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Q-carné dourado & wo lvro que a gente nao deve deixa delet. ‘Uma substancial contibuigio de Doris Lesing a0 “romance da comunismo”, a que se referia Sartre. E que afimal,talver precise Ser um conjunto de romances. AS CIENCIAS EO CIENTIFICISMO A Patrice Lins Sioa Quaxc rove puvrDan da forgs das eigncis? ( conhecimento cientfico tem se desenvolvdo cnormement; As citncias tm demonstrado de maneiea irrefutivel 0 poder de ‘que ispem, ‘Hino século 19,0 atrénomo inglés John Couch Adams ¢ 0 ascrinomo francés Urbain Le Verrier estudaram os movimentos cdo planeta Urano, chegaram 3 conclusio de que certs aspectos squistes da debita daquele planeta s6 poderiam ser explicados em decorréncia de outro planeta, que estaria exercendo cera in- Aluéncia sobre o seu deslocamento no espago. Caleularam eno 2 ‘tba ea posgio em que veri se achat o planeta desconhecido, procuraram-no com um telescépio e logo deram com ele: era 0 planeta Netuno, Hoje, os aserinomos podem utilizar telescépios muito mais aperfeigoados que o dos descobridores de Netuno, E 0s novos ricroscdpis eletrnicos permitem aos centstasenxerga cosas {que antes nunca tinham sido vistas. 1m 2 ajuda dos computadores ¢ de uma nova ciéncia— a cibernetica ~ estio sendo lancados satditesartifcias efoguctes ‘que inauguram aera da navegago interplaneri, As ciéncas invadem o nosso cotidiano,transforman-no, Os ores ea tlevisiocriaram novos habit. Osantibidticos ea peniciina mudaram a nossa maneita de enfentar certs doco. Tntervengoes ciningias que antigamente ram ariscadas dolor. sisimas passaram a sr feta com anestesia ¢ com maior margem de seguranga. A aspirin livia nossas dores de eabesa Nao € necesiro alongarmos esa lisa de exemplos. Podemos dar por estabelecio ofato de que os conhcimentoslaboriosamen- ‘eadquitides peas cicia tm contribuido,decsivamente, para amenizar alguns dos aspects mais duro da exstncia humana, As cigncias avangam, com imenso esforgo, através de mil Perealgos e fadigas. O avango deas io € autométicoe exige um investimento cada vez maior. John D. Bernal diz que em 1896 130 hava no mundo intiro mais de 50 mil pessoas tabalhando em aividades cenificas; em 1960, ese nimero ji tinha subido para cerca de 3 mills. um investimento que vale pena. A cada passo que os homens conseguem dar na dirego de um dominio mato da relilde em que vvem, definem se nova psbilidades para ssvoengrandceimeno da bu As corns de pensmento cao que, ao longo da hitra kém atcado a inca ou tm despre oconhecinea es tfc sso cm geral obscuratistnpolticamenteretreaday¢ socialmenteeacioniras dade, (Os inimigos da ciéncia castamam ser, no Fundo, elitiua:sio ‘edricos que defendem uma teria do conhecimento seundo a qual eterminadas pessoas so capazes de uma percep excepcinal (ta ‘és de uma intuiio forte ou de uma ‘ikainagio}) que Ihe pemite compre mediaement coisas que o coma dos moras preci investiga a vidainera de fo, quase nunca chega aeonhecer E claro que a sensbilidade das pessoas pode vaiar bastante que umassio mais perspcares que as outras. Mas nao se pode estabelecer como crtério que a cosas percebidas através da sensi- bilidade deve dd alcance das ciéncias. © que gente'saca’intuiivamente precisa ct stadas acima da investigagio cient, fora te depos corprond Mex dos cohecincine ent faci sarc eas cet Wa eed cp as mba on desea, porque pars cas ns est Tether dn ance de mera mane todo mundo, Por cnt aha om ends coe ch she sal nada’. A forga dos manidade subjugada a un preconccitos © da ignorincia 56 é tio grande porque hi gente «que tira vartagem dels, Quando falamos das cincias, portanto, devernos ter muito ceuidado para ndo as desmerecermos, Devemos deixar claro 0 oso aprego por elas, para ndo cortermos 0 rsco de fazer 0 jogo de seus inimigos Isso, contudo, no nos obrga a engoirpassivamente uma ideo éncias para nos impingie uma concep superficial enganadora do mune: o cientfciona legia que se serve do prestigio das. ‘Aparentemente, 0 cientifcismo se baseia no entusiasmo plas cléncias, num excesto de admiragio pela atividade cienifica, Na realidade, porém, ele se apoia num mal-entendido em relagio vordadcica nature dea Cada cgnci, para obterconhecimentos rgorosos,€pressona- ddan sentido de delimitar o seu campo especifico de trabalho; & forgada a investgae apenas uma parte da realidade, Esa delinyita. ‘lo €necessiria, mas 0 mesmo tempo & um tant provséria, sore cde certaprecariedade, pos os problemas de cada parte acabam se aando em algum ponto com problemas de ouras partes do conjunto da realidade. (real, em seu conjunto,€inintamente ic; sua vast tor tna impossvel a abordagem de seus problemas por uma cael: € dessa impossbildade resulta ofato de tas problemas serem objeto da especulagi flosdfia, (© ientifcismo, no entanto, nega implictamente validade & Filosofia fore a Fuso de todas as ciéncias num se vago, mitico, initulado a Ciencia (com atigodefinido singular iniil em letra rmaiiscula). A essa deidade cabe a tarefa de egotaro essencil dt realidade (ou falar como se jo tvesseesgotado), modo, 0 higar de Deus, passa ser objeto de fc culto,éeigida em juiz supremo, situado acima e além da histria. Os sacendotes da nova teligido emitem vereictos inapeliveis em nome do novo Deus, discorrem sobre as coisas ‘como se fossem donas da verdad. guns sacerdotes, mais flexives, mais politicos, procuram disfargara arrognciae propdem habilmente um pacto a “wadicional Essa Ciéncia ocupa, de ce rcligioes tudo aquilo que pode ser conbecido fica posto sob 0 dominio da Ciéncia a passo que oincognoscivel seria deixado A Fancasia reigiosa,submetido aos dogoase revelaies, Esse acondo entre ocientificismo eas religibesassumidas tem fuancionado de mancita ura tanto preci, que no eonsegue st formulado com preciso eno chega a insprar confianga as partes ‘comtratantes. Na realidade, ninguém pode separa com iden 0 ‘que €incognoscvele © que pode, afinal, ve a ser conhecido. Na frontcira~ sempre mével~do conhecimento em expansio, possivelfazermos uma avaliag do que as cgncias vio controlar aman’ e do que vai escapar ao controle delas O cientifcismo impée a demarcacio de uma zona ‘segues’ de conhecimentos sélidos, definivivamente adquirdos ovde- nnados, ¢ 6 admite que haja ‘insegura " a nas dreas da expe- rigncia humana que ficam entregues i religides, A'segutanga’ dlos conhecimentos cientificos, porém, ¢ relaiva: quando 0 cconhecimento se amplia, quando novos conhecimentos sio alcangados, cles nem sempre se acrescentam tranguilamente 408 antigos. O conhecimento nso se en acréscimo de informagées: hi momentos crticos nos quais um ‘novo conhecimento, 20 ser adquirido, exige uma correct, um srgica teorganizacio daquilo que os homens achavam que jd sabiam. Durante muitos séculos, os ciemtistas acreditaram com firme conviegio que a Terra era 0 centro do universe. Copémico, 29 descobrir que a Terra girava em torno do Sol, no se limitow a acrescentar mais um dado ao patriménio dos conhecimentos ientificos: provocos uma enorme crise, uc exigit revise & a superagio de concepgies que eram consideradas absoluramente “segura. ‘Os cienistas mais prudentes sabem que, de repente, podem Vira ser obrigados a questionar dramaticamente suas convicgbes: cles tém conscigncia de que nao é possvel liminar completamente a “inseguranca’ do préprio campo que cada ciéncia se empenha fem dominar. Por isso, cles sio sensieis 3 argumentagio dialog, aque Ihes eecomenda 0 cultivo de certa modéaia metodolgica, recusando a ilusdes do cientifcismo, aconselhando as ciéncas a iquece pelo mero reconhecerem seus "Nas cigncias humans, essa modéstia metodoligica ainda & indo que nas cineias naturals, porque, no exame sda atividade dos seres humanos, a descoberta de novas dimensées (inédicas) da realidade & uma descoberca mais frequente do que no exame dos ferimenos da nacuteza ‘Os homens so sees crativas, desconcertanes, esto sempre smodificando a situago existemte; por sso, quando os observamos « procuramos compreendé-los, é mais ficil perceber que arealida- de 6, em si mesma, dinimica e contaditia, inesgotdvel em sua Fiqueaa empleica.