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Professor

cpad.com.br

Lições Bíblicas 4º trimestre 2018
Lições
Bíblicas
4º trimestre 2018

O VENTO SOPRA ONDE QUER

O Ensino Bíblico do Espírito Santo e sua operação na vida da Igreja

SANGUE DOE

Você pode salvar vidas com um simples gesto de amor

DOE Você pode salvar vidas com um simples gesto de amor Se você tem entre 18

Se você tem entre 18 e 60 anos e pesa mais de 50 kg, procure o hemocentro mais próximo.

“Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos.” 1 Jo 3.16

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Uma iniciativa

nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos.” 1 Jo 3.16 Saiba mais: www.editoracpad.com.br/doesangue Uma
Lições Bíblicas
Lições
Bíblicas

4º trimestre 2018

Professor

cpad.com.br

Lições Bíblicas 4º trimestre 2018 Professor cpad.com.br O VENTO SOPRA ONDE QUER O Ensino Bíblico do

O

VENTO SOPRA ONDE QUER

O

Ensino Bíblico do Espírito Santo

e sua Operação na Vida da Igreja

Comentarista: Alexandre Coelho

Lição 1

O

QUE É O MOVIMENTO PENTECOSTAL

3

Lição 2 COMO OS PENTECOSTAIS INTERPRETAM A BÍBLIA

11

Lição 3 OS LIVROS DE LUCAS E ATOS — A BASE DA DOUTRINA PENTECOSTAL

18

 

Lição 4

O

BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

26

 

Lição 5

A

CONTEMPORANEIDADE DOS DONS ESPIRITUAIS

33

 

Lição 6

O

DOM DE LÍNGUAS

40

 

Lição 7

O

GENUÍNO CULTO PENTECOSTAL

46

 

Lição 8

A

PROFECIA NA EXPERIÊNCIA PENTECOSTAL

54

 

Lição 9

A

MARAVILHOSA CURA DIVINA

61

 

Lição 10

A

ORAÇÃO E O JEJUM NA PERSPECTIVA PENTECOSTAL

69

Lição 11 SINAIS E PRODÍGIOS CONFIRMAM A PREGAÇÃO DO EVANGELHO

76

 

Lição 12

A

PRIORIDADE MISSIONÁRIA DOS PENTECOSTAIS

83

 

Lição 13

O

VENTO AINDA SOPRA ONDE QUER

90

O VENTO SOPRA ONDE QUER O Ensino Bíblico do Espírito Santo e sua Operação na
O VENTO SOPRA
ONDE QUER
O Ensino Bíblico do
Espírito Santo e sua
Operação na Vida da Igreja

CASA PUBLICADORA DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS

Presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil José Wellington Costa Junior Conselho Administrativo José Wellington Bezerra da Costa Diretor Executivo Ronaldo Rodrigues de Souza Gerente de Publicações Alexandre Claudino Coelho Consultoria Doutrinária e Teológica Antonio Gilberto e Claudionor de Andrade Gerente Financeiro Josafá Franklin Santos Bomfim Gerente de Produção Jarbas Ramires Silva Gerente Comercial Cícero da Silva Gerente da Rede de Lojas João Batista Guilherme da Silva Chefe de Arte & Design Wagner de Almeida Chefe do Setor de Educação Cristã César Moisés Carvalho Comentarista Alexandre Coelho Redatora Telma Bueno Diagramação e Capa Suzane Barboza Fotos Shutterstock

Com a graça do Pai, chegamos ao último trimestre do ano. Juntos, apren- demos importantes e preciosas lições da Palavra de Deus. Estudamos o Evangelho de Mateus, as Epístolas de Paulo aos Tessalonicenses, os Milagres de Jesus

e concluiremos com o tema Movimento

Pentecostal, de autoria do pastor Ale- xandre Coelho. O Movimento Pentecostal não foi criado por homem algum e não é exclusi- vidade de uma única denominação. Ele é divino. É o cumprimento da promessa de

Joel 2.28. Uma das provas da sua origem divina está atrelado ao seu crescimento ao longo dos mais de 100 anos de sua existência. Cremos que Deus continua edificando a sua Igreja e realizando milagres e maravilhas, batizando com

o Espírito Santo e concedendo dons

espirituais aos homens. Esperamos que os temas aborda- dos nas lições levem você a ser cheio do Espírito Santo. E que você tenha a

convicção de que o Pentecostes é para

o nosso tempo e que “essa história é a nossa história”. Seja cheio do Espírito Santo.

RIO DE JANEIRO CPAD Matriz Av. Brasil, 34.401 - Bangu - CEP21852-002 Rio de Janeiro - RJ Tel.: (21) 2406-7373 - Fax: (21) 2406-7326 E-mail: comercial@cpad.com.br

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LIÇÃO 1 07/10/2018 O QUE É O MOVIMENTO PENTECOSTAL TEXTO DO DIA “E estes sinais
LIÇÃO 1 07/10/2018
LIÇÃO
1
07/10/2018

O QUE É O MOVIMENTO PENTECOSTAL

TEXTO DO DIA “E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome, expulsarão demônios;
TEXTO DO DIA
“E estes sinais seguirão aos
que crerem: em meu nome,
expulsarão demônios; falarão
novas línguas.” (Mc 16.17)
SÍNTESE O Movimento Pentecostal, iniciado no livro de Atos e que continua em nossos dias,
SÍNTESE
O Movimento Pentecostal,
iniciado no livro de Atos e que
continua em nossos dias, é a
materialização da promessa de
revestimento de poder da parte
do Senhor Jesus Cristo para a
sua Igreja.
poder da parte do Senhor Jesus Cristo para a sua Igreja. AGENDA DE LEITURA SEGUNDA –

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA – Dt 16.1

Deus relembra ao povo o livramento recebido

TERÇA – Dt 16.10

O Pentecostes vinha depois

da Páscoa

QUARTA – Dt 16.11

O Pentecostes trazia alegria aos

hebreus e a outras pessoas

QUINTA – At 1.14

O Pentecostes começa

com oração

SEXTA – At 2.4

Uma promessa cumprida

SÁBADO – At 2.39

Uma promessa para os nossos dias

OBJETIVOS • APRESENTAR um panorama bíblico do Pentecostes; • RECONHECER que a promessa divina do
OBJETIVOS • APRESENTAR um panorama bíblico do Pentecostes; • RECONHECER que a promessa divina do
OBJETIVOS
• APRESENTAR um panorama bíblico do Pentecostes;
• RECONHECER que a promessa divina do derramamento
do Espírito foi feita ainda no Antigo Testamento;
• CONSCIENTIZAR de que o Pentecostes é uma promessa
cumprida em nossos dias.
INTERAÇÃO

Prezado(a) professor(a), pela graça de Deus estamos iniciando um novo trimestre, o último do ano de 2018. Com certeza esse foi um ano de crescimento e muito aprendizado para você e seus alunos. Depois de estudar acerca dos milagres de Jesus, veremos um assunto de extrema relevância para os que professam a fé pentecostal e que também envolve fé e milagres, pois cremos que o Mestre continua salvando, libertando, curando e batizando com o Espírito Santo. Estudaremos a respeito do Movimento Pentecostal

e o comentarista é o pastor Alexandre Coelho. Ele está à

frente da Gerência de Publicações da Casa Publicadora das

Assembleias de Deus, coordenando todo trabalho editorial (Bíblias, Livros e revistas de Escola Dominical) da Casa.

O pastor Alexandre também atua como palestrante nos

eventos de Educação Cristã da CPAD (Capeds, Congressos e

Conferências). É Licenciado em Letras, Bacharel em Direito

e possui várias obras publicadas pela CPAD.

Que esse trimestre seja marcado pelo mover e o agir do Espírito Santo em sua vida e na vida de seus alunos.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICAdo Espírito Santo em sua vida e na vida de seus alunos. Sugerimos que você inicie

Sugerimos que você inicie a aula escrevendo no quadro

a indagação que é o título da lição: “O que é o Movimento

Pentecostal?” Em seguida divida a turma em grupos e dê um tempo para que, em grupo, os alunos discutam a questão. Depois, reúna os alunos formando um único grupo. Ouça

as respostas e faça as considerações que achar necessárias.

Em seguida explique que o Movimento Pentecostal não é resultado da vontade humana ou exclusivo das Assembleias de Deus. Diga que ele teve seu início no livro de Atos e que tal Movimento é a materialização da promessa de revesti- mento de poder da parte do Senhor Jesus para a sua Igreja. Conclua a atividade enfatizando que embora o Movimento Pentecostal não seja exclusivo das Assembleias de Deus,

4 JOVENS
4 JOVENS

atualmente ela é a maior denominação pentecostal do país. Segundo dados do IBGE a cada dia aumenta o número de pentecostais assembleianos em nossa nação.

TEXTO BÍBLICO Joel 2.28-32 28 E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito

TEXTO BÍBLICO

Joel 2.28-32

28

E

há de ser que, depois, derramarei

o meu Espírito sobre toda a carne, e

vossos filhos e vossas filhas profetiza- rão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões.

29

E

também sobre os servos e sobre as

servas, naqueles dias, derramarei o meu Espírito.

30

E mostrarei prodígios no céu e na terra, sangue, e fogo, e colunas de fumaça.

31

O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande

e

terrível dia do SENHOR.

32

E

há de ser que todo aquele que in-

vocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como o SE- NHOR tem dito, e nos restantes que o SENHOR chamar.

o SE- NHOR tem dito, e nos restantes que o SENHOR chamar. COMENTÁRIO INTRODUÇÃO Há pouco
o SE- NHOR tem dito, e nos restantes que o SENHOR chamar. COMENTÁRIO INTRODUÇÃO Há pouco
o SE- NHOR tem dito, e nos restantes que o SENHOR chamar. COMENTÁRIO INTRODUÇÃO Há pouco

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Há pouco mais de um século, cris- tãos em vários lugares do mundo passaram a experimentar em seus cultos um avivamento sem pre- cedentes. Viu-se entre eles sinais como os descritos em Atos dos Apóstolos, como falar em outras línguas, curas, libertação de pessoas oprimidas pelo Diabo, profecias, e uma forte e profunda convicção da presença de Deus, confissão de pecados e salvação. Esse aviva- mento foi chamado de Movimento Pentecostal. Tais manifestações da presença de Deus ocorreram antes na história, mas desta vez foi dife- rente, pois a mensagem pentecostal se espalhou pelo mundo e trouxe profundas modificações na forma de pensar da teologia cristã, como também na própria prática cristã. Neste trimestre, estudaremos

o que é o pentecostalismo, sua

doutrina e a sua importância para

o cristianismo do século XXI.

I – UM PANORAMA BÍBLICO DO PENTECOSTES

1. O Pentecostes em Israel. Para que possamos iniciar o estudo do pentecos- talismo, é necessário que comecemos com as bases bíblicas que servem de referência ao Movimento Pentecostal. Pentecostes é o nome grego dado a uma festa judaica: a Festa das Colheitas. Os hebreus foram orientados, por Deus, a comemorar: 1) a festa da Páscoa, que celebrava a libertação do povo hebreu da escravidão egípcia, quando o Senhor

JOVENS 5

passou por sobre o Egito e julgou aque- la nação com a praga da morte dos primogênitos dos egípcios; 2) a festa das Colheitas, comemorada cinquenta dias após a Páscoa, e que celebrava a colheita do trigo e da cevada; e 3) a festa dos Tabernáculos, que recordava aos hebreus o período em que habitavam em tendas. Essas festas eram ordena- das pelo Senhor, como ajuntamentos públicos, que sempre, deveriam levar o povo a se lembrar de Deus e comemorar a sua intervenção na história. Havia outras datas que os judeus observavam, como por exemplo, a festa das Trombetas, que marcava o ano novo civil, onde o povo fazia uma reflexão a respeito da sua relação com Deus; o Dia da Expiação; o Purim, para comemorar o livramento que Deus concedeu aos judeus por intermédio da rainha Ester. 2. Motivo de alegria. A Festa das Colheitas ou Pentecostes deveria ser, conforme preconiza a lei, motivo de grande júbilo para os hebreus. O Senhor diz: “E te alegrarás perante o SENHOR,

teu Deus [

(Dt 16.11). Essa orientação

divina incluía os filhos, os servos, os le- vitas, estrangeiros, órfãos e viúvas que estivessem ali. A celebração ordenada por Deus deveria ser um motivo de confraternização que incluía até os que

]”

Pentecostes não era um momento de tristeza, ou de arrependimento, mas de satisfação, pois estavam em um período de sega do trigo e da cevada que Deus lhes dera.

6 JOVENS

não pertenciam à família dos israelitas,

e deveria ser um momento alegre.

Pentecostes não era um momento de tristeza, ou de arrependimento, mas de satisfação, pois estavam em um período

de sega do trigo e da cevada que Deus lhes dera. Essa festa durava um dia, pois

o povo estava em plena atividade de

colheita da safra de grãos. Da mesma forma, Pentecostes traz alegria em nossos dias por ser a realização de uma das promessas mais importantes de Deus para com aqueles que creem nEle. 3. O Dia de Pentecostes em Atos dos Apóstolos. No Novo Testamento, Deus se utiliza dessa comemoração nacional judaica para fazer com que os

seguidores de Jesus fossem cheios do Espírito Santo. Antes de sua ascensão aos céus, Jesus ordenou aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém, até que recebessem, da parte de Deus, um revestimento de poder, de autoridade para proclamar o nome do Senhor (Lc 24.49). Os discípulos estavam em oração, como se entende, em um cenáculo, um cômodo em um pavimento superior de uma construção. Aqueles discípulos já conheciam a Jesus, e tinham recebido a salvação dada por Deus, mas estavam esperando o cumprimento da promessa do Pai: “Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com

o Espírito Santo, não muito depois destes

dias” (At 1.5). O próprio Senhor Jesus falou

do batismo com o Espírito Santo aos seus seguidores como uma promessa do Pai.

E esse evento teve tal importância que chamou a atenção de outras pessoas que estavam em Jerusalém, abrindo a

oportunidade para Pedro falar de Jesus

e do cumprimento da profecia de Joel naquele dia.

Pense!Deus ordenou aos hebreus que observassem algumas festividades. Tais comemorações tinham como propósito a celebração

Deus ordenou aos hebreus que observassem algumas festividades. Tais comemorações tinham como propósito a celebração de momentos específicos da história, e numa dessas festas Ele revestiu os discípulos com poder.

Ponto Importantee numa dessas festas Ele revestiu os discípulos com poder. O povo de Israel, com o

O povo de Israel, com o passar do tempo, criou outros momentos de celebração. Essas comemorações eram uma forma de agradecer a Deus pelas suas intervenções e livramentos.

II – A PROMESSA FEITA NO AN- TIGO TESTAMENTO

1. O contexto de Joel. Joel foi um

profeta que exerceu seu ministério no Reino de Judá. Seu nome significa “Jeová é Deus”, e sua atuação profética se deu antes da destruição do Templo. Sua profecia começa com a seguinte afirmação: “Palavra do Senhor que foi dirigida a Joel, filho de Petuel” (Jl 1.1).

No livro de Joel, vemos que uma praga de gafanhotos destruiu a colheita de grãos de cevada e de trigo, e depois de tal tragédia, há uma conclamação ao jejum e à oração (1.14; 2.15). Deus chama o povo para que se converta, de todo o coração, a Ele (2.12). O profeta também fala de um tempo onde haverá fartura, pois o Senhor há de abençoar a terra. Finalmente, Deus usa o profeta para falar que haveria o grande Dia do Senhor, mas que antes o Todo-Poderoso derramaria do seu Espírito sobre toda a carne.

2. A promessa feita. “E há de ser que,

depois, derramarei o meu Espírito sobre

toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas, naqueles dias, derramarei o meu Espírito” (Jl 2.28,29). Essa profecia mostra que no futuro, Deus visitaria a humanidade trazendo sobre ela um derramar do seu Espírito. Esse derramar do Espírito faria com que eventos como profecias, sonhos e visões, que no Antigo Testamento eram concedidos somente aos profetas, fossem dados de forma ampla a todos. Joel inclui pessoas que tinham poucos direitos e eram tidas por “inferiores” em algumas sociedades, como por exemplo, os servos. Eles tam- bém seriam contemplados pelo alcance dessa promessa divina. 3. O alcance dessa promessa. As palavras proferidas por Joel foram relembradas pelo apóstolo Pedro, por ocasião do seu discurso no Dia de Pen- tecostes, logo após terem sido cheios do Espírito Santo e falado em outras línguas. Lembremo-nos de que a Bíblia dos primeiros cristãos era o Antigo Testamento ao qual recorriam a fim de verificar as profecias que estavam se cumprindo. Pedro de imediato não apenas reconheceu que a profecia de Joel se cumprira naquele dia, mas que esse cumprimento tinha inicialmente dois objetivos: o derramar do Espíri- to sobre todos e o cumprimento da promessa que Jesus fez antes de sua ascensão: “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que o alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.49). Pedro ainda deixou claro que apesar

de Jesus ter sido crucificado, Ele foi feito Cristo, o Messias: “Saiba, pois,

com certeza, toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (At 2.36).

O Senhor ressurreto, o Messias, havia

mandado o seu Santo Espírito, como prometera.

Pense!havia mandado o seu Santo Espírito, como prometera. Será que temos feito como os primeiros cristãos,

Será que temos feito como os primeiros cristãos, que buscavam, nas Escrituras Sagradas, orientações para saber se as manifestações espirituais que estavam acontecendo em seus dias eram realmente de Deus?

Ponto Importanteque estavam acontecendo em seus dias eram realmente de Deus? A Igreja do Novo Testamento fazia

A Igreja do Novo Testamento fazia uso constante do Antigo Testamento para ver o cumprimento das promessas de Deus em seus dias.

III – PENTECOSTES, UMAPROMES- SA CUMPRIDA EM NOSSOS DIAS

1. O Pentecostes antes do século

XX. É certo que ao longo da história, Deus jamais deixou de manifestar os dons espirituais em diversas comu- nidades e grupos cristãos. No século

II da nossa era, Irineu de Lion disse

que “temos em nossas igrejas irmãos que possuem dons proféticos e, pelo Espírito Santo, falam toda classe de idiomas”. Mas a manifestação do poder de Deus não se restringe ao falar em outras línguas. A história relata casos em que pessoas usadas por Deus foram portadoras de mensagens proféticas específicas, como John Welch, um escocês do século XVI, que após orar sobre o caso de dois mercadores de tecido que queriam passar pela cidade de Ayr, onde ele residia, Welch disse

8 JOVENS

aos magistrados que havia uma praga nos rolos de tecido daqueles mercado- res, e os homens foram impedidos de entrar. Aqueles homens seguiram para uma cidade vizinha, e lá uma praga se espalhou matando diversas pessoas. Como vemos, Deus jamais deixou de manifestar seus dons por meio de seus servos. Um estudo honesto sobre a história da Igreja mostra que o dom de línguas e outros dons ocorreram de forma espontânea em diversos países, e com pessoas de diferentes denominações.

2. No início do século XX. As ma-

nifestações pentecostais ressurgiram, de forma sistemática, no fim do século XIX, e se multiplicaram no século XX. Na Suécia, em 1902, um pregador batista chamado Lewi Petrus recebeu o batismo com o Espírito Santo e falou em línguas, tornando-se um dos mais importantes nomes pentecostais de seu país. Nos Estados Unidos, em 1905, William Seymour recebeu a mensagem pente- costal de Charles Fox Parham e se tornou um dos líderes do pentecostalismo na Rua Azuza. E na China, em 1907, por in- termédio da missionária Nettie Normam, que recebeu o batismo com o Espírito Santo na Rua Azuza, muitos chineses foram visitados por Deus. Da mesma forma que a Reforma Protestante foi um divisor de águas na história da Igreja,

o pentecostalismo trouxe um grande

avivamento ao cristianismo em várias partes do mundo.

3. O Pentecostes no Brasil. É notório

que o Pentecostes alcançou o Brasil no

início do século XX. Deus trouxe, em 1910, dois missionários batistas suecos que haviam recebido o batismo com

o Espírito Santo, Daniel Berg e Gunnar

Vingren, para evangelizar no Brasil. Es- ses dois homens, com suas esposas, fundaram as Assembleias de Deus e sua mensagem era acompanhada de milagres, testemunhos de cura e transformação de vidas. A mensagem pentecostal foi se espalhando por nossa nação, e hoje os pentecostais representam, no Brasil, a maior ala do segmento cristão evangélico, pelos dados do IBGE. Há, no Brasil, aproximadamente 12 milhões de cidadãos que se dizem pertencentes às Assembleias de Deus (IBGE 2010). Note-se que em nossos dias, as Assembleias de Deus não são a única denominação pentecostal, há muitas igrejas em solo pátrio que fizeram da mensagem pentecostal a sua vocação, seja por origem, seja por mudança de pensamento por ocorrência de aviva- mentos e manifestação espontânea dos dons espirituais. As igrejas pentecostais comprometidas com a pregação e o ensino da Palavra de Deus têm como foco de sua mensagem a necessidade da salvação, do arrependimento de pecados, da realidade da vida eterna, da cura divina, da vida em santidade e da prática do testemunho da pessoa de Jesus Cristo.

Pense!e da prática do testemunho da pessoa de Jesus Cristo. Você crê que o batismo no

Você crê que o batismo no Espírito Santo é para todos aqueles que creem em Jesus Cristo como Salvador e Senhor?

Ponto Importanteaqueles que creem em Jesus Cristo como Salvador e Senhor? A promessa do derramamento e revestimento

A promessa do derramamento e

revestimento de poder mediante

o batismo com o Espírito Santo

é para todos os cristãos. Na

atualidade, muitas são as igrejas que fizeram da mensagem pentecostal a sua vocação.

igrejas que fizeram da mensagem pentecostal a sua vocação. SUBSÍDIO “Pentecostal Palavra usada a partir de

SUBSÍDIO

“Pentecostal

Palavra usada a partir de 1907, na

Grã-Bretanha, pelas igrejas históricas tradicionais (anglicanas, episcopais, metodistas, evangélicas), para se re- ferir aos crentes que criam e recebiam

o batismo no Espírito Santo, por causa da analogia entre esse movimento e

o dia de Pentecostes (At 2.1-13), isto

é, por causa da efusão do Espírito

e das manifestações de poder, que

eram observadas por toda a parte nas ilhas britânicas.

Por sua vez, ‘pentecostal’ é o crente que crê (adepto) nas possibilidades de receber a mesma experiência do Espírito Santo que os apóstolos receberam, no dia de Pentecostes.

A diversidade mundial do pentecos-

talismo torna quase impossível falar de ‘uma’ teologia pentecostal. Nem

ainda se conseguiu amadurecer uma

teologia da fé cristã sob a perspectiva do pentecostalismo clássico. Todavia, existem certas correntes teológicas entre os pentecostais que são dignas de serem exploradas. O que segue,

é uma tentativa de explorar uma

quantidade das principais linhas de pensamento relacionadas na tarefa contínua de se fazer reflexão teoló- gica entre os pentecostais brasileiros clássicos e neopentecostais” (ARAUJO, Isael. Dicionário do Movimento Pen- tecostal. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2007, pp. 553-557).

ESTANTE DO PROFESSOR • HORTON, Stanley. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro:
ESTANTE DO PROFESSOR
• HORTON, Stanley. Teologia Sistemática: Uma
Perspectiva Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro:
CPAD, 1996.
Perspectiva Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996. ANOTAÇÕES CONCLUSÃO Deus declarou que seu Espírito

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO Deus declarou que seu Espírito seria derramado sobre toda a carne, e essa promessa
CONCLUSÃO
Deus declarou que seu Espírito seria derramado sobre toda a carne, e
essa promessa foi cumprida após o retorno de Jesus aos céus, no Dia de
Pentecostes. Em um mundo repleto de pensamentos que se voltam cada
dia mais contra Deus, a mensagem pentecostal e o poder de Deus dão à
Igreja a autoridade para testemunhar de Jesus, trazendo libertação aos
oprimidos, cura aos enfermos e salvação aos perdidos.
aos oprimidos, cura aos enfermos e salvação aos perdidos. HORA DA REVISÃO 1. Quais as três

HORA DA REVISÃO

1. Quais as três principais festas anuais judaicas?

Os hebreus foram orientados, por Deus, a comemorarem três festas anuais,

a saber: a Páscoa, que celebrava a libertação do povo hebreu da escravidão

egípcia; a Festa das Colheitas, comemorada cinquenta dias após a Páscoa, e

que celebrava a colheita do trigo e da cevada e a Festa dos Tabernáculos, que recordava aos hebreus o período em que habitavam em tendas.

2. O que a Páscoa celebrava?

A

Páscoa celebrava a libertação do povo hebreu da escravidão egípcia, quando

o

Senhor passou por sobre o Egito e julgou aquela nação com a praga da morte

dos primogênitos dos egípcios.

3. Fale a respeito da Festa das Trombetas. Os filhos, os servos, os levitas, estrangeiros, órfãos e viúvas que estivessem ali. A ce- lebração ordenada por Deus deveria ser um motivo de confraternização que incluía até os que não pertenciam à família dos israelitas, e deveria ser um momento alegre.

4. Qual a profecia de Joel citada por Pedro em seu discurso no Dia de Pentecostes? “E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jo- vens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas, naqueles dias, derramarei o meu Espírito” (Joel 2.28,29).

LIÇÃO 2 14/10/2018 AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – At 18.4 A Palavra usada de modo
LIÇÃO 2 14/10/2018
LIÇÃO
2
14/10/2018
LIÇÃO 2 14/10/2018 AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – At 18.4 A Palavra usada de modo correto

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA – At 18.4

A Palavra usada de modo correto

convence as pessoas

TERÇA – At 8.30

Entendes o que lês?

QUARTA – Sl 119.97

O amor à Lei de Deus

QUINTA – Os 4.6

A

falta de entendimento faz

o

povo perecer

SEXTA – Mt 7.24

Construindo sobre um alicerce sólido

SÁBADO – Tg 1.22

Sejamos praticantes da Palavra de Deus

COMO OS PENTECOSTAIS INTERPRETAM A BÍBLIA

TEXTO DO DIA “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra
TEXTO DO DIA
“Escondi a tua palavra no
meu coração, para eu não
pecar contra ti.”
(Sl 119.11)
SÍNTESE Ler a Bíblia de forma correta é importante não apenas para que entendamos perfeitamente
SÍNTESE
Ler a Bíblia de forma correta
é importante não apenas para
que entendamos perfeitamente
a sua mensagem, mas também
para que a pratiquemos.
OBJETIVOS • COMPREENDER a importância de ler e interpretar a Bíblia corretamente; • MOSTRAR a
OBJETIVOS • COMPREENDER a importância de ler e interpretar a Bíblia corretamente; • MOSTRAR a
OBJETIVOS
• COMPREENDER a importância de ler e interpretar a
Bíblia corretamente;
• MOSTRAR a forma como o pentecostal lê a Bíblia;
• CONSCIENTIZAR de que o livro de Atos tem caráter
descritivo e prescritivo.
INTERAÇÃO

Existem vários métodos de interpretação das Sagradas Escrituras, porém não podemos nos esquecer de que precisamos compreender o texto sagrado corretamen-

te e praticá-lo (Tg 1.22). Muitos veem o livro de Atos, e

algumas partes da Bíblia, apenas como uma narrativa histórica com acontecimentos que fizeram parte somente de uma época da história da Igreja, como por exemplo, o batismo com o Espírito Santo. A falta de conhecimento leva as pessoas a rejeitarem e a falarem mal daquilo que não conhecem com profundidade. Que a aula de hoje venha contribuir para que seus alunos tenham uma visão correta a respeito do livro de Atos e da forma como o interpretamos. Pois, o Espírito Santo não é um mito, uma força, um vento. Ele é a Terceira Pessoa da Trindade que foi enviado a este mundo com uma missão específica: convencer o homem do pecado, da justiça, do

juízo e edificar os crentes e a Igreja do Senhor mediante

a concessão de dons espirituais.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICAIgreja do Senhor mediante a concessão de dons espirituais. Professor(a), escreva no quadro as palavras hermenêu-

Professor(a), escreva no quadro as palavras hermenêu- tica bíblica. Em seguida pergunte os alunos: “O que é

hermenêutica bíblica?” Incentive a participação de todos

e ouça-os com atenção. Explique que a hermenêutica

bíblica é uma disciplina da Teologia que nos permite conhecer as regras para interpretar e aplicar as Escri- turas corretamente. A hermenêutica tem como objetivo estabelecer regras gerais de interpretação, a fim de que tenhamos uma interpretação correta do texto bíblico. Diga que nós pentecostais também fazemos uso dessa ciência. Não interpretamos e aplicamos os textos bíbli-

O 12 JOVENS
O
12 JOVENS

cos baseados apenas em emocionalismo e experiências

pessoais como alguns fazem questão de afirmar alguns.

Movimento Pentecostal preza pela interpretação e

aplicação correta dos textos bíblicos.

TEXTO BÍBLICO Atos 2.1-13 1 Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo

TEXTO BÍBLICO

Atos 2.1-13

1

Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar;

2

e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e im- petuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados.

3

E

foram vistas por eles línguas re-

partidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.

4

E

todos foram cheios do Espírito Santo

e começaram a falar em outras lín- guas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.

5

em Jerusalém estavam habitando judeus, varões religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu.

E

6

E, correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua.

7

E

todos pasmavam e se maravilhavam,

dizendo uns aos outros: Pois quê! Não são galileus todos esses homens que estão falando?

8

Como pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?

9

Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, e Judeia,

e

Capadócia, e Ponto, e Ásia,

10

e

Frígia, e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros ro- manos (tanto judeus como prosélitos),

11

e

cretenses, e árabes, todos os temos

ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus.

12

E

todos se maravilhavam e estavam

suspensos, dizendo uns para os outros:

Que quer isto dizer?

13

outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto.

E

13 outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto. E COMENTÁRIO INTRODUÇÃO Um dos maiores desafios dos
13 outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto. E COMENTÁRIO INTRODUÇÃO Um dos maiores desafios dos

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Um dos maiores desafios dos grupos cristãos evangélicos tem

sido a leitura da Bíblia e a sua correta interpretação. A forma como vão expor seus ensinos

e principalmente aplicá-los,

depende da maneira como leem

e interpretam as Sagradas Es-

crituras. Por isso, há regras que norteiam a interpretação da Bíblia, dirigindo o leitor não apenas ao perfeito entendimento do texto bíblico, mas acima de tudo, motivando-o à aplicação correta. Se lermos o texto sagra- do e o interpretamos de maneira imprópria, a aplicação também será imprópria. E de que forma os pentecostais leem a Palavra de Deus? Sua interpretação acerca dos textos de Atos, sobre a vinda do Espírito Santo e o falar em línguas, é correta? Será que os dons espirituais seriam para os nossos dias? As respostas a essas perguntas passam pelo processo de leitura e interpretação corre- tas da Palavra de Deus.

I – POR QUE LER E INTERPRETAR A BÍBLIA CORRETAMENTE

1. Ler corretamente para entender corretamente. Um dos segredos para uma vida cristã sadia é o correto enten- dimento do texto sagrado. Se pensarmos que a Bíblia foi produzida em um contexto diferente do nosso, devemos então acatar princípios que nos ajudem a entendê-la. Para isso, a Teologia elaborou um mé- todo que direciona de forma acertada

como um cristão deve ler a Bíblia. E por qual motivo isso foi feito? Para que todo cristão, em sua leitura, leve em conta os princípios que lhe permitirão aplicar a leitura bíblica às suas vidas. O desafio de ser um praticante da Palavra de Deus passa, portanto, pela interpretação correta. Não temos dúvida de que certos textos têm uma aplicabilidade imediata, pois não necessita de muitas explicações para a sua compreensão, já que a mensagem traz elementos que são conhecidos de praticamente todas as pessoas, como por exemplo, os Dez Mandamentos:

“Não adulterarás.” “Não furtarás.” “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Êx 20.14-16). Outros textos, como o que se refere a Melquisedeque em comparação ao Senhor Jesus, “rei de justiça e depois também rei de Salém, que é rei de paz; sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida” (Hb 7.2,3), precisam de uma explicação, pois corremos o risco de entendermos que Melquisedeque surgiu do nada, que não teve pai ou mãe. Na verdade, a genealogia de Melquisedeque não é apresentada no texto sagrado, mas ele, como qualquer ser humano, tinha pai e mãe. O entendimento correto de um tex- to passa pela sua leitura correta. Tais princípios não têm por objetivo cercear a leitura da Palavra de Deus, e sim fazer com que essa leitura se enquadre dentro do objetivo que o escritor tinha quando foi inspirado a materializar a revelação de Deus de forma escrita. 2. Ler corretamente para ensinar e aplicar. Um dos propósitos da leitura correta das Escrituras é o ensino correto dela. Se uma leitura e interpretação do texto sacro forem dirigidas por premissas

14 JOVENS

equivocadas, tais premissas acarretarão um ensino equivocado da Palavra de Deus. Por sua vez, um ensino equivocado traz

práticas equivocadas e danosas para a Igreja de Cristo. Não é à toa que, ao longo do texto sagrado, Deus se encarrega de usar seus servos para que exortem o seu povo a que pratiquem obras corretas e vivam uma existência que, efetivamente, agrada a Deus. Cremos que quando Deus inspirou os escritores a redigirem o texto sagrado, Ele o fez para que a sua vontade fosse praticada (2 Tm 3.16,17).

3. O respeito para com o texto sagra-

do. Deus, ao inspirar seus servos a que escrevessem sua Palavra, o fez em um contexto diferente do nosso. A Bíblia não

foi escrita em nenhuma versão em portu- guês do século XXI, no Brasil. Foi escrita em pelo menos três línguas diferentes:

o hebraico, o grego e algumas porções

em aramaico. Homens em posições so- ciais diferentes, lugares diferentes e em tempos diferentes compuseram o texto que temos hoje em mãos, e para que

haja uma correta interpretação desses textos é preciso que respeitemos essas

observações. O cristão cuidadoso vai ler

o texto sagrado estudando o contexto

em que a Escritura foi produzida.

II – COMO O PENTECOSTAL LÊ

A BÍBLIA

1. Privilegiando o texto primeira-

mente na sua literalidade. Crentes pentecostais valorizam a literalidade do texto. Se Jesus disse que em seu nome expulsaríamos demônios, pentecostais não discutem se é possível ou não a libertação de pessoas possessas por espíritos imundos em nossos dias. Sim- plesmente oram e, crendo nas palavras de Jesus, expulsam demônios. Se Jesus

disse que em seu nome seus discípulos falariam em novas línguas, pentecostais entendem que tal evento seria cumprido por Deus (Mc 16.14-20).

É evidente que pentecostais não

atribuem literalidade a um texto que não deve ser entendido literalmente. Há textos cujo sentido é figurado, como no caso em que Jesus disse que Ele era a porta, o caminho, o pão do céu. Entendemos que o Senhor se valeu de elementos conhecidos do seu tempo para comunicar verdades por meio de comparações, e que esses elementos não são sempre literais.

O que não se pode é acreditar que,

no processo de interpretação da Bíblia,

podemos mudar as regras conforme a

nossa conveniência. 2. Respeitando o contexto histórico e os gêneros literários. A Palavra de Deus teve sua escrita encerrada há pouco menos de dois mil anos.Portanto, há um hiato de tempo entre nós e os aconteci- mentos descritos na Bíblia que deve ser observado na leitura e interpretação do texto, pois não se pode esquecer que

o tempo, os costumes, a forma como

viviam os homens e mulheres daquela

uma adoração genuína e respeite seus irmãos (Mq 6.8). A Bíblia traz cartas dos apóstolos a pessoas e a igrejas, tendo em vista que os leitores, que agora pro-

fessavam uma nova fé, precisavam ser instruídos sobre como poderiam viver neste mundo. Esses detalhes precisam ser respeitados no momento da leitura da Bíblia, ou faremos interpretações equivocadas da revelação divina. 3. Entendendo que a Bíblia é a Palavra de Deus. Crentes pentecostais consideram

a Bíblia como a Palavra de Deus. Isso impli-

ca reconhecer igualmente que a chamada revelação escriturística se completou

com o encerramento do Cânon, e que qualquer outra revelação trazida por meio intelectual ou por dons espirituais precisa se curvar à revelação inspirada por Deus em sua Palavra. Cremos que Deus, para a edificação da Igreja, concede dons espi- rituais que podem trazer, eventualmente, novas diretrizes a grupos ou pessoas, mas nenhuma revelação trazida em nossos dias, seja por profecia, seja pela palavra do conhecimento, pode ser entendida como sendo da parte de Deus se estiver contrária ao que o Senhor já declarou em sua Palavra.

época eram diferentes dos nossos. Na Bíblia há textos históricos que registram acontecimentos dentro e fora de Israel,

 

III – O LIVRO DE ATOS – DESCRI- TIVO OU PRESCRITIVO

para que fossem conhecidos pelas gera-

1. A ação do Espírito Santo na Igreja.

ções seguintes (Dt 6.20,21). Há, na Bíblia,

O

livro de Atos recebe esse nome por ser

poesia descrita com sensibilidade por

o

registro dos feitos dos apóstolos após a

pessoas que registraram suas emoções com alegria, tristeza, desapontamento e contentamento, mas também confiança em Deus (Sl 42.10,11). Há textos profé- ticos nos quais Deus usa seus servos para declarar o que ocorrerá no futuro

ascensão de Jesus, mas acima de tudo, é o registro dos atos do Espírito Santo na Igreja e por meio dela. Lucas não apenas

se preocupa em registrar o crescimento da Igreja, mas também a forma com que Deus agia para que a mensagem

e

advertir seu próprio povo a que viva

do Evangelho transformasse pessoas e

uma vida justa e honre ao Senhor com

fizesse crescer a Igreja (At 2.47b).

SUBSÍDIO
SUBSÍDIO

Nós, pentecostais, nunca vimos o abismo que separa o nosso mundo do mundo do texto em sentido geral. Combinar nossos horizontes com o do texto ocorre naturalmente, sem muita reflexão, em grande parte porque o nosso mundo e o do texto são bastante semelhantes. Tendo em vista que os teólogos e acadêmicos ocidentais dos últimos dois séculos empregaram grandes esforços para saber como interpretar os textos bíblicos que fa- lam da atividade milagrosa de Deus, os pentecostais não foram afligidos com esse tipo de mal-estar. Enquanto Rudolph Bultmann desenvolveu sua demitologização ao Novo Testamento, os pentecostais silenciosamente oravam pelos enfermos e expulsavam demô- nios. Enquanto os teólogos evangélicos, seguindo os passos de B. B. Warfield, procuravam explicar por que deve- mos aceitar a realidade dos milagres registrados no Novo Testamento, mas, ao mesmo tempo, não esperar que ocorram hoje, os pentecostais estavam testemunhando que Jesus operava ‘prodígios e sinais’ contemporâneos quando estabeleceu a igreja.

Não, a hermenêutica da maioria dos crentes pentecostais não é exclusi- vamente complexa. Não está cheia de questões sobre a confiabilidade histórica ou repleta de cosmovisões ultrapassadas. Não é excessivamente reflexiva sobre os sistemas teológicos, a distância cultural ou as estratégias lite- rárias” (MENZIES, Robert. Pentecostes:

Essa História é a Nossa História. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2016, pp. 21,22).

2.

A interpretação de Pedro. Por

ocasião da descida do Espírito Santo no cenáculo, com o sinal de falar outras línguas que transmitiam as grandezas de Deus, o apóstolo Pedro não hesitou

em atribuir o fato à profecia de Joel, de que o Espírito de Deus seria derramado em toda a carne. É curioso o fato de que haja crentes em nossos dias que não veem problema na forma como Pedro aplicou a passagem de Joel ao que havia acontecido no Dia de Pentecostes, mas rejeitam que esse derramamento do Es- pírito de Deus é para os nossos dias. Se examinarmos bem as Escrituras, veremos que tanto Jesus quanto os discípulos conheciam a Palavra e a interpretavam de forma correta.

3. Atos é descritivo ou prescritivo?

Essa é uma questão que precisa ser entendida, a fim de que olhemos o livro de Atos como mais do que um livro de história. Quando dizemos que o livro de Atos é meramente uma descrição do que se passou nos primeiros 35 anos da Igreja, queremos dizer que a sua narrativa serve somente de registro histórico, e que não tem a intenção de indicar que os eventos iniciados pelo Espírito Santo devem se repetir em nossos dias. De acordo com essa possibilidade de interpretação, as línguas, as curas, as operações de mi- lagres, revelações e outras ocorrências não deveriam ser correntes na Igreja de nossos dias, pois o livro de Atos tem caráter meramente descritivo. Mas se o livro de Atos tiver o caráter descritivo e prescritivo, então podemos crer que as experiências relatadas por Lucas podem se repetir em nossos dias e o Espírito de Deus é o responsável por milagres, curas e manifestação dos dons operados tanto na Igreja quanto no ministério pessoal.

16 JOVENS

ESTANTE DO PROFESSOR MENZIES, Robert. Pentecostes: Essa História é a Nossa História. 1.ed. Rio de
ESTANTE DO PROFESSOR
MENZIES, Robert. Pentecostes: Essa História é a
Nossa História. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
é a Nossa História. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2016. ANOTAÇÕES CONCLUSÃO Ler e interpretar corretamente

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO Ler e interpretar corretamente a Palavra de Deus é um requisito necessário para que
CONCLUSÃO
Ler e interpretar corretamente a Palavra de Deus é um requisito necessário
para que todo cristão cresça na vida espiritual e pessoal. Pentecostais leem
as Sagradas Escrituras com zelo e esclarecimento, de maneira que busquem
sempre a interpretação correta do texto sagrado. Esse cuidado se dá pela
certeza de que a correta interpretação do texto gerará a correta aplicação,
e esta redundará na vivência debaixo da vontade e da bênção de Deus.
na vivência debaixo da vontade e da bênção de Deus. HORA DA REVISÃO 1. Segundo a

HORA DA REVISÃO

1. Segundo a lição, qual o segredo para uma vida cristã sadia? Um dos segredos para uma vida cristã sadia é o correto entendimento do texto sagrado.

2. O que é necessário para um entendimento correto de um texto? É necessário ler o texto corretamente.

3. Cite um dos propósitos da leitura correta das Escrituras. Ensinar e aplicar corretamente o texto sagrado.

4. Quais são as línguas originais da Bíblia? Hebraico e grego.

LIÇÃO 3 21/10/2018
LIÇÃO
3
21/10/2018
LIÇÃO 3 21/10/2018 OS LIVROS DE LUCAS E ATOS — A BASE DA DOUTRINA PENTECOSTAL TEXTO

OS LIVROS DE LUCAS E ATOS — A BASE DA DOUTRINA PENTECOSTAL

TEXTO DO DIA “Então, começou a dizer- lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos
TEXTO DO DIA
“Então, começou a dizer-
lhes: Hoje se cumpriu esta
Escritura em vossos ouvidos.”
(Lc 4.21)
SÍNTESE O Movimento Pentecostal está alicerçado nas Escrituras Sagradas, especificamente no Evangelho de Lucas e
SÍNTESE
O Movimento Pentecostal
está alicerçado nas Escrituras
Sagradas, especificamente no
Evangelho de Lucas e no livro
de Atos, obras que mostram de
forma contundente a atuação
irrestrita do Espírito Santo.
contundente a atuação irrestrita do Espírito Santo. AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – Lc 1.3 Um estudo

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA – Lc 1.3

Um estudo feito de forma

minuciosa

TERÇA –Lc 4.1

O Espírito Santo conduz Jesus

QUARTA – Lc 4.18

O Espírito Santo em Jesus

QUINTA – At 2.4

O Espírito Santo é derramado

sobre os discípulos

SEXTA – At 13.2

O Espírito Santo escolhe obreiros

SÁBADO –At 19.6

O Espírito Santo nas línguas

e na profecia

18 JOVENS

OBJETIVOS • COMPREENDER porque Lucas é considerado um autor pentecostal; • MOSTRAR pontos relevantes do
OBJETIVOS
• COMPREENDER porque Lucas é considerado um autor
pentecostal;
• MOSTRAR pontos relevantes do Evangelho de Lucas
para o Movimento Pentecostal;
• REFLETIR a respeito de pontos importantes do livro
de Atos.

INTERAÇÃOREFLETIR a respeito de pontos importantes do livro de Atos. Professor(a), você crê que o Movimento

Professor(a), você crê que o Movimento Pentecostal tem a sua base doutrinária na Palavra de Deus? Se

sua resposta foi afirmativa, com certeza você não terá dificuldades em trabalhar o conteúdo dessa lição com seus alunos. Infelizmente muitos crentes, até mesmos os que se dizem pentecostais têm um conceito errado a respeito da Terceira Pessoa da Trindade e desconhecem

a origem do Movimento Pentecostal. Segundo Stanley

Horton o “Espírito Santo tem sido negligenciado no decurso dos séculos”. O Consolador não é uma força ou

uma influência, Ele é Deus e tem revelado à humanidade

o Deus Pai e o Deus Filho mediante os dons espirituais. Nesta lição estudaremos a respeito de dois importan-

tes livros das Sagradas Escrituras que são tidos como

a base do Movimento Pentecostal. Não se esqueça de

que você pode e deve contar com o Espírito Santo para

o preparo e a execução dessa aula.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICAo Espírito Santo para o preparo e a execução dessa aula. Professor(a), na lição de hoje

Professor(a), na lição de hoje estudaremos, ainda que de forma resumida, o Evangelho de Lucas e o livro de

Atos. Lucas, o autor desses livros, apresenta as bases doutrinárias do Movimento Pentecostal e para facili- tar a abordagem do tema, sugerimos que reproduza o quadro da página 20. Esses quadros vão permitir que os alunos tenham uma visão panorâmica desses livros

e do trabalho de Lucas.

Esses quadros vão permitir que os alunos tenham uma visão panorâmica desses livros e do trabalho
JOVENS 19
JOVENS 19

EVANGELHO DE LUCAS

LIVRO DE ATOS

AUTOR: Lucas

AUTOR: Lucas

TEMA: Jesus, o Salvador Divino-Humano

TEMA: A propagação do Evangelho pelo poder do Espírito Santo

PROPÓSITO: Lucas escreveu este Evangelho aos gentios para proporcionar-lhes um registro completo e exato de “tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, até ao dia que foi recebido em cima” (At 1.1).

PROPÓSITOS: (1) Demonstrar que o evangelho avançou triunfalmente das ronteiras do judaísmo para o mundo gentio, apesar da oposição e perseguição. (2) Revela a missão do Espírito Santo na vida e no papel da Igreja e enfatizar o batismo no Espírito Santo como a provisão de Deus para capacitar a Igreja a proclamar o Evangelho e a dar continuidade ao ministério de Jesus.

ESBOÇO TEOLÓGICO DE LUCAS

ESBOÇO TEOLÓGICO

DE ATOS

A história dos nascimentos 1-2

A igreja em Jerusalém 1-7

A preparação 3

A expansão para Samaria 8-9

Na Galileia 4-9

A inclusão dos gentios 10-15

A viagem a Jerusalém 10-19

A evangelização do mundo 16-19

Jerusalém 20-21

A prisão de Paulo 20-28

A paixão 22-24

Bíblia de Estudo Pentecostal e Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, pp. 651,706.

Leitor da Bíblia. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, pp. 651,706. TEXTO BÍBLICO Lucas 1.1-3 1 Tendo,

TEXTO BÍBLICO

Lucas 1.1-3

1 Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram,

2 segundo nos transmitiram os mesmos

que os presenciaram desde o princípio

e foram ministros da palavra,

3 pareceu-me também a mim convenien-

te descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teófilo, por sua ordem, havendo-me

já informado minuciosamente de tudo

desde o princípio,

Atos 1.1-9

1 Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar,

20 JOVENS

2 até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera;

3 aos quais também, depois de ter pade- cido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias e falando do que respeita ao Reino de Deus.

4 E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes.

5 Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias.

6 Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?

7 E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder.

8 Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me- -eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra.

9 E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos.

COMENTÁRIO INTRODUÇÃO Nesta lição, destacaremos os escri- tos de Lucas, considerado o autor pentecostal por
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Nesta lição, destacaremos os escri-
tos de Lucas, considerado o autor
pentecostal por excelência do Novo
Testamento.
I - LUCAS, O ESCRITOR PENTE-
COSTAL

1. Quem foi Lucas? Lucas foi um

médico grego convertido ao cristianismo,

e que se tornou depois companheiro

de Paulo em suas viagens missionárias. De suas mãos saíram dois documentos que representa praticamente 25% do texto do Novo Testamento. Esses dois documentos, o Evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos, foram dirigidos inicialmente a um homem chamado Teófilo, possivelmente um convertido interessado na história de Jesus e dos

apóstolos e que possivelmente financiou

o projeto literário de Lucas.

Pelo conteúdo do seu texto, Lucas demonstra que teve uma educação

diferenciada, pois seus escritos trazem em torno de 800 palavras que não ocorrem nos demais textos do Novo Testamento, em um grego refinado. E sua narrativa, como ele mesmo expõe,

foi feita de forma ordenada, tendo sido investigados os fatos de acordo com

a

sua ordem, havendo-me já informa- do minuciosamente de tudo desde o princípio” (Lc 1.3). Lucas é o único que traz o relato da vida de Jesus de forma

cronológica, procurando registrar todos os acontecimentos na ordem em que ocorreram. De acordo com a tradição

da Igreja, Lucas teria morrido com mais de oitenta anos. 2. A produção literária de Lucas. Lucas é o autor que descreve a vida de Jesus de forma mais ampla em seu primeiro livro, o Evangelho de Lucas,

e que por meio de um segundo livro,

Atos dos Apóstolos, mostra a forma

com que os discípulos de Jesus deram prosseguimento às obras do Mestre. Por ser médico, relata com detalhes certas doenças e registra suas curas, como nos casos da sogra de Pedro (Lc 4. 37-39), do homem que tinha uma das mãos mirrada (Lc 6.6-11) e do servo do centurião (Lc 7.1-10). Por ser gentio, apresenta Jesus falando do reino de Deus a pessoas que

a sociedade judaica não prezava, como

Zaqueu (Lc 19), e recebendo crianças para abençoar (Lc 18.15-17). Sua narrativa se inicia com os relatos de antes mesmo do nascimento de Jesus Cristo. No seu

ordem em que ocorreram: “[ por

]

Evangelho, vemos um farto material de parábolas, histórias que Jesus contou para ilustrar verdades do Reino de Deus, como também um relato a respeito das aparições de Jesus ressurreto aos seus discípulos. Em Atos, Lucas dá prossegui-

mento à narrativa evangélica, desta vez mostrando o que os discípulos de Cristo

fizeram após o Senhor retornar aos céus.

3. Fontes dos escritos de Lucas.

Lucas, no seu Evangelho, mostra o relato de testemunhas oculares dos fatos narrados. Ele buscou pessoas que haviam convivido com Jesus, visto seus milagres, ouvido seus ensinos e que foram libertas de doenças e espíritos imundos pelo poder do Salvador. No livro de Atos, Lucas chega a participar de acontecimentos que ele mesmo descreve, deixando de ser um mero ouvinte de relatos para ser um dos protagonistas da própria narrativa. Isso pode ser visto nas vezes em que ele usa o pronome pessoal “nós”, indicando ser um protagonista dos relatos, como na volta de Paulo para a Ásia (At 20.13), na viagem de volta a Jerusalém (At 21.7) e na viagem de navio de Paulo a Roma (At 27.2). Sua ênfase recai na atuação do Es- pírito Santo tanto na vida e ministério de Jesus como nas obras que os discípulos desenvolveram nos primeiros anos da Igreja, chegando a mostrar Paulo antes de seu martírio.

II – O EVANGELHO DE LUCAS

1. Um livro que prima pela ora-

ção. O Evangelho de Lucas é iniciado, mostrando uma resposta de oração.

O Espírito Santo é responsável por realizar sinais e maravilhas, e direcionar os caminhos pelos quais a sua obra vai se desenvolver.

22 JOVENS

Zacarias, futuro pai de João Batista, tem

a oportunidade de oferecer incenso por

ocasião de seu ofício sacerdotal, quando

recebe a visita do anjo Gabriel e junto com ele a informação de que seria pai (Lc 1.13). A Bíblia não registra a oração de Zacarias, mas deixa claro que ele orava ao Senhor, e que sua oração foi respondida, concedendo-lhe Deus a paternidade do precursor do Messias. Lucas mostra Jesus orando quando foi batizado e o Espírito Santo desceu sobre Ele (Lc 3.21,22). Jesus ungido pelo Espírito Santo, se retira, depois de seu batismo, para o deserto a fim de orar e,

posteriormente, ser tentado pelo Diabo (Lc 4.1; 5.16). Jesus ora uma noite inteira na ocasião em que está prestes a esco- lher seus discípulos (Lc 6.12). E somente Lucas registra que Jesus, na cruz, orou para que os seus crucificadores fossem alcançados pelo perdão de Deus. 2. O Espírito de Deus enchendo e orientando pessoas. Lucas tem um cui- dado especial ao registrar a ação direta do Espírito Santo na vida das pessoas que conviveram com Jesus, o ouviram

e creram nEle, e isso antes mesmo do

ministério de Jesus começar. É dito por ele que Maria, mesmo sendo virgem,

seria mãe de Jesus por obra do Espírito Santo (Lc 1.35), e que por essa ação Je- sus seria chamado “Filho do Altíssimo” (Lc 1.32). A prima da mãe do Salvador,

Isabel, ao receber a saudação de Maria,

é cheia do Espírito Santo e João Batista

salta ainda no ventre de sua mãe (Lc 1.41). Este mesmo Espírito Santo estava sobre Simeão, um homem justo e temente a Deus, que foi levado ao Templo pelo Espírito para ver a salvação de Israel, o próprio menino Jesus, por ocasião da

apresentação deste no Templo (Lc 2.25-

27). É o Espírito Santo que capacita tais pessoas a falarem de forma profética, revelando-lhes informações sobre Jesus. Lucas registra a ordem de Jesus aos discípulos, que ficassem em Jerusalém para serem revestidos de poder e ser testemunhas do Senhor, completando assim, seu evangelho (Lc 24.49). 3. O Espírito de Deus agindo em Jesus. Jesus, já adulto, é batizado por João, e nesse momento o Espírito Santo veio sobre Ele em “forma corpórea, como uma pomba” (Lc 3.22). Pela virtude do Es-

pírito volta para sua terra, a Galileia, para ensinar nas sinagogas, e tendo chegado

a Nazaré, leu o texto de Isaias que dizia:

“O Espírito do Senhor é sobre mim [ ]” (Lc 4.18). É neste Evangelho que nos é dito que a “a virtude do Senhor estava com ele para curar” (Lc 5.17). Jesus, como relatado por Lucas, deu poder aos seus discípulos para expulsarem demônios e curarem os enfermos (Lc 9.1,2), virtude que só poderia ser dada pelo Espírito Santo, que estava em Jesus, o que é dito posteriormente pelo mesmo Lucas, desta vez em Atos,

III – OS ATOS DOS APÓSTOLOS

1. A vinda do Espírito Santo. Lucas

registra a descida do Espírito Santo não apenas como uma promessa feita pelo Senhor Jesus Cristo, mas também as palavras do apóstolo Pedro, associando

o evento, no Pentecostes, à profecia

de Joel. Esse é o registro da primeira

interpretação da profecia de Joel se cumprindo naqueles dias. Da mesma forma que Lucas prioriza

os relatos de oração no Evangelho, ele

o faz no livro de Atos. Os discípulos

de Jesus, no Dia de Pentecostes, não

estavam comemorando a festa, como era de costume, mas estavam orando no cenáculo, até que receberam a vir- tude do Espírito. Os discípulos oraram quando ameaçados, e pediram que Deus estendesse sua mão para curar e manifestar sinais e prodígios (At 4.30). 2. O poder do Espírito Santo. Lucas registra a descida do Espírito Santo e a conversão de quase três mil pessoas no Dia de Pentecostes. Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu aos principais da sinagoga a respeito da cura do coxo, na Porta Formosa, que foi realizada em nome de Jesus (At 4.1-11). O mesmo Espírito Santo enche outros discípulos de Jesus quando, ameaçados pelas autoridades, oravam pedindo ousadia para testemunhar, e pediam que Deus fizesse sinais e prodígios (At 4.24-31). O Espírito de Deus, de forma poderosa, encheu Estêvão diante de seus inimigos, de tal forma que não podiam resistir “à sabedoria e ao Espírito com que falava” (At 6.10), e lhe permitiu ver o próprio Senhor Jesus em pé à direita de Deus momentos antes de encontrar com seu Salvador (At 7.55,56). Percebemos que o Espírito agia tanto para trazer a palavra adequada de testemunho a respeito de Jesus quanto para operar milagres, numa atuação diversificada. Lucas registra em Atos que na se- gunda viagem missionária, por duas vezes seguidas, Paulo, Silas e Timóteo tentaram entrar em duas regiões, e foram impedidos pelo Espírito (At 16.6,7), uma referência clara de que Ele estava direta- mente ligado à expansão missionária da igreja. O Espírito Santo é responsável por realizar sinais e maravilhas, e direcionar os caminhos pelos quais a sua obra vai se desenvolver.

Antioquia, e lá viu a graça de Deus entre os crentes gentios. É nessa mesma
Antioquia, e lá viu a graça de Deus entre os
crentes gentios. É nessa mesma igreja que
o Espírito Santo de Deus, tempos depois,
disse que separassem a Saulo e Barnabé
para uma obra específica (At 13.1-3).
Pense!

Existe fundamentação bíblica para o cessacionismo?

Pense! Existe fundamentação bíblica para o cessacionismo? Ponto Importante Somos pentecostais e não temos dúvidas

Ponto Importante

Somos pentecostais e não temos dúvidas quanto à atualidade do batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais.

3. Os Atos do Espírito Santo. Mais que registrar atos dos discípulos de Jesus, Lucas registra os atos do Espírito Santo. Seus escritos mostram que Deus está no controle da história, guia seus discípulos, opera milagres e fala diretamente com seus servos. Lucas mostra que tanto judeus como gentios foram cheios do Espírito Santo, falaram em línguas e receberam poder para serem testemunhas de Cristo (At 10.44-48). É Lucas quem narra que um homem chamado Barnabé, cheio do Es- pírito Santo (At 11.22-24), foi mandado para

do Es- pírito Santo ( At 11.22-24), foi mandado para SUBSÍDIO “A estrutura de Lucas-Atos Todo

SUBSÍDIO

“A estrutura de Lucas-Atos

Todo estudioso do Novo Testamento que se preze dirá que Lucas 4.16-30, o impressionante sermão de Jesus em Nazaré, é paradigmático para o Evange-

lho de Lucas. Todos os principais temas que serão mostrados no Evangelho são prenunciados aqui: a obra do Espírito Santo; a universalidade do evangelho;

a

graça de Deus; a rejeição de Jesus.

E

este é o ponto significativo em que

a

cronologia do Evangelho de Lucas

é

diferente do Evangelho de Marcos.

Aqui, Lucas toma um evento do meio do ministério de Jesus e o coloca bem lá na frente para inaugurar o ministério de Jesus. Lucas faz isso porque enten- de que esse evento — em especial a recitação de Jesus de Isaías 61.1,2 e sua declaração de que essa profecia está agora sendo cumprida em seu ministério — fornece insights importantes sobre a natureza de Jesus e sua missão. Essa passagem, então, fornece um modelo para o ministério posterior de Jesus.

É interessante observar que Lucas for-

nece um tipo semelhante de introdução paradigmática ao segundo volume,

o livro de Atos. Depois da vinda do

Espírito no dia de Pentecostes, Pedro faz um sermão (At 2.14-41) que, em muitos aspectos, se assemelha ao de Jesus em Lucas 4. No sermão, Pedro também se refere a uma profecia do Antigo Testamento sobre a vinda do

Espírito, desta vez Joel 2.28-32, e declara que essa profecia agora também está se cumprindo (At 2.17-21). A mensagem

é clara. Assim como Jesus foi ungido

pelo Espírito para cumprir sua chamada profética, assim também os discípulos de Jesus foram ungidos como profetas do fim dos tempos para proclamar a Palavra de Deus. O texto de Joel 2.28-32 que é citado aqui, como também a passagem paradigmática em Lucas 4, mostra sinais de edição cuidadosa por parte de Lucas” (MENZIES, Robert. Pentecostes: Essa História é a Nossa Hstória. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2016, p.26).

24 JOVENS

ESTANTE DO PROFESSOR RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma Análise de Gênesis
ESTANTE DO PROFESSOR RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma Análise de Gênesis
ESTANTE DO PROFESSOR RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma Análise de Gênesis

ESTANTE DO PROFESSOR

RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia:

Uma Análise de Gênesis a Apocalipse Capítulo por Capítulo. 9.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

ANOTAÇÕES CONCLUSÃO A Bíblia é rica em detalhes de como o Espírito Santo veio habitar
ANOTAÇÕES CONCLUSÃO
A Bíblia é rica em detalhes de como o Espírito Santo veio habitar naqueles gentios
e judeus que aceitaram a Jesus. Essa habitação traz consigo santidade, poder para
resistir ao mal e testemunhar de Jesus. Não há um verso nas Sagradas Escrituras
que nos permita inferir que o batismo com o Espírito Santo, seguido do falar em
outras línguas, ficou restrito ao tempo dos apóstolos. Lucas registra o início da
obra do Santo Espírito, e sabiamente, não descreveu um encerramento dessa
atividade, pois o Espírito de Deus continua a mover pessoas com seu poder,
acima de tudo, para testemunhar de Cristo com autoridade.
Lucas é efetivamente um escritor que dá ênfase à presença do Espírito Santo
em seus dois livros e suas obras são fontes primárias da doutrina pentecostal.
e suas obras são fontes primárias da doutrina pentecostal. HORA DA REVISÃO 1. Faça um pequeno

HORA DA REVISÃO

1. Faça um pequeno resumo a respeito de Lucas. Lucas foi um médico grego convertido ao cristianismo, e que se tornou depois companheiro de Paulo em suas viagens missionárias. De suas mãos saíram dois documentos que representa praticamente 25% do texto do Novo Testamento.

2. Quais eram as fontes dos escritos de Lucas? Lucas, no seu Evangelho, mostra o relato de testemunhas oculares dos fatos narrados. Ele buscou pessoas que haviam convivido com Jesus, visto seus milagres, ouvido seus ensinos e que foram libertas de doenças e espíritos imundos pelo poder do Salvador. No livro de Atos, Lucas chega a participar de acontecimentos que ele mesmo descreve.

3. Cite, de acordo com a lição, um dos enfoques do Evangelho de Lucas. Sua ênfase recai na atuação do Espírito Santo tanto na vida e ministério de Jesus como nas obras que os discípulos desenvolveram nos primeiros anos da Igreja, chegando a mostrar Paulo antes de seu martírio.

4. O Espírito Santo agiu, atuou na vida de Jesus? Fale a esse respeito.

Jesus, já adulto, é batizado por João, e nesse momento o Espírito Santo veio sobre Ele em “forma corpórea, como uma pomba” (Lc 3.22). Pela virtude do Espírito volta para sua terra, a Galileia, para ensinar nas sinagogas, e tendo chegado a Nazaré,

leu o texto de Isaias que dizia: “O Espírito do Senhor é sobre mim [

]” (Lc 4.18).

LIÇÃO 4 28/10/2018
LIÇÃO
4
28/10/2018

O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

TEXTO DO DIA “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e
TEXTO DO DIA
“Porque a promessa vos diz
respeito a vós, a vossos filhos
e a todos os que estão longe:
a tantos quantos Deus, nosso
Senhor, chamar.”
(At 2.39)
a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar.” (At 2.39) SÍNTESE O batismo com o Espírito Santo
SÍNTESE O batismo com o Espírito Santo é uma experiência dada por Deus para o
SÍNTESE
O batismo com o Espírito
Santo é uma experiência
dada por Deus para o
revestimento de poder.
experiência dada por Deus para o revestimento de poder. AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – At 4.31

AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – At 4.31

Cheios do Espírito Santo após a oração

TERÇA – At 1.5

O batismo com o Espírito Santo

é diferente do batismo de João

QUARTA – At 19.6

O batismo com o Espírito Santo

dado por imposição de mãos

QUINTA – Mt 3.11

Jesus é quem batiza com o Espírito Santo

SEXTA – At 10.47,48

O batismo com o Espírito Santo

é para todos

SÁBADO – Lc 11.13

O Espírito Santo será dado

a quem pedir

26 JOVENS

OBJETIVOS • DEFINIR o batismo com o Espírito Santo; • MOSTRAR o que não é
OBJETIVOS
• DEFINIR o batismo com o Espírito Santo;
• MOSTRAR o que não é o batismo com o Espírito Santo;
• CONSCIENTIZAR de que o falar em línguas é uma
evidência do batismo com o Espírito Santo.
INTERAÇÃO

Professor(a), na lição de hoje estudaremos a respeito de uma das maiores dádivas divinas depois da salvação — o batismo com o Espírito Santo. Esse revestimento de poder não foi somente para os crentes do primeiro século e ele não cessou, pois enquanto a Igreja permanecer neste mundo. Então, não deixe de aproveitar essa oportuni- dade para orar por seus alunos que ainda não foram batizados com o Espírito Santo. É importante, antes de orar, que você ressalte que esse revestimento de poder não é concedido por nossos méritos (1 Co 12.7), mas é fruto da graça e da misericórdia divina. Diga também que para os pentecostais o falar em línguas estranhas é uma evidência do batismo com o Espírito Santo.

é uma evidência do batismo com o Espírito Santo. ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA Professor(a), acreditamos que é

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor(a), acreditamos que é importante que você e seus alunos conheçam algumas descrições teológicas utilizadas para descrever os grupos de crentes em re- lação aos pentecostais. Então, sugerimos que reproduza o quadro abaixo e discuta com os alunos as definições.

Pentecostal: “Cristão que crê que o livro de Atos fornece um modelo para a igreja
Pentecostal: “Cristão que crê que o livro de Atos fornece um
modelo para a igreja contemporânea e, nesta base, incentiva
todos os crentes a experimentar o batismo no Espírito (At
2.4), entendido como capacitação para a missão, distinto da
regeneração, que é marcado por falar em línguas, e afirma que
‘sinais e maravilhas’, inclusive todos os dons mencionados em
1 Coríntios 12.8-10, devem caracterizar a vida da igreja hoje.”
Neopentecostal: “Cristão que concorda e age em conformidade
com todos os princípios listados acima, exceto a afirmação
de que o falar em línguas serve de sinal normativo para o
batismo no Espírito.”
Carismático: “Cristão que crê que todos os dons listado
em 1 Coríntios 12.8-10, incluindo profecia, línguas e curas,
estão disponíveis para a igreja hoje; mas rejeita a afirmação
de que o batismo no Espírito (At 2.4) é capacitação para a
missão distinta da regeneração.”
MENZIES, Robert. Pentecostes: Essa história é a nossa história. 1.ed. Rio de
Janeiro: CPAD, 2016, p.16.
TEXTO BÍBLICO Atos 10.34-47 34 E, abrindo Pedro a boca, disse: Reco - nheço, por

TEXTO BÍBLICO

Atos 10.34-47

34

E, abrindo Pedro a boca, disse: Reco- nheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas;

35

mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo.

36

A

palavra que ele enviou aos filhos de

Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo (este é o Senhor de todos),

37

esta palavra, vós bem sabeis, veio por toda a Judeia, começando pela Galileia, depois do batismo que João pregou;

38

como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando

todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele.

a

39

E

nós somos testemunhas de todas as

coisas que fez, tanto na terra da Judeia como em Jerusalém; ao qual mataram, pendurando-o num madeiro.

40

A

este ressuscitou Deus ao terceiro dia

e

fez que se manifestasse,

41

não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus antes ordenara; a nós que comemos e bebemos juntamente com ele, depois que ressuscitou dos mortos.

42

E

nos mandou pregar ao povo e testificar

que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos.

43

A

este dão testemunho todos os pro-

fetas, de que todos os que nele creem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome.

44

E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra.

45

os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, ma- ravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios.

E

46

Porque os ouviam falar em línguas e magnificar a Deus.

47

Respondeu, então, Pedro: Pode alguém, porventura, recusar a água, para que não sejam batizados estes que também receberam, como nós, o Espírito Santo?

28 JOVENS

COMENTÁRIO INTRODUÇÃO Como está registrado na Palavra de Deus, o Espírito Santo foi derrama- do
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Como está registrado na Palavra de
Deus, o Espírito Santo foi derrama-
do sobre os discípulos de Jesus no
Dia de Pentecostes. A esse derra-
mamento denominamos “batismo
com o Espírito Santo”, expressão
corrente entre os pentecostais. A
Palavra de Deus também utiliza a
expressão “ser cheio do Espírito” em
alguns textos como um sinônimo
da experiência do batismo com o
Espírito Santo. A certeza que preci-
samos ter é de que essa experiência
está disponível a todos os crentes
hoje, como sempre esteve desde o
Dia de Pentecostes em Atos 2.

I – DEFININDO O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

1. O batismo com o Espírito Santo. É

um revestimento de poder cuja finalida-

de é levar os crentes a testemunharem da pessoa de Jesus Cristo. Na Decla- ração de Fé das Assembleias de Deus,

uma experiência

espiritual que ocorre após ou junto à regeneração, sendo acompanhada da evidência física inicial do falar em línguas (At 2.4).”

Essa experiência foi notória na Igreja

em Atos, tanto na Igreja de origem judai- ca quanto na de origem grega, e pelo relato de Lucas em Atos 19, chegou a ser acompanhada de profecias.

2. É uma realidade para os nossos

dias. Quando se trata deste assunto, há pessoas que acreditam que o re- vestimento de poder, conforme rela- tado em Atos, está fora do alcance da

é definido como “[

]

experiência cristã de nossos dias. Tal entendimento se dá por força de uma visão mais voltada a um intelectualis- mo de cunho pós-moderno, que vê a experiência pessoal com pouco valor. Na prática, um pensamento teológico que rejeita a experiência do batismo

com o Espírito Santo como um evento real para os nossos dias o faz puramente por um prisma racionalista, que rejeita

a experiência por entender que ela é

subjetiva, ou seja, cada pessoa tem a sua, e por isso não tem valor. Mas com

o respaldo da Palavra de Deus, tendo

em vista que o próprio Jesus disse que “estes sinais seguirão aos que crerem:

em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas” (Mc 16.17), cremos que o batismo com o Espírito Santo e o falar em línguas é, sim, uma experiência de Deus para os nossos dias. 3. O batismo com o Espírito Santo não é designativo de espiritualidade.

Em hipótese alguma um pentecostal genuíno, que manifesta o fruto do Espírito, pode se achar superior a qualquer outro cristão não pentecostal. O batismo com

o Espírito Santo é um revestimento de

poder, não um designativo de superio- ridade ou de santidade. Ser revestido de poder por meio do batismo com o

Espírito Santo exige de nós humildade, pois não fomos nós mesmos que nos revestimos. O revestimento de poder não é coisa de homens, mas de Deus,

e cremos que este revestimento é dado

por Ele não para que venhamos ser testemunhas da obra de Cristo e do motivo pelo qual o Filho de Deus veio ao mundo (1 Jo 3.8). Portanto, ser cheio do Espírito é uma promessa de Jesus a todos os crentes, mas para que sejam testemunhas dEle.

II – O QUE NÃO É O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

1. A conversão. É uma experiência que ocorre no momento em que a pessoa, arrependida de seus pecados, e tendo sido convencida pelo Espírito Santo, decide renunciar a vida de pe- cados, aceitando a Jesus como seu único Senhor e Salvador. Uma vez que ocorre a conversão, o pecador é trans- formado em uma nova criatura e feito filho de Deus. Essa transformação, de pecador e inimigo de Deus para filho, é uma mudança poderosa operada pelo próprio Senhor. O homem pode ouvir a mensagem do evangelho, ser conven- cido de seus pecados e aceitar a Jesus, mas ser transformado é somente pelo poder de Deus (Jo 1.11-13). Ser feito um filho de Deus é um poder concedido para fazer de nós novas criaturas, mas a conversão não é o batismo com o Espírito Santo. O batismo com o Espírito Santo é para pessoas que já experimentaram a salvação. Uma pessoa pode receber o batismo com o Espírito segundos após ter se arrependido de seus pecados e aceitado a Jesus, mas são experiências diferentes. 2. O selo do Espírito. Paulo descreve que quando recebemos Jesus como nosso Salvador, fomos selados, marcados pela glória dEle para a eternidade. É o chamado “selo do Espírito Santo” para os que creem nEle (Ef 1.13,14). Paulo, escrevendo aos efésios, não menciona ser o chamado “selo do Espírito Santo” o revestimento de poder para teste- munhar. O selo nos tempos antigos servia para garantir a fidelidade de um documento ou a inviolabilidade de um estabelecimento. Neste caso, Paulo diz que os que estão em Cristo, que creram

nEle depois da exposição da Palavra, foram selados, separados pelo Espírito

Santo para que Deus seja glorificado. É uma experiência da salvação, genuína e para todos os crentes, mas não pode ser confundida com o revestimento de poder do Espírito Santo.

3. O fruto do Espírito. O fruto do Espí-

rito não é o batismo com o Espírito Santo,

pois enquanto este é o derramamento do Espírito para revestimento de poder, aquele é a manifestação do Espírito nas atitudes daqueles que foram alcançados pelo evangelho. Enquanto o batismo com

o Espírito vem da parte de Deus, o fruto

do Espírito é a forma como os cristãos demonstram seu caráter transformado pelo evangelho, e isso é necessário a todo cristão, independente de sua linha doutrinária ser pentecostal ou não. O fruto do Espírito é o resultado de uma maturação na vida do crente, de passar por experiências em que Deus o vai moldando de acordo com a sua Palavra.

III – O FALAR EM LÍNGUAS COMO EVIDÊNCIA

1. Falam todos em línguas? Um dos

equívocos mais comuns na interpretação de 1 Coríntios 12.30 é acerca da pergun- ta de Paulo sobre os dons espirituais:

“Têm todos o dom de curar? Falam todos diversas línguas? Interpretam todos?” Alegar que esse texto indica que nem todas as pessoas batizadas

com o Espírito Santo falam em línguas

é forçar uma interpretação, pois esse

texto trata especificamente a respeito dos dons espirituais, e não sobre o falar em línguas como evidência do batismo com o Espírito Santo. É próprio de uma vertente teológica pós-moderna dizer que o livro de Atos é meramente histórico

30 JOVENS

quando se trata do falar em línguas. Os Evangelhos também são históricos, e nem por isso são desprezados.

2. No Cenáculo. Lucas menciona em

três ocasiões que o falar em línguas é

observado como evidência inicial do batismo com o Espírito Santo. A primeira

é em Atos 2, no cenáculo, em que os

discípulos estavam orando (At 2.4). Nesse primeiro registro, as línguas são direta-

mente associadas à visitação do Espírito Santo aos crentes em oração. Além do som como de um vento impetuoso que encheu o lugar de oração, e línguas de fogo, vistas sobre aqueles crentes, o que chamou a atenção dos visitantes de Jerusalém foi que ouviram os crentes falando em outras línguas. E antes de falar de Jesus à multidão, Pedro falou em línguas no local de oração.

3. Na casa de Cornélio. A segunda

ocorrência é mostrada por Lucas em

Atos 10.44-46. Este relato nos remete à primeira visitação do Espírito Santo aos gentios, na casa de Cornélio, o centurião romano. Pedro fora informado de que deveria se dirigir à casa de Cornélio e

falar com ele, e Lucas relata que antes que Pedro terminasse a pregação, o Espírito de Deus veio sobre aqueles que ouviam suas palavras. Até aquele momento, não havia registros de que os apóstolos em Jerusalém tivessem testemunhado o batismo com o Espírito Santo em gentios. Na verdade, como vemos por Atos 7 a 10, os discípulos de Jesus permaneceram em Jerusalém, e somente com uma perseguição é que se espalharam e foram pregar o evangelho por onde passavam. O evangelho chegou

a Samaria com Felipe, Saulo encontrou

Jesus no caminho de Damasco e então surge o relato de Cornélio. O impacto

foi tão grande na vida de Pedro, após os gentios terem sido cheios do Espírito Santo, que ele não negou o batismo àqueles que tinham recebido o Espírito Santo. Mesmo depois de retornar a Je- rusalém o apóstolo teve de se explicar aos “da circuncisão”, e deixou claro: “[ ] quem era, então, eu, para que pudesse

resistir a Deus?” (At 11.17). Se Deus trouxe seu Espírito aos gentios, nada mais restou aos de Jerusalém, senão glorificarem a Deus (At 11.18). 4. Em Éfeso. A terceira menção de Lucas aparece em Atos 19. Paulo chega

a Éfeso e se depara com um grupo de

homens que já conheciam o evangelho, mas não haviam recebido o batismo com

o Espírito Santo. “E os que ouviram foram

batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e

profetizavam” (At 19.5,6). Eles já eram sal- vos, foram convencidos de seus pecados pelo Espírito, já tinham se arrependido

e eram batizados. Entretanto, eles nem

mesmo sabiam da existência da Pessoa do Espírito Santo. Após receberem a imposição de mãos do apóstolo Paulo, foram cheios e falaram em outras línguas. Esse é o segundo relato de gentios sendo cheios do Espírito no livro de Atos.

Pense!de gentios sendo cheios do Espírito no livro de Atos. Essas três referências à experi- ência

Essas três referências à experi- ência do batismo com o Espírito Santo não são suficientes para que creiamos que o falar em línguas é a evidência inicial do revestimento de poder?

Ponto Importantelínguas é a evidência inicial do revestimento de poder? Lucas deixa claro que o revestimento de

Lucas deixa claro que o revestimento de poder para testemunhar tem como sinal distintivo o falar em línguas.

testemunhar tem como sinal distintivo o falar em línguas. SUBSÍDIO “A distinção e as evidências do

SUBSÍDIO

“A distinção e as evidências do batismo no Espírito Santo são estudadas em primeiro lugar porque delas depende

a maioria das posições teológicas no

tocante às demais questões. Isto é, as posições adotadas quanto a esses dois primeiros tópicos definem as questões nas demais áreas. A questão da disponibilidade hoje do batismo no Espírito Santo é muito discutida. Por um lado, muitos estudiosos da Bíblia responderão que o batismo no Espírito Santo está à disposição dos crentes atuais, mas apenas parte da conversão. Por outro lado, quando os pentecostais afirmam que o Espírito está disponível, argumentam em favor de uma experi- ência distinta da regeneração, em certo sentido, e acompanhada pela evidência física inicial do falar em línguas. Além disso, embora a distinção e as línguas como evidência estejam estreitamente relacionadas entre si, não deixam de ser questões separadas. Pela lógica, existem quatro possíveis posições

quanto à distinção e as línguas como

Há os que pensam ser

o batismo no Espírito Santo parte

evidência. [

]

da experiência da conversão, sem qualquer evidência inicial, como o

falar em outras línguas.{

defendem o batismo no Espírito Santo como uma experiência geralmente ocorrida após a regeneração e sempre acompanhada pela evidência especial do falar em outras línguas. Esta é a posição de igrejas pentecostais como as Assembleias de Deus” (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 8.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p. 432).

Há os que

]

ESTANTE DO PROFESSOR WHITE, Robert. A Igreja Revestida de Poder: O Espírito Santo na Igreja.
ESTANTE DO PROFESSOR
WHITE, Robert. A Igreja Revestida de Poder:
O Espírito Santo na Igreja. 1.ed. Rio de Janeiro:
CPAD, 2007.
Santo na Igreja. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. ANOTAÇÕES CONCLUSÃO O batismo com o Espírito

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO O batismo com o Espírito Santo é mais do que uma promessa. É o
CONCLUSÃO
O batismo com o Espírito Santo é mais do que uma promessa. É o cum-
primento do projeto de Deus de revestir seus filhos com um poder para
testemunhar das suas grandezas, da salvação e da vida porvir. Essa promessa
jamais foi revogada por Deus, e até que o Senhor Jesus, que é perfeito, seja
manifesto, podemos contar com o cumprimento dessa promessa. Como
os discípulos em oração, podemos receber esse mesmo revestimento de
poder em nossos dias.
receber esse mesmo revestimento de poder em nossos dias. HORA DA REVISÃO 1. Segundo a lição,

HORA DA REVISÃO

1. Segundo a lição, o que é o batismo com o Espírito Santo? É um revestimento de poder cuja finalidade é levar os crentes a testemunharem da pessoa de Cristo. Sua evidência física é o falar em línguas.

2. Como a Declaração de Fé das Assembleias de Deus define o batismo com o Espírito Santo?

] uma expe-

riência espiritual que ocorre após ou junto à regeneração, sendo acompanhada da evidência física inicial do falar em línguas (At 2.4).”

3. O que é a conversão?

É uma experiência que ocorre no momento em que a pessoa, arrependida de

seus pecados, e tendo sido convencida pelo Espírito Santo, decide renunciar a vida de pecados, aceitando a Jesus como seu único Senhor e Salvador.

4. Segundo a lição, o que não é o batismo com o Espírito Santo?

Na Declaração de Fé das Assembleias de Deus, é definido como “[

A conversão; o selo do Espírito e o fruto do Espírito.

LIÇÃO 5 04/11/2018
LIÇÃO
5
04/11/2018
LIÇÃO 5 04/11/2018 A CONTEMPORANEIDADE DOS DONS ESPIRITUAIS TEXTO DO DIA “Mas a manifestação do Espírito

A CONTEMPORANEIDADE DOS DONS ESPIRITUAIS

5 04/11/2018 A CONTEMPORANEIDADE DOS DONS ESPIRITUAIS TEXTO DO DIA “Mas a manifestação do Espírito é
TEXTO DO DIA “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o
TEXTO DO DIA
“Mas a manifestação do
Espírito é dada a cada um
para o que for útil.”
(1 Co 12.7)
SÍNTESE Os dons espirituais, conforme relatados em 1 Coríntios, não ficaram perdidos na história, nem
SÍNTESE
Os dons espirituais, conforme
relatados em 1 Coríntios, não
ficaram perdidos na história,
nem devem ser desprezados,
pois o propósito é a edifi-
cação da Igreja.
pois o propósito é a edifi- cação da Igreja. AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – 1 Co

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA – 1 Co 12.1

Não podemos ser ignorantes para com os dons

TERÇA–1 Co 12.4

O mesmo Espírito opera

todos os dons

QUARTA – 1 Co 12.11

O Espírito reparte os dons

como quer

QUINTA – 1 Co 14.1

Devemos buscar o dom de profetizar

SEXTA – 1 Co 12.30

Nem todos têm os mesmos dons

SÁBADO–1 Co 14.39

O falar em línguas não

deve ser proibido

OBJETIVOS • REFLETIR a respeito da utilidade dos dons espirituais; • EXPLICAR os dons espirituais
OBJETIVOS • REFLETIR a respeito da utilidade dos dons espirituais; • EXPLICAR os dons espirituais
OBJETIVOS
• REFLETIR a respeito da utilidade dos dons espirituais;
• EXPLICAR os dons espirituais a partir de 1 Coríntios;
• DISCUTIR o cessacionismo e o continuísmo.
INTERAÇÃO

Professor(a), na lição de hoje estudaremos as dádivas do Espírito Santo para a Igreja — os dons espirituais. Eles não foram somente ofertados e distribuídos para os crentes do primeiro século e não cessaram, pois enquanto a Igreja permanecer neste mundo, ela precisa

dessas concessões divinas para sua expansão, edificação, exortação e consolo. Como pentecostais, sabemos que os dons são ferramentas divina que contribuem para que a Igreja cumpra com a sua missão de proclamar

o Evangelho. Contudo, é importante ressaltar que os

dons espirituais não são evidências de espiritualidade

e que não devem ser utilizados para o nosso próprio

deleite, mas para o fortalecimento da Igreja de Cristo até que Ele volte (1 Co 12.7).

da Igreja de Cristo até que Ele volte ( 1 Co 12.7 ). ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA Professor(a),

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor(a), sugerimos que para a aula de hoje você elabore um estudo de caso. O objetivo é debater a con- temporaneidade dos dons espirituais de forma dinâmica, mostrando as duas principais teorias a respeito desse tema. Será preciso dividir a classe em dois grupos e criar uma situação que envolva um diálogo entre dois crentes, um que é cessacionista (reformado) e o outro que acredita no continuísmo dos dons (pentecostal). Os alunos terão que apresentar argumentos que repre- sentem os dois grupos e discutir a questão entre eles expondo para a turma o pensamento do grupo. Conclua enfatizando que na Bíblia não encontramos nenhuma referência que confirme o fato de que os dons tenham

uma “data de validade”, ou seja, que deixariam de existir

a partir de uma determinada data. 34 JOVENS
a partir de uma determinada data.
34 JOVENS
TEXTO BÍBLICO 1 Coríntios 12.1-11 1 Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais

TEXTO BÍBLICO

1 Coríntios 12.1-11

1 Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.

2 Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados.

3 Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema! E ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo.

4 Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.

5 há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.

E

6 há diversidade de operações, mas

E

é

o mesmo Deus que opera tudo em

todos.

7 Mas a manifestação do Espírito é dada

a cada um para o que for útil.

8 Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência;

9 a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e

e

a

outro, pelo mesmo Espírito, os dons

de curar;

10 a outro, a operação de maravilhas; e

e

a

outro, a profecia; e a outro, o dom de

discernir os espíritos; e a outro, a va- riedade de línguas; e a outro, a inter- pretação das línguas.

11 Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particu- larmente a cada um como quer.

coisas, repartindo particu- larmente a cada um como quer. COMENTÁRIO INTRODUÇÃO No último século, a história
coisas, repartindo particu- larmente a cada um como quer. COMENTÁRIO INTRODUÇÃO No último século, a história
coisas, repartindo particu- larmente a cada um como quer. COMENTÁRIO INTRODUÇÃO No último século, a história

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

No último século, a história cristã registrou em diversas igrejas a ocorrência de manifestações es- pirituais semelhantes às relatadas por Lucas em Atos e pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios 12. Muitos cristãos passaram a ser usados por dotações do Espírito Santo, os dons espirituais, e milhares de igrejas experimentaram um mover de Deus sem precedentes. Seriam essas manifestações espirituais realmente vindas de Deus, e se sim, com que propósito? Seriam para os nossos dias, ou estariam restritas aos tempos bíblicos, e, portanto, inoperantes ou inexis- tentes em nossos dias? É sobre a contemporaneidade dos dons do Espírito Santo, uma das marcas mais importantes do pentecosta- lismo, que estudaremos.

I – A UTILIDADE DOS DONS ES- PIRITUAIS

1. O contexto dos dons em 1 Corín- tios. O que levou Lucas a registrar no livro de Atos e na Epístola aos Coríntios, por inspiração do Espírito Santo, o falar em línguas, profecias, revelações, ope- ração de milagres e curas? O que fez com que Paulo na Primeira Carta aos Coríntios mencionasse um conjunto de dotações do Espírito Santo aos crentes da igreja local? Os registros a respeito dos dons espirituais nos mostram que, após o Pentecostes, o Espírito Santo não apenas continuou a batizar pessoas, mas também concedeu à Igreja dons, presentes. Paulo escreveu a respeito

desse assunto, para que os crentes de Corinto aprendessem a lidar com essas manifestações, tanto na igreja quanto fora dela (1 Co 12.1). 2. A edificação da Igreja por meio dos

dons. Paulo deixa claro que “a manifes- tação do Espírito é dada a cada um para

o que for útil” (1 Co 12.7), ou seja, os dons

espirituais têm como propósito a edifi-

cação da Igreja. Não raro, os críticos da doutrina pentecostal alegam que a igreja mais pentecostal do Novo Testamento (a igreja de Corinto) era também a mais desordenada e confusa, como se os dons espirituais fossem os responsáveis pelos problemas daquela igreja. Se analisarmos

o contexto da Primeira Carta de Paulo

aos Coríntios, veremos que, antes de

tratar dos dons espirituais, ele abordou

a respeito do comportamento daqueles

cristãos. Esta carta é um retrato de uma Igreja que estava começando, e que, no processo de crescimento, precisava de educação e disciplina. Mas dentro desse mesmo contexto, Paulo não diz que esses problemas, naquela Igreja, eram atribuídos aos dons espirituais. Quanto aos dons Paulo afirma: “Não quero, irmãos, que sejais ignorantes” (1 Co 12.1); “não proibais falar línguas” (1 Co 14.39) e “procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de

profetizar” (1 Co 14.1). Essa é a Palavra do Senhor. Se acreditarmos que os dons espirituais eram os responsáveis pela desordem daquela igreja, então vamos atribuir esse problema também a Deus, pois foi Ele que deu os dons. Mas, não

é esse o caso, pois tudo que Deus faz

é perfeito.

3. Os dons espirituais glorificam a Deus. Como os dons espirituais são dados pelo próprio Espírito Santo, que

36 JOVENS

“opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer” (1 Co 12.11), precisamos compreender que essas operações têm o objetivo de glorificar a Deus. Por isso, quem recebe os dons espirituais precisa fazer uso deles com temor, de forma correta, adequada e bíblica. Aqui cabe uma observação: Como

os dons espirituais glorificam a Deus e edificam a Igreja, Satanás faz o possível para que essas dotações sejam imitadas,

e muitos crentes, de forma inadvertida,

decidem rejeitar os dons espirituais por causa das falsificações de Satanás. Como crentes, devemos usar de sabedoria

e não deixar de fora da vida da Igreja

os verdadeiros dons, pois estes não podem ser rejeitados pelos simulacros do Inimigo. Só porque Satanás pode imitar algumas manifestações, vamos penalizar as manifestações verdadeiras do Espírito? Realmente não é razoável agir com esse entendimento. As imitações malignas não podem nos fazer descrer do verdadeiro poder de Deus manifesto pelos dons espirituais.

II – OS DONS ESPIRITUAIS EM 1 CORÍNTIOS

1. Dons de elocução. Os chamados dons de elocução, assim descritos, são

manifestos pela fala, a saber: a profecia,

a variedade de línguas e a interpretação

das línguas. A profecia se trata de uma mensagem dada diretamente por Deus, trazida pela vontade do Espírito e trans- mitida de forma consciente, e como se

depreende, é emitida na própria língua da pessoa que está falando. A varieda- de de línguas e a interpretação dessas línguas são dons que andam juntos, tendo em vista que essas línguas, pelo

contexto apresentado por Paulo, não são as mesmas que a pessoa fala para edificar a si mesma. De acordo com as

Escrituras Sagradas, as línguas, quando interpretadas, têm o peso de uma profe- cia, pois edificam a Igreja, e não apenas a pessoa que está falando.

2. Dons de sabedoria. A palavra do

conhecimento, a palavra da sabedoria ou o discernimento de espíritos são ca- pacitações que Deus dá aos crentes para que, por um conhecimento puramente divino, venham tomar decisões; saibam de acontecimentos que somente Deus poderia mostrar; para que possam dis- cernir se uma atividade ou manifestação estão sendo produzidas realmente por Deus ou se são um simulacro de Satanás.

3. Dons de poder. A fé, a operação de

maravilhas e os dons de curar (no plural,

como descrito na Bíblia) são os carismas que se manifestam de forma sobrenatural em prol dos servos de Deus, trazendo a cura divina, a ocorrência de um milagre ou mesmo uma confiança fora do comum sobre algo que Deus há de fazer.

III – CESSACIONISMO E CONTI- NUÍSMO

1. O que é o cessacionismo? É a teoria que acredita que os dons espirituais, como relatados no Novo Testamento, só existiram no primeiro período da história da Igreja. Essa época em que os dons teriam cessado situa-se, para alguns, no momento da morte do último apóstolo, João, no fim do primeiro século. Outros colocam o quarto século de nossa era como a data do fim da validade dos dons espirituais. Essa teoria é divulgada predo- minantemente por cristãos que aderem à denominada linha “reformada” de in- terpretação da Bíblia. Entre as alegações

para o cessacionismo está a convicção de que milagres e sinais foram usados por Deus para reiterar a mensagem do evangelho, e que uma vez que o cânon sagrado foi completado, os dons não teriam mais razão de existir. Se o cânon já foi completado, não há mais espaço

para novas revelações na Igreja. É dito ainda que todos os cristãos possuem o dom do Espírito, e que a história mostra que os dons cessaram.

2. O que é o continuísmo? É a corren-

te teológica adotada por pentecostais, que creem que os dons espirituais, como mencionados por Paulo em 1 Coríntios, são correntes em nossos dias. Pente-

costais não consideram uma palavra

profética, trazida por meio do dom de

profecia, uma palavra equivalente à uma nova revelação escriturística, pois sabem que qualquer manifestação espiritual precisa ser avaliada à luz da Palavra de Deus. Reconhecemos o ministério pas- toral, dos presbíteros e diáconos, mas entendemos que Deus continua, por meio dos dons espirituais, edificando a Igreja. Todos os que nasceram de novo foram selados por Deus, mas esse selo não é o batismo com o Espírito Santo, pois este se trata de um revestimento de poder para testemunhar de Jesus.

3. O que a Bíblia diz? Para que pos-

samos finalizar este assunto, devemos recorrer à Bíblia, autoridade máxima acei- ta por todo crente comprometido com a Verdade. Enquanto vários pensadores cristãos, avessos à contemporaneidade dos dons, ensinam que eles deixaram de existir quando o último apóstolo morreu, a própria Bíblia jamais disse que os dons tinham uma “data de validade”, ou seja, que deixariam de existir a partir de uma determinada data.

SUBSÍDIO
SUBSÍDIO

“Os dons espirituais, que são pela graça, mediante a fé, encontram-se na palavra grega mais usada para descrevê-los:

charismata, ‘dons livre e graciosamente concedidos’, palavra esta que se deriva de charis, graça, o imerecido favor divino. Os carismas são dons que merecemos sem os merecermos. Dão testemunho da bondade de Deus, e não da virtude de quem os receberam.

Uma das falácias que frequentemente engana as pessoas é a ideia de como Deus abençoa ou usa alguém; isso signi- fica que Ele aprova tudo o que a pessoa faz ou ensina. Mesmo quando parece haver uma ‘unção’, não há garantia dis- so. Quando Apolo chegou a Éfeso pela primeira vez, não somente era eloquente em sua pregação; era também ‘fervoroso de espírito’. Tinha o fogo. Mas Priscila e Áquila perceberam que faltava algo. Logo, o levaram (provavelmente, para casa, a fim de participar de uma refeição), e lhe explicaram com mais exatidão o caminho de Deus (At 18.25,26). Era, pois o caminho de Deus a respeito dos dons espirituais, que Paulo, como um pai, desejava explicar com mais exatidão aos coríntios. A esses dons ele dá o nome de ‘espirituais’ em 1 Coríntios 12.1 (a palavra dom não se en- contra no grego). A palavra, por si mesma, inclui algo dirigido pelo Espírito Santo e expresso através de crentes cheios do poder. Nesta passagem, porém, Paulo limita a palavra no sentido dos dons gratuitos, ou carismas, que passam a ser mencionados repetidas vezes” (HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento. 12. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2012, p. 225).

Teólogos que criticam o continuísmo se valem da ideia de que alguns dos pais da Igreja não viam, em seus dias, as manifestações espirituais conforme relatadas no Novo Testamento, e por isso, esses pais da Igreja entenderam que os dons cessaram por não serem mais necessários para os seus dias. O fato de os chamados pais da Igreja não mencionarem as manifestações dos dons ao longo da história não se comprova um argumento idôneo para questionar o continuísmo. Um estudo honesto e profundo a respeito da his- tória da Igreja mostra que houve, sim, várias ocorrências de manifestações ao longo da história. Além disso, a ideia de que os dons cessaram por que não são mais necessários não é um argumento bíblico, e sim uma opinião meramente humana. O ensino de Paulo aos Coríntios não proíbe a manifestação das lín- guas, mas orienta os coríntios sob a forma correta dessa manifestação (1 Co 14.26-28). Se analisarmos o texto de Paulo, veremos que ele pede que os dons sejam manifestos com ordem no culto, sem atrapalhar a liturgia da congregação. Na prática, o apóstolo corrige não os dons, mas sua utilização desestruturada no culto. E ele mesmo deixa claro: “Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar e não proibais falar línguas” (1 Co 14.39). Essa é a orientação de Deus para a Igreja em nossos dias. Podemos, sim, praticar os dons espirituais, se os recebermos. Paulo não proibiu os dons espirituais, apenas ensinou a Igreja a tratar deles de forma correta. E essa é a Palavra do Senhor, não sendo, portanto, passível de ser contradita.

38 JOVENS

ESTANTE DO PROFESSOR HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo
ESTANTE DO PROFESSOR
HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espírito Santo
no Antigo e Novo Testamento. 12. ed. Rio de
Janeiro, CPAD, 2012.
ANOTAÇÕES
CONCLUSÃO Cremos que os dons espirituais são para os nossos dias, pois não há um
CONCLUSÃO
Cremos que os dons espirituais são para os nossos dias, pois não há um
versículo nas Sagradas Escritura que comprove a sua revogação. O Corpo de
Cristo continua sendo edificado por meio dessas manifestações espirituais.
A Primeira Carta aos Coríntios não é uma forma de dizer à Igreja que pare de
trabalhar com os dons em nossos dias, mas sim que ela não deixe de buscar
os dons espirituais e que os utilizem de forma correta. O Deus que operou
orientando os coríntios é o mesmo que opera em nossos dias, repartindo os
dons a cada um, conforme lhe aprouver.
dias, repartindo os dons a cada um, conforme lhe aprouver. HORA DA REVISÃO 1. O que

HORA DA REVISÃO

1. O que fez com que Paulo na Primeira Carta aos Coríntios mencionasse um con- junto de dotações do Espírito Santo aos crentes da igreja local? Paulo escreveu a respeito desse assunto para que os crentes de Corinto apren- dessem a lidar com essas manifestações, tanto na igreja quanto fora dela. Ele deixa claro que não quer que os coríntios sejam ignorantes, que desconheçam a existência e a forma correta de se tratar desses dons (1 Co 12.1).

2. Qual é o propósito dos dons espirituais? Os dons espirituais têm como propósito a edificação da Igreja.

3. Relacione os dons de poder. Fé, operação de maravilhas e dons de curar.

4. O que é o cessacionismo?

É a teoria que acredita que os dons espirituais, como relatados no Novo Testa-

mento, só existiram durante um período da história da Igreja.

5. O que é o continuísmo?

É a corrente teológica adotada por pentecostais, que creem que os dons espiri-

tuais, como mencionados por Paulo em 1 Coríntios, são correntes em nossos dias.

LIÇÃO 6 11/11/2018
LIÇÃO
6
11/11/2018

O DOM DE LÍNGUAS

TEXTO DO DIA “Pelo que, o que fala em língua estranha, ore para que a
TEXTO DO DIA
“Pelo que, o que fala em
língua estranha, ore para que
a possa interpretar.”
(1 Co 14.13)
ore para que a possa interpretar.” (1 Co 14.13) SÍNTESE A manifestação do dom de línguas,
SÍNTESE A manifestação do dom de línguas, tanto na Igreja quanto na devoção pessoal, é
SÍNTESE
A manifestação do dom de
línguas, tanto na Igreja quanto
na devoção pessoal, é plano
de Deus para os crentes em
nossos dias.
pessoal, é plano de Deus para os crentes em nossos dias. AGENDA DE LEITURA SEGUNDA –

AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – 1 Co 14.2

Quem fala em línguas estranhas fala com Deus

TERÇA –1 Co 14.5

Busquemos falar em línguas e profetizar

QUARTA – 1 Co 14.27

Falando em línguas e interpretando

QUINTA – 1 Co 14.22

As línguas são um sinal para os infiéis

SEXTA – 1 Co 13.8

Profecias, o dom de línguas e de ciência um dia acabarão

SÁBADO – 1 Co 14.39

Não proibais falar em línguas estranhas

40 JOVENS

OBJETIVOS • REFUTAR o argumento de que o dom de línguas é bíblico, mas não
OBJETIVOS
• REFUTAR o argumento de que o dom de línguas é
bíblico, mas não é para os nossos dias;
• MOSTRAR que o falar em línguas edifica a nossa vida
pessoal.
INTERAÇÃO

Professor(a), você já recebeu o batismo com o Espírito Santo e experimentou o falar em línguas estranhas? Então, não se esqueça de partilhar com seus alunos como se deu tal experiência e o que mudou em sua vida. Pois, estudaremos acerca do dom de línguas. No decorrer da aula, procure enfatizar que o falar em línguas, glossolalia, era e é um sinal divino para evidenciar o batismo com o Espírito Santo. Como pentecostais cremos que os dons não foram somente para os crentes do primeiro século e que o ser cheio do Espírito é uma recomendação do Pai para os crentes da atualidade (Ef 5.18). O Senhor conti- nua o mesmo e seu desejo de que vivamos na plenitude do Espírito não foi alterado pelo fato de que algumas pessoas não crerem na promessa de Joel 2.28 que teve o seu cumprimento em Atos 2. É importante ressaltar que as línguas (gr. glossa) podem ser humanas, atualmente faladas (At 2.6), ou desconhecidas na terra (cf. 1 Co 13.1) e que a fala jamais será extática.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA(cf. 1 Co 13.1 ) e que a fala jamais será extática. Professor(a), para iniciar a

Professor(a), para iniciar a lição peça que os alunos citem algumas ideias erradas a respeito do dom de línguas. Em seguida apresente o quadro abaixo e discuta com os alunos algumas questões importantes a respeito do falar em línguas.

1. É uma manifestação sobrenatural do Espírito Santo.

2. Não é uma fala extática.

3. É um sinal externo do batismo com o Espírito Santo.

4. Este dom tem dois propósitos principais: O falar noutras línguas seguido de interpretação, em culto público, como mensagem verbal à congregação para sua edificação espiri- tual (1 Co 14.5,6,13-17). O falar noutras línguas pelo crente para dirigir-se a Deus nas suas devoções particulares e, deste modo, edificar sua vida espiritual (1 Co 14.4).

5. Somente devem ser aceitas se elas procederem do Espírito Santo.

6. Cremos na atualidade desse dom.

do Espírito Santo. 6. Cremos na atualidade desse dom. JOVENS 41 Adaptado de Bíblia de Estudo
JOVENS 41
JOVENS 41

Adaptado de Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p. 1631.

TEXTO BÍBLICO 1 Coríntios 14.1-5, 12-15 1 Segui o amor e procurai com zelo os

TEXTO BÍBLICO

1 Coríntios 14.1-5, 12-15

1

Segui o amor e procurai com zelo

os dons espirituais, mas principalmente

o

de profetizar.

2

Porque o que fala língua estranha não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala de mistérios.

3

Mas o que profetiza fala aos ho- mens para edificação, exortação e consolação.

4

O que fala língua estranha edifica-se a

si mesmo, mas o que profetiza edifica

a igreja.

5

E eu quero que todos vós faleis lín- guas estranhas; mas muito mais que profetizeis, porque o que profetiza é maior do que o que fala línguas estra- nhas, a não ser que também interprete, para que a igreja receba edificação.

12

Assim, também vós, como dese- jais dons espirituais, procurai sobe- jar neles, para a edificação da igreja.

13

Pelo que, o que fala língua estranha, ore para que a possa interpretar.

14

Porque, se eu orar em língua estra- nha, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto.

15

Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendi- mento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento.

com o espírito, mas também cantarei com o entendimento. 42 JOVENS COMENTÁRIO INTRODUÇÃO O apóstolo Paulo,

42 JOVENS

COMENTÁRIO INTRODUÇÃO O apóstolo Paulo, escrevendo aos coríntios, trata a respeito das lín- guas estranhas
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
O apóstolo Paulo, escrevendo aos
coríntios, trata a respeito das lín-
guas estranhas e da profecia no uso
coletivo e individual. Ainda dentro
da perspectiva de que as línguas e a
profecia são dons do Espírito Santo
para a edificação da Igreja, o apóstolo
traz orientações sobre como a Igreja
deve se portar nesse aspecto. Na
prática, o servo de Deus não ensina
que esses dons devem deixar de ser
exercitados, mas orienta que sejam
usados da forma correta, tendo em
vista que a sua principal função é
edificar o corpo de Cristo.

I - O FALAR EM OUTRAS LÍNGUAS

1. As línguas em Marcos 16. Inicie-

mos nosso estudo a respeito do dom de línguas remontando às palavras de Jesus no Evangelho de Marcos 16.17,18. Marcos, um escritor que tem o propósito de demonstrar Jesus como o Filho de

Deus, com poder e autoridade, registra que parte desse poder, recebido de Deus, seria manifestado entre aqueles que creriam em Jesus. Seus discípulos teriam poder para expulsar espíritos malignos, curar enfermidades e falar em outras línguas.

2. O ensino paulino a respeito das

línguas. Paulo dá prosseguimento à sua

Primeira Carta aos Coríntios fazendo uma distinção sobre o uso do dom de línguas

e

o uso da profecia. Deixemos claro que

o

ensino paulino não restringe o falar em

línguas, e sim o regulamenta. Qualquer entendimento diferente deste deturpa a ideia original do escritor, e consequente- mente, ataca a própria inspiração divina, que moveu Paulo a escrever a respeito desse assunto.

3. Orar em línguas. “Porque, se eu

orar em língua estranha, o meu espírito

ora bem, mas o meu entendimento fica

sem fruto” (1 Co 14.14). Paulo continua seu ensino tratando, agora, a respeito de oração. A comunicação com Deus

é inserida em seu discurso, desta vez

incluindo a oração em línguas, uma manifestação que entendemos ser ge- nuinamente pentecostal, mas não restrita aos arraiais pentecostais. Lembremo-nos de que a promessa do derramamento do

Espírito Santo é para toda a carne, e não

é patrimônio de uma única igreja.

Uma característica destacada por Paulo no assunto das línguas é que quando utilizadas na oração, fazem com que o espírito ore bem. Parece que não há qualquer impedimento na oração ao Pai Celeste quando se utiliza o falar em lín- guas. Paulo também destaca que quando se ora em línguas “o entendimento fica sem fruto”, ou seja, é como se o intelecto da pessoa não tivesse participação, não entendesse efetivamente o que está sendo falado. Paulo menciona isso, mas não dá a entender que o texto seja uma condenação ao fato de orar em línguas. Ele mesmo diz que “o meu espírito ora bem”. Com certeza, pela revelação do Senhor trazida a Paulo, orar em línguas manifesta uma conexão mais íntima e profunda com o Espírito Santo de Deus.

II - O FALAR EM OUTRAS LÍNGUAS NA VIDA PESSOAL

1. Línguas para falar com Deus (1 Co

14.2). Uma das verdades acerca do dom de línguas é que quem se utiliza dele fala com Deus. Por mais que os homens não entendam o que está sendo pronunciado, a Palavra de Deus diz que há uma comu- nicação entre a pessoa e Deus. Essa é

uma revelação muito séria, pois o falar em línguas tem sido combatido por cristãos cessacionistas, que acreditam que essa manifestação não seria um dom para a Igreja de hoje. Eles se baseiam no fato de que a revelação de Deus já está toda na Escritura, mas curiosamente, para eles, esta parte da revelação não teria valor normativo (a recomendação de orar em

línguas) seriam relatos que não deveriam ser reproduzidos na vida cristã em nossos dias. Como Paulo não demonstrou esse mesmo entendimento, cremos que o falar em línguas inicia uma comunhão mais íntima com Deus no momento em que o dom é manifesto, e é isso que a Bíblia diz. 2. Edificação pessoal. “O que fala língua estranha edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja” (1 Co 14.4). Paulo mostra a primeira diferença entre o ato de profetizar — e aqui não é

a pregação da Palavra de Deus — e o

falar em línguas. O ato de profetizar traz

uma edificação coletiva, ao passo que o falar em línguas traz edificação pessoal.

É inegável que o ato de profetizar na

língua vernácula traga uma edificação muito maior, pois a profecia alcança a congregação. Mas é igualmente inegável que o falar em línguas fortalece quem fala, e isso é o apóstolo Paulo que está ensinando. Contradizer esse princípio equivale a refutar o restante dos escritos paulinos, pois não há um escrito mais inspirado e outro menos. Não é pecado

edificar a si mesmo. Na Igreja de Cristo há

espaço para os que profetizam e edificam

a Igreja, e há espaço para os que falam em

línguas edificando a si próprios. A utilidade de cada dom tem sua oportunidade e espaço para a glória de Deus. É notório que há cristãos que intelectualmente entendem ser a profecia um dom de

SUBSÍDIO “Ressaltamos que os pentecostais têm uma hermenêutica distintiva, um modo particular de ler a
SUBSÍDIO
“Ressaltamos que os pentecostais
têm uma hermenêutica distintiva,
um modo particular de ler a Bíblia.
Nós, pentecostais, sempre lemos a

narrativa de Atos e, particularmente,

o relato do derramamento pente-

costal do Espírito Santo (At 2) como modelo para a vida. As histórias de Atos são as nossas histórias, e nós as lemos com um sentimento de grande expectativa.

Estou convencido de que essa her-

menêutica simples, essa abordagem direta à leitura de Atos como mo- delo para a igreja hoje, é uma das principais razões por que a ênfase no falar em línguas desempenhou papel tão importante na formação do movimento pentecostal moderno.

A

ligação entre o falar em línguas e

o

batismo no Espírito Santo marca

o

movimento pentecostal moderno

desde o início e, sem essa ligação, é duvidoso se o movimento teria visto a luz do dia, muito menos sobrevivido.

A glossolalia é de importância

crucial para os pentecostais de todo o mundo, por muitas razões, mas gostaria de propor que duas

são de particular importância. Pri- meiro, o falar em língua destaca, encarna e valida à maneira única como os pentecostais entendem

o livro de Atos: Atos não é um do-

cumento histórico; Atos apresenta um modelo para a vida da igreja contemporânea” (MENZIES, Robert. Pentecostes: Essa História é a Nossa História. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2016, pp. 57,58).

alcance plural, mas rejeitam sua mani- festação genuína em suas Igrejas. Para que sejamos honestos intelectualmente

é

que a Palavra de Deus fala. 3. Agradecendo a Deus (1 Co 14.17). A gratidão é uma das características que traz contentamento a Deus em nossa relação com Ele. Tão importante quanto à santidade, que nos desafia a ser pessoas separadas para o Senhor, a gratidão faz de nós pessoas que reconhecem que o Todo-Poderoso nos beneficiou, nos fez

preciso que sejamos coerentes com o

um favor, seja por meio de uma resposta de oração, seja simplesmente por um ato de sua vontade para conosco sem que tivéssemos pensado ou pedido. Paulo mostra que, apesar do fato de as línguas serem um instrumento de ma-

nifestação de gratidão por parte de quem fala, essa manifestação não edifica outras pessoas. A observação do apóstolo torna

a mostrar que o falar em línguas tem um

caráter pessoal quando visto sobre a pers- pectiva do alcance da coletividade. Não há impedimento para que se fale em línguas

na congregação, pois tal manifestação inclui

a nossa gratidão a Deus. Concordamos

que no contexto paulino há uma diferen-

ciação a respeito do alcance coletivo e

o individual, mas entendemos que essa

diferenciação tem um caráter educativo, ou seja, o objetivo é efetivamente incentivar

o dom de uso coletivo sem desprezar o

dom de alcance individual.

Pense!de uso coletivo sem desprezar o dom de alcance individual. Você tem procurado com zelo os

Você tem procurado com zelo os dons espirituais?

Ponto ImportantePense! Você tem procurado com zelo os dons espirituais? O falar em línguas tem a capacidade

O falar em línguas tem a capacidade de edificar o falante, mas se este a in- terpretar, tem equiparação à profecia.

44 JOVENS

ESTANTE DO PROFESSOR BRANDT, R. L. Falar em Línguas: O maior dom? 1.ed. Rio de
ESTANTE DO PROFESSOR
BRANDT, R. L. Falar em Línguas: O maior dom?
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
ANOTAÇÕES
CONCLUSÃO A Bíblia é enfática em dizer que o dom de línguas não pode ser
CONCLUSÃO
A Bíblia é enfática em dizer que o dom de línguas não pode ser desprezado,
mas o culto deve ter ordem. Que o dom de línguas ache espaço entre nós,
em nossas orações e momentos com Deus, mas também na Igreja, onde
Deus se valerá de intérpretes para trazer o entendimento do que está
sendo falado.
para trazer o entendimento do que está sendo falado. HORA DA REVISÃO 1. Transcreva o texto

HORA DA REVISÃO

1. Transcreva o texto do Evangelho de Marcos que trata a respeito do falar em línguas estranhas. “E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome, expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão” (Mc 16.17,18).

2. O orar em línguas é restrito aos crentes pentecostais? É patrimônio de uma única Igreja? Não. A oração em línguas, uma manifestação que entendemos ser genuinamente pentecostal, mas não restrita aos arraiais pentecostais. Lembremo-nos de que a promessa do derramamento do Espírito Santo é para toda a carne, e não é patrimônio de uma única igreja.

3. Segundo 1 Coríntios 14.22, as línguas são um sinal para os crentes ou para os incrédulos? As línguas são um sinal para os infiéis (1 Co 14.22).

4. O que os crentes cessacionistas dizem a respeito do dom de línguas para a igreja atual? Eles dizem que essa manifestação não seria um dom para a Igreja de hoje.

LIÇÃO 7 18/11/2018
LIÇÃO
7
18/11/2018

O GENUÍNO CULTO PENTECOSTAL

TEXTO DO DIA “Que fareis, pois, irmãos? Quan- do vos ajuntais, cada um de vós
TEXTO DO DIA
“Que fareis, pois, irmãos? Quan-
do vos ajuntais, cada um de vós
tem salmo, tem doutrina, tem
revelação, tem língua, tem in-
terpretação. Faça-se tudo para
edificação.” (1 Co 14.26)
Faça-se tudo para edificação.” (1 Co 14.26) SÍNTESE O culto pentecostal genuíno tem a presença de
SÍNTESE O culto pentecostal genuíno tem a presença de Deus nos louvores, na oração, na
SÍNTESE
O culto pentecostal genuíno
tem a presença de Deus
nos louvores, na oração, na
manifestação dos dons e na
pregação da Palavra.
na manifestação dos dons e na pregação da Palavra. AGENDA DE LEITURA SEGUNDA - Cl 3.16

AGENDA DE LEITURA

SEGUNDA - Cl 3.16

A Palavra de Deus deve

estar entre nós

TERÇA - Rm 12.1

Nosso culto deve ser racional

QUARTA 1 Co 14.31

A profecia serve para

ensino e consolo

QUINTA - Ef 5.19

Culto com salmos, hinos e cânticos espirituais

SEXTA – 1 Tm 2.8

Orando e levantando mãos santas

SÁBADO – 1 Co 14.33

Deus não é Deus de confusão

46 JOVENS

OBJETIVOS • SABER como eram as reuniões do povo de Deus em Atos; • CONSCIENTIZAR
OBJETIVOS
• SABER como eram as reuniões do povo de Deus em Atos;
• CONSCIENTIZAR de que é preciso manter a ordem e
decência no culto;
• RECONHECER a importância e o papel da música
dentro do culto cristão.
INTERAÇÃO

Na lição de hoje refletiremos a respeito do genuíno culto pentecostal. Para compreender bem esse tema preci- samos fazer algumas indagações importantes: “O que

é mais importante em um culto?” “A liturgia?” “Aqueles

que estão prestando um serviço a Deus?” “O que torna um culto genuinamente pentecostal?” Procure analisar essas questões com seus alunos e enfatize que o culto

é para Deus, por isso, seja um culto pentecostal ou não, precisa ser conduzido com reverência e temor. Somos pentecostais, cremos nos dons do Espírito, mas também cremos que o nosso culto deve ser racional (Rm 12.1).

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICAcremos que o nosso culto deve ser racional ( Rm 12.1 ). Para a aula de

Para a aula de hoje sugerimos que você inicie fazendo a seguinte indagação: “O que significa cultuar a Deus?” Em seguida apresente o quadro abaixo e discuta com os alunos o real significado da palavra “culto”. Esse é um conceito importante para a aula de hoje e precisa ser bem compreendido por todos.

CULTO 1. Definição etimológica e antropológica. A palavra culto é originária do vocábulo latino ‘culto’,
CULTO
1.
Definição etimológica e antropológica. A palavra culto é
originária do vocábulo latino ‘culto’, e significa adoração ou
homenagem que se presta ao Supremo Ser. No grego, temos
duas palavras para culto: ‘latréia’, significando adoração; e
‘proskuneo’, reverenciar, prestar obediência, render homenagem.
2.
Definição teológica. O culto é o momento da adoração que
tributamos a Deus; marca o encontro do Supremo Ser com
os seus adoradores. Eis porque, durante o seu transcurso,
cada membro da congregação deve sentir-se e agir com in-
tegrante dessa comunidade de adoração — a Igreja de Cristo.
Se o culto aos ídolos induz o ser humano às mais abjetas
práticas, a adoração cristã enleva-nos ao coração do Criador.
O teólogo Karl Barth via o culto cristão como ‘o ato mais
importante, mais relevante e mais glorioso na vida do homem.
Extraído de ANDRADE, Claudionor. As Disciplinas da Vida Cristã: Como alcançar
a verdadeira espiritualidade. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, pp. 58,59.
JOVENS 47
TEXTO BÍBLICO João 4.19-24 19 Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. 20 Nossos

TEXTO BÍBLICO

João 4.19-24

19

Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta.

20

Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar.

21

Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que

a

hora vem em que nem neste monte

nem em Jerusalém adorareis o Pai.

22

Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus.

23

Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem.

24

Deus é Espírito, e importa que os que

o

adoram o adorem em espírito e em

verdade.

Efésios 5. 15-21

15

Portanto, vede prudentemente como

andais, não como néscios, mas como

sábios,

16

remindo o tempo, porquanto os dias são maus.

17

Pelo que não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor.

18

E

não vos embriagueis com vinho, em

que há contenda, mas enchei-vos do

Espírito,

19

falando entre vós com salmos, e hinos,

cânticos espirituais, cantando e sal- modiando ao Senhor no vosso coração,

e

20

dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo,

21

sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus.

48 JOVENS

sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus. 48 JOVENS COMENTÁRIO INTRODUÇÃO O Deus vivo e
sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus. 48 JOVENS COMENTÁRIO INTRODUÇÃO O Deus vivo e

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

O Deus vivo e verdadeiro é adora-

do e louvado por suas obras, atri-

butos e misericórdia, e a adoração, feita por aqueles que o amam e

o temem, tem princípios que não podem ser desprezados. Cantar

louvores, orar, contribuir e receber

a Palavra são atitudes que fazem

parte do culto cristão. Além disso, são elementos do culto a ordem e

a racionalidade. Os pentecostais

reúnem-se em nome de Jesus para celebrar o Senhor Deus, e nesse culto podemos ver curas, batismo com o Espírito Santo, salvação e libertação de pessoas. Veremos nesta lição como o culto

ao Senhor é apresentado na Bíblia

e como a nossa adoração deve se

moldar dentro desses parâmetros.

como o culto ao Senhor é apresentado na Bíblia e como a nossa adoração deve se

I-AS REUNIÕES DO POVO DE DEUS EM ATOS

1. Reuniões com oração. Os cultos

genuinamente pentecostais são reu- niões em que há a prática da oração. Atos 2 nos mostra que os discípulos de Jesus, no Dia de Pentecostes, não estavam festejando aquela data co- memorativa. Eles estavam orando no cenáculo. Não existe problema algum em se comemorar uma data pátria ou festiva, como aniversários, casamen- tos, ou um feriado nacional. O próprio Deus instituiu datas de celebrações nacionais para os hebreus. Mas no caso da igreja em Jerusalém, quando foram cheios do Espírito Santo, foram achados em oração. Orar é tão importante que o Senhor Jesus não apenas orava com frequência, mas nos ensinou também a orar. Ele orou até o momento em que entregou o espírito a Deus. E Deus não depende de nossas orações para agir em certas ocasiões, mas Ele espera que seu povo ore e faça da oração uma prática.

Reuniões pentecostais devem sempre primar, a exemplo de Atos 2, pela oração nos cultos. O agir de Deus é observado após períodos em que seu povo estava orando. Para o pentecostal, a oração deve fazer a diferença em todos os aspectos de sua vida.

2. Reuniões marcadas pelo temor

a Deus. Uma característica do culto genuinamente pentecostal é a certeza de que estamos entrando na presença de Deus, e que a nossa adoração ao Eterno deve ser de forma respeitosa, com temor. Diante da santidade de Deus o ser humano deve chegar com

quebrantamento, mas igualmente com confiança, lembrando-se de que não

há mais separação entre nós e Deus. Entretanto, nem todas as pessoas têm a

consciência de que indo para um culto, estão diante de Deus. Jesus garantiu

que “[ onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu

]” [

presença é respeitada. O livro de Atos

mostra pelo menos duas ocasiões em que a presença de Deus em uma reunião foi tida como de menor importância por crentes sem temor. Ananias e sua esposa, Safira, tentaram enganar os apóstolos na hora da oferta, e Lucas registra a consequência da falta de temor daquele crente (At 5.4,5).

3. Reuniões com exposição da Pa-

lavra. Tão importante quanto a oração e o temor, no culto pentecostal, é a expo- sição da Palavra de Deus. Não pode ser compreensível um culto em que Deus se faça presente apenas nos momentos de oração e cânticos, e ausente no mo- mento da pregação. Por isso, a exposição das verdades bíblicas deve ser levada a sério não apenas na escolha do texto a

ser trabalhado, mas também na forma como a apresentação ocorre.

(Mt 18.20), mas nem sempre essa

]

II - ORDEM E DECÊNCIA NO CULTO

1. Cultos e liturgia. O culto pente-

costal não é desprovido de uma liturgia.

Esta palavra é oriunda da língua grega, leitourgeion, de onde vem a nossa palavra liturgia, e traz a ideia de um serviço ou

dever público. Leitougeion também é traduzida como ministério. Ela aparece em Atos 13.1,2, quando nos é dito que na igreja de Antioquia havia doutores e profetas, e “servindo eles ao Senhor e jejuando”, o Espírito Santo ordenou que Saulo e Barnabé fossem separados para

uma obra que Deus já lhes reservara. A

palavra “servindo” (leitourgeion) indica que os discípulos serviam ao Senhor de for- ma pública, e no decorrer desse serviço ouviram o Espírito Santo. Não é errado ter uma liturgia, em que o culto vai ser seguido de etapas que nos conduzem

a Deus na adoração, leitura da Palavra,

oração, contribuição, testemunhos pú- blicos e pregação da Palavra. O que não

é certo é fazer com que a liturgia seja

mais importante do que a orientação e

o mover do Espírito de Deus no culto.

2. O uso do intelecto associado aos

Palavra de Deus, não apenas impedem que haja profecias genuínas na Igreja,

como também ensinam que esse dom cessou. Mas o apóstolo Paulo fala usando

o tempo no presente: “E os espíritos dos

profetas estão sujeitos aos profetas”. Ele não diz que eram sujeitos e que depois do terceiro século de nossa era não seriam mais. O objetivo dessa orientação é claro:

“Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos” (1 Co 14.33). Esse texto indica que aqueles que têm o dom de profetizar

devem se sujeitar à decência e à ordem,

dons. Paulo nos adverte que o nosso

com inteligência e sabedoria. Por meio

e

não atrapalhar o andamento do culto

culto deve ser racional (Rm 12.1). Isso significa que devemos adorar a Deus

da pregação bíblica Deus fala aos nossos corações; por meio dos dons espirituais

para profetizar. A mensagem profética trazida a um homem ou mulher de Deus não é desculpa para que o momento de culto se torne desregrado, ou com manifestações condenáveis na Palavra

a

Igreja é edificada. Por meio da oração

de Deus.

Jacó. Jesus tratou com ela a respeito

falamos com o Senhor, e em todos esses momentos o cristão não perde a sua capacidade de se comunicar, de enten- der, de refletir sobre o que é dito. Não podemos fazer do momento de culto um horário para manifestações particulares de espiritualidade. Ser cheio do Espírito

4. Adorando a Deus em espírito e em verdade. João, em seu Evangelho, mostra um diálogo entre Jesus e uma mulher samaritana junto ao poço de

da salvação, e a mulher quis saber sobre o lugar onde se deveria adorar

não retira de nós o domínio próprio, pois

a

Deus. Os samaritanos só aceitavam

este é justamente uma característica do

o

Pentateuco, e rejeitavam os profetas

fruto do Espírito registrado em Gálatas 5.

e

demais livros do Antigo Testamento,

3. O espírito do profeta é sujeito

ao profeta. Para que haja ordem no culto, Paulo deixa claro: “Porque todos podereis profetizar, uns depois dos ou- tros, para que todos aprendam e todos sejam consolados. E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas” (1 Co 14.31,32). A orientação bíblica é cla- ra no que tange às manifestações de

profecia no culto ao Senhor. Há grupos cristãos que, acreditando que o dom de profetizar é somente a pregação da

50 JOVENS

ao que Jesus lhe responde que eles adoravam o que não sabiam, e que a salvação vem dos judeus. Jesus comple- ta a sentença deixando de focar o lugar da adoração para focar na forma como se adora e a quem Deus busca para o adorar (Jo 4.23). A adoração, que antes estava enquadrada em uma teologia que privilegiava os lugares, agora tem um caráter pessoal, em espírito; não uma ideia pálida de quem é Deus, e em verdade, pois Ele já se revelou em

Jesus. A nossa adoração deve refletir esse princípio. Precisamos adorar a Deus de forma realmente espiritual, como novas criaturas, divorciados das regras que regiam nossa forma antiga de viver.

III - A MUSICALIDADE DENTRO DO CULTO CRISTÃO

1. Deus valoriza a música e a adora-

ção. A música faz parte do culto cristão. Deus deu sabedoria para que os homens criassem instrumentos musicais, e criou

o homem com cordas vocais para que pudesse cantar. Esse mesmo Deus con- clama que todos cantem louvores em sua presença (Sl 47.6-8). Deus pergunta a Jó onde ele estava quando, por ocasião da criação do mundo, “as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus se rejubilavam”(Jo 38.7). Mesmo no livro do Apocalipse é possível ver que no céu há adoração

com música, onde os quatro animais e os vinte e quatro anciãos cantavam um novo cântico (Ap 5. 8,9). Jesus cantou um hino antes de ir ao Getsêmani (Mt 26.30), e a Igreja Primiti- va adorava a Deus com música. Paulo fala aos efésios que eles deveriam ser cheios do Espírito “falando entre vós com salmos, e hinos, e cânticos espiri- tuais”(Ef 5.19). Observe que a expressão “falando entre vós” aponta para além da adoração no culto, e avança para as esferas de relações pessoais. Adorar com uma música de qualidade, bíblica, sem cantores e músicos disputando quem toca melhor ou mais alto, com certeza agrada a Deus.

2. Salmos e hinos. Os Salmos, ou

saltério de Israel, são um conjunto de hinos que os hebreus cantavam em suas

festas. Tais hinos representavam a forma como os filhos de Abraão percebiam a presença de Deus — ou a ausência dEle

— em suas vidas. As emoções humanas

— tão condenadas em certos meios evan-

gélicos de nossos dias — são vistas de forma clara nos Salmos. Os hebreus não tinham nenhum problema em cantar seus momentos de alegria ou tristeza diante