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O LIVRO DO LEVÍTICO - Aula nº 1

Levítico é a terceira parte do Pentateuco. Os capítulos finais de Êxodo, que


enfocam a construção do tabernáculo (Êx 25—40), orientaram naturalmente a
abertura de Levítico, a qual descreve vários sacrifícios executados no Santo
Lugar (c. 1—7). O nome Levítico vem da Septuaginta por intermédio da Vulgata e
destaca seu assunto principal. A palavra significa “relativo aos Levitas” e, embora
essa tribo como tal não seja enfatizada no decorrer do livro, a questão sacerdotal
torna o título apropriado. O título em hebraico, semelhante aos dos outros livros do
Pentateuco, deriva das palavras iniciais do livro. Levítico é então wayyiqrã, “e ele
chamou”.
Levítico é com frequência visto pela igreja como irrelevante para os dias de
hoje. Nos poucos casos onde é considerado significativo, usa-se uma interpretação
alegórica como “ponte” entre a época do Antigo Testamento e o presente. Contudo,
um estudo cuidadoso dos seus conteúdos revelará a sua rica contribuição à nossa
compreensão de Deus e da história da redenção sem o recurso da alegoria.

CONTEXTO HISTÓRICO
A Teologia do livro de Levítico liga a ideia de santidade à vida cotidiana. Ela vai
além do assunto de sacrifício, embora o cerimonial do sacrifício e a obra dos
sacerdotes sejam explicados com grande cuidado. O conceito de santidade afeta não
somente o relacionamento que cada indivíduo tem com Deus, mas também o
relacionamento de amor e respeito que cada pessoa deve ter com o seu próximo. O
código de santidade permeia a obra porque cada indivíduo dever ser puro, pois Deus
é puro e porque a pureza de cada indivíduo é a base da santidade de toda a
comunidade do concerto. O ensinamento de Jesus Cristo: “Portanto, tudo o que vós
quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os
profetas”.
Conforme é indicado no seu nome, “Levítico”, e embora nunca se afirme que
Levítico tenha sido escrito por Moisés, as evidências internas de que seus conteúdos
foram mediados por ele ao povo são bastante fortes. O livro inicia com a frase
“chamou o SENHOR a Moisés” (Lv. 1.1), e a expressão “disse o SENHOR a Moisés”
(acrescentada em algumas ocasiões por “e a Arão”) é recorrente em muitos pontos
de transição no texto (p. ex., Lv. 4.1; 5.16; 6.1 > 8., 19, 24; 11.1; 12.1; 13-1; 14.1,
33; 15.1; 16.1; 19.1; 20.1; 21.1; 24.1; 27.1, entre outras passagens). O livro
salienta a função dos sacerdotes de Israel, aqueles membros da tribo de Levi que
Deus escolheu para servir em Seu santuário (Dt 10. 8). Muitos cristãos, por causa
disso, imaginam que Levítico é uma espécie de Manual Técnico que fornecia
orientação aos sacerdotes antigos sobre os detalhes de cerimônias que não são mais
observadas pelo povo de Deus; o que justificaria a visão irrelevante que se tem do
mesmo nos dias de hoje, porém, sua mensagem era originalmente dirigida a todos os
crentes (Lv 1. 2), e suas verdades continuam revestidas de significação primária para
o povo de Deus. Afinal, o livro constitui a primeira revelação detalhada do modo pelo
qual Deus restaura a Si mesmo homens perdidos. Tanto a atividade redentora de
Deus como a resposta da apropriação que se espera da parte do homem são suma-
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riadas no versículo chave: “Ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e
separei-vos dos povos, para serdes meus” (20. 26).

DATA
Os sábios datam o Livro de Levítico da época das atividades de Moisés (datando
mais antigamente no séc. XV a.C. e a última alternativa no séc. XII a. C.) até a época
de Esdras, durante o retorno (séc. VI a.C.). A aceitação da autoria mosaica para
Levítico dataria sua escrita por volta de 1445 a.C. O livro descreve o sistema de
sacrifícios e louvor que precede a época de Esdras e relembra a instituição do sistema
de sacrifícios. O livro contém pouca informação histórica que forneceria uma data
exata.

GÊNERO
A grande proporção da lei em Levítico não deve obscurecer o fluxo narrativo do
livro. O episódio inicial localiza a cena na tenda da congregação, onde Moisés ouve a
voz de Deus instruindo-o sobre como os Israelitas deveriam agir. Todas as leis do
livro possuem essa linha narrativa.
Também existem no livro, embora curtas, narrações não legislativas (c. 8-10,
16). Tudo isso indica que Levítico é uma continuação do gênero do Pentateuco como
um todo, ou seja, primariamente uma história instrutiva. Pretende-se informar o
leitor sobre o que ocorreu no passado, no caso oferecendo o contexto histórico para a
lei. Na realidade “o relato existe em função das leis que ele estrutura” (p. 66).

ESTRUTURA
Levítico pode ser resumido da seguinte forma:
I. Leis sacrificiais (Lv 1.1—7.38)
A. Instrução para a expiação (1.1—6.7)
1. A lei do holocausto (1)
2. A lei da oferta de cereais (2)
3. A oferta da comunhão (3)
4. A lei da oferta pelo pecado (4.1—5.13)
5. A lei da oferta pela culpa (5.14—6.7)
B. Instruções aos Sacerdotes (6.8—7.38)
II. Narrativa sacerdotal (8.1— 10.20)
A. O início formal do sacerdócio (8.1—9.24)
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B. Os limites no sacerdócio - Nadabe e Abiú (10)
III. Leis para proteger a pureza ritual (11.1— 16.34)
A. Os animais que se devem comer e os que não se devem comer (11)
B. A purificação da mulher depois do parto (12)
C. As leis acerca da lepra (13— 14)
1. Julgando a doença (13)
2. Purificando a doença (14)
D. Imundícias do homem e da mulher (15)
E. O Dia da Expiaçao (16)
IV. Código de santidade (17—27)
A. As leis (1 7 J—24.23)
1. A proibição de comer sangue (17)
2. Casamentos ilícitos (18)
3. A repetição de diversas leis (19—20)
4. Leis acerca dos sacerdotes e sacrifícios (21—22)
5. As festas solenes do Senhor (23)
6. A lei do tabernáculo [a lei acerca das lâmpadas] (24.1-9)
7. A pena do pecado de blasfêmia (24.10-23)
8. O ano sabático (25)
B. Bênçãos e maldições (26)
1. A recompensa da obediência (26.1-13)
2, O castigo da desobediência (26.14-46)
C. Ofertas ao Senhor (27)

MENSAGEM TEOLÓGICA
O contexto do Antigo Testamento:
A santidade de Deus. A maior parte de Levítico contém leis e rituais a
respeito da adoração formal de Israel. Entre outros tópicos, existe uma descrição do
rito sacrificial e leis que dizem respeito à dieta e à pureza sexual. Antes que os
detalhes gerem confusão, é importante discernir, por debaixo de todas as leis e os
principais conceitos de pureza e limpeza, a doutrina central do livro, ou seja, a de que
Deus é santo. Como motivação por trás das várias ordens permanece a declaração
divina: “Eu sou o SENHOR, vosso Deus” (Lv 18.2,4,5; 19.3-4,10; 20.7), Além
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disso, Deus não está somente presente, ele é santo: “portanto, vós sereis santos,
porque eu sou santo” (11.45: ver também 19.2; 20.26).
Levítico ensina, desse modo, que Deus está separado do mundo existente, e
que somente os que também são libertos da mácula do pecado são permitidos na sua
presença.
Nas páginas seguintes, observaremos como isso funciona nas três principais
áreas de Levítico: o sistema sacrificial, o sacerdócio e a pureza. Embora essa não
seja uma análise exaustiva de todos os conteúdos de Levítico, ela nos dará uma
indicação da mensagem teológica global do livro.

O sistema sacrificial. Levítico começa com uma longa explanação do sacrifício


(c. 1—7). Semelhante ênfase no sacrifício não surpreende, uma vez que é a atividade
mais importante de adoração formal durante a época do Antigo Testamento. O que
impressiona, a partir da nossa perspectiva contemporânea, é o pouco interesse em
explicar o sentido ou o significado do ritual: o foco está na descrição. Aparentemente,
o sentido do ritual era compreendido pelo público, lei e sacerdócio originais, e tudo
o que se precisava lembrar era o próprio procedimento. Por sorte, agora podemos
deduzir o significado do sacrifício em sua totalidade e dos sacrifícios específicos
através do simbolismo dos procedimentos e de seu uso na adoração.
O exame dos sacrifícios específicos, descritos a seguir, conduz a uma interpreta-
ção pactual do sacrifício em Israel. O pacto refere-se à aliança que existe entre Deus
e o seu povo. Esse pacto relaciona-se ao sacrifício de três modos. Em primeiro lugar,
veremos que o sacrifício é uma oferta por parte do adorador em nome do pacto com
o Senhor. Segundo, diversos sacrifícios incluem uma noção de comunhão ou
companheirismo entre os membros do pacto. Por último, e talvez mais importante, o
sacrifício desempenha um papel importante na cura das fraturas ocorridas na relação
pactual. Essa função é descrita com frequência pelo termo teológico “expiação”.
Quando o pacto era quebrado por certos tipos de ofensas, os israelitas
arrependidos podiam buscar o perdão de Deus oferecendo um substituto para pagar
pelo seu pecado. Desse modo, o sacrifício servia como um meio divinamente
sancionado para restabelecer a relação pactual. O sacrifício, portanto, relaciona-se
intimamente ao dominante conceito teológico da santidade de Deus, Deus é santo e
não pode tolerar a presença do pecado e da impureza. O sacrifício é um modo de
tornar o profano puro de novo e restabelecer a comunhão na presença de Deus. Ele
permite ao impuro, que foi apartado da presença do Senhor, retornar uma vez mais
ao reino do sagrado. Como veremos, o sacrifício é com frequência, mas não sempre,
focado no sangue da vítima. Alguns estudiosos críticos consideram tal fato uma
interpretação mágica do sacrifício, enquanto certos leitores evangélicos do Antigo
Testamento parecem ter essa mesma concepção ao insistirem na tradução “sangue”
em vez do seu referente simbólico: a morte. É a morte da vítima sacrificial que torna
o rito efetivo, e a manipulação do sangue destaca a morte que troca de lugar com o
pecador que a oferece.
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O holocausto (c. I). O nome em português desse sacrifício vem diretamente da
tradução grega; o termo em hebraico significa “ascendente” (‘õlâ) e deriva do fato de
que o aroma perfumado do sacrifício sobe aos céus em forma de fumaça.
O adorador devia levar aos sacerdotes um animal puro e prepará-lo para o
sacrifício. Pode ter havido mais de uma razão para a exigência de um animal puro,
mas com certeza não se permitia a ninguém oferecer um animal deformado,
passando, assim, pela forma do sacrifício sem pagar qualquer valor real.
O objetivo do sacrifício, porém, não era empobrecer ninguém. Na realidade, a
lei permitia a substituição por formas menos dispendiosas de sacrifício, muito
provavelmente de acordo com a condição econômica do adorador:
Gado (1.3-9)
Carneiros e cabritos (v. 10-13)
Pássaros (v. 14-17)

A oferta do holocausto foi um sacrifício concebido como expiação dos pecados.


Aqui é usado o termo técnico “fazer expiação por” (kippêr) (Lv 1.4). Existe um debate
acerca da etimologia deste termo que é aplicável a mais de uma forma de sacrifício.
Enquanto alguns relacionam o termo ao verbo “resgatar” (kõper), outros o associam
a Akkadian “limpar”.
Em defesa adicional da função expiatória desse sacrifício, o rito de colocar uma
mão sobre a cabeça da vítima sacrificial é interpretado de forma correta como um ato
de identificação entre o adorador e a vítima antes dela ser morta.
O sacrifício, no entanto, também era um presente a Deus. Com exceção da pele
que ia para os sacerdotes (Lv 7.8), todo o sacrifício era queimado e dedicado ao
Senhor.
O holocausto era provavelmente o sacrifício que ocorria com mais frequência,
embora ele fosse muitas vezes feito em associação com os dois descritos a seguir (Ex
29.38-41; Nm 6.11-12; 28.2-8; 2Cr 29.20-24.
A oferta de cereais (Lv 2; 6.14-23). A oferta de cereais obtém seu nome de seu
ingrediente principal, a flor de farinha. Dois outros componentes são azeite e incenso.
Apenas uma pequena porção da farinha e do azeite era misturada com todo o
incenso e queimado em honra ao Senhor. O incenso proporcionava um aroma
agradável ao sacrifício, mas era separado do restante da farinha e azeite doados aos
sacerdotes para a sua alimentação.
Esse sacrifício enfatiza a função de oferta mencionada acima. De fato, como é
frequentemente apontado, o termo 'oferta de cereais” (minhâ) pode ser e é muitas
vezes traduzido por “tributo” (p. ex., Jz 3.15,17-18; 2 Sm 8.6; lRs 4.21). Essa oferta
era um presente dedicado ao soberano Senhor do pacto, sendo muitas vezes
realizada em conjunto com o holocausto que o precedia (Ex. 29.40-41; Nm 15-1-10;
28.5-8).
A descrição do sacrifício é dividida em três subcategorias:

Oferta de cereais crus (2.1 -3)


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Oferta de cereais assados (v. 4-10)


Outros tipos de oferta de cereais (v. 11-16)

A oferta da comunhão (Lv 3; 7.11-38). O termo hebraico para esse sacrifício


(se lãmim) vem da popular palavra hebraica que significa “paz” (shalôm), assim
muitas traduções referem-se a ela como “oferta de paz”. A retribuição recíproca,
“oferta da comunhão" fundamenta-se no fato de que nesse sacrifício predomina o
companheirismo tanto entre o adorador e Deus quanto entre os próprios adoradores.
O termo “paz” tem uma significação de pacto definida nas Escrituras, denotando
o “todo” da relação que existe entre os membros do pacto. A refeição compartilhada
que é o resultado desse sacrifício é uma celebração do pacto. Cada um adquire um
pedaço da oferta: o Senhor (Lv 3.3-4), o sacerdote (7.28) e os adoradores.
Apesar da função de oferta do sacrifício ser acentuada, não devemos omitir o
fato de que o sacrifício é uma oferta e um ato de expiação. Este pode ser visto no
ritual de colocar as mãos sobre a cabeça do animal sacrificado (Lv 3.2).
Como os dois capítulos anteriores, este também pode ser subdividido em três
partes, descrevendo as diferentes formas que o sacrifício pode tomar. O adorador
pode oferecer qualquer um dos seguintes animais:
Gado (3.1-5)
Carneiro (v. 6-11)
Cabritos (v. 12-17)

A oferta pelo pecado (Lv 4.1—5.13; 6.24-30). A oferta pelo pecado, algumas vezes
chamada de oferta pela purificação, obviamente tem a ver com a remissão do
pecado. Como já visto, porém, esse não é o único sacrifício com função expiatória. A
distinção aqui se refere ao fato de ser destinado aos que pecaram de forma não
intencional. Alguns exemplos de pecados não intencionais podem ser encontrados em
5.1-6 e uma distinção entre pecados não intencionais e “arbitrários” pode ser
verificada em Números 15.22-31.
O tipo de sacrifício no caso depende do status do ofensor. Em escala
decrescente, o sacrifício é para:
O sacerdote (4.3-12)
A comunidade israelita (v. 13-21)
O líder da comunidade israelita (v. 22-26)
O israelita leigo (v. 27-35)

A oferta pela culpa (Lv 5-14—6.7; 7.1-10). Essa oferenda tem muito em comum
com a oferta pelo pecado. Os casos referidos à primeira, no entanto, são restritos as
ofensas contra as “coisas de Deus”, quer dizer, as sancta [as coisas sagradas]
(Milgrom). Esse sacrifício exige um pagamento adicional de vinte por cento como
oferta pela culpa. Essa característica levou Milgrom e Wenham a denominar esse
sacrifício de “a oferta pela reparação”.
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Sacerdócio. Além do sacrifício, o sacerdócio é uma preocupação central do livro, O


nome Levítico parece indicar, de fato, a sua forte ênfase no sacerdócio. Grande
parte do livro é de instrução aos sacerdotes, ou então de como os leigos devem se
relacionar com aqueles. As breves seções narrativas enfocam a ordenação do
sacerdócio e apresentam um esboço sobre os perigos inerentes ao sacerdócio.
Embora seja verdade que uma completa compreensão da teologia do sacerdócio
deva considerar muito do Antigo Testamento, Levítico fornece o cerne da informação
necessária ao nosso entendimento do assunto.
Em primeiro lugar, o ensino sobre o sacerdócio em Levítico enfatiza o tema
global da santidade de Deus. Afinal de contas, os sacerdotes passam muito tempo na
presença do Santíssimo. Como resultado, boa parte de seu comportamento orienta-se
para o fato de que eles também devem ser santos.
Isso pode ser visto na sua ordenação (Lv 8). A cerimônia da ordenação separou
Arão e seus filhos para o serviço especial ao Senhor. A investidura em trajes
sacerdotais assim como a unção com óleo identifica-os com o tabernáculo, que é
um lugar reservado para a presença da santidade de Deus. Eles também
oferecem sacrifícios para expiarem os seus pecados. Desse modo, eles próprios se
tornam santos.
Depois da ordenação, os sacerdotes, então, iniciam o serviço de proteger a
santidade do acampamento através do sacrifício (Lv 1—7; 9), Levítico também
adverte os sacerdotes de que eles devem ser muito rígidos no seu comportamento na
presença de um Deus Santo. Quando os dois filhos de Arão, Nadabe e Abiú,
ofereceram “fogo estranho” perante o Senhor (Lv 10), eles foram imediatamente
consumidos pelo fogo, e Deus proclamou:

Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a mim e serei glorificado


diante de todo o povo (10,3).

Muitas das leis em Levítico foram dirigidas aos sacerdotes de modo que eles
pudessem preservar a sua santidade (Lv 21—22). Também fazia parte das suas
obrigações ensinar a lei aos Israelitas (2Cr 17.7-9) e, assim, proteger a santidade de
Deus no acampamento. Como disse Deus a Arão, em Levítico 10.11, “ensinardes aos
filhos de Israel todos os estatutos que o SENHOR lhes tem falado por intermédio de
Moisés”.
Assim, em poucas palavras, podemos resumir a função principal do sacerdócio
de acordo com Levítico: eles deviam proteger a santidade de Deus no acampamento.

Pureza. Uma preocupação principal das leis de Levítico está relacionada com a
pureza cultual, também conhecida como purificação. Dieta (c. 11), parto (c. 12),
doenças de pele e mofo (c. 13-14), e impurezas (c. 15) são alguns entre os muitos
tópicos tratados no livro com relação à purificação.
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Deus estava presente com Israel, a pureza do acampamento tinha que ser
mantida. Essas leis indicavam a Israel e aos guardiões da santidade de Deus, os
sacerdotes, como manter o acampamento puro.
No centro do acampamento estava o tabernáculo, no qual a arca, o símbolo
máximo da presença de Deus, era mantida. A partir desse ponto, havia níveis
diferentes de santidade representados, entre outras coisas, pela exclusão de certas
classes de pessoas (v. Fig. 2, p. 71).
Qualquer um podia morar fora do acampamento: era o reino dos impuros e dos
gentios. Somente os israelitas eram autorizados a morar no acampamento. Os Levitas
funcionavam como um anteparo entre o acampamento em geral e o tabernáculo,
enquanto apenas aos sacerdotes era permitido entrar no tabernáculo propriamente
dito. Levítico 16 fala da única vez ao ano em que o sumo sacerdote poderia sozinho ir
ao lugar mais santo de todos para executar um rito de expiação.
O ponto em discussão aqui, porém, diz respeito à distinção entre o puro e o
impuro. O sacerdote era responsável por diferenciar os dois e saber quem poderia
morar no acampamento e quem deveria ficar fora do acampamento para não ofender
a Deus.
Muitas explicações têm sido oferecidas sobre a razão por trás das leis de pureza
em Levítico. Uma interpretação favorita é que Deus estava protegendo a saúde do
povo de Israel através dessas leis. Ele os estava protegendo, por exemplo, dos
defeitos de nascença decorrentes do incesto pelas leis em Levítico 18 e 20. Assim
como os defendia de doenças através das leis kosher em Levítico 11. Embora possa
haver alguma verdade nessa abordagem, ela não fornece uma razão holística para
interpretar as leis. Algumas das comidas não são insalubres. Entre outros motivos
(Wenham, p. 166-7), o fato de Jesus Cristo declarar tais alimentos puros indica que,
neste ponto, está em jogo mais do que higiene.
Uma segunda interpretação comum dessas leis centra-se no esforço divino em
manter Israel longe da idolatria. Porém, nem tudo da lei pode ser explicado assim.
Talvez o símbolo de animal mais poderoso em Canaã naquele período fosse o touro,
que os adoradores de Baal adotavam para simbolizar seu ídolo. Aceita semelhante
interpretação do culto israelita, seria difícil entender porque o touro não foi banido de
Israel.
EM DIREÇÃO AO NOVO TESTAMENTO
Qual é o valor que perdura Levítico? Essa questão tem incomodado os leitores
judeus e cristãos ao longo dos séculos. Para os primeiros, a perda do templo suscita o
problema, mas a continuação das leis da dieta (kashrut) e a esperança de algum dia
a adoração no templo ser retomada apresentam uma resposta ao menos parcial.
Para o cristão, Hebreus fornece orientação na medida em que apresenta Jesus Cristo
como o Sumo Sacerdote perfeito que se oferece em sacrifício perfeito. Como dito em
Hebreus 9.26:
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Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a
fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou
uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado.

Jesus é o derradeiro Sumo Sacerdote. Ao comparar o sacerdócio normal do


Antigo Testamento com a misteriosa figura de Melquisedeque, o autor de Hebreus
resolve também o problema do contexto não-Levítico de Jesus (Lv 7.14). Em todo
caso, o sacerdócio de Arão e o sistema sacrificial do Antigo Testamento anteciparam
uma realidade maior, isto é, Jesus Cristo como o último sacerdote e o sacrifício
suficiente (Hb 4.14—5.10; 7— 10; v. também Rm 8.3; Ef. 5.1).

“A redenção foi tipificada no cordeiro da Páscoa, e não nas ofertas


levíticas. Estas ensinam o povo de Deus como adorar, dar graças e restaurar
a comunhão interrompida pelo pecado.”.