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EXCELENTÍÍSSÍMO SENHOR(A) DOUTOR(A) JUÍZ(A) FEDERAL DA ___ª VARA FEDERAL DA SUBSEÇAÃ O

JUDÍCÍAÍ RÍA DE XXXXXXXXXX-UF

NOME DA PARTE, menor absolutamente incapaz,


representada neste ato por sua genitora, Sra. XXXXXX,
ambas jaá cadastradas eletronicamente, vem com o devido
respeito perante Vossa Exceleê ncia, por meio de seus
procuradores, ajuizar

AÇÃO PREVIDENCIÁRIA DE CONCESSÃO


DE BENEFÍCIO ASSISTENCIAL

em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL


(INSS), pelos seguintes fundamentos faá ticos e juríádicos
que passa a expor:

FATOS

Em XX/XX/XXXX, a parte Autora requereu, perante a Autarquia Previdenciaá ria, a concessaã o


do benefíácio assistencial de prestaçaã o continuada, que foi indeferido. Conforme expoã e a
documentaçaã o anexa, o motivo do indeferimento foi a alegada naã o satisfaçaã o do artigo 20, §§ 2º e
3º, da Lei 8.742/93.

Neste sentido, registre-se que a Demandante foi diagnosticada com (patologias – CÍD 10 X
XX.X), patologias que lhe impoã em diversas limitaçoã es, obstruindo sua participaçaã o plena e efetiva
na sociedade em igualdade de condiçoã es com as demais pessoas.
Naã o somente a Autora eá portadora de graves patologias, mas tambeá m vive em uma situaçaã o
de vulnerabilidade social, porquanto a renda total de seu grupo familiar eá incapaz de prover suas
necessidades mais elementares.

Por esses motivos, os argumentos da Autarquia Previdenciaá ria, no sentido do


indeferimento do benefíácio, naã o merecem prosperar, ensejando o presente processo.

Síntese sobre a condição pessoal da Autora:

1. Enfermidade ou síándrome XXXXXX

2. Limitaçoã es decorrentes das Obstruçaã o da participaçaã o plena e efetiva na sociedade em


moleá stias igualdade de condiçoã es com as demais pessoas

A Demandante, seu pai (Sr. XXXXXX) e sua maã e (Sra.


3. Constituiçaã o do grupo familiar
XXXXXX)

4. Fontes de renda XXXXXX

Dados sobre o requerimento administrativo:

1. Nuá mero do benefíácio XXX.XXX.XXX-X

2. Data do requerimento XX/XX/XXXX

Alegado naã o enquadramento nos artigos 20, §§ 2º e 3º, da


3. Razaã o do indeferimento
Lei 8.742/93.
FUNDAMENTOS JURÍDICOS

A pretensaã o da parte Autora encontra respaldo legal no artigo 203, V, da Constituiçaã o


Federal, no artigo 20 da Lei nº 8.742/1993 (regulamentado pelo Anexo do Decreto do Decreto nº
6.214/2007) e demais normas aplicaá veis.

Pelo que se extrai do mencionado artigo 203 da Carta Magna, em seus incisos Í e ÍÍ, a
assisteê ncia social tem por objetivo, tambeá m a proteção de crianças e adolescentes. Nesse
sentido, sendo a Demandante criança com deficieê ncia, torna-se naã o apenas necessaá rio, mas
primordial o seu acesso a políáticas de assisteê ncia social.

Do mesmo modo, eis o entendimento jurisprudencial sobre a mateá ria:

BENEFÍÍCÍO ASSÍSTENCÍAL. PORTADOR DE DEFÍCÍEÊ NCÍA. CONDÍÇAÃ O SOCÍOECONOÊ MÍCA.


MÍSERABÍLÍDADE. PREENCHÍMENTO DE REQUÍSÍTOS. RENDA FAMÍLÍAR. ART. 20, §3º, DA
LEÍ 8.742/93. RELATÍVÍZAÇAÃ O DO CRÍTEÍ RÍO ECONOÊ MÍCO OBJETÍVO. STJ E STF.
PRÍNCÍÍPÍOS DA DÍGNÍDADE DA PESSOA HUMANA E DO LÍVRE CONVENCÍMENTO DO JUÍZ.
BENEFÍCÍAÍ RÍO MENOR. POSSÍBÍLÍDADE. CONSECTAÍ RÍOS LEGAÍS. TUTELA ESPECÍÍFÍCA.
ÍMPLANTAÇAÃ O DO BENEFÍÍCÍO. 1. O direito ao benefíácio assistencial previsto no art. 203, V,
da Constituiçaã o Federal e no art. 20 da Lei 8.742/93 (LOAS) pressupoã e o preenchimento de
dois requisitos: a) condiçaã o de pessoa com deficieê ncia ou idosa e b) condiçaã o
socioeconoê mica que indique miserabilidade; ou seja, a falta de meios para prover a proá pria
subsisteê ncia ou de teê -la provida por sua famíália. 2. O Superior Tribunal de Justiça, ao julgar
o REsp 1.112.557 representativo de controveá rsia, relativizou o criteá rio econoê mico previsto
no art. 20, §3º, da Lei 8.742/93, admitindo a aferiçaã o da miserabilidade da pessoa
deficiente ou idosa por outros meios de prova que naã o a renda per capita, consagrando os
princíápios da dignidade da pessoa humana e do livre convencimento do juiz. 3. Reconhecida
pelo STF, em regime de repercussaã o geral, a inconstitucionalidade do §3º do art. 20 da Lei
8.742/93 (LOAS), que estabelece criteá rio econoê mico objetivo, bem como a possibilidade de
admissaã o de outros meios de prova para verificaçaã o da hipossuficieê ncia familiar em sede de
recursos repetitivos, tenho que cabe ao julgador, na anaá lise do caso concreto, aferir o estado
de miserabilidade da parte autora e de sua famíália, autorizador ou naã o da concessaã o do
benefíácio assistencial. 4. Inexiste impedimento à concessão de benefício assistencial a
menor de idade. Comprovados a deficiência e o estado de miserabilidade, faz jus a
parte autora à concessão do benefício assistencial e ao pagamento das parcelas
atrasadas. 5. Declarada pelo Supremo Tribunal Federal a inconstitucionalidade do art. 1º-F
da Lei nº 9.494/97, com a redaçaã o dada pela Lei nº 11.960/2009, os juros
moratoá rios devem ser equivalentes aos íándices de juros aplicaá veis aà caderneta de poupança
(STJ, REsp 1.270.439/PR, 1ª Seçaã o, Relator Ministro Castro Meira, 26/06/2013). No que
tange aà correçaã o monetaá ria, permanece a aplicaçaã o da TR, como estabelecido naquela lei
e demais íándices oficiais consagrados pela jurisprudeê ncia. 6. O cumprimento imediato da
tutela especíáfica independe de requerimento expresso do segurado ou beneficiaá rio, e o seu
deferimento sustenta-se na eficaá cia mandamental dos provimentos fundados no art. 461
doCPC/1973, bem como nos artigos 497, 536 e paraá grafos e 537 do CPC/2015. 7. A
determinaçaã o de implantaçaã o imediata do benefíácio, com fundamento nos artigos
supracitados, naã o configura violaçaã o dos artigos 128 e 475-O, Í, do CPC e 37 da Constituiçaã o
Federal. (TRF4, APELREEX 0001706-83.2016.404.9999, QUÍNTA TURMA, Relator ROGER
RAUPP RÍOS, D.E. 05/07/2016, sem grifos no original)

De acordo com a legislaçaã o inerente aà questaã o, eá devido o benefíácio aà quelas pessoas com
deficieê ncia ou idosas que naã o possuam condiçoã es de prover o proá prio sustento por seus proá prios
meios, nem de teê -lo provido pelo seu nuá cleo familiar. No se refere ao quesito de deficieê ncia para
acesso ao benefíácio em comento, faz-se mister traçar alguns comentaá rios acerca das significativas
alteraçoã es legislativas e hermeneê uticas acerca do tema.

Analisando a redaçaã o original do § 2º do art. 20 da LOAS, observa-se que o conceito de


pessoa com deficieê ncia, para ter direito ao benefíácio em comento, sofreu draá sticas mudanças nos
uá ltimos anos. Anteriormente, a conceituaçaã o da pessoa com deficieê ncia atendia a criteá rios
eminentemente meá dicos, consoante o chamado modelo biomeá dico da deficieê ncia:

REDAÇÃO ORIGINAL:
§ 2º Para efeitos de concessaã o deste benefíácio, a pessoa portadora de deficieê ncia eá aquela
incapacitada para o trabalho e para a vida independente.

Todavia, em 2007, com o advento da Convençaã o Ínternacional sobre os Direitos da Pessoa


com Deficieê ncia de Nova Íorque, o conceito acima se tornou obsoleto, haja vista a correlaçaã o que
faz entre incapacidade laboral e deficieê ncia. Íncorporou-se um “modelo social da deficieê ncia”, que
considerasse naã o apenas as limitaçoã es fíásicas do indivíáduo, mas tambeá m a sociedade, que oprime e
discrimina aqueles que naã o possuem as mesmas capacidades, organizando-se de maneira pouco
sensíável aà diversidade. A partir daíá, emergiu o conceito biopsicossocial da deficiência, que deve
ater-se aà s condições médicas, psicológicas e sociais – conjuntamente consideradas – da
pessoa.
Em 2009, com a incorporaçaã o da Convençaã o de Nova Íorque ao ordenamento juríádico
nacional, atraveá s do Decreto nº 6.949/09, pela sistemaá tica do art. 5º, §3º, da Constituiçaã o Federal,
a referida Convençaã o adquiriu força de EMENDA CONSTITUCIONAL, assim conceituando a
pessoa com deficiência:

Pessoas com deficieê ncia saã o aquelas que teê m impedimentos de longo prazo de natureza
fíásica, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interaçaã o com diversas barreiras,
podem obstruir sua participaçaã o plena e efetiva na sociedade em igualdades de condiçoã es
com as demais pessoas.

Haja vista a clara incongrueê ncia entre a definiçaã o acima, com status constitucional, e a
trazida pela Lei Orgaê nica da Assisteê ncia Social em seu artigo 20, §2º, foi proposta a Arguição de
Descumprimento de Preceito Fundamental nº 182 pela Procuradoria Geral da República,
visando a expurgar da ordem jurídica nacional o conceito de pessoa com deficiência
apresentado pela LOAS.

Embora ainda pendente de julgamento a ADPF, o Estatuto da Pessoa com Deficieê ncia (Lei nº
13.146/2015) determinou nova redaçaã o ao artigo 20, § 2º, da LOAS:

NOVA REDAÇÃO:
§ 2o Para efeito de concessaã o do benefíácio de prestaçaã o continuada, considera-se pessoa
com deficieê ncia aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental,
intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode
obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições
com as demais pessoas. (Redaçaã o dada pela Lei nº 13.146, de 2015)

A partir daíá, contata-se a superaçaã o do conceito anterior de deficieê ncia, calcado na


(in)capacidade laborativa, e passa-se a adotar o criteá rio da (des)igualdade de oportunidades. Ou
seja, com o advento da nova legislaçaã o, pessoa com deficieê ncia eá aquela que, em virtude de
impedimentos e barreiras, naã o possui as mesmas condiçoã es de participar da vida em sociedade
que as demais pessoas.

Segundo Joaã o Marcelino Soares, “Tal conceito parte de uma análise multidisciplinar de
deficiência, verificando-se não apenas os aspectos físicos da pessoa mas também como a mesma
interage socialmente com suas limitações, de acordo com um novo panorama [...]” 1.

1 SOARES, J. M. Aposentadoria da pessoa com deficiência. 4 ed. Curitiba: Juruaá , 2016, p. 143.
Logo, naã o mais se conceitua a deficieê ncia que enseja o acesso ao BPC-LOAS como aquela que
incapacita a pessoa para a vida independente e para o trabalho, mas sim aquela que se constitui
em algum tipo de impedimento, que, em interação com uma ou mais barreiras, pode
obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade, em igualdade de condições com as
demais pessoas.

Neste sentido, percebe-se que o legislador foi minucioso ao estabelecer no art. 3º, inciso ÍV
do referido diploma, a conceituaçaã o das diferentes espeá cies de barreiras que podem atravancar a
participaçaã o em igualdade de condiçoã es da pessoa com deficieê ncia, veja-se:

Art. 3o Para fins de aplicaçaã o desta Lei, consideram-se:


ÍV - barreiras: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou
impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo, a fruição e o exercício de
seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de expressão, à
comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à circulação com segurança,
entre outros, classificadas em:
a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias e nos espaços puá blicos e privados abertos
ao puá blico ou de uso coletivo;
b) barreiras arquitetônicas: as existentes nos edifíácios puá blicos e privados;
c) barreiras nos transportes: as existentes nos sistemas e meios de transportes;
d) barreiras nas comunicações e na informação: qualquer entrave, obstaá culo, atitude ou
comportamento que dificulte ou impossibilite a expressaã o ou o recebimento de mensagens
e de informaçoã es por intermeá dio de sistemas de comunicaçaã o e de tecnologia da
informaçaã o;
e) barreiras atitudinais: atitudes ou comportamentos que impeçam ou prejudiquem a
participaçaã o social da pessoa com deficieê ncia em igualdade de condiçoã es e oportunidades
com as demais pessoas;
f) barreiras tecnológicas: as que dificultam ou impedem o acesso da pessoa com
deficieê ncia aà s tecnologias;

Portanto, na anaá lise da existeê ncia ou naã o de deficieê ncia, o que deve prevalecer naã o eá a
condiçaã o fíásica/bioloá gica da pessoa nem a sua (in)capacidade laborativa, mas o produto dessa
condiçaã o quando em interaçaã o com as diversas barreiras existentes em seu cotidiano, em especial
as barreiras de natureza atitudinal.

Atentando ao preaê mbulo da Convençaã o Ínternacional sobre os Direitos das Pessoas com
Deficieê ncia, no item ‘e’ deparamo-nos com a seguinte definiçaã o de deficieê ncia:
e) Reconhecendo que a deficieê ncia eá um conceito em evoluçaã o e que a deficieê ncia resulta da
interaçaã o entre pessoas com deficieê ncia e as barreiras devidas aà s atitudes e ao ambiente
que impedem a plena e efetiva participaçaã o dessas pessoas na sociedade em igualdade de
oportunidades com as demais pessoas.

A partir da conjugaçaã o deste criteá rio com o disposto no artigo 2º do Estatuto da Pessoa com
Deficieê ncia, que trouxe contribuiçaã o aà redaçaã o dada pelo artigo 1º do Pacto de Nova Íorque,
conclui-se que uma pessoa PODE TER DEFICIÊNCIA INDEPENDENTEMENTE DA SUA
CAPACIDADE LABORATIVA. Se esta pessoa for economicamente miserável, lhe assiste
direito ao Benefício Assistencial, conforme previsaã o do artigo 203, V da CF/88.

De acordo com a nova conceituaçaã o, tem-se que toda pessoa incapaz para o trabalho eá pessoa
com deficieê ncia, embora a deficieê ncia possa se configurar ainda quando naã o presente a
incapacidade para o trabalho, conforme elucidado abaixo:

De fato, não se pode confundir deficiência (artigo 20, § 2º da LOAS) com incapacidade
laborativa, exigindo, para a configuração do direito, a demonstração da “invalidez de longo
prazo”. Isto, pois a consequência prática deste equívoco é a denegação do benefício
assistencial a um numero expressivo de pessoas que têm deficiência e vivem em condições
de absoluta penúria e segregação social, comprometendo as condições materiais básicas
para seu sustento.

Por oá bvio, Nobre Julgador, o atual e constitucional conceito de deficieê ncia naã o exclui do
acesso ao benefíácio aquelas pessoas que, embora deficientes, ainda naã o estaã o em idade de serem
inseridas no mercado de trabalho e, por isso, naã o podem ser consideradas capazes nem incapazes
do ponto de vista laboral.. Ínterpretaçaã o diversa eá deveras restritiva, naã o contemplada pelo Pacto
de Nova Íorque, tampouco pelo Estatuto da Pessoa com deficieê ncia, que em momento algum
sugerem tal entendimento.

Neste contexto, o Decreto nº 6.214/07, que regulamentou o benefíácio de prestaçaã o


continuada, estabelece os paraê metros a serem utilizados para a avaliaçaã o do “requisito de
deficieê ncia”, perceba-se:

Art. 16. A concessaã o do benefíácio aà pessoa com deficieê ncia ficaraá sujeita aà avaliação da
deficiência e do grau de impedimento, com base nos princípios da Classificação
Internacional de Funcionalidades, Incapacidade e Saúde - CIF, estabelecida pela
Resolução da Organização Mundial da Saúde n o 54.21, aprovada pela 54a Assembleia
Mundial da Saúde, em 22 de maio de 2001. (Redaçaã o dada pelo Decreto nº 7.617, de
2011)
[...]
§ 2o A avaliação social considerará os fatores ambientais, sociais e pessoais, a
avaliação médica considerará as deficiências nas funções e nas estruturas do corpo, e
ambas considerarão a limitação do desempenho de atividades e a restrição da
participação social, segundo suas especificidades. (Redaçaã o dada pelo Decreto nº
7.617, de 2011)
[...]
§ 5o A avaliação da deficiência e do grau de impedimento tem por
objetivo: (Íncluíádo pelo Decreto nº 7.617, de 2011)
I - comprovar a existência de impedimentos de longo prazo de natureza física,
mental, intelectual ou sensorial; e (Íncluíádo pelo Decreto nº 7.617, de 2011)
ÍÍ - aferir o grau de restrição para a participação plena e efetiva da pessoa com
deficiência na sociedade, decorrente da interação dos impedimentos a que se refere
o inciso I com barreiras diversas. (Íncluíádo pelo Decreto nº 7.617, de 2011)
§ 6o O benefício poderá ser concedido nos casos em que não seja possível prever a
duração dos impedimentos a que se refere o inciso I do § 5 o, mas exista a
possibilidade de que se estendam por longo prazo. (Íncluíádo pelo Decreto nº 7.617, de
2011) (grifos acrescidos)

Portanto, a partir da anaá lise do dispositivo acima, verifica-se que a proá pria norma
regulamentadora do benefíácio preleciona que o criteá rio a ser observado – quanto aà deficieê ncia – é
o grau de restrição para a participação plena e efetiva da pessoa com deficiência na
sociedade, não fazendo qualquer referência à incapacidade para o trabalho.
Ademais, veja-se que a Turma Nacional de Uniformizaçaã o jaá decidiu que para a concessaã o do
benefíácio assistencial DEVEM ser observados os princíápios da Classificação Internacional de
Funcionalidades, Incapacidade e Saúde (CIF):

ÍNCÍDENTE DE UNÍFORMÍZAÇAÃ O – PREVÍDENCÍAÍ RÍO – ASSÍSTEÊ NCÍA SOCÍAL –


CONCESSAÃ O DE BENEFÍÍCÍO DE PRESTAÇAÃ O CONTÍNUADA (LOAS) – ÍNCAPACÍDADE
PARCÍAL E DEFÍNÍTÍVA – PORTADORA DE LUÍ PUS ERÍTEMATOSO SÍSTEÊ MÍCO – DOENÇA
AUTO ÍMUNE – NECESSÍDADE DE AVERÍGUAR AS CONDÍÇOÃ ES SOCÍAÍS PARA CONCLUSAÃ O
DA (ÍN)CAPACÍDADE – RECURSO CONHECÍDO E PARCÍALMENTE PROVÍDO. Trata-se de
agravo contra inadmissaã o de incidente de uniformizaçaã o nacional, suscitado pela parte
autora, em face de acoá rdaã o de Turma Recursal do Juizado Especial Federal da Seçaã o
Judiciaá ria de Pernambuco. Ínadmitido o incidente pela Turma de origem, foi requerida,
tempestivamente, a submissaã o da admissibilidade aà Presideê ncia desta Turma Nacional nos
termos do art. 7º, VÍ do RÍ/TNU. A mateá ria ventilada e a ser verificada no presente caso eá a
possibilidade de se conceder o benefíácio assistencial previsto na Lei Orgaê nica da
Assisteê ncia Social em casos de incapacidade parcial e definitiva, considerando as condiçoã es
pessoais e soá cio-econoê micas do beneficiaá rio. A parte autora encontra-se com 35 anos, eá
portadora de luá pus eritematoso sisteê mico, uma doença auto imune, tem o ensino
fundamental incompleto, eá lavadeira sem nunca ter trabalhado com carteira assinada e,
atualmente, quando sente poucas dores, faz pequenos serviços como tal. Depende, para a
sobreviveê ncia, da pensaã o alimentíácia dos dois filhos menores e do Bolsa Famíália. O
“prognoá stico eá pessimista para a cura”. Ainda de acordo com o perito, “no momento a
pericianda eá portadora de incapacidade parcial definitiva. Pode exercer atividades que naã o
exijam longas caminhadas, exposiçaã o ao sol e elevaçaã o de peso. Levando em consideraçaã o o
relativo níável de escolaridade, necessita de programa de reabilitaçaã o profissional”. Naã o
houve períácia social nem realizaçaã o de audieê ncia para a colheita de provas testemunhais.
Na contestaçaã o, o ÍNSS se manifesta pela improcedeê ncia do pedido declinado na exordial,
pois “sendo a parte autora apenas parcialmente incapaz, resta descaracterizado um dos
requisitos do amparo assistencial”. A Sentença de improcedeê ncia de 1º grau foi mantida
pela Turma Recursal, sob o argumento de que a parte autora naã o se enquadra no conceito
legal de pessoa portadora de deficieê ncia para efeitos da obtençaã o de benefíácio assistencial:
“...entendo que a incapacidade parcial da autora naã o a afasta do mercado de trabalho, eis
que existem atividades que podem ser por ela exercidas”, segundo o Magistrado
sentenciante. Sustenta o Recorrente que “a patologia da autora eá suficiente para tornaá -la
incapaz de prover seu sustento dignamente”. Foram apresentadas as contrarrazoã es pela
inadmissaã o. EÍ o relatoá rio. [...] Ao adentrar no meá rito, imperioso perquirir, em um primeiro
instante, o que seja incapacidade no habitat da legislaçaã o. Efetivando o estudo pelo criteá rio
da interpretaçaã o sistemaá tica, conclui-se que a incapacidade não pode ser avaliada
exclusivamente à luz da metodologia científica. Fatores pessoais e sociais devem ser
levados em consideração, outrossim. Há que se perscrutar, considerando que a
incapacidade laborativa impossibilita, impreterivelmente, a mantença de uma vida
independente, se há a possibilidade real de reinserção do trabalhador no mercado
de trabalho, no caso concreto. Deve ser balizada, para tanto, a ocupação efetivamente
disponível para o autor, levando-se em conta, além da doença que lhe acometeu, a
idade, o grau de instrução, bem como, a época e local em que vive. Como se trata do
benefíácio da Lei Orgaê nica da Assisteê ncia Social, vejamos o que a Lei nº 8.742, de 7 de
dezembro de 1993, estabelece: Art. 20. O benefíácio de prestaçaã o continuada eá a garantia de
um salaá rio-míánimo mensal aà pessoa com deficieê ncia e ao idoso com 65 (sessenta e cinco)
anos ou mais que comprovem naã o possuir meios de prover a proá pria manutençaã o nem de
teê -la provida por sua famíália. § 2o Para efeito de concessaã o deste benefíácio, considera-se
pessoa com deficieê ncia aquela que tem impedimentos de longo prazo de natureza fíásica,
mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interaçaã o com diversas barreiras, podem
obstruir sua participaçaã o plena e efetiva na sociedade em igualdade de condiçoã es com as
demais pessoas. § 3o Considera-se incapaz de prover a manutençaã o da pessoa com
deficieê ncia ou idosa a famíália cuja renda mensal per capita seja inferior a 1/4 (um quarto)
do salaá rio-míánimo A Lei n. 7.853/88, que dispoã e sobre a Políática Nacional para Íntegraçaã o
da Pessoa Portadora de Deficieê ncia, foi regulamentada pelo Decreto n. 3.298, que prescreve:
Art. 3o Para os efeitos deste Decreto, considera-se: ÍÍÍ - incapacidade – uma reduçaã o efetiva
e acentuada da capacidade de integraçaã o social, com necessidade de equipamentos,
adaptaçoã es, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficieê ncia possa
receber ou transmitir informaçoã es necessaá rias ao seu bem-estar pessoal e ao desempenho
de funçaã o ou atividade a ser exercida. Art. 4o EÍ considerada pessoa portadora de deficieê ncia
a que se enquadra nas seguintes categorias: Í - deficieê ncia fíásica - alteraçaã o completa ou
parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da
funçaã o fíásica, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia,
monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia,
ostomia, amputaçaã o ou auseê ncia de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com
deformidade congeê nita ou adquirida, exceto as deformidades esteá ticas e as que naã o
produzam dificuldades para o desempenho de funçoã es; (Grifos nossos) No que concerne aà
definiçaã o de incapacidade para se fazer jus ao benefíácio em questaã o, o Decreto nº. 6.214, de
26/09/07, ao regulamentaá -lo, firma, no seus artigos 4º e 16, o que eá incapacidade e o grau a
ser considerado, in verbis: Art. 4o Para os fins do reconhecimento do direito ao benefíácio,
considera-se: ÍÍÍ - incapacidade: fenoê meno multidimensional que abrange limitaçaã o do
desempenho de atividade e restriçaã o da participaçaã o, com reduçaã o efetiva e acentuada da
capacidade de inclusaã o social, em correspondeê ncia aà interaçaã o entre a pessoa com
deficieê ncia e seu ambiente fíásico e social; .... Art. 16. A concessão do benefício à pessoa
com deficiência ficará sujeita à avaliação da deficiência e do grau de incapacidade,
com base nos princípios da Classificação Internacional de Funcionalidades,
Incapacidade e Saúde - CIF, estabelecida pela Resolução da Organização Mundial da
Saúde no 54.21, aprovada pela 54ª Assembléia Mundial da Saúde, em 22 de maio de
2001. § 1o A avaliaçaã o da deficieê ncia e do grau de incapacidade seraá composta de avaliaçaã o
meá dica e social. § 2o A avaliaçaã o meá dica da deficieê ncia e do grau de incapacidade
consideraraá as deficieê ncias nas funçoã es e nas estruturas do corpo, e a avaliaçaã o social
consideraraá os fatores ambientais, sociais e pessoais, e ambas consideraraã o a limitaçaã o do
desempenho de atividades e a restriçaã o da participaçaã o social, segundo suas
especificidades; (Grifos nossos) O entendimento perfilhado por esta Corte, outrossim, é
no sentido de que o magistrado, ao analisar as provas dos autos sobre as quais
formará sua convicção, e deparando-se com laudos que atestem incapacidade
parcial, deve levar em consideração as condições pessoais da parte requerente para a
concessão de benefício assistencial. Malgrado não ser a incapacidade total e
definitiva, pode ser considerada como tal quando assim o permitirem as
circunstâncias sócio-econômicas do beneficiário, ou na medida em que este não
possuir condições financeiras de custear tratamento especializado, ou, mesmo, se
sua reinserção no seu ambiente de trabalho restar impossibilitado. Mesmo porque o
criteá rio de totalidade naã o fora adotado pelo § 2º, do art. 20, da Lei 8.742/93, e um dos
pressupostos para a manutençaã o do benefíácio assistencial eá a avaliaçaã o perioá dica a cada
dois anos. A parcialidade da incapacidade, portanto, naã o eá oá bice aà sua concessaã o A respeito:
PREVÍDENCÍAÍ RÍO. AGRAVO REGÍMENTAL NO AGRAVO DE ÍNSTRUMENTO CONTRA
ÍNADMÍSSAÃ O DE RECURSO ESPECÍAL. APOSENTADORÍA POR ÍNVALÍDEZ. LAUDO PERÍCÍAL
CONCLUSÍVO PELA ÍNCAPACÍDADE PARCÍAL DO SEGURADO. NAÃ O VÍNCULAÇAÃ O.
CÍRCUNSTAÊ NCÍA SOÍ CÍO-ECONOÊ MÍCA, PROFÍSSÍONAL E CULTURAL FAVORAÍ VEL AÀ
CONCESSAÃ O DO BENEFÍÍCÍO. 1. Os pleitos previdenciaá rios possuem relevante valor social de
proteçaã o ao Trabalhador Rural Segurado da Prevideê ncia Social, devendo ser, portanto,
julgados sob tal orientaçaã o exegeá tica. 2. Para a concessaã o de aposentadoria por invalidez
devem ser considerados outros aspectos relevantes, aleá m dos elencados no art. 42 da Lei
8.213/91, tais como, a condiçaã o soá cio-econoê mica, profissional e cultural do segurado. 3.
Embora tenha o laudo pericial concluíádo pela incapacidade parcial do segurado, o
Magistrado naã o fica vinculado aà prova pericial, podendo decidir contraá rio a ela quando
houver nos autos outros elementos que assim o convençam, como no presente caso. 4. Em
face das limitaçoã es impostas pela avançada idade, bem como pelo baixo grau de
escolaridade, seria utopia defender a inserçaã o do segurado no concorrido mercado de
trabalho, para iniciar uma nova atividade profissional, motivo pelo faz jus aà concessaã o de
aposentadoria por invalidez. 5. Agravo Regimental do ÍNSS desprovido. (STJ – 5ª Turma -
AgRg n° 1011387 – rel. Min. NAPOLEAÃ O NUNES MAÍA FÍLHO - DJE de 25/05/2009 – grifos
nossos) Perfazendo a anaá lise, a suá mula 47 desta Corte, in verbis: Uma vez reconhecida a
incapacidade parcial para o trabalho, o juiz deve analisar as condiçoã es pessoais e sociais do
segurado para a concessaã o de aposentadoria por invalidez. E, como jaá dito, naã o obstante
naã o estar inteiramente dependente de outrem para se vestir, se alimentar, se locomover e
realizar as demais tarefas cotidianas, encontrando-se sem capacidade uma pessoa de
manter o proá prio sustento por meio de atividade laborativa, maquinalmente torna-se
impossibilitada de manter uma vida independente sem qualquer amparo ou caridade.
Neste sentido, a Suá mula 29 desta E. TNU parece estar. Confira-se: “Para os efeitos do art. 20,
§ 2º, da Lei n. 8.742, de 1993, incapacidade para a vida independente naã o eá soá aquela que
impede as atividades mais elementares da pessoa, mas tambeá m a impossibilita de prover
ao proá prio sustento” A incapacidade, em suma, como estabelecido no Decreto n. 6.214, de
26/09/2007, eá um fenoê meno multidimensional, que abrange limitaçaã o do desempenho de
atividade e restriçaã o da participaçaã o, com reduçaã o efetiva e acentuada da capacidade de
inclusaã o social, em correspondeê ncia aà interaçaã o entre a pessoa com deficieê ncia e seu
ambiente fíásico e social e, por isso mesmo, deve ser vista de forma ampla, abrangendo o
mundo em que vive o deficiente. Ou seja, naã o necessita decorrer, exclusivamente, de alguma
regra especíáfica que indique esta ou aquela patologia, mas pode ser assim reconhecida com
lastro em anaá lise mais ampla, atinente aà s condiçoã es soá cio-econoê micas, profissionais,
culturais e locais do interessado, a inviabilizar a vida laboral e independente. Uma vez
constatada a incapacidade parcial, destarte, devem ser analisadas as condiçoã es pessoais do
segurado, para fins de aferir se tal incapacidade eá total, especificamente para o exercíácio de
suas atividades habituais. Verifico que o Acoá rdaã o impugnado confirmou a sentença pelos
seus proá prios fundamentos, que, por sua vez, limitou-se a reafirmar as conclusoã es do perito
judicial, abandonando a apreciaçaã o das condiçoã es pessoais e soá cio econoê micas do Autor.
Desta forma, deve ser anulado, de ofíácio, o Acoá rdaã o em refereê ncia para que sejam
apreciadas as condiçoã es pessoais da parte suscitante e realizado novo julgamento, de
acordo com a Questaã o de Ordem nº 20, a seguir transcrita: “Se a Turma Nacional decidir
que o incidente de uniformizaçaã o deva ser conhecido e provido no que toca a mateá ria de
direito e se tal conclusaã o importar na necessidade de exame de provas sobre mateá ria de
fato, que foram requeridas e naã o produzidas, ou foram produzidas e naã o apreciadas pelas
instaê ncias inferiores, a sentença ou acoá rdaã o da Turma Recursal deveraá ser anulado para
que tais provas sejam produzidas ou apreciadas, ficando o juiz de 1º grau e a respectiva
Turma Recursal vinculados ao entendimento da Turma Nacional sobre a mateá ria de
direito.”(Aprovada na 6ª Sessaã o Ordinaá ria da Turma Nacional de Uniformizaçaã o, do dia
14.08.2006). DJ DATA:11/09/2006 PG:00595 Pelo exposto, CONHEÇO do incidente de
uniformizaçaã o nacional suscitado pela parte autora e DOU-LHE PARCÍAL PROVÍMENTO,
para anular o Acoá rdaã o impugnado e determinar o retorno dos autos aà Turma Recursal de
origem com a finalidade de promover a adequaçaã o do julgado com o entendimento da TNU,
no sentido de se realizar novo julgamento, procedendo aà anaá lise das condiçoã es pessoais e
sociais do beneficiaá rio para constataçaã o da incapacidade para fins de concessaã o de
benefíácio assistencial. (TNU, PEDÍLEF 05344825220094058300, Relator JUÍZ FEDERAL
WÍLSON JOSEÍ WÍTZEL, DOU 23/01/2015 PAÍ GÍNAS 68/160)

Para além da questão afeta à observância do CIF por ocasião da perícia, giza-se que
também deverá ser feita a avaliação da deficiência da Parte Autora com fundamento no
Índice De Funcionalidade Brasileiro Aplicado Para Fins De Classificação E Concessão Da
Aposentadoria Da Pessoa Com Deficiência (IF-BRA). O referido íándice foi introduzido pela
Portaria Ínterministerial AGU/MPS/MF/SEDH/MP Nº 1 DE 27.01.2014 2, e visa fornecer o meá todo
a ser utilizado a fim de se avaliar a deficieê ncia do Requente do benefíácio. E saliente-se que o próprio
INSS já se adequou aos parâmetros do IF-BRA e do CIF na concessão administrativa dos BPC.

2 Disponíável em: http://www.normaslegais.com.br/legislacao/portaria-Ínterm-agu-mps-mf-sedh-mp-1-2014.htm


Em suma: o jaá utilizado CÍD-10 – segundo a definiçaã o da OMS – visa proporcionar um
diagnoá stico de doenças, perturbaçoã es ou outras condiçoã es de sauá de, que devem ser
complementadas pela CÍF, que efetua a relaçaã o das doenças com a funcionalidade, e que naã o
engloba apenas questoã es ligadas aà sauá de, mas tambeá m fatores socioeconoê micos, e que juntas as
informaçoã es sobre diagnoá stico e sobre a funcionalidade e seus respectivos fatores
socioeconoê micos fornecem, na visaã o de Bittencourt 3, uma imagem mais ampla e mais significativa
da sauá de das pessoas na hora das tomadas de decisaã o. E neste sentido, o CÍD-10 e o CÍF devem ser
averiguados por intermeá dio do íter procedimental do ÍF-BRA, pois eá o meá todo cientíáfico escolhido
pelo direito brasileiro para analisar os fatores clíánicos e sociais dos que necessitam do BPC.

Por fim, eá imperioso frisar que por ocasiaã o da períácia, deve-se observar naã o somente as
disposiçoã es acima mencionadas, mas tambeá m o Parecer nº 10/2012 do Conselho Federal de
Medicina, que estabeleceu que o meá dico poderaá discordar dos termos de atestado meá dico emitido
por outro meá dico, desde que justifique esta discordaê ncia, apoá s o devido exame meá dico do
trabalhador, assumindo a responsabilidade pelas consequeê ncias do seu ato. Assim, caso o perito
venha a discordar do que informam os seus colegas meá dicos, deveraá imperiosamente fundamentar
a sua discordaê ncia, sob pena de responsabilizaçaã o perante o seu respectivo conselho de classe.

E, a fim de corroborar o ateá aqui dito, pede-se veê nia para trazer aà baila os apontamentos de
Íngo Wolfgang Sarlet, acerca das pessoas com deficieê ncia:

o caso das pessoas com deficieê ncia tem sido central para a teoria e praá tica do princíápio da
igualdade e dos direitos de igualdade, pois se trata de grupo de pessoas particularmente
vulneraá vel (em maior ou menor medida, a depender da condiçaã o pessoal) [...], aleá m da forte
atençaã o dispensada ao tema pelo direito internacional dos direitos humanos [...]. Aleá m
disso, o fato de a Convençaã o ter sido aprovada [...] na forma do disposto no art. 5º, § 3º, da
CF, de modo a se tratar de normativa equivalente a emenda constitucional, assegura-lhe
ainda maior relevaê ncia, pois torna cogente a "releitura" de todo e qualquer norma
infraconstitucional que tenha relação com o tema, seja revogando normas
incompatíveis [...]. De qualquer modo, [...] a CF, fundada na dignidade da pessoa humana,
acertadamente se refere aà pessoa portadora (hoje haá de adotar-se a designaçaã o pessoa com
deficieê ncia) de deficieê ncia, ou seja, enfatiza-se a condiçaã o primeira de pessoa, deixando-se
de lado a mera refereê ncia aos deficientes, foá rmula felizmente superada [...]. As açoã es
afirmativas destinadas aà integraçaã o das pessoas com deficieê ncia naã o se limitam, ao mundo
do trabalho, abarcando um dever de inclusão (integração e promoção) em todas as
3 BÍTTENCOURT, Andre Luiz Moro. Manual dos benefícios por incapacidade laboral e deficiência. Curitiba:
Alteridade, 2016, p. 338.
esferas da vida social, econômica, política e cultural, o que também tem sido alvo das
preocupações da CF [...]. A mesma preocupaçaã o se verifica no aê mbito do sistema
internacional de proteçaã o dos direitos humanos, da legislaçaã o interna [...]. 4

Destarte, eá perceptíável a profunda modificaçaã o no enquadramento da pessoa com


deficieê ncia, de maneira que a ultrapassada (e incompatíável com a atual ordem constitucional)
definiçaã o de pessoa com deficieê ncia, originalmente concebida pela Lei 8.742/93, merece dar
espaço aà nova conceituaçaã o, dada pela Convençaã o Ínternacional Sobre os Direitos da Pessoa com
Deficieê ncia e pelo Estatuto da Pessoa com Deficieê ncia.

Diante de todo o exposto, eá imperativo concluir a condiçaã o de pessoa com deficieê ncia da
Autora, uma vez que a mesma possui diversos impedimentos de ordem meá dica, aleá m de limitaçoã es
sociais – haja vista a sua condiçaã o de vulnerabilidade socioeconoê mica, a qual a impede de ter
acesso aos recursos que poderiam amenizar a sua sintomatologia.

Ademais, saliente-se que a Requerente eá criança e que, desde os seus primeiros dias de vida,
convive com quadro clíánico que nunca lhe permitiu uma vida em igualdade de condiçoã es com as
demais pessoas. Tal situaçaã o somente tende a se agravar, uma vez que, com o decurso do tempo,
mais níátida ficaraá a diferença de desenvolvimento fíásico e psíáquico entre a Demandante e as
demais pessoas de sua idade.

Aleá m disso, por se tratar de doença degenerativa e croê nica, eá inarredaá vel a presunçaã o de que
tal quadro clíánico iraá perdurar, satisfazendo a exigeê ncia legal de que haja impedimento de longo
prazo para a concessaã o do benefíácio.

Jaá no que consta ao criteá rio econoê mico relacionado ao benefíácio, o Supremo Tribunal Federal
decidiu pela inconstitucionalidade do patamar entabulado no artigo 20, §3º da Lei 8.742/93, de
modo que a anaá lise da vulnerabilidade social experimentada pela Requerente deve ser observada
individualmente. Veja-se:

BENEFÍÍCÍO ASSÍSTENCÍAL DE PRESTAÇAÃ O CONTÍNUADA – RENDA FAMÍLÍAR PER CAPÍTA


– CRÍTEÍ RÍO DE AFERÍÇAÃ O DE MÍSERABÍLÍDADE – CÍRCUNSTAÊ NCÍAS DO CASO CONCRETO
– AFASTAMENTO – DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 20, § 3º,
DA LEI Nº 8.742/93 SEM PRONUÍ NCÍA DE NULÍDADE – AGRAVO DESPROVÍDO. 1. O
Colegiado de origem assentou a comprovaçaã o dos pressupostos necessaá rios aà concessaã o do
benefíácio assistencial de prestaçaã o continuada – LOAS. O recorrente insiste no
4 SARLET, Íngo Wolfgang. Ígualdade como direito fundamental na Constituiçaã o Federal de 1988: aspectos gerais e
algumas aproximaçoã es ao caso das pessoas com deficieê ncia. Ín: FERRAZ, Carolina Valença et al. Manual dos direitos da
pessoa com deficieê ncia. Saã o Paulo: Saraiva, 2012. p. 90-93.
processamento no extraordinaá rio, afirmando violados os artigos 203, inciso V, e 229,
cabeça, da Constituiçaã o Federal, apontando naã o preenchido o requisito da miserabilidade.
2. O Tribunal, no Recurso Extraordinaá rio nº 567.985/MT, de minha relatoria, tendo sido
designado para redigir o acoá rdaã o o ministro Gilmar Mendes, declarou incidentalmente a
inconstitucionalidade, por omissão parcial, do artigo 20, § 3º, da Lei nº 8.742/93, sem
pronuá ncia de nulidade, asseverando o critério de renda familiar por cabeça nele
previsto como parâmetro ordinário de aferição da miserabilidade do indivíduo para
fins de deferimento do benefício de prestação continuada. Permitiu, contudo, ao Juiz,
no caso concreto, afastá-lo, para assentar a referida vulnerabilidade com base em
outros elementos. 3. Em face do precedente, ressalvando a oá ptica pessoal, desprovejo este
agravo. 4. Publiquem. Brasíália, 30 de março de 2016. Ministro MARCO AUREÍ LÍO Relator
(STF - ARE: 937070 PE - PERNAMBUCO, Relator: Min. MARCO AUREÍ LÍO, Data de
Julgamento: 30/03/2016, Data de Publicaçaã o: DJe-063 07/04/2016) (grifo nosso)

Ainda que assim naã o fosse, a Demandante, por ser criança, obviamente eá desprovida de
qualquer fonte de renda, dependendo permanentemente da insuficiente renda auferida por seus
pais, totalizando, em meá dia R$ XXX,XX mensais.

Assim, ao longo da instruçaã o processual (por meio da elaboraçaã o das provas pertinentes ao
caso) a Requerente pretende tornar cristalino seu direito ao benefíácio de prestaçaã o continuada,
para que venha o Poder Judiciaá rio a reparar a lesaã o sofrida quando do indeferimento do pedido
elaborado na esfera administrativa.

DA AUDIÊNCIA DE MEDIAÇÃO OU DE CONCILIAÇÃO

Considerando a necessidade de produçaã o de provas no presente feito, a Parte Autora vem


manifestar, em cumprimento ao art. 319, inciso VÍÍ do CPC/2015, que naã o haá interesse na
realizaçaã o de audieê ncia de conciliaçaã o ou mediaçaã o, haja vista a iminente ineficaá cia do
procedimento e a necessidade de que ambas as partes dispensem a sua realizaçaã o, conforme
previsto no art. 334, §4º, inciso Í, do CPC/2015.

DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL

Considerando que a prova pericial eá fundamental para o deslinde das questoã es ligadas ao
presente feito e para uma adequada anaá lise da patologia apresentada pela Parte Autora, faz-se
mister que o(s) Perito(s) observem o disposto no art. 16 do Decreto nº 6.214/07, nos arts. 2º e 3º
da Lei 13.146/15 (Estatuto do Deficiente), no art. 473 do Coá digo de Processo Civil, aà Portaria
Ínterministerial nº 01/2014, bem como aà Resoluçaã o nº 1.488/98 e ao Parecer nº 01/2012 do
Conselho Federal de Medicina, que dispoã em sobre as normas especíáficas de avaliaçaã o da pessoa
com deficieê ncia. Portanto, REQUER a Parte Autora que, quando da realizaçaã o da(s) prova(s)
pericial(is), sejam observadas as referidas disposiçoã es legais, sob pena de nulidade do laudo
pericial.

DO IMEDIATO CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO DE FAZER

Conforme inteligeê ncia do artigo 43 da Lei 9.099/95 c/c artigo 1º da Lei 10.259/01, no
aê mbito dos Juizados Especiais Federais o recurso inominado interposto, via de regra, naã o possui
efeito suspensivo. Por este motivo, eventual deferimento do presente petitoá rio compele o ÍNSS a
cumprir de forma imediata a decisaã o de primeiro grau, para o efeito de conceder e implantar o
benefíácio postulado em favor da Parte Autora.

PEDIDOS

EM FACE DO EXPOSTO, REQUER a Vossa Exceleê ncia:

1) O recebimento e o deferimento da presente petiçaã o inicial;

2) O deferimento da Gratuidade da Justiça, por ser a Autora pobre na acepçaã o legal do termo;

3) A citaçaã o do Ínstituto Nacional do Seguro Social – ÍNSS, para, querendo, apresentar defesa;

4) A não realizaçaã o de audieê ncia de conciliaçaã o ou de mediaçaã o, pelas razoã es acima expostas;

5) A produçaã o de todos os meios de prova, principalmente a documental e a pericial;

6) O julgamento da demanda com TOTAL PROCEDÊNCIA, para que o ÍNSS conceda o benefíácio
assistencial aà parte Autora, pagando as parcelas vencidas (a partir do requerimento
administrativo) e vincendas, monetariamente corrigidas desde o respectivo vencimento e
acrescidas de juros legais e moratoá rios, incidentes ateá a data do efetivo pagamento;

7) Apoá s a sentença de procedeê ncia, seja o ÍNSS intimado a cumprir imediatamente a obrigaçaã o de
implantar o benefíácio, conforme inteligeê ncia do artigo 43 da Lei 9.099/95 c/c artigo 1º da Lei
10.259/01;
8) Em caso de recurso, a condenaçaã o do Reá u ao pagamento de custas e honoraá rios advocatíácios,
eis que cabíáveis em segundo grau de jurisdiçaã o, com fulcro no art. 55 da Lei 9.099/95 c/c art.
1º da Lei 10.259/01.

Nesses Termos,
Pede Deferimento.

Dá à causa o valor5 de R$ XX.XXX,XX.

Local, data.

Nome do advogado
OAB/UF xx.xxx

5 Valor da causa = 12 parcelas vincendas (R$ XX.XXX,XX) + parcelas vencidas (R$ X.XXX,XX) = R$ XX.XXX,XX.
ROL DE QUESITOS PERICIAIS

Vem a parte Autora, com fulcro no artigo 465, § 1º, ÍÍÍ, do CPC, bem como artigo 12, § 2º, da
Lei 10.259/01, apresentar quesitos proá prios, a serem respondidos pelo Perito Judicial na presente
açaã o.

Neste sentido, cabe destacar que o Perito Judicial, ao elaborar o parecer teá cnico
competente, deveraá observar os ditames do Coá digo de EÍ tica da categoria, e especialmente em
relaçaã o ao tema, a Resolução nº 1.488/98 do Conselho Federal de Medicina, norma cogente
que vincula a atividade do profissional. Aleá m disto, ao responder aos quesitos o Perito deve
fundamentar todas as suas respostas, nos termos do art. 473 do CPC/2015, não podendo
enfrentar os quesitos apenas com respostas do tipo “sim ou não” .

1) EÍ possíável que a Pericianda se enquadre no conceito de deficieê ncia (que naã o se confunde com
incapacidade laboral) estabelecido pela Convençaã o Ínternacional sobre os Direitos da Pessoa
com Deficieê ncia?

2) Em caso de resposta negativa ao quesito anterior, o Sr. Perito afirma que a Pericianda naã o
possua qualquer impedimento de natureza fíásica, mental, intelectual ou sensorial, que em
interaçaã o com barreiras urbaníásticas, arquitetoê nicas, nos transportes, nas comunicaçoã es e nas
informaçoã es, atitudinais e tecnoloá gicas, possam obstruir sua participaçaã o na sociedade em
igualdade de condiçoã es com as demais pessoas? A Pericianda eá capaz de desempenhar todas
as atividades tíápicas de sua idade da mesma maneira que as demais crianças?

3) Na aferiçaã o da existeê ncia da deficieê ncia, foram seguidos TODOS os paraê metros e
procedimentos estabelecidos pela Lei nº 13.146/15 e o Decreto nº 6.214/07, aleá m do ÍÍndice
De Funcionalidade Brasileiro Aplicado Para Fins De Classificaçaã o E Concessaã o Da
Aposentadoria Da Pessoa Com Deficieê ncia (ÍF-BRA) e da Classificaçaã o Ínternacional de
Funcionalidades, Íncapacidade e Sauá de (CÍF)?