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Aula 00 Curso: Direito Constitucional Curso regular Professor: Jonathas de Oliveira

Curso: Direito Constitucional – Curso regular Teoria, Jurisprudência e Questões comentadas Prof. Jonathas de

Curso: Direito Constitucional Curso regular Teoria, Jurisprudência e Questões comentadas Prof. Jonathas de Oliveira - Aula 00

APRESENTAÇÃO

Caro amigo concurseiro,

É com enorme prazer que inicio este curso aqui no Exponencial Concursos. Trata-se de um curso regular de Direito Constitucional de teoria, jurisprudência e questões comentadas para as áreas de planejamento, controle e gestão.

Tratam-se de áreas bastante conexas entre si (muitas vezes tratadas como uma macro área) e que ofertam alguns dos cargos mais cobiçados no mundo dos concursos. Cito alguns como exemplo:

Analista de Planejamento e Orçamento do MPOG

Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental do MPOG

Auditor do Tribunal de Contas da União

Auditor dos Tribunais de Contas Estaduais e Municipais (SP e RJ)

Auditor de Controle Interno da CGU

Auditor de Controle Interno nos Estados, DF e Municípios

Analista e outros cargos em autarquias como a CVM e a SUSEP

E temos muito mais!

Dito isso, passemos às apresentações.

Meu nome é Jonathas de Oliveira, bacharel em Turismo e graduando em Direito, e minha história nos concursos se iniciou aos 23 anos, quando em 2012, sem maior pretensão, fui aprovado para um concurso de nível municipal em Armação de Búzios (RJ). Alguns meses depois, dei início à minha preparação.

No início de 2013, fui aprovado para Analista de Fazenda da Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro e, em outubro daquele ano, para Auditor Fiscal da Receita do Estado do Espírito Santo, em 3º lugar, cargo que exerço atualmente, atuando como Subgerente de Legislação e Orientação Tributária.

Ao longo dos meus 11 meses de estudo como concurseiro e com 4 anos de atuação como professor para concursos, pude travar contato com diferentes materiais e metodologias e constatar a dificuldade que os candidatos ao almejado cargo na administração pública com as mais diversas formações encontram para conciliar, resumir e esquematizar conteúdos vastos e muitas vezes demasiadamente prolixos.

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É nesse sentido que a formatação deste curso visa a ser não apenas um instrumento de transmissão de informações com eficiência, eficácia e efetividade, mas também uma ferramenta metodológica ao amigo e à amiga concurseiros, contribuindo para que o estudo para concursos públicos seja feito com a maior praticidade possível, obtendo os melhores resultados, sem desperdício de tempo.

Nosso curso apresenta aproximadamente 250 mapas mentais (esquematizações, quadros e diagramas), a fim de estimular a fixação, assim como 700 questões comentadas, optando-se por aquelas que melhor representam o estilo das grandes bancas nas áreas de planejamento, gestão e controle (FCC, FGV, ESAF e CESPE), tanto em relação à forma, quanto ao conteúdo.

Em todas as provas para tais áreas nossa matéria é cobrada, seja no âmbito da União, dos Estados, DF ou Municípios.

Nesse contexto, torna-se de fundamental importância assegurar o maior número de pontos possíveis nas chamadas “disciplinas-núcleo” dos concursos.

A disciplina Direito Constitucional é um verdadeiro “pilar” que não podem ser negligenciado. É dela e das demais disciplinas-chave que o candidato vai extrair a maior parte dos pontos que blindarão sua eliminação e o manterão na zona de competitividade.

Fazendo uma análise dos tópicos de Direito Constitucional que costumam ser cobrados pelos editais para concursos das áreas de planejamento, gestão e controle, tecemos um panorama de estudo, no qual constam tanto a teoria constitucional quanto o conteúdo da própria Constituição Federal.

Com base nisso, vejamos como será estruturado nosso curso.

Com base nisso, vejamos como será estruturado nosso curso. Aula Tópico 00 Introdução ao Direito

Aula

Tópico

00

Introdução ao Direito Constitucional. O Direito Constitucional e os demais ramos do Direito. Estrutura da Constituição Federal de 1988. Teoria geral do Estado. Os poderes do Estado e as respectivas funções. Análise do princípio hierárquico das normas. Supremacia da Constituição. Princípios constitucionais. Constitucionalismo e Neoconstitucionalismo. Teoria geral da Constituição: conceito,

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origens, conteúdo, estrutura e classificação. Supremacia da Constituição. Tipos de Constituição. Interpretação constitucional. Poder constituinte.

01

Controle de Constitucionalidade. Controle judiciário difuso e concentrado. Ação Direta de Inconstitucionalidade (genérica e por omissão), Ação Declaratória de Constitucionalidade e Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. Controle concentrado nos Estados.

02

Princípios fundamentais. Direitos e Deveres individuais e coletivos. O direito de petição. O habeas corpus. O mandado de segurança (individual e coletivo). O mandado de injunção. O habeas data. A ação popular. A ação civil pública.

03

Direitos sociais. Nacionalidade. Direitos Políticos. Partidos Políticos.

04

Organização político-administrativa do Estado. Repartição de competências. Outros aspectos: Estados federados, Municípios, Distrito Federal e Territórios. Intervenção federal e estadual.

05

Administração pública. Disposições gerais. Servidores públicos.

06

Poder Legislativo. Congresso Nacional, Câmara dos Deputados e Senado Federal. Processo Legislativo. A fiscalização contábil, financeira e orçamentária.

07

Poder Executivo. Presidente e Vice-Presidente. Ministros de Estado. Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional.

08

Poder Judiciário. Supremo Tribunal Federal. Superior Tribunal de Justiça. Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais. Tribunais e Juízes do Trabalho. Tribunais e Juízes Eleitorais. Tribunais e Juízes Militares. Tribunais e Juízes dos Estados.

09

Funções essenciais à Justiça. Ministério Público. Advocacia Pública. Advocacia. Defensoria Pública.

10

Defesa do Estado e das instituições democráticas.

 

11

Sistema Tributário Nacional. Das limitações do poder de tributar. Impostos da União, dos Estados, Distrito Federal e Municípios. Repartição de Receitas Tributárias.

12

Finanças

Públicas

e

Orçamento.

Princípios

gerais

da

atividade

econômica.

13

Ordem social: base e objetivos da ordem social, seguridade social, educação, cultura e desporto, ciência, tecnologia e inovação, comunicação social, meio ambiente, família, criança, adolescente, jovem, idoso e índios.

14

Das disposições gerais e das disposições constitucionais transitórias.

* Confira o cronograma de liberação das aulas na página do curso no nosso site.

Pois bem, guerreiros e guerreiras Curso: Direito Constitucional – Curso regular Teoria, Jurisprudência e Questões

Pois bem, guerreiros e guerreiras

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Resumidamente, seguindo a estrutura acima, poderemos explorar, com o devido aprofundamento, todos os principais pontos da disciplina que podem incidir nos concursos.

Mãos à obra!

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Aula 00 Introdução ao Direito Constitucional. O Direito Constitucional e os demais ramos do Direito. Estrutura da Constituição Federal de 1988. Conceitos de teoria geral do Estado e os Poderes do Estado. Análise do princípio hierárquico das normas. Constitucionalismo e Neoconstitucionalismo. Teoria geral da Constituição: conceito, origens, conteúdo, estrutura e classificação. Supremacia da Constituição. Tipos de Constituição. Interpretação constitucional. Poder constituinte.

Sumário

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Olá concurseiros e concurseiras!

Tendo sido feita a devida apresentação, daremos largada ao nosso curso regular de Direito Constitucional voltado para as áreas de planejamento, gestão e controle.

Aspectos teórico-doutrinários de Direito Constitucional nem sempre são cobrados com rigor elevado.

Ainda assim, faz-se necessária a abordagem prática do tema, tanto para evitarmos surpresas desagradáveis no momento da prova (em último caso, a banca tem discricionariedade para “inovar”) quanto para contextualizarmos os próximos tópicos.

Comecemos!

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1- Introdução ao Direito Constitucional

Conforme anota o grande jurista José Afonso da Silva, o Direito é um sistema normativo, do qual extraímos normas (regras e princípios) imperativas de conduta.

De modo geral, um sistema representa um conjunto dotado de uma estrutura e organização determinados, que atende a algumas características básicas, quais sejam: pluralidade de elementos, interação entre os elementos e a harmonia entre os elementos.

um

sistema cujos elementos são as normas jurídicas.

Nosso

ordenamento

jurídico-normativo,

portanto,

representa

Este sistema, por seu turno, é composto de unidades estruturais (ramos) organicamente dispostas.

A doutrina majoritária compreende que a subdivisão da ciência jurídica reveste-se de importância prática para seu ordenamento e estudo. Porém, em última análise, o Direito é uno.

Assim é que, o Direito Administrativo, o Direito Tributário, o Direito Financeiro, dentre outros ramos do denominado direito público, muito embora apresentem especificidades quando comparados aos ramos do dito direito privado Civil e Empresarial, por exemplo , abrigam-se sob um mesmo arranjo lógico-normativo: “O” Direito.

E o que é o Direito Constitucional?

Direito Constitucional é o ramo do direito público que tem por objeto a Constituição dos Estados nacionais.

No momento oportuno, apresentaremos os diferentes sentidos e tipologias que a palavra “Constituição” pode assumir. No entanto, em sentido jurídico aquele a que devemos dar mais atenção a Constituição é o fundamento de validade normativa dos Estados nacionais. É a lei máxima do Estado.

No plano jurídico-positivo (o Direito produzido pelo Estado, que rege nosso dia a dia), a nossa Constituição Federal de 1988, situa-se no topo da pirâmide normativa. Essa pirâmide é um recurso visual consagrado com base na teoria normativista de Hans Kelsen e que traduz o princípio da supremacia da Constituição. Em última instância, é à Constituição que todo o agir público se reporta, numa relação de verticalidade hierárquica.

As normas de um ordenamento não estão todas em um mesmo plano/hierarquia. Há normas superiores e inferiores, sendo que as normas inferiores devem observância às superiores.

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Um exemplo. A CF/88 atribui competência exclusiva à União para a instituição do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Pois bem, todos os atos subsequentes em relação ao IPI não podem afrontar, ativa ou omissivamente, as diretrizes e limites dispostos pela Constituição, sob pena de incorrerem em inconstitucionalidade. A Constituição é suprema!

Assim, não poderia lei municipal instituir o tributo. Tampouco poderia norma federal infralegal (hierarquicamente, “abaixo das leis”) estabelecer a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias aos seus dispositivos (o que exige lei em sentido estrito, conforme dispõe o Código Tributário Nacional, recepcionado em sua quase totalidade pela CF/88, com status de lei complementar).

Perceba-se que todo o corpo legislativo (e o agir público é vinculado à existência de lei prévia que o autorize) extrai seu fundamento de validade da Lei Maior, a Constituição Federal. Visualizando a conexão entre os dois extremos, teríamos, portanto, a seguinte relação de hierarquia:

*É a ideia lógica que sustenta o plano jurídico- positivo Norma Hipotética Fundamental* Constituição Federal
*É a ideia lógica
que sustenta o
plano jurídico-
positivo
Norma Hipotética Fundamental*
Constituição Federal de 1988 (normas
originárias)
Constituição Federal de 1988 (emendas) e
tratados e convenções internacionais sobre
direitos humanos aprovados na forma do
art. 5º, §3º
Outros tratados e convenções
internacionais sobre direitos humanos
(status supralegal)
Leis complementares, leis ordinárias, leis
delegadas, medidas provisórias, decretos
legislativos, resoluções, tratados e
convenções internacionais gerais, decretos
autônomos (status legal)
Normas infralegais (decretos
regulamentares, portarias, ordens de
serviço, instruções normativas e outras)

* A norma hipotética fundamental não é positivada, mas sim pressuposta. É uma premissa jurídica e o referencial de produção das normas do ordenamento jurídico, uma espécie de consciência jurídica (ou ânimo jurídico) que por ele perpassa.

Ao longo do nosso curso estudaremos cada ponto acima.

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Questões comentadas Prof. Jonathas de Oliveira - Aula 00 (CESPE / STJ – Conhecimentos Básicos /

(CESPE / STJ Conhecimentos Básicos / 2015)

Julgue o item subsecutivo, acerca da República Federativa do Brasil.

A Constituição é instituto multifuncional que engloba entre seus objetivos a

limitação do poder e a conformação e legitimação da ordem política.

Resolução: Correto. A Constituição é a lei máxima do Estado e tem como alguns de seus objetivos limitar os poderes do próprio Estado e dos particulares e estabelecer as diretrizes da ordem política.

1-

e estabelecer as diretrizes da ordem política. 1- – MPE – RJ / 2014 / Adaptada)

MPE RJ / 2014 /

Adaptada) Julgue a assertiva a seguir:

O sistema jurídico brasileiro adota o princípio da supremacia constitucional.

Segundo os juristas pátrios e, principalmente, a jurisprudência do STF, o referido princípio informa-nos que o intérprete deve ter em conta que as normas constitucionais encontram-se posicionadas no topo do ordenamento jurídico e configuram o fundamento de validade de todas as demais normas do sistema que estejam em posição hierárquica inferior.

Resolução: Correta. O princípio da Supremacia da Constituição postula que a Lei Fundamental (Constituição) do Estado se encontra na parte mais elevada do ordenamento jurídico, de modo que nenhuma norma pode contrariar suas disposições normativas. Este princípio orienta toda interpretação da Constituição, lei fundamental do Estado, não pode ser contrariada por nenhuma outra norma.

2-

(FGV / Estágio Forense

por nenhuma outra norma. 2- (FGV / Estágio Forense 3- Adaptada) Julgue o item que segue:

3-

Adaptada) Julgue o item que segue:

É consequência da rigidez constitucional o princípio da Supremacia da Constituição.

Resolução: Correta. Conforme veremos no nosso curso, nossa Constituição é do tipo rígida. A rigidez constitucional, exigindo um procedimento diferenciado para modificação da Constituição, consequentemente a posiciona num patamar de superioridade hierárquica em relação às demais leis e atos normativos do ordenamento (a rigidez posiciona a Constituição Federal no topo da pirâmide do ordenamento jurídico), ou seja, faz com que a CF/88 funcione como fundamento de validade de todas as demais normas.

RJ / 2008 /

(FGV

/

Procurador

do

TCM

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2- O Direito Constitucional e os demais ramos do Direito

A esquematização didática do Direito, assim como tudo o mais nesta ciência, não é unânime entre os autores. De todo modo, numa abordagem pragmática, podemos propor as seguintes especializações:

DIREITO Direito Direito Privado Difuso/Social D. do Trabalho D. Civil D. Ambiental D. Empresarial D.
DIREITO
Direito
Direito Privado
Difuso/Social
D.
do Trabalho
D.
Civil
D.
Ambiental
D.
Empresarial
D.
Previdenciário
D.
Internacional
Privado
Empresarial D. Previdenciário D. Internacional Privado Direito Público Direito Público Externo Direito
Direito Público Direito Público Externo Direito Internacional Público
Direito Público
Direito Público
Externo
Direito
Internacional
Público
Direito Público Externo Direito Internacional Público Direito Público Interno D. Constitucional D.

Direito Público

Interno

D. Constitucional D. Administrativo D. Tributário D. Financeiro D. Econômico D. Processual D. Penal D.
D. Constitucional
D.
Administrativo
D.
Tributário
D.
Financeiro
D.
Econômico
D.
Processual
D.
Penal
D.
Urbanístico

Não é necessário memorizar o diagrama acima. Vamos focar na compreensão!

O Direito Constitucional é, portanto, ramo do direito público. As diferenças fundamentais entre o direito público e o direito privado podem ser sintetizadas da seguinte forma:

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DIREITO PÚBLICO DIREITO PRIVADO • Supremacia do interesse dos interesses público sobre o privado •
DIREITO PÚBLICO
DIREITO PRIVADO
• Supremacia
do
interesse
dos
interesses
público sobre o privado
• Equivalência
privados
• Eficácia vertical: a produção de
efeitos se dá no sentido Estado
x Particular
• Eficácia horizontal: a produção
de efeitos se dá no sentido
Particular x Particular
• Indisponibilidade
do
interesse público (não há
vontade livre do administrador,
este deve sempre agir em prol
do bem comum)
• Disponibilidade do interesse
privado (autonomia de vontade;
os particulares, desde que
respeitada a legalidade, são
livres em seu agir)
Normatização
(relações
• Contratualização
jurídicas
(relações
jurídicas regidas
por normas
regidas,
dotadas
de
generalidade
e
abstração)
fundamentalmente, por contratos
estabelecidos entre as partes)
por contratos estabelecidos entre as partes) Alguns autores, como Pedro Lenza (2012), chamam a atenção

Alguns autores, como Pedro Lenza (2012), chamam a atenção para a progressiva superação da supracitada dicotomia Direito Público vs Direito Privado.

Fato é que, no atual Estado Democrático de Direito em que vivemos, observa-se uma tendência de supremacia dos direitos fundamentais sobre os direitos particulares estruturados pelo Direito Privado, notadamente pelo Direito Civil.

Por exemplo, hoje o Código Civil sofre um processo de descodificação tendo como contrapartida a criação de microssistemas (como o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Código de Defesa do Consumidor, o Estatuto do Idoso, dentre outros). Estes, por sua vez, extraem seu fundamento de validade diretamente dos direitos fundamentais expressos na Constituição.

Assim, mesmo as relações entre particulares, tradicionalmente regidas pelo Direito Privado (como aquelas delineadas no Código Civil) e pela supremacia do interesse dos particulares, não estão isentas da força normativa dos direitos fundamentais assegurados pela Carta Magna.

Voltaremos

a

abordar

Neoconstitucionalismo.

este

aspecto

ao

estudarmos

o

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3- Estrutura da Constituição Federal de 1988

A Constituição Federal, promulgada em 5 de outubro de 1988, compreende um preâmbulo, nove títulos (divididos em capítulos, seções e subseções), além do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT).

Desde sua promulgação, a CF/88 já sofreu dezenas de reformas em seu texto original, seja por meio de emendas constitucionais, seja mediante emendas de revisão constitucional.

Esquematicamente,

e

desconsiderando

as

subdivisões

dos Títulos,

temos a seguinte anatomia constitucional:

PREÂMBULO

TÍTULO I Dos Princípios Fundamentais (art. 1º a 4º)

TÍTULO IIDos Direitos e Garantias Fundamentais (art. 5º a

17)

TÍTULO III Da Organização do Estado (art. 18 a 43)

TÍTULO IV Da Organização dos Poderes (art. 44 a 135)

TÍTULO V Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas (art. 136 a 144)

TÍTULO VI Da Tributação e Orçamento (art. 145 a 169)

TÍTULO VII Da Ordem Econômica e Financeira (art. 170 a

192)

TÍTULO VIII Da Ordem Social (art. 193 a 232)

TÍTULO IX Das Disposições Constitucionais Gerais (art. 233 a 250)

ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS (art. 1º a 97)

Natureza

político-

ideológica

Natureza jurídica

Vejamos o que dispõe o preâmbulo constitucional:

PREÂMBULO

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem- estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia

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social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

São três as posições apontadas pela doutrina em relação ao preâmbulo, vejamos: a) tese da irrelevância jurídica: o preâmbulo está no âmbito da política e não possui relevância jurídica; b) tese da plena eficácia: o preâmbulo tem a mesma eficácia jurídica das demais normas constitucionais; c) tese da relevância jurídica indireta: o preâmbulo tem parte das características jurídicas da Constituição Federal, entretanto, não deve ser confundido com as demais normas jurídicas desta.

O Supremo Tribunal Federal ao enfrentar a questão concluiu que o preâmbulo constitucional não se situa no âmbito do direito, mas no âmbito da política, transparecendo a ideologia do constituinte. Desta forma, o STF adotou, expressamente, a tese da irrelevância jurídica.

Por exemplo, sendo instado a examinar se a invocação da “proteção de Deus” seria ou não norma de reprodução obrigatória pelas Constituições Estaduais (CE) e Leis Orgânicas (LO) do Distrito Federal e dos Municípios, o STF se manifestou contrário a um discutível caráter normativo do preâmbulo da CF/88 (ADI 2.076/AC). Ou seja, as CE e LO não precisam invocar a “proteção de Deus”.

CE e LO não precisam invocar a “proteção de Deus”. 4- 2011) A invocação à proteção

4-

2011) A invocação à proteção de Deus, constante do Preâmbulo da Constituição da República vigente:

a) é inconstitucional.

b) é ilícita.

c) não tem força normativa.

d) não foi recepcionada pelo texto constitucional.

(FCC / Promotor do Ministério Público CE /

e) é expressão de reprodução obrigatória nas Constituições estaduais.

Resolução: Alternativa C. Questão simples de uma temática já pacificada pelo STF, conforme exposto acima.

temática já pacificada pelo STF, conforme exposto acima. 5- Adaptada) Julgue o item a seguir: O

5-

Adaptada) Julgue o item a seguir:

O preâmbulo constitucional, dada a sua importância no quadro constitucional, possui superior hierarquia às normas constitucionais constantes do corpo permanente da Constituição da República Brasileira.

RJ / 2014 /

(FGV / Estágio Forense MPE

Resolução: Errado. Conforme já se posicionou o STF, o preâmbulo da Constituição não possui natureza jurídico-normativa, mas político-ideológica.

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Além do preâmbulo e das normas gerais da Constituição (Título I a IX), temos o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.

O ADCT contém normas jurídicas, em grande parte, efêmeras, temporárias, que possibilitaram a passagem da ordem constitucional anterior para a atual.

Sua função central, pois, é harmonizar as pendências da ordem anterior com a nova ordem.

Nesse sentido, válido dizer que suas normas possuem o mesmo grau de positividade jurídica das normas centrais da Constituição. A natureza jurídica é a mesma. Não por outro motivo, o ADCT pode inclusive estabelecer exceções às normas centrais da CF/88.

estabelecer exceções às normas centrais da CF/88. As normas da ou CF/88 dispostas no e ADCT

As

normas da

ou

CF/88 dispostas no

e

ADCT são suscetíveis de ser

se definem como normas formalmente

revogadas

constitucionais. Veja-se:

emendadas

O Ato das Disposições Transitórias, promulgado em 1988 pelo legislador constituinte, qualifica-se, juridicamente, como um estatuto de índole constitucional. A estrutura normativa que nele se acha consubstanciada ostenta, em consequência, a rigidez peculiar às regras inscritas no texto básico da Lei Fundamental da República. Disso decorre o reconhecimento de que inexistem, entre as normas inscritas no ADCT e os preceitos constantes da Carta Política, quaisquer desníveis ou desigualdades quanto à intensidade de sua eficácia ou à prevalência de sua autoridade. Situam-se, ambos, no mais elevado grau de positividade jurídica, impondo-se, no plano do ordenamento estatal, enquanto categorias normativas subordinantes, à observância compulsória de todos, especialmente dos órgãos que integram o aparelho de Estado. (RE 160.486, rel. min. Celso de Mello, julgamento em 11-10-1994, Primeira Turma, DJ de 9-6-1995.)

Como observamos, o texto constitucional sofreu diversas alterações desde sua promulgação. Modificações estas, fruto dos poderes constituintes derivados de revisão (esgotado) e de reforma, conceitos a serem abordados.

Além disso, embora não promova mudança físico-formal da Carta Magna, destaque-se o fenômeno da mutação constitucional, conferindo-lhe novos sentidos interpretativos.

Por fim, podemos analisar a Constituição sob mais um aspecto.

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Na lição de José Afonso da Silva, de acordo com sua finalidade e estrutura normativa, as normas constitucionais podem ser agrupadas em cinco categorias, ou elementos constitucionais.

Elementos orgânicos Contidos nas normas que regulam a estrutura do Estado e dos Poderes e
Elementos
orgânicos
Contidos nas normas que regulam a estrutura do Estado e
dos Poderes e o sistema de governo. Na Constituição de
1988, concentram-se nos Títulos III (Da Organização do
Estado), IV (Da Organização dos Poderes e do Sistema de
Governo), Capítulos II e III do Título V (Das Forças Armadas e
da Segurança Pública) e VI (Da Tributação e do Orçamento)
Elementos
limitativos
Contidos nas normas relativas aos direitos e garantias
fundamentais: direitos e garantias individuais, direitos de
nacionalidade, direitos políticos e democráticos. Concentram-se
no Título II (Dos Direitos e Garantias Fundamentais),
excetuando-se o Capítulo II (Direitos Sociais)
Elementos
sócio-
ideológicos
Contidos nas normas que traduzem o compromisso de
cunho intervencionista do Estado Social Democrático .
Concentram-se no Capítulo II do Título II e nos Títulos VII (Da
Ordem Econômica e Financeira) e VIII (Da Ordem Social)
Elementos de
estabilização
constitucional
Contidos nas normas destinadas a garantir a solução de
conflitos constitucionais, a defesa da Constituição, do
Estado e das instituições democráticas. Representam
instrumentos de defesa do Estado e da paz social. Concentram-
se no art. 102, I, “a” (ação de inconstitucionalidade); arts. 34 a
36 (Da Intervenção); arts. 59, I, e 60 (Processos de emendas à
Constituição); arts. 102 e 103 (Jurisdição constitucional); Título
V (Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas,
especialmente o Capítulo I, que trata do estado de defesa e do
estado de sítio, uma vez que os Capítulos II e III do Título V
tipificam-se como elementos orgânicos)
Elementos
formais de
aplicabilidade
Contidos nas normas que traduzem regras de aplicação da
Constituição. Concentram-se no preâmbulo (embora este não
tenha força normativa por si só), no ADCT e no art. 5º, § 1º,
que estabelece que as normas definidoras dos direitos e
garantias fundamentais têm aplicação imediata.
ELEMENTOS
CONSTITUCIONAIS
têm aplicação imediata. ELEMENTOS CONSTITUCIONAIS 6- 2008) São elementos orgânicos da Constituição: a) a

6-

2008) São elementos orgânicos da Constituição:

a) a estruturação do Estado e os direitos fundamentais.

b) a divisão dos poderes e o sistema de governo.

c) a tributação e o orçamento e os direitos sociais.

d) as forças armadas e a nacionalidade.

e) a segurança pública e a intervenção.

Resolução: Alternativa B. Fácil, não é pessoal? Basta recordar que os elementos orgânicos são aqueles que compõem a regulação da organização e funcionamento do Estado.

(FGV / Auditor Fiscal da Receita Estadual RJ /

Estado. (FGV / Auditor Fiscal da Receita Estadual – RJ / 7- MG / 2014) Considerando

7-

MG / 2014) Considerando as categorias de elementos que definem o

(IBFC / Gestor de Transportes e Obras SEPLAG

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conteúdo das Constituições, pode-se afirmar que as disposições constitucionais transitórias são elementos:

a) Limitativos.

b) Socioideológicos.

c) Orgânicos.

d) Formais de aplicabilidade.

Resolução: Alternativa D. O ADCT é uma parte das normas constitucionais, que contém regras de transição do regime constitucional anterior (1969) para o atual regime (1988), assim, se caracteriza como formal de aplicabilidade.

4 - Teoria geral do Estado. Os poderes do Estado e as respectivas funções.

Vamos brevemente elucidar alguns conceitos que, vez ou outra as bancas colocam no nosso caminho.

4.1- Conceito e elementos de Estado

Seguindo a lição de Cicco e Gonzaga (2008), podemos conceituar Estado como instituição organizada, política, social e juridicamente, a qual ocupa um território definido e é regida por uma lei maior, usualmente na forma de Constituição. Ademais, é dirigida por um governo soberano, reconhecido interna e externamente ao território e responsável pela organização e controle social, uma vez que detém a competência legítima do uso da força e da coerção.

Destacam-se nessa definição três elementos: povo, território e governo.

Elementos do Estado Povo Governo Território
Elementos do
Estado
Povo
Governo
Território
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Questões comentadas Prof. Jonathas de Oliveira - Aula 00 8- MPOG / 2015) A respeito das

8-

MPOG / 2015) A respeito das noções de Estado, governo e administração

pública, julgue o item a seguir.

Povo, território e governo compõem os três elementos constitutivos do conceito de Estado.

Resolução: Correto. São, respectivamente, o componente humano do Estado, a base física do Estado e o elemento condutor do Estado

Advirta-se que povo não é sinônimo de população. Povo é a parcela da população vinculada política e juridicamente ao Estado. Já no conceito de população se incluem também os estrangeiros e os apátridas (indivíduos que não têm nacionalidade).

(CESPE / Analista Técnico Administrativo do

nacionalidade). (CESPE / Analista Técnico Administrativo do Alguns autores incluem ainda um quarto elemento, a

Alguns autores incluem ainda um quarto elemento, a finalidade, que seria, em termos gerais a promoção do bem comum.

4.2- Poderes e funções do Estado

Poder-se-ia questionar, quem detém originariamente o poder no Estado.

Segundo a Constituição Federal, todo o poder emana do povo(CF/88, art. 1º, parágrafo único). No entanto, tal poder é “dividido” (temos então, não mais um único poder, mas Poderes 1 ) e manifestado por meio de diferentes funções, ou seja, “especializações” do agir do Estado.

Na maior parte das democracias contemporâneas prepondera a teoria (abrandada) de Montesquieu, a denominada teoria da tripartição de Poderes, tipicamente identificados como Poder Executivo, Poder Legislativo e Poder Judiciário.

1 Para fins didáticos, entenda-se tal afirmação como integralmente correta. No entanto, em última análise, advirta-se que o poder político é uno. A dita separação de poderes nada mais é que uma abordagem de cunho funcional. Além da unicidade, são tidas como características do poder político a imprescritibilidade (a possibilidade de se exercê-lo não é extinta com o tempo) e a indelegabilidade (o exercício do poder é delegável a representantes, mas sua titularidade o poder emana do povo não).

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Poderes do Estado Executivo Legislativo Judiciário
Poderes do Estado
Executivo
Legislativo
Judiciário

É o caso brasileiro, como podemos extrair da Constituição (e aplicar por simetria aos demais entes subnacionais 2 ):

Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. 9- Área de Auditoria e Fiscalização /2006

9-

Área de Auditoria e Fiscalização /2006 / Adaptada) Sobre Teoria Geral da Constituição, Poderes do Estado e suas respectivas funções e Supremacia

da Constituição, julgue a assertiva a seguir.

O poder político de um Estado é composto pelas funções legislativa, executiva e judicial e tem por características essenciais a unicidade, a indivisibilidade e a indelegabilidade.

Resolução: Correta. Como vimos, além de ser uno, o poder político é imprescritível (não se extingue com o tempo) e é indelegável (mas sua titularidade não pode ser transmitida a quem não lhe é de direito).

(ESAF / Analista de Finanças e Controle da CGU /

No Brasil, o supracitado abrandamento é perfeitamente estabelecido, dentre outros fatores, uma vez que cada Poder incorpora, além de uma ou mais função típica, outras funções atípicas.

Vejamos.

Poder

Funções típicas

Funções atípicas

 

1- Provimento direto de bens e serviços públicos, atos de administração, chefia de Estado e de governo

- Legislar: por exemplo, na edição de medidas provisórias (art. 62) e leis delegadas (art. 68)

Executivo

- Julgar: por exemplo, instaurando, inquirindo e julgando processos administrativos disciplinares (em âmbito federal, lei 8.112/90, art. 151)

2 A exceção parcial é o Judiciário. Inexiste organização de tal Poder por ente municipal.

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-

Executar: por exemplo, ao dispor

1- Elaboração de leis

sobre sua organização, funcionamento, funções de serviços e criação de cargos (art. 51, IV e art. 52, XIII)

Legislativo

2 - Fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do Poder Executivo

-

Julgar: por exemplo, a Câmara dos

Deputados autoriza (art. 51, I) e o Senado Federal julga o Presidente e outros agentes políticos nos crimes de responsabilidade (art. 52, I)

   

-

Executar: por exemplo, os tribunais

Judiciário

1- Instituir a coisa julgada com base na aplicação da legislação

organizam suas secretarias e serviços auxiliares, proveem cargos necessários à administração da Justiça, concedem férias, licenças e outros afastamentos a seus membros (art. 96, I)

Legislar: por exemplo, os tribunais elaboram seus regimentos internos (art. 96, I, “a”).

-

Atente-se que o Poder Legislativo é o único que possui duas funções típicas, quais sejam, legislar e fiscalizar diretamente (sem necessidade de provocação) o Poder Executivo.

Além disso, outro fator nos permite visualizar que a tripartição de Poderes não é algo estanque.

A nossa Constituição (assim como outras) estabelece mecanismos de freios e contrapesos (checks and balances), de controle recíproco entre os Poderes, de modo que há evidente interpenetração no agir do Estado, evitando a arbitrariedade e proporcionando maior equilíbrio a este.

Deste modo, muito embora o art. 2º da Carta Maior assegure a independência dos Poderes, mais correto é compreender nosso Estado como um sistema caracterizado pela interdependência dos Poderes. Um exemplo prático é a possibilidade de veto conferida ao Presidente da República nos processos legislativos que lhe são submetidos à deliberação (art. 66).

que lhe são submetidos à deliberação (art. 66). (CESPE / Polícia Rodoviária Federal / 2013) No

(CESPE / Polícia Rodoviária Federal / 2013) No

que se refere aos princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988 (CF) e à aplicabilidade das normas constitucionais, julgue o item a seguir.

Decorre do princípio constitucional fundamental da independência e harmonia entre os poderes a impossibilidade de que um poder exerça função típica de outro, não podendo, por exemplo, o Poder Judiciário exercer a função administrativa.

10-

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Resolução: Errado. A independência dos Poderes não se confunde com a completa segregação destes. Muito pelo contrário. No Brasil, a separação entre Executivo, Legislativo e Judiciário se dá de forma abrandada. Disso deriva a possibilidade de que, além de suas funções típicas, cada qual exerça funções atípicas correlatas aos demais.

cada qual exerça funções atípicas correlatas aos demais. (FCC / Técnico Judiciário do TRE SP /

(FCC / Técnico Judiciário do TRE SP / Área

Administrativa / 2012) O mecanismo pelo qual os Ministros do Supremo Tribunal Federal são nomeados pelo Presidente da República, após aprovação da escolha pelo Senado Federal, decorre do princípio constitucional da:

a) separação de poderes.

b) soberania.

c) cidadania.

d) inafastabilidade do Poder Judiciário.

e) solução pacífica dos conflitos.

Resolução: Alternativa A. Perceba-se que o mecanismo de freios e contrapesos advém do princípio da separação de poderes expresso no art. 2º da CF/88. Os demais itens caracterizam princípios fundamentais, coordenando fundamentos (soberania e cidadania), princípios do Estado referentes a regras processuais (inafastabilidade do Poder Judiciário) e princípios nas relações em âmbito internacional (solução pacífica dos conflitos) e serão tratados posteriormente.

11-

dos conflitos) e serão tratados posteriormente. 11- 12- 2007) A separação de poderes é um critério

12-

2007) A separação de poderes é um critério funcional de limitação de poder:

a) incompatível com o Estado Democrático de Direito.

b) compatível com os Estados organizados como federações.

c) incompatível com os Estados regidos por constituições rígidas.

d) compatível com as monarquias absolutistas.

e) incompatível com os Estados unitários descentralizados.

Resolução: Alternativa B. Basta ter em mente que o Brasil é um Estado Democrático de Direito que se qualifica como federação (CF/88, art. 1º) e aqui predomina a separação de poderes (CF/88, art. 2º).

(FCC / Auditor Fiscal Tributário Municipal - SP /

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Não se pode confundir a existência de funções atípicas com o mecanismo de freios e contrapesos.

A existência de funções atípicas implica num maior dinamismo da atuação de cada um dos três poderes, os quais exercem atribuições complementares às suas principais. Já o mecanismo de freios e contrapesos cuida diretamente da articulação dos poderes entre si em prol das finalidades do Estado.

4.3- Formação e formas do Estado

Os Estados são centros de poder soberano 3 .

Sumariamente, podem ser classificados, sob esse aspecto, em Estados simples nos quais há apenas um centro, como o Brasil e Estados compostos nos quais há coexistência de centros, como a commonwealth. Aqui, a análise é focada nos Estados simples.

A formação de Estados se dá por basicamente três modos:

Ocorre por meio da conjunção inédita dos elementos território, população e governo. Não se verifica na idade contemporânea.

Ex: Atenas

Ocorre por meio da desagregação ou agregação de Estados previamente constituídos.

Ex: Estados Unidos da América

Se processa quando o novo Estado surge mediante concessão de outro Estado. O estado concedente continha territorialmente o Estado derivado.

Ex: Israel

ORIGINÁRIO Formação de Estados SECUNDÁRIO (modos) DERIVADO
ORIGINÁRIO
Formação de
Estados
SECUNDÁRIO
(modos)
DERIVADO
Formação de Estados SECUNDÁRIO (modos) DERIVADO Em concursos públicos (das mais diversas áreas), as
Formação de Estados SECUNDÁRIO (modos) DERIVADO Em concursos públicos (das mais diversas áreas), as
Formação de Estados SECUNDÁRIO (modos) DERIVADO Em concursos públicos (das mais diversas áreas), as

Em concursos públicos (das mais diversas áreas), as questões quase sempre têm como ponto de partida o modelo secundário.

No que diz respeito à forma de Estado, encontramos dois modelos fundamentais, quais sejam: o Estado unitário e a Federação.

3 Não confundir com centros de poder autônomos. Se se tratasse meramente de autonomia, não teríamos Estados, mas sim entes/unidades, como são, no caso brasileiro, a União, os Estados-membros, o Distrito Federal e os Municípios.

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Formas de Estado Estado unitário Federação
Formas de
Estado
Estado unitário
Federação

O Estado unitário é caracterizado pela existência de uma única organização política nacional. Muito embora existam variedades mais flexíveis desse tipo, regra geral, não aqui a existência de diferentes níveis de governo (federal, estadual, distrital, metropolitano, municipal, etc.). Ou seja, a organização político-administrativa não compreende esferas autônomas.

Por sua vez, a federação resulta do vínculo indissolúvel 4 (vide art. 1º da CF/88) entre unidades autônomas (porém, não soberanas). Essa organização político-administrativa compreende esferas de governo distintas e descentralizadas, dotadas de competências muitas vezes exclusivas ou privativas, no entanto, normatizadas por uma mesma Constituição Federal. Trata-se do caso brasileiro.

Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. [ ]

Por fim, cumpre destacar a existência de diferentes tipologias de federalismo, de acordo com a perspectiva assumida. Três grupos são de maior relevância:

4 CF/88, art. 60 [

abolir: I - a forma federativa de Estado; [

]

§ 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a

]

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Federalismo Simétrico vs Cooperativo vs Dual Assimétrico Por agregação vs Por desagregação
Federalismo
Simétrico vs
Cooperativo vs Dual
Assimétrico
Por agregação vs Por
desagregação

Grau de compatibilidade econômica, política, social e cultural entre os entes federados.

Quanto mais homogêneos tais fatores se apresentam no território e entre a população, mais simétrico o federalismo.

Configuração da repartição de competências entre os entes federados e sua articulação.

Quanto mais rígida tal repartição, mais dual o federalismo. Por outro lado, havendo maior interpenetração de atribuições, por meio de competências concorrentes ou comuns, mais cooperativo será o federalismo.

Formação do Estado federado.

No federalismo por agregação, Estados antes soberanos vinculam-se para formar um novo Estado indissolúvel. Os entes passam a ter autonomia. Já no federalismo por desagregação, um Estado antes unitário reconfigura sua estrutura político- administrativa, tornando-a descentralizada.

13-

político- administrativa, tornando-a descentralizada. 13- (CESPE / Administrador da SUFRAMA / 2014) Julgue o item a

(CESPE / Administrador da SUFRAMA / 2014)

Julgue o item a seguir, acerca da organização político-administrativa do Estado, da administração pública e dos servidores públicos.

De acordo com a CF, as atribuições dos entes federativos são de tal modo separadas que caracterizam um federalismo dual, ou seja, cada ente da Federação brasileira tem competências distintas, não se podendo falar em cooperação entre eles.

Resolução: Errado. Questão bastante simples. O Brasil é caracterizado por um modelo de repartição de competências entre os entes no qual, ao mesmo tempo em que se visualizam competências exclusivas e privativas, existe um leque de atribuições concorrentes e comuns que demandam expressamente um esforço conjunto entre estes, pendente, pois, para um modelo cooperativo.

entre estes, pendente, pois, para um modelo cooperativo. (FCC / Notário e Registrador – TJ PE

(FCC / Notário e Registrador TJ PE / Remoção

/ 2013) Em relação à possibilidade de aplicação do conceito de federação

assimétrica ao Brasil, é correto afirmar:

a) A concepção inclui a ideia de simetria de fato entre os componentes da federação, como a criação de regiões de desenvolvimento.

b) O conceito compreende a noção da simetria de direito para corrigir e compensar a estrutura da federação, v.g., a fixação de benefícios legais na área tributária.

14-

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c) A diferença entre os entes federados no Brasil pode ocorrer tanto na área social, como na econômica.

d) Os elementos da federação assimétrica não são aplicáveis à realidade nacional diante da determinação constitucional que a federação é indissolúvel, não há permissão a secessão.

e) A assimetria somente pode ser transitória e pressupõe um tratamento desigual para corrigir desigualdades.

Resolução: Alternativa C. É o conceito de federalismo assimétrico. A própria Constituição Federal reconhece a existência de discrepâncias entre as regiões. Não por acaso, estatui, por exemplo:

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do

Brasil: [

desigualdades sociais e regionais; [ ]

]

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as

e

Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais.

4.4- Formas, sistemas e regimes de governo

Segundo Canotilho (1993), ao tratarmos das formas de governo, estamos analisando a lógica da estruturação jurídico-constitucional dos poderes, órgãos e agentes constitucionais de soberania. Abordamos uma questão de cunho institucional, em que se deseja saber como o Estado se organiza para a coordenação de Poderes e exercício de suas funções com vistas à consecução do bem comum.

O Estado contém o governo, porém o contrário não é verdadeiro. O governo é um dos elementos constitutivos do Estado e, enquanto governos são arranjos temporários, Estados são, em tese, estruturas permanentes.

a

fundamentais a monarquia e a república.

A

classificação

mais

comum

é

que

compreende

como

formas

Formas de Governo Monarquia República
Formas de
Governo
Monarquia
República
De acordo com Farias Neto características distintivas de cada qual: Curso: Direito Constitucional – Curso

De

acordo

com

Farias

Neto

características distintivas de cada qual:

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(2011),

podemos

apontar

como

MONARQUIA REPÚBLICA • Vitaliciedade • Hereditariedade • Irresponsabilidade política do Chefe de Estado (não
MONARQUIA
REPÚBLICA
• Vitaliciedade
• Hereditariedade
• Irresponsabilidade política do
Chefe de Estado (não há
prestação de contas das
decisões ou crime de
responsabilidade)
• Temporariedade
• Eletividade
• Responsabilidade política do
Chefe de Estado (há prestação
de contas das decisões e crime
de responsabilidade)

disposição

constitucional expressa.

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: [ ]

Aqui, o chefe de Estado e de governo, no caso o Presidente da República, é eleito (eletividade) para um mandato temporário (temporariedade), devendo prestar contas e podendo ser responsabilizado politicamente pelos seus atos de governo, sendo inclusive processado e julgado caso cometa crime de responsabilidade.

O

Brasil

é

uma

República

Federativa,

de

acordo

com

O Brasil é uma República Federativa, de acordo com 15- Finanças Públicas - SP / 2010)

15-

Finanças Públicas - SP / 2010) Considere:

I. O Brasil é uma República, adotada desde 15 de novembro de 1889, consagrada na Constituição de 1891, e em todas as constituições subsequentes. II. O Brasil é uma federação composta pela União, Estados-membros, Distrito Federal e Municípios.

Essas afirmações dizem respeito, técnica e respectivamente, às formas de:

(FCC / Analista em Planejamento, Orçamento e

a) regime político e governo.

b) estado e de governo.

c) governo e de estado.

d) separação de poderes e de governo.

e) estado e de regime político.

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Resolução: Alternativa C. República = forma de governo; Federação = forma de Estado.

Por sua vez, na análise relativa aos sistemas de governo, busca-se primordialmente identificar a forma de relacionamento entre os Poderes Legislativo e Executivo. Desse exame, encontramos dois regimes principais:

o parlamentarismo e o presidencialismo.

Sistemas de Governo Parlamentarismo Presidencialismo
Sistemas de Governo
Parlamentarismo
Presidencialismo

No presidencialismo, o Presidente da República acumula as funções de chefe de Estado (seu representante no plano externo/internacional) e de chefe de Governo (responsável por tarefas administrativas no plano interno).

Há uma maior autonomia entre os Poderes Executivo e Legislativo, já que o chefe do Executivo não depende do Poder Legislativo para se manter no cargo, vez que o poder de sua função advém do próprio povo que o elegeu. Essa autonomia também se verifica no parlamento (como é o caso do Congresso Nacional e suas das Casas, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados), que não pode ser dissolvido por ato unilateral do Presidente.

Já no parlamentarismo, o Presidente da República ou o Monarca é apenas o chefe do Estado.

A condução do governo cabe ao Primeiro Ministro, que é eleito pelo parlamento e coordena um gabinete de Ministros. Nesse sistema há uma maior interdependência entre o Executivo e o Legislativo.

Comumente, o Primeiro Ministro costuma ter certo apoio do parlamento. Contudo, caso perca o apoio, pode por ele ser destituído.

Além disso, o Chefe de Estado (que pode ser um Presidente ou um

monarca) detém a prerrogativa de, em determinadas conjunturas, dissolver o parlamento e convocar novas eleições. Assim, a relação entre ambos Poderes

é bastante estreita.

Temos, pois, como características centrais de ambos:

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PARLAMENTARISMO PRESIDENCIALISMO • Poder Executivo dual: distinção entre Chefe de Estado e Chefe de Governo
PARLAMENTARISMO
PRESIDENCIALISMO
• Poder Executivo dual: distinção
entre Chefe de Estado e Chefe de
Governo
• Poder
Executivo uno: não há
distinção entre Chefe de Estado e
Chefe de Governo
• Elevada
interdependência
dos
Poderes Executivo e Legislativo
• Relativa autonomia do Executivo
e do Legislativo na condução de
suas funções típicas
• Existência de um órgão executivo
(gabinete de Ministros) dirigido pelo
Primeiro Ministro (chefe de
governo), cujos atos são
referendados pelo Parlamento
• Possibilidade permanente de
• As funções executivas centrais
cabem à figura do Presidente da
República, não havendo
interferêcia direta do Parlamento.
Os Ministros de Estado podem ser
nomeados e exonerados
discricionariamente (ad nutum)
dissolução
do
gabinete
e
do
Parlamento
• Não
possibilidade
de
dissolução
do
Parlamento
sem
• É
compatível
com
a
forma
eleições gerais
monárquica e com a republicana
• Na prática, compatível apenas com
a forma republicana

Por fim, no que diz com os regimes de governo (ou regimes políticos, para alguns autores), a distinção é marcada sobretudo com base no nível de pluralismo, liberdade e participação política em dada sociedade.

Nesse sentido, identificamos na doutrina tradicional três regimes principais. De todo modo, destaque-se que esta análise no mundo real, a cada momento histórico, não é estanque.

Assim, podemos encontrar diferentes gradações, de Estado para Estado, entre os marcos abaixo assinalados, indo desde o totalitarismo absoluto à democracia plena ou direta.

Totalitário Democrático Autoritário
Totalitário
Democrático
Autoritário

No totalitarismo, o poder político está centrado em um indivíduo (ou grupo). De regra, não há eleições livres, tampouco o pluripartidarismo é admitido. O poder político é transmitido por via indireta, como pela hereditariedade ou por escolha do partido único e assume caráter eminentemente controlador da população e repressivo contra os opositores.

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Por sua vez, no autoritarismo verificam-se alguns limites ao exercício do poder político, sendo por vezes admitidas eleições indiretas periódicas. Tolera-se também a existência de mais de um partido, sendo a oposição, contudo, exercida de forma bastante mitigada. É comum que a Constituição e as leis sejam, por vezes, meramente figurativas.

Já a democracia caracteriza-se pelo pluripartidarismo e por eleições livres e periódicas. Além disso, o povo exerce diretamente o poder político por meio de diversos instrumentos, como o plebiscito, o referendo, a iniciativa popular de leis, o orçamento participativo, dentre outros. A atuação do Estado é eminentemente reguladora e sujeita à Constituição e às leis.

reguladora e sujeita à Constituição e às leis. 16- Correlacione as colunas abaixo e, ao final,

16-

Correlacione as colunas abaixo e, ao final, selecione a opção que expresse a

correlação correta.

(ESAF / Agente Executivo da CVM / 2010)

(

)

República

(1)

Forma de Governo

(

)

Estado Unitário

(2)

Sistema de Governo

(

)

Parlamentarismo

(3)

Forma de Estado

(

)

Federação

 

(

)

Monarquia

(

)

Presidencialismo

a) 1, 2, 3, 1, 2, 3

b) 1, 3, 2, 3, 1, 2

c) 3, 1, 2, 1, 2, 3

d) 2, 3, 1, 2, 3, 1

e) 3, 2, 1, 2, 1, 3

Resolução: Alternativa B. Questão ilustrativa que resume o que foi visto até agora. Formas de Governo: República e Monarquia. Sistemas de Governo:

Parlamentarismo e Presidencialismo. Formas de Estado: Estado Unitário e Federação.

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5- Princípios do Estado Democrático de Direito e análise do princípio hierárquico das normas

5.1- Princípios e regras

Previamente destacamos que, em seu sentido jurídico, a Constituição é

o fundamento de validade normativa dos Estados nacionais.

A doutrina contemporânea convencionou classificar o “gênero” normas em “espécies”, quais sejam: princípios e regras.

Na atual hermenêutica (interpretação) constitucional, a Constituição é, portanto, considerada como um conjunto normativo formado por regras e por princípios jurídicos.

As regras têm a sua força normativa atestada de imediato, pelo enquadramento da hipótese prevista no comando jurídico ao caso concreto. Por exemplo, como a disposição constitucional de que conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder (art. 5.º, LXVIII).

Há, contudo, comandos constitucionais que são a expressão de princípios mais abstratos, explícitos ou implícitos. Nestes casos, tais princípios serão aferidos de acordo com a ponderação a cada situação que se apresentar, como, por exemplo, a dignidade da pessoa humana (art. 1.º, III).

Conforme expõem Mendes e Branco (2010), analisando especialmente as contribuições teóricas de Ronald Dworkin e Robert Alexy, algumas características distintivas entre tais espécies são:

 

NORMAS

 

PRINCÍPIOS

 

REGRAS

- Devem ser ponderados de acordo com o caso concreto;

Tudo ou nada de acordo com o caso concreto;

-

- Dimensão de peso e valor;

- Dimensão de especificidade;

 

- Instrumentos de otimização;

- Instrumentos de definição;

-

Havendo

conflito

aparente

Havendo conflito real entre regras, a solução deverá ser buscada, sucessivamente, pelos critérios:

-

entre princípios, deverá se

a

solução

dará

pelo

prevalecimento de um sobre o

(i)

Hierárquico

(regra

de

maior

outro no caso concreto.

 

hierarquia se sobrepõe a de menor);

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(ii) de Especialidade (regra mais específica se sobrepõe a menos);

(iii) Cronológico (regra mais recente se sobrepõe a mais antiga).

ou ainda pelo afastamento de uma delas ou pela derrota (superação) de uma delas ou pela declaração de invalidade (total ou parcial) de uma delas.

de invalidade (total ou parcial) de uma delas. (FGV / Auditor Fiscal da Receita Estadual –

(FGV / Auditor Fiscal da Receita Estadual RJ /

2008) Havendo conflito aparente entre princípios, a situação será resolvida pela dimensão:

a) de validade.

b) de eficácia.

c) de vigência.

d) de valor.

e) política.

Resolução: Alternativa D. Observe-se que o conflito é meramente aparente, conforme expõe o enunciado. Mais adiante veremos que isso decorre de um princípio maior: o da unidade da Constituição.

17-

Podemos apontar a primorosa conceituação elaborada por Celso Antônio Bandeira de Mello (2000, 450-451), para o qual o princípio é [ ] “mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico”.

Por outro lado, pedimos vênia para conceituar regra como uma disposição específica que estabelece parâmetros objetivos de operacionalização num determinado sistema jurídico, visando a dotá-lo de certos padrões práticos gerais.

Não há um conceito a ser memorizado. Porém, ter tal distinção em mente é importante na compreensão de diversos pontos da matéria, por exemplo, no estudo da hermenêutica das normas constitucionais.

18- Curso: Direito Constitucional – Curso regular Teoria, Jurisprudência e Questões comentadas Prof. Jonathas de

18-

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(FUNCAB / Atividade Técnica MPOG / 2015 /

Adaptada) “No Direito contemporâneo, a Constituição passou a ser compreendida como um sistema aberto de princípios e regras, permeável a valores jurídicos suprapositivos, no qual as ideias de justiça e de realização dos direitos fundamentais desempenham um papel central. Rememore-se que o modelo jurídico tradicional fora concebido apenas para a interpretação e aplicação de regras. Modernamente, no entanto, prevalece a concepção de que o sistema jurídico ideal se consubstancia em uma distribuição equilibrada de regras e princípios, nos quais as regras desempenham o papel referente à segurança jurídica - previsibilidade e objetividade das condutas - e os princípios, com sua flexibilidade, dão margem à realização da justiça no caso concreto" BARROSO, Luís Roberto. Curso de Direito Constitucional Contemporâneo 2009 p. 316).

Considerando a relevância conferida aos princípios constitucionais, patente no trecho acima transcrito, julgue a assertiva abaixo.

Consoante difundida classificação, os princípios podem ser fundamentais, gerais e setoriais. Os primeiros se referem a enunciados de extrema relevância e grande abstração, como o respeito à dignidade humana; os gerais são dotados de maior concretude e densidade jurídica, como a legalidade; já os últimos atuam em determinado nicho jurídico, como a retroatividade da lei penal benéfica.

Resolução: Alternativa correta!

da lei penal benéfica. Resolução : Alternativa correta! (ESAF / Analista de Planejamento e Orçamento /

(ESAF / Analista de Planejamento e Orçamento /

2015) Podemos divisar, no ordenamento jurídico, duas espécies de normas:

as regras e os princípios. Sobre os métodos e técnicas de interpretação do texto constitucional, é incorreto afirmar que:

a) se duas regras estão em conflito ─ que deve ser resolvido pelos meios

clássicos de interpretação, com a aplicação dos critérios cronológico, hierárquico e de especialidade ─, uma não poderá ser válida.

b) enquanto as regras se revestem de um alto grau de abstração e da

carência na determinabilidade na aplicação do caso concreto, os princípios somente são encontrados na forma expressa, possuindo um grau de concretização superior em relação às regras, tendo em vista o seu menor grau de abstração.

c) as regras incidem sob a forma do tudo ou nada, ou seja, presentes os seus pressupostos fáticos, ou a regra é aplicada ao caso concreto a ela subsumido, ou ela é considerada inválida para o mesmo.

d) é no caráter principiológico das normas de direitos fundamentais que

exsurge a aplicação do princípio da proporcionalidade no equacionamento de

eventuais colisões.

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e) a ponderação consiste no método necessário ao equacionamento das colisões entre princípios da Lei Maior, em que se busca alcançar um ponto ótimo, em que a restrição a cada um dos direitos fundamentais envolvidos seja a menor possível, na medida exata à salvaguarda do direito contraposto.

Resolução: Alternativa B. Questão boa para revisarmos o tópico.

O problema da opção é que ela confundiu os conceitos. Enquanto os PRINCÍPIOS se revestem de um alto grau de abstração e da carência na determinabilidade na aplicação do caso concreto, as REGRAS somente são encontradas na forma expressa, possuindo um grau de concretização superior em relação aos princípios, tendo em vista o seu menor grau de abstração.

5.2- Princípios do Estado Democrático de Direito na doutrina

Os referidos princípios encontram-se esparsos pelo texto constitucional e nas construções doutrinárias, não sendo exaustivos, mas exemplificativos.

Ressalte-se que também existem outros princípios complementares (como aqueles que regem mais especificamente a administração pública), presentes não apenas na Carta Maior como na legislação infraconstitucional.

Adotando a lição de José Afonso da Silva (2005, p. 122), temos:

constitucionalidade exprime, em primeiro lugar, que o Estado Democrático de Direito se funda na legitimidade
constitucionalidade
exprime, em primeiro lugar, que o Estado
Democrático de Direito se funda na legitimidade
de uma Constituição rígida, emanada da
vontade popular, que, dotada de supremacia,
vincule todos os poderes e os atos deles
provenientes, com as garantias de atuação livre
de regras da jurisdição constitucional
democrático
nos termos da Constituição, há de constituir
uma democracia representativa e
participativa, pluralista, e que seja a garantia
geral da vigência e eficácia dos direitos
fundamentais (art. 10)
sistema de direitos
fundamentais
compreende os direitos individuais, coletivos,
sociais e culturais (títulos II, VII e VIII)
justiça social
igualdade
referido no art. 170, caput, e no art. 193, como
principio da ordem econômica e da ordem social
divisão de poderes (art.
2º) e independência do
juiz (art. 95)
legalidade (art. 5º, II)
segurança jurídica (art.
5º, XXXVI a LXXIII)
PRINCÍPIOS
democrático de dirieto)(estado
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Quando iniciarmos nossa análise detida do texto constitucional, voltaremos a vê-los, assim como também estudaremos outros princípios de extrema relevância.

6- Constitucionalismo e Neoconstitucionalismo

Para Canotilho (1993), o Constitucionalismo pode ser definido como uma ideologia/teoria na qual o governo é limitado, limitação essa baseada em um sistema de leis, de forma a promover garantia de determinados direitos e garantias fundamentais.

É importante aqui lembrar, que a dinâmica democrática dos governos atuais (principalmente no Ocidente) é relativamente recente na nossa história. Particularmente antes do advento do iluminismo, a maior parte dos Estados nacionais e, claro, de suas colônias, era governada por monarquias absolutistas.

Todavia, a partir da independência dos Estados Unidos da América e a promulgação de sua Constituição em 1787 e da Revolução Francesa em 1789, consolida-se a visão de que o poder dos governos deve ser limitado a fim de evitar sua arbitrariedade.

Não que antes do século XVIII já não houvesse mecanismos legais de controle dos governos com o intuito de resguardar os direitos individuais.

Todavia, é a partir das revoluções burguesas e com o avanço do liberalismo político e econômico que teremos a consolidação do Constitucionalismo contemporâneo, fundado nas escolas positivista, e, posteriormente, normativista do Direito.

São características centrais desse constitucionalismo: a separação de Poderes, o princípio da legalidade 5 e a consolidação dos primeiros direitos e garantias individuais.

dos primeiros direitos e garantias individuais . 20- 2015) O movimento do constitucionalismo surgiu: a) no

20-

2015) O movimento do constitucionalismo surgiu:

a) no final do século XVIII, com a elaboração das primeiras constituições escritas, com o objetivo de assegurar direitos e coibir o arbítrio, mediante a separação dos poderes.

(FUNDATEC / Procurador do Estado do RS /

5 Para os particulares, implica em que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Já para os agentes do Estado, significa que estes somente podem agir se houver permissão legal e na forma que ela prescrever.

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b) no início do século XX, com a emergência das constituições sociais, com o

objetivo de assegurar a igualdade social, em face do flagelo da 1ª Guerra Mundial.

c) em meados do século XX, com a emergência do pós-positivismo, com o

objetivo de assegurar o princípio da dignidade humana e a proteção de direitos.

d) no final do século XX, com a emergência das constituições pós-sociais, com

o objetivo de reduzir o alcance do Estado, em nome do princípio da eficiência.

e) no final do século XVII, com a elaboração das primeiras constituições escritas, com o objetivo de assegurar liberdades e coibir o arbítrio, mediante a cláusula federativa.

Resolução: Alternativa A.

a cláusula federativa. Resolução : Alternativa A . 21- Adaptada) Julgue a assertiva a seguir: O

21-

Adaptada) Julgue a assertiva a seguir:

O “constitucionalismo moderno”, com o modelo de Constituições normativas, tem sua base histórica a partir das revoluções Americana e Francesa.

Resolução: Correta.

(VUNESP / Juiz Substituto do TJ SP / 2015 /

E o que é o Neoconstitucionalismo?

O Neoconstitucionalismo, também conhecido como Constitucionalismo pós-moderno ou pós-positivismo, nasce no século XXI a partir de diversas sistematizações doutrinárias.

Aqui, o objetivo maior não é de simplesmente limitar o poder do Estado, mas sim conferir eficácia e efetividade ao texto constitucional, de forma que os direitos e garantias fundamentais nele consagrados possam, de fato, produzir efeitos na relação Estado x particular e na relação particular x particular, conduzindo a uma sociedade mais justa e fraterna.

Assim, a Constituição assume papel central na vida em sociedade e nos afastamos de uma visão eminentemente formal do Direito.

Se o positivismo e o normativismo produzem uma leitura meramente legalista do Direito (“Direito é o que está na lei”), o pós-positivismo busca promover uma nova leitura moral do Direito.

O contexto histórico de avanço do Neoconstitucionalismo é o período pós Segunda Guerra Mundial.

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Os regimes totalitários que deflagraram o conflito e conduziram alguns dos maiores horrores da histórica da humanidade de forma alguma estavam desamparados de base legal em seus ordenamentos jurídicos pátrios.

Assim, no pós-guerra, restou evidente que não bastava um sistema jurídico fundado na lei se esta se encontra dissociada do ideal de Justiça e não atendia ao fim último de propiciar dignidade à existência humana.

Desta forma, no Neoconstitucionalismo, passou-se da supremacia da lei à supremacia da Constituição, com ênfase na força normativa do texto constitucional e na concretização das normas nela expressas.

Para Lenza (2012), são pontos marcantes do neoconstitucionalismo:

É o centro do sistema É norma jurídica dotada de imperatividade e superioridade Sua carga
É o centro do sistema
É norma jurídica dotada de imperatividade e
superioridade
Sua carga valorativa é a dignidade da pessoa humana
e seus direitos fundamentais
Tem eficácia irradiante em relação aos Poderes do
Estado e diante dos particulares
Deve efetivamente concretizar os valores nela
presentes
Deve promover a garantia de condições existenciais
dignas
CONSTITUIÇÃO
garantia de condições existenciais dignas CONSTITUIÇÃO 22- 2015) Com a ascensão científica e institucional do

22-

2015) Com a ascensão científica e institucional do direito constitucional, vimos o surgimento do chamado "Novo Constitucionalismo", que possui alguns traços marcantes, com exceção de:

(ESAF / Analista de Planejamento e Orçamento /

a) a acentuação da dualidade dos ramos do direito público e do direito

privado.

b) passagem da Constituição para o centro do sistema jurídico, em que

passou a desfrutar de supremacia formal e material.

c) filtragem constitucional, pois, com a passagem da Constituição para o

centro, passou ela a funcionar como a lente, o filtro através do qual se deve

olhar para o Direito de uma maneira geral.

d) o triunfo do direito constitucional, que deve ser a “janela" através da qual

se olha o mundo.

e) o modo de desejar o mundo, ou seja, o direito constitucional passou a ser

não somente um modo de olhar e pensar o Direito, mas também um modo de

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desejar o mundo: fundado na dignidade da pessoa humana, na centralidade dos direitos fundamentais, na busca por justiça material, na tolerância e no respeito ao próximo.

Resolução: Alternativa A. No neoconstitucionalismo, os vetores constitucionais baseados no primado da dignidade humana e em seus direitos e garantias fundamentais espraia-se para as relações individuais. Assim, promove alterações tanto nas relações de direito público quanto naquelas reguladas pelo direito privado.

O Neoconstitucionalismo não ignora o Direito posto, porém, inova ao abrir novas perspectivas a sua aplicação.

E é sob esse prisma que conduziremos nossos estudos.

7- Conceitos de Constituição

Podemos identificar na doutrina três conceitos mais destacados de Constituição. São diferentes sentidos sob as quais tal termo pode ser compreendido. Com um ou outro ajuste, são os conceitos mais cobrados em concursos públicos. Quase sempre, sem muitos desvios e sem maior nível de aprofundamento.

Principal expoente: Carl Schimtt Constituição é a decisão política fundamental (as normas que estruturam a
Principal expoente: Carl Schimtt
Constituição é a decisão política fundamental (as
normas que estruturam a base da sociedade). As demais
normas, ainda que inscritas no mesmo documento,
seriam somente leis constitucionais.
Político
Teoria Decisionista - só é constitucional o que organiza o
Estado ou limita o seu poder.
Se preocupa com o conteúdo (conceito material das
normas) e não com a forma.
Principal expoente: Ferdinand Lassale
Constituição é o somatório das forças sociais
(fatores reais) que compoem o poder dentro da
sociedade.
Sociológico
Admite-se a existência de uma Constituição
independente de um documento escrito. Inclusive, em
último caso, o Estado pode ter duas Constituições, uma
que é a folha de papel e outra que é a "real".
Principal expoente: Hans Kelsen
Constituição como norma logíco-jurídica: é a norma
hipotética fundamental.
Jurídico
Constituição como norma jurídico-positiva: é a norma
que fundamenta a existência das demais e lhes serve de
referência.
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Nos nossos estudos, prepondera a visão kelseniana de Constituição como norma jurídico-positiva.

kelseniana de Constituição como norma jurídico-positiva. 23- Judiciária / 2008) Acerca da teoria geral da

23-

Judiciária / 2008) Acerca da teoria geral da constituição e do Poder

Constituinte, julgue o item seguinte.

Considere a seguinte definição, elaborada por Kelsen e reproduzida, com adaptações, de José Afonso da Silva (Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo: Atlas, p. 41

A constituição é considerada norma pura. A palavra constituição tem dois sentidos: lógico-jurídico e jurídico-positivo. De acordo com o primeiro, constituição significa norma fundamental hipotética, cuja função é servir de fundamento lógico transcendental da validade da constituição jurídico-positiva, que equivale à norma positiva suprema, conjunto de normas que regula a criação de outras normas, lei nacional no seu mais alto grau. É correto afirmar que essa definição denota um conceito de constituição no seu sentido jurídico.

Resolução: Correta. Questão bem didática e ilustrativa.

Área

(CESPE

/

Analista

Judiciário

do

STF

/

e ilustrativa. Área (CESPE / Analista Judiciário do STF / 24- Contas / 2015) É necessário

24-

Contas / 2015) É necessário falar da Constituição como uma unidade e conservar, entretanto, um sentido absoluto de Constituição. Ao mesmo tempo, é preciso não desconhecer a relatividade das distintas leis constitucionais. A distinção entre Constituição e lei constitucional só é possível, sem dúvida, por que a essência da Constituição não está contida numa lei ou numa norma. No fundo de toda a normatividade reside uma decisão política do titular do poder constituinte, ou seja, do povo na democracia e do monarca na monarquia autêntica.

O trecho acima transcrito expressa o conceito de Constituição de:

a) Karl Loewenstein, na obra Teoria da Constituição.

b) Carl Schmitt, na obra Teoria da Constituição.

c) Konrad Hesse, na obra A força normativa da Constituição.

d) Peter Häberle, na obra Hermenêutica constitucional.

e) Ferdinand Lassalle, na obra A essência da Constituição

Resolução: Alternativa B. No trecho supracitado temos o sentido de político de Constituição, cujo principal expoente foi Carl Schmitt.

(FCC / Procurador do Ministério Público de

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Karl Loewenstein é bastante conhecido por seus trabalhos relacionados aos tipos de Constituição, em especial no que concerne à classificação das constituições quanto à correspondência com a realidade social (critério ontológico).

hermenêutica

(interpretação) constitucional.

É dele a lição de “não existe norma jurídica, senão norma jurídica interpretada”. Nesse processo de interpretação deve haver necessariamente uma participação de todos aqueles alcançados pela norma.

Disso deriva a ideia de superação de um modelo fechado de interpretação, a cargo de um grupo seleto de agentes e órgãos do Estado (como os magistrados) para o de uma sociedade aberta dos intérpretes da Constituição, na qual esta seria interpretada de forma pluralista e democrática. A rigidez constitucional pode assim dar lugar a um modelo mais permeável, tanto em seu processo de formação, como em seu desenvolvimento e mutações posteriores.

Peter

Häberle

sagrou-se

no

campo

da

8- Conteúdo: regras materialmente constitucionais e formalmente constitucionais

Ao abordamos o conceito de Constituição, quer sob o prisma formal, quer sob o ponto de vista material, podemos tirar as seguintes conclusões em relação às regras constitucionais.

REGRAS MATERIALMENTE CONSTITUCIONAIS REGRAS FORMALMENTE CONSTITUCIONAIS • Fator distintivo: qual a qualidade do
REGRAS MATERIALMENTE
CONSTITUCIONAIS
REGRAS FORMALMENTE
CONSTITUCIONAIS
• Fator distintivo: qual a qualidade do
conteúdo da regra?
• Fator distintivo: qual procedimento
legislativo de introdução da regra
no ordenamento jurídico?
• É materialmente constitucional a
regra que versa sobre aspecto
nuclear da sociedade em seu
modus operandi jurídico-positivo
(forma de Estado, forma de
governo, sistema de governo,
divisão de Poderes etc.).
• É formalmente constitucional a
regra existente por simples
manifestação do poder constituinte
(originário, revisor ou reformador),
independentemente do seu teor.
• Tal
critério
admite como
• Tal critério admite a existência de
regras constitucionais fora da carta
constitucional.
constitucionais regras indiferentes
ao funcionamento estrutural da
sociedade (ex.: CF/88, art. 242,
§2º, que trata do Colégio Pedro II).
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Relembremos aqui que regras nada mais são que espécies do gênero normas.

É importante que o candidato conserve tal distinção em mente, o que será especialmente útil ao estudarmos os tipos de Constituição.

No mais, desde já, considere-se uma afirmativa correta: o Brasil adota o critério formal na identificação da constitucionalidade de suas normas.

Por exemplo, se a Constituição tratar do preço dos automóveis (seja pelo texto original, seja por mudança oriunda de revisão ou reforma), então o preço dos automóveis será matéria constitucional.

o preço dos automóveis será matéria constitucional. de Administração / 2013) No que se refere à

de

Administração / 2013) No que se refere à CF, julgue o item a seguir.

Todas as normas presentes na CF, independentemente de seu conteúdo, possuem supremacia em relação à lei ordinária, por serem formalmente constitucionais.

Resolução: Correta. Conciliando o conceito de supremacia da Constituição (relembrem a pirâmide de Kelsen) e, sabendo que no Brasil se adota o critério formal de Constituição, temos que, qualquer norma (regra ou princípio) constitucional será hierarquicamente superior à legislação infraconstitucional (leis ordinárias, complementares, decretos, resoluções etc.).

25-

(CESPE

/

Técnico

do

MPU

/

Área

resoluções etc.). 25- (CESPE / Técnico do MPU / Área Algumas vozes doutrinárias chamam a atenção

Algumas vozes doutrinárias chamam a atenção para o fato de que com o advento da Emenda Constitucional nº 45 de 2004, seria adequado afirmar que o Brasil comporta um critério misto, em especial pelo o que dispõe o art. 5º, §3º da Constituição Federal, por ela inserido:

§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos

Art. 5º [

]

humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.

Observe-se que o dispositivo condiciona a referida equivalência à matéria (tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos) e a seu modo de introdução no ordenamento jurídico (rito de aprovação idêntico ao das emendas constitucionais).

Ou seja, é constitucional tanto pela forma quanto pelo conteúdo.

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De todo modo, a menos que a banca faça referência específica ao critério misto, considere-se como mais correto afirmar que o Brasil adota o critério formal!

9- Tipos de Constituição

Antes de mais nada, cumpre destacar que não há tipologia mais ou menos acertada. As diferentes classificações dizem apenas com perspectivas a partir das quais a Constituição (para fins didáticos, entenda-se o termo aqui em seu sentido jurídico) é visualizada.

Adotamos e adaptamos aqui a estrutura de apresentação proposta por Lenza (2012).

9.1- Quanto à Origem

Instituídas unilateralmente pelo agente ou classe política dirigente num movimento de auto contenção/restrição. Não obtiveram legitimidade por parte do povo.

Ex.: No Brasil, as de 1824, 1937 e 1967.

Outorgadas
Outorgadas
povo. Ex.: No Brasil, as de 1824, 1937 e 1967. Outorgadas Promulgadas Instituídas pela via democrática
Promulgadas
Promulgadas

Instituídas pela via democrática, resultantes de uma Assembleia Nacional Constituinte eleita e, portanto, legitimada por parte do povo.

Ex.: No Brasil, as de 1891, 1934, 1946 e 1988.

do povo. Ex.: No Brasil, as de 1891, 1934, 1946 e 1988. Cesaristas Semelhantes às outorgadas.
Cesaristas
Cesaristas

Semelhantes às outorgadas. No entanto, referendadas/ratificadas (ação a posteriori) pelo povo.

referendadas/ratificadas (ação a posteriori ) pelo povo. Se originam do compromisso (instável) de duas forças

Se originam do compromisso (instável) de duas forças políticas rivais ou antagônicas. Surgem como tentativa institucional de equilibrar essa relação.

Pactuadas
Pactuadas
institucional de equilibrar essa relação. Pactuadas Até o hoje o Brasil teve 8 Constituições Federais.
institucional de equilibrar essa relação. Pactuadas Até o hoje o Brasil teve 8 Constituições Federais.

Até o hoje o Brasil teve 8 Constituições Federais.

“Ok professor, mas como eu vou lembrar qual foi outorgada e qual foi promulgada caso a banca pergunte?

CF brasileiras 1824 ----------> Outorgada 1891 ----------> Promulgada 1934 ---------->

CF brasileiras

1824

----------> Outorgada

1891

----------> Promulgada

1934

----------> Promulgada

1937

----------> Outorgada

1946

----------> Promulgada

1967

----------> Outorgada

1969

----------> Outorgada

1988

----------> Promulgada

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Se você for contemplado com uma questão dessas, para lembrar qual vem primeiro pense no alfabeto. “O” vem antes do “P”, logo, a primeira é Outorgada. Lembre-se que ela é a de 1824 e que a próxima, de 1891, é promulgada. Na sequência use as dicas abaixo:

- Outorgadas:

demais ímpar

as

A

primeira é

ano

par

e

- Promulgada: A primeira é ano ímpar e as demais são ano par

9.2- Quanto à Forma

Escritas
Escritas

Materializadas num documento escrito e único. Ex.: No Brasil, a de 1988.

num documento escrito e único . Ex.: No Brasil, a de 1988. Materializadas em textos legais

Materializadas em textos legais diversos e esparsos, além de se fazerem presentes por meio das convenções sociais, costumes, jurisprudência etc.

Ex.: A Constituição da Inglaterra.

Não escritas (costumeiras)
Não escritas
(costumeiras)
A Constituição da Inglaterra. Não escritas (costumeiras) 9.3- Quanto à Extensão Consubstanciam princípios

9.3- Quanto à Extensão

Consubstanciam princípios fundamentais e estruturais do Estado, pouco ou nada versando sobre pormenores. Tendem a ser mais duradouras e estáveis. Ex.: A Constituição norte-america e a brasileira de 1981.

Sintéticas (concisas, sumárias, sucintas)
Sintéticas
(concisas, sumárias,
sucintas)
de 1981. Sintéticas (concisas, sumárias, sucintas) Analíticas (amplas, extensas, volumosas) Consubstanciam ,
Analíticas (amplas, extensas, volumosas)
Analíticas
(amplas, extensas,
volumosas)

Consubstanciam, além de elementos estruturantes, diversas minúcias de índole não essencial ao funcionamento e à organização do Estado. Ex.: No Brasil, a de 1988 (vide art. 242, §2º).

Estado . Ex.: No Brasil, a de 1988 (vide art. 242, §2º). Prof. Jonathas de Oliveira
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9.4- Quanto ao Conteúdo

Textos legais que contém as normas essenciais ao funcionamento e à organização do Estado. O elemento distintivo é o conteúdo normativo e não necessariamente a existência de uma Constituição escrita ou outros fatores de natureza formal. Ex.: No Brasil, a de 1824.

Materialmente constitucionais
Materialmente
constitucionais
Ex.: No Brasil, a de 1824. Materialmente constitucionais Formalmente constitucionais Elemento distintivo é o
Formalmente constitucionais
Formalmente
constitucionais

Elemento distintivo é o processo de formação da norma e sua inserção no mundo jurídico por um órgão constituinte (originário ou derivado), independentemente de seu teor. Ex.: No Brasil, a de 1988.

independentemente de seu teor. Ex.: No Brasil, a de 1988. 9.5- Quanto ao Modo de Elaboração

9.5- Quanto ao Modo de Elaboração

No Brasil, a de 1988. 9.5- Quanto ao Modo de Elaboração Dogmáticas Constituições escritas que são
Dogmáticas
Dogmáticas

Constituições escritas que são elaboradas racional e sistematicamente por um órgão constituinte, a partir de ideologias e dogmas previamente concebidos. Ex.: No Brasil, a de 1988.

Históricas
Históricas
concebidos . Ex.: No Brasil, a de 1988. Históricas Constituições (escritas ou não) elaboradas

Constituições (escritas ou não) elaboradas gradativamente como reflexo imediato das características peculiares do povo do Estado e sua dinâmica ao longo do tempo. Ex.: A Constituição da Inglaterra

9.6- Quanto à Alterabilidade

Imutáveis (permanentes) Super rígidas
Imutáveis
(permanentes)
Super rígidas
Rígidas Semi rígidas Flexíveis (plásticas)
Rígidas
Semi rígidas
Flexíveis
(plásticas)

Pretensamente eternas. Desconsideram a evolução da sociedade a qual pretendem normatizar.

Parcialmente imodificáveis pelo poder constituinte derivado. O que as caracteriza é a existência de um núcleo de matérias impossível de ser modificado (suprimido). Ex.: Para alguns autores, no Brasil, a de 1988 (vide as cláusulas pétreas).

Processo de modificação requer um rito legislativo mais solene e moroso. Ex.: No Brasil, a de 1988 (vide processo legislativo art. 60 de emenda à Carta Magna).

legislativo – art. 60 – de emenda à Carta Magna). Suas normas podem ser alteradas, em
legislativo – art. 60 – de emenda à Carta Magna). Suas normas podem ser alteradas, em
legislativo – art. 60 – de emenda à Carta Magna). Suas normas podem ser alteradas, em
legislativo – art. 60 – de emenda à Carta Magna). Suas normas podem ser alteradas, em
legislativo – art. 60 – de emenda à Carta Magna). Suas normas podem ser alteradas, em

Suas normas podem ser alteradas, em parte pelo processo legislativo comum e em parte, por processo especial, de emendamento à Constituição.

Processo de modificação se assemelha àquele das leis infraconstitucionais (notadamente, medidas provisórias, leis ordinárias, leis complementares e leis delegadas).

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9.7- Quanto à Dogmática

Jonathas de Oliveira - Aula 00 9.7- Quanto à Dogmática Ortodoxas Constituições formadas por basicamente uma
Ortodoxas
Ortodoxas

Constituições formadas por basicamente uma única corrente ideológica. Ex.: A Constituição soviética de 1977

Constituições formadas por diversas correntes ideológicas. Ex.: A brasileira de 1988.

Ecléticas
Ecléticas

9.8- Quanto à Correspondência com a Realidade (ontologia)

Constituições que, de fato, disciplinam o agir do Estado e estabelecem em seu sistema estrutural elevada correspondência com a realidade social e política. Ex.: A brasileira de 1988 é (ou para alguns autores, ‘pretende ser’) normativa.

é (ou para alguns autores, ‘pretende ser’) normativa. Normativas Constituições que tentam estabelecer
Normativas
Normativas

Constituições que tentam estabelecer critérios limitadores ao poder político, porém não logram êxito. Estabelecem em seu sistema estrutural média correspondência com a realidade social e política.

Nominalistas
Nominalistas
com a realidade social e política . Nominalistas Semânticas Constituições que apenas visam a legitimar as
Semânticas
Semânticas
a realidade social e política . Nominalistas Semânticas Constituições que apenas visam a legitimar as ações

Constituições que apenas visam a legitimar as ações dos agentes ou classes políticas dominantes. Estabelecem em seu sistema estrutural baixa correspondência com a realidade social e política.

9.9- Quanto ao Sistema

Principiológicas
Principiológicas

Constituições em que predominam princípios. Ex.:

A brasileira de 1988.

que predominam princípios . Ex.: A brasileira de 1988. Preceituais Constituições em que predominam regras .
Preceituais
Preceituais

Constituições em que predominam regras.

Preceituais Constituições em que predominam regras . 9.10- Quanto à Origem de sua decretação Constituições

9.10- Quanto à Origem de sua decretação

Constituições decretadas por outro Estado ou organismo internacional. Ex.: A Constituição japonesa de 1946.

Heterônomas
Heterônomas
. Ex.: A Constituição japonesa de 1946. Heterônomas Constituições decretadas pelo próprio Estado que por ela

Constituições decretadas pelo próprio Estado que por ela será regido. Ex.: Todas as Constituições brasileiras.

Autônomas
Autônomas
. Ex.: Todas as Constituições brasileiras. Autônomas Prof. Jonathas de Oliveira 44 de 107
Curso: Direito Constitucional – Curso regular Teoria, Jurisprudência e Questões comentadas Prof. Jonathas de

Curso: Direito Constitucional Curso regular Teoria, Jurisprudência e Questões comentadas Prof. Jonathas de Oliveira - Aula 00

9.11- Quanto à Finalidade

Constituições que visam a garantir a proteção dos direitos civis e políticos dos cidadãos em face à potencial arbitrariedade do Estado, numa típica atuação negativa deste. Marcam a passagem de um Estado autoritário para um Estado de Direito.

Constituições que consubstanciam princípios socialistas. Marcam a passagem de um Estado de Direito para um Estado Democrático de Direito.

Constituições que estabelecem uma diretiva ou projeto de Estado, numa típica atuação positiva deste.

Garantia (liberais ou negativas)
Garantia
(liberais ou
negativas)
positiva deste. Garantia (liberais ou negativas) Balanço Dirigentes (sociais ou positivas) 9.12- Resumo da
positiva deste. Garantia (liberais ou negativas) Balanço Dirigentes (sociais ou positivas) 9.12- Resumo da
Balanço
Balanço
Dirigentes (sociais ou positivas)
Dirigentes
(sociais ou
positivas)

9.12- Resumo da Constituição Federal de 1988

TIPOLOGIA

CF/88

Origem

Promulgada

Forma

Escrita

Extensão

Analítica

Conteúdo

Formalmente

Constitucional

Modo de elaboração

Dogmática

Alterabilidade

Super rígida / Rígida

Dogmática

Eclética

Correspondência com a realidade (ontologia)

Pretende ser normativa

Sistema

Principiológica

Origem de sua decretação

Autônoma

Finalidade

Dirigente

MNEMÔNICO (PRAFED - principais características) P = Promulgada R = [super]Rígida A = Analítica F = Formal E = Escrita D = Dogmática

A = Analítica F = Formal E = Escrita D = Dogmática (FCC / Técnico Judiciário

(FCC / Técnico Judiciário do TRT da 4ª Região /

2015 / Adaptada) Em relação à sua mutabilidade ou alterabilidade, as

26-

Constituições podem ser classificadas em:

a) flexíveis, rígidas, semirrígidas ou semiflexíveis, e superrígidas.