplo:
Viver é lutar. (= vida é luta)
É indispensável combater a corrupção. (= combate à)

O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma simples) ou no passado (forma composta). Por exemplo:
É preciso ler este livro.
Era preciso ter lido este livro.

46
A.2 Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na 1.ª e 3.ª pessoas do singular, não apre-
senta desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira:
2.ª pessoa do singular: Radical + ES = teres (tu)
1.ª pessoa do plural: Radical + MOS = termos (nós)
2.ª pessoa do plural: Radical + DES = terdes (vós)
3.ª pessoa do plural: Radical + EM = terem (eles)
Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação.

B) Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Por exemplo:


Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de advérbio)
Água fervendo, pele ardendo. (função de adjetivo)

Na forma simples (1), o gerúndio expressa uma ação em curso; na forma composta (2), uma ação concluída:
Trabalhando (1), aprenderás o valor do dinheiro.
Tendo trabalhado (2), aprendeu o valor do dinheiro.

Quando o gerúndio é vício de linguagem (gerundismo), ou seja, uso exagerado e inadequado do gerúndio:
1. Enquanto você vai ao mercado, vou estar jogando futebol.
2. – Sim, senhora! Vou estar verificando!
Em 1, a locução “vou estar” + gerúndio é adequada, pois transmite a ideia de uma ação que ocorre no momento da
outra; em 2, essa ideia não ocorre, já que a locução verbal “vou estar verificando” refere-se a um futuro em andamento,
exigindo, no caso, a construção “verificarei” ou “vou verificar”.

C) Particípio: quando não é empregado na formação dos tempos compostos, o particípio indica, geralmente, o re-
sultado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Por exemplo: Terminados os exames, os
candidatos saíram.
Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a função de
adjetivo. Por exemplo: Ela é a aluna escolhida pela turma.

(Ziraldo)

8. Tempos Verbais

Tomando-se como referência o momento em que se fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos tempos.

A) Tempos do Modo Indicativo


Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste colégio.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente
terminado: Ele estudava as lições quando foi interrompido.
Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado: Ele
estudou as lições ontem à noite.
Pretérito-mais-que-perfeito - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já estudara as lições
quando os amigos chegaram. (forma simples).
LÍNGUA PORTUGUESA

Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele es-
tudará as lições amanhã.
Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocorrer posteriormente a um determinado fato passado: Se ele pudes-
se, estudaria um pouco mais.

B) Tempos do Modo Subjuntivo


Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual: É conveniente que estudes para o exame.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse o jogo.

47
Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier à
loja, levará as encomendas.

FIQUE ATENTO!
Há casos em que formas verbais de um determinado tempo podem ser utilizadas para indicar outro.
Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.
descobre = forma do presente indicando passado ( = descobrira/descobriu)

No próximo final de semana, faço a prova!


faço = forma do presente indicando futuro ( = farei)

TABELAS DAS CONJUGAÇÕES VERBAIS

1. Modo Indicativo

1.1. Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

1.2. Pretérito Perfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM
LÍNGUA PORTUGUESA

48
1.3. Pretérito mais-que-perfeito

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1.ª/2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

1.4. Pretérito Imperfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3ª. conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

1.5. Futuro do Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

1.6. Futuro do Pretérito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
LÍNGUA PORTUGUESA

cantarIAS venderIAS partirIAS


cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

49
1.7. Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1.ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2.ª e 3.ª conjugação).

1.ª conjug. 2.ª conjug. 3.ª conju. Desinên. pessoal Des. temporal Des.temporal
1.ª conj. 2.ª/3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

1.8. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito, ob-
tendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de número
e pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

1.9. Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito, obten-
do-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número e
pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
LÍNGUA PORTUGUESA

cantaR vendeR partiR Ø


cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM partiREM R EM

50
C) Modo Imperativo

1. Imperativo Afirmativo

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2.ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

2. Imperativo Negativo

Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo

Que eu cante ---


Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

 No modo imperativo não faz sentido usar na 3.ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem, pedido
ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
 O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

3. Infinitivo Pessoal

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM
LÍNGUA PORTUGUESA

 O verbo parecer admite duas construções:


Elas parecem gostar de você. (forma uma locução verbal)
Elas parece gostarem de você. (verbo com sujeito oracional, correspondendo à construção: parece gostarem de você).

 O verbo pegar possui dois particípios (regular e irregular):


Elvis tinha pegado minhas apostilas.
Minhas apostilas foram pegas.

51
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54.php

VOZES DO VERBO

Dá-se o nome de voz à maneira como se apresenta a ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito, indicando se este é
paciente ou agente da ação. Importante lembrar que voz verbal não é flexão, mas aspecto verbal. São três as vozes verbais:
A) Ativa = quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação expressa pelo verbo:
Ele fez o trabalho.
sujeito agente ação objeto (paciente)

B) Passiva = quando o sujeito é paciente, recebendo a ação expressa pelo verbo:


O trabalho foi feito por ele.
sujeito paciente ação agente da passiva

C) Reflexiva = quando o sujeito é, ao mesmo tempo, agente e paciente, isto é, pratica e recebe a ação:
O menino feriu-se.

#FicaDica
Não confundir o emprego reflexivo do verbo com a noção de reciprocidade:
Os lutadores feriram-se. (um ao outro)
Nós nos amamos. (um ama o outro)

1. Formação da Voz Passiva

A voz passiva pode ser formada por dois processos: analítico e sintético.
A) Voz Passiva Analítica = Constrói-se da seguinte maneira:
Verbo SER + particípio do verbo principal. Por exemplo:
A escola será pintada pelos alunos. (na ativa teríamos: os alunos pintarão a escola)
O trabalho é feito por ele. (na ativa: ele faz o trabalho)

Observações:
 O agente da passiva geralmente é acompanhado da preposição por, mas pode ocorrer a construção com a preposi-
ção de. Por exemplo: A casa ficou cercada de soldados.
 Pode acontecer de o agente da passiva não estar explícito na frase: A exposição será aberta amanhã.
 A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar (SER), pois o particípio é invariável. Observe a transformação das
frases seguintes:

Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do Indicativo)


O trabalho foi feito por ele. (verbo ser no pretérito perfeito do Indicativo, assim como o verbo principal da voz ativa)

Ele faz o trabalho. (presente do indicativo)


LÍNGUA PORTUGUESA

O trabalho é feito por ele. (ser no presente do indicativo)

Ele fará o trabalho. (futuro do presente)


O trabalho será feito por ele. (futuro do presente)

 Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa. Ob-
serve a transformação da frase seguinte:
O vento ia levando as folhas. (gerúndio)

52
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)
B) Voz Passiva Sintética = A voz passiva sintética - ou
pronominal - constrói-se com o verbo na 3.ª pessoa, segui- EXERCÍCIOS COMENTADOS
do do pronome apassivador “se”. Por exemplo:
Abriram-se as inscrições para o concurso. 1. (TST – Técnico Judiciário – Área Administrativa –
Destruiu-se o velho prédio da escola. FCC – 2012) As vitórias no jogo interior talvez não acres-
centem novos troféus, mas elas trazem recompensas valio-
Observação: sas, [...] que contribuem de forma significativa para nosso
O agente não costuma vir expresso na voz passiva sin- sucesso posterior, tanto na quadra como fora dela.
tética. Mantêm-se adequados o emprego de tempos e modos
verbais e a correlação entre eles, ao se substituírem os ele-
1.1 Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva mentos sublinhados na frase acima, na ordem dada, por:

Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar subs- a) tivessem acrescentado − trariam − contribuírem
tancialmente o sentido da frase. b) acrescentassem − têm trazido − contribuírem
O concurseiro comprou a apostila. (Voz Ativa) c) tinham acrescentado − trarão − contribuiriam
Sujeito da Ativa objeto Direto d) acrescentariam − trariam− contribuíram
e) tenham acrescentado − trouxeram − Contribuíram
A apostila foi comprada pelo concurseiro.
(Voz Passiva) Resposta: Letra E.
Sujeito da Passiva Agente da Passi- Questão que envolve correlação verbal. Realizando as
va alterações solicitadas, segue como ficariam (em desta-
que):
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva; o Em “a”: tivessem acrescentado – trariam − contribui-
sujeito da ativa passará a agente da passiva, e o verbo ativo riam
assumirá a forma passiva, conservando o mesmo tempo. Em “b”: acrescentassem – trariam − contribuiriam
Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos. Em “c”: tinham acrescentado – trouxeram − contribuí-
Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos ram
Em “d”: acrescentassem – trariam − contribuíram
mestres.
Em “e”: tenham acrescentado – trouxeram − Contribuí-
ram = correta
Eu o acompanharei.
Ele será acompanhado por mim.
2. (TST – Analista Judiciário – Área Apoio Especia-
lizado – Especialidade Medicina do Trabalho – FCC
Quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não
– 2012) Está inadequado o emprego do elemento subli-
haverá complemento agente na passiva. Por exemplo: Pre-
nhado na seguinte frase:
judicaram-me. / Fui prejudicado.
Com os verbos neutros (nascer, viver, morrer, dormir, a) Sou ateu e peço que me deem tratamento similar ao que
acordar, sonhar, etc.) não há voz ativa, passiva ou reflexiva, dispenso aos homens religiosos.
porque o sujeito não pode ser visto como agente, paciente b) A intolerância religiosa baseia-se em preconceitos de
ou agente paciente. que deveriam desviar-se todos os homens verdadeira-
mente virtuosos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS c) A tolerância é uma virtude na qual não podem prescindir
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- os que se dizem homens de fé.
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. d) O ateu desperta a ira dos fanáticos, a despeito de nada
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- fazer que possa injuriá-los ou desrespeitá-los.
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São e) Respeito os homens de fé, a menos que deixem de fazer
Paulo: Saraiva, 2010. o mesmo com aqueles que não a têm.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação
/ Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. Resposta: Letra C.
Corrigindo o inadequado:
SITE Em “a”: Sou ateu e peço que me deem tratamento simi-
LÍNGUA PORTUGUESA

http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54. lar ao que dispenso aos homens religiosos.


php Em “b”: A intolerância religiosa baseia-se em preconcei-
tos de que deveriam desviar-se todos os homens verda-
deiramente virtuosos.
Em “c”: A tolerância é uma virtude na qual (de que) não
podem prescindir os que se dizem homens de fé.
Em “d”: O ateu desperta a ira dos fanáticos, a despeito
de nada fazer que possa injuriá-los ou desrespeitá-los.

53
Em “e”: Respeito os homens de fé, a menos que deixem Resposta: Letra D.
de fazer o mesmo com aqueles que não a têm. Contudo é uma conjunção adversativa (expressa oposi-
ção). A substituição deve utilizar outra de mesma clas-
3. (TST – Analista Judiciário – Área Apoio Especia- sificação, para que se mantenha a ideia do período. A
lizado – Especialidade Medicina do Trabalho – FCC correta é entretanto.
– 2012)
Transpondo-se para a voz passiva a construção Os ateus 6. (TST – Analista Judiciário – Área Administrativa –
despertariam a ira de qualquer fanático, a forma verbal FCC – 2012) O verbo indicado entre parênteses deverá
obtida será: flexionar-se no singular para preencher adequadamente a
lacuna da frase:
a) seria despertada.
b) teria sido despertada. a) A nenhuma de nossas escolhas...... (poder) deixar de
c) despertar-se-á. corresponder nossos valores éticos mais rigorosos.
d) fora despertada. b) Não se...... (poupar) os que governam de refletir sobre o
e) teriam despertado. peso de suas mais graves decisões.
c) Aos governantes mais responsáveis não...... (ocorrer)
Resposta: Letra A. tomar decisões sem medir suas consequências.
Os ateus despertariam a ira de qualquer fanático d) A toda decisão tomada precipitadamente...... (costu-
Fazendo a transposição para a voz passiva, temos: A ira mar) sobrevir consequências imprevistas e injustas.
de qualquer fanático seria despertada pelos ateus. e) Diante de uma escolha,...... (ganhar) prioridade, reco-
GABARITO OFICIAL: A menda Gramsci, os critérios que levam em conta a dor
humana.
4. (TST – Técnico Judiciário – Área Administrativa –
Especialidade Segurança Judiciária – FCC – 2012) Resposta: Letra C.
...ela nunca alcançava a musa. Flexões em destaque e sublinhei os termos que estabe-
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma lecem concordância:
verbal resultante será: Em “a”: A nenhuma de nossas escolhas podem deixar de
corresponder nossos valores éticos mais rigorosos.
a) alcança-se. Em “b”: Não se poupam os que governam de refletir
b) foi alcançada. sobre o peso de suas mais graves decisões.
c) fora alcançada. Em “c”: Aos governantes mais responsáveis não ocorre
d) seria alcançada. tomar decisões sem medir suas consequências. = Isso
e) era alcançada. não ocorre aos governantes – uma oração exerce a fun-
ção de sujeito (subjetiva)
Resposta: Letra E. Em “d”: A toda decisão tomada precipitadamente costu-
Temos um verbo na voz ativa, então teremos dois na mam sobrevir consequências imprevistas e injustas.
passiva (auxiliar + o verbo da oração da ativa, no mesmo Em “e”: Diante de uma escolha, ganham prioridade, re-
tempo verbal, forma particípio): A musa nunca era alcança- comenda Gramsci, os critérios que levam em conta a dor
da por ela. O verbo “alcançava” está no pretérito imperfeito, humana.
por isso o auxiliar tem que estar também (é = presente, foi
= pretérito perfeito, era = imperfeito, fora = mais que per- 7. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – Analista Judiciário – Área
feito, será = futuro do presente, seria = futuro do pretérito). Administrativa – FCC – 2016 ) ... para quem Manoel de
Barros era comparável a São Francisco de Assis...
5. (TST – Analista Judiciário – Área Apoio Especia- O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o da
lizado – Especialidade Medicina do Trabalho – FCC frase acima está em:
– 2012) Aos poucos, contudo, fui chegando à constatação
de que todo perfil de rede social é um retrato ideal de nós a) Dizia-se um “vedor de cinema”...
mesmos. b) Porque não seria certo ficar pregando moscas no espa-
Mantendo-se a correção e a lógica, sem que outra altera- ço...
ção seja feita na frase, o elemento grifado pode ser subs- c) Na juventude, apaixonou-se por Arthur Rimbaud e Char-
tituído por: les Baudelaire.
LÍNGUA PORTUGUESA

d) Quase meio século separa a estreia de Manoel de Barros


a) ademais. na literatura...
b) conquanto. e) ... para depois casá-las...
c) porquanto.
d) entretanto. Resposta: Letra A.
e) apesar. “Era” = verbo “ser” no pretérito imperfeito do Indicativo.
Procuremos nos itens:
Em “a”: Dizia-se = pretérito imperfeito do Indicativo

54
Em “b”: Porque não seria = futuro do pretérito do Indi- Resposta: Letra D.
cativo Temos: sujeito (o marechal), verbo na ativa (organizou) e
Em “c”: Na juventude, apaixonou-se = pretérito perfeito objeto (o acervo). Como há um verbo na ativa, ao pas-
do Indicativo sarmos para a passiva teremos dois (o auxiliar no mesmo
Em “d”: Quase meio século separa = presente do Indi- tempo que o verbo da ativa + o particípio do verbo da
cativo voz ativa = organizado). O objeto exercerá a função de
Em “e”: para depois casá-las = Infinitivo pessoal (casar sujeito paciente, e o sujeito da ativa será o agente da
elas) passiva (ufa!). A frase ficará: O acervo foi organizado pelo
marechal.
8. (TRT 20.ª REGIÃO-SE – Analista Judiciário – Área
Administrativa – FCC – 2016 ) Aí conheci o escritor e his- 11. (TRT 20.ª REGIÃO-SE – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC
toriador de sua gente, meu saudoso amigo Alcino Alves Cos- – 2016) Precisamos de um treinador que nos ajude a co-
ta. E foi dele que ouvi oralmente a história de Zé de Julião. mer...
Considerando-se a norma-padrão da língua, ao reescrever- O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o sub-
-se o trecho acima em um único período, o segmento des- linhado acima está também sublinhado em:
tacado deverá ser antecedido de vírgula e substituído por
a) [...] assim que conseguissem se virar sem as mães ou as
a) perante ao qual amas...
b) de cujo b) Não é por acaso que proliferaram os coaches.
c) o qual c) [...] país que transformou a infância numa bilionária in-
d) frente à quem dústria de consumo...
e) de quem d) E, mesmo que se esforcem muito [...]
e) Hoje há algo novo nesse cenário.
Resposta: Letra E.
Resposta: Letra D.
Voltemos ao trecho: ... meu saudoso amigo Alcino Alves
que nos ajude = presente do Subjuntivo
Costa. E foi dele que ouvi oralmente... = a única alterna-
Em “a”: que conseguissem = pretérito do Subjuntivo
tiva que substitui corretamente o trecho destacado é “de
Em “b”: que proliferaram = pretérito perfeito (e também
quem ouvi oralmente”.
mais-que-perfeito) do Indicativo
Em “c”: que transformou = pretérito perfeito do Indica-
9. (TRT 14.ª REGIÃO-RO e AC – Técnico Judiciário
tivo
– FCC – 2016) “Isto pode despertar a atenção de outras Em “d”: que se esforcem = presente do Subjuntivo
pessoas que tenham documentos em casa e se disponham Em “e”: há algo novo nesse cenário = presente do Indi-
a trazer para a Academia, que é a guardiã desse tipo de cativo
acervo, que é muito difícil de ser guardado em casa, pois o
tempo destrói e aqui temos a melhor técnica de conservação 12. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – Técnico Judiciário – FCC
de documentos”, disse Cavalcanti. – 2016) O modelo ainda dominante nas discussões ecoló-
O termo sublinhado faz referência a gicas privilegia, em escala, o Estado e o mundo...
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
a) pessoas. verbal resultante será:
b) acervo.
c) Academia. a) é privilegiado.
d) tempo. b) sendo privilegiadas.
e) casa. c) são privilegiados.
d) foi privilegiado.
Resposta: Letra B. e) são privilegiadas.
Ao trecho: a guardiã desse tipo de acervo, que (o qual) é
muito difícil de ser guardado... Resposta: Letra C.
Há um verbo na ativa, então teremos dois na passiva
10. (TRT 14.ª REGIÃO-RO e AC – Técnico Judiciário – FCC (auxiliar + o particípio de “privilegia”) = O Estado e o
– 2016) O marechal organizou o acervo... mundo são privilegiados pelo modelo ainda dominante.
A forma verbal está corretamente transposta para a voz
LÍNGUA PORTUGUESA

passiva em: 13. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – Técnico Judiciário – FCC


– 2016 ) Empregam-se todas as formas verbais de acordo
a) estava organizando com a norma culta na seguinte frase:
b) tinha organizado
c) organizando-se a) Para que se mantesse sua autenticidade, o documento
d) foi organizado não poderia receber qualquer tipo de retificação.
e) está organizado b) Os documentos com assinatura digital disporam de al-
goritmos de criptografia que os protegeram.

55
c) Arquivados eletronicamente, os documentos poderam Resposta: Letra D.
contar com a proteção de uma assinatura digital. Os verbos das frases citadas estão no Modo Imperativo
d) Quem se propor a alterar um documento criptografado (expressam ordem). Vamos aos itens:
deve saber que comprometerá sua integridade. Em “a”: ... o acesso rápido e a quantidade de textos fa-
e) Não é possível fazer as alterações que convierem sem zem = presente do Indicativo
comprometer a integridade dos documentos. Em “b”: Na internet, basta um clique = presente do Indicativo
Em “c”: ... após discar e fazer a ligação, não precisamos
Resposta: Letra E. = presente do Indicativo
Em “a”: Para que se mantesse (mantivesse) sua autenti- Em “d”: Pense rápido: = Imperativo
cidade, o documento não poderia receber qualquer tipo Em “e”: É o que mostra também uma pesquisa = presen-
de retificação. te do Indicativo
Em “b”: Os documentos com assinatura digital disporam (dis-
puseram) de algoritmos de criptografia que os protegeram. 16. (PC-SP – Atendente de Necrotério Policial – Vunesp
Em “c”: Arquivados eletronicamente, os documentos po- – 2014) Assinale a alternativa em que a palavra em desta-
deram (puderam) contar com a proteção de uma assina- que na frase pertence à classe dos adjetivos (palavra que
tura digital. qualifica um substantivo).
Em “d”: Quem se propor (propuser) a alterar um docu-
mento criptografado deve saber que comprometerá sua a) Existe grande confusão entre os diversos tipos de eu-
integridade. tanásia...
Em “e”: Não é possível fazer as alterações que convierem sem b)... o médico ou alguém causa ativamente a morte...
comprometer a integridade dos documentos = correta c) prolonga o processo de morrer procurando distanciar a
morte.
14. (TRT 21.ª REGIÃO-RN – Técnico Judiciário – FCC – d) Ela é proibida por lei no Brasil,...
2017) Sessenta anos de história marcam, assim, a trajetória e) E como seria a verdadeira boa morte?
da utopia no país.
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma Resposta: Letra E.
verbal resultante será: Em “a”: Existe grande confusão = substantivo
Em “b”: o médico ou alguém causa ativamente a morte
a) foram marcados. = pronome
b) foi marcado. Em “c”: prolonga o processo de morrer procurando dis-
c) são marcados. tanciar a morte = substantivo
d) foi marcada. Em “d”: Ela é proibida por lei no Brasil = substantivo
e) é marcada. Em “e”: E como seria a verdadeira boa morte? = adjetivo

Resposta: Letra E. 17. (PC-SP – Escrivão de Polícia – Vunesp – 2014) As for-


Temos um verbo (no tempo presente) na ativa, então mas verbais conjugadas no modo imperativo, expressando
teremos dois na passiva (auxiliar [no tempo presente] + ordem, instrução ou comando, estão destacadas em
particípio de “marcam”) = Assim, a trajetória da utopia
do país é marcada pelos sessenta anos de história. a) Mas há outros cujas marcas acabam ficando bem níti-
das na memória: são aqueles donos de qualidades in-
15. (Polícia Militar do Estado de São Paulo – Soldado PM comuns.
2.ª Classe – Vunesp – 2017) Considere as seguintes frases: b) Voltei uns cinquenta minutos depois, cauteloso, e quase
Primeiro, associe suas memórias com objetos físicos. não acreditei no que ouvi.
Segundo, não memorize apenas por repetição. c) – Ei rapaz, deixe ligado o microfone, largue isso aí, vá
Terceiro, rabisque! pro estúdio e ponha a rádio no ar.
Um verbo flexionado no mesmo modo que o dos verbos d) Bem, o fato é que eu era o técnico de som do horário,
empregados nessas frases está em destaque em: precisava “passar” a transmissão lá para a câmara, e o
locutor não chegava para os textos de abertura, publi-
a) [...] o acesso rápido e a quantidade de textos fazem com cidade, chamadas.
que o cérebro humano não considere útil gravar esses e) ... estremecíamos quando ele nos chamava para qual-
dados [...] quer coisa, fazendo-nos entrar na sua sala imensa, já
LÍNGUA PORTUGUESA

b) Na internet, basta um clique para vasculhar um sem-nú- suando frio e atentos às suas finas e cortantes palavras.
mero de informações.
c) [...] após discar e fazer a ligação, não precisamos mais Resposta: Letra C.
dele... Aos itens:
d) Pense rápido: qual o número de telefone da casa em que Em “a”: há = presente / acabam = presente / são = pre-
morou quando era criança? sente
e) É o que mostra também uma pesquisa recente conduzi- Em “b”: Voltei = pretérito perfeito / acreditei = pretérito
da pela empresa de segurança digital Kaspersky [...] perfeito

56
Em “c”: deixe / largue / vá / ponha = verbos no modo Resposta: Letra E.
imperativo afirmativo (ordens) “não” – advérbio de negação / “hoje” – advérbio de tem-
Em “d”: era = pretérito imperfeito / precisava = pretérito po.
imperfeito / chegava = pretérito imperfeito
Em “e”: fazendo-nos = gerúndio / suando = gerúndio 21. (PC-SP – Escrivão de Polícia – Vunesp – 2013)
Assinale a alternativa que completa respectivamente as
18. (PC-SP – Agente de Polícia – Vunesp – 2013) Em – O lacunas, em conformidade com a norma-padrão de con-
destino me prestava esse pequeno favor: completava minha jugação verbal.
identificação com o resto da humanidade, que tem sempre Há quem acredite que alcançará o sucesso profissional
para contar uma história de objeto achado; – o pronome em quando __________ um diploma de mestrado, mas há aque-
destaque retoma a seguinte palavra/expressão: les que _________ de opinião e procuram investir em cursos
profissionalizantes.
a) o resto da humanidade.
b) esse pequeno favor. a) obtiver … divirgem
c) minha identificação. b) obter … divergem
d) O destino. c) obtesse … devirgem
e) completava. d) obter … divirgem
e) obtiver … divergem
Resposta: Letra A.
Completava minha identificação com o resto da humani- Resposta: Letra E.
dade, que (a qual) tem sempre para contar uma história Há quem acredite que alcançará o sucesso profissional
de objeto achado = pronome relativo que retoma o resto quando obtiver um diploma de mestrado, mas há aque-
da humanidade. les que divergem de opinião e procuram investir em
cursos profissionalizantes.
19. (PC-SP – Agente de Polícia – Vunesp – 2013) Consi-
22. (PC-SP – Auxiliar de Necropsia – Vunesp – 2014)
dere o trecho a seguir.
Considerando que o adjetivo é uma palavra que modifica
É comum que objetos ____________ esquecidos em locais
o substantivo, com ele concordando em gênero e núme-
públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se
ro, assinale a alternativa em que a palavra destacada é um
as pessoas __________ a atenção voltada para seus perten-
adjetivo.
ces, conservando-os junto ao corpo.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectiva-
a) ... um câncer de boca horroroso, ...
mente, as lacunas do texto.
b) Ele tem dezesseis anos...
c) Eu queria que ele morresse logo, ...
a) sejam ... mantesse
d) ... com a crueldade adicional de dar esperança às famí-
b) sejam ... mantém
lias.
c) sejam ... mantivessem
e) E o inferno não atinge só os terminais.
d) seja ... mantivessem
e) seja ... mantêm
Resposta: Letra A.
Em “a”: um câncer de boca horroroso = adjetivo
Resposta: Letra C. Em “b”: Ele tem dezesseis anos = numeral
Completemos as lacunas e depois busquemos o item Em “c”: Eu queria que ele morresse logo = advérbio
correspondente. A pegadinha aqui é a conjugação do Em “d”: com a crueldade adicional de dar esperança às
verbo “manter”, no presente do Subjuntivo (mantiver): famílias = substantivo
É comum que objetos sejam esquecidos em locais públi- Em “e”: E o inferno não atinge só os terminais = subs-
cos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se as tantivo
pessoas mantivessem a atenção voltada para seus per-
tences, conservando-os junto ao corpo. 23. (Polícia Civil-SP – Perito Criminal – Vunesp – 2013)
Observe os enunciados:
20. (PC-SP – Atendente de Necrotério Policial – Vunesp • A Guerra do Vietnã se faz presente até hoje.
– 2013) Nas frases – Não vou mais à escola!… – e – Hoje • A probabilidade de um veterano branco ser preso por um
estão na moda os métodos audiovisuais. – as palavras em crime violento é significativamente mais alta do que...
LÍNGUA PORTUGUESA

destaque expressam, correta e respectivamente, circuns- Os advérbios em destaque expressam, respectivamente,


tâncias de circunstâncias de

a) dúvida e modo. a) lugar e modo.


b) dúvida e tempo. b) tempo e intensidade.
c) modo e afirmação. c) modo e intensidade.
d) negação e lugar. d) tempo e causa.
e) negação e tempo. e) tempo e modo.

57
Resposta: Letra E. Período simples é aquele constituído por apenas uma
“Hoje” = tempo; geralmente os advérbios terminados oração, que recebe o nome de oração absoluta.
em “-mente” são de modo (= com significância). Chove.
A existência é frágil.
Amanhã, à tarde, faremos a prova do concurso.
SINTAXE: FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO; Período composto é aquele constituído por duas ou
TERMOS DA ORAÇÃO; PROCESSOS DE mais orações:
COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO; Cantei, dancei e depois dormi.
Quero que você estude mais.

Frase, oração e período 1.1. Termos da Oração


1.1.1 Termos essenciais
1. Sintaxe da Oração e do Período
O sujeito e o predicado são considerados termos essen-
Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para ciais da oração, ou seja, são termos indispensáveis para a
estabelecer comunicação. Normalmente é composta por formação das orações. No entanto, existem orações forma-
dois termos – o sujeito e o predicado – mas não obrigato- das exclusivamente pelo predicado. O que define a oração
riamente, pois há orações ou frases sem sujeito: Trovejou é a presença do verbo. O sujeito é o termo que estabelece
muito ontem à noite. concordância com o verbo.
O candidato está preparado.
Quanto aos tipos de frases, além da classificação em ver- Os candidatos estão preparados.
bais (possuem verbos, ou seja, são orações) e nominais (sem a
presença de verbos), feita a partir de seus elementos constituin- Na primeira frase, o sujeito é “o candidato”. “Candida-
tes, elas podem ser classificadas a partir de seu sentido global: to” é a principal palavra do sujeito, sendo, por isso, deno-
minada núcleo do sujeito. Este se relaciona com o verbo,
A) frases interrogativas = o emissor da mensagem for- estabelecendo a concordância (núcleo no singular, verbo
mula uma pergunta: Que dia é hoje? no singular: candidato = está).
B) frases imperativas = o emissor dá uma ordem ou faz A função do sujeito é basicamente desempenhada por
um pedido: Dê-me uma luz! substantivos, o que a torna uma função substantiva da ora-
C) frases exclamativas = o emissor exterioriza um esta- ção. Pronomes, substantivos, numerais e quaisquer outras
do afetivo: Que dia abençoado! palavras substantivadas (derivação imprópria) também po-
D) frases declarativas = o emissor constata um fato: A dem exercer a função de sujeito.
prova será amanhã. Os dois sumiram. (dois é numeral; no exemplo, subs-
tantivo)
Quanto à estrutura da frase, as que possuem verbo Um sim é suave e sugestivo. (sim é advérbio; no exem-
(oração) são estruturadas por dois elementos essenciais: plo: substantivo)
sujeito e predicado.
O sujeito é o termo da frase que concorda com o verbo Os sujeitos são classificados a partir de dois elementos:
em número e pessoa. É o “ser de quem se declara algo”, “o o de determinação ou indeterminação e o de núcleo do
tema do que se vai comunicar”; o predicado é a parte da sujeito.
frase que contém “a informação nova para o ouvinte”, é o Um sujeito é determinado quando é facilmente iden-
que “se fala do sujeito”. Ele se refere ao tema, constituindo tificado pela concordância verbal. O sujeito determinado
a declaração do que se atribui ao sujeito. pode ser simples ou composto.
Quando o núcleo da declaração está no verbo (que indi- A indeterminação do sujeito ocorre quando não é
que ação ou fenômeno da natureza, seja um verbo signifi- possível identificar claramente a que se refere a concor-
cativo), temos o predicado verbal. Mas, se o núcleo estiver dância verbal. Isso ocorre quando não se pode ou não inte-
em um nome (geralmente um adjetivo), teremos um pre- ressa indicar precisamente o sujeito de uma oração.
dicado nominal (os verbos deste tipo de predicado são os Estão gritando seu nome lá fora.
que indicam estado, conhecidos como verbos de ligação): Trabalha-se demais neste lugar.
O menino limpou a sala. = “limpou” é verbo de ação O sujeito simples é o sujeito determinado que apre-
LÍNGUA PORTUGUESA

(predicado verbal) senta um único núcleo, que pode estar no singular ou no


A prova foi fácil. – “foi” é verbo de ligação (ser); o núcleo plural; pode também ser um pronome indefinido. Abaixo,
é “fácil” (predicado nominal) sublinhei os núcleos dos sujeitos:
Nós estudaremos juntos.
Quanto ao período, ele denomina a frase constituída A humanidade é frágil.
por uma ou mais orações, formando um todo, com sentido Ninguém se move.
completo. O período pode ser simples ou composto. O amar faz bem. (“amar” é verbo, mas aqui houve uma
derivação imprópria, tranformando-o em substantivo)

58
As crianças precisam de alimentos saudáveis. As orações sem sujeito, formadas apenas pelo predica-
do, articulam-se a partir de um verbo impessoal. A mensa-
O sujeito composto é o sujeito determinado que apre- gem está centrada no processo verbal. Os principais casos
senta mais de um núcleo. de orações sem sujeito com:
Alimentos e roupas custam caro.  os verbos que indicam fenômenos da natureza:
Ela e eu sabemos o conteúdo. Amanheceu.
O amar e o odiar são duas faces da mesma moeda. Está trovejando.

Além desses dois sujeitos determinados, é comum a  os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam
referência ao sujeito implícito na desinência verbal (o fenômenos meteorológicos ou se relacionam ao
“antigo” sujeito oculto [ou elíptico]), isto é, ao núcleo do tempo em geral:
sujeito que está implícito e que pode ser reconhecido pela Está tarde.
desinência verbal ou pelo contexto. Já são dez horas.
Abolimos todas as regras. = (nós) Faz frio nesta época do ano.
Falaste o recado à sala? = (tu) Há muitos concursos com inscrições abertas.

Os verbos deste tipo de sujeito estão sempre na primei- Predicado é o conjunto de enunciados que contém a
ra pessoa do singular (eu) ou plural (nós) ou na segunda do informação sobre o sujeito – ou nova para o ouvinte. Nas
singular (tu) ou do plural (vós), desde que os pronomes não orações sem sujeito, o predicado simplesmente enuncia
estejam explícitos. um fato qualquer. Nas orações com sujeito, o predicado é
Iremos à feira juntos? (= nós iremos) – sujeito implícito aquilo que se declara a respeito deste sujeito. Com exceção
na desinência verbal “-mos” do vocativo - que é um termo à parte - tudo o que difere
Cantais bem! (= vós cantais) - sujeito implícito na desi- do sujeito numa oração é o seu predicado.
nência verbal “-ais” Chove muito nesta época do ano.
Houve problemas na reunião.
Mas:
Nós iremos à festa juntos? = sujeito simples: nós Em ambas as orações não há sujeito, apenas predicado.
Vós cantais bem! = sujeito simples: vós Na segunda oração, “problemas” funciona como objeto di-
reto.
O sujeito indeterminado surge quando não se quer - As questões estavam fáceis!
ou não se pode - identificar a que o predicado da oração Sujeito simples = as questões
refere-se. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso Predicado = estavam fáceis
contrário, teríamos uma oração sem sujeito.
Na língua portuguesa, o sujeito pode ser indetermina- Passou-me uma ideia estranha pelo pensamento.
do de duas maneiras: Sujeito = uma ideia estranha
Predicado = passou-me pelo pensamento
A) com verbo na terceira pessoa do plural, desde que
o sujeito não tenha sido identificado anteriormente: Para o estudo do predicado, é necessário verificar se
Bateram à porta; seu núcleo é um nome (então teremos um predicado no-
Andam espalhando boatos a respeito da queda do mi- minal) ou um verbo (predicado verbal). Deve-se considerar
nistro. também se as palavras que formam o predicado referem-
-se apenas ao verbo ou também ao sujeito da oração.
Se o sujeito estiver identificado, poderá ser simples ou Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres
composto: de opinião.
Os meninos bateram à porta. (simples) Predicado
Os meninos e as meninas bateram à porta. (composto)
O predicado acima apresenta apenas uma palavra que
B) com o verbo na terceira pessoa do singular, acres- se refere ao sujeito: pedem. As demais palavras se ligam
cido do pronome “se”. Esta é uma construção típica direta ou indiretamente ao verbo.
dos verbos que não apresentam complemento dire- A cidade está deserta.
to: O nome “deserta”, por intermédio do verbo, refere-se
LÍNGUA PORTUGUESA

Precisa-se de mentes criativas. ao sujeito da oração (cidade). O verbo atua como elemento
Vivia-se bem naqueles tempos. de ligação (por isso verbo de ligação) entre o sujeito e a
Trata-se de casos delicados. palavra a ele relacionada (no caso: deserta = predicativo
Sempre se está sujeito a erros. do sujeito).

O pronome “se”, nestes casos, funciona como índice de O predicado verbal é aquele que tem como núcleo sig-
indeterminação do sujeito. nificativo um verbo:
Chove muito nesta época do ano.

59
Estudei muito hoje! Queremos sua ajuda.
Compraste a apostila?
O objeto direto preposicionado ocorre principalmen-
Os verbos acima são significativos, isto é, não servem te:
apenas para indicar o estado do sujeito, mas indicam pro- A) com nomes próprios de pessoas ou nomes comuns
cessos. referentes a pessoas:
Amar a Deus; Adorar a Xangô; Estimar aos pais.
O predicado nominal é aquele que tem como núcleo (o objeto é direto, mas como há preposição, denomina-
significativo um nome; este atribui uma qualidade ou esta- -se: objeto direto preposicionado)
do ao sujeito, por isso é chamado de predicativo do sujei-
to. O predicativo é um nome que se liga a outro nome da B) com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes
oração por meio de um verbo (o verbo de ligação). de tratamento: Não excluo a ninguém; Não quero
Nos predicados nominais, o verbo não é significativo, cansar a Vossa Senhoria.
isto é, não indica um processo, mas une o sujeito ao pre- C) para evitar ambiguidade: Ao povo prejudica a crise.
dicativo, indicando circunstâncias referentes ao estado do (sem preposição, o sentido seria outro: O povo prejudica
sujeito: Os dados parecem corretos. a crise)
O verbo parecer poderia ser substituído por estar, andar, O objeto indireto é o complemento que se liga indi-
ficar, ser, permanecer ou continuar, atuando como elemento retamente ao verbo, ou seja, através de uma preposição.
de ligação entre o sujeito e as palavras a ele relacionadas. Gosto de música popular brasileira.
Necessito de ajuda.
A função de predicativo é exercida, normalmente, por
um adjetivo ou substantivo. 1.2.1 Objeto Pleonástico

O predicado verbo-nominal é aquele que apresenta É a repetição de objetos, tanto diretos como indiretos.
dois núcleos significativos: um verbo e um nome. No pre- Normalmente, as frases em que ocorrem objetos pleo-
dicado verbo-nominal, o predicativo pode se referir ao su- násticos obedecem à estrutura: primeiro aparece o objeto,
jeito ou ao complemento verbal (objeto). antecipado para o início da oração; em seguida, ele é repe-
tido através de um pronome oblíquo. É à repetição que se
O verbo do predicado verbo-nominal é sempre signi- dá o nome de objeto pleonástico.
ficativo, indicando processos. É também sempre por in- “Aos fracos, não os posso proteger, jamais.” (Gonçalves
termédio do verbo que o predicativo se relaciona com o Dias)
termo a que se refere.
O dia amanheceu ensolarado; objeto pleonástico
As mulheres julgam os homens inconstantes.
Ao traidor, nada lhe devemos.
No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta
duas funções: a de verbo significativo e a de verbo de liga- O termo que integra o sentido de um nome chama-se
ção. Este predicado poderia ser desdobrado em dois: um complemento nominal, que se liga ao nome que comple-
verbal e outro nominal. ta por intermédio de preposição:
O dia amanheceu. / O dia estava ensolarado. A arte é necessária à vida. = relaciona-se com a palavra
“necessária”
No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona Temos medo de barata. = ligada à palavra “medo”
o complemento homens com o predicativo “inconstantes”.
1.3 Termos acessórios da oração e vocativo
1.2 Termos integrantes da oração
Os termos acessórios recebem este nome por serem ex-
Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o plicativos, circunstanciais. São termos acessórios o adjunto
complemento nominal são chamados termos integrantes da adverbial, o adjunto adnominal, o aposto e o vocativo – este,
oração. sem relação sintática com outros temos da oração.

Os complementos verbais integram o sentido dos ver- O adjunto adverbial é o termo da oração que indi-
LÍNGUA PORTUGUESA

bos transitivos, com eles formando unidades significativas. ca uma circunstância do processo verbal ou intensifica o
Estes verbos podem se relacionar com seus complementos sentido de um adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função
diretamente, sem a presença de preposição, ou indireta- adverbial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais
mente, por intermédio de preposição. exercerem o papel de adjunto adverbial: Amanhã voltarei a
pé àquela velha praça.
O objeto direto é o complemento que se liga direta-
mente ao verbo.
Houve muita confusão na partida final.

60
O adjunto adnominal é o termo acessório que deter- 1.4 Períodos Compostos
mina, especifica ou explica um substantivo. É uma função 1.4.1 Período Composto por Coordenação
adjetiva, pois são os adjetivos e as locuções adjetivas que
exercem o papel de adjunto adnominal na oração. Também O período composto se caracteriza por possuir mais de
atuam como adjuntos adnominais os artigos, os numerais e uma oração em sua composição. Sendo assim:
os pronomes adjetivos. Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma ora-
O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu ção)
amigo de infância. Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
(Período Composto =locução verbal + verbo, duas orações)
O adjunto adnominal se liga diretamente ao substanti- Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar um
vo a que se refere, sem participação do verbo. Já o predi- protetor solar. (Período Composto = três verbos, três ora-
cativo do objeto se liga ao objeto por meio de um verbo. ções).
O poeta português deixou uma obra originalíssima.
O poeta deixou-a. Há dois tipos de relações que podem se estabelecer en-
(originalíssima não precisou ser repetida, portanto: ad- tre as orações de um período composto: uma relação de
junto adnominal) coordenação ou uma relação de subordinação.
Duas orações são coordenadas quando estão juntas
O poeta português deixou uma obra inacabada. em um mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco de
O poeta deixou-a inacabada. informações, marcado pela pontuação final), mas têm, am-
(inacabada precisou ser repetida, então: predicativo do bas, estruturas individuais, como é o exemplo de:
objeto) Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
(Período Composto)
Enquanto o complemento nominal se relaciona a um Podemos dizer:
substantivo, adjetivo ou advérbio, o adjunto nominal se re- 1. Estou comprando um protetor solar.
laciona apenas ao substantivo. 2. Irei à praia.
Separando as duas, vemos que elas são independentes.
O aposto é um termo acessório que permite ampliar, Tal período é classificado como Período Composto por
explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida em um ter- Coordenação.
mo que exerça qualquer função sintática: Ontem, segunda- Quanto à classificação das orações coordenadas, temos
-feira, passei o dia mal-humorado. dois tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas Sindé-
ticas.
Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tempo
“ontem”. O aposto é sintaticamente equivalente ao termo A) Coordenadas Assindéticas
que se relaciona porque poderia substituí-lo: Segunda-feira São orações coordenadas entre si e que não são ligadas
passei o dia mal-humorado. através de nenhum conectivo. Estão apenas justapostas.
O aposto pode ser classificado, de acordo com seu va- Entrei na sala, deitei-me no sofá, adormeci.
lor na oração, em:
A) explicativo: A linguística, ciência das línguas huma- B) Coordenadas Sindéticas
nas, permite-nos interpretar melhor nossa relação Ao contrário da anterior, são orações coordenadas en-
com o mundo. tre si, mas que são ligadas através de uma conjunção coor-
B) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas denativa, que dará à oração uma classificação. As orações
coisas: amor, arte, ação. coordenadas sindéticas são classificadas em cinco tipos:
C) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e sonho, aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e explicati-
tudo forma o carnaval. vas.
D) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, fixa-
ram-se por muito tempo na baía anoitecida. Dica: Memorize SINdética = SIM, tem conjunção!
 Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas: suas
O vocativo é um termo que serve para chamar, invocar principais conjunções são: e, nem, não só... mas também,
ou interpelar um ouvinte real ou hipotético, não mantendo não só... como, assim... como.
relação sintática com outro termo da oração. A função de Nem comprei o protetor solar nem fui à praia.
vocativo é substantiva, cabendo a substantivos, pronomes Comprei o protetor solar e fui à praia.
LÍNGUA PORTUGUESA

substantivos, numerais e palavras substantivadas esse pa-


pel na linguagem.  Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas:
João, venha comigo! suas principais conjunções são: mas, contudo, toda-
Traga-me doces, minha menina! via, entretanto, porém, no entanto, ainda, assim, se-
não.
Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante.
Li tudo, porém não entendi!

61
 Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas: suas principais conjunções são: ou... ou; ora...ora; quer...quer; seja...
seja.
Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador.

 Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas: suas principais conjunções são: logo, portanto, por fim, por conse-
guinte, consequentemente, pois (posposto ao verbo).
Passei no concurso, portanto comemorarei!
A situação é delicada; devemos, pois, agir.

 Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas: suas principais conjunções são: isto é, ou seja, a saber, na verdade,
pois (anteposto ao verbo).
Não fui à praia, pois queria descansar durante o Domingo.
Maria chorou porque seus olhos estão vermelhos.

1.4.2 Período Composto Por Subordinação

Quero que você seja aprovado!


Oração principal oração subordinada

Observe que na oração subordinada temos o verbo “seja”, que está conjugado na terceira pessoa do singular do pre-
sente do subjuntivo, além de ser introduzida por conjunção. As orações subordinadas que apresentam verbo em qualquer
dos tempos finitos (tempos do modo do indicativo, subjuntivo e imperativo) e são iniciadas por conjunção, chamam-se
orações desenvolvidas ou explícitas.
Podemos modificar o período acima. Veja:
Quero ser aprovado.
Oração Principal Oração Subordinada

A análise das orações continua sendo a mesma: “Quero” é a oração principal, cujo objeto direto é a oração subordinada
“ser aprovado”. Observe que a oração subordinada apresenta agora verbo no infinitivo (ser). Além disso, a conjunção “que”,
conectivo que unia as duas orações, desapareceu. As orações subordinadas cujo verbo surge numa das formas nominais
(infinitivo, gerúndio ou particípio) são chamadas de orações reduzidas ou implícitas (como no exemplo acima).

Observação:
As orações reduzidas não são introduzidas por conjunções nem pronomes relativos. Podem ser, eventualmente, intro-
duzidas por preposição.

A) Orações Subordinadas Substantivas


A oração subordinada substantiva tem valor de substantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção integrante
(que, se).

Não sei se sairemos hoje.


Oração Subordinada Substantiva

Temos medo de que não sejamos aprovados.


Oração Subordinada Substantiva

Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) também introduzem as orações subordinadas substantivas, bem como os
advérbios interrogativos (por que, quando, onde, como).

O garoto perguntou qual seu nome.


Oração Subordinada Substantiva
LÍNGUA PORTUGUESA

Não sabemos quando ele virá.


Oração Subordinada Substantiva

1.4.3 Classificação das Orações Subordinadas Substantivas

Conforme a função que exerce no período, a oração subordinada substantiva pode ser:
1. Subjetiva - exerce a função sintática de sujeito do verbo da oração principal:

62
É fundamental o seu comparecimento à reunião.
Sujeito

É fundamental que você compareça à reunião.


Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Subjetiva

FIQUE ATENTO!
Observe que a oração subordinada substantiva pode ser substituída pelo pronome “isso”. Assim, temos um
período simples:
É fundamental isso ou Isso é fundamental.
Desta forma, a oração correspondente a “isso” exercerá a função de sujeito.

Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na oração principal:


 Verbos de ligação + predicativo, em construções do tipo: É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece certo - É
claro - Está evidente - Está comprovado
É bom que você compareça à minha festa.

 Expressões na voz passiva, como: Sabe-se, Soube-se, Conta-se, Diz-se, Comenta-se, É sabido, Foi anunciado, Ficou
provado.
Sabe-se que Aline não gosta de Pedro.

 Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar - importar - ocorrer - acontecer


Convém que não se atrase na entrevista.

Observação:
Quando a oração subordinada substantiva é subjetiva, o verbo da oração principal está sempre na 3.ª pessoa do singular.

2. Objetiva Direta = exerce função de objeto direto do verbo da oração principal:


Todos querem sua aprovação no concurso.
Objeto Direto

Todos querem que você seja aprovado. (Todos querem isso)


Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta

As orações subordinadas substantivas objetivas diretas (desenvolvidas) são iniciadas por:


 Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica) e “se”: A professora verificou se os alunos estavam presentes.
 Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas: O pessoal
queria saber quem era o dono do carro importado.
 Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas: Eu não sei
por que ela fez isso.

3. Objetiva Indireta = atua como objeto indireto do verbo da oração principal. Vem precedida de preposição.

Meu pai insiste em meu estudo.


Objeto Indireto

Meu pai insiste em que eu estude. (= Meu pai insiste nisso)


Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta
LÍNGUA PORTUGUESA

Observação:
Em alguns casos, a preposição pode estar elíptica na oração.
Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.
Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta

4. Completiva Nominal = completa um nome que pertence à oração principal e também vem marcada por preposição.
Sentimos orgulho de seu comportamento.
Complemento Nominal

63
Sentimos orgulho de que você se comportou. (= Sentimos orgulho disso.)
Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal

As orações subordinadas substantivas objetivas indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto que orações su-
bordinadas substantivas completivas nominais integram o sentido de um nome. Para distinguir uma da outra, é necessário
levar em conta o termo complementado. Esta é a diferença entre o objeto indireto e o complemento nominal: o primeiro
complementa um verbo; o segundo, um nome.

5. Predicativa = exerce papel de predicativo do sujeito do verbo da oração principal e vem sempre depois do verbo ser.
Nosso desejo era sua desistência.
Predicativo do Sujeito

Nosso desejo era que ele desistisse. (= Nosso desejo era isso)
Oração Subordinada Substantiva Predicativa

6. Apositiva = exerce função de aposto de algum termo da oração principal.


Fernanda tinha um grande sonho: a felicidade!
Aposto
Fernanda tinha um grande sonho: ser feliz!
Oração subordinada substantiva apositiva reduzida de infinitivo

(Fernanda tinha um grande sonho: isso)

Dica: geralmente há a presença dos dois pontos! ( : )

B) Orações Subordinadas Adjetivas


Uma oração subordinada adjetiva é aquela que possui valor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equivale. As orações
vêm introduzidas por pronome relativo e exercem a função de adjunto adnominal do antecedente.
Esta foi uma redação bem-sucedida.
Substantivo Adjetivo (Adjunto Adnominal)

O substantivo “redação” foi caracterizado pelo adjetivo “bem-sucedida”. Neste caso, é possível formarmos outra cons-
trução, a qual exerce exatamente o mesmo papel:
Esta foi uma redação que fez sucesso.
Oração Principal Oração Subordinada Adjetiva

Perceba que a conexão entre a oração subordinada adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é feita pelo
pronome relativo “que”. Além de conectar (ou relacionar) duas orações, o pronome relativo desempenha uma função sin-
tática na oração subordinada: ocupa o papel que seria exercido pelo termo que o antecede (no caso, “redação” é sujeito,
então o “que” também funciona como sujeito).

FIQUE ATENTO!
Vale lembrar um recurso didático para reconhecer o pronome relativo “que”: ele sempre pode ser substituí-
do por: o qual - a qual - os quais - as quais
Refiro-me ao aluno que é estudioso. = Esta oração é equivalente a: Refiro-me ao aluno o qual estuda.

FORMA DAS ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS


LÍNGUA PORTUGUESA

Quando são introduzidas por um pronome relativo e apresentam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as orações
subordinadas adjetivas são chamadas desenvolvidas. Além delas, existem as orações subordinadas adjetivas reduzidas,
que não são introduzidas por pronome relativo (podem ser introduzidas por preposição) e apresentam o verbo numa das
formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio).
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou.
Ele foi o primeiro aluno a se apresentar.

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No primeiro período, há uma oração subordinada ad- D) Oração Subordinada Adverbial
jetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome A oração em destaque agrega uma circunstância de
relativo “que” e apresenta verbo conjugado no pretérito tempo. É, portanto, chamada de oração subordinada adver-
perfeito do indicativo. No segundo, há uma oração subor- bial temporal. Os adjuntos adverbiais são termos acessó-
dinada adjetiva reduzida de infinitivo: não há pronome re- rios que indicam uma circunstância referente, via de regra,
lativo e seu verbo está no infinitivo. a um verbo. A classificação do adjunto adverbial depende
da exata compreensão da circunstância que exprime.
1. Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas Naquele momento, senti uma das maiores emoções de
minha vida.
Na relação que estabelecem com o termo que caracte- Quando vi o mar, senti uma das maiores emoções de mi-
rizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar de nha vida.
duas maneiras diferentes. Há aquelas que restringem ou
especificam o sentido do termo a que se referem, indivi- No primeiro período, “naquele momento” é um adjunto
dualizando-o. Nestas orações não há marcação de pausa, adverbial de tempo, que modifica a forma verbal “senti”.
sendo chamadas subordinadas adjetivas restritivas. Existem No segundo período, este papel é exercido pela oração
também orações que realçam um detalhe ou amplificam “Quando vi o mar”, que é, portanto, uma oração subordi-
dados sobre o antecedente, que já se encontra suficiente- nada adverbial temporal. Esta oração é desenvolvida, pois
mente definido. Estas orações denominam-se subordina- é introduzida por uma conjunção subordinativa (quando)
das adjetivas explicativas. e apresenta uma forma verbal do modo indicativo (“vi”, do
pretérito perfeito do indicativo). Seria possível reduzi-la,
Exemplo 1: obtendo-se:
Jamais teria chegado aqui, não fosse um homem que Ao ver o mar, senti uma das maiores emoções de minha
passava naquele momento. vida.
Oração Subordinada Adjetiva Restritiva A oração em destaque é reduzida, apresentando uma
das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não é
introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por uma
No período acima, observe que a oração em destaque
preposição (“a”, combinada com o artigo “o”).
restringe e particulariza o sentido da palavra “homem”: tra-
ta-se de um homem específico, único. A oração limita o
Observação:
universo de homens, isto é, não se refere a todos os ho-
A classificação das orações subordinadas adverbiais é
mens, mas sim àquele que estava passando naquele mo-
feita do mesmo modo que a classificação dos adjuntos ad-
mento.
verbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela oração.
Exemplo 2:
O homem, que se considera racional, muitas vezes age 2. Classificação das Orações Subordinadas Adver-
animalescamente. biais
Oração Subordinada Adjetiva Explicativa
Agora, a oração em destaque não tem sentido restritivo A) Causal = A ideia de causa está diretamente ligada
em relação à palavra “homem”; na verdade, apenas explici- àquilo que provoca um determinado fato, ao motivo do
ta uma ideia que já sabemos estar contida no conceito de que se declara na oração principal. Principal conjunção su-
“homem”. bordinativa causal: porque. Outras conjunções e locuções
causais: como (sempre introduzido na oração anteposta à
Saiba que: oração principal), pois, pois que, já que, uma vez que, visto
A oração subordinada adjetiva explicativa é separada que.
da oração principal por uma pausa que, na escrita, é repre- As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito forte.
sentada pela vírgula. É comum, por isso, que a pontuação Já que você não vai, eu também não vou.
seja indicada como forma de diferenciar as orações expli-
cativas das restritivas; de fato, as explicativas vêm sempre A diferença entre a subordinada adverbial causal e a
isoladas por vírgulas; as restritivas, não. sindética explicativa é que esta “explica” o fato que aconte-
ceu na oração com a qual ela se relaciona; aquela apresen-
C) Orações Subordinadas Adverbiais ta a “causa” do acontecimento expresso na oração à qual
Uma oração subordinada adverbial é aquela que exerce ela se subordina. Repare:
a função de adjunto adverbial do verbo da oração princi- 1. Faltei à aula porque estava doente.
LÍNGUA PORTUGUESA

pal. Assim, pode exprimir circunstância de tempo, modo, 2. Melissa chorou, porque seus olhos estão vermelhos.
fim, causa, condição, hipótese, etc. Quando desenvolvida, Em 1, a oração destacada aconteceu primeiro (causa)
vem introduzida por uma das conjunções subordinativas que o fato expresso na oração anterior, ou seja, o
(com exclusão das integrantes, que introduzem orações fato de estar doente impediu-me de ir à aula. No
subordinadas substantivas). Classifica-se de acordo com exemplo 2, a oração sublinhada relata um fato que
a conjunção ou locução conjuntiva que a introduz (assim aconteceu depois, já que primeiro ela chorou, depois
como acontece com as coordenadas sindéticas). seus olhos ficaram vermelhos.
Durante a madrugada, eu olhei você dormindo.

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B) Consecutiva = exprime um fato que é consequên- F) Conformativa = indica ideia de conformidade, ou
cia, é efeito do que se declara na oração principal. seja, apresenta uma regra, um modelo adotado para
São introduzidas pelas conjunções e locuções: que, a execução do que se declara na oração principal.
de forma que, de sorte que, tanto que, etc., e pelas Principal conjunção subordinativa conformativa:
estruturas tão...que, tanto...que, tamanho...que. conforme. Outras conjunções conformativas: como,
Principal conjunção subordinativa consecutiva: que consoante e segundo (todas com o mesmo valor de
(precedido de tal, tanto, tão, tamanho) conforme).
Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou con- Fiz o bolo conforme ensina a receita.
cretizando-os. Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm
Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Reduzida direitos iguais.
de Infinitivo)
G) Final = indica a intenção, a finalidade daquilo que
C) Condicional = Condição é aquilo que se impõe se declara na oração principal. Principal conjunção
como necessário para a realização ou não de um subordinativa final: a fim de. Outras conjunções fi-
fato. As orações subordinadas adverbiais condicio- nais: que, porque (= para que) e a locução conjuntiva
nais exprimem o que deve ou não ocorrer para que para que.
se realize - ou deixe de se realizar - o fato expresso Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigas.
na oração principal. Estudarei muito para que eu me saia bem na prova.
Principal conjunção subordinativa condicional: se. Ou-
tras conjunções condicionais: caso, contanto que, desde que, H) Proporcional = exprime ideia de proporção, ou seja,
salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, sem que, um fato simultâneo ao expresso na oração principal.
uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo). Principal locução conjuntiva subordinativa propor-
cional: à proporção que. Outras locuções conjuntivas
Se o regulamento do campeonato for bem elaborado, proporcionais: à medida que, ao passo que. Há ainda
as estruturas: quanto maior...(maior), quanto maior...
certamente o melhor time será campeão.
(menor), quanto menor...(maior), quanto menor...
Caso você saia, convide-me.
(menor), quanto mais...(mais), quanto mais...(menos),
quanto menos...(mais), quanto menos...(menos).
D) Concessiva = indica concessão às ações do verbo
À proporção que estudávamos mais questões acertáva-
da oração principal, isto é, admitem uma contradição
mos.
ou um fato inesperado. A ideia de concessão está
À medida que lia mais culto ficava.
diretamente ligada ao contraste, à quebra de expec-
tativa. Principal conjunção subordinativa concessiva: I) Temporal = acrescenta uma ideia de tempo ao fato
embora. Utiliza-se também a conjunção: conquanto expresso na oração principal, podendo exprimir no-
e as locuções ainda que, ainda quando, mesmo que, ções de simultaneidade, anterioridade ou posterio-
se bem que, posto que, apesar de que. ridade. Principal conjunção subordinativa temporal:
Só irei se ele for. quando. Outras conjunções subordinativas tempo-
A oração acima expressa uma condição: o fato de “eu” ir rais: enquanto, mal e locuções conjuntivas: assim que,
só se realizará caso essa condição seja satisfeita. logo que, todas as vezes que, antes que, depois que,
Compare agora com: sempre que, desde que, etc.
Irei mesmo que ele não vá. Assim que Paulo chegou, a reunião acabou.
Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando termi-
A distinção fica nítida; temos agora uma concessão: irei nou a festa) (Oração Reduzida de Particípio)
de qualquer maneira, independentemente de sua ida. A
oração destacada é, portanto, subordinada adverbial con- 3. Orações Reduzidas
cessiva.
Observe outros exemplos: As orações subordinadas podem vir expressas como re-
Embora fizesse calor, levei agasalho. duzidas, ou seja, com o verbo em uma de suas formas no-
Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / em- minais (infinitivo, gerúndio ou particípio) e sem conectivo
bora não estudasse). (reduzida de infinitivo) subordinativo que as introduza.
É preciso estudar! = reduzida de infinitivo
E) Comparativa= As orações subordinadas adverbiais É preciso que se estude = oração desenvolvida (presen-
LÍNGUA PORTUGUESA

comparativas estabelecem uma comparação com a ça do conectivo)


ação indicada pelo verbo da oração principal. Princi-
pal conjunção subordinativa comparativa: como. Para classificá-las, precisamos imaginar como seriam
Ele dorme como um urso. (como um urso dorme) “desenvolvidas” – como no exemplo acima.
Você age como criança. (age como uma criança age) É preciso estudar = oração subordinada substantiva
subjetiva reduzida de infinitivo
 geralmente há omissão do verbo. É preciso que se estude = oração subordinada substan-
tiva subjetiva

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4. Orações Intercaladas mente porque elabora uma linguagem que fala de perto
ao nosso modo de ser mais natural. Na sua despretensão,
São orações independentes encaixadas na sequência humaniza; e esta humanização lhe permite, como compen-
do período, utilizadas para um esclarecimento, um aparte, sação sorrateira, recuperar com a outra mão certa profun-
uma citação. Elas vêm separadas por vírgulas ou travessões. didade de significado e certo acabamento de forma, que
Nós – continuava o relator – já abordamos este assun- de repente podem fazer dela uma inesperada, embora dis-
to. creta, candidata à perfeição.
Antonio Candido. A vida ao rés do chão. In: Recortes. São
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 23 (com adaptações).
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. As formas verbais “imagina” (R.1), “atribuir” (R.4) e “servir”
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, (R.8) foram utilizadas como verbos transitivos indiretos.
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – ( ) CERTO ( ) ERRADO
São Paulo: Saraiva, 2002.
Resposta: Errado.
imagina uma literatura = transitivo direto
SITE atribuir o Prêmio Nobel a um cronista = bitransitivo
http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/fra- (transitivo direto e indireto)
se-periodo-e-oracao pode servir de caminho = intransitivo

EXERCÍCIOS COMENTADOS CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL;

1. (Cnj – Técnico Judiciário – cespe – 2013 – adapta-


da) Jogadores de futebol de diversos times entraram em
campo em prol do programa “Pai Presente”, nos jogos do CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL
Campeonato Nacional em apoio à campanha que visa redu-
zir o número de pessoas que não possuem o nome do pai em Os concurseiros estão apreensivos.
sua certidão de nascimento. (...) Concurseiros apreensivos.
A oração subordinada “que não possuem o nome do pai em
sua certidão de nascimento” não é antecedida por vírgula No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra na ter-
porque tem natureza restritiva. ceira pessoa do plural, concordando com o seu sujeito, os
concurseiros. No segundo exemplo, o adjetivo “apreensi-
( ) CERTO ( ) ERRADO vos” está concordando em gênero (masculino) e número
(plural) com o substantivo a que se refere: concurseiros.
Resposta: Certo. A oração restringe o grupo que par- Nesses dois exemplos, as flexões de pessoa, número e gê-
ticipará da campanha (apenas os que não têm o nome nero se correspondem. A correspondência de flexão entre
do pai na certidão de nascimento). Se colocarmos uma dois termos é a concordância, que pode ser verbal ou no-
vírgula, a oração se tornará “explicativa”, generalizando minal.
a informação, o que dará a entender que TODAS as pes-
soas não têm o nome do pai na certidão. 1. Concordância Verbal

2. (Instituto Rio Branco – Admissão à Carreira de Di- É a flexão que se faz para que o verbo concorde com
plomata – cespe – 2014 – adaptada) seu sujeito.

A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma li- 1.1. Sujeito Simples - Regra Geral
teratura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o brilho O sujeito, sendo simples, com ele concordará o verbo
universal dos grandes romancistas, dramaturgos e poetas. em número e pessoa. Veja os exemplos:
Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, A prova para ambos os cargos será aplicada
LÍNGUA PORTUGUESA

por melhor que fosse. Portanto, parece mesmo que a crô- às 13h.
nica é um gênero menor. 3.ª p. Singular 3.ª p. Singular
“Graças a Deus”, seria o caso de dizer, porque, sendo assim,
ela fica mais perto de nós. E para muitos pode servir de Os candidatos à vaga chegarão às 12h.
caminho não apenas para a vida, que ela serve de perto, 3.ª p. Plural 3.ª p. Plural
mas para a literatura. Por meio dos assuntos, da compo-
sição solta, do ar de coisa sem necessidade que costuma
assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo dia. Principal-

67
1.1.1. Casos Particulares Observação:
Veja que a opção por uma ou outra forma indica a in-
A) Quando o sujeito é formado por uma expressão par- clusão ou a exclusão do emissor. Quando alguém diz ou
titiva (parte de, uma porção de, o grosso de, metade escreve “Alguns de nós sabíamos de tudo e nada fizemos”,
de, a maioria de, a maior parte de, grande parte de...) ele está se incluindo no grupo dos omissos. Isso não ocorre
seguida de um substantivo ou pronome no plural, o ao dizer ou escrever “Alguns de nós sabiam de tudo e nada
verbo pode ficar no singular ou no plural. fizeram”, frase que soa como uma denúncia.
A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a ideia. Nos casos em que o interrogativo ou indefinido estiver
Metade dos candidatos não apresentou / apresentaram no singular, o verbo ficará no singular.
proposta. Qual de nós é capaz?
Algum de vós fez isso.
Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos casos
dos coletivos, quando especificados: Um bando de vânda- E) Quando o sujeito é formado por uma expressão que
los destruiu / destruíram o monumento. indica porcentagem seguida de substantivo, o verbo
deve concordar com o substantivo.
Observação: 25% do orçamento do país será destinado à Educação.
Nesses casos, o uso do verbo no singular enfatiza a uni- 85% dos entrevistados não aprovam a administração do
dade do conjunto; já a forma plural confere destaque aos prefeito.
elementos que formam esse conjunto. 1% do eleitorado aceita a mudança.
1% dos alunos faltaram à prova.
B) Quando o sujeito é formado por expressão que indi-
ca quantidade aproximada (cerca de, mais de, menos  Quando a expressão que indica porcentagem não é
de, perto de...) seguida de numeral e substantivo, o seguida de substantivo, o verbo deve concordar com
verbo concorda com o substantivo. o número.
Cerca de mil pessoas participaram do concurso. 25% querem a mudança.
Perto de quinhentos alunos compareceram à solenidade. 1% conhece o assunto.
Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas últimas
Olimpíadas.  Se o número percentual estiver determinado por ar-
tigo ou pronome adjetivo, a concordância far-se-á
Observação: com eles:
Quando a expressão “mais de um” se associar a verbos Os 30% da produção de soja serão exportados.
que exprimem reciprocidade, o plural é obrigatório: Mais Esses 2% da prova serão questionados.
de um colega se ofenderam na discussão. (ofenderam um
ao outro) F) O pronome “que” não interfere na concordância; já
o “quem” exige que o verbo fique na 3.ª pessoa do
C) Quando se trata de nomes que só existem no plu- singular.
ral, a concordância deve ser feita levando-se em Fui eu que paguei a conta.
conta a ausência ou presença de artigo. Sem ar- Fomos nós que pintamos o muro.
tigo, o verbo deve ficar no singular; com artigo no És tu que me fazes ver o sentido da vida.
plural, o verbo deve ficar o plural. Sou eu quem faz a prova.
Os Estados Unidos possuem grandes universidades. Não serão eles quem será aprovado.
Estados Unidos possui grandes universidades.
Alagoas impressiona pela beleza das praias. G) Com a expressão “um dos que”, o verbo deve assu-
As Minas Gerais são inesquecíveis. mir a forma plural.
Minas Gerais produz queijo e poesia de primeira. Ademir da Guia foi um dos jogadores que mais encanta-
ram os poetas.
D) Quando o sujeito é um pronome interrogativo ou Este candidato é um dos que mais estudaram!
indefinido plural (quais, quantos, alguns, poucos,
muitos, quaisquer, vários) seguido por “de nós” ou “de  Se a expressão for de sentido contrário – nenhum
vós”, o verbo pode concordar com o primeiro prono- dos que, nem um dos que -, não aceita o verbo no
me (na terceira pessoa do plural) ou com o pronome singular:
LÍNGUA PORTUGUESA

pessoal. Nenhum dos que foram aprovados assumirá a vaga.


Quais de nós são / somos capazes? Nem uma das que me escreveram mora aqui.
Alguns de vós sabiam / sabíeis do caso?
Vários de nós propuseram / propusemos sugestões ino-  Quando “um dos que” vem entremeada de substan-
vadoras. tivo, o verbo pode:
1. ficar no singular – O Tietê é um dos rios que atravessa
o Estado de São Paulo. (já que não há outro rio que
faça o mesmo).

68
2. ir para o plural – O Tietê é um dos rios que estão po- C) No caso do sujeito composto posposto ao verbo,
luídos (noção de que existem outros rios na mesma passa a existir uma nova possibilidade de concordân-
condição). cia: em vez de concordar no plural com a totalidade
do sujeito, o verbo pode estabelecer concordância
H) Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o com o núcleo do sujeito mais próximo.
verbo fica na 3ª pessoa do singular ou plural. Faltaram coragem e competência.
Vossa Excelência está cansado? Faltou coragem e competência.
Vossas Excelências renunciarão? Compareceram todos os candidatos e o banca.
Compareceu o banca e todos os candidatos.
I) A concordância dos verbos bater, dar e soar faz-se de
acordo com o numeral. D) Quando ocorre ideia de reciprocidade, a concordân-
Deu uma hora no relógio da sala. cia é feita no plural. Observe:
Deram cinco horas no relógio da sala. Abraçaram-se vencedor e vencido.
Soam dezenove horas no relógio da praça. Ofenderam-se o jogador e o árbitro.
Baterão doze horas daqui a pouco.
1.2.1. Casos Particulares
Observação:
Caso o sujeito da oração seja a palavra relógio, sino, tor-  Quando o sujeito composto é formado por núcleos
re, etc., o verbo concordará com esse sujeito. sinônimos ou quase sinônimos, o verbo fica no sin-
O tradicional relógio da praça matriz dá nove horas. gular.
Soa quinze horas o relógio da matriz. Descaso e desprezo marca seu comportamento.
A coragem e o destemor fez dele um herói.
J) Verbos Impessoais: por não se referirem a nenhum
sujeito, são usados sempre na 3.ª pessoa do singular.  Quando o sujeito composto é formado por núcleos
São verbos impessoais: Haver no sentido de existir;
dispostos em gradação, verbo no singular:
Fazer indicando tempo; Aqueles que indicam fenô-
Com você, meu amor, uma hora, um minuto, um segun-
menos da natureza. Exemplos:
do me satisfaz.
Havia muitas garotas na festa.
Faz dois meses que não vejo meu pai.
 Quando os núcleos do sujeito composto são unidos
Chovia ontem à tarde.
por “ou” ou “nem”, o verbo deverá ficar no plural, de
1.2. Sujeito Composto acordo com o valor semântico das conjunções:
Drummond ou Bandeira representam a essência da poe-
A) Quando o sujeito é composto e anteposto ao verbo, sia brasileira.
a concordância se faz no plural: Nem o professor nem o aluno acertaram a resposta.
Pai e filho conversavam longamente.
Sujeito Em ambas as orações, as conjunções dão ideia de “adi-
ção”. Já em:
Pais e filhos devem conversar com frequência. Juca ou Pedro será contratado.
Sujeito Roma ou Buenos Aires será a sede da próxima Olimpía-
da.
B) Nos sujeitos compostos formados por pessoas gra-
maticais diferentes, a concordância ocorre da se- Temos ideia de exclusão, por isso os verbos ficam
guinte maneira: a primeira pessoa do plural (nós) no singular.
prevalece sobre a segunda pessoa (vós) que, por sua
vez, prevalece sobre a terceira (eles). Veja:  Com as expressões “um ou outro” e “nem um nem
Teus irmãos, tu e eu tomaremos a decisão. outro”, a concordância costuma ser feita no singular.
Primeira Pessoa do Plural (Nós) Um ou outro compareceu à festa.
Nem um nem outro saiu do colégio.
Tu e teus irmãos tomareis a decisão.
Segunda Pessoa do Plural (Vós)  Com “um e outro”, o verbo pode ficar no plural ou
no singular: Um e outro farão/fará a prova.
LÍNGUA PORTUGUESA

Pais e filhos precisam respeitar-se.


Terceira Pessoa do Plural (Eles)  Quando os núcleos do sujeito são unidos por “com”,
o verbo fica no plural. Nesse caso, os núcleos rece-
Observação: bem um mesmo grau de importância e a palavra
Quando o sujeito é composto, formado por um elemen- “com” tem sentido muito próximo ao de “e”.
to da segunda pessoa (tu) e um da terceira (ele), é possível O pai com o filho montaram o brinquedo.
empregar o verbo na terceira pessoa do plural (eles): “Tu e O governador com o secretariado traçaram os planos
teus irmãos tomarão a decisão.” – no lugar de “tomaríeis”. para o próximo semestre.

69
O professor com o aluno questionaram as regras. Aqui não se cometem equívocos
Alugam-se casas.
Nesse mesmo caso, o verbo pode ficar no singular, se a
ideia é enfatizar o primeiro elemento.
O pai com o filho montou o brinquedo. #FicaDica
O governador com o secretariado traçou os planos para
Para saber se o “se” é partícula apassivadora
o próximo semestre.
ou índice de indeterminação do sujeito, tente
O professor com o aluno questionou as regras.
transformar a frase para a voz passiva. Se a fra-
se construída for “compreensível”, estaremos
Com o verbo no singular, não se pode falar em sujeito
diante de uma partícula apassivadora; se não, o
composto. O sujeito é simples, uma vez que as expressões
“se” será índice de indeterminação. Veja:
“com o filho” e “com o secretariado” são adjuntos adver-
Precisa-se de funcionários qualificados.
biais de companhia. Na verdade, é como se houvesse uma
Tentemos a voz passiva:
inversão da ordem. Veja:
Funcionários qualificados são precisados (ou
“O pai montou o brinquedo com o filho.”
precisos)? Não há lógica. Portanto, o “se” des-
“O governador traçou os planos para o próximo semestre
tacado é índice de indeterminação do sujeito.
com o secretariado.”
Agora:
“O professor questionou as regras com o aluno.”
Vendem-se casas.
Voz passiva: Casas são vendidas. Construção
Casos em que se usa o verbo no singular:
correta! Então, aqui, o “se” é partícula apassi-
Café com leite é uma delícia!
vadora. (Dá para eu passar para a voz passiva.
O frango com quiabo foi receita da vovó.
Repare em meu destaque. Percebeu semelhan-
ça? Agora é só memorizar!)
Quando os núcleos do sujeito são unidos por expres-
sões correlativas como: “não só... mas ainda”, “não somen-
te”..., “não apenas... mas também”, “tanto...quanto”, o verbo
ficará no plural. O Verbo “Ser”
Não só a seca, mas também o pouco caso castigam o
Nordeste. A concordância verbal dá-se sempre entre o verbo e o
Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos com a no- sujeito da oração. No caso do verbo ser, essa concordân-
tícia. cia pode ocorrer também entre o verbo e o predicativo do
sujeito.
Quando os elementos de um sujeito composto são re-
sumidos por um aposto recapitulativo, a concordância é Quando o sujeito ou o predicativo for:
feita com esse termo resumidor.
Filmes, novelas, boas conversas, nada o tirava da apatia. A) Nome de pessoa ou pronome pessoal – o verbo SER
Trabalho, diversão, descanso, tudo é muito importante concorda com a pessoa gramatical:
na vida das pessoas. Ele é forte, mas não é dois.
Fernando Pessoa era vários poetas.
1.2.2 Outros Casos A esperança dos pais são eles, os filhos.

O Verbo e a Palavra “SE” B) nome de coisa e um estiver no singular e o outro no


Dentre as diversas funções exercidas pelo “se”, há duas plural, o verbo SER concordará, preferencialmente,
de particular interesse para a concordância verbal: com o que estiver no plural:
A) quando é índice de indeterminação do sujeito; Os livros são minha paixão!
B) quando é partícula apassivadora. Minha paixão são os livros!
Quando índice de indeterminação do sujeito, o “se”
acompanha os verbos intransitivos, transitivos indiretos e Quando o verbo SER indicar
de ligação, que obrigatoriamente são conjugados na ter-
ceira pessoa do singular:  horas e distâncias, concordará com a expressão nu-
Precisa-se de funcionários. mérica:
LÍNGUA PORTUGUESA

Confia-se em teses absurdas. É uma hora.


São quatro horas.
Quando pronome apassivador, o “se” acompanha ver- Daqui até a escola é um quilômetro / são dois quilôme-
bos transitivos diretos (VTD) e transitivos diretos e indire- tros.
tos (VTDI) na formação da voz passiva sintética. Nesse caso,
o verbo deve concordar com o sujeito da oração. Exemplos:  datas, concordará com a palavra dia(s), que pode
Construiu-se um posto de saúde. estar expressa ou subentendida:
Construíram-se novos postos de saúde.

70
Hoje é dia 26 de agosto. A concordância do adjetivo ocorre de acordo com as
Hoje são 26 de agosto. seguintes regras gerais:
A) O adjetivo concorda em gênero e número quando
 Quando o sujeito indicar peso, medida, quantidade se refere a um único substantivo: As mãos trêmulas
e for seguido de palavras ou expressões como pouco, denunciavam o que sentia.
muito, menos de, mais de, etc., o verbo SER fica no
singular: B) Quando o adjetivo refere-se a vários substantivos, a
Cinco quilos de açúcar é mais do que preciso. concordância pode variar. Podemos sistematizar essa
Três metros de tecido é pouco para fazer seu vestido. flexão nos seguintes casos:
Duas semanas de férias é muito para mim.
 Adjetivo anteposto aos substantivos:
 Quando um dos elementos (sujeito ou predicativo) O adjetivo concorda em gênero e número com o subs-
for pronome pessoal do caso reto, com este concor- tantivo mais próximo.
dará o verbo. Encontramos caídas as roupas e os prendedores.
No meu setor, eu sou a única mulher. Encontramos caída a roupa e os prendedores.
Aqui os adultos somos nós. Encontramos caído o prendedor e a roupa.
Observação: Caso os substantivos sejam nomes próprios ou de pa-
Sendo ambos os termos (sujeito e predicativo) repre- rentesco, o adjetivo deve sempre concordar no plural.
sentados por pronomes pessoais, o verbo concorda com o As adoráveis Fernanda e Cláudia vieram me visitar.
pronome sujeito. Encontrei os divertidos primos e primas na festa.
Eu não sou ela.
Ela não é eu.  Adjetivo posposto aos substantivos:
O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo
 Quando o sujeito for uma expressão de sentido par- ou com todos eles (assumindo a forma masculina
titivo ou coletivo e o predicativo estiver no plural, o
plural se houver substantivo feminino e masculino).
verbo SER concordará com o predicativo.
A indústria oferece localização e atendimento perfeito.
A grande maioria no protesto eram jovens.
A indústria oferece atendimento e localização perfeita.
O resto foram atitudes imaturas.
A indústria oferece localização e atendimento perfeitos.
A indústria oferece atendimento e localização perfeitos.
O Verbo “Parecer”
O verbo parecer, quando é auxiliar em uma locução ver-
Observação:
bal (é seguido de infinitivo), admite duas concordâncias:
 Ocorre variação do verbo PARECER e não se flexiona Os dois últimos exemplos apresentam maior clareza,
o infinitivo: As crianças parecem gostar do desenho. pois indicam que o adjetivo efetivamente se refere aos dois
substantivos. Nesses casos, o adjetivo foi flexionado no
 A variação do verbo parecer não ocorre e o infinitivo plural masculino, que é o gênero predominante quando há
sofre flexão: substantivos de gêneros diferentes.
As crianças parece gostarem do desenho. Se os substantivos possuírem o mesmo gênero, o adje-
(essa frase equivale a: Parece gostarem do desenho aas tivo fica no singular ou plural.
crianças) A beleza e a inteligência feminina(s).
O carro e o iate novo(s).

C) Expressões formadas pelo verbo SER + adjetivo:


FIQUE ATENTO! O adjetivo fica no masculino singular, se o substanti-
Com orações desenvolvidas, o verbo PARECER vo não for acompanhado de nenhum modificador:
fica no singular. Por exemplo: As paredes pa- Água é bom para saúde.
rece que têm ouvidos. (Parece que as paredes O adjetivo concorda com o substantivo, se este for mo-
têm ouvidos = oração subordinada substantiva dificado por um artigo ou qualquer outro determinativo:
subjetiva). Esta água é boa para saúde.

D) O adjetivo concorda em gênero e número com os


LÍNGUA PORTUGUESA

CONCORDÂNCIA NOMINAL pronomes pessoais a que se refere: Juliana encon-


trou-as muito felizes.
A concordância nominal se baseia na relação entre
nomes (substantivo, pronome) e as palavras que a eles se E) Nas expressões formadas por pronome indefinido
ligam para caracterizá-los (artigos, adjetivos, pronomes neutro (nada, algo, muito, tanto, etc.) + preposição
adjetivos, numerais adjetivos e particípios). Lembre-se: DE + adjetivo, este último geralmente é usado no
normalmente, o substantivo funciona como núcleo de um masculino singular: Os jovens tinham algo de miste-
termo da oração, e o adjetivo, como adjunto adnominal. rioso.

71
F) A palavra “só”, quando equivale a “sozinho”, tem fun- A educação é necessária.
ção adjetiva e concorda normalmente com o nome a São precisas várias medidas na educação.
que se refere:
Cristina saiu só. Anexo - Obrigado - Mesmo - Próprio - Incluso - Qui-
Cristina e Débora saíram sós. te

Observação: Estas palavras adjetivas concordam em gênero e núme-


Quando a palavra “só” equivale a “somente” ou “ape- ro com o substantivo ou pronome a que se referem.
nas”, tem função adverbial, ficando, portanto, invariável: Seguem anexas as documentações requeridas.
Eles só desejam ganhar presentes. A menina agradeceu: - Muito obrigada.
Muito obrigadas, disseram as senhoras.
Seguem inclusos os papéis solicitados.
#FicaDica Estamos quites com nossos credores.

Substitua o “só” por “apenas” ou “sozinho”. Se Bastante - Caro - Barato - Longe


a frase ficar coerente com o primeiro, trata-se
de advérbio, portanto, invariável; se houver Estas palavras são invariáveis quando funcionam como
coerência com o segundo, função de adjetivo, advérbios. Concordam com o nome a que se referem
então varia: quando funcionam como adjetivos, pronomes adjetivos,
Ela está só. (ela está sozinha) – adjetivo ou numerais.
Ele está só descansando. (apenas descansando) As jogadoras estavam bastante cansadas. (advérbio)
- advérbio Há bastantes pessoas insatisfeitas com o trabalho. (pro-
nome adjetivo)
Mas cuidado! Se colocarmos uma vírgula de- Nunca pensei que o estudo fosse tão caro. (advérbio)
pois de “só”, haverá, novamente, um adjetivo: As casas estão caras. (adjetivo)
Ele está só, descansando. (ele está sozinho e des- Achei barato este casaco. (advérbio)
cansando) Hoje as frutas estão baratas. (adjetivo)

Meio - Meia
G) Quando um único substantivo é modificado por dois
ou mais adjetivos no singular, podem ser usadas as A palavra “meio”, quando empregada como adjetivo,
construções: concorda normalmente com o nome a que se refere: Pedi
 O substantivo permanece no singular e coloca-se meia porção de polentas.
o artigo antes do último adjetivo: Admiro a cultura Quando empregada como advérbio permanece invariá-
espanhola e a portuguesa. vel: A candidata está meio nervosa.
 O substantivo vai para o plural e omite-se o arti-
go antes do adjetivo: Admiro as culturas espanhola
e portuguesa. #FicaDica
1. Casos Particulares Dá para eu substituir por “um pouco”, assim
saberei que se trata de um advérbio, não de
É proibido - É necessário - É bom - É preciso - É per- adjetivo: “A candidata está um pouco nervosa”.
mitido

 Estas expressões, formadas por um verbo mais um Alerta - Menos


adjetivo, ficam invariáveis se o substantivo a que se
referem possuir sentido genérico (não vier precedido Essas palavras são advérbios, portanto, permanecem
de artigo). sempre invariáveis.
É proibido entrada de crianças. Os concurseiros estão sempre alerta.
Em certos momentos, é necessário atenção. Não queira menos matéria!
No verão, melancia é bom.
LÍNGUA PORTUGUESA

É preciso cidadania. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


Não é permitido saída pelas portas laterais. Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
 Quando o sujeito destas expressões estiver deter- Paulo: Saraiva, 2010.
minado por artigos, pronomes ou adjetivos, tanto o SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
verbo como o adjetivo concordam com ele. coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
É proibida a entrada de crianças. Português: novas palavras: literatura, gramática, redação
Esta salada é ótima. / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

72
SITE Preservando-se a correção gramatical do texto CB3A2BBB,
http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint49.php os termos “não há” e “não existem” poderiam ser substituí-
dos, respectivamente, por
a) não existe e não têm.
b) não existe e inexiste.
EXERCÍCIOS COMENTADOS c) inexiste e não há.
d) inexiste e não acontece.
1. (Polícia Federal – Escrivão de Polícia Federal – Ces- e) não tem e não têm.
pe – 2013) Formas de tratamento como Vossa Excelência
e Vossa Senhoria, ainda que sejam empregadas sempre na Resposta: Letra C.
segunda pessoa do plural e no feminino, exigem flexão Busquemos o contexto:
verbal de terceira pessoa; além disso, o pronome possessi- - sem direitos humanos reconhecidos e protegidos, não
vo que faz referência ao pronome de tratamento também há democracia = poderíamos substituir por “não exis-
deve ser o de terceira pessoa, e o adjetivo que remete ao te”, inexiste (verbo “haver” empregado com o sentido
pronome de tratamento deve concordar em gênero e nú- de “existir”)
mero com a pessoa — e não com o pronome — a que se - sem democracia, não existem as condições mínimas
refere. para a solução pacífica dos conflitos = sentido de “exis-
tir”. Poderíamos substituir por inexiste, mas no plural, já
( ) CERTO ( ) ERRADO que devemos concordar com “as condições mínimas”. A
única “troca” adequada seria o verbo “haver” – que pode
Resposta: Certo. Afirmações corretas. As concordâncias ser utilizado com o sentido de “existir”. Teríamos: sem
verbal e nominal ao se utilizar pronome de tratamento direitos humanos reconhecidos e protegidos, inexiste de-
devem ser na terceira pessoa e concordar em gênero mocracia; sem democracia, não há as condições mínimas
(masculino ou feminino) com a pessoa a quem se di- para a solução pacífica dos conflitos.
rige: “Vossa Excelência está cansada(o)?” – concordará
com quem está se falando: uma mulher ou um homem / 3. (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Co-
“Vossa Santidade trouxe seus pertences?” / “Vossas Se- mércio Exterior – Analista Técnico Administrativo –
nhorias gostariam de um café?”. cespe – 2014) Em “Vossa Excelência deve estar satisfeita
com os resultados das negociações”, o adjetivo estará cor-
2. (Prefeitura de São Luís-MA – Conhecimentos Bá- retamente empregado se dirigido a ministro de Estado do
sicos Cargos de Técnico Municipal – Nível Médio – sexo masculino, pois o termo “satisfeita” deve concordar
Cespe – 2017) com a locução pronominal de tratamento “Vossa Excelên-
cia”.
Texto CB3A2BBB
( ) CERTO ( ) ERRADO
O reconhecimento e a proteção dos direitos humanos es-
tão na base das Constituições democráticas modernas. A Resposta: Errado. Se a pessoa, no caso o ministro, for
paz, por sua vez, é o pressuposto necessário para o reco- do sexo feminino (ministra), o adjetivo está correto; mas,
nhecimento e a efetiva proteção dos direitos humanos em se for do sexo masculino, o adjetivo sofrerá flexão de
cada Estado e no sistema internacional. Ao mesmo tempo, gênero: satisfeito. O pronome de tratamento é apenas a
o processo de democratização do sistema internacional, maneira como tratar a autoridade, não regendo as de-
que é o caminho obrigatório para a busca do ideal da paz mais concordâncias.
perpétua, não pode avançar sem uma gradativa ampliação
do reconhecimento e da proteção dos direitos humanos, 4. (Abin – Agente Técnico de Inteligência – cespe –
acima de cada Estado. Direitos humanos, democracia e paz 2010 – adaptada) (...) Da combinação entre velocidade,
são três elementos fundamentais do mesmo movimento persistência, relevância, precisão e flexibilidade surge a no-
histórico: sem direitos humanos reconhecidos e protegi- ção contemporânea de agilidade, transformada em principal
dos, não há democracia; sem democracia, não existem as característica de nosso tempo.
condições mínimas para a solução pacífica dos conflitos. A forma verbal “surge” poderia, sem prejuízo gramatical
Em outras palavras, a democracia é a sociedade dos cida- para o texto, ser flexionada no plural, para concordar com
dãos, e os súditos se tornam cidadãos quando lhes são “velocidade, persistência, relevância, precisão e flexibilida-
LÍNGUA PORTUGUESA

reconhecidos alguns direitos fundamentais; haverá paz es- de”


tável, uma paz que não tenha a guerra como alternativa,
somente quando existirem cidadãos não mais apenas des- ( ) CERTO ( ) ERRADO
te ou daquele Estado, mas do mundo.
Norberto Bobbio. A era dos direitos. Trad. Carlos Nelson Resposta: Errado. O verbo está concordando com o
Coutinho. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004, p. 1 (com adapta- termo “combinação”, por isso deve ficar no singular.
ções).

73
5. (Tribunal de Contas do Distrito Federal-df – Co- Para estudar a regência verbal, agruparemos os verbos
nhecimentos BÁSICOS – ANALISTA DE ADMINIS- de acordo com sua transitividade. Esta, porém, não é um
TRAÇÃO PÚBLICA – ARQUIVOLOGIA – cespe – 2014 fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de diferentes
– adaptada) (...) Há décadas, países como China e Índia formas em frases distintas.
têm enviado estudantes para países centrais, com resultados
muito positivos.(...) A) Verbos Intransitivos
A forma verbal “Há” poderia ser corretamente substituída
por Fazem. Os verbos intransitivos não possuem complemento. É
importante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos
( ) CERTO ( ) ERRADO aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los.

Resposta: Errado. O verbo “fazer”, quando empregado Chegar, Ir


no sentido de tempo passado, não sofre flexão. Portan- Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adver-
to, sua forma correta seria: “faz décadas”. biais de lugar. Na língua culta, as preposições usadas para
indicar destino ou direção são: a, para.
Fui ao teatro.
TRANSITIVIDADE E REGÊNCIA DE NOMES E Adjunto Adverbial de Lugar
VERBOS;
Ricardo foi para a Espanha.
Adjunto Adverbial de Lugar

Comparecer
REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido por
em ou a.
Dá-se o nome de regência à relação de subordinação Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o úl-
que ocorre entre um verbo (regência verbal) ou um nome timo jogo.
(regência nominal) e seus complementos.
B) Verbos Transitivos Diretos
1. Regência Verbal = Termo Regente: VERBO
Os verbos transitivos diretos são complementados por
A regência verbal estuda a relação que se estabelece
objetos diretos. Isso significa que não exigem preposição
entre os verbos e os termos que os complementam (obje-
para o estabelecimento da relação de regência. Ao empre-
tos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (adjuntos
adverbiais). Há verbos que admitem mais de uma regência, gar esses verbos, lembre-se de que os pronomes oblíquos
o que corresponde à diversidade de significados que estes o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses pronomes
verbos podem adquirir dependendo do contexto em que podem assumir as formas lo, los, la, las (após formas ver-
forem empregados. bais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos, nas (após
A mãe agrada o filho = agradar significa acariciar, con- formas verbais terminadas em sons nasais), enquanto lhe e
tentar. lhes são, quando complementos verbais, objetos indiretos.
A mãe agrada ao filho = agradar significa “causar agra- São verbos transitivos diretos, dentre outros: aban-
do ou prazer”, satisfazer. donar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar,
Conclui-se que “agradar alguém” é diferente de “agra- admirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxiliar,
dar a alguém”. castigar, condenar, conhecer, conservar, convidar, defender,
eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, prezar,
O conhecimento do uso adequado das preposições é proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver, visitar.
um dos aspectos fundamentais do estudo da regência ver- Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente
bal (e também nominal). As preposições são capazes de como o verbo amar:
modificar completamente o sentido daquilo que está sen- Amo aquele rapaz. / Amo-o.
do dito. Amo aquela moça. / Amo-a.
Cheguei ao metrô. Amam aquele rapaz. / Amam-no.
Cheguei no metrô. Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.
No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no se-
LÍNGUA PORTUGUESA

gundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado. Observação:


Os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos
A voluntária distribuía leite às crianças. para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos ad-
A voluntária distribuía leite com as crianças. nominais):
Na primeira frase, o verbo “distribuir” foi empregado Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto)
como transitivo direto (objeto direto: leite) e indireto (obje- Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua carreira)
to indireto: às crianças); na segunda, como transitivo direto Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau humor)
(objeto direto: crianças; com as crianças: adjunto adverbial).

74
C) Verbos Transitivos Indiretos O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito
com particular cuidado:
Os verbos transitivos indiretos são complementados Agradeci o presente. / Agradeci-o.
por objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exi- Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
gem uma preposição para o estabelecimento da relação de Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
regência. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de ter- Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
ceira pessoa que podem atuar como objetos indiretos são Paguei minhas contas. / Paguei-as.
o “lhe”, o “lhes”, para substituir pessoas. Não se utilizam Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.
os pronomes o, os, a, as como complementos de verbos
transitivos indiretos. Com os objetos indiretos que não re- Informar
presentam pessoas, usam-se pronomes oblíquos tônicos Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto
de terceira pessoa (ele, ela) em lugar dos pronomes átonos indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa.
lhe, lhes. Informe os novos preços aos clientes.
Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os novos
Os verbos transitivos indiretos são os seguintes: preços)
Consistir - Tem complemento introduzido pela prepo- Na utilização de pronomes como complementos, veja
sição “em”: A modernidade verdadeira consiste em direitos as construções:
iguais para todos. Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços.
Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou so-
Obedecer e Desobedecer - Possuem seus complemen- bre eles)
tos introduzidos pela preposição “a”:
Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais. Observação:
Eles desobedeceram às leis do trânsito. A mesma regência do verbo informar é usada para os
seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir.
Responder - Tem complemento introduzido pela pre-
posição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para indicar “a Comparar
quem” ou “ao que” se responde. Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as
Respondi ao meu patrão. preposições “a” ou “com” para introduzir o complemento
Respondemos às perguntas. indireto: Comparei seu comportamento ao (ou com o) de
Respondeu-lhe à altura. uma criança.

Observação: Pedir
O verbo responder, apesar de transitivo indireto quan- Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente na
do exprime aquilo a que se responde, admite voz passiva forma de oração subordinada substantiva) e indireto de
analítica: pessoa.
O questionário foi respondido corretamente.
Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamente. Pedi-lhe favores.
Objeto Indireto Objeto Direto
Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus complemen-
tos introduzidos pela preposição “com”. Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio.
Antipatizo com aquela apresentadora. Objeto Indireto Oração Subordinada Subs-
Simpatizo com os que condenam os políticos que gover- tantiva Objetiva Direta
nam para uma minoria privilegiada.
A construção “pedir para”, muito comum na linguagem
D) Verbos Transitivos Diretos e Indiretos cotidiana, deve ter emprego muito limitado na língua culta.
No entanto, é considerada correta quando a palavra licença
Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompa- estiver subentendida.
nhados de um objeto direto e um indireto. Merecem desta- Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em casa.
que, nesse grupo: agradecer, perdoar e pagar. São verbos
que apresentam objeto direto relacionado a coisas e obje- Observe que, nesse caso, a preposição “para” introduz
to indireto relacionado a pessoas. uma oração subordinada adverbial final reduzida de infiniti-
LÍNGUA PORTUGUESA

vo (para ir entregar-lhe os catálogos em casa).


Agradeço aos ouvintes a audiência.
Objeto Indireto Objeto Direto Preferir
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto indi-
Paguei o débito ao cobrador. reto introduzido pela preposição “a”:
Objeto Direto Objeto Indireto Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais.
Prefiro trem a ônibus.

75
Observação: No sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é intran-
Na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado sem sitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de lugar
termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil vezes, introduzido pela preposição “em”: Assistimos numa contur-
um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo prefixo bada cidade.
existente no próprio verbo (pre).
Chamar
Mudança de Transitividade - Mudança de Significa- Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, soli-
do citar a atenção ou a presença de.
Por gentileza, vá chamar a polícia. / Por favor, vá cha-
Há verbos que, de acordo com a mudança de transitivi- má-la.
dade, apresentam mudança de significado. O conhecimen- Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.
to das diferentes regências desses verbos é um recurso lin-
guístico muito importante, pois além de permitir a correta Chamar no sentido de denominar, apelidar pode apre-
interpretação de passagens escritas, oferece possibilidades sentar objeto direto e indireto, ao qual se refere predicativo
expressivas a quem fala ou escreve. Dentre os principais, preposicionado ou não.
estão: A torcida chamou o jogador mercenário.
A torcida chamou ao jogador mercenário.
Agradar A torcida chamou o jogador de mercenário.
Agradar é transitivo direto no sentido de fazer carinhos, A torcida chamou ao jogador de mercenário.
acariciar, fazer as vontades de. Chamar com o sentido de ter por nome é pronominal:
Sempre agrada o filho quando. Como você se chama? Eu me chamo Zenaide.
Aquele comerciante agrada os clientes.
Custar
Agradar é transitivo indireto no sentido de causar agra- Custar é intransitivo no sentido de ter determinado valor
do a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento intro- ou preço, sendo acompanhado de adjunto adverbial: Frutas
duzido pela preposição “a”. e verduras não deveriam custar muito.
O cantor não agradou aos presentes.
O cantor não lhes agradou. No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo
ou transitivo indireto, tendo como sujeito uma oração re-
O antônimo “desagradar” é sempre transitivo indireto: duzida de infinitivo.
O cantor desagradou à plateia.
Muito custa viver tão longe da família.
Aspirar Verbo Intransitivo Oração Subordinada
Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, inspirar Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo
(o ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)
Custou-me (a mim) crer nisso.
Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter Objeto Indireto Oração Subordinada Subs-
como ambição: Aspirávamos a um emprego melhor. (Aspi- tantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo
rávamos a ele)
A Gramática Normativa condena as construções que
Como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pessoa, atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado por
as formas pronominais átonas “lhe” e “lhes” não são utiliza- pessoa: Custei para entender o problema.
das, mas, sim, as formas tônicas “a ele(s)”, “a ela(s)”. Veja o = Forma correta: Custou-me entender o problema.
exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (= Aspiravam
a ela) Implicar
Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos:
Assistir A) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes
Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, prestar implicavam um firme propósito.
assistência a, auxiliar. B) ter como consequência, trazer como consequência,
As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos. acarretar, provocar: Uma ação implica reação.
As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
LÍNGUA PORTUGUESA

Como transitivo direto e indireto, significa comprome-


Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presen- ter, envolver: Implicaram aquele jornalista em questões eco-
ciar, estar presente, caber, pertencer. nômicas.
Assistimos ao documentário.
Não assisti às últimas sessões. No sentido de antipatizar, ter implicância, é transitivo
Essa lei assiste ao inquilino. indireto e rege com preposição “com”: Implicava com quem
não trabalhasse arduamente.

76
Namorar
Sempre tansitivo direto: Luísa namora Carlos há dois anos.

Obedecer - Desobedecer
Sempre transitivo indireto:
Todos obedeceram às regras.
Ninguém desobedece às leis.

Quando o objeto é “coisa”, não se utiliza “lhe” nem “lhes”: As leis são essas, mas todos desobedecem a elas.

Proceder
Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter cabimento, ter fundamento ou comportar-se, agir. Nessa segunda
acepção, vem sempre acompanhado de adjunto adverbial de modo.
As afirmações da testemunha procediam, não havia como refutá-las.
Você procede muito mal.

Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a preposição “de”) e fazer, executar (rege complemento introduzido pela
preposição “a”) é transitivo indireto.
O avião procede de Maceió.
Procedeu-se aos exames.
O delegado procederá ao inquérito.

Querer
Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter vontade de, cobiçar.
Querem melhor atendimento.
Queremos um país melhor.

Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição, estimar, amar: Quero muito aos meus amigos.

Visar
Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mirar, fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
O homem visou o alvo.
O gerente não quis visar o cheque.

No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como objetivo é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
O ensino deve sempre visar ao progresso social.
Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar público.

Esquecer – Lembrar
Lembrar algo – esquecer algo
Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronominal)

No 1.º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja, exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o livro.
No 2.º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc) e exigem complemento com a preposição “de”. São, portanto,
transitivos indiretos:
Ele se esqueceu do caderno.
Eu me esqueci da chave.
Eles se esqueceram da prova.
Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.

Há uma construção em que a coisa esquecida ou lembrada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve alteração
LÍNGUA PORTUGUESA

de sentido. É uma construção muito rara na língua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la em textos clássicos tanto
brasileiros como portugueses. Machado de Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias vezes.
Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
Não lhe lembram os bons momentos da infância? (= momentos é sujeito)

Simpatizar - Antipatizar
São transitivos indiretos e exigem a preposição “com”:

77
Não simpatizei com os jurados.
Simpatizei com os alunos.

A norma culta exige que os verbos e expressões que dão ideia de movimento sejam usados com a preposição “a”:
Chegamos a São Paulo e fomos direto ao hotel.
Cláudia desceu ao segundo andar.
Hoje, com esta chuva, ninguém sairá à rua.

2 Regência Nominal

É o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse nome.
Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar em conta que vá-
rios nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de um verbo significa,
nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Verbo obedecer e os nomes correspondentes:
todos regem complementos introduzidos pela preposição a. Veja:
Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.

Se uma oração completar o sentido de um nome, ou seja, exercer a função de complemento nominal, ela será comple-
tiva nominal (subordinada substantiva).

Regência de Alguns Nomes

Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
LÍNGUA PORTUGUESA

Contíguo a Impróprio para Semelhante a


Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

78
Advérbios O termo está se referindo à associação – associação do
Longe de Perto de tráfico de drogas e crimes conexos (1) com a criminalida-
de (2) (associação daquilo [1] com isso [2])
Observação:
Os advérbios terminados em -mente tendem a seguir
o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a;
paralelamente a; relativa a; relativamente a. PADRÕES GERAIS DE COLOCAÇÃO
PRONOMINAL NO PORTUGUÊS;
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010. “Prezado Candidato, o tópico acima foi abordado na
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- íntegra em: Morfologia”
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação
/ Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. MECANISMOS DE COESÃO TEXTUAL.
SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php
COESÃO E COERÊNCIA

Na construção de um texto, assim como na fala, usamos


EXERCÍCIO COMENTADO mecanismos para garantir ao interlocutor a compreensão
do que é dito, ou lido. Estes mecanismos linguísticos que
1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – Cespe estabelecem a coesão e retomada do que foi escrito - ou
– 2014 – adaptada) falado - são os referentes textuais, que buscam garantir
O uso indevido de drogas constitui, na atualidade, séria a coesão textual para que haja coerência, não só entre os
e persistente ameaça à humanidade e à estabilidade das elementos que compõem a oração, como também entre a
estruturas e valores políticos, econômicos, sociais e cultu- sequência de orações dentro do texto. Essa coesão tam-
rais de todos os Estados e sociedades. Suas consequências bém pode muitas vezes se dar de modo implícito, baseado
infligem considerável prejuízo às nações do mundo intei- em conhecimentos anteriores que os participantes do pro-
ro, e não são detidas por fronteiras: avançam por todos os cesso têm com o tema.
cantos da sociedade e por todos os espaços geográficos, Numa linguagem figurada, a coesão é uma linha ima-
afetando homens e mulheres de diferentes grupos étnicos, ginária - composta de termos e expressões - que une os
independentemente de classe social e econômica ou mes- diversos elementos do texto e busca estabelecer relações
mo de idade. Questão de relevância na discussão dos efeitos de sentido entre eles. Dessa forma, com o emprego de di-
adversos do uso indevido de drogas é a associação do tráfico ferentes procedimentos, sejam lexicais (repetição, substi-
de drogas ilícitas e dos crimes conexos — geralmente de ca- tuição, associação), sejam gramaticais (emprego de prono-
ráter transnacional — com a criminalidade e a violência. Esses mes, conjunções, numerais, elipses), constroem-se frases,
fatores ameaçam a soberania nacional e afetam a estrutura orações, períodos, que irão apresentar o contexto – decor-
social e econômica interna, devendo o governo adotar uma re daí a coerência textual.
postura firme de combate ao tráfico de drogas, articulando-se Um texto incoerente é o que carece de sentido ou o
internamente e com a sociedade, de forma a aperfeiçoar e oti- apresenta de forma contraditória. Muitas vezes essa incoe-
mizar seus mecanismos de prevenção e repressão e garantir o rência é resultado do mau uso dos elementos de coesão
envolvimento e a aprovação dos cidadãos. textual. Na organização de períodos e de parágrafos, um
Internet: <www.direitoshumanos.usp.br>. erro no emprego dos mecanismos gramaticais e lexicais
prejudica o entendimento do texto. Construído com os
Nas linhas 12 e 13, o emprego da preposição “com”, em elementos corretos, confere-se a ele uma unidade formal.
“com a criminalidade e a violência”, deve-se à regência do Nas palavras do mestre Evanildo Bechara, “o enunciado
vocábulo “conexos”. não se constrói com um amontoado de palavras e orações.
Elas se organizam segundo princípios gerais de dependência
LÍNGUA PORTUGUESA

( ) CERTO ( ) ERRADO e independência sintática e semântica, recobertos por unida-


des melódicas e rítmicas que sedimentam estes princípios”.
Resposta: Errado. Ao texto: (...) Questão de relevância na Não se deve escrever frases ou textos desconexos – é
discussão dos efeitos adversos do uso indevido de drogas imprescindível que haja uma unidade, ou seja, que as frases
é a associação do tráfico de drogas ilícitas e dos crimes estejam coesas e coerentes formando o texto. Relembre-se
conexos — geralmente de caráter transnacional — com a de que, por coesão, entende-se ligação, relação, nexo entre
criminalidade e a violência. os elementos que compõem a estrutura textual.

79
FORMAS DE SE GARANTIR A COESÃO ENTRE OS A coerência de um texto está ligada:
ELEMENTOS DE UMA FRASE OU DE UM TEXTO: 1. à sua organização como um todo, em que devem estar
assegurados o início, o meio e o fim;
 Substituição de palavras com o emprego de sinô- 2. à adequação da linguagem ao tipo de texto. Um texto
nimos - palavras ou expressões do mesmo campo técnico, por exemplo, tem a sua coerência fundamentada em
associativo. comprovações, apresentação de estatísticas, relato de expe-
 Nominalização – emprego alternativo entre um ver- riências; um texto informativo apresenta coerência se tra-
bo, o substantivo ou o adjetivo correspondente (des- balhar com linguagem objetiva, denotativa; textos poéticos,
gastar / desgaste / desgastante). por outro lado, trabalham com a linguagem figurada, livre
 Emprego adequado de tempos e modos verbais: associação de ideias, palavras conotativas.
Embora não gostassem de estudar, participaram da aula.
 Emprego adequado de pronomes, conjunções, pre- REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
posições, artigos: Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática
O papa Francisco visitou o Brasil. Na capital brasileira, – volume único / Samira Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa
Sua Santidade participou de uma reunião com a Pre- Souza. – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
sidente Dilma. Ao passar pelas ruas, o papa cumpri-
mentava as pessoas. Estas tiveram a certeza de que ele SITE
guarda respeito por elas. http://www.mundovestibular.com.br/articles/2586/1/
 Uso de hipônimos – relação que se estabelece com COESAO-E-COERENCIA-TEXTUAL/Paacutegina1.html
base na maior especificidade do significado de um
deles. Por exemplo, mesa (mais específico) e móvel
(mais genérico).
 Emprego de hiperônimos - relações de um termo EXERCÍCIOS COMENTADOS
de sentido mais amplo com outros de sentido mais
específico. Por exemplo, felino está numa relação de
hiperonímia com gato.
1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – Ces-
 Substitutos universais, como os verbos vicários.
pe – 2014 – adaptada)
AJUDA DA ZÊ:
Hoje, todos reconhecem, porque Marx impôs esta demons-
Verbo vicário é aquele que substitui outro já utilizado
tração no Livro II d’O Capital, que não há produção possível
no período, evitando repetições. Geralmente é o verbo fa-
sem que seja assegurada a reprodução das condições ma-
zer e ser. Exemplo: Não gosto de estudar. Faço porque preci-
so. O “faço” foi empregado no lugar de “estudo”, evitando teriais da produção: a reprodução dos meios de produção.
repetição desnecessária. Qualquer economista, que neste ponto não se distingue
A coesão apoiada na gramática se dá no uso de conec- de qualquer capitalista, sabe que, ano após ano, é preciso
tivos, como pronomes, advérbios e expressões adverbiais, prever o que deve ser substituído, o que se gasta ou se usa
conjunções, elipses, entre outros. A elipse justifica-se quan- na produção: matéria-prima, instalações fixas (edifícios),
do, ao remeter a um enunciado anterior, a palavra elidida instrumentos de produção (máquinas) etc. Dizemos: qual-
é facilmente identificável (Exemplo.: O jovem recolheu-se quer economista é igual a qualquer capitalista, pois ambos
cedo. Sabia que ia necessitar de todas as suas forças. O ter- exprimem o ponto de vista da empresa.
mo o jovem deixa de ser repetido e, assim, estabelece a
relação entre as duas orações). Louis Althusser. Ideologia e aparelhos ideológicos do Esta-
do. 3.ª ed. Lisboa: Presença, 1980 (com adaptações).
Dêiticos são elementos linguísticos que têm a pro-
priedade de fazer referência ao contexto situacional ou ao
próprio discurso. Exercem, por excelência, essa função de Julgue os itens a seguir, a respeito dos sentidos do texto
progressão textual, dada sua característica: são elementos acima.
que não significam, apenas indicam, remetem aos compo- No texto, os termos “matéria-prima”, “instalações fixas
nentes da situação comunicativa. (edifícios)” e “instrumentos de produção (máquinas)” são
Já os componentes concentram em si a significação. Eli- exemplos de “meios de produção”.
sa Guimarães ensina-nos a esse respeito:
“Os pronomes pessoais e as desinências verbais indicam ( ) CERTO ( ) ERRADO
LÍNGUA PORTUGUESA

os participantes do ato do discurso. Os pronomes demons-


trativos, certas locuções prepositivas e adverbiais, bem como Resposta: Certo. Voltemos ao texto: (...) é preciso prever
os advérbios de tempo, referenciam o momento da enuncia- o que deve ser substituído, o que se gasta ou se usa na
ção, podendo indicar simultaneidade, anterioridade ou pos- produção: matéria- -prima, instalações fixas (edifí-
terioridade. Assim: este, agora, hoje, neste momento (pre- cios), instrumentos de produção (máquinas) etc.
sente); ultimamente, recentemente, ontem, há alguns dias, Os dois-pontos são utilizados para exemplificar o ter-
antes de (pretérito); de agora em diante, no próximo ano, mo antecedente (produção), portanto a afirmação está
depois de (futuro).” correta.

80
2. (EBSERH – Conhecimentos Básicos para todos os 3. (Ancine – Técnico Administrativo – cespe – 2012)
Cargos de Nível Superior – Cespe – 2018 – adaptada) O riso é tão universal como a seriedade; ele abarca a totali-
dade do universo, toda a sociedade, a história, a concepção
Texto CB1A1AAA de mundo. É uma verdade que se diz sobre o mundo, que
se estende a todas as coisas e à qual nada escapa. É, de
Já houve quem dissesse por aí que o Rio de Janeiro é a ci- alguma maneira, o aspecto festivo do mundo inteiro, em
dade das explosões. Na verdade, não há semana em que os todos os seus níveis, uma espécie de segunda revelação
jornais não registrem uma aqui e ali, na parte rural. do mundo.
A ideia que se faz do Rio é a de que é ele um vasto paiol, e Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e o Re-
que vivemos sempre ameaçados de ir pelos ares, como se nascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo:
estivéssemos a bordo de um navio de guerra, ou habitando Hucitec, 1987, p. 73 (com adaptações).
uma fortaleza cheia de explosivos terríveis.
Certamente que essa pólvora terá toda ela emprego útil; Na linha 1, o elemento “ele” tem como referente textual
mas, se ela é indispensável para certos fins industriais, con- “O riso”.
vinha que se averiguassem bem as causas das explosões, se
são acidentais ou propositais, a fim de que fossem removi- ( ) CERTO ( ) ERRADO
das na medida do possível. Isso, porém, é que não se tem
dado e creio que até hoje não têm as autoridades chegado Resposta: Certo. Vamos ao texto: O riso é tão universal
a resultados positivos. como a seriedade; ele abarca a totalidade do universo
Entretanto, é sabido que certas pólvoras, submetidas a (...). Os termos destacados se relacionam. O pronome
dadas condições, explodem espontaneamente, e tem sido “ele” retoma o sujeito “riso”.
essa a explicação para uma série de acidentes bastante do-
lorosos, a começar pelo do Maine, na baía de Havana, sem
esquecer também o do Aquidabã.
Noticiam os jornais que o governo vende, quando avaria- ORTOGRAFIA.
da, grande quantidade dessas pólvoras.
Tudo indica que o primeiro cuidado do governo devia ser não en-
tregar a particulares tão perigosas pólvoras, que explodem assim
sem mais nem menos, pondo pacíficas vidas em constante perigo. ORTOGRAFIA
Creio que o governo não é assim um negociante ganancio-
so que vende gêneros que possam trazer a destruição de A ortografia é a parte da Fonologia que trata da correta
vidas preciosas; e creio que não é, porquanto anda sempre grafia das palavras. É ela quem ordena qual som devem
zangado com os farmacêuticos que vendem cocaína aos ter as letras do alfabeto. Os vocábulos de uma língua são
suicidas. Há sempre no Estado curiosas contradições. grafados segundo acordos ortográficos.
A maneira mais simples, prática e objetiva de apren-
Lima Barreto Pólvora e cocaína In: Vida urbana, 5/1/1915 der ortografia é realizar muitos exercícios, ver as palavras,
Internet: <www dominiopublico gov br> (com adaptações) familiarizando-se com elas. O conhecimento das regras é
necessário, mas não basta, pois há inúmeras exceções e,
A correção gramatical do penúltimo parágrafo do texto se- em alguns casos, há necessidade de conhecimento de eti-
ria preservada, embora seu sentido fosse alterado, caso o mologia (origem da palavra).
advérbio “não” fosse deslocado para imediatamente após
“governo”. 1. Regras ortográficas

Resposta: Certo. Voltemos ao texto: (...) Tudo indica que A) O fonema S


o primeiro cuidado do governo devia ser não entregar a
particulares tão perigosas pólvoras, que explodem assim São escritas com S e não C/Ç
sem mais nem menos, pondo pacíficas vidas em constante  Palavras substantivadas derivadas de verbos com
perigo. Façamos a alteração proposta: o primeiro cuidado radicais em nd, rg, rt, pel, corr e sent: pretender -
do governo não devia ser entregar... Haveria correção pretensão / expandir - expansão / ascender - ascensão
gramatical, mas mudaríamos o sentido do texto, já que / inverter - inversão / aspergir - aspersão / submergir
no original o que se quer dizer é o primeiro cuidado do - submersão / divertir - diversão / impelir - impulsivo
LÍNGUA PORTUGUESA

governo deve ser o de não entregar a particulares; com / compelir - compulsório / repelir - repulsa / recorrer
a alteração: o primeiro cuidado do governo não deve ser - recurso / discorrer - discurso / sentir - sensível / con-
o de entregar a particulares, ou seja, ele tem que tomar sentir – consensual.
cuidado com outras coisas primeiramente, depois com
este fato. São escritos com SS e não C e Ç
 Nomes derivados dos verbos cujos radicais termi-
nem em gred, ced, prim ou com verbos terminados
por tir ou - meter: agredir - agressivo / imprimir - im-

81
pressão / admitir - admissão / ceder - cessão / exceder  Estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento,
- excesso / percutir - percussão / regredir - regressão gim.
/ oprimir - opressão / comprometer - compromisso /  Terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com
submeter – submissão. poucas exceções): imagem, vertigem, penugem, bege,
 Quando o prefixo termina com vogal que se junta foge.
com a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simétri- Exceção: pajem.
co - assimétrico / re + surgir – ressurgir.
 No pretérito imperfeito simples do subjuntivo.  Terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio,
Exemplos: ficasse, falasse. litígio, relógio, refúgio.
 Verbos terminados em ger/gir: emergir, eleger, fugir,
São escritos com C ou Ç e não S e SS mugir.
 Vocábulos de origem árabe: cetim, açucena, açúcar.  Depois da letra “r” com poucas exceções: emergir,
 Vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó, surgir.
Juçara, caçula, cachaça, cacique.  Depois da letra “a”, desde que não seja radical termi-
 Sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu, nado com j: ágil, agente.
uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça, ca-
niço, esperança, carapuça, dentuço. São escritas com J e não G
 Nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção  Palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje.
/ deter - detenção / ater - atenção / reter – retenção.  Palavras de origem árabe, africana ou exótica: ji-
 Após ditongos: foice, coice, traição. boia, manjerona.
 Palavras derivadas de outras terminadas em -te,  Palavras terminadas com aje: ultraje.
to(r): marte - marciano / infrator - infração / absorto
– absorção. D) O fonema ch

B) O fonema z São escritas com X e não CH


 Palavras de origem tupi, africana ou exótica: abacaxi,
São escritos com S e não Z xucro.
 Sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é subs-  Palavras de origem inglesa e espanhola: xampu, la-
tantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárquicos: fre- gartixa.
guês, freguesa, freguesia, poetisa, baronesa, princesa.  Depois de ditongo: frouxo, feixe.
 Sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, meta-  Depois de “en”: enxurrada, enxada, enxoval.
morfose. Exceção: quando a palavra de origem não derive de
 Formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, quis, outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)
quiseste.
 Nomes derivados de verbos com radicais termina- São escritas com CH e não X
dos em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão / em-  Palavras de origem estrangeira: chave, chumbo, chas-
preender - empresa / difundir – difusão. si, mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha.
 Diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís -
Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis – lapisinho. E) As letras “e” e “i”
 Após ditongos: coisa, pausa, pouso, causa.
 Verbos derivados de nomes cujo radical termina  Ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem.
com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar – Com “i”, só o ditongo interno cãibra.
pesquisar.  Verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar são
escritos com “e”: caçoe, perdoe, tumultue. Escreve-
São escritos com Z e não S mos com “i”, os verbos com infinitivo em -air, -oer e
 Sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de ad- -uir: trai, dói, possui, contribui.
jetivo: macio - maciez / rico – riqueza / belo – beleza.
Sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de ori-
gem não termine com s): final - finalizar / concreto FIQUE ATENTO!
– concretizar. Há palavras que mudam de sentido quando
 Consoante de ligação se o radical não terminar com substituímos a grafia “e” pela grafia “i”: área
LÍNGUA PORTUGUESA

“s”: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal (superfície), ária (melodia) / delatar (denun-
Exceção: lápis + inho – lapisinho. ciar), dilatar (expandir) / emergir (vir à tona),
imergir (mergulhar) / peão (de estância, que
C) O fonema j anda a pé), pião (brinquedo).

São escritas com G e não J


 Palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa,
gesso.

82
PORQUE (uma só palavra, sem acento gráfico)
#FicaDica
Usos:
Se o dicionário ainda deixar dúvida quanto à 1. como conjunção coordenativa explicativa (equivale
ortografia de uma palavra, há a possibilidade a “pois”, “porquanto”), precedida de pausa na escrita
de consultar o Vocabulário Ortográfico da Lín- (pode ser vírgula, ponto-e-vírgula e até ponto final)
gua Portuguesa (VOLP), elaborado pela Acade- = Compre agora, porque há poucas peças.
mia Brasileira de Letras. É uma obra de referên- 2. como conjunção subordinativa causal, substituível
cia até mesmo para a criação de dicionários, por “pela causa”, “razão de que” = Você perdeu por-
pois traz a grafia atualizada das palavras (sem que se antecipou.
o significado). Na Internet, o endereço é www.
academia.org.br. PORQUÊ (uma só palavra, com acento gráfico)

Usos:
2. Informações importantes 1. como substantivo, com o sentido de “causa”, “razão”
ou “motivo”, admitindo pluralização (porquês). Geralmente
Formas variantes são as que admitem grafias ou pro- é precedido por artigo = Não sei o porquê da discussão. É
núncias diferentes para palavras com a mesma significação: uma pessoa cheia de porquês.
aluguel/aluguer, assobiar/assoviar, catorze/quatorze, de-
pendurar/pendurar, flecha/frecha, germe/gérmen, infarto/ 2. ONDE / AONDE
enfarte, louro/loiro, percentagem/porcentagem, relampejar/
relampear/relampar/relampadar. Onde = empregado com verbos que não expressam a
Os símbolos das unidades de medida são escritos sem ideia de movimento = Onde você está?
ponto, com letra minúscula e sem “s” para indicar plural,
sem espaço entre o algarismo e o símbolo: 2kg, 20km, Aonde = equivale a “para onde”. É usado com verbos
120km/h. que expressam movimento = Aonde você vai?
Exceção para litro (L): 2 L, 150 L.
3. MAU / MAL
Na indicação de horas, minutos e segundos, não deve
haver espaço entre o algarismo e o símbolo: 14h, 22h30min, Mau = é um adjetivo, antônimo de “bom”. Usa-se como
14h23’34’’(= quatorze horas, vinte e três minutos e trinta e qualificação = O mau tempo passou. / Ele é um mau ele-
quatro segundos). mento.
O símbolo do real antecede o número sem espaço: R$1.000,00.
No cifrão deve ser utilizada apenas uma barra vertical ($). Mal = pode ser usado como
1. conjunção temporal, equivalente a “assim que”, “logo
que”, “quando” = Mal se levantou, já saiu.
Alguns Usos Ortográficos Especiais 2. advérbio de modo (antônimo de “bem”) = Você foi
mal na prova?
1. Por que / por quê / porquê / porque 3. substantivo, podendo estar precedido de artigo ou
pronome = Há males que vêm pra bem! / O mal não
POR QUE (separado e sem acento) compensa.

É usado em: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


1. interrogações diretas (longe do ponto de interroga- SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
ção) = Por que você não veio ontem? coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
2. interrogações indiretas, nas quais o “que” equivale Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
a “qual razão” ou “qual motivo” = Perguntei-lhe por reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
que faltara à aula ontem. Paulo: Saraiva, 2010.
3. equivalências a “pelo(a) qual” / “pelos(as) quais” = Ig- Português: novas palavras: literatura, gramática, redação
noro o motivo por que ele se demitiu. / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
LÍNGUA PORTUGUESA

POR QUÊ (separado e com acento) Produção de Textos & Gramática. Volume único / Samira
Yousseff, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – São Paulo:
Usos: Saraiva, 2002.
1. como pronome interrogativo, quando colocado no
fim da frase (perto do ponto de interrogação) = Você SITE
faltou. Por quê? http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/or-
2. quando isolado, em uma frase interrogativa = Por tografia
quê?

83
4. Hífen O hífen é suprimido quando para formar outros termos:
reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar.
O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado para
ligar os elementos de palavras compostas (como ex-presi-
dente, por exemplo) e para unir pronomes átonos a verbos #FicaDica
(ofereceram-me; vê-lo-ei). Serve igualmente para fazer a Lembrete da Zê!
translineação de palavras, isto é, no fim de uma linha, se-
Ao separar palavras na translineação (mudan-
parar uma palavra em duas partes (ca-/sa; compa-/nheiro).
ça de linha), caso a última palavra a ser escri-
ta seja formada por hífen, repita-o na próxima
A) Uso do hífen que continua depois da Reforma Or-
linha. Exemplo: escreverei anti-inflamatório e,
tográfica:
ao final, coube apenas “anti-”. Na próxima linha
escreverei: “-inflamatório” (hífen em ambas as
1. Em palavras compostas por justaposição que formam
uma unidade semântica, ou seja, nos termos que se linhas). Devido à diagramação, pode ser que a
unem para formam um novo significado: tio-avô, repetição do hífen na translineação não ocorra
porto-alegrense, luso-brasileiro, tenente-coronel, se- em meus conteúdos, mas saiba que a regra é
gunda-feira, conta-gotas, guarda-chuva, arco-íris, pri- esta!
meiro-ministro, azul-escuro.
B) Não se emprega o hífen:
2. Em palavras compostas por espécies botânicas e zoo-
lógicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer, abóbo- 1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo ter-
ra-menina, erva-doce, feijão-verde. mina em vogal e o segundo termo inicia-se em “r” ou
“s”. Nesse caso, passa-se a duplicar estas consoantes:
3. Nos compostos com elementos além, aquém, re- antirreligioso, contrarregra, infrassom, microssistema,
cém e sem: além-mar, recém-nascido, sem-número, minissaia, microrradiografia, etc.
recém-casado.
2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudoprefixo
4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas algu-
termina em vogal e o segundo termo inicia-se com
mas exceções continuam por já estarem consagradas
vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, coeducação,
pelo uso: cor-de-rosa, arco-da-velha, mais-que-per-
autoestrada, autoaprendizagem, hidroelétrico, pluria-
feito, pé-de-meia, água-de-colônia, queima-roupa,
nual, autoescola, infraestrutura, etc.
deus-dará.
3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos
“dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o “h” ini-
5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte Rio-
-Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas com- cial: desumano, inábil, desabilitar, etc.
binações históricas ou ocasionais: Áustria-Hungria,
Angola-Brasil, etc. 4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando
6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e su- o segundo elemento começar com “o”: cooperação,
per- quando associados com outro termo que é ini- coobrigação, coordenar, coocupante, coautor, coedi-
ciado por “r”: hiper-resistente, inter-racial, super-ra- ção, coexistir, etc.
cional, etc.
5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram noção
7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-diretor, de composição: pontapé, girassol, paraquedas, para-
ex-presidente, vice-governador, vice-prefeito. quedista, etc.

8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-: pré- 6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: benfei-
-natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação, etc. to, benquerer, benquerido, etc.

9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, abra- Os prefixos pós, pré e pró, em suas formas correspon-
ça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc. dentes átonas, aglutinam-se com o elemento seguinte,
não havendo hífen: pospor, predeterminar, predeterminado,
10. Nas formações em que o prefixo tem como segun- pressuposto, propor.
LÍNGUA PORTUGUESA

do termo uma palavra iniciada por “h”: sub-hepático, Escreveremos com hífen: anti-horário, anti-infeccioso,
geo-história, neo-helênico, extra-humano, semi-hos- auto-observação, contra-ataque, semi-interno, sobre-huma-
pitalar, super-homem. no, super-realista, alto-mar.
Escreveremos sem hífen: pôr do sol, antirreforma, antis-
11. Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo séptico, antissocial, contrarreforma, minirrestaurante, ultras-
termina com a mesma vogal do segundo elemento: som, antiaderente, anteprojeto, anticaspa, antivírus, autoa-
micro-ondas, eletro-ótica, semi-interno, auto-obser- juda, autoelogio, autoestima, radiotáxi.
vação, etc.

84
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA De acordo com a tonicidade, as palavras são classifica-
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- das como:
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre a
última sílaba: café – coração – Belém – atum – caju – papel
SITE
http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/ortografia Paroxítonas – a sílaba tônica recai na penúltima sílaba:
útil – tórax – táxi – leque – sapato – passível

Proparoxítonas - a sílaba tônica está na antepenúltima


EXERCÍCIOS COMENTADOS
sílaba: lâmpada – câmara – tímpano – médico – ônibus

1. (Polícia Federal – Escrivão de Polícia Federal – Ces- Há vocábulos que possuem uma sílaba somente: são
pe – 2013 – adaptada) os chamados monossílabos. Estes são acentuados quando
tônicos e terminados em “a”, “e” ou “o”: vá – fé – pó - ré.
A fim de solucionar o litígio, atos sucessivos e concatenados
são praticados pelo escrivão. Entre eles, estão os atos de co- 2 Os acentos
municação, os quais são indispensáveis para que os sujeitos
do processo tomem conhecimento dos atos acontecidos no A) acento agudo (´) – Colocado sobre as letras “a” e
correr do procedimento e se habilitem a exercer os direitos “i”, “u” e “e” do grupo “em” - indica que estas letras repre-
que lhes cabem e a suportar os ônus que a lei lhes impõe. sentam as vogais tônicas de palavras como pá, caí, público.
Disponível em: <http://jus.com.br> (com adaptações). Sobre as letras “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre
aberto: herói – céu (ditongos abertos).
No que se refere ao texto acima, julgue os itens seguintes. B) acento circunflexo – (^) Colocado sobre as letras
Não haveria prejuízo para a correção gramatical do texto “a”, “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre fechado:
nem para seu sentido caso o trecho “A fim de solucionar o tâmara – Atlântico – pêsames – supôs.
litígio” fosse substituído por Afim de dar solução à demanda C) acento grave – (`) Indica a fusão da preposição “a”
e o trecho “tomem conhecimento dos atos acontecidos no com artigos e pronomes: à – às – àquelas – àqueles
correr do procedimento” fosse, por sua vez, substituído por D) trema (¨) – De acordo com a nova regra, foi total-
conheçam os atos havidos no transcurso do acontecimento. mente abolido das palavras. Há uma exceção: é utiliza-
do em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros:
( ) CERTO ( ) ERRADO mülleriano (de Müller)
E) til – (~) Indica que as letras “a” e “o” representam
Resposta: Errado. “A fim” tem o sentido de “com a in- vogais nasais: oração – melão – órgão – ímã
tenção de”; já “afim”, “semelhança, afinidade”. Se a pri-
meira substituição fosse feita, o trecho estaria incorreto 2.1 Regras fundamentais
gramatical e coerentemente. Portanto, nem há a neces-
sidade de avaliar a segunda substituição. A) Palavras oxítonas: acentuam-se todas as oxítonas
terminadas em: “a”, “e”, “o”, “em”, seguidas ou não do plu-
ral(s): Pará – café(s) – cipó(s) – Belém.
Esta regra também é aplicada aos seguintes casos:
ACENTUAÇÃO GRÁFICA. Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, se-
guidos ou não de “s”: pá – pé – dó – há
Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos, se-
guidas de lo, la, los, las: respeitá-lo, recebê-lo, compô-lo
ACENTUAÇÃO
B) Paroxítonas: acentuam-se as palavras paroxítonas
Quanto à acentuação, observamos que algumas pala- terminadas em:
vras têm acento gráfico e outras não; na pronúncia, ora se i, is: táxi – lápis – júri
dá maior intensidade sonora a uma sílaba, ora a outra. Por us, um, uns: vírus – álbuns – fórum
isso, vamos às regras! l, n, r, x, ps: automóvel – elétron - cadáver – tórax – fór-
ceps
LÍNGUA PORTUGUESA

1. Regras básicas ã, ãs, ão, ãos: ímã – ímãs – órfão – órgãos


ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou não
A acentuação tônica está relacionada à intensidade de “s”: água – pônei – mágoa – memória
com que são pronunciadas as sílabas das palavras. Aquela
que se dá de forma mais acentuada, conceitua-se como sí-
laba tônica. As demais, como são pronunciadas com menos
intensidade, são denominadas de átonas.

85
Os demais casos de acento diferencial não são mais uti-
#FicaDica lizados: para (verbo), para (preposição), pelo (substantivo),
pelo (preposição). Seus significados e classes gramaticais
Memorize a palavra LINURXÃO. Repare que são definidos pelo contexto.
esta palavra apresenta as terminações das Polícia para o trânsito para que se realize a operação
paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U (aqui planejada. = o primeiro “para” é verbo; o segundo, conjun-
inclua UM = fórum), R, X, Ã, ÃO. Assim ficará ção (com relação de finalidade).
mais fácil a memorização!

#FicaDica
C) Proparoxítona: a palavra é proparoxítona quando Quando, na frase, der para substituir o “por”
a sua antepenúltima sílaba é tônica (mais forte). Quanto à por “colocar”, estaremos trabalhando com um
regra de acentuação: todas as proparoxítonas são acentua- verbo, portanto: “pôr”; nos demais casos, “por”
das, independentemente de sua terminação: árvore, para- é preposição: Faço isso por você. / Posso pôr
lelepípedo, cárcere. (colocar) meus livros aqui?
2.2 Regras especiais

Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos


2.4 Regra do Hiato
abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento
de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em
Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, segunda
palavras paroxítonas.
vogal do hiato, acompanhado ou não de “s”, haverá acento:
saída – faísca – baú – país – Luís
FIQUE ATENTO! Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato quan-
Alerta da Zê! Cuidado: Se os ditongos abertos do seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z:
estiverem em uma palavra oxítona (herói) ou Ra-ul, Lu-iz, sa-ir, ju-iz
monossílaba (céu) ainda são acentuados: dói, Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se estive-
escarcéu. rem seguidas do dígrafo nh:
ra-i-nha, ven-to-i-nha.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem
precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
Antes Agora Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, formando
assembléia assembleia hiato quando vierem depois de ditongo (nas paroxítonas):
idéia ideia
Antes Agora
geléia geleia
bocaiúva bocaiuva
jibóia jiboia
feiúra feiura
apóia (verbo apoiar) apoia
Sauípe Sauipe
paranóico paranoico
O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi
2.3 Acento Diferencial abolido:

Representam os acentos gráficos que, pelas regras de


Antes Agora
acentuação, não se justificariam, mas são utilizados para
diferenciar classes gramaticais entre determinadas palavras crêem creem
e/ou tempos verbais. Por exemplo: lêem leem
Pôr (verbo) X por (preposição) / pôde (pretérito perfeito
do Indicativo do verbo “poder”) X pode (presente do Indica- vôo voo
tivo do mesmo verbo). enjôo enjoo
LÍNGUA PORTUGUESA

Se analisarmos o “pôr” - pela regra das monossílabas:


terminada em “o” seguida de “r” não deve ser acentuada,
mas nesse caso, devido ao acento diferencial, acentua-se,
para que saibamos se se trata de um verbo ou preposição.

86
Observação: nestes casos, admitem-se as separações
#FicaDica “sé-ri-e” e “his-tó-ri-as”, o que as tornaria proparoxíto-
nas.
Memorize a palavra CREDELEVÊ. São os verbos
que, no plural, dobram o “e”, mas que não re- 2. (Anatel – Técnico Administrativo – cespe – 2012)
cebem mais acento como antes: CRER, DAR, Nas palavras “análise” e “mínimos”, o emprego do acento
LER e VER. gráfico tem justificativas gramaticais diferentes.

Repare: ( ) CERTO ( ) ERRADO


O menino crê em você. / Os meninos creem em você.
Elza lê bem! / Todas leem bem! Resposta: Errado. Análise = proparoxítona / mínimos
Espero que ele dê o recado à sala. / Esperamos que os = proparoxítona. Ambas são acentuadas pela mesma re-
garotos deem o recado! gra (antepenúltima sílaba é tônica, “mais forte”).
Rubens vê tudo! / Eles veem tudo! 3. (Ancine – Técnico Administrativo – cespe – 2012)
Cuidado! Há o verbo vir: Ele vem à tarde! / Eles vêm à Os vocábulos “indivíduo”, “diária” e “paciência” recebem
tarde! acento gráfico com base na mesma regra de acentuação
As formas verbais que possuíam o acento tônico na raiz, gráfica.
com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou
“i” não serão mais acentuadas: ( ) CERTO ( ) ERRADO

Resposta: Certo. Indivíduo = paroxítona terminada em


Antes Depois
ditongo; diária = paroxítona terminada em ditongo; pa-
apazigúe (apaziguar) apazigue ciência = paroxítona terminada em ditongo. Os três vo-
averigúe (averiguar) averigue cábulos são acentuados devido à mesma regra.
argúi (arguir) argui 4. (Ibama – Técnico Administrativo – cespe – 2012) As
palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de acordo com a
Acentuam-se os verbos pertencentes a terceira pessoa mesma regra de acentuação gráfica.
do plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm (verbo
vir). A regra prevalece também para os verbos conter, obter, ( ) CERTO ( ) ERRADO
reter, deter, abster: ele contém – eles contêm, ele obtém – eles
obtêm, ele retém – eles retêm, ele convém – eles convêm. Resposta: Errado. Pó = monossílaba terminada em “o”;
só = monossílaba terminada em “o”; céu = monossílaba
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS terminada em ditongo aberto “éu”.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE
Paulo: Saraiva, 2010. CRASE.

SITE
http://www.brasilescola.com/gramatica/acentuacao.
htm CRASE

A crase se caracteriza como a fusão de duas vogais


idênticas, relacionadas ao emprego da preposição “a” com
EXERCÍCIOS COMENTADOS o artigo feminino a(s), com o “a” inicial referente aos pro-
nomes demonstrativos – aquela(s), aquele(s), aquilo e com
1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – Ces- o “a” pertencente ao pronome relativo a qual (as quais).
pe – 2014) Os termos “série” e “história” acentuam-se em Casos estes em que tal fusão encontra-se demarcada pelo
conformidade com a mesma regra ortográfica. acento grave ( ` ): à(s), àquela, àquele, àquilo, à qual, às
quais.
LÍNGUA PORTUGUESA

( ) CERTO ( ) ERRADO O uso do acento indicativo de crase está condicionado


aos nossos conhecimentos acerca da regência verbal e no-
Resposta: Certo. “Série” = acentua-se a paroxítona ter- minal, mais precisamente ao termo regente e termo regido.
minada em ditongo / “história” - acentua-se a paroxíto- Ou seja, o termo regente é o verbo - ou nome - que exige
na terminada em ditongo complemento regido pela preposição “a”, e o termo regido
Ambas são acentuadas devido à regra da paroxítona ter- é aquele que completa o sentido do termo regente, admi-
minada em ditongo. tindo a anteposição do artigo a(s).

87
Refiro-me a (a) funcionária antiga, e não a (a)quela con- Iremos àquela reunião.
tratada recentemente. (preposição + pronome demonstrativo)
Após a junção da preposição com o artigo (destacados
entre parênteses), temos: Sua história é semelhante às que eu ouvia quando crian-
Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela contratada ça. (àquelas que eu ouvia quando criança)
recentemente. (preposição + pronome demonstrativo)

O verbo referir, de acordo com sua transitividade, classi- A letra “a” que acompanha locuções femininas (adver-
fica-se como transitivo indireto, pois sempre nos referimos biais, prepositivas e conjuntivas) recebem o acento grave:
a alguém ou a algo. Houve a fusão da preposição a + o  locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite, às
artigo feminino (à) e com o artigo feminino a + o pronome pressas, à vontade...
demonstrativo aquela (àquela).  locuções prepositivas: à frente, à espera de, à pro-
cura de...
Observações importantes:  locuções conjuntivas: à proporção que, à medida que.
Alguns recursos servem de ajuda para que possamos
confirmar a ocorrência ou não da crase. Eis alguns: Cuidado: quando as expressões acima não exercerem a
 Substitui-se a palavra feminina por uma masculina função de locuções não ocorrerá crase. Repare:
equivalente. Caso ocorra a combinação a + o(s), a Eu adoro a noite!
crase está confirmada. Adoro o quê? Adoro quem? O verbo “adoro” requer
Os dados foram solicitados à diretora. objeto direto, no caso, a noite. Aqui, o “a” é artigo, não
Os dados foram solicitados ao diretor. preposição.
 No caso de nomes próprios geográficos, substitui-se
o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso resulte na Casos passíveis de nota:
expressão “voltar da”, há a confirmação da crase.
Faremos uma visita à Bahia.  A crase é facultativa diante de nomes próprios femi-
Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase confirmada) ninos: Entreguei o caderno a (à) Eliza.
 Também é facultativa diante de pronomes possessi-
Não me esqueço da viagem a Roma. vos femininos: O diretor fez referência a (à) sua em-
Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momentos ja- presa.
mais vividos.  Facultativa em locução prepositiva “até a”: A loja fi-
cará aberta até as (às) dezoito horas.
Nas situações em que o nome geográfico se apresentar  Constata-se o uso da crase se as locuções preposi-
modificado por um adjunto adnominal, a crase está con- tivas à moda de, à maneira de apresentarem-se im-
firmada. plícitas, mesmo diante de nomes masculinos: Tenho
Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades de suas compulsão por comprar sapatos à Luis XV. (à moda
praias. de Luís XV)
 Não se efetiva o uso da crase diante da locução ad-
verbial “a distância”: Na praia de Copacabana, obser-
#FicaDica vamos a queima de fogos a distância.
Entretanto, se o termo vier determinado, teremos uma
Use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; vou locução prepositiva, aí sim, ocorrerá crase: O pedestre foi
A volto DE, crase PRA QUÊ?” Exemplo: Vou a arremessado à distância de cem metros.
Campinas. = Volto de Campinas. (crase pra
quê?)  De modo a evitar o duplo sentido – a ambiguidade
Vou à praia. = Volto da praia. (crase há!) -, faz-se necessário o emprego da crase.
Ensino à distância.
Ensino a distância.
Quando o nome de lugar estiver especificado, ocorrerá  Em locuções adverbiais formadas por palavras repe-
crase. Veja: tidas, não há ocorrência da crase.
Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo que, Ela ficou frente a frente com o agressor.
pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE” Eu o seguirei passo a passo.
LÍNGUA PORTUGUESA

Irei à Salvador de Jorge Amado.


Casos em que não se admite o emprego da crase:
A letra “a” dos pronomes demonstrativos aquele(s),
aquela(s) e aquilo receberão o acento grave se o termo re- Antes de vocábulos masculinos.
gente exigir complemento regido da preposição “a”. As produções escritas a lápis não serão corrigidas.
Entregamos a encomenda àquela menina. Esta caneta pertence a Pedro.
(preposição + pronome demonstrativo)

88
Antes de verbos no infinitivo.
Ele estava a cantar.
Começou a chover. EXERCÍCIOS COMENTADOS

Antes de numeral. 1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – Ces-


O número de aprovados chegou a cem. pe – 2014 – adaptada) O acento indicativo de crase em
Faremos uma visita a dez países. “à humanidade e à estabilidade” é de uso facultativo, razão
por que sua supressão não prejudicaria a correção grama-
Observações: tical do texto.
 Nos casos em que o numeral indicar horas – funcio-
nando como uma locução adverbial feminina – ocor- ( ) CERTO ( ) ERRADO
rerá crase: Os passageiros partirão às dezenove horas.
 Diante de numerais ordinais femininos a crase está Resposta: Errado. Retomemos o contexto: (...) O uso in-
confirmada, visto que estes não podem ser empre- devido de drogas constitui, na atualidade, séria e persis-
gados sem o artigo: As saudações foram direcionadas tente ameaça à humanidade e à estabilidade das estrutu-
à primeira aluna da classe. ras e valores políticos (...).
 Não ocorrerá crase antes da palavra casa, quando O uso do acento indicativo de crase é obrigatório, já que
essa não se apresentar determinada: Chegamos to- os termos “humanidade” e “estabilidade” complemen-
dos exaustos a casa. tam o nome “ameaça” – “ameaça a quê? a quem?” = a
Entretanto, se vier acompanhada de um adjunto adno- regência nominal pede preposição.
minal, a crase estará confirmada: Chegamos todos exaustos
à casa de Marcela. 2. (TCE-PA – Conhecimentos Básicos – AUDITOR DE
CONTROLE EXTERNO – EDUCACIONAL – Cespe –
 Não há crase antes da palavra “terra”, quando essa 2016)
indicar chão firme: Quando os navegantes regressa-
ram a terra, já era noite. Texto CB1A1BBB
Contudo, se o termo estiver precedido por um deter-
minante ou referir-se ao planeta Terra, ocorrerá crase. Estranhamente, governos estaduais cujas despesas com o
Paulo viajou rumo à sua terra natal. funcionalismo já alcançaram nível preocupante ou que es-
O astronauta voltou à Terra. touraram o limite de gastos com pessoal fixado pela Lei
Complementar n.º 101/2000, denominada Lei de Respon-
 Não ocorre crase antes de pronomes que requerem sabilidade Fiscal (LRF), estão elaborando sua própria legis-
o uso do artigo. lação destinada a assegurar, como alegam, maior rigor na
Os livros foram entregues a mim. gestão de suas finanças. Querem uma nova lei de respon-
Dei a ela a merecida recompensa. sabilidade fiscal para, segundo argumentam, fortalecer a
estrutura legal que protege o dinheiro público do mau uso
por gestores irresponsáveis.
 Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos Examinando-se a situação financeira dos estados que pre-
à senhora, senhorita e madame admitirem artigo, o param sua versão da lei de responsabilidade fiscal, fica di-
uso da crase está confirmado no “a” que os antecede, fícil aceitar a argumentação. Desde maio de 2000, quando
no caso de o termo regente exigir a preposição. entrou em vigor a LRF, esses estados, como os demais, es-
Todos os méritos foram conferidos à senhorita Patrícia. tão sujeitos a regras precisas para a gestão do dinheiro pú-
 Não ocorre crase antes de nome feminino utilizado blico, para a criação de despesas e, em particular, para os
em sentido genérico ou indeterminado: gastos com pessoal. Por que, tendo descumprido algumas
Estamos sujeitos a críticas. dessas regras, estariam interessados em torná-las ainda
Refiro-me a conversas paralelas. mais rigorosas?
Não foi a lei que não funcionou, mas os responsáveis pelo
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS dinheiro público que, por alguma razão, não a cumpriram.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- De que adiantaria, então, tornar a lei mais rigorosa, se nem
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. nas condições atuais esses responsáveis estão sendo ca-
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce- pazes de cumpri-la? O problema não está na lei. Mudá-la
LÍNGUA PORTUGUESA

reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São pode ser o pretexto não para torná-la mais rigorosa, mas
Paulo: Saraiva, 2010. para atribuir-lhe alguma flexibilidade que a desfigure. O
verdadeiro problema é a dificuldade do setor público de
SITE adaptar suas despesas às receitas em queda por causa da
http://www.portugues.com.br/gramatica/o-uso-crase-. crise.
html
Internet: <http://opiniao.estadao.com.br> (com adapta-
ções).

89
O emprego do acento grave em “às receitas” decorre da re-  Usa-se nas abreviaturas: pág. (página), Cia. (Com-
gência do verbo “adaptar” e da presença do artigo definido panhia). Se a palavra abreviada aparecer em final de
feminino determinando o substantivo “receitas”. período, este não receberá outro ponto; neste caso,
o ponto de abreviatura marca, também, o fim de pe-
( ) CERTO ( ) ERRADO ríodo. Exemplo: Estudei português, matemárica, cons-
titucional, etc. (e não “etc..”)
Resposta: Certo. Texto: O verdadeiro problema é a di-  Nos títulos e cabeçalhos é opcional o emprego do
ficuldade do setor público de adaptar suas despesas às ponto, assim como após o nome do autor de uma
receitas em queda por causa da crise = quem adapta, citação:
adapta algo/alguém A algo/alguém. Haverá eleições em outubro
O culto do vernáculo faz parte do brio cívico. (Napoleão
3. (Fnde – Técnico em Financiamento e Execução de Mendes de Almeida) (ou: Almeida.)
Programas e Projetos Educacionais – cespe – 2012) O  Os números que identificam o ano não utilizam
emprego do sinal indicativo de crase em “adequando os ob- ponto nem devem ter espaço a separá-los, bem como os
jetivos às necessidades” justifica-se pela regência do verbo números de CEP: 1975, 2014, 2006, 17600-250.
adequar, que exige complemento regido pela preposição
“a”, e pela presença de artigo definido feminino antes de B) Ponto e Vírgula (;)
“necessidades”.
 Separa várias partes do discurso, que têm a mesma
( ) CERTO ( ) ERRADO importância: “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os
ricos dão pelo pão a fazenda; os de espíritos generosos
Resposta: Certo. Adequar o quê? – os objetivos (objeto dão pelo pão a vida; os de nenhum espírito dão pelo
direto) – adequar o quê a quê? – a + as (=às) necessida- pão a alma...” (VIEIRA)
des – objeto indireto. A explicação do enunciado está  Separa partes de frases que já estão separadas por
vírgulas: Alguns quiseram verão, praia e calor; outros,
correta.
montanhas, frio e cobertor.
 Separa itens de uma enumeração, exposição de mo-
4. (Tribunal de Justiça-se – Técnico Judiciário – cespe
tivos, decreto de lei, etc.
– 2014 – adaptada) No trecho “deu início à sua cami-
Ir ao supermercado;
nhada cósmica”, o emprego do acento grave indicativo de
Pegar as crianças na escola;
crase é obrigatório.
Caminhada na praia;
Reunião com amigos.
( ) CERTO ( ) ERRADO
C) Dois pontos (:)
Resposta: Errado. “deu início à sua caminhada cósmi-
ca” – o uso do acento indicativo de crase, neste caso, é  Antes de uma citação = Vejamos como Afrânio Cou-
facultativo (antes de pronome possessivo). tinho trata este assunto:
 Antes de um aposto = Três coisas não me agradam:
chuva pela manhã, frio à tarde e calor à noite.
PONTUAÇÃO.  Antes de uma explicação ou esclarecimento: Lá es-
tava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo a
rotina de sempre.
 Em frases de estilo direto
PONTUAÇÃO Maria perguntou:
- Por que você não toma uma decisão?
Os sinais de pontuação são marcações gráficas que
servem para compor a coesão e a coerência textual, além D) Ponto de Exclamação (!)
de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas.
Um texto escrito adquire diferentes significados quando  Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera,
pontuado de formas diversificadas. O uso da pontuação susto, súplica, etc.: Sim! Claro que eu quero me casar
depende, em certos momentos, da intenção do autor do com você!
discurso. Assim, os sinais de pontuação estão diretamente  Depois de interjeições ou vocativos
LÍNGUA PORTUGUESA

relacionados ao contexto e ao interlocutor. Ai! Que susto!


João! Há quanto tempo!
1. Principais funções dos sinais de pontuação
E) Ponto de Interrogação (?)
A) Ponto (.)
 Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.
 Indica o término do discurso ou de parte dele, en- “- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Aze-
cerrando o período. vedo)

90
F) Reticências (...) Observações:
Considerando-se que “etc.” é abreviatura da expressão
 Indica que palavras foram suprimidas: Comprei lápis, latina et coetera, que significa “e outras coisas”, seria dis-
canetas, cadernos... pensável o emprego da vírgula antes dele. Porém, o acordo
 Indica interrupção violenta da frase: “- Não... quero ortográfico em vigor no Brasil exige que empreguemos etc.
dizer... é verdad... Ah!” predecido de vírgula: Falamos de política, futebol, lazer, etc.
 Indica interrupções de hesitação ou dúvida: Este
mal... pega doutor? As perguntas que denotam surpresa podem ter com-
 Indica que o sentido vai além do que foi dito: Deixa, binados o ponto de interrogação e o de exclamação: Você
depois, o coração falar... falou isso para ela?!

G) Vírgula (,) Temos, ainda, sinais distintivos:


 a barra ( / ) = usada em datas (25/12/2014), separa-
Não se usa vírgula ção de siglas (IOF/UPC);
Separando termos que, do ponto de vista sintático, li-  os colchetes ([ ]) = usados em transcrições feitas
gam-se diretamente entre si: pelo narrador ([vide pág. 5]), usado como primeira
1. Entre sujeito e predicado: opção aos parênteses, principalmente na matemáti-
Todos os alunos da sala foram advertidos. ca;
Sujeito predicado  o asterisco (*) = usado para remeter o leitor a uma
nota de rodapé ou no fim do livro, para substituir um
2. Entre o verbo e seus objetos: nome que não se quer mencionar.
O trabalho custou sacrifício aos
realizadores. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
V.T.D.I. O.D. O.I. Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Usa-se a vírgula: Paulo: Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac-
1. Para marcar intercalação: coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

A) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abun- SITE


dância, vem caindo de preço. http://www.infoescola.com/portugues/pontuacao/
B) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-virgula.htm
produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos.
C) das expressões explicativas ou corretivas: As indús-
trias não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, EXERCÍCIOS COMENTADOS
não querem abrir mão dos lucros altos.

2. Para marcar inversão: 1. (STJ – Conhecimentos Básicos para o Cargo 1 –


Cespe – 2018 – adaptada)
A) do adjunto adverbial (colocado no início da oração):
Depois das sete horas, todo o comércio está de portas Texto CB1A1CCC
fechadas.
B) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos As audiências de segunda a sexta-feira muitas vezes reve-
pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma. laram o lado mais sórdido da natureza humana. Eram rela-
C) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de tos de sofrimento, dor, angústia que se transportavam da
maio de 1982. cadeira das vítimas, testemunhas e réus para minha cadeira
de juíza. A toga não me blindou daqueles relatos sofridos,
3. Para separar entre si elementos coordenados (dis- aflitos. As angústias dos que se sentavam à minha frente,
postos em enumeração): por diversas vezes, me escoltaram até minha casa e pas-
Era um garoto de 15 anos, alto, magro. saram a ser companheiras de noites de insônia. Não havia
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais. outra solução a não ser escrever. Era preciso colocar no
LÍNGUA PORTUGUESA

4. Para marcar elipse (omissão) do verbo: Nós quere- papel e compartilhar a dor daquelas pessoas que, mesmo
mos comer pizza; e vocês, churrasco. ao fim do processo e com a sentença prolatada, não me
deixavam esquecê-las.
5. Para isolar: Foram horas, dias, meses, anos de oitivas de mães, filhas,
esposas, namoradas, companheiras, todas tendo em co-
A) o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasi- mum a violência no corpo e na alma sofrida dentro de casa.
leira, possui um trânsito caótico. O lar, que deveria ser o lugar mais seguro para essas mu-
B) o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem. lheres, havia se transformado no pior dos mundos.

91
Quando finalmente chegavam ao Judiciário e se sentavam meio da polícia, sendo necessário dividir as tarefas de con-
à minha frente, os relatos se transformavam em desabafos trole com organizações locais e com a comunidade.
de uma vida inteira. Era preciso explicar, justificar e muitas Jacqueline Carvalho da Silva. Manutenção da ordem públi-
vezes se culpar por terem sido agredidas. A culpa por ter ca e garantia dos direitos individuais: os desafios da polícia
sido vítima, a culpa por ter permitido, a culpa por não ter em sociedades democráticas. In: Revista Brasileira de Segu-
sido boa o suficiente, a culpa por não ter conseguido man- rança Pública. São Paulo, ano 5, 8.ª ed., fev. – mar./2011, p.
ter a família. Sempre a culpa. 84-5 (com adaptações).
Aquelas mulheres chegavam à Justiça buscando uma for-
ça externa como se somente nós, juízes, promotores e ad- No primeiro parágrafo do texto 1A1AAA, os dois-pontos
vogados, pudéssemos não apenas cessar aquele ciclo de introduzem
violência, mas também lhes dar voz para reagir àquela vio-
lência invisível. a) uma enumeração das “categorias de direitos”.
Rejane Jungbluth Suxberger. Invisíveis Marias: histórias b) resultados da “consolidação da cidadania”.
além das quatro paredes. Brasília: Trampolim, 2018 (com c) um contra-argumento para a ideia de cidadania como
adaptações). algo “amplo”.
d) uma generalização do termo “direitos”.
O trecho “juízes, promotores e advogados” explica o sen- e) objetivos do “processo de redemocratização”.
tido de “nós”.
Resposta: Letra A. Recorramos ao texto (faça isso SEM-
( ) CERTO ( ) ERRADO PRE durante seu concurso. O texto é a base para en-
contrar as respostas para as questões!): (...) abrangendo
Resposta: Certo. Ao trecho: (...) Aquelas mulheres che- as três categorias de direitos: civis, políticos e sociais. Os
gavam à Justiça buscando uma força externa como se so- dois-pontos introduzem a enumeração dos direitos; apre-
mente nós, juízes, promotores e advogados, pudéssemos senta-os.
não apenas cessar aquele ciclo de violência (...). Os ter-
mos entre vírgulas servem para exemplificar quem são 3. (Aneel – Técnico Administrativo – cespe – 2010)
os “nós” citados pela autora (juízes, promotores, advo- Vão surgindo novos sinais do crescente otimismo da in-
gados). dústria com relação ao futuro próximo. Um deles refere-se
às exportações. “O comércio mundial já está voltando a se
2. (SERES-PE – Agente de Segurança Penitenciária – abrir para as empresas”, diz o gerente executivo de pesqui-
Cespe – 2017 – adaptada) sas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato
da Fonseca, para explicar a melhora das expectativas dos
Texto 1A1AAA industriais com relação ao mercado externo.
Quanto ao mercado interno, as expectativas da indústria
Após o processo de redemocratização, com o fim da dita- não se modificaram. Mas isso não é um mau sinal, pois elas
dura militar, em meados da década de 80 do século passa- já eram francamente otimistas. Há algum tempo, a pesqui-
do, era de se esperar que a democratização das instituições sa da CNI, realizada mensalmente a partir de 2010, registra
tivesse como resultado direto a consolidação da cidadania grande otimismo da indústria com relação à demanda in-
— compreendida de modo amplo, abrangendo as três ca- terna. Trata-se de um sentimento generalizado. Em todos
tegorias de direitos: civis, políticos e sociais. Sobressaem, os setores industriais, a expressiva maioria dos entrevista-
porém, problemas que configuram mais desafios para a ci- dos acredita no aumento das vendas internas.
dadania brasileira, como a violência urbana — que ameaça O Estado de S.Paulo, Editorial, 30/3/2010 (com adaptações).
os direitos individuais — e o desemprego — que ameaça
os direitos sociais. O nome próprio “Renato da Fonseca” está entre vírgulas
No Brasil, o crime aumentou significantemente a partir de por tratar-se de um vocativo.
1980, impacto do processo de modernização pelo qual o
país passou. Isso sugere que o boom do consumo colocou ( ) CERTO ( ) ERRADO
em circulação bens de alto valor e, consequentemente, au-
mentou as oportunidades para o crime, inclusive porque a Resposta: Errado. Recorramos ao texto (lembre-se de
maior mobilidade de pessoas torna o espaço social mais fazer a mesma coisa no dia do seu concurso!): (...) diz o
anônimo, menos supervisionado. gerente executivo de pesquisas da Confederação Nacio-
LÍNGUA PORTUGUESA

Nesse contexto, justiça criminal passa a ser cada vez mais nal da Indústria (CNI), Renato da Fonseca, para explicar a
dissociada de justiça social e reconstrução da sociedade. O melhora das expectativas. O termo em destaque não está
objetivo em relação à criminalidade torna-se bem menos exercendo a função de vocativo, já que não é utilizado
ambicioso: o controle. A prisão ganha mais importância na para evocar, chamar o interlocutor do diálogo. Sua fun-
modernidade tardia, porque satisfaz uma dupla necessida- ção é de aposto – explicar quem é o gerente executivo
de dessa nova cultura: castigo e controle do risco. Essa pos- da CNI.
tura às vezes proporciona controle, porém não segurança,
pois o Estado tem o poder limitado de manter a ordem por

92
4. (Caixa Econômica Federal – Médico do Trabalho 1. A Ordem dos Termos na Frase
– cespe – 2014 – adaptada) A correção gramatical do
trecho “Entre as bebidas alcoólicas, cervejas e vinhos são as Leia novamente a frase contida no item 2. Note que
mais comuns em todo o mundo” seria prejudicada, caso se ela é organizada de maneira clara para produzir sentido.
inserisse uma vírgula logo após a palavra “vinhos”. Todavia, há diferentes maneiras de se organizar gramatical-
mente tal frase, tudo depende da necessidade ou da von-
( ) CERTO ( ) ERRADO tade do redator em manter o sentido, ou mantê-lo, porém,
acrescentado ênfase a algum dos seus termos. Significa di-
Resposta: Certo. Não se deve colocar vírgula entre su- zer que, ao escrever, podemos fazer uma série de inversões
jeito e predicado, a não ser que se trate de um apos- e intercalações em nossas frases, conforme a nossa von-
to (1), predicativo do sujeito (2), ou algum termo que tade e estilo. Tudo depende da maneira como queremos
requeira estar separado entre pontuações. Exemplo: O transmitir uma ideia, do nosso estilo. Por exemplo, pode-
Rio de Janeiro, cidade maravilhosa (1), está em festa! Os mos expressar a mensagem da frase 2 da seguinte maneira:
meninos, ansiosos (2), chegaram! No Brasil e na América Latina, a globalização está cau-
sando desemprego.

Neste caso, a mensagem é praticamente a mesma, ape-


REESCRITA DE FRASES: SUBSTITUIÇÃO, nas mudamos a ordem das palavras para dar ênfase a al-
DESLOCAMENTO, PARALELISMO; VARIAÇÃO guns termos (neste caso: No Brasil e na A. L.). Repare que,
LINGUÍSTICA: NORMA CULTA. para obter a clareza tivemos que fazer o uso de vírgulas.
Entre os sinais de pontuação, a vírgula é o mais usado e
o que mais nos auxilia na organização de um período, pois
REESCRITA DE TEXTOS/EQUIVALÊNCIA DE ESTRU- facilita as boas “sintaxes”, boas misturas, ou seja, a vírgula
TURAS ajuda-nos a não “embolar” o sentido quando produzimos
frases complexas. Com isto, “entregamos” frases bem orga-
“Ideias confusas geram redações confusas”. Esta frase nizadas aos nossos leitores.
leva-nos a refletir sobre a organização das ideias em um O básico para a organização sintática das frases é a or-
texto. Significa dizer que, antes da redação, naturalmen- dem direta dos termos da oração. Os gramáticos estrutu-
te devemos dominar o assunto sobre o qual iremos tratar ram tal ordem da seguinte maneira:
e, posteriormente, planejar o modo como iremos expô-lo,
do contrário haverá dificuldade em transmitir ideias bem SUJEITO + VERBO+ COMPLEMENTO VERBAL+ CIR-
acabadas. Portanto, a leitura, a interpretação de textos e a CUNSTÂNCIAS
experiência de vida antecedem o ato de escrever.
Obtido um razoável conhecimento sobre o que iremos A globalização + está causando+ desemprego + no
escrever, feito o esquema de exposição da matéria, é ne- Brasil nos dias de hoje.
cessário saber ordenar as ideias em frases bem estrutura-
das. Logo, não basta conhecer bem um determinado as- Nem todas as orações mantêm esta ordem e nem todas
sunto, temos que o transmitir de maneira clara aos leitores. contêm todos estes elementos, portanto cabem algumas
O estudo da pontuação pode se tornar um valioso aliado observações:
para organizarmos as ideias de maneira clara em frases. Para A) As circunstâncias (de tempo, espaço, modo, etc.)
tanto, é necessário ter alguma noção de sintaxe. “Sintaxe”, con- normalmente são representadas por adjuntos adverbiais
forme o dicionário Aurélio, é a “parte da gramática que estuda de tempo, lugar, etc. Note que, no mais das vezes, quan-
a disposição das palavras na frase e a das frases no discurso, do queremos recordar algo ou narrar uma história, existe
bem como a relação lógica das frases entre si”; ou em outras a tendência a colocar os adjuntos nos começos das frases:
palavras, sintaxe quer dizer “mistura”, isto é, saber misturar as “No Brasil e na América…” “Nos dias de hoje…” “Nas mi-
palavras de maneira a produzirem um sentido evidente para nhas férias…”, “No Brasil…”. e logo depois os verbos e ou-
os receptores das nossas mensagens. Observe: tros elementos: “Nas minhas férias fui…”; “No Brasil existe…”
1. A desemprego globalização no Brasil e no na está La-
tina América causando. Observações:
2. A globalização está causando desemprego no Brasil e Tais construções não estão erradas, mas rompem com
na América Latina. a ordem direta;
LÍNGUA PORTUGUESA

É preciso notar que em Língua Portuguesa, há muitas


Ora, no item 1 não temos uma ideia, pois não há uma frases que não têm sujeito, somente predicado. Por exem-
frase, as palavras estão amontoadas sem a realização de plo: Está chovendo em Porto Alegre. Faz frio em Friburgo.
“uma sintaxe”, não há um contexto linguístico nem relação São quatro horas agora;
inteligível com a realidade; no caso 2, a sintaxe ocorreu de Outras frases são construídas com verbos intransitivos,
maneira perfeita e o sentido está claro para receptores de que não têm complemento:
língua portuguesa inteirados da situação econômica e cul- O menino morreu na Alemanha. (sujeito +verbo+ ad-
tural do mundo atual. junto adverbial)

93
A globalização nasceu no século XX. (idem) A globalização causa, caro leitor, desemprego no Brasil…
Há ainda frases nominais que não possuem verbos: Neste outro caso, há um vocativo entre o verbo e o seu
cada macaco no seu galho. Nestes tipos de frase, a ordem complemento.
direta faz-se naturalmente. Usam-se apenas os termos
existentes nelas. A globalização causa desemprego, e isto é lamentável,
no Brasil…
Levando em consideração a ordem direta, podemos es- Aqui, há uma oração intercalada (note que ela não per-
tabelecer três regras básicas para o uso da vírgula: tence ao assunto: globalização, da frase principal, tal ora-
ção é apenas um comentário à parte entre o complemento
Se os termos estão colocados na ordem direta não ha- verbal e os adjuntos).
verá a necessidade de vírgulas. A frase 2 é um exemplo Observação:
disto: A simples negação em uma frase não exige vírgula: A
A globalização está causando desemprego no Brasil e na globalização não causou desemprego no Brasil e na América
América Latina. Latina.

Todavia, ao repetir qualquer um dos termos da oração C) Quando “quebramos” a ordem direta, invertendo-a,
por três vezes ou mais, então é necessário usar a vírgula, tal quebra torna a vírgula necessária. Esta é a regra n.º 3 da
mesmo que estejamos usando a ordem direta. Esta é a re- colocação da vírgula.
gra básica n.º1 para a colocação da vírgula. Veja: No Brasil e na América Latina, a globalização está cau-
A globalização, a tecnologia e a “ciranda financeira” cau- sando desemprego…
sam desemprego… No fim do século XX, a globalização causou desemprego
(três núcleos do sujeito) no Brasil…

A globalização causa desemprego no Brasil, na América Nota-se que a quebra da ordem direta frequentemente
Latina e na África. se dá com a colocação das circunstâncias antes do sujeito.
(três adjuntos adverbiais) Trata-se da ordem inversa. Estas circunstâncias, em gramá-
tica, são representadas pelos adjuntos adverbiais. Muitas
A globalização está causando desemprego, insatisfação e vezes, elas são colocadas em orações chamadas adverbiais
sucateamento industrial no Brasil e na América Latina. (três que têm uma função semelhante a dos adjuntos adverbiais,
complementos verbais) isto é, denotam tempo, lugar, etc. Exemplos:
Quando o século XX estava terminando, a globalização
B) Em princípio, não devemos, na ordem direta, sepa- começou a causar desemprego.
rar com vírgula o sujeito e o verbo, nem o verbo e o seu Enquanto os países portadores de alta tecnologia desen-
complemento, nem o complemento e as circunstâncias, ou volvem-se, a globalização causa desemprego nos países po-
seja, não devemos separar com vírgula os termos da ora- bres.
ção. Veja exemplos de tal incorreção: Durante o século XX, a Globalização causou desemprego
O Brasil, será feliz. no Brasil.
A globalização causa, o desemprego.
Observação:
Ao intercalarmos alguma palavra ou expressão entre Quanto à equivalência e transformação de estruturas,
os termos da oração, cabe isolar tal termo entre vírgulas, um exemplo muito comum cobrado em provas é o enun-
assim o sentido da ideia principal não se perderá. Esta é ciado trazer uma frase no singular e pedir a passagem para
a regra básica n.º 2 para a colocação da vírgula. Dito em o plural, mantendo o sentido. Outro exemplo é a mudança
outras palavras: quando intercalamos expressões e frases de tempos verbais.
entre os termos da oração, devemos isolar os mesmos com
vírgulas. Vejamos: SITE
A globalização, fenômeno econômico deste fim de século http://ricardovigna.wordpress.com/2009/02/02/estu-
XX, causa desemprego no Brasil. dos-de-linguagem-1-estrutura-frasal-e-pontuacao/
Aqui um aposto à globalização foi intercalado entre o
sujeito e o verbo.
Outros exemplos: ANÁLISE E TIPO DE DISCURSO
LÍNGUA PORTUGUESA

A globalização, que é um fenômeno econômico e cultu-


ral, está causando desemprego no Brasil e na América Lati- A Análise do Discurso é uma prática da linguística no
na. campo da Comunicação, e consiste em analisar a estrutura
Neste caso, há uma oração adjetiva intercalada. de um texto e, a partir disto, compreender as construções
As orações adjetivas explicativas desempenham fre- ideológicas presentes no mesmo.
quentemente um papel semelhante ao do aposto explicati- O discurso em si é uma construção linguística atrelada
vo, por isto são também isoladas por vírgula. ao contexto social no qual o texto é desenvolvido. Ou seja,
as ideologias presentes em um discurso são diretamente

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determinadas pelo contexto político-social em que vive o A) Discurso direto: reproduz fiel e literalmente algo
seu autor. Mais que uma análise textual, a análise do Dis- dito por alguém. Um bom exemplo de discurso direto são
curso é uma análise contextual da estrutura discursiva em as citações ou transcrições exatas da declaração de alguém.
questão.  Primeira pessoa (eu, nós) – é o narrador quem fala,
Michel Foucault descreveu a Ordem do Discurso como usando aspas ou travessões para demarcar que está
uma construção de características sociais. A sociedade que reproduzindo a fala de outra pessoa: “Não gosto dis-
promove o contexto do discurso analisado é a base de toda so” – disse a menina em tom zangado.
a estrutura do texto, atrelando, deste modo, todo e qualquer
elemento que possa fazer parte do sentido do discurso. O B) Discurso indireto: o narrador, usando suas próprias
texto só pode assim ser chamado se o seu receptor for capaz palavras, conta o que foi dito por outra pessoa. Temos en-
de compreender o seu sentido, e isto cabe ao autor do texto tão uma mistura de vozes, pois as falas dos personagens
e à atenção que o mesmo der ao contexto da construção de passam pela elaboração da fala do narrador.
seu discurso. É a relação básica para a existência da comuni-  Terceira pessoa - ele(s), ela(s) – O narrador só usa
cação verbal: emissão – recepção – compreensão. sua própria voz, o que foi dito pela personagem passa pela
As práticas discursivas geram também outros âmbitos elaboração do narrador. Não há uma pontuação específica
de análise do discurso, como o Universo de Concorrências, que marque o discurso indireto: A menina disse em tom
que consiste na competição entre vários emissores para zangado, que não gostava daquilo.
atingir um mesmo público-alvo. A partir disto, os emisso-
res precisam inteirar-se do contexto da vida do seu recep- C) Discurso indireto livre: É um discurso no qual há
tor, para que deste modo possam interpelá-lo segundo uma maior liberdade, o narrador insere a fala do persona-
sua própria ideologia, fazendo com que sua mensagem gem de forma sutil, sem fazer uso das marcas do discurso
seja recebida e assimilada pelo receptor sem que o mesmo direto. É necessário que se tenha atenção para não confun-
perceba que está sendo alvo de uma tentativa de conven- dir a fala do narrador com a fala do personagem, pois esta
cimento, por assim dizer. surge de repente em meio à fala do narrador: A menina pe-
Dentro da análise do Discurso há também o discurso rambulava pela sala irritada e zangada. Eu não gosto disso!
estético, feito por meio de imagens, e que interpelam o E parecia que ninguém a ouvia.
indivíduo através de sua sensibilidade, que está ligada ao
seu contexto também. A sensibilidade de um indivíduo se 1.2. Níveis de Linguagem
define a partir do que, ao longo de sua vida, torna-se im-
portante e desperta-lhe sentimentos. Com isto, podemos A língua é um código de que se serve o homem para
analisar as artes produzidas em diferentes épocas da his- elaborar mensagens, para se comunicar. Existem basica-
tória em todo o mundo e perceber as diferentes formas de mente duas modalidades de língua, ou seja, duas línguas
interpelação e contextualidade presentes nas mesmas. O funcionais:
discurso estético tem a mesma capacidade ideológica que A) a língua funcional de modalidade culta, língua
o discurso verbal, com a vantagem de atingir o indivíduo culta ou língua-padrão, que compreende a língua literá-
esteticamente, o que pode render muito mais rapidamente ria, tem por base a norma culta, forma linguística utilizada
o sucesso do discurso aplicado. pelo segmento mais culto e influente de uma sociedade.
A partir na análise de todos os aspectos do discurso Constitui, em suma, a língua utilizada pelos veículos de co-
chega-se ao mais importante: o sentido. O sentido do dis- municação de massa (emissoras de rádio e televisão, jor-
curso não é fixo, por vários motivos: pelo contexto, pela es- nais, revistas, painéis, anúncios, etc.), cuja função é a de
tética, pela ordem do discurso, pela sua forma de constru- serem aliados da escola, prestando serviço à sociedade,
ção. O sentido do discurso encontra-se sempre em aberto colaborando na educação;
para a possibilidade de interpretação do seu receptor. O B) a língua funcional de modalidade popular; língua
efeito do discurso é, claramente, transmitir uma mensagem popular ou língua cotidiana, que apresenta gradações as
e alcançar um objetivo premeditado através da interpreta- mais diversas, tem o seu limite na gíria e no calão.
ção e interpelação do indivíduo alvo.
1.3. Norma culta
1. Tipos de Discurso: direto, indireto e indireto livre
A norma culta, forma linguística que todo povo civiliza-
1.1. Vozes do Discurso do possui, é a que assegura a unidade da língua nacional.
E justamente em nome dessa unidade, tão importante do
LÍNGUA PORTUGUESA

Ao lermos um texto, observamos que há um narrador ponto de vista político--cultural, que é ensinada nas esco-
- que é quem conta o fato. Esse locutor ou narrador pode las e difundida nas gramáticas. Sendo mais espontânea e
introduzir outras vozes no texto para auxiliar a narrativa. criativa, a língua popular afigura-se mais expressiva e dinâ-
Para fazer a introdução dessas outras vozes no texto, a voz mica. Temos, assim, à guisa de exemplificação:
principal ou privilegiada - o narrador - usa o que chama- Estou preocupado. (norma culta)
mos de discurso. O que vem a ser discurso dentro do tex- Tô preocupado. (língua popular)
to? É a forma como as falas são inseridas na narrativa. Ele Tô grilado. (gíria, limite da língua popular)
pode ser classificado em: direto, indireto e indireto livre.

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Não basta conhecer apenas uma modalidade de língua; Vamos nos reunir. (Substituiu: Vamo-nos reunir)
urge conhecer a língua popular, captando-lhe a esponta- Não vamos nos dispersar. (Substituiu: Não nos vamos
neidade, expressividade e enorme criatividade, para viver; dispersar e Não vamos dispersar-nos)
urge conhecer a língua culta para conviver. Tenho que sair daqui depressinha. (Substituiu: Tenho de
Podemos, agora, definir gramática: é o estudo das nor- sair daqui bem depressa)
mas da língua culta. O soldado está a postos. (Substituiu: O soldado está no
seu posto)
1.4. O conceito de erro em língua
As formas impeço, despeço e desimpeço, dos verbos im-
Em rigor, ninguém comete erro em língua, exceto nos pedir, despedir e desimpedir, respectivamente, são exemplos
casos de ortografia. O que normalmente se comete são também de transgressões ou “erros” que se tornaram fatos
transgressões da norma culta. De fato, aquele que, num linguísticos, já que só correm hoje porque a maioria viu
momento íntimo do discurso, diz: “Ninguém deixou ele fa- tais verbos como derivados de pedir, que tem início, na sua
lar”, não comete propriamente erro; na verdade, transgride conjugação, com peço. Tanto bastou para se arcaizarem as
a norma culta. formas então legítimas impido, despido e desimpido, que hoje
Um repórter, ao cometer uma transgressão em sua fala, nenhuma pessoa bem-escolarizada tem coragem de usar.
transgride tanto quanto um indivíduo que comparece a um Em vista do exposto, será útil eliminar do vocabulário
banquete trajando xortes ou quanto um banhista, numa escolar palavras como corrigir e correto, quando nos refe-
praia, vestido de fraque e cartola. rimos a frases. “Corrija estas frases” é uma expressão que
Releva considerar, assim, o momento do discurso, que deve dar lugar a esta, por exemplo: “Converta estas frases
pode ser íntimo, neutro ou solene. O momento íntimo é o da língua popular para a língua culta”.
das liberdades da fala. No recesso do lar, na fala entre ami- Uma frase correta não é aquela que se contrapõe a uma
gos, parentes, namorados, etc., portanto, são consideradas frase “errada”; é, na verdade, uma frase elaborada confor-
perfeitamente normais construções do tipo: me as normas gramaticais; em suma, conforme a norma culta.
Eu não vi ela hoje.
Ninguém deixou ele falar. 1.5. Língua escrita e língua falada - Nível de lingua-
Deixe eu ver isso! gem
Eu te amo, sim, mas não abuse!
Não assisti o filme nem vou assisti-lo. A língua escrita, estática, mais elaborada e menos eco-
Sou teu pai, por isso vou perdoá-lo. nômica, não dispõe dos recursos próprios da língua falada.
Nesse momento, a informalidade prevalece sobre a A acentuação (relevo de sílaba ou sílabas), a entoação
norma culta, deixando mais livres os interlocutores. (melodia da frase), as pausas (intervalos significativos no
O momento neutro é o do uso da língua-padrão, que decorrer do discurso), além da possibilidade de gestos,
é a língua da Nação. Como forma de respeito, tomam-se olhares, piscadas, etc., fazem da língua falada a modalidade
por base aqui as normas estabelecidas na gramática, ou mais expressiva, mais criativa, mais espontânea e natural,
seja, a norma culta. Assim, aquelas mesmas construções se estando, por isso mesmo, mais sujeita a transformações e
alteram: a evoluções.
Eu não a vi hoje. Nenhuma, porém, sobrepõe-se a outra em importância.
Ninguém o deixou falar. Nas escolas, principalmente, costuma se ensinar a língua
Deixe-me ver isso! falada com base na língua escrita, considerada superior.
Eu te amo, sim, mas não abuses! Decorrem daí as correções, as retificações, as emendas, a
Não assisti ao filme nem vou assistir a ele. que os professores sempre estão atentos.
Sou seu pai, por isso vou perdoar-lhe. Ao professor cabe ensinar as duas modalidades, mos-
trando as características e as vantagens de uma e outra,
Considera-se momento neutro o utilizado nos veículos sem deixar transparecer nenhum caráter de superioridade
de comunicação de massa (rádio, televisão, jornal, revista, ou inferioridade, que em verdade inexiste.
etc.). Daí o fato de não se admitirem deslizes ou transgres- Isso não implica dizer que se deve admitir tudo na lín-
sões da norma culta na pena ou na boca de jornalistas, gua falada. A nenhum povo interessa a multiplicação de
quando no exercício do trabalho, que deve refletir serviço línguas. A nenhuma nação convém o surgimento de diale-
à causa do ensino. tos, consequência natural do enorme distanciamento entre
O momento solene, acessível a poucos, é o da arte poé- uma modalidade e outra.
LÍNGUA PORTUGUESA

tica, caracterizado por construções de rara beleza. A língua escrita é, foi e sempre será mais bem-ela-
Vale lembrar, finalmente, que a língua é um costume. borada que a língua falada, porque é a modalidade que
Como tal, qualquer transgressão, ou chamado erro, deixa mantém a unidade linguística de um povo, além de ser a
de sê-lo no exato instante em que a maioria absoluta o co- que faz o pensamento atravessar o espaço e o tempo. Ne-
mete, passando, assim, a constituir fato linguístico registro nhuma reflexão, nenhuma análise mais detida será possível
de linguagem definitivamente consagrado pelo uso, ainda sem a língua escrita, cujas transformações, por isso mesmo,
que não tenha amparo gramatical. Exemplos: processam-se lentamente e em número consideravelmen-
Olha eu aqui! (Substituiu: Olha-me aqui!) te menor, quando cotejada com a modalidade falada.

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Importante é fazer o educando perceber que o nível da Apesar disso, uma dessas variedades, a norma culta ou
linguagem, a norma linguística, deve variar de acordo com norma padrão, tem maior prestígio social. É a variedade
a situação em que se desenvolve o discurso. linguística ensinada na escola, contida na maior parte
O ambiente sociocultural determina o nível da lingua- dos livros e revistas e também em textos científicos e
gem a ser empregado. O vocabulário, a sintaxe, a pronúncia didáticos, em alguns programas de televisão etc. As demais
e até a entoação variam segundo esse nível. Um padre não variedades, como a regional, a gíria ou calão, o jargão
fala com uma criança como se estivesse em uma missa, as- de grupos ou profissões (a linguagem dos policiais, dos
sim como uma criança não fala como um adulto. Um enge- jogadores de futebol, dos metaleiros, dos surfistas), são
nheiro não usará um mesmo discurso, ou um mesmo nível chamadas genericamente de dialeto popular ou linguagem
de fala, para colegas e para pedreiros, assim como nenhum popular.
professor utiliza o mesmo nível de fala no recesso do lar e
na sala de aula. 3. Propósito da língua
Existem, portanto, vários níveis de linguagem e, entre
esses níveis, destacam-se em importância o culto e o coti- A língua que utilizamos não transmite apenas nossas
diano, a que já fizemos referência. ideias, transmite também um conjunto de informações
sobre nós mesmos. Certas palavras e construções
Norma Culta que empregamos acabam denunciando quem somos
socialmente, ou seja, em que região do país nascemos, qual
Norma culta ou linguagem culta é uma expressão nosso nível social e escolar, nossa formação e, às vezes,
empregada pelos linguistas brasileiros para designar o até nossos valores, círculo de amizades e hobbies, como
conjunto de variedades linguísticas efetivamente faladas, skate, rock, surfe, entre outros. O uso da língua também
na vida cotidiana, pelos falantes cultos, sendo assim pode informar nossa timidez, sobre nossa capacidade de
classificados os cidadãos nascidos e criados em zona nos adaptarmos e situações novas, nossa insegurança.
urbana e com grau de instrução superior completo. A língua é um poderoso instrumento de ação social. Ela
O Instituto Camões entende que a “noção de correção pode tanto facilitar quanto dificultar o nosso relacionamento
está [...] baseada no valor social atribuído às [...] formas com as pessoas e com a sociedade em geral.
[linguísticas]”. Ainda assim, informa que a norma-padrão
do português europeu é o dialeto da região que abrange 4. Língua culta na escola
Lisboa e Coimbra; refere também que se aceita no Brasil
como norma-padrão a fala do Rio e de São Paulo. O ensino da língua culta na escola não tem a
finalidade de condenar ou eliminar a língua que falamos
1. Aquisição da linguagem em nossa família ou em nossa comunidade. Ao contrário,
o domínio da língua culta, somado ao domínio de outras
Iniciamos o aprendizado da língua em casa, no contato variedades linguísticas, torna-nos mais preparados para
com a família, que é o primeiro círculo social para uma nos comunicarmos. Saber usar bem uma língua equivale
criança, imitando o que se ouve e aprendendo, aos poucos, a saber empregá-la de modo adequado às mais diferentes
o vocabulário e as leis combinatórias da língua. Um jovem situações sociais de que participamos.
falante também vai exercitando o aparelho fonador, ou
seja, a língua, os lábios, os dentes, os maxilares, as cordas 5. Graus de formalismo
vocais para produzir sons que se transformam, mais tarde,
em palavras, frases e textos. São muitos os tipos de registros quanto ao formalismo,
Quando um falante entra em contato com outra pessoa, tais como: o registro formal, que é uma linguagem mais
na rua, na escola ou em qualquer outro local, percebe que cuidada; o coloquial, que não tem um planejamento prévio,
nem todos falam da mesma forma. Há pessoas que falam de caracterizando-se por construções gramaticais mais livres,
forma diferente por pertencerem a outras cidades ou regiões repetições frequentes, frases curtas e conectores simples;
do país, ou por terem idade diferente da nossa, ou por fazerem o informal, que se caracteriza pelo uso de ortografia
parte de outro grupo ou classe social. Essas diferenças no uso simplificada, construções simples e usado entre membros
da língua constituem as variedades linguísticas. de uma mesma família ou entre amigos.
As variações de registro ocorrem de acordo com o grau
2. Variedades linguísticas de formalismo existente na situação de comunicação; com
o modo de expressão, isto é, se trata de um registro formal
LÍNGUA PORTUGUESA

Variedades linguísticas são as variações que uma língua ou escrito; com a sintonia entre interlocutores, que envolve
apresenta, de acordo com as condições sociais, culturais, aspectos como graus de cortesia, deferência, tecnicidade
regionais e históricas em que é utilizada. (domínio de um vocabulário específico de algum campo
Todas as variedades linguísticas são adequadas, desde científico, por exemplo).
que cumpram com eficiência o papel fundamental de uma
língua, o de permitir a interação verbal entre as pessoas,
isto é, a comunicação.

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ATITUDES NÃO RECOMENDADAS - Entre um e outro – entre exige a conjunção e, e não
a;
1. Expressões condenáveis - Implicar em – a regência é direta (sem em);
- Ir de encontro a – chocar-se com;
- A nível de, ao nível. Opção: em nível, no nível; - Ir ao encontro de – concordar com;
- Face a, frente a. Opção: ante, diante, em face de, em - Junto a – usar apenas quando equivale a adido ou
vista de, perante; similar;
- Onde (quando não exprime lugar). Opção: em que, na - O (a, s) mesmo (a, s) – uso condenável para substituir
qual, nas quais, no qual, nos quais; pronomes;
- (Medidas) visando... Opção: (medidas) destinadas a; - Se não, senão – quando se pode substituir por caso
- Sob um ponto de vista. Opção: de um ponto de vista; não, separado; quando não se pode, junto;
- Sob um prisma. Opção: por (ou através de) um prisma; - Todo mundo – todos;
- Como sendo. Opção: suprimir a expressão; - Todo o mundo – o mundo inteiro;
- Em função de. Opção: em virtude de, por causa de, em - Não-pagamento = hífen somente quando o segun-
consequência de, por, em razão de. do termo for substantivo;
- Este e isto – referência próxima do falante (a lugar,
2. Expressões não recomendadas a tempo presente; a futuro próximo; ao anunciar e a
que se está tratando);
- A partir de (a não ser com valor temporal). Opção: com - Esse e isso – referência longe do falante e perto do
base em, tomando-se por base, valendo-se de; ouvinte (tempo futuro, desejo de distância; tem-
- Através de (para exprimir “meio” ou instrumento). Op- po passado próximo do presente, ou distante ao já
ção: por, mediante, por meio de, por intermédio de, mencionado e a ênfase).
segundo;
- Devido a. Opção: em razão de, em virtude de, graças 4. Erros Comuns
a, por causa de;
- Dito. Opção: citado, mensionado A seguir listamos mais de 100 erros comuns.
- Enquanto. Opção: ao passo que; 1) “Hoje ao receber alguns presentes no qual comple-
- Fazer com que. Opção: compelir, constranger, fazer to vinte anos tenho muitas novidades para contar”.
que, forçar, levar a. Temos aí um exemplo de uso inadequado do pro-
- Inclusive (a não ser quando significa incluindo-se). nome relativo. Ele provoca falta de coesão, pois não
Opção: até, ainda, igualmente, mesmo, também. consegue perceber a que antecedente ele se refere,
- No sentido de, com vistas a. Opção: a fim de, para, portanto nada conecta e produz relação absurda.
com o fito (ou objetivo, ou intuito) de, com a finali- 2) “Tenho uma prima que trabalha num circo como má-
dade de, tendo em vista. gica e uma das mágicas mais engraçadas era uma
- Pois (no início da oração). Opção: já que, porque, caneta com tinta invisível que em vez de tinta havia
uma vez que, visto que. saído suco de lima”. Você percebe aí a incapacidade do
- Principalmente. Opção: especialmente, mormente, concursando ou vestibulando organizar sintaticamen-
notadamente, sobretudo, em especial, em particular. te o período. Selecionar as frases e organizar as ideias
- Sendo que. Opção: e. é necessário. Escrever com clareza é muito importante.
3) “Ainda brincava de boneca quando conheci Davi, pi-
3. Expressões que demandam atenção loto de cart, moreno, 20 anos, com olhos cor de mel”.
“Tudo começou naquele baile de quinze anos”, “...é
- A caso, caso – com se, use acaso; caso rejeita o se; aos dezoito anos que se começa a procurar o cami-
- Aceitado, aceito – com ter e haver, aceitado; com ser nho do amanhã e encontrar as perspectivas que nos
e estar, aceito; acompanham para sempre na estrada da vida”. Você
- Acendido, aceso (formas similares) – idem; pode ter conhecimento do vocabulário e das regras
- À custa de – e não às custas de; gramaticais e, assim, construir um texto sem erros.
- À medida que – à proporção que, ao mesmo tempo Entretanto, se você reproduz sem nenhuma crítica
que, conforme; ou reflexão expressões gastas, vulgarizadas pelo uso
- Na medida em que – tendo em vista que, uma vez contínuo. A boa qualidade do texto fica comprome-
que; tida.
LÍNGUA PORTUGUESA

- A meu ver – e não ao meu ver; 4) Tema: Para você, as experiências genéticas de clona-
- A ponto de – e não ao ponto de; gem põem em xeque todos os conceitos humanos
- A posteriori, a priori – não tem valor temporal; sobre Deus e a vida? “Bem a clonagem não é tudo,
- De modo (maneira, sorte) que – e não a; mas na vida tudo tem o seu valor e os homens a todo
- Em termos de – modismo; evitar; momento necessitam de descobrir todos os misté-
- Em vez de – em lugar de; rios da vida que nos cerca a todo instante”. É impor-
- Ao invés de – ao contrário de; tante você escrever atendendo ao que foi proposto
- Enquanto que – o que é redundância; no tema. Antes de começar o seu texto leia atenta-

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mente todos os elementos que o examinador apre- 17) “Há” dez anos “atrás”. Há e atrás indicam passado
sentou para você utilizar. Esquematize suas ideias, na frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás;
veja se não há falta de correspondência entre o tema 18) “Entrar dentro”. O certo: entrar em. Veja outras re-
proposto e o texto criado. dundâncias: Sair fora ou para fora, elo de ligação,
5) Uma biópsia do tumor retirado do fígado do meu monopólio exclusivo, já não há mais, ganhar grátis,
primo (...) mostrou que ele não era maligno”. Esta viúva do falecido;
frase está ambígua, pois não se sabe se o pronome 19) “Venda à prazo”. Não existe crase antes de palavra
ele refere-se ao fígado ou ao primo. Para se evitar a masculina, a menos que esteja subentendida a pala-
ambiguidade, você deve observar se a relação entre vra moda: Salto à (moda de) Luís XV. Nos demais ca-
cada palavra do seu texto está correta. sos: A salvo, a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter;
6) “Ele me tratava como uma criança, mas eu era apenas 20) “Porque” você foi? Sempre que estiver clara ou im-
uma criança”. O conectivo mas indica uma circuns- plícita a palavra razão, use por que separado: Por que
tância de oposição, de ideia contrária a. Assim, a rela- (razão) você foi? / Não sei por que (razão) ele faltou.
ção adversativa introduzida pelo “mas” no fragmento / Explique por que razão você se atrasou. Porque é
acima produz uma ideia absurda. usado nas respostas: Ele se atrasou porque o trânsito
7) “Entretanto, como já diziam os sábios: depois da estava congestionado;
tempestade sempre vem a bonança. Após longo 21) Vai assistir “o” jogo hoje. Assistir como presenciar
suplício, meu coração apaziguava as tormentas e a exige a: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão. Outros
sensatez me mostrava que só estaríamos separadas verbos com a: A medida não agradou (desagradou)
carnalmente”. Não utilize provérbios ou ditos popu- à população. / Eles obedeceram (desobedeceram)
lares. Eles empobrecem a redação, pois fazer parecer aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou
que seu autor não tem criatividade ao lançar mão de ao amigo. / Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. /
formas já gastas pelo uso frequente. Visava aos estudantes;
8) “Estou sem inspiração para fazer uma redação. Escre- 22) Preferia ir “do que” ficar. Prefere-se sempre uma
ver sobre a situação dos sem-terra? Bem que o pro- coisa a outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a
fessor poderia propor outro tema”. Você não deve mesma norma: É preferível lutar a morrer sem glória;
falar de sua redação dentro do próprio texto. 23) O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa com
9) “Todos os deputados são corruptos”. Evite pensa- vírgula o sujeito do predicado. Assim: O resultado do
mentos radicais. É recomendável não generalizar e jogo não o abateu. Outro erro: O prefeito prometeu,
evitar, assim, posições extremistas. novas denúncias. Não existe o sinal entre o predicado e
10) “Bem, acho que - você sabe - não é fácil dizer essas o complemento: O prefeito prometeu novas denúncias;
coisas. Olhe, acho que ele não vai concordar com a 24) Não há regra sem “excessão”. O certo é exceção.
decisão que você tomou, quero dizer, os fatos levam Veja outras grafias erradas e, entre parênteses, a for-
você a isso, mas você sabe - todos sabem - ele pensa ma correta: “paralizar” (paralisar), “beneficiente” (be-
diferente. É bom a gente pensar como vai fazer para, neficente), “xuxu” (chuchu), “previlégio” (privilégio),
enfim, para ele entender a decisão”. Não se esqueça “vultuoso” (vultoso), “cincoenta” (cinquenta), “zuar”
que o ato de escrever é diferente do ato de falar. O (zoar), “frustado” (frustrado), “calcáreo” (calcário),
texto escrito deve se apresentar desprovido de mar- “advinhar” (adivinhar), “benvindo” (bem-vindo), “as-
cas de oralidade. cenção” (ascensão), “pixar” (pichar), “impecilho” (em-
11) “Mal cheiro”, “mau-humorado”. Mal opõe-se à bem pecilho), “envólucro” (invólucro);
e mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal- 25) Quebrou “o”óculos. Concordância no plural: os óculos,
-humorado (bem-humorado). Igualmente: mau hu- meus óculos. Da mesma forma: Meus parabéns, meus
mor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar; pêsames, seus ciúmes, nossas férias, felizes núpcias;
12) “Fazem” cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, 26) Comprei “ele” para você. Eu, tu, ele, nós, vós e eles
é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para
Fez 15 dias; você. Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar,
13) “Houveram” muitos acidentes. Haver, como existir, viu-a, mandou-me;
também é invariável: Houve muitos acidentes. / Ha- 27) Nunca “lhe” vi. Lhe substitui a ele, a eles, a você e
via muitas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais; a vocês e por isso não pode ser usado com objeto
14) “Existe” muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, res- direto: Nunca o vi. / Não o convidei. / A mulher o
tar e sobrar admitem normalmente o plural: Existem deixou. / Ela o ama;
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muitas esperanças. / Bastariam dois dias. / Faltavam 28) “Aluga-se” casas. O verbo concorda com o sujei-
poucas peças. / Restaram alguns objetos. / Sobravam to: Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim
ideias; que se evitam acidentes. / Compram-se terrenos. /
15) Para “mim” fazer. Mim não faz, porque não pode Procuram-se empregados;
ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para 29) “Tratam-se” de. O verbo seguido de preposição não
eu trazer; varia nesses casos: Trata-se dos melhores profissio-
16) Entre “eu” e você. Depois de preposição, usa-se nais. / Precisa-se de empregados. / Apela-se para
mim ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti; todos. / Conta-se com os amigos;

99
30) Chegou “em” São Paulo. Verbos de movimento exi- 45) Ela era “meia” louca. Meio, advérbio, não varia: meio
gem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã louca, meio esperta, meio amiga;
ao cinema. / Levou os filhos ao circo; 46) “Fica” você comigo. Fica é imperativo do pronome
31) Atraso implicará “em” punição. Implicar é direto no tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comi-
sentido de acarretar, pressupor: Atraso implicará pu- go. / Venha pra Caixa você também. / Chegue aqui;
nição. / Promoção implica responsabilidade; 47) A questão não tem nada “haver” com você. A ques-
32) Vive “às custas” do pai. O certo: Vive à custa do pai. tão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver.
Use também em via de, e não “em vias de”: Espécie Da mesma forma: Tem tudo a ver com você;
em via de extinção. / Trabalho em via de conclusão; 48)- A corrida custa 5 “real”. A moeda tem plural, e re-
33) Todos somos “cidadões”. O plural de cidadão é ci- gular: A corrida custa 5 reais;
dadãos. Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, 48) Vou “emprestar” dele. Emprestar é ceder, e não to-
seniores, escrivães, tabeliães, gângsteres; mar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado.
Ou: Vou emprestar o livro (ceder) ao meu irmão. Re-
34) O ingresso é “gratuíto”. A pronúncia correta é gra-
pare nesta concordância: Pediu emprestadas duas
túito, assim como circúito, intúito e fortúito (o acento
malas;
não existe e só indica a letra tônica). Da mesma for-
49) Foi “taxado” de ladrão. Tachar é que significa acusar
ma: flúido, condôr, recórde, aváro, ibéro, pólipo;
de: Foi tachado de ladrão. / Foi tachado de leviano;
35) A última “seção” de cinema. Seção significa divi- 50) Ele foi um dos que “chegou” antes. Um dos que faz
são, repartição, e sessão equivale a tempo de uma a concordância no plural: Ele foi um dos que chega-
reunião, função: Seção Eleitoral, Seção de Esportes, ram antes (dos que chegaram antes, ele foi um). / Era
seção de brinquedos; sessão de cinema, sessão de um dos que sempre vibravam com a vitória;
pancadas, sessão do Congresso; 51) “Cerca de 18” pessoas o saudaram. Cerca de indica
36) Vendeu “uma” grama de ouro. Grama, peso, é pala- arredondamento e não pode aparecer com números
vra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois exatos: Cerca de 20 pessoas o saudaram;
gramas. Femininas, por exemplo, são a agravante, a 52) Ministro nega que “é” negligente. Negar que intro-
atenuante, a alface, a cal; duz subjuntivo, assim como embora e talvez: Minis-
37) “Porisso”. Duas palavras, por isso, como de repente tro nega que seja negligente. / O jogador negou que
e a partir de; tivesse cometido a falta. / Ele talvez o convide para
38) Não viu “qualquer” risco. É nenhum, e não “qual- a festa. / Embora tente negar, vai deixar a empresa;
quer”, que se emprega depois de negativas: Não viu 53) Tinha “chego” atrasado. “Chego” não existe. O certo:
nenhum risco. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Tinha chegado atrasado;
Nunca promoveu nenhuma confusão; 54) Tons “pastéis” predominam. Nome de cor, quando
39) A feira “inicia” amanhã. Alguma coisa se inicia, se expresso por substantivo, não varia: Tons pastel, blu-
inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã; sas rosa, gravatas cinza, camisas creme. No caso de
40) Soube que os homens “feriram-se”. O que atrai o adjetivo, o plural é o normal: Ternos azuis, canetas
pronome: Soube que os homens se feriram. / A festa pretas, fitas amarelas;
que se realizou. O mesmo ocorre com as negativas, 55) Queria namorar “com” o colega. O com não existe:
as conjunções subordinativas e os advérbios: Não lhe Queria namorar o colega;
diga nada. / Nenhum dos presentes se pronunciou. 56) O processo deu entrada “junto ao” STF. Processo dá
/ Quando se falava no assunto... / Como as pessoas entrada no STF. Igualmente: O jogador foi contrata-
lhe haviam dito... / Aqui se faz, aqui se paga. / Depois do do (e não “junto ao”) Guarani. / Cresceu muito o
prestígio do jornal entre os (e não “junto aos”) lei-
o procuro;
tores. / Era grande a sua dívida com o (e não “junto
41) O peixe tem muito “espinho”. Peixe tem espinha.
ao”) banco. / A reclamação foi apresentada ao (e não
Veja outras confusões desse tipo: O “fuzil” (fusível)
“junto ao”) PROCON;
queimou. / Casa “germinada” (geminada), “ciclo” (cír- 57) As pessoas “esperavam-o”. Quando o verbo termina
culo) vicioso, “cabeçário” (cabeçalho); em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a
42) Não sabiam “aonde” ele estava. O certo: Não sa- forma no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. /
biam onde ele estava. Aonde se usa com verbos de Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos;
movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. 58) Vocês “fariam-lhe” um favor? Não se usa pronome
/ Aonde vamos?; átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro
43) “Obrigado”, disse a moça. Obrigado concorda com do presente, futuro do pretérito (antigo condicional)
LÍNGUA PORTUGUESA

a pessoa: “Obrigada”, disse a moça. / Obrigado pela ou particípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-
atenção. / Muito obrigados por tudo; -iam) um favor? / Ele se imporá pelos conhecimentos
44) O governo “interviu”. Intervir conjuga-se como vir. (e nunca “imporá-se”). / Os amigos nos darão (e não
Assim: O governo interveio. Da mesma forma: inter- “darão-nos”) um presente. / Tendo-me formado (e
vinha, intervim, interviemos, intervieram. Outros ver- nunca tendo “formado-me”);
bos derivados: entretinha, mantivesse, reteve, pres- 59) Chegou “a” duas horas e partirá daqui “há” cinco
supusesse, predisse, conviesse, perfizera, entrevimos, minutos. Há indica passado e equivale a faz, enquan-
condisser; to a exprime distância ou tempo futuro (não pode

100
ser substituído por faz): Chegou há (faz) duas horas 73) “Todos” amigos o elogiavam. No plural, todos exige
e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos. / O os: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apon-
atirador estava a (distância) pouco menos de 12 me- tar todas as contradições do texto;
tros. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias; 74) Favoreceu “ao” time da casa. Favorecer, nesse sen-
60) Blusa “em” seda. Usa-se de, e não em, para definir o tido, rejeita a: Favoreceu o time da casa. / A decisão
material de que alguma coisa é feita: Blusa de seda, favoreceu os jogadores;
casa de alvenaria, medalha de prata, estátua de ma- 75) Ela “mesmo” arrumou a sala. Mesmo, quanto equi-
deira; vale a próprio, é variável: Ela mesma (própria) arru-
61) A artista “deu à luz a” gêmeos. A expressão é dar à mou a sala. / As vítimas mesmas recorreram à polí-
luz, apenas: A artista deu à luz quíntuplos. Também é cia;
errado dizer: Deu “a luz a” gêmeos; 76) Chamei-o e “o mesmo” não atendeu. Não se pode
62) Estávamos “em” quatro à mesa. O em não existe: empregar o mesmo no lugar de pronome ou subs-
Estávamos quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos tantivo: Chamei-o e ele não atendeu. / Os funcio-
cinco na sala; nários públicos reuniram-se hoje: amanhã o país
63) Sentou “na” mesa para comer. Sentar-se (ou sentar) conhecerá a decisão dos servidores (e não “dos
em é sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesmos”);
mesa para comer. / Sentou ao piano, à máquina, ao 77) Vou sair “essa” noite. É este que designa o tempo
computador; no qual se está o objeto próximo: Esta noite, esta se-
64) Ficou contente “por causa que” ninguém se feriu. mana (a semana em que se está), este dia, este jornal
Embora popular, a locução não existe. Use porque: (o jornal que estou lendo), este século (o século 20);
Ficou contente porque ninguém se feriu; 78) A temperatura chegou a 0 “graus”. Zero indica sin-
65) O time empatou “em” 2 a 2. A preposição é por: O gular sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero hora;
time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e 79) Comeu frango “ao invés de” peixe. Em vez de indica
perde por. Da mesma forma: empate por; substituição: Comeu frango em vez de peixe. Ao invés
66) À medida “em” que a epidemia se espalhava... O de significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar,
certo é: À medida que a epidemia se espalhava. Exis- saiu;
te ainda na medida em que (tendo em vista que): É 80) Se eu “ver” você por aí... O certo é: Se eu vir, revir,
preciso cumprir as leis, na medida em que elas exis- previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir), convier;
tem; se eu tiver (de ter), mantiver; se ele puser (de pôr),
67) Não queria que «receiassem» a sua companhia. O i impuser; se ele fizer (de fazer), desfizer; se nós dis-
não existe: Não queria que receassem a sua compa- sermos (de dizer), predissermos;
nhia. Da mesma forma: passeemos, enfearam, ceaste, 81) Ele “intermedia” a negociação. Mediar e interme-
receeis (só existe i quando o acento cai no e que pre- diar conjugam-se como odiar: Ele intermedeia (ou
cede a terminação ear: receiem, passeias, enfeiam); medeia) a negociação. Remediar, ansiar e incendiar
68) Eles “tem” razão. No plural, têm é assim, com acen- também seguem essa norma: Remedeiam, que eles
to. Tem é a forma do singular. O mesmo ocorre com anseiem, incendeio;
vem e vêm e põe e põem: Ele tem, eles têm; ele vem, 82) Ninguém se “adequa”. Não existem as formas “ade-
eles vêm; ele põe, eles põem; qua”, “adeque”, por exemplo, mas apenas aquelas
69) A moça estava ali «há» muito tempo. Haver con- em que o acento cai no a ou o: adequaram, ade-
corda com estava. Portanto: A moça estava ali havia quou, adequasse;
(fazia) muito tempo. / Ele doara sangue ao filho ha- 83) Evite que a bomba “expluda”. Explodir só tem as
via (fazia) poucos meses. / Estava sem dormir havia pessoas em que depois do “d” vêm “e” e “i”: Explo-
(fazia) três meses. (O havia se impõe quando o verbo de, explodiram. Portanto, não escreva nem fale “ex-
está no imperfeito e no mais-que-perfeito do indi- ploda” ou “expluda”, substituindo essas formas por
cativo.); rebente, por exemplo. Precaver-se também não se
70) Não «se o» diz. É errado juntar o se com os prono- conjuga em todas as pessoas. Assim, não existem as
mes o, a, os e as. Assim, nunca use: Fazendo-se-os, formas “precavejo”, “precavês”, “precavém”, “preca-
não se o diz (não se diz isso), vê-se-a; venho”, “precavenha”, “precaveja”;
71) Acordos “políticos-partidários”. Nos adjetivos com- 84) Governo “reavê” confiança. Equivalente: Governo re-
postos, só o último elemento varia: acordos políti- cupera confiança. Reaver segue haver, mas apenas nos
co-partidários. Outros exemplos: Bandeiras verde- casos em que este tem a letra v: Reavemos, reouve, rea-
LÍNGUA PORTUGUESA

-amarelas, medidas econômico-financeiras, partidos verá, reouvesse. Por isso, não existem “reavejo”, “reavê”;
social-democratas; 85) Disse o que “quiz”. Não existe z, mas apenas s, nas
72) Andou por “todo” país. Todo o (ou a) é que significa pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, qui-
inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). / séssemos; pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos;
Toda a tripulação (a tripulação inteira) foi demitida. 86) O homem “possue” muitos bens. O certo: O ho-
Sem o, todo quer dizer cada, qualquer: Todo homem mem possui muitos bens. Verbos em uir só têm a
(cada homem) é mortal. / Toda nação (qualquer na- terminação ui: Inclui, atribui, polui. Verbos em uar é
ção) tem inimigos; que admitem ue: Continue, recue, atue, atenue;

101
87) A tese “onde”. Onde só pode ser usado para lugar: 99) É hora “dele” chegar. Não se deve fazer a contração
A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crian- da preposição com artigo ou pronome, nos casos se-
ças brincam. Nos demais casos, use em que: A tese guidos de infinitivo: É hora de ele chegar. / Apesar
em que ele defende essa ideia. / O livro em que... / de o amigo tê-lo convidado. / Depois de esses fatos
A faixa em que ele canta... / Na entrevista em que...; terem ocorrido;
88) Já «foi comunicado» da decisão. Uma decisão é co- 100) Vou “consigo”. Consigo só tem valor reflexivo
municada, mas ninguém «é comunicado» de alguma (pensou consigo mesmo) e não pode substituir com
coisa. Assim: Já foi informado (cientificado, avisado) você, com o senhor. Portanto: Vou com você, vou
da decisão. Outra forma errada: A diretoria «comuni- com o senhor. Igualmente: Isto é para o senhor (e
cou» os empregados da decisão. Opções corretas: A não “para si”);
diretoria comunicou a decisão aos empregados. / A 101) Já «é» 8 horas. Horas e as demais palavras que
decisão foi comunicada aos empregados; definem tempo variam: Já são 8 horas. / Já é (e não
89) “Inflingiu” o regulamento. Infringir é que significa «são») 1 hora, já é meio-dia, já é meia-noite;
transgredir: Infringiu o regulamento. Infligir (e não 102) A festa começa às 8 “hrs.”. As abreviaturas do sis-
“inflingir”) significa impor: Infligiu séria punição ao tema métrico decimal não têm plural nem ponto. As-
réu; sim: 8 h, 2 km (e não “kms.”), 5 m, 10 kg;
90) A modelo “pousou” o dia todo. Modelo posa (de 103) “Dado” os índices das pesquisas... A concordância
pose). Quem pousa é ave, avião, viajante. Não con- é normal: Dados os índices das pesquisas... / Dado o
funda também iminente (prestes a acontecer) com resultado... / Dadas as suas ideias...;
eminente (ilustre). Nem tráfico (contrabando) com 104) Ficou “sobre” a mira do assaltante. Sob é que sig-
tráfego (trânsito); nifica debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. /
91) Espero que “viagem” hoje. Viagem, com g, é o subs- Escondeu-se sob a cama. Sobre equivale a em cima
tantivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou
viajar): Espero que viajem hoje. Evite também “com- sobre a inflação. E lembre-se: O animal ou o piano
têm cauda e o doce, calda. Da mesma forma, alguém
primentar” alguém: de cumprimento (saudação), só
traz alguma coisa e alguém vai para trás;
pode resultar cumprimentar. Comprimento é exten-
105) “Ao meu ver”. Não existe artigo nessas expressões:
são. Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido
A meu ver, a seu ver, a nosso ver.
(concretizado);
92) O pai “sequer” foi avisado. Sequer deve ser usado
ESTUDO DE TEXTO(S)
com negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Não
disse sequer o que pretendia. / Partiu sem sequer
Texto Literário: expressa a opinião pessoal do autor
nos avisar;
que também é transmitida através de figuras, impregnado
93) Comprou uma TV “a cores”. Veja o correto: Com- de subjetivismo. Exemplo: um romance, um conto, uma
prou uma TV em cores (não se diz TV “a” preto e poesia... (Conotação, Figurado, Subjetivo, Pessoal).
branco). Da mesma forma: Transmissão em cores, Texto Não-Literário: preocupa-se em transmitir
desenho em cores; uma mensagem da forma mais clara e objetiva possível.
94) “Causou-me” estranheza as palavras. Use o certo: Exemplo: uma notícia de jornal, uma bula de medicamento.
Causaram-me estranheza as palavras. Cuidado, pois (Denotação, Claro, Objetivo, Informativo).
é comum o erro de concordância quando o verbo O objetivo do texto é passar conhecimento para o
está antes do sujeito. Veja outro exemplo: Foram ini- leitor. Nesse tipo textual, não se faz a defesa de uma ideia.
ciadas esta noite as obras (e não “foi iniciado” esta Exemplos de textos explicativos são os encontrados em
noite as obras); manuais de instruções.
95) A realidade das pessoas “podem” mudar. Cuidado: Informativo: Tem a função de informar o leitor a
palavra próxima ao verbo não deve influir na concor- respeito de algo ou alguém, é o texto de uma notícia de
dância. Por isso: A realidade das pessoas pode mu- jornal, de revista, folhetos informativos, propagandas. Uso
dar. / A troca de agressões entre os funcionários foi da função referencial da linguagem, 3ª pessoa do singular.
punida (e não “foram punidas”); Descrição: Um texto em que se faz um retrato por escrito
96) O fato passou “desapercebido”. Na verdade, o fato de um lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto. A classe
passou despercebido, não foi notado. Desapercebi- de palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo,
do significa desprevenido; pela sua função caracterizadora. Numa abordagem mais
LÍNGUA PORTUGUESA

97) “Haja visto” seu empenho... A expressão é haja vista abstrata, pode-se até descrever sensações ou sentimentos.
e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus Não há relação de anterioridade e posterioridade. Significa
esforços. / Haja vista suas críticas; “criar” com palavras a imagem do objeto descrito. É fazer
98) A moça «que ele gosta». Como se gosta de, o certo uma descrição minuciosa do objeto ou da personagem a
é: A moça de que ele gosta. Igualmente: O dinheiro que o texto se refere.
de que dispõe, o filme a que assistiu (e não que as- Narração: Modalidade em que se conta um fato,
sistiu), a prova de que participou, o amigo a que se fictício ou não, que ocorreu num determinado tempo
referiu, são alguns exemplos; e lugar, envolvendo certos personagens. Refere-se a

102
objetos do mundo real. Há uma relação de anterioridade e querer reverter a resposta para o que considera positivo na
posterioridade. O tempo verbal predominante é o passado. instituição. É importante que o repórter seja insistente. O
Estamos cercados de narrações desde as que nos contam entrevistador deve conquistar a confiança do entrevistado,
histórias infantis, como o “Chapeuzinho Vermelho” ou a mas não tentar dominá-lo, nem ser por ele dominado. Caso
“Bela Adormecida”, até as picantes piadas do cotidiano. contrário, acabará induzindo as respostas ou perdendo a
Dissertação: Dissertar é o mesmo que desenvolver ou objetividade.
explicar um assunto, discorrer sobre ele. Assim, o texto As entrevistas apresentam com frequência alguns
dissertativo pertence ao grupo dos textos expositivos, sinais de pontuação como o ponto de interrogação,
juntamente com o texto de apresentação científica, o o travessão, aspas, reticências, parêntese e as vezes
relatório, o texto didático, o artigo enciclopédico. Em colchetes, que servem para dar ao leitor maior informações
princípio, o texto dissertativo não está preocupado com que ele supostamente desconhece. O título da entrevista
a persuasão e sim, com a transmissão de conhecimento, é um enunciado curto que chama a atenção do leitor e
sendo, portanto, um texto informativo. resume a ideia básica da entrevista. Pode estar todo em
Argumentativo: Os textos argumentativos, ao contrário, letra maiúscula e recebe maior destaque da página. Na
têm por finalidade principal persuadir o leitor sobre o maioria dos casos, apenas as preposições ficam com a
ponto de vista do autor a respeito do assunto. Quando o letra minúscula. O subtítulo introduz o objetivo principal
texto, além de explicar, também persuade o interlocutor e da entrevista e não vem seguido de ponto final. É um
modifica seu comportamento, temos um texto dissertativo- pequeno texto e vem em destaque também. A fotografia
argumentativo. do entrevistado aparece normalmente na primeira página
Exemplos: texto de opinião, carta do leitor, carta de da entrevista e pode estar acompanhada por uma frase dita
solicitação, deliberação informal, discurso de defesa e por ele. As frases importantes ditas pelo entrevistado e que
acusação (advocacia), resenha crítica, artigos de opinião ou aparecem em destaque nas outras páginas da entrevista
assinados, editorial. são chamadas de “olho”.
Exposição: Apresenta informações sobre assuntos, Crônica: Assim como a fábula e o enigma, a crônica é
expõe ideias; explica, avalia, reflete. (analisa ideias). Estrutura um gênero narrativo. Como diz a origem da palavra (Cronos
básica; ideia principal; desenvolvimento; conclusão. Uso é o deus grego do tempo), narra fatos históricos em ordem
de linguagem clara. Exemplo: ensaios, artigos científicos, cronológica, ou trata de temas da atualidade. Mas não é só isso.
exposições. Lendo esse texto, você conhecerá as principais características da
Injunção: Indica como realizar uma ação. É também crônica, técnicas de sua redação e terá exemplos.
utilizado para predizer acontecimentos e comportamentos. Uma das mais famosas crônicas da história da literatura
Utiliza linguagem objetiva e simples. Os verbos são, na sua luso-brasileira corresponde à definição de crônica como
maioria, empregados no modo imperativo. Há também o “narração histórica”. É a “Carta de Achamento do Brasil”,
uso do futuro do presente. Exemplo: Receita de um bolo de Pero Vaz de Caminha”, na qual são narrados ao rei
e manuais. português, D. Manuel, o descobrimento do Brasil e como
Diálogo: é uma conversação estabelecida entre duas foram os primeiros dias que os marinheiros portugueses
ou mais pessoas. Pode conter marcas da linguagem oral, passaram aqui. Mas trataremos, sobretudo, da crônica como
como pausas e retomadas. gênero que comenta assuntos do dia a dia. Para começar,
Entrevista: é uma conversação entre duas ou mais uma crônica sobre a crônica, de Machado de Assis:
pessoas (o entrevistador e o entrevistado), na qual
perguntas são feitas pelo entrevistador para obter 1. O nascimento da crônica
informação do entrevistado. Os repórteres entrevistam
as suas fontes para obter declarações que validem as “Há um meio certo de começar a crônica por uma
informações apuradas ou que relatem situações vividas trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-
por personagens. Antes de ir para a rua, o repórter recebe se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um
uma pauta que contém informações que o ajudarão a touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-
construir a matéria. Além das informações, a pauta sugere se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas
o enfoque a ser trabalhado assim como as fontes a serem conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre
entrevistadas. Antes da entrevista o repórter costuma reunir amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e la glace est
o máximo de informações disponíveis sobre o assunto rompue está começada a crônica. (...)
a ser abordado e sobre a pessoa que será entrevistada. Machado de Assis. Crônicas Escolhidas. São Paulo:
Munido deste material, ele formula perguntas que levem Editora Ática, 1994.
LÍNGUA PORTUGUESA

o entrevistado a fornecer informações novas e relevantes.


O repórter também deve ser perspicaz para perceber se o Publicada em jornal ou revista onde é publicada, destina-
entrevistado mente ou manipula dados nas suas respostas, se à leitura diária ou semanal e trata de acontecimentos
fato que costuma acontecer principalmente com as cotidianos. A crônica se diferencia no jornal por não buscar
fontes oficiais do tema. Por exemplo, quando o repórter exatidão da informação. Diferente da notícia, que procura
vai entrevistar o presidente de uma instituição pública relatar os fatos que acontecem, a crônica os analisa, dá-
sobre um problema que está a afetar o fornecimento de lhes um colorido emocional, mostrando aos olhos do leitor
serviços à população, ele tende a evitar as perguntas e a uma situação comum, vista por outro ângulo, singular.

103
O leitor pressuposto da crônica é urbano e, em princípio,
um leitor de jornal ou de revista. A preocupação com esse
leitor é que faz com que, dentre os assuntos tratados, o
cronista dê maior atenção aos problemas do modo de
vida urbano, do mundo contemporâneo, dos pequenos
acontecimentos do dia a dia comuns nas grandes cidades.
Jornalismo e literatura: É assim que podemos dizer
que a crônica é uma mistura de jornalismo e literatura.
De um recebe a observação atenta da realidade cotidiana
e do outro, a construção da linguagem, o jogo verbal.
Algumas crônicas são editadas em livro, para garantir sua
durabilidade no tempo. Charge do autor Tacho – exemplo de linguagem verbal
(óxente, polo Norte 2100) e não verbal (imagem: sol, cactos,
O que é linguagem? pinguim).

É o uso da língua como forma de expressão e


comunicação entre as pessoas. Agora, a linguagem não é
somente um conjunto de palavras faladas ou escritas, mas
também de gestos e imagens. Afinal, não nos comunicamos
apenas pela fala ou escrita, não é verdade?
Então, a linguagem pode ser verbalizada, e daí vem a
analogia ao verbo. Você já tentou se pronunciar sem utilizar
o verbo? Se não, tente, e verá que é impossível se ter algo
fundamentado e coerente! Assim, a linguagem verbal é que
se utiliza de palavras quando se fala ou quando se escreve.
A linguagem pode ser não verbal, ao contrário da verbal,
não se utiliza do vocábulo, das palavras para se comunicar. Placas de trânsito – à frente “proibido andar de
O objetivo, neste caso, não é de expor verbalmente o que bicicleta”, atrás “quebra-molas”.
se quer dizer ou o que se está pensando, mas se utilizar de
outros meios comunicativos, como: placas, figuras, gestos,
objetos, cores, ou seja, dos signos visuais.
Vejamos: um texto narrativo, uma carta, o diálogo,
uma entrevista, uma reportagem no jornal escrito ou
televisionado, um bilhete? Linguagem verbal!
Agora: o semáforo, o apito do juiz numa partida
de futebol, o cartão vermelho, o cartão amarelo, uma
dança, o aviso de “não fume” ou de “silêncio”, o bocejo, a
identificação de “feminino” e “masculino” através de figuras Símbolo que se coloca na porta para indicar “sanitário
na porta do banheiro, as placas de trânsito? Linguagem masculino”.
não verbal!
A linguagem pode ser ainda verbal e não verbal ao
mesmo tempo, como nos casos das charges, cartoons e
anúncios publicitários.
Observe alguns exemplos:
LÍNGUA PORTUGUESA

Imagem indicativa de “silêncio”.

Cartão vermelho – denúncia de falta grave no futebol.

104
- Significante, veículo do significado (parte perceptí-
vel, sensível);
- Significado, o que se entende quando se usa o signo
(parte inteligível).

Os linguistas compreendem que há no processo de


comunicação seis elementos:

- Emissor (remetente), envia a mensagem;


- Receptor (destinatário), recebe a mensagem;
- Mensagem - informação veiculada;
- Código, sistema de signos utilizados para codificar a
Semáforo com sinal amarelo advertindo “atenção”. mensagem;
- Contexto (referente), aquilo a que a mensagem se
1. Linguagem como forma de Ação e Interação refere;
- Contato (canal), veículo, meio físico utilizado para
A concepção da linguagem ainda é bastante debatida transmitir a mensagem.
entre os linguistas, que até hoje ainda não chegaram
a um consenso da sua concepção. Ela é sintetizada de 1.1. Concepção de linguagem
três maneiras diferentes, sendo que o modo que mais
utilizamos em nossos relacionamentos com outras pessoas De acordo com o prof. Luiz C. Travaglia, no seu
é a de ação e interação. livro Gramática e Interação, admite-se para a linguagem
Neste modo, a linguagem funciona como uma admite três concepções:
“atividade” de ação/interação entre os envolvidos nesta
comunicação. Os interlocutores expõem algo ao outro para 1.2. Linguagem como expressão do pensamento
que este seja induzido a interagir na conversa, que pode
ser verbal, não verbal, mista e digital. Se a linguagem é expressão do pensamento, quando
A atividade de comunicação é indispensável ao as pessoas não se expressam bem é porque não sabem
ser humano e aos animais. Existem diversos meios de elaborar o pensamento. Se o enunciador expressa o que
comunicação: pensa, sua fala é resultado da sua maneira própria de
organizar as suas ideias. O texto, dessa forma, nada tem a
→ Entre os animais: a dança das abelhas, os odores, as pro- ver com o leitor ou com quem se fala, e sim, somente com
duções vocais (como no caso das aves) o enunciador. Nessa linha de pensamento encontra-se a
→ Entre os homens: a dança, a pintura, a mímica, os gestos, gramática normativa ou tradicional.
os sinais de trânsito, os símbolos, a linguagem dos surdos-
-mudos, a dos deficientes visuais, a linguagem computa- 1.3. Linguagem como instrumento de comunicação
cional, a linguagem matemática, as línguas naturais etc.
Neste conceito a língua é vista como um código,
De um modo geral, dá-se o nome de linguagem a que deve ser dominado pelos falantes para que as
todos os meios de comunicação: linguagem animal e comunicações sejam efetivadas. A comunicação, pois,
linguagem humana, em linguagem não verbal e linguagem depende do grau de domínio que o falante tem da língua
verbal. O termo é, pois, empregado à aptidão humana como sistema. O falante utiliza-se dos conceitos estruturais
de associar os sons produzidos pelo aparelho fonador que conhece para expressar o pensamento; o ouvinte
humano a um conteúdo significativo e utilizar o resultado decodifica os sinais codificados por ele e transforma-os em
dessa associação para a interação verbal. Fala-se, pois, em nova mensagem. Essa linha de pensamento pertence ao
linguagem verbal. estruturalismo e também ao gerativismo.
É um termo muito amplo: as línguas naturais
(português, inglês, por exemplo) são manifestações desse 1.4. Linguagem como forma ou processo de inte-
algo mais geral. Saussure, o linguista genebrino, concebia ração
a linguagem em duas partes: a língua e a fala, e era a
primeira o seu objeto de estudo; embora, reconhecesse a Nesta concepção o falante realiza ações, age e interage
LÍNGUA PORTUGUESA

interdependência entre elas. com o outro (com quem ele fala). Dessa forma, a linguagem
Enquanto sistema de signos, a linguagem é um código toma uma dimensão mais ampla e não uniforme, pois
- um conjunto de signos sujeitos a regras de combinação inserindo num contexto ideológico e sociocultural, ela não
e utilizado na produção e na compreensão de uma tem direção preestabelecida vai depender unicamente
mensagem. da interação entre os dois sujeitos. Fazem parte dessa
O signo é compreendido por: corrente a Teoria do Discurso, Linguística Textual,
Semântica Argumentativa, Análise do Discurso, Análise da
Conversação.

105
1.5. As funções da linguagem de mim mesmo: preciso amar aquele que me trucida e
perguntar quem de vós me trucida. E minha vida, mais
Para entendermos com clareza as funções da forte do que eu, responde que quer porque quer vingança
linguagem, é bom primeiramente conhecermos as etapas e responde que devo lutar como quem se afoga, mesmo
da comunicação. que eu morra depois. Se assim for, que assim seja [...]”.
Ao contrário do que muitos pensam, a comunicação (Fragmento de A hora da estrela, de Clarice Lispector)
não acontece somente quando falamos, estabelecemos
um diálogo ou redigimos um texto, ela se faz presente em 3. Função conativa: essa função procura organizar o
todos (ou quase todos) os momentos. texto de forma que se imponha sobre o receptor da
Comunicamo-nos com nossos colegas de trabalho, mensagem, persuadindo-o, seduzindo-o. Nas men-
com o livro que lemos, com a revista, com os documentos sagens em que predomina essa função, busca-se
que manuseamos, através de nossos gestos, ações, até envolver o leitor com o conteúdo transmitido, levan-
mesmo através de um beijo de “boa-noite”. do-o a adotar este ou aquele comportamento. Nos
É o que diz Bordenave quando se refere à comunicação: tipos de textos em que a função conativa predomina,
“A comunicação confunde-se com a própria vida. Temos é possível perceber o uso da 2ª pessoa como manei-
tanta consciência de que comunicamos como de que ra de interpelar alguém, além do emprego dos ver-
respiramos ou andamos. Somente percebemos a sua bos no imperativo para convencer o interlocutor:
essencial importância quando, por acidente ou uma doença,
perdemos a capacidade de nos comunicar. (Bordenave, Exemplo:
1986. p.17-9)”

No ato de comunicação, percebemos a existência de


alguns elementos, são eles:
▪ Emissor: é aquele que envia a mensagem (pode ser
uma única pessoa ou um grupo de pessoas).
▪ Mensagem: é o conteúdo (assunto) das informações
que ora são transmitidas.
▪ Receptor: é aquele a quem a mensagem é endereça-
da (um indivíduo ou um grupo), também conhecido
como destinatário.
▪ Canal de comunicação: é o meio pelo qual a mensa-
gem é transmitida.
▪ Código: é o conjunto de signos e de regras de com-
binação desses signos utilizados para elaborar a
mensagem: o emissor codifica aquilo que o receptor
irá decodificar.
▪ Contexto: é o objeto ou a situação a que a mensa-
gem se refere.

Partindo desses seis elementos, Roman Jakobson, 4. Função fática: a palavra fática significa “ruído, ru-
linguista russo, elaborou estudos acerca das funções mor”. Foi utilizada inicialmente para designar certas
da linguagem, os quais são muito úteis para a análise e formas usadas para chamar a atenção (ruídos como
produção de textos. As seis funções são: psiu, ahn, ei). Essa função ocorre quando a mensa-
gem se orienta sobre o canal de comunicação ou
1. Função referencial: referente é o objeto ou situação contato, buscando verificar e fortalecer sua eficiên-
de que a mensagem trata. A função referencial privi- cia. Tipo de mensagem cujo objetivo é prolongar ou
legia justamente o referente da mensagem, buscan- interromper uma conversa. Nela, o emissor utiliza
do transmitir informações objetivas sobre ele. Essa procedimentos para manter contato físico ou psico-
função predomina nos textos de caráter científico e é lógico com o interlocutor:
privilegiado nos textos jornalísticos.
2. Função emotiva: através dessa função, o emissor Exemplo:
LÍNGUA PORTUGUESA

imprime no texto as marcas de sua atitude pessoal: “(...) Olá, como vai?
emoções, avaliações, opiniões. O leitor sente no tex- Eu vou indo e você, tudo bem?
to a presença do emissor. Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você?
Exemplo: “[…] Mas quem sou eu para censurar os Tudo bem, eu vou indo em busca
culpados? O pior é que preciso perdoá-los. É necessário De um sono tranquilo, quem sabe …
chegar a tal nada que indiferentemente se ame ou não Quanto tempo... pois é...
se ame o criminoso que nos mata. Mas não estou seguro Quanto tempo...

106
Me perdoe a pressa Exemplo:
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí (…)”.
(Trecho da música Sinal Fechado, de Paulinho da Viola).

5. Função metalinguística: quando a linguagem se


volta sobre si mesma, transformando-se em seu pró-
prio referente, ocorre a função metalinguística.
Linguagem utilizada para falar, explicar ou descrever o
próprio código: esse é o principal objetivo da função
metalinguística. Nas situações em que ela é empre-
gada, geralmente na poesia e na publicidade, a aten-
ção está voltada para o próprio código:

Exemplo:

Essas funções não são exploradas isoladamente; de


modo geral, ocorre a superposição de várias delas. Há, no
entanto, aquela que se sobressai, assim podemos identificar
a finalidade principal do texto.

VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS

A linguagem é a característica que nos difere dos


demais seres, permitindo-nos a oportunidade de expressar
sentimentos, revelar conhecimentos, expor nossa opinião
frente aos assuntos relacionados ao nosso cotidiano, e,
sobretudo, promovendo nossa inserção ao convívio social.
E dentre os fatores que a ela se relacionam destacam-
se os níveis da fala, que são basicamente dois:
- O nível de formalidade;
- O de informalidade.

O padrão formal está diretamente ligado à linguagem


escrita, restringindo-se às normas gramaticais de um modo
geral. Razão pela qual nunca escrevemos da mesma maneira
que falamos. Este fator foi determinante para a que a mesma
pudesse exercer total soberania sobre as demais.
Quanto ao nível informal, este por sua vez representa o
6. Função poética: quando a mensagem é elaborada estilo considerado “de menor prestígio”, e isto tem gerado
de forma inovadora e imprevista, utilizando combi- controvérsias entre os estudos da língua, uma vez que para a
nações sonoras ou rítmicas, jogos de imagem ou de sociedade, aquela pessoa que fala ou escreve de maneira errônea
ideias, temos a manifestação da função poética da é considerada “inculta”, tornando-se desta forma um estigma.
linguagem. Essa função é capaz de despertar no lei- Compondo o quadro do padrão informal da linguagem,
tor prazer estético e surpresa. É muito encontrada na estão as chamadas variedades linguísticas, as quais
LÍNGUA PORTUGUESA

Literatura, especialmente na poesia, a função poética representam as variações de acordo com as condições
apresenta um texto no qual a função está centrada sociais, culturais, regionais e históricas em que é
na própria mensagem, rompendo com o modo tra- utilizada. Dentre elas destacam-se:
dicional com o vemos a linguagem.
a) Variações históricas
Dado o dinamismo que a língua apresenta, a mesma
sofre transformações ao longo do tempo. Um exemplo
bastante representativo é a questão da ortografia, se

107
levarmos em consideração a palavra farmácia, uma vez E também o Van Damme.
que a mesma era grafada com “ph”, contrapondo-se à (Dinho e Júlio Rasec, encarte CD Mamonas Assassinas,
linguagem dos internautas, a qual fundamenta-se pela 1995).
supressão dos vocábulos.
Analisemos, pois, o fragmento exposto: Para expandir a capacidade de compreensão e,
Antigamente principalmente, de interpretação, é importante acostumar-
“Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles se à leitura, seja de um texto ou um objeto, figura ou fato.
e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam Ao se ler algo, deve-se notar aspectos particulares
anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os que permitam associar o elemento da leitura ao tempo
janotas, mesmo sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, e a acontecimentos, destacar o essencial e o secundário
arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do relacionando-o a outros já lidos. Semanticamente, o
balaio.” Carlos Drummond de Andrade elemento da leitura encerra em si todas as indagações,
Comparando-o à modernidade, percebemos um permitindo uma análise e oferecendo os subsídios da
vocabulário antiquado. resposta. Compreender um texto é entender o seu sentido;
apreender a situação, o fato, a narração, a tese a nós
b) Variações regionais expostos. Interpretar um texto é conseguir desenvolver em
São os chamados dialetos, que são as marcas outras palavras a ideia do texto, é, portanto, parafraseá-
determinantes referentes a diferentes regiões. Como lo ou reescrevê-lo. Para se interpretar bem um texto, é de
exemplo, citamos a palavra mandioca que, em certos suma importância uma boa leitura. Para se entender um
lugares, recebe outras nomenclaturas, tais como: macaxeira texto é necessária uma leitura atenta, em que se notem as
e aipim. Figurando também esta modalidade estão os suas sutilezas e superficialidades. É conveniente marcar as
sotaques, ligados às características orais da linguagem. ideias principais e estar atento as entrelinhas, aos detalhes
c) Variações sociais ou culturais e a todo o contexto.
Estão diretamente ligadas aos grupos sociais de uma - Paráfrase: é o desenvolvimento ou citação de um
maneira geral e também ao grau de instrução de uma texto ou parte dele, com palavras diferentes, mas de
determinada pessoa. Como exemplo, citamos as gírias, os igual significação. Não há alteração da ideia central.
jargões e o linguajar caipira. - Perífrase: é um circunlóquio, um rodeio de palavras; a
As gírias pertencem ao vocabulário específico de certos exposição de ideias é feito usando-se de muitas pa-
grupos, como os surfistas, cantores de rap, tatuadores, lavras. Usam se mais palavras do que o texto original,
entre outros. isto é, usam-se mais palavras que o necessário.
Os jargões estão relacionados ao profissionalismo, - Intertextualidade: é a relação entre dois ou mais tex-
caracterizando um linguajar técnico. Representando a tos, cujo tema seja o mesmo, porém tratado de for-
classe, podemos citar os médicos, advogados, profissionais ma diferente.
da área de informática, dentre outros. - Síntese: é uma resenha, que é feita utilizando-se das
Vejamos um poema e o trecho de uma música para palavras do texto. Aparecem apenas as ideias princi-
entendermos melhor sobre o assunto: pais.
“Vício na fala - Resumo: é uma representação do texto em que só
Para dizerem milho dizem mio aparecem as ideias principais, não é necessário que
Para melhor dizem mió seja com as mesmas palavras do texto.
Para pior pió - Inferência: é uma informação que não está no texto,
Para telha dizem teia mas sim fora dele; está nas entrelinhas ou exige um
Para telhado dizem teiado conhecimento extra textual.
E vão fazendo telhados”. - Tipologia Textual Descrição: ato de descrever carac-
(Oswald de Andrade). terísticas. Pode ser: Objetiva: descrição com caráter
universal. Subjetiva: descrição com caráter particular,
Chopis Centis pessoal.
“Eu “di” um beijo nela - Técnica: descrição com caráter próprio de um ofício,
E chamei pra passear. profissão.
A gente fomos no shopping - Narração: é o relato de um fato, de um acontecimen-
Pra “mode” a gente lanchar. to. Seus elementos são:
Comi uns bicho estranho, com um tal de gergelim. - Fato: é o acontecimento; o encadeamento das ações
LÍNGUA PORTUGUESA

Até que “tava” gostoso, mas eu prefiro aipim. forma o enredo.


Quanta gente, Quanta alegria, A minha felicidade é um - Personagens: são os participantes do acontecimento.
crediário nas Casas Bahia. Principais (mais atuantes) Secundários
Esse tal Chopis Centis é muito legalzinho. - Ambiente ou cenário: é o lugar onde ocorrem os
Pra levar a namorada e dar uns “rolezinho”, acontecimentos.
Quando eu estou no trabalho, - Tempo: é a localização cronológica do aconteci-
Não vejo a hora de descer dos andaime. mento. Foco Narrativo (narrador): a narração pode
Pra pegar um cinema, ver Schwarzneger, ser em: 1ª pessoa: narrador-personagem 3ª pessoa:

108
narrador-onisciente/narrador-observador. Disserta- 1. Norma culta
ção: ato de discorrer sobre um tema. A dissertação
divide-se em três partes: Introdução: apresenta a A norma culta, forma linguística que todo povo
ideia principal a ser discutida. civilizado possui, é a que assegura a unidade da língua
- Desenvolvimento: é o desdobramento da ideia cen- nacional. E justamente em nome dessa unidade, tão
tral, a exposição dos argumentos. importante do ponto de vista político--cultural, que é
- Conclusão: retoma ou resume os principais aspectos ensinada nas escolas e difundida nas gramáticas. Sendo
do texto e confirma a tese inicial. mais espontânea e criativa, a língua popular afigura-
se mais expressiva e dinâmica. Temos, assim, à guisa de
d) Tipos de Discurso exemplificação:
- Discurso Direto: a fala do personagem é, geralmen- Estou preocupado. (norma culta)
te, acompanhada por um verbo de elocução (dizer, Tô preocupado. (língua popular)
falar, responder, perguntar, afirmar etc.), não haven- Tô grilado. (gíria, limite da língua popular)
do conectivo, porém uma pausa marcada por sinal
de pontuação. Não basta conhecer apenas uma modalidade de
língua; urge conhecer a língua popular, captando-lhe a
Exemplo.: A mãe perguntou-lhe atarantada: - Onde espontaneidade, expressividade e enorme criatividade,
você pensa que vai? para viver; urge conhecer a língua culta para conviver.
Podemos, agora, definir gramática: é o estudo das
- Discurso Indireto: o personagem não fala com suas normas da língua culta.
palavras, é o narrador que reproduz com suas pala-
vras o discurso do personagem. Os verbos de elo- 2. O conceito de erro em língua
cução são núcleos do predicado da oração principal
seguido de oração subordinada. Em rigor, ninguém comete erro em língua, exceto
nos casos de ortografia. O que normalmente se comete
Exemplo: Ele respondeu que sempre saía sozinho. são transgressões da norma culta. De fato, aquele que,
num momento íntimo do discurso, diz: “Ninguém deixou
- Indireto Livre: é um discurso misto, pois há carac- ele falar”, não comete propriamente erro; na verdade,
terísticas do discurso direto e do indireto. A fala do transgride a norma culta.
personagem se insere no discurso do narrador, são Um repórter, ao cometer uma transgressão em sua fala,
perceptíveis aspectos psicológicos e fluxos do pen- transgride tanto quanto um indivíduo que comparece a um
samento do personagem. banquete trajando xortes ou quanto um banhista, numa
praia, vestido de fraque e cartola.
Exemplo: Naquele dia o rapaz havia se declarado à sua Releva considerar, assim, o momento do discurso,
vizinha. Ele já tinha sofrido muito. Custava à moça acredi- que pode ser íntimo, neutro ou solene. O momento
tar? Não sabia se tinha feito à coisa certa. íntimo é o das liberdades da fala. No recesso do lar, na
fala entre amigos, parentes, namorados, etc., portanto, são
consideradas perfeitamente normais construções do tipo:
LÍNGUA PADRÃO, LÍNGUA NÃO PADRÃO Eu não vi ela hoje.
Ninguém deixou ele falar.
A língua é um código de que se serve o homem para Deixe eu ver isso!
elaborar mensagens, para se comunicar. Existem basicamente Eu te amo, sim, mas não abuse!
duas modalidades de língua, ou seja, duas línguas funcionais: Não assisti o filme nem vou assisti-lo.
Sou teu pai, por isso vou perdoá-lo.
A) a língua funcional de modalidade culta, língua
culta ou língua-padrão, que compreende a língua Nesse momento, a informalidade prevalece sobre a
literária, tem por base a norma culta, forma linguísti- norma culta, deixando mais livres os interlocutores.
ca utilizada pelo segmento mais culto e influente de O momento neutro é o do uso da língua-padrão, que
uma sociedade. Constitui, em suma, a língua utiliza- é a língua da Nação. Como forma de respeito, tomam-se
da pelos veículos de comunicação de massa (emis- por base aqui as normas estabelecidas na gramática, ou
soras de rádio e televisão, jornais, revistas, painéis, seja, a norma culta. Assim, aquelas mesmas construções se
LÍNGUA PORTUGUESA

anúncios, etc.), cuja função é a de serem aliados da alteram:


escola, prestando serviço à sociedade, colaborando Eu não a vi hoje.
na educação; Ninguém o deixou falar.
Deixe-me ver isso!
B) a língua funcional de modalidade popular; língua Eu te amo, sim, mas não abuses!
popular ou língua cotidiana, que apresenta grada- Não assisti ao filme nem vou assistir a ele.
ções as mais diversas, tem o seu limite na gíria e no Sou seu pai, por isso vou perdoar-lhe.
calão.

109
Considera-se momento neutro o utilizado nos Ao professor cabe ensinar as duas modalidades,
veículos de comunicação de massa (rádio, televisão, jornal, mostrando as características e as vantagens de uma e outra,
revista, etc.). Daí o fato de não se admitirem deslizes ou sem deixar transparecer nenhum caráter de superioridade
transgressões da norma culta na pena ou na boca de ou inferioridade, que em verdade inexiste.
jornalistas, quando no exercício do trabalho, que deve Isso não implica dizer que se deve admitir tudo na
refletir serviço à causa do ensino. língua falada. A nenhum povo interessa a multiplicação
O momento solene, acessível a poucos, é o da arte de línguas. A nenhuma nação convém o surgimento de
poética, caracterizado por construções de rara beleza. dialetos, consequência natural do enorme distanciamento
Vale lembrar, finalmente, que a língua é um costume. entre uma modalidade e outra.
Como tal, qualquer transgressão, ou chamado erro, deixa A língua escrita é, foi e sempre será mais bem-elaborada
de sê-lo no exato instante em que a maioria absoluta o que a língua falada, porque é a modalidade que mantém
comete, passando, assim, a constituir fato linguístico a unidade linguística de um povo, além de ser a que faz
registro de linguagem definitivamente consagrado pelo o pensamento atravessar o espaço e o tempo. Nenhuma
uso, ainda que não tenha amparo gramatical. Exemplos: reflexão, nenhuma análise mais detida será possível sem
Olha eu aqui! (Substituiu: Olha-me aqui!) a língua escrita, cujas transformações, por isso mesmo,
Vamos nos reunir. (Substituiu: Vamo-nos reunir) processam-se lentamente e em número consideravelmente
Não vamos nos dispersar. (Substituiu: Não nos vamos menor, quando cotejada com a modalidade falada.
dispersar e Não vamos dispersar-nos) Importante é fazer o educando perceber que o nível da
Tenho que sair daqui depressinha. (Substituiu: Tenho de linguagem, a norma linguística, deve variar de acordo com
sair daqui bem depressa) a situação em que se desenvolve o discurso.
O soldado está a postos. (Substituiu: O soldado está no O ambiente sociocultural determina o nível da linguagem
seu posto) a ser empregado. O vocabulário, a sintaxe, a pronúncia e
até a entoação variam segundo esse nível. Um padre não
As formas impeço, despeço e desimpeço, dos verbos fala com uma criança como se estivesse em uma missa,
impedir, despedir e desimpedir, respectivamente, são assim como uma criança não fala como um adulto. Um
engenheiro não usará um mesmo discurso, ou um mesmo
exemplos também de transgressões ou “erros” que se
nível de fala, para colegas e para pedreiros, assim como
tornaram fatos linguísticos, já que só correm hoje porque
nenhum professor utiliza o mesmo nível de fala no recesso
a maioria viu tais verbos como derivados de pedir, que tem
do lar e na sala de aula.
início, na sua conjugação, com peço. Tanto bastou para se
Existem, portanto, vários níveis de linguagem e, entre
arcaizarem as formas então legítimas impido, despido e
esses níveis, destacam-se em importância o culto e o
desimpido, que hoje nenhuma pessoa bem-escolarizada
cotidiano, a que já fizemos referência.
tem coragem de usar.
Em vista do exposto, será útil eliminar do vocabulário
escolar palavras como corrigir e correto, quando nos
referimos a frases. “Corrija estas frases” é uma expressão REDAÇÃO OFICIAL.
que deve dar lugar a esta, por exemplo: “Converta estas
frases da língua popular para a língua culta”.
Uma frase correta não é aquela que se contrapõe a
uma frase “errada”; é, na verdade, uma frase elaborada O QUE É REDAÇÃO OFICIAL
conforme as normas gramaticais; em suma, conforme a
norma culta. Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a ma-
neira pela qual o Poder Público redige atos normativos e
3. Língua escrita e língua falada - Nível de linguagem comunicações. Interessa-nos tratá-la do ponto de vista do
Poder Executivo.
A língua escrita, estática, mais elaborada e menos A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoa-
econômica, não dispõe dos recursos próprios da língua lidade, uso do padrão culto de linguagem, clareza, conci-
falada. são, formalidade e uniformidade. Fundamentalmente esses
A acentuação (relevo de sílaba ou sílabas), a entoação atributos decorrem da Constituição, que dispõe, no artigo
(melodia da frase), as pausas (intervalos significativos no 37: “A administração pública direta, indireta ou fundacional,
decorrer do discurso), além da possibilidade de gestos, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
olhares, piscadas, etc., fazem da língua falada a modalidade Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de lega-
LÍNGUA PORTUGUESA

mais expressiva, mais criativa, mais espontânea e natural, lidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência
estando, por isso mesmo, mais sujeita a transformações e (...)”. Sendo a publicidade e a impessoalidade princípios
a evoluções. fundamentais de toda administração pública, claro está
Nenhuma, porém, sobrepõe-se a outra em importância. que devem igualmente nortear a elaboração dos atos e co-
Nas escolas, principalmente, costuma se ensinar a língua municações oficiais.
falada com base na língua escrita, considerada superior. Não se concebe que um ato normativo de qualquer
Decorrem daí as correções, as retificações, as emendas, a natureza seja redigido de forma obscura, que dificulte ou
que os professores sempre estão atentos. impossibilite sua compreensão. A transparência do sentido

110
dos atos normativos, bem como sua inteligibilidade, são relativo às atribuições do órgão que comunica; o destinatá-
requisitos do próprio Estado de Direito: é inaceitável que rio dessa comunicação ou é o público, o conjunto dos cida-
um texto legal não seja entendido pelos cidadãos. A publi- dãos, ou outro órgão público, do Executivo ou dos outros
cidade implica, pois, necessariamente, clareza e concisão. Poderes da União.
Além de atender à disposição constitucional, a forma Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que
dos atos normativos obedece a certa tradição. Há normas deve ser dado aos assuntos que constam das comunica-
para sua elaboração que remontam ao período de nossa ções oficiais decorre:
história imperial, como, por exemplo, a obrigatoriedade – a) da ausência de impressões individuais de quem co-
estabelecida por decreto imperial de 10 de dezembro de munica: embora se trate, por exemplo, de um expediente
1822 – de que se aponha, ao final desses atos, o número de assinado por Chefe de determinada Seção, é sempre em
anos transcorridos desde a Independência. Essa prática foi nome do Serviço Público que é feita a comunicação. Ob-
mantida no período republicano. Esses mesmos princípios tém-se, assim, uma desejável padronização, que permite
(impessoalidade, clareza, uniformidade, concisão e uso de que comunicações elaboradas em diferentes setores da
linguagem formal) aplicam-se às comunicações oficiais: Administração guardem entre si certa uniformidade;
elas devem sempre permitir uma única interpretação e ser b) da impessoalidade de quem recebe a comunicação,
estritamente impessoais e uniformes, o que exige o uso de com duas possibilidades: ela pode ser dirigida a um cida-
certo nível de linguagem. dão, sempre concebido como público, ou a outro órgão
Nesse quadro, fica claro também que as comunicações público. Nos dois casos, temos um destinatário concebido
oficiais são necessariamente uniformes, pois há sempre um de forma homogênea e impessoal;
único comunicador (o Serviço Público) e o receptor dessas c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se o
comunicações ou é o próprio Serviço Público (no caso de universo temático das comunicações oficiais se restringe a
expedientes dirigidos por um órgão a outro) – ou o conjun- questões que dizem respeito ao interesse público, é natu-
to dos cidadãos ou instituições tratados de forma homo- ral que não cabe qualquer tom particular ou pessoal. Des-
gênea (o público). ta forma, não há lugar na redação oficial para impressões
Outros procedimentos rotineiros na redação de comu- pessoais, como as que, por exemplo, constam de uma carta
nicações oficiais foram incorporados ao longo do tempo, a um amigo, ou de um artigo assinado de jornal, ou mesmo
como as formas de tratamento e de cortesia, certos clichês de um texto literário. A redação oficial deve ser isenta da
de redação, a estrutura dos expedientes, etc. Mencione-se, interferência da individualidade que a elabora.
por exemplo, a fixação dos fechos para comunicações ofi- A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade
ciais, regulados pela Portaria n.º 1 do Ministro de Estado da de que nos valemos para elaborar os expedientes oficiais
Justiça, de 8 de julho de 1937. contribuem, ainda, para que seja alcançada a necessária
Acrescente-se, por fim, que a identificação que se bus- impessoalidade.
cou fazer das características específicas da forma oficial de
redigir não deve ensejar o entendimento de que se propo- 2. A Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais
nha a criação – ou se aceite a existência – de uma forma es-
pecífica de linguagem administrativa, o que coloquialmen- A necessidade de empregar determinado nível de lin-
te e pejorativamente se chama burocratês. Este é antes uma guagem nos atos e expedientes oficiais decorre, de um
distorção do que deve ser a redação oficial, e se caracteriza lado, do próprio caráter público desses atos e comunica-
pelo abuso de expressões e clichês do jargão burocrático e ções; de outro, de sua finalidade. Os atos oficiais, aqui en-
de formas arcaicas de construção de frases. tendidos como atos de caráter normativo, ou estabelecem
A redação oficial não é, portanto, necessariamente árida regras para a conduta dos cidadãos, ou regulam o funcio-
e infensa à evolução da língua. É que sua finalidade básica – namento dos órgãos públicos, o que só é alcançado se em
comunicar com impessoalidade e máxima clareza – impõe sua elaboração for empregada a linguagem adequada. O
certos parâmetros ao uso que se faz da língua, de maneira mesmo se dá com os expedientes oficiais, cuja finalidade
diversa daquele da literatura, do texto jornalístico, da cor- precípua é a de informar com clareza e objetividade. As
respondência particular, etc. comunicações que partem dos órgãos públicos federais
Apresentadas essas características fundamentais da re- devem ser compreendidas por todo e qualquer cidadão
dação oficial, passemos à análise pormenorizada de cada brasileiro. Para atingir esse objetivo, há que evitar o uso
uma delas. de uma linguagem restrita a determinados grupos. Não há
dúvida que um texto marcado por expressões de circulação
1. A Impessoalidade restrita, como a gíria, os regionalismos vocabulares ou o
LÍNGUA PORTUGUESA

jargão técnico, tem sua compreensão dificultada.


A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala, quer Ressalte-se que há necessariamente uma distância en-
pela escrita. Para que haja comunicação, são necessários: tre a língua falada e a escrita. Aquela é extremamente di-
a) alguém que comunique, b) algo a ser comunicado, e c) nâmica, reflete de forma imediata qualquer alteração de
alguém que receba essa comunicação. No caso da redação costumes, e pode eventualmente contar com outros ele-
oficial, quem comunica é sempre o Serviço Público (este ou mentos que auxiliem a sua compreensão, como os gestos,
aquele Ministério, Secretaria, Departamento, Divisão, Ser- a entoação, etc., para mencionar apenas alguns dos fatores
viço, Seção); o que se comunica é sempre algum assunto responsáveis por essa distância. Já a língua escrita incorpo-

111
ra mais lentamente as transformações, tem maior vocação A formalidade de tratamento vincula-se, também, à
para a permanência, e vale-se apenas de si mesma para necessária uniformidade das comunicações. Ora, se a ad-
comunicar. ministração federal é una, é natural que as comunicações
A língua escrita, como a falada, compreende diferentes que expede sigam um mesmo padrão. O estabelecimento
níveis, de acordo com o uso que dela se faça. Por exemplo, desse padrão, uma das metas deste Manual, exige que se
em uma carta a um amigo, podemos nos valer de deter- atente para todas as características da redação oficial e que
minado padrão de linguagem que incorpore expressões se cuide, ainda, da apresentação dos textos.
extremamente pessoais ou coloquiais; em um parecer ju- A clareza datilográfica, o uso de papéis uniformes para
rídico, não se há de estranhar a presença do vocabulário o texto definitivo e a correta diagramação do texto são in-
técnico correspondente. Nos dois casos, há um padrão de dispensáveis para a padronização.
linguagem que atende ao uso que se faz da língua, a finali-
dade com que a empregamos. 4. Concisão e Clareza
O mesmo ocorre com os textos oficiais: por seu caráter
impessoal, por sua finalidade de informar com o máximo A concisão é antes uma qualidade do que uma carac-
de clareza e concisão, eles requerem o uso do padrão culto terística do texto oficial. Conciso é o texto que consegue
da língua. Há consenso de que o padrão culto é aquele em transmitir um máximo de informações com um mínimo de
que a) se observam as regras da gramática formal, e b) se palavras. Para que se redija com essa qualidade, é funda-
emprega um vocabulário comum ao conjunto dos usuários mental que se tenha, além de conhecimento do assunto
do idioma. É importante ressaltar que a obrigatoriedade do sobre o qual se escreve, o necessário tempo para revisar o
uso do padrão culto na redação oficial decorre do fato de texto depois de pronto. É nessa releitura que muitas vezes
que ele está acima das diferenças lexicais, morfológicas ou se percebem eventuais redundâncias ou repetições desne-
sintáticas regionais, dos modismos vocabulares, das idios- cessárias de ideias.
sincrasias linguísticas, permitindo, por essa razão, que se O esforço de sermos concisos atende, basicamente,
atinja a pretendida compreensão por todos os cidadãos. ao princípio de economia linguística, à mencionada fór-
Lembre-se de que o padrão culto nada tem contra a simpli- mula de empregar o mínimo de palavras para informar o
cidade de expressão, desde que não seja confundida com máximo. Não se deve de forma alguma entendê-la como
pobreza de expressão. De nenhuma forma o uso do padrão economia de pensamento, isto é, não se devem eliminar
culto implica emprego de linguagem rebuscada, nem dos passagens substanciais do texto no afã de reduzi-lo em ta-
contorcionismos sintáticos e figuras de linguagem próprios manho. Trata-se exclusivamente de cortar palavras inúteis,
da língua literária. redundâncias, passagens que nada acrescentem ao que já
Pode-se concluir, então, que não existe propriamente foi dito.
um “padrão oficial de linguagem”; o que há é o uso do Procure perceber certa hierarquia de ideias que existe
padrão culto nos atos e comunicações oficiais. É claro que em todo texto de alguma complexidade: ideias fundamen-
haverá preferência pelo uso de determinadas expressões, tais e ideias secundárias. Estas últimas podem esclarecer o
ou será obedecida certa tradição no emprego das formas sentido daquelas, detalhá-las, exemplificá-las; mas existem
sintáticas, mas isso não implica, necessariamente, que se também ideias secundárias que não acrescentam informa-
consagre a utilização de uma forma de linguagem buro- ção alguma ao texto, nem têm maior relação com as funda-
crática. O jargão burocrático, como todo jargão, deve ser mentais, podendo, por isso, ser dispensadas.
evitado, pois terá sempre sua compreensão limitada. A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto ofi-
A linguagem técnica deve ser empregada apenas em cial. Pode-se definir como claro aquele texto que possibilita
situações que a exijam, sendo de evitar o seu uso indis- imediata compreensão pelo leitor. No entanto, a clareza não
criminado. Certos rebuscamentos acadêmicos, e mesmo o é algo que se atinja por si só: ela depende estritamente das
vocabulário próprio à determinada área, são de difícil en- demais características da redação oficial. Para ela concorrem:
tendimento por quem não esteja com eles familiarizado. a) a impessoalidade, que evita a duplicidade de inter-
Deve-se ter o cuidado, portanto, de explicitá-los em comu- pretações que poderia decorrer de um tratamento perso-
nicações encaminhadas a outros órgãos da administração nalista dado ao texto;
e em expedientes dirigidos aos cidadãos. b) o uso do padrão culto de linguagem, em princípio,
de entendimento geral e por definição avesso a vocábulos
3. Formalidade e Padronização de circulação restrita, como a gíria e o jargão;
c) a formalidade e a padronização, que possibilitam a
As comunicações oficiais devem ser sempre formais, isto imprescindível uniformidade dos textos;
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é, obedecem a certas regras de forma: além das já mencio- d) a concisão, que faz desaparecer do texto os excessos
nadas exigências de impessoalidade e uso do padrão culto linguísticos que nada lhe acrescentam.
de linguagem, é imperativo, ainda, certa formalidade de É pela correta observação dessas características que se
tratamento. Não se trata somente da eterna dúvida quanto redige com clareza. Contribuirá, ainda, a indispensável re-
ao correto emprego deste ou daquele pronome de trata- leitura de todo texto redigido. A ocorrência, em textos ofi-
mento para uma autoridade de certo; mais do que isso, a ciais, de trechos obscuros e de erros gramaticais provém,
formalidade diz respeito à polidez, à civilidade no próprio principalmente, da falta da releitura que torna possível sua
enfoque dado ao assunto do qual cuida a comunicação. correção.

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Na revisão de um expediente, deve-se avaliar, ainda, se 6.2. Concordância com os Pronomes de Tratamento
ele será de fácil compreensão por seu destinatário. O que
nos parece óbvio pode ser desconhecido por terceiros. O do- Os pronomes de tratamento (ou de segunda pessoa
mínio que adquirimos sobre certos assuntos em decorrência indireta) apresentam certas peculiaridades quanto à con-
de nossa experiência profissional muitas vezes faz com que os cordância verbal, nominal e pronominal. Embora se refiram
tomemos como de conhecimento geral, o que nem sempre a segunda pessoa gramatical (à pessoa com quem se fala,
é verdade. Explicite, desenvolva, esclareça, precise os termos ou a quem se dirige a comunicação), levam a concordância
técnicos, o significado das siglas e abreviações e os conceitos para a terceira pessoa. É que o verbo concorda com o subs-
específicos que não possam ser dispensados. tantivo que integra a locução como seu núcleo sintático:
A revisão atenta exige, necessariamente, tempo. A pres- “Vossa Senhoria nomeará o substituto”; “Vossa Excelência
sa com que são elaboradas certas comunicações quase conhece o assunto”.
sempre compromete sua clareza. Não se deve proceder à Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos
redação de um texto que não seja seguida por sua revisão. a pronomes de tratamento são sempre os da terceira pes-
“Não há assuntos urgentes, há assuntos atrasados”, diz a soa: “Vossa Senhoria nomeará seu substituto” (e não “Vossa
máxima. Evite-se, pois, o atraso, com sua indesejável reper- ... vosso...”). Já quanto aos adjetivos referidos a esses pro-
cussão no redigir. nomes, o gênero gramatical deve coincidir com o sexo da
pessoa a que se refere, e não com o substantivo que com-
5. As Comunicações Oficiais põe a locução. Assim, se nosso interlocutor for homem, o
correto é “Vossa Excelência está atarefado”, “Vossa Senhoria
5.1. Introdução deve estar satisfeito”; se for mulher, “Vossa Excelência está
atarefada”, “Vossa Senhoria deve estar satisfeita”.
A redação das comunicações oficiais deve, antes de
tudo, seguir os preceitos explicitados no Capítulo I, Aspec- 6.3. Emprego dos Pronomes de Tratamento
tos Gerais da Redação Oficial. Além disso, há características
específicas de cada tipo de expediente, que serão trata- Como visto, o emprego dos pronomes de tratamento
obedece a secular tradição. São de uso consagrado:
das em detalhe neste capítulo. Antes de passarmos à sua
Vossa Excelência, para as seguintes autoridades:
análise, vejamos outros aspectos comuns a quase todas as
a) do Poder Executivo;
modalidades de comunicação oficial: o emprego dos pro-
Presidente da República;
nomes de tratamento, a forma dos fechos e a identificação
Vice-Presidente da República;
do signatário.
Ministros de Estado;
Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Dis-
6. Pronomes de Tratamento trito Federal;
Oficiais-Generais das Forças Armadas;
6.1. Breve História dos Pronomes de Tratamento Embaixadores;
Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocupan-
O uso de pronomes e locuções pronominais de trata- tes de cargos de natureza especial;
mento tem larga tradição na língua portuguesa. De acor- Secretários de Estado dos Governos Estaduais;
do com Said Ali, após serem incorporados ao português Prefeitos Municipais.
os pronomes latinos tu e vos, “como tratamento direto da
pessoa ou pessoas a quem se dirigia a palavra”, passou- b) do Poder Legislativo:
-se a empregar, como expediente linguístico de distinção Deputados Federais e Senadores;
e de respeito, a segunda pessoa do plural no tratamento Ministros do Tribunal de Contas da União;
de pessoas de hierarquia superior. Prossegue o autor: “Ou- Deputados Estaduais e Distritais;
tro modo de tratamento indireto consistiu em fingir que Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais;
se dirigia a palavra a um atributo ou qualidade eminente Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais.
da pessoa de categoria superior, e não a ela própria. Assim
aproximavam-se os vassalos de seu rei com o tratamento c) do Poder Judiciário:
de vossa mercê, vossa senhoria (...); assim usou-se o trata- Ministros dos Tribunais Superiores;
mento ducal de vossa excelência e adotaram-se na hierar- Membros de Tribunais;
quia eclesiástica vossa reverência, vossa paternidade, vossa Juízes;
eminência, vossa santidade.” Auditores da Justiça Militar.
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A partir do final do século XVI, esse modo de tratamen-


to indireto já estava em voga também para os ocupantes O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas
de certos cargos públicos. Vossa mercê evoluiu para vosme- aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido do
cê, e depois para o coloquial você. E o pronome vós, com cargo respectivo:
o tempo, caiu em desuso. É dessa tradição que provém o Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
atual emprego de pronomes de tratamento indireto como Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional,
forma de dirigirmo-nos às autoridades civis, militares e Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal
eclesiásticas. Federal.

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As demais autoridades serão tratadas com o vocativo Os pronomes de tratamento para religiosos, de acordo
Senhor, seguido do cargo respectivo: com a hierarquia eclesiástica, são:
Senhor Senador, Vossa Santidade, em comunicações dirigidas ao Papa.
Senhor Juiz, O vocativo correspondente é: Santíssimo Padre, (...)
Senhor Ministro, Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssi-
Senhor Governador, ma, em comunicações aos Cardeais. Corresponde-lhe o
vocativo: Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou Eminentís-
No envelope, o endereçamento das comunicações di- simo e Reverendíssimo Senhor Cardeal, (...)
rigidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência, terá a Vossa Excelência Reverendíssima é usado em comu-
seguinte forma: nicações dirigidas a Arcebispos e Bispos;
A Sua Excelência o Senhor Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reverendís-
Fulano de Tal sima para Monsenhores, Cônegos e superiores religiosos.
Ministro de Estado da Justiça Vossa Reverência é empregado para sacerdotes, cléri-
70064-900 – Brasília. DF gos e demais religiosos.

A Sua Excelência o Senhor 7. Fechos para Comunicações


Senador Fulano de Tal
Senado Federal O fecho das comunicações oficiais possui, além da fina-
70165-900 – Brasília. DF lidade óbvia de arrematar o texto, a de saudar o destina-
tário. Os modelos para fecho que vinham sendo utilizados
A Sua Excelência o Senhor foram regulados pela Portaria n.º 1 do Ministério da Justiça,
Fulano de Tal de 1937, que estabelecia quinze padrões. Com o fito de
Juiz de Direito da 10.ª Vara Cível simplificá-los e uniformizá-los, este Manual estabelece o
Rua ABC, n.º 123 emprego de somente dois fechos diferentes para todas as
01010-000 – São Paulo. SP modalidades de comunicação oficial:
a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente
da República: Respeitosamente,
Em comunicações oficiais, está abolido o uso do trata-
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierar-
mento Digníssimo (DD), às autoridades arroladas na lis-
quia inferior: Atenciosamente,
ta anterior. A dignidade é pressuposto para que se ocupe
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigi-
qualquer cargo público, sendo desnecessária sua repetida
das a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e tra-
evocação.
dição próprios, devidamente disciplinados no Manual de
Redação do Ministério das Relações Exteriores.
Vossa Senhoria é empregado para as demais autorida-
des e para particulares. O vocativo adequado é: 8. Identificação do Signatário
Senhor Fulano de Tal,
(...) Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente
No envelope, deve constar do endereçamento: da República, todas as demais comunicações oficiais de-
Ao Senhor vem trazer o nome e o cargo da autoridade que as expede,
Fulano de Tal abaixo do local de sua assinatura. A forma da identificação
Rua ABC, n.º 123 deve ser a seguinte:
12345-000 – Curitiba. PR
Como se depreende do exemplo acima, fica dispensado (espaço para assinatura)
o emprego do superlativo ilustríssimo para as autorida- NOME
des que recebem o tratamento de Vossa Senhoria e para Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República
particulares. É suficiente o uso do pronome de tratamento (espaço para assinatura)
Senhor. NOME
Acrescente-se que doutor não é forma de tratamento, Ministro de Estado da Justiça
e sim título acadêmico. Evite usá-lo indiscriminadamente.
Como regra geral, empregue-o apenas em comunicações Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a as-
dirigidas a pessoas que tenham tal grau por terem concluí- sinatura em página isolada do expediente. Transfira para
do curso universitário de doutorado. É costume designar essa página ao menos a última frase anterior ao fecho.
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por doutor os bacharéis, especialmente os bacharéis em


Direito e em Medicina. Nos demais casos, o tratamento Se- 9. O Padrão Ofício
nhor confere a desejada formalidade às comunicações.
Mencionemos, ainda, a forma Vossa Magnificência, Há três tipos de expedientes que se diferenciam an-
empregada, por força da tradição, em comunicações dirigi- tes pela finalidade do que pela forma: o ofício, o aviso e o
das a reitores de universidade. Corresponde-lhe o vocativo: memorando. Com o fito de uniformizá-los, pode-se ado-
Magnífico Reitor, (...) tar uma diagramação única, que siga o que chamamos de
padrão ofício.

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10. Partes do documento no Padrão Ofício h) identificação do signatário (v. 2.3. Identificação do
Signatário).
O aviso, o ofício e o memorando devem conter as se-
guintes partes: 11. Forma de diagramação
a) tipo e número do expediente, seguido da sigla do
órgão que o expede: Exemplos: Mem. 123/2002-MF Aviso Os documentos do Padrão Ofício devem obedecer à se-
123/2002-SG Of. 123/2002-MME guinte forma de apresentação:
b) local e data em que foi assinado, por extenso, com a) deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman de
alinhamento à direita: Exemplo: corpo 12 no texto em geral, 11 nas citações, e 10 nas notas
Brasília, 15 de março de 1991. de rodapé;
b) para símbolos não existentes na fonte Times New Ro-
c) assunto: resumo do teor do documento Exemplos: man poder-se-á utilizar as fontes Symbol e Wingdings;
Assunto: Produtividade do órgão em 2002. c) é obrigatório constar a partir da segunda página o
Assunto: Necessidade de aquisição de novos computa- número da página;
dores. d) os ofícios, memorandos e anexos destes poderão ser
d) destinatário: o nome e o cargo da pessoa a quem é impressos em ambas as faces do papel. Neste caso, as mar-
dirigida a comunicação. No caso do ofício deve ser incluído gens esquerda e direita terão as distâncias invertidas nas
também o endereço. páginas pares (“margem espelho”);
e) texto: nos casos em que não for de mero encaminha- e) o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm
mento de documentos, o expediente deve conter a seguin- de distância da margem esquerda;
te estrutura: f) o campo destinado à margem lateral esquerda terá,
– introdução, que se confunde com o parágrafo de no mínimo, 3,0 cm de largura;
abertura, na qual é apresentado o assunto que motiva a g) o campo destinado à margem lateral direita terá 1,5
comunicação. Evite o uso das formas: “Tenho a honra de”, cm;
“Tenho o prazer de”, “Cumpre-me informar que”, empregue O constante neste item aplica-se também à exposição
a forma direta; de motivos e à mensagem (v. 4. Exposição de Motivos e 5.
– desenvolvimento, no qual o assunto é detalhado; se Mensagem).
o texto contiver mais de uma ideia sobre o assunto, elas h) deve ser utilizado espaçamento simples entre as li-
devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que confere nhas e de 6 pontos após cada parágrafo, ou, se o editor
maior clareza à exposição; de texto utilizado não comportar tal recurso, de uma linha
– conclusão, em que é reafirmada ou simplesmente rea- em branco;
presentada a posição recomendada sobre o assunto. i) não deve haver abuso no uso de negrito, itálico, subli-
Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto nhado, letras maiúsculas, sombreado, sombra, relevo, bor-
nos casos em que estes estejam organizados em itens ou das ou qualquer outra forma de formatação que afete a
títulos e subtítulos. Já quando se tratar de mero encami- elegância e a sobriedade do documento;
nhamento de documentos a estrutura é a seguinte: j) a impressão dos textos deve ser feita na cor preta em
– introdução: deve iniciar com referência ao expedien- papel branco. A impressão colorida deve ser usada apenas
te que solicitou o encaminhamento. Se a remessa do do- para gráficos e ilustrações;
cumento não tiver sido solicitada, deve iniciar com a in- k) todos os tipos de documentos do Padrão Ofício de-
formação do motivo da comunicação, que é encaminhar, vem ser impressos em papel de tamanho A-4, ou seja, 29,7
indicando a seguir os dados completos do documento x 21,0 cm;
encaminhado (tipo, data, origem ou signatário, e assunto l) deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de
de que trata), e a razão pela qual está sendo encaminha- arquivo Rich Text nos documentos de texto;
do, segundo a seguinte fórmula: “Em resposta ao Aviso n.º m) dentro do possível, todos os documentos elabora-
12, de 1.º de fevereiro de 1991, encaminho, anexa, cópia do dos devem ter o arquivo de texto preservado para consulta
Ofício n.º 34, de 3 de abril de 1990, do Departamento Geral posterior ou aproveitamento de trechos para casos análo-
de Administração, que trata da requisição do servidor Fulano gos;
de Tal.” Ou “Encaminho, para exame e pronunciamento, a n) para facilitar a localização, os nomes dos arquivos de-
anexa cópia do telegrama no 12, de 1.º de fevereiro de 1991, vem ser formados da seguinte maneira: tipo do documento
do Presidente da Confederação Nacional de Agricultura, a + número do documento + palavras-chaves do conteúdo.
respeito de projeto de modernização de técnicas agrícolas Ex.: “Of. 123 - relatório produtividade ano 2002”
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na região Nordeste.”
– desenvolvimento: se o autor da comunicação dese- 12. Aviso e Ofício
jar fazer algum comentário a respeito do documento que
encaminha, poderá acrescentar parágrafos de desenvolvi- 12.1. Definição e Finalidade
mento; em caso contrário, não há parágrafos de desenvol-
vimento em aviso ou ofício de mero encaminhamento. Aviso e ofício são modalidades de comunicação oficial
f) fecho (v. 2.2. Fechos para Comunicações); praticamente idênticas. A única diferença entre eles é que
g) assinatura do autor da comunicação; e o aviso é expedido exclusivamente por Ministros de Esta-

115
do, para autoridades de mesma hierarquia, ao passo que o a) informá-lo de determinado assunto;
ofício é expedido para e pelas demais autoridades. Ambos b) propor alguma medida; ou
têm como finalidade o tratamento de assuntos oficiais pe- c) submeter a sua consideração projeto de ato norma-
los órgãos da Administração Pública entre si e, no caso do tivo.
ofício, também com particulares. Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presidente
da República por um Ministro de Estado. Nos casos em que o
12.2. Forma e Estrutura assunto tratado envolva mais de um Ministério, a exposição de
motivos deverá ser assinada por todos os Ministros envolvi-
Quanto a sua forma, aviso e ofício seguem o modelo dos, sendo, por essa razão, chamada de interministerial.
do padrão ofício, com acréscimo do vocativo, que invoca
o destinatário (v. 2.1 Pronomes de Tratamento), seguido de 14.2. Forma e Estrutura
vírgula. Exemplos:
Excelentíssimo Senhor Presidente da República Formalmente, a exposição de motivos tem a apresenta-
Senhora Ministra ção do padrão ofício (v. 3. O Padrão Ofício).
Senhor Chefe de Gabinete A exposição de motivos, de acordo com sua finalida-
de, apresenta duas formas básicas de estrutura: uma para
Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício as aquela que tenha caráter exclusivamente informativo e ou-
seguintes informações do remetente: tra para a que proponha alguma medida ou submeta pro-
– nome do órgão ou setor; jeto de ato normativo.
– endereço postal; No primeiro caso, o da exposição de motivos que sim-
– telefone e endereço de correio eletrônico. plesmente leva algum assunto ao conhecimento do Pre-
sidente da República, sua estrutura segue o modelo antes
13. Memorando referido para o padrão ofício. Já a exposição de motivos que
submeta à consideração do Presidente da República a suges-
13.1. Definição e Finalidade tão de alguma medida a ser adotada ou a que lhe apresente
projeto de ato normativo – embora sigam também a estrutu-
O memorando é a modalidade de comunicação entre ra do padrão ofício –, além de outros comentários julgados
unidades administrativas de um mesmo órgão, que podem pertinentes por seu autor, devem, obrigatoriamente, apontar:
estar hierarquicamente em mesmo nível ou em níveis dife- a) na introdução: o problema que está a reclamar a ado-
rentes. Trata-se, portanto, de uma forma de comunicação ção da medida ou do ato normativo proposto;
eminentemente interna. Pode ter caráter meramente ad- b) no desenvolvimento: o porquê de ser aquela medida
ministrativo, ou ser empregado para a exposição de pro- ou aquele ato normativo o ideal para se solucionar
jetos, ideias, diretrizes, etc. a serem adotados por determi- o problema, e eventuais alternativas existentes para
nado setor do serviço público. Sua característica principal equacioná-lo;
é a agilidade. A tramitação do memorando em qualquer c) na conclusão, novamente, qual medida deve ser to-
órgão deve pautar-se pela rapidez e pela simplicidade mada, ou qual ato normativo deve ser editado para
de procedimentos burocráticos. Para evitar desnecessário solucionar o problema.
aumento do número de comunicações, os despachos ao Deve, ainda, trazer apenso o formulário de anexo à ex-
memorando devem ser dados no próprio documento e, posição de motivos, devidamente preenchido, de acordo
no caso de falta de espaço, em folha de continuação. Esse Com o modelo previsto no Anexo II do Decreto n.º 4.176,
procedimento permite formar uma espécie de processo de 28 de março de 2002.
simplificado, assegurando maior transparência à tomada Ao elaborar uma exposição de motivos, tenha presente
de decisões, e permitindo que se historie o andamento da que a atenção aos requisitos básicos da redação oficial (cla-
matéria tratada no memorando. reza, concisão, impessoalidade, formalidade, padronização
e uso do padrão culto de linguagem) deve ser redobrada.
13.2. Forma e Estrutura A exposição de motivos é a principal modalidade de co-
municação dirigida ao Presidente da República pelos Ministros.
Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo do Além disso, pode, em certos casos, ser encaminhada
padrão ofício, com a diferença de que o seu destinatário cópia ao Congresso Nacional ou ao Poder Judiciário ou,
deve ser mencionado pelo cargo que ocupa. Exemplos: ainda, ser publicada no Diário Oficial da União, no todo ou
Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração em parte.
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Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídicos


15. Mensagem
14. Exposição de Motivos
15.1. Definição e Finalidade
14.1. Definição e Finalidade
É o instrumento de comunicação oficial entre os Chefes
Exposição de motivos é o expediente dirigido ao Presi- dos Poderes Públicos, notadamente as mensagens envia-
dente da República ou ao Vice-Presidente para: das pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo

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para informar sobre fato da Administração Pública; expor o em vista que a Constituição, no seu art. 52, incisos III e IV,
plano de governo por ocasião da abertura de sessão legis- atribui àquela Casa do Congresso Nacional competência
lativa; submeter ao Congresso Nacional matérias que de- privativa para aprovar a indicação.
pendem de deliberação de suas Casas; apresentar veto; en- O curriculum vitae do indicado, devidamente assinado,
fim, fazer e agradecer comunicações de tudo quanto seja acompanha a mensagem.
de interesse dos poderes públicos e da Nação. d) pedido de autorização para o Presidente ou o Vice-
Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos Mi- -Presidente da República se ausentar do País por mais de
nistérios à Presidência da República, a cujas assessorias ca- 15 dias.
berá a redação final. Trata-se de exigência constitucional (Constituição, art.
As mensagens mais usuais do Poder Executivo ao Con- 49, III, e 83), e a autorização é da competência privativa do
gresso Nacional têm as seguintes finalidades: Congresso Nacional.
a) encaminhamento de projeto de lei ordinária, comple- O Presidente da República, tradicionalmente, por cor-
mentar ou financeira. Os projetos de lei ordinária ou com- tesia, quando a ausência é por prazo inferior a 15 dias, faz
plementar são enviados em regime normal (Constituição, uma comunicação a cada Casa do Congresso, enviando-
art. 61) ou de urgência (Constituição, art. 64, §§ 1.º a 4.º). -lhes mensagens idênticas.
Cabe lembrar que o projeto pode ser encaminhado sob o e) encaminhamento de atos de concessão e renovação
regime normal e mais tarde ser objeto de nova mensagem, de concessão de emissoras de rádio e TV.
com solicitação de urgência. A obrigação de submeter tais atos à apreciação do Con-
Em ambos os casos, a mensagem se dirige aos Mem- gresso Nacional consta no inciso XII do artigo 49 da Cons-
bros do Congresso Nacional, mas é encaminhada com avi- tituição. Somente produzirão efeitos legais a outorga ou
so do Chefe da Casa Civil da Presidência da República ao renovação da concessão após deliberação do Congresso
Primeiro Secretário da Câmara dos Deputados, para que Nacional (Constituição, art. 223, § 3.º). Descabe pedir na
tenha início sua tramitação (Constituição, art. 64, caput). mensagem a urgência prevista no art. 64 da Constituição,
Quanto aos projetos de lei financeira (que compreen- porquanto o § 1.º do art. 223 já define o prazo da trami-
dem plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamentos tação.
anuais e créditos adicionais), as mensagens de encaminha- Além do ato de outorga ou renovação, acompanha a
mento dirigem-se aos Membros do Congresso Nacional, e mensagem o correspondente processo administrativo.
os respectivos avisos são endereçados ao Primeiro Secretá- f) encaminhamento das contas referentes ao exercício
rio do Senado Federal. A razão é que o art. 166 da Consti- anterior.
tuição impõe a deliberação congressual sobre as leis finan- O Presidente da República tem o prazo de sessenta
ceiras em sessão conjunta, mais precisamente, “na forma dias após a abertura da sessão legislativa para enviar ao
do regimento comum”. E à frente da Mesa do Congresso Congresso Nacional as contas referentes ao exercício an-
Nacional está o Presidente do Senado Federal (Constitui- terior (Constituição, art. 84, XXIV), para exame e parecer da
ção, art. 57, § 5.º), que comanda as sessões conjuntas. Comissão Mista permanente (Constituição, art. 166, § 1.º),
As mensagens aqui tratadas coroam o processo desen- sob pena de a Câmara dos Deputados realizar a tomada de
volvido no âmbito do Poder Executivo, que abrange minu- contas (Constituição, art. 51, II), em procedimento discipli-
cioso exame técnico, jurídico e econômico-financeiro das nado no art. 215 do seu Regimento Interno.
matérias objeto das proposições por elas encaminhadas. g) mensagem de abertura da sessão legislativa.
Tais exames materializam-se em pareceres dos diversos Ela deve conter o plano de governo, exposição sobre
órgãos interessados no assunto das proposições, entre eles a situação do País e solicitação de providências que julgar
o da Advocacia-Geral da União. Mas, na origem das pro- necessárias (Constituição, art. 84, XI).
postas, as análises necessárias constam da exposição de O portador da mensagem é o Chefe da Casa Civil da
motivos do órgão onde se geraram (v. 3.1. Exposição de Presidência da República. Esta mensagem difere das de-
Motivos) – exposição que acompanhará, por cópia, a men- mais porque vai encadernada e é distribuída a todos os
sagem de encaminhamento ao Congresso. Congressistas em forma de livro.
b) encaminhamento de medida provisória. h) comunicação de sanção (com restituição de autógra-
Para dar cumprimento ao disposto no art. 62 da Cons- fos).
tituição, o Presidente da República encaminha mensagem Esta mensagem é dirigida aos Membros do Congresso
ao Congresso, dirigida a seus membros, com aviso para o Nacional, encaminhada por Aviso ao Primeiro Secretário da
Primeiro Secretário do Senado Federal, juntando cópia da Casa onde se originaram os autógrafos. Nela se informa
LÍNGUA PORTUGUESA

medida provisória, autenticada pela Coordenação de Do- o número que tomou a lei e se restituem dois exemplares
cumentação da Presidência da República. dos três autógrafos recebidos, nos quais o Presidente da
c) indicação de autoridades. República terá aposto o despacho de sanção.
As mensagens que submetem ao Senado Federal a in- i) comunicação de veto.
dicação de pessoas para ocuparem determinados cargos Dirigida ao Presidente do Senado Federal (Constituição,
(magistrados dos Tribunais Superiores, Ministros do TCU, art. 66, § 1.º), a mensagem informa sobre a decisão de ve-
Presidentes e Diretores do Banco Central, Procurador-Ge- tar, se o veto é parcial, quais as disposições vetadas, e as
ral da República, Chefes de Missão Diplomática, etc.) têm razões do veto. Seu texto vai publicado na íntegra no Diário

117
Oficial da União (v. 4.2. Forma e Estrutura), ao contrário das A mensagem, como os demais atos assinados pelo Pre-
demais mensagens, cuja publicação se restringe à notícia sidente da República, não traz identificação de seu signa-
do seu envio ao Poder Legislativo. tário.
j) outras mensagens.
Também são remetidas ao Legislativo com regular fre- 16. Telegrama
quência mensagens com:
– encaminhamento de atos internacionais que acarre- 16.1. Definição e Finalidade
tam encargos ou compromissos gravosos (Constituição,
art. 49, I); Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar
– pedido de estabelecimento de alíquotas aplicáveis os procedimentos burocráticos, passa a receber o título de
às operações e prestações interestaduais e de exportação telegrama toda comunicação oficial expedida por meio de
(Constituição, art. 155, § 2.º, IV); telegrafia, telex, etc.
– proposta de fixação de limites globais para o montan- Por tratar-se de forma de comunicação dispendiosa aos
te da dívida consolidada (Constituição, art. 52, VI); cofres públicos e tecnologicamente superada, deve restrin-
– pedido de autorização para operações financeiras ex- gir-se o uso do telegrama apenas àquelas situações que
ternas (Constituição, art. 52, V); e outros. não seja possível o uso de correio eletrônico ou fax e que
Entre as mensagens menos comuns estão as de: a urgência justifique sua utilização e, também em razão de
– convocação extraordinária do Congresso Nacional seu custo elevado, esta forma de comunicação deve pau-
(Constituição, art. 57, § 6.º); tar-se pela concisão (v. 1.4. Concisão e Clareza).
– pedido de autorização para exonerar o Procurador-
-Geral da República (art. 52, XI, e 128, § 2.º); 16.2. Forma e Estrutura
– pedido de autorização para declarar guerra e decretar
mobilização nacional (Constituição, art. 84, XIX); Não há padrão rígido, devendo-se seguir a forma e
– pedido de autorização ou referendo para celebrar a a estrutura dos formulários disponíveis nas agências dos
paz (Constituição, art. 84, XX); Correios e em seu sítio na Internet.
– justificativa para decretação do estado de defesa ou
de sua prorrogação (Constituição, art. 136, § 4.º); 17. Fax
– pedido de autorização para decretar o estado de sítio
(Constituição, art. 137); 17.1. Definição e Finalidade
– relato das medidas praticadas na vigência do esta-
do de sítio ou de defesa (Constituição, art. 141, parágrafo O fax (forma abreviada já consagrada de fac-símile) é
único); uma forma de comunicação que está sendo menos usada
– proposta de modificação de projetos de leis financei- devido ao desenvolvimento da Internet. É utilizado para a
ras (Constituição, art. 166, § 5.º); transmissão de mensagens urgentes e para o envio ante-
– pedido de autorização para utilizar recursos que fi- cipado de documentos, de cujo conhecimento há premên-
carem sem despesas correspondentes, em decorrência de cia, quando não há condições de envio do documento por
veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária meio eletrônico. Quando necessário o original, ele segue
anual (Constituição, art. 166, § 8.º); posteriormente pela via e na forma de praxe.
– pedido de autorização para alienar ou conceder terras Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com có-
públicas com área superior a 2.500 ha (Constituição, art. pia xerox do fax e não com o próprio fax, cujo papel, em
188, § 1.º); etc. certos modelos, deteriora-se rapidamente.

5.2. Forma e Estrutura 17.2. Forma e Estrutura

As mensagens contêm: Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a


a) a indicação do tipo de expediente e de seu número, estrutura que lhes são inerentes.
horizontalmente, no início da margem esquerda: É conveniente o envio, juntamente com o documento
Mensagem n.º principal, de folha de rosto e de pequeno formulário com os
dados de identificação da mensagem a ser enviada, confor-
b) vocativo, de acordo com o pronome de tratamento e me exemplo a seguir:
o cargo do destinatário, horizontalmente, no início da mar-
LÍNGUA PORTUGUESA

gem esquerda; [Órgão Expedidor]


Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal, [setor do órgão expedidor]
[endereço do órgão expedidor]
c) o texto, iniciando a 2 cm do vocativo; Destinatário:____________________________________
d) o local e a data, verticalmente a 2 cm do final do No do fax de destino:_______________ Data:___/___/___
texto, e horizontalmente fazendo coincidir seu final com a Remetente: ____________________________________
margem direita. Tel. p/ contato:____________ Fax/correio eletrônico:____
No de páginas: ________No do documento:____________

118
Observações:___________________________________ oração, mas que podem ser ou intercalados aos elementos
que desempenham as outras funções, ou deslocados para
18. Correio Eletrônico o início da oração.
Temos, assim, a seguinte ordem de colocação dos ele-
18.1 Definição e finalidade mentos que compõem uma oração (Observação: os parên-
teses indicam os elementos que podem não ocorrer):
O correio eletrônico (“e-mail”), por seu baixo custo e
celeridade, transformou-se na principal forma de comuni- (sujeito) - verbo - (complementos) - (adjunto adverbial).
cação para transmissão de documentos.
Podem ser identificados seis padrões básicos para as
18.2. Forma e Estrutura orações pessoais (isto é, com sujeito) na língua portuguesa
(a função que vem entre parênteses é facultativa e pode
Um dos atrativos de comunicação por correio eletrô- ocorrer em ordem diversa):
nico é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir forma
rígida para sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o uso 1. Sujeito - verbo intransitivo - (Adjunto Adverbial)
de linguagem incompatível com uma comunicação oficial O Presidente - regressou - (ontem).
(v. 1.2 A Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais).
O campo assunto do formulário de correio eletrônico 2. Sujeito - verbo transitivo direto - objeto direto - (ad-
deve ser preenchido de modo a facilitar a organização do- junto adverbial)
cumental tanto do destinatário quanto do remetente. O Chefe da Divisão - assinou - o termo de posse - (na
Para os arquivos anexados à mensagem deve ser utili- manhã de terça-feira).
zado, preferencialmente, o formato Rich Text. A mensagem
que encaminha algum arquivo deve trazer informações mí- 3. Sujeito - verbo transitivo indireto - objeto indireto -
nimas sobre seu conteúdo. (adjunto adverbial).
Sempre que disponível, deve-se utilizar recurso de con- O Brasil - precisa - de gente honesta - (em todos os se-
firmação de leitura. Caso não seja disponível, deve constar tores).
da mensagem pedido de confirmação de recebimento.
4. Sujeito - verbo transitivo direto e indireto - obj. direto
18.3 Valor documental - obj. indireto - (adj. Adv.)
Os desempregados - entregaram - suas reivindicações -
Nos termos da legislação em vigor, para que a mensa- ao Deputado - (no Congresso).
gem de correio eletrônico tenha valor documental, e para
que possa ser aceito como documento original, é neces- 5. Sujeito - verbo transitivo indireto - complemento ad-
sário existir certificação digital que ateste a identidade do verbial - (adjunto adverbial)
remetente, na forma estabelecida em lei. A reunião do Grupo de Trabalho - ocorrerá - em Buenos
Aires - (na próxima semana).
O Presidente - voltou - da Europa - (na sexta-feira)
ELEMENTOS DE ORTOGRAFIA E GRAMÁTICA 6. Sujeito - verbo de ligação - predicativo - (adjunto
adverbial)
1. Problemas de Construção de Frases O problema - será - resolvido - prontamente.

A clareza e a concisão na forma escrita são alcançadas, Estes seriam os padrões básicos para as orações, ou
principalmente, pela construção adequada da frase, “a me- seja, as frases que possuem apenas um verbo conjugado.
nor unidade autônoma da comunicação”, na definição de Na construção de períodos, as várias funções podem ocor-
Celso Pedro Luft. rer em ordem inversa à mencionada, misturando-se e con-
A função essencial da frase é desempenhada pelo pre- fundindo-se. Não interessa aqui análise exaustiva de todos
dicado, que, para Adriano da Gama Kury, pode ser entendi- os padrões existentes na língua portuguesa. O que importa
do como “a enunciação pura de um fato qualquer”. Sempre é fixar a ordem normal dos elementos nesses seis padrões
que a frase possuir pelo menos um verbo, recebe o nome básicos. Acrescente-se que períodos mais complexos, com-
de período, que terá tantas orações quantos forem os ver- postos por duas ou mais orações, em geral podem ser re-
bos não auxiliares que o constituem. duzidos aos padrões básicos (de que derivam).
LÍNGUA PORTUGUESA

Outra função relevante é a do sujeito – mas não indis- Os problemas mais frequentemente encontrados na
pensável, pois há orações sem sujeito, ditas impessoais –, construção de frases dizem respeito à má pontuação, à
de quem se diz algo, cujo núcleo é sempre um substantivo. ambiguidade da ideia expressa, à elaboração de falsos pa-
Sempre que o verbo o exigir, teremos nas orações substan- ralelismos, erros de comparação, etc. Decorrem, em geral,
tivos (nomes ou pronomes) que desempenham a função do desconhecimento da ordem das palavras na frase. In-
de complementos (objetos direto e indireto, predicativo e dicam-se, a seguir, alguns desses defeitos mais comuns e
complemento adverbial). Função acessória desempenham recorrentes na construção de frases, registrados em docu-
os adjuntos adverbiais, que vêm geralmente ao final da mentos oficiais.

119
2. Sujeito Errado: Pelo aviso circular recomendou-se aos Ministé-
rios economizar energia e que elaborassem planos de redu-
Como dito, o sujeito é o ser de quem se fala ou que ção de despesas.
executa a ação enunciada na oração. Ele pode ter comple-
mento, mas não ser complemento. Devem ser evitadas, Na frase temos, nas duas orações subordinadas que
portanto, construções como: completam o sentido da principal, duas estruturas diferen-
tes para ideias equivalentes: a primeira oração (economizar
Errado: É tempo do Congresso votar a emenda. energia) é reduzida de infinitivo, enquanto a segunda (que
Certo: É tempo de o Congresso votar a emenda. elaborassem planos de redução de despesas) é uma oração
desenvolvida introduzida pela conjunção integrante que.
Errado: Apesar das relações entre os países estarem cor- Há mais de uma possibilidade de escrevê-la com clareza e
tadas, (...). correção; uma seria a de apresentar as duas orações subor-
Certo: Apesar de as relações entre os países estarem cor- dinadas como desenvolvidas, introduzidas pela conjunção
tadas, (...). integrante que:

Errado: Não vejo mal no Governo proceder assim. Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministé-
Certo: Não vejo mal em o Governo proceder assim. rios que economizassem energia e (que) elaborassem planos
para redução de despesas.
Errado: Antes destes requisitos serem cumpridos, (...).
Certo: Antes de estes requisitos serem cumpridos, (...). Outra possibilidade: as duas orações são apresentadas
como reduzidas de infinitivo:
Errado: Apesar da Assessoria ter informado em tempo, Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministé-
(...). rios economizar energia e elaborar planos para redução de
Certo: Apesar de a Assessoria ter informado em tempo, despesas.
(...).
Nas duas correções respeita-se a estrutura paralela na
3. Frases Fragmentadas coordenação de orações subordinadas.
Mais um exemplo de frase inaceitável na língua escrita
A fragmentação de frases “consiste em pontuar uma culta:
oração subordinada ou uma simples locução como se fosse Errado: No discurso de posse, mostrou determinação,
uma frase completa”. Decorre da pontuação errada de uma não ser inseguro, inteligência e ter ambição.
frase simples. Embora seja usada como recurso estilístico
na literatura, a fragmentação de frases deve ser evitada nos O problema aqui decorre de coordenar palavras (subs-
textos oficiais, pois muitas vezes dificulta a compreensão. tantivos) com orações (reduzidas de infinitivo).
Exemplo: Para tornar a frase clara e correta, pode-se optar ou por
transformá-la em frase simples, substituindo as orações re-
Errado: O programa recebeu a aprovação do Congresso duzidas por substantivos:
Nacional. Depois de ser longamente debatido. Certo: No discurso de posse, mostrou determinação, se-
Certo: O programa recebeu a aprovação do Congresso gurança, inteligência e ambição.
Nacional, depois de ser longamente debatido.
Certo: Depois de ser longamente debatido, o programa Atentemos, ainda, para o problema inverso, o falso pa-
recebeu a aprovação do Congresso Nacional. ralelismo, que ocorre ao se dar forma paralela (equivalente)
a ideias de hierarquia diferente ou, ainda, ao se apresentar,
Errado: O projeto de Convenção foi oportunamente sub- de forma paralela, estruturas sintáticas distintas:
metido ao Presidente da República, que o aprovou. Consul- Errado: O Presidente visitou Paris, Bonn, Roma e o Papa.
tadas as áreas envolvidas na elaboração do texto legal.
Certo: O projeto de Convenção foi oportunamente sub- Nesta frase, colocou-se em um mesmo nível cidades
metido ao Presidente da República, que o aprovou, consulta- (Paris, Bonn, Roma) e uma pessoa (o Papa). Uma possibili-
das as áreas envolvidas na elaboração do texto legal. dade de correção é transformá-la em duas frases simples,
com o cuidado de não repetir o verbo da primeira (visitar):
4. Erros de Paralelismo Certo: O Presidente visitou Paris, Bonn e Roma. Nesta
LÍNGUA PORTUGUESA

última capital, encontrou-se com o Papa.


Uma das convenções estabelecidas na linguagem es-
crita “consiste em apresentar ideias similares numa forma Mencionemos, por fim, o falso paralelismo provocado
gramatical idêntica”, o que se chama de paralelismo. Assim, pelo uso inadequado da expressão “e que” num período
incorre-se em erro ao conferir forma não paralela a ele- que não contém nenhum “que” anterior.
mentos paralelos. Vejamos alguns exemplos: Errado: O novo procurador é jurista renomado, e que
tem sólida formação acadêmica.

120
Para corrigir a frase, suprimimos o pronome relativo: A) pronomes pessoais:
Certo: O novo procurador é jurista renomado e tem sóli- Ambíguo: O Ministro comunicou a seu secretariado que
da formação acadêmica. ele seria exonerado.
Claro: O Ministro comunicou exoneração dele a seu se-
Outro exemplo de falso paralelismo com “e que”: cretariado.
Errado: Neste momento, não se devem adotar medidas Ou então, caso o entendimento seja outro:
precipitadas, e que comprometam o andamento de todo o Claro: O Ministro comunicou a seu secretariado a exo-
programa. neração deste.
Da mesma forma com que corrigimos o exemplo ante-
rior, aqui podemos suprimir a conjunção: B) pronomes possessivos e pronomes oblíquos:
Certo: Neste momento, não se devem adotar medidas Ambíguo: O Deputado saudou o Presidente da Repúbli-
precipitadas, que comprometam o andamento de todo o ca, em seu discurso, e solicitou sua intervenção no seu Esta-
programa. do, mas isso não o surpreendeu.
Observe a multiplicidade de ambiguidade no exemplo
5. Erros de Comparação acima, a qual torna incompreensível o sentido da frase.
Claro: Em seu discurso o Deputado saudou o Presidente
A omissão de certos termos ao fazermos uma compa- da República. No pronunciamento, solicitou a intervenção
ração, omissão própria da língua falada, deve ser evitada federal em seu Estado, o que não surpreendeu o Presidente
na língua escrita, pois compromete a clareza do texto: nem da República.
sempre é possível identificar, pelo contexto, qual o termo
omitido. A ausência indevida de um termo pode impossi- C) pronome relativo:
bilitar o entendimento do sentido que se quer dar a uma Ambíguo: Roubaram a mesa do gabinete em que eu
frase: costumava trabalhar.
Não fica claro se o pronome relativo da segunda oração
Errado: O salário de um professor é mais baixo do que faz referência “à mesa” ou “a gabinete”. Esta ambiguidade
um médico. se deve ao pronome relativo “que”, sem marca de gênero.
A omissão de termos provocou uma comparação inde- A solução é recorrer às formas o qual, a qual, os quais, as
vida: “o salário de um professor” com “um médico”. quais, que marcam gênero e número.
Certo: O salário de um professor é mais baixo do que o Claro: Roubaram a mesa do gabinete no qual eu costu-
salário de um médico. mava trabalhar.
Certo: O salário de um professor é mais baixo do que o Se o entendimento é outro, então:
de um médico. Claro: Roubaram a mesa do gabinete na qual eu costu-
mava trabalhar.
Errado: O alcance do Decreto é diferente da Portaria.
Novamente, a não repetição dos termos comparados Há, ainda, outro tipo de ambiguidade, que decorre da
confunde. Alternativas para correção: dúvida sobre a que se refere a oração reduzida:
Certo: O alcance do Decreto é diferente do alcance da Ambíguo: Sendo indisciplinado, o Chefe admoestou o
Portaria. funcionário.
Certo: O alcance do Decreto é diferente do da Portaria. Para evitar o tipo de ambiguidade do exemplo acima,
deve-se deixar claro qual o sujeito da oração reduzida.
Errado: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas Claro: O Chefe admoestou o funcionário por ser este in-
do que os Ministérios do Governo. disciplinado.
No exemplo acima, a omissão da palavra “outros” (ou
“demais”) acarretou imprecisão: Ambíguo: Depois de examinar o paciente, uma senhora
Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas chamou o médico.
do que os outros Ministérios do Governo. Claro: Depois que o médico examinou o paciente, foi
Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas chamado por uma senhora.
do que os demais Ministérios do Governo.
SITE
6. Ambiguidade http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual-
redpr2aed.pdf
LÍNGUA PORTUGUESA

Ambígua é a frase ou oração que pode ser tomada em


mais de um sentido. Como a clareza é requisito básico de
todo texto oficial, deve-se atentar para as construções que
possam gerar equívocos de compreensão.
A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade de
identificar a qual palavra se refere um pronome que possui
mais de um antecedente na terceira pessoa. Pode ocorrer
com:

121
(Fonte: https://www.10emtudo.com.br/aula/ensino/a_
redacao_oficial_ata/)
EXERCÍCIOS COMENTADOS
4. (Tribunal de Justiça-se – Técnico Judiciário – cespe
1. (antaq – Especialista em Regulação de Serviços de – 2014) Em toda comunicação oficial, exceto nas direcio-
Transportes Aquaviários – superior – cespe – 2014) nadas a autoridades estrangeiras, deve-se fazer uso dos fe-
Considerando aspectos estruturais e linguísticos das corres- chos Respeitosamente ou Atenciosamente, de acordo com
pondências oficiais, julgue os itens que se seguem, de acordo as hierarquias do destinatário e do remetente.
com o Manual de Redação da Presidência da República.
O tratamento Digníssimo deve ser empregado para todas ( ) CERTO ( ) ERRADO
as autoridades do poder público, uma vez que a dignidade
é tida como qualidade inerente aos ocupantes de cargos Resposta: Certo. Segundo o Manual de Redação Ofi-
públicos. cial: (...) Manual estabelece o emprego de somente dois
fechos diferentes para todas as modalidades de comu-
( ) CERTO ( ) ERRADO nicação oficial:
a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente da
Resposta: Errado. Vamos ao Manual: O Manual ainda República: Respeitosamente,
preceitua que a forma de tratamento “Digníssimo” fica b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierar-
abolida (...) afinal, a dignidade é condição primordial quia inferior: Atenciosamente,
para que tais cargos públicos sejam ocupados. Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigi-
Fonte: http://www.redacaooficial.com.br/redacao_ofi- das a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e
cial_publicacoes_ver.php?id=2 tradição próprios, devidamente disciplinados no Manual
de Redação do Ministério das Relações Exteriores.
2. (tribunal de justiça-se – técnico judiciário – Médio
– cespe – 2014) Em toda comunicação oficial, exceto nas 5. (antaq – Especialista em Regulação de Serviços de
direcionadas a autoridades estrangeiras, deve-se fazer uso Transportes Aquaviários – cespe – 2014) Consideran-
dos fechos Respeitosamente ou Atenciosamente, de acor- do aspectos estruturais e linguísticos das correspondências
do com as hierarquias do destinatário e do remetente. oficiais, julgue os itens que se seguem, de acordo com o
Manual de Redação da Presidência da República.
( ) CERTO ( ) ERRADO O tratamento Digníssimo deve ser empregado para todas
as autoridades do poder público, uma vez que a dignidade
Resposta: Certo. Segundo o Manual de Redação Ofi- é tida como qualidade inerente aos ocupantes de cargos
cial: (...) Manual estabelece o emprego de somente dois públicos.
fechos diferentes para todas as modalidades de comu-
nicação oficial: ( ) CERTO ( ) ERRADO
A) para autoridades superiores, inclusive o Presidente
da República: Respeitosamente, Resposta: Errado. Vamos ao Manual: O Manual ainda
B) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierar- preceitua que a forma de tratamento “Digníssimo” fica
quia inferior: Atenciosamente, abolida (...) afinal, a dignidade é condição primordial
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigi- para que tais cargos públicos sejam ocupados.
das a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e Fonte: http://www.redacaooficial.com.br/redacao_ofi-
tradição próprios, devidamente disciplinados no Manual cial_publicacoes_ver.php?id=2
de Redação do Ministério das Relações Exteriores.

3. (anp – Conhecimento Básico para todos os Cargos


– cespe – 2013) Na redação de uma ata, devem-se relatar
exaustivamente, com o máximo de detalhamento possível,
incluindo-se os aspectos subjetivos, as discussões, as pro-
postas, as resoluções e as deliberações ocorridas em reu-
niões e eventos que exigem registro.
LÍNGUA PORTUGUESA

( ) CERTO ( ) ERRADO

Resposta: Errado. Ata é um documento administrati-


vo que tem a finalidade de registrar de modo sucinto a
sequência de eventos de uma reunião ou assembleia de
pessoas com um fim específico. É característica da Ata
apresentar um resumo, cronologicamente disposto, de
modo infalível, de todo o desenrolar da reunião.

122
HORA DE PRATICAR!

1. (MAPA – Auditor Fiscal Federal Agropecuário – Médico Veterinário – Superior – ESAF – 2017) Assinale a opção
que apresenta desvio de grafia da palavra.
A acupuntura é uma terapia da medicina tradicional chinesa que favorece a regularização dos processos fisiológicos do corpo,
no sentido de promover ou recuperar o estado natural de saúde e equilíbrio. Pode ser usada preventivamente (1) para evitar
o desenvolvimento de doenças, como terapia curativa no caso de a doença estar instalada ou como método paliativo (2) em
casos de doenças crônicas de difícil tratamento. Tem também uma ação importante na medicina rejenerativa (3) e na reabili-
tação. O tratamento de acupuntura consiste na introdução de agulhas filiformes no corpo dos animais. Em geral são deixadas
cerca de 15 a 20 minutos. A colocação das agulhas não é dolorosa para os animais e é possível observar durante os tratamen-
tos diferentes reações fisiológicas (4), indicadoras de que o tratamento está atingindo o efeito terapêutico (5) desejado.
Disponível: <http://www.veterinariaholistica.net/acupuntura-fitoterapia-e-homeopatia.html/>. Acesso em 28/11/2017. (Com adaptações)

a) (1)
b) (2)
c) (3)
d) (4)
e) (5)

2. (TRT – 21.ª Região-RN – Técnico Judiciário – Área Administrativa – Médio – FCC – 2017) Respeitando-se as
normas de redação do Manual da Presidência da República, a frase correta é:

a) Solicito a Vossa Senhoria que verifique a possibilidade de implementação de projeto de treinamento de pessoal para
operar os novos equipamentos gráficos a serem instalados em seu setor.
b) Venho perguntar-lhe, por meio desta, so