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ESTUDO DO COMPORTAMENTO DINÂMICO DE


ROTORES E CONTROLE DOS NÍVEIS DE
VIBRAÇÃO SOB DESBAL....

Conference Paper · November 2013

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Richard Senko Samuell Aquino Holanda


Universidade Federal da Paraíba Universidade Federal de Campina Grande (U…
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ESTUDO DO COMPORTAMENTO DINÂMICO DE ROTORES E CONTROLE DOS NÍVEIS DE
VIBRAÇÃO SOB DESBALANCEAMENTO ROTATIVO

Richard Senko 1, Antonio Almeida Silva2, Jader Morais Borges3, Rômulo do Nascimento Rodrigues4, Aureliano
Xavier dos Santos5, Samuel Aquino Holanda6

1-Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande-PB, Brasil, senko.richard@gmail.com


2- Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande-PB, Brasil almeida@dem.ufcg.edu.br
3- Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande-PB, Brasil jader@dem.ufcg.edu.br
4- Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande-PB, Brasil engromulorodrigues@gmail.com
5- Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande-PB, Brasil aurelliano@yahoo.com.br
6- Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande-PB, Brasil samuell182@gmail.com

Palavras chave: Dinâmica de rotores, Análise de vibrações, Manutenção preditiva, Eixo-rotor desbalanceado.

Resumo

As máquinas rotativas em geral, quando em funcionamento, geram esforços dinâmicos que se propagam paras as
partes que a suportam, devendo tais esforços serem devidamente considerados durante o projeto. Porém alguns fatores
durante a montagem ou operação podem levar a comportamentos indesejáveis tais como desalinhamentos ou
desbalanceamentos. Os estudos mais frequentes relacionados a rotores buscam evitar principalmente o descontrole desses
sistemas, os quais podem ocasionar diversos danos no conjunto eixo-rotor bem como a outros componentes que estão
interligados no sistema. O objetivo deste trabalho é estudar a dinâmica de rotores sujeito a desbalanceamento rotativo
utilizando simulações computacionais, através do método dos elementos finitos, obtendo-se as curvas de respostas no
domínio do tempo e da frequência e comparando com os dados obtidos em bancada experimental. Em seguida, serão
avaliadas as amplitudes de vibração para um sistema rotor-mancal desbalanceado sob 3 condições de severidade, para definir
níveis de vibração aceitáveis, alerta e de parada do sistema. As simulações foram realizadas através de programas
computacionais como o Matlab e o Ansys, onde além das velocidades críticas pode-se avaliar as deformações que os
componentes podem sofrer durante o uso e inferir sobre os níveis de vibração para diversas condições de
desbalanceamento. Os resultados foram obtidos através de equipamentos de análise de sinais dinâmicos e computador
conectados por sensores numa bancada experimental. Desta forma pode-se concluir que a análise destes sistemas pode ser
muito satisfatória para fins de monitoramento e controle, prevenção e manutenção destes equipamentos e redução de custos
para a indústria.
1. Introdução

As máquinas rotativas são utilizadas em diversas aplicações sendo que os rotores é umas das mais simples existentes.
Seguindo a definição ISO, um rotor é um corpo suspenso por meio de um conjunto de mancais de rolamentos que lhe
permite rodar livremente em torno de um eixo fixo no espaço. A capacidade de transmitir grandes energias sendo
equipamentos pequenos é um grande atrativo, onde esta energia vem das altas velocidades que o sistema rotor mancal é
submetido[1]. O sistema rotor mancal é normalmente constituído basicamente dos seguintes elementos: eixo, disco e mancal.
O disco pode ser assumido como um elemento rígido, o qual é caracterizado somente pela energia cinética. A seção onde
está localizado o rotor sofre as maiores amplitudes durante a rotação do sistema. Em alguns casos o conjunto rotor pode ter
mais de um disco. O eixo normalmente é circular e simétrico, suporta o disco e este é apoiado sobre os mancais. Ele é
caracterizado pela energia cinética e potencial, devendo-se obter assim os parâmetros da rigidez, massa e amortecimento. Os
mancais representam os pontos onde o eixo vai ser apoiado, ele pode ser tanto com rolamentos, sendo de esferas ou rolos,
hidrodinâmicos ou aeroestáticos. Os mancais são caracterizadas através do trabalho virtual das forças que atuam no eixo,
que devido ao contato de ambos geram forças de restituição no mancal. A massa desbalanceadora, é caracterizada pela
energia cinética, pois é relacionada normalmente com o próprio disco. Por mais que a massa desbalanceadora não seja um
elemento do rotor, pode ser utilizado para corrigir desbalanceamentos, para assim diminuir a vibração, no sistema.
A representação de um conjunto contendo eixo, rotor e mancais é ilustrado na Fig.1, onde observa-se um modelo de
como um mancal é representado. Também considera-se que o mesmo rotor possui um certo desbalanceamento residual.

Xa Ya
ca
Y
Y ka
X
X mr
e
Rotor

Figura 1. Sistema Rotor-Mancal (Fonte: adaptado de [2])

O desbalanceamento é a maior causa de vibrações em máquinas rotativas [3], onde este fenômeno é caracterizado pela
existência de desequilíbrios de massa em relação aos eixos de rotação [4]. Tais desequilíbrios são originados por inevitáveis
assimetrias, tolerâncias e desvios de forma, além das imperfeições da matéria-prima e da montagem. Quando o sistema está
desbalanceado pode gerar comportamentos indesejáveis, os quais podem ocasionar diversos danos a outros equipamentos
que estão interligados. Desta forma surge a necessidade de estudar a dinâmica dos rotores para uma melhor compreensão
dos sinais de vibração e obter melhores modelos para o sistema. Desta forma as análises por elementos finitos são bastantes
atrativas devido a grande aproximação da realidade dos modelos. Para chegar nos modelos matemáticos há a necessidade de
utilizar métodos numéricos, onde neste trabalho foi utilizado o método de elementos finitos. O método dos elementos
finitos é um método mais abrangente de aplicação de engenharia[5], onde utiliza matrizes para cada elemento do sistema.
Para a detecção e identificação dos defeitos é necessário obter e processar os sinais de vibração, obtendo estes sinais e
conhecendo a velocidade de rotação do sistema, pode-se conhecer o problema do equipamento através de suas frequência
predominantes. Na Tab.1 mostra-se alguns problemas que ocorrem num típico sistema rotor-mancal e suas frequências
predominantes onde pode ser identificado.

Tabela 1: Frequências predominantes de falhas. (Fonte: adaptado de [6])

Tipo de Folga nos Oil


Desbalanceamento Desalinhamento Defeitos em Rolamentos
defeito Mancais Whirl
1xN Altas Frequências acima
Frequência
1xN 2xN de 1/2 ou 1/3 x N 1/2 x N
Predominante
3, 4 x N 2 KHz

Para o processamento destes sinais existem alguns programas conhecidos como sistemas especialistas. De acordo com
[7], o sistema especialista desenvolvido é uma classe de sistemas de inteligência artificial e serve como consultor na tomada
de decisão que envolve a área de manutenção, normalmente apenas dominadas pelo pessoal de manutenção, funcionando
como uma ferramenta de manutenção preventiva e preditiva que serve para auxiliar os encarregados a manter a saúde dos
equipamentos.
Este trabalho visa a investigação dos níveis de desbalanceamentos de rotores com uma configuração com um disco e
tendo como motivação principal melhorar a vida útil destes equipamentos fazendo com que estes evitem tal defeito assim
podendo operar na mais alta performance. Outro objetivo é criar regras para o sistema especialista, que foi desenvolvido por
[8] onde este foi primeiramente aplicado em bombas hidráulicas e centrífugas, para assim identificar os níveis aceitáveis,
alerta e de parada para os sistemas rotor-mancal desbalanceados.

2. Modelo matemático

Para realizar as simulações é necessário obter os modelos matemáticos do sistema rotor-mancal, onde foi utilizado o
método de elementos finitos. Inicialmente devem ser encontradas as energias cinéticas, potenciais e forças que serão
aplicadas nos elementos do sistema, conforme desenvolvimento descrito por [5].

2.1 Método de elementos finitos

Este método permite previsões mais precisas reduzido o custo dos experimentos através do processo de simulações,
conseguindo-se assim projetos mais baratos e mais precisos antes de protótipos de teste [9].
Através deste método são encontrado as matrizes de massa, de rigidez, de amortecimento, do efeito giroscópio e da
massa desbalanceada. Neste método será utilizado as equações de energia de cada elemento com os graus de liberdade
existentes no elemento. Para a derivação das equações de movimento do rotor só aplica-se a equação de Lagrange sobre as
energias cinética, potenciais e forças do sistema. A equação geral é dada na forma:

(1)

Onde (1 ≤ i ≤ N) é o numero de graus de liberdade, e o vetor deslocamento e º indica as diferenciações em relação ao


tempo. Este equacionamento segue um procedimento que foi adotando por [10]. No caso do elemento disco, como ele
possui quatro graus de liberdade, u, w, ψ e θ, Fig.2:

Figura 2. Representação do disco (Fonte: [1])

Tendo a energia cinética do disco e aplicando eq. (1), obtém-se a seguinte equação:

(2)

Onde [ ] é a matriz de massa e [ ] a matriz do efeito giroscópio. Para encontrar as matrizes do eixo, inicialmente este
deve ser dividido através de nós, como mostra a Fig.3:

Figura 3. Representação do eixo. (Fonte: [5])


Pela fig.2 pode-se notar que cada nó possui 4 graus de liberdade formando assim o vetor deslocamento nodal. Sabendo
que os deslocamentos ψ e θ são derivações de u e w, com estas informações, e de acordo com [11], obtém-se as funções de
forma do elemento eixo. Sabendo a equação da energia cinética do eixo e tendo as funções de forma obtém-se:

(3)

Realizando as integrações necessárias e aplicando eq. (1) é obtido:

(4)

Onde [ ] é a matriz de massa, [ ] é a matriz do efeito de inércia e [ ] e matriz do efeito coriolis. Para a energia
potencial é realizado o mesmo procedimento:

(5)

Realizando as integrações necessárias e aplicando eq. (1) é obtido:

(6)

Onde tem-se que [ ] e a matriz de rigidez clássica e [ ] e a matriz da força axial.


Já para o elemento mancal, é bem mais simples encontrar a sua matriz, pois tendo a equação da força, a matriz é obtida
de forma direta:

(7)

Sendo a primeira matriz rigidez e a segunda a matriz amortecimento. Onde elas podem ser simétricas, quando os
e , ou assimétricas quando e .
No caso da matriz da massa desbalanceadora, também é obtida de forma direta, aplicando a eq. (1) na equação da
energia cinética da massa desbalanceada, obtém-se a matriz.

(8)

Onde α é a posição angular com relação ao eixo z.

2.2 Normas de severidade de vibração

Os níveis de vibração admissíveis para monitoração tem sido objeto de estudos por várias comissões técnicas[12] para
melhor avaliar o quanto um equipamento pode operar de forma segura. Estes estudos fazem com que estas comissões
técnicas adotem diversas normas para avaliar as vibrações que os equipamentos podem estar sujeitos. As normas mais
utilizadas são:
 VDI 2056 - 1964;
 ABNT NBR 10082 (1987);
 ISO 10816 – 1995;
 BS 7854 - 1996
No Brasil a ABNT segue a norma ISO, e estas estão preocupadas com a severidade de vibração, onde as mesmas
definem como uma unidade característica compreensível e simples para descrever o estado de vibrac ão de uma maquina.
Para essas normas não é considerada a energia radiada das partes vibrantes.
Para realizar as medições dos sinais as normas passam algumas orientações, que por mais que sejam óbvias, nem sempre
elas são levadas em considerações durante as aquisições dos sinais, obtendo-se sinais que podem levar a falsos alarmes.
Essas orientações são a respeito dos seguintes pontos:
 Tipo de base utilizada (montagem rígida ou flexível);
 Pontos e posições de medição;
 Condições operacionais durante o teste.
O tipo de base utilizada pode afetar significativamente o seu nível de vibração medido[12], pois os níveis de vibração
comparáveis são facilmente alcançados quando as máquinas são utilizadas. Desta forma normalmente utiliza-se dois tipos de
bases:
 lacas de ases mais leves do que a ma quina e nas quais se deseja somente fixar a maquina. Neste caso, a massa da
ase deve ser menor que 1⁄4 da massa da ma quina.
 lacas de ases mais pesadas que a maquina como um piso rigido e nas quais e dese avel ixar os pes da maquina
este caso a massa da ase deve ser pelo menos duas ve es maior do que a massa da ma quina.
De acordo com a Norma ISO 10816-1 [13], os pontos de medição devem ser feitas sobre os rolamentos, mancais, ou
outras partes estruturais, que respondem de forma significativa para as forças dinâmicas e caracterizam a vibração geral da
máquina, ou seja em onde a energia de vibração transferida de forma resiliente. Na Fig.4 é apresentada um exemplo de
posições onde devem ser instalados os sensores para realização das medidas.

Figura 4. Pontos de medição para mancais. (Fonte: [13])

As condições operacionais durante o teste do equipamento a ser analisado devem ser anotadas, temperatura, carga,
velocidade antes dos testes. As normas também aconselham para os equipamentos com velocidade variável a realizar testes
em diversas velocidades, com o objetivo de localizar as frequências de ressonância que o sistema sofre.
Os valores ou graus de severidade de vibração dependem da classificação do equipamento, pois a mesma faixa de
severidade de vibração pode ser aceitável ou não permissível dependendo do tipo do sistema a ser avaliado. Desta forma a
classificação dos sistemas dependem do tipo de massa do corpo vibrante, de características do equipamento, de respostas e
do uso da mesma. A Norma ISO 10816-1 [13] classifica os equipamentos em quatro classes:
 Classe I – Máquinas pequenas com motores até 15 KW;
 Classe II – Máquinas de médio porte com motores de 15KW até 30KW;
 Classe III – Grandes acionadores principais;
 Classe IV – Turbomáquinas;
Tendo estas classes, a mesma norma apresenta uma ordem sugerida de faixas de qualidade de vibrações de A até D,
Tab.2, onde:
 A - Equipamento novo;
 B - Nível de vibração permissível;
 C - Nível insatisfatório para operação, mas ainda aceitável;
 D - Nível não permissível.

Tabela 2: Níveis de Vibração. (Fonte: [13])

Velocidade de vibração R.M.S.


Classe I Classe II Classe III Classe IV
(mm/s)
0,28
0,45 A
A
0,71 A
A
1,12
B
1,8
B
2,8
C B
4,5
C B
7,1
C
11,2
C
18 D
D
28 D
D
45
As normas aplicáveis aos controles de vibração são utilizadas como parâmetros de referência para alertar sobre a
condição dos sistemas. Desta forma percebe-se que a monitoração dos equipamentos tem como objetivo alertar sobre a
condição deste, fazendo com que o equipamento não venha sofrer grandes danos devido as condições de uso e permitir um
acompanhamento preditivo que vise a parada para manutenção no momento mais adequado e de forma planejada.

3. Materiais e métodos

3.1 Materiais

Foram utilizados os dados e parâmetros de uma bancada experimental existente no LVI (Laboratório de Vibração e
Instrumentação – UAEM/UFCG), a qual é constituída de um sistema rotor-mancal, onde os mancais são considerados
rígidos e simétricos. Foi utilizado uma configuração deste sistema contendo um disco no meio do vão do eixo, Fig.5. O
sistema de acionamento é composto por um motor (WEG W22 plus de 3Kw) acoplado a um inversor de frequência (WEG
Mline) podendo atingir uma rotação máxima de 3330 rpm. Os dados referentes a bancada experimental são mostrados na
Tab.3.

Figura 5. Bancada Experimental com um disco. (LVI-UAEM-UFCG)

Tabela 3: Dados da bancada experimental

Eixo Disco 1 Mancais


Massa (Kg) 0,4816 1,4335 2,096
Diâmetro Int. (mm) - 26 37
Diâmetro Ext. (mm) 12,5 150 -
Comprimento (mm) 414 - 79
Largura (mm) - 11 25
Excentricidade (mm) - 65 -

Para os experimentos foi utilizando dois equipamentos analisadores de sinais:


 Analisador de Sinal Dinâmico 35670A Agilent; Fig.6(a),
o Acelerômetro PCB 352B10
o Martelo de Impacto PCB 086C03
 Analisador de Vibrações Vibtron-49G FFT, Fig.6(b);
o Acelerômetro Piezoelétrico Industrial ICP - 100 mV/G;
Figura 6. (a) Analisador de Sinal Dinâmico 35670A Agilent (b) Analisador de Vibrações Vibtron-49G FFT (LVI-UAEM-UFCG)

3.2 Metodologia

3.2.1 Determinação da frequência natural do sistema

Inicialmente foi necessário conhecer as frequências naturais do sistema rotor-mancal na condição de vibração livre, para
isso foi realizada a análise modal teórica e experimental, onde foi possível obter os modos de vibração e suas frequências
críticas, que servirão de referência para o estudo. Foram realizados ensaios com martelo de impacto utilizando o analisador
de sinal dinâmico 37670A Agilent, onde o sistema foi mantido no estado estacionário. Para realizar as análises o
acelerômetro foi posicionado no mancal esquerdo nas direções horizontal, vertical e axial e o impacto do martelo foi dado
no disco Neste experimento foram obtidas as curvas de resposta no tempo e na frequência, obtendo-se assim as três
primeiras frequências naturais do sistema.

3.2.2 Rigidez do eixo e mancais

Para encontrar a rigidez do eixo, foi adotado o modelo bi-apoiado, Fig.7, onde a rigidez do eixo é dada pela seguinte
fórmula.
(9)

Figura 7. Modelo de viga bi-apoiado (Fonte: [14]).

Conhecendo a primeira frequência natural do sistema obtém-se a rigidez equivalente , que de acordo com o modelo
de associação de molas em paralelo, Fig. 8(a), e em série, Fig. 8(b), ela é dada pela seguinte equação.

Figura 8. Associação de molas para sistemas de rotores (a) molas em paralelo e (b) molas em série. (Fonte: [14]).
(10)

onde a rigidez equivalente dos mancais é dada pela seguinte equação:

(11)

3.2.3 Simulação do sistema sob vibração livre

Primeiramente foi realizada as simulações do sistema rotor-mancal na condição de vibração livre, para comprovar a
validade do modelo de rigidez do mancal. Nas simulações foram obtidas os modos de vibração e suas frequências críticas,
podendo assim comparar com o que foi obtido experimentalmente. Foi utilizado os softwares computacionais Matlab e Ansys
onde foi aplicado o método de elementos finitos.
Para a simulação no Matlab o eixo foi dividido em 11 nós e colocado os posicionamento destes nós de forma simétrica.
O programa necessitou dos dados e posicionamentos do sistema rotor-mancal, onde desta forma foi obtido uma grande
aproximação do modelo real.
Para o software Ansys também foi necessário entrar com os dados do sistema, onde para o disco foi inserido os dados de
massa e suas respectivas inércias, polar e diametral. Desta forma o sistema foi dividido em 10 elementos, onde o eixo está
sendo particionado em 11 nós de forma simétrica, e foram incluídos mais 8 nós onde foi inserido as molas do mancal,
seguindo o modelo utilizado por [5], onde utiliza o modelo do mancal tratando como molas, como mostrado na Fig.1.

3.2.4 Determinação experimental de desbalanceamento rotativo

Para entender o comportamento dinâmico do sistema sob um dado nível de desbalanceamento, foi realizada uma análise
harmônica, obtendo-se as amplitudes, velocidades e acelerações de vibração do sistema numa dada faixa de frequência (0 a
60 Hz). Nesta análise foi incluída massas desbalanceadas nos discos, a uma distância do centro deste, onde para
o sistema com um disco foram colocados massas variando de 10 à 100g. O sistema foi testado em três diferentes
velocidades de rotação, 10, 15 e 20 Hz.
Os experimentos foram realizados com o analisador de vibrações Vibtron-49G FFT, Fig.6(b), onde foram obtidos
espectros FFT em velocidade e aceleração. Nesta análise o acelerômetro também foi posicionado no mancal nas direções
horizontal, vertical e axial.
Na Fig.9 tem-se uma representação geral esquemática do procedimento adotado nesse estudo e na Fig.10 tem-se uma
representação esquemática do procedimento utilizado para as análises harmônicas.

Figura 9. Representação esquemática da metodologia.


Figura 10. Representação esquemática do procedimento utilizado para análise harmônica.

4. Resultados e discussões

Inicialmente apresenta-se uma das curvas de resposta no tempo com o analisador Agilent, Fig.12, onde pode-se estimar o
amortecimento do sistema aplicando o decremento logarítmico, tendo-se obtido .

Figura 12. Resposta de vibração livre no tempo e aplicação do decremento logarítmico.

Com estas mesmas curvas aplicou-se uma transformada rápida de Fourier (FFT) para obter as frequências naturais do
sistema (Fig.13), cujas três primeiras frequências também são apresentadas na Tab.4.
Figura 13. Resposta de vibração livre na frequência.

Utilizando a primeira frequência natural do sistema, foi possível chegar na rigidez do mancal utilizando as equações (9),
(10) e (11). Os dados da rigidez equivalente dos elementos eixo e dos mancais que foram utilizados no sistema rotor-mancal
são apresentados na Tab.5.

Tabela 4: Frequências naturais do sistema rotor-mancal com 1 disco.

Erro %
Matlab Ansys Experimental
Exp x Matlab Exp. x Ansys
1º Modo (Hz) 54,03 57,34 57,46 5,97 0,21
2º Modo (Hz) 180,31 183,23 180,60 0,16 1,46
3º Modo (Hz) 519,84 504,06 500,70 3.82 0,67

Tabela 5: Resultados de rigidez do Eixo e Mancal.

Eixo Mancal
Rigidez (N/m) 162431,48 4,0064E5

Após a realização da análise modal, deu-se início a análise harmônica, primeiramente foram realizadas as simulações
utilizando os softwares Matlab e Ansys. Para esta análise foi seguido o esquema apresentado na Fig.10, onde para ambos os
programas foram obtidos as amplitudes de vibração com uma massa desbalanceada medidas em dois nós (nó 5 e nó central).
As divisões dos nós são apresentadas na Fig.14.

Figura 14. Sistema Rotor mancal dividido em 11 nós, Matlab.


As curvas apresentadas na Fig.15 foram obtidas com o Matlab e as curvas apresentadas na Fig.16 foram geradas pelo
Ansys.

Figura 15. Curvas de resposta em amplitude com 50g de massa desbalanceada do sistema com um disco, Matlab.

Figura 16. Curva de resposta em amplitude com 50g de massa desbalanceada do sistema com um disco (nó central), Ansys.

Para os experimentos da análise harmônica foi obtido as amplitudes de velocidades RMS numa das configurações do
sistema rotor-mancal (disco no meio do vão), seguindo a representação esquemática apresentada na Fig.10. Duas curvas
obtidas através deste equipamento são mostrada na Fig. 17. A partir dessa figura, pode-se perceber um pico de amplitude na
frequência de 20 Hz, que está relacionada à frequência de rotação, e cujos níveis RMS são, respectivamente, 0,07 mm/s e
3,75 mm/s. No caso da colocação de massa desbalanceada observa-se que os níveis muda de faixa A para C da norma
(Tab.2), indicando que se encontra numa condição insatisfatória devido ao desbalanceamento.

Figura 17. Curvas de resposta em velocidade RMS: (a) sem massa desbalanceada; (b) com massa desbalanceada de 50g, Vibtron-49G FFT.

Tendo em vista os resultados obtidos, percebe-se pequenos erros nas analises modais feitas com os softwares utilizados,
principalmente para a primeira frequência natural, podendo-se assim utilizar a simulação para obter os parâmetros das
amplitudes de vibração com as massas desbalanceadas para o controle do sistema. Pois tendo como referência as amplitudes
máximas permitidas através de simulações, já é possível identificar qual é a massa que vai ter um maior nível de velocidade
RMS, tendo assim importantes parâmetros para o controle do sistema rotor-mancal nas demais configurações propostas.

5. Conclusões

Este trabalho apresenta um estudo dinâmico de um sistema rotor-mancal dedicado com um disco central visando a
obtenção de parâmetros importantes como frequências naturais, modos de vibrar, amplitudes e velocidades críticas máximas
de vibração, tanto através de simulações como de modo experimental.
Percebe-se que os resultados obtidos da análise modal simulada quando comparado com os dados experimentais,
obteve-se resultados satisfatórios, onde foi possível obter uma margem de erro de no máximo 6%. A maior margem de erro
para os outros dois modos pode ser justificada devido as condições aplicadas na simulação, onde o mancal foi tratado como
totalmente simétrico, com rigidez igual nas direções x e z.
Para análise sob excitação harmônica obteve-se resultados importantes para a questão do controle do sistema, pois tendo
as amplitudes e velocidades de vibração com as massas desbalanceadas, pode ser construída as regras para o controle do
sistema, fazendo com que este possa operar na sua mais alta performance e em condições de segurança.

6. Agradecimentos

Os autores gostariam de agradecer a Unidade Acadêmica de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Campina
Grande pela oportunidade de utilizar o Laboratório de Vibrações e Instrumentação (LVI), ao CNPQ e a CAPES pelo apoio
financeiro.

Referências

[1] Pereira, J. C. "Introdução à Dinâmica de Rotores", Florianópolis, 2003.


[2] He, Y.; Satoko, O.; Chu, F. L.; Li, H. X. "Vibration control of a rotor-bearing system using shape memory alloy: I – theory, Smart
Materials and Structures", Vol. 16, pp. 114-121. 2007.
[3] Mitchell, J. S. “Introdution to Machine Anlysis and Monitoring”, Ed. PennWell Publishing company, 1993.
[4] Lamim Filho, P. C. M.; Pederiva, R.; Brito, J. N. "Detecção de Desbalanceamento em máquianas rotativas através da lógica fuzzy".
Conem 2006, 2006, Recife - PE. IV Congresso Nacional de Engenharia Mecânica.
[5] Lalanne, M., Ferraris, G. "Rotordynamics prediction in engineering", John Wiley and Sons, 1990.
[6] Piccoli, H. C., "Mecânica das Vibrações", Rio Grande do Sul: FURG. 175p.Apostila para disciplina de graduação do
Departamento de Engenharia Mecânica e Naval, Mecânica das Vibrações.
[7] Amaya, E. J.; Alvares, A. J. “Diagnóstico de Falhas de Turbinas Hidráulicas usando Sistemas Especialistas”. CIBIM, 2009, Las
Palmas de Gran Canaria. 9º Congreso Iberoamericano de Ingeniería Mecánica, 2009.
[8] Silva, A. A.; Basilio, D. C. S.; Irmão, M. A. S. ”Sistema Especialista Baseado em Regras de Análise de Vibração para Auxílio à
Tomada de Decisão na Operação de Bombas Centrífugas”. VI Congresso Nacional de Engenharia Mecânica, 2010, Campina
Grande. Anais do CONEM 2010. Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas, 2010. v.1. p.1-10.
[9] Rao, J. S. "History of Rotating Machinery Dynamics", Springer, 2011.
[10] Santiago, D. F. A. "Diagnostic of Faults of Rotating Machinery Using Wavelet Transform and Artificial Neural Networks".
ampinas aculdade de ngen aria ecanica, Universidade Estadual de Campinas, 2003. 117 p. Phd Thesis
[11] Fish, J.; Belytschko, T. “A First Course in Finite Elements”, John Wiley and Sons, 2007.
[12] Garcia, M. S. "Análise de Defeitos em Sistemas Mecânicos Rotativos a partir da Monitoração de Vibrações", Rio de Janeiro,
Dissertação, 119 p. (COPPE/UFRJ, Engenharia Mecânica), 2005.
[13] International Organization for Standard- ISO 108916-1. “Mechanical Vibration - Evaluation of machine Vibration by
measurements on non-rotating Parts - Part 1”, 1995.
[14] Fernandes, F. C. N. "Bancada Experimental Para Estudo de Rotores", PUC-Rio.

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