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Minimanual de Monografia Jurídica

Daniel Rodrigues Aurélio

2008

Minimanual de Monografia Jurídica Daniel Rodrigues Aurélio 2008

—  Minimanual de Monografia Jurídica  — Daniel Rodrigues Aurélio — Editora Rideel

Sumário

Como elaborar uma monografia jurídiCa

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O projeto de pesquisa 

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A monografia e o papel do orientador 

6

o

texto aCadêmiCo-CientífiCo

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Diga não aos adjetivos desnecessários! 

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metodologia de pesquisa  A escolha do tema 

1

A definição do recorte temático 

1

As fontes de pesquisa 

1 4

A importância do fichamento 

1 4

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a norma da abnt para a produção de monografias  Estrutura e organização dos capítulos 

1 6

Formatação de textos, gráficos e tabelas 

6

Citações e referências bibliográficas 

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Edição e impressão da cópia final 

8

a defesa públiCa da monografia

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Três dicas para finalizar 

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bibliografia reComendada  Tabela de expressões em latim 

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Como elaborar uma monografia jurídica

Daniel Rodrigues Aurélio

Passar noites na companhia de livros, códigos e anotações. Gastar as pernas entre  fóruns, comarcas, tribunais e mergulhar o cérebro num oceano de petições, arquivos,  processos  e  despachos  próprios  da  burocracia  jurídica.  Reler  textos  densos  nas  raríssimas horas de “descanso”. Provas atrás de provas. Depois desse suadouro digno  de maratonista olímpico, encontrar tempo e tranqüilidade suficientes para investigar e  analisar doutrinas, jurisprudências, fontes históricas. E, ao final, submeter o resultado  escrito da pesquisa a uma banca implacável de professores e juristas experimentados.  Ufa! Bem-vindo ao rito de passagem universitário. Bem-vindo ao universo do estudante  de Direito. Toda essa “rotina de formação” parece desgastante e confusa. No entanto,  existe uma lógica que a sistematiza. É sério. Essa experiência intensa é dividida em  partes que se complementam. Duvida? São três as etapas que separam o graduando  do  sonhado  título  de  bacharel  em  Direito:   a  avaliação  nas  disciplinas  regulares  do  curso;  o  estágio  em  órgãos  públicos,  centros  de  pesquisa,  ONGs  e  escritórios  de  advocacia;  e  a  apresentação  da  monografia  acadêmica,  intitulada  Trabalho  de  Conclusão de Curso, vulgo TCC. O popular e temido TCC. Cada uma dessas avaliações  busca reforçar um aspecto na formação do graduando. 3  Proferidas por professores das  diversas ramificações do Direito, as exposições e seminários disciplinares oferecem  ao estudante uma concepção geral sobre a filosofia, a história, a ética e a prática das  ciências jurídicas. As provas aferem o conhecimento adquirido pelos alunos. É nesse  percurso quadrienal que são amadurecidas as escolhas individuais para especialização.  Já  o  ingresso  no  estágio,  seja  ele  obrigatório  ou  facultativo,  remunerado  ou  não,  coloca  o  estudante/estagiário  diante  de  situações  reais  do  dia-a-dia  dos  escritórios  de advocacia e demais órgãos públicos e privados. Trata-se da junção da sala de aula  com os ambientes de fóruns e ministérios públicos, da reflexão acerca da natureza das  leis com a sua execução cotidiana, da equação entre a tendência sociológica com as  particularidades dos acontecimentos. Da sobriedade dos trajes aos rituais de sessão  em plenário, estagiar descortina um mundo novo para o estudante, que conhece de  perto estilos de atuação, a aplicabilidade das leis e a rotina às vezes maçante às vezes  palpitante do ofício. Até aqui tudo se justifica. O “entender” e o “fazer” caminham  juntos. Todavia, eis que surge uma terceira avaliação para provocar discórdias, angústia,  estresse, esses males do século XXI: a monografia. Ora  Nunca o surrado ditado “fazer 

Bacharel em Sociologia e Política pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e 

pós-graduado em Globalização e Cultura pela mesma instituição. Redator profissional desde 200. Autor de 

onze livros e do artigo Como fazer uma monografia, publicado pela Editora Rideel em 2007. 2 A quarta etapa é o tradicional Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). No entanto, como se sabe, 

esta avaliação não influi na titulação acadêmica em si, mas na autorização para exercer a função regulariza-

da e profissional de advogado. O estudante universitário é um ser múltiplo. Aqui, ele será chamado de “graduando”, “estagiário”, “orientan-

do”, “monografista” e até, veja só, de “aluno”. 

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tempestade em copo d’água” foi tão válido quanto nesse ponto da vida acadêmica. O  pânico e o ceticismo em relação ao TCC não se sustentam. Qualquer aluno que tenha  cursado com um mínimo de interesse as matérias e disponha-se a pesquisar as bases  históricas e teóricas das legislações é capaz de desenvolver um trabalho consistente e  fundamentado. Esforço sempre há. Dedicação é princípio. A capacidade de conhecer,  mensurar e interpretar não nasce de geração espontânea, mas a recompensa pelo êxito  nessa labuta é generosa – e nos vários sentidos atribuídos às palavras “recompensa”  e  “generosa”.  Principal  mecanismo  de  iniciação  científica,  a  monografia  contribui  para apurar características como a organização e o poder de síntese argumentativa,  além de apresentar ao monografista tanto a perspectiva conceitual quanto o  modus operandi associado à sua pretensa especialização. 4  Vale a pena, sim! A ciência alarga  horizontes e perspectivas. As teorias que aprendemos na faculdade influenciam e são  influenciadas pelos anseios, dramas e situações da “vida real”. É o círculo virtuoso do  aprendizado!Além do respeitável ganho intelectual na articulação de idéias e soluções, 

vital num mundo globalizado em que inovação e conhecimento são imperativos, uma  boa  monografia  (leia-se  coerente,  rigorosa  e  criativa)  é  um  chamariz  para  qualquer  currículo e, no limite, pode decidir acirradas disputas por oportunidades no mercado  de trabalho. Uma trajetória promissora na faculdade, coroada com um belo TCC, salta  aos olhos de selecionadores e caçadores de talento. Sobretudo quando não se possui  um  histórico  profissional  consolidado,  condição  da  maioria  dos  que  estão  em  fase  universitária. Ah, claro! É preciso lembrar que os melhores advogados costumam ser  juristas de renome. Eles estão, portanto, integrados à universidade como intelectuais,  professores, pesquisadores, orientadores e autores de livros inseridos na bibliografia  das disciplinas. A apresentação do TCC tornou-se obrigatória no curso de Direito a  partir da Portaria n o  .886 do Ministério da Educação (MEC), oficializada no dia 0  de dezembro de 994. 5  Nas demais ciências humanas e sociais, ele já se constituía  num  pré-requisito  para  a  obtenção  do  diploma.  Geralmente  em  formato  textual  de  monografia,  a  produção  do  TCC  exige  a  observância  de  procedimentos  técnicos, 

normativos e de investigação científica. Auxiliar o graduando a desvendá-los e aplicá-

los  em  suas  pesquisas  é  o  objetivo  dos  próximos  capítulos.  Embora  com  enfoque  nas monografias jurídicas, este texto pode ser acompanhado por estudantes de todas  as  áreas.  Afinal,  exceto  por  determinados  métodos  típicos  do  Direito,  o  exercício  monográfico obedece a convenções e padrões definidos pela Associação Brasileira de  Normas Técnicas, a ABNT. 6

4 As jurisprudências, a percepção média de juízes, promotores e defensores sobre um assunto, as mudanças  históricas na legislação, a forma como a sociedade se relaciona com as leis etc. Assinada por Murilo de Avellar Hingel, então ministro da Educação do governo Itamar Franco (992-994), 

a portaria determinava, em 7 artigos, o currículo mínimo para os cursos superiores na área jurídica. Em 

tempo: o artigo que trata da obrigatoriedade da monografia é o 9 o .

6 Organização responsável por regulamentar, fiscalizar e orientar as padronizações técnico-científicas na in-

dústria, na ciência e na academia, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) foi fundada em 940. 

Ela é a representante no Brasil da Comissão Panamericana de Normas Técnicas (COPANT), da International  Electrotechnical Comission (IEC) e da International Organization for Standardization (ISO).

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o projeto de pesquisa

Não  levando  em  conta,  neste  momento,  as  normas  internas  de  cada  instituição,  a  monografia acadêmica é definida como um texto ou relatório, de realização individual  ou em grupo, no qual é apresentado o resultado de uma pesquisa teórica e/ ou trabalho de  campo. A monografia é precedida pela redação do projeto de pesquisa. Nesse primeiro  passo, é delineado o recorte temático, definido e justificado o objetivo, formuladas as  hipóteses e estabelecido o cronograma de atividades. A estrutura básica de um projeto  de pesquisa é a seguinte:

Modelo 1 – Estrutura do projeto de pesquisa

Introdução ao Tema: breve explanação sobre a questão levantada e as motivações que  levaram o graduando a interessar-se pelo assunto, além de comentários sucintos sobre 

artigos, obras, teses e dissertações relacionadas. Objetivo: neste tópico será exposto o objetivo provisório ou definitivo da pesquisa. Justificativa: argumentação  centrada  no  pretexto  do  trabalho  e  sua  conexão  com  a 

especialização escolhida pelo graduando. Destina-se a convencer o orientador, a pré-

banca ou as entidades de fomento científico (CAPES, CNPq, FAPESP entre outras) acerca  da validade e consistência da pesquisa. Hipótese Inicial: toda  pesquisa  possui  uma  hipótese  inicial  que  será  validada  ou  refutada pelas conclusões ou considerações finais da monografia. Metodologia: definição  do  método  adequado  ao  caráter  do  projeto,  das  fontes  de  consulta à estruturação dos capítulos. Cronograma: fixação das datas e prazos necessários para as etapas de produção da  monografia. Não se preocupe, porém: é comum que não sejam seguidos à risca. Bibliografia: item  opcional.  São  os  livros,  jornais,  revistas,  anuários,  teses,  artigos  e  sites que o graduando julgar relevantes para a composição do trabalho.

Este projeto é, digamos, o pontapé inicial da monografia. Ele funciona como o guia  que organizará todo o resto. Daí em diante, a pesquisa tende a derivar para caminhos  às  vezes  contrários  à  percepção  primária.  Contudo,  as  bases  do  projeto  são  como  pilastras. É esse movimento de descobertas, confirmações e perspectivas impensadas  a  face  mais  atraente  da  monografia.  “Como  assim  atraente?”  –  o  leitor  se  pergunta  e,  indignado,  complementa:  “Existe  brecha  para  o  fascínio  num  arrazoado  técnico- científico?”. Explico. Para começar, a resposta é sim – e muito! Quando optamos por  um assunto que nos seduz e intriga, as dificuldades e prazos apertados são facilmente  superados  por  uma  curiosidade  saudável,  inquieta  e  fértil.  O  recorte  evita  desvios  e  exageros; não é limite para a imaginação. Por sinal, é natural que nossas preferências  recaiam  sobre  assuntos  com  os  quais  mantemos  afinidade.  Aliás,  recomendo  aos  graduandos que não sejam tragados pelo ciclone dos modismos temáticos. Desde que  explorado com criatividade e senso de medida, qualquer mote, por modesto que seja, 

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resultará num trabalho digno de nota dez, aplausos, menção honrosa e cumprimentos  da banca! 7

a monografia e o papel do orientador

Segundo as diretrizes do sistema educacional brasileiro, correspondem a três os níveis  de  produção  monográfica:  o TCC,  para  concluintes  de  graduação  e  especialização  lato sensu; 8   a  dissertação  de  mestrado,  e  a  tese  de  doutorado  e/  ou  livre-docência.  As  regras  referentes  à  normalização  da  produção  científica  mantêm-se  as  mesmas,  variando somente o grau de domínio da matéria. A elaboração do TCC segue normas  rígidas, embora flexíveis em relação ao número de páginas, por exemplo. Professores  costumam  advertir  ao  monografista-graduando  que  articule  a  argumentação,  a  checagem de hipótese e as conclusões ou considerações finais num espaço médio de 

0 a 00 páginas. No entanto, essa estimativa é relativa. Há monografias excelentes 

resolvidas em 0 páginas e calhamaços de 200 repletos de junções desconexas de 

obras clássicas (ou nem tão clássicas) e “interpretações” prolixas e incompreensíveis.  E vice-versa. A extensão do texto depende das necessidades do objeto, definidas pela  dobradinha graduando/ orientador ao longo das reuniões de orientação. A propósito,  a  figura  do  orientador  cumpre  o  papel  de  conduzir  o  trabalho  de  acordo  com  as  premissas da ciência jurídica. Ao lado dos argüidores, 9  ele preside a banca examinadora  que julgará o mérito da monografia. Seus questionamentos e observações funcionam  como  direção  para  o  orientando.  Contudo,  tendo  em  vista  que  a  função  do TCC  é  desenvolver  a  autonomia  intelectual,  pede-se  equilíbrio  no  momento  de  “peneirar”  os comentários. Convém ouvir o professor-orientador sem rompantes de adoração ou  aversão. Uma dica categórica para a escolha do orientador é ignorar subjetividades e  tolices do tipo “o professor Fulano é gente boa, já o Sicrano é um chato”. Simpatias e  antipatias exercem peso insignificante na decisão. E, salvo um absoluto antagonismo  de gênios, é a excelência ou, para os mais modernos, a expertise que conta de verdade.  Pois  é.  E  como  descobrir  qual  professor  se  enquadra  ao  seu  projeto?  Por  telepatia?  Nada disso. Conheça abaixo alguns atalhos para reconhecer e, enfim, definir o seu  futuro orientador.

7 Um episódio ocorrido em minha época de estudante de Sociologia ilustra esta consideração. Certa vez, um 

professor discutia conosco sobre nossos projetos de TCC. Um colega pediu a palavra e perguntou, constran-

gido, se pesquisar revistas em quadrinhos seria uma opção. A classe (ou seria a claque?) caiu na gargalhada. 

O professor, com aquela conhecida serenidade e polidez, interpelou-nos sobre o motivo do ataque de risos.  Ninguém respondeu. Então, ele disse que pesquisar gibis seria uma opção muito interessante. E falou com  tanta firmeza e eloqüência sobre fatos históricos e sociológicos sobre o mundo dos quadrinhos que, minutos  depois, os alunos estavam em absoluto silêncio e, por que não, aliviados por perceber que aquilo que no  fundo gostariam de abordar (o esporte favorito, a revista preferida ) poderia ser uma proposta viável.

8 Em diversos cursos superiores, o trabalho de iniciação técnica ou científica recebe um nome alternativo:  Trabalho de Graduação Interdisciplinar (TGI).

9 O argüidor é um membro do corpo docente ou – desde que autorizado – professor de outra instituição que  avalia o TCC e questiona o monografista. Assim como para o orientador, a escolha se faz pelo critério da  especialização, para garantir um aproveitamento teórico denso.

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Modelo 2 – Sugestões para a escolha de seu orientador

Currículo Lattes – A  Plataforma  Lattes  (homenagem  ao  cientista  César  Lattes) 10  é a  base cadastral de pesquisadores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico  e Tecnológico, o CNPq, e encontra-se disponível no site www.cnpq.br. Na Plataforma,  localizam-se currículos de pesquisadores e professores universitários, com informações  sobre seus livros e artigos publicados, suas linhas de pesquisa, produção técnica etc. Sugestões de outros mestres –  Tenha  uma  conversa  franca  e  pró-ativa  com  os  professores.  Especule  qual  deles  se  interessaria,  de  fato,  pela  proposta  do  seu TCC. A  parceria  sintonizada  com  o  orientador,  se  não  opera  milagres,  traz  à  baila  benefícios  como debates antenados e recomendações sensatas de autores e métodos. Para melhor  entendimento do leitor, a seqüência deste texto é dividida em duas partes complementares.  Na primeira, trato do conteúdo da monografia: a linguagem acadêmica, as metodologias,  as  técnicas  e  as  fontes  de  pesquisa,  com  ênfase  no  curso  de  Direito.  E,  mais  adiante,  adentro a seara das Normas da ABNT para formatação de texto, citações e referências  bibliográficas. Vamos lá? 

0 Nascido em Curitiba, Cesare Monsueto Giulio Lattes, o César Lattes (924-200), era um físico formado pela  Universidade de São Paulo e co-descobridor, com o norte-americano Cecil Powell, da partícula subatômica  meson-pi. A descoberta teria rendido a Lattes o Prêmio Nobel de Física de 90. No entanto, Powell foi o  único a recebê-lo. A justificativa para o brasileiro ter sido preterido é a de que, naquela época, o comitê de  premiação só oferecia a honraria ao chefe da equipe.

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O texto acadêmico-científico

Em 996, o físico Alan Sokal enviou para apreciação dos editores da revista Social Text o artigo “Atravessando as fronteiras: em direção a uma hermenêutica transformativa da  gravitação quântica”. Nele, Sokal divagava sobre a influência da “filosofia contemporânea”  e  das  “humanidades”  nas  ciências  físico-naturais.  Uma  vez  aprovado  pelo  conselho  editorial, o texto foi publicado numa edição especial do prestigiado periódico acadêmico.  Tempos após, o físico revelou suas intenções: o artigo era, na realidade, um amontoado  sem pé nem cabeça, uma paródia a autores “verborrágicos” como Jacques Lacan, Gilles  Deleuze e Jean Baudrillard, até ali intocáveis em seus pedestais. Do alto de suas torres de  marfim, esses filósofos-profetas da “pós-modernidade” usavam e abusavam, sem critério,  de termos e conceitos de disciplinas como matemática, física, biologia e química. 11  E o  mais tragicômico é que a rigorosa Social Text deixou-se ludibriar pelo título pomposo,  recheado  de  chavões  “pós-qualquer  coisa”  como  “hermenêutica”  e  “atravessando  fronteiras”. No ano seguinte, com o fito de alertar contra abusos técnicos e lingüísticos  dessa monta, Alan Sokal, em co-autoria com o também físico Jean Bricmont, publicou  o  provocador  livro  “Imposturas  intelectuais”,  lançado  no  Brasil  em  999.  O  clima  esquentou. Gente gabaritada vestiu a carapuça. Outros reverteram o ataque e viram na  atitude dos autores um ranço de quem se preocupa em preservar o purismo científico. 1   Seguiu-se ao bate-boca um joguinho de vaidades de doer. Era um tal de filósofo espernear  pra cá, matemático chorar pra lá  Estranhamente, a questão chave – quais são os limites  da  linguagem  acadêmica?  –  ficou  esquecida  em  meio  ao  tiroteio  de  acusações.  Essa  dúvida, por sinal, coincide com os questionamentos de graduandos de todos os campos.  Por que trabalhos científicos adotam palavreado tão empolado? Minha monografia vai ter  frases tão longas assim? Citações e clichês ocultam uma má ciência? O estilo vale mais  que o conteúdo? Resumindo: por que, ó raios, “todo intelectual” escreve enrolado? Para  começar,  essa  história  de  escrever  difícil  é  papo-furado.  Nenhum  manual  de  redação  científica se prestaria a ensinar um disparate desses. Contudo, a vontade de soar erudito  às vezes bate forte nos corações e mentes dos pesquisadores. Assim, consagrou-se entre  nós uma montanha de vícios de linguagem. É efeito bola de neve, mesmo. Repete-se até  virar epidemia. O sujeito se gradua, faz mestrado, defende o doutorado, vira professor e  passa os erros, quer dizer, os cacoetes para frente. Os vícios mais corriqueiros são:

. Substituir  palavras  por  seu  sinônimo  não  usual.  Exemplo:  “encobrir”  vira  “sobrepujar”; “semanal” é trocado por “hebdomadário”. Num trecho ou outro, vá  lá, tem a sua graça. Exagero é pedantismo e trava a comunicação.

Justiça seja feita, a filosofia é a matriz do conhecimento, vide Blaise Pascal para a lógica da computação,  René Descartes para as ciências exatas, Francis Bacon para o empirismo 2 Nos seus primórdios, a sociologia almejava ser para a sociedade aquilo que as ciências físico-naturais e a  biologia são para o estudo da fauna, da flora, do funcionamento do corpo. Um dos primeiros paradigmas  das ciências sociais era o chamado “evolucionismo social”. Ler um autor como Emile Durkheim é deparar-se 

com termos da Medicina e da Biologia: “anômia”, “patologia”

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—  Minimanual de Monografia Jurídica  — Daniel Rodrigues Aurélio — Editora Rideel

2. Utilizar  a  primeira  pessoa  do  plural  mesmo  quando  o  trabalho  é  realizado  e 

assinado  individualmente:  “Nós  consideramos  esse  caso ou  “Obtivemos  tal  amostragem ”. Essa “coletivização” da monografia é um enigma lingüístico

” 

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O repertório de vocábulos tem de se afastar dos extremos; nem escasso (denotando  desleixo  e  deficiência  de  leitura),  nem  floreado  (para  o  monografista  não  passar  por  herdeiro temporão dos parnasianos). O parâmetro é a exatidão técnica e a clareza na  exposição.  Num  texto  acadêmico-científico  eficiente,  nada  falta,  nada  sobra  –  cada  expressão  tem  uma  função  definida  no  conjunto  textual.  Por  essa  razão,  as  ciências  dispõem  de  um  arcabouço  de  terminologias  catalogadas  e  denominadas  “termos  técnicos”. A despeito da obrigação de se respeitar o jargão técnico, e de zelar para que  o estilo não anule o conteúdo, o texto acadêmico-científico não precisa ser desprovido  de qualidades literárias. Siga abaixo alguns toques para se escrever com elegância, sem  se perder na ficção ou no mero discurso panfletário:

Modelo 3 – Como aprimorar o texto de sua monografia

. Ler, ler e ler. A leitura – e compreensão – das obras relativas ao tema desenvolvido  trazem fundamentação e coerência à argumentação do monografista. A leitura de  obras  literárias  e  jornalísticas  apura  a  gramática  e  os  recursos  de  vocabulário  e  estilo. 2. Evite  parágrafos  quilométricos.  Sabe  aqueles  longos  trechos,  sem  pausas  para  se  tomar  fôlego?  Nos  romances  de  José  Saramago  e  Raduan  Nassar,  esse  recurso  narrativo engrandece a obra. Numa monografia, é desperdício de caracteres. Afora  a  ficção  dos  gênios,  um  parágrafo  adequadamente  estruturado  é  composto  por  abertura, argumentação, síntese e fechamento. Edite o parágrafo com as passagens  essenciais e, se for o caso, “puxe” uma nota explicativa e continue lá a desenvolver  o assunto.

. Pontue as frases com correção. Use vírgulas, sim, mas não negligencie os ponto-

e-vírgulas (;) e os pontos finais (.). Mescle frases curtas e diretas com outras mais  longas e digressivas. Preste atenção à pontuação; é o texto quem vai “pedir” vírgulas  e/ ou pontos finais. Escreva um capítulo, pare, respire, leia e releia. Coloque-se na  posição do leitor. Veja se está compreensível. Muitos monografistas – e escritores  – pecam por não fazer esse exercício elementar. A escrita se transforma após uma  revisão gramatical.

4. Peça para colegas e professores lerem seus textos. Embora seja uma tarefa solitária, 

escrever é um modo de se comunicar, e é vital que conteúdo, forma e estilo estejam  acessíveis ao leitor. Consulte, se possível, um revisor ou preparador – pior do que  texto  ruim  é  texto  pontilhado  por  caneladas  gramaticais.  Revisar  não  é  escrever,  viu? 14

É sensato não entrar em rota de colisão com o orientador se ele considerar “mais científico” um festival de  “consideramos”, “pesquisamos”, “compreendemos”, “pensamos” 4 Encomendar monografias a ghost-writers é o cúmulo da indigência intelectual.

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—  Minimanual de Monografia Jurídica  — Daniel Rodrigues Aurélio — Editora Rideel

. Nada de coloquialismos, gírias e o “internês” do MSN ou do Orkut. 6. Como  diria  o  professor  Pasquale  Cipro  Neto,  o  problema  não  é  o  gerúndio,  é  o  gerundismo. TCC não é script de telemarketing, correto? Fuja do gerundismo, senão  a banca examinadora “estará enviando” sua monografia para a lata do lixo.

7. Siga o vocabulário jurídico. Por lidar com formalidades, leis e contratos sociais, a 

norma culta é a marca registrada do Direito. Já as expressões em latim são artifícios  retóricos  que  remetem  às  origens  do  Direito  moderno.  Quando  o  latinismo  for  termo técnico – exemplo: habeas corpus –, utilize-o sem medo de ser feliz. Quando  houver equivalente em português, tenha bom senso.

diga não aos adjetivos desneCessários!

O uso exagerado de adjetivos é sempre um expediente de gosto duvidoso. Nesse texto,  utilizo,  em  várias  frases,  adjetivos  corriqueiros  para  tornar  a  leitura  leve  e  conectada  ao  leitor pela via  do  humor,  do impressionismo.  Numa  produção científica  – como  o  é  a  monografia  jurídica  –,  esse  recurso  revela  preferências  intelectuais  ou,  pesadelos  dos pesadelos, ideológicas. Bajular e tecer loas aos autores ou ao objeto da pesquisa é  supérfluo. Por sua vez, refutar com violência demonstra má vontade em dialogar com os  contrários. Ora, a maneira como são conduzidos os capítulos já assinala as afinidades  eletivas do pesquisador. Nesse sentido, elogiar ou desqualificar é daquelas redundâncias  inúteis por definição. Quer saber? Coisa neutra nesse mundo é sabão. No entanto, não  derrape na pista ensaboada da idolatria e do estereótipo. O gosto de quem escreve está  contido nas escolhas dos recortes, autores, teses, discursos. Como amortecedor dessas  paixões, a moderação faz o argumento nuclear superar as opiniões laterais. Até porque  o adjetivo vira pleonasmo quando o TCC consegue expor com segurança a riqueza ou  as inconsistências de um pré-conceito, paradigma ou teoria. Adjetivar é emitir juízo de  valor. Isso não chega a configurar um erro técnico gravíssimo, apesar da chance de ser  mal-interpretado pelos argüidores e de se complicar na defesa crescer muito. Não custa  ser delicado com o oposto e menos festivo com as suas opções teórico-metodológicas.  Ninguém perde a contundência por agir assim. Embora brote do desejo, o conhecimento  em  nível  acadêmico  é  cerimonioso  e  caminha  em  direção  à  racionalidade.  Sem  falar  no quanto refina o estilo. Um texto enxuto é colírio para os olhos cansados de guerra  do seu orientador. Qualificar, porém, não é um crime contra o empirismo. No capítulo  dedicado às conclusões, por exemplo, é quase incontornável. Nesse caso, procure optar  por adjetivos contidos e práticos, amparados pelas evidências encontradas.

Modelo 4 – Exemplos de adjetivos

recomendados:

Correto, incorreto, consistente, inconsistente, coerente, improdutivo, contraditório. não recomendados:

Brilhante, genial, espetacular, fascinante, desastrosa, péssima, absurda, risível.

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—  Minimanual de Monografia Jurídica  — Daniel Rodrigues Aurélio — Editora Rideel

Abundância de adjetivos, gerundismos, vícios de linguagem, coloquialismo, revisão  apressada, parágrafos intermináveis. As Normas da ABNT não prescreve remédios para  combatê-los. Sequer os desautoriza taxativamente. A normalização científica não chega  a ser afetada por eles. Ora, então, por que seguir as dicas acima oferecidas? Primeiro,  por amor à Língua Portuguesa. Segundo, para potencializar as qualidades da pesquisa  desenvolvida. Tais  conselhos  sugerem  a  aceitação  de  certos  formalismos  acadêmicos  (objetividade e economia textual) e a negação de outros (“coletivização” não justificada,  beletrismo vazio) baseados em premissas da redação técnica. Não são verdades acabadas  e universais. Contudo, a monografia de cunho acadêmico é uma modalidade literária  com procedimentos estéticos, técnicos e formais reconhecidos, sem os quais seu trabalho  corre o risco de se descaracterizar e perder muitos décimos na nota! A bibliografia do  monografista em ciências jurídicas inclui, além das obras pertinentes ao projeto, cinco  referências para a composição de texto:

. Dicionário de Conceitos e Termos Jurídicos.

2. Dicionário de Língua Portuguesa (on-line ou em brochura).

. Manual de Redação Técnico-Científica.

4. Apostilas ou obras que contenham as Normas da ABNT.

. Guias de Consulta Gramatical (livros didáticos, encartes etc.).

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—  Minimanual de Monografia Jurídica  — Daniel Rodrigues Aurélio — Editora Rideel

Metodologia de pesquisa

Não se elabora texto científico sob os ditames das Normas da ABNT sem antes projetar o  escopo da pesquisa. Não se projeta o escopo da pesquisa sem antes definir um recorte para  o tema selecionado. No Dicionário Aurélio, “recortar” significa “cortar formando” ou “talhar  ou recortar de novo, reduzindo”. No meio acadêmico, “recortar” é realizar exatamente as  ações sugeridas pelas acepções da palavra, com o “papel” (tema) e a “tesoura” (os ajustes  de objetivo). A metodologia começa com as escolhas do tema e do recorte.

a esColha do tema

O tema do TCC é uma decisão a ser tomada com muita calma e reflexão. Devem  ser ponderados, pela ordem, aspectos como o interesse pelo assunto, a pertinência  da pesquisa, a viabilidade e os prazos. Como não há uma regra fixa ou fórmula  infalível para essa escolha (exemplo: as Normas da ABNT para as padronizações  técnicas),  a  individualidade  do  graduando  se  faz  mais  presente.  Definir  o  tema  com alguma antecedência – lá pela metade do penúltimo ano – é seguramente o  ponto chave. Deixar para última hora é um “Deus-nos-acuda”. Recomendo seguir  os passos abaixo:

A – Pensar em temas que o atraem no ramo escolhido do Direito;

C – Pesquisar na Internet e na biblioteca teses e pesquisas relacionadas;

D – Levar essas idéias à apreciação de professores e colegas;

E – Participar de seminários da pesquisa e palestras promovidas pela faculdade;

F – Organizar, resumir e redigir esse esboço e avançar para a fase do recorte.

a definição do reCorte temátiCo

Num paralelo, recortar um tema amplo é simplesmente “cortar para reduzir” o mote  temático para que ele atinja um formato adequado para ser desenvolvido com precisão.  Recortar é “cortar para formar” um objeto coerente e apto a ser estudado pelo graduando.  O  recorte  deixa  tudo  na  medida!  É  evidente  que  quando  se  enamora  do  assunto,  o  pesquisador tende a querer examiná-lo em minúcias e, ingenuamente, “abraçar o mundo”.  Ninguém vai cercear um pesquisador apaixonado, mas escrever muito e pensar pouco é  seu destino provável. E sabe por quê? Porque o recorte demarca as prioridades para que  o pesquisador empreenda um trabalho tão bacana e “redondo” que, sem ele perceber,  acaba pensando muito em poucas palavras. O recorte é feito menos por iniciativa do  aluno  do  que  proposto  pelo  orientador  ou  professor  de  metodologia.  Contudo,  não  é  complicado, não. Observe:

Modelo 5 – A definição do recorte

Exemplo:

Tema desejado –  Trabalhar  a  questão  do  Direito  do  Consumidor  no  Comércio  Exterior.

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—  Minimanual de Monografia Jurídica  — Daniel Rodrigues Aurélio — Editora Rideel

Áreas de Concentração – Direito  Internacional,  Código  de  Defesa  do  Consumidor,  Relações Internacionais, Economia e Comércio Exterior. Este tema não está recortado porque É muito, muito vasto. Vários e vários tomos  de um tratado talvez dêem conta de sua complexidade. A monografia ficaria assim, por  baixo,  com  umas  oitocentas  páginas!  Para  ajudar  a  estabelecer  o  recorte,  o  professor  fustiga o aluno com diversas perguntas dirigidas: “Que tipo de lei você quer examinar?”,  “Você pretende focar a área tributária, política, diplomática?”, “Que tipo de comércio  você tem em mente?”, “É sobre o MERCOSUL ou entre países emergentes?”, “Não acha  melhor pegar a relação comercial entre dois países e analisá-las à luz do Direito?”. Depois  de matutar, matutar, o aluno e o orientador acertam no alvo Recorte Sugerido – a concorrência dos produtos chineses e seu impacto nos direitos  do consumidor no Brasil.

Pronto! Como  não  somos  imunes  às  emoções,  ficamos  em  princípio  decepcionados  por  supostamente  “reduzir”  a  nossa  “obra-prima”.  Acontece  que  o  recorte  (perdoe-me  o  péssimo trocadilho) não “cortará o seu barato”. Nas notas explicativas, abrem-se espaços  preciosos  para  se  demonstrar  conhecimentos  mais  genéricos.  Reduzir  o  objeto  não  é  reduzir a sua qualidade. É torná-lo exeqüível.

***

A definição do recorte é o momento oportuno para começar a pensar na metodologia a 

ser adotada. As ciências humanas e sociais (divisão em que se inscreve a ciência jurídica) 

são contempladas com uma lista de metodologias de investigação científica, divididas 

em dois segmentos: o método qualitativo (abreviado para quali) e o método quantitativo 

(o quanti). Como não são fronteiras rígidas e conflitantes, ambos os métodos combinam-

se  e  interconectam-se  ao  longo  da  pesquisa.  No  método quanti,  são  incluídos  todos  os procedimentos de quantificação de dados para deles se extrair informações seguras,  tendências,  bases  explicativas.  Com  suas  pesquisas  de  campo,  coleta  e  tabulação  de  dados, a estatística é quanti por excelência. Para o Direito, o método quanti é útil, por 

exemplo, para classificar e quantificar os julgamentos na área criminal que terminaram 

com  absolvição  ou  punição  em  estratos  sociais  distintos.  Esse  cruzamento  de  dados  servirá de evidência para inferências que reforcem, desqualifiquem ou tornem relativo 

 Já o método quali é uma 

o ditado de que “a justiça é só para os ricos”. E por aí vai

nomenclatura elástica que abarca desde o ensaio filosófico sobre um jurista ou escola  teórica às reconstituições documentadas sobre a evolução histórica do Direito. As duas  principais formas de se trabalhar qualitativamente um objeto são a “Observação direta”  e a “Observação indireta”:

Observação direta: observação participante, etnografia, descrição de espaços, coleta  de depoimentos, entrevistas etc.

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—  Minimanual de Monografia Jurídica  — Daniel Rodrigues Aurélio — Editora Rideel

Observação indireta: baseia-se em documentações obtidas em acervos e bibliotecas,  dados  coletados  em  outras  fontes,  leituras  de  livros  e  jornais,  anotações  sobre  documentários etc.

Dificilmente realiza-se uma tese sem elementos quanti e quali. Uma coleta de dados  sem reflexão é tão duvidosa e intelectualmente frágil quanto uma reflexão sem amparo  estatístico.  Contudo  –  e  como  sempre  –,  é  a  ambição  da  pesquisa  que  mostrará  qual  deles será a mola-mestra.

as fontes de pesquisa

Para as monografias jurídicas, as fontes primárias de pesquisa estão fundamentalmente  contidas  na  tríade  legislação  (o  corpo  de  leis  do  estatuto  jurídico),  a  doutrina (as  raízes teórico-filosóficas da legislação) e a jurisprudência (a aplicação da lei em casos  concretos). Todo o resto gira em torno delas. Pelo ângulo da legislação, o acadêmico de  Direito examina situações não prescritas nos códigos e verifica se há conflito entre leis.  A doutrina demanda um trabalho de maior vulto filosófico, enquanto a jurisprudência é  o ponto de contato entre os códigos e a realidade social. Nela, as disciplinas de História,  Antropologia,  Política  e  Sociologia  se  aproximam  ainda  mais  do  Direito. 15 A  análise  das  jurisprudências  requer  cautela  do  monografista,  que  deve  se  limitar  às  decisões  majoritárias  e  não  tomar  como  verdade  uma  sentença  isolada.  Ou,  para  caprichar  na 

criatividade,  desvendar  por  que  tal  sentença  foi  exclusiva,  se  sua  concepção  retroage  ou avança na questão, se revê as bases de um velho artigo jurídico ou se apenas partiu 

das  idiossincrasias  e  excentricidades  de  um  juiz  de  comarca.  Então Mãos  à  obra,  graduando! Dentro de uma monografia, seja ela de graduação ou pós-graduação, essas  três fontes circulam ativamente, pois por meio do “olhar” acadêmico-científico do Direito  é um tanto improvável construir uma hipótese ou um objeto de pesquisa sem ao menos  mencionar sua concepção, estatuto e aplicabilidade.

a importânCia do fiChamento

As fontes de consulta primárias (legislação, doutrina e jurisprudência) e complementares  (documentações e obras de apoio) fornecem ao monografista um bombardeio de dados,  indícios e citações. E o principal recurso para selecioná-los e organizá-los é o fichamento. 16   O  fichamento  é  um  arquivo  de  computador  (Word,  Excel,  PowerPoint)  ou  uma  ficha  manual com as informações valiosas contidas num livro, artigo ou documento.

Na época áurea dos bacharéis – fins de Império, princípio da República –, eram os filhos da elite cafeeira e 

política que, enviados às faculdades de Direito de Coimbra, Lisboa, Recife e São Paulo, voltavam com pen-

dores progressistas e a ambição de escrever obras literárias, políticas e proto-sociológicas que explicassem a  sociedade brasileira. Já no século XX, obras seminais de juristas como Victor Nunes Leal (Coronelismo, En- xada e Voto) e Raymundo Faoro (Os donos do poder) fazem parte da bibliografia fundamental de sociólogos,  historiadores e cientistas políticos. 6 O fichamento é indispensável, também, por razões burocráticas e operacionais: empréstimos de livros expi- ram e é ilegal apropriar-se de documentações de arquivos públicos e privados. 

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Modelo 6 – Como elaborar um fichamento

•  Referência bibliográfica completa da obra e a data de consulta. •  Argumentação concisa de cada capítulo ou do núcleo argumentativo, com foco no  objetivo do seu trabalho. •  Excertos que merecem citação literal. •  No caso de documentos, lançam-se na ficha os dados aproveitáveis, direcionados  por comentários feitos pelo pesquisador.

Em suma, o fichamento ajuda o pesquisador a transformar um amontoado de dados  dispersos  em  informação  objetiva  e  estruturada.  Outro  fator  preponderante  para  o  sucesso  de  uma  pesquisa  é  a  elaboração  antecipada  do  índice  (ou  sumário).  Mesmo  sem ter sequer preparado um rascunho da redação, o índice é primordial. Logicamente,  durante  a  composição  da  monografia  o  índice  será  modificado,  refeito,  reorganizado,  mas  estabelecê-lo  como  pedra  angular  é  uma  das  maneiras  de  conjugar  coerência  e  agilidade. Depois de conhecer os meandros do texto acadêmico, de construir o objeto e  traçar a metodologia, as Normas da ABNT já não parecem aquele monstro pintado nos  corredores da faculdade e nas comunidades da Internet, não é?

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a norma da abnt para a produção de monografias

No  tocante  à  monografia  de  graduação  (TCC),  separa-se  a  padronização  da ABNT 

em três partes: ) a estrutura e a organização dos capítulos; 2) a formatação de textos, 

gráficos  e  tabelas;  e  )  as  citações  e  referências  bibliográficas.  Embora  as  Normas  da  ABNT possua uma extensa série de exigências e pormenores, imaginá-la a partir dessas  categorias auxilia na tarefa de organizar o entendimento de suas regras. Regras essas, aliás,  que não são formuladas casualmente e atendem a critérios e motivações previamente  estipulados. Passemos agora a uma explicação tópico por tópico.

estrutura e organização dos Capítulos

A estrutura de apresentação e redação do TCC é composta por três elementos: os pré-

textuais, textuais e pós-textuais. 7  Denominam-se pré-textuais todas as formalidades que  antecedem a monografia. São elas a capa, a página de rosto, a folha de aprovação, o resumo  e  o  sumário  (obrigatórios)  e  os  agradecimentos,  a  dedicatória  e  a  epígrafe  (opcionais).  Também  são  consideradas  pré-textuais  as  listas  de  siglas,  de  tabelas  e/  ou  de  gráficos,  necessárias quando forem em número elevado. A capa poderá conter ilustrações e fotos  – creditadas –, desde que cinco itens sejam respeitados: o nome da instituição no alto,  o nome do(s) aluno(s) com o sobrenome em caixa alta (exemplo: AURELIO) abaixo do  título do trabalho, do ano e da cidade da faculdade. A folha de rosto, porém, não contém  elementos pictóricos e traz a mesma disposição da capa, somada ao nome do orientador  (e sua titulação) e uma nota acadêmica alinhada à direita, abaixo do título do TCC.

Modelo 7 – Nota Acadêmica

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado à [nome do  departamento  e  da  instituição]  como  exigência  parcial  para  a  obtenção do título de bacharel em Direito [ou Ciências Jurídicas].

A  folha  de  aprovação  possui  o  nome  do(s)  aluno(s)  e  do  trabalho  e  um  espaço  indicado para assinatura dos membros da banca. Já o resumo deverá conter, em um ou  dois parágrafos, informações breves sobre o objetivo de seu trabalho. Também constam  no resumo as “palavras-chave”, que são três ou quatro palavras para serem utilizadas em  cadastros ou fichas catalográficas. Caso uma monografia verse sobre o Direito Eleitoral  na  Primeira  República,  exemplos  de  possíveis  palavras-chave  são  “Direito  Eleitoral”,  “Brasil” e “Primeira República”. Nota-se que os dois campos, Resumo e Palavras-chave,  são indexadores para buscas à monografia. 18  O sumário encerra os quesitos pré-textuais 

7 Os elementos textuais são os capítulos da monografia e os pós-textuais são os anexos (tabelas adicionais,  fotos, questionários etc.) que fornecerão um panorama completo acerca da pesquisa.  8 Os resumos e as palavras-chave de dissertações de mestrado e teses de doutorado, pós-doutorado e livre-do- cência são bilíngües, preferencialmente em inglês (abstract e key words). Numa monografia de graduação,  esse expediente é facultativo.

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e tem de ser minuciosamente revisado. É o último item do TCC a ser redigido, pois é nele  que serão incluídos os nomes dos capítulos, com suas páginas correspondentes. Cada  capítulo costuma ter um, dois ou três subcapítulos. Eles são referenciados da seguinte 

maneira: capítulo , subcapítulo ., .2, capítulo 2 e subcapítulo 2., 2.2 e assim por 

diante. Isso facilitará bastante a própria organização das idéias e do material coligido. Os  pré-textuais ficarão nessa ordem: capa, página de rosto, folha de aprovação, dedicatória,  agradecimentos,  epígrafe,  resumo  com  palavras-chave  e  sumário.  Acompanhe  os  modelos:

Modelo 8 – Elementos pré-textuais (páginas iniciais)

 – Capa

2 – Página de rosto

 – Folha de aprovação

4 – Dedicatória

 – Agradecimento

6 – Epígrafe

7 – Resumo com palavras-chave

8 – Sumário

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1. Capa

[ l o go t ip o d a fa c u ld ad e (o p c io na l ) ]

N om e da ins tit ui çã o ( e x e mp l o : Pon ti f í c i a Un i v e rs i da d e Cat ó l ic a PUC)

D e pa r ta m e nt o ( e x e mp l o : F a cu l d ad e de Di re i t o d a PUC- SP)

T Í T UL O DO T CC

Su bt ít ul o d o TC C

N om e d o A l un o

Ci d a d e An o 18
Ci d
a d e
An o
18

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2. Página de Rosto

[ l o go t ip o d a fa c u ld ad e (o p c io na l ) ]

N om e da F ac uld a de/ C e ntr o U ni ver si tár io / U niv er si da de N om e d o D e par t am e nt o

No m e d o Alu n o

TÍ TU L O D O T C C

S ubtít ul o do TC C

T r a b a lho d e Co n clu o d e Cu r so ( T CC) a p r e se n ta d o à [ Nom e da F a cu ld a de ] com o e xig ê n cia p ar cia l p a ra a o b te n çã o d o t í t u lo d e b a ch a r e l e m Dir e ito [ o u Ciê n cia s Ju r íd ica s] .

O ri e n t a do r ( a ): No me e t it u la çã o d o O r ie n t ado r ( a)

Cid a d e An o 9
Cid a
d
e
An o
9

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3 – Folha de Aprovação

F O L HA DE APRO VAÇÃO

N om e d o A l u no

Tít u lo do TC C

S ubtít ul o do TC C

CO NCEI T O :

Ba n c a Ex a mi n ad o ra

Pro f . ( a ) As s i n a tu ra

Pro f . ( a )

As s i n a tu ra

Da t a d e Ap ro v a çã o

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0
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4. Dedicatória

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[Dedicatória]

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5 – Agradecimentos

AG RADECI M ENT O S

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6 – Epígrafe

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[Epígrafe]

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7 – Resumo com palavras-chave

RESUM O

Est e t r a b a lho d e co n c lu o d e cu r so te m como o b je t ivo e st a b e le ce r , a p ar t ir d a p e r sp e ct iva d o d ir e it o e le it o ra l b r a sile ir o , u m a d iscu ssã o so br e a q u e st ã o d a f id e lid a d e p ar t id á r ia n o â m b ito d a s r e la çõ e s p a r la m en t a r e s. A a n á lise e n f a t izar á a ju r isp r u dê n cia e m ca so s de d e slig a me n t o p o r in co m p at ib ilid a d e id e o ló g ica e p r o g r am á t ica e a f u nd a m en t a çã o ju r í d ica a d o ta d a .

Pa l a v ra s - Ch a v e

I . Dir e it o Ele it o r a l I I . F ide lid a d e Par t id á r ia I I I . Po d e r L e g isla t ivo.

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7 – Sumário (ou Índice)

SUM ÁRI O

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I N T RO

D U ÇÃ O

 

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1. 1 Br ev e His t ór ia d os Pa rt id os Polí t ic os

 

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2 A FI DE LI D A D E P A R TI D Á RI A

 

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2. 1 L egis l açã o e Do ut rin a

 

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2. 2 A

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3. C O NSI D E RA ÇÕ ES FI NAI S

 

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R E FE R Ê N CI A S BI BLI O G R Á FI CA S

 

42

A

NE XO S

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E antes de migrarmos para o item subseqüente, um lembrete que é uma oportuna dica 

de etiqueta: apesar de facultativo, é de boa educação agradecer ao orientador do TCC 

e, se houver alguma bolsa de iniciação científica envolvida, à agência de fomento que 

o financiou. Porém, convenhamos, quem é que vai perder o ensejo de dedicar o esforço 

àqueles que estiveram presentes nos momentos de provação, como familiares, amigos e 

professores?

formatação de textos, gráfiCos e tabelas

Como diria um ex-árbitro de futebol, aqui a regra é clara! As duas únicas fontes aceitas 

para o texto são a Arial e a Times New Roman. O tamanho da fonte é 2, com o alinhamento 

“justificado” ou “à esquerda” e o espaçamento entre linhas, de ,. Na verdade, meia  dúzia de comandos do editor de texto liquidam esse serviço “pesado”. Basta só seguir  à risca o manual da ABNT e deixar que o Word execute o resto. Concentremo-nos no  conteúdo!Compõem, ainda, a formatação de texto as notas explicativas, a numeração  das  páginas  e  a  indicação  de  gráficos  e  tabelas. As  notas  explicativas  são  numeradas  de modo contínuo e servem para dar substância e complemento a uma argumentação  ou  fornecer  indicações  bibliográficas.  Existem  duas  opções  para  a  edição  das  notas,  colocá-las na página referida (nota de rodapé) ou ao término do capítulo. Em relação  à  numeração  das  páginas,  uma  dúvida  é  bastante  recorrente.  Quando  começamos  a  numerar? Bem, a contagem é iniciada a partir da capa, porém a numeração, disposta  no  canto  superior  direito  da  página,  é  inserida  na  abertura  do  elemento  textual.  Um  recurso do Word que está no Inserir/Número de páginas vai resolver o “dilema”. Quanto  à indicação de gráficos e tabelas, é só adotar a ordem: a primeira tabela de um capítulo é  t., a segunda é t.. etc. Recomenda-se a elaboração de uma lista de gráficos e tabelas  quando estes ultrapassarem dez intervenções.

Citações e referênCias bibliográfiCas

A  questão  das  citações  e  referências  é,  de  longe,  a  geradora  das  maiores  confusões  e  polêmicas.  O  cuidado  na  sua  elaboração  tem  de  ser  redobrado.  Mencionar  fontes  corretamente  vai  além  da  padronização  acadêmica;  citar  um  autor  ou  obra  ocultando  a  origem  é  crime  contra  a  propriedade  intelectual.  Ou  um  atestado  nada  abonador  de  negligência.  É  tolerável  que  nos  escape  algum  dado  bibliográfico,  já  que  muitas  obras  estão fora de catálogo e sobrevivem por meio de fotocópias precárias. Contudo, o nome  do autor, do livro, o ano de publicação e a página consultada são itens fundamentais. São  duas as formas de citação. A citação direta ou literal e a indireta ou conceitual. A primeira  é a reprodução, palavra por palavra, de trecho de livro, artigo, ensaio etc. A segunda é uma  digressão conceitual ou na linha de raciocínio de outro autor. Acompanhe os modelos:

Modelo 9 – Formas de Citação

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Citação literal de até três linhas: feita  no  corpo  do  texto,  com  abertura  de  aspas  e  menção à fonte realizada conforme demonstram os modelos abaixo:

Segundo   Sérgio   P.   Rouanet   (2006,   p.   70),   “o   universalismo   ético   se   baseia ” Ou

“O universalismo ético se baseia ” (ROUANET, 2006, p. 70).

9

Citação literal com mais de três linhas: virá após o parágrafo, com recuo de 4 cm da 

margem esquerda e fonte  ou 0. Dispensa as aspas.

Antes de chegar ao silêncio atual, por razões que tentamos esboçar,  a figura tradicional do intelectual passou por algumas metamorfoses 

a partir da década de 970. A experiência da França, berço do Maio 

de 68, é exemplar: primeiro, foi a denegação da própria origem ao 

assumir a figura militante do povo ( ) (NOVAES, 2006, p. 7).

E, para contextualizar, um fragmento de filosofia do Direito:

( ) Vangloria-se Duguit de não ter precisado recorrer a nenhum  conceito metafísico para chegar à conclusão de que os homens,  sendo  insuficientes  para  as  suas  atividades,  são  obrigados  a  ordená-las  de  maneira  solidária.  Para  chegar  a  esta  conclusão  bastam  os  consagrados  processos  de  indagação  científica,  de  base experimental. É aplicando, portanto, o método experimental  das ciências físico-naturais que o jurista pode e deve descobrir o  fundamento da organização social, reconhecendo “que a norma  jurídica como toda norma social é o produto do fato social” (REALE, 

969, p. 90-9)

Citação indireta ou conceitual: exposição ou adaptação de teoria, conceito ou idéia  de  autor  ou  obra,  que  deve  vir  junto  de  uma  referência  nominal  explícita  ao  autor  e,  entre parênteses, do ano de publicação do livro aludido.

A mundialização da cultura, conceito trabalhado por Renato Ortiz 

(994), é muito relevante para se pensar aspectos da indústria de 

bens culturais.

Ou

9 Alguns pesquisadores preferem substituir (AUTOR, XXXX, p. [n o  da página]) por (Autor, XXXX: [n o  da pági- na]), sem prejuízo na confiabilidade dos dados relacionados à fonte.

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Abordar  a  questão  da  mundialização  da  cultura  (ORTIZ,  994)  é  muito  relevante  para  se  pensar  aspectos  da  indústria  de  bens  culturais.

*** O  campo  “Referências  Bibliográficas”  encontra-se  listado  no  encerramento  da  monografia, contendo livros, revistas, jornais, teses e sites da Internet. Confira:

Modelo 10 – Referências Bibliográficas

Livros:

MICELI, Sérgio. A expansão do mercado do livro e a gênese de um grupo de romancistas  profissionais. Intelectuais à brasileira. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 200.

Ou

KELSEN, Hans. Teoria pura do direito. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006. Sendo  a  abreviação  do  primeiro  nome  igualmente  válida  (exemplo:  KELSEN,  H.).  Para  reforçar:  o  título  do  livro  é  citado  em  itálico e  o  capítulo  em  fonte  normal  (ou  regular).

Periódicos:

EL  FAR, Alessandra. Viagem  na  leitura.  Revista Cult, São  Paulo,  n.  79,  ano VI,  abr. 

2004, p. 60-6.

Internet:

BERTOL,  Sonia  Schena.  Novidades da ciência na Science e Ciência Hoje, 2004.  Disponível  em  <www.comunicacaoesaude.com.br/revartigosoniabertol.htm>.  Acesso 

em: 6 ago. 200.

Ou

RONCAGLIA, Daniel. Fiel representante: leia o voto de Carlos Britto sobre fidelidade  partidária.  Disponível  em  <http://conjur.estadao.com.br/static/text/6007,>.  Acesso 

em: 8 out. 2007.

Com relação à Internet, copia-se o endereço exato do artigo, da tese, do e-book ou da  informação colhida – ou seja, o link – facilitando a acessibilidade para conferências por  parte do orientador, dos argüidores e leitores da monografia.  

edição e impressão da Cópia final

De abstração à matéria palpável. Redigida a monografia, é chegada a hora do processo 

de edição final e impressão do TCC. Essa ação aparentemente banal requer cuidado – e, 

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para  variar,  um  punhado  de  reais  a  serem  deixados  na  papelaria  da  vila.  As  dúvidas  persistem:  Quantas  cópias  imprimir?  Qual  é  o  tipo  de  papel  ideal?  Como  formatá-lo?  Bem, antes de clicar em “Print” (ou “Imprimir”), convém reler o preview da derradeira  versão. Dessa forma, dá tempo de localizar e corrigir erros ortográficos e gramaticais e  checar se os nomes dos capítulos e suas respectivas indicações de página no sumário  (ou índice) estão de acordo com a ordenação interna. É bom imprimir uma cópia-teste  para aqueles últimos ajustes em papel, evitando assim o “olhar viciado” pelas sucessivas  leituras feitas na tela do computador. Tudo ok? Ótimo, ótimo. Toquemos rumo ao formato 

da monografia. O tipo mais comum de papel utilizado é o clássico sulfite branco, A4. 

Admite-se uma outra gramatura ou cor apenas para a capa. Muitos monografistas optam  pelo papel reciclado, cujo tom pastel confere um estilo bonito e politicamente correto.  Já a encadernação  Tanto faz se é espiral ou brochura. Só faça a fineza de não aparecer  com  cópias  unificadas  por  clipes  ou  grampeadas.Dentre  os  dois,  o  formato  espiral  é  disparado o mais convencional, barato e fácil de ser manuseado. A brochura com capa 

dura (o miolo é em A4) remete ao fascínio exercido pelo objeto-livro, com o acréscimo 

do  nome  da  monografia  e  do  autor  na  lombada.  No  entanto,  é  dispensável  elevar  o  custo com esses fricotes. A quantidade de cópias deverá ser suficiente para contemplar  o orientador, o(s) argüidor(es) e a biblioteca da instituição. Algumas faculdades solicitam  uma versão eletrônica (em disquete ou CD-ROM) para backup e/ ou arquivo. Em geral,  os exemplares do TCC são entregues à Secretaria. Lá, o aluno assinará um comprovante  de entrega dos volumes, no qual são preenchidos a data, o título da monografia, a forma  de avaliação e o nome dos docentes que receberão as cópias. Guarde o protocolo, hein!  Não entregue nada pela via informal, sob pena de não existir prova de entrada em caso  de perda ou extravio. Daí, é só aguardar o dia do Juízo, ops, da nota final!

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—  Minimanual de Monografia Jurídica  — Daniel Rodrigues Aurélio — Editora Rideel

A defesa pública da monografia

Quando escrevi, lá no começinho deste texto, sobre o rito de passagem universitário, 

não estava de gozação. Há até uma cerimônia crucial que antecede à apolínea colação 

de grau e a dionisíaca festa de formatura: é a defesa pública do Trabalho de Conclusão 

de Curso. Ansiedade, noite insone, tensão! Agora vai! A banca de avaliação que analisará 

sua monografia cumpre um ritual que remete às sessões de tribunal. Em boa parte das 

instituições, existe a opção de não realizar a defesa pública, recebendo o parecer por 

escrito. Nesse módulo, muda-se a nomeação de argüidor para parecerista. E a média final 

será extraída das notas – de pesos equivalentes – atribuídas por ele e pelo orientador.

Mas, vou explicar porque é preferível a banca pública.A defesa pública é uma excelente 

oportunidade de estar em contato, receber orientações e debater com juristas, intelectuais 

e professores de Direito experientes. E, para quem pretende fazer mestrado e doutorado  –  ou  seguir  a  carreira  de  docente  –,  a  banca  de  graduação  servirá  como  treinamento  intensivo para aprimorar a exposição oral e a reação a sessões abertas. Que, a propósito, 

são  características  imprescindíveis  para  advogados,  promotores,  juízes alternativa 

por  não  defender  o  TCC  em  público  tem  basicamente  duas  motivações.  Excesso  de  timidez ou falta de confiança em si e no resultado da monografia. Em ambos, não há o  que temer. Conquanto a crítica dos professores seja incisiva, ela não extrapolará jamais  os  limites  do  decoro.  E  todos  ali  sabem  que  a  produção  de  um  graduando  é  fruto  de  uma iniciação acadêmico-científica, e não de uma tese de pós-doutorado orientada por  Jürgen Habermas. Para convencer de vez os indecisos: até a data da defesa, presume-se  que o trabalho foi discutido à exaustão com o orientador, que certamente tomará a sua  defesa quando um “ataque” for injustificado ou inconsistente. A reputação do orientador  entra  nessa  balança.  E  ele  só  permitirá  a  apresentação  de  monografias  que  estejam  qualificadas.  A  defesa  é  pública  (com  a  audiência  de  familiares,  colegas,  professores  e funcionários da instituição) para garantir que prevaleçam a justiça e o bom-senso. A  sessão  pública  de  defesa  é  marcada  com  data,  hora  e  local  definidos  pela  instituição  de acordo com a agenda dos agendes envolvidos. No modelo a seguir é esboçado um 

 A 

“passo a passo” da sessão.

Modelo 11 – O “ritual” de defesa pública

Ato 1 – A sessão é iniciada pelo orientador, presidente da banca, que saúda os presentes  e  apresenta  os  argüidores,  o  graduando  (e  o  tema  de  seu TCC)  e  traça  suas  primeiras  considerações antes de passar a palavra para o graduando. Ato 2 – O graduando dispõe de quinze a trinta minutos (como tolerância) para expor  o conteúdo, a metodologia e os resultados do TCC. Ato 3 – O argüidor assume e começa a sua análise crítica. O tempo de exposição varia  de acordo com o número de argüidores. Com papel e caneta (ou palm-top, blackberry )  na mão, o graduando anota os questionamentos e considerações. Ato 4 – Réplica do graduando, respondendo às interpelações, seguida de tréplica do  argüidor e, dependendo da intensidade do debate, da resposta do orientador. Apesar de  serem cronometradas, há alguma flexibilidade de tempo para essas intervenções.

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Ato 5 – Encerrados os debates, a banca se retira ou, como de hábito, solicita que o  graduando e a platéia deixem o ambiente, para as deliberações sobre a nota. Ato 6 – Com  a  nota  decidida,  o  orientador  conclama  ao  público  e  ao  graduando  que retornem à sala. Nesse instante, a adrenalina estará a mil. Ele pedirá a todos que se  levantem e, em seguida, anuncia se o aluno foi aprovado ou não, sua nota e, em casos  excepcionais, se haverá menção honrosa. Ato 7 – Orientador, argüidor(es) e o novo graduado em Direito assinam a ata oficial da  sessão, constando a data e a nota atribuída! Ato 8 – Festa! Festa! Ato 9 – Currículo, entrevista, trabalho, trabalho, trabalho!

três diCas para finalizar

•  Para quem está iniciando a vida acadêmica – o “calouro” – segue um conselho 

rápido: para acostumar-se aos segredos das Normas da ABNT, o ideal é treiná-

las  desde  o  primeiro  ano,  já  nos  trabalhos  das  disciplinas.  Não  importa  que  tenham  uma  ou  dez  páginas.  Entregá-los  dentro  dos  parâmetros  habilitará  o  futuro veterano para o grand finale: a monografia. •  Estude sobre os modelos de texto acadêmico. Aperfeiçoe as suas habilidades para  redigir ensaios, artigos e resenhas críticas. Assim como em todas as atividades,  profissionais ou não, na elaboração literária nada substitui a força de vontade e  o esmero. •  Ter  senso  de  história  e  continuidade  é  importantíssimo.  Ao  elaborar  um TCC  honesto,  obedecendo  as  Normas  da  ABNT,  o  monografista  perpetuará  sua  contribuição  científica  e  proporcionará  uma  posterior  e  eficaz  consulta  de  outros  pesquisadores.  E  quem  sabe  ter  a  honra  de  constar  nas  “Referências  Bibliográficas” de próximas monografias!

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Bibliografia recomendada

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 4724: informação e 

documentação – Trabalhos acadêmicos – Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 200. BRICMONT,  Jean;  SOKAL,  Alan  D.  Imposturas intelectuais: o  abuso  da  ciência  pelos 

filósofos pós-modernos. . ed. Rio de Janeiro: Record, 2006.

ECO, Umberto. Como se faz uma tese. 8. ed. São Paulo: Perspectiva, 200. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2002.  Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 999. LEITE, Eduardo de Oliveira. Monografia jurídica. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006. LOBÃO,  Antonio  Carlos  A.  É possível ser feliz fazendo uma monografia.  São  Paulo: 

Hucitec, 2004.

MAGALHÃES,  Gildo.  Metodologia da pesquisa científica: caminhos  da  ciência  e 

tecnologia. São Paulo: Ática, 200.

NUNES, Luiz Antonio Rizzato. Manual de monografia jurídica. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 

999.

SEVERINO,  Antonio  Joaquim.  Metodologia do trabalho científico. 22.  ed.  São  Paulo: 

Cortez, 2002.

SOLOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia. 9. ed. São Paulo: Martins Fontes, 

999.

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—  Minimanual de Monografia Jurídica  — Daniel Rodrigues Aurélio — Editora Rideel

tabela de expressões em latim

expressão

significado

aplicação

Ex.: (VALERY apud NOVAES, 

2006)

apud

Segundo; citado por.

Op. cit.

Opus citum; citação anterior.

Para referência a obras ou autores 

citados na mesma página ou 

capítulo.

Et al.

Mais de três autores de um texto, 

pesquisa ou obra. 

Ex.: CHAUI, Marilena et al.

Ou seja,

CHAUI, Marilena e outros.

Cf.

Conferência de fonte.

Cf. Época, n. 48, jul. 2007.

Idem ou Id.

Do mesmo autor.

Id., 992 p. 2.

Ibidem ou 

Ibid.

Do mesmo autor e na mesma 

obra.

Ibid., 992, p. 44

Ad hoc.

Produzido, eleito ou escolhido 

para uma determinada situação.

João José foi escolhido como  Reitor ad hoc.

Ab ovo

“Desde o ovo”; desde o início.

Esta situação é presenciada ab

ovo.

Grosso modo

Modo grosseiro; no sentido de 

aproximação e/ ou simplificação 

de uma análise, teoria ou prática 

cuja explicação seria mais 

refinada e complexa.

Grosso modo, o direito de votar  e ser votado é a essência da  democracia.

De juri /  

De facto

De Juri significa “pela lei”; de facto, “na prática”.

A corrupção é, de juri, uma  ilegalidade; de facto, ela está  presente em todos os níveis da  administração pública

Ipsis literis

Com as mesmas letras; 

literalmente.

Clodoaldo transcreveu, ipsis literis, um excerto de um livro do  Bobbio, sem citar a fonte. Que  plágio rasteiro!

Sine qua non

“Sem o qual não pode ser”; 

condição essencial.

O direito à ampla defesa é  condição sine qua non para o  adequado julgamento do réu.

Mutatis

mutandis

“Mudando o que tem de ser 

mudado”. No Direito, é usado 

para designar uma sentença com 

novos termos ou que substitui sem 

anular outras jurisprudências.

E assim, mutatis mutandis, é  necessário

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expressão

significado

aplicação

Infinitamente; algo que se 

perpetua.

Ad infinitum

E a tragédia se repete ad infinitum.

Ad nauseam

Repetidamente.

Aquele disco foi tocado ad

nauseam.

Vacatio legis

Período entre a data da 

publicação e a entrada em vigor 

de uma lei.

Pelas leis brasileiras, a vacatio legis tem prazo máximo de um  ano.

Vade mecum

Compêndio ou obra de consulta. 

Este nome é bastante usado nos 

livros-base das chamadas ciências 

jurídicas.

Uma excelente opção é o Vade Mecum, recentemente lançado  pela Editora Rideel.

Modus

operandis

“Modo de Operação”.

O modus operandis da corrupção  instalada no Congresso Nacional  consiste em

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