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© 1984 Living StreamMinistry

Edição para a Língua Portuguesa


© 2002 Editora Árvore da Vida

Título do original Inglês:


Life-Study of Ephesians

ISBN 85-7304-126-9

1ª Edição — Abril/2002 — 5.000 exemplares

Traduzido e publicado com a devida autorização do Living Stream Ministry e todos os


direitos reservados para a língua portuguesa pela Editora Árvore da Vida.

Editora Árvore da Vida


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Impresso no Brasil

As citações bíblicas são da Versão Revista e Atualizada de João Ferreira de Almeida, 2ª


Edição. e Versão Restauração (Evangelhos), salvo quando indicado pelas abreviações:
lit. — tradução literal do original grego ou hebraico
IBB-Rev. — Imprensa Bíblica Brasileira, versão Revisada
VRC — Versão Revista e Corrigida de Almeida
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM UM
INTRODUÇÃO DO LIVRO DE EFÉSIOS
Nesta mensagem apresentaremos uma
introdução de Efésios. Embora seja apenas uma
introdução, abordaremos algumas questões cruciais e
importantes.

I. O TEMA: A IGREJA

A. O Corpo
O tema desse livro é a igreja. Efésios abrange sete
aspectos dela, dos quais o primeiro é a igreja como o
Corpo de Cristo, a plenitude Daquele que a tudo
enche em todas as coisas. Para que uma pessoa viva
seja completa, deve ter um corpo como expressão. O
Corpo de Cristo é a plenitude Daquele que a tudo
enche em todas as coisas.
O termo “plenitude” tem sido mal empregado,
mal entendido e mal aplicado pelos cristãos de hoje. A
maioria dos mestres cristãos confunde plenitude com
riquezas. Assim, quando os cristãos falam da
plenitude de Cristo, acham que isso quer dizer as
riquezas de Cristo. (Contudo, embora muitos falem
da plenitude do Espírito Santo ou da plenitude de
Deus, poucos falam da plenitude de Cristo). De
acordo com o livro de Efésios, a palavra plenitude não
quer dizer riquezas; significa expressão. O termo
“riquezas de Cristo” é encontrado . em 3:8, e o termo'
“plenitude” é encontrado em 1:23 e 4:13. O capítulo 1
menciona a plenitude Daquele que a tudo enche em
todas as coisas, e o capítulo quatro fala da medida da
estatura da plenitude de Cristo. De acordo com 4:13, a
plenitude tem uma estatura, e a estatura tem uma
medida. Visto que temos um corpo, todos temos uma
estatura. Se fôssemos uma cabeça sem corpo, não
teríamos estatura. A plenitude de Cristo é o Corpo,
pois 4:13 diz que essa plenitude tem uma estatura
com uma medida. Assim, temos a medida da estatura
da plenitude de Cristo.
Essa plenitude é diferente das riquezas. As
riquezas não têm estatura. Mas como Corpo a
plenitude tem estatura, que, por sua vez, tem uma
medida. Assim, isso é prova contundente de que a
plenitude de Cristo não são as riquezas de Cristo;
antes, é o Corpo de Cristo.
É importante saber por que o Corpo de Cristo é
chamado de plenitude. Isso é bastante significativo. O
corpo de uma pessoa é simplesmente a plenitude
dessa pessoa, e essa plenitude é sua expressão.
Quando falo, movo meu corpo. Desse modo, meu ser
se expressa por meio do meu corpo. De modo
semelhante, a igreja é o Corpo de Cristo, e esse Corpo
é a plenitude Daquele que a tudo enche em todas as
coisas. Como isso é profundo! Todo o universo é
preenchido com Cristo. Como Aquele que a tudo
enche em todas as coisas, Cristo é sobremaneira
grandioso. Tal Pessoa grandiosa necessita de um
Corpo grandioso. Esse Corpo é a igreja. Portanto, a
igreja é o Corpo de Cristo, Sua plenitude.
As riquezas de Cristo podem ser comparadas a
todos os ricos alimentos produzidos em um país.
Essas riquezas não visam a exibição, mas a nutrição.
À medida que comemos esses ricos alimentos, essas
riquezas parecem desaparecer em nós. Quando são
digeridas e assimiladas, tomam-se parte de nós.
Como resultado, não são mais as riquezas, e, sim, a
plenitude. Assim, os robustos jovens desse país, que
assimilam os seus ricos alimentos, são a plenitude do
país. Por meio dessa ilustração podemos diferenciar
riquezas de plenitude. As riquezas são o alimento
ainda não ingerido. Mas, quando o alimento é
ingerido, digerido e assimilado, toma-se a plenitude.
As riquezas de Cristo são todos os itens do que Cristo
é. Quando as digerimos e assimilamos, elas se tomam
parte de nós, e nos tomamos a plenitude de Cristo.
Desse modo, a igreja é o Corpo de Cristo, a plenitude
da Pessoa universalmente grandiosa que a tudo enche
em todas as coisas. Esse é o primeiro item ou aspecto
do que a igreja é.

B. O Novo Homem
Em segundo lugar, a igreja é o novo homem
(2:15). No universo há somente um novo homem;
portanto, a igreja é o novo homem. Há uma diferença
significativa entre o Corpo e o novo homem. O Corpo
requer somente vida, mas o novo homem requer
tanto a vida como a pessoa, ou personalidade. Meu
corpo tem vida, mas meu ser como um homem tem
uma pessoa. A igreja é não somente o Corpo de Cristo
que possui a vida de Cristo; é também o novo homem
que tem Cristo como pessoa. Sem dúvida, esse novo
homem é corporativo, pois 2:15 diz que Cristo criou
de dois povos, os judeus e os gentios, um novo
homem. Isso quer dizer que de dois povos,
coletivamente, criou-se um só novo homem. Se
virmos que a igreja hoje é não somente o Corpo, mas
um homem com uma pessoa, nossa percepção da vida
da igreja será elevada.
C. O Reino
Em 2:19 vemos que a igreja é o reino de Deus.
Esse versículo diz: “Assim já não 'sais estrangeiros e
peregrinos, mas concidadãos dos santos”. O termo
concidadãos indica um reino, pois ser concidadão
refere-se a participar de certos direitos civis, e
direitos civis estão sempre relacionados com uma
nação ou reino. Assim, esse versículo revela que a
igreja é o reino de Deus, e que somos os cidadãos
desse reino, com certos direitos civis. À medida que
desfrutamos esses direitos, devemos também
compartilhar as responsabilidades. Portanto, a igreja
é o reino de Deus com direitos e responsabilidades. Se
quisermos os direitos, devemos também assumir as
responsabilidades. Algumas vezes, no entanto, talvez
desejemos desfrutar os direitos sem assumir as
responsabilidades. Mas devemos participar de
ambos, compartilhando os direitos e assumindo as
responsabilidades. Essa é a igreja como o reino de
Deus.

D. A Família de Deus
Em quarto lugar, a igreja é a família de Deus
(2:19). A família não é uma questão de direitos civis,
e, sim, de vida e desfrute. Em sua casa você não fala
muito sobre direitos, pois lá você tem a vida do pai e o
desfrute da vida dele. Assim, a igreja como casa ou
família de Deus refere-se à vida e desfrute: Muitos
santos gostam da vida da igreja como família, mas
não da vida da igreja como reino. Isso quer dizer que
desejam sempre ter uma situação boa, um desfrute
maravilhoso. Mas não podemos permanecer sempre
em casa; precisamos passar várias horas por dia fora
dela para ganhar a vida. Devemos ter não somente o
desfrute da família, mas também a responsabilidade
do reino. A igreja não pode ser sempre uma família;
ela deve ser também o reino de Deus. Contudo, estou
feliz porque na igreja como família de Deus temos
vida e desfrute.

E. A Habitação de Deus
Em 2:21 e 22 vemos que a igreja é também o
lugar em que Deus habita. O versículo 21 diz que todo
o edifício cresce \ para santuário no Senhor. Isso se
refere à edificação universal. O versículo 22 diz que os
santos em Éfeso são edificados juntamente para
habitação de Deus no espírito. Essa é a edificação
local. Universalmente a igreja é o templo do Senhor,
enquanto localmente é a habitação de Deus em nosso
espírito.

F. A Noiva, a Esposa, de Cristo


No capítulo 5 vemos a igreja como noiva, a
esposa, de Cristo. Uma noiva visa à satisfação do
marido. Ao falar da época em que Adão estava
sozinho, a Bíblia diz: “Não é bom que o homem esteja
só” (Gn 2:18). Esse versículo indica que, quando
estava só, Adão não tinha felicidade nem satisfação;
ele necessitava de uma esposa. Quando recebeu uma
esposa, teve descanso e satisfação. Portanto, de
acordo com a Bíblia, a noiva, a esposa, visa ao
descanso e satisfação. Como poderíamos estar
satisfeitos sem ter descanso? Ser plenamente
satisfeito implica desfrutar descanso pleno. O dia do
casamento de um homem é um dia de satisfação e
descanso. Visto que Cristo ama a igreja, ela é Seu
descanso e satisfação.
O amor de Cristo pela igreja é diferente do Seu
amor pelos pecadores. Os cristãos falam muito sobre
Cristo amar os pecadores, mas poucos falam sobre
Cristo amar Sua esposa. Éramos pecadores, mas hoje
somos a esposa de Cristo. Quer sejamos homens ou
mulheres, somos Sua esposa. A igreja é uma esposa
para a satisfação de Cristo.

G. O Guerreiro
Finalmente, Efésios 6 revela que a igreja é o
guerreiro, um lutador corporativo. Um exército é
composto de muitos soldados, mas um guerreiro é
simplesmente uma pessoa. A igreja é o novo homem,
e esse novo homem é um guerreiro. Toda a armadura
de Deus citada no capítulo 6 não se destina ao cristão
individual, mas a toda a igreja como novo homem.
Como guerreiro, a igreja lida com o inimigo de Deus e
o derrota.
Se reunirmos esses sete aspectos, veremos uma
figura maravilhosa da igreja como Corpo para
expressar Cristo, como novo homem que toma Cristo
como sua pessoa, como reino com direitos e
responsabilidades, como família com vida e desfrute,
como habitação de Deus para que Ele viva nela, como
noiva para a satisfação de Cristo, e como guerreiro
para lutar a batalha e derrotar o inimigo, a fim de que
Deus realize Seu propósito eterno. Essa é a igreja.
O que a igreja faz não é tão importante quanto o
que a igreja é. Ela é o Corpo, o novo homem, o reino,
a família, a habitação, a esposa e o guerreiro. O que
fazemos não significa tanto, mas o que somos
significa muito. Em tal igreja, descrita em Efésios,
Cristo é expresso. Por meio dela, Cristo, a Pessoa, é
expresso. Em tal igreja há o reino de Deus com
direitos e responsabilidades e a família de Deus com
vida e desfrute. Ela é também a habitação de Deus, a
satisfação de Cristo e o guerreiro de Deus que luta
para Seu eterno propósito. Que igreja!
Se tivermos essa visão da igreja, perceberemos
como é pobre a situação na religião de hoje. Não
podemos achar o Corpo ou o novo homem na religião.
Além disso, não podemos achar o reino, a casa de
Deus, a habitação de Deus, a noiva de Cristo nem o
guerreiro de Deus. Como igreja, todos precisamos ser
esses sete itens. Especialmente os que assumem
responsabilidades nas igrejas precisam ter a visão da
igreja apresentada em Efésios. A igreja não é uma
escola, sociedade ou organização. Ela é o Corpo, o
novo homem, o reino, a família, a habitação, a noiva e
o guerreiro. Essa é a igreja, e é também o tema do
livro de Efésios. Pelo fato de ter tal tema, esse livro é
inesgotável.
Há, entretanto, ainda outros aspectos da igreja
encontrados no último livro da Bíblia. Em Apocalipse
vemos quatro aspectos adicionais: a igreja como
candelabro, filho varão, primícias e cidade santa.
Somente um aspecto da igreja encontrado em
Apocalipse, a noiva, corresponde aos aspectos vistos
em Efésios.

II. O CONTEÚDO

A. As Bênçãos Recebidas pela Igreja em Cristo


Agora chegamos ao conteúdo do livro de Efésios.
O primeiro item do conteúdo são as bênçãos
recebidas pela igreja em Cristo (1:3-14). Poucos
conhecem o real significado da palavra “bênção”. Não
é algo como um carro novo ou uma casa moderna. O
apóstolo Paulo orou para que a igreja tivesse
revelação para ver todas as bênçãos que tinha
recebido. Ver as bênçãos materiais tais como carros e
casas não requer revelação. Mas todas as bênçãos
recebidas pela igreja precisam de revelação. Muitos
cristãos simplesmente não viram as bênçãos com as
quais a igreja tem sido abençoada.

B. O Apóstolo Ora para que a Igreja Obtenha


Revelação
Após a revelação das bênçãos concedidas à igreja,
o apóstolo Paulo orou para que os santos tivessem
espírito de sabedoria e revelação a fim de conhecer o
resultado de todas essas bênçãos e o poder para
executá-las, de modo que a igreja se tome o Corpo de
Cristo, a plenitude Daquele que a tudo enche em
todas as coisas (1:15-23).

C. A Produção, Natureza, Posição, Edificação


e Função da Igreja
Após mencionar a igreja no final do capítulo um,
o capítulo dois nos mostra a produção, a natureza, a
posição, a edificação e a função da igreja. D. A
Revelação do Mistério e o Ministério do Mordomado
concernente à Igreja
Em 3:1-13 temos a revelação do mistério e o
ministério do mordomado concernente à igreja.
Poucos cristãos sabem o que é o ministério do
mordomado. Existe algo chamado de mordomado, o
qual tem um ministério. O ministério desse
mordomado está relacionado com a igreja. Assim, o
mistério diz respeito não somente à igreja, mas
também ao mordomado. A fim de conhecer a igreja,
devemos conhecer a revelação do mistério e o
ministério do mordomado. Abordaremos
detalhadamente essas questões quando chegarmos ao
capítulo três.

E. A Oração do Apóstolo para que a Igreja


Experimente Cristo
Percebendo que as questões do mistério e do
ministério do mordomado são tão profundas, o
apóstolo imediatamente orou para que a igreja tivesse
a experiência prática de Cristo (3:14-21). A igreja
revelada no mistério e ministrada pelo mordomado
necessita da experiência de Cristo. O apóstolo Paulo
orou por isso.

F. O Andar e a Responsabilidade da Igreja no


Espírito Nos capítulos quatro a seis temos o
andar e a responsabilidade da igreja no
Espírito.
Se tivermos uma visão clara do conteúdo de
Efésios, todo o livro estará exposto diante de nós.
Veremos as bênçãos: a escolha, a predestinação, a
filiação, a santidade, a redenção, o selar, o penhor de
Deus, e muito mais. Então veremos a oração do
apóstolo, pedindo espírito de sabedoria e revelação
para que conheçamos a esperança do chamamento de
Deus, vejamos a glória da herança de Deus entre seus
santos, e percebamos a grandeza do poder exercido
em Cristo para produzir o Corpo. Então, no capítulo
dois, veremos a produção, a natureza, a visão, a
edificação e a função da igreja. No capítulo três
veremos a revelação do mistério e o ministério do
mordomado com relação à igreja. Em seguida,
veremos a oração de Paulo para o fortalecimento do
nosso homem interior a fim de que Cristo habite em
nosso coração, para que sejamos cheios de toda a
plenitude de Deus. Isso nos faz ter a experiência
prática de Cristo. Então, conforme revelam os últimos
três capítulos, saberemos andar na terra, assumir
responsabilidade e lutar a batalha para o propósito de
Deus. Esse é o conteúdo do livro de Efésios.

III. A CARACTERÍSTICA
O livro de Efésios tem uma característica
especial. Diferentemente de Romanos, que fala do
ponto de vista da condição dos pecadores, Efésios fala
do ponto de vista do propósito eterno de Deus. Nos
capítulos iniciais de Romanos, vemos a condição dos
pecadores. Em Romanos 1 todos os tipos de pecado
são relacionados. Mas tal lista não é encontrada no
capítulo 1 de Efésios. Isso acontece porque Efésios
fala não da condição dos pecadores, mas do propósito
eterno de Deus. Além disso, Efésios fala do ponto de
vista da eternidade, e não do tempo, e ainda das
regiões celestiais, e não da terra. Esse livro nos
introduz na eternidade. Não fique no tempo; entre na
eternidade. Visto que Efésios nos conduz às regiões
celestiais, não devemos permanecer em nossa
condição; em vez disso, devemos estar na eternidade
e nas regiões celestiais. Estamos no propósito eterno
de Deus e não devemos olhar para nossa condição.
Antes, olhemos para o propósito eterno de Deus.
Visto que somos tão presos à nossa condição e
envolvidos nela, precisamos ser resgatados. Efésios se
preocupa mais com o propósito de Deus do que com
nossa condição. Ele fala a nós do âmago do propósito
de Deus. Quando chegamos a esse livro, precisamos
orar: “Senhor, tira-me da minha condição, da terra e
do tempo. Resgata-me da minha condição t:
introduz-me na eternidade e nas regiões celestiais.
Quero entrar no coração de Deus e em Seu propósito
eterno”.
Muitos anos atrás eu lia Efésios como se eu fosse
um sapo em um poço estreito. Tentava entendê-lo a
partir da minha posição no poço. Mas não conseguia.
Para entender esse livro, precisamos ser libertos de
nossa condição e introduzidos no propósito eterno de
Deus e nas regiões celestiais. Se lermos Efésios a
partir de tal posição, nossa leitura será diferente. A
característica específica e particular desse livro é que
ele foi escrito do ponto de vista da eternidade, das
regiões celestiais, do coração de Deus e do propósito
eterno de Deus.

IV. A POSIÇÃO
Efésios tem uma posição específica na ordem dos
livros do Novo Testamento. Seria muito estranho se
fosse o primeiro deles. Louvado seja o Senhor por
tê-lo colocado na posição correta, imediatamente
após a revelação a respeito de Cristo versus religião
(Gálatas), seguido pela experiência prática de Cristo
(Filipenses), e que conduz à Cabeça (Colossenses)!

A. Após a Revelação de Cristo versus Religião


Em Gálatas vemos a questão de Cristo versus
religião. Não devemos trocar Cristo por nada. Isso
quer dizer que não deve ser nossa emoção ou nossa
prática versus a religião. Deve ser Cristo versus a
religião. Efésios vem após essa revelação. Essa
questão nos conduz à igreja. Cristo não é contrário a
religião meramente para nossa experiência. Essa é a
ênfase inadequada das chamadas pessoas da vida
interior que buscam Cristo não com vistas à igreja,
mas à sua própria experiência. Cristo é contrário a
religião com vistas à igreja. O próprio Cristo que é
contrário a religião, o é principalmente com vistas à
igreja, e não somente com vistas à nossa experiência.
Gálatas 2:19-20 diz que fomos crucificados com
Cristo e que Cristo vive em nós. Essa experiência deve
objetivar a vida da igreja.

B. Seguido pela Experiência Prática de Cristo


É errado cuidar tanto da experiência pessoal de
Cristo a ponto de negligenciar a igreja. Contudo, se
cuidarmos demais da igreja a ponto de negligenciar a
experiência prática de Cristo, também estaremos
errados. Para alguém que se preocupa somente com a
experiência pessoal, e não com a Igreja, eu diria:
“Você deve prosseguir de Gálatas para Efésios”. Mas
para alguém que se preocupa demais com a igreja a
ponto de negligenciar a experiência de Cristo, diria:
“Lembre-se, após Efésios está o livro de Filipenses”.
Precisamos da experiência prática de Cristo para que
sejamos capazes de dizer que, quer pela vida, quer
pela morte, Cristo será engrandecido em nós (Fp
1:20). Devemos também ser capazes de dizer que para
nós o viver é Cristo (Fp 1:21) e que consideramos
todas as coisas como refugo por causa da sublimidade
de Cristo (Fp 3:8). Todos precisamos experimentar
Cristo. Antes de alguém vir para a igreja, deve ter
alguma experiência de Cristo, e, após vir, necessita
ainda mais de experiências Dele.
C. Que Conduz à Cabeça
A experiência de Cristo nos conduz à Cabeça.
Portanto, após Filipenses, temos Colossenses. Gosto
muito de Gálatas, Efésios, Filipenses e Colossenses.
Já passei mais tempo estudando esses livros do que
qualquer outro na Bíblia. Todos precisamos gastar
mais tempo neles. Gálatas é a revelação de Cristo
versus religião; Efésios aborda a igreja em sete
aspectos; Filipenses lida com a experiência prática de
Cristo; e Colossenses nos conduz à Cabeça. Se nos
aprofundarmos nesses quatro livros, veremos que
Cristo está presente neles, que Ele nos conduz à
igreja, que a vida da igreja nos leva a experimentar
Cristo diariamente, e que tudo isso nos leva à Cabeça.
Essa é a posição de Efésios no Novo Testamento.

V. O AUTOR
Agora precisamos considerar o autor desse livro.
Como todos sabemos, o autor é o apóstolo Paulo.
Efésios 1:1 diz: “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por
vontade de Deus”. Ele foi feito apóstolo de Cristo não
por homens, mas mediante a vontade de Deus, de
acordo com a Sua economia. Pelo fato de não ser um
apóstolo autodesignado, mas por meio da vontade de
Deus, Paulo tinha a autoridade proveniente da
vontade de Deus. Essa posição deu a ele autoridade
para anunciar nessa Epístola a revelação do propósito
eterno de Deus em relação à igreja. A igreja é
edificada sobre essa revelação (2:20). Ser apóstolo de
Cristo refere-se à sua posição, enquanto ser apóstolo
por meio da vontade de Deus refere-se à sua
autoridade. Como tal apóstolo, Paulo foi o autor desse
livro.
VI. OS DESTINATÁRIOS

A. Os Santos em Éfeso
, A última parte de 1:1 e 2 diz: “Aos santos que
vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus, graça a vós
outros e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor
Jesus Cristo”. Os destinatários desse livro eram os
santos em Éfeso. Isso se refere à posição deles. Os
santos são aqueles que são santificados, separados
para Deus de tudo que é comum.

B. Os Fiéis em Cristo Jesus


Os destinatários eram também os fiéis em Cristo
Jesus. Esses são os fiéis na fé, conforme mencionam
4:13, 2 Timóteo 4:7 e Judas 3. Os destinatários, os
fiéis em Cristo Jesus, têm não somente uma posição
santificada, mas também um viver fiel. Vivem
fielmente em sua fé. A fim de que sejamos
qualificados e estejamos posicionados para receber
esse livro, precisamos ser esse tipo de pessoa.
Devemos ser os santos e os fiéis em Cristo Jesus.
Devemos ter uma posição santificada com um viver
fiel.

C. Graça e Paz
Entre o autor e os destinatários havia a
comunicação de graça e paz (l:2). Graça e paz fluíam
do autor para os destinatários. Não havia fofoca,
crítica, acusação ou condenação; antes, havia graça e
paz.

1. Graça É Deus como Nosso Desfrute


Graça é Deus como nosso desfrute (Jo 1:17; 1Co
15:10). Quando Deus toma-se nossa porção para
nosso desfrute, isso é graça. Não considere graça
como nada menos do que o próprio Deus. Graça é
nada menos do que Deus desfrutado por nós de
maneira prática como nossa porção.

2. A Paz É uma Condição Resultante da


Graça
A paz é uma condição que resulta da graça, que
resulta do desfrute de Deus nosso Pai. Quando
desfrutamos Deus como graça, estamos em uma
condição que é plena de descanso, satisfação e
alegria. Isso é paz. Graça é uma substância, enquanto
paz é uma condição. A substância da graça é o próprio
Deus, e paz é a condição que resulta do nosso desfrute
de Deus como graça. Todos podemos testificar da paz
que temos quando O desfrutamos como graça. O
primeiro verso de um hino1 diz: “Que vida plena! Oh!
que paz!”. Vida é graça. Quando verdadeiramente
desfrutamos Cristo como nossa vida, participamos da
graça. Então temos paz. Que vida! Que paz! Agora
podemos também dizer: Que substância! Que
condição! Temos a substância divina como nosso
desfrute, e temos a condição celestial. Essa é a paz
que desfrutamos.

3. Deus É o Criador para Nós, Suas


Criaturas, e Nosso Pai É o Pai para Nós, Seus
Filhos
Essa graça e paz vêm de Deus nosso Pai e do
Senhor Jesus Cristo. Somos tanto criaturas de Deus
como filhos de Deus. Como Suas criaturas, Ele é
1
Hino 238 do hinário publicado por esta Editora. (N.T.)
nosso Deus, e, como Seus filhos, Ele é nosso Pai. Por
um lado, somos criaturas de Deus; por outro, somos
os filhos do Pai.

4. O Senhor Jesus Cristo É o Redentor para


Nós, os Redimidos de Deus
Graça e paz também vêm a nós da parte do
Senhor Jesus Cristo. Ele é nosso Redentor, e nós,
Seus redimidos. Como tal, nós O temos como nosso
Senhor.
Assim, a graça e a paz vêm a nós de Deus, nosso
Criador, de nosso Pai e do Senhor, nosso Redentor.
Como Suas criaturas, Seus regenerados e Seus
redimidos, estamos na posição de receber graça e paz
da parte Dele. Temos uma posição tripla: fomos
criados, regenerados e redimidos. Temos Deus como
nosso Criador, temos o Pai como nosso Pai e temos
Jesus Cristo como nosso Redentor. Portanto, somos
plenamente qualificados para receber graça e paz da
parte do Deus Triúno. Essa é a introdução desse livro.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM DOIS
TRÊS ASPECTOS DE BENDIZER
Nesta mensagem consideraremos três aspectos
de bendizer com respeito a Deus. Tal assunto pode
ser considerado bastante incomum. Efésios 1:3 diz:
“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
que nos tem abençoado com toda sorte de bênção
espiritual nas regiões celestiais em Cristo”. As
palavras “bendito”, “abençoado” e “bênção” têm a
mesma raiz no grego. A palavra grega para bendito
quer dizer elogiado, louvado com adoração; e a
palavra grega para bênção quer dizer boa fala, elogio,
fala excelente, fala refinada, implicando abundância
e benefício. Usada em relação a Deus, esse ato de
bendizer é um elogio, um louvor autêntico, até
mesmo um louvor a Deus no mais alto nível. A
palavra grega com o significado básico de elogiar, ou
bendizer, falar bem, é usada pelo apóstolo Paulo em
1:3 para o louvor a Deus. Ele usa essa palavra para
bendizer a Deus, para expressar um louvor refinado,
até mesmo maravilhoso, a Ele. Paulo usa isso para
louvar, enaltecer e exaltar a Deus. Assim, louvá-Lo
significa bendizê-Lo e elogiá-Lo.

I. BENDITO O DEUS E PAI DE NOSSO


SENHOR JESUS CRISTO
Nesse elevado louvor a Deus, Paulo não disse:
“Bendito o Deus cuja misericórdia dura para sempre”.
Muitos jovens gostam de cantar salmos,
especialmente o que diz: “Sua misericórdia dura para
sempre”. Tal louvor a Deus não é tão elevado quanto
o que Paulo proferiu em 1:3. Embora achemos difícil
entender um versículo como esse, podemos
facilmente entender o que quer dizer a misericórdia
de Deus durar para sempre, porque isso se encaixa
em nosso conceito natural.
No cristianismo de hoje há duas fontes principais
de mistura. A primeira é a criada pela Igreja Católica,
que misturou a economia do Novo Testamento com
os rituais do Antigo Testamento. A segunda mistura
foi feita pelo movimento pentecostal. Eles levam os
cristãos de volta aos louvores do Antigo Testamento
nos salmos. É claro que não condeno os salmos, mas
sim a maneira de cantá-los conforme o conceito
natural. Por exemplo, nenhum versículo do Novo
Testamento diz que a misericórdia de Deus dura para
sempre. Contudo, os pentecostais continuam a cantar
os salmos de acordo com o conceito natural. Nunca os
ouvi cantar o livro de Efésios, pois este está fechado
para eles. Em seus louvores não há nenhum
sentimento da encarnação, nenhuma indicação de
que Deus tomou-se um com o homem. Não há
necessidade de revelação para louvar a Deus pela Sua
misericórdia que dura para sempre. Qualquer pessoa
que tenha zelo para com Ele sabe que a Sua
misericórdia dura para sempre. Contudo, é
necessário revelação para louvar a Deus de acordo
com a declaração de Paulo em Efésios 1:3.
Em 1:3 Paulo diz: “Bendito o Deus e Pai de nosso
Senhor Jesus Cristo”. Visto que Jesus Cristo é Deus,
por que Paulo fala do Deus de Jesus Cristo? Como
pode Deus ser Seu Deus? Ainda mais, ele menciona o
Pai de Jesus Cristo. Como pode Deus ter Pai? Deus é
o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo como o Filho do
Homem, e Deus é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo
como o Filho de Deus. De acordo com Sua
humanidade, Deus é Seu Deus; e, de acordo com Sua
divindade, Deus é Seu Pai.
No versículo 3 Paulo também fala de nosso
Senhor Jesus Cristo. Visto que o Senhor Jesus Cristo
é nosso, tudo o que Deus é para Ele também é nosso.
Nosso Senhor refere-se ao senhorio de nosso
Salvador (At 2:36), Jesus refere-se ao homem como
nosso Salvador (1Tm 2:5) e Cristo, ao Ungido de Deus
(10 20:31).
É absolutamente correto dizer que Deus é cheio
de misericórdia e que ela dura para sempre. Isso é
louvar a Deus maravilhosamente. Contudo, tal falar
está baseado no conceito natural. Hoje estamos nas
regiões celestiais, na eternidade, no coração de Deus e
no Seu propósito. Assim, devemos bendizê-Lo, não de
acordo com nosso conceito natural, mas sim com Sua
revelação a respeito de Si mesmo. O louvor que
bendiz a misericórdia e a grandeza de Deus está na
pré-escola, enquanto o louvor em 1:3 está no nível
superior. Nas reuniões precisamos mais dos louvores
que estão em um nível mais elevado.
O louvor em 1:3 é profundo e insondável, e
compreende toda a economia neotestamentária. Aqui
temos não somente a criação, indicada pelo título
“Deus”, mas também a encarnação, indicada pelo
título “o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo”. A
primeira revelação de Deus na Bíblia está na criação,
pois ela começa com as palavras: “No princípio criou
Deus”. Após a criação vem a encarnação. Um dia
Deus, o Criador, encarnou-se tomando-se homem. O
Verbo que estava com Deus e que era Deus tornou-se
carne (Jo 1:1, 14). Quando o próprio Deus tomou-se
homem, o Deus que criou todas as coisas tornou-se
Seu Deus. Isso é a encarnação, e não meramente a
grandeza ou a misericórdia de Deus. Assim, em
Efésios 1:3 o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo
refere-se à encarnação.
Deus não somente criou, mas um dia
encarnou-se. Na encarnação Ele é o Pai 'para
dispensar Sua vida a todos os Seus filhos. O Deus de
nosso Senhor Jesus Cristo indica que o Senhor Jesus
era homem. Se fosse somente Deus, Deus nunca
poderia ser Seu Deus. Para que Deus fosse Seu Deus,
Ele tinha de ser um homem. O Deus a quem os judeus
adoram é somente o Deus da criação, e não o Deus da
encarnação. Hoje não adoramos somente o Deus da
criação, mas também o Deus da encarnação e o Pai da
dispensação da vida. O mais elevado louvor a Deus
diz que nosso Deus, o Criador, tornou-se homem, e
nosso Deus é também o Pai que dispensa vida. Na
encarnação, o Deus da criação tomou-se o próprio
Deus de Jesus. Ao mesmo tempo, Deus é o Pai de
Cristo como Filho de Deus. Na humanidade de Cristo,
Deus é Seu Deus; mas, em Sua divindade, Deus é Seu
Pai. Antes da crucificação e ressurreição, Ele era o
Unigênito de Deus, mas após a ressurreição tomou-se
o Primogênito de Deus a fim de produzir os muitos
filhos de Deus. Portanto, o inspirado louvor a Deus
proferido por Paulo em 1:3 implica a criação, a
encarnação e a dispensação da vida.
Mas louvar a Deus porque Sua misericórdia dura
para sempre não implica nada da encarnação ou da
dispensação de vida. Simplesmente diz que Deus é
muito misericordioso. Tal louvor nada tem a ver com
o fato de Deus tornar-se homem ou com a
dispensação de Sua vida. Não está relacionado de
modo algum com o ato de o Pai dispensar Sua vida a
Suas criaturas para fazer delas filhos de Deus. Por
essa razão digo que o louvor elevado em 1:3,
diferentemente do louvor a Deus por Sua eterna
misericórdia, está no nível de um curso superior.
Pelo fato de o louvor, ou bendizer, de Paulo em
1:3 ser difícil de entender, ele orou em 1:16-19 para
que os crentes obtivessem espírito de sabedoria e
revelação. Certamente necessitamos de tal espírito
hoje. Necessitamos de revelação para ver e de
sabedoria para entender, perceber e compreender.
Mas, em vez de revelação e sabedoria, muitos de nós
temos somente o conceito natural. Portanto,
louvamos a Deus por Sua misericórdia que dura para
sempre. Em vez de tal louvor elementar, precisamos
louvá-Lo de acordo com o louvor, ou bendizer, em
1:3. Precisamos bendizer o Deus e Pai de nosso
Senhor Jesus Cristo, louvá-Lo pela criação,
encarnação e dispensação de vida.
Tudo o que Deus é para Cristo é transmitido a
nós. Deus é Dele, e Ele é nosso. Deus é Seu Deus e Pai,
e Ele é nosso Senhor. Em 1:22 Deus concedeu Cristo à
igreja para ser o Cabeça sobre todas as coisas. A
pequena palavra “à” implica transmissão, indicando
que tudo o que Cristo atingiu e obteve é transmitido à
igreja.
O título “Nosso Senhor Jesus Cristo” é rico em
significado. “Senhor” indica o senhorio de Cristo,
“Jesus” representa Sua humanidade para ser nosso
Redentor e Salvador, e “Cristo” simboliza que Ele é o
ungido de Deus. Essa é outra indicação de que 1:3 é o
louvor mais elevado, o mais alto bendizer a Deus.
Todos precisamos bendizê-Lo assim: pela criação,
encarnação, dispensação de vida e transmissão,
juntamente com a redenção, o Redentor, o Salvador e
o Ungido para realizar o propósito eterno de Deus.
Quando o Pai nos céus ouviu o elevado louvor de
Paulo, deve ter ficado muito feliz. Talvez tenha dito:
“Paulo, antes de você falar essas palavras, nunca
tinha ouvido ninguém bendizer-Me desse modo.
Tinha ouvido os judeus louvar-Me e dizer que a
Minha misericórdia dura para sempre. Também os
tinha ouvido louvar-Me por Minha grandeza.
Contudo, estou cansado desse tipo de louvor. Mas o
seu louvor, Paulo, tocou o Meu coração”. Deus Pai
certamente entendeu o significado do louvor, ou
bendizer, de Paulo. Todos precisamos louvar a Deus
de acordo com o elevado louvor em 1:3.
Se soubermos louvar a Deus somente por Sua
misericórdia, ainda estaremos em uma condição
lamentável. Esse tipo de louvor não indica que algo
Dele entrou em nós. Assim, precisamos ver que o
próprio Criador, o Deus de Jesus Cristo, encamou-se
como homem. Ele é também o Pai dispensador de
vida, que Se dispensa como vida a nós, para que nos
tomemos Seus filhos. De acordo com João 20:17, 0
Senhor Jesus disse a Maria Madalena após
ressuscitar: “Vai ter com os Meus irmãos e dize-lhes:
Subo para Meu Pai e vosso Pai, para Meu Deus e
vosso Deus”. Visto que Cristo tomou-se nosso, tudo o
que Deus é para Ele foi transmitido a nós. Isso é algo
muito maior do que misericórdia. Deus não é mais
meramente misericordioso para conosco. Ele é nosso
Deus e nosso Pai; e nós, Seus filhos, e não somente
Suas criaturas. Não somos somente criaturas de Deus
que foram criadas, caíram e foram redimidas. Somos
também Seus filhos que têm Sua vida e natureza em
si. Assim, somos um com Ele. Oh! que o Senhor nos
abra os olhos para ver isso! Precisamos bendizer a
Deus de acordo com a economia do Novo
Testamento. Ao bendizê-Lo precisamos ter o conceito
da encarnação, da dispensação da vida e da
transmissão celestial e espiritual. Também
precisamos incluir o conceito de Cristo como Senhor
e Cabeça, e o fato de Jesus ser Jeová, nosso Salvador,
para realizar a redenção e a salvação por nós.
Precisamos ainda considerar Cristo o Ungido de Deus
que realiza plenamente Seu propósito. Nosso elevado
louvor a Deus não deve ser natural, mas cheio da
revelação de todos os aspectos maravilhosos da
economia neotestamentária de Deus.

II. QUE NOS TEM ABENÇOADO


O Deus a quem bendizemos nos tem bendito, ou
abençoado. A bênção de Deus para conosco
compreende todo o Novo Testamento, no qual Deus
nos bendiz, ou abençoa. Os vinte e sete livros do Novo
Testamento estão repletos do maravilhoso bendizer
de Deus a nosso respeito. Apocalipse 22:14 é um
exemplo disso: “Bem-aventurados aqueles que lavam
as suas vestiduras, para que lhes assista o direito à
arvore da vida, e entrem na cidade pelas portas”. As
palavras “graça a vós outros e paz” (Ef 1:2) também
são parte do bendizer de Deus. Se você deseja ouvir
Seu bendizer, precisa ler o Novo Testamento e dizer
amém a cada aspecto dele. Ele nos escolheu antes da
fundação do mundo. Amém. Ele nos escolheu para
ser santos e irrepreensíveis. Amém.
Bendizemos a Deus porque Ele nos tem bendito,
ou abençoado. Visto que Ele tem falado tão bem de
nós, nós, por nossa vez, falamos bem Dele. Por
exemplo, quando lemos sobre a redenção do nosso
corpo, devemos dizer: “Deus, como Te agradeço
porque entraste em mim, porque hoje me saturas
Contigo mesmo, e porque um dia essa saturação será
expressa por meio do meu corpo. Esse será o dia da
redenção do meu corpo. Deus, como Te agradeço por
isso!” Falar desse modo é retomar o bendizer a Ele.
Assim, Deus o bendiz, e você O bendiz. Aprenda a
bendizê-Lo de acordo com Sua economia do Novo
Testamento. Após ouvi-Lo bendizer-nos, somos
qualificados para bendizê-Lo.
Somos qualificados porque somos Suas criaturas,
Seus redimidos e Seus regenerados. Todas as
bênçãos, benefícios e dádivas no universo pertencem
a três categorias. A primeira é a criação de Deus, a
segunda é a Sua redenção, e a terceira é a Sua
regeneração. Na Sua criação desfrutamos muitas
coisas boas: o ar, o sol, os minerais, a vida animal e a
vegetal. Tudo isso são boas coisas da criação de Deus,
e somos qualificados para participar delas porque
somos Suas criaturas. Além do mais, como redimidos,
desfrutamos o perdão dos pecados, a justificação pela
fé, a reconciliação na graça de Deus e a santificação.
Uma vez redimidos, todos os benefícios na redenção
de Deus são nossos. Ainda mais, visto que fomos
regenerados, desfrutamos a vida de Deus, a Sua
natureza e a Sua pessoa. Por meio dessas três
qualificações (ser criado, redimido e regenerado)
somos plena e totalmente qualificados para desfrutar
todas as bênçãos do universo: as bênçãos da criação,
da redenção e da regeneração de Deus. Os anjos
podem não ter pecado, mas não são qualificados para
desfrutar todas essas bênçãos. Porém, mediante o
sangue de Cristo, desfrutamos o perdão dos pecados,
o lavar do sangue, a justificação pela fé e a paz com
Deus. Desfrutamos todas as bênçãos da redenção de
Cristo. Ainda mais, diariamente desfrutamos todos os
benefícios e dádivas da regeneração de Deus. Temos a
vida, a natureza e a Pessoa de Deus. Que poderia ser
mais elevado que isso? Hoje desfrutamos o Criador, o
Redentor e o Pai. Esse é o segundo aspecto do louvor.

III. COM TODA SORTE DE BÊNÇÃO


ESPIRITUAL NAS REGIÕES CELESTIAIS EM
CRISTO
O terceiro aspecto do louvor é que Deus “nos tem
abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas
regiões celestiais em Cristo”. Ele nos tem abençoado
com Seu bendizer refinado e agradável. Cada um dos
itens desse bendizer é uma bênção para nós. Os
versículos 4 a 14 são um registro de tal bendizer, de
tais bênçãos. Todas essas bênçãos são espirituais, nas
regiões celestiais e em Cristo.

A. Toda Sorte de
As palavras “toda sorte de” indicam a
todo-inclusividade das bênçãos de Deus. Tudo está
incluído, sem exceção.

B. Espiritual
Todas essas bênçãos são espirituais. Isso indica a
relação das bênçãos de Deus com o Espírito Santo.
Sendo espirituais, todas as bênçãos com as quais
Deus nos tem abençoado estão relacionadas com o
Espírito Santo. O Espírito de Deus é não somente o
canal, mas também a realidade das bênçãos divinas.
Nesse versículo, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito
estão todos relacionados com as bênçãos concedidas
a nós. Isso é, na verdade, a dispensação de Deus de Si
mesmo a nós. A bênção de Deus é principalmente a
dispensação do Deus Triúno a nós.

C. Nas Regiões Celestiais


Além do mais, essas bênçãos espirituais são nas
regiões celestiais. “Regiões celestiais” aqui indica não
somente o lugar celestial, mas também a natureza, o
estado, a característica e a atmosfera celestiais das
bênçãos espirituais com as quais Deus nos tem
abençoado. Elas são provenientes dos céus com
natureza celestial, estado celestial, característica
celestial e atmosfera celestial. Os crentes em Cristo
desfrutam na terra essas bênçãos celestiais. Elas são
celestiais e espirituais. São diferentes das bênçãos
com as quais Deus abençoou Israel; aquelas eram
físicas e terrenas. As bênçãos concedidas a nós são de
Deus Pai, em Deus Filho, por meio de Deus Espírito, e
nas regiões celestiais.

D. Em Cristo
Finalmente, todas essas bênçãos espirituais estão
em Cristo. Ele é a virtude, o instrumento e a esfera
nas quais Deus nos tem abençoado. Fora de Cristo,
sem Cristo, Deus nada tem a ver conosco. Mas, em
Cristo, Ele nos tem abençoado com toda sorte de
bênçãos espirituais nas regiões celestiais.
Não estamos em nós mesmos, mas em Cristo. Se
estivermos em nós mesmos, estaremos sem a bênção
de Deus. Aleluia! estamos em Cristo, que é a esfera, o
canal, o instrumento e a virtude nos quais temos sido
abençoados!
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM TRÊS
ESCOLHIDOS PARA SER SANTOS
Nesta mensagem chegamos à eleição de Deus
(1:4), à questão de termos sido escolhidos para ser
santos.

I. O PRIMEIRO ITEM DA BÊNÇÃO DE DEUS


Efésios diz: "Assim como nos escolheu, nele,
antes da fundação do mundo, para sermos santos e
irrepreensíveis perante ele; e em amor". Após o
versículo 3, os versículos 4 a 14 apresentam uma lista
de todas as bênçãos espirituais com as quais Deus nos
tem abençoado. A escolha de Deus é Sua primeira
bênção concedida a nós; é o primeiro item do
bendizer de Deus com relação à igreja. A escolha de
Deus é Sua eleição. Dentre inúmeras pessoas, Ele nos
elegeu.

II. NELE
Deus nos escolheu "Nele", isto é, em Cristo.
Cristo foi a esfera na qual fomos selecionados por
Deus. Fora de Cristo não somos Sua escolha.

III. ANTES DA FUNDAÇÃO DO MUNDO


O versículo 4 diz que Deus nos escolheu antes da
fundação do mundo. Isso ocorreu na eternidade
passada. Ele nos escolheu de acordo com Sua infinita
antevisão, antes de nos criar. O livro de Romanos
começa com os homens caídos na terra, enquanto
Efésios começa com os escolhidos de Deus nas
regiões celestiais.
A eleição de Deus não foi feita no tempo, mas na
eternidade. Antes da fundação do mundo, Ele nos
escolheu. Dentre milhões de pessoas, Ele nos viu de
antemão até mesmo antes de termos nascido e nos
elegeu antes da fundação do mundo. A expressão
“antes da fundação do mundo” implica todo o
universo, não somente a terra. Isso indica que o
universo foi estabelecido para a existência do homem
a fim de cumprir o propósito eterno de Deus. Sem tal
universo seria impossível ao homem existir. A
existência do homem visa ao cumprimento do
propósito eterno de Deus. Assim, o homem é o ponto
central de Seu propósito eterno. O universo foi
estabelecido para que o homem existisse a fim de
cumprir o propósito eterno de Deus.

IV. PARA QUE FÔSSEMOS SANTOS


Deus nos escolheu para que fôssemos santos. As
palavras “santo” e “santidade” têm sido deturpadas
pelos ensinamentos dos cristãos de hoje. O
entendimento que você tem de santidade
provavelmente é influenciado por esses
ensinamentos. Na Bíblia, a palavra “santo” não deve
ser entendida de acordo com nosso conceito natural.
Muitos acham que santidade é ausência de pecado.
De acordo com tal conceito, alguém é santo se não
pecar. Isso é absolutamente errado. Santidade não é
ausência de pecado nem perfeição. Santo significa
não somente santificado separado para Deus, mas
também diferente, distinto de tudo o que é comum.
Somente Deus é diferente, distinto de todas as coisas.
Portanto, Ele é santo; a santidade é Sua natureza.
A maneira de Deus nos fazer santos é dispensar a
Si mesmo, o Santo, ao nosso interior, para que todo o
nosso ser seja permeado e saturado com Sua natureza
santa. Para nós, os escolhidos de Deus, ser santo é
participar da Sua natureza divina (2Pe 1:4) e ter todo
o nosso ser permeado com o próprio Deus. Isso é
diferente da mera perfeição sem pecado ou pureza
sem pecado. Isso faz o nosso ser santo, como o
próprio Deus em Sua natureza e caráter.

A. Deus É Santo
Ser santo é ser separado de tudo o que não é
Deus. Também significa ser diferente, distinto de
tudo o que não é Deus. Assim, não devemos ser
comuns, mas diferentes. No universo somente Deus é
santo. Ele é diferente de tudo o mais e é distinto.
Portanto, ser santo significa ser um com Deus. Não
ter pecado ou ser perfeito não é o mesmo que ser
santo. Para que sejamos santos precisamos ser um
com Deus porque somente Ele é santo (Lv 11:44; 1Sm
2:2 ).

B. Todo o Lugar em que Deus Está É Santo


A palavra “santo” não é encontrada no livro de
Gênesis, Sua primeira ocorrência está em Êxodo. Em
certo sentido o homem em Gênesis ainda não havia
sido conduzido a Deus. Foi no livro de Êxodo, não em
Gênesis, que Deus começou a ter uma habitação na
terra, e a conduzir o homem ao Santo dos Santos. Não
importava quão elevadas fossem as experiências
espirituais das pessoas em Gênesis, não havia na
terra o Santo dos Santos no qual o homem pudesse
entrar. Mas em Êxodo algo extraordinário aconteceu:
na terra, entre os homens, havia um lugar chamado o
Santo dos Santos, e Deus estava lá. Os homens
podiam ir àquele lugar e encontrar Deus. Ali Deus
falava e administrava. Visto que tal lugar não é
encontrado em Gênesis, a palavra “santo” não é usada
nesse livro. Quando Deus veio encarregar Seu povo
de construir o tabernáculo com o Santo dos Santos, a
palavra “santo” começou a ser usada.
A primeira menção dessa palavra está no
chamamento de Moisés em Êxodo 3. Quando
apascentava o rebanho, ele viu uma sarça ardendo no
deserto. Ao virar-se para ver por que não era
consumida, Deus falou a ele do meio da sarça,
dizendo: “Não te chegues para cá; tira as sandálias
dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa”
(Êx 3:5). Isso indica que onde quer que Deus esteja,
esse lugar é santo. Lembre-se: somente Ele é santo.
Se você não tem nada a ver com Deus, então não é
santo, não importa quão perfeito ou sem pecado seja.
Você pode não ter pecado e ser absolutamente
perfeito, mas, se não estiver ligado com Deus, não
será santo. Mas, uma vez ligado com Deus, você
imediatamente toma-se santo.

C. Tudo o que É de Deus e para Deus É Santo


Qualquer lugar, coisa, questão e pessoa que
estejam relacionados com Deus são santos, pois tudo
o que é Dele e para Ele é santo (Lv 20:26; Nm 16:5;
Ne 8:9; Êx 30:37).

D. O Espírito de Deus que Alcança as Pessoas


É Santo
Além disso, quando o Espírito de Deus nos
alcança, Ele é santo (Lc 1:35; Mt 1:20; 28:19; ver Rm
1:4). Essa é a razão pela qual o termo “Espírito Santo”
não é usado no Antigo Testamento (as ocorrências
desse termo no Salmo 51:11 e Isaías 63:10 e 11 devem
ser traduzidas como “o espírito de santidade”). Esse
termo foi usado pela primeira vez quando o Senhor
Jesus estava para ser concebido em Maria (Lc 1:35).
Isso significa que a santidade conduz Deus ao homem
e o homem a Deus. Avançando ainda mais, também
quer dizer introduzir Deus no homem e o homem em
Deus. Quando Ele entra em nós, somos santos.
Quando entramos Nele, somos mais santos. Mas,
quando somos mesclados com Deus, somos mais
santos ainda. Assim, tomamo-nos santos tendo Deus
em nós, mais santos estando em Deus, e santíssimos
sendo mesclados com Deus, impregnados e saturados
Dele.
O livro de Efésios chama os que crêem de santos
(1:1). Todo aquele que creu no Senhor Jesus é santo.
Mas alguns crentes são santos, outros mais santos e
alguns ainda santíssimos. Não há dúvida de que todos
somos santos, mas permanece aberta a questão se
somos ou não mais santos ou ainda santíssimos. Por
exemplo, ao despender tempo com o Senhor de
manhã, você pode ser saturado e impregnado Dele.
Mas então sua esposa pode dizer algo que o ofenda e
você perde a paciência. Assim, após o café, volta ao
seu quarto e ora: “Ó Senhor, perdoa-me. Fui saturado
de Ti, mas uma simples palavra da minha esposa me
fez separar-me de Ti. Senhor, traze-me de volta à
impregnação. Como Te louvo pelo sangue
purificador!” O propósito dessa ilustração é enfatizar
que, em contato com Deus, somos santos, pois
estamos sob a Sua saturação. Mas, distante Dele, não
somos santos. Repito, ser santo não é ser perfeito ou
sem pecado; é ser um com Deus. Quando formos
saturados e impregnados Dele, seremos santíssimos.
Vimos que santidade é o próprio Deus. A
primeira vez que a palavra “santo” apareceu foi
quando Deus começou a ter um povo na terra entre o
qual podia habitar e que podia ir à Sua presença no
Santo dos Santos. Dessa época em diante, essa
palavra passou a ser usada diversas vezes em Êxodo,
Levítico, Números e Deuteronômio. Tantas coisas
encontradas nesses livros são chamadas santas
porque nelas Deus veio para o meio dos homens e o
homem foi conduzido a Deus; assim, todas as coisas
relacionadas com o tabernáculo e com o sacerdócio
eram santas. Tudo relacionado com a ordenação de
Deus no Antigo Testamento era santo porque
envolvia a reunião de Deus e o homem.
Já dissemos que o termo “Espírito Santo” foi
usado pela primeira vez quando o Senhor Jesus foi
concebido na virgem Maria. Isso foi algo
excepcionalmente maior do que Deus habitar em um
tabernáculo entre os homens. O tabernáculo era a
habitação de Deus. Mas a encarnação de Cristo era o
armar tabernáculo de Deus entre os homens. João
1:14 diz: “O Verbo tomou-se carne, e armou
tabernáculo entre nós”. Isso começou quando Cristo
foi concebido no ventre de Maria. Sua concepção não
foi somente uma questão de santidade, mas também
uma questão do Espírito Santo. Embora muitas
coisas no Antigo Testamento fossem santas, não
havia nada que fosse do Espírito Santo. Somente na
época do Novo Testamento, quando Deus entrou no
homem e tomou-se homem, temos realmente algo
que é do Espírito Santo (Mt 1:20).
No texto grego do Novo Testamento muitas vezes
é usada a expressão “o Espírito, o santo” (1Ts 4:8; Hb
3:7). Ainda não encontrei uma explicação adequada
de tal expressão no grego. Alguns explicam-na como
sendo meramente uma expressão idiomática grega,
mas duvido que essa explicação seja adequada. De
acordo com meu espírito, creio que a razão para isso é
que no Novo Testamento a ênfase não está somente
no Espírito, mas também na santidade. O Espírito é
santidade. Portanto, o Espírito Santo é algumas vezes
chamado o Espírito, o santo. Onde está o Espírito, aí
está também a santidade.
Hoje o Espírito não somente está em nós; Ele se
toma um conosco e faz de nós um com Ele. Primeira
Coríntios 6:17 diz: “Mas aquele que se une ao Senhor
é um espírito com ele”. Portanto, santidade significa,
de fato, ser saturado de Deus, fazer com que uma
pessoa comum seja plenamente saturada do Espírito.
Quando Deus veio habitar entre os homens, a palavra
“santo” foi usada pela primeira vez. Quando Deus
veio como homem, o termo “Espírito Santo” foi
mencionado pela primeira vez. Para que um móvel no
tabernáculo fosse santo, não havia necessidade do
Espírito. Uma vez que a mobília fosse colocada no
tabernáculo e dedicada a Deus, imediatamente
tornava-se santa. Não somos como a mobília
dedicada a Deus; somos pessoas vivas com o Espírito
de Deus em nós para fazer-nos um com Ele. Isso não
é meramente ser santo, mas ser saturado do Espírito
Santo. Ser santo é, em primeiro lugar, ser separado
para Deus; em segundo, ser tomado por Ele; em
terceiro, ser possuído por Ele; e, em quarto, ser
saturado Dele e ser um com Ele. Por fim, o resultado
disso na Bíblia é a Nova Jerusalém, chamada de
cidade santa, uma cidade que não somente pertence a
Deus e é para Ele, mas é possuída por Deus, saturada
de Deus e uma com Deus. A Nova Jerusalém é uma
entidade santa pertencente a Deus, possuída por Ele,
saturada Dele e uma com Ele. Isso é santidade.

E. Ser Separado para Deus Posicionalmente


Para que sejamos santos, precisamos
primeiramente ser posicionalmente separados para
Deus. Com relação à nossa farru1ia, vizinhos, colegas
e amigos, precisamos ser separados. Muitos cristãos,
no entanto, são salvos, mas não separados.
Normalmente, uma vez que uma pessoa seja salva,
deve também ser separada. Essa é a razão pela qual
alguém que crê é chamado santo. Considere a maioria
dos cristãos de hoje. São praticamente o mesmo que
as pessoas do mundo. Não há separação. Muitos de
seus parentes e amigos nem mesmo sabem que são
cristãos. Mas ser santo é ser separado para Deus.
Isso, é claro, é questão de posição.

1. Pelo Sangue Redentor de Cristo


Fomos separados para Deus pelo sangue
redentor de Cristo (Hb 9:14). Mas “não podemos ver
o poder do sangue de Cristo em muitos cristãos hoje.
Todos eles crêem que foram redimidos, mas em
alguns não há sinal do sangue redentor. O sinal do
sangue é um sinal de separação. Se você foi redimido
pelo sangue, então deve carregar o sinal da separação.
Outros podem ser livres para dizer ou fazer certas
coisas, mas você não. Mesmo se puder fazer essas
coisas, evitará fazê-las, porque foi redimido pelo
sangue. Há um sinal em você que indica que é
diferente, separado. Outras pessoas podem dizer
certas palavras, ir a certos lugares ou comprar certas
coisas, mas nós não, porque somos separados e temos
o sinal do sangue redentor. O sangue nos santificou e
nos separou.

2. Pelo Espírito Santo


Também somos separados para Deus pelo
Espírito Santo (1Co 6:11; 1Pe 1:2; Rm 15:16). Visto que
o poder do Espírito nos encobre, não podemos usar
certas palavras, ir a certos lugares ou fazer certas
coisas. Mas isso não quer dizer que estamos sob
regulamentos. Não. Simplesmente quer dizer que
estamos debaixo do sangue redentor e no Espírito
Santo.

3. No Nome do Senhor Jesus


Temos uma posição santificada, não somente
pelo sangue e pelo Espírito, mas também no nome do
Senhor Jesus (1Co 6:11). Uma vez que temos o nome
do Senhor Jesus, não devemos envergonhá-lo sendo
comuns. Outros podem ir a eventos esportivos ou a
cinemas, mas nós não vamos porque não queremos
envergonhar o nome do Senhor. Seu nome deve
manter-nos separados. Não se pergunte se algo é
pecaminoso ou não. A separação não se relaciona a
isso; antes, é questão de sermos comuns ou
separados. Deve haver em nós algum sinal de que
estamos debaixo do sangue, no Espírito, e no nome
do Senhor Jesus.
No consenso geral, a separação não é uma
questão muito profunda; é meramente posicional.
Mas não pense que não é importante. Ela significa
muito. Temos uma posição como santos, como
separados, e necessitamos mantê-la.

4. Antes da Justificação
De acordo com a doutrina, esse aspecto da
santificação vem antes da justificação (1Co 6:11). A
santificação posicional precede a justificação, mas a
santificação disposicional vem após a justificação.
Somos santificados pelo sangue, pelo Espírito Santo e
no nome do Senhor Jesus antes de ser justificados.

F. Saturados Disposicionalmente de Deus

1. Após a Justificação
Agora chegamos à santificação disposicional, que
vem após a justificação (Rm 6:19, 22). Essa é a
santificação não apenas em nossa posição, mas
também em nossa disposição. Portanto, é mais
profunda e subjetiva que a santificação posicional.
Na santificação subjetiva somos saturados de
Deus disposicionalmente. A separação pode ocorrer
facilmente e em pouquíssimo tempo. Mas ser
saturados disposicionalmente leva muito tempo. Se
formos fiéis ao Senhor, seremos saturados da
natureza de Deus dia após dia. Ele deseja saturar-nos
Dele mesmo, e nós necessitamos absorvê-Lo em
nosso ser. Isso requer tempo. Esse é o processo de ser
feito santo.
Deus nos escolheu para saturar-nos Dele mesmo;
Ele deseja trabalhar-Se em nosso ser. Então seremos
santos, assim como Ele é. No momento, todos
estamos no processo de saturação. Tenho estado
nesse processo por mais de cinqüenta anos, e ainda
estou nele, ainda absorvendo Deus dia após dia. Às
vezes minha esposa ou os irmãos ajudam-me a
absorvê-Lo. Eles me ajudam a estar disposto a isso,
inclusive quando em mim mesmo eu não esteja
disposto. Assim, quer eu esteja disposto ou não, o
Senhor faz com que eu seja saturado Dele e O
absorva. Muitos de nós que estiveram no cristianismo
por anos podem testificar que, enquanto estávamos
lá, não experimentamos muito dessa saturação. Mas,
desde que viemos para a vida da igreja, temos tido
Deus mais e mais infundido em nós. A vida da igreja é
uma vida de ter Deus infundido em nós. Quer
estejamos dispostos ou não, o elemento divino tem
sido infundido em nós.
Não me preocupo com a correção exterior; ela
nada significa. Ser saturado de Deus e tê-Lo
infundido em nós, no entanto, significa muito. Na
vida da igreja, você tem sido corrigido ou saturado?
Muitos de nós têm sido saturados de Deus. Não gosto
da autocorreção. Suponha que alguém seja orgulhoso
e se ajuste para ser humilde. Isso nada significa. A
única coisa que importa é ser saturados de Deus. Que
alegria é para mim ver que muitos irmãos têm sido
saturados de Deus, têm absorvido tanto Dele em si!
Essa é a santidade, a santificação, revelada na Bíblia.
Todos fomos escolhidos para ser santos desse
modo. Primeiramente, somos separados para Deus;
em segundo lugar, somos saturados Dele; por fim,
tornamo-nos um com Ele. Um dia, seremos como Ele.
Isso marcará a finalização da nossa santificação, o
processo que começa com a separação, continua com
a saturação e é completado com a plena redenção do
nosso corpo. Nesse tempo, desde o interior até o
exterior, seremos o mesmo que Ele é. Seremos santos.
É para esse propósito que fomos escolhidos por Deus
antes da fundação do mundo.
2. Pela Transformação da Alma
A santificação disposicional primeiramente
transforma nossa alma saturando cada parte de nosso
ser interior do elemento santo de Deus (2Co 3:18; Rm
12:2).

3. Pela Transfiguração do Corpo


Por fim, a santificação disposicional irá
transfigurar nosso corpo em um corpo tão glorioso
quanto o de Cristo (Fp 3:21). Isso quer dizer que o
elemento santo de Deus saturará nosso corpo para
que este possa ser redimido (Rm 8:23).

4. Para Ser, por fim, a Cidade Santa


Por meio da santificação disposicional, todos os
santos serão, por fim, a cidade santa, permeada com o
Deus santo (Ap 21:2, 10).

V. SEM MÁCULA
O versículo 4 também diz que fomos escolhidos
Nele para ser irrepreensíveis, sem mácula. Uma
mácula é como uma partícula estranha em uma jóia
preciosa. Os escolhidos de Deus devem ser saturados
somente do próprio Deus e não ter nenhuma
partícula estranha, tais como o elemento do homem
natural caído, a carne, o ego ou coisas mundanas. Isso
é ser sem mácula, sem qualquer mistura, e não ter
nenhum elemento além da natureza santa de Deus.
Após ser totalmente lavada pela água na Palavra, a
igreja será santificada desse modo (5:26-27).
Hoje, ainda temos muita mistura. Muitas
partículas estranhas, tais como a carne, o ego e a vida
natural, ainda estão em nós. Mas estamos sendo
gradualmente transformados. Portanto, por fim,
seremos tão santos e puros que não teremos mácula
alguma, estaremos sem nenhuma partícula externa,
tendo somente o elemento divino.

VI. PERANTE ELE


Seremos santos e sem mácula perante Ele.
“Perante Ele” quer dizer ser santos e sem mácula aos
olhos de Deus de acordo com Seu padrão divino. Isso
nos qualifica a permanecer em Sua presença e
desfrutá-la. Seremos santos e sem mácula, não de
acordo com o nosso padrão ou aos nossos olhos, mas
de acordo com o Seu padrão e aos Seus olhos.

VII. EM AMOR
Finalmente, seremos santos e sem mácula
perante Ele em amor2. Amor aqui refere-se ao amor
com o qual Deus ama o? Seus escolhidos e com o qual
os Seus escolhidos O amam. E nesse amor, em tal
amor, que os escolhidos de Deus tomam-se santos e
sem mácula perante Ele. Primeiramente, Deus nos
amou. Então esse amor divino nos inspira a amá-Lo,
Em tal condição e atmosfera de amor, somos
saturados de Deus para ser santos e sem mácula
como Ele é. Nesse amor, um amor mútuo, Deus nos
ama, e retomamos esse amor a Ele. É nessa condição
que somos transformados. Sob tal condição somos
saturados de Deus.
Espero que vejamos que a santidade revelada na
Bíblia é absolutamente diferente da que é encontrada

2
A VRA faz da expressão em amor um adjunto do verbo predestinar (“E em amor nos predestinou”), em
Ef 1:5; outras versões fazem da expressão um adjunto do verbo ser, no v. 4., como a VRC (“Para que
fôssemos santos (...) em caridade”) e BJ (“Para sermos santos (...) no amor”). (N.T.)
nos ensinamentos de hoje com respeito à
autocorreção e melhora de comportamento.
Primeiramente, somos separados para Deus e então
somos continuamente saturados Dele até que toda a
mistura em nós seja tragada pela natureza divina.
Quando isso acontecer em plenitude, seremos
inteiramente santificados, transformados e
conformados à imagem do Filho de Deus, Jesus
Cristo. Então seremos completamente santos.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM QUATRO
PREDESTINADOS PARA A FILIAÇÃO
Nesta mensagem chegamos à questão de que
fomos predestinados para a filiação. Efésios 1:5 diz:
“Nos predestinou para ele, para a adoção de filhos,
por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de
sua vontade” 3 . Na construção gramatical dos
versículos 4 e 5, o sujeito de escolher, no versículo 4, e
predestinar, no 5, é o mesmo. O versículo 4 diz:
“Assim como nos escolheu nele antes da fundação do
mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante
ele; e em amor”. Esses versículos podem ser escritos
da seguinte maneira: “Assim como Ele, tendo nos
predestinado, escolheu-nos”. A escolha de Deus não
pode ser separada de Sua predestinação. São dois
aspectos de um só item. A escolha de Deus
acompanha a Sua predestinação, e esta é uma com
Sua escolha. É muito difícil dizer qual vem primeiro.

I. O SEGUNDO ITEM DA BÊNÇÃO DE DEUS


Ser predestinado para a filiação é o segundo item
da bênção de Deus. Como enfatizamos na mensagem
anterior, o primeiro é sermos escolhidos para ser
santos.

II. ESTABELECEU UM DESTINO PARA SEUS


ESCOLHIDOS NA ETERNIDADE PASSADA
Na eternidade passada, Deus nos predestinou
3
A expressão adoção de filhos também pode ser traduzi da por filiação; e o vocábulo beneplácito
também pode ser traduzido por bom prazer. (N.T.)
para a filiação, estabelecendo um destino para Seus
escolhidos antes da fundação do mundo. O alvo da
predestinação de Deus é a filiação. Fomos
predestinados para ser filhos de Deus antes mesmo
de Ele nos ter criado. Portanto, como Suas criaturas,
precisamos ser regenerados por Ele para que
participemos em Sua vida a fim de ser Seus filhos. A
filiação implica não somente a vida, mas também a
posição do Filho. Os marcados por Deus têm a vida
para ser Seus filhos e a posição para herdá-Lo.

III. MARCOU SEUS ESCOLHIDOS DE


ANTEMÃO
O verbo grego traduzido por “predestinar” pode
também ser traduzido por “marcar de antemão”.
Marcar de antemão é o processo, enquanto a
predestinação é o propósito para determinar um
destino de antemão. Deus primeiramente nos elegeu
e depois nos marcou de antemão, isto é, antes da
fundação do mundo, para certo destino.

IV. DE ACORDO COM SUA PRESCIÊNCIA


Deus nos escolheu e nos predestinou de acordo
com Sua presciência (1Pe 1:2). Isso indica que nossa
relação com Deus foi iniciada por Ele de acordo com
Sua presciência.

V. POR MEIO DE JESUS CRISTO


Deus nos predestinou para a filiação por meio de
Jesus Cristo. “Por meio de Jesus Cristo” quer dizer
mediante o Redentor que é o Filho de Deus. Por meio
Dele fomos redimidos para ser os filhos de Deus com
a vida e a posição de filhos de Deus.
VI. DE ACORDO COM O BOM PRAZER DE
SUA VONTADE
Deus nos predestinou para a filiação de acordo
com o beneplácito, ou bom prazer, de Sua vontade,
que é Seu propósito. Isso revela que Ele tem uma
vontade na qual está Seu bom prazer. Deus nos
predestinou para filhos de acordo com esse prazer, de
acordo com o desejo do Seu coração. O livro de
Efésios não fala do ponto de vista da condição
pecaminosa do homem, como o faz Romanos, mas do
ponto de vista do bom prazer do coração de Deus.
Portanto, é mais profundo e mais elevado.

VII. PARA A FILIAÇÃO


No versículo 4 vemos que Deus nos escolheu
para ser santos. Contudo, ser santo é o procedimento,
e não o alvo; o alvo é a filiação. Fomos predestinados
para a filiação. Em outras palavras, Deus nos
escolheu para ser santos para que fôssemos Seus
filhos. Assim, ser santo é o processo, o procedimento,
e ser filhos de Deus é o alvo. Ele não deseja
meramente um grupo de pessoas santas; deseja
muitos filhos. Pode parecer-nos que é adequado a
Deus escolher-nos para ser santos. Podemos estar
totalmente satisfeitos com isso. Contudo, Ele nos
escolheu para ser santos com um propósito, isto é, ser
Seus filhos.
Tomemos como exemplo fazer um bolo. Quando
se faz um bolo, primeiro prepara-se a massa
misturando vários ingredientes com a farinha. A
mistura dos ingredientes, podemos dizer, é um
retrato da santificação. Primeiramente a farinha é
separada; então é santificada com a adição de vários
ingredientes. Depois que se mistura a massa, ela é
posta em certa forma. De modo semelhante, Deus
primeiramente nos separa, e então coloca a Si
mesmo, o Pai, o Filho e o Espírito, em nós. Então
segue-se o processo de mistura. Dizer que Deus nos
mistura significa que Ele nos perturba. Podemos
desejar ter uma tranqüila vida da igreja, mas Deus
sempre intervém para virar as coisas de cabeça para
baixo. Contudo, essa é a vida normal da igreja cristã.
Ser santo é ser mesclado com Deus. Ele nos
santifica colocando-Se em nós, e então
mesclando-nos com Sua natureza. É uma questão de
natureza, de ter nossa natureza transformada com a
Dele. Nascemos humanos, naturais, mas Deus deseja
que sejamos divinos. A única maneira de isso
acontecer é ter a natureza divina colocada em nosso
ser e mesclada com ele. Desse modo Deus nos faz
santos. Assim, a santificação é um procedimento para
transformar nossa natureza. Isso, contudo, não é o
alvo. O alvo se relaciona a ser conformado ou
moldado. Essa é a razão pela qual juntamente com a
escolha de Deus para ser santos, há a necessidade de
Ele nos predestinar para ser filhos. Ser santo é
questão de natureza, mas ser filho é questão de ser
conformado. Os filhos de Deus são pessoas
conformadas a certa forma ou molde.
O candelabro de ouro em Apocalipse 1 ilustra
isso. Em natureza ele é de ouro, mas em forma é um
candelabro. Para que um candelabro de ouro seja
produzido, primeiramente o material deve ser ouro
puro. Isso refere-se ao procedimento. Mas o alvo
desse procedimento é a produção do candelabro com
forma definida. De modo semelhante, a santificação é
o procedimento para que nos tornemos filhos de
Deus.
Quando vi que a santidade visava à filiação, disse
a mim mesmo: “Como você pôde estar satisfeito com
a santidade como um fim em si mesmo? Você
somente pode estar satisfeito em ser um filho de
Deus”. Assim, não somos somente santos, mas
também os filhos de Deus. Não temos somente Sua
natureza santa, mas também a Pessoa de Seu Filho.
Portanto, não somos apenas uma massa santa, mas
também filhos de Deus.
Todos os cristãos sabem que os verdadeiros
crentes em Cristo são a igreja. Mas a igreja não é
meramente um grupo de salvos. É um povo coletivo
santificado em natureza para ser os filhos de Deus.
Esse povo deve ser santificado, saturado de Deus e
mesclado com Sua natureza. Então serão Seus filhos.
Tal povo é a igreja.
A situação do cristianismo de hoje está muito
distante disso. Nele vemos grupos de pessoas salvas,
mas ainda comuns e mundanas, sem nenhuma
santidade. Além do mais, não vivem como filhos de
Deus. Antes, muitos deles vivem como filhos de
pecadores. Embora tantos creiam no Senhor Jesus,
tenham sido lavados no sangue e regenerados pelo
Espírito, ainda são mundanos e comuns, sem
nenhuma marca de santidade em seu viver. São
absolutamente o mesmo que seus vizinhos, amigos e
parentes. Contudo, dizem que são a igreja. Que
vergonha para Deus, e que vergonha para a igreja! Ela
é constituída como um povo coletivo separado para
Deus e saturado de Sua natureza e plenamente
santificado para viver como Seus filhos. Certamente
não deve ser um grupo de cristãos mundanos vivendo
como filhos de pecadores. É uma vergonha dizer que
tal grupo é a igreja.
Se afirmamos ser a igreja, devemos
perguntar-nos se somos um povo separado e
santificado. Somos separados para Deus e saturados
Dele? Somos santificados tanto posicional como
disposicionalmente com a natureza de Deus para
viver como Seus filhos? Que nossos olhos sejam
abertos para ver o que é a igreja! Ela não é um grupo
de cristãos zelosos, contudo comuns e mundanos,
sem separação ou saturação. A igreja é constituída
dos que foram santificados por Deus para viver como
Seus filhos.
Lembre-se: Efésios trata da igreja. No início
desse livro é-nos dito que a igreja é um povo sob a
bênção de Deus, isto é, um povo que Deus bendiz
(1:3). O primeiro item da Sua bênção é que fornos
escolhidos para ser santos. Essa é a bênção de Deus,
Seu bendizer a nosso respeito. Contudo, muitos
cristãos a rejeitam. Deus diz que Ele nos escolheu
para ser santos, mas eles dizem que não querem ser
diferentes dos outros. Alguns dizem: “Não queremos
ser santos. Gostamos de ser comuns”. Deus diz:
“Vocês foram escolhidos para ser diferentes”. Mas
eles dizem: “Não queremos ser diferentes. Queremos
ser o mesmo que os outros”. Essa atitude de rejeitar a
Sua bênção é rebelião. Que o Senhor tenha
misericórdia de nós! Corno precisamos de Sua
misericórdia por ser a situação de hoje tão
lamentável! Precisamos ver que fornos escolhidos
para ser santos a fim de viver a vida dos filhos de
Deus.

A. Pelo Espírito do Filho de Deus


Agora precisamos considerar três coisas com
relação à filiação, com relação a ser filhos de Deus. A
primeira é que Ele nos predestinou para a filiação
colocando o Espírito de Seu Filho em nós. Quando
cremos no Senhor Jesus e fornos regenerados, o
Espírito de Deus entrou em nós corno Espírito do
Filho de Deus. Essa é a razão pela qual após a
regeneração podemos fácil e docemente dizer: “Aba,
Pai”. Antes de ser regenerados podíamos no máximo
dizer: “Ó Deus, ajuda-me”. Mas, após ser salvos,
espontaneamente começamos a clamar com um
sentimento íntimo e temo: “Ó Aba, Pai”.
Tanto Romanos 8:15 corno Gálatas 4:6 falam
disso. Gálatas 4:6 diz que o Espírito do Filho clama:
“Aba, Pai”, mas Romanos 8:15 diz que somos nós que
clamamos assim. Isso indica que nosso clamor é o
Seu clamor, e que o Seu clamor é o nosso. Juntos, nós
e Ele clamamos: “Aba, Pai”. Sem o Espírito, não
podemos clamá-lo tão doce e intimamente. Mas que
sentimento doce, agradável e confortável ternos
quando dizemos isso! Essa é uma prova categórica de
que o Espírito de Deus está em nós. Temos o Espírito
da filiação.
Diversas vezes os jovens têm vindo a mim com
perguntas sobre esportes. Alguns tentam argumentar
que não há nada errado com esportes. Respondi-lhes:
“Não digo que haja algo errado com esportes. Só
gostaria de perguntar-lhes se vocês podem invocar
'Aba, Pai' quando se envolvem com certos esportes”.
Responderam: “Irmão Lee, você é muito esperto.
Sabe que se invocarmos 'Aba, Pai' não seremos
capazes de nos envolver com esportes porque
sabemos que nosso Pai não os aprova”. Não sou
contra esportes; sou contra o diabo. Não há
necessidade de me perguntar sobre esportes. Em vez
disso, simplesmente invoque “Aba, Pai”. Se o fizer,
Ele poderá dizer-lhes que orem ou que leiam a Bíblia
em vez de se envolver com esportes. Posso testificar
que o Pai tem lidado comigo dessa maneira. Essa é a
vida dos filhos de Deus. Você vive a vida dos filhos de
Deus ou a vida dos filhos de pecadores, dos filhos da
desobediência?
Viver corno filho de Deus, contudo, não é
questão de regulamentos exteriores. É totalmente
questão do Espírito do Filho de Deus em nós. Se você
clamar “Aba, Pai”, saberá o que fazer. Muitas vezes
meus filhos vinham a mim e perguntavam: “Papai,
podemos ir a certo lugar?” Eu respondia: “Vocês não
precisam perguntar-me. Corno me chamam papai,
sabem o que irei dizer”. De modo semelhante, quando
nos dirigirmos ao nosso Pai e clamarmos “Aba, Pai”,
saberemos que tipo de vida devemos viver, porque
ternos o Espírito do Filho de Deus em nós.

B. Na Vida do Filho de Deus


Fornos predestinados para a filiação, não
somente pelo Espírito do Filho de Deus, mas também
na vida do Filho de Deus. Isso é bastante subjetivo.
Na verdade ternos a vida do Filho de Deus. Como 1
João 5:12 diz: “Aquele que tem o Filho tem a vida”.
Portanto, não somos filhos de Deus por afinidade;
somos Seus filhos em vida. Às vezes, podemos ser
capazes de rejeitar o Espírito do Filho de Deus, mas
não podemos rejeitar a vida do Filho de Deus porque
ela se tomou nosso próprio ser. Temos dois seres: o
primeiro é o ser natural que nasceu de nossos pais, e
o segundo é o ser espiritual que nasceu de Deus.
Nesse segundo ser temos a vida do Filho de Deus. De
acordo com nosso segundo ser, não somente temos o
Espírito movendo-se e trabalhando em nós, mas
também a vida que se tomou nosso eu, não o eu
natural, mas o eu espiritual. Algumas vezes não
somente nos rebelamos contra o Espírito, mas
também contra nós mesmos, contra nosso ser.
Não em concordo que deva haver quaisquer
regulamentos nas igrejas. Contudo, sei que em cada
filho de Deus há tanto o Espírito do Filho de Deus
como a vida do Filho de Deus. Por causa disso, não há
necessidade de regulamentos. Por exemplo, não há
necessidade de publicar um regulamento na sua casa
dizendo que as crianças não devem comer nada
amargo, e, sim, coisas doces. Se uma criança colocar
algo amargo na boca, espontaneamente irá cuspi-lo,
mesmo se não souber o significado da palavra
amargo. Visto que a vida em cada criança rejeita
coisas amargas, não há necessidade de haver
regulamentos sobre coisas amargas. Além do Espírito
do Filho de Deus, temos a vida do Filho de Deus em
nós. Se experimentarmos algo que é amargo à vida do
Filho, não poderemos fingir que estamos contentes
com isso. Embora possamos fingir, nas profundezas
do nosso ser não estaremos contentes, pois
saberemos que agimos contra a vida do Filho de
Deus. Se chamarmos “Aba, Pai” e vivermos de acordo
com a vida do Filho de Deus, teremos alegria nas
profundezas do nosso ser. De fato, todo o nosso ser
será repleto de alegria.

C. Na Posição do Filho de Deus


Não somente temos o Espírito do Filho de Deus e
a vida do Filho de Deus, mas também estamos na
posição do Filho de Deus (10 20:17). Na verdade, a
filiação está mais especificamente relacionada com a
posição do que à vida. Você pode ser um filho nascido
de seu pai, mas, por razões legais, pode não ter a
posição de filho. Se não tem a posição de filho, você
não tem a filiação. Assim, a filiação é questão legal.
Por exemplo, certa pessoa pode, na verdade, não ter
nascido filho de um homem rico. Mas se, legalmente
falando, tiver a posição de filho desse homem, terá
direito de receber sua herança. A herança pertence a
ela, não segundo a vida, mas segundo a posição.
Alguns filhos legítimos, no entanto, podem ter a vida
do pai, mas talvez tenham perdido a posição da
filiação. Isso ilustra o fato de que a vida de filho de
Deus relaciona-se somente à vida, mas a posição de
filho de Deus é questão de legalidade. Aleluia! temos
o Espírito do Filho de Deus, a vida do Filho de Deus e
também a posição do Filho de Deus.
Tudo isso visa à nossa herança. Por sermos filhos
de Deus com a filiação, herdaremos tudo o que Deus é
e tudo o que Ele tem. Temos a posição legal para
herdar todas as riquezas do Pai. Na vida da igreja nós
O desfrutamos cada dia. Hoje isso pode ser
simplesmente uma questão de vida, mas no futuro
será também uma questão de posição. Apocalipse
21:7 diz: “O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe
serei Deus, e ele me será filho”. Nesse versículo, ser
filho e herdar todas essas coisas não é meramente
uma questão de vida, mas também de posição.
Embora hoje sejamos filhos de Deus em vida, o
universo ainda não pode ver que somos Seus filhos
em posição. Mas, quando vier a Nova Jerusalém, o
universo saberá que somos os filhos de Deus tanto em
posição como em vida. Se eu for' a um restaurante e
proclamar às pessoas ali sentadas que sou filho de
Deus, irão pensar que tenho algum problema mental.
Mas, quando vier a Nova Jerusalém, não haverá
necessidade de dizer coisa alguma. Todos serão
capazes de ver que somos os filhos de Deus em
posição. Todos os anjos dirão: “Olhem essas pessoas:
são os filhos de Deus. Elas desfrutam Deus e herdam
~dó o que Ele é na Nova Jerusalém”.
A igreja hoje é uma miniatura da Nova
Jerusalém. Nela somos filhos de Deus tanto em vida
como em posição. Não há necessidade de dizer uns
aos outros que somos filhos de Deus, pois todos nos
reconhecemos uns aos outros como tais. Por termos o
Espírito, a vida e a posição, entendemo-nos uns com
os outros e reconhecemo-nos uns aos outros.
Confessamos que todos somos filhos de Deus.
Embora tenhamos o Espírito, a vida e a posição para
ser os filhos de Deus, ainda não somos santos no que
diz respeito à disposição. Portanto, na vida da igreja,
Deus constantemente nos mistura para que sejamos
santificados sendo mesclados com Sua natureza.
Muitos mestres cristãos têm enfatizado que o
livro de Efésios aborda o tema da igreja, mas eles
próprios não estão na vida prática da igreja. Não
estamos contentes com meras palavras sobre ela;
queremos ter a vida da igreja de maneira prática. A
vida prática da igreja está em Deus nos escolher para
ser santos e nos predestinar para a filiação com o
Espírito, a vida e a posição. Visto que temos essas três
coisas, o Pai sempre nos coloca no “liquidificador”,
para que sejamos disposicionalmente santificados.
Algumas vezes Ele parece dizer: “Meu filho, você tem
o Espírito, a vida e a posição, mas ainda precisa ser
misturado. Necessita ser mesclado com Minha
natureza santa. Eu o escolhi para ser santo. Agora
trabalharei em você para torná-la Meu filho santo”.
Essa é a vida da igreja.
Todos esperamos que a vida da igreja seja calma,
tranqüila e pacífica. Mas nenhuma cozinha pode estar
assim enquanto o cozinheiro prepara a refeição.
Antes, tudo é confusão. Se a cozinha não estivesse em
tal estado na preparação da refeição, não seria
possível haver uma festa. A vida da igreja hoje é como
uma cozinha com coisas espalhadas por todos os
cantos. Por um lado, ela é maravilhosa e gloriosa; por
outro, é, de fato, desarrumada para que sejamos
mesclados com Deus e santificados. Quanto mais
formos misturados, mais santos nos tornaremos.
Quando vier a Nova Jerusalém, ela será uma filiação
santa, corporativa, com o Espírito, a vida e a posição.
Naquele tempo a mistura estará terminada, pois
todos teremos sido saturados, santificados e
transformados. Será a plena filiação.

VIII. PARA SI MESMO


A filiação nos conduz a Deus, isto é, introduz-nos
no próprio Deus, para que sejamos um com Ele em
vida e em natureza.

IX. SER CONFORMADO À IMAGEM DE SEU


FILHO
À medida que o Pai nos conduz para a plena
filiação, somos conformados à imagem de Seu Filho
(Rm 8:29). Isso quer dizer que Deus tenciona
“filificar” todo o nosso ser. Esse processo de
“filificação” prossegue hoje na vida da igreja. Tal vez
você tenha sido ofendido por alguém na igreja, ou
tenha ofendido outros. Tanto ser ofendido como ser
causa de ofensa pode ajudar o processo de
“filificação”. Não o encorajo a ser ofendido por outros
ou a ofendê-las. Mas a verdade é que as ofensas não
podem ser evitadas. Ou você ofenderá alguém ou
alguém o ofenderá. Mas todos somos “filificados” por
essas ofensas. Quanto mais somos ofendidos, mais
“filificados” nos tornamos. Se você nunca foi ofendido
na vida da igreja, provavelmente não foi muito
“filificado”. Mas, se foi ofendido pelos irmãos, irmãs,
e presbíteros, é bem-aventurado, pois foi bastante
“filificado”. Alguns, contudo, não conseguem
suportar as ofensas. Assim que são, 9féndidos,
querem deixar a vida da igreja. Em vez de deixá-la em
tais ocasiões, devemos valorizá-la ainda mais e até
mesmo beijar a ofensa porque ela nos “filifica”.
Sempre que quiser fugir da vida da igreja, a vida do
Filho de Deus em você irá dizer: “Não fuja. Fique e
suporte a ofensa, e até mesmo abrace-a”. Sempre que
você abraça uma ofensa, ela se toma uma alegria.
Essa é a “filificação” na vida da igreja.
Todos estamos no processo de ser “filificados”.
Temos o Espírito do Filho de Deus, a vida do Filho de
Deus e a posição do Filho de Deus, mas ainda
precisamos ser conformados à imagem do Filho de
Deus. Portanto, precisamos de mais “filificação”. O
Senhor tenciona conformar-nos à Sua imagem, à
própria imagem do Filho de Deus. O único lugar onde
isso pode acontecer é a vida da igreja. Fora dela, não
podemos ser conformados à Sua imagem. Portanto,
eu o encorajo a ser feliz na desarrumada vida da
igreja. Não recalcitre contra os aguilhões4, mas aceite
alegremente o processo de “filificação”.
4
Recalcitrar contra os aguilhões, isto é, dar coices contra a ponta de ferro da vara usada para conduzir
os bois; expressão que indica resistência inútil, como a dos bois que, recalcitrando contra o aguilhão,
nada consegue senão ferir-se; “dar murro em ponta de faca”. (N.T.)
X. SER COMPLETADO NA FILIAÇÃO
Por fim, seremos completados na filiação. A
conclusão da filiação, a plena filiação, é a redenção do
nosso corpo (Rm 8:23). Isso significa que nosso corpo
será transfigurado, isto é, também será “filificado”.
Nosso espírito foi “filificado”, nossa alma está no
processo de ser “filificada”, e, quando o Senhor vier,
nosso corpo também será “filificado”. Essa será a
conclusão da filiação,

XI. PARA, POR FIM, HERDAR TUDO O QUE


DEUS
É Como consumação de tudo isso, o significado
da filiação é que herdaremos tudo o que Deus é por
toda a eternidade (Ap 21:7).
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM CINCO
O LOUVOR DA GLÓRIA DA GRAÇA DE DEUS
Nesta mensagem consideraremos o louvor da
glória da graça de Deus (1:6). Isso pode parecer uma
questão muito simples, mas é, na verdade, bastante
difícil. Podemos achar que estamos familiarizados
com as palavras louvor, glória e graça, mas se
formos honestos admitiremos que não conhecemos
adequadamente o que significam.
Efésios 1:6 diz: “Para louvor da glória de sua
graça, que ele nos concedeu gratuitamente no
Amado”. Esse versículo não está isolado. Antes, é o
resultado da predestinação para a filiação
mencionada no versículo anterior. Isso significa que o
louvor da glória da graça de Deus é o resultado da
filiação. Portanto, a fim de entender o louvor no
versículo 6, devemos conhecer a filiação no versículo
5. Se não conhecermos o conteúdo da filiação,
poderemos entender o versículo 6 apenas de maneira
natural.

I. A GRAÇA DE DEUS É O QUE ELE É PARA


NÓS COM VISTAS AO NOSSO DESFRUTE
Que é a graça de Deus? É muito difícil defini-la.
Isso me intriga há muitos anos, e ainda hoje estudo
esse assunto. De acordo com o Novo Testamento,
graça é o que Deus é para nós com vistas ao nosso
desfrute (10 1:16-17; 2Co 12:9; 1Co 15:10). João 1:17
diz que a lei foi dada por intermédio de Moisés, mas a
graça e a realidade vieram por meio de Jesus Cristo.
Em 1 Coríntios 15:10 Paulo diz que trabalhou mais
que os outros apóstolos, porém não ele, mas a graça
de Deus com ele. Gálatas 2:20 é um paralelo de 1
Coríntios 15:10. Gálatas 2:20 diz: “Não eu (...) mas
Cristo” e 1 Coríntios 15:10 diz: “Não eu, mas a graça
de Deus”. Isso indica que graça é o próprio Cristo.
Outros trechos do Novo Testamento enfatizam a
graça. Por exemplo, 2 Coríntios 13:13 diz: “A graça do
Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão
do Espírito Santo sejam com todos vós”. Além do
mais, Paulo começa todas as suas Epístolas com uma
referência à graça; também termina todas elas
falando sobre graça. Gálatas 6:18 diz: “A graça de
nosso Senhor Jesus Cristo seja, irmãos, com o vosso
espírito”. Segunda Timóteo 4:22 diz: “O Senhor seja
com o teu espírito. A graça seja convosco”. Nesse
versículo Cristo e graça são paralelos. O Senhor Jesus
Cristo estar com nosso espírito equivale à graça estar
com nosso espírito. Isso indica que graça é
virtualmente igual a Cristo. Quando temos Cristo,
temos graça. Quando Cristo veio, a graça veio. Essa é
a razão de João 1:17 dizer que a graça veio por meio
de Jesus Cristo, indicando que a graça é como uma
pessoa. Ela é personificada. Essa personificação da
graça é o próprio Deus.
Embora isso possa soar estranho a alguns
ouvidos, é um fato. Se você se aprofundar no espírito
do Novo Testamento com relação à graça, perceberá
que ela é um tanto personificada. Quando Paulo disse
“não eu, mas a graça de Deus comigo”, a graça era
para ele uma pessoa viva. Em Paulo, uma Pessoa
tornou-se a própria graça a trabalhar. Portanto, graça
é, na verdade, o próprio Deus; é o que Deus é para nós
com vistas ao nosso desfrute. Quando Ele é
desfrutado por nós, isso é graça. Graça é o próprio
Deus em Seu Filho Jesus Cristo para ser nossa porção
a fim de que desfrutemos tudo o que Ele é.
Deus é amor. Se não O desfrutamos como amor,
não temos graça; mas, se O desfrutamos como amor,
temos graça. Mais uma vez digo, graça é o que Deus é
para nós como nossa porção com vistas ao nosso
desfrute. Devemos cantar não somente sobre a
misericórdia de Deus que dura para sempre, mas
também sobre a graça de Deus. Precisamos compor
algumas canções sobre Deus como graça para nós,
canções que expressem o que Ele é com vistas ao
nosso desfrute. Se O louvamos somente por Sua
misericórdia, permanecemos em um nível elementar.
Precisamos prosseguir da misericórdia para a graça
de Deus. A graça resulta da misericórdia, assim como
o ensino médio é a continuação do ensino
fundamental. Após o ensino fundamental,
precisamos prosseguir para o ensino médio.
Precisamos avançar, e não permanecer no ensino
fundamental por muito tempo. Muitos cristãos de
hoje, contudo, permanecem nas séries do ensino
fundamental, embora possam ter sido cristãos por
muitos anos. Avancemos para as séries mais elevadas
e louvemos a Deus por Sua graça.

II. A GLÓRIA DA GRAÇA DE DEUS É DEUS


EXPRESSO EM SUA GRAÇA
Agora precisamos considerar o que é a glória da
graça de Deus. Talvez você tenha lido o livro de
Efésios muitas vezes sem perceber a frase “glória de
sua graça”. Hebreus 1:3 diz que Cristo, o Filho de
Deus, é o resplendor da Sua glória. Deus tem uma
glória e o resplendor, o brilho, dessa glória é Seu
Filho. Se estudar cuidadosamente o tema glória na
Bíblia, descobrirá que glória é Deus expresso. Sempre
que Ele Se manifesta, isso é glória. Podemos usar a
eletricidade como ilustração. A eletricidade está
oculta, mas quando se expressa como luz, essa luz é a
glória da eletricidade. De modo semelhante, quando
Deus está oculto, não podemos ver Sua glória. Mas,
quando Se expressa, Sua glória torna-se visível.
Portanto, glória é Deus expresso. Assim que o
tabernáculo foi erigido, ficou cheio da glória de Deus
(Êx 40:34). Aquela glória era a expressão de Deus. No
mesmo princípio, o Filho de Deus veio como o
resplendor da glória de Deus, o que significa que Ele é
Sua expressão. Nenhum homem jamais viu a Deus,
mas nós vimos a glória do Unigênito.
A glória da graça de Deus é que Sua graça, que é
Ele mesmo como nosso desfrute, O expressa. Deus é
expresso em Sua graça, e Sua predestinação é para o
louvor dessa expressão. Quando recebemos graça e
desfrutamos Deus, temos o sentimento de glória,
embora possamos não ter as palavras para exprimir
esse sentimento. Algumas vezes, após uma excelente
reunião, estamos cheios de graça e dizemos: “Como
foi glorioso!” Isso é Deus expresso em Sua graça.
Quando percebermos que fomos escolhidos para
ser santos e predestinados para a filiação, que temos
o Espírito, a vida e a posição do Filho e que seremos
conformados à Sua imagem, teremos a conclusão da
filiação, a redenção do nosso corpo, e herdaremos a
plena filiação, então diremos: “Que glória!”
Precisamos considerar seis itens com muita oração: o
Espírito do Filho, a vida do Filho, a posição do Filho,
a imagem do Filho, a conclusão da filiação e a herança
da filiação. Se fizer isso, estará em glória e louvará a
Deus pela filiação.
III. O LOUVOR DA GLÓRIA DA GRAÇA DE
DEUS É O ELEVADO LOUVOR DE DEUS
EXPRESSO EM SUA GRAÇA
Vimos que graça é o próprio Deus como nosso
desfrute, que glória é Deus manifestado e que a glória
da graça de Deus é Deus expresso em nosso desfrute
Dele. Agora devemos abordar o aspecto mais difícil
desta mensagem: o significado de louvor no versículo
6. Que é o louvor da glória da graça de Deus? Você
alguma vez já louvou a Deus pela filiação? Nós, os
filhos de Deus, não O louvamos tanto. Em geral
simplesmente Lhe agradecemos. Quando dizemos
“louvado seja o Senhor”, quase sempre queremos
dizer “graças ao Senhor”. Agradecer a Deus significa
que recebemos certo benefício e Lhe agradecemos por
isso. Mas, quando louvamos a Deus, fazemo-lo
principalmente pelo que Ele é ou pelo que faz, não
importando se recebemos ou não benefícios Dele. Ao
louvá-Lo, você precisa esquecer de si mesmo e sair de
si mesmo. Quando, de fato, louva a Deus, parece que
você não existe. Você vê somente Deus, o que Ele é, e
o que faz. Portanto, você O louva e O bendiz. Usando
uma ilustração extremista, você seria capaz de louvar
a Deus se Ele o enviasse ao inferno? Se, de fato,
conhecesse a Deus, seria capaz de dizer: “Ó Deus,
mesmo que me envies ao inferno, ainda assim Te
louvarei, porque Tu és Deus”. Oh! como precisamos
aprender a louvá-Lo!

IV. O FATO DE DEUS NOS PREDESTINAR


PARA A FILIAÇÃO VISA AO LOUVOR DA SUA
EXPRESSÃO EM SUA GRAÇA
O fato de Deus nos ter predestinado para a
filiação visa ao louvor da Sua expressão em Sua graça.
Provavelmente os anjos serão os primeiros a louvá-Lo
por isso. Quando os anjos louvam a Deus por nossa
filiação, os demônios podem ficar chocados e dizer:
“Esses pecadores usurpados por nós tomaram-se os
filhos de Deus”. Não somente os anjos louvarão a
Deus por nossa filiação, mas também todas as coisas
positivas no universo irão louvá-Lo, Isso ocorrerá na
manifestação dos filhos de Deus (Rm 8:19). Hoje a
criação geme em escravidão, aguardando a
manifestação dos filhos de” Deus. Quando ela
ocorrer, todo o universo irá louvar a Deus.
Assim, Efésios 1:6 será cumprido na época de
Romanos 8:19. Então todas as coisas positivas no
universo louvarão a Deus, porque a glória da graça
divina será vista na revelação dos filhos de Deus. Nós,
os filhos de Deus, poderemos ficar surpresos pelos
louvores oferecidos a Deus pelos anjos, pois eles o
louvarão por causa da nossa filiação. Esse é o louvor
da glória da graça de Deus.
A filiação significa muito. De acordo com
Romanos 8, toda a criação aguarda a revelação dos
filhos de Deus. O fato de a criação ser libertada do
cativeiro da corrupção depende da nossa revelação.
Repetindo, na época dessa revelação, Efésios 1:6 será
cumprido.

V. DEUS CONCEDER-NOS GRAÇA É


COLOCAR-NOS NA POSIÇÃO DA GRAÇA E
FAZER-NOS O OBJETO DE SEU FAVOR
Efésios 1:6 diz-nos, segundo o original, que Deus
nos concedeu graça, ou agraciou-nos. A palavra
“agraciar” é bastante incomum. O fato de Deus nos
agraciar significa que Ele nos colocou na posição da
graça para que sejamos o objeto de Sua graça e favor,
isto é, desfrutemos tudo o que Ele é para nós. A fim
de receber algo, precisamos estar na posição
adequada. Assim, Deus nos posicionou em Sua graça.
Tendo-nos posicionado na graça, Ele nos faz objeto
dela. Aqui, na posição da graça e como objeto da
graça, somos plenamente aceitos por Deus. Visto que
estamos na posição da graça e somos o objeto dela,
Deus se agrada de nós. Seu prazer está em nós, e
estamos contentes com Ele. Por fim, há um desfrute
mútuo: nós O desfrutamos, e Ele nos desfruta. Aqui,
na graça, Ele é nossa alegria e satisfação, e nós somos
Sua alegria e satisfação. Tudo isso está implícito no
termo “agraciou-nos”.
Hoje não estamos apenas sob a misericórdia de
Deus, mas somos o objeto de Sua graça na posição da
graça. Nós O desfrutamos e nos tomamos Seu
desfrute. Portanto, há mútuo regozijo, mútuo
desfrute e mútua satisfação. Não mais devemos
considerar-nos pecadores, pois já não estamos presos
à terra ou ao tempo. Antes, estamos nas regiões
celestiais e na eternidade. Não estamos em nossa
condição, e, sim, no desejo do coração de Deus. Isso é
o que significa dizer que Deus nos agraciou. Portanto,
não devemos mais olhar para nós mesmos, mas
levantar os olhos para as regiões celestiais e para a
eternidade. Em vez de falar tanto sobre nós mesmos e
pensar em nós, devemos falar da graça de Deus e
pensar em quanto Ele nos agraciou.

VI. AGRACIADOS NO AMADO


Finalmente, 1:6 diz que Deus nos agraciou no
Amado. Aqui Paulo não diz “em Cristo” ou “Nele”; diz
“no Amado”. O Amado é o Filho amado de Deus em
quem Ele se compraz (Mt 3:17; 17:5). Vimos que o
fato de Deus nos agraciar é tomar-nos um objeto no
qual Ele se compraz. Isso é totalmente um prazer
para Deus. Em Cristo fomos abençoados por Deus
com toda sorte de bênçãos. No Amado fomos
agraciados, feitos o objeto do favor e do prazer de
Deus. Como tal objeto desfrutamos Deus, e Ele nos
desfruta em Sua graça em Seu Amado, que é Seu
deleite. Em Seu Amado também nos tomamos Seu
deleite.
Deus se compraz no Amado, assim como se
compraz em nós. A expressão “no Amado” transmite
o pleno deleite, satisfação e desfrute que Deus Pai
tem em nós porque fomos feitos objeto de Sua graça e
deleite. Nesse sentido todos devemos prezar-nos e
nos ter em grande estima porque somos objeto do
deleite de Deus. Você deve dizer: “Visto que Deus se
deleita em mim, eu prezo a mim mesmo. Até mesmo
me tenho em grande estima, porque fui posicionado
na graça e feito objeto da graça de Deus”. Devemos
ter tal visão sobre nós mesmos, não de acordo com
nosso estado natural, mas de acordo com o fato de
que fomos escolhidos, predestinados, regenerados e
agraciados. Deus se compraz em nós, não em nós
mesmos, mas em Seu Amado.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM SEIS
A REDENÇÃO NO FILHO
Em 1:3-14 há três seções: os versículos 3 a 6 (a
escolha e a predestinação do Pai), que falam do
propósito eterno de Deus; os versículos 7 a 12 (a
redenção do Filho), que falam da realização do
propósito eterno de Deus; e os versículos 13 e 14 (o
selo e o penhor do Espírito), que falam da aplicação
do propósito realizado de Deus. Primeiramente temos
o propósito eterno do Pai, depois a execução desse
propósito realizada pelo Filho e, finalmente, a
aplicação do que o Filho realizou feita pelo Espírito de
acordo com o propósito do Pai. Nisso vemos que o
Deus Triúno é expresso em Suas bênçãos. Por meio
do propósito do Pai, da realização do Filho e da
aplicação do Espírito, tornamo-nos a igreja. Nas
mensagens anteriores abordamos a eleição e a
predestinação do Pai. Nesta consideraremos a
redenção do Filho, isto é, a redenção cumprida no
Filho (1:7).
Vimos que o livro de Efésios não fala do ponto de
vista da nossa condição, da terra ou do tempo, e sim
do ponto de vista do propósito eterno de Deus, das
regiões celestiais e da eternidade. Já que é assim, você
pode perguntar-se por que a redenção é mencionada
aqui. É porque nós, os escolhidos de Deus,
tornamo-nos caídos. De acordo com Seu propósito
eterno, fornos escolhidos, mas após a criação
tornamo-nos caídos. Portanto, há a necessidade de
redenção. Redimindo-nos, o Filho realizou o
propósito do Pai.
Embora o capítulo um fale de redenção, não
registra nossa situação miserável. Ela é plenamente
revelada no capítulo dois. Quando chegarmos lá,
veremos quão miserável era nossa situação e o quanto
necessitávamos da misericórdia de Deus. Embora o
capítulo um seja totalmente glorioso, ele refere-se à
nossa necessidade de redenção devido à queda.
Efésios 1:7 diz: “Em quem temos a redenção pelo
seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as
riquezas da sua graça” (VRC). O versículo 7 é a
continuação do 6. Como vimos na última mensagem,
o versículo 6 revela que nos tornamos objeto do favor
de Deus, pois fomos agraciados no Amado. A
expressão “em quem” no versículo 7 refere-se ao
“Amado” no 6. Isso quer dizer que fomos redimidos
no Amado, em quem Deus se compraz. Assim, aos
olhos de Deus, a redenção não é lamentável; é algo
em que se tem prazer. Embora seja correto dizer que
somos redimidos em Cristo, não é tão aprazível como
dizer que somos redimidos no Amado. A expressão
“no Amado” significa no deleite de Deus. No Amado,
o deleite de Deus, temos redenção. Esse é mais um
indício de que no capítulo um não há consideração
sobre nossa condição miserável; pelo contrário, há
muito deleite. Fomos redimidos mediante o sangue
do Amado de Deus derramado na cruz por nós.
De acordo com o versículo 7 (VRC), essa
redenção é o perdão das ofensas, e não dos pecados.
Há uma diferença entre ofensas e pecados. Por causa
do registro do capítulo um ser tão doce, ele não fala
de pecados, mas de ofensas. Aos olhos do Pai, Seus
escolhidos cometeram algumas ofensas que precisam
ser perdoadas. O capítulo dois, pelo contrário, fala de
ira e pecados. No capítulo um Deus Pai se encarrega
de nossas ofensas. Contudo, mesmo essas ofensas
tornam necessária a redenção, e o sangue do amado
Filho de Deus foi derramado na cruz para o nosso
perdão. Sem derramamento de sangue não há perdão
de pecados (Hb 9:22). Portanto, havia a necessidade
do sangue. Esse perdão foi de acordo com as riquezas
da graça de Deus, que Ele fez abundar em nós em
toda sabedoria e prudência (v. 8).

I. O TERCEIRO ITEM DA BÊNÇÃO DE DEUS


Os versículos 4 e 5 revelam que fomos escolhidos
e predestinados. Mas após a criação tornamo-nos
caídos. Portanto, necessitamos da redenção que Deus
realizou por nós em Cristo por meio do Seu sangue.
Esse é outro item da bênção de Deus concedida a nós.
A primeira bênção é a eleição para sermos santos, a
segunda é a predestinação com vistas à filiação, e a
terceira é a redenção no Filho.

II. A REDENÇÃO NO AMADO DE DEUS PARA


SATISFAZER OS JUSTOS REQUISITOS DE
DEUS EAGRADÁ-LO
Embora Deus se compraza em nós e nos tenha
tornado objeto de Sua graça, ainda assim precisamos
de redenção, porque Ele é o Deus justo. Nosso Pai,
que se deleita em nós, é justo e não pode tolerar
injustiças, más ações ou ofensas. Tais coisas insultam
Sua justiça. Portanto, Sua justiça toma necessária a
realização da redenção, que satisfaz os justos
requisitos de Deus e O agrada. Deus não é somente
um Deus de amor; é também justo, e tudo o que é
injusto Lhe desagrada. O que se relaciona a Ele deve
satisfazer os requisitos de Sua justiça: Essa é a razão
pela qual, a fim de agradar a Deus, o amado Filho teve
de ir à cruz para realizar a plena redenção para os
escolhidos de Deus.

III. MEDIANTE O SEU SANGUE VERTIDO NA


CRUZ PELOS NOSSOS PECADOS
A redenção do Filho é mediante o Seu sangue
vertido na cruz pelos nossos pecados (1Pe 1:18-19).
Uma vez que a morte do Filho na carne sobre a cruz
cumpriu os justos requisitos de Deus, Seu sangue
torna-se o próprio instrumento da nossa redenção.

IV. A REDENÇÃO POR MEIO 00 SEU


SANGUE É O PERDÃO DAS NOSSAS
OFENSAS
A redenção do Filho por meio do Seu sangue é o
perdão das nossas ofensas (Mt 26:28; Hb 9:22). A
redenção é o que Cristo cumpriu pelas nossas
ofensas; perdão é o que Ele cumpriu aplicado às
nossas ofensas. A redenção foi cumprida na cruz, já o
perdão é aplicado quando cremos em Cristo. A
redenção e o perdão são na verdade dois enfoques do
mesmo item. Vimos que o perdão das ofensas é a
redenção realizada mediante o sangue de Cristo.
Contudo, dois termos são usados porque esse único
item tem dois aspectos: o da realização na cruz e o da
aplicação a nós no momento em que cremos. Embora
a redenção tenha sido realizada na cruz quando
Cristo derramou Seu sangue, ela não foi aplicada a
nós nesse momento. A aplicação só ocorreu quando
cremos em Cristo e fizemos confissão ao Deus justo.
Nesse exato momento, o Espírito de Deus aplicou a
nós a redenção que Cristo realizara na cruz. Portanto,
a redenção é a realização, e o perdão é a aplicação.

V. SEGUNDO AS RIQUEZAS DE SUA GRAÇA


O versículo 7 diz que a redenção é segundo as
riquezas da graça de Deus. De acordo com nosso
conceito, seria fácil Deus perdoar-nos, visto que é
soberano e Todo-Poderoso. Contudo, a realização da
redenção não foi assim tão simples; foi algo muito
sério e grave. Sua seriedade requeria as riquezas da
graça de Deus.
Agora precisamos considerar por que a redenção
necessitava das riquezas da Sua graça. A Bíblia diz
que sem derramamento de sangue não há perdão de
pecados. Portanto, a fim de que fôssemos perdoados,
era necessário derramar sangue. Mas, nessa questão,
o sangue de animais não seria válido (Hb 10:4). O
sangue dos sacrifícios de animais era simplesmente
uma sombra. Para a verdadeira realização da
redenção, deveria haver o sangue de uma vida
superior, um sangue totalmente sem pecado. Onde
Deus poderia achar esse sangue entre os homens? Era
impossível, pois todos são pecaminosos. Na
humanidade caída não há nenhum sangue sem
pecado. Além do mais, o número dos escolhidos de
Deus chega aos milhões. Se uma oferta pelo pecado
tivesse de ser oferecida por cada um deles, seriam
necessárias milhões de ofertas pelo pecado. Portanto,
além de um sangue perfeito, sem pecado, era
necessária uma oferta pelo pecado que incluísse
milhões de pessoas. Isso indica que o sangue por
meio do qual a redenção seria realizada tinha de ser
não somente sem pecado, mas também
todo-inclusivo, capaz de redimir os milhões de
escolhidos de Deus. Somente Jesus Cristo poderia ser
a oferta pelo pecado com sangue sem pecado vertido
em favor dos milhões de escolhidos. Pelo
derramamento do Seu sangue uma vez por todas
sobre a cruz, a redenção eterna dos escolhidos de
Deus foi realizada uma vez por todas (Hb 9:28; 10:10,
12).
Vejamos agora como foi possível a Deus obter
esse sangue sem pecado e todo-inclusivo. Obter tal
sangue era muitíssimo mais difícil dó que criar o
universo. Para criar o universo, Deus precisou
simplesmente falar. Por exemplo, Ele disse: “Haja
luz”, e houve luz (Gn 1:3). Mas a redenção não
poderia ocorrer desse modo. Ele não poderia
simplesmente dizer: “Realize-se a redenção”. Para
criar o universo não houve necessidade de graça.
Mas, para realizar a redenção, houve a necessidade
das riquezas de Sua graça.
Considere como o Redentor, o Senhor Jesus, foi
concebido. Para isso houve a necessidade de o
Espírito Santo contatar a virgem Maria. Não se pode
dizer como o Espírito Santo gerou o Redentor no
ventre de uma virgem. Para isso foram necessárias as
riquezas da graça de Deus. De acordo com Lucas 1:35,
a criança concebida do Espírito Santo por Maria foi
chamada “ente santo”. Isso indica que a concepção do
Senhor Jesus foi absolutamente santa (santidade
refere-se a algo concebido pelo Espírito Santo). Por
nove meses o “ente santo” permaneceu no ventre de
Maria. Quem pode dizer quanta graça isso exigiu?
Que graça foi necessária para Jesus (Jeová, o
Salvador) permanecer no ventre por nove meses!
Até os trinta anos, o Senhor Jesus trabalhou
como carpinteiro. Foi necessária uma graça
extraordinária para que o que era chamado Emanuel
(Deus conosco) trabalhasse como carpinteiro por
tantos anos. Por fim, saiu para começar Seu
ministério, que durou três anos e meio. Embora
estivesse preocupado com os pecadores, estes
opuseram-se a Ele, perseguiram-No e planejaram
matá-Lo. Traído por um dos apóstolos, foi preso. Na
verdade, não foi preso, mas entregou-Se aos que
vieram a Ele. Poderia ter pedido ao Pai que enviasse
doze legiões de anjos para resgatá-Lo, mas absteve-se
de fazê-lo (Mt 26:53). Depois de preso, foi julgado
diante do sumo sacerdote, de Pilatos e de Herodes.
Foi, então, pregado na cruz e permaneceu
dependurado lá por seis horas, das nove da manhã às
três da tarde. Que grande graça foi necessária para
tudo isso! Na cruz o Senhor Jesus morreu pelos
nossos pecados. Depois foi sepultado, ressuscitado e
ascendeu aos céus para receber o arrependimento e o
perdão (At 5:31). Por causa das riquezas da graça de
Deus, somos capazes de nos arrepender e receber o
perdão dos pecados. Não pense que seu
arrependimento originou-se em você. Não; Deus Pai
deu o arrependimento ao Filho, o Redentor, que o
deu a você por meio do Espírito. Com o
arrependimento recebemos o perdão. Tudo isso é
conforme as riquezas de Sua graça. Quão ilimitada e
imensurável é a graça de Deus!

A. A Graça Abundante de Deus Cumpriu por


Nós a Redenção e Aplicou a Nós o Perdão
A graça abundante de Deus cumpriu a redenção
por nós e aplicou o perdão a nós. Por meio da
encarnação, crucificação e ressurreição de Cristo,
cumpriu-se a redenção. Após ascender aos céus e
receber o arrependimento e o perdão, Ele aplica o
perdão a nós, segundo as riquezas da graça de Deus.

B. A Redenção e o Perdão São de acordo com


a Justiça de Deus, Mas Cumpridos e
Aplicados pela Sua Rica Graça
Tanto a redenção como o perdão são de acordo
com ajustiça de Deus, mas realizados e aplicados pela
Sua rica graça. Isso quer dizer que tanto a justiça de
Deus, que é o modo de Ele fazer as coisas, como a
graça, que é o próprio Deus dispensado aos Seus
escolhidos, foram exercidas ao máximo.

VI. A GRAÇA ABUNDANTE DE DEUS EM NÓS


Efésios 1:8 diz que “Deus derramou
abundantemente sobre nós” Sua graça. A graça divina
é não apenas rica, mas também abundante. Muitos
cristãos conhecem a “graça maravilhosa”, mas não a
graça abundante. É necessário revelação para
conhecer a graça abundante de Deus. Tal graça fez de
nós herança para Deus (v. 11) e nos qualificou para
herdar tudo o que Ele é (v. 14). Em outras palavras,
ela, por um lado, faz de nós a herança de Deus, e, por
outro, faz de Deus nossa herança. Isso é muito maior
do que apenas salvar pecadores e conduzi-los ao céu.
Esse conceito de ser salvo e ir para o céu é, antes de
mais nada, natural. Precisamos ver a graça abundante
que faz de nós herança para Deus e nos qualifica para
herdar tudo o que Ele é.

VII. EM TODA A SABEDORIA E PRUDÊNCIA


O versículo 8 diz que as riquezas da graça de
Deus foram derramadas abundantemente sobre nós
em toda a sabedoria e prudência. Sabedoria é o que
está em Deus para planejar uma vontade a nosso
respeito; prudência é a aplicação da Sua sabedoria.
Deus primeiramente planejou em Sua sabedoria, e
depois aplicou com prudência o que planejara para
nós. Sabedoria se relaciona principalmente ao plano
de Deus na eternidade, e prudência, principalmente à
execução do Seu plano no tempo. O que Deus
planejou na eternidade em Sua sabedoria Ele agora
executa no tempo em Sua prudência. Em Sua
prudência Ele nos conduziu a Si mesmo e à Sua
restauração. Agora, pelo exercício da Sua prudência,
Ele aplica a nós tudo o que planejou na eternidade a
nosso respeito.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM SETE
O MISTÉRIO DA VONTADE DE DEUS
Os versículos 3 a 14 do capítulo um de Efésios
são na verdade uma longa sentença. Portanto, não
devemos isolar nenhum versículo, oração ou frase da
sentença como um todo. O versículo 5 diz que Deus
nos predestinou para a filiação por meio de Jesus
Cristo para Si mesmo, de acordo com o bom prazer da
Sua vontade. O louvor da glória da graça de Deus
mencionado no versículo 6 é o resultado da filiação
no versículo 5. A filiação é totalmente uma questão de
graça. A graça Divina faz de nós filhos de Deus. O
Espírito do Filho, a vida do Filho, a posição do Filho,
a imagem do Filho, a completação da filiação e a
herança de tudo o que Deus é na filiação são todas
questões de graça. Como já enfatizamos, graça é o
próprio Deus. Ele mesmo veio para realizar tudo por
nós, a fim de que sejamos Seus filhos com a plena
filiação. Deus nos tem agraciado no Amado com essa
graça (v. 6).
O versículo 7 revela que a graça de Deus realizou
a redenção por nós e aplicou o perdão a nós. A
realização da redenção começou com a encarnação de
Cristo e continuou com Sua ascensão. Quando Ele
ascendeu aos céus, a redenção foi plenamente
realizada. Em Sua ascensão, Deus entrengou-Lhe o
arrependimento e o perdão para derramá-los pela
vinda do Espírito (At 5:31). A vinda do Espírito
refere-se à descida de Cristo. Começando no tempo
de Sua descida, o arrependimento e o perdão foram
trazidos à terra e derramados sobre os escolhidos de
Deus. Como resultado, temos o arrependimento; ele
foi derramado no nosso coração. Após o
arrependimento veio o perdão. Por meio da
realização da redenção e da aplicação do perdão,
fomos regenerados para nos tornar filhos de Deus.
Tudo isso é conforme as riquezas da graça de Deus.
Mais ainda da graça de Deus é revelado no
versículo 8, que nos diz que Ele fez com que Sua graça
abundasse em nós em toda sabedoria e prudência.
Então o versículo 9 diz: “Descobrindo-nos o mistério
da sua vontade, segundo o seu beneplácito que
propusera em si mesmo” (VRC). O versículo 10 fala
do encabeçamento de todas as coisas em Cristo, e o
11, do fato de que fomos feitos herança,
“predestinados segundo o propósito daquele que faz
todas as coisas conforme o conselho da sua vontade”.
A graça abundante de Deus fez de nós Sua herança,
Sua propriedade. O versículo 14 indica que também
teremos uma herança. Pela graça de Deus somos
feitos Sua herança, e também por essa graça Ele é
feito nossa herança. Que graça abundante! Os
versículos 3 a 14 são repletos do bendizer de Deus a
nós. Esses versículos também precisam ser nosso
bendizer a Ele.
A expressão “louvor da sua glória” é encontrada
três vezes nesse trecho da Palavra, nos versículos 6,
12 e 14. Em cada vez é usada como conclusão para o
bendizer do Deus Triúno. No versículo 6 é uma
conclusão do bendizer de Deus Pai; no versículo 12,
do bendizer de Deus Filho; e, no versículo 14, do
bendizer de Deus Espírito. Os três usos dessa
expressão apontam para os três da Deidade em Seu
bendizer.
I. O MISTÉRIO QUE ESTEVE OCULTO
ATRAVÉS DOS SÉCULOS
Nesta mensagem chegamos ao mistério da
vontade de Deus. A vontade de Deus tem um
mistério, que tem estado oculto através dos séculos
(3:5; Cl 1:26). O universo é um mistério. Por que há
um céu, e por que existe a terra? Por que há tantos
milhões de itens no universo? Por que o homem está
na terra? Todas essas questões são mistérios, e têm
dado lugar a muitas filosofias. O mistério, que é a
vontade de Deus, foi desvendado à igreja por
intermédio dos apóstolos. Uma vontade é uma
intenção, e a vontade de Deus é Sua intenção. A
intenção de Deus está intimamente relacionada com
o desejo do Seu coração. Assim, o mistério do
universo relaciona-se à vontade de Deus que está
relacionada com o desejo do Seu coração. Precisamos
conhecer o mistério, a vontade de Deus e o desejo do
Seu coração.
Alguns podem dizer que a vontade e intenção de
Deus é ter a igreja, e que a igreja é o desejo do Seu
coração. Isso está correto, mas precisamos
perguntar-nos: que é a igreja? Muitos cristãos,
inclusive mestres, não têm um entendimento claro a
respeito dela. A igreja não é simplesmente um grupo
de pessoas. Em nós mesmos não somos a igreja;
somos pecadores miseráveis. A única maneira de nos
tomarmos a igreja é Deus em Seu Filho trabalhar a Si
mesmo no nosso ser. A maioria dos cristãos não
enxerga a questão crucial e vital de que Deus em Seu
Filho trabalha-Se nos Seus escolhidos e redimidos.
Podem saber algo sobre a escolha e redenção de Deus,
e podem perceber que são os escolhidos e redimidos,
mas não vêem que o próprio Deus que os escolheu e
redimiu deseja, na pessoa do Filho, trabalhar-Se
neles. Nem a eleição nem a redenção são o alvo; antes
são passos em direção ao alvo. O alvo de Deus é
trabalhar-Se no nosso ser.
Entendo que isso possa soar estranho a muitos.
Por muitos anos estive em vários ramos do
cristianismo: o fundamentalista, as Assembléias dos
Irmãos Unidos, as práticas da vida interior e o
movimento pentecostal. Mas nunca foi-me dito que,
na pessoa do Filho, Deus trabalha a Si mesmo nos
Seus redimidos. Contudo, esse é o mistério do
universo.
O Novo Testamento prova que Deus trabalha a Si
mesmo em nós. O Pai, o Filho e o Espírito estão todos
em nós (Ef 4:6; 2Co 13:5; Jo 14:17). De acordo com 1
João, estamos em Deus, e Deus em nós (4:15). Além
do mais, permanecemos Nele, e Ele em nós (Jo 15:4).
Em Filipenses 1:21 o apóstolo Paulo pôde até mesmo
dizer: “Para mim, o viver é Cristo”. Em Gálatas 2:20
ele disse que não mais vivia, mas Cristo vivia nele.
Todos esses versículos indicam que Deus no Filho
trabalha a Si mesmo em nós.
Um entendimento adequado da igreja também
revela a mesma verdade. A Bíblia diz que a igreja é o
Corpo de Cristo. Alguns cristãos, contudo, não
tomam isso como um fato ou realidade, mas apenas
como ilustração. Como isso é terrível! A igreja é o
Corpo de Cristo, do qual a Cabeça é o próprio Cristo
(Cl 1:18). Além do mais, 1 Coríntios 12:12 revela que o
Corpo é Cristo. Assim, Cristo é não somente a Cabeça,
mas também o Corpo. Isso indica que Deus é
trabalhado em nós, os membros do Corpo. Tal fato é
provado também pela ilustração da videira em João
15. No versículo 5 desse capítulo o Senhor Jesus
disse: “Eu sou a videira, vós, os ramos”. A videira não
está nos ramos? Certamente sim! Essa é a razão de o
Senhor dizer: “Permanecei em Mim, e Eu
permanecerei em vós” (Jo 15:4). Tudo o que a videira
é está nos ramos. Como ramos da videira e membros
do Corpo de Cristo, tudo o que Cristo é está em nós.
Isso significa que fomos feitos partes de Cristo. Os
ramos da videira não são partes dela? É claro que são.
Portanto, devemos ter a ousadia de dizer: “Eu sou
parte de Cristo”. Visto que os crentes são partes de
Cristo, Paulo podia dizer que para ele o viver era
Cristo.
O mistério do universo é a igreja, e a igreja é um
grupo de pessoas nas quais Deus trabalha a Si
mesmo. Por fim, ela será plenamente saturada de
Deus e culminará na cidade santa, a Nova Jerusalém.
Ela será não somente saturada de Deus, mas também
mesclada com Ele. Isso não quer dizer, no entanto,
que nos tornaremos a Deidade. Não, não é isso que
dizemos nem o que queremos dizer. Contudo, como
os que são saturados de Deus e mesclados com Ele,
iremos tornar-nos a própria expressão de Deus. A
Nova Jerusalém será Sua expressão corporativa.
Como já enfatizamos várias vezes, tanto Deus no
trono (Ap 4:3) como a Nova Jerusalém (Ap 21:11)
têm a aparência de jaspe. Isso significa que toda a
cidade tem a aparência de Deus e é Sua expressão.
Esse é o mistério do universo.
Que libertação seria para os cristãos se vissem
isso! Muitos sabem somente sobre ser salvo,
regenerado, tornar-se filho de Deus e, algum dia, ir
para o céu. Mas o conceito de ser salvo tendo como
alvo ir para o céu é muito inferior ao do mistério da
vontade de Deus. Esse mistério é ter uma igreja
constituída com os que foram saturados Dele e
mesclados com Ele.
Quando alguns de vocês ouvem essa definição da
igreja, podem dizer: “Já estou na igreja há muitos
anos, e nunca vi uma igreja que se encaixe nessa
descrição”. A razão disso é que ainda estamos
“cozinhando” na “cozinha” da desorganizada vida da
igreja. Nesse período de “cozinhar” precisamos ser
pacientes. Na verdade, o “cozinhar” é a graça
abundante.
Muitos têm vindo a mim tristes com a condição
da igreja em sua cidade. Dizem-me que não
conseguem mais tolerar certa situação. Quer
sintamos que podemos ou não suportar a situação,
devemos suportá-la. Esse é o “cozinhar” e o “assar” na
vida da igreja. Ela é hoje uma vida de “cozinhar”. Não
fique desapontado com a situação, e não olhe para a
igreja somente do ponto de vista dos problemas. Cada
um na igreja tem uma porção de Cristo, pois Cristo foi
trabalhado nele. Quer esteja contente ou não, estou
certo de que um pouco de Cristo foi trabalhado em
você desde que veio para a vida da igreja. Não
importa o que faça, essa porção de Cristo permanece
em você pois foi trabalhada no seu interior. Fico
confortado ao ver a porção de Cristo que tem sido
trabalhada em todos os santos. Regozijo-me ao ver
que eles têm mais de Cristo hoje do que há alguns
anos. Embora nem sempre possamos estar contentes
com a vida da igreja, Cristo no entanto é trabalhado
em nós. Que mistério!
O mistério do universo é que Deus trabalha a Si
mesmo em nós. Todas as coisas cooperam para esse
propósito (Rm 8:28). Tudo coopera para esse alvo.
Todas as coisas são para Deus trabalhar-Se em nosso
ser. Isso é bem diferente de apenas ter uma vida feliz.
Você pode estar muito feliz hoje, mas amanhã não.
Pode estar feliz numa reunião, mas ao voltar para
casa, seu cônjuge pode causar-lhe problemas. O
mistério da vontade de Deus não é que sejamos
pessoas felizes. Hoje não somos plenamente felizes,
pois ainda não chegou a hora. Visto que muitos não
têm a visão ou revelação adequadas, não sabem o que
ocorre de fato na vida da igreja. Acham que estamos
aqui simplesmente para ter uma vida feliz. Mas esse
não é o mistério da vontade de Deus. Tal mistério é
que Ele Se dispensa a nós a fim de produzir a igreja
para Si mesmo. Esse é o mistério oculto através dos
séculos.

II. A VONTADE DE DEUS É SUA INTENÇÃO


DE REALIZAR O QUE DESEJA PARA SI
MESMO
A vontade de Deus é Sua intenção de realizar o
que propôs na eternidade passada e o que deseja para
Si mesmo para a eternidade futura. Ele propôs e
deseja ter a igreja. Essa é Sua vontade e intenção.

III. O MISTÉRIO DA VONTADE DE DEUS


DESVENDADO A NÓS POR MEIO DE
REVELAÇÃO
Efésios 1:9 diz que Deus desvendou-nos o
mistério da Sua vontade. Desvendar-nos esse
mistério é um item da sabedoria e prudência de Deus.
Na eternidade Ele planejou uma vontade. Essa
vontade estava oculta Nele; portanto, era um
mistério. Em Sua sabedoria e prudência Deus
desvendou-nos esse mistério oculto, por meio da Sua
revelação em Cristo, isto é, mediante a encarnação,
crucificação, ressurreição e ascensão de Cristo. Foi o
prazer do coração de Deus revelar-nos o mistério da
Sua vontade.

IV. DE ACORDO COM O BOM PRAZER DE


DEUS
O bom prazer de Deus é o desejo do Seu coração,
isto é, ter a igreja, e a revelação de Sua vontade oculta
é de acordo com esse desejo do Seu coração. Isso é
conforme o Seu bom prazer.

V. O BOM PRAZER DE DEUS PROPOSTO


POR ELE A. Em Si Mesmo
O bom prazer de Deus, ou Seu beneplácito, foi
proposto por Ele em Si mesmo (VRC). Isso significa
que o próprio Deus é o início, a origem e a esfera de
Seu propósito eterno. Deus tem um plano, um desejo
e, de acordo com Seu plano, tem um propósito. A
existência do universo é conforme o propósito de
Deus. O céu, a terra, milhões de itens e a espécie
humana são todos de acordo com o desejo proposto
por Ele. Por fim, todas essas coisas resultarão no Seu
desejo. No universo há um desejo, o desejo de Deus.
Uma vez proposto por Ele, ninguém e coisa alguma
podem subjugá-lo. Tudo o que ocorre na terra visa a
esse propósito. Nós, os filhos de Deus, em quem Sua
graça é abundante, somos o ponto central de Seu
propósito, e todas as coisas trabalham em nosso
favor. Deus propôs esse desejo em Si mesmo. Não
pediu conselho a ninguém a respeito disso.

B. Para uma Administração


O bom prazer de Deus é o que Ele propôs em Si
mesmo para uma administração, ou dispensação (v.
10). Todo o universo estará por fim sob uma única
administração. A palavra grega traduzida como
“dispensação” é oikonomía, da qual obtivemos a
palavra portuguesa economia. Deus propôs ter uma
economia. Todos os reinos no universo (o reino
angelical, o demoníaco, o humano, o animal e o
vegetal) visam a essa economia, a essa administração,
e se movem em direção a ela. Por exemplo, a situação
mundial de hoje, da qual o centro é o Oriente Médio,
está de acordo com a Bíblia. Desde a formação da
nação de Israel em 1948 e especialmente desde o
retorno de Jerusalém ao controle de Israel em 1967, o
Oriente Médio tornou-se o centro das relações
internacionais. Isso está totalmente de acordo com a
Bíblia, e é sinal de que o universo se move em direção
à administração de Deus. Tal administração é o que
Deus planejou e propôs de acordo com Seu desejo.
Todos os reinos estarão sob essa única administração,
que visa encabeçar todas as coisas em Cristo.
No momento, o universo está em estado de
desmoronamento. Em vez de ser encabeçado, é um
amontoado. O desmoronamento foi introduzido
mediante duas rebeliões, a de Satanás e a de Adão.
Antes da criação da espécie humana, Deus fez um
arcanjo, que mais tarde tornou-se Satanás, o cabeça
de todas as criaturas. Mas esse arcanjo rebelou-se
contra Deus. Então Deus criou a espécie humana e fez
de Adão o cabeça de todas as coisas criadas. De
acordo com Gênesis 1, Deus pôs todas as coisas por
Ele criadas sob a autoridade de Adão. Isso indica que
Adão era o cabeça. Contudo, foi seduzido a rebelar-se
contra Deus. Assim, mediante a rebelião dos anjos e
dos homens, o universo desmoronou e tornou-se um
amontoado. Essa é a razão pela qual a sociedade
humana e a própria criação são uma bagunça. Em
todo lugar não há nada a não ser rebelião. Até mesmo
os mosquitos rebelam-se contra o homem. Isso
ilustra o fato de que o universo está cheio de lutas
causadas pela rebelião. Contudo, Deus propôs em Sua
administração encabeçar todas as coisas em Cristo.
Neste ponto, precisamos fazer uma pergunta. O
corpo sustenta a cabeça ou a cabeça ao corpo? A
resposta é que a cabeça sustenta o corpo. Isso é
provado pelo fato de que, se a cabeça de alguém for
cortada, o corpo cairá. Portanto, o corpo é sustentado
pela cabeça. De modo semelhante, a vida da igreja é
uma vida de ser encabeçado. Se realmente desejamos
ter uma igreja gloriosa, devemos estar dispostos a ser
encabeçados. Em tudo ao nosso redor, na escola, no
trabalho e no governo, não vemos nada a não ser um
estado de desmoronamento; nada está encabeçado.
Mas na vida da igreja adequada estamos sendo
encabeçados. Esse encabeçamento na vida da igreja é
o início do encabeçamento que Deus fará de todas as
coisas. Sob a autoridade de Cristo e por meio da
igreja, Deus irá encabeçar todas as coisas no universo.
Esse é o mistério da vontade de Deus. Em sua
consumação final, o mistério da vontade de Deus no
universo é encabeçar todas as coisas em Cristo.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM OITO
ENCABEÇAR TODAS AS COISAS EM CRISTO (1)
Nesta mensagem chegamos ao encabeçamento
de todas as coisas em Cristo. Para muitos de nós, esse
pode ser um conceito inteiramente novo. Efésios 1:10
diz: “De fazer convergir nele, na dispensação da
plenitude dos tempos, todas as cousas, tanto as do
céu como as da terra”. A expressão “de fazer convergir
nele (...) todas as coisas” da Versão Atualizada de
João Ferreira de Almeida não é uma tradução muito
adequada. Em grego, o verbo traduzido por
“convergir” deriva do mesmo radical do substantivo
“cabeça”. A tradução adequada desse versículo é
“encabeçar todas as coisas em Cristo”.

A GRAÇA ABUNDANTE DE DEUS QUE


OPERA PARA ENCABEÇAR TODAS AS
COISAS
Os versículos 9 e 10 não devem ser isolados dos
anteriores, pois os versículos 3 a 14 são na verdade
uma longa sentença. Pelo fato de os versículos 9 e 10
não serem sentenças independentes, precisamos nos
referir aos versículos 7 e 8, que falam das riquezas da
graça de Deus e da graça que Ele fez abundar em nós
em toda sabedoria e prudência. Se ler esses quatro
versículos juntos, verá que todas as coisas neles estão
relacionadas com a graça abundante. Essa graça faz
muito por nós. Por exemplo, ela faz de nós a herança
de Deus, assim como faz de Deus nossa herança. Em
uma fanu1ia os filhos são a herança do pai. Um
homem pode ser muito rico, mas, se não tiver filhos, é
na verdade pobre, e pode considerar-se como não
tendo nada. Isso indica que a herança de um pai são
os filhos. De acordo com a Bíblia, quanto mais filhos
temos, mais ricos somos. Nada pode comparar-se a
eles. Como filhos de Deus, somos a herança divina. A
graça abundante faz de nós os filhos de Deus e Sua
herança. Ela também fará de Deus nossa herança. Em
uma fanu1ia, não somente os filhos são a herança do
pai, mas o pai também é a herança dos filhos. Muitos
filhos podem testificar que prefeririam perder
qualquer coisa a perder o pai. O pai vivo é a melhor
herança. Estamos no processo de nos tomar herança
de Deus, e Ele está no processo de se tomar nossa
herança. Isso é possível mediante a graça abundante
de Deus.
A questão da herança mútua, contudo, não é o
fim, pois, como indicam os versículos 9 e 10, a graça
abundante irá realizar o encabeçamento de todas as
coisas em Cristo. Por meio da graça abundante certas
coisas ocorrem no universo para realizar o
encabeçamento de todas as coisas em Cristo.
Precisamos ver como ela faz isso.
Antes de considerar essa questão, precisamos
dizer algo sobre o povo da igreja na restauração do
Senhor. Embora sejamos poucos, somos as pessoas
mais importantes da terra, mais importantes que os
chefes de estado, líderes militares ou grandes
industriais. A maioria dos cristãos, no entanto, não
tem a visão de que a graça que realizou a redenção,
aplicou o perdão e nos regenerou, e agora opera em
nós para fazer-nos a herança de Deus e fazer Dele
nossa herança, também opera para encabeçar todas
as coisas em Cristo. Os pregadores e mestres cristãos
não falam disso, e os livros cristãos não mencionam
esse fato. Não abordam o ponto crucial de que a graça
abundante trabalha no povo da igreja para que todas
as coisas sejam encabeçadas em Cristo.

O RESULTADO DE MUITOS ITENS


Vimos que o encabeçamento de todas as coisas é
mencionado no versículo 10. Mas esse versículo não
está sozinho; é continuação dos versículos 3 a 9. Isso
indica que o encabeçamento de todas as coisas é o
resultado de todos os itens abordados nos versículos
3 a 9: a escolha, a predestinação, o louvor da glória da
graça de Deus, ser agraciado no Amado, ter a
redenção e perdão, bem como ter a graça de Deus
abundando em nós em toda sabedoria e prudência. O
versículo 9 fala do mistério da vontade de Deus de
acordo com o bom prazer que Ele propôs em Si
mesmo. Então temos o versículo 10, que fala do
encabeçamento de todas as coisas em Cristo. O verbo
“encabeçar” no versículo 10 se relaciona a todas as
coisas anteriores nos versículos precedentes. Isso
quer dizer que Deus nos escolheu para encabeçar
todas as coisas em Cristo. Fomos predestinados para
a filiação a fim de que Ele encabece todas as coisas em
Cristo. Ele realizou a redenção por nós mediante o
sangue de Cristo a fim de encabeçar todas as coisas
em Cristo. Deus nos agraciou e fez com que a graça
abundasse em nós em toda sabedoria e prudência
para encabeçar todas as coisas em Cristo. O
encabeçamento de todas as coisas em Cristo é o
resultado de tudo isso.

O ALVO CONSUMADO
Muitos cristãos nunca perceberam que Deus nos
escolheu, predestinou, redimiu, perdoou e agraciou
para o propósito de encabeçar todas as coisas em
Cristo. Você já percebeu que foi escolhido e
predestinado para que Deus encabece todas as
coisas? Já considerou o fato de que Deus o redimiu e
perdoou seus pecados a fim de encabeçar todas as
coisas? Os cristãos podem saber muito sobre a
escolha e a predestinação de Deus sem saber corno
esses itens se relacionam ao encabeçamento de todas
as coisas em Cristo. Nós mesmos podemos não ter
clareza sobre isso. Estamos acostumados a dizer que
o alvo de Deus não é nem a santidade nem a
espiritualidade, e, sim, a igreja. Mas o alvo final não é
nem mesmo a igreja; é o encabeçamento de todas as
coisas em Cristo. Sim, a igreja é o alvo, mas não o alvo
final, no último estágio. Ela é o alvo no primeiro
estágio. O alvo final é o encabeçamento de todas as
coisas em Cristo. Esse conceito é encontrado somente
em Efésios 1:10, e em nenhum outro versículo na
Bíblia.
Deus fez Cristo o Cabeça sobre todas as coisas (v.
22). Através de todas as dispensações de Deus em
todas as eras, todas as coisas serão encabeçadas em
Cristo no novo céu e nova terra. Essa será a eterna
administração e economia de Deus.

A IGREJA COMPARTILHA DO
ENCABEÇAMENTO DE CRISTO
A fim de encabeçar todas as coisas em Cristo,
Deus primeiramente encabeça os Seus escolhidos.
Portanto, a vida da igreja é uma vida de ser
encabeçado. Efésios 1:22 e 23 dizem: “E pôs todas as
coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre
todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a
plenitude daquele que a tudo enche em todas as
coisas”. O versículo 22 diz que Deus deu Cristo para
ser o Cabeça sobre todas as coisas. Isso indica que Ele
é não somente o Cabeça da igreja, mas de todas as
coisas. Deus deu Cristo à igreja para ser o Cabeça
sobre todas as coisas. A pequena palavra “à” implica
transmissão; indica que o encabeçamento de Cristo é
transmitido à igreja. Isso significa que, em certo
sentido, podemos compartilhar do encabeçamento de
Cristo sobre todas as coisas. Embora não sejamos o
cabeça, podemos partilhar do encabeçamento. Em
outras palavras, não somos o rei, mas podemos
partilhar do reinado.
A igreja pode partilhar do encabeçamento de
Cristo porque é o Corpo de Cristo. O Rei é não
somente o Cabeça, mas a Cabeça com o Corpo. Cristo
é não somente a Cabeça, mas também o Corpo (1Co
12:12). Visto que a igreja é o Corpo e Cristo é tanto a
Cabeça como o Corpo, podemos dizer que, em certo
sentido, nós, o Corpo, também somos Cristo. Embora
não sejamos a Cabeça, podemos partilhar do
encabeçamento de Cristo. Somos o Corpo da Cabeça,
e a Cabeça é o cabeça sobre todas as coisas. Somos
não apenas cabeça sobre os insetos, gatos e cães, mas
também sobre presidentes, reis, generais e grandes
industriais. Estamos acima de todos eles. O
presidente da República está acima de nós, ou
estamos acima dele? Em um sentido bastante real,
estamos acima dele. Ao dizer isso, não promovo
nenhuma revolução; simplesmente relato o fato
espiritual de que nós, os membros do Corpo de
Cristo, estamos acima de todas as coisas. A igreja não
está sujeita a nada a não ser ao próprio Cristo;
estamos sobre tudo o mais porque somos o Corpo
Daquele que está sobre todas as coisas. Você tem a
confiança de dizer que está acima do Presidente da
República e da Rainha da Inglaterra? Provavelmente
não. Contudo, posso dizer sinceramente que, se fosse
levado à presença do Presidente da República, teria o
sentimento de que estou acima dele. Ao dizer isso,
não sou orgulhoso; simplesmente estou ciente do fato
espiritual.

O AMONTOADO DE DESMORONAMENTO
A razão pela qual você pode não ter a confiança
com relação a isso é que você mesmo não está
encabeçado. Foi salvo e veio para a igreja, mas não foi
ainda encabeçado. Pelo contrário, ainda está no
amontoado universal do desmoronamento, o
desmoronamento no universo causado pela rebelião.
Devido às duas rebeliões, a dos anjos e a humana,
todo o universo está em estado de desmoronamento.
Aos olhos de Deus não há ordem na terra; em vez
disso, há um amontoado causado pelo
desmoronamento. Suponha que um alto edifício
desmorone de repente, desmanchando-se em um
amontoado de escombros. Nesse amontoado algumas
partes são mais altas que outras. De modo
semelhante, no desmoronamento causado pela
rebelião, algumas pessoas, tais como o Presidente ou
outros chefes de Estado, estão acima de outros. No
desmoronamento o Presidente da República está, é
lógico, mais elevado do que nós. Contudo, todos os
líderes mundiais ainda estão no desmoronamento.
Posso testificar que, pela graça do Senhor, não
estou mais no desmoronamento; fui resgatado dele.
Ser resgatado do desmoronamento é ser encabeçado.
Aleluia, fui encabeçado! Uma vez encabeçado em
Cristo, fui retirado do amontoado causado pelo
desmoronamento universal. Portanto, sou mais
elevado do que os que permanecem no
desmoronamento. Você foi encabeçado em Cristo?
Foi resgatado do amontoado da rebelião? Todos
precisamos ser libertos do desmoronamento e
encabeçados em Cristo.
Todo o universo é um amontoado de
desmoronamento causado pela rebelião. Deus criou o
universo em excelente ordem, mas um arcanjo, o
cabeça da era anterior a Adão, rebelou-se e tornou-se
Satanás (ver Is 14). A rebelião de Satanás causou o
primeiro desmoronamento no universo. Em Gênesis 1
Deus veio para restaurar a criação arruinada por essa
rebelião. Na verdade, o principal registro do capítulo
1 de Gênesis não é a criação, e, sim, a restauração. No
universo restaurado, Deus criou o homem e fez dele o
cabeça da criação. Mas esse homem, Adão, caiu. Essa
foi a segunda rebelião que levou ao segundo
desmoronamento. Como resultado dessas duas
rebeliões, todo o universo tomou-se um amontoado
de desmoronamento. Novamente digo, nesse
amontoado algumas pessoas são mais elevadas que
outras, mas todas permanecem no desmoronamento.

A INTENÇÃO ETERNA DE DEUS


A intenção eterna de Deus é encabeçar todas as
coisas em Cristo, que foi designado para ser o Cabeça
universal. O primeiro passo que Deus toma para
realizar isso é encabeçar Seus escolhidos Nele. Um a
um, Deus resgata seu povo do amontoado causado
pelo desmoronamento universal. A maioria dos
cristãos, contudo, não percebe que isso é o que Deus
está fazendo e não oram sobre isso. Antes, têm o
conceito natural de que o homem é caído e necessita
ser resgatado do inferno. De acordo com a Bíblia, a
salvação de Deus não visa principalmente salvar-nos
do inferno; visa salvar-nos do amontoado do
desmoronamento. Deus nos retirou do
desmoronamento universal e nos colocou sob o único
Cabeça, Cristo. Por causa da rebelião dos anjos e da
rebelião humana, nenhuma das coisas criadas está
sujeita a cabeça algum. Simplesmente não há
encabeçamento no universo. Mas Efésios 1:10 diz que
todas as coisas devem ser encabeçadas em Cristo. A
maioria dos chefes de governo de hoje não se
importam com Cristo; eles não estão sob o Seu
encabeçamento. Se é assim, como pode ser Cristo o
Cabeça sobre todas as coisas? Deus hoje trabalha para
encabeçar todas as coisas Nele. Ele trabalha para
conduzir cada item do desmoronamento universal de
volta ao encabeçamento de Cristo.

A IGREJA É A PRIMEIRA A SER


ENCABEÇADA
Como vimos, o primeiro passo é Deus retirar
Seus escolhidos, Seus filhos, dó desmoronamento e
colocá-los sob o encabeçamento de Cristo. Aqui, sob
Seu encabeçamento, estamos fora do amontoado do
desmoronamento universal, e acima de todas as
coisas. Assim, a vida da igreja deve ser uma vida de
ser encabeçado. Nela são encabeçados os escolhidos
de Deus, e não os líderes mundiais, os incrédulos ou
os animais. Deus encabeça todos os Seus escolhidos
para ser o Corpo de Cristo, com Cristo como Cabeça.
Por fim, esse Corpo com Cristo como Cabeça será a
Cabeça universal sobre todas as coisas. Hoje, na
igreja, somos os primeiros a ser encabeçados em
Cristo. Se não estivermos dispostos a isso na vida da
igreja, atrasaremos o encabeçamento de todas as
coisas. De fato, Deus não terá como realizar o
encabeçamento de todas as coisas em Cristo se nós,
os escolhidos, não estivermos dispostos a ser
encabeçados. Mas, se o desejarmos, Deus dirá com
alegria: “Estes são os pioneiros que tomam a frente
para ser encabeçados. Eles abrem o caminho para Eu
encabeçar todas as coisas em Cristo”. Quando a igreja
toma a frente em ser encabeçada em Cristo, Deus tem
caminho para encabeçar as demais coisas.

A RESTAURAÇÃO DE TODAS AS COISAS


Vimos que, por causa das duas rebeliões, tudo na
criação de Deus está em um amontoado de
desmoronamento. Não há um encabeçamento
adequado. Por exemplo, não há encabeçamento no
reino animal. Pelo contrário, os animais lutam entre
si. Não há harmonia nem mesmo no reino vegetal. O
mesmo ocorre na vida humana: nações contra nações,
povos contra povos e raças contra raças. Mas a Bíblia
revela claramente que, quando vier o milênio, todas
as nações cessarão de lutar. Hoje há muita negociação
sobre a limitação de armas, mas no milênio não
haverá nenhuma arma. Falando do milênio, Isaías
2:4 diz: “Estas converterão as suas espadas em relhas
de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação
não levantará a espada contra outra nação, nem
aprenderão mais a guerra”. Com respeito à situação
no reino animal durante o milênio, Isaías 11:6 diz: “O
lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará
junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal
cevado andarão juntos”. Isso indica que todos os
animais serão encabeçados e conviverão em paz.
Além disso, Isaías 55:12 diz: “Todas as árvores do
campo baterão palmas”, cantando juntas em
harmonia e louvando a Deus. Salmos 96:12-13
declara: “Folgue o campo e tudo o que nele há;
regozijem-se todas as árvores do bosque, na presença
do Senhor”. Essa é uma descrição da situação quando
todas as coisas estiverem encabeçadas em Cristo.
Quando isso ocorrer, haverá absoluta paz e harmonia
nos reinos humano, animal e vegetal, porque todas as
coisas terão sido plenamente resgatadas do
amontoado de desmoronamento. Esse resgate do
desmoronamento é chamado de “restauração de
todas as coisas” (At 3:21). Essa restauração começa
com o ato de sermos encabeçados na vida da igreja.

A CHAMADA IGREJA ESTÁ EM


DESMORONAMENTO
Hoje, até mesmo na assim chamada igreja, não
há encabeçamento. Não somente o universo e a
sociedade humana estão em estado de
desmoronamento, mas até mesmo a assim chamada
igreja está na mesma condição. Pela graça de Deus,
todos devemos dizer: “Senhor, estamos aqui para
tomar a frente em ser encabeçados. Senhor,
encabeça-nos em Cristo. Não queremos permanecer
no amontoado do desmoronamento. Temos de ser
resgatados do desmoronamento sendo encabeçados
em Ti”. Após ser tirado do desmoronamento, você
estará acima de todas as coisas. Antes que isso
aconteça, não terá a confiança de dizer que está acima
do Presidente. É possível você ser salvo, mas ainda
permanecer no desmoronamento, porque não está
encabeçado. Que nossos olhos sejam abertos para ver
a revelação no livro de Efésios!
Muitos cristãos falam sobre a igreja, mas em seu
falar a palavra “igreja” tornou-se sem significado. No
livro de Efésios, contudo, ela significa muito. Mas se
você não sabe o que é ser encabeçado em Cristo, não
pode saber o que é a igreja. Ela não é um amontoado
de pessoas caídas que ainda estão no
desmoronamento. A igreja é o encabeçar dos
escolhidos de Deus sob o encabeçamento de Cristo.
Em contraste com a autêntica igreja, o cristianismo
de hoje é um amontoado. Aonde quer que você vá no
cristianismo, vê um amontoado após outro. A razão
de haver tantos amontoados nas denominações ou
nos grupos livres é que, assim como na sociedade
humana, não há encabeçamento. Contudo, na vida da
igreja adequada somos encabeçados em Cristo.

UMA QUESTÃO DE CRESCER EM VIDA


É importante ver que o encabeçamento na igreja
é uma questão de vida. Se tentarmos ser encabeçados
sem crescer em vida, cairemos na organização.
Encabeçar todas as coisas na igreja sem o
crescimento em vida é simplesmente ter uma
organização. O encabeçamento adequado é o
crescimento de vida. Quanto mais você crescer em
vida, mais vida terá, mais encabeçamento haverá e
mais será resgatado do amontoado do
desmoronamento. Nenhuma mão ou organização
humana pode realizar isso. Nenhum esforço humano
pode ajudar o encabeçamento na vida da igreja. Eu
não posso ajudá-lo, e você não pode ajudar-me. A
única coisa que tem efeito é o crescimento em vida.
Oh! precisamos crescer e ajudar os outros a crescer!
Precisamos ministrar o suprimento de vida uns aos
outros para ajudar-nos uns aos outros a crescer. O
encabeçamento na vida da igreja é totalmente
dependente do crescimento em vida.
Gostaria de impressioná-lo novamente com o
fato de que todo o universo está em estado de
desmoronamento. Fomos salvos não somente da
condição caída, pecaminosa, mas também do
amontoado do desmoronamento. Agora, a fim de ser
libertados do desmoronamento de maneira prática,
precisamos crescer em vida. Quanto mais crescermos,
mais sairemos do desmoronamento.

PELA LUZ
O encabeçamento na vida da igreja também
ocorre por meio da luz (Ap 21:23-25). Essa luz,
logicamente, não é a luz do conhecimento, mas da
vida. João 1:4 diz: “Nele estava a vida, e a vida era a
luz dos homens”. A luz aqui brilha a partir da vida na
qual crescemos. Quando crescemos em vida, temos a
luz da vida. Sob essa luz, tudo é mantido em ordem.
Se em vez de vida e luz tivermos morte e trevas, ainda
estaremos no desmoronamento. Onde quer que a
morte e as trevas estejam, aí haverá
desmoronamento. Toda a sociedade humana,
incluindo o cristianismo de hoje, nada mais é que
morte e trevas, e, portanto, um amontoado do
desmoronamento. Mas, visto que estamos cheios de
vida e sob a luz, não somos um desmoronamento.
Visto que estamos na vida e que todos os nossos
passos estão na luz, não há confusão. Embora o
cristianismo de hoje seja um amontoado de
desmoronamento em morte e trevas, nós na vida da
igreja estamos na vida e sob a luz. Com vida e luz
somos encabeçados.
Vimos que a igreja é a primeira a ser encabeçada
em Cristo. Por fim, virá o milênio, e, após ele, o novo
céu e nova terra com a Nova Jerusalém, nos quais
todas as coisas serão encabeçadas em Cristo. Na Nova
Jerusalém não haverá morte nem noite. Antes, tudo
estará saturado de vida e sob a luz. Com a Nova
Jerusalém como centro, tudo no novo céu e nova
terra estará encabeçado. Nesse tempo Efésios 1:10
será completamente cumprido. Então perceberemos
que Cristo é o Cabeça sobre todas as coisas para a
igreja, a qual é o Seu Corpo, a plenitude Daquele que
a tudo enche em todas as coisas. Hoje, na vida da
igreja, nós tomamos a frente para ser encabeçados em
Cristo. Para isso, precisamos crescer em vida e ter a
luz da vida.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM NOVE
ENCABEÇAR TODAS AS COISAS EM CRISTO (2)
Nesta mensagem falaremos um pouco mais sobre
o encabeçamento de todas as coisas em Cristo.
Efésios 1:9-1 O diz: “Desvendando-nos o mistério da
sua vontade, segundo o seu beneplácito que
propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na
dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas,
tanto as do céu, como as da terra”. O vocábulo
“beneplácito” no versículo 9 quer dizer “bom prazer”,
o verbo grego “fazer convergir” no início do versículo
10 pode também ser traduzido por “encabeçar” e o
termo “na dispensação” pode ser traduzido por “a fim
de ter uma dispensação”. Assim, esse trecho pode ser
traduzido por “segundo o Seu bom prazer que
propusera em Si mesmo de encabeçar em Cristo, a
fim de ter uma dispensação da plenitude dos
tempos”.
A dispensação que Deus propôs em Si mesmo é
encabeçar todas as coisas em Cristo na plenitude dos
tempos. Os tempos referem-se às eras. Quando
chegar o novo céu e nova terra, após a completação de
todas as dispensações de Deus em todas as eras,
haverá a plenitude dos tempos. A palavra
“dispensação” é também encontrada em 3:2: “Se é
que tendes ouvido a respeito da dispensação da graça
de Deus a mim confiada para vós outros”. A
dispensação da graça de Deus significa a
administração da graça de Deus.

O PLANO ETERNO DE DEUS


A fim de entender o que é a dispensação da graça
de Deus, precisamos ver que na eternidade passada
Ele propôs um plano. De acordo com esse plano, Ele
criou o universo com os céus, a terra e bilhões de
itens. Criou então a humanidade como centro do
universo a fim de ser um vaso para contê-Lo visando
à Sua expressão. Essas palavras são breves, mas
abrangem toda a Bíblia. O homem foi criado não para
ser um instrumento, mas um vaso para conter Deus,
para que Deus Se expresse do interior do homem.
Esse é o plano eterno de Deus, Seu propósito eterno.

SATANÁS TROUXE MORTE À CRIAÇÃO DE


DEUS
Em Sua sabedoria, Deus permitiu que um
arcanjo se rebelasse. Sem Sua permissão, nenhuma
rebelião jamais poderia ter ocorrido. Nem mesmo a
rebelião entre os anjos poderia acontecer sem a
permissão de Deus. Ele permitiu que um de Seus
anjos se rebelasse contra. Ele. Isso aconteceu de
acordo com a sabedoria de Deus. A rebelião de
Satanás atua da mesma maneira que o fundo negro
de um quadro: faz o objeto principal destacar-se
ainda mais.
O livro de Gênesis revela que Satanás veio
injetar-se no homem, o centro do universo. Quando
injetou-se no homem, Satanás tornou-se morte e
trevas para a humanidade. Sempre que ele vem a nós
ou à nossa casa, há morte e trevas. O resultado dessa
morte e trevas é um desmoronamento. Uma pessoa
cheia de vida pode permanecer de pé. Mas, uma vez
que o poder da morte tenha sido injetado nela, ela
desmorona. Em vez de ser encabeçada, ela
desmorona. Como enfatizamos na mensagem
anterior, todo o universo, incluindo a humanidade, é
um amontoado de desmoronamento causado pelo
fato de Satanás ter-se injetado como fator de morte
na criação de Deus. Satanás trouxe morte à toda a
criação de Deus. Ela foi infectada pelo fator satânico
de morte. Essa é a razão de Romanos 8:20-21 dizer
que a criação está sujeita à vaidade e debaixo do
cativeiro da corrupção.
A fim de injetar uma substância no corpo de uma
pessoa, não há necessidade de injetá-la em cada
parte. Em vez disso, a injeção é feita somente em
certo ponto, e então a substância espalha-se por todo
o corpo. De modo semelhante, Satanás injetou-se no
homem, o centro do universo, e a partir do homem o
veneno satânico espalhou-se por todos os lugares.
Portanto, não só o homem está sujeito à morte, mas
todo ser vivente também. Sempre que algo vivo
morre, desmorona. O elemento da morte foi
espalhado por toda a criação de Deus, fazendo com
que ela desmoronasse.
O desmoronamento do universo dá a Deus uma
excelente oportunidade para manifestar Sua
sabedoria. Sem tal situação de morte e
desmoronamento, a sabedoria de Deus não poderia
ser plenamente manifestada. Por meio da igreja Sua
multiforme sabedoria será expressa. O
desmoronamento causado pela injeção satânica do
fator da morte no homem serve como pano de fundo
negro para tornar a sabedoria de Deus muito mais
gloriosa.
A maneira de Satanás é sempre antecipar-se a
Deus. Isso é um princípio na Bíblia. Sempre que Deus
deseja fazer algo, Satanás age primeiro. Por exemplo,
a Bíblia revela que a intenção de Deus é edificar uma
cidade, a Nova Jerusalém. Mas a primeira cidade foi
uma imitação edificada por Satanás. De modo
semelhante, a intenção de Deus é dispensar-Se ao
homem e trabalhar-Se nele. Mas, antes de Deus fazer
isso, Seu inimigo, Satanás, entrou em cena para fazer
uma imitação, injetando-se no homem. Após ter
criado o homem, Deus colocou-o em frente à árvore
da vida. Isso indica que Deus desejava que o homem
O tomasse. Deus nunca está com pressa; está sempre
disposto a esperar. Satanás, pelo contrário, sempre
está com pressa. Precisamos aprender com isso que
tudo o que fazemos com pressa provavelmente não é
de Deus, mas de Satanás. Antes de Deus dispensar-Se
ao homem, Satanás injetou-se nele, o centro da
criação de Deus, e fez portanto com que toda a criação
desmoronasse. Agora, em vez de vida, há morte por
toda parte: nos escritórios, fábricas, negócios, escolas
e até mesmo nas assim chamadas igrejas. Pelo fato de
a morte estar em todo lugar e em todas as coisas, tudo
está desmoronado. Esse é o pano de fundo do ato de
Deus trabalhar-Se no homem.

O HOMEM É UM CAMPO DE BATALHA


Deus veio para trabalhar-Se no homem, não no
homem originalmente criado por Ele, mas no homem
em quem Satanás injetou-se. Visto que tanto Satanás
como Deus estão no homem, este tomou-se um
campo de batalha entre Deus e Satanás.
Originalmente, Deus e Satanás lutavam no universo,
mas agora lutam no homem. Você percebe que é um
campo de batalha e que uma guerra é travada em seu
interior entre Deus e Satanás? Como cristãos, temos
uma guerra travada em nós. O fator da morte luta
contra o fator da vida, e o fator da vida conquista,
subjuga e traga o fator da morte.
O uso de antibióticos ilustra isso. Quando um
antibiótico entra no corpo humano, luta contra os
germes. Jesus Cristo é o melhor antibiótico. Desde o
dia em que O recebemos, uma guerra tem sido
travada em nós. Dia após dia, Cristo, o antibiótico
celestial, mata os germes. Uma vez que o veneno da
morte foi injetado em nós, caímos em um
desmoronamento. Mas, quando Cristo veio, o fator da
vida veio com Ele, e gradualmente começamos a nos
levantar, não por meio de ensinamentos, mas de
tomar o fator da vida em nosso ser. Quanto mais vida
recebemos, mais nos levantamos. Contudo, mesmo
depois que recebemos Cristo, o inimigo pode injetar
ainda mais do fator da morte em nós e fazer com que
desmoronemos uma vez mais. Em tal momento,
precisamos de outra injeção do antibiótico celestial.

LEVANTAR-SE E TORNAR-SE UNIDO


O desmoronamento vem do fator da morte, e o
levantar, do fator da vida. Quando o fator da morte
causa um desmoronamento, todas as partes do nosso
ser separam-se umas das outras. Isso é ilustrado
pelos ossos secos em Ezequiel 37. Quando esses ossos
estavam mortos e secos, estavam separados. Mas,
quando o fôlego entrou neles, tomaram a viver,
levantaram-se e foram unidos (Ez 37:4-10). Esse
levantar e unir-se são na verdade o encabeçar.
Anteriormente, os ossos estavam empilhados em um
amontoado, separados do corpo. Mas, quando o
sopro da vida entrou neles, primeiramente
levantaram-se, e depois uniram-se uns aos outros.
Em seguida tomaram-se um corpo, até mesmo um
exército. Isso é o que significa ser encabeçado.
Não devemos tomar isso meramente como
doutrina, mas considerá-lo à luz da experiência.
Muitos podem testificar que estavam separados e no
amontoado causado pelo desmoronamento universal.
Mas um dia o fator da vida entrou em nós,
levantamo-nos e tomamo-nos unidos. Após virmos
para a vida da igreja, tivemos o profundo sentimento
de que estávamos cada vez mais de pé e mais unidos.
Esse é o encabeçamento em Cristo. Várias vezes,
contudo, o poder da morte trabalhou até mesmo na
igreja para injetar o fator da morte nos membros.
Quando o fator da morte entra em certos membros,
eles são envenenados e espalham o veneno da morte
aos outros. Uma vez mais esses queridos irmãos caem
em confusão e são assim afastados do
encabeçamento. Mas, louvado seja o Senhor, o fator
da vida por fim os alcança novamente! Quando o
fôlego da vida é soprado neles e o fator da vida entra
neles, levantam-se mais uma vez, unem-se
novamente e experimentam o encabeçamento.

MORDOMADO E ARRANJO DOMÉSTICO


Na injeção de Satanás não há administração,
porque é ilegal. Nada que seja ilegal ou rebelde tem
administração. Contudo, um governo legalmente
constituído, sim. Embora a injeção de Satanás não
possua administração, o trabalhar de Deus em nós a
tem. No entanto, ela não é de acordo com nosso
conceito natural. A palavra grega traduzida por
dispensação em 1:10, oikonomía, é difícil de ser
traduzida. Pode também significar administração,
mordomado ou arranjo doméstico. Sua forma
aportuguesada é economia. Prefiro dispensação,
mordomado e arranjo doméstico a administração,
embora esta possa ser usada em 1:10, porque por fim
a dispensação, a mordomia, o arranjo doméstico
tornar-se-ão uma administração eterna.
O governo na capital de um país é uma
administração, mas não uma dispensação,
mordomado ou arranjo doméstico. O arranjo
doméstico é doce, e o mordomado é íntimo. De
acordo com o costume antigo, havia um mordomo na
família real, e seu ministério era chamado de
mordomado. Portanto, é simplesmente o serviço de
mordomo. Este não era um mero escravo, mas uma
pessoa intimamente relacionada com a família,
alguém que tomava conta do arranjo doméstico. Tal
mordomado, tal arranjo doméstico, era a melhor
administração. Mas o conceito atual de administração
não inclui essa idéia de intimidade ou doçura.
Contudo, a administração de Deus como arranjo
doméstico é doce, e como mordomado é íntima.

A DISPENSAÇÃO DE DEUS COMO GRAÇA


O mordomado, além disso, envolve dispensação.
Dispensação aqui refere-se não a uma era, mas ao ato
de dispensar. Por exemplo, a mãe dispensa alimento
aos filhos todos os dias no café da manhã. Quando as
crianças sentam-se à mesa, ela dispensa alimento
nutritivo para que comam. Em tal dispensação
sempre é exercido um controle adequado. Se uma
criança se comporta mal, a mãe pode dizer: “Se não se
comportar, não haverá café para você”. Assim, a
dispensação de alimento é o melhor controle. Tenho
observado isso com meus próprios netos, que
obedecem à avó mais do que a mim, porque é ela que
lhes dispensa guloseimas. Uma vez que dispensa
alimento, pode fácil e agradavelmente controlá-los.
Ela os controla por meio de uma doce dispensação,
uma dispensação que é também uma administração e
serviço íntimo. O encabeçamento de todas as coisas
em Cristo não ocorre por meio de administração
governamental. Pelo contrário, provém de um doce
mordomado, por meio de arranjo doméstico íntimo,
mediante agradável dispensação. Ele ocorre por meio
da dispensação do suprimento de vida abundante do
Deus Triúno a nós. O apóstolo Paulo chama isso de
“dispensação da graça de Deus” (3:2), um
mordomado da Sua graça.
Vimos que a injeção de Satanás não tem
administração ou dispensação porque injeta-se em
nós sutilmente. Mas Deus trabalha-Se nos Seus
escolhidos por meio de dispensação doce e íntima. O
ministério de Paulo era assim. Era um modelo da
dispensação da graça, da dispensação de Deus como
graça aos Seus escolhidos. Por meio do dispensar do
próprio Deus como nosso desfrute, o fator da vida é
ministrado aos escolhidos. À medida que o fator da
vida entra neles, são levantados e unidos a Cristo no
Corpo. Essa é a dispensação que encabeça todas as
coisas em Cristo.
Após a queda do homem veio a dispensação de
Deus, começando em uma escala muito pequena. Em
Abel não podemos ver muito da Sua dispensação
como suprimento de vida ao Seu povo escolhido. Em
Enoque, no entanto, há uma leve implicação de tal
dispensação, mas não muito clara. Quando chegamos
a Noé, podemos ver a dispensação de Deus como
suprimento de vida em escala muito pequena. Então,
na vida de Abraão, Isaque e Jacó vemos certa medida
dela. Além disso, em Moisés e no tabernáculo havia
uma administração, um arranjo doméstico, um
mordomado íntimo. Isso é claramente visto em
Moisés, Arão e os sacerdotes no serviço levítico.
Chegando ao Novo Testamento, temos a dispensação
da vida no Senhor Jesus. Que dispensação doce e
íntima havia Nele! Em todo o Seu ministério Ele
dispensava Deus como suprimento de vida aos Seus
escolhidos. Essa dispensação íntima continuou com
os apóstolos, especialmente com Paulo, que tinha a
dispensação da graça de Deus. Em seu ministério
Paulo sempre dispensava Cristo como vida aos
crentes. Era uma dispensação doce e íntima, um
agradável arranjo doméstico. Ele até mesmo ensinou
Timóteo a como se deve proceder na casa de Deus (1
Tffi3:15). A maneira de proceder na casa de Deus é ter
o arranjo doméstico, a dispensação íntima, e
dispensar Cristo a todos os membros da casa. Não é
controlando nem por meio de administração
governamental; é mediante a doce dispensação, o
mordomado íntimo, o arranjo doméstico muito
estimado.
Por tal ministério o fator da vida é dispensado às
pessoas na igreja. Por tal dispensação doce e íntima, o
suprimento de vida é dispensado aos membros do
Corpo de Cristo. Quanto mais o fator da vida é
ministrado a nós, mais nos levantamos e nos unimos.
Sempre que recebe o suprimento de vida, você
espontaneamente se levanta. Não há necessidade de
ninguém lhe dizer que tenha comunhão com outros,
pois você automaticamente deseja ser unido.
A maneira de Deus nos encabeçar é trabalhar-Se
como o fator da vida em nós para que nos levantemos
e nos unamos uns aos outros. Não é por meio de
administração governamental, e, sim, de doce
dispensação, de mordomado íntimo, de arranjo
doméstico confortável. Por meio dessa dispensação, o
fator da vida é ministrado a todos os membros da
igreja para que se levantem e se unam ao Corpo. Esse
é o encabeçamento em Cristo.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM DEZ
ENCABEÇAR TODAS AS COISAS EM CRISTO (3)
Esta mensagem continua a falar sobre o
encabeçamento de todas as coisas em Cristo (1:10).
Primeiramente, precisamos ver o que é a plenitude
dos tempos. Efésios 1:10 diz: “De fazer convergir nele,
na dispensação da plenitude dos tempos, todas as
coisas, tanto as do céu, como as da terra”. A palavra
“na” significa “com vistas a” ou “a fim de ter”. A
dispensação nesse versículo é a da plenitude dos
tempos. Os tempos aqui, sem dúvida, referem-se às
eras. Portanto, a plenitude dos tempos é a plenitude
das eras.

AS QUATRO ERAS
Na Bíblia há quatro eras. João 1:17 diz: “Porque a
lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a
realidade vieram por meio de Jesus Cristo”. A lei
relaciona-se a Moisés; a graça refere-se a Jesus
Cristo. Duas eras estão implícitas aqui: a da lei e a da
graça. Quando Moisés foi levantado houve o início da
era da lei; quando Cristo veio houve o início da era da
graça. Romanos 5 menciona Adão e Moisés (v. 14). O
pecado refere-se a Adão e, como vimos, a lei refere-se
a Moisés. Temos, portanto, três pessoas: Adão,
Moisés e Cristo, e três coisas: pecado, lei e graça.
Adão relaciona-se ao pecado, Moisés, à lei, e Cristo, à
graça. Isso indica que, desde Adão até a segunda
vinda de Cristo, há três eras: a do pecado, a da lei e a
da graça.
Muitos de vocês estão familiarizados com o
ensinamento teológico das sete dispensações: da
inocência, da consciência, do governo humano, da
promessa, da lei, da graça e do reino. Não é errado
dizer que há essas sete dispensações. Mas, de acordo
com o registro da Bíblia, podemos dizer que antes do
milênio há somente três eras, a de Adão, a de Moisés
e a de Cristo. Após a era da graça virá a do reino;
serão os mil anos do reino celestial na terra. Portanto,
há ao todo quatro eras: a do pecado, a da lei, a da
graça e a do reino.
Essas quatro eras são os tempos. Antes que a
primeira delas começasse não havia tempo, e, sim, a
eternidade passada; e depois delas não existirá mais
tempo; haverá a eternidade futura. Entre as duas
eternidades, a passada e a futura, há quatro eras,
quatro tempos. O tempo de Adão foi de pecado, o de
Moisés foi da lei, o tempo de Cristo é da graça e o do
milênio será do reino. Quando esses quatro tempos
forem cumpridos virá a plenitude dos tempos, a
completação das eras. As eras de Adão e de Moisés já
foram completadas, a da graça está em andamento e a
do milênio ainda não começou. Após o término da
quarta era haverá uma dispensação chamada por
Paulo de a plenitude dos tempos.
Quando Paulo estava na terra havia uma
dispensação, que ele chamou de dispensação da graça
(3:2). Não somente em seu tempo houve uma
dispensação; cada era teve a sua: a de Adão, a da lei e
a da graça, assim como certamente haverá uma na era
vindoura do reino. Na plenitude das eras haverá a
dispensação final e máxima.

O SIGNIFICADO DE DISPENSAÇÃO
Agora precisamos compreender o que é
dispensação. De acordo com certo ensinamento,
dispensação refere-se a uma-: era. Esse
entendimento, porém, não é exato. Outro
ensinamento diz que dispensação refere-se à maneira
de Deus lidar com Seu povo em certo período. Por
exemplo, na dispensação da inocência Deus lidava
com o homem de uma maneira, enquanto na
dispensação da consciência relacionava-se com ele de
outra maneira. Do mesmo modo, Deus lida com as
pessoas de diferentes maneiras nas eras do governo
humano, da promessa, da lei, da graça e do reino.
Esse entendimento de dispensação não está errado,
mas é incompleto. Uma dispensação é o ato ou
instância de dispensar; refere-se ao ato de Deus
dispensar-Se aos Seus escolhidos. Embora tenha
estudado a questão das dispensações por muitos anos
e tenha analisado inúmeros diagramas, nunca ouvi
falar que a dispensação de Deus é Seu ato de
dispensar-Se aos Seus. Precisamos esquecer todos os
diagramas e nos lembrar de algo básico: Deus agora
Se dispensa a nós.

A DISPENSAÇÃO DA VIDA
Como já enfatizamos, quando Satanás, o poder
da morte, injetou-se no homem, Satanás tomou-se
morte e trevas para o homem. A morte traz
corrupção, e as trevas trazem confusão. Seu objetivo
era corromper a criação de Deus e causar confusão.
Mas, louvado seja o Senhor, pois onde há abundância
de morte, há superabundância de vida! Após Satanás
ter vindo para mortificar, Deus veio para vivificar,
para dispensar vida. Onde há vida há também luz. A
morte arruína, mas a vida cura; as trevas geram
confusão, mas a luz traz a ordem adequada.
Precisamos ter em mente que Satanás veio para
mortificar a criação de Deus, e que a morte arruína e
as trevas causam confusão. Deus, contudo, veio para
vivificar a criação mortificada e trazer ordem. Nessa
ordem todas as coisas estão encabeçadas em Cristo.
A dispensação de Deus é o ato de Ele dispensar
vida aos que foram mortificados. Embora Adão
tivesse sido mortificado, Deus veio a fim de dispensar
algo de Si mesmo em Abel. Fez o mesmo com Enos e
Enoque. Não pense que, em si mesmo, uma pessoa
mortificada, Enoque fosse capaz de andar com Deus
por trezentos anos (Gn 5:22). Isso só foi possível por
meio do dispensar de Deus a ele. O mesmo aconteceu
com Noé. Ele andou com Deus e tinha muita fé pois
Deus Se dispensava a ele. Tal dispensar começou com
Abel e aumentou a cada geração. Assim, a
dispensação em Enoque foi maior do que em Enos, e
maior ainda em Noé. E, em Abraão, foi sobremaneira
maior. Atos 7:2 diz que o Deus da glória apareceu a
Abraão. Essa aparição certamente foi uma
dispensação. Ele podia ter fé em Deus porque Deus
fora dispensado a ele.
A mesma coisa ocorreu conosco quando ouvimos
o Evangelho e nos arrependemos. Ao mesmo tempo
em que nos arrependemos e confessamos nossos
pecados a Deus, Ele Se dispensou a nós, embora
talvez não estivéssemos cientes disso no momento.
Quando recordamos nossa experiência, no entanto,
percebemos que foi isso que aconteceu. No dia em
que me arrependi e confessei-a-Deus minha
pecaminosidade, algo foi dispensado ao meu ser. Eu
chorava, mas interiormente pegava fogo. Isso foi a
inspiração de Deus, bem como Sua dispensação.
Quando Deus vem inspirar-nos, Ele Se dispensa a
nós. Nada pode mudar-nos tanto como a dispensação
de Deus. Ela pode transformar um ladrão em santo,
porque dispensa a ele a natureza santa de Deus. Eu o
encorajo a buscar o Senhor por trinta minutos para
obter Sua dispensação. Nesse período, esqueça-se dos
problemas e do ambiente. Simplesmente abra-se a
Ele e confesse suas fraquezas e erros. Quanto mais
confessar, mais será aberto o caminho para Ele Se
dispensar a você.
Não importa quais termos usemos: dispensar,
inspirar, transfundir ou infundir; a experiência é a
mesma. Não me importo com terminologia;
preocupo-me com a dispensação do elemento divino
a você. Precisamos que Deus entre em nós.
Necessitamos que Seu elemento seja trabalhado em
nosso ser. Esse é o significado de dispensação.
Há falta dessa dispensação de Deus ao homem na
maioria dos cristãos de hoje. Muitos ensinam sobre as
sete dispensações, mas nunca dizem às pessoas que
uma dispensação denota Deus dispensar Sua vida e
natureza aos Seus escolhidos. Nosso encargo hoje não
é ensinar doutrina; é dispensar a vida e a natureza de
Deus ao seu povo. Por favor, não traga a este
ministério suas opiniões ou conceitos. Se o fizer, irá
desperdiçar seu tempo. Não estamos interessados em
discutir pontos ou conceitos doutrinários. Nosso
encargo é infundir Deus em você. Você pode conhecer
muita doutrina, mas ter pouquíssimo do elemento
divino. O que você precisa é a dispensação do
elemento de Deus em seu ser. Estive com os Irmãos
Unidos por anos, e por fim fiquei cansado de suas
disputas sobre doutrinas. Pode ser que não nos falte
doutrina, no entanto sejamos carentes do elemento
divino. A dispensação de Deus é infundir Seu próprio
elemento em nós.

A DISPENSAÇÃO FINAL E MÁXIMA


Vimos que Deus dispensou-Se a Abel, Enos,
Enoque, Noé e Abraão. Dispensou-se ainda mais a
Moisés e, é claro, ao Senhor Jesus. Essa dispensação
continua nas Epístolas do Novo Testamento. Você
pode ficar surpreso ao saber que a dispensação de
Deus hoje é maior até mesmo do que foi na época do
apóstolo Paulo. Duvido que quando Paulo estava na
terra houvesse urna congregação que tivesse o
privilégio de ouvir as coisas que você ouve hoje. Em
nossos dias há uma dispensação mais profunda,
elevada e ampla da graça de Deus. Tal dispensação
continuará no milênio até atingir a plenitude dos
tempos. A dispensação da plenitude dos tempos será
a mais elevada e abrangente. Essa dispensação
ocorrerá na eternidade, como revela Apocalipse 21 e
22.
Nesses capítulos temos um novo ambiente: o
novo céu e nova terra com a Nova Jerusalém.
Apocalipse 21:1 diz: “Vi novo céu e nova terra, pois o
primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já
não existe”. Na Bíblia o mar representa morte. O fato
de já não haver mar significa que não haverá nenhum
traço de morte. Então a morte terá sido tragada. No
fim do milênio a morte, o último inimigo, será abolida
e lançada no lago do fogo. Em seu lugar haverá novo
ambiente, nova esfera, nova circunferência, no centro
da qual estará a Nova Jerusalém.
Se ler o livro de Apocalipse cuidadosamente, verá
que a Nova Jerusalém é, na verdade, uma grande
montanha com doze mil estádios de altura, mais de
dois mil e duzentos quilômetros. Em seu topo está o
trono de Deus e do Cordeiro (Ap 22:1). Do trono flui o
rio da água da vida, que desce a montanha e atinge as
doze portas da cidade. A águo/da vida é para ser
bebida, para suprimento de vida, e não para
banhar-se nem para batizar. Às margens do rio da
água da vida cresce a árvore da vida (Ap 22:2). Isso
indica que quando você bebe a água da vida, come a
árvore da vida. Portanto, quando bebe a água, recebe
o suprimento de vida. Aqui vemos a dispensação
final, máxima e consumada: o dispensar do Deus
Triúno para toda a cidade da Nova Jerusalém. Isso
fará com que a cidade seja cheia, saturada, permeada
e embebida com a água da vida. Essa é a mais elevada
dispensação proposta por Deus para a plenitude dos
tempos.

A MINIATURA NA VIDA DA IGREJA


Hoje na vida da igreja desfrutamos a miniatura
dessa dispensação consumada. Na igreja temos a vida
fluindo, bebemos da água da vida e comemos da
árvore da vida. Essa é a dispensação de Deus na vida
da igreja; contudo, não é a mais elevada, a da
plenitude dos tempos. Enquanto desfruto a água viva
na igreja, aguardo a dispensação final e máxima.
Todos estaremos nessa dispensação consumada, e
seremos plenamente saturados do Deus Triúno.
Deus no trono refere-se ao Pai; o Cordeiro, ao
Filho; e o rio da água da vida, ao Espírito. João 7
revela claramente que o rio da vida denota o Espírito.
Assim, em Apocalipse 22 temos Deus Pai, Deus Filho
como o Redentor, e Deus Espírito fluindo com Deus
Filho como árvore da vida para ser nosso suprimento
de vida. Essa é a dispensação do Deus Triúno, a mais
elevada, da plenitude dos tempos.
Tal dispensação começou com Abel e tem
aumentado através das eras, e por fim alcançará a
dispensação da plenitude dos tempos. Estamos
próximos dessa dispensação. Se percebermos isso,
iremos alegrar-nos muito. Nem mesmo o apóstolo
Paulo estava tão próximo da dispensação final e
máxima, como estamos. Aleluia! todos tomaremos
parte na dispensação consumada! Na restauração do
Senhor temos na vida da igreja uma miniatura da
dispensação vindoura. Como é maravilhoso! É por
isso que gostamos de cantar as seguintes linhas de um
hino:
“Bebe! há um rio; vem do trono a jorrar;
Come! os frutos d'árvore da vida a fartar;
Vê! não há mais lâmpada nem mesmo luz solar,
Não há noite aqui!”5
Na vida da igreja bebemos da água da vida e
comemos da árvore da vida! Comendo e bebendo
somos saturados da própria vida de Deus por meio de
Sua dispensação. Quanto mais vida é dispensada a
nós, mais nos levantamos. Esse é o encabeçamento
em Cristo.

A LUZ DA VIDA MANTÉM TUDO EM ORDEM


Onde há vida há também luz. João 1:4 diz: “Nele
estava a vida, e a vida era a luz dos homens”. Essa luz
é a luz da vida (10 8:12). Em Apocalipse 21 temos vida
e luz. Pelo fato de a Nova Jerusalém ser saturada de
luz, não há necessidade da luz do sol. Apocalipse
21:23 diz: “A cidade não precisa nem do sol, nem da
lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a
5
Hino 249 no hinário Hinos, publicado por esta Editora. (N.T.)
iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada”. Na Nova
Jerusalém teremos a glória do Deus Triúno como
nossa luz resplandecente. No novo céu e nova terra
com a Nova Jerusalém não haverá noite, nem morte
nem trevas. Em vez disso, haverá vida e luz. Isso fará
com que todas as coisas se levantem e permaneçam
em boa ordem.
Onde quer que haja luz tudo é mantido em
ordem. Suponha que não houvesse luzes em uma
cidade grande. Que trevas e confusão haveria! A vida
regula, e a luz controla. Na vida da igreja não temos
regulamentos, e, sim, a vida reguladora e a luz
controladora. Quando a igreja está cheia de vida, está
também repleta de luz. Então todos na igreja são
regulados pela vida interior, e não por regulamentos
exteriores; e todos são controlados e guardados em
ordem pela luz da vida. Aqui, na vida e na luz, somos
encabeçados. Em Apocalipse 21 vemos a Cabeça, o
Corpo em torno da Cabeça e todas as nações andando
na luz da cidade (Ap 21:24). Isso fará com que o novo
céu e nova terra seja uma esfera brilhante. Portanto,
no novo céu e nova terra com a Nova Jerusalém como
centro, todas as coisas serão encabeçadas em Cristo.
Isso será o cumprimento do encabeçamento de todas
as coisas em Cristo citado em Efésios 1:10.
Para que isso ocorra, precisamos da dispensação
da vida. A vida a nós dispensada torna-se por fim a
luz dos homens. Na dispensação da plenitude dos
tempos, todas as nações andarão na luz da cidade.
Isso quer dizer que não haverá mais morte, trevas,
corrupção, confusão. Antes, tudo estará em ordem,
encabeçado em Cristo, o único Cabeça, para expressar
o Deus Triúno por toda a eternidade. Esse
encabeçamento de todas as coisas será uma expressão
eterna do Deus Triúno. A vida da igreja hoje é um
antegozo disso, uma miniatura do novo céu, da nova
terra e da Nova Jerusalém. Como estamos na
miniatura, desfrutamos a dispensação da vida com
luz, e somos encabeçados em Cristo.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM ONZE
OS CRENTES DO NOVO TESTAMENTO PARA LOUVOR
DA GLÓRIA DE DEUS
Chegamos agora à questão de os crentes do Novo
Testamento serem para louvor da glória de Deus
(1:11-12). Efésios 1:12 diz: “A fim de sermos para
louvor da sua glória, nós, os que de antemão
esperamos em Cristo”. Esse versículo não quer dizer
que louvaremos a Deus. Significa que para nós e em
nós tantos itens serão trabalhados pela graça
abundante de Deus, que todos os anjos e coisas
positivas no universo O louvarão. Eles O louvarão
porque nós, os Seus filhos, seremos o centro da Sua
operação no universo. Seremos como o cubo, o centro
de uma roda. Se o centro for retirado a roda se
desmanchará, porque os raios não terão apoio. Os
anjos e as coisas positivas no universo são como os
raios, e nós, os filhos de Deus, como o centro. Sem tal
centro, o universo não tem sustentação. Nós, para os
quais e nos quais a graça abundante tanto realiza, nos
tomaremos a causa do louvor proclamado pelas
coisas positivas do universo. Esse é o significado
correto do versículo 12.
A expressão “a fim de” no início desse versículo é
muito significativa. Indica que os muitos itens
ocorridos nos versículos anteriores têm um resultado:
que sejamos para louvor da glória de Deus. Tal louvor
ocorrerá principalmente no milênio, e, por fim, no
novo céu e nova terra. Se lermos Apocalipse 21 e 22 à
luz dos versículos de Efésios, veremos que a Nova
Jerusalém é constituída dos filhos de Deus: é o centro
do novo universo. Os anjos, as nações e todas as
coisas positivas ao redor irão contemplar-nos e
espontaneamente louvar a Deus. Portanto, os filhos
de Deus, que são a Nova Jerusalém, serão a causa do
louvor universal. Todo o universo louvará a Deus por
nós, como os que receberam a obra da graça
abundante de Deus.
Contudo, muitos, incluindo nós, podem ler
Efésios diversas vezes sem ver isso, pois não têm o
conceito adequado. Entendemos a Bíblia
principalmente de acordo com nosso conceito. Se um
aluno da terceira série ler Efésios, pode ser capaz de
citar todas as palavras, mas não pode compreender o
significado real por não ter o conceito adequado. O
quanto compreendemos da revelação divina depende
principalmente dos conceitos que temos. Não
devemos confiar em nossos conceitos naturais; pelo
contrário, devemos abandoná-los. Se estivermos
dispostos a abandonar nossos conceitos, o espírito de
sabedoria os substituirá por algo espiritual, celestial e
eterno. Nosso conhecimento doutrinário fará com
que tenhamos um véu quando lermos Efésios. Nossos
conceitos tornam-se véus sobre nosso espírito. Mas,
se os abandonarmos, nosso espírito será aberto, e
também seremos pobres em espírito. Em Mateus 5:3
o Senhor Jesus disse: “Bem-aventurados os pobres
em espírito”. Os pobres em espírito parecem nada
saber, pois foram esvaziados de todo conceito,
doutrina e ensinamento. Se nos achegarmos pobres
em espírito à pura Palavra, veremos algo novo.
Nos versículos 11 e 12 vemos que os crentes do
Novo Testamento serão motivo do louvor universal.
Louvor é expressão de apreço. Não louvamos o barro
porque não o apreciamos. Por outro lado, louvamos
nosso amado Senhor Jesus porque O apreciamos
muito. Nosso apreço torna-se nosso louvor. Está
próximo o dia em que nós, os filhos de Deus, seremos
apreciados por todos os anjos. Quanto mais olharem
para nós, mais expressão terão, expressão essa que
fluirá como louvor a Deus. O apreço que terão por nós
tornar-se-á seu louvor a Deus. Perceberão que o que
somos é obra da graça abundante de Deus. A
intensidade do louvor depende de quanta obra a
graça abundante realizou. Se ela realizar mais em
nós, os anjos terão maior apreço por nós. A Bíblia diz
que até mesmo as árvores se regozijarão (Sl 96:12) e
louvarão ao Senhor (Sl 148:7, 9). Se as árvores não
vissem nada no universo que fosse maravilhoso, não
se regozijariam. Mas ver a nós, os filhos de Deus, será
para elas a maior surpresa. Por causa de nós elas se
regozijarão e louvarão. O fato de que seremos para
louvor da glória de Deus não quer dizer que
louvaremos a Deus. Significa que todos seremos a
causa do louvor proclamado pelos anjos e por todas
as coisas positivas no universo.
Por fim iremos tornar-nos a glória de Deus.
Alguns podem indagar como podemos tornar-nos
Sua glória. Em 1 Tessalonicenses Paulo diz: “Sim, vós
sois realmente a nossa glória e a nossa alegria!”
(2:20). Ele falava aqui como representante de Deus.
Portanto, se os crentes eram a glória de Paulo, então
certamente eram a glória de Deus, pois Paulo era Seu
enviado. Se os que crêem são a glória do enviado,
então certamente são também a glória Daquele que o
enviou. No milênio, e especialmente no novo céu e
nova terra, Deus poderá dizer: “Anjos, nações e todas
as coisas criadas, olhem para Minha glória. Meus
filhos são Minha glória”. Humanamente falando, isso
é verdade até mesmo em uma grande família.
Suponha que certo pai tenha muitos filhos bons, que
amem muito ao Senhor. Se todos eles se sentassem
um dia em torno do pai, ele poderia dizer: “Isso é
minha glória. Meus filhos são minha glória”. Um dia o
Pai nos reunirá. Nessa hora todos teremos sido
saturados Dele, transformados e transfigurados.
Então, com alegria, Ele poderá dizer aos anjos e a
todas as coisas positivas no universo que nós somos
Sua glória.
Glória é Deus expresso. Na plenitude dos tempos
todos os filhos de Deus serão plenamente saturados
Dele e O expressarão. Ele será expresso por meio de
nós. Esse Deus expresso é glória. Todos os anjos e
coisas positivas no universo louvarão ao Deus
expressado. Isso é o que significa dizer que seremos
para louvor da Sua glória.

I. COLOCADOS NO CRISTO
“ENCABEÇADOR”
A primeira parte do versículo 11 diz: “Nele, digo,
no qual fomos também feitos herança”. “Nele”
refere-se ao Cristo “encabeçador”. O versículo 10, que
fala de encabeçar todas as coisas em Cristo, contém a
palavra “nele”. E o versículo 11 começa com a palavra
“nele”. A composição de Paulo aqui é bastante
estranha e repetitiva. Contudo, ele escreveu desse
modo de propósito, a fim de enfatizar que todas as
coisas no céu e sobre a terra são encabeçadas em
Cristo. Ao enfatizar tal fato Paulo não se preocupou
com a excelência da composição. A palavra “nele”
revela que fomos colocados no Cristo “encabeçador”.

II. FEITOS HERANÇA PARA DEUS


No Cristo “encabeçador” fomos também feitos
herança. A palavra “também” no versículo 11 refere-se
ao encabeçamento de todas as coisas em Cristo.
Todas as coisas devem ser encabeçadas em Cristo,
assim como nós também fomos feitos herança Nele.
Em Cristo fomos feitos herança. Por favor, preste
muita atenção ao tempo verbal aqui. No futuro, todas
as coisas serão encabeçadas em Cristo, mas nós já
fomos feitos herança Nele. As palavras gregas traduzi
das por “fomos feitos herança” podem também ser
traduzidas como “obtivemos herança”. O verbo grego
significa escolher ou aquinhoar. Assim, essa sentença
significa literalmente que fomos escolhidos como
herança. Fomos feitos herança para herdar a herança
de Deus. Por um lado, fomos feitos herança de Deus
(v . 18) para Seu desfrute; e, por outro, fomos feitos
para herdar Deus como nossa herança (v. 14) para
nosso desfrute.
Que você considera maior: sermos feitos herança
ou Deus encabeçar todas as coisas em Cristo? Eu diria
que ser feito herança é muito melhor do que ser
encabeçado. Sermos herança de Deus abre caminho
para que Ele encabece todas as coisas no universo.
Embora já tenhamos sido feitos herança,
precisamos perguntar-nos se vivemos como herança
de Deus. Você vive como alguém que é a herança de
Deus? Você se parece com a herança de Deus ou com
um monte de barro? Como pode o barro ser herança
de Deus? Em nós mesmos é claro que não somos
dignos de ser Sua herança, mas fomos feitos herança
no Cristo “encabeçador”. De acordo com nosso ser
natural, não somos dignos de nada, mas, no Cristo
“encabeçador” fomos feitos herança de Deus.
É tendo Deus trabalhado em nós que somos
constituídos herança. Deus ainda trabalha a Si
mesmo em nós hoje. A maioria de nós é parte barro e
parte ouro. A parte que é ouro é a herança de Deus.
Eu agradeço a Deus porque, à medida que prossegue
o processo de ser feito Sua herança, o ouro em nós
aumenta e o barro diminui.
Não devemos parar no mero ensinamento
objetivo sobre sermos a herança de Deus. Muitos
anos atrás aprendi que somos Sua herança, e fiquei
muito contente por isso. Mais tarde descobri que não
Sou nada a não ser barro. Parecia absurdo que o
barro pudesse ser herança de Deus. Após muita
experiência e estudo do Novo Testamento, aprendi
que ainda estamos no processo de nos tornar herança
de Deus. Nesse processo, a vida natural deve ser
eliminada, e a natureza divina, de ouro, deve
aumentar, sendo trabalhada mais em nosso ser.
Quando tal processo for completado, seremos a plena
herança de Deus, não apenas objetiva, mas também
subjetivamente.
O processo de ser feito herança de Deus caminha
junto com o encabeçamento de todas as coisas em
Cristo. Quanto mais estivermos dispostos a ser
encabeçados em Cristo, mais o ouro, o divino
elemento, crescerá em nós. Isso é transformação; é
também santificação subjetiva. Nela nosso ser é
saturado da substância, a essência, de Deus. À
medida que Seu elemento é trabalhado em nosso ser,
tornamo-nos Sua herança. Sim, já fomos colocados
no Cristo “encabeçador”, mas ainda estamos no
processo de ser feitos Sua herança em plenitude.

A. Predestinados
Para fazer de nós Sua herança, Deus Pai nos
predestinou para ser Seus filhos. O processo de fazer
de nós Sua herança tem como base a predestinação
eterna de Deus e está de acordo com ela. Ele agora
trabalha em nós para atingir o alvo da Sua
predestinação.

B. Conforme o Propósito De Deus


O versículo 11 diz que fomos feitos herança de
acordo com o propósito Daquele que opera todas as
coisas. Deus opera todas as coisas de acordo com o
conselho de Sua vontade. Há uma diferença entre
vontade e conselho: a vontade de Deus refere-se à Sua
intenção, e o Seu conselho diz respeito à Sua
consideração. Deus opera todas as coisas de acordo
com a consideração de Sua intenção. Sua operação
diz respeito principalmente a nós; Sua intenção para
conosco é fazer de nós Sua herança. Em Seu conselho
Ele considera como realizar isso; não o faz sem
cuidadosa consideração. Por exemplo, uma irmã pode
ter a intenção de fazer um bolo muito especial. Mas,
antes de fazê-lo, considera como o fará. Sem tal
consideração, o bolo ficaria encruado no forno. De
modo semelhante, Deus faz de nós uma herança para
Si mesmo de maneira muito cuidadosa e refletida.
Deus opera todas as coisas de acordo com o
conselho de Sua vontade para que sejamos para
louvor de Sua glória. Isso indica que Ele realiza a
mais refinada obra conosco. Nenhuma obra grosseira
irá gerar louvor ou apreço. É a obra mais refinada que
causa o mais elevado apreço, do qual provém o mais
sublime louvor. Uma vez que Deus opera em nós do
modo mais refinado, seremos a causa do mais elevado
apreço.
Na restauração do Senhor não nos preocupamos
somente com a base da unidade. Estamos aqui para a
obra mais refinada de Deus. Entre todos os grupos
cristãos de hoje, é difícil achar um no qual Ele possa
realizar uma obra mais refinada. Provavelmente
somos o único grupo de cristãos na terra que dá a
Deus a oportunidade de executar uma obra mais
refinada. Portanto, em Sua restauração somos
responsáveis por dar-Lhe a oportunidade de realizar
essa obra em nós. Não queremos ser superficiais ou
ter um movimento temporário. Pelo contrário,
queremos cooperar com Deus para que Ele faça um
excelente trabalho entre nós, a fim de gerar o mais
elevado apreço no universo. Então, sempre que os
anjos nos olharem, apreciarão o que Deus fez e
louvarão ao próprio Deus expressado por nós. A obra
de Deus em nós não é simplesmente melhorar nosso
comportamento ou fazer-nos mais amáveis e
humildes. Tal conceito é pobre demais. Precisamos
deixar que Ele trabalhe a Si mesmo em nós, a fim de
transformar cada parte do nosso ser. Esse será o mais
fino produto no universo, um produto pleno de Deus
e da essência divina. Desse modo, tal obra refinada
será altamente apreciada pelos anjos e por todas as
coisas positivas; eles então louvarão a Deus pela
glória de Sua graça.
A palavra “para” no versículo 12 é muito
significativa no grego. Pode ser traduzida por “que
resulta em”. Isso indica que certo apreço e louvor
surgirá por nossa causa. Seremos motivo do louvor
dos anjos. Quando nos olharem, nos apreciarão.
Contudo, ainda não atingimos esse ponto
plenamente. Precisamos prosseguir até que nós, os
crentes do Novo Testamento, nos tornemos a causa
do louvor angélico universal da glória de Deus.
III. ESPERAR DE ANTEMÃO EM CRISTO
NESTA ERA
O versículo 12 diz que “de antemão esperamos
em Cristo”. A palavra grega traduzida como “de
antemão” pode também ser traduzida por “primeiro”.
Nós, os crentes do Novo Testamento, somos os que
esperaram primeiro em Cristo, isto é, esperamos Nele
nesta era. Os judeus terão sua esperança em Cristo na
próxima era. Hoje esperamos em Cristo, mas os
judeus, que não o fizeram, estão em uma situação
lamentável.

IV. ESPERAR EM CRISTO ANTES DE SUA


VOLTA PARA ESTABELECER SEU REINO NA
PRÓXIMA ERA
Esperamos em Cristo antes de Sua volta para
estabelecer Seu reino messiânico. Contudo, os judeus
terão esperança Nele após Sua volta. Visto que
estamos cheios de esperança em Cristo, podemos
tomar-nos a causa do louvor universal da glória de
Deus.

V. PARA O LOUVOR DA GLÓRIA DE DEUS


Finalmente, seremos para louvor da glória de
Deus. Como já vimos, Deus é glorificado, expresso
nos crentes do Novo Testamento. Essa expressão não
é visível hoje, mas um dia será. Nesse tempo a
expressão de Deus por meio dos crentes do Novo
Testamento gerará o louvor universal. Nosso Deus
será plenamente expresso e glorificado por meio de
nós e entre nós. Então todo o universo louvará Sua
glória.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM DOZE
SELADOS COM O ESPÍRITO SANTO
Já enfatizamos que 1:3-14 pode ser dividido em
três seções: a bênção do Pai (vs. 3-6), a bênção do
Filho (vs. 7-12) e a bênção do Espírito (vs. 13-14).
Deus Pai propôs, Deus Filho realizou o que o Pai
propôs, e Deus Espírito aplica o que o Filho realizou
de acordo com o propósito do Pai. Portanto, o Pai
propôs, o Filho realizou e o Espírito aplica. Nesses
versículos temos um propósito, uma realização e uma
aplicação. Nesta mensagem chegamos à aplicação.

O SELO E O PENHOR
De acordo com 1:13-14 a aplicação do Espírito
tem dois aspectos: o selo e o penhor, ou, como gosto
de dizer, o selar e o penhorar. A aplicação do Espírito
é Seu ato de selar e penhorar. Na verdade, o próprio
Espírito é tanto o selo como o penhor. Ambos
envolvem ação em nós. Portanto, o selo é, na verdade,
o selar, e o penhor é o penhorar. O Espírito não é
somente um selo sobre nós, mas Ele nos sela. Ele não
é somente o penhor que garante nossa herança, mas
também aplica o penhor em nós. Nesta mensagem
consideraremos o selar do Espírito, e, na próxima, a
Sua aplicação do penhor.

O SELO REPRESENTA PROPRIEDADE


Quando jovem, ouvi mestres dos Irmãos Unidos
falar sobre o selo do Espírito Santo. Também li sobre
isso. Mas nunca ouvi falar do selar do Espírito. O selo
é uma coisa, o selar é outra. Ser selado com o Espírito
Santo significa ser marcado com Ele como um selo
vivo. Fomos feitos herança de Deus (v. 11). Quando
fomos salvos, Deus colocou seu Espírito Santo em nós
como um selo para nos marcar, indicando que
pertencemos a Ele. O Espírito Santo, que é o próprio
Deus em nós, faz-nos ter a imagem de Deus
simbolizada pelo selo, fazendo-nos assim como Deus.
Suponha que um irmão carimbe seu nome na Bíblia.
Quando faz isso, sua Bíblia traz a imagem do
carimbo. Esse carimbo indica que a Bíblia pertence a
ele. Portanto, o selo6 significa propriedade. Quando
cremos no Senhor Jesus, o Espírito de Deus nos
selou. Isso quer dizer que Deus é nosso proprietário e
pertencemos a Ele.
Quando jovem, disseram-me enfaticamente que
eu pertencia a Deus. Foi-me também ensinado que,
não importa o quanto entristecêssemos o Espírito
Santo, Ele nunca iria deixar-nos. Os que pertencem à
escola arminiana 7 de teologia, contudo, discordam
disso. Anos atrás uma missão alemã publicou na
China um livrete a respeito do Espírito, no qual uma
das figuras mostrava uma pomba, que representava o
Espírito Santo, fugindo de um cristão que O tinha
entristecido. Os Irmãos Unidos atacavam esse
ensinamento, dizendo que, depois que o Espírito
Santo entrou em nós, nunca nos deixa. O
ensinamento deles a respeito do selo do Espírito era
6
O selo aqui mencionado não se refere a selo postal, mas é: “1) peça, geralmente metálica, na qual se
gravaram armas, divisa ou assinatura, e que se usa para imprimir sobre certos papéis, com o fim de
validá-los ou autenticá-los; 2) carimbo, sinete, chancela” (Dic. Aurélio). (N.T.)
7
Arminianismo: Sistema teológico iniciado por Jacobus Arminius (Jakob Hermandszoon), teólogo
holandês (1560-1609), que pôs em dúvida alguns ensinamentos do calvinismo; dentre outros itens a
doutrina arminiana defende que é possível que os cristãos decaiam da graça. (N.T.)
muito forte. Diziam: “Uma vez que o selo tenha sido
colocado em você, não pode ser removido,
independentemente do que você faça”. Concordo com
o ensinamento de que o Espírito nunca nos deixará.
Nessa questão eles estavam corretos; contudo, eram
doutrinários demais.

O SELO TRAZ A IMAGEM DE DEUS


Todo selo tem uma imagem. Se for quadrado, a
imagem também o será. O Espírito como selo de Deus
sobre nós traz a imagem de Deus. Isso implica que o
selo do Espírito Santo é a expressão de Deus. Quando
você traz o Espírito Santo como selo de Deus sobre
você, traz a imagem e a expressão de Deus.
Quando li sobre isso pela primeira vez em um
livro do irmão Nee, fiquei muito contente. Tinha não
somente o selo que indicava que Deus era meu
proprietário, mas também, com o selo, tinha a
imagem de Deus. Essa alegria, contudo, não durou
muito. Após certo tempo descobri que, na verdade, eu
não tinha a imagem de Deus. Sim, o selo do Espírito
estava sobre mim, mas eu não tinha a imagem. O selo
era uma coisa, e eu, outra. Tinha o selo sobre mim,
mas não vivia a vida do selo.
Sempre que conhecemos uma verdade ou
doutrina sem a experiência, somos por fim
atribulados pela falta de experiência. A doutrina pode
ser muito boa, mas podemos ter muito pouca
experiência dela. Isso nos deixa intrigados, pois a
Bíblia diz uma coisa, e nossa experiência, outra. O
que somos simplesmente não corresponde ao que a
Bíblia diz. Ela fala que fomos selados com o Espírito
Santo. Isso quer dizer que trazemos a imagem, a
expressão de Deus. Contudo, de acordo com nossa
experiência, parece que não temos nem o selo nem a
imagem. Não quero ser enganado. Fico incomodado
sempre que a Bíblia diz uma coisa e minha vida diária
diz outra. Mais tarde descobri o segredo na questão
do selo em 1:13-14.

SELADOS PARA O DIA DA REDENÇÃO


Esses versículos dizem: “No qual também vós,
tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da
vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes
selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o
penhor da nossa herança, para redenção da possessão
de Deus, para o louvor da sua glória” (IBB-Rev.). As
palavras “para redenção” no versículo 14 são muito
significativas. Fomos selados com o Espírito Santo
para a redenção da propriedade. Somos propriedade
adquirida por Deus, e a redenção da propriedade
adquirida é a redenção, a transfiguração, do nosso
corpo. Nisso vemos que o selo do Espírito Santo visa à
redenção do nosso corpo. Fomos selados com Ele
com vistas a essa redenção. Uma tradução em inglês
diz: “Fostes selados com o Espírito Santo dado para a
redenção”. Essa é uma expressão ainda mais enfática.
O selo do Espírito não ocorre uma vez por todas.
Pelo contrário, o selar ainda ocorre hoje. O selo foi
colocado em nós quando cremos, mas o selar ainda
prossegue. O Espírito Santo é o selo e também o selar.
Ele ainda nos sela. Fomos selados e ainda o somos.
Muitos de nós podem testificar pela experiência
que, quando cremos no Senhor Jesus, percebemos
que fomos selados em nosso espírito. Contudo, em
nossa mente, emoção e vontade não havia um selar.
No momento em que cremos no Senhor Jesus, o
Espírito entrou em nosso espírito, e lá nos selou. Por
essa razão a Bíblia diz que fomos selados. Contudo,
nem toda parte de nosso ser foi selada; somente uma:
o nosso espírito. Por muito tempo depois de salvos,
continuou a não haver nenhum selar em nossa mente,
emoção ou vontade. Mas Efésios 1 diz que fomos
selados para a redenção. Já dissemos que a palavra
“para” quer dizer “que resulta em” ou “com vistas a”.
Portanto, o selar em nosso espírito visa à redenção do
nosso corpo. Isso indica que o selar se espalha em
nós. Ele começa em nosso espírito e se expande
alcançando nossa mente, emoção e vontade. Visto
que o selar se espalha em nossa mente, o Novo
Testamento fala sobre a renovação da mente (Rm
12:2). Essa renovação é a expansão do selar do
Espírito em nossa mente. Seu selar deve saturar
nossa mente.

UM PROCESSO CONTÍNUO
Poucos cristãos vêem que o processo de selar
ainda ocorre hoje, que não acontece uma vez por
todas. Sem dúvida, o Espírito entrou em nós uma vez
por todas, mas o selar do Espírito é um processo
contínuo. Nessa questão não nos devemos preocupar
somente com a doutrina, mas também com a
experiência. Verifique se sua experiência corresponde
à doutrina.
No momento da regeneração, o selo do Espírito
foi colocado em nosso espírito, e teve início em nós o
processo de selar, visando a redenção do nosso corpo.
Isso indica que, um dia, até mesmo nosso corpo será
selado com o Espírito; ele será saturado do Espírito
Santo.
Vimos que o selo do Espírito traz a imagem de
Deus. Quando nos arrependemos, confessamos e
oramos em nosso espírito, trazemos a imagem de
Deus. Em tais momentos as pessoas podem ver a
imagem de Deus em nós. Mas, se começarmos a
discutir sobre ensinamentos, ficará evidente que
nossa mente não traz a imagem de Deus. Quando
oramos no espírito trazemos a imagem, mas, se
discutimos na mente, não a trazemos. Nesse
momento nossa mente não traz nada do Espírito.
Além disso, ao discutir sobre doutrinas você pode
ficar irritado, mas não há nada da imagem de Deus na
sua emoção. Isso indica que o selar do Espírito ainda
não se estendeu até sua emoção. Por fim você pode
ficar tão irritado com certo irmão sobre doutrina que
decide não mais ter comunhão com ele. Você o isola
porque, na sua opinião, a doutrina que ele ensina é
errada. Você exercita sua forte vontade para terminar
a comunhão com ele. Mas em sua vontade não há
nenhuma evidência do selar do Espírito. Portanto, em
toda a sua alma (mente, emoção e vontade) não há
nenhum traço da imagem de Deus. Embora possua o
selar do Espírito no seu espírito, não o tem na sua
alma.
É difícil para o selar do Espírito Santo
espalhar-se até alcançar nossa mente problemática. E
é ainda mais difícil expandir-se até nossa vontade
teimosa. Em muitos cristãos, a luta do selar do
Espírito para aprofundar-se na mente, emoção e
vontade dura muito tempo. Se considerar sua
experiência, verá que tem havido uma luta sobre essa
questão por anos. O selar do Espírito Santo tem
lutado para permear sua mente, emoção e vontade.
Mesmo hoje devemos admitir que, provavelmente,
nossa alma ainda não foi totalmente saturada.
Mesmo que tenha sido, nosso corpo ainda não foi
selado, pois não há nele nenhum sinal da aparência
de Deus, nem expressão alguma de Sua imagem.
Contudo, o selar do Espírito Santo ainda prossegue, e
continuará a avançar até a redenção do nosso corpo.

SATURAR, SANTIFICAR, TRANSFORMAR


O selar do Espírito Santo é a saturação, e a
saturação é a santificação. Onde quer que o selar
sature, aí estará a santificação. Além disso, a
santificação é a transformação. Assim, em todo lugar
onde o selar do Espírito Santo chega, há santificação e
transformação. Por exemplo, quando nossa mente é
selada com o Espírito, ela é santificada e
transformada. Os diferentes termos: selar, santificar
e transformar, denotam a mesma coisa. Quando
nossa alma estiver plena e completamente selada pelo
Espírito Santo, será santificada e transformada. Um
dia, até mesmo nosso corpo será selado com o
Espírito. Então ele também será santificado. Nosso
corpo ainda não foi santificado; isto é, ainda não foi
transfigurado. Mas, no dia da redenção, ele terá sido
totalmente selado com o Espírito Santo. Será
santificado e transfigurado.

A EXPANSÃO DO SELAR
Muitos cristãos acham que, uma vez salvos, serão
arrebatados quando o Senhor Jesus voltar. Esse é um
entendimento muito superficial da Bíblia.
Arrebatamento denota maturidade. Nenhum
fazendeiro inicia a colheita antes de a plantação
amadurecer. Se a plantação ainda estiver verde, ele
não a colherá. Somos a lavoura de Deus. Portanto, a
época da colheita depende da maturidade. Vimos em
1:13-14 que fomos selados com o Espírito Santo para
a redenção da propriedade adquirida. O selar do
Espírito Santo em nosso espírito visa à redenção do
nosso corpo. A redenção do nosso corpo depende da
expansão do selar do Espírito Santo em todo o nosso
ser. Quando isso ocorrer, poderá ser tomada uma
decisão a respeito do tempo da redenção do nosso
corpo.
O selar do Espírito não deve ser considerado algo
que ocorre uma vez por todas. Não, ele continua a
ocorrer em nós, espalhando-se em todo o nosso ser. O
Espírito Santo se move em nós, e Seu mover é Seu
selar, santificar e transformar. Quando o nosso corpo
será transfigurado? Depende de quanto do selar do
Espírito tem ocorrido em nós. Seu selar tem muito a
ver com a redenção do corpo. Isso indica que o selar
ainda ocorre, diariamente saturando nossa mente,
emoção e vontade. Quando termina o ensino
fundamental, um aluno ainda não está pronto para a
faculdade. Antes de ir para um curso superior, deve
passar pelo ensino médio. De modo semelhante, uma
vez selados com o Espírito Santo em nosso espírito,
ainda não estamos prontos para a redenção do corpo.
Antes, precisamos ser selados na mente, emoção e
vontade. Em tantas coisas ainda precisamos ser
selados pelo Espírito.
Temos enfatizado que o selar do Espírito é Seu
mover em nós. Temos em nós um selo vivo, que se
move constantemente. Após o Espírito selar uma
parte, deseja selar outra, e depois ainda outra. Ele
deseja selar cada parte de nosso ser. Até que isso se
complete, a expansão do selar continuará.
Tenho certeza de que você nunca ouviu falar que
o selar do Espírito ainda prossegue. Mas esse fato
está implícito pelas palavras “para redenção” em 1:14.
Fomos selados com o Espírito Santo para a redenção
da propriedade adquirida. Esse processo de selar
continuará até o dia da redenção. Não tome isso
meramente como doutrina, mas aplique à sua
situação. Você está sob o selar do Espírito hoje? Ele
ainda prossegue em você? Precisamos ter a certeza de
que o selar do Espírito se espalha hoje em nosso ser.
Quando todo o nosso ser tiver sido selado, estaremos
prontos para a redenção do corpo.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM TREZE
O PENHOR DA NOSSA HERANÇA
Em Efésios 1:13-14 são mencionados juntamente
o selo e o penhor do Espírito Santo. É difícil dizer
qual vem primeiro, o selo ou o penhor. De acordo
com 2 Coríntios 1:21 e 22, o ato de selar parece vir
primeiro. Segunda Coríntios 1:22 diz que Deus
“também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em
nosso coração”. Contudo, tanto o ato de selar como o
penhorar ocorrem, na verdade, ao mesmo tempo.

I. OUTRO ASPECTO DO QUARTO ITEM DA


BÊNÇÃO DE DEUS
O penhorar da nossa herança é outro aspecto do
quarto item da bênção de Deus. O selar do Espírito é
o primeiro aspecto desse item.

II. NOSSA HERANÇA


Precisamos tanto do selar como do penhorar,
porque na obra de Deus em nós estão envolvidos dois
tipos de herança. Efésios 1:11 indica que fomos feitos
herança de Deus, enquanto o versículo 14 mostra que
Deus é nossa herança. Nossa herança é o próprio
Deus. Na economia divina somos Sua herança, e Ele é
nossa herança. É uma herança mútua. Para que
sejamos a herança de Deus, precisamos do selar.
Somos Sua possessão, é, como nosso proprietário, Ele
colocou um selo em nós. Visto que Ele é nossa
herança, também precisamos do penhor do Espírito
Santo como garantia. Herdaremos tudo o que Deus é,
isto é, Sua pessoa, bem como tudo o que Ele tem, isto
é, Sua obra. O Espírito Santo é o penhor, a garantia,
para tal herança.

III. O ESPÍRITO SANTO É O PENHOR DA


NOSSA HERANÇA
O Espírito Santo é o penhor da nossa herança. A
palavra grega para “penhor” no versículo 14 também
significa antegozo, garantia, sinal de pagamento que
garante o pagamento total, adiantamento do
pagamento. Como somos herança de Deus, o Espírito
Santo é um selo sobre nós. Como Deus é nossa
herança, o Espírito Santo é para nós um penhor dessa
herança. Deus nos dá Seu Espírito Santo, não
somente como garantia da herança, assegurando-a,
mas também como ante gozo do que herdaremos de
Deus.
Nos tempos antigos, a palavra grega para penhor
era usada na compra de terras. O vendedor dava ao
comprador uma amostra do solo da terra a ser
adquirida. Portanto, um penhor, de acordo com o uso
do grego antigo, era também uma amostra. O Espírito
Santo é a amostra do que iremos herdar de Deus em
plenitude.
A palavra grega para “penhor” é semelhante à
primeira parcela de um pagamento, que indica boa-fé
e é garantia das próximas parcelas. Penhor, sinal e
garantia, todas essas palavras têm mais ou menos o
mesmo significado: referem-se a um pagamento que
garante a quitação. Mas a palavra grega, além disso,
significa amostra, antegozo. Alguns tradutores
preferem a palavra “antegozo”. Desfrutando a
amostra temos o antegozo do que virá. Suponha que
alguém me dê dez pêssegos de seu pomar. Esses
pêssegos são a amostra e antegozo do produto de todo
o pomar. Como aqueles que herdarão a Deus, temos o
Espírito Santo como penhor, garantia, sinal e entrada
de nossa herança. Ao mesmo tempo, Ele é também a
amostra e antegozo. Esse antegozo nos dá um
desfrute inicial de Deus; o desfrute pleno ainda está
por vir.
Em 2 Coríntios 1 temos a unção, o selo e o
penhor.
Segunda Coríntios 1:21 diz: “Mas aquele que nos
confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus”. A
unção introduz o elemento de Deus em nós. O
ungüento divino pode ser comparado à tinta. Quando
você pinta um móvel, aplica nele o elemento da tinta.
De modo semelhante, a unção aplica o ungüento
divino a nós, e isso introduz o elemento divino em
nós. Quanto mais da unção temos interiormente,
mais do elemento de Deus recebemos. Precisamos ser
revestidos com o ungüento divino várias vezes.
Muitos irmãos mais velhos já receberam centenas de
revestimentos, enquanto os mais jovens receberam
apenas alguns. Primeira João 2 diz que a unção
habita em nós e nos ensina. Somos ensinados sendo
ungidos. O Espírito Santo, como ungüento composto
em nós, nos ensina, não por meio de palavras, mas
pintando-nos. Quer obedeçamos ao Seu ensinamento
quer não, Ele ainda nos unge, aplicando camada
sobre camada a nós. Desse modo, a unção nos traz a
própria essência de Deus.
Louvo ao Senhor por haver uma maior
dispensação do próprio Deus hoje do que havia no
primeiro século. Se estudar os escritos dos primeiros
pais da igreja, descobrirá que o que escreveram não
pode ser comparado ao que o Senhor tem nos
mostrado em Sua Palavra. Qual dos pais da igreja
disse alguma vez que Deus Se dispensa ao nosso ser?
Até mesmo algumas coisas proferidas pelos jovens
hoje são superiores ao que foi escrito por eles. Dia
após dia somos ungidos, e a essência divina é
adicionada a nós.
Após a unção, 2 Coríntios 1 menciona o selar. O
selar do Espírito Santo traz a imagem, a aparência e a
expressão, pois o selo traz o sinal, a forma. Deus não
somente nos unge com Sua essência; também nos
sela com Sua aparência, imagem e expressão.
Juntamente com o ungir e o selar, há o penhorar, que
é uma questão de desfrute e gozo. As mães percebem
que, ao alimentar os filhos, precisam tornar a comida
saborosa. Quando o alimento é apetitoso, as crianças
ficam ansiosas para ir à mesa na hora das refeições.
Mas, se a comida não tiver sabor agradável, será
difícil fazê-las comer. O Espírito Santo está em nós
hoje como antegozo. Se Ele fosse somente a unção e o
selo, talvez nos cansássemos da Sua experiência. Mas
não estamos cansados nem enjoados Dele, porque Ele
é também o penhor em nós.
No passado foi-me ensinado que o penhor do
Espírito Santo era uma questão objetiva, uma vez por
todas. Mas, mais tarde, aprendi que o Espírito não é
somente o penhor, mas também a aplicação do
penhor, o penhorar. Essa aplicação é contínua.
Aprendi isso não pelo estudo, e, sim, pela experiência.
Em minha experiência vim a perceber que o penhorar
ocorria continuamente no meu interior.
O penhorar do Espírito é concedido para nosso
desfrute.
Sempre que estou desapontado ou deprimido, tal
penhorar vem para me levantar. Experimento isso
diariamente, até mesmo a cada hora. O penhorar
também significa que algo é dado a nós como
garantia. Por, meio de tal penhorar, somos
encorajados e estimulados. Sempre que sentimos que
a situação é desesperadora, o penhorar nos enche de
esperança.
No dia em que fomos salvos, Deus começou a
dar-Se como penhor a nós, e esse processo continua
cada dia. É muito difícil para um cristão que esteja no
espírito não crer que Deus está com ele. Nós, fácil e
espontaneamente, cremos nisso porque diariamente
recebemos o penhorar do Espírito. Deus todo o
tempo concede-Se como penhor. Quando estou fraco,
Ele Se dá como penhor a mim e se toma meu
encorajamento. Quando minhas expectativas são
poucas, Ele Se dá como penhor, e tenho esperanças
novamente. Quando parece que minha fé se esvaiu,
Ele Se dispensa como penhor a mim, e
imediatamente minha fé revi ve. Quando parece que
não tenho mais amor pelos irmãos, o Espírito me é
dado como penhor, e mais amor pelos santos flui em
mim. Creio que todos já tivemos experiências como
essa, embora possamos não tê-las reconhecido ou
entendido.
Nos treinamentos especiais de dez dias, falo três
vezes por dia. Alguns podem indagar como, na minha
idade, tenho energia para falar tanto. Muitas vezes
fico exausto e cansado de falar. Mas sempre que
tenho tal sentimento de cansaço, o próprio Deus
imediatamente vem como penhor a mim. Por causa
do penhor do Espírito, estou pronto para falar
novamente na reunião seguinte. Quando me levanto e
começo a falar, estou cheio de energia devido ao
penhorar do Espírito Santo. De fato, quanto mais
falo, mais desfrute tenho. Quando volto para casa
após liberar uma mensagem, estou sobremaneira
contente, muito mais contente do que antes da
reunião. A razão disso é que, enquanto falo, recebo
uma grande porção do Espírito como penhor.
O penhorar nos dá mais de Deus. Quanto mais
Dele recebemos, mais segurança temos, e mais
apetite temos por Ele. Quando alguns ouvem sobre
receber mais de Deus, podem perguntar-se o que
significa isso, e talvez até considerem isso herético.
Doutrinariamente falando, Deus é Deus, e não pode
haver mais de Deus. Mas, na experiência, podemos
receber mais de Deus. Por meio do penhorar do
Espírito Santo, todos recebemos mais de Deus.
Sabemos que Ele é nosso devido ao penhorar em nós.
Uma pequena amostra, exatamente como a caixa com
terra entregue na compra de terrenos nos tempos
antigos, está em nós como penhor. Tal porção em
nosso interior aumenta.
Muitos irmãos de mais idade podem testificar
que, através dos anos, o seu apetite por Deus tem
aumentado. Quando iniciei o ministério neste país8
em 1962, estava faminto por Deus. Mas agora,
dezesseis anos mais tarde, minha fome por Ele se
intensificou. Estou tão faminto por Deus que desejo
engoli-Lo. Posso dizer a Ele: “Ó Senhor Jesus,
gostaria de Te engolir”. Alguns podem dizer que não é
somente herético, mas também grosseria falar de
engolir o Senhor Jesus. Contudo, realmente desejo
engoli-Lo. Quanto mais recebemos Dele, mais há para
receber, e maior Ele parece tornar-se. Esse aumento
de apetite vem do penhorar de Deus. Quanto mais
8
E.U.A. (N.T.)
provamos Dele, maior é nosso apetite por Ele; e
quanto mais apetite temos, mais O apreciamos. Esse
é um ciclo glorioso. Não pense que os santos de mais
idade estão cansados de alimentar-se de Deus. Não;
temos um apetite maior, e nos alimentamos ainda
mais Dele. Aleluia pelo penhorar do Espírito! Deus Se
dispensa como penhor a nós. Quanto mais Se
dispensa, mais desfrute temos. Esse desfrute
aumenta nosso apetite. Muitos têm pouco apetite por
Cristo quando chegam na vida da igreja. Mas, após
permanecer nela por certo tempo, o apetite aumenta.
Quanto mais desfrutamos o Senhor, maior é nosso
apetite por Ele.
O Espírito hoje não somente nos unge e sela, mas
também dispensa-Se como penhor a nós. Isso
significa que, pouco a pouco, Ele adiciona mais de
Deus a nós. Isso não ocorre uma vez por todas, mas
cada dia e cada hora. A dispensação do penhor nunca
pára; prossegue vinte e quatro horas por dia. Quando
comemos, o Espírito Se dispensa como penhor.
Quanto mais comemos, maior fica o nosso apetite.
Quanto maior nosso apetite, mais comemos. Por
meio desse ciclo participamos de Deus cada dia. Tal
ciclo continuará até chegarmos à eternidade. Nesse
tempo, Deus se tornará nosso pleno desfrute, e O
desfrutaremos plenamente.
Muitos cristãos nem mesmo sabem que a unção
está neles. Alguns que sabem algo sobre a unção não
conhecem o selar. E, embora conheçam o selar, quase
ninguém tem o conhecimento do penhorar do
Espírito. Provavelmente em toda a sua vida cristã
você nunca ouviu uma mensagem sobre tal penhorar.
De acordo com a minha experiência, o Espírito Santo
constantemente dispensa-Se como penhor a mim,
dando-me mais de Deus e mais de Cristo. Quanto
mais recebo de Cristo, mais aumenta meu apetite por
Ele. Alguns podem admitir que não têm muito apetite
por Cristo. A razão disso é que não se preocupam com
o penhorar do Espírito. Precisamos preocupar-nos
não somente com o ungir e o selar, mas também com
o penhorar. Precisamos dizer: “Ó Senhor Jesus, Tu és
tão doce. Amém, Senhor”. Se fizermos isso, o
sentimento do penhorar do Espírito aumentará em
nós. Como é real tal experiência!
Pelo fato de que muitos cristãos preocupam-se
com doutrinas, mas negligenciam a unção, o selar e o
penhorar, falta-lhes a experiência do Deus Triúno.
Têm o Deus Triúno doutrinariamente, mas não na
experiência. Contudo, a Bíblia revela que o Deus
Triúno não é para ser compreendido como mera
doutrina, e, sim, para ser experimentado por nós. Na
restauração do Senhor não nos ocupamos com
conceitos e pontos doutrinários. Preocupamo-nos
principalmente com a experiência real do Deus
Triúno. Logicamente, se nossa experiência for
saudável, corresponderá à revelação da Bíblia. Muitas
vezes recebo luz primeiramente da minha experiência
antes de recebê-la da Bíblia. Mas, quando confiro
minha experiência com a Bíblia, descubro que o que
experimentei não somente está de acordo com a
Bíblia, mas também é fortalecido e reforçado por ela.
Tudo deve ser pela experiência, e não apenas pela
doutrina. Muitos de nós podem testificar que
diariamente experimentam a unção, o selar e o
penhorar do Espírito. À medida que experimentamos
o Espírito desse modo, recebemos mais da essência
divina no nosso ser, ternos mais da expressão de
Deus e desfrutamos mais Dele. Oh! Deus é tão
saboroso e delicioso! Urna vez que O tenhamos
saboreado, não podemos esquecê-Lo. Pelo contrário,
desejamos saboreá-Lo ainda mais.
Efésios 1:14 diz que o Espírito Santo é o penhor
da nossa herança “para redenção da possessão de
Deus” (IBB-Rev.). Redenção aqui refere-se à
redenção do nosso corpo (Rm 8:23), isto é, a
transfiguração do nosso corpo de humilhação em um
corpo glorioso (Fp 3:21). O Espírito Santo hoje é urna
garantia, um antegozo e urna amostra de nossa
herança divina até que nosso corpo seja transfigurado
em glória, quando então herdaremos Deus em
plenitude. A extensão das bênçãos de Deus
derramadas sobre nós abrange todos os pontos
cruciais, desde a Sua escolha na eternidade passada
(v. 4), até a redenção do nosso corpo com vistas à
eternidade futura.
Nós, os redimidos de Deus, a igreja, somos a
possessão de Deus adquirida por meio de Sua compra
com o precioso sangue de Cristo (At 20:28). Na
economia de Deus, Ele se torna nossa herança, e nós,
Sua possessão. Corno isso é maravilhoso! Não damos
nada, e recebemos tudo! Deus nos adquiriu pelo mais
alto preço, mas nós O herdamos sem custo algum.
Isso é para o louvor da Sua glória.

IV. PARA LOUVOR DA SUA GLÓRIA


Pelo fato de o versículo 14 terminar com as
palavras “para louvor da sua glória” (VRC),
precisamos considerar essa questão mais urna vez.
Essa é a terceira vez que essa frase é mencionada,
dessa vez corno término dessa seção (vs. 3-14) a
respeito das bênçãos de Deus para nós. Os versículos
3 a 6 desvendam o que Deus Pai propôs para nós; isto
é, Ele nos escolheu e nos predestinou para a filiação
para louvor da glória da Sua graça. Os versículos 7 a
12 revelam corno Deus Filho realizou o que Deus Pai
propôs; isto é, Ele nos redimiu e fez de nós herança de
Deus para louvor da Sua glória. Os versículos 13 e 14
nos dizem corno Deus Espírito aplica a nós o que
Deus Filho realizou; isto é, Ele nos sela e é a garantia
e o antegozo da nossa herança eterna, divina, para
louvor da glória de Deus. A glória do Deus Triúno
merece o louvor tríplice nas bênçãos que Ele derrama
sobre nós.
A frase “para louvor da sua glória” é usada três
vezes porque a Trindade está envolvida na bênção de
Deus. Há um bendizer tríplice com respeito a nós,
bem corno um triplo louvor ao Deus Triúno. O Deus
Triúno, a Trindade divina, merece nosso triplo
louvor. Ele merece não somente nosso louvor, mas
também o louvor dos anjos e de toda a criação. Por
fim, todo o universo O louvará pelo Seu propósito,
por Sua realização e por Sua aplicação. Corno é
maravilhoso estar sob o bendizer de Deus!
Corno já mostramos, os versículos 3 a 14 são um
registro do bendizer de Deus a nosso respeito. O
resultado desse bendizer é que todas as coisas
positivas do universo louvarão a Deus por Suas
bênçãos derramadas sobre nós, porque nós, os filhos
de Deus, seremos Sua herança. Embora tenhamos
caído tanto, fornos feitos filhos de Deus, até mesmo
Sua herança e desfrute. Deus tornou-se nossa
herança, e nós O herdamos corno nosso desfrute. Por
fim, Ele está em nós, e nós Nele. Estamos Nele para
ser Sua herança e desfrute, e Ele está em nós para ser
nossa herança e desfrute. Aleluia pelo bendizer do
Deus Triúno a nosso respeito! Visto que ternos a
unção, o selar e o penhorar, estamos plenamente
satisfeitos. Tudo o que desejamos agora é mais de
Deus.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM CATORZE
ESPÍRITO DE SABEDORIA E DE REVELAÇÃO E OS
OLHOS DO NOSSO CORAÇÃO
Nesta mensagem consideraremos duas questões:
espírito de sabedoria e de revelação, e os olhos do
nosso coração (1:15-18).

A PRIMEIRA ORAÇÃO DO APÓSTOLO

A. Pelos Santos que Têm Fé no Senhor e Amor


para com Todos os Santos
Ao considerar tais questões, chegamos à primeira
oração do apóstolo Paulo em Efésios: “Por isso,
também eu, tendo ouvido a fé que há entre vós no
Senhor Jesus e o amor para com todos os santos” (v.
15). Paulo orou pelos santos porque tinham fé no
Senhor e amor para com os santos. Fé e amor são
cruciais na vida cristã. Para com o Senhor devemos
ter fé, e para com os santos devemos ter amor.

B. Deu Graças por Eles


O versículo 16 continua: “Não cesso de dar graças
por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações”.
O apóstolo sempre se lembra dos pontos positivos dos
santos e agradece ao Senhor por eles.

C. Orou ao Deus de Nosso Senhor Jesus


Cristo, o Pai da Glória
Em sua primeira oração Paulo orou ao “Deus de
nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória” (v. 17). No
versículo 3 ele falou do Deus e Pai de nosso Senhor
Jesus Cristo, colocando Deus e Pai juntos. Mas aqui
ele os menciona separadamente, dizendo: “O Deus de
nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória”. Na
encarnação, o Senhor Jesus Cristo, o próprio Deus
(Fp 2:6), tornou-se homem. Como tal, Ele se
relaciona à criação de Deus; portanto Deus, o
Criador, é seu Deus. A encarnação introduziu Deus, o
Criador, no homem, Sua criatura. O título “O Deus de
nosso Senhor Jesus Cristo” implica que Deus, o
Criador, entrou no homem. Sempre que falamos de
Deus dessa maneira, fica implícito que Ele já não é
apenas o Criador separado da Sua criatura, o homem,
e, sim, que foi introduzido na humanidade. Os judeus
não reconhecem que o Criador do universo entrou no
homem. Eles crêem em Deus Jeová somente como
Criador e recusam-se a admitir que Deus é o Deus do
Senhor Jesus Cristo.
Esse título implica a criação, encarnação e
redenção. Deus é o Criador; contudo, é o Deus de
Jesus Cristo, que é Deus encarnado. Jesus Cristo não
é somente Deus na criação, mas também na
encarnação e redenção. Ao nos referir a Deus como
Deus de nosso Senhor Jesus Cristo dizemos que
fomos criados, que o Deus criador entrou na
humanidade e que fomos redimidos. A encarnação
indica que temos o desfrute de Deus. Nós O
desfrutamos porque Ele entrou na humanidade. A
divindade torna-se nosso desfrute em Jesus Cristo.
Em 1:17 Paulo usa o termo “o Pai da glória”.
Glória é Deus expresso. Portanto, o Pai da glória é
Deus expresso por meio de Seus muitos filhos. O
título “Pai” implica regeneração, e a palavra “glória”
implica expressão. Portanto, o título “Pai da glória”
implica regeneração e expressão. Fomos regenerados
por Deus, e somos Sua expressão.
Neste único título: “O Deus de nosso Senhor
Jesus Cristo, o Pai da glória”, cinco importantes itens
estão implícitos: criação, encarnação, redenção,
regeneração e expressão. Já fomos regenerados, mas
no futuro seremos glorificados e expressaremos a
glória de Deus (Rm 8:30). A regeneração de muitos
filhos e a expressão de Deus são a consumação da
economia divina. Antes da criação não havia nada a
não ser Deus. Ele não tinha geração nem expressão.
Então, Ele criou o universo e tudo o que há. Por meio
de Sua obra de criação, tornou-se o Criador. Após a
criação, encarnou-se, entrando assim na Sua criatura,
o homem. Por meio da encarnação, o Criador e a
criatura tornaram-se um. Quando o Senhor Jesus
estava na terra, Ele era a união de Deus e o homem.
Mediante a crucificação, Ele realizou a redenção.
Como resultado, nós, criaturas caídas, fomos
redimidos. Fomos, então, regenerados para nos
tornar filhos de Deus Pai, a fim de expressá-Lo. No
dia em que formos glorificados, Deus será
plenamente expresso a partir do nosso interior. Dessa
maneira, nós nos tornaremos Sua expressão. Todos
esses importantes passos (criação, encarnação,
redenção, regeneração e expressão) estão implícitos
no título “o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai
da glória”.
Paulo orou a tal Pessoa divina. Os judeus,
contudo, oram somente a Deus Criador, sem nenhum
conceito de encarnação, regeneração ou expressão.
Mas nós, cristãos, temos Deus na criação,
encarnação, redenção, regeneração e expressão.
Temos muito mais do que os judeus!
D. Pediu. Revelação
Na oração ao Deus de nosso Senhor Jesus Cristo,
o Pai da glória, Paulo pediu revelação. A palavra grega
traduzi da como “revelação” no versículo 17 significa a
remoção do véu. Portanto, revelação é a retirada do
véu.

II. ESPÍRITO DE SABEDORIA E DE


REVELAÇÃO

A. Nosso Espírito Regenerado Habitado pelo


Espírito de Deus
Para ter revelação, precisamos de um espírito de
sabedoria e de revelação. O espírito no versículo 17
deve ser nosso espírito regenerado habitado pelo
Espírito de Deus. Tal espírito é dado a nós por Deus
para que tenhamos sabedoria e revelação para
conhecer a Ele e a Sua economia. Na verdade, o
espírito nesse versículo é o espírito mesclado, o
espírito humano regenerado habitado pelo Espírito
Santo. Contudo, a ênfase está no nosso espírito
regenerado, e não no Espírito Santo.

B. Sabedoria É a Habilidade de Entender em


Nosso Espírito para Conhecer o Mistério de
Deus
Paulo orou para que tivéssemos espírito de
sabedoria e de revelação. A sabedoria está no nosso
espírito para que conheçamos o mistério de Deus, e a
revelação é do Espírito de Deus para mostrar-nos a
visão, retirando o véu. Primeiramente temos
sabedoria, a habilidade de entender as coisas
espirituais; depois o Espírito de Deus revela as coisas
espirituais ao nosso entendimento espiritual.
Sabedoria é diferente de esperteza, e mais
profunda do que ela. É possível ser muito esperto, e
ainda assim não ser sábio. A esperteza está na mente,
enquanto a sabedoria está principalmente no espírito.
Nossa necessidade é ser sábios no espírito, e não
espertos na mente. O problema com certos santos é
que são bastante espertos na mente, mas falta-lhes
sabedoria no espírito. Havia um irmão assim em
Shangai em 1933. Era um bom homem de negócios,
muito esperto para ganhar dinheiro. Em sua loja ele
vendia chapéus femininos, especialmente para
senhoras inglesas. Um dia, uma mulher muito rica
não estava interessada em certo chapéu porque achou
que o preço era baixo demais. Ele, então, foi ao fundo
da loja, trocou a fita do chapéu, e duplicou o preço.
Por aquele valor a mulher ficou feliz em comprá-lo.
Por meio disso vemos que comerciante esperto ele
era. Embora fosse esperto nos negócios, faltava-lhe
sabedoria, e não podia entender quando falávamos
sobre as Escrituras. Sua mente era muito ativa, mas
seu espírito não era aguçado. Contudo, tinha um
coração pelo Senhor, vinha às reuniões da igreja, e
confiava em nós em todas as coisas com respeito ao
Senhor. Ele era um excelente exemplo da diferença
entre esperteza e sabedoria.
Vejamos também um exemplo de alguém que
tinha sabedoria, mas pouca esperteza. Em 1938,
visitei a região rural no norte da China, onde a
maioria das pessoas tinha pouca escolaridade. Entre
eles havia certa irmã idosa. Embora tivesse pouco
estudo, era bastante sábia em relação às coisas do
Senhor. Sempre que você falava com ela sobre o
Senhor, ela era sábia no espírito. Ao falar sobre
negócios ela não tinha nenhum entendimento, mas
ao falar sobre o Senhor ela sabia muito mais do que
muitos santos, porque tinha sabedoria no espírito.

C. Revelação É a Retirada do Véu pelo


Espírito de Deus para nos Mostrar a Visão do
Mistério de Deus
Após a sabedoria vem a revelação. Como já
dissemos, revelação significa desvendar, retirar o véu.
A revelação vem do Espírito de Deus para nos
mostrar a visão do mistério de Deus (3:3-5). Suponha
que você estude engenharia. Em seus anos de estudo
você adquire conhecimento sobre várias máquinas.
Esse conhecimento pode ser comparado à sabedoria.
Um dia você visita uma fábrica. Assim que as portas
se abrem, você vê todas as máquinas. A abertura das
portas pode ser comparada à revelação. Por causa da
sabedoria, o conhecimento dessas máquinas, você
espontaneamente as compreende. Contudo, alguém
que não tivesse esse conhecimento de engenharia não
entenderia coisa alguma dessas máquinas, embora
também pudesse vê-las. Ele teria a revelação, mas
faltaria a sabedoria. Alguns podem ter a sabedoria
sem a abertura da porta; outros podem ter a abertura
da porta sem a sabedoria. Somente quando temos a
sabedoria e a revelação é que realmente
compreendemos essas máquinas. O mesmo ocorre
com respeito às coisas espirituais. Precisamos tanto
da sabedoria como da retirada do véu. Quando temos
ambos, podemos compreender as coisas espirituais.

D. No Pleno Conhecimento Dele


Quando temos sabedoria e revelação, temos o
pleno conhecimento de Deus. Conhecemos a Deus
plenamente.

III. O FATO: O MISTÉRIO DA VONTADE DE


DEUS
Além de ter espírito de sabedoria e de revelação,
devemos também lidar com os olhos do nosso
coração. A primeira coisa a considerar aqui é o fato,
que é o mistério da vontade de Deus (1:9). Na
ilustração usada acima, a fábrica representa o fato. De
modo semelhante, o mistério da vontade de Deus é o
fato que precisamos ver.

IV. A REVELAÇÃO: A RETIRADA DO VÉU


Embora o fato possa existir, deve haver ainda a
revelação, a retirada do véu. A existência da fábrica é
um fato, mas as portas devem ser abertas a nós. Isso é
a retirada do véu.

V. OS OLHOS DO NOSSO CORAÇÃO: A


FACULDADE ESPIRITUAL DE VER
Embora possamos ter o fato e a abertura do véu,
ainda precisamos de olhos com os quais possamos
ver. Podemos ter o mistério da vontade de Deus e a
revelação, mas ainda precisamos de olhos, a
faculdade espiritual de ver (At 26:18; Ap 3:18). Os
olhos dos quais falamos são, é claro, os olhos
espirituais, do coração. Em Apocalipse 3:18 o Senhor
Jesus disse: “Aconselho-te que de mim compres (...)
colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas”.
Precisamos de colírio para restaurar a vista aos
nossos olhos. Hoje não há nenhum problema com o
fato, pois a Bíblia está repleta deles. Além disso, não
há nenhum problema com a revelação, a retirada do
véu. Deus é cheio de graça para conosco, e Sua
palavra está continuamente aberta a nós. O principal
problema está nos nossos olhos.

A. Espírito Aberto com Consciência


Purificada
A fim de ter olhos para ver, precisamos ter
espírito aberto com consciência purificada (Mt 5:3;
Hb 9:14; 10:22). Não feche seu espírito; mantenha-o
aberto. Além disso, nossa consciência deve ser
purificada não somente pela aspersão do sangue
redentor de Cristo, mas também confessando os
pecados, ofensas, e erros e lidando com eles.
Devemos ter clareza na nossa consciência, a principal
parte do espírito. Se a consciência estiver opaca, o
espírito não será capaz de ver.

B. Coração Puro
Também precisamos de coração puro. A Palavra
diz: “Bem-aventurados os puros de coração, porque
verão a Deus” (Mt 5:8). Muitos não podem ver a Deus
nem receber a revelação das coisas espirituais,
porque o coração deles não é puro. Se quisermos ter
coração puro, devemos lidar com ele por inteiro, isto
é, com todas as partes que o compõem.

1. Mente Sóbria
Para ter coração puro, precisamos de mente
sóbria (2Tm 1:7). Alguns santos são confusos na
mente, incapazes de classificar as coisas. Para eles, as
letras “b” e “d” são quase a mesma coisa. Quando
lêem a Bíblia, Gálatas e Colossenses parecem-lhes
iguais. Não têm mente sóbria.

2. Emoção Amorosa
Embora a mente deva ser fria, quanto mais fria,
melhor, a emoção deve ser ardente. A fim de ter olhos
que vêem, precisamos de emoção amorosa (Jo 14:21).
Se a mente for ardente, não será sóbria. O problema é
que somos ardentes na mente e emoção, ou frios em
ambos. É fácil para as irmãs serem ardentes e para os
irmãos serem frios. Mas todos precisamos ser frios na
mente e ardentes na emoção.

3. Vontade Submissa
Por fim, coração puro requer vontade submissa
(Jo 7:17). Para ser submissa, a vontade deve ser
suave. Aprendi pela experiência que, se tivermos
coração puro com mente sóbria, emoção amorosa,
vontade submissa e espírito aberto com consciência
pura, nossos olhos serão capazes de ver. O espírito
deve estar aberto e a consciência livre de ofensas.
Além disso, o coração deve ter mente fria e sóbria,
emoção ardente e amorosa, bem como vontade
mansa e submissa. Quando tivermos tal espírito e
coração, os olhos do coração serão capazes de ver.
Sempre que aplicamos colírio aos olhos, ele nos abre
o espírito, purifica a consciência, esfria a mente
ardente, inflama a emoção fria e subjuga a vontade
obstinada. Quando tudo isso ocorre, nossos olhos são
curados. Ser curado é lidar com esses cinco aspectos
do nosso ser. Sem espírito aberto, consciência
purificada, mente sóbria, emoção amorosa e vontade
submissa, não veremos coisa alguma, embora
possamos comparecer a muitas conferências e
treinamentos. Poderemos aprender doutrinas, mas
não veremos nada na forma de visão.

VI. A LUZ: A ILUMINAÇÃO VINDA DE DEUS


Podemos ter o fato, a revelação e a capacidade de
ver, contudo ser incapazes de enxergar, porque não
temos luz. Portanto, também precisamos ser
iluminados por Deus (1Jo 1:5, 7). Antes que a luz
venha juntamente com o fato, a revelação e a
capacidade de ver, não teremos a visão.

VII. A VISÃO: O ATO DE ENXERGAR


A visão é a soma de quatro coisas: o fato, a
revelação, a capacidade de ver e a luz. Muitos cristãos
lêem Efésios várias vezes sem enxergar coisa alguma.
Para eles, esse é um livro fechado. Não têm a visão
interior para enxergar algo por trás das letras
impressas desse livro. Alguns podem ser capazes de
ver, mas não têm a luz. Pela experiência, podemos
testificar que Efésios é repleto de fatos espirituais. Ele
revela o mistério da vontade de Deus. Se, ao lê-lo,
nossa condição for normal e adequada, os véus serão
retirados, a luz virá e teremos uma visão da vontade
de Deus. Se a luz divina não vier, precisamos orar
mais, pedindo ao Senhor que nos conceda luz. Por
fim, a luz brilhará e teremos uma visão do que está
contido nesse livro. Como já dissemos, não há
nenhum problema com o fato ou a remoção do véu.
Além disso, Deus é cheio de graça para nos conceder
luz. O que necessitamos hoje são olhos para ver.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM QUINZE
A ESPERANÇA DO CHAMAMENTO DE DEUS E AS
RIQUEZAS DA GLÓRIA DA HERANÇA DE DEUS NOS
SANTOS
Efésios 1:18 diz: “Iluminados os olhos do vosso
coração, para saberdes qual é a esperança do seu
chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança
nos santos”. De acordo com esse versículo,
precisamos conhecer duas coisas: a esperança do
chamamento de Deus e as riquezas da glória da Sua
herança nos santos. A primeira oração do apóstolo
Paulo no livro de Efésios é para que tenhamos
espírito de sabedoria e de revelação para que
conheçamos certas coisas, das quais a primeira é a
esperança do chamamento de Deus.

I. NÃO MAIS ESTRANHOS SEM ESPERANÇA


Antes de ser salvos, não tínhamos nenhuma
esperança. Como 2:12 diz, estávamos “sem Cristo,
separados da comunidade de Israel e estranhos às
alianças da promessa, não tendo esperança e sem
Deus no mundo”. Mas, após ser salvos, não somos
mais estranhos sem esperança; pelo contrário,
estamos cheios de esperança. Contudo, uma vez que
muitos crentes não sabem quão grande esperança
lhes pertence, Paulo orou para que tivéssemos
espírito de sabedoria e de revelação a fim de conhecer
a esperança do chamamento de Deus.

II. O POVO CHAMADO POR DEUS É CHEIO


DE ESPERANÇA
A. O Próprio Cristo
Como povo chamado por Deus, somos cheios de
esperança. Em primeiro lugar, nossa esperança é o
próprio Cristo. Colossenses 1:27 diz que Cristo em
nós é a esperança da glória. Além disso, 1 Timóteo 1:1
diz que Jesus Cristo é nossa esperança. Cristo é não
somente nossa vida e santidade; é também nossa
esperança. Nossa esperança é única e exclusivamente
Cristo. Cada aspecto de nossa esperança está
relacionado com Ele.

B. O Arrebatamento, a Transfiguração do
Nosso Corpo e a Glorificação
O segundo aspecto da nossa esperança é a
transferência, pelo arrebatamento, do reino terreno e
físico para a esfera espiritual celestial e a glorificação
(Rm 8:23-25, 30; Fp 3:21). A palavra
“arrebatamento” significa êxtase, estar fora de si de
alegria. Para nós, cristãos, arrebatamento significa
ser tomados. Os mestres da Bíblia usam essa palavra
para descrever o arrebatamento porque, de acordo
com eles, ser arrebatado é um tipo de êxtase.
Contudo, duvido que muitos cristãos creiam
realmente que seu arrebatamento será um êxtase.
Você ficaria feliz se o Senhor viesse hoje? Você estaria
em êxtase ou choraria? A maioria dos cristãos
choraria ou ficaria amedrontada. Embora o
arrebatamento seja um aspecto da esperança do
chamamento de Deus, tal esperança depende de
vivermos ou não pelo Senhor. Se vivermos por Ele e
andarmos com Ele, nosso arrebatamento será um
êxtase. Mas, se não vivermos por Ele nem andarmos
com Ele, duvido que será um êxtase.
Muitos cristãos consideram o arrebatamento de
maneira negligente. Alguns guardam o conceito de
que, não importa o que estiverem fazendo ou onde
estiverem, serão arrebatados quando o Senhor voltar.
E se você estiver em um teatro ou discutindo com o
cônjuge? O arrebatamento em tais circunstâncias
será um êxtase? Certamente não! Não gostaria de
estar brigando quando o Senhor Jesus voltar. Em 2
Timóteo 4:1 Paulo disse a Timóteo: “Conjuro-te,
perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e
mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino”. Isso
indica que Timóteo deveria viver à luz da aparição do
Senhor e do reino. Qualquer coisa que o reino rejeite
no futuro deve ser rejeitado em nosso viver hoje. Não
creio que muitos, mesmo entre nós, vivam na
aparição do Senhor. Se vivêssemos em Sua aparição,
certamente evitaríamos brigar; não gostaríamos de
ser encontrados discutindo quando o Senhor
aparecesse. Poucos cristãos consideram a vinda do
Senhor uma advertência. Se ler o Novo Testamento,
especialmente as epístolas, você verá que os apóstolos
viviam com a aparição do Senhor em vista. A aparição
do Senhor era constantemente uma advertência para
eles e regulava o seu viver. Não ousavam fazer certas
coisas porque acreditavam que o Senhor poderia
aparecer a qualquer momento. Se tomarmos
seriamente as questões da aparição do Senhor e do
reino, elas irão afetar imensamente nosso viver
diário.
Muitos cristãos, contudo, falam muito sobre o
arrebatamento e a vinda do Senhor; mas, após falar,
entregam-se a divertimentos mundanos. Que
situação lamentável! Alguns cristãos são conhecidos
por usar a mesma mesa para jogar cartas e reunir-se
para estudar a Bíblia. Outros têm uma discussão
sobre a vinda do Senhor, e então vão a eventos
esportivos, ao cinema ou dançar. Você já viu que a
aparição de Cristo deve ser um fator básico em nosso
viver diário? Devemos viver hoje à luz da aparição do
Senhor. Se o fizermos, nosso arrebatamento será um
êxtase.
Após ser tornados, estaremos diante do tribunal
de Cristo e acertaremos contas com Ele. Nesse
momento teremos de lidar com todas as nossas
deficiências, infidelidades, falhas e desonestidades.
Muitos cristãos têm acumulado muitas coisas assim
através da vida cristã. Quando o Senhor vier e eles
aparecerem diante do tribunal, certamente não
estarão cheios de alegria. Pelo contrário, estarão
aterrorizados. Todos precisamos reconsiderar nosso
viver. Muitos formulam desculpas para si mesmos,
especialmente para suas fraquezas. Alguns dizem: “O
Senhor sabe quão fraco somos, e será misericordioso
conosco. Não importa se falhamos ou cometemos
erros, o Senhor é misericordioso”. Outros
desculpam-se dizendo que não querem ser tão
espirituais ou religiosos. Quando o Senhor vier,
contudo, não haverá desculpas. Se a Sua vinda será
um êxtase ou não depende do nosso viver diário. Se
tivermos urna vida de falhas, derrotas,
desonestidades, infidelidades e rebeliões, a vinda do
Senhor não será um êxtase, e, sim, um juízo.
Precisamos prestar atenção à palavra do Senhor para
vigiar e orar (Lc 21:36). Se formos vigilantes,
buscando ao Senhor em oração, Sua vinda será nosso
êxtase. Essa é nossa esperança.
Quanta esperança ternos nos dias por vir
depende de sermos edificados hoje. Se não formos
edificados no Senhor, teremos pouquíssima
esperança. Cristo está em nós corno esperança da
glória, mas até mesmo essa esperança depende do
quanto somos edificados. Quando voltar, Cristo será
seu Juiz ou Noivo? Ele poderá ser Noivo para outros,
mas Juiz para você. Se assim for, no que diz respeito a
você, Ele não será a sua esperança da glória. Se Ele é
ou não a sua esperança a esse respeito, depende do
tipo de vida cristã que você vive hoje. Isso é sério, e
deve levar-nos a reconsiderar nossos caminhos. Se
nosso viver é normal, Cristo é nossa esperança e o
arrebatamento será um êxtase.
Na época do arrebatamento nosso corpo será
transfigurado e seremos glorificados. Contudo, digo
essas coisas cuidadosamente, devido à deplorável
situação entre os cristãos de hoje. Pela graça do
Senhor, nós, na Sua restauração, devemos atingir o
Seu padrão e vi ver a vida que Ele requer. Precisamos
ser Suas testemunhas vivas levando Seu testemunho
fora do arraial. Se agirmos assim, o Cristo que voltará
e nosso arrebatamento serão nossa esperança. Além
disso, a transfiguração do nosso corpo e nossa
glorificação também serão urna esperança para nós.

C. A Salvação Vindoura da Nossa Alma


Incluída na esperança do chamamento de Deus
está a esperança da salvação vindoura da nossa alma
(1Pe 1:5, 9). Se perdemos a alma hoje por causa do
Senhor, sofrendo nela pelo Seu testemunho, ternos a
esperança de que ela seja salva na vinda do Senhor.
Hoje nossa alma sofre, mas, quando voltar, o Senhor
a introduzirá no Seu desfrute. Essa é a salvação da
alma mencionada em 1 Pedro. Contudo, se a
salvarmos hoje, cuidando do seu desfrute em vez do
testemunho do Senhor, a volta Dele será urna perda e
um juízo para nossa alma. Se, porém, estivermos
sempre dispostos a perder a alma para o testemunho
do Senhor, então a volta Dele trará salvação para ela,
salvação essa que a introduzirá no Seu desfrute. Essa
esperança é determinada pelo modo corno vivemos
hoje.

D. O Desfrute do Reino com Cristo no Milênio


Outro aspecto da nossa esperança é o desfrute do
reino com Cristo no milênio (Ap 5:10; 2Tm 4:18; Mt
25:21, 23). Isso também se relaciona a corno vivemos
hoje. No Evangelho de Mateus os servos desleixados
são lançados nas trevas exteriores, enquanto os fiéis
são introduzidos no desfrute do Senhor. Assim,
haverá punição para alguns e recompensa positiva
para outros. Todos somos cristãos, mas não seremos
tratados do mesmo modo na vinda do Senhor. A
maneira com a qual o Senhor lidará conosco depende
de corno vivemos hoje. Se formos fiéis, seremos
recompensados com o desfrute do Senhor por mil
anos. Mas, se formos desleixados, seremos punidos.
Se o milênio será ou não urna esperança para nós é
determinado por nossa atitude hoje. Precisamos ser
cristãos normais que são fiéis ao Senhor. Então o
milênio será nossa esperança.

E. O Desfrute Consumado com Cristo na Nova


Jerusalém com as Bênçãos Universais e
Eternas no Novo Céu e Nova Terra
Finalmente, a esperança do chamamento de
Deus inclui o desfrute consumado de Cristo na Nova
Jerusalém com as bênçãos universais e eternas no
novo céu e nova terra (Ap 21:1-7; 22:1-5). Aleluia por
essa esperança! Todos estaremos na Nova Jerusalém.
Mas, para estar lá, precisamos amadurecer. Se não
amadurecermos nesta era, teremos de amadurecer na
próxima. Todos os que desfrutarão a Nova Jerusalém
no novo céu e nova terra serão maduros. Não me
pergunte corno o Senhor irá amadurecer todos nós.
Ele sabe corno fazer isso e tem urna maneira de
realizá-lo, quer seja nesta era quer na próxima. Sei
que a teologia popular entre os cristãos hoje não
reconhece esse fato. A maioria dos cristãos diz que,
desde que tenhamos sido redimidos pelo sangue de
Cristo, todas as coisas relacionadas conosco estarão
corretas na próxima era. Mas virá o dia em que
muitos perceberão que nem tudo está correto. Sim,
somos salvos pela eternidade, mas Deus ainda precisa
lidar conosco a fim de que amadureçamos. Portanto,
digo mais urna vez que precisamos reconsiderar
nossos caminhos. Contudo, para todos nós a Nova
Jerusalém é nossa esperança. Segunda Pedro 3:13
diz: “Nós, porém, segundo a sua promessa,
esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita a
justiça”.
Sem conhecer a esperança do chamamento de
Deus, não estaremos dispostos a abandonar as coisas
que nos distraem. Mas, se virmos que Cristo virá, que
seremos tornados, transfigurados e glorificados, e
poderemos compartilhar o desfrute do Senhor no
milênio, espontaneamente abandonaremos as demais
coisas. De outro modo, não enxergando o que está por
vir, seremos enganados pelas coisas presentes.
Precisamos ser resgatados mediante a visão de cada
aspecto de nossa esperança. Por essa razão, o
apóstolo Paulo orou para que nós aqui
conhecêssemos a esperança do chamamento de Deus.
Seu chamamento não inclui somente a eleição,
predestinação, redenção, o selar e o penhorar, mas
também um futuro esplêndido. Seu chamamento não
se relaciona somente com o passado, mas também
com o futuro. Que futuro maravilhoso ternos!

III. O CHAMAMENTO DE DEUS É A SOMA


DE TODAS AS SUAS BÊNÇÃOS
O chamamento de Deus é a sorna de todas as
bênçãos mencionadas nos versículos 3 a 14: a eleição
e predestinação de Deus Pai; a redenção de Deus
Filho; e o selar e o penhorar de Deus Espírito.
Quando fornos chamados, participamos da eleição e
predestinação do Pai, da redenção do Filho, bem
corno do selar e da aplicação do penhor do Espírito.
Você já considerou que em nosso chamamento
recebemos todas as bênçãos do Deus Triúno? Poucos
cristãos percebem isso. Contudo, essas bênçãos são o
conteúdo do chamamento de Deus. Portanto, o
chamamento de Deus significa muito. Seu
chamamento é Sua eleição, predestinação, redenção,
selar e penhorar, Isso significa que Deus Pai, Deus
Filho e Deus Espírito estão envolvidos no
chamamento de Deus. O Deus Triúno é nossa porção
em Seu chamamento.
Temos enfatizado que o chamamento de Deus
inclui a eleição. O Pai também nos predestinou; Ele
preparou de antemão um destino para nós. Esse
destino é a filiação. Que destino maravilhoso! Uma
vez eleitos e predestinados pelo Pai, fomos redimidos
pelo Filho. Então o Espírito veio para nos selar e para
dispensar o próprio Deus como penhor a nós.
Possuindo tudo isso, que mais podemos desejar?
Estou plenamente satisfeito e contente com o que o
Deus Triúno é para mim.

IV. A GLÓRIA DE DEUS É DEUS


MANIFESTADO
Agora chegamos às riquezas da glória da herança
de Deus nos santos. Já enfatizamos diversas vezes
que a glória de Deus é o próprio Deus manifestado.
Quando Deus Se expressa, isso é glória.

V. AS RIQUEZAS DA GLÓRIA DE DEUS SÃO


OS MUITOS ITENS DOS ATRIBUTOS
DIVINOS MANIFESTADOS EM VÁRIOS
GRAUS
As riquezas da glória de Deus são os muitos itens
de Seus atributos, tais como luz, vida, poder, amor,
justiça e santidade, expressos em vários graus. Como
a glória é a expressão de Deus, as riquezas da glória
são as riquezas da expressão de Deus. Alguns
exemplos dos atributos divinos são o amor, a
humildade, a paciência e a santidade divinas. Uso
especificamente a palavra “divinas” porque fomos
feitos de tal maneira que temos a forma das coisas
divinas. Por exemplo, temos a humildade humana.
Ela, contudo, não é a humildade verdadeira; é
simplesmente a forma da verdadeira humildade, que
é a humildade divina. O mesmo ocorre com relação
ao amor humano. Ele também é uma forma do amor
autêntico, o divino. Portanto, o amor divino é a
realidade do amor humano. Todo ser humano tem
amor. Mas esse amor não é duradouro. Você pode
amar seus pais, mas seu amor por eles pode durar
somente alguns dias. De modo semelhante, um
marido pode amar a esposa, mas talvez somente por
algumas semanas. Todos amamos os outros, mas
nosso amor é como uma sombra que se desvanece.
Um irmão pode num dia amar a esposa ao máximo, e
no dia seguinte “arrastá-la ao inferno”. Tal amor não
é parte das riquezas da glória de Deus.
Repito, as riquezas da glória são a expressão dos
atributos e virtudes de Deus. Há não somente dois
tipos de amor e humildade, o humano e o divino, mas
também dois tipos de justiça e paciência, a paciência
e a justiça humanas e a paciência e a justiça divinas.
Muitos cristãos confundem virtudes humanas com
virtudes divinas. Ao fazer isso cometem sério erro.
Não precisamos desenvolver as virtudes humanas;
faltam-nos as virtudes divinas. Quando Deus em
Cristo é trabalhado em nós, nosso amor, humildade,
paciência e justiça tornam-se divinos. Essas virtudes
divinas são as riquezas da glória de Deus. Tais
virtudes são a herança de Deus entre os santos. É
importante que vejamos isso.
Se virmos essa questão, nossa vida cristã
mudará. Praticamente todos os que buscam o Senhor
ainda vivem de maneira natural e condenam apenas a
sua maldade natural, e não a sua bondade natural. O
mal é condenado, mas o bem é apreciado. Não há
discernimento entre o natural e o divino. Desde que
certa coisa seja boa, é justificada e aceita. Essa prática
é errada. Devemos discernir o natural do divino.
Somente os atributos divinos, e não as virtudes
humanas são as riquezas da glória de Deus. Se virmos
isso, teremos a vida adequada da igreja. Essa vida não
é cheia de virtudes humanas naturais; é repleta das
virtudes divinas como riquezas da expressão de Deus
em Sua herança entre os santos.
VI. A HERANÇA DE DEUS NOS SANTOS E
ENTRE OS SANTOS
Agora precisamos ver o que é a herança de Deus
nos santos e entre os santos. No versículo 18 a palavra
grega traduzida como “nos” pode também ser
traduzida por “entre os”. A herança de Deus está nos
santos e entre os santos. Nós, os santos, somos
herança de Deus. O que somos por natureza, no
entanto, não pode ser herança de Deus. Deus não
deseja herdar nossa natureza, nossa carne, nosso ser
natural. Ele deseja herdar tudo de Si mesmo que tem
trabalhado em nós. Portanto, tudo que Deus tem
trabalhado de Si mesmo em nós torna-se Sua
herança.

VII. A HERANÇA DE DEUS PARA SER SUA


EXPRESSÃO ETERNA
Deus primeiramente fez de nós Sua herança (v.
11) como Sua possessão adquirida (v. 14) e nos
concedeu que participássemos de tudo o que Ele é,
tem e realizou como nossa herança. Por fim, tudo isso
torna-se Sua herança nos santos por toda a
eternidade. Essa será Sua expressão eterna, Sua
glória com todas as Suas riquezas para expressá-Lo
ao máximo universal e eternamente (Ap 21:11).
Vimos que Deus está no processo de Se dispensar
a nós pouco a pouco. O que quer que Deus dispense
de Si mesmo a nós torna-se Sua herança. Por fim,
Deus irá herdar-nos, o que é, na verdade, Ele mesmo
em nós. Em nós temos certa quantidade da herança
de Deus. A quantidade depende de quanto Deus Se
tem trabalhado em nosso ser. Precisamos orar e pedir
ao Senhor que nos mostre o quanto Dele está em nós.
Não pense que fazer isso é ser introspectivo.
Precisamos pedir ao Senhor que nos mostre o quanto
em nós é Deus e o quanto somos nós mesmos. Os
cristãos raramente consideram as questões desse
modo. Em vez disso, avaliam-se de acordo com uma
escala ética, de acordo com o bem e o mal, certo e
errado, amor e ódio. Contudo, a escala pela qual
devemos avaliar-nos é o próprio Deus. Quanto de
Deus está em você, em sua vida familiar e na vida da
igreja? Se nos avaliarmos desse modo, descobriremos
que ainda não temos muito de Deus. Contudo, nós
Lhe agradecemos pelo que temos. O que precisamos
agora é do aumento de Deus no nosso interior. É o
próprio Deus em nós que constitui Sua herança entre
os santos. Nessa herança estão as riquezas da Sua
glória. Portanto, em 1:18 Paulo fala das riquezas da
Sua glória nos santos. A vida adequada da igreja não é
uma vida de virtudes naturais, e, sim, das virtudes
divinas como expressão de Deus em Sua herança
entre os santos.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM DEZESSEIS
A SUPREMA GRANDEZA DO PODER DE DEUS
Em 1:18 e 19 Paulo orou para que soubéssemos
qual é a esperança do chamamento de Deus, quais são
as riquezas da herança de Deus nos santos, e qual é a
suprema grandeza do poder de Deus para com os que
cremos. Relacionadas com essas três coisas
precisamos conhecer três palavras-chave: esperança,
glória e poder. A esperança é a esperança do
chamamento de Deus, a glória é a glória da herança
de Deus entre os santos, e o poder é o poder em
relação a nós de acordo com a eficácia da força do
poder de Deus, o qual Ele exerceu em Cristo.
Esperança, glória e poder estão relacionados com
as bênçãos nos versículos 3 a 14, onde cinco aspectos
do bendizer de Deus são abordados: a eleição e a
predestinação do Pai, a redenção do Filho, o selar e o
penhorar do Espírito. A eleição do Pai foi para que
fôssemos santos, e Sua predestinação foi para que nos
tomássemos Seus filhos. A redenção do Filho foi para
que sejamos encabeçados em Cristo. O selar do
Espírito é para que sejamos transformados na
imagem de Deus, plenamente saturados Dele a fim de
ter Sua aparência. Além do mais, a aplicação do
penhor do Espírito é Deus dando-Se como penhor a
nós, como nosso desfrute, apreço e garantia. Esse é o
conteúdo do bendizer do Deus Triúno a nosso
respeito.
O resultado dessas bênçãos é a esperança. Nosso
chamamento é a soma das bênçãos espirituais, e
nossa esperança é o resultado dessas bênçãos. Tal
esperança é também uma glória. Após mencionar o
conteúdo da bênção de Deus, o apóstolo Paulo, das
profundezas do seu entendimento espiritual, orou
para que tenhamos espírito de sabedoria e de
revelação, e os olhos do nosso coração sejam
iluminados. Para isso, é preciso lidar com todo o
nosso ser interior. Nosso espírito deve ser aberto,
nossa consciência purificada, nosso coração puro,
nossa mente sóbria, nossa emoção amorosa e nossa
vontade submissa. Quando cada parte do nosso ser
interior estiver em ordem, poderemos conhecer a
esperança, a glória e o poder. Como o chamamento
inclui todas as bênçãos de Deus, a esperança é a
esperança dessas bênçãos. Essa esperança é a glória
de nos tornarmos santos. A glória é também a plena
filiação. Quando chegarmos à plena filiação, nosso
corpo será glorificado, transfigurado. De acordo com
Romanos 8:21, toda a criação desfrutará a liberdade
da glória dos filhos de Deus. Essa glória é nossa
esperança.
Vimos que essa glória tem suas riquezas,
incluindo todos os itens dos atributos e virtudes de
Deus. Deus é rico em atributos e virtudes tais como
amor, vida, luz, humildade, justiça, santidade e
longanimidade. Quando esses itens forem
plenamente expressos em nós, essa expressão será as
riquezas da glória de Deus. Agora podemos ver que
esperança e glória são o resultado das cinco bênçãos,
dos cinco itens do bendizer de Deus com relação a
nós.
O poder divino é o único meio de cumprir essa
esperança e chegar a essa glória. Embora esperança e
glória sejam um pouco objetivas, a suprema grandeza
do poder de Deus para conosco é bastante subjetiva e
prática. o poder de Deus para nós é imenso.
Precisamos conhecê10 e experimentá-lo.
Vinte e cinco anos atrás conduzi um estudo
completo do livro de Efésios em Taipé. Contudo,
naquela época, não via que a esperança e a glória são
o resultado das bênçãos de Deus e que são realizadas
pelo poder divino. Agora vejo que, após mencionar as
bênçãos do Deus Triúno relacionadas conosco, Paulo
orou para que conhecêssemos a esperança e a glória
das Suas bênçãos. Glória é a expressão das bênçãos
de Deus. Em Suas bênçãos, Deus deseja que nos
tornemos Sua herança. Para que sejamos Sua
herança, devemos herdá-Lo e desfrutá-Lo.
Primeiramente nós O herdamos, e então nos
tornamos Sua herança. Esse é o resultado de Deus
trabalhar-Se em nós a fim de fazer-nos um com Ele.
Por meio desse trabalho tornamo-nos Sua satisfação,
e Ele a nossa. Essa satisfação mútua é também uma
herança mútua, uma herança que terá a glória que
expressa tudo o que Deus é em Seus atributos e
virtudes. Essa será a expressão do Deus Triúno por
toda a eternidade. Essa glória é nossa esperança.
Chegamos agora à questão subjetiva do
cumprimento dessa esperança e glória pelo poder
divino. Especialmente nessa era nuclear, somos
bastante conscientes da necessidade de poder, ou
força, para fazer qualquer coisa. Por exemplo, foi
necessário poder para que o homem chegasse à lua.
Sem poder, nada somos. O poder que cumpre nossa
esperança é o poder mencionado em 3:20, onde Paulo
diz que Deus é capaz de fazer infinitamente mais do
que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o
Seu poder que opera em nós. A palavra grega
traduzida por operar em 3:20 significa atuar. Outro
equivalente é energizar. O poder em nós não somente
opera e atua; ele também energiza. A linguagem
humana não é adequada para descrever a suprema
grandeza desse poder.

I. PARA OS QUE CRÊEM


Esse poder é para com os que crêem. É como a
energia elétrica que continuamente é transmitida da
usina até nossa casa para nosso viver diário. No
mesmo princípio, o poder divino é transmitido ao
nosso interior continuamente, a fim de fazer de nós a
herança para o cumprimento do propósito eterno de
Deus.

II. SEGUNDO A OPERAÇÃO DA FORÇA DO


SEU PODER
O versículo 19 também diz que a grandeza do
poder de Deus é “segundo a operação da força do seu
poder” (IBB-Rev.). Ao escrever Efésios, Paulo
praticamente esgotou a língua grega. Nesse versículo
ele fala de operação, poder e força. Paulo usou várias
palavras para descrever parte da vastidão do poder de
Deus para conosco.

III. EXERCIDO EM CRISTO


O supremo poder de Deus para conosco é
conforme a operação da força de Seu poder, o qual
Ele exerceu em Cristo. O poder de Deus para conosco
é o mesmo poder que operou em Cristo. Como Corpo,
participamos do poder que opera na Cabeça.

A. Ao Levantá-Lo dentre os Mortos


O grande poder que operou em Cristo
primeiramente levantou-O dentre os mortos. Esse
poder venceu a morte, o túmulo e o Hades, o lugar
onde permanecem os mortos. Devido ao poder de
ressurreição de Deus, a morte e o Hades não puderam
reter Cristo (At 2:24).

B. Ao Assentá-Lo à Sua Destra nas Regiões


Celestiais
A suprema grandeza do poder de Deus também
assentou Cristo à destra de Deus na regiões celestiais,
“acima de todo principado, e potestade, e poder, e
domínio, e de todo nome que se possa referir não só
no presente século, mas também no vindouro” (vs.
20-21). A destra de Deus, onde Cristo foi assentado
pelo supremo poder de Deus, é o lugar mais honrado,
o lugar com suprema autoridade. As regiões celestiais
não se referem somente ao terceiro céu, o mais
elevado lugar no universo, onde Deus habita, mas
também ao estado e atmosfera dos céus, nos quais
Cristo foi assentado pelo poder de Deus.
No versículo 21 Paulo diz que Cristo foi
assentado acima de todo principado, potestade, poder
e domínio, bem como acima de todo nome que se
possa referir. Principado refere-se ao mais elevado
posto; potestade, ou autoridade, indica todo tipo de
poder oficial (Mt 8:9); poder, ao mero poder da
autoridade; e domínio, à proeminência que o poder
estabelece. As autoridades aqui incluem não somente
as angélicas e celestiais, boas ou más, mas também as
humanas e terrenas. O Cristo ascendido foi assentado
muito acima de qualquer principado, potestade,
poder e domínio em todo o universo. Todo nome que
se possa referir diz respeito não somente a títulos de
honra, mas também a tudo que possui nome. Cristo
foi assentado muito acima de todas as coisas, tanto
nesta era como na vindoura.

C. Ao Sujeitar Todas as Coisas Debaixo dos


Seus Pés
O versículo 22 diz: “E sujeitou todas as coisas
debaixo dos seus pés” (IBB-Rev). Em terceiro lugar, o
grande poder que operou em Cristo sujeitou todas as
coisas debaixo dos Seus pés. Cristo estar muito acima
de tudo é uma coisa; todas as coisas estarem sujeitas
debaixo dos Seus pés é outra. A primeira é a
transcendência de Cristo; a segunda é a sujeição de
todas as coisas a Ele. Aqui vemos o poder subjugador,
o poder de subjugar todas as coisas.

D. Ao Dá-Lo para Ser Cabeça sobre Todas as


Coisas
A última parte do versículo 22 diz: “E, para ser o
cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja”. Em
quarto lugar, o grande poder de Deus que operou em
Cristo concedeu-Lhe ser o Cabeça sobre todas as
coisas para a igreja. O encabeçamento de Cristo sobre
todas as coisas é um dom de Deus a Ele. Foi através
do supremo poder de Deus que Cristo recebeu o
encabeçamento no universo. Como homem, em Sua
humanidade com Sua divindade, Cristo foi levantado
dentre os mortos, assentado nas regiões celestiais,
teve todas as coisas sujeitas a Ele e foi feito Cabeça
sobre todas as coisas.
Nesses versículos vemos quatro aspectos do
poder que operou em Cristo: o poder de ressurreição,
o poder transcendente, o poder subjugador e o poder
que encabeça. Esse poder quádruplo é para a igreja. A
expressão “à igreja” no versículo 22 implica
transmissão. O que quer que Cristo, o Cabeça, tenha
atingido e obtido, é agora transmitido à igreja, Seu
Corpo. Nessa transmissão a igreja compartilha com
Cristo tudo o que Ele obteve: a ressurreição dentre os
mortos, a transcendência sobre tudo, a sujeição de
todas as coisas debaixo de Seus pés e o
encabeçamento sobre todas as coisas.
A igreja provém desse poder. A pequena palavra
“à” indica a fonte originadora da igreja. Esse poder,
que é transmitido à igreja, irá realizar a glória e
cumprir nossa esperança. Tanto a esperança como a
glória estão à nossa frente, mas o poder está conosco
hoje.
Tanto a eletricidade como a energia nuclear são
excelentes ilustrações desse poder quádruplo. Na
restauração do Senhor temos a eletricidade divina e a
energia nuclear divina, e nós as usamos. A maioria
dos cristãos tem pouco conhecimento desse poder. E
poucos que o conhecem sabem como acioná-10.
Suponha que você pernoite na casa de alguém.
Embora seja colocado em um quarto maravilhoso,
estará em trevas a menos que saiba onde fica o
interruptor. Dia após dia nós, na restauração do
Senhor, ligamos o interruptor. O apóstolo Paulo orou
para que conhecêssemos a suprema grandeza do
poder divino. Visto que a grandeza desse poder
nuclear celestial ultrapassa nosso conhecimento,
ninguém pode dizer quão grande ele é. Contudo,
ainda podemos conhecê-lo. Que maravilhoso!
Se conhecêssemos a suprema grandeza do poder
divino que operou em Cristo, jamais usaríamos nossa
fraqueza como desculpa. Em relação a tal poder,
nossa fraqueza nada significa. O poder divino pode
levantar-nos dentre os mortos, mesmo se, como
Lázaro, estivermos mortos, enterrados e cheirando
mal. Esperando que eu me compadeça delas, as irmãs
têm me dito, com freqüência, que são vasos frágeis.
Sim, de acordo com 1 Pedro 3:7, as irmãs são vasos
mais fracos, mas não me compadeço das suas
fraquezas, porque o poder nuclear celestial está
disponível a elas. Para esse poder não há fraquezas.
A transmissão do poder quádruplo é para os que
crêem. O que dizemos é o que cremos. Se você diz que
é fraco, isso quer dizer que acredita que é fraco. As
irmãs precisam levantar-se e proclamar que, uma vez
que têm a energia nuclear divina, não são fracas.
Paulo orou para que tivéssemos espírito de sabedoria
e de revelação para conhecer a esperança do
chamamento de Deus, as riquezas da Sua glória e a
suprema grandeza do Seu poder para conosco. Se
você enxergasse que esse poder para conosco é o
poder que levantou Cristo dentre os mortos, ainda
diria que é fraco? Não subestime o significado do que
você diz. Tudo que Deus fala acontece. Em princípio
ocorre o mesmo conosco. Ter fé é falar o que Deus
fala. Quando Deus diz, “você é salvo”, devemos dizer,
“Amém!”. Qualquer pessoa que responda dessa
maneira é salvo. Do mesmo modo, se Deus diz: “O
poder divino é seu”, precisamos dizer “Amém”.
Então, esse poder será nosso. Não diga que ainda há
fracos entre nós, pois todos somos mais fortes que
Davi, até mesmo tão fortes quanto Jesus Cristo. Você
tem a intrepidez de dizer que é tão poderoso quanto
Cristo? Se conhecêssemos a transmissão do podei
celestial, poderíamos dizer isso com confiança.
Em 6:10 Paulo diz: “Sede fortalecidos no Senhor
e na força do seu poder”. Essas palavras se baseiam
no que ele falou no capítulo 1. Mediante o poder
divino podemos ser fortes e ficar de pé. Com
freqüência, os irmãos dizem que estão fracos. Mas
não somos fracos: estamos nas regiões celestiais,
acima de tudo. Estamos na transcendência de Cristo,
muito acima de todas as coisas, incluindo todos os
demônios, anjos malignos, principados e potestades.
Se virmos isso, nada será capaz de nos arrastar para
baixo. Isso não é um sonho; é o poder que irá realizar
a glória e cumprir nossa esperança única. Nossa
esperança não é em vão. Pelo contrário, tem sólida
base no poder divino. Antes do lançamento à lua, os
astronautas tinham a plena certeza de que tinham o
poder para atingi-la e pousar lá. Do mesmo modo,
nossa base é a suprema grandeza do poder de Deus
para conosco, os que cremos. Simplesmente não
tenho palavras para expressar isso. Tudo que posso
fazer é repetir as palavras do apóstolo Paulo: a
suprema grandeza do poder é para conosco, os que
cremos.
Efésios 1:22 implica que todas as coisas foram
sujeitas debaixo de nossos pés, e devemos acreditar
nisso. Se não o fizermos, rebelamo-nos contra a
palavra de nosso Pai. Nosso Pai não pode mentir; o
que quer que Ele diga é verdade. Portanto, devemos
tomar Sua palavra e crer nela. Esqueça seus
sentimentos, condição e situação. Não diga que certa
situação difícil não pode estar debaixo de seus pés. A
verdade é que estamos muito acima de tudo, e o
poder divino sujeitou todas as coisas, incluindo toda
situação difícil, debaixo de nossos pés. Não seja
distraído pelo seu ambiente nem creia na sua
situação. Esqueça tudo e simplesmente tome a
palavra, creia nela e declare-a. Aleluia pelo poder
subjugador!
Agradecemos ao Senhor, também, pelo poder
encabeçador, o poder que deu Cristo por Cabeça
sobre todas as coisas à igreja. Não devemos entender
mal a palavra de Paulo em 1:22 e achar que somos a
cabeça. Fazer isso é cometer um grande erro. Sempre
devemos ter consciência de que estamos debaixo do
Cabeça. Contudo, quando estamos debaixo do
Cabeça, tomamos parte no poder do encabeçamento.
Não somos o Cabeça, mas temos parte no
encabeçamento de todas as coisas.
Visto que em nós está o poder transcendente que
nos coloca acima de todas as coisas, precisamos
levantar-nos de nossas fraquezas e crer na palavra
que diz que somos transcendentes. Precisamos ver
isso, crer nisso e falar isso. Também precisamos saber
que todas as coisas estão sujeitas sob nossos pés. Não
creia em sua situação, mas tome a Palavra e proclame
tudo o que ela diz. Além disso, devemos manter-nos
debaixo do encabeçamento de Cristo. Se o fizermos,
estaremos no encabeçamento de todas as coisas. O
resultado de tudo isso é a vida da igreja. Todo
problema na vida da igreja provém da falta do pleno
conhecimento desse poder divino. Se tivermos o
pleno conhecimento deste poder e vivermos por ele,
teremos uma vida da igreja maravilhosa, uma vida da
igreja sem nenhum problema.
Que todos levemos isso ao Senhor e oremos:
“Senhor, responde em mim a oração do apóstolo
Paulo para que eu tenha espírito de sabedoria e de
revelação e os olhos do meu coração sejam
iluminados para conhecer o poder que é para mim de
acordo com a operação da força do Teu poder. Desejo
conhecer o poder exercido em Cristo para levantá-Lo
dentre os mortos, para fazê-Lo assentar-se nas
regiões celestiais muito acima de tudo, para subjugar
todas as coisas debaixo de Seus pés, e para dá-Lo por
Cabeça sobre todas as coisas à igreja”. Não há
necessidade de interpretar a palavra de Paulo em
1:19-22. Você deve simplesmente orá-la e ter
comunhão acerca dela. Por fim, esses versículos se
tomarão reais para você. Que todos vejamos esse
poder, conheçamo-lo, creiamos nele e o
proclamemos.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM DEZESSETE
CRISTO É O CABEÇA SOBRE TODAS AS COISAS PARA
A IGREJA
Em Efésios 1 Paulo orou para que tivéssemos
espírito de sabedoria e de revelação no pleno
conhecimento de Deus. De acordo com o contexto, ter
o pleno conhecimento de Deus significa conhecer a
esperança do chamamento de Deus, a glória da
herança de Deus entre os santos, e a suprema
grandeza do poder de Deus para nós, os que cremos.
Conhecer a Deus é conhecer a esperança, a glória e o
poder, pois o próprio Deus está na esperança, na
glória e no poder. Se dissermos que conhecemos a
Deus sem conhecer essas três coisas, então
conhecemos a Deus meramente de maneira objetiva,
e não segundo a experiência. Mas conhecer a Deus na
esperança, na glória e no poder é conhecê-Lo pela
experiência e subjetivamente.
A maioria dos cristãos conhece a Deus
objetivamente, segundo o mero conhecimento. Para
eles, Deus está muito distante nos céus. Conhecem a
Deus como objeto de sua crença e adoração, mas não
subjetivamente como sua esperança, glória e poder.
Não O conhecem como Aquele que opera neles para
fazê-los santos, para constituí-los os filhos de Deus e
para torná-los a herança de Deus.

TORNAR-SE HERANÇA DE DEUS


Temos enfatizado que o chamamento de Deus é a
soma do Seu bendizer em relação a nós. Em Seu
bendizer somos feitos santos, constituídos Seus filhos
e nos tornamos Sua herança. Portanto, seremos um
tesouro digno de se tornar herança de Deus. Ele é
muito elevado, grandioso e sobremaneira precioso,
contudo nos receberá como Sua herança. Todavia, se
olharmos para nossa condição atual, perceberemos
que não somos dignos de ser Sua herança. Mas Deus
trabalhará em nós para nos tornar dignos, preciosos e
valiosos, um tesouro único no universo como herança
para Ele. Deus considera a nós, Seus escolhidos, Sua
possessão particular. A única maneira de nos
tornarmos o tesouro de Deus, Sua possessão
particular, é pelo trabalhar divino em nós. Deus é o
tesouro, e trabalha-Se como tesouro em nós para que
nos tornemos um tesouro para Ele.

A NOVA JERUSALÉM
Vimos que três importantes aspectos do bendizer
de Deus são que seremos feitos santos, seremos
constituídos os filhos de Deus, e nos tornaremos
herança de Deus. Esses três aspectos são vistos na
Nova Jerusalém. De acordo com Apocalipse 21, a
Nova Jerusalém será uma cidade santa, uma cidade
na qual a santidade de Deus pode ser vista. Além do
mais, ela será uma composição dos filhos de Deus.
Apocalipse 21:7 diz que o vencedor herdará todas as
coisas e será filho de Deus. Isso indica que a Nova
Jerusalém é a totalidade da filiação divina. Além
disso, ela será um tesouro, uma herança, tanto para
Deus como para nós. Nela Ele nos desfrutará como
Seu tesouro, e nós O desfrutaremos como nosso
tesouro. Portanto, ela será uma herança mútua e
satisfação mútua para Deus e o homem. Será a
corporificação da santidade, uma composição dos
filhos de Deus e uma herança mútua para Deus e o
homem. Além disso, terá a glória de Deus, que é a
glória da herança de Deus, as riquezas da glória da
Sua herança entre os santos. Hoje essa glória é nossa
esperança.

O PODER TODO-INCLUSIVO PARA NÓS, OS


QUE CREMOS
Essa esperança é cumprida pela suprema
grandeza do poder de Deus. O cristianismo
fundamentalista tem pouco poder. Nem mesmo o
cristianismo pentecostal tem o poder adequado. Mas
Efésios 1 fala do poder para nós, os que cremos. Como
crentes no Senhor Jesus e na Bíblia, podemos todos
proclamar: “Aleluia, eu creio! Creio no Senhor Jesus e
creio na Palavra de Deus”. Não precisamos jejuar e
orar para receber o poder divino, pois esse poder é
para nós, os que cremos. Crendo, somos posicionados
e qualificados para receber o poder de Deus. Aleluia,
esse poder é para nós, os que cremos!
A eletricidade é excelente ilustração disso.
Quando construímos nosso local de reuniões em
Anaheim, a eletricidade foi instalada. Agora, a
energia elétrica é para o edifício. Depende de nós se
usamos ou não esse poder, e o usamos ligando o
interruptor. De modo semelhante, a eletricidade
celestial foi instalada em nós, e o poder celestial é
para nós. A maneira de receber esse poder não é
jejuar e orar por vários dias; é simplesmente usar o
interruptor. Uma maneira de acionar o interruptor é
proclamar Efésios 1:19-23 várias vezes. Se
proclamarmos esses versículos dez vezes, seremos
fortalecidos com poder. Contudo, se repetidamente
disser que é fraco, você será de fato fraco. Mas,
proclamando positivamente na fé, exercitamos todo o
nosso ser para receber o poder divino. Quando
proclamamos na fé e recebemos o poder, todas as
coisas negativas fogem. Satanás não tem medo de
nossas orações lamentáveis, suplicantes, mas tem
medo do nosso proclamar na fé. Precisamos dizer:
“Eu creio, proclamo, tenho o poder, sou forte”. Isso
não é superstição; é nossa fé cristã.
Com respeito à fé, primeiramente deve haver o
fato. Deus vem para nos falar sobre o fato, e então
cremos no que Deus diz. Nosso crer cristão é
exatamente desse modo. Embora não possamos ver, é
fato que Cristo ressuscitou dentre os mortos e
assentou-se nos céus muito acima de tudo. Além do
mais, é fato que todas as coisas foram sujeitas
debaixo dos Seus pés e Ele é Cabeça sobre todas as
coisas para a igreja. Esses são fatos realizados no
universo. Pela Sua Palavra santa, Deus vem para nos
anunciar esses fatos. Então cremos no que Ele falou e
proclamamos o que quer que Ele proclame. Isso é fé.
Não devemos somente ler e estudar a Bíblia, mas
também proclamá-la. Alguns nos condenam por
repetir versículos bíblicos; contudo, devemos
simplesmente repeti-los ainda mais.
Nesse universo há urna transmissão do Senhor
nos céus para a igreja. Efésios 1:19 diz que essa
transmissão é “para com os que cremos”. Além disso,
1:22 diz: “E pôs todas as coisas debaixo dos pés e,
para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à
igreja”. A pequena palavra “à” indica transmissão. O
poder que é para nós é o Deus Triúno. Esse poder é
não somente o poder criador, mas o poder que passou
pela encarnação, crucificação, ressurreição e
ascensão. Depois de todos esses passos, o Deus
Triúno vem a nós corno tal poder. Nesse poder,
portanto, há o poder da criação, da encarnação, da
crucificação, da ressurreição e da ascensão. É, assim,
um poder todo-inclusivo. O poder para nós, os que
cremos, é o Deus Triúno, o Criador do universo, que
se encamou, passou pela crucificação, entrou na
ressurreição e ascensão e veio até nós. Esse poder foi
“instalado” em nós, assim corno a eletricidade é
instalada em um edifício.
Precisamos crer que esse poder agora está no
nosso interior. Muitos de nós, contudo, são naturais e
lógicos demais e dizem: “Como poderia tal poder
estar em mim? Percebo que me arrependi, confessei
meus pecados a Deus, e creio e confio Nele. Posso
entender que Deus me salvou, perdoou e limpou com
o precioso sangue de Cristo. Mas, no momento em
que cri, não senti que o poder divino foi instalado em
mim. Você quer dizer que um poder todo-inclusivo, o
Pai, o Filho e o Espírito com a criação, encarnação,
crucificação, ressurreição e ascensão, foi trabalhado
em mim? Simplesmente não sinto que tenha tal
poder. Não é lógico dizer que o possuo”. A lógica é
sempre oposta à fé, e a fé, à lógica. Na questão da
transmissão do poder divino, não tente ser tão lógico.
Em vez disso, exercite a fé.
Vamos considerar a questão deste modo: fornos
regenerados, nascemos de novo. Nascer de novo é ter
Deus nascido em nós. Você crê que Deus nasceu em
você? O próprio Deus que nasceu em você é o Pai, o
Filho e o Espírito. Quando esse Deus nasceu em você,
Ele já tinha passado pela criação, encarnação,
crucificação, ressurreição e ascensão. Você sentiu
tudo isso quando foi regenerado? Se teve ou não
algum sentimento em relação a isso, nada significa. O
importante é crer em tudo o que a Bíblia diz. Quando
ela lhe diz que você é pecaminoso, precisa dizer:
“Amém”. Quando diz que se arrependa, você precisa
arrepender-se. No momento em que creu, algo
aconteceu com você e em você, embora possa não ter
entendido o que foi. O que aconteceu foi que o poder,
o próprio Deus Triúno, foi instalado em você.

A NECESSIDADE DE CONHECER ESSE


PODER
Visto que é importante que os que crêem tenham
o conhecimento adequado desse poder, o apóstolo
Paulo orou para que tivéssemos espírito de sabedoria
e de revelação no pleno conhecimento de Deus, e
conhecêssemos a suprema grandeza do poder que é
para nós, os que cremos. Sim, temos o supremo poder
em nós, mas nossa necessidade hoje é conhecê-lo.
Quer você esteja ou não consciente dele, há hoje uma
transmissão, do terceiro céu, o lugar onde Deus está
para o nosso interior. É essa transmissão que nos faz
diferentes dos incrédulos. Por causa desse poder em
nos, e impossível rejeitarmos nossa fé cristã.
Novamente digo, em nós há o poder divino, e esse
poder é o Deus Triúno que passou pela criação,
encarnação, crucificação, ressurreição e ascensão, e
foi instalado em nós como poder todo-inclusivo.
Assim, há uma conexão divina entre nós e o terceiro
céu. O que precisamos hoje é conhecer a suprema
grandeza desse poder.

A PROCLAMAÇÃO E A EXPERIÊNCIA DA
TRANSMISSÃO
Precisamos ler esses versículos de Efésios várias
vezes, até ser profundamente impressionados com
eles e poder proclamá-los. Todo dia precisamos
proclamá-los a. nós mesmos, aos familiares, aos
irmãos e irmãs, aos anjos e demônios, e a todos os
seres criados. Quanto mais falarmos desse poder,
mais o experimentaremos sendo transmitido a nós.
Por fim, por meio da nossa fé nessa transmissão
e do nosso proclamar, a igreja aparecerá de maneira
prática. Cristo é o Cabeça sobre todas as coisas para a
igreja. Precisamos crer nisso e proclamar isso
continuamente. Para uma melhor vida da igreja,
sugiro que todos proclamemos Efésios 1:19-23 dez
vezes por dia. Vejamos qual será o resultado se todos
fizermos isso. Como é muito melhor esse tipo de falar
do que conversas vãs sobre os irmãos ou a situação da
igreja! Falar sobre os santos não nos anima nem
fortalece; pelo contrário, deprime e enfraquece. Desse
modo, a vida da igreja desaparecerá. Portanto,
proclamemos 1:19-23 e nos esqueçamos da situação
das igrejas, presbíteros, irmãos e irmãs. Por dez dias
vamos todos nós, a igreja, proclamar esses versículos
dez vezes por dia. Creio que, se fizermos isso, a vida
da igreja será elevada, pois, à medida que falamos, a
transmissão ocorrerá. Desse modo teremos infundido
em nós o poder divino proveniente da transmissão
celestial. Pela experiência posso testificar que isso
acontecerá.
Somos naturais, lógicos e vis demais.
Esqueçamo-nos da condição das igrejas e dos santos,
e voltemo-nos para o falar de Deus. Retomemos à Sua
pura palavra. Creiamos na palavra de Deus e a
proclamemos. À medida que a proclamarmos,
experimentaremos a transmissão divina e todos
teremos infundido em nós o Deus Triúno como poder
todo-inclusivo. Esse grande poder é para a igreja.
Aqui, na transmissão do poder divino, temos uma
sólida vida da igreja.
Não devemos estudar Efésios 1 meramente para
obter doutrina. Pelo contrário, devemos crer no falar
de Deus a respeito do fato universal. Não somente
cremos em Seu falar, mas nós mesmos o repetimos
diversas vezes. Desse modo experimentamos a
transmissão do poder divino, que é para a igreja.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM DEZOITO
A IGREJA, O CORPO DE CRISTO
Efésios 1:22-23 diz: “E pôs todas as coisas
debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as
coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude
daquele que a tudo enche em todas as coisas”. Os
termos “à” no versículo 22 e “para com” no 19
indicam transmissão de Cristo para a igreja. Mesmo
nós que estamos na vida da igreja não sabemos
plenamente o que ocorre entre Cristo e a igreja. Uma
transmissão está em progresso desde o dia de
Pentecostes.

TRANSMISSÃO CONTÍNUA
Essa transmissão não é uma vez por todas. De
acordo com o nosso conceito, achamos que certas
coisas ocorrem uma vez por todas. Considere, por
exemplo, o ser crucificado com Cristo. Os que
enfatizam os ensinamentos objetivos da Bíblia
afirmam que nossa crucificação com Cristo ocorreu
uma vez por todas. Em certo sentido concordo com
isso, pois Cristo morreu uma vez e não precisa morrer
novamente. Além disso, Ele ressuscitou uma vez e
não precisa ressuscitar de novo. Tudo o que Ele
realizou por nós, realizou uma vez por todas.
Contudo, a aplicação do que Ele fez não é uma vez por
todas; antes, ainda continua. De acordo com Gálatas
2:20, parece que a co-crucificação de Paulo com
Cristo aconteceu uma vez por todas. Mas; de acordo
com 2 Coríntios 4, ele estava sempre sob o morrer de
Cristo. Portanto, por um lado, a morte de Cristo é
uma vez por todas; por outro, é algo que continua
através de toda nossa vida cristã. De modo
semelhante, o poder que operou em Cristo ao
levantá-Lo dentre os mortos, ao assentá-Lo à destra
de Deus nas regiões celestiais, ao sujeitar todas as
coisas debaixo dos Seus pés e ao dá-Lo como Cabeça
sobre todas as coisas, operou uma vez por todas.
Contudo, Cristo é o Cabeça sobre todas as coisas para
a igreja, e a suprema grandeza do poder que operou
Nele é para nós, os que cremos. O poder divino não é
transmitido à igreja uma vez por todas; antes, é
transmitido continuamente.
Essa transmissão começou no dia de
Pentecostes, e ainda continua hoje. Mesmo agora essa
transmissão é para a igreja. A eletricidade foi
instalada em nosso local de reuniões uma vez por
todas, mas agora é transmitida para o edifício
continuamente. De modo semelhante, tudo o que
Cristo realizou como Cabeça é continuamente
transmitido ao Corpo. O poder divino continuará a
ser transmitido à igreja por toda a eternidade; ele
nunca cessará.

O CORPO NA NOVA CRIAÇÃO


Desde que cheguei a este país tenho ouvido os
cristãos falarem sobre o Corpo e o ministério do
Corpo. Isso tem me incomodado muito, pois percebo
que as pessoas simplesmente não sabem sobre o que
falam. O que elas querem dizer por ministério do
Corpo é ter vários pregadores em vez de um só. O
Corpo não é uma organização; é um organismo
constituído de todos os crentes regenerados para a
expressão e atividades do Cabeça.
O Corpo resulta do Cristo encarnado, crucificado,
ressurreto e ascendido que desceu para a igreja. De
acordo com nossa vida natural, não somos
qualificados para ser parte do Corpo. Pelo contrário,
somos qualificados somente para ser terminados e
sepultados, para que sejamos ressuscitados. Por
natureza, nem mesmo o nosso espírito é qualificado
para ser parte de Cristo. Antes da crucificação e
ressurreição de Cristo, o Corpo de Cristo não existia.
Ele tinha vários seguidores, mas não o Corpo. O
Corpo de Cristo não poderia vir do Cristo encarnado
antes que Ele fosse crucificado para terminar a carne,
o homem natural e toda a velha criação. Após
terminar todas essas coisas mediante a crucificação,
Cristo entrou na ressurreição para germinar algo
novo. Portanto, foi após a ressurreição de Cristo que o
Corpo veio a existir. Em nossa vida natural e na velha
criação não somos o Corpo, e, sim, na nova criação
germinada pela vida de ressurreição de Cristo.
Pela encarnação Deus, o Criador, tornou-se um
homem chamado Jesus. Embora Deus vivesse, se
movesse e agisse em Jesus, não havia maneira de
haver o Corpo, pois nesse tempo Jesus não era o
Cabeça. Somente após Ele ter ascendido aos céus
Deus O deu como Cabeça sobre todas as coisas para a
igreja. Pela morte todo-inclusiva de Cristo, a velha
criação, incluindo nosso velho homem, a carne e o ser
natural, teve fim. Após a crucificação, Cristo carregou
Consigo a velha criação para o túmulo e a sepultou.
Quando entrou na ressurreição com a nova criação,
Ele deixou a velha criação no túmulo. Então,
ascendeu aos céus e foi-Lhe dado ser o Cabeça sobre
todas as coisas.
Foi preciso um poder extraordinário para enviar
uma espaçonave da terra à lua. Mas quão maior foi o
poder necessário para fazer Cristo ascender da terra
ao terceiro céu! Foi a suprema grandeza do poder de
Deus que levantou Cristo dentre os mortos,
assentou-O à destra de Deus nas regiões celestiais,
subjugou todas as coisas debaixo dos Seus pés e O
deu como Cabeça sobre todas as coisas para a igreja.
Agora esse poder é transmitido à igreja.
Como já enfatizamos, no dia de Pentecostes o
Cristo crucificado, ressurreto e ascendido, que passou
a ser o Cabeça sobre todas as coisas, começou a
transmitir à igreja tudo o que tinha realizado,
alcançado e obtido. Desde então essa transmissão não
se interrompeu. Isso indica que essa transmissão tem
início, mas não fim. Após todos os passos
maravilhosos seguidos pelo Deus Triúno (criação,
encarnação, crucificação, ressurreição e ascensão),
Ele veio para a igreja com todas as Suas realizações.
Portanto a igreja, o Corpo, é uma entidade totalmente
em ressurreição e ascensão, com os elementos
naturais e a velha criação terminados. O Corpo, um
organismo em ressurreição e ascensão, está
totalmente na nova criação e nada tem a ver com a
velha criação. Se você ainda vive de acordo com o
velho homem, o homem natural, ou a carne, não é
parte do Corpo. Todas as partes do Corpo pertencem
à nova criação. Muitos que falam sobre o Corpo e o
ministério do Corpo são naturais e carnais; não estão
em ressurreição. Todos precisamos ver que o Corpo
veio à existência quando Cristo ascendeu. Tendo
ascendido à destra de Deus, Ele continuamente
transmite Suas realizações para a igreja. É desse
modo que a igreja vem à existência.

DUAS CRIAÇÕES
Conosco, os que cremos, há duas criações, a
velha e a nova. Devemos admitir que a velha criação
ainda permanece conosco. Como detesto esse
resquício e desejo despojar-me dele! Alguns cristãos,
no entanto, não são atribulados pela velha criação;
pelo contrário, eles a apreciam. Você, de fato, odeia a
velha criação, a carne e o homem natural? Duvido. Se
eu o repreender por ser natural e carnal, você ficará
ofendido. Mas, se eu o elogiar e disser quão agradável
e bom você é, você se sentirá lisonjeado. Eis uma
prova categórica de que você ainda ama o velho
homem. Se odiar a carne e o homem natural, você
não ficará ofendido ao ser repreendido. Antes, ficará
agradecido.

A TRANSMISSÃO PROVENIENTE DO
CRISTO ASCENDIDO PARA PRODUZIR O
CORPO
Vimos que o Corpo de Cristo não veio à
existência antes da crucificação de Cristo, e, sim, após
Sua ascensão, quando algo vindo do Cristo ascendido
foi transfundido nos que creram. Isso quer dizer que
a transmissão do Cristo ascendido produz o Corpo.
Tudo que falamos na vida da igreja, no ministério ou
na comunhão deve resultar dessa transmissão. Se
nosso falar provém da transmissão, então provém do
Corpo. Se não vier da transmissão, não vem do Corpo.
No Corpo não há nada natural, da carne ou da velha
criação. Todos precisamos ter essa visão. Precisamos
ler esses versículos várias vezes até que a luz brilhe
sobre nós com respeito a isso. Quando tivermos a
visão, diremos: “É lógico que o Corpo não tem nada
do homem natural; ele vem da transmissão do Cristo
ascendido”. Louvado seja o Senhor porque na vida da
igreja a transmissão ocorre em todos nós!

A EXPERIÊNCIA DA TRANSMISSÃO
Quando estava no cristianismo fundamentalista
não experimentava essa transmissão. Em meu
envolvimento com o cristianismo pentecostal vi
algumas coisas estranhas, mas não a transmissão. Em
anos de experiência e fazendo comparações, vim a
enxergar que a vida da igreja adequada não é
fundamentalista nem pentecostal; é totalmente uma
questão da transmissão divina. Você pode ser muito
fundamentalista e ainda assim estar morto, tendo
pouco do Cristo ascendido transmitido ao seu
interior. Você pode não conhecer tal transmissão
'nem se preocupar com ela.
No cristianismo fundamentalista fui ensinado a
cortar retamente a palavra de Deus. Os mestres entre
os Irmãos Unidos constantemente mostravam quais
doutrinas eram erradas. Por fim, vim a perceber que,
quanto mais eu cortava retamente a Palavra, mais
morto ficava. Depois de eu estar sob essa influência
por mais de seis anos, o Senhor me mostrou que,
embora eu tivesse muito conhecimento, estava morto.
Imediatamente me arrependi pela minha situação de
morte. Na manhã seguinte subi ao topo de uma
montanha, e lá chorei, e até mesmo gritei minha
confissão e arrependimento. Nesse dia descobri que a
vida cristã não depende de ser fundamentalista, mas
da experiência da transmissão. Vários anos mais
tarde envolvi-me com o movimento pentecostal,
achando que iria ajudar-me a obter poder espiritual.
Fui ensinado por um dos líderes dos pregadores
pentecostais a falar em línguas, e assim o fiz por mais
de um ano. Contudo, quanto mais falava em línguas,
menos da transmissão parecia experimentar. Assim,
abandonei o movimento pentecostal e voltei ao
caminho da transmissão. Já estou nesse caminho há
mais de quarenta anos, e cada dia recebo mais dessa
transmissão.
No dia em que fomos salvos, o poder celestial foi
instalado em nosso espírito. O que precisamos agora
é uma transmissão contínua, e não de outra
instalação. Se abrirmos o coração, purificarmos o
coração e a consciência, e permitirmos que a mente se
tome sóbria, a emoção fervorosa e a vontade
submissa, experimentaremos a transmissão e
teremos o poder e as riquezas. Então, em vez de estar
no homem natural, estaremos em ressurreição e
ascensão. Quando desfrutamos a transmissão,
podemos nem mesmo saber onde estamos, pois
somos totalmente um com Cristo. Pode ser difícil
dizer se estamos na terra ou nos céus.
Quando Cristo é transmitido ao nosso interior, a
transmissão nos liga a Cristo e nos faz um com Ele.
Por exemplo, as luzes no local de reunião são
conectadas à transmissão elétrica vinda da usina.
Além disso, a transmissão divina é inesgotável.
Quanto mais falamos, mais temos para falar. Quanto
mais ministramos, mais suprimento temos. É em tal
transmissão que temos a vida da igreja e as funções
do Corpo.
Mais uma vez digo, a transmissão celestial é para
a igreja. Por meio dela, o Corpo é real, autêntico, vivo
e intrépido.

A PLENITUDE DE CRISTO
O versículo 23 diz que o Corpo é “a plenitude
daquele que a tudo enche em todas as coisas”. O
Corpo de Cristo é a Sua plenitude. A plenitude de
Cristo resulta do desfrute das Suas riquezas (3:8). Por
meio desse desfrute, tomamo-nos Sua plenitude para
expressá-Lo.
Essa é a plenitude Daquele que a tudo enche em
todas as coisas. Cristo, que é o Deus infinito sem
limitação, é tão grandioso que enche tudo em todas as
coisas. Tal Cristo grandioso precisa da igreja como
Sua plenitude, para Sua completa expressão.
É na transmissão que o Corpo de Cristo é a
plenitude Daquele que a tudo enche em todas as
coisas, porque o Cristo que a tudo enche em todas as
coisas está na transmissão. A transmissão nos
conecta ao Cristo que preenche tudo. Desse modo a
igreja se toma a plenitude do Cristo que a tudo enche.

O DESFRUTE DAS RIQUEZAS DE CRISTO E A


VIDA DA IGREJA ADEQUADA
Não devemos tomar isso como mero
ensinamento, mas pôr em prática. Se praticar isso,
você desfrutará as riquezas de Cristo cada vez que 'ler
a Palavra de Deus. Por meio da transmissão, a Bíblia
se torna outro livro. Oh! quão insondáveis são as
riquezas de Cristo! Na transmissão elas se tornam
nosso desfrute. À medida que se tornam nosso
desfrute, tornam-se também os elementos
constituintes do nosso ser espiritual. Isso produz o
Corpo como plenitude do Cristo que a tudo enche em
todas as coisas.
A transmissão nos conecta ao Cristo ascendido.
Nela desfrutamos Cristo de acordo com o que está
registrado na Bíblia. Tudo que lemos na Bíblia
torna-se real para nós por meio da transmissão.
Desse modo, as riquezas de Cristo tornam-se nosso
desfrute.
Amo em particular duas frases em Efésios 1:
“para com os que cremos” e “à igreja”. O poder divino
foi instalado em nós uma vez por todas, mas é
continuamente transmitido ao nosso interior. Nessa
transmissão desfrutamos Cristo e temos a vida da
igreja adequada.
Desfrutando a transmissão temos um antegozo
do arrebatamento. Às vezes, quando desfruto a
transmissão divina, fico em tamanho êxtase que
desejo pular de alegria. O desfrute é tão maravilhoso
que parece que já fui arrebatado. Algumas vezes
quase não ouso ler a Bíblia porque as riquezas de
Cristo nela reveladas são muito vastas e
imensuráveis. Fico fora de mim por causa desse rico
desfrute. Por meio de tal transmissão somos o Corpo,
a plenitude Daquele que a tudo enche em todas as
coisas.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM DEZENOVE
O DEUS TRIÚNO DISPENSADO A NÓS E
TRABALHADO EM NOSSO INTERIOR
Efésios 1 começa com o bendizer de Deus e
termina com o Corpo, a plenitude Daquele que a tudo
enche em todas as coisas. Isso indica que o Corpo, a
plenitude de Cristo, é o resultado da bênção de Deus.
As palavras “à igreja” no versículo 22 têm profundo
significado. Tudo pelo que o Deus Triúno passou,
incluindo encarnação, crucificação, ressurreição e
ascensão, é transmitido à igreja. A igreja não tem
absolutamente nada a ver com a velha criação, a qual
teve fim na cruz e foi sepultada com Cristo no túmulo.
O que é transmitido à igreja pertence totalmente à
nova criação. A igreja é o resultado dessa
transmissão.
Esta mensagem é a conclusão do capítulo um de
Efésios. Nesse capítulo há sete itens cruciais que
requerem o mesmo fator básico para sua realização: a
eleição de Deus para que sejamos santos e
irrepreensíveis (v. 4), a Sua predestinação para que
nos tornemos Seus filhos (v. 5), o selar do Espírito
Santo para que sejamos plenamente redimidos (vs.
13-14), a esperança do chamamento de Deus, a glória
da herança de Deus nos santos (v. 18), o poder que fez
com que participássemos do que Cristo obteve (vs.
19-22) e o Corpo, que é a plenitude do Cristo que a
tudo enche (v. 23). Tudo isso é realizado pelo Deus
Triúno dispensado a nós e trabalhado em nosso
interior. O resultado de tal dispensação divina à nossa
humanidade é a plenitude Daquele que a tudo enche
em todas as coisas e o louvor da Sua glória
manifestada. Na verdade, o capítulo um é uma
revelação da maravilhosa e excelente economia de
Deus, começando com o fato de Ele nos ter escolhido
na eternidade e atingindo a produção do Corpo de
Cristo para expressá-Lo por toda a eternidade.
Quando você ouve falar sobre o Deus Triúno
dispensado a nós e trabalhado em nosso interior,
pode pensar que não há tal palavra e nem mesmo tal
conceito no capítulo um. Contudo, o Deus Triúno
certamente é revelado nesse capítulo. Embora não
possamos achar o termo “dispensado”, temos
“dispensação” (v. 10), que indica o ato de dispensar.
Lembre-se, a dispensação da plenitude dos tempos
engloba todas as eras. O fato de que somos filhos de
Deus mostra que Deus foi dispensado a nós. Se Deus
Pai não tivesse sido dispensado a nós, como
poderíamos ser Seus filhos? Fomos predestinados por
Ele para nos tornar Seus filhos. Contudo,
tornamo-nos caídos e fomos constituídos pecadores.
Como podem pecadores tornar-se filhos de Deus? O
único caminho é ter Deus nascido em nosso ser, isto
é, ser regenerados por Deus. Deus entrar em nosso
ser é uma dispensação de Deus a nós.
Regenerando-nos, Ele Se dispensou a nós. Além
disso, temos enfatizado que Ele hoje faz de nós um
tesouro, uma herança valiosa e preciosa
trabalhando-Se em nós. Portanto, o conceito básico
desse capítulo é o Deus Triúno dispensado a nós e
trabalhado em nosso interior.
Se você não compreender esse conceito, não será
capaz de aprofundar-se em Efésios 1. Ao ler esse
capítulo precisamos ter o conceito implícito e
governante de que Deus Se dispensa a nós e Se
trabalha em nosso ser. Quando Paulo escreveu esse
trecho da palavra, creio que seu pensamento era
profundo. Ele percebia plenamente que Deus Se
dispensa a Seus escolhidos e Se trabalha no interior
deles para fazê-los santos, constituí-los Seus filhos e
fazer deles Sua preciosa herança.

I. NA ELEIÇÃO DE DEUS
Antes da fundação do mundo Deus nos escolheu
“para sermos santos e irrepreensíveis” (v. 4). Como
podemos ser santos? Será que é seguindo certos
“ensinamentos de santidade” sobre questões como
vestimentas, maquiagem e corte de cabelo?
Certamente não! Santidade é a natureza de Deus, e
ser santo é ter a natureza divina trabalhada em nós.
Sem a natureza de Deus em nós, é-nos impossível ser
santos. Para que sejamos santos precisamos ser
saturados da santa natureza de Deus.
Ser santo envolve algo mais do que separação.
Alguns mestres cristãos dizem que ser santo é ser
separado; argumentam contra o conceito de que
santidade é a perfeição sem pecado. O Senhor Jesus
disse que o ouro é santificado pelo templo (Mt 23:17).
Alguns mestres têm usado isso como ilustração para
provar que santificação é questão de separação, e não
de perfeição sem pecado. Isso está correto. Mas
abrange somente o aspecto posicional da
santificação; não toca no aspecto disposicional
revelado em Romanos 6. Quando Deus é dispensado
a nós e trabalhado em nosso ser, e somos saturados
Dele, nossa disposição é santificada. Desse modo
tornamo-nos santos. Por fim, a Nova Jerusalém será
uma cidade santa. Ela não somente será separada de
todas as coisas comuns, mas será também
plenamente saturada de Deus. Isso é o que significa
ser santo. O fato de que fomos escolhidos por Deus
Pai para ser santos indica que Ele tenciona entrar em
nosso ser e nos saturar de Sua natureza santa. Sem
Sua natureza trabalhada em nós, não podemos ser
santos.

II. NA PREDESTINAÇÃO DE DEUS


O versículo 5 diz que Deus Pai nos predestinou
para a filiação. Se a vida do Pai não entrou em nós,
como podemos ser Seus filhos? Impossível! A filiação
requer que sejamos saturados da vida do Pai. Não
somos filhos de Deus por afinidade ou adoção; mas
em vida e natureza. Visto que nascemos de Deus e
Deus nasceu em nós, temos Deus em nós. Isso indica
que Deus Pai Se trabalha em nós. O único modo de
ser filhos de Deus é Ele dispensar-Se a nós e então
trabalhar-Se em nós. Aleluia, somos filhos de Deus,
nascidos Dele!

III. NO SELAR DO ESPÍRITO SANTO


Como os que crêem, fomos selados com o
Espírito Santo (v. 13). O Espírito é o Deus Triúno nos
alcançando. Deus nos céus é o Pai, mas Deus vindo a
nós é o Espírito. O Espírito é o selo de Deus. Ser
selado com o Espírito Santo significa que Deus foi
dispensado ao nosso interior. Temos enfatizado que
esse selo vive e move-se em nós; o Espírito nos sela
constantemente com a essência de Deus. Ser selado
desse modo é ser saturado de tudo o que Deus é.
Portanto, o selar do Espírito Santo também indica
que Deus é trabalhado em nós.
Essa percepção subjetiva do selar do Espírito é
hoje negligenciada pelos cristãos. A maioria deles tem
ensinamentos objetivos, e não as experiências
subjetivas. Pelo selar do Espírito, Deus trabalha Sua
essência em nosso ser.

IV. NA ESPERANÇA DO CHAMAMENTO DE


DEUS
O versículo 18 fala da esperança do chamamento
de Deus. Um aspecto de nossa esperança é que
seremos transfigurados e glorificados com Cristo.
Essa transfiguração e glorificação é o resultado de
sermos saturados do Deus Triúno. A menos que Deus
sature todo o nosso ser, incluindo nosso corpo, não
poderemos ser glorificados. Isso também se refere à
dispensação de Deus a nós. Uma vez mais vemos que
Deus Se dispensa e trabalha a Si mesmo nos Seus
escolhidos. Esse é o conceito governante do capítulo
um.

V. NA GLÓRIA DA HERANÇA DE DEUS NOS


SANTOS
Efésios 1:18 também fala das riquezas da glória
da herança de Deus nos santos. Se Deus não for
trabalhado nos santos, como podem eles tornar-se
Sua herança, Sua propriedade particular? Os santos
tornam-se muito preciosos para Ele sendo saturados
da essência divina. Somente desse modo é que pobres
pecadores podem tornar-se o tesouro especial de
Deus. No universo Deus é o único que é precioso.
Agora, esse precioso Deus de valor incomparável
trabalha-Se em nós para fazer-nos Sua herança
gloriosa. Quando vier a Nova Jerusalém, veremos que
ela será totalmente uma herança valiosa, brilhando
com a glória de Deus. Portanto, o fato de que os
santos se tornam a herança gloriosa de Deus, um
precioso tesouro para Ele, indica que Ele Se trabalha
em nós.

VI. NO PODER QUE NOS CAPACITA A


PARTICIPAR DO QUE CRISTO ALCANÇOU
O Deus Triúno é dispensado a nós e trabalhado
em nosso interior na transmissão do poder divino
para capacitar-nos a participar do que Cristo
alcançou, para que sejamos Seu Corpo (vs. 19-23). O
que Cristo alcançou é a mais elevada realização no
universo, pois Ele efetuou a criação; passou pela
encarnação, crucificação e ressurreição; e ascendeu à
destra de Deus nas regiões celestiais. Tudo isso que
Ele alcançou é para a igreja. Como já enfatizamos, a
expressão “à igreja” no versículo 22 indica
transmissão, que é um ato de dispensar. O que quer
que Cristo tenha passado, realizado, obtido e
atingido, é agora transmitido à igreja.
Os cristãos de hoje não têm esse conceito. Antes,
estão cheios de ensinamentos éticos e absortos com
eles. Por essa razão precisamos enfatizar que o Deus
Triúno procura saturar-nos Dele mesmo.
Suponha que um pouco de tinta vermelha seja
injetada no centro de uma bola de algodão. Pouco a
pouco, o algodão suga a tinta. Desse modo, a tinta
gradualmente o satura. Somos como essa bola de
algodão. Um dia a tinta vermelha celestial foi
depositada no centro do nosso ser. A partir de então a
tinta, o próprio Deus, tem nos saturado. A nossa
responsabilidade agora não é imitar a tinta ou
copiá-la; é sugáIa, isto é, ser saturados dela. Sendo
totalmente saturados da tinta celestial, tomamo-nos a
tinta, pois ela é assimilada em nosso interior.
Perdeu-se esse conceito básico do Novo Testamento
nos ensinamentos cristãos de hoje. Se o
compreendermos, nossa vida cristã será
revolucionada e nossos conceitos, radicalmente
mudados.
Participamos do que Cristo alcançou para que
nos tornemos Seu Corpo. A eleição, predestinação,
selar, esperança, glória, poder são para o Corpo.

VII. NO CORPO, A PLENITUDE DO CRISTO


QUE A TUDO ENCHE
O Deus Triúno é dispensado a nós e trabalhado
em nós no Corpo, a plenitude do Cristo que a tudo
enche, para que sejamos Sua plena expressão (v. 23).
O resultado do sexto item é a produção do Corpo de
Cristo. O Corpo é a plenitude do Cristo que a tudo
enche e a expressão máxima do Deus Triúno. Essa é a
consumação final e máxima da dispensação de Deus
de acordo com Sua economia divina.
Vamos rever os sete itens no capítulo um que
provam que Deus Se dispensa a nós e trabalha em
nós. O primeiro item diz respeito à santidade. A única
maneira de ser santos é ter Deus trabalhado em nós.
Quando Ele nos elegeu, Sua intenção não era que
usássemos certa roupa ou penteássemos o cabelo de
certo modo. Precisamos lançar fora esse conceito de
santidade. Santidade é o próprio Deus trabalhado em
nós. Precisamos cuidar do dispensar de Deus ao
nosso interior. As roupas que vestimos devem
depender Dele. Ele vive, é real e sensível. Ser
saturado Dele é ser santo.
Do mesmo modo, a maneira de nos tomar filhos
de Deus não é melhorando-nos ou corrigindo-nos. A
esse respeito, ensinamentos e regulamentos não têm
valor algum. A única coisa que funciona é ter o Filho
de Deus dispensado a nós e trabalhado em nosso ser.
O mesmo ocorre com relação à redenção do
nosso corpo. Sendo saturados de Deus um dia
seremos plenamente redimidos. Essa não é a
redenção pelo sangue; é a redenção do nosso corpo
por meio da saturação de Deus. Romanos 8 diz que
essa redenção é a plena filiação, a completação da
filiação. Isso significa que a redenção do nosso corpo
é o passo final no processo de “filificação”. Deus agora
nos “filifica” saturando-nos Dele. Na época da
redenção do nosso corpo, essa obra de “filificação”
será completada.
A esperança da glória também se relaciona ao
Deus Triúno dispensado a nós e trabalhado em nosso
interior. De acordo com o ensinamento cristão
comumente aceito, seremos um dia repentinamente
transportados para um reino de glória. Contudo, a
única maneira de sermos glorificados é sermos
saturados de Deus dia após dia. O encargo do meu
ministério é que você seja saturado do Deus Triúno.
Desejo profundamente que Ele seja dispensado a você
e você seja saturado Dele. Essa saturação dura para
sempre; não pode ser erradicada. A glória vem dessa
saturação. Portanto, a vida cristã é uma vida de ser
saturado do Deus Triúno. Por fim, mediante essa
saturação, seremos glorificados.
O poder divino que é transmitido a nós
satura-nos do Deus Triúno. Vimos que esse poder é
para a igreja, para com os que cremos. A palavra
grega traduzida como “para com” no versículo 19
pode também ser traduzida “para dentro de”. Assim,
o poder divino entra em nós, os que cremos. Isso traz
a idéia de saturação. Cada parte e área de nosso ser
devem ser saturadas do poder divino. Isso é o que o
Senhor faz em Sua restauração hoje.
No dia em que nos arrependemos, o poder divino
foi instalado em nós. Agora ele não é meramente o
poder do alto; é o poder dentro de nós. Quando nos
abrimos, esse poder entra em ação para nos saturar
da essência divina transmitida a nós a partir dos céus.
Hoje essa transmissão se move em nosso interior,
assim como o sangue que circula em todo o nosso
corpo. Visto que nem sempre estamos abertos, ou
temos problemas na consciência, mente, emoção ou
vontade, a transmissão pode temporariamente ser
restringida. Se quisermos experimentar uma
transmissão contínua, precisamos arrepender-nos,
confessar e limpar todos os impedimentos. Então a
transmissão será restaurada e continuará a saturar
nosso ser.
É na dispensação do Deus Triúno a nós e no Seu
trabalhar-Se em nós que somos a igreja. Agora
podemos entender por que a igreja é mencionada no
final do capítulo um. Ela não é produzida colocando
os santos em uma organização. Antes, é produzida
pela transmissão vinda do Cristo ascendido. A igreja
produzida desse modo é o Corpo. As assim chamadas
igrejas não são o Corpo. Elas não são um organismo;
são, antes, parecidas com um corpo artificial, uma
organização. A igreja é o organismo que procede da
transmissão do Cristo todo-inclusivo. Essa igreja, o
Corpo de Cristo, é a plenitude Daquele que a tudo
enche em todas as coisas.
Corno é importante ver que Efésios 1 resulta no
Corpo! A igreja corno Corpo de Cristo é produzida
pelo bendizer de Deus, e o fator básico desse bendizer
é que a vida divina é dispensada a nós e trabalhada
em nosso interior. A igreja é o resultado do bendizer
de Deus, cujo fator básico é o Deus Triúno dispensado
a nós e trabalhado em nós. O dispensar de Deus
começou na eternidade passada; passou pela criação,
encarnação, crucificação, ressurreição e ascensão;
agora atinge Seus escolhidos para fazer deles Seu
povo santo, os filhos de Deus, os selados e o Corpo
corno plenitude de Cristo.
O Corpo provém da transmissão do Cristo
todo-inclusivo. Essa transmissão é a sorna total do
bendizer de Deus. Para desfrutar a transmissão
precisamos de mente sóbria, emoção fervorosa,
vontade submissa e consciência pura. Mediante a
experiência dessa transmissão tornamo-nos o Corpo.
O que precisamos hoje é mais dessa transmissão
todo-inclusiva. Aleluia, o Deus Triúno é transmitido a
nós! Portanto, não temos meros ensinamentos; temos
dispensação, transmissão e saturação. Esse é o
conceito básico de Efésios 1.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM VINTE
MORTOS EM OFENSAS E PECADOS
Nesta mensagem chegamos a Efésios 2. Vimos
que no capítulo um não há menção da misericórdia
de Deus porque ali tudo é excelente. Mas o capítulo
dois descreve uma situação miserável, uma condição
que requer a rica misericórdia de Deus. Nesta
mensagem abordaremos os três primeiros versículos
do capítulo dois.
Na verdade, o assunto principal de Efésios 2 não
é a situação miserável do homem caído, e, sim, a
produção e edificação da igreja. No final do capítulo
um, vemos a igreja como Corpo de Cristo produzida
pela transmissão do Cristo ascendido. É a igreja vista
do lado positivo, de cima. Contudo, não devemos ter
somente a vista de cima, mas também a de baixo. No
capítulo um, Paulo olha para a igreja do ponto de
vista das regiões celestiais. Dessa perspectiva ela é o
resultado da transmissão do Cristo ascendido. Mas,
no capítulo dois, ele a vê de baixo, do ponto de vista
da situação miserável do homem caído.

I. A CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO UM
Efésios 2:1 diz: “E vos vivificou, estando vós
mortos em ofensas e pecados” (VRC). Conforme a
gramática, “e” indica que a última sentença do
capítulo um não foi concluída. O último versículo ali
revela que a igreja, o Corpo de Cristo, foi produzida
por Ele mediante o que Ele alcançou. Já o capítulo
dois desvenda a situação anterior, a esfera de morte,
da qual ela foi gerada.
No capítulo um, o apóstolo Paulo fala muitas
coisas excelentes. Diz que a igreja vem à existência
pela maravilhosa transmissão do Cristo ascendido.
Também fala sobre Cristo e o poder que operou Nele
para levantá-Lo dentre os mortos, fazê-Lo sentar nos
lugares celestiais muito acima de tudo, sujeitar todas
as coisas debaixo de Seus pés e concedê-Lo como
Cabeça sobre todas as coisas para a igreja, que é Seu
Corpo, a plenitude Daquele que a tudo enche em
todas as coisas. Mas, como já dissemos, há o outro
lado da igreja. Existe o lado de Cristo e também o
nosso. Portanto, em 2:1, Paulo diz: “e (...) estando vós
mortos”. A igreja tem não só o aspecto da divindade,
mas também o da humanidade. No capítulo um,
vemos que ela é o resultado da divindade transmitida
a nós; no dois, vemos que ela provém da humanidade.
A conjunção “e” em 2:1 é significante ao juntar esses
dois aspectos da igreja.

II. MORTOS EM OFENSAS E PECADOS

A. Mortos Espiritualmente
O versículo 1 diz que estávamos mortos em
nossas ofensas e pecados. A expressão “estando vós
mortos” refere-se à condição morta do espírito, uma
morte que permeia todo o nosso ser. Não éramos
somente caídos e pecaminosos; estávamos mortos.
Ao pregar o evangelho em Shangai no dia de
ano-novo em 1947, disse às pessoas: “Amigos, nós,
pregadores cristãos, devemos ser honestos e dizer às
pessoas qual é sua real situação. Vocês não são
apenas pecadores; estão todos mortos. Todos estão
em um caixão e em um túmulo. Vocês podem
considerar-se damas e cavalheiros cultos, mas, na
verdade, estão mortos e sepultados em um túmulo.
Digo isso porque agora Cristo deseja vivificá-los e
levantá-los de seu caixão”. Essa é uma boa maneira
de pregar o Evangelho.
Pelo fato de o livro de Romanos lidar com
pecadores, não enfatiza que as pessoas caídas estão
mortas. Antes, a ênfase em Romanos é sobre pecados
e pecado. Mas a ênfase no livro de Efésios está na
morte, em lidar com pessoas mortas. A salvação
revelada em Romanos é a salvação de acordo com
ajustiça. Conforme Romanos 1:1617, o evangelho de
Deus é poderoso para salvar porque a justiça de Deus
se revela nele. Em Romanos, Deus nos salva por,
mediante e com Sua justiça. Em Efésios, contudo, Ele
salva os mortos com Sua vida. A justiça não beneficia
os mortos. O que eles precisam é vida. Muitos cristãos
não têm clareza sobre a diferença entre salvação pela
justiça e salvação pela vida. Por essa razão usam
Efésios para ilustrar a salvação pela justiça. Como
pecadores e pessoas mortas, precisávamos tanto da
justiça como da vida, tanto da salvação em Romanos
como da salvação em Efésios.

B. Perdemos a Função que nos Capacita a


Contatar Deus
Estando nós mortos em ofensas e pecados,
perdemos a função que nos capacita a contatar Deus.
A morte espiritual anulou a função do nosso espírito.
Não importa quão ativos fôssemos no corpo e na
alma, estávamos mortificados no espírito, incapazes
de contatar Deus.

C. Em Ofensas e Pecados
O versículo 1 diz que estávamos mortos em
ofensas e pecados. Ofensas são atos que ultrapassam
o limite do correto, e pecados são atos maus. Foi
dessa situação de morte em ofensas e pecados que
fomos salvos para ser a igreja, o Corpo. Os mortos
foram vivificados para ser um organismo vivo a fim
de expressar Cristo.
Precisamos dizer algo mais sobre ofensas. Ao
participar de uma corrida você deve permanecer na
raia. Ultrapassar as linhas da raia é cometer delito,
ofensa. Você tem o direito de correr no limite da raia,
mas, se correr fora dele, ultrapassa seus direitos.
Anos atrás fui ajudado por certo irmão que tinha
aprendido as lições de vida. Um dia ele testificou que,
após ter sido iluminado por Deus, percebeu que se
batesse à porta de alguém e ninguém respondesse,
não tinha o direito de entrar. Fazer isso seria
ultrapassar seus direitos. Fui muito ajudado por esse
testemunho. Depois disso, sempre que visitava
alguém, limitava-me ao aposento no qual foi-me dado
sentar. Não pensava em andar nas outras partes da
casa. Fazer isso seria ultrapassar meus limites e
cometer ofensa. Outros, contudo, podem não achar
errado andar pela casa alheia e até mesmo examinar
várias coisas nela. Embora justifiquem seu
comportamento, aos olhos de Deus ultrapassam seus
direitos.
Suponha que após a reunião um irmão deixe o
hinário na cadeira. Você acha que tem o direito de
folheá-lo? Não; não tem, a menos que seja
responsável por limpar o local ou coletar itens para o
setor de achados e perdidos. Mesmo que tenha a
responsabilidade de apanhar coisas no local, isso não
quer dizer que tenha o direito de folhear o hinário do
irmão.
Aos olhos de Deus, ultrapassamos nossos
direitos muitas vezes. Portanto, estávamos mortos em
ofensas. Além disso, estávamos também mortos em
pecados, em atos maus como mentir e roubar.

III. ANDAR SEGUNDO O CURSO DESTE


MUNDO
Referindo-se às nossas ofensas e pecados, o
versículo 2 diz: “Nos quais andastes outrora, segundo
o curso deste mundo”. “Este mundo” refere-se ao
sistema satânico composto de muitas eras. A palavra
curso, em grego, é a mesma para século ou era, e aqui
refere-se a uma parte, seção ou aspecto do sistema de
Satanás, particularmente à sua aparência moderna,
usada por ele para usurpar e ocupar as pessoas, e
mantê-las afastadas de Deus e de Seu propósito. Uma
vez mortos em ofensas e pecados, andávamos de
acordo com o curso (a aparência moderna, o presente
século) do mundo, o sistema satânico.
Todo o tempo em que estávamos mortos em
ofensas e pecados, éramos bastante ativos no mundo,
na esfera do reino satânico. O vocábulo traduzido por
“mundo”, cósmos em grego, significa sistema. Não é
um sistema divino ou humano; é satânico. Esse
sistema, o mundo, é composto de muitas eras, cada
qual é uma seção do sistema satânico. Cada era é
também um curso. Por essa razão a Versão Atualizada
de João Ferreira de Almeida adota a tradução “o
curso deste mundo”. Cada era tem um estilo e
aparência. O mundo aparecia a Abraão de uma
maneira, a Davi de outra e ainda a Paulo de outra.
Hoje o mundo também tem sua aparência moderna.
Além do mais, a era do mundo tem uma maré e uma
correnteza. Antes andávamos segundo a correnteza
do presente século. Seguir a tendência do presente
século é forte indício de que as pessoas estão mortas,
que são cadáveres carregados pela correnteza da era.
Vi uma excelente ilustração disso quando viajava
pelo interior da China em 1937. Um dia passei por um
córrego que descia a encosta de um monte. O córrego
estava cheio de folhas mortas levadas pela corrente.
Entre elas alguns peixinhos nadavam contra a
corrente. Por terem vida, podiam nadar contra a
corrente; mas, porque não eram vivas, as folhas
podiam apenas ser carregadas pela corrente. Não
tinham vida para resistir à correnteza e ir contra ela.
Quando alguém segue a presente correnteza do
mundo, está morto. A razão pela qual a correnteza do
presente século pode carregar tantas pessoas com ela
é que todas estão mortas. Em todo o mundo, em
todos os países, as pessoas estão mortas. Portanto,
sempre que a maré do presente século chega, são
imediatamente levadas por ela. No passado
estávamos mortos e éramos levados pela maré deste
século, mas agora que fomos vivificados, a corrente
não nos pode mover.

IV. ANDAR SEGUNDO O PRÍNCIPE DA


POTESTADE DO AR
Quando estávamos mortos em ofensas e pecados,
não somente éramos ativos em seguir o século deste
mundo; também andávamos “segundo o príncipe da
potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos
da desobediência”. O príncipe aqui refere-se a
Satanás, o príncipe da autoridade dos ares
mencionado em 6:12. O espírito, um aposto da
“potestade do ar”, refere-se ao poder conjunto, a
reunião de todas as autoridades celestiais malignas,
das quais Satanás é o príncipe. Esse espírito conjunto
agora opera nos filhos da desobediência. Mas nós,
antes filhos da desobediência, fomos salvos para ser a
igreja.
Acima de nós está a esfera governada por
Satanás, o príncipe da potestade do ar. Poucos
cristãos têm um entendimento adequado desse poder
maligno no ar. Toda a terra está sob o domínio desse
espírito no ar. Tal espírito maligno, essa atmosfera
maligna, é a causa dos crimes, assassinatos e até
mesmo suicídios. Ele influencia as pessoas a fazer
coisas malignas que, como seres humanos,
normalmente não fariam. A fonte desse mal está no
espírito, na atmosfera, que os domina. Esse espírito
agora atua nos filhos da desobediência, nos que são
desobedientes a Deus.

V. ANDAR SEGUNDO AS INCLINAÇÕES DA


CARNE
Já consideramos dois reinos nos quais éramos
ativos quando estávamos mortos em ofensas e
pecados: o reino do mundo e o reino da potestade do
ar. Agora precisamos considerar o terceiro reino: o
reino das inclinações, ou paixões, concupiscências, da
carne. O versículo 3 diz: “Entre os quais também
todos nós andamos outrora, segundo as inclinações
da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos
pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira,
como também os demais”. O termo “os quais” nesse
versículo refere-se aos filhos da desobediência, e a
palavra “nós” refere-se a todos os que crêem, tanto
judeus como gentios. Quando estávamos mortos em
ofensas e pecados, também andávamos de acordo
com as inclinações da carne, realizando os desejos
não somente da carne, mas também dos
pensamentos. Três coisas malignas, o curso deste
mundo fora de nós, o príncipe da potestade do ar
acima de nós e em nós, e as inclinações da carne em
nossa natureza caída, dominavam nossa vida. Fomos
salvos disso para nos tornar o Corpo de Cristo.
Antes de ser salvos, todos andávamos segundo as
inclinações da carne, fazendo tudo o que a carne e os
pensamentos desejassem. O termo “inclinações” no
versículo 3 refere-se aos gostos. No passado fazíamos
certas coisas simplesmente porque gostávamos de
fazê-las. Se gostávamos de dançar, íamos dançar. Se
gostávamos de ir a eventos esportivos, íamos. Se
gostávamos de ver vitrines, íamos vêIas. Os jovens de
hoje fazem tudo o que desejam, provavelmente mais
do que qualquer geração da história. Se lhes
perguntar por que fazem certas coisas, muitos
responderiam que apenas gostam de fazê-las. Esse é
um sinal claro de alguém morto. Ao fazer tudo que
desejam, muitos jovens são como automóveis sem
freios. Como é perigoso!

VI. POR NATUREZA FILHOS DA IRA


No versículo 3 Paulo diz que “éramos, por
natureza, filhos da ira, como também' os demais”.
Como filhos da desobediência, éramos também filhos
da ira. No reino da morte estávamos sob a ira de Deus
por causa da nossa desobediência. Contudo, fomos
salvos, tanto da nossa desobediência como da ira de
Deus.

VII. SALVOS PARA SER O CORPO DE CRISTO


Vimos três reinos nos quais éramos ativos: o
curso 'do mundo, a atmosfera maligna ao redor da
terra e as inclinações, ou concupiscências, da carne,
que incluem os desejos da carne e da mente. O
mundo está fora de nós, as inclinações, em nós, e a
atmosfera espiritual maligna, tanto acima como
dentro de nós. É impossível a pessoas mortas escapar
desses três reinos. Por natureza, todos os homens são
filhos da desobediência e da ira, sob o juízo de Deus.
Uma vez mortos em ofensas e pecados, essa também
era nossa condição. Louvado seja o Senhor, porque a
igreja foi retirada de tal reino de morte! Fomos salvos
para nos tomar o Corpo de Cristo. Agora não estamos
mais nesses três reinos, mas em Cristo, no Espírito e
nas regiões celestiais.
Efésios 2:1-3 dá uma clara descrição da nossa
condição segundo a natureza caída. Quando
estávamos em tal condição, estávamos mortos em
ofensas e pecados, e ainda assim bastante ativos no
curso do mundo, sob o domínio da atmosfera do ar, e
nos desejos da carne e dos pensamentos. Esse é o
pano de fundo negro contra o qual vemos a igreja. Ela
foi retirada de tal origem miserável. Aleluia! embora
estivéssemos mortos e em tal condição deplorável,
fomos salvos para nos tomar o Corpo de Cristo. Que
salvação!
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM VINTE E UM
SALVOS PELA GRAÇA PARA SER A OBRA-PRIMA DE
DEUS
Nesta mensagem chegamos a 2:4-10, trecho de
Efésios que revela que fomos salvos pela graça para
ser a obra-prima de Deus.

I. DEUS É RICO EM MISERICÓRDIA


O versículo 4, que nos diz que Deus é rico em
misericórdia, começa com as palavras “Mas Deus”.
Essa foi a grande mudança na nossa posição.
Estávamos numa situação miserável, contudo Deus
veio com Sua rica misericórdia para fazer-nos
adequados ao Seu amor.

II. O GRANDE AMOR DE DEUS COM QUE


NOS AMOU
Deus é rico em misericórdia “por causa do
grande amor com que nos amou” (v. 4). O objeto do
amor deve estar numa condição que o mereça, mas o
objeto da misericórdia sempre está numa situação
miserável. Portanto, a misericórdia de Deus alcança
mais longe do que Seu amor. Ele nos ama porque
somos objeto de Sua eleição. Mas tornamo-nos
lamentáveis pela nossa queda, até mesmo mortos em
ofensas e pecados; portanto, precisamos da Sua
misericórdia. Por causa de Seu grande amor, Deus é
rico em misericórdia para nos salvar de nossa posição
deplorável, colocando-nos numa condição adequada
ao Seu amor.
III. QUANDO ESTÁ VAMOS MORTOS EM
OFENSAS
A misericórdia de Deus nos alcançou estando nós
mortos em ofensas. Não merecíamos nada de Deus,
mas Ele teve misericórdia de nós em nossa situação
miserável.

IV. DEU-NOS VIDA JUNTAMENTE COM


CRISTO
O versículo 5 diz que Ele nos deu vida
juntamente com Cristo. O livro de Efésios não nos
considera pecadores corno o faz o livro de Romanos;
ele nos considera mortos. Corno pecadores
precisamos do perdão e justificação de Deus, corno
revela Romanos. Mas corno pessoas mortas
precisamos ser vivificados. Perdão e justificação nos
conduzem de volta à presença de Deus para que
desfrutemos Sua graça e participemos de Sua vida, ao
passo que dar-nos vida nos capacita, corno membros
vivos do Corpo de Cristo, a expressá-Lo. Deus nos deu
vida dispensando Sua vida eterna, que é o próprio
Cristo (Cl 3:4), ao nosso espírito mortificado, por
meio do Seu Espírito de vida (Rm 8:2). Ele nos
vivificou com Cristo. Deus nos deu vida quando
vivificou o Jesus crucificado. Portanto, Ele nos
vivificou com Cristo.
Corno parênteses no versículo 5, Paulo diz: “Pela
graça sais salvos”. A graça é gratuita. Aqui ela denota
não somente Deus gratuitamente dispensado a nós
para nosso desfrute, mas também Sua ação de
salvar-nos gratuitamente. Por tal graça fomos salvos
de nossa posição deplorável de morte e transferidos
para o maravilhoso reino da vida.
V. RESSUSCITOU-NOS E NOS FEZ
ASSENTAR
O versículo 6 diz: “E, juntamente com ele, nos
ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais
em Cristo Jesus”. Dar-nos vida é o passo inicial da
salvação de Deus na vida. A seguir, Ele nos
ressuscitou da posição de morte. Ser vivificado é uma
coisa; ser ressuscitado é outra. Considere a história
da ressurreição de Lázaro corno ilustração (10 11). O
Senhor primeiramente o vivificou, e então o
ressuscitou, isto é, fê-la sair do túmulo. No mesmo
princípio, a misericórdia de Deus primeiramente nos
vivificou, e depois nos ressuscitou dentre os mortos.
O versículo 6 diz que Ele nos ressuscitou e nos
fez assentar. Do nosso ponto de vista, fomos
ressuscitados, um por um, da nossa posição de morte.
Mas, aos olhos de Deus, fornos todos ressuscitados
juntamente, assim corno todos os israelitas saíram
juntamente das águas de morte do Mar Vermelho (Êx
14). De acordo com o livro de Êxodo, toda a
congregação dos filhos de Israel foi salva ao mesmo
tempo, pois atravessaram juntos o Mar Vermelho.
Essa é uma figura clara a mostrar que todos fomos
salvos juntamente; todos fornos vivificados e
ressuscitados ao mesmo tempo.
Mais uma vez gostaria de enfatizar que a salvação
em Efésios é diferente da salvação em Romanos. Em
Romanos a salvação é pela justiça de Deus; em
Efésios é pela vida divina. A salvação revelada em
Efésios não é a que satisfaz os justos requisitos de
Deus. É, antes, a que nos dispensa vida para fazer-nos
membros do Corpo de Cristo, para que se cumpra o
propósito eterno de Deus de ter um Corpo vivo para a
expressão de Cristo. Esse propósito se cumpre não
pela justiça, e, sim, pela vida. Portanto, Efésios 2
enfatiza que fomos vivificados juntamente com
Cristo.

A. Nas Regiões Celestiais


O versículo 6 diz que nos fez assentar juntamente
com Ele nas regiões celestiais. O terceiro passo da
salvação de Deus na vida é nos assentar nas regiões
celestiais. Ele não somente nos ressuscitou da posição
de morte, mas também nos fez assentar no mais
elevado lugar do universo.
As regiões celestiais são a alta posição para a qual
fomos salvos em Cristo. No livro de Romanos, Cristo
como nossa justiça conduziu-nos a uma posição tal de
modo que fôssemos aceitáveis a Deus. No livro de
Efésios, Cristo como nossa vida salvou-nos para tal
posição, para que estivéssemos acima de todos os
inimigos de Deus. As pessoas da igreja hoje estão nas
regiões celestiais.
A palavra “celestiais” 9 é bastante peculiar.
Refere-se não somente a um lugar mas também a
uma atmosfera, com certa natureza e característica. A
salvação de Deus pela vida nos conduziu a um lugar e
atmosfera celestiais, com características celestiais.
Quando nos reunimos, freqüentemente temos um
profundo sentimento de que não estamos numa
atmosfera terrena, e, sim, celestial. Contudo, se for ao
cinema ou algum outro lugar mundano, terá o
sentimento de que está imerso numa atmosfera
terrena. Visto que estamos numa atmosfera celestial
9
Em grego, há apenas o vocábulo celestiais; o termo regiões ou lugares é um acréscimo dos tradutores
em português para dar sentido à frase. (N.T.)
com uma natureza e características celestiais, somos
um povo celestial. A salvação de Deus nos transferiu
para tal reino e atmosfera.

B. Em Cristo Jesus
Foi em Cristo que Deus nos fez assentar
juntamente com Ele, uma vez por todas, nas regiões
celestiais. Isso foi realizado quando Cristo ascendeu
aos céus, e foi aplicado a nós pelo Espírito de Cristo
quando cremos Nele. Hoje percebemos e
experimentamos essa realidade em nosso espírito
mediante a fé no fato consumado.
Tanto Romanos como Efésios indicam que
estamos em Cristo. Em Romanos, porém, ser
transferido de Adão para Cristo é principalmente
uma questão de ser colocado numa posição
justificada. Contudo, em Efésios, estar em Cristo é
não somente uma questão de posição celestial, mas,
ainda mais importante, uma questão de vida. Visto
que estamos em Cristo, temos a vitalidade da vida.
Em Romanos Cristo é a justiça de Deus, enquanto em
Efésios Ele é vida. Portanto, conforme Romanos,
estar em Cristo significa estar numa posição
justificada, mas, de acordo com Efésios, estar em
Cristo significa ter a vitalidade da vida.

VI. AS SUPREMAS RIQUEZAS DA GRAÇA DE


DEUS
O versículo 7 diz: “Para mostrar, nos séculos
vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em
bondade para conosco, em Cristo Jesus”. A igreja é
produzida na era atual; os séculos vindouros são as
eras do milênio e da eternidade futura. Mostrar as
riquezas da graça de Deus é exibi-las publicamente a
todo o universo. As riquezas da graça de Deus
ultrapassam todo limite. São as riquezas do próprio
Deus para nosso desfrute. Elas serão publicamente
exibidas por toda a eternidade.
O versículo 7 diz que a suprema riqueza da graça
de Deus é em bondade para conosco, em Cristo Jesus.
Bondade é generosidade benevolente que resulta da
misericórdia e amor. É em tal bondade que a graça de
Deus é concedida a nós.

VII. PELA GRAÇA


O versículo 8 diz: “Porque pela graça sois salvos,
mediante a fé”. A palavra “porque” no início desse
versículo dá oportunidade a Deus de mostrar Sua
graça (v. 7). Visto que fomos salvos por Sua graça,
Deus pode mostrá-la.
Em Efésios, graça denota Deus dispensado a nós.
Portanto, ser salvo pela graça significa ser salvo tendo
Deus dispensado a nós. A maioria dos cristãos
considera graça algo, e não alguém. Para eles, graça é
meramente um presente dado gratuitamente. De
acordo com esse conceito de graça, éramos pecadores
que não mereciam a salvação de Deus, mas Ele nos
salvou gratuitamente concedendo-nos Seu favor, que
não merecíamos. Isso, contudo, é um entendimento
superficial de ser salvo pela graça.
João 1:17 diz que a graça veio por meio de Jesus
Cristo. Isso indica que graça é como uma pessoa.
Efésios revela que a graça salvadora é o próprio Deus
em Cristo trabalhado em nosso ser. Já dissemos que o
conceito governante em Efésios 1 é a dispensação do
Deus Triúno ao nosso ser. Portanto, ser salvo pela
graça quer dizer ser salvo pelo dispensar do Deus
Triúno a nós.
Muitos cristãos consideram salvação apenas ser
resgatado de uma situação lamentável. De acordo
com tal entendimento, ser salvo pela graça é ter o
Salvador, que é rico em misericórdia, a nos alcançar
em nossa situação inferior e a nos resgatar. Mas essa
não é a salvação revelada em Efésios. De acordo com
esse livro, salvação é a transmissão a nós do Cristo
encarnado, crucificado, ressurreto e ascendido.
Quando essa Pessoa entra em nós como graça, somos
salvos. Uma vez que recebemos tal transmissão
divina, somos vivificados, ressuscitados e assentados
com Cristo nas regiões celestiais. Portanto, em
Efésios graça é a própria Pessoa salvadora de Cristo.
Aleluia por tal salvação! Essa é uma definição mais
profunda da salvação pela graça.
Não foi algo simples Deus ser transmitido a nós
como graça. Ele teve de ser processado por meio da
encarnação, crucificação, ressurreição e ascensão.
Sendo processado desse modo, Ele agora é capaz de
transmitir-Se a nós. Quando é transmitido ao nosso
interior, o Deus processado toma-se a graça
salvadora. Essa graça é não somente a graça
maravilhosa; é a graça abundante. Graça é o Deus
processado transmitido ao nosso ser.
Não considere isso uma mera interpretação
humana. Se ler Efésios 1 e 2 com muita oração, verá
que o Deus processado e transmitido ao nosso ser é a
graça salvadora e a graça abundante. Fomos salvos
pela transmissão desse Deus processado.
Como já dissemos, essa graça tem riquezas
supremas. Tem muitos aspectos, virtudes e atributos,
tais como vida, luz e poder. Sem vida, luz e poder,
Deus não nos pode salvar. Por exemplo, como
resgatar uma pessoa que tenha caído num buraco se
você não tem força para levantá-la? Além disso, se
não tiver amor por ela, não se preocupará em
salvá-la. Para nos salvar, Deus precisava de amor e
sabedoria. Essas são algumas das supremas riquezas
da graça salvadora de Deus. Em Sua bondade para
conosco em Cristo Jesus, Ele nos salvou pela Sua
graça. Nas eras vindouras (no milênio e na eternidade
futura) Deus mostrará essa graça publicamente a
todo o universo.

VIII. PELA FÉ
No versículo 8 Paulo diz que pela graça fomos
salvos mediante a fé. Fé é tomar reais as coisas
invisíveis. É pela fé que tomamos real tudo o que
Cristo fez por nós. Por meio de tal capacidade de
tomar real fomos salvos pela graça. A ação gratuita de
Deus nos salvou mediante nossa fé que toma tudo
real.
Falando sobre fé, o versículo 8 também diz: “E
isto não vem de vós; é dom de Deus”. A fé não vem de
nossas obras, nem de nossos esforços ou lutas; é dom
de Deus para que ninguém se glorie (v. 9). A fé não
vem de nós mesmos. Embora creiamos, a fé com a
qual cremos não se origina de nós. Em nós mesmos
não temos fé alguma. Contudo, quando nos
arrependemos e confessamos a Deus em nome do
Senhor Jesus, a capacidade de crer foi colocada em
nós. Antes de ser salvos, éramos totalmente incapazes
de crer. Mas no dia em que fomos salvos, a fé foi
dispensada a nós, e cremos. Alguém pode perguntar
como podemos crer em Jesus Cristo se nunca O
vimos. Embora nunca O tenhamos visto, não
podemos deixar de crer Nele. Essa fé não vem de nós
mesmos; é parte da graça transmitida a nós.
Fé, na verdade, é um aspecto de Cristo. É por isso
que a Bíblia fala da fé de Cristo (Rm 3:22, segundo o
original). Em Gálatas 2:20 Paulo diz: “A vida que
agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus”
(VRC). Fé é o próprio Cristo. Quando me ouvem,
alguns podem achar que para mim Cristo é tudo. Está
correto. A fé dada a nós é a fé comum aos que crêem
(Tt 1:4). A fé é dada, é recebida e é comum. Quando
juntamos esses fatos, vemos que essa fé é o próprio
Cristo.
Se houver um diamante magnífico à sua frente,
você espontaneamente irá apreciá-lo. Esse apreço não
se origina em você, e, sim, no diamante. Em certo
sentido, seu apreço é o próprio diamante. Você
certamente não teria o mesmo apreço por barro. Um
diamante é digno de apreço; o barro, não. Do mesmo
modo, a razão pela qual não colocamos nossa fé em
Sócrates ou Confúcio é que não se pode crer neles.
Mas, pelo fato de ser possível crer em Cristo,
colocamos nossa fé Nele. Nossa fé em Cristo não
procede de nós; procede Dele. Quando O vemos, a fé é
dispensada a nós. Portanto, não é absurdo dizer que
fé é Cristo. Isso é como dizer que santidade, amor,
justiça, paciência e perseverança são Cristo.
Visto que a fé única é o próprio Cristo, nós, que
cremos Nele, temos uma fé comum. Você não tem um
tipo de fé, e eu, outro. Quando Cristo veio até você,
você creu; e, quando Ele veio a mim, eu cri. Sempre
que Cristo vem a uma pessoa, ela crê Nele. Isso é
outra indicação de que a fé vem não de nós, mas de
Cristo.
Uma vez que a fé é dom de Deus e não de nossas
obras, nenhum de nós tem o direito de orgulhar-se.
Pelo contrário, todos devemos humildemente dizer:
“Senhor, se tu não tivesses vindo a mim, eu não teria
nenhuma fé. Mas Te louvo porque vieste, e eu recebi a
fé! Senhor, Tu és minha fé”.

IX. A FEITURA DE DEUS


Fomos salvos pela graça por meio da fé para ser a
obra-prima de Deus. O versículo 10 diz: “Somos
feitura dele”. Essa palavra pode também ser
traduzida por “obra-prima”. A palavra grega poiema
significa algo produzido, um trabalho manual, ou algo
escrito ou composto como poema. Poesia não é
somente um escrito poético; qualquer trabalho de
arte que expresse a sabedoria e desígnio do autor
pode ser considerado poema. Nós, a igreja, a
obra-prima do trabalho de Deus, somos a mais
elevada poesia, expressando Sua infinita sabedoria e
Seu desígnio divino.
Deus fez muitas coisas, mas nenhuma delas é tão
amada, preciosa, valiosa e desejável como a igreja.
Ela é a obra-prima de Deus. Escritores, compositores
e artistas sempre tentam produzir uma obra-prima,
um trabalho notável. Deus criou os céus e a terra, mas
nenhum dos dois é Sua obra-prima. De modo
semelhante, criou o homem, contudo nem mesmo o
homem é Sua obra-prima. Somente um item da obra
de Deus no universo é Sua obra-prima: a igreja. Como
obra-prima de Deus, a igreja é o Corpo de Cristo, a
plenitude Daquele que a tudo enche em todas as
coisas. Que obra poderia ser maior do que essa? Além
disso, a igreja como obra-prima de Deus é o novo
homem corporativo e universal (2:15). Visto que
enxergamos as coisas do ponto de vista da “cozinha”
desarrumada da vida da igreja, talvez não
percebamos que a igreja é tal obra-prima. Mas um dia
veremos que somos o Corpo e o novo homem, a
obra-prima de Deus.

X. CRIADOS

A. Em Cristo Jesus
O versículo 10 diz que somos obra-prima de Deus
“criados em Cristo Jesus”. Como a obra-prima do
trabalho de Deus nós, a igreja, somos um item
absolutamente novo no universo, algo
recém-originado por Deus. Fomos criados por Ele em
Cristo mediante a regeneração para ser Sua nova
criação (2Co 5:17).

B. Pela Mescla de Deus com o Homem


A obra-prima de Deus é absolutamente nova
porque é a mescla de Deus com o homem. Podemos
também dizer que a igreja é uma entidade híbrida, a
mescla de duas vidas. Nossos opositores nos acusam
de ensinar que a igreja é Deus. Mas não dizemos isso.
Contudo, afirmamos que a igreja é a mescla de Deus
com o homem. A obra-prima de Deus, Sua maior
feitura, é o fato de Ele Se dispensar ao homem e de
constituí-lo uma unidade com Ele para produzir a
igreja.
Como já dissemos, essa obra-prima é um poema,
um trabalho artístico, que expressa a sabedoria, o
desígnio e a beleza do autor. A igreja é o poema de
Deus que proclama Sua sabedoria. De acordo com
3:10, a sabedoria multiforme de Deus se tornará
conhecida por meio da igreja. Os hinos expressam a
sabedoria de seus autores. Nas eras vindouras, no
milênio e na eternidade, haverá um único hino, a
igreja, que expressará a sabedoria e o desígnio de
Deus. Quando virmos a Nova Jerusalém, poderemos
louvar a Deus pela beleza, sabedoria e desígnio
manifestados em tal maravilhosa produção. Ela será o
poema de Deus, Sua obra-prima. Quando a
contemplarmos no novo céu e nova terra, poderemos
dizer: “Esse é o melhor hino jamais composto em
todo o universo!” Esse era o conceito de Paulo ao
escrever Efésios 2.

C. Para Boas Obras


Finalmente, somos a obra-prima de Deus criados
em Cristo Jesus “para boas obras, as quais Deus de
antemão preparou para que andássemos nelas” (v.
10). As boas obras para as quais Deus nos criou não
são as coisas boas conforme nosso conceito geral, e,
sim, as boas coisas definidas que Deus planejou e
ordenou de antemão para que andássemos nelas.
Essas boas coisas devem ser a realização da Sua
vontade de que vivamos a vida da igreja e levemos o
testemunho de Jesus, como revelam os capítulos
seguintes desse livro. Portanto, precisamos fazer a
vontade de Deus, viver a vida da igreja e levar o
testemunho de Jesus. Essas são as boas obras
preparadas de antemão por Deus para que nós, Sua
obra-prima, andemos nelas. Portanto, 2:4-10 revela
que fomos salvos pela graça para ser a obra-prima de
Deus, para que andemos nas boas obras preparadas
de antemão por Ele.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM VINTE E DOIS
ANTES LONGE, MAS AGORA PERTO
Efésios 2:1-3 nos dá um quadro da nossa
condição por natureza. Nesta mensagem precisamos
ver que os versículos 11 e 12 retratam nossa posição
de acordo com nossa situação. Devido à nossa
natureza pecaminosa, estávamos numa condição de
morte; conforme nossa posição, estávamos longe de
Deus, de Cristo, do reino de Deus, das Suas bênçãos,
da Sua promessa e de tudo o que se relaciona com
Ele.

I. OS GENTIOS, OU NAÇÕES, NA CARNE


O primeiro ponto a respeito da nossa posição é
que éramos gentios na carne (v. 11). O termo grego
traduzido por gentios também quer dizer nações.
Portanto de acordo com a nossa posição éramos as
nações na carne.
O homem que Deus criou para cumprir Seu
propósito era puro, sem pecado ou qualquer mistura
negativa. Contudo, o pecado, a natureza maligna de
Satanás, entrou no homem por meio da queda.
Quando isso ocorreu, primeiramente fez com que o
corpo humano se tornasse carne, cheio de
concupiscências, e por fim fez com que todo o ser do
homem se tomasse carne. Num sentido bastante real,
Deus criou somente o corpo do homem, e não a carne.
Mas quando o pecado entrou no corpo do. homem, o
corpo foi transformado em natureza e tomou-se
carne. O corpo era o vaso puro criado por Deus; a
carne é o corpo corrompido. Deus não criou as
concupiscências no corpo do homem. Elas vieram do
pecado. De acordo com a Bíblia, o homem caído por
fim tomou-se totalmente carne. As pessoas caídas
vivem conforme a carne, e não de acordo com o
espírito, a consciência ou a razão. Visto que aos olhos
de Deus o homem caído tomou-se carne, a Bíblia diz:
“Nenhuma carne será justificada diante dele pelas
obras da lei” (Rm 3:20 — VRC). A palavra “carne”
nesse versículo denota uma pessoa caída que vive
conforme a carne e tomou-se carne.
Uma vez que todo o seu ser tomou-se carne, o
homem foi danificado e impedido de cumprir o
propósito de Deus. Visto que a humanidade como um
todo não podia cumprir Seu propósito, Deus chamou
dentre a humanidade caída uma raça (Abraão e seus
descendentes) para a realização do Seu propósito. Ele
então ordenou a Abraão e a seus descendentes que
fossem circuncidados, isto é, eliminassem a carne.
Assim, a circuncisão indica que o povo escolhido de
Deus deve colocar de lado a carne. O fato de a raça
chamada ser circuncidada significava que eram
separados da humanidade caída e libertados da
condição caída. A circuncisão fazia enorme distinção
entre eles e o resto da humanidade. Eles são
chamados circuncisão, os que são separados da
situação caída. O restante da humanidade é chamado
incircuncisão, os que permanecem na condição caída.
Visto que Abraão e seus descendentes, a raça
chamada, eram circuncisos, os que permaneceram no
estado caído tomaram-se os gentios na carne, as
nações. Estávamos nessa categoria antes de estar em
Cristo.

II. A INCIRCUNCISÃO
O versículo 11 diz que os gentios na carne eram
“chamados incircuncisão pelos que, na carne, se
chamam circuncisão feita pela mão dos homens”
(VRC). Os termos “incircuncisão” e “circuncisão”
nesse versículo aplicam-se a pessoas; não se referem
a ações. A circuncisão são os circuncisos, e a
incircuncisão, os incircuncisos.

III. SEM CRISTO


O versículo 12 diz que “naquele tempo, estáveis
sem Cristo”. Cristo, em quem estão corporificadas
todas as bênçãos de Deus aos Seus escolhidos, veio de
Israel, o povo circunciso. Visto que nós, os gentios
incircuncisos, estávamos separados de Israel,
estávamos sem Cristo, nada tendo a ver com Ele.

IV. SEPARADOS DA COMUNIDADE DE


ISRAEL
O versículo 12 também diz que estávamos
“separados da comunidade de Israel”. “Comunidade”
aqui refere-se à cidadania, aos direitos civis, do povo
escolhido de Deus, incluindo Seu governo, bênção e
presença. Por meio da queda, a humanidade perdeu
todos os direitos que Deus desejava para o homem
em sua criação. Chamando Abraão, Deus conduziu
Seu povo escolhido de volta a todos esses direitos por
meio da circuncisão. Contudo nós, gentios
incircuncisos, ainda continuávamos separados deles.

V. ESTRANHOS ÀS ALIANÇAS DA
PROMESSA
Conforme o versículo 12, éramos também
“estranhos às alianças da promessa”. As alianças de
Deus são Suas promessas. Sua promessa é Sua
palavra de que fará gratuitamente certas coisas por
Seu povo escolhido. Tal promessa não é uma
exigência, requerimento ou repreensão. O conceito
básico da promessa de Deus é que ela é Sua palavra.
Sem' a palavra não há promessa.
Por fim, a promessa de Deus tornou-se a aliança
de compromisso porque foi legalizada pelos
procedimentos necessários. Tanto no Antigo como no
Novo Testamento as promessas de Deus foram
legalizadas para tornar-se uma aliança de
compromisso. Você pode perguntar-se que
procedimento era necessário para legalizar a
promessa de Deus, tornando-a uma aliança. A melhor
ilustração é a morte do Senhor Jesus para perdoar os
nossos pecados. O Senhor prometeu que derramaria
Seu sangue na cruz para que recebêssemos o perdão
dos pecados. A promessa do perdão foi legalizada
pelo derramamento do Seu sangue. Por meio desse
procedimento, Sua promessa tornou-se uma aliança.
Nenhuma promessa compromete uma pessoa
tanto quanto uma aliança. Os homens podem fazer
promessas sem se comprometer por elas. Mas, uma
vez que pagamos o preço para que a promessa se
tome aliança, estamos comprometidos pela aliança
que fizemos. O preço é o procedimento necessário
para fazer da promessa uma aliança.
Todas as palavras que Deus falou a Seu povo
escolhido, desde Abraão até Malaquias, são Suas
promessas legalizadas para ser Suas alianças. Essas
palavras abrangem todo o Antigo Testamento, de
Gênesis 12 ao fim do livro de Malaquias. Visto que
essas palavras foram legalizadas para ser a aliança de
Deus, o Antigo Testamento é chamado testamento,
outro termo para aliança. Toda a Bíblia é uma aliança,
e o Antigo Testamento é a antiga aliança.
Antes de crer em Cristo nós, os gentios, não
somente estávamos separados da comunidade de
Israel, mas éramos também estranhos às alianças da
promessa de Deus. Vimos que a promessa é a palavra
de Deus, que a promessa tomou-se aliança de
compromisso, e que todas as palavras de Deus a Seu
povo foram legalizadas por Ele na forma de aliança.
Antes de ser salvos, éramos estranhos à aliança da
promessa de Deus.

VI. SEM ESPERANÇA


Conforme nossa posição antes de ser salvos, não
tínhamos nenhuma esperança. Todas as bênçãos de
Deus estavam contidas em Cristo; todos os direitos
civis estavam relacionados com a nação de Israel; e
todas as coisas positivas estavam prometidas nas
alianças de Deus. Visto que estávamos sem Cristo,
separados da comunidade de Israel e estranhos à
aliança da promessa de Deus, não tínhamos
absolutamente nenhuma esperança.

VII. SEM DEUS


Como gentios na carne estávamos também sem
Deus (v. 12). Deus está em Cristo; Ele governa e se
move na comunidade de Israel e derrama Suas
bênçãos conforme Suas alianças. Quando estávamos
separados de Cristo, da comunidade de Israel e das
alianças da promessa de Deus, estávamos sem Deus.
Não O tínhamos como nosso desfrute.

VIII. NO MUNDO
O versículo 12 também salienta que estávamos
“no mundo”. O mundo, que é o sistema de Satanás,
contrasta com a comunidade de Israel. A comunidade
de Israel era o reino de Deus, enquanto o mundo é o
reino de Satanás. Antes de ser salvos vivíamos no
mundo, onde não tínhamos esperança, expectativa e
Deus como desfrute. Essa é a razão pela qual
buscávamos divertimentos mundanos. As pessoas do
mundo hoje estão famintas por divertimentos porque
não têm Deus como desfrute. Mas agora que estamos
em Cristo, temos Deus como desfrute. Que satisfação!
Vários anos atrás alguns de meus amigos não
salvos perguntaram-me por que eu não me envolvia
com certos jogos de azar. Disse-lhes que estava
ocupado desfrutando a Bíblia e não tinha tempo para
tais jogos ou interesse por eles. Quando me
perguntaram por que não ia ao cinema, respondi que
tinha um cinema celestial, a vida da igreja, onde
podia enxergar a visão celestial. Por ter tal desfrute
pleno de Deus, não há lugar em mim para
divertimentos mundanos. Hoje não estamos mais no
mundo; estamos em Cristo, no Espírito e nas regiões
celestiais.
Temos agora um quadro claro da nossa posição
antes de ser salvos. Estávamos na posição de gentios
na carne, a incircuncisão, sem Cristo, separados da
comunidade de Israel e estranhos às alianças da
promessa. Não tínhamos esperança alguma e
estávamos sem Deus no mundo. Conforme nossa
natureza, estávamos na morte; conforme nossa
posição, éramos estranhos a Deus, a Cristo, à
promessa de Deus, ao reino de Deus e a tudo o que se
relaciona a Ele. Uma vez que estávamos em tal
posição, não tínhamos nenhuma esperança, assim
como não tínhamos Deus como desfrute. No mundo
buscávamos divertimentos pecaminosos na tentativa
de achar satisfação. Contudo, a igreja foi gerada a
partir de tal condição e posição deploráveis. Deus nos
salvou dessa condição e nos fez membros do Corpo de
Cristo. Somos agora a obra-prima de Deus e temos
uma nova condição, posição e natureza.
Efésios 2:13 diz: “Mas, agora, em Cristo Jesus,
vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo
sangue de Cristo”. O versículo 4 começa com as
palavras “mas Deus”, e o versículo 13 começa com as
palavras “mas, agora”.
Em Efésios 2, Paulo apresenta dois quadras: o da
nossa condição conforme nossa natureza (vs. 1-3) e o
da nossa posição conforme nosso status (vs. 11-12).
Era principalmente devido à nossa natureza
caída que estávamos em tal posição deplorável.
Segundo a natureza, éramos caídos; segundo a
posição, estávamos longe de Deus, de Cristo, da
comunidade de Israel e das alianças da promessa.
Efésios 2 revela que precisamos não somente ser
salvos da nossa condição pela graça de Deus, mas
também ser transferidos da nossa posição pela
redenção de Cristo. Quando somos transferidos da
nossa posição anterior, nós, que antes estávamos
longe, somos aproximados.
Deus nos salvou trabalhando-Se em nós para ser
nossa salvação. Essa é a graça salvadora que nos
resgata da condição causada por nossa natureza
caída. Quando a vida entrou em nós, fomos salvos da
condição de morte. Deus também nos transferiu da
posição anterior para nova posição, onde temos novo
status.
IX. ANTES LONGE
Para que apreciemos o versículo 13, precisamos
rever os pontos principais nos versículos 11 e 12.
Antes de ser salvos, éramos os gentios na carne,
chamados incircuncisão. O homem que Deus criou
para cumprir Seu propósito era puro, sem pecado ou
qualquer mistura negativa. Contudo, o pecado, a
natureza maligna de Satanás, entrou no homem por
meio da queda, fazendo primeiramente com que seu
corpo se tomasse carne, cheio de concupiscências, e
fazendo com que todo o seu ser, por fim, se tomasse
carne. O homem, portanto, foi danificado e não podia
cumprir o propósito de Deus. Deus, então, chamou
dentre a humanidade caída uma raça: Abraão e seus
descendentes. Para cumprir o Seu propósito, Deus
ordenou que fossem circuncidados, isto é, que
eliminassem a carne. Isso separou o povo de Deus da
humanidade caída e o livrou da condição caída. A
circuncisão fez enorme distinção entre eles e o resto
da humanidade, que foi dali em diante considerada a
incircuncisão, os que permanecem na condição caída.
Estávamos nessa categoria antes de ser trazidos a
Cristo.
Visto que estávamos separados de Israel, do qual
Cristo veio, estávamos separados de Cristo e nada
tínhamos a ver com Ele. Além disso, estávamos
separados da comunidade de Israel e éramos
estranhos às alianças da promessa. Ainda mais, não
tínhamos esperança, estávamos sem Deus e no
sistema satânico do mundo. Uma vez longe de Cristo,
da comunidade de Israel e das alianças da promessa
de Deus, estávamos longe de Deus e de todas as Suas
bênçãos.
X. MAS AGORA FOMOS APROXIMADOS
As palavras preciosas “mas, agora” (v. 13)
indicam que agora temos esperança assim como
temos Deus. Não mais estamos no mundo; estamos,
antes, em Cristo Jesus. Fomos aproximados Nele.
Mas de que, ou de quem, fomos aproximados?
Fomos aproximados não somente de Deus, mas
também de Cristo, de Israel e da promessa de Deus.
Isso equivale a estar perto de Deus e de todas as Suas
bênçãos. Portanto, no sangue redentor de Cristo
fomos aproximados tanto de Deus como de Israel.
Já dissemos que antes estávamos longe de Cristo,
da comunidade de Israel e das alianças da promessa
de Deus. Isso equivale a estar longe de Deus e de
todas as Suas bênçãos. Mas agora, em Cristo, fomos
aproximados das próprias coisas das quais antes
estávamos longe. Fomos transferidos da posição
anterior para Cristo. Visto que nossa nova posição e
status são Cristo, não mais estamos longe.
O versículo 13 diz especificamente que fomos
aproximados no sangue de Cristo. Isso significa que
não somente estamos no Messias, mas também na
redenção por Ele realizada. Os judeus ainda esperam
que o Messias venha; contudo, não percebem o
quanto precisam da redenção Dele. A transferência
da posição anterior para a nova posição em Cristo foi
na verdade realizada pela redenção de Cristo.
Estávamos numa posição inferior porque tínhamos
caído. Quando Cristo derramou Seu sangue na cruz
pela nossa redenção, esse sangue nos retirou da
posição inferior. Agora que fomos transferidos pelo
sangue de Cristo, estamos em Cristo e nas regiões
celestiais. Estamos, portanto, próximos de Deus.
Estamos também próximos de Israel, da promessa de
Deus e das Suas bênçãos. Em outras palavras, nessa
posição celestial somos um com Deus, um com o
Israel adequado, um com as alianças de Deus e um
com Suas bênçãos. Uma vez transferidos da posição
anterior para a nova posição, podemos participar de
tudo que é de Deus. Essa é nossa porção em Cristo.
Fomos salvos da condição caída pela vida, e
transferidos da posição anterior pela redenção de
Cristo. Agora desfrutamos a salvação e participamos
de tudo o que é de Deus. Aleluia, fomos salvos e
transferidos! O capítulo dois apresenta um quadro
claro de como fomos salvos da condição miserável
para ser a obra-prima de Deus, e de como fomos
transferidos da posição (e status) anterior para nos
tornar o novo homem, a comunidade de Deus, Sua
farru1ia e habitação. Essa é a revelação em Efésios 2.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM VINTE E TRÊS
A ELIMINAÇÃO DA PAREDE DE SEPARAÇÃO
Nesta mensagem consideraremos a questão da
eliminação da parede de separação (2:14-15).

I. CRISTO É NOSSA PAZ


Falando sobre Cristo, 2:14 diz: “Ele é a nossa
paz”. A palavra “nossa” refere-se aos crentes, tanto
judeus como gentios. Por meio do sangue de Cristo
fomos aproximados de Deus e de Seu povo. Cristo,
que realizou a plena redenção para os crentes judeus
e gentios, é, Ele mesmo, a nossa paz, nossa harmonia,
pois fez de ambos um só. Devido à queda da
humanidade e ao chamamento da raça escolhida,
havia separação entre Israel e os gentios. Mediante a
redenção de Cristo, essa separação foi removida.
Agora os dois são um só no Cristo redentor, que é o
vínculo da unidade.
Hoje ainda há separação entre Israel e o restante
da humanidade. Mas, conforme a economia de Deus,
essa separação já foi removida. Aos olhos de Deus, ela
foi removida pela redenção de Cristo na cruz. Agora o
próprio Cristo que removeu a separação é o vínculo
da paz entre Israel e os gentios.

II. CRISTO DERRUBOU A PAREDE DE


SEPARAÇÃO

A. A Parede de Separação É a Lei dos


Mandamentos na Forma de Ordenanças
O versículo 14 fala da parede de separação. Essa
parede é “a lei dos mandamentos na forma de
ordenanças” (v. 15) dada por causa da carne do
homem. A primeira dessas ordenanças era a
circuncisão para eliminar a carne do homem. A
circuncisão tornou-se a parede de separação porque
fazia a principal distinção entre os judeus, a
circuncisão, e os gentios, a incircuncisão. Assim, a
parede de separação, essa distinção, tornou-se a
inimizade entre os judeus e os gentios.
Na lei de Moisés havia dois tipos de
mandamentos: os morais, tais como não roubar e
honrar os pais, e os rituais, tal como guardar o
sábado. Os que diziam respeito à circuncisão e às
regras de alimentação eram mandamentos rituais, e
não morais. Em Levítico 11 há vários mandamentos
sobre alimentação. É claro que eles nada têm a ver
com moralidade. A moralidade de uma pessoa não é
afetada pelo fato de ela comer ou não algo
considerado impuro.
As três principais ordenanças do judaísmo eram
a circuncisão, o guardar o sábado e as regras de
alimentação. Todo israelita do sexo masculino devia
ser circuncidado no oitavo dia. Além disso, os judeus
tinham de guardar o sábado e observar numerosos
regulamentos a respeito de alimentação. Essas
ordenanças eram as três principais colunas do
judaísmo. Quando estava na terra, o Senhor Jesus
derrubou a coluna que dizia respeito a guardar o
sábado. Através dos anos do Seu ministério, Ele
intencionalmente quebrou o sábado, curando pessoas
nesse dia. Os judeus ficaram extremamente ofendidos
com isso. Então Pedro tomou a frente para quebrar os
regulamentos de alimentação, embora o tenha feito
de modo fraco. Visto que recebera a visão em Atos 10,
ele foi forçado a abandonar esses regulamentos.
Contudo, em Gálatas 2, Pedro afastou-se de comer
com os gentios quando alguns desceram de
Jerusalém. Apesar disso, ao ser quebrados os
regulamentos de alimentação, outra coluna do
judaísmo foi derrubada. O apóstolo Paulo derrubou a
coluna da circuncisão. Em Filipenses 3 ele até mesmo
usou um novo termo depreciativo, “mutilação”10, para
substituir o termo honroso, “circuncisão”. Além
disso, referiu-se aos da circuncisão como “cães” e
disse aos Filipenses: “Acautelai-vos dos cães!” Não é
de admirar que os judeus tentassem matá-lo! Em
certo sentido ele era, aos olhos deles, até mesmo pior
do que Jesus, pois a circuncisão era a principal
ordenança do judaísmo; significava para eles mais do
que o sábado ou os regulamentos de alimentação.
Portanto, por meio da obra do apóstolo Paulo, o que
restou da estrutura do judaísmo desmoronou.
Precisamos ter em mente a diferença entre leis
morais e leis rituais. As leis morais nunca serão aboli
das, nem nesta era, nem no milênio, nem na
eternidade. Os mandamentos rituais, ao contrário,
não são permanentes. Se uma pessoa pode comer
carne de porco ou deve guardar o sábado ou praticar a
circuncisão depende de em qual era vive. Todo judeu
do sexo masculino nascido após Abraão e antes de
João Batista era obrigado a praticar a circuncisão. De
modo semelhante, os mandamentos a respeito do
sábado e da alimentação vigoraram por certo tempo.
Por “parede de separação” Paulo queria dizer a
lei de mandamentos na forma de ordenanças, os
mandamentos rituais relacionados com a circuncisão,
10
Ver nota de rodapé em Fp 3:2. na VRA. (N.T.)
com o sábado e com a alimentação. A lei dos
mandamentos rituais era uma parede de separação
entre judeus e gentios. Como veremos, toda e
qualquer ordenança ou ritual é uma parede de
separação.
Os mandamentos rituais foram dados
primeiramente por causa da carne do homem. A
circuncisão, por exemplo, era necessária porque o
homem se tornara carnal. Assim, Deus ordenou-lhe
cortar a carne. Os mandamentos rituais a respeito da
alimentação foram dados para que o povo escolhido
de Deus fosse cuidadoso em se guardar limpo.
Animais que não tinham cascos fendidos e não
ruminavam eram impuros. O casco fendido simboliza
discernimento ao andar; indica que não devemos
andar em lugar contaminado. O povo de Deus precisa
ter discernimento aguçado no andar diário. Além
disso, precisa aprender a “ruminar”, tomando a
palavra de Deus e considerando-a diversas vezes. Pelo
fato de as pessoas caídas não terem o discernimento
necessário e não considerarem a palavra de Deus,
esses mandamentos foram dados ao Seu povo
escolhido. Contudo, tais ordenanças tornaram-se a
parede de separação entre judeus e gentios. Além
disso, essa distinção e separação tornou-se a causa da
inimizade entre a circuncisão (os judeus) e a
incircuncisão (os gentios).
Toda ordenança cria inimizade. Em 1963 fui
convidado a falar numa reunião em Tyler, Texas. Na
reunião, comecei a dizer “Amém” bem baixinho.
Imediatamente alguém me advertiu que as pessoas
neste país não toleram isso. Após aquela advertência,
não ousei dizer “Amém”. Se insistisse em fazê-lo, uma
separação teria sido erigida, assim como teria sido
criada uma inimizade.
É até mesmo possível que a prática de orar-ler se
torne uma parede de separação e fonte de inimizade.
Embora possa achar o orar-ler muito útil, você não
deve insistir nisso se os outros não concordam.
Fazê-lo é causar separação e criar inimizade.
Devemos ser cuidadosos em não trazer nenhuma
ordenança para a vida da igreja, pois toda ordenança
mata. Alguns podem preferir gritar nas reuniões,
enquanto outros podem preferir o silêncio. É possível
formular ordenanças sobre gritar ou ficar quieto.
Essas ordenanças causam não somente divisão, mas
também inimizade. Tenho testemunhado a inimizade
criada por tais ordenanças.
Em 1963 fui visitar certo grupo em Los Angeles
com alguns irmãos. Na reunião eu simplesmente fazia
tudo o que os outros faziam. Mais tarde um irmão
perguntou-me como eu podia fazer isso. Respondi:
“Que havia de errado naquela prática? Era
pecaminosa? Por que não a faria? Por que você insiste
em ser diferente dos outros santos?” Particularmente,
não me interessava por algumas das práticas naquela
reunião, mas participei delas a fim de remover a
parede de separação.
Tive uma experiência similar na Manchúria em
1933. Em minha visita, fiquei hospedado um dia na
casa de alguns cristãos japoneses. Assim como vários
jovens chineses, tinha sido ensinado a não ver com
bons olhos os japoneses, devido à relação política
hostil entre China e Japão. Contudo, quando entrei
naquela casa, tirei os sapatos e sentei-me no tatame,
exatamente como eles. É claro que não há nada
errado em sentar-se no tatame em vez de na cadeira.
Não podemos dizer que um é certo e o outro, errado.
Ocorre o mesmo em relação a gritar na reunião ou
ficar quieto. Na Bíblia há versículos que dão lugar a
ambos.
Embora gostemos de certas práticas, não
devemos insistir nelas. Se insistimos em determinada
prática, fazemos dela uma ordenança que separa e
cria inimizade. Os cristãos têm-se dividido por causa
de ordenanças, tais como as várias ordenanças a
respeito do batismo. Alguns insistem em batizar
mergulhando primeiro a cabeça; outros em
mergulhar primeiro os pés. Outros cristãos são
divididos quanto ao uso de instrumentos musicais.
Alguns permitem o piano, mas não o órgão; outros,
contudo, praticam o contrário. Assim que tivermos
ordenanças, imediatamente virá a divisão. Embora
aprecie os brados e louvores em alta voz nas reuniões,
não os defendo. Insistir em qualquer prática é causar
divisão. Portanto, não devemos ter nenhuma
ordenança. Todas foram abolidas na cruz de Cristo.
Visto que as ordenanças criaram inimizade e
divisão, devemos lidar seriamente com elas. É
possível que se tomem causa de ódio até mesmo entre
pessoas que já foram íntimas. Dois irmãos podem ter
desfrutado uma comunhão agradável por vários anos,
mas, simplesmente porque um defende o louvor em
voz alta e o outro defende o silêncio, pode haver
inimizade entre eles. Em vez de amar um ao outro,
podem vir a odiar um ao outro. Ciúme religioso é algo
terrível. A história nos diz que muitos foram mortos
por causa disso, por meio da sutileza de Satanás, o
assassino. Portanto, devemos repudiar todas as
ordenanças e participar das práticas dos santos,
desde que não envolvam nada pecaminoso, imoral ou
idólatra. Embora não aprovemos certas práticas,
devemos participar delas, a fim de não dar
oportunidade para ordenanças.

B. A Eliminação da Parede de Separação

1. Pela Abolição da Lei dos Mandamentos na


Forma de Ordenanças
Cristo derrubou a parede de separação entre
judeus e gentios abolindo a lei dos mandamentos na
forma de ordenanças. Ao ser crucificado, todas as
ordenanças foram pregadas na cruz. A lei
mencionada em 2:15 não é a lei dos mandamentos
morais, e, sim, a lei dos mandamentos rituais, tais
como as ordenanças da circuncisão, guardar o sábado
e comer certos alimentos.
Ordenanças são as formas ou maneiras de viver e
adorar. Cada pessoa tem a própria maneira de viver.
Precisamos ter cuidado para não fazer da nossa
maneira de viver ou adorar uma ordenança. Ao
mesmo tempo, não devemos considerar o que os
outros fazem como ordenanças. Se todos praticarmos
isso, não haverá nenhum problema.
A restauração do Senhor já se espalhou por todo
o mundo. Nos vários países onde ela cresce (Japão,
Coréia e Indonésia, por exemplo) há maneiras de
viver diferentes da nossa. Com certeza, a restauração
do Senhor não pode exigir que os japoneses, coreanos
e indonésios tenham o mesmo modo de vida. Nosso
modo de vida afeta profundamente nosso modo de
nos reunirmos. Por exemplo, na Coréia é fácil ter
comunhão matinal extremamente cedo, até mesmo às
5h30. Contudo, se essa prática for imposta aos
americanos, causará sérias dificuldades.
Os vários modos de vida podem ser vistos nos
instrumentos usados para comer. Os americanos e
europeus usam faca e garfo, os chineses, palitos, e os
indonésios, as mãos. Quem pode dizer qual é a
melhor maneira? Como essa questão é muito
delicada, precisamos preocupar-nos com os
sentimentos dos outros. Se você visitar a Indonésia
ou Taiwan, deve seguir o costume de lá. Do mesmo
modo, os indonésios e taiuaneses devem fazer o
mesmo ao visitar o Ocidente. Se quisermos eliminar
as ordenanças, essa deve ser nossa prática.
Devido às melhorias no transporte e
comunicação, as pessoas no mundo se entremesclam
cada vez mais. Isso ocorre sob a soberania do Senhor,
para que tenhamos o novo homem, a vida da igreja
adequada, que inclui os vários povos. Portanto, com
relação à nossa maneira de viver, todos devemos
aprender a não impor exigências aos outros e a não
ter nenhuma ordenança.
As diferenças entre os povos começaram em
Babel. Na economia de Deus na vida da igreja
devemos vencer Babel. Nosso próprio idioma pode
tomar-se uma ordenança. Quando permanecemos
por longo tempo em outro país ou até mesmo
vivemos lá, devemos, se possível, aprender o idioma
do lugar, e não insistir em nossa língua nativa.
Como pessoas redimi. das e restauradas, que
foram transferidas para Cristo e a vida da igreja,
devemos aprender a odiar as diferenças que dividem
os povos. As pessoas do mundo consideram as
diferenças culturais como sinal de prestígio. Mas, em
Cristo, todos perdemos esse prestígio. Agora nosso
único prestígio é Cristo e a autêntica unidade. Não
devemos ter um prestígio exclusivo da nossa cidade
ou local de reuniões. Todos devemos aprender a
exercitar caminhar junto com outros. Desde que certa
prática não envolva idolatria ou imoralidade, não há
nada errado com ela. Não se apegue ao seu prestígio.
Se estivermos dispostos a abandonar nosso orgulho
cultural, será possível ao Senhor ter a vida da igreja
adequada.
A eliminação da parede de separação visa ao
novo homem, à comunidade de Deus, à Sua família e
à edificação da Sua habitação. Se guardarmos nossas
diferenças, será impossível ter a vida da igreja nesses
quatro aspectos. O cristianismo está cheio de
diferenças facciosas entre os vários povos. Por essa
razão, é impossível aos cristãos fora da restauração
ter a vida da igreja. Todas as diferenças devem estar
debaixo dos nossos pés, para o bem da vida da igreja.

2. Na Carne
Efésios 2:15 diz que Cristo aboliu “na sua carne”
a lei dos mandamentos na forma de ordenanças.
Visto que a humanidade tomou-se carne (Gn 6:3) e
foi assim afastada de Deus e de Seu propósito, Ele
ordenou que Seu povo escolhido fosse circuncidado
na carne. Essa ordenança foi dada por causa da carne
do homem. Cristo foi crucificado na carne. Feito isso,
Sua carne, que era tipificada pelo véu de separação no
templo, foi rasgada (Hb 10:20). Quebrando a parede
de separação na cruz, Cristo fez a paz.
Vimos que, de acordo com a Bíblia, as
ordenanças básicas dizem respeito à circuncisão, ao
sábado e à alimentação. Mas até mesmo essas
ordenanças, dadas por Deus, foram abolidas. Se as
ordenanças básicas foram abolidas, muito mais as
menores. Não devemos guardar nenhuma ordenança,
assim como não devemos criar novas. Pela graça do
Senhor, devemos aprender a ser flexíveis e abandonar
todas as diferenças, para o bem da vida da igreja. Não
importa aonde vamos, devemos aprender a ser iguais
aos outros. Então desfrutaremos a vida da igreja
como o novo homem, a comunidade de Deus, Sua
farru1ia e habitação.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM VINTE E QUATRO
DOS DOIS CRIOU UM SÓ NOVO HOMEM
Nesta mensagem chegamos à criação do novo
homem (2:14-15). Esta questão é extremamente
importante no Novo Testamento; contudo, tem sido
negligenciada pela maioria dos cristãos.

A ABOLIÇÃO DAS ORDENANÇAS


Quando Cristo morreu na cruz, Ele não somente
lidou com os pecados, o velho homem, Satanás e o
mundo; também lidou com as ordenanças. Na cruz
Ele aboliu na Sua carne a lei dos mandamentos na
forma de ordenanças. Portanto, mediante a morte na
cruz, Ele lidou com cinco categorias de coisas: os
pecados, o velho homem, Satanás, o mundo e as
ordenanças. Parece que hoje pouquíssimos cristãos
falam sobre Cristo ter abolido as ordenanças, e
duvido que algum livro tenha sido escrito sobre esse
tema. A maioria dos cristãos acha que todos os nossos
problemas dizem respeito aos pecados, ao velho
homem, a Satanás e ao mundo. Muitos acham que
tudo está bem, desde que tenham lidado com essas
quatro coisas. Mas nem todos os problemas estão
resolvidos, assim como não podemos estar corretos
até que tenhamos lidado com as ordenanças. As
ordenanças, as várias maneiras de viver e adorar,
tiveram de ser abolidas por Cristo na cruz para que
Ele pudesse criar em Si mesmo o novo homem.
Temos ouvido repetidamente que, na cruz, Cristo
realizou a redenção, destruiu o maligno, julgou o
mundo e crucificou o ego. Mas talvez você nunca
tenha ouvido que a Sua morte na cruz foi também
para a criação do único novo homem. Para que Ele
criasse o novo homem, foi-Lhe necessário abolir as
ordenanças que geravam separação. Abolindo-as em
Sua carne e criando um só novo homem a partir dos
crentes judeus e gentios, Cristo fez a paz entre todos
os que crêem. Judeus e gentios estavam totalmente
separados pelas ordenanças. Mas de ambos foi criada
em Cristo uma nova entidade com a essência divina,
que é um homem corporativo, a igreja. Visto que
outros cristãos não falam nada sobre a abolição das
ordenanças e a criação do novo homem, temos um
forte encargo de dizer algo a respeito disso.

O MAIS ELEVADO ASPECTO DA IGREJA


A maioria dos crentes reconhece que a igreja é a
ekklesía, a reunião ou assembléia do povo chamado
de Deus. Os Irmãos Unidos enfatizam esse aspecto da
igreja, e até mesmo traduzem a palavra grega ekklesía
por “assembléia”, que é uma tradução exata 11 .
Contudo, esse é um entendimento menos que
elementar da igreja; um conceito um pouco mais
avançado é que ela é a casa ou a família de Deus. Um
entendimento ainda mais elevado é ver que a igreja é
o Corpo de Cristo. O mais elevado entendimento da
igreja é que ela é o novo homem. Esses quatro
conceitos da igreja são como quatro níveis do sistema
educacional: pré-escola, ensino fundamental, ensino
médio e ensino superior. Precisamos avançar da
pré-escola da igreja, o nível da assembléia, para o
ensino superior, o nível do novo homem.
11
Em português, o vocábulo igreja provém “do gr. enklesía, 'assembléia de cidadãos', 'assembléia de
fiéis', pelo lat. ecclesia” (Dic. Aurélio). (N.T.)
A relação entre cristãos em uma assembléia, uma
reunião, não é muito íntima. É muito mais próxima e
íntima entre os membros de uma família, uma casa.
Contudo, somos não somente membros da farru1ia de
Deus, mas também membros do Corpo de Cristo, em
que a relação entre os membros é ainda mais íntima.
Os membros de uma farru1ia ou assembléia podem
separar-se, mas os do Corpo não, a menos que sejam
amputados. Aonde quer que o corpo vá, os membros
também devem ir; eles não têm escolha. Contudo, no
novo homem a comunhão é ainda mais íntima do que
no Corpo. O novo homem é corporativo e universal.
Há muitos crentes, mas somente um novo homem no
universo. Todos os crentes são componentes desse
novo homem corporativo e universal. Que o Senhor
nos dê mais luz a respeito do novo homem! Devemos
admitir que ainda não vimos muito desse aspecto da
igreja. O aspecto da igreja como novo homem é uma
nova descoberta, aberta nos últimos anos. Creio que
nos dias vindouros o Senhor revelará mais a respeito
disso.
A família é mais íntima do que a assembléia; o
Corpo, mais elevado do que a família e o novo
homem, mais elevado do que o Corpo. Assim, com o
novo homem chegamos ao mais elevado aspecto da
igreja. Embora os mestres cristãos tenham falado
muito sobre a assembléia, a família e o Corpo, quase
ninguém tocou na questão do novo homem. Essa
lacuna é evidente em algumas traduções deploráveis
de Efésios 4:22 e 24, que, em vez de traduzir “vos
despojeis do velho homem” no versiculo 22 e “vos
revistais do novo homem” no versículo 24,
substituem “homem” por “ego” ou “natureza”. Que
sério erro há nessas traduções! Tais erros ocorreram
porque os tradutores não tinham o conceito ou
entendimento adequado. W. E. Vine, contudo, tinha
certo entendimento dessa questão. Em seu
Expository Dictionary of New Testament Words
(Dicionário Descritivo de Teimos do Novo
Testamento), ele diz que o novo homem em 4:24 é a
igreja, pois é o próprio novo homem mencionado em
2:15. Visto que o novo homem é criado de dois povos,
os crentes judeus e gentios, deve ser uma entidade
corporativa.
O Senhor não tem como realizar Seu propósito
até que tenha esse novo homem na terra. A situação
entre os cristãos de hoje está muito aquém do alvo de
Deus. Embora falem muito sobre o Corpo, poucos o
entendem adequadamente. Além disso, os cristãos
raramente falam do novo homem. Como é crucial que
esse aspecto da igreja seja plenamente restaurado!

A INTENÇÃO DE DEUS DE TER UM HOMEM


CORPORATIVO
Para ver o novo homem, precisamos ter um
entendimento adequado do velho homem. Antes de
exortar-nos a revestir-nos do novo homem, Paulo nos
diz que nos despojemos do velho homem (4:22). Após
criar o céu e a terra, Deus criou o homem, não apenas
como indivíduo, mas como entidade coletiva. Gênesis
1:26 fala do homem tanto no singular como no plural:
“Também disse Deus: Façamos o homem à nossa
imagem, conforme a nossa semelhança; tenham eles
domínio” (lit.). Isso revela que a intenção de Deus
sempre foi ter um homem coletivo. O homem
corporativo criado por Ele foi danificado pela queda,
e agora há a necessidade de Deus ter um novo
homem. A fim de produzi-lo, Cristo tinha de lidar não
somente com o pecado, a natureza caída do velho
homem, Satanás e o mundo, mas, como já dissemos,
também tinha de abolir as ordenanças. O que mais
impede a Deus de ganhar o novo homem são as
ordenanças. Quando Cristo foi crucificado, nossos
pecados, nosso velho homem, Satanás e o mundo não
foram as únicas coisas crucificadas; todas as
ordenanças também o foram. A crucificação das
ordenanças não foi para perdão, santidade, vitória
sobre Satanás ou dispensação de vida; foi, antes,
absolutamente para a criação do novo homem.
Estamos familiarizados com versículos tais como
João 1:1 e 3:16, mas não com Efésios 2:15. Esse
versículo diz: “Aboliu, na sua carne, a lei dos
mandamentos na forma de ordenanças, para que dos
dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo
a paz”. Quando a carne de Cristo foi pregada na cruz,
Ele aboliu a lei dos mandamentos na forma de
ordenanças para que de ambos, judeus e gentios,
criasse em Si mesmo um novo homem. Quando lemos
o versículo 15 juntamente com o 16, vemos
claramente que Cristo, por meio da cruz, aboliu as
ordenanças e eliminou a inimizade, não com o
propósito de redimir ou dispensar vida, mas de criar
de judeus e gentios um novo homem.

A MORTE DE CRISTO ENVOLVE TODA A


CRIAÇÃO
Quando Cristo em carne foi pregado na cruz,
toda a velha criação estava envolvida, pois toda ela
estava relacionada com Sua carne. De acordo com
Hebreus 10, a carne de Cristo era tipificada pelo véu
do santuário, no qual estavam bordados querubins,
que representam os seres viventes. Portanto, quando
Cristo foi pregado na cruz, toda a criação foi pregada
lá com Ele. Além do mais, quando o véu do santuário
foi rasgado, os querubins também o foram. Isso
significa que, quando a carne de Cristo foi crucificada,
todas as criaturas o foram. Esse é o entendimento
bíblico da crucificação.
Se perguntar a um judeu incrédulo quem foi
pregado na cruz, ele responderá: “O homem Jesus de
Nazaré”. Se fizer essa pergunta a um
recém-convertido, ele provavelmente dirá que seu
Salvador, Jesus Cristo, morreu ali. Um cristão mais
maduro diria que tanto ele como o Salvador foram
crucificados. Um cristão 'ainda mais maduro
responderia que o Salvador, ele próprio e o diabo
foram todos mortos na cruz. Outros cristãos, ainda
mais maduros do que esses, diriam que na cruz o
Salvador, o ego, o diabo e o mundo foram pregados.
Se ainda perguntássemos a um cristão maduro e
iluminado quem morreu na cruz, ele diria que o
Salvador, o ego, Satanás, o mundo e todas as criaturas
foram crucificados. Se essa pergunta nos for feita,
devemos incluir na resposta não somente os cinco
itens acima mencionados, mas também as
ordenanças. A morte de Cristo pôs fim a tudo da velha
criação; todas as coisas negativas do universo tiveram
fim.

O NOVO HOMEM CRIADO EM CRISTO


Cristo aboliu em Sua carne a lei dos
mandamentos na forma de ordenanças; contudo, não
criou o novo homem em Sua carne. Não; na carne Ele
terminou as coisas negativas para de ambos, judeus e
gentios, criar um novo homem em Si mesmo. As
coisas negativas tiveram fim na carne de Cristo,
enquanto o novo homem, que, sem dúvida alguma, é
positivo, germinou no próprio Cristo. Precisamos
prestar muita atenção a duas expressões no versículo
15: “na sua carne” e “em si mesmo”. Se lhe
perguntassem onde está hoje, você deveria dizer:
“Antes eu estava na carne de Cristo; agora estou no
próprio Cristo. Em Sua carne fui terminado na cruz,
mas no próprio Cristo fui criado como parte do novo
homem”.
Cristo não parou ao pôr fim às coisas negativas.
Como já dissemos várias vezes, a morte é o limiar da
ressurreição; ela nos conduz à ressurreição. Embora
Cristo na carne tenha sido crucificado, essa morte O
introduziu na ressurreição. Em ressurreição Ele não
está mais na carne; é agora o Espírito maravilhoso.
Foi na Sua carne que nós, o velho homem, fomos
terminados, mas é no maravilhoso Espírito que, de
nós, foi criado o novo homem. Quando nosso velho
homem e natureza foram crucificados, as ordenanças
relacionadas com a nossa natureza caída foram
eliminadas. Então, na ressurreição de Cristo e em Seu
maravilhoso Espírito, de nós foi criado um novo
homem. Não parece lógico dizer que fomos
crucificados antes de nascer. Contudo, é um fato
maravilhoso que, na carne de Cristo na cruz, tivemos
fim. Além disso, antes de nascer, fomos também
criados no Espírito maravilhoso para ser o novo
homem.

CRISTO COMO A ESSÊNCIA DO NOVO


HOMEM
A frase “em si mesmo” é muito significativa.
Indica que Cristo foi não somente o Criador do novo
homem, a igreja, mas também a esfera na qual foi
criado e também a essência com a qual foi criado. Ele
é o próprio elemento do novo homem. Depois de
terminados, recebemos Nele a nova essência. O
próprio Cristo tomou-se esse novo elemento para nós.
Nada do nosso velho homem era bom para a criação
do novo, pois nossa essência anterior era pecaminosa.
Mas Nele há uma essência maravilhosa, na qual o
novo homem foi criado.
Cristo criou o novo homem, a igreja, com a
natureza de Deus trabalhada na humanidade. Esse
trabalho divino foi algo novo. Na velha criação Deus
não trabalhou Sua natureza em nenhuma de Suas
criaturas, nem mesmo no homem. Na criação do novo
homem, contudo, a natureza de Deus foi trabalhada
no homem para fazer Sua natureza divina uma só
entidade com a humanidade.

A BATALHA PELA VERDADE A RESPEITO


DA CRIAÇÃO DO NOVO HOMEM
Os demônios e anjos malignos sabem que o novo
homem foi criado na essência divina. Isso os
aterroriza. Por isso, os poderes demoníacos tentam
impedir os cristãos de enxergar a criação do novo
homem. Devemos, portanto, lutar por essa verdade.
Precisamos orar pedindo mente clara e sóbria para
perceber que não somente fomos terminados na cruz,
mas por meio desse término fomos transferidos para
Cristo. Nele, com Sua essência divina, fomos feitos
um só novo homem.
É essencial crer que, antes de nascermos, fomos
feitos um novo homem, e uma nova essência foi
trabalhada em nosso ser. Se você crê que Cristo
morreu na cruz para tirar seus pecados, então deve
também crer que, mediante a morte Dele, foi
colocado Nele, e também Nele foi criado, com a
essência divina Dele, no novo homem. Você já ouviu
dizer que, na crucificação, Cristo pôs fim a você na
carne Dele, e, então, na ressurreição, colocou-o em Si
mesmo para criá-lo, com a essência divina, no novo
homem? Esse conceito está além do nosso
entendimento natural. Contudo, de acordo com a
Palavra, é um fato. Se lermos 2:15 com cuidado e
oração, a luz brilhará. Veremos que nós e todas as
criaturas, representados pelos querubins no véu,
foram crucificados na carne de Cristo na cruz. Como a
morte nos conduz à ressurreição, em Sua ressurreição
Cristo nos colocou em Si mesmo. Então, com Sua
essência divina, Ele fez de nós, em Si mesmo, o novo
homem.
Efésios 2:15 não diz: “Para que dos dois criasse
um novo homem”. Não ignore a frase “em si mesmo”.
Sem estar Nele, não poderíamos ter sido feitos o novo
homem, porque em nós mesmos não temos a essência
divina, que é o elemento do novo homem. Somente
na essência divina e com ela é que fomos feitos o novo
homem. Só é possível ter essa essência em Cristo. De
fato, Ele mesmo é essa essência, esse elemento.
Portanto, em Si mesmo, Cristo fez dos dois um só
novo homem. Todos precisamos ficar profundamente
impressionados com o fato de que nós, os crentes,
fomos feitos um só novo homem em Cristo.

REVESTIR-SE DO NOVO HOMEM


Tendo sido salvos e regenerados, devemos agora
despojar-nos do velho homem e revestir-nos do novo
homem. Embora o novo homem já tenha sido criado,
ainda precisamos revestir-nos dele. Quase nenhum
cristão sabe despojar-se do velho homem, muito
menos revestir-se do novo. A maioria acha que
despojar-se do velho homem é despojar-se da velha
natureza ou do velho ego, e revestir-se do novo
homem é revestir-se da nova natureza. Quem
mantém esse conceito está totalmente errado. Assim
como o novo homem em 2:15 é corporativo, o novo
homem em 4:24 também deve ser. De acordo com
4:24, precisamos revestir-nos do próprio novo
homem já criado em Cristo.
A maneira de revestir-se do novo homem é
encontrada em 4:23: renovar-se no “espírito da vossa
mente” (IBB-Rev.). Esse versículo indica que
renovar-nos no espírito da mente é revestir-nos do
novo homem. Agora devemos ver o que significa ser
renovados no espírito da mente. Essa é de fato uma
expressão estranha. Se eu tivesse sido o autor dessa
epístola, teria dito “a mente do espírito” em vez de “o
espírito da mente”. Para mim, seria mais lógico. No
entanto, Paulo falou do espírito da mente.

NOSSO ESPÍRITO
A frase “no espírito”12 é encontrada em todos os
capítulos de Efésios, menos no capítulo um. Você
percebe o que está em nosso espírito? Você pode dizer
que o Senhor Jesus e o Espírito de Deus estão em
nosso espírito. Isso, sem dúvida, está correto. Mas
agora precisamos ver que o novo homem também
está em nosso espírito. A habitação de Deus, Sua
morada, está em nosso espírito (2:22). Em tipologia,
a antiga cidade de Jerusalém era a habitação de Deus,
mas hoje Sua habitação está em nosso espírito. Nosso
12
Em 5:18, a expressão “enchei-vos do Espírito” pode ser traduzida por “enchei-vos no espírito”,
segundo o original. (N.T.)
espírito regenerado é a Jerusalém de hoje. Você pode
achar que não há comparação entre a cidade de
Jerusalém e o seu espírito. Jerusalém era uma cidade
enorme, enquanto nosso espírito é muito pequeno.
Mas, se conhecer a Bíblia, perceberá que nosso
espírito hoje é muito maior que Jerusalém. Ele é
universalmente amplo. O problema é que somos
individualistas demais e pensamos somente em nosso
espírito individual. Mas quando a Bíblia fala de “o
vosso espírito”, ela inclui o espírito de todos os
santos.
Por muito tempo nossa mente tem sido ocupada
por conceitos naturais, pensamentos religiosos e
ensinamentos tradicionais. Ao considerar o nosso
espírito, precisamos abandonar tudo isso e ver que
ele é universalmente amplo. Sabemos que Deus
habita no terceiro céu, mas também habita em nosso
espírito. Isso faz do nosso espírito a Jerusalém de
hoje. Aleluia por essa entidade maravilhosa no
universo chamada nosso espírito! O Espírito testifica
com o nosso espírito (Rm 8:16). As palavras “nosso
espírito” incluem o espírito de Paulo, de Martinho
Lutero, de John Wesley, de Watchman Nee, o seu e o
meu espírito. Como é vasto esse espírito! A Bíblia
revela que Deus é o Deus do nosso espírito (Nm 16:22
— VRC; Hb 12:9). Onde está Deus hoje? Em nosso
espírito. Onde está a habitação de Deus hoje? Em
nosso espírito. Onde está o novo homem? Também
em nosso espírito.

O ESPÍRITO DIRECIONA NOSSO SER


Revestir-se do novo homem tem por finalidade
que o nosso espírito (mesclado com o Espírito), no
qual estão Deus, a habitação de Deus e o novo
homem, torne-se o espírito da nossa mente. Nossa
mente domina e direciona todo o nosso ser. O fato de
o espírito tornar-se o espírito da nossa mente
significa que ele a direciona, controla, domina e
possui. Em vez de ela ser a mente do nosso espírito,
nosso espírito deve ser o espírito da nossa mente. Se
ela é a mente do espírito, ela o domina, controla e
direciona. Mas, se ele for o espírito da nossa mente,
isso quer dizer que ele a domina, controla e direciona.
Quando o espírito direciona a mente, ele governa
todo o nosso ser. Quando isso ocorre, nosso ser está
sob o controle do nosso espírito, no qual estão Deus,
Sua habitação e o novo homem. É nesse espírito da
nossa mente que somos renovados. Por meio dele
revestimo-nos do novo homem.
Quanto nos revestimos do novo homem depende
de quanto nosso espírito direciona nosso ser. Quando
ele nos domina e direciona, não há lugar para
opiniões ou ordenanças. Não há lugar para a nossa
própria maneira, porque todo o nosso ser é
dominado, controlado, governado e direcionado pelo
nosso espírito.

UM PROCESSO GRADUAL
Revestir-se do novo homem não ocorre uma vez
por todas. Pelo contrário, dura toda a vida, é um
processo gradual que prossegue através de toda a vida
cristã. Já dissemos diversas vezes que o novo homem
foi criado em Cristo e com Cristo. Em 2:15, a palavra
grega traduzida por “em” tem significado
instrumental; também significa “com”. Assim, em Si
mesmo significa na verdade Consigo mesmo. O novo
homem já foi criado com Cristo como essência divina.
Quando fomos regenerados, esse novo homem foi
colocado em nosso espírito. Agora, dia após dia,
precisamos revestir-nos desse novo homem deixando
que o espírito controle nosso ser e renove nossa
mente. Cada vez que alguma parte do nosso ser é
renovada, revestimo-nos um pouco mais do novo
homem. Portanto, quanto mais somos renovados pelo
fato de o espírito controlar a nossa mente, mais do
novo homem nos revestimos. Por fim, esse processo
de revestir-se do novo homem será completado.

CRISTO É TUDO
No novo homem não há nenhuma distinção
cultural ou nacional entre os povos: não há judeu
nem gentio, escravo nem livre, culto nem inculto (Cl
3:10-11). Do mesmo modo, não há americanos,
ingleses, japoneses, chineses, alemães ou franceses.
No novo homem Cristo é tudo, pois é a própria
essência com a qual é criado. Portanto, o novo
homem é apenas Cristo.

CRIADO SEGUNDO DEUS


Uma vez que o novo homem foi criado em Cristo
e com Cristo segundo Deus, ele tem a imagem de
Deus. Em contraste com Gênesis 1:26, onde é dito que
o homem foi feito à imagem de Deus, Efésios 4:24 diz
que o novo homem é criado diretamente segundo
Deus. Por fim, o novo homem terá a imagem de Deus
em santidade e em justiça da realidade. Sendo
renovados no espírito governante da nossa mente,
revestimo-nos desse novo homem que foi criado em
Cristo Jesus.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM VINTE E CINCO
REVESTIR-SE DO NOVO HOMEM
Nesta mensagem falaremos mais sobre como
revestir-se do novo homem.

CRIADO E RENOVADO
A maneira de o Novo Testamento falar do novo
homem pode soar estranha à mente natural. De
acordo com Efésios 4:24, o novo homem é criado em
justiça e santidade da verdade (lit.), mas conforme
Colossenses 3:10 o novo homem é renovado. Como
pode o novo homem ser tanto criado como renovado?
Criar nada tem a ver com velharia; renovar, sim. A
criação do novo homem é uma coisa, mas a
experiência do novo homem é outra. Do ponto de
vista de Cristo, o novo homem já foi criado. Contudo,
do nosso ponto de vista e experiência, o novo homem
é renovado. Conforme a nova criação, o novo homem
foi completado pela obra de Cristo. Todavia,
conforme nossa experiência, o novo homem está no
processo de ser renovado diariamente. Meu encargo
nesta mensagem é mostrar como o novo homem é
renovado. Esse renovar é, na verdade, o revestir-se do
novo homem. Como já dissemos na mensagem
anterior, o novo homem já foi criado, mas nossa
necessidade agora é revestir-nos dele na experiência.

UMA RENOVAÇÃO INTERIOR, SUBJETIVA


A palavra grega traduzida por “revestir-se” é
usada para roupas. Suponha que certo irmão tenha
um terno feito sob medida. Podemos dizer que o
terno está pronto. Agora o irmão deve vesti-lo de
modo adequado. Não pode vesti-lo de uma só vez; é,
antes, um processo gradual, passo a passo.
O ato de vestir um terno, contudo, não é uma
figura exata do revestir-se do novo homem. Vestir um
terno é objetivo, enquanto revestir-se do novo
homem envolve renovação interior. Não vestimos o
novo homem externa, objetivamente. Pelo contrário,
esse revestir começa por dentro; está relacionado
com renovação interna, subjetiva.
No momento da nossa regeneração, o novo
homem foi colocado, ou gerado, em nosso espírito.
Agora esse novo homem deve expandir-se para cada
parte do nosso ser. A expansão do novo homem é o
revestir-se dele. Também é o renovar. Por meio disso
vemos que revestir-se do novo homem não é exterior,
uma questão objetiva, e, sim, uma experiência
interior, subjetiva.
Já dissemos que na cruz Cristo eliminou as
ordenanças para produzir o novo homem em
ressurreição. Portanto, em Sua ressurreição, o novo
homem foi criado e gerado. Quando cremos no
Senhor Jesus, o Espírito que dá vida entrou em nosso
espírito, trazendo com Ele o novo homem como
produto acabado. Desse modo o novo homem nasceu
em nosso espírito. Portanto, desde a nossa
regeneração, o novo homem tem estado em nosso
espírito. Agora ele deve saturar cada parte de nosso
ser. Essa expansão é tanto o revestir-se do novo
homem como o renovar-se. Como diz Colossenses
3:10, precisamos revestir-nos do novo homem, que se
renova. De quanto do novo homem nos revestimos
depende de quanto somos renovados.
DESPOJAR-SE DA ANTIGA MANEIRA DE
VIVER
Tanto Efésios 4 como Colossenses 3 indicam que,
para nos revestirmos do novo homem, precisamos
primeiro nos despojar do velho. Efésios 4:22 diz:
“Quanto ao trato passado, vos despojeis do velho
homem”. O vocábulo trato também pode ser
traduzido por maneira de viver, e tem muito
significado. Antes de ser salvo, você tinha certo modo
de viver. Talvez trabalhasse cinco dias por semana e,
então, à noite ou nos fins de semana, se distraísse
com certos divertimentos mundanos. Para alguns, a
maneira de viver pode ser jogar. Para outros, pode ser
ir a certos lugares ou comer certos alimentos. Tudo
isso é parte da antiga maneira de viver. Em cada país
e entre cada povo há um modo característico de viver.
Se desejamos de fato ser renovados, precisamos
despojar-nos da antiga maneira de viver.
Despojando-nos do nosso modo de viver,
despojamo-nos do velho homem na prática. Enterrar
a antiga maneira de viver é virtualmente o mesmo
que enterrar o velho homem. Portanto, meu encargo
nesta mensagem não é simplesmente encorajá-lo a
despojar-se do velho homem; é especificamente
encorajá-lo a despojar-se da antiga maneira de viver.
Muitos santos na restauração do Senhor ainda se
apegam ao antigo modo de viver. Não diga que sou
legalista, conservador ou antiquado ao dizer-lhe que
se despoje do seu antigo modo de viver. Ter essa
atitude em relação ao que digo aqui é sinal de ser
apanhado pelo curso maligno do sistema satânico de
hoje. Não devemos ser levados pelo curso deste
século; devemos, antes, enterrar a antiga maneira de
viver, e até mesmo fazer um funeral para ela. Apenas
falar de despojar-se do velho homem é doutrinário
demais. O verdadeiro despojar-se do velho homem é
despojar-se da antiga maneira de vida, que sempre
envolve ordenanças e nosso modo de viver.

NENHUMA DISTINÇÃO
Falando do novo homem, Colossenses 3:11 diz:
“No qual não pode haver grego nem judeu,
circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo,
livre; porém Cristo é tudo em todos”. Em seu livro
Word Studies of the New Testament (Estudo das
Palavras do Novo Testamento), Vincent diz que na
língua grega os vocábulos traduzidos por “não pode
haver” são muito enfáticos e significam que não há
possibilidade. No novo homem não há possibilidade
de existir grego e judeu, bárbaro e cita, escravo e livre,
porque o modo anterior de viver encontrado entre
esses povos foi eliminado. Sem dúvida, na igreja em
Colossos havia pessoas dessas procedências, contudo,
de acordo com o que Paulo diz em Efésios 4:22, todos
eles tinham de pôr de lado a maneira anterior de vida.
Fazendo isso, seriam renovados.
Se considerarmos a vida da igreja do ponto de
vista de despojar-nos da antiga maneira de viver,
teremos de admitir que não temos feito isso
adequadamente. Pelo contrário, muitos de nós ainda
se apegam à sua maneira de viver.
Quando Paulo escreveu a epístola aos
Colossenses, havia judeus em praticamente toda
cidade na área do Mediterrâneo. Quando judeus e
gregos em certas cidades eram salvos, reuniam-se
como a igreja ali. Em muitas cidades deve ter havido
não somente judeus e gregos, mas também bárbaros
(europeus do norte) e citas 13 , que, como alguns
mestres da Bíblia crêem, eram os mais incultos e
bárbaros dos povos. Portanto, em algumas cidades
era possível que a igreja incluísse gregos cultos,
judeus religiosos, bárbaros, e citas incultos. Além
disso, havia também servos, que tinham sido
vendidos à escravidão, bem como mestres, pessoas
que possuíam escravos. O que aconteceria se todos
eles se reunissem para a mesa do Senhor? Para ter a
vida da igreja, tinham de despojar-se do velho
homem corporificado em sua maneira anterior de
viver. Os gregos tinham de despojar-se de sua
filosofia; os judeus, das suas observâncias religiosas e
regras de alimentação; os citas, de seu viver bárbaro;
os mestres, de sua atitude para com os servos; e os
servos, do modo de viver que lhes era peculiar. Na
vida da igreja não há lugar para tais distinções. Não
pode haver judeus ou gentios, bárbaros ou citas,
escravos ou livres. Na vida da igreja só há lugar para
Cristo.
Graças aos modernos meios de transporte e
comunicação, os povos do mundo têm-se aproximado
mais hoje do que em qualquer época da história. Os
Estados Unidos em particular são uma mistura de
todas as raças e povos. Misturam-se pessoas com
temperamentos completamente diferentes: alguns
extrovertidos e outros silenciosos e misteriosos. Isso
certamente ocorre nas igrejas na restauração do
Senhor, onde vemos tantos povos diferentes:
porto-riquenhos, mexicanos, brasileiros, suíços,
franceses, alemães, suecos, dinamarqueses,
13
Citas, povo nômade, notável na arte e na guerra, desaparecido por volta do seco 11 a. C., e que entre
os sécs. V e II a. C. habitou a Cítia, denominação dada pelos antigos gregos a regiões próximas ao mar
Negro e ao mar Cáspio (Dic. Aurélio). (N.T.)
indonésios, coreanos, chineses, japoneses, ganeses e
americanos. A diferença entre os povos pode ser vista
até mesmo no modo de cantar hinos. Alguns podem
cantar no modo que consideram solene, quase sem
mexer os lábios, enquanto outros podem ser cheios de
entusiasmo e mexer o corpo todo. Assim, até mesmo
ao cantar e louvar ao Senhor podemos apegar-nos ao
nosso modo de viver.

DESPOJAR-NOS DO QUE HERDAMOS DE


BABEL
Após Babel, passou a haver diferenças entre os
povos. Mas, na cruz, Cristo as eliminou todas para
produzir um só novo homem. Por meio' da
regeneração, o novo homem foi colocado em nós, que
anteriormente estávamos sob influência das
diferenças causadas por Babel. Com exceção das
ordenanças judaicas, todas as maneiras de viver são
herança de Babel. Que devemos fazer com ela?
Devemos enterrá-la. Isso significa que devemos
despojar-nos da antiga maneira de viver. Não
justifique seu modo de viver, nem se glorie nele. A
questão não é qual modo é certo e qual é errado. Toda
maneira de viver envolve ordenanças e deve ser
despojada. Como é deplorável ver as assim chamadas
igrejas formadas segundo a nacionalidade dos
membros! Por exemplo, em São Francisco há uma
igreja presbiteriana chinesa. Parece que toda
nacionalidade tem uma assim chamada igreja.
Quando nos reunimos para a prática da autêntica
vida da igreja, devemos despojar-nos da nossa
herança nacional e esquecê-la.

REVESTIR-SE DO NOVO HOMEM PELO


ESPÍRITO DA MENTE
Todos precisamos ter visão clara do novo
homem. Nossa antiga maneira de viver, nossa
herança de Babel e até mesmo as ordenanças judaicas
foram abolidas na carne de Cristo mediante Sua
morte na cruz. Em vez de apreciar nossa herança,
devemos livrar-nos dela. Do lado positivo,
precisamos ver que o novo homem já foi criado e, pela
regeneração, colocado em nosso espírito. A
necessidade agora é que o Espírito se tome a parte
dominante do nosso ser. Isso quer dizer que nosso
espírito mesclado com o Espírito de Deus deve
tomar-se o espírito da nossa mente (4:23). Se ele for o
espírito da nossa mente, então todo o nosso viver será
pelo espírito. Tudo que fizermos será de acordo com o
espírito. Esse espírito da nossa mente se tomará
então o espírito renovador. À medida que somos
renovados por esse espírito, revestimo-nos do novo
homem.

RENOVADOS PARA O PLENO


CONHECIMENTO
Efésios 4:24 indica que o novo homem foi criado
diretamente segundo Deus. Mas Colossenses 3:10
revela que o novo homem se renova (lit.) para o pleno
conhecimento, segundo a imagem de Deus. Visto que
o novo homem foi criado conforme Deus, num
sentido bastante real ele é o mesmo que Deus.
Contudo, em nossa experiência o novo homem deve
renovar-se para o pleno conhecimento que é
conforme a imagem, a expressão, de Deus que o
criou. A criação do novo homem conforme Deus já foi
completada, mas em nossa experiência o novo
homem é renovado pouco a pouco até o pleno
conhecimento. Desse modo o novo homem
experimentado por nós torna-se a expressão de Deus.

JUSTIÇA E SANTIDADE DA VERDADE


Efésios 4:24 diz que o novo homem é criado
segundo Deus em justiça e santidade da verdade (lit.).
Justiça aqui significa os feitos de Deus, enquanto
santidade representa Seu ser. Tudo o que Deus faz é
justo, e tudo o que Ele é é santo. O novo homem é
criado segundo Deus nesses dois aspectos. Além
disso, tanto ajustiça como a santidade são da verdade.
Dean Alford diz que nesse versículo a verdade denota
a própria essência de Deus, pois Deus é a verdade.
Isso contrasta com a concupiscência do engano
mencionada em 4:22. Engano é a essência de Satanás,
que é mentiroso, mas a verdade é a essência de Deus,
que é a verdade. Assim, as concupiscências são de
Satanás, que é o engano, enquanto a justiça e a
santidade são de Deus, que é a verdade. Vincent
enfatiza que nesses versículos o engano e a verdade
devem ser personificados. O novo homem é criado
segundo Deus em justiça e santidade, dois aspectos
da essência de Deus.

A VIDA E O VIVER DO NOVO HOMEM


Em nossa experiência do novo homem, ele se
renova gradualmente até o pleno conhecimento
segundo a imagem do Criador. Essa renovação ocorre
despojando-se do antigo modo de viver e vivendo
segundo o espírito. No passado falamos muito sobre
nosso espírito. Contudo, não devemos separá-lo do
despojar-se do antigo modo de viver. Se quisermos
ter o novo homem como nosso viver, devemos
primeiramente despojar-nos do modo anterior de
viver. Então precisamos permitir que nosso espírito
se torne o elemento líder, dominante, diretor e
governante de todo o nosso ser. Se vivermos desse
modo, espontaneamente o processo de renovação
ocorrerá em nós. Tal renovação contínua é o
revestir-se do novo homem. Essa é a vida da igreja, a
vida e o viver do novo homem.
Nesta mensagem não apresentei um
ensinamento filosófico. Antes, compartilhei com
vocês a visão que o Senhor me mostrou a respeito de
revestir-se do novo homem. Não me preocupo com
ensinamentos baseados em cultura, costumes ou
ética. Meu encargo é que tenhamos uma visão
celestial do que Deus busca hoje. Ele deseja o único
novo homem. Esse novo homem deve ser o viver da
igreja hoje. A maneira de vivê-lo é despojar-se do
modo anterior de viver e permitir que todo o nosso
ser e viver diário sejam dominados e dirigidos pelo
espírito. Então seremos renovados e
experimentaremos o novo homem como nossa vida
da igreja.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM VINTE E SEIS
AMBOS RECONCILIADOS COM DEUS EM UM SÓ
CORPO E CONCIDADÃOS DOS SANTOS E MEMBROS
DA FAMÍLIA DE DEUS
Nesta mensagem chegamos a 2:16-19, onde
vemos que os judeus e gentios foram reconciliados
com Deus em um só corpo e agora nós, os que
cremos, somos concidadãos dos santos e membros da
família de Deus.

I. AMBOS PRECISAM SER RECONCILIADOS


COM DEUS
Efésios 2:16 diz: “E reconciliasse ambos em um
só corpo com Deus, por intermédio da cruz,
destruindo por ela a inimizade”. A palavra “ambos”
refere-se aos judeus e gentios. Não somente os
gentios incircuncisos, mas também os judeus
circuncisos, precisavam da reconciliação com Deus
pela redenção de Cristo realizada na cruz.

II. EM UM SÓ CORPO
O versículo 16 diz que judeus e gentios foram
reconciliados em um só Corpo. Esse único Corpo, a
igreja (1:22-23), é o novo homem do versículo
anterior. Foi nesse Corpo que judeus e gentios foram
reconciliados com Deus pela cruz. Nós, os que
cremos, tanto judeus como gentios, fomos
reconciliados não somente para o Corpo de Cristo,
mas também no Corpo de Cristo. Que revelação
temos aqui! Fomos reconciliados com Deus; fomos
salvos no Corpo de Cristo.
Geralmente consideramos a reconciliação algo
individual; não pensamos em reconciliação
corporativa. Contudo, a reconciliação adequada e
autêntica é em um só Corpo. O Corpo é o
instrumento, o meio, pelo qual fomos reconciliados
com Deus. De acordo com Colossenses 3:15, fomos
até mesmo chamados em um só Corpo.
Esse conceito corporativo permeia todo o Novo
Testamento. Nosso conceito, no entanto, é que fomos
reconciliados com Deus como indivíduos. Mas, aos
Seus olhos, fomos chamados em um só Corpo e
reconciliados com Ele no Corpo. O êxodo dos filhos
de Israel do Egito é uma clara figura disso. No Egito
eles estavam, em certo sentido, longe de Deus. Depois
que saíram do Egito e atravessaram o Mar Vermelho
juntos, foram reconciliados com Deus no monte Sinai
como congregação, e não como indivíduos. Isso
simbolizava nossa reconciliação com Deus num só
Corpo. Hoje precisamos ter esse conceito corporativo.
Não pense que você foi salvo individualmente. Pelo
contrário, fomos todos salvos juntamente e
reconciliados com Deus em um só Corpo.

III. COM DEUS


Originalmente estávamos sem Deus, longe Dele.
Mas, por meio da cruz com o sangue de Cristo, fomos
trazidos de volta a Deus em um só Corpo. Como
estamos no Corpo, somos um com Deus. Mas, se
estamos fora do Corpo, estamos separados Dele.

IV. POR MEIO DA CRUZ


Nossa reconciliação com Deus em um só Corpo
foi realizada por meio da cruz. A cruz de Cristo, por
um lado, eliminou a inimizade causada pelas
ordenanças dadas por causa da carne, e, por outro,
nos redimiu com o sangue de Cristo derramado sobre
ela. Foi por meio dessa cruz que judeus e gentios
foram reconciliados em um só Corpo com Deus.

V. A PREGAÇÃO DO EVANGELHO DA PAZ


O versículo 17 diz: “E, vindo, evangelizou paz a
vós outros que estáveis longe e paz também aos que
estavam perto”. Isso se refere à vinda de Cristo como
Espírito para pregar o evangelho da paz, que Ele
realizou por meio da Sua cruz. Quem estava longe
eram os gentios incircuncisos que estavam separados
pela carne. Quem estava perto eram os judeus
cincuncisos que foram aproximados pela escolha de
Deus.
O próprio Cristo que morreu na cruz para
eliminar as ordenanças a fim de criar o novo homem,
e derramou Seu sangue para nos reconciliar com
Deus, veio a nós como Espírito para pregar o
evangelho da paz. Isso quer dizer que Ele veio como
Espírito que dá vida, e até mesmo como Espírito
pregador. Tanto os que estavam longe como os que
estavam perto precisavam ouvir essas boas novas de
paz.

VI. ACESSO EM UM SÓ ESPÍRITO

A. A Cruz de Cristo e Seu Sangue São o Acesso


A pregação do evangelho é meramente o fato
objetivo; não é a experiência. Portanto, após receber
essa pregação, precisamos da experiência, que
consiste no acesso ao Pai em um só Espírito. Esse
acesso é a cruz de Cristo e o Seu sangue (Hb 10:19).

B. Por meio de Cristo


Os crentes tanto judeus como gentios têm acesso
ao Pai por meio de Cristo: o próprio Cristo que aboliu
a lei dos mandamentos na forma de ordenanças,
quebrou a parede de separação, destruiu a inimizade
para reconciliar gentios com judeus, e derramou Seu
sangue para redimir ambos para Deus.

C. Em Um Só Espírito
Como indica o versículo 18, nosso acesso ao Pai é
em um só Espírito. Se tivermos a cruz sem o Espírito,
teremos o fato sem a experiência. Portanto, o Espírito
é crucial. Em primeiro lugar, os crentes judeus e
gentios foram reconciliados em um só Corpo com
Deus (v. 16). Isso foi algo posicional. Então ambos
temos acesso em um só Espírito ao Pai. Isso é a
experiência.

D. Ao Pai
Esse acesso em um só Espírito é ao Pai.
Posicionalmente fomos reconciliados com Deus; na
experiência temos acesso ao Pai. Ser reconciliado
com Deus é ser salvo; ter acesso ao Pai é desfrutar
Deus, que, como fonte da vida, regenerou-nos para
que sejamos Seus filhos.
Em um só Corpo fomos reconciliados com Deus
por meio da cruz. Isso é fato. Agora podemos ter
acesso ao Pai e contatá-Lo diretamente. Isso é
experiência. Fomos reconciliados com Deus
posicionalmente para salvação, e temos acesso ao Pai
em experiência para desfrute. É significativo que
esses versículos não digam que fomos reconciliados
com o Pai e temos acesso a Deus. É o oposto;
reconciliados com Deus uma vez por todas, temos
agora acesso ao Pai para desfrute contínuo.
No versículo 18 a Trindade da Deidade está
implícita. Mediante Deus Filho que é o Realizador, o
meio, e em Deus Espírito que é quem executa, isto é,
Ele é a aplicação, temos acesso a Deus Pai que é o
Originador, a fonte do nosso desfrute.
Nos versículos 15 e 16 o apóstolo Paulo menciona
o único novo homem antes do Corpo. Qual é a razão
disso? A fim de responder essa questão precisamos
considerar 2:14-16 novamente. Quando chegamos a
esses versículos, não devemos vir com nosso conceito
natural, entendimento religioso ou preocupações
doutrinárias, que nos tornam obtusos e insensíveis
para entender a Palavra. Uma vez que o aspecto da
igreja como Corpo não é tão elevado como o do novo
homem, podemos achar que o Corpo deveria ser
mencionado antes. Contudo, como poderia haver o
Corpo se não houvesse primeiramente um homem?
Em primeiro lugar falamos sobre um homem, e
depois sobre o corpo desse homem. A criação do novo
homem foi fundamental, enquanto a produção do
Corpo foi conseqüência. Portanto, Paulo
primeiramente diz que a morte de Cristo na cruz
aboliu na Sua carne as ordenanças, a fim de criar em
Si mesmo o único novo homem. Ao fazer isso, o
Corpo foi produzido. Assim que o homem foi criado, o
corpo veio a existir. A esse respeito a palavra “e” no
início do versículo 16 é significativa; ela conecta o
conceito da reconciliação em um só Corpo com o da
criação do novo homem. Quando Cristo fez dos dois,
judeus e gentios, um só novo homem, Ele os
reconciliou em um só Corpo com Deus. Por essa razão
Paulo mencionou o novo homem antes do Corpo.
Lembre-se, Cristo não reconciliou indivíduos. Ele
reconciliou dois povos, judeus e gentios, em um só
Corpo. Se tivesse apenas reconciliado pecadores
individuais, não precisaria reconciliá-los no Corpo.
Mas, a fim de reconciliar dois povos, Ele tinha de
fazê-lo no Corpo.
Os judeus e os gentios estavam separados, mas
na cruz Cristo derrubou a parede de separação e fez
deles uma nova entidade, o único novo homem. Mas e
a relação deles com Deus? Para que fossem
reconciliados com Ele havia a necessidade de um
Corpo como instrumento. Quando Cristo fez dos dois
um só novo homem, simultaneamente os reconciliou
com Deus em um só Corpo. Quando se tornaram o
novo homem, foi-lhes possível ser reconciliados com
Deus em um só Corpo. Portanto, o Corpo foi o meio
pelo qual foram reconciliados com Deus. Por essa
razão, nos versículos 15 e 16 o novo homem é
mencionado antes do Corpo.
Uma vez reconciliados com Deus, ainda havia a
necessidade de judeus e gentios terem acesso ao Pai
para desfrute. Esse acesso não é somente no Corpo,
mas também no Espírito. Estar no Corpo é fato; estar
no Espírito é experiência. Embora estejamos no
Corpo, podemos não estar no Espírito. Podemos,
antes, vaguear em nossos pensamentos. Quando você
se senta numa reunião, por exemplo, pode viajar pelo
mundo na mente. Isso ilustra o fato de que
precisamos estar no Espírito.
Quando estamos no Espírito desfrutamos o Pai.
De fato podemos ter Deus estando no Corpo, mas se
quisermos desfrutar o Pai na experiência, devemos
estar no Espírito. Antes estávamos longe de Deus,
mas fomos reconciliados posicionalmente com Ele.
Agora não há nenhuma separação, ou partição, entre
nós e Deus. Contudo, se não estivermos no Espírito,
não teremos o desfrute desse fato. Portanto, a fim de
desfrutar em experiência o que possuímos em
posição, precisamos estar no Espírito.

VII. NÃO MAIS ESTRANGEIROS E


PEREGRINOS
Chegamos agora ao versículo 19: “Assim, já não
sais estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos
santos, e sais da família de Deus”. Esse versículo
abrange dois aspectos da igreja: o reino, indicado
pelo termo “concidadãos”, e a família de Deus,
indicada pela frase “farru1ia de Deus”.
O versículo 19 diz que nós, os gentios, já não
somos estrangeiros e peregrinos. Esse versículo
refere-se aos crentes gentios. Estrangeiros são
forasteiros, e peregrinos são pessoas de fora viajando
em meio aos israelitas, sem direito de cidadania.
Ambos referem-se aos gentios.

VIII. CONCIDADÃOS DOS SANTOS


Agora que já não somos estrangeiros e
peregrinos, somos concidadãos dos santos. O termo
“concidadãos” indica o reino de Deus. Todos os que
crêem, tanto judeus como gentios, são cidadãos do
reino de Deus, que é uma esfera na qual Ele exerce
Sua autoridade. Desde que alguém creia, é cidadão do
reino de Deus. Essa cidadania envolve direitos e
responsabilidades. Desfrutamos os direitos do reino,
assim como temos as responsabilidades dele. Essas
duas coisas andam juntas. Por exemplo, como
cidadãos de um país, desfrutamos certos direitos, mas
devemos também cumprir nossa responsabilidade de
pagar impostos.

IX. MEMBROS DA FAMÍLIA DE DEUS


O versículo 19 revela que somos também “da
farru1ia de Deus”. Essa frase indica a casa de Deus.
Os crentes judeus e gentios são membros da casa de
Deus. Essa casa é questão de vida e desfrute; todos os
que crêem nasceram de Deus em Sua casa para
desfrutar Suas riquezas. O reino de Deus é questão de
direitos e responsabilidades; todos os crentes que
nasceram na casa de Deus têm os direitos civis e as
responsabilidades no reino de Deus. Duas questões
profundas são abordadas nesse curto versículo: o
reino de Deus com seus direitos e responsabilidades,
e a casa de Deus com o seu desfrute da vida e riquezas
do Pai.

X. OS SANTOS, A CASA DE DEUS E O REINO


DE DEUS
O versículo 19 fala dos santos, da casa de Deus e
do reino de Deus. Os santos são individuais, mas a
casa é corporativa e resulta no reino de Deus. Se não
houvesse casa, não poderia haver reino.
Primeiramente somos santos, individuais. Então,
corporativamente, somos a casa de Deus que resulta
no reino de Deus. Temos, portanto, o aspecto
individual da vida cristã e o aspecto corporativo na
casa de Deus e no reino de Deus.
Por que no versículo 19 o apóstolo Paulo
refere-se ao reino antes da casa? O pensamento de
Paulo aqui diz respeito à nossa posição anterior como
estrangeiros e peregrinos. Estrangeiros e peregrinos
estão relacionados com o reino, e não com a família.
Os estrangeiros num país não são forasteiros em
relação à família, e, sim, em relação à nação. Visto
que estrangeiros e peregrinos são forasteiros num
reino, e não numa família, Paulo menciona o reino
antes. Nesse versículo seu principal conceito é o da
cidadania no reino de Deus. O reino, contudo, é
composto de famílias. Por essa razão, Paulo também
menciona a casa de Deus, isto é, a família de Deus.
No versículo 19 há o conceito de intimidade,
encontrado no termo concidadãos. Como gentios não
salvos, estávamos longe de Deus e da comunidade de
Israel. Contudo, temos agora relação íntima com os
santos. Somos concidadãos dos santos e membros da
família de Deus. Há certa intimidade entre os
cidadãos de um país. Mas essa intimidade não se
pode comparar à que há entre os membros de uma
farru1ia. Os judeus e gentios são não somente
cidadãos do mesmo reino, mas também parentes da
mesma família. Precisamos considerar os santos
como nossos familiares íntimos. Ser membros da
família de Deus não deve ser somente nossa doutrina,
mas também nossa experiência. Em todo o universo
Deus tem somente uma casa, uma família. Não
importa qual seja nosso passado, como crentes somos
todos membros da família universal única de Deus, e
todos os santos são nossos parentes. Não seja leviano
nessa questão, mas considere-a seriamente como
importante aspecto da igreja. Que relação íntima
temos na família de Deus!
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM VINTE E SETE
CRESCER PARA TEMPLO SANTO E SER EDIFICADO
PARA HABITAÇÃO DE DEUS
Nesta mensagem chegamos ao último trecho do
capítulo dois, os versículos 20 a 22. Temos aqui a
revelação da edificação em dois aspectos, o universal
e o local. Universalmente a igreja é uma só, e,
localmente, a igreja em certa cidade é uma só. No
versículo 21 vemos o aspecto universal da igreja: “No
qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo
santo no Senhor” (VRC). Então, no versículo 22,
temos o aspecto local: “No qual também vós
juntamente estais sendo edificados para habitação de
Deus no Espírito”. Portanto, o templo santo refere-se
ao aspecto universal e a habitação de Deus refere-se
ao aspecto local.

I. EDIFICADOS SOBRE O FUNDAMENTO


DOS APÓSTOLOS E PROFETAS
Como Corpo de Cristo, a igreja foi regenerada, e,
como casa de Deus, ela é edificada. Aparentemente,
crescimento e edificação são coisas separadas. Na
verdade, a edificação da casa é o crescimento do
Corpo. Se o Corpo não cresce, a casa não pode ser
edificada.
Ao considerar a igreja como edificação de Deus,
precisamos prestar atenção especial à fundação. O
versículo 20 diz: “Edificados sobre' o fundamento dos
apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a
pedra angular”. Muitos cristãos têm dificuldade em
entender o que é o fundamento nesse versículo.
Primeira Coríntios 3:11 diz: “Porque ninguém pode
lançar outro fundamento, além do que foi posto, o
qual é Jesus Cristo”. Cristo é o único fundamento.
Contudo, Efésios 2:20 fala do fundamento dos
apóstolos e profetas. Isso não quer dizer, no entanto,
que os próprios apóstolos e os profetas sejam o
fundamento. Em contraste com Apocalipse 21, onde
os fundamentos são a própria pessoa dos apóstolos, o
fundamento aqui não são os próprios apóstolos e
profetas. Como o mistério de Cristo foi revelado aos
apóstolos (Ef 3:4-5), a revelação que receberam é
considerada o fundamento sobre o qual a igreja é
edificada. Isso corresponde à rocha em Mateus 16:18,
que é não somente o próprio Cristo, mas também a
revelação a respeito de Cristo, sobre a qual Ele
edificará a igreja. Portanto, o fundamento dos
apóstolos e profetas é a revelação que receberam a
respeito de Cristo e a igreja para a edificação da
igreja. Ela é edificada sobre essa revelação. Esse é o
significado do fundamento em Efésios 2:20.
Sobre que edificamos a igreja na restauração do
Senhor? Dizer que a edificamos sobre Cristo é muito
vago e indefinido. Precisamos edificá-la sobre a
revelação recebida pelos apóstolos e profetas. As
assim chamadas igrejas estabelecidas segundo a
nacionalidade não são edificadas sobre o fundamento
dos apóstolos e profetas. Algumas até mesmo
excluem membros de certas raças ou grupos étnicos.
Certamente essas congregações não são edificadas
sobre o fundamento citado em Efésios 2:20. A Igreja
Católica Romana e todas as denominações afirmam
que seu fundamento é Cristo. Contudo, nenhum
desses grupos declara que seu fundamento é o dos
apóstolos e profetas. Por exemplo, a denominação
presbiteriana é edificada sobre o conceito do
presbitério. Os apóstolos e profetas, contudo, nunca
receberam uma revelação dizendo que o presbitério
deve ser o fundamento da igreja. A Igreja Metodista é
edificada sobre os princípios de John Wesley e a
Igreja Católica sobre o conceito de hierarquia. Se a
revelação concedida aos apóstolos e profetas fosse
aplicada à Igreja Católica, ela desmoronaria. As
igrejas carismáticas são edificadas sobre o
fundamento de certos dons e experiências
carismáticas. Em contraste com todas essas assim
chamadas igrejas, nós na restauração do Senhor
devemos ser capazes de afirmar enfaticamente que as
igrejas na restauração são edificadas sobre o
fundamento dos apóstolos e profetas, isto é, são
edificadas de acordo com a revelação recebida por
eles. Essa revelação abrange crentes de todas as raças
e nacionalidades; inclui os que falam em línguas e os
que não falam. Se tiver a visão do fundamento
adequado da igreja, perceberá que somente as igrejas
na restauração do Senhor, e não a Igreja Católica nem
as denominações ou os grupos independentes, são
edificados sobre o fundamento adequado.

II. O PRÓPRIO CRISTO É A PEDRA


ANGULAR
O versículo 20 revela que, na edificação de Deus,
Cristo é a pedra angular. Aqui Cristo é citado não
como fundamento (Is 28:16), mas como pedra
angular, porque o conceito principal não é o
fundamento, e, sim, a pedra de esquina que une as
duas paredes principais: a dos crentes judeus e a dos
crentes gentios.
Quando os edificadores judeus rejeitaram Cristo,
rejeitaram-No como pedra angular (At 4:11; 1Pe 2:7),
que une os gentios a eles para a edificação da casa de
Deus.
Em Mateus 210 Senhor Jesus indicou, de modo
figurado, que os fariseus O rejeitariam'. O versículo
42 diz: “Nunca lestes nas Escrituras: 'A pedra que os
construtores rejeitaram, essa tornou-se cabeça de
ângulo; isso procede do Senhor, e é maravilhoso aos
nossos olhos'?” Ao dizer isso, o Senhor revelou que
após Sua ressurreição Ele se tornaria a pedra angular
para unir os judeus e os gentios. Referindo-se a
Cristo, Pedro disse aos religiosos em Atos 4:11-12:
“Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores,
a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação
em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe
nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo
qual importa que sejamos salvos”. A pregação de
Pedra mostra que a salvação implica edificação. A
intenção de Deus ao nos salvar não é levar-nos ao
céu; é, antes, unir-nos aos judeus para ter Sua
edificação. Muitos judeus descrentes desprezam o
Senhor Jesus porque não querem unir-se aos gentios.
Uma vez que não crê em Cristo, um judeu pode
permanecer separado dos gentios. Mas, assim que crê
Nele, torna-se unido por meio de Cristo, a pedra
angular, aos crentes gentios. Quer sejamos judeus ou
gentios, fomos salvos a fim de ser unidos em Cristo
para o edifício de Deus.

III. CRESCER PARA TEMPLO SANTO

A. Em Cristo
O versículo 21 diz: “No qual todo O edifício, bem
ajustado, cresce para templo santo no Senhor” (VRC).
Aqui vemos que em Cristo, que é a pedra angular,
todo o edifício, incluindo judeus e gentios, é ajustado
e cresce para templo santo.

B. Crescer
Visto que o edifício é vivo (1Pe 2:5), ele cresce.
Cresce para templo santo. A real edificação da igreja
como casa de Deus ocorre mediante o crescimento em
vida dos crentes. Hoje a igreja está crescendo.
Contudo, não cresce em nossa vida natural, e, sim, na
vida divina, espiritual.
O versículo 21 também diz que todo o edifício é
ajustado. A palavra ajustado significa adequado à
condição e situação do edifício.

C. Para Templo Santo


Como indica o versículo 21, todo o edifício cresce
para templo santo. A palavra grega traduzi da por
“templo” significa o santuário, a parte mais interna de
todo o templo. É no Senhor que o edifício cresce para
templo santo. Isso significa que toda a edificação da
casa de Deus como Seu santuário é em Cristo, o
Senhor.
Neste ponto gostaria de fazer uma pergunta: O
templo de Deus no universo foi completado? O fato
de ainda crescer indica que, pelo menos do nosso
ponto de vista, ele ainda não está completo. O
versículo 21 não diz que todo o edifício cresceu, mas
cresce para templo santo.
A frase “todo o edifício” refere-se à igreja
universal. Se considerar os últimos dezenove séculos
da história da igreja, você pode achar difícil ver o
crescimento do edifício. Mas não fique desapontado.
O propósito de Deus não pode ser frustrado. O
edifício universal cresce ainda hoje. Em Mateus 16 o
Senhor Jesus profetizou que edificaria Sua igreja. A
edificação em Mateus 16:18 é o próprio edifício em
Efésios 2:21. Embora o crescimento do edifício seja
lento e difícil de ser percebido, ainda assim ocorre
hoje.

IV. EDIFICADOS PARA HABITAÇÃO DE


DEUS
O versículo 22 diz: “No qual também vós
juntamente estais sendo edificados para habitação de
Deus no Espírito”. A palavra “vós” aqui refere-se aos
santos locais. Isso indica que o edifício no versículo 21
é universal e a edificação no versículo 22 é local.
Nesse versículo Paulo dizia que os santos locais em
Éfeso eram edificados juntamente em Cristo para
habitação de Deus. Portanto, nesses versículos Paulo
abrangeu tanto o aspecto universal como o aspecto
local da igreja. Todo o edifício cresce: isso refere-se ao
aspecto universal. Os crentes em certa cidade são
edificados juntamente: esse é o aspecto local.
Por que Paulo usa o termo “templo santo” ao
referir-se ao aspecto universal e “habitação de Deus”
quando fala do aspecto local? Qual a diferença, se é
que há, entre o templo santo e a habitação de Deus?
Além do templo universal não há outro chamado
templo local. O templo e a habitação referem-se a
dois aspectos da mesma coisa. Não considere o
templo uma habitação. Ele é o lugar no qual o povo de
Deus O contata e adora, e ouve Seu oráculo. A
habitação é um lugar de descanso. Deus descansa em
Sua habitação. Portanto, o templo e a habitação não
são dois lugares distintos. São, antes, dois aspectos,
funções ou usos do mesmo edifício. A igreja é o lugar
onde o povo de Deus O contata e adora, e recebe Sua
palavra, e é também o lugar do descanso de Deus.
Todas as igrejas locais são parte da igreja
universal, e não algo em adição a ela ou separado
dela. Todas as igrejas locais juntas equivalem à igreja
universal. Isso significa que, sem as igrejas locais, não
há a igreja universal. Portanto, a edificação da igreja
local é a edificação da igreja universal. Todas as
igrejas locais têm somente uma edificação. A igreja
em São Paulo não tem uma edificação; a igreja no Rio
de Janeiro, outra; e a igreja em Recife, outra.
Contudo, nosso conceito natural é que há uma
edificação em cada cidade. Neste universo há
somente uma edificação com aspecto universal e
local. Não importa quantas igrejas haja na terra,
ainda assim há somente uma edificação com esses
dois aspectos.
O versículo 22 diz que somos edificados para
habitação de Deus no espírito. Embora algumas
versões tenham esse vocábulo com letra maiúscula (o
que se refere ao Espírito de Deus), espírito aqui
refere-se ao espírito humano dos crentes habitado
pelo Espírito Santo de Deus. O Espírito de Deus é o
Morador, e não a morada. A morada está no espírito
dos crentes. O Espírito de Deus habita em nosso
espírito. Portanto, a habitação de Deus está em nosso
espírito.
O versículo 21 diz que o templo santo é no
Senhor e o 22 diz que a habitação de Deus é no
espírito. Isso indica que o Senhor é um com nosso
espírito e que nosso espírito é um com o Senhor.
Estar em nosso espírito é na verdade estar no Senhor.
Do mesmo modo, estar no Senhor é estar no espírito.
Aquele que se une ao Senhor é um espírito com Ele
(1Co 6:17). Simplesmente não podemos separar nosso
espírito do Senhor. Portanto, nosso espírito é o lugar
onde está a edificação da igreja. A edificação não está
na mente, emoção, alma ou coração. É absolutamente
algo em nosso espírito.
Se quisermos entender tais questões como o
fundamento dos apóstolos e profetas, e a diferença
entre o templo santo e a habitação de Deus,
precisamos ter mente sóbria ao estudar a Bíblia. Ela é
o mais lógico dos livros. Nosso Deus não é tolo, e
nunca fala tolices. Ele é bastante lógico, e tudo em
Sua Palavra é lógico. Portanto, não devemos ter
mentalidade indisciplinada ao estudar a Bíblia. Pelo
contrário, ao lê-la devemos ter sobriedade na mente
para fazer as perguntas adequadas. Então a luz
brilhará. Esse é um principio básico para entender a
Palavra de Deus. Que todos, especialmente os jovens,
aprendamos a estudar a Bíblia desse modo.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM VINTE E OITO
O MORDOMADO DA GRAÇA
Os versículos 2 a 21 do capítulo 3 formam um
parêntese, e 4:1 é continuação de 3:1. Nesse trecho de
súplica, o apóstolo Paulo descreveu aos crentes
gentios seu ministério por eles, o ministério que
recebeu mordomado da graça por meio da revelação
do mistério de Cristo. Também orou para que a igreja
experimentasse Cristo ao máximo.
Nesta mensagem consideraremos o mordomado
da graça de Deus. Paulo diz em 3:2: “Se é que tendes
ouvido a respeito da dispensação da graça de Deus a
mim confiada para vós outros”. Em grego, a palavra
traduzida por dispensação nesse versículo é a mesma
em 1:10 e 3:9, e também pode ser traduzida por
mordomado. O mordomado da graça é o dispensar da
graça de Deus a Seus escolhidos a fim de produzir e
edificar a Igreja. Desse mordomado vem o ministério
do apóstolo, que é um despenseiro, ou mordomo, na
casa de Deus, a ministrar Cristo como graça de Deus à
Sua família.
A palavra grega traduzida por dispensação no
versículo 2 é oikonomia. De acordo com o uso nos
tempos antigos, oikonomia indicava mordomado,
dispensação ou administração. Na época de Paulo
muitas famílias ricas tinham despenseiros, ou
mordomos, cuja responsabilidade era distribuir
alimentos aos membros da família e suprir-lhes
outras necessidades. Nosso Pai tem uma grande
farru1ia, que é divina. Pelo fato de Ele ter vastas
riquezas, há necessidade de despenseiros em Sua
família, de muitos que dispensem essas riquezas a
Seus filhos. Essa dispensação é o mordomado.
Portanto, mordomado é dispensação. A palavra
dispensação aqui não quer dizer uma era ou um meio
pelo qual Deus lida com as pessoas; refere-se a Deus
dispensar Suas riquezas a Seus escolhidos. Essa
dispensação é o mordomado com o ministério
dispensador dos ministros de Deus. Esse ministério
dispensador é também a administração divina. Deus
hoje administra dispensando-Se a nós. Esse
mordomado, dispensação ou administração é a
economia de Deus. Em Sua economia
neotestamentária há uma necessidade urgente do
mordomado da graça.

I. O MORDOMO: UM PRISIONEIRO
Para haver tal dispensação há a necessidade de
mordomos. Cada apóstolo é um mordomo de Deus.
Como apóstolo, Paulo era um mordomo que
dispensava as riquezas de Deus a Seus filhos.

A. De Cristo Jesus
Embora fosse mordomo, em 3:1 Paulo referiu-se
a si mesmo como prisioneiro de Cristo Jesus “por
amor de vós, gentios”. Ele se considerava prisioneiro
de Cristo. Aparentemente estava confinado a uma
prisão física; na verdade estava aprisionado em
Cristo. Com base nessa posição, de viver como
prisioneiro em Cristo, ele rogava aos santos. Ao
desvendar a revelação do mistério de Deus a respeito
da igreja nos capítulos 1 e 2, ele falou com base em
sua posição como apóstolo de Cristo por meio da
vontade de Deus. Tal posição era a autoridade da sua
revelação a respeito da igreja. Ao rogar aos santos que
andassem de modo digno do chamamento de Deus,
falou do ponto de vista de sua posição como
prisioneiro do Senhor. Sua posição como apóstolo de
Cristo o qualificava a desvendar a revelação de Deus,
ao passo que sua posição como prisioneiro do Senhor
demonstrava seu andar Nele, por meio do qual podia
inspirar e rogar aos santos que andassem no Senhor
assim como ele o fez.
Paulo considerava-se prisioneiro de Cristo
porque tinha sido aprisionado por Cristo. Mais tarde,
em 4:1, refere-se a si mesmo como “o prisioneiro no
Senhor”. Cristo era sua prisão. Um dia, o próprio
Cristo a quem você ama toma-se sua prisão. Mais
cedo ou mais tarde, cada mordomo de Deus, cada
ministro das riquezas de Deus, cada pessoa que ama
fielmente a Cristo, será aprisionado não somente por
Cristo, mas também em Cristo. Quanto mais você O
ama, mais estará Nele. Por fim, estará Nele a tal
ponto que Ele se tomará sua prisão. Uma vez que seja
colocado nessa prisão, não desejará sair, porque a
amará muito. Nela você desfruta Cristo ao máximo.
Todos os que amam a Bíblia têm alta
consideração pela Epístola aos Efésios. Seria grande
perda se não houvesse tal livro no Novo Testamento,
pois ele contém a mais elevada revelação da Bíblia.
Essa revelação foi dada a um homem aprisionado em
Cristo, alguém que desfrutava Cristo como sua prisão.
Isso indica que, para que vejamos algo tão celestial e
divino, precisamos ser prisioneiros no Senhor.
Quanto mais liberdade tivermos, mais cegos seremos.
Mas, se Cristo for nossa prisão, nossos olhos serão
abertos para enxergar a visão celestial, e receberemos
a mais elevada revelação.
B. Por Amor dos Santos
Paulo teve essa visão por amor dos santos, pois,
como diz em 3:1, era prisioneiro por amor dos
gentios. Se desfrutarmos Cristo como nossa prisão
também teremos uma visão, não para nós mesmos, e,
sim, para a igreja.
Muitos cristãos lêem Efésios várias vezes sem
enxergar a revelação contida nesse livro porque não
estão aprisionados em Cristo. São livres demais, e
essa liberdade os faz cegos. Mas, se estiver disposto a
perder sua liberdade, a visão virá a você. Que você
prefere: liberdade ou visão? Todos precisamos orar:
“Senhor, pelo bem da visão celestial, estou disposto a
perder a liberdade. Senhor, desejo ser aprisionado em
Ti. As pessoas podem achar que estou sofrendo, mas
quando estou aprisionado em Ti, desfruto-Te ao
máximo”. O desfrute de estar aprisionado em Cristo
nos capacita a receber a revelação celestial.
Sem dúvida, há verdades preciosas em todos os
livros da Bíblia. Mas as mais doces e profundas estão
em Efésios. Elas são transmitidas em sentenças
celestiais como sede fortalecidos no homem interior,
renovados no espírito da mente e cheios até toda a
plenitude de Deus. Essas expressões celestiais foram
ditas por alguém que teve uma visão como prisioneiro
em Cristo. Enquanto estava aprisionado em Cristo,
Paulo viu o que era ser fortalecido no homem interior,
renovado no espírito da mente e enchido até toda a
plenitude de Deus. Em princípio ocorre o mesmo
conosco hoje. Sempre que temos liberdade fora de
Cristo perdemos a visão espiritual. Mas, se
estivermos dispostos a habitar em Cristo como nossa
prisão, a visão virá, e nossa visão será restaurada. Os
céus nos serão abertos, e tudo se tomará claro como
cristal.
Em Efésios 3 o apóstolo Paulo teve uma visão
muito elevada. Foi nesse capítulo que usou o termo
“as insondáveis riquezas de Cristo”. O que ele viu a
respeito disso está muito além do nosso
entendimento. Nem mesmo ele tinha palavras
adequadas para expressá-lo. Por fim, pôde falar
apenas da largura, comprimento, profundidade e
altura (v. 18). Essas dimensões, que são as dimensões
de Cristo, são na verdade as dimensões do universo.
Como estava confinado e restrito a uma prisão, Paulo
teve uma visão das dimensões universais de Cristo.
Embora você se considere pequeno, também verá
algo por amor da igreja se estiver disposto a ser
prisioneiro em Cristo.

II. O MORDOMADO DA GRAÇA

A. O Mordomado
O mordomado da graça é o dispensar das
riquezas de Cristo. De acordo com o contexto do
capítulo 3, a graça refere-as às riquezas de Cristo.
Quando Suas riquezas são desfrutadas por você,
tomam-se graça. O ministério de Paulo era
dispensá-las como graça aos crentes. Uma comissária
de bordo dispensa alimento aos passageiros, e não
informação sobre como cozinhar. De modo
semelhante, o apóstolo Paulo dispensava as riquezas
de Cristo aos santos. Isso é o que fazemos hoje no
ministério.

1. De acordo com a Economia de Deus


Esse mordomado ocorre de acordo com a
economia de Deus. Do ponto de vista Dele é questão
de economia; do nosso, é questão de mordomado.
Todos os irmãos, não importa quão insignificantes
aparentem ser, têm um mordomado conforme a
economia de Deus. Isso quer dizer que cada irmão
pode infundir Cristo nos outros. Até mesmo uma
jovem do ensino médio pode dispensar Cristo às
colegas. Esse dispensar às pessoas é o mordomado
conforme a economia de Deus.
No passado enfatizamos que os céus existem
para a terra, a terra para o homem e o homem para
Deus. O desejo do coração de Deus é dispensar-Se ao
homem. Os céus e a terra visam a tal dispensar. Esse é
o ponto central de toda a Bíblia. Deus não deseja
permanecer em Si mesmo; deseja entrar em nós.
Portanto, na eternidade passada, propôs
dispensar-Se a nós. Para cumprir esse propósito,
Deus criou os céus para a terra, a terra para o homem
e o homem para o próprio Deus. Sua economia é
dispensar-Se ao homem. Tomamos parte nessa
economia por meio do nosso mordomado, nosso
ministério de dispensar as riquezas de Cristo.
Portanto, o mordomado da graça ocorre de acordo
com a economia de Deus.
O apóstolo Paulo não era o único que tinha um
mordomado. Em 3:8 ele refere-se a si mesmo como
“o menor de todos os santos”. Isso indica que era
menor até mesmo que nós. Nosso conceito precisa ser
radicalmente mudado. Se Paulo podia ser mordomo,
então nós também o podemos, e podemos dispensar
as riquezas de Cristo aos outros.

2. Com vistas ao Dispensar de Deus


O mordomado da graça visa ao dispensar de
Deus. Temos visto que o desejo do Seu coração é
dispensar Suas riquezas, que são na verdade Ele
mesmo, aos Seus escolhidos. Depois que tais riquezas
são dispensadas a nós, precisamos tomar o encargo
de dispensá-las a outros. Do ponto de vista de Deus,
essas riquezas são Sua economia; do nosso ponto de
vista, são o mordomado; e quando são dispensadas
por nós aos outros são o mordomado de Deus.
Quando a economia de Deus nos alcança, torna-se
nosso mordomado. Quando levamos a cabo esse
mordomado dispensando Cristo a outros ele se torna
o dispensar de Deus a eles. Portanto, temos a
economia, o mordomado e a dispensação.
Nosso conceito de pregar o evangelho precisa
tornar-se elevado. Não devemos ficar preocupados
meramente em ganhar almas. Antes, devemos pregar
o evangelho para realizar a economia divina
dispensando Deus aos outros. V á para a escola ou
trabalho com o propósito de realizar seu mordomado
de acordo com a economia divina, com vistas ao
dispensar de Deus. Não fazemos um trabalho comum
de pregação do evangelho; dispensamos Deus ao
homem. Que ministério glorioso! Que mordomado
maravilhoso! Louvado seja o Senhor por termos
todos tal mordomado! Temos o privilégio de
dispensar as insondáveis riquezas de Cristo aos
outros.

B. A Graça
Como nosso mordomado é o dispensar da graça,
precisamos ver o que é graça. João 1:17 diz que a
graça veio por meio de Jesus Cristo. No Antigo
Testamento havia a lei, e não a graça. A graça só veio
quando Cristo veio.
Muitos cristãos acham que graça refere-se
principalmente a bênçãos materiais. Embora a Bíblia
indique que a graça só veio com Cristo, contudo Deus
concedeu bênçãos materiais ao Seu povo antes que
Cristo viesse. Graça é nada menos que o próprio Deus
dado a nós, ganho por nós e desfrutado por nós.
Antes que Cristo viesse, Deus não podia ser dado a
ninguém. Ninguém podia recebê-Lo ou desfrutá-Lo.
Mas em Cristo e por meio de Cristo recebemos Deus,
e Ele se torna nosso desfrute. Portanto, graça é o
próprio Deus como nosso desfrute. O mordomado da
graça é o dispensar de Deus às pessoas para ser seu
desfrute. Dispensar essa graça aos outros é nosso
mordomado de acordo com a economia de Deus.
Visto que participamos de Deus como nosso desfrute,
podemos dispensá-Lo como graça aos outros. Esse é o
mordomado da graça.

III. O MINISTÉRIO DE MINISTRO


Em 3:7 Paulo diz que se tornou ministro. No
Novo Testamento há somente um ministério, que é o
mordomado, o dispensar, de Deus as pessoas. A
palavra “ministro” corresponde a “despenseiro” ou
“mordomo”, pois um mordomo é alguém que serve a
outros dispensando-lhes provisões para suas
necessidades vitais. Não somente os irmãos que
ministram a Palavra de Deus ou os presbíteros que
cuidam da edificação da igreja numa cidade são
ministros, mas cada irmão, cada membro da igreja
tem parte no ministério. Não seja enganado pelo
conceito tradicional de achar que você não é ministro.
Ministro é simplesmente alguém que serve. Um
ministro do evangelho serve o evangelho às pessoas.
Se uma jovem ministra Cristo a sua mãe, ela executa o
ministério do Novo Testamento. Todos os santos
devem ser ousados e declarar que são ministros. Não
devemos somente dizer isso, mas colocá-lo em
prática. Jovens, vão a seus pais e ministrem Cristo a
eles. Eu os encorajo a cumprir esse ministério.
Embora possa haver milhares de santos na
restauração do Senhor, há somente um ministério, o
dispensar das riquezas de Cristo aos outros. Aleluia
por esse glorioso ministério!

A. Conforme o Dom da Graça de Deus


Nosso ministério é conforme o dom da graça de
Deus. Dizer que graça é Deus como nosso desfrute
significa que graça é Deus como nossa vida e
suprimento de vida (1Co 15:10; 2Co 12:9). Esse
suprimento de vida opera no nosso interior. Por meio
dessa vida que opera temos certa habilidade, que é o
dom. Portanto, em 3:7 Paulo fala de ser um ministro
“conforme o dom da graça de Deus”.
Todos os santos têm tal dom, tal habilidade. Por
exemplo, minha mão tem a habilidade de segurar
objetos. Essa habilidade provém do sangue vital no
meu corpo. Se o sangue não fluir para a minha mão,
ela ficará sem vida e, portanto, não será capaz de
funcionar. Mas quando o sangue vital flui nela, ele
opera para dar a ela a habilidade de funcionar. Como
membros de Cristo, todos temos a vida de Deus
operando em nosso interior para produzir uma certa
habilidade. Essa habilidade é o dom que faz de nós
ministros para infundir Cristo nos outros.

B. Pregar como Evangelho as Insondáveis


Riquezas de Cristo
Nosso ministério é pregar como evangelho as
insondáveis riquezas de Cristo. Não é apresentar
doutrinas ou apenas ensinar a palavra na letra. Nosso
evangelho é uma Pessoa com todas as Suas riquezas.
Pregar tal evangelho é ministrar as riquezas de Cristo
aos outros.

C. Para Produzir a Igreja


Esse ministério visa produzir a igreja. O
ministério do apóstolo Paulo, como mordomo de
Deus, era gerar a igreja dispensando as insondáveis
riquezas de Cristo como graça aos que crêem. O
ministério dele era não somente salvar pecadores,
mas também produzir a igreja para cumprir o
propósito eterno de Deus. Esse era o alvo do seu
mordomado da graça.

D. Pela Revelação do Mistério no Espírito


De acordo com 3:3 e 5, nosso ministério é
segundo a revelação do mistério no espírito. O
mistério de Deus é Cristo, e o mistério de Cristo é a
igreja. Se vemos Cristo como mistério de Deus e a
igreja como mistério de Cristo, temos a revelação do
mistério no nosso espírito. Isso nos capacita a
ministrar Cristo aos outros. Isso ocorre em nosso
espírito regenerado, habitado pelo Espírito de Deus.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM VINTE E NOVE
A REVELAÇÃO DO MISTÉRIO
Em Efésios 3, um trecho entre parênteses, Paulo
começa a rogar aos santos que andem de modo digno
do chamamento de Deus. O que ele fala a respeito de
si mesmo nesse capítulo é um modelo para alguém
que deseja ter tal andar. Para isso precisamos ser
prisioneiros do Senhor, despenseiros, ou mordamos,
e ministros. Como alguém aprisionado em Cristo,
Paulo tinha uma visão celestial. Quanto mais dessa
visão ele tinha, mais experimentava e ganhava Cristo.
Ele era também um despenseiro, ou mordomo, que
distribuía as riquezas de Cristo aos membros da
família de Deus. Era, além disso, um fiel ministro,
alguém que ministrava Cristo aos membros do Corpo
para que Cristo se expressasse no Corpo.
Andar de modo digno do chamamento de Deus
não é simplesmente ser bondoso, amável e humilde.
É ser aprisionado, confinado em Cristo, onde temos a
visão. Por meio dessa visão experimentamos Cristo, e
Ele é trabalhado em nosso ser a fim de fazer de nós
mordamos para dispensar as riquezas de Cristo aos
outros. Também nos tornamos ministros
dispensando as riquezas de Cristo aos membros do
Corpo, para que este seja edificado. Todos precisamos
ser aprisionados em Cristo para experimentá-Lo mais
e ministrar mais Dele aos outros.
Tendo considerado o mordomado da graça na
mensagem anterior, precisamos agora ver a revelação
do mistério. Efésios 3:3 diz: “Pois, segundo uma
revelação, me foi dado conhecer o mistério, conforme
escrevi há pouco, resumidamente”. O propósito
oculto de Deus é o mistério, e o desvendar desse
mistério é a revelação. Levar a cabo essa revelação é o
ministério do apóstolo para a produção da igreja.
Uma revelação é um ato de desvendar, remover o véu.
No Novo Testamento temos a revelação, o desvendar,
da economia divina. Em outras eras e gerações essa
economia era um mistério oculto. Não foi revelada a
Adão, Abraão, Moisés, Davi ou Isaías e demais
profetas. Se alguém perguntasse a eles o que é a
economia de Deus, seriam incapazes de responder,
pois naquela época o mistério ainda estava vendado.
A economia de Deus, o dispensar de Si mesmo ao
homem para produzir um Corpo para Seu Filho, não
lhes fora revelada.
O Filho de Deus é a Sua corporificação. A
economia de Deus é dispensar-Se a muitos seres
humanos a fim de produzir um Corpo para essa
corporificação. Isso quer dizer que o Filho de Deus,
como Sua corporificação, requer um Corpo, um
aumento, uma expansão. Essa expansão pode ser
produzida somente por meio de Deus dispensar-Se
aos Seus escolhidos. Esse é o maior mistério do
universo. Embora muitos líderes políticos e pessoas
importantes não saibam nada sobre esse grande
mistério, pela misericórdia de Deus nós o
conhecemos. Até mesmo as jovens entre nós sabem o
que presidentes e filósofos não sabem. Sabemos que a
economia de Deus é dispensar-Se aos Seus escolhidos
a fim de produzir o Corpo como expansão do Filho de
Deus para a plena expressão de Deus no universo.
Nada é maior ou mais importante do que isso.
Louvado seja o Senhor, porque não somente sabemos
o que é a economia de Deus, mas também estamos
nela! De fato, até mesmo somos essa economia. Nós a
conhecemos, estamos nela e somos ela. Por revelação
foi-nos desvendado esse grande mistério, que esteve
oculto até a vinda do Senhor Jesus.

I. A REVELAÇÃO AOS APÓSTOLOS E


PROFETAS
Esse mistério foi revelado aos apóstolos e
profetas (3:5). Você considera os apóstolos e profetas
pessoas especiais? O fato de que o mistério foi-lhes
revelado faz com que muitos os considerem como
extraordinários. Contudo, em 3:8 Paulo, que era
apóstolo, refere-se a si mesmo como “o menor de
todos os santos”. De acordo com suas próprias
palavras, os apóstolos e profetas não eram
extraordinários, pois Paulo disse que ele era menor
do que nós. Por um lado, podemos considerar os
apóstolos e profetas extraordinários; mas, por outro,
devemos considerá-los o mesmo que nós.
Somente no livro de Efésios Paulo diz que era o
menor de todos os santos. Repare que ele não diz aqui
que era “o menor dos apóstolos”, embora em 1
Coríntios 15:9 ele o diga. É muito significativo que
Paulo tenha inserido tal expressão nessa seção de
Efésios. Se não tivéssemos esse versículo, seríamos
inclinados a olhar os apóstolos como grandes
homens. Por que Paulo mencionou isso? Foi porque
exortava aos santos a andar de modo digno do
chamamento de Deus. Ao fazê-lo, apresentou a si
mesmo como exemplo, dizendo que era menos que o
menor de todos os santos. Se ele não tivesse dito isso,
seríamos tentados a nos desculpar, dizendo que
Paulo, um grande apóstolo, podia ter tal andar, mas
nós não. Inserindo essa afirmação, Paulo não deu
lugar para tal desculpa. Em 3:8 ele parecia dizer:
“Santos, não pensem que sou maior do que vocês.
Não; sou menor. Se alguém menor que vocês pode
fazer isso, então certamente vocês também o podem”.
Não deveríamos formular desculpas para nós
mesmos. Se Paulo podia ter tal graça, todos nós
podemos tê-la. Se ele podia ter tal vida e andar de
modo digno do chamamento de Deus, então também
o podemos.
Muitos cristãos acham que somente certos
crentes como Pedro são “santos”. Até mesmo falam
de Santo Fulano-de-tal. Mas, de acordo com os
escritos do apóstolo Paulo, todos os que crêem são
santos. Como tais, não somos inferiores a ele. Todos
podemos andar como ele andou.
O significado da palavra grega traduzida por
“apóstolo” é enviado. Se você me enviar a um lugar
com certo propósito, sou seu apóstolo, seu enviado.
Na Bíblia, apóstolo é alguém enviado por Deus.
Embora João Batista fosse enviado por Deus, não
deve ser considerado o primeiro enviado na economia
do Novo Testamento, porque seu ministério ocorreu
num período de transição. O primeiro enviado de
Deus na economia do Novo Testamento foi o Senhor
Jesus. Portanto, Ele foi o primeiro Apóstolo (Hb 3:1).
O Senhor enviou os doze apóstolos. Esses doze,
contudo, não foram os únicos. Em João 20:21 o
Senhor Jesus disse aos discípulos: “Assim como o Pai
Me enviou, Eu também vos envio”. Esse versículo
prova que todos os discípulos eram enviados. Isso
quer dizer que todo cristão é um enviado. Até mesmo
uma jovem do ensino médio é alguém enviado à
escola pelo Senhor para ministrar Cristo a
professores e colegas. De modo semelhante, se você
tiver encargo por um dos seus parentes, e o Senhor o
enviar com o propósito de ministrar Cristo a ele, não
é você alguém enviado por Cristo? Sim, para seus
parentes você é apóstolo de Cristo. Você pode até
mesmo ser apóstolo aos da sua própria família. Um
dia o Senhor pode enviá-lo à sua mãe para
compartilhar Cristo com ela. Em tal momento você é
apóstolo para a sua mãe. Portanto, em certo sentido,
todos somos os apóstolos do Senhor, Seus enviados.
Do mesmo modo, em certo sentido, todos os que
crêem em Cristo são profetas. Contrariamente ao
conceito de muitos, um profeta não é alguém que
principalmente prevê o futuro; ele é um porta-voz de
Deus. Conforme Hebreus 3, Moisés, alguém chamado
por Deus e enviado aos filhos de Israel, era apóstolo;
ele tipificava Cristo como Apóstolo de Deus. Quando
o Senhor o chamou e o enviou como apóstolo, Moisés
era tímido e afirmou que não podia falar bem. Então
o Senhor disse a Moisés que daria a ele seu irmão
Arão por profeta. Arão foi dado por Deus a Moisés
não para prever o futuro em seu favor, e, sim, para ser
o seu porta-voz. Por meio disso vemos que o
ministério de profeta anda junto com o de apóstolo.
Moisés era o apóstolo, enquanto Arão era o profeta.
Por um lado somos apóstolos e, por outro, somos
profetas. Os jovens são enviados à escola como
apóstolos, mas ao abrir a boca para falar por Deus,
são profetas. Do mesmo modo, se você for até sua
mãe com o encargo de ministrar-lhe Cristo, você é
apóstolo. Contudo, ao falar por Cristo, é também
profeta. É uma vergonha ser cristão por tantos anos
sem nunca ter ido a alguém com o encargo de
ministrar-lhe Cristo. Também é uma vergonha ser
cristão sem nunca ter falado a outros sobre Cristo.
Um cristão normal é tanto apóstolo como profeta,
enviado e porta-voz.
Suponha que, debaixo da soberania do Senhor,
alguns de vocês recebam o encargo de se mudar para
outra cidade. Você ministra Cristo às pessoas ali, e
após certo tempo alguns tomam-se cristãos. Então
todos vocês reúnem-se como igreja nessa cidade. Por
meio de quem essa igreja foi levantada? Foi por meio
dos apóstolos enviados pelo Senhor para essa cidade.
Visto que também falam por Deus, esses enviados são
tanto apóstolos como profetas.
Enfatizo isso porque todos fomos muito
influenciados pelos conceitos do cristianismo: No
catolicismo Pedro foi elevado a papa, e outros
receberam altas posições no assim chamado serviço
santo. Mas todos os cristãos estão no serviço santo, e
todos poderíamos ser chamados “papas”, porque esse
termo significa simplesmente “pai”. Se você traz
novos convertidos ao Senhor, gerando-os com Cristo,
torna-se o pai espiritual deles. Nesse sentido, como
enviado e profeta, você é um “papa”, um pai. Minha
base para dizer que todos podemos ser tais pais é que
todo cristão é enviado e profeta. Se você não é
enviado nem profeta, então não é fiel ao Senhor e
nem obediente a Ele. Suponha que o Senhor o envie a
uma região remota com o encargo de ministrar Cristo
aos incrédulos ali. Isto significa que você é o apóstolo
enviado àquela área. Como alguém que fala por Deus,
você é também profeta. Como apóstolo e profeta, você
é o “papa”. Até mesmo o menor dentre os santos na
restauração do Senhor pode ser enviado para ser tal
“papa”, um autêntico pai.
No que diz respeito a apóstolos e profetas, todos
fomos drogados pelos conceitos religiosos. Espero
que esta mensagem seja um forte antídoto para essa
droga. Falo sério ao dizer que todos devemos ser
apóstolos e profetas. Suponha que certa irmã trabalhe
como enfermeira num hospital. Você acha que Deus
deseja que ela seja mera enfermeira? Não! Deus a
envia àquele hospital para que ela seja apóstolo e
profeta. A autoridade de Deus sempre está com tal
pessoa. Se você praticar seu apostolado e ministério
de profecia, Deus estará com você como sua
autoridade. Muitas vezes não temos autoridade
porque falhamos em praticar nosso apostolado. Onde
quer que estejamos, em casa, na escola ou no
trabalho, precisamos estar como os enviados pelo
Senhor para ministrar Cristo aos outros, falando por
Ele.
Os apóstolos e profetas, contudo, devem ter um
sinal particular para provar que o são. Esse sinal é a
revelação do mistério. Se você for até alguém sem
essa revelação, não é apóstolo nem profeta. Quando
contata pessoas para Cristo, você deve dizer-lhes de
maneira adequada que viu algo que elas não viram. E
tendo essa revelação que temos a intrepidez de dizer
que somos enviados e porta-vozes de Deus. Se um
jovem tem tal revelação, pode dizer ao pai incrédulo,
que talvez tenha doutorado em Física: “Pai, você sabe
muito sobre ciência, mas não sabe nada sobre Cristo.
Conheço Cristo, pois tive a revelação a Seu respeito.
Cristo é minha vida. Ele vive em mim, é um comigo e
é tudo para mim”. Se tem essa revelação, então você é
apóstolo e profeta. Você não tem a revelação de Cristo
e a igreja? Certamente. Portanto, vá até seus parentes
e amigos para dizer-lhes o que tem visto.

A. No Espírito
O versículo 5 diz que o mistério foi revelado aos
apóstolos e profetas no espírito. A palavra “espírito”
aqui refere-se ao espírito humano dos apóstolos e
profetas, um espírito regenerado e habitado pelo
Espírito Santo de Deus. Pode ser considerado o
espírito mesclado, o espírito humano mesclado com o
Espírito de Deus. Tal espírito mesclado é o meio pelo
qual a revelação do Novo Testamento a respeito de
Cristo e a igreja é desvendada aos apóstolos e
profetas. Precisamos do mesmo espírito para ver tal
revelação.
Quando falamos aos outros sobre Cristo e a
igreja, não devemos falar a partir de nossa mente,
emoção ou vontade. Devemos, antes, falar aos outros
a partir do nosso espírito o que temos experimentado
de Cristo e a igreja. O princípio aqui é que emoção
toca emoção, mente toca mente, e vontade toca
vontade. Do mesmo modo, somente o espírito pode
contatar o espírito. ·Se você falar aos outros pela sua
emoção não será capaz de tocar o espírito deles. Mas
se falar a partir do seu espírito, o espírito deles será
tocado.

B. A respeito de Cristo e a Igreja


A revelação recebida pelos apóstolos e profetas
não é uma revelação dos vários itens secundários na
Bíblia. É a revelação sobre Cristo e a igreja. Para
dispensar Cristo aos outros, precisamos ter essa
revelação.

II. O MISTÉRIO DE CRISTO


Em 3:4 Paulo fala do mistério de Cristo. O
mistério de Deus em Colossenses 2:2 é Cristo,
enquanto o mistério de Cristo aqui é a igreja. Deus é
um mistério, e Cristo, como corporificação de Deus
para expressá-Lo, é o mistério de Deus. Cristo
também é um mistério, e a igreja, como Seu Corpo
para expressá-Lo, é o mistério de Cristo.

A. Oculto em Outras Gerações, mas Revelado


na Era do Novo Testamento
Esse mistério esteve oculto em outras gerações,
mas foi revelado na era do Novo Testamento. O
mistério de Cristo, a igreja, que é o Seu Corpo, estava
oculto na época do Antigo Testamento. Nenhum dos
santos de então sabia coisa alguma a respeito desse
mistério. Mas ele é revelado no Novo Testamento a
todos os cristãos por meio dos apóstolos e profetas.
Hoje o nosso ministério é simplesmente executar essa
revelação.

B. A Igreja, o Corpo de Cristo

1. Com as Nações como Co-Herdeiras e


Co-Participantes da Promessa
Já dissemos que o mistério de Cristo é a igreja, a
qual é o Corpo de Cristo. Com relação à igreja como
mistério de Cristo, o versículo 6 diz que “os gentios
são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e
co-participantes da promessa em Cristo Jesus por
meio do evangelho”. O termo “coherdeiros” indica
que, na economia neotestamentária de Deus, as
nações, os gentios escolhidos e redimidos, são unidos
aos crentes judeus para ser os herdeiros de Deus, que
O herdam. O termo “membros do mesmo corpo”
indica que os gentios salvos são unidos aos judeus
salvos para ser o único Corpo de Cristo para Sua
única expressão. O termo “co-participantes” indica
que os crentes gentios são unidos aos crentes judeus
para participar das promessas de Deus dadas no
Antigo Testamento a respeito de todas as bênçãos da
economia neotestamentária de Deus. Os coherdeiros
estão relacionados com a bênção da família de Deus;
os membros do mesmo corpo estão relacionados com
a bênção do Corpo de Cristo; e co-participantes estão
relacionados com a bênção das promessas de Deus,
encontradas em Gênesis 3:15; 12:3; 22:18; 28:14 e
Isaías 9:6. Tanto a bênção da família de Deus como a
do Corpo de Cristo são particulares; já a bênção da
promessa de Deus é geral, todo-inclusiva.

2. Gerada das Riquezas Insondáveis de


Cristo
Como Corpo de Cristo, a igreja é gerada das
riquezas insondáveis de Cristo (3:8). Ela não é
formada de doutrinas ou sistemas de organização.
Como Corpo de Cristo, ela pode ser gerada somente
das riquezas do que Cristo é.

3. Para Expressar a Multiforme Sabedoria de


Deus aos Principados e Potestades nas
Regiões Celestiais
De acordo com a intenção de Deus, a igreja deve
expressar Sua multiforme sabedoria aos principados
e potestades nas regiões celestiais (3:10). Isso é
envergonhar Satanás e seus seguidores. As tramas de
Satanás dão a Deus a oportunidade de expressar Sua
sabedoria de modo multiforme por meio da igreja.

4. De acordo com o Propósito Eterno que


Deus Estabeleceu em Cristo
A produção da igreja para ser o Corpo de Cristo é
de acordo com o propósito eterno que Deus
estabeleceu em Cristo na eternidade passada (3:11). A
formação da igreja não é acidental, e, sim,
eternamente planejada.

5. Para a Dispensação de Deus


O propósito de Deus ao ter a igreja é
dispensar-Se aos Seus escolhidos (3:9). Portanto, a
igreja como Corpo de Cristo é a dispensação de Deus.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM TRINTA
AS RIQUEZAS DE CRISTO PRODUZEM A IGREJA
O capítulo três de Efésios revela que o apóstolo
Paulo tinha um andar digno do chamamento de Deus.
Como alguém com tal andar ele era prisioneiro,
mordomo e ministro. Nesse capítulo Paulo nos diz
que a revelação do mistério a respeito de Cristo para a
igreja foi dada aos apóstolos e profetas (v. 5). Sua
revelação de Cristo era principalmente uma revelação
das riquezas insondáveis de Cristo. Visto que o andar
de Paulo era governado pela sua revelação de Cristo,
ele não podia deixar de falar das riquezas de Cristo. A
pregação do apóstolo estava centralizada nas riquezas
de Cristo, e não nas doutrinas. Essas riquezas são o
que Cristo é a nós, como luz, vida, justiça e santidade.
Tais riquezas são insondáveis; sondá-las está além do
nosso entendimento. Como podemos também ser
apóstolos e profetas, temos a necessidade de ver as
riquezas insondáveis de Cristo.
Muitos cristãos têm o conceito errôneo de que os
apóstolos na igreja universal e os presbíteros nas
igrejas locais são altos oficiais, muito acima dos assim
chamados leigos ou crentes comuns. Como dissemos
no capítulo anterior, o apóstolo Paulo, percebendo
que tal conceito estava errado, propositalmente deu a
entender que os apóstolos e profetas não eram
extraordinários. Pelo contrário, deveriam ser apenas
considerados líderes entre os santos nas igrejas. Eles
tomam a frente em receber a revelação a respeito de
Cristo para a igreja, em viver Cristo, experimentá-Lo,
desfrutá-Lo e ministrar Suas riquezas aos outros. Se o
desfrute das riquezas de Cristo estivesse disponível
somente para certas pessoas excepcionais de alta
posição, então os demais não teriam parte nele. Mas
em 3:8 Paulo disse que era o menor de todos os
santos; ainda assim podia pregar como evangelho as
insondáveis riquezas de Cristo. O fato de Paulo poder
fazer isso indica que nós também o podemos. Visto
que ele era menos do que nós, o que estava disponível
a ele está disponível também a nós.
Os apóstolos e profetas não são uma classe
especial de cristãos. São, antes, cristãos comuns como
os demais. A diferença entre eles e os demais irmãos é
que eles são líderes. Ocorre o mesmo com os
presbíteros das igrejas: não são pessoas
extraordinárias, de alta posição, superiores aos
outros. Não; são simplesmente os que tomam a frente
na vida da igreja. Todos precisamos deixar esse
conceito aprofundar-se em nosso ser.
Na restauração do Senhor devemos abandonar o
conceito de hierarquia. Não há isso entre nós. No
máximo temos somente alguns que tomam a frente a
fim de viver Cristo para a vida da igreja. Não há
nenhuma classe superior ou especial na igreja. Não
temos nenhum líder. De acordo com a palavra do
Senhor em Mateus 23:8-10, Ele é nosso único Líder, e
todos somos irmãos. Devemos abandonar o conceito
de que os apóstolos e presbíteros são especiais. Todos
somos ovelhas, e os apóstolos, profetas e presbíteros
tomam a frente para dar um exemplo, um modelo de
como conhecer Cristo, desfrutá-Lo, ganhá-Lo para a
vida da igreja, e dispensá-Lo aos outros. Trata-se de
dar exemplo, e não de hierarquia e posição.

I. AS RIQUEZAS DE CRISTO
Para que sejamos apóstolos, profetas,
mordomos, ministros e até mesmo prisioneiros em
Cristo, precisamos conhecer as insondáveis riquezas
de Cristo. Elas visam à produção da igreja como
plenitude de Cristo.

A. Em Tipos
As riquezas de Cristo são descritas em tipos, ou
símbolos. Não é fácil encontrar tudo o que prefigura
Cristo no Antigo Testamento. Alguns tipos estão
escondidos. Por exemplo, a terra que emerge em
Gênesis 1:9-10 prefigura Cristo. Muitos outros são
encontrados no primeiro capítulo de Gênesis: a luz, o
sol, as estrelas e as árvores. Em outros lugares na
Bíblia vemos que a videira, a macieira, o cedro e o
cipreste prefiguram Cristo. As ervas também O
tipificam. Na Páscoa os filhos de Israel comiam não
somente o cordeiro, mas também pães asmos e ervas
amargas. Trigo e cevada também são tipos de Cristo,
assim como a flor de hena citada em Cântico dos
Cânticos. Certas pessoas também tipificam Cristo.
Adão, Abel, Isaque, Jacó, José, Moisés e Arão são
algumas delas. Os sacerdotes, reis e profetas também
O tipificam.
Quanto mais estudo a Bíblia, mais percebo quão
pouco a conheço. Poderiam ser dadas cem mensagens
sobre Gênesis 1, principalmente sobre os tipos de
Cristo nesse capítulo. A Bíblia é profunda. Somente
quando tocamos suas profundezas é que realmente
vemos as riquezas que ela contém. Sob a superfície
dela estão as riquezas de Cristo. Pelo fato de essas
riquezas serem tão vastas, é difícil alguém dizer
quantos tipos de Cristo há no Antigo Testamento. Só
isso já revela muito das riquezas de Cristo.
B. Em Sombras
Juntamente com os tipos há também as sombras
e figuras de Cristo. Embora tipos e sombras sejam
similares em certos aspectos, são como faces
humanas, que não somente têm semelhanças, mas
também diferem. Tipos são principalmente pessoas
ou coisas que simbolizam Cristo; sombras referem-se
a rituais e práticas no Antigo Testamento que O
retratam. De acordo com Colossenses 2:16-17, os
regulamentos de alimentação, os rituais e os dias
santos eram sombras. Por meio disso vemos que as
leis, ordenanças e cerimônias no Antigo Testamento
eram sombras retratando Cristo. Mas Adão, Arão e
Moisés não eram sombras; eram tipos. O sábado e a
lua nova, por outro lado, eram sombras. Embora o
sábado fosse um descanso, não era o descanso real,
pois este é Cristo. Do mesmo modo, a lei como
testemunho de Deus descrevia como Ele era. Como
descrição e explicação de Deus, a lei era um
testemunho de Deus. Nisso ela era uma sombra de
Cristo como real explicação, definição e testemunho
de Deus.

C. Em Figuras
Uma figura refere-se principalmente a uma
situação que apresenta certo quadro. Por exemplo, os
filhos de Israel a peregrinar no deserto são uma
figura, um quadro de nossa experiência na vida cristã
hoje, que freqüentemente é uma vida de peregrinar. A
Páscoa é outra figura. Embora o cordeiro pascal seja
um tipo de Cristo, a Páscoa em si é uma figura que
descreve como Cristo, nossa Páscoa, salva-nos do
juízo de Deus e nos alimenta com o que Ele é.
Portanto, o quadro da Páscoa é uma figura de Cristo.
Cristo é tão rico que precisa não somente de
tipos, mas também de sombras e figuras para
retratá-Lo. Todos os tipos, sombras e figuras de
Cristo no Antigo Testamento eram descrições,
explicações e definições do que Cristo é. Precisamos
estudar tudo isso nas Escrituras para conhecer as
riquezas de Cristo.

D. Em Profecias
As riquezas de Cristo também são vistas nas
profecias. Na Bíblia a primeira profecia a respeito de
Cristo é Gênesis 3:15, versículo que prediz que Cristo,
como descendente da mulher, esmagaria a cabeça da
serpente, Satanás. Isso quer dizer que Cristo deveria
tomar-se um homem nascido de uma virgem, pois
deveria descender da mulher. Cristo não é o
descendente de um homem; Ele é a descendência de
uma mulher. Somente esse versículo revela muito das
riquezas de Cristo.
Isaías 9:6 é outra profecia a respeito de Cristo.
Esse versículo nos dá sete títulos Dele: Menino, Filho,
Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno,
Príncipe da Paz. Há no Antigo Testamento muitas
outras profecias acerca de Cristo. Até mesmo o curto
livro de Zacarias contém muitas profecias detalhadas
a Seu respeito.

E. No Cumprimento
As riquezas de Cristo também são vistas no
cumprimento das profecias. Às vezes no
cumprimento de uma profecia no Novo Testamento
algo mais é adicionado. Por exemplo, o Antigo
Testamento revela que Cristo seria o cordeiro. Mas no
Antigo Testamento Cristo nunca é chamado de o
Cordeiro de Deus. Contudo, no cumprimento da
profecia a Seu respeito como cordeiro, Ele é chamado
de o Cordeiro de Deus (Jo 1:29). Que complemento
maravilhoso!
Quando jovem, eu ficava incomodado com o fato
de que às vezes os escritores do Novo Testamento
adicionavam certas coisas ao citar as profecias do
Antigo Testamento a respeito de Cristo. Achava que
eles não deviam ter ido além do que estava escrito no
Antigo Testamento. Mais tarde vim a perceber que
Cristo não podia ser limitado pelas profecias a Seu
respeito. Quando Ele veio, cumpriu mais do que fora
profetizado. Além disso, nossa experiência de Cristo
ultrapassa o cumprimento das profecias. Na verdade
isso não é adicionar algo; é experimentar o Cristo
ilimitado. Em nossa experiência Cristo é não somente
o Cordeiro de Deus, mas também o Cordeiro da
eternidade. Assim, a profecia é curta, o cumprimento
é mais longo, e a experiência é eterna. Quando
experimentamos Cristo no cumprimento das
profecias a Seu respeito, não acrescentamos nada.
Antes, entramos na eterna experiência das riquezas
inesgotáveis de Cristo.

F. Como Plantas
As plantas também retratam as riquezas de
Cristo. A grama, as flores, os grãos e as árvores
descrevem Suas riquezas.

G. Como Animais
Cristo é tipificado não somente por árvores e
plantas, mas também por animais. O cordeiro, o boi,
a águia, o leão e a pomba simbolizam Cristo.

H. Como Minerais
Na Bíblia vários minerais também mostram as
riquezas de Cristo. Ouro, prata, bronze e pedras
preciosas, por exemplo, tipificam-No.

I. Como Pessoas
Já dissemos que várias pessoas na Bíblia
tipificam Cristo. Todas elas descrevem diferentes
aspectos das riquezas de Cristo. Vemos certas
riquezas de Cristo em Adão, outras em Abel e outras
em José. Através de toda a Bíblia muitas outras
pessoas retratam diferentes aspectos das riquezas de
Cristo.

J. Como Todas as Coisas Positivas no


Universo
Todas as coisas positivas no universo apontam
para Cristo. Por exemplo, Ele é a real gravidade. Sem
Ele ficaríamos à deriva. Se Cristo não nos mantivesse
no lugar, não seríamos capazes de nos manter em pé.
Ele tem o verdadeiro poder de suster as coisas. De
acordo com Hebreus 1:3, Ele sustém todo o universo.
Visto que todas as coisas positivas no universo
simbolizam Cristo, Ele pôde usar muitas coisas como
ilustrações de Si mesmo quando estava na terra. Por
exemplo, pôde usar a porta como uma figura de Si
mesmo e dizer: “Eu sou a porta”. Cristo é a realidade
de todas as coisas positivas. Ele é não somente a
gravidade, mas também o ar, a luz e todas as coisas
positivas.
K. Como Virtudes Humanas e Atributos
Divinos
As riquezas de Cristo também incluem tanto as
virtudes humanas como os atributos divinos. Cristo é
o verdadeiro amor, paciência e perdão. Fora Dele não
podemos amar, ser pacientes ou perdoar, nem
mesmo em relação ao nosso cônjuge. Mas, quando
temos Cristo, temos todas as virtudes humanas e
atributos divinos.

II. AS RIQUEZAS DE CRISTO PARA


PRODUZIR A IGREJA

A. Por meio da Dispensação Divina de Cristo


aos Crentes
Todas as riquezas de Cristo visam à produção da
igreja. Isso ocorre por meio da dispensação divina de
Cristo aos crentes. A igreja não é produzida por
ensinamentos nem por organização, e, sim, pela
dispensação de Cristo. Quanto mais Cristo é
dispensado a nós, mais vida temos, mais forte e rica é
nossa vida e mais elevada se torna a vida da igreja.
Amo o ministério que dispensa as riquezas de Cristo
aos crentes. Por meio de tal ministério temos uma
vida da igreja adequada, forte e elevada.

B. Por meio da Experiência e Desfrute que os


Crentes Têm de Cristo
As riquezas de Cristo produzem a igreja por meio
da experiência e do desfrute que os crentes têm de
Cristo. Da parte de Cristo é questão de dispensação,
mas da nossa parte é questão de experiência e
desfrute. Quando experimentamos e desfrutamos o
próprio Cristo a nós dispensado, tornamo-nos parte
da vida adequada da igreja.

III. PARA EXPRESSAR A MULTIFORME


SABEDORIA DE DEUS
As riquezas de Cristo também expressam a
multiforme sabedoria de Deus (3:10). Sua sabedoria é
multiforme; tem muitos aspectos em muitas direções.
Ela se expressa diante dos principados e potestades
nas regiões celestiais, principalmente diante dos
poderes malignos de Satanás. Deus deseja
demonstrar aos poderes de Satanás quão sábio é.
Assim, as riquezas de Cristo exibem Sua sabedoria de
várias formas. Isso é conforme o propósito eterno de
Deus (3:11).

IV. RESULTAM NA PLENITUDE DE CRISTO


A experiência das riquezas de Cristo resulta na
plenitude de Cristo, o Corpo como Sua expressão
(1:23). O livro de Efésios fala tanto das riquezas como
da plenitude de Cristo. Um homem alto e robusto é a
plenitude de seu país porque desfrutou as riquezas
dos alimentos do país. Através de anos de
crescimento e desenvolvimento, ele consumiu muita
carne, aves, vegetais e frutas. Portanto, como alguém
plenamente crescido, torna-se a plenitude do país. As
riquezas dos alimentos não fizeram dele essa
plenitude antes que ele as comesse, digerisse e
assimilasse. Desse modo, absorvendo as riquezas,
elas tornaram-se parte dele. De modo semelhante,
todos os aspectos das riquezas de Cristo não se
tornam a plenitude de Cristo antes que sejam
comidas, desfrutadas, digeri das e assimiladas por
nós. Absorvendo-as assim, tornamo-nos o Corpo de
Cristo como Sua plenitude para expressá-Lo. Assim, o
Corpo de Cristo é constituído das riquezas de Cristo
desfrutadas e assimiladas por nós. Portanto, o Corpo
é o resultado, o produto, da experiência e do desfrute
das riquezas de Cristo.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM TRINTA E UM
A IGREJA VISA À SABEDORIA DE DEUS CONFORME
SEU PROPÓSITO ETERNO
Nesta mensagem consideraremos 3:9-13. O
versículo 9 diz: “E manifestar qual seja a dispensação
do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que
criou todas as coisas”. O mistério de Deus é Seu
propósito oculto, o qual é dispensar-Se aos Seus
escolhidos. Há, portanto, a dispensação do mistério
de Deus. Esse mistério esteve oculto em Deus desde
os séculos (isto é, desde a eternidade passada) bem
como através de todas as eras passadas, mas agora foi
trazido à luz para os crentes do Novo Testamento.

I. A SABEDORIA DE DEUS
O versículo 10 continua: “Para que, pela igreja, a
multiforme sabedoria de Deus se tome conhecida,
agora, dos principados e potestades nos lugares
celestiais”. Esse versículo fala da sabedoria de Deus.
O capítulo um fala do poder de Deus (vs. 19-20), o
dois, da graça de Deus (vs. 5-8) e o três, da sabedoria
de Deus. Ele é extremamente sábio, e o universo
revela Sua sabedoria.
Precisamos ver a diferença entre sabedoria e
conhecimento. Em Colossenses 2:3 os dois são
mencionados juntos. A sabedoria é mais elevada e
mais profunda que o conhecimento. Ela pode ser
vista no início de algo, por exemplo, na formulação de
um novo invento, enquanto o conhecimento pode ser
visto na aplicação prática. Se tiver somente
conhecimento e faltar-lhe sabedoria, você será
incapaz de iniciar ou inventar algo. Deus é o único
Iniciador. Ele iniciou muitas coisas, não pelo Seu
conhecimento, e, sim, pela Sua sabedoria. Quando
entra em cena para aplicar o que iniciou, Ele exibe
Seu conhecimento.
Em nosso caso, a sabedoria está em nosso
espírito, e o conhecimento na mente. Se você não
sabe como chegar ao seu espírito, pode ter muito
conhecimento, mas não terá sabedoria. Mas se for
uma pessoa no espírito, será sábio. Além disso, na
mente você terá conhecimento, prudência.
a versículo 10 diz que por meio da igreja a
multiforme sabedoria de Deus torna-se conhecida
dos principados e potestades na regiões celestiais.
Esses principados e potestades são os principados e
potestades angélicos, tanto bons como maus. A
passagem aqui refere-se especialmente aos malignos:
Satanás e seus anjos. De acordo com o Novo
Testamento, Satanás tem um reino, anjos e esfera de
governo. Sua esfera de governo está no ar e na terra. a
livro de Daniel mostra que todas as nações da terra
estão sob o domínio de Satanás no ar. Portanto, por
meio da igreja Deus toma conhecida Sua sabedoria,
não aos seres humanos principalmente, e, sim, aos
anjos rebeldes que são os seguidores do inimigo de
Deus.
a versículo oito revela que a igreja é produzida
com as riquezas insondáveis de Cristo. Quando o
povo escolhido de Deus participa das riquezas de
Cristo e as desfruta, elas fazem deles a igreja, por
meio da qual a multiforme sabedoria de Deus se torna
conhecida dos principados e potestades angélicos nas
regiões celestiais. Portanto, a igreja é a sábia exibição
por Deus de tudo o que Cristo é.
Até mesmo a rebelião de Satanás está na esfera
da sabedoria de Deus. Se não fosse a rebelião
satânica, a sabedoria de Deus não teria sido revelada
de maneira plena. Se você for cheio de sabedoria,
quanto mais tribulações e dificuldades tiver, mais
sabedoria expressará. Mas se tudo o que se relaciona
a você for calmo e sem problemas, você não terá
nenhuma oportunidade de expressar sua sabedoria.
Na verdade, quando tudo vai bem, há pouca
necessidade de sabedoria. Você precisa de tribulação
a fim de exibir sua sabedoria.
Deus também precisa de problemas. Ele até
mesmo precisa de um adversário, Satanás. Poucos
cristãos percebem que Deus na verdade precisa de
Satanás. Embora precise de nós, Deus precisa ainda
mais de Satanás. Quando jovem, perguntava-me por
que Deus não lançara Satanás no lago de fogo
imediatamente após ter-se rebelado contra Ele.
Questionava por que Deus dera a ele tanta liberdade.
Também me perguntava por que Deus colocara a
árvore do conhecimento do bem e do mal no jardim
do Éden. Se ela não estivesse lá, o homem não teria
caído. Mas sem Satanás e sem a árvore do
conhecimento, a sabedoria de Deus não pode ser
plenamente manifestada. Satanás e a árvore do
conhecimento têm criado muitas oportunidades para
a sabedoria de Deus manifestar-se de modo
multiforme, isto é, de várias maneiras e aspectos e de
muitos ângulos. A palavra grega traduzida por
“multiforme” indica que a sabedoria de Deus tem
muitos lados, aspectos e direções. Somente por meio
de problemas todos os aspectos da sabedoria de Deus
podem ser manifestados.
Quando alguns ouvem isso, podem ser tentados a
dizer: “Vamos criar mais problemas para Deus.
Façamos o mal para que venha o bem”. Nunca diga
isso. Se tenciona criar problemas ou fazer o mal, pode
achar-se incapaz de fazê-lo, Por exemplo, embora seja
fácil levantar-se, é difícil cair de propósito.
Precisamos perceber nossa pequenez. Por nós
mesmos, não podemos ter sucesso em ser derrotados
ou vitoriosos. Se tentar não ser derrotado, você pode
ser derrotado. Mas, se desejar ser derrotado, pode
descobrir que não consegue.
Considere o exemplo de Davi. Com relação a
Bate-Seba, Davi cometeu grande falha. Se Deus não
tivesse permitido que ele caísse nessa questão, Davi
não poderia ter caído. Sua queda deu a Deus
oportunidade de expressar Sua sabedoria. Por meio
da sua queda e arrependimento, combinados com o
perdão de Deus, Davi ganhou um filho, Salomão, para
ser o edificador do templo. Mais tarde, Davi caiu
novamente, dessa vez ao fazer o censo do exército de
Israel. Mas por meio dessa segunda queda Davi
adquiriu o lugar sobre o qual o templo foi edificado.
Para a edificação do templo havia a necessidade tanto
do edificador como do lugar. Se ler a Bíblia com
entendimento, verá que as quedas de Davi não vieram
de Davi nem de Deus; vieram de Satanás. Foi Satanás
quem tentou Davi a cometer imoralidade e a
recensear o exército de Israel. Quando Davi cedeu a
essas tentações, Satanás ficou satisfeito, convencido
de que tinha danificado um rei excelente, cujo
coração era absoluto por Deus. Ele, contudo, não
sabia que suas tentações criaram oportunidades para
que a sabedoria de Deus fosse manifestada.
O que quer que o inimigo de Deus faça dá a Deus
oportunidade de exibir Sua sabedoria. Se nunca
tivéssemos sido envenenados e corrompidos, não
precisaríamos tanto de Deus, e não haveria
necessidade da Sua salvação. Quanto mais
pecaminosos, corruptos e danificados formos, maior
é nossa necessidade de Deus, e maior a oportunidade
de Deus fazer algo por nós.
No versículo 10 Paulo declara que a sabedoria
multiforme de Deus se torna conhecida dos
principados e potestades nas regiões celestiais por
meio da igreja. Ela é o Corpo de Cristo, os
co-herdeiros e os co-participantes. A igreja é
composta dos que antes estavam arruinados,
corrompidos e danificados. Antes de ser salvos,
éramos víboras, serpentes venenosas. Além disso,
estávamos mortos nas transgressões e pecados. Ainda
mais, estávamos dispersos e divididos, totalmente
incapazes de ser um. Assim, todos os membros da
igreja estavam numa situação desesperadora.
Contudo Deus, em Sua sabedoria, é capaz de fazer de
nós a igreja. Agora somos não somente redimidos,
salvos, limpos, livres e regenerados; somos também
unidos. Somos um com Deus e entre nós. Portanto,
somos a igreja.
A igreja é o maior objeto de orgulho de Deus.
Embora você possa não se preocupar tanto com a
igreja, Deus se preocupa. Às vezes Ele pode dizer:
“Olhe, Satanás, tomei as próprias pessoas a quem
você tinha arruinado e fiz delas a igreja. Você tem a
sabedoria para fazer isso? Você não a tem, mas Eu
sim”.
Depois de Deus ter criado o homem e o colocado
no jardim, Satanás veio para interferir, convencido de
que a melhor maneira de arruinar o homem que Deus
criara para Si mesmo era injetar sua própria natureza
maligna nele. Na queda, Satanás entrou no homem
como pecado e, em muitos aspectos, fez com que o
homem fosse o mesmo que ele. Por essa razão a Bíblia
refere-se aos homens caídos como raça de víboras.
Tendo vindo ao homem como pecado, Satanás fez-se
um com o homem e transmutou o corpo humano em
carne. Mas um dia Deus tomou-se carne (Jo 1:14). Por
fim, Satanás fez com que Cristo, que se tinha tornado
carne, fosse crucificado. Primeiramente ele instigou
Judas a traí-Lo, e depois incitou os judeus e gentios a
cooperar para crucifica-Lo. O que Satanás não
percebeu, contudo, é que ao colocar Cristo na cruz
estava na verdade crucificando a si mesmo. Como diz
Hebreus 2:14: “Visto, pois, que os filhos têm
participação comum de carne e sangue, destes
também Ele, igualmente, participou, para que, por
sua morte, destruísse aquele que tem o poder da
morte, a saber, o diabo”. Por meio de Sua própria
morte na cruz, o Senhor Jesus destruiu Satanás. Que
exibição da maravilhosa sabedoria de Deus! Esse é
um aspecto de Sua sabedoria.
Outro aspecto da sabedoria de Deus é revelado
em 1 Coríntios 1. Nesse capítulo Paulo diz que os
gregos, as pessoas filosóficas, buscavam sabedoria.
Contudo para nós, chamados por Deus e que cremos
no Senhor Jesus, a sabedoria é Cristo. Ele é a
sabedoria de Deus. Primeira Coríntios 1:30 diz que é
de Deus que estamos em Cristo Jesus. O fato de que
estamos em Cristo é a sabedoria de Deus. Não posso
explicar como Ele nos colocou em Cristo. Contudo,
tenho profunda convicção e segurança de que
estamos em Cristo. Louvado seja o Senhor por isso!
Em Sua sabedoria Deus nos colocou em Cristo.
De acordo com 1 Coríntios 1:30, Cristo é nossa
sabedoria com relação à justiça, santificação e
redenção. Como nossa justiça, Ele lidou com o nosso
passado, que era totalmente injusto. Para nossa atual
situação, Cristo é nossa santificação, e para o futuro
Ele é nossa redenção. Um dia nosso corpo será
redimido, isto é, transfigurado. Cristo ser nossa
justiça, santificação e redenção requer muita
sabedoria da parte de Deus. Embora Cristo seja nossa
justiça para o passado, santificação para o presente e
redenção para o futuro, Ele é também nossa justiça,
santificação e redenção diárias.
Para entender isso adequadamente, precisamos
ver a plena extensão da economia de Deus. Após a
criação e a queda do homem, Deus tornou-se carne
por meio da encarnação. Então o Senhor Jesus foi à
cruz e crucificou a carne. Após passar pela morte e
ressurreição ascendeu aos céus, depois desceu e
entrou em nós como Espírito que dá vida a fim de
vivificar o nosso espírito mortificado e nos regenerar.
Tendo-nos regenerado, Ele agora habita em nosso
espírito como vida. Nessa vida, a vida divina, temos a
lei da vida, o sentimento da vida e a comunhão da
vida. O Senhor, contudo, não é somente vida a nós; é
também a unção em nosso interior. Além disso, dia a
dia Ele nos sela satura, unge e permeia. A medida que
isso ocorre, espontaneamente O vivemos, e Ele se
torna nossa justiça. Essa é a sabedoria de Deus. Por
causa da Sua sabedoria, Deus pode gloriar-se diante
de Satanás sobre o que Ele faz com o homem
corrompido e arruinado. Você já percebeu que o que
somos como cristãos hoje vem da sabedoria de Deus?
Somente Ele tem a sabedoria para iniciar tal obra
maravilhosa, de transformar pessoas pecaminosas e
corrompidas em membros de Cristo.
Por meio do trabalho do Espírito da vida, há uma
mudança na nossa própria natureza. É uma mudança
metabólica, que nos santifica e transforma. Assim,
Cristo é não somente nossa justiça, mas também
santificação. Além disso, somos redimidos dia a dia, e
por fim seremos glorificados. Cristo é nossa justiça,
santificação e redenção, não somente objetiva, mas
também subjetivamente, mesclando-nos e
mudando-nos metabolicamente. Tudo isso é um
testemunho da multiforme sabedoria de Deus.
Muitos aspectos da Sua sabedoria são manifestados
ao fazer de Cristo nossa justiça, santificação e
redenção. Nossa experiência de Cristo nessas
questões é de acordo com a multiforme sabedoria de
Deus.
A igreja por meio da qual a sabedoria de Deus é
tão maravilhosamente exibida é Sua obra-prima. Aos
Seus olhos a coisa mais bela no universo é a igreja,
pois por intermédio dela a Sua multiforme sabedoria
é mostrada a Satanás e seus anjos. Breve virá o dia em
que Satanás e seus anjos serão envergonhados.
Perceberão que tudo que têm feito tem dado a Deus
oportunidade de manifestar Sua sabedoria. No
mesmo princípio, nossas falhas, erros, derrotas e
maus feitos também Lhe têm dado oportunidade de
exibir Sua sabedoria. Nenhum de nós gosta de estar
errado; pelo contrário, todos desejamos ser corretos.
Embora sempre tenha desejado fazer a coisa certa,
tenho cometido muitos erros, até mesmo alguns
grandes erros. Certamente os detesto, mas posso
testificar que eles deram a Deus oportunidade de
exibir Sua sabedoria. Portanto, posso agradecer ao
Senhor por todos os meus erros.
Se revirmos nosso passado, perceberemos que
recebemos mais graça por meio dos erros do que por
meio do que fizemos sem nenhum erro. Embora
tenha cometido alguns grandes erros, por meio deles
recebi muita misericórdia e graça. Parece que a
misericórdia e graça recebidas têm sido
proporcionais à seriedade dos erros. Aleluia, somos
os escolhidos de Deus, e até mesmo por meio de
nossas falhas Ele manifesta Sua multiforme
sabedoria! Contudo, não devemos tentar falhar
intencionalmente a fim de receber a misericórdia e
graça de Deus.

II. O PROPÓSITO ETERNO DE DEUS


O versículo 11 diz: “Segundo o eterno propósito
que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor”. O
eterno propósito é o propósito da eternidade, isto é, o
plano eterno de Deus concebido na eternidade
passada. Ele foi realizado em Cristo com tripla
intenção: para a glória de Deus, para a bênção do Seu
povo escolhido e para a vergonha do Seu inimigo. A
principal intenção do propósito de Deus é
glorificar-Se, expressar-Se por meio do Seu povo
escolhido. Essa é a maior bênção concedida a nós.
Nisso o inimigo de Deus é envergonhado ao máximo.

III. NOSSA OUSADIA, ACESSO, CONFIANÇA


E GLÓRIA
O versículo 12 continua: “Pelo qual temos
ousadia e acesso com confiança, mediante a fé nele”.
Em Cristo temos acesso não somente para nos
aproximar de Deus, mas também para participar de
Sua economia neotestamentária. Por meio da fé de
Cristo, temos tal acesso com ousadia e confiança para
desfrutar Deus e Seu plano eterno. Temos ousadia em
Cristo, acesso a Deus, confiança no propósito de Deus
e também a glória nas aflições do apóstolo (v. 13).
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM TRINTA E DOIS
SER FORTALECIDOS NO HOMEM INTERIOR PARA
QUE CRISTO HABITE EM NOSSO CORAÇÃO
Nesta mensagem chegamos a 3:14-17, a primeira
parte da segunda oração de Paulo pela igreja, oração
esta que se relaciona com a experiência. A oração do
apóstolo em 1:1523 é para que os santos recebam
revelação a respeito da igreja. Em 3:14-21 é para que
os santos experimentem Cristo com vistas à igreja.

I. A ORAÇÃO DO APÓSTOLO PELA NOSSA


EXPERIÊNCIA DE CRISTO

A. “Por Esta Causa”


O apóstolo Paulo começa sua oração no versículo
14 com as palavras “por esta causa”. A causa pela qual
ele orou está oculta nas profundezas do capítulo três.
Vimos que nesse capítulo ele se apresenta como
padrão de alguém que viu a economia de Deus. Ele
recebeu a revelação de que a economia de Deus é Ele
mesmo dispensando-Se aos Seus escolhidos para
fazer deles a expansão, o aumento, de Cristo, que é a
corporificação de Deus, para Sua plena expressão.
Recebida tal revelação, Paulo tornou-se apóstolo,
enviado. Ele era também profeta, alguém que falava
por Deus. Ele não somente falava por Deus, mas até
mesmo falava Deus. Como Seu porta-voz, ele
ministrava as insondáveis riquezas de Cristo às
pessoas, para que tivessem a mesma revelação e
também se tomassem apóstolos e profetas. Isso
significa que o desejo dele era produzir mais
apóstolos e profetas. Para tal propósito ele sofreu até
mesmo aprisionamento. Mas quanto mais confinado
na prisão, mais revelação recebia e mais de Cristo
podia ministrar aos crentes para fazer de todos eles
apóstolos e profetas. Tudo isso é a causa pela qual
Paulo orou em Efésios 3.
Quando alguns ouvem que todos os santos
podem ser apóstolos e profetas, podem lembrar-se de
1 Coríntios 12:29, que diz: “São todos apóstolos? Ou,
todos profetas?” Nem todos são os apóstolos ou os
profetas, mas, como diz 1 Coríntios 14:31, todos
podem profetizar. Os apóstolos e os profetas foram os
que tomaram a frente no Novo Testamento. A
diferença é que eles foram os líderes, e nós somos os
seguidores. Mas isso não quer dizer que não podemos
fazer o que eles fizeram. No mesmo princípio, a
diferença entre os presbíteros e os demais membros
numa igreja é que os presbíteros tomam a frente, e os
demais os seguem. Isso não significa, no entanto, que
os outros não podem fazer o mesmo que os
presbíteros. Pelo contrário, todos os membros devem
fazer o que os presbíteros fazem, e ainda mais. Como
isso é diferente do conceito do cristianismo de que os
leigos não podem fazer o que os ministros fazem! Os
presbíteros não pertencem a um grau hierárquico
superior; são, antes, todos do mesmo nível. A única
diferença é que os presbíteros tomam a dianteira,
como ovelhas que caminham à frente do rebanho. De
modo semelhante, os apóstolos e profetas não estão
em nível mais elevado que os demais santos. Eles
tomam a frente, e todos nós os seguimos para fazer o
que fazem.
Quando vim para este país, vim com a revelação
de que Cristo é para a igreja. Tendo recebido tal
revelação, fui enviado para cá a fim de falar por Deus
e até mesmo falar Deus. Sou simplesmente um
seguidor dos apóstolos e profetas do Novo
Testamento. Meu encargo é que todos os santos se
tomem tais seguidores. Espero que um dia milhares
sejam enviados para falar por Deus. Embora
possamos não ser os primeiros apóstolos, podemos
ser os seguidores. Do mesmo modo, não podemos ser
os profetas, mas todos podemos profetizar. Todos
podemos ser enviados e falar por Cristo. Que
privilégio, misericórdia e graça é ser os seguidores
dos primeiros apóstolos e profetas!

B. Diante do Pai
Nos versículos 14 e 15 Paulo diz: “Por esta causa,
me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o
nome toda família, tanto no céu como sobre a terra”.
Repare que ele não se refere a Deus, e, sim, ao Pai. O
“Pai” aqui é usado num sentido amplo, significando
não somente o Pai da família da fé (Gl 6:10), e, sim, o
Pai de toda família nos céus e sobre a terra. O Pai é a
origem, não somente dos crentes regenerados, mas
também da humanidade criada por Deus (Lc 3:38),
de Israel (Is 63:16; 64:8) e dos anjos (Jó 1:6). O
conceito dos judeus era que Deus era Pai somente
deles. Assim, o apóstolo orou ao Pai de todas as
famílias no céu e sobre a terra, de acordo com sua
revelação, e não como os judeus, que oravam somente
ao Pai de Israel, de acordo com o conceito judaico.
Como Deus é a origem da família dos anjos no
céu e de todas as famílias humanas na terra, toda
família toma o nome de Deus, do mesmo modo que
produtores dão nome aos produtos e pais, aos filhos.
II. QUE SEJAMOS FORTALECIDOS
No versículo 16 temos o tema da oração de Paulo:
“Para que, segundo a riqueza da sua glória, vos
conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante
o seu Espírito no homem interior”. Em contraste com
a oração no capítulo um, que pede revelação, essa é
uma oração que pede experiência. A necessidade no
capítulo um é que vejamos as coisas relacionadas com
o Corpo de Cristo, vejamos como o Corpo vem à
existência e como é constituído. Mas é inadequado
simplesmente ter a revelação; também precisamos da
experiência do que vemos. Uma vez que precisamos
experimentar Cristo subjetivamente, Paulo orou para
que fôssemos fortalecidos com poder no homem
interior.

A. Pelo Pai segundo as Riquezas de Sua Glória


No versículo 16 a palavra “fortalecidos” é
modificada por quatro frases: “segundo a riqueza da
sua glória”, “com poder”, “mediante o seu espírito” e
“no homem interior”. Primeiramente somos
fortalecidos segundo as riquezas da glória do Pai.
Glória é a expressão de Deus. João 1:18 diz:
“Ninguém jamais viu a Deus; o Filho unigênito, que
está no seio do Pai, esse O deu a conhecer”. Nisso há
glória, pois dá-Lo a conhecer é manifestá-Lo; e isso é
glória. Quando o Senhor Jesus expressava Deus na
terra, a glória de Deus se manifestava.
Até certo ponto, todas as farru1ias nos céus e
sobre a terra expressam Deus. Juntamente com a
expressão de Deus estão as riquezas de Sua glória. O
apóstolo orou para que os crentes gentios
experimentassem Deus plenamente segundo as
riquezas da Sua glória, para que Ele Se expressasse
pelo fato de eles O experimentarem plenamente.
Que são, então, as riquezas da glória de Deus? As
riquezas da glória no versículo 16 estão relacionadas
com todas as famílias no versículo 15. Até certo ponto
toda família é uma expressão de Deus. Pelo fato de o
Pai ser a fonte, a origem, de toda família nos céus e
sobre a terra, todas elas são Sua expressão. A família
que mais expressa o Pai é a dos crentes. Portanto,
Paulo orou ao Pai para que fôssemos fortalecidos com
o propósito de expressá-Lo ao máximo.

B. Com Poder
Somos também fortalecidos com poder. Esse
poder é o poder da ressurreição citado em 1:19-20; e é
esse poder que opera em nós (3:20). Ele ressuscitou a
Cristo dentre os mortos, fê-Lo ascender aos céus e pôs
todas as coisas debaixo de Seus pés. É com tal poder
que Deus nos fortalece.

C. Mediante o Seu Espírito


É mediante o Espírito que o Pai nos fortalece. Ele
o faz pelo Espírito que habita em nós. Isso não quer
dizer que o Espírito não está conosco, nem que Ele
virá do céu para nos fortalecer. O Espírito
fortalecedor tem estado conosco desde que nos
regenerou. Ele ainda está em nosso interior neste
momento. Por meio desse Espírito que habita em nós,
o Pai nos fortalece a partir do nosso interior.

D. No Homem Interior
O versículo 16 também diz que somos
fortalecidos no homem interior. O homem interior é o
nosso espírito regenerado com a vida de Deus como
sua vida. É nosso espírito regenerado pelo Espírito de
Deus (10 3:6), habitado pelo Espírito de Deus (Rm
8:11, 16) e mesclado com o Espírito de Deus (1Co
6:17). Para que experimentemos Cristo até toda a
plenitude de Deus, precisamos ser fortalecidos no
homem interior. Isso quer dizer que precisamos
aprofundar-nos no nosso espírito, onde podemos ser
fortalecidos por meio do Espírito Santo.
Pelo fato de os seres humanos serem almas, não
espíritos, nossa personalidade ou pessoa está na
alma. Essa é a razão de a Bíblia referir-se aos homens
como almas (Êx 1:5; At 2:41 — VRC). Tanto o corpo
como o espírito são vasos usados pela alma. Portanto,
como almas, temos um vaso exterior, o corpo, assim
como um vaso interior, o espírito. Quando nos
arrependemos e cremos no Senhor Jesus, Ele entrou
em nós e nos regenerou com Ele mesmo como nossa
vida. Antes de ser regenerados não havia vida em
nosso espírito; tínhamos simplesmente a vida
humana na alma. Mas, por meio da regeneração,
temos agora a vida divina no espírito. Portanto, ele
não é mais apenas um vaso; tornou-se nossa pessoa
com a vida de Deus. Mas que aconteceu com a vida
humana e a velha pessoa na alma? A velha pessoa, a
alma com a vida humana, foi crucificada, e agora
nossa nova pessoa é o espírito com a vida divina.
Nosso espírito regenerado com a vida divina é agora o
nosso homem interior.
É muito difícil permanecer no espírito. Todos
estamos acostumados a sair do espírito, e não a
entrar e permanecer nele. De acordo com minha
experiência, posso testificar que não sou inclinado a
permanecer no espírito. Uma vez que é tão fácil sair
do espírito, ainda estou aprendendo a permanecer
nele. Sempre que permanecemos no espírito, somos
fortalecidos; mas sempre que saímos dele, somos
enfraquecidos. Você já percebeu como é fácil a mente
vaguear quando você ora? Quando não está orando,
pode não pensar em certas coisas. Mas, quando
começa a orar, pode repentinamente descobrir que
seus pensamentos estão em uma coisa e, logo depois,
em outra. Você pode fazer até mesmo uma rápida
viagem a outra parte do mundo. Essa é a razão pela
qual precisamos ser fortalecidos no homem interior.
Quanto mais somos fortalecidos, mais as partes do
nosso ser interior são trazidas de volta ao espírito, ao
homem interior.
Precisamos ser fortalecidos para permanecer no
espírito e não ser distraídos por pensamentos acerca
de tantas coisas. Para orar sem ser distraídos,
precisamos ser fortalecidos no homem interior. Como
precisamos ser fortalecidos para que todo o nosso ser
se volte ao homem interior e aí permaneça!
A revelação no capítulo 3 de Efésios pode ser
vista somente quando estamos no espírito. Como diz
o versículo 5, o mistério torna-se conhecido dos
apóstolos e profetas no espírito. Ser fortalecido no
homem interior é o segredo de ter a revelação do
mistério. Precisamos ser fortalecidos para que todo o
nosso ser seja conduzido de volta ao espírito.
Em nosso espírito somos também enchidos das
riquezas de Cristo até toda a plenitude de Deus (v.
19). A palavra grega traduzida por “até” no versículo
19 quer dizer “resultando em”. Nosso ser cheio das
riquezas de Cristo resulta na plena expressão de
Deus. Essa é a plenitude de Deus.
III. PARA QUE CRISTO HABITE EM NOSSO
CORAÇÃO
A primeira parte do versículo dezessete diz: “E,
assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé”. Nosso
coração é composto de todas as partes da alma
(mente, emoção e vontade) mais a consciência (a
parte principal do espírito). Essas são as partes
interiores do nosso ser. Por meio da regeneração,
Cristo entrou em nosso espírito (2Tm 4:22). A seguir,
devemos permitir que Ele se espalhe para cada parte
do nosso coração. Nosso coração é a totalidade de
todas as partes interiores e o centro do ser interior;
portanto, quando Cristo habita em nosso coração,
controla todo o nosso ser interior, assim como supre e
fortalece cada parte interior com Ele mesmo.
No versículo 17 Paulo diz que é mediante a fé que
Cristo habita em nosso coração. Fé é tornar reais as
coisas não vistas (Hb 11:1). O habitar de Cristo é
misterioso e abstrato. Nós O percebemos não pelos
sentidos físicos, e, sim, pelo sentido da fé.
Os três primeiros capítulos de Efésios são sobre a
igreja e os últimos três, sobre o andar de modo digno
do chamamento de Deus com vistas à igreja.
Contudo, na verdade somente os primeiros dois
capítulos são sobre a igreja, pois o capítulo três marca
o início da exortação de Paulo a respeito de um andar
digno do chamamento de Deus. Em Efésios 3 Paulo se
apresenta como modelo de alguém que podia
executar o propósito eterno de Deus a respeito da
igreja. Se tivéssemos somente os capítulos um e dois
sem o três, teríamos o ensinamento e até mesmo a
visão a respeito da igreja, mas não o caminho de
cumprir a visão. No capítulo três vemos como a igreja
é constituída de modo prático. Esse capítulo não diz
respeito à revelação da Igreja, nem, estritamente
falando, ao andar de modo digno do chamamento de
Deus para a igreja; antes, diz respeito à experiência
prática da igreja sendo constituída.
A vida da igreja é constituída de pessoas segundo
o modelo do apóstolo Paulo. Todos precisamos
segui-lo em receber a revelação no espírito e em ser
fortalecidos no homem interior. Quando se ajoelhou
diante do Pai, Paulo era tão forte no homem interior
que nada podia abalá-lo ou perturbá-lo, Pelo fato de
todo o seu ser estar em seu espírito, nada externo
podia atribulá-lo. Também precisamos ser
fortalecidos a tal ponto que nada seja capaz de nos
afastar do homem interior. Além disso, precisamos
que Cristo habite em nosso coração para que sejamos
totalmente ocupados e possuídos por Ele.
Quando somos fortalecidos no homem interior e
Cristo habita em nosso coração, somos capazes de ter
a revelação. Precisamos receber a mesma revelação
concedida aos primeiros apóstolos e profetas. Paulo
não podia recebê-la por nós; devemos recebê-la nós
mesmos, pessoal e subjetivamente, sendo fortalecidos
no homem interior. Essa revelação a respeito de
Cristo e a igreja é a economia de Deus, o mistério
oculto. Ser os apóstolos e profetas de hoje depende de
ter a revelação. Sem a revelação, não podemos ser
apóstolos e profetas. Se ti vesse vindo a este país sem
essa revelação, todo o meu falar teria sido em vão.
Mas vim com uma revelação, e de acordo com ela
falei. Isso fez de mim um seguidor dos apóstolos e
profetas no ministério neotestamentário de Deus.
Hoje todos os santos, incluindo os jovens, podem ser
tais seguidores.
Quando fomos salvos, Cristo entrou em nosso
espírito. Agora devemos dar a Ele oportunidade de
espalhar-Se por todas as partes do nosso ser interior.
À medida que somos fortalecidos no homem interior,
a porta se abre para Cristo espalhar-Se em nós,
espalhar-Se a partir do nosso espírito até nossa
mente, emoção e vontade. Quanto mais se espalha em
nosso interior, mais Ele se estabelece e habita em nós.
Isso quer dizer que Ele ocupa cada parte do nosso ser
interior, possuindo-a e saturando-a com Ele mesmo.
Como resultado, não somente recebemos a revelação,
mas somos também enchi dos com Cristo. Então,
onde quer que formos, seremos os apóstolos, os
enviados, e também os profetas, os que falam por
Cristo.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM TRINTA E TRÊS
COMPREENDER AS DIMENSÕES DE CRISTO E
CONHECER Ü' AMOR DE CRISTO
Nesta mensagem consideraremos as questões de
compreender as dimensões de Cristo e conhecer o
Seu amor. No versículo 18 Paulo fala da largura,
comprimento, altura e profundidade, mas não diz a
que essas dimensões se referem. Certamente
referem-se a Cristo. Precisamos ser fortalecidos para
compreender com todos os santos a largura, o
comprimento, a altura e a profundidade de Cristo.

OS PASSOS PARA COMPREENDER AS


DIMENSÕES DE CRISTO E CONHECER O
SEU AMOR
A oração nos versículos 16 a 19 tem quatro
objetivos: “Para que (...) sejais fortalecidos (...) no
homem interior”, “e, assim, habite Cristo no vosso
coração”, “a fim de poderdes compreender (...) e
conhecer”, “para que sejais cheios de toda a plenitude
de Deus” (VRC).
O primeiro objetivo é o resultado da oração de
Paulo. Ele dobrou os joelhos diante do Pai e orou para
que Ele nos concedesse que sejamos fortalecidos no
homem interior (vs. 14-16). Assim, o resultado de sua
oração é que o Pai nos concedesse tal fortalecimento.
O segundo objetivo, encontrado no versículo 17, é
que Cristo habite em nosso coração pela fé. Isso é o
resultado de ser fortalecidos no homem interior.
Alguns podem dizer que o terceiro objetivo é
paralelo ao segundo, mas concordo com os que
afirmam ser ele um resultado adicional. Isso quer
dizer que o segundo objetivo é resultado do primeiro,
o terceiro é resultado do segundo, e o quarto, do
terceiro.
No capítulo três Paulo orou para que fôssemos
fortalecidos. Se fomos fortalecidos no homem
interior, Cristo pode então habitar em nosso coração,
tendo como resultado que sejamos fortes para
compreender com todos os santos qual é a largura, o
comprimento, a altura e a profundidade de Cristo,
bem como conhecer o amor de Deus que excede todo
entendimento. O resultado de tudo isso é que somos
cheios de (ou até, segundo o original, cf. IBB-Rev.)
toda a plenitude de Deus. Vemos aqui vários passos.
Da oração de Paulo prosseguimos para ser
fortalecidos; de ser fortalecidos avançamos para
Cristo habitar em nosso coração; então prosseguimos
para compreender e conhecer, e finalmente para ser
enchidos até toda a plenitude de Deus. É por meio
desses passos que podemos compreender as
dimensões de Cristo e conhecer Seu amor que excede
todo entendimento.

A PLENITUDE DE DEUS
A plenitude de Deus é a expressão de Deus. Já
enfatizamos que o Corpo não são as riquezas de
Cristo, e, sim, a Sua plenitude (1:23). À medida que as
riquezas de Cristo são digeri das e assimiladas em
nosso interior, elas são metabolizadas. Por meio
desse processo de metabolismo tornamo-nos a
plenitude de Cristo como Sua expressão. Muitos
cristãos consideram riquezas e plenitude sinônimos.
As riquezas de Cristo são os vários aspectos de Cristo
para nosso desfrute, enquanto a plenitude é o
resultado, a conseqüência, do desfrute dessas
riquezas. Por exemplo, quando comemos e digerimos
as riquezas dos alimentos de um país, tornamo-nos a
plenitude daquele país. Como a plenitude do país,
somos sua expressão. Efésios 3:19 não diz que somos
enchi dos com as riquezas de Deus, mas enchidos até
a plenitude de Deus. Isso quer dizer que somos
enchidos com um resultado: tornamo-nos a
expressão de Deus. A expressão de Deus hoje é a
igreja, que é o Corpo, a plenitude Daquele que a tudo
enche em todas as coisas. Portanto, a plenitude de
Deus em 3:19 é a plenitude de Cristo, que é o Corpo
em 1:23. O Corpo é constituído por meio de nosso
desfrute das riquezas de Cristo.
Os capítulos um e dois abrangem a revelação da
igreja, e o capítulo três abrange a constituição da
igreja. No capítulo três vemos que Paulo, um líder e
modelo, recebeu a revelação e desfrutou as riquezas
de Cristo. Elas foram metabolicamente constituídas
em seu ser para fazer dele parte do Corpo. Todos que
desejam segui-lo para ser os apóstolos e profetas de
hoje devem ser o mesmo que ele nessas questões.
Então a igreja será constituída para tornar-se a
plenitude de Cristo e a plenitude de Deus. Para que
isso aconteça, Paulo orou a fim de que fôssemos
fortalecidos no homem interior, tendo como
resultado Cristo habitando em nosso coração e assim
ocupar, possuir, permear e saturar todo o nosso ser
interior com Ele mesmo. Desse modo somos enchi
dos com Cristo, e nos tornamos fortes para
compreender as dimensões de Cristo e conhecer Seu
amor que excede todo entendimento. Por fim,
seremos enchi dos de Cristo a tal ponto que nos
tornaremos a plenitude de Deus.
À medida que passamos por todos esses passos,
precisamos compreender as dimensões de Cristo. A
palavra grega traduzida como “compreender”
significa não somente conhecer, mas também
agarrar, tomar posse intensamente. A fim de
compreender as dimensões de Cristo precisamos de
todos os santos; para isso devemos tomar posse de
Cristo corporativamente.

AS DIMENSÕES UNIVERSAIS DE CRISTO


As dimensões de Cristo são a largura, o
comprimento, a altura e a profundidade. Essas
dimensões são as dimensões do universo. Somente o
próprio Deus conhece as medidas do universo.
Podemos medir a distância de um ponto a outro
como, por exemplo, da terra à lua, mas não podemos
medir o universo em si. Agora as próprias dimensões
do universo são também as dimensões de Cristo.
Cristo é nosso real universo. Em outra
mensagem disse que Cristo é nossa terra, nossa boa
terra, nosso sol e estrela da manhã. Agora, segundo o
versículo 18, temos a ousadia de dizer que Ele é nosso
universo, pois Suas dimensões são as dimensões do
universo. Efésios 1:23 fala da plenitude Daquele que a
tudo enche em todas as coisas, e 4:9-10 revela que Ele
desceu às partes inferiores da terra e ascendeu muito
acima de todos os céus para encher todas as coisas.
Quando entrarmos no novo céu e nova terra para
habitar na Nova Jerusalém, todos perceberemos que
Cristo, o Senhor, é nosso universo.

EXPERIMENTAR A LARGURA E O
COMPRIMENTO
Em nossa experiência de Cristo, primeiro
experimentamos a largura do que Ele é, e então o
comprimento. Isso é horizontal. Quando avançamos
Nele, experimentamos a altura e profundidade de
Suas riquezas. Isso é vertical. Primeiro
experimentamos Cristo espalhando-se como largura e
comprimento. Mais tarde O experimentamos
erguendo-se como altura e finalmente descendo como
profundidade. Como veremos, nossa experiência de
Cristo deve, por fim, tornar-se tridimensional, como
um cubo.
Se tivermos somente o comprimento de Cristo
sem a largura, nossa experiência será uma “linha”,
isto é, uma experiência que é longa e estreita ao
extremo. Nossa experiência de Cristo, contudo, não
deve ter apenas uma dimensão, como uma linha, e,
sim, duas, como um quadrado, e depois três, como
um cubo. É muito importante que todos tenhamos
uma experiência bidimensional ou “quadrada” de
Cristo. Se tivermos somente uma experiência “linear”
Dele, essa linha continuará até parar numa
extremidade. Todos os extremistas são “lineares”: sua
experiência de Cristo está sobre uma só “linha”. Se
você experimentar Cristo adequada e normalmente
como largura e comprimento, será guardado de ir a
um extremo. Não vá longe demais na linha de uma
experiência longa e restrita de Cristo. Antes,
experimente-O de maneira “quadrada” como largura
e comprimento. Experimentando-O continuamente
como largura e comprimento, nossa experiência será
como um “tapete” solidamente entretecido, e não
apenas um longo “fio”.
Alguns exemplos ajudarão a esclarecer essa
questão. Por vários anos ouvi certo grande mestre da
Bíblia. Ele era extremamente versado nas Escrituras.
Embora gastasse muito pouco tempo em oração, lia
constantemente a Palavra e escrevia notas em sua
Bíblia. Após falar sobre a Bíblia por certo tempo,
pedia licença e fumava cachimbo. Então recomeçava
a discussão das Escrituras. Ele tinha uma “linha”
unidimensional (uma ênfase extrema em estudar a
Bíblia), mas em sua experiência não havia a expansão
normal de Cristo em duas dimensões como um
“quadrado”.
Uma irmã em minha cidade natal também tinha
uma experiência “linear”. Não lia a Bíblia, mas
dedicava muito tempo à oração. Sendo extremamente
séria em orar, decidiu jejuar e orar por muitos dias.
Ao sétimo dia alguns vieram a mim muito
preocupados com a situação dela. Quando a
visitamos, ela estava na cama, enfraqueci da devido
aos sete dias de jejum. Nós a encorajamos a tomar
cuidado com a saúde, mas ela ficou ofendida com
nossa sugestão. No dia seguinte faleceu. Esse é um
exemplo de como uma experiência “linear” pode levar
as pessoas a um extremo, e até desviá-las. Cedo ou
tarde toda experiência “linear” desvia-se. Portanto,
precisamos ser equilibrados. Esses dois exemplos
mostram que precisamos despender tempo tanto em
oração como no estudo da Palavra.
Outra experiência extremista diz respeito às
reuniões da igreja. Há pouco tempo alguns dentre nós
decidiram que não precisavam mais das reuniões da
igreja. Preferiram apenas desfrutar o Senhor em casa.
Não há nada errado em desfrutar o Senhor em casa,
mas não devemos “esticar” tal experiência até que se
torne um extremo. Outros, pelo contrário,
preocupam-se somente com as reuniões. Em sua vida
cristã não reservam tempo para oração, estudo
bíblico ou desfrute do Senhor em casa. Preocupam-se
somente com as reuniões. Isso também é um
extremo.
Como é fácil ter experiências “lineares”, de uma
só dimensão! Parece que poucos santos desejam
experiências bidimensionais, como tapete. Para que
tenhamos uma experiência de Cristo como tapete
solidamente entretecido, precisamos ser equilibrados
de muitos modos. Ser equilibrado é ser enriquecido.
Precisamos tanto da largura como do comprimento;
precisamos das experiências bidimensionais,
“quadradas”, de Cristo.
Para que experimentemos Cristo em Suas
dimensões universais precisamos da vida da igreja.
Precisamos experimentá-Lo com todos os membros
do Corpo. Em particular, precisamos das reuniões da
igreja, pois nelas somos equilibrados por meio das
mensagens e testemunhos dos santos. Se
experimentarmos as dimensões de Cristo na vida da
igreja, gradualmente seremos tecidos como “tapete”.
Não seremos finos fios de “linha”. O que é necessário
hoje não são experiências de “linha”, e, sim, um
“tapete” tecido por meio da experiência equilibrada
de Cristo na igreja.
Quando experimentamos Cristo desse modo,
descobrimos que Sua largura e comprimento são
imensuráveis. Ele é imensurável em Sua expansão. À
medida que O experimentamos em Sua expansão,
passamos a ver que Suas dimensões são as próprias
dimensões do universo.

EXPERIMENTAR A ALTURA E A
PROFUNDIDADE
Após experimentarmos a largura e o
comprimento de Cristo, começamos a experimentar
Sua altura, e então a profundidade. Não pense que
primeiro experimentamos a profundidade de Cristo.
Não, primeiramente subimos e depois descemos.
Antes que possamos ter a profundidade, devemos ter
a altura. As experiências espirituais da profundidade
de Cristo vêm das experiências da Sua altura. Isso
quer dizer que primeiro crescemos, e depois somos
enraizados. Portanto, o entendimento adequado da
experiência da altura e profundidade de Cristo é
contrário ao nosso conceito natural, que coloca a
profundidade antes da altura.
Em nossa experiência de Cristo, devemos
prosseguir de duas para três dimensões, de
“quadrado” para “cubo”. Um cubo é sólido. Tanto no
tabernáculo como no templo, o Santo dos Santos era
um cubo. Suas dimensões no tabernáculo eram dez
côvados e no templo, vinte. A Nova Jerusalém será
um cubo eterno, com doze mil estádios em três
dimensões. A vida da igreja hoje também deve ser um
“cubo”. Além disso, nossa experiência de Cristo na
igreja deve ser “cúbica”, tridimensional, com muitas
linhas indo e voltando, nas três direções. Quando O
experimentamos de tal modo tridimensional somos
sólidos. Em nossa experiência de Cristo somos
primeiro um “quadrado”, e depois um “cubo”.
Quando nos tornamos um cubo, não podemos cair
nem ser quebrados. Cristo é o cubo universal. E a vida
da igreja hoje é também um “cubo”, não uma “linha”,
ou mesmo um “tapete”. E nossa experiência de
Cristo? Que o Senhor abra nossos olhos para que
vejamos que nossa experiência Dele deve ser um
“cubo”. À medida que avançamos e voltamos,
subimos e descemos em nossa experiência de Cristo,
temos por fim um sólido “cubo”.

ARRAIGADOS E ALICERÇADOS EM AMOR


No versículo 17 Paulo fala de estar “arraigados e
alicerçados em amor”. Somos lavoura e edifício de
Deus (1Co 3:9). Como Sua lavoura precisamos ser
arraigados para crescimento, e como Seu edifício
precisamos ser alicerçados para edificação. Assim, no
versículo 17 Paulo tem em mente vida e edificação. Ao
falar de ser arraigados e alicerçados, ele indica que a
experiência de Cristo visa a vida e edificação. Como
aqueles que têm Cristo habitando no coração e são
fortes para compreender as dimensões de Cristo e
conhecer o Seu amor que excede todo entendimento,
devemos ter tanto vida como edificação. Tudo que
experimentamos de Cristo visa a isso.
Paulo diz especificamente que somos arraigados
e alicerçados em amor. Para experimentar Cristo
precisamos de fé e amor (1Tm 1:14). A fé nos capacita
a receber e perceber Cristo; o amor nos capacita a
desfrutá-Lo. Tanto fé como amor não são nossos, mas
Dele. Sua fé torna-se nossa para crer Nele, e Seu amor
toma-se nosso para amá-Lo. O amor no qual somos
arraigados e alicerçados é o amor divino que se toma
realidade e experiência para nós de modo prático.
Com tal amor amamos ao Senhor, e com o mesmo
amor amamos uns aos outros. Em tal amor crescemos
e somos edificados em vida. O conceito de Paulo aqui
sobre a relação entre a experiência de Cristo e as
questões de vida e edificação é muito profundo.
Quanto mais crescemos, mais somos arraigados.
Embora isso seja contrário ao conceito natural,
corresponde, contudo, à experiência. Se considerar
sua experiência, perceberá que não teve o sentimento
de ser arraigado primeiro e depois crescer, mas de
crescer e então ser arraigado. À medida que
crescemos em altura, nossas raízes tomam-se mais
profundas.

CONHECER O AMOR DE CRISTO NA


EXPERIÊNCIA
Na primeira parte do versículo 19 Paulo diz: “E
conhecer o amor de Cristo que excede todo
entendimento”. O amor de Cristo excede o
entendimento; ainda assim podemos conhecê10
experimentando-o. De acordo com nossa mente, o
amor de Cristo ultrapassa todo entendimento. Nossa
mente não é capaz de conhecê-lo. Mas no espírito
podemos conhecê-lo mediante a experiência.
O amor de Cristo é o próprio Cristo. Assim como
Ele é imensurável, Seu amor também o é. Não
considere o amor de Cristo algo pertencente a Ele.
Esse amor é Cristo. Pelo fato de Cristo ser
imensurável, Seu amor ultrapassa todo
conhecimento; ainda assim podemos conhecê-lo em
nosso espírito, não por meio de conhecimento, e, sim,
da experiência. Se compararmos o que
experimentamos até agora do amor imensurável de
Cristo com tudo o que há para experimentar, será o
mesmo que comparar uma gota d'água com o oceano.
Cristo em Suas dimensões universais e em Seu amor
imensurável é como um oceano vasto e sem limites
para que experimentemos.
ESTUDO-VIDA DE EFÉSIOS
MENSAGEM TRINTA E QUATRO
SER CHEIOS ATÉ TODA A PLENITUDE DE DEUS
Em 3:19 o apóstolo Paulo diz: “Para que sejais
cheios de toda a plenitude de Deus” (VRC). Quando
Cristo habita em nosso coração e somos fortes para
compreender com todos os santos as dimensões de
Cristo e conhecer pela experiência Seu amor que
excede todo entendimento, seremos cheios de (ou
até, segundo o original, cf. illB-Rev.) toda a plenitude
de Deus. Toda essa plenitude habita em Cristo (Cl
1:19; 2:9). Habitando em nós, Cristo continuamente
dispensa o próprio elemento de Deus ao nosso ser.
Podemos ser cheios com Deus a tal ponto e atingir tal
padrão, até mesmo toda a plenitude de Deus. Desse
modo cumprimos a intenção de Deus de que a igreja
deve ser Sua expressão.
Quando as riquezas de Deus estão Nele mesmo,
são Suas riquezas. Mas quando elas são expressas,
tornam-se Sua plenitude (10 1:16). Quando falamos
da plenitude de Deus, está implícito que as riquezas
de tudo o que Deus é tornaram-se Sua expressão.

A IGREJA É CONSTITUÍDA
METABOLICAMENTE
Quando nos aprofundamos em 3:19, vemos que a
plenitude de Deus é a igreja. O capítulo 3 de Efésios
não se preocupa com a organização da igreja ou sua
formação, e, sim, com sua constituição. A igreja não é
organizada nem formada; é metabolicamente
constituída em nós por meio da nossa experiência e
desfrute das riquezas de Cristo. Para que a igreja seja
constituída de modo prático, precisamos ser
fortalecidos no homem interior. Então Cristo pode
habitar em nosso coração; Ele deve ocupar todas as
partes do nosso ser interior e saturá-las de Suas
riquezas. Precisamos, então, ser arraigados e
alicerçados em amor: arraigados para crescimento e
alicerçados para edificação. Em seguida devemos
compreender as dimensões de Cristo. Isso é
experimentá-Lo em Suas dimensões universais, tanto
horizontal como verticalmente. Juntamente com isso
conhecemos em nossa experiência o amor de Cristo
que excede todo entendimento. Como resultado de
todas essas experiências, somos por fim enchidos até
toda a plenitude de Deus. Portanto, ser cheio até a
plenitude de Deus é o resultado, a conseqüência, de
todas as experiências mais profundas, elevadas e ricas
de Cristo descritas em Efésios 3.

A MAIS ELEVADA DEFINIÇÃO DA IGREJA


A mais elevada definição da igreja é que ela é a
plenitude de Deus. Alguns podem ficar atribulados
com tal afirmação e podem perguntar-se como isso
pode tornar-se real. No versículo 21 Paulo diz: “A ele
seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus”. De acordo
com o contexto, a igreja no versículo 21 é a própria
plenitude de Deus no versículo 19. Quando em nossa
experiência somos preenchidos até toda a plenitude
de Deus, a igreja vem à existência de modo prático. É
em tal momento que Paulo diz: “A ele seja a glória, na
igreja”. Essa glória é a expressão de Deus. Portanto,
na plenitude de Deus está a expressão divina. Assim,
a plenitude de Deus é a igreja como Sua expressão.
Algumas traduções do versículo 19 dizem:
“cheios de toda a plenitude de Deus”. Conforme essa
tradução, a plenitude de Deus teria de ser o elemento,
a essência, com a qual somos cheios. Contudo, esse é
um entendimento errôneo desse versículo. Aqui
Paulo diz que devemos ser cheios até toda a plenitude
de Deus, isto é, ser cheios para ser a expressão divina.

AS RIQUEZAS E A PLENITUDE
Quando comecei a falar sobre a diferença entre
as riquezas de Cristo e a Sua plenitude, alguns
tentaram argumentar comigo citando João 1:16:
“Porque todos nós temos recebido da Sua plenitude, e
graça sobre graça”. Diziam: “João 1:16 declara que
todos temos recebido da Sua plenitude. Será que a
plenitude não são as riquezas de Cristo? Como então
você pode fazer distinção entre riquezas e plenitude?”
Quando Cristo estava na terra com os discípulos, que
você diria que estava com Ele: as riquezas de Deus ou
a plenitude de Deus? Se as riquezas estivessem com
Ele, mas a plenitude não, faltaria algo; não estaria
completo. Por exemplo, suponha que uma
bomboneira de vidro contenha apenas alguns
bombons muito apetitosos. A bomboneira contém
algumas riquezas dos bombons, mas não a plenitude.
Contudo, após ser cheia deles, terá não somente as
riquezas, mas também a plenitude. Se a bomboneira
permanecer só parcialmente cheia, não haverá nela a
expressão dos bombons. Já que a plenitude é a
expressão, sem a plenitude não pode haver expressão.
Somente quando os bombons encherem a
bomboneira até a borda é que haverá plenitude como
expressão das riquezas.
Quando o Senhor Jesus veio, sem dúvida alguma
trouxe consigo todas as riquezas de Deus. Nele,
contudo, estavam não somente as riquezas de Deus,
mas também a Sua plenitude. Essa é a razão de João
1:16 dizer que todos nós temos recebido da Sua
plenitude, e não das Suas riquezas. Se você pegar um
bombom de uma bomboneira cheia deles, não irá
receber um bombom das riquezas da bomboneira,
mas da sua plenitude.
A plenitude é a completação das riquezas. Em
grego a palavra usada para “plenitude” significa
completação. Portanto, é correto traduzir essa
palavra grega por “totalidade”. A palavra grega
traduzida por “de” em João 1:16 indica procedência.
Assim, todos nós temos recebido da plenitude de
Cristo, a saber, da totalidade das riquezas de Deus.
Antes de me deitar à noite, sempre bebo um copo
de vitamina, de preferência cheio até a borda. À
medida que o bebo, participo da plenitude da
vitamina que está no copo. Quando Cristo veio, não o
fez só parcialmente cheio das riquezas de Deus.
Antes, estava cheio até a borda. Portanto, a plenitude,
a totalidade, do que Deus é estava presente Nele. Essa
plenitude, ou totalidade, é a expressão de Deus. O
Senhor Jesus era como o copo, e as riquezas de Deus
com as quais Ele estava cheio até toda a plenitude de
Deus eram como a vitamina. Os discípulos receberam
não apenas das riquezas de Deus, mas da Sua
plenitude.

ASSIMILAR METABOLICAMENTE . AS
RIQUEZAS DE CRISTO
No Novo Testamento a plenitude é a expressão
por meio da totalidade das riquezas. Essa é a razão de
Paulo falar em 3:8 das insondáveis riquezas de Cristo
e em 1:23 e 4:13 da plenitude de Cristo. As riquezas de
Cristo são os vários aspectos do que Ele é, e a Sua
plenitude é o resultado, a conseqüência, do nosso
desfrute das riquezas. À medida que as desfrutamos,
elas são assimiladas metabolicamente em nosso ser.
Então elas nos constituem a plenitude de Cristo, o
Corpo de Cristo, a igreja, como Sua expressão.
Portanto, a plenitude de Cristo em 1:23 é a própria
plenitude de Deus em 3:19. A plenitude de Deus é o
resultado de os crentes serem metabolicamente
constituídos experimentando as riquezas de Cristo.
Para assimilar Cristo metabolicamente,
precisamos ser fortalecidos no homem interior.
Precisamos também que Cristo habite em nosso
coração, isto é, ocupe, possua e sature
metabolicamente cada parte do nosso ser interior de
tudo o que Ele é. Então seremos arraigados para o
crescimento em vida e alicerçados para a edificação.
Além disso, nós nos tomaremos fortes para
compreender Cristo na experiência, em todas as Suas
dimensões universais. Juntamente com isso,
conheceremos pela experiência o amor de Cristo que
excede todo entendimento. Quando tivermos
experimentado Cristo a tal ponto, seremos cheios de
todas as Suas riquezas até toda a plenitude de Deus.
Tudo isso visa à constituição da igreja de modo
prático como Corpo de Cristo para Sua expressão.

A NECESSIDADE DE UMA VISÃO


Todos precisamos ter a visão de como a igreja é
constituída. Como' precisamos ser fortalecidos no
homem interior! Cada fibra do nosso ser precisa ser
fortalecida no homem interior. Nenhuma parte do
nosso ser interior deve permanecer numa condição
fraca. Precisamos ser fortalecidos para que o Cristo
que em nós habita expanda-Se em todo o nosso ser e
habite em nosso interior. À medida que se expande
em nós, Ele satura metabolicamente cada área do
nosso ser interior de tudo o que Ele é. Somos, então,
arraigados e alicerçados em amor, tomamos posse
das dimensões de Cristo e conhecemos Seu amor que
excede todo entendimento. Por fim, somos cheios até
a plenitude de Deus, que é a igreja. Que revelação
elevada da igreja!
À luz de tal visão vemos que é totalmente errado
considerar a igreja o edifício material onde são
realizados “cultos”. Também não é adequado
enxergar a igreja apenas como a ekklesía, a
assembléia dos chamados de Deus. Embora muitos
cristãos hoje usem o termo “o Corpo de Cristo”,
poucos têm uma percepção clara do que isso significa.
O Corpo de Cristo é a expressão de Cristo. É também
a plenitude de Cristo, que é a plenitude de Deus. Essa
plenitude vem a existir de modo prático quando
somos fortalecidos no homem interior, quando Cristo
habita em nosso coração, quando somos arraigados e
alicerçados em amor, quando compreendemos as
dimensões do Cristo imensurável e O conhecemos
como amor que excede todo entendimento. Quando
somos cheios de todas as riquezas de Cristo e
metabolicamente saturados de tudo o que Ele é,
tomamo-nos a plenitude de Deus. Sem dúvida, essa é
a mais elevada definição da igreja.
Somente recebendo tal visão sabemos realmente
o que é a igreja. Embora os capítulos um e dois de
Efésios nos dêem uma definição da igreja, tal
definição ainda não é adequada. Precisamos do
capítulo três para nos mostrar como ela é constituída
orgânica e metabolicamente com as riquezas do
Cristo vivo. Antes do capítulo 3 a igreja não existe de
modo prático. Como já vimos, nesse capítulo ela vem
à existência como a expressão de Deus, isto é, como a
própria plenitude de Deus. É neste ponto que Paulo
pode proclamar um elevado louvor, até mesmo uma
doxologia: “A ele seja a glória, na igreja”. Agora que
ela veio a existir de modo prático, Cristo pode ser
glorificado nela. Tal igreja não é a mera reunião dos
chamados de Deus; é a verdadeira plenitude de Deus.

O EFEITO DA VISÃO
Todos precisamos de tal visão, tal revelação. Se a
tivermos, nosso ser mudará. Se ela estiver constituída
em nós e então sairmos para falar por Deus,
certamente seremos Seus enviados e porta-vozes.
Seremos os apóstolos e profetas de hoje.
Essa visão revela a única maneira de o Senhor
edificar a igreja. Somente quando tivermos essa visão
é que o Senhor terá caminho para realizar na terra a
edificação da igreja. Após mais de dezenove séculos
de história cristã, que foi realizado para o Senhor?
Considere a situação de hoje. Praticamente ninguém
tem a visão do capítulo três de Efésios. Que o Senhor
nos dê o encargo de orar: “Senhor, tem misericórdia
de mim. Preciso ter essa visão. Preciso enxergar a
plenitude de Deus e como ela vem a existir. Senhor,
mostra-me a constituição do Corpo. Mostra-me como
a igreja pode ser constituída de modo prático”. Uma
vez que tenha tal visão, você se tomará alguém
diferente. Será apóstolo e profeta. Aonde quer que vá
será um enviado, e, sempre que proclamar essa visão,
será o porta-voz de Deus a falar Cristo para a
economia divina.
Posso testificar que vim a este país com essa
visão e um único encargo. Os que têm estado comigo
nesses anos podem testificar que não mudei meu
conceito nem meu falar. Em vários aspectos e de
vários ângulos, tenho falado somente uma coisa: que
a economia de Deus é dispensar-Se aos Seus
escolhidos para fazê-los a expressão de Cristo. Como
vimos nesta mensagem, essa expressão é a plenitude
de Deus.

CHEIOS ATÉ A EXPRESSÃO DO DEUS


TRIÚNO
Nesses versículos de Efésios 3 a respeito da
economia de Deus que resulta na Sua plenitude,
vemos o Deus Triúno. O Pai (v. 14) responde e
cumpre a oração do apóstolo por meio do Espírito (v.
16) para que Cristo, o Filho (v. 17), habite em nosso
coração. Assim, somos cheios até a plenitude do Deus
Triúno. Essa é a dispensação do Deus Triúno a todo o
nosso ser, para que nos tornemos Sua expressão.
Conforme Efésios 3, o Deus Triúno não deve ser
objeto de debate doutrinário; Ele visa ao dispensar de
Si mesmo aos crentes para que estes sejam cheios até
a plenitude, não somente do Pai ou do Filho, nem
somente do Espírito, mas de Deus. Paulo orou para
que o Pai nos fortalecesse por meio do Seu Espírito
para que Cristo habitasse em nosso coração e assim
ocupasse plenamente nosso ser interior, para que
fôssemos enchidos até a expressão do Deus Triúno.
Como isso é glorioso e maravilhoso! Essa é a
economia de Deus, Sua dispensação. É também a
revelação neotestamentária de Deus, nosso
ministério e a restauração do Senhor.

A IGREJA COMO A PLENITUDE


CORPORATIVA DE DEUS
Vimos que a plenitude de Deus é a Sua
expressão. De acordo com João 1:16, a plenitude de
Deus veio com Cristo, que é a corporificação da
plenitude de Deus (Cl 2:9; 1:19). Em Cristo a
expressão era individual, portanto precisava
expandir-se até atingir o âmbito corporativo. A igreja
hoje deve ser a plenitude de Deus corporativamente.
Nela Deus não Se expressa por meio de um indivíduo,
mas corporativamente por meio do Corpo, dos
crentes que, juntos, têm sido completamente cheios
das riquezas de Cristo. Portanto, a plenitude de Deus
é corporificada na igreja. A igreja como corporificação
da plenitude de Deus é a expressão do Deus Triúno.
Essa é a igreja na restauração do Senhor hoje.