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IMPORTANTE:

Leia atentamente os módulos e se achar necessário responda NO CADERNO as atividades propostas. Elas não são obrigatórias.

Consulte o dicionário sempre que não souber o significado das palavras. Se necessário, utilize o volume da biblioteca.

Se você tiver dúvidas com a matéria, consulte uma das professoras na sala de História.

matéria, consulte uma das professoras na sala de História. NÃO ESCREVA NA APOSTILA, POIS ELA SERÁ
matéria, consulte uma das professoras na sala de História. NÃO ESCREVA NA APOSTILA, POIS ELA SERÁ

NÃO ESCREVA NA APOSTILA, POIS ELA SERÁ TROCADA POR OUTRA.

A TROCA SÓ SERÁ FEITA SE A APOSTILA ESTIVER EM PERFEITO ESTADO.

ESCREVA NA APOSTILA, POIS ELA SERÁ TROCADA POR OUTRA. A TROCA SÓ SERÁ FEITA SE A
ESCREVA NA APOSTILA, POIS ELA SERÁ TROCADA POR OUTRA. A TROCA SÓ SERÁ FEITA SE A

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Seus avós, provavelmente, devem ter visto história parecida com essa que você verá a seguir!
Seus avós, provavelmente, devem
ter visto história parecida com essa
que você verá a seguir!

No módulo anterior, você estudou os acontecimentos que se destacaram durante o período que vai da crise do império até a Proclamação da República, certo?

Vamos nessa?

Após a Proclamação da República, bem pouca coisa mudou. O direito de votar foi um pouco ampliado, mas, mesmo assim o voto da população continuou sendo manipulado.

É importante saber que naquela época, quem mandava no Brasil eram os ricos, os poderosos, os latifundiários, ou

seja: as oligarquias estaduais. Em cada Estado, uma família ou um grupo de famílias muito ricas, ligadas ao latifúndio, controlavam a política. O governador, os prefeitos, os deputados, só eram eleitos se tivessem o

apoio desses grupos de famílias poderosas.

Oligarquia - governo de poucas pessoas pertencentes ao mesmo partido, classe ou família.
Oligarquia - governo de poucas
pessoas pertencentes ao mesmo
partido, classe ou família.

As oligarquias mais importantes eram as de São Paulo e Minas Gerais.

Era a chamada política do café-com-leite. Somente os Estados de São Paulo e Minas Gerais ocupavam o cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA. Após 4 anos, um presidente paulista indicava um mineiro, que após 4 anos indicaria um paulista e assim, alternavam-se no poder e os demais estados não disputavam o cargo. SÃO PAULO produzia o café - era o Estado mais rico e MINAS GERAIS era o segundo - possuía importante produção pecuária – o gado leiteiro: leite.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série No Brasil rural das primeiras décadas republicanas, ser coronel

No Brasil rural das primeiras décadas republicanas, ser coronel significava ser poderoso, dono de riquezas agrícola, de prestígio político e com poder de influenciar pessoas.

Sob a proteção do governo, os coronéis eram latifundiários que mandavam em toda a região ou em um município. Era um chefe político rico e

poderoso

cheio

de

jagunços

(homens

armados).

Nas

cidadezinhas

todos

tinham

medo dos coronéis que existiam; a força deles era principalmente política

Na época das eleições, os coronéis mais poderosos eram os que mais eleitores conseguiam controlar – isso era feito através do voto de cabresto.

Voto de Cabresto

era feito através do voto de cabresto . Voto de Cabresto O voto de cabresto não

O voto de cabresto não era resultado apenas da violência, de jagunços vigiando se a pessoa realmente votava no candidato do coronel, mas também, de outras estratégias que utilizavam para conquistar o maior número de eleitores possíveis.

Quando vinham as eleições, os coronéis distribuíam presentes para os eleitores: enxadas, sapatos, churrasco, emprego na prefeitura, festa na cidade.

Somente com o Código Eleitoral de 1932, surgiu no Brasil o voto secreto para homens e mulheres maiores de 18 anos.

Em troca, votavam no candidato indicado pelo coronel.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Hoje em dia, o sistema eleitoral brasileiro adota o voto secreto, ou seja, o eleitor
Hoje em dia, o sistema eleitoral brasileiro adota o voto secreto, ou seja, o
eleitor não revela publicamente seu candidato. Isso permite uma escolha
livre na hora da votação. Apesar disso, o coronelismo e as pressões
eleitorais NÃO desapareceram no país.
Nas regiões mais carentes, ainda hoje, o eleitor pobre e sem
informação ainda vota com medo. É comum vender seu voto por uma sacola
de comida, uma dentadura, um uniforme novo para o time de futebol, ou
mesmo uma vaga garantida para o filho na escola pública.

Agora responda em seu caderno:

1.

O que você entendeu sobre o voto de cabresto? E hoje no Brasil, essas práticas ainda existem? Justifique a sua resposta.

essas práticas ainda existem? Justifique a sua resposta. Você estudou que o regime republicano não provocou
essas práticas ainda existem? Justifique a sua resposta. Você estudou que o regime republicano não provocou

Você estudou que o regime republicano não provocou grandes mudanças na vida do povo brasileiro. No plano econômico, também não mudou, ou

seja, a economia continuou baseada

gêneros tropicais destinados à exportação,

pois, não havia grandes concorrentes

CAFÉ

matérias-primas e

na

produção

de

porém

o

continuava sendo o principal produto, no mercado internacional.

Nem só de café vivia a República

Além do café, em que mais eu poderia investir?
Além do café, em
que mais eu
poderia investir?
no mercado internacional. Nem só de café vivia a República Além do café, em que mais
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série No final do século, a grande moda européia

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

No final do século, a grande moda européia era a bicicleta. O avanço da Segunda Revolução Industrial tornou o aço um produto relativamente barato, permitindo que até as classes populares se deliciassem com o veículo de duas rodas. No começo do século XX, outro meio de transporte, para os ricos, fazia muito sucesso: o automóvel.

Os pneus eram todos feitos de borracha. De repente, a indústria mundial precisava muito dela. E sabe de onde vinha? Do Brasil.

Entre 1890 e 1913, o Brasil tornou-se o maior exportador de borracha do mundo. Época de um grande esplendor que não duraria muito

Os miseráveis nordestinos iam para a Amazônia tentar nova vida, trabalhando como seringueiros. Vida infernal, no calor úmido, entre doenças, mosquitos e cobras.

Compravam fiado no barracão dos latifundiários (comida, ferramentas, roupas), e no final do mês sempre deviam mais do que recebiam.

Estavam presos a esses laços de servidão, que levariam milhares de migrantes nordestinos a morrer esgotados no coração da selva.

nordestinos a morrer esgotados no coração da selva . Nas primeiras décadas do século XX, o

Nas primeiras décadas do século XX, o cacau plantado no sul da Bahia chegou a representar quase 4% das nossas exportações.

Os coronéis baianos e os grandes comerciantes da cidade de Ilhéus se enriqueceram à custa do suor do trabalhador rural. Na colheita do cacau, as mulheres trabalhavam tão duramente quanto os homens.

Os problemas do preço do cacau vieram quando as plantações nas colônias da Inglaterra na África começaram a dar resultados. Mais uma vez a concorrência internacional abalou a agricultura de exportação brasileira.

O algodão era exportado em grande quantidade. Mas o crescimento industrial do Brasil começou a

O algodão era exportado

em grande quantidade.

Mas o crescimento industrial do Brasil começou a absorver quantidades cada vez maiores dessa matéria-prima.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Fiação Matarazzo – São Paulo
Fiação Matarazzo – São Paulo

Por isso, nos anos 20, São Paulo se tornou o maior produtor e muitas vezes era plantado entre as fileiras de café.

Entre 1821 e 1830, o algodão ocupou o 2º lugar na pauta das exportações brasileiras. Nas décadas seguintes entrou em decadência devido à concorrência dos Estados Unidos no mercado internacional.

Entre 1861-1865, o algodão brasileiro ficou em alta novamente, pois os Estados Unidos estava em guerra e o algodão brasileiro abastecia os mercados da Europa. Terminado esse período de glória, o algodão entrou novamente em declínio no mercado externo.

o algodão entrou novamente em declínio no mercado externo. Até 1830, o açúcar era nosso principal

Até

1830,

o açúcar era

nosso principal

produto

de

exportação,

perdendo sua posição para outros países.

foi

Diante da concorrência internacional, nosso açúcar passou a ser vendido, cada vez mais no mercado interno brasileiro.

A maior parte dos produtos que se destacaram na Velha República, por

concorrência internacional, acabaram perdendo mercado. Diante desse problema,

muitas das decisões tomadas por governantes para proteger a elite (os ricos) acabaram tendo conseqüências negativas para todo o povo.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Não é difícil imaginar que esse período foi marcado por muitos problemas financeiros gerando uma enorme inflação.

muitos problemas financeiros gerando uma enorme inflação. Cerca de 3,8 milhões de estrangeiros entraram no Brasil
muitos problemas financeiros gerando uma enorme inflação. Cerca de 3,8 milhões de estrangeiros entraram no Brasil

Cerca de 3,8 milhões de estrangeiros entraram no Brasil entre 1887 e 1930.

"Êpa!", mas em 1888 não havia sido assinada a Lei Áurea para libertar os escravos? Então qual é o motivo da vinda de tanta gente para trabalhar aqui, se existia a mão-de-obra do negro liberto? E o que será que aconteceu com os negros? Será que os negros que até então trabalhavam sob o regime de escravidão tiveram as mesmas oportunidades de trabalho que os imigrantes aqui no Brasil? A resposta é não. São Paulo recebeu a maioria dos estrangeiros, esse fato se explica pelas facilidades concedidas pelo Governo Brasileiro (passagens, alojamentos etc.) e pelas oportunidades de trabalho abertas por uma economia em expansão.

E o negro, depois da abolição, teve algum amparo por parte do Estado? A resposta novamente é não.

E se perguntar a você se hoje as oportunidades de trabalho são as mesmas para todos, independente da cor, etnia e sexo, o que você responderia?

independente da cor, etnia e sexo, o que você responderia? É importante saber que para justificar

É importante saber que para justificar a substituição do trabalho do negro pelo trabalho do imigrante, surgiram na época muitas teorias de inferioridade racial, fato esse que contribuiu muito para reforçar o preconceito racial que por ignorância dos fatos ainda existe nos dias de hoje em nosso país.

dos fatos ainda existe nos dias de hoje em nosso país. O povo não participou da
dos fatos ainda existe nos dias de hoje em nosso país. O povo não participou da
dos fatos ainda existe nos dias de hoje em nosso país. O povo não participou da
O povo não participou da PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA. A maioria da população brasileira vivia na
O povo não participou da PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA.
A maioria da população brasileira vivia na marginalidade.
A República não melhorou em nada a vida dessas pessoas.

Assim, com a economia ruim e a insatisfação do pobre, que se sentia desprezado e explorado vão ocorrer muitas revoltas populares nessa época.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Conheça três revoltas populares que aconteceram na Velha República:

Imagine a situação dos
Imagine
a
situação
dos
Vista de Canudos
Vista de Canudos

camponeses, trabalhando debaixo do sol quente do

sertão, dando um duro

miserável, sem nunca ter

visto um médico ou uma

escola para os filhos, passando fome, enquanto

o coronel tomava

refrescos na varanda de sua casa grande.

Todas essas condições, mais a crise econômica (entre 1850-1890), ocorreu uma das maiores revoltas camponesas da história do continente - Canudos. Foi no sertão da Bahia, numa área abandonada, perto do rio Vaza-Barris. Primeiro surgiu uma rocinha aqui, um barraco lá, uma cerca com criação de bodes; outro barraco, mais uma família que chegava para plantar feijão e abóbora, e criar galinhas e cabritos. Em pouco tempo, milhares de famílias estavam morando na comunidade chamada Canudos.

O povo oprimido era religioso. E nas vilas da região, nas praças e nas feiras, um homem barbudo e de olhar profundo dizia palavras que tocavam fundo no coração daquela gente sofrida.

CANUDOS - era uma espécie de comunidade alternativa, como se os camponeses de lá dissessem a todos os outros do país: "Gente, se a terra for repartida, todos viveremos melhor". Portanto, tratava-se claramente de uma revolta social contra o latifúndio e a República Velha dominada pelos coronéis. No entanto, a maneira de ver as coisas não era política, era religiosa. Antônio Conselheiro, líder de Canudos, dizia que suas metas eram guiadas pelo retorno do Messias, Jesus.

Então, movimentos de protesto social dos pobres, que assumem uma linguagem e uma visão religiosa, recebem o nome de messiânico. Canudos:

foi um exemplo típico de messianismo.

Não é difícil imaginar o final de toda essa história, expedições policiais foram enviadas à região. Venceram várias expedições, até que o exército enviou 8 mil homens, acompanhados por canhões especialmente importados da Alemanha e comandados por um general. Foi um massacre. Nem as crianças escaparam. Milhares de pessoas foram massacradas pelo exército.

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A ferro e fogo, os latifundiários nordestinos continuaram impondo seu domínio.

nordestinos continuaram impondo seu domínio. A situação de miséria, as injustiças dos coronéis, a

A situação de miséria, as injustiças dos

coronéis, a fome e as secas, produziram no Nordeste um cenário favorável à formação de bandos populares, bem armados, conhecidos como cangaceiros. Esses bandos andavam pelos sertões assaltando fazendas e matando pessoas. Espalhavam o medo, numa terra sem lei.

O cangaço, é um movimento polêmico.

Muitos consideram uma forma pura e simples de banditismo e criminalidade. Para outros

é uma forma de banditismo social, isto é, uma

Para outros é uma forma de banditismo social, isto é, uma forma de revolta contra a

forma de revolta contra a opressão e a miséria da vida nordestina.

O mais conhecido foi o bando de Virgulino Ferreira, o Lampião (1920).

Depois que a polícia massacrou o bando de Lampião, em 1939, o cangaço

praticamente desapareceu no Nordeste.

em 1939 , o cangaço praticamente desapareceu no Nordeste. Na Revolta da Vacina em 1904, no
em 1939 , o cangaço praticamente desapareceu no Nordeste. Na Revolta da Vacina em 1904, no

Na Revolta da Vacina em 1904, no Rio de Janeiro, o povo foi chamado de "ignorante". Como se o povo nunca tivesse um bom motivo nacional para se revoltar Tudo começou quando o prefeito iniciava uma grande reforma na capital da República Rio de Janeiro. O problema é que para alargar as avenidas, várias casas populares foram derrubadas, sem que o governo se preocupasse em arrumar um lugar para os desabrigados; os funcionários do governo não tinham dó, subiam o Morro Favela (onde moravam os mais pobres) e derrubavam tudo. Mais tarde, a cidade do Rio sofria com uma série de doenças como a febre amarela, a malária e a varíola e como eliminá-las? Foi convocado o médico sanitarista Oswaldo Cruz, que recomendou o extermínio de ratos e mosquitos da cidade.

O ódio popular foi crescendo e explodiu quando o governo anunciou que todo mundo teria de TOMAR VACINA CONTRA VARÍOLA. Naquela época, nem os intelectuais sabiam direito o que era uma vacina e

o governo não se importou em esclarecer, deu a ordem e pronto!

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Estourou a rebelião popular. Trilhos de bondes foram arrancados e as ruas do Rio de Janeiro foram ocupadas pelo povo, protegido por barricadas.

O exército matou gente do mesmo jeito que se mata ratos e mosquitos.

matou gente do mesmo jeito que se mata ratos e mosquitos. Ser marinheiro era muito duro.

Ser marinheiro era muito duro. O trabalho pesado, num ambiente sem higiene. Para piorar, o Brasil, em pleno século XX, ainda punia os marujos com chicotadas. Os oficiais eram filhos da aristocracia, ex-senhores de escravos, daí dá para entender o porquê de espancarem os marinheiros: gente pobre e filhos de negros e mulatos. Era como se a escravidão do Brasil ainda existisse num único lugar: na Marinha de Guerra. Vergonhoso não!?

Aí o governo resolveu modernizar a marinha comprando navios da Inglaterra, mas, manteria no Brasil os castigos corporais. Quando os navios chegaram no porto, os marinheiros não estavam mais dispostos a receber chibatadas como punição – a aceitar humilhações.

A rebelião estourou - tomaram os navios e para o espanto dos oficiais e

da elite, os marinheiros liderados por um Cabo semi-analfabeto, chamado de João Cândido, o "Almirante Negro", manobravam espetacularmente os navios e ameaçaram bombardear os bairros elegantes do Rio de Janeiro, caso não fossem atendidos – banir as chibatadas.

Na parede, o governo cedeu. Os marinheiros tiveram a promessa de não serem punidos, o trabalho duro foi aliviado e acabou-se o castigo com chicote. Os oficiais se vingaram! Na calada da noite, esperaram tudo voltar ao normal e pegaram os marinheiros desprevenidos e desarmados. Centenas de deles foram despedidos da marinha ou enviados para trabalhos forçados e vários, fuzilados. APESAR DE TUDO, A CHIBATA TINHA ACABADO.

que o negro, que com o suor do seu trabalho contribuiu para o desenvolvimento do
que
o negro, que com o suor do seu trabalho contribuiu para o
desenvolvimento do Brasil durante todo o período da escravidão, foi
substituído pelo trabalho assalariado do imigrante?
Muitas são as tentativas de justificação.
Até mesmo a superioridade do europeu, era defendida por
teóricos da época: o que é uma visão distorcida e preconceituosa que
na verdade tenta legitimar uma situação que não tem explicação
lógica.
Apesar de tudo, o negro superou o total abandono e criou
espaços numa sociedade que o "sugou", até não poder mais,
deixando-o entregue a sua própria sorte.
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HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série Nessa época na Europa e nos Estados Unidos, estavam

Nessa época na Europa e nos Estados Unidos, estavam acontecendo muitas manifestações operárias que acabaram por se refletirem no Brasil.

Principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro, a camada proletária, isto é de trabalhadores de baixa renda, havia crescido muito.

Os trabalhadores urbanos viviam em péssimas condições de vida, não existiam leis que os protegessem e garantissem seus direitos trabalhistas.

O empresário é que determinava a jornada de trabalho, o descanso semanal que era raro, os salários etc.

Os trabalhadores se defendiam das injustiças praticadas pelos patrões organizando associações, passeatas, greves que sempre eram reprimidas com a força policial que prendiam os líderes grevistas e intimidavam os participantes.

Nessa época era comum imigrantes vindos de diversos países da Europa como Espanha, Portugal, França e Itália trabalharem nas fábricas brasileiras influenciando os trabalhadores do Brasil com idéias que vinham da Europa, como por exemplo as idéias anarquistas.

O ANARQUISMO

No século XIX havia outra corrente política anti - capitalista forte: o anarquismo. Os anarquistas eram contrários ao sistema capitalista, ao Estado e a Igreja: para eles tratava- se da escravidão econômica política e mental.

Anarquismo – Termo que significa “ausência de autoridade”. É uma corrente política que nega o poder do Estado. O anarquismo rejeita a autoridade porque nela vê a origem exclusiva da infelicidade do homem. Essa autoridade é representada pelo Estado, órgão repressor por excelência.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Assim como os socialistas marxistas, os anarquistas achavam que a sociedade só seria livre numa sociedade comunista.

E o que seria uma sociedade comunista? Seria aquela em que não há propriedade privada. Tudo pertence a todos, coletivamente.

Você já percebeu que tanto os comunistas como os anarquistas defendiam a idéia de uma sociedade sem Estado, patrões, chefes supremos, polícia etc., a própria sociedade se auto-governaria.

O PARTIDO COMUNISTA NO BRASIL

Nem é preciso dizer que a vitória socialista na Rússia em 1917 influenciou pessoas no mundo inteiro.

No Brasil, alguns militantes sindicais aos poucos vão abandonando

as idéias anarquistas e passam a defender os ideais comunista fundando o Partido Comunista Brasileiro, em março de

1922.

Conforme você já viu no módulo 8, o socialismo (século XIX), passou a indicar um conjunto de doutrinas e teorias políticas e econômicas que tinha por objetivo transformar a sociedade.

O comunismo seria o estágio final do socialismo, aconteceria quando a sociedade tivesse alcançado a maturidade social.

Bem, você já estudou que o comunismo e o anarquismo eram parecidos em alguns pontos, mas haviam as diferenças também, você verá a seguir algumas:

Os anarquistas, ao contrário dos comunistas, não aceitavam que os sindicatos tivessem uma organização centralizada, com muitos poderes nas mãos dos que tinham sido eleitos dirigentes. Achavam que qualquer decisão do sindicato deveria ser aprovada em assembléia com todos os seus membros.

Os anarquistas desprezavam o Estado. Por isso não propunham a criação de leis a favor do proletariado. Os comunistas ao contrário, diziam que a conquista de novas leis e reformas sociais eram um avanço dos trabalhadores. Na época da sua fundação (1922), o PCB contava com 73 membros e já em 1928 tinha aproximadamente 500 membros.

Não era um número tão expressivo se comparado ao total de trabalhadores no país na época, mas foi o suficiente para alarmar as camadas dominantes. Empresários, grandes proprietários, homens do governo, comerciantes etc. tinham verdadeiro pavor desse partido que organizava e centralizava a luta operária. Por causa disso, o PCB teve vida legal bastante curta.

GREVE

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

A partir da década de 20, o Primeiro de Maio (dia do Trabalhador) era comemorado com um sentido político cada vez mais acentuado.

Sob a influência dos anarquistas, comunistas, os trabalhadores no Brasil da época protestavam contra a exploração através de movimentos como “operação tartaruga” (diminuição do ritmo de trabalho) e as greves que é a forma de luta mais usada pelos trabalhadores.

A primeira greve que se tem notícia no Brasil, foi a dos tipógrafos do Rio de Janeiro ainda durante o Império (1858). Mas foi no Período Republicano, quando o número de trabalhadores fabris aumentou, que as greves se multiplicaram. Para você ter uma idéia, no dia 9 de junho de 1917, uma seção do Cotonifício Crespi (fábrica têxtil localizada no bairro da Mooca, em São Paulo)

paralisou suas atividades pedindo aumento salarial, a greve se estendeu por toda a fábrica com seus 2.000

funcionários. Outras empresas também aderiram ao movimento como: Estamparia Ipiranga de Nani Jafet & Cia., Fábrica de bebidas Antártica, Fábrica têxtil Mariângela do grupo de Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, ao todo, foram 15.000 operários parados e 35 empresas envolvidas.

foram 15.000 operários parados e 35 empresas envolvidas . O número de operários em São Paulo

O número de operários em São Paulo já era expressivo na segunda década do século.

São Paulo já era expressivo na segunda década do século. É foto de uma creche? Não!
É foto de uma creche?
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uma
creche?
Não! É uma fábrica. Naquele tempo, as crianças trabalhavam.
Não! É uma
fábrica.
Naquele tempo,
as crianças
trabalhavam.
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Em tempo

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Os trabalhadores cada vez mais conscientes dos seus problemas passam a reivindicar também:

Abolição da multas, regulamentação do trabalho das mulheres e dos menores, supressão da contribuição “Pró-Pátria” (tratava-se de uma arrecadação em dinheiro, descontada do salário dos trabalhadores para auxiliar a Itália envolvida na Primeira Guerra Mundial. Esse tipo de desconto obrigatório era comum na época. Em 1901, os operários de uma fábrica de chapéu foram forçados a contribuir para os funerais do rei Humberto I, da Itália).

A ARTE MODERNA

Obra de Di Cavalcanti

I, da Itália). A ARTE MODERNA Obra de Di Cavalcanti Já no final do século XIX,

Já no final do século XIX, a Europa vinha passando por profundas transformações, o progresso industrial e científico deu um novo rumo às artes.

A arte retrata os valores, anseios e o que a sociedade pensa de si mesma e portanto a influência da cultura européia na nossa cultura fez

artística

com

que

toda

expressão

mostrasse apenas

nossas elites enxergavam o Brasil.

o

modo como

Durante

muito

tempo,

a

procura

Europa servia de exemplo cultural a

ser seguido. Muitos artistas

brasileiros desse período,

aproximar o povo brasileiro do europeu. O Brasil sempre foi um exemplo de miscigenação étnico racial, mas essa mistura étnica não era bem vista pelos europeus, segundo a concepção deles isso

representaria um atraso para o Brasil. Portanto o Europeu significava o alcance maior da civilização ocidental, o símbolo de um progresso e refinamento jamais experimentado pela humanidade, um exemplo a ser copiado. Bom, mas nem tudo é para sempre, após a Primeira Guerra Mundial, a Europa estava destruída, portanto seus valores não eram mais exemplo a ser seguido.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

O mundo mudou, e o progresso, (eletricidade, a velocidade, navios, automóveis, aviões), vão dar contornos aos novos tempos. Tudo isso influenciará

os poetas, escritores, músicos e artistas plásticos a romper com antigos valores.

Segundo eles, a arte brasileira não deveria mais idealizar a cultura européia. De certa forma, a arte modernista fez uma inversão de valores a mistura racial tão depreciada no período anterior, passa a ser valorizada agora. O momento marcante dessa ruptura pode ser adotado em fevereiro de 1922.

Foi quando aconteceu a Semana da Arte Moderna, no Teatro Municipal

de São Paulo, evento que reuniu os maiores expoentes do modernismo brasileiro.

Nesse evento houve exposição de quadros de Anita Malfatti e de Di Cavalcanti, além das esculturas de Brecheret, Manoel Bandeira, Graça Aranha, Menotti del Picchia, Mário de Andrade levariam suas obras ou proferiam conferências. Para fechar a semana, haveria um concerto regido por Villa – Lobos.

A maioria foi impedida pelo público de terminar suas apresentações. O público, com

vaias, jogando batatas e tomates, obrigou os modernistas brasileiros a se esconderem atrás das cortinas do Teatro Municipal. Isso nos mostra o quanto o público valorizava as manifestações artísticas em sua forma tradicional, como também

o incômodo com aquilo que os modernistas

tinham a dizer sobre o Brasil. A conseqüência mais importante desse evento foi a ruptura decisiva dos padrões estéticos tradicionais e a introdução definitiva do modernismo nas artes do Brasil.

a introdução definitiva do modernismo nas artes do Brasil. ANTROPOFAGIA Tarcila do Amaral Responda em seu

ANTROPOFAGIA Tarcila do Amaral

Responda em seu caderno:

2- Segundo o texto acima, a cultura européia era muito valorizada

naquela época no Brasil. E nos dias de hoje, quando você assiste TV, ouve música etc, você acha que a nossa cultura é valorizada? Justifique a sua opinião.

3- Dê um exemplo de arte (estilo de música, ou livro, programa de TV,

peça de teatro, filme etc.), que retrate a nossa sociedade atual.

O TENENTISMO

A década de 20 foi também marcada por sérias dificuldades financeiras no Brasil. A Primeira Guerra Mundial, revelou muitas coisas aos oficiais brasileiros.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Eles notaram que a vitória na guerra cabia aos países mais desenvolvidos e industrializados, os atrasados, haviam sido derrotados na guerra. Surgiu assim entre parte da oficialidade, a idéia de que um país só estaria efetivamente defendido caso tivesse indústria desenvolvida, povo saudável, capaz de fornecer um bom material humano para forças armadas. Como nessa época predominava no Brasil um tradicional sistema oligárquico que dominava a política brasileira, muitos oficiais do Exército passaram a aceitar a idéia de que o Brasil só conseguiria progredir quando os fazendeiros perdessem o poder político. Na década de 1920, a baixa oficialidade do Exército se envolveu em vários movimentos políticos. Por causa da grande participação dos tenentes, eles ficaram conhecidos como movimentos tenentistas. Esses movimentos possuíam algumas características comuns: queriam moralizar a vida política, acabando com a fraude eleitoral, desenvolver o país e diminuir a miséria no campo. Acreditavam que cabia a eles a tarefa de salvar o país.

A REVOLTA DO FORTE DE COPACABANA (Julho de 1922)

Desde 1918, as relações entre o Exército e as oligarquias dominantes eram tensas. Vamos aos fatos que antecederam a revolta:

Epitácio Pessoa foi eleito para governar entre 1918 a 1922. Durante seu governo, nomeou um civil para o Ministério da Guerra e descontentou muito o exército.

Em 1921 as campanhas para eleição estavam nas ruas. As oligarquias estavam tranqüilas pois certamente imporiam o seu candidato.

Porém um episódio vai abalar a tranqüila eleição: O candidato do governo (das oligarquias), Artur Bernardes, fez duras críticas a Hermes da Fonseca (seu opositor nas eleições) chamando-o de “sargentão sem compostura”. O exército tomou a agressão para si e colocou-se ao lado do presidente Hermes da Fonseca.

No Rio de Janeiro uma parte da oficialidade se revoltou e decidiu pegar em armas para derrubar o governo.

Em 5 de julho, o levante começou, tendo como centro do conflito o Forte de Copacabana, dotado de pesados canhões. Os revoltosos começaram a disparar contra outros quartéis. O governo mandou navios bombardear o forte. A maioria dos revoltosos se rendeu. Dezoito deles decidiram, num gesto tão heróico quanto suicida, sair do forte e enfrentar de peito aberto as tropas do governo.

Artur Bernardes vence as eleições como era esperada pela oligarquia.

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1924: LEVANTES TENENTISTAS AGITAM O PAÍS

A repressão ao movimento tenentista de 1922 criou muitos

ressentimentos. Temendo novas revoltas, o governo mandou oficiais tenentistas para quartéis bem longe da capital.

Em 1923, a justiça condenou à prisão 50 militares envolvidos nos acontecimentos de 1922. Uma parte do Exército se sentiu ofendida com tais medidas e começou a preparar uma nova revolta.

O Levante de 1924 estouraria primeiro em São Paulo, pois já contava com o apoio de Miguel Costa, comandante da Polícia Militar. No dia 5 de julho, iniciou a revolta. Beneficiados pela surpresa, os revoltosos controlaram a capital paulista. Entretanto, a resposta do governo veio rápida e sob forma de pesados bombardeios. Vários bairros da capital foram quase totalmente destruídos, 500 paulistanos morreram e quase 5.000 ficaram feridos.

Outros levantes também aconteceram em vários estados do Brasil. Em Mato Grosso, Sergipe, no Amazonas. No início conseguiram algumas vitórias, entretanto as tropas governamentais derrotaram os tenentistas.

COLUNA PRESTES: LONGA MARCHA DOS TENENTES

Em 1925, dois grupos tenentistas se encontraram e resolveram fazer uma

grande marcha pelo interior do Brasil. O objetivo dessa marcha era levar a revolução aos mais distantes lugares do país e desgastar o governo até que saísse do poder.

Eram mais ou menos 1.500 homens, divididos em duas colunas, uma chefiada por Luís Carlos Prestes e a outra, por Juarez Távora. O comando central pertencia a Miguel Costa. Unidas, seguiram rumo ao norte. Tomaram várias cidades, mas logo as abandonaram, pois, caso permanecessem, seriam presas fáceis das tropas do governo.

Chegaram ao Maranhão, Piauí e depois retornaram na direção leste. A marcha da Coluna Prestes encontrou muitas dificuldades, a maioria da população rural, dominada pelos “coronéis” do sertão e influenciadas pela propaganda negativa do governo federal, temia os revolucionários.

Andaram muito, foram 25.000 quilômetros de marcha. Participaram de mais de 100 combates, não apenas contra as tropas do governo, mas também contra jagunços e cangaceiros, pagos por grandes fazendeiros.

Em março de 1927, a coluna, reduzida a 620 homens, refugiou-se na

Bolívia, no Paraguai e na Argentina.

Cartaz comemorativo da Coluna Prestes. O retrato é de Luís Carlos Prestes.
Cartaz comemorativo da Coluna
Prestes. O retrato é de Luís
Carlos Prestes.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Bem, a Coluna Prestes foi o ponto final nos levantes tenentistas da década de 20.

foi o ponto final nos levantes tenentistas da década de 20. Não se esqueça de que

Não se esqueça de que a dominação dos grandes coronéis ainda continuava forte, entretanto, o desejo de derrubá-los ia ganhando uma força crescente.

O FIM DA POLÍTICA DO CAFÉ-COM-LEITE

uma força crescente. O FIM DA POLÍTICA DO CAFÉ-COM-LEITE Com a crise de 1929, as filas

Com a crise de 1929, as filas de desempregados se multiplicavam nos grandes centros urbanos. Pelos campos, a miséria também se espalhava. Na fotografia, um homem segura cartaz que oferece refeições gratuitas aos que têm fome.

Luís

(1926-1930),

o

Bem, você já estudou que na década de 20, o Brasil foi agitado por vários movimentos militares, conhecidos como “tenentismo”. Nesses movimentos, membros do Exército, pegaram em armas para derrubar o governo. Achavam que o país necessitava profundas reformas e para realizá-las, deviam acabar com a dominação política dos grandes fazendeiros. Os movimentos tenentistas de 1922, 1924 e a Coluna Prestes foram derrotadas pelas forças militares leais ao governo. Os principais envolvidos acabaram mortos, presos ou exilados. Isso não significava que o governo tenha conseguido erradicar os focos de insatisfação dentro do Exército. Secretamente alguns oficiais continuaram a alimentar um sentimento oposicionista.

Partido

Comunista voltou a atuar intensamente. Impôs-se a tarefa de organizar a classe operária levantando antigas bandeiras do movimento como a jornada de oito horas, a adoção do salário mínimo da proteção legal das mulheres e às crianças trabalhadoras e a instituição de assistência social ao trabalhador. Empenhou-se também na doação do voto secreto. Você já viu que a década de 20 não foi um período muito calmo para o Brasil.

Em 1926, já no

governo

Washington

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

O proletariado (assalariado) em crescimento e a classe média em formação, excluídos da participação na política, reclamavam agora seus direitos,

a dominação oligárquica não era vista com bons olhos A questão econômica foi um dos fatores de agravamento da crise política. Nossa economia ficou muito abalada com a CRISE DE 29, que levou a falência

o mercado mundial e gerou seus primeiros efeitos no Brasil já no final daquele ano. O café, nosso principal produto, teve uma acentuada queda do preço no mercado internacional e os cafeicultores passaram a depender da ajuda financeira do governo e essa ajuda não veio. Isso desgastou a imagem do Presidente da República, Washington Luís, que tinha como proposta de governo ESTABILIZAR e MORALIZAR a economia brasileira.

Os Estados Unidos mantiveram-se neutros até 1917 na Primeira Guerra Mundial. Durante o conflito, forneciam armas, alimentos e empréstimos a diversas nações européias. Nesse período a indústria norte-americana cresceu de tal maneira que dois anos após o fim da guerra já era responsável por cerca de metade de toda a produção industrial do mundo. Entretanto, por falta de consumidores internos e externos, começaram a sobrar grandes quantidades de produtos no mercado, configurando-se, assim, uma crise de superprodução. Até que chegou o momento em que a crise atingiu a Bolsa de Valores de Nova Iorque, um dos mais importantes centros do capitalismo mundial. O resultado foi que os preços das ações despencaram, ocorrendo o crash (quebra) da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Abalados pela crise, os Estados Unidos reduziram drasticamente a compra de produtos estrangeiros e suspenderam os empréstimos a outros países. Assim a crise propagou-se rapidamente por todo o mundo capitalista.

Responda em seu caderno:

4. Como

todo na época, inclusive o Brasil? Explique.

a crise de 1929

nos Estados Unidos, afetou a economia do mundo

A REVOLUÇÃO DE 30

É fato que apesar do descontentamento de grande parte da nossa sociedade com o poder centralizado nas mãos das oligarquias, e do domínio dos estados mais poderosos: São Paulo e Minas Gerais (Política do café-com-leite que você já estudou), na vida política do Brasil, esse sistema, através de fraudes eleitorais, pelo poder econômico e pelas forças das armas, permaneceriam no comando do poder até 1929, quando dois fatos abalaram a dominação das oligarquias:

O primeiro deles, foi o rompimento entre os grupos que dominavam o poder, por um motivo bem simples. Você está lembrado que pela política do café- com-leite, era indicado um político de São Paulo e Minas apoiava, na eleição seguinte, Minas indicava e São Paulo apoiava e assim sucessivamente.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Bem, para encurtar essa história, basta saber que seria a vez de Minas indicar seu candidato, entretanto, com o rompimento do acordo foi indicado o paulista Júlio Prestes.

Minas sabia que seria impossível enfrentar sozinha a força do governo. Por isso, aproximou-se do Rio Grande do Sul. Dessa aproximação, surgiu a Aliança Liberal, que apresentou a candidatura do gaúcho Getúlio Vargas à presidência da República. Vieram as eleições e, como era de se esperar, aconteceram as fraudes eleitorais e ao controle dos coronéis sobre a população camponesa, o governo venceu. Venceu, mas não convenceu. A enorme diminuição da renda no setor cafeeiro foi responsável pela recessão e pelo desemprego nos demais setores. O comércio ressentiu-se da falta de compradores. O mesmo ocorreu com as indústrias. A solução foi a demissão.

Em pouco tempo, havia, nos grandes centros urbanos brasileiros, uma massa de desempregados, o que agravou ainda mais a crise econômica. Dessa maneira, no início do ano de 1930, a situação política do país era de crescimento das forças oposicionistas, dispostas agora, a derrubar o governo. Desde o início de 1930, a conspiração contra o governo vinha sendo tramada. As lideranças políticas de vários estados encontravam-se freqüentemente para traçar os planos. Líderes tenentistas e dos “partidos democráticos” mantinham constantes contatos, e o tema era um só: derrubada do governo.

Bom, para complicar mais um pouco a situação, aconteceu o assassinato de João Pessoa, candidato oposicionista da Aliança Liberal à vice-presidência. Foi morto por João Dantas que era ligado ao presidente Washington Luís.

Morto, João Pessoa foi transformado num mártir da luta contra as oligarquias. Estimulados pelo clima emocional que tomou conta do país, os líderes oposicionistas marcaram para 3 de outubro a data da revolta. Nesse dia, as guarnições militares que aderiam ao movimento atacaram as tropas leais ao governo em vários pontos do país.

Os combates sucederam-se no Rio Grande do Sul, em Minas e nos estados do Nordeste. Em pouco tempo, as tropas revoltosas assumiram o controle da situação na maioria dos estados.

Ficava faltando apenas dominar São Paulo e o Rio de Janeiro. Nesses estados, concentrava-se o grosso das forças governistas. Tudo indicava que a luta ia ser sangrenta e demorada.

Isso acabou não ocorrendo. A alta oficialidade das Forças Armadas, até então governistas, exigiu a renúncia do presidente. Sem apoio militar, o governo caiu. Em 3 de novembro, Getúlio Vargas, o candidato derrotado nas eleições, assumiu o comando do país.

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Vários grupos fizeram a Revolução de 30. Havia os tenentistas, a classe operária, as classes médias, uma parcela do empresariado e até mesmo, o que é importante ressaltar, numerosos representantes das oligarquias rurais, fazendeiros que durante décadas, participaram do poder nos seus estados e que não quiseram afundar junto com o governo Washington Luís.

Tamanha diversidade social fazia com que os laços que uniam tais grupos fossem bem frágeis. Os anos seguintes foram marcados pela luta desses grupos entre si, cada qual tentando impor os seus interesses aos demais.

A participação popular durante o movimento, apesar de desordenada e inconsciente da sua própria força, deixou claro que era impossível ignorar o povo

e alguma coisa tinha que mudar

velhos costumes políticos, só resta agora saber se Vargas governou para o

povo

Vargas representou um rompimento com

é o que você logo irá descobrir

um rompimento com é o que você logo irá descobrir Em 1930, Vargas assume o poder
um rompimento com é o que você logo irá descobrir Em 1930, Vargas assume o poder

Em 1930, Vargas assume o poder com a seguinte fala: “Assumo provisoriamente o governo da República como delegado da Revolução, em nome do Exército, da Marinha e do povo. Porém, permaneceu no poder por quinze

anos

Lembre-se que na Revolução de 30, o presidente Washington Luís, entrega o governo à Vargas. Desde que assumiu o governo, Getúlio quis

convencer a todos de que era um “revolucionário”. Assim criou novos Ministérios, novas

Interventores: administradores; autoridades nomeadas pelo governo em casos anormais.

leis e tratou de tirar todos os antigos governadores dos estados (menos o de Minas que era aliado de seu governo) para colocar interventores nomeados por ele.

Decreto-Lei: Decreto do chefe do Governo, instituindo uma lei que, em regime normal, só poderia
Decreto-Lei: Decreto do
chefe do Governo,
instituindo uma lei que,
em regime normal, só
poderia ser emanada ou
aprovada pelo Parlamento.

Veja só, o Governo Getulista não era democrático, afinal não tinha sido eleito pelo povo. A Constituição não era respeitada e o Congresso estava fechado. As leis eram todas feitas por Getúlio, por

meio de decretos-lei. Bem, como você estudou, o modo de Getúlio governar foi chamado de populismo por sociólogos e historiadores. Portanto, o Estado Novo era um típico Estado Populista. O populismo de Vargas tinha o nome de trabalhismo.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

A neutralidade do Estado populista, o papel mediador (intermediário, negociador, pacificador) entre as classes sociais era só na aparência. Porque o Estado populista nada mais foi do que uma nova forma que a classe dominante encontrou para manter submetidos e obedientes o povo trabalhador. Getúlio sempre governou para os latifundiários, para a burguesia.

A POLÍTICA TRABALHISTA

No plano social, destacou-se inicialmente a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio (26/11/1930). Foi decretada a Lei dos Terços, chamada de “Lei da Nacionalização do Trabalho”: diante do desemprego crônico, as firmas de origem estrangeira eram obrigadas a ter em seus quadros pelo menos dois terços de brasileiros natos.

Em 19 de março de 1931, decretou-se a Lei de Sindicalização , que regulava os direitos das classes patronais e operárias. Os estatutos dos sindicatos deveriam a partir de então, ser aprovados pelo Ministério do Trabalho. Delineava-se o sentido da política trabalhista de Vargas, rumo ao controle

do movimento operário e à criação de condições para o desenvolvimento da indústria. Na verdade, a Lei de Sindicalização era uma adaptação da Carta del Lavoro, de Mussolini, que limitava a participação política dos sindicatos.

A jornada de trabalho foi fixada em 8 horas de serviço diário, com obrigatoriedade do descanso semanal remunerado. Reafirmou-se o direito às férias anuais, já estabelecido em 1926, mas não cumprido: quinze dias úteis, se prejuízo dos vencimentos.

Em 1931, foi apresentado o anteprojeto da Lei do Salário Mínimo, só sancionada durante o Estado Novo, em 1943.

Mussolini, chefe do governo italiano que implantou a ditadura fascista na Itália em 1922, transformou os sindicatos na principal organização de massas, por meio dos sindicatos, os trabalhadores eram subordinados diretamente ao Estado, que os controlava e manobrava.

Bem, é importante entender que não dava mais para o Brasil continuar apenas com a agroexportação. Era preciso industrializar. De que forma? Com a intervenção do Estado na economia, por meio de obras públicas, empresas estatais (pertencentes ao Estado), nacionalismo para proteger as fábricas brasileiras, incentivos à burguesia industrial.

Crescendo a indústria, aumentaria o número de trabalhadores, portanto seria preciso criar leis para o trabalhador, ora, as leis trabalhistas não valiam para todos os trabalhadores.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

A maioria dos brasileiros viviam no campo, eram todos trabalhadores

rurais. Para eles a CLT não valia.

É importante lembrar também, que algumas leis trabalhistas já tinham sido conquistadas nas greves de
É importante lembrar também, que algumas leis trabalhistas já tinham sido
conquistadas nas greves de 1917, 1918 e 1919 na República Velha.
nas greves de 1917, 1918 e 1919 na República Velha. O Estado populista, através da propaganda

O Estado populista, através da propaganda oficial: DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda, mostrava Getúlio como o “Pai dos Pobres”.

Ao contrário da República Velha que governavam lá do alto dos palácios, sem dar muita bola para o povo, o governo populista sempre leva em conta as “massas”, Vargas gostava de fazer discurso para as multidões que por sua vez,

marchavam com cartazes

do presidente, cantavam em louvor ao “Pai dos Pobres”. Com total apoio do Departamento de Imprensa e Propaganda, é claro.

apoio do Departamento de Imprensa e Propaganda , é claro. Desfile de comemoração do 1º de

Desfile de comemoração do 1º de maio na era Vargas.

A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932

Uma das conseqüências do confronto político entre tenentes e oligarcas foi a Revolução Constitucionalista de São Paulo, em 1932. Aos poucos, Vargas foi revelando o seu modo ditador de governar: a falta de uma Constituição e a perda das liberdades individuais, a centralização do poder. Tudo isso assustava a oposição política de São Paulo, que na verdade queria a volta da República Velha.

O movimento de contestação foi organizado pelo

Partido Democrático (PD), que era composto por industriais, elementos das classes médias urbanas de São Paulo e alguns aristocratas. Esse partido havia apoiado os revolucionários de 1930, esperando com isso obter a liderança política do Estado. Porém, estavam descontentes com a nomeação do interventor pernambucano João Alberto Lins e Barros para governar São Paulo.

estavam descontentes com a nomeação do interventor pernambucano João Alberto Lins e Barros para governar São

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

A oposição política de São Paulo exigia a nomeação de um interventor civil e paulista. Cedendo às pressões, Getúlio nomeou o interventor Pedro de Toledo. Essa medida, entretanto, não foi suficiente para desfazer a oposição paulista, que também exigia novas eleições e a convocação de uma Assembléia Constituinte para elaborar uma nova Constituição no país. Em maio de 1932, durante uma manifestação pública contra o governo federal, quatro estudantes paulistas – Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo – morreram em um conflito de rua. A morte dos estudantes exaltou ainda mais os ânimos. Com as iniciais de seus nomes formou-se a sigla MMDC, que se tornou símbolo do movimento

a sigla MMDC , que se tornou símbolo do movimento Selo Comemorativo do MMDC constitucionalista. No

Selo Comemorativo do MMDC

constitucionalista.

No dia 9 de julho de 1932, explodiu a Revolução Constitucionalista:

São Paulo reuniu armas e 30 mil homens para lutar contra o governo federal. As tropas paulistas, formadas por soldados da polícia do Estado, recebiam a colaboração de muitas indústrias de São Paulo, que ajudavam na fabricação de material de guerra, como granadas, máscaras contra gases, lança-chamas, capacetes. Mas São Paulo ficou isolado do resto do país.

Mato Grosso foi o único estado a acompanhar os paulistas. As demais oligarquias não aderiram à Revolução Constitucionalista. Após três meses de combate, os paulistas foram derrotados pela tropas federais. Embora derrotados militarmente, os paulistas se consideram vitoriosos politicamente, pois, terminada a revolta, Getúlio Vargas garantiu a realização de eleições para a Assembléia Nacional Constituinte, que se encarregaria de elaborar a nova Constituição.

O populismo foi uma característica na América Latina nos anos 30. Assim aconteceu no Brasil com o presidente Getúlio Vargas, na Venezuela com Lópes Contreras, Equador com Isidoro Ayora, Guatemala Jorge Ubico, Cuba Geraldo Machado, República Dominicana Rafael Trujillo, El Salvador Maximiniano Martínes, México Lázaro Cárdenas. Eram chefes autoritários, carismáticos e populares, assunto que traremos mais adiante.

Atenção! Agora, você dará outra voltinha pelo mundo para conferir o que acontecia
Atenção!
Agora, você dará outra voltinha pelo
mundo para conferir o que acontecia

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Bem, agora você vai saber o que acontecia em alguns lugares do mundo, naquela época. Na Europa, os anos 30 foram vividos em meio aos nacionalismos totalitários (nazismo e fascismo).

A ditadura nazi-fascista implantou-se nos países onde os efeitos da crise

mundial de 1929 foram mais sentidos e onde a burguesia estava mais assustada com o avanço do movimento socialista. Nos Estados Unidos, os anos 30 foram marcados pela reconstrução

econômica do país, através da política, posta em prática a partir de 1933, do presidente Franklin Roosevelt.

O “New Deal” (novo dia), como foi chamada essa política econômica

intervencionista, permitiu a solução do problema do desemprego e valorização da moeda norte-americana. Aos poucos, os Estados Unidos reconquistaram a supremacia mundial.

A partir do final dos anos 30, estava consolidado o caminho para o imperialismo norte-americano.

A eclosão da Segunda Guerra Mundial e os efeitos desse conflito só

vieram afirmar e aprofundar a política imperialista dos Estados Unidos.

e aprofundar a política imperialista dos Estados Unidos. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918), foi um Imperialismo

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918), foi um

Imperialismo – Política de expansão e domínio de uma nação sobre outras.

conflito imperialista para ver quem iria se apoderar da maior parte do mundo. A Alemanha e a Áustria foram derrotadas e humilhadas no final da Primeira Guerra Mundial. Mas ainda estavam “vivas”.

A ascensão da extrema direita (nazismo e fascismo) na Alemanha e Itália,

já davam pistas do que iria acontecer num futuro próximo: a guerra. De certo modo, a Segunda Guerra Mundial (1939–1945) foi uma continuação da Primeira Guerra Mundial, muitas questões ficaram pendentes, e os países perdedores da Primeira Guerra Mundial, agora queriam “revanche”.

Pois bem, a Inglaterra e a França, fizeram “vista grossa” no rearmamento da Alemanha (proibidas pelos tratados de paz, impostos pelos países vencedores na Primeira Guerra Mundial), acreditavam que Hitler levaria a Alemanha à uma guerra contra a União Soviética (não se esqueça que a União Soviética era socialista e representava uma ameaça para os interesses capitalistas).

O mundo estava pequeno para o enorme desenvolvimento industrial, e as

grandes potências competiam para obter mão-de-obra e matéria-prima mais baratas, bem como mercados para escoar sua produção e investir em capital. O isolamento imposto à União Soviética pelas potências capitalistas também abriu espaço para a ação nazista.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

A história irá complicar-se ainda mais quando na Espanha em 1936, teve

início uma guerra civil entre as forças republicanas de esquerda apoiada pelos

comunistas e as tropas do general Franco auxiliado pelos governos da Itália e Alemanha ou seja, pelos fascistas e nazistas. O motivo da guerra civil Espanhola, era a vitória nas eleições da Frente Popular (forças republicanas de esquerda), que adotaram um amplo programa de reforma agrária. Como essa era uma época de intensa polarização ideológica, entre o nazi- fascismo e o comunismo, o conflito espanhol ganhou rapidamente proporções internacionais. As forças do general Franco receberam ajuda maciça da Alemanha e da Itália, em homens, armas e munições. Os alemães chegaram a bombardear cidades espanholas, como o que ocorreu na cidade de Guernica em 1937. As forças republicanas em contrapartida, foram apoiadas pela URSS e pelas Brigadas Internacionais, compostas de voluntários do mundo todo.

A Inglaterra, a França e os EUA, porém, preferiram declarar neutralidade

e não se envolveram no conflito. Diante da passividade dos governos da Inglaterra, França e Estados Unidos, os alemães interpretaram como uma espécie de sinal verde para continuar seus avanços em outros países. Foram vários os acordos entre os países durante esse período de “preparação” para a guerra e como não podia ser diferente, teve início a Segunda Guerra Mundial, que reunia grande parte das nações do mundo dividido em dois

blocos. De um lado, os países do Eixo, liderados pela Alemanha, Itália e Japão, e de outro lado, os Aliados, comandados principalmente pelos Estados Unidos, pela União da República Socialista Soviética e pela Inglaterra.

Poxa! Quando é que vai acabar essa guerra!!!
Poxa!
Quando é
que vai
acabar essa
guerra!!!
É, acho melhor a gente ver o fim dessa história
É, acho
melhor a
gente ver o
fim dessa
história

E a guerra chega ao fim

Em 1942, o avanço dos países do Eixo começou a ser detido pelo esforço conjunto dos Aliados. Em junho os japoneses foram derrotados pelos norte-americanos. No final daquele ano, forças inglesas e norte-americanas expulsaram o exército alemão do Norte da África. A essas derrotas acrescentaram-se o desastre alemão em Stalingrado.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

O dia D

No famoso dia D, em junho de 1944, uma gigante operação dos exércitos aliados (EUA,URSS, Inglaterra e França) avançavam com o objetivo de derrotar os alemães, mas Hitler alimentou ilusões até o fim. Mandou garotos de 13 anos de idade para a frente de batalha e não deixou de dar as ordens mais criminosas: o grupo Werwolf (lobisomem), assassinava os que não mostrassem fé em Hitler. Finalmente o ditador reconheceu que estava derrotado e suicidou-se, e a bandeira vermelha com a foice e o martelo (URSS), tremulou vitoriosa. Logo depois da rendição Alemã chegaria a vez do Japão, apesar do país já estar totalmente derrotado pela poderosa máquina de guerra norte-americana, os Estados Unidos não hesitaram em lançar

suas bombas atômicas. Elas arrasaram as cidades de Hiroxima e Nagasáqui.

Elas arrasaram as cidades de Hiroxima e Nagasáqui . Explosão da bomba atômica Os judeus Prisioneiros

Explosão da bomba atômica

Os judeus

e Nagasáqui . Explosão da bomba atômica Os judeus Prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz

Prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz

Os judeus são um povo muito antigo do Oriente. Eles adotaram uma religião especial, o judaísmo. Também são chamados de hebreus e de israelitas. Eles viviam na Palestina, mas começaram a migrar, e já na Idade Média na Europa, foram discriminados porque não eram cristãos. Portanto o anti-semitismo (movimento contra os judeus) não se desenvolveu só na Alemanha. Depois que Hitler chegou ao poder, muitos judeus se

recusaram a deixar a Alemanha, porque não conseguiam viver longe de sua pátria. Pagaram um preço alto por esse patriotismo. No livro que Hitler escreveu Mein Kampf (Minha Luta), pregava a eliminação física do povo judeu. O Estado nazista levou adiante o plano de erradicar o povo judeu. Milhões de judeus foram enviados para campos de concentração. Os trabalhadores qualificados faziam serviço escravo nas fábricas alemãs. Os outros eram executados em câmaras de gás. Os nazistas lhes arrancavam os dentes sem anestesia para aproveitar o ouro da obturação. Os cabelos usavam para forrar colchões e a gordura humana fazia sabão.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

e Cova coletiva de judeus.
e
Cova coletiva de judeus.

O terrível Dr. Mengele

utilizava seres humanos como cobaias, quebrava os bracinhos de um bebê dezenas de vezes para saber quantas ele resistiria, arrancava o olho de uma pessoa e

tentava transplantar em outra muitos outros horrores!

O Brasil na Segunda Guerra Mundial

Até 1942, o Brasil manteve uma posição de neutralidade em relação à guerra, que já envolvia a maior parte do mundo. Essa neutralidade tinha aspectos contraditórios: enquanto torcia claramente a favor das forças aliadas, o governo ditatorial de Getúlio Vargas – ESTADO NOVO, era simpatizante do nazifascismo. A situação começou a mudar quando os Estados Unidos entraram na guerra. Os alemães passaram a atacar todos os navios NÃO comprometidos com as potências do Eixo, poderiam ser alvos de ataques. Getúlio Vargas só tomou uma decisão quando navios brasileiros foram atacados em nosso litoral. Nunca ficou totalmente esclarecida a autoria desses ataques, mas considerou-se que a culpa era dos alemães. Com isso, e mais a forte pressão da opinião pública, expressa em manifestações realizadas nas principais cidades brasileiras, o governo acabou declarando guerra ao Eixo, em agosto de 1942, colocando-se ao lado dos Aliados. Inicialmente, nossa participação limitou-se à cessão de espaço para os americanos construírem bases navais, pois aviões daquela época não conseguiam ir dos Estados Unidos até a África e voltar sem reabastecer; saindo do Brasil, essa viagem de ida e volta ficaria mais fácil. Em 1944, o Brasil enviou para a Europa a Força Expedicionária Brasileira (ao lado distintivo da FEB), que lutou junto com o 2º Exército dos Estados Unidos. Os pracinhas da FEB participaram de muitas batalhas importantes, como a de Monte Castelo, na Itália.

batalhas importantes, como a de Monte Castelo, na Itália. Como você já sabe, VARGAS era simpatizante

Como você já sabe, VARGAS era simpatizante do nazismo e fascismo.

Pois bem: ao declarar guerra à Alemanha e a Itália, Vargas criou para si um grave problema. Afinal, havia uma incoerência! Como apoiar os Aliados em defesa da democracia e manter um regime autoritário no Brasil?

Olga Benario Prestes

Por toda parte começaram as manifestações pelo fim do regime do Estado Novo.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série Olga Benario Prestes Olga Benario e Luís Carlos Prestes
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série Olga Benario Prestes Olga Benario e Luís Carlos Prestes
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série Olga Benario Prestes Olga Benario e Luís Carlos Prestes
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série Olga Benario Prestes Olga Benario e Luís Carlos Prestes

Olga Benario Prestes

Olga Benario e Luís Carlos Prestes conheceram-se em Moscou, União Soviética, em novembro de 1934: ela, exilada alemã; ele, exilado brasileiro. Ambos caçados pela polícia de seus países; ambos, a partir daquele momento, unidos pelo mesmo objetivo: lutar pela revolução comunista no Brasil.

Quatro meses depois já estavam no Rio de Janeiro, organizando

o movimento revolucionário. A revolução fracassou em novembro de 1935.

A revolução fracassou em novembro de 1935. Olga e Prestes foram presos em março do ano

Olga e Prestes foram presos em março do ano seguinte. Sendo alemã, judia e comunista, Olga foi expulsa pelo governo brasileiro (Getúlio Vargas) e entregue ao governo nazista da Alemanha, que a procurava desde 1928. Com medo que fosse libertada pelos estivadores europeus, a polícia brasileira embarcou Olga grávida de sete meses, num navio de carga que fez a viagem à Alemanha sem escalas.

Foi na cela em que confinaram Olga em Berlim – um cubículo de

dois metros quadrados, com chão de cimento áspero, um colchão

colocado sobre o concreto – que nasceu sua filha Anita Leocádia: Anita, em memória de Anita Garibaldi, heroína brasileira da Guerra dos Farrapos; Leocádia em homenagem à sogra, que Olga nunca vira pessoalmente. Foi no dia 27 de novembro de 1936, um ano após a revolta comunista no Brasil.

de 1936, um ano após a revolta comunista no Brasil. Em vários países europeus, especialmente na

Em vários países europeus, especialmente na França, fizeram campanhas pela libertação de Olga e Prestes. Depois de muitas viagens e tentativas, Dona Leocádia conseguiu libertar a neta, então com 14 meses, da prisão de Berlim.

Depois de passar por vários campos de concentração, em fevereiro de 1942 poucos dias antes de completar 34 anos, Olga foi executada na câmara de gás. Prestes só saberia da morte da companheira mais de três anos depois, quando saiu da prisão anistiado por Getúlio Vargas, no fim do Estado Novo. Só muitos anos mais tarde é que ele poderia ler a carta que Olga escreveu para ele e Anita, momentos antes de morrer, e que termina com essas palavras: “Até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver. Agora vou dormir para ser mais forte amanhã. Olga”.de muitas viagens e tentativas, Dona Leocádia conseguiu libertar a neta, então com 14 meses, da de muitas viagens e tentativas, Dona Leocádia conseguiu libertar a neta, então com 14 meses, da de muitas viagens e tentativas, Dona Leocádia conseguiu libertar a neta, então com 14 meses, da

o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver. Agora vou dormir para ser mais

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Bem, retomando o assunto sobre a Segunda Guerra

Arrasados, os países europeus receberam ajuda dos capitais norte-

americanos por meio do Plano Marshall – plano de reconstrução da economia capitalista européia mediante o envio de matérias-primas, produtos e capitais.

O plano, criado em 1947, foi elaborado pelo secretário do Estado George

C. Marshall e, por isso, era orientado diretamente pelos Estados Unidos.

Nos

países

socialistas,

por

meio

do

Comecon

(Conselho

de

Ajuda

Econômica Mútua), criado em 1949, elaborou-se um programa de reconstrução.

Politicamente, a União Soviética tornou-se hegemônica na Europa Oriental. Em 1955, os laços entre a URSS e os países integrados na órbita socialista foram fortalecidos com a criação do Pacto de Varsóvia, que estabelecia um sistema de alianças no plano militar. Esse poderio da potência socialista perturbou o mundo capitalista.

da potência socialista perturbou o mundo capitalista. A Segunda Guerra, foi um bom negócio para os
da potência socialista perturbou o mundo capitalista. A Segunda Guerra, foi um bom negócio para os

A Segunda Guerra, foi um bom negócio para os Estados Unidos. As encomendas da indústria bélica (de armas), e o esforço patriótico dos operários tinham contribuído para superar a crise de 29 conforme você já estudou neste módulo. O mundo foi praticamente dividido em dois blocos: o capitalista, sob liderança dos Estados Unidos e de potências menores como Alemanha Ocidental, Grã-Bretanha, Canadá e Japão; e do bloco socialista liderado pela União Soviética. Nas escolas, nos jornais, nas histórias em quadrinhos e nos filmes, os Estados Unidos apareciam como defensores do mundo livre contra o império do mal.

Os russos eram mostrados como sujeitos cruéis e sem escrúpulos, dispostos a tudo para dominar o mundo.

Ficaram famosas as declarações e acusações do senador norte-amenricano Joseph McCarthy (1946 a 1958), que criou campanhas de caça aos comunistas.

O macartismo (idéias de MacCarthy), desencadeou uma histeria coletiva

anticomunista com perseguições, interrogatórios, prisões.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Exemplos de anticomunismo, foi o exílio do ator Charles Chaplin, apontado como simpatizante do comunismo.

Em 1949, os Estados Unidos criaram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), uma aliança militar entre os Estados Unidos, Canadá e os países europeus ocidentais.

O auxílio mútuo entre esses países garantiu o apoio necessário aos norte-

americanos em sua política intervencionista.

A América Latina na Guerra Fria

A produção na América Latina foi bastante estimulada pela guerra de

1939 a 1945. A diminuição das importações e o aumento das exportações durante

o conflito mundial, explicam esse crescimento econômico.

Terminada a guerra, a Europa logo recuperou sua produção industrial e agrícola e, portanto diminuiu sensivelmente suas compras de produtos latino- americanos. Paralelamente à queda das exportações, a América Latina viu aumentar suas importações de bens de consumo norte-americanos e europeus. Assim, em 1950, as dívidas externas voltaram a crescer.

Da guerra, porém, restou seu efeito mais importante: a industrialização dos países latino-americanos. Porém, todo esse processo de industrialização estava comprometido por uma infra-estrutura inadequada.

Não foi prevista a ampliação da rede de comunicação (ferrovias e rodovias) nem a das redes de esgotos, água e energia para suprir as necessidades das cidades em crescimento.

Nas cidades, os cortiços e as favelas proliferaram rapidamente. Como as

áreas agrícolas não foram modernizadas, surgiram profundas diferenças e desequilíbrios regionais e sociais. Cidades como Rio de Janeiro, México, Santiago, Caracas, Lima e Buenos Aires apresentavam sinais de progresso e modernidade que

contrastavam com a miséria e

a marginalidade.

Lima e Buenos Aires apresentavam sinais de progresso e modernidade que contrastavam com a miséria e

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Politicamente, entre os anos de 1945 e 1960, também se registraram mudanças na vida latino-americana. Cresceu a influência das camadas médias urbanas nas decisões do poder.

Nesse período, as ditaduras – muitas nascidas ainda na década de 30 – assumiram uma dimensão mais ampla e se caracterizaram por reformas sociais profundas. Mas estas reformas não podiam ferir os interesses do capitalismo monopolista norte-americano.

Os chefes políticos latino-americanos que não aceitaram as regras do jogo da Guerra Fria, ou ousaram lutar contra o imperialismo ianque, foram derrubados do poder.

A política norte-americana na América Latina, nos anos 40 e 50, consistiu em desestabilizar e derrubar os governos nacionalistas, muitas vezes sob acusação de serem comunistas.

Por outro lado, os Estados Unidos apoiaram e mantiveram no poder governos fiéis que aceitavam e garantiam a infiltração do capital internacional e sua efetiva ampliação na economia latino-americana.

O Capitalismo Monopolista

A união entre os grandes banqueiros e industriais, com o objetivo de

monopolizar os mercados, caracterizou uma nova fase do capitalismo monopolista.

Após a Segunda Guerra Mundial, o capitalismo monopolista expandiu-se pelos países do Terceiro Mundo.

Grandes empresas fundaram filiais nos países subdesenvolvidos, com o objetivo de desenvolver o mercado consumidor e dominá-lo.

A Nestlé, por exemplo, ao se instalar em qualquer país do Terceiro

Mundo, repetia invariavelmente a mesma técnica: adquiria todo leite disponível

da região transformava-o em diversos produtos e vendia-os às classes de maior poder aquisitivo do país.

Assim, após 1945, as grandes empresas passam a controlar os cinco setores básicos da vida de um país: finanças, energia, tecnologia, alimentos e comunicações.

Grandes empresas norte-americanas como a General Motors, Ford , Du Pont, etc. vem dando “as cartas” em quase todos os países subdesenvolvidos.

Cansei dessa história de exploração, “tô” voltando para o Brasil!!!
Cansei dessa história de
exploração, “tô”
voltando para o Brasil!!!

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Pare aí ! Onde você vai?
Pare aí !
Onde você
vai?
- ENSINO MÉDIO - 3ª série Pare aí ! Onde você vai? Bem, agora você voltará

Bem, agora você voltará ao Brasil na ERA VARGAS

vai? Bem, agora você voltará ao Brasil na ERA VARGAS Eleito presidente em 1934, para um

Eleito presidente em 1934, para um mandato de quatro anos, Getúlio Vargas foi criando condições para dar um golpe e permanecer no poder.

A oportunidade para o golpe surgiu durante a campanha eleitoral para presidente, em 1937, quando alguns jornais publicaram o Plano Cohen. De acordo com o governo e seus aliados, esse era um plano comunista para assassinar centenas de políticos brasileiros e derrubar o governo.

centenas de políticos brasileiros e derrubar o governo. Plano Cohen era um pelos comunistas, incluindo o

Plano Cohen

era

um

pelos

comunistas, incluindo o assassinato de autoridades, invasão de residências e outras barbaridades.

De

acordo

com

a

polícia,

plano

de

tomada

do

poder

É óbvio que o plano era falso. Por dois motivos bastante simples: os comunistas condenavam o terrorismo e o segundo motivo é que quase todos os dirigentes comunistas estavam na cadeia é bom lembrar ,que naquela época não havia celulares para dar o “comando” de dentro da prisão!

Na verdade, o plano tinha sido forjado por um capitão do exército Olímpio Mourão Filho. Getúlio sabia de tudo, mas aproveitou o episódio para anunciar nas rádios o “complô vermelho”, usando assim esse pretexto, e ordenou que a polícia militar fechasse o Congresso e através desse golpe, implantou a Ditadura do Estado Novo.

Bem, como você pode ver na caixa de texto acima, Getúlio deu um golpe, para continuar no poder e implantar uma ditadura (regime autoritário) no país, que ficou conhecido como Estado Novo.

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como Estado Novo. HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série No dia 10 de novembro de

No dia 10 de novembro de 1937, foi dado o golpe: Getúlio ordenou o fechamento do Congresso Nacional, e no mesmo dia anunciou uma nova Constituição. Essa nova Constituição outorgada em 10 de novembro de 1937, trazia em seu conteúdo, várias características fascistas. Tirava a autonomia dos estados e dava a Getúlio o poder de dissolver o Congresso Nacional, de nomear interventores para governar os estados e concentrar em suas mãos os três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Você sabe qual é a diferença entre uma Constituição outorgada e uma Constituição Promulgada? É que a primeira é imposta sem discussão pelo governante do país e a segunda é feita e aprovada pelo Congresso Nacional.

que a primeira é imposta sem discussão pelo governante do país e a segunda é feita

Já deu para perceber que as “coisas” seriam bem diferentes no Estado Novo, as liberdades individuais e as garantias constitucionais, desapareceram. Muitos intelectuais, artistas, estudantes, políticos de oposição e sindicalistas viviam sufocados e aterrorizados com as perseguições e as agressões aplicadas pela polícia política de Vargas, chefiadas por Filinto Muller, responsável pelas centenas de prisões arbitrárias, torturas e mortes.
3 Implantando a ditadura, Getúlio extinguiu as organizações operárias, proibiu as greves, acabou com a liberdade de reivindicações dos trabalhadores e transformou os sindicatos em instrumentos do Estado para controlar e “amaciar” a classe operária. Com a transformação dos sindicatos em instrumentos do Estado surge o peleguismo no Brasil, pois pessoas ligadas aos empresários e ao governo, eram, infiltradas nos sindicatos a fim de deixa-los informados das decisões tomadas pela classe trabalhadora. Apesar disso, muitos trabalhadores estavam convencidos de que a classe operária tinha lugar de destaque no Estado Novo.

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A violência da ditadura tornou-se insuportável. Vários setores das

camadas sociais brasileiras desde o operariado até a burguesia, estudantes,

militares, fazendeiros, começaram a reagir contra o extremismo do governo.

Era fundamental que o Brasil se tornasse uma democracia. Que a sociedade passasse a ter o direito de escolher seus governantes através de eleições e que houvesse liberdade política, econômica e social no país. Realmente, não fazia mais sentindo a existência de uma ditadura fascista no Brasil, quando lá fora as tropas brasileiras lutavam exatamente contra as ditaduras fascistas.

Em janeiro de 1945, pressionado pela sociedade, Getúlio Vargas decretou o Ato Adicional que marcava eleições diretas e livres em todo o país. Pouco depois, concedeu anistia (permitia a volta dos exilados) e libertou centenas de presos políticos, entre eles Luís Carlos Prestes, e foi permitido a organização de novos partidos. Foi legalizado o Partido Comunista do Brasil (PCB), que havia sido criado em 1922 e que durante muitos anos ficara na clandestinidade.

Os novos principais partidos eram:

UDN ( União Democrática Nacional), formado por pessoas que eram contra o governo de Getúlio; PSD (Partido Social Democrático), partido de natureza conservadora, criado por Getúlio Vargas; PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), também criado por Getúlio Vargas.

Sobre esses partidos você verá mais adiante

Bom, para encurtar a história, em meio a agitada campanha eleitoral surgiu um movimento popular favorável à continuação de Getúlio Vargas no poder, e que foi estimulada por ele. Esse movimento foi chamado queremismo porque populares, com apoio dos comunistas (“ruim com ele, pior sem ele”), percorriam as ruas gritando:

“Queremos Getúlio, queremos Getúlio”.

ruas gritando: “Queremos Getúlio, queremos Getúlio”. A aproximação de Vargas com os comunistas levou muitos

A aproximação de Vargas com os

comunistas levou muitos políticos e militares a acreditarem que ele pretendia dar um novo golpe e permanecer no poder, como fizera em 1937.

Se essa era a sua intenção, Getúlio

não conseguiu concretizá-la, pois foi deposto em outubro de 1945.

Era o fim do Estado Novo.

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HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série Em outubro de 1945, um golpe de Estado afastou

Em outubro de 1945, um golpe de Estado afastou Getúlio Vargas da Presidência. Era o fim do Estado Novo e

o início de um período democrático na

história brasileira, que duraria quase

vinte anos. Ao longo dessas duas décadas, os brasileiros elegeram quatro presidentes: dois concluíram seus mandatos, um se matou e o outro renunciou logo após a posse. O período encerrou em 1964, com um golpe militar que trouxe de volta ao país as arbitrariedades de uma ditadura.

A democracia fez bem. Nesse

meio tempo, o Brasil passou por profundas transformações. Consolidou, por exemplo, seu processo industrial e tornou-se, definitivamente, um país com fortes características urbanas.

um país com fortes características urbanas. AAAA TRANSIÇÃOTRANSIÇÃO TRANSIÇÃOTRANSIÇÃO Como

AAAA TRANSIÇÃOTRANSIÇÃO TRANSIÇÃOTRANSIÇÃO

Como vimos, no Brasil, o ano de 1945 foi marcado por grandes

manifestações pelo retorno da democracia. Cedendo às pressões, Getúlio Vargas convocou eleições presidenciais e uma Assembléia Constituinte.

No entanto, em outubro, antes da data marcada para o pleito, Getúlio teve

de abandonar o poder. Um golpe de Estado liderado por militares o destituiu da

presidência. Os golpistas temiam que o ditador articulasse alguma artimanha para permanecer no cargo. Mas isso não aconteceu. O governo passou a ser exercido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares, que promoveu as eleições previstas para dezembro de 1945. Eurico Gaspar Dutra, o novo presidente, obteve uma vitória esmagadora nas urnas: 55,39% dos votos. Dois partidos saíram fortalecidos da votação ao eleger maior número de parlamentares para Congresso Nacional, que elaboraria

a nova Constituição: o Partido Social Democrático (PSD), com 177 eleitos, e a

União Democrática Nacional (UDN), com 87. O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) conseguiu eleger somente 24 representantes e o Partido Comunista Brasileiro (PCB), quinze. Os resultados evidenciaram a indiscutível vitória das forças conservadoras do país.

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HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série Partido Social Democrático mãos banqueiros e latifundiários que tinham
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série Partido Social Democrático mãos banqueiros e latifundiários que tinham

Partido Social Democrático

mãos

banqueiros e latifundiários que tinham enriquecido com os favores de Getúlio no Estado Novo. Muitos políticos do PSD tinham ocupado cargos de destaque no governo durante o Estado Novo: interventores estaduais, ministros, assessores diretos. Agora, com eleições periódicas, usavam esses cargos como máquinas de conquistar votos. Tratava-se do famoso clientelismo eleitoral. Por exemplo, Fulano do PSD, secretário do governo, é o responsável por obras de instalação de água encanada no estado. Quando chegam as eleições, ele propõe para os moradores: "Se votarem em mim para deputado, terão a água. Caso contrário, fica difícil." Em troca do voto, ele até podia fazer uma obrazinha. Assim, a máquina administrativa do governo era também uma máquina eleitoral. Se juntarmos isso com o fato de que muitos latifundiários também apoiavam o PSD, e de que eles influenciavam milhares de eleitores do interior dos seus "currais eleitorais", entenderemos o porquê de o PSD ter sido o maior partido do Brasil.

Seu

controle

estava

nas

de

industriais,

partido do Brasil. Seu controle estava nas de industriais, União Democrática Nacional Era a inimiga dos
partido do Brasil. Seu controle estava nas de industriais, União Democrática Nacional Era a inimiga dos

União Democrática Nacional

Era a inimiga dos getulistas. Mas, atenção, uma adversária politicamente à direita. Quando foi fundada, até que incluía alguns socialistas democráticos. Pouco depois, esse grupo sairia para fundar o PSB (Partido Socialista Brasileiro). Em princípio, a UDN adotava o liberalismo, ou seja, direitos individuais e vale tudo capitalista. Era contra o trabalhismo porque

e vale tudo capitalista. Era contra o trabalhismo porque não aceitava o nacionalismo, a intervenção do

não aceitava o nacionalismo, a intervenção do Estado na economia, nem as leis trabalhistas, consideradas "exageradas". Para a UDN, quanto mais os Estados Unidos deitassem e rolassem por aqui, mais livres nós seríamos. Por isso

mesmo, com motivos diferentes, ela era odiada pelos getulistas e pelos comunistas. A UDN tinha políticos com idéias bem autoritárias por trás da fantasia de liberal. Era a favor do liberalismo, mas não era contra a ditadura. Viam comunistas por todos os lados e detestavam as greves e mobilizações sindicais, que acusavam ser subversivas e antipatrióticas.

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Para eles, o grande problema do país era basicamente a corrupção e não a falta de reformas sociais profundas. Isso fascinava a classe média, que adorava os políticos bem vestidos da UDN, fazendo discursos repletos de idéias anti- comunistas e que não se misturavam ao povão. Por causa desse elitismo, a UDN jamais conseguiria chegar à presidência. No fundo, o povão rejeitava o ar burguês dela. Decepcionada com "as massas manipuladas pelos demagogos", a UDN apoiaria o golpe militar de 1964. A figura mais destacada da UDN era o empresário e jornalista Carlos Lacerda. Através de seu jornal Tribuna da Imprensa, atacava todo mundo, fazia denúncias sem mostrar as provas, insuflava a classe média contra os trabalhistas e os comunistas. Outras figuras importantes da UDN eram os banqueiros, políticos e magnatas da grande imprensa como Assis Chateaubriand, dono dos Diários Associados, Júlio de Mesquita (O Estado de São Paulo) e a família Marinho (O Globo).

O maranhense José Sarney e o baiano Antonio Carlos Magalhães

começaram suas carreiras políticas na velha UDN. E para que você não tenha

dúvidas: quem pediu e apoiou o golpe militar de 1964 foi a UDN.

quem pediu e apoiou o golpe militar de 1964 foi a UDN. Partido Trabalhista Brasileiro Para

Partido Trabalhista Brasileiro

militar de 1964 foi a UDN. Partido Trabalhista Brasileiro Para começar, o PTB de hoje nada

Para começar, o PTB de hoje nada tem a ver com

o PTB do período de 45 a 65. O antigo PTB, foi criado

pelo próprio Vargas. O primeiro objetivo era bem simples: ganhar o voto dos operários e da classe média baixa, de todos que acreditavam no mito do "Pai dos Pobres". Voto urbano, porque no campo os votos eram dados para o PSD, tradicional aliado dos getulistas. O PTB fincava suas bases de apoio nos sindicatos pelegos ligados ao Ministério do Trabalho. Votando no PTB, as massas urbanas deixavam de votar nos comunistas.

Em número de deputados e senadores, era o terceiro maior partido, atrás do PSD

e da UDN.

O PTB tinha fortes relações com o governo. Os funcionários que

ocupavam o Ministério do Trabalho e controlavam a Previdência Social eram, em geral, ligados ao PTB. Nesse esquema estavam os sindicatos pelegos, que trocavam pequenos favores do governo em troca de apoio político. A UDN não deixava de ter uma certa dose de razão quando acusava os políticos petebistas (especialmente os presidentes Vargas e João Goulart) de usarem a máquina sindical para apoiar seus propósitos políticos. Depois da morte de Vargas (1954), uma parte do PTB deu uma guinada à esquerda. Cada vez mais defendia o nacionalismo e as leis trabalhistas. No começo dos anos 60, essa ala esquerdista passou a defender uma coisa considerada ultra-radical para a época: a reforma agrária. Dessa ala reformista do PTB faziam parte figuras importantes como João Goulart e Leonel Brizola.

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HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série Partido Comunista Brasileiro Não é possível entender o período

Partido Comunista Brasileiro

Não é possível entender o período de 45 a 64 sem estudarmos a atuação do PCB. Em 1945, seus membros tinham saído da cadeia e a lei autorizava a existência do partido. Depois da Revolução Russa, com a vitória da União Soviética contra os invasores nazistas, os partidos comunistas do mundo inteiro receberam adesões de intelectuais brilhantes da época. No Brasil também. Graciliano Ramos, Jorge Amado, Candido Portinari se filiaram ao partido. Ser comunistas era sinal de sofisticação intelectual, sentimentos humanistas, revolta contra tudo de errado no país. Depois da Segunda Guerra, em poucos meses o PCB conseguiu dezenas de milhares de adeptos entusiasmados. Muita gente bem jovem, estudantes

entusiasmados e cheios de idealismo querendo mudar o país e o planeta. Para o PCB, o Brasil não tinha condições de realizar uma revolução socialista. Primeiro era preciso apoiar um vigoroso desenvolvimento do capitalismo nacional, com empresas estatais, leis trabalhistas e a reforma agrária.

empresas estatais, leis trabalhistas e a reforma agrária. Com a deposição de Getúlio Vargas, em outubro
empresas estatais, leis trabalhistas e a reforma agrária. Com a deposição de Getúlio Vargas, em outubro

Com a deposição de Getúlio Vargas, em outubro de 1945, não havia legalmente quem assumisse o poder: quando criou o Estado Novo, o ditador fechou o Congresso. Assim, o presidente do Supremo Tribunal Federal assumiu a presidência da República para governar o Brasil entre Outubro de 1945 e 31 de Janeiro de 1946, data marcada para a posse do presidente a ser eleito.

Houve três candidatos à presidência: o brigadeiro Eduardo Gomes, da UDN, o general Dutra, apoiado pelo PTB, PSD e por Vargas, e Yedo Fiúza, candidato pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Fundando em 1922, o PCB existiu clandestinamente durante todo o Estado Novo; com a anistia e liberdade partidária, voltou a ter existência legal.

Em 2 de dezembro de 1945, os brasileiros elegeram os deputados para a Assembléia Constituinte e escolheram o general Dutra para presidente. Teve início no Brasil a República Democrática, que durou de 1946 a 1964. Faz parte deste período o populismo, política de controle das camadas populares em que o governo adota medidas para agradá-las em troca de seu apoio. Por meio dessas medidas, o governo concede benefícios a essas camadas populares, sem prejudicar os setores privilegiados da sociedade e da economia; algumas vezes, ao contrário do que deixa transparecer, os beneficia.

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HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série O general Eurico Gaspar Dutra governo de janeiro de
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série O general Eurico Gaspar Dutra governo de janeiro de

O general Eurico

Gaspar Dutra governo

de janeiro de 1946 a

janeiro de 1951. Em 18 de setembro de 1946, a Assembléia Constituinte promulgou

a nova Constituição,

garantindo o direito de

voto a homens e mulheres brasileiros natos ou naturalizados, maiores de 18 anos e alfabetizados.

A nova Constituição estabeleceu a separação dos três poderes e os estados

e municípios ganharam certa autonomia em relação ao poder central.

O governo ficou obrigado a reservar 7% de seus gastos anuais com obras

para desenvolver a Amazônia e o Nordeste. Idéia legal, que fazia os estados do Sul ajudarem seus irmãos nortistas. Na prática, deu errado: as oligarquias usavam a grana para si mesmas. Por exemplo, quase todos os açudes (reservatórios de água) que o governo construiu alimentavam os latifúndios, enquanto que os pequenos proprietários e colonos ficavam abandonados na seca.

As leis trabalhistas, que estavam previstas na Constituição de 34, foram mantidas.

As coisas iam mais ou menos até que se tocasse na questão trabalhista. Por exemplo, os sindicatos continuavam subordinados ao Ministério do Trabalho. A qualquer momento podiam ser invadidos pela polícia. As greves eram permitidas, mas a Constituição indicava a criação de leis que as limitassem.

Os comunistas tiveram uma participação importante na Assembléia Constituinte, liderados pelo senador Luís Carlos Prestes. Seus deputados não faltavam às sessões, participavam ativamente dos debates e defendiam pontos de vista que consideravam a favor da população. Quando tentaram incluir a reforma agrária na Constituição, foram impedidos por políticos do PSD, da UDN e de outros partidos.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série "Reforma Agrária? Será que não percebem que aqui

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

"Reforma Agrária? Será que não percebem que aqui no Congresso quase todo mundo é grande
"Reforma Agrária? Será que não
percebem que aqui no Congresso
quase todo mundo é grande
proprietário de terras ou foi eleito
com o dinheiro deles?"

Pois a reforma agrária não passou. E nos anos que se seguiram a questão da terra quase incendiaria o país.

se seguiram a questão da terra quase incendiaria o país. Do ponto de vista econômico, o
se seguiram a questão da terra quase incendiaria o país. Do ponto de vista econômico, o
se seguiram a questão da terra quase incendiaria o país. Do ponto de vista econômico, o

Do ponto de vista econômico, o governo Dutra foi marcado por um enfraquecimento da indústria nacional: o presidente aceitou receber em mercadorias supérfluas o pagamento de dívidas que os americanos e europeus tinham para com nosso país em função da guerra. A industrialização brasileira, que nesse momento poderia ter sido beneficiada por pagamentos em forma de equipamentos, acabou sendo prejudicada. Dutra também estimulou a vinda de empresas americanas, que se instalaram aqui para produzir mercadorias antes importadas.

instalaram aqui para produzir mercadorias antes importadas. Era a época da Guerra Fria, que você já

Era a época da Guerra Fria, que você já estudou. No governo do presidente Dutra, o Brasil ficou no bloco liderado pelos Estados Unidos, contra o bloco da União Soviética.

Assim, mesmo com o país vivendo sob um regime aparentemente democrático, o governo passou a perseguir as forças de esquerda (comunistas, socialistas e seus simpatizantes). Em 1948, o general Dutra colocou o Partido Comunista na ilegalidade, anulando os direitos políticos de todos os seus parlamentares. Pelo mesmo motivo, fechou alguns sindicatos de trabalhadores.

Como nos posicionamos ao lado dos Estados Unidos, sua influência se fez sentir na ajuda para a criação de ESG (Escola Superior de Guerra), que difundia os ideais norte-americanos se posicionando contra os comunistas.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Dentro da linha de fazer o Brasil capacho dos Estados Unidos, Dutra proibiu o PCB (Partido Comunista Brasileiro) de funcionar, em 1947. Seus deputados foram cassados, vários dirigentes presos. Os comunistas só tiveram o remédio de cair de novo na clandestinidade. Além disso, o Brasil rompeu relações diplomáticas com a URSS. No final de seu governo, houve uma forte disputa para eleger o sucessor. O vitorioso foi o PTB, cujo candidato era o ex-ditador Getúlio Vargas.

A GUERRA FRIA Mal terminou a Segunda Guerra Mundial (em 1945), e o mundo já
A GUERRA FRIA
Mal terminou a Segunda Guerra Mundial (em 1945), e o mundo
já se via ameaçado por uma terceira. De um lado, os Estados
Unidos, chefe do bloco capitalista, do outro a União Soviética, líder
do bloco socialista.
Nunca chegou a acontecer uma guerra entre as superpotências.
Mas essa disputa neurótica entre os dois gigantes inimigos deixava
todo o planeta em frangalhos. Na rivalidade, valia tudo para mostrar
qual era o melhor sistema: desde o desenvolvimento econômico aos
resultados esportivos, da conquista do espaço aos conflitos
envolvendo países menores, da guerra de palavras à corrida
armamentista. As armas nucleares ameaçavam a espécie humana de
extinção. Pois essa disputa louca e o clima paranóico de que a
qualquer momento estouraria a Terceira Guerra duraram de 1945
até 1991, quando acabou a União Soviética. Foi o período da Guerra
Fria.
acabou a União Soviética. Foi o período da Guerra Fria. Havia prometido voltar ao Palácio do

Havia prometido voltar ao Palácio do Catete nos braços do povo. E lá estava ele. Vargas tomou posse em 31 de janeiro de 1951. Era seu segundo mandato como presidente eleito, mas o primeiro obtido com o voto popular direto. Getúlio foi eleito principalmente graças à sua defesa da indústria nacional e à propaganda que fez de sua responsabilidade na criação de leis trabalhistas. Seu governo foi marcado por grande agitação política. Apoiado por forças populares e por alguns políticos tradicionais, Vargas sofreu forte oposição de alguns militares e da UDN, que tinha muitos dos seus membros ligados ao comércio importador e aos capitais estrangeiros. Bem, Getúlio talvez ainda fosse o mesmo, mas os tempos certamente eram outros. Talvez não soubesse governar numa democracia. Gostava mesmo é de decretar e de ser obedecido.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

A economia já se enrolava com um problema que ainda iria nos atazanar

por muito tempo: a Inflação. De um lado ela se ligava às boas exportações de

café, que tinham trazido dinheiro para o Brasil. Mais dinheiro circulando, preços maiores. Inflação. Lógica malvada do dinheiro. Para controlar a inflação, Getúlio ficava entre dois fogos: o arrocho salarial e o fim dos créditos empresariais iriam irritar ricos e pobres. Como fazer? Enquanto Getúlio não sabia direito o que fazer com a inflação, os trabalhadores sabiam. O movimento operário, aos poucos, ia conquistando autonomia. Em 1953, houve a famosa greve dos 300 mil, em São Paulo, vitoriosa apesar da repressão policial. A burguesia, irritada, cobrava:

"Como é, seu Getúlio, não vai parar essa onda de greves?"
"Como é, seu Getúlio, não vai
parar essa onda de greves?"
é, seu Getúlio, não vai parar essa onda de greves?" Vargas bem que tentou! Para obter

Vargas bem que tentou! Para obter o apoio da massa trabalhadora, Getúlio anunciou

de

100%

do

salário

o aumento

mínimo.

Não era um grande aumento, porque desde 1940, quando começou a ser pago, que o salário mínimo ainda era o mesmo. Os empresários não aceitavam. Mesmo assim, Vargas achou sensato ser fiel a seu trabalhismo. Concedeu o aumento do salário mínimo. Imagine as nuvens negras que pousaram sobre o Palácio do Catete. Outra questão que dividiu o Brasil daquela época foi a respeito do papel que o capital estrangeiro poderia exercer na nossa economia. Ficavam as perguntas para respondermos:

O capital estrangeiro ajuda ou prejudica nossa economia? Será que elas não estariam tomando o lugar de empresas nacionais que poderiam muito bem estar cumprindo essas tarefas? E será que o Brasil seria capaz de se desenvolver sem contar com a tecnologia e os investimentos estrangeiros? Será mesmo que o capital tem pátria?

Perguntas muito difíceis de serem respondidas naquela época. (E hoje, será que são fáceis de responder?)

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

As posições estavam divididas. A UDN, que defendia o liberalismo econômico, naturalmente era favorável ao capital estrangeiro. Quanto mais facilidades, melhor.

Os comunistas eram absolutamente contra a presença do capital estrangeiro. Partiram para o ataque e xingaram os udenistas de entreguismo:

"A UDN quer entregar o Brasil ao imperialismo ianque!"

Havia muitos nacionalistas também no PTB e, alguns, no PSD. A maioria até aceitava empresas estrangeiras, mas sob forte controle do Estado. Getúlio Vargas não era tão nacionalista assim como dizem os historiadores tradicionais. Mas percebeu que ganharia apoio popular se levantasse bandeiras nacionalistas.

Seria fácil se tudo isso ficasse só nos debates de idéias. Mas havia interesses poderosíssimos em jogo. Se a empresa nacional era boa ou não para o Brasil era uma discussão. Agora, o fato de que poderia dar muito lucro para os seus donos era uma unanimidade. Essas empresas eram gigantescas. Por exemplo, na época, a General Motors tinha um patrimônio mais valioso do que todo o Produto Nacional Brasileiro!

mais valioso do que todo o Produto Nacional Brasileiro! Ora, elas certamente não queriam ser atrapalhadas

Ora, elas certamente não queriam ser atrapalhadas por nenhum político nacionalista de Terceiro Mundo. Dólares para subornar autoridades, para apoiar candidatos favoráveis e, claro, a velha pressão sobre o governo brasileiro e sobre os generais. Nessa aí é que Getúlio dançou. Foi quando explodiu a questão do petróleo.

dançou. Foi quando explodiu a questão do petróleo. Militares nacionalistas apoiaram Vargas em sua luta pela

Militares nacionalistas apoiaram Vargas em sua luta pela criação de uma empresa estatal para extrair e refinar petróleo em nosso país. O lema dessa campanha era "O petróleo é nosso" e assumiu grandes proporções, mobilizando vários setores da sociedade brasileira.

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Essa campanha teve o apoio de trabalhadores, estudantes e intelectuais, além de muitos políticos, mas foi duramente combatida pelos setores ligados à importação de petróleo. Em 1953, Vargas conseguiu a aprovação da lei que criava a Petrobrás. A política nacionalista de Getúlio Vargas desagradou o capital estrangeiro, que, aliado a empresários e políticos brasileiros, aumentou as pressões contra o governo.

Em 1954, o Manifesto dos Coronéis, redigido por Golbery do Couto e Silva (mais tarde um dos idealizadores do golpe de 64), advertia seriamente o presidente da República. Temiam a "infiltração comunista na sociedade e nas Forças Armadas" e repudiavam o fato de os aumentos salariais botarem um operário especializado ganhando quase como um tenente. Vargas cada vez mais perdia o comando do país: não controlava as greves operárias nem a corrupção (precisando do apoio do PSD, Getúlio foi obrigado a engolir alguns sapos bem ladrõezinhos).

foi obrigado a engolir alguns sapos bem ladrõezinhos). "O Sr. Getúlio Vargas não deve ser candidato
foi obrigado a engolir alguns sapos bem ladrõezinhos). "O Sr. Getúlio Vargas não deve ser candidato
"O Sr. Getúlio Vargas não deve ser candidato à presidência. Candidato não deve ser eleito.
"O Sr. Getúlio Vargas não deve ser candidato
à presidência. Candidato não deve ser eleito.
Eleito, não deve tomar posse. Empossado,
devemos recorrer à revolução para impedi-lo
de governar."

A oposição aproveitou-se de denúncias de corrupção envolvendo familiares e pessoas ligadas a Vargas para atingi-lo. Nessa época, o pior inimigo de Vargas era o jornalista Carlos Lacerda. Em agosto de 1954, houve um atentado contra o jornalista, mas quem morreu foi um militar da Aeronáutica. Desconfiados de que as investigações sobre o crime sofreriam a interferência do chefe de polícia, que era irmão do presidente, os militares da Aeronáutica fizeram uma investigação por conta própria. Descobriram o envolvimento do chefe da guarda pessoal do presidente e passaram a afirmar que Getúlio era o mandante do crime. A campanha contra o presidente se intensificou e, em 24 de agosto, Getúlio Vargas suicidou-se no Palácio do Catete, sede do governo. Atualmente esse palácio é o Museu da República, na cidade do Rio de Janeiro, capital do Brasil na época do suicídio de Getúlio.

O enterro de Getúlio foi uma verdadeira loucura. Muita gente, choro e histeria. As ruas e avenidas foram tomadas por uma multidão inumerável, um oceano de carne humana. Sentimental, o povo brasileiro se identificava com Vargas: ele era a vítima dos poderosos, tal como o povo. Lacerda, alvo da fúria do povo, teve que deixar o país.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

A sede de seu jornal, Tribuna da Imprensa, fortemente protegida pela polícia, foi atacada e ocorreu uma verdadeira batalha na rua, todos os meios de comunicação que fizeram a campanha antigetulista tiveram suas instalações apedrejadas e até incendiadas.

Agora responda em seu caderno:

5- Identifique um fator responsável pela oposição a Vargas.

Na verdade, Getúlio foi uma figura muito contraditória. De um lado, o simpatizante do nazismo,

Na verdade, Getúlio foi uma figura muito contraditória. De um lado, o simpatizante do nazismo, o carrasco da classe operária, o ditador, o manipulador, a raposa política; do outro, o autor de leis trabalhistas, o nacionalista, o sujeito que enfrentou os interesses norte-americanos.

É engano pensar que ele era um grande personagem a fazer sozinho a História. Seu

talento fez com que ele e não outro, fosse capaz de atender aos interesses da classe

dominante em determinado momento. Mas a gente não entende a história do Brasil se acreditarmos que as coisas se explicam por suas idéias e vontades pessoais.

Claro que ele e seu grupo político tinham convicções e ambições pessoais. Queriam se manter no poder. Para isso não hesitaram em buscar apoio nos setores populares e progressistas. Aí é que moravam as contradições, por que não se pode acender uma vela para Deus e outra para o diabo.

Em outras palavras, não era mais possível governar para a burguesia e ao mesmo tempo fazer concessões para as camadas populares. Isso deu certo durante um tempo. Agora não dava mais. Seu nacionalismo também estava ultrapassado. Já fora

o tempo em que tinha protegido a burguesia nacional. Agora, os empresários queriam

mesmo é fazer negócios, se associar diretamente aos investidores estrangeiros. Afinal,

o capital é internacional.

No jornal getulista Última Hora foi publicada a célebre Carta-Testamento de Getúlio Vargas.

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HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série Mais uma vez, as forças e os interesses contra

Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se

novamente e se desencadeiam sobre mim. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender como sempre

Depois de decênios de

domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me

defendi, o povo e principalmente os humildes. (

)

chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho social. Tive de renunciar.

Assumi o governo dentro da espiral

inflacionária que destruía os valores do trabalho (

tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a

nossa economia(

uma pressão constante, (

que agora se queda desamparado. Nada mais posso oferecer a não ser o meu

Nada receio. Serenamente

dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.

sangue. (

renunciando a mim mesmo, para defender o povo

Tenho lutado mês a mês, dia-a-dia, hora a hora, resistindo a

Voltei ao governo nos braços do povo. (

)

)

Veio a crise do café

(

)

)

)

)

Lutei contra a espoliação do povo (

).

O período seguinte foi cheio de dificuldades. Observe a seqüência dos

acontecimentos em 1955:

25 de agosto: tomou posse o vice-presidente eleito, Café Filho;

3 de outubro: realizadas eleições para presidente, em que foi eleito o médico mineiro Juscelino Kubitschek de Oliveira, do PSD, com o apoio de forças liberais, inclusive comunistas (ele tomaria posse em janeiro de 1956); 9 de novembro: Café Filho, doente, foi substituído pelo presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz; 11 de novembro: o Congresso depôs Carlos Luz, após comprovar sua participação no planejamento de um golpe de estado para impedir a posse do presidente eleito, Juscelino Kubitschek, do PSD, e do vice, João Goulart, do PTB. Esse golpe foi tramado por militares conservadores e políticos da UDN, ligados ao capital estrangeiro, que afirmavam que os eleitos eram ligados às forças de esquerda; o senador Nereu Ramos tornou-se o presidente provisório

do Brasil, com o apoio do ministro da Guerra, general Teixeira Lott, cuja

atuação foi decisiva para manter a lei e a ordem até 31 de janeiro de 1956,

quando JK (como era conhecido Juscelino Kubitschek) assumiu a presidência. Assim, apesar de todas essas dificuldades, a posse de JK e de seu vice aconteceu de acordo com a lei e as tentativas de golpe fracassaram.

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HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série O governo de Juscelino Kubitschek foi marcado por grande

O governo de Juscelino Kubitschek foi marcado por grande e rápido desenvolvimento econômico, principalmente no setor industrial, para substituir importações. Para promover esse desenvolvimento, JK criou o Plano de Metas, cujo lema era "Cinqüenta anos em cinco". Entre outras medidas, o plano dava facilidades para as multinacionais montadoras de automóveis se estabelecerem no Brasil. Essas multinacionais montavam os carros usando autopeças, inicialmente importadas, que passaram aos poucos a ser fornecidas pela indústria nacional, que foi se desenvolvendo. A indústria automobilística concentrou-se no ABC paulista, formado pelas cidades de Santo André, São Bernardo e São Caetano, próximo à cidade de São Paulo. Investiu-se capital estrangeiro também em outros setores da indústria, graças à política econômica de JK, que facilitava a importação de equipamento e a remessa de lucros para o exterior. Dessa forma, a indústria no Brasil cresceu 80% no período. As fábricas precisavam de energia, que foi garantida pelo Estado: o governo conseguiu dinheiro emprestado no exterior e com ele construiu muitas hidrelétricas, fornecendo energia farta e barata para as indústrias que aqui se instalaram. Essas indústrias geraram empregos. Muitos trabalhadores do campo foram para as cidades, que cresceram muito sem que houvesse estrutura para isso. Assim, problemas como falta de moradia se agravaram, o que provocou, por exemplo, o aumento do número de favelas.

Assim, problemas como falta de moradia se agravaram, o que provocou, por exemplo, o aumento do

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Até essa época, a parte desenvolvida do Brasil era apenas a região próxima do litoral. JK propôs a interiorização do desenvolvimento, isto é, a participação do interior do país no progresso. Assim, criou um programa de construção de rodovias, que além de interligar diferentes regiões do país serviram para o uso da crescente frota de automóveis e caminhões. Também iniciou a construção de uma nova capital, Brasília. A cidade foi planejada por Lúcio Costa, e muitos de seus edifícios foram projetados por Oscar Niemeyer, dois grandes nomes da arquitetura brasileira. Operários de diferentes partes do país construíram a nova capital, que foi inaugurada em 21 de abril de 1960.

a nova capital, que foi inaugurada em 21 de abril de 1960. A Teoria Econômica Desenvolvimentista

A Teoria Econômica Desenvolvimentista de J.K. dizia que existem dois tipos de países no mundo: os desenvolvidos e os subdesenvolvidos. O desenvolvimento seria uma espécie de corrida econômica: os países desenvolvidos estão adiantados, enquanto os subdesenvolvidos estão atrasados. Os "atrasados", subdesenvolvidos, seriam aqueles cuja economia é baseada na agroexportação. Os desenvolvidos são os países de economia industrializada. Como desenvolver? Industrializando o Brasil a qualquer custo. Hoje sabemos que ser industrializado não é o mesmo que ser desenvolvido. O Brasil hoje tem um parque industrial, em termos absolutos, maior do que muito país desenvolvido. Atualmente somos mais industriais e urbanos do que rurais e agroexportadores. Mas continuamos pertencendo ao Terceiro Mundo. Qual o motivo? Naquela época quem comprava estes novos artigos era somente os ricos e a classe média. A situação dos pobres piorou. Além disso, ficávamos cada vez mais dependentes do capital estrangeiro.

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O governo JK ficou gravado na memória dos brasileiros como um período

bom. Foi um tempo de liberdade e grande atividade cultural. O salário mínimo

atingiu seu maior valor e havia pouco desemprego, devido ao surto

desenvolvimentista. A inflação nesta época tornou-se um problema: de cerca de 20% ao ano, aumentou o custo de vida e levou os trabalhadores a organizarem greves exigindo aumento de salário. Aliás, JK a criou propositadamente. Por isso mesmo, rompeu com o FMI.

O FMI queria que o governo cortasse os gastos públicos. Se fizesse isso,

haveria muito menos incentivo para a industrialização. Pois é, e onde arrumaria dinheiro para sustentar o desenvolvimentismo? Parte veio de bancos internacionais, a juros altíssimos. A dívida externa brasileira simplesmente dobrou de tamanho. Outro recurso foi a emissão de papel moeda, ou seja fabricou mais notas de cruzeiros. Causando mais inflação. Inflação que engolia o salário dos pobres.

ou seja fabricou mais notas de cruzeiros. Causando mais inflação. Inflação que engolia o salário dos

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HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série O FMI (Fundo Monetário Internacional) é uma agência da
O FMI (Fundo Monetário Internacional) é uma agência da ONU, fundado em 1945. Trata-se de

O FMI (Fundo Monetário Internacional) é uma agência da ONU, fundado em 1945. Trata-se

de um superbanco internacional com vários sócios. Não existem donos privados: os sócios

são os países membros. A cota de cada país é relativa ao seu poder econômico. Assim, mais da metade dos votos está nas mãos de países capitalistas desenvolvidos como os Estados Unidos, Japão, Alemanha, Inglaterra, etc.)

O FMI empresta dinheiro para projetos de desenvolvimento ou simplesmente para salvar

países de economia com a corda no pescoço. O problema é que o FMI só empresta dinheiro sob certas condições. O país assina uma carta de intenções na qual se compromete a fazer reformas na economia. QUAIS REFORMAS? Em primeiro lugar, estabilizar a economia. Na língua do FMI isso significa cortar drasticamente os gastos do governo. Para evitar que gastos excessivos tenham de ser pagos com emissão de papel-moeda, que gera inflação. Para conseguir isso, o FMI recomenda a contenção salarial. Salário menores, menos compras, preços abaixando. Além disso, menos patrões aumentando preços para poder pagar salários. Finalmente, claro, facilidades para a instalação de empresas estrangeiras, liberalismo econômico.

Receitas econômicas, mas será que o remédio não é pior que a doença? Corte nos gastos públicos resulta em menos dinheiro para saúde, educação, previdência e menos créditos para a indústria. O que sempre leva à diminuição do crescimento econômico e às falências. Ou seja, à recessão. Recessão, desemprego, menores salários, péssimos serviços públicos. A população mais pobre é muito castigada. Os técnicos do FMI dizem que isso é um "mal necessário. Depois as coisas melhoram." Depois de morto de fome, melhora para

quem?

Em 1960 houve eleições para a escolha do sucessor de Juscelino, na qual concorreram vários candidatos. Você já deve ter observado que a lei eleitoral daquele tempo permitia que os eleitores votassem em candidatos de partidos diferentes para presidente e vice-presidente. Foi o que aconteceu: Jânio Quadros foi eleito presidente com 48% dos votos, apoiado por um conjunto de partidos liderados pela UDN. O vice presidente eleito foi o candidato do PTB, João Goulart, conhecido por Jango e considerado uma espécie de afilhado político do falecido presidente Getúlio Vargas.

Agora responda em seu caderno:

6- Identifique as conseqüências negativas do governo J.K.

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HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série “Varre, varre,vassourinha. Varre toda essa sujeira. Que o povo
“Varre, varre,vassourinha. Varre toda essa sujeira. Que o povo já está cansado De viver dessa
“Varre, varre,vassourinha.
Varre toda essa sujeira.
Que o povo já está cansado
De viver dessa maneira.”
(Campanha eleitoral de Jânio Quadros)
dessa maneira.” (Campanha eleitoral de Jânio Quadros) O mato-grossense Jânio da Silva Quadros assumiu a

O mato-grossense Jânio da Silva Quadros assumiu a presidência da República em 31 de janeiro de 1961. Durante sua campanha, tinha prometido varrer a corrupção e a imoralidade. Por esse motivo, o símbolo de sua campanha foi uma vassoura. Tomou medidas polêmicas, como proibir as mulheres de usar biquínis nas praias e impedir as brigas de galos. Condecorou o guerrilheiro Che Guevara e prometeu reatar relações diplomáticas com a União Soviética, para indicar que pretendia manter uma política externa independente, não alinhada com o bloco liderado pelos Estados Unidos, naqueles tempos de Guerra Fria.

Jânio Quadros era mesmo uma figura!

Truques para ganhar a eleição, Jânio Quadros tinha muitos. Para chegar a vereador, deputado estadual, prefeito, governador de São Paulo e presidente, não hesitava em espalhar casca de queijo ralado na cabeça e nos ombros, fingindo que era caspa, e nem tinha vergonha de interromper seus comícios, simulando fraqueza e quase desmaiando. Era a hora de um auxiliar chegar perto com um sanduíche de mortadela, que ele comia avidamente na frente do povo. Tudo isso aproximava Jânio do povo. Tornava-o igual a qualquer um da platéia. Falava ao povão e logo depois ia para um almoço com representantes das classes produtoras, hora de recolher recursos para a campanha. Nova mutação. Era agora um capitalista de carteirinha. Só admitia a livre concorrência e se apresentava como a única opção para evitar o comunismo no país. Foi assim que Jânio se elegeu. Com os truques de conteúdo, que o faziam dizer a cada platéia ou auditório aquilo que este auditório ou platéia queria ouvir. Deu certo para ganhar a eleição, mas, é claro, deu errado quando ele quis governar desse jeito. Ao tentar agradar a um, desagradou a todos. Apelou para o derradeiro truque, da renúncia, para voltar como ditador. Não deu certo. Mais cedo ou mais tarde, os truques mandam a conta.

Carlos Chagas - jornalista

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Para resolver o problema da inflação, Jânio adotou uma política econômica que diminuiu investimentos e provocou desemprego. Com essas atitudes que preocuparam empresários e políticos brasileiros ligados ao capital norte-americano, sem o apoio das camadas populares e do Congresso, Jânio agiu de forma impulsiva e, em agosto de 1961, após apenas sete meses do início de seu governo, renunciou. Esse episódio até hoje não está esclarecido.

"Fui vencido pela reação, e assim deixo o governo. Nestes sete meses cumpri o meu

"Fui vencido pela reação, e assim deixo o governo. Nestes sete meses cumpri o meu

dever. Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, neste sonho, a corrupção, a mentira e

a covardia, que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou indivíduos, inclusive do exterior. Sinto-me, porém esmagado. Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou

infamam, até com a desculpa da colaboração. Creio, mesmo, que não manteria a própria paz pública. Encerro, assim, com o

pensamento voltado para a nossa gente, para os estudantes e para os operários, para

a grande família do País, esta página de minha vida, e da vida nacional. A mim não falta

a coragem da renúncia"

nacional. A mim não falta a coragem da renúncia" Por ocasião da renúncia de Jânio Quadros,

Por ocasião da renúncia de Jânio Quadros, o vice-presidente João Goulart estava em viagem à China, e a presidência foi ocupada provisoriamente pelo presidente da Câmara dos Deputados. Jango era visto com reserva pelos conservadores, civis e militares, que o consideravam um político de esquerda e o acusavam de ser aliado dos comunistas. Por essa razão, setores da direita resolveram se organizar para impedir sua posse. Alguns setores da sociedade não queriam mais um golpe. O governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, cunhado de Jango e do mesmo partido que ele, o PTB, formou a chamada Rede da Legalidade, um grupo de emissoras de rádio. Por meio dela, liderou uma campanha para garantir a posse de Goulart, apoiado por uma parte do Exército. Pressionado pelo apoio popular ao vice- presidente, o Congresso decidiu a questão, alterando as regras do jogo: votou uma emenda à Constituição, estabelecendo o regime parlamentarista. Assim, em setembro de 1961, Jango assumiu a presidência, mas com poderes diminuídos.

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No regime parlamentarista, o presidente da República é uma figura meramente decorativa. É o chefe

No regime parlamentarista, o presidente da República é uma figura meramente decorativa. É o chefe do Estado mas não o chefe do governo. Como chefe do Estado, suas atribuições são simplesmente protocolares, como comparecer a recepções oficiais, receber outros chefes de Estado, etc. Cabe-lhe também indicar o primeiro-ministro, que será o chefe de governo. Mas essa indicação deve ser aprovada pelo Legislativo, que será quem vai governar, e o primeiro-ministro só se mantém no poder enquanto contar com a confiança e o apoio do Parlamento.

O ato que estabeleceu o parlamentarismo também previa a realização de

uma consulta popular (plebiscito) em 1965 para confirmar ou não o sistema. Jango conseguiu antecipar essa consulta e, em janeiro de 1963, realizou-se um plebiscito. Nele, o presidencialismo saiu vitorioso, e Jango teve seu poder fortalecido. Assumindo plenos poderes presidenciais, Jango apresentou seu projeto econômico, o Plano Trienal. Criado pelo economista Celso Furtado, queria em primeiro lugar, acabar com a inflação (que havia pulado de 33% em 1961, para 55% em 1962). Para isso propôs cortar os gastos do governo, diminuindo subsídios sobre importação, e aumentando os impostos sobre as grandes fortunas.(Eis aí uma casa de marimbondo!) Renegociando a dívida externa, esperava que o país pudesse continuar importando bens para a indústria e assim aumentar o crescimento econômico.

Agora responda em seu caderno:

7- Explique as razões da adoção do regime parlamentarista, no governo de João Goulart.

O governo de Goulart foi muito agitado. Havia na época dois grupos com

idéias políticas opostas: o dos conservadores - grandes proprietários rurais, empresários nacionais e estrangeiros, parte da classe média, intelectuais, estudantes e militares -, que queriam transformar alguns aspectos da vida brasileira. Apoiado pelos progressistas, Jango tentou fazer as chamadas Reformas de Base: reforma agrária, educacional e bancária e a nacionalização

de alguns setores da economia dominados por capitais estrangeiros.

O problema é que elas mexeriam com os privilégios de muita gente

poderosa no Brasil.

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A primeira das reformas de base era a sonhada reforma agrária. Não era possível que o Brasil, com extensões de terras gigantescas nas mãos de proprietários que nada plantavam, permitisse que milhões de famílias moradoras do campo passassem fome porque não possuíam nenhum pedacinho de terra para cultivar. Japão, França, Alemanha, e até México e China, já tinham realizado reforma agrária.

até México e China, já tinham realizado reforma agrária. Para executar uma reforma agrária, o governo

Para executar uma reforma agrária, o governo confisca (toma) uma parte das terras do latifundiário, ou seja, o desapropria. O problema era que a Constituição só admitia a desapropriação de terras em caso de utilidade pública, se o governo indenizasse os proprietários em dinheiro. Ora, simplesmente o Estado não tinha grana para indenizar tantos latifundiários. Um projeto de expropriação sem indenização em dinheiro foi vetado em 1963. Talvez aí estivesse um dos erros de Jango: ele avaliou que poderia deixar rolar os protestos populares que o Congresso, acuado, faria as leis. Porém aconteceria o contrário: a classe dominante, apavorada com os protestos, veria em Jango apenas um fraco incapaz de controlá-los. Pediria a cabeça do presidente. Outra das reformas de base era a reforma urbana, que controlaria o valor dos aluguéis de imóveis e ajudaria os inquilinos a comprar a casa própria. A classe média alta, dona de mais de um imóvel, ficaria apavorada com a “ameaça comunista de tomar o que é dos outros”. As reformas de base também eram reformas políticas:

direito de voto para analfabetos e de sargentos e patentes inferiores nas Forças Armadas.Os comandantes militares torceram o nariz para a idéia de sargentos, cabos e soldados votarem. Achavam que isso traria indisciplina para as tropas. As elites e a classe média também repudiavam o voto dos analfabetos, a quem consideravam “despreparados”. Só estavam preparados para trabalhar, pagar impostos, passar fome e morrer pela pátria. As reformas de base eram bem nacionalistas.Incluíam a proibição de empresas estrangeiras operarem em setores como os de energia elétrica, frigoríficos, indústrias de remédios, refinarias de petróleo, telefones. Os nacionalistas achavam que as empresas estrangeiras atuavam nesses setores pensando unicamente em seus lucros, pouco se importando com os interesses da nação; já que uma empresa nacional poderia fazer o mesmo serviço e usar os lucros para reinvestir no crescimento da própria economia brasileira.

poderia fazer o mesmo serviço e usar os lucros para reinvestir no crescimento da própria economia

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HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série A reforma da educação era outro ponto importante, e

A reforma da educação era outro ponto importante, e tinha apoio da UNE (União Nacional dos Estudantes). Havia necessidade de mais escolas e universidades públicas de bom ensino. No ensino, como em tudo, era preciso parar de copiar modelos estrangeiros e passar a pensar de forma brasileira os problemas nacionais.

João Goulart esperava que o Estado fosse o intermediário de um acordo nacional entre os militares, os intelectuais nacionalistas, a burguesia industrial nacionalista e os sindicatos. Todo o plano furou. A tal burguesia industrial não se empenhou nem um pouquinho a favor da reforma agrária. Os militares se apavoraram com a agitação sindical. Para eles Jango era incapaz de conter o avanço comunista.

Agora responda em seu caderno:

8- Dentre as reformas propostas por Jango, identifique a que, em sua

opinião

se mostra mais necessária para o Brasil atual.

opinião se mostra mais necessária para o Brasil atual. Até os anos 60 não existia nenhum

Até os anos 60 não existia nenhum sindicato rural no Brasil. As leis trabalhistas não valiam no campo. Era um Brasil esquecido, abandonado, desprezado. Mas as coisas começaram a mudar. Formavam-se as Ligas Camponesas. Elas organizaram milhões de camponeses nordestinos, gente que era dona de uma terra tão pequena (minifúndio) que não dava para sobreviver, trabalhadores que viviam num pedacinho cedido pelo fazendeiro (eram moradores) e que arrendavam (pagavam aluguel pela terra) a preços cada vez mais cruéis, que tinham de trabalhar certos dias de graça para o senhor da terra. As Ligas Camponesas, lideradas por um advogado pernambucano de idéias socialistas, Francisco Julião, organizavam esses homens na luta pelos seus direitos. Faziam greves, recusavam-se a sair das terras e, principalmente, exigiam do governo a reforma agrária.

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vamos pensar um pouco Caro aluno,
vamos pensar
um pouco
Caro aluno,
MÉDIO - 3ª série vamos pensar um pouco Caro aluno, Para um latifundiário, a existência de

Para um latifundiário, a existência de ligas camponesas e de greves de trabalhadores rurais era sinônimo de organização ou de baderna?

E para os camponeses, ter uma associação para defender seus interesses, era organização ou baderna?

Em 1963, Jango sancionou a lei do Estatuto do Trabalhador Rural. Finalmente as leis trabalhistas começavam a chegar ao camponês! Agora a legislação obrigava o fazendeiro a pagar salário mínimo, assinar carteira de trabalho, garantir o repouso semanal e remunerar as férias. Ou seja, nada de radical, nada de incendiário. Só um pouco de justiça.

Você acha que os latifundiários concordaram? Claro que não! Para eles, Jango era um terrível agitador. E para uma boa parte da classe trabalhadora, intelectuais, políticos de esquerda e estudantes, o Brasil não era uma baderna, estava é ficando organizado como nunca esteve antes. As pessoas estavam descobrindo a importância de se associar para lutar por seus direitos. Em vez de lamentar suas misérias, erguiam- se e lutavam para acabar com elas. A UNE (União Nacional dos Estudantes) vivia uma virada sensacional. Os estudantes naquela época, levavam muito a sério a luta política. A geração dos anos 60 e começo dos anos 70 acreditava que a luta política realmente mudaria o mundo inteiro. Por isso a UNE era tão importante e tão perigosa para os poderosos.

a UNE era tão importante e tão perigosa para os poderosos. Dentro desses ideais, a rapaziada

Dentro desses ideais, a rapaziada da UNE criou os CPC (Centros Populares de Cultura), nos quais se faziam representações de peças de teatro na rua, shows de música e poesia, sessões de cinema com filmes politizados, debates em praça pública e auditórios. Tudo com objetivo educativo: de modo divertido e fácil de entender, mostravam às pessoas nas ruas a necessidade de combater o “imperialismo norte- americano” e de defender as reformas de base.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série Quem era contra o governo de João Goulart?

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série Quem era contra o governo de João Goulart? É
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série Quem era contra o governo de João Goulart? É
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série Quem era contra o governo de João Goulart? É

Quem era contra o governo de João Goulart? É claro que os latifundiários. Quando ouviam falar em reforma agrária tinham vontade de passar com o trator em cima de Jango. Os empresários também estavam irritados com as greves e com medo de serem obrigados a aumentar demais os salários dos empregados. A classe média, geralmente udenista, tinha horror a um presidente que se aproximava dos trabalhadores. Uma pesquisa do IBOPE, feita na véspera do golpe de 64, mostrou que a maioria dos brasileiros considerava bom o governo de Jango.

O grande fantasma dessa época foi a Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro.

A Revolução Cubana Após libertar-se da Espanha, em 1898, Cuba mergulhou na dominação dos Estados
A Revolução Cubana
Após libertar-se da Espanha, em 1898, Cuba mergulhou na dominação dos Estados
Unidos, detentores do direito de intervir no país para garantir os interesses norte-
americanos.
Assim, Cuba manteve, após a independência, a mesma estrutura econômica herdada
dos tempos coloniais, baseada na exportação do açúcar.
De 1934 a 1959, Fulgêncio Batista tornou-se o homem forte de Cuba, inescrupuloso,
levou ao máximo a subordinação com relação aos Estados Unidos e, internamente,
comandou a brutal exploração do povo cubano.
O país assemelhava-se a um organismo em decomposição, onde se misturavam a
corrupção do governo, os jogos nos grandes cassinos, o uso indiscriminado de drogas
e o incentivo à prostituição sexual.
Reagindo a essa situação de decadência e opressão, um grupo de guerrilheiros
comandados por Fidel Castro começou a lutar contra o governo cubano, em 1959,
conseguiu derrubar a ditadura de Fulgêncio Batista.
Após a tomada do poder, a revolução liderada por Fidel Castro caminhou rumo ao
socialismo. Cresceram, então, os conflitos entre o novo governo de Fidel e os
interesses do capitalismo norte-americano.
Os graves conflitos entre Cuba e Estados Unidos forçaram a aproximação do governo
de Fidel Castro com a União Soviética.
A Revolução Cubana foi um importante capítulo da história latino-americana, pois
rompeu com a tradicional influência dos Estados Unidos da América Central e do Sul.
Além disso, construiu o primeiro Estado socialista do continente, calcado no modelo
soviético.

Nos anos 60 e 70, no Brasil e em quase todos os nossos vizinhos latino- americanos foram dados golpes militares. Por trás estava o pavor da repetição de Cuba.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

O presidente pretendia ampliar o mercado consumidor, melhorando as condições de vida da população, e reforçar o capitalismo brasileiro. Mas não foi o que os conservadores entenderam: acharam que essas reformas eram "coisa de comunista" e passaram a fazer forte oposição ao governo para defender seus interesses, que consideravam ameaçados. Ao mesmo tempo, aconteceram atos de insubordinação nas Forças Armadas, como o movimento dos sargentos, que queriam o direito de se candidatar às eleições. Havia também o temor de que o governo perdesse o controle da situação, pois as camadas populares pressionavam, exigindo melhores salários, já que a alta inflação do período diminuía muito seu poder de compra.

A Igreja Católica, proprietários rurais e empresários organizaram

manifestações como a "Marcha com Deus pela família", com apoio de oficiais

das Forças Armadas e da classe média. Criou-se, dessa forma, um ambiente de desconfiança com relação ao governo, o que facilitou um golpe.

No plano internacional, era a época da Guerra Fria e o mundo estava

dividido em duas forças opostas. Você já viu também que no início da década de 1960 o bloco comunista passou a contar com a participação de Cuba, o primeiro país socialista das Américas. Para evitar que o Brasil se inclinasse para esse lado, forças norte-americanas se prepararam para intervir em apoio aos golpistas.

se prepararam para intervir em apoio aos golpistas. Na década de 50, o Brasil entregou-se a

Na década de 50, o Brasil entregou-se a uma política industrializante,

"progressista" e de internacionalização da economia. Isso se refletiu nos hábitos, nas preferências, no modo de pensar e no dia-a-dia das pessoas. Ganhamos a Copa do Mundo de 58, na Suécia, e o povo gritava confiante que com brasileiro não há quem possa. A baiana

Marta Rocha quase venceu um concurso de beleza internacional, e a mulher brasileira se tornava a mais bela do planeta. Por fim a

inauguração de Brasília ampliou a projeção do nome do país no exterior, consolidando a auto-estima nacional.

do país no exterior, consolidando a auto-estima nacional. ainda engatinhava, e todos acompanhavam os programas

ainda

engatinhava, e todos acompanhavam os programas radiofônicos:

Eram

os

"anos

dourados",

a

"era

do

rádio".

A

TV

novelas, concursos, noticiários, boleros, músicas cantadas pelas "rainhas do rádio". Veio a bossa-nova e não demorou muito para que a juventude transviada ganhasse espaço com os acordes iniciais do rock and roll.

e não demorou muito para que a juventude transviada ganhasse espaço com os acordes iniciais do

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

PorPorPorPor quequequeque osososos militaresmilitaresmilitaresmilitares deramderamderamderam oooo golpe?golpe?golpe?golpe?

deramderamderamderam oooo golpe?golpe?golpe?golpe? Para começar, por causa da própria formação deles. Nas

Para começar, por causa da própria formação deles. Nas academias, tinham aprendido que as greves, os protestos sociais, as manifestações populares eram uma “baderna” intolerável. Para eles o que faltava ao país era a “disciplina”, a “ordem”. O drama vivido pelos trabalhadores pouco importava, já que em sua maioria os militares vinham da classe média e tendo simpatia pela UDN rejeitava a aproximação populista de Jango com os sindicatos.

Os militares, como tantos brasileiros decentes, se enojavam com a existência de políticos corruptos. Para muitos militares e civis, o país só teria governos honestos quando o Estado estivesse nas mãos dos generais. Um triste engano, porque nas ditaduras é que a corrupção rola solta, já que a sociedade não consegue fiscalizar mais nada. Nas escolas militares, havia uma doutrinação anticomunista fortíssima. Qualquer greve era vista como "armação dos comunistas contra o Brasil. O mais difícil de aceitar era a influência dos Estados Unidos sobre a capacitação de nossos militares. Alguns dos melhores oficiais do Brasil fizeram cursos de aprimoramento com os americanos, inclusive na Escola do Panamá, fundada em 1951. Voltavam de lá com a lição de que "o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil; o que é ruim para os Estados Unidos é ruim para o Brasil". Como você pode ver, caro aluno, uma greve operária, uma sessão de cinema seguida de um debate com a platéia, a publicação de um livro, tudo isso era visto como resultado da infiltração de agentes soviéticos, cubanos ou chineses. Alguém precisava salvar o Brasil! Esse alguém, óbvio, eram os militares sempre alerta.

Esse alguém, óbvio, eram os militares sempre alerta. As lutas de classes chegaram ao ponto mais

As lutas de classes chegaram ao ponto mais agudo. Valia tudo, até mesmo calúnias e baixíssimo nível. Madames subiam às favelas para alertar que "com Jango, em breve o comunismo vai mandar no Brasil. Aí, o Estado vai tomar tudo dos pobres, inclusive os filhos, que serão enviados para Moscou e nunca mais voltarão".

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Panfletos espalhavam que Jango baixaria um decreto ordenando que os moradores dividissem seus apartamentos com os favelados. Os famintos desceriam o morro aos gritos de "isso aqui é nosso!" para ocupar as casas das pessoas de bem.

Jango resolveu apresentar sua última carta: as reformas de base teriam de passar "por bem ou por mal", como se dizia. No dia 13 de março de 1964, apesar do feriado decretado de surpresa pelo governador Lacerda, um oceano de centenas de milhares de pessoas compareceram ao célebre Comício da Central do Brasil. No Comício João Goulart anunciou que estava enviando ao Congresso as

primeiras reformas de base: expropriação de latifúndios improdutivos, nacionalização das refinarias de petróleo. A galera foi

ao delírio de felicidade, sem ter noção de que em duas semanas Jango seria derrubado.

Meia dúzia de dias depois foi a vez da classe média paulista dar o troco. Associações de donas de casa, esposas de maridos com altos vencimentos mensais, damas da sociedade, pastores evangélicos, comerciantes, policiais, bicheiros, e demais organizações representativas mobilizaram milhares de fanáticos nas Marchas da Família com Deus pela Liberdade. Rezavam para que Deus preservasse os nossos valores: o latifúndio, as contas bancárias, etc.

O toque final foi provocar as Forças Armadas. Os marujos da Marinha de Guerra criaram uma associação para defender seus interesses, quase um sindicato. Coisa absolutamente proibida pelos comandantes. Pois o ministro da Marinha proibiu que os marinheiros comemorassem o segundo aniversário de sua associação. Mesmo assim, eles fizeram a festa, lá na sede do sindicato dos metalúrgicos do Rio de Janeiro. Para puni-los, deslocaram-se fuzileiros navais para a área. Mas em vez de prender os marinheiros, confraternizaram-se. Por fim os marinheiros se renderam porque tiveram a promessa de anistia (perdão) de Jango, que foi cumprida. As Forças Armadas jamais perdoariam o presidente por ter permitido o desrespeito à hierarquia militar.

Em 31 de março de 1964, o general Olímpio Mourão Filho precipitou o golpe. Tinha o apoio do governador mineiro Magalhães Pinto. Na Guanabara, Lacerda entrincheirou-se no Palácio da Guanabara, aguardando o ataque dos fuzileiros navais liderados pelo comandante Aragão. Não houve ataque nenhum.

Jango voou de Brasília para Porto Alegre. De lá, percebeu que a resistência faria correr o sangue dos brasileiros. Preferiu se exilar no Uruguai. Mas antes mesmo de renunciar, o senador Auro de Moura Andrade já anunciava o novo presidente: Ranieri Mazzili, da Câmara dos Deputados.

Cortando a Verdade

Valia tudo contra Jango. Em alguns jornais, noticiou-se que o cabeleireiro e o costureiro de sua esposa, especialistas em usar a tesoura, seriam nomeados tesoureiros da Caixa Econômica Federal. Muita gente riu, mas houve quem acreditasse.

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Agora, amigo aluno, veja que curiosa coincidência. No momento em que os militares deram o golpe, havia um força tarefa da Marinha de Guerra norte- americana rumo à costa brasileira, incluindo porta-aviões, fragatas com mísseis, fuzileiros, etc. Se o golpe não fosse vitorioso, nossos amiguinhos ianques daria uma força para os generais patrióticos verde-amarelos. Os militares tinham o projeto de mudar o Brasil profundamente. Por isso, chamaram o golpe de "Revolução de 1964". Mas uma verdadeira revolução só acontece quando se muda radicalmente a estrutura econômica e política da sociedade. No Brasil, a estrutura econômica continuou a mesma: capitalismo, latifúndios, forte presença do capital estrangeiro. Na estrutura política, o principal foi preservado: a burguesia continuava no poder. Apenas não o exercia diretamente, mas sob a proteção dos militares. Os militares foram os executores. Fizeram o serviço pesado. Mas os principais beneficiados com o regime militar foram os grandes empresários. Eles eram ministros, assessores, secretários. Viviam nos gabinetes em Brasília, pedindo favores, aconselhando, pressionando militares. Na verdade, o regime militar foi uma ditadura militar e civil. Porque os civis foram a maioria dos governadores e prefeitos de capitais, havia um partido político que apoiava o regime (a Arena) e os ministros da área econômica eram todos civis. Esse golpe pôs fim a um período democrático da história brasileira, marcado pela tentativa de um desenvolvimento econômico mais autônomo.

Agora responda em seu caderno:

9- O golpe de 64 foi necessário? Dê sua opinião.

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Em 1964, os militares o poder e Muitos dos direitos as
Em
1964,
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militares
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Muitos
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1964, os militares o poder e Muitos dos direitos as tomaram implantaram uma ditadura no Brasil.

tomaram

implantaram uma ditadura no

Brasil.

constitucionais foram suspensos e substituídos por uma série de medidas de exceção. Os golpistas procuraram definir esse assalto à democracia como uma revolução. Na verdade, porém tratava-se apenas de uma estratégia para legitimar o golpe e a ditadura que naquele momento foram impostos a toda a nação.

Muitos historiadores afirmam atualmente que o golpe foi dado para acabar com o modelo de desenvolvimento econômico autônomo (“independente”), que contrariava os interesses da maioria das elites econômicas nacionais e dos investidores estrangeiros, integrando mais o Brasil ao bloco capitalista.

No clima de radicalização dos anos 1960, a direita e elites conservadoras acabaram triunfando e, nos 25 anos seguintes, impuseram seu projeto ao país. Nesse período, nosso país assistiu, com perplexidade, ao ferrenho combate às liberdades civis e aos movimentos sociais organizados, no qual não faltaram requintes de crueldade, como tortura, assassinatos e perseguições.

sociais organizados, no qual não faltaram requintes de crueldade, como tortura, assassinatos e perseguições. 63

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A SITUAÇÃO MUNDIAL: Protestos e violências no mundo

A década de 60 encerrou-se com agitações e protestos em diversos países.

A juventude emergia no cenário político insuflada por intelectuais que

contestavam valores e modos de vida tradicionais e reivindicavam a liberdade individual. A participação da classe operária coincidiu com a atuação de um Partido Comunista mais influente, como aconteceu na França e na Itália.

As novas correntes sociopolíticas discutiam uma nova relação entre os homens ou dos homens com a natureza:

movimentos feministas pela liberação da mulher, dos ecologistas e dos pacifistas pelo fim das guerras e dos experimentos nucleares. Os movimentos de protes- to entrelaçavam-se até com as

novas tendências musicais representadas pelo “rock and roll”, “pop music”, “country music” e “iê-iê-iê”. Grupos de “hippies” agitando o símbolo “Paz e Amor”, “beatniks” e “punks” reuniram-se no festival de Woodstock em 1969, Estados Unidos. Escandalizaram a sociedade conservadora com sua nudez, “amor livre”, vida comunitária, cabelos longos e consumo de drogas. Alguns movimentos, de caráter mais político, desdobraram-se em confrontos diretos com as autoridades governamentais. Estudantes franceses, contrários à estrutura do ensino universitário, organizaram uma passeata que acabou em violência: bombas caseiras contra gás lacrimogêneo, pedras contra cassetetes. O episódio estimulou movimentos semelhantes em outros países.

Na América Latina, os movimentos de protesto foram contra as ditaduras militares, procurando mobilizar ou conscientizar a população por meio de passeatas, letras de músicas, textos teatrais ou até mesmo da guerrilha camponesa. Líderes latino-americanos, como Fidel Castro e Ernesto “Che” Guevara, inspiravam a luta e o engajamento político.

A “rebeldia” jovem foi aproveitada pelas indústrias. Os movimentos de protestos criaram novos comportamentos e deram origem a artigos de consumo:

camisetas com o rosto de “Che” Guevara; colares com o símbolo de “Paz e Amor”; “jeans” com aparência de usado; pôsteres com imagens ou mensagens de impacto. Vários acontecimentos agitavam o mundo nessa época, em especial no ano

de 1968. Na Europa, movimentos de jovens estudantes protestaram contra a

guerra do Vietnã e a voracidade do capitalismo; no mundo socialista, os protestos foram contra a falta de liberdade. Nos Estados Unidos, o movimento negro exigia a igualdade de direitos civis para negros e brancos, e tinha como principal líder o pastor negro Martin Luther King.

a igualdade de direitos civis para negros e brancos, e tinha como principal líder o pastor

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Agora responda em seu caderno:

1) A década de 60 foi um período de protestos e agitações. Contra o que os jovens protestavam?

protestos e agitações. Contra o que os jovens protestavam? • GOVERNO DO GENERAL CASTELLO BRANCO (1964-1967)

GOVERNO DO GENERAL CASTELLO BRANCO (1964-1967)

Com o golpe, o presidente João Goulart saiu do país, e muitas outras

pessoas foram presas ou se exilaram. A presidência foi assumida provisoriamente pelo presidente da Câmara dos Deputados em 1º de Abril de 1964, mas quem passou a governar de fato foram os militares que comandaram o golpe.

A classe média se confraternizava com a burguesia. Chuva de papel

picado, toalhas nas janelas, buzinaço, banda e chope. Abraços, choro de alegria,

alívio pelo fim da desordem. O Brasil estava salvo do

comunismo!

Os novos donos do poder ignoraram a existência do Poder Legislativo e da

Constituição. Os soldados armados de fuzis prendiam milhares de pessoas:

dirigentes populares, intelectuais, políticos democratas. A UNE foi proibida e seu prédio, incendiado. A CGT, fechada. Sindicatos invadidos à bala. Nas escolas e universidades, professores e alunos progressistas expulsos. Os jornais foram ocupados por censores e muitos jornalistas postos na cadeia. A ordem era calar a boca de qualquer oposição. Os políticos que não concordaram com o golpe, geralmente do PTB, tiveram seus mandatos cassados. Ou seja, perderam seus direitos políticos por dez anos. O primeiro inimigo número um do regime cassado foi Luís Carlos Prestes. O segundo foi o ex-presidente João Goulart. Depois veio uma lista de milhares de pessoas que foram demitidas de empregos públicos, presas, perseguidas, arruinadas em sua vida particular. Juscelino e Jânio também perderam seus direitos, para que não tentassem nenhuma aventura engraçadinha na política. Só a UDN não teve punidos:

coincidência, não? Os comunistas, claro, eram perseguidos como ratos. Muitos foram presos e espancados com brutalidade. O pior é que o xingamento de comunista servia para qualquer um que não concordasse com o regime. Seria o suficiente para ser instalado numa cela.

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O Ato Institucional (AI) foi um instrumento utilizado em vários momentos pelos militares para dar
O Ato Institucional (AI) foi um instrumento
utilizado em vários momentos pelos militares para
dar forma de lei a seus atos políticos, que não eram
previstos ou permitidos pela Constituição.
Com ele, o general-presidente poderia, sem dar
satisfações a ninguém, fechar o Congresso Nacional,
cassar mandatos de parlamentares (isto é, excluir o
político do cargo que ocupava, fosse senador,
governador, deputado, etc.), demitir juizes,
suspender garantias do Poder Judiciário, legislar por
decretos, decretar estado de sítio, enfim, ter poderes
tão grandes como os dos tiranos.
Assim continuavam existindo o Congresso e
uma Constituição, dando ao Brasil uma aparência de
democracia, enquanto existia um governo cada vez
menos legítimo e com características ditatoriais.

Para espionar a vida de todos os cidadãos, foi criado em 1964 o SNI (Serviço Nacional de Informações). Havia agentes secretos do SNI em quase todos os cantos:

escolas, redações de jornais, sindicatos, universidades, estações de televisão. Microfones, filmes, ouvidos aguçados.

Bastava o agente do SNI apontar um suspeito para ele ser preso. Imagine o clima na sala de aula, por exemplo. O professor correndo o risco de ser detido caso fizesse uma crítica ao governo. Os alunos, falando baixinho, desconfiando de cada pessoa nova, apavorados com os dedos-duros. A ditadura comprometia até as novas amizades!

O pior é que o SNI cresceu tanto que quase acabou tendo vida própria,

independente do general-presidente, a quem estava ligado. Seu criador, o general

Goldery do Couto e Silva, no final da vida, diria amargurado:

“Criei“Criei“Criei“Criei umumumum monstro”.monstro”.monstro”.monstro”.

O novo governo passou a governar por decreto, o chamado A.I. (Ato

Institucional). O presidente baixava o AI sem consultar ninguém e todos tinham de obedecer. O primeiro Ato Institucional (AI-1) determinava que a eleição para presidente da República seria indireta. Ou seja, com o Congresso Nacional já sem os deputados e senadores incômodos, devidamente cassados, e um único candidato. Adivinha quem ganhou? Pois é, em 15 de abril de 1964 era anunciado o general-presidente que iria nos governar nos próximos anos: Castello Branco. Tranqüilos com a vitória, os generais nem se importaram com as eleições diretas para governador em 1965. Esperavam que o povo brasileiro em massa votasse nos 6 candidatos do regime. Estavam errados. Na Guanabara e em Minas Gerais venceram políticos ligados ao ex-presidente Juscelino Kubitschek. (Em São Paulo não houve eleições. Seriam depois.) Mostra clara de que alguns meses depois do golpe ainda tinha muita gente que não apoiava o regime.

Pois bem, os militares reagiram. Vinte e poucos dias depois das eleições desastrosas, foi baixado o AI-2, que acabava em definitivo com as eleições diretas para presidente da República.

Agora, o presidente seria “eleito” indiretamente, ou seja, só votariam os deputados e senadores. Voto nominal e declarado, ou seja, o deputado era chamado lá na frente para dizer, no microfone, se votava ou não no candidato do regime. Quantos teriam coragem de dizer, na cara dos ditadores, que não aprovavam aquela palhaçada? Muito poucos, inclusive porque os mais abusadinhos tinham sido cassados.

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O AI-2 também acabou com os partidos políticos tradicionais. Agora, só poderiam existir dois partidos políticos (bipartidarismo); a Arena e o MDB.

A ARENA (Aliança Renovadora Nacional) era o partido do governo. Estavam ali todos os políticos de direita que apoiavam descaradamente a ditadura. De onde vinham? Basicamente, da UDN. Mas também um bando de gente do PSD, e, incrível, muitos da velha guarda integralista, apoiavam o regime militar em tudo que ele fazia.

O MDB (Movimento Democrático Brasileiro) era o partido da oposição consentida. A ditadura, querendo uma imagem democrática, permitia a existência de um partido levemente contrário. Contanto que ninguém fizesse uma oposição muito forte. (Quem fez, se deu mal, como veremos mais à frente.) O MDB era formado pelos que sobraram das cassações, um pessoal do PTB, alguns do PSD. No começo, a oposição era muito tímida. Nos anos 70, porém o MDB conseguia votações cada vez maiores para deputados e senadores. Então seus políticos — muitos eram novos valores surgidos na década — começaram a fazer uma oposição importante ao regime, capitaneados pela figura do deputado paulista Ulisses Guimarães (1916-1992).

Agora responda em seu caderno:

2) Explique o que foi o Ato Institucional (A.I.).

A CONSTITUIÇÃO DE 1967

No Brasil, os homens da ditadura faziam questão de criar uma imagem de que o país era um regime "democrático". Alegavam que existia partido de oposição e as eleições para deputado e senador. Está bom, mas acontece que os políticos mais críticos estavam cassados e o MDB, sob vigilância. Além disso, o Congresso Nacional ficou com os poderes muito limitados. No fundo, quem mandava mesmo era o general-presidente e pronto. Decretou-se também o AI-4, que dava ao governo poderes para elaborar uma nova Constituição. Dentro dessa preocupação de manter a aparência de democrático, o regime promulgou a Constituição de 1967. ATENÇÃO: Ela vigorou de 1967

até 1988, quando foi aprovada a nossa Constituição atual.

Promulgar não é bem a palavra. Por que nem sequer existiu uma Assembléia Constituinte. Os militares fizeram um rascunho do texto constitucional e enviaram para o Congresso aprovar. O trabalho era pouco mais que aplaudir. Deputados obedientes como soldados em marcha. Para começar, eleições indiretas para presidente da República e governadores de Estado. Os prefeitos de capital e cidades consideradas de

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"segurança nacional" (como Santos, em São Paulo, o maior porto do país, ou Volta Redonda, no Rio de Janeiro, por causa da Companhia Siderúrgica Nacional) seriam nomeados pelo governador. Em outras palavras, a ARENA governaria o país pela força da lei (e das armas, claro!).

A Constituição de 1967 aumentava as atribuições do Executivo e a

centralização do poder. Pela Constituição, os deputados e senadores não podiam fazer quase nada, a não ser discursos. Veja bem: a lei não permitia nem mesmo

que o Congresso pudesse controlar as despesas do Executivo.

Os governadores perderam a autonomia para gastar. Para qualquer obra importante, tinham de pedir dinheiro ao governo federal, ou seja, ao general- presidente. O mesmo valia para os prefeitos. Por exemplo, vamos imaginar que na cidade de Itaijuca, o prefeito fosse do MDB. A maioria dos impostos fica com o governo federal, em Brasília. Esse prefeito quer construir uma escola em Itaijuca. Não tem dinheiro. Tem de pedir para o governador que é da ARENA, e, certamente recebe ordens de Brasília para não dar nada. Agora se o prefeito fosse da ARENA, as coisas mudariam de figura.

Esqueminha montado e quase sem furos. Dá para entender por que o regime militar não teve medo de manter eleições para o Congresso e permitir a existência do MDB, não é mesmo? Jogo fácil de ganhar, por que o juiz roubava escancarado para um lado. O pior de tudo é que o regime iria fechar ainda mais. O último ato do governo de Castello foi a LSN (Lei de Segurança Nacional). Reprimir passava a ser sinônimo de "defender a pátria".

E a economia, General Castello?
E a economia, General Castello?

A primeira atitude do novo governo foi anular as reformas de base.

Criaram um Estatuto da Terra, que previa uma tímida reforma agrária. Claro que jamais sairia do papel. O latifúndio estava livre para engolir os camponeses.

Foi criado o PAEG (Plano de Ação Econômica do Governo), e para diminuir a inflação, trataram de tirar o dinheiro de circulação. Para começar, cortaram os gastos públicos, ou seja, o governo investiria menos em hospitais e escolas. Em 1964, tinha sido fundado o Banco Central para controlar todas as operações financeiras do país. Também foi criada uma nova moeda, o cruzeiro novo.

Os salários foram considerados os grandes responsáveis pela situação do país. Claro os operários deviam estar ganhando fortunas! Assim, os aumentos salariais passaram a ser menores do que a inflação. A idéia era fazer com que o aumento de preços, por causa do crescimento dos salários, fosse cada vez menor.

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Na verdade, o regime militar reduziu a inflação arrochando os salários dos trabalhadores.

Um dos recursos para diminuir salários foi à extinção da estabilidade. Pela lei antiga, depois de dez anos numa empresa, era quase impossível despedir um empregado. Isso acabou. No lugar, foi criado o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), em 1966, que existe até hoje. A cada mês, o patrão deposita nos bancos uma parte do salário do empregado, formando uma caderneta de poupança. Acontece que o FGTS só pode ser sacado em momentos especiais, como na compra da casa própria ou, caso mais comum, quando o empregado é despedido. Essa lei facilitou a vida dos empresários. Agora, despedir era tranqüilo. Os empregados, sabendo que podiam perder o emprego a qualquer momento, eram obrigados a aceitar salários mixurucas. A rotatividade da mão- de-obra (o operário rodando de emprego em emprego) seria um excelente mecanismo para abaixar salários. Será que isso mudou muito de lá

para cá?

Não devemos esquecer que as greves estavam totalmente proibidas. O peão tinha de engolir quieto a pancada salarial, senão haveria outra paulada mais dolorosa ainda.

Para que os empréstimos do governo federal e os impostos devidos a ele fossem pagos decentemente, criou-se a correção monetária. Antes, o sujeito podia esperar um ano para pagar impostos porque então ele pagaria uma quantia desvalorizada pela inflação. Agora, a correção monetária simplesmente aumentava o valor da dívida no mesmo percentual da inflação. Como o governo não queria emitir papel-moeda (estava combatendo a inflação), obviamente os empresários sofreram restrições ao crédito. Juros altos, dificuldade de obter empréstimos, poucos investimentos. A economia crescia pouco. Os ministros sabiam que estavam provocando esta recessão. Achavam que era um dos remédios para baixar a inflação. Realmente, as compras diminuíram. Reduzida a demanda (procura), caíram os preços.

PorPorPorPor quequequeque aaaa economiaeconomiaeconomiaeconomia voltouvoltouvoltouvoltou aaaa sesesese recuperar?recuperar?recuperar?recuperar? Há várias

explicações. Para começar, os investidores estrangeiros ficaram mais tranqüilos:

não havia mais ameaça de nacionalismo, nem de greves e muito menos de socialismo. Além disso, o novo governo tinha eliminado as restrições ao capital estrangeiro. Assim, as multinacionais começaram a investir em peso na construção de novas fábricas. O FMI, feliz com o Brasil militar, também emprestou dinheiro. E nós vimos que ajuda do FMI era uma espécie de garantia para que outros banqueiros confiassem no país. Obviamente, a ditadura não resolveu as coisas por consenso, promovendo um plano com que toda a sociedade concordasse. As coisas foram impostas na marra. Na marra principalmente sobre os trabalhadores. Ou seja, o consenso foi obtido na base do “Ou você concorda comigo ou entra na paulada!De qualquer modo a estabilidade foi conseguida.

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Quer dizer então que uma ditadura consegue estabilidade? Essa pergunta necessita de outra: que tipo de estabilidade estamos falando? Quando examinamos as estatísticas econômicas percebemos que a estabilidade teve um preço: o aumento da exploração da força de trabalho.

GOVERNO DO GENERAL COSTA E SILVA (1967-1969)

Os militares tinham indicado e o Congresso balançou a cabeça: o novo general-presidente era Arthur da Costa e Silva. Só a Arena tinha votado na eleição indireta. Em vez de levantar o braço, batia continência. O MDB, em protesto (era minoria), havia se retirado do plenário. Com mãos ao alto. Costa e Silva era tido como um homem de hábitos simples. Em vez da companhia dos livros, preferia acompanhar as corridas de cavalos. Pessoalmente, diziam que era uma “gente boa”. Mas se Costa e Silva queria tranqüilidade, tinha escolhido mal o emprego. Melhor seria dar palpites no jockey!

Economicamente, apesar do PAEG de Castello diminuir a inflação e retomar o crescimento, a situação da classe operária vinha piorando. Em 1965, os operários paulistas ganhavam em média, apenas 89% do que recebiam em 1960, em 1969, apenas 68%. Estava ficando feia a coisa! Durante seu governo, a oposição ao regime se intensificou em função da falta de liberdade e dos resultados limitados da política econômica adotada logo após o golpe de 1964.

Para superar o impasse, o governo implantou um modelo econômico que provocou a queda da inflação. Ao mesmo tempo, a economia voltou a crescer, tendo como carros-chefes o setor industrial e a construção civil. Essa fase, que se estendeu de 1968 a 1973, foi denominada milagre brasileiro, e serviu para aplacara ira da classe média, a principal beneficiária dessas medidas, e diminuir os ímpetos da oposição.

Como já vimos, “os anos 60” foi a grande década revolucionária. Especialmente, 1968. Trabalhadores e estudantes se levantaram no mundo inteiro. Em Paris, nos Estados Unidos, na China Popular, na Tchecoslováquia e em Cuba. No Brasil, a luta era contra uma ditadura militar e um capitalismo selvagem. Época gloriosa do movimento estudantil. Coragem, sonhos libertários, utopia na alma. A juventude queria o poder no mundo! Os estudantes iam para a rua contra um governo que esculhambava a universidade pública, contra um regime militar. Apesar de proibidas, suas passeatas nas ruas atraíram cada vez mais participantes, de operários e boys a donas de casa e profissionais liberais. A grande imprensa chamava-os de “infantis”, “toxicômanos”, “desequilibrados”. A polícia atacava. Cassetetes, gás lacrimogêneo, caminhões brucutu. Eles respondiam com pedras, bolas de gude (contra a cavalaria da PM), bombas caseiras e idealismo. Os principais líderes estudantis estavam no Rio de Janeiro:

Vladimir Palmeira e Luís Travassos.

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HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série A esquerda voltava a crescer no Brasil. Nas ruas,

A esquerda voltava a crescer no Brasil. Nas ruas, as passeatas contra o regime militar começavam a reunir milhares de pessoas em quase todas as capitais. Diante disso, a direita mais selvagem partiu para suas habituais covardias. Aliás, covardia era a especialidade da organização de

direita CCC (Comando de Caça aos Comunistas). O nome já diz tudo. Consideravam que a esquerda era feita por mamíferos a serem abatidos. Os trogloditas, então atacaram os atores da peça Roda Viva, de Chico Buarque, em São Paulo.

Surraram todo mundo, inclusive a atriz Marília Pera. Depois metralharam a casa do arcebispo D. Helder Câmara, em Recife (alguns membros da Igreja católica estavam deixando de bajular o regime).

A greve operária de Contagem terminou com acordo salarial entre patrões

e empregados. Mas em Osasco a coisa foi diferente. Ela tinha sido bem melhor

preparada, inclusive com participação de estudantes esquerdistas na organização do movimento.

O governo então falou grosso. O sindicato dos metalúrgicos foi invadido e

o presidente, José Ibraim, teve de se esconder da polícia. O exército preparou

uma operação de guerra e ocupou as instalações industriais. A partir daí, quem fizesse gracinha de greve teria de enfrentar os blindados e fuzis automáticos. Ou seja, as greves acabaram.

daí, quem fizesse gracinha de greve teria de enfrentar os blindados e fuzis automáticos. Ou seja,

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HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série Contra os meninos e meninas do movimento estudantil, foram

Contra os meninos e meninas do movimento estudantil, foram lançados homens armados até os dentes. Agora passeata começava a ser dissolvida a bala. No Calabouço, um restaurante carioca freqüentado por estudantes, a polícia assassinou um rapaz, Édson Luís. Nem a missa de sétimo dia, na catedral da Candelária, foi respeitada pela polícia, que baixou o sarrafo nas pessoas que saíam do templo. Em resposta, a maior passeata já vista na avenida Rio Branco: a célebre Passeata dos Cem Mil (26/06/1968).Era a multidão, bonita, vigorosa, olhando para a vida, exigindo a mudança. Os militares estavam apavorados. Até onde aquilo tudo iria levar? Concluíram que precisavam endurecer ainda mais o regime. E endureceram. As passeatas de estudantes passaram a ser reprimidas pelas próprias Forças Armadas e muitos estudantes foram baleados. Agora, em vez do cassetete, vinha o fuzil automático. O congresso secreto da UNE, em Ibiúna (SP) foi dissolvido, com 1240 estudantes presos. O pior estava por vir. Faltava só o pretexto. No Congresso Nacional, o jovem deputado Márcio Moreira Alves, do MDB, fez um discurso em que recomendava que as mulheres não namorassem os militares envolvidos com as violências do regime, e conclamou a população a boicotar os desfiles de 7 de Setembro. Esse discurso foi considerado ofensivo pelos militares, que exigiram sua punição, mas o Congresso não permitiu. Foi, então, que Costa e Silva decretou o Ato Institucional n.º 5, (A.I. 5), no dia 13 de Dezembro de 1968. Claro que o caso do deputado era só desculpa. Tratava-se, na verdade, de aumentar a repressão e silenciar os opositores. Se a ditadura já era brava, agora ela piorava.

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É exagerado achar que toda hora tem tanque na rua, soldados desfilando dentro das faculdades. Aparentemente não muda muita coisa, porque você vai às compras, ao dentista, à praia e ao cinema, namora e casa, vê televisão. A não ser o fato de que seu vizinho é oficial do Exército e você sabe que por isso ele manda na rua e no bairro, o resto parece bem normal. Mas, se você tiver um pingo de consciência, desconfia que as coisas não vão bem. Existe um cheirinho de esquisitice: as pessoas falam baixo, há uma nuvem de mistério cobrindo o país, o estômago fica pesado demais.

Depois de 1964 ainda dava para fazer umas passeatazinhas e desafiar o regime. Depois do AI-5 (dezembro de 1968) o regime tinha fechado de vez. Passeata era dissolvida a tiros de fuzil. Em cada redação de jornal havia um sujeito da polícia federal para

fazer a CENSURA.

Não poderia sair nenhuma notícia que desagradasse ao

governo. Uma simples reportagem esportiva sobre o time do Internacional de Porto Alegre, com sua camisa vermelha, poderia ser encarada como “propaganda da Internacional Comunista”. Além de tudo, o jornal não podia dizer que tinha sofrido a censura (isso, claro, também era censurado). O jeito foi botar receitas de bolo nos vazios deixados pelas partes retiradas pela polícia. As pessoas estavam lendo uma página sobre política nacional e, de repente, vinha aquela absurda receita para fazer uma torta de abacaxi. Os espertos sacavam logo que era uma forma de protestar, de mostrar a censura. Claro que existem também os ingênuos, que ainda hoje declaram que “naquele tempo o governo era muito melhor do que hoje. Bastava abrir os jornais, eles só tinham elogios para o governo. Aliás, também tinham receitas de bolo muito boas”.

Ninguém podia falar mal do governo. Reclamação na fila do ônibus era uma linha até a cadeia. Estudantes e professores que conversassem sobre política poderiam ser expulsos da escola ou da faculdade, devido ao decreto-lei n. º 477

(1969).

conversassem sobre política poderiam ser expulsos da escola ou da faculdade, devido ao decreto-lei n. º

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Imagine o clima dentro da sala de aula. Se o professor contasse aos alunos o que você está lendo neste livro, corria o sério risco de não poder voltar mais à sala de aula. Qualquer aluno novo que tentasse se enturmar era logo suspeito de pertencer ao SNI. Veja que coisa, a ditadura tolheu até as novas amizades!

O político que fizesse oposição aguda seria logo cassado pelo A.I.5. Foi o caso, por exemplo, do deputado federal Francisco Pinto (MDB), punido em 1974 porque fez no Congresso um discurso chamando de “ditador” o ditador chileno Pinochet em visita ao Brasil. O deputado Lysâneas Maciel (MDB) solicitou a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar denúncias de corrupção no regime. Não teve CPI nenhuma e ele ainda foi cassado. É isso aí:

numa ditadura, a sociedade não pode fiscalizar o governo. Os cidadãos

estão enjaulados, mas a corrupção está livre.

Agora responda em seu caderno:

3) Explique o que foi a censura durante o Regime Militar.

Com tantas dificuldades, como continuar fazendo oposição ao regime? Para muitos jovens, só havia um caminho a seguir: a luta armada.

Falar em guerrilha nos anos 60 arrepiava muita gente. Ela parecia ser a grande arma de libertação dos povos. Exemplos não faltavam: em Cuba, Fidel Castro e Che Guevara abriram o caminho. No Vietnã, os guerrilheiros de Ho Chi Minh derrotavam os Estados Unidos. No Brasil não poderia ser diferente: muitos estudantes, velhos militantes da esquerda e intelectuais começaram a organizar grupos guerrilheiros. Para eles, depois do AI-5 só a luta armada libertaria o Brasil.

A

juventude

queria

a

mudança

logo,

a

todo

preço.

E

foram esses

jovens,

garotões

e

meninas,

adolescentes

ainda,

estudantes

e

sonhadoras,

que

embarcaram na

aventura

da

luta

armada.

Guerrilheiros do PC do B mortos no Araguaia. Nas fotos, pessoas iguais a nós: sorrisos,
Guerrilheiros do PC do B mortos no
Araguaia. Nas fotos, pessoas iguais a nós:
sorrisos, sonhos, juventude, indignação,
esperança. Deram a vida pela pátria.
O que fariam hoje se fossem vivos?

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Desde 1968 já existiam ações guerrilheiras. Mas o grosso mesmo foi entre 1969 e 1973. Havia muitos grupos de luta armada.

Quem eram esses revolucionários?

Eram algumas centenas. Apesar de sonharem com a revolução proletária, havia poucos operários ou camponeses. Os líderes eram geralmente, antigos comunistas, rompidos com o Partidão por que o PCB estava contra a luta armada. Ainda tinha um grupo importante de militares desertores do Exército. A maioria dos guerrilheiros foi presa antes de começar a luta armada na área rural. Na verdade, a guerrilha ficou sendo urbana mesmo, sem repercussão maior. A repressão do governo agia com muita eficácia e rapidamente os grupos foram desmantelados. No final, tinham de assaltar bancos para levantar fundos para a luta e seqüestrar embaixadores em troca da libertação de presos políticos. Desde o início a guerrilha já tinha muitos erros. Ninguém tinha feito uma análise profunda da sociedade brasileira para ter certeza de que aquela era a melhor estratégia a ser seguida.

Por exemplo, sonhavam com uma guerrilha camponesa num país enorme que já era urbano e industrial. Queriam buscar seus próprios caminhos políticos, mas no fundo imitavam modelos de outros países, como Cuba e China. Falavam em nome dos trabalhadores, mas jamais tiveram um contato maior com a população. O povo, dominado pela propaganda oficial e pela imprensa censurada, os ignorava ou os tratava como bandidos, seqüestradores, assaltantes de banco, “terroristas”. Viviam tão fora da realidade, que só faltaram dizer que as vitórias do governo eram “a mostra do desespero da burguesia em sua crise final”. Coitados, eram rapazes e moças que nunca tinham visto um revólver na vida enfrentando um Exército profissional bem equipado e com assessoria dos EUA. Nem dava

para começar. A única tentativa que teve alguma consistência foi a Guerrilha do Araguaia. Ela se desenvolveu mais ou menos entre 1972 e 1974, organizada pelo PC do B. Pois bem, no começo dos anos 70, grandes empresas do Sudeste e multinacionais investiram em pecuária extensiva na região do Tocantins-Araguaia. Quando chegaram lá, já havia pequenas roças na mão de camponeses posseiros (não tinham documentos legais da propriedade da terra, apesar de trabalharem nelas havia muitos anos).

posseiros (não tinham documentos legais da propriedade da terra, apesar de trabalharem nelas havia muitos anos).

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Nem quiseram saber, passaram a fazer grilagem das terras (tomar ilegalmente). Quando o camponês não queria abandonar a terra, os capangas da empresa iam lá, ateavam fogo no barraco, destruíam a plantação, espancavam os moradores. Como você pode perceber, as lutas de classes entre os grileiros e os

posseiros eram muito fortes. O PC do B quis aproveitar esse potencial de revolta

e chegou na região para montar uma base de treinamento. Foram descobertos

pelo Exército, que deslocou para a região milhares de soldados. Contra uns 60 guerrilheiros. Numa região isolada do país, imprensa censurada, as pessoas só sabiam alguma coisa através de boatos.

Mas na região do Araguaia até hoje as pessoas humildes se recordam do que aconteceu. Muitos militares abusaram do poder e espancaram brutalmente a população para que revelasse os esconderijos dos guerrilheiros. Os prisioneiros eram torturados de forma bárbara e muitos foram mortos. Os guerrilheiros mortos foram enterrados em cemitérios clandestinos e até hoje as famílias procuram seus corpos. Em 1974, a guerrilha do Araguaia estava destruída.

O QUE DIZER SOBRE ESSA LOUCURA TODA?

Foram rapazes e moças, muitos ainda adolescentes, que tiveram a

coragem de abandonar o conforto do lar, a segurança de uma vida encaminhada,

a tranqüilidade da vida de jovem de classe média, para combater um regime opressor com armas na mão.

Pessoas que dão a vida pelo ideal de libertação de seu povo não podem ser consideradas criminosas. Mesmo que a gente não concorde com os caminhos trilhados. Eles mataram? Certamente. Mas nunca torturaram. Nem enterraram suas vítimas em cemitérios clandestinos. E se o tivessem feito, nada disso justificaria a tortura e o assassinato executados pelo governo.

Além disso, você acha mesmo inadmissível pegar em armas contra um regime antidemocrático que esmagava o povo brasileiro?

Que moral uma ditadura tem para definir como deve ser combatida?

Agora responda em seu caderno:

4) Indique duas formas de reação popular contra o Regime Militar durante os anos de 1967 e 1968.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série Como é que a ditadura conseguiu acabar com

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Como é que a ditadura conseguiu acabar com a guerrilha?

Prepare-se, caro aluno, para as cenas de terror a seguir!

Porque a repressão foi selvagem! Imagine que você fosse um guerrilheiro naquela época. Documento falso, revólver escondido na cintura, distante da família, dos amigos, de qualquer conhecido. Clandestino. Codinome, ou seja, nome inventado, nem os companheiros sabiam sua identidade. Se fossem presos, não poderiam te revelar. Vocês se escondem num apartamento discreto no subúrbio. E mudam de residência quase todo mês. Esse esconderijo é chamado de aparelho. Um dia você tem um ponto, ou seja, um encontro marcado com outro guerrilheiro. Ele não aparece. Provavelmente, caiu (foi preso). Em algumas horas, debaixo de paulada, pode ser que ele abra. Os meganhas logo vão chegar. É preciso desativar o aparelho rápido. De repente, chega a polícia. Tiroteio. Mortes. Se você escapar com vida, vai direito para o porão. Agora sim, você vai sentir na pele a face mais negra do regime. A tortura. Não houve guerrilheiro preso que não fosse barbaramente torturado. Ficar pendurado no pau-de-arara (um cavalete em que o sujeito fica preso pela barra que passa na dobra do joelho, com pés e mãos amarrados juntos) é um dos piores suplícios. Além disso, pontapés, queimaduras de cigarros, choques elétricos, alicates arrancando os mamilos, banhos de ácido, testículos amassados com alicate, arame em brasa introduzido pela uretra, dente arrancado a pontapés, olhos vazados com socos. Mulheres estupradas na frente dos filhos, homens castrados. A lista de atrocidades é infindável. Os torturadores são animais sádicos. Mas além da maldade pura e simples, havia a necessidade estratégica: a tortura extraía confissões em pouco tempo, dando oportunidade de prender outras pessoas, que também seriam torturadas, revelando mais coisas e assim por diante. Infelizmente, a tortura revelou-se bem eficaz.

Houve muita gente, entretanto, que nada falou. Veja bem, caro aluno, bastava contar tudo que a tortura acabaria. Essa era a diabólica proposta. Imagine-se no lugar do preso, apanhando feito um cão, nu, sangrando, com a cabeça enfiada num balde cheio de fezes e vômito dos outros.

do preso, apanhando feito um cão, nu, sangrando, com a cabeça enfiada num balde cheio de

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Algumas frases e você seria mandado para um hospital. No entanto muitos não falaram. Bravamente, recusaram-se a colaborar com a repressão. Morto sob tortura tinha o caixão lacrado para ninguém ver o cadáver arrebentado. O laudo oficial do IML dizia que a morte tinha ocorrido “em tiroteio com a polícia”. Uma geração que pagou um alto preço por seus sonhos: pagou com o próprio sangue. Por isso, caro aluno, se hoje podemos escrever estas linhas, se hoje você pode dizer o que pensa, saiba que entre os responsáveis por nossa liberdade estão aqueles que deram sua vida para que um dia o país não estivesse mais sob o jugo das botinas da tirania.

país não estivesse mais sob o jugo das botinas da tirania. Mas, afinal, quem eram os

Mas,

afinal,

quem

eram

os

torturadores?

Onde

as

pessoas

eram

torturadas?

Ao contrário do que se possa pensar, a tortura não era feita em algum lugar escondido, uma casa de subúrbio ou uma fazenda afastada de tudo.

Não, infelizmente as pessoas eram torturadas em lugares públicos, na frente de muitas testemunhas. Como Mário Alves, dirigente do PCBR, torturado até a morte nas dependências do Primeiro Batalhão de Polícia do Exército, na Rua Barão de Mesquita, Tijuca, Rio de Janeiro. Reparou no local? Um quartel do Exército! Como também aconteceu em delegacias, em bases da Marinha. Através

da Operação Bandeirantes (OBAN), do DOI-CODI (Departamento de Operações

e Informações – Centro de Operações e Defesa Interna), dos Serviços de

Informação das Forças Armadas (CENIMAR, CISA, CIEX), do DOPS e do SNI,

o governo exterminou a guerrilha

com brutalidade. Claro que a maioria dos militares não teve nenhum envolvimento com a tortura. Muitos sequer sabiam que ela estava acontecendo. Mas é inegável que os torturadores ocupavam importantes posições no aparelho repressivo do Estado: eram policiais civis, PMs, agentes da polícia federal, delegados, oficiais e sargentos da Marinha, do Exército, da Aeronáutica, médicos que avaliavam a saúde da vítima e autorizavam a continuação da tortura.

do Exército, da Aeronáutica, médicos que avaliavam a saúde da vítima e autorizavam a continuação da

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Muito triste é saber que alguns desses monstros permanecem na polícia, nas Forças Armadas e que foram anistiados pelo general Figueiredo em 1979.

Neste país, jamais um torturador sentou no banco dos réus.

A ditadura não se manteve só com violência física. Ela soube se valer de uma propaganda ideológica massacrante. Numa época em que todas as críticas ao governo eram censuradas, os jornais, a tevê, os rádios e revistas transmitiam a idéia de que o Brasil tinha encontrado um caminho maravilhoso de desenvolvimento e progresso. Reportagens sobre grandes obras do governo e o crescimento econômico do país convenciam a população de que vivíamos numa época incrível. Nas ruas as pessoas cantavam: “Ninguém segura esse país” Os guerrilheiros eram apresentados como “terroristas”, “inimigos da pátria”, “agentes subversivos”. Qualquer crítica era vista como “coisa de comunista”, de

“baderneiro”. Houve até quem chegasse ao cúmulo de acusar os comunistas de responsáveis pela difusão das drogas e da pornografia! O futebol, como não poderia deixar de ser, foi utilizado como arma de propaganda ideológica. Na época, a esquerda se perguntava: “O futebol aliena os trabalhadores, é o ópio do povo?” E houve até quem torcesse para que o Brasil perdesse a Copa: como se o trabalhador brasileiro precisasse de uma derrota no jogo de futebol para realmente se sentir oprimido! Ou seja, quem estava supervalorizando o futebol: o povão ou a esquerda? De qualquer modo, meu amigo, aquela seleção de 1970 foi simplesmente o maior time de futebol que já existiu. Pelé, Tostão, Jairzinho, Gérson, Rivelino, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres, seus craques são inesquecíveis. O tricampeonato conquistado na Copa do

México encheu o país de euforia. Nas casas (pela primeira vez a Copa foi transmitida ao vivo pela televisão) e ruas o povo explodia de alegria e cantava:

Os homens do governo, claro,

trataram logo de aparecer em centenas de fotos ao lado dos craques. Queriam que

o país tivesse a impressão de que só tínhamos ganhado a Copa graças à ditadura militar (embora as vitórias de 1958 e 1962 tivessem sido no tempo da democracia, com JK e Jango). Além do futebol, os brasileiros conheceram uma nova paixão, o automobilismo. Até hoje, o mundo só teve um único piloto capaz de vencer na

sua estréia na Fórmula 1: o nosso Émerson Fittipaldi, campeão mundial em 1972

Fórmula 1: o nosso Émerson Fittipaldi, campeão mundial em 1972 “Todos juntos, vamos/ Pra frente Brasil

“Todos juntos, vamos/ Pra frente Brasil

e 1974.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série Nas escolas vivia-se um tempo de ufanismo (exaltação

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Nas escolas vivia-se um tempo de ufanismo (exaltação da pátria). Todo mundo tinha que acreditar que o Brasil estava se tornando um país maravilhoso. Nos vidros dos carros, os adesivos diziam: Brasil – Ame-o ou deixe-o. É como se os perseguidos políticos foragidos tivessem se exilado por antipatriotismo. Um pontapé na verdade. Claro que essa euforia toda no começo dos anos 70 não vinha só das vitórias esportivas e da máquina de propaganda do governo. Em realidade, o país vivia a excitação de um crescimento econômico espetacular. Era o tempo do “milagre econômico”.

Agora responda:

5) Como você percebeu, no Regime Militar as liberdades foram limitadas e os direitos humanos desrespeitados. Pesquise em jornais e revistas, recorte e cole numa folha sulfite ou cartolina, um artigo que mostre situações em que prevalece o clima de liberdade no Brasil de hoje e outro artigo com notícias relatando ações que na sua opinião limitam essa liberdade.

GOVERNO DO GENERAL MÉDICI (1969-1974)

Costa e Silva não teve muito tempo para se alegrar com os efeitos do A.I. -

5: um derrame o matou, em agosto de 1969. O povo não teve tempo de se

alegrar: uma Junta Militar, comandada pelo general Lyra Tavares, assumiu o governo até se nomear o novo general-presidente. O vice de Costa e Silva, o civil

Pedro Aleixo (ex-UDN), não tinha apoiado totalmente o AI-5 e por isso fora jogado para escanteio. No mesmo ano, ocorreu a Emenda Constitucional nº1, que alguns

juristas consideram quase como uma nova Constituição. Ela legalizou o arbítrio e

os poderes totalitários da ditadura. Todas aquelas medidas arbitrárias tipo o AI-5

e o decreto-lei 477 foram incorporadas à Constituição. Além disso, ela estabeleceu que o presidente podia baixar medidas (decretos-lei) que valeriam imediatamente. O Congresso disporia de 60 dias para votar a aprovação. Se depois desse prazo não tivesse havido votação (o Congresso poderia por exemplo, estar fechado pelo AI-5, ou com número insuficiente de membros comparecendo às sessões), ele seria automaticamente aprovado por decurso de prazo.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Dias depois, era indicado o novo chefe supremo do país. O novo presidente era o general Emílio Garrastazu Médici. Seu governo teve dois pontos de destaque: o extermínio da guerrilha e o crescimento econômico espetacular ( o “milagre”). Nenhuma época do regime militar foi tão repressora e brutal. Nunca se torturou e assassinou tanto. Nos porões do regime, as pessoas tinham suas vidas postas na marca do pênalti. E assim os órgãos de repressão marcaram gols, liquidando guerrilheiros como Marighella e Lamarca.

Na economia, o ministro Delfim Netto comandou o milagre econômico. A produção crescia e se modernizava num ritmo espetacular. A inflação, dentro dos padrões brasileiros, até que era moderada, lá na casa dos vinte e tantos por cento. Construía-se com euforia. Obras, como a ponte Rio- Niterói, a rodovia Transamazônica, a refinaria de Paulínia e a instalação da tevê em cores (1972), pareciam mostrar que a prosperidade seria eterna. A classe média comprava ações na Bolsa de Valores e imaginava se tornar grande capitalista.

seria eterna. A classe média comprava ações na Bolsa de Valores e imaginava se tornar grande

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

Para acelerar o crescimento, ampliaram-se as empresas estatais ou criaram-se novas, principalmente na produção de aço, petróleo, eletricidade, estradas, mineração e telecomunicações. Os nomes delas você já ouviu falar:

Petrobrás, Eletrobrás, Telebrás, Correios, Vale do Rio Doce Companhia Siderúrgica Nacional e tantas outras.

Crescimento e modernização que não beneficiavam as classes trabalhadoras. Pelo contrário, quanto mais o país crescia, tanto mais piorava a vida do povo. Em 1969, por exemplo, o salário mínimo só valia 42% do que

representava em 1959. Em 1974, isso desceu para 36%.

Os ricos foram ficando cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres. A ditadura foi uma espécie de Robin Hood ao contrário, tirava dos pobres para dar aos ricos! Essa distribuição de renda ao contrário era facilitada pelo fato de que não havia nenhuma greve, nem sindicato independente, nem a oposição no Congresso tinha margem de manobra. Era uma ditadura que fazia uma coisa incrível:

o país crescia como poucos no mundo e quanto mais riquezas eram produzidas, mais difícil ficava a vida dos trabalhadores.

Até nos países mais pobres da África, a mortalidade infantil diminuía. Nas grandes cidades brasileiras ela crescia. Quanto mais a renda per capita do Brasil aumentava, mais as crianças pobres morriam por que comiam pouco, não eram vacinadas, não tinham médico. De repente, houve uma epidemia de meningite. Doença que pode matar. É preciso que os pais estejam alerta. O que fez a ditadura? Proibiu que os jornais divulgassem qualquer notícia a respeito. O povo tinha que ser enganado pela imagem de que no Brasil a saúde pública estava sob controle. O que veio em seguida era previsível: os pais, sem saber do surto da doença, não davam muita importância para aquela febrezinha do filho. Achavam que era só uma gripe. Não levavam para o posto de saúde. Até que a criança morria. A meningite mataria milhares de meninos e meninas no Brasil, numa das mais terríveis epidemias do século.

no Brasil, numa das mais terríveis epidemias do século. Só esse caso já mostra como a

Só esse caso já mostra como a ditadura era absurda, não é mesmo?

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O ministro Delfim Netto dizia que era para o povo ter paciência: “temos que esperar o bolo crescer para depois distribuir os pedaços”. E até hoje o povão está esperando sua fatia. Pois é, na cara de pau, o general-presidente Médici dizia: “A economia vai bem, só o povo é que vai mal”. Que consideração com o povo! Grande parte da classe média até que gostava daquilo tudo. Afinal, a ditadura, além de modernizar a indústria de base, estimulou a de bens de consumo duráveis. Maravilha das maravilhas: a família de

classe média se realizava existencialmente comprando tevê em cores (desde 1972), aparelhagens de som, automóveis, eletrodomésticos. E até a classe operária foi arrastada nesse processo de crença na ascensão social baseada na aquisição do radinho de pilha ou do tênis maneiro. Assim como os cabelos eram compridos e as barras das calças eram “boca de sino”, as obras eram gigantescas. O governo fazia estádios de futebol enquanto as escolas caíam aos pedaços. A rodovia Transamazônica, importante para iniciar a colonização da Amazônia, não incluiu nenhum projeto de proteção ao meio-ambiente, aos índios, aos camponeses e aos garimpeiros. A ponte Rio- Niterói (1974) foi realmente importante para ligar a economia do Nordeste do país ao Sudeste industrial (RJ e SP), mas ela custou uma fortuna. Certamente teria sido mais barata se as contas tivessem sido controladas democraticamente. Muita empresa construtora se deu bem fazendo essa obra encomendada pelo governo. Aliás, em quase todas as obras faraônicas (ou seja, enormes, caras e quase inúteis) houve esquemas para homens do governo e firmas de engenharia civil ganharem uma boa grana por fora. Velha história: sem democracia a roubalheira rola solta porque não há imprensa livre e Congresso independente. Um tratamento especial foi dado às empresas multinacionais (estrangeiras). Elas tinham mais favores do governo do que as empresas nacionais! O que não é de se espantar, pois grande parte dos homens do poder eram profundamente ligados aos grupos estrangeiros e não hesitaram em usar sua influência. Certos ministros, nesta época eram chamados de “entreguistas”, ou seja, responsáveis conscientes pelo favorecimento escancarado do governo aos monopólios estrangeiros.

ou seja, responsáveis conscientes pelo favorecimento escancarado do governo aos monopólios estrangeiros. 83

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É claro que hoje em dia não se pode ter aquela visão de ódio total às multinacionais. Afinal, com a internacionalização da economia, ou seja, a ligação econômica direta entre quase todos os países e continentes, elas se tornaram peças fundamentais da economia mundial. Inclusive, por que parecem realmente ser úteis parceiras em alguns setores, já que nenhum país pode ter sozinho tecnologia e capital para produzir tudo. Todavia, é sensato esclarecer alguns pontos: por que elas são as responsáveis por grande parte da dívida externa brasileira? Será benéfico o governo pedir dinheiro emprestado aos banqueiros internacionais para fazer obras gigantescas a favor das multinacionais? Ou simplesmente para financiá-las? Será correto que elas mandem para fora lucros de bilhões de dólares em vez de aqui reinvestir? Será interessante o seu poder de levar à falência as empresas nacionais, através de uma concorrência desleal? Será que elas realmente nos transferem tecnologia ou só mandam pacotes prontos feitos nos seus laboratórios? Será que elas não mandam dinheiro escondido “por debaixo do pano” Será que não interferem na nossa vida interna, combatendo governos que não lhes interessam, mesmo se estes forem a favor do povo? Será saudável que produzam aqui remédios e produtos químicos proibidos em seus países de origem? Por que será que um operário da Volkswagen ou da Ford no Brasil faz o mesmo serviço, nos mesmos ritmos e níveis de tecnologia, que operários dessas empresas na Alemanha ou nos Estados Unidos e, no entanto,

ganha tão menos?

ou nos Estados Unidos e, no entanto, ganha tão menos? Quantas perguntas Bem, aí estava o

Quantas perguntas

Bem, aí estava o “milagre econômico”: modernização, crescimento acelerado, inflação moderada, facilidades para o investimento estrangeiro, e também ricos mais ricos e pobres mais pobres e aumento da dívida externa. Você reparou que era um esquema parecido com o que já havia no tempo de Juscelino Kubitschek? O desenvolvimento espetacular das telecomunicações e da indústria de bens de consumo duráveis (automóveis, eletrodomésticos, prédios de luxo e mansões financiados pelo BNH) eram voltados principalmente para a classe média e superior. Milhões de brasileiros estavam meio por fora desse mercado.

Claro, portanto, que essa festa não iria durar muito. O modelo se esgotava e a crise chegava mais rápido do que o Émerson Fittipaldi.

Agora responda em seu caderno:

6) Retire do próprio texto uma frase que justifique a afirmação: “Dentro do Regime Militar havia muita corrupção”.

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GOVERNO DO GENERAL ERNESTO GEISEL (1974-1979)

O novo general-presidente, Ernesto Geisel, assumiu o governo num momento difícil da economia do Brasil e do mundo. Para alimentar o crescimento, ele pediu emprestado aos banqueiros estrangeiros e tratou de emitir papel-moeda. A inflação começou a aumentar e a engolir salários. Era o fim do “milagre econômico”. Agora, a insatisfação crescia. Isso ficava claro com o aumento de votos do MDB. Geisel percebeu que a ditadura estava chegando ao fim de sua vida útil. O jeito era acabar com o regime mas manter as coisas sob controle. Com ele, começaria a “distensão lenta e gradual”. Vamos ver como foi isso.

O ano de 1973 assinalou o início de um choque na economia capitalista

mundial. Parecida com a de 1929, mas com efeitos bem menores para os países capitalistas desenvolvidos, que empurraram a crise para cima do Terceiro Mundo. De certa forma, os apertos econômicos dos países subdesenvolvidos, nos anos 90, foram continuação do processo de 1973.

Tentaram botar a culpa nos árabes, porque eles aumentaram os preços do petróleo. Conversa fiada. O aumento foi apenas a recuperação de preços, que vinham caindo muito, desde os anos 50. Para você ter uma idéia, antes do aumento imposto pela OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em 1973, o preço do barril de petróleo no mercado mundial era inferior ao do barril de água mineral! Claro que o aumento dos preços pegou todo mundo de surpresa, aumentou os custos, cortou os lucros, provocando inflação e desemprego. A crise do petróleo reforçou a crise geral do capitalismo em 1973. Mas com certeza a crise não foi só energética. Afinal, países exportadores de petróleo também entraram em crise!

O que aconteceu foi uma crise clássica de superprodução de mercadorias,

tal como ocorrera em 1929. Depois da Segunda Guerra, os EUA representavam metade da produção econômica mundial. Mas nos anos seguintes a Europa Ocidental recuperou plenamente sua economia. Surgiu também um grande competidor, o Japão. De repente, o mercado mundial ficou apertado, não havia como continuar investindo capital nos mesmos ritmos. As mercadorias começaram a ficar encalhadas e logo vieram as falências, as inflações, a recessão.

Aqui no Brasil, o governo botava a culpa nos outros. Dizia que a crise era mundial. Certo. Mas por que aqui ela era tão devastadora? Porque a política econômica da ditadura nos tornava indefesos. O petróleo não representava nem 25% das nossas importações em 1975. Além disso, não só aumentou nossa produção interna, como seus preços internacionais cairiam nos anos 80. No entanto, a crise foi aumentando ano após ano. Uma coisa tão brava que o nosso jovem aluno com certeza viveu a maior parte de sua vida sob o signo da crise econômica brasileira.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

O que acontece é que o modelo econômico da ditadura era baseado no

pequeno mercado interno, representando pelos ricos e pela classe média. Tinha- se alcançado um estágio em que não dava para aumentar a produção, por falta de consumidores aqui dentro.

Como produzir mais automóveis se a maioria dos brasileiros não tinha dinheiro para comprá-los? Ficava claro que só havia um jeito de ampliar o mercado consumidor:

distribuindo renda. Para isso, seria preciso tocar em privilégios, mexer em interesses poderosos. Então, o regime militar não faria nada disso.

O governo preferiu outro caminho. Para a economia não entrar em

recessão, isto é, para a economia não regredir, o Estado começou a tomar empréstimos externos para financiar a produção. Supunham que a economia cresceria, que as exportações se tornariam espetaculares e que tudo isso daria condições de pagar a dívida externa. Só que os banqueiros internacionais não são trouxas. Emprestaram dinheiro porque sabiam que o Brasil teria de devolver muito mais em forma de juros. Se fizermos as contas direitinho no papel, vamos

concluir que nos anos 70 e 80, o Brasil pagou, só de juros, muito mais do que pediu emprestado! Ou seja, já pagamos tudo, continuamos pagando e ficamos devendo mais ainda!

A dívida externa funciona como uma bomba de sucção que suga os

recursos da economia do Brasil. Aliás, o problema da dívida externa é comum

em todo o Terceiro Mundo. Segundo os dados insuspeitos do Banco Mundial, na década de 80 foram drenados bilhões de dólares do Terceiro Mundo para o

Primeiro. Ou seja, a parte pobre, esfarrapada e faminta do planeta é que mandou dinheiro para a parte milionária! Atualmente, é óbvio, esse esquema continua.

O mais triste é quando a gente consta que grande parte da dívida externa

brasileira foi contraída financiando a vinda de multinacionais, construindo obras gigantescas só para favorecer empresas estrangeiras (estradas, hidrelétricas), sem

falar construções que o governo nunca terminou, deixando as máquinas e o material serem destruídos pelo tempo.

Pois é, apertado, o governo precisava de mais dinheiro ainda. Para ele, é fácil. É só fabricar, emitir papel-moeda. Aí, vem a inflação.

A crise se manifestava com a queda da proporção dos lucros. Os

empresários não tinham conversa: buscaram lucrar na marra, botando os preços lá em cima. Ora, é impossível que os empresários como um todo, possam lucrar na base do simples aumento de preços. Quando alguém aumenta os preços, o outro aumenta também para compensar. Os trabalhadores querem salário maior só para compensar a perda com os aumentos gerais de preços. Os empresários aumentam os salários e, em seguida, sobem mais ainda os preços para reparar as perdas com a alta de preços e salários. Portanto, quem mais perde com a inflação são os trabalhadores. Pois a inflação veio a jato, mas os salários andam como uma lesma.

O general Geisel governou dentro desse quadro de crise econômica.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série

No meio da crise de energia, o Brasil teve a sorte de descobrir petróleo na Bacia de Campos (RJ), em frente à cidade de Macaé. A Petrobrás pôde aumentar sua produção espetacularmente. Mas Geisel tinha também outros planos para resolver o problema energético: como não havia dinheiro no Brasil, a solução foi gastar mais dinheiro ainda. O acordo nuclear Brasil-Alemanha custou uma fortuna de bilhões de dólares. Para fazer usinas perigosíssimas num país onde 80% do potencial hidrelétrico ainda não foi aproveitado. Incrível, não? A Usina de Angra dos Reis (RJ) fica exatamente entre os dois maiores centros industriais do país: São Paulo e Rio de Janeiro. Imagine se houvesse um acidente nuclear! Na verdade, a velha Doutrina de Segurança Nacional continuava ativa. Geisel montou um acordo nuclear com a Alemanha porque acreditava que o Brasil precisava aprender a dominar a tecnologia capaz de produzir, num futuro próximo, a bomba atômica. Na mesma época, a Argentina, que vivia uma ditadura militar desde 1976, também sonhava com cogumelos nucleares.

No mesmo ano (1975), teve início o Projeto Pró-álcool. A idéia era substituir a gasolina pelo álcool combustível. Os usineiros se alegraram. As plantações de cana-de-açúcar foram ocupando tudo quanto é lugar, expulsando os camponeses moradores, acabando com as plantações de alimentos (tornando a comida mais cara) e despejando o poluente vinhoto nos rios. Nos anos 80, com a queda do preço mundial de petróleo, o Brasil ficou com uma enorme frota de carros movidos a um combustível caríssimo. Já em 1990, querendo melhores preços, os usineiros “sumiriam” com o álcool. Na verdade, o álcool se revelou um combustível muito mais caro do que a gasolina (no posto, o álcool é mais barato porque é subsidiado, ou seja, o governo paga uma parte da conta. Mas onde arruma dinheiro para fazer esta caridade? Cobrando mais alto pela gasolina. Trocando em miúdos: quem tem carro a gasolina está ajudando a encher o tanque de quem tem carro a álcool). O que se viu nesses anos todos foi o governo emprestando milhões de dólares aos usineiros do Nordeste, do Rio de Janeiro e de São Paulo e depois perdoando as dívidas porque não suporta mais a choradeira dos produtores de álcool e açúcar. Enquanto isso, os cortadores de cana continuam passando fome. Ora, por que não estimularam o transporte ferroviário e o fluvial, bem mais baratos, podendo, em alguns casos, usar energia elétrica? Não foi incompetência. Na verdade, desde Juscelino que uma das espinhas dorsais de nossa indústria é a fabricação de automóveis e caminhões. As pressões das multinacionais desse setor forçaram o governo a abandonar outras opções de transporte. As estradas de ferro, tão importantes nos países desenvolvidos, foram relegadas a segundo plano pelo governo e as estatais deste setor tiveram seus recursos cortados. O II PND ( Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento) – o I PND foi no governo Médici, sob a batuta do ministro Delfim Netto -, comandado pelo Ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen, e pelo do Planejamento, Reis Velloso, tinha como objetivo começar a substituir as importações de bens de capital (indústria de base).

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Para isso, o BNDE concedeu créditos generosos a empresas privadas do setor, mas principalmente as empresas estatais tiveram grande crescimento, especialmente a Eletrobrás (que comprou a multinacional Ligth and Power e

levou adiante a construção da maior usina hidrelétrica do mundo, Itaipu, na fronteira com o Paraguai), a Embratel (telefones, satélites de comunicações, televisão etc.), a Petrobrás e as estatais de aço. Tudo isso alimentado por uma dívida externa que aumentava sem parar. Em breve, os banqueiros viriam cobrar

a dívida e os juros. Aí, a economia sentiria a força de sucção dos interesses

internacionais. Os resultados dos problemas econômicos foram que nas eleições para deputado federal e estadual e para o Senado, em 1974 e 1978, o MDB teve ótima votação. Um aviso claro para o pessoal da ditadura se mancar. O povo estava

dizendo NÃONÃONÃONÃO ao regime. No Alto Comando Militar, as divisões políticas se acentuaram. Uns achavam que a ditadura deveria ir afrouxando, acabando de modo lento e

controlado. Talvez, para os ditadores saírem discretamente pelos fundos, sem ninguém correr atrás deles. Esses generais moderados e favoráveis ao gradual retorno à normalidade democrática eram chamados de castelistas, porque se sentiam continuadores de Castello Branco. Era o caso do próprio Geisel e do presidente seguinte, Figueiredo. Outros militares defendiam a “linha dura”, alguns deles eram civis e queriam apertar ainda mais. Costa e Silva e Médici, por exemplo, tinham sido de linha dura. Começou então um combate nos bastidores, entre os militares castelistas e os linha dura. E os linha dura bem que pegaram

pesado!!!

Em outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog, diretor de telejornalismo da TV Cultura de São Paulo, foi chamado para um interrogatório num quartel do Exército, sede do DOI-CODI. Lá ficou, preso e incomunicável. Dias depois, a família recebeu a notícia de que ele havia “se suicidado”. Com um detalhe: teria de ser enterrado em um caixão lacrado, para que ninguém pudesse ver o estado do cadáver. Suicídio mesmo ou o corpo estava arrebentado pela tortura? No ano seguinte, o operário Manoel Fiel Filho sofreu o mesmo destino.

A farsa era evidente: é óbvio que ambos tinham sido mortos por espancamento.

Em homenagem a Herzog, o cardeal de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns, junto ao pastor James Wright e o rabino Henri Sobel, dirigiu um culto ecumênico (reunindo as religiões) em frente à catedral da Sé. Havia milhares de pessoas nesta que foi a primeira manifestação de massa desde 1968. Mostra clara de que a sociedade civil estava voltando para as ruas para protestar contra o arbítrio.

Indiretamente, Geisel reconheceu o crime. Não prendeu ninguém, mas exonerou o comandante do II Exército, responsável pelos acontecimentos. Deixava claro que não admitiria os atos violentos da linha dura. Em 1978, o Poder Judiciário daria ganho de causa à família de Herzog, botando a culpa na União. Sinal dos tempos.

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Claro que a esquerda não podia dar bobeira. A ditadura ainda existia. Um trágico exemplo disso foi o massacre da Lapa, quando agentes do Exército invadiram uma casa neste bairro da capital paulista, em 1976, onde se realizava uma reunião secreta de dirigentes do PC do B. As pessoas nem puderam esboçar reação: foram exterminadas ali mesmo, covardemente.

No governo Geisel, a dureza do regime começou a diminuir bem devagar. Para isso, teve de usar a habilidade para derrubar seus opositores de linha dura. A balança pendeu para o seu lado quando ele, nem gesto fulminante exonerou o general Sílvio Frota (1977), ministro do Exército, tido como de extrema direita e ligado à tortura.

Alguns militares eram favoráveis à distensão política porque realmente estavam imbuídos de convicções democráticas. Outros, não tão liberais, avaliavam que as Forças Armadas estavam começando a se desgastar ao se manter num governo que enfrentava uma crise econômica violenta. Geisel, portanto, tinha um plano claro: distensão lenta e gradual. Ou seja, abrir o regime bem devagarzinho e sem perder o comando sobre ele.

Dentro deste espírito de distensão controlada, Geisel buscou evitar as vitórias eleitorais do MDB. Para isso, mudou as regras das eleições. Seu ministro da Justiça, Armando Falcão, inventou a tal Lei Falcão (1976), que dizia que a propaganda política na tevê só podia exibir uma foto 3X4 do candidato e seu currículo, lido por um locutor. Nada de um candidato do MDB aparecer na telinha ou no rádio para criticar o governo e fazer propostas novas.

no rádio para criticar o governo e fazer propostas novas. O natal de 1977 foi antecipado:

O natal de 1977 foi antecipado: Geisel fechou o Congresso e deu um presentinho para os brasileiros, o Pacotão de Abril. Lindas surpresas. Para começar, a cada eleição a Arena perdia mais deputados para o MDB. Em breve, o partido do governo não teria os 2/3 do Congresso necessários para mudar alguma coisa da Constituição. Então, o Pacotão determinava que a Constituição agora poderia ser modificada com apenas 50% dos votos dos Congressistas mais um. Assim, a Arena (ainda maioria) garantia seu poder constitucional. No senado, o MDB também ameaçava. Resultado: o Pacotão determinou que um terço dos senadores passariam a ser biônicos, ou seja, escolhidos indiretamente pelas Assembléias Legislativas de cada Estado. Em outras palavras, a Arena já tinha garantido quase um terço do senado, os outros 2/3 seriam disputados com o MDB nas eleições normais.

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O Pacotão também alterou o quociente eleitoral, de modo que os Estados

do Nordeste, onde a população rural ainda era dominada pelos currais eleitorais,

assegurado o direito de eleger um número maior de deputados para o Congresso. No sertão nordestino, chuva mesmo, só de deputados da Arena. O pacotão fazia das eleições um jogo de futebol em que o dono da bola joga de um lado e, ao mesmo tempo, é juiz.

Em 1978 foi decretado o fim do AI-5, o que mostrava alguma boa vontade de Geisel com a abertura política. Mas antes de ele acabar com o ato arbitrário, usou o AI-5 para cassar diversos opositores. Mais ou menos como o pistoleiro que mata todo mundo e que, depois de acabarem as balas, resolve se arrepender do que fez. A garantia disso tudo era a Lei de Segurança Nacional (LSN) que continuava sendo mantida.

de Segurança Nacional (LSN) que continuava sendo mantida. O Brasil baseou-se no chamado pragmatismo responsável :

O Brasil baseou-se no chamado pragmatismo responsável: restabeleceu

relações com países comunistas como a China, porque isso trazia vantagem

comercial e diplomática. Em 1975, na África, Angola, Moçambique, Guiné- Bissau e Cabo Verde deixaram de ser colônias de Portugal.

No poder, partidos de orientação marxista, apoiados por Cuba e URSS. Acontecia que o governo militar ainda seguia a visão da Doutrina de Segurança Nacional que sonhava em transformar o Brasil na grande potência que dominaria a América do Sul e o Sul da África. Por isso, o Brasil não teve conversa e apoiou os governos de esquerda em Angola e Moçambique, inclusive contrariando a vontade do governo racista da África do Sul e dos EUA. Na verdade, os EUA, dos presidente Carter, andaram pressionando o governo militar brasileiro por causa da violação de direitos humanos (incluindo tortura e execução de presos políticos). Coisa de americanos:

apoiaram o golpe de 64, depois mudaram de governo e passaram a criticar.

Diante disso, e de olho no acordo nuclear Brasil-Alemanha. Geisel acabou rompendo um acordo militar Brasil-EUA. Isso mostra uma coisa muito importante, caro aluno: apesar de o regime militar brasileiro ter sido apoiado pelos EUA, isso não quer dizer que o Brasil sempre tivesse seguido os americanos. Não foram eles que impuseram o regime aqui. A explicação básica do que acontece no Brasil tem de ser buscada aqui mesmo, nas nossas contradições internas. Culpar o imperialismo por tudo é cômodo e superficial.

No

final

do

seu

governo,

Geisel

passou

o

bastão

para

o

general

Figueiredo. A crise continuava e as pressões populares pelas mudanças, também.

HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série No final da década de 70, na passagem

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HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 3ª série No final da década de 70, na passagem do

No final da década de 70, na passagem do governo Geisel para o de Figueiredo, estava ficando claro que a ditadura estava acabando. A palavra da moda era abertura, especialmente abertura política. Vimos que os generais castelistas, como Geisel e Figueiredo, eram favoráveis à abertura política. Mas seria um grave erro atribuir o fim do regime à boa vontade democrática dos militares. Na verdade, a ditadura estava afundando. Para começar, a crise econômica: inflação, diminuição do crescimento econômico, aumento da pobreza. Foi só Geisel abrandar a censura para que os escândalos de corrupção no governo começassem a pipocar. Tudo isso tirava a confiança da população no governo. Bastava ter eleição e pimba, o MDB ganhava mais votos do que a Arena. No começo do regime, castrado pelas cassações, o MDB era uma presença tímida. Praticamente só havia Arena no Brasil. Aos poucos, entretanto,

o MDB foi ampliando sua capacidade de fustigar a ditadura. Nele havia desde

liberais até comunistas, todos unidos com um propósito básico: acabar com o

regime militar, restaurar a democracia no Brasil.

Portanto, ao contrário do que disse a propaganda oficial, a tal abertura política não foi resultado simplesmente da boa vontade do governo. Foi o recuo de um regime acossado pela crise e atacado por um povo que se organizava.

Em nenhum momento do regime a oposição democrática se calou. Todavia, a partir de 1975, essa oposição atuava de outro jeito. Não eram mais estudantes jogando pedra para enfrentar a polícia, como nas memoráveis passeatas de 1968, nem eram meia dúzia de guerrilheiros cutucando a onça blindada com vara curta. Agora a luta contra o regime ainda tinha o mesmo ardor, o mesmo idealismo, só que com maturidade, com substância. O segredo era a mobilização da sociedade civil.

A sociedade civil se opõe ao Estado. Quem faz parte do Estado?

Os políticos, os juizes e tribunais, a administração pública, a polícia, o Exército etc. As instituições da sociedade civil são organizações como sindicatos, associações de moradores, grupos feministas, igrejas, comitês de defesa de direitos humanos, sociedades ecológicas e culturais etc.

Para começar, a