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EXCELENTÍÍSSÍMO SENHOR(A) DOUTOR(A) JUÍZ(A) FEDERAL DA __ª VARA FEDERAL DA SUBSEÇAÃ O

JUDÍCÍAÍ RÍA DE XXXX/UF

XXXX, jáá cádástrádá eletronicámente, vem, com o


devido respeito, peránte Vossá Exceleê nciá, por meio de
seus procurádores, propor

AÇÃO PREVIDENCIÁRIA DE CONCESSÃO


DE BENEFÍCIO ASSISTENCIAL

em fáce do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL


(INSS), pelos seguintes fundámentos fáá ticos e juríádicos
que pássá á expor:

FATOS

A Autorá, Srá. XXXX, requereu, peránte á Autárquiá Previdenciáá riá, á concessáã o do benefíácio
ássistenciál de prestáçáã o continuádá, que foi indeferido. Conforme expoã e á documentáçáã o ánexá, o
motivo do indeferimento foi o álegádo náã o átendimento do criteá rio de deficieê nciá.

Neste sentido, registre-se que á Demándánte estáá ácometidá de pátologiás pulmonáres, que
lhe impoã em diversás limitáçoã es e impedimentos, de modo á sátisfázer o requisito de “deficieê nciá”
inerente áo benefíácio pretendido.

Não somente a Autora possui grave patologia, mas também vive em situação de

vulnerabilidade social, onde a ausência de renda própria não supre as necessidades


básicas do grupo familiar, conforme já reconhecido administrativamente .
Com efeito, registre-se que Srá. XXXX reside em umá cásá álugádá em XXXX/UF háá cercá de
dois ános, com suá filhá XXXX. Percebá-se, támbeá m, que o níável de escoláridáde dá Demándánte eá
báixo, umá vez que possui o ensino fundámentál incompleto.

Aliádo á isso, sáliente-se que á Autorá náã o reuá ne condiçoã es de desempenhár átividádes
láborátivás, de formá que o grupo fámiliár náã o possui rendá, contándo, táã o somente, com o áuxíálio
esporáá dico do pái de suá filhá XXXX. Cite-se, támbeá m, que á Srá. XXXX eá sepárádá de fáto do Sr.
XXXX.

Outrossim, em contato telefônico com a Demandante no dia xx/xx/xxxx,


esta informou que necessitou vender o forno de micro-ondas de sua casa para
pagar a conta de luz, isto é, para ter, ao menos, energia elétrica!

Além disso, a Autora referiu que já vendeu outros móveis também, como
o seu roupeiro, para poder adimplir com as contas e comprar alimentos.

Vejá-se que O PRÓPRIO INSS RECONHECEU O CUMPRIMENTO DO REQUISITO


SOCIOECONÔMICO PELA SRA. XXXX, de modo que o motivo do indeferimento deu-se,
exclusivámente, pelo fáto dá Autorá náã o preencher, supostámente, o criteá rio de deficieê nciá párá
ácesso áo BPC-LOAS:

(TRECHO PERTÍNENTE)

Aindá:

(TRECHO PERTÍNENTE)

Portanto, o cumprimento do requisito socioeconômico é INCONTROVERSO, tendo


em vista que já apreciado em sede administrativa, não comportando ao Poder Judiciário
rever ato administrativo do qual não há impugnação acerca.

Por esses motivos, o árgumento dá Autárquiá Previdenciáá riá, no sentido do indeferimento


do benefíácio por náã o enquádrámento no criteá rio de deficieê nciá exigido, náã o merece prosperár,
ensejándo o presente processo.
Síntese sobre a condição pessoal do Autor:

1. Enfermidáde ou síándrome Pátologiás pulmonáres

2. Limitáçoã es decorrentes dás Obstruçáã o dá párticipáçáã o plená e efetivá ná sociedáde em


moleá stiás iguáldáde de condiçoã es com ás demáis pessoás

Srá. XXXX reside com suá filhá XXXX (4 ános), num totál de
3. Grupo Fámiliár
2 pessoás.

4. Rendá fámiliár Ínexistente

Dados sobre o requerimento administrativo:

1. Nuá mero do benefíácio xxx.xxx.xxx-x

2. Dátá do requerimento xx/xx/xxxx

Alegádo náã o enquádrámento no árt. 16, §§ 1º, 2º e 3º do


3. Rázáã o do indeferimento
Decreto 6.214/07.

FUNDAMENTOS JURÍDICOS

A pretensáã o dá párte Autorá encontrá respáldo legál no ártigo 203, V, dá Constituiçáã o


Federál, no ártigo 20 dá Lei 8.742/93 (regulámentádo pelo Anexo do Decreto do Decreto nº
6.214/07) e demáis normás áplicáá veis.

De ácordo com á legisláçáã o inerente áà máteá riá, eá devido o benefíácio áà quelás pessoás
deficientes ou idosás (idáde iguál ou superior á 65 ános) que náã o possuem condiçoã es de prover o
proá prio sustento por seus proá prios meios, nem de teê -lo provido pelo nuá cleo fámiliár. No que se
refere áo quesito de deficieê nciá párá ácesso áo benefíácio em comento, fáz-se mister tráçár álguns
comentáá rios ácercá dás significátivás álteráçoã es legislátivás e hermeneê uticás ácercá do temá.
Análisándo á redáçáã o originál do § 2º do árt. 20 dá LOAS, observá-se que o conceito de
pessoá com deficieê nciá, párá ter direito áo benefíácio em questáã o, sofreu dráá sticás mudánçás nos
uá ltimos ános. Anteriormente, á conceituáçáã o dá pessoá com deficieê nciá átendiá á criteá rios
eminentemente meá dicos, consoánte o chámádo modelo biomeá dico dá deficieê nciá:

REDAÇÃO ORIGINAL:
§ 2º Párá efeitos de concessáã o deste benefíácio, á pessoá portádorá de deficieê nciá eá
áquelá incápácitádá párá o trábálho e párá á vidá independente.

Todáviá, em 2007, com o ádvento dá Convençáã o Ínternácionál sobre os Direitos dá Pessoá


com Deficieê nciá de Nová Íorque, o conceito ácimá se tornou obsoleto, hájá vistá á correláçáã o que
fáz entre incápácidáde láborál e deficieê nciá. Íncorporou-se um “modelo sociál dá deficieê nciá”, que
considerásse náã o ápenás ás limitáçoã es fíásicás do indivíáduo, más támbeá m á sociedáde, que oprime e
discriminá áqueles que náã o possuem ás mesmás cápácidádes, orgánizándo-se de máneirá pouco
sensíável áà diversidáde. A pártir dáíá, emergiu o conceito biopsicossocial da deficiência, que deve
áter-se áà s condições médicas, psicológicas e sociais – conjuntamente consideradas – dá
pessoá.

Em 2009, com á incorporáçáã o dá Convençáã o de Nová Íorque áo ordenámento juríádico


nácionál, átráveá s do Decreto nº 6.949/09, pelá sistemáá ticá do árt. 5º, §3º, dá Constituiçáã o Federál,
á referidá Convençáã o ádquiriu força de EMENDA CONSTITUCIONAL, assim conceituando a
pessoa com deficiência:

Pessoás com deficieê nciá sáã o áquelás que teê m impedimentos de longo prázo de
náturezá fíásicá, mentál, intelectuál ou sensoriál, os quáis, em interáçáã o com
diversás bárreirás, podem obstruir suá párticipáçáã o plená e efetivá ná sociedáde
em iguáldádes de condiçoã es com ás demáis pessoás.

Hájá vistá á clárá incongrueê nciá entre á definiçáã o ácimá, com státus constitucionál, e á
trázidá pelá Lei Orgáê nicá dá Assisteê nciá Sociál em seu ártigo 20, §2º, foi proposta a Arguição de
Descumprimento de Preceito Fundamental nº 182 pela Procuradoria Geral da República,
visando a expurgar da ordem jurídica nacional o conceito de pessoa com deficiência
apresentado pela LOAS.

Emborá áindá pendente de julgámento á ADPF, o Estátuto dá Pessoá com Deficieê nciá (Lei nº
13.146/2015) determinou nová redáçáã o áo ártigo 20, § 2º, dá LOAS:
NOVA REDAÇÃO:
§ 2o Párá efeito de concessáã o do benefíácio de prestáçáã o continuádá, considerá-se
pessoá com deficieê nciá áquelá que tem impedimento de longo prazo de
natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com
uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na
sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. (Redáçáã o dádá
pelá Lei nº 13.146, de 2015)

A pártir dáíá, contátá-se á superáçáã o do conceito ánterior de deficieê nciá, cálcádo ná


(in)cápácidáde láborátivá, e pássá-se á ádotár o criteá rio dá (des)iguáldáde de oportunidádes. Ou
sejá, com o ádvento dá nová legisláçáã o, pessoá com deficieê nciá eá áquelá que, em virtude de
impedimentos e bárreirás, náã o possui ás mesmás condiçoã es de párticipár dá vidá em sociedáde
que ás demáis pessoás.

Segundo Joáã o Márcelino Soáres, “Tal conceito parte de uma análise multidisciplinar de
deficiência, verificando-se não apenas os aspectos físicos da pessoa mas também como a mesma
interage socialmente com suas limitações, de acordo com um novo panorama [...]” 1.

Logo, náã o máis se conceituá á deficieê nciá que ensejá o ácesso áo BPC-LOAS como áquelá que
incápácitá á pessoá párá á vidá independente e párá o trábálho, más sim aquela que se constitui
em algum tipo de impedimento, que, em interação com uma ou mais barreiras, pode
obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade, em igualdade de condições com as
demais pessoas.

Neste sentido, percebe-se que o legisládor foi minucioso áo estábelecer no árt. 3º, inciso ÍV
do referido diplomá, á conceituáçáã o dás diferentes espeá cies de bárreirás que podem átráváncár á
párticipáçáã o em iguáldáde de condiçoã es dá pessoá com deficieê nciá, vejá-se:

Art. 3o Párá fins de áplicáçáã o destá Lei, considerám-se:


ÍV - bárreirás: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou
impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo, a fruição e o exercício de
seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de expressão, à
comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à circulação com segurança,
entre outros, clássificádás em:
á) barreiras urbanísticas: ás existentes nás viás e nos espáços puá blicos e privádos ábertos
áo puá blico ou de uso coletivo;
b) barreiras arquitetônicas: ás existentes nos edifíácios puá blicos e privádos;
c) barreiras nos transportes: ás existentes nos sistemás e meios de tránsportes;

1
SOARES, J. M. Aposentadoria da pessoa com deficiência. 4 ed. Curitibá: Juruáá , 2016, p. 143.
d) barreiras nas comunicações e na informação: quálquer entráve, obstáá culo, átitude ou
comportámento que dificulte ou impossibilite á expressáã o ou o recebimento de menságens
e de informáçoã es por intermeá dio de sistemás de comunicáçáã o e de tecnologiá dá
informáçáã o;
e) barreiras atitudinais: átitudes ou comportámentos que impeçám ou prejudiquem á
párticipáçáã o sociál dá pessoá com deficieê nciá em iguáldáde de condiçoã es e oportunidádes
com ás demáis pessoás;
f) barreiras tecnológicas: ás que dificultám ou impedem o ácesso dá pessoá com
deficieê nciá áà s tecnologiás;

Em gránde nuá mero de cásos, á principál bárreirá á ser enfrentádá pelá pessoá com
deficieê nciá eá á átitudinál, que se mánifestá especiálmente no ácesso áo emprego. Portánto, ná
ánáá lise dá existeê nciá ou náã o de deficieê nciá, o que deve preválecer náã o eá á condiçáã o fíásicá/bioloá gicá
dá pessoá nem á suá (in)cápácidáde láborátivá, más o produto dessá condiçáã o quándo em
interáçáã o com ás diversás bárreirás existentes em seu cotidiáno, em especiál ás bárreirás de
náturezá átitudinál.

Atentándo áo preáê mbulo dá Convençáã o Ínternácionál sobre os Direitos dás Pessoás com
Deficieê nciá, no item ‘e’ depárámo-nos com á seguinte definiçáã o de deficieê nciá:

e) Reconhecendo que á deficieê nciá eá um conceito em evoluçáã o e que á deficieê nciá


resultá dá interáçáã o entre pessoás com deficieê nciá e ás bárreirás devidás áà s
átitudes e áo ámbiente que impedem á plená e efetivá párticipáçáã o dessás pessoás
ná sociedáde em iguáldáde de oportunidádes com ás demáis pessoás.

A pártir dá conjugáçáã o deste criteá rio com o disposto no ártigo 2º do Estátuto dá Pessoá com
Deficieê nciá, que trouxe contribuiçáã o áà redáçáã o dádá pelo ártigo 1º do Pácto de Nová Íorque,
conclui-se que umá pessoá PODE TER DEFICIÊNCIA E, AINDA ASSIM, SER CAPAZ DE
TRABALHAR E DE MANTER UMA VIDA INDEPENDENTE. Se esta pessoa for economicamente
miserável, lhe assiste direito ao Benefício Assistencial, conforme previsáã o do ártigo 203, V dá
CF/88.

De ácordo com á nová conceituáçáã o, tem-se que todá pessoá incápáz párá o trábálho eá pessoá
com deficieê nciá, emborá nem todá pessoá com deficieê nciá encontre-se incápácitádá párá o
trábálho, conforme elucidádo ábáixo:
De fato, não se pode confundir deficiência (artigo 20, § 2º da LOAS) com incapacidade
laborativa, exigindo, para a configuração do direito, a demonstração da “invalidez de longo
prazo”. Isto, pois a consequência prática deste equívoco é a denegação do benefício
assistencial a um numero expressivo de pessoas que têm deficiência e vivem em condições
de absoluta penúria e segregação social, comprometendo as condições materiais básicas
para seu sustento.

Por oá bvio, Nobre Julgádor, o átuál e constitucionál conceito de deficieê nciá náã o exclui do
ácesso áo benefíácio áquelás pessoás que, emborá deficientes, lográm eê xito em trábálhár ou
suportár ás ádversidádes impostás em seu diá á diá. Ínterpretáçáã o diversá eá deverás restritivá, náã o
contempládá pelo Pácto de Nová Íorque, támpouco pelo Estátuto dá Pessoá com deficieê nciá, que
em momento álgum sugerem tál entendimento.

Tánto eá ássim que, áo beneficiáá rio de BPC que pásse á exercer átividáde remunerádá, á
legisláçáã o previu á SUSPENSAÃ O do benefíácio – e náã o o seu cáncelámento – com imediátá
CONTÍNUÍDADE do págámento em cáso de extinçáã o dá reláçáã o trábálhistá, independentemente
de reavaliação da deficiência e do grau de incapacidade (árt. 21-A, caput e § 1º, dá LOAS).

Orá, se á mens legis fosse conceder o benefíácio ápenás áà queles que estáã o incápácitádos párá o
trábálho, á reáváliáçáã o do gráu de incápácidáde seriá imprescindíável párá á continuidáde do
págámento do benefíácio ápoá s víánculo trábálhistá.
No entánto, áindá que o beneficiáá rio com deficieê nciá tenhá cápácidáde láborál, em cáso de
extinçáã o de seu contráto de trábálho, poderáá voltár á usufruir do BPC, POIS A CONCESSÃO DO
BENEFÍCIO NÃO EXIGE INCAPACIDADE LABORAL.

Neste contexto, o Decreto nº 6.214/07, que regulámentou o benefíácio de prestáçáã o


continuádá, estábelece os páráê metros á serem utilizádos párá á áváliáçáã o do “requisito de
deficieê nciá”, percebá-se:

Art. 16. A concessáã o do benefíácio áà pessoá com deficieê nciá ficáráá sujeitá áà avaliação da
deficiência e do grau de impedimento, com base nos princípios da Classificação
Internacional de Funcionalidades, Incapacidade e Saúde - CIF, estabelecida pela
Resolução da Organização Mundial da Saúde n o 54.21, aprovada pela 54a Assembleia
Mundial da Saúde, em 22 de maio de 2001. (Redáçáã o dádá pelo Decreto nº 7.617, de
2011) [...]
§ 2o A avaliação social considerará os fatores ambientais, sociais e pessoais, a
avaliação médica considerará as deficiências nas funções e nas estruturas do corpo, e
ambas considerarão a limitação do desempenho de atividades e a restrição da
participação social, segundo suas especificidades. (Redáçáã o dádá pelo Decreto nº 7.617,
de 2011)
§ 5o A avaliação da deficiência e do grau de impedimento tem por objetivo: (Íncluíádo
pelo Decreto nº 7.617, de 2011)
I - comprovar a existência de impedimentos de longo prazo de natureza física,
mental, intelectual ou sensorial; e (Íncluíádo pelo Decreto nº 7.617, de 2011)
ÍÍ - aferir o grau de restrição para a participação plena e efetiva da pessoa com
deficiência na sociedade, decorrente da interação dos impedimentos a que se refere
o inciso I com barreiras diversas. (Íncluíádo pelo Decreto nº 7.617, de 2011)
§ 6o O benefício poderá ser concedido nos casos em que não seja possível prever a
duração dos impedimentos a que se refere o inciso I do § 5 o, mas exista a
possibilidade de que se estendam por longo prazo. (Íncluíádo pelo Decreto nº 7.617, de
2011) (grifos ácrescidos)

Portánto, á pártir dá ánáá lise do dispositivo ácimá, verificá-se que á proá priá normá
regulámentádorá do benefíácio prelecioná que o criteá rio á ser observádo – quánto áà deficieê nciá – é
o grau de restrição para a participação plena e efetiva da pessoa com deficiência na
sociedade, não fazendo qualquer referência à incapacidade para o trabalho ou para a vida
independente!
Ademáis, vejá-se que á Turmá Nácionál de Uniformizáçáã o jáá decidiu que párá á concessáã o do
benefíácio ássistenciál DEVEM ser observádos os princíápios dá Classificação Internacional de
Funcionalidades, Incapacidade e Saúde (CIF):

ÍNCÍDENTE DE UNÍFORMÍZAÇAÃ O – PREVÍDENCÍAÍ RÍO – ASSÍSTEÊ NCÍA SOCÍAL –


CONCESSAÃ O DE BENEFÍÍCÍO DE PRESTAÇAÃ O CONTÍNUADA (LOAS) – ÍNCAPACÍDADE
PARCÍAL E DEFÍNÍTÍVA – PORTADORA DE LUÍ PUS ERÍTEMATOSO SÍSTEÊ MÍCO – DOENÇA
AUTO ÍMUNE – NECESSÍDADE DE AVERÍGUAR AS CONDÍÇOÃ ES SOCÍAÍS PARA CONCLUSAÃ O
DA (ÍN)CAPACÍDADE – RECURSO CONHECÍDO E PARCÍALMENTE PROVÍDO. Trátá-se de
ágrávo contrá inádmissáã o de incidente de uniformizáçáã o nácionál, suscitádo pelá párte
áutorá, em fáce de ácoá rdáã o de Turmá Recursál do Juizádo Especiál Federál dá Seçáã o
Judiciáá riá de Pernámbuco. Ínádmitido o incidente pelá Turmá de origem, foi requeridá,
tempestivámente, á submissáã o dá ádmissibilidáde áà Presideê nciá destá Turmá Nácionál nos
termos do árt. 7º, VÍ do RÍ/TNU. A máteá riá ventiládá e á ser verificádá no presente cáso eá á
possibilidáde de se conceder o benefíácio ássistenciál previsto ná Lei Orgáê nicá dá
Assisteê nciá Sociál em cásos de incápácidáde párciál e definitivá, considerándo ás condiçoã es
pessoáis e soá cio-econoê micás do beneficiáá rio. A párte áutorá encontrá-se com 35 ános, eá
portádorá de luá pus eritemátoso sisteê mico, umá doençá áuto imune, tem o ensino
fundámentál incompleto, eá lávádeirá sem nuncá ter trábálhádo com cárteirá ássinádá e,
átuálmente, quándo sente poucás dores, fáz pequenos serviços como tál. Depende, párá á
sobreviveê nciá, dá pensáã o álimentíáciá dos dois filhos menores e do Bolsá Fámíáliá. O
“prognoá stico eá pessimistá párá á curá”. Aindá de ácordo com o perito, “no momento á
periciándá eá portádorá de incápácidáde párciál definitivá. Pode exercer átividádes que náã o
exijám longás cáminhádás, exposiçáã o áo sol e eleváçáã o de peso. Levándo em consideráçáã o o
relátivo níável de escoláridáde, necessitá de prográmá de reábilitáçáã o profissionál”. Náã o
houve períáciá sociál nem reálizáçáã o de áudieê nciá párá á colheitá de provás testemunháis.
Ná contestáçáã o, o ÍNSS se mánifestá pelá improcedeê nciá do pedido declinádo ná exordiál,
pois “sendo á párte áutorá ápenás párciálmente incápáz, restá descárácterizádo um dos
requisitos do ámpáro ássistenciál”. A Sentençá de improcedeê nciá de 1º gráu foi mántidá
pelá Turmá Recursál, sob o árgumento de que á párte áutorá náã o se enquádrá no conceito
legál de pessoá portádorá de deficieê nciá párá efeitos dá obtençáã o de benefíácio ássistenciál:
“...entendo que á incápácidáde párciál dá áutorá náã o á áfástá do mercádo de trábálho, eis
que existem átividádes que podem ser por elá exercidás”, segundo o Mágistrádo
sentenciánte. Sustentá o Recorrente que “á pátologiá dá áutorá eá suficiente párá tornáá -lá
incápáz de prover seu sustento dignámente”. Forám ápresentádás ás contrárrázoã es pelá
inádmissáã o. EÍ o relátoá rio. [...] Ao ádentrár no meá rito, imperioso perquirir, em um primeiro
instánte, o que sejá incápácidáde no hábitát dá legisláçáã o. Efetivándo o estudo pelo criteá rio
dá interpretáçáã o sistemáá ticá, conclui-se que a incapacidade não pode ser
avaliada exclusivamente à luz da metodologia científica. Fatores
pessoais e sociais devem ser levados em consideração, outrossim. Há
que se perscrutar, considerando que a incapacidade laborativa
impossibilita, impreterivelmente, a mantença de uma vida
independente, se há a possibilidade real de reinserção do trabalhador
no mercado de trabalho, no caso concreto. Deve ser balizada, para
tanto, a ocupação efetivamente disponível para o autor, levando-se em
conta, além da doença que lhe acometeu, a idade, o grau de instrução,
bem como, a época e local em que vive. Como se trátá do benefíácio dá Lei
Orgáê nicá dá Assisteê nciá Sociál, vejámos o que á Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993,
estábelece: Art. 20. O benefíácio de prestáçáã o continuádá eá á gárántiá de um sáláá rio-míánimo
mensál áà pessoá com deficieê nciá e áo idoso com 65 (sessentá e cinco) ános ou máis que
comprovem náã o possuir meios de prover á proá priá mánutençáã o nem de teê -lá providá por
suá fámíáliá. § 2o Párá efeito de concessáã o deste benefíácio, considerá-se pessoá com
deficieê nciá áquelá que tem impedimentos de longo prázo de náturezá fíásicá, mentál,
intelectuál ou sensoriál, os quáis, em interáçáã o com diversás bárreirás, podem obstruir suá
párticipáçáã o plená e efetivá ná sociedáde em iguáldáde de condiçoã es com ás demáis
pessoás. § 3o Considerá-se incápáz de prover á mánutençáã o dá pessoá com deficieê nciá ou
idosá á fámíáliá cujá rendá mensál per cápitá sejá inferior á 1/4 (um quárto) do sáláá rio-
míánimo A Lei n. 7.853/88, que dispoã e sobre á Políáticá Nácionál párá Íntegráçáã o dá Pessoá
Portádorá de Deficieê nciá, foi regulámentádá pelo Decreto n. 3.298, que prescreve: Art. 3o
Párá os efeitos deste Decreto, considerá-se: ÍÍÍ - incápácidáde – umá reduçáã o efetivá e
ácentuádá dá cápácidáde de integráçáã o sociál, com necessidáde de equipámentos,
ádáptáçoã es, meios ou recursos especiáis párá que á pessoá portádorá de deficieê nciá possá
receber ou tránsmitir informáçoã es necessáá riás áo seu bem-estár pessoál e áo desempenho
de funçáã o ou átividáde á ser exercidá. Art. 4o EÍ considerádá pessoá portádorá de deficieê nciá
á que se enquádrá nás seguintes cátegoriás: Í - deficieê nciá fíásicá - álteráçáã o completá ou
párciál de um ou máis segmentos do corpo humáno, ácárretándo o comprometimento dá
funçáã o fíásicá, ápresentándo-se sob á formá de páráplegiá, párápáresiá, monoplegiá,
monopáresiá, tetráplegiá, tetrápáresiá, triplegiá, tripáresiá, hemiplegiá, hemipáresiá,
ostomiá, ámputáçáã o ou áuseê nciá de membro, párálisiá cerebrál, nánismo, membros com
deformidáde congeê nitá ou ádquiridá, exceto ás deformidádes esteá ticás e ás que náã o
produzám dificuldádes párá o desempenho de funçoã es; (Grifos nossos) No que concerne áà
definiçáã o de incápácidáde párá se fázer jus áo benefíácio em questáã o, o Decreto nº. 6.214, de
26/09/07, áo regulámentáá -lo, firmá, no seus ártigos 4º e 16, o que eá incápácidáde e o gráu á
ser considerádo, in verbis: Art. 4o Párá os fins do reconhecimento do direito áo benefíácio,
considerá-se: ÍÍÍ - incápácidáde: fenoê meno multidimensionál que ábránge limitáçáã o do
desempenho de átividáde e restriçáã o dá párticipáçáã o, com reduçáã o efetivá e ácentuádá dá
cápácidáde de inclusáã o sociál, em correspondeê nciá áà interáçáã o entre á pessoá com
A concessão do benefício à
deficieê nciá e seu ámbiente fíásico e sociál; .... Art. 16.
pessoa com deficiência ficará sujeita à avaliação da
deficiência e do grau de incapacidade, com base nos
princípios da Classificação Internacional de
Funcionalidades, Incapacidade e Saúde - CIF, estabelecida
pela Resolução da Organização Mundial da Saúde no 54.21,
aprovada pela 54ª Assembléia Mundial da Saúde, em 22 de
maio de 2001. § 1o A áváliáçáã o dá deficieê nciá e do gráu de incápácidáde seráá
compostá de áváliáçáã o meá dicá e sociál. § 2o A áváliáçáã o meá dicá dá deficieê nciá e do gráu de
incápácidáde consideráráá ás deficieê nciás nás funçoã es e nás estruturás do corpo, e á
áváliáçáã o sociál consideráráá os fátores ámbientáis, sociáis e pessoáis, e ámbás consideráráã o
á limitáçáã o do desempenho de átividádes e á restriçáã o dá párticipáçáã o sociál, segundo suás
especificidádes; (Grifos nossos) O entendimento perfilhado por esta Corte,
outrossim, é no sentido de que o magistrado, ao analisar as provas dos autos
sobre as quais formará sua convicção, e deparando-se com laudos que
atestem incapacidade parcial, deve levar em consideração as condições
pessoais da parte requerente para a concessão de benefício assistencial.
Malgrado não ser a incapacidade total e definitiva, pode ser considerada
como tal quando assim o permitirem as circunstâncias sócio-econômicas do
beneficiário, ou na medida em que este não possuir condições financeiras de
custear tratamento especializado, ou, mesmo, se sua reinserção no seu
ambiente de trabalho restar impossibilitado . Mesmo porque o criteá rio de
totálidáde náã o forá ádotádo pelo § 2º, do árt. 20, dá Lei 8.742/93, e um dos pressupostos
párá á mánutençáã o do benefíácio ássistenciál eá á áváliáçáã o perioá dicá á cádá dois ános. A
párciálidáde dá incápácidáde, portánto, náã o eá oá bice áà suá concessáã o A respeito:
PREVÍDENCÍAÍ RÍO. AGRAVO REGÍMENTAL NO AGRAVO DE ÍNSTRUMENTO CONTRA
ÍNADMÍSSAÃ O DE RECURSO ESPECÍAL. APOSENTADORÍA POR ÍNVALÍDEZ. LAUDO PERÍCÍAL
CONCLUSÍVO PELA ÍNCAPACÍDADE PARCÍAL DO SEGURADO. NAÃ O VÍNCULAÇAÃ O.
CÍRCUNSTAÊ NCÍA SOÍ CÍO-ECONOÊ MÍCA, PROFÍSSÍONAL E CULTURAL FAVORAÍ VEL AÀ
CONCESSAÃ O DO BENEFÍÍCÍO. 1. Os pleitos previdenciáá rios possuem relevánte válor sociál de
proteçáã o áo Trábálhádor Rurál Segurádo dá Prevideê nciá Sociál, devendo ser, portánto,
julgádos sob tál orientáçáã o exegeá ticá. 2. Párá á concessáã o de áposentádoriá por inválidez
devem ser considerádos outros áspectos relevántes, áleá m dos elencádos no árt. 42 dá Lei
8.213/91, táis como, á condiçáã o soá cio-econoê micá, profissionál e culturál do segurádo. 3.
Emborá tenhá o láudo periciál concluíádo pelá incápácidáde párciál do segurádo, o
Mágistrádo náã o ficá vinculádo áà prová periciál, podendo decidir contráá rio á elá quándo
houver nos áutos outros elementos que ássim o convençám, como no presente cáso. 4. Em
fáce dás limitáçoã es impostás pelá ávánçádá idáde, bem como pelo báixo gráu de
escoláridáde, seriá utopiá defender á inserçáã o do segurádo no concorrido mercádo de
trábálho, párá iniciár umá nová átividáde profissionál, motivo pelo fáz jus áà concessáã o de
áposentádoriá por inválidez. 5. Agrávo Regimentál do ÍNSS desprovido. (STJ – 5ª Turmá -
AgRg n° 1011387 – rel. Min. NAPOLEAÃ O NUNES MAÍA FÍLHO - DJE de 25/05/2009 – grifos
nossos) Perfázendo á ánáá lise, á suá mulá 47 destá Corte, in verbis: Umá vez reconhecidá á
incápácidáde párciál párá o trábálho, o juiz deve ánálisár ás condiçoã es pessoáis e sociáis do
segurádo párá á concessáã o de áposentádoriá por inválidez. E, como jáá dito, náã o obstánte
náã o estár inteirámente dependente de outrem párá se vestir, se álimentár, se locomover e
reálizár ás demáis tárefás cotidiánás, encontrándo-se sem cápácidáde umá pessoá de
mánter o proá prio sustento por meio de átividáde láborátivá, máquinálmente torná-se
impossibilitádá de mánter umá vidá independente sem quálquer ámpáro ou cáridáde.
Neste sentido, á Suá mulá 29 destá E. TNU párece estár. Confirá-se: “Párá os efeitos do árt. 20,
§ 2º, dá Lei n. 8.742, de 1993, incápácidáde párá á vidá independente náã o eá soá áquelá que
impede ás átividádes máis elementáres dá pessoá, más támbeá m á impossibilitá de prover
áo proá prio sustento” A incápácidáde, em sumá, como estábelecido no Decreto n. 6.214, de
26/09/2007, eá um fenoê meno multidimensionál, que ábránge limitáçáã o do desempenho de
átividáde e restriçáã o dá párticipáçáã o, com reduçáã o efetivá e ácentuádá dá cápácidáde de
inclusáã o sociál, em correspondeê nciá áà interáçáã o entre á pessoá com deficieê nciá e seu
ámbiente fíásico e sociál e, por isso mesmo, deve ser vistá de formá ámplá, ábrángendo o
mundo em que vive o deficiente. Ou sejá, náã o necessitá decorrer, exclusivámente, de álgumá
regrá especíáficá que indique está ou áquelá pátologiá, más pode ser ássim reconhecidá com
lástro em ánáá lise máis ámplá, átinente áà s condiçoã es soá cio-econoê micás, profissionáis,
culturáis e locáis do interessádo, á inviábilizár á vidá láborál e independente. Umá vez
constátádá á incápácidáde párciál, destárte, devem ser ánálisádás ás condiçoã es pessoáis do
segurádo, párá fins de áferir se tál incápácidáde eá totál, especificámente párá o exercíácio de
suás átividádes hábituáis. Verifico que o Acoá rdáã o impugnádo confirmou á sentençá pelos
seus proá prios fundámentos, que, por suá vez, limitou-se á reáfirmár ás conclusoã es do perito
judiciál, ábándonándo á ápreciáçáã o dás condiçoã es pessoáis e soá cio econoê micás do Autor.
Destá formá, deve ser ánuládo, de ofíácio, o Acoá rdáã o em refereê nciá párá que sejám
ápreciádás ás condiçoã es pessoáis dá párte suscitánte e reálizádo novo julgámento, de
ácordo com á Questáã o de Ordem nº 20, á seguir tránscritá: “Se á Turmá Nácionál decidir
que o incidente de uniformizáçáã o devá ser conhecido e provido no que tocá á máteá riá de
direito e se tál conclusáã o importár ná necessidáde de exáme de provás sobre máteá riá de
fáto, que forám requeridás e náã o produzidás, ou forám produzidás e náã o ápreciádás pelás
instáê nciás inferiores, á sentençá ou ácoá rdáã o dá Turmá Recursál deveráá ser ánuládo párá
que táis provás sejám produzidás ou ápreciádás, ficándo o juiz de 1º gráu e á respectivá
Turmá Recursál vinculádos áo entendimento dá Turmá Nácionál sobre á máteá riá de
direito.”(Aprovádá ná 6ª Sessáã o Ordináá riá dá Turmá Nácionál de Uniformizáçáã o, do diá
14.08.2006). DJ DATA:11/09/2006 PG:00595 Pelo exposto, CONHEÇO do incidente de
uniformizáçáã o nácionál suscitádo pelá párte áutorá e DOU-LHE PARCÍAL PROVÍMENTO,
párá ánulár o Acoá rdáã o impugnádo e determinár o retorno dos áutos áà Turmá Recursál de
origem com á finálidáde de promover á ádequáçáã o do julgádo com o entendimento dá TNU,
no sentido de se reálizár novo julgámento, procedendo áà ánáá lise dás condiçoã es pessoáis e
sociáis do beneficiáá rio párá constátáçáã o dá incápácidáde párá fins de concessáã o de
benefíácio ássistenciál. (TNU, PEDÍLEF 05344825220094058300, Relátor JUÍZ FEDERAL
WÍLSON JOSEÍ WÍTZEL, DOU 23/01/2015, PAÍ GÍNAS 68/160)

Para além da questão afeta à observância do CIF por ocasião da perícia, giza-se que
também deverá ser feita a avaliação da deficiência da Parte Autora com fundamento no
Índice De Funcionalidade Brasileiro Aplicado Para Fins De Classificação E Concessão Da
Aposentadoria Da Pessoa Com Deficiência (IF-BRA). O referido íándice foi introduzido pelá
Portáriá Ínterministeriál AGU/MPS/MF/SEDH/MP Nº 1 DE 27.01.2014 2, e visá fornecer o meá todo
á ser utilizádo á fim de se áváliár á deficieê nciá do segurádo. E saliente-se que o próprio INSS já se
adequou aos parâmetros do IF-BRA e do CIF na concessão administrativa dos BPC.

Em sumá: o jáá utilizádo CÍD-10 – segundo á definiçáã o dá OMS – visá proporcionár um


diágnoá stico de doençás, perturbáçoã es ou outrás condiçoã es de sáuá de, que devem ser
complementádás pelá CÍF, que efetuá á reláçáã o dás doençás com á funcionálidáde, e que náã o
englobá ápenás questoã es ligádás áà sáuá de, más támbeá m fátores socioeconoê micos, e que juntás ás
informáçoã es sobre diágnoá stico e sobre á funcionálidáde e seus respectivos fátores
socioeconoê micos fornecem, ná visáã o de Bittencourt 3, umá imágem máis ámplá e máis significátivá
dá sáuá de dás pessoás ná horá dás tomádás de decisáã o. E neste sentido, o CÍD-10 e o CÍF devem ser
áveriguádos por intermeá dio do íter procedimental do ÍF-BRA, pois eá o meá todo cientíáfico escolhido
pelo direito brásileiro párá ánálisár os fátores clíánicos e sociáis dos que necessitám do BPC.

Por fim, eá imperioso frisár que por ocásiáã o dá períáciá, deve-se observár náã o somente ás
disposiçoã es ácimá mencionádás, más támbeá m o Párecer nº 10/2012 do Conselho Federál de
Mediciná, que estábeleceu que o meá dico poderáá discordár dos termos de átestádo meá dico emitido
por outro meá dico, desde que justifique está discordáê nciá, ápoá s o devido exáme meá dico do
trábálhádor, ássumindo á responsábilidáde pelás consequeê nciás do seu áto. Assim, cáso o perito
venhá á discordár do que informám os seus colegás meá dicos, deveráá imperiosámente fundámentár
á suá discordáê nciá, sob pená de responsábilizáçáã o peránte o seu respectivo conselho de clásse.

E, á fim de corroborár o áteá áqui dito, pede-se veê niá párá trázer áà báilá os ápontámentos de
Íngo Wolfgáng Sárlet, ácercá dás pessoás com deficieê nciá:

o cáso dás pessoás com deficieê nciá tem sido centrál párá á teoriá e práá ticá do
princíápio dá iguáldáde e dos direitos de iguáldáde, pois se trátá de grupo de pessoás
párticulármente vulneráá vel (em máior ou menor medidá, á depender dá condiçáã o
pessoál) [...], áleá m dá forte átençáã o dispensádá áo temá pelo direito internácionál
dos direitos humános [...]. Aleá m disso, o fáto de á Convençáã o ter sido áprovádá [...] ná
formá do disposto no árt. 5º, § 3º, dá CF, de modo á se trátár de normátivá
equiválente á emendá constitucionál, ássegurá-lhe áindá máior releváê nciá, pois
torna cogente a "releitura" de todo e qualquer norma infraconstitucional que
tenha relação com o tema, seja revogando normas incompatíveis [...]. De
quálquer modo, [...] á CF, fundádá ná dignidáde dá pessoá humáná, ácertádámente se
refere áà pessoá portádorá (hoje háá de ádotár-se á designáçáã o pessoá com
2
Disponíável em: http://www.normáslegáis.com.br/legislácáo/portáriá-Ínterm-águ-mps-mf-sedh-mp-1-2014.htm
3
BÍTTENCOURT, Andre Luiz Moro. Manual dos benefícios por incapacidade laboral e deficiência. Curitibá:
Alteridáde, 2016, p. 338.
deficieê nciá) de deficieê nciá, ou sejá, enfátizá-se á condiçáã o primeirá de pessoá,
deixándo-se de ládo á merá refereê nciá áos deficientes, foá rmulá felizmente superádá
[...]. As áçoã es áfirmátivás destinádás áà integráçáã o dás pessoás com deficieê nciá náã o se
limitám, áo mundo do trábálho, ábárcándo um dever de inclusão (integração e
promoção) em todas as esferas da vida social, econômica, política e cultural, o
que também tem sido alvo das preocupações da CF [...]. A mesmá preocupáçáã o se
erificá no áê mbito do sistemá internácionál de proteçáã o dos direitos humános, dá
legisláçáã o interná [...].4

Destárte, eá perceptíável á profundá modificáçáã o no enquádrámento dá pessoá com


deficieê nciá, de máneirá que á ultrápássádá (e incompátíável com á átuál ordem constitucionál)
definiçáã o de pessoá com deficieê nciá, originálmente concebidá pelá Lei 8.742/93, merece dár
espáço áà nová conceituáçáã o, dádá pelá Convençáã o Ínternácionál Sobre os Direitos dá Pessoá com
Deficieê nciá e pelo Estátuto dá Pessoá com Deficieê nciá.

Diánte de todo o exposto, é imperativo concluir a condição de pessoa com deficiência da


Sra. XXXX, umá vez que á está possui diversos impedimentos de ordem meá dicá, áleá m de
limitáçoã es sociáis – hájá vistá á suá condiçáã o de vulnerábilidáde socioeconoê micá, á quál á impede
de ter ácesso áos recursos que poderiám ámenizár ás suás pátologiás.

Aliás, o simples fato de estar acometida de intensa dispneia aos esforços e


dor osteomuscular importante, conforme diagnóstico do dia xx/xx/xxxx,
acostados a exordial, já demonstra que a Sra. XXXX JAMAIS competirá em
igualdade de condições com as demais pessoas na busca por emprego!

Já no que consta ao critério econômico relacionado ao benefício, veja-se que o próprio

INSS reconheceu o adimplemento deste requisito, de forma que a realização da

avaliação socioeconômica deve ser DISPENSADA, por ausência de pretensão


resistida.

Reconhecido o presente requisito pelo ÍNSS não cabe ao Poder Judiciário impor mais
rigor do que o próprio instituto previdenciário, ou seja, não cabe ao Estado-Juiz assumir o
papel de legítimo auditor da Previdência Social.5

4
SARLET, Íngo Wolfgáng. Íguáldáde como direito fundámentál ná Constituiçáã o Federál de 1988: áspectos geráis e
álgumás áproximáçoã es áo cáso dás pessoás com deficieê nciá. Ín: FERRAZ, Cároliná Válençá et ál. Mánuál dos direitos dá
pessoá com deficieê nciá. Sáã o Páulo: Sáráivá, 2012. p. 90-93.
5
FERREÍRA, C. W. D. LEMOS, J. E. G. Aposentadoria especial em juízo: áspectos controversos de direito máteriál e de
processo previdenciáá rio. Curitibá: Juruáá , 2017. p. 192.
Nesse áspecto, o Superior Tribunál de Justiçá jáá se posicionou sobre essá problemáá ticá nos
Embárgos de Divergeê nciá em REsp 412.351/RS, de relátoriá do entáã o Min. Páulo Gálloti,
ressáltándo que náã o eá rázoáá vel o Judiciáá rio ser máis rigoroso do que á Administráçáã o
Previdenciáá riá.

Feitás essás consideráçoã es, restá evidenciádo que á Autorá vive em situáçáã o de gránde
precáriedáde e exclusáã o sociál. Suás condiçoã es socioeconoê micás náã o lhe ofertám meios párá que
provejá suás necessidádes báá sicás, támpouco párá se submetá áo trátámento meá dico ádequádo!

Assim, áo longo dá instruçáã o processuál (por meio dá eláboráçáã o dás provás pertinentes áo
cáso) á Srá. XXXX pretende tornár cristálino seu direito áo benefíácio de prestáçáã o continuádá, párá
que venhá o Poder Judiciáá rio á repárár á lesáã o sofridá quándo do indeferimento do pedido
eláborádo ná esferá ádministrátivá.

DA AUDIÊNCIA DE MEDIAÇÃO OU DE CONCILIAÇÃO

Considerándo á necessidáde de produçáã o de provás no presente feito, á párte Autorá vem


mánifestár, em cumprimento áo árt. 319, inciso VÍÍ do CPC/2015, que náã o háá interesse ná
reálizáçáã o de áudieê nciá de conciliáçáã o ou mediáçáã o, hájá vistá á iminente ineficáá ciá do
procedimento e á necessidáde de que ambas as partes dispensem á suá reálizáçáã o, conforme
previsto no árt. 334, §4º, inciso Í, do CPC/2015.

DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL

Considerándo que á prová periciál eá fundámentál párá o deslinde dás questoã es ligádás áo
presente feito e párá umá ádequádá ánáá lise dá pátologiá ápresentádá pelá párte Autorá, fáz-se
mister que o(s) Perito(s) observem o disposto no árt. 16 do Decreto nº 6.214/07, nos árts. 2º e 3º
dá Lei 13.146/15 (Estátuto do Deficiente), no árt. 473 do Coá digo de Processo Civil, áà Portáriá
Ínterministeriál nº 01/2014, bem como áà Resoluçáã o nº 1.488/98 e áo Párecer nº 01/2012 do
Conselho Federál de Mediciná, que dispoã em sobre ás normás especíáficás de áváliáçáã o dá pessoá
com deficieê nciá. Portánto, REQUER á Párte Autorá que, quándo dá reálizáçáã o dá(s) prová(s)
periciál(is), sejám observádás ás referidás disposiçoã es legáis, sob pená de nulidáde do láudo
periciál.

DO IMEDIATO CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO DE FAZER


Conforme inteligeê nciá do ártigo 43 dá Lei 9.099/95 c/c ártigo 1º dá Lei 10.259/01, no
áê mbito dos Juizádos Especiáis Federáis o recurso inominádo interposto, viá de regrá, náã o possui
efeito suspensivo. Por este motivo, eventuál deferimento do presente petitoá rio compele o ÍNSS á
cumprir de formá imediátá á decisáã o de primeiro gráu, párá o efeito de conceder e implántár o
benefíácio postuládo em fávor dá Demándánte.

PEDIDOS

EM FACE DO EXPOSTO, REQUER á Vossá Exceleê nciá:

1) O recebimento e o deferimento dá presente petiçáã o iniciál;

2) O deferimento dá Gratuidade da Justiça, por ser á Autorá pobre ná ácepçáã o legál do termo;

3) A citáçáã o do Ínstituto Nácionál do Seguro Sociál – ÍNSS, párá, querendo, ápresentár defesá;

4) A não reálizáçáã o de áudieê nciá de conciliáçáã o ou de mediáçáã o, pelás rázoã es ácimá expostás;

5) A não reálizáçáã o de áváliáçáã o socioeconoê micá, tendo em vistá o reconhecimento


ádministrátivo do requisito constánte no árt. 20, § 3º, dá Lei 8.745/93;

6) A produçáã o de todos os meios de prová, principalmente a documental e a pericial;

7) O julgámento dá demándá com TOTAL PROCEDÊNCIA, párá que o ÍNSS concedá o benefíácio
ássistenciál áà párte Autorá, págándo ás párcelás vencidás (á pártir do requerimento
ádministrátivo – DER em xx/xx/xxxx) e vincendás, monetáriámente corrigidás desde o
respectivo vencimento e ácrescidás de juros legáis e morátoá rios, incidentes áteá á dátá do
efetivo págámento;

8) Apoá s á sentençá de procedeê nciá, sejá o ÍNSS intimádo á cumprir imediátámente á obrigáçáã o de
implántár o benefíácio, conforme inteligeê nciá do ártigo 43 dá Lei 9.099/95 c/c ártigo 1º dá Lei
10.259/01;

9) Em cáso de recurso, á condenáçáã o do Reá u áo págámento de custás e honoráá rios ádvocátíácios,


eis que cábíáveis em segundo gráu de jurisdiçáã o, com fulcro no árt. 55 dá Lei 9.099/95 c/c árt.
1º dá Lei 10.259/01.

Nesses Termos,
Pede Deferimento.

Dá à causa o valor6 de R$ xx.xxx,xx.

Locál, dátá.

Advogado
OAB/UF nº

ROL DE QUESITOS PERICIAIS

Vem á párte Autorá, com fulcro no ártigo 465, § 1º, ÍÍÍ, do CPC, bem como ártigo 12, § 2º, dá
Lei 10.259/01, ápresentár quesitos proá prios, á serem respondidos pelo Perito Judiciál ná presente
áçáã o.

Neste sentido, cábe destácár que o Perito Judiciál, áo eláborár o párecer teá cnico
competente, deveráá observár os ditámes do Coá digo de EÍ ticá dá cátegoriá, e especiálmente em
reláçáã o áo temá, á Resolução nº 1.488/98 do Conselho Federal de Medicina, norma cogente
que vincula a atividade do profissional. Aleá m disto, áo responder áos quesitos o Perito deve
fundamentar todás ás suás respostás, nos termos do art. 473 do CPC/2015, não podendo
enfrentar os quesitos apenas com respostas do tipo “sim ou não” .

1. EÍ possíável que á Srá. XXXX se enquádre no conceito de deficieê nciá (que náã o se confunde com
incápácidáde láborál) estábelecido pelá Convençáã o Ínternácionál sobre os Direitos dá Pessoá
com Deficieê nciá?

2. Em cáso de respostá negátivá áo quesito ánterior, o Sr. Perito áfirmá que á Periciándá náã o
possui quálquer impedimento de náturezá fíásicá, mentál, intelectuál ou sensoriál, que em
interáçáã o com bárreirás urbáníásticás, árquitetoê nicás, nos tránsportes, nás comunicáçoã es e nás
informáçoã es, átitudináis e tecnoloá gicás, possám obstruir suá párticipáçáã o plená e efetivá ná
sociedáde em iguáldáde de condiçoã es com ás demáis pessoás?

3. Ná áferiçáã o dá existeê nciá dá deficieê nciá, forám seguidos TODOS os páráê metros e
procedimentos estábelecidos pelá Lei nº 13.146/15 e o Decreto nº 6.214/07, áleá m do ÍÍndice

6
Valor da causa = 12 parcelas vincendas (R$ xx.xxx,xx) + parcelas vencidas (R$ x.xxx,xx).
de Funcionálidáde Brásileiro áplicádo párá fins de clássificáçáã o e concessáã o dá áposentádoriá
dá pessoá com deficieê nciá (ÍF-BRA) e dá Clássificáçáã o Ínternácionál de Funcionálidádes,
Íncápácidáde e Sáuá de (CÍF)?