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TEOLOGIA SISTEMÁTICA I TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
TEOLOGIA
SISTEMÁTICA I

TEOLOGIA SISTEMÁTICA I

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TEOLOGIA SISTEMÁTICA I

CONTEÚDO

CAPÍTULO 01

6

TEOLOGIA SISTEMÁTICA

6

A. DEFINIÇÃO DE TEOLOGIA SISTEMÁTICA

6

B. RELAÇÃO COM OUTRAS DISCIPLINAS

6

C. APLICAÇÃO À VIDA

9

D. TEOLOGIA SISTEMÁTICA E TEOLOGIA DESORGANIZADA

10

E. QUE SÃO DOUTRINAS?

13

F. DOUTRINA MAIS IMPORTANTE OU MENOS IMPORTANTE

13

G. PRESSUPOSIÇÕES INCIAIS DESTA DISCIPLINA

15

H. POR QUE DEVEMOS ESTUDAR TEOLOGIA?

15

I. COMO DEVEMOS ESTUDAR TEOLOGIA SISTEMÁTICA?

19

CAPÍTULO 02

29

BIBLIOLOGIA: A DOUTRINA DAS ESCRITURAS (1)

29

REVELAÇÃO

29

A. INTRODUÇÃO

29

B. REVELAÇÃO GERAL

29

C. REVELAÇÃO

ESPECIAL

31

D. PROVAS DA REVELAÇÃO

34

CAPÍTULO 03

40

BIBLIOLOGIA: A DOUTRINA DAS ESCRITURAS (2)

40

INSPIRAÇÃO

40

A. INTRODUÇÃO

40

B. TEORIAS DA INSPIRAÇÃO BÍBLICA

43

C. RESUMINDO

52

D. PROVAS DA INSPIRAÇÃO BÍBLICA

52

E. A AUTORIDADE E CREDIBILIDADE DAS ESCRITURAS

53

F. CREDIBILIDADE DO A.T. – ESTABELECIDA POR TRÊS FATOS

54

G. AS ESCRITURAS POSSUEM INTEGRIDADE:

56

H. CREDIBILIDADE DO NOVO TESTAMENTO ESTABELECIDA POR CINCO FATOS

58

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J. AUTENTICIDADE OU GENUINIDADE

65

K. CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE A INSPIRAÇÃO

66

CAPÍTULO 04

68

BIBLIOLOGIA: A DOUTRINA DAS ESCRITURAS (3)

68

ILUMINAÇÃO

68

A. INTRODUÇÃO

68

B. A BÍBLIA É A MENSAGEM DE DEUS À HUMANIDADE

69

C. TEMAS PRINCIPAIS DA BÍBLIA

70

D. POR QUE ESTUDAR A BÍBLIA?

71

E. COMO A BÍBLIA CHEGOU ATÉ NÓS

71

F. CONCLUSÃO

78

CAPÍTULO 05

81

TEOLOGIA – A DOUTRINA DE DEUS

81

A. INTRODUÇÃO

81

B. A EXISTÊNCIA DE DEUS É ESTABELECIDA PELA RAZÃO

82

C. O ARGUMENTO DA CAUSA-E-EFEITO SE DIVIDE EM CINCO

82

D. OS ATRIBUTOS NATURAIS E MORAIS DE DEUS

85

E. O DECRETO (CONSELHO) DE DEUS

87

F. OS NOMES DE DEUS

87

G. A VONTADE DE DEUS

89

H. AS OBRAS DE DEUS

89

I. QUESTÕES RESUMIDAS SOBRE DEUS

90

CAPÍTULO 06

97

CRISTOLOGIA – A DOUTRINA DE CRISTO (1)

97

A. INTRODUÇÃO

97

B. A NATUREZA DE

97

CAPÍTULO 07

124

CRISTOLOGIA – A DOUTRINA DE CRISTO(2)

124

A. OS OFÍCIOS DE CRISTO

124

B. A OBRA DE CRISTO

130

CAPÍTULO 08

144

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A EXPIAÇÃO

144

A. A EXPIAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO

144

B. A EXPIAÇÃO NO NOVO TESTAMENTO

155

CAPÍTULO 09

178

PARACLETOLOGIA: DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO (1)

178

A. DEFINIÇÃO DE PARACLETOLOGIA

178

B. A DEIDADE DO ESPÍRITO SANTO

178

C. ESPÍRITO SANTO É UMA PESSOA

180

D. OS NOMES DO ESPÍRITO SANTO

183

E. OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO

185

F. A OBRA DO ESPÍRITO SANTO

188

G. O BATISMO NO (COM) ESPÍRITO SANTO

190

H. OS DONS ESPIRITUAIS

193

I. RELAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS

194

J. DONS DE REVELAÇÃO

194

K. DONS DE PODER

195

L. DONS DE INSPIRAÇÃO

197

M. O FRUTO DO ESPÍRITO

199

BIBLIOGRAFIA

206

TEOLOGIA SISTEMÁTICA I

CAPÍTULO 01

TEOLOGIA SISTEMÁTICA

A. DEFINIÇÃO DE TEOLOGIA SISTEMÁTICA

O que é teologia sistemática? Muitas definições têm sido dadas, mas para o propósito desta Disciplina a seguinte definição será usada:

Teologia sistemática é qualquer estudo que responda à pergunta:

"O que a totalidade da Bíblia nos diz hoje?" Essa definição indica que a teologia sistemática envolve a coleta e o entendimento de todas as passagens relevantes da Escritura sobre vários tópicos, assim como o resumo claro de seus ensinos, de forma que saibamos em que crer sobre cada tópico.

B. RELAÇÃO COM OUTRAS DISCIPLINAS

A ênfase deste livro não será sobre teologia histórica (o estudo histórico

de como os cristãos, em diferentes épocas, entenderam os mais

variados tópicos da teologia), ou sobre teologia filosófica (o estudo teológico amplo de tópicos sem o uso da Bíblia, mas usando ferramentas

e métodos de raciocínio filosófico e o que pode ser conhecido sobre

Deus resultante da observação do universo), ou sobre a apologética (a provisão da defesa da veracidade da fé cristã com o propósito de convencer os descrentes). Esses três assuntos, que vale a pena os cristãos pesquisarem, são algumas vezes incluídos na definição mais abrangente do termo teologia sistemática. De fato, alguma consideração das matérias da teologia histórica, filosófica e apologética será encontrada por vezes ao longo desta disciplina. É assim porque o estudo

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histórico nos informa dos esclarecimentos adquiridos dos erros sobre a compreensão das Escrituras cometidos por outros no passado; o estudo filosófico ajuda-nos a entender as formas corretas e errôneas de pensamento comuns em nossa cultura e em outras culturas; o estudo apologético ajuda-nos a usar os ensinos da Escritura para responder às objeções levantadas pelos descrentes. Mas essas áreas de estudo não são o foco central desta obra, que, ao contrário, interage diretamente com os textos bíblicos a fim de lançar luz sobre o que a própria Bíblia nos diz a respeito de vários assuntos teológicos. Enquanto outras áreas de estudo nos ajudam a entender as questões teológicas, somente a Escritura tem a autoridade final para definir em que devemos "crer”, e é, portanto, apropriado gastar algum tempo enfocando o ensino da Escritura sobre si mesma.

Esta Disciplina também não enfatizará a ética cristã. Embora sejam inevitáveis algumas superposições entre o estudo da teologia e o estudo da ética, tentei manter a distinção na ênfase.

A

ênfase da teologia sistemática é sobre o que Deus quer que creiamos

e

saibamos, ao passo que a ênfase da ética cristã é sobre o que Deus

quer que façamos e as atitudes que ele quer que tomemos. Essa distinção é refletida na seguinte declaração: A ética cristã é qualquer estudo que responda à questão "O que Deus requer que façamos e que

atitudes ele requer que tenhamos hoje?" com respeito a qualquer situação. Assim, a teologia concentra-se sobre as ideias enquanto a ética concentra-se sobre as situações da vida. Um compêndio de ética, por exemplo, discutiria tópicos como casamento, divórcio, pena de morte, guerra, controle de natalidade, aborto, eutanásia, homossexualidade, mentira, discriminação racial, alcoolismo, papel do governo civil, uso do dinheiro e do direito de propriedade, preocupação com os pobres, e assim por diante. Tais tópicos pertencem ao estudo da

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ética e não são tratados nesta disciplina. Contudo, esta disciplina não hesitará em sugerir a aplicação da teologia à vida onde tais aplicações couberem.

A teologia sistemática, como definida acima, também difere da teologia

do AT, da teologia do NT e da teologia bíblica. Essas três teologias organizam os seus tópicos historicamente e na ordem em que são apresentados na Bíblia. Portanto, na teologia do AT, alguém pode perguntar: "O que o livro de Deuteronômio ensina sobre a oração?" ou

"O que Isaías ensina sobre a oração?", ou ainda, "O que a totalidade do AT ensina a respeito da oração, e como esse ensino é desenvolvido na história do AT?". Na teologia do NT, alguém poderia perguntar: "O que

o evangelho de João ensina sobre a oração?" ou "O que Paulo ensina

sobre a oração?", ou ainda "O que o NT ensina sobre a oração, e qual é

o desenvolvimento histórico desse ensino à medida que ele progride pelo NT?".

A teologia bíblica tem um significado técnico nos estudos teológicos. É

uma categoria mais abrangente que contém tanto a teologia do AT como a do NT. A teologia bíblica dá atenção especial aos ensinos dos autores individuais e a seções da Escritura e para o lugar que cada ensino ocupa no desenvolvimento histórico da Escritura. Alguém poderia perguntar:

"Qual é o desenvolvimento histórico do ensino sobre a oração como ele

é visto por toda a história do AT e, a seguir, do NT?". É claro que essa

pergunta fica muito próxima de outra pergunta: "O que a Bíblia toda nos ensina hoje a respeito de oração?" (que seria teologia sistemática, pela definição acima). Portanto, torna-se evidente que as linhas divisórias entre essas várias disciplinas muitas vezes se sobrepõem, e que partes de um estudo se misturam com o seguinte. Todavia, há ainda uma diferença, pois a teologia bíblica traça o desenvolvimento histórico de uma doutrina e o modo pelo qual tal desenvolvimento, em algum ponto,

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afeta a compreensão que a pessoa tem de uma doutrina particular e sua aplicação. A teologia bíblica também se concentra no entendimento de cada doutrina que os autores bíblicos e seus ouvintes ou leitores originais possuíam.

A teologia sistemática, em contrapartida, concentra-se no todo e, dessa forma, no sumário do ensino de todas as passagens bíblicas sobre um assunto particular. Portanto, faz uso dos resultados da teologia bíblica e muitas vezes constroem sobre eles. Assim, a teologia sistemática pergunta, por exemplo: "O que a totalidade da Bíblia nos ensina sobre a oração?". Ela tenta fornecer o resumo do ensino da Escritura por meio de uma formulação sucinta, inteligível e muito cuidadosa.

C. APLICAÇÃO À VIDA

Além disso, a teologia sistemática concentra-se no resumo de cada doutrina como ela deve ser entendida pelos cristãos do tempo presente. Às vezes isso envolve o uso de termos e até de conceitos que não foram em si mesmos usados pelos autores individuais da Bíblia, mas que são o resultado apropriado da combinação de ensinos de dois ou mais autores bíblicos sobre um assunto específico. Os termos Trindade, encarnação e divindade de Cristo, por exemplo, não são encontrados na Bíblia, mas eles sumarizam de maneira útil os conceitos bíblicos.

Definir a teologia sistemática para incluir "o que a totalidade da Bíblia nos ensina hoje" significa que a aplicação à vida necessariamente faz parte do objetivo da teologia sistemática. Assim, todas as doutrinas devem ser vistas em termos de seu valor prático para viver a vida cristã. Em nenhum lugar da Escritura encontramos a doutrina estudada no interesse de si própria ou isolada da vida prática. Os escritores bíblicos aplicaram sistematicamente seus ensinos à vida. Portanto, o estudo

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desta disciplina deverá enriquecer e aprofundar sua vida cristã; de fato, se o crescimento espiritual não ocorrer, ou a disciplina não foi elaborada de maneira adequada pelo autor ou a matéria não foi corretamente estudada pelo aluno.

D. TEOLOGIA SISTEMÁTICA E TEOLOGIA DESORGANIZADA

Se usarmos essa definição de teologia sistemática, torna-se óbvio que a maioria dos cristãos realmente faz teologia sistemática (ou ao menos faz afirmações de teologia sistemática) muitas vezes por semana. Por exemplo: "A Bíblia diz que cada um que crê em Jesus Cristo será salvo", "A Bíblia diz que Jesus Cristo é o único caminho para Deus", "A Bíblia diz que Jesus está vindo outra vez".

Essas frases são resumos do que a Bíblia diz e, como tal, são afirmações teológico-sistemáticas. De fato, cada vez que o cristão diz alguma coisa a respeito do que a Bíblia diz, ele está fazendo, em algum sentido, teologia sistemática — segundo a definição acima — por pensar a respeito de vários tópicos e por responder à pergunta "O que a totalidade da Bíblia nos ensina hoje?".

Como, então, esta disciplina difere desta espécie de "teologia sistemática" que a maioria dos cristãos faz? Pelo menos de quatro modos.

1. TÓPICOS BÍBLICOS ORGANIZADOS

Esta disciplina trata os tópicos bíblicos de modo cuidadosamente organizado para garantir que todos os tópicos importantes venham

a receber consideração completa. Essa organização também ajuda

a evitar a análise inexata de tópicos individuais, pois isso significa que todas as doutrinas abordadas podem ser comparadas com

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cada tópico para evitar inconsistência na metodologia e contradições no relacionamento entre as doutrinas. Isso também ajuda a assegurar a consideração equilibrada das doutrinas complementares: a divindade e a humanidade de Cristo são estudadas juntas, por exemplo, assim como a soberania de Deus e a responsabilidade humana, de forma que conclusões erradas não sejam tiradas da ênfase exagerada sobre um único aspecto da apresentação plena que a Bíblia faz do assunto.

De fato, o adjetivo sistemático na teologia sistemática deveria ser entendido como querendo dizer algo similar a "cuidadosamente organizado por tópicos"; os tópicos estudados serão vistos como que se encaixando de modo coerente, havendo de ser incluídos todos os principais tópicos doutrinários da Bíblia. Assim, "sistemática" quer dizer, no caso, o oposto de "casualmente arranjada" ou "desorganizada". Na teologia sistemática, os tópicos são tratados de modo ordenado ou "sistemático".

2. OS TÓPICOS SÃO TRATADOS EM DETALHES

A segunda diferença entre esta disciplina e o modo como a maioria dos cristãos faz teologia sistemática é que ele trata os tópicos em muito mais detalhes que a maioria dos cristãos faz. Por exemplo, o cristão comum, em resultado de sua leitura regular da Bíblia, pode fazer a seguinte afirmação teológica: "A Bíblia diz que cada pessoa que crê em Jesus Cristo será salva". Esse é um sumário perfeitamente verdadeiro de um ensino bíblico importante. Contudo, nesta disciplina dedicamos várias páginas para elaborar de modo mais preciso o que significa "crer em Jesus Cristo", e explicar o que significa "ser salvo" em todas as diversas implicações do termo.

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3. A FORMULAÇÃO DE SUMÁRIOS MAIS PRECISOS

Terceira, o estudo formal de teologia sistemática tornará possível formular sumários de ensinos bíblicos com muito mais precisão do que os cristãos normalmente conseguiriam sem tal estudo. Na teologia sistemática, os sumários dos ensinos bíblicos devem ser redigidos de maneira precisa para evitar interpretações errôneas e excluir ensinos falsos. De fato, uma das marcas de maturidade no entendimento de teologia sistemática é a precisão no uso das palavras para sintetizar os ensinos da Bíblia.

4. BOA ANÁLISE TEOLÓGICA

Quarta, a boa análise teológica deve descobrir e tratar com justeza todas as passagens relevantes da Bíblia para cada tópico particular, não apenas algumas poucas passagens relevantes.

Isso muitas vezes quer dizer que ela deve depender do resultado da exegese, ou interpretação, cuidadosa da Escritura, com a qual geralmente os intérpretes evangélicos concordam; onde houver diferenças significativas de interpretação, a teologia sistemática deverá incluir interpretação detalhada de versículos da Bíblia em certos pontos.

Por causa do grande número de tópicos abordados no estudo da teologia sistemática e por causa dos inúmeros detalhes com os quais esses tópicos são analisados, é inevitável que alguém que estuda teologia sistemática pela primeira vez tenha muitas de suas crenças pessoais desafiadas ou modificadas, refinadas ou enriquecidas. É de extrema importância, portanto, que o principiante de tal curso resolva firmemente abandonar como falsa qualquer

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ideia que seja contrariada pelos ensinos da Escritura. Mas é também muito importante cada pessoa resolver não crer em qualquer doutrina individual simplesmente porque esta ou algum livro ou professor diga que ela é verdadeira, a menos que esta disciplina ou o instrutor em um curso consiga convencer o aluno partindo do texto da própria Escritura. É a Escritura somente, não qualquer autoridade humana, que deve funcionar como autoridade normativa para a definição do que devemos crer.

E. QUE SÃO DOUTRINAS?

Nesta disciplina, a palavra doutrina será entendida do seguinte modo:

Doutrina é o que a totalidade da Bíblia nos ensina a respeito de algum tópico particular. Essa definição está diretamente relacionada com nossa definição anterior de teologia sistemática, visto que ela mostra que a doutrina é simplesmente o resultado do processo de fazer teologia sistemática levando em consideração um tópico específico. Entendidas desse modo, as doutrinas podem ser bastante abrangentes ou bastante estritas. Podemos falar da "doutrina de Deus" como categoria doutrinária maior, incluindo o sumário de tudo o que a Bíblia nos diz hoje sobre Deus. Tal doutrina seria excepcionalmente abrangente. Por outro lado, podemos também falar de maneira mais estrita da doutrina da eternidade de Deus, da doutrina da Trindade ou da doutrina da justiça de Deus.

F. DOUTRINA MAIS IMPORTANTE OU MENOS IMPORTANTE

As pessoas algumas vezes perguntam qual a diferença entre a "doutrina mais importante" e a "doutrina menos importante". Os cristãos muitas vezes dizem que devem procurar concordância na igreja quanto às

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doutrinas mais importantes, mas podem permitir diferenças em doutrinas de menor importância. Descobri a seguinte e útil diretriz:

A doutrina mais importante é a que tem impacto significativo sobre nosso pensamento a respeito de outras doutrinas ou que tem impacto significativo sobre como vivemos a vida cristã.

A doutrina menos importante é a que tem pouco impacto sobre como pensamos a respeito de outras doutrinas e muito pouco impacto sobre como vivemos a vida cristã. Por esse padrão, as doutrinas como a da autoridade da Bíblia, a da Trindade, a da divindade de Cristo, a da justificação pela fé e muitas outras seriam corretamente consideradas doutrinas mais importantes. As pessoas que discordam do entendimento histórico evangélico de qualquer dessas doutrinas terão amplas áreas de diferença com os cristãos que afirmam essas doutrinas. Por contraste, parece-me que as diferenças sobre formas de governo, ou alguns detalhes sobre a ceia do Senhor, ou sobre o tempo da grande tribulação dizem respeito a doutrinas menos importantes. Os cristãos que diferem nessas coisas provavelmente podem concordar em todas as outras áreas de doutrina e levar vidas cristãs que não diferem em assuntos importantes, podendo manter comunhão genuína uns com os outros.

Claro que podemos encontrar doutrinas que se encaixam em algum lugar entre as "mais importantes" e as "menos importantes" de acordo com esse padrão. Isso é natural porque muitas doutrinas têm alguma influência sobre outras doutrinas ou sobre a vida, mas podemos diferir sobre se a influência delas é realmente "significativa". Em tais casos, os cristãos precisarão pedir a Deus que lhes dê sabedoria madura e julgamento sadio para determinar em que grau uma doutrina deverá ser considerada mais importante nas circunstâncias particulares deles.

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G. PRESSUPOSIÇÕES INCIAIS DESTA DISCIPLINA

Começamos com duas pressuposições: 1) a de que a Bíblia é verdadeira e que ela é, de fato, nosso absoluto padrão de verdade; 2) a de que o Deus de quem a Bíblia fala existe, e que ele é quem a Bíblia diz que ele é: o Criador do céu e da terra e de todas as coisas que neles há.

Essas duas pressuposições, naturalmente, estão sempre abertas a reconsideração posterior ou a confirmação mais profunda, mas, neste momento, formam nosso ponto de partida.

H. POR QUE DEVEMOS ESTUDAR TEOLOGIA?

Por que os cristãos devem estudar teologia sistemática? Isto é, por que devemos nos engajar no processo de coletar e sintetizar os ensinos de muitas passagens individuais sobre tópicos específicos? Por que não é suficiente simplesmente manter a leitura regular da Bíblia em nossa vida diária?

1. A RAZÃO BÁSICA

A razão mais importante para estudar teologia sistemática é que ela nos capacita a obedecer à ordem de Jesus de ensinar os crentes a observar tudo o que ele ordenou:

"Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos" (Mt 28.19,20).

Ensinar todas as coisas que Jesus ordenou significa mais que meramente ensinar as palavras que ele falou enquanto andava neste mundo. Lucas sugere que o livro de Atos dos Apóstolos

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contém a história do que Jesus continuou a fazer e a ensinar por intermédio dos apóstolos, após sua ressurreição (observe que At 1.1 fala do evangelho de Lucas como um relato "a respeito de tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar"). Tudo o que Jesus ordenou também pode incluir as cartas, visto que elas foram escritas sob a supervisão do Espírito Santo e foram também consideradas "mandamento do Senhor" (ICo 14.37; v. tb. Jo 14.26; 16.13; lTs 4.15; 2Pe 3.2; Ap 1.1-3).

Assim, em sentido mais amplo, tudo o que Jesus ordenou inclui todo

o NT.

Além disso, quando consideramos que os escritos do NT provam a absoluta confiança que Jesus e os escritores do NT tinham na autoridade e confiabilidade das Escrituras do AT como palavras de Deus, torna-se evidente que não podemos ensinar tudo o que Jesus ordenou sem também incluir tudo do AT (entendido corretamente nos vários modos em que de se aplica à época da nova aliança na história da redenção).

A tarefa do cumprimento da Grande Comissão inclui, portanto, não

somente a evangelização, mas também o ensino. E a tarefa de ensinar tudo o que Jesus nos ordenou é ensinar o que a totalidade da Bíblia nos diz hoje. Aqui é onde a teologia sistemática se torna

necessária: para que aprendamos eficazmente e ensinemos a outros o que a totalidade da Bíblia diz, é necessário coletar e sintetizar todas as passagens da Escritura sobre um assunto específico.

Pelo fato de que ninguém terá tempo para estudar o que a Bíblia toda diz a respeito de uma questão doutrinária que possa ser levantada, é muito útil ter o benefício do trabalho de outros que têm pesquisado a Escritura e descoberto respostas para vários tópicos.

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Esta disciplina capacita-nos a ensinar a outros de modo mais eficaz levando-os às passagens mais relevantes e sugerindo-lhes o sumário apropriado dos ensinos dessas passagens. Assim, a pessoa que levanta as questões pode examinar essas passagens por si mesmas e aprender muito mais rapidamente qual é o ensino da Bíblia sobre qualquer assunto específico. Portanto, a teologia sistemática é necessária para ensinar o que a Bíblia diz porque, em primeiro lugar, somos finitos em nossa memória e no tempo que temos disponível.

A razão básica para estudar teologia sistemática, então, é que ela nos capacita a ensinar a nós próprios e a outros sobre o que a totalidade do que a Bíblia diz, cumprindo assim a segunda parte da Grande Comissão.

2. OS BENEFÍCIOS PARA NOSSA VIDA

Embora a razão básica para estudar teologia sistemática seja que ela é um meio de obediência à ordem de nosso Senhor, há alguns benefícios adicionais que surgem de tal estudo.

1) Primeiro, estudar teologia ajuda-nos a derrotar nossas ideias erradas. Por haver pecado em nosso coração e porque temos conhecimento incompleto da Bíblia, todos nós de vez em quando resistimos ou nos recusamos a aceitar certos ensinos da Escritura. Por exemplo, podemos ter somente um entendimento vago a respeito de certa doutrina, o que torna mais fácil resistir a ela, ou talvez saibamos somente um versículo a respeito do tópico e então tentamos atenuá-la. E de grande ajuda para nós sermos confrontados com o peso total do ensino da Escritura sobre um assunto de forma que sejamos

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prontamente persuadidos mesmo contra nossas inclinações iniciais erradas.

2) Segundo, estudar teologia sistemática ajuda-nos a ser capazes de tomar decisões melhores mais tarde sobre novas questões doutrinárias que possam surgir. Não podemos saber o que novas controvérsias doutrinárias trarão à tona no futuro. Essas novas controvérsias algumas vezes poderão incluir perguntas que ninguém havia enfrentado antes. Para responder de maneira apropriada a essas questões, os cristãos deverão perguntar: "O que a totalidade da Bíblia diz a respeito desse assunto?".

Quaisquer que sejam as novas controvérsias doutrinárias nos anos futuros, os que tiverem aprendido bem teologia sistemática serão muito mais hábeis para responder às novas questões que surgirão. Isso se deve à grande consistência da Bíblia; tudo o que a Bíblia diz é de alguma forma relacionado a tudo o mais que ela diz. Assim, as novas questões serão relacionadas a muito do que já tem sido aprendido da Bíblia. Quanto mais minuciosamente o material anterior tiver sido aprendido, mais capazes seremos de tratar essas novas questões.

Esse benefício se estende de maneira até mais ampla. Enfrentamos problemas em aplicar a Escritura à vida em muitos mais contextos que as discussões doutrinárias formais. O que a Bíblia ensina a respeito do relacionamento entre marido e mulher? A respeito de como criar filhos? A respeito de testemunhar ao colega de trabalho? Que princípios a Escritura nos dá ao estudarmos psicologia, economia ou as ciências naturais? Como ela nos orienta em relação a gastar o nosso dinheiro, poupá-lo ou dizimá-lo? A Bíblia nos dá princípios que

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se aplicam a cada área de nossa vida, e os que aprenderem bem os ensinos teológicos da Bíblia serão muito mais capazes de tomar decisões que agradem a Deus nessas áreas práticas da ética também.

3) Terceiro, estudar teologia sistemática nos ajudará a crescer como cristãos. Quanto mais conhecemos a respeito de Deus, a respeito de sua Palavra, a respeito de seu relacionamento com

o mundo e com a humanidade, maior será a nossa confiança nele, mais plenamente o louvaremos e mais prontamente

obedeceremos a ele. Estudar teologia sistemática da forma correta nos fará cristãos mais maduros. Se isso não acontecer,

é porque não estamos estudando do modo como Deus quer.

De fato, a Bíblia muitas vezes conecta sã doutrina com

maturidade na vida cristã. Paulo fala de "ensino que é segundo

a piedade" (lTm 6.3) e diz que sua obra como apóstolo é "levar

os eleitos de Deus à fé e ao conhecimento da verdade que conduz à piedade" (Tt 1.1). Por contraste, ele indica que toda espécie de desobediência e imoralidade é contrária à sã doutrina (lTm 1.10).

I. COMO DEVEMOS ESTUDAR TEOLOGIA SISTEMÁTICA?

A Bíblia proporciona algumas diretrizes para responder a essa pergunta.

1. COM ESPÍRITO DE ORAÇÃO

Devemos estudar teologia sistemática com espírito de oração. Se estudar teologia sistemática é simplesmente certo modo de estudar a Bíblia, as passagens na Escritura que falam a respeito do modo pelo qual devemos estudar a Palavra de Deus dão-nos orientação

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nessa tarefa. Do modo como o salmista orou em Salmos 119.18:

"Abre os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua lei", assim também devemos orar e procurar a ajuda de Deus no entendimento de sua Palavra. Paulo nos diz em I Coríntios 2.14 que "quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente". Estudar teologia é, portanto, uma atividade espiritual na qual precisamos da ajuda do Espírito Santo.

Não importa quão inteligente o aluno seja, se ele não continuar a suplicar a Deus para dar-lhe mente que entenda e o coração humilde para crer, se o aluno não mantiver o andar pessoal com o Senhor, os ensinos da Escritura serão entendidos erroneamente, ele não crerá neles, erros doutrinários aparecerão, e a mente e o coração do aluno não serão mudados para melhor, mas para pior. Os estudantes de teologia sistemática devem resolver, desde o princípio, manter sua vida livre de qualquer desobediência a Deus ou de qualquer pecado conhecido que possa trazer ruptura em seu relacionamento com ele. Devem resolver manter com grande regularidade sua vida devocional.

Devem orar continuamente pedindo por sabedoria e entendimento da Escritura. Visto que é o Espírito Santo quem nos dá a capacidade para entender a Escritura, precisamos perceber que o que devemos fazer, particularmente quando somos incapazes de entender alguma passagem ou alguma doutrina da Escritura, é orar a Deus pedindo ajuda. Muitas vezes não necessitamos de mais informações, e sim mais perspicácia para as que já temos disponíveis. Essa perspicácia é dada somente pelo Espírito Santo (v. 1 Co 2.14; Ef 1.17-19).

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2. DEVEMOS ESTUDAR TEOLOGIA SISTEMÁTICA COM HUMILDADE

Pedro nos diz: "Sejam todos humildes uns para com os outros, porque 'Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes'" (lPe 5.5). Os que estudam teologia sistemática aprenderão muitas coisas a respeito dos ensinos da Escritura que talvez não sejam conhecidas, ou que não sejam bem conhecidas por outros cristãos em suas igrejas ou por parentes que conhecem ao Senhor há mais tempo que eles. Eles podem também se ver na situação de entender coisas a respeito da Escritura que alguns dos líderes da igreja deles não entendem, e que mesmo o pastor deles se esqueceu ou nunca aprendeu bem.

Em todas essas situações, seria muito fácil adotar uma atitude de orgulho ou de superioridade para com os outros que não estudaram dessa maneira. Mas seria muito feio se alguém usasse esse conhecimento da Palavra de Deus simplesmente para vencer nos argumentos, para derrubar um cristão na discussão, ou fazer com que outro crente se sentisse diminuído na obra do Senhor. O conselho de Tiago é bom para nós neste ponto: "Meus amados irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se, pois a ira do homem não produz a justiça de Deus" (Tg 1.19,20). “Ele nos diz que o entendimento que a pessoa tem da Escritura deve ser comunicado em humildade e amor.” Quem é sábio e tem entendimento entre vocês? Que o demonstre por seu bom procedimento, mediante obras praticadas com a humildade que provém da sabedoria. [ ] Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons

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frutos, imparcial e sincera. “O fruto da justiça semeia-se em paz para os pacificadores” (Tg 3.13,17,18). A teologia sistemática estudada corretamente não levará ao conhecimento que traz "orgulho" (1 Co 8.1), mas para a humildade e amor pelos outros.

3. DEVEMOS ESTUDAR TEOLOGIA SISTEMÁTICA COM A RAZÃO

Podemos verificar no NT que Jesus e os autores do NT muitas vezes citam um versículo da Escritura e a seguir tiram conclusões teológicas dele. Eles raciocinam sobre a Escritura. Não é, portanto, errado usar o entendimento, a lógica e a razão para retirar conclusões das afirmações da Escritura. Não obstante, quando raciocinamos e extraímos o que pensamos ser as deduções lógicas corretas da Escritura, às vezes podemos cometer erros. As deduções que fazemos das afirmações da Escritura não são iguais às próprias afirmações da Escritura; com a certeza e a autoridade dela, pois nossa capacidade de raciocinar e de tirar conclusões não é o padrão final — somente a Escritura o é. Quais são, então, os limites do uso de nossas habilidades de raciocinar para tirar conclusões das afirmações da Escritura? O fato de que raciocinar para tirar conclusões que vão além das meras afirmações da Escritura é apropriado para estudar a Escritura e o fato de que a Escritura em si mesma é o padrão final da verdade demonstram ambos que somos livres para usar nossa capacidade de raciocínio para tirar conclusões de qualquer passagem da Escritura enquanto essas deduções não contradigam o ensino claro de outras passagens da Escritura.

Esse princípio delimita o uso do que pensamos ser dedução lógica da Escritura. Nossas supostas deduções lógicas podem ser

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errôneas, mas a Escritura em si mesma não pode errar.

4. DEVEMOS ESTUDAR TEOLOGIA SISTEMÁTICA COM A AJUDA DE OUTROS

Precisamos ser agradecidos por Deus ter colocado mestres na igreja: "Assim, na igreja, Deus estabeleceu primeiramente apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres." (ICo 12.28). Devemos permitir que pessoas com esses dons nos ajudem a entender a Escritura. Isso significa que devemos fazer uso das teologias sistemáticas e de outros livros escritos por alguns dos grandes mestres que Deus deu à igreja no decurso da história. Significa também que o nosso estudo de teologia deveria incluir conversas com outros cristãos a respeito de coisas que estudamos. Entre aqueles com quem conversamos estarão certamente pessoas com dons de ensino que podem explicar os ensinos bíblicos e nos ajudar a entendê-los mais facilmente. De fato, alguns dos aprendizados mais efetivos em cursos de teologia sistemática oferecidos nas universidades e nos seminários muitas vezes ocorrem fora da sala de aula, nas conversações informais entre estudantes que tentam entender por si mesmos as doutrinas da Bíblia.

5. DEVEMOS ESTUDAR TEOLOGIA SISTEMÁTICA COLETANDO E ENTENDENDO TODAS AS PASSAGENS RELEVANTES DA ESCRITURA SOBRE UM TÓPICO.

Este ponto foi mencionado em nossa definição de teologia sistemática no começo do capítulo, mas o processo real precisa ser mencionado aqui. Como alguém empreenderia a tarefa de esboçar

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o sumário teológico de todas as passagens que a Escritura ensina sobre determinado tópico? Pois os tópicos aqui abordados levarão muitas pessoas a pensar que simplesmente estudar os capítulos deste livro e ler os versículos bíblicos anotados neles seja o suficiente. Mas certas pessoas quererão fazer um estudo adicional da Escritura sobre um tópico específico ou estudar um tópico novo não estudado aqui. Como poderia um estudante empenhar-se em usar a Bíblia para pesquisar os seus ensinos sobre alguns assuntos novos, talvez um assunto não discutido explicitamente em qualquer de seus compêndios de teologia sistemática?

O processo seria mais ou menos assim:

1) Procure todos os versículos relevantes. A melhor ajuda nesse passo é uma boa concordância, com a qual pode-se encontrar as palavras-chave e os versículos nos quais o assunto é tratado. Por exemplo, no estudo sobre o que significa o homem ser criado à imagem e semelhança de Deus, deve-se encontrar todos os versículos em que as palavras imagem, semelhança e criar ocorrem. (As palavras homem e Deus ocorrem tantas vezes que, nesse caso, não seriam úteis.) No estudo da doutrina da oração, muitas palavras podem ser pesquisadas {orar, oração, interceder, petição, súplica, confessar, confissão, louvor, agradecimento, ação de graças etc.) — e talvez a lista de versículos crescesse demasiadamente para ser manejável, de forma que o estudante teria de folhear os verbetes da concordância sem prestar atenção aos versículos; assim, a pesquisa provavelmente teria de ser dividida em seções ou limitada de alguma outra forma. Também podemos encontrar os versículos percorrendo a história total da Bíblia e a seguir voltando para as seções onde haveria informação sobre o tópico

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em vista — por exemplo, o estudante que pesquisa sobre a oração desejaria ler passagens como a da oração de Ana por um filho (1 Sm 1), a oração de Salomão na dedicação do templo (lRs 8), a oração de Jesus no jardim do Getsêmani (Mt 26 e paralelas), e assim por diante. Enfim, em adição à consulta da concordância e à leitura de outras passagens que alguém pode encontrar sobre o assunto, verificar as seções relevantes em livros de teologia sistemática frequentemente traz à luz outros versículos que haviam sido esquecidos, às vezes porque nenhuma dessas palavras-chave usadas pela concordância estava nesses versículos.

2) O segundo passo é ler, anotar e tentar sintetizar os pontos destacados nos versículos relevantes. Com frequência um tema será repetido muitas vezes e o sumário de vários versículos será relativamente fácil. Em outros casos, haverá versículos difíceis de entender, e o estudante precisará tomar algum tempo para estudar um versículo mais profundamente (apenas lendo o versículo no contexto várias vezes ou usando ferramentas especializadas como comentários e dicionários) até que seja alcançado o entendimento satisfatório.

3) Finalmente, os ensinos dos vários textos devem ser sumarizados em um ou mais pontos que a Bíblia afirma a respeito desse assunto. O sumário não tem de tomar a forma exata das conclusões de outra pessoa sobre o assunto, porque individualmente podemos ver coisas na Escritura que outros não veem, ou podemos organizar o assunto de modo diferente, ou enfatizar coisas diferentes. Nesse ponto também será útil ler as seções relacionadas, se for possível encontrá-las, nos diversos livros de teologia sistemática. Isso proporciona a

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verificação útil dos erros e dos descuidos e, muitas vezes, torna

a pessoa cônscia de outras perspectivas e argumentos que

podem fazer-nos modificar ou fortalecer nossa posição. Se o estudante descobre que outros argumentam a favor de conclusões muitíssimo diferentes, então essas outras posições

precisam ser afirmadas com precisão e, a seguir, respondidas. Às vezes outros livros de teologia vão nos alertar para considerações históricas ou filosóficas levantadas anteriormente na história da igreja que proporcionarão esclarecimento adicional ou advertências contra o erro.

O processo esboçado acima é possível para qualquer cristão

que leia sua Bíblia e saiba acessar palavras numa concordância. Obviamente, as pessoas se tornarão mais rápidas e mais exatas nesse processo com o tempo, com a experiência e com a maturidade cristã, mas seria de tremenda ajuda para a igreja se os cristãos em geral dedicassem mais tempo a procurar por si mesmos tópicos na Escritura, tirando conclusões do modo esboçado acima. A alegria da descoberta de temas bíblicos seria ricamente recompensadora. Especialmente pastores e os que conduzem estudos bíblicos haveriam de encontrar frescor adicional no entendimento da Palavra e no seu ensino.

4) Devemos estudar teologia sistemática com alegria e louvor. O estudo da teologia não é meramente exercício intelectual ou mental. É o estudo do Deus vivo e das maravilhas de todas as suas obras na criação e na redenção. Não podemos estudar essa matéria como se o coração e a mente não estivessem envolvidos! Devemos amar tudo o que Deus é, tudo o que ele diz e tudo o que ele faz: "Ame o SENHOR, O seu Deus, de todo

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o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças" (Dt 6.5). Nossa resposta ao estudo da teologia da Escritura deveria ser a do salmista, que disse: "Como são preciosos para mim os teus pensamentos, ó Deus!" (Sl 139.17). No estudo dos ensinos da Palavra de Deus, não deveria surpreender-nos se muitas vezes encontrássemos expressões de louvor e de encantamento brotando de nosso coração como estas do salmista:

Os preceitos do SENHOR são justos, e dão alegria ao coração. (SL 19.8)

Regozijo-me em seguir os teus testemunhos como o que se regozija com grandes riquezas. (Sl 119.14)

Como são doces para o meu paladar as tuas palavras! Mais que o mel para a minha boca! (Sl 119.103)

Os teus testemunhos são a minha herança permanente; são a alegria do meu coração. (Sl 119.111)

Eu me regozijo na tua promessa como alguém que encontra grandes despojos. (SI 119.162)

Muitas vezes, no estudo da teologia, a resposta do cristão deveria ser similar à de Paulo na reflexão sobre o longo argumento teológico que ele havia recentemente completado no final de Romanos 11.32.

Ele prorrompe num louvor cheio de alegria pela riqueza da doutrina que Deus o havia capacitado a expressar: Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos! "Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?" "Quem primeiro lhe deu, para que

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ele o recompense?" Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém. (Rm 11.33-36)

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CAPÍTULO 02

BIBLIOLOGIA: A DOUTRINA DAS ESCRITURAS (1)

REVELAÇÃO

A. INTRODUÇÃO

Se Deus não tivesse se dado a conhecer, nós jamais o conheceríamos. Revelação é, portanto, o processo pelo qual Deus se mostra e se comunica ao Homem. A possibilidade do estudo do Deus verdadeiro se deve ao fato dEle ter permitido que os homens o conheçam. Esta possibilidade do conhecimento, do caráter, vontade, desígnios e verdade de Deus se chama “Revelação”.

O propósito de Deus ter-se revelado ao homem foi que o Homem O

conheça, e aceite o plano dEle para sua vida, a Revelação Especial que

é Jesus Cristo. Seu Deus não tomasse a iniciativa de se revelar ou

manifestar ao homem, a criatura jamais conheceria seu criador, e eternamente longe e perdido dEle andaria.

A Revelação, no entanto, pode ser tanto “geral” como “especial”.

B. REVELAÇÃO GERAL

É a Revelação de alguns dos atributos de Deus ao Homem de formas

naturais ou não, e que não possui caráter salvífico em si, ou seja, que

não salva o homem.

A Revelação Geral mostra a solidão em que o homem se encontra e a

necessidade de uma busca ‘especial’ do plano de salvação que Deus

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elaborou, e também da sua verdade e vontade.

A Revelação Geral é comunicada a todo homem inteligente, por meio de fenômenos naturais e não naturais, e também no decorrer da história.

A Revelação Geral é também encontrada na natureza na história e na consciência do homem.

1. NATUREZA

Muitos homens extraordinários apontam o universo como uma manifestação do poder, glória e divindade de Deus. A perfeição da natureza deixa o homem sem desculpas para buscar uma revelação mais ‘especial’ do criador.

“Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”. Salmo 19: 1

2. HISTÓRIA

Impérios nasceram e desapareceram; nações, povos e reinos passaram pela história, e nela também Deus tem se manifestado com justiça. Na história o sistema cristão encontra uma revelação do poder, da soberania e da providência de Deus.

“Por que não é do Oriente, não é do Ocidente, nem do deserto que vem o auxílio. Deus é o Juiz: a um abate, a outro exalta”. Salmo 75:

6,7.

um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face

da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os

limites da sua habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós” Atos 17: 26,27.

de “

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3. CONSCIÊNCIA

A consciência humana não inventa coisas; e sim, atua com base num padrão (certo X errado). Essa ciência revela o fato de que há uma Lei absoluta no universo, e que há um Legislador Supremo que baseia esta Lei em sua própria pessoa e caráter.

não tendo leis servem eles de leis para si

mesmos; eles mostram a norma da lei gravada nos seus corações,

testemunhando-lhes também a consciência, e seus pensamentos mutuamente acusando-se ou defendendo-se” Romanos 2: 14 – 15.

“ os gentios (

)

C. REVELAÇÃO ESPECIAL

É a Revelação da pessoa de Deus em Jesus Cristo, com o objetivo ‘especial’ de dar ao homem o único meio para sua salvação.

A Revelação Especial é encontrada nas “Escrituras” e em “Jesus Cristo”.

1. JESUS CRISTO

Usamos aqui ‘Jesus Cristo’ para descrever o centro da história e da

Revelação

Ele é a melhor prova da existência de Deus, pois Ele

viveu a vida de Deus entre os homens.

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas” Hebreus 1: 1 – 3.

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“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” Isaías 9: 6.

“Disse-lhes Jesus: (

2. ESCRITURAS

)

Quem me vê a mim, vê o Pai

João 14:9.

Usamos aqui ‘Escrituras’ para descrever a Revelação mais clara e infalível na comunicação de Deus ao Homem. Ela descreve o relacionamento de Deus com a sua criatura e a sua iniciativa em revelar ao homem seu caráter, natureza e vontade.

“Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.” 1 Coríntios 15: 3,4.

A Revelação de Deus teve então uma incorporação por escrito na Bíblia. Ela é a base do cristianismo e de todas as suas doutrinas. Portanto é a fonte suprema para a Teologia. Por isso é muito importante um conceito certo e sua interpretação exata e correta.

A Revelação Bíblica é Deus tornando conhecidos os Seus pensamentos, Suas intenções, Seus desígnios, Seus mistérios (Is.55:8-9, Rm.11:33-34, Ap.1:1). A Bíblia é a mensagem de Deus em palavras humanas.

Etimologicamente, revelação vem do latim revelo, que significa descobrir, desvendar, levantar o véu. Revelação significa, portanto, descobrimento, manifestação de algo que está escondido.

Revelação é o ato pelo qual Deus torna conhecido um propósito ou uma verdade. Por exemplo:

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Simeão disse: “

teu povo de Israel” (Lc 2.32).

luz

para revelação aos gentios, e para glória do

Paulo disse: “Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo”.

segundo uma revelação, me foi dado conhecer o

mistério, conforme escrevi há pouco, resumidamente” (Ef 3:3 e Gl

1:11,12).

E ainda: “

pois,

Revelação é o ato pelo qual Deus faz com que alguma coisa seja claramente entendida – “Mas o seu coração é duro e teimoso. Por isso você está aumentando ainda mais o castigo que vai sofrer no dia em que forem revelados a ira e os julgamentos justos de Deus” (Rm 2.5 NTLH).

Revelação é, também a explicação ou apresentação de verdades divinas:

1) O Salmista disse: “A revelação das tuas palavras esclarece e dá entendimento aos simples” (119.130).

2) Paulo: “Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua, e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para edificação” (1Co 14.26).

Revelação é a operação divina que comunica ao homem fatos que a razão humana é insuficiente para conhecer. É, portanto, a operação divina que comunica a verdade de Deus ao homem.

“Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a

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todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus”

(1Co.2:10).

D. PROVAS DA REVELAÇÃO

O diabo foi o primeiro ser a pôr em dúvida a existência da revelação: "É

assim que Deus disse?" (Gn.3:1).

Deus revelada.

Mas a Bíblia é, de fato, a Palavra de

Vejamos alguns argumentos:

1. A INDESTRUTIBILIDADE DA BÍBLIA

Uma porcentagem muito pequena de livros sobrevive além de um quarto de século, e uma porcentagem ainda menor dura um século, e uma porção quase insignificante dura mil anos. A Bíblia, porém, tem sobrevivido em circunstâncias adversas por mais de três milênios. Em 303 d.C. o imperador Dioclécio decretou que todos os exemplares das Sagradas Escrituras fossem queimados em praça pública. “As cinzas daquele crime tornou-se o combustível da divulgação” (Agnaldo). A Bíblia já foi traduzida para mais de mil idiomas e dialetos, e ainda continua sendo o livro mais lido do mundo.

2. A NATUREZA DA BÍBLIA

1) Ela é superior: Ela é superior a qualquer outro livro do mundo. O mundo, com sua sabedoria e vasto acúmulo de conhecimento nunca foi capaz de produzir um livro que chegue perto de se comparar a Bíblia.

2) É um livro honesto: Pois revela fatos sobre a corrupção humana, fatos que a natureza humana teria interesse em acobertar.

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3) É um livro harmonioso: Pois embora tenha sido escrito por uns quarenta autores diferentes, por um período de 1.600 anos, ela revela ser um livro único que expressa um só sistema doutrinário e um só padrão moral, coerentes e sem contradições.

4) A Influência da Bíblia: O Alcorão, o Livro dos Mórmons, os Clássicos de Confúcio, todos tiveram influência no mundo. Estes, porém, conduziram a uma ideia apagada de Deus e do pecado, ao ponto de ignorá-los. A Bíblia, porém, tem produzido altos resultados em todas as esferas da vida: na arte, na arquitetura, na literatura, na música, na política, na ciência e, principalmente na transformação do homem.

5) Argumento da Analogia: Os animais inferiores expressam entre si, com gestos e sons, seus diferentes sentimentos. Entre os racionais existe comunicação direta de um para o outro, quer por meio das expressões faciais e corporais, quer pela revelação de pensamentos e sentimentos.

Consequentemente é de se esperar que exista, por analogia, uma revelação direta de Deus e o homem, uma vez que o homem é a imagem de Deus. Portanto, é natural supor que o Criador sustente relação pessoal com Suas criaturas racionais.

6) Argumento da Experiência: O homem é incapaz por sua própria força descobrir que:

Precisa ser salvo;

Pode ser salvo;

Há salvação.

Somente a revelação pode desvendar estes mistérios eternos. A experiência do homem tem demonstrado que a tendência da

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natureza humana é degenerar-se, e seu caminho ascendente se sustenta unicamente quando é voltado para cima em comunicação direta com a revelação de Deus.

7) Argumento da Profecia Cumprida: Mais de 300 profecias a respeito de Cristo registradas nas Escrituras já se cumpriram integralmente. E dentre essas profecias, a mais próxima do nascimento de Cristo foi pronunciada 396 anos antes de seu cumprimento. Além disso, as profecias a respeito da dispersão de Israel também, se cumpriram (Dt.28; Jr.15:4; l6:13; Os.3:4 etc); da conquista de Samaria e preservação de Judá (Is.7:6-8; Os.1:6,7; 1Rs.14:15); do cativeiro babilônico sobre Judá e Jerusalém (Is.39:6; Jr.25:9-12); sobre a destruição final de Samaria (Mq 1:6-9); sobre a restauração de Jerusalém (Jr.29:10-14), etc.

8) Reivindicações da Própria Escritura: A própria Bíblia expressa sua infalibilidade, reivindicando autoridade. Nenhum outro livro ousa fazê-lo. Encontramos essa reivindicação na seguintes expressões: "Disse o Senhor a Moisés" (Ex.14:1,15,26; 16:4; 25:1; Lv.1:1; 4:1; 11:1; Nm.4:1; 13:1; Dt.32:48) "O Senhor é quem fala" (Is.1:2); "Disse o Senhor a Isaías" (Is.7:3); "Assim diz o Senhor" (Is.43:1).

Outras expressões semelhantes são encontradas:

"Palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor" (Jr.11:1); "Veio expressamente a Palavra do Senhor a Ezequiel" (Ez.1:3); "Palavra do Senhor que foi dirigida a Oséias" (Os.1:1); "Palavra do Senhor que foi dirigida a Joel" (Jl.1:1), etc. Expressões como estas são encontradas mais de 3.800 vezes no Antigo Testamento. Portanto o A.T. afirma ser a revelação de Deus, e essa mesma reivindicação faz o Novo Testamento: “Outra razão

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ainda temos nós para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes” (1Ts.2:13); “Aquele que crê no Filho de Deus tem, em si, o testemunho. Aquele que não dá crédito a Deus o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá acerca do seu Filho” (1Jo.5:10).

3. A BÍBLIA É A REVELAÇÃO ESCRITA DE DEUS E, COMO TAL, ABRANGE IMPORTANTES ASPECTOS:

1) Ela é variada: Variada em seus temas, pois abrange aquilo que é doutrinário, devocional, histórico, profético e prático.

2) Ela é parcial: “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a ”

nossos filhos, para sempre

(Dt.29:29).

3) Ela é completa: Naquilo que já foi revelado (Cl.2:9,10);

4) Ela é progressiva: (Mc.4:28).

5) Ela é definitiva: (Jd.3).

4. POR QUE ERA NECESSÁRIO UM REGISTRO ESCRITO?

Deus, em sua grande sabedoria, nos fornece um registro escrito de sua revelação. O teólogo holandês Abraão Kuyper nota quatro vantagens de um registro escrito:

1) Ele

dura.

São

eliminados

erros

de

transmissão (“telefone sem fio”).

memória

e

erros

de

2) Pode ser divulgado universalmente através de traduções e

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reproduções.

3) Possui atributos de fixação e pureza.

4) Recebe

uma

finalidade

normativa

(legislativa)

que

outras

formas de comunicação não conseguem alcançar.

5. A BÍBLIA COMO REVELAÇÃO DE DEUS

Deus usou homens santos para escreverem a Sua Palavra. “Nenhuma profecia da Escritura provém da particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens (santos) falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1: 20 – 21). Particular elucidação refere-se à origem das Escrituras, não à compreensão das mesmas. Ao longo do Antigo Testamento, os escritores referiram- se ao seu trabalho como a Palavra de Deus.

“ a lei, nem as palavras do SENHOR dos EXÉRCITOS enviará

pelo seu espírito, mediante os profetas que nos precederam” (Zacarias 7: 12). O meio utilizado por Deus para comunicar a Sua Palavra foi o Espírito Santo e através dos homens. Deus garantiu que o que foi escrito pelos homens é exatamente o que Ele quis comunicar.

A Bíblia é Deus revelando a Verdade para o Homem – sendo suficiente para cada necessidade humana. Nada, no que diz respeito ao homem, é perfeito, nada é absoluto, nada é permanente. Com o passar dos anos, mudam-se as decisões, os costumes, os valores, a linguagem, os conceitos e até as mais obstinadas afirmações. Hoje o homem “diz”; amanhã ele mesmo se contradiz. A criatura é assim, mas não o Criador! O Senhor, nosso Deus é perfeito, imutável e Suas Palavras permanecem para sempre.

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Muitos se frustraram na insana tentativa de querer “mudar”,

desacreditar, distorcer ou até deter a influência da Santa Palavra de

Deus. Impossível! Não há como negá-la e não há como ignorá-la!

não há como detê-la

Voltaire, famoso filósofo e escritor francês (1694-1778), bem que

tentou desacreditá-la, afirmando pretensiosamente: “A Bíblia é uma obra morta, e em menos de 100 anos cairá no mais completo esquecimento”. Veja como são as coisas; passados pouco mais de 50 anos de sua morte, a própria residência de Voltaire se transformou na Sociedade Bíblica da França e sua imprensa

Bíblias aos

particular passou a produzir tão somente Bíblias milhares.

Afinal, que Livro é esse que tanto fascina a humanidade? Como pode uma obra tão antiga manter-se tão atual e relevante? E como explicar que o Livro mais lido e estudado na história tenha ainda tantas coisas novas a ensinar? Como foi escrito? Quando foi escrito? Quem o escreveu? Como chegou até nós? Essas e outras indagações serão respondidas ao longo de nossos estudos.

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CAPÍTULO 03

BIBLIOLOGIA: A DOUTRINA DAS ESCRITURAS (2)

INSPIRAÇÃO

A. INTRODUÇÃO

“Significa que todos os escritores da Bíblia foram capacitados e controlados pelo Espírito Santo na produção dos escritos originais, usando suas próprias personalidades faculdades mentais, recebendo autoridade divina e infalível” (Bancroft – Teologia Elementar). Deus supervisionou, dirigiu autores humanos, usando suas próprias personalidades, sua cultura, seu contexto de vida, de modo que eles compuseram e registraram – sem erro – a Sua Revelação nas palavras dos documentos originais das Escrituras.

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” (2 Timóteo 3: 16 – 17) – A palavra Escritura aparece cerca de 50 vezes no Novo Testamento; e a maioria delas se refere ao Antigo Testamento. Contudo, às vezes esta se refere também ao próprio Novo Testamento: 1 Timóteo 5: 18; 2 Pedro 3: 16. Quando Paulo escreveu 2 Timóteo praticamente todo o Novo Testamento já estava escrito, à exceção de 2 Pedro, Hebreus, Judas e os escritos de João. Então o apóstolo estava afirmando que todo o Antigo Testamento e tudo o que já havia sido escrito do Novo Testamento era inspirado por Deus.

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(gr. Theopneustos = “soprada por Deus”. O que

Deus é? Verdade (Romanos 3: 4). Se alguém que é em Si mesmo verdade, sopra palavras, que tipo de palavras serão? (João 17: 17). Deus nos concedeu a Sua Revelação através de palavras. “Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana,

“ inspirada por Deus

mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais.” 1 Coríntios 2: 13.

O ‘sopro’ de Deus é uma metáfora comum no Antigo Testamento,

quando refere-se aos atos de Deus, particularmente através do seu Espírito (Gn 2: 7; Jô 33: 3; Sl 33: 6). A afirmação de que a Escritura é inspirada confirma sua origem e caráter divinos e implica algo mais forte do que a palavra inspiração. Mais corretamente, as Escrituras são “expiradas”, isto é, sopradas por Deus. Notem que as Sagradas

Escrituras são o objeto da ação de Deus; os próprios escritores não são mencionados. Os homens estavam envolvidos, é claro, mas aqui a formação da Escritura é associada inteiramente à atividade de Deus. Notem também a abrangência da inspiração. “Toda” Escritura é produto

do “sopro” de Deus; neste contexto, isso significa o Antigo Testamento

inteiro, bem como as partes do Novo Testamento já escritas.

2 Pedro 1: 19 – 21 confirma e estende essas reivindicações. A palavra das testemunhas oculares é inferior à “palavra profética”, uma referência

ao Antigo Testamento em geral. Ele não surgiu das reflexões particulares

dos escritores, mas “homens (santos) falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo.” Em Atos 27: 15 o termo “movido” descreve o movimento de um navio arrastado por uma tempestade. Não devemos querer extrair demasiado desta imagem, mas trata-se claramente de uma forte confirmação da atividade divina na produção das Escrituras, estendendo-se novamente ao conjunto total dos manuscritos relacionados.

TEOLOGIA SISTEMÁTICA I

João 10: 34 – 36 registra a discussão quanto ao uso da palavra “deus” na Lei, neste caso no Salmo 82. Jesus argumenta que a autoridade da Lei não pode ser anulada porque “a Escritura não pode falhar”. Ele expressa a mesma convicção quando compara as palavras do Antigo Testamento com as de Deus: “(o Criador) disse” (Mt 19: 5).

O reconhecimento da autoridade e inspiração divina de todo o conjunto dos escritos do Antigo Testamento por parte de Jesus foi documentado antes, estendendo-se também esta reivindicação de inspiração divina ao Novo Testamento. A consciência da autoridade soberana do próprio Jesus e sua afirmação de falar exatamente as palavras de Deus, sua promessa do Espírito para esclarecer os apóstolos, a vinda do Espírito sobre eles, as reivindicações destes quanto à Iluminação especial do Espírito em seus ensinos, o reconhecimento por parte deles da autoridade divina especial nos escritos apostólicos: tudo isso aponta para a mesma atividade inspiradora da parte de Deus no caso do Novo Testamento. Assim sendo, a Bíblia inteira chega a nós reivindicando sua inspiração divina. É um documento “soprado” por Deus.

1. OS PROFETAS DO ANTIGO TESTAMENTO

Uma percepção de como esta atividade de inspiração divina veio a agir sobre os autores bíblicos pode ser conseguida através de um estudo dos profetas do Antigo Testamento.

A essência da inspiração profética é expressada em Jeremias 1: 5

– 9: “Te constituí profeta às nações

as minhas palavras”. (cf. Is 6: 8; Ez 2). Daí o hábito dos profetas de iniciarem sua mensagem com a frase: “Assim diz o Senhor”. “A palavra do Senhor” vinha a eles constantemente e seus oráculos são geralmente transmitidos na forma de uma mensagem direta de

Eis que ponho em tua boca

TEOLOGIA SISTEMÁTICA I

Deus a seu povo. Os profetas foram de tal modo envolvidos e tomados por Deus e pela sua Palavra que, sob a inspiração do Espírito, a mensagem deles era efetivamente identificada como um pronunciamento do próprio Deus.

2. A PROFECIA (REVELAÇÃO) NOS DIAS DE HOJE

Profeta significa aquele que fala movido por alguém. Os profetas eram representantes de Deus perante o povo. Eram considerados profetas da “Palavra” e da “escrita”. Os sacerdotes eram representantes do povo perante Deus.

Não quer dizer que somente fala de assuntos escatológicos, mas também do presente. Enquanto no Antigo Testamento o profeta dizia: “Assim diz o Senhor”, e logo passava a dizer o que o Senhor lhe dissera, hoje o profeta tem em mãos o que o Senhor quer dizer – a bendita Palavra de Deus. Quando o pregador, que é um profeta de Deus, usa a Palavra para entregar sua mensagem, é o Senhor quem está falando através dele. Tudo o que o Senhor precisa dizer já se encontra em Sua Palavra (Afinal, se Ele tivesse algo mais para falar Ele poderia ter inspirado o 67º livro da Bíblia!). O profeta de hoje não é o que faz previsões sobre o futuro, mas alguém que na unção do Espírito fala do que já foi revelado (1 Co 13:2,9 e 10; 1 Co 14: 1 – 19; Ef 4:11; 1Pe 2.9).

B. TEORIAS DA INSPIRAÇÃO BÍBLICA

1) Como a Bíblia pode ser infalível se ela foi escrita por humanos falíveis?

O fato de a Bíblia ter sido escrita por seres humanos falíveis, não faz dela um Livro defeituoso. Afinal de contas, mesmos

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seres humanos imperfeitos podem fazer coisas perfeitas algumas vezes, e em especial se forem supervisionados por Alguém que é infalível.

Os cristãos não afirmam que os homens que escreveram os livros da Bíblia estavam sempre certos em tudo que disseram ou fizeram. Nós simplesmente acreditamos que a Bíblia está certa quando ela afirma que Deus guiou estes homens em sua tarefa de escrever as Escrituras de modo que o resultado é um livro infalível. O apóstolo Pedro certamente disse muitas coisas erradas durante sua vida, mas Deus não permitiu que ele cometesse nenhum erro quando lhe coube a tarefa de escrever suas duas epístolas.

Paulo, inspirado por Deus, ao escrever sua segunda epístola a Timóteo, afirmou clássica que a Bíblia foi produzida por Deus e não por homens: “Toda Escritura é inspirada por Deus, e é útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a educação na justiça” (2Tm 3:16)

Podemos definir a inspiração como sendo a supervisão divina sobre os autores humanos de modo que, usando suas personalidades individuais, eles compuseram e registraram sem erro a revelação de Deus ao homem nas palavras dos autógrafos originais (Charles Ryrie).

Nós não sabemos exatamente como Deus trabalhou para cumprir o seu propósito de nos prover com uma Bíblia totalmente acurada. Mas o apóstolo Pedro nos fornece algum esclarecimento: “Nenhuma profecia jamais foi dada por vontade humana, mas homens santos, movidos pelo Espírito Santo, falaram de Deus” (2 Pe :21).

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Quanto à inspiração da Bíblia, há várias teorias falsas, que não podemos simplesmente ignorar, porque se não as identificarmos, poderemos até ser influenciados por elas em alguns comentários que lemos. Umas são muito antigas, outras bem recentes, e ainda outras ainda estão surgindo. Em algumas dessas teorias, a verdade vem junto com a mentira, de maneira que muitos descuidados se deixam enganar.

2) Será que Deus encontrou homens excepcionais, dotados de

visão espiritual e dons naturais p/ garantir que a Bíblia fosse

uma obra perfeita?

de suas próprias ideias enquanto Deus transferia misticamente

ou será que a mente do escritor ficou vazia

todo o conteúdo do que deveriam escrever?

3) Será que ditou cada palavra tal como está escrito na Bíblia? ou será que houve uma parceria intelectual e acadêmica de cada escritor?

Vejamos, então, as principais teorias da Inspiração Bíblica.

1. TEORIA DA INSPIRAÇÃO NATURAL

Procura explicar a inspiração como sendo um discernimento superior das verdades morais e religiosas por parte do homem natural. Assim como tem havido, intelectuais, filósofos, artistas, músicos e poetas excepcionais, que produziram obras de arte e de escrita que nunca foram superadas, também em relação as Escrituras houve homens excepcionais com visão espiritual que, por causa de seus dons naturais, foram capazes de escrever as Escrituras.

Refutação: Esta é a noção mais repulsiva de inspiração, pois enfatiza a autoria humana a ponto de excluir a autoria divina. Esta

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teoria foi defendida pelos pelagianos e unitarianos. Ë bom que se diga que os escritores da Bíblia, fossem eles homens simples ou extremamente cultos, afastaram de si toda glória, confessando ser Deus o verdadeiro autor de suas palavras (2Sm.23:2; At.1:16; 28:25; Jr.1:9).

2. TEORIA DA INSPIRAÇÃO MÍSTICA OU ILUMINAÇÃO

Inspiração, segundo essa teoria provém da intensificação ou elevação das percepções religiosas de um crente. Cada crente tem sua iluminação até certo ponto, dependendo do seu grau de maturidade espiritual e intimidade com Deus, e mesmo assim alguns teriam mais percepção do que outros, ainda que fossem maduros na fé.

Refutação: Se esta teoria fosse verdadeira, qualquer cristão em qualquer tempo, através muita “vida devocional”, poderia estar capacitado a escrever livros e cartas no mesmo nível de autoridade que encontramos nas Escrituras. Schleiermacher foi quem disseminou esta teoria. Para ele inspiração é "um despertamento e excitamento da consciência religiosa, diferente em grau e não em espécie da inspiração piedosa ou sentimentos intuitivos dos homens santos".

3. TEORIA DA INSPIRAÇÃO DIVINA COMUM

Compara a inspiração que atribuímos aos escritores da Bíblia ao

que hoje entendemos como sendo uma “iluminação” concedida aos cristãos piedosos, em momentos de oração, adoração, meditação e

reflexão na Palavra etc

e que os capacita a escrever, ensinar, compor,

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Refutação: De fato, existe um tipo de “inspiração comum” concedida pelo Espírito Santo aos que creem e se dedicam ao SENHOR, mas ela se distingue da inspiração conferida aos escritores da Bíblia e, pelo menos dois sentidos:

1) Trata-se de uma “inspiração gradativa”, isto é, o Espírito pode conceder maior ou menor conhecimento e percepção espiritual ao crente, à medida que este ora, se consagra e se santifica; ao passo que a inspiração dos escritores da Bíblia não admite graus: o escritor era ou não era inspirado.

2) A “inspiração comum” pode ser permanente (1Jo 2:27), enquanto que a inspiração concedida aos escritores da Bíblia era temporária. Centenas de vezes encontramos esta expressão dos profetas "e veio a mim a palavra do Senhor ", indicando o momento em que Deus os tomava para transmitir sua mensagem.

4. TEORIA DA INSPIRAÇÃO PARCIAL

Ensina que partes da Bíblia são inspiradas e outras não. Afirma que a Bíblia não é a Palavra de Deus, mas que apenas contém a Palavra de Deus.

Refutação: Se esta teoria fosse verdadeira, estaríamos em grande

confusão, porque quem poderia dizer quais as partes que são inspiradas e as que não o são? A própria Bíblia refuta essa ideia:

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino

profecia da Escritura provém de

particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi

dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (1Pe 1:20,21).

3:16); e também “

” (2Tm

nenhuma

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5. TEORIA DO DITADO VERBAL

Segundo esse pensamento, a inspiração da Bíblia aconteceu como um ditado literal da Palavra de Deus aos escritores, como uma espécie de “transe”, onde praticamente não havia lugar para a atividade intelectual, para a formação acadêmica, nem mesmo para o estilo de cada escritor.

Refutação: Mas esta atividade e este estilo são patentes em cada livro. Lucas, por exemplo, fez cuidadosa investigação de fatos

conhecidos (Lc 1:4). Pedro, que tinha uma maneira simplificada de escrever, fez menção ao estilo mais elaborado do apóstolo Paulo:

igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu,

segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles” (1Pe 3:15,16).

“ como

Esta falsa teoria faz dos escritores verdadeiras máquinas, que anotam o que lhes é ditado, sem qualquer noção do que estão fazendo. Deus não falou com os escritores como quem fala através de um autofalante. Ele usou também as faculdades mentais dos que escreveram. A inspiração não anulou a participação do autor, nem a intenção do escritor diminuiu o poder da inspiração: “Amados, quando empregava toda a diligência em escrever- vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder- me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela ”

(Jd 1:3).

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6. TEORIA DA INSPIRAÇÃO DAS IDEIAS

Ensina que Deus inspirou as ideias contidas na Bíblia na mente dos

autores

teoria, as palavras registradas por escrito são de responsabilidade exclusiva dos escritores – eles teriam colocado no papel, à sua

Segundo essa

apenas as ideias, mas nenhuma Palavra

maneira, as ideias que lhes foram inspiradas.

Refutação:

Ora, qual seria a definição mais precisa de PALAVRA? A Palavra é a expressão do pensamento! Ë a verbalização daquilo que se pensa!

Mas, como é que uma ideia pode ser formulada sem o uso de palavras, ainda que no pensamento?

E como é que uma ideia pode ser exposta, em sua exatidão, sem o uso das palavras que deram vida a essa ideia?

Portanto, uma ideia ou pensamento inspirado só pode ser expresso por meio de palavras inspiradas. Se Deus deu “ideias inspiradas”, Ele as deu através de “palavras inspiradas”

Ninguém há que possa separar a palavra da ideia. A inspiração da Bíblia mão foi somente "pensada", foi também "falada".

“porque jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo. Porque jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2Pe 1:21).

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou ”

pelo Filho

(Hb 1:1).

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“Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais” (1Co 2:13).

7. A TEORIA CORRETA DA INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA

É a chamada teoria da inspiração plena ou verbal. Ensina que todas

as partes da Bíblia são igualmente inspiradas; que os escritores não funcionaram quais máquinas inconscientes; que houve cooperação vital e contínua entre eles e o Espírito de Deus que os capacitava. Afirma que homens santos escreveram a Bíblia com palavras de seu vocabulário, porém sob uma influência tão poderosa do Espírito Santo, que o que eles escreveram foi Palavra de Deus. Assim, a inspiração plena ou verbal é o poder inexplicado do Espírito Santo

orientando e conduzindo os escritores escolhidos por Deus na

transcrição do registro bíblico, quer seja através de observações pessoais (1Jo.1:1-4)., fontes orais ou verbais (Lc.1:1-4; At.17:18;

ou através de revelação divina direta (Ap.1:1-2;

Gl.1:12), preservando-os de erros e omissões, de maneira a garantir

a inerrância das Escrituras, e dando à Bíblia autoridade divina.

Tt.1:12; Hb.1:1)

,

Explicar como Deus agiu no homem, é tarefa difícil! Se já é complicado entender o entrosamento do nosso “ser espiritual” com o nosso “ser corpóreo” espírito com o corpo é um mistério inexplicável para os mais sábios, imagine-se o entrosamento do Espírito de Deus com o espírito do homem! Ao aceitarmos Jesus como salvador aceitamos também as Escrituras como revelação de Deus. A inspiração plenária cessou ao ser escrito o último livro do Novo Testamento. Depois disso nenhum outro escritor, nenhum outro servo de Deus pode ser considerado inspirado no sentido bíblico.

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A autoria bíblica é, portanto Divina e Humana, simultaneamente:

1) Autoria Divina: Do lado divino, as Escrituras são a Palavra de Deus, no sentido de que se originaram nEle e são a expressão de Sua mente. Em 2Tm.3:16 encontramos a referência a Deus:

"Toda Escritura é divinamente inspirada" (theopneustos = soprada ou expirada por Deus). A referência aqui é ao que foi escrito. Então Deus “sopra” Sua Palavra na mente do escritor (expiração), e este, por sua vez, ao receber este “sopro” inspira (inala) a Palavra de Deus a qual será processada em uma mente humana, recebendo dela sua influência, isto é, a maneira de se expressar.

2) Autoria Humana: Na perspectiva humana vemos certos indivíduos escolhidos por Deus com a responsabilidade de receberem (inalarem) a Palavra e transformá-la em escrita. Em 2Pe.1:21 encontramos a referência aos "Homens santos de Deus que falaram movidos pelo Espírito Santo" (pherô = movidos ou conduzidos).

A própria Bíblia reconhece a autoria dual (Divina e Humana) em seu registro. Veja, por exemplo, que Mateus (15:4) registra que Deus ordenou: “Honra a teu pai e a tua mãe. E quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte”. Mas Marcos (7:10) registra o mesmo texto dizendo que foi Moisés quem ordenou essa conduta. E não há contradição – Deus é o autor desse mandamento, mas Ele usou Moisés para transmiti-lo aos homens. Em muitas outras passagens percebemos essa dualidade na autoria da Escrituras (Compare Sl.110:1 com Mc.12:36; Ex.3:6,15 com Mt.22:31; Lc.20:37 com Mc.12:26; Is.6:9,10; At.28:25 com Jo.12:39-41). Deus opera de modo misterioso usando a vontade humana, sem anulá-la e sem que o homem perceba que está

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sendo divinamente conduzido.

pleno uso de sua liberdade (Pv.16:1; 19:21; Sl.33:15; 105:25;

Ap.17:17).

Neste fenômeno, o homem faz

C. RESUMINDO

Inspiração é a operação divina que influenciou os escritores bíblicos, capacitando-os a receber a mensagem divina, e que os moveu a transcrevê-la com exatidão, impedindo-os de cometerem erros e omissões, de modo que ela recebeu autoridade divina e infalível, garantindo a exata transferência da verdade revelada de Deus para a linguagem humana inteligível (2Co.10:13; 2Tm.3:16; 2Pe.1:20,21).

D. PROVAS DA INSPIRAÇÃO BÍBLICA

1. O TESTEMUNHO DA ARQUEOLOGIA

Dr. Melvin Grove Kyle, um famoso arqueólogo internacional, já disse que nenhuma descoberta arqueológica nos últimos cem anos invalidou de algum modo qualquer simples declaração da Bíblia. Pelo contrário, as descobertas têm confirmado as Sagradas Escrituras de modo admirável.

2. O TESTEMUNHO DAS VIDAS TRANSFORMADAS

Sua influência sobre o caráter e a conduta de milhares de pessoas ao longo da história.

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O fato de ter sido escrita num período de cerca de 1600 anos por 40 autores diferentes, sem qualquer contradição, faz-nos pensar um pouco.

4. O TESTEMUNHO DAS PROFECIAS BÍBLICAS

João 10: 35. Mais de 300 profecias do Antigo Testamento convergem para a pessoa do Senhor Jesus Cristo (Lucas 24: 27, 44

–49).

“O problema dos opositores da Bíblia é que eles não têm nada melhor para oferecer!”

E. A AUTORIDADE E CREDIBILIDADE DAS ESCRITURAS

Dizemos que a Bíblia é um livro que tem autoridade porque ela tem influência, prestígio e credibilidade (quanto a pureza na transcrição ou tradução), por isso deve ser obedecida porque procede de fonte infalível e autorizada.

A autoridade está vinculada à inspiração, canonicidade e credibilidade, sem os quais a autoridade da Bíblia não se estabeleceria. Assim, por ser inspirado, determinado trecho bíblico possui autoridade; por ser canônico, determinado livro bíblico possui autoridade, e por ser credibilidade, determinadas informações bíblicas possuem autoridade, sejam históricas, geográficas ou científicas.

Entretanto, nem tudo aquilo que é inspirado é autorizado, pois a autoridade de um livro trata de sua procedência, de sua autoria, e, portanto, de sua veracidade. Deus é o Autor da Bíblia, e como tal ela possui autoridade, mas nem tudo que está registrado na Bíblia procedeu da boca de Deus. Por exemplo, o que Satanás disse para Eva foi

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registrado por inspiração, mas não é a verdade (Gn.3:4,5); o conselho que Pedro deu a Cristo (Mt.16:22); as acusações que Elifaz fez contra Jó (Jó.22:5-11), etc.

Nenhuma dessas declarações representam o pensamento de Deus ou procedem dEle (procedem apenas por inspiração), e por isso não têm autoridade. Um texto também perde sua autoridade quando é retirado de seu contexto e lhe é atribuído um significado totalmente diferente daquele que tem quando inserido no contexto. As palavras ainda são inspiradas, mas o novo significado não tem autoridade.

Um livro tem credibilidade se relatou veridicamente os assuntos como aconteceram ou como eles são; e quando seu texto atual concorda com

o escrito original.

Nesse caso credibilidade relaciona-se ao conteúdo do livro (original), e

a pureza do texto atual (cópia ou tradução). Por exemplo, as palavras de Satanás em Gn.3:4,5 são inspiradas, mas não possuem autoridade, porque não é verdade, porém tem credibilidade ou veracidade (quanto a sua transcrição) porque foram registradas exatamente como Satanás disse. A veracidade das palavras de Satanás não se relaciona ao o que ele pronunciou, mas sim como ele as pronunciou.

F. CREDIBILIDADE DO A.T. – ESTABELECIDA POR TRÊS FATOS

1. AUTENTICADO POR JESUS CRISTO

Cristo recebeu o A.T. como relato verídico. Ele endossou grande número de ensinamentos do A.T., como, por exemplo: A criação do universo por Deus (Mc.3:19), a criação do homem (Mt.19:4,5), a existência de Satanás (Jo.8:44), o dilúvio (Lc.17:26,27), a destruição de Sodoma e Gomorra (Lc.17:28-30), a revelação de

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Deus a Moisés na sarça (Mc.12:26), a dádiva do maná (Jo.6:32), a experiência de Jonas dentro do grande peixe (Mt.12:39,40). Como Jesus era Deus manifesto em carne,

Ele conhecia os fatos, e não podia se acomodar a ideias errôneas, e, ao mesmo tempo ser honesto. Seu testemunho deve, portanto, ser aceito como verdadeiro ou Ele deve ser rejeitado como Mestre religioso.

2. PROVAS ARQUEOLÓGICAS

Através da arqueologia, a batalha dos reis registrada em Gn.14 não pode mais ser posta em dúvida, já que as inscrições no Vale do Eufrates "mostram indiscutivelmente que os quatro reis mencionados na Bíblia como tendo participado desta expedição não são, como era dito displicentemente, 'invenções etnológicas', mas sim personagens históricos reais. Anrafel é identificado como o Hamurabi cujo maravilhoso código de leis foi tão recentemente descoberto por De Morgan em Susa". (Geo. F. Wright, O Testemunho dos Monumentos à Verdade das Escrituras).

As tábuas Nuzi esclarecem a ação de Sara e Raquel ao darem suas

servas aos seus maridos (Jack Finegan, Ligth from the Ancient Past

= Luz de um Passado Antigo). Os hieróglifos egípcios indicam que

a escrita já era conhecida mais de 1.000 anos antes de Abraão (James Orr, The Problem of the Old Testament = O Problema do Velho Testamento).

A arqueologia também confirma o fato de Israel ter vivido no Egito,

como escravo, e ter sido liberto (Melvin G. Kyle, The Deciding Voice

of the Monuments = A Voz Decisória dos Monumentos).

Muitas

outras

confirmações

da

veracidade

dos

relatos

das

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Escrituras poderiam ser apresentadas, mas esses são suficientes e devem servir como aviso aos descrentes com relação às coisas para as quais ainda não temos confirmação; podemos encontrá-la a qualquer hora.

3. PROVAS HISTÓRICAS

A história fornece muitas provas da exatidão das descrições bíblicas. Sabe-se que Salmanezer IV sitiou a cidade de Samaria, mas o rei da Assíria, que sabemos ter sido Sargom II, carregou o povo para a Síria (2Rs.17:3-6). A história mostra que ele reinou de 722-705 a.C. Ele é mencionado pelo nome apenas uma vez na Bíblia (Is.20:1). Nem Beltsazar (Dn 5), nem Dario, o Medo (Dn.6) são mais considerados como personagens fictícios.

G. AS ESCRITURAS POSSUEM INTEGRIDADE:

1. INTEGRIDADE TOPOGRÁFICA E GEOGRÁFICA

As descobertas arqueológicas provam que os povos, línguas, os lugares e os eventos mencionados nas Escrituras são encontrados justamente onde as Escrituras os localizam, no local exato e sob as circunstâncias geográficas exatas descritas na Bíblia.

2. INTEGRIDADE ETNOLÓGICA OU RACIAL

Todas as afirmações bíblicas sobre raças têm sido demonstrada como corretas com os fatos etnológicos revelados pela arqueologia.

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3. INTEGRIDADE CRONOLÓGICA

A identificação bíblica de povos, lugares e acontecimentos com o

período de sua ocorrência é corroborada pela cronologia Síria e

pelos fatos revelados pela arqueologia.

4. INTEGRIDADE HISTÓRICA

O registro dos nomes e títulos dos reis está em harmonia perfeita

com os registros seculares, conforme demonstrados por

descobertas arqueológicas.

5. INTEGRIDADE CANÔNICA

A aceitação pela igreja em toda a era cristã, dos livros incluídos nas Escrituras que hoje possuímos, representa o endosso de sua integridade. Exemplares do A.T. e do N.T. impressos em 1.488 e 1.516 d.C., concordam com os exemplares atuais. Portanto, a Bíblia como a possuímos hoje, já existia há 400 anos passados.

Quando essas Bíblias foram impressas, certo erudito tinha em seu poder mais de 2.000 manuscritos. Esse número é sem dúvida suficiente para estabelecer a genuinidade e credibilidade do texto sagrado, e tem servido para restaurar ao texto sua pureza original, e fornecem proteção contra corrupções futuras (Ap.22:18-19; Dt.4:2; 12:32).

Enquanto a integridade canônica da Bíblia se baseia em mais de 2.000 manuscritos, os escritos seculares, que geralmente são aceitos sem contestação, baseiam-se em apenas uma ou duas dezenas de exemplares.

As quatro Bíblias mais antigas do mundo, datadas entre 300 e 400

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d.C.,

atualmente.

correspondem

exatamente

a

Bíblia

como

a

possuímos

H. CREDIBILIDADE DO NOVO TESTAMENTO ESTABELECIDA POR CINCO FATOS

1. ESCRITORES COMPETENTES

Possuíam as qualificações necessárias, receberam investidura do Espírito Santo e assim escreveram não somente guiados pela memória, apresentações de testemunho oral e escrito, e discernimento espiritual, mas como escritores qualificados pelo Espírito Santo.

2. ESCRITORES HONESTOS

O tom moral de seus escritos, sua preocupação com a verdade, e a circunstância de seus registros indicam que não eram enganadores intencionais mais sim homens honestos. O seu testemunho pôs em perigo seus interesses materiais, posição social, e suas próprias vidas. Por que razões inventariam uma estória que condena a hipocrisia e é contrária a suas crenças herdadas, pagando com suas próprias vidas?

3. HARMONIA DO NOVO TESTAMENTO

Os sinópticos não se contradizem, mas suplementam um ao outro. Os vinte e sete livros do N.T. apresentam um quadro harmonioso de Jesus Cristo e Sua obra.

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4. PROVAS HISTÓRICAS

O recenseamento quando Quirino era Governador da Síria (Lc.2:2), os atos de Herodes o Grande (Mt.2:16-18), de Herodes Antipas

(Mt.14:1-12), de Agripa I (At.12:1), de Gálio (At.18;12-17), de Agripa

II (At.25:13-26:32) etc.

5. PROVAS ARQUEOLÓGICAS

As descobertas arqueológicas confirmam a veracidade do N.T. Quirino (Lc.2:2) foi Governador da Síria duas vezes (16-12 e 6-4 a.C.), sendo que Lucas se refere ao segundo período. Lisânias, o Tetrarca é mencionado em uma inscrição no local de Abilene na época a que Lucas se refere.

Uma inscrição em Listra registra a dedicação da estátua Zeus (Júpiter) e Hermes (Mercúrio), o que mostra que esses deuses eram colocados no mesmo nível, no culto local, conforme descrito em At.14:12. Uma inscrição de Pafos faz referência ao Proconsul Paulo, identificado como Sergio Paulo (At.13:7).

Além de tudo o que foi dito, podemos ainda comprovar a Autoridade

e a Credibilidade das Escrituras pelo simples fato dela conter “vida”, tanto nos benefícios que conquista para os que dela tem acesso como “vida em si mesma” pela imortalidade de sua existência.

1) Animação - É o poder inerente à Palavra de Deus para transmitir vitalidade ou vida ao ser humano. O Sl.19:7 diz que "a lei do "

Senhor é perfeita, e restaura a alma

"os preceitos do Senhor são retos, e alegram o coração Somente algo que tem vida pode transmitir vida, e por isso mesmo somente a Bíblia, e nenhum outro livro pode fazê-lo, pois a Bíblia sendo a Palavra de Deus é viva: "A Palavra de

e no versículo 8 diz que

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Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração"(Hb.4:12).

2) A Palavra de Deus é Viva – O elemento da vida que aqui se declara é mais do que aquilo que agora tem autoridade em contraste com o que já se tornou letra morta; é mais do que alguma coisa que fornece nutrição. Mas as Escrituras são vivas porque é o hálito (espírito) do Deus Vivo (Jo.6:63; Jó 33:4). Assim tanto a Palavra Escrita (Logos) como a Palavra Falada (rêma) são possuidoras de vida. Não há diferença essencial entre elas, pois são apenas duas formas diferentes dela existir.

O trecho de Hb.4:12 diz que a Palavra de Deus é viva, e eficaz, é cortante, penetra e discerne.

Em 1Pedro (1:23) lemos que a Palavra de Deus vive e permanece para sempre. Assim a Palavra de Deus possui vida eternamente (Sl.19:9; 119:160).

3) A Palavra de Deus é Eficaz – A palavra grega usada neste trecho é energês de onde temos a palavra energia. Trata-se da energia que a vida vital fornece. Por isso a Palavra de Deus é comparada a uma poderosa espada de dois gumes com poder para cortar, penetrar e discernir. Quando o Espírito Santo empunha a Sua espada (Ef.6:17) uma energia é liberada dela para animar e realizar o seu propósito (Is.55:10,11). E' com este poder inerente à Palavra de Deus que o Espírito Santo convence os contradizentes (Jo.16:8; 1Co.2:4) porque a Palavra de Deus é como uma dinamite com poder (dínamos, Rm.1:16) para salvar e destruir (2Co.10:4,5; 2Co.2:14,17; 1Jo.2:14; Jr.23:24).

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A Palavra de Deus é como um nutriente alimento que fornece

forças (I Pe.2:2; Mt.4:4). Paulo escrevendo aos tessalonicenses, revela sua gratidão a Deus por haverem eles recebido a Palavra de Deus a qual estava operando (energizando) eficazmente neles (1Ts.2:13). Paulo conhecia o poder da Palavra de Deus, por isso recomendou aos anciãos da igreja que a observassem porque ela "tem poder para edificar e dar herança entre todos os que são santificados" (At.20:32;

Jo.5:39).

4) É eficaz na regeneração: Comparada com a "água" (Jo.3:5; Ef.5:26), a Palavra de Deus tem poder para regenerar, pois ela coopera com o Espírito Santo na realização do novo nascimento (1Pe.1:23; Tt.3:5; Jo.15:3; Ez.36:25-27; Jo.6:63; Tg.1:18,21; 1Co.4:15; Rm.1:16).

5) É eficaz na santificação: A Palavra de Deus tem poder para santificar (Jo.17:17; Ef.5:26; Ez.36:25,27; 2Pe.1:4; Sl.37:31;

119:11). Com efeito, a santificação é pela fé (At.15:9 e 26:18) e

a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Rm.10:17).

6) É eficaz na edificação: A Palavra de Deus tem poder para edificar (1Pe.2:2; At.20:32; 2Pe.3:18).

7) Preservação - É a operação divina que garante a permanência da Palavra Escrita, com base na aliança que Deus fez acerca de Sua Palavra Eterna (Sl.119:89,152; Mt.24:35; 1Pe.1:23; Jo.10:35). Os céus e a terra passarão (Hb.12:26,27; 2Pe.3:10) mas a Palavra de Deus permanecerá (Mt.24:35; Hb.12:28; Is.40:8; 2Pe.1:19).

A preservação das Escrituras, como o cuidado divino para a sua

criação e formação do cânon, não foi acidental, nem incidental,

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mas sim o cumprimento de uma promessa divina. A Bíblia é eterna, ela permanece porque nenhuma Palavra que Jeová tenha dito pode ser removida ou abalada; nem uma vírgula ou um ponto do testemunho divino pode passar até que seja cumprido.

"Quando pensamos no fato da Bíblia ter sido objeto especial de infindável perseguição, a maravilha da sua sobrevivência se

Por dois mil anos, o ódio do homem

pela Bíblia tem sido persistente, determinado, incansável e

assassino. Todo esforço possível tem sido feito para corroer a

fé na inspiração e autoridade da Bíblia, e inúmeras operações

têm sido levadas a efeito para fazê-la desaparecer. Decretos imperiais têm sido passados ordenando que todas as cópias existentes da Bíblia fossem destruídas, e quando essa medida não conseguiu exterminar e aniquilar a Palavra de Deus, ordens foram dadas para que qualquer pessoa que fosse encontrada com uma cópia das Escrituras fosse morta."

transforma em milagre

(Arthur W. Pink. The Divine Inspiration of the Bible = A Inspiração Divina da Bíblia)

A Bíblia permanece até hoje porque o próprio Deus tem se

empenhado em preservá-la. Quando o rei Jeoaquim queimou um rolo das Escrituras, Deus mesmo determinou a Jeremias que reescrevesse as palavras que haviam sido queimadas (Jr.36:27,28), e ainda determinou maldições sobre o rei, por haver tentado destruir a Palavra de Deus (Jr.36:29,31). Ademais Deus acrescentou ao segundo rolo outras palavras que não se encontravam no primeiro (Jr.36:32), pois a Palavra de Deus sempre há de prevalecer sobre a palavra do homem (Jr.44:17,28; At.19:19,20).

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Deve ficar esclarecido que Deus tem preservado apenas a Sua Palavra inspirada, aquilo que deve ser considerado como revelação de Deus, e por isso mesmo não foi preservado e não faz parte do Cânon Sagrado (1Cr.29:29; 2Cr 9:29; 12:15; 13:22; 20:34; 2Cr.24:27; 26:22; 33:19).

Em 2Co.7:8 Paulo faz menção a uma segunda carta que não consta do Novo Testamento, sendo que a segunda carta de Coríntios que temos na nossa Bíblia, provavelmente deveria ser a terceira.

Hoje a estratégia de Satanás sobre a Palavra de Deus é diferente, pois já que ele não consegue destruí-la, procura desacreditá-la (negando sua inspiração) e corrompê-la com interpretações pervertidas da verdade (1Tm.4:1,2; 2Ts.2:9-12).

A

nós, pois, como igreja, cabe a responsabilidade de defender

e

preservar a verdade (1Tm.3:15) com o mesmo anseio que

caracterizava a vida de Paulo (Fp.1:7,16).

I. INERRÂNCIA E AUTENTICIDADE

Inerrância significa que a verdade é transmitida em palavras que, entendidas no sentido em que foram empregadas, entendidas no sentido que realmente se destinavam a ter, não expressam erro algum. A inspiração garante a inerrância da Bíblia. Inerrância não significa que os escritores não tinham faltas na vida, mas que foram preservados de erros os seus ensinos. Eles podem ter tido concepções errôneas acerca de muitas coisas, mas não as ensinaram; por exemplo, quanto à terra, às estrelas, às leis naturais, à geografia, à vida política e social etc. Também não significa que não se possa interpretar erroneamente o texto ou que ele não possa ser mal compreendido.

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A inerrância não nega a flexibilidade da linguagem como veículo de comunicação. É muitas vezes difícil transmitir com exatidão um pensamento por causa desta flexibilidade de linguagem ou por causa de possível variação no sentido das palavras.

A Bíblia vem de Deus. Será que Deus nos deu um livro de instrução religiosa repleto de erros? Se ele possui erros sob a forma de uma pretensa revelação, perpetua os erros e as trevas que professa remover. Pode-se admitir que um Deus Santo adicione a sanção do seu nome a algo que não seja a expressão exata da verdade?

Diz-se que a Bíblia é parcialmente verdadeira e parcialmente falsa. Se é parcialmente falsa, como se explica que Deus tenha posto o seu selo sobre toda ela? Se ela é parcialmente verdadeira e parcialmente falsa, então a vida e a morte estão a depender de um processo de separação entre o certo e o errado, que o homem não pode realizar.

Cristo declara que a incredulidade é ofensa digna de castigo. Isto implica na veracidade daquilo que tem de ser crido, porque Deus não pode castigar o homem por descrer no que não é verdadeiro (Sl.119:140,142; Mt.5:18; Jo.10:35; Jo.17:17). Aqueles que negam a infalibilidade da Bíblia, geralmente estão prontos a confiar na falibilidade de suas próprias opiniões. Como exemplo de opinião falível encontramos aqueles que atribuem erro à passagem de 1Rs.7:23 onde lemos que o mar de fundição tinha dez côvados de diâmetro de uma borda até a outra, ao passo que um cordão de trinta côvados o cingia em redor. Sendo assim, tem-se dito que a Bíblia faz o valor do Pi ser 3 em vez de 3,1416. Mas uma vez que não sabemos se a linha em redor era na extremidade da borda ou debaixo da mesma, como parece sugerir o versículo seguinte (v.24) não podemos chegar a uma conclusão definitiva, e devemos ser cautelosos ao atribuir erro ao escritor.

Outro exemplo utilizado para contrariar a inerrância da Bíblia, encontra-

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se em 1Co.10:8 onde lemos que 23.000 homens morreram no deserto, enquanto que Nm 25:9 diz que morreram 24.000. Acontece que em Números nós temos o número total dos mortos, ao passo que em I aos Coríntios nós temos o número parcial que somado ao restante dos homens relacionados nos versículos 9 e 10, deverá contabilizar o total de 24.000. A inerrância não abrange as cópias dos manuscritos, mas atinge somente os originais. Desse modo encontramos os seguintes tipos de erros nos manuscritos:

1. ERROS INVOLUNTÁRIOS

Cometidos pelos escribas do N.T. devido a sua falta ou defeito de visão, defeitos de audição ou falhas mentais.

2. ERROS INTENCIONAIS

Erros que não se originaram de negligência ou distração dos escribas, mas antes de suspeita de alteração, principalmente doutrinária.

J. AUTENTICIDADE OU GENUINIDADE

Dizemos que um livro é genuíno ou autêntico quando ele é escrito pela pessoa ou pessoas cujo nome ele leva, ou, se anônimo, pela pessoa ou pessoas a quem a tradição antiga o atribui, ou, se não for atribuído a algum autor ou autores específicos, à época que a tradição lhe atribui.

O Credo Apostólico não é genuíno porque não foi composto pelos apóstolos. As Viagens de Gulliver é genuíno, tendo sido escrito por Dean Swift, embora seus relatos sejam fictícios. Atos de Paulo não é genuíno, pois foi escrito por um sacerdote contemporâneo de Tertuliano. Desse

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modo a autenticidade relaciona-se ao autor e à época do livro, e todos os livros da Bíblia possuem autenticidade comprovada pela tradição histórica e pela arqueologia (Gl.6:11; Cl.4:18).

K. CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE A INSPIRAÇÃO

A Bíblia ensina que ela é direta e soberanamente inspirada por Deus

devendo, portanto, ser obedecida como a Sua Palavra Viva dirigida diretamente a nós. Se reconhecermos a sua autoridade, é previsto que aceitemos também este ponto: sua dupla afirmação de ser a palavra inspirada de Deus e que devemos aproximar-nos dela com reverência e submissão. Tomar outra posição é opor-se ao claro ensinamento bíblico.

Contudo, sempre haverá evidentemente, um elemento de mistério sobre

a maneira precisa pela qual a Bíblia foi produzida. Isto não deve

surpreender-nos, pois o mistério acompanha inevitavelmente todos os relacionamentos de Deus com suas criaturas. A encarnação é igualmente um “mistério” para nós, pois jamais poderemos estabelecer definitivamente como as naturezas divina e humana são unidas na pessoa de Jesus Cristo. Em nenhum dos casos, porém, o “mistério” da atividade de Deus deve impedir que creiamos nEle e que nos rejubilemos na sua verdade.

Em última análise, a questão da inspiração é profundamente relacionada com a nossa doutrina sobre Deus. Se reconhecermos Deus com aquele “que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Efésios

1: 11), que “faz o que quer” (Salmo 135: 6), não encontraremos qualquer

dificuldade básica. Nada há de incongruente no fato dele ter produzido um livro que, embora nascido da experiência das suas criaturas, é também através de sua ordem soberana, a Sua Própria Palavra dirigida a elas.

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Sendo assim, concluímos que este livro contém a mente de Deus, a condição do homem, o caminho para a salvação, a condenação dos pecadores e o gozo dos Cristãos. A sua doutrina é santa. Os seus preceitos são consistentes. As suas afirmações são imutáveis. Leia-a para ser sábio. Creia nela para ser salvo. Pratique-a para ser santo. Ela contém a luz para guiá-lo, alimento para supri-lo e conforto para alegrá- lo. É um mapa ao viajante, um cajado ao peregrino, uma bússola ao piloto, uma espada ao soldado e o caráter do Cristão. Nela o céu está aberto e os portões do inferno revelados.

Nela, Cristo é o grande assunto, o nosso bem é o seu alvo e a glória de Deus é o seu fim. Ela deve abundar na memória, reinar no coração e guiar os pés. Leia-a com paciência, com frequência e em espírito de oração. Ela é uma mina de riquezas, saúde para a alma e um rio de santificação. É dada a você nessa vida, será aberta no julgamento e foi estabelecida para todo o sempre. Ela envolve o mais alto nível de responsabilidade, recompensará o esforço de cada um e condenará todos que ousarem alterar o seu conteúdo.

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CAPÍTULO 04

BIBLIOLOGIA: A DOUTRINA DAS ESCRITURAS (3)

ILUMINAÇÃO

A. INTRODUÇÃO

É a capacidade dada pelo Espírito Santo aos crentes para receberem,

reagirem e refletirem a Palavra de Deus (Tg 1: 19 – 27; 1 Jo 2: 20 e 27). Esta obra é de suma importância. Jesus disse acerca do Espírito Santo:

esse “

vos tenho dito” João 14: 26.

vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que

A iluminação é a influência ou ministério do Espírito Santo que capacita

todos os que estão num relacionamento correto com Deus para entender as Escrituras (1Co2:12; Lc.24:32,45; 1Jo.2:27). A iluminação não inclui

a responsabilidade de acrescentar algo às Escrituras (revelação) e nem

inclui uma transmissão infalível na linguagem (inspiração) daquele que

o Espírito Santo ensina. A iluminação é diferenciada da revelação e da

inspiração no fato de ser prometida a todos os crentes, pois não depende de escolha soberana, mas de ajustamento pessoal ao Espírito Santo.

Além disso a iluminação admite graus podendo aumentar ou diminuir (Ef.1:16-18; 4:23; Cl.1:9).

A iluminação não se limita a questões comuns, mas pode atingir as coisas profundas de Deus (1Co.2:10) porque o Mestre Divino está no coração do crente e, portanto, ele não houve uma voz falando de fora e em determinados momentos, mas a mente e o coração são sobrenaturalmente despertados de dentro (1Co.2:16). Este

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despertamento do Espírito pode ser prejudicado pelo pecado, pois é dito que o cristão que é espiritual discerne todas as coisas (1Co.2:15), ao passo que aquele que é carnal não pode receber as verdades mais profundas de Deus que são comparadas ao alimento sólido (1Co.2:15; 3:1-3; Hb.5:12-14).

A iluminação, a inspiração e a revelação estão estritamente ligadas, porém podem ser independentes, pois há inspiração sem revelação (Lc.1:1-3; 1Jo.1:1-4); inspiração com revelação (Ap.1:1-11); inspiração sem iluminação (1Pe.1:10-12); iluminação sem inspiração (Ef.1:18) e sem revelação (1Co.2:12; Jd.3); revelação sem iluminação (1Pe.1:10- 12) e sem inspiração (Ap.10:3,4; Ex.20:1-22).

É digno de nota que encontramos estes três ministérios do Espírito Santo mencionados em uma só passagem (1Co.2:9-13); a revelação no versículo 10; a iluminação no versículo 12 e a inspiração no versículo 13.

“Mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais”

B. A BÍBLIA É A MENSAGEM DE DEUS À HUMANIDADE

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Deus é um comunicador e deseja nos informar sobre:

1. ELE MESMO

Estudaremos quem Deus é observando o que Ele fala e faz. Ele é o principal foco da Bíblia.

2. A SUA CRIAÇÃO

Deus nos revela muito sobre Si mesmo através da Sua criação. Como Ele criou o mundo, o que Ele usou para criar o mundo e o propósito por trás da criação, tudo demonstra aspectos do Seu caráter.

3. O HOMEM

A Bíblia revela claramente como e porque Deus criou o homem, as Suas expectativas para ele e fala sobre seu propósito e destino.

C. TEMAS PRINCIPAIS DA BÍBLIA

1. O CONHECIMENTO E A GLÓRIA DE DEUS

2. A REBELIÃO DO HOMEM CONTRA O SEU CRIADOR E O RESULTADO DA REBELIÃO

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4. A INCAPACIDADE DO HOMEM PARA MUDAR A SUA CONDIÇÃO PERANTE DEUS

5. A REDENÇÃO DA HUMANIDADE PROVIDENCIADA POR DEUS

6. O REINO DE DEUS E A RESTAURAÇÃO UNIVERSAL

D. POR QUE ESTUDAR A BÍBLIA?

Porque é totalmente infalível e sem erro nas suas partes (Sl 19: 7; Pv 30:

5 – 6)

Porque é a fonte da verdade (Jo 17: 17; 2 Tm 3: 16)

Porque revela a Pessoa de Deus (Pv 2: 1, 5; Jo 5: 39)

Porque cumprirá o que promete (Is 55: 11)

Porque não muda (Sl 119: 89)

Porque é a fonte das bênçãos de Deus quando obedecida (Lc 11: 28)

Porque vale mais que o ouro (Sl 19: 7 – 10)

E. COMO A BÍBLIA CHEGOU ATÉ NÓS

A questão quais livros pertencem à Bíblia é chamada questão canônica.

A palavra cânon significa régua, vara de medir, regra, e, em relação à

Bíblia, refere-se à coleção de livros que passaram pelo teste de autenticidade e autoridade; significa ainda que esses livros são nossa regra de vida. Essa palavra foi usada no Novo Testamento em Gálatas 6:16. Mas, como foi formada esta coleção?

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1. OS TESTES DE CANONICIDADE

Em primeiro lugar é importante lembrarmos que os livros já eram canônicos antes de qualquer teste lhes ser aplicado. Isto é como dizer que alguns alunos são inteligentes antes mesmo de se lhes ministrar uma prova. Os testes apenas provam aquilo que intrinsecamente já existe. Do mesmo modo, nem a Igreja nem os concílios eclesiásticos jamais concederam canonicidade ou autoridade a qualquer livro; o livro era autêntico ou não no momento em que foi escrito. A igreja e seus concílios reconheceram certos livros como Palavra de Deus e, com o passar do tempo, aqueles assim reconhecidos foram colecionados para formar o que hoje chamamos Bíblia.

2. QUE TESTES A IGREJA APLICOU?

1) Havia o teste da autoridade do escritor. Em relação ao Antigo Testamento, isto significava a autoridade do legislador, ou do profeta, ou do líder em Israel. No caso do Novo Testamento, o livro deveria ter sido escrito ou influenciado por um apóstolo para ser reconhecido. Em outras palavras, deveria ter a assinatura ou a aprovação de um apóstolo. Pedro, por exemplo, apoiou a Marcos, e Paulo a Lucas.

2) Os próprios livros deveriam dar alguma prova intrínseca de seu caráter peculiar, inspirado e autorizado por Deus. Estes não poderiam entrar em contradição com qualquer outra parte das Escrituras já reconhecidas. Seu conteúdo também deveria se demonstrar ao leitor como algo diferente de qualquer outro livro por comunicar a revelação de Deus.

3) O veredicto das igrejas quanto à natureza canônica dos livros

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era importante. Na verdade houve uma surpreendente unanimidade entre as primeiras igrejas quanto aos livros que mereciam lugar entre os inspirados. Embora seja fato que alguns livros bíblicos tenham sido recusados ou questionados por uma minoria, nenhum livro cuja autenticidade foi questionada por número grande de igrejas veio a ser aceito posteriormente como parte do cânon.

3. A FORMAÇÃO DO CÂNON

O cânon da Escritura estava-se formando, é claro, à medida que cada livro era escrito, e completou-se quando o último livro foi terminado. Quando falamos da "formação" do cânon estamos realmente falando do reconhecimento dos livros canônicos pela Igreja. Esse processo levou algum tempo.

Alguns afirmam que todos os livros do Antigo Testamento já haviam sido colecionados e reconhecidos por Esdras, no quinto século a.C. Referências nos escritos de Flávio Josefo (95 A.D.) e em 2 Esdras 14* (100 A.D.) indicam a extensão do cânon do Antigo Testamento como os 39 livros que hoje aceitamos. A discussão do chamado Sínodo de Jamnia (70-100 A.D.) parece ter partido desse cânon. Nosso Senhor delimitou a extensão dos livros canônicos do Antigo Testamento quando acusou os escribas de serem culpados da morte de todos os profetas que Deus enviara a Israel, de Abel a Zacarias (Lc 11:51). O relato da morte de Abel está, é claro, em Gênesis; o de Zacarias se acha em 2 Crônicas 24:20-21, que é o último livro na disposição da Bíblia hebraica (em lugar do nosso Malaquias). Para nós, é como se Jesus tivesse dito: "Sua culpa está registrada em toda a Bíblia - de Gênesis a Malaquias". Ele não incluiu qualquer dos livros apócrifos que já existiam em Seu tempo

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e que continham relatos das mortes de outros mártires israelitas.

O primeiro concílio eclesiástico a reconhecer todos os 27 livros do Novo Testamento foi o Concílio de Cartago, em 397 A.D. Alguns livros do Novo Testamento, individualmente, já haviam sido reconhecidos como canônicos muito antes disso (2 Pe 3:16; 1 Tm 5:18) e a maioria deles foi aceita como canônica no século posterior ao dos apóstolos (Hebreus, Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João e Judas foram debatidos por algum tempo). A seleção do cânon foi um processo que continuou até que cada livro provasse o seu valor, passando pelos testes de canonicidade.

Os doze livros apócrifos do Antigo Testamento jamais foram aceitos pelos judeus ou por nosso Senhor no mesmo nível de autoridade dos livros canônicos. Eles eram respeitados, mas não foram considerados como Escritura. A Septuaginta (versão grega do Antigo Testamento produzida entre o terceiro e o segundo séculos a.C.) incluiu os apócrifos com o Antigo Testamento canônico. Jerônimo (c. 340-420 A.D.), ao traduzir a Vulgata, distinguiu entre os livros canônicos e os eclesiásticos (que eram os apócrifos), e essa distinção acabou por conceder-lhes uma condição de canonicidade secundária. O Concílio de Trento (1548) reconheceu- os como canônicos, embora os Reformadores tenham rejeitado tal decreto. Em algumas versões protestantes dos séculos XVI e XVII, os apócrifos foram colocados à parte.

4. LIVROS NÃO ACEITOS PELO CÂNON

1) Pseudoepigráficos: Livros que foram rejeitados por todos.

No Antigo Testamento – Enoque, Ascensão de Moisés, 3 e 4 de Macabeus, 4 Esdras, Os Testamentos dos 12 Patriarcas e

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outros

No Novo Testamento – Atos de Paulo, A Epístola de Barnabé, O Pastor de Hermas, o Didaqué

2) Apócrifos: Literalmente – “difícil de entender” ou “escondido” livros que foram aceitos por alguns.

Todos no Antigo Testamento – Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Jesus Sirac, Baruque, A Carta de Jeremias, 1 e 2 de Macabeus, A Oração de Manasses, 3 Esdras, além de acréscimos aos livros de Ester e Daniel. A Igreja Católica Romana sustenta a canonicidade dos Apócrifos desde o Concílio de Trento (1546) – realizado como parte da “Contrarreforma”.

5. HISTÓRIA DO PROCESSO DO CÂNON

1) Policarpo (110 – 150): Não citou 2 Timóteo, Tito, Filemom, Hebreus, Tiago e 2 Pedro.

2) Irineu (130 – 220): Não citou Filemom, Tiago, 2 Pedro e 3 João.

3) Cânon Muratório (170): Não citou Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro.

4) Tertuliano (150 – 220): Não citou Filemom, Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João.

5) Cânon de Baraccócio (206): Não citou Apocalipse.

6) Cânon de Anastácio (367): Inclui todos.

7) Cânon de Hipona (397, 419): Inclui todos.

6. O TEXTO DE QUE DISPOMOS É CONFIÁVEL?

Os manuscritos originais do Antigo Testamento e suas primeiras

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cópias foram escritos em pergaminho ou papiro, desde o tempo de Moisés (c. 1450 a.C.) até o tempo de Malaquias (400 a.C.). Até a sensacional descoberta dos Rolos do Mar Morto em 1947, não possuíamos cópias do Antigo Testamento anteriores a 895 A.D. A razão de isso acontecer era a veneração quase supersticiosa que os judeus tinham pelo texto e que os levava a enterrar as cópias, à medida que ficavam gastas demais para uso regular. Na verdade, os Massoretas (tradicionalistas), que acrescentaram os acentos e transcreveram a vocalização entre 600 e 950 A.D., padronizando em geral o texto do Antigo Testamento, engendraram maneiras sutis de preservar a exatidão das cópias que faziam. Verificavam cada cópia cuidadosamente, contando a letra média de cada página, livro e divisão. Alguém já disse que qualquer coisa numerável era numerada. Quando os Rolos do Mar Morto ou Manuscritos do Mar Morto foram descobertos, trouxeram a lume um texto hebraico datado do segundo século a.C. de todos os livros do Antigo Testamento à exceção de Ester. Essa descoberta foi extremamente importante, pois forneceu um instrumento muito mais antigo para verificarmos a exatidão do Texto Massorético, que se provou extremamente exato.

Outros instrumentos antigos de verificação do texto hebraico incluem a Septuaginta (tradução grega preparada em meados do terceiro século a.C.), os targuns aramaicos (paráfrases e citações do Antigo Testamento), citações em autores cristãos da Antiguidade, a tradução latina de Jerônimo (a Vulgata, c. 400 A.D.), feita diretamente do texto hebraico corrente em sua época. Todas essas fontes nos oferecem dados que asseguram um texto extremamente exato do Antigo Testamento.

Mais de 5.000 manuscritos do Novo Testamento existem ainda hoje,

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o que o torna o mais bem documentado dos escritos antigos. O contraste é surpreendente.

Além de existirem muitas cópias do Novo Testamento, muitas delas pertencem a uma data bem próxima à dos originais. Há aproximadamente setenta e cinco fragmentos de papiro datados desde 135 A. D. até o oitavo século, possuindo partes de vinte e cinco dos vinte e sete livros, num total de 40% do texto. As muitas centenas de cópias feitas em pergaminho incluem o grande Códice Siriatico (quarto século), o Códice Vaticano (também do quarto século) e o Códice Alexandrino (quinto século). Além disso, há cerca de 2.000 ledonários (livretos de uso litúrgico que contêm porções das Escrituras), mais de 86.000 citações do Novo Testamento nos escritos dos Pais da Igreja, antigas traduções latina, siríaca e egípcia, datadas do terceiro século, e a versão latina de Jerônimo. Todos esses dados, mais o trabalho feito pelos estudiosos da paleografia, arqueologia e crítica textual, nos asseguram possuirmos um texto exato e fidedigno do Novo Testamento.

7. A DIVISÃO DO TEXTO BÍBLICO EM CAPÍTULOS E VERSÍCULOS

As versões antigas da Bíblia ou os Manuscritos mais antigos não observavam as divisões de Capítulos e Versículos que hoje temos. Tal didática foi elaborada a fim de facilitar a citação, o estudo e a pesquisa das Escrituras. Stephen Langton, catedrático francês e arcebispo da Cantuária, dividiu a Bíblia em Capítulos (1227 d.C.). Séculos mais tarde, com o invento da imprensa, Robert Stephanus, impressor parisiense elaborou a divisão dos Capítulos em Versículos, tanto no AT como no N.T., a qual vigora até nossos dias, e é aceito inclusive pelos estudiosos judeus.

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F. CONCLUSÃO

“Os Livros das Escrituras do Antigo e do Novo Testamento, conforme possuímos hoje, tem sido aceitos pela Igreja durante toda a era Cristã como aqueles que compreendem a Revelação completa vinda de Deus, e também foram escritos pelos autores humanos aos quais são atribuídos” (Teologia Elementar, Bancroft).

1. O LIVRO MAIS VALIOSO DO MUNDO

O Antigo Testamento é a coleção das escrituras que o povo hebreu

foi acumulando desde o tempo de Moisés até cerca de quatro

séculos antes de Cristo.

Foi escrito, como temos hoje, entre 1500 e 400 a.C.

Escrito em Língua Hebraica – em couro, papiro ou pergaminho.

Sua primeira tradução foi na língua grega, cerca de 300 anos antes de Cristo.

Essa tradução foi feita por 70 sábios de Alexandria, Egito, onde muitos judeus haviam se estabelecido, daí essa tradução chamar- se Septuaginta.

A essa tradução sucederam-se outras em aramaico e latim.

A Língua Aramaica resultou da mistura da língua dos sírios e de

outros povos que invadiram a Palestina na época do exílio, na Babilônia.

Os Judeus quando voltaram, aceitaram a língua e esta tornou-se a língua de toda a Palestina, de Jesus e de seus apóstolos.

A mais célebre tradução do Antigo Testamento foi a Vulgata, feita

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por Jerônimo, cerca de 400 anos Depois de Cristo.

Esta serviu de base para as principais versões saxônicas, inglesas e portuguesas. O Novo Testamento foi escrito em grego.

Supõe-se que o primeiro Livro a ser escrito tenha sido a Carta aos Tessalonicenses.

No princípio, o Evangelho era transmitido oralmente, depois os apóstolos começaram a escrever pequenos trechos chamados “logia” que formaram os elementos básicos dos três primeiros Evangelhos.

O mais importante Manuscrito que temos é o CODEX VATICANUS,

que data do 4º século A.D. e leva esse nome por pertencer à

Biblioteca do Vaticano.

O primeiro Novo Testamento foi impresso em 1516 por Erasmo.

A primeira versão em Português foi a de João Ferreira de Almeida

em 1691.

Os livros que aceitamos como verdadeiros são chamados Canônicos. Os não-inspirados são chamados Apócrifos.

A Bíblia foi escrita em cerca de 1600 anos por 40 autores e contém

66 livros.

2. DETALHES DA BÍBLIA

ANTIGO TESTAMENTO

NOVO TESTAMENTO

39 Livros

27 Livros

929 Capítulos

260 Capítulos

29.314 Versículos

7.559 Versículos

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Escrito em Hebraico

Escrito em Grego

Menor Verso – Êxodo 20: 13

Menor Verso – João 11: 35

Maior Verso – Ester 8: 9

Maior Verso – Apocalipse 20:

4

Mensagem – Jesus Virá

Mensagem – Jesus JÁ Veio

DIVISÕES:

DIVISÕES:

Pentateuco – 5 Livros

Biográficos – 4 Livros

Históricos – 12 Livros

Histórico – 1 Livro

Poéticos – 5 Livros

Epístolas de Paulo – 13 Livros

Profetas Maiores – 5 Livros

Epístolas Gerais – 8 Livros

Profetas Menores – 12 Livros

Profético – 1 Livro

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CAPÍTULO 05

TEOLOGIA – A DOUTRINA DE DEUS

A. INTRODUÇÃO

“Deus é o infinito e perfeito espírito no qual todas as coisas têm origem, preservação e finalidade”.

“Deus é espírito, infinito-eterno-imutável em seu: ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade”.

1. TEOLOGIA

É a disciplina que estuda Deus e Suas obras. Ela se distingue da Ética, mesmo da Ética Cristã; da Religião (exteriorização do meu relacionamento com Deus); e da Filosofia (tentativa de conhecer todas as coisas pelo método da observação e da razão, sem partir de Deus e Sua Palavra, e nunca podendo trazer ninguém a Cristo - I Coríntios 1:21, 2:6-8).

2. A NECESSIDADE DA TEOLOGIA

Por causa da penetrante descrença e heresias desta época I Pedro 3:15b (Lucas 18:8; Efésios 4:14); porque Deus não quis nos dar as escrituras em forma sistematizada (Mateus 13:11-13), deixando a nós o estudá-las e sistematizá-las II Timóteo 2:15; para desenvolver em nós o caráter de cristo (Efésios 4:13); para podermos servir ao Senhor efetivamente (II Timóteo 4:2; Tito 1:9).

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B. A EXISTÊNCIA DE DEUS É ESTABELECIDA PELA RAZÃO

1. ARGUMENTO DA “INTUITIVIDADE” OU “CRENÇA UNIVERSAL” - ROMANOS 2:14-16; 1:19-23; 28, 32; JÓ 32:8; ATOS 17:28-29):

1) A Crença na existência de Deus é universal; é também necessária (no sentido de que é a “posição normal do pêndulo”:

qualquer desvio dela é temporário e contra nossa natureza); portanto, esta crença é intuitiva, inata; não é mero resultado de tradições, educação, raciocínio acurado e educado;

2) Portanto, a crença na existência de Deus foi colocada no coração do homem;

3) Só Deus poderia fazê-lo;

4) Logo Deus existe.

2. ARGUMENTO DA CAUSA-E-EFEITO

Todo efeito tem uma causa apropriada (Hebreus 3:4). Portanto:

1) O poder, a inteligência, o propósito evidente na natureza exige

e

prova que Deus existe e que tem infinitos poder, inteligência

e

propósito;

2) O fato de o homem ser uma pessoa e ser moral exige e prova que Deus existe e que é a perfeição do saber, do sentir, do decidir, e do bem.

TEOLOGIA SISTEMÁTICA I

1. ARGUMENTO COSMOLÓGICO (DA CAUSA DO UNIVERSO) - HEBREUS 3:4

1) A 2ª Lei da Termodinâmica diz que a entropia do universo sempre aumenta (o caos e desordem do universo aumentam, sua energia disponível diminui); Daí: Se o universo fosse eterno, sua energia utilizável, na eternidade passada, teria que ter sido infinita, o que é impossível; Logo o universo teve origem;

2) No universo, todo efeito tem que ter tido uma causa apropriada;

3) Logo o universo é o efeito de uma causa sem causa, transcendente (fora do universo e em tudo seu superior): Deus.

2. ARGUMENTO TELEOLÓGICO (DA CAUSA DA ORDEM E PROPÓSITO NO UNIVERSO) - SALMOS 19:1-3; ROMANOS

1:20

1) A ordem e propósito num sistema implicam inteligência e propósito na sua causa;

2) Há assombrosa ordem e propósito no universo (o “ateu” Galeno criou “hino” de louvor a Deus, ao dissecar anatomia humana; Isaac Newton tapou a boca de “ateu” ao deslumbrá-lo com miniatura do sistema solar e dizer “não teve designer”);

3) Logo, o universo tem um designer transcendente, um originador e mantenedor das suas leis, inigualavelmente inteligente e com propósito: Deus.

3. ARGUMENTO ONTOLÓGICO (DA CAUSA DA IDEIA DE DEUS)

Todo homem, mesmo que sufocada e vagamente, tem a ideia de

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um Deus infinito e perfeito (Atos 17:21-23 [“ao Deus desconhecido”]; Romanos 1:18-20); Esta ideia, por ser infinitamente superior ao homem e ao universo, neles não pode ter se originado; Logo ela só pode ter se originado em Deus, que existe e é infinito e perfeito.

4. ARGUMENTO ANTROPOLÓGICO OU DA CAUSA DA MORAL

Romanos 2:14-15 (Gênesis 39:9 [José e a esposa de Potifar; Salmos 32:3-5; 38:1-4; Eclesiastes 12:14; Romanos 1:19-32; 2:14- 16].): Uma voz insilenciável fala incessantemente à consciência, exige-lhe obediência e assevera de um Juiz que punirá cada

e eu seria ateu” cardeal

Newman]; Esta voz sobre a consciência não é nem imposta pelo indivíduo nem pela sociedade (frequentemente lhes é contrária!); Portanto, existe alguém que fala à nossa consciência, que é bom, justo juiz, senhor, autor e mantenedor de uma lei moral permanente, absoluta e mandatória: Deus.

desobediência [“Não fora esta voz

5. ARGUMENTO DA “CONGRUÊNCIA” OU “HARMONIA COM OS FATOS”

Se um postulado é o único que (ou, de longe, o que mais) se harmoniza com (e explica) uma série de fatos, então ele é crido e tomado como verdadeiro (exemplo: a teoria subatômica). A existência de Deus é a única (ou, de longe, a melhor) explicação para a: crença universal na sua existência, nossa natureza moral e mental, nossa natureza religiosa, os fatos e as leis do universo. (Ateísmo, panteísmo, agnosticismo, etc. não provêm uma explicação adequada, nem satisfazem nosso coração). Portanto,

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Deus existe, é bom e santo, e todo-poderoso.

D. OS ATRIBUTOS NATURAIS E MORAIS DE DEUS

Os atributos Divinos mais conhecidos estão divididos em duas classes, quais sejam: ATRIBUTOS NATURAIS e ATRIBUTOS MORAIS.

1. ATRIBUTOS NATURAIS DE DEUS

Os atributos naturais de DEUS são inerentes apenas, e tão somente, a DEUS, ou seja, são atributos que só DEUS e ninguém ou nada mais os possui. São referentes à sua natureza e mostram como DEUS é. Dentre eles podemos citar:

1) Onipresença - A onipresença de DEUS é a capacidade que só DEUS possui, qual seja, a de poder estar em todos os lugares, ao mesmo tempo.

2) Onisciência - A onisciência de DEUS é a capacidade que só DEUS tem, qual seja, a capacidade de saber tudo, quanto ao passado, presente e futuro.

3) Onipotência - A onipotência de DEUS é a capacidade que só DEUS possui, qual seja, a capacidade de ter todo o poder (DEUS é Todo-Poderoso).

4) Unidade - Com todos os seus atributos, DEUS age uniformemente, de tal forma que, quando no uso de um de seus atributos, não há neutralização, diminuição ou contradição alguma com todos os demais.

5) Infinidade - A infinidade de DEUS é sua qualidade de ser infinito em:

Sua presença, seu conhecimento, seu poder, sua santidade,

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sua justiça e seu amor.

6) Eternidade

-

DEUS

é

eterno,

não

há,

a

mais

remota,

possibilidade de qualquer atributo de DEUS chegar ao fim.

7) Imutabilidade - Imutabilidade é a capacidade que só DEUS tem, qual seja, a capacidade de jamais mudar os seus propósitos

8) Deus é Autoexistente - (portanto transcendente), causador incausado, sem início. João 5:26 (Êxodo 3:14 [“Eu Sou”]; Atos 17:24-28; Romanos 11:36; I Timóteo 6:15-16).

9) Deus é Eterno - sem princípio nem fim, não limitado pelo tempo (mas autor e consciente dele e da sua sequência - Gênesis 21:33; Êxodo 3:14; Deuteronômio 33:27; Salmos 90:2; 93:2; 102:11, 12, 24-27; Apocalipse 1:8).

10)

Deus é Soberano sobre tudo e todos - I Samuel 2:6-8; I Crônicas 29:11-12; Apocalipse 4:11.

2. ATRIBUTOS MORAIS DE DEUS

Atributos morais, também são encontrados no ser humano, porém, só DEUS os possui, no mais alto grau, ou seja, num grau inatingível e insuperável. Eles mostram sua moralidade em seu modo de agir. Os atributos morais de DEUS são:

1) Santidade - A santidade de DEUS é a capacidade que só DEUS tem, qual seja, a capacidade de ser totalmente SANTO.

2) Justiça (retidão) - A justiça de DEUS é a capacidade que só DEUS tem, qual seja, a de ser totalmente justo (reto).

3) Amor - O amor de DEUS é a capacidade que só DEUS tem, qual seja, a capacidade de ser totalmente amor.

4) Deus é Misericórdia e Graça - É misericordioso ao cancelar as

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penalidades merecidas e aliviar os angustiados (Salmos 103:8; Deuteronômios 4:31; Salmos 62:12; 86:15; 103:8-17; 145:8-9); É gracioso ao por amor em ação é conceder bênçãos àqueles que só merecem o contrário, mas arrependeram-se e creram (Efésios 2:8-10; Salmos 111:4; 116:5; Romanos 3:24; 5:20;

11:6).

5) Deus é Verdadeiro e Fiel - (Deuteronômio 7:9; Salmos 36:5; 89:1-2; Tito 1:1-2; Hebreus 6:18)

E. O DECRETO (CONSELHO) DE DEUS

O decreto (conselho) de Deus é o eterno e infalível propósito ou plano pelo qual Ele tem declarado fixas todas as coisas.

O decreto de Deus abrange sua vontade eficaz e sua vontade permissiva, dentro do Seu plano soberano, Deus deu ao homem a liberdade de escolher, este é responsável por suas decisões (Juízes 21:25; Atos 2:23).

Seu decreto é eterno (Salmos 33:11). Sábio (Salmos 104:24). Livre (sem obrigação interna ou externa, mas em harmonia com sua natureza - Isaias 40:13-14). Eficaz (tudo que Deus decretou acontecerá – Isaias 14:24, 27). Traz glória a si mesmo (Apocalipse 4:11).

Podemos descansar no Seu poder e promessas (Romanos 8:28-32).

F. OS NOMES DE DEUS

Os nomes de Deus dizem-nos que Ele é uma Pessoa e, ensinam-nos muito dos seus Atributos.

ADONAI

Senhor (=dono-

Merece obediência Gn 24:3, 7,12;

controlador-

Js 5:14 (Ml 1:6; Jo 13:13; dá-nos

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provedor »

provisão Fp 4:19).

KURIOS)

 

O

Poderoso e

 

EL

Majestoso

Gn 1:1; Sl 19:1

ELOHIM

Plural de “El”, aludindo à

Gn 1:1 (verbo singular!)

Trindade

 

O

Poderoso

 

EL ELION

Altíssimo,

Cuida de tudo, cuida pelos filhos

Sumamente

Gn 14:22

 

Poderoso

   

Nunca cansa de cuidar dos Seus Is

EL OLAM

O

Poderoso Eterno

40:28-31

EL ROI

O

Poderoso que Vê

Nunca esquece nem deixa de cuidar dos Seus (Gênesis 16:13)

EL SHADAI

O

Todo-Poderoso

Cuida dos Seus, como mãe a bebezinho Sl 91:1; Gn 17:1

 

O

Eterno e

 

YAHWEH

(JEOVÁ)

Autoexistente (“Eu Sou”)

Gn 2:4. O Deus do pacto

JEOVÁ

O

Autoexistente

Deus dos deuses, exaltado, elevado, transcendente Sl 7:17;

47:2

ELION

Altíssimo

JEOVÁ JIRÉ

O

Autoexistente

Gn 22:13-14. Cordeiro substituindo

Proverá

Isaac

JEOVÁ

O

Autoexistente

Êx 31:13. Dá remissão, preserva, santifica

MIKADISKIM

vos Santifica

JEOVÁ

O

Autoexistente

Conduz, lidera, faz-nos mais que vencedores Êx 17:15 (Sl 20:7).

NISSI

Nossa Bandeira

JEOVÁ RAA

O

Autoexistente

Sl 23:1 (Sl 95:7). Guarda, guia, nutre.

Meu Pastor

JEOVÁ

   

ROPECA =

O

Autoexistente

Êx 15:26. Recostura

JEOVÁ

Nos Sara

RAFA

 

JEOVÁ

O

Senhor dos

I Samuel 1:3; Isaias 6:1-3. Poder e

SABAOTE

Exércitos

governo (homens, estrelas, anjos)

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JEOVÁ

O

Autoexistente

 

SHALOM

Nossa Paz

Jz 6:24. Paz com e de Deus.

JEOVÁ

O

Senhor está

 

SHAMÁ

Presente

Ez 48:35. Presença pessoal!

JEOVÁ

O

Autoexistente

 

TSIDEKENU

Nossa Justiça

Jr 23:6 Justiça imputada (1Co 1:30)

G. A VONTADE DE DEUS

Com relação a Vontade de Deus é preciso defini-la por quatro óticas:

1. VONTADE DE EUDOKIA

Ele tem prazer em sempre esta realizando algo.

2. VONTADE DE EURESTIA

Ele tem prazer, mais no cumprimento do que na promessa.

3. VONTADE DE BENEPLACITUM

Ele age no secreto.

4. VONTADE DE SIGNUM

Ele age abertamente.

H. AS OBRAS DE DEUS

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1) Em Deus foram criadas todas as cousas, visíveis e invisíveis (Colossenses 1:16).

2) Deus criou os céus e a terra (Gênesis 1:1)

3) De modo todo especial, Deus criou o homem, Adão, do pó da terra (Gênesis 2:7).

2. NA PRESERVAÇÃO

Deus preserva, mantém e sustém tudo que trouxe à existência.

1) NEle tudo subsiste (Colossenses 1:17).

2) Ele preserva todas as coisas: os homens e animais (Salmos 36:6. O caminho dos seus santos - Provérbios 2:8). O céu e seus exércitos, a terra, mares, e tudo que neles há (Neemias

9:6).

3. NA SUA PROVIDÊNCIA

Deus antevê, guia, dirige e governa todos os eventos para os Seus santos propósitos: Tudo (Salmos 103:19). O universo (Josué 10:12- 14 - parou o sol); Os animais e plantas (Jonas 1:17 - o grande peixe); Mateus 6:30, 33 - os lírios do campo. As nações (Salmos 66, Daniel

2:21).

I. QUESTÕES RESUMIDAS SOBRE DEUS

1. QUEM É DEUS?

Deus é Espírito, o Criador de todas as coisas. Criador do Universo, Criador dos homens, dos anjos, dos animais, de todos os elementos

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da Natureza, exemplos de água, ar e luz (Gênesis 1; João 4:24).

2. QUAIS OS ATRIBUTOS DE DEUS?

Atributos são as qualidades inerentes a Deus, próprias dEle. Dividem-se em dois: atributos Incomunicáveis ou Naturais, que não podem ser transferidos ao homem (ONIPRESENÇA, ONISCIÊNCIA, ONIPOTÊNCIA, INFINITUDE e IMUTABILIDADE); atributos Comunicáveis ou Morais, os que podem ser transferidos ao homem (AMOR, SANTIDADE, JUSTIÇA, VERDADE). (Êxodo 3:14; Provérbios 5:21; 15:3; Atos 15:17-18; Tiago 1:17; Salmos 139:1-12; 147:13-18).

3. COMO PROVAR A EXISTÊNCIA DE DEUS?

Conforme nos mostra Paulo em Romanos 1:20, todas as coisas criadas sejam seres animados ou inanimados e o próprio Universo, mostram que somente um ser superior poderia criar todas estas coisas. Ainda no Salmo 19:1, o salmista declara que "Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos".

4. COMO PODEMOS FALAR COM DEUS?

Em Mateus 6:6 Jesus nos diz; "Tu, porém, quando orares, entra no

teu quarto, e, fechada a porta, orarás a Teu Pai,

Deus e não apenas falar mas também ouvi-lo. Devemos falar com Ele como se fala a um Pai, pois Ele é nosso Pai (João 1:12). A oração é a forma de nos comunicarmos com Deus.

" Orar é falar com

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5. O QUE SIGNIFICA TRINDADE?

Há um só Deus em três pessoas distintas: o Pai é Deus; o Filho é Deus; o Espírito Santo é Deus. Embora na Bíblia não haja a expressão "Santíssima Trindade", a doutrina cristã do Deus trino está evidente em várias passagens das Escrituras. No batismo de Jesus, por exemplo, ouviu-se a voz do Pai: "Tu és o meu Filho amado em quem me comprazo" (Marcos 1:11). João Batista disse:

"Eu vi o Espírito descer do céu como pomba e permanecer sobre Ele" (sobre Jesus) (João 1:32). Aí temos, portanto, a manifestação das três pessoas da Trindade. A Trindade, ou seja, as três pessoas subsistentes em um só Deus, constitui um dos maiores mistérios da Divindade. Não pode ser entendida nem explicada à luz da lógica humana. A infinitude de Deus não cabe na finitude do homem. (Gênesis 1:1-2; 1.26; 3:15; João 1:1-14).

6. QUAL A DIFERENÇA ENTRE CRIATURAS DE DEUS E FILHOS DE DEUS?

Deus é o Criador de todas as coisas, Criador dos homens e de tudo que há no Universo. Logo, os homens são CRIATURAS DE DEUS. Os homens somente passam à condição de FILHOS DE DEUS quando nascem de novo, ou seja, quando se arrependem de seus pecados e os deixam, creem no Senhor Jesus e O aceitam como Senhor e Salvador: "Mas a todos os que O receberam, aqueles que creem no Seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, filhos nascidos não do sangue, nem da vontade do homem, mas de Deus" (João 1:12-13; Mateus 5:9; 5:45; Romanos 8:14; I João 3:1).

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7. QUAIS AS ALIANÇAS DE DEUS?

Aliança significa pacto, acordo, ajuste, concerto. Teologicamente, diz respeito a concerto entre Deus e o seu povo. O Antigo Testamento é chamado Antiga Aliança. E o Novo Testamento, Nova Aliança. O nosso Deus é Deus de alianças. Através delas, Ele, pelo seu imenso amor, nos dá a garantia de muitas bênçãos, se houver fé e obediência. A iniciativa do concerto sempre foi de Deus, que estabelece as condições. Vejamos:

1) Concerto com Adão - (Gênesis 1:27-30; 2:16-17; 3:2-20). Aliança adâmica ou edênica é como é conhecida a aliança com Adão.

2) Concerto com Noé - (Gênesis 7:13; Gênesis 9:11-17). Chamada aliança noética.

3) Concerto com Abraão - O concerto entre Deus e Abraão - aliança abraâmica - foi chamado "concerto perpétuo", porque extensivo às gerações vindouras e já apontando para o Reino Eterno de Cristo (Gênesis 17.7).

4) Concerto com Isaque - (Gênesis 26.2-5,24).

5) Concerto com Jacó - (Gênesis 28.13-14).

6) Concerto com os Israelitas - Passados uns três meses da saída do Egito, Deus falou ao seu povo através de Moisés, ao sopé do monte Sinal (Horebe), para, basicamente, renovar e relembrar os termos do concerto com Abraão, Isaque e Jacó.

7) Renovação da aliança nas planícies de Moabe - Antes da entrada na terra prometida, e após percorrerem o deserto durante 39 anos, os termos do concerto foram relembrados.

8) Concerto com Davi - (Salmos 89.3-4).

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9) A nova e eterna aliança em Cristo - A promessa de uma nova aliança está em Jeremias 31.31-33:

8. QUEM EXISTE NO CÉU? NO LUGAR QUE DEUS ESTÁ?

O Céu é a habitação de Deus (Pai, Filho e Espírito Santo), dos

santos anjos e dos que morreram na fé em Cristo. Para lá irão

também todos os crentes em Jesus, pois a Palavra diz: “Todo aquele que vive e crê em mim, nunca morrerá” (João 11.26). Jesus disse ao ladrão na cruz: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23.43). Paulo declara: “Mas de ambos

os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo,

porque isto é ainda muito melhor” (Filipenses 1.23). Somos cidadãos do Céu. A Terra é uma morada provisória. Nossa verdadeira cidadania está no Céu (1 Pedro 2.11). Embora ainda estejamos nesta vida terrena, temos estreita ligação com o Céu, nossa última morada: conversamos diariamente com nosso Pai; nossos nomes estão escritos nos livros do Céu; somos protegidos pelos anjos de Deus; o Espírito Santo está em nós; somos o Corpo de Cristo; Cristo nos outorgou poderes para fazermos as mesmas obras que Ele fez na Terra; nossos atos são regulados segundo o padrão da Palavra de Deus; somos filhos de Deus, “e, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (Romanos 8.17).

9. COMO ENTENDER O JULGAMENTO DE DEUS?

Seremos julgados e/ou justificados (salvos) somente por Deus?

1) Romanos 8:33 - "É Deus quem os justifica".

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2) Efésios 2:8-9 - "É pela graça que sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é Dom de Deus - não das obras, para que ninguém se glorie”.

3) Romanos 3:20-28 – “Justificados pela fé” – (Gálatas 2:16)

Ademais, não devemos nos preocupar sobre o nosso julgamento porque, como disse, o Justo Juiz julgará com justiça. Cabe a Ele sopesar o mérito ou demérito. É SÓ CRER EM JESUS CRISTO; ACEITÁ-LO COMO SENHOR E SALVADOR; DEIXAR OS PECADOS, E DORMIR TRANQÜILO. Não devemos ficar ansiosos quanto ao nosso julgamento. O justo viverá pela fé. A verdade é que as obras isoladas não salvam. Fosse assim, um ateu caridoso iria para o céu.

10. COMO COMPREENDER O ARREPENDIMENTO DE DEUS?

Deus nunca muda de ideia nem se arrepende do que faz?

(Malaquias 3:6) “Eu, o Senhor, não mudo. (Números 23:19) Deus não é homem para que minta, nem filho do homem para que se arrependa. (I Samuel 15:29) Aquele que é a Glória de Israel não mente nem se arrepende; pois não é homem para que se arrependa

Volta atrás e se arrepende?

(Êxodo 32:14). Então o Senhor se arrependeu do mal que dissera havia de fazer ao seu povo. (Gênesis 6:6-7) Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e isso lhe pesou no

coração (

)

pois me arrependo de os haver feito.

De fato, na Sua essência, Deus não muda. Deus perfeitíssimo não poderia melhorar a Sua perfeição ou piorá-la. O que mudam são as

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circunstâncias. O princípio é este: mudando as circunstâncias, Deus poderá mudar suas atitudes. Lembremo-nos de que Deus é soberano na Sua vontade. Uma casa é um bem imóvel, mas ela poderá nos abrigar dependendo do lado em que estejamos. Dentro dela é o melhor lugar. A mesma coisa não ocorre se estivermos em cima dela ou do lado direito, esquerdo, na frente ou detrás. Estes esclarecimentos são apenas uma ajuda para quem está em dificuldade de compreender como Deus age em determinadas circunstâncias. A verdade é que nunca iremos compreender plenamente os mistérios de Deus e Sua natureza, mas sabemos que Ele é bom e nos ama, e está sempre pronto a socorrer-nos em nossas dificuldades. Todavia, veja o que Ele diz: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (II Crônicas 7.14).

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CAPÍTULO 06

CRISTOLOGIA – A DOUTRINA DE CRISTO (1)

A. INTRODUÇÃO

A Cristologia é o estudo sobre Cristo; é uma parte da teologia cristã que

estuda e define a natureza de Jesus, a doutrina da pessoa e da obra de Jesus Cristo, com uma particular atenção à relação com Deus, às

origens, ao modo de vida de Jesus de Nazaré, visto que estas origens e

o papel dentro da doutrina de salvação tem sido objeto de estudo e discussão.

"O dia do nascimento de Jesus é celebrado em todo o mundo. O aniversário de sua morte levanta a silhueta de uma cruz no horizonte. Quem é ele?" Com essas palavras um preeminente pregador fez uma pergunta de suprema importância e de interesse permanente.

A pergunta foi feita pelo próprio Mestre quando, em uma crise no seu

ministério, perguntou: "Quem dizem os homens ser o Filho do homem?" Ele ouviu a declaração da opinião do povo sem comentar, mas a sua bênção foi pronunciada sobre a resposta que Pedro havia aprendido de Deus: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo."

A pergunta ainda permanece e os homens até agora tentam responder.

Mas a verdadeira resposta deve vir do Novo Testamento, escrito por homens que intimamente conheceram Jesus, por cujo conhecimento tinha por perda todas as coisas.

B. A NATUREZA DE CRISTO.

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A pergunta "Quem é Cristo?" tem sua melhor resposta na declaração e explicação dos "nomes", títulos pelos quais ele é conhecido.

1. FILHO DE DEUS (DEIDADE).

Da mesma forma como "filho do homem" significa um nascido do homem, assim também Filho de Deus significa um nascido de Deus. Por isso dizemos que esse título proclama a Deidade de Cristo. Jesus nunca é chamado um Filho de Deus, como os homens santos são chamados filhos de Deus (Jo 2:1). Ele é o Filho de Deus no sentido único. Jesus é descrito mantendo uma relação para com Deus não participada por nenhuma outra pessoa no universo. Para explicar e confirmar essa verdade consideremos o seguinte:

1) Consciência de si mesmo. Qual era o conteúdo do conhecimento de Jesus acerca de si mesmo; isto é, que sabia Jesus de si mesmo? Lucas, o único escritor que relata um incidente da infância de Jesus, diz-nos que com a idade de doze anos (pelo menos) Jesus estava cônscio de duas coisas:

primeira, uma revelação especial para com Deus a quem ele descreve como seu Pai; segunda, uma missão especial na terra — "nos negócios de meu Pai". Exatamente como e quando este conhecimento de si mesmo veio a ele, deve permanecer um mistério para nós. Quando pensamos em Deus vindo a nós em forma humana devemos reverentemente exclamar: "Grande é o mistério da piedade!" Não obstante tratar-se de mistério, a seguinte ilustração pode ser proveitosa. Ponde uma criancinha diante de um espelho; ela se verá, porém, sem se reconhecer. Mas virá o tempo quando ela há de saber que a imagem refletida representa sua própria pessoa. Em outras palavras, a criança adquiriu a consciência de sua identidade. Não poderia ter sido

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assim com o Senhor Jesus? Ele sempre foi o Filho de Deus, porém chegou o tempo quando, depois de estudar as Escrituras relacionadas com o Messias de Deus, raiou em sua mente o conhecimento íntimo, de que ele, o Filho de Maria, não era outro senão o Cristo de Deus. Em vista de o Eterno Filho de Deus ter vivido uma vida perfeitamente natural e humana, é razoável pensar que o autoconhecimento de sua Deidade houvesse surgido dessa maneira. No rio Jordão, Jesus ouviu a voz do Pai corroborando e confirmando o seu conhecimento intimo (Mt 3:17), e no deserto resistiu com êxito à tentativa de Satanás de "

fazê-lo duvidar de sua filiação ("Se tu és o Filho de Deus

Mt

4:3). Mais tarde em seu ministério louvou a Pedro pelo testemunho divinamente inspirado concernente à sua Deidade e ao seu caráter messiânico (Mt 16:15-17.) Quando diante do concilio judaico, Jesus poderia ter escapado à morte, negando sua filiação ímpar e simplesmente afirmando que ele era um dos filhos de Deus no mesmo sentido em que o são todos os homens; porém, sendo-lhe exigido juramento pelo sumo sacerdote, ele declarou sua consciência de Divindade, apesar de saber que isso significaria a sentença de morte (Mt 26:63-

65.)

2) As reivindicações de Jesus. Ele se colocou lado a lado com a atividade divina. "Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também." "Saí do Pai" (Jo 16:28). "O Pai me enviou" (Jo 20:21).

Ele reivindicava uma comunhão e um conhecimento divinos. (Mt 11:27; Jo 17:25.) Alegava revelar a essência do Pai em si mesmo. (Jo 14:9-11.) Ele assumiu prerrogativas divinas:

Onipresença (Mt 18:20); poder de perdoar pecados (Mt 2:5-10); poder de ressuscitar os mortos. (Jo 6:39, 40, 54; 11:25; 10:17,

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18.) Proclamou-se Juiz e árbitro do destino do homem. (Jo 5:22; Mt 25:31-46.) Ele exigia uma rendição e uma lealdade que somente Deus por direito podia reivindicar; insistia em uma absoluta rendição da parte dos seus seguidores. Eles deviam estar prontos a cortar os laços mais íntimos e mais queridos, porque qualquer que amasse mais o pai ou a mãe do que a ele, não era digno dele. (Mt 10:37; Lc 14:25-33.) Essas veementes reivindicações foram feitas por UM que viveu como o mais humilde dos homens, e foram declaradas de modo simples e natural; por exemplo, Paulo com igual simplicidade diria "Sou homem e judeu". Para chegar-se à conclusão de que Cristo era divino é necessário admitir somente duas coisas: primeira, que Jesus não era um homem mau; segundo, que ele não era demente. Se ele dissesse que era divino, sabendo que não o era, então não poderia ser bom; se ele falsamente se imaginasse Deus, então não poderia ser sábio. Porém nenhuma pessoa sensata sonharia em negar o caráter perfeito de Jesus ou sua superior sabedoria. Em consequência, é inevitável concluir que ele era o que ele próprio disse ser — o Filho de Deus, em sentido único.

3) A autoridade de Cristo. Nos ensinos de Cristo nota-se a completa ausência de expressões como estas: "é minha

opinião"; "pode ser"; "penso que

Um erudito judeu racionalista admitiu que ele falava com a

autoridade do Deus Poderoso. O Dr. Henry Van Dyke assinala que no Sermão da Montanha, por exemplo, temos: a preponderante visão de um hebreu crente colocando-se a si mesmo acima da autoridade de sua própria fé; um humilde Mestre afirmando autoridade suprema sobre toda a conduta

"bem podemos supor", etc.

";

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humana; um Reformador moral pondo de lado todos os demais

fundamentos, dizendo: "Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem

prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha

Quarenta e nove vezes, nesse breve registro do discurso de

Jesus, repete-se a solene frase com a qual ele autentica a verdade: "Em verdade vos digo."

(Mt 7:24)"

4) A impecabilidade de Cristo. Nenhum professor que chame os homens ao arrependimento pode evitar algumas referências às suas próprias faltas ou imperfeições; em verdade, quanto mais santo ele é, mais lamentará e reconhecerá suas próprias limitações. Porém, nas palavras e nas obras de Jesus há uma ausência completa de conhecimento ou confissão de pecado. Embora possuísse profundo conhecimento do mal e do pecado, em sua alma não havia a mais leve sombra ou mácula de pecado. Ao contrário, ele, o mais humilde dos homens, desafiou a todos: "Quem dentre vós me convence de pecado?" (Jo 8:46).

5) O testemunho dos discípulos. Jamais algum judeu pensou que Moisés fosse divino; nem o seu discípulo mais entusiasta nunca lhe teria atribuído uma declaração como esta:

"Batizando-as em nome do Pai, e de Moisés, e do Espírito Santo" (Mt 28:19.) E a razão disso é que Moisés nunca falou nem agiu como quem procedesse de Deus e fosse participante de sua natureza. Por outro lado, o Novo Testamento expõe este milagre: Aqui está um grupo de homens que andava com Jesus e que o viu em todos os aspectos característicos de sua humanidade — que, no entanto, mais tarde o adorou como divino, o proclamou como o poder para a salvação e invocou o seu nome em oração. João, que se reclinava no peito de Jesus,

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não hesitou em dele falar como sendo Jesus o eterno Filho de Deus, que criou o universo (Jo 1:1, 3), e relatou, sem nenhuma hesitação ou desculpa, o ato da adoração de Tomé e a sua exclamação: "Senhor meu, e Deus meu!" (João 20:28). Pedro, que tinha visto o seu Mestre comer, beber e dormir, que o havia visto chorar — enfim, que tinha testemunhado todos os aspectos da sua humanidade, mais tarde disse aos judeus que Jesus está à destra de Deus; que ele possui a prerrogativa de conceder o Espírito Santo (At 2:33,36); que ele é o único caminho da salvação (Atos 4:12); quem perdoa os pecados (At 5:31); e é o Juiz dos mortos. (At 10:42.) Em sua segunda epístola 3:18) ele o adora, atribuindo-lhe "glória assim agora como no dia da eternidade". (Nenhuma prova existe de que Paulo o apóstolo tivesse visto Jesus em carne, apesar de tê-lo visto em forma glorificada), mas esteve em contato direto com aqueles que o tinham visto. E este Paulo, que jamais perdera essa reverência para com Deus, reverência que desde a sua mocidade estava nele profundamente arraigada, contudo, com perfeita serenidade descreve Jesus como "o Grande Deus e nosso Salvador" (Tt 2:13); apresenta-o como encarnando a plenitude da Divindade (Gl 2:9), como sendo o Criador e Sustentador de todas s coisas. (Gl 1:17.) Como tal, seu nome deve ser invocado em oração (1 Co 1:2; At 7:59), e seu nome está associado com o do Pai e o do Espírito Santo à bênção. (2 Co 13:14.) Desde o princípio a igreja primitiva considerava e adorava a Cristo como divino. No princípio do segundo século um oficial romano relatou que os cristãos costumavam reunir-se de madrugada para "cantar um hino de adoração a Cristo, como se fosse a Deus". Um autor pagão escreveu: "Os cristãos ainda estão adorando aquele grande homem que foi crucificado na

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Palestina." Até o escárnio dos pagãos é um testemunho da deidade de Cristo.

Em um antigo palácio romano foi encontrada uma inscrição (que data do terceiro século) apresentando uma figura humana com cabeça de asno pendurado na cruz, enquanto que um homem está de pé em atitude de adoração. Em baixo aparece a inscrição: "Alexamenos adora a seu Deus." O Dr. Henry Van Dyke comenta: Assim os cânticos e orações dos crentes, as acusações dos perseguidores, o escárnio dos céticos, e as pilhérias grosseiras dos escarnecedores, tudo se une para provar, sem dúvida, que os primitivos cristãos rendiam honra

não há razão para duvidar de que os

primitivos cristãos houvessem visto em Cristo uma revelação

divina ao Senhor Jesus

pessoal de Deus, assim como não pode haver dúvida de que os amigos e seguidores de Abraão Lincoln o tenham considerado um bom e leal cidadão americano. Entretanto, não devemos

inferir dai que a igreja primitiva não adorasse a Deus, o Pai, pois sabemos que era costume geral orar ao Pai em nome de Jesus

e dar-lhe graças pelo dom do Filho. Mas, para eles era tão real

a deidade de Cristo e a unidade entre as duas Pessoas, que lhes era muito natural invocar o nome de Jesus.

Foi a firme lealdade deles ao ensino do Antigo Testamento acerca da verdade de Deus, combinada com a firme crença na deidade de Cristo, que os conduziu a formular a doutrina da Trindade. Embora as seguintes palavras do credo de Nicéia (século quarto) tenham sido, como ainda são, recitadas por muitos de uma maneira formalista, não obstante, elas expressam fielmente sincera convicção da igreja primitiva:

Cremos em um Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, o

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Unigênito do Pai, isto é, da substância do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, foi feito; sendo da mesma substância que o Pai; pelo qual foram feitas todas as coisas que estão no céu e na terra, e o qual por nós os homens e por nossa salvação desceu, encarnou e foi feito homem, sofreu, e ressuscitou ao terceiro dia, e ascendeu ao céu, donde virá outra vez para julgar os vivos e os mortos.

2. O VERBO (PRÉ-EXISTÊNCIA E ATIVIDADE ETERNAS)

A palavra do homem é aquela por meio da qual ele se expressa e por meio da qual ele se comunica com os seus semelhantes. Por sua palavra ele dá a conhecer seus pensamentos e sentimentos, e por sua palavra ele manda e executa a sua vontade. A palavra com que se expressa está impregnada de seu pensamento e de seu caráter.

Pela expressão verbal de um homem até um cego pode conhecê-lo perfeitamente. Embora se veja uma pessoa e dela se tenha informações, não se conhecerá bastante enquanto ela não falar. A palavra do homem é a expressão de seu caráter. Da mesma maneira, a "Palavra de Deus" é o veículo mediante o qual Deus se comunica com outros seres, e é o meio pelo qual Deus expressa o seu poder, a sua inteligência e a sua vontade.

Cristo é a Palavra ou Verbo, porque por meio dele, Deus revelou sua atividade, sua vontade e propósito, e por meio dele tem contato com o mundo. Nós nos expressamos por meio de palavras; o eterno Deus se expressa a si mesmo por meio do seu Filho, o qual "é a expressa imagem da sua pessoa" (Hb 1:3). Cristo é a Palavra de Deus, demonstrando-o em pessoa. Ele não somente traz a

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mensagem de Deus — ele é a mensagem de Deus. Considere-se a necessidade de tal Revelador. Procure-se compreender a extensão do universo com seus imensuráveis milhões de corpos celestes, cobrindo distâncias que deixam estupefata a mente; imaginem-se as infinitas extensões do espaço além do universo material; a seguir, procure-se compreender a grandeza daquele que é o Autor de tudo isso. Considere-se por outro lado, a insignificância do homem. Tem-se calculado que se todas as pessoas neste mundo medissem 1,80m de altura, 45cm de largura, e 30cm de espessura, os três bilhões da raça humana caberiam em uma caixa medindo menos de um quilometro cúbico. Deus — quão poderoso e vasto! O homem — quão infinitesimal! Além disso, esse Deus é Espírito, portanto, não pode ser compreendido pelo olho material, nem pelos demais sentidos naturais. Surge a grande pergunta: Como pode o homem ter comunhão com um Deus como esse? Como pode sequer ter a mínima ideia da sua natureza e caráter? É certo que Deus se revelou pela palavra profética, por meio de sonhos e visões e por meio de manifestações temporais. Porém, o homem anelava por uma resposta mais clara à seguinte pergunta: Como é Deus? Para responder a esta pergunta, surgiu o evento mais significativo da história — "E o Verbo se fez carne" (Jo 1:14). O Verbo eterno de Deus tomou sobre si mesmo a natureza humana e se tornou homem, a fim de revelar o eterno Deus por meio de uma personalidade humana. "Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais pelos profetas, a nós falou- nos nestes últimos dias pelo Filho" (Hb 1:1, 2). De modo que à pergunta "como é Deus?", o cristão responde: Deus é como Cristo, porque Cristo é o Verbo — a ideia que Deus tem de si mesmo. Isto é, ele é "a expressa imagem da sua pessoa" (Hb 1:3), "a imagem do Deus invisível" (Cl 1:5).

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3. SENHOR (DEIDADE, EXALTAÇÃO E SOBERANIA)

Uma ligeira consulta a uma concordância bíblica revelará o fato de que "Senhor" é um dos títulos mais comuns dados a Jesus. Este título indica a sua deidade, exaltação e soberania.

1) Deidade. O título "Senhor", ao ser usado como prefixo antes de um nome, transmitia, tanto a judeus como a gentios, o pensamento de deidade. A palavra "Senhor" no grego ("Kurios") era equivalente a "Jeová” na tradução grega do Antigo Testamento; portanto, para os judeus "o Senhor Jesus" era claramente uma imputação de deidade. Quando o imperador dos romanos se referia a si mesmo como "Senhor César", requerendo que seus súditos dissessem "César é Senhor", os gentios entendiam que o imperador estava reivindicando divindade. Os cristãos entendiam o termo da mesma maneira, e preferiam sofrer perseguição a atribuir a um homem um título que somente pertencia a Um que é verdadeiramente divino. Somente àquele a quem Deus exaltara eles renderiam adoração e lhe atribuiriam senhorio.

2) Exaltação. Na eternidade Cristo possui o título "Filho de Deus" em virtude da sua relação com Deus. (Fp 2:9); na história Ele ganhou o título "Senhor", por haver morrido e ressuscitado para a salvação dos homens. (At 2:36; 10:36; Rm 14:9.) Ele sempre foi divino por natureza; chegou a ser Senhor por merecimento. Por exemplo: Se um jovem nascido na família de um multimilionário não está contente em herdar aquilo pelo qual outros tenham trabalhado, mas deseja possuir unicamente o que ganhou por seus próprios esforços, ele então voluntariamente renuncia a seus privilégios, toma o lugar de um

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trabalhador comum, e por meio do seu labor conquista para si um lugar de honra e riqueza. Igualmente, o Filho de Deus, apesar de ser por natureza igual a Deus, voluntariamente sujeitou-se a si mesmo às limitações humanas, porém sem pecado, tomando sobre si a natureza do homem, fez-se servo do homem, e finalmente morreu na cruz para redenção do mesmo homem. Como recompensa, Cristo foi exaltado ao domínio sobre todas as criaturas — uma recompensa apropriada, pois, que melhor credencial poderia alguém ter para exercer senhorio sobre os homens, visto que os amara e se entregara a si mesmo por eles? (Ap 1:5.) Esse direito já foi reconhecido por milhões e a cruz tomou-se um degrau pelo qual Jesus alcançou a soberania dos corações dos homens.

3) Soberania. No Egito, Jeová se revelou a Israel como Redentor

e Salvador; no Sinai, como Senhor e Rei. As duas coisas se

justapõem, porque ele, que se tomou Salvador deles, tinha direito de ser o seu Soberano. É por isso que os Dez Mandamentos iniciam com a declaração: "Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão" (Êx

20:2). Em outras palavras, "Eu, o Senhor, que vos redimi, tenho

o direito de governar sobre vós." E assim aconteceu com Cristo

e seu povo. Os cristãos primitivos reconheceram instintivamente — como todos os verdadeiros discípulos — que aquele que os redimiu do pecado e da destruição, tem o direito de ser o Senhor de suas vidas. Comprados por bom preço, não pertencem a si mesmos (1 Co 6:20), mas, sim, a quem morreu

e ressuscitou por eles. (2 Co 5:15.) Portanto, o título "Senhor", aplicado a Jesus pelos seus seguidores, significa: "Aquele que por sua morte ganhou o lugar de soberania no meu coração, e

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a quem me sinto constrangido a adorar e servir com todas as minhas forças." O paralítico que foi curado, ao ser repreendido por levar sua cama no dia de sábado, respondeu: "Aquele que me curou, ele próprio disse: Toma a tua cama, e anda" (Jo 5:11). Ele soube, instintivamente, com a lógica do coração, que Jesus que lhe tinha dado saúde, possuía o direito de dizer-lhe como usar essa saúde. Se Jesus é o nosso Salvador, deve ser o nosso Senhor.

4. FILHO DO HOMEM (HUMANIDADE)

1) Quem? De acordo com o hebraico a expressão "filho de" denota relação e participação. Por exemplo: "Os filhos do reino" (Mt 8:12) são aqueles que hão de participar de suas verdades e bênçãos. "Os filhos da ressurreição" (Lc 20:36) são aqueles que participam da vida ressuscitada. Um "filho de paz" (Lc 10:6) é um que possui caráter pacífico. Um "filho da perdição" (Jo 17:12) é um destinado a sofrer a ruína e a condenação. Portanto, "filho do homem" significa, principalmente, um que participa da natureza humana e das qualidades humanas. Dessa maneira, "filho do homem" vem a ser uma designação enfática para o homem em seus atributos característicos de debilidade e impotência (Nm 23:19; Jo 16:21; 25:6.) Neste sentido o título é aplicado oitenta vezes a Ezequiel, como uma recordação de sua debilidade e mortalidade, e como um incentivo à humanidade no cumprimento da sua vocação profética. Aplicado a Cristo, "Filho do homem" designa-o como participante da natureza e das qualidades humanas, e como sujeito às fraquezas humanas. No entanto, ao mesmo tempo, esse título implica sua deidade, porque, se uma pessoa

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enfaticamente declarasse: "Sou filho de homem", a ele dir-se- ia: "Todos sabem disso." Porém, a expressão nos lábios de Jesus significa uma Pessoa celestial que se havia identificado definitivamente com a humanidade como seu representante e Salvador. Notemos também que é: o — e não um — Filho do homem. O título está relacionado com a sua vida terrena (Mc 2:10; 2:28; Mt 8:20; Lc 19:10), com seus sofrimentos a favor da humanidade (Mc 8:31), e com sua exaltação e domínio sobre a humanidade (Mt 25:31; 26:24. Vide Dn 7:14). Ao referir-se a si mesmo como "Filho do homem", Jesus desejava expressar a seguinte mensagem: "Eu, o Filho de Deus, sou Homem, em debilidade, em sofrimento, mesmo até à morte. Todavia, ainda estou em contato com o Céu de onde vim, e mantenho uma relação com Deus que posso perdoar pecados (Mt 9:6), e sou superior aos regulamentos religiosos que somente tem significado temporal e nacional. (Mt 12:8.) Esta natureza humana não cessará quando eu tiver passado por estes últimos períodos de sofrimento e morte que devo suportar para a salvação do homem e para consumar a minha obra. Porque subirei e a levarei comigo ao céu, de onde voltarei para reinar sobre aqueles cuja natureza "tornei sobre mim". A humanidade do Filho de Deus era real e não fictícia Ele nos é descrito como realmente padecendo fome, sede, cansaço, dor, e como estando sujeito em geral às debilidades da natureza, porém sem pecado.

2) Como? Por qual ato, ou meio, o Filho de Deus veio a ser Filho do homem? Que milagre pôde trazer ao mundo "o segundo homem" que é o "Senhor do céu"? (1 Co 15:47.) A resposta é que o Filho de Deus veio ao mundo como Filho do homem

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sendo concebido no ventre de Maria pelo Espírito Santo, e não por um pai humano. E a qualidade da vida inteira de Jesus está em conformidade com a maneira do seu nascimento. Ele que veio através de um nascimento virginal, viveu uma vida virginal (inteiramente sem pecado) — sendo essa última característica um milagre tão grande como o primeiro. Ele que nasceu milagrosamente, viveu milagrosamente, ressuscitou dentre os mortos milagrosamente e deixou o mundo milagrosamente. Sobre o ato do nascimento virginal está baseada a doutrina da encarnação. (Jo 1:14.) A seguinte declaração dessa doutrina é da pena do erudito Martin Scott: Como todos os cristãos sabem, a encarnação significa que Deus (isto é, o Filho de Deus) se fez homem. Isso não quer dizer que Deus se tomou homem, nem que Deus cessou de ser Deus e começou a ser homem; mas que, permanecendo como Deus, ele assumiu ou tomou uma natureza nova, a saber, a humana, unindo esta à natureza divina no ser ou na pessoa — Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Na festa das bodas de Caná, a água tornou- se em vinho pela vontade de Jesus Cristo, o Senhor da Criação (Jo 2:1-11). Não aconteceu assim quando Deus se fez homem, pois em Caná a água deixou de ser água, quando se tornou em vinho, mas Deus continuou sendo Deus, quando se fez homem. Um exemplo que nos poderá ajudar a compreender em que sentido Deus se fez homem, mas ainda não ilustra de maneira perfeita a questão, é aquele de um rei que por sua própria vontade se fizera mendigo. Se um rei poderoso deixasse seu trono e o luxo da corte, e vestisse os trapos de um mendigo, vivesse com mendigos, compartilhasse seus sofrimentos, etc., e isto, para poder melhorar-lhes as condições de vida, diríamos que o rei se fez mendigo, porém ele continuaria se<ido

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verdadeiramente rei. Seria correto dizer que o que o mendigo sofreu era o sofrimento de um rei; que, quando o mendigo expiava uma culpa, era o rei que expiava, etc. Visto que Jesus Cristo é Deus e homem, é evidente que Deus, de alguma maneira é homem também. Agora, como é que Deus é homem? Está claro que ele nem sempre foi homem, porque o homem não é eterno, mas Deus o é. Em certo tempo definido, portanto, Deus se fez homem tomando a natureza humana. Que queremos dizer com a expressão "tomar a natureza humana"? Queremos dizer que o Filho de Deus, permanecendo Deus, tomou outra natureza, a saber, a do homem, e a uniu de tal maneira com a sua, que constituiu uma Pessoa, Jesus Cristo. A encarnação, portanto, significa que o Filho de Deus, verdadeiro Deus desde toda a eternidade, no curso do tempo se fez verdadeiro homem também, em uma Pessoa, Jesus Cristo, constituída de duas naturezas, a humana e a divina. Isso, naturalmente é um mistério. Não podemos compreendê-lo, assim como tampouco podemos conceber a própria Trindade. Há mistérios em toda parte. Não podemos compreender como a erva e a água, que alimentam o gado, se transformam em carne e sangue. Uma análise química do leite não demonstra conter ele nenhum ingrediente de sangue, entretanto, o leite materno se torna em sangue e carne da criança. Nem a própria mãe sabe como no seu corpo se produz o leite que dá a seu filho. Nenhum dentre os sábios do mundo pode explicar a conexão existente entre o pensamento e a expressão desse pensamento, ou seja, as palavras. Não devemos, pois, estranhar se não podemos compreender a encarnação de Cristo. Cremos nela porque aquele que a revelou, é o próprio Deus, que não pode enganar nem ser enganado.

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3) Por que o Filho de Deus se fez Filho do homem, ou quais foram os propósitos da encarnação?

Como já observamos, o Filho de Deus veio ao mundo para ser

o Revelador de Deus. Ele afirmou que as suas obras e suas

palavras eram guiadas por Deus (Jo 5:19, 20; 10:38); sua própria obra evangelizadora foi uma revelação do coração do

Pai celestial, e aqueles que criticaram sua obra entre os pecadores demonstraram assim sua falta de harmonia com o espírito do céu. (Lc 15:1-7.)

Ele tomou sobre si nossa natureza humana para glorificá-la e desta maneira adaptá-la a um destino celestial. Por conseguinte, formou um modelo, por assim dizer, pelo qual a natureza humana poderia ser feita à semelhança divina. Ele, o Filho de Deus, se fez Filho do homem, para que os filhos dos homens pudessem ser feitos filhos de Deus (Jo 1:2), e um dia serem semelhantes a ele (1 Jo 3:2); até os corpos dos homens serão "conforme o seu corpo glorioso" (Fl 3:21). "O primeiro homem (Adão), da terra, é terreno: o segundo homem, o Senhor

é do céu" (1Co 15:47); e assim, "como trouxemos a imagem do

terreno (vide Gn 5:3), assim traremos também a imagem do celestial" (verso 49), porque "o último Adão foi feito em espírito

vivificante" (verso 45).

Porém, o obstáculo a impedir a perfeição da humanidade era o pecado — o qual, ao princípio, privou Adão da glória da justiça original. Para resgatar-nos da culpa do pecado e de seu poder,

o Filho de Deus morreu como sacrifício expiatório.

5. CRISTO (TÍTULO OFICIAL E MISSÃO)

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1) A profecia. "Cristo" é a forma grega da palavra hebraica "Messias", que literalmente significa, "o ungido". A palavra é sugerida pelo costume de ungir com óleo como símbolo da consagração divina para servir. Apesar de os sacerdotes, e às vezes o "Ungido" era particularmente aplicado aos reis de Israel que reinavam como representantes de Jeová. (2 Sm 1:14.) Em alguns casos o símbolo da unção era seguido pela realidade espiritual, de maneira que a pessoa vinha a ser, em sentido vital, o ungido do Senhor, (1 Sm 10:1, 6; 16:13.) Saul foi um fracassado, porém Davi, que o sucedeu, foi "um homem segundo o coração de Deus", um rei que considerava suprema em sua vida a vontade de Deus e que se considerava como representante de Deus. Porém, a grande maioria dos reis se apartou do ideal divino e conduziu o povo à idolatria; e até alguns dos reis mais piedosos não estavam sem culpa nesse particular. Sob esse fundo negro, os profetas expuseram a promessa da vinda de um rei da casa de Davi, um rei ainda maior do que Davi. Sobre ele descansaria o Espírito do

Senhor com um poder nunca visto (Is 11:1-3; 61:1). Apesar de Filho de Davi, também seria ele o Filho de Jeová, recebendo nomes divinos (Is 9:6, 7; Jr 23:6). Diferente do de Davi, seu reino seria eterno, e sob seu domínio estariam todas as nações. Esse era o Ungido, ou o Messias, ou o Cristo, e sobre ele concentravam-se as esperanças de Israel.

2) O Cumprimento. O testemunho constante do Novo Testamento é que Jesus se declarou o Messias, ou Cristo, prometido no Antigo Testamento. Assim como o presidente deste pais é primeiramente eleito e depois publicamente toma posse do governo, da mesma maneira, Jesus Cristo foi

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eternamente eleito para ser o Messias e Cristo, e depois empossado publicamente em seu oficio messiânico no rio Jordão. Assim como Samuel ungiu primeiro a Saul e depois explicou o significado da unção (1Sm 10:1), da mesma maneira Deus, o Pai, ungiu a seu Filho com o Espírito de poder e sussurrou no seu ouvido o significado da sua unção: "Tu és o meu Filho amado em quem me comprazo" (Mc 1:11). Em outras palavras: "Tu és o Filho de Jeová, cuja vinda foi predita pelos profetas, e agora te doto de autoridade e poder para a tua missão, e te envio com minha bênção." As pessoas entre as quais Jesus teria de ministrar esperavam a vinda do Messias, mas infelizmente suas esperanças eram coloridas por uma aspiração política. Esperavam um "homem forte", que fosse uma combinação de soldado e estadista. Seria Jesus esse tipo de Messias? O Espírito o conduziu ao deserto para debater a questão com Satanás, que astuciosamente lhe sugeriu que adotasse um programa popular e dessa maneira tomasse o caminho mais fácil e curto para o poder. "Concede-lhes seus anelos materiais", sugeriu o Tentador (vide Mt 4:3, 4 e Jo 6:14, 15, 26), "deslumbra-os saltando do pináculo do templo (e logicamente ficarás em boas relações com o sacerdócio), faze- te o campeão do povo e conduze-os à guerra". (Mt 4:8,9 e Ap. 13:2,4.) Jesus sabia que Satanás estava advogando a política popular, a qual era inspirada por seu próprio espírito egoísta e violento. Que esse curso de ação conduziria ao derramamento de sangue e à violência, não havia dúvida. Não! Jesus seguiria a direção do seu Pai e confiaria somente nas armas espirituais para conquistar os corações dos homens, ainda que a senda conduzisse à falta de compreensão, ao sofrimento, e à morte! Jesus escolheu a cruz. e escolheu-a porque era parte do

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programa de Deus para sua vida. Ele nunca se desviou dessa escolha, apesar de ser muitas vezes tentado a abandonar o caminho da cruz. (Vide, por exemplo, Mt 16:22.) Escrupulosamente Jesus conservou-se fora de embaraços na situação política contemporânea. Às vezes proibia aos que ele curava de espalharem sua fama, para que seu ministério não fosse mal interpretado como sendo uma agitação popular contra Roma. (Mt 12:15, 16; Lc 23:5.) Nessa ocasião seu êxito tornou- se uma acusação contra ele. Recusou-se deliberadamente a encabeçar um movimento popular (Jo 6:15). Proibia a proclamação pública de seu caráter messiânico, como também o testemunho de sua transfiguração para que não suscitassem esperanças falsas entre o povo. (Mt 16:20; 17:9.) Com sabedoria infinita, escapou a uma hábil armadilha que o desacreditaria entre o povo como "traidor da nação", ou, por outro lado, que o envolveria em dificuldades com o governo romano. (Mt 22:15-21.) Em tudo isso o Senhor Jesus cumpriu a profecia de Isaias que o Ungido de Deus seria proclamador da verdade divina, e não um violento agitador, nem um que buscasse seu próprio bem, nem que excitasse a população (Mt 12:16-21), como o faziam alguns dos falsos messias que o precederam e outros que posteriormente surgiram. (Jo 10:8; At 5:36; 21:38.) Ele evitou fielmente os métodos carnais e seguiu os espirituais, de maneira que Pilatos, representante de Roma, pôde testificar: " não acho culpa alguma neste homem." Observamos que Jesus começou seu ministério entre um povo que tinha a verdadeira esperança de um Messias, tendo, porém, um conceito errôneo de sua Pessoa e obra. Sabendo disso, Jesus não se proclamou no princípio como Messias (Mt 16:20) porque sabia que isso seria um sinal de rebelião contra Roma.

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Ele, de preferência, falava do Reino, descrevendo seus ideais e sua natureza espiritual, esperando inspirar no povo uma fome por esse reino espiritual, que por sua vez os conduziria a desejar um Messias espiritual. E seus esforços neste sentido não foram inteiramente infrutíferos, pois João, o apóstolo, nos diz (capítulo 1) que desde o princípio houve um grupo espiritual que o reconhecia como Cristo. Também, de tampos em tempos ele se revelava a indivíduos que estavam preparados espiritualmente. (Jo 4:25, 26; 9:35-37.) Porém, a nação em geral não entendia a conexão entre o seu ministério espiritual e o pensamento do Messias. Admitiam livremente que ele fosse um Mestre capaz, um grande pregador, e ainda um profeta (Mt 16:13, 14); mas certamente, não um que pudesse encabeçar um programa econômico, militar e político — como julgavam coubesse ao Messias fazer. Mas por que culpar o povo de uma expectação tal? Em verdade, Deus havia prometido restabelecer um reino terreno. (Zc 14:9-21; Am 9:11-15; Jr 23:6- 8.) Certamente, mas antes desse evento, deveria operar-se uma purificação moral e uma regeneração espiritual da nação. (Ez. 36:25-27; Jo 3:1-3.) E tanto João Batista, como Jesus, esclareceram que a nação, na condição em que se encontrava, não estava preparada para participar desse reino. Daí a exortação: "Arrependei-vos: porque é chegado o reino dos céus." Mas enquanto as palavras "reino dos céus" comoviam profundamente o povo, as palavras "arrependei-vos" não lhes causaram boa impressão. Tanto os chefes (Mt 21:31, 32) como o povo (Lc 13:1-3; 19:41-44) se recusaram a obedecer às condições do reino e consequentemente perderam os privilégios do reino. (Mt 21:43.) Mas Deus onisciente havia previsto o fracasso de Israel (Is 6:9,10; 53:1; Jo 12:37-40), e

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Deus Todo-poderoso o tinha dirigido para o fomento de um plano até então mantido em segredo. O plano era o seguinte: a rejeição por parte de Israel daria a Deus a oportunidade de tomar um povo escolhido de entre os gentios (Rm 11:11; At 15:13, 14; Rm 9:25, 26), que, juntamente com os crentes judeus, constituiriam um grupo conhecido como a Igreja. (Ef 3:4- 6.) Jesus mesmo deu a seus discípulos um vislumbre desse período (a época da igreja) que sucederia entre seus adventos primeiro e segundo, chamando essas revelações "mistérios" porque não foram reveladas aos profetas do Antigo Testamento. (Mt 13:11-17.) Certa ocasião a inabalável fé demonstrada por um centurião gentio contrastada com a falta de fé em muitos israelitas trouxe à sua inspirada visão o espetáculo de gentios de todas as terras entrando no reino que Israel havia rejeitado. (Mt 8:10-12.) A crise prevista no deserto havia chegado, e Jesus se preparou para dar tristes notícias a seus discípulos. Começou com muito tato a fortalecer-lhes a fé com testemunho divinamente inspirado acerca do seu caráter messiânico, testemunho dado pelo apóstolo Pedro. Então fez uma surpreendente predição (Mt 16:18, 19), que se pode parafrasear da seguinte maneira: "A congregação de Israel (ou "igreja", At 7:38) rejeitou-me como seu Messias, e seus chefes realmente vão excomungar-me a mim, que sou a verdadeira pedra angular da nação. (M. 21:42.) Mas por isso, não fracassará o plano de Deus porque eu estabelecerei outra congregação ("igreja"), composta de homens como tu, Pedro (1 Pe 2:4-9), que crerão na minha Deidade e caráter messiânico. Tu serás dirigente e ministro dessa congregação, e teu será o privilégio de abrir-lhe as portas com a chave da verdade do Evangelho, e tu e teus irmãos administrareis os seus negócios." Então Cristo fez um

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anúncio que os discípulos não compreenderam inteiramente, senão depois de sua ressurreição (Lc 24:25-48); isto é, que a cruz era parte do programa de Deus para o Messias. "Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muito às mãos dos anciãos,

e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia" (Mt 16:21). No devido tempo a horrenda profecia foi cumprida. Jesus poderia ter escapado à morte, negando a sua Deidade; poderia ter sido absolvido

negando que fosse rei; porém, ele persistiu em seu testemunho

e morreu numa cruz que levava a inscrição: ESTE É O REI DOS

JUDEUS. Mas o Messias sofredor (Is 53:7-9) ressurgiu dentre os mortos (Is 53:10, 11), e, como Daniel havia previsto, ascendeu à destra de Deus (Dn 7:14; Mt 28:18), de onde virá para julgar os vivos e os mortos. Depois desse exame dos ensinos do Antigo e Novo Testamentos, temos elementos para declarar a definição completa do título "Messias"; a saber, aquele a quem Deus autorizou para salvar a Israel e às nações do pecado e da morte, e para governar sobre eles como Senhor de suas vidas e Mestre. Que semelhante afirmação implica deidade é compreendido por pensadores judeus, se bem que para eles isso constitui um escândalo. Claude Montefiore, notável erudito judeu, disse: Se eu pudesse crer que Jesus era Deus (isto é, Divino), então obviamente ele seria meu Mestre. Porque o meu Mestre — o Mestre do judeu moderno, é, e só pode ser Deus.

6. FILHO DE DAVI (LINHAGEM REAL)

Esse

título

é

equivalente

a

"Messias",

pois

uma

qualidade

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importante do Messias era sua descendência davídica.

1) A Profecia. Como recompensa por sua fidelidade, a Davi foi prometida uma dinastia perpétua (2 Sam. 7:16), a à sua casa foi dada uma soberania eterna sobre Israel. Esta foi a aliança davídica ou a do trono. Data desse tempo a esperança de que, acontecesse o que acontecesse à nação, no tempo assinalado por Deus apareceria um rei pertencente ao trono e à linhagem de

Davi. Em tempos de aflição os profetas relembravam ao povo essa promessa, dizendo-lhe que a redenção de Israel, e das nações, estava ligada com a vinda de um grande Rei da casa de Davi. (Jr 30:9; 23:5; Ez 34:23; Is 55:3, 4; Sl 89:34-37.) Notemos particularmente Is 11:1, que pode ser traduzido como segue: "Porque brotará rebento do trono de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará". Em Is 10:33,34, a Assíria, a cruel opressora de Israel, é comparada a um cedro cujo tronco nunca brota renovos, mas apodrece lentamente. Uma vez cortada, essa árvore não tem futuro. E assim é descrita a sorte da Assíria, a qual, há muito, desapareceu do palco da história. A casa de Davi, por outro lado, é comparada a uma árvore que terá novo crescimento do tronco deixado no solo. A profecia de Isaias é como segue: A nação judaica será quase destruída, e a casa de Davi cessará como casa real — será cortada junto à raiz. Entretanto, desse tronco sairá um renovo; das raízes desse tronco sairá um ramo — o Rei-Messias.

2) O cumprimento. Judá foi levado ao cativeiro, e desse cativeiro voltou sem rei, sem independência, para ficar subjugado, sucessivamente, pela Pérsia, Grécia, Egito, Síria, e, depois de um breve período de independência, por Roma. Durante esses

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séculos de sujeição aos gentios, houve tempo de desalento quando o povo voltava seu pensamento às glorias passadas do reino de Davi e exclamava como o Salmista: "Senhor, onde estão as tuas antigas benignidades que juraste a Davi pela tua verdade?" (Sl 89:49.) Os judeus nunca perderam a esperança. Reunidos ao redor do fogo da profecia Messiânica, fortaleciam seus corações e esperavam pacientemente pelo Filho de Davi. Não foram desapontados. Séculos depois da casa de Davi haver cessado, um anjo apareceu a uma jovem judia e disse: "E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e por- lhe-ás o nome JESUS. Este será grande, e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; e reinará eternamente na casa de Jacó, e seu reino não terá fim" (Lc 1:31-33; Is 9:6, 7). Assim um Libertador se levantou na casa de Davi. Em um tempo quando a casa de Davi parecia estar reduzida a seu estado mais decadente e quando os herdeiros vivos eram um humilde carpinteiro e uma simples donzela, então, por milagrosa ação de Deus, o Ramo brotou do tronco e cresceu tornando-se uma poderosa árvore que tem provido proteção para um sem-número de povos e nações. O seguinte é a substância da aliança davídica, como é interpretada pelos inspirados profetas: Jeová desceria para salvar o seu povo, no tempo em que haveria na terra um descendente da família de Davi, pelo qual Jeová resgataria e posteriormente governaria o seu povo. Que Jesus era esse filho de Davi manifesta-se pelo anúncio feito ao tempo de seu nascimento, por suas genealogias (Mt 1 e Lc 3), pelo fato de ter ele aceitado esse título quando lhe foi atribuído (Mt 9:27; 20:30, 31; 21:1-11), e pelo testemunho dos escritores do Novo Testamento. (At 13:23; Rm 1:3; 2 Tm 2:8; Apo. 5:5; 22:16.) Mas

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o título "Filho de Davi", não era uma descrição completa do Messias, porque acentuava principalmente a sua ascendência humana. Por isso o povo, ignorando as Escrituras que falavam da natureza divina de Cristo, esperava um Messias humano que seria um segundo Davi. Em certa ocasião Jesus procurou elevar

os pensamentos dos chefes sobre esse conceito incompleto. (Mt 22:42-46.) "Que pensais vos de Cristo (isto é, do Messias)? Ele perguntou: "de quem é filho?” Os fariseus naturalmente responderam: "é filho de Davi." Então Jesus, citando o Sl 110:1, perguntou: "Se Davi lhe chama Senhor, como é ele seu filho?" Como pode o Senhor de Davi ser filho de Davi? — foi a pergunta que confundiu os fariseus. A resposta naturalmente é: O Messias é tanto Senhor como filho de Davi. Pelo milagre do nascimento virginal, Jesus nasceu de Deus e também de Maria;

ele era desse modo o Filho de Deus e Filho do homem. Como

Filho de Deus ele é Senhor de Davi; como filho de Maria ele é

filho de Davi.

O Antigo Testamento registra duas grandes verdades

messiânicas. Alguns trechos declaram que o Senhor mesmo virá do céu para resgatar o seu povo (Is 40:10; 42:13; Sl 98:9); outros esclarecem que da família de Davi se levantaria um

libertador. Essas duas vidas completam-se na aparição da pequena criança em Belém, a cidade de Davi. Foi então que o Filho do Altíssimo nasceu como filho de Davi. (Lc 1:32.)

Notemos como em Isaias 9:6,7, combinam-se a natureza divina e a descendência davídica do Rei vindouro. O título mencionado aqui — "Pai da eternidade" — tem sido mal interpretado por alguns, que dele deduzem não haver Trindade, afirmando erroneamente que Jesus é o Pai e que o Pai é Jesus. Um

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conhecimento da linguagem do Antigo Testamento evitaria esse erro. Naqueles dias um regente que governava sábia e justamente, era descrito como um "pai" para seu povo. Por isso, o Senhor, falando por meio de Isaias, diz acerca de um oficial:

"E ser como pai para os moradores de Jerusalém, e para a casa de Judá. E porei a chave da casa de Davi sobre o seu ombro" (Is 22:21, 22). Note-se a semelhança com Is 9:6, 7 e vide Ap 3:7. Esse título foi aplicado a Davi, conforme se vê na aclamação do povo na entrada triunfal de Jesus em Jerusalém:

"Bendito o reino do nosso pai Davi" (Mt 11:10). Eles não queriam dizer que Davi fosse seu antecessor, pois nem todos descendiam da sua família; e naturalmente não o chamariam de Pai celestial. Davi é descrito como "pai" porque, como o rei segundo o coração de Deus, foi o verdadeiro fundador do reino israelita (já que Saul foi um malogrado) ampliando suas fronteiras de 9.600 para 96.000 quilômetros quadrados. De igual maneira muitas vezes se refere a George Washington como o "Pai dos Estados Unidos da América". O "pai" Davi era humano, e morreu; seu reino foi terrena, e com o tempo se desintegrou. Mas, de acordo com Isaias 9:6, 7, o descendente de Davi, o Rei- Messias, seria divino, e seu reino seria eterno. Davi foi um "pai" temporário para seu povo; o Messias será um Pai eterno (imortal, divino, imutável), para todo o povo — assim destinado por Deus, o Pai. (Sl 2:6-8; Lc 22:29).

7. JESUS (OBRA SALVADORA)

O Antigo Testamento ensina que Deus mesmo é a Fonte da salvação: Ele é o Salvador e Libertador de Israel. "A salvação vem de Deus." Ele livrou o seu povo da servidão do Egito, e daquele

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tempo em diante Israel soube, por experiência, que ele era o Salvador. (Sl 106:21; Is 43:3, 11; 45:15, 22; Jr 14:48.) Mas Deus age por meio de seus instrumentos; portanto, lemos que ele salvou Israel por meio do misterioso "anjo da sua face" (Is 63:9). Às vezes foram usados instrumentos humanos; Moisés foi enviado para libertar Israel da servidão; de tempos em tempos foram levantados juízes para socorrer Israel. "Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos" (Gl 4:4,5). Ao entrar no mundo, ao Redentor foi dado o expressivo nome da sua missão suprema: "E chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados" (Mt 1:21). Os primeiros pregadores do Evangelho não precisaram explicar aos judeus o significado do nome "Salvador"; já tinham aprendido o fato pela sua própria história. (Atos 3:26; 13:23.) Eles entenderam a mensagem, mas recusaram-se a crer. Crucificado, Cristo cumpriu a missão indicada pelo seu nome, Jesus, pois salvar o povo dos seus pecados implica expiação, e expiação implica morte. Como na sua morte, assim também durante a vida, ele viveu à altura do seu nome. Foi sempre o Salvador. Em toda a Palestina muita gente podia testificar: "Eu estava preso pelo pecado, mas Jesus me libertou." Maria Madalena podia dizer: "Ele me libertou de sete demônios." Aquele que outrora fora paralítico, também podia testificar: "Ele perdoou os meus pecados."

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CAPÍTULO 07

CRISTOLOGIA – A DOUTRINA DE CRISTO (2)

A. OS OFÍCIOS DE CRISTO

Na época do Antigo Testamento havia três classes de mediadores entre Deus e seu povo: o profeta, o sacerdote, e o rei. Como perfeito Mediador (1 Tm 2:5), Cristo reúne em si mesmo os três ofícios. Jesus é o Cristo- Profeta que ilumina as nações; o Cristo-Sacerdote que se ofereceu como sacrifício pelas nações; o Cristo-Rei que reinará sobre as nações.

1. PROFETA.

O profeta do Antigo Testamento era o representante ou agente de Deus na terra, que revelava sua vontade com relação ao presente e ao futuro. O testemunho dos profetas dizia que o Messias seria um profeta para iluminar Israel e as nações (Is 42:1; vide Rm 15:8). Os Evangelhos também apresentam Jesus da mesma forma, como profeta. (Mc 6:15; João 4:19; 6:14; 9:17; Mc 6:4; 1:27.)

1) Como profeta Jesus pregou a salvação. Os profetas de Israel exerciam seu ministério mais importante em tempos de crises, quando os governadores e demais estadistas e sacerdotes estavam confusos e impotentes para atuar. Era essa a hora em que o profeta entrava em ação e, com autoridade divina, mostrava o caminho para sair das dificuldades, dizendo: "Este é o caminho, andai nele." O Senhor Jesus apareceu em um tempo quando a nação judaica se encontrava em um estado de

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inquietação causado pelo anelo de libertação nacional. A pregação de Cristo obrigou a nação a escolher, quanto à espécie de libertação — ou guerra com Roma ou paz com Deus. Eles escolheram mal e sofreram a desastrosa consequência, a destruição nacional. (Lc 19:41-44; vide Mt 26:52.) Tal qual seus desobedientes e rebeldes antepassados que certa vez tentaram em vão forçar seu caminho para Canaã (Nm 14:40-45), assim também os judeus, em 68 A. D., tentaram pela força conquistar sua libertação de Roma. Sua rebelião foi apagada com sangue; Jerusalém e o Templo foram destruídos, e o judeu errante começou sua dolorosa viagem através dos séculos. O Senhor Jesus mostrou o caminho de escape do poder e da culpa do pecado, não somente à nação, mas também ao indivíduo. Aqueles que vieram com a pergunta: Que farei para ser salvo? Receberam instruções precisas, e essas sempre incluíam uma ordem de segui-lo. Ele não somente mostrou, mas também abriu o caminho da salvação por sua morte na cruz.

2) Como profeta Jesus anunciou o reino. Todos os profetas falaram de um tempo quando toda a humanidade estaria sob o domínio da lei de Deus — uma condição descrita como "o reino de Deus". Esse era um dos temas principais da pregação de nosso Senhor: "Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus (ou de Deus)" (Mt 4:17). E ele ampliou esse tema descrevendo a natureza do reino, o estado e a qualidade de seus membros, as condições de ingresso nele, a sua história espiritual apos a sua ascensão (Mt 13), e a maneira de seu estabelecimento na terra.

Como profeta Jesus predisse o futuro. A profecia baseia- se no princípio de que a história não prossegue descontroladamente,

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porém é controlada por Deus, que conhece o fim desde o princípio. Ele revelou o curso da história a seus profetas, capacitando-os, dessa maneira, a predizerem o futuro. Como Profeta, Cristo previu o triunfo de sua causa e de seu reino mediante as mudanças da história humana. (Mt cap. 24 e 25.) O Cristo glorificado continua o seu ministério profético por meio de seu corpo, a igreja, à qual prometeu inspiração (João 14:26; 16:13), e concedeu o dom de profecia (1 Co 12:10). Isso não significa que os cristãos devam acrescentar algo às Escrituras, que são urna revelação "de uma vez para sempre" (Jd 3); mas, pela inspiração do Espírito, trarão mensagens de edificação, exortação e consolação (1 Co 14:3), baseadas na Palavra.

2. SACERDOTE

Sacerdote, no sentido bíblico, é uma pessoa divinamente consagrada para representar o homem diante de Deus e para oferecer sacrifícios que assegurarão o favor divino. "Porque todo o

sumo sacerdote é constituído para oferecer dons e sacrifícios; pelo qual era necessário que este também tivesse alguma coisa que oferecer" (Hb 8:3). No Calvário, Cristo, o Sacerdote, ofereceu-se a

si mesmo em sacrifício, para assegurar o perdão do homem e sua

aceitação diante de Deus. Sua vida anterior a este acontecimento foi uma preparação para sua obra sacerdotal. O Filho Eterno participou de nossa natureza (Hb 2:14-16) e de nossas

experiências, porque de outra maneira não podia representar o homem diante de Deus nem oferecer sacrifícios. Não podia socorrer

a humanidade tentada sem saber por experiência o que era a

tentação. Um sacerdote, portanto, devia ser de natureza humana. Um anjo, por exemplo, não podia ser sacerdote dos homens. Vide

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o capítulo 16 de Levítico e os capítulos 8 a 10 de Hebreus. O sumo sacerdote de Israel era consagrado para representar o homem diante de Deus e para oferecer sacrifícios que assegurariam o perdão e a aceitação de Israel. Uma vez por ano, o sumo sacerdote fazia expiação por Israel; em um sentido típico, ele era o salvador deles, aquele que aparecia ante a presença de Deus para obter o perdão. As vítimas dos sacrifícios daquele dia eram imoladas no pátio exterior; da mesma maneira Cristo foi crucificado aqui na terra. Depois o sangue era levado ao lugar santíssimo e aspergido na presença de Deus; da mesma maneira. Jesus ascendeu ao céu "para apresentar-se em nosso lugar na presença de Deus". A aceitação por Deus, de seu sangue, nos dá a certeza da aceitação de todos os que confiam no seu sacrifício. Apesar de Cristo haver oferecido um sacrifício perfeito uma vez por todas, sua obra sacerdotal ainda continua. Ele vive sempre para aplicar os méritos e o poder de sua obra expiatória perante Deus, a favor dos pecadores. O mesmo que morreu pelos homens agora vive para eles, para salvá-los e para interceder por eles. E quando oramos:

"Em nome de Jesus", estamos pleiteando a obra expiatória de Cristo como a base da nossa aceitação, porque somente por ela temos a certeza de sermos "aceitos no Amado" (Ef 1:6).

3. REI

O Cristo-Sacerdote é também o Cristo-Rei. O plano de Deus para o Governante perfeito foi o de que ambos os ofícios fossem investidos na mesma pessoa. Por isso, Melquisedeque, por ser tanto rei de Salém como sacerdote do Deus Altíssimo, veio a ser um tipo do Rei perfeito de Deus, o Messias (Gn 14:18,19; Hb 7:1-3). Houve um período na história do povo hebreu quando esse ideal quase se

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realizou. Mais ou menos um século e meio antes do nascimento de Cristo, o pais foi governado por uma sucessão de sumo-sacerdotes que também eram governantes civis; o governante do pais era tanto sacerdote como rei. Também, durante a Idade Média, o Papa reivindicou e tentou exercer um poder, tanto espiritual como temporal sobre a Europa. Ele pretendia governar como representante de Cristo, segundo afirmava, tanto sobre a igreja como sobre as nações. O Dr. H. B. Swete, escreveu: "As duas experiências, a judaica e a cristã, fracassaram; e até onde se pode julgar por esses exemplos, nem os interesses temporais nem os espirituais dos homens serão promovidos quando confiados ao mesmo representante. A dupla tarefa é grande demais para ser desempenhada por um só homem." Mas os escritores inspirados falaram da vinda de Um que era digno de exercer o duplo cargo. Esse era o Messias esperado, um Governante e Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Sl 110:1-4), e um "sacerdote no seu trono" (Zc 6:13). Tal é o Cristo glorificado. (Vide Sl 110:1 e Hb 10:13.) De acordo com as profecias do Antigo Testamento, o Messias seria um grande Rei da casa de Davi que governaria Israel e as nações, por meio do seu reino áureo de justiça, paz e prosperidade (Is 11:1-9; Salmo 72).

Jesus afirmou ser ele esse Rei. Na presença de Pilatos ele testificou que nasceu para ser Rei; explicou que o seu reino não era deste mundo, isto é, não seria um reino fundado por força humana, nem seria governado de acordo com os ideais humanos (João 18:36). Antes de sua morte, Jesus predisse sua vinda com poder e majestade para julgar as nações (Mt 25:31).

Mesmo pendurado na cruz ele parecia Rei e como Rei falava, de modo que o ladrão moribundo percebeu esse fato e exclamou:

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"Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino" (Lc 23:42). Compreendeu que a morte introduziria Jesus no seu reino celestial. Depois de sua ressurreição, Jesus declarou: "é-me dado todo o poder no céu e na terra" (Mt 28:18). Depois de sua ascensão foi coroado e entronizado com o Pai. (Ap 3:21; vide Ef 1:20-22.) Isso significa que, diante de Deus, Jesus é Rei; ele não é somente Cabeça da Igreja, mas também Senhor de todo o mundo e Mestre dos homens. A terra