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AS ÚLTIMAS COISAS – ESCATOLOGIA


Por: Helio Clemente

Prefácio

Existe em todas as raças e culturas uma preocupação com a origem e a destinação final do
homem, isso é inegável à vista da religiosidade dos povos mais primitivos que existem,
todos possuem algum conceito sobre a origem do homem e a vida após a morte. Todas
essas culturas acreditam que a vida continua, de alguma forma, em outro estado de
existência espiritual após a morte física do homem.

Essa questão da vida em outro estado de existência após a morte não é apenas uma questão
religiosa, mas algo que tem ocupado as especulações de filósofos e religiosos ao longo de
toda a história da humanidade. As antigas religiões orientais eram panteístas e ensinavam
a imortalidade da alma, que migrava de um corpo falecido a outro em nascimento, sempre
em contínuo aperfeiçoamento até atingir o estado final de perfeição através das inumeráveis
transmigrações corpóreas.

Na história da filosofia podemos achar, em Platão, o ensino formal da imortalidade da alma,


doutrina que persistiu, com raras exceções, entre os filósofos de todos os tempos e
nacionalidades até a época atual.

Não existe nenhuma constatação de que alguma nação, civilização ou tribo indígena,
durante toda a história da humanidade, não tenha alimentado a crença de que a alma
sobrevive à morte do homem, pode-se mesmo afirmar que essa crença é universal. Os ateus
materialistas modernos que negam a existência da alma e da vida após a morte são
proporcionalmente muito poucos e fazem parte dessas culturas que acreditam na
imortalidade da alma.

Os índios do alto Xingu fazem anualmente o ritual do Quarup, que se destina ao culto das
almas dos mortos durante o ano que passou, os budistas têm o seu Nirvana, os índios
americanos os campos eternos de caça, os Islâmicos têm o seu paraíso, a mitologia grega
tinha o Hades e Os Campos Elíseos e o culto aos antepassados está presente em todas as
culturas indígenas de todo o mundo.

A ESCATOLOGIA NA IGREJA CRISTÃ


Apesar de todas as culturas e religiões do mundo acalentarem a crença na vida após a morte,
essas crenças são incertas, vagas e não apresentam segurança aos seus aderentes. A religião
cristã é a única que apresenta essa doutrina das últimas coisas, de forma clara, conforme a
revelação divina estabelecida na Escritura, a Palavra de Deus revelada.

A igreja cristã dos tempos apostólicos já sustentava a ideia de que a alma é imortal e
continua viva após a morte física do homem, afirmava a segunda vinda de Cristo, a
ressurreição do corpo e o julgamento final. Não havia, porém, uma preocupação de
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relacionar essa doutrina das últimas coisas com todos os outros elementos da doutrina
cristã, e a doutrina do Quiliasmo (*) era muito comum na igreja, visto que grande parte dos
crentes eram judeus e aguardavam a retomada do reino messiânico na terra.

(*) Quiliasmo ou Quiliasma: doutrina pela qual Jesus retornaria à terra e restabeleceria o reino físico e terreno de Davi, do qual
ele seria rei por mil anos literais e os judeus, ou os crentes atuais, seriam seus ministros na terra.

A medida que a igreja se desenvolvia, a doutrina do Quiliasmo foi sendo esquecida, e sob
a influência de Agostinho ela foi praticamente abandonada. As crenças gerais eram as
mesmas da igreja primitiva, mas, ainda sob Agostinho, a ideia de um céu, como lugar, deu
margem à esperança da salvação futura e da vida eterna no aspecto puramente espiritual.

Todavia, a partir do século V, a igreja romana identificou-se com o Reino de Deus na terra
e trouxe para si a prerrogativa da salvação e da concessão da vida eterna, criando uma série
de doutrinas espúrias, tais como a doutrina do purgatório, a missa, as orações pelos mortos,
a extrema unção e as famigeradas indulgências, que levaram Martinho Lutero à Reforma
Protestante no início do século XVI.

ESCATOLOGIA REFORMADA

A escatologia reformada é baseada em uma série de princípios que devem,


obrigatoriamente, ser plenamente justificados à luz da Escritura. Por esse motivo, é preciso
em primeiro lugar, estabelecer esses princípios básicos, nos quais estão formulados os
estudos escatológicos conforme a ótica da Teologia Reformada (Sola Scriptura).

Complementando essa introdução é preciso dizer que a Reforma não trouxe nenhuma
novidade à doutrina cristã, pelo contrário, a Reforma foi um movimento de volta à
fidelidade bíblica do cristianismo apostólico em contrapartida ao abandono da Palavra pela
igreja romana.

Os reformadores desenvolveram a doutrina das últimas coisas com base na ideia da


salvação, mantendo os princípios da igreja primitiva e descartando definitivamente a ideia
do Quiliasmo.

OS PRINCÍPIOS DA ESCATOLOGIA REFORMADA

1 - O ISRAEL DO ANTIGO TESTAMENTO É A IGREJA DO NOVO


TESTAMENTO

Esse é o princípio básico da escatologia bíblica e também da escatologia reformada. Será


feito um breve demonstrativo utilizando alguns versículos comparados no Velho e Novo
Testamento, demonstrando que o Novo Testamento considera a igreja como o Israel do
Velho Testamento.

Isso é de suma importância, pois a partir desse princípio descarta-se previamente toda a
possibilidade da implantação de um reino milenar messiânico, o Quiliasmo, conforme a
interpretação escatológica dispensacionalista e pré-milenista.
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1.1 - O povo de Deus

O povo hebreu

Levítico 26,12: “Andarei entre vós e serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo”.

A igreja

2 Coríntios 6,16: “Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos
santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o
seu Deus, e eles serão o meu povo”.

Em todas suas referências, o apóstolo Paulo considera os cristãos como o verdadeiro Israel
de Deus, apresentando-se agora em um pacto que não necessita de templos de madeira e
pedra, nem tampouco de características de raça ou nação. Deus não está contido em
templos, mas habita entre seu povo, e a graça de Deus não está restrita a um povo étnico,
mas aplica-se a todos os povos de todas as nações.

Deus é vivo e pessoal, a sua graça é aplicada individualmente a cada um dos eleitos
considerando apenas a determinação eterna e não as características pessoais, étnicas ou
geográficas.

1.2 - A salvação não está longe

Para o povo hebreu

Deuteronômio 30,12-14: “Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá por nós aos céus,
que no-lo traga e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos? Nem está além do mar, para
dizeres: Quem passará por nós além do mar que no-lo traga e no-lo faça ouvir, para que
o cumpramos? Pois essa palavra está mui perto de ti, na tua boca e no teu coração, para
a cumprires”.

Para a igreja

Romanos 10,6-8: “Mas a justiça decorrente da fé assim diz: Não perguntes em teu
coração: Quem subirá ao céu?, isso é, para trazer do alto a Cristo; ou: Quem descerá ao
abismo?, isso é, para levantar Cristo dentre os mortos. Porém que se diz? A palavra está
perto de ti, na tua boca e no teu coração; isso é, a palavra da fé que pregamos”.

Esses versos no livro de Romanos demonstram que não está além do alcance dos gentios
serem salvos do pecado. Paulo prova isso referindo à passagem em Deuteronômio, onde
não estava além do alcance de Israel, ser salvo do pecado e da morte. Esse verso só faz
sentido se os cristãos forem considerados como os herdeiros da promessa a Israel.

1.3 - A segurança da salvação


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A segurança dos hebreus

Deuteronômio 31,6: “Sede fortes e corajosos, não temais, nem vos atemorizeis diante
deles, porque o SENHOR, vosso Deus, é quem vai convosco; não vos deixará, nem vos
desamparará”.

A segurança da igreja

Hebreus 13,5: “Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes;
porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei”.

A carta aos Hebreus diz para os cristãos se confortar em todas as situações, pois Deus não
os deixará nem os desamparará, qual a origem dessa certeza, senão nas declarações do
Velho Testamento, feitas ao povo hebreu? Portanto, o autor de Hebreus está afirmando que
os cristãos são os verdadeiros israelitas.

Muito ainda pode ser mostrado sobre esse assunto, mas não é o caso de fazer um tratado
sobre o tema, somente estabelecer esse princípio básico:

O Israel do Velho Testamento é a igreja do Novo Testamento.

2 – O ÚNICO DEUS DA BÍBLIA É O DEUS DA TRINDADE DIVINA

A doutrina escatológica predominante nas denominações pseudocristãs, principalmente as


derivadas do dispensacionalismo e do pré-milenismo, negam a divindade de Jesus, a
Trindade divina e a onisciência de Deus. É importante salientar que o Deus presente em
todo esse nosso trabalho se refere sempre à Trindade Divina.

Isaías 46,9: “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há
outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim”.

3 – SÓ EXISTIRÁ UMA NOVA VINDA DE CRISTO, QUE SERÁ VISÍVEL POR


TODA HUMANIDADE

A segunda vinda de Cristo será um evento pessoal e glorioso, Jesus voltará visivelmente à
terra, em toda sua glória, com os anjos de Deus. A mesma pessoa que deixou os apóstolos
na ascensão é a mesma pessoa que irá voltar para o julgamento final e o encerramento da
história do universo. Essa vinda, apesar de precedida por muitos sinais, será uma vinda
repentina e inesperada constituindo-se em uma surpresa para o povo descrente e apóstata
daquele último tempo.

Atos 1,11: “E lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse
Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir”.

A Escritura mostra que a Segunda Vinda de Cristo será um evento único, de forma gloriosa
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e triunfante, como nunca visto na história da humanidade, todos os textos referentes à


segunda volta falam de um único evento, o qual aparece sempre com as mesmas
características e com os mesmos acontecimentos.

Não existe nenhuma justificativa bíblica para supor a existência de qualquer tempo
posterior à Segunda Vinda.

H. Bavink: “A primeira e segunda vinda de Cristo estão numa mútua relação, tão estreita
quanto possível. É uma única obra, confiada pelo Pai a Cristo, e essa obra se estende a
todas as épocas, e inclui toda história da humanidade”.

A Palavra de Deus mostra claramente que a volta de Cristo à terra será um acontecimento
visível e tangente à toda humanidade, Jesus não será visto apenas pela a igreja, mas será
visto por toda a Humanidade.

Mateus 24,30: “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da
terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder
e muita glória”.

4 - A SEGUNDA VINDA SERÁ PARA JULGAMENTO DE TODA HUMANIDADE

No verso acima de Mateus, está escrito que ‘todos os povos da terra se lamentarão’. Isso
mostra que toda humanidade tomará consciência imediata desse fato último da história e
de suas implicações.

Apocalipse 1,7: “Eis que Ele vem sobre as nuvens, todo olho o verá, até quantos o
traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém”.

Mateus 25,31-33: “Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com
ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua
presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e
porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda”.

5 – A SEGUNDA VINDA SERÁ PARA GLORIFICAÇÃO DE CRISTO

A segunda vinda será para glorificação de Cristo no seu povo eleito: Os filhos de Deus. A
condenação dos réprobos servirá também para que essa glorificação de Cristo seja
magnificada no cumprimento da justiça divina.

2 Tessalonicenses 1,10: “Quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado
em todos os que creram, naquele dia (porquanto foi crido entre vós o nosso testemunho)”.

6 - A SEGUNDA VINDA TRARÁ A DESTRUIÇÃO DO UNIVERSO E ENCERRA


A HISTÓRIA DA HUMANIDADE

No texto de Mateus abaixo, é revelado que o retorno de Cristo à terra vem encerrar a história
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da humanidade, interrompendo inexoravelmente toda vida na terra, nesse verso Jesus


define o destino final de toda humanidade.

Mateus 25,46: “E irão esses para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna”.

O destino final de todas as pessoas vivas ou mortas nesse dia está definido claramente entre
o céu e o inferno, não existe nenhuma base bíblica para se afirmar a existência do purgatório
ou de qualquer lugar intermediário entre o céu e o inferno.

7 – A SEGUNDA VINDA DE CRISTO ENCERRA A OPORTUNIDADE DE


SALVAÇÃO

A segunda vinda de Cristo se dará no mesmo momento em que estiver completo o número
dos eleitos e dos réprobos predeterminado por Deus.

CFW, Capítulo III, Seção IV - O número dos predestinados: Esses homens e esses anjos,
assim predestinados e preordenados, são particular e imutavelmente designados; o seu
número é tão certo e definido, que não pode ser nem aumentado nem diminuído.

2 Tessalonicenses 1,7-9: “E a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco,
quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo,
tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao
evangelho de nosso Senhor Jesus. Esses sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos
da face do Senhor e da glória do seu poder”.

Nesse momento encerra-se a oportunidade de salvação, todos os que, até aquele último
instante, não estiverem convertidos realmente a Jesus, serão lançados no fogo do inferno.
Não haverá chance, nem oportunidade de arrependimento após a segunda vinda, pois o
Senhor vem trazendo vingança contra aqueles que não obedecem ao evangelho de Cristo.

8 - A RESSURREIÇÃO, DOS JUSTOS E DOS ÍMPIOS, É UM EVENTO ÚNICO E


ACONTECERÁ SIMULTANEAMENTE NO ÚLTIMO DIA

Tanto os justos quanto os ímpios ressuscitarão no mesmo dia (instante) em sua totalidade,
sem intervalo de tempo; sendo que, os justos (eleitos) para a vida eterna e os ímpios para o
castigo infindável no inferno. O julgamento, também, não envolverá intervalo de tempo,
que terá deixado de existir após a segunda vinda.

João 5,27-29: “E lhe deu autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem. Não vos
maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão
a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem
praticado o mal, para a ressurreição do juízo”.

1 Coríntios 15,52: “Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última
trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos
transformados”.
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A GRANDE TRIBULAÇÃO

Os versos abaixo, no evangelho de Lucas, referem-se tanto à destruição do Templo de


Jerusalém pelos romanos no ano 70 d.C., como à segunda volta de Cristo. Alguns teólogos
interpretam todos esses versos somente com relação à destruição do templo, o que se chama
uma interpretação preterista, ou seja, que já passou. Outros interpretam como um
acontecimento futuro, uma interpretação futurista, mas, nenhuma dessas interpretações é
correta, Jesus se refere, nesses versos, a dois acontecimentos: A destruição do templo e a
segunda vinda.

Os versos vinte a vinte e quatro referem-se claramente à destruição do templo, enquanto os


versos oito a dezenove referem-se a uma situação similar em ambos os casos.

Lucas 21

- 7: Perguntaram-lhe: Mestre, quando sucederá isso? E que sinal haverá de quando essas
coisas estiverem para se cumprir?

- 8: Respondeu ele: Vede que não sejais enganados; porque muitos virão em meu nome,
dizendo: Sou eu! E também: Chegou a hora! Não os sigais.

- 9: Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não vos assusteis; pois é necessário
que primeiro aconteçam essas coisas, mas o fim não será logo.

- 10: Então, lhes disse: Levantar-se-á nação contra nação, e reino, contra reino;

- 11: haverá grandes terremotos, epidemias e fome em vários lugares, coisas espantosas e
também grandes sinais do céu.

- 12-13: Antes, porém, de todas essas coisas, lançarão mão de vós e vos perseguirão,
entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, levando-vos à presença de reis e
governadores, por causa do meu nome;

- 13-15: e isso vos acontecerá para que deis testemunho. Assentai, pois, em vosso coração
de não vos preocupardes com o que haveis de responder; porque eu vos darei boca e
sabedoria a que não poderão resistir, nem contradizer todos quantos se vos opuserem.

- 16-17: E sereis entregues até por vossos pais, irmãos, parentes e amigos; e matarão
alguns dentre vós. De todos sereis odiados por causa do meu nome.

- 18: Contudo, não se perderá um só fio de cabelo da vossa cabeça.

- 19: É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma.


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- 20/24: Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a
sua devastação. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que se
encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos, não entrem
nela. Porque esses dias são de vingança, para se cumprir tudo o que está escrito. Ai das
que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande
aflição na terra e ira contra esse povo. Cairão a fio de espada e serão levados cativos para
todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por
eles.

Já os versos vinte e cinco a vinte e oito referem-se claramente à segunda volta.

- 25-26: Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; sobre a terra, angústia entre as nações
em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas; haverá homens que
desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; pois os
poderes dos céus serão abalados.

- 27: Então, se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória.

- 28: Ora, ao começarem essas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque
a vossa redenção se aproxima.

Na continuação, a parábola dos versos vinte e nove a trinta e cinco, refere-se igualmente
aos dois eventos.

A palavra “geração” no verso trinta e dois refere-se diretamente à geração dos judeus que
estariam vivos quando da destruição do templo.

- 29-31: Ainda lhes propôs uma parábola, dizendo: Vede a figueira e todas as árvores.
Quando começam a brotar, vendo-o, sabeis, por vós mesmos, que o verão está próximo.
Assim também, quando virdes acontecerem essas coisas, sabei que está próximo o reino
de Deus.

- 32: Em verdade vos digo que não passará essa geração (*), sem que tudo isso aconteça.

(*) - Essa palavra “geração” pode se referir também ao povo judeu como raça, que ainda existirá na segunda vinda de Cristo.

Os versos seguintes, de trinta e três a trinta e cinco referem-se outra vez, claramente à
segunda vinda, pois sobrevirá “a todos os que vivem sobre a face de toda a terra”.

- 33: Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.

- 34: Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique
sobrecarregado com as consequências da orgia, da embriaguez e das preocupações desse
mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente, como um laço.

- 35: Pois há de sobrevir a todos os que vivem sobre a face de toda a terra.
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Esse verso 35 torna a interpretação preterista, referindo o fim dos tempos somente à
destruição do templo, impossível, pois a destruição do templo sobreveio somente aos
judeus, ao passo em que essa segunda vinda sobrevirá “a todos os que vivem sobre a face
da terra”, ou seja, toda a humanidade, incluindo os judeus.

AS INSTITUTAS DA RELIGIÃO CRISTÃ - O ENSINO DE CALVINO SOBRE A


SEGUNDA VINDA DE CRISTO:

- A Segunda Vinda de Cristo será um evento único:

Na mesma ocasião que virá buscar a sua igreja, Jesus Cristo fará a separação dos bodes
das ovelhas, chamará todos os mortos à vida, isso é, ressuscitará tanto crentes como
descrentes, e julgará toda a raça humana de todos os tempos.

- Será uma vinda visível para toda a humanidade:

A volta de Cristo será uma vinda visível, percebível e notória a toda a humanidade.

- Estabelecerá o fim do universo e da história humana:

Na Segunda Vinda de Cristo se dará o fim da história humana.

Calvino chama esse dia (em consonância com as Escrituras) de “o último dia” – o dia
derradeiro da história humana.

- Encerrará a oportunidade de salvação:

Depois da Volta de Cristo não haverá mais oportunidade de salvação.

- A ressurreição escatológica será um evento único:

Haverá apenas uma ressurreição física tanto para justos quanto para ímpios, a qual se
dará num mesmo dia – o dia do Juízo Final.

- O Julgamento dos homens (tanto de justos quanto de ímpios) será um evento único:

O Juízo Final encerrará a história na terra e no universo.

- Quanto ao milênio:

Não deve ser entendido como a bem-aventurança da igreja nos últimos tempos, mas com
as diversas tribulações que a igreja militante haverá de ser afligida (entre a primeira e a
segunda vinda de Cristo).

- O reino de Cristo não está limitado por um período de mil anos literais:
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Delimitar o Reino a um período de mil anos literais é algo que só pode ser classificado
como um delírio, o Reino de Cristo é eterno e de natureza espiritual. No último dia, Cristo
entregará o Reino a Deus o Pai, cumprindo o seu ofício de reger e conservar a Igreja
(entenda-se: somente os eleitos) que Deus havia confiado em suas mãos, portanto, a
natureza do Reino de Cristo não está ligada a sinais exteriores nem a comodidades
materiais dessa vida, não está circunscrito a um lugar, à nação de Israel ou a um governo
mundial teocrático com sede em Jerusalém ou em Roma, mas reside na consciência e no
espírito do povo de Deus - “Não vem o reino de Deus com visível aparência... porque o
reino de Deus está dentro de vós”.

Após a Sua Segunda Vinda a vida a terra não terá o seu recomeço, mas a sua consumação
(destruição total); o que acontecerá depois não será mais na terra, mas no Céu.

Deuteronômio 32,22: “Porque um fogo se acendeu no meu furor e arderá até ao mais
profundo do inferno, consumirá a terra e suas messes e abrasará os fundamentos dos
montes”.

O número dos predestinados à salvação – pequenino rebanho

O povo conhecido de antemão, equivale a diminuta porção da grande massa, a qual arvora
falsamente o nome de Deus. Também em outro lugar, para reprimir a jactância daqueles
que, apenas cobertos de máscara, diante do mundo arrogam para si as primeiras posições
entre os piedosos, Paulo diz que Deus conhece os que são seus.

2 Timóteo 2,19: “Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo esse selo: O
Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que
professa o nome do Senhor”.

Enfim, com esse termo, Paulo nos aponta três povos: um, povos não cristãos, outro
composto de toda a descendência de Abraão (a igreja local); o outro, à parte desse e que,
recôndito, sob os olhos de Deus, jaz oculto à vista dos homens (os eleitos). Não há dúvida
de que ele tomou isso de Moisés, o qual afirma que Deus é misericordioso para com
aqueles a quem assim quis proceder.

Êxodo 33,19: “Respondeu-lhe: Farei passar toda a minha bondade diante de ti e te


proclamarei o nome do SENHOR; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me
compadecerei de quem eu me compadecer”.

O TESTEMUNHO DOS SÍMBOLOS DE FÉ

Os símbolos de fé das Igrejas Presbiterianas são a Confissão de Fé e os Catecismos de


Westminster, todos os outros documentos da Reforma, incluindo as grandes confissões
batistas, são unânimes nessas afirmações.

O que se pode inferir através desses documentos é o seguinte:


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O juízo final

Deus determinou um dia em que há de julgar o mundo, em justiça, por Jesus Cristo. Nesse
dia, não somente os anjos apóstatas serão julgados, mas também todas as pessoas que
tiverem vivido sobre a terra comparecerão ante o tribunal de Cristo.

1 - Atos 17,31: “Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça,
por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os
mortos”.

1) No último dia haverá a ressurreição geral dos mortos (sem intervalo de tempo) e
transformação dos que estiverem vivos, sejam justos e injustos (*);

2) Todos os que estiverem vivos nessa ocasião serão transformados e todos os que
morreram em todas as épocas da humanidade serão ressuscitados;

3) Imediatamente depois da ressurreição geral ocorrerá o julgamento final de todas os


homens, justos e injustos, bem como de anjos;

(*) – “justos e injustos” – entenda-se: eleitos e réprobos.

A glória de Deus

A finalidade de Deus no Juízo Final é manifestar a sua misericórdia na salvação eterna dos
eleitos e a sua justiça na condenação dos réprobos. Então os justos irão para a vida eterna;
mas os ímpios, que não conhecem a Deus e não obedecem ao Evangelho de Jesus Cristo,
serão lançados nos tormentos eternos.

2 Tessalonicenses 1,9: “Esses sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face


do Senhor e da glória do seu poder”.

O juízo não será feito por realização de obras, atos ou aparências humanas - nem por
testemunho, fatos ou baseado na lei - somente os eleitos de Deus serão salvos. Não haverá
análise ou decisões no Dia do Juízo, todos estão julgados antes da fundação
do mundo.

Assim se manifesta a glória de Deus, que não será ofuscada por nada que o homem possa
ter realizado durante sua vida terrena, somente a justiça de Cristo irá salvar aqueles que o
Pai lhe deu na eternidade.

João 17,9: “É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste,
porque são teus”.

4) A Segunda Vinda de Cristo só ocorrerá no “último dia”, no “fim do mundo”, quando ele
vier para julgar a terra.

5) A data (dia e hora) quando esses eventos acontecerão, ninguém sabe. Deus reservou para
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si esse direito e somente Deus (o Pai e o Filho e o Espírito Santo) conhece a respeito daquele
dia.

O tempo da vinda

Cristo quer que estejamos convencidos de que haverá um dia de juízo, tanto para afastar os
homens do pecado como para maior consolação dos justos nas suas adversidades, assim,
ele mantém esse dia desconhecido dos homens, a fim de que eles se despojem de confiança
carnal e sejam sempre vigilantes.

Vem Senhor Jesus, vem logo. Amém.

Está determinado que haverá um juízo final, isso leva os homens a criar um saudável temor
a Deus, que os crentes preservam em toda sua vida. Esse Dia é dia de consolação para os
crentes, pois, os cristãos têm sua esperança na vida futura, junto ao Senhor Jesus Cristo.

1 Tessalonicenses 4,16-17: “Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem,


ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em
Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados
juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos
para sempre com o Senhor”.

Deus não coloca certeza quanto ao Dia Final, afim de prevenir preparações para esse
evento, esse tempo é oculto a homens e anjos, pois o Senhor chama a vigiar e orar na
expectativa desse dia. Apesar de que, a Escritura revela muitos sinais que acontecerão, não
cabe aos homens manifestação quanto à proximidade ou ocorrência desse dia.

Os cristãos devem continuar a proceder em vista de suas obrigações e deveres materiais e


espirituais, obedecendo o evangelho de Jesus Cristo em todas as situações. Quando os
apóstolos perguntaram a Jesus a respeito desse dia, foram repreendidos.

Atos 1,6-7: “Então, os que estavam reunidos lhe perguntaram: Senhor, será esse o tempo
em que restaures o reino a Israel? Respondeu-lhes: Não vos compete conhecer tempos ou
épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade”.

A morte física

Depois da morte, os corpos dos homens retornam ao pó e se corrompem, pois são materiais
e sem o sopro da vida que está na alma eles morrem e se decompõem. Mas, todo o homem
recebe de Deus, em sua concepção, uma alma imaterial e imortal, as suas almas, que não
morrem nem dormem, tendo uma existência imortal, voltam imediatamente para Deus, que
as deu, já em seu destino final: O céu ou o inferno.

4 – Eclesiastes 12,7: “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o
deu”.
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O aperfeiçoamento em santidade

Essas almas separadas do corpo, pela morte física, dirigem-se imediatamente ao seu destino
final, as almas dos pecadores regenerados, sendo então feitas perfeitas em santidade, são
recebidas no mais alto céu onde contemplam a face de Deus em luz e glória, esperando
pela ressurreição e a plena redenção dos seus corpos.

Por outro lado, as almas dos pecadores não regenerados, religiosos ou não, são lançadas de
imediato no inferno onde ficarão em tormentos e trevas espessas, reservadas para o juízo
do grande dia. A Escritura não reconhece nenhum outro lugar, além desses dois, destinados
às almas separadas de seus respectivos corpos.

O aperfeiçoamento em santidade é também um ato judicial de Deus, significa que essas


almas são declaradas perfeitas, pela justiça de Cristo a elas imputada e jamais poderão
sofrer condenação.

As almas dos crentes que vão para o céu não são aperfeiçoadas pelos méritos do crente,
mas pela obra de Cristo, por isso é que essa santidade imputada às almas no céu é perfeita
e eterna, sendo exatamente igual para todos os crentes salvos.

Lucas 16,22-23: “Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de
Abraão; morreu também o rico e foi sepultado. No inferno, estando em tormentos, levantou
os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio”.

A glória dos filhos de Deus

Essa glória dos filhos de Deus é tanto mais sublime, quando comparada ao destino dos
ímpios, o inferno de fogo é um lugar de tormento eterno, de mera punição vindicativa sem
nenhuma esperança de regeneração e perdão futuro.

Ninguém será justificado após a morte, todas as oportunidades de salvação ocorrem durante
a vida terrena do homem, depois da morte o estado das almas é imediato e definitivo, jamais
será modificado.

Lucas 23,43: “Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no
paraíso”.

Tudo o que Deus faz ou cria é justo por definição: O bem e o mal, o céu e o inferno, a paz
e a guerra, todas as coisas são criadas por Deus para realização da universalidade do seu
plano eterno, que está além de nossa compreensão, mas que visa sempre a sua própria
glória; a felicidade dos filhos de Deus deriva exclusivamente do cumprimento de seus
Decretos e da realização de sua glória.

Isaías 45,7: “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço
todas essas coisas”.
14

O estado intermediário

Não existe, após a morte, a possibilidade de mudança, nem sequer a possibilidade das almas
se deslocarem entre o céu, o inferno e a terra, todas as almas, após a morte, se encontram
em seu estado final, definitivo e consciente.

Não existe possibilidade de migração das almas (ou espíritos) a outros corpos, como
afirmam os espíritas, de mudança de estado, como admitido pela doutrina do purgatório,
ou de indiferença, como no sono da alma ou ainda na aniquilação, onde ocorre a morte da
alma. O estado do homem, após a morte, é definitivo e jamais será mudado, motivo pelo
qual o culto aos mortos é herético e condenado pela Escritura.

Lucas 16,26: “E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que
os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós”.

O homem é uma unidade psicossomática composta pelo corpo e a alma, o corpo é material
e na morte física ele se decompõe, a alma é espiritual e imaterial, como consequência,
imortal. A morte física consiste na separação do corpo e da alma de forma que o corpo se
corrompe, mas a alma volta imediatamente a Deus, dirigindo-se a seu destino final: A alma
dos eleitos para a presença de Deus no céu e a dos réprobos ao castigo infindável no inferno.

Nesse estado, chamado intermediário, a alma já está na glória, mas não completamente
realizada, pois aguarda a segunda vinda de Cristo, quando os corpos serão ressuscitados e
unidos novamente com suas respectivas almas para o julgamento final.

Apocalipse 6,10: “Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo
e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?”.

A ressurreição do corpo

Apesar da decomposição do corpo, a individualidade de cada pessoa e será preservada até


o Dia do Juízo, quando o corpo ressurge em glória (espiritual) e se junta com a sua alma.
A identidade de cada pessoa será preservada para que ela se submeta ao juízo como um ser
único, responsável e consciente diante do Cordeiro: Os eleitos, para a glória, e os réprobos,
para ignomínia e sofrimento infindável no inferno.

Ezequiel 37,3-6: “Então, me perguntou: Filho do homem, acaso, poderão reviver esses
ossos? Respondi: SENHOR Deus, tu o sabes. Disse-me ele: Profetiza a esses ossos e dize-
lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do SENHOR. Assim diz o SENHOR Deus a esses ossos:
Eis que farei entrar o espírito em vós, e vivereis. Porei tendões sobre vós, farei crescer
carne sobre vós, sobre vós estenderei pele e porei em vós o espírito, e vivereis. E sabereis
que eu sou o SENHOR”.

Os que estiverem vivos no último dia não morrerão, mas serão transformados; todos os
mortos serão ressuscitados em seus próprios corpos transformados, e não outros, mas, com
qualidades espirituais (muito) diferentes, e ficarão unidos às suas almas para sempre.
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1 Tessalonicenses 4,16-17: “Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem,


ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em
Cristo ressuscitarão primeiro. Depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados
juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos
para sempre com o Senhor”.

Pelo poder de Cristo os corpos serão ressuscitados pelo seu Espírito, os injustos para a
desonra, os que foram feitos justos pela obra de Cristo, para a honra e para serem
semelhantes ao próprio corpo glorificado de Cristo.

1 – João 5,28-29: “Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se
acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a
ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo”.

Nota: “Feito o bem” – eleitos; “praticado o mal” – réprobos.

Corpos transformados

Ninguém sabe dizer como serão os corpos transformados, os eleitos de Deus receberão
corpos perfeitos, à semelhança do corpo ressurreto de Jesus, estarão então livres do pecado
original e dos pecados fatuais. A identidade de cada um será mantida e preservada com a
personalidade e a racionalidade própria da pessoa, retomando então a imagem de Deus,
perdida na queda.

O corpo futuro

Não há dúvida, pelas declarações bíblicas, que o corpo ressurreto é o mesmo corpo físico,
mas quanto à identidade orgânica (ou somente espiritual) entre esses corpos ninguém sabe
dizer.

Agostinho, como muitos pais da igreja imaginavam que o corpo ressurreto conteria todos
os elementos do corpo físico, o que é inimaginável, pois está escrito que o novo corpo é
espiritual e não poderia conter toda a matéria do corpo físico.

O cadáver irá se decompor em matérias simples que serão absorvidas pela terra, pela água
ou pelo fogo, eventualmente passarão a compor novos organismos vivos que por sua vez
perecerão e serão novamente transformados. Se fosse o caso de todas essas partículas
fazerem parte do corpo ressurreto, como ficariam outros corpos dos quais passaram a fazer
parte?

Mas essa ideia de que o corpo futuro deverá conter todos os elementos do corpo físico não
faz sentido, pois dessa forma continuaria a ser o mesmo corpo material, não seria
transformado.

Vemos, biblicamente, que a identidade e a personalidade de cada um estão preservadas no


estado intermediário, uma vez que as pessoas serão prontamente reconhecidas pela sua
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identidade terrena, como se pode comprovar na história do mendigo Lázaro em Lucas e na


transfiguração de Jesus, onde os apóstolos reconheceram prontamente Moisés e Elias.

Atenção

As duas hipóteses seguintes não pretendem definir o que será o corpo ressurreto, trata-se
apenas de contestar a necessidade ou mesmo a possibilidade do corpo ressurreto conter
todas as células que compõem o corpo vivo.

Podemos observar, nesse sentido, que o próprio corpo físico se transforma e renova suas
células ao longo de toda a sua vida. O corpo de um bebê de 4 quilos é o mesmo corpo de
um adulto com 90 quilos, que será o mesmo corpo de um velho de 60 quilos. A matéria
que compõe o corpo do bebê não mais existirá na composição do corpo do velho, apesar
de serem a mesma pessoa. O que os antigos imaginavam são as células que constituem o
cadáver na hora de sua morte.

Quanto a essa transformação do corpo ressurreto, é possível levantar duas hipóteses, apenas
a título de contestação da necessidade da matéria completa do corpo físico na ressurreição,
a primeira baseada em uma ideia de Charles Hodge, e a segunda na teoria das formas
perfeitas conforme Agostinho (Platão).

1 – Basta uma molécula de DNA para identificar, de forma cabal e definitiva, uma pessoa.
O simples fato do corpo ressurreto conter uma dessa molécula singular seria suficiente para
identificar plenamente a pessoa.

- Existem três fatores contra essa hipótese:

1.1 - O primeiro é a possibilidade de clonagem, onde um novo ser surge do DNA da matriz,
isso já foi feito com animais, o que não causa problema algum, pois a alma do animal
perece junto com o corpo físico, mas no caso de existir uma clonagem humana essa
hipótese fica prejudicada.

1.2 - O segundo é o fato de que um corpo espiritual é imaterial, e mesmo uma simples
molécula torna o corpo material, uma vez que a molécula tem mobilidade e é divisível em
partes e a alma, sendo espiritual, é simples e indivisível.

1.3 - Por último, a presença dessas moléculas no céu, provocaria movimento, e com ele o
decorrer do tempo, que torna impossível a convivência com Deus.

2 - A própria alma contém o princípio da vida animal, as almas de várias pessoas foram
reconhecidas nos evangelhos antes da ressurreição do corpo. Vemos assim, que o princípio
da vida animal pode ser totalmente espiritual.

Conforme Agostinho, o céu criado no primeiro capítulo do livro de Gênesis se refere a esse
local espiritual onde as almas dos eleitos e os seres espirituais criados convivem com Deus.
Esse local, sempre conforme Agostinho, não é a eternidade, mas um local criado por Deus
17

com a finalidade de receber os seres espirituais e as almas desencarnadas, onde o tempo


não decorre, daí a impossibilidade de existência de matéria física nesse local, mesmo que
seja uma simples molécula.

Existe, com relação à felicidade dos homens, esse problema acima, que diz respeito à
decorrência do tempo: O homem jamais será plenamente feliz convivendo com a
decorrência do tempo, o decorrer do tempo cria necessidades. Está implícito que não
teremos necessidades no céu, amaremos tudo o que tivermos e não teremos desejo pelo que
não tivermos.

Agostinho: “Tua morada, que nunca se afastou de ti, embora não te sendo co-eterna,
graças à sua incessante e ininterrupta união contigo, não padece de vicissitudes do
tempo”.

Agostinho afirmou que o tempo somente pode ser medido através dos espaços - onde não
há movimento não há tempo. Agostinho afirma que os seres presentes na morada de Deus
(céu e inferno) serão espirituais (sem negar a ressurreição do corpo), não haverá movimento
físico que propicie a sucessão do tempo.

Charles Hodge reafirma essa teoria no século XIX, muito antes de Einsten.

Charles Hodge: “Se todas as coisas (materiais) fossem aniquiladas, o tempo, tanto quanto
o espaço, seria aniquilado, porque o tempo depende do espaço. Se todas as coisas fossem
aniquiladas não poderiam haver transições ou sucessões de um objeto com respeito a
outro, porque não haveriam objetos, tudo seria perfeito vácuo, ausência de ser. Em uma
total aniquilação (da matéria) não poderia haver nem tempo nem espaço”.

“Se há corpo natural, há também corpo espiritual”.

Esse é um assunto que foge completamente ao conhecimento e imaginação do homem, não


existe uma posição teológica estabelecida, porém, é correto imaginar o céu como um lugar.

Mateus 22,30: “Porque, na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são,
porém, como os anjos no céu”.

O tempo, a matéria e o espaço não existem na eternidade, constituem o universo e foram


criados por Deus, fora de si (fora da eternidade), em um determinado momento - o
Princípio. Em uma analogia lógica, uma vez que o universo deixará de existir após o Juízo,
também deverão ser extintos o tempo, a matéria e o espaço.

1 Coríntios 15,42-45: “Pois assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo
na corrupção, ressuscita na incorrupção. Semeia-se em desonra, ressuscita em glória.
Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder. Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo
espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual. Pois assim está escrito: O
primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito
vivificante”.
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Todas essas hipóteses, todavia, não levam a um resultado conclusivo, o fato é que os filhos
de Deus não estarão mais sujeitos às necessidades do corpo físico e não estarão mais
sujeitos ao pecado e à queda, não porque tenham adquirido essa capacidade, mas porque
estarão preservados para sempre por Cristo e entrarão no gozo de sua graça e proteção
indefinidamente, por todos os séculos dos séculos, amém.

O Juízo final

Haverá um dia do juízo para toda a humanidade, todos os que existiram em todos os tempos
e todos os que existirem naquele dia. Conforme o apóstolo Paulo, os mortos serão
ressuscitados primeiro e os que estiverem vivos nesse dia serão transformados e revestidos
de imortalidade e incorruptibilidade.

Não existirá a partir de então jovens e velhos, todos serão estáveis e imortais, tanto justos
como condenados. A Escritura não detalha o estado dos réprobos condenados, mas seus
castigos e sofrimentos serão indizíveis e infindáveis.

Apocalipse 20,14-15: “Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de
fogo. Essa é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no
Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo”.

Todos os sacrifícios e holocaustos do Velho Testamento simbolizam e apontam para o


Novo Testamento e prefiguram o Cristo vindouro. A páscoa judaica tipifica o Dia do Juízo,
nesse dia, o Anjo de Deus (Cristo) passou sobre o seu povo, sinalizado com o sangue do
cordeiro, sem nenhum dano, e destruiu os primogênitos do Egito que eram os alvos da ira
de Deus.

Da mesma forma, todos os que são justificados no sangue do Cordeiro não passam pelo
juízo, pois foram salvos pela justiça perfeita de Cristo, sobre a qual não cabe julgamento.

Êxodo 12,12: “Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do
Egito todos os primogênitos, desde os homens até aos animais; executarei juízo sobre todos
os deuses do Egito. Eu sou o SENHOR”.

Notem que nesse verso, quem fala é “O SENHOR”, com maiúsculas, que é YAHWEH,
que é o Cristo, e ele fala na primeira pessoa: Eu ferirei todos os primogênitos. Por essa
declaração pessoal, pode-se ver claramente que o castigo dos réprobos é executado
ativamente por Cristo, os réprobos não são deixados cair pela sua vontade depravada, mas
a destruição dos ímpios é uma punição ativa de Deus, tanto quanto a salvação dos eleitos.

Quando acontecer o Juízo Final, não existirá mais o tempo, o universo terá sido destruído
e todos homens estarão ressurretos, diante do Cordeiro e fora desse mundo.

O céu
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Ninguém sabe descrever exatamente como é o céu, pelas afirmações bíblicas é correto
pensar no céu como um lugar, mas ninguém sabe como e onde será esse lugar. Jesus nos
diz que na casa de seu Pai há muitas moradas, essa é a esperança do crente: As promessas
de Jesus.

Não podemos esquecer que a fé não é mais que a confiança plena nas promessas de Jesus
e a certeza de que ele é poderoso para cumpri-las. Temos na bíblia algumas descrições do
céu, algumas feitas por apóstolos que foram levados ao céu durante sua vida, a primeira do
apóstolo Paulo.

2 Coríntios 12,2-4: “Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado
até ao terceiro céu (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) e sei que o tal
homem (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) foi arrebatado ao paraíso e
ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir”.

Temos também o testemunho do apóstolo João, que foi levado ao céu para receber a
revelação de Jesus Cristo – o Apocalipse:

Apocalipse 22,1: “Então, me mostrou o rio da água da vida, brilhante como cristal, que
sai do trono de Deus e do Cordeiro”.

Existem ainda mais algumas afirmações bíblicas que devem ser levadas em consideração,
uma delas está no livro do Apocalipse, onde podemos ver que não existirá sofrimento:

Apocalipse 7,17: “Pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os


guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima”.

Outra passagem nos diz que o céu será algo surpreendente, acima de qualquer coisa que
conhecemos na terra ou mesmo em nossa imaginação. Ninguém sabe onde os crentes
transformados irão habitar, a Escritura afirma que Deus habita na luz inacessível, coisa que
nenhum homem consegue sequer imaginar. É também dito que olhos não viram, ouvidos
não ouviram e em coração humano jamais penetrou o que Deus tem reservado àqueles a
quem ama.

Também está escrito: Desceu ao inferno, subiu aos céus, mas essas coisas não dizem
absolutamente nada de real a respeito do céu, especular a esse respeito é pura invenção
humana, pois nada está revelado na Escritura, cabe ao cristão confiar e aguardar confiante
no poder de Deus.

1 Coríntios 2,9: “Mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem
jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o
amam”.

De acordo com Agostinho, a primeira criação no tempo, conforme o primeiro verso no


livro do Gênesis, foi o céu, entendido como a morada de Deus com as almas dos homens
que morrem e os seres espirituais criados. Essa morada de Deus não é co-eterna com ele,
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mas destituída de matéria física, onde o tempo não tem decorrência, pois não existe
movimento físico, somente espiritual.

Agostinho (Confissões):

“Por isso a matéria comum a todas as coisas invisíveis e visíveis, matéria ainda informe,
mas susceptível de forma, e de onde se fariam o céu e a terra – em outras palavras, a
criação invisível e visível – mas uma e outra tendo recebido forma, foi designada por essas
expressões de terra invisível e informe, e de trevas reinando sobre o abismo. Com a
seguinte distinção: por terra invisível e informe deve-se entender a matéria corpórea antes
de ser qualificada pela forma; e por trevas reinando sobre o abismo, a matéria espiritual,
antes da restrição de sua, digamos, imoderada fluidez antes de ser iluminada pela
sabedoria (*). Poderia alguém afirmar, se quisesse: Esses termos céu e terra não
significam realidades perfeitas e acabadas, lá onde lemos: No princípio Deus criou o céu
e a terra – mas um esboço ainda informe, uma matéria passível de receber forma e servir
para a criação; nela já existiam, como que um embrião, sem distinção de formas e de
qualidades, essas criações, uma espiritual, e outra material que, ordenadas como estão
agora, são chamadas de céu (espiritual) e terra”.

(*) – Sabedoria – O Verbo de Deus.

Especulações

Afirmar coisas não reveladas na Escritura é especulação, esse tipo de coisa deve ser evitado
a todo custo, porém, teólogos e religiosos insistem em “descobrir” coisas relativas ao que
irá acontecer nos últimos dias e ao que se seguirá o juízo. Essas coisas não são reveladas e
os cristãos devem rejeitar especulações a esse respeito.

Deuteronômio 29,29: “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém
as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos
todas as palavras dessa lei”.

Muitos teólogos e religiosos se apegam à segunda carta de Pedro, onde ele se refere aos
novos céus e nova terra, para afirmar que os eleitos de Deus transformados continuarão a
habitar a mesma terra modificada. Essa é uma ideia que não condiz com os versos
anteriores onde Pedro afirma que: ‘Os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os
elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão
atingidas’. Isso leva a crer que todas as coisas existentes no universo serão destruídas.

As leis naturais da física, estabelecidas por Deus e pelas quais Ele opera sua providência,
também indicam a morte do universo, seja pela expansão contínua que levaria o universo
a se decompor em partículas elementares extremamente distantes umas das outras,
estabilizadas a zero graus absolutos (- 271° Celsius), ou pela contração, através da
multiplicação dos buracos negros, que levaria o universo à sua condição inicial, contido
em um ponto singular na eternidade (argumento cosmológico Kalan).

Nota: Foi recentemente descoberto um “buraco negro” 85 milhões de vezes maior que o nosso sol. Ninguém sabe afirmar o
21

poder deste corpo celeste, nem se existem outros maiores, ou semelhantes, que poderiam se juntar e simplesmente sugar todo
universo para um ponto singular na eternidade, como no Princípio.

2 Pedro 3,10-13: “Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus
passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra
e as obras que nela existem serão atingidas. Visto que todas essas coisas hão de ser assim
desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando
e aprestando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão
desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão. Nós, porém, segundo a sua promessa,
esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça”.

Imaginando que os crentes continuarão a viver na terra transformada, as pessoas que creem
nisso estão simplesmente adotando o panteísmo, ou seja: Supondo que a terra conterá a
Deus, elas supõem que o universo é uma extensão do Ser de Deus, como imaginam as
religiões orientais.

2 Crônicas 2,6: “No entanto, quem seria capaz de lhe edificar a casa, visto que os céus e
até os céus dos céus o não podem conter? E quem sou eu para lhe edificar a casa, senão
para queimar incenso perante ele?”.

Outro verso bastante abusado nessa questão está em Romanos, onde o apóstolo diz que a
criação aguarda com ansiedade a revelação dos filhos de Deus. Ora, como um pedaço de
pedra ou uma porção de terra, ou uma massa de água tem ansiedade?

A criação, nesse verso, refere-se a seres inteligentes e conscientes que são os anjos, os seres
espirituais e as almas no estado intermediário. Essas criaturas desconhecem, tanto quanto
nós, os tempos predeterminados por Deus, e aguardam com ansiedade aquele momento em
que todas as coisas serão restauradas em caráter definitivo juntamente com os filhos de
Deus.

Romanos 8,20-23: “Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por
causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do
cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos
que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E não somente
ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso
íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo”.

(*) - Criação: Anjos e seres espirituais criados, que desconhecem o tempo previsto para o juízo final e desejam ardentemente
a restauração de todas as coisas.

Conclusão: O que cabe ao crente é aguardar com tranquilidade os tempos previstos


por Deus, orando e vigiando conforme instruiu Nosso Senhor.

Lucas 21,36: “Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar de todas essas
coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do Homem”.

CONTRADIÇÕES PRÉ-MILENISTAS
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O pré-milenismo ensina que após a sua segunda vida, Jesus Cristo governará fisicamente a
terra por mil anos literais, dessa forma, a segunda vinda é antes do milênio. Ensinam que,
na segunda vinda de Cristo, os santos que estiverem vivos serão rapturados e os já falecidos
serão levantados dentre os mortos; todos esses santos receberão corpos glorificados e
imortais. Eles encontrarão Cristo nos ares e retornarão para governar a terra com ele por
mil anos, a sede desse governo será em Jerusalém.

Esse período de mil anos será de paz e justiça mundial, no final desse período, Satanás será
solto de sua prisão para enganar as nações. Inúmeros exércitos se rebelarão e atacarão
Cristo e os santos em Jerusalém; esses exércitos serão então destruídos por fogo do céu.

Após a derrota desses exércitos rebeldes, acontecerá a ressurreição e o julgamento final;


então começará o estado eterno. Essa é a essência do pré-milenismo básico, mas a
imaginação do homem não conhece limites e existem muitas variações dessa visão, cada
qual mais insana e absurda que a outra.

DISPENSACIONALISMO

O dispensacionalismo divide a história bíblica em pactos diferentes que se manifestaram


em diversas fases da história, motivados pela suposição que Deus foi pego de surpresa
pelas atitudes do homem, que não cumpria os seus planos e foi obrigado a estabelecer novos
pactos na esperança de que o homem viesse a cumpri-los.

Serão apresentadas abaixo as dispensações imaginadas conforme essa visão escatológica


delirante, tendo sempre em mente que o Pacto bíblico é um só, firmemente fundamentado
em Cristo em todas as épocas da história da humanidade. O dispensacionalismo, apesar de
adotado por muitas denominações, é uma heresia que não deve ser aceita em hipótese
alguma.

Conforme essa doutrina herética, Jesus é apenas um homem que foi elevado à divindade
pela sua vida piedosa e de alto padrão moral, dessa forma, os dispensacionalistas, em geral,
não acreditam na divindade de Cristo, na onisciência de Deus e tampouco na Trindade
Divina.

Dispensacionalismo - As dispensações históricas

1 - Dispensação da Inocência

Período de relacionamento de Deus com Adão e Eva antes da queda. O homem foi colocado
num ambiente perfeito, sujeito a uma lei simples e advertido das consequências da
desobediência. Esse período terminou com o julgamento e expulsão do casal do Jardim do
Éden.

2 - Dispensação da Consciência
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Essa dispensação se estende desde a queda até o dilúvio, nesse período os homens expulsos
do Éden, conhecedores do bem e do mal, podiam seguir a direção do seu próprio coração,
mas se corromperam a tal ponto, que Deus enviou o dilúvio.

3 - Dispensação do Governo Humano

Desde o tempo do dilúvio até a dispersão dos homens sobre a superfície da terra após o
episódio da Torre de Babel, sendo finalizada com a chamada de Abrão.

4 - Dispensação Patriarcal ou Dispensação da Promessa

Essa dispensação teve início com a chamada de Abrão, esse tempo durou até a saída do
povo de Israel do Egito.

5 - Dispensação da Lei

Período da história desde a outorga da Lei a Moisés, no Sinai, até o dia do Pentecostes,
conforme relatado nos Atos dos Apóstolos.

6 - Dispensação da Graça ou Dispensação da Igreja

Esse período se estende desde a crucificação de Cristo (ou o Pentecostes) até a sua segunda
vinda, essa é a dispensação da aliança do sangue de Cristo, que, todavia, existe juntamente
com a aliança mosaica, assim Cristo é apenas o mediador da nova aliança e Moisés continua
mediador da aliança mosaica.

Conforme as suposições dispensacionalistas, quando Jesus começou a pregar para os


judeus ele acreditava piamente que os judeus iriam crer nele, somente depois que ele
constatou que os judeus o recusaram é que se voltou aos gentios.

Esses fatos são temerários até para serem referidos, mas é preciso conhecer todas essas
aberrações, o cristão maduro deve discernir com firmeza entre o bem e o mal.

7 - Dispensação da Tribulação e do reino milenar

Os dispensacionalistas e pré-milenistas, em geral, afirmam que haverá duas voltas de


Cristo, a primeira é a “parousia” onde somente os santos serão arrebatados (arrebatamento
secreto), não há eventos previstos para seu acontecimento, Cristo permanecerá nos céus e
os santos serão arrebatados para ir ao seu encontro nos ares.

Decorridos sete anos dessa “parousia”, nos quais o mundo será evangelizado, os judeus se
converterão e acontecerá a grande tribulação, Cristo voltará novamente, dessa vez até a
terra, e julgará as nações estabelecendo o reino milenar terreno, o Reino de Davi esperado
pelos judeus.

Dessa forma, na segunda vinda de Cristo somente a igreja será arrebatada e todo o resto da
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humanidade continua na terra, essa primeira parte da última dispensação dura desde o
arrebatamento da igreja até o Armagedon, a batalha final entre o bem e o mal. Após essa
última batalha o reino terrestre de Davi será instaurado no mundo, com sede em Jerusalém
e governado por Jesus Cristo.

Dessa forma o Reino Davídico pretendido pelos fariseus torna-se realidade, esse reino
durará exatos mil anos e somente depois disto é que se dará o fim da história da
humanidade.

PÓS-MILENISMO

O pós-milenismo usa a palavra milênio de forma figurada, indicando um período de tempo


bastante longo no fim da era cristã.

Lorraine Boettner: “Pós-Milenismo é aquela visão das últimas coisas que sustenta que o
Reino de Deus está sendo agora estendido no mundo através da pregação do Evangelho e
da obra salvadora do Espírito Santo; que o mundo será finalmente Cristianizado, e que o
retorno de Cristo ocorrerá no término de um longo período de justiça e paz frequentemente
chamado o Milênio”.

O pós-milenismo declara que a maioria da humanidade, considerada na soma das pessoas


existentes em todos os tempos, será salva antes da segunda vinda de Cristo. Isso é um
sonho, muito bonito e com aparência de piedade, mas o que dizem os fatos históricos da
bíblia? Isso não aconteceu nos tempos do Antigo Testamento, isso não aconteceu nos
tempos dos apóstolos, será verdade durante a era final do milênio?

O pós-milenismo baseia essa alegação em passagens da Escrituras que são erroneamente


supostas como indicando a universalidade da salvação, o mundo todo como o objeto da
redenção em Cristo.

Mateus 28,18-20: “É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos
de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou
convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.

Nesse texto, os pós-milenistas interpretam que Cristo assumiu a promessa de cristianizar o


mundo inteiro. Por causa dessa promessa, o número dos redimidos será aumentado até que
sobrepuje o número dos perdidos. Dessa forma estamos vivendo em meio a um imenso
jogo de videogame cósmico, onde Deus assumiu a obrigação de derrotar Satanás salvando
maior número de pessoas do que Satanás “conseguirá” condenar.

Considerando que já viveram nesse mundo, de 40 a 50 bilhões de pessoas e que, até a


encarnação, Deus não se revelou a nenhuma outra nação senão o pequenino Israel, do qual
pouquíssima gente foi salva, quanto tempo levaria para que os novos salvos superassem
esse enorme contingente de condenados?
25

Alguns dos pós-milenistas falam em dezenas de milhares de anos entre a primeira e a


segunda vinda de Cristo. Será que o mundo aguenta esse tempo todo?

Quem ganhará? Essa é também uma interpretação dualística, que admite a existência de
dois poderes paralelos e equivalentes no universo, assim, Deus precisa da colaboração do
homem para conseguir realizar a salvação do maior número de pessoas possível das mãos
do poderoso Satanás.

Novamente, o pós-milenismo declara que o mundo está se tornando melhor; existem


períodos curtos durante os quais pode parecer que as forças do mal estão ganhando, porém,
analisando a história, pode-se constatar inequivocamente progresso e melhoramento
espiritual.

O pecado sempre será encontrado no mundo, até mesmo no fim dos tempos, mas sua
influência será diminuída, e os ímpios serão a minoria, os princípios Cristãos bíblicos se
tornarão os padrões determinantes tanto para a vida pública como para a privada. A
educação, os negócios, o governo, a indústria e toda a sociedade estarão sob o domínio da
vida e do pensamento cristão.

O que acontece, porém, e pode ser visto nos noticiários, é exatamente o oposto,
principalmente dentro do cristianismo, que apesar de seu crescimento estatístico, permite
que as heresias permeiem viçosas e cada vez mais fortes no seio da igreja local.

Na verdade, o cristianismo bíblico tornou-se ofensivo aos crentes em todo o mundo e está
se extinguindo na moderna “igreja cristã”.

2 Timóteo 4,3: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário,
cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos
ouvidos”.

Quanto ao mundo ocidental, os políticos, cada vez mais corruptos, conduzem as nações a
uma ideologia socialista, reforçando cada vez mais o humanismo e caminhando no sentido
da religião ecumênica e do governo mundial, chefiado pelo anticristo, de forma
notoriamente visível.

Quanto ao mundo não cristão, as religiões islâmica, budista e hinduísta crescem e se


mantém cada vez mais firmes em suas crenças básicas, mas avançando todas para o
estabelecimento da religião ecumênica universal.

Um só deus e um só governo para toda a humanidade, o que se pode notar na realidade é o


governo mundial do anticristo caminhando a passos largos na história recente da
humanidade, e não há nada no horizonte que prenuncie um bloqueio a esse progresso, a
não ser a segunda volta de Cristo, que irá finalizar com todos esses planos escabrosos em
um piscar de olhos, liquidando o anticristo com o sopro de sua boca.
26

2 Tessalonicenses 2,8: “Então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus
matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda”.

A civilização não pode ser, erroneamente, considerada como fruto do evangelho, não se
pode transformar o cristianismo em um grande jogo onde Cristo tem a obrigação de derrotar
Satanás. Esse Satanás é um servo de Deus e já está derrotado e amarrado desde a eternidade.
Alguns pós-milenistas afirmam que a vida na terra ainda irá durar por quarenta mil anos.

Pode ser uma coisa dessas? Somente delirando, e muito!

O NÚMERO DOS REDIMIDOS

O exército de redimidos constituirá uma vasta multidão, como é visto no livro do


Apocalipse, não há dúvida; porém essa multidão pode ser de centenas, milhares, milhões
ou mais pessoas, que comparadas aos bilhões de pessoas existentes até esse período não
permite uma avaliação do número dos salvos.

Jesus declara que muitos serão chamados, mas poucos escolhidos. Nem todas as pessoas
ouvem a pregação da Palavra, e muito pouco das que ouvem são escolhidas para salvação.
O que se pode observar, é que, para a grande maioria, a pregação é meramente um
testemunho que os condena. Como diz abertamente Martinho Lutero.

Martinho Lutero: “O maior pecado é o pecado religioso”.

A bíblia diz claramente que não se deve especular sobre as doutrinas não reveladas, mas
obedecer e seguir o que foi ordenado por Deus de forma clara na Escritura. Dessa forma,
os estudos escatológicos devem se restringir às claras revelações bíblicas e não aos delírios
de mentes sobrecarregadas de vaidade, que interpretam a bíblia conforme sua própria
expectativa, movida pelo ego humano antes que pela clara revelação divina.

Deuteronômio 29,29: “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém
as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos
todas as palavras dessa lei”.

1 - O REMANESCENTE SERÁ MUITO PEQUENO

Referências bíblicas do remanescente

- A Igreja de Cristo é chamada de “pequenino rebanho”:

Lucas 12,32: “Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos
o seu reino”.

- De uma cabana na vinha:

Isaías 1,8: “A filha de Sião é deixada como choça na vinha, como palhoça no pepinal,
27

como cidade sitiada”.

- A declaração a Samuel:

1 Reis 19,18: “Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram
a Baal, e toda boca que o não beijou”.

- O remanescente do exílio na Babilônia foi restrito, e a grande maioria não foi salva - veja
nos livros de Esdras e Neemias.

Esdras 2,64: “Toda essa congregação junta foi de quarenta e dois mil trezentos e
sessenta”.

Essa congregação é pequeníssima, e se levarmos a sério os livros de Esdras e Neemias,


veremos que desse povo que retornou, muito poucos foram salvos.

Esses versos acima, levam a pensar que o remanescente é sempre muito pequeno
comparado à totalidade das pessoas existentes em todos os tempos.

2 - A GRANDE TRIBULAÇÃO EM MATEUS

Em segundo lugar, há o tremendo testemunho do capítulo vinte e quatro de Mateus:

“Todos os povos da terra se lamentarão”.

Somente essa afirmação é suficiente para desmoronar o pós-milenismo. Caso as afirmações


pós-milenistas fossem verdadeiras, os povos exultariam e não se lamentariam, ninguém
pode crer nessas palavras e ainda manter uma idade dourada de justiça e paz, a qual será
obtida justamente antes do retorno de Cristo. Jesus diz ali que o sinal de Sua vinda e do fim
do mundo (eventos simultâneos) envolverá um aumento na guerra, nos distúrbios étnicos,
nas fomes, pestilências e terremotos.

Em vez de uma influência universal da verdade e da paz, haverá falsos profetas e a


iniquidade abundará, a tribulação será a porção da verdadeira Igreja naqueles dias.

Mateus 24,21-31: “Porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio
do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais. Não tivessem aqueles dias sido
abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão
abreviados. Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis;
porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para
enganar, se possível, os próprios eleitos. Vede que vo-lo tenho predito. Portanto, se vos
disserem: Eis que ele está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no interior da casa!, não
acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente,
assim há de ser a vinda do Filho do Homem. Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os
abutres. Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a
sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados.
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Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão
e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. E ele
enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus
escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus”.

3 - ACHARÁ O FILHO DO HOMEM FÉ NA TERRA?

Em terceiro lugar o testemunho de Jesus em Lucas dezoito, a verdadeira religião estará


quase extinta; quando Jesus retornar, achará fé na terra? Mesmo hoje, podemos afirmar
que, com raríssimas exceções, a igreja já é uma instituição doutrinariamente falida.

Lucas 18,8: “Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do
Homem, achará, porventura, fé na terra?”.

Os pós-milenistas responderiam com um sonoro ‘sim’ a essa pergunta, mas qual o sentido
do verso, senão que existirá pouquíssima fé na terra? A resposta também não seria um ‘não’
retumbante, mas um discreto e humilde: ‘sim’, pois Deus haverá de preservar o que restar
de sua Igreja.

Lucas 18,7: “Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite,
embora pareça demorado em defendê-los?”.

“Por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados”: Mas, se o fim dos tempos requer
a providencial abreviação daqueles dias, pode-se afirmar que não serão de triunfo e
prosperidade para a verdadeira Igreja de Deus no mundo.

Mateus 24,22: “Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por
causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados”.

AMILENISMO

O amilenismo também interpreta o milênio simbolicamente; só que ele mantém que o


mesmo se refere a toda a era Cristã. Segue abaixo a definição de amilenismo conforme J.
G. Vos.

J. G. Vos: “Amilenismo é aquela visão das últimas coisas que sustenta que a Bíblia não
prediz um Milênio ou período de paz e justiça mundial sobe a Terra antes do fim do
mundo”.

O autor dessa definição, Dr. Vos, observou ainda que:

J. G. Vos: “O amilenismo ensina que haverá um desenvolvimento paralelo e


contemporâneo do bem e do mal nesse mundo, que continuará até a segunda vinda de
Cristo. Na segunda vinda de Cristo a ressurreição e o julgamento acontecerão, seguidos
pela ordem eterna das coisas – o Reino absoluto e perfeito de Deus, no qual não haverá
pecado, sofrimento nem morte”.
29

O amilenismo relaciona toda era cristã com o período do milênio, ou seja, o período entre
a primeira e a segunda vinda de Cristo. Alguns colocam o início desse milênio no Dia do
Pentecostes, porém o mais correto é interpretar o seu início na encarnação.

A visão da teologia reformada refere-se ao período entre as duas vindas de Cristo, e em um


sentido mais amplo, nega que os mil anos signifiquem que durante a era da Igreja haverá
um longo período de justiça e paz como defendido pelo pós-milenismo, ou um reinado
pessoal de Cristo sobre a Terra como mantido pelo pré-milenismo.

Algumas correntes teológicas afirmam que os mil anos não têm nenhuma referência a algo
que aconteça na terra, mas ao reinado dos santos com Cristo no estado intermediário, o que
também contraria o capítulo vinte e quatro de Mateus que foi visto acima.

Louis Berkhof: “Alguns pré-milenistas têm falado do amilenismo como uma nova visão e
como uma das mais recentes inovações, mas isso certamente não está de acordo com o
testemunho da história. O nome é deveras novo, mas a visão à qual ele é aplicado é tão
antiga quanto o Cristianismo. No mínimo, ela teve tantos defensores quanto o quiliasmo
entre os Pais da Igreja do segundo e terceiro séculos, que foi supostamente o auge do
quiliasmo.

Amilenismo: Essa visão (o amilenismo) tem sido desde então a visão mais amplamente
aceita, sendo a única que é expressa ou implícita nas grandes Confissões históricas da
Igreja, e tem sido sempre a visão prevalecente nos círculos Reformados”.

O Dr. John F. Walvoord, um pré-milenista e editor da revista Bibliotheca Sacra, declarou:

John F. Walvoord: “A escatologia Reformada tem sido predominantemente amilenista. A


maioria, se não todos, dos líderes da Reforma Protestante eram amilenistas em sua
escatologia, seguindo os ensinos de Agostinho”.

Essa visão amilenista tem sido amplamente sustentada pelos oponentes do pré e pós
milenismo, sendo associada com o nome de Agostinho. Ele ensinou que o milênio deve ser
interpretado espiritualmente e realizado durante as duas vindas de Jesus:

A visão de Agostinho

1 – Ele afirmou que a prisão de Satanás aconteceu durante o começo do ministério de


Nosso Senhor

Lucas 10,18: “Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago”.

2 - Que a primeira ressurreição é o novo nascimento do crente

João 5,25: “Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora e já chegou, em que os
mortos (inconversos) ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão”.
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Apocalipse 20,4-5: “Vi também tronos, e nesses sentaram-se aqueles aos quais foi dada
autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus,
bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem
tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e
reinaram com Cristo durante mil anos. Os restantes dos mortos não reviveram até que se
completassem os mil anos. Essa é a primeira ressurreição”.

Lucas 9,60: “Mas Jesus insistiu: Deixa aos mortos (*) o sepultar os seus próprios mortos.
Tu, porém, vai e prega o reino de Deus”.

(*) Mortos: A primeira citação dos mortos refere-se aos réprobos, ou aos que estão vivos e ainda não foram chamados por
Deus, a segunda refere-se aos que já faleceram.

3 - Que o milênio deve corresponder, portanto, ao período entre as vindas de Jesus,


ou a era da Igreja

O amilenismo tem sido desenvolvido de uma forma mais completa pelos teólogos
holandeses - Abraham Kuyper, Herman Bavinck, e outros. No continente da Europa, até o
dia presente o amilenismo pode ser chamado sem dúvida de: “O Padrão da Teologia
Reformada e Luterana”.

A DOUTRINA DO INFERNO

Tanto o céu, como o inferno, sendo a destinação final de todas as criaturas racionais, foram
criados por Deus para manifestação suprema de sua glória, glória essa que será conhecida
por toda a criação no Dia do Juízo final.

Por esse motivo é reprovável ao crente demonstrar aversão ou sentimento de reprovação


pelo inferno; as pessoas que lá estão e estarão merecem o castigo infligido por Deus, e não
cabe ao homem questionar as razões das determinações divinas, pois não existe padrão
superior de justiça pelo qual Deus possa ser julgado.

A doutrina do inferno é impopular e controversa, mas os argumentos bíblicos apontam para


o inferno como um lugar de punição vindicativa de Deus e sofrimento infindável. Existem
algumas afirmações biblicamente consistentes e incontestáveis a respeito do inferno:

1 - O inferno foi criado por Deus como um lugar de vindicação e sofrimento para os anjos
caídos e homens reprovados.

Mateus 25,41: “Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos
de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”.

2 - Os habitantes do inferno foram soberanamente destinados por Deus à condenação, não


por qualquer ato ou escolha que tenham praticado, mas pela determinação de Deus na
eternidade.
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Romanos 9,11-13: “E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem
ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras,
mas por aquele que chama), já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço.
Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú”.

3 – O inferno não é um lugar de redenção, os castigos do inferno são vindicativos e Deus


causa, de forma incessante e infindável, tormento consciente e extremo em seus habitantes.

Lucas 16,24: “Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a
Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou
atormentado nessa chama”.

4 – O inferno é um lugar criado por Deus, para sua glória, onde Deus demonstra sua
santidade e retidão através de sua ira e poder, e, dessa forma, glorifica a si mesmo. Tudo o
que Deus faz é certo, justo e bom, não existe nenhum padrão superior a Deus para
questioná-lo e contender com Ele. Por esse motivo é extremamente pecaminoso desaprovar
ou ter repulsa pela existência ou propósito do inferno sob quaisquer considerações.

Deuteronômio 32,39-43: “Vede, agora, que Eu Sou, Eu somente, e mais nenhum deus além
de mim; eu mato e eu faço viver; eu firo e eu saro; e não há quem possa livrar alguém da
minha mão. Levanto a mão aos céus e afirmo por minha vida eterna se eu afiar a minha
espada reluzente, e a minha mão exercitar o juízo, tomarei vingança contra os meus
adversários e retribuirei aos que me odeiam. Embriagarei as minhas setas de sangue (a
minha espada comerá carne), do sangue dos mortos e dos prisioneiros, das cabeças
cabeludas do inimigo. Louvai, ó nações, o seu povo, porque o SENHOR vingará o sangue
dos seus servos, tomará vingança dos seus adversários e fará expiação pela terra do seu
povo”.

5 – O inferno é um lugar sobre o qual todos são advertidos no Velho e Novo Testamento,
sobre o qual Cristo pregou em seu ministério; como imitadores de Jesus, é correto que se
pregue sobre o inferno, ensinando que a única maneira de ficar livre desse horrível lugar é
a fé em Jesus Cristo, concedida pela graça de Deus aos seus filhos amados.

Se alguém anseia pela graça de Deus, irá recebê-la, se alguém confia em sua justiça própria,
para que quer a graça de Deus? Por que aborrecer a Deus, se Ele dá a um o que quer e não
dá ao outro o que não quer?

Mateus 10,28: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes,
aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo”.

6 – O cristão é ordenado a pregar o evangelho a todos indiscriminadamente, mas é errado


pregar como se Deus desejasse a salvação dos réprobos e fosse incapaz de consegui-la sem
a concordância do mesmo, ou ainda como se fosse possível ao réprobo optar pela sua
própria salvação. Tanto a fé como o arrependimento são dons de Deus; a pregação do
evangelho serve tanto para salvar como para condenar, conforme a determinação de Deus.
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João 15,22: “Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas, agora,
não têm desculpa do seu pecado”.

É certo e apropriado considerar e discutir esse assunto do inferno conhecendo a severidade


e o poder de Deus, mas é errado e pecaminoso considerá-lo de forma que, mesmo
remotamente, implique numa desaprovação para com o inferno, afirmando ou sugerindo
que Deus fez algo errado ao criá-lo.

Sentir repulsa pelo inferno não é um sinal de compaixão, mas um sinal de rebelião
pecaminosa.

Filipenses 2,12-13: “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na
minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa
salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o
realizar, segundo a sua boa vontade”.

OS ACONTECIMENTOS QUE PRECEDEM O JUÍZO FINAL

Existem alguns eventos, com relação aos tempos do fim, previstos na Escritura que ainda
não se cumpriram e deverão acontecer antes do dia final. Alguns dos eventos referidos por
Jesus referem-se à vinda de seu Espírito no dia do Pentecostes, alguns outros à destruição
do templo pelos romanos, mas certamente ele ensina que muitos desses acontecimentos
deverão ocorrer nos tempos do fim: A grande tribulação.

Mateus 24,5-12: “Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e
enganarão a muitos. E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede,
não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. Porquanto
se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em
vários lugares; porém tudo isso é o princípio das dores. Então, sereis atribulados, e vos
matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome. Nesse tempo, muitos
hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas
e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase
todos”.

Não se devem confundir as exortações à vigilância e à oração dos crentes com a


proximidade da segunda vinda, ninguém sabe quando se dará o fim. O apóstolo Pedro diz,
em sua segunda carta, que o tempo é algo diferente para Deus e para os homens: ‘Para o
Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia’.

O que é próximo para Deus pode ser muito distante para os homens. Cristo ensina que os
crentes devem estar atentos aos sinais que precedem a grande tribulação, os quais são
apresentados a seguir.

Os sinais da Grande Tribulação

1 – A conversão dos eleitos (remanescente) de Israel


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Tanto o Velho como o Novo Testamento falam de uma conversão nacional do povo de
Israel. Quando se analisa com cuidado os livros proféticos é fácil observar que todas as
promessas de salvação se referem ao remanescente do povo, fato esse que se confirma
plenamente no Novo Testamento.

Romanos 11,5: “Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente
segundo a eleição da graça”.

Por outro lado, a promessa de salvação do povo de Israel é claramente espiritual, não existe
a possibilidade da instauração do reino milenar terreno, o Quiliasmo, como afirmado pelos
pré-milenistas e dispensacionalistas, pois a promessa é de salvação e se refere a um
remanescente que é sempre muito pequeno comparado à totalidade do povo existente.

1 Reis 19,18: “Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram
a Baal, e toda boca que o não beijou”.

Spurgeon: “Se Deus escolheu os ingleses, escolheu esse e aquele outro inglês; se Deus
escolheu Os Judeus, escolheu esse e aquele outro judeu”.

2 – A pregação do evangelho a “todas as nações”

A pregação do evangelho a todas as nações refere-se ao simples conhecimento ou à


aceitação parcial do evangelho, que não significa salvação. A aceitação plena do evangelho
estará sempre reservada a indivíduos, que não farão parte obrigatoriamente de um grupo,
seja ele nacional, sexual, político, racial ou religioso, o único grupo do qual esses
indivíduos fazem parte é da família de Deus.

Efésios 2,19: “Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos,
e sois da família de Deus”.

Não se deve entender essa pregação como exaustiva, tomando a expressão “todo o mundo”
como se a vinda de Cristo fosse depender da pregação individual do evangelho a cada
pessoa do mundo. Se depender disto essa vinda nunca acontecerá, pois sempre existirão
crianças, incapazes, fetos e indivíduos isolados que ainda não ouviram pessoalmente o
evangelho.

Deus é poderoso para salvar ou condenar quem ele assim o determinou, o apóstolo Paulo,
considerava, já naquela época, o evangelho pregado em todo o mundo.

Romanos 1,8: “Primeiramente, dou graças a meu Deus, mediante Jesus Cristo, no tocante
a todos vós, porque, em todo o mundo, é proclamada a vossa fé”.

Colossenses 1,5-6: “Por causa da esperança que vos está preservada nos céus, da qual
antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho, que chegou até vós; como também,
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em todo o mundo, está produzindo fruto e crescendo, tal acontece entre vós, desde o dia
em que ouvistes e entendesses a graça de Deus na verdade”.

O evangelismo não pode ter essa conotação escatológica, mas sempre o sentido de
proclamação do evangelho e pregação da Palavra pura e simples, pois quem faz a conversão
é o Espírito. Por esse motivo, o missionário, ou pregador, não deve trazer a si a proposta
da salvação, pois essa é reservada à sabedoria de Deus, e a pregação do evangelho de Cristo
tanto traz a condenação como a salvação, conforme a determinação divina.

Existe também outra ponderação de importância crucial, essa mensagem do evangelho é


tanto necessária àqueles que ainda não ouviram como àqueles que estão perdidos dentro da
igreja local, pois o joio e o trigo estarão juntos na igreja até o final do mundo.

A igreja cristã atual está mais perdida que o mundo. Por esse motivo, é tão, ou mais urgente
proclamar o evangelho, coletiva e individualmente, dentro das igrejas cristãs como aos
povos não atingidos.

Mateus 13,27: “Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: Senhor, não
semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?”.

3 – A Grande Tribulação

A apostasia e a tribulação estarão juntas nos últimos tempos, da mesma forma como
estiveram antes da destruição do templo, assim estarão no final dos tempos. Como já foi
dito, uma parte das profecias de Jesus realizou-se na destruição do templo, mas a maioria
ainda será realizada no período da grande tribulação que vai preceder o Dia do Juízo.

Essa tribulação prevista irá superar todas as perseguições já realizadas contra a igreja de
Cristo porque será acompanhada de grandes sinais e prodígios que enganarão quase todos,
incluindo grande maioria daqueles que se consideram cristãos professos.

Serão falsos mestres, guerras, rumores de guerras, catástrofes naturais como nunca visto
antes - as “dores de parto”. Juntamente a tudo isso, o estertor do universo em sua destruição
iminente e o princípio da nova vida em Cristo.

Mateus 24,24: “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais
e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos”.

Mateus 24,29: “Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não
dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão
abalados”.

4 – A revelação do anticristo e do falso profeta

Conforme pode ser visto nas cartas do apóstolo João, os anticristos são aqueles falsos
mestres que se opõem a Cristo e existem desde a igreja apostólica. Mas, a Escritura revela
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a vinda do anticristo final com poderes nunca vistos em toda a história da humanidade.
Tudo leva a crer que esse último e poderoso anticristo será o líder de um poder político que
representará um governo único de âmbito mundial.

Apocalipse 17,17: “Porque em seu coração incutiu Deus que realizem o seu pensamento,
o executem à uma e dêem à besta o reino que possuem, até que se cumpram as palavras
de Deus”.

O anticristo é chamado no livro do apocalipse como “a besta”; ele terá no seu governo
político o apoio de um poder religioso também mundial que será presidido pelo
“falso profeta”, o líder da então estabelecida religião ecumênica. Esse líder religioso terá
todos os poderes que lhe são dados pelo dragão, que é Satanás, e realizará prodígios e
maravilhas diante de todo o povo fazendo com que eles creiam e adorem a besta.

Apocalipse 13,12: “Exerce toda a autoridade da primeira besta na sua presença. Faz com
que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta, cuja ferida mortal fora curada”.

No final do período da tribulação, o anticristo, a primeira besta, será derrotado pelo sopro
de Cristo, e tanto o anticristo, como o falso profeta e o dragão, serão lançados no inferno
de fogo junto com a morte e então virá o fim: A segunda volta de Cristo para o
encerramento da história do universo e o início da nova vida prometida aos crentes de todas
as épocas.

Apocalipse 19,20: “Mas a besta foi aprisionada, e com ela o falso profeta que, com os
sinais feitos diante dela, seduziu aqueles que receberam a marca da besta e eram os
adoradores da sua imagem. Os dois foram lançados vivos dentro do lago de fogo que arde
com enxofre”.

APOCALIPSE x EZEQUIEL
Estudo comparativo do livro do Apocalipse com o livro de Ezequiel

Muitos teólogos apontam semelhanças e paralelos na estrutura do livro do Apocalipse e no


livro de Ezequiel, alguns chegam a afirmar que Apocalipse é uma reescrita de Ezequiel
conforme o cristianismo. Isso não é verdade, mas existe realmente um paralelo bastante
forte entre os dois livros, o que não significa que João seguiu Ezequiel, mas sim, que a
revelação é semelhante nos dois casos.

Apocalipse = Revelação

Vendo desta forma, fica muito mais forte a revelação transmitida, que é na verdade o nome
do livro do Apocalipse, pois sendo a profecia revelada de forma tão próxima em tempos
diferentes, a autoridade dos dois livros é fortalecida de forma indiscutível.

Outros autores afirmam que o livro do Apocalipse, tanto quanto Ezequiel, foram elaborados
com a ideia de servir de base ou modelo para cultos semanais a serem programados durante
36

um ano. Não faz absolutamente sentido que uma profecia de tal magnitude seja recebida
como uma formulação de culto, trata-se pura e simplesmente de profecia, que se estende
desde os tempos em que foi escrita até o final dos tempos na segunda volta de Cristo.

Outros autores afirmam ainda que, tanto os evangelhos quanto este livro do Apocalipse
foram escritos como formulação de cultos semanais durante o ano, e vão além disto,
sugerindo que esta formulação dos livros indica que o modelo do culto puritano, onde a
pregação começa pelo entendimento intelectual da Palavra, deve ser substituída pela
pregação onde o “homem total” participa.

Essa é uma sugestão perigosíssima, que beira claramente os cultos da moderna igreja
evangélica onde o humanismo, as sensações e experiências pessoais substituíram o
conhecimento da Palavra.

Ao contrário desta interpretação ambígua todo o culto deve ser voltado somente à adoração
e glorificação de Deus, o que somente pode principiar pelo conhecimento. Esta situação é
deixada muito clara desde o Velho Testamento, só não vê quem se recusa a ver.

Os exemplos são abundantes e claríssimos:

Jeremias 3,15: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com
conhecimento e com inteligência”.

Oséias 4,6: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento...”.

Oséias 6,6: “Pois misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do
que holocaustos”.

Habacuque 2,14: “Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como


as águas cobrem o mar”.

PARALELISMO OBSERVADO NOS LIVROS DE APOCALIPSE E EZEQUIEL

Adotaremos neste estudo as premissas assumidas acima

1. A VISÃO DO TRONO (AP 4 / EZ 1)

Apocalipse 4,1-8:

1 Depois destas coisas, olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também
a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: Sobe para aqui, e te
mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas.
2 Imediatamente, eu me achei em espírito, e eis armado no céu um trono, e, no trono,
alguém sentado;
3 e esse que se acha assentado é semelhante, no aspecto, a pedra de jaspe e de sardônio,
e, ao redor do trono, há um arco-íris semelhante, no aspecto, a esmeralda.
37

4 Ao redor do trono, há também vinte e quatro tronos, e assentados neles, vinte e quatro
anciãos vestidos de branco, em cujas cabeças estão coroas de ouro.
5 Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões, e, diante do trono, ardem sete tochas de
fogo, que são os sete Espíritos de Deus.
6 Há diante do trono um como que mar de vidro, semelhante ao cristal, e também, no meio
do trono e à volta do trono, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás.
7 O primeiro ser vivente é semelhante a leão, o segundo, semelhante a novilho, o terceiro
tem o rosto como de homem, e o quarto ser vivente é semelhante à águia quando está
voando.
8 E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheios
de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando:
Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de
vir.

Ezequiel 1,15-28:

15 Vi os seres viventes; e eis que havia uma roda na terra, ao lado de cada um deles.
16 O aspecto das rodas e a sua estrutura eram brilhantes como o berilo; tinham as quatro
a mesma aparência, cujo aspecto e estrutura eram como se estivera uma roda dentro da
outra.
17 Andando elas, podiam ir em quatro direções; e não se viravam quando iam.
18 As suas cambotas eram altas, e metiam medo; e, nas quatro rodas, as mesmas eram
cheias de olhos ao redor.
19 Andando os seres viventes, andavam as rodas ao lado deles; elevando-se eles, também
elas se elevavam.
20 Para onde o espírito queria ir, iam, pois o espírito os impelia; e as rodas se elevavam
juntamente com eles, porque nelas havia o espírito dos seres viventes.
21 Andando eles, andavam elas e, parando eles, paravam elas, e, elevando-se eles da terra,
elevavam-se também as rodas juntamente com eles; porque o espírito dos seres viventes
estava nas rodas.
22 Sobre a cabeça dos seres viventes havia algo semelhante ao firmamento, como cristal
brilhante que metia medo, estendido por sobre a sua cabeça.
23 Por debaixo do firmamento, estavam estendidas as suas asas, a de um em direção à de
outro; cada um tinha outras duas asas com que cobria o corpo de um e de outro lado.
24 Andando eles, ouvi o tatalar das suas asas, como o rugido de muitas águas, como a voz
do Onipotente; ouvi o estrondo tumultuoso, como o tropel de um exército. Parando eles,
abaixavam as asas.
25 Veio uma voz de cima do firmamento que estava sobre a sua cabeça. Parando eles,
abaixavam as asas.
26 Por cima do firmamento que estava sobre a sua cabeça, havia algo semelhante a um
trono, como uma safira; sobre esta espécie de trono, estava sentada uma figura semelhante
a um homem.
27 Vi-a como metal brilhante, como fogo ao redor dela, desde os seus lombos e daí para
cima; e desde os seus lombos e daí para baixo, vi-a como fogo e um resplendor ao redor
dela.
38

28 Como o aspecto do arco que aparece na nuvem em dia de chuva, assim era o resplendor
em redor. Esta era a aparência da glória do SENHOR; vendo isto, caí com o rosto em
terra e ouvi a voz de quem falava.

1. O LIVRO (AP 5 / EZ 2)

Apocalipse 5,1-9:

1 Vi, na mão direita daquele que estava sentado no trono, um livro escrito por dentro e
por fora, de todo selado com sete selos.
2 Vi, também, um anjo forte, que proclamava em grande voz: Quem é digno de abrir o
livro e de lhe desatar os selos?
3 Ora, nem no céu, nem sobre a terra, nem debaixo da terra, ninguém podia abrir o livro,
nem mesmo olhar para ele;
4 e eu chorava muito, porque ninguém foi achado digno de abrir o livro, nem mesmo de
olhar para ele.
5 Todavia, um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz
de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos.
6 Então, vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um
Cordeiro como tendo sido morto. Ele tinha sete chifres, bem como sete olhos, que são os
sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra.
7 Veio, pois, e tomou o livro da mão direita daquele que estava sentado no trono;
8 e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-
se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso,
que são as orações dos santos,
9 e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos,
porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda
tribo, língua, povo e nação

Ezequiel 2,1-10:

1 Esta voz me disse: Filho do homem, põe-te em pé, e falarei contigo.


2 Então, entrou em mim o Espírito, quando falava comigo, e me pôs em pé, e ouvi o que
me falava.
3 Ele me disse: Filho do homem, eu te envio aos filhos de Israel, às nações rebeldes que
se insurgiram contra mim; eles e seus pais prevaricaram contra mim, até precisamente ao
dia de hoje.
4 Os filhos são de duro semblante e obstinados de coração; eu te envio a eles, e lhes dirás:
Assim diz o SENHOR Deus.
5 Eles, quer ouçam quer deixem de ouvir, porque são casa rebelde, hão de saber que
esteve no meio deles um profeta.
6 Tu, ó filho do homem, não os temas, nem temas as suas palavras, ainda que haja sarças
e espinhos para contigo, e tu habites com escorpiões; não temas as suas palavras, nem te
assustes com o rosto deles, porque são casa rebelde.
7 Mas tu lhes dirás as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir, pois são
rebeldes.
39

8 Tu, ó filho do homem, ouve o que eu te digo, não te insurjas como a casa rebelde; abre
a boca e come o que eu te dou.
9 Então, vi, e eis que certa mão se estendia para mim, e nela se achava o rolo de um livro.
10 Estendeu-o diante de mim, e estava escrito por dentro e por fora; nele, estavam escritas
lamentações, suspiros e ais.

2. AS QUATRO PRAGAS (AP 6 – EZ 5)

Apocalipse 6,1-8:

1 Vi quando o Cordeiro abriu um dos sete selos e ouvi um dos quatro seres viventes
dizendo, como se fosse voz de trovão: Vem!
2 Vi, então, e eis um cavalo branco e o seu cavaleiro com um arco; e foi-lhe dada uma
coroa; e ele saiu vencendo e para vencer.
3 Quando abriu o segundo selo, ouvi o segundo ser vivente dizendo: Vem!
4 E saiu outro cavalo, vermelho; e ao seu cavaleiro, foi-lhe dado tirar a paz da terra para
que os homens se matassem uns aos outros; também lhe foi dada uma grande espada.
5 Quando abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivente dizendo: Vem! Então, vi, e eis
um cavalo preto e o seu cavaleiro com uma balança na mão.
6 E ouvi uma como que voz no meio dos quatro seres viventes dizendo: Uma medida de
trigo por um denário; três medidas de cevada por um denário; e não danifiques o azeite e
o vinho.
7 Quando o Cordeiro abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto ser vivente dizendo: Vem!
8 E olhei, e eis um cavalo amarelo e o seu cavaleiro, sendo este chamado Morte; e o
Inferno o estava seguindo, e foi-lhes dada autoridade sobre a quarta parte da terra para
matar à espada, pela fome, com a mortandade e por meio das feras da terra.

Ezequiel 5,9-17:

9 Farei contigo o que nunca fiz e o que jamais farei, por causa de todas as tuas
abominações.
10 Portanto, os pais devorarão a seus filhos no meio de ti, e os filhos devorarão a seus
pais; executarei em ti juízos e tudo o que restar de ti espalharei a todos os ventos.
11 Portanto, tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, pois que profanaste o meu
santuário com todas as tuas coisas detestáveis e com todas as tuas abominações, eu
retirarei, sem piedade, os olhos de ti e não te pouparei.
12 Uma terça parte de ti morrerá de peste e será consumida de fome no meio de ti; outra
terça parte cairá à espada em redor de ti; e a outra terça parte espalharei a todos os ventos
e desembainharei a espada atrás dela.
13 Assim, se cumprirá a minha ira, e satisfarei neles o meu furor e me consolarei; saberão
que eu, o SENHOR, falei no meu zelo, quando cumprir neles o meu furor.
14 Pôr-te-ei em desolação e por objeto de opróbrio entre as nações que estão ao redor de
ti, à vista de todos os que passarem.
15 Assim, serás objeto de opróbrio e ludíbrio, de escarmento e espanto às nações que
estão ao redor de ti, quando eu executar em ti juízos com ira e indignação, em furiosos
castigos. Eu, o SENHOR, falei.
40

16 Quando eu despedir as malignas flechas da fome contra eles, flechas destruidoras, que
eu enviarei para vos destruir, então, aumentarei a fome sobre vós e vos tirarei o sustento
de pão.
17 Enviarei sobre vós a fome e bestas-feras que te desfilharão; a peste e o sangue passarão
por ti, e trarei a espada sobre ti. Eu, o SENHOR, falei.

3. OS MORTOS DEBAIXO DO ALTAR (AP 6/ EZ 6)

Apocalipse 6,9-11:

9 Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido
mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam.
10 Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e
verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?
11 Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes disseram que
repousassem ainda por pouco tempo, até que também se completasse o número dos seus
conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram.

Ezequiel 6,6-8:

6 Em todos os vossos lugares habitáveis, as cidades serão destruídas, e os altos ficarão


desolados, para que os vossos altares sejam destruídos e arruinados, e os vossos ídolos,
quebrados e extintos, e os vossos altares do incenso sejam eliminados, e desfeitas as vossas
obras.
7 Os mortos à espada cairão no meio de vós, para que saibais que eu sou o SENHOR.
8 Mas deixarei um resto, porquanto alguns de vós escapareis da espada entre as nações,
quando fordes espalhados pelas terras.

4. A IRA DE DEUS (AP 6 / EZ 7)

Apocalipse 6,12-17:

12 Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremoto. O sol se tornou
negro como saco de crina, a lua toda, como sangue,
13 as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte,
deixa cair os seus figos verdes,
14 e o céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então, todos os montes e
ilhas foram movidos do seu lugar.
15 Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e
todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes
16 e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele
que se assenta no trono e da ira do Cordeiro,
17 porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?

Ezequiel 7,6-12:
41

6 Haverá fim, vem o fim, despertou-se contra ti;


7 vem a tua sentença, ó habitante da terra. Vem o tempo; é chegado o dia da turbação, e
não da alegria, sobre os montes.
8 Agora, em breve, derramarei o meu furor sobre ti, cumprirei a minha ira contra ti,
julgar-te-ei segundo os teus caminhos e porei sobre ti todas as tuas abominações.
9 Os meus olhos não te pouparão, nem terei piedade; segundo os teus caminhos, assim te
castigarei, e as tuas abominações estarão no meio de ti. Sabereis que eu, o SENHOR, é
que firo.
10 Eis o dia, eis que vem; brotou a tua sentença, já floresceu a vara, reverdeceu a soberba.
11 Levantou-se a violência para servir de vara perversa; nada restará deles, nem da sua
riqueza, nem dos seus rumores, nem da sua glória.
12 Vem o tempo, é chegado o dia; o que compra não se alegre, e o que vende não se
entristeça; porque a ira ardente está sobre toda a multidão deles.

5. O SELO NA FRONTE DOS SANTOS (AP 7 / EZ 9)

Apocalipse 7,1-4:

1 Depois disto, vi quatro anjos em pé nos quatro cantos da terra, conservando seguros os
quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar,
nem sobre árvore alguma.
2 Vi outro anjo que subia do nascente do sol, tendo o selo do Deus vivo, e clamou em
grande voz aos quatro anjos, aqueles aos quais fora dado fazer dano à terra e ao mar,
3 dizendo: Não danifiqueis nem a terra, nem o mar, nem as árvores, até selarmos na fronte
os servos do nosso Deus.
4 Então, ouvi o número dos que foram selados, que era cento e quarenta e quatro mil, de
todas as tribos dos filhos de Israel:

Ezequiel 9,1-6:

1 Então, ouvi que gritava em alta voz, dizendo: Chegai-vos, vós executores da cidade, cada
um com a sua arma destruidora na mão.
2 Eis que vinham seis homens a caminho da porta superior, que olha para o norte, cada
um com a sua arma esmagadora na mão, e entre eles, certo homem vestido de linho, com
um estojo de escrevedor à cintura; entraram e se puseram junto ao altar de bronze.
3 A glória do Deus de Israel se levantou do querubim sobre o qual estava, indo até à
entrada da casa; e o SENHOR clamou ao homem vestido de linho, que tinha o estojo de
escrevedor à cintura,
4 e lhe disse: Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal
a testa dos homens que suspiram e gemem por causa de todas as abominações que se
cometem no meio dela.
5 Aos outros disse, ouvindo eu: Passai pela cidade após ele; e, sem que os vossos olhos
poupem e sem que vos compadeçais, matai;
6 matai a velhos, a moços e a virgens, a crianças e a mulheres, até exterminá-los; mas a
todo homem que tiver o sinal não vos chegueis; começai pelo meu santuário.
42

6. AS BRASAS DO ALTAR (AP 8 / EZ 10,1-7)

Apocalipse 8,1-5:

1 Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, houve silêncio no céu cerca de meia hora.
2 Então, vi os sete anjos que se acham em pé diante de Deus, e lhes foram dadas sete
trombetas.
3 Veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar, com um incensário de ouro, e foi-lhe dado
muito incenso para oferecê-lo com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que
se acha diante do trono;
4 e da mão do anjo subiu à presença de Deus a fumaça do incenso, com as orações dos
santos.
5 E o anjo tomou o incensário, encheu-o do fogo do altar e o atirou à terra. E houve
trovões, vozes, relâmpagos e terremoto.

Ezequiel 10,1-2:

1 Olhei, e eis que, no firmamento que estava por cima da cabeça dos querubins, apareceu
sobre eles uma como pedra de safira semelhando a forma de um trono.
2 E falou ao homem vestido de linho, dizendo: Vai por entre as rodas, até debaixo dos
querubins, e enche as mãos de brasas acesas dentre os querubins, e espalha-as sobre a
cidade. Ele entrou à minha vista.

7. SEM MAIS NENHUMA DEMORA (AP 10 - EZ 12)

Apocalipse 10,5-7:

5 Então, o anjo que vi em pé sobre o mar e sobre a terra levantou a mão direita para o
céu
6 e jurou por aquele que vive pelos séculos dos séculos, o mesmo que criou o céu, a terra,
o mar e tudo quanto neles existe: Já não haverá demora,
7 mas, nos dias da voz do sétimo anjo, quando ele estiver para tocar a trombeta, cumprir-
se-á, então, o mistério de Deus, segundo ele anunciou aos seus servos, os profetas.

Ezequiel 12,21-25:

21 Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:


22 Filho do homem, que provérbio é esse que vós tendes na terra de Israel: Prolongue-se
o tempo, e não se cumpra a profecia?
23 Portanto, dize-lhes: Assim diz o SENHOR Deus: Farei cessar esse provérbio, e já não
se servirão dele em Israel; mas dize-lhes: Os dias estão próximos e o cumprimento de toda
profecia.
24 Porque já não haverá visão falsa nenhuma, nem adivinhação lisonjeira, no meio da
casa de Israel.
43

25 Porque eu, o SENHOR, falarei, e a palavra que eu falar se cumprirá e não será
retardada; porque, em vossos dias, ó casa rebelde, falarei a palavra e a cumprirei, diz o
SENHOR Deus.

9. O LIVRO SENDO COMIDO (AP 10 / EZ 3)

Apocalipse 10,8-11:

8 A voz que ouvi, vinda do céu, estava de novo falando comigo e dizendo: Vai e toma o
livro que se acha aberto na mão do anjo em pé sobre o mar e sobre a terra.
9 Fui, pois, ao anjo, dizendo-lhe que me desse o livrinho. Ele, então, me falou: Toma-o e
devora-o; certamente, ele será amargo ao teu estômago, mas, na tua boca, doce como mel.
10 Tomei o livrinho da mão do anjo e o devorei, e, na minha boca, era doce como mel;
quando, porém, o comi, o meu estômago ficou amargo.
11 Então, me disseram: É necessário que ainda profetizes a respeito de muitos povos,
nações, línguas e reis.

Ezequiel 3,1-3:

1 Ainda me disse: Filho do homem, come o que achares; come este rolo, vai e fala à casa
de Israel.
2 Então, abri a boca, e ele me deu a comer o rolo.
3 E me disse: Filho do homem, dá de comer ao teu ventre e enche as tuas entranhas deste
rolo que eu te dou. Eu o comi, e na boca me era doce como o mel.

8. A MEDIÇÃO DO TEMPLO (AP 11 / EZ 40)

Apocalipse 11,1-2:

1 Foi-me dado um caniço semelhante a uma vara, e também me foi dito: Dispõe-te e mede
o santuário de Deus, o seu altar e os que naquele adoram;
2 mas deixa de parte o átrio exterior do santuário e não o meças, porque foi ele dado aos
gentios; estes, por quarenta e dois meses, calcarão aos pés a cidade santa.

Ezequiel 40,1-5:

1 No ano vigésimo quinto do nosso exílio, no princípio do ano, no décimo dia do mês,
catorze anos após ter caído a cidade, nesse mesmo dia, veio sobre mim a mão do SENHOR,
e ele me levou para lá.
2 Em visões, Deus me levou à terra de Israel e me pôs sobre um monte muito alto; sobre
este havia um como edifício de cidade, para o lado sul.
3 Ele me levou para lá, e eis um homem cuja aparência era como a do bronze; estava de
pé na porta e tinha na mão um cordel de linho e uma cana de medir.
4 Disse-me o homem: Filho do homem, vê com os próprios olhos, ouve com os próprios
ouvidos; e põe no coração tudo quanto eu te mostrar, porque para isso foste trazido para
aqui; anuncia, pois, à casa de Israel tudo quanto estás vendo.
44

5 Vi um muro exterior que rodeava toda a casa e, na mão do homem, uma cana de medir,
de seis côvados, cada um dos quais media um côvado e quatro dedos. Ele mediu a largura
do edifício, uma cana; e a altura, uma cana...

9. JERUSALÉM E SODOMA (AP 11 / EZ 16)

Apocalipse 11,8:

8 e o seu cadáver ficará estirado na praça da grande cidade que, espiritualmente, se


chama Sodoma e Egito, onde também o seu Senhor foi crucificado.

Ezequiel 16,45-48:

45 Tu és filha de tua mãe, que teve nojo de seu marido e de seus filhos; e tu és irmã de
tuas irmãs, que tiveram nojo de seus maridos e de seus filhos; vossa mãe foi hetéia, e vosso
pai, amorreu.
46 E tua irmã, a maior, é Samaria, que habita à tua esquerda com suas filhas; e a tua
irmã, a menor, que habita à tua mão direita, é Sodoma e suas filhas.
47 Todavia, não só andaste nos seus caminhos, nem só fizeste segundo as suas
abominações; mas, como se isto fora mui pouco, ainda te corrompeste mais do que elas,
em todos os teus caminhos.
48 Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não fez Sodoma, tua irmã, ela e suas
filhas, como tu fizeste, e também tuas filhas.

10. O CÁLICE DA IRA (AP 14 / EZ 23)

Apocalipse 14,7-11:

7 dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu
juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.
8 Seguiu-se outro anjo, o segundo, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia que tem dado
a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição.
9 Seguiu-se a estes outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: Se alguém adora a
besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão,
10 também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da
sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do
Cordeiro.
11 A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum,
nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba
a marca do seu nome.

Ezequiel 23,27-34:

27 Assim, farei cessar em ti a tua luxúria e a tua prostituição, provenientes da terra do


Egito; não levantarás os olhos para eles e já não te lembrarás do Egito.
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28 Porque assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu te entregarei nas mãos daqueles a quem
aborreces, nas mãos daqueles que, enojada, tu deixaste.
29 Eles te tratarão com ódio, e levarão todo o fruto do teu trabalho, e te deixarão nua e
despida; descobrir-se-á a vergonha da tua prostituição, a tua luxúria e as tuas
devassidões.
30 Estas coisas se te farão, porque te prostituíste com os gentios e te contaminaste com
os seus ídolos.
31 Andaste no caminho de tua irmã; por isso, entregarei o seu copo na tua mão.
32 Assim diz o SENHOR Deus: Beberás o copo de tua irmã, fundo e largo; servirás de
riso e escárnio; pois nele cabe muito.
33 Encher-te-ás de embriaguez e de dor; o copo de tua irmã Samaria é copo de espanto e
de desolação.
34 Tu o beberás, e esgotá-lo-ás, e lhe roerás os cacos, e te rasgarás os peitos, pois eu o
falei, diz o SENHOR Deus.

13. A VINHA DA TERRA (AP 14 / EZ 15)

Apocalipse 14,18-20:

18 Saiu ainda do altar outro anjo, aquele que tem autoridade sobre o fogo, e falou em
grande voz ao que tinha a foice afiada, dizendo: Toma a tua foice afiada e ajunta os cachos
da videira da terra, porquanto as suas uvas estão amadurecidas!
19 Então, o anjo passou a sua foice na terra, e vindimou a videira da terra, e lançou-a no
grande lagar da cólera de Deus.
20 E o lagar foi pisado fora da cidade, e correu sangue do lagar até aos freios dos cavalos,
numa extensão de mil e seiscentos estádios.

Ezequiel 15,1-7:

1 Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:


2 Filho do homem, por que mais é o sarmento de videira que qualquer outro, o sarmento
que está entre as árvores do bosque?
3 Toma-se dele madeira para fazer alguma obra? Ou toma-se dele alguma estaca, para
que se lhe pendure algum objeto?
4 Eis que é lançado no fogo, para ser consumido; se ambas as suas extremidades consome
o fogo, e o meio dele fica também queimado, serviria, acaso, para alguma obra?
5 Ora, se, estando inteiro, não servia para obra alguma, quanto menos sendo consumido
pelo fogo ou sendo queimado, se faria dele qualquer obra?
6 Portanto, assim diz o SENHOR Deus: Como o sarmento da videira entre as árvores do
bosque, que dei ao fogo para que seja consumido, assim entregarei os habitantes de
Jerusalém.
7 Voltarei o rosto contra eles; ainda que saiam do fogo, o fogo os consumirá; e sabereis
que eu sou o SENHOR, quando tiver voltado o rosto contra eles.

14. A GRANDE PROSTITUTA (AP 17 – EZ 16)


46

Apocalipse 17,1-6, 14-18:

1 Veio um dos sete anjos que têm as sete taças e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-
ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas,
2 com quem se prostituíram os reis da terra; e, com o vinho de sua devassidão, foi que se
embebedaram os que habitam na terra.
3 Transportou-me o anjo, em espírito, a um deserto e vi uma mulher montada numa besta
escarlate, besta repleta de nomes de blasfêmia, com sete cabeças e dez chifres.
4 Achava-se a mulher vestida de púrpura e de escarlata, adornada de ouro, de pedras
preciosas e de pérolas, tendo na mão um cálice de ouro transbordante de abominações e
com as imundícias da sua prostituição.
5 Na sua fronte, achava-se escrito um nome, um mistério: BABILÔNIA, A GRANDE, A
MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA.
6 Então, vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas
de Jesus; e, quando a vi, admirei-me com grande espanto.

14 Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores
e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele.
15 Falou-me ainda: As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são povos,
multidões, nações e línguas.
16 Os dez chifres que viste e a besta, esses odiarão a meretriz, e a farão devastada e
despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão no fogo.
17 Porque em seu coração incutiu Deus que realizem o seu pensamento, o executem à
uma e dêem à besta o reino que possuem, até que se cumpram as palavras de Deus.
18 A mulher que viste é a grande cidade que domina sobre os reis da terra (Jerusalém).

Ezequiel 23,36-49:

36 Disse-me ainda o SENHOR: Filho do homem, julgarás tu a Oolá e a Oolibá? Declara-


lhes, pois, as suas abominações.
37 Porque adulteraram, e nas suas mãos há culpa de sangue; com seus ídolos
adulteraram, e até os seus filhos, que me geraram, ofereceram a eles para serem
consumidos pelo fogo.
38 Ainda isto me fizeram: no mesmo dia contaminaram o meu santuário e profanaram os
meus sábados.
39 Pois, havendo sacrificado seus filhos aos ídolos, vieram, no mesmo dia, ao meu
santuário para o profanarem; e assim o fizeram no meio da minha casa.
40 E mais ainda: mandaram vir uns homens de longe; fora-lhes enviado um mensageiro,
e eis que vieram; por amor deles, te banhaste, coloriste os olhos e te ornaste de enfeites;
41 e te assentaste num suntuoso leito, diante do qual se achava mesa preparada, sobre
que puseste o meu incenso e o meu óleo.
42 Com ela se ouvia a voz de muita gente que folgava; com homens de classe baixa foram
trazidos do deserto uns bêbados, que puseram braceletes nas mãos delas e, na cabeça,
coroas formosas.
43 Então, disse eu da envelhecida em adultérios: continuará ela em suas prostituições?
47

44 E passaram a estar com ela, como quem frequenta a uma prostituta; assim, passaram
a frequentar a Oolá e a Oolibá, mulheres depravadas,
45 de maneira que homens justos as julgarão como se julgam as adúlteras e as
sanguinárias; porque são adúlteras, e, nas suas mãos, há culpa de sangue.
46 Pois assim diz o SENHOR Deus: Farei subir contra elas grande multidão e as
entregarei ao tumulto e ao saque.
47 A multidão as apedrejará e as golpeará com as suas espadas; a seus filhos e suas filhas
matarão e as suas casas queimarão.
48 Assim, farei cessar a luxúria da terra, para que se escarmentem todas as mulheres e
não façam segundo a luxúria delas.
49 O castigo da vossa luxúria recairá sobre vós, e levareis os pecados dos vossos ídolos;
e sabereis que eu sou o SENHOR Deus.

15. O LAMENTO SOBRE A CIDADE (AP 18 / EZ 27)

Apocalipse 18,1-10: (neste capítulo João se refere a Jerusalém e Ezequiel a Tiro)

1 Depois destas coisas, vi descer do céu outro anjo, que tinha grande autoridade, e a terra
se iluminou com a sua glória.
2 Então, exclamou com potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou
morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero
de ave imunda e detestável,
3 pois todas as nações têm bebido do vinho do furor da sua prostituição. Com ela se
prostituíram os reis da terra. Também os mercadores da terra se enriqueceram à custa da
sua luxúria.
4 Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices
em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos;
5 porque os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou dos atos iníquos
que ela praticou.
6 Dai-lhe em retribuição como também ela retribuiu, pagai-lhe em dobro segundo as suas
obras e, no cálice em que ela misturou bebidas, misturai dobrado para ela.
7 O quanto a si mesma se glorificou e viveu em luxúria, dai-lhe em igual medida tormento
e pranto, porque diz consigo mesma: Estou sentada como rainha. Viúva, não sou. Pranto,
nunca hei de ver!
8 Por isso, em um só dia, sobrevirão os seus flagelos: morte, pranto e fome; e será
consumida no fogo, porque poderoso é o Senhor Deus, que a julgou.
9 Ora, chorarão e se lamentarão sobre ela os reis da terra, que com ela se prostituíram e
viveram em luxúria, quando virem a fumaceira do seu incêndio,
10 e, conservando-se de longe, pelo medo do seu tormento, dizem: Ai! Ai! Tu, grande
cidade, Babilônia, tu, poderosa cidade! Pois, em uma só hora, chegou o teu juízo.

Ezequiel 27,25-32:

25 Os navios de Társis eram as tuas caravanas para as tuas mercadorias; e te enriqueceste


e ficaste mui famosa no coração dos mares.
48

26 Os teus remeiros te conduziram sobre grandes águas; o vento oriental te quebrou no


coração dos mares.
27 As tuas riquezas, as tuas mercadorias, os teus bens, os teus marinheiros, os teus pilotos,
os calafates, os que faziam os teus negócios e todos os teus soldados que estão em ti,
juntamente com toda a multidão do povo que está no meio de ti, se afundarão no coração
dos mares no dia da tua ruína.
28 Ao estrondo da gritaria dos teus pilotos, tremerão as praias.
29 Todos os que pegam no remo, os marinheiros, e todos os pilotos do mar descerão de
seus navios e pararão em terra;
30 farão ouvir a sua voz sobre ti e gritarão amargamente; lançarão pó sobre a cabeça e
na cinza se revolverão;
31 far-se-ão calvos por tua causa, cingir-se-ão de pano de saco e chorarão sobre ti, com
amargura de alma, com amargura e lamentação.
32 Levantarão lamentações sobre ti no seu pranto, lamentarão sobre ti, dizendo: Quem
foi como Tiro, como a que está reduzida ao silêncio no meio do mar?

16. O BANQUETE DAS AVES (AP 19 / EZ 39)

Apocalipse 19,17-21:

17 Então, vi um anjo posto em pé no sol, e clamou com grande voz, falando a todas as
aves que voam pelo meio do céu: Vinde, reuni-vos para a grande ceia de Deus,
18 para que comais carnes de reis, carnes de comandantes, carnes de poderosos, carnes
de cavalos e seus cavaleiros, carnes de todos, quer livres, quer escravos, tanto pequenos
como grandes.
19 E vi a besta e os reis da terra, com os seus exércitos, congregados para pelejarem
contra aquele que estava montado no cavalo e contra o seu exército.
20 Mas a besta foi aprisionada, e com ela o falso profeta que, com os sinais feitos diante
dela, seduziu aqueles que receberam a marca da besta e eram os adoradores da sua
imagem. Os dois foram lançados vivos dentro do lago de fogo que arde com enxofre.
21 Os restantes foram mortos com a espada que saía da boca daquele que estava montado
no cavalo. E todas as aves se fartaram das suas carnes.

Ezequiel 39,17-20:

17 Tu, pois, ó filho do homem, assim diz o SENHOR Deus: Dize às aves de toda espécie e
a todos os animais do campo: Ajuntai-vos e vinde, ajuntai-vos de toda parte para o meu
sacrifício, que eu oferecerei por vós, sacrifício grande nos montes de Israel; e comereis
carne e bebereis sangue.
18 Comereis a carne dos poderosos e bebereis o sangue dos príncipes da terra, dos
carneiros, dos cordeiros, dos bodes e dos novilhos, todos engordados em Basã.
19 Do meu sacrifício, que oferecerei por vós, comereis a gordura até vos fartardes e
bebereis o sangue até vos embriagardes.
20 À minha mesa, vós vos fartareis de cavalos e de cavaleiros, de valentes e de todos os
homens de guerra, diz o SENHOR Deus.
49

17. A PRIMEIRA RESSURREIÇÃO (AP 20 / EZ 37)

Apocalipse 20,4-6:

4 Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar.
Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa
da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem,
e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante
mil anos.
5 Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a
primeira ressurreição.
6 Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a
segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo
e reinarão com ele os mil anos.

Ezequiel 37,1-14:

1 Veio sobre mim a mão do SENHOR; ele me levou pelo Espírito do SENHOR e me deixou
no meio de um vale que estava cheio de ossos,
2 e me fez andar ao redor deles; eram mui numerosos na superfície do vale e estavam
sequíssimos.
3 Então, me perguntou: Filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos? Respondi:
SENHOR Deus, tu o sabes.
4 Disse-me ele: Profetiza a estes ossos e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do
SENHOR.
5 Assim diz o SENHOR Deus a estes ossos: Eis que farei entrar o espírito em vós, e
vivereis.
6 Porei tendões sobre vós, farei crescer carne sobre vós, sobre vós estenderei pele e porei
em vós o espírito, e vivereis. E sabereis que eu sou o SENHOR.
7 Então, profetizei segundo me fora ordenado; enquanto eu profetizava, houve um ruído,
um barulho de ossos que batiam contra ossos e se ajuntavam, cada osso ao seu osso.
8 Olhei, e eis que havia tendões sobre eles, e cresceram as carnes, e se estendeu a pele
sobre eles; mas não havia neles o espírito.
9 Então, ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize-lhe: Assim
diz o SENHOR Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para
que vivam.
10 Profetizei como ele me ordenara, e o espírito entrou neles, e viveram e se puseram em
pé, um exército sobremodo numeroso.
11 Então, me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem:
Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; estamos de todo exterminados.
12 Portanto, profetiza e dize-lhes: Assim diz o SENHOR Deus: Eis que abrirei a vossa
sepultura, e vos farei sair dela, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel.
50

13 Sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu abrir a vossa sepultura e vos fizer sair
dela, ó povo meu.
14 Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos estabelecerei na vossa própria terra.
Então, sabereis que eu, o SENHOR, disse isto e o fiz, diz o SENHOR.

18. A BATALHA COM GOGUE E MAGOGUE (AP 20 - EZ 38)

Apocalipse 20,7-9:

7 Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão
8 e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim
de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar.
9 Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a
cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu.

Ezequiel 38,1-7:

1 Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:


2 Filho do homem, volve o rosto contra Gogue, da terra de Magogue, príncipe de Rôs, de
Meseque e Tubal; profetiza contra ele
3 e dize: Assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe de Rôs,
de Meseque e Tubal.
4 Far-te-ei que te volvas, porei anzóis no teu queixo e te levarei a ti e todo o teu exército,
cavalos e cavaleiros, todos vestidos de armamento completo, grande multidão, com pavês
e escudo, empunhando todos a espada;
5 persas e etíopes e Pute com eles, todos com escudo e capacete;
6 Gômer e todas as suas tropas; a casa de Togarma, do lado do Norte, e todas as suas
tropas, muitos povos contigo.
7 Prepara-te, sim, dispõe-te, tu e toda a multidão do teu povo que se reuniu a ti, e serve-
lhe de guarda.

19. A NOVA JERUSALÉM (AP 21 / EZ 40 )

Apocalipse 21,1-6:

1 Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já
não existe.
2 Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus,
ataviada como noiva adornada para o seu esposo.
3 Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os
homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com
eles.
4 E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto,
nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.
5 E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E
acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.
51

6 Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a
quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida.
os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro.

Ezequiel 43,1-9:

1 Então, o homem me levou à porta, à porta que olha para o oriente.


2 E eis que, do caminho do oriente, vinha a glória do Deus de Israel; a sua voz era como
o ruído de muitas águas, e a terra resplandeceu por causa da sua glória.
3 O aspecto da visão que tive era como o da visão que eu tivera, quando vim destruir a
cidade; e eram as visões como a que tive junto ao rio Quebar; e me prostrei, rosto em
terra.
4 A glória do SENHOR entrou no templo pela porta que olha para o oriente.
5 O Espírito me levantou e me levou ao átrio interior; e eis que a glória do SENHOR
enchia o templo.
6 Então, ouvi uma voz que me foi dirigida do interior do templo, e o homem se pôs de pé
junto a mim, e o SENHOR me disse:
7 Filho do homem, este é o lugar do meu trono, e o lugar das plantas dos meus pés, onde
habitarei no meio dos filhos de Israel para sempre; os da casa de Israel não contaminarão
mais o meu nome santo, nem eles nem os seus reis, com as suas prostituições e com o
cadáver dos seus reis, nos seus monumentos,
8 pondo o seu limiar junto ao meu limiar e a sua ombreira, junto à minha ombreira, e
havendo uma parede entre mim e eles. Contaminaram o meu santo nome com as suas
abominações que faziam; por isso, eu os consumi na minha ira.
9 Agora, lancem eles para longe de mim a sua prostituição e o cadáver dos seus reis, e
habitarei no meio deles para sempre.

20. O RIO DA VIDA (AP 22 / EZ 47)

Apocalipse 22,1-2:

1 Então, me mostrou o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de
Deus e do Cordeiro.
2 No meio da sua praça, de uma e outra margem do rio, está a árvore da vida, que produz
doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a cura dos
povos.

Ezequiel 47,3-9:

3 Saiu aquele homem para o oriente, tendo na mão um cordel de medir; mediu mil côvados
e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos tornozelos.
4 Mediu mais mil e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos joelhos; mediu
mais mil e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos lombos.
5 Mediu ainda outros mil, e era já um rio que eu não podia atravessar, porque as águas
tinham crescido, águas que se deviam passar a nado, rio pelo qual não se podia passar.
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6 E me disse: Viste isto, filho do homem? Então, me levou e me tornou a trazer à margem
do rio.
7 Tendo eu voltado, eis que à margem do rio havia grande abundância de árvores, de um
e de outro lado.
8 Então, me disse: Estas águas saem para a região oriental, e descem à campina, e entram
no mar Morto, cujas águas ficarão saudáveis.
9 Toda criatura vivente que vive em enxames viverá por onde quer que passe este rio, e
haverá muitíssimo peixe, e, aonde chegarem estas águas, tornarão saudáveis as do mar, e
tudo viverá por onde quer que passe este rio.

Todavia, a despeito do paralelismo entre os dois livros, essa identificação de estrutura,


conforme acima, implica somente em uma relação literária, mas uma relação de
semelhança e não de empréstimo. Obviamente o apóstolo João deveria conhecer os livros
do Velho Testamento, mas relacioná-los em forma de empréstimo ou repetição é diminuir
sobremaneira o valor da revelação recebida pelo apóstolo.

Apocalipse 1,1-2: Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus
servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu
anjo, notificou ao seu servo João, o qual atestou a palavra de Deus e o testemunho de
Jesus Cristo, quanto a tudo o que viu.

Esta semelhança deve ser vista como reforço das profecias recebidas de forma totalmente
independente em tempos muito diferentes, pois, uma característica básica das profecias é
exatamente a revelação de fatos previstos, várias profecias referentes aos mesmos fatos,
uma vez provindas de Deus, somente podem ser em extremo semelhantes, ou mesmo
iguais, pois a Palavra da Profecia é uma comunicação do Espírito a respeito da realização
de fatos determinados na eternidade que irão ocorrer ao longo do tempo.

Como já foi dito acima, vemos esta semelhança como um reforço nas profecias recebidas
pelo profeta e pelo apóstolo.

Quanto ao caráter lecionário das profecias, principalmente de forma extensiva aos


evangelhos, não pode ser considerado, pois o fato dos livros serem lidos nos cultos não
implica, nem sequer sugere, que tenham sido escritos com esta finalidade. Obviamente,
todos os evangelistas e apóstolos que escreveram tinham a expectativa que seus livros
seriam lidos nos cultos, o que não significa que se preocupavam com a métrica dos livros
para esta destinação.

Apocalipse 1,3: Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da
profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo.

Mesmo os salmos, que foram compostos com esta finalidade litúrgica perderam ao longo
do tempo esta característica; uma vez completo o Cânon da bíblia todas as finalidades
secundárias se foram, restando somente a Palavra, exclusivamente como tal. Se existisse
uma finalidade métrica ou lecionária em livros bíblicos, seria lógico e justo que os salmos
53

devessem ser preservados com seu caráter litúrgico como era a princípio, o que não
aconteceu.

Trata-se apenas de mais uma tentativa de interpretação da Palavra conforme o ponto de


vista do humanismo, atribuindo à igreja local uma importância e finalidade que será
totalmente desfeita no final dos tempos, conforme estas mesmas profecias, como já
podemos observar claramente nos dias atuais. Desta forma, é inviável que as profecias
fossem dedicadas ao culto local, mas o caráter da profecia é eterno, é a própria profecia.

A revelação profética é a Palavra inspirada de Deus, dentro desta ótica é lógico que ela seja
interpretada conforme valores que não irão se deteriorar ao longo do tempo, seja este tempo
qual for. Assim sendo, a profecia, ou a Escritura, é a Palavra de Deus destinada à salvação
dos eleitos e condenação dos réprobos em todos os tempos da história.

Pensar mais do que isto é deturpar as profecias e a própria Escritura em detrimento de uma
interpretação humanística onde a igreja local e não a Palavra será a responsável pela
salvação dos seus crentes, ou de seus “fiéis”, ao longo do tempo.