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Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas

[Companhia das Letras]

É um livro essencial pra mim porque foi o primeiro livro de poesias fancha que caiu nas
minhas mãos. Foi a partir dele que eu comecei a pesquisar mais a fundo a literatura brasileira
contemporânea com temática lésbica e a traçar os próprios caminhos das lesbianidades na
minha escrita. Na poesia da Freitas, a gente encontra inúmeras frestas pra universos que
fogem à heteronorma. Também são tratadas, de forma leve e muito bem-humorada, questões
relativas às lesbianidades.
Indico a leitura do artigo “Como age, pensa e o que é uma mulher?”
(http://www.suplementopernambuco.com.br/edi%C3%A7%C3%B5es-anteriores/77-
capa/1943-como-age,-pensa-e-o-que-%C3%A9-uma-mulher.html), de autoria da Adelaide
Ivánova, também poeta & brasileira, em que ela procura tratar Um útero como o livro sapatão
que é, colhendo relatos de outras escritoras sapatãs. Isso porque, quando do lançamento dele
pela Cosac, há uns anos atrás, o livro acabou sendo tratado apenas sob um viés feminista,
apagando bastante as facetas lesbianas dele.

Lundu, de Tatiana Nascimento


[Padê Editorial]

Outro livrão de poesia fancha e que me abriu caminhos igualmente. Mas, além das
lesbianidades, a Tati vem questionar as maneiras heteronormativas de se relacionar, a
heteronorma e inclusive as fontes de nossas narrativas, de nossas histórias, trazendo
elementos da cultura iorubá muito bem marcados. Também presentes estão questões a
respeito de negritude, desigualdades, periferias.
Aqui é massa destacar a Padê Editorial em si. Idealizada e tocada pela Tati Nascimento e pela
Bárbara Esmenia, a Padê publica escritora dissidentes, sapatões, negras & periféricas.

Tribadismo: mas não só - 13 poemas a la fancha + 17 gritos de abya yala, de Bárbara Esmenia
[Padê Editorial]

A poesia da Bárbara tem uma força incrível e toca em temas como visibilidade lésbica e
apagamento histórico e literário das fanchas.
Amora, de Natália Borges Polesso
[Não editora]

Descobri Amora por acaso, numa dessas livrarias de grande porte onde quase nunca estou.
Me interessei pela óbvia gíria fancha na capa (“amora”) e foi com enorme & feliz surpresa
que li a contracapa, descobrindo que ali moravam histórias de sapatões. E apenas. Eu nunca
tinha visto um livro composto só de histórias fanchas (vim a descobrir outros mais tarde) e
daí me senti menos sozinha. A Natália tem uma narrativa leve, sensível e poética e nos
apresenta esses universos por onde a gente sempre caminha mas que não vemos retratados
na literatura. Importante frisar: ganhou o prêmio Jabuti em 2016, na categoria contos.
Imagina a alegria quando um livro com temática fancha ganhou o prêmio literário mais
tradicional do Brasil.
Indico o artigo “Eu escritora, eu lésbica” (http://gelbcunb.blogspot.com/2017/04/eu-
escritora-eu-lesbica.html), da própria autora, em que ela fala um pouco a respeito de escrita,
lesbianidades e escrita com temática lésbica.

Cada tridente em seu lugar e outras crônicas, de Cidinha da Silva


[Mazza Edições]

Quando a gente fala de lesbianidades e de negritude, a Cidinha é o primeiro nome que me


vem na cabeça. São temas-chave das crônicas dela, que têm muita força e provocam o senso
comum justamente pela simplicidade carregada de intenções. Pelos olhos de Cidinha, nós
somos convidadas a ver o mundo de outras formas.

Como esquecer: anotações quase inglesas, de Myriam Campello


[7 letras]

E aqui um romance. Sabe aquele filme de mesmo título em que a Ana Paula Arósio interpreta
uma fancha que terminou um relacionamento? Pois. O filme foi inspirado nesse livro. A
Campello escreveu um romance genial, com uma linguagem ligeira mas ao mesmo tempo
bem rebuscada e repleta de referências literárias. Um romance genial sobre a dor da perda.
E justamente por isso o livro me marcou tanto, porque a gente lê tantas histórias por aí sobre
perdas e nunca mas nunca nos deparamos com uma sapatão vivendo (e muito) a dor que é
viver um grande amor e perdê-lo. E se a gente se emociona e busca até algum consolo pra
nossas próprias perdas lendo histórias hétero, imagina o efeito de uma história sapatão na
gente.