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O TEATRO DE BONECOS INSPIRADO

NA PEDAGOGIA WALDORF

APRESENTAÇÃO
A apostila que apresentamos traz a base para o entendimento dos
conceitos que estão na base da forma de encenação do teatro de bonecos de
inspiração Waldorf. Apresenta também a relação de materiais necessários e o
passo a passo da montagem para a confecção do teatro de mesa, modalidade
adequada, especialmente a crianças do primeiro setênio, mas que pode ser
utilizada com eficácia em todo o primeiro ciclo do Ensino Fundamental. Por
fim, transcrevemos as oito histórias que vamos trabalhar e as informações
necessárias para se realizar uma boa apresentação.

Bom Trabalho,

Profa. Ms. Ana Lygia Vieira Schil da (Nina) Veiga

1 A PEDAGOGIA WALDORF

Fonte: www.sab.org.br

A Pedagogia Waldorf concebe o homem como uma unidade harmônica físico-


anímico-espiritual e sobre esse princípio fundamenta toda a prática
educativa. A partir de uma visão antropológica, a Pedagogia Waldorf abrange
todas as dimensões humanas, que estão em íntima relação com o mundo, explica
e fundamenta o desenvolvimento dos seres humanos segundo princípios gerais
evolutivos que compreendem etapas de sete anos, denominadas setênios. Cada
setênio apresenta momentos claramente diferenciáveis, nos quais surgem ou
despertam interesses, perguntas latentes e necessidades concretas.
No primeiro setênio (zero a sete anos), a criança emprega todas as suas
energias para o desenvolvimento de seu físico. Ela manifesta toda sua volição
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através de intensa atividade corporal. Essa atividade, que desencadeia a
formação do físico, metamorfoseia-se em maior ou menor capacidade de atuar
com liberdade na vida adulta, no âmbito cultural-intelectual. Nesta fase a
criança tem uma grande abertura em relação ao mundo. Ela acolhe sem
resistência anímica tudo o que lhe advém do ambiente em redor, entregando-se
ao mundo com confiança ilimitada. Vive num estado de ingenuidade paradisíaca,
num mundo em que o bem e o mal se confundem indistintamente.
Na criança, todos os órgãos de percepção sensória estão abertos e, a
partir de uma intensa atividade em seu interior, ela responde com a repetição
dos estímulos vindos do ambiente exterior, a imitação. Essa imitação é a
grande força que a criança de primeiro setênio tem disponível para a
aprendizagem, inclusive a do falar, do fazer, do adequado ou impróprio no
comportamento humano. E é por meio da imitação mais sutil que ela gera, ainda
sem consciência, o fundamento da sua moralidade futura. Nesse período a
criança tem muitos amigos. Está aberta a novos contatos, porém as amizades
ainda são bastante superficiais, não atingindo efetivamente o outro; são
muito mais destinadas a trazer o outro para o seu próprio mundo e brincar.
Durante esse primeiro setênio, a relação mais importante com o mundo
exterior transcorre de fora para dentro. Todavia, as experiências adquiridas
ainda não são centralizadas no eu, ou seja, no centro de sua consciência.
A Pedagogia Waldorf transcende a mera transmissão de conhecimento e se
converte em sustentação do desenvolvimento integral do educando, cuidando que
tudo o que se faça tenha como meta a transformação de sua vontade e o cultivo
de sua sensibilidade e intelecto. Desse modo, procura-se estabelecer uma
relação harmônica entre desenvolvimento e aprendizagem, fazendo confluir a
dinâmica interna da pessoa com a ação pedagógica direta, ou seja, integrando
os processos de desenvolvimento individual com a aprendizagem da experiência
humana culturalmente organizada.
A Pedagogia Waldorf dá especial atenção para que no ensino se
encontrem entretecidos pontos de vista científicos e estético-artísticos com
os aspectos relativos ao respeito profundo e à admiração ante o mundo.
Aprofundando-se nos estudos antropológicos e ampliando-os, Rudolf Steiner
compreendeu que os fundamentos para a realização dos ideais humanos de
convivência moral-social baseados na liberdade com responsabilidade,
fraternidade, respeito mútuo, consciência plena de igualdade de direitos e
deveres, desenvolvem-se na criança e no jovem através do cultivo da admiração
e da veneração, os quais só podem se dar através de uma religiosidade livre e
verdadeira. Respeitando todas as religiões, foi no cristianismo que Rudolf
Steiner encontrou caminho para essa religiosidade. Assim, as Escolas Waldorf
têm sua pedagogia permeada por valores cristãos livres de qualquer
instituição confessional.

2 COMO SE CONTAM OS CONTOS DE FADA


http://www.jardimdasamoras.com.br/musicas_natal.htm

Muitos pais se perguntam se deve ou não contar contos de fadas para a


criança. Os preocupa se lhe fará mal tal ou qual passagem horrenda, pois no
conto se relatam acontecimentos cruéis que poderiam perturbar a inocência da
criança. Muitas vezes pensando assim se decide eliminar tais contos. Em
conseqüência, se priva a criança do melhor alimento para a alma, porque nos
verdadeiros contos de antigamente estão contidos acontecimentos da alma, que
têm suas raízes nas forças construtivas da humanidade. Os antigos sabiam
disso e relatavam de forma tradicional os contos aos seus filhos. Dando-lhes
vida aos contos de fadas ao relatá-los novamente, avivavam as crianças com a
variedade dos acontecimentos narrados, avivando assim ao mesmo tempo suas
próprias almas de adultos.
Uma boa narrativa comove ativamente a alma; dá asas aos sentimentos,
ativa uma sã vontade e estimula a mente num entre jogos de pensamentos. Com o
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conto de fadas bem narrado ativa-se e intensifica-se toda uma série de
experiências na criança: passam por sua alma, uma atrás da outra, compaixão,
crítica, tensão, alívio, tristeza, alegria, medo, coragem, etc. Tais emoções
não fazem mal à criança se a narrativa se constitui claramente de causa e
efeito e prevalecer no final o sentido de justiça tão almejado pela criança
que quer ver o mal sendo castigado e o bem recompensado. Fortalecendo assim
na criança sua confiança no trunfo da bondade, fortifica-se também sua
confiança na vida. Tudo isso estimula também as funções orgânicas e age
benignamente. Contribui também a que aprenda a frear sua eventual inquietude
e que não se perca nos anos posteriores num sentimentalismo barato por coisas
superficiais.
Se conseguimos ainda, respeitando-a guiar sua vontade sem quebrá-la,
dispor de forças suficientes para reparar (superar o grave, o sangrento, o
cruel dos contos de fada sem impressionar-se mais do que o devido; e essa
capacidade será transformada, mais tarde, numa fonte permanente de novas
forças. O Dr. Brun Bettlheim afirma que “os contos de fadas são a chave para
ajudar as pessoas a desembaraçar os mistérios da realidade”.
Quanto mais a privamos destes contos de dragões e bruxas, etc., tanto
mais fraca resultará sua alma de adulto. Mais tarde, quando as asperezas e as
durezas da vida golpearem, lhe faltará o valor e a firmeza de haver aprendido
através dos acontecimentos dos contos de fadas; seu comportamento será como
um barco sem leme, açoitado pelas ondas da vida. Se os pais e os professores
lhes proporcionaram esse “valor e coragem” destacados nos acontecimentos dos
contos, se estas qualidades foram semeadas qual semente de força moral em sua
alma, manejará o leme de sua sorte (destino) com a mão direita e segura, e
estará preparado e armado contra as provas da vida, contra a intriga, o
engano e o ódio, contra a sedução e o sofrimento.
Com o passar dos anos, quando ressurgem do fundo da alma as
experiências obtidas de escutar com atenção os contos de fadas na nossa
infância, as impressões que recebemos nos abrem e apresentam um aspecto
bastante diferenciado; entendemos melhor seu conteúdo com a base adquirida na
própria experiência; nos servem para dar-nos solidez interior e lucidez na
crítica.
Nos verdadeiros contos de fada (dos Irmãos Grimm) há uma lei impecável:
“a recompensa do bem e o castigo do mal”. Esta lei forma a base na alma
infantil. Mais tarde, verificamos que surgiu, no íntimo do homem a faculdade
de discernir entre o bem e o mal que nos dá uma clareza na consciência e nos
ajuda nos momentos de decisão; trata-se de um profecia, solução de problemas,
de mantermos no caminho certo da verdade, do bem, da compaixão, do sentimento
nobre e muitos tesouros para a vida em comunidade.
As profundas impressões vividas na infância mantém sua força. Quando o
príncipe circundado de luz vence o dragão, quando esse ia devorar a bela
princesa, a criança se identifica com essa coragem triunfal que mais tarde,
do fundo de seu ser surge e ajuda a trazer luz na escuridão da vida,
impulsionada por essa recordação.
Por esta razão não devemos eliminar nenhum dos contos de fadas
tradicionais. Gradualmente temos de contar os contos coletados por diversos
autores de forma fiel à tradição oral. Não devemos selecionar nem adaptar,
abreviar ou trocar nada por “algo” que nos pareça melhor. Devemos começar com
os contos simples e logo mais tarde aos cinco anos mais ou menos até os seis
anos continuar com alguns mais complicados, cheios de interessantes e
emocionantes acontecimentos. São benfeitores, e mais tarde darão frutos como
forças protetoras ante as vicissitudes e obstáculos que se apresentam no
caminho da criança nos seus anos vindouros.

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3 UMA ARTE DOS DIAS DE ONTEM
PARA REVITALIZAR OS RECURSOS HUMANOS DE HOJE
Alda Luba

"...os contos são verdadeiras obras de arte. São uma grande arte
que pertence ao patrimônio cultural de toda a humanidade e
representam a visão do mundo, as relações entre o homem e a
natureza sob as formas estéticas mais acabadas; aquelas que
provocam precisamente o maravilhoso." Jean-Marie Gillig.

Em meio à sofisticada tecnologia atual, nossos anseios procuram uma


outra linguagem. Busca-se uma linguagem que nos alimente, que fortaleça
nossas próprias imagens e que nos leve onde queremos chegar.
Os contos nos remetem a uma história de transformações quando são
acolhidos pela compreensão do ser humano integral. As histórias carreiam um
conhecimento sedimentado e acumulado por toda a humanidade.
Captar a essência das coisas acontece por diferentes maneiras e a mais
comum é a evocação de imagens arquetípicas. Estas estão presentes nas ações
das pessoas de qualquer lugar no mundo, fazendo parte daquilo que chamamos de
"sabedoria primordial".
Contar histórias é a mais antiga e, paradoxalmente, a mais moderna
forma de comunicação. Uma história pode se tornar o foco de uma conversa e,
suas imagens, uma maneira segura de tratar assuntos desconfortáveis. A
história re-introduz o que é humano no ambiente dominado pelo impessoal,
pautado pela crítica ou julgamento e a competição.
Ouvir uma história, contá-la e recontá-la durante muitos anos, foi a
maneira de preservar os valores e a coesão de uma determinada comunidade. É o
maravilhoso que consola a aridez dos caminhos que temos à frente, que
alimenta a inspiração e abre o portal da intuição para soluções outras,
àquelas velhas questões enferrujadas.
Ultimamente na Inglaterra, França, Estados Unidos e, em outros países,
um público adulto, cada vez maior, das mais variadas profissões, está
empenhado em resgatar este conhecimento milenar descobrindo um novo enfoque
para sua profissão.
"Nations and peoples are largely the stories they feed
themselves. If they tell themselves stories that are lies, they
will suffer the future consequences of those lies. If they tell
themselves stories that face their own truths, they will free
their histories for future flowerings." Ben Okri.
"Nações e povos são em grande parte as estórias que nutrem a
si mesmos. Se eles contam a si mesmos estórias que sejam
mentiras, sofrerão as conseqüências futuras. Se contarem estórias
que enfrentam suas próprias verdades, libertarão a sua Historia
para florescimentos futuros." Ben Okri.

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4 A IMPORTÂNCIA DO CONTO DE FADA COMO FERRAMENTA DE
APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL E PRIMEIROS ANOS DO
ENSINO FUNDAMENTAL

A primeira coisa que se sabe sobre os contos de fadas é que


eles têm sua origem na tradição oral. Tal como os mitos, eles são
universais, com personagens e enredos semelhantes nas diferentes
culturas.

Segundo a psicanálise, os contos de fadas contêm verdades


arquetípicas que vivem no inconsciente coletivo. Essas verdades devem
pertencer ao imaginário da criança como forma de começarem a partilhar
dos tesouros e desafios da humanidade.

Por isso é muito importante preservar os contos de fadas de


adaptações, julgamentos e interpretações.

Para a educação, a narrativa vivencial do conto de fada ou


sua encenação com bonecos sutis é uma ferramenta importante na
construção de um espaço interior de silêncio, permitindo que a criança
organize-se exteriormente, com base na organização de seu mundo
interior.

O espaço interno, a educação para o ouvir, o estado de


concentração voluntário que o conto de fadas narrado vivencialmente ou
encenado com bonecos sutis possibilita é um reforço para que, de forma
lúdica, a criança desenvolva habilidades e competências essenciais para
a sua formação. Esses aspectos favorecem a inventividade, o conviver em
grupo, a linguagem e o interelacionamento entre pensamento/idéia e
conceitos, qualidades imprescindíveis para a formação integral do
educando.

5 CONTEXTUALIZAÇÃO DOS CONTOS DE FADAS

PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL E PRIMEIROS ANOS DO ENSINO


FUNDAMENTAL

A criança pequena tem pouca concentração para ouvir histórias


com estrutura mais elaboradas ou longas. Na medida em que a criança se

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desenvolve, os contos mais simples e curtos podem ir ficando mais
elaborados.

Os contos podem estar relacionados com as épocas do ano e


devem ser repetidos pelo educador o maior número de vezes dentro
daquela época. Ex: o conto da menina da lanterna, para preparar para a
época de São João. Por isso pode ser narrado semanalmente pelo
professor a partir da metade de maio (logo após o dia das mães).

À medida que a criança vai escutando a história, ela vai


construindo suas próprias imagens. Esse processo criativo é individual
e fundamental para a formação saudável da criança.

6 TÉCNICAS DE APRESENTAÇÃO

A melhor forma de narrar um conto ao encená-lo, é tê-lo de


cor com cada imagem suficientemente trabalhada em nós. Devemos estar
observando os momentos de inspiração e expiração da história, e
fazermos as pausas necessárias para o entendimento da narrativa.

Exemplo de momento de inspiração da história: [ ] .....depois de


salpicar farinha branca na pata do lobo, ele volta à casa dos
cabritinhos, diz que é a mamãe e põe a pata na janela..... [ ]

Exemplo de momento de expiração: Assim que a mamãe abre a


barriga do lobo começa a sair de lá os cabritinhos, a mamãe abraça
feliz os seus filhinhos [ ]... e eles viveram felizes para sempre...

Para nos preparar, é preciso ler o conto muitas vezes, de


preferência antes de dormir. Também é bom lê-lo em voz alta algumas
vezes durante o dia.

Devemos ter atenção às imagens que nos surgem à mente e as


palavras, procurando usar sempre as mesmas expressões.

Ao escolhermos um conto de fadas, devemos dar preferência aos


textos originais e não às pequenas adaptações, pois essas já foram
muito alteradas e por vezes perdem o sentido e a força arquetípica que
trazem. É sempre melhor contar histórias com as quais nos simpatizamos.

Não devemos interpretar os personagens, nem fazer vozes


características, e sim narrar de forma suave e serena

7 CRIANDO O AMBIENTE

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- é preciso trazer a criança gradualmente, preparando-a para o ouvir;
- sempre partir do ponto onde elas estão, para onde queremos levá-las,
com calma e paciência. Se elas estão agitadas ou vieram do recreio
devemos começar com movimentos de ritmo acelerado e ir diminuindo o
ritmo até chegar a movimentos mais calmos.
- diminuir (se possível) a luz, para criar um ambiente mais
aconchegante;
- ao lado do cenário, um abajur, ou uma pequena vela;
- gestos serenos e coreografados, um mínimo e sempre os mesmos;
- se a professora tiver a história bem trabalhada, as crianças não
dispersarão.

8 O TEATRO DE MESA

O teatro de mesa deve ser manipulado pelo adulto e apresentado para


crianças do primeiro setênio. É sempre bom manter o mistério e o respeito que
envolve os personagens, mantendo-os, antes e após as apresentações em "caixas
mágicas" ou lenços. O teatro de mesa é especialmente indicado para crianças
pequenas porque os personagens permanecem em cena durante toda a peça,
mantendo a visão do todo e evitando excitação. Após os sete anos, as próprias
crianças podem apresentar as peças, sob a supervisão de um responsável, que
narrará o conto.

8.1 Relação de materiais

1. Corpos de feltro
2. Algodão de enchimento
3. Lã para o cabelo
4. Corpo, roupa e acessórios
5. Lã diversas
6. Linha de bordar para olhos e detalhes
7. Linha de costura diversas cores
8. Linha de poliester
9. Papel Paraná cortado para base
10. Diversos (lantejoula, contas, pérolas, etc)
11. Kit cenário panos e véus
12. Tesoura de costura
13. Tesoura de papel
14. Tesoura de bordar
15. Agulha comum
16. Agulha de bordar
17. Dedal
18. Dedeira
19. Régua
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20. Fita métrica
21. Palito para enchimento
22. Alicate
23. Almofada de agulha
24. Caseador
25. Instrumentos musicais
26. Apostila
27. Cenário
28. Teatro para apresentar

8.1.1 Moedas de estrela


4 personagens

Personagem pele cabelo base roupa Complementos


Moedas parda preto turqueza turqueza - camisa do mais puro
linho
- casaco
- touca
- flores e/ou fita para
cabelo
Mendigo branc branco marrom cinza - remendos na roupa
o - Capa
Menina negra marrom amarela amarelo - flores e/ou fita para
tarde escuro ouro cabelo
Menina branca ferrugem laranja vermelho - flores e/ou fita para
noite cabelo

Objetos de cena:
Estrelas
Saquinho
Pão

Complemento geral:
Papelão para base

8.1.2 Rei sapo


4 personagens

Personagem pele cabelo base roupa Complementos


Princesa parda preto rosa rosa - fita 45 cm
- bordado inglês 35 cm
- passa-fita 20
- flores e/ou fita para cabelo
Rei pardo branco marinho marinho - Capa roxa
- cinto preto com botão
- coroa 20 cm
Príncipe pardo marrom escuro cobalto branca - capa vermelha
- boina verde
- cinto marrom com botão simples
Sapo - olhos conta de madeira
- língua vermelha

Objetos de cena:
Bola de ouro

Complemento geral:
Papelão para base

8.1.3 As fadas
5 personagens
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Personagem pele cabelo base roupa Complementos
Filha boa parda preto rosa rosa - fita 45 cm
- bordado inglês 35 cm
- passa-fita 20
- flores e/ou fita para cabelo
Filha má branca loira verde pardo - Colete pardo
Mãe branca areia pardo areia - Avental verde
Fada branca castanho vinho lilás - Capa
- Enfeites brilhantes
Príncipe negro marrom escuro cobalto branco - Boina azul
- capa vermelha
- cinto marrom com botão simples

Objetos de cena:
Pérolas
Flores
Cobras
Lagartos
Fio preto e rosa
Jarro
Saquinho

Complemento geral:
Papelão para base

8.1.4 Rapunzel
5 personagens

Personagem pele cabelo base roupa Complementos


Rapunzel parda marrom escuro rosa rosa - fita 45 cm
- bordado inglês 35 cm
- passa-fita 20
- flores e/ou fita para cabelo
Bruxa branca preto preto preto - chapéu
Mãe parda marrom escuro laranja salmão - lenço na cabeça
Pai pardo preto pardo marinho - gravata
Príncipe branco ferrugem cobalto branco - Boina azul
- capa vermelha
- cinto marrom com botão simples

Objetos de cena:
Venda dos olhos

Complemento geral:
Papelão para base

8.1.5 A princesa e a ervilha


4 personagens

Personagem pele cabelo base roupa Complementos


Princesa branco loiro rosa rosa - fita 45 cm
- bordado inglês 35 cm
- passa-fita 20
- flores e/ou fita para cabelo
Rei negro branco marinho marinho - Capa roxa
- cinto preto com botão
- coroa 20 cm
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Rainha parda cinza vinho lilás - Enfeites brilhantes
Príncipe pardo marrom escuro cobalto branco - Boina azul
- capa vermelha
- cinto marrom com botão simples

Objetos de cena:
Colchões
Ervilha
Lã verde para ervilha

Complemento geral:
Papelão para base

8.1.6 Micael e o dragão


4 personagens

Personagem pele cabelo base roupa Complementos


Princesa negra marrom escuro rosa rosa - fita 45 cm
- bordado inglês 35 cm
- passa-fita 20
- flores e/ou fita para cabelo
Rei pardo branco marinho marinho - Capa roxa
- cinto preto com botão
- coroa 20 cm
Micael branco loiro amarela branca - capa vermelha
- coroa
- cinto marrom com botão simples
- escudo cinza /papelão
- lança amarela e dourada/palito
Dragão

Complemento geral:
Papelão para base

8.1.7 Quirino vaqueiro do rei


6 personagens

Personagem pele cabelo base roupa Complementos


Rosinha branca bege rosa rosa - fita 45 cm
- bordado inglês 35 cm
- passa-fita 20
- flores e/ou fita para cabelo
Rei branca branco marinho marinho - Capa roxa
- cinto preto com botão
- coroa 20 cm
Fidalgo 1 negro preto vermelha verde - Boina vermelha
Fidalgo 2 branco loiro verde cinza - Boina verde
Quirino pardo marrom escuro ferrugem areia - Chapéu pardo
- capa marrom
- cinto marrom com botão simples
Boi Barroso

Complemento geral:
Papelão para base

8.1.8 Conto africano


5 personagens

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Personagem pele cabelo base roupa Complementos
Iansã negro preto vermelho vermelho - Turbante dourado
- Tecido sari
Ogum negro preto marinho sari azul - Coroa
- Tecido azul
- Lança branca e dourada
Mulher 1 negro marrom escuro verde claro verde - Turbante
Mulher 2 negro marrom rosado forte rosado forte - Turbante
Búfalo

8.2 Passo a passo para montagem dos bonecos

- encher o corpo e costurá-lo;


- amarrar e costurar o pescoço;
- colocar os papelões dentro da base;
- encher a base e alinhavar a borda;
- encaixar o corpo na base borda, ajustar e pregar;
- vestir;
- fazer o cabelo;
- caracterizar o personagem.
8.3 Passo a passo para a montagem dos animais

- O ponto utilizado para montar o bicho é o caseado simples;


- deve-se iniciar a costura pela parte de cima do pescoço e caminhar para a
cabeça, juntando a parte da testa ,se houver, descendo pela parte de baixo do
pescoço para então costurar a barriga ou parte interna das pernas, de ambos
os lados;
- as costas devem ser deixadas para costurar por último, pois o enchimento se
iniciará por ela;
- antes de iniciar o enchimento, deve-se colocar a base de papelão grosso, no
fundo do animal;
- o enchimento deve ser colocado aos poucos, usando um pauzinho para ajudar
a empurrar o algodão, seguindo a seguinte ordem:
- focinho
- cabeça
- pescoço
- parte de baixo (pernas ou barriga)
- costas
- traseira
- finalizar costurando e enchendo aos poucos as costas , até o final, na
traseira;

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- crina, orelhas, rabo chifre e olhos devem ser deixados, por último,
lembrando-se de que os olhos dos animais, não são na frente da cara e sim
mais de lado.
O rosto

O rosto não será muito


definido, pois um rosto
totalmente estruturado
estabelece uma impressão fixa
na criança. Os olhos e a boca
são apenas sugeridos, deixando
livre a fantasia, para que
possa chorar ou rir, dependendo
do estado anímico da criança.
Toda boneca é tanto melhor
quanto mais indefinida seja sua
expressão.

9 A PRINCESA E A ERVILHA
Contos de Grimm
Era uma vez um príncipe que queria desposar uma princesa, mas uma
princesa autêntica. Por isso, deu a volta ao mundo à procura de uma, e, na
verdade, princesas não faltavam.
Todavia, ele nunca tinha a certeza de estar na presença de verdadeiras
princesas - havia sempre alguma coisa que o fazia desconfiar. E regressou
da viagem muito triste por não ter encontrado o que desejava.
Uma noite houve um terrível temporal: os raios cruzavam-se no céu, a
trovoada ribombava, a chuva caía a cântaros. Um espetáculo medonho!
Alguém bateu à porta do castelo e o velho rei apressou-se a ir abrir.
Era uma princesa. Mas - Deus do Céu! - , a água, que lhe empapava os
cabelos e as vestes, entrava pela biqueira dos sapatos e saía pelo calcanhar.
Apesar disso, ela intitulava-se uma verdadeira princesa. "Isso é o que vamos
ver!", pensou a velha rainha. Depois, sem dizer nada a ninguém, entrou no
quarto de dormir, desfez a cama e colocou no fundo um grão de ervilha.
Em seguida, juntou vinte colchões, que estendeu por cima da ervilha, e
ainda vinte edredons, que colocou por cima dos cobertores. Era este o leito
destinado à princesa.
No dia seguinte, de manhã, perguntaram-lhe como tinha passado à noite.
- Muito mal! - respondeu ela. - Mal consegui fechar os olhos durante a
noite! Só Deus sabe o que teria a cama: era qualquer coisa dura, que me
encheu a pele de nódoas negras. Que suplício!
Perante a resposta, reconheceram que se tratava de uma verdadeira
princesa, uma vez que tinha sentido o grão de ervilha colocado por baixo de
vinte cobertores e vinte edredons. Que mulher a não ser uma princesa, podia
ter uma pele tão delicada?
O príncipe, absolutamente convencido de que ela era uma autêntica
princesa, tomou-a por esposa, e a ervilha foi posta no museu, onde ainda deve
estar se nenhum colecionador de lá a tirou.
E eis uma história tão verdadeira como era a princesa!

10 As Moedas-estrelas
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Contos de Grimm

Era uma vez uma menininha que não tinha pai nem mãe, porque eles haviam
morrido. Ela era tão pobre que não tinha mais quartinho para morar, nem
caminha para dormir e, por fim, não tinha mais nada além da roupa que trazia
no corpo e de um pedacinho de pão na mão, que lhe fora dado por um coração
compadecido. Mas a menina era boa e devota, e por estar assim abandonada por
todos, ela saiu andando pelo campo, confiante no bom Deus.

Então ela encontrou-se com um mendigo, que disse:


__
Ai, dê-me alguma coisa para comer, estou com tanta fome!
A menina entregou-lhe o seu pedaço de pão inteiro e disse:
__ __
Que Deus o abençoe para você! e continuou o seu caminho.
Aí veio ao seu encontro uma criança, que lhe disse chorosa:
__
Estou com tanto frio na cabeça, dê-me alguma coisa para cobri-la.
Então a menina tirou o seu gorrinho e o deu àquela criança.
__
Vá com Deus que ela a mantenha sempre aquecida.

Finalmente, ela chegou a um bosque e já estava escuro. Então apareceu mais


uma criança, pedindo um casaco, e bondosa a menininha pensou: "Tudo bem, ali
tem algumas folhas secas que me aquecerão durante a noite". E ela tirou a sua
última peça de agasalho e entregou-lhe à criança.

E quando ela ficou ali, parada assim, sem mais nada, de repente começaram a
cair estrelas do céu, e eram todas elas brilhantes moedas de ouro. E embora
ela tivesse dado a sua última camisa, de repente ela estava com camisa nova
no corpo, e era do mais fino linho.

E então ela recolheu as moedas naquela camisa e ficou rica por toda a vida.

11 AS FADAS
Contos de Perrault

Era uma vez uma viúva que tinha duas filhas. A mais velha se parecia
tanto com ela, no físico e no temperamento, que quem via a filha, via a mãe.
As duas, mãe e filha, eram tão desagradáveis e tão orgulhosas que viver com
elas era impossível. A caçula, que era o retrato do pai, por sua doçura e
bondade, tinha ainda a seu favor o fato de ser uma das moças mais lindas que
se pode imaginar. Como todo mundo gosta é de quem lhe é semelhante, a mãe era
louca pela filha mais velha e, por outro lado, tinha uma terrível aversão
pela caçula. Obrigava-a a comer na cozinha e a trabalhar sem descanso.
Cumpria à pobre menina, entre outras coisas, ir buscar água duas vezes
por dia num lugar distante uma boa meia-légua da sua casa, de onde trazia um
grande cântaro cheio até as bordas. Um dia ela se achava junto à fonte quando
apareceu uma pobre mulher que lhe pediu um pouco de água para beber. "Pois
não, minha boa mulher", disse a bela moça, e, depois de lavar rapidamente o
cântaro, encheu-o onde a água da fonte era mais pura e cristalina e o
ofereceu à mulher, segurando-o para que ela pudesse beber mais à vontade.
Após ter bebido, a boa mulher lhe disse: "Você é tão bonita, tão gentil e tão
boa que não posso deixar de lhe conceder um dom (pois ela era uma fada que
havia assumido a forma de uma mulher pobre da aldeia a fim de ver até onde ia
a bondade daquela jovem). Você terá o dom de fazer sair pela sua boca, a cada
palavra que disser, uma flor ou uma pedra preciosa".
Quando a linda moça chegou em casa, a mãe repreendeu-a por voltar tão
tarde da fonte. "Peço-lhe perdão, minha mãe", respondeu a pobre moça, "por
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ter demorado tanto" - e ao dizer essas palavras saíram de sua boca duas
rosas, duas pérolas e dois enormes brilhantes. "Que vejo?", disse a mãe
grandemente admirada. "Parece-me que estão saindo de sua boca pérolas e
brilhantes! De onde vem isso, minha filha?" (Era a primeira vez que a chamava
de filha). A pobre moça contou-lhe ingenuamente tudo o que lhe havia
acontecido, não sem deitar pela boca, enquanto falava, uma infinidade de
diamantes. "Com efeito", falou a mãe, "preciso mandar minha filha até lá.
Olhe só, Franchon, veja o que está saindo da boca de sua irmã, quando ela
fala. Você não gostaria de ter também esse dom? É só você ir buscar água na
fonte, e quando uma pobre mulher lhe pedir um pouco de água para beber você
deverá atendê-la com toda a gentileza." - "Era só o que me faltava",
retrucou a grosseirona da outra filha, "ir buscar água na fonte!" - "Pois
quero que você vá", retrucou a mãe, "e agora mesmo!"
Ela foi, mas sempre resmungando. Pegou o mais bonito vaso de prata que
havia na casa e mal tinha chegado à fonte viu sair do bosque uma dama
esplendidamente vestida, que lhe pediu um pouco de água. Era a mesma fada que
havia aparecido à sua irmã, mas que agora assumira os ares e os trajes de uma
princesa, para ver até onde ia a grosseria daquela moça. "Você acha que vim
até aqui para lhe dar de beber? Que trouxe um vaso de prata expressamente
para dar de beber à ilustríssima? Que beba você mesma, se quiser." - "Você
não é nada gentil", retrucou a fada, sem se encolerizar. "Pois bem! Já que é
tão pouco prestimosa, eu lhe darei este dom: a cada palavra que disser sairá
de sua boca uma cobra ou um sapo".
Logo que a mãe a viu chegar, gritou para ela: "E então, minha filha?" -
"E então minha mãe?", respondeu-lhe a grosseirona, soltando pela boca duas
víboras e dois sapos. "Céus", exclamou a mãe. "Que vejo! É sua irmã a
culpada, ela me pagará". E logo correu para lhe dar uma sova. A pobre moça
fugiu e foi esconder-se numa floresta próxima. O filho do rei, que retornava
da caça, viu-a e a achou tão linda que quis saber o que fazia ali sozinha e
qual motivo por que chorava. "Ai de mim, meu senhor", respondeu ela, "a
minha mãe me expulsou de casa". O filho do rei, que acabara de ver sair de
sua boca cinco ou seis pérolas e um igual número de brilhantes, pediu-lhe que
lhe explicasse de onde vinha tudo aquilo. Ela lhe contou toda a sua história.
O filho do rei apaixonou-se por ela e, considerando que semelhante dom valia
mais do que tudo o que uma noiva pudesse levar de dote, conduziu-a ao palácio
do rei seu pai, onde a esposou.
Quanto à sua irmã, ela se tornou uma pessoa tão odiosa que sua própria
mãe a escorraçou de casa. E a infeliz, depois de ter procurado em vão uma
pessoa que a acolhesse foi morrer sozinha num recanto perdido do bosque.

12 MICAEL E O DRAGÃO

Nina Veiga

Numa terra distante e deserta habitava um terrível dragão. Cansado de


viver sozinho o cruel cuspidor de fogo saiu em busca de companhia.
Subiu e desceu montanhas, atravessou rios e mares, andou pelos vales
profundos até que avistou ao longe uma colina.
No alto da colina havia um castelo de cristal. "Ah", pensou o dragão,
"neste castelo frágil deve morar uma boa companhia para mim. Vou até lá." E
continuou a subida até o topo onde se encontrava o castelo envidraçado.
Quando chegou mais perto, viu através das paredes de vidro uma linda
princesa. Era Laura a princesa do castelo de cristal. Vivia feliz sem saber
que lá fora uma terrível fera a observava.

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A jovem princesa saiu para passear pelos jardins do palácio, observava
as flores que a primavera estava trazendo, sentia a brisa da montanha que
varria o céu, levando embora as nuvens e deixando-o mais azul.
De repente os raios do sol se esconderam, a brisa parou de soprar e um
bafo quente e fedido tomou conta do ar. "Oh, o que terá acontecido com a
primavera?", pensou a princesinha, "Onde o sol, onde o aroma das flores?"
E quando menos esperava: o dragão a atacou e a levou para sua terra
deserta e quente. Lá chegando, trancou a princesinha de cristal numa caverna
escura, cheia de insetos perigosos. E foi caçar. "Vou caçar um carneiro bem
gordo para dar de comer a minha amada."
A pequena Laura em seu cativeiro orava sem parar: "Meu bom Deus, meu
Anjo protetor, minha querida mãezinha do céu, ajudem-me a sair desta terrível
caverna, livrem-me do cruel dragão".
Não muito longe dali, um cavaleiro valente voltava de uma grande
batalha. Ia em seu cavalo agradecendo a Deus por ter-lhe poupado a vida em
mais um sangrento duelo. Tinha ganhado mais uma batalha e agora as crianças
poderiam dormir mais uma noite em paz.

O cavaleiro Micael não percebeu quando um Anjo do Senhor lhe soprou uma
mensagem ao ouvido: "Perto daqui há uma princesa que corre perigo, um dragão
a raptou, está na caverna do deserto".
Sem saber o porquê, o valente cavaleiro, sentiu vontade de ir para casa
cortando caminho pelo deserto. Sabia que era perigoso, pois lá morava o mais
cruel dos dragões. Mas, sem temer, seguiu em frente conduzido por uma
estranha sensação.
Mal tinha andado meia légua quando escutou debaixo da terra um choro
baixinho. "O que será isso?", pensou ele, "Quem poderá estar chorando debaixo
da terra? Só pode haver uma caverna aqui".
E quando desceu mais um pouco para procurar a entrada da caverna...
Surge o dragão. Depois de lançar fogo pelas ventas, grita: "Que queres tu,
forasteiro? Vieste levar embora a minha princesa? Pois estarás derrotado
antes disso!" E dizendo isso começou a girar a cauda e a cuspir fogo.
Micael, valente e corajoso, não vacilou, tirou sua espada de ferro e
ouro e com um único e certeiro golpe acertou o dragão. Este, ao ver seu
sangue verde escorrer pelo chão, saiu em disparada em direção ao fim do mundo
de onde não vai voltar tão cedo.
A jovem princesa que a tudo escutava, agradeceu a Deus pelo seu
salvador e foi conduzida por Micael de volta ao seu castelo. O Rei feliz por
ver a filha salva do horrível seqüestro, mandou construir um castelo todo de
ouro, onde nenhum dragão poderia entrar, e pediu a Micael para que lá morasse
em companhia de sua filha Laura, após o casamento.
E é lá que eles devem estar, até agora... Felizes para sempre.

13 O REI SAPO

Contos de Grimm

Era uma vez um rei que tinha uma filha tão linda como o próprio sol.
Perto do castelo do rei havia um grande bosque escuro, e no bosque havia um
poço.

Quando fazia um dia muito quente, a filha do rei saía para o bosque e
sentava-se à beira do poço com sua bola de ouro, jogando-a para cima e
apanhando-a de novo; e esse era o seu brinquedo preferido. Mas aconteceu que
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a bola de ouro da filha do rei bateu no chão e rolou para dentro da água e
sumiu.

O poço era fundo, tão fundo que não se podia ver o seu fim. Então ela começou
a chorar e chorava cada vez mais sem conseguir se consolar. E quando ela se
lamentava assim, ouviu, de repente, uma voz que dizia:
__
O que foi que te aconteceu, filha do rei? Por que choras tanto? O sapo
respondeu:
__ __ __
Ah, és tu, velho sapo? disse ela. Estou chorando por causa da minha
bola de ouro que caiu no fundo do poço.
__ __ __
Sossega não chores respondeu ele eu posso te ajudar. Mas o que me
darás se eu te devolver o teu brinquedo?
__ __ __
O que tu quiseres, querido sapo disse ela, meus vestidos, minhas
pérolas e pedras preciosas, e também a coroa de ouro que estou usando.
__
Estas coisas eu não quero. Quero ser seu amigo e companheiro, comer no teu
pratinho e dormir na tua caminha, se me prometeres isso, eu descerei para o
fundo do poço e te trarei de volta a bola de ouro.
__ Ah, sim __ disse ela __ eu te prometo tudo e que queres, só traze-me de
volta a minha bola de ouro.

Quando o sapo recebeu a promessa, mergulhou de cabeça, desceu ao fundo


e logo depois apareceu com a bola na boca que ele jogou na grama. A
princesinha, muito feliz por rever o seu lindo brinquedo, apanhou-o do chão e
saiu pulando.
__ __ __
Espera, espera gritou o sapo leva-me contigo, eu não posso correr
tão depressa! Mas ela já estava longe.
No dia seguinte, quando ela e o Rei estavam almoçando, eis que ouviram
__ __
uma batida na porta toc toc toc e uma voz que chamava:
__
Filha do rei, a mais nova, abre para mim!

Ela foi atender, mas quando abriu a porta e viu o sapo ali, bateu a
porta depressa e sentou-se de volta à mesa, sentindo medo.
O rei perguntou:
__
Minha filha, quem está batendo?
__
Oh, um sapo nojento.
__
E o que quer esse sapo de ti?
__
Ah, ontem quando minha bola de ouro caiu no poço o sapo foi buscá-la para
mim aí eu prometi que ele seria meu amigo e companheiro. E agora ele está lá
na porta e quer entrar aqui.

Então o rei disse:


__
O que tu prometeste, deves cumprir; vai agora e abre a porta para ele!
Enquanto isso, lá fora o sapo batia na porta e gritava:
"Princesa, a mais nova,
abre para mim!
Lembra o que ontem
prometeste?
Prometeste, sim!
Princesa, a mais nova,
abre para mim!"

Ela abriu a porta, e o sapo entrou pulando e gritou:

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__
Levanta-me para junto de ti!
Ela hesitou, mas o rei mandou que o fizesse.
__
Agora empurra o teu pratinho de ouro para mais perto de mim, para podermos
comer juntos!
A filha do rei obedeceu.
Finalmente ele disse:
__
Fartei-me de comer e estou cansado, arruma a tua caminha de seda,
onde eu vou dormir.
A filha do rei começou a chorar e tinha medo do sapo frio.
Mas o rei ficou zangado e ordenou:
__
Quem te ajudou na hora da necessidade, não podes desprezar depois!
Então ela agarrou o sapo com dois dedos, arregou-o para cima e colocou-
o sentado num canto.
__
Estou cansado, quero dormir, igual a ti. Levanta-me, senão eu conto ao teu
pai!
Aí ela ficou furiosa, levantou o sapo e atirou-o com toda a força
contra a parede:
__
Agora me deixarás em paz, sapo nojento!
Mas quando ele caiu, já não era mais um sapo, mas um príncipe de belos
olhos carinhosos. E ele contou-lhe, na mesma hora, que tinha sido
enfeitiçado por uma bruxa malvada.
Agora ele ficou sendo, pela vontade do pai da princesa, seu companheiro
amado e esposo.

E eles viveram felizes para sempre.

14 QUIRINO VAQUEIRO DO REI


Luís da Câmara Cascudo

Era uma vez um Rei que possuía muitas fazendas de gado entregues a
vaqueiros de sua confiança. Uma das melhores propriedades era confiada ao
peão Quirino que tinha fama de não mentir. O Rei vivia gabando o vaqueiro,
apontando-o como modelo de veracidade. Essa opinião despertava inveja entre
os fidalgos, e um deles, rico e poderoso, resolveu acabar com a celebridade
moral de Quirino, vaqueiro do Rei.
Na fazenda de Quirino se encarregava, o orgulho do Rei era um boi
barroso, bonito como não havia outro. Cada ano, o vaqueiro ia até a casa do
Rei prestar contas.
Chegava riscando o cavalo e dizia por aqui assim:
__ Pronto, meu amo! Aqui está Quirino, vaqueiro do Rei!
O Rei perguntava:
__ Como vai Quirino?
__ Com a graça de Deus e o favor do meu amo!
__ A obrigação?
__ Em paz e salvamento.
__ As vacas?
__ Umas gordas e outras magras.
__ E o boi barroso?
__ Vai forte, valente e mimoso!
O fidalgo disse ao Rei que Quirino capaz de mentir. O Rei repeliu a
idéia.
__ Vamos apostar, majestade?
__ Pois vamos! Dez fazendas de gado, cem touros escavadores e
duzentas vacas leiteiras com chifres dourados?
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__ Está apostado!
O fidalgo tinha uma filha muito bonita, chamada Rosa. Chamou a moça e
contou a aposta. Por dinheiro, Quirino não peca. Abaixo de Deus, a mulher
pode com tudo que tem fôlego.
Rosa se vestiu como uma mulher do povo e foi até a fazenda onde estava
o boi barroso. Encontrou Quirino e conversou com ele, fazendo tanto trejeito,
dando tanta volta no corpo que o vaqueiro ficou alvoroçado e se apaixonou por
ela.
Ficaram muitos meses vivendo juntos, andando para lá e para cá, no
serviço do campo. Numa manhã, Rosa disse:
__ Quirino, você gosta de mim?
__ Como? Demais!
__ Quer bem ao seu filhinho que vai nascer?
__ Mais do que a luz do dia!
__ Pois se não quiser que seu filho morra, mate o boi barroso que eu
quero comer o fígado bem assadinho.
Quirino ficou assombrado mas obedeceu. Matou o boi barroso, e a mulher
comeu o fígado assado.
Dias depois, era o tempo do vaqueiro ir até a presença do Rei. Rosa
mandou dizer ao seu pai que o boi barroso fora morto.
Quirino vestiu a véstia de couro, calçou o guante, pôs o chapéu na
cabeça, montou no cavalo e galopou para a casa do Rei.
Foi viajando e pensando no que ia dizer ao Rei.
__ Chego e digo assim: Saiba el-rei meu senhor que o boi barroso
saltou um serrote e quebrou o pescoço...
Interrompendo-se, falava, alto, indignado:
__ Isto não é palavra de Quirino, vaqueiro do Rei!
__ Posso dizer que o boi barroso ia passando o açude e se afogou. Só
pude salvar o couro.
__ Isso não é palavra de Quirino, vaqueiro do Rei!
E chega-não-chega no pátio do palácio do Rei, Quirino resolveu a
questão. Entrou na sala e o Rei estava com o dito fidalgo que fizera a
aposta, todo satisfeito, certo de ganhar.
___ Pronto, meu amo!
__ Como vai, Quirino?
__ Com a graça de Deus e o favor do meu amo!
__ A obrigação?
__ Em paz e a salvamento!
__ As vacas?
__ Umas magras e outras gordas!
__ E o boi barroso?
__ Saiba o senhor meu amo que o boi barroso deu o fígado para o meu
filhinho não morrer!
__ Que história é essa, Quirino?
Quirino contou toda a história e quando terminou disse:
__ Assim é que fala Quirino, vaqueiro do Rei!
O fidalgo ficou preto de vergonha. O Rei findou dizendo:
__ Quirino, vaqueiro do Rei, o que eu ganhei na aposta com esse amigo
é o dote para você se casar com a mãe do seu filhinho...
O que estava feito, estava feito.
Quirino casou com Rosa e foram felizes como Deus com os anjos.

15 RAPUNZEL
Contos de Grimm

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Era uma vez um homem e uma mulher, que há muito tempo desejavam em vão
ter uma criança. Finalmente eles tiveram esperança de que o bom Deus
atenderia o seu desejo. O casal tinha no fundo da casa uma janelinha da qual
se podia ver um formoso jardim, cheio de flores e ervas __ mas estava
cercado por um muro alto, e ninguém se atrevia a entrar, porque ele pertencia
a uma feiticeira que tinha muito poder e era temida por todo mundo.
Certo dia estava a mulher diante dessa janela, olhando para o jardim,
quando viu um canteiro cheio dos mais lindos raponços, que são plantas de
salada. Estavam tão viçosos e verdes, que ela sentiu o maior desejo de comer
daqueles raponços. O desejo foi aumentando todos os dias, e como ela sabia
que não podia consegui-los, começou a emagrecer e ficou pálida e tristinha.
Então o marido ficou assustado e perguntou:
__ O que te falta, querida mulher?
__ Ai, __ respondeu ela, __ se eu não puder comer aqueles raponços do
jardim no fundo da nossa casa, eu vou morrer.
O homem, que amava a sua mulher, pensou: "Antes de deixar minha mulher
morrer, vou buscar um pouco daqueles raponços, custe o que custar".
Então ao entardecer, lá foi ele de novo, mas quando desceu do outro
lado do muro, levou um susto enorme, pois deu com a feiticeira parada na sua
frente.
__ Como se atreves, __ disse ela com olhar raivoso, __ a invadir o
meu jardim, para roubar os meus raponços?
__ Ai, senhora, __ respondeu ele, __ use de compaixão; eu só me decidi
a isso por necessidade: minha mulher viu os seus raponços, e ficou com tanto
desejo por eles, que ia morrer se não conseguisse comê-los.
Então a raiva da feiticeira amainou, e ela disse:
__ Se as coisas são como dizes, eu te permitirei levar dos meus
raponços, quantos quiseres. Só que com uma condição: terás de me dar a
criança que o bom Deus vos dará. Ela passará bem, e eu cuidarei do pequenino
ser como verdadeira mãe.
No seu medo, o homem prometeu tudo, e quando a criança nasceu, a
feiticeira apareceu imediatamente, pôs na criança o nome de Rapunzel e levou-
a embora consigo.
Rapunzel era a criança mais linda debaixo do sol. Quando ela fez doze
anos, a feiticeira trancou-a numa torre, que ficava na floresta e não tinha
escada nem porta, só uma janela pequenina lá em cima. Quando a feiticeira
queria entrar, ficava embaixo da janela e gritava:
"Rapunzel, Rapunzel,
Solta o teu cabelo!"
Rapunzel tinha cabelos longos e maravilhosos, sedosos como ouro fino. E
quando ela ouvia a voz da feiticeira, soltava as tranças, prendia-as num
gancho da janela, e deixava-as cair de vinte côvados de altura e a feiticeira
subia por elas.
Alguns anos depois aconteceu que o filho do rei, cavalgando pela
floresta, passou pela torre e ouviu um canto que era tão lindo, que ele parou
e ficou escutando. Era Rapunzel, que na sua solidão passava o tempo deixando
soar sua voz. O príncipe queria subir até ela, e procurou a porta da torre,
mas não encontrou. Voltou para casa, mas o canto lhe tocara tão fundo o
coração que ele ia todos os dias para a floresta, para ouvi-lo: Quando ele
estava um dia assim parado atrás de uma árvore, viu chegar uma mulher, e
ouviu-a gritar para cima:
"Rapunzel, Rapunzel,
Solta o teu cabelo!"
Então Rapunzel deixou cair suas tranças e a mulher subiu por elas. O
príncipe pensou: "Se é esta a escada pela qual se sobe lá, então eu também
quero tentar a minha sorte".

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E no dia seguinte, quando começou a escurecer, ele foi até a torre e
gritou:
"Rapunzel, Rapunzel",
Solta o teu cabelo!"".
Imediatamente as tranças caíram e o filho do rei subiu por elas.
No começo, Rapunzel assustou-se muito, mas o príncipe começou a falar
com ela muito delicadamente, e contou-lhe que o seu coração fora tão tocado
pelo seu canto, que não mais lhe deu sossego e ele tinha de vir vê-la, ele
mesmo.
Então Rapunzel perdeu o medo, e quando o príncipe lhe perguntou se ela
o aceitaria para marido, e ela viu que ele era jovem e belo, pensou: "Este
vai me amar mais do que a velha mulher", __ disse "Sim", e pôs sua mão na mão
dele. E falou:
__ Irei contigo de bom grado, mas não sei como poderia descer. Quando
voltares aqui, traze sempre fios de seda, e eu tecerei uma escada com eles, e
quando estiver pronta, descerei por ela e tu me levarás no teu cavalo.
Eles combinaram que ele viria visitá-la todos os dias ao anoitecer,
porque durante o dia vinha a velha.
A feiticeira não percebeu nada, até que um dia Rapunzel perguntou: e
disse:
__ Dize-me, como é isso, que me é muito mais difícil e pesado puxar-te
para cima, do que o jovem filho do rei, que chega aqui num instante?
__ Ó menina endiabrada, __ gritou a feiticeira, __ o que estou ouvindo!
Pensei que te isolei do mundo inteiro, e tu me enganaste!
Na sua raiva, ela agarrou os lindos cabelos de Rapunzel, enrolou-os um
par de vezes na sua mão esquerda, agarrou uma tesoura com a direita, e rique-
raque, eles já estavam cortados, a as belas madeixas jaziam no chão.
E a velha tão impiedosa, que levou a pobre Rapunzel para um lugar
solitário e deserto, onde ela teve de ficar vivendo em grande tristeza e
desalento.
No mesmo dia em que exilou Rapunzel, a feiticeira prendeu as tranças
cortadas no gancho da janela, e quando o príncipe chegou e gritou:
"Rapunzel, Rapunzel,
Solta o teu cabelo!"

Ela deixou cair as tranças. O príncipe subiu, mas lá em cima ele não
encontrou a sua amada Rapunzel, e sim a feiticeira, que o fitou com olhares
raivosos e peçonhentos.
__ Ah! __ gritou ela, zombeteira __ vieste buscar a tua linda bem-
amada? Mas o belo passarinho não está mais no ninho e não canta mais, o gato
veio buscá-la e vai também arrancar os teus olhos com as suas garras. Para ti
Rapunzel está perdida, nunca mais poderás enxergá-la.
Aí o príncipe ficou fora de si de dor e no seu desespero, atirou-se da
torre. Ele escapou com vida, mas os espinhos nos quais ele caiu furaram-lhe
os olhos. E então ele vagueava cego pela floresta, só comia raízes e frutas
silvestres, e não fazia nada além de chorar e se lamentar pela perda de sua
amada.
Assim ele andou errante durante alguns nos, na sua miséria, até que foi
parar na região deserta onde Rapunzel vivia miseravelmente. Ele ouviu uma
voz, que lhe pareceu conhecida. Dirigiu-se para lá e quando se aproximou,
Rapunzel reconheceu-o, caiu nos seus braços e chorou. Duas de suas lágrimas
molharam os olhos do moço, e eles clarearam de novo, e ele voltou a ver como
antes.
O príncipe levou-a para o seu reino, onde foi recebido com alegria e
eles viveram felizes e contentes por muito tempo.

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16 IANSÃ

Tiago Hoisel

Era uma vez um búfalo que era uma mulher, Oyá, a rápida.
Ela vivia na floresta onde moram os caçadores.
Um dia Ogum que é caçador e deus da Guerra passeava ali.
Ogum viu o búfalo virar uma bela mulher.
Ele ficou apaixonado pela sua beleza.
Ela era uma mulher bonita que se vestia com muito gosto e usava uma espada e
fazia raios caírem do céu.
Ogum foi atrás dela na feira e a fez proposta de casamento.
Ela recusou, mas ele ameaçou contar o seu segredo, que ela era uma mulher
búfalo.
Ela aceitou e casou-se com Ogum.
Ogum já tinha outras esposas, mas a que ele mais gostava era Oyá.
As outras mulheres de Ogum tinham ciúme de Oyá.
Um dia, embriagaram Ogum para que ele contasse por que gostava mais de Oyá.
Ele então disse: - Ela é um búfalo!
Quando Oyá chegou em casa, as mulheres começaram a zombar dela, que ela era
um animal.
Ela, então, transformou-se em búfalo e começou a chifrar as mulheres,
rasgando suas barrigas, pisando em seus corpos.
Depois ela se transformou de novo em Oyá e entregou os seus chifres aos seus
filhos dizendo: - Quando precisarem de mim, batam nos chifres e digam:”Iyá
messã orum” e eu virei.- E foi, então, para a floresta.

17 ROTEIRO PARA CONTAR A HISTÓRIA

• Em silêncio, apenas cantarolando baixinho (com sapatinhos de


veludo...), mostrar o local para elas irem se sentando;

• Esperar calmamente todas as crianças se sentarem e se acomodarem;

• Quando todas estiverem acomodadas, cantarolar era uma vez... E ir aos


poucos fechando as janelas calmamente;

• Sentada, ainda cantarolando baixinho, abrir lentamente a cesta de


histórias, tirar o pano de cobrir o colo, cobrir as pernas;

• Tirar a vela, o fósforo e o sininho;

• Acender a velinha;

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• Tocar o sininho;

• Abram os olhos....;

• Tirar o véu que cobre o cenário;

• Iniciar a história...;

• ...final da história;

• Tocar o sininho;

• Tempo...

• Cantarolando baixinho, apagar a vela;

• Dobrar e guardar o pano;

• Guardar a vela, o fósforo e o sininho na cesta;

• Fechar;

• Abrir as janelas

17.1 Qualidades vivenciadas durante a apresentação

- Aproxima-se do sonho;

- Valoriza o silêncio;

- Promove o surgimento de imagens interiores, devido ao baixo estímulo


externo;

- Exerce efeito de suspensão (esse efeito é das coisas menos valorizadas e


das mais importantes na educação) momento do devir.

ANEXO 1

10º ENCONTRO DO PROLER EM ARAXÁ


16 a 20 de agosto de 2010

Realização Nina Veiga Atelier e Espaço Querer 22


Rua Abel Alves, 331 A . 37190-000 . Três Pontas . MG . www.ninaveiga.com.br . 35 3266 5971 CNPJ 10.421.254/0001-37
PROPOSTA DE TRABALHO PARA MINI CURSO DE INCENTIVO À LEITURA

Tema/Título :
Teatro de bonecos inspirado na Pedagogia Waldorf – construção e manipulação.

Ministrante:
Profa. Ms. Ana Lygia Vieira Schil da (Nina) Veiga

Currículo resumido:
Mestre em Linguagem, Discurso e Cultura pela Unincor. Especialista em Docência do Ensino Superior,
Psicopedagogia Institucional e Clínica. Qualificada em Pedagogia Terapêutica e Waldorf. Professora
universitária de cursos de pós-graduação. Ministra cursos e workshops relacionados a arte, terapia e
pedagogia. Artista-plástica, realiza exposições itinerantes de suas obras em aquarela e tecelagem. Nina
Veiga iniciou suas atividades artísticas em 1991 com a criação de seu atelier em São Paulo, onde
idealizou e produziu objetos e peças a partir de fibras, fios e materiais naturais. Sua formação em
Pedagogia Waldorf e Pedagogia Curativa possibilitou a criação de brinquedos inspirados no
conhecimento antroposófico, levando em conta a imagem ampliada do homem e as necessidades
terapêuticas da criança moderna. Sua vasta experiência com a tecelagem, somada à visão artística
diferenciada que adquiriu através de sua passagem pelo "Centro de Artes São Paulo - Universidade Livre
de Arte" possibilitaram a criação de obras em tecelagem tridimensional primitiva, integrando a natureza,
as artes plásticas e a tecelagem. Atualmente, além das atividades acadêmicas e do atelier, a artista mantém
um blog e uma coluna semanal impressa, onde publica suas crônicas e divulga arte, cultura, literatura,
notícias do terceiro setor e do meio ambiente.

Público alvo: professores do ensino fundamental e médio, alunos de pedagogia, bibliotecários e


mediadores de leitura.

Carga horária: 20 horas

Ementa: Caracterização dos contos de fadas para o teatro de bonecos. O teatro de bonecos inspirado na
Pedagogia Waldorf para a Educação Infantil e para os primeiros anos do Ensino fundamental. Oficina de
construção e manipulação de bonecos para teatro de mesa.

Objetivos
Geral:
Desenvolver o fazer manual por meio da construção de teatro de bonecos artísticos que colaborem para o
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enriquecimento das atividades de contação de histórias em sala de aulas, bibliotecas e oficinas de
recreação.
Específico:
- Construção, através da oficina de costura, de um boneco de teatro de mesa.
- Exercitar a manipulação do teatro de bonecos de mesa.
- Conceituar o teatro de mesa inspirado na Pedagogia Waldorf.
- Conceituar o teatro de bonecos para a Educação Infantil e para os primeiros anos da Educação
Fundamental.
- Caracterização dos contos de fadas para o teatro de bonecos.

Atividades previstas:
8h - abertura com movimento corporal
8h20 – palestra
9h – 11h30 - oficina de construção de bonecos
13h30 – 16h30 - oficina de construção de bonecos
16h30 – 17h30 – exercícios de manipulação de teatro de bonecos

Método de avaliação:
Apresentação artística e questionário

Bibliografia de referência:
CLOUDER, Christopher; NICOL, Janni. Brincadeiras criativas para o seu filho. São Paulo: Publifolha,
2009.

IGNÁCIO, Renate Keller. CRIANÇA QUERIDA (I) - O dia-a-dia das creches e jardim-de-infância. São
Paulo: Antroposófica, 1995.

ANEXO 2

MOLDES

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