REVOLUÇÃO FRANCESA
RIO DE JANEIRO – RJ
Dezembro de 2016
Universidade Estácio de Sá
Centro Universitário Madureira - RJ
Rio de Janeiro
Dezembro de 2016
MARCIO BREIA SANTOS
REVOLUÇÃO FRANCESA
Aprovada em / /2016.
BANCA EXAMINADORA
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Prof°
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Profº
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Profº
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ
2016
A todos aqueles que,
ABSTRACT
This study aims to analyze the causes that led to the outbreak of the French
Revolution, historical event of the most important in human history, with deep reflections and
consequences around many parts of the world and the results achieved throughout the process,
with all the twists occurred. The main characters of the movement, its actions, the background
and every stage of the revolution; along the path of the revolution, seek to reflect and consider
whether the rebels involved were able to achieve all the goals urged to begin the revolutionary
movement, and if its leaders were in a position to represent such an important movement
watershed in the history of mankind. The extremely grave instances of modern French society
oppressed and the search for social change shape, which promoted a panoramic change of that
society.
Introdução...........................................................................................................................09
Metodologia........................................................................................................................10
Revisão Bibliográfica.........................................................................................................10
1- A FRANÇA PRÉ-REVOLUCIONÁRIA.......................................................................16
1.1- Situação Socioeconômica..........................................................................16
3 - FASES DA REVOLUÇÃO...........................................................................................22
3.1 – Assembleia Nacional Constituinte.........................................................................22
3.2 – Convenção Nacional..............................................................................................23
3.3 - A divisão Ideológica dos Grupos Políticos............................................................24
3.4 – Terror Jacobinista..................................................................................................25
3.5 – A Reação Termidoriana........................................................................................26
3.6 – O Diretório............................................................................................................27
4 – 18 BRUMÁRIO...........................................................................................................28
Considerações Finais.........................................................................................................29
Referências Bibliográficas................................................................................................31
9
Introdução
Metodologia
Revisão Bibliográfica
``Os franceses fizeram, em 1789, o maior esforço que povo algum jamais se
empenhou para cortar seu destino em dois, por assim dizer, e separar por um abismo
o que tinham sido até então do que queriam ser de agora em diante. Com esta
finalidade tomaram todas as precauções para que nada do passado sobrevivesse em
sua nova condição, e impuseram-se toda espécie de coerção para moldar-se de outra
maneira que seus pais, tornando-se irreconhecíveis (TOCQUEVILLE, A. O antigo
Regime e a Revolução. 1989 - pag.41)´´.
O estudo nos mostra, todavia, que todo este singular esforço na verdade não foi
intento suficiente para transformar as instituições de maneira tal que algo novo – inédito -
surgisse em seu lugar. Assevera Tocqueville que sempre considerara que o povo houvera sido
muito menos bem sucedido neste empreendimento do que se pensava no exterior, e do que o
próprio povo o pensava no início. Toda a pesquisa em a qual Tocqueville empenhou-se –
através de vasta consulta documental pelas aldeias, cidades e províncias francesas ao longo de
cinco anos – pouco mais - nos traz a prova cabal de que a revolução francesa buscou mexer -
e revirar – a sociedade francesa ao avesso, rompendo com uma ordem social arquissecular,
com profundas raízes de divisão de classes e de soberania de elites privilegiadas, rumo ao
ideal de igualdade; apesar desse descomunal esforço empreendido, o arcabouço das velhas
instituições absolutistas permaneceu de um modo ou de outro; foi suprimida a tirania do rei
pela tirania das massas revoltosas, representadas pelas forças políticas em ascensão – e que
representavam os interesses do povo. O estudo de Tocqueville é interessante, dentro deste
ponto de vista, mostrando-nos o fenômeno das permanências que atravessam os períodos
históricos, além de nos oferecer, em síntese, o objetivo primordial da revolução;
``(...) “Como a Revolução Francesa não teve apenas por objetivo mudar um governo antigo,
mas abolir a forma antiga da sociedade, ela teve de ver-se a braços a um só tempo com todos
os poderes estabelecidos, arruinar todas as influências reconhecidas, apagar as tradições,
renovar costumes e os usos e, de alguma maneira, esvaziar o espírito humano de todas as
ideias sobre as quais se tinham fundado até então o respeito e a obediência.”(...)
(TOCQUEVILLE, A. O antigo Regime e a Revolução. 1989 – pág. 59)
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Como observado, a elite social composta pela minoria da população não sofria
dos mesmos efeitos da crise, pelo menos não de forma tão aguda como o restante do povo, e
permanecia rigidamente defensora de seus privilégios nobiliárquicos. Com o agravamento da
crise econômica, e com a citada fome grassando, eclode a rebelião popular, ao tempo que a
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1 - A FRANÇA PRÉ-REVOLUCIONÁRIA
Há alguns anos antes de ocorrer a revolução, a França ainda era basicamente uma
nação rural. Lentamente o modelo econômico de base feudal vinha sendo superado, ao tempo
em que a rica burguesia mercantil ascendia mais no cenário socioeconômico e - a partir do
século XVIII - vinha se firmando dentro da sociedade francesa devido ao seu poderio
financeiro.
A França necessitava reformulações governamentais, a fim de se fomentar maior
progresso econômico e social; nesse sentido, despontava a classe burguesa como o grupo que
poderia ser capaz de promover essa mudança, trazendo as reformas que respondessem aos
anseios do povo, por ser a ativa classe burguesa mais habilitada a encetar o crescimento
econômico do país e a reformulação da sociedade.
Considerando a perspectiva do alcance da Revolução Francesa, temos que:
1
Ver Tocqueville, Alexis de – O Antigo Regime e a Revolução – BRASILIA: Universidade de Brasília, 1997.
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safras ruins do período, causando grande elevação no preço dos alimentos, com a consequente
alta do custo de vida, que não era igualmente sentido pela aristocracia política e a nobreza –
que na corte ou em seus castelos – viviam no luxo e na opulência; havia um abismo
socioeconômico separando os ricos dos pobres, corroborado pelo fato de que:
A Revolução Francesa foi um longo processo que teve como marco uma grande seca
e fome generalizada, fatores que conduziram e se somaram a outros, fazendo a
população urbana de Paris se revoltar contra o rei, espalhando a revolta entre os
camponeses no campo e criando um ódio generalizado pela nobreza. A burguesia,
temendo engrossar a lista de desafetos da população mais humilde, acabou tomando
a frente, transformando o que era uma revolução puramente popular em burguesa.
(disponível em http://fabiopestanaramos.blogspot.com.br/2010/08/revolucao-
francesa-foi-causada-pela.html)
2
Dados estimam que fossem cerca de 20 milhões deles às vésperas da revolução; este
enorme contingente de camponeses famintos e desesperados acabaria por se tornar a força motriz que em
breve traria sérios embaraços à Monarquia, eliminando o Absolutismo da França.
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americana. A vitória contra a Inglaterra foi obtida ao custo da bancarrota final e, portanto, a
revolução americana pôde proclamar-se causa direta da Revolução Francesa. ´´
Ratificando a afirmação do citado autor, este seria um dos maiores fatores a lançar
a França na bancarrota econômica. E com o crescimento da miséria assaltos tornaram-se
comuns tanto nos campos quanto nas cidades. Com o aumento da criminalidade já não havia
segurança em lugar algum; fome e desemprego assolavam por toda parte. O povo morria à
mingua. Dada a gravidade do contexto, foi preciso decretar os Estados Gerais.
Em maio de 1789 o rei Luís XVI resolveu convocar os Estados Gerais. Na França
Absolutista a Assembleia dos Estados Gerais constituía-se de um órgão político de carácter
consultivo e deliberativo, formado por representantes das três ordens sociais existentes,
denominadas Estados. A última data de convocação havia sido desde o ano de 1614, inicio do
sec. XVII. Para Carlile, (1962, pag.109) temos a seguinte assertiva:
Dizer venham os Estados Gerais, é fácil; dizer de que maneira devem vir, não é
tão fácil. Desde o ano de 1614, não se reuniram em
França nenhuns Estados Gerais; todos os vestígios deles desapareceram dos
hábitos dos homens. A sua estrutura, poderes, métodos de trabalho, que nunca
haviam sido de qualquer forma fixados, tornaram-se agora uma vaga
possibilidade. Um barro que o oleiro pode modelar, desta forma ou daquela:
digamos antes, os vinte e cinco milhões de oleiros;
Luís XVI sagrou-se Rei no ano de 1774, pouco antes da revolução. Observe-se
que da morte de Luís XV ao inicio da revolução demandou-se apenas quinze curtos anos, o
que evidencia que o novo rei apenas assumiu o trono diante de uma situação crítica
engendrada por seus antecessores, com seu ápice no final dessa década de 1780, de cujos
desdobramentos o frágil rei Luís XVI nada pôde fazer.
A queda da Bastilha pode dizer-se que abalou toda a França até aos mais profundos
alicerces da sua existência. O rumor destas maravilhas corre por toda a parte, com a
velocidade natural do rumor, com um efeito julgado preternatural, produzido pelos
conluios conspiratórios. ´´ (CARLILE - 1962, pag. 180)
A invasão da fortaleza pela população de Paris, fez com que o 14 de julho de 1789
se tornasse a data de inicio da Revolução Francesa. No momento em que ocorre a invasão do
prédio, contava sete presos em seu interior. A questão de libertar os presos não era o mais
significativo; é que havia um objetivo mais prático ao se realizar esta tomada, no sentido de
resgatar os armamentos depositados em seu interior, cujo uso era de interesse para os
invasores.
3
Armand Jean du Plessis, Cardeal e Duque de Richelieu, (Paris, 9 de setembro de 1585 – Paris,
4 de dezembro de 1642); foi o arquiteto do absolutismo em França e da liderança francesa na Europa.
Partidário do lema ``todo poder ao rei´´, levou o absolutismo às últimas consequências.
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3 – FASES DA REVOLUÇÃO
O partido jacobino era liderado por Robespierre4, que ainda comportava uma
subdivisão em suas fileiras, o pequeno grupo dos chamados Cordeliers, que tinha entre seus
mais expoentes líderes Georges Jacques Danton, personagem importante nos primeiros
tempos de Revolução.
4
Nascia no ano de 1758 na cidade de Arras, no interior da França, Maximilien François Marie Isidore de
Robespierre - vindo de família pertencente à pequena burguesia. Mais tarde seria denominado “o
incorruptível” e se tornaria um dos principais personagens da revolução que modificou os rumos de seu país
5
Denominação dada aos membros da pequena ou média burguesia das classes populares propriamente ditas:
trabalhadores, operários e artesãos de Paris, que, durante a Revolução, transformaram-se em temerosa milícia
armada, que dava sustentação ao governo jacobino de Robespierre. O nome Sans-culottes (sem culotes) deriva
do fato de sua vestimenta típica ser os calções longos, em oposição aos culotes – calções curtos e apertados
amarrados aos joelhos, típicos da nobreza.
24
Foram os jacobinos os responsáveis diretos pela execução do Rei Luís XVI, sob a
alegação de ser este um traidor da pátria. Crescente tornava-se sua popularidade, e recebiam
apoio direto dos sans-culottes; no jogo de interesses em disputa naquele momento, tornaram-
se ameaça às pretensões dos girondinos, polarizando a disputa pela hegemonia politica entre
esses dois grupos. Com o alavancamento dos jacobinos ao primeiro plano das ações
revolucionárias, conforme analisado, os girondinos foram suprimidos do comando da situação
politica em França. Através da Comissão de Salvação Publica6, a convenção adota medidas no
sentido de favoreces aos anseios do povo, através do controle de preços das mercadorias,
amenizando a situação financeira das massas.
6
Este comitê, criado pela convenção, tinha a prerrogativa de administrar a finanças publicas – e também de
controlar as forças armadas. Era um órgão executivo. Na época de poderio dos jacobinos, passou a atuar na
condução da política do terror.
25
7
Médico, periodista e revolucionário franco-suíço, nasceu em Boudry, cantão de Neuchâtel, Suíça, a 24 de
maio de 1743. Ao subir ao primeiro plano do processo revolucionário, acabou por ser conhecido como um dos
elementos mais radicais dos setores populares do jacobinismo durante a revolução francesa.
26
Para esses homens como, de fato, para a maioria da convenção Nacional, que no
fundo deteve o controle durante todo este período, a escolha era simples: ou o
Terror, com todos os seus defeitos do ponto de vista da classe média, ou a destruição
da revolução, a desintegração do Estado nacional e provavelmente – já não havia o
exemplo da Polônia? –o desaparecimento do país. (...)
3.6 - O Diretório
(...) Todas as revoluções civis e políticas tiveram uma pátria e nela se fecharam. A
Revolução Francesa não teve um território próprio, mais do que isso, teve por efeito
por assim dizer apagar do mapa todas as antigas fronteiras. Aproximou ou dividiu os
homens a despeito das leis, das tradições, dos caracteres, da língua, transformando
às vezes compatriotas em inimigos e irmãos em estranhos ou, melhor, formando
acima de todas as nacionalidades uma pátria intelectual comum da qual os homens
de todas as nações podiam tornar-se cidadãos. ”(...) (TOCQUEVILLE, 1989 – pág.
59)
28
4 – 18 BRUMÁRIO
Para os franceses ele foi, também, algo bem mais simples: o mais bem sucedido
governante de sua longa história. Triunfou gloriosamente no exterior, mas, em
termos nacionais, também estabeleceu ou restabeleceu o mecanismo das instituições
francesas como existem até hoje. Reconhecidamente, a maioria de suas ideias talvez
todas foram previstas pela Revolução e pelo Diretório; sua contribuição pessoal foi
faze-las um pouco mais conservadoras, hierárquicas e autoritárias. Mas seus
predecessores apenas previram; ele realizou. (...). (HOBSBAWN, 1996, pag.56)
Considerações Finais
Seus líderes foram homens do seu tempo, com as luzes de sua época, como o
foram os homens de todas as épocas da humanidade, com suas falhas e suas virtudes. Por
vezes foram cruéis, não titubeando em ceifar a vida dos que ousassem paralisar a revolução
em curso, naqueles tempos difíceis para o povo francês, de profunda crise político-econômica
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e de grande turbulência social. Deram esses líderes - Danton, Robespierre, Janot, Marat, e
tantos outros – entre eles o próprio Napoleão – aquilo que tinham para ofertar, dentro do
contexto político-social em que viveram. De todos os partidos e suas lideranças envolvidas
nos conflitos e disputas pelo poder, os jacobinos de Robespierre foram os que mais se
identificaram com as aspirações das massas populares. Todavia, nenhum deles conseguiu
liderar a revolução de modo a satisfazer plenamente aos anseios do povo, e resolver seus
problemas, estabelecendo um período de eficaz liberdade, igualdade e fraternidade, os ideais
decantados na filosofia Iluminista. Tanto é fato que sob a liderança de Robespierre e do
partido jacobino, a Revolução desvirtuou-se em momento cruel e sangrento – em o qual a
guilhotina trabalhou sem cessar - com a morte de milhares de pessoas, na fase do ``período do
terror´´. Observa-se então que o ideal de fraternidade desvirtuou-se, dando lugar a execuções
em massa. Num contexto dessa monta, atingir a estabilidade social torna-se tarefa infértil.
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A Batalha de Waterloo marca a derrota final de Napoleão, a 18 de Junho de 1815 em Waterloo, Bélgica, pelas
forças coligadas dos ingleses sob o comando de Duque de Wellington, e dos prussianos de Von Blücher.
Aprisionado, Napoleão seria exilado na Ilha de Santa Helena, onde faleceria em 1821.
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Referências Bibliográficas
Melhoramentos -1962
Contexto, 2008
1996
UNB, 1997