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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

SETOR DE TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

AVALIAÇÃO PRÉVIA DE VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA PARA IMPLANTAÇÃO DE AHE (APROVEITAMENTO HIDRELÉTRICO)

CURITIBA

2012

GUILHERME JOSE DALZOTTO

AVALIAÇÃO PRÉVIA DE VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA PARA IMPLANTAÇÃO DE AHE (APROVEITAMENTO HIDRELÉTRICO)

Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial à obtenção do grau de Graduado em Engenharia Elétrica, Departamento de Engenharia Elétrica, Setor de Tecnologia, Universidade Federal do Paraná.

Orientadora:

Prof. a Dr. a Thelma Solange Piazza Fernandes

CURITIBA

2012

RESUMO

O país é um dos maiores produtores de energia hidro-elétrica do mundo. Contudo, esse modelo de geração hidráulica está mudando devido a vários fatores ambientais, econômicos e outros.

Devido a estes fatores, a legislação em relação ao setor elétrico, está incentivando o aproveitamento de pequenas fontes de geração de energia elétrica, que podem ser a solução para o rápido abastecimento das cidades, com liberações ambientais mais ágeis, custos reduzidos e menores tempos para suas implantações.

Dentre os diversos tipos de pequenos aproveitamentos hidro-elétricos (micro centrais hidrelétricas, mini centrais hidrelétricas e pequenas centrais hidrelétricas), este trabalho foca nas mini centrais hidrelétricas, tendo como objetivo a apresentação das principais obras civis e os principais componentes eletromecânicos para a construção de uma mini-usina no Rio das Pedras, região de Guarapuava.

Palavras-chave: Mini Central Hidrelétrica, Viabilidade, Energia Elétrica.

SUBJECTS

The country is one of the largest hydroelectric Power producer in the world. However, this model of hydraulic generation is changing due to various environmental, economic and other.

Due to these factors, the legislation in relation to the electricity sector, is encouraging the use of small sources of electricity generation, which may be the solution for the rapid supply of cities, with environmental releases more agile, reduced costs and shorter times for their deployments.

Among the various types of small hydroelectric developments (micro hydropower plants, mini hydro and small hydro), this work focuses on minis hydroelectric plants, having as main objective the presentation of the main civil works and electromechanical components for the construction of a mini-mill in Rio das Pedras, Guarapuava region.

Keywords: Mini hydropower plant, Feasibility, Energy.

Dedico este trabalho aos meus familiares que sempre estiveram presentes, apoiaram e acreditaram no meu sucesso

AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar agradeço a Deus por ter me escolhido, orientado e por ter me dado força e sabedoria para esta caminhada.

Aos meus pais Jose Antônio Dalzotto e Daise Maritza Martins Dalzotto, pela dedicação e cuidado, valores e exemplos que mostraram em toda a minha existência.

À minha irmã Danielle que com sua paciência e apoio esteve ao meu lado todo este tempo.

Ao meu grande amor Gabriela que apesar da distância esteve presente nos principais momentos.

A todos os amigos que eu conquistei durante esta jornada e que sempre estiveram juntos.

Agradeço à minha orientadora Profª Drª. Thelma por todo o tempo dedicado em me ajudar.

Ao Sr. Eng. Carlos Witchmichen Iurk por sua pronta colaboração e incentivo na conclusão deste trabalho.

LISTA DE SIGLAS

ABNT

Associação Brasileira de Normas Técnicas

 

ABRANGEL

Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa

 

AHE

Aproveitamento Hidroelétrico

 

ANA

Agência Nacional de Águas

ANEEL

Agência Nacional de Energia Elétrica

BEN

Balanço Energético Nacional

BNDES

Banco Nacional do Desenvolvimento

CCEE

Câmara de Comercialização de Energia Elétrica

 

CERPCH

Centro

Nacional

de

Referência

em

Pequenas

Centrais

Hidrelétricas

 

CIGRÉ

International Council on Large Eletric Systems

 

CNAEE

Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica

COD

Centro de Operação da COPEL

 

COPEL

Companhia Paranaense de Energia

DNAEE

Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica

 

ELETROBRÁS

Centrais Elétricas Brasileiras S.A.

 

EPE

Empresa de Pesquisa Energética

GCH

Grande Central Hidrelétrica

GD

Geração Distribuída

GLP

Gás Liquefeito Pressurizado

IAP

Instituto Ambiental do Paraná

INEE

Instituto Nacional de Eficiência Energética

µCH

Micro Central Hidrelétrica

mCH

Mini Central Hidrelétricas

MCH

Média Central Hidrelétrica

MME

Ministério de Minas e Energia

MRE

Contabilização do Mecanismo de Realocação de Energia

NTC

Normas Técnicas Copel

PCH

Pequena Central Hidrelétrica

SAC

Sistema de Amortização Constante

SIN

Sistema Interligado Nacional

SNIRH

Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos

SUDHERSA

Superintendência de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental

TMA

Taxa Mínima de Atratividade

TJLP

Taxa de Juros de Longo Prazo

VPL

Valor Presente Líquido

LISTA DE TABELAS

Tabela 4-1: Classificação de Centrais Hidrelétricas. Fonte: (CERPCH)

12

Tabela 4-2: Velocidade de rotação em função do número de pares de

39

Tabela 6-1: Dados sobre o posto

42

Tabela 6-2: Vazões médias mensais (m 3 /s) de 1989 à 1994. Fonte:

43

Tabela 6-3: Vazões médias mensais (m 3 /s) de 1995 à 2000. Fonte:

43

Tabela 6-4: Vazões médias mensais (m 3 /s) de 2001 à 2005. Fonte:

44

Tabela 6-5: Vazões médias mensais (m 3 /s) de 2006 à 2010. Fonte:

44

Tabela 6-6: Valores da curva de permanência

49

Tabela 7-1: Cálculo da energia gerada para a mini central

56

Tabela 7-2: Cálculo da nova energia gerada na mini central

57

Tabela 8-1: Resumo da turbina hidráulica

62

Tabela 8-2: Resumo do gerador

65

Tabela 8-3: Resumo do transformador de

67

Tabela 9-1: Níveis de Tensão Eficaz em regime permanente. Fonte: (COPEL, 2010).

72

Tabela 9-2: Tipos de conexões permitidas em função da potência de geração. Fonte:

(COPEL, 2010)

Tabela 10-1: Custo percentuais médios para mini usina hidrelétrica. Fonte: (MME,

74

2008)

81

Tabela 10-2: Custo de implantação da mini usina

83

Tabela I-1: Demonstração de

93

Tabela I-2: Demonstração de Resultados

94

Tabela II-1: Demonstração de

95

Tabela II-2: Demonstração de Resultados

96

Tabela III-1: Demonstração

de

97

Tabela III-2: Demonstração de Resultados

98

LISTA DE FIGURAS

Figura 4-1: Oferta interna de Energia Elétrica por fonte - 2010. Fonte: (MME, 2011).

 

10

Figura 4-2: Barragem de Concreto. Fonte:

14

Figura 4-3: Barragem Hoover. Fonte: (Engenharia

15

Figura 4-4: Barragem Itaipu. Fonte: (Engenharia e Construção)

16

Figura 4-5: Barragem de Terra. Fonte;

18

Figura 4-6: Barragem de Enrocamento. Fonte: (ELETROBRAS)

19

Figura 4-7: Vertedouro com extravasamento lateral. Fonte: (MME, 1985)

20

Figura 4-8: Corte A-A da Figura 4-7. Fonte: (MME,

20

Figura 4-9: Barragem vertedoura tipo 1, vista lateral e vista frontal. Fonte: (MME,

 

21

Figura 4-10: Barragem vertedoura tipo 2. Mini central hidrelétrica Ceriluz

22

Figura 4-11: Barragem vertedoura tipo 3. Fonte: (MME, 1985)

22

Figura 4-12: Planta típica de tomada d'água acoplada à tubulação forçada. 1 -

Ranhura para descida de pranchões, 2 - Comporta para limpeza, 3 Ranhura para

descida de comporta ou pranchões. Fonte (MME, 1985)

Figura 4-13: Seção longitudinal da câmara de carga. 1 - Canal de adução, 2 Transição, 3 Grade, 4 Viga de apoio da grade e 5 Ranhura para descida de

23

comporta ou pranchões. Fonte: (MME,

25

Figura 4-14: Chaminé de Equilíbrio. Fonte: (MME,

26

Figura 4-15: Corte tranversal de uma turbina Pelton com seis jatos. Fonte:

(CERPCH)

30

Figura 4-16: Vista superior as conchas da turbina Pelton. Fonte: (MME,

30

Figura 4-17: Francis caixa aberta (eixo horizontal). Fonte: (MME, 1985)

32

Figura 4-18: Francis caixa aberta (eixo vertical). Fonte: (MME,

32

Figura 4-19: Francis com caixa espiral. Fonte: (Caldeiraria

33

Figura 4-20: Turbina tipo Hélice - eixo vertical com caixa aberta.Fonte: (MME, 1985).

Figura 4-21: Turbina Kaplan. Fonte: (HACKER,

34

Figura 4-22: Turbina bulbo, da Escher Wyss. Vista do o rotor, do bulbo e de parte do

tubo de saída de água

Figura 4-23: Turbina Banki. 1 - Rotor, 2 - Distribuidor, 3 Eixo, 4 Mancal, 5

Tampa Superior, 6 Tampa Lateral, 7 Poço Inferior da Turbina. Fonte: (MME,

35

1985)

36

Figura 4-24: Rendimento da turbina com relação a

37

Figura 4-25: Gerador Westinghouse acoplado a uma turbina Francis. Fonte:

 

38

Figura 5-1: Futuro Localização da Mini Usina Hidrelétrica. Fonte Google

40

Figura 6-1: Fluviograma das vazões médias diárias do Rio das Pedras na região de

45

Figura 6-2: Fluviograma das vazões médias mensais do Rio das Pedras na região

46

Figura 6-3: Curva de permanência do rio das Pedras na região de Guarapuava PR.

48

de Guarapuava. Fonte: (ANA)

Guarapuava. Fonte: (ANA)

Figura 6-4: Curva de Permanência: Determinação da Vazão Média turbinada, QTn,

em função da vazão instalada, QLn. Fonte: (MME,

51

Figura 6-5: Curva de

54

Figura 7-1: Determinação da energia gerada para a mini central hidrelétrica

56

Figura 8-1: Gráfico de seleção de turbinas aplicáveis a mini centrais hidrelétrica.

Fonte:

(HACKER, 2012)

60

Figura 8-2: Hidrogerador. Fonte:

64

Figura 8-3: Ligação trafo em geração distribuída. Fonte: (COPEL, 2010)

67

Figura 8-4: Transformador 1000 kVA. Fonte: (WEG)

68

Figura 9-1: Conexão com a COPEL. Fonte: (COPEL,

78

SUMÁRIO

LISTA

DE TABELAS

9

LISTA

DE FIGURAS

10

1. INTRODUÇÃO

 

1

2. REGULAMENTAÇÃO DO SETOR ELÉTRICO

3

3. GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

6

3.1. DEFINIÇÃO DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

6

3.2. VANTAGENS E

DESVANTAGENS

9

4. MINI CENTRAL HIDRELÉTRICA

10

4.1.

TIPOS DE BARRAGENS

12

4.1.1. BARRAGENS DE GRAVIDADE

13

4.1.2. BARRAGENS EM ARCO

14

4.1.3. BARRAGENS DE CONTRAFORTES

15

4.1.4. BARRAGENS DE TERRA

17

4.1.5. BARRAGENS DE ENROCAMENTO

18

4.2. VERTEDOURO

 

19

4.3. TOMADA D’ÁGUA

22

4.4. CANAL DE ADUÇÃO

24

4.5. CÂMARA DE CARGA

24

4.6. CHAMINÉ DE EQUILÍBRIO

25

4.7. TUBULAÇÃO FORÇADA

26

4.8. CASA DE MÁQUINAS

27

4.10.

TIPO DE MÁQUINAS HIDRÁULICAS

28

4.11.

PRINCIPAIS TIPOS DE TURBINAS

29

4.11.1. TURBINA PELTON

29

4.11.2. TURBINA

FRANCIS

31

4.11.3. TURBINAS

HÉLICE

33

4.11.4. TURBINAS

BULBO

35

4.11.5. TURBINAS

BANKI

36

4.12.

GERADORES ELÉTRICOS

37

5. LOCAL DE ESTUDO

40

6. ESTUDOS HIDROLÓGICOS

41

6.1. DADOS COLETADOS

42

6.2. FLUVIOGRAMA

45

6.3. REGIONALIZAÇÃO DAS VAZÕES

47

6.4. CURVA DE PERMANÊNCIA DE VAZÕES

48

6.5. ESTUDOS HIDROENERGÉTICOS

50

7. ENERGIA GERADA

54

8. DIMENSIONAMENTO DOS EQUIPAMENTOS

58

8.1.

DETERMINAÇÃO DA TURBINA

59

8.1.1.

ROTAÇÃO ESPECÍFICA

61

8.2.

DETERMINAÇÃO DO GERADOR

62

8.2.1. TENSÃO DE GERAÇÃO

64

8.2.2. SISTEMA DE EXCITAÇÃO

65

8.3. DETERMINAÇÃO DO TRANSFORMADOR

66

8.4. CABOS DE INTERLIGAÇÃO

68

9. INTERLIGAÇÃO COM A CONCESSIONÁRIA

69

10.1.

CUSTO DE IMPLANTAÇÃO DA MINI USINA HIDRELÉTRICA

82

10.2.

DESENVOLVIMENTO FINANCEIRO

84

10.2.1.

PAYBACK

86

10.2.2. VALOR PRESENTE LÍQUIDO (VPL)

87

10.2.3. TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR)

87

11.

CONCLUSÃO

87

BIBLIOGRAFIA

89

I. ANEXO

93

II. ANEXO

95

III. ANEXO

97

1

1. INTRODUÇÃO

O Brasil é considerado rico em relação às suas belezas naturais, principalmente ao se falar de suas fontes de energia hidráulica.

Hoje, o país é considerado um dos maiores produtores de energia elétrica, utilizando como fonte principal a energia hídrica, cujo aproveitamento se baseia principalmente em grandes usinas hidro-elétricas (UHE), que têm como foco principal o atendimento às grandes aglomerações urbanas através de um sistema interligado nacional (SIN).

Contudo, esse modelo de geração hidráulica está mudando devido a vários fatores:

(i)

dificuldade em se conseguir a liberação ambiental para a construção de grandes usinas, aliadas a grandes repercussões por parte da população contra a construção das mesmas;

(ii)

concepção desta geração já não está entre as melhores fontes de energia elétrica devido ao tamanho que necessita para utilização como reservatório, para a estocagem de água para a utilização em épocas de seca;

(iii)

valores econômicos impeditivos para a construção destes grandes empreendimentos, para reforço e ampliação do SIN Interligado Nacional);

(iv)

esgotamento dos grandes potenciais das regiões sul e sudeste.

Devido a estes fatores, a legislação em relação ao setor elétrico, está incentivando o aproveitamento de pequenas fontes de geração de energia elétrica, que pode ser a solução para o rápido abastecimento das cidades, com liberações ambientais mais ágeis, custos reduzidos, e menor tempo para a implantação, sem contar com a facilidade devido ao advento da

2

geração distribuída (GD), que possui a vantagem de estar próxima da carga. Outro benefício considerado é a utilização do crédito concedido através do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) que possui condições diferenciadas a empresas privadas que tem o objetivo em investimento em áreas de energia elétrica.

A classificação das usinas hidrelétricas segundo a ELETROBRAS,

podem ser com relação à potência total instalada e quanto a queda de projeto, sendo divididas em micro centrais hidrelétricas (µCH’s), mini centrais

hidrelétricas (mCH’s), pequenas centrais hidrelétricas (PCH’s), usinas de médio porte (MCH’s) e grandes centrais hidrelétricas (GCH’s).

O foco deste trabalho está nas mini centrais hidrelétricas, tendo como

objetivo a apresentação das principais obras civis e os principais componentes eletromecânicos para a construção da mesma. Foram analisados dados reais, tanto de vazões quanto de custos, para a construção de uma mini usina hidrelétrica e a sua interligação com o sistema da concessionária local no município de Guarapuava Paraná.

3

2. REGULAMENTAÇÃO DO SETOR ELÉTRICO

O aproveitamento da energia hídrica é datado do início do século passado, quando em 1906 o então jurista Alfredo Valladão, a convite do Governo Federal, criou o projeto que regulamentava o setor elétrico brasileiro, através do Projeto Código de Águas, que somente em 10 de Julho de 1934, teve seu do decreto de Lei nº 26.234 aprovado no governo do presidente Getúlio Vargas. (Ganin, 2003)

Esse Decreto de Lei foi a primeira manifestação do governo no sentido de utilizar a energia hidráulica para geração de energia elétrica, podendo assim o poder público fazer as concessões necessárias para o desenvolvimento da área.

Passados cinco anos desde a criação do Projeto Código de Águas, em 1939 foi criado o CNAEE (Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica), que tinha por objetivo regulamentar o Código de Águas, fazer a organização da interligação dos sistemas de transmissão, cuidar das tributações referentes à energia elétrica e manter a Presidência da República informada.

Em 17 de Dezembro de 1965, o Departamento Nacional de Produção Mineral, pelo Decreto de Lei nº 4.904, foi transformado em DNAEE (Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica). O DNAEE tinha como função fazer o planejamento, coordenação e execução dos estudos hidrológicos em âmbito nacional, e também tinha como função a supervisão, fiscalização e controle do aproveitamento tanto do sistema elétrico como do sistema hídrico.

Nos dias atuais, o setor elétrico brasileiro é regulamentado através do órgão regulador ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), que foi

4

instituída pela Lei nº 9.427/1996 e teve início de suas atividades em 02 de dezembro de 1997, após a aprovação do seu regimento interno pelo Decreto 2.335/1997, que com isso, tomou o lugar do DNAEE, lembrando ressaltar que a ANEEL é uma autarquia, sendo assim não tendo o “poder concedente” sendo que este cabe à união, estado, distrito federal e aos municípios (Ganin, 2003).

Todas essas mudanças visaram à regulamentação do setor elétrico brasileiro, para assegurar o melhor atendimento aos usuários de energia elétrica, lembrando que o setor elétrico está divido em quatro segmentos, sendo eles a geração, transmissão, distribuição e comercialização, e os usuários divididos em livres e cativos.

Entre essas mudanças citadas anteriormente e até os dias de hoje, diversas outras ocorreram no setor elétrico brasileiro, com criação de leis, decretos e atos para fazer o melhor aproveitamento no setor elétrico.

Para a utilização de um bem público ou então, fazer a prestação de um determinado serviço público é necessário a obtenção de amparos na legislação. No caso de uma usina hidrelétrica, cujo bem público é a energia hídrica, tanto para a sua utilização quanto para prestação de serviço foram criados critérios específicos para definir quanto à outorga do mesmo.

Essa outorga é feita através de:

Concessão

Permissão

Autorização

Toda concessão é relacionada a dois tipos de categorias (regulamentar e contratual), sendo que a categoria regulamentar se refere ao modo e à forma de prestação de serviço e a categoria de ordem contratual fixa as condições econômicas.

Segundo o Lei nº 9.074 de 7 de Julho de 1995, o artigo 5º diz que são objeto de concessão, mediante licitação (Governo Federal) :

5

o aproveitamento de potenciais hidráulicos de potência superior a 1.000 kW e a implantação de usinas termelétricas de potência superior a 5.000 kW, destinados à execução de serviço público;

o aproveitamento de potenciais hidráulicos de potência superior a 1.000 kW, destinados à produção independente de energia elétrica;

o aproveitamento de potenciais hidráulicos de potência superior a 10.000 kW, destinados ao uso exclusivo de autoprodutor, resguardado direito adquirido relativo às concessões existentes.

Logo, para fazer a utilização de um bem público com as características da Lei nº 9.074 do artigo 5º é necessário então realizar um contrato de concessão, que tem por objetivo outorgar ao particular, a faculdade de utilizar um bem da administração segundo a sua destinação específica e no interesse público, sendo que para o setor elétrico, a utilização do bem público tem como referência o recurso hídrico potenciais hidrelétricos (Ganin, 2003).

Então, a concessão autoriza a utilização dos recursos hídricos, sendo estes, tanto o controle qualitativo quanto o quantitativo do uso e acesso à água.

Com relação à permissão, este é um ato administrativo discricionário e precário, no qual o Poder Público, seja ele de nível federal, estadual ou municipal, dá o direito ao particular a execução de serviços de interesse público, e ou o uso especial de bens públicos, diferentemente da concessão que o Poder Público realiza um contrato administrativo de transferência ao concessionário do poder seja ele em partes ou na totalidade do campo em interesse.

A autorização possui as mesmas características da permissão. Portanto a autorização é um ato administrativo discricionário e precário, que possui as condições necessárias para a prestação do serviço concedido ao pretendente através da União, Estados ou Municípios, para que o mesmo

6

exerça a atividade ou utilize o bem público por um determinado tempo, no seu próprio interesse e por sua conta e risco.

Segundo a Lei nº 9.074, de 7 de Julho de 1995, o artigo 7º são objetos de autorização (Governo Federal):

a implantação de usinas termelétricas, de potência superior a 5.000 kW, destinada a uso exclusivo do autoprodutor;

o aproveitamento de potenciais hidráulicos, de potência superior a 1.000 kW e igual ou inferior a 10.000 kW, destinados a uso exclusivo do autoprodutor, resguardado direito adquirido relativo à concessões existentes.

Cabe ressaltar que para a geração de energia elétrica através de usinas termelétricas referidas no artigo 7º, não compreendem aquelas cuja fonte primária de energia é a nuclear.

Para a implantação de usinas termelétricas com potência inferior ou igual a 5.000 kW e para potenciais hidráulicos com potência inferior ou igual

a 1.000 kW, esses produtores estão dispensados de concessão, permissão

e autorização, cabendo apenas informar ao poder concedente da utilização do bem público.

3. GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

3.1. DEFINIÇÃO DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

A definição de Geração Distribuída (GD) não está ainda bem definida

e isso se deve ao fato de que o conceito é muito amplo. O único fato que

podemos definir é que a geração de energia elétrica encontra próxima a carga e conectados geralmente na rede de distribuição de energia da

concessionária.

7

Como a área de emprego da GD é muito ampla, fica difícil fazer a definição exata, pois existem diversos parâmetros técnicos que estão diretamente ligados, tais como, modo de operação, área de atendimento, propriedades dos equipamentos, níveis de tensão, capacidade de geração, entre outros.

Embora ainda não se tenha um consenso para a definição para GD devido as características inerentes a este tipo de geração, é possível destacar alguns conceitos na literatura:

“GD é uma planta de 20 MW ou menos, situado no centro de carga ou próxima a ele, ou situada ao lado do consumidor, e que produz energia elétrica. São quatro as tecnologias apropriadas para a GD: turbina de combustão, motores recíprocos, células combustíveis e módulos fotovoltaicos” (TURKSON & WOHLGEMUTH, 2001).

“GD indica um sistema isolado ou um sistema integrado de geração de energia elétrica em plantas modulares pequenas na faixa de poucos kW até os 100 MW seja de concessionárias, consumidores ou terceiros” (PRESTON & RASTLER, 1996 apud ACKERMAN et AL., 1999).

“Geração Distribuída é o termo que se usa para a geração de energia elétrica junto ou próxima do(s) consumidor(es), com potências normalmente iguais ou inferiores a 30 MW. A GD inclui:

co-geradores, geradores de emergência, geradores para operação no horário de ponta, módulos fotovoltaicos e pequenas centrais hidrelétricas – PCH’s” (INEE - Instituto Nacional de Eficiência Energética)

Como visto anteriormente, mesmo com pequenas alterações nos conceitos apresentados, todos convergem para uma mesma linha de raciocínio que diz que a geração, que está próxima ao centro de carga

8

(usuários de energia elétrica) divergindo um pouco com relação à potência gerada. Uma outra definição que não discrimina a potência gerada é do International Council on Large Eletric Systems (CIGRE): geração distribuída é a geração que não é planejada de modo centralizado, nem despachada de forma centralizada, não havendo um órgão que comande as ações da unidade de geração descentralizada (MALFA, 2002) e também (Bajay, Furtado, Carvalho, & Dorileo, 2006) que a geração da produção de energia elétrica é no local de consumo ou próximo a ele. Os eventuais excedentes de energia podem ser vendidos à rede local, ou a instalações vizinhas.

No Brasil a geração distribuída foi regulamentado em 30 de julho de 2004 através do Decreto n º 5.163, de 30 de Julho de 2004, sendo que:

Art. 14. Para os fins deste Decreto, considera-se geração distribuída

a produção de energia elétrica proveniente de empreendimentos de agentes concessionários, permissionários ou autorizados, incluindo aqueles tratados pelo art. 8º da Lei nº 9.074, de 1995, conectados diretamente no sistema

de

elétrico

empreendimento:

de

distribuição

do

comprador,

exceto

aquela

proveniente

I - hidrelétrico com capacidade instalada superior a 30 MW; e

II - termelétrico, inclusive de cogeração, com eficiência energética inferior a setenta e cinco por cento, conforme regulação da ANEEL, a ser estabelecida até dezembro de 2004.

Parágrafo único. Os empreendimentos termelétricos que utilizem biomassa ou resíduos de processo como combustível não estarão limitados ao percentual de eficiência energética prevista no inciso II do caput.

9

3.2. VANTAGENS E DESVANTAGENS

A GD como fonte de energia elétrica oferece diversas vantagens decorrentes da proximidade da fonte de geração de energia elétrica e o consumidor, segundo Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE) tais como:

a. Atendimento mais rápido da demanda (ou à demanda reprimida) por ter um tempo de implantação inferior ao de acréscimo à geração centralizada e reforços das respectivas redes de transmissão e distribuição;

b. Aumento da confiabilidade do suprimento aos consumidores próximos a geração local, por adicionar fonte não sujeita a falhas na transmissão e distribuição;

c. Aumento da estabilidade do sistema elétrico, pela existência de reservas de geração distribuída;

d. Redução das perdas na transmissão e dos respectivos custos, e adiamento no investimento para reforçar o sistema de transmissão;

e. Redução dos riscos de planejamento;

f. Possível colocação de excedentes no mercado de energia elétrica.

Em contrapartida, a GD também apresenta alguns inconvenientes pelo fato do aumento de entidades envolvidas no processo desde a geração, transmissão, e distribuição da energia gerada; e à desvinculação entre interconexão física e intercâmbio comercial, pois a concessionária que irá se conectar com o produtor independente pode ser apenas transportadora e não compradora da energia que será entregue pelo produtor a um cliente distante, assim, as principais desvantagens são (INEE):

a. maior complexidade no planejamento e na operação do sistema elétrico, inclusive na garantia do “back-up”;

b. maior complexidade nos procedimentos e na realização de manutenção, inclusive nas medidas de segurança e serem tomadas;

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c. maior complexidade administrativa, contratual e comercial;

d. maiores dificuldades de coordenação das atividades;

e. em certos casos, diminuição do fator de utilização das instalações das concessionárias de distribuição, o que tende aumentar o preço médio de fornecimento das mesmas.

4. MINI CENTRAL HIDRELÉTRICA

No Brasil a energia hidráulica é de vital importância para a população, pois como nosso país tem uma abundância de rios, a utilização da energia hidráulica é a principal fonte de geração de energia elétrica. O Balanço Energético Nacional (BEN) realizado em 2011 mostra que 74% de toda a energia elétrica gerada no Brasil em 2010 foi de utilização da energia hidráulica, como mostrado na Figura 4-1, e essa fonte de energia atende as atividades agrícolas, comercias, industriais e principalmente para a sociedade brasileira (MME, 2011).

e principalmente para a sociedade brasileira (MME, 2011). Figura 4-1: Oferta interna de Energia Elétrica por

Figura 4-1: Oferta interna de Energia Elétrica por fonte - 2010. Fonte: (MME, 2011).

11

Para fazer a classificação das usinas hidráulicas, existe uma série de variáveis que segundo a ANEEL são (ANEEL, 2012):

Altura da queda d’água

Vazão

Capacidade ou Potência Instalada

Tipo de Turbina Empregada

Localização

Tipo de Barragem

Reservatório

É possível constatar que todos os dados anteriores são interdependentes, pois a altura da queda d’água e a vazão são dependentes do local de construção que também vão determinar a capacidade instalada e que por sua vez, vão determinar o tipo de barragem, turbina e reservatório que serão construídos.

Para os reservatórios, estes são divididos em dois tipos, sendo eles o de fio d’água e acumulação.

O reservatório de acumulação, geralmente é encontrado na cabeceira

de rios, onde é possível fazer a acumulação de água para funcionar como estoque para utilizar em períodos de estiagem e também funcionam como reguladores para as demais hidrelétricas que estão localizadas abaixo. Já as usinas hidrelétricas que funcionam a fio d’água, funcionam apenas com o fluxo do rio, sendo seu funcionamento com um pequeno acúmulo ou ainda sem nenhum acúmulo hídrico (ANEEL, 2012).

Ainda com relação à queda d’água, esta pode ser divida com relação à altura, sendo de baixa, média e alta. O Centro Nacional de Referência em Pequenas Centrais Hidrelétricas (CERPCH), considera que baixa queda de altura é até 15 metros, e alta queda, altura superior a 150 metros.

A classificação das usinas hidrelétricas podem ser com relação à

potência total instalada e quanto a queda de projeto, sendo divididas em

12

micro centrais hidrelétricas (µCH’s), mini centrais hidrelétricas (mCH’s), pequenas centrais hidrelétricas (PCH’s), usinas de médio porte (MCH’s) e grandes centrais hidrelétricas (GCH’s) como é mostrado na Tabela 4-1 (ELETROBRAS).

Tabela 4-1: Classificação de Centrais Hidrelétricas. Fonte: (CERPCH)

Classificação das Centrais

Potência

Queda de Projeto

µCH

Até 100 kW

Entre 15 e 50 metros

mCH

100 kW até 1 MW

Entre 20 e 100 metros

PCH

1MW até 30 MW

Entre 25 e 130 metros

GCH/MCH

acima de 30 MW

Entre 30 e 250 metros

Para dar um entendimento maior sobre a composição de uma mini central hidrelétrica será mostrada a seguir os principais componentes, mostrando tanto os componentes da área civil, quanto os principais tipos de maquinas hidráulicas para fazer a transformação da energia hídrica em energia elétrica, através do acoplamento da turbina mecânica ao eixo do gerador elétrico. Pode-se considerar estes os principais quesitos para uma mini central hidrelétrica.

4.1. TIPOS DE BARRAGENS

Para cada construção de usina hidrelétrica, são necessários estudos específicos para dimensionar quais são as obras civis que devem ser executadas. Uma dessas obras é com relação ao tipo de barragem que será utilizada para direcionar a água até a turbina hidráulica.

Alguns tipos de barragens mais utilizadas em usinas hidrelétricas são:

Barragens de Gravidade

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Barragens de Arco

Barragens de Contrafortes

Barragens de Terra

Barragens de Enrocamento

4.1.1. BARRAGENS DE GRAVIDADE

As barragens de gravidade são basicamente, estruturas sólidas de concreto, que asseguram a sua estabilidade devido ao seu próprio peso contra as ações da pressão que a água do reservatório exerce sobre a barragem e da sub pressão das águas que infiltram pelas fundações.

São construídas num eixo reto, recomendável para vales relativamente estreitos com aproximadamente 100 metros de largura e com boas fundações em rochas pouco fraturadas, procurando encaixar na topografia existente no local de implantação.

Geralmente são construídas em locais que se tem dificuldade de construção de vertedouro lateral, problemática devido a encostas íngremes e rochosas. O vertedouro deste tipo de barragem é uma seção preferencialmente central.

A Figura 4-2 mostra as principais cotas com relação a uma barragem construída de concreto, podendo variar dependendo da dificuldade de cada empreendimento.

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mureta eventual 1,00 0,30 NA máx. 0,50 1,00 lâmina vertente NA normal 0,10 H 1
mureta eventual
1,00
0,30
NA máx.
0,50
1,00
lâmina vertente
NA normal
0,10
H
1
0,70
Hv
1
superfície do
terreno natural
b1=0,10H
b2
b1
b2=0,70H
B
nota: dimensões em metro

Figura 4-2: Barragem de Concreto. Fonte: (ELETROBRAS).

4.1.2. BARRAGENS EM ARCO

As barragens em arco são utilizadas em locais em que o comprimento da barragem é menor que a sua altura. Comparando o volume de uma barragem construída em arco e outra em gravidade, o volume da barragem em arco é substancialmente menor, mas em compensação exige fundações consideravelmente superiores.

A curvatura da barragem em arco faz com que as pressões sejam transferidas para as pontas, fazendo assim pressão sobre as paredes onde se encontram encaixadas a barragem.

Existem Basicamente três tipos de barragem em arco, sendo elas:

Barragens em Arco de raio constante

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Barragens em Arco de raio variável

Barragens em Abóbada.

A barragem em abóbada, é chamada assim pois é duplamente curva,

com curvatura tanto no eixo vertical quanto no eixo horizontal.

Um exemplo bem conhecido de barragem em arco é a barragem do rio Colorado nos Estado Unidos mostrado na Figura 4-3.

do rio Colorado nos Estado Unidos mostrado na Figura 4-3. Figura 4-3: Barragem Hoover. Fonte: (Engenharia

Figura 4-3: Barragem Hoover. Fonte: (Engenharia Civil).

4.1.3. BARRAGENS DE CONTRAFORTES

A utilização de barragens de contrafortes foram inicialmente utilizadas

com a finalidade de armazenar água em regiões em que os recursos eram

escassos.

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Como a utilização deste tipo de barragem é muito conhecida, já se conhece algumas de suas características sendo elas:

A pressão de água no plano inclinado de montante aumenta a estabilidade da barragem;

Com a drenagem livre nas fundações entre os contrafortes, o levantamento pela base fica consideravelmente reduzido;

Pequenas infiltrações de água não proporciona risco de segurança.

No Brasil tem-se como exemplo de barragem de contrafortes a barragem da usina hidrelétrica de Itaipu, sendo a maior usina do mundo em geração de energia elétrica. Na Figura 4-4 apresenta-se uma foto durante a construção da barragem.

apresenta-se uma foto durante a construção da barragem. Figura 4-4: Barragem Itaipu. Fonte: (Engenharia e

Figura 4-4: Barragem Itaipu. Fonte: (Engenharia e Construção).

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4.1.4. BARRAGENS DE TERRA

As barragens de terras são ideais em locais poucos ondulados e em área que contenham quantidades expressivas de materiais arenosos e argilosos para a construção do maciço compactado.

Uma facilidade da construção de barragem de terra é que todo material escavado para a construção do canal de adução quanto do vertedouro serve para a construção da barragem.

Sua formação são basicamente estruturas trapezoidais, homogêneas ou zoneadas. Algumas características são:

Impermeabilidade suficiente que impeça a perda excessiva de

água através de seu corpo;

Lado a montante deve ser protegido da ação destrutiva da água

Deve existir dispositivo para a drenagem da água bem como dispositivos para evitar a percolação da água;

O talude deve ser bastante inclinado para evitar escorregamento e erosão.

A Figura 4-5 ilustra um corte típico de uma barragem de terra para alturas menores que 10 metros. A largura da base (b) é calculada em função da geometria da barragem, utilizando-se a fórmula:

onde:

(

)

a

- largura da crista da barragem (m);

m

1 - inclinação do talude de montante;

m

2 - inclinação do talude de jusante;

H

- altura da barragem (m).

(4.1)

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18 Figura 4-5: Barragem de Terra. Fonte; (ELETROBRAS). 4.1.5. BARRAGENS DE ENROCAMENTO As barragens de enrocamento

Figura 4-5: Barragem de Terra. Fonte; (ELETROBRAS).

4.1.5. BARRAGENS DE ENROCAMENTO

As barragens de enrocamento são consideradas do tipo misto. Para as partes principais são utilizadas pedras de maior tamanho e o material vedante é constituído com um material mais fino como argila, solo areno- siltoso/argiloso.

Esse tipo de barragem é construído quando existe a impossibilidade de construir uma barragem de terra por insuficiência de material; quando houver escavação de rocha nas demais estruturas, quando há excesso deste material e distâncias de transporte reduzida; em regiões montanhosas, onde as pedreiras são comuns e de fácil exploração e também quando se tem vales onde há dificuldade de construir vertedouro lateral, assim neste caso, permitindo que a água passe por cima da barragem.

A Figura 4-6 ilustra um corte típico de uma barragem de enrocamento para altura que varia de 3 a 8 metros de altura.

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tirante d`água

sobre a crista

crista da barragem (máx. = 1,00m) NA máx. vedação central última camada, compedra selecionada e
crista da barragem
(máx. = 1,00m)
NA máx.
vedação central
última camada, compedra
selecionada e embricada
área de limpeza
trincheira
cordões pioneiros
(eventual)

de pedras lançadas

Figura 4-6: Barragem de Enrocamento. Fonte: (ELETROBRAS).

4.2. VERTEDOURO

O vertedouro pode ser considerado um sistema de segurança para a

mini usina hidrelétrica, pois o excesso de água que desce pelo rio e que não

é turbinada, deve ser desviado até após a turbina. Para este caso pode-se utilizar dois tipos de vertedouro (MME, 1985):

Extravasamento por um canal lateral, com o fundo situado em uma cota mais elevada em relação ao leito natural do rio como mostrado na Figura 4-7;

Extravasamento por sobre o corpo da barragem, ao longo de toda a crista ou parte dela.

Primeiramente, procura-se utilizar a opção de extravasamento por um canal, mas para isso é necessário fazer uma análise dos materiais

disponíveis e da topografia do local. Busca-se, inicialmente, a opção de fazer

o canal lateral sem revestimento, para facilitar o processo.

Caso não seja possível a construção de um canal de largura necessária, opta-se por se fazer a proteção do canal extravasor de maneira

a proteger as laterais bem como o fundo do canal.

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soleira afogada A canal extravasor escada de pedra A barragem Figura 4-7: Vertedouro com extravasamento
soleira afogada
A
canal extravasor
escada de pedra
A
barragem
Figura 4-7: Vertedouro com extravasamento lateral. Fonte: (MME, 1985).

Na Figura 4-8 abaixo está representado o corte A-A indicado na Figura 4-7, onde se pode ver claramente que o canal extravasor está acima do nível do leito natural.

NA res. Lsol. h sol. hc 1,5 h máx. 1 1 L p 1,5 canal
NA res.
Lsol.
h sol.
hc
1,5
h máx.
1
1
L
p
1,5
canal
h
pedra
NA rio
CORTE A-A

Figura 4-8: Corte A-A da Figura 4-7. Fonte: (MME, 1985).

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Por último, estuda-se a alternativa de utilizar o próprio corpo da barragem para verter a descarga de projeto.

Nesse caso chama-se de barragem vertedoura, e é possível de se fazer de três tipos:

Tipo 1 Construção da barragem em pedra argamassada utilizando parte da barragem com uma cota mais baixa para o extravasamento das descargas, Figura 4-9;

Tipo 2 Construção da barragem em concreto, com parte da barragem para extravasamento, Figura 4-10;

Tipo 3 Construção da barragem de enrocamento, com talude de jusante suave, fazendo uma proporção de cada um metro na vertical, oito metros na horizontal, e utilizando toda a barragem para fazer o extravasamento da descarga, Figura 4-11.

para fazer o extravasamento da descarga, Figura 4-11. Figura 4-9: Barragem vertedoura tipo 1, vista lateral
para fazer o extravasamento da descarga, Figura 4-11. Figura 4-9: Barragem vertedoura tipo 1, vista lateral

Figura 4-9: Barragem vertedoura tipo 1, vista lateral e vista frontal. Fonte: (MME, 1985).

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22 Figura 4-10: Barragem vertedoura tipo 2. Mini central hidrelétrica Ceriluz. h 1 8 Figura 4-11:

Figura 4-10: Barragem vertedoura tipo 2. Mini central hidrelétrica Ceriluz.

h 1 8
h
1
8

Figura 4-11: Barragem vertedoura tipo 3. Fonte: (MME, 1985).

4.3. TOMADA D’ÁGUA

Sempre que possível, fazer a instalação da tomada d’água junto à margem do reservatório formado pela barragem e preferencialmente em trechos retos. Caso não seja possível em trecho reto, fazer a instalação no lado côncavo, pois os sedimentos em sua maior parte se depositam no lado convexo (MME, 1985).

O arranjo para a disposição da tomada d’água vai variar conforme os aspectos topográficos e geológico-geotécnicos do local da construção da mini central hidrelétrica.

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A tomada d’água serve para fazer a captação de descarga de água no rio. Pode-se ligar a tomada de água ao conduto forçado que leva até a turbina. Uma outra maneira é fazer a ligação da tomada d’água com um canal aberto de adução ou tubulação de baixa pressão.

As duas principais funções da tomada de água são (MME, 1985):

Permitir o ensecamento da tubulação forçada ou canal de adução para realizar obras de manutenção e reparos;

Prover a retenção de objetos e sedimentos que estão sendo conduzidos para a turbina. Quando for o caso, esta função também pode ser efetuada pela câmara de carga.

Na Figura 4-12 está representada a tomada d’água acoplada a uma tubulação forçada.

a tomada d’água acoplada a uma tubulação forçada. Figura 4-12: Planta típica de tomada d'água acoplada
a tomada d’água acoplada a uma tubulação forçada. Figura 4-12: Planta típica de tomada d'água acoplada

Figura 4-12: Planta típica de tomada d'água acoplada à tubulação forçada. 1 - Ranhura para descida de pranchões, 2 - Comporta para limpeza, 3 Ranhura para descida de comporta ou pranchões. Fonte (MME, 1985).

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4.4. CANAL DE ADUÇÃO

O canal de adução vai depender da topografia e geológico- geotécnicas do local de construção da mini central hidrelétrica, sendo necessário ou não a sua construção.

Caso seja construído, pode ser de solo natural, ou revestimento com enrocamento, pedra argamassada, concreto ou outro material, mas procurando a opção mais adequada para o local e também o menor custo de construção. O canal de adução deve ter declividade mínima, fazendo o seu caimento na faixa de 4 milímetros a cada 10 metros de extensão.

4.5. CÂMARA DE CARGA

Para conduzir a água captada pela tomada d’água até a turbina, é utilizado um canal de adução ou uma tubulação em baixa pressão, assim levando a água até o ponto da instalação da tubulação forçada. Quando a opção é a utilização de um canal de adução, faz-se necessário a construção da câmara de carga, sendo que esta estrutura é posicionada entre o canal de adução e o conduto forçado, sendo a câmara de carga uma estrutura semelhante à tomada d’água.

Algumas das funções da câmara de carga:

Promover a transição entre canal de adução e o conduto forçado;

Aliviar o golpe de aríete, devido ao fechamento brusco do dispositivo de controle de vazões turbinadas quando existente;

Fornecer água ao conduto forçado quando o dispositivo de controle de vazões abre bruscamente, até que seja estabelecido o regime permanente de escoamento.

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Na Figura 4-13 está representado o corte de uma câmara de carga com acoplamento de um sistema de baixa pressão para uma mini usina hidrelétrica.

sistema de baixa pressão para uma mini usina hidrelétrica. Figura 4-13: Seção longitudinal da câmara de

Figura 4-13: Seção longitudinal da câmara de carga. 1 - Canal de adução, 2 Transição, 3 Grade, 4 Viga de apoio da grade e 5 Ranhura para descida de comporta ou pranchões. Fonte: (MME, 1985).

4.6. CHAMINÉ DE EQUILÍBRIO

A chaminé de equilíbrio tem como finalidade fazer o amortecimento de eventuais aumentos de pressão e velocidade da água no interior da tubulação forçada, causada pelo fechamento do dispositivo de fechamento da turbina. Outra finalidade é o armazenamento de água resultante do refluxo causado pelo mesmo dispositivo de fechamento quando este se abre novamente.

A chaminé pode ser construída tanto de concreto quanto de aço, sendo um cilindro com eixo na direção vertical, implantado entre o trecho de adução de baixa pressão e o trecho de adução de grande declividade, constituído por uma tubulação forçada.

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Na Figura 4-14, estão mostrados os diferentes níveis que a água pode ter dentro da chaminé de equilíbrio e a sua ligação a câmara de carga e ao conduto forçado.

Chaminé de Equilíbrio Câmara de Carga
Chaminé de Equilíbrio
Câmara de Carga

Conduto Forçado

Figura 4-14: Chaminé de Equilíbrio. Fonte: (MME, 1985).

4.7. TUBULAÇÃO FORÇADA

A tubulação forçada serve para fazer a conexão da câmara de carga até a turbina, podendo ser constituída de aço ou concreto, devendo fazer um estudo preciso para fazer a definição do material, pois, para cada material existe uma velocidade máxima que o material suporta.

A tubulação forçada fica apoiada sobre blocos de pedra ou concreto, chamados de blocos de sustentação, e engastada (presa) a outros blocos que são chamados de blocos de ancoragem, dos quais sempre existe pelo menos dois, um no início e outro no final da tubulação(CERPCH).

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4.8. CASA DE MÁQUINAS

Os grupos geradores constituídos de turbina e gerador elétrico, os equipamentos de controle e possivelmente os equipamentos elétricos de transmissão ficam abrigados dentro da casa de comando.

A casa de comando deve ficar posicionada em local estratégico a fim de poder maximizar a queda d’água aumentada a potência gerada.

4.9. CANAL DE FUGA

O canal de fuga tem por objetivo fazer a recondução da água turbinada ao rio. A água na saída da turbina pode apresentar velocidade ainda considerável. Para evitar erosão no fundo do canal e das paredes laterais, utiliza-se revestimento nas paredes, sendo estas rejuntadas com argamassa e no fundo do canal de fuga, utiliza-se pedra argamassada ou concreto.

Caso a casa de máquinas ficar afastada da margem do rio, faz-se necessário a construção de um canal até e o encontro novamente da água turbinada e o leito natural do rio.

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4.10. TIPO DE MÁQUINAS HIDRÁULICAS

As máquinas hidráulicas, mais comumente chamadas de turbinas hidráulicas consistem basicamente de um sistema fixo e de um sistema rotativo hidromecânico, destinados respectivamente, à orientação da água em escoamento e transformar a energia hidráulica (a pressão da água em escoamento e a energia cinética) de um fluxo de água, em energia mecânica de rotação, que é transmitida através de um eixo o qual é acoplado a um gerador elétrico.

Há vários tipos de turbinas hidráulicas, entretanto, o princípio básico de funcionamento é similar entre elas. A água entra pela tomada de água, que se situa a montante da usina hidrelétrica num nível mais elevado que o restante do processo. A seguir, a água é conduzida por condutos (e/ou condutos forçados) até a entrada da turbina, então passa por um sistema de palhetas guias móveis, que controlam a vazão volumétrica fornecida à turbina, sendo que a potência gerada é diretamente proporcional a vazão volumétrica. Após passar por este mecanismo, a água chega ao rotor da turbina onde atacam as pás da mesma e assim produzindo o trabalho mecânico necessário.

As turbinas são classificadas com relação ao modo de atuação:

Turbinas de reação: turbinas de reação são aquelas em que o trabalho mecânico é obtido pela transformação das energias, cinética e de pressão da água em escoamento, através do elemento do sistema rotativo hidromecânico (rotor) (ABNT, 1987).

Essas turbinas são as mais usuais e cobrem uma faixa maior de alturas para as instalações hidrelétricas (1,5 a 300 m). Elas podem ser subdivididas em: pás ajustáveis (Kaplan) e pás fixas ou axial radial (Francis). Nas turbinas de reação a caixa espiral tem a função de guiar a água totalmente e uniformemente por toda a circunferência através do distribuidor.

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O distribuidor tem o objetivo de dirigir a vazão de água diretamente para a roda e, regular a descarga através da turbina.

Turbinas de ação: turbinas de ação são aquelas em que o trabalho

mecânico é obtido pela transformação da energia cinética da água em escoamento, através do elemento do sistema rotativo hidromecânico (rotor). Essas turbinas são operadas sobre pressão atmosférica por um jato livre. A altura encontrada é convertida em velocidade de queda. Elas podem ser subdivididas em: conchas fixas (Pelton), jatos inclinados ou jatos duplos.

Nas turbinas de ação a água não passa por toda a circunferência da roda, mas através dos jatos (ABNT, 1987).

4.11. PRINCIPAIS TIPOS DE TURBINAS

4.11.1. TURBINA PELTON

São turbinas de ação que têm como característica a transformação de energia potencial em energia cinética. Através do jato injetor, a energia cinética é convertida em energia mecânica para o rotor da turbina (ABNT,

1987).

A turbina pelton (Figura 4-15) é constituída de um rotor, em torno do qual estão acopladas conchas duplas com aresta diametral sobre o qual incide o jato de d’água, produzindo um desvio simétrico na direção axial buscando o equilíbrio procurando diminuir ao máximo os esforços axiais.Dependendo da potência da turbina podem ser utilizados de 1 ou mais injetores uniformemente na periferia do rotor (MME, 2008).

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30 Figura 4-15: Corte tranversal de uma turbina Pelton com seis jatos. Fonte: (CERPCH). Na Figura

Figura 4-15: Corte tranversal de uma turbina Pelton com seis jatos. Fonte: (CERPCH).

Na Figura 4-16 é possível ver o funcionamento da turbina Pelton, verificando o jato de água atingindo a concha e seu jato sendo distribuindo.

de água atingindo a concha e seu jato sendo distribuindo. Figura 4-16: Vista superior as conchas

Figura 4-16: Vista superior as conchas da turbina Pelton. Fonte: (MME, 2008).

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Elas podem operar na faixa de 10 a 100% da potência máxima. Normalmente, são utilizadas em quedas de 350m até 1100m, sendo por isto muito mais comum em países montanhosos.

Um dos problemas que este tipo de turbina enfrenta é a erosão causado por sedimentos que estão misturados com a água e sua alta velocidade de encontro com a concha.

4.11.2. TURBINA FRANCIS

A turbina Francis é considerada uma turbina de reação, ou seja, funciona com uma diferença de pressão entre os dois lados do rotor. As pás do rotor são perfiladas e possui uma caixa espiral, que distribuí a água ao redor do rotor (ABNT, 1987).

Em operação, a água entra no rotor pela periferia, após passar através das pás diretrizes as quais guiam a água em um ângulo adequado para a entrada das pás do rotor.

A turbina Francis (Figura 4-17 e Figura 4-18) pode ser executada tanto com eixo na horizontal quanto na vertical. A construção com eixo na horizontal, ou seja, a roda trabalhando verticalmente é utilizada para pequenas unidades.

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32 Figura 4-17: Francis caixa aberta (eixo horizontal). Fonte: (MME, 1985). Figura 4-18: Francis caixa aberta

Figura 4-17: Francis caixa aberta (eixo horizontal). Fonte: (MME, 1985).

Francis caixa aberta (eixo horizontal). Fonte: (MME, 1985). Figura 4-18: Francis caixa aberta (eixo vertical). Fonte:

Figura 4-18: Francis caixa aberta (eixo vertical). Fonte: (MME, 1985).

Além disso existe uma outra forma da utilização da turbina Francis que é a utilização de uma caixa espiral ligada diretamente ao conduto forçado como mostrado na Figura 4-19.

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33 Figura 4-19: Francis com caixa espiral. Fonte: (Caldeiraria Avançada). 4.11.3. TURBINAS HÉLICE As turbinas de

Figura 4-19: Francis com caixa espiral. Fonte: (Caldeiraria Avançada).

4.11.3. TURBINAS HÉLICE

As turbinas de reação são constituídas por uma câmara de entrada que pode ser aberta ou fechada, por um distribuidor e por uma roda com pás em forma de hélice. Quando estas pás são fixas diz-se que a turbina é do tipo Hélice (Figura 4-20). Se as pás são móveis, o que permite variar o ângulo de ataque por meio de um mecanismo de orientação que é controlado pelo regulador da turbina, diz-se que a turbina é do tipo Kaplan (ABNT, 1987).

As turbinas Kaplan (Figura 4-21) são reguladas através da ação do distribuidor e com auxílio da variação do ângulo de ataque das pás do rotor, lhes são conferidas uma grande capacidade de regulação. Um sistema de êmbolo e manivelas montado dentro do cubo do rotor, é responsável pela variação do ângulo de inclinação das pás. O óleo é injetado por um sistema de bombeamento localizado fora da turbina, e conduzido até o rotor por um conjunto de tubulações rotativas que passam por dentro do eixo. Essa tubina é utilizada em várias faixas de queda de água e tem um bom rendimento em comparação as demais do grupo de reação, tendo um ótimo rendimento e

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trabalhando na faixa de 25 a 100% da sua pontência nominal. Como pode ser visto na Figura 4-24.

sua pontência nominal. Como pode ser visto na Figura 4-24. Figura 4-20: Turbina tipo Hélice -

Figura 4-20: Turbina tipo Hélice - eixo vertical com caixa aberta.Fonte: (MME, 1985).

tipo Hélice - eixo vertical com caixa aberta.Fonte: (MME, 1985). Figura 4-21: Turbina Kaplan. Fonte: (HACKER,

Figura 4-21: Turbina Kaplan. Fonte: (HACKER, 2012).

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4.11.4. TURBINAS BULBO

As turbinas bulbo são turbinas de reação, em que a água penetra no distribuidor e rotor. São consideradas a evolução das turbinas Kaplan sendo utilizadas dentro do tubo de adução. Seu interior é uma câmara blindada, podendo existir um sistema de engrenagens para transmitir a potência mecânica do eixo do rotor para o eixo do alternador, ou para as turbinas mais desenvolvidas, situando dentro no interior do bulbo o próprio gerador elétrico e seu sistema dispensa a utilização da caixa em caracol e o tubo de sucção (Figura 4-22) (ABNT, 1987).

É empregada na maioria das vezes para aproveitamentos de baixa queda e quase sempre a fio d’água.

de baixa queda e quase sempre a fio d’água. Figura 4-22: Turbina bulbo, da Escher Wyss.

Figura 4-22: Turbina bulbo, da Escher Wyss. Vista do o rotor, do bulbo e de parte do tubo de saída de água.

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4.11.5. TURBINAS BANKI

A turbina Banki (Figura 4-23) é do tipo de ação, sendo a turbina provida de uma pá diretriz e um rotor cilíndrico composto por pás curvas fixados em dois discos laterais acoplados a um eixo passante, apoiados em mancais apoiados na carcaça. Seu funcionamento é através do fluxo de água que após passar pela tubulação de adução é direcionado ao rotor por intermédio da pá diretriz e a água após passar duas vezes pelas pás do rotor, é escoada para um canal de fuga, segundo (MME, 2008).

Sua faixa de aplicação é muito ampla, podendo operar com quedas que variam de 1,5 a 80 metros e potência de até 2000 kW. Por ser considerada uma turbina de impulso, pode operar com cargas variando de 20 a 100% da sua potência máxima, operando com altos rendimentos.

da sua potência máxima, operando com altos rendimentos. Figura 4-23: Turbina Banki. 1 - Rotor, 2

Figura 4-23: Turbina Banki. 1 - Rotor, 2 - Distribuidor, 3 Eixo, 4 Mancal, 5 Tampa Superior, 6 Tampa Lateral, 7 Poço Inferior da Turbina. Fonte: (MME, 1985)

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A Figura 4-24 mostra os rendimentos para diversos tipos de turbinas nas diversas faixas de vazão.

diversos tipos de turbinas nas diversas faixas de vazão. Figura 4-24: Rendimento da turbina com relação

Figura 4-24: Rendimento da turbina com relação a vazão.

4.12. GERADORES ELÉTRICOS

O gerador é o equipamento responsável em transformar a energia mecânica do seu eixo que está acoplado à turbina hidráulica em energia elétrica. Pode-se dizer que o gerador é a segunda conversão de energia existente na mini central hidrelétrica.

No Brasil existem dois tipos de geradores disponíveis comercialmente sendo eles:

Geradores síncronos

Geradores assíncronos

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Os geradores síncronos podem ser divididos em dois tipos sendo os geradores síncronos de baixa velocidade e os geradores síncronos de alta velocidade.

Os geradores síncronos de baixa velocidade são normalmente acionados por turbinas hidráulicas e são caracterizados por possuir pólos salientes, grande diâmetro e pequeno comprimento axial.

os

geradores

assíncronos,

chamados

de

turbogerador,

são

utilizados mais em centrais termonucleares.

Para geradores com velocidades muito baixa, se exige grande quantidade de par de pólos, sendo que com isso as dimensões do gerador ficam muito maiores e com isso aumentando muito o preço do equipamento. Para pequenas centrais até 1000 kW, costuma usar como velocidade de rotação pelo menos 600 rpm; e trabalham com velocidade constante e igual a velocidade síncrona, que é uma função da frequência da tensão gerada e do número de pares de pólos do rotor. Na Figura 4-25 tem-se o acoplamento de uma turbina do tipo Francis a um gerador Westinghouse.

de uma turbina do tipo Francis a um gerador Westinghouse. Figura 4-25: Gerador Westinghouse acoplado a

Figura 4-25: Gerador Westinghouse acoplado a uma turbina Francis. Fonte: (TIOSAM).

39

Na Tabela 4-2, está representado a velocidade de rotação em função do número de pares de pólos para geradores síncronos. Para pequenas centrais hidrelétricas a utilização de geradores com 12 pares de pólos não é economicamente viável devido ao tamanho da máquina elétrica, sendo que no caso de geração de energia este tipo de gerador é utilizado em micro usina hidrelétrica.

Tabela 4-2: Velocidade de rotação em função do número de pares de pólos.

Frequência

Número de Pólos

Rotação do gerador (rpm)

 

2

3600

4

1800

60

6

1200

8

900

10

720

12

600

Para a utilização de geradores com potências acima de 100 kW, geralmente são utilizados, quando necessários, dispositivos chamados de multiplicadores de velocidade, que são acoplados por meio de polias ou correias para máquinas menores e para máquinas maiores, são utilizados caixa de engrenagens, para que aumentem a velocidade do acoplamento entre a turbina e o gerador, fazendo assim a possibilidade da utilização de gerador com um menor número de pólos.

40

5. LOCAL DE ESTUDO

O estudo para a implantação do empreendimento será realizado no município de Guarapuava Paraná. A fonte de energia primária será as águas do Rio das Pedras cujas coordenada geográficas são 25°25'2.34"S 51°26'27.72"O obtidos através do programa Google Earth.

Através de imagens adquiridas por satélite (Google Earth), é possível visualizar o local pretendido para a implantação do empreendimento mostrada na Figura 5-1, onde está representado a dimensão aproximada do empreendimento, com uma pequena área alagada devido ao represamento da água, um canal de adução, conduto forçado, casa de máquinas e canal de fuga.

conduto forçado, casa de máquinas e canal de fuga. Figura 5-1: Futuro Localização da Mini Usina

Figura 5-1: Futuro Localização da Mini Usina Hidrelétrica. Fonte Google Earth.

41

6. ESTUDOS HIDROLÓGICOS

Antes de se realizar o projeto de uma usina hidrelétrica, é necessária a execução de um estudo hidrológico do local para ver a sua viabilidade.

Para este estudo hidrológico é necessário realizar a coleta dos dados de diversos valores de vazão que são de interesse.

No Brasil existem mais de 4.000 postos fluviométricos em operação e os dados coletados são de responsabilidade da ANA (Agência Nacional de Águas). Através do site da ANA, é possível verificar quais os locais onde estão instalados os postos fluviométricos e também fazer a coleta destes dados em arquivos digitais.

Esses postos fluviométricos são compostos por um jogo de réguas linimétricas instaladas em um local adequado de forma a obter uma relação bem conhecida entre o nível d’água e a vazão, conhecida como “Curva- Chave” da seção, que é obtida mediante a interpolação de medições de níveis d’água e de vazões, envolvendo períodos de estiagem e de águas altas. Geralmente ajusta-se a uma equação do tipo potencial ou funções do tipo polinomial de até terceiro grau (MME, 2008).

Os estudos hidrológicos (MME, 1985) a serem realizados em projetos de mini centrais hidrelétricas compreendem basicamente a definição de:

Regime fluviométrico do rio, com determinação de vazões para utilização no cálculo da potência a ser instalada;

Vazão de desvio do rio durante a construção;

Vazão de projeto das estruturas extravasouras, ou cheia de projeto;

Relação de cota-descarga a jusante da central.

Para o caso deste empreendimento, serão utilizados os dados de vazões que são fornecidos através do Banco de Dados Hidrometeorológicos

42

Módulos de Dados Quáli-Quantitativos SNIRH (Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos).

O local escolhido para a construção do empreendimento fica a montante do posto fluviométrico, tendo como informações os dados apresentados na Tabela 6-1.

Tabela 6-1: Dados sobre o posto fluviométrico.

Estação

ETA-Guarapuava

Código

65809000

Responsável:

Agência Nacional de Águas

Operadora:

Instituto das Águas do Paraná

Bacia DNAEE:

Rio Paraná

Corpo d’água:

Rio das Pedras

Município:

Guarapuava PR

Latitude:

-25º23'52.08

Longitude:

-51º26'08.88

6.1. DADOS COLETADOS

Para fazer a determinação dos gráficos necessários para as análises, foram obtidas as informações dos valores das vazões junto ao site da ANA. O período de dados de vazões encontrados tem seu início no ano de 1989 e vai até o ano de 2010.

Para este projeto o total de dados utilizados para as análises é todo o período de coleta das informações que tem um total de 262 meses (aproximadamente 22 anos).

Os valores utilizados para o projeto da mini usina hidrelétrica terão como fonte os valores das vazões das médias mensais que estão representados nas tabelas abaixo sendo a Tabela 6-2 equivalente aos anos

43

de 1989 até 1994, Tabela 6-3 de 1995 até 2000, Tabela 6-4 de 2001 até 2004 e Tabela 6-5 de 2005 até 2010, como mostrados a seguir.

Tabela 6-2: Vazões médias mensais (m 3 /s) de 1989 à 1994. Fonte: (ANA).

ANO MÊS
ANO
MÊS
 

1989

 

1990

1991

1992

1993

1994

 

1 22,45

 

-

2,09

6,26

7,91

7,86

 

2 32,52

 

4,66

2,66

6,89

7,47

16,90

 

3 14,98

 

3,01

2,00

12,18

5,72

4,30

 

4 7,81

 

5,97

5,00

7,51

3,83

2,90

 

5 17,03

 

6,18

2,95

39,05

22,03

5,24

 

6 2,81

 

14,16

14,11

20,26

7,23

13,12

 

7 7,84

 

19,83

6,16

12,81

11,96

13,23

 

8 9,69

 

22,41

4,26

13,44

4,05

4,08

 

9 19,06

 

20,83

1,67

12,03

15,50

1,72

 

10 11,91

 

21,07

8,41

10,84

27,19

3,09

 

11 4,76

 

8,22

7,87

9,98

6,37

6,84

 

12 4,22

 

3,32

8,59

5,44

10,02

5,74

Tabela 6-3: Vazões médias mensais (m 3 /s) de 1995 à 2000. Fonte: (ANA).

ANO MÊS
ANO
MÊS

1995

1996

1997

1998

1999

2000

 

1 37,17

11,66

15,86

7,41

6,44

8,68

 

2 13,97

18,44

6,61

9,33

9,28

17,60

 

3 5,12

13,96

5,30

18,09

6,04

8,74

 

4 2,70

7,85

3,05

56,44

7,84

3,44

 

5 1,83

2,92

2,81

9,84

6,05

2,42

 

6 3,19

3,67

13,00

4,88

16,19

6,20

 

7 15,60

6,18

9,54

7,40

13,71

7,92

 

8 3,16

3,38

7,77

13,40

2,96

4,39

 

9 8,83

6,55

10,08

29,78

5,31

24,79

 

10 14,08

21,55

39,86

35,53

2,62

19,55

 

11 9,26

11,82

24,91

5,10

2,41

9,00

 

12 8,17

15,59

8,98

4,13

5,38

5,90

44

Tabela 6-4: Vazões médias mensais (m 3 /s) de 2001 à 2005. Fonte: (ANA).

ANO MÊS
ANO
MÊS

2001

2002

2003

2004

2005

 

1 13,25

10,44

4,28

4,80

4,73

 

2 23,35

7,47

9,39

3,28

2,47

 

3 7,31

10,36

8,29

3,14

2,31

 

4 3,93

3,46

4,22

4,28

4,53

 

5 6,53

13,91

2,81

14,64

7,31

 

6 6,66

4,29

5,94

9,60

16,66

 

7 8,05

3,23

9,22

13,98

6,77

 

8 4,73

2,50

3,24

3,96

5,49

 

9 6,57

9,84

3,40

3,57

23,21

 

10 23,44

10,61

5,21

15,55

32,53

 

11 7,65

13,50

11,61

12,95

9,50

 

12 9,57

11,95

10,81

3,60

3,94

Tabela 6-5: Vazões médias mensais (m 3 /s) de 2006 à 2010. Fonte: (ANA).

ANO MÊS
ANO
MÊS

2006

2007

2008

2009

2010

 

1 3,90

10,63

12,11

3,95

15,10

 

2 4,28

10,95

3,83

3,69

10,13

 

3 3,89

10,44

3,93

4,38

7,71

 

4 2,49

6,99

6,49

2,83

16,52

 

5 1,93

29,77

7,98

4,09

8,77

 

6 2,00

5,71

13,02

5,31

5,64

 

7 2,21

6,31

8,19

25,59

8,58

 

8 3,12

3,87

15,95

11,39

5,01

 

9 7,04

2,87

4,45

27,26

5,45

 

10 4,97

2,70

16,08

19,98

8,44

 

11 6,22

9,76

12,56

10,56

-

 

12 6,03

7,15

3,56

11,49

16,47

45

6.2. FLUVIOGRAMA

O fluviograma é o gráfico que melhor representa o comportamento variável e aleatório das vazões passadas. O gráfico pode tem média diária, mensal ou anual, sendo que no eixo vertical representa-se o valor da vazão (m 3 /s) e é representado pela letra “Q” e o eixo horizontal pode ser representado por dias, meses ou anos.

A Figura 6-1 apresenta o fluviograma com as médias diárias do Rio das Pedras.

400 350 300 250 200 150 100 50 0 0 1000 2000 3000 4000 5000
400
350
300
250
200
150
100
50
0
0
1000
2000
3000
4000
5000
6000
7000
8000
Dias
Vazão (m 3 /s)

Figura 6-1: Fluviograma das vazões médias diárias do Rio das Pedras na região de Guarapuava. Fonte: (ANA).

Segundo a Figura 6-1, verifica-se que a visualização do fluviograma utilizando-se vazões diárias é de difícil interpretação devido à grande quantidade de dados coletados para o processo.

Para este tipo de cálculo e se tratando de uma avaliação prévia, é comum a utilização das vazões médias mensais. Com isso a visualização do

46

gráfico fica muito mais explícita podendo verificar com maiores detalhes o comportamento da vazão.

Na Figura 6-2 é representado o fluviograma com médias mensais do local estudado.

60 50 40 30 20 10 0 0 30 60 90 120 150 180 210
60
50
40
30
20
10
0
0
30
60
90
120
150
180
210
240
270
Vazão (m 3 /S)

Meses

Figura 6-2: Fluviograma das vazões médias mensais do Rio das Pedras na região de Guarapuava. Fonte: (ANA).

É possível verificar claramente o comportamento da vazão do rio, durante o período de dados coletados pelo posto fluviométrico e também perceber que existe uma grande variação nesses meses.

É devido a essa grande variação que torna necessário se realizar um estudo com relação à vazão, pois caso seja utilizado o valor de vazão para projeto abaixo da disponibilidade, a central hidrelétrica fica submotorizada, com isso gerando desperdício do recurso utilizado. Caso a vazão de projeto fique acima do indicado, a central se torna supermotorizada, sem contar que o custo é proporcional à potência instalada. Com isso o custo de instalação da mini-usina hidrelétrica ficaria muito alto, tornando-a inviável economicamente.

47

6.3. REGIONALIZAÇÃO DAS VAZÕES

Antes de realmente fazer as análises das vazões foi necessário realizar o estudo da regionalização da vazão. Isto é necessário para obter um valor mais próximo da realidade, pois como a medição da água é a jusante do local existe uma diferença entre o valor medido na estação e o local em que se deseja fazer a implantação da usina. Como a bacia em estudo é a mesma, sendo que apenas muda o local de estudo, foi considerado que a área de drenagem, relevo, solos e cobertura vegetal são semelhantes, sendo assim o comportamento hidrológico é parecido. O MME informa que o ideal para a regionalização das vazões é a utilização de estações fluviométricas a montante e a jusante, como é o caso da mini usina hidrelétrica em estudo (MME, 2008).

Para o cálculo da regionalização da vazão é utilizado a seguinte fórmula:

sendo:

Q q vazão no local de interesse;

(6.1)

A d1 - área de drenagem no local de interesse;

A ds área de drenagem da estação semelhante;

Q s vazão na estação semelhante.

Para o estudo da mini usina hidrelétrica foi considerado a área de drenagem do posto fluviométrico de 306 km 2 e para a área de drenagem da mini usina hidrelétrica está se projetando o valor de 220 km 2 . A curva de permanência de vazões a seguir já está com os valores corrigidos pela regionalização das vazões.

48

6.4. CURVA DE PERMANÊNCIA DE VAZÕES

Para a definição do valor de descarga para o projeto é necessário fazer a análise da curva de permanência. Esta curva é relativa a um histograma de frequências acumuladas relativas das vazões do rio em estudo. A construção desta curva tem como objetivo fazer a análise estatística da vazão.

A curva de permanência expressa a relação entre a vazão e a frequência com que esta vazão é superada ou igualada.

Na Figura 6-3 está representado a curva de permanência de vazão do rio estudado para a mini central hidrelétrica.

45,00 40,00 35,00 30,00 25,00 20,00 15,00 10,00 5,00 0,00 Vazão (m 3 /s)
45,00
40,00
35,00
30,00
25,00
20,00
15,00
10,00
5,00
0,00
Vazão (m 3 /s)

0,00

10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00 80,00 90,00 100,00 Porcentagem do tempo em que a vazão é igualada ou excedida (%)

Figura 6-3: Curva de permanência do rio das Pedras na região de Guarapuava PR.

Através do estudo da curva de permanência de vazões é possível obter informações importantes para o estudo da vazão, sendo alguns deles:

A vazão que é superada em 50% do tempo e é chamada de

Q 50 ;

49

A vazão que é superada em 90% do tempo e é chamada de

Q 90 e é referência para legislação na área de Meio Ambiente e

de Recursos Hídricos em alguns estados brasileiros;

vazão que é superada em 95% do tempo é chamada de Q 95 e

A

é

utilizada para definir a Energia Firme da usina hidrelétrica.

Da curva de permanência das vazões estabelece a Tabela 6-6 com os seguintes valores:

Tabela 6-6: Valores da curva de permanência.

VAZÕES

(m

3 /s)

Média - Q 50

5,37

Firme Q 95

1,81

Máxima média mensal Q MAX

40,58

Média de longo termo Q MLT

6,94

Mínima média mensal Q MIN

1,20

Através dos dados retirados da Tabela 6-6, é possível verificar que o

valor da média de longo termo Q MLT , que é a média aritmética das vazões

é diferente e maior que a vazão de 50% do tempo - Q 50 . O valor da média de longo termo corresponde apenas a 36% do tempo de duração. O valor da vazão de Q 95 que é considerado o valor de vazão de energia firme, é

utilizado para lugares em que não existem estudos de hidrologia necessários

e para sistemas isolados, isto é, em lugares que não existem conectividade com outras fontes de geração de energia elétrica, ficando assim dependentes diretamente da geração hidráulica. A mínima média mensal -

Q MIN é a menor vazão que existe no rio.

Com a interligação do sistema elétrico brasileiro, a questão com relação a energia firme (Q 95 ) sofreu algumas mudanças com a criação da Contabilização do Mecanismo de Realocação de Energia (MRE), sendo este um mecanismo financeiro que tem por objetivo compartilhar os riscos

50

hidrológicos que afetam os geradores, na busca de garantir a otimização dos recursos hidrelétricos dos sistemas interligados. A intenção do MRE é garantir que todos os geradores dele participantes comercializem a energia assegurada que lhes foi atribuída, independente de sua produção real de energia, desde que as usinas integrantes, como um todo, tenham gerado energia suficiente para o atendimento. Dessa forma a energia produzida é contabilmente distribuída, transferindo o excedente daqueles que geram além de sua energia assegurada para aqueles que geraram abaixo por imposição do despacho centralizado do sistema (ANEEL, 2005).

Um outro detalhe de muita importância é com relação à legislação ambiental, sendo que no Paraná o órgão responsável é o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), responsável pelas liberações das licenças tanto para a construção da mini usina hidrelétrica quando operativa.

Além disto, também deve ser respeitado uma vazão remanescente, chamada também de vazão ecológica que deve ser mantida no local, sendo

o valor a equivalente de 50% de Q 10,7 (vazão de estiagem de 7 dias com 10 anos de recorrência) sendo esta uma determinação da Superintendência de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (SUDHERSA).

6.5. ESTUDOS HIDROENERGÉTICOS

O estudo hidroenergético é um dos pontos mais importantes para o projeto de uma mini usina hidrelétrica, isto se deve ao fato que neste estudo

é que se define qual será o valor da descarga líquida para a determinação da vazão de projeto.

51

Para tanto, é preciso obter a curva de energia, obtida a partir dos valores da curva de permanência de vazão, de cuja análise é possível fazer

a definição da vazão ótima de projeto.

Umas das formas mais comuns de se gerar a curva de energia é relacionando a vazão instalada versus a vazão média turbinada.

Através da curva de permanência que mostra de forma potencial o período em que uma determinada vazão permanece e admitindo que um determinado valor de vazão Q L1 , é aquele correspondente à capacidade de turbinamento da mini usina hidrelétrica, a área sob a curva de permanência referente a esta ordenada (área do trapézio OABC da Figura 6-4) é igual à energia que a central será capaz de gerar (MME, 2008).

à energia que a central será capaz de gerar (MME, 2008). Figura 6-4: Curva de Permanência:

Figura 6-4: Curva de Permanência: Determinação da Vazão Média turbinada, QTn, em função da vazão instalada, QLn. Fonte: (MME, 2008).

Então para o cálculo da área do primeiro trapézio é feito da seguinte

maneira:

 

(

)

onde

(

)

(6.2)

Q T1 é a vazão média turbinada referente às permanências p 0 e p 1 ;

52

Q L1 vazão instalada, com a permanência p 1 ;

Q L0 vazão instalada, com a permanência p 0 ;

p 1 permanência da vazão Q L1 ;

p 0 permanência da vazão anterior.

Se for aumentado o valor da vazão instalada para Q L2 , o valor da vazão média terá um incremento de Δ Q1 , logo:

onde:

(6.3)

Q T1 é a vazão média turbinada referente às permanências p 0 e p 1 ;

Q T2 vazão média turbinada referente às permanências p 0 e p 2 ;

ΔQ 1 acréscimo de área sob a curva e a área anterior.

É possível verificar pela Figura 6-4 que:

onde:

(

)

(

)

(6.4)

ΔQ 1 acréscimo de área sob a curva e a área anterior;

Q L1 vazão instalada, com a permanência p 1 ;

Q L2 vazão instalada, com a permanência p 2 .

onde:

(

) (

)

(6.5)

Q T1 é a vazão média turbinada referente às permanências p 0 e p 1 ;

Q T2 vazão média turbinada referente às permanências p 0 e p 2 ;

Q L1 vazão instalada, com a permanência p 1 ;

53

Q L2 vazão instalada, com a permanência p 2 ;

p 1 permanência da vazão Q L1 ;

p 2 permanência da vazão Q L2 ;

Este processo é repetido sucessivamente a medida em que se aumenta a vazão a ser turbinada pela central, assim, a energia a ser gerada é acrescida do incremento da vazão, de acordo com a relação:

(

)

(

(

)

(

(

)

) )

(

(

) )

(6.6)

(6.7)

Com n variando de 0 a i, sendo i o número de discretização adotada para o levantamento da curva de permanência.

A curva de energia é obtida através da relação entre a capacidade de turbinamento e a vazão média turbinada conforme mostrado na Figura 6-5, onde é possível verificar que a medida que a vazão a ser instalada, Q Ln vai aumentando, a amplitude de acréscimo de vazão, ΔQ (n-1) , Q Tn vai diminuindo. Ao se traçar os valores da vazão instalada, Q Ln, versus a vazão média turbinada Q Tn , obtem-se uma curva crescente que vai saturando, ou seja, tende para um valor constante, conforme a Figura 6-5. A saturação da curva de energia mostra que o ganho de energia gerada que se consegue com o aumento da vazão turbinada, ou seja, da capacidade do grupo gerador, acaba ficando muito pequeno, enquanto que o custo sobe bastante, inviabilizando o projeto (MME, 2008).

Através do processo de otimização desenvolvido por (Souza & Santos, 1999) é possível demonstrar que o ponto de máximo benefício é dado pela interseção das tangentes aos pontos inicial e final da curva (retas AO e BC). Ao valor da abscissa referente ao ponto “D” denomina-se vazão ótima de projeto, Q P , (MME, 2008).

54

A B C D 5,22 4,22 3,22 2,22 1,22 Q p 0,22 1 O 2,5
A
B
C
D
5,22
4,22
3,22
2,22
1,22
Q
p
0,22
1 O 2,5
4
5,5
7
8,5
10
11,5 13
14,5 16
17,5 19 20,5 22
23,5 25 26,5
Vazão Instalada (m 3 /s)
Vazão Média turbinada (m 3 /s)

Figura 6-5: Curva de Energia.

Após o tratamento dos valores da curva de permanência, obteve-se o valor da vazão ótima para o projeto da mini usina hidrelétrica, equivalente a Q P = 8,4 m 3 /s, conforme verificado na Figura 6-5.

Para o estudo de viabilidade desta mini usina hidrelétrica, foi definido que a queda de projeto é equivalente a 15 metros, sendo 10 metros de queda natural e uma barragem de 5 metros de altura.

A definição da queda de projeto serve para fazer o dimensionamento da potência gerada, pois a potência é diretamente proporcional ao valor da queda d’água do projeto como mostrado na equação 7.1.

7. ENERGIA GERADA

Após a definição do valor da vazão que será utilizada e a altura da queda d’água, é possível fazer uma avaliação aproximada da quantidade de energia que poderá ser gerada pela mini central hidrelétrica.

55

Para a quantificação de energia, considerou-se primeiramente a turbina Kaplan, escolhida pelo fato dela trabalhar na faixa de altura (15 metros) e vazão (8,4 m 3 /s) previamente escolhidos (item 6.5).

Para a turbina

Kaplan, o seu limite de operação é bem amplo,

trabalhando entre 25% e 100% de sua potência nominal.

O cálculo da energia gerada é feito da seguinte fórmula:

onde:

(7.1)

P potência nos bornes do gerador, em kW;

r t rendimento da turbina;

r g rendimento do gerador;

Q P descarga da turbina, em m 3 /s;

H L queda líquida, em metros;

9,81 aceleração da gravidade, m 2 /s.

Para o cálculo da energia gerada foi considerado que o grupo gerador tem um rendimento igual a 88,8%.

Foram calculados valores de potência gerada para três faixas de operação, segundo a Figura 7-1. No “Intervalo 1” a máquina opera com potência nominal e com tempo de duração igual a 30%, no “Intervalo 2” como a vazão é menor, ela opera com parte da sua capacidade nominal, com uma duração de 66% da sua capacidade. No “Intervalo 3”, a mini usina hidrelétrica não opera pois está abaixo do limite inferior de potência da turbina hidráulica.

56

45,00 40,00 35,00 30,00 25,00 20,00 15,00 10,00 Intervalo 3 5,00 Intervalo 1 Intervalo 2
45,00
40,00
35,00
30,00
25,00
20,00
15,00
10,00
Intervalo 3
5,00
Intervalo
1
Intervalo 2
0,00
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
Vazão (m3/s)

Tempo de Duração (%)

Figura 7-1: Determinação da energia gerada para a mini central hidrelétrica.

Considerando os dados da Figura 7-1, é possível montar a Tabela 7-1 com os valores de energia gerada, sendo esta em MWh/ano.

Tabela 7-1: Cálculo da energia gerada para a mini central hidrelétrica.

Descrição

Intervalo 1

Intervalo 2

Intervalo 3

Vazão média (m 3 /s)

8,4

5,25

0

Potência média (kW)

1097,62

686,01

0

Duração (%)

30

66

4

Energia gerada (MWh/ano)

2884,55

3966,25

0,00

Energia Total (MWh/ano)

 

6850,80

Para o cálculo da energia gerada no “Intervalo 2”, foi utilizado o valor da média aritmética entre os valores da vazão máxima e mínima no intervalo de operação.

Já que o projeto pode se enquadrar no tipo mini central (potência menor ou igual que 1 MW) e foram obtidos valores um pouco acima de 1000

57

kW e por um pequeno período do tempo então passou-se a adotar como valor de vazão de projeto, Q P , o valor de 8,4 m 3 /s e como potência nominal da turbina igual a 1000 kW, sendo assim, obtendo-se assim a Tabela 7-2 com a energia gerada.

Tabela 7-2: Cálculo da nova energia gerada na mini central hidrelétrica.

Descrição

Intervalo 1

Intervalo 2

Intervalo 3

Vazão média (m 3 /s)

8,4

5,25

0

Potência média (kW)

1000

686,01

0

Duração (%)

30

66

4

Energia gerada (MWh/ano)

2628,00

3966,25

0,00

Energia Total (MWh/ano)

 

6594,25

Através da Tabela 7-2, é possível fazer o cálculo do fator de capacidade, que nada mais é a relação entre a energia gerada pela mini central hidrelétrica, considerando a disponibilidade da vazão, e a energia gerada, caso a mini usina trabalhasse em plena potência. O fator de capacidade indica a adequação entre a vazão de projeto e as vazões efetivamente disponíveis, sendo calculado através da seguinte equação (MME, 2008):

onde:

(7.2)

FC fator de capacidade da central geradora;

E util energia efetivamente gerada pela central (kWh);

E tota - energia que poderia ser gerada pela central (kWh).

58

Um baixo fator de capacidade indica que o valor para a vazão de projeto escolhido é muito alta, fazendo com que a mini central hidrelétrica trabalhe em sua maior parte do tempo com potência reduzida. Para este caso, o investimento na central hidrelétrica é muito maior que o retorno que a mesma produzirá. Um alto valor de fator de capacidade, indica que o valor determinado para a vazão de projeto é muito pequeno, sendo desperdiçada água que poderia estar produzindo energia.

O fator de capacidade adotada no Brasil está entre 50% e 55%, isto por questões de segurança, mas as usinas entre 40% e 60% são consideradas como sendo dentro da média.

Para a mini central hidrelétrica o fator de capacidade é:

(7.3)

Para este estudo, o valor do fator de capacidade está um pouco acima da média do Brasil, apesar que existem diversas usinas com fatores de capacidade menores que 50% como é o caso de Belo Monte e acimas de 55% como é o caso de Itaipu que chega a 83%.

8. DIMENSIONAMENTO DOS EQUIPAMENTOS

Com o estudo hidrológico realizado e com a obtenção da curva de permanência que possibilita a determinação do valor da vazão de projeto, passa-se ao dimensionamento dos equipamentos eletromecânicos.

59

8.1. DETERMINAÇÃO DA TURBINA

A escolha da turbina deve ser realizada com muita cautela, isto se deve ao fato da turbina ter relação direta no impacto da geração da energia, pois a escolha de uma turbina não ideal para o empreendimento traz consequências danosas, pois impacta diretamente na produção energética e no custo, impactando no orçamento previsto para a construção da usina.

Segundo levantamento do MME, o custo de equipamentos como geradores, reguladores, painéis e turbinas, tem o impacto no orçamento do empreendimento em cerca de 22% no valor total da obra (MME, 2008).

Com a definição do valor de vazão de projeto estimada em 8,4 m 3 /s, e queda líquida em 15 metros, a avaliação da escolha da turbina ideal para o empreendimento é através dos gráficos de rendimentos e faixa de operação das turbinas. No mercado existem diversos fabricantes que disponibilizam esses gráficos para a análise dos futuros empreendimentos. Outra forma é a utilização destes gráficos através dos manuais de mini e pequenas centrais hidrelétricas disponibilizadas pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

O gráfico que possibilita a escolha da turbina é de fácil análise (Figura 8-1). No eixo horizontal é apresentado os valores das vazões e no eixo vertical estão apresentados os valores das quedas.

60

60 Figura 8-1: Gráfico de seleção de turbinas aplicáveis a mini centrais hidrelétrica. Fonte: (HACKER, 2012)

Figura 8-1: Gráfico de seleção de turbinas aplicáveis a mini centrais hidrelétrica. Fonte:

(HACKER, 2012)

Na Figura 8-1, é possível verificar que a indicação da melhor turbina para a instalação da mini usina hidrelétrica é a Kaplan. Antes da definição da turbina é necessário fazer o estudo com relação à velocidade de rotação em que a turbina trabalha.

61

8.1.1. ROTAÇÃO ESPECÍFICA

Para dar continuidade ao estudo da turbina, é necessário também

fazer a avaliação da rotação específica da turbina, a fim de também se fazer

a determinação do número de pólos do gerador.

Para a turbina Kaplan, o cálculo é realizado da seguinte maneira (MME, 2000):

onde:

(8.1)

K coeficiente adimensional para turbinas Kaplan (para turbinas Kaplan, o valor utilizado é 2100);

P

potência da turbina (kW);

H

liq Altura de queda líquida.

Através da realização deste cálculo, em que para K é utilizado o valor de 2100, para H liq é 15 metros e P é 1000 kW, chega-se ao resultado de:

(

)

(8.2)

logo, para este caso, utiliza-se o valor mais aproximado para velocidade de rotação da turbina que é de 500 rpm.

É possível a utilização de um multiplicador de velocidades, pois para velocidades de rotação mais alta, os geradores acoplados as turbinas hidráulicas são de dimensões menores sendo assim ficando mais baratos. Isto quer dizer que os geradores têm menores quantidades de pólos, sendo que para a avaliação final, deve ser feito um estudo comparativo de preços, pois a utilização de multiplicador de velocidade exige uma infra-estrutura maior na casa de força. Com a utilização do multiplicador de velocidade a

62

velocidade, pode-se obter velocidades de rotação em torno de 1800, 1200 ou 900 rpm (MME, 2000).

Para este empreendimento será ideal a instalação de uma caixa de redução para a transformação da rotação nominal da turbina de 500 rpm para 1800 rpm na entrada do eixo do gerador.

As características finais da turbina hidráulica estão especificadas na Tabela 8-1.

Tabela 8-1: Resumo da turbina hidráulica.

Modelo

Kaplan

Vazão de projeto

8,4 m 3 /s

Altura de queda líquida

15

m

Potência Nominal

1000 kW

Rendimento Mínimo

25

%

Rotação nominal

500 rpm

8.2. DETERMINAÇÃO DO GERADOR

Após a seleção da turbina que será utilizada no projeto, o próximo

passo é realizar o estudo para a determinação do gerador que será acoplado

á turbina.

O cálculo da potência do gerador é feito da seguinte forma:

onde:

(

)

P G Potência do gerador (kVA);

(8.3)

63

P T Potência no eixo da turbina (kW);

G Rendimento do gerador;

cos

fator de potência do gerador.

O cálculo do rendimento do gerador, utiliza-se o valor de 0,96 para geradores de até 1MVA, e de 0,97 para geradores até 10MVA (MME, 2008).

Considerando que o empreendimento será conectado ao sistema de distribuição da COPEL, a mesma exige que o fator de potência seja no mínimo 0,92 e a conexão deve ser em sistema trifásico, segundo (COPEL,

2010).

Com base nestas informações o cálculo da potência do gerador é:

(

)

991,3 kVA

(8.4)

Logo para esta mini usina hidrelétrica é necessário um gerador com uma potência de 1000 kVA.

Na Figura 8-2, está ilustrado um hidrogerador da fabricante WEG.

64

64 Figura 8-2: Hidrogerador. Fonte: (WEG). 8.2.1. TENSÃO DE GERAÇÃO Como a mini usina hidrelétrica estará

Figura 8-2: Hidrogerador. Fonte: (WEG).

8.2.1. TENSÃO DE GERAÇÃO

Como a mini usina hidrelétrica estará conectada ao sistema de distribuição da COPEL, e este será feito através de um transformador, a determinação da tensão de geração é baseada em valores econômicos.

Para isso, a utilização de tensões maiores na geração de energia faz com que os custos com cabos, painéis e instalações elétricas diminuam.

Segundo catálogo de um fabricante de geradores nacional, para uma faixa de potência que varia de 750 a 1250 kVA é possível se utilizar como tensão nominal de geração, “V n ”, o valor de 480 V, sendo que a frequência de geração é 60 Hz, o gerador com 4 pólos e operando na rotação nominal de 1800 rpm.

65

8.2.2. SISTEMA DE EXCITAÇÃO

O funcionamento de um gerador elétrico se dá através da interação do campo magnético produzido em seu rotor, com o campo magnético produzido nos enrolamentos do estator. O sistema de excitação tem como objetivo, o fornecimento da corrente necessária para a produção do campo magnético. Para os geradores síncronos de uma mini central hidrelétrica, estes necessitam produzir a sua própria excitação, ou receber a excitação através de um sistema dedicado, sendo este um sistema de excitação estática. A utilização de excitação estática é chamada de “brushless”, e sua manutenção é quase nula (MME, 2008).

Para este gerador será considerado então o sistema de excitação do tipo “brushless”.

As características do sistema gerador estão resumidas na Tabela 8-2.

Tabela 8-2: Resumo do gerador.

Gerador

Síncrono, trifásico

Montagem

Eixo horizontal

Potência

1000 kVA

Tensão Nominal

480 V

Conexão

Estrela

Fator de potência

0,92

Excitação

“Brushless”

Frequência

60 Hz

Rotação nominal

1.800 rpm

Pólos

4

66

8.3. DETERMINAÇÃO DO TRANSFORMADOR

O transformador elevador deve ter potência igual ou superior à potência máxima do gerador, procurando especificar um valor de potência padronizado, facilitando o prazo de entrega e diminuindo os custos de aquisição do equipamento e também a reposição em eventual dano do mesmo (MME, 2008).

A instalação do transformador deve ser feito o mais próximo possível

da casa de força, com isso reduzindo a quantidade de cabos de interligação

entre o gerador e o transformador e consequentemente reduzindo as perdas por efeito Joule devido à alta corrente que é conduzido por este cabo.

A ligação do transformador deve ser em rede trifásica sendo que na

alta tensão em estrela e na baixa tensão deve ser em triângulo, conforme mostrado na Figura 8-3 (COPEL, 2010).

Deve-se prever a utilização de um transformador de aterramento no lado de baixa no transformador elevador.

67

67 Figura 8-3: Ligação trafo em geração distribuída. Fonte: (COPEL, 2010) As características do transformador de

Figura 8-3: Ligação trafo em geração distribuída. Fonte: (COPEL, 2010)

As características do transformador de potência estão resumidas na Tabela 8-3 e o seu formato está representado na Figura 8-4.

Tabela 8-3: Resumo do transformador de potência.

Potência

1000 kVA

Norma de Fabricação

NBR 5356/93

Refrigeração

ONAN - Óleo Natural, Ar Natural - imerso em óleo isolante mineral

Classe de Tensão

34,5 kV

Tensão Primária

34,5 kV

68

Tensão Secundária

440/254 V

Primário

Triângulo

Secundário

Estrela com neutro acessível

Deslocamento Angular

30º

Frequência nominal

60 Hz

NBI

150 kV

30º Frequência nominal 60 Hz NBI 150 kV Figura 8-4: Transformador 1000 kVA. Fonte: (WEG) 8.4.

Figura 8-4: Transformador 1000 kVA. Fonte: (WEG)

8.4. CABOS DE INTERLIGAÇÃO

A interligação entre o gerador e o transformador de potência deve ser

realizado através de cabos de cobre isolados segundo a norma ABNT NBR

6251.

Para isso deve ser feito o cálculo da corrente que circulará em cada

fase.

O cálculo da corrente deve ser realizado da seguinte maneira:

69

onde:

P

Potência nominal;

V

Tensão nominal;

I Corrente Nominal.

(8.5)

Este cálculo deve ser realizado tanto para a alta tensão quanto para a baixa tensão, isto devido ao fato tanto da alta quanto da baixa tensão circularão correntes diferentes.

Para a alta tensão a corrente que circulará pelo cabo é:

(8.6)

Logo para o cabo que interligará o transformador de potência e os cubículos, deve-se garantir a corrente nominal em trabalho contínuo de 17 A.

Para a corrente de baixa tensão tem-se:

(8.7)

Os cabos que interligam o gerador ao transformador de força devem suportar uma corrente de pelo menos 1210 A em trabalho contínuo.

9. INTERLIGAÇÃO COM A CONCESSIONÁRIA

O acesso do gerador da mini usina hidrelétrica será através do sistema de distribuição da concessionária ou em linha expressa. Como a inserção está na localidade de Guarapuava Paraná, o gerador deve

70

interligar a concessionária que é responsável na região, sendo esta a COPEL.

Para a interligação com a concessionária é preciso seguir algumas condições imposta pela mesma. Isso devido à segurança necessária para manter o sistema e as pessoas que trabalham nele e devido ao grande número de usuários que estão inseridos na rede de distribuição.

A COPEL já desenvolveu a sua política de conexão em geração distribuída, e criou o Manual de Acesso de Geração Distribuída ao Sistema da COPEL NTC 905100, que foi utilizado.

As características para o acesso da mini usina hidrelétrica tem diversos requisitos que devem ser seguido pelo acessante à rede de distribuição, ou mesmo pelo acesso a concessionária através de uma linha expressa. Estão listados abaixo alguns dos principais requisitos impostos pela concessionária COPEL:

a) Frequência:

60 Hz;

b) Tensão:

34,5 kV;

c) Aterramento:

O sistema em 34,5 kV em estrela com neutro efetivamente aterrado, com relação (X0/X1)3 e (R0/X1)1, conforme Figura

8-3;

d) Capacidade de interrupção dos disjuntores:

10 kA para 34,5 kV (subestações e redes);

e) Nível básico de isolamento:

150 kV para 34,5 kV (rede de distribuição e subtransmissão)

200 kV para 34,5 kV (subestações de transmissão e subtransmissão);

f) Pára-raios:

27 kV para 34,5 kV (rede de distribuição e subtransmissão)

71

30 kV para 34,5 kV (subestações de transmissão e subtransmissão)

g) Ligação dos enrolamentos de transformadores:

de distribuição e subtransmissão em 34,5 kV:

o

o

trifásico: estrela aterrada na alta e na baixa tensão;

monofásico: ligação fase-terra;

 interligadores e de carga:

interligadores e de carga:

o

o

transformador de dois enrolamentos: estrela aterrada na alta tensão e triângulo na baixa tensão;

transformador de três enrolamentos: estrela aterrada na alta tensão, estrela aterrada na média tensão e triângulo na baixa tensão.

h) Regulador de tensão nos transformadores:

na distribuição:

o

com relação fixa:13200/220/127 e 33000/220/127;

na subtransmissão (de carga):

o

com derivação fixas no primário (comutáveis sem tensão):

31500 32250 33000 33750 34500;

elevadores de usina:

o

com derivações fixas na alta tensão, comutáveis sem tensão.

i) Controle de tensão no sistema por meio de:

Controle de reativo nos geradores e compensadores síncronos;

Comutação, sob carga, nos transformadores interligadores e de carga;

Reguladores de tensão nas subestações e nos alimentadores;

Capacitores fixos e chaveados, nas subestações e nos alimentadores.

j) Proteção das linhas:

Ramais 13,8 kV e 34,5 kV

o Chaves fusíveis, chaves fusíveis religadoras ou religadores automáticos;

72

Linhas 13,8 kV e 34,5 kV:

o Disjuntores com relés ou religadoras automáticos, com ou sem unidade direcional de sobrecorrente e relés de subtensão.

A COPEL Distribuição exige que nas barras de 34,5 kV das subestações, devam ser observadas em regime normal de operação as faixas de valores da Tabela 9-1.

Tabela 9-1: Níveis de Tensão Eficaz em regime permanente. Fonte: (COPEL, 2010).

Patamar de Carga

Tensões (kV)

Tensões (kV)

Mínima

Máxima

Pesada

34,25

34,50

Intermediária

33,75

34,25

Leve

33,00

33,75

Caso a conexão seja em pingo na rede de distribuição, as máquinas do acessante devem manter a tensão entre 0,96 p.u. (32,12 kV) e 1,0 p.u. (34,5 kV), no ponto de acesso.

Com relação ao desequilíbrio da tensão, deve ser mantido o balanço, mesmo quando os equipamentos estão em operação, sendo que no ponto de operação não pode haver desequilíbrio acima de 1,5% de desequilíbrio de tensão.

Os requisitos técnicos descritos acima para conexão de geradores são estabelecidos levando-se em conta a potência total instalada de geração e não a potência a ser exportada para o sistema de potência da COPEL, sendo que os acessantes de geração conectados ao sistema de distribuição são classificados em dois tipos:

Exportadores de energia, de maneira contínua, com potência de geração bem caracterizada; e

Acessantes que não exportam energia em condições normais.

73

Na Tabela 9-2, estão representados as proteções mínimas para as diferentes faixas de potência de geração. Os campos marcados com X é de uso obrigatório e quando marcado com asterisco (*) será analisado pela área de Engenharia de Proteção da COPEL.

74

Tabela 9-2: Tipos de conexões permitidas em função da potência de geração. Fonte:

(COPEL, 2010).

TABELA I PROTEÇÕES MÍNIMAS PARA CONEXÕES DE GERADORES NO SISTEMA 34,5 kV

 

CLASSIFICAÇÃO DA TENSÃO DE ATENDIMENTO

 

BT

 

MT

 

TIPO DE GERADOR TRIFÁSICO

 

ASSÍNCRONO

 

SÍNCRONO

 

OU SÍNCRONO

FAIXA DE POTÊNCIA DA USINA (SOMA DA POTÊNCIA DOS GERADORES)

 

Até 75

kW

76 kW

a 300

301 kW

a 500

501 kW

a 1.0

Acima

de 1.0

 

kW

kW

MW

MW

TIPO DE CONEXÃO NO SISTEMA DA COPEL

PINGO NA REDE

X

X

X

X

 

LINHA EXPRESSA

       

X

ELEMENTO DE DESCONEXÃO MANUAL - VISÍVEL

 

CHAVE

         

SECCIONADORA

X

X

X

X

X

 

REQUISITO NA USINA

 

EQUIPAMENTO

OBJETIVO

ESPECIFICAÇÃO

TRAFO ABAIXADOR

   

Yat. / Yat.

X

X

X

X

 

(EXCLUSIVO)

ISOLAR FLUTUAÇÃO

 

Yat. /Yat./ D ou Yat. / D

       

X

TRAFO DE

ISOLAR HARMÔNICAS E SEQUÊNCIA 0

 

RELAÇÃO 1:1 D / Yat. (G)

         

ACOPLAMENTO NO

X

X

X